16 ATRIBUNA VITÓRIA, ES, DOMINGO, 07 DE SETEMBRO DE 2014 
Cidades 
ADEMIR RIBEIRO/AT 
CAROLINA MAYUMI, 32 anos, diz que está satisfeita com a carreira que escolheu: “Sou feliz com o que faço” 
MULHERES PODEROSAS 
Bióloga ajuda a polícia 
a prender criminosos 
Carolina Mayumi é 
perita criminal. Por 
meio de exames, ela 
compara o material 
genético da vítima 
com o do suspeito 
Heloiza Camargo 
Avontade de fazer justiça e 
ser útil para a sociedade fez 
com que a bióloga de forma-ção 
Carolina Mayumi, 32, se tor-nasse 
perita criminal. 
Hoje, ela trabalha no laboratório 
de DNA da Polícia Civil e auxilia 
na resolução de crimes cometidos 
no Estado. 
O trabalho de Carolina envolve 
comparar, por meio de exames, o 
material genético encontrado na 
vítima com o do suspeito. 
Ela faz desde identificação de 
ossadas humanas até verificação 
de esperma encontrado em víti-mas 
de estupro. 
Ela afirma que, por isso, sente-se 
“fazendo justiça com as próprias 
mãos”. 
“É gratificante saber que meu 
trabalho ajuda a prender um cri-minoso. 
Como também é bom 
quando alguém que estava preso 
indevidamente é solto depois dos 
exames de DNA”. 
Natural de Brasília, Distrito Fe-deral, 
Carolina prestou concurso 
público há sete anos para perita 
criminal no Estado. 
Entre 2007 e 2012, exerceu a 
função na regional de Colatina, 
trabalhando diretamente nas ce-nas 
de crime. 
Depois disso, mudou-se para Vi-tória 
e passou a trabalhar no labo-ratório 
de DNA da Polícia Civil. 
A experiência in loco, garante a 
bióloga, trouxe a ela visão de como 
as pessoas praticam os crimes. “Fi - 
quei mais ligada. Jamais compra-ria 
uma moto ou deixaria minha 
filha sozinha com uma babá que 
eu não confiasse, por exemplo”. 
Mesmo com tantos anos de ex-periência, 
Carolina ainda se choca 
com os crimes com os quais lida 
diariamente. 
“Vem crescendo o número de 
estupros dentro da própria família. 
Isso mexe comigo. Os assassinatos 
por motivos banais também são 
muito difíceis de assimilar”. 
Apesar do abalo emocional, ela 
ressaltou que, no momento em 
que esta fazendo a perícia, o foco 
vai para a solução. “Só penso em 
achar uma prova que seja incon-testável”. 
A carreira, afirmou Carolina, é 
fonte de muito prazer e satisfação 
pessoal. 
“Sou feliz com o que faço. Acho 
que gostar daquilo que se faz é 
80%. Salário vem bem depois. Eu 
não prestaria outro concurso para 
ganhar o dobro se fosse em outra 
área”, disse. 
Inspiração em séries policiais 
A bióloga e mestre em Biotecno-logia 
Carolina Mayumi, 32, for-mou- 
se em Biologia na Universi-dade 
de Brasília (UNB), em 2006. 
Já durante o curso, ela desejava 
unir a profissão que escolheu a al-go 
que pudesse ajudar a sociedade 
a ser mais justa. 
E foi assistindo a séries policiais 
americanas que ela percebeu que 
trabalhar na área forense seria 
uma boa alternativa para atender 
aos seus anseios. 
“Aquele ambiente de perícia e de 
uso de técnicas que eu já sabia pa-ra 
auxilio na resolução de crimes 
me atraiu”, contou. 
Depois de passar em um con-curso 
público no Estado e ter de 
sair de Brasília, sua cidade natal, 
ela, que achou a adaptação inicial 
difícil, encontrou um amor. 
Hoje, é casada com um delegado 
paulista que veio para o Espírito 
Santo também depois de passar 
em um concurso. 
“Tentamos não levar trabalho 
para casa, para não ficarmos o dia 
inteiro falando de crimes. Meu 
marido é cinéfilo e aproveitamos o 
momento em que nossa filha de 2 
anos vai dormir para assistir a fil-mes. 
Esse é um dos meus maiores 
hobbies”, contou. 
Nos feriados prolongados, ela 
quase sempre viaja com a família. 
“Como não somos daqui, sempre 
levamos nossa filha para ver os 
avós em São Paulo e em Brasília”. 
As férias também são omomen-to 
ideal para viagens. 
“Brinco que tudo que junto de 
dinheiro é para gastar emviagens. 
Consigo desligar, relaxar e ficar 
em família”. 
“É gratificante 
saber que meu 
trabalho ajuda a prender 
um criminoso” Carolina Mayumi, 
perita criminal e bióloga 
DOUTOR NAZAR 
doutorjosenazar@gmail.com 
... os impedimentos do viver! 
Que cansaço é esse que não me permite realizar as coi-sas 
que eu gostaria de fazer? Uma depressão que se 
arrasta e me torna refém de uma desgraça pesarosa! 
Será que eu não quero aquilo que desejo? 
Parece simples, mas não é. Os 
transtornos me atordoam e me 
deixam numa escuridão sem 
condições de poder discernir o 
que eu verdadeiramente quero. 
Sinto-me aprisionado, sem re-cursos 
para levar adiante os meus 
projetos, perdido nas indecisões. 
O que fazer com essa terrível 
alternância do humor, disso que 
me tira do sério, lançando-me em 
uma confusão que arranca o que-rer 
das minhas decisões? 
O fracasso reiterado na minha 
vida amorosa faz com que eu me 
sinta um derrotado, sem possibi-lidades 
de reagir no conforto 
frente às paralisias do meu que-rer. 
Estou sendo nocauteado pela 
minha própria vida! 
De onde vêm esses sofrimentos 
que me impedem de usufruir o que 
tenho nas minhas mãos? Parece que 
a minha cabeça é uma eterna fonte 
de erros que me levam ao insucesso. 
Sinto-me condenado 
à repetição de um na-da 
que não leva a lu-gar 
algum! 
O que adoece o 
ser humano? Você 
pode não aceitar, 
nem acreditar, mas 
a raiz de todo trans-torno 
psíquico não 
se encontra em ne-nhuma 
transmissão 
hereditária, biológi-ca, 
As palavras 
dos pais têm 
o poder de 
fustigar, 
arrasar, 
aniquilar a vida 
de uma criança 
fisiológica. 
Nada disso justifica o nasci-mento 
de uma patologia psíqui-ca! 
Destino? Isso não existe! Mau 
olhado, fatalidade, desvios reli-giosos 
não constituem elementos 
capazes de causar patologias. 
O que realmente adoece o ser 
humano, desde seus primeiros 
tempos de criança, são as pala-vras 
dos pais. As palavras dos 
pais, ou de seus substitutos, têm o 
poder de fustigar, de arrasar, de 
aniquilar a vida de uma criança. 
Elas podem desenhar uma tra-jetória 
para o melhor ou para o 
pior. Algumas palavras são vivi-das 
e sentidas como extrema-mente 
traumatizantes. 
O interessante é que pode 
acontecer de não ser somente 
uma palavra má. Pode ser tam-bém 
uma boa palavra, dita com 
boas intenções. O problema é a 
sua tenacidade, o teor de uma 
exigência que vem carregada do 
forte peso de certos ideais. Isso 
sim pode levar uma criança a su-cumbir 
e a fracassar na vida. 
O tom da voz dos pais, o conteú-do 
das palavras, o fora do tempo 
de suas intervenções: isso adoece 
uma criança, esta que continuará 
viva, habitando a intimidade do 
jovem, atrapalhando o bom anda-mento 
de uma trajetória do adul-to 
até seus últimos dias. 
Mais ainda, esta criança, adoe-cida 
do peso de algumas palavras, 
vai carregar a sua patologia como 
um bem precioso para ele pelo 
resto da vida. O indivíduo vive no 
conforto das suas resignações, 
pois, tem medo de pensar! 
Mas o ser humano, ele mesmo 
deseja mudar? Quase sempre 
não! Por quê? Sua dificuldade re-side 
no medo de deixar de ser es-ta 
criança magnífica que susten-tou 
o desejo de seus pais, que pre-encheu 
suas lacunas, suas faltas, 
seus desencontros, suas dores. 
O sujeito passa a se reconhecer 
amado, mesmo que em sua des-graça, 
nesta posição diante da vida 
que se lhe apresenta. Tem medo, 
um certo horror de ser ele mesmo, 
dificuldades de tomar as rédeas da 
sua vida. Por isso, não se questio-na, 
aceita de bom 
grado a vida como 
esta se apresenta. 
Viver, pois, a vida 
como ela se apre-senta 
é, por assim di-zer, 
continuar no 
conforto de gozar 
numa dor paralisan-te: 
o pior exerce um 
fascínio, isso causa 
gozo no sofrimento. 
O ser humano é, 
por estrutura, al-guém 
que sente prazer no sofri-mento. 
A dor psíquica é a sua ver-dadeira 
dor. Ela pode ser vivida 
na cabeça e no corpo. 
Os transtornos sintomáticos, is-so 
que desequilibra, quando não 
são traduzidos em boas palavras, 
eles próprios falam através do 
corpo, através de diversos tipos 
de disfunções do organismo. 
O sujeito, ao falar, pode se escu-tar 
naquilo que está dizendo, en-contrar 
as razões de suas angús-tias, 
seu mal-estar, suas inibições, 
sentir-se mais livre em suas emo-ções. 
Mas isso pode ser diferente, 
o sujeito pode acreditar que não é 
obrigado a carregar nos seus om-bros 
o peso dos erros dos pais, da 
história de seus antepassados. 
Ele pode escolher o melhor, 
deixando de lado o pior, traindo 
uma herança maldita. Se ele se 
propõe realmente a mudar as 
coisas como elas são, no sentido 
de conquistar um pouco de liber-dade, 
de escolher um novo cami-nho 
a seguir, ele vai acreditar: 
sim, é possível inventar uma nova 
maneira de ser! 
JOSÉ NAZAR é psiquiatra e 
psicanalista.

Bióloga ajuda a PC a prender criminosos

  • 1.
    16 ATRIBUNA VITÓRIA,ES, DOMINGO, 07 DE SETEMBRO DE 2014 Cidades ADEMIR RIBEIRO/AT CAROLINA MAYUMI, 32 anos, diz que está satisfeita com a carreira que escolheu: “Sou feliz com o que faço” MULHERES PODEROSAS Bióloga ajuda a polícia a prender criminosos Carolina Mayumi é perita criminal. Por meio de exames, ela compara o material genético da vítima com o do suspeito Heloiza Camargo Avontade de fazer justiça e ser útil para a sociedade fez com que a bióloga de forma-ção Carolina Mayumi, 32, se tor-nasse perita criminal. Hoje, ela trabalha no laboratório de DNA da Polícia Civil e auxilia na resolução de crimes cometidos no Estado. O trabalho de Carolina envolve comparar, por meio de exames, o material genético encontrado na vítima com o do suspeito. Ela faz desde identificação de ossadas humanas até verificação de esperma encontrado em víti-mas de estupro. Ela afirma que, por isso, sente-se “fazendo justiça com as próprias mãos”. “É gratificante saber que meu trabalho ajuda a prender um cri-minoso. Como também é bom quando alguém que estava preso indevidamente é solto depois dos exames de DNA”. Natural de Brasília, Distrito Fe-deral, Carolina prestou concurso público há sete anos para perita criminal no Estado. Entre 2007 e 2012, exerceu a função na regional de Colatina, trabalhando diretamente nas ce-nas de crime. Depois disso, mudou-se para Vi-tória e passou a trabalhar no labo-ratório de DNA da Polícia Civil. A experiência in loco, garante a bióloga, trouxe a ela visão de como as pessoas praticam os crimes. “Fi - quei mais ligada. Jamais compra-ria uma moto ou deixaria minha filha sozinha com uma babá que eu não confiasse, por exemplo”. Mesmo com tantos anos de ex-periência, Carolina ainda se choca com os crimes com os quais lida diariamente. “Vem crescendo o número de estupros dentro da própria família. Isso mexe comigo. Os assassinatos por motivos banais também são muito difíceis de assimilar”. Apesar do abalo emocional, ela ressaltou que, no momento em que esta fazendo a perícia, o foco vai para a solução. “Só penso em achar uma prova que seja incon-testável”. A carreira, afirmou Carolina, é fonte de muito prazer e satisfação pessoal. “Sou feliz com o que faço. Acho que gostar daquilo que se faz é 80%. Salário vem bem depois. Eu não prestaria outro concurso para ganhar o dobro se fosse em outra área”, disse. Inspiração em séries policiais A bióloga e mestre em Biotecno-logia Carolina Mayumi, 32, for-mou- se em Biologia na Universi-dade de Brasília (UNB), em 2006. Já durante o curso, ela desejava unir a profissão que escolheu a al-go que pudesse ajudar a sociedade a ser mais justa. E foi assistindo a séries policiais americanas que ela percebeu que trabalhar na área forense seria uma boa alternativa para atender aos seus anseios. “Aquele ambiente de perícia e de uso de técnicas que eu já sabia pa-ra auxilio na resolução de crimes me atraiu”, contou. Depois de passar em um con-curso público no Estado e ter de sair de Brasília, sua cidade natal, ela, que achou a adaptação inicial difícil, encontrou um amor. Hoje, é casada com um delegado paulista que veio para o Espírito Santo também depois de passar em um concurso. “Tentamos não levar trabalho para casa, para não ficarmos o dia inteiro falando de crimes. Meu marido é cinéfilo e aproveitamos o momento em que nossa filha de 2 anos vai dormir para assistir a fil-mes. Esse é um dos meus maiores hobbies”, contou. Nos feriados prolongados, ela quase sempre viaja com a família. “Como não somos daqui, sempre levamos nossa filha para ver os avós em São Paulo e em Brasília”. As férias também são omomen-to ideal para viagens. “Brinco que tudo que junto de dinheiro é para gastar emviagens. Consigo desligar, relaxar e ficar em família”. “É gratificante saber que meu trabalho ajuda a prender um criminoso” Carolina Mayumi, perita criminal e bióloga DOUTOR NAZAR doutorjosenazar@gmail.com ... os impedimentos do viver! Que cansaço é esse que não me permite realizar as coi-sas que eu gostaria de fazer? Uma depressão que se arrasta e me torna refém de uma desgraça pesarosa! Será que eu não quero aquilo que desejo? Parece simples, mas não é. Os transtornos me atordoam e me deixam numa escuridão sem condições de poder discernir o que eu verdadeiramente quero. Sinto-me aprisionado, sem re-cursos para levar adiante os meus projetos, perdido nas indecisões. O que fazer com essa terrível alternância do humor, disso que me tira do sério, lançando-me em uma confusão que arranca o que-rer das minhas decisões? O fracasso reiterado na minha vida amorosa faz com que eu me sinta um derrotado, sem possibi-lidades de reagir no conforto frente às paralisias do meu que-rer. Estou sendo nocauteado pela minha própria vida! De onde vêm esses sofrimentos que me impedem de usufruir o que tenho nas minhas mãos? Parece que a minha cabeça é uma eterna fonte de erros que me levam ao insucesso. Sinto-me condenado à repetição de um na-da que não leva a lu-gar algum! O que adoece o ser humano? Você pode não aceitar, nem acreditar, mas a raiz de todo trans-torno psíquico não se encontra em ne-nhuma transmissão hereditária, biológi-ca, As palavras dos pais têm o poder de fustigar, arrasar, aniquilar a vida de uma criança fisiológica. Nada disso justifica o nasci-mento de uma patologia psíqui-ca! Destino? Isso não existe! Mau olhado, fatalidade, desvios reli-giosos não constituem elementos capazes de causar patologias. O que realmente adoece o ser humano, desde seus primeiros tempos de criança, são as pala-vras dos pais. As palavras dos pais, ou de seus substitutos, têm o poder de fustigar, de arrasar, de aniquilar a vida de uma criança. Elas podem desenhar uma tra-jetória para o melhor ou para o pior. Algumas palavras são vivi-das e sentidas como extrema-mente traumatizantes. O interessante é que pode acontecer de não ser somente uma palavra má. Pode ser tam-bém uma boa palavra, dita com boas intenções. O problema é a sua tenacidade, o teor de uma exigência que vem carregada do forte peso de certos ideais. Isso sim pode levar uma criança a su-cumbir e a fracassar na vida. O tom da voz dos pais, o conteú-do das palavras, o fora do tempo de suas intervenções: isso adoece uma criança, esta que continuará viva, habitando a intimidade do jovem, atrapalhando o bom anda-mento de uma trajetória do adul-to até seus últimos dias. Mais ainda, esta criança, adoe-cida do peso de algumas palavras, vai carregar a sua patologia como um bem precioso para ele pelo resto da vida. O indivíduo vive no conforto das suas resignações, pois, tem medo de pensar! Mas o ser humano, ele mesmo deseja mudar? Quase sempre não! Por quê? Sua dificuldade re-side no medo de deixar de ser es-ta criança magnífica que susten-tou o desejo de seus pais, que pre-encheu suas lacunas, suas faltas, seus desencontros, suas dores. O sujeito passa a se reconhecer amado, mesmo que em sua des-graça, nesta posição diante da vida que se lhe apresenta. Tem medo, um certo horror de ser ele mesmo, dificuldades de tomar as rédeas da sua vida. Por isso, não se questio-na, aceita de bom grado a vida como esta se apresenta. Viver, pois, a vida como ela se apre-senta é, por assim di-zer, continuar no conforto de gozar numa dor paralisan-te: o pior exerce um fascínio, isso causa gozo no sofrimento. O ser humano é, por estrutura, al-guém que sente prazer no sofri-mento. A dor psíquica é a sua ver-dadeira dor. Ela pode ser vivida na cabeça e no corpo. Os transtornos sintomáticos, is-so que desequilibra, quando não são traduzidos em boas palavras, eles próprios falam através do corpo, através de diversos tipos de disfunções do organismo. O sujeito, ao falar, pode se escu-tar naquilo que está dizendo, en-contrar as razões de suas angús-tias, seu mal-estar, suas inibições, sentir-se mais livre em suas emo-ções. Mas isso pode ser diferente, o sujeito pode acreditar que não é obrigado a carregar nos seus om-bros o peso dos erros dos pais, da história de seus antepassados. Ele pode escolher o melhor, deixando de lado o pior, traindo uma herança maldita. Se ele se propõe realmente a mudar as coisas como elas são, no sentido de conquistar um pouco de liber-dade, de escolher um novo cami-nho a seguir, ele vai acreditar: sim, é possível inventar uma nova maneira de ser! JOSÉ NAZAR é psiquiatra e psicanalista.