CENTRO UNIVERSITÁRIO POSITIVO – UNICENP
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – PUBLICIDADE E PROPAGANDA
OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO
RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS
CURITIBA
2007
ANDRÉ CAMLOT
FELIPE BIESCZAD
MICHELLE CRISTINA TAKASHIMA DE PAULA CASTRO WALTER
THIAGO AISENGART ACCIOLY RODRIGUES DA COSTA
URIEL REIS PEREIRA GIONÉDIS
OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO
RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS
Monografia apresentada como requisito parcial à
conclusão do curso de Publicidade e Propaganda,
Núcleo de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
do Centro Universitário Positivo – UNICENP.
Orientador: Prof. Alexandre Tadeu dos Santos
CURITIBA
2007
iii
Dedicamos este trabalho a todas às pessoas
que, de maneira direta e indireta,
contribuíram com informações essenciais
para o desenvolvimento e conclusão do
mesmo.
iv
Ao Professor Alexandre Tadeu dos Santos pela orientação sempre presente e confiante,
contribuindo substancialmente para nossa formação.
Ao Professor Celso Rogério Klammer pelas suas indicações e examinação contundente.
Aos demais professores da graduação que, de alguma forma, contribuíram para o
andamento e conclusão desta pesquisa, bem como para a nossa formação.
À Laura Spuldaro pelas colaborações e força durante a realização deste projeto.
A Henrique Gusso Netzka pelo desenvolvimento e implantação da pesquisa na Internet,
bem como, a toda sua acessibilidade e tecnologia.
A todas as pessoas que colaboraram respondendo e divulgando a pesquisa.
À Helen Marie Dobignies, da Rádio 91 Rock; Felipe Harmata Marinho, da PontoCom
Comunicação Interativa e Marcelo Basso, da Playlist Soluções, por terem cedido parte
do seu tempo, contribuindo, respondendo a entrevista e fornecendo todas as
informações necessárias para o desenvolvimento deste trabalho.
A todos os profissionais que, também, foram essenciais para a realização das pesquisas,
indicando as pessoas certas para serem entrevistadas.
A nossa família e amigos, pelo carinho e paciência, pela compreensão nas ausências e,
sobretudo, pelo companheirismo na construção de nosso conhecimento.
v
SUMÁRIO
RESUMO.......................................................................................................................vi
INTRODUÇÃO .............................................................................................................1
INTERNET: UM NOVO MEIO DE COMUNICAÇÃO COMO CENTRO
DISSEMINADOR DA INFORMAÇÃO .....................................................................4
1.1 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: BASE PARA O CRESCIMENTO DO
CONSUMO EM MASSA ...............................................................................................4
1.2 A INTERNET COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÃO .........10
1.3 INTERATIVIDADE, MOBILIDADE E CIBERCULTURA: O MUNDO TODO
CONECTADO 24 HORAS POR DIA..........................................................................14
1.4 REALIDADES SOBRE A CIBERCULTURA E OS ASPECTOS SOCIAIS .......18
1.5 APARATOS DA INTERNET: MEIOS DIVERSOS DE SE COMUNICAR........19
1.6 A INTERNET NA CONTEMPORANEIDADE ....................................................22
A NOVA FORMATAÇÃO DO MEIO RÁDIO, ADERINDO À TECNOLOGIA
DA INTERNET ...........................................................................................................25
2.1 A HISTÓRIA DO RÁDIO CONVENCIONAL .....................................................25
2.2 RÁDIO DIGITAL COMO EVOLUÇÃO DO RÁDIO CONVENCIONAL..........29
2.3 WEBRADIO: SEU NASCIMENTO E SUA EVOLUÇÃO ....................................33
OUVINTES OU INTERNAUTAS? COMO SE FIGURA O MEIO RÁDIO NA
INTERNET E COMO ESTÁ A SUA ACESSIBILIDADE?...................................37
CONCLUSÃO..............................................................................................................45
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................48
ANEXOS.......................................................................................................................54
vi
RESUMO
Estudo sobre o nascimento do webradio como uma nova mídia ímpar na evolução
tecnológico-digital do fim do século XX e início do século XXI. Com o propósito de
se analisar de que forma o webradio é classificado dentro dos meios de comunicação
(se este se figura como meio de comunicação ou não), esse trabalho toma como base
fundamental as teorias de cibercultura e Internet que, por exemplo, Castells, Pierre
Lévy, Lúcia Santaella, Marshall McLuhan e Deleuze e Guattari, formularam em suas
pesquisas e estudos. Parte-se da premissa de que, com o surgimento da Internet, os
meios de comunicações de massa tiverem de se adaptar frente a nova realidade
cibernética que alterou os modos de comportamento comunicacionais e os próprios
meios de comunicação. Nesse sentido, o rádio convencional teve também de se adaptar,
de certa forma e em certa medida, resultando no webradio. Esse estudo tem como
enfoque principal, ainda, analisar se as pessoas que ouvem rádio via Internet figuram-
se como ouvintes propriamente dito ou como internautas. Dessa maneira, estudaram-se
teorias sobre cibercidade, tendências dos internautas e foram realizadas entrevistas
com profissionais da área de Internet e webradio e questionário com internautas.
Palavras-chave: Revolução Industrial; mass medias; Internet; cibercultura; ciberespaço;
pós-humano; pós-modernidade; radiodifusão; rádio digital; webradio.
INTRODUÇÃO
O rádio nasceu no Brasil repleto de dificuldades “refletidas num constante
surgimento e desaparecimento de inúmeras emissoras” (CABRALE, 2004, p.12),
devido às leis e códigos de comunicação que estavam em vigência e pelos altos
investimentos necessários para se manter uma emissora de rádio. Tornou-se o
companheiro da dona-de-casa durante as atividades domésticas, acompanha o
motorista no trânsito e os profissionais no trabalho, convertendo-se “em um meio
fundamental de informação e entretenimento” (Ibid., p.7-8). Entretanto, com o advento
da Internet, todos os meios de comunicação tiveram que se adaptar à nova realidade; e
com o rádio não poderia ser diferente.
Já no fim do século XX, o rádio dava seus passos de adesão à tecnologia da
rede mundial de computadores.
Milhares de estações em todo mundo, quase meia centena no Brasil, criaram Web-sites1
[sic].
Entre todas há um crescente número de estações para entrevistas e bate-papos. A maioria se
encontra, apenas, na fase de autopromoção, anunciando concursos promocionais e listagens de
músicas mais tocadas ou comentários dos ouvintes, informando sobre a Estação [sic] com
links2
e sobre outros sites3
. Outras, a minoria, exploram de tecnologia às transmissões ao vivo,
em tempo real, permitindo aos usuários ouvir músicas e locuções (MICK, 1998, p.4).
Tal adesão se tornou uma tendência, a ponto de existirem, hoje, rádios criadas
especificamente para Internet, como a rádio da UFPR4
.
Porém, todo esse advento é conseqüência de um processo evolutivo que se
iniciou com a Revolução Industrial, passando aos mass medias (meios de comunicação
de massa). Da mesma forma que a Revolução despertou novos comportamentos nas
pessoas, o advento da Internet e suas implicações dão margem a novos acontecimentos
sociais e comportamentais, levando os internautas a ouvirem rádios on-line 5
.
1
Websites são páginas ou coleções de páginas exibidas na Internet. Podemos comparar ao endereço de
uma casa. É um website que é acessado para que se exiba o conteúdo procurado.
2
Palavras ou imagens que, quando clicadas, permitem o acesso à outra página ou a exibição de outro
conteúdo.
3
Abreviação de website.
4
Rádio UFPR. Disponível em: www.radio.ufpr.br.
5
Forma de exibição na Internet.
2
Entretanto, neste trabalho, não serão pesquisados os comportamentos específicos do
público que ouve webradio e, sim, se esse público é classificado como internauta ou
ouvinte (como no rádio convencional).
O tema foi escolhido tendo em vista as novas mudanças tecnológicas ocorridas
neste e no último século, fazendo com que surgissem novas formas de relacionamento
entre as pessoas e novas fontes de informações e entretenimento. “O sujeito da pós-
modernidade é ‘performático’, vive só o momento, está voltado para o gozo a curto
prazo e a qualquer preço, é o ‘sujeito perverso’ clássico” (DUPAS, 2007, p.53),
passando a interagir a distância por meio das mídias globais que permitem exibições
instantâneas de todos os tipos e de qualquer lugar do mundo. A ponto de que “[...] a
televisão e os demais veículos clássicos de comunicação estão sendo desafiados pela
Internet e por outras tecnologias que oferecem opções mais amplas de serviços de
informação e entretenimento” (DIZARD, 2000, p.19).
Busca-se, no presente trabalho, entender de que maneira a revolução
tecnológica do século XXI altera as ferramentas da Internet e o modo do ouvinte lidar
com o meio rádio e, de que maneira este na sua versão on-line é classificado dentro
dos meios de comunicação.
O primeiro capítulo apresenta as revoluções que fizeram com que houvesse
uma maior demanda por transmissão de mensagens, a alteração da relação entre os
seres humanos, passando a se confundir o espaço real e virtual6
e as implicações da
Internet.
O segundo capítulo oferece ao leitor a história do rádio convencional e a
evolução para o rádio digital, bem como os estudos primordiais do webradio.
6
“A palavra ‘virtual’ pode ser entendida em ao menos três sentidos: o primeiro, técnico, ligado à
informática; um segundo, corrente e um terceiro, filosófico. [...] na acepção filosófica, é virtual aquilo
que existe apenas em potência e não em ato, o campo de forças e de problemas que tende a resolver-se
em uma atualização. O virtual encontra-se antes da concretização efetiva ou formal. [...] No uso
corrente, a palavra virtual é muitas vezes empregada para significar a irrealidade [...] é virtual toda
entidade ‘desterritorializada’, capaz de gerar diversas manifestações concretas em diferentes
momentos e locais determinados, sem, contudo, estar ela mesma presa a um lugar ou tempo em
particular” (LÉVY, 2005, p.47).
3
No terceiro capítulo, são interpretadas as respostas da pesquisa aplicada com
ouvintes de rádio, bem como as entrevistas realizadas com profissionais que estão em
contato diário com as tendências do rádio na Internet.
Assim, este trabalho é divido, para um melhor entendimento teórico, em quatro
etapas, sendo que: na primeira foi definido o objeto de pesquisa, sendo dividida em
três pontos (formulação do problema de pesquisa, quadro teórico de referência e
hipóteses); na segunda etapa houve a definição do instrumento de pesquisa que foi
aplicado; seguindo para a descrição (tabulação da pesquisa) na terceira etapa e; por fim,
o confronto de dados da pesquisa empírica com o quadro teórico de referência.
Em virtude da complexidade do tema escolhido, fez-se necessário o
embasamento em autores que trataram e tratam do assunto de forma incisiva,
caracterizados por obras e estudos de difícil compreensão e análise teórica. Ainda, este
é um tema inesgotável, cabíveis atualizações a qualquer instante, podendo ser
realizada uma posterior continuação nos estudos.
4
INTERNET: UM NOVO MEIO DE COMUNICAÇÃO COMO CENTRO
DISSEMINADOR DA INFORMAÇÃO
Será que quem tem Internet vive sem ela? Desde o dia em que se adquire o
primeiro computador e acesso à Internet, certamente passa a haver uma relação de
coexistência. Passou a ser uma relação de necessidade instantânea e desesperadora
para aqueles que a possuem.
Neste capítulo busca-se mostrar essa transformação e suas implicações.
1.1 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: BASE PARA O CRESCIMENTO DO
CONSUMO EM MASSA
“[...] Marshall McLuhan propõe [...] que se busque uma base tecnológico-
material que sirva para isolar as várias fases de civilização percorridas pelo homem.
[...] o fenômeno que mais contribuiu para determinar uma das maiores ‘mutações’ da
história da civilização foi a invenção da imprensa com tipos móveis, presumivelmente
por parte de Gutenberg, em torno de 1450, em Mogúncia [...]” (CASTAGNI, 1987,
p.88). Portanto, a invenção de Gutenberg contribuiu para a evolução do homem
moderno e, constata-se que o progresso tecnológico da idade industrial já estava
disponível nessa fase em que o homem ficou habituado à produção em série e à
automatização dos próprios movimentos, fatos que foram trazidos pela invenção da
imprensa.
Assim, tem-se como exemplo, a evolução da fabricação do livro na sociedade,
fato que foi crescendo exponencialmente ao mesmo tempo em que a busca por uma
tecnologia que suprisse uma demanda cada vez maior pela leitura também se
encontrava em seu auge.
[...] estudar a vida de Gutenberg é aproximar-se daquele período histórico em que muitos
outros artesãos experimentavam um sistema cômodo para multiplicar os livros [...], é
aproximar-se de todo aquele universo de inventores e empresários que já gravitava em torno
do livro. [...] é simples compreender como [...] num período de grande desenvolvimento
produtivo e comercial [...] a procura de um modo mecânico que satisfizesse a crescente
5
exigência de livros e inflamasse a cabeça de obscuros artesãos e inventores improvisados
(CASTAGNI, 1987, p. 88-89).
É possível comparar a dimensão da importância da prensa do século XV com o
que a Internet propicia na troca de informações. “É razoável [...] imaginar que, daqui a
15 ou 20 anos, a rapidez e a queda de custos nas trocas de informação que a Internet
possibilita terão surtido efeitos tão (ou mais) radicais em nossa cultura, quanto a
prensa de Gutenberg teve no século XV” (ERCILIA , 2001, p.12).
Com a Revolução Industrial notou-se uma crescente demanda por comunicação
que disseminavam as novas idéias e produtos que estavam surgindo naquela época.
Segundo Pignatari (2002, p.17-18), “[...] o interesse crescente pelos problemas de
comunicação e a necessidade de maior precisão na emissão de mensagens de qualquer
tipo estão vinculados [...] à Revolução Industrial”. Entende-se por Revolução
Industrial, de acordo com Manangão (2007), o período que se estende a partir de 1750,
em que houve uma série de transformações sociais e que se observa a saída de um
sistema, antes, feudal para o que então chamaremos de capitalista. Dividida em três
períodos, para efeitos principalmente didáticos, o primeiro foi a implementação da
industrialização e fabricação em série; o segundo acarretou o crescimento de mercados
e posterior intensificação de meios de comunicação, sendo de importante valor para a
cultura de massa e; no terceiro concentrou-se a multinacionalização e a mundialização,
fenômenos da globalização. Portanto, de 1815 a 1890, os mercados se ligaram aos seus
consumidores através do aumento de meios de transporte e de comunicação, como
telégrafo, telefone, jornais e revistas. Isso levou a sociedade a consumir em massa e a
universalizar a educação básica existente.
[...] assim como a industrialização cria o mercado de consumo e a necessidade de
alfabetização universal, cria, também, a necessidade de informações sintéticas para o grande
número: o jornalismo e o livro, no século passado; o cinema, o rádio e a televisão, em nosso
século. Cada um desses meios e todos eles em atrito determinam modificações globais de
comportamento da comunidade, para os quais é necessário encontrar a linguagem adequada
(PIGNATARI, 2002, p.18).
Segundo Lombardi (1987, p.144), “não pode haver dúvida sobre o fato de que
as inovações técnicas, ligadas à Revolução Industrial, tenham assegurado ao livro um
6
desenvolvimento extraordinário e tenham permitido a consolidação de iniciativas
editoriais mais vinculadas a atualidades, como por exemplo, a revista e o jornal. [...] as
inovações de Gutenberg [permitiram] a passagem de uma ‘cultura oral’ para uma
‘cultura de mídia’”. Dentro desse pressuposto, a evolução da fabricação do livro levou
a, então e posterior, passagem de uma cultura que apenas a minoria teria acesso ao que
se chama de cultura de massa.
A evolução na feitoria do livro levou a criar novos formatos adaptados deste
meio como, por exemplo, o jornal e, posteriormente, a revista. Essa evolução foi
extremamente positiva na medida em que se disseminaram e se criaram novos
formatos e formas de leituras. Como afirma Lombardi (1987, p.182), com o passar dos
anos o livro deixou de ser a única forma de mensagem escrita, passando a ser apenas
mais uma forma de transmissão de códigos escritos. Assim, surgiram os livros de
notícias, com informações de caráter político e econômico, que eram embriões dos
jornais, tanto que em Veneza e França essas publicações eram denominadas Avisos e
Gazetas, e na Inglaterra, News papers.
No Brasil, a escrita deu-se mais tarde, quando, há aproximadamente cem anos,
a imprensa iniciou sua atividade e o país conseguiu manter jornais em cada capital e
nas mais importantes cidades. Já, as revistas ganharam destaque nos anos 1940-50,
com o sobressalto das revistas O Cruzeiro e Manchete.
Foi o rádio que mais contribuiu para o desenvolvimento da mídia no país,
viabilizando a comunicação de massa. Entretanto, foi a televisão que mais teve
destaque como mass media. Segundo Rosa (1998, p.1), a televisão surgiu na década de
1950, período em que o país vivia sua primeira fase de industrialização através das
multinacionais.
“A invenção da televisão [...] é [...] o resultado de um longo processo de
pesquisas e descobertas [...], é derivada de um conjunto de invenções e
desenvolvimentos da eletricidade, fotografia, cinematografia e radiofonia” (SARTORI,
1987, p.249-250). Pode-se observar que a televisão se desenvolveu, similarmente,
como uma empresa e só depois amadureceu para um caráter institucional (um sistema
industrial completo, dirigido a um público de massa).
7
[...] a idéia da cinematografia também estava crescendo: se a lanterna mágica (projeção de
placas) era conhecida desde o século XVIII e o simples movimento (de uma placa sobre a
outra) foi conseguido em 1736, é por volta de 1825-26 que se assiste a um desenvolvimento
dos aparelhos mecânicos cinematográficos [...] para finalmente chegar [...] aos trabalhos de
Friese-Greene e de Edison, a respeito das técnicas de filmagem e projeção, precursoras dos
primeiros espetáculos cinematográficos (SARTORI, 1987, p.250).
Após o ano de 1900, os aglomerados industriais aumentaram exponencialmente,
fazendo crescer a sociedade de consumo de massas e, dessa maneira, permitindo que
os meios de comunicação avançassem de maneira vertiginosamente rápida. Tem-se
nessa etapa da Revolução Industrial, o surgimento da globalização, que está implicada
na idéia de “planetarização”, ou seja, no nivelamento das diferenças. Historicamente,
acontece no início da Era Moderna, quando os novos instrumentos tecnológicos
possibilitaram uma visão global da Terra. Portanto, a globalização é “teledistribuição”
mundial de um padrão de pessoas, coisas e informações (SODRÉ, 2003, p.23).
Ainda sobre a globalização, Manangão (2007) diz que a internacionalização, a
multinacionalização e a mundialização são fenômenos interconectados; expressões que
transformam o capitalismo financeiro, centrado, principalmente, nas economias
nacionais e na economia mundial. Com esses fenômenos, como a globalização,
localizados na terceira fase da Revolução Industrial, nota-se uma constante busca de
meios em que os mercados pudessem interagir de forma dinâmica e não fracionada, de
preferência, em um espaço temporal curto. Agora que tudo está conectado entre si
(ideologicamente), torna-se necessário desenvolver ou potencializar um meio em que
de fato conecta-se tudo (fisicamente).
Porém, essa questão de se ter um meio que pudesse gerar resultados imediatos
de comunicação entre diversos mercados somente veio a se intensificar na pós-
Revolução Industrial. Segundo Dupas (2007, p.16), após a Revolução e com o início
da chamada ‘era da pós-modernidade’, a máquina foi substituída pela informação,
sendo que o contato entre as pessoas passa a ter como meio a tela eletrônica. A
comunicação em rede foi, então, desenvolvendo-se, permitindo que as pessoas
pudessem realizar negócios globais e, ao mesmo tempo, trocar informações em tempo
real. Foi, então, essa comunicação em rede que começou a esboçar um espaço de
trocas de informações em tempo real.
8
Tem-se, desde meados do século XIX, que a humanidade vive a perspectiva da
vinda de um novo tempo, no qual passaria a vigorar algo pós-humano no lugar dos
próprios humanos. Entende-se como pós-humano, de acordo com Pepperell (2007),
aquele que ultrapassa os limites do ser humano convencional, almeja conhecimento e
informação mais do que pode absorver, ser poderoso em sua essência. Aí surge o
termo “super-homem”, ao qual Nietzsche acentua em sua obra Assim falou Zaratustra,
ao mesmo tempo em que anuncia a morte de Deus, ou seja, o niilismo. Atualmente,
atingir o super-humano tornou-se uma meta. Por exemplo, já, há pessoas com vontade
de experimentar situações que até pouco tempo atrás se restringiam ao universo
ficcional: como foi com a Internet, como está sendo com viagens espaciais, entre
outros. Todos os progressos tecnológicos da sociedade humana conduzem num sentido
que torna redundante a espécie humana tal como a conhecemos atualmente. Sobre essa
abordagem, que traz discussões sobre a ficção e a realidade, pode-se dizer que
[...] em função da aceleração descontínua do tempo, pensar na realidade é impossível, pois o
virtual a elimina, assim como acaba também com a imaginação do real, do político e do social,
no passado e no futuro. Denominado como tempo real, essa referência de passagem de tempo
caracteriza-se pela falta de realidade objetiva, na qual os fatos não conseguem ter um tempo
próprio para realizar-se, ocorrendo assim, operações simultâneas que não dão conta de
expressar algum sentido (AMARAL, 2007, p.5).
Ou seja, hoje se fala tanto em real e virtual, que as pessoas começam a
confundir o que seria ficção do que seria realidade, até que a própria idéia de realidade
se perde dando mais espaço para aquilo que é virtual. É como se fossem passarinhos
dentro de um grande aquário de vidro totalmente lacrado, que ao tentar fugir debatem-
se constantemente contra o vidro, pois a barreira é impossível de se ultrapassar, porém
é incompreensível para suas percepções que eles não consigam sair. Isto seria idéia do
virtual, pois para os passarinhos o vidro não existe, uma vez que não o compreendem,
mesmo, na realidade, o vidro estando lá.
“Hoje, com a cibernética e a automação, toda a produção é programada e a
questão não se coloca mais em termos musculares, mas antes, em termos de sistema
nervoso: as máquinas passam a ser complexos de organismos informacionais e as
9
relações entre as coisas vão substituindo a visão da coisa em si” (PIGNATARI, 2002,
p.19).
“[...] uma civilização totalmente nova e distante deste mundo, na qual os
humanos não terão lugar de importância e em que apenas as mentes mais conscientes
terão um poder inimaginável por nós” (RÜDIGER, 2007). Essas citações corroboram a
idéia de que a humanidade está tendendo a se tornar uma sociedade de maquinização
completa, em que o virtual passa a vigorar de forma constante em todo o mundo.
Existe uma teoria, explicada pelos autores Deleuze e Guattari (2007), que
esclarece de forma muito bem colocada essa sociedade de maquinização (homem e
máquina). O conceito traz a expressão ‘maquínico’, criada por eles, que quer dizer não
só o mecânico, não a máquina tomada em seu mecanicismo, em seu funcionamento
automático e previsível, mas sim aquilo que produz desterritorialização, que abre
novas possibilidades de experiência, sensações e afetos. Por isso, a subjetividade (que
inclui o inconsciente, mas não deriva apenas dele) é uma máquina desejante, onde o
desejo não é nem representação da falta, nem romance familiar, nem pneumática
anímica (id/ego/superego), mas produção concreta, com as forças e os fluxos. É o
trabalho de aumento de potência da vida, criando agenciamentos – formas, atitudes e
devires – no encontro dos corpos que são conceitos, afetos, pessoas e fatos. Na
definição de Foerster (2007), o cérebro é uma máquina não trivial, sensível à
modificação de seus próprios estados internos, dependente do passado e analiticamente
imprevisível; uma máquina que trabalha todos os dados que entram, sempre
procurando novos resultados e respostas. Sagan (1996, p.124-126) reforça essas
considerações ao afirmar que o número de estados diferentes de um cérebro humano é
(1013
)2
dez trilhões de vezes elevado à segunda potência:
Esses números enormes podem também dar alguma explicação sobre a imprevisibilidade do
comportamento humano e sobre aqueles momentos que surpreendemos a nós mesmos pelo
que fazemos [...] Todos os estados do cérebro não estão de modo algum ocupados: deve haver
um número enorme de configurações mentais que nunca entraram e nem mesmo foram
vislumbradas por nenhum ser humano na história da espécie. Deste ponto de vista, cada ser
humano é verdadeiramente raro e diferente [...] (SAGAN, 1996, p.124-126).
10
Para Deleuze e Guattari (2007), a subjetividade está sendo produzida,
materialmente, não apenas no cérebro, mas pelo corpo todo e por todos os corpos. Ela
habilita a criação de universos biopsicossociais e é na mistura das máquinas sociais
(instituições e leis) com as máquinas técnicas (avanços tecnológicos e descobertas
científicas) e as máquinas estéticas (arte) que a subjetividade humana move seu devir.
Há mais de 50 anos, segundo Rüdiger (2007), Adorno percebeu uma tendência
que ele chamou de aumento da composição maquinística do ser humano. Para ele, não
só as capacidades técnicas, mas também nossas capacidades criativas são inteiramente
voltadas ao sistema de produção capitalista. É de responsabilidade da humanidade
refletir se o advento da cibercultura não é uma passagem para um estágio superior
desse processo identificado por Adorno, pois neste sistema quebram-se múltiplas
províncias e culturas, torna-se estéril a formação dos seres humanos, passa-se a ser
cibernética a relação entre os seres, tudo contribuindo para a formação de seres
maquinísticos.
Todos os fenômenos abordados anteriormente, cibercultura, pós-humano e
maquinização são provenientes de uma época mais recente da Modernidade. Para
entendermos o surgimento deles é necessário retomar ao ponto inicial, que deu origem
a todos esses momentos que vivemos até hoje.
1.2 A INTERNET COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÃO
Diante da necessidade cada vez maior de se obter informações e realizar
contatos em tempo real, surgiu um esboço do que seria a Internet – a ferramenta
tecnológica que mais se desenvolveu no mais curto espaço de tempo. Esse protótipo,
denominado como redes informáticas interconectadas (interconnected networks),
apesar de globalizadas em apenas quatro anos, segundo Garcia (2007), tinha sido
criada em 1945, no pós-Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos da América por
Vannevar Bush, professor do Massachusetts Institute of Technology, que imaginou um
sistema de armazenamento de documentos que funcionaria tal como a teoria das
extensões de Marshall McLuhan, de acordo com os mecanismos cognitivos de
11
associação e memorização do cérebro humano. Mas só onze anos mais tarde, em 1956,
um laboratório americano conseguiria inventar o aparelho que se tornaria o modus
operandi para estabelecer a ligação telefônica entre dois computadores e, desta forma,
permitir que, clicando em um link, os cibernautas acessassem a um outro local. Esta
possibilidade de encontrar, tão rapidamente, a informação na Web (World Wide Web –
teia de aranha mundial), constituída por todos os tipos de páginas (textos, gráficos,
sons, imagens e vídeos), é que veio revolucionar e transformar as nossas posturas e
comportamentos na sociedade contemporânea.
Essa revolução acaba por alterar a nossa relação espaço-temporal como toda
mídia, representando um novo meio de emitir informação além do espaço e do tempo.
A transformação midiática faz com que vivenciemos “[...] uma sensação de tempo real,
imediato, ‘live’, e de abolição do espaço físico-geográfico [alterando] nossa percepção
espaço temporal” (LEMOS, 2003, p.14).
A Internet, como uma ferramenta fundamental para que se possa comunicar
globalmente em tempo real, só vem a se consolidar na chamada Revolução
Tecnológica que surge no início do século XXI e vai até os dias de hoje. Esse
momento, em que o mundo ainda vive, é um período que tem como base fundamental
o progresso e as novas tecnologias capazes, cada vez mais, de permitir trocas de
informações em termos globais, de criar mercados unificados e consumo em massa.
Cada vez mais o mundo se vê na exigência do consumo imediato e da satisfação rápida.
[...] hoje se percebe uma expansão violenta de conhecimentos científicos e tecnológicos
aplicados à produção, o que ocorre principalmente nos países de economia mais avançada. A
biotecnologia, a informática e a robótica, entre outras ciências, ao mesmo tempo em que
ampliam a capacidade produtiva, tornam-na menos dependente do esforço físico humano. Daí
resultam alterações tão significativas nas relações de produção, a ponto de configurar-se um
processo revolucionário do modo de produção capitalista. Processo que pode resultar tanto em
crises e mudanças radicais nesse modo de produção, e em seus ajustes institucionais, quanto
no delineamento de um novo modo de produção. De fato, a fábrica do futuro terá alguns
técnicos e cientistas no lugar de centenas de operários. E produzirá muito mais (FERRARI,
2007).
É a era da informática, da robótica, da Internet. Um período em que se tem que
permanecer on-line durante o dia todo, recebendo e enviando informações. Santaella
(2007) já falava que esse momento é o período do pós: pós–moderno, pós–humano,
12
onde o homem é substituído pela facilidade que a tecnologia proporciona: o
computador e os robôs. A Internet está em todo lugar, desde em sua casa até em seu
celular. As empresas passam a usar a Internet cada vez mais para divulgar seus
produtos e serviços, enquanto as pessoas (internautas) recebem cada vez mais
informações, consumindo tudo muito rápido. Tudo isso contribuiu para que a Internet
se tornasse um novo meio de comunicação. Um meio revolucionário que tem em seu
corpus outros meios de comunicação convencionais: jornal, revista, folhetim, rádio e
televisão. Resta-se saber de que forma todas essas fases que culminaram com o
surgimento da Internet como novo meio de comunicação, alteram os modos de
comportamento e hábitos de consumo das pessoas ligadas a essa nova tendência. E
quanto ao meio rádio que, de certa forma, está inserido na Internet através do webradio,
configura-se como um novo meio?
Na metade do século XX a imprensa perdeu seu monopólio como meio de
comunicação e iniciou-se uma fase onde existem novos instrumentos capazes de
eliminar barreiras geográficas, lingüísticas e culturais. Segundo Gomes (2001, p.72),
para McLuhan esse fenômeno é denominado como retribalização e “estaria ligado à
constituição de uma aldeia global, da qual a televisão seria o veículo base, com uma
linguagem universal: a imagem, que seria a linguagem da evidência”.
Hoje, esse momento de retribalização estaria mais ligado à Internet, como
veículo com uma linguagem universal de comunicação. A retribalização é a terceira
etapa da evolução cultural classificada por McLuhan. A primeira é a tribalização, que
começa durante a humanização, em que o ser humano assimila a linguagem que surge
nas comunidades das forças produtivas; nesse momento, os indivíduos não mais lutam
entre si e começam a estabelecer padrões culturais, que são transmitidos às outras
gerações através da comunicação. “A limitação residia em que a transmissão dependia
da memória dos anciãos e de sua habilidade para transmitir às gerações futuras os
padrões culturais” (GOMES, 2001, p.71-72). A segunda fase é a destribalização que
começa com a invenção da escrita, rompendo os laços tribais, libertando o ser humano
da dependência de seus ancestrais.
13
A invenção do alfabeto ocorreu cerca de quatro mil anos antes da era cristã, mas a sua difusão
somente se verificou muitos anos depois. O motivo disso [...] é que a escrita não apenas
significava instrumento de comunicação ou de registro cultural, era antes de tudo, símbolo do
poder. [...] o aparecimento da escrita significava potencialmente a acessibilidade de todos os
indivíduos aos bens culturais da comunidade [...]. A escrita [destruiu] a vida tribal. Agora a
imprensa, fase extrema da cultura alfabética, completará a obra. Com o livro, a cultura deixa
de ser privilégio das elites e dos poderosos, colocando-se à disposição de um maior número de
pessoas (GOMES, 2001, p.72).
Para Baudrillard (2007) a Internet tem o papel de simular um espaço de
liberdade e de descoberta, mas apenas de simular, pois para toda busca, o que se
considera uma navegação sem fronteiras e ilimitada, há um roteiro pré-estabelecido.
Por exemplo, ao se acessar o site de busca Google7
tem-se a sensação de possuir o
mundo no monitor; entretanto, ao clicar em tópicos escolhidos, já existe um caminho
para se guiar. Já, Lévy (2005, p.17) sustenta a possibilidade de interconexão entre
indivíduos a partir da adesão ao ciberespaço, ou seja, a rede se constituiria um novo
meio que seria apta a proporcionar um grau elevado de usuários, uma comunicação
democrática e globalizada. O resgate da instantaneidade, presente na Internet, implica
a construção de uma inteligência coletiva que remete ao ideal proposto, em 1960, por
McLuhan, de “aldeia global”, caracterizado como
[...] uma era de comunicação intensa que reuniria em troca de mensagens instantâneas e
contínuas toda a Terra [...] [em] um processo de troca de informações cada vez mais rápido e
intenso [...] que elevaria à perda ou [...] à uma transformação profunda, das referências nas
quais as culturas costumavam se orientar, envolvendo todos em torno de acontecimentos
comuns [...] com dimensões que abarcariam um mundo inteiro (PEREIRA, 2007).
Portanto, McLuhan antecipa a idéia de uma enorme rede de comunicação que
poderia ser a Internet. “A idéia da aldeia global, ou a teia global, como poder-se-ia
traduzir, hoje, o novo modo de comunicação eletrônica ultra-rápida que envolve todo o
planeta, apresenta, ainda, as preocupações de McLuhan acerca das alterações
subjetivas em processo desde as ações dos novos meios” (Ibid.).
7
Google. Disponível em: www.google.com.br.
14
1.3 INTERATIVIDADE, MOBILIDADE E CIBERCULTURA: O MUNDO TODO
CONECTADO 24 HORAS POR DIA
“O termo ‘interatividade’, em geral, ressalta a participação ativa do beneficiário
de uma transação de informação. [...] mesmo sentado na frente de uma televisão sem
controle remoto, o destinatário decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema
nervoso [...] sempre de forma diferente de seu vizinho” (LÉVY, 2005, p.79).
Lévy (2005, p.80) nos fala que o modelo de mídia interativa é o telefone, pois,
permite a conversação, a comunicação e a reciprocidade. O autor sustenta esta posição,
dizendo que o telefone nos coloca em contato com o “corpo” do interlocutor.
Entretanto, a comunicação virtual é mais interativa que a comunicação pelo telefone,
uma vez que pode ser constituída de mensagem em imagem, texto ou voz, tendo
inserido, de certa maneira, o telefone em sua forma de comunicação. Assim, o virtual é
o modelo de mídia completo, agrupando todas as maneiras de se comunicar.
A partir da interatividade, ocorre uma necessidade evolutiva de se avançar na
forma de transmissão de mensagens. Assim, surge a mobilidade (dispositivos capazes
de operar a uma certa distância ou sem a necessidade de um fio conector), que se
estende para todas as áreas, desde negócios até entretenimento. Com a possibilidade de
se conectar a qualquer hora e em qualquer lugar, a sociedade começa a desenvolver
um eminente vício por estar on-line quase que 24 horas por dia. Como acentua
Valentim (2007), as tecnologias móveis permitem a articulação do espaço físico e
virtual, fazendo com que tudo possa ser localizado e conectado sem-fio, entre si e em
toda a parte do planeta, através do ciberespaço. As localidades com maior mobilidade
são aquelas cidades conectadas em redes globais, através de redes telecomunicacionais
de computadores e sistemas de transporte computadorizados. São grandes metrópoles
concentradoras de infra-estruturas, pessoas, tecnologias, dados, recursos econômicos e
atividades comerciais e industriais. A mobilidade se torna um fator qualitativo da
conexão. Nesta perspectiva, não existem mais pontos de conexão e sim, um ambiente
de conexão, onde todo o espaço que nos envolve se tornaria um ambiente interativo.
Desse modo, tem-se uma sociedade centrada, sobretudo na Internet e na necessidade
15
cada vez maior de estar conectado à teia global. Vê-se, nesse cenário, uma sociedade
cujo hábito está em não tirar os olhos da tela, em que a mente se preocupa, em
primeiro plano, com o fato de estar, em qualquer lugar e a qualquer hora, em um
ambiente global informatizado.
Ainda sobre o assunto de mobilidade, tem-se que, segundo Deleuze (2007),
estaríamos passando de sociedades disciplinares para sociedades de controle. Bauman
(2007) diz que as sociedades disciplinares tinham como objetivo vigiar e disciplinar a
reclusão, impedir que os indesejáveis para a sociedade escapassem ou fugissem dos
internatos. Hoje, o objetivo da sociedade de controle é vigiar e controlar a inclusão,
garantir que nenhum intruso entre nos controlatos8
. A mobilidade plena passa a ser
obtida quando se consegue, ao mesmo tempo, a inclusão global e a fuga da reclusão
local.
“[...] nas sociedades de controle não nos falta comunicação; ao contrário, temos
comunicação de sobra. O que nos falta é criação. [...] E criar não é apenas comunicar,
mas resistir. [...] a criação exige a construção de vacúolos de não-comunicação para
que alguma coisa finalmente mereça ser dita” (VALENTIM, 2007).
Todo esse assunto que diz respeito à mobilidade, fornece à Internet um amplo
destaque na medida em que não mais se necessita obrigatoriamente de um computador
ou notebook para se ter acesso ao conteúdo cibernético. Essas tecnologias da
mobilidade – computação portátil, telefonia móvel e redes sem-fio – passam a estar
vinculadas à cidadania que começa a ser exercida nas cibercidades (ambientes que
articulam a cidade física com o ciberespaço). Com o apoio da inteligência artificial,
caminhamos para a era da interface zero, onde basta armazenar os dados necessários
em um objeto, dispositivo, ou software (programa para computador) específico, para
que tudo se processe de maneira automática. Assim, tem-se uma sociedade ligada,
onde todos são virtuais e seus hábitos de consumos divididos em pequenos grupos,
todos habitantes da chamada cibercidade.
8
“[...] os controlatos são espaços de fluxos de dados, deformáveis e transformáveis” (VALENTIM,
2007, p.4).
16
As tecnologias de mobilidade, ainda segundo Valentim (2007), não são apenas
novas formas de controle e poder, mas também, novas alternativas de se resistir a esta
tendência. Muitos podem interpretar o fenômeno da mobilidade e da cibercidade como
meios de criação de uma sociedade homogênea em que todos não mais se importam
com outras pessoas, amigos, família, mas sim, com aqueles companheiros de web, que
estão conectados, também, a toda a hora. Ora, uma sociedade assim é facilmente
controlada: os hábitos são os mesmos, tudo pode ser monitorado, mapeado e
informatizado (e ainda com o consentimento da própria sociedade) tal como já previa
George Orwell em 1984. Será que este tipo de pensamento procede?
Não se pode pensar nessa questão sem antes se discutir sobre a cibercultura,
sendo entendida
[...] como a forma sócio-cultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura
e as novas tecnologias de base micro-eletônica que surgiram com a convergência das
telecomunicações com a informática na década de 70. [A cibercultura é criada a partir da
sinergia estabelecida pela relação da] [...] emergência de novas formas sociais que surgiram na
década de 60 (a sociabilidade pós-moderna) e das novas tecnologias digitais (LEMOS;
CUNHA, 2003, p.12).
Assim, pode-se dizer que a cibercultura é o presente, que já a estamos vivendo,
sendo conseqüência direta da evolução da cultura técnica pós-moderna. Para
compreender a cibercultura é necessária uma perspectiva histórica, com compreensão
dos diversos desdobramentos sociais, históricos, econômicos, culturais, cognitivos e
ecológicos de relação do homem com a técnica.
A cibercultura nasceu no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se
caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro.
Se para Heidegger (1954) a essência da técnica moderna estava na requisição energético-
material da natureza para livre utilização científica do mundo, a cibercultura seria uma
atualização dessa requisição, centrada, agora, na transformação do mundo em dados binários9
para futura manipulação humana (simulação, interatividade, genoma humano, engenharia
genética etc.) (Ibid., p.13).
A onipresença e a instantaneidade são marcas da sociedade da informação,
sendo saídas da conectividade generalizada. Porém, a cibercultura possui paradoxos
9
Dados binários são a linguagem que a tecnologia utiliza para conversar entre si.
17
pela sua instantaneidade: ao mesmo tempo em que “[...] pode inibir a reflexão, o
discurso e a argumentação; [...] permite a potência da ação imediata, o conhecimento
simultâneo e complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais” (LEMOS;
CUNHA, 2003, p.14).
A cibercultura permite estarmos em um lugar e agir em outro extremo,
aumentando as formas de ação e comunicação sobre o mundo, resultado de
[...] uma nova conjuntura espaço-temporal marcada pelas tecnologias digitais-telemáticas,
onde o tempo real parece aniquilar, no sentido inverso à modernidade, o espaço de lugar,
criando espaços de fluxos, redes planetárias pulsando no tempo real, em caminho para a
desmaterialização dos espaços de lugar (Ibid., p.14).
Segundo Lemos e Cunha (2003, p.14-15), instaura-se uma estrutura midiática
ímpar na história da humanidade, sob a nova dinâmica técnico-social da cibercultura,
permitindo que qualquer pessoa emita e receba informações em tempo real, sob
diversos formatos e modulações (escrita, imagética e sonora) para qualquer lugar do
mundo.
A resposta à pergunta sobre os novos comportamentos que a sociedade terá ou
não com o desenvolvimento da Internet, da mobilidade, da cibercultura e da
cibercidade, em um primeiro momento, nos é dada por Lemos e Cunha (2003, p.14-
15), que comentam que a mobilidade das conexões dos computadores provocará novas
formas de relações sociais e de relacionamento: “a passagem do PC [computador
pessoal] ao CC [revolução do ‘Wi-Fi’ (wireless fidelity) 10
] (computador conectado)
será prenhe de conseqüências para as novas formas de relação social, bem como para
as novas modalidades de comércio, entretenimento, trabalho, educação etc.”. Portanto,
há sim uma mudança de comportamentos e hábitos daqueles que estão ligados a todos
esses fenômenos citados.
Entretanto, a cibercultura pode criar um mundo virtual em que as pessoas
poderiam ser divididas tal como no mundo real. Essa realidade que, sobretudo, a
10
O “Wi-fi” é uma tecnologia de conectividade sem fio. (Mobilezone. Disponível em:
http://www.mobilezone.com.br/conect_wifi.htm. Acesso em: 08 ago. 2007)
18
Internet traz, faz com que se leve em considerações, aspectos sociais ligados à ela e à
própria cibercultura.
1.4 REALIDADES SOBRE A CIBERCULTURA E OS ASPECTOS SOCIAIS
Torna-se, então, importante destacar que o fenômeno de informatização e
Internet não estão amplamente disseminados a todos os habitantes do mundo. Como
acentua Castells (2003, p.265), existe a idéia de que a Internet, através da cibercultura,
está criando um mundo dividido entre aqueles que possuem acesso a ela e aqueles que
não possuem. O desenvolvimento da conectividade faz com que as taxas de acesso à
Internet sejam altas, o que colabora para que o que se chama de divisória digital deixe
de ser um problema.
O autor (CASTELLS, 2003, p.266) diz que negros, latinos e mulheres, segundo
dados da Jupiter Communications do ano de 2003, que utilizavam menos a Internet,
estão passando a se conectar mais. Nos Estados Unidos da América, por exemplo,
entre os universitários negros e latinos se pôde verificar a mesma taxa de uso da
Internet que entre os estudantes não negros e latinos. Por isso, a conectividade, no que
diz respeito a divisão social está diminuindo drasticamente. O que mais se torna
importante, do que se as pessoas têm ou não acesso à Internet, é justamente o fato de
quem tem capacidade educativa e cultural de se utilizar da Internet:
Uma vez que toda a informação está na rede [...] trata-se antes de saber onde está a informação,
como buscá-la, como transformá-la em conhecimento específico para fazer aquilo que se quer
fazer. Essa capacidade de aprender a aprender; essa capacidade de saber o que fazer com o que
se aprende; essa capacidade é socialmente desigual e está ligada à origem social, à origem
familiar, ao nível cultural, ao nível da educação. É aí que está, empiricamente falando, a
divisória digital neste momento (Ibid., p.266-267).
Ainda,
[...] não é a Internet que muda os comportamentos, mas os comportamentos que mudam a
Internet. Estudos que seguem, antes a linha de um painel [...] mostram a realidade da vida
social na Internet. [...] em primeiro lugar, as comunidades virtuais na Internet, também são
comunidades, ou seja, geram sociabilidade, relações e rede de relações humanas, porém não
são iguais às comunidades físicas. [...] as comunidades têm determinadas relações e as
19
comunidades virtuais têm outro tipo de lógica e de relações. [...] o mais interessante é a idéia
de que são comunidades de pessoas baseadas em interesses individuais e nas afinidades e
valores das pessoas (CASTELLS, 2003, p.273).
Na comunidade virtual, o espaço não é mais uma barreira e não se criam laços
fortes, embora sirva para se estreitar laços fortes que existam, já, no espaço físico.
Com isso, há uma tendência para a relação baseada no bairro, na escola, no
trabalho: as relações sociais são feitas por aquelas pessoas que buscam outras pessoas,
sem necessariamente trabalharem ou estudarem juntas.
Os impactos de novas tecnologias fazem com que se reconsidere o fenômeno
técnico. Pode-se dizer que os computadores são capazes de prover a simulação e não
mais possuem caráter de equipamento industrial. “Na cibercultura, como afirma com
pertinência Lévy, não podemos falar de lógica de substituição, nem de simples
transposição, mas de um fenômeno global de mudanças sócio-culturais complexas. É
neste terreno que cresce a atual cibercultura planetária” (LEMOS, 2004, p.256). Ou
seja, na cibercultura, que mistura tecnologia, imaginária e sociabilidade, as ruas são
aumentadas pela força do ciberespaço, pilotos podem treinar em simuladores, portanto,
as novas tecnologias tornam-se tão presentes que não se pode separar onde estas
começam e terminam. E a cibercultura é resultado das novas formas de relação social.
O reflexo de que a cibercultura está inserida na sociedade cada vez mais, está
no fato de que a imprensa, o rádio e a televisão disseminam diariamente notícias sobre
o mundo cibernético, fazendo com que exista uma febre que vai desde os jogos
eletrônicos ao erotismo; o que mostra que a cibercultura caracteriza-se por uma atitude
social das novas tecnologias.
1.5 APARATOS DA INTERNET: MEIOS DIVERSOS DE SE COMUNICAR
A cibercultura cria novas práticas comunicacionais, como o
[...] e-mail [correio eletrônico de mensagens] que revolucionou a prática de correspondências
pessoais para lazer ou trabalho; os chats [‘salas’ de conversação on-line] com suas diversas
salas, onde a conversação se dá sem oralidade ou presença física; os muds, jogos tipo role
playing games, onde usuários criam mundos e os compartilham com usuários espalhados pelo
20
mundo em tempo real [como, por exemplo, o Second Life – jogo virtual que transporta a vida
real para as telas do computador]; as lan houses [estabelecimentos que possuem serviços de
conexão à Internet, jogos em rede etc.], nova febre de jogos eletrônicos em redes domésticas;
as listas de discussão livres e temáticas; os weblogs, novo fenômeno de apresentação do ‘eu’
na vida cotidiana, onde são criados coletivos, diários pessoais e novas formas jornalísticas;
sem falar nas novas formas tradicionais de comunicação que são ampliadas, transformadas e
reconfiguradas com o advento da cibercultura, a exemplo do jornalismo on-line, das rádios on-
line, das TVs on-line, das revistas e diversos sites de informação espalhados pelo mundo
(LEMOS; CUNHA, 2003, p.17).
A partir desta citação, pode-se dizer que a Internet faz com que os meios de
comunicação já existentes se reconfigurem e não deixem de existir. Bem como a
Internet é um meio propiciador da criação de novas práticas para as mídias tradicionais,
não que a utilização da Internet por essas mídias faça criar novos meios de massa.
A Internet ganha um novo alicerce diante da possibilidade de que veio para
revolucionar os hábitos de consumo dos receptores: já existe a possibilidade de se
obter informações de outros meios convencionais através da Internet. E, ainda, esses
mesmos meios de comunicação tradicionais percebem essa nova tendência e tendem a
se reconfigurar para tentar não perder seu poder e seu sentido, bastando a eles adaptar-
se ao novo meio, muito mais poderoso e abrangente, para o qual sua disseminação
parece não ter fim.
Porém, “[...] a Internet não é uma mídia no sentido que entendemos as mídias
de massa” (Ibid., p.17). Isto, porque
não há fluxo um-todos e as práticas dos utilizadores não são vinculadas a uma ação específica
[...], não há vínculo entre o instrumento e a prática [se eu estou na Internet, posso estar
fazendo várias coisas neste meio; se digo que estou ouvindo rádio, eu apenas posso estar
ouvindo rádio]. A Internet é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e
não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo. [...] trata-se aqui da migração dos
formatos, da lógica da reconfiguração e não do aniquilamento de formas anteriores. Não é a
transposição e não é a aniquilação. Estamos mais uma vez diante da liberação do pólo da
emissão, do surgimento de uma comunicação bidirecional sem controle de conteúdo. E novos
instrumentos surgem a cada dia [...] (Ibid., p.17).
Portanto, a Internet pode ser considerada sim como novo meio de
comunicação – entretanto, não um meio de comunicação de massa, pois não fará com
que os outros meios deixem de existir; pelo contrário, a Internet vista como meio de
comunicação pode resgatar e complementar meios que já estariam se desgastando
21
como, por exemplo, o rádio convencional. Não é que a Internet se caracterize como
um meio com novas formas de comunicação, mas sim uma abrangência grande de
outros meios já existentes, ou seja, uma grande ferramenta capaz de integrar diversos
meios de comunicação de massa (televisão, jornal, rádio etc.), o que a faz ser poderosa
e muito heterogênea, figurando como uma nova mídia.
Dizard (2000, p.23) salienta que as novas tecnologias da comunicação não “[...]
se adequam à antiga definição de meios de comunicação de massa”, tendo em vista
que mídia de massa, historicamente, significa que através de canais distintos, produtos
de informação e entretenimento são levados a grande públicos.
Os novos desafiantes eletrônicos modificam todas essas condições. Muitas vezes, seus
produtos não se originam de uma fonte central. Além disso, a nova mídia, em geral, fornece
serviços especializados a vários pequenos segmentos de público. Entretanto, sua inovação
mais importante é a distribuição de produtos de voz, vídeo e impressos num canal eletrônico
comum, muitas vezes, em formatos interativos bidirecionais, que dão aos consumidores maior
controle sobre os serviços que recebem, sobre quando obtê-los e sob que forma (DIZARD,
2000, p. 23).
Ainda, Dizard (2000, p.24) destaca que a Internet foi criada como um veículo
de comunicação alternativo e que atualmente ainda é utilizada com esse propósito,
atingindo proporções mundiais no sistema de redes de computadores interligados,
alcançando mais de 150 países e reunindo, aproximadamente, 300 milhões de
computadores com mais de 400 milhões de usuários.
Segundo o Dicionário da Comunicação (RABAÇA; BARBOSA, 2007), os
meios de comunicação de massa possuem as seguintes características:
a) são operados por organizações amplas e complexas, envolvendo diversos
profissionais, com diferentes habilidades;
b) são capazes de difundir suas mensagens para milhares ou até milhões de
pessoas, utilizando grandes recursos tecnológicos (os veículos de massa),
sustentados pela economia de mercado (principalmente, na publicidade);
c) falam para uma audiência numerosa, heterogênea, dispersa geograficamente
e anônima;
22
d) e, principalmente, exercem uma comunicação de um só sentido, ainda que
possuam algum sistema de feedback (índices de audiência, por exemplo).
Por um lado, a Internet possui, de certa forma, ao menos as três primeiras
características citadas. Um site do tipo portal é uma organização ampla e complexa
que, através de um aparato tecnológico sofisticado, sustenta-se por verbas publicitárias;
difunde conteúdos para uma audiência numerosa, heterogênea, geograficamente
dispersa e anônima. Exatamente como acontece na comunicação de massa. Por outro
lado, diferentemente do que ocorre na comunicação de massa, a comunicação na
Internet pode ser feita apenas por uma pessoa, com no mínimo um simples computador
e uma linha telefônica ou, já, através de fibra óptica (Internet via rádio), Internet sem-
fio, entre outras novas maneiras de se conectar disponibilizando conteúdos para o
mesmo público. Necessariamente não precisa acontecer no mesmo sentido porque,
devido a suas características de sistema hipertextual, a Internet permite que a pessoa
faça seu próprio caminho para o acesso aos conteúdos, determinando quando e qual
informação quer receber, “sua postura deixa de ser a do receptor passivo para o
espectador e entra em cena o usuário” (MONTEIRO, 2007). A Internet é um veículo
de comunicação, de tecnologia revolucionária, que apresenta aspectos nunca previstos
no cenário da comunicação, como a conversação em tempo real, troca de documentos
on-line, álbuns de fotos e diários virtuais etc., passando a fazer parte do dia-a-dia das
pessoas.
1.6 A INTERNET NA CONTEMPORANEIDADE
Qualquer coisa que se diga hoje sobre a tecnologia da informação pode ser uma
notícia ultrapassada amanhã. Manter conteúdo sobre as atualidades da Internet se torna
um desafio, ao passo que tudo fica defasado em pouco tempo.
Entretanto, fatos marcantes e que refletem os dias de hoje, por mais que sejam
notícias velhas, devem ter seu conteúdo relevado.
23
Como, por exemplo, os blogs11
, que em 2005 e 2006 tiveram sua explosão no
mercado, como parte de que o século XXI será a Era da Internet. “[...] os blogs
tornaram realidade duas promessas da Internet. A primeira é a liberdade universal de
expressão. [...] A segunda promessa é a interatividade. [...], a ferramenta, que parecia
servir apenas para alguém escrever suas próprias opiniões e saber o que os amigos
achavam, tornou-se algo muito mais poderoso” (AMORIM; VIEIRA, 2006, p.101).
Essa ferramenta, já, foi responsável por desmoralizações, destruições, ameaças,
chantagens, denúncias e toda forma de conteúdo que se possa imaginar, sendo para o
bem ou para o mau.
Ou, talvez, o Youtube, site de exibição de vídeos – caseiros e profissionais –,
que marcou o fim da TV como se conhecia até hoje. O Youtube não se difere das
promessas dos blogs, bem como as cumpre muito bem. Isso é demonstrado pelo
número de 50 milhões de visitantes mensais em 2005, segundo Marthe (2006, p.89).
“Lá estão filmagens históricas, trechos de seriados ou novelas, vídeos independentes,
cenas caseiras de um bebê sorrindo ou de bichinho de estimação. [...] 100 milhões
desses clipes são baixados diariamente por usuários de toda a parte do mundo. [...]
Significa que, embrionariamente, o Youtube e seus concorrentes estão reinventado a
maneira como as pessoas vêem televisão” (MARTHE, 2006, p. 89).
E, indo um pouco mais adiante, na escala evolutiva do poder da Internet,
chegamos ao mais novo lançamento da Apple: o IPhone. Este aparelho celular, se é
assim que se pode chamar, atingiu o número de 1 milhão de vendas em uma semana.
Esse lançamento foi “[...] uma aula de inovação [...] com acesso à Internet e música
digital” (MARTHE, 2007, p.55).
Esses são apenas três exemplos da metamorfose que a Internet tem causado em
toda a esfera global, sendo que, dia-a-dia, esses acontecimentos são renovados e a
supremacia da Internet vai aumentando, e cada vez mais as pessoas vão se tornando
reféns da necessidade de estarem conectadas 24 horas por dia.
11
Blog “[...] é um diário diferente do comum, [...] o qual supõe segredo. Um diário, paradoxalmente,
público, feito para ser publicado diariamente na Internet e para ser lido. Baseado também na escrita
íntima, nas pequenas misérias cotidianas, nas opiniões e inquietações do autor, mas admitindo um
elemento novo: um público leitor. Admitindo, porque, pela primeira vez, pressupõe-se que o escrito
íntimo é algo feito com o intuito de ser desvendado e comentado” (SCHITTINE, 2004, p.61).
24
Todas essas invenções impulsionam o crescimento de usuários na Internet. Só
no Brasil, segundo matéria publicada na FolhaOnline12
, baseada na pesquisa global
divulgada pela consultora comScore Networks, existem aproximadamente 15 milhões
de pessoas com acesso à Internet, o que deixa o país em 11° lugar no ranking mundial
de quantidade de usuários na rede, que ficam navegando em média “21 horas e 20
minutos por mês”13
.
No mundo, segundo a FolhaOnline14
, já se somam cerca de 747 milhões de
usuários acima de 15 anos de idade, em janeiro de 2007, totalizando um crescimento
de 10% em relação ao mesmo período de 2006.
Após a análise da Internet e suas implicações, o capítulo seguinte tratará da
história do rádio convencional, do rádio digital e o advento do webradio.
12
FolhaOnline. Brasil é 11° país em número de internautas, diz pesquisa. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21758.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007.
13
FolhaOnline. Número de usuários de Internet aumenta 10% em um ano. Disponível em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21706.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007.
14
FolhaOnline. Tempo do brasileiro na Internet aumenta em mais de 3 horas em um ano.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ ult124u21706.shtml. Acesso em: 24
jun. 2007.
25
A NOVA FORMATAÇÃO DO MEIO RÁDIO, ADERINDO À TECNOLOGIA
DA INTERNET
O rádio consagrou-se pelo poder de despertar o imaginário do ouvinte. Quando,
na década de 1930, Orson Wells iniciou as transmissões da dramatização de “Guerra
dos Mundos”, com flashes realísticos de radialistas anunciando explosões em Marte e
meteoritos caindo sobre a Terra, entre intervalos de músicas, houve uma revolução na
forma de se fazer rádio.
E, agora, com o rádio via Internet se propagando, haverá uma reinvenção deste
meio?
2.1 A HISTÓRIA DO RÁDIO CONVENCIONAL
Em 1863, Clerck Maxwell, professor de Física da Universidade de Cambridge,
comprovou a existência das ondas eletromagnéticas. Assim, em 1887, conheceu-se o
princípio da propagação radiofônica, então pesquisada pelo físico alemão Henrich
Rudolph Hertz. Este, reforçou a existência de energia, prevista por Maxwell, em forma
de ondas eletromagnéticas que passaram a ser chamadas “ondas hertzianas”. Os
aparelhos montados por Hertz representaram uma forma embrionária de um
transmissor e de um receptor de oscilações eletromagnéticas.
Em 1896, o cientista italiano Marconi chegou à Londres, requereu e recebeu
uma patente do transmissor e receptor de radiocomunicação. No ano seguinte, foi para
Nova Iorque e repetiu com êxito a mesma manobra. Após fundar uma companhia
chamada Companhia Marconi (que tinha aspectos comerciais), popularizou e divulgou
o rádio como forma de comunicação entre as pessoas.
O inglês Oliver Lodge e o francês Ernest Branly inventaram o coesor, um
dispositivo para melhorar a detecção e indicar a presença de ondas eletromagnéticas.
Em 1897, Lodge inventou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitava a mudança
de sintonia ao selecionar a freqüência desejada. Lee Forest desenvolveu a válvula
26
triodo. Von Lieben, da Alemanha, e o americano Armstrong empregaram o triodo para
amplificar e produzir ondas eletromagnéticas de forma contínua.
Segundo Tavares (1999, p.30), no Brasil, o rádio também estava em
desenvolvimento. O cientista gaúcho, Padre Roberto Landell de Moura, nascido em
1861, construiu diversos aparelhos importantes para a história do rádio e que foram
expostos ao público de São Paulo em 1893.
Em 1904, o inglês John Ambrose Flemming, envolveu todo o filamento de uma
lâmpada com uma placa metálica,
como resultado, obteve corrente circulando entre o filamento e a placa, observando também
que variava de intensidade, de acordo com o diâmetro da placa e a distância dela em relação
ao filamento. A primeira válvula diodo de uso prático estava criada, pois Flemming teve a
feliz iniciativa de usá-la como detector de ondas radioelétricas. Os detectores existentes na
época como o ‘cohesor’ de Branly, o detector magnético de Marconi, o detector eletrolítico de
Ferrié e, até mesmo, os detectores de cristal de Galena, tinham pouca sensibilidade e
proporcionavam resultados precários. A válvula diodo de Flemming, como detectora tinha um
desempenho sensivelmente superior, tornando possível a recepção da maior distância para as
emissões radiotelegráficas (DACHIN, 2007).
Nos Estados Unidos foram anos de pesquisas e descobertas intensas até que, em
1916, Lee Forest instalou a primeira estação de radiodifusão na cidade de Nova Iorque.
Nesse ano, houve o primeiro programa de rádio que se teve notícia com um teor de
rádio-jornalismo, devido à transmissão das apurações eleitorais para a presidência dos
Estados Unidos.
O ano de 1919 deu início à chamada “Era do rádio”. A Westinghouse Eletric
construiu o microfone e fez nascer a radiodifusão. Ela fabricava aparelhos de rádio
para as tropas da Primeira Guerra Mundial e com o término do conflito ficou com um
estoque de aparelhos encalhados. A solução para evitar o prejuízo foi instalar uma
grande antena no pátio da fábrica e transmitir música para os habitantes do bairro.
Já no Brasil, a primeira transmissão radiofônica oficial foi o discurso do
Presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, em plena comemoração do centenário
da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1922. O discurso aconteceu numa
exposição, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, com o transmissor instalado pela
Westinghouse no alto do Corcovado. O “pai do rádio brasileiro” foi Edgar Roquette
27
Pinto que, juntamente com Henry Morize, fundaram, em 20 de abril de 1923, a
primeira estação de rádio brasileira: Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Foi aí que
surgiu o conceito de rádio-sociedade ou rádio-clube, no qual os ouvintes eram
associados e contribuíam com mensalidades para a manutenção da emissora, “a verba
arrecadada dessa forma era a principal, senão a única, fonte de renda das emissoras”
(CABRALE, 2004, p.12).
No campo da comunicação de massa, segundo Wright (1975, p.48), a
mensagem é pública, transitória e rápida. Pública pelo fato de não ser endereçada a
ninguém em particular; rápida, porque visa atingir grandes audiências em tempo
relativamente curto; e transitória, porque a intenção é que seja consumida
imediatamente. Naturalmente há exceções, como a gravação do áudio ou a captação
dos textos falados e fixados no banco de dados. Mais do que levar a informação ao
ouvinte, o rádio cumpre duas funções primordiais na comunicação de massa: “[...]
ajuda aqueles que não sabem ler e mantém contato com os que não podem ver”
(MCLEISH , 1986, p.15), sendo um meio de comunicação que não depende do sentido
visual e nem de conhecimento da escrita para que as pessoas possam se informar.
Barbeiro (2007) enfatiza que o rádio tem como principal característica a
instantaneidade e a espontaneidade, possibilitando à pessoa ouvir as notícias e exercer
alguma atividade simultaneamente, “causando repercussão social imediata e uma
resposta muito rápida”.
O rádio é um excelente meio de comunicação “porque suas irradiações sobre
acontecimentos especiais, relacionados direta ou indiretamente com os poderes
públicos e, também, com a população, repercutem nos eventos, realizações ou
reivindicações da população, injetando mais força quando transmitidas a toda uma
comunidade” (GOVEIA, 2007).
O rádio, portanto, tem como objetivo unir as pessoas, de forma, com que elas se
identifiquem com uma programação homogênea, destinada ao seu grupo de interesse.
Funciona de forma nacional, pois o ouvinte pode participar de alguma programação
em tempo real.
28
Para Lopes (2002, p.31), qualquer que seja o tema, conteúdo ou objetivo da
comunicação, é através da radiodifusão que se torna possível enviar mensagens à
massa. Pode ser pelo programa, produto radiofônico ou, com a combinação dos dois,
pelo objeto sonoro.
De acordo com Faus Belau (1981, p.155-163), os produtos sonoros têm
características que estimulam algumas ações psicológicas:
indiferente à sua natureza, eles se materializam e se esgotam com a causa que
produz, indicando um caráter de fugacidade;
os produtos sonoros, reconstruídos e recriados, possibilitam recordações e
facilitam o processo de aprendizagem;
a percepção está ligada a uma imagem sonora;
as imagens sonoras desencadeiam um processo associativo de representações,
somando os valores da nova experiência adquirida;
os produtos sonoros complexos permitem elaborar novas associações, influindo
na percepção de produtos naturais na experiência;
os processos desencadeados dos produtos sonoros reconstruídos e recriados
supõem um ponto de partida irreal ou fictício;
no campo auditivo há um som denotado, presente, e outro conotado, ausente;
os produtos sonoros reconstruídos e recriados são manipulações físicas
semânticas utilizadas na atividade radiofônica.
Faus Belau (1981, p.71), ainda, diz que ao ouvir um produto sonoro radiofônico,
ocorre uma constante interação entre os processos de construção real e emotivo, que
resulta em uma mescla de realidade e ficção. A utilização de campos sonoros para
comunicar idéias e realidade, por meio da palavra, parece reconstruir para o ouvinte
um retrato sonoro do dia-a-dia.
O problema do rádio convencional é o fato de que, mesmo falando como um
retrato do cotidiano das pessoas é impossível atingir a todos ao mesmo tempo, pois as
pessoas, hoje, possuem horários menos flexíveis e querem ouvir seus programas nos
horários em que podem ou querem. Dessa maneira, precisava-se, além de se repetir a
programação durante todo o dia, de um meio que possibilitasse às pessoas ouvirem o
29
rádio a hora que desejassem sem se preocupar com a programação do mesmo. Assim,
o webradio veio para facilitar esse tipo de interação.
2.2 RÁDIO DIGITAL COMO EVOLUÇÃO DO RÁDIO CONVENCIONAL
Let’s imagine I’m driving along in my car in the year 2005. I missed the weather report so I
press the on-demand weather button, and hear the forecast [...]. Then I hear a song I like. I
press the “tell-me more” button and hear “That was Shania Twain singing Any Man of Mine”.
There is a graphic of her on my large screen. And of course there is and advertising tag,
“Available at HMV for $15.99". If I check my navigation database, I can find every HMV
outlet within 10 kilometers of current location. I’m still driving and I hear an ad for a
restaurant. It sounds fabulous. When I press the “tell-me-more” button, my printer prints out
the menu, and a coupon for a free appetizer for lunch. The restaurant is near my office because
my addresable receiver is programmed to accept only commercials for my home and work
areas. I’m running late, so I key in my destination [...]. The radio sends it real time traffic
updates to my navigation database. Voice prompts tell me the best route, avoiding contruction
and a traffic jam, and even which nearby parkings lots are full. This service is sponsored by
Labbats so their logo flashes on screen. And I think “thank you, thank you, thank you
Labatts.15
Esta descrição nos remete a uma situação muito atual, mas também nos conta
como seria o futuro no meio rádio: o rádio digital. Imaginar uma cena como a descrita,
nos faz lembrar muito do rádio na Internet, com uma diferença: o rádio digital é uma
ferramenta do rádio e que visa a substituição do rádio dial, diferentemente do
webradio que não substitui o rádio convencional, mas sim o complementa de certa
forma e em certa medida.
“O lançamento oficial do sistema de rádio digital ocorreu em setembro de 1997,
na IFA – Exposição Internacional sobre Radiofusão, em Berlim, Alemanha, quando
15
“Vamos imaginar que eu estou dirigindo meu carro no ano de 2005. Eu perdi meu programa sobre
as condições climáticas, então eu pressiono o botão clima que está ao meu dispor e ouço a previsão
metereológica. [...] Então eu ouço uma música que eu gosto, aperto o botão ‘mais informações’ e ouço
‘Esta foi Shania Twain cantando Any Man of Mine’. Há uma imagem dela na minha tela. E, claro,
existe uma propaganda: ‘Disponível em HMV por $15,99 [quinze dólares e noventa e nove centavos
de dólar]’. Se eu observar meus dados de navegação, posso achar qualquer HMV até dez quilômetros
da minha localização atual. Continuo dirigindo e ouço um anúncio sobre um restaurante. Soa muito
bem. Quando pressiono o botão ‘mais informação’, minha impressora imprime o cardápio e um cupom
de degustação grátis. O restaurante é perto de onde eu trabalho porque minha agenda digital é
programada para receber qualquer comercial desde que sejam das áreas de minha casa e de meu
trabalho. Estou atrasado, então eu checo meu destino. [...] o rádio envia em tempo real informações
sobre o tráfico em meus dados de navegação. Vozes me ditam as melhores rotas [e informações gerais
do tráfico]. Esse serviço é patrocinado por Labbats, portanto a [marca] deles aparece em flashes na tela.
E eu penso: ‘obrigado, obrigado, obrigado, Lobatts’ ” (LOGAN, 1998, p.10).
30
foram mostrados pela primeira vez os instrumentos de transmissão e recepção digital
de áudio – DAB – Digital Audio Broadcasting” (MICK, 1998, p.5).
O rádio digital, como acentua Rodero (1998, p.10), é feito através de
informações numéricas, o que possibilita um acúmulo muito grande de informações
em um espaço reduzido. Essas informações são as mesmas utilizadas na informática, o
que faz com que as informações sejam conservadas sem nenhuma perda comparada ao
original, não sofrendo degradações, como pode acontecer no rádio convencional. Isso
propicia que a manipulação e o transporte possam ser feitos de forma
consideravelmente fácil. Sem falar dos ruídos e interferências, que nesse sistema
digital são nulos.
Las grabaciones pueden almacenarse en discos de ordenador, magnéticos u ópticos, cuyas
cabezas de movimiento radial permiten un acceso a la información veloz y aleatorio. Para una
rápida edición de audio, este sistema resulta superior al de grabación en cinta, ya que no
requiere esperas por bobinados o rebobinados. Una edición puede efectuarse leyendo muestras
de dos fuentes y realizando un fundido entre ellas mediante circuitería digital. [...] La versión
final puede grabarse, si es necesario, en un médio diferente, dejando intacto el material
original 16
.
Ou seja, a gravação de informações para serem veiculadas no rádio digital pode
ser feita de forma fácil e eficaz. Além disso, a edição do áudio se torna de fácil
entendimento para esse meio.
A implantação do rádio digital traz transformações econômicas, tecnológicas e
sociais. Rodero (1998, p.30) classifica-as em:
transformações tecnológicas: a digitalização de todos os processos radiofônicos,
que acarretarão em uma qualidade incomparável, em uma ampla cobertura e
otimização do uso do espaço radioeletrônico. Além disso, possibilitam a
convergência de várias outras tecnologias com plena interação em uma mesma
16
“As gravações podem ser armazenados em discos de organização, magnéticos ou óticos, cujas
cabeças de movimento radial permitem um acesso à informação de forma veloz e aleatória. Para uma
rápida edição de áudio, esse sistema é superior à gravação em fita que requer tempo para se rebobinar
ou bobinar. Uma edição pode ser realizada a partir de amostras de duas fontes e realizando-se uma
fusão entre elas mediante circuito digital. [...] A versão final pode ser gravada em um meio diferente,
caso seja necessário, deixando o material original intacto” (WATKINSON, 1993, p.19).
31
rede, podendo, futuramente, agregar informática (Internet) e os meios de
comunicação de massa (serviços de telecomunicação em geral);
transformações econômicas: conseqüência direta das transformações
tecnológicas, pois com essa nova forma de se comunicar há uma reestruturação
considerável nos meios publicitários, em serviços prestados (vide citação do
início desse capítulo: mapas de rota, meteorologia) e etc., o que propicia um
rendimento econômico cada vez maior o que é diretamente proporcional a cada
novidade que for surgindo nesse meio; e
transformações sociais: são as modificações do conceito tradicional do rádio
como meio de comunicação de massa. O ouvinte se torna mais seletivo, pois
existem gamas de programas e músicas para os mais variados gostos,
possibilitando maior interatividade (podendo contatar serviços individuais:
mapas de sua área de residência e trabalho, por exemplo) e conectividade
(possibilidade de se conectar diretamente ao servidor para pedir os serviços
ofertados pelo rádio digital). A competição de emissoras não mais é de
qualidade de transmissão e nem de acervo tecnológico, mas sim de qualidade de
informação e programação (campo do conteúdo), o que possibilita a todas as
emissoras uma competição com as mesmas garantias. Além disso, há uma
popularização do rádio na medida em que há inúmeras maneiras de se escutar,
como escutar e o que escutar.
Portanto, tem-se neste ponto que o rádio como plataforma digital poderá e tem
condições de agregar em seu potencial de transmissão o webradio e, dessa maneira,
popularizar o rádio na Internet. Um ponto fundamental a ser discutido nas
transformações sociais é quanto custará o que a autora chama de popularização do
rádio através do rádio digital. Para Bianco (2003, p.3), o custo de se ter um aparelho
receptor para o rádio digital atrapalha essa chamada popularização, pois nem todos
podem ter acesso a tecnologias tão caras, com os preços de um receptor variando entre
US$ 800,00 (oitocentos dólares) a US$ 1.800,00 (hum mil e oitocentos dólares).
A qualidade do rádio digital é inquestionável, todavia existem três formatos de
emissão desse novo meio: o sistema norte-americano IBOC (In-Band On Channel), o
32
sistema europeu Eureka 147 DAB (Digital Audio Broadcasting) e o japonês ISDB-Tn
(Services Digital Broadcasting –Terrestre narrowband).
Segundo o relatório do site WorldDAB17
, o Eureka 147 DAB é um sistema
pioneiro, desenvolvido há aproximadamente 10 anos por um consórcio de empresas,
coordenado pela União Européia de Radiodifusão, denominado de WorldDAB Forum.
O Eureka 147 DAB atua regionalmente, nacionalmente e até internacionalmente,
permitindo, ainda, canais radiofônicos pay-per-listen e listen on-demand, serviços
parecidos com os ofertados por televisões a cabo, em que são vendidos pacotes
exclusivos de transmissão. O sistema está em uso na Europa, Canadá, Austrália e
países da Ásia. Mais de 230 milhões de pessoas recebem cerca de 400 serviços de
DAB.
Já o IBOC, desenvolvido na década de 90, segundo Bianco (2003, p.4),
possibilita a transmissão simultânea de sistemas digital e analógico, diferentemente do
Eureka 147 DAB que, por sua vez, só atua no sistema digital, anulando o analógico,
não conversando com as AMs e FMs. Porém, em sua implementação, o IBOC
interferia nas ondas analógicas, o que atrasou sua aprovação (homologada só em 2002)
como sistema de rádio digital.
O último modelo mais significativo de rádio digital é o ISDB-Tn, desenvolvido
pela empresa NHK Science &Technical Research Laboratories, em meados dos anos
90, no Japão. É derivado do sistema de televisão digital elaborado pela própria
empresa e possui características semelhantes ao Eureka 147 DAB.
[...] o uso do canal de TV para transmissão de áudio em canais diferentes, independentes e
simultâneos [garantem a qualidade do sistema ISDB-Tn]. É esta flexibilidade que chama
atenção. É possível transmitir simultaneamente para receptores móveis e portáteis, que usam
sinal de rádio enquanto se transmite um sinal de HDTV. O sistema japonês, ainda em fase de
testes, admite também transmissão de texto, áudio e imagens paradas para os aparelhos de
rádio (BIANCO, 2003, p.5).
“Com o sistema de transmissão digital de som e imagens, a grande novidade
está em a rádio transmitir outras informações diferentes e mais interessantes do que as
17
Relatório do WorldDAB Fórum “Digital Áudio Broadcasting”. Disponível em:
http://www.worlddab.org. Acesso em: 16 ago. 2007.
33
tradicionais falas músicas e/ou entrevistas, com dados e sinais digitalizados” (MICK,
1998, p.5).
Todavia, a decisão de qual desses sistemas será implantado no Brasil é
exclusiva do Estado. Segundo Bianco (2003, p.5), o Eureka 147 é desinteressante, pois
não atende as características mais tradicionais da radiodifusão brasileira; o IBOC
precisaria ser testado para não correr o risco de ter falhas técnicas decorrentes da
compressão de sinais, o que poderia ser fato negativo para os canais analógicos; e o
ISDB-Tn é um sistema muito novo e utiliza o sistema de transmissão de televisão
digital.
A implantação do rádio digital, além de proporcionar uma possível integração
do webradio, também trará muitos benefícios para os ouvintes, tais como:
segmentação maior do público, a modernização dos métodos de administração como
um todo (desde área técnica até humana) e um aumento de profissionalismo do meio,
na medida em que o público, então segmentado, exige mais informações precisas,
coerentes e necessárias para satisfazer sua curiosidade sobre determinado assunto. Mas,
o fato inquestionável é que a presença do rádio digital tenderá a provar um avanço
gigantesco para o webradio, desde que tenha suporte para a transmissão direta do rádio
on-line.
2.3 WEBRADIO: SEU NASCIMENTO E SUA EVOLUÇÃO
O advento do rádio na Internet começou em setembro de 1995, no Texas, com a
KLIF de Dallas, segundo Barbosa Filho (1996, p.51), que se tornou a primeira
emissora comercial a transmitir de forma contínua e ao vivo pela Internet. No Brasil, o
pioneirismo coube à rádio Itatiaia.
O grande sucesso [do webradio] está na abertura de rádios pessoais, desenvolvidos pela
Imagine Radio, hoje SonicNet, que possibilitam ao usuário escolher, dentre um acervo, uma
programação musical que passa a ser a ‘sua rádio’, com o nome que desejar e sem
preocupação com direitos autorais. O primeiro processo de rádios pessoais chegou ao Brasil
em 2000, pelo Grupo Abril, com a Usina do Som (KUHN, 2007).
34
Desde 1996, como salienta Kuhn (2007), a veiculação de programas
radiofônicos pela Internet tem crescido enormemente. Esse recurso é permitido por
meio de software, como o RealAudio Player, lançado em 1995, e difundindo
plenamente em 1997.
Segundo a BRS Media18
, de São Francisco, entre abril de 1996 e 2000, a
quantidade de emissoras com transmissão via Internet saltou de 56 para 3.763. No
Brasil, de acordo com o Radios@Radios19
, de 1997 até setembro de 2000, o sistema
on-line já era adotado por 191 emissoras.
Apesar de existirem muitas rádios na rede, a recepção de áudio pela Internet
ainda é limitada. Abrir mais páginas, além do webradio que está aberto, não é
recomendável, isso pode interromper os dados recebidos pelo computador do usuário.
A qualidade da placa de som instalada no computador é outro fator determinante na
qualidade da recepção do áudio. Além disso, as rádios funcionam no sistema de buffer,
ou seja, armazenam dados capazes de sustentar a apresentação por algum tempo e, se a
rede estiver congestionada, ocorre discrepância no recebimento do pacote.
Mas o aspecto positivo do webradio é que você pode se conectar e ouvir
programas e músicas de qualquer lugar do mundo e em qualquer idioma. Não apenas
emissoras de ondas curtas, mas também, de ondas médias e freqüência modulada
podem ser acessadas via Internet. Essa união de sintonias de qualquer parte do mundo
já representa um desenvolvimento muito rápido no sistema de rádio, com perspectivas
para publicidade e multiplicação da audiência.
Segundo Kuhn (2007), com o advento do rádio na Internet terminam as disputas
por concessões, freqüências e investimentos em antenas e transmissores, pois,
atualmente, todos podem criar uma rádio virtual, com um alcance antes inimaginável.
Com a chegada do Real Media Player, similares e sucessores, os idiomas antes
ameaçados pela globalização passaram a ser mais conhecidos, tais como o galego, o
catalão e o irlandês que têm possibilidades de ganhar ouvintes para além das fronteiras
18
SIMON, Clea. The web catches and reshapes radio. In: New York Times. New York, 16 de janeiro
de 2000. Disponível em: http://www.brsmedia.fm/press000116.html. Acesso em: 18 jun. 2007.
19
Radios@Radios.com. Estatísticas de rádios. Disponível em: http://www.radios.com.br/. Acesso em:
20 mai. 2007.
35
em que são falados. No Brasil, por exemplo, existe um site dedicado aos índios
ashaninkas, no qual o internauta pode ouvir canções da tribo acreana no idioma arwuk.
Nas rádios convencionais, o contato com o locutor ou com a programação, às
vezes se torna impraticável, uma vez que se pode estar ouvindo-as e dirigindo, por
exemplo. Já, o acesso do rádio pela Internet torna mais fácil a participação do público,
especialmente pela comodidade para enviar uma mensagem eletrônica, uma vez que o
internauta encontra-se, ao mesmo momento, conectado. Devido a esta facilidade de
comunicação, segundo Kuhn (2007), a tendência do rádio na Internet é seguir para a
quarta mídia, pois há, no webradio, a complementação de sua comunicação com
recursos de outros meios: vídeo, animação, foto e texto. Esta afirmação se dá pela
observação de dois mil sites de emissoras de rádio que são modelos na rede. Ainda,
como destaca Kuhn, o primeiro quadro nas rádios é a presença meramente
institucional, depois são o áudio não contínuo e, logo em seguida, o contínuo. Adiante
segue para fotos, textos informativos e a participação do público. No sexto quadro,
serviço de guias específicos e áudio alternativo e, por último, vídeo e animação.
Atualmente, são poucas as rádios que não dispõem desses serviços para o ouvinte,
muito pelo contrário, o caminho está na utilização de webcams (câmeras filmadoras
para computador) nos sites de rádios. Como exemplo, há a rádio CBN20
(dial FM
90,1MHz), que em alguns de seus programas ao vivo há a possibilidade do internauta
conferir imagens em tempo real do estúdio do programa que está no ar.
Entretanto, já se verifica uma evolução nos dias de hoje em relação à
participação do ouvinte com as rádios de dial convencional, com o contato e a
participação, já, sendo feitas por sms21
, e-mail, programas de conversação (MSN, por
exemplo) e, continua o telefone. A rádio 91 Rock22
, em Curitiba (dial FM 91,3MHz),
por exemplo, utiliza todos esses meios para que os ouvintes possam participar dos
programas.
20
Rádio CBN. Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/home/index.asp.
21
sms's são mensagens instantâneas curtas enviadas de aparelhos celulares para aparelhos celulares, ou
de Internet para aparelhos celulares.
22
Rádio 91 Rock. Disponível em: www.91rocknews.com.br.
36
No entanto, faz-se necessário ressaltar que o advento do webradio não põe fim
à rádio convencional e nem às de ondas curtas. Em 1993, segundo a Unesco23
,
existiam, apenas na América Latina, cerca de 177 milhões de receptores de rádio em
ondas curtas. Em 1996, a BBC de Londres criou um serviço de transmissão nas línguas
kinyarwanda e kirundi. Esses dois registros sugerem que a velha e a nova tecnologia
irão conviver juntas, ainda, por muitos anos.
23
RIBEIRO, Izakeline de Paiva. As ondas curtas e o rádio cearense em 1940. Disponível em:
http://www2.metodista.br/unesco/rede_alcar/redealcar60/rede_ alcar_serie.htm. Acesso em: 22 jun.
2007.
37
OUVINTES OU INTERNAUTAS? COMO SE FIGURA O MEIO RÁDIO NA
INTERNET E COMO ESTÁ A SUA ACESSIBILIDADE?
Uma nova forma de se relacionar com o meio rádio: ouvindo-o na Internet. Para
(i) conhecer esse novo ouvinte e (ii) as implicações do webradio como novo meio de
comunicação e nova mídia (se este assim se figura), foram utilizados dois instrumentos
de pesquisa: pesquisa com questionário e pesquisa com entrevista. O meio escolhido
para realizar e divulgar os instrumentos foi a Internet, pois verificamos que seria a
melhor metodologia (mesmo que não haja um estudo metodológico para aplicações de
instrumentos de pesquisa na Internet; entretanto não se pode deixar de levar em conta a
revolução que esse meio tem proporcionado) a ser aplicada visto que nosso objeto de
estudo está inserido neste mesmo meio. Portanto, concluímos que, ao utilizá-lo, já, de
certa forma e em certa medida, filtraríamos as pessoas que estão em contato direto
com ele e com o webradio.
Foram escolhidos apenas estes dois instrumentos para se verificar os fatos (i) e
(ii), acima citados, delimitando-se, assim, o estudo a esses dois instrumentos,
entretanto, sabe-se que há possibilidade de uma continuação aplicando-se outros
instrumentos, como fóruns de discussão sobre o objeto de pesquisa com presença
constante de moderadores, chats com mediadores, entre outros.
A pesquisa, de questionário, com público-alvo ouvintes de rádio, foi aplicada
pela Internet, sendo divulgada através do (i) envio de e-mails para pessoas da lista de
contatos dos pesquisadores, sendo solicitada a estas pessoas, também, a divulgação por
e-mail da pesquisa para pessoas de todas as idades; (ii) postagem em fórum, Fórum
Cloth Myth Brasil24
, devido aos seus membros serem jovens entre 14 e 25 anos e
estarem freqüentemente conectados à Internet; (iii) envio de mensagens para contatos
(lista de amigos) e comunidade do Orkut (site de relacionamentos) relacionada à
comunicação, Clube de Criação do Paraná, devido ao público estudar áreas como a
Internet e estar ligada às novidades deste meio e; (iv) através de programas de
24
http://www.clohtmythbrasil.com.
38
conversação (MSN), divulgando o endereço do site25
(Anexos - Figura 7) em que a
pesquisa estava hospedada, tendo como data de início o dia 24 de agosto de 2007 e o
dia 10 de setembro de 2007 como data final da aplicação. Ao responder o questionário
na Internet, os dados foram enviados a um banco de dados no servidor, repassando as
informações à uma planilha que tinha sua atualização diária (Anexos - Figura 8).
Esta pesquisa não possuiu um caráter probabilístico, sendo empírica e
exploratória, e foi respondida por 107 (cento e sete) pessoas, tendo-se quatro
eliminadas por duplicidade e outras três por respostas incompletas; sendo assim, foram
considerados os 100 (cem) primeiros questionários válidos para a tabulação e análise,
tendo como objetivos: verificar como as pessoas estão se adaptando ao rádio via
Internet, se é que estão o utilizando; descobrir – dentre as que ouvem webradio –, qual
forma de transmissão de mensagem radiofônica preferem; averiguar se o processo de
ouvir rádio pela Internet é individual ou coletivo (segundo o propósito do rádio
convencional) e; se ao ouvirem rádio pela Internet, as pessoas têm atenção exclusiva à
transmissão ou fazem outra coisa durante a ação.
Na pesquisa constatou-se que 35 (trinta e cinco) pessoas ouvem webradio
(Tabela 1). Dentro desse número, 11 (onze) são mulheres e 24 (vinte e quatro) são
homens. A maioria está entre a faixa etária de 21 a 30 anos – 19 (dezenove) pessoas.
Esse número, correspondente à idade dos pesquisados, foi proposital na medida em
que se notou que a Internet e o webradio estão mais inseridos na faixa etária deste
público. Assim, verificou-se que apenas 35% dos respondentes possuem o hábito de
ouvir rádio pela Internet, sendo que, destes, 40% (quarenta por cento) preferem ouvir
pela Internet, 46% (quarenta e seis por cento) preferem ouvir o rádio convencional e
para os 14% (catorze por cento) restantes é indiferente (Tabela 2). Portanto, tem-se
que o webradio, ainda, não está totalmente inserido entre os internautas e, mesmo
quando presente, ainda não se figura como um substituto do rádio convencional.
25
http://www.ghnsolucoes.com.br/pesquisa.
39
Tabela 1 – Número de pessoas que ouvem rádio pela Internet
Nº. DE PESSOAS
OUVEM rádio pela Internet 35
NÃO OUVEM rádio pela Internet 65
Tabela 2 – Preferência das pessoas em relação ao tipo de rádio
PREFERÊNCIA Nº. DE PESSOAS
Rádio Convencional 16
Rádio via Internet 14
Indiferente 5
Todas as pessoas que ouvem webradio efetuam outras atividades ao mesmo
tempo, o que comprova o fato de que a Internet é sinônimo de convergência de mídias
(o internauta lê, ouve, assiste e escreve ao mesmo tempo). Além de ser uma ação que
tem a companhia de outras atividades, contempla a individualidade e o isolamento (já
com o propósito do computador e da Internet), sendo que, como observado na tabela 3,
28 (vinte e oito) pessoas ouvem webradio sozinhas, o que representa um percentual de
79%. Da mesma maneira, o seu uso é esporádico, onde 51% (cinqüenta e um por cento)
dos respondentes ouvem menos de três vezes por semana rádio na Internet (Tabela 4).
Assim, confirma-se o fato, já abordado, de que o webradio ainda não se encontra
disseminado entre os internautas.
Tabela 3 – Número de pessoas com que ouvem webradio
Nº. DE PESSOAS
Nenhuma 28
Uma pessoa 1
Duas pessoas 3
Três pessoas 2
Mais de 3 pessoas 1
Tabela 4 – Freqüência com que ouvem webradio
FREQUÊNCIA Nº. DE PESSOAS
Todo dia 8
5x por semana 3
3x por semana 6
Menos de 3x por semana 18
40
Dos que preferem ouvir rádio via Internet, 09 (nove) optam pela variedade, 2
(dois) pela qualidade, 2 (dois) pela inexistência de comerciais e 1 (um) por motivação
da multitarefa. Das pessoas que ouvem webradio, 16 (dezesseis) pessoas preferem o
rádio convencional ––, 6 (seis) pessoas o preferem pela mobilidade que o rádio
convencional proporciona, 3 (três) por não ter se esperar a bufferização e não ter o
delay, 3 (três) pela facilidade, 2 (duas) pelo costume, 1 (uma) pela qualidade e 1 (uma)
pela presença do locutor. E, finalmente, das pessoas que ouvem webradio e que são
indiferentes quanto ao rádio na Internet ou ao rádio convencional – 05 (cinco)
pessoas – relataram que preferem o rádio convencional pelo costume, mobilidade,
facilidade e maior qualidade, enquanto optam pelo webradio pela variedade. Tem-se o
fato de que o rádio via Internet possui como ponto mais forte a variedade de estações
de músicas, principalmente, podendo-se sintonizar rádios de outros países no Brasil,
por exemplo.
A ampla variedade de entretenimento que o webradio proporciona aos
internautas faz com que, lentamente, vá aumentando o número de adeptos desta
tecnologia.
Pode-se concluir que ainda é limitado o número de pessoas que ouvem rádio
pela Internet, devido aos empecilhos tecnológicos, sociais e econômicos. E que a
forma de transmissão da mensagem radiofônica convencional é a que mais agrada aos
ouvintes, mesmo que a diferença de pessoas que prefira esta ou o webradio seja
pequena, como observado na tabela 2.
Também, através da pesquisa, foi demonstrado que o ato de ouvir rádio pela
Internet, bem como a utilização do mesmo, é individualizado e isolado, contribuindo
para o isolamento das pessoas. Por fim, mas não menos importante, as pessoas que têm
o costume de ouvir rádio pela Internet, não o faz de forma única, sendo combinado
com outras tarefas no mesmo momento.
Conclui-se que as pessoas que têm o hábito de ouvir rádio via Internet são
internautas, diante do quadro que desenvolvem atividades paralelas aproveitando a
conexão com a Internet. Estas pessoas não se classificam como ouvintes, da maneira
como se caracteriza um ouvinte de rádio convencional, na medida em que se utilizam
41
de outros meios, que não só o sonoro, como gráficos, vídeos, imagens, texto etc., ao
mesmo tempo e na mesma plataforma, não ficando restritos somente a ouvir às
emissoras no rádio convencional.
Por mais que os ouvintes de rádio convencional, também, exerçam outras
atividades ao tempo em que estão sintonizados a uma emissora, estes não interagem
com o meio, da mesma forma como interagem os internautas que ouvem webradio.
Por exemplo, o rádio virtual pode se complementar de vídeos, imagens, textos e
conversas instantâneas pela Internet, entre os internautas e com os apresentadores de
programas, de forma simultânea e em tempo real.
Para entender melhor as implicações e transformações do webradio, dando mais
ênfase ao estudo, foram realizadas entrevistas com profissionais da área de rádio e
tecnologia on-line, sendo estes: Helen Marie Dobignies, da Rádio 91 Rock; Felipe
Harmata Marinho, da PontoCom Comunicação Interativa; e, Marcelo Basso, da
Playslist Soluções, sendo contatados, inicialmente, em maio de 2007, e as entrevistas
enviadas e respondidas por e-mail no mês de agosto de 2007.
Buscou-se, nesses dois métodos de pesquisa, utilizar os aparatos da Internet
para demonstrar, também, as alterações que a revolução tecnológico-digital
proporcionou e continua proporcionando, não havendo barreiras limitando a
imaginação.
Dobignies diz que o rádio convencional é marcado pela mobilidade, o que foi
reafirmado por Basso. Ambos, ainda, afirmam que este meio atende a qualquer faixa
econômica, proporcionando maior acesso e difusão da mensagem. A qualidade do
webradio, para Dobiginies, Marinho e Basso, é menor que a do rádio convencional,
tendo uma baixa resolução, devido aos altos investimentos necessários para se ter a
implementação dessa tecnologia. Segundo Marinho, a queda de conexões, devido a
muitos servidores não suportarem muitos internautas ouvindo ao mesmo tempo, gera
problemas para se ouvir uma transmissão via Internet, o que não acontece com o rádio
convencional, em que a estação começa a funcionar instantaneamente. A Rádio 91
Rock, por exemplo, suporta 200 (duzentos) ouvintes conectados no rádio virtual da
emissora. Um outro problema enfrentado pelo webradio é que o internauta só pode
42
ouvi-lo conectado à Internet, não podendo ser ouvido em qualquer lugar, como no
Ipod. Entretanto, a implementação do webradio é fácil e sem burocracia,
diferentemente do rádio convencional, que necessita de concessão do governo,
dinheiro para transmissão e custos de infra-estrutura.
Basso menciona que os custos iniciais para se ter um webradio, pela Playlist
Soluções, são de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para implementação e R$ 1,25 (um real
e vinte e cinco centavos) por internauta que acessa o webradio, tendo como requisitos,
equipamentos como: computador com conexão de rede; um software que gera áudio;
um provedor para distribuir o sinal; uma conexão banda larga; um estúdio para
captação do som; mesa de som e microfones; entre outros.
O mesmo entrevistado comenta que um dos maiores problemas enfrentados
para se ouvir webradio é o fato das conexões no Brasil serem de péssima qualidade,
gerando bufferização, sendo que o futuro do webradio dependerá do investimento na
qualidade dessas conexões como suporte paralelo.
Ainda, como verificado anteriormente, Dobignies diz que o internauta possui
privacidade ao ouvir webradio, sendo um ponto importante, pois não precisa,
necessariamente, compartilhar o áudio com outra pessoa, uma vez que o computador
por si só é um aparato que propicia o isolamento do ser.
Basso e Dobignies acreditam que o webradio se figura como uma nova mídia,
na medida em que este tem todo potencial e recursos para tanto. Já, Marinho destaca,
que “qualquer rádio virtual que não se proponha a rediscutir a linguagem do rádio, a
trabalhar com nuances que a Internet possui, [...] é uma mera reprodução de um meio
já existente. Agora, se você trabalhar [...] com a convergência de mídias, em que o
conteúdo da rádio dialoga com o site, que dialoga com um vídeo e áudio que estejam
na Internet, daí sim é interessante e uma maneira diferente de trabalhar com os meios
de comunicação”. A maioria dos webradios funciona apenas como uma extensão do
rádio convencional, não adequando a linguagem ao ouvinte, sendo transmitida a
mesma programação do rádio convencional no rádio on-line.
Dobignies ressalta, ainda, que a Internet já se figura como um dos maiores
meios de comunicação, sendo que outros meios a utilizam como “[...] instrumento
43
adicional na agilidade de passar novas informações a quem não pode estar ‘plugado’
na rede mundial o tempo todo”. Fruto dessa troca de informações entre os meios de
comunicação, ela diz que o webradio pode vir a influenciar e a alterar a atual forma
que o rádio convencional é feito por “questões de linguagem [e] abrangência de
promoções”.
Com o rádio via Internet, segundo Marinho, a publicidade ganha um novo
alicerce, estando por todo o site, não somente no webradio, mas em toda a estrutura
que o suporta, podendo ter inserções de merchandising. Seria como na TV digital,
onde a pessoa verá anúncios de forma diferente do que o convencional.
Sobre o comportamento de ouvintes do webradio, Marinho diz que é
caracterizado pelo “alt+tab”, ou seja, o internauta faz várias coisas ao mesmo tempo,
sendo que o rádio virtual acaba funcionando como um segundo plano para outras
atividades na Internet.
Os três entrevistados são uníssonos quanto a expansão que o webradio terá,
sendo relevado pela evolução da própria web, o que faz com que as pessoas tenham
um novo meio de comunicação. Com o aumento do número de pessoas tendo acesso
ao computador com Internet, esta tenderá a se tornar um novo meio de comunicação
de massa. Além de proporcionar novas formas de se fazer publicidade e levar
entretenimento às pessoas.
De posse destas três entrevistas, pode-se concluir que o rádio convencional se
utiliza, em muitos casos, do webradio, apenas como uma extensão de sua programação
normal, pois a sua qualidade e baixa disseminação não suplantam os requisitos
necessários para realizar os programas do rádio, além de ser um investimento
relativamente caro.
Na medida em que, como verificado nas pesquisas, os ouvintes do rádio
convencional citam a presença da propaganda intrusiva, como um ponto negativo, esta
deverá se modificar para o rádio on-line, assim como assume o propósito do rádio
digital, caracterizando-se cada vez menos como uma propaganda em si, mas algo
como uma extensão da programação que está se ouvindo, buscando o entretenimento e
interesse do internauta.
44
Tendo-se a dimensão proporcionada pela Internet, esta, sendo um meio de
comunicação e, o rádio inserido nela, tem-se que este tende a se instalar como uma
nova mídia, no instante em que não apenas seguir uma extensão da transmissão normal
do rádio convencional, mas sim adequar a linguagem, programação e a propaganda
para o formato on-line. Assim, torna-se um ciclo evolutivo, proporcionado pela
revolução tecnológico-digital do século XXI.
45
CONCLUSÃO
“O Computador aparece [...] como o meio de comunicação que mais contribui
para o isolamento: é feito para ser usado por uma pessoa de cada vez. O uso do
computador em casa e no trabalho faz com que o indivíduo se feche para o mundo que
o cerca, em que as pessoas são conhecidas e as relações são reais, para abrir um
segundo plano, o virtual” (SCHITTINE , 2004, p.18).
Desse modo, a Internet proporciona ao indivíduo informações fragmentadas e
individuais, de acordo com seu próprio gosto, criando um elo com o virtual, perdendo-
se, às vezes, o tato do que é do plano real ou do plano cibernético.
Essa nova tecnologia (Internet) revoluciona os meios de comunicação de massa,
fazendo com que estes tenham que se adequar e se modernizar para não perder a sua
essência, partindo para o meio virtual como uma extensão natural de seu surgimento.
Tem-se, assim, que a Internet passa a aglutinar em sua esfera a maioria, se não todos,
os meios de comunicação de massa.
Pode-se concluir, também, que ao mesmo passo que a Internet proporciona a
interatividade em um plano essencialmente virtual, ela também propicia o isolamento
em um plano real. Ou seja, os internautas se inter-relacionam ciberneticamente, mas se
isolam do convívio pessoal.
“A extensão do rádio para a Internet acarreta algumas transformações nas
principais características desse meio, que, assim, se aproxima da especificidade da
comunicação na Internet, mantendo em relação ao rádio tradicional, a difusão sonora”
(CORDEIRO, 2007). As entrevistas presentes neste trabalho comprovam que o
webradio altera a relação do ouvinte com o rádio convencional, não alterando o meio,
mas fazendo com que este se reinvente, criando novos aparatos, ou melhor, utilizando-
se dos novos aparatos tecnológicos para se chegar ao ouvinte do século XXI.
Para o rádio convencional, a Internet, como suporte para o webradio, não pode,
ainda, ser tratada como concorrente, entretanto, esta tem toda uma estrutura e
variedades on-line, que se tornam um desafio para os meios de comunicação
tradicionais.
46
O conceito do webradio ainda não está definido e seus estudos são muito
preliminares, como comprovado pela pesquisa e entrevistas realizadas, entretanto,
sabe-se que ao interagir imagem, texto e som, o rádio virtual já não se figura um
modelo tradicional de mensagem radiofônica.
Com o avanço da tecnologia de transmissão do rádio digital e do rádio virtual,
as emissoras poderão ter maior presença na rede de comunicação, o que aumentará a
audiência e a proximidade com o ouvinte. Sendo assim, o webradio deixará de ser
mera extensão do rádio convencional e poderá figurar como uma nova mídia, a partir
do instante que estiver inserido em um meio de comunicação.
Na Internet, a rádio reúne música, informação e publicidade [...], animações, imagens estáticas
ou em movimento. Os novos suportes permitem a introdução de componentes (gráficos,
tabelas, fotografias, textos escritos, imagens de vídeo), que vêm complementar a informação
disponibilizada pelo meio. Este aspecto vai obrigar a uma adaptação a esta nova forma de
comunicar, com recursos que vão permitir uma mensagem tão completa quanto possível
(CORDEIRO, 2007).
Ou seja, o webradio é sinônimo de convergência de mídias, fornecendo aos
internautas diversos mecanismos de interatividade, que podem levá-los a se tornarem
produtores de comunicação, e não somente ouvintes passivos, transformando, assim, a
forma tradicional de se ouvir rádio.
No que diz respeito à pessoa que ouve webradio ser ouvinte ou internauta,
pode-se concluir que o estímulo de participação proporcionado pela Internet torna o
dito ouvinte do rádio convencional, em um internauta que ouve rádio on-line. O estilo
de multitarefas e multimidiático da Internet, que utiliza todos os recursos disponíveis
nos meios de comunicação, faz com que o webradio se torne uma plataforma repleta
de interatividade, no instante em que utiliza todos os aparatos da web a seu favor.
Esse modelo multimidiático “[...] acaba por transformar não só a forma como se
processa a comunicação, mas a própria essência dos meios de comunicação. Promove
uma nova discursividade pela combinação de linguagens diferentes, menos singular,
mas contudo, mais rica [...]” (CORDEIRO, 2007). Isso tudo faz com que a pessoa que
ouve rádio via Internet torne-se um internauta apto a produzir e receber informações
diversas e globais, numa nova forma de transmissão e interpretação de mensagens.
47
As charges que ilustram este trabalho (Anexos - Figuras 1 a 6) representam as
mudanças comportamentais e sociais que a revolução tecnológico-digital propicia à
sociedade, alterando o comportamento entre as pessoas e sua relação com o espaço
físico-real. Toma-se como exemplo maior a figura 4 (Anexos), em que os pais se
comunicam com seu filho, todos no mesmo espaço da residência, com auxílio do
computador e da Internet. Perde-se, assim, o vínculo afetivo real e passa-se a ter o
vínculo afetivo virtual.
Ainda, cabe dizer que a Internet, no instante em que estiver amplamente
disponível à população, passa a ser um novo meio de comunicação de massa. Nesse
mesmo instante, o rádio virtual tende-se a se tornar um novo meio de comunicação,
desde que não seja apenas uma extensão do rádio convencional, como vem sendo
praticado, em muitos casos, nos dias de hoje, sem que se crie uma programação e
linguagem específicas para a Internet.
48
REFERÊNCIAS
AMARAL, Adriana; ROCHA, Paula Jung. Uma apropriação da tela total: a busca
da realidade perdida em um roteiro de viagem pelo virtual. Disponível em:
www.bocc.ubi.pt/pag/amaral-adriana-tela-total.pdf. Acesso em: 05 abr. 2007.
AMORIM, Ricardo; VIEIRA, Eduardo. Blogs. Os novos campeões de audiência.
Revista Época, São Paulo, n. 428, p. 96-105, jul. 2006.
BARBEIRO, Heródoto. A Voz da Experiência. Entrevista concedida a Sônia
Avallone (12 de fevereiro de 2001). Disponível em:
www.sitedoradio.com.br/vozexpe.htm. Acesso em: 05 abr. 2007.
BARBOSA FILHO, André. Rádio na Internet: concessão para quê? São Paulo: RTV
- Universidade de São Paulo, 1996.
BAUDRILLARD, Jean. La transparence du mal. Paris: Galilée, 1990. Apud
RÜDIGER, Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação.
Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID
=03431671c389a2a1d93516cff77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007.
BAUMAN, Z. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,
1999. Apud VALENTIM, Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões:
comunicação sem fio, smart mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em:
www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8
87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007.
BIANCO, Nelia. E tudo vai mudar quando o digital chegar. Brasília: Universidade
de Brasília, 2003.
British Council. Disponível em: www.britishcouncil.org/ukinfocus-music-
glossary.htm. Acesso em: 07 set. 2007.
CABRALE, Lia. A era do rádio. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004.
CASTAGNI, Nicoleta. Gutenberg: a maravilhosa invenção. In: GIOVANNINI,
Giovanni. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1987.
CASTELLS, Manuel. Internet e sociedade em rede. In: MORAES, Dênis de et. al.
(org.). Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003.
CORDEIRO, Paula. Rádio e Internet: novas perspectivas para um novo meio.
Disponível em: www.boccubi.pt/pag/_texto.ph3?html2=cordeiro-paula-radio-internet-
novas-perspectivas.html. Acesso em: 13 set. 2007.
49
DACHIN, Nicolas. História do Rádio. Revista Antenna, fevereiro de 1969. In: NETTO,
L. O radio é uma invenção produto do trabalho de um homem só? Disponível em:
http://members.tripod.com/RLandell/antena.htm. Acesso em: 01 mai. 2007.
DELEUZE, Gilles. Conversações. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992. Apud VALENTIM,
Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões: comunicação sem fio, smart
mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em:
www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8
87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix Mille Plateaux. Capitalisme et Schizophrénie.
Paris: Les Editions de Minuit, 1980. p. 495 Apud LEMOS, André. Ciberespaço e
tecnologias móveis: processos de territorialização e desterritorizalização na
cibercultura. Disponível em:
www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/territorio.pdf . Acesso em: 28 ago. 2007.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Foucault. São Paulo: Brasiliense, 1990. Apud
DUDUS, Gerson. A deriva do humano. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/dudus-
gerson-deriva-humano.html. Acesso em: 01 abr. 2007.
DIZARD, Wilson. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação.
Tradução: Edmond Jorge. 2. ed. rev. e atualizada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.
DUDUS, Gerson. A deriva do humano. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/dudus-
gerson-deriva-humano.html. Acesso em: 01 abr. 2007.
DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. De como a autonomia
das novas tecnologias obriga a rever o mito do progresso. 2. ed. rev. e amp. São Paulo:
UNESP, 2007.
ERCILIA, Maria. A Internet. 2. ed. São Paulo: Publifolha, 2001.
FAUS BELAU, Angel. La radio: introduction a um médio desconocido. Madri:
Latina, 1981.
FERRARI, Levi Bucalem. Revolução tecnológica e Estado. Disponível em:
www.mhd.org/artigos/levi_estado.html. Acesso em: 12 mai. 2007.
FOERSTER, H. Von. Ethics and second order cybernetics. Cybernetics & Human
Knowing, vol. 1, n. 1, 1992. Apud SANTAELLA, Lucia. Cultura tecnológica & o
corpo biocibernético. Disponível em:
www.pucsp.br/pos/cos/interlab/santaell/index.html. Acesso em: 02 abr. 2007.
FolhaOnline. Brasil é 11° país em número de internautas, diz pesquisa. Disponível
em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21758.shtml. Acesso em: 24 jun.
2007.
50
FolhaOnline. Número de usuários de Internet aumenta 10% em um ano.
Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21706.shtml. Acesso
em: 24 jun. 2007.
FolhaOnline. Tempo do brasileiro na Internet aumenta em mais de 3 horas em um
ano. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ ult124u21706.shtml.
Acesso em: 24 jun. 2007.
GARCIA, José Luís Lima. Cibercultura e Cidadania. Disponível em:
www.bocc.ubi.pt/pag/garcia-jose-luis-cibercultura-cidadania.pdf. Acesso em: 03 abr.
2007.
GOMES, Pedro Gilberto. Tópicos de teoria da comunicação. São Leopoldo-RS:
Unisinos, 2001.
Google. Disponível em: www.google.com.br.
GOVEIA, Reinaldo. Definição do rádio. 14 de abril de 1999. Disponível em:
http://geocities.yahoo.com.br/rey_goveia/definicao.html. Acesso em: 02 mai. 2007.
Infowester. Disponível em: www.infowester.com/rss.php. Acesso em: 07 set. 2007.
KUHN, Fernando. O rádio na Internet: rumo à quarta mídia. In: Intercom –
Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, VIII Simpósio da
Pesquisa em Comunicação da Região Sudeste, Vitória-ES, 10 de janeiro de 2002.
Disponível em: www.intercom.org.br/papers/viii-sipec/gt01/31%20-%20 Fernando
%20Kuhn%20-%20trabalho%20final.htm. Acesso em: 02 abr. 2007.
LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea.
2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2004.
LEMOS, André. Ciberespaço e tecnologias móveis: processos de territorialização e
desterritorizalização na cibercultura. Disponível em:
www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/territorio.pdf . Acesso em: 28 ago. 2007.
LEMOS, André; CUNHA, Paulo (orgs.). Olhares sobre a Cibercultura. São Paulo:
Sulinas, 2003.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2. ed. São Paulo:
Ed. 34, 2005.
LOGAN, Jane. How New Technology Will Change the Way Radio Severs Advertisers,
Broadcast Research Council, Toronto, 31 de outubro de 1995. In: RODERO, Emma.
La radio del futuro es una radio digital. Cidade: Facultad de Comunicación
Universidad Pontificia de Salamanca, 1998.
51
LOMBARDI, Carlo. Do pombo-correio ao sistema editorial. In: GIOVANNINI,
Giovanni. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1987.
LOPES, Saint Clair. Radiodifusão Hoje. In: BUFARAH, Junior. Rádio na Internet:
convergência de potencialidades. Dissertação de Mestrado em Comunicação e
Mercado apresentada a Fundação Cásper Líbero, São Paulo, 2002.
MANANGÃO, Carmen Limoeiro Patitucci. Origem, crescimento e crises da
indústria têxtil em Nova Friburgo. Disponível em:
www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/cienciassociais/cies06.htm. Acesso em: 05
mai.2007.
MARTHE, Marcelo. A mágica e o mágico. Revista Veja, São Paulo, ed. 1991, ano 40,
n.2, p.54-59, jan. 2007.
MARTHE, Marcelo. A nova era da televisão. Revista Veja, São Paulo, ed. 1973, ano
39, n. 36, p.88-97, set. 2006.
MCLEISH, Robert. Produção de rádio. São Paulo: Summus, 1986.
MICK, Walter H. Rádio digital. Curitiba-PR: Copygraf, 1998.
Mobilezone. Disponível em: www.mobilezone.com.br/conect_wifi.htm. Acesso em:
08 ago. 2007.
MONTEIRO, Luís. A Internet como meio de comunicação: possibilidades e
limitações. Dissertação de Mestrado em Design - PUC-Rio – Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: www.portal-
rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/comunicacaovirtual/0158.pdf. Acesso em: 21
jun. 2007.
PEPPERELL, R. The post-human condition. Oxford: Intellect, 1995. Apud RÜDIGER,
Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação. Disponível em:
www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID=03431671c389a2a1d93516cf
f77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007.
PEREIRA, Vinícius Andrade. A teia global: McLuhan e hipermídias. Disponível em:
www.comunica.unisinos.br/tics/textos/2003/GT12TB10.PDF. Acesso em: 09 jul. 2007.
PIGNATARI, Décio. Informação, linguagem, comunicação. 25. ed. Cotia-SP: Ateliê,
2002.
52
RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. São
Paulo: Ática, 1987. Apud MONTEIRO, Luís. A Internet como meio de comunicação:
possibilidades e limitações. Dissertação de Mestrado em Design - PUC-Rio –
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. Disponível
em: www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/comunicacaovirtual/0158.pdf.
Acesso em: 21 jun. 2007.
Rádio 91 Rock. Disponível em: www.91rocknews.com.br.
Rádio CBN. Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/home/index.asp.
Rádio UFPR. Disponível em: www.radio.ufpr.br.
Radios@Radios.com. Estatísticas de rádios. Disponível em: www.radios.com.br/.
Acesso em: 20 mai. 2007.
Relatório do WorldDAB Fórum “Digital Áudio Broadcasting”. Disponível em:
www.worlddab.org. Acesso em: 16 ago. 2007.
RIBEIRO, Izakeline de Paiva. As ondas curtas e o rádio cearense em 1940.
Disponível em: www2.metodista.br/unesco/rede_alcar/redealcar60/rede_
alcar_serie.htm. Acesso em: 22 jun. 2007.
RODERO, Emma. La radio del futuro es una radio digital. Cidade: Facultad de
Comunicación Universidad Pontificia de Salamanca, 1998.
ROSA, Antônio Neto. Atração global: a convergência da mídia e tecnologia. São
Paulo: Makron Books, 1998.
RÜDIGER, Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação.
Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID
=03431671c389a2a1d93516cff77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007.
SAGAN, Carl. The Dragons of Eden. Nova Iorque: Random House, 1973. Apud
SANTAELLA, Lúcia. Produção de linguagem e Ideologia. 2. ed. rev e ampl. São
Paulo: Cortez, 1996.
SANTAELLA, Lúcia. Cultura tecnológica & o corpo biocibernético. Disponível em:
www.pucsp.br/pos/cos/interlab/santaell/index.html. Acesso em: 02 abr. 2007.
SANTAELLA, Lúcia. Produção de linguagem e Ideologia. 2. ed. rev e ampl. São
Paulo: Cortez, 1996.
SARTORI, Carlo. O olho universal. In: GIOVANNINI, Giovanni. Evolução na
comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
SCHITTINE, Denise. Blog: comunicação escrita e íntima na Internet. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2004.
53
SIMON, Clea. The web catches and reshapes radio. In: New York Times. New York,
16 de janeiro de 2000. Disponível em: www.brsmedia.fm/press000116.html. Acesso
em: 18 jun. 2007.
SODRÉ, Muniz. O globalismo como neobarbárie. In: MORAES, Dênis de et. al. (org.).
Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003.
TAVARES, Reynaldo. Histórias que o rádio não contou: do galeno ao digital,
desvendando a radiodifusão no Brasil e no mundo. 2 ed. São Paulo: Harba, 1999.
VALENTIM, Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões: comunicação
sem fio, smart mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em:
www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8
87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007.
WATKINSON, John. El Arte de Audio Digital. Madrid: IORTV, 1993.
WRIGHT, Charles Robert. Mass Communication: a social perspective. New York:
Random House, 1975.
OBRAS CONSULTADAS
Apple. Disponível em: www.apple.com/br. Acesso em: 07 set. 2007.
NAPOLI, Tatiana. O rádio na era digital. Revista CENP. São Paulo, ano 03, n. 11,
p.30-33, jul. 2007.
PELLANDA, Nizze. O pensador da cibercultura. Disponível em: www.sinpro-
rs.org.br/extra/mai00/educacao1.asp. Acesso em: 02 jul. 2007.
WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos. (1954).
Tradução: José Paulo Paes. 15. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
54
ANEXOS
Figura 1
Figura 2
55
Figura 3
Figura 4
56
Figura 5
Figura 6
57
MODELO DE QUESTIONÁRIO APLICADO AOS OUVINTES DE RÁDIO
Figura 7
58
QUESTIONÁRIO PARA OUVINTES DE RÁDIO
Olá, somos alunos do curso de Publicidade e Propaganda do Centro
Universitário Positivo (UnicenP). Gostaria que você respondesse algumas questões
sobre o rádio convencional e o rádio via Internet. Antes de prosseguir, gostaríamos de
salientar que esta pesquisa é apenas para ouvintes de rádio. Caso você não tenha este
hábito, favor não prosseguir.
Nosso objetivo é verificar o ouvinte de cada uma dessas duas plataformas de
transmissão de mensagem. Portanto, não existem respostas certas e erradas. É a sua
opinião que vale.
Seguem algumas questões para que sejam assinaladas no espaço correspondente
à reposta.
Essa é uma pesquisa puramente acadêmica e não tem fins comerciais.
Antecipadamente agradecemos sua atenção e tempo para responder às
perguntas.
01) Idade: _____ anos
02) Sexo:
[1] Masculino
[2] Feminino
03) Estado civil:
[1] Solteiro(a)
[2] Casado(a)
[3] Separado(a)
[4] Divorciado(a)
[5] Viúvo(a)
[6] Outro
59
04) Escolaridade:
[1] Ensino fundamental incompleto
[2] Ensino fundamental completo
[3] Ensino médio incompleto
[4] Ensino médio completo
[5] Superior incompleto
[6] Superior completo
[7] Pós-graduação
05) Você trabalha?
[1] Sim
[2] Não
06) Qual a sua renda mensal?
[1] até R$ 400,00
[2] de R$ 400,01 a R$ 600,00
[3] de R$ 600,01 a R$ 800,00
[4] de R$ 800,01 a R$ 1.000,00
[5] de R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00
[6] mais de R$ 2.000,00
[7] não possuo renda
07) Você possui carro próprio?
[1] Sim
[2] Não
08) Você possui acesso à Internet?
[1] Sim
[2] Não
09) Da onde você acessa a Internet (marcar quantos itens julgar necessário)?
[1] Casa
[2] Escola/Faculdade
[3] Trabalho
[4] Lan houses
[5] Outros: ________________
60
10) Você escuta rádio via Internet?
[1] Sim
[2] Não (terminar a pesquisa aqui)
11) Qual tipo de rádio você prefere escutar?
[1] Rádio convencional
[2] Rádio via Internet
[3] Não vejo diferença
12) Com base na resposta anterior, por quê?
13) Com que freqüência você ouve rádio via Internet?
[1] Todo dia
[2] 5x por semana
[3] 3x por semana
[4] menos de 3x por semana
14) Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa?
[1] Sim
[2] Não
15) Quantas pessoas ouvem rádio via Internet com você?
[1] Nenhuma
[2] Uma
[3] Duas
[4] Três
[5] Mais de três
Obrigado(a) pela colaboração.
61
TABULAÇÃO GERAL DOS DADOS DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS
OUVINTES DE RÁDIO
Figura 8
62
01) Idade:
[25] Até 20 anos
[48] Entre 21 e 30 anos
[11] Entre 31 e 40 anos
[10] Entre 41 e 50 anos
[06] Mais de 50 anos
Idade
25%
48%
11%
10%
6%
até 20
21-30
31-40
41-50
mais de 50
02) Sexo:
[56] Masculino
[44] Feminino
Sexo
56%
44%
Masculino
Feminino
63
03) Estado civil:
[76] Solteiro(a)
[19] Casado(a)
[04] Separado(a)
[00] Divorciado(a)
[00] Viúvo(a)
[01] Outro
Estado civil
76%
19%
4%
0%
0%
1%
Solteiro(a)
Casado(a)
Separado(a)
Divorciado(a)
Viúvo(a)
Outro
64
04) Escolaridade:
[00] Ensino fundamental incompleto
[00] Ensino fundamental completo
[03] Ensino médio incompleto
[08] Ensino médio completo
[55] Superior incompleto
[12] Superior completo
[22] Pós-graduação
Escolaridade
0%
0%
3%
8%
55%
12%
22%
E. Fundamental Completo
E. Fundamental Incompleto
E. Médio Incompleto
E. Médio Completo
Superio Incompleto
Superior Completo
Pós-graduação
05) Você trabalha?
[75] Sim
[24] Não
Você trabalha?
76%
24%
Sim
Não
65
06) Qual a sua renda mensal?
[18] até R$ 400,00
[08] de R$ 400,01 a R$ 600,00
[04] de R$ 600,01 a R$ 800,00
[08] de R$ 800,01 a R$ 1.000,00
[14] de R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00
[41] mais de R$ 2.000,00
[07] não possuo renda
Qual a sua renda mensal?
18%
8%
4%
8%
14%
41%
7%
Até R$ 400,00
De R$ 400,01 a R$ 600,00
De R$ 600,01 a R$ 800,00
De R$ 800,01 a R$ 1.000,00
De R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00
Mais de R$ 2.000,00
Sem Renda
07) Você possui carro próprio?
[65] Sim
[35] Não
Você possui carro próprio?
65%
35%
Sim
Não
66
08) Você possui acesso à Internet?
[100] Sim
[00] Não
Você possui acesso à Internet?
100%
0%
Sim
Não
09) Da onde você acessa a Internet (marcar quantos itens julgar necessário)?
[94] Casa
[33] Escola/Faculdade
[65] Trabalho
[07] Lan houses
[00] Outros:
Da onde você acessa a Internet?
46%
17%
33%
4% 0%
Casa
Escola/Faculdade
Trabalho
Lan houses
Outros
67
10) Você escuta rádio via Internet?
[35] Sim
[65] Não (terminar a pesquisa aqui)
Você escuta rádio via Internet?
35%
65%
Sim
Não
11) Qual tipo de rádio você prefere escutar?
[16] Rádio convencional
[14] Rádio via Internet
[05] Não vejo diferença
Qual rádio você prefere escutar?
46%
40%
14%
Rádio Convencional
Rádio via Internet
Não vejo diferença
68
12) Com base na resposta anterior, por quê? (As respostas abaixo foram transcritas tais como
foram recebidas)
Resposta 11 Resposta 12
Indiferente Cada uma tem as suas vantagens. A Internet tem diversas opções e a
rádio convencional pode ser ouvida em trânsito.
Rádio via Internet Não tem comercial. Pelo menos o rádio do site terra não tem.
Rádio via Internet Enquanto elaboro relatórios, ouço rádios selecionadas.
Rádio Convencional Porque tem menos delay, a rádio na web ainda tem problemas técnicos.
Rádio via Internet Pela maior qualidade.
Indiferente Depende da hora, pois às vezes, ouço via internet, as rádios fora da
região onde moro.
Rádio Convencional Porque ouço no carro.
Rádio Convencional A rádio convencional possui maior qualidade de transmissão.
Rádio via Internet Maior variedade de estações e se pode ouvir estações de todo mundo.
Rádio Convencional A qualidade é melhor e não tem delay, nem tem de esperar carregar
buffer.
Rádio Convencional Não há interrupções devido à conexão.
Rádio via Internet Existência de rádios voltadas para o tipo de música que eu gosto.
Indiferente O problema da rádio on-line é que necessita de banda larga. No local
onde eu moro, acredite, não há... Então fica mais complicado, mas
gosto muito desse tipo de serviço, visto a facilidade de se ouvir rádios,
que o aparelho convencional não consegue captar....
Rádio Convencional Mobilidade
Rádio Convencional Porque escuto pânico, quando possível.
Rádio via Internet Além do fator som, que para mim é muito melhor, existe a capacidade
de não se depender de sintonia, nenhuma rádio deixa de `pegar` no
computador. Fora que os comerciais são em uma quantidade menor e
isso dá mais prazer de ouvir uma rádio, pois assim ouvimos músicas e
não propagandas.
Rádio Convencional Não criei costume de ouvir webradio.
Continua...
69
Continuação...
Rádio Convencional É por estar mais facilmente á mão. É só ligar o botão, pois quase toda
população, tem facilidade para comprar. É mais barato.
Rádio via Internet Escuto rádios internacionais, pois não há nenhuma rádio nacional que
tenha uma programação que agrade o meu estilo musical.
Rádio via Internet Porque posso selecionar o que ouvir.
Rádio via Internet Pela facilidade de acesso e navegação.
Rádio Convencional No trânsito... Mas em casa eu gosto de assistir rádios que também
transmitem imagens do estúdio.
Rádio Convencional Porque gosto de ouvir a voz do locutor às vezes. Na Internet geralmente
não se vê isso.
Rádio Convencional Em trânsito
Indiferente O importante é que tenha boas músicas e novidades.
Rádio Convencional Porque escuto no carro.
Rádio Convencional Horário de acesso.
Rádio via Internet Porque assim posso ouvir o que quero e o que gosto....
Rádio via Internet Porque eu escuto aquilo que gosto
Rádio Convencional Porque é mais fácil pra mudar a estação caso toque alguma música
chata.
Rádio Convencional Não tenho costume de acessar pela internet.
Rádio via Internet Por ter a facilidade de ouvir estações do mundo todo.
Indiferente Não vejo diferença porque depende onde estou no momento, apesar de
achar a qualidade do som da Rádio via Internet pior que a Rádio
Convencional.
Rádio via Internet Porque não tenho muitas músicas no computador e assim tenho mais
variedade.
Rádio via Internet Adoro escutar música!
70
13) Com que freqüência você ouve rádio via Internet?
[08] Todo dia
[03] 5x por semana
[06] 3x por semana
[18] menos de 3x por semana
Com que freqüência você ouve rádio pela Internet?
23%
9%
17%
51%
Todo dia
5x por semana
3x por semana
menos de 3x por semana
14) Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa?
[35] Sim
[00] Não
Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa?
100%
0%
Sim
Não
71
15) Quantas pessoas ouvem rádio via Internet com você?
[28] Nenhuma
[01] Uma
[03] Duas
[02] Três
[01] Mais de três
Quantas pessoas ouvem rádio via Internet com você?
79%
3%
9%
6% 3%
Nenhuma
Uma
Duas
Três
Mais de três
72
ENTREVISTA APLICADA A UM PROFISSIONAL DA 91 ROCK
Entrevista respondida em 14 de agosto 2007, por Helen Marie Dobignies,
coordenadora artística e operacional da 91 Rock News, função que desempenha desde
dezembro de 2005 na rádio, data de sua fundação.
Formada no ano de 1995 pela PUC/PR, na área de Comunicação Social, com
Habilitação em Jornalismo, iniciou suas atividades em rádios com 17 anos de idade,
trabalho que desempenha há 10 anos.
Em seu Curriculum contam passagens como correspondente pela Revista Rock
Brigade, de São Paulo e colunista do Jornal Gazeta do Povo, de Curitiba/PR. Em
emissoras de rádio têm passagens pela Rádio 96 Rock (atual 91 Rock), Rede Rock e
Ouro Verde; além de ter prestado serviço autônomo na área de comunicação (vídeo,
áudio, cerimonial etc.) para diversas empresas.
Trabalhando em rádios, atuou em todas as áreas: operação, locução, gravação,
produção, promoção, atendimento ao ouvinte, jornalismo, programação musical e
comercial, edição, atualização tecnológica, legislação específica, coordenação técnica
e de transmissão, operacional e artística.
1) Quais as principais diferenças entre o webradio e o rádio tradicional?
A rádio tradicional pode ser acessada via carro, aparelhos de som móveis, facilitando a
qualquer faixa econômica o acesso, além da mobilidade e da boa qualidade de som. Já,
ouvir rádio via web ainda tem limitadores econômicos e de deslocamento, pois é
preciso estar diante de um computador ou dispor de alguns celulares/aparelhos que
tenham o recurso. A qualidade do som via web é de baixa resolução, na maioria das
vezes, salvo altos investimentos por parte de alguns sites. O webradio, neste momento,
ainda, é um recurso elitizado, mas com a velocidade da tecnologia e a facilidade de
acesso crescente, a tendência é que os webradios ganhem cada vez mais espaço.
73
2) Quais as facilidades encontradas para o ouvinte de webradio?
Estar diante da Internet exercendo suas atividades sem precisar compartilhar o áudio
com que está próximo, dando mais privacidade. Têm muitas outras, mas a privacidade
é um ponto importante.
3) De onde surgiu a iniciativa para a implantação do webradio?
Na verdade não temos um webradio paralelo à rádio. A necessidade veio da
implementação de um site que apresentasse a emissora e facilitasse o acesso de
informações sobre a 91 Rock por parte dos ouvintes, anunciantes e mercado. A
disponibilização do áudio é um recurso que ajuda muito, já, que esse é nosso produto.
Portanto, o rádio via web é um complemento do nosso site e não um produto
diferenciado e exclusivo para internautas, já que a programação que rola na web pode
ser ouvida sintonizando FM 91,3 Mhz, em Curitiba, região metropolitana e litoral.
4) Há quanto tempo está no ar o rádio virtual da 91 Rock?
Desde a inauguração do site, no último trimestre de 2006.
5) Como você vê a expansão da Internet influenciando os meios de comunicação?
A Internet, já, está entre os maiores meios de comunicação. A velocidade no trânsito
de informações e recursos é maior a cada dia e os demais meios de comunicação se
valem cada vez mais da Internet, como instrumento adicional na agilidade de passar
novas informações a quem não pode estar plugado na rede mundial o tempo todo. Na
guerra de audiência diante da pluralidade de opções de veículos de comunicação,
quem detém e divulga informação antes, também, tem mais chance de prosperar.
Também, existe a junção das informações em tempo real, ou seja, um veículo de TV,
jornal ou rádio, também, tem seu site e tende a divulgar suas informações em tempo
real, em todos os meios que dispõe. De certa forma, um influencia o outro numa troca
sem fim.
74
6) Você considera o webradio uma nova forma de mídia?
Sim. Tem todo potencial e recursos pra isso.
7) Quais as vantagens da rádio na Internet?
No caso da 91 Rock, a principal vantagem, hoje, é fazer com que artistas, gravadoras,
anunciantes, que residem longe da cidade, possam conhecer nosso trabalho, além do
ouvinte que vive em deslocamento regional poder ter a chance de continuar com a
gente.
8) Você vê o rádio tradicional ameaçado pelo webradio?
Ainda não. Mas a tecnologia viaja na velocidade da luz e quando os aparelhos de som
nos carros e os aparelhos tradicionais que transmitem rádio passarem a sintonizar
webradios, só vai sobreviver quem disponibilizar ao usuário a maior variedade de
opções de acesso com agilidade, qualidade de som e interatividade em todos meios
que o mercado tecnológico vier a dispor.
9) Qual a porcentagem de ouvintes na Internet?
Depende do investimento. No caso da 91 Rock, só podemos dispor de 200 ouvintes
simultâneos via web, mas logo pretendemos investir para ampliar isso. Porque nosso
foco não é webradio, ainda. Como disse antes, este é um recurso extra pra quem acessa
o site.
10) O webradio pode influenciar e alterar a atual forma que o rádio convencional
é feito?
No futuro acredito que sim. Questões de linguagem, abrangência de promoções. Mas,
no momento, ainda, não, falando da 91 Rock. Mas cada emissora trata as suas
prioridades de uma forma diferenciada.
75
ENTREVISTA APLICADA A UM PROFISSIONAL DA PONTOCOM
COMUNICAÇÃO INTERATIVA
Respondida em 21 de agosto de 2007, por Felipe Harmata Marinho, jornalista e
coordenador de projetos da PontoCom Comunicação Interativa (empresa responsável
pela publicação e atualização do website da Rádio 91 Rock) – função exercida desde
setembro de 2003. Além de trabalhar na PontoCom Comunicação Interativa, Marinho
é professor em duas faculdades de Curitiba/PR.
Jornalista formado pelo Centro Universitário Positivo – UnicenP, possui pós-
graduação em Comunicação e Semiótica pela PUC/PR e trabalha na área de tecnologia
da Internet desde 2002. Antes de passar por esta área, desempenhou funções na TV
Independência, afiliada à Rede Record.
Internamente na PontoCom, coordenou importantes projetos, como:
coordenador geral de imprensa da passagem de B.B. King em Curitiba, em dezembro
de 2006, onde King apresentou a “Farewell World Tour”, marcando sua despedida dos
palcos; coordenador geral do site COP8 MOP3 (evento oficial da ONU sobre
biodiversidade e biossegurança, que Curitiba sediou em março de 2006, com a
participação de representantes de 188 países); criador e editor-chefe do programa
jornalístico, que circulou dentro dos ônibus exclusivos dos participantes da COP8
MOP3, onde haviam quatro monitores de cristal líquido em cada ligeirinho e o
conteúdo era em língua inglesa; criador do projeto e editor-chefe do novo site da Rádio
91 Rock, de Curitiba; entre muitos outros.
Antes de começar a entrevista, o entrevistado no posicionou, com algumas
informações, em relação ao site da 91 Rock. O principal foco no site não é apenas
retransmitir o próprio conteúdo que a emissora já tem e sim fazer um conteúdo
diferente, em que o internauta encontre informações que só ouvindo a rádio não teria,
apostando em convergência de mídias. O site completa a rádio e a rádio completa o
site. O foco principal não é a rádio on-line. Busca-se que o internauta ouça a rádio
também pela Internet, porém não se busca só isso. Busca-se que o público encare o site
sempre com possibilidades diferenciadas de conteúdo.
76
Por questões de custos e alguns problemas de servidor, o projeto para o site está
sendo implementado aos poucos. Ainda não está no ar tudo que gostariam. A
implementação é gradativa.
O novo site entrou no ar em dezembro de 2006 e conta, hoje, com áreas como a
de notícias, roteiro, podcast, cinema etc. Em agosto, será implementada a newsletter,
em que os internautas recebem os destaques do site, também por e-mail. E há, como
proposta, para as próximas semanas, criar uma área de colunistas, em que sejam
discutidos temas como cinema, gastronomia, cultura em geral, moda etc. Existem
outros projetos, em que se pretende trabalhar com alguns podcasts exclusivos para o
site, por exemplo. Também, está em pauta colocar webcams dentro da rádio e que os
internautas possam ver ao vivo, pela Internet, o que acontece no estúdio.
1) Desde quando se iniciou, no Brasil, a adaptação do rádio para Internet?
Desde o começo da Internet comercial. O que acontece, é que no começo havia uma
grande restrição que era a banda da Internet. Ou seja, a grande maioria das pessoas
utilizava Internet discada, com tráfego menor de dados, o que dificultava o trabalho
com arquivos de áudio e vídeo, que são arquivos maiores.
2) Quais os problemas enfrentados para se ouvir uma transmissão via Internet?
Os problemas mais comuns são devidos às quedas que algumas conexões de Internet
sempre sofrem; com isso o internauta nunca consegue ouvir uma música inteira. Fora
isso, alguns servidores não agüentam muitas pessoas ouvindo a mesma rádio ao
mesmo tempo e também caem ou ficam demasiado lentas. E um outro problema, ainda,
é a questão da pessoa só poder ouvir pela Internet. Com tecnologias como o ipod em
que a pessoa leva um podcast para qualquer lugar, o webradio fica limitado a ser
escutado no computador.
3) Qual a expectativa do webradio para os próximos anos?
A expectativa é que aumente o número de pessoas ouvindo e criando webradios. Isso
vale para a Internet como um todo. Ela cresce numa velocidade impressionante.
77
4) Quais as diferenças entre ouvir rádio tradicional e rádio na Internet?
As quedas da Internet e do servidor podem complicar a audição. E o tempo de espera
para começar a tocar. Ligando um rádio, a estação começa a funcionar meio que
instantaneamente, na Internet demora alguns segundos.
5) Quais os requisitos para se ter um webradio?
Aí, depende. É preciso criar toda a programação da rádio, ver a linha que vai seguir...,
estrutura para gravar os programas (estúdio, microfone, computador etc.).
6) Quais os requisitos para poder ouvir um webradio?
Ter computador com acesso à Internet e que possua caixa de som.
7) Quais as dificuldades para se implementar e desenvolver um webradio?
As dificuldades são menores do que para desenvolver uma rádio normal. Se você
quiser fazer uma rádio, terá que ter concessão do governo, terá que gastar milhões para
poder transmitir, os custos com estrutura são altíssimos. Na Internet isso se torna mais
simples e mais barato. Com alguns reais gastos no servidor, um micro-estúdio,
microfone e boas idéias, já, é possível fazer algo.
8) O que é, na sua visão, um webradio?
Rádios feitas para a Internet. Ou seja, alguém que cria um conteúdo em áudio para ser
passado pela Internet por streaming 26
. Se esse áudio pode ser baixado para o
computador e/ou para mp3 player27
, Ipod [aparelho digital que reproduz som, imagem
26
Streaming é uma forma de distribuição de conteúdo multimídia pela Internet. Equivale a
bufferização.
27
“MP3 players are associated with downloading music from the Internet. The device is smaller than a
personal CD player so are very portable. You will need a computer to download songs, but you don't
necessarily need the Internet.” (MP3 players são associados com o download de música através da
Internet. O aparelho é menor que um discman (aparelhos portáteis que tocam CDs), portanto são muito
práticos. É necessário o uso do computador para fazer download de músicas, mas você não precisa
necessariamente da Internet). (‘tish Council. Disponível em: www.britishcouncil.org/ukinfocus-
music-glossary.htm. acesso em: 07 set. 2007)
78
e vídeo, fabricado pela empresa Apple], via a tecnologia rss28
, daí não seria webradio e
sim, um podcast.
9) Qual o investimento médio para poder implementar um rádio virtual?
Varia. Depende do servidor que você quiser utilizar, da quantidade de pessoas
envolvidas etc. Mas o importante é que o custo é infinitamente menor que o de ter uma
rádio tradicional.
10) Quais os principais ruídos na recepção da mensagem que o ouvinte pode ter?
O ruído não é a grande questão. Normalmente, ouve-se claramente o conteúdo de uma
webradio, o maior problema mesmo é a queda do áudio.
11) Como o webradio pode propiciar novas formas de fazer publicidade?
Sim, sem dúvidas. E com o webradio, a publicidade não precisa estar necessariamente
só no webradio, pode ter outros tipos de inserções publicitárias no próprio site que
leva a pessoa a clicar no webradio, pode ter a inserção de merchandising no meio do
programa. É um pouco parecido com o que teremos com a tv digital, em que a pessoa
pode optar por não ver um comercial, mas verá anúncios de outra forma.
12) Você considera o rádio virtual uma nova mídia ou, apenas, a extensão de um
meio já existente?
A rádio virtual no caso da 91 Rock, por exemplo, é apenas uma extensão do meio que
já existe, pois o áudio é reproduzido integralmente da rádio. O que temos de diferente;
e qualquer rádio virtual que não se proponha a rediscutir a linguagem do rádio, a
trabalhar com nuances que a Internet possui, também é uma mera reprodução de um
meio já existente. Agora, se você trabalhar, por exemplo, com a convergência de
28
“RSS possui mais do que uma definição. Alguns a chamam de RDF Site Summary, outros a
denominam Really Simple Syndication. Há ainda os que a definem como Rich Site Summary. É um
recurso desenvolvido exclusivamente para Internet que permite aos responsáveis por sites e blogs
divulgarem notícias ou novidades destes. Para isso, o link e o resumo daquela notícia (ou a notícia na
íntegra) é armazenado em [arquivos de várias extensões].” (Infowester. Disponível em:
http://www.infowester.com/rss.php. Acesso em: 07 set. 2007)
79
mídias, em que o conteúdo da rádio dialoga com o site, que dialoga com um vídeo e
áudio que estejam na Internet, daí sim, é interessante e uma maneira diferente de
trabalhar com os meios de comunicação.
13) Como se configura o comportamento dos ouvintes de rádio na Internet?
Existem ferramentas de estatística que podem dar uma série de informações sobre
ouvinte. Ou seja, de que continente, país, estado e cidade ele veio, quanto tempo ficou
on-line, qual navegador utilizou (Internet Explorer, Mozilla), o horário que as pessoas
mais acessam etc. Enfim, dá pra ter uma mensuração bem complexa de dados. Fora
essa questão da estatística, o comportamento de quem usa a Internet é o do famoso “alt
+tab”. Ou seja, a pessoa faz mil coisas ao mesmo tempo. Ela está ouvindo uma
webradio, vendo um vídeo no Youtube, checando o e-mail, trabalhando e conversando
com uns três amigos no MSN. Então o webradio acaba funcionando como um pano de
fundo para isso.
80
ENTREVISTA APLICADA A UM PROFISSIONAL DA PLAYLIST
SOLUÇÕES
Respondida em 03 de setembro de 2007, por Marcelo Basso, da Playlist
Soluções, onde é representante comercial desde 1998, vendendo o software Playlist
Digital e presta suporte do mesmo.
Basso se formou em 1992, no curso de Radialismo, pela Universidade Visconde
de Cairu, de Salvador/BA e, também, possui pós-graduação em marketing.
Iniciou suas atividades com meios de comunicação com 14 anos – em 1980 –
na Rádio Tapejara AM, no Rio Grande do Sul. Além da Rádio Tapejara, trabalhou na
Rádio Rural (Concórdia/SC), Rádio Atlântida FM (Porto Alegre/RS), Rádio Salvador
FM (Salvador/BA), Rádio Transamérica (São Paulo/SP), Rádio Caiobá FM
(Curitiba/PR), entre outras.
Dentre as empresas que já passou, desempenhou funções de operador de som,
locutor apresentador, locutor animador, repórter policial e promotor de eventos.
1) Desde quando se iniciou, no Brasil, a adaptação do rádio para Internet?
A nova mídia iniciou com a Internet mesmo, desde que se tem uma forma de
transmissão, o rádio acompanhou.
2) Como se dá o processo de implantação do webradio?
Isso depende do conteúdo. Uma rádio aberta somente “linka” a saída de sua mesa de
som e manda o som para a Internet. Já, uma webradio híbrida precisa gerar conteúdo,
ou seja, fazer programação, ambas são geradas da mesma forma.
3) Quais os problemas enfrentados para se ouvir uma transmissão via Internet?
As conexões no Brasil são, em geral, de péssima qualidade, isso dificulta, pois o
ouvinte fica com buffer, aguardando o sinal, na maioria das vezes.
81
4) Qual a expectativa do webradio para os próximos anos?
Isso vai depender da qualidade das conexões, se o investimento crescer, ela cresce
junto. Não só as rádios, mas as TVs também têm espaço, desde que a banda seja mais
estruturada.
5) Quais as diferenças entre ouvir rádio tradicional e rádio na Internet?
Para ouvir a webradio precisa-se ter um sinal de Internet, que usa streaming, ou seja,
pacotes de tcp/ip, as emissoras tradicionais usam ondas, o que dá mobilidade e são
gratuitas, na Internet se paga para acessar e a geradora paga para lhe enviar o sinal.
6) Quais os requisitos para se ter um webradio?
De equipamentos:
1 computador com conexão de rede
1 software que gera áudio (Winamp, Real Player, Windows Media Player) ou algo
mais profissional, Playlist, Zara radio, Access, Informa, Audio QI.
1 Provedor que distribuirá o sinal (streaming)
1 conexão banda larga
1 estúdio, mesa microfones e afins.
7) Quais os requisitos para poder ouvir um webradio?
Um computador com conexão à Internet.
8) Quais as dificuldades para se implementar e desenvolver um webradio?
As dificuldades técnicas são pequenas, diria que a geração de conteúdo é o principal
entrave, pois sem um bom conteúdo e divulgação, você não será ouvido.
9) O que é, na sua visão, um webradio?
Um novo meio de comunicação, a abertura de uma nova janela para que as pessoas
divulguem suas idéias e conceitos.
82
10) Qual o investimento médio para poder implementar um rádio virtual?
O investimento inicial é de R$ 5.000,00, e o mensal é de R$ 1,25 por ouvinte (em
nossa empresa).
11) Quais os principais ruídos na recepção da mensagem que o ouvinte pode ter?
Como qualquer emissora.
12) Como o webradio pode propiciar novas formas de fazer publicidade?
A rádio na Internet pode vender, também, visual. Banners e afins.
13) Você considera o rádio virtual uma nova mídia ou, apenas, a extensão de um
meio já existente?
Sem dúvidas, uma nova mídia e, para as tradicionais, uma nova forma de chegar a
locais que tecnicamente era impossível, como por exemplo, outros países.
14) Como se configura o comportamento dos ouvintes de rádio na Internet?
Todos os estudos, ainda, são muito prematuros, pois a Internet é muito livre em
relação ao comportamento. No tocante a perfil, sabemos que é mais usada por homens
de meia idade, em horário comercial e da região Centro-Sul.
OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS

OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS

  • 1.
    CENTRO UNIVERSITÁRIO POSITIVO– UNICENP CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – PUBLICIDADE E PROPAGANDA OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS CURITIBA 2007
  • 2.
    ANDRÉ CAMLOT FELIPE BIESCZAD MICHELLECRISTINA TAKASHIMA DE PAULA CASTRO WALTER THIAGO AISENGART ACCIOLY RODRIGUES DA COSTA URIEL REIS PEREIRA GIONÉDIS OUVINTES OU INTERNAUTAS? AS TRANSFORMAÇÕES DO MEIO RÁDIO PROPORCIONADAS PELAS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS Monografia apresentada como requisito parcial à conclusão do curso de Publicidade e Propaganda, Núcleo de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas do Centro Universitário Positivo – UNICENP. Orientador: Prof. Alexandre Tadeu dos Santos CURITIBA 2007
  • 4.
    iii Dedicamos este trabalhoa todas às pessoas que, de maneira direta e indireta, contribuíram com informações essenciais para o desenvolvimento e conclusão do mesmo.
  • 5.
    iv Ao Professor AlexandreTadeu dos Santos pela orientação sempre presente e confiante, contribuindo substancialmente para nossa formação. Ao Professor Celso Rogério Klammer pelas suas indicações e examinação contundente. Aos demais professores da graduação que, de alguma forma, contribuíram para o andamento e conclusão desta pesquisa, bem como para a nossa formação. À Laura Spuldaro pelas colaborações e força durante a realização deste projeto. A Henrique Gusso Netzka pelo desenvolvimento e implantação da pesquisa na Internet, bem como, a toda sua acessibilidade e tecnologia. A todas as pessoas que colaboraram respondendo e divulgando a pesquisa. À Helen Marie Dobignies, da Rádio 91 Rock; Felipe Harmata Marinho, da PontoCom Comunicação Interativa e Marcelo Basso, da Playlist Soluções, por terem cedido parte do seu tempo, contribuindo, respondendo a entrevista e fornecendo todas as informações necessárias para o desenvolvimento deste trabalho. A todos os profissionais que, também, foram essenciais para a realização das pesquisas, indicando as pessoas certas para serem entrevistadas. A nossa família e amigos, pelo carinho e paciência, pela compreensão nas ausências e, sobretudo, pelo companheirismo na construção de nosso conhecimento.
  • 6.
    v SUMÁRIO RESUMO.......................................................................................................................vi INTRODUÇÃO .............................................................................................................1 INTERNET: UMNOVO MEIO DE COMUNICAÇÃO COMO CENTRO DISSEMINADOR DA INFORMAÇÃO .....................................................................4 1.1 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: BASE PARA O CRESCIMENTO DO CONSUMO EM MASSA ...............................................................................................4 1.2 A INTERNET COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÃO .........10 1.3 INTERATIVIDADE, MOBILIDADE E CIBERCULTURA: O MUNDO TODO CONECTADO 24 HORAS POR DIA..........................................................................14 1.4 REALIDADES SOBRE A CIBERCULTURA E OS ASPECTOS SOCIAIS .......18 1.5 APARATOS DA INTERNET: MEIOS DIVERSOS DE SE COMUNICAR........19 1.6 A INTERNET NA CONTEMPORANEIDADE ....................................................22 A NOVA FORMATAÇÃO DO MEIO RÁDIO, ADERINDO À TECNOLOGIA DA INTERNET ...........................................................................................................25 2.1 A HISTÓRIA DO RÁDIO CONVENCIONAL .....................................................25 2.2 RÁDIO DIGITAL COMO EVOLUÇÃO DO RÁDIO CONVENCIONAL..........29 2.3 WEBRADIO: SEU NASCIMENTO E SUA EVOLUÇÃO ....................................33 OUVINTES OU INTERNAUTAS? COMO SE FIGURA O MEIO RÁDIO NA INTERNET E COMO ESTÁ A SUA ACESSIBILIDADE?...................................37 CONCLUSÃO..............................................................................................................45 REFERÊNCIAS ..........................................................................................................48 ANEXOS.......................................................................................................................54
  • 7.
    vi RESUMO Estudo sobre onascimento do webradio como uma nova mídia ímpar na evolução tecnológico-digital do fim do século XX e início do século XXI. Com o propósito de se analisar de que forma o webradio é classificado dentro dos meios de comunicação (se este se figura como meio de comunicação ou não), esse trabalho toma como base fundamental as teorias de cibercultura e Internet que, por exemplo, Castells, Pierre Lévy, Lúcia Santaella, Marshall McLuhan e Deleuze e Guattari, formularam em suas pesquisas e estudos. Parte-se da premissa de que, com o surgimento da Internet, os meios de comunicações de massa tiverem de se adaptar frente a nova realidade cibernética que alterou os modos de comportamento comunicacionais e os próprios meios de comunicação. Nesse sentido, o rádio convencional teve também de se adaptar, de certa forma e em certa medida, resultando no webradio. Esse estudo tem como enfoque principal, ainda, analisar se as pessoas que ouvem rádio via Internet figuram- se como ouvintes propriamente dito ou como internautas. Dessa maneira, estudaram-se teorias sobre cibercidade, tendências dos internautas e foram realizadas entrevistas com profissionais da área de Internet e webradio e questionário com internautas. Palavras-chave: Revolução Industrial; mass medias; Internet; cibercultura; ciberespaço; pós-humano; pós-modernidade; radiodifusão; rádio digital; webradio.
  • 8.
    INTRODUÇÃO O rádio nasceuno Brasil repleto de dificuldades “refletidas num constante surgimento e desaparecimento de inúmeras emissoras” (CABRALE, 2004, p.12), devido às leis e códigos de comunicação que estavam em vigência e pelos altos investimentos necessários para se manter uma emissora de rádio. Tornou-se o companheiro da dona-de-casa durante as atividades domésticas, acompanha o motorista no trânsito e os profissionais no trabalho, convertendo-se “em um meio fundamental de informação e entretenimento” (Ibid., p.7-8). Entretanto, com o advento da Internet, todos os meios de comunicação tiveram que se adaptar à nova realidade; e com o rádio não poderia ser diferente. Já no fim do século XX, o rádio dava seus passos de adesão à tecnologia da rede mundial de computadores. Milhares de estações em todo mundo, quase meia centena no Brasil, criaram Web-sites1 [sic]. Entre todas há um crescente número de estações para entrevistas e bate-papos. A maioria se encontra, apenas, na fase de autopromoção, anunciando concursos promocionais e listagens de músicas mais tocadas ou comentários dos ouvintes, informando sobre a Estação [sic] com links2 e sobre outros sites3 . Outras, a minoria, exploram de tecnologia às transmissões ao vivo, em tempo real, permitindo aos usuários ouvir músicas e locuções (MICK, 1998, p.4). Tal adesão se tornou uma tendência, a ponto de existirem, hoje, rádios criadas especificamente para Internet, como a rádio da UFPR4 . Porém, todo esse advento é conseqüência de um processo evolutivo que se iniciou com a Revolução Industrial, passando aos mass medias (meios de comunicação de massa). Da mesma forma que a Revolução despertou novos comportamentos nas pessoas, o advento da Internet e suas implicações dão margem a novos acontecimentos sociais e comportamentais, levando os internautas a ouvirem rádios on-line 5 . 1 Websites são páginas ou coleções de páginas exibidas na Internet. Podemos comparar ao endereço de uma casa. É um website que é acessado para que se exiba o conteúdo procurado. 2 Palavras ou imagens que, quando clicadas, permitem o acesso à outra página ou a exibição de outro conteúdo. 3 Abreviação de website. 4 Rádio UFPR. Disponível em: www.radio.ufpr.br. 5 Forma de exibição na Internet.
  • 9.
    2 Entretanto, neste trabalho,não serão pesquisados os comportamentos específicos do público que ouve webradio e, sim, se esse público é classificado como internauta ou ouvinte (como no rádio convencional). O tema foi escolhido tendo em vista as novas mudanças tecnológicas ocorridas neste e no último século, fazendo com que surgissem novas formas de relacionamento entre as pessoas e novas fontes de informações e entretenimento. “O sujeito da pós- modernidade é ‘performático’, vive só o momento, está voltado para o gozo a curto prazo e a qualquer preço, é o ‘sujeito perverso’ clássico” (DUPAS, 2007, p.53), passando a interagir a distância por meio das mídias globais que permitem exibições instantâneas de todos os tipos e de qualquer lugar do mundo. A ponto de que “[...] a televisão e os demais veículos clássicos de comunicação estão sendo desafiados pela Internet e por outras tecnologias que oferecem opções mais amplas de serviços de informação e entretenimento” (DIZARD, 2000, p.19). Busca-se, no presente trabalho, entender de que maneira a revolução tecnológica do século XXI altera as ferramentas da Internet e o modo do ouvinte lidar com o meio rádio e, de que maneira este na sua versão on-line é classificado dentro dos meios de comunicação. O primeiro capítulo apresenta as revoluções que fizeram com que houvesse uma maior demanda por transmissão de mensagens, a alteração da relação entre os seres humanos, passando a se confundir o espaço real e virtual6 e as implicações da Internet. O segundo capítulo oferece ao leitor a história do rádio convencional e a evolução para o rádio digital, bem como os estudos primordiais do webradio. 6 “A palavra ‘virtual’ pode ser entendida em ao menos três sentidos: o primeiro, técnico, ligado à informática; um segundo, corrente e um terceiro, filosófico. [...] na acepção filosófica, é virtual aquilo que existe apenas em potência e não em ato, o campo de forças e de problemas que tende a resolver-se em uma atualização. O virtual encontra-se antes da concretização efetiva ou formal. [...] No uso corrente, a palavra virtual é muitas vezes empregada para significar a irrealidade [...] é virtual toda entidade ‘desterritorializada’, capaz de gerar diversas manifestações concretas em diferentes momentos e locais determinados, sem, contudo, estar ela mesma presa a um lugar ou tempo em particular” (LÉVY, 2005, p.47).
  • 10.
    3 No terceiro capítulo,são interpretadas as respostas da pesquisa aplicada com ouvintes de rádio, bem como as entrevistas realizadas com profissionais que estão em contato diário com as tendências do rádio na Internet. Assim, este trabalho é divido, para um melhor entendimento teórico, em quatro etapas, sendo que: na primeira foi definido o objeto de pesquisa, sendo dividida em três pontos (formulação do problema de pesquisa, quadro teórico de referência e hipóteses); na segunda etapa houve a definição do instrumento de pesquisa que foi aplicado; seguindo para a descrição (tabulação da pesquisa) na terceira etapa e; por fim, o confronto de dados da pesquisa empírica com o quadro teórico de referência. Em virtude da complexidade do tema escolhido, fez-se necessário o embasamento em autores que trataram e tratam do assunto de forma incisiva, caracterizados por obras e estudos de difícil compreensão e análise teórica. Ainda, este é um tema inesgotável, cabíveis atualizações a qualquer instante, podendo ser realizada uma posterior continuação nos estudos.
  • 11.
    4 INTERNET: UM NOVOMEIO DE COMUNICAÇÃO COMO CENTRO DISSEMINADOR DA INFORMAÇÃO Será que quem tem Internet vive sem ela? Desde o dia em que se adquire o primeiro computador e acesso à Internet, certamente passa a haver uma relação de coexistência. Passou a ser uma relação de necessidade instantânea e desesperadora para aqueles que a possuem. Neste capítulo busca-se mostrar essa transformação e suas implicações. 1.1 A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: BASE PARA O CRESCIMENTO DO CONSUMO EM MASSA “[...] Marshall McLuhan propõe [...] que se busque uma base tecnológico- material que sirva para isolar as várias fases de civilização percorridas pelo homem. [...] o fenômeno que mais contribuiu para determinar uma das maiores ‘mutações’ da história da civilização foi a invenção da imprensa com tipos móveis, presumivelmente por parte de Gutenberg, em torno de 1450, em Mogúncia [...]” (CASTAGNI, 1987, p.88). Portanto, a invenção de Gutenberg contribuiu para a evolução do homem moderno e, constata-se que o progresso tecnológico da idade industrial já estava disponível nessa fase em que o homem ficou habituado à produção em série e à automatização dos próprios movimentos, fatos que foram trazidos pela invenção da imprensa. Assim, tem-se como exemplo, a evolução da fabricação do livro na sociedade, fato que foi crescendo exponencialmente ao mesmo tempo em que a busca por uma tecnologia que suprisse uma demanda cada vez maior pela leitura também se encontrava em seu auge. [...] estudar a vida de Gutenberg é aproximar-se daquele período histórico em que muitos outros artesãos experimentavam um sistema cômodo para multiplicar os livros [...], é aproximar-se de todo aquele universo de inventores e empresários que já gravitava em torno do livro. [...] é simples compreender como [...] num período de grande desenvolvimento produtivo e comercial [...] a procura de um modo mecânico que satisfizesse a crescente
  • 12.
    5 exigência de livrose inflamasse a cabeça de obscuros artesãos e inventores improvisados (CASTAGNI, 1987, p. 88-89). É possível comparar a dimensão da importância da prensa do século XV com o que a Internet propicia na troca de informações. “É razoável [...] imaginar que, daqui a 15 ou 20 anos, a rapidez e a queda de custos nas trocas de informação que a Internet possibilita terão surtido efeitos tão (ou mais) radicais em nossa cultura, quanto a prensa de Gutenberg teve no século XV” (ERCILIA , 2001, p.12). Com a Revolução Industrial notou-se uma crescente demanda por comunicação que disseminavam as novas idéias e produtos que estavam surgindo naquela época. Segundo Pignatari (2002, p.17-18), “[...] o interesse crescente pelos problemas de comunicação e a necessidade de maior precisão na emissão de mensagens de qualquer tipo estão vinculados [...] à Revolução Industrial”. Entende-se por Revolução Industrial, de acordo com Manangão (2007), o período que se estende a partir de 1750, em que houve uma série de transformações sociais e que se observa a saída de um sistema, antes, feudal para o que então chamaremos de capitalista. Dividida em três períodos, para efeitos principalmente didáticos, o primeiro foi a implementação da industrialização e fabricação em série; o segundo acarretou o crescimento de mercados e posterior intensificação de meios de comunicação, sendo de importante valor para a cultura de massa e; no terceiro concentrou-se a multinacionalização e a mundialização, fenômenos da globalização. Portanto, de 1815 a 1890, os mercados se ligaram aos seus consumidores através do aumento de meios de transporte e de comunicação, como telégrafo, telefone, jornais e revistas. Isso levou a sociedade a consumir em massa e a universalizar a educação básica existente. [...] assim como a industrialização cria o mercado de consumo e a necessidade de alfabetização universal, cria, também, a necessidade de informações sintéticas para o grande número: o jornalismo e o livro, no século passado; o cinema, o rádio e a televisão, em nosso século. Cada um desses meios e todos eles em atrito determinam modificações globais de comportamento da comunidade, para os quais é necessário encontrar a linguagem adequada (PIGNATARI, 2002, p.18). Segundo Lombardi (1987, p.144), “não pode haver dúvida sobre o fato de que as inovações técnicas, ligadas à Revolução Industrial, tenham assegurado ao livro um
  • 13.
    6 desenvolvimento extraordinário etenham permitido a consolidação de iniciativas editoriais mais vinculadas a atualidades, como por exemplo, a revista e o jornal. [...] as inovações de Gutenberg [permitiram] a passagem de uma ‘cultura oral’ para uma ‘cultura de mídia’”. Dentro desse pressuposto, a evolução da fabricação do livro levou a, então e posterior, passagem de uma cultura que apenas a minoria teria acesso ao que se chama de cultura de massa. A evolução na feitoria do livro levou a criar novos formatos adaptados deste meio como, por exemplo, o jornal e, posteriormente, a revista. Essa evolução foi extremamente positiva na medida em que se disseminaram e se criaram novos formatos e formas de leituras. Como afirma Lombardi (1987, p.182), com o passar dos anos o livro deixou de ser a única forma de mensagem escrita, passando a ser apenas mais uma forma de transmissão de códigos escritos. Assim, surgiram os livros de notícias, com informações de caráter político e econômico, que eram embriões dos jornais, tanto que em Veneza e França essas publicações eram denominadas Avisos e Gazetas, e na Inglaterra, News papers. No Brasil, a escrita deu-se mais tarde, quando, há aproximadamente cem anos, a imprensa iniciou sua atividade e o país conseguiu manter jornais em cada capital e nas mais importantes cidades. Já, as revistas ganharam destaque nos anos 1940-50, com o sobressalto das revistas O Cruzeiro e Manchete. Foi o rádio que mais contribuiu para o desenvolvimento da mídia no país, viabilizando a comunicação de massa. Entretanto, foi a televisão que mais teve destaque como mass media. Segundo Rosa (1998, p.1), a televisão surgiu na década de 1950, período em que o país vivia sua primeira fase de industrialização através das multinacionais. “A invenção da televisão [...] é [...] o resultado de um longo processo de pesquisas e descobertas [...], é derivada de um conjunto de invenções e desenvolvimentos da eletricidade, fotografia, cinematografia e radiofonia” (SARTORI, 1987, p.249-250). Pode-se observar que a televisão se desenvolveu, similarmente, como uma empresa e só depois amadureceu para um caráter institucional (um sistema industrial completo, dirigido a um público de massa).
  • 14.
    7 [...] a idéiada cinematografia também estava crescendo: se a lanterna mágica (projeção de placas) era conhecida desde o século XVIII e o simples movimento (de uma placa sobre a outra) foi conseguido em 1736, é por volta de 1825-26 que se assiste a um desenvolvimento dos aparelhos mecânicos cinematográficos [...] para finalmente chegar [...] aos trabalhos de Friese-Greene e de Edison, a respeito das técnicas de filmagem e projeção, precursoras dos primeiros espetáculos cinematográficos (SARTORI, 1987, p.250). Após o ano de 1900, os aglomerados industriais aumentaram exponencialmente, fazendo crescer a sociedade de consumo de massas e, dessa maneira, permitindo que os meios de comunicação avançassem de maneira vertiginosamente rápida. Tem-se nessa etapa da Revolução Industrial, o surgimento da globalização, que está implicada na idéia de “planetarização”, ou seja, no nivelamento das diferenças. Historicamente, acontece no início da Era Moderna, quando os novos instrumentos tecnológicos possibilitaram uma visão global da Terra. Portanto, a globalização é “teledistribuição” mundial de um padrão de pessoas, coisas e informações (SODRÉ, 2003, p.23). Ainda sobre a globalização, Manangão (2007) diz que a internacionalização, a multinacionalização e a mundialização são fenômenos interconectados; expressões que transformam o capitalismo financeiro, centrado, principalmente, nas economias nacionais e na economia mundial. Com esses fenômenos, como a globalização, localizados na terceira fase da Revolução Industrial, nota-se uma constante busca de meios em que os mercados pudessem interagir de forma dinâmica e não fracionada, de preferência, em um espaço temporal curto. Agora que tudo está conectado entre si (ideologicamente), torna-se necessário desenvolver ou potencializar um meio em que de fato conecta-se tudo (fisicamente). Porém, essa questão de se ter um meio que pudesse gerar resultados imediatos de comunicação entre diversos mercados somente veio a se intensificar na pós- Revolução Industrial. Segundo Dupas (2007, p.16), após a Revolução e com o início da chamada ‘era da pós-modernidade’, a máquina foi substituída pela informação, sendo que o contato entre as pessoas passa a ter como meio a tela eletrônica. A comunicação em rede foi, então, desenvolvendo-se, permitindo que as pessoas pudessem realizar negócios globais e, ao mesmo tempo, trocar informações em tempo real. Foi, então, essa comunicação em rede que começou a esboçar um espaço de trocas de informações em tempo real.
  • 15.
    8 Tem-se, desde meadosdo século XIX, que a humanidade vive a perspectiva da vinda de um novo tempo, no qual passaria a vigorar algo pós-humano no lugar dos próprios humanos. Entende-se como pós-humano, de acordo com Pepperell (2007), aquele que ultrapassa os limites do ser humano convencional, almeja conhecimento e informação mais do que pode absorver, ser poderoso em sua essência. Aí surge o termo “super-homem”, ao qual Nietzsche acentua em sua obra Assim falou Zaratustra, ao mesmo tempo em que anuncia a morte de Deus, ou seja, o niilismo. Atualmente, atingir o super-humano tornou-se uma meta. Por exemplo, já, há pessoas com vontade de experimentar situações que até pouco tempo atrás se restringiam ao universo ficcional: como foi com a Internet, como está sendo com viagens espaciais, entre outros. Todos os progressos tecnológicos da sociedade humana conduzem num sentido que torna redundante a espécie humana tal como a conhecemos atualmente. Sobre essa abordagem, que traz discussões sobre a ficção e a realidade, pode-se dizer que [...] em função da aceleração descontínua do tempo, pensar na realidade é impossível, pois o virtual a elimina, assim como acaba também com a imaginação do real, do político e do social, no passado e no futuro. Denominado como tempo real, essa referência de passagem de tempo caracteriza-se pela falta de realidade objetiva, na qual os fatos não conseguem ter um tempo próprio para realizar-se, ocorrendo assim, operações simultâneas que não dão conta de expressar algum sentido (AMARAL, 2007, p.5). Ou seja, hoje se fala tanto em real e virtual, que as pessoas começam a confundir o que seria ficção do que seria realidade, até que a própria idéia de realidade se perde dando mais espaço para aquilo que é virtual. É como se fossem passarinhos dentro de um grande aquário de vidro totalmente lacrado, que ao tentar fugir debatem- se constantemente contra o vidro, pois a barreira é impossível de se ultrapassar, porém é incompreensível para suas percepções que eles não consigam sair. Isto seria idéia do virtual, pois para os passarinhos o vidro não existe, uma vez que não o compreendem, mesmo, na realidade, o vidro estando lá. “Hoje, com a cibernética e a automação, toda a produção é programada e a questão não se coloca mais em termos musculares, mas antes, em termos de sistema nervoso: as máquinas passam a ser complexos de organismos informacionais e as
  • 16.
    9 relações entre ascoisas vão substituindo a visão da coisa em si” (PIGNATARI, 2002, p.19). “[...] uma civilização totalmente nova e distante deste mundo, na qual os humanos não terão lugar de importância e em que apenas as mentes mais conscientes terão um poder inimaginável por nós” (RÜDIGER, 2007). Essas citações corroboram a idéia de que a humanidade está tendendo a se tornar uma sociedade de maquinização completa, em que o virtual passa a vigorar de forma constante em todo o mundo. Existe uma teoria, explicada pelos autores Deleuze e Guattari (2007), que esclarece de forma muito bem colocada essa sociedade de maquinização (homem e máquina). O conceito traz a expressão ‘maquínico’, criada por eles, que quer dizer não só o mecânico, não a máquina tomada em seu mecanicismo, em seu funcionamento automático e previsível, mas sim aquilo que produz desterritorialização, que abre novas possibilidades de experiência, sensações e afetos. Por isso, a subjetividade (que inclui o inconsciente, mas não deriva apenas dele) é uma máquina desejante, onde o desejo não é nem representação da falta, nem romance familiar, nem pneumática anímica (id/ego/superego), mas produção concreta, com as forças e os fluxos. É o trabalho de aumento de potência da vida, criando agenciamentos – formas, atitudes e devires – no encontro dos corpos que são conceitos, afetos, pessoas e fatos. Na definição de Foerster (2007), o cérebro é uma máquina não trivial, sensível à modificação de seus próprios estados internos, dependente do passado e analiticamente imprevisível; uma máquina que trabalha todos os dados que entram, sempre procurando novos resultados e respostas. Sagan (1996, p.124-126) reforça essas considerações ao afirmar que o número de estados diferentes de um cérebro humano é (1013 )2 dez trilhões de vezes elevado à segunda potência: Esses números enormes podem também dar alguma explicação sobre a imprevisibilidade do comportamento humano e sobre aqueles momentos que surpreendemos a nós mesmos pelo que fazemos [...] Todos os estados do cérebro não estão de modo algum ocupados: deve haver um número enorme de configurações mentais que nunca entraram e nem mesmo foram vislumbradas por nenhum ser humano na história da espécie. Deste ponto de vista, cada ser humano é verdadeiramente raro e diferente [...] (SAGAN, 1996, p.124-126).
  • 17.
    10 Para Deleuze eGuattari (2007), a subjetividade está sendo produzida, materialmente, não apenas no cérebro, mas pelo corpo todo e por todos os corpos. Ela habilita a criação de universos biopsicossociais e é na mistura das máquinas sociais (instituições e leis) com as máquinas técnicas (avanços tecnológicos e descobertas científicas) e as máquinas estéticas (arte) que a subjetividade humana move seu devir. Há mais de 50 anos, segundo Rüdiger (2007), Adorno percebeu uma tendência que ele chamou de aumento da composição maquinística do ser humano. Para ele, não só as capacidades técnicas, mas também nossas capacidades criativas são inteiramente voltadas ao sistema de produção capitalista. É de responsabilidade da humanidade refletir se o advento da cibercultura não é uma passagem para um estágio superior desse processo identificado por Adorno, pois neste sistema quebram-se múltiplas províncias e culturas, torna-se estéril a formação dos seres humanos, passa-se a ser cibernética a relação entre os seres, tudo contribuindo para a formação de seres maquinísticos. Todos os fenômenos abordados anteriormente, cibercultura, pós-humano e maquinização são provenientes de uma época mais recente da Modernidade. Para entendermos o surgimento deles é necessário retomar ao ponto inicial, que deu origem a todos esses momentos que vivemos até hoje. 1.2 A INTERNET COMO MEIO DE DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÃO Diante da necessidade cada vez maior de se obter informações e realizar contatos em tempo real, surgiu um esboço do que seria a Internet – a ferramenta tecnológica que mais se desenvolveu no mais curto espaço de tempo. Esse protótipo, denominado como redes informáticas interconectadas (interconnected networks), apesar de globalizadas em apenas quatro anos, segundo Garcia (2007), tinha sido criada em 1945, no pós-Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos da América por Vannevar Bush, professor do Massachusetts Institute of Technology, que imaginou um sistema de armazenamento de documentos que funcionaria tal como a teoria das extensões de Marshall McLuhan, de acordo com os mecanismos cognitivos de
  • 18.
    11 associação e memorizaçãodo cérebro humano. Mas só onze anos mais tarde, em 1956, um laboratório americano conseguiria inventar o aparelho que se tornaria o modus operandi para estabelecer a ligação telefônica entre dois computadores e, desta forma, permitir que, clicando em um link, os cibernautas acessassem a um outro local. Esta possibilidade de encontrar, tão rapidamente, a informação na Web (World Wide Web – teia de aranha mundial), constituída por todos os tipos de páginas (textos, gráficos, sons, imagens e vídeos), é que veio revolucionar e transformar as nossas posturas e comportamentos na sociedade contemporânea. Essa revolução acaba por alterar a nossa relação espaço-temporal como toda mídia, representando um novo meio de emitir informação além do espaço e do tempo. A transformação midiática faz com que vivenciemos “[...] uma sensação de tempo real, imediato, ‘live’, e de abolição do espaço físico-geográfico [alterando] nossa percepção espaço temporal” (LEMOS, 2003, p.14). A Internet, como uma ferramenta fundamental para que se possa comunicar globalmente em tempo real, só vem a se consolidar na chamada Revolução Tecnológica que surge no início do século XXI e vai até os dias de hoje. Esse momento, em que o mundo ainda vive, é um período que tem como base fundamental o progresso e as novas tecnologias capazes, cada vez mais, de permitir trocas de informações em termos globais, de criar mercados unificados e consumo em massa. Cada vez mais o mundo se vê na exigência do consumo imediato e da satisfação rápida. [...] hoje se percebe uma expansão violenta de conhecimentos científicos e tecnológicos aplicados à produção, o que ocorre principalmente nos países de economia mais avançada. A biotecnologia, a informática e a robótica, entre outras ciências, ao mesmo tempo em que ampliam a capacidade produtiva, tornam-na menos dependente do esforço físico humano. Daí resultam alterações tão significativas nas relações de produção, a ponto de configurar-se um processo revolucionário do modo de produção capitalista. Processo que pode resultar tanto em crises e mudanças radicais nesse modo de produção, e em seus ajustes institucionais, quanto no delineamento de um novo modo de produção. De fato, a fábrica do futuro terá alguns técnicos e cientistas no lugar de centenas de operários. E produzirá muito mais (FERRARI, 2007). É a era da informática, da robótica, da Internet. Um período em que se tem que permanecer on-line durante o dia todo, recebendo e enviando informações. Santaella (2007) já falava que esse momento é o período do pós: pós–moderno, pós–humano,
  • 19.
    12 onde o homemé substituído pela facilidade que a tecnologia proporciona: o computador e os robôs. A Internet está em todo lugar, desde em sua casa até em seu celular. As empresas passam a usar a Internet cada vez mais para divulgar seus produtos e serviços, enquanto as pessoas (internautas) recebem cada vez mais informações, consumindo tudo muito rápido. Tudo isso contribuiu para que a Internet se tornasse um novo meio de comunicação. Um meio revolucionário que tem em seu corpus outros meios de comunicação convencionais: jornal, revista, folhetim, rádio e televisão. Resta-se saber de que forma todas essas fases que culminaram com o surgimento da Internet como novo meio de comunicação, alteram os modos de comportamento e hábitos de consumo das pessoas ligadas a essa nova tendência. E quanto ao meio rádio que, de certa forma, está inserido na Internet através do webradio, configura-se como um novo meio? Na metade do século XX a imprensa perdeu seu monopólio como meio de comunicação e iniciou-se uma fase onde existem novos instrumentos capazes de eliminar barreiras geográficas, lingüísticas e culturais. Segundo Gomes (2001, p.72), para McLuhan esse fenômeno é denominado como retribalização e “estaria ligado à constituição de uma aldeia global, da qual a televisão seria o veículo base, com uma linguagem universal: a imagem, que seria a linguagem da evidência”. Hoje, esse momento de retribalização estaria mais ligado à Internet, como veículo com uma linguagem universal de comunicação. A retribalização é a terceira etapa da evolução cultural classificada por McLuhan. A primeira é a tribalização, que começa durante a humanização, em que o ser humano assimila a linguagem que surge nas comunidades das forças produtivas; nesse momento, os indivíduos não mais lutam entre si e começam a estabelecer padrões culturais, que são transmitidos às outras gerações através da comunicação. “A limitação residia em que a transmissão dependia da memória dos anciãos e de sua habilidade para transmitir às gerações futuras os padrões culturais” (GOMES, 2001, p.71-72). A segunda fase é a destribalização que começa com a invenção da escrita, rompendo os laços tribais, libertando o ser humano da dependência de seus ancestrais.
  • 20.
    13 A invenção doalfabeto ocorreu cerca de quatro mil anos antes da era cristã, mas a sua difusão somente se verificou muitos anos depois. O motivo disso [...] é que a escrita não apenas significava instrumento de comunicação ou de registro cultural, era antes de tudo, símbolo do poder. [...] o aparecimento da escrita significava potencialmente a acessibilidade de todos os indivíduos aos bens culturais da comunidade [...]. A escrita [destruiu] a vida tribal. Agora a imprensa, fase extrema da cultura alfabética, completará a obra. Com o livro, a cultura deixa de ser privilégio das elites e dos poderosos, colocando-se à disposição de um maior número de pessoas (GOMES, 2001, p.72). Para Baudrillard (2007) a Internet tem o papel de simular um espaço de liberdade e de descoberta, mas apenas de simular, pois para toda busca, o que se considera uma navegação sem fronteiras e ilimitada, há um roteiro pré-estabelecido. Por exemplo, ao se acessar o site de busca Google7 tem-se a sensação de possuir o mundo no monitor; entretanto, ao clicar em tópicos escolhidos, já existe um caminho para se guiar. Já, Lévy (2005, p.17) sustenta a possibilidade de interconexão entre indivíduos a partir da adesão ao ciberespaço, ou seja, a rede se constituiria um novo meio que seria apta a proporcionar um grau elevado de usuários, uma comunicação democrática e globalizada. O resgate da instantaneidade, presente na Internet, implica a construção de uma inteligência coletiva que remete ao ideal proposto, em 1960, por McLuhan, de “aldeia global”, caracterizado como [...] uma era de comunicação intensa que reuniria em troca de mensagens instantâneas e contínuas toda a Terra [...] [em] um processo de troca de informações cada vez mais rápido e intenso [...] que elevaria à perda ou [...] à uma transformação profunda, das referências nas quais as culturas costumavam se orientar, envolvendo todos em torno de acontecimentos comuns [...] com dimensões que abarcariam um mundo inteiro (PEREIRA, 2007). Portanto, McLuhan antecipa a idéia de uma enorme rede de comunicação que poderia ser a Internet. “A idéia da aldeia global, ou a teia global, como poder-se-ia traduzir, hoje, o novo modo de comunicação eletrônica ultra-rápida que envolve todo o planeta, apresenta, ainda, as preocupações de McLuhan acerca das alterações subjetivas em processo desde as ações dos novos meios” (Ibid.). 7 Google. Disponível em: www.google.com.br.
  • 21.
    14 1.3 INTERATIVIDADE, MOBILIDADEE CIBERCULTURA: O MUNDO TODO CONECTADO 24 HORAS POR DIA “O termo ‘interatividade’, em geral, ressalta a participação ativa do beneficiário de uma transação de informação. [...] mesmo sentado na frente de uma televisão sem controle remoto, o destinatário decodifica, interpreta, participa, mobiliza seu sistema nervoso [...] sempre de forma diferente de seu vizinho” (LÉVY, 2005, p.79). Lévy (2005, p.80) nos fala que o modelo de mídia interativa é o telefone, pois, permite a conversação, a comunicação e a reciprocidade. O autor sustenta esta posição, dizendo que o telefone nos coloca em contato com o “corpo” do interlocutor. Entretanto, a comunicação virtual é mais interativa que a comunicação pelo telefone, uma vez que pode ser constituída de mensagem em imagem, texto ou voz, tendo inserido, de certa maneira, o telefone em sua forma de comunicação. Assim, o virtual é o modelo de mídia completo, agrupando todas as maneiras de se comunicar. A partir da interatividade, ocorre uma necessidade evolutiva de se avançar na forma de transmissão de mensagens. Assim, surge a mobilidade (dispositivos capazes de operar a uma certa distância ou sem a necessidade de um fio conector), que se estende para todas as áreas, desde negócios até entretenimento. Com a possibilidade de se conectar a qualquer hora e em qualquer lugar, a sociedade começa a desenvolver um eminente vício por estar on-line quase que 24 horas por dia. Como acentua Valentim (2007), as tecnologias móveis permitem a articulação do espaço físico e virtual, fazendo com que tudo possa ser localizado e conectado sem-fio, entre si e em toda a parte do planeta, através do ciberespaço. As localidades com maior mobilidade são aquelas cidades conectadas em redes globais, através de redes telecomunicacionais de computadores e sistemas de transporte computadorizados. São grandes metrópoles concentradoras de infra-estruturas, pessoas, tecnologias, dados, recursos econômicos e atividades comerciais e industriais. A mobilidade se torna um fator qualitativo da conexão. Nesta perspectiva, não existem mais pontos de conexão e sim, um ambiente de conexão, onde todo o espaço que nos envolve se tornaria um ambiente interativo. Desse modo, tem-se uma sociedade centrada, sobretudo na Internet e na necessidade
  • 22.
    15 cada vez maiorde estar conectado à teia global. Vê-se, nesse cenário, uma sociedade cujo hábito está em não tirar os olhos da tela, em que a mente se preocupa, em primeiro plano, com o fato de estar, em qualquer lugar e a qualquer hora, em um ambiente global informatizado. Ainda sobre o assunto de mobilidade, tem-se que, segundo Deleuze (2007), estaríamos passando de sociedades disciplinares para sociedades de controle. Bauman (2007) diz que as sociedades disciplinares tinham como objetivo vigiar e disciplinar a reclusão, impedir que os indesejáveis para a sociedade escapassem ou fugissem dos internatos. Hoje, o objetivo da sociedade de controle é vigiar e controlar a inclusão, garantir que nenhum intruso entre nos controlatos8 . A mobilidade plena passa a ser obtida quando se consegue, ao mesmo tempo, a inclusão global e a fuga da reclusão local. “[...] nas sociedades de controle não nos falta comunicação; ao contrário, temos comunicação de sobra. O que nos falta é criação. [...] E criar não é apenas comunicar, mas resistir. [...] a criação exige a construção de vacúolos de não-comunicação para que alguma coisa finalmente mereça ser dita” (VALENTIM, 2007). Todo esse assunto que diz respeito à mobilidade, fornece à Internet um amplo destaque na medida em que não mais se necessita obrigatoriamente de um computador ou notebook para se ter acesso ao conteúdo cibernético. Essas tecnologias da mobilidade – computação portátil, telefonia móvel e redes sem-fio – passam a estar vinculadas à cidadania que começa a ser exercida nas cibercidades (ambientes que articulam a cidade física com o ciberespaço). Com o apoio da inteligência artificial, caminhamos para a era da interface zero, onde basta armazenar os dados necessários em um objeto, dispositivo, ou software (programa para computador) específico, para que tudo se processe de maneira automática. Assim, tem-se uma sociedade ligada, onde todos são virtuais e seus hábitos de consumos divididos em pequenos grupos, todos habitantes da chamada cibercidade. 8 “[...] os controlatos são espaços de fluxos de dados, deformáveis e transformáveis” (VALENTIM, 2007, p.4).
  • 23.
    16 As tecnologias demobilidade, ainda segundo Valentim (2007), não são apenas novas formas de controle e poder, mas também, novas alternativas de se resistir a esta tendência. Muitos podem interpretar o fenômeno da mobilidade e da cibercidade como meios de criação de uma sociedade homogênea em que todos não mais se importam com outras pessoas, amigos, família, mas sim, com aqueles companheiros de web, que estão conectados, também, a toda a hora. Ora, uma sociedade assim é facilmente controlada: os hábitos são os mesmos, tudo pode ser monitorado, mapeado e informatizado (e ainda com o consentimento da própria sociedade) tal como já previa George Orwell em 1984. Será que este tipo de pensamento procede? Não se pode pensar nessa questão sem antes se discutir sobre a cibercultura, sendo entendida [...] como a forma sócio-cultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70. [A cibercultura é criada a partir da sinergia estabelecida pela relação da] [...] emergência de novas formas sociais que surgiram na década de 60 (a sociabilidade pós-moderna) e das novas tecnologias digitais (LEMOS; CUNHA, 2003, p.12). Assim, pode-se dizer que a cibercultura é o presente, que já a estamos vivendo, sendo conseqüência direta da evolução da cultura técnica pós-moderna. Para compreender a cibercultura é necessária uma perspectiva histórica, com compreensão dos diversos desdobramentos sociais, históricos, econômicos, culturais, cognitivos e ecológicos de relação do homem com a técnica. A cibercultura nasceu no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro. Se para Heidegger (1954) a essência da técnica moderna estava na requisição energético- material da natureza para livre utilização científica do mundo, a cibercultura seria uma atualização dessa requisição, centrada, agora, na transformação do mundo em dados binários9 para futura manipulação humana (simulação, interatividade, genoma humano, engenharia genética etc.) (Ibid., p.13). A onipresença e a instantaneidade são marcas da sociedade da informação, sendo saídas da conectividade generalizada. Porém, a cibercultura possui paradoxos 9 Dados binários são a linguagem que a tecnologia utiliza para conversar entre si.
  • 24.
    17 pela sua instantaneidade:ao mesmo tempo em que “[...] pode inibir a reflexão, o discurso e a argumentação; [...] permite a potência da ação imediata, o conhecimento simultâneo e complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais” (LEMOS; CUNHA, 2003, p.14). A cibercultura permite estarmos em um lugar e agir em outro extremo, aumentando as formas de ação e comunicação sobre o mundo, resultado de [...] uma nova conjuntura espaço-temporal marcada pelas tecnologias digitais-telemáticas, onde o tempo real parece aniquilar, no sentido inverso à modernidade, o espaço de lugar, criando espaços de fluxos, redes planetárias pulsando no tempo real, em caminho para a desmaterialização dos espaços de lugar (Ibid., p.14). Segundo Lemos e Cunha (2003, p.14-15), instaura-se uma estrutura midiática ímpar na história da humanidade, sob a nova dinâmica técnico-social da cibercultura, permitindo que qualquer pessoa emita e receba informações em tempo real, sob diversos formatos e modulações (escrita, imagética e sonora) para qualquer lugar do mundo. A resposta à pergunta sobre os novos comportamentos que a sociedade terá ou não com o desenvolvimento da Internet, da mobilidade, da cibercultura e da cibercidade, em um primeiro momento, nos é dada por Lemos e Cunha (2003, p.14- 15), que comentam que a mobilidade das conexões dos computadores provocará novas formas de relações sociais e de relacionamento: “a passagem do PC [computador pessoal] ao CC [revolução do ‘Wi-Fi’ (wireless fidelity) 10 ] (computador conectado) será prenhe de conseqüências para as novas formas de relação social, bem como para as novas modalidades de comércio, entretenimento, trabalho, educação etc.”. Portanto, há sim uma mudança de comportamentos e hábitos daqueles que estão ligados a todos esses fenômenos citados. Entretanto, a cibercultura pode criar um mundo virtual em que as pessoas poderiam ser divididas tal como no mundo real. Essa realidade que, sobretudo, a 10 O “Wi-fi” é uma tecnologia de conectividade sem fio. (Mobilezone. Disponível em: http://www.mobilezone.com.br/conect_wifi.htm. Acesso em: 08 ago. 2007)
  • 25.
    18 Internet traz, fazcom que se leve em considerações, aspectos sociais ligados à ela e à própria cibercultura. 1.4 REALIDADES SOBRE A CIBERCULTURA E OS ASPECTOS SOCIAIS Torna-se, então, importante destacar que o fenômeno de informatização e Internet não estão amplamente disseminados a todos os habitantes do mundo. Como acentua Castells (2003, p.265), existe a idéia de que a Internet, através da cibercultura, está criando um mundo dividido entre aqueles que possuem acesso a ela e aqueles que não possuem. O desenvolvimento da conectividade faz com que as taxas de acesso à Internet sejam altas, o que colabora para que o que se chama de divisória digital deixe de ser um problema. O autor (CASTELLS, 2003, p.266) diz que negros, latinos e mulheres, segundo dados da Jupiter Communications do ano de 2003, que utilizavam menos a Internet, estão passando a se conectar mais. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, entre os universitários negros e latinos se pôde verificar a mesma taxa de uso da Internet que entre os estudantes não negros e latinos. Por isso, a conectividade, no que diz respeito a divisão social está diminuindo drasticamente. O que mais se torna importante, do que se as pessoas têm ou não acesso à Internet, é justamente o fato de quem tem capacidade educativa e cultural de se utilizar da Internet: Uma vez que toda a informação está na rede [...] trata-se antes de saber onde está a informação, como buscá-la, como transformá-la em conhecimento específico para fazer aquilo que se quer fazer. Essa capacidade de aprender a aprender; essa capacidade de saber o que fazer com o que se aprende; essa capacidade é socialmente desigual e está ligada à origem social, à origem familiar, ao nível cultural, ao nível da educação. É aí que está, empiricamente falando, a divisória digital neste momento (Ibid., p.266-267). Ainda, [...] não é a Internet que muda os comportamentos, mas os comportamentos que mudam a Internet. Estudos que seguem, antes a linha de um painel [...] mostram a realidade da vida social na Internet. [...] em primeiro lugar, as comunidades virtuais na Internet, também são comunidades, ou seja, geram sociabilidade, relações e rede de relações humanas, porém não são iguais às comunidades físicas. [...] as comunidades têm determinadas relações e as
  • 26.
    19 comunidades virtuais têmoutro tipo de lógica e de relações. [...] o mais interessante é a idéia de que são comunidades de pessoas baseadas em interesses individuais e nas afinidades e valores das pessoas (CASTELLS, 2003, p.273). Na comunidade virtual, o espaço não é mais uma barreira e não se criam laços fortes, embora sirva para se estreitar laços fortes que existam, já, no espaço físico. Com isso, há uma tendência para a relação baseada no bairro, na escola, no trabalho: as relações sociais são feitas por aquelas pessoas que buscam outras pessoas, sem necessariamente trabalharem ou estudarem juntas. Os impactos de novas tecnologias fazem com que se reconsidere o fenômeno técnico. Pode-se dizer que os computadores são capazes de prover a simulação e não mais possuem caráter de equipamento industrial. “Na cibercultura, como afirma com pertinência Lévy, não podemos falar de lógica de substituição, nem de simples transposição, mas de um fenômeno global de mudanças sócio-culturais complexas. É neste terreno que cresce a atual cibercultura planetária” (LEMOS, 2004, p.256). Ou seja, na cibercultura, que mistura tecnologia, imaginária e sociabilidade, as ruas são aumentadas pela força do ciberespaço, pilotos podem treinar em simuladores, portanto, as novas tecnologias tornam-se tão presentes que não se pode separar onde estas começam e terminam. E a cibercultura é resultado das novas formas de relação social. O reflexo de que a cibercultura está inserida na sociedade cada vez mais, está no fato de que a imprensa, o rádio e a televisão disseminam diariamente notícias sobre o mundo cibernético, fazendo com que exista uma febre que vai desde os jogos eletrônicos ao erotismo; o que mostra que a cibercultura caracteriza-se por uma atitude social das novas tecnologias. 1.5 APARATOS DA INTERNET: MEIOS DIVERSOS DE SE COMUNICAR A cibercultura cria novas práticas comunicacionais, como o [...] e-mail [correio eletrônico de mensagens] que revolucionou a prática de correspondências pessoais para lazer ou trabalho; os chats [‘salas’ de conversação on-line] com suas diversas salas, onde a conversação se dá sem oralidade ou presença física; os muds, jogos tipo role playing games, onde usuários criam mundos e os compartilham com usuários espalhados pelo
  • 27.
    20 mundo em temporeal [como, por exemplo, o Second Life – jogo virtual que transporta a vida real para as telas do computador]; as lan houses [estabelecimentos que possuem serviços de conexão à Internet, jogos em rede etc.], nova febre de jogos eletrônicos em redes domésticas; as listas de discussão livres e temáticas; os weblogs, novo fenômeno de apresentação do ‘eu’ na vida cotidiana, onde são criados coletivos, diários pessoais e novas formas jornalísticas; sem falar nas novas formas tradicionais de comunicação que são ampliadas, transformadas e reconfiguradas com o advento da cibercultura, a exemplo do jornalismo on-line, das rádios on- line, das TVs on-line, das revistas e diversos sites de informação espalhados pelo mundo (LEMOS; CUNHA, 2003, p.17). A partir desta citação, pode-se dizer que a Internet faz com que os meios de comunicação já existentes se reconfigurem e não deixem de existir. Bem como a Internet é um meio propiciador da criação de novas práticas para as mídias tradicionais, não que a utilização da Internet por essas mídias faça criar novos meios de massa. A Internet ganha um novo alicerce diante da possibilidade de que veio para revolucionar os hábitos de consumo dos receptores: já existe a possibilidade de se obter informações de outros meios convencionais através da Internet. E, ainda, esses mesmos meios de comunicação tradicionais percebem essa nova tendência e tendem a se reconfigurar para tentar não perder seu poder e seu sentido, bastando a eles adaptar- se ao novo meio, muito mais poderoso e abrangente, para o qual sua disseminação parece não ter fim. Porém, “[...] a Internet não é uma mídia no sentido que entendemos as mídias de massa” (Ibid., p.17). Isto, porque não há fluxo um-todos e as práticas dos utilizadores não são vinculadas a uma ação específica [...], não há vínculo entre o instrumento e a prática [se eu estou na Internet, posso estar fazendo várias coisas neste meio; se digo que estou ouvindo rádio, eu apenas posso estar ouvindo rádio]. A Internet é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo. [...] trata-se aqui da migração dos formatos, da lógica da reconfiguração e não do aniquilamento de formas anteriores. Não é a transposição e não é a aniquilação. Estamos mais uma vez diante da liberação do pólo da emissão, do surgimento de uma comunicação bidirecional sem controle de conteúdo. E novos instrumentos surgem a cada dia [...] (Ibid., p.17). Portanto, a Internet pode ser considerada sim como novo meio de comunicação – entretanto, não um meio de comunicação de massa, pois não fará com que os outros meios deixem de existir; pelo contrário, a Internet vista como meio de comunicação pode resgatar e complementar meios que já estariam se desgastando
  • 28.
    21 como, por exemplo,o rádio convencional. Não é que a Internet se caracterize como um meio com novas formas de comunicação, mas sim uma abrangência grande de outros meios já existentes, ou seja, uma grande ferramenta capaz de integrar diversos meios de comunicação de massa (televisão, jornal, rádio etc.), o que a faz ser poderosa e muito heterogênea, figurando como uma nova mídia. Dizard (2000, p.23) salienta que as novas tecnologias da comunicação não “[...] se adequam à antiga definição de meios de comunicação de massa”, tendo em vista que mídia de massa, historicamente, significa que através de canais distintos, produtos de informação e entretenimento são levados a grande públicos. Os novos desafiantes eletrônicos modificam todas essas condições. Muitas vezes, seus produtos não se originam de uma fonte central. Além disso, a nova mídia, em geral, fornece serviços especializados a vários pequenos segmentos de público. Entretanto, sua inovação mais importante é a distribuição de produtos de voz, vídeo e impressos num canal eletrônico comum, muitas vezes, em formatos interativos bidirecionais, que dão aos consumidores maior controle sobre os serviços que recebem, sobre quando obtê-los e sob que forma (DIZARD, 2000, p. 23). Ainda, Dizard (2000, p.24) destaca que a Internet foi criada como um veículo de comunicação alternativo e que atualmente ainda é utilizada com esse propósito, atingindo proporções mundiais no sistema de redes de computadores interligados, alcançando mais de 150 países e reunindo, aproximadamente, 300 milhões de computadores com mais de 400 milhões de usuários. Segundo o Dicionário da Comunicação (RABAÇA; BARBOSA, 2007), os meios de comunicação de massa possuem as seguintes características: a) são operados por organizações amplas e complexas, envolvendo diversos profissionais, com diferentes habilidades; b) são capazes de difundir suas mensagens para milhares ou até milhões de pessoas, utilizando grandes recursos tecnológicos (os veículos de massa), sustentados pela economia de mercado (principalmente, na publicidade); c) falam para uma audiência numerosa, heterogênea, dispersa geograficamente e anônima;
  • 29.
    22 d) e, principalmente,exercem uma comunicação de um só sentido, ainda que possuam algum sistema de feedback (índices de audiência, por exemplo). Por um lado, a Internet possui, de certa forma, ao menos as três primeiras características citadas. Um site do tipo portal é uma organização ampla e complexa que, através de um aparato tecnológico sofisticado, sustenta-se por verbas publicitárias; difunde conteúdos para uma audiência numerosa, heterogênea, geograficamente dispersa e anônima. Exatamente como acontece na comunicação de massa. Por outro lado, diferentemente do que ocorre na comunicação de massa, a comunicação na Internet pode ser feita apenas por uma pessoa, com no mínimo um simples computador e uma linha telefônica ou, já, através de fibra óptica (Internet via rádio), Internet sem- fio, entre outras novas maneiras de se conectar disponibilizando conteúdos para o mesmo público. Necessariamente não precisa acontecer no mesmo sentido porque, devido a suas características de sistema hipertextual, a Internet permite que a pessoa faça seu próprio caminho para o acesso aos conteúdos, determinando quando e qual informação quer receber, “sua postura deixa de ser a do receptor passivo para o espectador e entra em cena o usuário” (MONTEIRO, 2007). A Internet é um veículo de comunicação, de tecnologia revolucionária, que apresenta aspectos nunca previstos no cenário da comunicação, como a conversação em tempo real, troca de documentos on-line, álbuns de fotos e diários virtuais etc., passando a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. 1.6 A INTERNET NA CONTEMPORANEIDADE Qualquer coisa que se diga hoje sobre a tecnologia da informação pode ser uma notícia ultrapassada amanhã. Manter conteúdo sobre as atualidades da Internet se torna um desafio, ao passo que tudo fica defasado em pouco tempo. Entretanto, fatos marcantes e que refletem os dias de hoje, por mais que sejam notícias velhas, devem ter seu conteúdo relevado.
  • 30.
    23 Como, por exemplo,os blogs11 , que em 2005 e 2006 tiveram sua explosão no mercado, como parte de que o século XXI será a Era da Internet. “[...] os blogs tornaram realidade duas promessas da Internet. A primeira é a liberdade universal de expressão. [...] A segunda promessa é a interatividade. [...], a ferramenta, que parecia servir apenas para alguém escrever suas próprias opiniões e saber o que os amigos achavam, tornou-se algo muito mais poderoso” (AMORIM; VIEIRA, 2006, p.101). Essa ferramenta, já, foi responsável por desmoralizações, destruições, ameaças, chantagens, denúncias e toda forma de conteúdo que se possa imaginar, sendo para o bem ou para o mau. Ou, talvez, o Youtube, site de exibição de vídeos – caseiros e profissionais –, que marcou o fim da TV como se conhecia até hoje. O Youtube não se difere das promessas dos blogs, bem como as cumpre muito bem. Isso é demonstrado pelo número de 50 milhões de visitantes mensais em 2005, segundo Marthe (2006, p.89). “Lá estão filmagens históricas, trechos de seriados ou novelas, vídeos independentes, cenas caseiras de um bebê sorrindo ou de bichinho de estimação. [...] 100 milhões desses clipes são baixados diariamente por usuários de toda a parte do mundo. [...] Significa que, embrionariamente, o Youtube e seus concorrentes estão reinventado a maneira como as pessoas vêem televisão” (MARTHE, 2006, p. 89). E, indo um pouco mais adiante, na escala evolutiva do poder da Internet, chegamos ao mais novo lançamento da Apple: o IPhone. Este aparelho celular, se é assim que se pode chamar, atingiu o número de 1 milhão de vendas em uma semana. Esse lançamento foi “[...] uma aula de inovação [...] com acesso à Internet e música digital” (MARTHE, 2007, p.55). Esses são apenas três exemplos da metamorfose que a Internet tem causado em toda a esfera global, sendo que, dia-a-dia, esses acontecimentos são renovados e a supremacia da Internet vai aumentando, e cada vez mais as pessoas vão se tornando reféns da necessidade de estarem conectadas 24 horas por dia. 11 Blog “[...] é um diário diferente do comum, [...] o qual supõe segredo. Um diário, paradoxalmente, público, feito para ser publicado diariamente na Internet e para ser lido. Baseado também na escrita íntima, nas pequenas misérias cotidianas, nas opiniões e inquietações do autor, mas admitindo um elemento novo: um público leitor. Admitindo, porque, pela primeira vez, pressupõe-se que o escrito íntimo é algo feito com o intuito de ser desvendado e comentado” (SCHITTINE, 2004, p.61).
  • 31.
    24 Todas essas invençõesimpulsionam o crescimento de usuários na Internet. Só no Brasil, segundo matéria publicada na FolhaOnline12 , baseada na pesquisa global divulgada pela consultora comScore Networks, existem aproximadamente 15 milhões de pessoas com acesso à Internet, o que deixa o país em 11° lugar no ranking mundial de quantidade de usuários na rede, que ficam navegando em média “21 horas e 20 minutos por mês”13 . No mundo, segundo a FolhaOnline14 , já se somam cerca de 747 milhões de usuários acima de 15 anos de idade, em janeiro de 2007, totalizando um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2006. Após a análise da Internet e suas implicações, o capítulo seguinte tratará da história do rádio convencional, do rádio digital e o advento do webradio. 12 FolhaOnline. Brasil é 11° país em número de internautas, diz pesquisa. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21758.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007. 13 FolhaOnline. Número de usuários de Internet aumenta 10% em um ano. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21706.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007. 14 FolhaOnline. Tempo do brasileiro na Internet aumenta em mais de 3 horas em um ano. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ ult124u21706.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007.
  • 32.
    25 A NOVA FORMATAÇÃODO MEIO RÁDIO, ADERINDO À TECNOLOGIA DA INTERNET O rádio consagrou-se pelo poder de despertar o imaginário do ouvinte. Quando, na década de 1930, Orson Wells iniciou as transmissões da dramatização de “Guerra dos Mundos”, com flashes realísticos de radialistas anunciando explosões em Marte e meteoritos caindo sobre a Terra, entre intervalos de músicas, houve uma revolução na forma de se fazer rádio. E, agora, com o rádio via Internet se propagando, haverá uma reinvenção deste meio? 2.1 A HISTÓRIA DO RÁDIO CONVENCIONAL Em 1863, Clerck Maxwell, professor de Física da Universidade de Cambridge, comprovou a existência das ondas eletromagnéticas. Assim, em 1887, conheceu-se o princípio da propagação radiofônica, então pesquisada pelo físico alemão Henrich Rudolph Hertz. Este, reforçou a existência de energia, prevista por Maxwell, em forma de ondas eletromagnéticas que passaram a ser chamadas “ondas hertzianas”. Os aparelhos montados por Hertz representaram uma forma embrionária de um transmissor e de um receptor de oscilações eletromagnéticas. Em 1896, o cientista italiano Marconi chegou à Londres, requereu e recebeu uma patente do transmissor e receptor de radiocomunicação. No ano seguinte, foi para Nova Iorque e repetiu com êxito a mesma manobra. Após fundar uma companhia chamada Companhia Marconi (que tinha aspectos comerciais), popularizou e divulgou o rádio como forma de comunicação entre as pessoas. O inglês Oliver Lodge e o francês Ernest Branly inventaram o coesor, um dispositivo para melhorar a detecção e indicar a presença de ondas eletromagnéticas. Em 1897, Lodge inventou o circuito elétrico sintonizado, que possibilitava a mudança de sintonia ao selecionar a freqüência desejada. Lee Forest desenvolveu a válvula
  • 33.
    26 triodo. Von Lieben,da Alemanha, e o americano Armstrong empregaram o triodo para amplificar e produzir ondas eletromagnéticas de forma contínua. Segundo Tavares (1999, p.30), no Brasil, o rádio também estava em desenvolvimento. O cientista gaúcho, Padre Roberto Landell de Moura, nascido em 1861, construiu diversos aparelhos importantes para a história do rádio e que foram expostos ao público de São Paulo em 1893. Em 1904, o inglês John Ambrose Flemming, envolveu todo o filamento de uma lâmpada com uma placa metálica, como resultado, obteve corrente circulando entre o filamento e a placa, observando também que variava de intensidade, de acordo com o diâmetro da placa e a distância dela em relação ao filamento. A primeira válvula diodo de uso prático estava criada, pois Flemming teve a feliz iniciativa de usá-la como detector de ondas radioelétricas. Os detectores existentes na época como o ‘cohesor’ de Branly, o detector magnético de Marconi, o detector eletrolítico de Ferrié e, até mesmo, os detectores de cristal de Galena, tinham pouca sensibilidade e proporcionavam resultados precários. A válvula diodo de Flemming, como detectora tinha um desempenho sensivelmente superior, tornando possível a recepção da maior distância para as emissões radiotelegráficas (DACHIN, 2007). Nos Estados Unidos foram anos de pesquisas e descobertas intensas até que, em 1916, Lee Forest instalou a primeira estação de radiodifusão na cidade de Nova Iorque. Nesse ano, houve o primeiro programa de rádio que se teve notícia com um teor de rádio-jornalismo, devido à transmissão das apurações eleitorais para a presidência dos Estados Unidos. O ano de 1919 deu início à chamada “Era do rádio”. A Westinghouse Eletric construiu o microfone e fez nascer a radiodifusão. Ela fabricava aparelhos de rádio para as tropas da Primeira Guerra Mundial e com o término do conflito ficou com um estoque de aparelhos encalhados. A solução para evitar o prejuízo foi instalar uma grande antena no pátio da fábrica e transmitir música para os habitantes do bairro. Já no Brasil, a primeira transmissão radiofônica oficial foi o discurso do Presidente Epitácio Pessoa, no Rio de Janeiro, em plena comemoração do centenário da Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1922. O discurso aconteceu numa exposição, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, com o transmissor instalado pela Westinghouse no alto do Corcovado. O “pai do rádio brasileiro” foi Edgar Roquette
  • 34.
    27 Pinto que, juntamentecom Henry Morize, fundaram, em 20 de abril de 1923, a primeira estação de rádio brasileira: Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Foi aí que surgiu o conceito de rádio-sociedade ou rádio-clube, no qual os ouvintes eram associados e contribuíam com mensalidades para a manutenção da emissora, “a verba arrecadada dessa forma era a principal, senão a única, fonte de renda das emissoras” (CABRALE, 2004, p.12). No campo da comunicação de massa, segundo Wright (1975, p.48), a mensagem é pública, transitória e rápida. Pública pelo fato de não ser endereçada a ninguém em particular; rápida, porque visa atingir grandes audiências em tempo relativamente curto; e transitória, porque a intenção é que seja consumida imediatamente. Naturalmente há exceções, como a gravação do áudio ou a captação dos textos falados e fixados no banco de dados. Mais do que levar a informação ao ouvinte, o rádio cumpre duas funções primordiais na comunicação de massa: “[...] ajuda aqueles que não sabem ler e mantém contato com os que não podem ver” (MCLEISH , 1986, p.15), sendo um meio de comunicação que não depende do sentido visual e nem de conhecimento da escrita para que as pessoas possam se informar. Barbeiro (2007) enfatiza que o rádio tem como principal característica a instantaneidade e a espontaneidade, possibilitando à pessoa ouvir as notícias e exercer alguma atividade simultaneamente, “causando repercussão social imediata e uma resposta muito rápida”. O rádio é um excelente meio de comunicação “porque suas irradiações sobre acontecimentos especiais, relacionados direta ou indiretamente com os poderes públicos e, também, com a população, repercutem nos eventos, realizações ou reivindicações da população, injetando mais força quando transmitidas a toda uma comunidade” (GOVEIA, 2007). O rádio, portanto, tem como objetivo unir as pessoas, de forma, com que elas se identifiquem com uma programação homogênea, destinada ao seu grupo de interesse. Funciona de forma nacional, pois o ouvinte pode participar de alguma programação em tempo real.
  • 35.
    28 Para Lopes (2002,p.31), qualquer que seja o tema, conteúdo ou objetivo da comunicação, é através da radiodifusão que se torna possível enviar mensagens à massa. Pode ser pelo programa, produto radiofônico ou, com a combinação dos dois, pelo objeto sonoro. De acordo com Faus Belau (1981, p.155-163), os produtos sonoros têm características que estimulam algumas ações psicológicas: indiferente à sua natureza, eles se materializam e se esgotam com a causa que produz, indicando um caráter de fugacidade; os produtos sonoros, reconstruídos e recriados, possibilitam recordações e facilitam o processo de aprendizagem; a percepção está ligada a uma imagem sonora; as imagens sonoras desencadeiam um processo associativo de representações, somando os valores da nova experiência adquirida; os produtos sonoros complexos permitem elaborar novas associações, influindo na percepção de produtos naturais na experiência; os processos desencadeados dos produtos sonoros reconstruídos e recriados supõem um ponto de partida irreal ou fictício; no campo auditivo há um som denotado, presente, e outro conotado, ausente; os produtos sonoros reconstruídos e recriados são manipulações físicas semânticas utilizadas na atividade radiofônica. Faus Belau (1981, p.71), ainda, diz que ao ouvir um produto sonoro radiofônico, ocorre uma constante interação entre os processos de construção real e emotivo, que resulta em uma mescla de realidade e ficção. A utilização de campos sonoros para comunicar idéias e realidade, por meio da palavra, parece reconstruir para o ouvinte um retrato sonoro do dia-a-dia. O problema do rádio convencional é o fato de que, mesmo falando como um retrato do cotidiano das pessoas é impossível atingir a todos ao mesmo tempo, pois as pessoas, hoje, possuem horários menos flexíveis e querem ouvir seus programas nos horários em que podem ou querem. Dessa maneira, precisava-se, além de se repetir a programação durante todo o dia, de um meio que possibilitasse às pessoas ouvirem o
  • 36.
    29 rádio a horaque desejassem sem se preocupar com a programação do mesmo. Assim, o webradio veio para facilitar esse tipo de interação. 2.2 RÁDIO DIGITAL COMO EVOLUÇÃO DO RÁDIO CONVENCIONAL Let’s imagine I’m driving along in my car in the year 2005. I missed the weather report so I press the on-demand weather button, and hear the forecast [...]. Then I hear a song I like. I press the “tell-me more” button and hear “That was Shania Twain singing Any Man of Mine”. There is a graphic of her on my large screen. And of course there is and advertising tag, “Available at HMV for $15.99". If I check my navigation database, I can find every HMV outlet within 10 kilometers of current location. I’m still driving and I hear an ad for a restaurant. It sounds fabulous. When I press the “tell-me-more” button, my printer prints out the menu, and a coupon for a free appetizer for lunch. The restaurant is near my office because my addresable receiver is programmed to accept only commercials for my home and work areas. I’m running late, so I key in my destination [...]. The radio sends it real time traffic updates to my navigation database. Voice prompts tell me the best route, avoiding contruction and a traffic jam, and even which nearby parkings lots are full. This service is sponsored by Labbats so their logo flashes on screen. And I think “thank you, thank you, thank you Labatts.15 Esta descrição nos remete a uma situação muito atual, mas também nos conta como seria o futuro no meio rádio: o rádio digital. Imaginar uma cena como a descrita, nos faz lembrar muito do rádio na Internet, com uma diferença: o rádio digital é uma ferramenta do rádio e que visa a substituição do rádio dial, diferentemente do webradio que não substitui o rádio convencional, mas sim o complementa de certa forma e em certa medida. “O lançamento oficial do sistema de rádio digital ocorreu em setembro de 1997, na IFA – Exposição Internacional sobre Radiofusão, em Berlim, Alemanha, quando 15 “Vamos imaginar que eu estou dirigindo meu carro no ano de 2005. Eu perdi meu programa sobre as condições climáticas, então eu pressiono o botão clima que está ao meu dispor e ouço a previsão metereológica. [...] Então eu ouço uma música que eu gosto, aperto o botão ‘mais informações’ e ouço ‘Esta foi Shania Twain cantando Any Man of Mine’. Há uma imagem dela na minha tela. E, claro, existe uma propaganda: ‘Disponível em HMV por $15,99 [quinze dólares e noventa e nove centavos de dólar]’. Se eu observar meus dados de navegação, posso achar qualquer HMV até dez quilômetros da minha localização atual. Continuo dirigindo e ouço um anúncio sobre um restaurante. Soa muito bem. Quando pressiono o botão ‘mais informação’, minha impressora imprime o cardápio e um cupom de degustação grátis. O restaurante é perto de onde eu trabalho porque minha agenda digital é programada para receber qualquer comercial desde que sejam das áreas de minha casa e de meu trabalho. Estou atrasado, então eu checo meu destino. [...] o rádio envia em tempo real informações sobre o tráfico em meus dados de navegação. Vozes me ditam as melhores rotas [e informações gerais do tráfico]. Esse serviço é patrocinado por Labbats, portanto a [marca] deles aparece em flashes na tela. E eu penso: ‘obrigado, obrigado, obrigado, Lobatts’ ” (LOGAN, 1998, p.10).
  • 37.
    30 foram mostrados pelaprimeira vez os instrumentos de transmissão e recepção digital de áudio – DAB – Digital Audio Broadcasting” (MICK, 1998, p.5). O rádio digital, como acentua Rodero (1998, p.10), é feito através de informações numéricas, o que possibilita um acúmulo muito grande de informações em um espaço reduzido. Essas informações são as mesmas utilizadas na informática, o que faz com que as informações sejam conservadas sem nenhuma perda comparada ao original, não sofrendo degradações, como pode acontecer no rádio convencional. Isso propicia que a manipulação e o transporte possam ser feitos de forma consideravelmente fácil. Sem falar dos ruídos e interferências, que nesse sistema digital são nulos. Las grabaciones pueden almacenarse en discos de ordenador, magnéticos u ópticos, cuyas cabezas de movimiento radial permiten un acceso a la información veloz y aleatorio. Para una rápida edición de audio, este sistema resulta superior al de grabación en cinta, ya que no requiere esperas por bobinados o rebobinados. Una edición puede efectuarse leyendo muestras de dos fuentes y realizando un fundido entre ellas mediante circuitería digital. [...] La versión final puede grabarse, si es necesario, en un médio diferente, dejando intacto el material original 16 . Ou seja, a gravação de informações para serem veiculadas no rádio digital pode ser feita de forma fácil e eficaz. Além disso, a edição do áudio se torna de fácil entendimento para esse meio. A implantação do rádio digital traz transformações econômicas, tecnológicas e sociais. Rodero (1998, p.30) classifica-as em: transformações tecnológicas: a digitalização de todos os processos radiofônicos, que acarretarão em uma qualidade incomparável, em uma ampla cobertura e otimização do uso do espaço radioeletrônico. Além disso, possibilitam a convergência de várias outras tecnologias com plena interação em uma mesma 16 “As gravações podem ser armazenados em discos de organização, magnéticos ou óticos, cujas cabeças de movimento radial permitem um acesso à informação de forma veloz e aleatória. Para uma rápida edição de áudio, esse sistema é superior à gravação em fita que requer tempo para se rebobinar ou bobinar. Uma edição pode ser realizada a partir de amostras de duas fontes e realizando-se uma fusão entre elas mediante circuito digital. [...] A versão final pode ser gravada em um meio diferente, caso seja necessário, deixando o material original intacto” (WATKINSON, 1993, p.19).
  • 38.
    31 rede, podendo, futuramente,agregar informática (Internet) e os meios de comunicação de massa (serviços de telecomunicação em geral); transformações econômicas: conseqüência direta das transformações tecnológicas, pois com essa nova forma de se comunicar há uma reestruturação considerável nos meios publicitários, em serviços prestados (vide citação do início desse capítulo: mapas de rota, meteorologia) e etc., o que propicia um rendimento econômico cada vez maior o que é diretamente proporcional a cada novidade que for surgindo nesse meio; e transformações sociais: são as modificações do conceito tradicional do rádio como meio de comunicação de massa. O ouvinte se torna mais seletivo, pois existem gamas de programas e músicas para os mais variados gostos, possibilitando maior interatividade (podendo contatar serviços individuais: mapas de sua área de residência e trabalho, por exemplo) e conectividade (possibilidade de se conectar diretamente ao servidor para pedir os serviços ofertados pelo rádio digital). A competição de emissoras não mais é de qualidade de transmissão e nem de acervo tecnológico, mas sim de qualidade de informação e programação (campo do conteúdo), o que possibilita a todas as emissoras uma competição com as mesmas garantias. Além disso, há uma popularização do rádio na medida em que há inúmeras maneiras de se escutar, como escutar e o que escutar. Portanto, tem-se neste ponto que o rádio como plataforma digital poderá e tem condições de agregar em seu potencial de transmissão o webradio e, dessa maneira, popularizar o rádio na Internet. Um ponto fundamental a ser discutido nas transformações sociais é quanto custará o que a autora chama de popularização do rádio através do rádio digital. Para Bianco (2003, p.3), o custo de se ter um aparelho receptor para o rádio digital atrapalha essa chamada popularização, pois nem todos podem ter acesso a tecnologias tão caras, com os preços de um receptor variando entre US$ 800,00 (oitocentos dólares) a US$ 1.800,00 (hum mil e oitocentos dólares). A qualidade do rádio digital é inquestionável, todavia existem três formatos de emissão desse novo meio: o sistema norte-americano IBOC (In-Band On Channel), o
  • 39.
    32 sistema europeu Eureka147 DAB (Digital Audio Broadcasting) e o japonês ISDB-Tn (Services Digital Broadcasting –Terrestre narrowband). Segundo o relatório do site WorldDAB17 , o Eureka 147 DAB é um sistema pioneiro, desenvolvido há aproximadamente 10 anos por um consórcio de empresas, coordenado pela União Européia de Radiodifusão, denominado de WorldDAB Forum. O Eureka 147 DAB atua regionalmente, nacionalmente e até internacionalmente, permitindo, ainda, canais radiofônicos pay-per-listen e listen on-demand, serviços parecidos com os ofertados por televisões a cabo, em que são vendidos pacotes exclusivos de transmissão. O sistema está em uso na Europa, Canadá, Austrália e países da Ásia. Mais de 230 milhões de pessoas recebem cerca de 400 serviços de DAB. Já o IBOC, desenvolvido na década de 90, segundo Bianco (2003, p.4), possibilita a transmissão simultânea de sistemas digital e analógico, diferentemente do Eureka 147 DAB que, por sua vez, só atua no sistema digital, anulando o analógico, não conversando com as AMs e FMs. Porém, em sua implementação, o IBOC interferia nas ondas analógicas, o que atrasou sua aprovação (homologada só em 2002) como sistema de rádio digital. O último modelo mais significativo de rádio digital é o ISDB-Tn, desenvolvido pela empresa NHK Science &Technical Research Laboratories, em meados dos anos 90, no Japão. É derivado do sistema de televisão digital elaborado pela própria empresa e possui características semelhantes ao Eureka 147 DAB. [...] o uso do canal de TV para transmissão de áudio em canais diferentes, independentes e simultâneos [garantem a qualidade do sistema ISDB-Tn]. É esta flexibilidade que chama atenção. É possível transmitir simultaneamente para receptores móveis e portáteis, que usam sinal de rádio enquanto se transmite um sinal de HDTV. O sistema japonês, ainda em fase de testes, admite também transmissão de texto, áudio e imagens paradas para os aparelhos de rádio (BIANCO, 2003, p.5). “Com o sistema de transmissão digital de som e imagens, a grande novidade está em a rádio transmitir outras informações diferentes e mais interessantes do que as 17 Relatório do WorldDAB Fórum “Digital Áudio Broadcasting”. Disponível em: http://www.worlddab.org. Acesso em: 16 ago. 2007.
  • 40.
    33 tradicionais falas músicase/ou entrevistas, com dados e sinais digitalizados” (MICK, 1998, p.5). Todavia, a decisão de qual desses sistemas será implantado no Brasil é exclusiva do Estado. Segundo Bianco (2003, p.5), o Eureka 147 é desinteressante, pois não atende as características mais tradicionais da radiodifusão brasileira; o IBOC precisaria ser testado para não correr o risco de ter falhas técnicas decorrentes da compressão de sinais, o que poderia ser fato negativo para os canais analógicos; e o ISDB-Tn é um sistema muito novo e utiliza o sistema de transmissão de televisão digital. A implantação do rádio digital, além de proporcionar uma possível integração do webradio, também trará muitos benefícios para os ouvintes, tais como: segmentação maior do público, a modernização dos métodos de administração como um todo (desde área técnica até humana) e um aumento de profissionalismo do meio, na medida em que o público, então segmentado, exige mais informações precisas, coerentes e necessárias para satisfazer sua curiosidade sobre determinado assunto. Mas, o fato inquestionável é que a presença do rádio digital tenderá a provar um avanço gigantesco para o webradio, desde que tenha suporte para a transmissão direta do rádio on-line. 2.3 WEBRADIO: SEU NASCIMENTO E SUA EVOLUÇÃO O advento do rádio na Internet começou em setembro de 1995, no Texas, com a KLIF de Dallas, segundo Barbosa Filho (1996, p.51), que se tornou a primeira emissora comercial a transmitir de forma contínua e ao vivo pela Internet. No Brasil, o pioneirismo coube à rádio Itatiaia. O grande sucesso [do webradio] está na abertura de rádios pessoais, desenvolvidos pela Imagine Radio, hoje SonicNet, que possibilitam ao usuário escolher, dentre um acervo, uma programação musical que passa a ser a ‘sua rádio’, com o nome que desejar e sem preocupação com direitos autorais. O primeiro processo de rádios pessoais chegou ao Brasil em 2000, pelo Grupo Abril, com a Usina do Som (KUHN, 2007).
  • 41.
    34 Desde 1996, comosalienta Kuhn (2007), a veiculação de programas radiofônicos pela Internet tem crescido enormemente. Esse recurso é permitido por meio de software, como o RealAudio Player, lançado em 1995, e difundindo plenamente em 1997. Segundo a BRS Media18 , de São Francisco, entre abril de 1996 e 2000, a quantidade de emissoras com transmissão via Internet saltou de 56 para 3.763. No Brasil, de acordo com o Radios@Radios19 , de 1997 até setembro de 2000, o sistema on-line já era adotado por 191 emissoras. Apesar de existirem muitas rádios na rede, a recepção de áudio pela Internet ainda é limitada. Abrir mais páginas, além do webradio que está aberto, não é recomendável, isso pode interromper os dados recebidos pelo computador do usuário. A qualidade da placa de som instalada no computador é outro fator determinante na qualidade da recepção do áudio. Além disso, as rádios funcionam no sistema de buffer, ou seja, armazenam dados capazes de sustentar a apresentação por algum tempo e, se a rede estiver congestionada, ocorre discrepância no recebimento do pacote. Mas o aspecto positivo do webradio é que você pode se conectar e ouvir programas e músicas de qualquer lugar do mundo e em qualquer idioma. Não apenas emissoras de ondas curtas, mas também, de ondas médias e freqüência modulada podem ser acessadas via Internet. Essa união de sintonias de qualquer parte do mundo já representa um desenvolvimento muito rápido no sistema de rádio, com perspectivas para publicidade e multiplicação da audiência. Segundo Kuhn (2007), com o advento do rádio na Internet terminam as disputas por concessões, freqüências e investimentos em antenas e transmissores, pois, atualmente, todos podem criar uma rádio virtual, com um alcance antes inimaginável. Com a chegada do Real Media Player, similares e sucessores, os idiomas antes ameaçados pela globalização passaram a ser mais conhecidos, tais como o galego, o catalão e o irlandês que têm possibilidades de ganhar ouvintes para além das fronteiras 18 SIMON, Clea. The web catches and reshapes radio. In: New York Times. New York, 16 de janeiro de 2000. Disponível em: http://www.brsmedia.fm/press000116.html. Acesso em: 18 jun. 2007. 19 Radios@Radios.com. Estatísticas de rádios. Disponível em: http://www.radios.com.br/. Acesso em: 20 mai. 2007.
  • 42.
    35 em que sãofalados. No Brasil, por exemplo, existe um site dedicado aos índios ashaninkas, no qual o internauta pode ouvir canções da tribo acreana no idioma arwuk. Nas rádios convencionais, o contato com o locutor ou com a programação, às vezes se torna impraticável, uma vez que se pode estar ouvindo-as e dirigindo, por exemplo. Já, o acesso do rádio pela Internet torna mais fácil a participação do público, especialmente pela comodidade para enviar uma mensagem eletrônica, uma vez que o internauta encontra-se, ao mesmo momento, conectado. Devido a esta facilidade de comunicação, segundo Kuhn (2007), a tendência do rádio na Internet é seguir para a quarta mídia, pois há, no webradio, a complementação de sua comunicação com recursos de outros meios: vídeo, animação, foto e texto. Esta afirmação se dá pela observação de dois mil sites de emissoras de rádio que são modelos na rede. Ainda, como destaca Kuhn, o primeiro quadro nas rádios é a presença meramente institucional, depois são o áudio não contínuo e, logo em seguida, o contínuo. Adiante segue para fotos, textos informativos e a participação do público. No sexto quadro, serviço de guias específicos e áudio alternativo e, por último, vídeo e animação. Atualmente, são poucas as rádios que não dispõem desses serviços para o ouvinte, muito pelo contrário, o caminho está na utilização de webcams (câmeras filmadoras para computador) nos sites de rádios. Como exemplo, há a rádio CBN20 (dial FM 90,1MHz), que em alguns de seus programas ao vivo há a possibilidade do internauta conferir imagens em tempo real do estúdio do programa que está no ar. Entretanto, já se verifica uma evolução nos dias de hoje em relação à participação do ouvinte com as rádios de dial convencional, com o contato e a participação, já, sendo feitas por sms21 , e-mail, programas de conversação (MSN, por exemplo) e, continua o telefone. A rádio 91 Rock22 , em Curitiba (dial FM 91,3MHz), por exemplo, utiliza todos esses meios para que os ouvintes possam participar dos programas. 20 Rádio CBN. Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/home/index.asp. 21 sms's são mensagens instantâneas curtas enviadas de aparelhos celulares para aparelhos celulares, ou de Internet para aparelhos celulares. 22 Rádio 91 Rock. Disponível em: www.91rocknews.com.br.
  • 43.
    36 No entanto, faz-senecessário ressaltar que o advento do webradio não põe fim à rádio convencional e nem às de ondas curtas. Em 1993, segundo a Unesco23 , existiam, apenas na América Latina, cerca de 177 milhões de receptores de rádio em ondas curtas. Em 1996, a BBC de Londres criou um serviço de transmissão nas línguas kinyarwanda e kirundi. Esses dois registros sugerem que a velha e a nova tecnologia irão conviver juntas, ainda, por muitos anos. 23 RIBEIRO, Izakeline de Paiva. As ondas curtas e o rádio cearense em 1940. Disponível em: http://www2.metodista.br/unesco/rede_alcar/redealcar60/rede_ alcar_serie.htm. Acesso em: 22 jun. 2007.
  • 44.
    37 OUVINTES OU INTERNAUTAS?COMO SE FIGURA O MEIO RÁDIO NA INTERNET E COMO ESTÁ A SUA ACESSIBILIDADE? Uma nova forma de se relacionar com o meio rádio: ouvindo-o na Internet. Para (i) conhecer esse novo ouvinte e (ii) as implicações do webradio como novo meio de comunicação e nova mídia (se este assim se figura), foram utilizados dois instrumentos de pesquisa: pesquisa com questionário e pesquisa com entrevista. O meio escolhido para realizar e divulgar os instrumentos foi a Internet, pois verificamos que seria a melhor metodologia (mesmo que não haja um estudo metodológico para aplicações de instrumentos de pesquisa na Internet; entretanto não se pode deixar de levar em conta a revolução que esse meio tem proporcionado) a ser aplicada visto que nosso objeto de estudo está inserido neste mesmo meio. Portanto, concluímos que, ao utilizá-lo, já, de certa forma e em certa medida, filtraríamos as pessoas que estão em contato direto com ele e com o webradio. Foram escolhidos apenas estes dois instrumentos para se verificar os fatos (i) e (ii), acima citados, delimitando-se, assim, o estudo a esses dois instrumentos, entretanto, sabe-se que há possibilidade de uma continuação aplicando-se outros instrumentos, como fóruns de discussão sobre o objeto de pesquisa com presença constante de moderadores, chats com mediadores, entre outros. A pesquisa, de questionário, com público-alvo ouvintes de rádio, foi aplicada pela Internet, sendo divulgada através do (i) envio de e-mails para pessoas da lista de contatos dos pesquisadores, sendo solicitada a estas pessoas, também, a divulgação por e-mail da pesquisa para pessoas de todas as idades; (ii) postagem em fórum, Fórum Cloth Myth Brasil24 , devido aos seus membros serem jovens entre 14 e 25 anos e estarem freqüentemente conectados à Internet; (iii) envio de mensagens para contatos (lista de amigos) e comunidade do Orkut (site de relacionamentos) relacionada à comunicação, Clube de Criação do Paraná, devido ao público estudar áreas como a Internet e estar ligada às novidades deste meio e; (iv) através de programas de 24 http://www.clohtmythbrasil.com.
  • 45.
    38 conversação (MSN), divulgandoo endereço do site25 (Anexos - Figura 7) em que a pesquisa estava hospedada, tendo como data de início o dia 24 de agosto de 2007 e o dia 10 de setembro de 2007 como data final da aplicação. Ao responder o questionário na Internet, os dados foram enviados a um banco de dados no servidor, repassando as informações à uma planilha que tinha sua atualização diária (Anexos - Figura 8). Esta pesquisa não possuiu um caráter probabilístico, sendo empírica e exploratória, e foi respondida por 107 (cento e sete) pessoas, tendo-se quatro eliminadas por duplicidade e outras três por respostas incompletas; sendo assim, foram considerados os 100 (cem) primeiros questionários válidos para a tabulação e análise, tendo como objetivos: verificar como as pessoas estão se adaptando ao rádio via Internet, se é que estão o utilizando; descobrir – dentre as que ouvem webradio –, qual forma de transmissão de mensagem radiofônica preferem; averiguar se o processo de ouvir rádio pela Internet é individual ou coletivo (segundo o propósito do rádio convencional) e; se ao ouvirem rádio pela Internet, as pessoas têm atenção exclusiva à transmissão ou fazem outra coisa durante a ação. Na pesquisa constatou-se que 35 (trinta e cinco) pessoas ouvem webradio (Tabela 1). Dentro desse número, 11 (onze) são mulheres e 24 (vinte e quatro) são homens. A maioria está entre a faixa etária de 21 a 30 anos – 19 (dezenove) pessoas. Esse número, correspondente à idade dos pesquisados, foi proposital na medida em que se notou que a Internet e o webradio estão mais inseridos na faixa etária deste público. Assim, verificou-se que apenas 35% dos respondentes possuem o hábito de ouvir rádio pela Internet, sendo que, destes, 40% (quarenta por cento) preferem ouvir pela Internet, 46% (quarenta e seis por cento) preferem ouvir o rádio convencional e para os 14% (catorze por cento) restantes é indiferente (Tabela 2). Portanto, tem-se que o webradio, ainda, não está totalmente inserido entre os internautas e, mesmo quando presente, ainda não se figura como um substituto do rádio convencional. 25 http://www.ghnsolucoes.com.br/pesquisa.
  • 46.
    39 Tabela 1 –Número de pessoas que ouvem rádio pela Internet Nº. DE PESSOAS OUVEM rádio pela Internet 35 NÃO OUVEM rádio pela Internet 65 Tabela 2 – Preferência das pessoas em relação ao tipo de rádio PREFERÊNCIA Nº. DE PESSOAS Rádio Convencional 16 Rádio via Internet 14 Indiferente 5 Todas as pessoas que ouvem webradio efetuam outras atividades ao mesmo tempo, o que comprova o fato de que a Internet é sinônimo de convergência de mídias (o internauta lê, ouve, assiste e escreve ao mesmo tempo). Além de ser uma ação que tem a companhia de outras atividades, contempla a individualidade e o isolamento (já com o propósito do computador e da Internet), sendo que, como observado na tabela 3, 28 (vinte e oito) pessoas ouvem webradio sozinhas, o que representa um percentual de 79%. Da mesma maneira, o seu uso é esporádico, onde 51% (cinqüenta e um por cento) dos respondentes ouvem menos de três vezes por semana rádio na Internet (Tabela 4). Assim, confirma-se o fato, já abordado, de que o webradio ainda não se encontra disseminado entre os internautas. Tabela 3 – Número de pessoas com que ouvem webradio Nº. DE PESSOAS Nenhuma 28 Uma pessoa 1 Duas pessoas 3 Três pessoas 2 Mais de 3 pessoas 1 Tabela 4 – Freqüência com que ouvem webradio FREQUÊNCIA Nº. DE PESSOAS Todo dia 8 5x por semana 3 3x por semana 6 Menos de 3x por semana 18
  • 47.
    40 Dos que preferemouvir rádio via Internet, 09 (nove) optam pela variedade, 2 (dois) pela qualidade, 2 (dois) pela inexistência de comerciais e 1 (um) por motivação da multitarefa. Das pessoas que ouvem webradio, 16 (dezesseis) pessoas preferem o rádio convencional ––, 6 (seis) pessoas o preferem pela mobilidade que o rádio convencional proporciona, 3 (três) por não ter se esperar a bufferização e não ter o delay, 3 (três) pela facilidade, 2 (duas) pelo costume, 1 (uma) pela qualidade e 1 (uma) pela presença do locutor. E, finalmente, das pessoas que ouvem webradio e que são indiferentes quanto ao rádio na Internet ou ao rádio convencional – 05 (cinco) pessoas – relataram que preferem o rádio convencional pelo costume, mobilidade, facilidade e maior qualidade, enquanto optam pelo webradio pela variedade. Tem-se o fato de que o rádio via Internet possui como ponto mais forte a variedade de estações de músicas, principalmente, podendo-se sintonizar rádios de outros países no Brasil, por exemplo. A ampla variedade de entretenimento que o webradio proporciona aos internautas faz com que, lentamente, vá aumentando o número de adeptos desta tecnologia. Pode-se concluir que ainda é limitado o número de pessoas que ouvem rádio pela Internet, devido aos empecilhos tecnológicos, sociais e econômicos. E que a forma de transmissão da mensagem radiofônica convencional é a que mais agrada aos ouvintes, mesmo que a diferença de pessoas que prefira esta ou o webradio seja pequena, como observado na tabela 2. Também, através da pesquisa, foi demonstrado que o ato de ouvir rádio pela Internet, bem como a utilização do mesmo, é individualizado e isolado, contribuindo para o isolamento das pessoas. Por fim, mas não menos importante, as pessoas que têm o costume de ouvir rádio pela Internet, não o faz de forma única, sendo combinado com outras tarefas no mesmo momento. Conclui-se que as pessoas que têm o hábito de ouvir rádio via Internet são internautas, diante do quadro que desenvolvem atividades paralelas aproveitando a conexão com a Internet. Estas pessoas não se classificam como ouvintes, da maneira como se caracteriza um ouvinte de rádio convencional, na medida em que se utilizam
  • 48.
    41 de outros meios,que não só o sonoro, como gráficos, vídeos, imagens, texto etc., ao mesmo tempo e na mesma plataforma, não ficando restritos somente a ouvir às emissoras no rádio convencional. Por mais que os ouvintes de rádio convencional, também, exerçam outras atividades ao tempo em que estão sintonizados a uma emissora, estes não interagem com o meio, da mesma forma como interagem os internautas que ouvem webradio. Por exemplo, o rádio virtual pode se complementar de vídeos, imagens, textos e conversas instantâneas pela Internet, entre os internautas e com os apresentadores de programas, de forma simultânea e em tempo real. Para entender melhor as implicações e transformações do webradio, dando mais ênfase ao estudo, foram realizadas entrevistas com profissionais da área de rádio e tecnologia on-line, sendo estes: Helen Marie Dobignies, da Rádio 91 Rock; Felipe Harmata Marinho, da PontoCom Comunicação Interativa; e, Marcelo Basso, da Playslist Soluções, sendo contatados, inicialmente, em maio de 2007, e as entrevistas enviadas e respondidas por e-mail no mês de agosto de 2007. Buscou-se, nesses dois métodos de pesquisa, utilizar os aparatos da Internet para demonstrar, também, as alterações que a revolução tecnológico-digital proporcionou e continua proporcionando, não havendo barreiras limitando a imaginação. Dobignies diz que o rádio convencional é marcado pela mobilidade, o que foi reafirmado por Basso. Ambos, ainda, afirmam que este meio atende a qualquer faixa econômica, proporcionando maior acesso e difusão da mensagem. A qualidade do webradio, para Dobiginies, Marinho e Basso, é menor que a do rádio convencional, tendo uma baixa resolução, devido aos altos investimentos necessários para se ter a implementação dessa tecnologia. Segundo Marinho, a queda de conexões, devido a muitos servidores não suportarem muitos internautas ouvindo ao mesmo tempo, gera problemas para se ouvir uma transmissão via Internet, o que não acontece com o rádio convencional, em que a estação começa a funcionar instantaneamente. A Rádio 91 Rock, por exemplo, suporta 200 (duzentos) ouvintes conectados no rádio virtual da emissora. Um outro problema enfrentado pelo webradio é que o internauta só pode
  • 49.
    42 ouvi-lo conectado àInternet, não podendo ser ouvido em qualquer lugar, como no Ipod. Entretanto, a implementação do webradio é fácil e sem burocracia, diferentemente do rádio convencional, que necessita de concessão do governo, dinheiro para transmissão e custos de infra-estrutura. Basso menciona que os custos iniciais para se ter um webradio, pela Playlist Soluções, são de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para implementação e R$ 1,25 (um real e vinte e cinco centavos) por internauta que acessa o webradio, tendo como requisitos, equipamentos como: computador com conexão de rede; um software que gera áudio; um provedor para distribuir o sinal; uma conexão banda larga; um estúdio para captação do som; mesa de som e microfones; entre outros. O mesmo entrevistado comenta que um dos maiores problemas enfrentados para se ouvir webradio é o fato das conexões no Brasil serem de péssima qualidade, gerando bufferização, sendo que o futuro do webradio dependerá do investimento na qualidade dessas conexões como suporte paralelo. Ainda, como verificado anteriormente, Dobignies diz que o internauta possui privacidade ao ouvir webradio, sendo um ponto importante, pois não precisa, necessariamente, compartilhar o áudio com outra pessoa, uma vez que o computador por si só é um aparato que propicia o isolamento do ser. Basso e Dobignies acreditam que o webradio se figura como uma nova mídia, na medida em que este tem todo potencial e recursos para tanto. Já, Marinho destaca, que “qualquer rádio virtual que não se proponha a rediscutir a linguagem do rádio, a trabalhar com nuances que a Internet possui, [...] é uma mera reprodução de um meio já existente. Agora, se você trabalhar [...] com a convergência de mídias, em que o conteúdo da rádio dialoga com o site, que dialoga com um vídeo e áudio que estejam na Internet, daí sim é interessante e uma maneira diferente de trabalhar com os meios de comunicação”. A maioria dos webradios funciona apenas como uma extensão do rádio convencional, não adequando a linguagem ao ouvinte, sendo transmitida a mesma programação do rádio convencional no rádio on-line. Dobignies ressalta, ainda, que a Internet já se figura como um dos maiores meios de comunicação, sendo que outros meios a utilizam como “[...] instrumento
  • 50.
    43 adicional na agilidadede passar novas informações a quem não pode estar ‘plugado’ na rede mundial o tempo todo”. Fruto dessa troca de informações entre os meios de comunicação, ela diz que o webradio pode vir a influenciar e a alterar a atual forma que o rádio convencional é feito por “questões de linguagem [e] abrangência de promoções”. Com o rádio via Internet, segundo Marinho, a publicidade ganha um novo alicerce, estando por todo o site, não somente no webradio, mas em toda a estrutura que o suporta, podendo ter inserções de merchandising. Seria como na TV digital, onde a pessoa verá anúncios de forma diferente do que o convencional. Sobre o comportamento de ouvintes do webradio, Marinho diz que é caracterizado pelo “alt+tab”, ou seja, o internauta faz várias coisas ao mesmo tempo, sendo que o rádio virtual acaba funcionando como um segundo plano para outras atividades na Internet. Os três entrevistados são uníssonos quanto a expansão que o webradio terá, sendo relevado pela evolução da própria web, o que faz com que as pessoas tenham um novo meio de comunicação. Com o aumento do número de pessoas tendo acesso ao computador com Internet, esta tenderá a se tornar um novo meio de comunicação de massa. Além de proporcionar novas formas de se fazer publicidade e levar entretenimento às pessoas. De posse destas três entrevistas, pode-se concluir que o rádio convencional se utiliza, em muitos casos, do webradio, apenas como uma extensão de sua programação normal, pois a sua qualidade e baixa disseminação não suplantam os requisitos necessários para realizar os programas do rádio, além de ser um investimento relativamente caro. Na medida em que, como verificado nas pesquisas, os ouvintes do rádio convencional citam a presença da propaganda intrusiva, como um ponto negativo, esta deverá se modificar para o rádio on-line, assim como assume o propósito do rádio digital, caracterizando-se cada vez menos como uma propaganda em si, mas algo como uma extensão da programação que está se ouvindo, buscando o entretenimento e interesse do internauta.
  • 51.
    44 Tendo-se a dimensãoproporcionada pela Internet, esta, sendo um meio de comunicação e, o rádio inserido nela, tem-se que este tende a se instalar como uma nova mídia, no instante em que não apenas seguir uma extensão da transmissão normal do rádio convencional, mas sim adequar a linguagem, programação e a propaganda para o formato on-line. Assim, torna-se um ciclo evolutivo, proporcionado pela revolução tecnológico-digital do século XXI.
  • 52.
    45 CONCLUSÃO “O Computador aparece[...] como o meio de comunicação que mais contribui para o isolamento: é feito para ser usado por uma pessoa de cada vez. O uso do computador em casa e no trabalho faz com que o indivíduo se feche para o mundo que o cerca, em que as pessoas são conhecidas e as relações são reais, para abrir um segundo plano, o virtual” (SCHITTINE , 2004, p.18). Desse modo, a Internet proporciona ao indivíduo informações fragmentadas e individuais, de acordo com seu próprio gosto, criando um elo com o virtual, perdendo- se, às vezes, o tato do que é do plano real ou do plano cibernético. Essa nova tecnologia (Internet) revoluciona os meios de comunicação de massa, fazendo com que estes tenham que se adequar e se modernizar para não perder a sua essência, partindo para o meio virtual como uma extensão natural de seu surgimento. Tem-se, assim, que a Internet passa a aglutinar em sua esfera a maioria, se não todos, os meios de comunicação de massa. Pode-se concluir, também, que ao mesmo passo que a Internet proporciona a interatividade em um plano essencialmente virtual, ela também propicia o isolamento em um plano real. Ou seja, os internautas se inter-relacionam ciberneticamente, mas se isolam do convívio pessoal. “A extensão do rádio para a Internet acarreta algumas transformações nas principais características desse meio, que, assim, se aproxima da especificidade da comunicação na Internet, mantendo em relação ao rádio tradicional, a difusão sonora” (CORDEIRO, 2007). As entrevistas presentes neste trabalho comprovam que o webradio altera a relação do ouvinte com o rádio convencional, não alterando o meio, mas fazendo com que este se reinvente, criando novos aparatos, ou melhor, utilizando- se dos novos aparatos tecnológicos para se chegar ao ouvinte do século XXI. Para o rádio convencional, a Internet, como suporte para o webradio, não pode, ainda, ser tratada como concorrente, entretanto, esta tem toda uma estrutura e variedades on-line, que se tornam um desafio para os meios de comunicação tradicionais.
  • 53.
    46 O conceito dowebradio ainda não está definido e seus estudos são muito preliminares, como comprovado pela pesquisa e entrevistas realizadas, entretanto, sabe-se que ao interagir imagem, texto e som, o rádio virtual já não se figura um modelo tradicional de mensagem radiofônica. Com o avanço da tecnologia de transmissão do rádio digital e do rádio virtual, as emissoras poderão ter maior presença na rede de comunicação, o que aumentará a audiência e a proximidade com o ouvinte. Sendo assim, o webradio deixará de ser mera extensão do rádio convencional e poderá figurar como uma nova mídia, a partir do instante que estiver inserido em um meio de comunicação. Na Internet, a rádio reúne música, informação e publicidade [...], animações, imagens estáticas ou em movimento. Os novos suportes permitem a introdução de componentes (gráficos, tabelas, fotografias, textos escritos, imagens de vídeo), que vêm complementar a informação disponibilizada pelo meio. Este aspecto vai obrigar a uma adaptação a esta nova forma de comunicar, com recursos que vão permitir uma mensagem tão completa quanto possível (CORDEIRO, 2007). Ou seja, o webradio é sinônimo de convergência de mídias, fornecendo aos internautas diversos mecanismos de interatividade, que podem levá-los a se tornarem produtores de comunicação, e não somente ouvintes passivos, transformando, assim, a forma tradicional de se ouvir rádio. No que diz respeito à pessoa que ouve webradio ser ouvinte ou internauta, pode-se concluir que o estímulo de participação proporcionado pela Internet torna o dito ouvinte do rádio convencional, em um internauta que ouve rádio on-line. O estilo de multitarefas e multimidiático da Internet, que utiliza todos os recursos disponíveis nos meios de comunicação, faz com que o webradio se torne uma plataforma repleta de interatividade, no instante em que utiliza todos os aparatos da web a seu favor. Esse modelo multimidiático “[...] acaba por transformar não só a forma como se processa a comunicação, mas a própria essência dos meios de comunicação. Promove uma nova discursividade pela combinação de linguagens diferentes, menos singular, mas contudo, mais rica [...]” (CORDEIRO, 2007). Isso tudo faz com que a pessoa que ouve rádio via Internet torne-se um internauta apto a produzir e receber informações diversas e globais, numa nova forma de transmissão e interpretação de mensagens.
  • 54.
    47 As charges queilustram este trabalho (Anexos - Figuras 1 a 6) representam as mudanças comportamentais e sociais que a revolução tecnológico-digital propicia à sociedade, alterando o comportamento entre as pessoas e sua relação com o espaço físico-real. Toma-se como exemplo maior a figura 4 (Anexos), em que os pais se comunicam com seu filho, todos no mesmo espaço da residência, com auxílio do computador e da Internet. Perde-se, assim, o vínculo afetivo real e passa-se a ter o vínculo afetivo virtual. Ainda, cabe dizer que a Internet, no instante em que estiver amplamente disponível à população, passa a ser um novo meio de comunicação de massa. Nesse mesmo instante, o rádio virtual tende-se a se tornar um novo meio de comunicação, desde que não seja apenas uma extensão do rádio convencional, como vem sendo praticado, em muitos casos, nos dias de hoje, sem que se crie uma programação e linguagem específicas para a Internet.
  • 55.
    48 REFERÊNCIAS AMARAL, Adriana; ROCHA,Paula Jung. Uma apropriação da tela total: a busca da realidade perdida em um roteiro de viagem pelo virtual. Disponível em: www.bocc.ubi.pt/pag/amaral-adriana-tela-total.pdf. Acesso em: 05 abr. 2007. AMORIM, Ricardo; VIEIRA, Eduardo. Blogs. Os novos campeões de audiência. Revista Época, São Paulo, n. 428, p. 96-105, jul. 2006. BARBEIRO, Heródoto. A Voz da Experiência. Entrevista concedida a Sônia Avallone (12 de fevereiro de 2001). Disponível em: www.sitedoradio.com.br/vozexpe.htm. Acesso em: 05 abr. 2007. BARBOSA FILHO, André. Rádio na Internet: concessão para quê? São Paulo: RTV - Universidade de São Paulo, 1996. BAUDRILLARD, Jean. La transparence du mal. Paris: Galilée, 1990. Apud RÜDIGER, Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID =03431671c389a2a1d93516cff77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007. BAUMAN, Z. Globalização: as conseqüências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. Apud VALENTIM, Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões: comunicação sem fio, smart mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8 87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007. BIANCO, Nelia. E tudo vai mudar quando o digital chegar. Brasília: Universidade de Brasília, 2003. British Council. Disponível em: www.britishcouncil.org/ukinfocus-music- glossary.htm. Acesso em: 07 set. 2007. CABRALE, Lia. A era do rádio. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. CASTAGNI, Nicoleta. Gutenberg: a maravilhosa invenção. In: GIOVANNINI, Giovanni. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. CASTELLS, Manuel. Internet e sociedade em rede. In: MORAES, Dênis de et. al. (org.). Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003. CORDEIRO, Paula. Rádio e Internet: novas perspectivas para um novo meio. Disponível em: www.boccubi.pt/pag/_texto.ph3?html2=cordeiro-paula-radio-internet- novas-perspectivas.html. Acesso em: 13 set. 2007.
  • 56.
    49 DACHIN, Nicolas. Históriado Rádio. Revista Antenna, fevereiro de 1969. In: NETTO, L. O radio é uma invenção produto do trabalho de um homem só? Disponível em: http://members.tripod.com/RLandell/antena.htm. Acesso em: 01 mai. 2007. DELEUZE, Gilles. Conversações. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992. Apud VALENTIM, Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões: comunicação sem fio, smart mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8 87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix Mille Plateaux. Capitalisme et Schizophrénie. Paris: Les Editions de Minuit, 1980. p. 495 Apud LEMOS, André. Ciberespaço e tecnologias móveis: processos de territorialização e desterritorizalização na cibercultura. Disponível em: www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/territorio.pdf . Acesso em: 28 ago. 2007. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Foucault. São Paulo: Brasiliense, 1990. Apud DUDUS, Gerson. A deriva do humano. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/dudus- gerson-deriva-humano.html. Acesso em: 01 abr. 2007. DIZARD, Wilson. A nova mídia: a comunicação de massa na era da informação. Tradução: Edmond Jorge. 2. ed. rev. e atualizada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000. DUDUS, Gerson. A deriva do humano. Disponível em: http://bocc.ubi.pt/pag/dudus- gerson-deriva-humano.html. Acesso em: 01 abr. 2007. DUPAS, Gilberto. Ética e poder na sociedade da informação. De como a autonomia das novas tecnologias obriga a rever o mito do progresso. 2. ed. rev. e amp. São Paulo: UNESP, 2007. ERCILIA, Maria. A Internet. 2. ed. São Paulo: Publifolha, 2001. FAUS BELAU, Angel. La radio: introduction a um médio desconocido. Madri: Latina, 1981. FERRARI, Levi Bucalem. Revolução tecnológica e Estado. Disponível em: www.mhd.org/artigos/levi_estado.html. Acesso em: 12 mai. 2007. FOERSTER, H. Von. Ethics and second order cybernetics. Cybernetics & Human Knowing, vol. 1, n. 1, 1992. Apud SANTAELLA, Lucia. Cultura tecnológica & o corpo biocibernético. Disponível em: www.pucsp.br/pos/cos/interlab/santaell/index.html. Acesso em: 02 abr. 2007. FolhaOnline. Brasil é 11° país em número de internautas, diz pesquisa. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21758.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007.
  • 57.
    50 FolhaOnline. Número deusuários de Internet aumenta 10% em um ano. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21706.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007. FolhaOnline. Tempo do brasileiro na Internet aumenta em mais de 3 horas em um ano. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ ult124u21706.shtml. Acesso em: 24 jun. 2007. GARCIA, José Luís Lima. Cibercultura e Cidadania. Disponível em: www.bocc.ubi.pt/pag/garcia-jose-luis-cibercultura-cidadania.pdf. Acesso em: 03 abr. 2007. GOMES, Pedro Gilberto. Tópicos de teoria da comunicação. São Leopoldo-RS: Unisinos, 2001. Google. Disponível em: www.google.com.br. GOVEIA, Reinaldo. Definição do rádio. 14 de abril de 1999. Disponível em: http://geocities.yahoo.com.br/rey_goveia/definicao.html. Acesso em: 02 mai. 2007. Infowester. Disponível em: www.infowester.com/rss.php. Acesso em: 07 set. 2007. KUHN, Fernando. O rádio na Internet: rumo à quarta mídia. In: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, VIII Simpósio da Pesquisa em Comunicação da Região Sudeste, Vitória-ES, 10 de janeiro de 2002. Disponível em: www.intercom.org.br/papers/viii-sipec/gt01/31%20-%20 Fernando %20Kuhn%20-%20trabalho%20final.htm. Acesso em: 02 abr. 2007. LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2004. LEMOS, André. Ciberespaço e tecnologias móveis: processos de territorialização e desterritorizalização na cibercultura. Disponível em: www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/territorio.pdf . Acesso em: 28 ago. 2007. LEMOS, André; CUNHA, Paulo (orgs.). Olhares sobre a Cibercultura. São Paulo: Sulinas, 2003. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2. ed. São Paulo: Ed. 34, 2005. LOGAN, Jane. How New Technology Will Change the Way Radio Severs Advertisers, Broadcast Research Council, Toronto, 31 de outubro de 1995. In: RODERO, Emma. La radio del futuro es una radio digital. Cidade: Facultad de Comunicación Universidad Pontificia de Salamanca, 1998.
  • 58.
    51 LOMBARDI, Carlo. Dopombo-correio ao sistema editorial. In: GIOVANNINI, Giovanni. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. LOPES, Saint Clair. Radiodifusão Hoje. In: BUFARAH, Junior. Rádio na Internet: convergência de potencialidades. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Mercado apresentada a Fundação Cásper Líbero, São Paulo, 2002. MANANGÃO, Carmen Limoeiro Patitucci. Origem, crescimento e crises da indústria têxtil em Nova Friburgo. Disponível em: www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/cienciassociais/cies06.htm. Acesso em: 05 mai.2007. MARTHE, Marcelo. A mágica e o mágico. Revista Veja, São Paulo, ed. 1991, ano 40, n.2, p.54-59, jan. 2007. MARTHE, Marcelo. A nova era da televisão. Revista Veja, São Paulo, ed. 1973, ano 39, n. 36, p.88-97, set. 2006. MCLEISH, Robert. Produção de rádio. São Paulo: Summus, 1986. MICK, Walter H. Rádio digital. Curitiba-PR: Copygraf, 1998. Mobilezone. Disponível em: www.mobilezone.com.br/conect_wifi.htm. Acesso em: 08 ago. 2007. MONTEIRO, Luís. A Internet como meio de comunicação: possibilidades e limitações. Dissertação de Mestrado em Design - PUC-Rio – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: www.portal- rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/comunicacaovirtual/0158.pdf. Acesso em: 21 jun. 2007. PEPPERELL, R. The post-human condition. Oxford: Intellect, 1995. Apud RÜDIGER, Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID=03431671c389a2a1d93516cf f77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007. PEREIRA, Vinícius Andrade. A teia global: McLuhan e hipermídias. Disponível em: www.comunica.unisinos.br/tics/textos/2003/GT12TB10.PDF. Acesso em: 09 jul. 2007. PIGNATARI, Décio. Informação, linguagem, comunicação. 25. ed. Cotia-SP: Ateliê, 2002.
  • 59.
    52 RABAÇA, Carlos Alberto;BARBOSA, Gustavo. Dicionário de Comunicação. São Paulo: Ática, 1987. Apud MONTEIRO, Luís. A Internet como meio de comunicação: possibilidades e limitações. Dissertação de Mestrado em Design - PUC-Rio – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/comunicacaovirtual/0158.pdf. Acesso em: 21 jun. 2007. Rádio 91 Rock. Disponível em: www.91rocknews.com.br. Rádio CBN. Disponível em: http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/home/index.asp. Rádio UFPR. Disponível em: www.radio.ufpr.br. Radios@Radios.com. Estatísticas de rádios. Disponível em: www.radios.com.br/. Acesso em: 20 mai. 2007. Relatório do WorldDAB Fórum “Digital Áudio Broadcasting”. Disponível em: www.worlddab.org. Acesso em: 16 ago. 2007. RIBEIRO, Izakeline de Paiva. As ondas curtas e o rádio cearense em 1940. Disponível em: www2.metodista.br/unesco/rede_alcar/redealcar60/rede_ alcar_serie.htm. Acesso em: 22 jun. 2007. RODERO, Emma. La radio del futuro es una radio digital. Cidade: Facultad de Comunicación Universidad Pontificia de Salamanca, 1998. ROSA, Antônio Neto. Atração global: a convergência da mídia e tecnologia. São Paulo: Makron Books, 1998. RÜDIGER, Francisco. Discussão sobre pós-humano: fantasia e desmistificação. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_5.pdf?PHPSESSID =03431671c389a2a1d93516cff77e9f07. Acesso em: 05 abr. 2007. SAGAN, Carl. The Dragons of Eden. Nova Iorque: Random House, 1973. Apud SANTAELLA, Lúcia. Produção de linguagem e Ideologia. 2. ed. rev e ampl. São Paulo: Cortez, 1996. SANTAELLA, Lúcia. Cultura tecnológica & o corpo biocibernético. Disponível em: www.pucsp.br/pos/cos/interlab/santaell/index.html. Acesso em: 02 abr. 2007. SANTAELLA, Lúcia. Produção de linguagem e Ideologia. 2. ed. rev e ampl. São Paulo: Cortez, 1996. SARTORI, Carlo. O olho universal. In: GIOVANNINI, Giovanni. Evolução na comunicação: do sílex ao silício. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. SCHITTINE, Denise. Blog: comunicação escrita e íntima na Internet. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
  • 60.
    53 SIMON, Clea. Theweb catches and reshapes radio. In: New York Times. New York, 16 de janeiro de 2000. Disponível em: www.brsmedia.fm/press000116.html. Acesso em: 18 jun. 2007. SODRÉ, Muniz. O globalismo como neobarbárie. In: MORAES, Dênis de et. al. (org.). Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2003. TAVARES, Reynaldo. Histórias que o rádio não contou: do galeno ao digital, desvendando a radiodifusão no Brasil e no mundo. 2 ed. São Paulo: Harba, 1999. VALENTIM, Júlio César de Oliveira. A mobilidade das multidões: comunicação sem fio, smart mobs e resistências nas cibercidades. Disponível em: www.compos.org.br/data/biblioteca_9.pdf?PHPSESSID=12561daa417dd75796f2dee8 87cd7c60. Acesso em: 05 abr. 2007. WATKINSON, John. El Arte de Audio Digital. Madrid: IORTV, 1993. WRIGHT, Charles Robert. Mass Communication: a social perspective. New York: Random House, 1975. OBRAS CONSULTADAS Apple. Disponível em: www.apple.com/br. Acesso em: 07 set. 2007. NAPOLI, Tatiana. O rádio na era digital. Revista CENP. São Paulo, ano 03, n. 11, p.30-33, jul. 2007. PELLANDA, Nizze. O pensador da cibercultura. Disponível em: www.sinpro- rs.org.br/extra/mai00/educacao1.asp. Acesso em: 02 jul. 2007. WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos. (1954). Tradução: José Paulo Paes. 15. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
  • 61.
  • 62.
  • 63.
  • 64.
    57 MODELO DE QUESTIONÁRIOAPLICADO AOS OUVINTES DE RÁDIO Figura 7
  • 65.
    58 QUESTIONÁRIO PARA OUVINTESDE RÁDIO Olá, somos alunos do curso de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Positivo (UnicenP). Gostaria que você respondesse algumas questões sobre o rádio convencional e o rádio via Internet. Antes de prosseguir, gostaríamos de salientar que esta pesquisa é apenas para ouvintes de rádio. Caso você não tenha este hábito, favor não prosseguir. Nosso objetivo é verificar o ouvinte de cada uma dessas duas plataformas de transmissão de mensagem. Portanto, não existem respostas certas e erradas. É a sua opinião que vale. Seguem algumas questões para que sejam assinaladas no espaço correspondente à reposta. Essa é uma pesquisa puramente acadêmica e não tem fins comerciais. Antecipadamente agradecemos sua atenção e tempo para responder às perguntas. 01) Idade: _____ anos 02) Sexo: [1] Masculino [2] Feminino 03) Estado civil: [1] Solteiro(a) [2] Casado(a) [3] Separado(a) [4] Divorciado(a) [5] Viúvo(a) [6] Outro
  • 66.
    59 04) Escolaridade: [1] Ensinofundamental incompleto [2] Ensino fundamental completo [3] Ensino médio incompleto [4] Ensino médio completo [5] Superior incompleto [6] Superior completo [7] Pós-graduação 05) Você trabalha? [1] Sim [2] Não 06) Qual a sua renda mensal? [1] até R$ 400,00 [2] de R$ 400,01 a R$ 600,00 [3] de R$ 600,01 a R$ 800,00 [4] de R$ 800,01 a R$ 1.000,00 [5] de R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00 [6] mais de R$ 2.000,00 [7] não possuo renda 07) Você possui carro próprio? [1] Sim [2] Não 08) Você possui acesso à Internet? [1] Sim [2] Não 09) Da onde você acessa a Internet (marcar quantos itens julgar necessário)? [1] Casa [2] Escola/Faculdade [3] Trabalho [4] Lan houses [5] Outros: ________________
  • 67.
    60 10) Você escutarádio via Internet? [1] Sim [2] Não (terminar a pesquisa aqui) 11) Qual tipo de rádio você prefere escutar? [1] Rádio convencional [2] Rádio via Internet [3] Não vejo diferença 12) Com base na resposta anterior, por quê? 13) Com que freqüência você ouve rádio via Internet? [1] Todo dia [2] 5x por semana [3] 3x por semana [4] menos de 3x por semana 14) Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa? [1] Sim [2] Não 15) Quantas pessoas ouvem rádio via Internet com você? [1] Nenhuma [2] Uma [3] Duas [4] Três [5] Mais de três Obrigado(a) pela colaboração.
  • 68.
    61 TABULAÇÃO GERAL DOSDADOS DO QUESTIONÁRIO APLICADO AOS OUVINTES DE RÁDIO Figura 8
  • 69.
    62 01) Idade: [25] Até20 anos [48] Entre 21 e 30 anos [11] Entre 31 e 40 anos [10] Entre 41 e 50 anos [06] Mais de 50 anos Idade 25% 48% 11% 10% 6% até 20 21-30 31-40 41-50 mais de 50 02) Sexo: [56] Masculino [44] Feminino Sexo 56% 44% Masculino Feminino
  • 70.
    63 03) Estado civil: [76]Solteiro(a) [19] Casado(a) [04] Separado(a) [00] Divorciado(a) [00] Viúvo(a) [01] Outro Estado civil 76% 19% 4% 0% 0% 1% Solteiro(a) Casado(a) Separado(a) Divorciado(a) Viúvo(a) Outro
  • 71.
    64 04) Escolaridade: [00] Ensinofundamental incompleto [00] Ensino fundamental completo [03] Ensino médio incompleto [08] Ensino médio completo [55] Superior incompleto [12] Superior completo [22] Pós-graduação Escolaridade 0% 0% 3% 8% 55% 12% 22% E. Fundamental Completo E. Fundamental Incompleto E. Médio Incompleto E. Médio Completo Superio Incompleto Superior Completo Pós-graduação 05) Você trabalha? [75] Sim [24] Não Você trabalha? 76% 24% Sim Não
  • 72.
    65 06) Qual asua renda mensal? [18] até R$ 400,00 [08] de R$ 400,01 a R$ 600,00 [04] de R$ 600,01 a R$ 800,00 [08] de R$ 800,01 a R$ 1.000,00 [14] de R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00 [41] mais de R$ 2.000,00 [07] não possuo renda Qual a sua renda mensal? 18% 8% 4% 8% 14% 41% 7% Até R$ 400,00 De R$ 400,01 a R$ 600,00 De R$ 600,01 a R$ 800,00 De R$ 800,01 a R$ 1.000,00 De R$ 1.000,01 a R$ 2.000,00 Mais de R$ 2.000,00 Sem Renda 07) Você possui carro próprio? [65] Sim [35] Não Você possui carro próprio? 65% 35% Sim Não
  • 73.
    66 08) Você possuiacesso à Internet? [100] Sim [00] Não Você possui acesso à Internet? 100% 0% Sim Não 09) Da onde você acessa a Internet (marcar quantos itens julgar necessário)? [94] Casa [33] Escola/Faculdade [65] Trabalho [07] Lan houses [00] Outros: Da onde você acessa a Internet? 46% 17% 33% 4% 0% Casa Escola/Faculdade Trabalho Lan houses Outros
  • 74.
    67 10) Você escutarádio via Internet? [35] Sim [65] Não (terminar a pesquisa aqui) Você escuta rádio via Internet? 35% 65% Sim Não 11) Qual tipo de rádio você prefere escutar? [16] Rádio convencional [14] Rádio via Internet [05] Não vejo diferença Qual rádio você prefere escutar? 46% 40% 14% Rádio Convencional Rádio via Internet Não vejo diferença
  • 75.
    68 12) Com basena resposta anterior, por quê? (As respostas abaixo foram transcritas tais como foram recebidas) Resposta 11 Resposta 12 Indiferente Cada uma tem as suas vantagens. A Internet tem diversas opções e a rádio convencional pode ser ouvida em trânsito. Rádio via Internet Não tem comercial. Pelo menos o rádio do site terra não tem. Rádio via Internet Enquanto elaboro relatórios, ouço rádios selecionadas. Rádio Convencional Porque tem menos delay, a rádio na web ainda tem problemas técnicos. Rádio via Internet Pela maior qualidade. Indiferente Depende da hora, pois às vezes, ouço via internet, as rádios fora da região onde moro. Rádio Convencional Porque ouço no carro. Rádio Convencional A rádio convencional possui maior qualidade de transmissão. Rádio via Internet Maior variedade de estações e se pode ouvir estações de todo mundo. Rádio Convencional A qualidade é melhor e não tem delay, nem tem de esperar carregar buffer. Rádio Convencional Não há interrupções devido à conexão. Rádio via Internet Existência de rádios voltadas para o tipo de música que eu gosto. Indiferente O problema da rádio on-line é que necessita de banda larga. No local onde eu moro, acredite, não há... Então fica mais complicado, mas gosto muito desse tipo de serviço, visto a facilidade de se ouvir rádios, que o aparelho convencional não consegue captar.... Rádio Convencional Mobilidade Rádio Convencional Porque escuto pânico, quando possível. Rádio via Internet Além do fator som, que para mim é muito melhor, existe a capacidade de não se depender de sintonia, nenhuma rádio deixa de `pegar` no computador. Fora que os comerciais são em uma quantidade menor e isso dá mais prazer de ouvir uma rádio, pois assim ouvimos músicas e não propagandas. Rádio Convencional Não criei costume de ouvir webradio. Continua...
  • 76.
    69 Continuação... Rádio Convencional Épor estar mais facilmente á mão. É só ligar o botão, pois quase toda população, tem facilidade para comprar. É mais barato. Rádio via Internet Escuto rádios internacionais, pois não há nenhuma rádio nacional que tenha uma programação que agrade o meu estilo musical. Rádio via Internet Porque posso selecionar o que ouvir. Rádio via Internet Pela facilidade de acesso e navegação. Rádio Convencional No trânsito... Mas em casa eu gosto de assistir rádios que também transmitem imagens do estúdio. Rádio Convencional Porque gosto de ouvir a voz do locutor às vezes. Na Internet geralmente não se vê isso. Rádio Convencional Em trânsito Indiferente O importante é que tenha boas músicas e novidades. Rádio Convencional Porque escuto no carro. Rádio Convencional Horário de acesso. Rádio via Internet Porque assim posso ouvir o que quero e o que gosto.... Rádio via Internet Porque eu escuto aquilo que gosto Rádio Convencional Porque é mais fácil pra mudar a estação caso toque alguma música chata. Rádio Convencional Não tenho costume de acessar pela internet. Rádio via Internet Por ter a facilidade de ouvir estações do mundo todo. Indiferente Não vejo diferença porque depende onde estou no momento, apesar de achar a qualidade do som da Rádio via Internet pior que a Rádio Convencional. Rádio via Internet Porque não tenho muitas músicas no computador e assim tenho mais variedade. Rádio via Internet Adoro escutar música!
  • 77.
    70 13) Com quefreqüência você ouve rádio via Internet? [08] Todo dia [03] 5x por semana [06] 3x por semana [18] menos de 3x por semana Com que freqüência você ouve rádio pela Internet? 23% 9% 17% 51% Todo dia 5x por semana 3x por semana menos de 3x por semana 14) Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa? [35] Sim [00] Não Enquanto você ouve rádio via Internet, você faz outra coisa? 100% 0% Sim Não
  • 78.
    71 15) Quantas pessoasouvem rádio via Internet com você? [28] Nenhuma [01] Uma [03] Duas [02] Três [01] Mais de três Quantas pessoas ouvem rádio via Internet com você? 79% 3% 9% 6% 3% Nenhuma Uma Duas Três Mais de três
  • 79.
    72 ENTREVISTA APLICADA AUM PROFISSIONAL DA 91 ROCK Entrevista respondida em 14 de agosto 2007, por Helen Marie Dobignies, coordenadora artística e operacional da 91 Rock News, função que desempenha desde dezembro de 2005 na rádio, data de sua fundação. Formada no ano de 1995 pela PUC/PR, na área de Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo, iniciou suas atividades em rádios com 17 anos de idade, trabalho que desempenha há 10 anos. Em seu Curriculum contam passagens como correspondente pela Revista Rock Brigade, de São Paulo e colunista do Jornal Gazeta do Povo, de Curitiba/PR. Em emissoras de rádio têm passagens pela Rádio 96 Rock (atual 91 Rock), Rede Rock e Ouro Verde; além de ter prestado serviço autônomo na área de comunicação (vídeo, áudio, cerimonial etc.) para diversas empresas. Trabalhando em rádios, atuou em todas as áreas: operação, locução, gravação, produção, promoção, atendimento ao ouvinte, jornalismo, programação musical e comercial, edição, atualização tecnológica, legislação específica, coordenação técnica e de transmissão, operacional e artística. 1) Quais as principais diferenças entre o webradio e o rádio tradicional? A rádio tradicional pode ser acessada via carro, aparelhos de som móveis, facilitando a qualquer faixa econômica o acesso, além da mobilidade e da boa qualidade de som. Já, ouvir rádio via web ainda tem limitadores econômicos e de deslocamento, pois é preciso estar diante de um computador ou dispor de alguns celulares/aparelhos que tenham o recurso. A qualidade do som via web é de baixa resolução, na maioria das vezes, salvo altos investimentos por parte de alguns sites. O webradio, neste momento, ainda, é um recurso elitizado, mas com a velocidade da tecnologia e a facilidade de acesso crescente, a tendência é que os webradios ganhem cada vez mais espaço.
  • 80.
    73 2) Quais asfacilidades encontradas para o ouvinte de webradio? Estar diante da Internet exercendo suas atividades sem precisar compartilhar o áudio com que está próximo, dando mais privacidade. Têm muitas outras, mas a privacidade é um ponto importante. 3) De onde surgiu a iniciativa para a implantação do webradio? Na verdade não temos um webradio paralelo à rádio. A necessidade veio da implementação de um site que apresentasse a emissora e facilitasse o acesso de informações sobre a 91 Rock por parte dos ouvintes, anunciantes e mercado. A disponibilização do áudio é um recurso que ajuda muito, já, que esse é nosso produto. Portanto, o rádio via web é um complemento do nosso site e não um produto diferenciado e exclusivo para internautas, já que a programação que rola na web pode ser ouvida sintonizando FM 91,3 Mhz, em Curitiba, região metropolitana e litoral. 4) Há quanto tempo está no ar o rádio virtual da 91 Rock? Desde a inauguração do site, no último trimestre de 2006. 5) Como você vê a expansão da Internet influenciando os meios de comunicação? A Internet, já, está entre os maiores meios de comunicação. A velocidade no trânsito de informações e recursos é maior a cada dia e os demais meios de comunicação se valem cada vez mais da Internet, como instrumento adicional na agilidade de passar novas informações a quem não pode estar plugado na rede mundial o tempo todo. Na guerra de audiência diante da pluralidade de opções de veículos de comunicação, quem detém e divulga informação antes, também, tem mais chance de prosperar. Também, existe a junção das informações em tempo real, ou seja, um veículo de TV, jornal ou rádio, também, tem seu site e tende a divulgar suas informações em tempo real, em todos os meios que dispõe. De certa forma, um influencia o outro numa troca sem fim.
  • 81.
    74 6) Você considerao webradio uma nova forma de mídia? Sim. Tem todo potencial e recursos pra isso. 7) Quais as vantagens da rádio na Internet? No caso da 91 Rock, a principal vantagem, hoje, é fazer com que artistas, gravadoras, anunciantes, que residem longe da cidade, possam conhecer nosso trabalho, além do ouvinte que vive em deslocamento regional poder ter a chance de continuar com a gente. 8) Você vê o rádio tradicional ameaçado pelo webradio? Ainda não. Mas a tecnologia viaja na velocidade da luz e quando os aparelhos de som nos carros e os aparelhos tradicionais que transmitem rádio passarem a sintonizar webradios, só vai sobreviver quem disponibilizar ao usuário a maior variedade de opções de acesso com agilidade, qualidade de som e interatividade em todos meios que o mercado tecnológico vier a dispor. 9) Qual a porcentagem de ouvintes na Internet? Depende do investimento. No caso da 91 Rock, só podemos dispor de 200 ouvintes simultâneos via web, mas logo pretendemos investir para ampliar isso. Porque nosso foco não é webradio, ainda. Como disse antes, este é um recurso extra pra quem acessa o site. 10) O webradio pode influenciar e alterar a atual forma que o rádio convencional é feito? No futuro acredito que sim. Questões de linguagem, abrangência de promoções. Mas, no momento, ainda, não, falando da 91 Rock. Mas cada emissora trata as suas prioridades de uma forma diferenciada.
  • 82.
    75 ENTREVISTA APLICADA AUM PROFISSIONAL DA PONTOCOM COMUNICAÇÃO INTERATIVA Respondida em 21 de agosto de 2007, por Felipe Harmata Marinho, jornalista e coordenador de projetos da PontoCom Comunicação Interativa (empresa responsável pela publicação e atualização do website da Rádio 91 Rock) – função exercida desde setembro de 2003. Além de trabalhar na PontoCom Comunicação Interativa, Marinho é professor em duas faculdades de Curitiba/PR. Jornalista formado pelo Centro Universitário Positivo – UnicenP, possui pós- graduação em Comunicação e Semiótica pela PUC/PR e trabalha na área de tecnologia da Internet desde 2002. Antes de passar por esta área, desempenhou funções na TV Independência, afiliada à Rede Record. Internamente na PontoCom, coordenou importantes projetos, como: coordenador geral de imprensa da passagem de B.B. King em Curitiba, em dezembro de 2006, onde King apresentou a “Farewell World Tour”, marcando sua despedida dos palcos; coordenador geral do site COP8 MOP3 (evento oficial da ONU sobre biodiversidade e biossegurança, que Curitiba sediou em março de 2006, com a participação de representantes de 188 países); criador e editor-chefe do programa jornalístico, que circulou dentro dos ônibus exclusivos dos participantes da COP8 MOP3, onde haviam quatro monitores de cristal líquido em cada ligeirinho e o conteúdo era em língua inglesa; criador do projeto e editor-chefe do novo site da Rádio 91 Rock, de Curitiba; entre muitos outros. Antes de começar a entrevista, o entrevistado no posicionou, com algumas informações, em relação ao site da 91 Rock. O principal foco no site não é apenas retransmitir o próprio conteúdo que a emissora já tem e sim fazer um conteúdo diferente, em que o internauta encontre informações que só ouvindo a rádio não teria, apostando em convergência de mídias. O site completa a rádio e a rádio completa o site. O foco principal não é a rádio on-line. Busca-se que o internauta ouça a rádio também pela Internet, porém não se busca só isso. Busca-se que o público encare o site sempre com possibilidades diferenciadas de conteúdo.
  • 83.
    76 Por questões decustos e alguns problemas de servidor, o projeto para o site está sendo implementado aos poucos. Ainda não está no ar tudo que gostariam. A implementação é gradativa. O novo site entrou no ar em dezembro de 2006 e conta, hoje, com áreas como a de notícias, roteiro, podcast, cinema etc. Em agosto, será implementada a newsletter, em que os internautas recebem os destaques do site, também por e-mail. E há, como proposta, para as próximas semanas, criar uma área de colunistas, em que sejam discutidos temas como cinema, gastronomia, cultura em geral, moda etc. Existem outros projetos, em que se pretende trabalhar com alguns podcasts exclusivos para o site, por exemplo. Também, está em pauta colocar webcams dentro da rádio e que os internautas possam ver ao vivo, pela Internet, o que acontece no estúdio. 1) Desde quando se iniciou, no Brasil, a adaptação do rádio para Internet? Desde o começo da Internet comercial. O que acontece, é que no começo havia uma grande restrição que era a banda da Internet. Ou seja, a grande maioria das pessoas utilizava Internet discada, com tráfego menor de dados, o que dificultava o trabalho com arquivos de áudio e vídeo, que são arquivos maiores. 2) Quais os problemas enfrentados para se ouvir uma transmissão via Internet? Os problemas mais comuns são devidos às quedas que algumas conexões de Internet sempre sofrem; com isso o internauta nunca consegue ouvir uma música inteira. Fora isso, alguns servidores não agüentam muitas pessoas ouvindo a mesma rádio ao mesmo tempo e também caem ou ficam demasiado lentas. E um outro problema, ainda, é a questão da pessoa só poder ouvir pela Internet. Com tecnologias como o ipod em que a pessoa leva um podcast para qualquer lugar, o webradio fica limitado a ser escutado no computador. 3) Qual a expectativa do webradio para os próximos anos? A expectativa é que aumente o número de pessoas ouvindo e criando webradios. Isso vale para a Internet como um todo. Ela cresce numa velocidade impressionante.
  • 84.
    77 4) Quais asdiferenças entre ouvir rádio tradicional e rádio na Internet? As quedas da Internet e do servidor podem complicar a audição. E o tempo de espera para começar a tocar. Ligando um rádio, a estação começa a funcionar meio que instantaneamente, na Internet demora alguns segundos. 5) Quais os requisitos para se ter um webradio? Aí, depende. É preciso criar toda a programação da rádio, ver a linha que vai seguir..., estrutura para gravar os programas (estúdio, microfone, computador etc.). 6) Quais os requisitos para poder ouvir um webradio? Ter computador com acesso à Internet e que possua caixa de som. 7) Quais as dificuldades para se implementar e desenvolver um webradio? As dificuldades são menores do que para desenvolver uma rádio normal. Se você quiser fazer uma rádio, terá que ter concessão do governo, terá que gastar milhões para poder transmitir, os custos com estrutura são altíssimos. Na Internet isso se torna mais simples e mais barato. Com alguns reais gastos no servidor, um micro-estúdio, microfone e boas idéias, já, é possível fazer algo. 8) O que é, na sua visão, um webradio? Rádios feitas para a Internet. Ou seja, alguém que cria um conteúdo em áudio para ser passado pela Internet por streaming 26 . Se esse áudio pode ser baixado para o computador e/ou para mp3 player27 , Ipod [aparelho digital que reproduz som, imagem 26 Streaming é uma forma de distribuição de conteúdo multimídia pela Internet. Equivale a bufferização. 27 “MP3 players are associated with downloading music from the Internet. The device is smaller than a personal CD player so are very portable. You will need a computer to download songs, but you don't necessarily need the Internet.” (MP3 players são associados com o download de música através da Internet. O aparelho é menor que um discman (aparelhos portáteis que tocam CDs), portanto são muito práticos. É necessário o uso do computador para fazer download de músicas, mas você não precisa necessariamente da Internet). (‘tish Council. Disponível em: www.britishcouncil.org/ukinfocus- music-glossary.htm. acesso em: 07 set. 2007)
  • 85.
    78 e vídeo, fabricadopela empresa Apple], via a tecnologia rss28 , daí não seria webradio e sim, um podcast. 9) Qual o investimento médio para poder implementar um rádio virtual? Varia. Depende do servidor que você quiser utilizar, da quantidade de pessoas envolvidas etc. Mas o importante é que o custo é infinitamente menor que o de ter uma rádio tradicional. 10) Quais os principais ruídos na recepção da mensagem que o ouvinte pode ter? O ruído não é a grande questão. Normalmente, ouve-se claramente o conteúdo de uma webradio, o maior problema mesmo é a queda do áudio. 11) Como o webradio pode propiciar novas formas de fazer publicidade? Sim, sem dúvidas. E com o webradio, a publicidade não precisa estar necessariamente só no webradio, pode ter outros tipos de inserções publicitárias no próprio site que leva a pessoa a clicar no webradio, pode ter a inserção de merchandising no meio do programa. É um pouco parecido com o que teremos com a tv digital, em que a pessoa pode optar por não ver um comercial, mas verá anúncios de outra forma. 12) Você considera o rádio virtual uma nova mídia ou, apenas, a extensão de um meio já existente? A rádio virtual no caso da 91 Rock, por exemplo, é apenas uma extensão do meio que já existe, pois o áudio é reproduzido integralmente da rádio. O que temos de diferente; e qualquer rádio virtual que não se proponha a rediscutir a linguagem do rádio, a trabalhar com nuances que a Internet possui, também é uma mera reprodução de um meio já existente. Agora, se você trabalhar, por exemplo, com a convergência de 28 “RSS possui mais do que uma definição. Alguns a chamam de RDF Site Summary, outros a denominam Really Simple Syndication. Há ainda os que a definem como Rich Site Summary. É um recurso desenvolvido exclusivamente para Internet que permite aos responsáveis por sites e blogs divulgarem notícias ou novidades destes. Para isso, o link e o resumo daquela notícia (ou a notícia na íntegra) é armazenado em [arquivos de várias extensões].” (Infowester. Disponível em: http://www.infowester.com/rss.php. Acesso em: 07 set. 2007)
  • 86.
    79 mídias, em queo conteúdo da rádio dialoga com o site, que dialoga com um vídeo e áudio que estejam na Internet, daí sim, é interessante e uma maneira diferente de trabalhar com os meios de comunicação. 13) Como se configura o comportamento dos ouvintes de rádio na Internet? Existem ferramentas de estatística que podem dar uma série de informações sobre ouvinte. Ou seja, de que continente, país, estado e cidade ele veio, quanto tempo ficou on-line, qual navegador utilizou (Internet Explorer, Mozilla), o horário que as pessoas mais acessam etc. Enfim, dá pra ter uma mensuração bem complexa de dados. Fora essa questão da estatística, o comportamento de quem usa a Internet é o do famoso “alt +tab”. Ou seja, a pessoa faz mil coisas ao mesmo tempo. Ela está ouvindo uma webradio, vendo um vídeo no Youtube, checando o e-mail, trabalhando e conversando com uns três amigos no MSN. Então o webradio acaba funcionando como um pano de fundo para isso.
  • 87.
    80 ENTREVISTA APLICADA AUM PROFISSIONAL DA PLAYLIST SOLUÇÕES Respondida em 03 de setembro de 2007, por Marcelo Basso, da Playlist Soluções, onde é representante comercial desde 1998, vendendo o software Playlist Digital e presta suporte do mesmo. Basso se formou em 1992, no curso de Radialismo, pela Universidade Visconde de Cairu, de Salvador/BA e, também, possui pós-graduação em marketing. Iniciou suas atividades com meios de comunicação com 14 anos – em 1980 – na Rádio Tapejara AM, no Rio Grande do Sul. Além da Rádio Tapejara, trabalhou na Rádio Rural (Concórdia/SC), Rádio Atlântida FM (Porto Alegre/RS), Rádio Salvador FM (Salvador/BA), Rádio Transamérica (São Paulo/SP), Rádio Caiobá FM (Curitiba/PR), entre outras. Dentre as empresas que já passou, desempenhou funções de operador de som, locutor apresentador, locutor animador, repórter policial e promotor de eventos. 1) Desde quando se iniciou, no Brasil, a adaptação do rádio para Internet? A nova mídia iniciou com a Internet mesmo, desde que se tem uma forma de transmissão, o rádio acompanhou. 2) Como se dá o processo de implantação do webradio? Isso depende do conteúdo. Uma rádio aberta somente “linka” a saída de sua mesa de som e manda o som para a Internet. Já, uma webradio híbrida precisa gerar conteúdo, ou seja, fazer programação, ambas são geradas da mesma forma. 3) Quais os problemas enfrentados para se ouvir uma transmissão via Internet? As conexões no Brasil são, em geral, de péssima qualidade, isso dificulta, pois o ouvinte fica com buffer, aguardando o sinal, na maioria das vezes.
  • 88.
    81 4) Qual aexpectativa do webradio para os próximos anos? Isso vai depender da qualidade das conexões, se o investimento crescer, ela cresce junto. Não só as rádios, mas as TVs também têm espaço, desde que a banda seja mais estruturada. 5) Quais as diferenças entre ouvir rádio tradicional e rádio na Internet? Para ouvir a webradio precisa-se ter um sinal de Internet, que usa streaming, ou seja, pacotes de tcp/ip, as emissoras tradicionais usam ondas, o que dá mobilidade e são gratuitas, na Internet se paga para acessar e a geradora paga para lhe enviar o sinal. 6) Quais os requisitos para se ter um webradio? De equipamentos: 1 computador com conexão de rede 1 software que gera áudio (Winamp, Real Player, Windows Media Player) ou algo mais profissional, Playlist, Zara radio, Access, Informa, Audio QI. 1 Provedor que distribuirá o sinal (streaming) 1 conexão banda larga 1 estúdio, mesa microfones e afins. 7) Quais os requisitos para poder ouvir um webradio? Um computador com conexão à Internet. 8) Quais as dificuldades para se implementar e desenvolver um webradio? As dificuldades técnicas são pequenas, diria que a geração de conteúdo é o principal entrave, pois sem um bom conteúdo e divulgação, você não será ouvido. 9) O que é, na sua visão, um webradio? Um novo meio de comunicação, a abertura de uma nova janela para que as pessoas divulguem suas idéias e conceitos.
  • 89.
    82 10) Qual oinvestimento médio para poder implementar um rádio virtual? O investimento inicial é de R$ 5.000,00, e o mensal é de R$ 1,25 por ouvinte (em nossa empresa). 11) Quais os principais ruídos na recepção da mensagem que o ouvinte pode ter? Como qualquer emissora. 12) Como o webradio pode propiciar novas formas de fazer publicidade? A rádio na Internet pode vender, também, visual. Banners e afins. 13) Você considera o rádio virtual uma nova mídia ou, apenas, a extensão de um meio já existente? Sem dúvidas, uma nova mídia e, para as tradicionais, uma nova forma de chegar a locais que tecnicamente era impossível, como por exemplo, outros países. 14) Como se configura o comportamento dos ouvintes de rádio na Internet? Todos os estudos, ainda, são muito prematuros, pois a Internet é muito livre em relação ao comportamento. No tocante a perfil, sabemos que é mais usada por homens de meia idade, em horário comercial e da região Centro-Sul.