Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Tecnologia
Departamento de Engenharia El´etrica
Apostila de Medidas El´etricas
Marcus Vinicius Ara´ujo Fernandes
Natal/RN - Brasil
Semestre 2008.1
Cap´ıtulo 1
Generalidades sobre os Instrumentos
de Medidas El´etricas
1.1 Defini¸c˜ao de Medida
Medida ´e um processo de compara¸c˜ao de grandezas de mesma esp´ecie, ou seja, que
possuem um padr˜ao ´unico e comum entre elas. Duas grandezas de mesma esp´ecie possuem
a mesma dimens˜ao.
No processo de medida, a grande que serve de compara¸c˜ao ´e denominada de “grandeza
unit´aria”ou “padr˜ao unit´ario”.
As grandezas f´ısicas s˜ao englobadas em duas categorias:
a. Grandezas fundamentais (comprimento, tempo, etc.).
Grandezas Fundamentais
Grandeza Unidade Simbologia
Comprimento metro [m]
Massa quilograma [kg]
Tempo segundo [s]
Intensidade de Corrente amp´eres [A]
Temperatura Termodinˆamica kelvin [K]
Quantidade de Mat´eria mole [mol]
Intensidade Luminosa candela [cd]
b. Grandezas derivadas (velocidade, acelera¸c˜ao, etc.).
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 2
Grandezas El´etricas Derivadas
Grandeza Derivada Unidade Dimens˜ao Simbologia
Carga coulomb [A · s] [C]
Energia joule [m2
· kg · s−2
] [J]
Potˆencia watt [m2
· kg · s−3
] [W]
Tens˜ao volt [m2
· kg · s−3
· A−1
] [V ]
Resistˆencia ohm [m2
· kg · s−3
· A−2
] [Ω]
Condutˆancia siemens [m−2
· kg−1
· s3
· A2
] [S]
Capacitˆancia farad [m−2
· kg−1
· s4
· A2
] [F]
Indutˆancia henri [m2
· kg · s−2
· A−2
] [H]
Freq¨uˆencia hertz [s−1
] [Hz]
1.2 Sistema de unidades
´E um conjunto de defini¸c˜oes que re´une de forma completa, coerente e concisa todas
as grandezas f´ısicas fundamentais e derivadas. Ao longo dos anos, os cientistas tentaram
estabelecer sistemas de unidades universais como, por exemplo, o CGS, MKS e o SI.
1.2.1 Sistema Internacional (SI)
´E derivado do MKS e foi adotado internacionalmente a partir dos anos 60. ´E o
padr˜ao utilizado no mundo, mesmo que alguns pa´ıses ainda adotem algumas unidades
dos sistemas precedentes.
1.3 No¸c˜oes de Padr˜ao, Aferi¸c˜ao e Calibra¸c˜ao
1.3.1 Padr˜ao
Padr˜ao ´e um elemento ou instrumento de medida destinado a definir, conservar e
reproduzir a unidade base de medida de uma determinada grandeza. Possui uma alta
estabilidade com o tempo e ´e mantido em um ambiente neutro e controlado (temperatura,
press˜ao, umidade, etc. constantes).
Padr˜oes de Grandezas El´etricas
Corrente El´etrica: O amp´ere ´e a corrente constante que, mantida entre dois condutores
paralelos de comprimento infinito e se¸c˜ao transversal desprez´ıvel separados de 1m,
no v´acuo, produz uma for¸ca entre os dois condutores de 2 · 10−7
N/m. Na pr´atica
s˜ao utilizados instrumentos chamados “balan¸cas de corrente”, que medem a for¸ca
de atra¸c˜ao entre duas bobinas idˆenticas e de eixos coincidentes.
Tens˜ao: O padr˜ao do volt ´e baseado numa pilha eletroqu´ımica conhecida como “C´elula
Padr˜ao de Weston”, constitu´ıda por cristais de sulfato de c´admio (CdSO4) e uma
pasta de sulfato de merc´urio (HgSO4) imersos em uma solu¸c˜ao saturada de sulfato
de c´admio. Em uma concentra¸c˜ao espec´ıfica da solu¸c˜ao e temperatura de 20o
C a
tens˜ao medida ´e de 1, 01830V .
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 3
Resistˆencia: O padr˜ao do ohm ´e normalmente baseado num fio de manganina (84% Cu,
12% Mn e 4% Ni) enrolado sob a forma de bobina e imerso num banho de ´oleo a
temperatura constante. A resistˆencia depende do comprimento e do diˆametro do
fio, possuindo valores nominais entre 10−4
Ω e 106
Ω.
Capacitˆancia: O padr˜ao do farad ´e baseado no c´alculo de capacitores de geometria
precisa e bem definida com um diel´etrico de propriedades est´aveis e bem conhecidas.
Normalmente usam-se duas esferas ou 2 cilindros concˆentricos separados por um
diel´etrico gasoso.
Indutˆancia: O padr˜ao do henri ´e tamb´em baseado no c´alculo de indutores sob a forma
de bobinas cil´ındricas e longas em rela¸c˜ao ao diˆametro com uma ´unica camada de
espiras.
1.3.2 Aferi¸c˜ao
Aferi¸c˜ao ´e o procedimento de compara¸c˜ao entre o valor lido por um instrumento e o
valor padr˜ao apropriado de mesma natureza. Apresenta car´ater passivo, pois os erros s˜ao
determinados, mas n˜ao corrigidos.
1.3.3 Calibra¸c˜ao
Calibra¸c˜ao ´e o procedimento que consiste em ajustar o valor lido por um instrumento
com o valor de mesma natureza. Apresenta car´ater ativo, pois o erro, al´em de determi-
nado, ´e corrigido.
1.4 Classifica¸c˜ao dos Erros
De acordo com a causa, ou origem, dos erros cometidos nas medidas, estes podem
ser classificados em: grosseiros, sistem´aticos e acidentais. E de acordo com suas carac-
ter´ısticas, estes podem ser classificados em: constantes, aleat´orios e peri´odicos.
1.4.1 Erros Grosseiros
Estes erros s˜ao causados por falha do operador, como por exemplo, a troca da posi¸c˜ao
dos algarismos ao escrever os resultados, os enganos nas opera¸c˜oes elementares efetuadas,
ou o posicionamento incorreto da v´ırgula nos n´umeros contendo decimais.
Estes erros podem ser evitados com a repeti¸c˜ao dos ensaios pelo mesmo operador, ou
por outros operadores.
1.4.2 Erros Sistem´aticos
S˜ao os ligados `as deficiˆencias do m´etodo utilizado, do material empregado e da apre-
cia¸c˜ao do experimentador.
a. A constru¸c˜ao e aferi¸c˜ao de um aparelho de medida nunca podem ser perfeitas. Por
outro lado, h´a sempre uma divergˆencia, embora pequena, entre a an´alise te´orica de
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 4
um circuito e o comportamento pr´atico deste circuito. As hip´oteses de base da teoria
n˜ao s˜ao inteiramente realiz´aveis na pr´atica. Basta mencionar, como exemplo, o
consumo de energia dos aparelhos de medida e as varia¸c˜oes das caracter´ısticas f´ısicas
ou el´etricas dos elementos que constituem o circuito. Este conjunto de imperfei¸c˜oes
constitui a deficiˆencia do m´etodo.
b. A pr´opria defini¸c˜ao dos erros sistem´aticos indica quais s˜ao os meios de limita¸c˜ao. O
material empregado deve ser aferido: medidores, pilhas, resistˆencias, capacitores,
etc. O seu controle deve ser peri´odico. Um modo simples de verificar a presen¸ca
ou ausˆencia de erro sistem´atico consiste na repeti¸c˜ao da mesma experiˆencia, substi-
tuindo os elementos iniciais por elementos teoricamente iguais. A identifica¸c˜ao dos
resultados d´a como conclus˜ao a ausˆencia do erro sistem´atico; por´em, a discordˆancia
indidca que h´a um erro, no m´etodo ou no material, sem identificar qual dos dois ´e
o respons´avel.
c. H´a experimentadores que tˆem a peculiaridade de fazer a leitura maior do que a real,
enquanto outros a fazem menor. Este erro pode ser limitado tomando-se como
resultado a m´edia aritm´etica das leituras de v´arias pessoas.
1.4.3 Erros Acidentais
A experiˆencia mostra que, a mesma pessoa, realizando os mesmos ensaios com os
mesmos elementos constitutivos de um circuito el´etrico, n˜ao consegue obter, cada vez, o
mesmo resultado. A divergˆencia entre estes resultados ´e devida `a existˆencia de um fator
incontrol´avel, o “fator sorte”. Para usar uma terminologia mais cient´ıfica, diremos que
os erros acidentais s˜ao a conseq¨uˆencia do “imponder´avel”. Como j´a foi dito, s˜ao erros
essencialmente vari´aveis e n˜ao suscet´ıveis de limita¸c˜ao.
1.4.4 Erros Constantes
Erros invari´aveis em aplitude e polaridade devido a imprecis˜oes instrumentais. Em
geral, podem ser facilmente corrigidos pela compara¸c˜ao com um padr˜ao conhecido da
medida.
1.4.5 Erros Peri´odicos
Erros vari´aveis em amplitude e polaridade, mas que obedecem a uma certa lei (por
exemplo, a n˜ao linearidade de um conversor A/D). Podem ser eliminados pela medi¸c˜ao
repetitiva sob condi¸c˜oes distintas e conhecidas.
1.4.6 Erros Aleat´orios
Erros Aleat´orios s˜ao todos os erros restantes, possuem amplitude e polaridade vari´aveis
e n˜ao seguem necessariamente uma lei sistem´atica. S˜ao em geral pequenos, mas n˜ao est˜ao
presentes em qualquer medida, provenientes de sinais esp´urios, condi¸c˜oes vari´aveis de
observa¸c˜ao, ru´ıdos do pr´oprio instrumento.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 5
Erros Aleat´orios: caracter´ısticas e limita¸c˜oes
- os valores lidos possuem uma distribui¸c˜ao estat´ıstica;
- cada medida ´e independente das outras;
- erros pequenos ocorrem com maior probabilidade que os grandes;
- erros importantes s˜ao aperi´odicos;
- erros (+) e (−) possuem mesma amplitude e probabilidade de ocorrˆencia e freq¨uˆencia.
1.5 Erros Absoluto e Relativo
A palavra “erro”designa a diferen¸ca alg´ebrica entre o valor medido Vm de uma grandeza
e o seu valor verdadeiro, ou aceito como verdadeiro, Ve:
∆V = Vm − Ve
Assim, o valor verdadeiro Ve da grandeza pode ser expresso da seguinte maneira:
Vm − ∆V ≤ Ve ≤ Vm + ∆V
O valor ∆V ´e chamado limite superior do erro absoluto, limite m´aximo do erro absoluto
ou simplesmente “erro absoluto”.
Quando o valor Vm encontrado na medida ´e maior que o valor verdadeiro Ve, diz-se que
o erro cometido ´e “por excesso”. Quando Vm ´e menor que Ve, diz-se que o erro cometido
´e “por falta”.
O “erro relativo”ε ´e difinido como a rela¸c˜ao entre o erro absoluto ∆V e o valor verda-
deiro Ve da grandeza medida:
ε = ∆V
Ve
Para efeito de c´alculo de ε pode-se, na maioria dos casos, considerar Ve = Vm tendo-se
em conta que estes valores s˜ao muito aproximadamente iguais entre si.
O erro relativo percentual tem a forma:
ε = ∆V
Ve
· 100
1.6 Tratamento de erros em medidas
Com o intuito de minimizar e identificar os v´arios tipos de erros presentes numa
medida, um tratamento estat´ıstico pode ser aplicado num conjunto de dados obtidos em
condi¸c˜oes idˆenticas e/ou conhecidas. Este tratamento estat´ıstico baseado na observa¸c˜ao
repetitiva ´e eficaz na minimiza¸c˜ao de erros peri´odicos e aleat´orios.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 6
1.6.1 M´edia Aritm´etica
A m´edia aritm´etica ¯x ´e dada a partir da equa¸c˜ao a seguir.
¯x =
n
i=1
xi
n
onde xi s˜ao os valores medidos e n ´e o n´umero de medidas. O res´ıduo r ´e a diferen¸ca ente
a m´edia e cada uma das medidas r = (¯x − xi).
1.6.2 Erro Padr˜ao ou Desvio Padr˜ao
O erro padr˜ao σ ´e encontrado a partir de uma s´erie de leituras e fornece uma estima-
tiva da amplitude do erro presente nestas medidas e consequentemente sua precis˜ao. A
determina¸c˜ao precisa do erro padr˜ao σ implica num grande n´umero de leituras.
σ =
r2
n − 1
sendo: r2
= (¯x − x1)2
+ (¯x − x2)2
+ . . . + (¯x − xi)2
Distibui¸c˜ao Normal ou Curva Gaussiana
y = 1√
2πσ2
· e− r2
2σ2
onde σ2
´e a variˆancia, tp ´e o ponto de retorno (dy
dx
= 0) e pi s˜ao os pontos de inflex˜ao
(d2y
d2x
= 0).
A ´area hachurada na curva representa 68, 3% da ´area total que equivale ao conjunto
de todas as medidas. O erro padr˜ao σ de uma s´erie de medidas indica ent˜ao uma proba-
bilidade de 68, 3% que o valor verdadeiro da medida esteja entre −σ e +σ do valor m´edio
¯x do conjunto de dados. Consequentemente 2σ ⇒ 95, 4% e 3σ ⇒ 99, 7%.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 7
1.6.3 Erro Limite
O erro limite L ´e uma forma de indica¸c˜ao da margem de erro baseada nos valores
extremos (m´aximo e m´ınimo) poss´ıveis. Em geral, ´e definido como uma porcentagem do
valor padr˜ao ou fundo de escala. Sup˜oe uma probabilidade te´orica de 100% de que o valor
verdadeiro (yv) esteja no intervalo y ± L.
Apesar de menos rigorosa, esta medida de erro ´e mais popular que o erro padr˜ao,
pois indica o erro de forma mais direta e facilmente compreens´ıvel por um leigo. Numa
avalia¸c˜ao rigorosa de dados, sempre que poss´ıvel deve-se usar a defini¸c˜ao de erro padr˜ao.
Exemplo:
a. R = 10kΩ ± 5%;
b. C = 10µF + 20% − 10%;
c. Em um instrumento: “precis˜ao”= 5% (o termo “precis˜ao”utilizado aqui deve ser
substitu´ıdo por “erro”).
1.6.4 Determina¸c˜ao do valor mais prov´avel
O valor verdadeiro xv da grandeza a ser medida ´e, em geral, desconhecido. Atrav´es
da teoria de erros pode-se determinar, com alto grau de exatid˜ao, o valor mais prov´avel
xp e o quanto este valor ifere do valor verdadeiro.
Num conjunto de medidas onde os erros predominantes s˜ao aleat´orios, o valor mais
prov´avel corresponde `a m´edia aritm´etica xp ≡ ¯x.
1.6.5 Intervalo de Confian¸ca
Faixa de valores compreendida entre xp ± σ (ou 2σ, 3σ, . . . ) ou xp ± L. Considerando
um conjunto de medidas quaisquer, a probabilidade de que o valor verdadeiro xv esteja
presente em xp ± σ ´e de 31, 7%.
1.7 Dados Caracter´ısticos dos Instrumentos El´etricos
de Medi¸c˜ao
S˜ao indicados a seguir alguns dados caracter´ısticos essenciais dos instrumentos el´etricos
de medi¸c˜ao, dados estes importantes na utiliza¸c˜ao correta dos mesmos.
1.7.1 Natureza do Instrumento
Natureza do instrumento ´e a caracter´ıstica que o identifica de acordo com o tipo
de grandeza mensur´avel pelo mesmo. Exemplo: amper´ımetro, volt´ımetro, watt´ımetro,
fas´ımetro, etc.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 8
1.7.2 Natureza do Conjugado Motor
A natureza do conjugado motor caracteriza o princ´ıpio f´ısico de funcionamento do
instrumento; caracteriza o efeito da corrente el´etrica aproveitado no mesmo. Exemplo:
eletrodinˆamico - efeito de corrente el´etrica sobre corrente el´etrica; ferro-m´ovel - efeito do
campo magn´etico da corrente el´etrica sobre pe¸ca de material ferromagn´etico; t´ermico -
efeito do aquecimento produzido pela corrente el´etrica ao percorrer um condutor, etc.
1.7.3 Calibre do Instrumento
O calibre do instrumento ´e o valor m´aximo, da grandeza mensur´avel, que o isntrumento
´e capaz de medir. Exemplo: um volt´ımetro que pode medir no m´aximo 200 volts, diz-se
que o seu calibre ´e de 200 volts. H´a a considerar dois casos:
Instrumento de um s´o calibre: o valor do calibre corresponde, normalmente, ao valor
marcado no fim de sua escala. Exemplo: a figura abaixo representa um volt´ımetro
de calibre ´unico, 200 volts.
Instrumento de m´ultiplo calibre: os valores dos respectivos calibres vˆem indicados nas
v´arias posi¸c˜oes da chave de comuta¸c˜ao dos calibres, posi¸c˜oes da chave de comuta;c˜ao
dos calibres, podendo haver no mostrador apenas uma escala graduada. O valor de
uma grandeza medida num dos calibres ser´a obtido pela rela¸c˜ao:
Valor da grandeza = Calibre utilizado
Valor marcado no fim da escala
· Leitura
Exemplo: A figura abaixo representa um multivolt´ımetro cujos terminais 1 e 2 s˜ao
para liga¸c˜ao do mesmo ao circuito el´etrico cuja tens˜ao se deseja medir, sendo a sua
escala graduada em divis˜oes, de 0 a 200 divis˜oes. Utilizando-se a chave de comuta¸c˜ao
K no calibre de 300V , liga-se o volt´ımetro a um circuito el´etrico obtendo-se a leitura
de 148 divis˜oes. Portanto, o valor medido V da tens˜ao ser´a:
V = 300
200
· 148 = 222V
1.7.4 Discrepˆancia
Discrepˆancia ´e a diferen¸ca entre valores medidos para a mesma grandeza. Exemplo:
um volt´ımetro ´e empregado para medir a tens˜ao de uma fonte, dando como primeira
leitura 218V e como segunda leitura 220V . Diz-se ent˜ao que entre as duas medi¸c˜oes h´a
uma discrepˆancia de 2V .
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 9
1.7.5 Sensibilidade
Sensibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao que exprime a rela¸c˜ao
entre o valor da grandeza medida e o deslocamento da indica¸c˜ao. Exemplo: dois am-
per´ımetros s˜ao postos em s´erie para medir uma mesma corrente I. No primeiro, observa-
se uma indica¸c˜ao de x divis˜oes na escala e no segundo, uma indica¸c˜ao de 2x divis˜oes.
Diz-se, ent˜ao, que a sensibilidade do segundo amper´ımetro ´e o dobro da sensibilidade do
primeiro.
1.7.6 Resolu¸c˜ao
Resolu¸c˜ao ´e o menor incremento que se pode assegurar na leitura de um instrumento,
o que corresponde `a menor divis˜ao marcada na escala do instrumento.
1.7.7 Mobilidade
Mobilidade ´e a menor varia¸c˜ao da grandeza medida capaz de usar um deslocamento
percept´ıvel no ponteiro ou na imagem luminosa.
1.7.8 Perda Pr´opria
Perda pr´opria ´e a potˆencia consumida pelo instrumento correspondente `a indica¸c˜ao
final da escala, correspondente ao calibre. Exemplo: um amper´ımetro de calibre 10A e
resistˆencia pr´opria 0, 2Ω tem uma perda pr´opria de 20W. ´E desej´avel que os instrumentos
el´etricos de medi¸c˜ao tenham a m´ınima perda pr´opria a fim de que n˜ao perturbem o circuito
em que est´a ligado, sobretudo este circuito trata-se de um circuito de pequena potˆencia.
Os instrumentos eletrˆonicos de medi¸c˜ao s˜ao considerados de perda pr´opria praticamente
nula.
1.7.9 Eficiˆencia
Eficiˆencia de um instrumento ´e a rela¸c˜ao entre o seu calibre e a perda pr´opria. Exem-
plo: levando em considera¸c˜ao o exemplo do item anterior, a eficiˆencia do amper´ımetro
seria: 10A/20W = 0, 5A/W. No caso de volt´ımetro ´e usual exprimir a eficiˆencia em Ω/V ,
pois: V/W = RI/V I = R/V . Dois volt´ımetros, um de 800Ω/V e outro de 5000Ω/V , o
segundo tem melhor eficiˆencia que o primeiro.
1.7.10 Rigidez Diel´etrica
Rigidez diel´etrica caracteriza a isola¸c˜ao entre a parte ativa e a carca¸ca do instrumento.
A rigidez diel´etrica ´e expressa por um certo n´umero de quilovolts, chamado de “tens˜ao
de prova”ou “tens˜ao de ensaio”, o qual representa a tens˜ao m´axima que se pode aplicar
entre a parte ativa e a carca¸ca do instrumento sem que lhe cause danos.
Estes valores s˜ao representados nos instrumentos simbolicamente por uma estrela con-
tendo, ou n˜ao, um n´umero em seu interior.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 10
1.7.11 Categoria de Medi¸c˜ao
Definido pelos padr˜oes internacionais, a categoria de medi¸c˜ao define categorias de
I a IV, onde os sistemas s˜ao divididos de acordo com a distribui¸c˜ao de energia. Esta
divis˜ao ´e baseada no fato de que um transiente perigoso de alta energia, como um raio,
ser´a atenuado ou amortecido `a medida que passa pela impedˆancia (resistˆencia CA) do
sistema.
1.7.12 Exatid˜ao
Exatid˜ao ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao que exprime o afastamento
entre a medida nele efetuada e o valor de referˆencia aceito como verdadeiro. O valor da
exatid˜ao de um instrumento de medi¸c˜ao ou de um acess´orio ´e definido pelos limites do
erro intr´ınseco e pelos limites da varia¸c˜ao na indica¸c˜ao.
Como se vˆe, a exatid˜ao de um instrumento ´e considerada em rela¸c˜ao a um padr˜ao, a um
valor aceito como verdadeiro. Pode-se dizer que a exatid˜ao est´a diretamente relacionada
com as caracter´ısticas pr´oprias do instrumento, a forma como foi projetado e constru´ıdo.
Os erros sistem´aticos ´e que definem se um instrumento ´e mais exato ou menos exato que
outro. A exatid˜ao vem indicada nos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao e nos acess´orios
atrav´es da sua “classe de exatid˜ao”.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 11
Classe de Exatid˜ao do Instrumento
A classe de exatid˜ao do instrumento representa o limite de erro, garantido pelo fa-
bricante do instrumento, que se pode cometer em qualquer medida efetuada com este
instrumento. A classe de exatid˜ao ´e representada pelo “´ındice de classe”, um n´umero
abstrato, o qual deve ser tomado como uma percentagem do calibre do instrumento.
Exemplo: seja um volt´ımetro de calibre C = 300V e classe de exatid˜ao 1, 5; o limite de
erro que se pode cometer em qualquer medida feita com este volt´ımetro ´e de 1, 5% de
300V , ou seja:
∆C = 300·1,5
100
= 4, 5V
Vˆe-se que o erro relativo percentual ´e ∆C
X
· 100 > 1, 5% para uma medi¸c˜ao efetuada
de X volts. Isto mostra que o instrumento deve ser utilizado para medir grandezas de
valor o mais pr´oximo poss´ıvel do ser calibre, onde teremos o erro relativo m´ınimo. Uma
pr´atica usual ´e selecionar um instrumento de calibre tal que o calor medido se situe no
´ultimo ter¸co da escala.
Um instrumento el´etrico de medi¸c˜ao, quanto melhor ´e a sua classe de exatid˜ao, mais
caro ele custa e mais cuidados ele requer na sua utiliza¸c˜ao, com pessoal mais especializado.
Tendo em vista este fato ´e que os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao podem ser classificados
em dois grupos:
Instrumentos de Laborat´orio: s˜ao medidas realizadas em ambientes e condi¸c˜oes ideais,
distintos do ambiente industrial. S˜ao medidas feitas para averiguar o funcionamento
dos dispositivos de medidas industriais, ou para o projeto de dispositivos e circuitos.
Devem ter uma maior precis˜ao e por isso s˜ao mais caros e delicados. Classe de
exatid˜ao de 0, 1 a 1, 5;
Instrumentos de Servi¸co, Instrumentos Industriais: s˜ao aquelas medidas feitas direta-
mente sobre a montagem industrial ou instala¸c˜ao el´etrica. S˜ao utilizados equipa-
mentos pr´aticos tanto fixos como port´ateis, classe de exatid˜ao de 2 a 3, ou maior.
1.7.13 Repetibilidade (Precis˜ao)
No Vocabul´ario Internacional de Metrologia, o termo Precis˜ao foi substitu´ıdo por
Repetibilidade. Neste texto adotaremos o termo Repetibilidade.
Repetibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao, determinada atrav´es
de um processo estat´ıstico de medi¸c˜oes, que exprime o afastamento m´utuo entre as diversas
medidas obtidas de uma grandeza dada, em rela¸c˜ao `a m´edia aritm´etica dessas medidas.
Ou seja, repetibilidade ´e a propriedade de um instrumento de, em condi¸c˜oes idˆenticas,
indicar o mesmo valor para uma determinada grandeza medida.
Um instrumento preciso n˜ao ´e necessariamente exato, embora seja na maioria dos
casos. A repetibilidade est´a mais ligada `a opera¸c˜ao, ao fato de medir a grandeza. Ou
seja, ´e o termo que est´a necessariamente ligado a uma avalia¸c˜ao estat´ıstica sobre os valores
resultantes de uma medida. A precis˜ao exprime o grau de consistˆencia ou reprodu¸c˜ao nas
indica¸c˜oes de uma medida sob as mesmas condi¸c˜oes. A repetibilidade n˜ao vem indicada
nos intrumentos, pois ela resulta de uma an´alise estat´ıstica.
A repetibilidade de uma medida se faz atrav´es do “´ındice de repetibilidade”, comu-
mente dado em fun¸c˜ao do desvio padr˜ao sobre a m´edia dos valores medidos. Assim,
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 12
quando se diz que determinado resultado tem uma repetibilidade de 0, 5% isto que dizer
que a rela¸c˜ao σ/¯x ≤ 0, 005, onde σ ´e o desvio padr˜ao.
A repetibilidade ´e um pr´e-requisito da exatid˜ao, mas a repetibilidade n˜ao garante a
exatid˜ao. As medidas efetuadas poder˜ao ser t˜ao mais precisas quanto mais exato for o
instrumento empregado.
Exemplo: Suponhamos um volt´ımetro, constru´ıdo com certa classe de exatid˜ao, tem
sua resistˆencia original substitu´ıda por outra de maior valor. Este volt´ımetro continua a
fazer medidas com a mesma repetibilidade, entretanto a sua exatid˜ao pode estar muito
diferente daquela que ele tinha quando estava com a resistˆencia original. A exatid˜ao das
medidas somente pode ser comprovada atrav´es da compara¸c˜ao do instrumento com um
padr˜ao.
Exemplo: Suponhamos dois volt´ımetros de mesmo calibre, um de classe de exatid˜ao
2 e outro de classe de exatid˜ao 1. Os dois volt´ımetros poder˜ao fazer medidas com a
mesma repetibilidade, por´em o segundo indicar´a valores mais exatos, pois estes estar˜ao
mais pr´oximos do valor aceito como verdadeiro.
1.8 Princ´ıpios de Funcionamento de Instrumentos Ele-
tromecˆanicos
Os primeiros instrumentos utilizados para medidas de grandezas el´etricas eram ba-
seados na deflex˜ao de um ponteiro acoplado a uma bobina m´ovel imersa em um campo
magn´etico. Uma corrente aplicada na bobina produz o seu deslocamento pela for¸ca de Lo-
rentz. Um mecanismo de contra-rea¸c˜ao (em geral uma mola) produz uma for¸ca contr´aria
de modo que a deflex˜ao do ponteiro seja proporcional `a corrente na bobina.
Estes instrumentos anal´ogicos est˜ao em desuso em fun¸c˜ao de suas qualidades inferiores
se comparadas `as dos instrumentos digitais (imprecis˜oes de leitura, fragilidade, desgaste
mecˆanico, dif´ıcil automa¸c˜ao de leitura, etc.).
Os instrumentos digitais atuais s˜ao inteiramente eletrˆonicos, n˜ao possuindo partes
m´oveis (exceto seletores de escala e teclas). S˜ao mais robustos, precisos, est´aveis e
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 13
dur´aveis. S˜ao baseados em conversores anal´ogico/digital (A/D) e s˜ao facilmente adapt´aveis
a uma leitura automatizada. Al´em disso, o custo dos instrumentos digitais ´e em geral
inferior (com exce¸c˜ao dos oscilosc´opios).
Contudo, iremos estudar os princ´ıpios gerais sobre instrumentos eletromecˆanicos de
medi¸c˜ao para entendermos melhor o avan¸co dos instrumentos digitais.
1.8.1 Generalidades sobre Instrumentos El´etricos de Medi¸c˜ao
Os instrumentos el´etricos empregados na medi¸c˜ao das grandezas el´etricas tˆem sempre
um conjunto que ´e deslocado aproveitando um dos efeitos da corrente el´etrica: efeito
t´ermico, efeito magn´etico, efeito dinˆamico, etc. Preso ao conjunto m´ovel est´a um ponteiro
que se desloca na frente de uma escala graduada em valores da grandeza a que se destina
o instrumento medir, como na figura abaixo.
A corrente el´etrica cont´ınua ao percorrer a bobina fica na presen¸ca do campo magn´etico
do im˜a permanente. A intera¸c˜ao entre a corrente e o campo magn´etico origina as for¸cas
aplicadas aos condutores da bobina, for¸cas estas que produzem um conjugado em rela¸c˜ao
ao eixo de rota¸c˜ao do sistema, fazendo girar a bobina em torno deste eixo. Este conjunto
assim originado ´e chamado de “conjugado motor”.
Ao mesmo tempo as molas, com uma extremidade presa ao eixo da bobina e a outra `a
carca¸ca do instrumento, ficam sob tens˜ao mecˆanica e se op˜oem ao movimento de rota¸c˜ao
da bobina, originando um “conjugado antagonista”ou “conjugado restaurador”. Estas
molas, al´em da oposi¸c˜ao ao deslocamento do conjunto m´ovel, fazem-no voltar `a posi¸c˜ao
inicial (posi¸c˜ao de repouso) cessado o efeito do conjugado motor.
Para evitar as oscila¸c˜oes do conjunto m´ovel em torno da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, cria-
se um “conjugado de amortecimento”por meio de artif´ıcios externos ao sistema. Este
“conjugado de amortecimento”evita tamb´em os deslocamentos bruscos do conjunto m´ovel
ao partir da posi¸c˜ao de repouso, como ao voltar a ela cessado o efeito do conjugado motor.
O conjunto m´ovel dos instrumentos el´etricos ´e assim submetido a trˆes conjugados:
1. O motor produzido pela grandeza a medir, aproveitando um dos efeitos da corrente
el´etrica;
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 14
2. O antagonista produzido pelas molas;
3. O de amortecimento produzido por arranjos externos ao conjunto m´ovel.
1.8.2 Amortecimento do Movimento do Conjunto M´ovel
H´a trˆes tipos principais de amortecimentos aplicados aos instrumentos el´etricos de
medi¸c˜ao: amortecimento por correntes de Foucault, por atrito sobre o ar e por atrito
sobre l´ıquido.
Amortecimento por Correntes de Foucault
A figura acima mostra o princ´ıpio f´ısico em que se baseia este amortecimento. O
disco de alum´ınio ´e rigidamente solid´ario ao eixo do conjunto m´ovel. Quando este se
desloca, movido pelo conjugado motor, o disco corta as linhas de fluxo do entreferro do
im˜a permanente. No disco s˜ao ent˜ao induzidas correntes de Foucault. Como elas est˜ao na
presen¸ca do campo magn´etico do mesmo im˜a permanente, a intera¸c˜ao entre estas correntes
e o referido campo magn´etico dar´a origem a uma for¸ca cujo sentido se op˜oe ao movimento
do disco, produzindo assim um conjugado em rela¸c˜ao ao eixo de rota¸c˜ao, conjugado este
que ´e de amortecimento, pois a sua existˆencia est´a condicionada ao movimento do disco.
O conjugado de amortecimento ´e diretamente proporcional `a velocidade angular do disco.
Amortecimento por Atrito sobre o Ar
´E provocado pela rea¸c˜ao do ar sobre uma fina palheta met´alica presa ao eixo de rota¸c˜ao
do conjunto m´ovel, ao qual est´a tamb´em preso o ponteiro.
A figura abaixo mostra o artif´ıcio mais empregado para este tipo de amortecimento.
Pode ser demonstrado que o conjugado de amortecimento ´e proporcional `a velocidade
angular do conjunto m´ovel.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 15
Amortecimento por Atrito sobre L´ıquido
O l´ıquido mais usado ´e o ´oleo mineral, em virtude de suas caracter´ısticas, tamb´em
como isolante. A viscosidade do ´oleo ´e escolhida de acordo com o mais intenso ou menos
intenso amortecimento que se queira dar ao movimento do conjunto m´ovel. Demonstra-se
tamb´em em dinˆamica dos l´ıquidos que o conjugado de amortecimento neste caso ´e ainda
proporcional `a velocidade angular do conjunto m´ovel.
1.8.3 Suspens˜ao do Conjunto M´ovel
Esta ´e a parte mais delicada na constru¸c˜ao dos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao,
devendo a suspens˜ao do conjunto m´ovel ser feita com tal perfei¸c˜ao a proporcionar um
movimento sem nenhum atrito. H´a trˆes tipos de suspens˜oes mais empregadas: suspens˜ao
por fio, por eixo (instrumento de “pivot”) e suspens˜ao magn´etica.
Suspens˜ao por Fio
Empregada, sobretudo, em instrumentos de alta sensibilidade, instrumentos de labo-
rat´orio.
O fio de suspens˜ao mostrado na figura acima ´e, em geral, feito de uma liga f´osforo-
bronze e tem trˆes finalidades: suportar o conjunto m´ovel; fornecer, por interm´edio da
tor¸c˜ao, o conjugado antagonista; e servir como condutor para levar a corrente el´etrica `a
bobina.
A extremidade superior do fio ´e presa `a carca¸ca do instrumento e a sua por¸c˜ao inferior
´e feita em forma de mola para permitir regular a tens˜ao mecˆanica do fio e centralizar o
conjunto m´ovel.
Suspens˜ao por Eixo
O eixo ´e feito de a¸co, tendo nas extremidades dois bicos pontudos de a¸co duro repou-
sando sobre dois apoios de rubi ou safira sint´etica.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 16
O eixo pode ser vertical ou horizontal, como na figura acima. Devido a este detalhe,
deve-se ter o cuidado de utilizar o instrumento na posi¸c˜ao correta indicada pelo fabricante,
no mostrador, por s´ımbolos que podem ser vistos na sess˜ao a seguir.
Suspens˜ao Magn´etica
´E utilizada, sobretudo, nos instrumentos de eixo vertical. Dois pequenos im˜as per-
manentes s˜ao empregados: um preso ao eixo do conjunto m´ovel e outro `a carca¸ca do
instrumento.
A suspens˜ao magn´etica pode ser de dois tipos: repuls˜ao, conforme a figura acima, em
que p´olos de mesmo nome s˜ao colocados em presen¸ca na parte inferior do eixo; e atra¸c˜ao,
conforme figura acima, em que p´olos de nomes contr´arios s˜ao colocados em presen¸ca na
parte superior do eixo.
O guia indicado nas figuras ´e feito de material n˜ao magn´etico e serve para evitar que
o conjunto m´ovel fuja da posi¸c˜ao correta em que deve trabalhar.
Esta suspens˜ao tem sido empregada com resultados satisfat´orios nos medidores de
energia el´etrica, eliminando consideravelmente o atrito no apoio inferior, uma vez que
com este artif´ıcio o conjunto m´ovel fica flutuando no ar. Isto fez com que a vida m´edia
destes medidores aumentasse de 15 para 30 anos.
1.8.4 Processos de Leitura
Os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, conforme o modo de indica¸c˜ao do valor das
grandezas medidas, podem ser classificados em trˆes tipos: indicadores, registradores e
acumuladores, ou totalizadores.
Instrumentos Indicadores
Sobre uma escala graduada, eles indicam o valor da grandeza a que se destinam medir.
Podem ser do tipo “ponteiro”para instrumentos anal´ogicos de suspens˜ao por eixo e do
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 17
tipo “feixe luminoso”ou “imagem luminosa”para instrumentos anal´ogicos de suspens˜ao
por fio.
Os instrumentos digitais podem utilizar leds, displays, ou monitores independente dos
tipos de instrumento; podendo inclusive, atrav´es de uma rede, possibilitar uma indica¸c˜ao
remota .
Instrumentos Registradores
Em instrumentos anal´ogicos, sobre um rolo de papel graduado, eles registram os valores
da grandeza a que se destinam medir. Depois, retirando-se o papel do instrumento, tem-
se uma id´eia da varia¸c˜ao da grandeza medida durante o per´ıodo de tempo em que este
instrumento esteve ligado.
Em instrumentos digitais, o registro ´e realizado atrav´es de mem´orias. O que facilita a
an´alise e o armazenamento de dados. Al´em de, atrav´es de uma rede, possibilitar a an´alise
de forma remota.
Acumuladores ou Totalizadores
O mostrador destes instrumentos indica o valor acumulado da grandeza medida, desde
o momento em que os mesmos foram instalados.
S˜ao especialmente destinados `a medi¸c˜ao de energia el´etrica, levando em considera¸c˜ao
a potˆencia el´etrica solicitada por uma carga e o tempo de utiliza¸c˜ao da mesma. A quan-
tidade de energia el´etrica solicitada durante um certo per´ıodo, um mˆes por exemplo, ´e
obtida pela diferen¸ca entre a leitura no fim do per´ıodo, chamada “leitura atual”, e a
leitura que foi feita no in´ıcio do per´ıodo, chamada “leitura anterior”.
1.9 Simbologia para Instrumentos de Medida
A utiliza¸c˜ao correta dos instrumentos de medidas el´etricas depende da escolha dos
instrumentos. Isto permite a medida correta das grandezas sem por em risco a vida
do operador e a integridade do equipamento. Para tanto, deve-se observar os s´ımbolos
gravados nos visores. As tabelas a seguir ilustram alguns dos s´ımbolos freq¨uentemente
utilizados em medidas el´etricas e nos diagramas dos circuitos el´etricos.
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 18
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 19
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo:
Significa¸c˜ao: instrumento de ferro m´ovel, para correntes cont´ınua e alternada, classe
de exatid˜ao 1, deve ser utilizado com o mostrador na posi¸c˜ao horizontal, tens˜ao de ensaio
2kV .
1.10 Precau¸c˜oes na Utiliza¸c˜ao
´E aconselh´avel que o operador somente utilize um instrumento el´etrico de medi¸c˜ao se
tiver real certeza de que o est´a utilizando de modo correto. Esta precau¸c˜ao faz evitar
acidentes para o operador e para o instrumento. Se o instrumento n˜ao ´e ainda conhecido
para o operador, antes de coloc´a-lo em opera¸c˜ao, devem ser lidos os manuais de instru¸c˜oes
fornecidos pelo fabricante.
Para fazer a medida de uma grandeza el´etrica, ´e necess´ario selecionar o instrumento
adequado tendo em vista v´arias condi¸c˜oes:
1. Natureza da grandeza que se quer medir: corrente, tens˜ao, potˆencia, energia, etc., e
o seu tipo, isto ´e, grandeza cont´ınua ou alternada.
2. Valor aproximado da grandeza para que se possa fazer a sele¸c˜ao do calibre adequado.
Na pr´atica, isto ´e quase sempre poss´ıvel em virtude dos dados caracter´ısticos do
equipamento fornecidos na sua placa de identifica¸c˜ao. Por exemplo, deseja-se me-
dir a corrente solicitada por uma lˆampada de 200W, 220V , pode-se empregar um
amper´ımetro de calibre 1A, uma vez que, calculando a corrente solicitada por esta
lˆampada, se vˆe que ela ´e ligeiramente inferior a 1A.
Se n˜ao h´a condi¸c˜oes para determinar previamente o valor aproximado da grandeza,
ent˜ao deve ser selecionado um instrumento de calibre o maior poss´ıvel. Verificado
assim desta forma o valor da grandeza, pode-se ent˜ao selecionar um calibre mais
adequado, de tal modo que o valor medido se situe no ´ultimo ter¸co da escala do
instrumento utilizado, obtendo-se assim melhor resultado na medida.
3. O instrumento deve ter uma classe de exatid˜ao compat´ıvel com a qualidade da gran-
deza que se est´a medindo e com a precis˜ao que se deseja nos resultados que ser˜ao
obtidos.
4. Em rela¸c˜ao `a potˆencia el´etrica da fonte que alimenta o circuito em que vai ser intro-
duzido o instrumento de medi¸c˜ao, este deve ser selecionado com uma eficiˆencia a
melhor poss´ıvel a fim de que nenhuma influˆencia cause no referido circuito.
5. ´E interessante analisar previamente a perturba¸c˜ao que pode causar um determinado
instrumento de medi¸c˜ao ao ser inserido num circuito. Este fato ´e ressaltado com
o exemplo seguinte: corriqueiramente ´e dito que todo amper´ımetro tem resistˆencia
interna desprez´ıvel quando ´e utilizado para medir uma corrente el´etrica. Esta afirma-
tiva ´e precipitada! ´E mais correto afirmar que a resistˆencia interna do amper´ımetro
Cap´ıtulo 1. Generalidades sobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 20
´e pequena, mas n˜ao, desprez´ıvel. Poder´a ser desprez´ıvel se realmente for muito me-
nor do que a resistˆencia do circuito com a qual tenha sido posto em s´erie. Para fixar
a id´eia, suponhamos que uma fonte E = 10V alimenta uma resistˆencia R = 1Ω,
conforme a figura abaixo.
Ora, a corrente I que circula atrav´es de R ´e de 10A. Se for introduzido em s´erie
com R um amper´ımetro de resistˆencia interna Ra = 1Ω, conforme a figura abaixo,
a corrente ser´a agora I = 5A.
Isto mostra que o amper´ımetro causou uma perturba¸c˜ao no circuito em virtude de
a sua resistˆencia ser consider´avel, e n˜ao desprez´ıvel, diante do valor da resistˆencia
R do circuito. Este exemplo ´e extensivo a todos os outros instrumentos el´etricos de
medi¸c˜ao e serve de alerta aos seus manipuladores.
Cap´ıtulo 2
Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e
Reativa
2.1 Watt´ımetro Eletrodinˆamico
A figura a seguir esquematiza este instrumento que consta essencialmente das seguintes
partes, al´em das molas restauradoras:
a. Uma bobina fixa Bc constitu´ıda de duas meias bobinas idˆenticas;
b. Uma bobina m´ovel Bp, `a qual est´a preso o ponteiro, colocada entre as duas meias
bobinas Bc.
O movimento do conjunto m´ovel, bobina Bp, resulta da intera¸c˜ao entre o campo
eletromagn´etico, criado pela corrente ic, e a corrente ip da bobina Bp. O seu funcionamento
´e assim idˆentico ao do instrumento de im˜a fixo e bobina m´ovel, sendo o im˜a permanente
substitu´ıdo por Bc, fazendo-se ressalva de que os eletrodinˆamicos s˜ao utiliz´aveis tanto em
corrente cont´ınua como em corrente alternada.
A nota¸c˜ao Bc e Bp ´e justificada pela utiliza¸c˜ao destes instrumentos como watt´ımetro,
onde Bc ´e chamada bobina de corrente e Bp, bobina de potencial ou bobina de tens˜ao. E
ainda, Lc ´e o coeficiente de auto-indu¸c˜ao de Bc e Lp, de Bp.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 22
Consideremos uma carga Z submetida `a tens˜ao v e percorrida pela corrente i. Ligando
Bc em s´erie com esta carga e Bp em paralelo, e considerando Rp >> ωLp, temos que ic = i
e ip = v
Rp
. O que nos d´a a potˆencia ativa da carga Z em watt, de modo que a leitura do
valor da potˆencia ativa ´e feita diretamente.
2.1.1 Erro Sistem´atico do Watt´ımetro
Como mostram os dois esquemas seguintes ´e imposs´ıvel realizar, ao mesmo tempo, a
liga¸c˜ao s´erie Bc−carga e a liga¸c˜ao paralela Bp−carga. A medi¸c˜ao, portanto, comporta um
erro sistem´atico: seja com a influˆencia da bobina Bc na corrente ic antes da medi¸c˜ao de
Bp, ou na influˆencia da corrente ip da bobina Bp fazendo que haja um desvio da corrente
total i = ic da carga e que ´e medida pela bobina Bc.
No caso em que se deseje um valor preciso de potˆencia medida, ´e poss´ıvel determinar-se
o valor da potˆencia perdida para subtra´ı-lo da indica¸c˜ao do watt´ımetro.
2.1.2 Modo Pr´atico de Ligar o Watt´ımetro
Antes de ligar um watt´ımetro, ´e preciso observar os valores m´aximos de corrente
e tens˜ao suport´aveis por Bc e Bp, respectivamente. Estes valores est˜ao indicados no
mostrador do instrumento, como por exemplo, na figura abaixo em que Bc suporta no
m´aximo 5A e Bp, 300V .
Olhando para um watt´ımetro, facilmente identificamos os terminais das bobinas Bc e
Bp: os terminais de Bc tˆem maior se¸c˜ao que os de Bp. Ou aqueles est˜ao designados por
A1 e A2, e estes por V1 e V2.
Um terminal de Bc, como tamb´em um de Bp, est´a marcado com um sinal ± ou com
um aster´ıstico ∗. Isto indica a entrada das bobinas Bc e Bp.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 23
Para que o watt´ımetro dˆe uma indica¸c˜ao correta:
1. O terminal marcado de Bc deve ser ligado `a fonte e o outro `a carga, como mostra a
figura acima.
2. O terminal marcado de Bp deve ser ligado no condutor que est´a em s´erie com Bc;
levando em conta o recomendado no item anterior, sua liga¸c˜ao deve ser feita como
na figura acima, isto ´e, a bobina Bp ligada depois da bobina de corrente.
3. O terminal n˜ao marcado de Bp ser´a ligado ao outro condutor, isto ´e, ligado ao ponto
B ou E ou D da figura acima.
4. O watt´ımetro pode dar indica¸c˜ao para tr´as desde que o ˆangulo θ, entre a tens˜ao
aplicada a Bp e a corrente que percorre Bc, tenha cos θ < 0. Para dar indica¸c˜ao para
frente, ´e preciso inverter uma de suas duas bobinas Bc ou Bp, conforme mostram as
figuras abaixo.
Observamos que o watt´ımetro d´a um desvio proporcional ao produto V I cos θ, onde:
V ´e o valor eficaz da tens˜ao aplicada `a Bp; I ´e o valor eficaz da corrente que percorre Bc;
e θ ´e o ˆangulo de defasagem entre V e I.
Como a escala do instrumento j´a ´e graduada em valores de potˆencia, no caso em watts,
ent˜ao a sua indica¸c˜ao ser´a:
W = V I · cos θ
Se as grandezas aplicadas ao watt´ımetro forem as mesmas aplicadas `a carga, ent˜ao
ele indicar´a a potˆencia ativa da carga, conforme a express˜ao de W acima. Chamamos a
aten¸c˜ao para este ponto porque pode acontecer de a carga ser alimentada com a tens˜ao
V e percorrida pela corrente I, enquanto que o watt´ımetro tenha Bp submetida `a tens˜ao
U, diferente de V , e Bc percorrida pela mesma corrente I. A indica¸c˜ao W do watt´ımetro
ser´a neste caso:
W = UI · cos UI
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 24
2.2 Medi¸c˜ao de Potˆencia El´etrica em Corrente Alter-
nada
Para a medi¸c˜ao da potˆencia el´etrica ativa solicitada por uma carga, empregamos o
watt´ımetro. O instrumento pode ser o mesmo, quer a fonte seja de corrente cont´ınua ou
de corrente alternada. Chamamos a aten¸c˜ao para o fato de que a indica¸c˜ao do watt´ımetro
´e igual ao produto da tens˜ao V aplicada `a sua bobina de potencial Bp pela corrente I que
percorre a sua bobina de corrente Bc e pelo cosseno do ˆangulo de defasagem entre V e I:
W = V I · cos V I
Se V for a mesma tens˜ao aplicada `a carga e I a mesma corrente que percorre, ent˜ao
a indica¸c˜ao do watt´ımetro ser´a a potˆencia ativa absorvida pela carga.
Relembramos as express˜oes das potˆencias el´etricas em corrente alternada:
Potˆencia Aparente: S = V I expressa em volt-amp´ere (V A).
Potˆencia Ativa: P = V I · cos θ expressa em watt (W).
Potˆencia Reativa: Q = V I · sin θ expressa em var (var).
´E preciso tamb´em n˜ao esquecer a rela¸c˜ao entre a tens˜ao composta U (tens˜ao entre
fases) e a tens˜ao simples ¯V (tens˜ao entre fase e neutro) nos circuitos trif´asicos equilibrados:
U =
√
3 · V
Para os ciscuitos trif´asicos equilibrados, as express˜oes das potˆencias ficar˜ao:
Potˆencia Aparente: S = 3V I =
√
3 · UI.
Potˆencia Ativa: P = 3V I · cos θ =
√
3 · UI cos θ.
Potˆencia Reativa: Q = 3V I · sin θ =
√
3 · UI sin θ.
2.2.1 M´etodos para Medi¸c˜ao da Potˆencia Ativa
Num circuito trif´asico a potˆencia instantˆanea ´e dada pela rela¸c˜ao:
p = v1i1 + v2i2 + v3i3
onde: i1, i2 e i3 s˜ao as correntes das fases 1, 2 e 3, respectivamente; v1, v2 e v3 s˜ao as
respectivas tens˜oes entre cada fase e o neutro.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 25
M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases e um Neutro
Este m´etodo ´e aplic´avel para os circuitos trif´asicos a quatro fios, equilibrados ou n˜ao,
sendo trˆes fios de fase e um fio de neutro. Temos ent˜ao:
P = V1I1 cos θ1 + V2I2 cos θ2 + V3I3 cos θ3
Aplicando ent˜ao trˆes watt´ımetros, como mostra a figura abaixo, temos que a soma das
suas indica¸c˜oes respectivas representa a potˆencia ativa total absorvida pela carga Z.
As indica¸c˜oes dos watt´ımetros ser˜ao:
a. W = V1I1 cos V1I1
b. W = V2I2 cos V2I2
c. W = V3I3 cos V3I3
Levando em considera¸c˜ao que a figura do diagrama fasorial corresponde ao esquema
da mesma figura, temos:
a. cos V1I1 = cos θ1
b. cos V2I2 = cos θ2
c. cos V3I3 = cos θ3
A indica¸c˜ao total ser´a: W = W1 + W2 + W3 e a potˆencia ativa total: P = W. Se o
circuito ´e equilibrado, isto ´e, existem as igualdades:
a. V1 = V2 = V3 = V
b. I1 = I2 = I3 = I
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 26
c. θ1 = θ2 = θ3 = θ
ent˜ao, teremos:
P = 3V I cos θ
Para este caso podemos empregar apenas um watt´ımetro e multiplicar a sua indica¸c˜ao
por 3 para termos a potˆencia ativa total P.
M´etodo dos Dois Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases
Este m´etodo ´e aplic´avel para os circuitos trif´asicos a trˆes fios, equilibrados ou n˜ao,
sendo todos os trˆes fios de fase. Poder´a ser aplicado ao circuito de 4 fios se o mesmo for
equilibrado, o que significa n˜ao circular corrente no neutro.
Nos circuitos trif´asicos a trˆes fios, duas condi¸c˜oes s˜ao sempre satisfeitas:
1. A soma das correntes de linha ´e sempre zero:
i1 + i2 + i3 = 0
Isto corresponde a:
I1 + I2 + I3 = 0
2. A soma das tens˜oes compostas ´e sempre zero:
u12 + u23 + u31 = 0
Isto corresponde a:
U12 + U23 + U31 = 0
Explicitando i3 na express˜ao acima e substituindo na express˜ao de potˆencia ins-
tantˆanea obtemos:
p = v1i1 + v2i2 − v3 (i1 + i2)
ou ainda:
p = (v1 − v3) i1 + (v2 − v3) i2
Podemos ainda escrever as seguintes rela¸c˜oes:
v1 − v3 = u13 que ´e a tens˜ao composta entre as fases 1 e 3
v2 − v3 = u23 que ´e a tens˜ao composta entre as fases 2 e 3
Ent˜ao:
p = u13i1 + u23i2
E a potˆencia ativa total ser´a:
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 27
P = U13I1 · cos U13, I1 + U23I2 · cos U23, I2
A figura acima indica a montagem a realizar com os dois watt´ımetros para a obten¸c˜ao
de P. Cada watt´ımetro indicar´a:
a. W1 = U13I1 · cos U13, I1
b. W2 = U23I2 · cos U23, I2
Se o circuito ´e equilibrado, temos do diagrama fasorial da figura acima:
a. U13, I1 = 30o
− θ
b. U23, I2 = 30o
+ θ
Acarretando como conseq¨uˆencia:
a. W1 = UI · cos (30o
− θ)
b. W2 = UI · cos (30o
+ θ)
Sobre as express˜oes acima faremos as seguintes observa¸c˜oes:
1. θ < 60o
acarreta cos θ > 0, 5
Neste caso temos W1 e W2 positivos, isto ´e, os dois watt´ımetros d˜ao indica¸c˜ao para
a frente.
2. θ > 60o
acarreta cos θ < 0, 5
O primeiro watt´ımetro d´a indica¸c˜ao para frente, mas o segundo d´a indica¸c˜ao para
tr´as.
3. θ = 60o
acarreta cos θ = 0, 5
O primeiro watt´ımetro indica sozinho a potˆencia ativa total da carga, pois o segundo
indica W2 = 0.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 28
Os dois watt´ımetros sempre dar˜ao indica¸c˜oes diferentes entre si. Somente para θ = 0
´e que teremos: W1 = W2.
A potˆencia ativa total P = W1+W2 ´e assim a soma alg´ebrica das respectivas indica¸c˜oes
dos dois watt´ımetros. Se acontecer o segundo caso num circuito, devemos inverter a bobina
de corrente Bc do segundo watt´ımetro de modo que o mesmo dˆe uma indica¸c˜ao para frente
e este valor ser´a subtra´ıdo da indica¸c˜ao do primeiro instrumento para termos a potˆencia
total P.
O fator de potˆencia da carga pode ser calculado a partir das express˜oes:
cos θ = W1+W2√
3·UI
; sin θ = W1−W2
UI
; tgθ = W1+W2
W1−W2
·
√
3
Para este m´etodo, al´em da montagem da figura acima, pode ser realizadas as monta-
gens mostradas na figura abaixo, bastando para isto substituir na express˜ao da corrente
os valores correspondentes:
i1 = − (i2 + i3) ou i2 = − (i1 + i3)
2.2.2 Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa
A potˆencia reativa solicitada por uma carga monof´asica, de fator de potˆencia cos θ, ´e
expressa como:
Q = V I · sin θ
Para a carga trif´asica esta potˆencia ser´a:
Q = V1I1 sin θ1 + V2I2 sin θ2 + V3I3 sin θ3
Se a carga trif´asica ´e equilibrada, esta express˜ao, ficar´a:
Q = 3V I · sin θ
Embora existam instrumentos especiais para medi¸c˜ao de potˆencia reativa, eles s˜ao
pouco empregados.Para os circuitos monof´asicos emprega-se o watt´ımetro e mais um
volt´ımetro e um amper´ımetro, como mostra a figura abaixo.
Da´ı deduzimos: cos θ = P
V I
e consequentemente sin θ e ainda: Q = V I · sin θ. Para
os circuitos trif´asicos empregamos o wattimetro tendo cuidado de alimentar a sua bobina
Bp com uma tens˜ao defasada de 90o
em rela¸c˜ao `a tens˜ao aplicada `a carga.
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 29
Montagens para Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa em Circuitos Trif´asicos
O circuito trif´asico pode ser a 3 ou 4 fios, equilibrado ou n˜ao, a montagem a realizar
´e a mostrada na figura abaixo. O fio neutro n˜ao ´e utilizado.
As indica¸c˜oes dos watt´ımetros ser˜ao:
a. W1 = U23I1 cos U23I1
b. W2 = U31I2 cos U31I2
c. W3 = U12I3 cos U12I3
Do diagrama fasorial correspondente, mostrado na figura acima, temos:
a. cos U23I1 = cos (90o
− θ1) = sin θ1
b. cos U31I2 = cos (90o
− θ2) = sin θ2
c. cos U12I3 = cos (90o
− θ3) = sin θ3
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 30
Assim, a soma das indica¸c˜oes ser´a:
W = U23I1 sin θ1 + U31I2 sin θ2 + U12I3 sin θ3
Como as tens˜oes s˜ao supostas sempre equilibradas temos que:
|U23| = |U31| = |U12| = U =
√
3 · V
Assim, a express˜ao toma a forma:
W =
√
3 · (V I1 sin θ1 + V I2 sin θ2 + V I3 sin θ3)
Comparando as equa¸c˜oes, conclui-se que:
W =
√
3 · Q ∴ Q = W√
3
Ou seja: a potˆencia reativa total Q da carga ´e igual `a soma das indica¸c˜oes dos trˆes
watt´ımetros dividida por
√
3. Sendo o circuito trif´asico equilibrado, podemos empregar
apenas o primeiro watt´ımetro como mostra a figura abaixo. Desta se conclui:
W1 = UI sin θ =
√
3 · V I sin θ
E neste caso para termos a potˆencia reativa total Q:
Q =
√
3 · W1 ou seja: Q = 3V I sin θ
Costuma-se fazer a montagem da figura com trˆes watt´ımetros na pr´atica para verificar
se o circuito trif´asico ´e realmente equilibrado, pois em caso afirmativo todos os watt´ımetros
dar˜ao a mesma indica¸c˜ao:
W1 = W2 = W3
Ainda para os circuitos trif´asicos equilibrados podemos empregar dois watt´ımetros
como na figura abaixo e teremos:
W = W1 + W2
Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜ao de Potˆencias Ativa e Reativa 31
Sequˆencia das Fases
Na medi¸c˜ao da potˆencia ativa n˜ao importa a seq¨uˆencia das fases. Mas, na medi¸c˜ao da
potˆencia reativa ´e muito importante conhecer a seq¨uˆencia das fases, pois se a liga¸c˜ao de
Bp n˜ao for a correta, como a indicada nas montagens anteriores, o instrumento pode dar
indica¸c˜ao incorreta, inclusive em sentido contr´ario ao normal. A primeira vista parece que
´e bastante inverter a liga¸c˜ao de Bc e teremos a indica¸c˜ao correta para a frente. Entretanto,
esta observa¸c˜ao ´e feita para o fato da identifica¸c˜ao da natureza da potˆencia reativa, isto ´e,
indutiva ou capacitiva. Se a potˆencia reativa for capacitiva, embora o instrumento esteja
com a liga¸c˜ao correta, sua indica¸c˜ao ser´a para tr´as, como se pode ver na figura abaixo.
A indica¸c˜ao do watt´ımetro:
W = U23I1 · cos U23, I1
Mas, do diagrama fasorial:
cos U23, I1 = cos (90o
+ θ) = − sin θ
Donde concluimos:
W = −U23I1 sin θ
Se a liga¸c˜ao tivesse sido U32 ter´ıamos que a indica¸c˜ao do watt´ımetro seria:
W = U32I1 sin θ
O m´odulo seria o mesmo, mas dir´ıamos que a potˆencia reativa ´e indutiva, quando na
realidade ´e capacitiva.
Cap´ıtulo 3
Transformadores para Instrumentos
3.1 Introdu¸c˜ao
Os transformadores para instrumentos s˜ao equipamentos el´etricos projetados e cons-
tru´ıdos especificamente para alimentarem instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou
prote¸c˜ao. S˜ao dois os tipos de transformadores para instrumentos.
Transformador de Potencial (TP)
´E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ario ´e ligado em de-
riva¸c˜ao com um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ario se destina a alimentar
bobinas de potencial de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ao. Na
pr´atica ´e considerado um “redutor de tens˜ao”, pois a tens˜ao no seu circuito secund´ario ´e
normalmente menor que a tens˜ao no seu enrolamento prim´ario.
Transformador de Corrente (TC)
´E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ario ´e ligado em s´erie
em um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ario se destina a alimentar bobinas de
corrente de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ao. Na pr´atica ´e consi-
derado um “redutor de corrente”, pois a corrente que percorre o seu circuito secund´ario
´e normalmente menor que a corrente que percorre o seu enrolamento prim´ario.
3.2 Generalidades sobre Transformadores
O transformador ´e um equipamento el´etrico, est´atico, que recebe energia el´etrica
e fornece energia el´etrica. Um transformador consta essencialmente de dois circuitos
el´etricos, acoplados atrav´es de um circuito magn´etico. Um dos circuitos el´etricos, cha-
mado “prim´ario”, recebe energia de uma fonte AC, e o outro, chamado “secund´ario”,
fornece energia da mesma forma e freq¨uˆencia, mas usualmente sob tens˜ao diferente, a
uma carga M.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 33
Os circuitos prim´ario e secund´ario s˜ao bobinas de fios de cobre, em geral com n1 = n2
onde n1 ´e o n´umero de espiras do prim´ario e n2 ´e o n´umero de espiras do secund´ario.
O circuito magn´etico, chamado “n´ucleo”, ´e de chapas de ferro-sil´ıcio justapostas, mas
isoladas umas das outras para reduzir as perdas por correntes de Foucault.
Admitindo que a potˆencia fornecida ao prim´ario ´e totalmente transferida ao secund´ario,
isto ´e, n˜ao h´a perdas, rendimento 100%, podemos escrever: U1I1 = U2I2 ou ainda:
U1
U2
= I2
I1
= n1
n2
Da express˜ao acima conclu´ımos: n1I1 = n2I2, o que significa ser o n´umero de amp´eres-
espiras do prim´ario igual ao n´umero de amp´eres-espiras do secund´ario. Portanto:
I1 = n2
n1
· I2
Como I1 e I2 tˆem sentidos opostos, a rela¸c˜ao fasorial entre elas ser´a:
I1 = −n2
n1
· I2
E como E1 deve equilibrar a tens˜ao aplicada U1, temos as sequintes rela¸c˜oes fasoriais:
U2 = E2 e U1 = −E1
Agora, consideraremos um transformador real com todos os seus elementos considera-
dos: resistˆencias dos enrolamentos prim´ario r1 e secund´ario r2, corrente de excita¸c˜ao I0,
fluxo de dispers˜ao representados pelas “reatˆancias de fuga”ou “reatˆancias de dispers˜ao”do
prim´ario x1 e secund´ario x2.
Desta forma, a express˜ao do transformador ficar´a:
U1 = −E1 + r1I1 + jx1I1
U2 = E2 − r2I2 − jx2I2
onde a corrente do prim´ario com a corrente de excita¸c˜ao ´e I1 = −n2
n1
· I2 + I0.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 34
3.3 Transformador de Potencial (TP)
A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de potencial (TP). O
TP tem n1 > n2 dando assim uma tens˜ao U2 < U1, sendo por isto considerado na pr´atica
como um elemento “redutor de tens˜ao”, pois uma tens˜ao elevada U1 ´e transformada para
uma tens˜ao reduzida U2 de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais.
Os TPs s˜ao projetados e constru´ıdos para uma tens˜ao secund´aria nominal padronizada
em 115 volts, sendo a tens˜ao prim´aria nominal estabelecida de acordo com a tens˜ao entre
fases do circuito em que o TP ser´a ligado. Assim, s˜ao encontrados no mercado TPs para:
2300/115V , 13800/115V , 69000/115V , etc., isto significa que:
a. Quando no prim´ario se aplica a tens˜ao nominal para o qual o TP foi constru´ıdo, no
secund´ario tem-se 115 volts;
b. Quando no prim´ario se aplica um tens˜ao menor ou maior do que a nominal, no
secund´ario tem-se tamb´em uma tens˜ao menor ou maior do que 115 volts, mas na
mesma propor¸c˜ao das tens˜oes nominais do TP utilizado. Exemplo: num TP de
13800/115V , ao aplicar-se a tens˜ao de 13400V no prim´ario, tem-se no secund´ario
112V ; ao aplicar-se a tens˜ao de 14280V , tem-se no secund´ario 119V .
Os TPs a serem ligados entre fase e neutro s˜ao constru´ıdos para terem como tens˜ao
prim´aria nominal a tens˜ao entre fases do circuito dividida por
√
3, e com tens˜ao secund´aria
nominal 115/
√
3 volts ou 115V aproximadamente, podendo ainda ter estas duas possibi-
lidades de tens˜oes ao mesmo tempo por meio de uma deriva¸c˜ao conforme mostra a figura
abaixo.
Assim, s˜ao tamb´em encontrados no mercado TPs, por exemplo, para:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 35
1. Tens˜ao prim´aria nominal: 13800/
√
3 volts
Tens˜ao secund´aria nominal: 115/
√
3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/
√
3V e 115V
aproximadamente.
2. Tens˜ao prim´aria nominal: 69000/
√
3 volts
Tens˜ao secund´aria nominal: 115/
√
3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/
√
3V e 115V
aproximadamente.
O quadro abaixo mostra as tens˜oes prim´arias nominais e as rela¸c˜oes nominais padro-
nizadas para os TPs fabricados normalmente no Brasil.
Os TPs s˜ao projetados e constru´ıdos para suportarem uma sobre-tens˜ao de at´e 10%
em regime permanente, sem que nenhum dano lhes seja causado. Como os TPs s˜ao
empregados para alimentar instrumentos de alta impedˆancia (volt´ımetros, bobinas de
potencial de watt´ımetros, bobinas de potencial de medidores de energia el´etrica, rel´es
de tens˜ao, etc.) a corrente secund´aria I2 ´e muito pequena e por isto se diz que s˜ao
transformadores de potˆencia que funcionam quase em vazio.
3.3.1 Rela¸c˜ao Nominal
U1n
U2n
= Kp
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 36
´E a rela¸c˜ao entre os valores nominais U1n e U2n das tens˜oes prim´aria e secund´aria,
respectivamente, tens˜oes estas para as quais o TP foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸c˜ao
nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ao do TP. ´E chamada tamb´em
de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”,
sendo nas aplica¸c˜oes pr´aticas considerada uma constante para cada TP. Ela ´e muito
aproximadamente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras:
U1n
U2n
= Kp = n1
n2
3.3.2 Rela¸c˜ao Real
U1
U2
= Kr
´E a rela¸c˜ao entre o valor exato U1 de uma tens˜ao qualquer aplicada ao prim´ario do
TP e o correspondente valor exato U2 verificado no secund´ario dele. Em virtude de o TP
ser um equipamento eletromagn´etico, a cada U1 corresponde um U2 e como conseq¨uˆencia,
um Kr:
U1
U2
= Kr ;
U1
U2
= Kr ;
U1
U2
= Kr
Como tamb´em, para uma mesma tens˜ao U1 aplicada ao prim´ario, a cada carga colocada
no secund´ario do TP poder´a corresponder um valor da tens˜ao U2, e como conseq¨uˆencia,
um Kr:
U1
U2
= Kr ; U1
U2
= Kr ; etc.
Estes valores de Kr s˜ao todos muito pr´oximos entre si e tamb´em de Kp, pois os TPs s˜ao
projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade
sob condi¸c˜oes e cuidados tamb´em especiais.
Como n˜ao ´e poss´ıvel medir U2 e U1 com volt´ımetros (U1 tem normalmente valor ele-
vado), mede-se U2 e chega-se ao valor exato U1 atrav´es da constru¸c˜ao do diagrama fasorial
do TP. Por isto ´e que a “rela¸c˜ao real”aparece mais comumente indicada sob a forma se-
guinte:
U1
U2
= Kr
3.3.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao
Kr
Kp
= FCRp
´E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”Kp do TP para
se obter a sua rela¸c˜ao real Kr.
De imediato vˆe-se que a cada Kr de um TP corresponder´a um FCRp. Em virtude
destas varia¸c˜oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCRp para cada
TP, sob condi¸c˜oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de
exatid˜ao”, conforme ser´a visto a seguir.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 37
Na pr´atica lemos o valor da tens˜ao U2 com um volt´ımetro ligado ao secund´ario do TP
e multiplicamos este valor lido por Kp para obtermos o valor da tens˜ao prim´aria, valor
este que representa o “valor medido”desta tens˜ao prim´aria, e n˜ao o seu valor exato U1.
Exemplo: um TP de 13800/115V tem o prim´ario ligado entre as duas fases de um
circuito de alta tens˜ao e o secund´ario alimentando um volt´ımetro onde se lˆe: U2 = 113V .
Como a rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao ´e neste caso Kp = 120, considera-se que a tens˜ao do
circuito ´e:
KpU2 = 120 · 113 = 13560V
3.3.4 Diagrama Fasorial
O diagrama fasorial do TP, mostrado logo abaixo, ´e o mesmo do transformador geral.
A seguir ´e mostrado o racioc´ınio para sua constru¸c˜ao.
Vamos tra¸car o diagrama fasorial do transformador considerando n1 > n2. No se-
cund´ario do transformador medem-se: U2, I2 e θ2, grandezas estas que dependem do tipo
de carga que o transformador alimenta. Escolhendo-se uma escala conveniente para repre-
senta¸c˜ao gr´afica dos fasores, fixa-se a posi¸c˜ao do fasor I2 em rela¸c˜ao ao fasor U2 e adota-se
a seguinte seq¨uˆencia:
a. A partir da extremidade de U2, tra¸ca-se r2I2 paralelo a I2 por representar a queda de
tens˜ao na resistˆencia pr´opria do enrolamento secund´ario.
b. A partir da extremidade de r2I2 tra¸ca-se x2I2 adiantado de 90o
em rela¸c˜ao a I2 por
representar a queda de tens˜ao na reatˆancia de dispers˜ao do secund´ario.
c. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor x2I2, determina-se o fasor E2 representa-
tivo da f.e.m. do enrolamento secund´ario.
d. O fasor E1 est´a em fase com E2, sendo o seu m´odulo determinado pela seguinte
rela¸c˜ao: E1 = n1
n2
· E2
e. Adiantando-se de 90o
em rela¸c˜ao a E1 e E2 tra¸ca-se o fasor representativo do fluxo φ.
f. A corrente de excita¸c˜ao I0, a qual ´e cerca de 1% da corrente nominal prim´aria,
e o ˆangulo θ0 s˜ao determinados por meio de um ensaio em vazio. No diagrama
fasorial I0 ´e posicionado em rela¸c˜ao a −E1 uma vez que em vazio pode-se considerar:
U1 = −E1. Na figura, o fasor I0 n˜ao est´a em escala para possibilitar uma melhor
visualiza¸c˜ao da figura.
g. A partir da extremidade de I0 tra¸ca-se um fasor paralelo a I2, por´em de sentido
contr´ario, de m´odulo: n1
n2
· I2.
h. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor acima, determina-se o fasor I1.
i. A partir da extremidade de −E1 tra¸ca-se r1I1 paralelo a I1 por representar a queda
de tens˜ao na resistˆencia pr´opria do enrolamento prim´ario.
j. A partir da extremidade de r1I1 tra¸ca-se x1I1 adiantado de 90o
em rela¸c˜ao `a I1 por
representar a queda de tens˜ao na reatˆancia de dispers˜ao do prim´ario.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 38
k. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade de x1I1 determina-se o fasor U1 representativo da
tens˜ao aplicada ao enrolamento prim´ario do transformador.
Se n˜ao houvesse a corrente I0, a corrente I1 estaria defasada de exatamente 180o
em
rela¸c˜ao `a corrente I2. Se o transformador fosse perfeito, isto ´e, sem perdas e sem fugas, a
tens˜ao U1 estaria tamb´em defasada de 180o
em rela¸c˜ao `a tens˜ao U2.
No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 13560V ´e o valor medido da
tens˜ao prim´aria do TP. Para determinar o valor verdadeiro U1 desta tens˜ao, ter-se-´a de
construir o diagrama fasorial deste TP como aparece na figura acima. Assim, para fixar
a id´eia:
a. KpU2 ´e o valor medido da tens˜ao prim´aria;
b. |U1| = U1 ´e o valor verdadeiro ou exato da tens˜ao prim´aria obtido no diagrama
fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de KpU2.
Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de U2 est´a defasado de um ˆangulo
γ em rela¸c˜ao `a U1. Num TP ideal este ˆangulo γ seria zero.
Estas considera¸c˜oes levam a concluir que o TP, ao refletir no secund´ario o que se passa
no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros.
3.3.5 Erros do TP
Erro de Rela¸c˜ao εp
valor relativo: εp = KpU2−|U1|
|U1|
valor percentual: ε%
p = KpU2−|U1|
|U1|
· 100
Quando εp e FCRp est˜ao expressos em valores percentuais, h´a o seguinte relaciona-
mento entre eles:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 39
ε%
p = 100 − FCR%
p
Esta express˜ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ao εp e o fator de
corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ao est˜ao
perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia.
Para fins de racioc´ınio, podem ser deduzidas as duas conclus˜oes seguintes:
1. Kp < Kr acarreta FCRp > 100% e εp < 0:
Neste caso, o valor considerado KpU2 para a tens˜ao prim´aria (chamado de valor
medido) ´e menor do que o seu valor verdadeiro U1; h´a, portanto, um erro por falta;
2. Kp > Kr acarreta FCRp < 100% e εp > 0:
Neste caso, o valor considerado KpU2 para a tens˜ao prim´aria (chamado de valor
medido) ´e maior do que o seu valor verdadeiro U1; h´a, portanto, um erro por excesso;
H´a uma preferˆencia na pr´atica em se trabalhar com o FCRp em lugar do εp, pois
aquele fator ´e simplesmente um n´umero abstrato, independente de sinal, e d´a a entender
exatamente o que se quer em rela¸c˜ao `a tens˜ao prim´aria refletida no secund´ario, isto ´e, se
h´a erro por falta ou por excesso no valor a ela atribu´ıdo.
Em termos pr´aticos n˜ao ´e usual o levantamento do diagrama fasorial como m´etodo para
a determina¸c˜ao dos erros de rela¸c˜ao e de fase de um TP, em virtude dos inconvenientes e
dificuldades inerentes a este pretenso m´etodo.
Para se determinar estes erros, e consequentemente a classe de exatid˜ao de um TP,
prefere-se na pr´atica, por simplicidade, comparar o TP com um TP padr˜ao idˆentico a ele,
de mesma rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal, por´em sem erros, ou de erros conhecidos.
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. Ao prim´ario de um TP de
13800/115V , sob ensaio aplica-se uma certa tens˜ao que faz surgir no secund´ario a tens˜ao
de 114V , comprovada atrav´es de um volt´ımetro. Constata-se depois que a tens˜ao prim´aria
fora de exatamente 13800V . Determinar: Kp, Kr, FCRp e ε%
p .
Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao Nominal: Kp = 13800/115 = 120
Rela¸c˜ao Real: Kr = 13800/114 = 121, 053
Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao: FCRp = 121, 053/120 = 1, 00877 ou FCRp = 100, 877%
Erro de Rela¸c˜ao: ε%
p = 100 − 100, 877 = −0, 877%
Sendo neste exemplo FCRp > 100% (εp < 0), conclu´ı-se que o erro cometido em
rela¸c˜ao `a tens˜ao prim´aria ´e por falta, pois a esta tens˜ao seria atribu´ıdo o valor: U1 =
120 · 114 ∴ U1 = 13680V .
Erro de Fase ou ˆAngulo de Fase
´E o ˆangulo de defasagem γ existente entre U1 e o inverso de U2. Se o inverso de U2 ´e
adiantado em rela¸c˜ao a U1, γ ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 40
3.3.6 Classes de Exatid˜ao dos TPs
Do diagrama fasorial conclui-se de imediato que para um mesmo TP, submetido `a uma
tens˜ao prim´aria U1, os erros de rela¸c˜ao e de fase variam com o tipo de carga utilizada no
seu secund´ario, isto ´e, eles s˜ao fun¸c˜ao de I2 e θ2. ´E desej´avel na pr´atica que estes erros
sejam os menores poss´ıveis.
Em virtude deste fato, e com o objetivo de detectar a qualidade dos TPs e o seu
comportamento prov´avel nas instala¸c˜oes, as normas t´ecnicas estabelecem certas condi¸c˜oes
sob as quais estes transformadores devem ser ensaiados, definindo a partir da´ı a “classe
de exatid˜ao”dos mesmos.
Os TPs s˜ao enquadrados em uma ou mais das trˆes seguintes classe de exatid˜ao: classe
de exatid˜ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2. Considera-se que um TP est´a dentro de sua classe de exatid˜ao
em condi¸c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜oes, o ponto determinado pelo erro de
rela¸c˜ao εp ou pelo fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e pelo ˆangulo de fase γ estiver dentro
do “paralelogramo de exatid˜ao”especificado na figura abaixo correspondente `a sua classe
de exatid˜ao.
Para se estabelecer a classe de exatid˜ao dos TPs estes s˜ao ensaiados em vazio e depois
com cargas padronizadas colocadas no seu secund´ario, uma de cada vez, sob as seguintes
condi¸c˜oes de tens˜ao: tens˜ao nominal, 90% da tens˜ao nominal e 110% da tens˜ao nominal.
Estas tens˜oes de ensaio cobrem a faixa de tens˜oes prov´aveis das instala¸c˜oes em que os
TPs ser˜ao utilizados.
As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ao relacionadas no quadro abaixo. ´E
interessante ressaltar que estas cargas n˜ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo
em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ao usualmente empregados no secund´ario
dos TPs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas
el´etricas.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 41
Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ao, suponhamos que um TP,
ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou:
erro de rela¸c˜ao: εp = −0, 2% o que corresponde ao FCRp = 100, 2%
ˆangulo de fase: γ = 20
O ponto correspondente a estes valores fica for a dos paralelogramos representativos
das classes 0, 3 e 0, 6. Entretanto fica dentro do paralelogramo da classe 1, 2. Ent˜ao este
TP ser´a considerado de classe de exatid˜ao 1, 2 para a carga de ensaio, embora o erro de
rela¸c˜ao tenha sido de apenas 0, 2%.
Se na placa de um TP est´a indicado: 0, 3WXY ; 0, 6Z isto significa que:
1. o TP ensaiado com as cargas padronizadas W, X e Y tem classe de exatid˜ao 0, 3, isto
´e, apresenta erro de rela¸c˜ao −0, 3% ≤ εp ≤ 0, 3% e ˆangulo de fase γ tal que o ponto
correspondente a estes erros fica dentro do paralelogramo de classe 0, 3%;
2. ensaiado com a carga padronizada Z tem classe de exatid˜ao 0, 6.
Na designa¸c˜ao da ABNT aquela indica¸c˜ao na placa do TP seria representada por
0, 3 − P75; 0, 6 − P200 .
O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TP tendo em
vista a sua aplica¸c˜ao nas diferentes categorias de medi¸c˜oes.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 42
3.3.7 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTp) do TP
´E interessante observar que na medi¸c˜ao de tens˜ao, isto ´e, quando o TP est´a alimen-
tando apenas volt´ımetro, o FCRp ´e o ´unico que tem efeito nos valores medidos. Mas,
quando o TP alimenta instrumento cuja indica¸c˜ao depende dos respectivos m´odulos da
tens˜ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆangulo de defasagem entre estas duas
grandezas, como no caso de watt´ımetros e medidos de energia el´etrica, ent˜ao o FCRp e o
ˆangulo de fase γ tˆem efeito simultˆaneo nos valores medidos, e por isto devem ser ambos
levados em considera¸c˜ao na an´alise dos resultados.
Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ao de transforma¸c˜ao”FCTp que ´e definido da
seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro,
ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de potencial ´e alimentada atrav´es do
referido TP, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e do
ˆangulo de fase γ.
A montagem da figura abaixo esquematiza o que foi dito acima.
As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ao baseando-se
no FCTp e na carga medida no prim´ario do TP (carga M na figura acima), para o
qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido
entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ao entendido que a exatid˜ao do TP, indicada na sua placa de
identifica¸c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de
potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1.
Para qualquer fator de corre¸c˜ao da rela¸c˜ao (FCRp) conhecido de um TP, o valor limite
positivo ou negativo do ˆangulo de fase (γ) em minutos ´e expresso por:
γ = 2600 (FCTp − FCRp)
onde o fator de corre¸c˜ao da transforma¸c˜ao (FCTp) deste TP assume os seus valores
m´aximo e m´ınimo.
Justamente, a partir da express˜ao acima ´e que se constr´oi o paralelogramo de exatid˜ao
correspondente a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCTp, vˆe-se que esta
express˜ao representa a equa¸c˜ao de uma reta. E de acordo com o que foi dito acima, o
FCTp pode ter dois valores em cada classe de exatid˜ao:
a. 1, 003 e 0, 997 na classe de exatid˜ao 0, 3
b. 1, 006 e 0, 994 na classe de exatid˜ao 0, 6
c. 1, 012 e 0, 988 na classe de exatid˜ao 1, 2
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 43
Para se tra¸car o paralelogramo referente a uma classe de exatid˜ao, atribui-se ao FCTp
o seu valor m´aximo e faz-se variar o FCRp desde o seu limite superior at´e o limite inferior,
obtendo-se assim os valores positivos de γ, podendo-se ent˜ao tra¸car um lado inclinado da
figura. Em seguida, atribui-se ao FCTp o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCRp
variar, obtendo-se agora os valores negativos de γ e conseq¨uentemente o outro inclinado
da figura.
3.3.8 Como Especificar um TP
Para se especificar corretamente um TP, ´e necess´ario antes de tudo saber-se qual
ser´a a finalidade da sua aplica¸c˜ao, pois isto definir´a a classe de exatid˜ao, conforme visto
anteriormente.
A potˆencia nominal do TP ser´a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em
termos de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ao inseridos no
secund´ario, caracter´ısticas estas que s˜ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou
poder˜ao ser determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da
figura abaixo indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina
de potencial de alguns instrumentos el´etricos que s˜ao utilizados com TPs, em condi¸c˜oes
de 115V , 60Hz. ´E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se `as caracter´ısticas Z, R e L de cada
bobina, caso se deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de potencial dos medidores
de energia el´etrica, que as perdas n˜ao dever˜ao exceder 2W e 8V A. Os ensaios devem ser
feitos em condi¸c˜oes nominais.
Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TPs, vamos dar dois exemplos.
Exemplo 1
Especificar um TP para medi¸c˜ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor
energizado em 69kV , em que ser˜ao utilizados os seguintes instrumentos:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 44
b. Medidor de kvarh, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´axima.
Solu¸c˜ao:
a. Classe de exatid˜ao: o quadro de classe de exatid˜ao indica 0, 3.
b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forne-
ceram o seguinte quadro de perdas em 115V , 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S = (6, 0)2 + (19, 3)2 ∴ S = 20, 21V A
Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padronizada
para ensaio de exatid˜ao imediatamente superior a 20, 21V A. A especifica¸c˜ao deste
TP, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter o seguinte enunciado: Transforma-
dor de potencial, tens˜ao prim´aria nominal 69000V , rela¸c˜ao nominal 600 : 1, 60Hz,
carga nominal ABNT P25, classe de exatid˜ao ABNT 0, 3−P25 (ou ANSI 0, 3WX),
potˆencia t´ermica 1000V A, grupo de liga¸c˜ao 1, para uso exterior (ou interior, con-
forme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 69kV , tens˜ao m´axima de
opera¸c˜ao 72, 5kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso
atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente.
Exemplo 2
Especificar um TP para medi¸c˜ao de energia el´etrica e controle em 13, 8kV , sem fina-
lidade de faturamento, em que ser˜ao utilizados os seguintes instrumentos:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico.
b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor-
mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh.
c. Watt´ımetro.
d. Var´ımetro.
e. Volt´ımetro.
f. Fas´ımetro.
Solu¸c˜ao:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 45
a. Classe de exatid˜ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo
comprador).
b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forne-
ceram o seguinte quadro de perdas:
Da´ı, chega-se a:
S = (21, 9)2 + (30, 4)2 ∴ S = 37, 46V A
Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que
o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 75V A que ´e a carga padronizada para
ensaio de exatid˜ao imediatamente superior a 37, 46V A. A especifica¸c˜ao deste TP,
do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter o seguinte enunciado: Transformador de
potencial, tens˜ao prim´aria nominal 13800V , rela¸c˜ao nominal 120 : 1, 60Hz, carga
nominal ABNT P75, classe de exatid˜ao ABNT 0, 6 − P75 (ou ANSI 0, 6WXY ),
potˆencia t´ermica 400V A, grupo de liga¸c˜ao 1, para uso exterior (ou interior, conforme
for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao
15kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico:
36kV e 110kV , respectivamente.
Observa¸c˜oes
1. Na constru¸c˜ao dos TPs modernos, ´e normal conseguir-se a classe de exatid˜ao ABNT
0, 3 − P200 (ou ANSI 0, 3WXY Z) sem alterar em muito o pre¸co do equipamento,
gra¸cas `a evolu¸c˜ao tecnol´ogica dos tipos de materiais utilizados. Para que os TPs
citados nos exemplos 1 e 2 possam ser empregados em medi¸c˜ao para fins de fatu-
ramento, e tamb´em em medi¸c˜ao para fins de controle, eles devem ser especificados,
quanto `a exatid˜ao, pelo menos como: ABNT 0, 6−P75; 0, 6−P25 (ou ANSI 0, 3WX;
0, 6Y ).
2. No dimensionamento da carga nominal de um TP a ser empregado numa instala¸c˜ao,
n˜ao h´a necessidade de se considerar a resistˆencia el´etrica dos condutores que ligam
os instrumentos el´etricos ao TP. Como referˆencia, podemos tomar os dois exemplos
citados anteriormente. Supondo que os instrumentos ficar˜ao a 25m do TP e ser˜ao
ligados a este por meio de fio de cobre no
12AWG (resistˆencia el´etrica: 5, 3Ω/km),
ter´ıamos como perdas nos condutores:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 46
No exemplo 1: 0, 0082W, o que ´e desprez´ıvel na frente da carga de 20, 21V A
imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP.
No exemplo 2: 0, 028W, o que ´e tamb´em desprez´ıvel na frente da carga de 37, 46V A
imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP.
3. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ao de dimensi-
onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos
instrumentos que ser˜ao utilizados na medi¸c˜ao, e n˜ao ordem de grandeza dessas per-
das, pois h´a uma variedade consider´avel de instrumentos e, em conseq¨uˆencia, uma
faixa muito larga de diferentes valores de perdas.
3.3.9 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC)
Em circuitos de alta tens˜ao e extra tens˜ao, ´e mais conveniente e econˆomico o emprego
dos TPs tipo capacitivo em lugar dos TPs tipo indu¸c˜ao, analisados at´e agora.
A Figura abaixo mostra o esquema el´etrico b´asico destes TPCs, onde se vˆe que o
prim´ario, constitu´ıdo por um conjunto C1 e C2 de elementos capacitivos em s´erie, ´e ligado
entre fase e terra, havendo uma deriva¸c˜ao intermedi´aria B, correspondente a uma tens˜ao U
da ordem de 5kV a 15kV , para alimentar o enrolamento prim´ario de um TP tipo indu¸c˜ao
intermedi´ario, o qual fornecer´a a tens˜ao U2 aos instrumentos de medi¸c˜ao e dispositivos de
prote¸c˜ao ali inseridos.
Um reator, projetado e constru´ıdo pelo fabricante, ´e posto em s´erie com o prim´ario
do TP intermedi´ario de modo que o conjunto tenha uma reatˆancia Lω que satisfa¸ca a
seguinte igualdade:
Lω =
1
(C1 + C2) ω
A partir da Figura acima se pode estabelecer a rela¸c˜ao entre as tens˜oes prim´aria e
secund´aria. Dela podemos deduzir as express˜oes de U1 e de U:
U1 = −
j (I + I1)
C1ω
−
jI
C2ω
U = −
jI
C2ω
− jLωI1
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 47
Levando em considera¸c˜ao o valor de Lω, obtemos:
U = −
jI1
C2ω
−
jI1
(C1 + C2) ω
Dividindo membro a membro temos:
U1
U
=
C1 + C2
C1
A express˜ao acima mostra que a rela¸c˜ao entre as tens˜oes U1 e U independe da corrente.
Isto ´e verdade, pois em vazio, insto ´e, quando o TP intermedi´ario n˜ao estiver ligado,
obt´em-se o mesmo valor que o obtido na equa¸c˜ao acima para a rela¸c˜ao entre U1 e U.
Vejamos: 


U1 = −
j (I + I1)
C1ω
−
jI
C2ω
= −
jI
ω
C1 + C2
C1C2
U = −
jI
C2ω
Novamente, dividindo membro a membro, obtemos:
U1
U
=
C1 + C2
C1
Sendo o TP intermedi´ario constru´ıdo de tal modo que: U = KU2, a express˜ao acima
toma forma:
U1
U2
= K ·
C1 + C2
C1
O TPC sendo constru´ıdo para as tens˜oes U1 e U2 tais que representem os valores
nominais, ent˜ao a express˜ao acima ´e o valor da rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal Kp do
TPC:
U1n
U2n
= Kp
Onde Kp equivale a:
Kp = K ·
C1 + C2
C1
Observa¸c˜oes:
1. Os TPCs s˜ao constru´ıdos para tens˜oes prim´arias de 34, 5kV a 765kV , sendo a tens˜ao
intermedi´aria de 5kV a 15kV e a tens˜ao secund´aria de 115V e 115/
√
3V .
2. Os TPCs tˆem perdas bastante reduzidas e oferecem a possibilidade de acoplamento
para onda portadora de alta freq¨uˆencia (telefonia). Sendo estas suas duas grandes
vantagens.
3. Apresentam, entretanto um grande inconveniente: a influˆencia acentuada que podem
sofrer por motivo da varia¸c˜ao da freq¨uˆencia.
4. ´E aconselh´avel consultar a documenta¸c˜ao fornecida juntamente aos TPCs pelos seus
fabricantes.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 48
3.3.10 Resumo das Caracter´ısticas dos TPs
1. Tens˜ao secund´aria: a tens˜ao secund´aria nominal ´e 115V , ou aproximadamente 115V ,
havendo tamb´em a possibilidade de 115/
√
3V . Em TPs antigos podem ser encon-
tradas as tens˜oes secund´arias nominais: 110V , 120V , e `as vezes 125V .
2. Tens˜ao prim´aria: a tens˜ao prim´aria nominal depende da tens˜ao entre fases, ou entre
fase e neutro, do circuito em que o TP vai ser utilizado.
3. Classe de exatid˜ao: valor m´aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser
introduzido pelo TP na indica¸c˜ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor
de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ao do TP.
5. Potˆencia t´ermica: maior potˆencia aparente que um TP pode fornecer em regime
permanente, sob tens˜ao e freq¨uˆencia nominais, sem exceder os limites de eleva¸c˜ao de
temperatura especificados. Estes limites de eleva¸c˜ao de temperatura est˜ao levando
em considera¸c˜ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados
no TPs.
a. Para TPs pertencentes aos grupos de liga¸c˜ao 1 e 2, a potˆencia t´ermica nominal
n˜ao deve ser inferior a 1, 33 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente
`a exatid˜ao do TP.
b. Para TPs pertencentes ao grupo de liga¸c˜ao 3, a potˆencia t´ermica nominal n˜ao
deve ser inferior a 3, 6 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente `a
exatid˜ao do TP.
6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸c˜ao do TP quanto `as condi¸c˜oes a que deve
satisfazer a sua isola¸c˜ao em termos de tens˜ao suport´avel. A padroniza¸c˜ao das tens˜oes
m´aximas de opera¸c˜ao dos TPs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes
tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem
desta maneira, a “tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao de um equipamento”: m´axima tens˜ao
de linha (tens˜ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando-
se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser
referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ao do equipamento considerado. Em caso de
corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ao ´e necessariamente
igual `a tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao do sistema ao qual o equipamento est´a ligado.
Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TPs (kV )
0, 6 25, 8 92, 4 362
1, 2 38 145 460
7, 2 48, 3 169 550
12 72, 5 242 765
15
Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ao de um TP, a sua tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao
pode ser considerada como sendo a que consta do quadro da tabela acima imedia-
tamente superior a tens˜ao do circuito em que o TP ser´a utilizado.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 49
7. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal X1 do se-
cund´ario tem a mesma polaridade do terminal H1 do prim´ario se, no mesmo instante,
H1 e X1 s˜ao positivos (ou negativos) em rela¸c˜ao `a H2 e X2, respectivamente.
No caso do TP, a polaridade n˜ao precisa ser levada em considera¸c˜ao quando ele
alimenta somente volt´ımetros, rel´es de tens˜ao, etc. Mas, quando ele alimenta ins-
trumentos el´etricos cuja bobina de potencial ´e provida de polaridade relativa, como
watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ao ´e extremamente
importante a considera¸c˜ao da polaridade do TP: a entrada da bobina de potencial
destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ario do TP que corresponde
ao seu terminal prim´ario que est´a ligado como entrada ao circuito principal.
Exemplo: Na figura acima, se o prim´ario do TP for ligado ao circuito de modo que
H1 seja entrada, ent˜ao a entrada das bobinas de potencial dos instrumentos ser´a
ligada ao terminal X1 do secund´ario. Da mesma forma, H2 pode ser ligado como
entrada do prim´ario, e ent˜ao X2 ´e que ser´a utilizado como entrada das bobinas de
potencial daqueles instrumentos el´etricos.
Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ario e secund´ario dos TPs s˜ao
dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes,
como mostra a figura `a esquerda acima, e n˜ao em diagonal como mostra a figura `a
direita acima.
8. Se um TP alimenta v´arios instrumentos el´etricos, estes devem ser ligados em paralelo
a fim de que todos eles fiquem submetidos `a mesma tens˜ao secund´aria do TP.
9. Estando um TP alimentado, e havendo necessidade de se retirar todos os instrumentos
el´etricos do seu secund´ario, lembra-se aqui que este enrolamento deve ficar aberto.
O fechamento do secund´ario de um TP atrav´es de um condutor de baixa impedˆancia
provocar´a um curto-circuito, ou seja, uma corrente I2 demasiadamente elevada, e
conseq¨uentemente, tamb´em I1, provocando a danifica¸c˜ao do TP e ainda uma poss´ıvel
perturba¸c˜ao no sistema do circuito principal.
10. Quando se empregam TPs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento
a consumidor, ´e recomend´avel que estes TPs sejam utilizados exclusivamente para
alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ao. N˜ao deve ser
permitida a coloca¸c˜ao de outros instrumentos ou dispositivos no secund´ario destes
TPs tais como volt´ımetros, rel´es, lˆampadas de sinaliza¸c˜ao, etc.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 50
3.4 Transformador de Corrente (TC)
A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de corrente. O TC
tem n1 < n2 dando assim uma corrente I2 < I1, sendo por isto considerado na pr´atica
como um elemento “redutor de corrente”, pois uma corrente elevada I1 ´e transformada
para uma corrente reduzida I2 de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais.
O enrolamento prim´ario dos TCs ´e normalmente constitu´ıdo de poucas espiras (duas
ou trˆes espiras, por exemplo) feitas de condutor de cobre de grande se¸c˜ao. H´a TCs em que
o pr´oprio condutor do circuito principal serve como prim´ario, sendo neste caso considerado
este enrolamento como tendo apenas uma espira.
Os TCs s˜ao projetados e constru´ıdos para uma corrente secund´aria nominal estabele-
cida de acordo com a ordem de grandeza da corrente do circuito em que o TC ser´a ligado.
Assim, s˜ao encontrados no mercado TCs para: 200/5A, 1000/5A, etc., isto significando
que:
a. quando o prim´ario ´e percorrido pela corrente nominal para a qual o TC foi constru´ıdo,
no secund´ario tem-se 5A;
b. quando o prim´ario ´e percorrido por uma corrente menor ou maior do que a nominal,
no secund´ario tem-se tamb´em uma corrente menor ou maior do que 5A, mas na
mesma propor¸c˜ao das correntes nominais do TC utilizado. Exemplo: se o prim´ario
de um TC de 100/5A ´e percorrido por uma corrente de 84A, tem-se no secund´ario
4, 2A, se ´e percorrido por 106A, tem-se no secund´ario 5, 3A.
O quadro da figura abaixo mostra as correntes prim´arias nominais e as rela¸c˜oes nomi-
nais padronizadas pela ABNT para os TCs fabricados em linha normal no Brasil.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 51
Os TCs s˜ao projetados e constru´ıdos para suportarem, em regime permanente, uma
corrente maior do que a corrente nominal, sem que nenhum dano lhes seja causado. A
rela¸c˜ao entre a corrente m´axima suport´avel por um TC e a sua corrente nominal define o
“fator t´ermico”do TC.
Como os TCs s˜ao empregados para alimentar instrumentos el´etricos de baixa im-
pedˆancia (amper´ımetros, bobinas de corrente de watt´ımetros, bobinas de corrente de
medidores de energia el´etrica, rel´es de corrente, etc.) diz-se que s˜ao transformadores de
for¸ca que funcionam quase em curto-circuito.
A corrente I1 surge no prim´ario do transformador como uma conseq¨uˆencia da corrente
I2 originada por solicita¸c˜ao da carga posta no secund´ario dele. No transformador de
corrente, entretanto, a corrente I1 ´e originada diretamente por solicita¸c˜ao da carga com
a qual o TC est´a em s´erie, surgindo ent˜ao a corrente I2 como uma conseq¨uˆencia de I1,
independentemente do instrumento el´etrico que estiver no seu secund´ario.
3.4.1 Rela¸c˜ao Nominal
I1n
I2n
= Kc
´E a rela¸c˜ao entre os valores nominais I1n e I2n das correntes prim´aria e secund´aria,
respectivamente, correntes estas para as quais o TC foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸c˜ao
nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ao do TC. ´E chamada tamb´em
de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”,
sendo nas aplica¸c˜oes pr´aticas considerada uma constante para cada TC. Ela ´e muito
aproximadamente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras:
I1n
I2n
= Kc = n2
n1
3.4.2 Rela¸c˜ao Real
I1
I2
= Kr
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 52
´E a rela¸c˜ao entre o valor exato I1 de uma corrente qualquer aplicada ao prim´ario do
TC e o correspondente valor exato I2 verificado no secund´ario dele. Em virtude de o TC
ser um equipamento eletromagn´etico, a cada I1 corresponde um I2 e como conseq¨uˆencia,
um Kr:
I1
I2
= Kr ;
I1
I2
= Kr ;
I1
I2
= Kr
Como tamb´em, para uma mesma corrente I1 que percorre o prim´ario, a cada carga
colocada no secund´ario do TC poder´a corresponder um valor da corrente I2, e como
conseq¨uˆencia, um Kr:
I1
I2
= Kr ; I1
I2
= Kr ; etc.
Estes valores de Kr s˜ao todos muito pr´oximos entre si e tamb´em de Kc, pois os TCs s˜ao
projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade
sob condi¸c˜oes e cuidados tamb´em especiais.
Como n˜ao ´e poss´ıvel medir I2 e I1 com amper´ımetros (I1 tem normalmente valor
elevado), mede-se I2 e chega-se ao valor exato I1 atrav´es da constru¸c˜ao do diagrama
fasorial do TC. Por isto ´e que a “rela¸c˜ao real”aparece mais comumente indicada sob a
forma seguinte:
I1
I2
= Kr
3.4.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao
Kr
Kc
= FCRc
´E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”Kc do TC para
se obter a sua rela¸c˜ao real Kr.
De imediato vˆe-se que a cada Kr de um TC corresponder´a um FCRc. Em virtude
destas varia¸c˜oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCRc para cada
TC, sob condi¸c˜oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de
exatid˜ao”, conforme ser´a visto a seguir.
Na pr´atica lemos o valor da tens˜ao I2 com um amper´ımetro ligado ao secund´ario do
TC e multiplicamos este valor lido por Kc para obtermos o valor da corrente prim´aria,
valor este que representa o “valor medido”desta corrente prim´aria, e n˜ao o seu valor exato
I1.
Exemplo: um TC de 200/5A tem o prim´ario ligado em s´erie com uma carga e o
secund´ario alimentando um amper´ımetro onde se lˆe: I2 = 3, 8A. Como a rela¸c˜ao de
transforma¸c˜ao ´e neste caso Kc = 40, considera-se que a corrente solicitada pela carga ´e:
KcI2 = 40 · 3, 8 = 152A
3.4.4 Diagrama Fasorial
O diagrama fasorial do TC, mostrado na figura abaixo, ´e o mesmo do TP e segue
o mesmo racioc´ınio para a sua constru¸c˜ao, havendo, entretanto, uma simplifica¸c˜ao a ser
levada em conta: como o prim´ario do TC tem impedˆancia muito baixa, a queda de tens˜ao
neste enrolamento pode ser considerada desprez´ıvel, n˜ao aparecendo a sua representa¸c˜ao
no diagrama fasorial:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 53
U1 = E1 = 0
No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 152A ´e o valor medido da
corrente prim´aria do TC. Para determinar o valor verdadeiro I1 desta corrente, ter-se-´a
de construir o diagrama fasorial deste TC como aparece na figura acima. Assim, para
fixar a id´eia:
a. KcI2 ´e o valor medido da corrente prim´aria;
b. |I1| = I1 ´e o valor verdadeiro ou exato da corrente prim´aria obtido no diagrama
fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de KcI2.
Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de I2 est´a defasado de um ˆangulo
β em rela¸c˜ao `a I1. Num TC ideal este ˆangulo β seria zero.
Estas considera¸c˜oes levam a concluir que o TC, ao refletir no secund´ario o que se passa
no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros.
3.4.5 Erros do TC
Erro de Rela¸c˜ao εc
valor relativo: εc = KcI2−|I1|
|I1|
valor percentual: ε%
c = KcI2−|I1|
|I1|
· 100
Quando εc e FCRc est˜ao expressos em valores percentuais, h´a o seguinte relaciona-
mento entre eles:
ε%
c = 100 − FCR%
c
Da mesma forma que para o TP, os erros do TC s˜ao determinados na pr´atica comparando-
o com um TC padr˜ao idˆentico a ele, de mesma rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal Kc,
por´em sem erros, ou de erros conhecidos.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 54
Esta express˜ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ao εc e o fator de
corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ao est˜ao
perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia.
Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. O prim´ario de um TC de 200/5A,
sob ensaio ´e percorrido por uma certa corrente que faz surgir no secund´ario a corrente de
4, 96A. Constata-se depois que a tens˜ao prim´aria fora de exatamente 200A. Determinar:
Kc, Kr, FCRc e ε%
c .
Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao Nominal: Kc = 200/5 = 40
Rela¸c˜ao Real: Kr = 200/4, 96 = 40, 32
Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao: FCRc = 40, 32/40 = 1, 008 ou FCRc = 100, 8%
Erro de Rela¸c˜ao: ε%
c = 100 − 100, 8 = −0, 8%
Sendo neste caso FCRc > 100%, ent˜ao o erro cometido em rela¸c˜ao `a corrente prim´aria
´e por falta. Observar que o erro εc ´e negativo, o que comprova esta conclus˜ao.
Erro de Fase ou ˆAngulo de Fase
´E o ˆangulo de defasagem β existente entre I1 e o inverso de I2. Se o inverso de I2 ´e
adiantado em rela¸c˜ao a I1, β ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo.
3.4.6 Classes de Exatid˜ao dos TCs
Os erros de rela¸c˜ao e de fase de um TC variam com a corrente prim´aria e com o tipo
de carga colocada no seu secund´ario, al´em de sofrerem influˆencia tamb´em das varia¸c˜oes
da freq¨uˆencia e da forma da onda, influˆencia esta que n˜ao ser´a analisada em virtude de
estas duas grandezas serem praticamente invari´aveis nos sistemas el´etricos atuais.
Tendo em vista estas considera¸c˜oes, as normas estabelecem certas condi¸c˜oes sob as
quais os TCs devem ser ensaiados para que possam ser enquadrados em uma ou mais das
trˆes seguintes classes de exatid˜ao: classe de exatid˜ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
Considera-se que um TC para servi¸co de medi¸c˜ao est´a dentro de sua classe de exatid˜ao
em condi¸c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜oes, o ponto determinado pelo erro de
rela¸c˜ao εc ou pelo fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc e pelo ˆangulo de fase β estiver
dentro dos paralelogramos de exatid˜ao especificados nas figuras a seguir correspondentes
`a sua classe de exatid˜ao, sendo que o paralelogramo interno (menor) refere-se a 100% da
corrente nominal, e o paralelogramo externo (maior) refere-se a 10% da corrente nominal.
No caso de TC com fator t´ermico nominal superior a 1, 0 o paralelogramo interno (menor)
refere-se tamb´em a 100% da corrente nominal multiplicada pelo fator t´ermica nominal.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 55
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 56
As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ao relacionadas no quadro abaixo. ´E
interessante ressaltar que estas cargas n˜ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo
em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ao usualmente empregados no secund´ario
dos TCs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas
el´etricas.
Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ao, suponhamos que um TC,
ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou:
a. com 100% da corrente nominal:
erro de rela¸c˜ao: εc = −0, 2% o que corresponde ao FCRc = 100, 2%
ˆangulo de fase: β = 18
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 57
b. com 10% da corrente nominal:
erro de rela¸c˜ao: εc = −0, 3% o que corresponde ao FCRc = 100, 3%
ˆangulo de fase: γ = 30
O ponto determinado pelos dois erros de cada ensaio fica dentro do respectivo para-
lelogramo de 100% e 10% da corrente nominal, correspondente `a classe de exatid˜ao 0, 6.
Ent˜ao este TC ser´a considerado de classe de exatid˜ao 0, 6 para a carga de ensaio, embora
o erro de rela¸c˜ao tenha sido de no m´aximo 0, 3%.
Se na placa de um TC est´a indicado: 0, 3B − 0, 1/B − 0, 2/B − 0, 5; 0, 6B − 1 isto
significa que:
1. o TC ensaiado com as cargas padronizadas B − 0, 1, B − 0, 2 e B − 0, 5 tem classe
de exatid˜ao 0, 3, isto ´e, apresenta erro de rela¸c˜ao −0, 3% ≤ εc ≤ 0, 3% e ˆangulo de
fase β tal que o ponto correspondente a estes erros fica dentro dso paralelogramos
representativos da classe de exatid˜ao 0, 3%;
2. ensaiado com a carga padronizada B − 1 tem classe de exatid˜ao 0, 6.
Na designa¸c˜ao da ABNT aquela indica¸c˜ao na placa do TC seria representada por
0, 3 − C12, 5; 0, 6 − C25 .
O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TC tendo em
vista a sua aplica¸c˜ao nas diferentes categorias de medi¸c˜oes.
3.4.7 Influˆencia da Corrente de Excita¸c˜ao nos Erros do TC
Conforme pode ser visto no diagrama fasorial, a corrente de excita¸c˜ao I0 ´e a causa
essencial dos erros de rela¸c˜ao e de fase do TC. Se ela n˜ao existisse, caso de TC ideal, os
fasores I1 e −
n2
n1
· I2 seriam sempre coincidentes, em fase e em m´odulo.
Na pr´atica, os fabricantes procuram reduzir ao m´ınimo poss´ıvel a corrente de excita¸c˜ao
utilizando n´ucleos de forma tor´oidal sem entre-ferro (figura abaixo), feitos de ligas espe-
ciais de alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, projetados para trabalharem
sob densidade de fluxo muito baixa, cerca de 0, 1 tesla (1000 gauss), enquanto que nos
transformadores de for¸ca esta densidade atinge de 1, 2 a 1, 5 tesla (12000 a 15000 gauss).
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 58
Apesar destas providˆencias, quando o TC ´e posto em opera¸c˜ao, a corrente de excita¸c˜ao
sofre varia¸c˜oes por influˆencia das duas grandezas seguintes, causando em conseq¨uˆencia
varia¸c˜oes nos seus erros de rela¸c˜ao e de fase: corrente prim´aria e carga posta no secund´ario
do TC.
3.4.8 Influˆencia da Corrente Prim´aria nos Erros do TC
A corrente de excita¸c˜ao dos transformadores, inclusive dos TPs, ´e uma grandeza con-
siderada praticamente constante para cada transformador, desde vazio at´e plena carga,
sendo o seu m´odulo I0 e a sua dire¸c˜ao θ0 determinados atrav´es de um ensaio em vazio.
Nos transformadores de corrente isto n˜ao ocorre. A corrente de excita¸c˜ao n˜ao ´e cons-
tante para cada TC, nem em m´odulo nem em dire¸c˜ao, pois h´a de se levar em conta, neste
tipo de transformador, a influˆencia importante que tem a n˜ao linearidade magn´etica do
material de que s˜ao feitos os n´ucleos. A figura abaixo d´a uma id´eia da correla¸c˜ao entre
as varia¸c˜oes das duas correntes, a prim´aria e a de excita¸c˜ao, lembrando que a prim´aria
depende da carga com a qual o TC est´a ligado em s´erie:
a. quando a corrente prim´aria ´e 100% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 1% dela;
b. quando a corrente prim´aria ´e 50% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 0, 8% desta;
c. quando a corrente prim´aria ´e de 10% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 0, 3%desta;
e assim sucessivamente.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 59
Com estas aprecia¸c˜oes, pode-se sentir no diagrama fasorial que, para valores meno-
res da corrente prim´aria, a corrente de excita¸c˜ao ter´a ent˜ao influˆencia mais acentuada
tornando maiores os erros de rela¸c˜ao e de fase.
Por isto ´e que as normas t´ecnicas permitem que, na determina¸c˜ao da classe de exa-
tid˜ao de um TC, este apresente erros maiores quando ensaiado com 100% dela, conforme
mostram os paralelogramos de exatid˜ao. Os lados do paralelogramo externo (maior) po-
deriam ser admitidos como o triplo ou o qu´adruplo ou o qu´ıntuplo, etc., respectivamente,
dos lados do paralelogramo interno (menor). Eles foram estabelecidos como o dobro a fim
de que os fabricantes se esmerem em fornecer produtos cada vez mais de melhor quali-
dade, de melhor desempenho quanto `a exatid˜ao, e os usu´arios n˜ao tenham incertezas nos
valores medidos, isto ´e, que os valores medidos sejam realmente corretos.
A rela¸c˜ao nominal ou rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao dos TCs modernos ´e muito aproxima-
damente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras:
I1n
I2n
= Kc =
n2
n1
As varia¸c˜oes dos erros de rela¸c˜ao e de fase do TC em fun¸c˜ao das varia¸c˜oes da corrente
prim´aria podem ser interpretadas matematicamente considerando a express˜ao acima como
correta.
Na figura abaixo, projetando todos os fasores sobre I1:
|I1| = Kc|I2| · cos β + |I0| · cos [90 − (δ + α + β)]
Como o ˆangulo β ´e muito pequeno (no m´aximo chega a 1o
), pode ser considerado
desprez´ıvel diante dos outros valores, e a express˜ao anterior toma a forma:
|I1| = Kc|I2| + |I0| · sin (δ + α)
Ou ainda:
Kc|I2| − |I1|
|I1|
= −
|I0|
|I1|
· sin (δ + α)
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 60
O primeiro membro da express˜ao acima representa o erro relativo εc, o qual ser´a
considerado aqui em m´odulo. E como os m´odulos dos fasores indicados representam
realmente os valores eficazes das respectivas correntes podemos escrever:
εc =
I0
I1
· sin (δ + α)
Do mesmo diagrama podemos escrever:
tgβ =
|I0| · cos [90 − (δ + α + β)]
Kc|I2| cos β
Como β ´e pequeno, e tendo em vista o que foi dito acima, para efeito de c´alculo a
express˜ao acima pode ser escrita na forma simplificada:
Para uma mesma carga posta no secund´ario do TC e tendo em vista o que foi dito antes,
as express˜oes desta sess˜ao mostram que os erros εc e β aumentam quando I1 decresce.
Como exemplo elucidativo, vamos considerar dois valores para I1:
a. Para I1 = I1n → I0 = 0, 001I1n , ent˜ao:
εc = 0, 01 sin (δ + α)
β = 0, 01 cos (δ + α)
b. Para I1 = 0, 1I1n → I0 = 0, 003I1n , ent˜ao:
εc = 0, 03 sin (δ + α)
β = 0, 03 cos (δ + α)
Donde se conclui claramente que:
ε > εc
β > β
De tudo isto se conclui que ´e importante que o TC seja de corrente nominal o mais
pr´oximo do valor da corrente da instala¸c˜ao em que est´a inserido. Se a corrente nominal
do TC ´e muito maior do que a corrente da instala¸c˜ao, ele estar´a introduzindo tamb´em
uma incerteza muito maior nos valores medidos.
3.4.9 Influˆencia da Carga Secund´aria do TC nos seus Erros
J´a foi dito anteriormente que a corrente secund´aria do TC depende unicamente da
corrente prim´aria, sendo independente da impedˆancia do instrumento el´etrico posto no
seu secund´ario. Entretanto, se esta impedˆancia ultrapassa os valores permiss´ıveis, tendo
em vista a potˆencia m´axima com a qual o TC teve a sua classe de exatid˜ao determinada,
ent˜ao os erros introduzidos por ele poder˜ao ser bem mais elevados do que os levantados
nos ensaios e garantidos pelo fabricante.
Para se entender bem esta influˆencia, vamos considerar que o prim´ario do TC seja
percorrido por uma corrente fixada I1 nas trˆes situa¸c˜oes que ser˜ao analisadas abaixo:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 61
1. Para uma certa impedˆancia Z posta no secund´ario do TC, haver´a uma corrente I2 e
os erros εc e β correspondentes s˜ao indicados pelas express˜oes da sess˜ao anterior.
2. A impedˆancia Z aumenta em m´odulo para Z , conservando o mesmo ˆangulo de fase
θ2, conforme est´a no diagrama fasorial da sess˜ao anterior: para que a corrente I2
se mantenha a mesma (ou aproximadamente a mesma) a tens˜ao secund´aria U2 ter´a
de aumentar para U2. Mas, para isto, E2 ter´a de aumentar para E2 e o fluxo Φ
para Φ . Como a corrente I0 ´e que origina o fluxo Φ, ent˜ao tamb´em aumentar´a para
I0. Em conseq¨uˆencia, os erros εc e β aumentar˜ao, como mostram as express˜oes da
sess˜ao anterior. Em resumo: os erros do TC aumentam quando a impedˆancia posta
no secund´ario aumenta.
3. A impedˆancia Z n˜ao varia em m´odulo, por´em varia o seu ˆangulo de fase θ2: portanto,
a corrente I0 n˜ao sofrer´a varia¸c˜ao. Observando as express˜oes da sess˜ao passada,
vamos analisar as quatro possibilidades seguintes:
a. θ2 tende para zero: εc decresce e β cresce.
b. θ2 tem um valor tal que δ + α = 90o
: εc atinge o m´aximo valor e β ´e zero.
c. θ2 tem um valor tal que δ = 90o
: εc ´e positivo, mas β ´e negativo.
d. No caso particular de um TC muito bem projetado e constru´ıdo, tendo a
reatˆancia x2 = 0, e sendo a impedˆancia Z um resistor, poder-se-´a ter:
θ2 = δ = 0
Ent˜ao, as express˜oes da sess˜ao anterior tornar-se-iam:
εc =
|I0|
|I1| · sin α
β =
|I0|
|I1| · cos α
Mas no diagrama fasorial, vˆe-se que:
|I0| · sin α = |Ip| e |I0| · cos α = |Iµ|
Assim, as express˜oes anteriores tomam forma:
εc =
|Ip|
|I1|
e β =
|Iµ|
|I1|
Em virtude da express˜ao acima, diz-se na pr´atica que a componente de perdas
Ip Da corrente de excita¸c˜ao ´e a respons´avel pelo erro de rela¸c˜ao, e a componente
de magnetiza¸c˜ao Iµ ´e a respons´avel pelo erro de fase.
Estas an´alises sobre o comportamento do TC, em face da impedˆancia posta no
seu secund´ario, servem de alerta ao usu´ario quanto `a limita¸c˜ao da resistˆencia
dos condutores el´etricos que s˜ao utilizados para liga¸c˜ao do secund´ario do TC aos
instrumentos el´etricos que ele alimenta, sobretudo quando estes instrumentos
s˜ao colocados a uma distˆancia consider´avel.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 62
3.4.10 O Secund´ario de um TC Nunca Deve Ficar Aberto
Quando o prim´ario de um TC est´a alimentado, o seu secund´ario nunca deve ficar
aberto. No caso de se necessitar retirar o instrumento do secund´ario do TC, este enrola-
mento deve ser curto-circuitado atrav´es de um fio condutor de baixa impedˆancia, um fio
de cobre por exemplo. Vejamos as raz˜oes desta precau¸c˜ao: como j´a foi dito, a corrente
I1 ´e fixada pela carga ligada ao circuito externo; se I2 = 0, isto ´e, secund´ario aberto, n˜ao
haver´a o efeito desmagnetizante desta corrente e a corrente de excita¸c˜ao I0 passar´a a ser
a pr´opria corrente I1, originando em conseq¨uˆencia um fluxo Φ muito elevado no n´ucleo.
Conseq¨uˆencias desta imprecau¸c˜ao:
a. Aquecimento excessivo causando a destrui¸c˜ao do isolamento, podendo provocar con-
tato do circuito prim´ario com o secund´ario e com a terra.
b. Uma f.e.m. induzida E2 de valor elevado, com iminente perigo para o operador.
c. Mesmo que o TC n˜ao se danifique, a este fluxo Φ elevado corresponder´a uma mag-
netiza¸c˜ao forte no n´ucleo, o que alterar´a as suas caracter´ısticas de funcionamento e
precis˜ao.
Por este motivo, nunca se usa fus´ıvel no secund´ario dos TCs.
3.4.11 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTc) do TC
Quando o TC est´a alimentando apenas amper´ımetro, o FCRc ´e o ´unico que tem efeito
nos valores medidos. Mas, quando o TC alimenta instrumentos cuja indica¸c˜ao depende
dos respectivos m´odulos da tens˜ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆangulo de
defasagem entre estas duas grandezas como no caso de watt´ımetros e medidores de energia
el´etrica, ent˜ao o FCRc e o ˆangulo de fase β tˆem efeito simultˆaneo nos valores medidos, e
por isto devem ser ambos levados em considera¸c˜ao na an´alise dos resultados.
Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ao de transforma¸c˜ao”FCTc que ´e definido da
seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro,
ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de corrente ´e alimentada atrav´es do
referido TC, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc e do
ˆangulo de fase β.
A montagem da figura seguinte esquematiza o que acima foi dito.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 63
As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ao baseando-se
no FCTc e na carga medida no prim´ario do TC (carga M na figura anterior), para a
qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido
entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ao entendido que a exatid˜ao do TC, indicada na sua placa de
identifica¸c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de
potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1.
Para qualquer fator de corre¸c˜ao da rela¸c˜ao FCRc conhecido de um TC, os valores
limites positivos e negativos do ˆangulo de fase β em minutos s˜ao expressos por:
β = 2600 (FCRc − FCTc)
onde o fator de corre¸c˜ao da transforma¸c˜ao FCTc deste TC assume os seus valores m´aximo
e m´ınimo.
Justamente, a partir da express˜ao acima ´e que se constroem os dois paralelogramos
de exatid˜ao correspondentes a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCTc,
vˆe-se que esta express˜ao representa a equa¸c˜ao de uma reta. O FCTc pode ter quatro
valores em cada classe de exatid˜ao:
a. Na classe de exatid˜ao 0, 3:
a.1. 1, 003 e 0, 997 para 100% da corrente nominal
a.2. 1, 006 e 0, 994 para 10% da corrente nominal
b. Na classe de exatid˜ao 0, 6:
b.1. 1, 006 e 0, 994 para 100% da corrente nominal
b.2. 1, 012 e 0, 988 para 10% da corrente nominal
c. Na classe de exatid˜ao 1, 2:
c.1. 1, 012 e 0, 988 para 100% da corrente nominal
c.2. 1, 024 e 0, 976 para 10% da corrente nominal
Para se tra¸car os dois paralelogramos que definem a classe de exatid˜ao de um TC,
procede-se da seguinte maneira:
Paralelogramo Menor: atribui-se ao FCTc o seu valor m´aximo nesta classe de exatid˜ao
correspondente a 100% da corrente nominal e faz-se variar o FCRc desde o seu
limite superior at´e o limite inferior, obtendo-se assim os valores negativos de β,
podendo-se ent˜ao tra¸car um lado inclinado da figura. Em seguida, atribui-se ao
FCTc o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCRc variar, obtendo-se agora os
valores positivos de β e conseq¨uentemente o outro lado inclinado da figura.
Paralelogramo Maior: atribui-se ao FCTc o seu valor m´aximo nesta classe de exatid˜ao
correspondente a 10% da corrente nominal e repete-se o mesmo procedimento utili-
zado para o tra¸cado do paralelogramo menor.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 64
3.4.12 Classifica¸c˜ao dos TCs
Conforme a disposi¸c˜ao dos enrolamentos e do n´ucleo, os TCs podem ser classificados
nos seguintes tipos:
TC tipo enrolado: TC cujo enrolamento prim´ario constitu´ıdo de uma ou mais espiras,
envolve mecanicamente o n´ucleo do transformador.
TC tipo barra: TC cujo prim´ario ´e constitu´ıdo por uma barra, montada permanente-
mente atrav´es do n´ucleo do transformador.
TC tipo janela: TC sem prim´ario pr´oprio, constru´ıdo com uma abertura atrav´es do
n´ucleo, por onde passar´a um condutor do circuito prim´ario, formando uma ou mais
espiras.
TC tipo bucha: tipo especial de TC tipo janela, projetado para ser instalado sobre uma
bucha de um equipamento el´etrico, fazendo parte integrante deste.
TC de n´ucleo dividido: tipo especial de TC tipo janela, em que parte do n´ucleo ´e
separ´avel ou basculante, para facilitar o enla¸camento do condutor prim´ario. O
amper´ımetro tipo “alicate”nada mais ´e do que um TC de n´ucleo dividido, o qual
possibilita medir a corrente sem a necessidade de abrir o circuito para coloc´a-lo em
s´erie.
Conforme a finalidade de aplica¸c˜ao, os TCs podem ser classificados nos dois tipos
seguintes: TC para medi¸c˜ao e TC para prote¸c˜ao.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 65
3.4.13 TC de V´arios N´ucleos
´E muito freq¨uente na pr´atica (sobretudo em circuitos de alta tens˜ao) a utiliza¸c˜ao de
TC de v´arios n´ucleos. Trata-se de TC com v´arios enrolamentos secund´arios isolados
separadamente e montados cada um em seu pr´oprio n´ucleo, formando um conjunto com
um ´unico enrolamento prim´ario, cujas espiras (ou espira) enla¸cam todos os secund´arios.
Um dos secund´arios ´e destinado `a medi¸c˜ao e os outros (ou o outro) s˜ao destinados `a
prote¸c˜ao.
´E importante observar que, neste tipo de TC, todos os secund´arios que n˜ao estiverem
alimentando instrumentos el´etricos dever˜ao permanecer curto-circuitados. O prim´ario ´e
um elemento comum a todos os n´ucleos. Mas cada n´ucleo com o seu secund´ario pr´oprio
atua como um TC independente dos outros.
3.4.14 TC de M´ultipla Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao
Os TCs podem ser constru´ıdos para uma ´unica rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao ou para
m´ultipla rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao, existindo neste segundo caso quatro tipos de TCs que
passar˜ao a ser analisados.
TC com v´arios enrolamentos no prim´ario (liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ario): A figura
abaixo mostra um TC deste tipo, em que o secund´ario tem um n´umero fixo N2
de espiras e o prim´ario ´e constitu´ıdo de v´arias bobinas idˆenticas entre si, cada
uma tendo N espiras, as quais podem ser combinadas em s´erie ou em paralelo,
permitindo v´arias rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao. Por exemplo: consideremos que um
TC com a possibilidade de trˆes correntes prim´arias nominais: 50A, 100A e 200A.
Os esquemas abaixo mostram as combina¸c˜oes que devem ser feitas no prim´ario para
a obten¸c˜ao das trˆes rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao nominais. Como pode ser visto, o
n´umero de amp´eres-espiras permanece constante em todas as corrente nominais.
Neste exemplo, temos 200N amp´eres-espiras: para 50/5A, para 100/5A e para
200/5A, nas condi¸c˜oes nominais. Diz-se na pr´atica que estes TCs s˜ao de rela¸c˜oes
nominais m´ultiplas com liga¸c˜ao s´erie/paralela no enrolamento prim´ario.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 66
TC com v´arias deriva¸c˜oes no secund´ario: A figura abaixo mostra um TC deste tipo,
em que o prim´ario ´e que tem agora um n´umero fixo N de espiras e o secund´ario
tem duas deriva¸c˜oes que permitem utilizar o TC como 50/5A ou como 100/5A. A
se¸c˜ao do condutor do prim´ario ´e dimensionada tendo em vista a maior das correntes
para as quais um TC deste ´e projetado; no exemplo em tela: 100A. Como pode
ser visto, o n´umero de amp´eres-espiras n˜ao ´e o mesmo em todas as rela¸c˜oes de
transforma¸c˜ao nominais. Neste exemplo em discuss˜ao: na rela¸c˜ao de 50/5A ter´ıamos
50N amp´eres-espiras e na rela¸c˜ao de 100/5A ter´ıamos 100N amp´eres-espiras, nas
condi¸c˜oes nominais.
TC com v´arios enrolamentos no prim´ario e v´arias deriva¸c˜oes no secund´ario: Os dois
tipos de TCs discutidos anteriormente podem ser englobados neste terceiro tipo,
conseguindo-se com isto um TC de muitas possibilidades quanto a rela¸c˜oes de trans-
forma¸c˜ao. A figura abaixo mostra, esquematicamente, a disposi¸c˜ao dos enrolamen-
tos de acordo com os TCs existentes na pr´atica. Nos TCs com v´arias deriva¸c˜oes no
secund´ario, n˜ao podem ser utilizadas, ao mesmo tempo, duas ou mais deriva¸c˜oes
para alimentarem instrumentos el´etricos. Somente pode ser utilizada uma das de-
riva¸c˜oes, permanecendo as outras abertas (n˜ao curto-circuitadas) a fim de que estas
n˜ao interfiram nos resultados.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 67
TC com v´arios enrolamentos no secund´ario (liga¸c˜ao s´erie/paralela no secund´ario): Trata-
se de um TC especial (para fins de prote¸c˜ao), e por isto constru´ıdo somente sob
solicita¸c˜ao espec´ıfica do comprador interessado, o qual o aplicar´a em circuitos bem
definidos da sua instala¸c˜ao. A figura abaixo mostra um TC deste tipo em que o se-
cund´ario tem dois enrolamentos com N2 espiras, podendo isto permitir trˆes rela¸c˜oes
de transforma¸c˜ao nominais. Para fixar id´eia, vamos supor que seja um TC para
100/5A, 100/2, 5A e 100/10A. Os esquemas abaixo mostram as respectivas liga¸c˜oes
para estas rela¸c˜oes. Na liga¸c˜ao de 100/5A apenas um dos enrolamentos secund´arios
deve ser utilizado na alimenta¸c˜ao de instrumentos el´etricos permanecendo o ou-
tro (ou os outros) enrolamento aberto (n˜ao curto-circuitado) afim de n˜ao produzir
interferˆencia na medi¸c˜ao.
3.4.15 Considera¸c˜oes Sobre os TCs com Deriva¸c˜ao no Secund´ario
e Liga¸c˜ao S´erie/Paralela no Prim´ario
Conforme foi visto na sess˜ao anterior, a quantidade de amp´eres-espiras n˜ao ´e cons-
tante num TC com deriva¸c˜oes no secund´ario nas respectivas rela¸c˜oes nominais. Em
conseq¨uˆencia, a exatid˜ao do TC n˜ao ´e garantida a mesma em todas as rela¸c˜oes nomi-
nais obtidas com as deriva¸c˜oes. Normalmente, a classe de exatid˜ao especificada pelo
comprador para TC com deriva¸c˜oes no secund´ario ´e garantida pelo fabricante apenas no
funcionamento com o maior n´umero de espiras. Os TCs destinados `a prote¸c˜ao podem ser
aceitos, e at´e especificados pelo usu´ario, tendo muitas deriva¸c˜oes no secund´ario, pois, a
classe de exatid˜ao desses TCs ´e 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ao pode ser at´e 10%, n˜ao havendo
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 68
limite para o ˆangulo de fase. Entretanto, os TCs para medi¸c˜ao tˆem classes de exatid˜ao
mais exigente e por isto duas considera¸c˜oes ser˜ao feitas a seguir:
1. Em medi¸c˜ao para fins de faturamento devem ser preferidos TCs com apenas uma
rela¸c˜ao nominal, ou se desejar TCs com duas ou trˆes rela¸c˜oes nominais estes de-
vem ser especificados com liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ario (sem deriva¸c˜ao no se-
cund´ario) o que permitir´a exigir do fabricante a garantia da exatid˜ao em todas as
rela¸c˜oes nominais.
2. Em medi¸c˜ao de controle (sem finalidade de faturamento) podem ser empregados
TCs com deriva¸c˜oes no secund´ario, sendo aconselh´avel que eles sejam especificados
de modo que as deriva¸c˜oes extremas sejam tais que o quociente entre as rela¸c˜oes
nominais com elas obtidas n˜ao seja superior a 2. Exemplo: um TC com deriva¸c˜oes
no secund´ario, cuja deriva¸c˜ao m´ınima permite a rela¸c˜ao nominal 400/5A, deve ter
como deriva¸c˜ao m´axima a que permite a rela¸c˜ao nominal 800/5A, podendo entre
estas duas extremas existirem outras deriva¸c˜oes tais como as correspondentes a
500/5A, 600/5A e 700/5A.
3.4.16 Como Especificar um TC para Medi¸c˜ao
Para especificar corretamente um TC, ´e necess´ario antes de tudo saber-se qual ser´a a
finalidade da sua aplica¸c˜ao, pois isto definir´a a classe de exatid˜ao, conforme visto anteri-
ormente.
A carga nominal do TC ser´a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em termos
de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ao inseridos no secund´ario,
caracter´ısticas estas que s˜ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou poder˜ao ser
determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da figura abaixo
indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina de corrente de
alguns instrumentos el´etricos que s˜ao utilizados com TCs, em condi¸c˜oes de 5A, 60Hz.
´E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se `as caracter´ısticas Z, R e L de cada bobina, caso se
deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de corrente dos medidores de energia
el´etrica, que as perdas n˜ao dever˜ao exceder 2W e 2, 5V A. Os ensaios devem ser feitos em
condi¸c˜oes nominais.
Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TCs, vamos dar dois exemplos.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 69
Exemplo 1
Especificar um TC para medi¸c˜ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor
energizado em 69kV , cuja corrente na linha chegar´a a cerca de 80A no primeiro ano de
funcionamento, podendo atingir cerca de 160A a partir do segundo ano. Os instrumentos
el´etricos que ser˜ao empregados, abaixo indicados, ficar˜ao a 25m do TC e ser˜ao ligados ao
secund´ario deste atrav´es de fio de cobre No
12AWG:
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico.
b. Medidor de kvar, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´axima.
Solu¸c˜ao:
a. Classe de exatid˜ao: o quadro indica 0, 3.
b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados
forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S = (9, 4)2 + (1, 6)2 ∴ S = 9, 54V A
Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 12, 5V A que ´e a carga pa-
dronizada imediatamente superior a 9, 54V A. A especifica¸c˜ao deste TC, do ponto
de vista el´etrico, pode ent˜ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente
para medi¸c˜ao, correntes primarias nominais 100x200A (liga¸c˜ao s´erie/paralela no
prim´ario), rela¸c˜oes nominais 20x40 : 1, 60Hz, carga nominal ABNT C12, 5, classe
de exatid˜ao ABNT 0, 3−C12, 5 (ou ANSI 0, 3B−0, 1/B−0, 2/B−0, 5), fator t´ermico
1, 2, para uso exterior (ou interior, conforme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao
nominal 69kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao 72, 5kV , tens˜oes suport´aveis nominais
`a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente.
Exemplo 2
Especificar um TC para medi¸c˜ao de energia el´etrica e controle, sem finalidade de
faturamento, sabendo que a tens˜ao entre fases do circuito ´e 13, 8kV e que a corrente na
linha chegar´a no m´aximo a 80A. Os instrumentos el´etricos que ser˜ao empregados, abaixo
indicados, ficar˜ao a 25m do TC e ser˜ao ligados ao secund´ario deste atrav´es de fio de cobre
No
12AWG:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 70
a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima.
b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor-
mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh.
c. Watt´ımetro.
d. Var´ımetro.
e. Amper´ımetro.
f. Fas´ımetro.
Solu¸c˜ao:
a. Classe de exatid˜ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo
comprador).
b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados
forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz:
Da´ı, chega-se a:
S = (14, 8)2 + (8, 3)2 ∴ S = 16, 97V A
Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se
que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padroni-
zada imediatamente superior a 16, 97V A. A especifica¸c˜ao deste TC, do ponto de
vista el´etrico, pode ent˜ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente para
medi¸c˜ao, corrente primaria nominal 100A, rela¸c˜ao nominal 20 : 1, 60Hz, carga no-
minal ABNT C25, classe de exatid˜ao ABNT 0, 6 − C25 (ou ANSI 0, 6B − 0, 1/B −
0, 2/B − 0, 5/B − 1), fator t´ermico 1, 5, para uso exterior (ou interior, conforme for
o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao
15kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico:
36kV e 110kV , respectivamente.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 71
Observa¸c˜oes
1. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ao de dimensi-
onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos
instrumentos e dos condutores que ser˜ao utilizados no secund´ario do TC.
2. Nos dois exemplos dados, pode-se observar que h´a uma influˆencia consider´avel dos
fios de cobre que ligam os instrumentos ao secund´ario do TC, e isto deve ser bem
analisado nas instala¸c˜oes reais. Se as perdas nestes fios n˜ao tivessem sido levadas
em considera¸c˜ao, a potˆencia no secund´ario do TC seria:
No exemplo 1: S = (2, 8)2 + (1, 6)2 ∴ S = 3, 23V A e o TC seria especificado
ent˜ao erradamente como 0, 3 − C5, 0 e n˜ao como 0, 3 − C12, 5 que ´e o correto.
No exemplo 2: S = (8, 2)2 + (8, 3)2 ∴ S = 11, 6V A e o TC seria especificado
ent˜ao erradamente como 0, 6 − C12, 5 e n˜ao como 0, 6 − C25 que ´e o correto.
3. Se h´a possibilidade, no futuro, de coloca¸c˜ao de mais outros instrumentos no secund´ario
do TC, ent˜ao ´e aconselh´avel superdimension´a-lo um pouco. Assim, o TC do exemplo
1 passaria a ser 0, 3 − C25 e o do exemplo 2, 0, 6 − C50 a fim de que fosse poss´ıvel
utiliz´a-lo tamb´em em medi¸c˜ao para faturamento.
3.4.17 TCs para Prote¸c˜ao
Embora todos os TCs tenham o mesmo princ´ıpio f´ısico de funcionamento e sejam cons-
titu´ıdos basicamente dos mesmos elementos, h´a a se levar em considera¸c˜ao caracter´ısticas
bem marcantes que lhes s˜ao impostas no projeto e constru¸c˜ao em termos de tipos de
n´ucleos e tipos de enrolamentos prim´ario e secund´ario, as quais dividem os TCs em dois
grupos bem distintos quanto `a finalidade de utiliza¸c˜ao adequada: TCs para medi¸c˜ao e
TCs para prote¸c˜ao (para servi¸co de rel´es).
Os TCs para medi¸c˜ao n˜ao devem ser utilizados para prote¸c˜ao, como tamb´em os cons-
tru´ıdos para prote¸c˜ao n˜ao devem ser utilizados para medi¸c˜ao, sobretudo se esta medi¸c˜ao
´e de energia el´etrica para fins de faturamento a consumidor. Esta precau¸c˜ao ´e baseada
nas duas caracter´ısticas seguintes:
Classe de Exatid˜ao: Os TCs para medi¸c˜ao tˆem classe de exatid˜ao 0, 3 − 0, 6 − 1, 2. Para
classific´a-los, s˜ao considerados os erros de rela¸c˜ao e de fase levantados nos ensaios.
Os TCs para prote¸c˜ao tˆem classe de exatid˜ao 10, onde ´e levado em considera¸c˜ao
apenas o erro de rela¸c˜ao, uma vez que, na prote¸c˜ao, o que interessa ´e o efeito
produzido nos rel´es pelo m´odulo da corrente secund´aria como fun¸c˜ao do m´odulo da
corrente prim´aria, n˜ao tendo a´ı o erro de fase nenhuma influˆencia.
Considera-se que um TC para servi¸co de prote¸c˜ao est´a dentro da sua classe de
exatid˜ao, em condi¸c˜oes especificadas, quando, nestas condi¸c˜oes, o seu erro de rela¸c˜ao
percentual n˜ao for superior a 10%, desde a corrente nominal at´e uma corrente igual
a 20 vezes o valor da corrente nominal.
Circuito Magn´etico: O n´ucleo dos TCs para medi¸c˜ao ´e feito de material de elevada
permeabilidade magn´etica (pequena corrente de excita¸c˜ao, pequenas perdas, baixa
relutˆancia) trabalhando sob condi¸c˜oes de baixa indu¸c˜ao magn´etica (cerca de 0, 1
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 72
tesla). Mas, eles entram em satura¸c˜ao logo que a indu¸c˜ao magn´etica cresce para
0, 4 a 0, 5 tesla, o que corresponde `a corrente prim´aria crescer para cerca de quatro
vezes o seu valor nominal. Mesmo que a corrente prim´aria ultrapasse esta ordem
de grandeza e atinja valores excessivos, ela reflete no secund´ario uma corrente que
chega no m´aximo a cerca de quatro vezes o valor nominal desta, conforme mostra a
curva 1 da figura abaixo.
O n´ucleo dos TCs para prote¸c˜ao ´e feito de material que n˜ao tem a mesma permea-
bilidade magn´etica, por´em somente entra em satura¸c˜ao para valores muito elevados
do fluxo (indu¸c˜ao magn´etica elevada), correspondentes a uma corrente prim´aria de
cerca de 20 vezes o valor nominal desta, conforme mostra a curva 2 da figura acima.
Nos instrumentos de medi¸c˜ao uma corrente desta ordem de grandeza poderia dani-
fic´a-los, enquanto que os rel´es podem perfeitamente suport´a-la desde que s˜ao pre-
vistos para isto. Se um TC para medi¸c˜ao ´e utilizado para alimentar rel´es, estes
muito certamente n˜ao entrar˜ao em funcionamento na ocasi˜ao necess´aria (ocasi˜ao de
curto-circuito, por exemplo), pois entrando o TC em satura¸c˜ao a corrente secund´aria
poder´a n˜ao ser suficiente para sensibiliz´a-los convenientemente.
Por exemplo: um rel´e a tempo inverso que deve funcionar num tempo t1 (figura
abaixo) quando a corrente for 6 vezes a corrente nominal, ser´a nestas condi¸c˜oes
(quando alimentado atrav´es de TC para medi¸c˜ao) sensibilizado como se a corrente
fosse cerca de 4 vezes a corrente nominal, mesmo que aquela corrente atingisse 5 ou
6 ou mais vezes a corrente nominal, entrando assim em funcionamento num tempo
t2 > t1, o que afetaria sensivelmente a seletividade com outros rel´es da retaguarda,
comprometendo desta forma a prote¸c˜ao de todo o sistema.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 73
Classifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao
Os TCs para prote¸c˜ao s˜ao agrupados, tendo em vista a impedˆancia do enrolamento
secund´ario, em duas classes:
Transformador de Corrente Classe B: TC que possui baixa impedˆancia interna, isto
´e, aquele cuja reatˆancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ario possui valor des-
prez´ıvel. Constituem exemplos: os TCs de n´ucleo tor´oidal com enrolamento se-
cund´ario uniformemente distribu´ıdo.
Transformador de Corrente Classe A: TC que possui alta impedˆancia interna, isto ´e,
aquele cuja reatˆancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ario possui valor apreci´avel.
Nesta classe se enquadram todos os TCs exceto os que s˜ao definidos como classe B.
Especifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao
No Brasil, os TCs para prote¸c˜ao devem satisfazer `as duas condi¸c˜oes seguintes:
1. Somente devem entrar em satura¸c˜ao para uma corrente de valor acima de 20 vezes a
sua corrente nominal.
2. Devem ser de classe de exatid˜ao 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ao percentual n˜ao deve
exceder 10% para qualquer valor da corrente secund´aria, desde 1 a 20 vezes a corrente
nominal, e qualquer carga igual ou inferior `a nominal.
A primeira condi¸c˜ao leva ao estabelecimento da tens˜ao secund´aria nominal, a qual
pode ser definida como sendo a tens˜ao que aparece nos terminais da carga nominal posta
no secund´ario do TC para prote¸c˜ao quando a corrente que a percorre ´e igual a 20 vezes
o valor da corrente secund´aria nominal, ou seja, quando a corrente secund´aria ´e 100A.
A cada carga nominal para TC padronizada pela ABNT corresponde ent˜ao uma tens˜ao
secund´aria nominal para TC para prote¸c˜ao, a qual ´e obtida multiplicando-se por 100 a
impedˆancia daquela carga nominal.
Na especifica¸c˜ao de um TC para prote¸c˜ao ´e necess´ario indicar se ele deve ser classe
A ou B, como tamb´em a tens˜ao secund´aria nominal que o usu´ario deseja para ele. N˜ao
´e necess´ario citar a classe de exatid˜ao, uma vez que no Brasil somente h´a a classe de
exatid˜ao 10.
Exemplo 1: Um TC para prote¸c˜ao B200 significa:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 74
a. TC de classe de exatid˜ao 10.
b. TC de classe B, isto ´e, de baixa impedancia interna.
c. Tens˜ao secund´aria nominal 200V (est´a implicito que a carga secund´aria nominal
deve ser C50 cuja impedˆancia ´e 2Ω, pois: V = 20 · 5 · 2 = 200V ).
Exemplo 2: Um TC para prote¸c˜ao A400 significa:
a. TC de classe de exatid˜ao 10.
b. TC de classe A, isto ´e, de alta impedancia interna.
c. Tens˜ao secund´aria nominal 400V (est´a implicito que a carga secund´aria nominal
deve ser C100 cuja impedˆancia ´e 4Ω, pois: V = 20 · 5 · 4 = 400V ).
Levando em conta o quadro de cargas nominais dos TCs, foi elaborado o quadro da fi-
gura abaixo onde s˜ao mostrados os valores das tens˜oes secund´arias nominais normalizadas
no Brasil, como tamb´em os v´arios tipos de TCs para prote¸c˜ao das classes A e B.
Deve ficar entendido que, quando se est´a especificando um TC para prote¸c˜ao que vai
ser adquirido, o dimensionamento da sua tens˜ao secund´aria nominal ´e feito tendo-se em
conta o valor da impedˆancia m´axima Zm que poder´a vir a ser imposta ao seu secund´ario
quando ele for utilizado na instala¸c˜ao:
Zm = (Rr + 2r)2
+ (Xr)2
onde se tem a considerar:
Rr: resistˆencia pr´opria do rel´e
Xr: reatˆancia pr´opria do rel´e
r: resistˆencia do condutor que liga o secund´ario do TC ao rel´e (2r ´e a resistˆencia total)
Esta impedˆancia m´axima Zm deve ser relacionada `a impedˆancia nominal Z da carga
padronizada correspondente a tens˜ao secund´aria nominal que ter´a de especificar:
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 75
Z ≥ Zm
Como tamb´em, ao se instalar um TC para prote¸c˜ao, que j´a est´a dispon´ıvel na con-
cession´aria, os condutores secund´arios devem ser corretamente dimensionados, em termos
de resistˆencia m´axima rm permiss´ıvel, tendo em conta a impedˆancia Z padronizada cor-
respondente `a tens˜ao secund´aria nominal que est´a indicada na placa de identifica¸c˜ao do
TC:
Z = (Rr + 2rm)2
+ (Xr)2
Exemplo: a impedˆancia m´axima (incluindo a resistˆencia dos condutores) a ser imposta
ao secund´ario de um TC de prote¸c˜ao ´e da ordem de grandeza de 2, 75Ω. Ent˜ao, este TC
seria especificado na “ordem de compra”como A400 ou B400.
3.4.18 Resumo das Caracter´ısticas dos TCs
1. Corrente secund´aria: de modo geral a corrente nominal secund´aria ´e de 5A. Em casos
especiais, em prote¸c˜ao pode haver TCs com corrente secund´aria nominal de 2, 5A.
2. Corrente prim´aria: caracteriza o valor nominal de I1 suport´avel pelo TC. Na escolha
de um TC deve-se especific´a-lo tendo em vista a corrente m´aximo do circuito em
que o TC vai ser inserido.
3. Classe de exatid˜ao: valor m´aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser
introduzido pelo TC na indica¸c˜ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor
de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2.
4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ao do TC.
5. Fator t´ermico: fator pelo qual deve ser multiplicada a corrente prim´aria nominal
para se obter a corrente prim´aria nominal para se obter a corrente prim´aria m´axima
que um TC ´e capaz de conduzir em regime permanente, sob freq¨uˆencia nominal,
sem exceder os limites de eleva¸c˜ao de temperatura especificados e sem cair fora
da sua classe de exatid˜ao. Os limites de eleva¸c˜ao de temperatura levam em consi-
dera¸c˜ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados nos TCs.
Especificam-se cinco fatores t´ermicos para TCs fabricados no Brasil: 1, 0; 1, 2; 1, 3;
1, 4; 1, 4; 1, 5 e 2, 0. J´a existem em outros pa´ıses TCs de fator t´ermico 4, 0. Se o
usu´ario desejar fator t´ermico maior que 1, 0 em TCs nacionais, dever´a explicit´a-lo
na sua especifica¸c˜ao de compra. Os fabricantes garantem que, acima da corrente
nominal, o TC at´e que apresentam melhor exatid˜ao, pois nestas condi¸c˜oes a corrente
de excita¸c˜ao ser´a muito pequena diante da corrente prim´aria.
6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸c˜ao do TC quanto `as condi¸c˜oes a que deve
satisfazer a sua isola¸c˜ao em termos de tens˜ao suport´avel. A padroniza¸c˜ao das tens˜oes
m´aximas de opera¸c˜ao dos TCs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes
tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem
desta maneira, a “tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao de um equipamento”: m´axima tens˜ao
de linha (tens˜ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando-
se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 76
referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ao do equipamento considerado. Em caso de
corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ao ´e necessariamente
igual `a tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao do sistema ao qual o equipamento est´a ligado.
Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TCs (kV )
0, 6 25, 8 92, 4 362
1, 2 38 145 460
7, 2 48, 3 169 550
12 72, 5 242 765
15
Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ao de um TC, a sua tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao
pode ser considerada como sendo a que consta do quadro (mostrado anteriormente)
imediatamente superior `a tens˜ao nominal entre fases do circuito em que o TC ser´a
utilizado.
7. Corrente t´ermica nominal: maior corrente prim´aria que um TC ´e capaz de suportar
durante um segundo, com o enrolamento secund´ario curto-circuitado, sem exceder,
em qualquer enrolamento, uma temperatura m´axima especificada. Somente h´a in-
teresse em se falar em corrente t´ermica para TCs a partir do n´ıvel de isolamento
correspondente `a tens˜ao nominal de 69kV . Como referˆencia, podemos dizer que a
corrente t´ermica ´e no m´ınimo 75 vezes e 45 vezes a corrente prim´aria nominal para os
TCs imersos em ´oleo mineral isolante e para os isolados em epoxy, respectivamente.
A corrente t´ermica tem tamb´em o nome de corrente de curta dura¸c˜ao.
8. Corrente dinˆamica nominal: valor de crista da corrente prim´aria que um TC ´e capaz
de suportar, durante o primeiro meio ciclo, com o enrolamento secund´ario curto-
circuitado, sem danos el´etricos ou mecˆanicos resultantes das for¸cas eletromagn´eticas.
A norma estabelece que o valor de crista ´e normalmente 2, 5 vezes o valor da corrente
t´ermica.
9. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal S1 do secund´ario
tem a mesma polaridade do terminal P1 do prim´ario se, quando a corrente I1 percorre
o enrolamento prim´ario de P1 para P2, no mesmo instante a corrente I2 percorre
o instrumento A de S1 para S2. Conseq¨uentemente, diz-se tamb´em que S2 tem a
mesma polaridade de P2.
Quando o TC alimenta somente amper´ımetros, rel´es de corrente, etc., a sua po-
laridade n˜ao precisa ser levada em considera¸c˜ao. Mas, quando ele alimenta ins-
trumentos el´etricos cuja bobina de corrente ´e provida de polaridade relativa, como
watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ao ´e extremamente
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 77
importante a considera¸c˜ao da polaridade do TC: a entrada da bobina de corrente
destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ario do TC que corresponde
ao seu terminal prim´ario que est´a ligado como entrada ao circuito principal.
Exemplo: Na figura acima, se o prim´ario do TC for ligado em s´erie com a carga
de modo que P1 seja entrada, isto ´e, P1 esteja ligado no lado da fonte e P2 no
lado da carga, ent˜ao a entrada das bobinas de corrente dos instrumentos ser´a ligada
ao terminal S1 do secund´ario. Da mesma forma, se P2 for ligado for ligado como
entrada, isto ´e P2 no lado da fonte e P1 no lado da carga, ent˜ao S2 ´e que ser´a
utilizado como entrada das bobinas de corrente daqueles instrumentos el´etricos.
Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ario e secund´ario dos TCs s˜ao
dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes,
como mostra a figura `a esquerda acima, e n˜ao em diagonal como mostra a figura `a
direita acima.
10. Se um TC alimenta v´arios instrumentos el´etricos, Ester devem ser ligados em s´erie a
fim de que todos eles sejam percorridos pela mesma corrente do secund´ario do TC.
11. Quando se empregam TCs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento
a consumidor, ´e recomend´avel que estes TCs sejam utilizados exclusivamente para
alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ao. N˜ao deve ser
permitida a coloca¸c˜ao de outros instrumentos el´etricos no secund´ario destes TCs,
tais como amper´ımetros, bobina de corrente de watt´ımetros, etc.
12. Damos a seguir uma ordem de grandeza para os TCs para medi¸c˜ao:
a. n1I1 = 500 a 1000 amp´eres-espiras para I1 nominal;
b. n1I0 < 1% de n1I1, para I1 nominal;
c. densidade de fluxo: B ≤ 1000 linhas/cm2
(1000 Gauss ou 0, 1 tesla);
d. comprimento m´edio do circuito magn´etico: 40cm;
e. densidade de corrente: de 1A at´e 2A por mm2
;
f. r2 = 0, 5Ω; 2 = 15mH.
3.5 Algumas Considera¸c˜oes Sobre TPs e TCs
1. Os TPs e TCs servem tamb´em como elementos de isolamento entre os instrumentos
ligados no secund´ario e o circuito de alta tens˜ao, reduzindo assim o perigo para
o operador e tornando desnecess´aria uma isola¸c˜ao especial para tais instrumentos.
Assim, ´e que h´a TCs de 5/5A, mas com n´ıvel de isolamento para alta tens˜ao.
2. Um mesmo instrumento el´etrico, utilizado com TCs e TPs de diferentes rela¸c˜oes
nominais, pode servir para um campo muito largo de medi¸c˜oes gra¸cas `a padroniza¸c˜ao
dos valores secund´arios deles (5A para os TCs e 115V para os TPs).
3. Deve-se ter o cuidado de ligar `a terra o secund´ario e o n´ucleo dos TCs e TPs por
medida de seguran¸ca. Al´em disso, os TCs para alta tens˜ao (a partir de 69kV ) s˜ao
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 78
constru´ıdos normalmente com camadas de material condutor (blindagem) envol-
vendo o enrolamento prim´ario para uniformiza¸c˜ao da distribui¸c˜ao dos potenciais.
Estas camadas s˜ao ligadas entre si e tamb´em a um terminal externo, o qual deve
ser ligado `a terra.
4. Os TCs e TPs tˆem todos os terminais prim´arios e secund´arios providos de marcas
indel´eveis. Estas marcas permitem ao instalador a r´apida identifica¸c˜ao dos terminais
de mesma polaridade. O instalador somente precisa se preocupar com a polaridade
no momento em que for ligar ao secund´ario dos TCs ou TPs os instrumentos el´etricos
que tˆem bobinas providas de polaridade relativa: watt´ımetros, medidores de energia
el´etrica, fas´ımetros, etc. A entrada das bobinas destes instrumentos deve ser ligada
ao terminal secund´ario do TC ou TP que corresponde ao terminal prim´ario que foi
utilizado como entrada.
5. ´E aconselh´avel, antes de instalar os TCs e TPs, verificar pelo menos a rela¸c˜ao de
transforma¸c˜ao nominal e a polaridade. A figura abaixo mostra uma montagem sim-
ples para verificar a polaridade: a resistˆencia R ser´a ajustada de modo a limitar a
corrente no milivolt´ımetro mV ; a pilha pode ser de apenas 3V ; ao fechar o inter-
ruptor K, se o ponteiro do milivolt´ımetro desviar para o positivo, ent˜ao o terminal
marcado P do prim´ario corresponde ao terminal marcado S no secund´ario; observar
a maneira correta de ligar os p´olos positivo e negativo da pilha e do milivolt´ımetro,
conforme est´a na figura.
6. O n´ucleo dos TPs e TCs ´e feito de chapas de ferro-sil´ıcio. Para os de melhor qualidade,
emprega-se ferro-sil´ıcio de gr˜aos orientados, laminado a frio, conseguindo-se bons
resultados quanto `a permeabilidade magn´etica e menores perdas. Os TCs especiais,
os que ser˜ao utilizados como padr˜ao, por exemplo, para os quais se exige excelente
classe de exatid˜ao, tˆem o n´ucleo feito de chapas de ligas especiais de ferro-n´ıquel.
Estas ligas tˆem alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, mas o seu custo ´e
bem maior que o custo dos n´ucleos de ferro-sil´ıcio usuais. Como exemplo, citaremos
algumas destas ligas:
6.1. FERRO-MU ou MUMETAL: 77% de n´ıquel, 5% de cobre, 2% de cromo e 16%
de ferro. Para uma mesma densidade de fluxo, a corrente de excita¸c˜ao para
esta liga ´e cerca de 1/4 da corrente de excita¸c˜ao para a liga de ferro-sil´ıcio.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 79
Entretanto, o pre¸co de um n´ucleo de MUMETAL ´e cerca de 5 a 6 vezes o pre¸co
de um n´ucleo de ferro-sil´ıcio.
6.2. PERMANDUR: 49% de ferro, 49% de cobalto e 2% de van´adio.
6.3. MONIMAX: 47% de n´ıquel, 3% de molibdˆenio e 50% de ferro.
3.6 Emprego para os Transformadores de Instrumen-
tos na Medi¸c˜ao de Potˆencia Ativa e Reativa
No caso de tens˜ao elevada e corrente intensa, superiores `a tens˜ao e `a corrente su-
port´aveis pelas bobinas Bp e Bc, respectivamente, faz-se necess´ario o emprego dos trans-
formadores para instrumentos, TPs e TCs. H´a casos na pr´atica em que a tens˜ao da linha
´e suport´avel por Bp e, portanto, empregam-se apenas os TCs.
Duas precau¸c˜oes devemos tomar em rela¸c˜ao aos transformadores para instrumentos:
observar a polaridade e aterrar o secund´ario e o n´ucleo.
3.6.1 M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
TPs e TCs
A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Sendo Kc a rela¸c˜ao nominal dos
TCs e Kp a rela¸c˜ao nominal dos TPs, temos que a potˆencia ativa total P solicitada pela
carga Z ser´a:
P = KcKp (W1 + W2 + W3)
3.6.2 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com
TPs e TCs
A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Observamos que os transforma-
dores apenas s˜ao intercalados entre o circuito e os watt´ımetros, n˜ao alterando o princ´ıpio
da liga¸c˜ao dos dois watt´ımetros quando empregados sem transformadores. A potˆencia
total P:
P = KcKp (W1 + W2)
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 80
3.6.3 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Reativa com
TPs e TCs
A montagem est´a indicada na Figura abaixo. A potˆencia reativa total Q ser´a:
Q = KcKp
(W1 + W2)
2
·
√
3
3.6.4 C´alculo do Erro Introduzido pelos TPs e TCs na Indica¸c˜ao
do Watt´ımetro
Suponhamos uma carga Z, de fator de potˆencia indutivo cosθ submetida `a tens˜ao U1
e percorrida pela corrente I1, como na Figura abaixo.
A potˆencia ativa exata da carga ser´a:
P = U1I1 cos θ
Os transformadores introduzem erros de fase, respectivamente iguais a γ e β, e o
watt´ımetro W dar´a a seguinte indica¸c˜ao levando em conta a Figura abaixo:
W = U2I2 cos θ
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 81
O valor medido da potˆencia ativa ser´a ent˜ao:
P = KcKpW ou
P = KpKcU2I2 cos θ
Dividindo membro a membro as express˜oes acima:
P
P
=
U1I1 cos θ
KpU2KcI2 cos θ
Como U1 = FCRp · KpU2 e I1 = FCRc · KcI2, temos que:
P = P · FCRpFCRc ·
cos θ
cos θ
Exemplo Num´erico
1. TC: 30/5A:
Kc = 6; FCRc = 0, 998; β = 10
2. TP: 13800/115V :
Kp = 120; FCRp = 0, 996; γ = −12
3. Indica¸c˜ao do watt´ımetro: W = 300W
4. Valores lidos: U2 = 115V e I2 = 4A
Dos valores acima vˆe-se que:
P = 300 · 6 · 120 = 216000W
cosθ =
300
4 · 115
= 0, 652 ∴ θ = 49o
29
Da Figura acima vˆe-se que:
θ = 49o
29 + 10 + 12 = 49o
51 ∴ cos θ = 0, 649
E ent˜ao a potˆencia ativa exata P ser´a:
P = 216000 · 0, 998 · 0, 996 ·
0, 649
0, 652
P = 213717W
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 82
3.7 Emprego para os Transformadores de Instrumen-
tos no Controle e Supervis˜ao
Os instrumentos de controle e supervis˜ao mostrados nesta sess˜ao foram utilizados
na pr´atica e foram instalados pela TRANSNOR - Transformadores do Nordeste S.A. -
durante os meses de Agosto e Janeiro de 2006/2007.
3.7.1 M´odulo 5520 Deep Sea Eletronics
O modelo 5520 ´e um m´odulo para controle autom´atico de falha da rede. O m´odulo ´e
usado para monitorar a rede e automaticamente partir um gerador em espera. E quando
na presen¸ca de falhas, automaticamente desligando o gerador e indicando as mesmas por
meio do display. Com o 5520 pode-se ainda programar entradas do gerador em horas
predeterminadas, por exemplo, em hor´arios de pico para diminuir a demanda de carga da
rede, e assim, diminuir um poss´ıvel excesso na demanda contratada com o fornecedor de
energia el´etrica. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar
a opera¸c˜ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por
um n´umero PIN para prevenir acessos n˜ao autorizados. A opera¸c˜ao do m´odulo ´e feita
atrav´es de bot˜oes de controle localizados no painel, onde poder´a se realizar as fun¸c˜oes
como parar a m´aquina, ligar, etc.
Este m´odulo foi montado para operar no controle de um grupo gerador no hotel
Pirˆamide, localizado na Via Costeira em Natal. O mesmo deve n˜ao s´o monitorar a rede
para entrar em um caso de falha, como tamb´em entrar no hor´ario de pico de tarifa¸c˜ao
da energia para diminuir o consumo. O mesmo entra sincronizado com a rede e a sua
entrada ´e quase impercept´ıvel aos usu´arios. O gerador supre a carga em paralelo com a
rede, visto que o mesmo n˜ao possui a potˆencia total necess´aria para substitu´ı-la.
O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente da sa´ıda do grupo
gerador. Para a configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo,
s˜ao inseridas al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc
do TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 83
3.7.2 M´odulo 5510 Deep Sea Eletronics
O modelo 5510 ´e um modulo para controle de m´aquinas el´etricas autom´atico. O
m´odulo ´e usado para automaticamente acionar e parar a m´aquina, indicando as suas
caracter´ısticas de opera¸c˜ao e condi¸c˜oes de falta por meio de um display lcd e leds indica-
dores no painel. Seq¨uˆencias de opera¸c˜ao, temporizadores e alarmes podem ser alterados
pelo usu´ario. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar a
opera¸c˜ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por
um n´umero PIN para prevenir acessos n˜ao autorizados. O 5510 tem a capacidade de
sincroniza¸c˜ao e divis˜ao de carga. O m´odulo 5510 possui sa´ıdas flex´ıveis que permitem a
conex˜ao aos mais comuns reguladores autom´aticos de tens˜ao e controladores de veloci-
dade. A opera¸c˜ao do m´odulo ´e feita atrav´es de bot˜oes de controle localizados no painel,
onde poder´a se realizar as fun¸c˜oes como parar a m´aquina, ligar, etc.
O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente da sa´ıda da m´aquina.
Para a configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao in-
seridas al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc do
TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta.
A instala¸c˜ao deste m´odulo foi requisitada pela Petrobr´as para operar em plataforma.
Devido a isto, uma caracter´ıstica foi frisada quanto a liga¸c˜ao do mesmo: a eletricidade na
plataforma trabalha com 3 fases - 3 fios, ou seja, com terra flutuante. Esta caracter´ıstica
impossibilitou a utiliza¸c˜ao de TPs para leitura de tens˜ao, o motivo foi de uma configura¸c˜ao
do m´odulo que n˜ao poderia ser alterada.
3.7.3 Multitransdutor Digital Kron MKM-D com Mem´oria de
Massa
O multitransdutor digital da Kron MKM-D com Mem´oria de Massa foi adquirido para
a montagem de um quadro para a UFPB - Universidade Federal da Para´ıba - que deveria
ler as medidas de tens˜ao, freq¨uˆencia, fator de potˆencia, energia ativa e reativa e consumo
de energia de um grupo motor diesel convertido para g´as e um gerador, devendo gravar
estes dados para an´alise na mem´oria de massa. A montagem faz parte de um projeto
de Engenharia Mecˆanica para o estudo do g´as natural como combust´ıvel alternativo. A
carga do gerador ´e composta de um banco de resistˆencia.
Cap´ıtulo 3. Transformadores para Instrumentos 84
O mesmo pode utilizar de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente. Para a
configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao inseridas
al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc do TP e do
TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta.

Medidas eletricas prof_marcus_vinicius

  • 1.
    Universidade Federal doRio Grande do Norte Centro de Tecnologia Departamento de Engenharia El´etrica Apostila de Medidas El´etricas Marcus Vinicius Ara´ujo Fernandes Natal/RN - Brasil Semestre 2008.1
  • 2.
    Cap´ıtulo 1 Generalidades sobreos Instrumentos de Medidas El´etricas 1.1 Defini¸c˜ao de Medida Medida ´e um processo de compara¸c˜ao de grandezas de mesma esp´ecie, ou seja, que possuem um padr˜ao ´unico e comum entre elas. Duas grandezas de mesma esp´ecie possuem a mesma dimens˜ao. No processo de medida, a grande que serve de compara¸c˜ao ´e denominada de “grandeza unit´aria”ou “padr˜ao unit´ario”. As grandezas f´ısicas s˜ao englobadas em duas categorias: a. Grandezas fundamentais (comprimento, tempo, etc.). Grandezas Fundamentais Grandeza Unidade Simbologia Comprimento metro [m] Massa quilograma [kg] Tempo segundo [s] Intensidade de Corrente amp´eres [A] Temperatura Termodinˆamica kelvin [K] Quantidade de Mat´eria mole [mol] Intensidade Luminosa candela [cd] b. Grandezas derivadas (velocidade, acelera¸c˜ao, etc.).
  • 3.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 2 Grandezas El´etricas Derivadas Grandeza Derivada Unidade Dimens˜ao Simbologia Carga coulomb [A · s] [C] Energia joule [m2 · kg · s−2 ] [J] Potˆencia watt [m2 · kg · s−3 ] [W] Tens˜ao volt [m2 · kg · s−3 · A−1 ] [V ] Resistˆencia ohm [m2 · kg · s−3 · A−2 ] [Ω] Condutˆancia siemens [m−2 · kg−1 · s3 · A2 ] [S] Capacitˆancia farad [m−2 · kg−1 · s4 · A2 ] [F] Indutˆancia henri [m2 · kg · s−2 · A−2 ] [H] Freq¨uˆencia hertz [s−1 ] [Hz] 1.2 Sistema de unidades ´E um conjunto de defini¸c˜oes que re´une de forma completa, coerente e concisa todas as grandezas f´ısicas fundamentais e derivadas. Ao longo dos anos, os cientistas tentaram estabelecer sistemas de unidades universais como, por exemplo, o CGS, MKS e o SI. 1.2.1 Sistema Internacional (SI) ´E derivado do MKS e foi adotado internacionalmente a partir dos anos 60. ´E o padr˜ao utilizado no mundo, mesmo que alguns pa´ıses ainda adotem algumas unidades dos sistemas precedentes. 1.3 No¸c˜oes de Padr˜ao, Aferi¸c˜ao e Calibra¸c˜ao 1.3.1 Padr˜ao Padr˜ao ´e um elemento ou instrumento de medida destinado a definir, conservar e reproduzir a unidade base de medida de uma determinada grandeza. Possui uma alta estabilidade com o tempo e ´e mantido em um ambiente neutro e controlado (temperatura, press˜ao, umidade, etc. constantes). Padr˜oes de Grandezas El´etricas Corrente El´etrica: O amp´ere ´e a corrente constante que, mantida entre dois condutores paralelos de comprimento infinito e se¸c˜ao transversal desprez´ıvel separados de 1m, no v´acuo, produz uma for¸ca entre os dois condutores de 2 · 10−7 N/m. Na pr´atica s˜ao utilizados instrumentos chamados “balan¸cas de corrente”, que medem a for¸ca de atra¸c˜ao entre duas bobinas idˆenticas e de eixos coincidentes. Tens˜ao: O padr˜ao do volt ´e baseado numa pilha eletroqu´ımica conhecida como “C´elula Padr˜ao de Weston”, constitu´ıda por cristais de sulfato de c´admio (CdSO4) e uma pasta de sulfato de merc´urio (HgSO4) imersos em uma solu¸c˜ao saturada de sulfato de c´admio. Em uma concentra¸c˜ao espec´ıfica da solu¸c˜ao e temperatura de 20o C a tens˜ao medida ´e de 1, 01830V .
  • 4.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 3 Resistˆencia: O padr˜ao do ohm ´e normalmente baseado num fio de manganina (84% Cu, 12% Mn e 4% Ni) enrolado sob a forma de bobina e imerso num banho de ´oleo a temperatura constante. A resistˆencia depende do comprimento e do diˆametro do fio, possuindo valores nominais entre 10−4 Ω e 106 Ω. Capacitˆancia: O padr˜ao do farad ´e baseado no c´alculo de capacitores de geometria precisa e bem definida com um diel´etrico de propriedades est´aveis e bem conhecidas. Normalmente usam-se duas esferas ou 2 cilindros concˆentricos separados por um diel´etrico gasoso. Indutˆancia: O padr˜ao do henri ´e tamb´em baseado no c´alculo de indutores sob a forma de bobinas cil´ındricas e longas em rela¸c˜ao ao diˆametro com uma ´unica camada de espiras. 1.3.2 Aferi¸c˜ao Aferi¸c˜ao ´e o procedimento de compara¸c˜ao entre o valor lido por um instrumento e o valor padr˜ao apropriado de mesma natureza. Apresenta car´ater passivo, pois os erros s˜ao determinados, mas n˜ao corrigidos. 1.3.3 Calibra¸c˜ao Calibra¸c˜ao ´e o procedimento que consiste em ajustar o valor lido por um instrumento com o valor de mesma natureza. Apresenta car´ater ativo, pois o erro, al´em de determi- nado, ´e corrigido. 1.4 Classifica¸c˜ao dos Erros De acordo com a causa, ou origem, dos erros cometidos nas medidas, estes podem ser classificados em: grosseiros, sistem´aticos e acidentais. E de acordo com suas carac- ter´ısticas, estes podem ser classificados em: constantes, aleat´orios e peri´odicos. 1.4.1 Erros Grosseiros Estes erros s˜ao causados por falha do operador, como por exemplo, a troca da posi¸c˜ao dos algarismos ao escrever os resultados, os enganos nas opera¸c˜oes elementares efetuadas, ou o posicionamento incorreto da v´ırgula nos n´umeros contendo decimais. Estes erros podem ser evitados com a repeti¸c˜ao dos ensaios pelo mesmo operador, ou por outros operadores. 1.4.2 Erros Sistem´aticos S˜ao os ligados `as deficiˆencias do m´etodo utilizado, do material empregado e da apre- cia¸c˜ao do experimentador. a. A constru¸c˜ao e aferi¸c˜ao de um aparelho de medida nunca podem ser perfeitas. Por outro lado, h´a sempre uma divergˆencia, embora pequena, entre a an´alise te´orica de
  • 5.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 4 um circuito e o comportamento pr´atico deste circuito. As hip´oteses de base da teoria n˜ao s˜ao inteiramente realiz´aveis na pr´atica. Basta mencionar, como exemplo, o consumo de energia dos aparelhos de medida e as varia¸c˜oes das caracter´ısticas f´ısicas ou el´etricas dos elementos que constituem o circuito. Este conjunto de imperfei¸c˜oes constitui a deficiˆencia do m´etodo. b. A pr´opria defini¸c˜ao dos erros sistem´aticos indica quais s˜ao os meios de limita¸c˜ao. O material empregado deve ser aferido: medidores, pilhas, resistˆencias, capacitores, etc. O seu controle deve ser peri´odico. Um modo simples de verificar a presen¸ca ou ausˆencia de erro sistem´atico consiste na repeti¸c˜ao da mesma experiˆencia, substi- tuindo os elementos iniciais por elementos teoricamente iguais. A identifica¸c˜ao dos resultados d´a como conclus˜ao a ausˆencia do erro sistem´atico; por´em, a discordˆancia indidca que h´a um erro, no m´etodo ou no material, sem identificar qual dos dois ´e o respons´avel. c. H´a experimentadores que tˆem a peculiaridade de fazer a leitura maior do que a real, enquanto outros a fazem menor. Este erro pode ser limitado tomando-se como resultado a m´edia aritm´etica das leituras de v´arias pessoas. 1.4.3 Erros Acidentais A experiˆencia mostra que, a mesma pessoa, realizando os mesmos ensaios com os mesmos elementos constitutivos de um circuito el´etrico, n˜ao consegue obter, cada vez, o mesmo resultado. A divergˆencia entre estes resultados ´e devida `a existˆencia de um fator incontrol´avel, o “fator sorte”. Para usar uma terminologia mais cient´ıfica, diremos que os erros acidentais s˜ao a conseq¨uˆencia do “imponder´avel”. Como j´a foi dito, s˜ao erros essencialmente vari´aveis e n˜ao suscet´ıveis de limita¸c˜ao. 1.4.4 Erros Constantes Erros invari´aveis em aplitude e polaridade devido a imprecis˜oes instrumentais. Em geral, podem ser facilmente corrigidos pela compara¸c˜ao com um padr˜ao conhecido da medida. 1.4.5 Erros Peri´odicos Erros vari´aveis em amplitude e polaridade, mas que obedecem a uma certa lei (por exemplo, a n˜ao linearidade de um conversor A/D). Podem ser eliminados pela medi¸c˜ao repetitiva sob condi¸c˜oes distintas e conhecidas. 1.4.6 Erros Aleat´orios Erros Aleat´orios s˜ao todos os erros restantes, possuem amplitude e polaridade vari´aveis e n˜ao seguem necessariamente uma lei sistem´atica. S˜ao em geral pequenos, mas n˜ao est˜ao presentes em qualquer medida, provenientes de sinais esp´urios, condi¸c˜oes vari´aveis de observa¸c˜ao, ru´ıdos do pr´oprio instrumento.
  • 6.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 5 Erros Aleat´orios: caracter´ısticas e limita¸c˜oes - os valores lidos possuem uma distribui¸c˜ao estat´ıstica; - cada medida ´e independente das outras; - erros pequenos ocorrem com maior probabilidade que os grandes; - erros importantes s˜ao aperi´odicos; - erros (+) e (−) possuem mesma amplitude e probabilidade de ocorrˆencia e freq¨uˆencia. 1.5 Erros Absoluto e Relativo A palavra “erro”designa a diferen¸ca alg´ebrica entre o valor medido Vm de uma grandeza e o seu valor verdadeiro, ou aceito como verdadeiro, Ve: ∆V = Vm − Ve Assim, o valor verdadeiro Ve da grandeza pode ser expresso da seguinte maneira: Vm − ∆V ≤ Ve ≤ Vm + ∆V O valor ∆V ´e chamado limite superior do erro absoluto, limite m´aximo do erro absoluto ou simplesmente “erro absoluto”. Quando o valor Vm encontrado na medida ´e maior que o valor verdadeiro Ve, diz-se que o erro cometido ´e “por excesso”. Quando Vm ´e menor que Ve, diz-se que o erro cometido ´e “por falta”. O “erro relativo”ε ´e difinido como a rela¸c˜ao entre o erro absoluto ∆V e o valor verda- deiro Ve da grandeza medida: ε = ∆V Ve Para efeito de c´alculo de ε pode-se, na maioria dos casos, considerar Ve = Vm tendo-se em conta que estes valores s˜ao muito aproximadamente iguais entre si. O erro relativo percentual tem a forma: ε = ∆V Ve · 100 1.6 Tratamento de erros em medidas Com o intuito de minimizar e identificar os v´arios tipos de erros presentes numa medida, um tratamento estat´ıstico pode ser aplicado num conjunto de dados obtidos em condi¸c˜oes idˆenticas e/ou conhecidas. Este tratamento estat´ıstico baseado na observa¸c˜ao repetitiva ´e eficaz na minimiza¸c˜ao de erros peri´odicos e aleat´orios.
  • 7.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 6 1.6.1 M´edia Aritm´etica A m´edia aritm´etica ¯x ´e dada a partir da equa¸c˜ao a seguir. ¯x = n i=1 xi n onde xi s˜ao os valores medidos e n ´e o n´umero de medidas. O res´ıduo r ´e a diferen¸ca ente a m´edia e cada uma das medidas r = (¯x − xi). 1.6.2 Erro Padr˜ao ou Desvio Padr˜ao O erro padr˜ao σ ´e encontrado a partir de uma s´erie de leituras e fornece uma estima- tiva da amplitude do erro presente nestas medidas e consequentemente sua precis˜ao. A determina¸c˜ao precisa do erro padr˜ao σ implica num grande n´umero de leituras. σ = r2 n − 1 sendo: r2 = (¯x − x1)2 + (¯x − x2)2 + . . . + (¯x − xi)2 Distibui¸c˜ao Normal ou Curva Gaussiana y = 1√ 2πσ2 · e− r2 2σ2 onde σ2 ´e a variˆancia, tp ´e o ponto de retorno (dy dx = 0) e pi s˜ao os pontos de inflex˜ao (d2y d2x = 0). A ´area hachurada na curva representa 68, 3% da ´area total que equivale ao conjunto de todas as medidas. O erro padr˜ao σ de uma s´erie de medidas indica ent˜ao uma proba- bilidade de 68, 3% que o valor verdadeiro da medida esteja entre −σ e +σ do valor m´edio ¯x do conjunto de dados. Consequentemente 2σ ⇒ 95, 4% e 3σ ⇒ 99, 7%.
  • 8.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 7 1.6.3 Erro Limite O erro limite L ´e uma forma de indica¸c˜ao da margem de erro baseada nos valores extremos (m´aximo e m´ınimo) poss´ıveis. Em geral, ´e definido como uma porcentagem do valor padr˜ao ou fundo de escala. Sup˜oe uma probabilidade te´orica de 100% de que o valor verdadeiro (yv) esteja no intervalo y ± L. Apesar de menos rigorosa, esta medida de erro ´e mais popular que o erro padr˜ao, pois indica o erro de forma mais direta e facilmente compreens´ıvel por um leigo. Numa avalia¸c˜ao rigorosa de dados, sempre que poss´ıvel deve-se usar a defini¸c˜ao de erro padr˜ao. Exemplo: a. R = 10kΩ ± 5%; b. C = 10µF + 20% − 10%; c. Em um instrumento: “precis˜ao”= 5% (o termo “precis˜ao”utilizado aqui deve ser substitu´ıdo por “erro”). 1.6.4 Determina¸c˜ao do valor mais prov´avel O valor verdadeiro xv da grandeza a ser medida ´e, em geral, desconhecido. Atrav´es da teoria de erros pode-se determinar, com alto grau de exatid˜ao, o valor mais prov´avel xp e o quanto este valor ifere do valor verdadeiro. Num conjunto de medidas onde os erros predominantes s˜ao aleat´orios, o valor mais prov´avel corresponde `a m´edia aritm´etica xp ≡ ¯x. 1.6.5 Intervalo de Confian¸ca Faixa de valores compreendida entre xp ± σ (ou 2σ, 3σ, . . . ) ou xp ± L. Considerando um conjunto de medidas quaisquer, a probabilidade de que o valor verdadeiro xv esteja presente em xp ± σ ´e de 31, 7%. 1.7 Dados Caracter´ısticos dos Instrumentos El´etricos de Medi¸c˜ao S˜ao indicados a seguir alguns dados caracter´ısticos essenciais dos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, dados estes importantes na utiliza¸c˜ao correta dos mesmos. 1.7.1 Natureza do Instrumento Natureza do instrumento ´e a caracter´ıstica que o identifica de acordo com o tipo de grandeza mensur´avel pelo mesmo. Exemplo: amper´ımetro, volt´ımetro, watt´ımetro, fas´ımetro, etc.
  • 9.
    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 8 1.7.2 Natureza do Conjugado Motor A natureza do conjugado motor caracteriza o princ´ıpio f´ısico de funcionamento do instrumento; caracteriza o efeito da corrente el´etrica aproveitado no mesmo. Exemplo: eletrodinˆamico - efeito de corrente el´etrica sobre corrente el´etrica; ferro-m´ovel - efeito do campo magn´etico da corrente el´etrica sobre pe¸ca de material ferromagn´etico; t´ermico - efeito do aquecimento produzido pela corrente el´etrica ao percorrer um condutor, etc. 1.7.3 Calibre do Instrumento O calibre do instrumento ´e o valor m´aximo, da grandeza mensur´avel, que o isntrumento ´e capaz de medir. Exemplo: um volt´ımetro que pode medir no m´aximo 200 volts, diz-se que o seu calibre ´e de 200 volts. H´a a considerar dois casos: Instrumento de um s´o calibre: o valor do calibre corresponde, normalmente, ao valor marcado no fim de sua escala. Exemplo: a figura abaixo representa um volt´ımetro de calibre ´unico, 200 volts. Instrumento de m´ultiplo calibre: os valores dos respectivos calibres vˆem indicados nas v´arias posi¸c˜oes da chave de comuta¸c˜ao dos calibres, posi¸c˜oes da chave de comuta;c˜ao dos calibres, podendo haver no mostrador apenas uma escala graduada. O valor de uma grandeza medida num dos calibres ser´a obtido pela rela¸c˜ao: Valor da grandeza = Calibre utilizado Valor marcado no fim da escala · Leitura Exemplo: A figura abaixo representa um multivolt´ımetro cujos terminais 1 e 2 s˜ao para liga¸c˜ao do mesmo ao circuito el´etrico cuja tens˜ao se deseja medir, sendo a sua escala graduada em divis˜oes, de 0 a 200 divis˜oes. Utilizando-se a chave de comuta¸c˜ao K no calibre de 300V , liga-se o volt´ımetro a um circuito el´etrico obtendo-se a leitura de 148 divis˜oes. Portanto, o valor medido V da tens˜ao ser´a: V = 300 200 · 148 = 222V 1.7.4 Discrepˆancia Discrepˆancia ´e a diferen¸ca entre valores medidos para a mesma grandeza. Exemplo: um volt´ımetro ´e empregado para medir a tens˜ao de uma fonte, dando como primeira leitura 218V e como segunda leitura 220V . Diz-se ent˜ao que entre as duas medi¸c˜oes h´a uma discrepˆancia de 2V .
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 9 1.7.5 Sensibilidade Sensibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao que exprime a rela¸c˜ao entre o valor da grandeza medida e o deslocamento da indica¸c˜ao. Exemplo: dois am- per´ımetros s˜ao postos em s´erie para medir uma mesma corrente I. No primeiro, observa- se uma indica¸c˜ao de x divis˜oes na escala e no segundo, uma indica¸c˜ao de 2x divis˜oes. Diz-se, ent˜ao, que a sensibilidade do segundo amper´ımetro ´e o dobro da sensibilidade do primeiro. 1.7.6 Resolu¸c˜ao Resolu¸c˜ao ´e o menor incremento que se pode assegurar na leitura de um instrumento, o que corresponde `a menor divis˜ao marcada na escala do instrumento. 1.7.7 Mobilidade Mobilidade ´e a menor varia¸c˜ao da grandeza medida capaz de usar um deslocamento percept´ıvel no ponteiro ou na imagem luminosa. 1.7.8 Perda Pr´opria Perda pr´opria ´e a potˆencia consumida pelo instrumento correspondente `a indica¸c˜ao final da escala, correspondente ao calibre. Exemplo: um amper´ımetro de calibre 10A e resistˆencia pr´opria 0, 2Ω tem uma perda pr´opria de 20W. ´E desej´avel que os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao tenham a m´ınima perda pr´opria a fim de que n˜ao perturbem o circuito em que est´a ligado, sobretudo este circuito trata-se de um circuito de pequena potˆencia. Os instrumentos eletrˆonicos de medi¸c˜ao s˜ao considerados de perda pr´opria praticamente nula. 1.7.9 Eficiˆencia Eficiˆencia de um instrumento ´e a rela¸c˜ao entre o seu calibre e a perda pr´opria. Exem- plo: levando em considera¸c˜ao o exemplo do item anterior, a eficiˆencia do amper´ımetro seria: 10A/20W = 0, 5A/W. No caso de volt´ımetro ´e usual exprimir a eficiˆencia em Ω/V , pois: V/W = RI/V I = R/V . Dois volt´ımetros, um de 800Ω/V e outro de 5000Ω/V , o segundo tem melhor eficiˆencia que o primeiro. 1.7.10 Rigidez Diel´etrica Rigidez diel´etrica caracteriza a isola¸c˜ao entre a parte ativa e a carca¸ca do instrumento. A rigidez diel´etrica ´e expressa por um certo n´umero de quilovolts, chamado de “tens˜ao de prova”ou “tens˜ao de ensaio”, o qual representa a tens˜ao m´axima que se pode aplicar entre a parte ativa e a carca¸ca do instrumento sem que lhe cause danos. Estes valores s˜ao representados nos instrumentos simbolicamente por uma estrela con- tendo, ou n˜ao, um n´umero em seu interior.
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 10 1.7.11 Categoria de Medi¸c˜ao Definido pelos padr˜oes internacionais, a categoria de medi¸c˜ao define categorias de I a IV, onde os sistemas s˜ao divididos de acordo com a distribui¸c˜ao de energia. Esta divis˜ao ´e baseada no fato de que um transiente perigoso de alta energia, como um raio, ser´a atenuado ou amortecido `a medida que passa pela impedˆancia (resistˆencia CA) do sistema. 1.7.12 Exatid˜ao Exatid˜ao ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao que exprime o afastamento entre a medida nele efetuada e o valor de referˆencia aceito como verdadeiro. O valor da exatid˜ao de um instrumento de medi¸c˜ao ou de um acess´orio ´e definido pelos limites do erro intr´ınseco e pelos limites da varia¸c˜ao na indica¸c˜ao. Como se vˆe, a exatid˜ao de um instrumento ´e considerada em rela¸c˜ao a um padr˜ao, a um valor aceito como verdadeiro. Pode-se dizer que a exatid˜ao est´a diretamente relacionada com as caracter´ısticas pr´oprias do instrumento, a forma como foi projetado e constru´ıdo. Os erros sistem´aticos ´e que definem se um instrumento ´e mais exato ou menos exato que outro. A exatid˜ao vem indicada nos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao e nos acess´orios atrav´es da sua “classe de exatid˜ao”.
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 11 Classe de Exatid˜ao do Instrumento A classe de exatid˜ao do instrumento representa o limite de erro, garantido pelo fa- bricante do instrumento, que se pode cometer em qualquer medida efetuada com este instrumento. A classe de exatid˜ao ´e representada pelo “´ındice de classe”, um n´umero abstrato, o qual deve ser tomado como uma percentagem do calibre do instrumento. Exemplo: seja um volt´ımetro de calibre C = 300V e classe de exatid˜ao 1, 5; o limite de erro que se pode cometer em qualquer medida feita com este volt´ımetro ´e de 1, 5% de 300V , ou seja: ∆C = 300·1,5 100 = 4, 5V Vˆe-se que o erro relativo percentual ´e ∆C X · 100 > 1, 5% para uma medi¸c˜ao efetuada de X volts. Isto mostra que o instrumento deve ser utilizado para medir grandezas de valor o mais pr´oximo poss´ıvel do ser calibre, onde teremos o erro relativo m´ınimo. Uma pr´atica usual ´e selecionar um instrumento de calibre tal que o calor medido se situe no ´ultimo ter¸co da escala. Um instrumento el´etrico de medi¸c˜ao, quanto melhor ´e a sua classe de exatid˜ao, mais caro ele custa e mais cuidados ele requer na sua utiliza¸c˜ao, com pessoal mais especializado. Tendo em vista este fato ´e que os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao podem ser classificados em dois grupos: Instrumentos de Laborat´orio: s˜ao medidas realizadas em ambientes e condi¸c˜oes ideais, distintos do ambiente industrial. S˜ao medidas feitas para averiguar o funcionamento dos dispositivos de medidas industriais, ou para o projeto de dispositivos e circuitos. Devem ter uma maior precis˜ao e por isso s˜ao mais caros e delicados. Classe de exatid˜ao de 0, 1 a 1, 5; Instrumentos de Servi¸co, Instrumentos Industriais: s˜ao aquelas medidas feitas direta- mente sobre a montagem industrial ou instala¸c˜ao el´etrica. S˜ao utilizados equipa- mentos pr´aticos tanto fixos como port´ateis, classe de exatid˜ao de 2 a 3, ou maior. 1.7.13 Repetibilidade (Precis˜ao) No Vocabul´ario Internacional de Metrologia, o termo Precis˜ao foi substitu´ıdo por Repetibilidade. Neste texto adotaremos o termo Repetibilidade. Repetibilidade ´e a caracter´ıstica de um instrumento de medi¸c˜ao, determinada atrav´es de um processo estat´ıstico de medi¸c˜oes, que exprime o afastamento m´utuo entre as diversas medidas obtidas de uma grandeza dada, em rela¸c˜ao `a m´edia aritm´etica dessas medidas. Ou seja, repetibilidade ´e a propriedade de um instrumento de, em condi¸c˜oes idˆenticas, indicar o mesmo valor para uma determinada grandeza medida. Um instrumento preciso n˜ao ´e necessariamente exato, embora seja na maioria dos casos. A repetibilidade est´a mais ligada `a opera¸c˜ao, ao fato de medir a grandeza. Ou seja, ´e o termo que est´a necessariamente ligado a uma avalia¸c˜ao estat´ıstica sobre os valores resultantes de uma medida. A precis˜ao exprime o grau de consistˆencia ou reprodu¸c˜ao nas indica¸c˜oes de uma medida sob as mesmas condi¸c˜oes. A repetibilidade n˜ao vem indicada nos intrumentos, pois ela resulta de uma an´alise estat´ıstica. A repetibilidade de uma medida se faz atrav´es do “´ındice de repetibilidade”, comu- mente dado em fun¸c˜ao do desvio padr˜ao sobre a m´edia dos valores medidos. Assim,
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 12 quando se diz que determinado resultado tem uma repetibilidade de 0, 5% isto que dizer que a rela¸c˜ao σ/¯x ≤ 0, 005, onde σ ´e o desvio padr˜ao. A repetibilidade ´e um pr´e-requisito da exatid˜ao, mas a repetibilidade n˜ao garante a exatid˜ao. As medidas efetuadas poder˜ao ser t˜ao mais precisas quanto mais exato for o instrumento empregado. Exemplo: Suponhamos um volt´ımetro, constru´ıdo com certa classe de exatid˜ao, tem sua resistˆencia original substitu´ıda por outra de maior valor. Este volt´ımetro continua a fazer medidas com a mesma repetibilidade, entretanto a sua exatid˜ao pode estar muito diferente daquela que ele tinha quando estava com a resistˆencia original. A exatid˜ao das medidas somente pode ser comprovada atrav´es da compara¸c˜ao do instrumento com um padr˜ao. Exemplo: Suponhamos dois volt´ımetros de mesmo calibre, um de classe de exatid˜ao 2 e outro de classe de exatid˜ao 1. Os dois volt´ımetros poder˜ao fazer medidas com a mesma repetibilidade, por´em o segundo indicar´a valores mais exatos, pois estes estar˜ao mais pr´oximos do valor aceito como verdadeiro. 1.8 Princ´ıpios de Funcionamento de Instrumentos Ele- tromecˆanicos Os primeiros instrumentos utilizados para medidas de grandezas el´etricas eram ba- seados na deflex˜ao de um ponteiro acoplado a uma bobina m´ovel imersa em um campo magn´etico. Uma corrente aplicada na bobina produz o seu deslocamento pela for¸ca de Lo- rentz. Um mecanismo de contra-rea¸c˜ao (em geral uma mola) produz uma for¸ca contr´aria de modo que a deflex˜ao do ponteiro seja proporcional `a corrente na bobina. Estes instrumentos anal´ogicos est˜ao em desuso em fun¸c˜ao de suas qualidades inferiores se comparadas `as dos instrumentos digitais (imprecis˜oes de leitura, fragilidade, desgaste mecˆanico, dif´ıcil automa¸c˜ao de leitura, etc.). Os instrumentos digitais atuais s˜ao inteiramente eletrˆonicos, n˜ao possuindo partes m´oveis (exceto seletores de escala e teclas). S˜ao mais robustos, precisos, est´aveis e
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 13 dur´aveis. S˜ao baseados em conversores anal´ogico/digital (A/D) e s˜ao facilmente adapt´aveis a uma leitura automatizada. Al´em disso, o custo dos instrumentos digitais ´e em geral inferior (com exce¸c˜ao dos oscilosc´opios). Contudo, iremos estudar os princ´ıpios gerais sobre instrumentos eletromecˆanicos de medi¸c˜ao para entendermos melhor o avan¸co dos instrumentos digitais. 1.8.1 Generalidades sobre Instrumentos El´etricos de Medi¸c˜ao Os instrumentos el´etricos empregados na medi¸c˜ao das grandezas el´etricas tˆem sempre um conjunto que ´e deslocado aproveitando um dos efeitos da corrente el´etrica: efeito t´ermico, efeito magn´etico, efeito dinˆamico, etc. Preso ao conjunto m´ovel est´a um ponteiro que se desloca na frente de uma escala graduada em valores da grandeza a que se destina o instrumento medir, como na figura abaixo. A corrente el´etrica cont´ınua ao percorrer a bobina fica na presen¸ca do campo magn´etico do im˜a permanente. A intera¸c˜ao entre a corrente e o campo magn´etico origina as for¸cas aplicadas aos condutores da bobina, for¸cas estas que produzem um conjugado em rela¸c˜ao ao eixo de rota¸c˜ao do sistema, fazendo girar a bobina em torno deste eixo. Este conjunto assim originado ´e chamado de “conjugado motor”. Ao mesmo tempo as molas, com uma extremidade presa ao eixo da bobina e a outra `a carca¸ca do instrumento, ficam sob tens˜ao mecˆanica e se op˜oem ao movimento de rota¸c˜ao da bobina, originando um “conjugado antagonista”ou “conjugado restaurador”. Estas molas, al´em da oposi¸c˜ao ao deslocamento do conjunto m´ovel, fazem-no voltar `a posi¸c˜ao inicial (posi¸c˜ao de repouso) cessado o efeito do conjugado motor. Para evitar as oscila¸c˜oes do conjunto m´ovel em torno da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, cria- se um “conjugado de amortecimento”por meio de artif´ıcios externos ao sistema. Este “conjugado de amortecimento”evita tamb´em os deslocamentos bruscos do conjunto m´ovel ao partir da posi¸c˜ao de repouso, como ao voltar a ela cessado o efeito do conjugado motor. O conjunto m´ovel dos instrumentos el´etricos ´e assim submetido a trˆes conjugados: 1. O motor produzido pela grandeza a medir, aproveitando um dos efeitos da corrente el´etrica;
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 14 2. O antagonista produzido pelas molas; 3. O de amortecimento produzido por arranjos externos ao conjunto m´ovel. 1.8.2 Amortecimento do Movimento do Conjunto M´ovel H´a trˆes tipos principais de amortecimentos aplicados aos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao: amortecimento por correntes de Foucault, por atrito sobre o ar e por atrito sobre l´ıquido. Amortecimento por Correntes de Foucault A figura acima mostra o princ´ıpio f´ısico em que se baseia este amortecimento. O disco de alum´ınio ´e rigidamente solid´ario ao eixo do conjunto m´ovel. Quando este se desloca, movido pelo conjugado motor, o disco corta as linhas de fluxo do entreferro do im˜a permanente. No disco s˜ao ent˜ao induzidas correntes de Foucault. Como elas est˜ao na presen¸ca do campo magn´etico do mesmo im˜a permanente, a intera¸c˜ao entre estas correntes e o referido campo magn´etico dar´a origem a uma for¸ca cujo sentido se op˜oe ao movimento do disco, produzindo assim um conjugado em rela¸c˜ao ao eixo de rota¸c˜ao, conjugado este que ´e de amortecimento, pois a sua existˆencia est´a condicionada ao movimento do disco. O conjugado de amortecimento ´e diretamente proporcional `a velocidade angular do disco. Amortecimento por Atrito sobre o Ar ´E provocado pela rea¸c˜ao do ar sobre uma fina palheta met´alica presa ao eixo de rota¸c˜ao do conjunto m´ovel, ao qual est´a tamb´em preso o ponteiro. A figura abaixo mostra o artif´ıcio mais empregado para este tipo de amortecimento. Pode ser demonstrado que o conjugado de amortecimento ´e proporcional `a velocidade angular do conjunto m´ovel.
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 15 Amortecimento por Atrito sobre L´ıquido O l´ıquido mais usado ´e o ´oleo mineral, em virtude de suas caracter´ısticas, tamb´em como isolante. A viscosidade do ´oleo ´e escolhida de acordo com o mais intenso ou menos intenso amortecimento que se queira dar ao movimento do conjunto m´ovel. Demonstra-se tamb´em em dinˆamica dos l´ıquidos que o conjugado de amortecimento neste caso ´e ainda proporcional `a velocidade angular do conjunto m´ovel. 1.8.3 Suspens˜ao do Conjunto M´ovel Esta ´e a parte mais delicada na constru¸c˜ao dos instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, devendo a suspens˜ao do conjunto m´ovel ser feita com tal perfei¸c˜ao a proporcionar um movimento sem nenhum atrito. H´a trˆes tipos de suspens˜oes mais empregadas: suspens˜ao por fio, por eixo (instrumento de “pivot”) e suspens˜ao magn´etica. Suspens˜ao por Fio Empregada, sobretudo, em instrumentos de alta sensibilidade, instrumentos de labo- rat´orio. O fio de suspens˜ao mostrado na figura acima ´e, em geral, feito de uma liga f´osforo- bronze e tem trˆes finalidades: suportar o conjunto m´ovel; fornecer, por interm´edio da tor¸c˜ao, o conjugado antagonista; e servir como condutor para levar a corrente el´etrica `a bobina. A extremidade superior do fio ´e presa `a carca¸ca do instrumento e a sua por¸c˜ao inferior ´e feita em forma de mola para permitir regular a tens˜ao mecˆanica do fio e centralizar o conjunto m´ovel. Suspens˜ao por Eixo O eixo ´e feito de a¸co, tendo nas extremidades dois bicos pontudos de a¸co duro repou- sando sobre dois apoios de rubi ou safira sint´etica.
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 16 O eixo pode ser vertical ou horizontal, como na figura acima. Devido a este detalhe, deve-se ter o cuidado de utilizar o instrumento na posi¸c˜ao correta indicada pelo fabricante, no mostrador, por s´ımbolos que podem ser vistos na sess˜ao a seguir. Suspens˜ao Magn´etica ´E utilizada, sobretudo, nos instrumentos de eixo vertical. Dois pequenos im˜as per- manentes s˜ao empregados: um preso ao eixo do conjunto m´ovel e outro `a carca¸ca do instrumento. A suspens˜ao magn´etica pode ser de dois tipos: repuls˜ao, conforme a figura acima, em que p´olos de mesmo nome s˜ao colocados em presen¸ca na parte inferior do eixo; e atra¸c˜ao, conforme figura acima, em que p´olos de nomes contr´arios s˜ao colocados em presen¸ca na parte superior do eixo. O guia indicado nas figuras ´e feito de material n˜ao magn´etico e serve para evitar que o conjunto m´ovel fuja da posi¸c˜ao correta em que deve trabalhar. Esta suspens˜ao tem sido empregada com resultados satisfat´orios nos medidores de energia el´etrica, eliminando consideravelmente o atrito no apoio inferior, uma vez que com este artif´ıcio o conjunto m´ovel fica flutuando no ar. Isto fez com que a vida m´edia destes medidores aumentasse de 15 para 30 anos. 1.8.4 Processos de Leitura Os instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, conforme o modo de indica¸c˜ao do valor das grandezas medidas, podem ser classificados em trˆes tipos: indicadores, registradores e acumuladores, ou totalizadores. Instrumentos Indicadores Sobre uma escala graduada, eles indicam o valor da grandeza a que se destinam medir. Podem ser do tipo “ponteiro”para instrumentos anal´ogicos de suspens˜ao por eixo e do
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 17 tipo “feixe luminoso”ou “imagem luminosa”para instrumentos anal´ogicos de suspens˜ao por fio. Os instrumentos digitais podem utilizar leds, displays, ou monitores independente dos tipos de instrumento; podendo inclusive, atrav´es de uma rede, possibilitar uma indica¸c˜ao remota . Instrumentos Registradores Em instrumentos anal´ogicos, sobre um rolo de papel graduado, eles registram os valores da grandeza a que se destinam medir. Depois, retirando-se o papel do instrumento, tem- se uma id´eia da varia¸c˜ao da grandeza medida durante o per´ıodo de tempo em que este instrumento esteve ligado. Em instrumentos digitais, o registro ´e realizado atrav´es de mem´orias. O que facilita a an´alise e o armazenamento de dados. Al´em de, atrav´es de uma rede, possibilitar a an´alise de forma remota. Acumuladores ou Totalizadores O mostrador destes instrumentos indica o valor acumulado da grandeza medida, desde o momento em que os mesmos foram instalados. S˜ao especialmente destinados `a medi¸c˜ao de energia el´etrica, levando em considera¸c˜ao a potˆencia el´etrica solicitada por uma carga e o tempo de utiliza¸c˜ao da mesma. A quan- tidade de energia el´etrica solicitada durante um certo per´ıodo, um mˆes por exemplo, ´e obtida pela diferen¸ca entre a leitura no fim do per´ıodo, chamada “leitura atual”, e a leitura que foi feita no in´ıcio do per´ıodo, chamada “leitura anterior”. 1.9 Simbologia para Instrumentos de Medida A utiliza¸c˜ao correta dos instrumentos de medidas el´etricas depende da escolha dos instrumentos. Isto permite a medida correta das grandezas sem por em risco a vida do operador e a integridade do equipamento. Para tanto, deve-se observar os s´ımbolos gravados nos visores. As tabelas a seguir ilustram alguns dos s´ımbolos freq¨uentemente utilizados em medidas el´etricas e nos diagramas dos circuitos el´etricos.
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 19 Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo: Significa¸c˜ao: instrumento de ferro m´ovel, para correntes cont´ınua e alternada, classe de exatid˜ao 1, deve ser utilizado com o mostrador na posi¸c˜ao horizontal, tens˜ao de ensaio 2kV . 1.10 Precau¸c˜oes na Utiliza¸c˜ao ´E aconselh´avel que o operador somente utilize um instrumento el´etrico de medi¸c˜ao se tiver real certeza de que o est´a utilizando de modo correto. Esta precau¸c˜ao faz evitar acidentes para o operador e para o instrumento. Se o instrumento n˜ao ´e ainda conhecido para o operador, antes de coloc´a-lo em opera¸c˜ao, devem ser lidos os manuais de instru¸c˜oes fornecidos pelo fabricante. Para fazer a medida de uma grandeza el´etrica, ´e necess´ario selecionar o instrumento adequado tendo em vista v´arias condi¸c˜oes: 1. Natureza da grandeza que se quer medir: corrente, tens˜ao, potˆencia, energia, etc., e o seu tipo, isto ´e, grandeza cont´ınua ou alternada. 2. Valor aproximado da grandeza para que se possa fazer a sele¸c˜ao do calibre adequado. Na pr´atica, isto ´e quase sempre poss´ıvel em virtude dos dados caracter´ısticos do equipamento fornecidos na sua placa de identifica¸c˜ao. Por exemplo, deseja-se me- dir a corrente solicitada por uma lˆampada de 200W, 220V , pode-se empregar um amper´ımetro de calibre 1A, uma vez que, calculando a corrente solicitada por esta lˆampada, se vˆe que ela ´e ligeiramente inferior a 1A. Se n˜ao h´a condi¸c˜oes para determinar previamente o valor aproximado da grandeza, ent˜ao deve ser selecionado um instrumento de calibre o maior poss´ıvel. Verificado assim desta forma o valor da grandeza, pode-se ent˜ao selecionar um calibre mais adequado, de tal modo que o valor medido se situe no ´ultimo ter¸co da escala do instrumento utilizado, obtendo-se assim melhor resultado na medida. 3. O instrumento deve ter uma classe de exatid˜ao compat´ıvel com a qualidade da gran- deza que se est´a medindo e com a precis˜ao que se deseja nos resultados que ser˜ao obtidos. 4. Em rela¸c˜ao `a potˆencia el´etrica da fonte que alimenta o circuito em que vai ser intro- duzido o instrumento de medi¸c˜ao, este deve ser selecionado com uma eficiˆencia a melhor poss´ıvel a fim de que nenhuma influˆencia cause no referido circuito. 5. ´E interessante analisar previamente a perturba¸c˜ao que pode causar um determinado instrumento de medi¸c˜ao ao ser inserido num circuito. Este fato ´e ressaltado com o exemplo seguinte: corriqueiramente ´e dito que todo amper´ımetro tem resistˆencia interna desprez´ıvel quando ´e utilizado para medir uma corrente el´etrica. Esta afirma- tiva ´e precipitada! ´E mais correto afirmar que a resistˆencia interna do amper´ımetro
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    Cap´ıtulo 1. Generalidadessobre os Instrumentos de Medidas El´etricas 20 ´e pequena, mas n˜ao, desprez´ıvel. Poder´a ser desprez´ıvel se realmente for muito me- nor do que a resistˆencia do circuito com a qual tenha sido posto em s´erie. Para fixar a id´eia, suponhamos que uma fonte E = 10V alimenta uma resistˆencia R = 1Ω, conforme a figura abaixo. Ora, a corrente I que circula atrav´es de R ´e de 10A. Se for introduzido em s´erie com R um amper´ımetro de resistˆencia interna Ra = 1Ω, conforme a figura abaixo, a corrente ser´a agora I = 5A. Isto mostra que o amper´ımetro causou uma perturba¸c˜ao no circuito em virtude de a sua resistˆencia ser consider´avel, e n˜ao desprez´ıvel, diante do valor da resistˆencia R do circuito. Este exemplo ´e extensivo a todos os outros instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao e serve de alerta aos seus manipuladores.
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    Cap´ıtulo 2 Medi¸c˜ao dePotˆencias Ativa e Reativa 2.1 Watt´ımetro Eletrodinˆamico A figura a seguir esquematiza este instrumento que consta essencialmente das seguintes partes, al´em das molas restauradoras: a. Uma bobina fixa Bc constitu´ıda de duas meias bobinas idˆenticas; b. Uma bobina m´ovel Bp, `a qual est´a preso o ponteiro, colocada entre as duas meias bobinas Bc. O movimento do conjunto m´ovel, bobina Bp, resulta da intera¸c˜ao entre o campo eletromagn´etico, criado pela corrente ic, e a corrente ip da bobina Bp. O seu funcionamento ´e assim idˆentico ao do instrumento de im˜a fixo e bobina m´ovel, sendo o im˜a permanente substitu´ıdo por Bc, fazendo-se ressalva de que os eletrodinˆamicos s˜ao utiliz´aveis tanto em corrente cont´ınua como em corrente alternada. A nota¸c˜ao Bc e Bp ´e justificada pela utiliza¸c˜ao destes instrumentos como watt´ımetro, onde Bc ´e chamada bobina de corrente e Bp, bobina de potencial ou bobina de tens˜ao. E ainda, Lc ´e o coeficiente de auto-indu¸c˜ao de Bc e Lp, de Bp.
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 22 Consideremos uma carga Z submetida `a tens˜ao v e percorrida pela corrente i. Ligando Bc em s´erie com esta carga e Bp em paralelo, e considerando Rp >> ωLp, temos que ic = i e ip = v Rp . O que nos d´a a potˆencia ativa da carga Z em watt, de modo que a leitura do valor da potˆencia ativa ´e feita diretamente. 2.1.1 Erro Sistem´atico do Watt´ımetro Como mostram os dois esquemas seguintes ´e imposs´ıvel realizar, ao mesmo tempo, a liga¸c˜ao s´erie Bc−carga e a liga¸c˜ao paralela Bp−carga. A medi¸c˜ao, portanto, comporta um erro sistem´atico: seja com a influˆencia da bobina Bc na corrente ic antes da medi¸c˜ao de Bp, ou na influˆencia da corrente ip da bobina Bp fazendo que haja um desvio da corrente total i = ic da carga e que ´e medida pela bobina Bc. No caso em que se deseje um valor preciso de potˆencia medida, ´e poss´ıvel determinar-se o valor da potˆencia perdida para subtra´ı-lo da indica¸c˜ao do watt´ımetro. 2.1.2 Modo Pr´atico de Ligar o Watt´ımetro Antes de ligar um watt´ımetro, ´e preciso observar os valores m´aximos de corrente e tens˜ao suport´aveis por Bc e Bp, respectivamente. Estes valores est˜ao indicados no mostrador do instrumento, como por exemplo, na figura abaixo em que Bc suporta no m´aximo 5A e Bp, 300V . Olhando para um watt´ımetro, facilmente identificamos os terminais das bobinas Bc e Bp: os terminais de Bc tˆem maior se¸c˜ao que os de Bp. Ou aqueles est˜ao designados por A1 e A2, e estes por V1 e V2. Um terminal de Bc, como tamb´em um de Bp, est´a marcado com um sinal ± ou com um aster´ıstico ∗. Isto indica a entrada das bobinas Bc e Bp.
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 23 Para que o watt´ımetro dˆe uma indica¸c˜ao correta: 1. O terminal marcado de Bc deve ser ligado `a fonte e o outro `a carga, como mostra a figura acima. 2. O terminal marcado de Bp deve ser ligado no condutor que est´a em s´erie com Bc; levando em conta o recomendado no item anterior, sua liga¸c˜ao deve ser feita como na figura acima, isto ´e, a bobina Bp ligada depois da bobina de corrente. 3. O terminal n˜ao marcado de Bp ser´a ligado ao outro condutor, isto ´e, ligado ao ponto B ou E ou D da figura acima. 4. O watt´ımetro pode dar indica¸c˜ao para tr´as desde que o ˆangulo θ, entre a tens˜ao aplicada a Bp e a corrente que percorre Bc, tenha cos θ < 0. Para dar indica¸c˜ao para frente, ´e preciso inverter uma de suas duas bobinas Bc ou Bp, conforme mostram as figuras abaixo. Observamos que o watt´ımetro d´a um desvio proporcional ao produto V I cos θ, onde: V ´e o valor eficaz da tens˜ao aplicada `a Bp; I ´e o valor eficaz da corrente que percorre Bc; e θ ´e o ˆangulo de defasagem entre V e I. Como a escala do instrumento j´a ´e graduada em valores de potˆencia, no caso em watts, ent˜ao a sua indica¸c˜ao ser´a: W = V I · cos θ Se as grandezas aplicadas ao watt´ımetro forem as mesmas aplicadas `a carga, ent˜ao ele indicar´a a potˆencia ativa da carga, conforme a express˜ao de W acima. Chamamos a aten¸c˜ao para este ponto porque pode acontecer de a carga ser alimentada com a tens˜ao V e percorrida pela corrente I, enquanto que o watt´ımetro tenha Bp submetida `a tens˜ao U, diferente de V , e Bc percorrida pela mesma corrente I. A indica¸c˜ao W do watt´ımetro ser´a neste caso: W = UI · cos UI
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 24 2.2 Medi¸c˜ao de Potˆencia El´etrica em Corrente Alter- nada Para a medi¸c˜ao da potˆencia el´etrica ativa solicitada por uma carga, empregamos o watt´ımetro. O instrumento pode ser o mesmo, quer a fonte seja de corrente cont´ınua ou de corrente alternada. Chamamos a aten¸c˜ao para o fato de que a indica¸c˜ao do watt´ımetro ´e igual ao produto da tens˜ao V aplicada `a sua bobina de potencial Bp pela corrente I que percorre a sua bobina de corrente Bc e pelo cosseno do ˆangulo de defasagem entre V e I: W = V I · cos V I Se V for a mesma tens˜ao aplicada `a carga e I a mesma corrente que percorre, ent˜ao a indica¸c˜ao do watt´ımetro ser´a a potˆencia ativa absorvida pela carga. Relembramos as express˜oes das potˆencias el´etricas em corrente alternada: Potˆencia Aparente: S = V I expressa em volt-amp´ere (V A). Potˆencia Ativa: P = V I · cos θ expressa em watt (W). Potˆencia Reativa: Q = V I · sin θ expressa em var (var). ´E preciso tamb´em n˜ao esquecer a rela¸c˜ao entre a tens˜ao composta U (tens˜ao entre fases) e a tens˜ao simples ¯V (tens˜ao entre fase e neutro) nos circuitos trif´asicos equilibrados: U = √ 3 · V Para os ciscuitos trif´asicos equilibrados, as express˜oes das potˆencias ficar˜ao: Potˆencia Aparente: S = 3V I = √ 3 · UI. Potˆencia Ativa: P = 3V I · cos θ = √ 3 · UI cos θ. Potˆencia Reativa: Q = 3V I · sin θ = √ 3 · UI sin θ. 2.2.1 M´etodos para Medi¸c˜ao da Potˆencia Ativa Num circuito trif´asico a potˆencia instantˆanea ´e dada pela rela¸c˜ao: p = v1i1 + v2i2 + v3i3 onde: i1, i2 e i3 s˜ao as correntes das fases 1, 2 e 3, respectivamente; v1, v2 e v3 s˜ao as respectivas tens˜oes entre cada fase e o neutro.
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 25 M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases e um Neutro Este m´etodo ´e aplic´avel para os circuitos trif´asicos a quatro fios, equilibrados ou n˜ao, sendo trˆes fios de fase e um fio de neutro. Temos ent˜ao: P = V1I1 cos θ1 + V2I2 cos θ2 + V3I3 cos θ3 Aplicando ent˜ao trˆes watt´ımetros, como mostra a figura abaixo, temos que a soma das suas indica¸c˜oes respectivas representa a potˆencia ativa total absorvida pela carga Z. As indica¸c˜oes dos watt´ımetros ser˜ao: a. W = V1I1 cos V1I1 b. W = V2I2 cos V2I2 c. W = V3I3 cos V3I3 Levando em considera¸c˜ao que a figura do diagrama fasorial corresponde ao esquema da mesma figura, temos: a. cos V1I1 = cos θ1 b. cos V2I2 = cos θ2 c. cos V3I3 = cos θ3 A indica¸c˜ao total ser´a: W = W1 + W2 + W3 e a potˆencia ativa total: P = W. Se o circuito ´e equilibrado, isto ´e, existem as igualdades: a. V1 = V2 = V3 = V b. I1 = I2 = I3 = I
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 26 c. θ1 = θ2 = θ3 = θ ent˜ao, teremos: P = 3V I cos θ Para este caso podemos empregar apenas um watt´ımetro e multiplicar a sua indica¸c˜ao por 3 para termos a potˆencia ativa total P. M´etodo dos Dois Watt´ımetros: Circuitos de 3 Fases Este m´etodo ´e aplic´avel para os circuitos trif´asicos a trˆes fios, equilibrados ou n˜ao, sendo todos os trˆes fios de fase. Poder´a ser aplicado ao circuito de 4 fios se o mesmo for equilibrado, o que significa n˜ao circular corrente no neutro. Nos circuitos trif´asicos a trˆes fios, duas condi¸c˜oes s˜ao sempre satisfeitas: 1. A soma das correntes de linha ´e sempre zero: i1 + i2 + i3 = 0 Isto corresponde a: I1 + I2 + I3 = 0 2. A soma das tens˜oes compostas ´e sempre zero: u12 + u23 + u31 = 0 Isto corresponde a: U12 + U23 + U31 = 0 Explicitando i3 na express˜ao acima e substituindo na express˜ao de potˆencia ins- tantˆanea obtemos: p = v1i1 + v2i2 − v3 (i1 + i2) ou ainda: p = (v1 − v3) i1 + (v2 − v3) i2 Podemos ainda escrever as seguintes rela¸c˜oes: v1 − v3 = u13 que ´e a tens˜ao composta entre as fases 1 e 3 v2 − v3 = u23 que ´e a tens˜ao composta entre as fases 2 e 3 Ent˜ao: p = u13i1 + u23i2 E a potˆencia ativa total ser´a:
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 27 P = U13I1 · cos U13, I1 + U23I2 · cos U23, I2 A figura acima indica a montagem a realizar com os dois watt´ımetros para a obten¸c˜ao de P. Cada watt´ımetro indicar´a: a. W1 = U13I1 · cos U13, I1 b. W2 = U23I2 · cos U23, I2 Se o circuito ´e equilibrado, temos do diagrama fasorial da figura acima: a. U13, I1 = 30o − θ b. U23, I2 = 30o + θ Acarretando como conseq¨uˆencia: a. W1 = UI · cos (30o − θ) b. W2 = UI · cos (30o + θ) Sobre as express˜oes acima faremos as seguintes observa¸c˜oes: 1. θ < 60o acarreta cos θ > 0, 5 Neste caso temos W1 e W2 positivos, isto ´e, os dois watt´ımetros d˜ao indica¸c˜ao para a frente. 2. θ > 60o acarreta cos θ < 0, 5 O primeiro watt´ımetro d´a indica¸c˜ao para frente, mas o segundo d´a indica¸c˜ao para tr´as. 3. θ = 60o acarreta cos θ = 0, 5 O primeiro watt´ımetro indica sozinho a potˆencia ativa total da carga, pois o segundo indica W2 = 0.
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 28 Os dois watt´ımetros sempre dar˜ao indica¸c˜oes diferentes entre si. Somente para θ = 0 ´e que teremos: W1 = W2. A potˆencia ativa total P = W1+W2 ´e assim a soma alg´ebrica das respectivas indica¸c˜oes dos dois watt´ımetros. Se acontecer o segundo caso num circuito, devemos inverter a bobina de corrente Bc do segundo watt´ımetro de modo que o mesmo dˆe uma indica¸c˜ao para frente e este valor ser´a subtra´ıdo da indica¸c˜ao do primeiro instrumento para termos a potˆencia total P. O fator de potˆencia da carga pode ser calculado a partir das express˜oes: cos θ = W1+W2√ 3·UI ; sin θ = W1−W2 UI ; tgθ = W1+W2 W1−W2 · √ 3 Para este m´etodo, al´em da montagem da figura acima, pode ser realizadas as monta- gens mostradas na figura abaixo, bastando para isto substituir na express˜ao da corrente os valores correspondentes: i1 = − (i2 + i3) ou i2 = − (i1 + i3) 2.2.2 Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa A potˆencia reativa solicitada por uma carga monof´asica, de fator de potˆencia cos θ, ´e expressa como: Q = V I · sin θ Para a carga trif´asica esta potˆencia ser´a: Q = V1I1 sin θ1 + V2I2 sin θ2 + V3I3 sin θ3 Se a carga trif´asica ´e equilibrada, esta express˜ao, ficar´a: Q = 3V I · sin θ Embora existam instrumentos especiais para medi¸c˜ao de potˆencia reativa, eles s˜ao pouco empregados.Para os circuitos monof´asicos emprega-se o watt´ımetro e mais um volt´ımetro e um amper´ımetro, como mostra a figura abaixo. Da´ı deduzimos: cos θ = P V I e consequentemente sin θ e ainda: Q = V I · sin θ. Para os circuitos trif´asicos empregamos o wattimetro tendo cuidado de alimentar a sua bobina Bp com uma tens˜ao defasada de 90o em rela¸c˜ao `a tens˜ao aplicada `a carga.
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 29 Montagens para Medi¸c˜ao da Potˆencia Reativa em Circuitos Trif´asicos O circuito trif´asico pode ser a 3 ou 4 fios, equilibrado ou n˜ao, a montagem a realizar ´e a mostrada na figura abaixo. O fio neutro n˜ao ´e utilizado. As indica¸c˜oes dos watt´ımetros ser˜ao: a. W1 = U23I1 cos U23I1 b. W2 = U31I2 cos U31I2 c. W3 = U12I3 cos U12I3 Do diagrama fasorial correspondente, mostrado na figura acima, temos: a. cos U23I1 = cos (90o − θ1) = sin θ1 b. cos U31I2 = cos (90o − θ2) = sin θ2 c. cos U12I3 = cos (90o − θ3) = sin θ3
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 30 Assim, a soma das indica¸c˜oes ser´a: W = U23I1 sin θ1 + U31I2 sin θ2 + U12I3 sin θ3 Como as tens˜oes s˜ao supostas sempre equilibradas temos que: |U23| = |U31| = |U12| = U = √ 3 · V Assim, a express˜ao toma a forma: W = √ 3 · (V I1 sin θ1 + V I2 sin θ2 + V I3 sin θ3) Comparando as equa¸c˜oes, conclui-se que: W = √ 3 · Q ∴ Q = W√ 3 Ou seja: a potˆencia reativa total Q da carga ´e igual `a soma das indica¸c˜oes dos trˆes watt´ımetros dividida por √ 3. Sendo o circuito trif´asico equilibrado, podemos empregar apenas o primeiro watt´ımetro como mostra a figura abaixo. Desta se conclui: W1 = UI sin θ = √ 3 · V I sin θ E neste caso para termos a potˆencia reativa total Q: Q = √ 3 · W1 ou seja: Q = 3V I sin θ Costuma-se fazer a montagem da figura com trˆes watt´ımetros na pr´atica para verificar se o circuito trif´asico ´e realmente equilibrado, pois em caso afirmativo todos os watt´ımetros dar˜ao a mesma indica¸c˜ao: W1 = W2 = W3 Ainda para os circuitos trif´asicos equilibrados podemos empregar dois watt´ımetros como na figura abaixo e teremos: W = W1 + W2
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    Cap´ıtulo 2. Medi¸c˜aode Potˆencias Ativa e Reativa 31 Sequˆencia das Fases Na medi¸c˜ao da potˆencia ativa n˜ao importa a seq¨uˆencia das fases. Mas, na medi¸c˜ao da potˆencia reativa ´e muito importante conhecer a seq¨uˆencia das fases, pois se a liga¸c˜ao de Bp n˜ao for a correta, como a indicada nas montagens anteriores, o instrumento pode dar indica¸c˜ao incorreta, inclusive em sentido contr´ario ao normal. A primeira vista parece que ´e bastante inverter a liga¸c˜ao de Bc e teremos a indica¸c˜ao correta para a frente. Entretanto, esta observa¸c˜ao ´e feita para o fato da identifica¸c˜ao da natureza da potˆencia reativa, isto ´e, indutiva ou capacitiva. Se a potˆencia reativa for capacitiva, embora o instrumento esteja com a liga¸c˜ao correta, sua indica¸c˜ao ser´a para tr´as, como se pode ver na figura abaixo. A indica¸c˜ao do watt´ımetro: W = U23I1 · cos U23, I1 Mas, do diagrama fasorial: cos U23, I1 = cos (90o + θ) = − sin θ Donde concluimos: W = −U23I1 sin θ Se a liga¸c˜ao tivesse sido U32 ter´ıamos que a indica¸c˜ao do watt´ımetro seria: W = U32I1 sin θ O m´odulo seria o mesmo, mas dir´ıamos que a potˆencia reativa ´e indutiva, quando na realidade ´e capacitiva.
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    Cap´ıtulo 3 Transformadores paraInstrumentos 3.1 Introdu¸c˜ao Os transformadores para instrumentos s˜ao equipamentos el´etricos projetados e cons- tru´ıdos especificamente para alimentarem instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ao. S˜ao dois os tipos de transformadores para instrumentos. Transformador de Potencial (TP) ´E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ario ´e ligado em de- riva¸c˜ao com um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ario se destina a alimentar bobinas de potencial de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ao. Na pr´atica ´e considerado um “redutor de tens˜ao”, pois a tens˜ao no seu circuito secund´ario ´e normalmente menor que a tens˜ao no seu enrolamento prim´ario. Transformador de Corrente (TC) ´E um transformador para instrumento cujo enrolamento prim´ario ´e ligado em s´erie em um circuito el´etrico e cujo enrolamento secund´ario se destina a alimentar bobinas de corrente de instrumentos el´etricos de medi¸c˜ao, controle ou prote¸c˜ao. Na pr´atica ´e consi- derado um “redutor de corrente”, pois a corrente que percorre o seu circuito secund´ario ´e normalmente menor que a corrente que percorre o seu enrolamento prim´ario. 3.2 Generalidades sobre Transformadores O transformador ´e um equipamento el´etrico, est´atico, que recebe energia el´etrica e fornece energia el´etrica. Um transformador consta essencialmente de dois circuitos el´etricos, acoplados atrav´es de um circuito magn´etico. Um dos circuitos el´etricos, cha- mado “prim´ario”, recebe energia de uma fonte AC, e o outro, chamado “secund´ario”, fornece energia da mesma forma e freq¨uˆencia, mas usualmente sob tens˜ao diferente, a uma carga M.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 33 Os circuitos prim´ario e secund´ario s˜ao bobinas de fios de cobre, em geral com n1 = n2 onde n1 ´e o n´umero de espiras do prim´ario e n2 ´e o n´umero de espiras do secund´ario. O circuito magn´etico, chamado “n´ucleo”, ´e de chapas de ferro-sil´ıcio justapostas, mas isoladas umas das outras para reduzir as perdas por correntes de Foucault. Admitindo que a potˆencia fornecida ao prim´ario ´e totalmente transferida ao secund´ario, isto ´e, n˜ao h´a perdas, rendimento 100%, podemos escrever: U1I1 = U2I2 ou ainda: U1 U2 = I2 I1 = n1 n2 Da express˜ao acima conclu´ımos: n1I1 = n2I2, o que significa ser o n´umero de amp´eres- espiras do prim´ario igual ao n´umero de amp´eres-espiras do secund´ario. Portanto: I1 = n2 n1 · I2 Como I1 e I2 tˆem sentidos opostos, a rela¸c˜ao fasorial entre elas ser´a: I1 = −n2 n1 · I2 E como E1 deve equilibrar a tens˜ao aplicada U1, temos as sequintes rela¸c˜oes fasoriais: U2 = E2 e U1 = −E1 Agora, consideraremos um transformador real com todos os seus elementos considera- dos: resistˆencias dos enrolamentos prim´ario r1 e secund´ario r2, corrente de excita¸c˜ao I0, fluxo de dispers˜ao representados pelas “reatˆancias de fuga”ou “reatˆancias de dispers˜ao”do prim´ario x1 e secund´ario x2. Desta forma, a express˜ao do transformador ficar´a: U1 = −E1 + r1I1 + jx1I1 U2 = E2 − r2I2 − jx2I2 onde a corrente do prim´ario com a corrente de excita¸c˜ao ´e I1 = −n2 n1 · I2 + I0.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 34 3.3 Transformador de Potencial (TP) A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de potencial (TP). O TP tem n1 > n2 dando assim uma tens˜ao U2 < U1, sendo por isto considerado na pr´atica como um elemento “redutor de tens˜ao”, pois uma tens˜ao elevada U1 ´e transformada para uma tens˜ao reduzida U2 de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais. Os TPs s˜ao projetados e constru´ıdos para uma tens˜ao secund´aria nominal padronizada em 115 volts, sendo a tens˜ao prim´aria nominal estabelecida de acordo com a tens˜ao entre fases do circuito em que o TP ser´a ligado. Assim, s˜ao encontrados no mercado TPs para: 2300/115V , 13800/115V , 69000/115V , etc., isto significa que: a. Quando no prim´ario se aplica a tens˜ao nominal para o qual o TP foi constru´ıdo, no secund´ario tem-se 115 volts; b. Quando no prim´ario se aplica um tens˜ao menor ou maior do que a nominal, no secund´ario tem-se tamb´em uma tens˜ao menor ou maior do que 115 volts, mas na mesma propor¸c˜ao das tens˜oes nominais do TP utilizado. Exemplo: num TP de 13800/115V , ao aplicar-se a tens˜ao de 13400V no prim´ario, tem-se no secund´ario 112V ; ao aplicar-se a tens˜ao de 14280V , tem-se no secund´ario 119V . Os TPs a serem ligados entre fase e neutro s˜ao constru´ıdos para terem como tens˜ao prim´aria nominal a tens˜ao entre fases do circuito dividida por √ 3, e com tens˜ao secund´aria nominal 115/ √ 3 volts ou 115V aproximadamente, podendo ainda ter estas duas possibi- lidades de tens˜oes ao mesmo tempo por meio de uma deriva¸c˜ao conforme mostra a figura abaixo. Assim, s˜ao tamb´em encontrados no mercado TPs, por exemplo, para:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 35 1. Tens˜ao prim´aria nominal: 13800/ √ 3 volts Tens˜ao secund´aria nominal: 115/ √ 3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/ √ 3V e 115V aproximadamente. 2. Tens˜ao prim´aria nominal: 69000/ √ 3 volts Tens˜ao secund´aria nominal: 115/ √ 3 volts, ou as duas tens˜oes: 115/ √ 3V e 115V aproximadamente. O quadro abaixo mostra as tens˜oes prim´arias nominais e as rela¸c˜oes nominais padro- nizadas para os TPs fabricados normalmente no Brasil. Os TPs s˜ao projetados e constru´ıdos para suportarem uma sobre-tens˜ao de at´e 10% em regime permanente, sem que nenhum dano lhes seja causado. Como os TPs s˜ao empregados para alimentar instrumentos de alta impedˆancia (volt´ımetros, bobinas de potencial de watt´ımetros, bobinas de potencial de medidores de energia el´etrica, rel´es de tens˜ao, etc.) a corrente secund´aria I2 ´e muito pequena e por isto se diz que s˜ao transformadores de potˆencia que funcionam quase em vazio. 3.3.1 Rela¸c˜ao Nominal U1n U2n = Kp
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 36 ´E a rela¸c˜ao entre os valores nominais U1n e U2n das tens˜oes prim´aria e secund´aria, respectivamente, tens˜oes estas para as quais o TP foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸c˜ao nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ao do TP. ´E chamada tamb´em de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”, sendo nas aplica¸c˜oes pr´aticas considerada uma constante para cada TP. Ela ´e muito aproximadamente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras: U1n U2n = Kp = n1 n2 3.3.2 Rela¸c˜ao Real U1 U2 = Kr ´E a rela¸c˜ao entre o valor exato U1 de uma tens˜ao qualquer aplicada ao prim´ario do TP e o correspondente valor exato U2 verificado no secund´ario dele. Em virtude de o TP ser um equipamento eletromagn´etico, a cada U1 corresponde um U2 e como conseq¨uˆencia, um Kr: U1 U2 = Kr ; U1 U2 = Kr ; U1 U2 = Kr Como tamb´em, para uma mesma tens˜ao U1 aplicada ao prim´ario, a cada carga colocada no secund´ario do TP poder´a corresponder um valor da tens˜ao U2, e como conseq¨uˆencia, um Kr: U1 U2 = Kr ; U1 U2 = Kr ; etc. Estes valores de Kr s˜ao todos muito pr´oximos entre si e tamb´em de Kp, pois os TPs s˜ao projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade sob condi¸c˜oes e cuidados tamb´em especiais. Como n˜ao ´e poss´ıvel medir U2 e U1 com volt´ımetros (U1 tem normalmente valor ele- vado), mede-se U2 e chega-se ao valor exato U1 atrav´es da constru¸c˜ao do diagrama fasorial do TP. Por isto ´e que a “rela¸c˜ao real”aparece mais comumente indicada sob a forma se- guinte: U1 U2 = Kr 3.3.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao Kr Kp = FCRp ´E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”Kp do TP para se obter a sua rela¸c˜ao real Kr. De imediato vˆe-se que a cada Kr de um TP corresponder´a um FCRp. Em virtude destas varia¸c˜oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCRp para cada TP, sob condi¸c˜oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de exatid˜ao”, conforme ser´a visto a seguir.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 37 Na pr´atica lemos o valor da tens˜ao U2 com um volt´ımetro ligado ao secund´ario do TP e multiplicamos este valor lido por Kp para obtermos o valor da tens˜ao prim´aria, valor este que representa o “valor medido”desta tens˜ao prim´aria, e n˜ao o seu valor exato U1. Exemplo: um TP de 13800/115V tem o prim´ario ligado entre as duas fases de um circuito de alta tens˜ao e o secund´ario alimentando um volt´ımetro onde se lˆe: U2 = 113V . Como a rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao ´e neste caso Kp = 120, considera-se que a tens˜ao do circuito ´e: KpU2 = 120 · 113 = 13560V 3.3.4 Diagrama Fasorial O diagrama fasorial do TP, mostrado logo abaixo, ´e o mesmo do transformador geral. A seguir ´e mostrado o racioc´ınio para sua constru¸c˜ao. Vamos tra¸car o diagrama fasorial do transformador considerando n1 > n2. No se- cund´ario do transformador medem-se: U2, I2 e θ2, grandezas estas que dependem do tipo de carga que o transformador alimenta. Escolhendo-se uma escala conveniente para repre- senta¸c˜ao gr´afica dos fasores, fixa-se a posi¸c˜ao do fasor I2 em rela¸c˜ao ao fasor U2 e adota-se a seguinte seq¨uˆencia: a. A partir da extremidade de U2, tra¸ca-se r2I2 paralelo a I2 por representar a queda de tens˜ao na resistˆencia pr´opria do enrolamento secund´ario. b. A partir da extremidade de r2I2 tra¸ca-se x2I2 adiantado de 90o em rela¸c˜ao a I2 por representar a queda de tens˜ao na reatˆancia de dispers˜ao do secund´ario. c. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor x2I2, determina-se o fasor E2 representa- tivo da f.e.m. do enrolamento secund´ario. d. O fasor E1 est´a em fase com E2, sendo o seu m´odulo determinado pela seguinte rela¸c˜ao: E1 = n1 n2 · E2 e. Adiantando-se de 90o em rela¸c˜ao a E1 e E2 tra¸ca-se o fasor representativo do fluxo φ. f. A corrente de excita¸c˜ao I0, a qual ´e cerca de 1% da corrente nominal prim´aria, e o ˆangulo θ0 s˜ao determinados por meio de um ensaio em vazio. No diagrama fasorial I0 ´e posicionado em rela¸c˜ao a −E1 uma vez que em vazio pode-se considerar: U1 = −E1. Na figura, o fasor I0 n˜ao est´a em escala para possibilitar uma melhor visualiza¸c˜ao da figura. g. A partir da extremidade de I0 tra¸ca-se um fasor paralelo a I2, por´em de sentido contr´ario, de m´odulo: n1 n2 · I2. h. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade do fasor acima, determina-se o fasor I1. i. A partir da extremidade de −E1 tra¸ca-se r1I1 paralelo a I1 por representar a queda de tens˜ao na resistˆencia pr´opria do enrolamento prim´ario. j. A partir da extremidade de r1I1 tra¸ca-se x1I1 adiantado de 90o em rela¸c˜ao `a I1 por representar a queda de tens˜ao na reatˆancia de dispers˜ao do prim´ario.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 38 k. Unindo-se o ponto 0 `a extremidade de x1I1 determina-se o fasor U1 representativo da tens˜ao aplicada ao enrolamento prim´ario do transformador. Se n˜ao houvesse a corrente I0, a corrente I1 estaria defasada de exatamente 180o em rela¸c˜ao `a corrente I2. Se o transformador fosse perfeito, isto ´e, sem perdas e sem fugas, a tens˜ao U1 estaria tamb´em defasada de 180o em rela¸c˜ao `a tens˜ao U2. No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 13560V ´e o valor medido da tens˜ao prim´aria do TP. Para determinar o valor verdadeiro U1 desta tens˜ao, ter-se-´a de construir o diagrama fasorial deste TP como aparece na figura acima. Assim, para fixar a id´eia: a. KpU2 ´e o valor medido da tens˜ao prim´aria; b. |U1| = U1 ´e o valor verdadeiro ou exato da tens˜ao prim´aria obtido no diagrama fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de KpU2. Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de U2 est´a defasado de um ˆangulo γ em rela¸c˜ao `a U1. Num TP ideal este ˆangulo γ seria zero. Estas considera¸c˜oes levam a concluir que o TP, ao refletir no secund´ario o que se passa no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros. 3.3.5 Erros do TP Erro de Rela¸c˜ao εp valor relativo: εp = KpU2−|U1| |U1| valor percentual: ε% p = KpU2−|U1| |U1| · 100 Quando εp e FCRp est˜ao expressos em valores percentuais, h´a o seguinte relaciona- mento entre eles:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 39 ε% p = 100 − FCR% p Esta express˜ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ao εp e o fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ao est˜ao perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia. Para fins de racioc´ınio, podem ser deduzidas as duas conclus˜oes seguintes: 1. Kp < Kr acarreta FCRp > 100% e εp < 0: Neste caso, o valor considerado KpU2 para a tens˜ao prim´aria (chamado de valor medido) ´e menor do que o seu valor verdadeiro U1; h´a, portanto, um erro por falta; 2. Kp > Kr acarreta FCRp < 100% e εp > 0: Neste caso, o valor considerado KpU2 para a tens˜ao prim´aria (chamado de valor medido) ´e maior do que o seu valor verdadeiro U1; h´a, portanto, um erro por excesso; H´a uma preferˆencia na pr´atica em se trabalhar com o FCRp em lugar do εp, pois aquele fator ´e simplesmente um n´umero abstrato, independente de sinal, e d´a a entender exatamente o que se quer em rela¸c˜ao `a tens˜ao prim´aria refletida no secund´ario, isto ´e, se h´a erro por falta ou por excesso no valor a ela atribu´ıdo. Em termos pr´aticos n˜ao ´e usual o levantamento do diagrama fasorial como m´etodo para a determina¸c˜ao dos erros de rela¸c˜ao e de fase de um TP, em virtude dos inconvenientes e dificuldades inerentes a este pretenso m´etodo. Para se determinar estes erros, e consequentemente a classe de exatid˜ao de um TP, prefere-se na pr´atica, por simplicidade, comparar o TP com um TP padr˜ao idˆentico a ele, de mesma rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal, por´em sem erros, ou de erros conhecidos. Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. Ao prim´ario de um TP de 13800/115V , sob ensaio aplica-se uma certa tens˜ao que faz surgir no secund´ario a tens˜ao de 114V , comprovada atrav´es de um volt´ımetro. Constata-se depois que a tens˜ao prim´aria fora de exatamente 13800V . Determinar: Kp, Kr, FCRp e ε% p . Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao Nominal: Kp = 13800/115 = 120 Rela¸c˜ao Real: Kr = 13800/114 = 121, 053 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao: FCRp = 121, 053/120 = 1, 00877 ou FCRp = 100, 877% Erro de Rela¸c˜ao: ε% p = 100 − 100, 877 = −0, 877% Sendo neste exemplo FCRp > 100% (εp < 0), conclu´ı-se que o erro cometido em rela¸c˜ao `a tens˜ao prim´aria ´e por falta, pois a esta tens˜ao seria atribu´ıdo o valor: U1 = 120 · 114 ∴ U1 = 13680V . Erro de Fase ou ˆAngulo de Fase ´E o ˆangulo de defasagem γ existente entre U1 e o inverso de U2. Se o inverso de U2 ´e adiantado em rela¸c˜ao a U1, γ ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 40 3.3.6 Classes de Exatid˜ao dos TPs Do diagrama fasorial conclui-se de imediato que para um mesmo TP, submetido `a uma tens˜ao prim´aria U1, os erros de rela¸c˜ao e de fase variam com o tipo de carga utilizada no seu secund´ario, isto ´e, eles s˜ao fun¸c˜ao de I2 e θ2. ´E desej´avel na pr´atica que estes erros sejam os menores poss´ıveis. Em virtude deste fato, e com o objetivo de detectar a qualidade dos TPs e o seu comportamento prov´avel nas instala¸c˜oes, as normas t´ecnicas estabelecem certas condi¸c˜oes sob as quais estes transformadores devem ser ensaiados, definindo a partir da´ı a “classe de exatid˜ao”dos mesmos. Os TPs s˜ao enquadrados em uma ou mais das trˆes seguintes classe de exatid˜ao: classe de exatid˜ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2. Considera-se que um TP est´a dentro de sua classe de exatid˜ao em condi¸c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜oes, o ponto determinado pelo erro de rela¸c˜ao εp ou pelo fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e pelo ˆangulo de fase γ estiver dentro do “paralelogramo de exatid˜ao”especificado na figura abaixo correspondente `a sua classe de exatid˜ao. Para se estabelecer a classe de exatid˜ao dos TPs estes s˜ao ensaiados em vazio e depois com cargas padronizadas colocadas no seu secund´ario, uma de cada vez, sob as seguintes condi¸c˜oes de tens˜ao: tens˜ao nominal, 90% da tens˜ao nominal e 110% da tens˜ao nominal. Estas tens˜oes de ensaio cobrem a faixa de tens˜oes prov´aveis das instala¸c˜oes em que os TPs ser˜ao utilizados. As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ao relacionadas no quadro abaixo. ´E interessante ressaltar que estas cargas n˜ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ao usualmente empregados no secund´ario dos TPs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas el´etricas.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 41 Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ao, suponhamos que um TP, ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou: erro de rela¸c˜ao: εp = −0, 2% o que corresponde ao FCRp = 100, 2% ˆangulo de fase: γ = 20 O ponto correspondente a estes valores fica for a dos paralelogramos representativos das classes 0, 3 e 0, 6. Entretanto fica dentro do paralelogramo da classe 1, 2. Ent˜ao este TP ser´a considerado de classe de exatid˜ao 1, 2 para a carga de ensaio, embora o erro de rela¸c˜ao tenha sido de apenas 0, 2%. Se na placa de um TP est´a indicado: 0, 3WXY ; 0, 6Z isto significa que: 1. o TP ensaiado com as cargas padronizadas W, X e Y tem classe de exatid˜ao 0, 3, isto ´e, apresenta erro de rela¸c˜ao −0, 3% ≤ εp ≤ 0, 3% e ˆangulo de fase γ tal que o ponto correspondente a estes erros fica dentro do paralelogramo de classe 0, 3%; 2. ensaiado com a carga padronizada Z tem classe de exatid˜ao 0, 6. Na designa¸c˜ao da ABNT aquela indica¸c˜ao na placa do TP seria representada por 0, 3 − P75; 0, 6 − P200 . O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TP tendo em vista a sua aplica¸c˜ao nas diferentes categorias de medi¸c˜oes.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 42 3.3.7 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTp) do TP ´E interessante observar que na medi¸c˜ao de tens˜ao, isto ´e, quando o TP est´a alimen- tando apenas volt´ımetro, o FCRp ´e o ´unico que tem efeito nos valores medidos. Mas, quando o TP alimenta instrumento cuja indica¸c˜ao depende dos respectivos m´odulos da tens˜ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆangulo de defasagem entre estas duas grandezas, como no caso de watt´ımetros e medidos de energia el´etrica, ent˜ao o FCRp e o ˆangulo de fase γ tˆem efeito simultˆaneo nos valores medidos, e por isto devem ser ambos levados em considera¸c˜ao na an´alise dos resultados. Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ao de transforma¸c˜ao”FCTp que ´e definido da seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro, ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de potencial ´e alimentada atrav´es do referido TP, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e do ˆangulo de fase γ. A montagem da figura abaixo esquematiza o que foi dito acima. As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ao baseando-se no FCTp e na carga medida no prim´ario do TP (carga M na figura acima), para o qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ao entendido que a exatid˜ao do TP, indicada na sua placa de identifica¸c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1. Para qualquer fator de corre¸c˜ao da rela¸c˜ao (FCRp) conhecido de um TP, o valor limite positivo ou negativo do ˆangulo de fase (γ) em minutos ´e expresso por: γ = 2600 (FCTp − FCRp) onde o fator de corre¸c˜ao da transforma¸c˜ao (FCTp) deste TP assume os seus valores m´aximo e m´ınimo. Justamente, a partir da express˜ao acima ´e que se constr´oi o paralelogramo de exatid˜ao correspondente a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCTp, vˆe-se que esta express˜ao representa a equa¸c˜ao de uma reta. E de acordo com o que foi dito acima, o FCTp pode ter dois valores em cada classe de exatid˜ao: a. 1, 003 e 0, 997 na classe de exatid˜ao 0, 3 b. 1, 006 e 0, 994 na classe de exatid˜ao 0, 6 c. 1, 012 e 0, 988 na classe de exatid˜ao 1, 2
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 43 Para se tra¸car o paralelogramo referente a uma classe de exatid˜ao, atribui-se ao FCTp o seu valor m´aximo e faz-se variar o FCRp desde o seu limite superior at´e o limite inferior, obtendo-se assim os valores positivos de γ, podendo-se ent˜ao tra¸car um lado inclinado da figura. Em seguida, atribui-se ao FCTp o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCRp variar, obtendo-se agora os valores negativos de γ e conseq¨uentemente o outro inclinado da figura. 3.3.8 Como Especificar um TP Para se especificar corretamente um TP, ´e necess´ario antes de tudo saber-se qual ser´a a finalidade da sua aplica¸c˜ao, pois isto definir´a a classe de exatid˜ao, conforme visto anteriormente. A potˆencia nominal do TP ser´a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em termos de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ao inseridos no secund´ario, caracter´ısticas estas que s˜ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou poder˜ao ser determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da figura abaixo indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina de potencial de alguns instrumentos el´etricos que s˜ao utilizados com TPs, em condi¸c˜oes de 115V , 60Hz. ´E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se `as caracter´ısticas Z, R e L de cada bobina, caso se deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de potencial dos medidores de energia el´etrica, que as perdas n˜ao dever˜ao exceder 2W e 8V A. Os ensaios devem ser feitos em condi¸c˜oes nominais. Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TPs, vamos dar dois exemplos. Exemplo 1 Especificar um TP para medi¸c˜ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor energizado em 69kV , em que ser˜ao utilizados os seguintes instrumentos: a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 44 b. Medidor de kvarh, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´axima. Solu¸c˜ao: a. Classe de exatid˜ao: o quadro de classe de exatid˜ao indica 0, 3. b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forne- ceram o seguinte quadro de perdas em 115V , 60Hz: Da´ı, chega-se a: S = (6, 0)2 + (19, 3)2 ∴ S = 20, 21V A Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padronizada para ensaio de exatid˜ao imediatamente superior a 20, 21V A. A especifica¸c˜ao deste TP, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter o seguinte enunciado: Transforma- dor de potencial, tens˜ao prim´aria nominal 69000V , rela¸c˜ao nominal 600 : 1, 60Hz, carga nominal ABNT P25, classe de exatid˜ao ABNT 0, 3−P25 (ou ANSI 0, 3WX), potˆencia t´ermica 1000V A, grupo de liga¸c˜ao 1, para uso exterior (ou interior, con- forme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 69kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao 72, 5kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente. Exemplo 2 Especificar um TP para medi¸c˜ao de energia el´etrica e controle em 13, 8kV , sem fina- lidade de faturamento, em que ser˜ao utilizados os seguintes instrumentos: a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico. b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor- mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh. c. Watt´ımetro. d. Var´ımetro. e. Volt´ımetro. f. Fas´ımetro. Solu¸c˜ao:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 45 a. Classe de exatid˜ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo comprador). b. Potˆencia do TP: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forne- ceram o seguinte quadro de perdas: Da´ı, chega-se a: S = (21, 9)2 + (30, 4)2 ∴ S = 37, 46V A Com estes resultados e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que o TP deve ser de carga nominal pelo menos de 75V A que ´e a carga padronizada para ensaio de exatid˜ao imediatamente superior a 37, 46V A. A especifica¸c˜ao deste TP, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter o seguinte enunciado: Transformador de potencial, tens˜ao prim´aria nominal 13800V , rela¸c˜ao nominal 120 : 1, 60Hz, carga nominal ABNT P75, classe de exatid˜ao ABNT 0, 6 − P75 (ou ANSI 0, 6WXY ), potˆencia t´ermica 400V A, grupo de liga¸c˜ao 1, para uso exterior (ou interior, conforme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao 15kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 36kV e 110kV , respectivamente. Observa¸c˜oes 1. Na constru¸c˜ao dos TPs modernos, ´e normal conseguir-se a classe de exatid˜ao ABNT 0, 3 − P200 (ou ANSI 0, 3WXY Z) sem alterar em muito o pre¸co do equipamento, gra¸cas `a evolu¸c˜ao tecnol´ogica dos tipos de materiais utilizados. Para que os TPs citados nos exemplos 1 e 2 possam ser empregados em medi¸c˜ao para fins de fatu- ramento, e tamb´em em medi¸c˜ao para fins de controle, eles devem ser especificados, quanto `a exatid˜ao, pelo menos como: ABNT 0, 6−P75; 0, 6−P25 (ou ANSI 0, 3WX; 0, 6Y ). 2. No dimensionamento da carga nominal de um TP a ser empregado numa instala¸c˜ao, n˜ao h´a necessidade de se considerar a resistˆencia el´etrica dos condutores que ligam os instrumentos el´etricos ao TP. Como referˆencia, podemos tomar os dois exemplos citados anteriormente. Supondo que os instrumentos ficar˜ao a 25m do TP e ser˜ao ligados a este por meio de fio de cobre no 12AWG (resistˆencia el´etrica: 5, 3Ω/km), ter´ıamos como perdas nos condutores:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 46 No exemplo 1: 0, 0082W, o que ´e desprez´ıvel na frente da carga de 20, 21V A imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP. No exemplo 2: 0, 028W, o que ´e tamb´em desprez´ıvel na frente da carga de 37, 46V A imposta pelos instrumentos el´etricos ao TP. 3. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ao de dimensi- onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos instrumentos que ser˜ao utilizados na medi¸c˜ao, e n˜ao ordem de grandeza dessas per- das, pois h´a uma variedade consider´avel de instrumentos e, em conseq¨uˆencia, uma faixa muito larga de diferentes valores de perdas. 3.3.9 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC) Em circuitos de alta tens˜ao e extra tens˜ao, ´e mais conveniente e econˆomico o emprego dos TPs tipo capacitivo em lugar dos TPs tipo indu¸c˜ao, analisados at´e agora. A Figura abaixo mostra o esquema el´etrico b´asico destes TPCs, onde se vˆe que o prim´ario, constitu´ıdo por um conjunto C1 e C2 de elementos capacitivos em s´erie, ´e ligado entre fase e terra, havendo uma deriva¸c˜ao intermedi´aria B, correspondente a uma tens˜ao U da ordem de 5kV a 15kV , para alimentar o enrolamento prim´ario de um TP tipo indu¸c˜ao intermedi´ario, o qual fornecer´a a tens˜ao U2 aos instrumentos de medi¸c˜ao e dispositivos de prote¸c˜ao ali inseridos. Um reator, projetado e constru´ıdo pelo fabricante, ´e posto em s´erie com o prim´ario do TP intermedi´ario de modo que o conjunto tenha uma reatˆancia Lω que satisfa¸ca a seguinte igualdade: Lω = 1 (C1 + C2) ω A partir da Figura acima se pode estabelecer a rela¸c˜ao entre as tens˜oes prim´aria e secund´aria. Dela podemos deduzir as express˜oes de U1 e de U: U1 = − j (I + I1) C1ω − jI C2ω U = − jI C2ω − jLωI1
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 47 Levando em considera¸c˜ao o valor de Lω, obtemos: U = − jI1 C2ω − jI1 (C1 + C2) ω Dividindo membro a membro temos: U1 U = C1 + C2 C1 A express˜ao acima mostra que a rela¸c˜ao entre as tens˜oes U1 e U independe da corrente. Isto ´e verdade, pois em vazio, insto ´e, quando o TP intermedi´ario n˜ao estiver ligado, obt´em-se o mesmo valor que o obtido na equa¸c˜ao acima para a rela¸c˜ao entre U1 e U. Vejamos:    U1 = − j (I + I1) C1ω − jI C2ω = − jI ω C1 + C2 C1C2 U = − jI C2ω Novamente, dividindo membro a membro, obtemos: U1 U = C1 + C2 C1 Sendo o TP intermedi´ario constru´ıdo de tal modo que: U = KU2, a express˜ao acima toma forma: U1 U2 = K · C1 + C2 C1 O TPC sendo constru´ıdo para as tens˜oes U1 e U2 tais que representem os valores nominais, ent˜ao a express˜ao acima ´e o valor da rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal Kp do TPC: U1n U2n = Kp Onde Kp equivale a: Kp = K · C1 + C2 C1 Observa¸c˜oes: 1. Os TPCs s˜ao constru´ıdos para tens˜oes prim´arias de 34, 5kV a 765kV , sendo a tens˜ao intermedi´aria de 5kV a 15kV e a tens˜ao secund´aria de 115V e 115/ √ 3V . 2. Os TPCs tˆem perdas bastante reduzidas e oferecem a possibilidade de acoplamento para onda portadora de alta freq¨uˆencia (telefonia). Sendo estas suas duas grandes vantagens. 3. Apresentam, entretanto um grande inconveniente: a influˆencia acentuada que podem sofrer por motivo da varia¸c˜ao da freq¨uˆencia. 4. ´E aconselh´avel consultar a documenta¸c˜ao fornecida juntamente aos TPCs pelos seus fabricantes.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 48 3.3.10 Resumo das Caracter´ısticas dos TPs 1. Tens˜ao secund´aria: a tens˜ao secund´aria nominal ´e 115V , ou aproximadamente 115V , havendo tamb´em a possibilidade de 115/ √ 3V . Em TPs antigos podem ser encon- tradas as tens˜oes secund´arias nominais: 110V , 120V , e `as vezes 125V . 2. Tens˜ao prim´aria: a tens˜ao prim´aria nominal depende da tens˜ao entre fases, ou entre fase e neutro, do circuito em que o TP vai ser utilizado. 3. Classe de exatid˜ao: valor m´aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser introduzido pelo TP na indica¸c˜ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2. 4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ao do TP. 5. Potˆencia t´ermica: maior potˆencia aparente que um TP pode fornecer em regime permanente, sob tens˜ao e freq¨uˆencia nominais, sem exceder os limites de eleva¸c˜ao de temperatura especificados. Estes limites de eleva¸c˜ao de temperatura est˜ao levando em considera¸c˜ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados no TPs. a. Para TPs pertencentes aos grupos de liga¸c˜ao 1 e 2, a potˆencia t´ermica nominal n˜ao deve ser inferior a 1, 33 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente `a exatid˜ao do TP. b. Para TPs pertencentes ao grupo de liga¸c˜ao 3, a potˆencia t´ermica nominal n˜ao deve ser inferior a 3, 6 vezes a carga mais alta em volt-amp´eres, referente `a exatid˜ao do TP. 6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸c˜ao do TP quanto `as condi¸c˜oes a que deve satisfazer a sua isola¸c˜ao em termos de tens˜ao suport´avel. A padroniza¸c˜ao das tens˜oes m´aximas de opera¸c˜ao dos TPs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem desta maneira, a “tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao de um equipamento”: m´axima tens˜ao de linha (tens˜ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando- se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ao do equipamento considerado. Em caso de corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ao ´e necessariamente igual `a tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao do sistema ao qual o equipamento est´a ligado. Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TPs (kV ) 0, 6 25, 8 92, 4 362 1, 2 38 145 460 7, 2 48, 3 169 550 12 72, 5 242 765 15 Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ao de um TP, a sua tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao pode ser considerada como sendo a que consta do quadro da tabela acima imedia- tamente superior a tens˜ao do circuito em que o TP ser´a utilizado.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 49 7. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal X1 do se- cund´ario tem a mesma polaridade do terminal H1 do prim´ario se, no mesmo instante, H1 e X1 s˜ao positivos (ou negativos) em rela¸c˜ao `a H2 e X2, respectivamente. No caso do TP, a polaridade n˜ao precisa ser levada em considera¸c˜ao quando ele alimenta somente volt´ımetros, rel´es de tens˜ao, etc. Mas, quando ele alimenta ins- trumentos el´etricos cuja bobina de potencial ´e provida de polaridade relativa, como watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ao ´e extremamente importante a considera¸c˜ao da polaridade do TP: a entrada da bobina de potencial destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ario do TP que corresponde ao seu terminal prim´ario que est´a ligado como entrada ao circuito principal. Exemplo: Na figura acima, se o prim´ario do TP for ligado ao circuito de modo que H1 seja entrada, ent˜ao a entrada das bobinas de potencial dos instrumentos ser´a ligada ao terminal X1 do secund´ario. Da mesma forma, H2 pode ser ligado como entrada do prim´ario, e ent˜ao X2 ´e que ser´a utilizado como entrada das bobinas de potencial daqueles instrumentos el´etricos. Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ario e secund´ario dos TPs s˜ao dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes, como mostra a figura `a esquerda acima, e n˜ao em diagonal como mostra a figura `a direita acima. 8. Se um TP alimenta v´arios instrumentos el´etricos, estes devem ser ligados em paralelo a fim de que todos eles fiquem submetidos `a mesma tens˜ao secund´aria do TP. 9. Estando um TP alimentado, e havendo necessidade de se retirar todos os instrumentos el´etricos do seu secund´ario, lembra-se aqui que este enrolamento deve ficar aberto. O fechamento do secund´ario de um TP atrav´es de um condutor de baixa impedˆancia provocar´a um curto-circuito, ou seja, uma corrente I2 demasiadamente elevada, e conseq¨uentemente, tamb´em I1, provocando a danifica¸c˜ao do TP e ainda uma poss´ıvel perturba¸c˜ao no sistema do circuito principal. 10. Quando se empregam TPs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento a consumidor, ´e recomend´avel que estes TPs sejam utilizados exclusivamente para alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ao. N˜ao deve ser permitida a coloca¸c˜ao de outros instrumentos ou dispositivos no secund´ario destes TPs tais como volt´ımetros, rel´es, lˆampadas de sinaliza¸c˜ao, etc.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 50 3.4 Transformador de Corrente (TC) A figura abaixo representa, esquematicamente, o transformador de corrente. O TC tem n1 < n2 dando assim uma corrente I2 < I1, sendo por isto considerado na pr´atica como um elemento “redutor de corrente”, pois uma corrente elevada I1 ´e transformada para uma corrente reduzida I2 de valor suport´avel pelos instrumentos el´etricos usuais. O enrolamento prim´ario dos TCs ´e normalmente constitu´ıdo de poucas espiras (duas ou trˆes espiras, por exemplo) feitas de condutor de cobre de grande se¸c˜ao. H´a TCs em que o pr´oprio condutor do circuito principal serve como prim´ario, sendo neste caso considerado este enrolamento como tendo apenas uma espira. Os TCs s˜ao projetados e constru´ıdos para uma corrente secund´aria nominal estabele- cida de acordo com a ordem de grandeza da corrente do circuito em que o TC ser´a ligado. Assim, s˜ao encontrados no mercado TCs para: 200/5A, 1000/5A, etc., isto significando que: a. quando o prim´ario ´e percorrido pela corrente nominal para a qual o TC foi constru´ıdo, no secund´ario tem-se 5A; b. quando o prim´ario ´e percorrido por uma corrente menor ou maior do que a nominal, no secund´ario tem-se tamb´em uma corrente menor ou maior do que 5A, mas na mesma propor¸c˜ao das correntes nominais do TC utilizado. Exemplo: se o prim´ario de um TC de 100/5A ´e percorrido por uma corrente de 84A, tem-se no secund´ario 4, 2A, se ´e percorrido por 106A, tem-se no secund´ario 5, 3A. O quadro da figura abaixo mostra as correntes prim´arias nominais e as rela¸c˜oes nomi- nais padronizadas pela ABNT para os TCs fabricados em linha normal no Brasil.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 51 Os TCs s˜ao projetados e constru´ıdos para suportarem, em regime permanente, uma corrente maior do que a corrente nominal, sem que nenhum dano lhes seja causado. A rela¸c˜ao entre a corrente m´axima suport´avel por um TC e a sua corrente nominal define o “fator t´ermico”do TC. Como os TCs s˜ao empregados para alimentar instrumentos el´etricos de baixa im- pedˆancia (amper´ımetros, bobinas de corrente de watt´ımetros, bobinas de corrente de medidores de energia el´etrica, rel´es de corrente, etc.) diz-se que s˜ao transformadores de for¸ca que funcionam quase em curto-circuito. A corrente I1 surge no prim´ario do transformador como uma conseq¨uˆencia da corrente I2 originada por solicita¸c˜ao da carga posta no secund´ario dele. No transformador de corrente, entretanto, a corrente I1 ´e originada diretamente por solicita¸c˜ao da carga com a qual o TC est´a em s´erie, surgindo ent˜ao a corrente I2 como uma conseq¨uˆencia de I1, independentemente do instrumento el´etrico que estiver no seu secund´ario. 3.4.1 Rela¸c˜ao Nominal I1n I2n = Kc ´E a rela¸c˜ao entre os valores nominais I1n e I2n das correntes prim´aria e secund´aria, respectivamente, correntes estas para as quais o TC foi projetado e constru´ıdo. A “rela¸c˜ao nominal”´e a indicada pelo fabricante na placa de identifica¸c˜ao do TC. ´E chamada tamb´em de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal”, ou simplesmente de “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”, sendo nas aplica¸c˜oes pr´aticas considerada uma constante para cada TC. Ela ´e muito aproximadamente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras: I1n I2n = Kc = n2 n1 3.4.2 Rela¸c˜ao Real I1 I2 = Kr
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 52 ´E a rela¸c˜ao entre o valor exato I1 de uma corrente qualquer aplicada ao prim´ario do TC e o correspondente valor exato I2 verificado no secund´ario dele. Em virtude de o TC ser um equipamento eletromagn´etico, a cada I1 corresponde um I2 e como conseq¨uˆencia, um Kr: I1 I2 = Kr ; I1 I2 = Kr ; I1 I2 = Kr Como tamb´em, para uma mesma corrente I1 que percorre o prim´ario, a cada carga colocada no secund´ario do TC poder´a corresponder um valor da corrente I2, e como conseq¨uˆencia, um Kr: I1 I2 = Kr ; I1 I2 = Kr ; etc. Estes valores de Kr s˜ao todos muito pr´oximos entre si e tamb´em de Kc, pois os TCs s˜ao projetados dentro de crit´erios especiais e s˜ao fabricados com materiais de boa qualidade sob condi¸c˜oes e cuidados tamb´em especiais. Como n˜ao ´e poss´ıvel medir I2 e I1 com amper´ımetros (I1 tem normalmente valor elevado), mede-se I2 e chega-se ao valor exato I1 atrav´es da constru¸c˜ao do diagrama fasorial do TC. Por isto ´e que a “rela¸c˜ao real”aparece mais comumente indicada sob a forma seguinte: I1 I2 = Kr 3.4.3 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao Kr Kc = FCRc ´E o fator pelo qual deve ser multiplicada a “rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao”Kc do TC para se obter a sua rela¸c˜ao real Kr. De imediato vˆe-se que a cada Kr de um TC corresponder´a um FCRc. Em virtude destas varia¸c˜oes, determinam-se os valores limites inferior e superior do FCRc para cada TC, sob condi¸c˜oes especificadas, partindo-se da´ı para o estabelecimento da sua “classe de exatid˜ao”, conforme ser´a visto a seguir. Na pr´atica lemos o valor da tens˜ao I2 com um amper´ımetro ligado ao secund´ario do TC e multiplicamos este valor lido por Kc para obtermos o valor da corrente prim´aria, valor este que representa o “valor medido”desta corrente prim´aria, e n˜ao o seu valor exato I1. Exemplo: um TC de 200/5A tem o prim´ario ligado em s´erie com uma carga e o secund´ario alimentando um amper´ımetro onde se lˆe: I2 = 3, 8A. Como a rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao ´e neste caso Kc = 40, considera-se que a corrente solicitada pela carga ´e: KcI2 = 40 · 3, 8 = 152A 3.4.4 Diagrama Fasorial O diagrama fasorial do TC, mostrado na figura abaixo, ´e o mesmo do TP e segue o mesmo racioc´ınio para a sua constru¸c˜ao, havendo, entretanto, uma simplifica¸c˜ao a ser levada em conta: como o prim´ario do TC tem impedˆancia muito baixa, a queda de tens˜ao neste enrolamento pode ser considerada desprez´ıvel, n˜ao aparecendo a sua representa¸c˜ao no diagrama fasorial:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 53 U1 = E1 = 0 No exemplo citado anteriormente, o valor encontrado de 152A ´e o valor medido da corrente prim´aria do TC. Para determinar o valor verdadeiro I1 desta corrente, ter-se-´a de construir o diagrama fasorial deste TC como aparece na figura acima. Assim, para fixar a id´eia: a. KcI2 ´e o valor medido da corrente prim´aria; b. |I1| = I1 ´e o valor verdadeiro ou exato da corrente prim´aria obtido no diagrama fasorial, o qual pode diferir ligeiramente de KcI2. Ainda na figura acima, pode ser visto que o inverso de I2 est´a defasado de um ˆangulo β em rela¸c˜ao `a I1. Num TC ideal este ˆangulo β seria zero. Estas considera¸c˜oes levam a concluir que o TC, ao refletir no secund´ario o que se passa no prim´ario, pode introduzir dois tipos de erros. 3.4.5 Erros do TC Erro de Rela¸c˜ao εc valor relativo: εc = KcI2−|I1| |I1| valor percentual: ε% c = KcI2−|I1| |I1| · 100 Quando εc e FCRc est˜ao expressos em valores percentuais, h´a o seguinte relaciona- mento entre eles: ε% c = 100 − FCR% c Da mesma forma que para o TP, os erros do TC s˜ao determinados na pr´atica comparando- o com um TC padr˜ao idˆentico a ele, de mesma rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal Kc, por´em sem erros, ou de erros conhecidos.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 54 Esta express˜ao mostra a equivalˆencia correta entre o erro de rela¸c˜ao εc e o fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc, cujos valores indicados no paralelogramo de exatid˜ao est˜ao perfeitamente coerentes com esta equivalˆencia. Para fixar a id´eia, vamos dar um exemplo num´erico. O prim´ario de um TC de 200/5A, sob ensaio ´e percorrido por uma certa corrente que faz surgir no secund´ario a corrente de 4, 96A. Constata-se depois que a tens˜ao prim´aria fora de exatamente 200A. Determinar: Kc, Kr, FCRc e ε% c . Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao Nominal: Kc = 200/5 = 40 Rela¸c˜ao Real: Kr = 200/4, 96 = 40, 32 Fator de Corre¸c˜ao de Rela¸c˜ao: FCRc = 40, 32/40 = 1, 008 ou FCRc = 100, 8% Erro de Rela¸c˜ao: ε% c = 100 − 100, 8 = −0, 8% Sendo neste caso FCRc > 100%, ent˜ao o erro cometido em rela¸c˜ao `a corrente prim´aria ´e por falta. Observar que o erro εc ´e negativo, o que comprova esta conclus˜ao. Erro de Fase ou ˆAngulo de Fase ´E o ˆangulo de defasagem β existente entre I1 e o inverso de I2. Se o inverso de I2 ´e adiantado em rela¸c˜ao a I1, β ´e positivo. Em caso contr´ario, ´e negativo. 3.4.6 Classes de Exatid˜ao dos TCs Os erros de rela¸c˜ao e de fase de um TC variam com a corrente prim´aria e com o tipo de carga colocada no seu secund´ario, al´em de sofrerem influˆencia tamb´em das varia¸c˜oes da freq¨uˆencia e da forma da onda, influˆencia esta que n˜ao ser´a analisada em virtude de estas duas grandezas serem praticamente invari´aveis nos sistemas el´etricos atuais. Tendo em vista estas considera¸c˜oes, as normas estabelecem certas condi¸c˜oes sob as quais os TCs devem ser ensaiados para que possam ser enquadrados em uma ou mais das trˆes seguintes classes de exatid˜ao: classe de exatid˜ao 0, 3, 0, 6 e 1, 2. Considera-se que um TC para servi¸co de medi¸c˜ao est´a dentro de sua classe de exatid˜ao em condi¸c˜oes especificadas quando, nestas condi¸c˜oes, o ponto determinado pelo erro de rela¸c˜ao εc ou pelo fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc e pelo ˆangulo de fase β estiver dentro dos paralelogramos de exatid˜ao especificados nas figuras a seguir correspondentes `a sua classe de exatid˜ao, sendo que o paralelogramo interno (menor) refere-se a 100% da corrente nominal, e o paralelogramo externo (maior) refere-se a 10% da corrente nominal. No caso de TC com fator t´ermico nominal superior a 1, 0 o paralelogramo interno (menor) refere-se tamb´em a 100% da corrente nominal multiplicada pelo fator t´ermica nominal.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 55
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 56 As cargas padronizadas, acima referidas, est˜ao relacionadas no quadro abaixo. ´E interessante ressaltar que estas cargas n˜ao foram “criadas”aleatoriamente, mas sim tendo em vista os tipos de instrumentos el´etricos que s˜ao usualmente empregados no secund´ario dos TCs, instrumentos aqueles com os quais tais cargas se assemelham em caracter´ısticas el´etricas. Para melhor entendimento do paralelogramo de exatid˜ao, suponhamos que um TC, ensaiado com uma das cargas do quadro acima, apresentou: a. com 100% da corrente nominal: erro de rela¸c˜ao: εc = −0, 2% o que corresponde ao FCRc = 100, 2% ˆangulo de fase: β = 18
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 57 b. com 10% da corrente nominal: erro de rela¸c˜ao: εc = −0, 3% o que corresponde ao FCRc = 100, 3% ˆangulo de fase: γ = 30 O ponto determinado pelos dois erros de cada ensaio fica dentro do respectivo para- lelogramo de 100% e 10% da corrente nominal, correspondente `a classe de exatid˜ao 0, 6. Ent˜ao este TC ser´a considerado de classe de exatid˜ao 0, 6 para a carga de ensaio, embora o erro de rela¸c˜ao tenha sido de no m´aximo 0, 3%. Se na placa de um TC est´a indicado: 0, 3B − 0, 1/B − 0, 2/B − 0, 5; 0, 6B − 1 isto significa que: 1. o TC ensaiado com as cargas padronizadas B − 0, 1, B − 0, 2 e B − 0, 5 tem classe de exatid˜ao 0, 3, isto ´e, apresenta erro de rela¸c˜ao −0, 3% ≤ εc ≤ 0, 3% e ˆangulo de fase β tal que o ponto correspondente a estes erros fica dentro dso paralelogramos representativos da classe de exatid˜ao 0, 3%; 2. ensaiado com a carga padronizada B − 1 tem classe de exatid˜ao 0, 6. Na designa¸c˜ao da ABNT aquela indica¸c˜ao na placa do TC seria representada por 0, 3 − C12, 5; 0, 6 − C25 . O quadro abaixo mostra como selecionar a exatid˜ao adequada para um TC tendo em vista a sua aplica¸c˜ao nas diferentes categorias de medi¸c˜oes. 3.4.7 Influˆencia da Corrente de Excita¸c˜ao nos Erros do TC Conforme pode ser visto no diagrama fasorial, a corrente de excita¸c˜ao I0 ´e a causa essencial dos erros de rela¸c˜ao e de fase do TC. Se ela n˜ao existisse, caso de TC ideal, os fasores I1 e − n2 n1 · I2 seriam sempre coincidentes, em fase e em m´odulo. Na pr´atica, os fabricantes procuram reduzir ao m´ınimo poss´ıvel a corrente de excita¸c˜ao utilizando n´ucleos de forma tor´oidal sem entre-ferro (figura abaixo), feitos de ligas espe- ciais de alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, projetados para trabalharem sob densidade de fluxo muito baixa, cerca de 0, 1 tesla (1000 gauss), enquanto que nos transformadores de for¸ca esta densidade atinge de 1, 2 a 1, 5 tesla (12000 a 15000 gauss).
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 58 Apesar destas providˆencias, quando o TC ´e posto em opera¸c˜ao, a corrente de excita¸c˜ao sofre varia¸c˜oes por influˆencia das duas grandezas seguintes, causando em conseq¨uˆencia varia¸c˜oes nos seus erros de rela¸c˜ao e de fase: corrente prim´aria e carga posta no secund´ario do TC. 3.4.8 Influˆencia da Corrente Prim´aria nos Erros do TC A corrente de excita¸c˜ao dos transformadores, inclusive dos TPs, ´e uma grandeza con- siderada praticamente constante para cada transformador, desde vazio at´e plena carga, sendo o seu m´odulo I0 e a sua dire¸c˜ao θ0 determinados atrav´es de um ensaio em vazio. Nos transformadores de corrente isto n˜ao ocorre. A corrente de excita¸c˜ao n˜ao ´e cons- tante para cada TC, nem em m´odulo nem em dire¸c˜ao, pois h´a de se levar em conta, neste tipo de transformador, a influˆencia importante que tem a n˜ao linearidade magn´etica do material de que s˜ao feitos os n´ucleos. A figura abaixo d´a uma id´eia da correla¸c˜ao entre as varia¸c˜oes das duas correntes, a prim´aria e a de excita¸c˜ao, lembrando que a prim´aria depende da carga com a qual o TC est´a ligado em s´erie: a. quando a corrente prim´aria ´e 100% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 1% dela; b. quando a corrente prim´aria ´e 50% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 0, 8% desta; c. quando a corrente prim´aria ´e de 10% da nominal, a de excita¸c˜ao ´e cerca de 0, 3%desta; e assim sucessivamente.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 59 Com estas aprecia¸c˜oes, pode-se sentir no diagrama fasorial que, para valores meno- res da corrente prim´aria, a corrente de excita¸c˜ao ter´a ent˜ao influˆencia mais acentuada tornando maiores os erros de rela¸c˜ao e de fase. Por isto ´e que as normas t´ecnicas permitem que, na determina¸c˜ao da classe de exa- tid˜ao de um TC, este apresente erros maiores quando ensaiado com 100% dela, conforme mostram os paralelogramos de exatid˜ao. Os lados do paralelogramo externo (maior) po- deriam ser admitidos como o triplo ou o qu´adruplo ou o qu´ıntuplo, etc., respectivamente, dos lados do paralelogramo interno (menor). Eles foram estabelecidos como o dobro a fim de que os fabricantes se esmerem em fornecer produtos cada vez mais de melhor quali- dade, de melhor desempenho quanto `a exatid˜ao, e os usu´arios n˜ao tenham incertezas nos valores medidos, isto ´e, que os valores medidos sejam realmente corretos. A rela¸c˜ao nominal ou rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao dos TCs modernos ´e muito aproxima- damente igual `a rela¸c˜ao entre as espiras: I1n I2n = Kc = n2 n1 As varia¸c˜oes dos erros de rela¸c˜ao e de fase do TC em fun¸c˜ao das varia¸c˜oes da corrente prim´aria podem ser interpretadas matematicamente considerando a express˜ao acima como correta. Na figura abaixo, projetando todos os fasores sobre I1: |I1| = Kc|I2| · cos β + |I0| · cos [90 − (δ + α + β)] Como o ˆangulo β ´e muito pequeno (no m´aximo chega a 1o ), pode ser considerado desprez´ıvel diante dos outros valores, e a express˜ao anterior toma a forma: |I1| = Kc|I2| + |I0| · sin (δ + α) Ou ainda: Kc|I2| − |I1| |I1| = − |I0| |I1| · sin (δ + α)
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 60 O primeiro membro da express˜ao acima representa o erro relativo εc, o qual ser´a considerado aqui em m´odulo. E como os m´odulos dos fasores indicados representam realmente os valores eficazes das respectivas correntes podemos escrever: εc = I0 I1 · sin (δ + α) Do mesmo diagrama podemos escrever: tgβ = |I0| · cos [90 − (δ + α + β)] Kc|I2| cos β Como β ´e pequeno, e tendo em vista o que foi dito acima, para efeito de c´alculo a express˜ao acima pode ser escrita na forma simplificada: Para uma mesma carga posta no secund´ario do TC e tendo em vista o que foi dito antes, as express˜oes desta sess˜ao mostram que os erros εc e β aumentam quando I1 decresce. Como exemplo elucidativo, vamos considerar dois valores para I1: a. Para I1 = I1n → I0 = 0, 001I1n , ent˜ao: εc = 0, 01 sin (δ + α) β = 0, 01 cos (δ + α) b. Para I1 = 0, 1I1n → I0 = 0, 003I1n , ent˜ao: εc = 0, 03 sin (δ + α) β = 0, 03 cos (δ + α) Donde se conclui claramente que: ε > εc β > β De tudo isto se conclui que ´e importante que o TC seja de corrente nominal o mais pr´oximo do valor da corrente da instala¸c˜ao em que est´a inserido. Se a corrente nominal do TC ´e muito maior do que a corrente da instala¸c˜ao, ele estar´a introduzindo tamb´em uma incerteza muito maior nos valores medidos. 3.4.9 Influˆencia da Carga Secund´aria do TC nos seus Erros J´a foi dito anteriormente que a corrente secund´aria do TC depende unicamente da corrente prim´aria, sendo independente da impedˆancia do instrumento el´etrico posto no seu secund´ario. Entretanto, se esta impedˆancia ultrapassa os valores permiss´ıveis, tendo em vista a potˆencia m´axima com a qual o TC teve a sua classe de exatid˜ao determinada, ent˜ao os erros introduzidos por ele poder˜ao ser bem mais elevados do que os levantados nos ensaios e garantidos pelo fabricante. Para se entender bem esta influˆencia, vamos considerar que o prim´ario do TC seja percorrido por uma corrente fixada I1 nas trˆes situa¸c˜oes que ser˜ao analisadas abaixo:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 61 1. Para uma certa impedˆancia Z posta no secund´ario do TC, haver´a uma corrente I2 e os erros εc e β correspondentes s˜ao indicados pelas express˜oes da sess˜ao anterior. 2. A impedˆancia Z aumenta em m´odulo para Z , conservando o mesmo ˆangulo de fase θ2, conforme est´a no diagrama fasorial da sess˜ao anterior: para que a corrente I2 se mantenha a mesma (ou aproximadamente a mesma) a tens˜ao secund´aria U2 ter´a de aumentar para U2. Mas, para isto, E2 ter´a de aumentar para E2 e o fluxo Φ para Φ . Como a corrente I0 ´e que origina o fluxo Φ, ent˜ao tamb´em aumentar´a para I0. Em conseq¨uˆencia, os erros εc e β aumentar˜ao, como mostram as express˜oes da sess˜ao anterior. Em resumo: os erros do TC aumentam quando a impedˆancia posta no secund´ario aumenta. 3. A impedˆancia Z n˜ao varia em m´odulo, por´em varia o seu ˆangulo de fase θ2: portanto, a corrente I0 n˜ao sofrer´a varia¸c˜ao. Observando as express˜oes da sess˜ao passada, vamos analisar as quatro possibilidades seguintes: a. θ2 tende para zero: εc decresce e β cresce. b. θ2 tem um valor tal que δ + α = 90o : εc atinge o m´aximo valor e β ´e zero. c. θ2 tem um valor tal que δ = 90o : εc ´e positivo, mas β ´e negativo. d. No caso particular de um TC muito bem projetado e constru´ıdo, tendo a reatˆancia x2 = 0, e sendo a impedˆancia Z um resistor, poder-se-´a ter: θ2 = δ = 0 Ent˜ao, as express˜oes da sess˜ao anterior tornar-se-iam: εc = |I0| |I1| · sin α β = |I0| |I1| · cos α Mas no diagrama fasorial, vˆe-se que: |I0| · sin α = |Ip| e |I0| · cos α = |Iµ| Assim, as express˜oes anteriores tomam forma: εc = |Ip| |I1| e β = |Iµ| |I1| Em virtude da express˜ao acima, diz-se na pr´atica que a componente de perdas Ip Da corrente de excita¸c˜ao ´e a respons´avel pelo erro de rela¸c˜ao, e a componente de magnetiza¸c˜ao Iµ ´e a respons´avel pelo erro de fase. Estas an´alises sobre o comportamento do TC, em face da impedˆancia posta no seu secund´ario, servem de alerta ao usu´ario quanto `a limita¸c˜ao da resistˆencia dos condutores el´etricos que s˜ao utilizados para liga¸c˜ao do secund´ario do TC aos instrumentos el´etricos que ele alimenta, sobretudo quando estes instrumentos s˜ao colocados a uma distˆancia consider´avel.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 62 3.4.10 O Secund´ario de um TC Nunca Deve Ficar Aberto Quando o prim´ario de um TC est´a alimentado, o seu secund´ario nunca deve ficar aberto. No caso de se necessitar retirar o instrumento do secund´ario do TC, este enrola- mento deve ser curto-circuitado atrav´es de um fio condutor de baixa impedˆancia, um fio de cobre por exemplo. Vejamos as raz˜oes desta precau¸c˜ao: como j´a foi dito, a corrente I1 ´e fixada pela carga ligada ao circuito externo; se I2 = 0, isto ´e, secund´ario aberto, n˜ao haver´a o efeito desmagnetizante desta corrente e a corrente de excita¸c˜ao I0 passar´a a ser a pr´opria corrente I1, originando em conseq¨uˆencia um fluxo Φ muito elevado no n´ucleo. Conseq¨uˆencias desta imprecau¸c˜ao: a. Aquecimento excessivo causando a destrui¸c˜ao do isolamento, podendo provocar con- tato do circuito prim´ario com o secund´ario e com a terra. b. Uma f.e.m. induzida E2 de valor elevado, com iminente perigo para o operador. c. Mesmo que o TC n˜ao se danifique, a este fluxo Φ elevado corresponder´a uma mag- netiza¸c˜ao forte no n´ucleo, o que alterar´a as suas caracter´ısticas de funcionamento e precis˜ao. Por este motivo, nunca se usa fus´ıvel no secund´ario dos TCs. 3.4.11 Fator de Corre¸c˜ao de Transforma¸c˜ao (FCTc) do TC Quando o TC est´a alimentando apenas amper´ımetro, o FCRc ´e o ´unico que tem efeito nos valores medidos. Mas, quando o TC alimenta instrumentos cuja indica¸c˜ao depende dos respectivos m´odulos da tens˜ao e da corrente a ele aplicadas e tamb´em do ˆangulo de defasagem entre estas duas grandezas como no caso de watt´ımetros e medidores de energia el´etrica, ent˜ao o FCRc e o ˆangulo de fase β tˆem efeito simultˆaneo nos valores medidos, e por isto devem ser ambos levados em considera¸c˜ao na an´alise dos resultados. Com isto chega-se ao “fator de corre¸c˜ao de transforma¸c˜ao”FCTc que ´e definido da seguinte maneira: fator pelo qual se deve multiplicar a leitura indicada por um watt´ımetro, ou por um medidor de energia el´etrica, cuja bobina de corrente ´e alimentada atrav´es do referido TC, para corrigir o efeito combinado do fator de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRc e do ˆangulo de fase β. A montagem da figura seguinte esquematiza o que acima foi dito.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 63 As normas t´ecnicas definem o tra¸cado dos paralelogramos de exatid˜ao baseando-se no FCTc e na carga medida no prim´ario do TC (carga M na figura anterior), para a qual estabelecem que o fator de potˆencia deve ser indutivo e ter um valor compreendido entre 0, 6 e 1. Fica ent˜ao entendido que a exatid˜ao do TC, indicada na sua placa de identifica¸c˜ao, somente ´e garantida para cargas medidas daquele tipo, isto ´e, com fator de potˆencia indutivo entre 0, 6 e 1. Para qualquer fator de corre¸c˜ao da rela¸c˜ao FCRc conhecido de um TC, os valores limites positivos e negativos do ˆangulo de fase β em minutos s˜ao expressos por: β = 2600 (FCRc − FCTc) onde o fator de corre¸c˜ao da transforma¸c˜ao FCTc deste TC assume os seus valores m´aximo e m´ınimo. Justamente, a partir da express˜ao acima ´e que se constroem os dois paralelogramos de exatid˜ao correspondentes a cada classe, pois, fixado um valor num´erico para o FCTc, vˆe-se que esta express˜ao representa a equa¸c˜ao de uma reta. O FCTc pode ter quatro valores em cada classe de exatid˜ao: a. Na classe de exatid˜ao 0, 3: a.1. 1, 003 e 0, 997 para 100% da corrente nominal a.2. 1, 006 e 0, 994 para 10% da corrente nominal b. Na classe de exatid˜ao 0, 6: b.1. 1, 006 e 0, 994 para 100% da corrente nominal b.2. 1, 012 e 0, 988 para 10% da corrente nominal c. Na classe de exatid˜ao 1, 2: c.1. 1, 012 e 0, 988 para 100% da corrente nominal c.2. 1, 024 e 0, 976 para 10% da corrente nominal Para se tra¸car os dois paralelogramos que definem a classe de exatid˜ao de um TC, procede-se da seguinte maneira: Paralelogramo Menor: atribui-se ao FCTc o seu valor m´aximo nesta classe de exatid˜ao correspondente a 100% da corrente nominal e faz-se variar o FCRc desde o seu limite superior at´e o limite inferior, obtendo-se assim os valores negativos de β, podendo-se ent˜ao tra¸car um lado inclinado da figura. Em seguida, atribui-se ao FCTc o seu valor m´ınimo e faz-se novamente o FCRc variar, obtendo-se agora os valores positivos de β e conseq¨uentemente o outro lado inclinado da figura. Paralelogramo Maior: atribui-se ao FCTc o seu valor m´aximo nesta classe de exatid˜ao correspondente a 10% da corrente nominal e repete-se o mesmo procedimento utili- zado para o tra¸cado do paralelogramo menor.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 64 3.4.12 Classifica¸c˜ao dos TCs Conforme a disposi¸c˜ao dos enrolamentos e do n´ucleo, os TCs podem ser classificados nos seguintes tipos: TC tipo enrolado: TC cujo enrolamento prim´ario constitu´ıdo de uma ou mais espiras, envolve mecanicamente o n´ucleo do transformador. TC tipo barra: TC cujo prim´ario ´e constitu´ıdo por uma barra, montada permanente- mente atrav´es do n´ucleo do transformador. TC tipo janela: TC sem prim´ario pr´oprio, constru´ıdo com uma abertura atrav´es do n´ucleo, por onde passar´a um condutor do circuito prim´ario, formando uma ou mais espiras. TC tipo bucha: tipo especial de TC tipo janela, projetado para ser instalado sobre uma bucha de um equipamento el´etrico, fazendo parte integrante deste. TC de n´ucleo dividido: tipo especial de TC tipo janela, em que parte do n´ucleo ´e separ´avel ou basculante, para facilitar o enla¸camento do condutor prim´ario. O amper´ımetro tipo “alicate”nada mais ´e do que um TC de n´ucleo dividido, o qual possibilita medir a corrente sem a necessidade de abrir o circuito para coloc´a-lo em s´erie. Conforme a finalidade de aplica¸c˜ao, os TCs podem ser classificados nos dois tipos seguintes: TC para medi¸c˜ao e TC para prote¸c˜ao.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 65 3.4.13 TC de V´arios N´ucleos ´E muito freq¨uente na pr´atica (sobretudo em circuitos de alta tens˜ao) a utiliza¸c˜ao de TC de v´arios n´ucleos. Trata-se de TC com v´arios enrolamentos secund´arios isolados separadamente e montados cada um em seu pr´oprio n´ucleo, formando um conjunto com um ´unico enrolamento prim´ario, cujas espiras (ou espira) enla¸cam todos os secund´arios. Um dos secund´arios ´e destinado `a medi¸c˜ao e os outros (ou o outro) s˜ao destinados `a prote¸c˜ao. ´E importante observar que, neste tipo de TC, todos os secund´arios que n˜ao estiverem alimentando instrumentos el´etricos dever˜ao permanecer curto-circuitados. O prim´ario ´e um elemento comum a todos os n´ucleos. Mas cada n´ucleo com o seu secund´ario pr´oprio atua como um TC independente dos outros. 3.4.14 TC de M´ultipla Rela¸c˜ao de Transforma¸c˜ao Os TCs podem ser constru´ıdos para uma ´unica rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao ou para m´ultipla rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao, existindo neste segundo caso quatro tipos de TCs que passar˜ao a ser analisados. TC com v´arios enrolamentos no prim´ario (liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ario): A figura abaixo mostra um TC deste tipo, em que o secund´ario tem um n´umero fixo N2 de espiras e o prim´ario ´e constitu´ıdo de v´arias bobinas idˆenticas entre si, cada uma tendo N espiras, as quais podem ser combinadas em s´erie ou em paralelo, permitindo v´arias rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao. Por exemplo: consideremos que um TC com a possibilidade de trˆes correntes prim´arias nominais: 50A, 100A e 200A. Os esquemas abaixo mostram as combina¸c˜oes que devem ser feitas no prim´ario para a obten¸c˜ao das trˆes rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao nominais. Como pode ser visto, o n´umero de amp´eres-espiras permanece constante em todas as corrente nominais. Neste exemplo, temos 200N amp´eres-espiras: para 50/5A, para 100/5A e para 200/5A, nas condi¸c˜oes nominais. Diz-se na pr´atica que estes TCs s˜ao de rela¸c˜oes nominais m´ultiplas com liga¸c˜ao s´erie/paralela no enrolamento prim´ario.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 66 TC com v´arias deriva¸c˜oes no secund´ario: A figura abaixo mostra um TC deste tipo, em que o prim´ario ´e que tem agora um n´umero fixo N de espiras e o secund´ario tem duas deriva¸c˜oes que permitem utilizar o TC como 50/5A ou como 100/5A. A se¸c˜ao do condutor do prim´ario ´e dimensionada tendo em vista a maior das correntes para as quais um TC deste ´e projetado; no exemplo em tela: 100A. Como pode ser visto, o n´umero de amp´eres-espiras n˜ao ´e o mesmo em todas as rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao nominais. Neste exemplo em discuss˜ao: na rela¸c˜ao de 50/5A ter´ıamos 50N amp´eres-espiras e na rela¸c˜ao de 100/5A ter´ıamos 100N amp´eres-espiras, nas condi¸c˜oes nominais. TC com v´arios enrolamentos no prim´ario e v´arias deriva¸c˜oes no secund´ario: Os dois tipos de TCs discutidos anteriormente podem ser englobados neste terceiro tipo, conseguindo-se com isto um TC de muitas possibilidades quanto a rela¸c˜oes de trans- forma¸c˜ao. A figura abaixo mostra, esquematicamente, a disposi¸c˜ao dos enrolamen- tos de acordo com os TCs existentes na pr´atica. Nos TCs com v´arias deriva¸c˜oes no secund´ario, n˜ao podem ser utilizadas, ao mesmo tempo, duas ou mais deriva¸c˜oes para alimentarem instrumentos el´etricos. Somente pode ser utilizada uma das de- riva¸c˜oes, permanecendo as outras abertas (n˜ao curto-circuitadas) a fim de que estas n˜ao interfiram nos resultados.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 67 TC com v´arios enrolamentos no secund´ario (liga¸c˜ao s´erie/paralela no secund´ario): Trata- se de um TC especial (para fins de prote¸c˜ao), e por isto constru´ıdo somente sob solicita¸c˜ao espec´ıfica do comprador interessado, o qual o aplicar´a em circuitos bem definidos da sua instala¸c˜ao. A figura abaixo mostra um TC deste tipo em que o se- cund´ario tem dois enrolamentos com N2 espiras, podendo isto permitir trˆes rela¸c˜oes de transforma¸c˜ao nominais. Para fixar id´eia, vamos supor que seja um TC para 100/5A, 100/2, 5A e 100/10A. Os esquemas abaixo mostram as respectivas liga¸c˜oes para estas rela¸c˜oes. Na liga¸c˜ao de 100/5A apenas um dos enrolamentos secund´arios deve ser utilizado na alimenta¸c˜ao de instrumentos el´etricos permanecendo o ou- tro (ou os outros) enrolamento aberto (n˜ao curto-circuitado) afim de n˜ao produzir interferˆencia na medi¸c˜ao. 3.4.15 Considera¸c˜oes Sobre os TCs com Deriva¸c˜ao no Secund´ario e Liga¸c˜ao S´erie/Paralela no Prim´ario Conforme foi visto na sess˜ao anterior, a quantidade de amp´eres-espiras n˜ao ´e cons- tante num TC com deriva¸c˜oes no secund´ario nas respectivas rela¸c˜oes nominais. Em conseq¨uˆencia, a exatid˜ao do TC n˜ao ´e garantida a mesma em todas as rela¸c˜oes nomi- nais obtidas com as deriva¸c˜oes. Normalmente, a classe de exatid˜ao especificada pelo comprador para TC com deriva¸c˜oes no secund´ario ´e garantida pelo fabricante apenas no funcionamento com o maior n´umero de espiras. Os TCs destinados `a prote¸c˜ao podem ser aceitos, e at´e especificados pelo usu´ario, tendo muitas deriva¸c˜oes no secund´ario, pois, a classe de exatid˜ao desses TCs ´e 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ao pode ser at´e 10%, n˜ao havendo
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 68 limite para o ˆangulo de fase. Entretanto, os TCs para medi¸c˜ao tˆem classes de exatid˜ao mais exigente e por isto duas considera¸c˜oes ser˜ao feitas a seguir: 1. Em medi¸c˜ao para fins de faturamento devem ser preferidos TCs com apenas uma rela¸c˜ao nominal, ou se desejar TCs com duas ou trˆes rela¸c˜oes nominais estes de- vem ser especificados com liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ario (sem deriva¸c˜ao no se- cund´ario) o que permitir´a exigir do fabricante a garantia da exatid˜ao em todas as rela¸c˜oes nominais. 2. Em medi¸c˜ao de controle (sem finalidade de faturamento) podem ser empregados TCs com deriva¸c˜oes no secund´ario, sendo aconselh´avel que eles sejam especificados de modo que as deriva¸c˜oes extremas sejam tais que o quociente entre as rela¸c˜oes nominais com elas obtidas n˜ao seja superior a 2. Exemplo: um TC com deriva¸c˜oes no secund´ario, cuja deriva¸c˜ao m´ınima permite a rela¸c˜ao nominal 400/5A, deve ter como deriva¸c˜ao m´axima a que permite a rela¸c˜ao nominal 800/5A, podendo entre estas duas extremas existirem outras deriva¸c˜oes tais como as correspondentes a 500/5A, 600/5A e 700/5A. 3.4.16 Como Especificar um TC para Medi¸c˜ao Para especificar corretamente um TC, ´e necess´ario antes de tudo saber-se qual ser´a a finalidade da sua aplica¸c˜ao, pois isto definir´a a classe de exatid˜ao, conforme visto anteri- ormente. A carga nominal do TC ser´a estabelecida tendo em vista as caracter´ısticas (em termos de perdas el´etricas internas) dos instrumentos el´etricos que ser˜ao inseridos no secund´ario, caracter´ısticas estas que s˜ao normalmente fornecidas pelos seus fabricantes ou poder˜ao ser determinadas em laborat´orio atrav´es de ensaios apropriados. O quadro da figura abaixo indica, a t´ıtulo de referˆencia, a ordem de grandeza das perdas da bobina de corrente de alguns instrumentos el´etricos que s˜ao utilizados com TCs, em condi¸c˜oes de 5A, 60Hz. ´E poss´ıvel, partindo da´ı, chegar-se `as caracter´ısticas Z, R e L de cada bobina, caso se deseje. Conv´em aqui lembrar que para a bobina de corrente dos medidores de energia el´etrica, que as perdas n˜ao dever˜ao exceder 2W e 2, 5V A. Os ensaios devem ser feitos em condi¸c˜oes nominais. Para fixar id´eia na especifica¸c˜ao de TCs, vamos dar dois exemplos.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 69 Exemplo 1 Especificar um TC para medi¸c˜ao de energia el´etrica para faturamento a um consumidor energizado em 69kV , cuja corrente na linha chegar´a a cerca de 80A no primeiro ano de funcionamento, podendo atingir cerca de 160A a partir do segundo ano. Os instrumentos el´etricos que ser˜ao empregados, abaixo indicados, ficar˜ao a 25m do TC e ser˜ao ligados ao secund´ario deste atrav´es de fio de cobre No 12AWG: a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima tipo mecˆanico. b. Medidor de kvar, espec´ıfico para energia reativa, sem indicador de demanda m´axima. Solu¸c˜ao: a. Classe de exatid˜ao: o quadro indica 0, 3. b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz: Da´ı, chega-se a: S = (9, 4)2 + (1, 6)2 ∴ S = 9, 54V A Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 12, 5V A que ´e a carga pa- dronizada imediatamente superior a 9, 54V A. A especifica¸c˜ao deste TC, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente para medi¸c˜ao, correntes primarias nominais 100x200A (liga¸c˜ao s´erie/paralela no prim´ario), rela¸c˜oes nominais 20x40 : 1, 60Hz, carga nominal ABNT C12, 5, classe de exatid˜ao ABNT 0, 3−C12, 5 (ou ANSI 0, 3B−0, 1/B−0, 2/B−0, 5), fator t´ermico 1, 2, para uso exterior (ou interior, conforme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 69kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao 72, 5kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 140kV e 350kV , respectivamente. Exemplo 2 Especificar um TC para medi¸c˜ao de energia el´etrica e controle, sem finalidade de faturamento, sabendo que a tens˜ao entre fases do circuito ´e 13, 8kV e que a corrente na linha chegar´a no m´aximo a 80A. Os instrumentos el´etricos que ser˜ao empregados, abaixo indicados, ficar˜ao a 25m do TC e ser˜ao ligados ao secund´ario deste atrav´es de fio de cobre No 12AWG:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 70 a. Medidor de kWh com indicador de demanda m´axima. b. Medidor de kWh, sem indicador de demanda m´axima, acoplado a um autotransfor- mador de defasamento, servindo assim para medir kvarh. c. Watt´ımetro. d. Var´ımetro. e. Amper´ımetro. f. Fas´ımetro. Solu¸c˜ao: a. Classe de exatid˜ao: o quadro da classe de exatid˜ao indica 0, 6 ou 1, 2 (a optar pelo comprador). b. Carga nominal do TC: os fabricantes dos instrumentos el´etricos que ser˜ao utilizados forneceram o seguinte quadro de perdas em 5A, 60Hz: Da´ı, chega-se a: S = (14, 8)2 + (8, 3)2 ∴ S = 16, 97V A Com este resultado, e consultando o quadro da figura de cargas nominais, vˆe-se que o TC deve ser de carga nominal pelo menos de 25V A que ´e a carga padroni- zada imediatamente superior a 16, 97V A. A especifica¸c˜ao deste TC, do ponto de vista el´etrico, pode ent˜ao ter seguinte enunciado: Transformador de corrente para medi¸c˜ao, corrente primaria nominal 100A, rela¸c˜ao nominal 20 : 1, 60Hz, carga no- minal ABNT C25, classe de exatid˜ao ABNT 0, 6 − C25 (ou ANSI 0, 6B − 0, 1/B − 0, 2/B − 0, 5/B − 1), fator t´ermico 1, 5, para uso exterior (ou interior, conforme for o caso), n´ıvel de isolamento: tens˜ao nominal 13, 8kV , tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao 15kV , tens˜oes suport´aveis nominais `a freq¨uˆencia industrial e de impulso atmosf´erico: 36kV e 110kV , respectivamente.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 71 Observa¸c˜oes 1. Ressaltamos que os dois exemplos dados servem apenas como orienta¸c˜ao de dimensi- onamento. Para cada caso, devem considerados os valores corretos das perdas dos instrumentos e dos condutores que ser˜ao utilizados no secund´ario do TC. 2. Nos dois exemplos dados, pode-se observar que h´a uma influˆencia consider´avel dos fios de cobre que ligam os instrumentos ao secund´ario do TC, e isto deve ser bem analisado nas instala¸c˜oes reais. Se as perdas nestes fios n˜ao tivessem sido levadas em considera¸c˜ao, a potˆencia no secund´ario do TC seria: No exemplo 1: S = (2, 8)2 + (1, 6)2 ∴ S = 3, 23V A e o TC seria especificado ent˜ao erradamente como 0, 3 − C5, 0 e n˜ao como 0, 3 − C12, 5 que ´e o correto. No exemplo 2: S = (8, 2)2 + (8, 3)2 ∴ S = 11, 6V A e o TC seria especificado ent˜ao erradamente como 0, 6 − C12, 5 e n˜ao como 0, 6 − C25 que ´e o correto. 3. Se h´a possibilidade, no futuro, de coloca¸c˜ao de mais outros instrumentos no secund´ario do TC, ent˜ao ´e aconselh´avel superdimension´a-lo um pouco. Assim, o TC do exemplo 1 passaria a ser 0, 3 − C25 e o do exemplo 2, 0, 6 − C50 a fim de que fosse poss´ıvel utiliz´a-lo tamb´em em medi¸c˜ao para faturamento. 3.4.17 TCs para Prote¸c˜ao Embora todos os TCs tenham o mesmo princ´ıpio f´ısico de funcionamento e sejam cons- titu´ıdos basicamente dos mesmos elementos, h´a a se levar em considera¸c˜ao caracter´ısticas bem marcantes que lhes s˜ao impostas no projeto e constru¸c˜ao em termos de tipos de n´ucleos e tipos de enrolamentos prim´ario e secund´ario, as quais dividem os TCs em dois grupos bem distintos quanto `a finalidade de utiliza¸c˜ao adequada: TCs para medi¸c˜ao e TCs para prote¸c˜ao (para servi¸co de rel´es). Os TCs para medi¸c˜ao n˜ao devem ser utilizados para prote¸c˜ao, como tamb´em os cons- tru´ıdos para prote¸c˜ao n˜ao devem ser utilizados para medi¸c˜ao, sobretudo se esta medi¸c˜ao ´e de energia el´etrica para fins de faturamento a consumidor. Esta precau¸c˜ao ´e baseada nas duas caracter´ısticas seguintes: Classe de Exatid˜ao: Os TCs para medi¸c˜ao tˆem classe de exatid˜ao 0, 3 − 0, 6 − 1, 2. Para classific´a-los, s˜ao considerados os erros de rela¸c˜ao e de fase levantados nos ensaios. Os TCs para prote¸c˜ao tˆem classe de exatid˜ao 10, onde ´e levado em considera¸c˜ao apenas o erro de rela¸c˜ao, uma vez que, na prote¸c˜ao, o que interessa ´e o efeito produzido nos rel´es pelo m´odulo da corrente secund´aria como fun¸c˜ao do m´odulo da corrente prim´aria, n˜ao tendo a´ı o erro de fase nenhuma influˆencia. Considera-se que um TC para servi¸co de prote¸c˜ao est´a dentro da sua classe de exatid˜ao, em condi¸c˜oes especificadas, quando, nestas condi¸c˜oes, o seu erro de rela¸c˜ao percentual n˜ao for superior a 10%, desde a corrente nominal at´e uma corrente igual a 20 vezes o valor da corrente nominal. Circuito Magn´etico: O n´ucleo dos TCs para medi¸c˜ao ´e feito de material de elevada permeabilidade magn´etica (pequena corrente de excita¸c˜ao, pequenas perdas, baixa relutˆancia) trabalhando sob condi¸c˜oes de baixa indu¸c˜ao magn´etica (cerca de 0, 1
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 72 tesla). Mas, eles entram em satura¸c˜ao logo que a indu¸c˜ao magn´etica cresce para 0, 4 a 0, 5 tesla, o que corresponde `a corrente prim´aria crescer para cerca de quatro vezes o seu valor nominal. Mesmo que a corrente prim´aria ultrapasse esta ordem de grandeza e atinja valores excessivos, ela reflete no secund´ario uma corrente que chega no m´aximo a cerca de quatro vezes o valor nominal desta, conforme mostra a curva 1 da figura abaixo. O n´ucleo dos TCs para prote¸c˜ao ´e feito de material que n˜ao tem a mesma permea- bilidade magn´etica, por´em somente entra em satura¸c˜ao para valores muito elevados do fluxo (indu¸c˜ao magn´etica elevada), correspondentes a uma corrente prim´aria de cerca de 20 vezes o valor nominal desta, conforme mostra a curva 2 da figura acima. Nos instrumentos de medi¸c˜ao uma corrente desta ordem de grandeza poderia dani- fic´a-los, enquanto que os rel´es podem perfeitamente suport´a-la desde que s˜ao pre- vistos para isto. Se um TC para medi¸c˜ao ´e utilizado para alimentar rel´es, estes muito certamente n˜ao entrar˜ao em funcionamento na ocasi˜ao necess´aria (ocasi˜ao de curto-circuito, por exemplo), pois entrando o TC em satura¸c˜ao a corrente secund´aria poder´a n˜ao ser suficiente para sensibiliz´a-los convenientemente. Por exemplo: um rel´e a tempo inverso que deve funcionar num tempo t1 (figura abaixo) quando a corrente for 6 vezes a corrente nominal, ser´a nestas condi¸c˜oes (quando alimentado atrav´es de TC para medi¸c˜ao) sensibilizado como se a corrente fosse cerca de 4 vezes a corrente nominal, mesmo que aquela corrente atingisse 5 ou 6 ou mais vezes a corrente nominal, entrando assim em funcionamento num tempo t2 > t1, o que afetaria sensivelmente a seletividade com outros rel´es da retaguarda, comprometendo desta forma a prote¸c˜ao de todo o sistema.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 73 Classifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao Os TCs para prote¸c˜ao s˜ao agrupados, tendo em vista a impedˆancia do enrolamento secund´ario, em duas classes: Transformador de Corrente Classe B: TC que possui baixa impedˆancia interna, isto ´e, aquele cuja reatˆancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ario possui valor des- prez´ıvel. Constituem exemplos: os TCs de n´ucleo tor´oidal com enrolamento se- cund´ario uniformemente distribu´ıdo. Transformador de Corrente Classe A: TC que possui alta impedˆancia interna, isto ´e, aquele cuja reatˆancia de dispers˜ao do enrolamento secund´ario possui valor apreci´avel. Nesta classe se enquadram todos os TCs exceto os que s˜ao definidos como classe B. Especifica¸c˜ao dos TCs para Prote¸c˜ao No Brasil, os TCs para prote¸c˜ao devem satisfazer `as duas condi¸c˜oes seguintes: 1. Somente devem entrar em satura¸c˜ao para uma corrente de valor acima de 20 vezes a sua corrente nominal. 2. Devem ser de classe de exatid˜ao 10, isto ´e, o erro de rela¸c˜ao percentual n˜ao deve exceder 10% para qualquer valor da corrente secund´aria, desde 1 a 20 vezes a corrente nominal, e qualquer carga igual ou inferior `a nominal. A primeira condi¸c˜ao leva ao estabelecimento da tens˜ao secund´aria nominal, a qual pode ser definida como sendo a tens˜ao que aparece nos terminais da carga nominal posta no secund´ario do TC para prote¸c˜ao quando a corrente que a percorre ´e igual a 20 vezes o valor da corrente secund´aria nominal, ou seja, quando a corrente secund´aria ´e 100A. A cada carga nominal para TC padronizada pela ABNT corresponde ent˜ao uma tens˜ao secund´aria nominal para TC para prote¸c˜ao, a qual ´e obtida multiplicando-se por 100 a impedˆancia daquela carga nominal. Na especifica¸c˜ao de um TC para prote¸c˜ao ´e necess´ario indicar se ele deve ser classe A ou B, como tamb´em a tens˜ao secund´aria nominal que o usu´ario deseja para ele. N˜ao ´e necess´ario citar a classe de exatid˜ao, uma vez que no Brasil somente h´a a classe de exatid˜ao 10. Exemplo 1: Um TC para prote¸c˜ao B200 significa:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 74 a. TC de classe de exatid˜ao 10. b. TC de classe B, isto ´e, de baixa impedancia interna. c. Tens˜ao secund´aria nominal 200V (est´a implicito que a carga secund´aria nominal deve ser C50 cuja impedˆancia ´e 2Ω, pois: V = 20 · 5 · 2 = 200V ). Exemplo 2: Um TC para prote¸c˜ao A400 significa: a. TC de classe de exatid˜ao 10. b. TC de classe A, isto ´e, de alta impedancia interna. c. Tens˜ao secund´aria nominal 400V (est´a implicito que a carga secund´aria nominal deve ser C100 cuja impedˆancia ´e 4Ω, pois: V = 20 · 5 · 4 = 400V ). Levando em conta o quadro de cargas nominais dos TCs, foi elaborado o quadro da fi- gura abaixo onde s˜ao mostrados os valores das tens˜oes secund´arias nominais normalizadas no Brasil, como tamb´em os v´arios tipos de TCs para prote¸c˜ao das classes A e B. Deve ficar entendido que, quando se est´a especificando um TC para prote¸c˜ao que vai ser adquirido, o dimensionamento da sua tens˜ao secund´aria nominal ´e feito tendo-se em conta o valor da impedˆancia m´axima Zm que poder´a vir a ser imposta ao seu secund´ario quando ele for utilizado na instala¸c˜ao: Zm = (Rr + 2r)2 + (Xr)2 onde se tem a considerar: Rr: resistˆencia pr´opria do rel´e Xr: reatˆancia pr´opria do rel´e r: resistˆencia do condutor que liga o secund´ario do TC ao rel´e (2r ´e a resistˆencia total) Esta impedˆancia m´axima Zm deve ser relacionada `a impedˆancia nominal Z da carga padronizada correspondente a tens˜ao secund´aria nominal que ter´a de especificar:
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 75 Z ≥ Zm Como tamb´em, ao se instalar um TC para prote¸c˜ao, que j´a est´a dispon´ıvel na con- cession´aria, os condutores secund´arios devem ser corretamente dimensionados, em termos de resistˆencia m´axima rm permiss´ıvel, tendo em conta a impedˆancia Z padronizada cor- respondente `a tens˜ao secund´aria nominal que est´a indicada na placa de identifica¸c˜ao do TC: Z = (Rr + 2rm)2 + (Xr)2 Exemplo: a impedˆancia m´axima (incluindo a resistˆencia dos condutores) a ser imposta ao secund´ario de um TC de prote¸c˜ao ´e da ordem de grandeza de 2, 75Ω. Ent˜ao, este TC seria especificado na “ordem de compra”como A400 ou B400. 3.4.18 Resumo das Caracter´ısticas dos TCs 1. Corrente secund´aria: de modo geral a corrente nominal secund´aria ´e de 5A. Em casos especiais, em prote¸c˜ao pode haver TCs com corrente secund´aria nominal de 2, 5A. 2. Corrente prim´aria: caracteriza o valor nominal de I1 suport´avel pelo TC. Na escolha de um TC deve-se especific´a-lo tendo em vista a corrente m´aximo do circuito em que o TC vai ser inserido. 3. Classe de exatid˜ao: valor m´aximo do erro, expresso em percentagem, que poder´a ser introduzido pelo TC na indica¸c˜ao de um watt´ımetro, ou no registro de um medidor de energia el´etrica, em condi¸c˜oes especificadas. Pode ter os valores: 0, 3, 0, 6 e 1, 2. 4. Carga nominal: carga na qual se baseiam os requisitos de exatid˜ao do TC. 5. Fator t´ermico: fator pelo qual deve ser multiplicada a corrente prim´aria nominal para se obter a corrente prim´aria nominal para se obter a corrente prim´aria m´axima que um TC ´e capaz de conduzir em regime permanente, sob freq¨uˆencia nominal, sem exceder os limites de eleva¸c˜ao de temperatura especificados e sem cair fora da sua classe de exatid˜ao. Os limites de eleva¸c˜ao de temperatura levam em consi- dera¸c˜ao os diferentes tipos de materiais isolantes que podem ser utilizados nos TCs. Especificam-se cinco fatores t´ermicos para TCs fabricados no Brasil: 1, 0; 1, 2; 1, 3; 1, 4; 1, 4; 1, 5 e 2, 0. J´a existem em outros pa´ıses TCs de fator t´ermico 4, 0. Se o usu´ario desejar fator t´ermico maior que 1, 0 em TCs nacionais, dever´a explicit´a-lo na sua especifica¸c˜ao de compra. Os fabricantes garantem que, acima da corrente nominal, o TC at´e que apresentam melhor exatid˜ao, pois nestas condi¸c˜oes a corrente de excita¸c˜ao ser´a muito pequena diante da corrente prim´aria. 6. N´ıvel de isolamento: define a especifica¸c˜ao do TC quanto `as condi¸c˜oes a que deve satisfazer a sua isola¸c˜ao em termos de tens˜ao suport´avel. A padroniza¸c˜ao das tens˜oes m´aximas de opera¸c˜ao dos TCs (tabela abaixo), como tamb´em os correspondentes tipos e n´ıveis de tens˜oes a que devem ser submetidos por ocasi˜ao dos ensaios definem desta maneira, a “tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao de um equipamento”: m´axima tens˜ao de linha (tens˜ao entre fases) para o qual o equipamento ´e projetado, considerando- se principalmente a sua isola¸c˜ao, bem como outras caracter´ısticas que podem ser
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 76 referidas a essa tens˜ao, na especifica¸c˜ao do equipamento considerado. Em caso de corrente alternada ´e sempre dada em valor eficaz. Essa tens˜ao n˜ao ´e necessariamente igual `a tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao do sistema ao qual o equipamento est´a ligado. Tens˜oes M´aximas de Opera¸c˜ao dos TCs (kV ) 0, 6 25, 8 92, 4 362 1, 2 38 145 460 7, 2 48, 3 169 550 12 72, 5 242 765 15 Em termos pr´aticos, na especifica¸c˜ao de um TC, a sua tens˜ao m´axima de opera¸c˜ao pode ser considerada como sendo a que consta do quadro (mostrado anteriormente) imediatamente superior `a tens˜ao nominal entre fases do circuito em que o TC ser´a utilizado. 7. Corrente t´ermica nominal: maior corrente prim´aria que um TC ´e capaz de suportar durante um segundo, com o enrolamento secund´ario curto-circuitado, sem exceder, em qualquer enrolamento, uma temperatura m´axima especificada. Somente h´a in- teresse em se falar em corrente t´ermica para TCs a partir do n´ıvel de isolamento correspondente `a tens˜ao nominal de 69kV . Como referˆencia, podemos dizer que a corrente t´ermica ´e no m´ınimo 75 vezes e 45 vezes a corrente prim´aria nominal para os TCs imersos em ´oleo mineral isolante e para os isolados em epoxy, respectivamente. A corrente t´ermica tem tamb´em o nome de corrente de curta dura¸c˜ao. 8. Corrente dinˆamica nominal: valor de crista da corrente prim´aria que um TC ´e capaz de suportar, durante o primeiro meio ciclo, com o enrolamento secund´ario curto- circuitado, sem danos el´etricos ou mecˆanicos resultantes das for¸cas eletromagn´eticas. A norma estabelece que o valor de crista ´e normalmente 2, 5 vezes o valor da corrente t´ermica. 9. Polaridade: Num transformador (figura abaixo) diz-se que o terminal S1 do secund´ario tem a mesma polaridade do terminal P1 do prim´ario se, quando a corrente I1 percorre o enrolamento prim´ario de P1 para P2, no mesmo instante a corrente I2 percorre o instrumento A de S1 para S2. Conseq¨uentemente, diz-se tamb´em que S2 tem a mesma polaridade de P2. Quando o TC alimenta somente amper´ımetros, rel´es de corrente, etc., a sua po- laridade n˜ao precisa ser levada em considera¸c˜ao. Mas, quando ele alimenta ins- trumentos el´etricos cuja bobina de corrente ´e provida de polaridade relativa, como watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc., ent˜ao ´e extremamente
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 77 importante a considera¸c˜ao da polaridade do TC: a entrada da bobina de corrente destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ario do TC que corresponde ao seu terminal prim´ario que est´a ligado como entrada ao circuito principal. Exemplo: Na figura acima, se o prim´ario do TC for ligado em s´erie com a carga de modo que P1 seja entrada, isto ´e, P1 esteja ligado no lado da fonte e P2 no lado da carga, ent˜ao a entrada das bobinas de corrente dos instrumentos ser´a ligada ao terminal S1 do secund´ario. Da mesma forma, se P2 for ligado for ligado como entrada, isto ´e P2 no lado da fonte e P1 no lado da carga, ent˜ao S2 ´e que ser´a utilizado como entrada das bobinas de corrente daqueles instrumentos el´etricos. Normalmente, os terminais dos enrolamentos prim´ario e secund´ario dos TCs s˜ao dispostos de tal forma que os terminais de mesma polaridade ficam adjacentes, como mostra a figura `a esquerda acima, e n˜ao em diagonal como mostra a figura `a direita acima. 10. Se um TC alimenta v´arios instrumentos el´etricos, Ester devem ser ligados em s´erie a fim de que todos eles sejam percorridos pela mesma corrente do secund´ario do TC. 11. Quando se empregam TCs em medi¸c˜ao de energia el´etrica para fins de faturamento a consumidor, ´e recomend´avel que estes TCs sejam utilizados exclusivamente para alimentar o medidor ou medidores de energia el´etrica da instala¸c˜ao. N˜ao deve ser permitida a coloca¸c˜ao de outros instrumentos el´etricos no secund´ario destes TCs, tais como amper´ımetros, bobina de corrente de watt´ımetros, etc. 12. Damos a seguir uma ordem de grandeza para os TCs para medi¸c˜ao: a. n1I1 = 500 a 1000 amp´eres-espiras para I1 nominal; b. n1I0 < 1% de n1I1, para I1 nominal; c. densidade de fluxo: B ≤ 1000 linhas/cm2 (1000 Gauss ou 0, 1 tesla); d. comprimento m´edio do circuito magn´etico: 40cm; e. densidade de corrente: de 1A at´e 2A por mm2 ; f. r2 = 0, 5Ω; 2 = 15mH. 3.5 Algumas Considera¸c˜oes Sobre TPs e TCs 1. Os TPs e TCs servem tamb´em como elementos de isolamento entre os instrumentos ligados no secund´ario e o circuito de alta tens˜ao, reduzindo assim o perigo para o operador e tornando desnecess´aria uma isola¸c˜ao especial para tais instrumentos. Assim, ´e que h´a TCs de 5/5A, mas com n´ıvel de isolamento para alta tens˜ao. 2. Um mesmo instrumento el´etrico, utilizado com TCs e TPs de diferentes rela¸c˜oes nominais, pode servir para um campo muito largo de medi¸c˜oes gra¸cas `a padroniza¸c˜ao dos valores secund´arios deles (5A para os TCs e 115V para os TPs). 3. Deve-se ter o cuidado de ligar `a terra o secund´ario e o n´ucleo dos TCs e TPs por medida de seguran¸ca. Al´em disso, os TCs para alta tens˜ao (a partir de 69kV ) s˜ao
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 78 constru´ıdos normalmente com camadas de material condutor (blindagem) envol- vendo o enrolamento prim´ario para uniformiza¸c˜ao da distribui¸c˜ao dos potenciais. Estas camadas s˜ao ligadas entre si e tamb´em a um terminal externo, o qual deve ser ligado `a terra. 4. Os TCs e TPs tˆem todos os terminais prim´arios e secund´arios providos de marcas indel´eveis. Estas marcas permitem ao instalador a r´apida identifica¸c˜ao dos terminais de mesma polaridade. O instalador somente precisa se preocupar com a polaridade no momento em que for ligar ao secund´ario dos TCs ou TPs os instrumentos el´etricos que tˆem bobinas providas de polaridade relativa: watt´ımetros, medidores de energia el´etrica, fas´ımetros, etc. A entrada das bobinas destes instrumentos deve ser ligada ao terminal secund´ario do TC ou TP que corresponde ao terminal prim´ario que foi utilizado como entrada. 5. ´E aconselh´avel, antes de instalar os TCs e TPs, verificar pelo menos a rela¸c˜ao de transforma¸c˜ao nominal e a polaridade. A figura abaixo mostra uma montagem sim- ples para verificar a polaridade: a resistˆencia R ser´a ajustada de modo a limitar a corrente no milivolt´ımetro mV ; a pilha pode ser de apenas 3V ; ao fechar o inter- ruptor K, se o ponteiro do milivolt´ımetro desviar para o positivo, ent˜ao o terminal marcado P do prim´ario corresponde ao terminal marcado S no secund´ario; observar a maneira correta de ligar os p´olos positivo e negativo da pilha e do milivolt´ımetro, conforme est´a na figura. 6. O n´ucleo dos TPs e TCs ´e feito de chapas de ferro-sil´ıcio. Para os de melhor qualidade, emprega-se ferro-sil´ıcio de gr˜aos orientados, laminado a frio, conseguindo-se bons resultados quanto `a permeabilidade magn´etica e menores perdas. Os TCs especiais, os que ser˜ao utilizados como padr˜ao, por exemplo, para os quais se exige excelente classe de exatid˜ao, tˆem o n´ucleo feito de chapas de ligas especiais de ferro-n´ıquel. Estas ligas tˆem alta permeabilidade magn´etica e perdas reduzidas, mas o seu custo ´e bem maior que o custo dos n´ucleos de ferro-sil´ıcio usuais. Como exemplo, citaremos algumas destas ligas: 6.1. FERRO-MU ou MUMETAL: 77% de n´ıquel, 5% de cobre, 2% de cromo e 16% de ferro. Para uma mesma densidade de fluxo, a corrente de excita¸c˜ao para esta liga ´e cerca de 1/4 da corrente de excita¸c˜ao para a liga de ferro-sil´ıcio.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 79 Entretanto, o pre¸co de um n´ucleo de MUMETAL ´e cerca de 5 a 6 vezes o pre¸co de um n´ucleo de ferro-sil´ıcio. 6.2. PERMANDUR: 49% de ferro, 49% de cobalto e 2% de van´adio. 6.3. MONIMAX: 47% de n´ıquel, 3% de molibdˆenio e 50% de ferro. 3.6 Emprego para os Transformadores de Instrumen- tos na Medi¸c˜ao de Potˆencia Ativa e Reativa No caso de tens˜ao elevada e corrente intensa, superiores `a tens˜ao e `a corrente su- port´aveis pelas bobinas Bp e Bc, respectivamente, faz-se necess´ario o emprego dos trans- formadores para instrumentos, TPs e TCs. H´a casos na pr´atica em que a tens˜ao da linha ´e suport´avel por Bp e, portanto, empregam-se apenas os TCs. Duas precau¸c˜oes devemos tomar em rela¸c˜ao aos transformadores para instrumentos: observar a polaridade e aterrar o secund´ario e o n´ucleo. 3.6.1 M´etodo dos Trˆes Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com TPs e TCs A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Sendo Kc a rela¸c˜ao nominal dos TCs e Kp a rela¸c˜ao nominal dos TPs, temos que a potˆencia ativa total P solicitada pela carga Z ser´a: P = KcKp (W1 + W2 + W3) 3.6.2 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Ativa com TPs e TCs A Figura abaixo esquematiza a montagem a realizar. Observamos que os transforma- dores apenas s˜ao intercalados entre o circuito e os watt´ımetros, n˜ao alterando o princ´ıpio da liga¸c˜ao dos dois watt´ımetros quando empregados sem transformadores. A potˆencia total P: P = KcKp (W1 + W2)
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 80 3.6.3 M´etodo dos Dois Watt´ımetros para Potˆencia Reativa com TPs e TCs A montagem est´a indicada na Figura abaixo. A potˆencia reativa total Q ser´a: Q = KcKp (W1 + W2) 2 · √ 3 3.6.4 C´alculo do Erro Introduzido pelos TPs e TCs na Indica¸c˜ao do Watt´ımetro Suponhamos uma carga Z, de fator de potˆencia indutivo cosθ submetida `a tens˜ao U1 e percorrida pela corrente I1, como na Figura abaixo. A potˆencia ativa exata da carga ser´a: P = U1I1 cos θ Os transformadores introduzem erros de fase, respectivamente iguais a γ e β, e o watt´ımetro W dar´a a seguinte indica¸c˜ao levando em conta a Figura abaixo: W = U2I2 cos θ
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 81 O valor medido da potˆencia ativa ser´a ent˜ao: P = KcKpW ou P = KpKcU2I2 cos θ Dividindo membro a membro as express˜oes acima: P P = U1I1 cos θ KpU2KcI2 cos θ Como U1 = FCRp · KpU2 e I1 = FCRc · KcI2, temos que: P = P · FCRpFCRc · cos θ cos θ Exemplo Num´erico 1. TC: 30/5A: Kc = 6; FCRc = 0, 998; β = 10 2. TP: 13800/115V : Kp = 120; FCRp = 0, 996; γ = −12 3. Indica¸c˜ao do watt´ımetro: W = 300W 4. Valores lidos: U2 = 115V e I2 = 4A Dos valores acima vˆe-se que: P = 300 · 6 · 120 = 216000W cosθ = 300 4 · 115 = 0, 652 ∴ θ = 49o 29 Da Figura acima vˆe-se que: θ = 49o 29 + 10 + 12 = 49o 51 ∴ cos θ = 0, 649 E ent˜ao a potˆencia ativa exata P ser´a: P = 216000 · 0, 998 · 0, 996 · 0, 649 0, 652 P = 213717W
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 82 3.7 Emprego para os Transformadores de Instrumen- tos no Controle e Supervis˜ao Os instrumentos de controle e supervis˜ao mostrados nesta sess˜ao foram utilizados na pr´atica e foram instalados pela TRANSNOR - Transformadores do Nordeste S.A. - durante os meses de Agosto e Janeiro de 2006/2007. 3.7.1 M´odulo 5520 Deep Sea Eletronics O modelo 5520 ´e um m´odulo para controle autom´atico de falha da rede. O m´odulo ´e usado para monitorar a rede e automaticamente partir um gerador em espera. E quando na presen¸ca de falhas, automaticamente desligando o gerador e indicando as mesmas por meio do display. Com o 5520 pode-se ainda programar entradas do gerador em horas predeterminadas, por exemplo, em hor´arios de pico para diminuir a demanda de carga da rede, e assim, diminuir um poss´ıvel excesso na demanda contratada com o fornecedor de energia el´etrica. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar a opera¸c˜ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por um n´umero PIN para prevenir acessos n˜ao autorizados. A opera¸c˜ao do m´odulo ´e feita atrav´es de bot˜oes de controle localizados no painel, onde poder´a se realizar as fun¸c˜oes como parar a m´aquina, ligar, etc. Este m´odulo foi montado para operar no controle de um grupo gerador no hotel Pirˆamide, localizado na Via Costeira em Natal. O mesmo deve n˜ao s´o monitorar a rede para entrar em um caso de falha, como tamb´em entrar no hor´ario de pico de tarifa¸c˜ao da energia para diminuir o consumo. O mesmo entra sincronizado com a rede e a sua entrada ´e quase impercept´ıvel aos usu´arios. O gerador supre a carga em paralelo com a rede, visto que o mesmo n˜ao possui a potˆencia total necess´aria para substitu´ı-la. O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente da sa´ıda do grupo gerador. Para a configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao inseridas al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc do TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 83 3.7.2 M´odulo 5510 Deep Sea Eletronics O modelo 5510 ´e um modulo para controle de m´aquinas el´etricas autom´atico. O m´odulo ´e usado para automaticamente acionar e parar a m´aquina, indicando as suas caracter´ısticas de opera¸c˜ao e condi¸c˜oes de falta por meio de um display lcd e leds indica- dores no painel. Seq¨uˆencias de opera¸c˜ao, temporizadores e alarmes podem ser alterados pelo usu´ario. Atrav´es de um computador e um software fornecido, pode-se monitorar a opera¸c˜ao do sistema localmente, ou remotamente. O acesso ao modulo ´e protegido por um n´umero PIN para prevenir acessos n˜ao autorizados. O 5510 tem a capacidade de sincroniza¸c˜ao e divis˜ao de carga. O m´odulo 5510 possui sa´ıdas flex´ıveis que permitem a conex˜ao aos mais comuns reguladores autom´aticos de tens˜ao e controladores de veloci- dade. A opera¸c˜ao do m´odulo ´e feita atrav´es de bot˜oes de controle localizados no painel, onde poder´a se realizar as fun¸c˜oes como parar a m´aquina, ligar, etc. O mesmo utiliza de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente da sa´ıda da m´aquina. Para a configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao in- seridas al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc do TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta. A instala¸c˜ao deste m´odulo foi requisitada pela Petrobr´as para operar em plataforma. Devido a isto, uma caracter´ıstica foi frisada quanto a liga¸c˜ao do mesmo: a eletricidade na plataforma trabalha com 3 fases - 3 fios, ou seja, com terra flutuante. Esta caracter´ıstica impossibilitou a utiliza¸c˜ao de TPs para leitura de tens˜ao, o motivo foi de uma configura¸c˜ao do m´odulo que n˜ao poderia ser alterada. 3.7.3 Multitransdutor Digital Kron MKM-D com Mem´oria de Massa O multitransdutor digital da Kron MKM-D com Mem´oria de Massa foi adquirido para a montagem de um quadro para a UFPB - Universidade Federal da Para´ıba - que deveria ler as medidas de tens˜ao, freq¨uˆencia, fator de potˆencia, energia ativa e reativa e consumo de energia de um grupo motor diesel convertido para g´as e um gerador, devendo gravar estes dados para an´alise na mem´oria de massa. A montagem faz parte de um projeto de Engenharia Mecˆanica para o estudo do g´as natural como combust´ıvel alternativo. A carga do gerador ´e composta de um banco de resistˆencia.
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    Cap´ıtulo 3. Transformadorespara Instrumentos 84 O mesmo pode utilizar de TPs e TCs para medi¸c˜ao de tens˜ao e corrente. Para a configura¸c˜ao dos transformadores de instrumentos utilizados no m´odulo, s˜ao inseridas al´em da rela¸c˜ao nominal Kp, os fatores de corre¸c˜ao de rela¸c˜ao FCRp e FCRc do TP e do TC, respectivamente, calculando-se a rela¸c˜ao real Kr para a medi¸c˜ao correta.