Linguística textual
Intertextualidade
Linguística textual
Intertextualidade
Um texto contém sempre referências de diferentes tipos (e com
diferentes propósitos retóricos ou estilísticos) a outros textos.
Texto que
contém
referências
a outros
textos
Textos
referidos
no
hipertexto
hipertexto hipotextos
O hipotexto de
um texto
literário pode
ser:
Exemplo:
um texto pictórico ou um
texto musical.
um texto literário
um texto não-literário ou
um texto não-verbal
Linguística textual
Intertextualidade
Em Memorial do Convento, as referências a Os Lusíadas são permanentes,
estabelecendo-se, desta forma, um paralelismo entre a grandeza e heroicidade
do povo português em circunstâncias muito distintas, dando, simultaneamente,
uma nova interpretação, mais humana e realista, aos acontecimentos
históricos; mas muitos mais textos e escritores portugueses se encontram ali
representados, criando-se uma teia de referências à nossa literatura e cultura,
num “diálogo irónico e provocador com a tradição literária”.
Linguística textual
Intertextualidade
Ao conjunto das relações mais ou menos explícitas que um
hipertexto mantém com um ou mais hipotextos dá-se o nome de:
Intertextualidad
e
Linguística textual
Intertextualidade
Modalidades de
intertextualidade
Linguística textual
Intertextualidade
Citação
Reprodução, devidamente identificada, de um excerto textual, no interior
de um texto, com o objetivo de ilustrar ou sustentar uma ideia.
José Saramago cita Fernando Pessoa, Mensagem:
«Em seu trono entre o brilho das estrelas, com seu manto de noite e
solidão, tem aos seus pés o mar novo e as mortas eras, o único
imperador que tem, deveras, o globo mundo em sua mão, este tal foi o
infante D. Henrique […].»
José Saramago, Memorial do Convento, Alfragide, Editorial Caminho, 2013, p. 307.
Exemplo:
Linguística textual
Intertextualidade
Epígrafe
Fragmento de texto célebre, devidamente identificado, reproduzido no
início de um texto, de um capítulo ou de uma secção, que relaciona o
conteúdo do texto que se segue com o conteúdo da obra referida,
integrando o hipertexto num domínio de pensamento específico.
Em O Ano da Morte de Ricardo Reis:
«Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo.»
(Ricardo Reis)
«Escolher modos de não agir foi sempre a atenção e o escrúpulo da
minha vida.»
(Bernardo Soares)
«Se me disserem que é absurdo falar assim de quem nunca existiu,
respondo que também não tenho provas de que Lisboa tenha alguma
vez existido, ou eu que escrevo, ou qualquer coisa onde quer que seja.»
(Fernando Pessoa)
Exemplos:
Linguística textual
Intertextualidade
Alusão
Referência mais ou menos indireta a outro texto (ou situação) que deixa
ao leitor ou ouvinte a tarefa de o identificar.
«Da sua gaiola de madeira pregou o celebrante ao mar de gente, se
fosse o mar de peixes, que formoso sermão se teria podido repetir
aqui, com a sua doutrina muito clara, muito sã, mas, peixes não sendo,
foi a pregação como a mereciam homens e só a ouviram os fiéis que
mais ao perto estavam […].»
José Saramago, Memorial do Convento, pp. 225 e 313.
Referência de «[…] Bradam os demónios no inferno, e dessa maneira
julgas escapar à condenação, mas aquele que tudo vê, não este cego
Tobias, o outro a quem […]».
(Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes)
Exemplos:
Linguística textual
Intertextualidade
Paráfrase
Sequência que reformula um fragmento de texto, explicitando e
desenvolvendo o seu sentido.
Destas [mulheres], duas serão relaxadas ao braço secular, em carne, por
relapsas, e isto quer dizer reincidentes na heresia, por convictas e
negativas, e isto quer dizer teimosas apesar de todos os testemunhos,
por contumazes, e isto quer dizer persistentes nos erros que são suas
verdades, só desacertadas no tempo e no lugar.
José Saramago, Memorial do Convento, p. 65.
Exemplo:
Linguística textual
Intertextualidade
Paródia
Imitação de um texto, deformando-o, com o propósito de ridicularizar ou
criticar.
Imitação de José Saramago, em Memorial do Convento, a partir de Os
Lusíadas:
«[…] e então uma grande voz se levanta, é um labrego de tanta idade já
que o não quiseram, e grita subindo a um valado que é púlpito de
rústicos, Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem
justiça […].»
José Saramago, Memorial do Convento, pp. 402.
Exemplo:
Linguística textual
Intertextualidade
«Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas Costa Pimpão), IV, ests. 94-95, Lisboa, Instituto
Camões, 2000, p. 190.
—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!”»
Linguística textual
Intertextualidade
Imitação
criativa
Recriação a partir de um texto, sem o ridicularizar ou criticar.
Recriação de José Saramago, em Memorial do Convento, a partir de Os
Lusíadas:
«Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até
fora da vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, Ó doce e
amado esposo, e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para
refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha […]»
José Saramago, Memorial do Convento, p. 402.
Exemplo:
Linguística textual
Intertextualidade
«Qual vai dizendo: − “Ó filho, a quem eu tinha
Só pera refrigério e doce emparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Porque me deixas, mísera e mesquinha?
Porque de mi te vás, ó filho caro,
A fazer o funéreo enterramento
Onde sejas de pexes mantimento?”
Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas Costa Pimpão), IV, ests. 90-95, Lisboa, Instituto
Camões, 2000, p. 189.
Qual em cabelo: − “Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Porque is aventurar ao mar iroso
Essa vida que é minha e não é vossa?
Como, por um caminho duvidoso,
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento,
Quereis que com as velas leve o vento?”»
Linguística textual
Intertextualidade

Linguística textual intertextualidade.ppt

  • 1.
  • 2.
    Linguística textual Intertextualidade Um textocontém sempre referências de diferentes tipos (e com diferentes propósitos retóricos ou estilísticos) a outros textos. Texto que contém referências a outros textos Textos referidos no hipertexto hipertexto hipotextos
  • 3.
    O hipotexto de umtexto literário pode ser: Exemplo: um texto pictórico ou um texto musical. um texto literário um texto não-literário ou um texto não-verbal Linguística textual Intertextualidade
  • 4.
    Em Memorial doConvento, as referências a Os Lusíadas são permanentes, estabelecendo-se, desta forma, um paralelismo entre a grandeza e heroicidade do povo português em circunstâncias muito distintas, dando, simultaneamente, uma nova interpretação, mais humana e realista, aos acontecimentos históricos; mas muitos mais textos e escritores portugueses se encontram ali representados, criando-se uma teia de referências à nossa literatura e cultura, num “diálogo irónico e provocador com a tradição literária”. Linguística textual Intertextualidade
  • 5.
    Ao conjunto dasrelações mais ou menos explícitas que um hipertexto mantém com um ou mais hipotextos dá-se o nome de: Intertextualidad e Linguística textual Intertextualidade
  • 6.
  • 7.
    Citação Reprodução, devidamente identificada,de um excerto textual, no interior de um texto, com o objetivo de ilustrar ou sustentar uma ideia. José Saramago cita Fernando Pessoa, Mensagem: «Em seu trono entre o brilho das estrelas, com seu manto de noite e solidão, tem aos seus pés o mar novo e as mortas eras, o único imperador que tem, deveras, o globo mundo em sua mão, este tal foi o infante D. Henrique […].» José Saramago, Memorial do Convento, Alfragide, Editorial Caminho, 2013, p. 307. Exemplo: Linguística textual Intertextualidade
  • 8.
    Epígrafe Fragmento de textocélebre, devidamente identificado, reproduzido no início de um texto, de um capítulo ou de uma secção, que relaciona o conteúdo do texto que se segue com o conteúdo da obra referida, integrando o hipertexto num domínio de pensamento específico. Em O Ano da Morte de Ricardo Reis: «Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo.» (Ricardo Reis) «Escolher modos de não agir foi sempre a atenção e o escrúpulo da minha vida.» (Bernardo Soares) «Se me disserem que é absurdo falar assim de quem nunca existiu, respondo que também não tenho provas de que Lisboa tenha alguma vez existido, ou eu que escrevo, ou qualquer coisa onde quer que seja.» (Fernando Pessoa) Exemplos: Linguística textual Intertextualidade
  • 9.
    Alusão Referência mais oumenos indireta a outro texto (ou situação) que deixa ao leitor ou ouvinte a tarefa de o identificar. «Da sua gaiola de madeira pregou o celebrante ao mar de gente, se fosse o mar de peixes, que formoso sermão se teria podido repetir aqui, com a sua doutrina muito clara, muito sã, mas, peixes não sendo, foi a pregação como a mereciam homens e só a ouviram os fiéis que mais ao perto estavam […].» José Saramago, Memorial do Convento, pp. 225 e 313. Referência de «[…] Bradam os demónios no inferno, e dessa maneira julgas escapar à condenação, mas aquele que tudo vê, não este cego Tobias, o outro a quem […]». (Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes) Exemplos: Linguística textual Intertextualidade
  • 10.
    Paráfrase Sequência que reformulaum fragmento de texto, explicitando e desenvolvendo o seu sentido. Destas [mulheres], duas serão relaxadas ao braço secular, em carne, por relapsas, e isto quer dizer reincidentes na heresia, por convictas e negativas, e isto quer dizer teimosas apesar de todos os testemunhos, por contumazes, e isto quer dizer persistentes nos erros que são suas verdades, só desacertadas no tempo e no lugar. José Saramago, Memorial do Convento, p. 65. Exemplo: Linguística textual Intertextualidade
  • 11.
    Paródia Imitação de umtexto, deformando-o, com o propósito de ridicularizar ou criticar. Imitação de José Saramago, em Memorial do Convento, a partir de Os Lusíadas: «[…] e então uma grande voz se levanta, é um labrego de tanta idade já que o não quiseram, e grita subindo a um valado que é púlpito de rústicos, Ó glória de mandar, ó vã cobiça, ó rei infame, ó pátria sem justiça […].» José Saramago, Memorial do Convento, pp. 402. Exemplo: Linguística textual Intertextualidade
  • 12.
    «Mas um velhod'aspeito venerando, Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C'um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito: Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas Costa Pimpão), IV, ests. 94-95, Lisboa, Instituto Camões, 2000, p. 190. —"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça Desta vaidade, a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas!”» Linguística textual Intertextualidade
  • 13.
    Imitação criativa Recriação a partirde um texto, sem o ridicularizar ou criticar. Recriação de José Saramago, em Memorial do Convento, a partir de Os Lusíadas: «Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo, e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha […]» José Saramago, Memorial do Convento, p. 402. Exemplo: Linguística textual Intertextualidade
  • 14.
    «Qual vai dizendo:− “Ó filho, a quem eu tinha Só pera refrigério e doce emparo Desta cansada já velhice minha, Que em choro acabará, penoso e amaro, Porque me deixas, mísera e mesquinha? Porque de mi te vás, ó filho caro, A fazer o funéreo enterramento Onde sejas de pexes mantimento?” Luís de Camões, Os Lusíadas (leitura, prefácio e notas Costa Pimpão), IV, ests. 90-95, Lisboa, Instituto Camões, 2000, p. 189. Qual em cabelo: − “Ó doce e amado esposo, Sem quem não quis Amor que viver possa, Porque is aventurar ao mar iroso Essa vida que é minha e não é vossa? Como, por um caminho duvidoso, Vos esquece a afeição tão doce nossa? Nosso amor, nosso vão contentamento, Quereis que com as velas leve o vento?”» Linguística textual Intertextualidade