“REFLEXOS DÁ REDUÇÃO DE 36% NOS INVESTIMENTOS DE DESPOLUIÇÃO
DO RIO TIETÊ”
Informativo Mensal - Volume 29
COM CRISE HÍDRICA, INVESTIMENTOS EM ESGOTOS
FORAM INTERROMPIDOS
O valor investido pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo) no projeto de despoluição do rio Tietê caiu 36%
entre 2014 e 2015. No período, o gasto anual com a recuperação do rio
mais extenso do Estado recuou de R$ 516 milhões para R$ 378 milhões --
uma diferença de R$ 138 milhões.
É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo por
meio de dados da Sabesp obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527 (Lei
de Acesso à Informação).
A queda no investimento se deu no ano que a Fundação SOS Mata
Atlântica apontou, por meio de relatório divulgado em setembro, que a
mancha de poluição do Tietê mais que dobrou, saltando de 71 km para
154,7 km, entre setembro de 2014 e agosto de 2015. Essa ONG
acompanha anualmente os indicadores do projeto de despoluição. Em
1993, no início do programa, essa mancha era de 530 km.
A mancha de poluição é o que o trecho "morto" do rio, no qual não há
ou existe uma fração muito pequena (de até 1,5 miligrama por litro) de
oxigênio dissolvido. Para ter vida, esse índice deve variar de 4 a 10
miligramas de oxigênio por litro, segundo especialistas.
A VOZ DO TIETÊ
Desde 2005 o Instituto Navega
São Paulo tem o objetivo de
atrair a atenção da população
para o rio Tietê a partir do seu
trecho mais degradado que é a
região metropolitana de São
Paulo. Conseguimos atingir
nosso proposito por meio das
navegações monitoradas na
embarcação Almirante do Lago,
entre as pontes dos Remédios e
das Bandeiras. Agora nossa
proposta com este informativo
mensal é atrair sua atenção,
levando até você informações
sobre o nosso Tietê para que
juntos identifiquemos o que
fazer para revitalizar tão
precioso patrimônio ambiental.
DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
Com o aumento expressivo da mancha de poluição
no ano passado, o trecho "morto" do Tietê voltou
a abranger cidades localizadas fora da Grande São
Paulo. Em 2014, ela se restringia à região entra
Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus. Um ano
depois, ela começava em Mogi das Cruzes e se
estendia até Cabreúva, perto de Jundiaí.
O ano de 2015 registrou uma interrupção na
tendência de alta do investimento anual na
despoluição do Tietê. Segundo a Sabesp, entre
2011 e 2014, o valor destinado à recuperação do
rio cresceu ano após ano.
Na avaliação do engenheiro Julio Cequeira Cesar Neto, ex-professor de hidráulica e saneamento da Escola
Politécnica da USP, a queda no gasto com a despoluição do rio "está diretamente ligada à crise hídrica", que
produziu seus efeitos mais intensos entre meados de 2014 e o início de 2015, com registro de casos de falta de água
em toda a região metropolitana de São Paulo.
"Com a crise [hídrica], a Sabesp praticamente
cortou o investimento no serviço de coleta e
tratamento de esgoto", explica o especialista.
De acordo com ele, a recuperação do rio Tietê
requer um investimento anual muito superior ao
executado atualmente. "Se houvesse vontade
política, é um projeto que levaria mais 10, 15 anos
para ser resolvido. Dinheiro para isso há", diz.
O TIETÊ, NA CONDIÇÃO ATUAL, "DEPÕE TREMENDAMENTE CONTRA A QUALIDADE DE
VIDA DA PRINCIPAL METRÓPOLE DO PAÍS".
OUTRO LADO
A Sabesp disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que as ações do projeto de despoluição do
rio Tietê "são visíveis" e que, entre 2013 e 2014, o gasto com a recuperação do rio teve um aumento de 31%.
Leia, abaixo, a íntegra da nota que a empresa enviou à reportagem:
"Os investimentos no Projeto Tietê tiveram um
aumento de 31% entre 2013 e 2014 por conta
de antecipação de investimentos e ações
emergenciais no sistema de abastecimento
devido à crise hídrica.
A manutenção e expansão do patamar de
investimentos no biênio 2013-2014 só foi
possível porque a Sabesp reduziu as despesas e
melhorou a eficiência operacional. Além disso,
a confiabilidade da Companhia perante as
entidades de financiamento, nacionais e
internacionais, garantiu o acesso ao crédito em
condições e prazos favoráveis para a expansão
do saneamento em São Paulo", afirma Jerson Kelman, presidente da Sabesp.
Se comparado o investimento entre 2015 e 2013, a diferença é de apenas 3%, praticamente estável. O cronograma
de obras para 2016 e, portanto, está sendo reavaliado, mas está prevista para o final deste ano a conclusão de mais
uma etapa de ampliação do sistema de tratamento de esgotos, capacitando o sistema a tratar 24.500 L/s de esgotos,
ante os iniciais 8.500 L/s, no início dos anos 1990.
As ações do projeto Tietê são visíveis na acentuada redução da mancha poluidora presente rio Tietê. Maior rio do
Estado em extensão, o Tietê percorre 1.100 km e banha 62 municípios desde Salesópolis até a divisa com o Mato
Grosso do Sul, onde deságua no rio Paraná. No início das ações do Projeto Tietê, a mancha avançava em 530 km no
rio, no trajeto de Mogi das Cruzes até o reservatório de Barra Bonita. Ao término da segunda etapa, em 2010, esse
trecho compreendia uma extensão de 243 km, de Suzano até Porto Feliz. Em 2015, a mancha estava em 154,7 km,
de acordo com resultados do relatório "O Retrato da Qualidade da Água e a evolução parcial dos indicadores de
impacto do Projeto Tietê", divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica."
Carta da Terra – Princípios
Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a
ampla aplicação do conhecimento adquirido.
Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a
sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em
desenvolvimento.

Informativo insp 29

  • 1.
    “REFLEXOS DÁ REDUÇÃODE 36% NOS INVESTIMENTOS DE DESPOLUIÇÃO DO RIO TIETÊ” Informativo Mensal - Volume 29 COM CRISE HÍDRICA, INVESTIMENTOS EM ESGOTOS FORAM INTERROMPIDOS O valor investido pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) no projeto de despoluição do rio Tietê caiu 36% entre 2014 e 2015. No período, o gasto anual com a recuperação do rio mais extenso do Estado recuou de R$ 516 milhões para R$ 378 milhões -- uma diferença de R$ 138 milhões. É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo por meio de dados da Sabesp obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527 (Lei de Acesso à Informação). A queda no investimento se deu no ano que a Fundação SOS Mata Atlântica apontou, por meio de relatório divulgado em setembro, que a mancha de poluição do Tietê mais que dobrou, saltando de 71 km para 154,7 km, entre setembro de 2014 e agosto de 2015. Essa ONG acompanha anualmente os indicadores do projeto de despoluição. Em 1993, no início do programa, essa mancha era de 530 km. A mancha de poluição é o que o trecho "morto" do rio, no qual não há ou existe uma fração muito pequena (de até 1,5 miligrama por litro) de oxigênio dissolvido. Para ter vida, esse índice deve variar de 4 a 10 miligramas de oxigênio por litro, segundo especialistas. A VOZ DO TIETÊ Desde 2005 o Instituto Navega São Paulo tem o objetivo de atrair a atenção da população para o rio Tietê a partir do seu trecho mais degradado que é a região metropolitana de São Paulo. Conseguimos atingir nosso proposito por meio das navegações monitoradas na embarcação Almirante do Lago, entre as pontes dos Remédios e das Bandeiras. Agora nossa proposta com este informativo mensal é atrair sua atenção, levando até você informações sobre o nosso Tietê para que juntos identifiquemos o que fazer para revitalizar tão precioso patrimônio ambiental. DIA DO TIETÊ 22.09.2011 – PTE. DAS BANDEIRAS
  • 2.
    Com o aumentoexpressivo da mancha de poluição no ano passado, o trecho "morto" do Tietê voltou a abranger cidades localizadas fora da Grande São Paulo. Em 2014, ela se restringia à região entra Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus. Um ano depois, ela começava em Mogi das Cruzes e se estendia até Cabreúva, perto de Jundiaí. O ano de 2015 registrou uma interrupção na tendência de alta do investimento anual na despoluição do Tietê. Segundo a Sabesp, entre 2011 e 2014, o valor destinado à recuperação do rio cresceu ano após ano. Na avaliação do engenheiro Julio Cequeira Cesar Neto, ex-professor de hidráulica e saneamento da Escola Politécnica da USP, a queda no gasto com a despoluição do rio "está diretamente ligada à crise hídrica", que produziu seus efeitos mais intensos entre meados de 2014 e o início de 2015, com registro de casos de falta de água em toda a região metropolitana de São Paulo. "Com a crise [hídrica], a Sabesp praticamente cortou o investimento no serviço de coleta e tratamento de esgoto", explica o especialista. De acordo com ele, a recuperação do rio Tietê requer um investimento anual muito superior ao executado atualmente. "Se houvesse vontade política, é um projeto que levaria mais 10, 15 anos para ser resolvido. Dinheiro para isso há", diz. O TIETÊ, NA CONDIÇÃO ATUAL, "DEPÕE TREMENDAMENTE CONTRA A QUALIDADE DE VIDA DA PRINCIPAL METRÓPOLE DO PAÍS".
  • 3.
    OUTRO LADO A Sabespdisse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que as ações do projeto de despoluição do rio Tietê "são visíveis" e que, entre 2013 e 2014, o gasto com a recuperação do rio teve um aumento de 31%. Leia, abaixo, a íntegra da nota que a empresa enviou à reportagem: "Os investimentos no Projeto Tietê tiveram um aumento de 31% entre 2013 e 2014 por conta de antecipação de investimentos e ações emergenciais no sistema de abastecimento devido à crise hídrica. A manutenção e expansão do patamar de investimentos no biênio 2013-2014 só foi possível porque a Sabesp reduziu as despesas e melhorou a eficiência operacional. Além disso, a confiabilidade da Companhia perante as entidades de financiamento, nacionais e internacionais, garantiu o acesso ao crédito em condições e prazos favoráveis para a expansão do saneamento em São Paulo", afirma Jerson Kelman, presidente da Sabesp. Se comparado o investimento entre 2015 e 2013, a diferença é de apenas 3%, praticamente estável. O cronograma de obras para 2016 e, portanto, está sendo reavaliado, mas está prevista para o final deste ano a conclusão de mais uma etapa de ampliação do sistema de tratamento de esgotos, capacitando o sistema a tratar 24.500 L/s de esgotos, ante os iniciais 8.500 L/s, no início dos anos 1990. As ações do projeto Tietê são visíveis na acentuada redução da mancha poluidora presente rio Tietê. Maior rio do Estado em extensão, o Tietê percorre 1.100 km e banha 62 municípios desde Salesópolis até a divisa com o Mato Grosso do Sul, onde deságua no rio Paraná. No início das ações do Projeto Tietê, a mancha avançava em 530 km no rio, no trajeto de Mogi das Cruzes até o reservatório de Barra Bonita. Ao término da segunda etapa, em 2010, esse trecho compreendia uma extensão de 243 km, de Suzano até Porto Feliz. Em 2015, a mancha estava em 154,7 km, de acordo com resultados do relatório "O Retrato da Qualidade da Água e a evolução parcial dos indicadores de impacto do Projeto Tietê", divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica." Carta da Terra – Princípios Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.