Segurança: meio palpável, fim ilusório Ana Cláudia, Norma, Marta, Talita, Jorge e Wladimir
Sicherheit Segurança, garantia e certeza
Redução e simplificação A complexa questão da “Sicherheit” foi reduzida à questão da segurança pessoal O “combate ao crime” foi reduzido a um espetáculo, excitante, transmitido pela TV Transmite-se a ideia de uma proporção gigantesca de criminosos, que estariam em luta com os “guardiães da ordem” Efeito geral: autopropulsão do medo
Presos no Brasil O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre população carcerária apontava que, em 2003, existiam 290 mil pessoas presas no país, o que significa dizer que havia 16 presos para cada 10 mil habitantes, considerando a população de 170 milhões
O espetáculo Governos constróem mais prisões Criam-se leis mais severas Novas armas contra os crimes Enfim, o Governo “faz a sua parte” O espetáculo conta mais que os resultados efetivos (vide as estatísticas) A eficácia não importa, haja vista a indiferença e a curta duração da memória pública
Mas então... Por quê? Apesar de todo o policiamento, que deveria trazer a  Sicherheit , as pessoas ainda se sentem inseguras, perdidas e amedrontadas?
O “ambiente seguro” Neste mundo das finanças globais, os governos são pouco mais que distritos policiais Importa mais a quantidade e qualidade da polícia Importa mais varrer os mendigos, perturbadores e ladrões das ruas Importa mais a firmeza das prisões Importa garantir a “confiança dos investidores”
O “ambiente seguro” Os cuidados com o “Estado ordeiro” tendem a reduzir-se à tarefa de combate ao crime Nessa perspectiva, um papel cada vez maior e mais central é atribuído à política de confinamento Mas colocar mais gente na cadeia e por mais tempo, e mesmo execuções, não se mostrou eficaz
O “ambiente seguro” na maior “democracia” do mundo Em média, 1 habitante em cada grupo de 133 está na prisão nos Estados Unidos. mais de 9 detentos em cada grupo de 10 são homens os homens negros, que representam menos de 7% da população total do país, constituem 37% da população carcerária
O “ambiente seguro” na maior “democracia” do mundo Num país cujo governo reivindica para si, perante a humanidade, o título de principal democracia do mundo, quase 2,2 milhões de pessoas estão atrás das grades De acordo com o relatório intitulado “Prisioneiros em 2005”, havia 2.193.789 pessoas encarceradas nos Estados Unidos até dezembro de 2005
O “ambiente seguro” na maior “democracia” do mundo Mais 4,1 milhões estavam presos temporariamente cerca de 800.000 em liberdade condicional Estes números totalizam mais de 7 milhões de pessoas—o que representa 1 em cada 32 norte-americanos adultos—que estariam sob algum tipo de supervisão do sistema carcerário dos EUA Relatório completo: http://www.ojp.usdoj.gov/bjs/abstract/p05.htm
Prisão x mobilidade O aprisionamento tem um forte caráter simbólico A mobilidade significa promoção social, status, progresso, sucesso, modernidade A imobilidade significa a derrota, o fracasso, o atraso A mobilidade é o global, é o globalizado, é o universal A imobilidade é o local, é a aldeia, o confinamento Estar proibido de mover-se é um símbolo poderoso de impotência, incapacidade e dor
Imobilidade para quem? “ Hoje sabemos que o sistema penal ataca a ‘base’ e não o ‘topo’ da sociedade” – Thomas Mathiesen Os códigos penais punem as ações que provavelmente serão cometidas por pessoas fora desta “nova ordem globalizada” Não há punição prevista para quem roube os recursos de uma nação inteira (e chame isso de “promover o livre comércio”) nem para quem roube famílias e comunidades de seu meio de subsistência (e chame isso de “enxugamento”)
Imobilidade para quem? Os crimes do topo da escala são difíceis de detectar Exigem sofisticação, não são para “gente leiga ou não educada” São crimes que não tem corpo, são invisíveis Quando eventualmente são descobertos, seus agentes – fraudadores do fisco, autores de desfalques, por exemplo – tem oportunidades infinitamente maiores de acordos do que os batedores de carteira ou assaltantes
Crimes x insegurança Esses tipos de crimes do topo (colarinho branco) não causam a sensação de insegurança Causam indignação, condenação moral, mas não medo, insegurança existencial Não há portanto ganho político do governo que se disponha a combater esses crimes Já combater os crimes que chocam a opinião pública, estupradores, pedófilos, isso sim rende capital político
E se o bicho pegar? Os do “topo” sempre terão como recurso a sua mobilidade, sua globalidade Há sempre lugares onde os guardiães locais olharão para o outro lado e não verão esses crimes
No fim das contas... Tudo converge para o senso comum de que os crimes são cometidos pelos “desclassificados”, sempre locais Ou seja: a criminalização da pobreza Os guetos, as favelas, os morros, produzem crimes e criminosos
Resultados do sistema prisional A rejeição e exclusão produzem humilhação Visam fazer o rejeitado e excluído aceitar sua imperfeição e inferioridade Como isso não ocorre, se produz uma rejeição a quem rejeita os excluídos Isso produz ainda mais violência Como diz o senso comum, as prisões se tornaram escolas do crime

GlobalizaçãO

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    Segurança: meio palpável,fim ilusório Ana Cláudia, Norma, Marta, Talita, Jorge e Wladimir
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    Redução e simplificaçãoA complexa questão da “Sicherheit” foi reduzida à questão da segurança pessoal O “combate ao crime” foi reduzido a um espetáculo, excitante, transmitido pela TV Transmite-se a ideia de uma proporção gigantesca de criminosos, que estariam em luta com os “guardiães da ordem” Efeito geral: autopropulsão do medo
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    Presos no BrasilO último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre população carcerária apontava que, em 2003, existiam 290 mil pessoas presas no país, o que significa dizer que havia 16 presos para cada 10 mil habitantes, considerando a população de 170 milhões
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    O espetáculo Governosconstróem mais prisões Criam-se leis mais severas Novas armas contra os crimes Enfim, o Governo “faz a sua parte” O espetáculo conta mais que os resultados efetivos (vide as estatísticas) A eficácia não importa, haja vista a indiferença e a curta duração da memória pública
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    Mas então... Porquê? Apesar de todo o policiamento, que deveria trazer a Sicherheit , as pessoas ainda se sentem inseguras, perdidas e amedrontadas?
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    O “ambiente seguro”Neste mundo das finanças globais, os governos são pouco mais que distritos policiais Importa mais a quantidade e qualidade da polícia Importa mais varrer os mendigos, perturbadores e ladrões das ruas Importa mais a firmeza das prisões Importa garantir a “confiança dos investidores”
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    O “ambiente seguro”Os cuidados com o “Estado ordeiro” tendem a reduzir-se à tarefa de combate ao crime Nessa perspectiva, um papel cada vez maior e mais central é atribuído à política de confinamento Mas colocar mais gente na cadeia e por mais tempo, e mesmo execuções, não se mostrou eficaz
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    O “ambiente seguro”na maior “democracia” do mundo Em média, 1 habitante em cada grupo de 133 está na prisão nos Estados Unidos. mais de 9 detentos em cada grupo de 10 são homens os homens negros, que representam menos de 7% da população total do país, constituem 37% da população carcerária
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    O “ambiente seguro”na maior “democracia” do mundo Num país cujo governo reivindica para si, perante a humanidade, o título de principal democracia do mundo, quase 2,2 milhões de pessoas estão atrás das grades De acordo com o relatório intitulado “Prisioneiros em 2005”, havia 2.193.789 pessoas encarceradas nos Estados Unidos até dezembro de 2005
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    O “ambiente seguro”na maior “democracia” do mundo Mais 4,1 milhões estavam presos temporariamente cerca de 800.000 em liberdade condicional Estes números totalizam mais de 7 milhões de pessoas—o que representa 1 em cada 32 norte-americanos adultos—que estariam sob algum tipo de supervisão do sistema carcerário dos EUA Relatório completo: http://www.ojp.usdoj.gov/bjs/abstract/p05.htm
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    Prisão x mobilidadeO aprisionamento tem um forte caráter simbólico A mobilidade significa promoção social, status, progresso, sucesso, modernidade A imobilidade significa a derrota, o fracasso, o atraso A mobilidade é o global, é o globalizado, é o universal A imobilidade é o local, é a aldeia, o confinamento Estar proibido de mover-se é um símbolo poderoso de impotência, incapacidade e dor
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    Imobilidade para quem?“ Hoje sabemos que o sistema penal ataca a ‘base’ e não o ‘topo’ da sociedade” – Thomas Mathiesen Os códigos penais punem as ações que provavelmente serão cometidas por pessoas fora desta “nova ordem globalizada” Não há punição prevista para quem roube os recursos de uma nação inteira (e chame isso de “promover o livre comércio”) nem para quem roube famílias e comunidades de seu meio de subsistência (e chame isso de “enxugamento”)
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    Imobilidade para quem?Os crimes do topo da escala são difíceis de detectar Exigem sofisticação, não são para “gente leiga ou não educada” São crimes que não tem corpo, são invisíveis Quando eventualmente são descobertos, seus agentes – fraudadores do fisco, autores de desfalques, por exemplo – tem oportunidades infinitamente maiores de acordos do que os batedores de carteira ou assaltantes
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    Crimes x insegurançaEsses tipos de crimes do topo (colarinho branco) não causam a sensação de insegurança Causam indignação, condenação moral, mas não medo, insegurança existencial Não há portanto ganho político do governo que se disponha a combater esses crimes Já combater os crimes que chocam a opinião pública, estupradores, pedófilos, isso sim rende capital político
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    E se obicho pegar? Os do “topo” sempre terão como recurso a sua mobilidade, sua globalidade Há sempre lugares onde os guardiães locais olharão para o outro lado e não verão esses crimes
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    No fim dascontas... Tudo converge para o senso comum de que os crimes são cometidos pelos “desclassificados”, sempre locais Ou seja: a criminalização da pobreza Os guetos, as favelas, os morros, produzem crimes e criminosos
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    Resultados do sistemaprisional A rejeição e exclusão produzem humilhação Visam fazer o rejeitado e excluído aceitar sua imperfeição e inferioridade Como isso não ocorre, se produz uma rejeição a quem rejeita os excluídos Isso produz ainda mais violência Como diz o senso comum, as prisões se tornaram escolas do crime