Aula 1 –20/06
Enfrentar as desigualda-
des no mundo do trabalho:
uma tarefa central
Profas: Laís Abramo
Iêda Leal
■ Ementa: Apresentação do problema da desigualdade entre os
gêneros. Reconstruir o histórico de luta das mulheres,
relacionando a dimensão de gênero, raça e classe.
■ 2 Ideias Centrais:
■ 1. O mundo do trabalho no Brasil está marcado por
desigualdades estruturais, múltiplas e entrecruzadas
■ 2. É impossível avançar significativamente na conquista da
igualdade de gênero no mercado de trabalho (remunerado)
sem avançar simultaneamente na redução substantiva das
desigualdades no âmbito do trabalho doméstico e de cuidados
não remunerado
■ 1. A desigualdade social no Brasil é um fenômeno estrutural –
sustentada na:
Cultura do privilégio: característica constitutiva da formação
histórica e social brasileira - O sexismo, o racismo e a
homofobia são elementos centrais da cultura do privilégio;
Múltiplos eixos da desigualdade se entrecruzam e se
encadeiam ao longo do ciclo de vida;
Trabalho: chave mestra da igualdade
desigualdade social e da interseccionalidade: um diálogo
frutífero
3.
2. A altacarga de trabalho doméstico
e de cuidados não remunerado
exercida pelas mulheres é uma forte
barreira à igualdade de gênero no
mercado de trabalho
# A pandemia, ao mesmo tempo
aprofundou essa situação e visibilizou
a importância essencial dos cuidados
# Reduzir significativamente as
desigualdades, nas suas múltiplas
dimensões, é uma tarefa urgente,
central e ineludível para retomar a
trilha de redução da pobreza e
garantir os direitos de toda a
população e as condições para um
desenvolvimento sustentável
& NÃO VOU MAIS LAVAR OS PRATOS
Como transformar essa situação?
cuidados como um bem público essencial e como um
direito;
Reconhecer o valor econômico do trabalho doméstico e
de cuidados não remunerado
Investir na economia do cuidado como um setor
dinamizador da economia e do emprego
As políticas de cuidado devem ser um componente
central e transversal dos sistemas de proteção social –
papel do Estado
renegociar e redefinir os papéis de gênero em todos
esses âmbitos
Cuidar como responsabilidade e direito de homens e
mulheres
Fortalecer o tema nas negociações coletivas
Questionar o mito de que as mulheres são mais caras
que os homens
Questionar não apenas a dicotomia homem provedor x
mulher cuidadora mas também a noção da mulher como
uma força de trabalho secundária
4.
Aula 2 –06/07
A perspectiva feminista
e as opressões de
gênero, raça/etnia,
geração e classe.
Profa. Nalu Faria.
■ Ementa: Apresentação dos conceitos de feminismo, relações
sociais de gênero, divisão social e sexual do trabalho,
patriarcado e misoginia. Evidenciar a construção social por
detrás desses conceitos
■ Síntese
■ sua fala foi organizada em duas partes. Na primeira,
perpassou os diversos conceitos da luta feminista. Na
segunda, buscou enfrentar dilemas e questões atuais na luta
das mulheres.
■ destacou que todos os conceitos, temas, são expressões da
luta e da reflexão da luta feminista, da luta das mulheres da
classe trabalhadora, embora recentemente, a academia
tenha dado contribuições importantes também neste terreno.
■ ponto de partida são os feminismos pré-modernos, com a
denúncia das desigualdades entre os gêneros nas
sociedades emergentes na Europa – século XIX - Primeira
onda da luta feminista – destaca a subordinação das
mulheres na sociedade capitalista. Segunda onda feminista, -
produz o conceito de patriarcado
■ O conceito de patriarcado nem sempre foi consensual no
campo do movimento feminista. No campo do feminismo
marxista, num primeiro momento o destaque se dava ao
conceito de divisão sexual do trabalho, como fundamento das
desigualdades entre gêneros. Consensuado na década de 80
5.
Conceitos
# Todos estesconceitos foram
problematizados historicamente do
ponto de vista teórico e pela prática
das diversas mulheres pelo mundo,
em especial as mulheres negras e
indígenas, que foram alargando e
problematizando estes conceitos.
■ Misoginia – conceito importante das lutas feministas --
aversão, ódio construído historicamente pelas mais
diferentes sociedades ao longo dos séculos. – Usada
para reforçar a dominação masculina e controle da vida
das mulheres em todos os âmbitos e espaços da
sociedade. – Desqualificação, desumanização das
mulheres
■ divisão sexual do trabalho, forjado pelas feministas
marxistas – contraponto a teoria marxista, que teimava
em não reconhecer a divisão sexual do trabalho como
base material do patriarcado - trabalho no espaço
público - produtivo - o trabalho doméstico e de cuidados -
esfera privada da reprodução não eram reconhecidos -
fundamentais para a reprodução da força de trabalho -
necessários para o aumento da exploração de mais-valia.
■ A divisão sexual do trabalho - trabalhos produtivos
melhor remunerados, são destinados aos homens,
enquanto os mais precarizados às mulheres.
■ Conceito de gênero – ser homem e ser mulher -
construído socialmente e historicamente – destinando
papeis # entre homens e mulheres
Desafios da luta feminista:
# desconstruir estas imposições de gênero
na sociedade patriarcal. – Para Compreender
a sociedade brasileira é fundamental pensar
a imbricação entre gênero, classe e
colonialismo. Para isso, é fundamental
também compreender o processo de
escravidão e acumulação primitiva de capital
no Brasil, e sua relação com o patriarcado.
6.
Aula 3 –20/07
A participação das
mulheres nos sindicatos
e as estratégias frente
aos desafios
Profa. Marilane Teixeira
■ Objetivos
■ Apresentar de forma sistematizada o conteúdo de uma
pesquisa organizada pela FES envolvendo vários
países da ALC em Centrais Sindicais filiadas a CSA. No
Brasil a investigação concentrou-se na CUT e na UGT
em que se buscou:
■ 1) mapear a situação da participação das mulheres no
movimento sindical e o estado de incorporação da
perspectiva da justiça de gênero nas plataformas
sindicais;
■ 2) aportar uma interpretação aos obstáculos presentes
na realidade sindical para avançar na democratização,
bem como registrar as diversas estratégias das
mulheres na sua luta pela participação e
transformação das estruturas sindicais.
■ 3) Frente aos resultados da investigação a ideia é
refletir sobre os avanços e desafios para a
incorporação de uma agenda feminista na ação
sindical.
7.
Questões
Orientadoras
Algumas
evidências:
■ 1) Aimportância do debate de cotas paridade para ampliação
da participação das mulheres nos espaços de poder;
■ 2) A incorporação de uma agenda feminista nas estratégias
das Centrais;
■ 3) A incorporação de jovens e mulheres negras nas direções
sindicais;
■ 4) O desafio de lidar com a jornada produtiva e reprodutiva e
seus impactos sobre a atuação das dirigentes sindicais.
■ Avanço das mulheres nestas últimas décadas:
■ Participação nos postos de direção
■ Na organização sindical
■ Ação sindical na luta por direitos
■ Esses avanços refletem:
■ Crescimento do feminismo e do movimento de mulheres – o
ascenso e a mobilização de vários outros movimentos tem um
impacto sobre as lutas sindicais, contribuindo para trazer para
dentro do movimento sindical uma nova agenda/novas demandas
■ Pressão sobre as instituições, partidos e governos (constituição
de leis de cota, punições para práticas discriminatórias)
8.
Obstáculos
persistem
■ Persiste asdesigualdades estruturais
■ Base material
■ Base cultural
■ No campo sindical a ausência de uma política sindical de
igualdade de gênero
■ Em 2012, de acordo com dados da CSI as mulheres
ocupavam menos de 15% dos postos de direção em seus
organizações e representavam 40% das filiações. A
campanha era para chegar em 2018 com mais 5%.
■ As responsabilidades familiares;
■ Discriminação e assédio dentro das organizações sindicais;
■ Estereótipos de gênero se reproduzem nos ambiente
sindical;
■ O movimento sindical reproduz a lógica de como o
mercado de trabalho está estruturado, considerando que
as mulheres estão nos setores mais precários e
desorganizados sindicalmente, exceto o setor público
■
9.
A exclusão das
mulheresdo
mundo sindical é
histórica
■ Desde a formação do capitalismo e a ascensão das
sociedades industriais que as mulheres são excluídas do
trabalho produtivo remunerado
■ As mulheres eram vistas como um obstáculo para os
homens porque aceitavam trabalhar por salários
menores, além de pressionarem a oferta de mão-de-obra
■ As mulheres travaram uma luta intensa pelo acesso ao
mercado de trabalho, salários iguais.
■ Os movimentos trabalhistas desqualificavam a atuação
das mulheres e suas reivindicações
■ A introdução de demandas feministas é relativamente
recente:
■ Em alguns países começou nos anos de 1960/70
■ Na América Latina foi no contexto da segunda onda do
feminismo
■ No Brasil ganha força com o novo sindicalismo em que
uma confluência de fatores contribui para o surgimento
de um movimento de mulheres por dentro da CUT e que
reflete as influências do feminismo e dos movimento de
mulheres nos bairros e nas comunidades.
10.
Aula 4 –03/08
O feminismo
negro e o racismo
estrutural.
Profa. Matilde
Ribeiro
■ Ementa: conceito de racismo, como o racismo se
estrutura no Brasil. Mulheres negras e as relações
de dominação.
■ Questões Orientadoras:
■ O racismo estrutural e seus impactos para a
formação social brasileira, em especial para as
mulheres negras. O papel do feminismo negro na
visibilidade das desigualdades e violências e na
construção de direitos.
■ Síntese
■ Constituição de espaços e políticas públicas
voltadas para as mulheres – somente a partir de
2003
■ Anos 90 – 1ª secretaria racial – Governo Brizola
com Abdias do Nascimento
■ contexto
■ Vulnerabilidade x mobilização das mulheres negras
■ Diversidade positiva ou negativa
11.
Um pouco de
história
Oque
precisamos?
■ Há 3 décadas as mulheres negras chutaram o balde no
processo político organizativo – movimento feminista
■ 1988 - 1º encontro nacional de mulheres negras em Valença-
RJ
■ O feminismo negro surge com a concepção de mundo –
mulheres como sujeitos
■ O movimento negro não aparece nas discussões sobre a
ditadura militar
■ As mulheres negras não se apartaram dos movimentos
feministas e racial
■ O antirracismo, o feminismo, a LGBTFOBIA tem seus
personagens, mas, mais importante é saber que para
superar é preciso se movimentar
■ “nós precisamos nos ouvir mais, ler, falar, visibilizar”
■ O que precisamos fazer para a igualdade racial?
Valorização do SM; Minha Casa Minha Vida; Cotas; Leis, etc.
Precisamos ainda, falar dos territórios – temos 6 mil
quilombos no Brasil – 52 no Ceará. - Na maioria dos
quilombos as mulheres são maioria.
as mulheres têm lugar, seja nos territórios, categorias, etc.