RAÇA, CLASSE E GÊNERO:
INTERSECCIONALIDADES
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As mentiras da colonização: “Viver sem conhecer o passado é andar
no escuro”
Jaime Lauriano,
Terra brasilis: invasão,
etnocídio e apropriação
cultural, 2015
Qual sua percepção
sobre esta obra,
considerando as
imagens e as
palavras?
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www.sinpeem.com.br
E eu não sou uma mulher?
E eu não sou uma mulher? Este homem diz
que as mulheres necessitam da ajuda dos homens
para subirem nas carruagens, cruzar as ruas, e
que devem ter o melhor lugar em todas as partes.
Mas a mim ninguém me ajuda a subir em
carruagens, nem deixam o melhor lugar. Por
acaso, eu não sou uma mulher? Olhem-me!
Olhem meus braços! Eu arei e plantei e colhi e
nenhum homem era melhor do que eu! E por
acaso eu não sou uma mulher? [...] tive treze
filhos e os vi serem vendidos como escravos e
enquanto eu chorava com a dor de uma mãe,
ninguém além de Jesus me ouvia! E por acaso eu
não sou uma mulher? (Sojourner Truth)
Convenção Nacional dos Direitos das mulheres
em Akron, Nova York, em 1852
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O discurso de Sojourner denuncia que os aspectos de fragilidade e
docilidade conferidos ao gênero feminino, ainda que sejam negativos e
façam parte da normativa hierárquica e dicotômica sobre
masculino/feminino, é uma concepção que não era, e ainda hoje não é,
emprestada às mulheres negras e lésbicas negras. O ponto, porém, não é
reivindicar para nós essa noção hegemônica de gênero, mas sim refletir
que essa categoria é colonial, e não diz respeito à opressão de gênero
que tantas outras mulheres vivenciam.
Como exemplo, podemos pensar no debate para as questões de
mudanças nas leis em favor do direito das mulheres ao próprio corpo ou
para votar e trabalhar, que privilegiavam as mulheres brancas, e em
paralelo a população negra e indígena, especialmente as mulheres já
trabalhavam e eram exploradas há alguns séculos. Ao mesmo tempo
percebemos que sua sexualidade e gênero eram inexistentes, se não fosse
para reprodução e exploração sexual. Para as negras, a reserva se
limitava a serem tratadas como pedaços de carne sem denominação,
valor ou humanidade, disponíveis não só para o estupro, mas para o
chicote e lucro conseguido com a venda dos seus filhos e seu trabalho
pesado (DAVIS, 2016).
A escravidão significou e ainda
significa a redução do humano à
condição de mercadoria, produto de
alto valor, utilizado para a produção e
exploração. A mineração, lavoura,
construção e manutenção de povoados
incipientes, cidades e habitações de
europeus e seus descendentes, estão
entre as principais atividades que
eram realizadas pelos escravizados
em um contexto de violência e
exploração extrema, destacando-se a
exportação sistemática de riquezas e
seus frutos que serviria de base para a
instalação e consolidação do
capitalismo nos territórios brancos
(WERNECK, 2005, p. 30, tradução
nossa).
Categoria Universal de mulher
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O ponto não é invalidar a luta pelos direitos individuais, pois reconhecemos sua
importância, mas refletir que as mulheres têm diferentes experiências,
realidades e necessidades que precisam ser discutidas e vistas. Tal como
Jurema Werneck (2010) aponta, as desigualdades das mulheres negras têm
origem em sua desumanização e redução à condição de mercadoria. Nesse
sentido, é importante retomar que o mesmo processo colonizatório que investiu
na racialização das (os) negras (os) e indígenas, definindo quem era humano
e não humano, como forma de domínio e sujeição das (os) colonizadas (os)
para exploração capitalista (QUIJANO, 2005), apoiou o sexismo e a
heterossexualidade em bases históricas semelhantes. Bases que repousam na
crença de noções ideológicas de inferioridade e de superioridade de um
grupo sobre o outro (hooks , 1989 apud BAIRROS, 1995)
Diferentes experiências, realidades e necessidades
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Multiplicidade das experiências das mulheres
Desta maneira, o feminismo negro inscreve a multiplicidade
das experiências das mulheres e ultrapassa os significados da
luta racial centrado na cor (BRAH, 2006). “Estruturas de
classe, racismo, gênero e sexualidade não podem ser tratadas
como ‘variáveis independentes’ porque a opressão de cada
uma está inscrita dentro da outra – é constituída pela outra
e é constitutiva dela” (BRAH, 2006, p. 351).
Do mesmo modo, algumas das perspectivas utilizadas a partir
dos feminismos negros e que discutem sobre a colonialidade, é
que seja fundamental não isolar os marcadores sociais em
categorias separáveis, mas sim buscar compreender a
opressão das mulheres por meio dos processos combinados
de racialização, colonização, exploração capitalista e
heterossexualismo, para superar a colonialidade de gênero
(LUGONES, 2008).
Uma proposta é romper com a
visão tradicional de lidar com
as questões de colonialidade,
raça, classe, sexualidade e de
gênero separadamente, como se
fossem categorias mutuamente
excludentes. Esses marcadores
são inseparáveis porque, se
isolados um do outro, não é
possível enxergar as diferentes
formas de violências e
desigualdades. A cegueira
epistemológica da modernidade
é que reside na organização
homogênea, atômica e
separável dessas categorias
(LUGONES, 2014).
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Sistemas discriminatórios que se cruzam
A luta das mulheres negras e lésbicas negras
na América Latina não se trata de uma
simples inclusão de classe, raça e
sexualidade nas temáticas e mesas
feministas. Essa luta pertence à mudança de
toda uma estrutura social que foi construída
ao longo da nossa história, da qual algumas
mulheres ainda vivem na base.
Racismo
Sendo o racismo um fenômeno
ideológico, sua dinâmica é revitalizada e
mantida com a evolução das sociedades,
das conjunturas históricas e dos
interesses dos grupos. São esses
predicados que fazem do racismo um
“fabricante” e multiplicador de
vulnerabilidades.
Da perspectiva do conceito de gênero...
...Diferenças e desigualdades entre mulheres e homens são
social e culturalmente construídas .
São os modos pelos quais características femininas e masculinas
são representadas como mais ou menos valorizadas, as formas
pelas quais se reconhece e se distingue feminino de masculino,
aquilo que torna possível pensar e dizer sobre mulheres e
homens que vai constituir, efetivamente, o que passa a ser
definido e vivido como masculinidade e feminilidade, em uma
dada cultura, em um determinado momento.
Instalado o “Conselho Nacional das
Mulheres Negras”
Desejamos fazer funcionar imediatamente um curso
de arte culinária, de corte e costura, de alfabetização.
Será uma campanha voluntária, para a elevação do
nível educacional da mulher negra(...)
(Quilombo ano II nº 09 maio de 1950)
Mulheres Negras
• Piores Salários
• Maior Nº
Analfabetismo
• Maior dificuldade de
acesso
aos serviços de
saúde.
• Base de exclusão
social do país.
• “ Mulheres negras apesar
das construções
ideológicas concebidas
como mulheres
promiscuas, são mulheres
que em função da
discriminação racial,
apresentam menor índice
de nupcialidade, maior
índice de solidão, e o
maior grau de rejeição no
mercado afetivo”.
• Elza Berquó
Art.3 – Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência
contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará).
• " Toda mulher tem direito a uma vida livre de
violência, tanto na esfera pública como na esfera
privada"..
• Nascer mulher, negro (a),
indígena, cigano, ser jovem ou
homossexual em nossas
sociedades, significa nascer e
viver com menos direitos.
Significa nascer com e em
desvantagens. Necessitamos
de uma mudança cultural de
nossas sociedades, a
mudança simbólica interna
que nos permita uma
democracia real”.
• Ana Falú, Diretora regional
do escritório do Unifem para
o Brasil e o Cone Sul.
• Os maiores percentuais de vulnerabilidade da mulher
negra no universo dos trabalhadores ocupados se
explicam, sobretudo, pela intensidade de sua presença
no emprego doméstico. Esta atividade, tipicamente
feminina, é desvalorizada aos olhos de grande parte da
sociedade, caracterizando –se pelos baixos salários e
elevadas jornadas, além de altos índices de contratação
à margem da legalidade e ausência de contribuição à
previdência.
• Crianças negras, meninos e meninas, começam a trabalhar
mais cedo que as brancas. Entre 1992 e 2005, houve uma
redução considerável no trabalho infantil. Entre os meninos,
caiu 63%. Para as meninas brancas, 67,3%; para as negras,
66,4%. Mas ainda são os meninos negros que mais trabalham.
• Entre 10 e 13 anos, faixa etária em que a legislação brasileira
proíbe o trabalho, 8,8% dos meninos negros trabalham. Entre os
brancos, 6%. Das meninas negras nessa idade, 3,4% trabalham;
entre as brancas, 2,4%.
Entre 14 e 15 anos, também são os meninos negros que mais
trabalham: 22,2% deles. Entre os brancos, são 17,7%. Para as
meninas, também as negras trabalham mais. São 11,9% das
crianças nessa idade. Mas, ao contrário dos meninos, de 2004 a
2005 houve um pequeno aumento no índice de meninas negras
empregadas, passando de 10,2% para os 11,9% atuais.
Estado de S.Paulo, seção Vida&, 18/11/06.
Relatório sobre raça e trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
• Quanto maior a escolaridade do trabalhador, maior a diferença
na renda de pretos e pardos em relação aos brancos. Um
branco ganhava em setembro deste ano R$ 1.292. É o dobro
do rendimento verificado entre pretos e pardos (R$ 660).
PME – nov.2006
• Pode-se concluir que o retorno salarial de cada ano a mais na
escolaridade é maior para brancos, ainda que todos os grupos
tenham aumento com mais educação.
• Dos 10% de pessoas com maior rendimento (R$ 1.785,
em média), 83,3% eram brancas, contra só 14,4% de
pretos ou pardos. Nas faixas de menores rendimentos,
os pretos e pardos eram a maioria -52,3% nos 10%
mais pobres.
•
• Dos 2,292 milhões de
despregados em setembro,
1.164 milhão era composto
de trabalhadores pretos ou
pardos.
Em todo o mundo...
Minorias étnicas continuam a ser
Desproporcionalmente pobres,
Desproporcionalmente
Afetadas pelo desemprego e desproporcionalmente menos
escolarizadas que os grupos dominantes.
Estão sub- representadas nas estruturas políticas
e super- representadas nas prisões.
Tem menos acesso a serviço de saúde
de qualidade e, conseqüentemente menor expectativa de vida.
Estas, e outras formas de injustiça racial,
são a cruel realidade do nosso tempo,
mas não precisam ser inevitáveis no futuro.
Kofi Annan
(Secretário Geral da ONU, março de 2001}
• “Intelectual específico”cujo
papel deve se tornar cada vez
mais importante, na medida
que, quer queira quer não, é
obrigado a assumir
responsabilidades políticas;
cujo problema não é mudar a
consciência da pessoas, ou o
que elas tem na cabeça, mas
o regime político, econômico,
institucional de produção da
verdade...”
(FOUCAULT, 1986).
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Dúvidas

Gênero e Raça - interseccionalidades.pptx

  • 1.
    RAÇA, CLASSE EGÊNERO: INTERSECCIONALIDADES
  • 2.
    2 As mentiras dacolonização: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro” Jaime Lauriano, Terra brasilis: invasão, etnocídio e apropriação cultural, 2015 Qual sua percepção sobre esta obra, considerando as imagens e as palavras?
  • 3.
    3 www.sinpeem.com.br E eu nãosou uma mulher? E eu não sou uma mulher? Este homem diz que as mulheres necessitam da ajuda dos homens para subirem nas carruagens, cruzar as ruas, e que devem ter o melhor lugar em todas as partes. Mas a mim ninguém me ajuda a subir em carruagens, nem deixam o melhor lugar. Por acaso, eu não sou uma mulher? Olhem-me! Olhem meus braços! Eu arei e plantei e colhi e nenhum homem era melhor do que eu! E por acaso eu não sou uma mulher? [...] tive treze filhos e os vi serem vendidos como escravos e enquanto eu chorava com a dor de uma mãe, ninguém além de Jesus me ouvia! E por acaso eu não sou uma mulher? (Sojourner Truth) Convenção Nacional dos Direitos das mulheres em Akron, Nova York, em 1852
  • 4.
    4 www.sinpeem.com.br O discurso deSojourner denuncia que os aspectos de fragilidade e docilidade conferidos ao gênero feminino, ainda que sejam negativos e façam parte da normativa hierárquica e dicotômica sobre masculino/feminino, é uma concepção que não era, e ainda hoje não é, emprestada às mulheres negras e lésbicas negras. O ponto, porém, não é reivindicar para nós essa noção hegemônica de gênero, mas sim refletir que essa categoria é colonial, e não diz respeito à opressão de gênero que tantas outras mulheres vivenciam. Como exemplo, podemos pensar no debate para as questões de mudanças nas leis em favor do direito das mulheres ao próprio corpo ou para votar e trabalhar, que privilegiavam as mulheres brancas, e em paralelo a população negra e indígena, especialmente as mulheres já trabalhavam e eram exploradas há alguns séculos. Ao mesmo tempo percebemos que sua sexualidade e gênero eram inexistentes, se não fosse para reprodução e exploração sexual. Para as negras, a reserva se limitava a serem tratadas como pedaços de carne sem denominação, valor ou humanidade, disponíveis não só para o estupro, mas para o chicote e lucro conseguido com a venda dos seus filhos e seu trabalho pesado (DAVIS, 2016). A escravidão significou e ainda significa a redução do humano à condição de mercadoria, produto de alto valor, utilizado para a produção e exploração. A mineração, lavoura, construção e manutenção de povoados incipientes, cidades e habitações de europeus e seus descendentes, estão entre as principais atividades que eram realizadas pelos escravizados em um contexto de violência e exploração extrema, destacando-se a exportação sistemática de riquezas e seus frutos que serviria de base para a instalação e consolidação do capitalismo nos territórios brancos (WERNECK, 2005, p. 30, tradução nossa). Categoria Universal de mulher
  • 5.
    5 www.sinpeem.com.br O ponto nãoé invalidar a luta pelos direitos individuais, pois reconhecemos sua importância, mas refletir que as mulheres têm diferentes experiências, realidades e necessidades que precisam ser discutidas e vistas. Tal como Jurema Werneck (2010) aponta, as desigualdades das mulheres negras têm origem em sua desumanização e redução à condição de mercadoria. Nesse sentido, é importante retomar que o mesmo processo colonizatório que investiu na racialização das (os) negras (os) e indígenas, definindo quem era humano e não humano, como forma de domínio e sujeição das (os) colonizadas (os) para exploração capitalista (QUIJANO, 2005), apoiou o sexismo e a heterossexualidade em bases históricas semelhantes. Bases que repousam na crença de noções ideológicas de inferioridade e de superioridade de um grupo sobre o outro (hooks , 1989 apud BAIRROS, 1995) Diferentes experiências, realidades e necessidades
  • 6.
    6 www.sinpeem.com.br Multiplicidade das experiênciasdas mulheres Desta maneira, o feminismo negro inscreve a multiplicidade das experiências das mulheres e ultrapassa os significados da luta racial centrado na cor (BRAH, 2006). “Estruturas de classe, racismo, gênero e sexualidade não podem ser tratadas como ‘variáveis independentes’ porque a opressão de cada uma está inscrita dentro da outra – é constituída pela outra e é constitutiva dela” (BRAH, 2006, p. 351). Do mesmo modo, algumas das perspectivas utilizadas a partir dos feminismos negros e que discutem sobre a colonialidade, é que seja fundamental não isolar os marcadores sociais em categorias separáveis, mas sim buscar compreender a opressão das mulheres por meio dos processos combinados de racialização, colonização, exploração capitalista e heterossexualismo, para superar a colonialidade de gênero (LUGONES, 2008). Uma proposta é romper com a visão tradicional de lidar com as questões de colonialidade, raça, classe, sexualidade e de gênero separadamente, como se fossem categorias mutuamente excludentes. Esses marcadores são inseparáveis porque, se isolados um do outro, não é possível enxergar as diferentes formas de violências e desigualdades. A cegueira epistemológica da modernidade é que reside na organização homogênea, atômica e separável dessas categorias (LUGONES, 2014).
  • 7.
    7 www.sinpeem.com.br Sistemas discriminatórios quese cruzam A luta das mulheres negras e lésbicas negras na América Latina não se trata de uma simples inclusão de classe, raça e sexualidade nas temáticas e mesas feministas. Essa luta pertence à mudança de toda uma estrutura social que foi construída ao longo da nossa história, da qual algumas mulheres ainda vivem na base.
  • 8.
    Racismo Sendo o racismoum fenômeno ideológico, sua dinâmica é revitalizada e mantida com a evolução das sociedades, das conjunturas históricas e dos interesses dos grupos. São esses predicados que fazem do racismo um “fabricante” e multiplicador de vulnerabilidades.
  • 9.
    Da perspectiva doconceito de gênero... ...Diferenças e desigualdades entre mulheres e homens são social e culturalmente construídas . São os modos pelos quais características femininas e masculinas são representadas como mais ou menos valorizadas, as formas pelas quais se reconhece e se distingue feminino de masculino, aquilo que torna possível pensar e dizer sobre mulheres e homens que vai constituir, efetivamente, o que passa a ser definido e vivido como masculinidade e feminilidade, em uma dada cultura, em um determinado momento.
  • 10.
    Instalado o “ConselhoNacional das Mulheres Negras” Desejamos fazer funcionar imediatamente um curso de arte culinária, de corte e costura, de alfabetização. Será uma campanha voluntária, para a elevação do nível educacional da mulher negra(...) (Quilombo ano II nº 09 maio de 1950)
  • 11.
    Mulheres Negras • PioresSalários • Maior Nº Analfabetismo • Maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde. • Base de exclusão social do país.
  • 12.
    • “ Mulheresnegras apesar das construções ideológicas concebidas como mulheres promiscuas, são mulheres que em função da discriminação racial, apresentam menor índice de nupcialidade, maior índice de solidão, e o maior grau de rejeição no mercado afetivo”. • Elza Berquó
  • 13.
    Art.3 – ConvençãoInteramericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará). • " Toda mulher tem direito a uma vida livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera privada"..
  • 14.
    • Nascer mulher,negro (a), indígena, cigano, ser jovem ou homossexual em nossas sociedades, significa nascer e viver com menos direitos. Significa nascer com e em desvantagens. Necessitamos de uma mudança cultural de nossas sociedades, a mudança simbólica interna que nos permita uma democracia real”. • Ana Falú, Diretora regional do escritório do Unifem para o Brasil e o Cone Sul.
  • 15.
    • Os maiorespercentuais de vulnerabilidade da mulher negra no universo dos trabalhadores ocupados se explicam, sobretudo, pela intensidade de sua presença no emprego doméstico. Esta atividade, tipicamente feminina, é desvalorizada aos olhos de grande parte da sociedade, caracterizando –se pelos baixos salários e elevadas jornadas, além de altos índices de contratação à margem da legalidade e ausência de contribuição à previdência.
  • 16.
    • Crianças negras,meninos e meninas, começam a trabalhar mais cedo que as brancas. Entre 1992 e 2005, houve uma redução considerável no trabalho infantil. Entre os meninos, caiu 63%. Para as meninas brancas, 67,3%; para as negras, 66,4%. Mas ainda são os meninos negros que mais trabalham.
  • 17.
    • Entre 10e 13 anos, faixa etária em que a legislação brasileira proíbe o trabalho, 8,8% dos meninos negros trabalham. Entre os brancos, 6%. Das meninas negras nessa idade, 3,4% trabalham; entre as brancas, 2,4%. Entre 14 e 15 anos, também são os meninos negros que mais trabalham: 22,2% deles. Entre os brancos, são 17,7%. Para as meninas, também as negras trabalham mais. São 11,9% das crianças nessa idade. Mas, ao contrário dos meninos, de 2004 a 2005 houve um pequeno aumento no índice de meninas negras empregadas, passando de 10,2% para os 11,9% atuais. Estado de S.Paulo, seção Vida&, 18/11/06. Relatório sobre raça e trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
  • 18.
    • Quanto maiora escolaridade do trabalhador, maior a diferença na renda de pretos e pardos em relação aos brancos. Um branco ganhava em setembro deste ano R$ 1.292. É o dobro do rendimento verificado entre pretos e pardos (R$ 660). PME – nov.2006
  • 19.
    • Pode-se concluirque o retorno salarial de cada ano a mais na escolaridade é maior para brancos, ainda que todos os grupos tenham aumento com mais educação.
  • 20.
    • Dos 10%de pessoas com maior rendimento (R$ 1.785, em média), 83,3% eram brancas, contra só 14,4% de pretos ou pardos. Nas faixas de menores rendimentos, os pretos e pardos eram a maioria -52,3% nos 10% mais pobres. •
  • 21.
    • Dos 2,292milhões de despregados em setembro, 1.164 milhão era composto de trabalhadores pretos ou pardos.
  • 22.
    Em todo omundo... Minorias étnicas continuam a ser Desproporcionalmente pobres, Desproporcionalmente Afetadas pelo desemprego e desproporcionalmente menos escolarizadas que os grupos dominantes. Estão sub- representadas nas estruturas políticas e super- representadas nas prisões. Tem menos acesso a serviço de saúde de qualidade e, conseqüentemente menor expectativa de vida. Estas, e outras formas de injustiça racial, são a cruel realidade do nosso tempo, mas não precisam ser inevitáveis no futuro. Kofi Annan (Secretário Geral da ONU, março de 2001}
  • 23.
    • “Intelectual específico”cujo papeldeve se tornar cada vez mais importante, na medida que, quer queira quer não, é obrigado a assumir responsabilidades políticas; cujo problema não é mudar a consciência da pessoas, ou o que elas tem na cabeça, mas o regime político, econômico, institucional de produção da verdade...” (FOUCAULT, 1986).
  • 24.