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DEMONSTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA VERSUS DEMONSTRAÇÃO DE
ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS: uma proposta de compartilhamento dos
dois modelos
Edson José Borges - Mestre em Ciências Contábeis e Controladoria – FURB/ SC
e-mail: asseville@brturbo.com.br
Arnoldo Schmidt Neto - Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais - PUC/ SP
e-mail: arnoldo.schmidt@univille.net
RESUMO
A Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) e a Demonstração do Fluxo
de Caixa (DFC) apresentam entradas e saídas de recursos, recebimentos e os desembolsos por
pagamentos. A presente pesquisa propõe efetuar uma comparação entre a DOAR e a DFC,
evidenciando os principais problemas de natureza financeira existentes em cada relatório
contábil. Complementarmente à análise, esta pesquisa apresenta um modelo único de
movimentação de recursos de natureza monetária, aos dois modelos existentes, denominado
Matriz de Estrutura de Capitais (MEC). O método de análise efetuado foi o de
compartilhamento das informações fornecidas pelos relatórios estudados. Com isso, elaborou-
se um modelo que compartilha apenas as informações por grupos de mesma natureza. Os
grupos que ora foram identificados pelo modelo possuem duas naturezas: correntes e não
correntes. O presente artigo contribui com uma nova ferramenta de análise dirigida a um
público-alvo constituído pelos stakeholders e shareholders, já habituados às informações
quantitativas e qualitativas contidas na DOAR, DFC e normas internacionais de
contabilidade.
Palavras-Chave: DOAR, DFC, MEC, Capital Circulante Líquido.
ABSTRACT
The Statement of Sources and Applications of Resources (DOAR) and the Statement of the
Cash Flow (DFC) have receipts and issues of resources, receivings and disbursements for
payments. The present study proposes to make a comparison between the DOAR and the
DFC, showing the main financial problems existing in each financial report. In a
complementary fashion to the analysis, this study presents a single model of transactions of
monetary resources, in the two models existing, called Matrix of Structure of Capital (MSC).
The method of analysis executed was the comparison of the information provided by both
reports, where in the preparation of the single model, only the information by groups of the
same type is together. The groups which were identified have two types: current and not
current. The Model developed to put the information side-by-side allows all the transactions
of resources of resources done during the GL period in the short-, medium- and long-term to
be viewed, as well as showing the current variation in the cash and the net working capital.
The present article contributes with a new tool of analysis aimed at the target group of
stakeholders and shareholders, already familiar with the quantitative and qualitative
information contained in the SSAR, SCF and the international norms of accounting.
Keywords: SSAR; SCF; Net Working Capital.
1. Introdução
A comunidade acadêmica atualmente discute o processo de harmonização das demonstrações
contábeis adotada no Brasil e aqueles aceitos e praticados pelos principais mercados
financeiros mundiais. Há controvérsias sobre quais das demonstrações contábeis e financeiras
são úteis e necessárias no contexto atual, visando o atendimento dos pressupostos dos
usuários da informação contábil e financeira.
A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) explica as variações ocorridas nas
disponibilidades da empresa. A simples substituição da Demonstração de Origens e
Aplicações de Recursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa poderá implicar na
renúncia das informações das variações do capital de giro líquido, a qual expressa a variação
nos ativos e passivos circulantes. Assim, este estudo encontra-se na discussão da capacidade
informativa da DOAR e da DFC. Diante do exposto, elaborou-se a seguinte questão-
problema: quais são os principais problemas apresentados pela DOAR e pela DFC, na
percepção dos usuários da informação contábil e financeira?
Em face desses problemas desenvolveu-se um modelo alternativo, denominado Matriz de
Estrutura de Capitais (MEC), que possa, ao mesmo tempo, atender o público-alvo já
habituado às informações quantitativas e qualitativas contidas na DOAR, e as normas
internacionais de contabilidade.
Inicialmente apresenta-se a metodologia da pesquisa e suas limitações, posteriormente faz-se
revisão de literatura abordando as vantagens e desvantagens da DOAR e DFC. Segue-se a
apresentação e aplicação do modelo proposto que compartilha as informações que sejam
relevantes para os stakeholders e shareholders, denominado neste artigo de Matriz de
Estrutura de Capitais (MEC). Finalmente, verificam-se as conclusões e recomendações do
estudo efetuado e do modelo proposto.
2. Metodologia da pesquisa
Este artigo, cujo caráter exploratório e qualitativo, tem como foco a DOAR e a DFC destaca
as situações em que seu uso é adequado e explicita suas limitações. Em decorrência das
limitações dessas demonstrações, este estudo contemplou, ademais, a proposta de um novo
modelo de Demonstração Financeira, denominado MEC, evidenciando sua elaboração, bem
como explicitando as vantagens desse modelo, em relação aos modelos disponíveis nas
literaturas contábil e financeira, DOAR e DFC. A discussão dessas circunstâncias foi
realizada com base na fundamentação teórica do tema, abordando a visão de diferentes
pesquisadores e autores.
Para melhor explicitar a pesquisa, com elementos da realidade contábil e empresarial no
Brasil, o estudo tomou como base os dados de uma empresa nacional líder do setor de
alimentos. Utilizou-se dos dados contábeis e financeiros, pertinentes ao DOAR e ao DFC,
dessa empresa para ilustrar a operacionalização da discussão sobre usos das demonstrações
em estudo em relação ao modelo proposto. As considerações finais sobre o trabalho foram
baseadas nos principais pontos detectados a partir da análise das questões que envolvem os
principais problemas apresentados pela DOAR e pela DFC e, de que forma, o modelo
proposto pode contribuir.
Desta forma, a presente pesquisa delimitou sua investigação à análise da capacidade
informativa da DOAR e da DFC, destinadas a divulgar o comportamento da liquidez ou da
capacidade de disponibilidade financeira das empresas bem como a servirem como
instrumentos gerenciais. Buscou-se assim, circunscrever as variáveis fundamentais que
intervêm no fenômeno aqui estudado.
Considerando a natureza do problema apresentado, foi realizado um levantamento
bibliográfico fundamentado em diversos pesquisadores e autores renomados, órgãos de classe
e de profissionais da área, a partir de informações pertinentes encontradas em teses,
dissertações, anais de congressos, artigos de revistas especializadas, livros e em jornais
especializados. Os principais recursos utilizados para esta pesquisa foram: bibliotecas da
Universidade Regional de Blumenau (FURB); bibliotecas de outras universidades como a da
FEA da Universidade de São Paulo, Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e
Faculdade Cenecista de Joinville (FCJ), além de diversos bancos de dados inseridos na
Internet.
A análise e discussão dos problemas apresentados estão baseadas em proposições teóricas de
diversos autores renomados e de grande experiência na área contábil/ financeira. Buscou-se o
estudo dos procedimentos de demonstrações contábeis adotados tanto no Brasil como aqueles
emanados e praticados pelos principais mercados financeiros mundiais.
Constituíram-se como elementos de análise, a DOAR e a DFC, bem como os respectivos
elementos que constituem estes dois instrumentos de exposição e divulgação contábil, sejam
por meio da origem, conceitos, objetivos, vantagens e desvantagens dos mesmos.
A escolha da amostragem com a qual se trabalhou foi uma etapa de grande importância no
delineamento desta pesquisa, posto que este fator seja capaz de determinar a validade dos
dados obtidos. Muito se discute sobre a decisão de se realizar uma amostragem probabilística
e não probabilística, considerando fatores como confiabilidade dos dados, disponibilidade de
recursos e adequação à situação da pesquisa. Neste sentido, sua premissa básica fundamenta-
se "à coleta de dados relativos a alguns elementos da população e a sua análise, que pode
proporcionar informações relevantes sobre toda a população". (MATTAR, 1996, p. 128).
Dentre os elementos do planejamento de pesquisa está o plano de amostragem. Segundo
Schiffman e Kanuk (2000), um plano de amostragem deve responder às seguintes questões:
quem pesquisar (unidade de amostragem); quantos pesquisar (o tamanho da amostra); e como
selecionar (o procedimento da amostragem). A decisão de quem pesquisar exige que o
universo seja definido de modo que uma amostra adequada possa ser selecionada.
Para a escolha do processo de amostragem, o pesquisador deve levar em conta o tipo de
pesquisa, a acessibilidade aos elementos da população, a disponibilidade ou não de ter os
elementos da população, a representatividade desejada ou necessária, a oportunidade
apresentada pela ocorrência de fatos ou eventos, a disponibilidade de tempo, recursos
financeiros e humanos etc. (MATTAR, 1996).
No presente estudo os dados coletados restringiram-se a DOAR e a DFC relativas aos
exercícios de 2003 e 2004 da empresa Sadia S/A. Entende-se que esta empresa se constitui
como elemento capaz de representar de forma adequada o universo composto pelas empresas
nacionais que utilizam o DOAR e o DFC, portanto ideais para também se aplicar à elaboração
do modelo proposto (MEC).
Entendeu-se aqui, que os relatórios contábeis estudados de uma forma geral, em seu conjunto,
formam uma grande base de dados que pode ser utilizada de forma flexível, e, portanto,
podem ter interpretações diferentes. Os relatórios contábeis, considerados individualmente,
possuem objetivos específicos, e nem sempre evidenciam com suficiente clareza as situações
econômicas, financeiras, patrimoniais e sociais de uma empresa.
No presente artigo selecionou-se a empresa em que foi aplicado o modelo proposto, e
entendida, dentro do universo não probabilístico, como amostra intencional ou por
julgamento. "A característica chave da amostragem por julgamento é que os elementos da
população são selecionados intencionalmente. Esta seleção é feita considerando que a amostra
poderá oferecer as contribuições solicitadas” (CHURCHILL, 1998, p. 301). Caso isso não
ocorresse, ter-se-ia entendido que esse tipo de amostragem demonstrara pouca ou nenhuma
validade.
Neste presente artigo, por meio de uma amostragem intencional, escolheu-se um caso
considerado "típico" da população a que se destina o modelo proposto em estudo para fazer
parte da amostra. Entretanto, concorda-se com Kish (1965, p. 19) que “algumas vezes os
pesquisadores questionam que, com o uso de amostras por julgamento, ao invés de uma
população real, se estaria criando um universo hipotético”. A limitação apontada seria que a
inferência de dados empíricos de um universo hipotético não conduziria a resultados úteis
(diferentemente do que se constatou, especificamente, nesta pesquisa) se a lacuna entre este
universo e a população real fosse muito grande (o que não é o caso presente).
3. Revisão da Literatura
Recentemente muito se tem comentado e discutido sobre a capacidade informativa das
demonstrações contábeis, em especial a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos
(DOAR) e a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Os Estados Unidos foram pioneiros
no que diz respeito à substituição da DOAR pela DFC. Em 1987 publicou-se o SFAS n.º 95,
definindo o modelo da Demonstração dos Fluxos de Caixa, e os critérios a serem observados
para gerar esse relatório. De acordo com a estrutura adotada pela Lei nº. 6.404/ 76, as
demonstrações contábeis e informações complementares, em conjunção à Demonstração do
Fluxo de Caixa, vem se destacando em virtude de sua relevância informacional. A princípio, a
dimensão temporal é quem dita as diferenças existentes entre a contabilidade e o fluxo de
caixa.
As demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76),
anteriormente mencionadas: Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos
Acumulados, Demonstração do Resultado do Exercício e, Demonstração das Origens e
Aplicações de Recursos devem seguir os Princípios Fundamentais de Contabilidade e normas
adotadas segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), enquanto o DFC adota o
regime de caixa. O principal motivo da vinculação entre a contabilidade e o fluxo de caixa, é
que no longo prazo o conceito de lucro está associado à diferença de riqueza medida em
dinheiro.
O Accounting Research Study nº 1, editado pelo AICPA, em 1961, descreve que “as
Demonstrações Contábeis deveriam evidenciar o que for necessário, a fim de não torná-los
enganosos” (AICPA apud IUDICIUS, 1989, p.89). As Demonstrações Contábeis são o
produto do sistema de informação Contábil, Souto Maior ( 1994, p.29), assim se refere “As
Demonstrações Contábeis que são o produto do sistema de formação e avaliação mencionado
são o veículo (ou canal) através do qual a Contabilidade exterioriza-se para seus usuários
finais, principalmente os usuários externos à entidade”.
No Brasil, a Lei nº. 6.404/76, estabelece como obrigatórias as seguintes demonstrações
contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração de
Origens e Aplicações de Recursos, Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e as
Notas explicativas. Além disso, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é
exigida pela Instrução CVM nº. 59/86.
3.1. Vantagens e Desvantagens da DFC e DOAR
Para os mais versados em contabilidade, pode até parecer estranha a afirmação de que a
Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é do ponto de vista da informação contábil, superior
à Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).
Evidentemente que no que tange ao aspecto informacional é indiscutível a predominância da
DOAR sobre a DFC, pelo menos para os que conhecem com profundidade os conceitos
contábeis contidos em ambas as demonstrações, e o papel fundamental que as informações
nelas evidenciadas tem para a gestão empresarial e para os shareholders.
Contudo, o objetivo da contabilidade é produzir informação útil para uma gama enorme de
usuários, os stakeholders, que na grande maioria das vezes não possuem o nível desejado de
conhecimento sobre contabilidade, que os possibilite perceber que preterir a DOAR em
detrimento da DFC, poderá vir a se constituir em um grande equívoco.
O objetivo deste trabalho não é tecer críticas a uma demonstração em função da outra, por
meio de uma comparação relativa do que seria mais ou menos adequado do ponto de vista da
informação contábil. Acredita-se que os relatórios contábeis de uma forma geral, em seu
conjunto, formam uma grande base de dados que pode ser utilizada de forma flexível pelos
usuários, e que a análise conjunta desses relatórios é o procedimento mais adequado e
profissional na gestão dos negócios. Os relatórios contábeis considerados individualmente
possuem objetivos específicos, mas que são complementares na evidenciação da situação
econômica, financeira, patrimonial e social da empresa.
Entre os relatórios que estão sendo estudados neste trabalho, parte-se do pressuposto da
obrigatoriedade da elaboração e divulgação da DFC em nosso país. No caso do Projeto que
reformula a Lei 6.404/76 ser aprovado pelo Legislativo e aprovado e regulamento pelo
Executivo destacam-se alguns pontos relativos a esta demonstração no intuito de contribuir
para a sua boa compreensão e entendimento da importância da divulgação e conhecimento de
informações sobre o Fluxo de Caixa da empresa. Essas constatações não consideram o mérito
da superioridade/ inferioridade da DFC em comparação a DOAR. Ambas são demonstrações
de Fluxos e possuem objetivos distintos, porém convergentes em seus fins.
Existe atualmente uma grande divergência entre correntes de estudiosos contábeis no que
tange a utilização da DFC ou da DOAR enquanto fonte de informações mais úteis ao processo
de tomada de decisão pelos diversos tipos de usuários da contabilidade. No quadro 1 são
destacadas algumas das principais vantagens e desvantagens, de cada tipo de demonstração,
consideradas por estas correntes.
Quadro 1 - Comparativo DOAR e DFC
COMPARATIVO DOAR DFC
VANTAGENS  Possibilitar um melhor conhecimento da
política de investimento e de financiamento
da empresa;
 Ser mais abrangente que o fluxo de caixa,
por representar completamente as mudanças
na posição financeira;
 Possuir capacidade analítica de longo prazo.
 Mostrar a real condição de pagamento das
dívidas;
 Facilidade de entendimento pelos diversos
tipos de usuários;
 Análise dos fluxos de caixa passados
evidenciam informações relevantes para
predizer os fluxos de caixa futuros.
DESVANTAGENS  A falta de utilidade da DOAR parece estar
ligada ao seu não entendimento;
 Trabalhar com o conceito abstrato de capital
circulante líquido ou de folga financeira de
curto prazo;
 A DOAR não é essencialmente financeira,
pois considera o ativo circulante em seu todo,
incluindo ativos monetários e não-
monetários.
 Falta de consenso sobre qual conceito de
caixa utilizar (caixa, bancos e títulos de curto
prazo ou só caixa e bancos);
 Junção do fluxo de dividendos recebidos
com o fluxo da atividade operacional, e os
juros pagos e recebidos referentes ao capital
de giro define-se como sendo parte do fluxo
de caixa operacional, o que distorce a real
geração de caixa pelas operações;
 Possibilidade de manipulação de
pagamentos e recebimentos visando
melhorar seus fluxos de caixa em um
período específico.
Fonte: Organizado pelos autores
Iudícibus e Marion (1999, p.218) explicitam que a DOAR propicia a avaliação da “folga
financeira de curto prazo – excesso de ativos circulantes sobre passivos circulantes, ou o
inverso”. Complementam esclarecendo que, a DFC evidencia todo o fluxo de dinheiro pelo
caixa em um dado período. Neste sentido, Silva, Santos e Ogawa (1993) apresentam algumas
vantagens e desvantagens na utilização das demonstrações referenciadas. A seguir são
apresentadas algumas vantagens, por eles citadas, da DFC sobre a DOAR:
a) a DFC apresenta-se em uma linguagem comum e de fácil compreensão aos usuários,
enquanto a DOAR, em geral, é de difícil compreensão pelos usuários, devido a
linguagem técnica com que é apresentada;
b) propicia melhor visualização do fluxo dos recursos financeiros, enquanto a DOAR
envolve a avaliação de ativos não-monetários;
c) a DFC se faz necessária na previsão de problemas de insolvência e na avaliação de
riscos, caixa e dividendos futuros, enquanto a DOAR não propicia previsões futuras
quanto a disponibilidade financeira da empresa; e
d) a DFC utiliza o conceito de curto prazo, evidenciando apenas elementos monetários.
Já a DOAR engloba elementos de longo prazo, inclusive não-monetários.
No que diz respeito às vantagens da DOAR sobre a DFC mencionam que:
a) a DOAR fornece informações que não constam em outras demonstrações, além de
apresentar maior volume de informações que a DFC;
b) possibilita melhor conhecimento da política de investimentos e financiamentos da
empresa;
c) é mais abrangente, pois representa as mutações na posição financeira como um todo,
enquanto a DFC não apresenta informações relacionadas a negociações financeiras a
longo prazo; e
d) possui maior capacidade analítica no longo prazo.
Silva, Santos e Ogawa (1993) ressaltam que a DFC não elimina problemas de inflação. Em
relação a DOAR, a principal limitação apontada pelos autores é de que o uso da mesma
baseia-se somente no conceito de capital circulante líquido, bem como não é uma
demonstração comum em outros países, mesmo naqueles desenvolvidos quanto a matéria
contábil.
A DFC permite um melhor planejamento financeiro, a fim de controlar o momento certo de
aplicar a sobra de caixa ou o momento de contrair empréstimos para cobrir a insuficiência do
mesmo. Ainda assim, para que a DFC funcione eficazmente como um instrumento preditivo é
necessário que se tenha conhecimento também do passado, para estar ciente das prováveis
deficiências nas projeções.
A principal discussão parece consistir na exigência ou não da divulgação da DFC, além dos
diversos debates quanto a substituição da DOAR pela DFC, ou da divulgação de ambas.
Sendo o principal argumento daqueles favoráveis a substituição o de que a DOAR é de difícil
entendimento e, por isso, pouco utilizada. A DFC é defendida por ser mais acessível, porém
também é suscetível a manipulações.
A análise da DFC, em conjunto com a DOAR e demais demonstrações contábeis, permite ao
usuário um maior leque de conclusões e conhecimento sobre a empresa, do que a análise
isolada de qualquer uma das demonstrações, o que leva a proposição de que as mesmas se
complementam no sentido de dar suporte ao processo decisório nas empresas.
As mudanças sócio-econômicas, pelas quais as organizações têm passado, levam os
profissionais e os pesquisadores de Contabilidade a buscar uma evolução contínua quanto ao
desempenho de seu papel de provedor de informações úteis ao processo de tomada de
decisões pelos gestores. Neste sentido, surge a necessidade de uma avaliação sobre se as
demonstrações contábeis geradas pela Contabilidade, isto é, se suprem a necessidade
informacional dos usuários, tanto internos quanto externos.
4. Modelo Proposto – Matriz de Estrutura de Capitais
O motivo central do modelo proposto é apresentar um relatório que visa a mostrar aspectos
financeiros de uma Entidade, porém, de um ângulo distinto daquele da DOAR e da DFC.
Enquanto a DOAR apresenta a movimentação ocorrida nos recursos e aplicações permanentes
ou de longo prazo e, como conseqüência o impacto, porém abstrato, na variação do Capital
Circulante Líquido – CCL - ou de folga financeira de curto prazo a DFC compreende, tão
somente, o movimento de dinheiro, não possibilitando melhor conhecimento da política de
investimentos e financiamentos de uma entidade.
Assim este capítulo apresenta um modelo de movimentação financeiro, ora denominado
“Matriz de Estrutura de Capitais”. Neste modelo associa num único relatório as informações
referentes à variação do disponível, em harmonia com as Normas Internacionais de
Contabilidade, e a variação das demais contas circulantes espelhada pela variação do CCL.
Desta forma este capítulo discorre sobre o presente modelo, apresentando a MEC, as variáveis
que o compõe e a sua proposta. Para explicação desta, este capítulo explicita a estrutura de
capitais, adotando como referência a DOAR e DFC da empresa selecionada Sadia S/A,
utilizando seus dados relativos aos exercícios de 2003 e 2004 na elaboração do modelo
proposto.
4.1 Considerações ao Modelo Proposto
A estrutura deste modelo foi construída de forma a manter as propriedades informativas de
ambos os relatórios, ou seja, a variação do CCL e a variação ocorrida no caixa da empresa.
Lembra-se ao leitor que por caixa entendem-se inclusive os seus equivalentes, ou seja, bancos
e aplicações financeiras de liquidez imediata.
De uma maneira geral, este modelo distribui as informações em dois novos grupos, os de
natureza disponível e os de natureza não-disponível, além de manter a informação relativa à
variação do CCL.
No grupo denominado Capital Disponível, obtêm-se, analiticamente a variação ocorrida no
caixa da empresa, e no grupo não-disponível denominado Capital não-disponível, obtêm-se, a
variação ocorrida no CCL, porém de natureza não-disponível. Por não-disponível entendem-
se os valores que não circulam pelo caixa, porém alteram o CCL, tais como aquisições de
estoques a prazo, vendas a prazo, etc.
Incluem-se neste grupo as movimentações que transitaram pelo circulante, porém, que
possuem como contrapartida contas do grupo do longo prazo Permanente ou Patrimônio
Líquido. Desta maneira, segue-se às explicações do modelo proposto.
4.1.1 Função e Funcionamento de forma qualitativa
O modelo proposto, que ora apresenta-se de forma qualitativa no quadro 2, denominado
Matriz Estrutura de Capitais, divide-se em três partes. A primeira parte (linha 1) apresenta
a linha de capital disponível e têm por finalidade a demonstração dos recebimentos e
desembolsos de recursos gerados pelas atividades próprias, de financiamentos e de
investimentos já realizadas (a.1), as aplicações de recursos já desembolsadas no período (b.1),
resultando na variação do capital circulante líquido disponível (c.1). A segunda parte (linha 2)
do demonstrativo apresenta os recursos gerados pelas atividades, mas ainda não
disponibilizadas (a.2), assim como as aplicações dos recursos financiados e ainda não pagos
(b 2.), resultando, então, na evidenciação da variação do capital circulante ainda não
realizados no período (c.2). E a terceira parte (linha 3), objetiva apresentar o resultado das
Origens (a.3) e das aplicações de recursos (b.3) no período e, conseqüentemente, a variação
do Capital Circulante Líquido (c. 3).
A coluna (a) evidência os recursos gerados e recebidos (a.1) e os recursos gerados, mas ainda
não realizados (a.2), resultando na evidenciação das origens de recursos gerados pelas
atividades (a.3), assim como na sua capacidade de realização. A coluna (b) apresenta as
aplicações de recursos já desembolsadas no período (b.1); assim como as aplicações dos
recursos financiados e ainda não pagos (b 2.), resultando na informação de todas as aplicações
efetuadas pela empresa no período (b.3). A coluna (c) evidencia a variação do Capital
Circulante Líquido (c.3) mostrando a parcela do CCL já realizado (c.1) e a realizar (c.2).
Quadro 2 – Matriz de Estrutura de Capitais (MEC)
(a) RECURSOS (b) APLICAÇÕES (c) VARIAÇÕES
(1)
CAPITAL
(a.1)
Recursos realizados pelas
atividades
(b.1)
Aplicações de Recursos
pelas atividades
(c.1)
Variação do Capital
Circulante Disponível
(2)
CAPITAL
NÃO
DISPONÍVEL
(a.2)
Recursos não
disponibilizados pelas
atividades
(b.2)
Aplicação de Recursos
Financiados
(c.2)
Variação do Capital Circulante
não disponível
(3)
CAPITAL
CIRCULANTE
(a.3)
Total das Origens de
Recursos
(b.3)
Total de Aplicações de
Recursos
(c.3)
Variação do CCL
Fonte: Elaborado pelos autores
4.1.1.1 Estudo da Matriz de Estrutura de Capitais
A matriz de estrutura de capitais apresenta em cada célula, tanto em seus recursos quanto em
suas aplicações, as atividades fonte de geração e de aplicação dos recursos movimentados
pela empresa. Essas atividades são operacionais de investimentos e de financiamentos
seguindo os preceitos da contabilidade internacional. Com isso, evidencia-se de que forma os
capitais, tanto disponíveis quanto não-disponíveis são afetados pelas atividades.
As atividades operacionais decorrem de diversas atividades de compra e venda da empresa,
mas a capacidade de realização dos recursos originados não é perfeitamente evidenciada nos
demais demonstrativos financeiros, fato este que dificulta a evidenciação da capacidade da
empresa em realizar seus bens e direitos oriundos das atividades recursos disponíveis.
Também a utilização desses recursos disponíveis em bens que irão gerar benefícios futuros
pelas atividades de investimentos.
4.1.2 Estrutura de Capital aplicada à empresa Sadia S/A
Neste tópico apresenta-se a aplicação do Modelo Estrutura de Capitais aplicado à empresa
Sadia S/A, utilizando os dados da DOAR e DFC da respectiva empresa referente apenas aos
- =
+
-
-
=
=
=
exercícios de 2003 e 2004.
Quadro 3 – DOAR da Sadia S/A – Em R$ Mil
Fonte: Bovespa (www.bovespa.com.br)
Percebe-se que a DOAR apresenta uma variação do CCL de R$ 695.361 (mil), e um
decréscimo no saldo de caixa de R$ 6.860 (mil) em 2004. O Modelo Estrutura de Capitais
consolida esta duas informações, adicionando qualidades informativas ao permitir visualizar
entre toda a movimentação de recursos da empresa selecionada, aqueles já realizados e
aqueles ainda não realizados.
Demonstração das Origens e Aplicações de
Recursos - DOAR
2004 2003
Origens 992.440 1.379.729
Das Operações 492.355 236.812
Lucro/Prejuízo do Exercício 445.301 452.491
Vls. que não repr. mov. Cap. Circulante 47.054 -215.679
Depreciações, Amortizações e Exaustão 130.109 134.990
Encargos e Variações de Longo Prazo (14.026) 10.599
Resultado na Alienação de Ativo Perm. 17.257 18.341
Resultado em Participações Societárias (103.267) -350.469
Impostos Diferidos de Longo Prazo 13.327 -46.854
Provisão para Contingências (7.054) 8.988
Planos de Benefícios a Empregados 10.708 8.726
Dos Acionistas 0 0
De Terceiros 500.085 1.142.917
Recursos Obtidos na Venda de Ativo Imob. 2.752 5.025
Capitação de Recursos Financeiros de LP 379.822 1.014.227
Juros Sobre Capital Próprio Recebidos 4.029 4.023
Tranf. do Realizável p/ Circulante 85.976 38.297
Decréscimo Demais Contas do R.L.P. 27.506 46.492
Aplicações 1.687.801 1.008.659
Em Investimentos 1.088 3.036
Em Imobilizados 217.272 100.919
Em Diferidos 27.183 7.729
Dividendos/Juros sobre Capital Próprio 148.310 150.454
Transf. do Circulante para o Imobilizado 3.195 3.016
Aplicações Financeiras de Longo Prazo 238.077 80.907
Depósitos Judiciais 2.126 5.928
Acréscimo Demais Contas do R.L.P. 13.043 1.065
Decréscimo Demais Contas do Exigível LP 30.996 0
Transf. do Exigível L. P. p/ Circulante 1.006.511 655.605
Acréscimo/Decréscimo no Cap. Circulante (695.361) 371.070
Variação do Ativo Circulante (297.320) 279.291
Ativo Circulante no Início do Exercício 3.035.222 2.755.931
Ativo Circulante no Final do Exercício 2.737.902 3.035.222
Variação do Passivo Circulante 398.041 -91.779
Passivo Circulante no Início Exercício 1.909.605 2.001.384
Passivo Circulante no Final do Exercício 2.307.646 1.909.605
Quadro 4 – Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da Sadia S/A – Em R$ Mil
Fonte: Bovespa (www.bovespa.com.br)
A seguir, apresentam-se os dados contidos na DOAR (quadro 3) e DFC (quadro 4) da Sadia
S/A, adaptados no Modelo que ora é proposto conforme figura 1.
Demonstração do Fluxo de Caixa 2.004 2003
Resultado líquido do exercício 445.301 452.491
Ajustes para reconciliar o lucro líquido ao caixa
gerado pelas atividades operacionais:Variação na participação minoritária - -
Juros provisionados, líquido dos pagos 133.823 (11.677)
Depreciação, amortização e exaustão 130.109 134.990
Resultado de participação societária (103.267) (350.469)
Impostos diferidos 42.714 (86.728)
Contingências (7.054) 8.988
Resultado na alienação do ativo permanente 17.257 18.341
Variações nos ativos e passivos operacionais:
Contas a receber de clientes 145.601 (286.364)
Estoques (252.294) (21.821)
Impostos a recuperar e outros (3.362) 90.898
Depósitos judiciais (2.126) (5.928)
Fornecedores 113.458 123.021
Adiantamento de controladas 125.990 (3.582)
Impostos e contribuições a recolher, salários a
pagar e outros
(127.204) 136.606
Caixa líquido gerado nas atividades
operacionais
658.946 198.766
Atividades de investimentos:
Recursos obtidos na venda de ativo imobilizado 2.752 5.025
Investimentos em controladas (1.088) (3.036)
Aquisição de imobilizado e diferido (244.455) (108.648)
Aplicações financeiras (1.276.554) (1.661.418)
Resgates de aplicações financeiras 1.385.565 1.612.495
Caixa líquido gerado nas atividades de
Investimentos
(133.780) (155.582)
Atividades de financiamentos:
Captações de financiamentos 1.501.904 1.931.861
Pagamentos de financiamentos (1.902.693) (1.920.413)
Dividendos pagos (131.237) (95.352)
Caixa líquido gerado nas atividades de
financiamentos
(532.026) (83.904)
Caixa no início do exercício 91.130 131.850
Caixa no final do exercício 84.270 91.130
Decréscimo/acréscimo líquido no caixa (6.860) (40.720)
Figura 1 – Matriz de Estrutura de Capitais aplicado na Sadia S/A Valores em R$ Mil
Fonte: Elaborado pelos autores
A MEC, elaborada a partir da DFC e da DOAR, da empresa Sadia S/A – figura1 - apresenta
os recursos realizados pelas atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos no
valor de R$ 10.021.472 mil, (a.1), as aplicações de recursos já desembolsadas pelas atividades
no período (b.1) somaram R$10.228.332 mil, resultando na variação negativa de R$ 6.860 mil
(c.1).
Os recursos gerados pelas atividades, mas ainda não disponibilizados somam R$ 609.866 mil
(a.2) e as aplicações dos recursos financiados e ainda não pagos (b 2.) somam R$ 1.298.367
mil, resultando, então, numa variação do capital circulante ainda não realizados no período
negativa de R$ 688.501 mil (c.2).
O resultado das Origens no valor de R$ 10.631.338 mil (a.3) e das aplicações de recursos no
valor de R$ 11.326.699 mil (b.3) no período resultou numa variação do Capital Circulante
(1) Capital
Disponível
(a.1) Recursos Realizados Pelas
Avidades 10.021.472 (b.1) Aplicações de Recursos (10.028.332)
(c.1) variação
do CCL
disponível (6.860)
658.946
Recebimentos de Clientes 7.005.261 Pagamentos de Fornecedores (4.523.665)
Adiantamentos de Controladas 125.990 Depósitos Judiciais (2.126)
Despesas pagas no exercício (1.946.514)
Atividades de Investimentos 1.388.317 Atividades de Investimentos (1.522.097) (133.780)
Recursos obtido na Venda de Imobilizados 2.752 Investimentos em Controladas (1.088)
Resgates de Aplicações Financeiras 1.385.565 Aquisição de Imobilizados e Diferidos (244.455)
Aplicações Financeiras (1.276.554)
Atividades de Financiamentos 1.501.904 Atividades de Financiamentos (2.033.930)
Atividades de
Financiamento (532.026)
Captações de Financiamentos 1.501.904 Pagamentos de Financiamentos (1.902.693)
Dividendos Pagos (131.237)
(2) Capital
não
Disponível
(a.2) Recursos não
disponibilizados pelas atividades 609.866 (b.2) Aplicações de Recursos (1.298.367)
(c.2) Variação
do Capital
Circulante não
disponível (688.501)
Atividades Operacionais 492.355 Atividades Operacionais (6.860)
Lucro do Exercício 445.301 Variação do CCL Disponível (6.860)
Valores que não Aferam o Cap. Circulante 47.054
Atividades de Investimentos 117.511 Atividades de Investimentos (254.000) (136.489)
Juros sobre Capital Próprio 4.029 Aplicações Financeiras de LP (89.452)
Transferência do RLP p/Circulante 85.976 Juros sobre Capital Próprio (148.310)
Redução do RLP 27.506 Transferência do Circulante p/Imobilizado (3.195)
Acréscimo demais Contas do RLP (13.043)
Atividades de Financiamentos 0 Atividades de Financiamentos (1.037.507)
Atividades de
Financiamento (1.037.507)
Decréscimo demais contas do ELP (30.996)
Transf. do ELP p/o Circulante (1.006.511)
(3) Capital
Circulante
(a.3) Total das Origens de
Recursos
10.631.338
(b.3) Variação do Capital
Circulante Líquido
(11.326.699)
(c.3) Variação
do Capital
Circulante
Líquido (695.361)
Atividades de
Investimentos
Atividades de
Investimentos
Atividades
Operacionais 485.495
Atividades
Operacionais
(c) Variação(a) Recursos (b) Aplicações
Atividades Operacionais 7.131.251 Atividades Operacionais (6.472.305)
Líquido negativa em R$ 695.361(c.3).
Ao analisar-se a coluna da Variação do Capital Circulante não disponível (C.2) nota-se que a
atividade de financiamento resulta numa variação negativa de R$ 1.037.507 mil, originados,
principalmente, pela transferência de valores do Passivo Exigível a Longo Prazo para o
Passivo Circulante no valor de R$ 1.006.511 mil (b.2).
Esta informação somente pode ser evidenciada através da análise da Demonstração das
Origens e Aplicações de Recursos, ou na Análise da Matriz de Estrutura de Capitais
apresentada na figura nº. 1.
4.1.2.1 Comentários da análise da Matriz de Estrutura de Capitais da Figura 1
Na primeira coluna (a) observa-se que tanto os recursos disponíveis quanto não disponíveis,
contribuíram para o aumento do Capital Circulante Líquido. Porém, nota-se que os recursos
não disponíveis foram os que mais contribuíram para esse aumento com um crescimento de
530% em atividades de financiamentos originados por empréstimos.
Na segunda coluna (b), constata-se que os recursos originados pelas atividades operacionais
não foram suficientes para cobrir os recursos aplicados nas atividades de Investimentos.
Observam-se na terceira coluna (c), que a empresa disponibilizou recursos disponíveis nas
atividades de investimentos em Ativos Imobilizados e Diferidos, superiores a 50% dos
recebimentos de vendas do período. Por outro lado, percebe-se que a origem do aumento do
grupo não disponível, foi ocasionada por empréstimos efetuados e pelo aumento de compras
não pagas a fornecedores.
Como conseqüência da análise, pode-se deduzir que a empresa precisou recorrer a
empréstimos e financiamentos a fim de manter o equilíbrio das disponibilidades. Outra
informação importante está na evidenciação do aumento das compras não pagas a
Fornecedores.
4.2 Análise dos Resultados
A presente seção apresenta a MEC da empresa Sadia S/A, disposta na forma vertical, onde se
propõe algumas reflexões.
A partir dos quadros 3 e 4, foi possível obter informações que afetaram positivamente e
negativamente o patrimônio da entidade, bem como situação de realização dos recursos sob o
aspecto temporal, conforme se explica em seguida no quadro 5.
Quadro 5 – Modelo proposto aplicada à Sadia S/A Valores em R$ Mil
Fonte: Elaborado pelos autores
Ao se analisar o modelo proposto evidencia-se informações de suma importância aos usuários
da informação. As principais origens de recursos nas empresas foram:
a) Lucro Líquido do Exercício;
b) A integralização de capital;
1. Disponível
1.1 Caixa Gerado pelas Operações
Recebimentos de Vendas..............................…………………………………...............................7.005.261
Adiantamento de controladas..............................…………………………………...............................125.990
Pagamentos a Fornecedores..............................…………………………………...............................(4.523.665)
Depósitos Judiciais..............................…………………………………...............................(2.126)
Despesas pagas no Exercício..............................…………………………………...............................(1.946.514)
Caixa Gerado pelas Operações........................................................................................................................658.946
1.2 Atividades de Investimentos
Recursos obtidos na Venda de imobilizados.............................……………………………….........................................2.752
Resgates de Aplicações Financeiras..............................………………………………..........................................................1.385.565
Investimentos em controladas..............................………………………………..........................................................(1.088)
Aquisição de Imobilizados e Diferidos..............................………………………………..........................................................(244.455)
Aplicações Financeiras..............................………………………………..........................................................(1.276.554)
Recursos aplicados na atividade de Investimentos.............................................................................................................(133.780)
1.3 Atividades de Financiamentos
Recebimentos de Financiamentos.............................……………………………….........................................1.501.904
Pagamentos de Financiamentos..............................………………………………..........................................................(1.902.693)
Pagamento de Dividendos..............................………………………………..........................................................(131.237)
Recursos aplicados na atividade de Financiamentos.............................................................................................................(532.026)
1.4 Variação (redução) das Disponibilidades..........................……………………….......................(6.860)
2. Não Disponível
2.1 Recursos Gerados pelas Operações
Lucro Líquido Financeiro..............................…………………………………...............................492.355
Crédito Gerado pelas Operações........................................................................................................................492.355
2.2 Atividades de Investimentos
Juros sobre Capital Próprio.............................……………………………….........................................4.029
Transferência do RLP p/o Circulante..............................………………………………..........................................................85.976
Redução do RLP..............................………………………………..........................................................27.506
Aplicações Financeiras de LP..............................………………………………..........................................................(89.452)
Juros sobre o Capital Próprio..............................………………………………..........................................................(148.310)
Transferência do Circulante para o Imobilizado..............................………………………………..........................................................(3.195)
Acréscimo demais contas do RLP..............................………………………………..........................................................(13.043)
Recursos aplicados na atividade de Investimento.............................................................................................................(136.489)
2.3 Atividades de Financiamentos
Decréscimo demais contas do ELP.............................……………………………….........................................(30.996)
Transferência do ELP p/o Circulante..............................………………………………..........................................................(1.006.511)
Recursos aplicados na atividade de Financiamento.............................................................................................................(1.037.507)
2.4 Variação (redução) das Disponibilidades..........................……………………….......................(6.860)
2.5 Variação do Não Disponível……………………………………………………………………………………….(688.501)
3. VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (1.4 + 2.5) (695.361)
c) O capital de terceiros; e
d) Diminuição de valores do Ativo.
Já as principais aplicações de recursos nas empresas foram:
a) os prejuízos do período;
b) a redução de capital;
c) diminuição de valores do Passivo; e
d) o aumento de valores do Ativo.
O modelo proposto apresenta a disponibilização dos recursos gerados pelas citadas fontes em
direitos ainda não disponibilizados. Diferentemente da DOAR, apresenta dados concretos da
folga financeira de curto prazo, separando o ativo circulante em ativos monetários e não
monetários.
Por outro lado, apresenta as origens ou aplicações de recursos com um melhor conhecimento
da política de investimento e de financiamento que o DFC, fornecendo ao usuário a
informação da influência dessas atividades nos acréscimos ou decréscimos líquidos de caixa,
ao mesmo tempo em que evidencia a variação destes recursos em ativos não monetários.
Assim, o usuário da informação poderá saber, com maior clareza, como a empresa se
apresenta e predizer as suas perspectivas.
4.3 Vantagens do Modelo Proposto
Neste artigo apresentaram-se opiniões e divergências entre correntes de estudiosos contábeis,
no que tange a utilização da DFC ou da DOAR, enquanto fonte de informações mais úteis ao
processo de tomada de decisão pelos diversos tipos de usuários da contabilidade. O modelo
ora apresentado, unificando as informações contidas nessas demonstrações, propõe a
manutenção das vantagens atribuídas e, ao distribuir esses informes em dois grupos de origens
e de aplicações disponíveis e não disponíveis, propõe a eliminação de desvantagens a elas
arrogadas pelas diversas correntes de estudiosos contábeis.
4.3.1. DOAR versus o Modelo proposto
A DOAR, em relação à DFC, possibilita um melhor conhecimento da política de investimento
e de financiamento da empresa, é mais abrangente que o fluxo de caixa, por representar
completamente as mudanças na posição financeira e possuir capacidade analítica de longo
prazo. Entretanto a DOAR trabalha com o conceito abstrato de capital circulante líquido ou de
folga financeira de curto prazo e não é essencialmente financeira, pois considera o ativo
circulante em seu todo, incluindo ativos monetários e não-monetários.
O modelo proposto, da forma em que é apresentado mantém as respectivas vantagens da
DOAR, além, de evidenciar em tempo real, as variações ocorridas no capital circulante
líquido, pois distribui em dois grupos, disponível e não disponível, as origens e aplicações de
recursos.
4.3.1. DFC versus o Modelo proposto
Por outro lado às vantagens da DFC, em relação a DOAR, evidencia, tal como o modelo
proposto, a real condição de pagamento das dívidas, assim como, informações relevantes para
predizer os fluxos de caixa futuros, através de análise dos fluxos de caixa passados.
A maior vantagem do modelo proposto, em relação a DFC, está na impossibilidade de
manipulação de pagamentos e recebimentos visando melhorar seus fluxos de caixa em um
determinado período, já que apresenta no grupo não disponível as contas não pagas a
fornecedores e demais despesas provisionadas, assim como, as receitas de vendas não
recebidas de clientes. Assim, o modelo proposto se torna mais abrangente, pois representa a
situação financeira de curto prazo, tal qual a DFC, e de longo prazo, semelhante a DOAR.
5. CONCLUSÕES e RECOMENDAÇÕES
A contabilidade tem como objetivo prover os usuários das demonstrações financeiras com
informações que os ajudarão a tomar decisões. Porém, nos últimos tempos tem recebido
críticas quanto a forma que se tem utilizado para cumprir seu papel, principalmente, sobre a
capacidade informativa da DOAR e da DFC.
A discussão que se tem atualmente em função da substituição da DOAR pela DFC é bastante
interessante à medida que justifica a uma proposta de um modelo alternativo de demonstrativo
tecnicamente mais confiável, para diagnosticar a situação financeira de uma entidade.
A DFC pode facilmente ser manipulada, a empresa pode conduzir seus fluxos de caixa,
atrasando os pagamentos junto a seus fornecedores, apresentando assim uma posição
financeira que não represente a verdadeira situação da empresa, além de seu conteúdo
informativo ser inferior ao da DOAR.
Por outro lado, a DOAR apresenta o conceito abstrato de Capital Circulante Líquido – CCL -
que pode aparentemente apresentar uma situação confortável para a empresa, porém devido
aos prazos de recebimentos e estocagem serem elevados, a empresa pode ficar com
dificuldades financeiras em curto prazo. Além disso, as normas da contabilidade internacional
vêm estabelecendo obrigatoriedade na preparação da DFC.
Assim, em meio a discussões que estão acontecendo no sentido de ganho ou perda da
qualidade das informações na substituição da DOAR pela DFC como uma tendência mundial
e já incluída no Projeto de Lei 3.741/00, da reforma da Lei 6.404/76 das S.A., propôs-se no
um modelo, denominado Demonstração de Estrutura de Capitais.
A MEC elaborada em duas partes contendo na primeira parte o grupo disponível, o qual
substituiu a DFC e na segunda parte o grupo não disponível o qual, somado com o primeiro
grupo, apresentou, as variações do Capital Circulante Liquidam.
Assim, acredita-se que o modelo proposto deverá ser objeto de pesquisas mais aprofundadas e
aperfeiçoamento por pesquisadores e pela classe contábil, poderá contribuir para uma
melhoria na qualidade das informações contábeis, bem como, atender a um maior número de
usuários. Como contribuição para um melhor entendimento dos fenômenos observados neste
estudo, o modelo proposto pode contribuir para estudos futuros que testem os seguintes
aspectos:
a) desenvolvimento de modelo padronizado e em sintonia com a nova realidade
internacional apresentada pelo IASB, no sentido de diagnosticar a situação
econômica e financeira de uma entidade, com clareza e fácil entendimento; e
b) estudos e testes de novos indicadores a fim de evidenciar a capacidade de
realização dos recursos originados e aplicados nas atividades operacionais, de
investimentos e de financiamentos.
As sugestões anteriormente especificadas acenam para a possibilidade de se adotar um
modelo até aqui não muito explorado e que requer estudos mais profundos. Entende-se que
estudos desta natureza são úteis para os usuários da informação contábil, econômica,
financeira e social, que esperam dos pesquisadores o desenvolvimento de meios que possam
promover uma Administração Contábil e Financeira que seja capaz de gerir os recursos de
forma eficiente, eficaz e efetiva aos investidores e a sociedade.
5. Referências Bibliográficas
BEUREN, Ilse Maria et al. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e
prática. 2.ed. - São Paulo: Atlas, 2004.
BRAGA, Roberto; MARQUES, José A. Veiga da Costa.. Avaliação da Liquidez das
Empresas Através da Análise da Demonstração de Fluxos de Caixa. Revista Contabilidade &
Finanças FIPECAFI – FEA-USP. São Paulo, FIPECAFI, v.14, n.25, p. 6-23. janeiro/abril
2001.
CHURCHILL, Gilbert. Marketing research: methodological foundations. 2a ed. The Dryden
Press. 1998.
COMISSÃO EUROPÉIA. Norma Internacional de Contabilidade NIC 7 Demonstração de
Alterações na Posição Financeira, aprovada pelo Conselho em Outubro de 1977. (Jornal
Oficial da União Européia de 13-10-2003) Disponível na Internet:http://www.cnc.min-
financas.pt/IAS_SIC/Reg_1725_2003_IAS.pdf> Acesso em: 20 de Fev. 2005.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Estruturação das Demonstrações
Contábeis. 1997.
FREZATTI, Fábio. Gestão do Fluxo de Caixa Diário: Como Dispor de um Instrumento
Fundamental para o Gerenciamento do Negócio. São Paulo: Atlas, 1997.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 1991.
HANSEN, Morris H; HURWITZ, William N & MADOW, William G. Sample survey
methods and theory. Vol. I. John Wiley & sons, Inc. 1966.
HENDRIKSEN, E.S.; VAN BREDA, M.F.Teoria da contabilidade. 5.ed. São Paulo: Atlas,
1999.
IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu, GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de
Contabilidade das Sociedades por Ações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARION, José Carlos. Introdução à Teoria da Contabilidade. 2.ed.
São Paulo: Atlas, 2000.
KISH, Leslie. Survey sampling. John Wiley & Sons, Inc. 1965.
LEI das Sociedades por Ações: Lei nº 6404 de 15-12-1976. 26.ed. São Paulo, Atlas, 1998.
MATTAR, F. Pesquisa de marketing. Ed. Atlas. 1996.
MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1997.
MOURA, Verônica de Miglio; BEUREN, Ilse Maria. Considerações sobre a Demonstração
do Fluxo de Caixa sua Relação com a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos.
Anais do XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade. Goiânia, 2000
SANTOS, Luiz Paulo Guimarães dos; FREITAS, Sheizi Cavalheira de. O fluxo de caixa e sua
importância no processo de evidenciação das informações contábeis. Anais do XVI
Congresso Brasileiro de Contabilidade. Goiânia, 2000
SILVA, César Augusto Tibúrcio; SANTOS, Jocineiro Oliveira dos, OGAWA, Jorge
Sadayoshi. Fluxo de caixa e DOAR. Caderno de Estudos FIPECAFI/FEA-USP. São Paulo,
n. 9, p. 37-66, out./93, p.50.
SZÜSTER, Natan, SZÜSTER, Fortunée Rechtman e SZÜSTER, Flávia Rechtman.
Contabilidade: Atuais Desafios e Alternativa para seu Melhor Desempenho. Revista
Contabilidade & Finanças. USP. São Paulo, n.38, p.20 a 30, maio/agosto 2005.

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DEMONSTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA VERSUS DEMONSTRAÇÃO DE ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS: uma proposta de compartilhamento dos dois modelos

  • 1. DEMONSTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA VERSUS DEMONSTRAÇÃO DE ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS: uma proposta de compartilhamento dos dois modelos Edson José Borges - Mestre em Ciências Contábeis e Controladoria – FURB/ SC e-mail: asseville@brturbo.com.br Arnoldo Schmidt Neto - Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais - PUC/ SP e-mail: arnoldo.schmidt@univille.net RESUMO A Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) e a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) apresentam entradas e saídas de recursos, recebimentos e os desembolsos por pagamentos. A presente pesquisa propõe efetuar uma comparação entre a DOAR e a DFC, evidenciando os principais problemas de natureza financeira existentes em cada relatório contábil. Complementarmente à análise, esta pesquisa apresenta um modelo único de movimentação de recursos de natureza monetária, aos dois modelos existentes, denominado Matriz de Estrutura de Capitais (MEC). O método de análise efetuado foi o de compartilhamento das informações fornecidas pelos relatórios estudados. Com isso, elaborou- se um modelo que compartilha apenas as informações por grupos de mesma natureza. Os grupos que ora foram identificados pelo modelo possuem duas naturezas: correntes e não correntes. O presente artigo contribui com uma nova ferramenta de análise dirigida a um público-alvo constituído pelos stakeholders e shareholders, já habituados às informações quantitativas e qualitativas contidas na DOAR, DFC e normas internacionais de contabilidade. Palavras-Chave: DOAR, DFC, MEC, Capital Circulante Líquido. ABSTRACT The Statement of Sources and Applications of Resources (DOAR) and the Statement of the Cash Flow (DFC) have receipts and issues of resources, receivings and disbursements for payments. The present study proposes to make a comparison between the DOAR and the DFC, showing the main financial problems existing in each financial report. In a complementary fashion to the analysis, this study presents a single model of transactions of monetary resources, in the two models existing, called Matrix of Structure of Capital (MSC). The method of analysis executed was the comparison of the information provided by both reports, where in the preparation of the single model, only the information by groups of the same type is together. The groups which were identified have two types: current and not current. The Model developed to put the information side-by-side allows all the transactions of resources of resources done during the GL period in the short-, medium- and long-term to be viewed, as well as showing the current variation in the cash and the net working capital. The present article contributes with a new tool of analysis aimed at the target group of stakeholders and shareholders, already familiar with the quantitative and qualitative information contained in the SSAR, SCF and the international norms of accounting. Keywords: SSAR; SCF; Net Working Capital.
  • 2. 1. Introdução A comunidade acadêmica atualmente discute o processo de harmonização das demonstrações contábeis adotada no Brasil e aqueles aceitos e praticados pelos principais mercados financeiros mundiais. Há controvérsias sobre quais das demonstrações contábeis e financeiras são úteis e necessárias no contexto atual, visando o atendimento dos pressupostos dos usuários da informação contábil e financeira. A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) explica as variações ocorridas nas disponibilidades da empresa. A simples substituição da Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa poderá implicar na renúncia das informações das variações do capital de giro líquido, a qual expressa a variação nos ativos e passivos circulantes. Assim, este estudo encontra-se na discussão da capacidade informativa da DOAR e da DFC. Diante do exposto, elaborou-se a seguinte questão- problema: quais são os principais problemas apresentados pela DOAR e pela DFC, na percepção dos usuários da informação contábil e financeira? Em face desses problemas desenvolveu-se um modelo alternativo, denominado Matriz de Estrutura de Capitais (MEC), que possa, ao mesmo tempo, atender o público-alvo já habituado às informações quantitativas e qualitativas contidas na DOAR, e as normas internacionais de contabilidade. Inicialmente apresenta-se a metodologia da pesquisa e suas limitações, posteriormente faz-se revisão de literatura abordando as vantagens e desvantagens da DOAR e DFC. Segue-se a apresentação e aplicação do modelo proposto que compartilha as informações que sejam relevantes para os stakeholders e shareholders, denominado neste artigo de Matriz de Estrutura de Capitais (MEC). Finalmente, verificam-se as conclusões e recomendações do estudo efetuado e do modelo proposto. 2. Metodologia da pesquisa Este artigo, cujo caráter exploratório e qualitativo, tem como foco a DOAR e a DFC destaca as situações em que seu uso é adequado e explicita suas limitações. Em decorrência das limitações dessas demonstrações, este estudo contemplou, ademais, a proposta de um novo modelo de Demonstração Financeira, denominado MEC, evidenciando sua elaboração, bem como explicitando as vantagens desse modelo, em relação aos modelos disponíveis nas literaturas contábil e financeira, DOAR e DFC. A discussão dessas circunstâncias foi realizada com base na fundamentação teórica do tema, abordando a visão de diferentes
  • 3. pesquisadores e autores. Para melhor explicitar a pesquisa, com elementos da realidade contábil e empresarial no Brasil, o estudo tomou como base os dados de uma empresa nacional líder do setor de alimentos. Utilizou-se dos dados contábeis e financeiros, pertinentes ao DOAR e ao DFC, dessa empresa para ilustrar a operacionalização da discussão sobre usos das demonstrações em estudo em relação ao modelo proposto. As considerações finais sobre o trabalho foram baseadas nos principais pontos detectados a partir da análise das questões que envolvem os principais problemas apresentados pela DOAR e pela DFC e, de que forma, o modelo proposto pode contribuir. Desta forma, a presente pesquisa delimitou sua investigação à análise da capacidade informativa da DOAR e da DFC, destinadas a divulgar o comportamento da liquidez ou da capacidade de disponibilidade financeira das empresas bem como a servirem como instrumentos gerenciais. Buscou-se assim, circunscrever as variáveis fundamentais que intervêm no fenômeno aqui estudado. Considerando a natureza do problema apresentado, foi realizado um levantamento bibliográfico fundamentado em diversos pesquisadores e autores renomados, órgãos de classe e de profissionais da área, a partir de informações pertinentes encontradas em teses, dissertações, anais de congressos, artigos de revistas especializadas, livros e em jornais especializados. Os principais recursos utilizados para esta pesquisa foram: bibliotecas da Universidade Regional de Blumenau (FURB); bibliotecas de outras universidades como a da FEA da Universidade de São Paulo, Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e Faculdade Cenecista de Joinville (FCJ), além de diversos bancos de dados inseridos na Internet. A análise e discussão dos problemas apresentados estão baseadas em proposições teóricas de diversos autores renomados e de grande experiência na área contábil/ financeira. Buscou-se o estudo dos procedimentos de demonstrações contábeis adotados tanto no Brasil como aqueles emanados e praticados pelos principais mercados financeiros mundiais. Constituíram-se como elementos de análise, a DOAR e a DFC, bem como os respectivos elementos que constituem estes dois instrumentos de exposição e divulgação contábil, sejam por meio da origem, conceitos, objetivos, vantagens e desvantagens dos mesmos.
  • 4. A escolha da amostragem com a qual se trabalhou foi uma etapa de grande importância no delineamento desta pesquisa, posto que este fator seja capaz de determinar a validade dos dados obtidos. Muito se discute sobre a decisão de se realizar uma amostragem probabilística e não probabilística, considerando fatores como confiabilidade dos dados, disponibilidade de recursos e adequação à situação da pesquisa. Neste sentido, sua premissa básica fundamenta- se "à coleta de dados relativos a alguns elementos da população e a sua análise, que pode proporcionar informações relevantes sobre toda a população". (MATTAR, 1996, p. 128). Dentre os elementos do planejamento de pesquisa está o plano de amostragem. Segundo Schiffman e Kanuk (2000), um plano de amostragem deve responder às seguintes questões: quem pesquisar (unidade de amostragem); quantos pesquisar (o tamanho da amostra); e como selecionar (o procedimento da amostragem). A decisão de quem pesquisar exige que o universo seja definido de modo que uma amostra adequada possa ser selecionada. Para a escolha do processo de amostragem, o pesquisador deve levar em conta o tipo de pesquisa, a acessibilidade aos elementos da população, a disponibilidade ou não de ter os elementos da população, a representatividade desejada ou necessária, a oportunidade apresentada pela ocorrência de fatos ou eventos, a disponibilidade de tempo, recursos financeiros e humanos etc. (MATTAR, 1996). No presente estudo os dados coletados restringiram-se a DOAR e a DFC relativas aos exercícios de 2003 e 2004 da empresa Sadia S/A. Entende-se que esta empresa se constitui como elemento capaz de representar de forma adequada o universo composto pelas empresas nacionais que utilizam o DOAR e o DFC, portanto ideais para também se aplicar à elaboração do modelo proposto (MEC). Entendeu-se aqui, que os relatórios contábeis estudados de uma forma geral, em seu conjunto, formam uma grande base de dados que pode ser utilizada de forma flexível, e, portanto, podem ter interpretações diferentes. Os relatórios contábeis, considerados individualmente, possuem objetivos específicos, e nem sempre evidenciam com suficiente clareza as situações econômicas, financeiras, patrimoniais e sociais de uma empresa. No presente artigo selecionou-se a empresa em que foi aplicado o modelo proposto, e entendida, dentro do universo não probabilístico, como amostra intencional ou por julgamento. "A característica chave da amostragem por julgamento é que os elementos da população são selecionados intencionalmente. Esta seleção é feita considerando que a amostra
  • 5. poderá oferecer as contribuições solicitadas” (CHURCHILL, 1998, p. 301). Caso isso não ocorresse, ter-se-ia entendido que esse tipo de amostragem demonstrara pouca ou nenhuma validade. Neste presente artigo, por meio de uma amostragem intencional, escolheu-se um caso considerado "típico" da população a que se destina o modelo proposto em estudo para fazer parte da amostra. Entretanto, concorda-se com Kish (1965, p. 19) que “algumas vezes os pesquisadores questionam que, com o uso de amostras por julgamento, ao invés de uma população real, se estaria criando um universo hipotético”. A limitação apontada seria que a inferência de dados empíricos de um universo hipotético não conduziria a resultados úteis (diferentemente do que se constatou, especificamente, nesta pesquisa) se a lacuna entre este universo e a população real fosse muito grande (o que não é o caso presente). 3. Revisão da Literatura Recentemente muito se tem comentado e discutido sobre a capacidade informativa das demonstrações contábeis, em especial a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) e a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Os Estados Unidos foram pioneiros no que diz respeito à substituição da DOAR pela DFC. Em 1987 publicou-se o SFAS n.º 95, definindo o modelo da Demonstração dos Fluxos de Caixa, e os critérios a serem observados para gerar esse relatório. De acordo com a estrutura adotada pela Lei nº. 6.404/ 76, as demonstrações contábeis e informações complementares, em conjunção à Demonstração do Fluxo de Caixa, vem se destacando em virtude de sua relevância informacional. A princípio, a dimensão temporal é quem dita as diferenças existentes entre a contabilidade e o fluxo de caixa. As demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/76), anteriormente mencionadas: Balanço Patrimonial, Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados, Demonstração do Resultado do Exercício e, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos devem seguir os Princípios Fundamentais de Contabilidade e normas adotadas segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), enquanto o DFC adota o regime de caixa. O principal motivo da vinculação entre a contabilidade e o fluxo de caixa, é que no longo prazo o conceito de lucro está associado à diferença de riqueza medida em dinheiro. O Accounting Research Study nº 1, editado pelo AICPA, em 1961, descreve que “as
  • 6. Demonstrações Contábeis deveriam evidenciar o que for necessário, a fim de não torná-los enganosos” (AICPA apud IUDICIUS, 1989, p.89). As Demonstrações Contábeis são o produto do sistema de informação Contábil, Souto Maior ( 1994, p.29), assim se refere “As Demonstrações Contábeis que são o produto do sistema de formação e avaliação mencionado são o veículo (ou canal) através do qual a Contabilidade exterioriza-se para seus usuários finais, principalmente os usuários externos à entidade”. No Brasil, a Lei nº. 6.404/76, estabelece como obrigatórias as seguintes demonstrações contábeis: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos, Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e as Notas explicativas. Além disso, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é exigida pela Instrução CVM nº. 59/86. 3.1. Vantagens e Desvantagens da DFC e DOAR Para os mais versados em contabilidade, pode até parecer estranha a afirmação de que a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) é do ponto de vista da informação contábil, superior à Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR). Evidentemente que no que tange ao aspecto informacional é indiscutível a predominância da DOAR sobre a DFC, pelo menos para os que conhecem com profundidade os conceitos contábeis contidos em ambas as demonstrações, e o papel fundamental que as informações nelas evidenciadas tem para a gestão empresarial e para os shareholders. Contudo, o objetivo da contabilidade é produzir informação útil para uma gama enorme de usuários, os stakeholders, que na grande maioria das vezes não possuem o nível desejado de conhecimento sobre contabilidade, que os possibilite perceber que preterir a DOAR em detrimento da DFC, poderá vir a se constituir em um grande equívoco. O objetivo deste trabalho não é tecer críticas a uma demonstração em função da outra, por meio de uma comparação relativa do que seria mais ou menos adequado do ponto de vista da informação contábil. Acredita-se que os relatórios contábeis de uma forma geral, em seu conjunto, formam uma grande base de dados que pode ser utilizada de forma flexível pelos usuários, e que a análise conjunta desses relatórios é o procedimento mais adequado e profissional na gestão dos negócios. Os relatórios contábeis considerados individualmente possuem objetivos específicos, mas que são complementares na evidenciação da situação
  • 7. econômica, financeira, patrimonial e social da empresa. Entre os relatórios que estão sendo estudados neste trabalho, parte-se do pressuposto da obrigatoriedade da elaboração e divulgação da DFC em nosso país. No caso do Projeto que reformula a Lei 6.404/76 ser aprovado pelo Legislativo e aprovado e regulamento pelo Executivo destacam-se alguns pontos relativos a esta demonstração no intuito de contribuir para a sua boa compreensão e entendimento da importância da divulgação e conhecimento de informações sobre o Fluxo de Caixa da empresa. Essas constatações não consideram o mérito da superioridade/ inferioridade da DFC em comparação a DOAR. Ambas são demonstrações de Fluxos e possuem objetivos distintos, porém convergentes em seus fins. Existe atualmente uma grande divergência entre correntes de estudiosos contábeis no que tange a utilização da DFC ou da DOAR enquanto fonte de informações mais úteis ao processo de tomada de decisão pelos diversos tipos de usuários da contabilidade. No quadro 1 são destacadas algumas das principais vantagens e desvantagens, de cada tipo de demonstração, consideradas por estas correntes. Quadro 1 - Comparativo DOAR e DFC COMPARATIVO DOAR DFC VANTAGENS  Possibilitar um melhor conhecimento da política de investimento e de financiamento da empresa;  Ser mais abrangente que o fluxo de caixa, por representar completamente as mudanças na posição financeira;  Possuir capacidade analítica de longo prazo.  Mostrar a real condição de pagamento das dívidas;  Facilidade de entendimento pelos diversos tipos de usuários;  Análise dos fluxos de caixa passados evidenciam informações relevantes para predizer os fluxos de caixa futuros. DESVANTAGENS  A falta de utilidade da DOAR parece estar ligada ao seu não entendimento;  Trabalhar com o conceito abstrato de capital circulante líquido ou de folga financeira de curto prazo;  A DOAR não é essencialmente financeira, pois considera o ativo circulante em seu todo, incluindo ativos monetários e não- monetários.  Falta de consenso sobre qual conceito de caixa utilizar (caixa, bancos e títulos de curto prazo ou só caixa e bancos);  Junção do fluxo de dividendos recebidos com o fluxo da atividade operacional, e os juros pagos e recebidos referentes ao capital de giro define-se como sendo parte do fluxo de caixa operacional, o que distorce a real geração de caixa pelas operações;  Possibilidade de manipulação de pagamentos e recebimentos visando melhorar seus fluxos de caixa em um período específico. Fonte: Organizado pelos autores Iudícibus e Marion (1999, p.218) explicitam que a DOAR propicia a avaliação da “folga financeira de curto prazo – excesso de ativos circulantes sobre passivos circulantes, ou o inverso”. Complementam esclarecendo que, a DFC evidencia todo o fluxo de dinheiro pelo caixa em um dado período. Neste sentido, Silva, Santos e Ogawa (1993) apresentam algumas
  • 8. vantagens e desvantagens na utilização das demonstrações referenciadas. A seguir são apresentadas algumas vantagens, por eles citadas, da DFC sobre a DOAR: a) a DFC apresenta-se em uma linguagem comum e de fácil compreensão aos usuários, enquanto a DOAR, em geral, é de difícil compreensão pelos usuários, devido a linguagem técnica com que é apresentada; b) propicia melhor visualização do fluxo dos recursos financeiros, enquanto a DOAR envolve a avaliação de ativos não-monetários; c) a DFC se faz necessária na previsão de problemas de insolvência e na avaliação de riscos, caixa e dividendos futuros, enquanto a DOAR não propicia previsões futuras quanto a disponibilidade financeira da empresa; e d) a DFC utiliza o conceito de curto prazo, evidenciando apenas elementos monetários. Já a DOAR engloba elementos de longo prazo, inclusive não-monetários. No que diz respeito às vantagens da DOAR sobre a DFC mencionam que: a) a DOAR fornece informações que não constam em outras demonstrações, além de apresentar maior volume de informações que a DFC; b) possibilita melhor conhecimento da política de investimentos e financiamentos da empresa; c) é mais abrangente, pois representa as mutações na posição financeira como um todo, enquanto a DFC não apresenta informações relacionadas a negociações financeiras a longo prazo; e d) possui maior capacidade analítica no longo prazo. Silva, Santos e Ogawa (1993) ressaltam que a DFC não elimina problemas de inflação. Em relação a DOAR, a principal limitação apontada pelos autores é de que o uso da mesma baseia-se somente no conceito de capital circulante líquido, bem como não é uma demonstração comum em outros países, mesmo naqueles desenvolvidos quanto a matéria contábil. A DFC permite um melhor planejamento financeiro, a fim de controlar o momento certo de aplicar a sobra de caixa ou o momento de contrair empréstimos para cobrir a insuficiência do mesmo. Ainda assim, para que a DFC funcione eficazmente como um instrumento preditivo é necessário que se tenha conhecimento também do passado, para estar ciente das prováveis deficiências nas projeções. A principal discussão parece consistir na exigência ou não da divulgação da DFC, além dos diversos debates quanto a substituição da DOAR pela DFC, ou da divulgação de ambas. Sendo o principal argumento daqueles favoráveis a substituição o de que a DOAR é de difícil
  • 9. entendimento e, por isso, pouco utilizada. A DFC é defendida por ser mais acessível, porém também é suscetível a manipulações. A análise da DFC, em conjunto com a DOAR e demais demonstrações contábeis, permite ao usuário um maior leque de conclusões e conhecimento sobre a empresa, do que a análise isolada de qualquer uma das demonstrações, o que leva a proposição de que as mesmas se complementam no sentido de dar suporte ao processo decisório nas empresas. As mudanças sócio-econômicas, pelas quais as organizações têm passado, levam os profissionais e os pesquisadores de Contabilidade a buscar uma evolução contínua quanto ao desempenho de seu papel de provedor de informações úteis ao processo de tomada de decisões pelos gestores. Neste sentido, surge a necessidade de uma avaliação sobre se as demonstrações contábeis geradas pela Contabilidade, isto é, se suprem a necessidade informacional dos usuários, tanto internos quanto externos. 4. Modelo Proposto – Matriz de Estrutura de Capitais O motivo central do modelo proposto é apresentar um relatório que visa a mostrar aspectos financeiros de uma Entidade, porém, de um ângulo distinto daquele da DOAR e da DFC. Enquanto a DOAR apresenta a movimentação ocorrida nos recursos e aplicações permanentes ou de longo prazo e, como conseqüência o impacto, porém abstrato, na variação do Capital Circulante Líquido – CCL - ou de folga financeira de curto prazo a DFC compreende, tão somente, o movimento de dinheiro, não possibilitando melhor conhecimento da política de investimentos e financiamentos de uma entidade. Assim este capítulo apresenta um modelo de movimentação financeiro, ora denominado “Matriz de Estrutura de Capitais”. Neste modelo associa num único relatório as informações referentes à variação do disponível, em harmonia com as Normas Internacionais de Contabilidade, e a variação das demais contas circulantes espelhada pela variação do CCL. Desta forma este capítulo discorre sobre o presente modelo, apresentando a MEC, as variáveis que o compõe e a sua proposta. Para explicação desta, este capítulo explicita a estrutura de capitais, adotando como referência a DOAR e DFC da empresa selecionada Sadia S/A, utilizando seus dados relativos aos exercícios de 2003 e 2004 na elaboração do modelo proposto.
  • 10. 4.1 Considerações ao Modelo Proposto A estrutura deste modelo foi construída de forma a manter as propriedades informativas de ambos os relatórios, ou seja, a variação do CCL e a variação ocorrida no caixa da empresa. Lembra-se ao leitor que por caixa entendem-se inclusive os seus equivalentes, ou seja, bancos e aplicações financeiras de liquidez imediata. De uma maneira geral, este modelo distribui as informações em dois novos grupos, os de natureza disponível e os de natureza não-disponível, além de manter a informação relativa à variação do CCL. No grupo denominado Capital Disponível, obtêm-se, analiticamente a variação ocorrida no caixa da empresa, e no grupo não-disponível denominado Capital não-disponível, obtêm-se, a variação ocorrida no CCL, porém de natureza não-disponível. Por não-disponível entendem- se os valores que não circulam pelo caixa, porém alteram o CCL, tais como aquisições de estoques a prazo, vendas a prazo, etc. Incluem-se neste grupo as movimentações que transitaram pelo circulante, porém, que possuem como contrapartida contas do grupo do longo prazo Permanente ou Patrimônio Líquido. Desta maneira, segue-se às explicações do modelo proposto. 4.1.1 Função e Funcionamento de forma qualitativa O modelo proposto, que ora apresenta-se de forma qualitativa no quadro 2, denominado Matriz Estrutura de Capitais, divide-se em três partes. A primeira parte (linha 1) apresenta a linha de capital disponível e têm por finalidade a demonstração dos recebimentos e desembolsos de recursos gerados pelas atividades próprias, de financiamentos e de investimentos já realizadas (a.1), as aplicações de recursos já desembolsadas no período (b.1), resultando na variação do capital circulante líquido disponível (c.1). A segunda parte (linha 2) do demonstrativo apresenta os recursos gerados pelas atividades, mas ainda não disponibilizadas (a.2), assim como as aplicações dos recursos financiados e ainda não pagos (b 2.), resultando, então, na evidenciação da variação do capital circulante ainda não realizados no período (c.2). E a terceira parte (linha 3), objetiva apresentar o resultado das Origens (a.3) e das aplicações de recursos (b.3) no período e, conseqüentemente, a variação do Capital Circulante Líquido (c. 3). A coluna (a) evidência os recursos gerados e recebidos (a.1) e os recursos gerados, mas ainda
  • 11. não realizados (a.2), resultando na evidenciação das origens de recursos gerados pelas atividades (a.3), assim como na sua capacidade de realização. A coluna (b) apresenta as aplicações de recursos já desembolsadas no período (b.1); assim como as aplicações dos recursos financiados e ainda não pagos (b 2.), resultando na informação de todas as aplicações efetuadas pela empresa no período (b.3). A coluna (c) evidencia a variação do Capital Circulante Líquido (c.3) mostrando a parcela do CCL já realizado (c.1) e a realizar (c.2). Quadro 2 – Matriz de Estrutura de Capitais (MEC) (a) RECURSOS (b) APLICAÇÕES (c) VARIAÇÕES (1) CAPITAL (a.1) Recursos realizados pelas atividades (b.1) Aplicações de Recursos pelas atividades (c.1) Variação do Capital Circulante Disponível (2) CAPITAL NÃO DISPONÍVEL (a.2) Recursos não disponibilizados pelas atividades (b.2) Aplicação de Recursos Financiados (c.2) Variação do Capital Circulante não disponível (3) CAPITAL CIRCULANTE (a.3) Total das Origens de Recursos (b.3) Total de Aplicações de Recursos (c.3) Variação do CCL Fonte: Elaborado pelos autores 4.1.1.1 Estudo da Matriz de Estrutura de Capitais A matriz de estrutura de capitais apresenta em cada célula, tanto em seus recursos quanto em suas aplicações, as atividades fonte de geração e de aplicação dos recursos movimentados pela empresa. Essas atividades são operacionais de investimentos e de financiamentos seguindo os preceitos da contabilidade internacional. Com isso, evidencia-se de que forma os capitais, tanto disponíveis quanto não-disponíveis são afetados pelas atividades. As atividades operacionais decorrem de diversas atividades de compra e venda da empresa, mas a capacidade de realização dos recursos originados não é perfeitamente evidenciada nos demais demonstrativos financeiros, fato este que dificulta a evidenciação da capacidade da empresa em realizar seus bens e direitos oriundos das atividades recursos disponíveis. Também a utilização desses recursos disponíveis em bens que irão gerar benefícios futuros pelas atividades de investimentos. 4.1.2 Estrutura de Capital aplicada à empresa Sadia S/A Neste tópico apresenta-se a aplicação do Modelo Estrutura de Capitais aplicado à empresa Sadia S/A, utilizando os dados da DOAR e DFC da respectiva empresa referente apenas aos - = + - - = = =
  • 12. exercícios de 2003 e 2004. Quadro 3 – DOAR da Sadia S/A – Em R$ Mil Fonte: Bovespa (www.bovespa.com.br) Percebe-se que a DOAR apresenta uma variação do CCL de R$ 695.361 (mil), e um decréscimo no saldo de caixa de R$ 6.860 (mil) em 2004. O Modelo Estrutura de Capitais consolida esta duas informações, adicionando qualidades informativas ao permitir visualizar entre toda a movimentação de recursos da empresa selecionada, aqueles já realizados e aqueles ainda não realizados. Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR 2004 2003 Origens 992.440 1.379.729 Das Operações 492.355 236.812 Lucro/Prejuízo do Exercício 445.301 452.491 Vls. que não repr. mov. Cap. Circulante 47.054 -215.679 Depreciações, Amortizações e Exaustão 130.109 134.990 Encargos e Variações de Longo Prazo (14.026) 10.599 Resultado na Alienação de Ativo Perm. 17.257 18.341 Resultado em Participações Societárias (103.267) -350.469 Impostos Diferidos de Longo Prazo 13.327 -46.854 Provisão para Contingências (7.054) 8.988 Planos de Benefícios a Empregados 10.708 8.726 Dos Acionistas 0 0 De Terceiros 500.085 1.142.917 Recursos Obtidos na Venda de Ativo Imob. 2.752 5.025 Capitação de Recursos Financeiros de LP 379.822 1.014.227 Juros Sobre Capital Próprio Recebidos 4.029 4.023 Tranf. do Realizável p/ Circulante 85.976 38.297 Decréscimo Demais Contas do R.L.P. 27.506 46.492 Aplicações 1.687.801 1.008.659 Em Investimentos 1.088 3.036 Em Imobilizados 217.272 100.919 Em Diferidos 27.183 7.729 Dividendos/Juros sobre Capital Próprio 148.310 150.454 Transf. do Circulante para o Imobilizado 3.195 3.016 Aplicações Financeiras de Longo Prazo 238.077 80.907 Depósitos Judiciais 2.126 5.928 Acréscimo Demais Contas do R.L.P. 13.043 1.065 Decréscimo Demais Contas do Exigível LP 30.996 0 Transf. do Exigível L. P. p/ Circulante 1.006.511 655.605 Acréscimo/Decréscimo no Cap. Circulante (695.361) 371.070 Variação do Ativo Circulante (297.320) 279.291 Ativo Circulante no Início do Exercício 3.035.222 2.755.931 Ativo Circulante no Final do Exercício 2.737.902 3.035.222 Variação do Passivo Circulante 398.041 -91.779 Passivo Circulante no Início Exercício 1.909.605 2.001.384 Passivo Circulante no Final do Exercício 2.307.646 1.909.605
  • 13. Quadro 4 – Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da Sadia S/A – Em R$ Mil Fonte: Bovespa (www.bovespa.com.br) A seguir, apresentam-se os dados contidos na DOAR (quadro 3) e DFC (quadro 4) da Sadia S/A, adaptados no Modelo que ora é proposto conforme figura 1. Demonstração do Fluxo de Caixa 2.004 2003 Resultado líquido do exercício 445.301 452.491 Ajustes para reconciliar o lucro líquido ao caixa gerado pelas atividades operacionais:Variação na participação minoritária - - Juros provisionados, líquido dos pagos 133.823 (11.677) Depreciação, amortização e exaustão 130.109 134.990 Resultado de participação societária (103.267) (350.469) Impostos diferidos 42.714 (86.728) Contingências (7.054) 8.988 Resultado na alienação do ativo permanente 17.257 18.341 Variações nos ativos e passivos operacionais: Contas a receber de clientes 145.601 (286.364) Estoques (252.294) (21.821) Impostos a recuperar e outros (3.362) 90.898 Depósitos judiciais (2.126) (5.928) Fornecedores 113.458 123.021 Adiantamento de controladas 125.990 (3.582) Impostos e contribuições a recolher, salários a pagar e outros (127.204) 136.606 Caixa líquido gerado nas atividades operacionais 658.946 198.766 Atividades de investimentos: Recursos obtidos na venda de ativo imobilizado 2.752 5.025 Investimentos em controladas (1.088) (3.036) Aquisição de imobilizado e diferido (244.455) (108.648) Aplicações financeiras (1.276.554) (1.661.418) Resgates de aplicações financeiras 1.385.565 1.612.495 Caixa líquido gerado nas atividades de Investimentos (133.780) (155.582) Atividades de financiamentos: Captações de financiamentos 1.501.904 1.931.861 Pagamentos de financiamentos (1.902.693) (1.920.413) Dividendos pagos (131.237) (95.352) Caixa líquido gerado nas atividades de financiamentos (532.026) (83.904) Caixa no início do exercício 91.130 131.850 Caixa no final do exercício 84.270 91.130 Decréscimo/acréscimo líquido no caixa (6.860) (40.720)
  • 14. Figura 1 – Matriz de Estrutura de Capitais aplicado na Sadia S/A Valores em R$ Mil Fonte: Elaborado pelos autores A MEC, elaborada a partir da DFC e da DOAR, da empresa Sadia S/A – figura1 - apresenta os recursos realizados pelas atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos no valor de R$ 10.021.472 mil, (a.1), as aplicações de recursos já desembolsadas pelas atividades no período (b.1) somaram R$10.228.332 mil, resultando na variação negativa de R$ 6.860 mil (c.1). Os recursos gerados pelas atividades, mas ainda não disponibilizados somam R$ 609.866 mil (a.2) e as aplicações dos recursos financiados e ainda não pagos (b 2.) somam R$ 1.298.367 mil, resultando, então, numa variação do capital circulante ainda não realizados no período negativa de R$ 688.501 mil (c.2). O resultado das Origens no valor de R$ 10.631.338 mil (a.3) e das aplicações de recursos no valor de R$ 11.326.699 mil (b.3) no período resultou numa variação do Capital Circulante (1) Capital Disponível (a.1) Recursos Realizados Pelas Avidades 10.021.472 (b.1) Aplicações de Recursos (10.028.332) (c.1) variação do CCL disponível (6.860) 658.946 Recebimentos de Clientes 7.005.261 Pagamentos de Fornecedores (4.523.665) Adiantamentos de Controladas 125.990 Depósitos Judiciais (2.126) Despesas pagas no exercício (1.946.514) Atividades de Investimentos 1.388.317 Atividades de Investimentos (1.522.097) (133.780) Recursos obtido na Venda de Imobilizados 2.752 Investimentos em Controladas (1.088) Resgates de Aplicações Financeiras 1.385.565 Aquisição de Imobilizados e Diferidos (244.455) Aplicações Financeiras (1.276.554) Atividades de Financiamentos 1.501.904 Atividades de Financiamentos (2.033.930) Atividades de Financiamento (532.026) Captações de Financiamentos 1.501.904 Pagamentos de Financiamentos (1.902.693) Dividendos Pagos (131.237) (2) Capital não Disponível (a.2) Recursos não disponibilizados pelas atividades 609.866 (b.2) Aplicações de Recursos (1.298.367) (c.2) Variação do Capital Circulante não disponível (688.501) Atividades Operacionais 492.355 Atividades Operacionais (6.860) Lucro do Exercício 445.301 Variação do CCL Disponível (6.860) Valores que não Aferam o Cap. Circulante 47.054 Atividades de Investimentos 117.511 Atividades de Investimentos (254.000) (136.489) Juros sobre Capital Próprio 4.029 Aplicações Financeiras de LP (89.452) Transferência do RLP p/Circulante 85.976 Juros sobre Capital Próprio (148.310) Redução do RLP 27.506 Transferência do Circulante p/Imobilizado (3.195) Acréscimo demais Contas do RLP (13.043) Atividades de Financiamentos 0 Atividades de Financiamentos (1.037.507) Atividades de Financiamento (1.037.507) Decréscimo demais contas do ELP (30.996) Transf. do ELP p/o Circulante (1.006.511) (3) Capital Circulante (a.3) Total das Origens de Recursos 10.631.338 (b.3) Variação do Capital Circulante Líquido (11.326.699) (c.3) Variação do Capital Circulante Líquido (695.361) Atividades de Investimentos Atividades de Investimentos Atividades Operacionais 485.495 Atividades Operacionais (c) Variação(a) Recursos (b) Aplicações Atividades Operacionais 7.131.251 Atividades Operacionais (6.472.305)
  • 15. Líquido negativa em R$ 695.361(c.3). Ao analisar-se a coluna da Variação do Capital Circulante não disponível (C.2) nota-se que a atividade de financiamento resulta numa variação negativa de R$ 1.037.507 mil, originados, principalmente, pela transferência de valores do Passivo Exigível a Longo Prazo para o Passivo Circulante no valor de R$ 1.006.511 mil (b.2). Esta informação somente pode ser evidenciada através da análise da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos, ou na Análise da Matriz de Estrutura de Capitais apresentada na figura nº. 1. 4.1.2.1 Comentários da análise da Matriz de Estrutura de Capitais da Figura 1 Na primeira coluna (a) observa-se que tanto os recursos disponíveis quanto não disponíveis, contribuíram para o aumento do Capital Circulante Líquido. Porém, nota-se que os recursos não disponíveis foram os que mais contribuíram para esse aumento com um crescimento de 530% em atividades de financiamentos originados por empréstimos. Na segunda coluna (b), constata-se que os recursos originados pelas atividades operacionais não foram suficientes para cobrir os recursos aplicados nas atividades de Investimentos. Observam-se na terceira coluna (c), que a empresa disponibilizou recursos disponíveis nas atividades de investimentos em Ativos Imobilizados e Diferidos, superiores a 50% dos recebimentos de vendas do período. Por outro lado, percebe-se que a origem do aumento do grupo não disponível, foi ocasionada por empréstimos efetuados e pelo aumento de compras não pagas a fornecedores. Como conseqüência da análise, pode-se deduzir que a empresa precisou recorrer a empréstimos e financiamentos a fim de manter o equilíbrio das disponibilidades. Outra informação importante está na evidenciação do aumento das compras não pagas a Fornecedores. 4.2 Análise dos Resultados A presente seção apresenta a MEC da empresa Sadia S/A, disposta na forma vertical, onde se propõe algumas reflexões. A partir dos quadros 3 e 4, foi possível obter informações que afetaram positivamente e
  • 16. negativamente o patrimônio da entidade, bem como situação de realização dos recursos sob o aspecto temporal, conforme se explica em seguida no quadro 5. Quadro 5 – Modelo proposto aplicada à Sadia S/A Valores em R$ Mil Fonte: Elaborado pelos autores Ao se analisar o modelo proposto evidencia-se informações de suma importância aos usuários da informação. As principais origens de recursos nas empresas foram: a) Lucro Líquido do Exercício; b) A integralização de capital; 1. Disponível 1.1 Caixa Gerado pelas Operações Recebimentos de Vendas..............................…………………………………...............................7.005.261 Adiantamento de controladas..............................…………………………………...............................125.990 Pagamentos a Fornecedores..............................…………………………………...............................(4.523.665) Depósitos Judiciais..............................…………………………………...............................(2.126) Despesas pagas no Exercício..............................…………………………………...............................(1.946.514) Caixa Gerado pelas Operações........................................................................................................................658.946 1.2 Atividades de Investimentos Recursos obtidos na Venda de imobilizados.............................……………………………….........................................2.752 Resgates de Aplicações Financeiras..............................………………………………..........................................................1.385.565 Investimentos em controladas..............................………………………………..........................................................(1.088) Aquisição de Imobilizados e Diferidos..............................………………………………..........................................................(244.455) Aplicações Financeiras..............................………………………………..........................................................(1.276.554) Recursos aplicados na atividade de Investimentos.............................................................................................................(133.780) 1.3 Atividades de Financiamentos Recebimentos de Financiamentos.............................……………………………….........................................1.501.904 Pagamentos de Financiamentos..............................………………………………..........................................................(1.902.693) Pagamento de Dividendos..............................………………………………..........................................................(131.237) Recursos aplicados na atividade de Financiamentos.............................................................................................................(532.026) 1.4 Variação (redução) das Disponibilidades..........................……………………….......................(6.860) 2. Não Disponível 2.1 Recursos Gerados pelas Operações Lucro Líquido Financeiro..............................…………………………………...............................492.355 Crédito Gerado pelas Operações........................................................................................................................492.355 2.2 Atividades de Investimentos Juros sobre Capital Próprio.............................……………………………….........................................4.029 Transferência do RLP p/o Circulante..............................………………………………..........................................................85.976 Redução do RLP..............................………………………………..........................................................27.506 Aplicações Financeiras de LP..............................………………………………..........................................................(89.452) Juros sobre o Capital Próprio..............................………………………………..........................................................(148.310) Transferência do Circulante para o Imobilizado..............................………………………………..........................................................(3.195) Acréscimo demais contas do RLP..............................………………………………..........................................................(13.043) Recursos aplicados na atividade de Investimento.............................................................................................................(136.489) 2.3 Atividades de Financiamentos Decréscimo demais contas do ELP.............................……………………………….........................................(30.996) Transferência do ELP p/o Circulante..............................………………………………..........................................................(1.006.511) Recursos aplicados na atividade de Financiamento.............................................................................................................(1.037.507) 2.4 Variação (redução) das Disponibilidades..........................……………………….......................(6.860) 2.5 Variação do Não Disponível……………………………………………………………………………………….(688.501) 3. VARIAÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (1.4 + 2.5) (695.361)
  • 17. c) O capital de terceiros; e d) Diminuição de valores do Ativo. Já as principais aplicações de recursos nas empresas foram: a) os prejuízos do período; b) a redução de capital; c) diminuição de valores do Passivo; e d) o aumento de valores do Ativo. O modelo proposto apresenta a disponibilização dos recursos gerados pelas citadas fontes em direitos ainda não disponibilizados. Diferentemente da DOAR, apresenta dados concretos da folga financeira de curto prazo, separando o ativo circulante em ativos monetários e não monetários. Por outro lado, apresenta as origens ou aplicações de recursos com um melhor conhecimento da política de investimento e de financiamento que o DFC, fornecendo ao usuário a informação da influência dessas atividades nos acréscimos ou decréscimos líquidos de caixa, ao mesmo tempo em que evidencia a variação destes recursos em ativos não monetários. Assim, o usuário da informação poderá saber, com maior clareza, como a empresa se apresenta e predizer as suas perspectivas. 4.3 Vantagens do Modelo Proposto Neste artigo apresentaram-se opiniões e divergências entre correntes de estudiosos contábeis, no que tange a utilização da DFC ou da DOAR, enquanto fonte de informações mais úteis ao processo de tomada de decisão pelos diversos tipos de usuários da contabilidade. O modelo ora apresentado, unificando as informações contidas nessas demonstrações, propõe a manutenção das vantagens atribuídas e, ao distribuir esses informes em dois grupos de origens e de aplicações disponíveis e não disponíveis, propõe a eliminação de desvantagens a elas arrogadas pelas diversas correntes de estudiosos contábeis. 4.3.1. DOAR versus o Modelo proposto A DOAR, em relação à DFC, possibilita um melhor conhecimento da política de investimento e de financiamento da empresa, é mais abrangente que o fluxo de caixa, por representar completamente as mudanças na posição financeira e possuir capacidade analítica de longo prazo. Entretanto a DOAR trabalha com o conceito abstrato de capital circulante líquido ou de folga financeira de curto prazo e não é essencialmente financeira, pois considera o ativo
  • 18. circulante em seu todo, incluindo ativos monetários e não-monetários. O modelo proposto, da forma em que é apresentado mantém as respectivas vantagens da DOAR, além, de evidenciar em tempo real, as variações ocorridas no capital circulante líquido, pois distribui em dois grupos, disponível e não disponível, as origens e aplicações de recursos. 4.3.1. DFC versus o Modelo proposto Por outro lado às vantagens da DFC, em relação a DOAR, evidencia, tal como o modelo proposto, a real condição de pagamento das dívidas, assim como, informações relevantes para predizer os fluxos de caixa futuros, através de análise dos fluxos de caixa passados. A maior vantagem do modelo proposto, em relação a DFC, está na impossibilidade de manipulação de pagamentos e recebimentos visando melhorar seus fluxos de caixa em um determinado período, já que apresenta no grupo não disponível as contas não pagas a fornecedores e demais despesas provisionadas, assim como, as receitas de vendas não recebidas de clientes. Assim, o modelo proposto se torna mais abrangente, pois representa a situação financeira de curto prazo, tal qual a DFC, e de longo prazo, semelhante a DOAR. 5. CONCLUSÕES e RECOMENDAÇÕES A contabilidade tem como objetivo prover os usuários das demonstrações financeiras com informações que os ajudarão a tomar decisões. Porém, nos últimos tempos tem recebido críticas quanto a forma que se tem utilizado para cumprir seu papel, principalmente, sobre a capacidade informativa da DOAR e da DFC. A discussão que se tem atualmente em função da substituição da DOAR pela DFC é bastante interessante à medida que justifica a uma proposta de um modelo alternativo de demonstrativo tecnicamente mais confiável, para diagnosticar a situação financeira de uma entidade. A DFC pode facilmente ser manipulada, a empresa pode conduzir seus fluxos de caixa, atrasando os pagamentos junto a seus fornecedores, apresentando assim uma posição financeira que não represente a verdadeira situação da empresa, além de seu conteúdo informativo ser inferior ao da DOAR. Por outro lado, a DOAR apresenta o conceito abstrato de Capital Circulante Líquido – CCL -
  • 19. que pode aparentemente apresentar uma situação confortável para a empresa, porém devido aos prazos de recebimentos e estocagem serem elevados, a empresa pode ficar com dificuldades financeiras em curto prazo. Além disso, as normas da contabilidade internacional vêm estabelecendo obrigatoriedade na preparação da DFC. Assim, em meio a discussões que estão acontecendo no sentido de ganho ou perda da qualidade das informações na substituição da DOAR pela DFC como uma tendência mundial e já incluída no Projeto de Lei 3.741/00, da reforma da Lei 6.404/76 das S.A., propôs-se no um modelo, denominado Demonstração de Estrutura de Capitais. A MEC elaborada em duas partes contendo na primeira parte o grupo disponível, o qual substituiu a DFC e na segunda parte o grupo não disponível o qual, somado com o primeiro grupo, apresentou, as variações do Capital Circulante Liquidam. Assim, acredita-se que o modelo proposto deverá ser objeto de pesquisas mais aprofundadas e aperfeiçoamento por pesquisadores e pela classe contábil, poderá contribuir para uma melhoria na qualidade das informações contábeis, bem como, atender a um maior número de usuários. Como contribuição para um melhor entendimento dos fenômenos observados neste estudo, o modelo proposto pode contribuir para estudos futuros que testem os seguintes aspectos: a) desenvolvimento de modelo padronizado e em sintonia com a nova realidade internacional apresentada pelo IASB, no sentido de diagnosticar a situação econômica e financeira de uma entidade, com clareza e fácil entendimento; e b) estudos e testes de novos indicadores a fim de evidenciar a capacidade de realização dos recursos originados e aplicados nas atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos. As sugestões anteriormente especificadas acenam para a possibilidade de se adotar um modelo até aqui não muito explorado e que requer estudos mais profundos. Entende-se que estudos desta natureza são úteis para os usuários da informação contábil, econômica, financeira e social, que esperam dos pesquisadores o desenvolvimento de meios que possam promover uma Administração Contábil e Financeira que seja capaz de gerir os recursos de forma eficiente, eficaz e efetiva aos investidores e a sociedade. 5. Referências Bibliográficas BEUREN, Ilse Maria et al. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e
  • 20. prática. 2.ed. - São Paulo: Atlas, 2004. BRAGA, Roberto; MARQUES, José A. Veiga da Costa.. Avaliação da Liquidez das Empresas Através da Análise da Demonstração de Fluxos de Caixa. Revista Contabilidade & Finanças FIPECAFI – FEA-USP. São Paulo, FIPECAFI, v.14, n.25, p. 6-23. janeiro/abril 2001. CHURCHILL, Gilbert. Marketing research: methodological foundations. 2a ed. The Dryden Press. 1998. COMISSÃO EUROPÉIA. Norma Internacional de Contabilidade NIC 7 Demonstração de Alterações na Posição Financeira, aprovada pelo Conselho em Outubro de 1977. (Jornal Oficial da União Européia de 13-10-2003) Disponível na Internet:http://www.cnc.min- financas.pt/IAS_SIC/Reg_1725_2003_IAS.pdf> Acesso em: 20 de Fev. 2005. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Estruturação das Demonstrações Contábeis. 1997. FREZATTI, Fábio. Gestão do Fluxo de Caixa Diário: Como Dispor de um Instrumento Fundamental para o Gerenciamento do Negócio. São Paulo: Atlas, 1997. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 1991. HANSEN, Morris H; HURWITZ, William N & MADOW, William G. Sample survey methods and theory. Vol. I. John Wiley & sons, Inc. 1966. HENDRIKSEN, E.S.; VAN BREDA, M.F.Teoria da contabilidade. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999. IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARTINS, Eliseu, GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000. IUDÍCIBUS, Sérgio de, MARION, José Carlos. Introdução à Teoria da Contabilidade. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2000. KISH, Leslie. Survey sampling. John Wiley & Sons, Inc. 1965. LEI das Sociedades por Ações: Lei nº 6404 de 15-12-1976. 26.ed. São Paulo, Atlas, 1998. MATTAR, F. Pesquisa de marketing. Ed. Atlas. 1996. MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1997. MOURA, Verônica de Miglio; BEUREN, Ilse Maria. Considerações sobre a Demonstração do Fluxo de Caixa sua Relação com a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. Anais do XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade. Goiânia, 2000 SANTOS, Luiz Paulo Guimarães dos; FREITAS, Sheizi Cavalheira de. O fluxo de caixa e sua importância no processo de evidenciação das informações contábeis. Anais do XVI Congresso Brasileiro de Contabilidade. Goiânia, 2000 SILVA, César Augusto Tibúrcio; SANTOS, Jocineiro Oliveira dos, OGAWA, Jorge Sadayoshi. Fluxo de caixa e DOAR. Caderno de Estudos FIPECAFI/FEA-USP. São Paulo, n. 9, p. 37-66, out./93, p.50. SZÜSTER, Natan, SZÜSTER, Fortunée Rechtman e SZÜSTER, Flávia Rechtman. Contabilidade: Atuais Desafios e Alternativa para seu Melhor Desempenho. Revista Contabilidade & Finanças. USP. São Paulo, n.38, p.20 a 30, maio/agosto 2005.