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Introdução à análise das demonstrações contábeis

O documento fornece uma introdução à análise das demonstrações contábeis, descrevendo seus principais objetivos e usuários, como investidores e credores. Apresenta os principais tipos de análise, como análise financeira, contábil e econômica, e vários índices utilizados, como índices de liquidez, rentabilidade e atividade. Também discute a importância de padronizar os demonstrativos antes da análise.

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Introdução à Análise das Demonstrações Contábeis
Comentários Iniciais:
A Análise das Demonstrações Contábeis (ADC) é sem dúvidas um dos assuntos mais
interessantes da contabilidade!!!
A ADC não se concentra em normas contábeis elaboradas pelo CFC e pelo CPC, dando
ao estudioso das demonstrações a oportunidade de realizar a análise que ele achar
pertinente. Em outras palavras, os registros contábeis serão o reflexo do que acontece na
empresa e isso deve ser bem fidedigno, independentemente se será realizado pelo
Contador X, Y ou Z (apesar de poder haver pequenas diferenças de interpretações). Ao
passo que na ADC, cada analista pode utilizar uma metodologia e chegar a conclusões
diferentes sobre as melhores decisões a serem tomadas na empresa. Logicamente,
existem algumas metodologias que são bem aceitas pelo mercado e que os analistas
utilizam normalmente em sua avaliação.
Já tive a oportunidade de trabalhar por alguns anos calculando e analisando os índices
financeiros e demonstrativos de uma das maiores companhias do Brasil. Tive a
oportunidade também de fazer um MBA em Mercado de Capitais, em que pude
aprender novas metodologias de análise. Tudo isso é bem interessante, contudo, nosso
objetivo aqui é que você acerte todas as questões da prova e não que vire um expert em
avaliar empresas (isso não te impede de pegar alguns demonstrativos de empresas e
fazer pequenas análises, no horário de lazer). Portanto, vou seguir as regras mais aceitas
pelas bancas de concursos e caso você queira aprofundar mais nesse assunto, deixe isso
para depois de sua aprovação.
Bibliografia: Ao contrário da disciplina de contabilidade, em que fazemos referência
basicamente as Leis e Normas de contabilidade vigentes, este material de Análise das
Demonstrações Contábeis não possuirá uma bibliografia oficial, tendo em vista que
utilizarei principalmente do entendimento cobrado pelas bancas de concurso. No
entanto, posso citar algumas importantes fontes para esse nosso material:
- SILVA, José Pereira. Análise Financeira das Empresas - Atlas,2008.
- ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços - Atlas, 2006.
- MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis - Atlas, 2007
- IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Balanços - Atlas, 1998.
- E, PRINCIPALMENTE: PROVAS DE CONCURSOS ANTERIORES.
Neste capítulo faremos uma introdução dessa Técnica Contábil.
Você aprendeu no início da disciplina de Contabilidade que há diversos usuários da
Ciência Contábil. Pois é, esses usuários muitas vezes recebem as informações contábeis
e analisam elas para tomarem as melhores decisões. Cada usuário da contabilidade
possui um interesse, portanto, a análise que eles farão dependerão da utilidade dessa
informação para cada um. Diante disso, vejamos a tabela abaixo:
Usuário Principais análises / interesses
Investidores Risco inerente ao investimento e o seu retorno
Empregados Lucratividade e a estabilidade da empresa.
Credores por
Empréstimo e
Fornecedores
Condições de pagar suas obrigações / solvência da
empresa.
Clientes
Continuidade operacional, principalmente se a
companhia analisada for um importante fornecedor
desse cliente.
Governo
Tributos que a companhia paga. Destinação de
recursos e outras informações que servem de apoio
para se estabelecer políticas fiscais e de
regulamentação.
Público em geral:
Crescimento da companhia, principalmente aquelas
que são a base para uma economia local.
Na maioria das análises focaremos nossa atenção nos investidores e nos
fornecedores/credores por empréstimos, que é o foco das bancas de concursos.
A análise das demonstrações contábeis das empresas geralmente é feita comparando a
evolução dos números da empresa ao longo dos anos (análise temporal), ou comparando
a situação da empresa com outras companhias do mesmo ramo de atuação (análise
interempresarial).
Uma das formas de se dividir a Análise das Demonstração Contábeis é:
ANÁLISE
FINANCEIRA
ANÁLISE
CONTÁBIL
ANÁLISE ECONÔMICA
Análise de Liquidez
Análise Vertical
(estrutural)
Análise de Rentabilidade
Análise de
Solvência
Análise Horizontal
(evolução)
Análise de
Produtividade/Lucratividade
Análise por índices
(quocientes)
Análise de Rotatividade
Outra forma, bem mais utilizada é:
ANÁLISE VERTICAL
A Análise Vertical tem como objetivo principal demonstrar o percentual (participação
relativa) de cada conta da demonstração contábil em relação a um determinado
referencial.
ANÁLISE HORIZONTAL
- A Análise Horizontal visa examinar a evolução história das contas dos demonstrativos
contábeis. Dessa forma, é possível avaliar se a conta aumentou ou diminuiu e em que
percentual de um Ano Base (referencial) para outro(s).
ÍNDICES DE LIQUIDEZ:
- Medem a capacidade financeira da empresa em pagar os compromissos assumidos
com seus credores;
- São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial.
Exemplos; Liquidez Corrente; Liquidez Imediata; Liquidez Seca ou liquidez Ácida;
Liquidez Geral; Solvência Geral ou Margem de Garantia etc.
ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAL (ENDIVIDAMENTO):
- Orientam a política de decisões da empresa em relação à forma de obtenção e de
aplicação dos recursos;
- São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial.
Exemplos: Endividamento Geral ou Total; Participação de Capital de Terceiros (Grau
de Endividamento); Composição do Endividamento; Garantia de Capital de Terceiros;
Imobilização do Patrimônio Líquido; Imobilização dos Recursos não Correntes
(Imobilização de Capital de Longo Prazo); Índice de Cobertura de Juros (ICJ) etc.
ÍNDICES DE RENTABILIDADE
- Interpretam o desempenho global da empresa e sua capacidade de geração de lucros.
- São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial e da DRE.
Exemplos: Margem Bruta; Margem Líquida (Lucratividade sobre Vendas); Margem
Operacional; Retorno sobre o Patrimônio Líquido (Rentabilidade do Capital Próprio,
Rentabilidade do PL ou Lucratividade); Rentabilidade Financeira; Retorno sobre o
Investimento (Retorno sobre o Ativo ou Rentabilidade do Ativo) e Análise Du-Pont etc.
ÍNDICES DE ATIVIDADE (ROTAÇÃO):
- Determinam a velocidade (giro) dos valores aplicados no patrimônio da empresa.
- São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial e da DRE.
Exemplos: Prazo médio de Renovação de Estoque (PMRE); Giro de Estoques =
Rotação dos Estoques; Prazo médio de Recebimento de Vendas (PMRV); Giro do
Contas a Receber = Rotação de Duplicatas a Receber; Prazo médio de Pagamento de
Compras (PMPC); Giro das Compras; Giro do Ativo; Ciclo Operacional, Ciclo
Financeiro e Ciclo Econômico etc.
ÍNDICES DE RENTABILIDADE (AÇÕES)
- Interpretam o desempenho das ações da empresa.
- São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial, da DRE e da cotação da
ação na Bolsa de Valores.
Exemplos: Lucro Líquido por Ação; Valor Patrimonial da Ação; Prazo de Retorno
Econômico da Ação (Índice Preço / Lucro);
Prazo de Retorno Financeiro da Ação; Payout; Dividend Yeld (Rendimento do
Dividendo) etc.
OUTROS INDICADORES DE MERCADO
- Muito utilizados pelas empresas, exigindo, normalmente, cálculos e análises mais
avançadas.
Exemplos: Necessidade de Capital de Giro, Efeito Tesoura, Grau de Alavancagem
Financeira, Grau de Alavancagem Operacional
Grau de Alavancagem Combinada ou Total , EVA® - Valor Econômico Adicionado
(VEA) , EBITDA etc.
Obs: As bancas não têm o costume de cobrar do candidato o conhecimento de qual
grupo o índice se enquadra, portanto, preocupe-se mais em saber o significado e a
fórmula de cada índice. Essa divisão por grupos ocorre mais por questões didáticas e
para que possa te ajudar a lembrar qual o significado de cada índice.
Antes de iniciar a análise das demonstrações financeiras, o analista deve realizar uma
padronização prévia dos demonstrativos. Ele faz isso, entre outros motivos, para poder
comparar demonstrativos de períodos ou empresas diferentes. Exemplos:
a) A empresa X divulga em seus balanço patrimonial uma conta de "Caixa", outra de
"Banco" e outro de "Aplicações". Enquanto isso, a empresa Y soma essas três contas em
uma única denominada"Disponível". Para realizar uma comparação entre essas duas
empresas, o analista não pode comparar, por exemplo, a conta "Disponível" da empresa
X com a conta "Bancos" da empresa Y. Logo, ou ele soma as 3 contas da empresa Y ou
ela detalha as contas da empresa X para realizar essa análise.
b) a conta Duplicatas Descontadas, devido as suas características, deve ser classificada
junto com os empréstimos em uma análise de balanços. Destaca-se que antigamente ela
era classificada como uma conta redutora do ativo circulante e reclassificada para o
passivo circulante em uma análise. No entanto, após as alterações promovidas pelas
normas internacionais de contabilidade nos últimos anos, ela passou a ser classificada
desde o início como passivo circulante.

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  • 1. Introdução à Análise das Demonstrações Contábeis Comentários Iniciais: A Análise das Demonstrações Contábeis (ADC) é sem dúvidas um dos assuntos mais interessantes da contabilidade!!! A ADC não se concentra em normas contábeis elaboradas pelo CFC e pelo CPC, dando ao estudioso das demonstrações a oportunidade de realizar a análise que ele achar pertinente. Em outras palavras, os registros contábeis serão o reflexo do que acontece na empresa e isso deve ser bem fidedigno, independentemente se será realizado pelo Contador X, Y ou Z (apesar de poder haver pequenas diferenças de interpretações). Ao passo que na ADC, cada analista pode utilizar uma metodologia e chegar a conclusões diferentes sobre as melhores decisões a serem tomadas na empresa. Logicamente, existem algumas metodologias que são bem aceitas pelo mercado e que os analistas utilizam normalmente em sua avaliação. Já tive a oportunidade de trabalhar por alguns anos calculando e analisando os índices financeiros e demonstrativos de uma das maiores companhias do Brasil. Tive a oportunidade também de fazer um MBA em Mercado de Capitais, em que pude aprender novas metodologias de análise. Tudo isso é bem interessante, contudo, nosso objetivo aqui é que você acerte todas as questões da prova e não que vire um expert em avaliar empresas (isso não te impede de pegar alguns demonstrativos de empresas e fazer pequenas análises, no horário de lazer). Portanto, vou seguir as regras mais aceitas pelas bancas de concursos e caso você queira aprofundar mais nesse assunto, deixe isso para depois de sua aprovação. Bibliografia: Ao contrário da disciplina de contabilidade, em que fazemos referência basicamente as Leis e Normas de contabilidade vigentes, este material de Análise das Demonstrações Contábeis não possuirá uma bibliografia oficial, tendo em vista que utilizarei principalmente do entendimento cobrado pelas bancas de concurso. No entanto, posso citar algumas importantes fontes para esse nosso material: - SILVA, José Pereira. Análise Financeira das Empresas - Atlas,2008. - ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços - Atlas, 2006. - MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis - Atlas, 2007 - IUDÍCIBUS, Sérgio de. Análise de Balanços - Atlas, 1998. - E, PRINCIPALMENTE: PROVAS DE CONCURSOS ANTERIORES. Neste capítulo faremos uma introdução dessa Técnica Contábil. Você aprendeu no início da disciplina de Contabilidade que há diversos usuários da Ciência Contábil. Pois é, esses usuários muitas vezes recebem as informações contábeis e analisam elas para tomarem as melhores decisões. Cada usuário da contabilidade possui um interesse, portanto, a análise que eles farão dependerão da utilidade dessa informação para cada um. Diante disso, vejamos a tabela abaixo: Usuário Principais análises / interesses Investidores Risco inerente ao investimento e o seu retorno
  • 2. Empregados Lucratividade e a estabilidade da empresa. Credores por Empréstimo e Fornecedores Condições de pagar suas obrigações / solvência da empresa. Clientes Continuidade operacional, principalmente se a companhia analisada for um importante fornecedor desse cliente. Governo Tributos que a companhia paga. Destinação de recursos e outras informações que servem de apoio para se estabelecer políticas fiscais e de regulamentação. Público em geral: Crescimento da companhia, principalmente aquelas que são a base para uma economia local. Na maioria das análises focaremos nossa atenção nos investidores e nos fornecedores/credores por empréstimos, que é o foco das bancas de concursos. A análise das demonstrações contábeis das empresas geralmente é feita comparando a evolução dos números da empresa ao longo dos anos (análise temporal), ou comparando a situação da empresa com outras companhias do mesmo ramo de atuação (análise interempresarial). Uma das formas de se dividir a Análise das Demonstração Contábeis é: ANÁLISE FINANCEIRA ANÁLISE CONTÁBIL ANÁLISE ECONÔMICA Análise de Liquidez Análise Vertical (estrutural) Análise de Rentabilidade Análise de Solvência Análise Horizontal (evolução) Análise de Produtividade/Lucratividade Análise por índices (quocientes) Análise de Rotatividade Outra forma, bem mais utilizada é: ANÁLISE VERTICAL A Análise Vertical tem como objetivo principal demonstrar o percentual (participação relativa) de cada conta da demonstração contábil em relação a um determinado referencial. ANÁLISE HORIZONTAL - A Análise Horizontal visa examinar a evolução história das contas dos demonstrativos contábeis. Dessa forma, é possível avaliar se a conta aumentou ou diminuiu e em que percentual de um Ano Base (referencial) para outro(s).
  • 3. ÍNDICES DE LIQUIDEZ: - Medem a capacidade financeira da empresa em pagar os compromissos assumidos com seus credores; - São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial. Exemplos; Liquidez Corrente; Liquidez Imediata; Liquidez Seca ou liquidez Ácida; Liquidez Geral; Solvência Geral ou Margem de Garantia etc. ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAL (ENDIVIDAMENTO): - Orientam a política de decisões da empresa em relação à forma de obtenção e de aplicação dos recursos; - São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial. Exemplos: Endividamento Geral ou Total; Participação de Capital de Terceiros (Grau de Endividamento); Composição do Endividamento; Garantia de Capital de Terceiros; Imobilização do Patrimônio Líquido; Imobilização dos Recursos não Correntes (Imobilização de Capital de Longo Prazo); Índice de Cobertura de Juros (ICJ) etc. ÍNDICES DE RENTABILIDADE - Interpretam o desempenho global da empresa e sua capacidade de geração de lucros. - São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial e da DRE. Exemplos: Margem Bruta; Margem Líquida (Lucratividade sobre Vendas); Margem Operacional; Retorno sobre o Patrimônio Líquido (Rentabilidade do Capital Próprio, Rentabilidade do PL ou Lucratividade); Rentabilidade Financeira; Retorno sobre o Investimento (Retorno sobre o Ativo ou Rentabilidade do Ativo) e Análise Du-Pont etc. ÍNDICES DE ATIVIDADE (ROTAÇÃO): - Determinam a velocidade (giro) dos valores aplicados no patrimônio da empresa. - São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial e da DRE. Exemplos: Prazo médio de Renovação de Estoque (PMRE); Giro de Estoques = Rotação dos Estoques; Prazo médio de Recebimento de Vendas (PMRV); Giro do Contas a Receber = Rotação de Duplicatas a Receber; Prazo médio de Pagamento de Compras (PMPC); Giro das Compras; Giro do Ativo; Ciclo Operacional, Ciclo Financeiro e Ciclo Econômico etc. ÍNDICES DE RENTABILIDADE (AÇÕES) - Interpretam o desempenho das ações da empresa. - São calculados a partir das contas do Balanço Patrimonial, da DRE e da cotação da ação na Bolsa de Valores.
  • 4. Exemplos: Lucro Líquido por Ação; Valor Patrimonial da Ação; Prazo de Retorno Econômico da Ação (Índice Preço / Lucro); Prazo de Retorno Financeiro da Ação; Payout; Dividend Yeld (Rendimento do Dividendo) etc. OUTROS INDICADORES DE MERCADO - Muito utilizados pelas empresas, exigindo, normalmente, cálculos e análises mais avançadas. Exemplos: Necessidade de Capital de Giro, Efeito Tesoura, Grau de Alavancagem Financeira, Grau de Alavancagem Operacional Grau de Alavancagem Combinada ou Total , EVA® - Valor Econômico Adicionado (VEA) , EBITDA etc. Obs: As bancas não têm o costume de cobrar do candidato o conhecimento de qual grupo o índice se enquadra, portanto, preocupe-se mais em saber o significado e a fórmula de cada índice. Essa divisão por grupos ocorre mais por questões didáticas e para que possa te ajudar a lembrar qual o significado de cada índice. Antes de iniciar a análise das demonstrações financeiras, o analista deve realizar uma padronização prévia dos demonstrativos. Ele faz isso, entre outros motivos, para poder comparar demonstrativos de períodos ou empresas diferentes. Exemplos: a) A empresa X divulga em seus balanço patrimonial uma conta de "Caixa", outra de "Banco" e outro de "Aplicações". Enquanto isso, a empresa Y soma essas três contas em uma única denominada"Disponível". Para realizar uma comparação entre essas duas empresas, o analista não pode comparar, por exemplo, a conta "Disponível" da empresa X com a conta "Bancos" da empresa Y. Logo, ou ele soma as 3 contas da empresa Y ou ela detalha as contas da empresa X para realizar essa análise. b) a conta Duplicatas Descontadas, devido as suas características, deve ser classificada junto com os empréstimos em uma análise de balanços. Destaca-se que antigamente ela era classificada como uma conta redutora do ativo circulante e reclassificada para o passivo circulante em uma análise. No entanto, após as alterações promovidas pelas normas internacionais de contabilidade nos últimos anos, ela passou a ser classificada desde o início como passivo circulante.