O que é a filosofia?
O estatuto do conhecimento
científico [Filosofia da Ciência]
2
Em discussão
Problemas em discussão
Filosofia da ciência
Disciplina que se ocupa da reflexão crítica sobre a ciência,
analisando o(s) método(s) científico(s) e procurando compreender
o que caracteriza o conhecimento científico.
• O que é a ciência? Como a diferenciamos da pseudociência e do senso comum?
• O que distingue as teorias científicas das que não são científicas?
• Qual o método mais indicado em ciência? O que o caracteriza?
• Como evolui a ciência?
• Será que o conhecimento científico é objetivo?
1. O que é a ciência?
Atividade e um tipo de
conhecimento que nos
tem proporcionado a
compreensão do mundo
na sua diversidade de
seres e fenómenos.
Ciência
Permite-nos atualmente
viver mais tempo e com
mais qualidade – valor
prático da ciência.
Ciência e pseudociência
Conjunto de investigações do mundo físico, natural, humano e social, que
têm como objetivo alcançar leis e teorias capazes de explicar, descrever e
prever fenómenos e as suas relações, tendo por base uma organização
teórica e um método.
Pseudociência
Cientismo
Doutrina que defende a
ideia errada e
precipitada de que o
conhecimento científico
é a única forma de
conhecimento fiável,
seguro e rigoroso que o
ser capaz de produzir.
Esta ideia é o resultado do
reconhecimento e
sobrevalorização da ideia..
Tipo de teoria que tem por base crenças ou
atividades não cientificas, embora procure
por passar por científicas..
Ciência
A divulgação da cultura científica é uma das
armas em que se deve apostar para fazer
face à pseudociência.
Senso comum, Conhecimento empírico ou conhecimento vulgar
Tipo de conhecimento que resulta da acumulação de informações, crenças e ideias que
obtemos diretamente das nossas experiências de vida e que nelas encontram a sua
justificação.
Este conhecimento é coletivamente partilhado e transmitido de geração em geração.
Do senso comum à ciência
IMPORTÂNCIA
É um conhecimento acessível a qualquer ser humano e essencial para orientarmos a
nossa vida para sabermos viver.
É acrítico/ dogmático
É aceite como
conhecimento e não é
colocado em causa. É uma
verdade absoluta
(é considerado verdadeiro,
sem haver espaço para
discussões) .
. É sensitivo
Resulta da apreensão
sensorial da realidade
É ametódico, assistemático
e desorganizado.
Não é obtido através de
investigações planificadas,
organizadas e detalhadas e
estas não são apoiadas em
testes/ resultados
experimentais.
É superficial e prático
Há pouco
aprofundamento dos
temas.
É expontâneo
Resulta da apreensão
imediata da realidade É ambíguo
expresso por uma
linguagem natural e
imprecisa e não uma
linguagem técnica.
Caracterização do
senso comum
Pouco concreto e
pouco objetivo
Falível e pouco rigoroso
Reflete crenças,
princípios e valores da
sociedade
Conhecimento científico / Ciência
Tipo de conhecimento chamado de ciência que procura, de forma sistemática e racional,
descrever os fenómenos , partindo de hipóteses explicativas e estabelecendo
relações de casualidade entre os fenómenos observados , pretendendo, com isso,
prever a ocorrência de novos fenómenos.
É crítico e revisível
Conhecimento obtido e
constantemente revisto de
modo a identificar falhas
para seres corrigidas
Antidogmático
Nada é assumido como
verdade absoluta
Metódico, sistemático e
organizado
Decorre da investigações
planificadas e organizadas e
apoiadas e testes ou
resultados experimentais
É teórico e profundo
As explicações dadas pelas
ciências básicas baseiam-se em
provas e demonstrações rigorosas.
Racional
Interpretação racional
dos dados observados
É unívoco
Utiliza o rigor e a precisão da
linguagem
matemática,evitendo
ambiguidades ou duplas
interpretações
.
Caracterização da
ciência/
conhecimento
científico
Objetivo
Tem em atenção aos
factos, evitando
interpretações subjetivas
Preditivo
Prevê a ocorrência de novos
fenómenos.
Provisório
Teoria científica mantém-se
até surgir uma nova teoria
mais eficaz e próxima da
verdade.
Conhecimento organizado,
explicativo e que recorre a
métodos para testar e avaliar
as suas teorias.
Senso comum
Conhecimento
desorganizado, prático,
transmitido de geração em
geração.
Ciência
Resulta de uma atitude acrítica
ou dogmática.
Pressupõe o desenvolvimento de
uma atividade organizada,
metódica e crítica.
Principais características
da ciência
Implica a construção de
leis e teorias explicativas e
sistemáticas.
Procura descrever, explicar
e prever os fenómenos e
as suas relações.
Faz-se acompanhar, na maioria dos
casos, de instrumentos de medida.
Recorre a uma linguagem
específica, técnica e rigorosa.
Encontra-se sujeita a
correções e a alterações.
Baseia-se em pesquisas e
investigações apoiadas em
métodos.
2. O problema da demarcação – teorias científicas e não científicas
Problema da demarcação
Trata-se de saber o que distingue a ciência do que não é ciência, ou
o que separa o conhecimento científico de outras formas do saber.
O critério da verificabilidade
Critério da verificabilidade
Uma teoria só é considerada científica se consistir em afirmações
verificáveis empiricamente, isto é, apenas se for possível verificar
pela experiência aquilo que ela afirma.
Afirmação empiricamente verificável
É aquela cujo valor de verdade pode ser, pelo menos em
princípio, determinado através da observação ou da experiência.
Critério defendido por um grupo de filósofos do séc. XX,
chamado Círculo de Viena
Afirmações verificáveis
Alguns coelhos são
herbívoros.
Existe vida em Júpiter.
As duas primeiras afirmações podem ser
verificadas na prática através da
observação. O valor de verdade da
terceira ainda não foi estabelecido, mas
é possível conceber um conjunto de
observações que o possam estabelecer.
O monte Everest tem
8849 metros de altura.
Afirmações não
verificáveis
Alguns anjos têm emoções.
A essência da realidade é de
natureza espiritual.
Estas afirmações não podem ser
empiricamente verificadas, uma vez que
o seu conteúdo ultrapassa o domínio
dos factos observáveis.
Na porta do Inferno estão
escritas palavras de
desespero.
Objeção ao critério da
verificabilidade
A maioria das teorias científicas expressa-se em enunciados universais,
e esses enunciados não são suscetíveis de verificação empírica.
Não podemos verificar estas proposições no sentido em que nunca poderemos provar de forma conclusiva que
elas são verdadeiras.
Todo o ferro dilata quando é aquecido. Todas as algas têm clorofila.
Tentativa de resposta à objeção
A verificação empírica parcial é suficiente, desde que o “grau de confirmação” das teorias possa
ser estabelecido e, assim, possa ser escolhida aquela hipótese científica que estiver em
conformidade com o maior número de dados empíricos
As hipóteses científicas podem ser confirmadas.
Critério da falsificabilidade
Uma teoria é científica apenas se for empiricamente falsificável, ou seja,
apenas se for possível falsificar pela experiência aquilo que ela afirma.
Uma proposição, hipótese ou teoria é empiricamente falsificável
se e só se
for possível conceber uma observação ou uma experiência capaz de a refutar.
O critério da falsificabilidade
Afirmações falsificáveis
Todo o ferro dilata quando é aquecido.
Amanhã, nevará na serra da Estrela.
Observar um pedaço de ferro que não dilate
quando aquecido basta para provar que a
proposição é falsa.
O cometa Halley aparecerá no ano de
2061.
Se o referido cometa não for visível da Terra no
ano indicado, provar-se-á que a proposição é
falsa.
Esta proposição é uma tautologia. Nenhuma
observação possível provaria que ela é falsa.
Todos os nativos de Peixes são
mulheres.
Se observarmos um nativo de Peixes que não
seja mulher, então esta proposição será falsa.
Afirmações não falsificáveis
Algum ferro dilata quando é aquecido.
Amanhã, ou nevará na Guarda, ou não
nevará.
Observar um pedaço de ferro que não dilate quando
aquecido não prova que a proposição é falsa.
Surgirá no céu uma bola de fogo.
Não se dizendo uma data nem em que consiste tal
bola, é impossível provar que a proposição é falsa.
Esta proposição é uma tautologia. Nenhuma
observação possível provaria que ela é falsa.
O próximo ano trará energias positivas
aos nativos de Peixes.
Esta afirmação é vaga. Nenhuma observação
poderia mostrar que ela é falsa.
Todos os animais são carnívoros.
Todos os cães são
carnívoros.
O meu cão é
carnívoro.
Quanto maior for o grau de falsificabilidade de uma afirmação,
mais interessante ela será para a ciência.
Afirmações falsificáveis
1. O meu cão é carnívoro.
2. Todos os cães são carnívoros.
Menos conteúdo empírico e
menor grau de falsificabilidade
Mais conteúdo empírico e maior
grau de falsificabilidade
3. Todos os animais são carnívoros.
Todas as teorias científicas são
falsificáveis, mas nem todas as
teorias são ou foram
falsificadas, isto é, dadas como
falsas.
Falsificabilidade
Característica que todas as
teorias têm de ter para serem
consideradas científicas; têm
de poder ser submetidas a
testes empíricos que visam
refutá-las ou falsificá-las.
Falsificação
Uma teoria falsificável é uma
teoria para a qual conseguimos,
pelo menos em princípio, fazer
uma experiência cujos
resultados sejam incompatíveis
com o que nela se defende.
Uma teoria está falsificada
quando não resistiu a um
determinado teste a que foi
submetida, quando com ele se
provou que ela não é
verdadeira.
3. O método científico e o problema da verificação das hipóteses
Método
Conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de regras,
que estabelecem a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado.
Qual é o método utilizado pelos cientistas?
De que modo os cientistas trabalham?
Perspetiva que salienta a importância da indução para a ciência.
Indutivismo
A indução está presente no contexto de justificação das teorias e também,
segundo muitos indutivistas, no próprio contexto de descoberta.
A perspetiva indutivista do método científico
Perspetiva que salienta a importância da indução para a ciência.
Indutivismo
A indução está presente no contexto de justificação das teorias e também,
segundo muitos indutivistas, no próprio contexto de descoberta.
A perspetiva indutivista do método científico
Contexto de justificação
Contexto de descoberta
Processo pelo qual o cientista
formula (ou descobre) a
hipótese ou teoria.
Processo pelo qual o cientista
testa, defende (ou justifica) a
hipótese ou teoria.
Teorias científicas do
indutivismo
1. Observação dos factos ou fenómenos.
O cientista parte da observação, que é neutra, isenta, rigorosa, objetiva e imparcial.
Contexto
de
justificação
2. Formulação de hipóteses/ de teorias.
O cientista formula a hipótese – explicação geral acerca dos fenómenos e das suas relações –,
inferindo, através da indução, um enunciado geral a partir de enunciados particulares ou singulares.
3. Experimentação/Verificação experimental.
O cientista deduz consequências da hipótese e procura verificá-las rigorosamente através de
testes experimentais – verificação experimental, envolvendo aspetos quantitativos. Todos os
dados obtidos e etapas da experimentação são anotadas e repetidas Se as consequências se
verificarem em cada caso, dá-se a confirmação da hipótese. Se não, o cientista deve modificar a
hipótese.
4. Generalização dos resultados/ Estabelecimento de leis.
Recorrendo à indução, o cientista generaliza a relação encontrada entre os factos ou fenómenos
uniformes e semelhantes, estabelecendo uma lei geral.
Contexto
de
descoberta
Procedimentos – Método Científico do indutivismo
INDUTIVISMO
Posição que salienta a
importância da indução para a
ciência
Francis Bacon e John Stuart
(representantes da perspetiva
indutivista do método
científico
A indução é o único caminho possível para o progresso
da perspetiva indutivista do método científica.
O conhecimento científico deve fundar-se na indução e
na experimentação e na metafísica ou na especulação.
Os indutivistas destacam a indução , a experimentação
e a observação (rigorosa e objetiva). A partir desta, é
possível construir e testar as teorias ou hipóteses
científicas.
Críticas ao
indutivismo
Factos inobserváveis:
Há teorias científicas que têm por
base factos que não são
observáveis /factos
inobserváveis (ainda que alguns
o possam vir a ser um dia).
As teorias não resultam de um
mero processo de indução, mas a
partir de observações que podem
ser não observáveis.
Ex: partículas subatómicas;
origem do universo
Problema da indução.
O raciocínio indutivo não tem o
rigor lógico necessário às teorias
científicas.
A observação é o ponto de partida para fazer
ciência?
NÃO! A ciência provém de problemas a partir do
confronto entre a observação e as expectativas e
teorias..
A observação não é neutra,
imparcial, pura ou isenta de
pressupostos ou preconceitos.
É afetada por pressupostos
teóricos, conceitos e expetativas
que o cientista desenvolve na
investigação..
Popper concorda com Hume relativamente ao problema da indução:
A indução não é racionalmente justificável. No entanto, acredita que este problema não põe em causa a
ciência.
Karl Popper
A indução e a verificabilidade não constituem, do seu ponto de vista,
aquilo que permite distinguir a ciência do que não é ciência.
A perspetiva falsificacionista do método científico
Leis ou teorias científicas ( de Karl Popper)
São, para Popper, conjeturas que o cientista procurará submeter
a testes que visam a sua refutação ou falsificação.
Método crítico
(método da discussão crítica)
ou método das conjeturas e refutações.
A ciência é uma atividade crítica.
Tentativa de explicação:
hipótese ou conjetura.
Problema
Tentativa de refutação:
observação e testes experimentais.
Método das conjeturas e refutações ( de Karl Popper)
A hipótese
não resiste aos testes
Hipótese refutada
Reformulação da
hipótese ou formulação
de nova hipótese
A hipótese
resiste aos testes
Hipótese corroborada
Continuação dos testes,
cada vez mais severos
Teorias científicas ( de Karl Popper)
São refutáveis e conjeturais.
Uma boa teoria científica é uma teoria que,
por ter continuamente resistido à sua falsificação,
tem sido sucessivamente corroborada / comprovada.
P → Q
Q
 P
• Se a teoria T é verdadeira, então o que ela prevê ocorre.
• O que ela prevê não ocorre.
• Logo a teoria T não é verdadeira.
Falsificação
de teorias
• Se todos os planetas são esféricos, então o próximo
planeta que descobrirmos será esférico.
• O planeta que descobrimos não é esférico.
• Logo, não é verdadeiro que todos os planetas são
esféricos.
Exemplo
Modus
tollens
Este método não se baseia no raciocínio indutivo,
mas sim no raciocínio dedutivo.
P → Q
Q
 P
• Se a teoria T é verdadeira, então o que ela prevê ocorre.
• O que ela prevê ocorre.
• Logo a teoria T é verdadeira.
Verificação
de teorias
• Se todos os metais são condutores de eletricidade, então
o metal x será condutor de eletricidade.
• O metal x (testado) conduziu eletricidade.
• Logo, todos os metais são condutores de eletricidade.
Exemplo
Falácia da
afirmação do
consequente
É posta em causa a perspetiva indutivista do método científico.
Teorias científicas
Mesmo se estas passarem com sucesso nos testes,
é incorreto afirmar que são verdadeiras
É igualmente incorreto dizer que aumentou o seu grau de confirmação
ou a probabilidade de serem verdadeiras.
Críticas a Popper
Popper, com o critério
falsificacionista, subestima o valor,
para o progresso da ciência, das
previsões bem-sucedidas.
Popper não dá conta do
conhecimento útil da ciência, que
tem um carácter positivo.
O processo de falsificação não é o
mais comum entre os cientistas.
Popper apresenta uma conceção
idealizada da ciência.
Ao nível da história da ciência
encontramos episódios que parecem
pôr em causa a ideia de que a
ciência progride por meio de
conjeturas e refutações.
4. Os problemas da evolução da ciência e da objetividade do
conhecimento científico
Ciência
É geralmente entendida como uma atividade racional,
sustentada em métodos, capaz de produzir conhecimento objetivo,
no qual podemos confiar.
Racionalidade científica
No entanto, muitos filósofos procuram compreender como a ciência evolui
e se essa evolução é inteiramente racional ou não.
Como evolui a ciência?
A ciência é objetiva?
Problema da evolução da ciência.
Problema da objetividade
do conhecimento científico.
Popper
A ciência progride através do método das conjeturas e refutações.
A possibilidade de as teorias científicas serem falsificadas ou refutadas permite à ciência
avançar progressivamente, detetando erros ou falhas e propondo novas teorias.
A perspetiva de Popper sobre a evolução da ciência
Como evolui a ciência?
As teorias científicas que mais vão resistindo aos testes ousados e severos são as
mais fortes e as que se mantêm vigentes;
as teorias menos aptas são eliminadas e dadas como erros.
Popper faz uma analogia com a teoria da evolução por seleção natural de Darwin.
Problema
Teoria
(conjetura)
Eliminação
de erros
(refutação)
Novo
problema …
Só com uma atitude crítica será possível ao cientista avançar.
O seu objetivo é encontrar a verdade, ainda que essa tarefa corresponda apenas a uma aproximação à verdade.
Explica os aspetos que
a teoria anterior explicava.
Nova teoria
(melhor do que a teoria anterior)
Elimina erros da
teoria anterior.
Resolve problemas que
a teoria anterior não
conseguia resolver.
Verosimilhança
Grau com que uma teoria capta a verdade: uma teoria é mais verosímil do que uma teoria rival
apenas no caso de implicar mais verdades e menos falsidades do que essa teoria rival.
Em ciência, podemos mostrar apenas que dada teoria é mais verosímil do que outra.
Para Popper, o progresso na ciência
(ou, pelo menos, o progresso significativo)
é sempre revolucionário.
Será que a ciência é objetiva?
Na escolha entre teorias concorrentes só intervêm critérios objetivos,
sem a interferência de quaisquer aspetos subjetivos.
Popper acredita que a ciência evolui de acordo com critérios racionais, lógicos e objetivos,
e que o conteúdo das teorias obedece a princípios lógicos que garantem o rigor e a objetividade da ciência.
A perspetiva de Popper sobre a objetividade da ciência
Sucesso em
testes
independentes.
Critérios objetivos
para a avaliação das teorias científicas
Capacidade
explicativa.
Capacidade de
prever novos
fenómenos.
A verdade é a meta para a qual a ciência avança.
Kuhn
Rejeita a ideia, defendida por Popper,
de que a ciência evolui ou progride em direção à verdade.
Na história da ciência, há longos períodos de estabilidade
e curtos períodos de instabilidade.
A perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência
Análise do problema
da evolução da ciência
É sociológica, pois procura compreender o
contexto em que a ciência se faz.
É histórica, pois valoriza o contributo
da história da ciência.
A construção das teorias científicas está sempre dependente de um paradigma, isto é,
de um modo de perceber, abordar e resolver problemas que se institui no interior da comunidade científica.
Paradigma científico
Matriz disciplinar, ou uma visão do mundo que os membros de uma comunidade científica partilham
e que fornece princípios teóricos e práticos para se fazer ciência
num determinado domínio de investigação durante um certo período.
Funciona como um modelo de referência
reconhecido por todos os cientistas.
Fornece as regras, os objetivos, os métodos,
os princípios teóricos e práticos, os problemas
e as soluções modelares, para uma
comunidade científica.
É constituído pelas teorias
fundamentais que a
comunidade científica aceita.
Inclui instrumentos, valores,
objetivos e pressupostos
metafísicos.
Paradigma científico
Pré-ciência
(ausência de
paradigma)
Ciência normal
(sob um
paradigma)
Ciência
extraordinária
(divergências na
comunidade
científica)
Revolução
científica
(mudança de
paradigma)
Crise científica
(por acumulação
de anomalias
persistentes)
Desenvolvimento da ciência
Ciência normal
(sob um
novo paradigma)
Crise científica
Ciência
extraordinária
Revolução
científica
Ciência normal
Pré-ciência
Fase pré-paradigmática, em que ainda não há ciência propriamente dita;
é uma situação marcada por divergências e por tentativas avulsas de resolução dos problemas.
Ciência normal
Nos períodos de ciência normal, o desenvolvimento ou progresso da ciência é cumulativo,
uma vez que a resolução de enigmas permite ampliar a aplicação do paradigma
e acrescentar novos conhecimentos ao conhecimento já existente.
Investigação que ocorre no âmbito de um dado paradigma aceite pela comunidade científica.
Consiste essencialmente na resolução de enigmas (puzzles) de acordo com a aplicação dos
princípios, regras e conceitos do paradigma vigente.
Anomalias
Por vezes, certos enigmas constituem verdadeiras ameaças à pesquisa científica.
Problemas ou enigmas que os cientistas não conseguem resolver a partir dos pressupostos teóricos
fundamentais de um paradigma, dentro do qual era suposto serem resolvidos.
Num período de ciência normal, a atitude da comunidade científica é de
conservadorismo e de resistência à mudança.
Os cientistas não abandonam o paradigma ou as teorias vigentes
imediatamente após surgir uma anomalia.
A maioria dos cientistas tudo faz para resolver as anomalias inesperadas.
Acumulação de anomalias persistentes
A ciência entra em crise.
Ciência extraordinária
Fase de questionamento dos pressupostos e
fundamentos do paradigma vigente. Gera-se o
debate sobre a manutenção do paradigma
(velho) ou a escolha de um novo paradigma.
Revolução científica
Impõe uma mudança de paradigma.
Logo que o consenso em torno do novo paradigma se estabelece,
tem início um novo período de ciência normal.
Mudança de um
paradigma para outro
É um processo
revolucionário.
Não é um
processo
cumulativo.
As revoluções científicas são
episódios de desenvolvimento
não-cumulativo.
Incomensurabilidade
dos paradigmas
Paradigma Y
Paradigma X
Não existem, entre os paradigmas,
pontos comuns a partir dos quais
eles possam ser objetivamente
comparados.
Não são
objetivamente comparáveis.
São formas totalmente distintas de
explicar e prever os fenómenos.
A verdade das teorias científicas estará sempre dependente do paradigma em que elas
se inserem, e aquilo que é verdadeiro num paradigma pode não o ser noutro.
Representações cartográfica do modelo geocêntrico (à esquerda) e heliocêntrico (à direita).
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
Representação de um buraco negro
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
Representação da curva espaço-tempo
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
«“Estar consciente” é, em primeiro
lugar, uma expressão puramente
descritiva, que invoca a perceção
imediata e segura. A experiência
mostra-nos, em seguida, que um
elemento psíquico – por exemplo, uma
ideia – normalmente não é consciente
de forma duradoura. É típico, isto sim,
que o estado de consciência passe com
rapidez; uma ideia agora consciente
não o é mais no instante seguinte, mas
pode voltar a sê-lo em determinadas
condições fáceis de se produzirem.
Nesse intervalo ela era ou estava – não
sabemos o quê. Podemos dizer que era
latente, com isso querendo dizer que a
todo momento era capaz de tornar-se
consciente. Ou, se dissermos que era
inconsciente, também forneceremos
uma descrição correta.
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de texto e imagens
Este “inconsciente” coincide com
“latente, capaz de consciência”. É certo
que os filósofos objetariam: “Não, o
termo ‘inconsciente’ não pode ser
usado aqui; enquanto a ideia estava em
estado de latência não era nada
psíquico”.»
Sigmund Freud, O Eu e o Id (1923), in Sigmund Freud -
Obras Completas, vol. 16, Companhia das Letras, pp. 12-13
(adaptado).
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência. A incomensurabilidade dos paradigmas: exploração de imagens
Kuhn exemplifica a
incomensurabilidade dos
paradigmas recorrendo
às imagens da
psicologia da
forma (Gestalt): estas
imagens ilustram a
inesperada e total
mutação de formas que
ocorre de um
paradigma para outro.
Euclides
Podemos considerar o exemplo das três conceções de espaço (a de Euclides, de Riemann e de Lobachevsky-Bolyai) que
suportam três geometrias diferentes: todas podem ser verdadeiras, pois todas funcionam em paradigmas distintos.
Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência. A incomensurabilidade dos paradigmas: exploração de imagens
Riemann Lobachevsky-Bolyai
Incomensurabilidade dos paradigmas e desenvolvimento da ciência
Kuhn não entende a evolução da ciência como um processo de contínua
aproximação à verdade, mas como um processo descontínuo,
sem um fim predeterminado.
O paradigma em vigor não está mais próximo da verdade
do que o paradigma que ele substituiu.
Críticas a Kuhn
Como a adesão da comunidade
científica a um paradigma se
assemelha a uma conversão
religiosa, então existe
irracionalidade na atividade
científica, o que contradiz a ideia
que temos da ciência.
A tese da incomensurabilidade é
desajustada e pouco plausível.
Muitas teorias científicas são
melhores do que outras: resolvem
as anomalias e permitem fazer
previsões mais rigorosas.
Posição relativista sobre a
ciência. Kuhn acaba por colocar
as explicações que a ciência
fornece num plano idêntico ao de
outras explicações, como os mitos
ou as lendas.
A perspetiva de Thomas Kuhn sobre a objetividade da ciência
Kuhn acredita que a avaliação e a escolha das teorias científicas obedecem a determinados critérios
que são conhecidos e partilhados no seio da comunidade científica.
Critérios objetivos de
escolha das teorias
Alcance
• Abrangência da teoria
(quantidade e
diversidade de
fenómenos que ela é
capaz de explicar).
Fecundidade
• Capacidade da teoria
para impulsionar novas
descobertas de
investigação.
Exatidão
• Refere-se às previsões
que a teoria permite
fazer.
Simplicidade
• Sobriedade e elegância
na forma como a teoria
explica os fenómenos.
Consistência
• Coerência interna da
teoria e sua
compatibilidade com
outras.
Na escolha entre teorias rivais interferem não só fatores objetivos como também fatores subjetivos.
Fatores que interferem
na escolha de teorias
Critérios partilhados pela comunidade
científica; princípios, regras ou
características como a simplicidade
ou a exatidão das teorias.
Critérios individuais; aspetos
idiossincráticos, dependentes de
aspetos biográficos e da
personalidade dos cientistas.
Objetivos Subjetivos
Avaliação das teorias científicas
Não é inteiramente determinada por critérios objetivos.
Isto porque a interpretação e a aplicação desses critérios
estão dependentes de fatores subjetivos.
A ciência não é totalmente objetiva.
Análise comparativa das perspetivas de Popper e Kuhn sobre a ciência
A ciência evolui através da eliminação de
erros ou da refutação de teorias.
As hipóteses sofrem uma espécie de evolução
seletiva.
O progresso significativo na ciência é sempre
revolucionário.
A ciência evolui progressivamente em direção à
verdade.
As teorias falsificadas são substituídas por
outras melhores e que mais se aproximam da
verdade (maior grau de verosimilhança).
A ciência apresenta um desenvolvimento
cumulativo dentro de cada paradigma (na fase
de ciência normal) e um desenvolvimento
não-cumulativo nas mudanças de paradigma
(revoluções científicas).
Os episódios revolucionários são muito raros
no desenvolvimento da ciência.
Não podemos dizer que a ciência evolui
progressivamente em direção à verdade.
A mudança de um paradigma para outro, não
sendo cumulativa, significa apenas um modo
diferente de entender o real
(incomensurabilidade).
Como evolui a ciência?
Karl Popper Thomas Kuhn
O conhecimento científico é
independente dos valores, opiniões,
crenças dos cientistas.
A escolha e a avaliação das teorias dependem
apenas de critérios objetivos. Por isso, a
ciência é objetiva.
O conhecimento científico é um
“conhecimento sem conhecedor”.
A ciência é conjetural, ela não atinge a verdade,
mas a verdade é sua meta (verdade como
correspondência aos factos).
O conhecimento científico é
dependente dos valores, opiniões e
crenças dos investigadores integrados
numa comunidade científica.
A escolha e a avaliação das teorias
dependem de critérios objetivos e de
fatores subjetivos. Por isso, a ciência
não é totalmente objetiva.
“Conhecimento sem conhecedor” é uma
contradição.
A verdade é sempre relativa ao
paradigma vigente; só pode ser
entendida dentro dos limites que ele
impõe.
O conhecimento científico é objetivo?
Karl Popper Thomas Kuhn

eqt11_estatuto_conhecimento_cientifico.pptx

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    O que éa filosofia?
  • 2.
    O estatuto doconhecimento científico [Filosofia da Ciência] 2
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    Em discussão Problemas emdiscussão Filosofia da ciência Disciplina que se ocupa da reflexão crítica sobre a ciência, analisando o(s) método(s) científico(s) e procurando compreender o que caracteriza o conhecimento científico. • O que é a ciência? Como a diferenciamos da pseudociência e do senso comum? • O que distingue as teorias científicas das que não são científicas? • Qual o método mais indicado em ciência? O que o caracteriza? • Como evolui a ciência? • Será que o conhecimento científico é objetivo?
  • 4.
    1. O queé a ciência? Atividade e um tipo de conhecimento que nos tem proporcionado a compreensão do mundo na sua diversidade de seres e fenómenos. Ciência Permite-nos atualmente viver mais tempo e com mais qualidade – valor prático da ciência. Ciência e pseudociência Conjunto de investigações do mundo físico, natural, humano e social, que têm como objetivo alcançar leis e teorias capazes de explicar, descrever e prever fenómenos e as suas relações, tendo por base uma organização teórica e um método.
  • 5.
    Pseudociência Cientismo Doutrina que defendea ideia errada e precipitada de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento fiável, seguro e rigoroso que o ser capaz de produzir. Esta ideia é o resultado do reconhecimento e sobrevalorização da ideia.. Tipo de teoria que tem por base crenças ou atividades não cientificas, embora procure por passar por científicas.. Ciência A divulgação da cultura científica é uma das armas em que se deve apostar para fazer face à pseudociência.
  • 6.
    Senso comum, Conhecimentoempírico ou conhecimento vulgar Tipo de conhecimento que resulta da acumulação de informações, crenças e ideias que obtemos diretamente das nossas experiências de vida e que nelas encontram a sua justificação. Este conhecimento é coletivamente partilhado e transmitido de geração em geração. Do senso comum à ciência IMPORTÂNCIA É um conhecimento acessível a qualquer ser humano e essencial para orientarmos a nossa vida para sabermos viver.
  • 7.
    É acrítico/ dogmático Éaceite como conhecimento e não é colocado em causa. É uma verdade absoluta (é considerado verdadeiro, sem haver espaço para discussões) . . É sensitivo Resulta da apreensão sensorial da realidade É ametódico, assistemático e desorganizado. Não é obtido através de investigações planificadas, organizadas e detalhadas e estas não são apoiadas em testes/ resultados experimentais. É superficial e prático Há pouco aprofundamento dos temas. É expontâneo Resulta da apreensão imediata da realidade É ambíguo expresso por uma linguagem natural e imprecisa e não uma linguagem técnica. Caracterização do senso comum Pouco concreto e pouco objetivo Falível e pouco rigoroso Reflete crenças, princípios e valores da sociedade
  • 8.
    Conhecimento científico /Ciência Tipo de conhecimento chamado de ciência que procura, de forma sistemática e racional, descrever os fenómenos , partindo de hipóteses explicativas e estabelecendo relações de casualidade entre os fenómenos observados , pretendendo, com isso, prever a ocorrência de novos fenómenos.
  • 9.
    É crítico erevisível Conhecimento obtido e constantemente revisto de modo a identificar falhas para seres corrigidas Antidogmático Nada é assumido como verdade absoluta Metódico, sistemático e organizado Decorre da investigações planificadas e organizadas e apoiadas e testes ou resultados experimentais É teórico e profundo As explicações dadas pelas ciências básicas baseiam-se em provas e demonstrações rigorosas. Racional Interpretação racional dos dados observados É unívoco Utiliza o rigor e a precisão da linguagem matemática,evitendo ambiguidades ou duplas interpretações . Caracterização da ciência/ conhecimento científico Objetivo Tem em atenção aos factos, evitando interpretações subjetivas Preditivo Prevê a ocorrência de novos fenómenos. Provisório Teoria científica mantém-se até surgir uma nova teoria mais eficaz e próxima da verdade.
  • 10.
    Conhecimento organizado, explicativo eque recorre a métodos para testar e avaliar as suas teorias. Senso comum Conhecimento desorganizado, prático, transmitido de geração em geração. Ciência Resulta de uma atitude acrítica ou dogmática. Pressupõe o desenvolvimento de uma atividade organizada, metódica e crítica.
  • 11.
    Principais características da ciência Implicaa construção de leis e teorias explicativas e sistemáticas. Procura descrever, explicar e prever os fenómenos e as suas relações. Faz-se acompanhar, na maioria dos casos, de instrumentos de medida. Recorre a uma linguagem específica, técnica e rigorosa. Encontra-se sujeita a correções e a alterações. Baseia-se em pesquisas e investigações apoiadas em métodos.
  • 12.
    2. O problemada demarcação – teorias científicas e não científicas Problema da demarcação Trata-se de saber o que distingue a ciência do que não é ciência, ou o que separa o conhecimento científico de outras formas do saber.
  • 13.
    O critério daverificabilidade Critério da verificabilidade Uma teoria só é considerada científica se consistir em afirmações verificáveis empiricamente, isto é, apenas se for possível verificar pela experiência aquilo que ela afirma. Afirmação empiricamente verificável É aquela cujo valor de verdade pode ser, pelo menos em princípio, determinado através da observação ou da experiência. Critério defendido por um grupo de filósofos do séc. XX, chamado Círculo de Viena
  • 14.
    Afirmações verificáveis Alguns coelhossão herbívoros. Existe vida em Júpiter. As duas primeiras afirmações podem ser verificadas na prática através da observação. O valor de verdade da terceira ainda não foi estabelecido, mas é possível conceber um conjunto de observações que o possam estabelecer. O monte Everest tem 8849 metros de altura.
  • 15.
    Afirmações não verificáveis Alguns anjostêm emoções. A essência da realidade é de natureza espiritual. Estas afirmações não podem ser empiricamente verificadas, uma vez que o seu conteúdo ultrapassa o domínio dos factos observáveis. Na porta do Inferno estão escritas palavras de desespero.
  • 16.
    Objeção ao critérioda verificabilidade A maioria das teorias científicas expressa-se em enunciados universais, e esses enunciados não são suscetíveis de verificação empírica. Não podemos verificar estas proposições no sentido em que nunca poderemos provar de forma conclusiva que elas são verdadeiras. Todo o ferro dilata quando é aquecido. Todas as algas têm clorofila.
  • 17.
    Tentativa de respostaà objeção A verificação empírica parcial é suficiente, desde que o “grau de confirmação” das teorias possa ser estabelecido e, assim, possa ser escolhida aquela hipótese científica que estiver em conformidade com o maior número de dados empíricos As hipóteses científicas podem ser confirmadas.
  • 18.
    Critério da falsificabilidade Umateoria é científica apenas se for empiricamente falsificável, ou seja, apenas se for possível falsificar pela experiência aquilo que ela afirma. Uma proposição, hipótese ou teoria é empiricamente falsificável se e só se for possível conceber uma observação ou uma experiência capaz de a refutar. O critério da falsificabilidade
  • 19.
    Afirmações falsificáveis Todo oferro dilata quando é aquecido. Amanhã, nevará na serra da Estrela. Observar um pedaço de ferro que não dilate quando aquecido basta para provar que a proposição é falsa. O cometa Halley aparecerá no ano de 2061. Se o referido cometa não for visível da Terra no ano indicado, provar-se-á que a proposição é falsa. Esta proposição é uma tautologia. Nenhuma observação possível provaria que ela é falsa. Todos os nativos de Peixes são mulheres. Se observarmos um nativo de Peixes que não seja mulher, então esta proposição será falsa.
  • 20.
    Afirmações não falsificáveis Algumferro dilata quando é aquecido. Amanhã, ou nevará na Guarda, ou não nevará. Observar um pedaço de ferro que não dilate quando aquecido não prova que a proposição é falsa. Surgirá no céu uma bola de fogo. Não se dizendo uma data nem em que consiste tal bola, é impossível provar que a proposição é falsa. Esta proposição é uma tautologia. Nenhuma observação possível provaria que ela é falsa. O próximo ano trará energias positivas aos nativos de Peixes. Esta afirmação é vaga. Nenhuma observação poderia mostrar que ela é falsa.
  • 21.
    Todos os animaissão carnívoros. Todos os cães são carnívoros. O meu cão é carnívoro. Quanto maior for o grau de falsificabilidade de uma afirmação, mais interessante ela será para a ciência.
  • 22.
    Afirmações falsificáveis 1. Omeu cão é carnívoro. 2. Todos os cães são carnívoros. Menos conteúdo empírico e menor grau de falsificabilidade Mais conteúdo empírico e maior grau de falsificabilidade 3. Todos os animais são carnívoros.
  • 23.
    Todas as teoriascientíficas são falsificáveis, mas nem todas as teorias são ou foram falsificadas, isto é, dadas como falsas. Falsificabilidade Característica que todas as teorias têm de ter para serem consideradas científicas; têm de poder ser submetidas a testes empíricos que visam refutá-las ou falsificá-las. Falsificação Uma teoria falsificável é uma teoria para a qual conseguimos, pelo menos em princípio, fazer uma experiência cujos resultados sejam incompatíveis com o que nela se defende. Uma teoria está falsificada quando não resistiu a um determinado teste a que foi submetida, quando com ele se provou que ela não é verdadeira.
  • 24.
    3. O métodocientífico e o problema da verificação das hipóteses Método Conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de regras, que estabelecem a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado. Qual é o método utilizado pelos cientistas? De que modo os cientistas trabalham?
  • 25.
    Perspetiva que salientaa importância da indução para a ciência. Indutivismo A indução está presente no contexto de justificação das teorias e também, segundo muitos indutivistas, no próprio contexto de descoberta. A perspetiva indutivista do método científico
  • 26.
    Perspetiva que salientaa importância da indução para a ciência. Indutivismo A indução está presente no contexto de justificação das teorias e também, segundo muitos indutivistas, no próprio contexto de descoberta. A perspetiva indutivista do método científico
  • 27.
    Contexto de justificação Contextode descoberta Processo pelo qual o cientista formula (ou descobre) a hipótese ou teoria. Processo pelo qual o cientista testa, defende (ou justifica) a hipótese ou teoria. Teorias científicas do indutivismo
  • 28.
    1. Observação dosfactos ou fenómenos. O cientista parte da observação, que é neutra, isenta, rigorosa, objetiva e imparcial. Contexto de justificação 2. Formulação de hipóteses/ de teorias. O cientista formula a hipótese – explicação geral acerca dos fenómenos e das suas relações –, inferindo, através da indução, um enunciado geral a partir de enunciados particulares ou singulares. 3. Experimentação/Verificação experimental. O cientista deduz consequências da hipótese e procura verificá-las rigorosamente através de testes experimentais – verificação experimental, envolvendo aspetos quantitativos. Todos os dados obtidos e etapas da experimentação são anotadas e repetidas Se as consequências se verificarem em cada caso, dá-se a confirmação da hipótese. Se não, o cientista deve modificar a hipótese. 4. Generalização dos resultados/ Estabelecimento de leis. Recorrendo à indução, o cientista generaliza a relação encontrada entre os factos ou fenómenos uniformes e semelhantes, estabelecendo uma lei geral. Contexto de descoberta Procedimentos – Método Científico do indutivismo
  • 29.
    INDUTIVISMO Posição que salientaa importância da indução para a ciência Francis Bacon e John Stuart (representantes da perspetiva indutivista do método científico A indução é o único caminho possível para o progresso da perspetiva indutivista do método científica. O conhecimento científico deve fundar-se na indução e na experimentação e na metafísica ou na especulação. Os indutivistas destacam a indução , a experimentação e a observação (rigorosa e objetiva). A partir desta, é possível construir e testar as teorias ou hipóteses científicas.
  • 30.
    Críticas ao indutivismo Factos inobserváveis: Háteorias científicas que têm por base factos que não são observáveis /factos inobserváveis (ainda que alguns o possam vir a ser um dia). As teorias não resultam de um mero processo de indução, mas a partir de observações que podem ser não observáveis. Ex: partículas subatómicas; origem do universo Problema da indução. O raciocínio indutivo não tem o rigor lógico necessário às teorias científicas. A observação é o ponto de partida para fazer ciência? NÃO! A ciência provém de problemas a partir do confronto entre a observação e as expectativas e teorias.. A observação não é neutra, imparcial, pura ou isenta de pressupostos ou preconceitos. É afetada por pressupostos teóricos, conceitos e expetativas que o cientista desenvolve na investigação..
  • 31.
    Popper concorda comHume relativamente ao problema da indução: A indução não é racionalmente justificável. No entanto, acredita que este problema não põe em causa a ciência. Karl Popper A indução e a verificabilidade não constituem, do seu ponto de vista, aquilo que permite distinguir a ciência do que não é ciência. A perspetiva falsificacionista do método científico
  • 32.
    Leis ou teoriascientíficas ( de Karl Popper) São, para Popper, conjeturas que o cientista procurará submeter a testes que visam a sua refutação ou falsificação. Método crítico (método da discussão crítica) ou método das conjeturas e refutações. A ciência é uma atividade crítica.
  • 33.
    Tentativa de explicação: hipóteseou conjetura. Problema Tentativa de refutação: observação e testes experimentais. Método das conjeturas e refutações ( de Karl Popper) A hipótese não resiste aos testes Hipótese refutada Reformulação da hipótese ou formulação de nova hipótese A hipótese resiste aos testes Hipótese corroborada Continuação dos testes, cada vez mais severos
  • 34.
    Teorias científicas (de Karl Popper) São refutáveis e conjeturais. Uma boa teoria científica é uma teoria que, por ter continuamente resistido à sua falsificação, tem sido sucessivamente corroborada / comprovada.
  • 35.
    P → Q Q P • Se a teoria T é verdadeira, então o que ela prevê ocorre. • O que ela prevê não ocorre. • Logo a teoria T não é verdadeira. Falsificação de teorias • Se todos os planetas são esféricos, então o próximo planeta que descobrirmos será esférico. • O planeta que descobrimos não é esférico. • Logo, não é verdadeiro que todos os planetas são esféricos. Exemplo Modus tollens Este método não se baseia no raciocínio indutivo, mas sim no raciocínio dedutivo.
  • 36.
    P → Q Q P • Se a teoria T é verdadeira, então o que ela prevê ocorre. • O que ela prevê ocorre. • Logo a teoria T é verdadeira. Verificação de teorias • Se todos os metais são condutores de eletricidade, então o metal x será condutor de eletricidade. • O metal x (testado) conduziu eletricidade. • Logo, todos os metais são condutores de eletricidade. Exemplo Falácia da afirmação do consequente
  • 37.
    É posta emcausa a perspetiva indutivista do método científico. Teorias científicas Mesmo se estas passarem com sucesso nos testes, é incorreto afirmar que são verdadeiras É igualmente incorreto dizer que aumentou o seu grau de confirmação ou a probabilidade de serem verdadeiras.
  • 38.
    Críticas a Popper Popper,com o critério falsificacionista, subestima o valor, para o progresso da ciência, das previsões bem-sucedidas. Popper não dá conta do conhecimento útil da ciência, que tem um carácter positivo. O processo de falsificação não é o mais comum entre os cientistas. Popper apresenta uma conceção idealizada da ciência. Ao nível da história da ciência encontramos episódios que parecem pôr em causa a ideia de que a ciência progride por meio de conjeturas e refutações.
  • 39.
    4. Os problemasda evolução da ciência e da objetividade do conhecimento científico Ciência É geralmente entendida como uma atividade racional, sustentada em métodos, capaz de produzir conhecimento objetivo, no qual podemos confiar. Racionalidade científica No entanto, muitos filósofos procuram compreender como a ciência evolui e se essa evolução é inteiramente racional ou não.
  • 40.
    Como evolui aciência? A ciência é objetiva? Problema da evolução da ciência. Problema da objetividade do conhecimento científico.
  • 41.
    Popper A ciência progrideatravés do método das conjeturas e refutações. A possibilidade de as teorias científicas serem falsificadas ou refutadas permite à ciência avançar progressivamente, detetando erros ou falhas e propondo novas teorias. A perspetiva de Popper sobre a evolução da ciência
  • 42.
    Como evolui aciência? As teorias científicas que mais vão resistindo aos testes ousados e severos são as mais fortes e as que se mantêm vigentes; as teorias menos aptas são eliminadas e dadas como erros. Popper faz uma analogia com a teoria da evolução por seleção natural de Darwin.
  • 43.
    Problema Teoria (conjetura) Eliminação de erros (refutação) Novo problema … Sócom uma atitude crítica será possível ao cientista avançar. O seu objetivo é encontrar a verdade, ainda que essa tarefa corresponda apenas a uma aproximação à verdade.
  • 44.
    Explica os aspetosque a teoria anterior explicava. Nova teoria (melhor do que a teoria anterior) Elimina erros da teoria anterior. Resolve problemas que a teoria anterior não conseguia resolver.
  • 45.
    Verosimilhança Grau com queuma teoria capta a verdade: uma teoria é mais verosímil do que uma teoria rival apenas no caso de implicar mais verdades e menos falsidades do que essa teoria rival. Em ciência, podemos mostrar apenas que dada teoria é mais verosímil do que outra. Para Popper, o progresso na ciência (ou, pelo menos, o progresso significativo) é sempre revolucionário.
  • 46.
    Será que aciência é objetiva? Na escolha entre teorias concorrentes só intervêm critérios objetivos, sem a interferência de quaisquer aspetos subjetivos. Popper acredita que a ciência evolui de acordo com critérios racionais, lógicos e objetivos, e que o conteúdo das teorias obedece a princípios lógicos que garantem o rigor e a objetividade da ciência. A perspetiva de Popper sobre a objetividade da ciência
  • 47.
    Sucesso em testes independentes. Critérios objetivos paraa avaliação das teorias científicas Capacidade explicativa. Capacidade de prever novos fenómenos. A verdade é a meta para a qual a ciência avança.
  • 48.
    Kuhn Rejeita a ideia,defendida por Popper, de que a ciência evolui ou progride em direção à verdade. Na história da ciência, há longos períodos de estabilidade e curtos períodos de instabilidade. A perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência
  • 49.
    Análise do problema daevolução da ciência É sociológica, pois procura compreender o contexto em que a ciência se faz. É histórica, pois valoriza o contributo da história da ciência.
  • 50.
    A construção dasteorias científicas está sempre dependente de um paradigma, isto é, de um modo de perceber, abordar e resolver problemas que se institui no interior da comunidade científica. Paradigma científico Matriz disciplinar, ou uma visão do mundo que os membros de uma comunidade científica partilham e que fornece princípios teóricos e práticos para se fazer ciência num determinado domínio de investigação durante um certo período.
  • 51.
    Funciona como ummodelo de referência reconhecido por todos os cientistas. Fornece as regras, os objetivos, os métodos, os princípios teóricos e práticos, os problemas e as soluções modelares, para uma comunidade científica. É constituído pelas teorias fundamentais que a comunidade científica aceita. Inclui instrumentos, valores, objetivos e pressupostos metafísicos. Paradigma científico
  • 52.
    Pré-ciência (ausência de paradigma) Ciência normal (sobum paradigma) Ciência extraordinária (divergências na comunidade científica) Revolução científica (mudança de paradigma) Crise científica (por acumulação de anomalias persistentes) Desenvolvimento da ciência Ciência normal (sob um novo paradigma) Crise científica Ciência extraordinária Revolução científica Ciência normal
  • 53.
    Pré-ciência Fase pré-paradigmática, emque ainda não há ciência propriamente dita; é uma situação marcada por divergências e por tentativas avulsas de resolução dos problemas.
  • 54.
    Ciência normal Nos períodosde ciência normal, o desenvolvimento ou progresso da ciência é cumulativo, uma vez que a resolução de enigmas permite ampliar a aplicação do paradigma e acrescentar novos conhecimentos ao conhecimento já existente. Investigação que ocorre no âmbito de um dado paradigma aceite pela comunidade científica. Consiste essencialmente na resolução de enigmas (puzzles) de acordo com a aplicação dos princípios, regras e conceitos do paradigma vigente.
  • 55.
    Anomalias Por vezes, certosenigmas constituem verdadeiras ameaças à pesquisa científica. Problemas ou enigmas que os cientistas não conseguem resolver a partir dos pressupostos teóricos fundamentais de um paradigma, dentro do qual era suposto serem resolvidos.
  • 56.
    Num período deciência normal, a atitude da comunidade científica é de conservadorismo e de resistência à mudança. Os cientistas não abandonam o paradigma ou as teorias vigentes imediatamente após surgir uma anomalia. A maioria dos cientistas tudo faz para resolver as anomalias inesperadas.
  • 57.
    Acumulação de anomaliaspersistentes A ciência entra em crise. Ciência extraordinária Fase de questionamento dos pressupostos e fundamentos do paradigma vigente. Gera-se o debate sobre a manutenção do paradigma (velho) ou a escolha de um novo paradigma.
  • 58.
    Revolução científica Impõe umamudança de paradigma. Logo que o consenso em torno do novo paradigma se estabelece, tem início um novo período de ciência normal.
  • 59.
    Mudança de um paradigmapara outro É um processo revolucionário. Não é um processo cumulativo. As revoluções científicas são episódios de desenvolvimento não-cumulativo.
  • 60.
    Incomensurabilidade dos paradigmas Paradigma Y ParadigmaX Não existem, entre os paradigmas, pontos comuns a partir dos quais eles possam ser objetivamente comparados. Não são objetivamente comparáveis. São formas totalmente distintas de explicar e prever os fenómenos. A verdade das teorias científicas estará sempre dependente do paradigma em que elas se inserem, e aquilo que é verdadeiro num paradigma pode não o ser noutro.
  • 61.
    Representações cartográfica domodelo geocêntrico (à esquerda) e heliocêntrico (à direita). Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
  • 62.
    Representação de umburaco negro Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
  • 63.
    Representação da curvaespaço-tempo Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de imagens
  • 64.
    «“Estar consciente” é,em primeiro lugar, uma expressão puramente descritiva, que invoca a perceção imediata e segura. A experiência mostra-nos, em seguida, que um elemento psíquico – por exemplo, uma ideia – normalmente não é consciente de forma duradoura. É típico, isto sim, que o estado de consciência passe com rapidez; uma ideia agora consciente não o é mais no instante seguinte, mas pode voltar a sê-lo em determinadas condições fáceis de se produzirem. Nesse intervalo ela era ou estava – não sabemos o quê. Podemos dizer que era latente, com isso querendo dizer que a todo momento era capaz de tornar-se consciente. Ou, se dissermos que era inconsciente, também forneceremos uma descrição correta. Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência: exploração de texto e imagens Este “inconsciente” coincide com “latente, capaz de consciência”. É certo que os filósofos objetariam: “Não, o termo ‘inconsciente’ não pode ser usado aqui; enquanto a ideia estava em estado de latência não era nada psíquico”.» Sigmund Freud, O Eu e o Id (1923), in Sigmund Freud - Obras Completas, vol. 16, Companhia das Letras, pp. 12-13 (adaptado).
  • 65.
    Perspetiva de ThomasKuhn sobre a evolução da ciência. A incomensurabilidade dos paradigmas: exploração de imagens Kuhn exemplifica a incomensurabilidade dos paradigmas recorrendo às imagens da psicologia da forma (Gestalt): estas imagens ilustram a inesperada e total mutação de formas que ocorre de um paradigma para outro.
  • 66.
    Euclides Podemos considerar oexemplo das três conceções de espaço (a de Euclides, de Riemann e de Lobachevsky-Bolyai) que suportam três geometrias diferentes: todas podem ser verdadeiras, pois todas funcionam em paradigmas distintos. Perspetiva de Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência. A incomensurabilidade dos paradigmas: exploração de imagens Riemann Lobachevsky-Bolyai
  • 67.
    Incomensurabilidade dos paradigmase desenvolvimento da ciência Kuhn não entende a evolução da ciência como um processo de contínua aproximação à verdade, mas como um processo descontínuo, sem um fim predeterminado. O paradigma em vigor não está mais próximo da verdade do que o paradigma que ele substituiu.
  • 68.
    Críticas a Kuhn Comoa adesão da comunidade científica a um paradigma se assemelha a uma conversão religiosa, então existe irracionalidade na atividade científica, o que contradiz a ideia que temos da ciência. A tese da incomensurabilidade é desajustada e pouco plausível. Muitas teorias científicas são melhores do que outras: resolvem as anomalias e permitem fazer previsões mais rigorosas. Posição relativista sobre a ciência. Kuhn acaba por colocar as explicações que a ciência fornece num plano idêntico ao de outras explicações, como os mitos ou as lendas.
  • 69.
    A perspetiva deThomas Kuhn sobre a objetividade da ciência Kuhn acredita que a avaliação e a escolha das teorias científicas obedecem a determinados critérios que são conhecidos e partilhados no seio da comunidade científica. Critérios objetivos de escolha das teorias Alcance • Abrangência da teoria (quantidade e diversidade de fenómenos que ela é capaz de explicar). Fecundidade • Capacidade da teoria para impulsionar novas descobertas de investigação. Exatidão • Refere-se às previsões que a teoria permite fazer. Simplicidade • Sobriedade e elegância na forma como a teoria explica os fenómenos. Consistência • Coerência interna da teoria e sua compatibilidade com outras.
  • 70.
    Na escolha entreteorias rivais interferem não só fatores objetivos como também fatores subjetivos. Fatores que interferem na escolha de teorias Critérios partilhados pela comunidade científica; princípios, regras ou características como a simplicidade ou a exatidão das teorias. Critérios individuais; aspetos idiossincráticos, dependentes de aspetos biográficos e da personalidade dos cientistas. Objetivos Subjetivos
  • 71.
    Avaliação das teoriascientíficas Não é inteiramente determinada por critérios objetivos. Isto porque a interpretação e a aplicação desses critérios estão dependentes de fatores subjetivos. A ciência não é totalmente objetiva.
  • 72.
    Análise comparativa dasperspetivas de Popper e Kuhn sobre a ciência A ciência evolui através da eliminação de erros ou da refutação de teorias. As hipóteses sofrem uma espécie de evolução seletiva. O progresso significativo na ciência é sempre revolucionário. A ciência evolui progressivamente em direção à verdade. As teorias falsificadas são substituídas por outras melhores e que mais se aproximam da verdade (maior grau de verosimilhança). A ciência apresenta um desenvolvimento cumulativo dentro de cada paradigma (na fase de ciência normal) e um desenvolvimento não-cumulativo nas mudanças de paradigma (revoluções científicas). Os episódios revolucionários são muito raros no desenvolvimento da ciência. Não podemos dizer que a ciência evolui progressivamente em direção à verdade. A mudança de um paradigma para outro, não sendo cumulativa, significa apenas um modo diferente de entender o real (incomensurabilidade). Como evolui a ciência? Karl Popper Thomas Kuhn
  • 73.
    O conhecimento científicoé independente dos valores, opiniões, crenças dos cientistas. A escolha e a avaliação das teorias dependem apenas de critérios objetivos. Por isso, a ciência é objetiva. O conhecimento científico é um “conhecimento sem conhecedor”. A ciência é conjetural, ela não atinge a verdade, mas a verdade é sua meta (verdade como correspondência aos factos). O conhecimento científico é dependente dos valores, opiniões e crenças dos investigadores integrados numa comunidade científica. A escolha e a avaliação das teorias dependem de critérios objetivos e de fatores subjetivos. Por isso, a ciência não é totalmente objetiva. “Conhecimento sem conhecedor” é uma contradição. A verdade é sempre relativa ao paradigma vigente; só pode ser entendida dentro dos limites que ele impõe. O conhecimento científico é objetivo? Karl Popper Thomas Kuhn