EAD X EOL:                         Esse panorama começaria a mudar com a
                                              popularização dos PCs e, a partir daí, o
                                              próprio universo educacional ganharia uma
 aproximações e distinções                    nova configuração.




Ainda nos anos 80, do século passado,
verificaram-se, no Brasil, iniciativas
tímidas    para   agregar   os   recursos
tecnológicos aos suportes pedagógicos das
escolas. À época, o investimento do
Ministério da Educação era sintetizado
pelo programa nacional “Um rádio e uma
televisão em cada escola”, o que já não
era pouca coisa se levarmos em
consideração os muitos grotões pelo país
afora.

                                              Ao contrário do que se poderia supor,
                                              antes do advento do universo digital, já
                                              existia Educação à Distância (EAD). O que
                                              principiara como mero envio de cartas
                                              para agricultores tornou-se, nos anos trinta
                                              (do      século    XX),    um      processo
                                              institucionalizado e daí para a veiculação
                                              de programas educativos em rádio foi um
                                              pulo. Basta lembrar do Projeto Minerva,
                                              iniciativa governamental dos anos 70.


Curiosamente, nessa mesma década,
verificam-se as primeiras iniciativas na
seara dos computadores pessoais. A
incipiente indústria até então investira na
informatização corporativa, porque os
equipamentos eram grandes, caros e
demandavam         suportes      altamente
qualificados, que faziam do recurso à
informática um benefício para poucos.




                                              Alunos da comunidade Komixiwë
                                              (Ianomâmis), no município de Santa
                                              Isabel do Rio Negro, Amazonas,
                                              durante aula do Telecurso

                                              A chegada da televisão e a sua
                                              disseminação também se constituíram em
                                              oportunidades    para     atualizar     as
                                              ferramentas de EAD, haja vista as salas do



                      ELISABETH FERNANDES MARTINI – CEAD UNIRIO
programa Telecurso de 1º e 2º graus. No      Mas a educação online se distingue da
entanto, mesmo modernizando os recursos      educação à distância, principalmente pela
tecnológicos, a percepção sobre a quem se    concepção pedagógica. Para alcançarmos
destinava esse tipo de educação ainda era    esse contingente diferenciado, se não
francamente desfavorável ao aluno, que       passarmos a enxergar esse aluno hipotético
estaria sempre “correndo atrás do            como um sujeito que carece de interação
prejuízo”. Desse modo, estigmatizava-se a    para que esse aprendizado se constitua em
EAD como a única saída para quem não         algo significativo, continuaremos a fazer
dispunha de melhores opções. E pensando      tão somente EAD,ainda que com o aporte
assim, claramente se pronunciava o seu       de novas tecnologias. O computador, por si
perfil compensatório.                        só não realiza o “milagre”. O que
                                             precisamos é de seres pensantes, atuando
                                             simultaneamente como emissores e
                                             receptores de informação e se alternando
                                             no desempenho desses papéis, para que a
                                             EOL aconteça de fato. O que não dá para
                                             acontecer é vestir roupas novase cultivar
                                             velhas mentalidades...




Pudemos perceber, até agora, que EAD é
um conceito amplo que abrange todas as
formas possíveis de educação que se faça
chegar às mais distantes localidades, para
que o aluno possa fruí-la dentro das suas
possibilidades de tempo e que vá,
paulatinamente, investindo no seuauto-
aperfeiçoamento.     Mas essa definição
também pode servirpara a educação
online. Então cabe então a pergunta:         Uma revolução tecnológica de tal
                                             monta, mais dia, menos dia
A EOL é uma modalidade de EAD?
                                             haveria de repercutir no meio
O que mais se diz hoje em dia é que, com     educacional.
o crescimento da rede, as distâncias
ficaram menores, porque a educação está      Como vimos, a EOL tem pontos de contato
cada vez mais ao alcance de um clique.       com a EAD. Mas, por se constituir em troca
                                             efetiva, pode muito mais, porque:

                                                    pode se processar de forma
                                                    síncrona e assíncrona;
                                                    pressupõe interação entre os
                                                    atores;
                                                    tem um potencial ainda não
                                                    plenamente compreendido.

                                             Muito desse “salto para o futuro” depende
                                             da compreensão cada vez mais ampla que
                                             tenhamos do universo digital. Como disse
                                             Gonzaguinha, “vamos lá fazer o que será.”


                      ELISABETH FERNANDES MARTINI – CEAD UNIRIO

Ead x eol

  • 1.
    EAD X EOL: Esse panorama começaria a mudar com a popularização dos PCs e, a partir daí, o próprio universo educacional ganharia uma aproximações e distinções nova configuração. Ainda nos anos 80, do século passado, verificaram-se, no Brasil, iniciativas tímidas para agregar os recursos tecnológicos aos suportes pedagógicos das escolas. À época, o investimento do Ministério da Educação era sintetizado pelo programa nacional “Um rádio e uma televisão em cada escola”, o que já não era pouca coisa se levarmos em consideração os muitos grotões pelo país afora. Ao contrário do que se poderia supor, antes do advento do universo digital, já existia Educação à Distância (EAD). O que principiara como mero envio de cartas para agricultores tornou-se, nos anos trinta (do século XX), um processo institucionalizado e daí para a veiculação de programas educativos em rádio foi um pulo. Basta lembrar do Projeto Minerva, iniciativa governamental dos anos 70. Curiosamente, nessa mesma década, verificam-se as primeiras iniciativas na seara dos computadores pessoais. A incipiente indústria até então investira na informatização corporativa, porque os equipamentos eram grandes, caros e demandavam suportes altamente qualificados, que faziam do recurso à informática um benefício para poucos. Alunos da comunidade Komixiwë (Ianomâmis), no município de Santa Isabel do Rio Negro, Amazonas, durante aula do Telecurso A chegada da televisão e a sua disseminação também se constituíram em oportunidades para atualizar as ferramentas de EAD, haja vista as salas do ELISABETH FERNANDES MARTINI – CEAD UNIRIO
  • 2.
    programa Telecurso de1º e 2º graus. No Mas a educação online se distingue da entanto, mesmo modernizando os recursos educação à distância, principalmente pela tecnológicos, a percepção sobre a quem se concepção pedagógica. Para alcançarmos destinava esse tipo de educação ainda era esse contingente diferenciado, se não francamente desfavorável ao aluno, que passarmos a enxergar esse aluno hipotético estaria sempre “correndo atrás do como um sujeito que carece de interação prejuízo”. Desse modo, estigmatizava-se a para que esse aprendizado se constitua em EAD como a única saída para quem não algo significativo, continuaremos a fazer dispunha de melhores opções. E pensando tão somente EAD,ainda que com o aporte assim, claramente se pronunciava o seu de novas tecnologias. O computador, por si perfil compensatório. só não realiza o “milagre”. O que precisamos é de seres pensantes, atuando simultaneamente como emissores e receptores de informação e se alternando no desempenho desses papéis, para que a EOL aconteça de fato. O que não dá para acontecer é vestir roupas novase cultivar velhas mentalidades... Pudemos perceber, até agora, que EAD é um conceito amplo que abrange todas as formas possíveis de educação que se faça chegar às mais distantes localidades, para que o aluno possa fruí-la dentro das suas possibilidades de tempo e que vá, paulatinamente, investindo no seuauto- aperfeiçoamento. Mas essa definição também pode servirpara a educação online. Então cabe então a pergunta: Uma revolução tecnológica de tal monta, mais dia, menos dia A EOL é uma modalidade de EAD? haveria de repercutir no meio O que mais se diz hoje em dia é que, com educacional. o crescimento da rede, as distâncias ficaram menores, porque a educação está Como vimos, a EOL tem pontos de contato cada vez mais ao alcance de um clique. com a EAD. Mas, por se constituir em troca efetiva, pode muito mais, porque: pode se processar de forma síncrona e assíncrona; pressupõe interação entre os atores; tem um potencial ainda não plenamente compreendido. Muito desse “salto para o futuro” depende da compreensão cada vez mais ampla que tenhamos do universo digital. Como disse Gonzaguinha, “vamos lá fazer o que será.” ELISABETH FERNANDES MARTINI – CEAD UNIRIO