Indagações sobre
Currículo:
Diversidade e
Currículo
Msc. Maura Leal da Silva
Técnica da UOCUS- Especialista da Disciplina História
Algumas Indagações iniciais
O que entendemos por diversidade?
Qual é o lugar ocupado pela diversidade no cotidiano escolar?
Que diversidade pretendemos que esteja contemplada no
currículo das escolas e nas políticas de currículo?
Ela figura como tema que transversaliza o currículo?
Faz parte do núcleo comum?
Ou encontra espaço somente na parte diversificada?
Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas,
os nossos currículos, a nossa relação com os alunos e suas
famílias e as nossas relações profissionais?
Algumas Indagações iniciais
Como incorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas
curriculares das escolas e das redes de ensino?
Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem
apenas ser representados nos currículos?
Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm
contado sobre as relações raciais, os movimentos do campo, o
movimento indígena, o movimento das pessoas com deficiência, a
luta dos povos da floresta, as trajetórias dos jovens da periferia, as
vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das
mulheres?
São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em
noções estereotipadas ou realizam uma interpretação
emancipatória dessas lutas e grupos sociais?
Algumas Indagações iniciais
Que grupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente
representados de forma estereotipada e distorcida?
As Diversidades fazem partes do currículo vivenciado nas escolas e das
políticas curriculares?
Precisamos de um currículo específico que atenda a cada diferença?
Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma
maneira geral?
Com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas
identidades e diferenças?
Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade, mas
agindo, planejando, organizando o currículo como se os alunos fossem
um bloco homogêneo e um corpo abstrato?
O que é Diversidade?
Conceito: variedade, diferença e
multiplicidade.
Do ponto de vista cultural, a diversidade
pode ser entendida como a construção
histórica, cultural e social das diferenças.
DIVERSIDADE:
É um componente do desenvolvimento biológico e
cultural da humanidade;
 Ela se constroi no contexto social;
 Está presente na produção de práticas, saberes,
valores, linguagens, técnicas artísticas, científicas,
representações do mundo, experiências de
sociabilidade e de aprendizagem;
 Pode ser entendida como um fenômeno que
atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão
cada vez mais séria quanto mais complexas vão se
tornando as sociedades.
“ A diversidade faz parte do acontecer humano”
A Diversidade Brasileira
“O Brasil é,
social e
culturalmente,
um dos países
mais complexos
da terra”.
(Robert SHIRLEY, Robert Weaver
- Antropologia Jurídica. Editora
Saraiva, 1936)
Educação e Diversidade
A relação entre currículo e diversidade é
complexa.
Para avançarmos nessas questões, uma
outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter
clareza sobre a concepção de educação
que nos orienta.
 O trata com a diferença faz parte das
práticas educativas, seja para reforçá-la ou
para combatê-la.
Alguns aspectos acerca da diversidade
• Diversidade biológica e currículo;
• Diversidade cultural e currículo;
• A luta política pelo direito à diversidade;
• Diversidade e conhecimento;
• Diversidade e ética;
• Diversidade e organização dos tempos e
espaços escolares.
Diversidade biológica e currículo
Os seres humanos, enquanto seres
vivos, apresentam diversidade
biológica.
Ao longo do processo histórico e
cultural e no contexto das relações de
poder estabelecidas entre os
diferentes grupos humanos, algumas
dessas variabilidades do gênero
humano receberam leituras
estereotipadas e preconceituosas,
passaram a ser exploradas e tratadas
de forma desigual e discriminatória.
Biodiversidade e Populações
tradicionais
• Existem grupos humanos
que, devido a sua história e
cultura, garantem sua
sobrevivência e produzem
conhecimentos por meio
de uma relação mais direta
com o ambiente em que
vivem.
• Indígenas, as comunidades
tradicionais (como os
seringueiros), os
remanescentes de
quilombos, os
trabalhadores do campo e
demais povos da floresta.
Diversidade cultural e currículo
• Somos ao mesmo
tempo semelhantes e
muito diferentes
• O que nos torna mais
semelhantes
enquanto gênero
humano é o fato de
todos apresentarmos
diferenças: de
gênero, raça/etnia,
idades, culturas,
experiências, entre
outros.
A Diversidade Cultural
• Anda lado a lado com a construção dos processos
identitários;
• Não se constrói isoladamente;
• Não é inata;
• Varia de contexto para contexto;
• é construída em contextos históricos socioeconômicos e
políticos tensos, marcados por processos de colonização e
dominação.
• Transita portanto em um terreno das desigualdades, das
identidades e das diferenças.
A luta política pelo direito à diversidade
• Muito do que fomos educados a ver e distinguir
como diferença é, na realidade, uma invenção
humana.
• A inserção da diversidade nos currículos implica
compreender as causas políticas, econômicas e
sociais de fenômenos como etnocentrismo,
racismo, sexismo, homofobia e xenofobia.
• Algumas diferenças foram naturalizadas e
inferiorizadas sendo, portanto, tratadas de forma
desigual e discriminatória.
Algumas Reflexões
• Há diversos conhecimentos produzidos pela
humanidade que ainda estão ausentes nos
currículos e na formação dos professores;
• É urgente incorporar esses conhecimentos
que versam sobre a produção histórica das
diferenças e das desigualdades para superar
tratos escolares românticos sobre a
diversidade.
Movimentos Sociais e Diversidade
• Os movimentos sociais e culturais
possuem um papel preponderante
nas demandas em prol do respeito
à diversidade no currículo.
• Tais movimentos indagam a
sociedade como um todo e,
enquanto sujeitos políticos,
colocam em xeque a escola
uniformizadora.
• Questionam os currículos,
imprimem mudanças nos projetos
pedagógicos, interferem na política
educacional e na elaboração de leis
educacionais e diretrizes
curriculares.
Igualdade: Reconhecimento Identitário
• O Direitos Humanos Universais – Declaração
Universal dos Direitos Humanos- de 14 de
dez. de 1948.- Marcado pela tônica da
proteção global.
• Ao lado do direito à igualdade, surge o
direito à diferença.
• Igualdade orientada pelos critérios de
gênero, orientação sexual, idade, etnia e
demais critérios.
• A Constituição de
1988 inaugura uma
Carta de Direitos até
então inédita no
Brasil e reflete a
Declaração Universal
dos Direitos
Humanos;
Diversidade e
Políticas Educacionais no Brasil
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
– LDB nº 9394/96
No artigo 26:
• “Os currículos do ensino fundamental e médio
devem ter uma base nacional comum, a ser
complementada, em cada sistema de ensino e
estabelecimento escolar, por uma parte
diversificada, exigida pelas características
regionais e locais da sociedade, da cultura, da
economia e da clientela.”,
A lei 5692/71.
• Ainda estamos presos à divisão núcleo comum
e parte diversificada presente nesta lei.
• O peso da rigidez dessa lei marcou
profundamente a organização e a estrutura da
escolas. É dela que herdamos, sobretudo, a
forma fragmentada de como o conhecimento
escolar e o currículo ainda são tratados e a
persistente associação entre educação escolar
e preparo para o mercado de trabalho.
Alguns Avanços Políticos
• Em 2002, o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes
Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, por
meio da Resolução CNE/CEB n. 01, de 03 de abril de 2002.
• Criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da
Igualdade Racial (SEPPIR).
• No interior da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade (SECAD), Coordenadoria de Diversidade e Inclusão
Educacional.
• A lei de nº 10.639/03. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino
da História da África e da Cultura Afro- Brasileira nos currículos dos
estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação
básica.
• O Conselho Nacional de Educação aprovou a Resolução 01 de 17 de
março de 2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais
para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de
História e Cultura Afro-Brasileira.
Que indagações a diversidade traz aos
currículos?
• A questão da diversidade aparece, porém, não
como um dos eixos centrais da orientação
curricular, mas, sim, como um tema.
• A diversidade é vista e reduzida sob a ótica
das manifestações culturais.
• A cultura não deve ser vista como um tema e
nem como disciplina, mas como um eixo que
orienta as experiências e práticas curriculares.
Para Refletir
• “ Temos o direito a ser iguais quando a nossa
diferença nos inferioriza; e temos o direito a
ser diferentes quando a nossa igualdade nos
descaracteriza. Daí nossa necessidade de uma
igualdade que reconheça as diferenças e de
uma diferença que não produza, alimente ou
reproduza as desigualdades”
Boaventura de Souza Santos

Diversidade e Curriculo, a vida academica.ppt

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    Indagações sobre Currículo: Diversidade e Currículo Msc.Maura Leal da Silva Técnica da UOCUS- Especialista da Disciplina História
  • 2.
    Algumas Indagações iniciais Oque entendemos por diversidade? Qual é o lugar ocupado pela diversidade no cotidiano escolar? Que diversidade pretendemos que esteja contemplada no currículo das escolas e nas políticas de currículo? Ela figura como tema que transversaliza o currículo? Faz parte do núcleo comum? Ou encontra espaço somente na parte diversificada? Que concepções de diversidade permeiam as nossas práticas, os nossos currículos, a nossa relação com os alunos e suas famílias e as nossas relações profissionais?
  • 3.
    Algumas Indagações iniciais Comoincorporar a discussão sobre a biodiversidade nas propostas curriculares das escolas e das redes de ensino? Que grupos sociais têm o poder de se representar e quais podem apenas ser representados nos currículos? Podemos indagar que histórias as narrativas do currículo têm contado sobre as relações raciais, os movimentos do campo, o movimento indígena, o movimento das pessoas com deficiência, a luta dos povos da floresta, as trajetórias dos jovens da periferia, as vivências da infância (principalmente a popular) e a luta das mulheres? São narrativas que fixam os sujeitos e os movimentos sociais em noções estereotipadas ou realizam uma interpretação emancipatória dessas lutas e grupos sociais?
  • 4.
    Algumas Indagações iniciais Quegrupos sociais e étnico/raciais têm sido historicamente representados de forma estereotipada e distorcida? As Diversidades fazem partes do currículo vivenciado nas escolas e das políticas curriculares? Precisamos de um currículo específico que atenda a cada diferença? Ou essas discussões podem e devem ser incluídas no currículo de uma maneira geral? Com que olhar foram e são vistos os educandos nas suas diversas identidades e diferenças? Será que ainda continuamos discursando sobre a diversidade, mas agindo, planejando, organizando o currículo como se os alunos fossem um bloco homogêneo e um corpo abstrato?
  • 5.
    O que éDiversidade? Conceito: variedade, diferença e multiplicidade. Do ponto de vista cultural, a diversidade pode ser entendida como a construção histórica, cultural e social das diferenças.
  • 6.
    DIVERSIDADE: É um componentedo desenvolvimento biológico e cultural da humanidade;  Ela se constroi no contexto social;  Está presente na produção de práticas, saberes, valores, linguagens, técnicas artísticas, científicas, representações do mundo, experiências de sociabilidade e de aprendizagem;  Pode ser entendida como um fenômeno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma questão cada vez mais séria quanto mais complexas vão se tornando as sociedades. “ A diversidade faz parte do acontecer humano”
  • 7.
    A Diversidade Brasileira “OBrasil é, social e culturalmente, um dos países mais complexos da terra”. (Robert SHIRLEY, Robert Weaver - Antropologia Jurídica. Editora Saraiva, 1936)
  • 8.
    Educação e Diversidade Arelação entre currículo e diversidade é complexa. Para avançarmos nessas questões, uma outra tarefa faz-se necessária: é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta.  O trata com a diferença faz parte das práticas educativas, seja para reforçá-la ou para combatê-la.
  • 9.
    Alguns aspectos acercada diversidade • Diversidade biológica e currículo; • Diversidade cultural e currículo; • A luta política pelo direito à diversidade; • Diversidade e conhecimento; • Diversidade e ética; • Diversidade e organização dos tempos e espaços escolares.
  • 10.
    Diversidade biológica ecurrículo Os seres humanos, enquanto seres vivos, apresentam diversidade biológica. Ao longo do processo histórico e cultural e no contexto das relações de poder estabelecidas entre os diferentes grupos humanos, algumas dessas variabilidades do gênero humano receberam leituras estereotipadas e preconceituosas, passaram a ser exploradas e tratadas de forma desigual e discriminatória.
  • 11.
    Biodiversidade e Populações tradicionais •Existem grupos humanos que, devido a sua história e cultura, garantem sua sobrevivência e produzem conhecimentos por meio de uma relação mais direta com o ambiente em que vivem. • Indígenas, as comunidades tradicionais (como os seringueiros), os remanescentes de quilombos, os trabalhadores do campo e demais povos da floresta.
  • 12.
    Diversidade cultural ecurrículo • Somos ao mesmo tempo semelhantes e muito diferentes • O que nos torna mais semelhantes enquanto gênero humano é o fato de todos apresentarmos diferenças: de gênero, raça/etnia, idades, culturas, experiências, entre outros.
  • 13.
    A Diversidade Cultural •Anda lado a lado com a construção dos processos identitários; • Não se constrói isoladamente; • Não é inata; • Varia de contexto para contexto; • é construída em contextos históricos socioeconômicos e políticos tensos, marcados por processos de colonização e dominação. • Transita portanto em um terreno das desigualdades, das identidades e das diferenças.
  • 14.
    A luta políticapelo direito à diversidade • Muito do que fomos educados a ver e distinguir como diferença é, na realidade, uma invenção humana. • A inserção da diversidade nos currículos implica compreender as causas políticas, econômicas e sociais de fenômenos como etnocentrismo, racismo, sexismo, homofobia e xenofobia. • Algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo, portanto, tratadas de forma desigual e discriminatória.
  • 15.
    Algumas Reflexões • Hádiversos conhecimentos produzidos pela humanidade que ainda estão ausentes nos currículos e na formação dos professores; • É urgente incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades para superar tratos escolares românticos sobre a diversidade.
  • 16.
    Movimentos Sociais eDiversidade • Os movimentos sociais e culturais possuem um papel preponderante nas demandas em prol do respeito à diversidade no currículo. • Tais movimentos indagam a sociedade como um todo e, enquanto sujeitos políticos, colocam em xeque a escola uniformizadora. • Questionam os currículos, imprimem mudanças nos projetos pedagógicos, interferem na política educacional e na elaboração de leis educacionais e diretrizes curriculares.
  • 17.
    Igualdade: Reconhecimento Identitário •O Direitos Humanos Universais – Declaração Universal dos Direitos Humanos- de 14 de dez. de 1948.- Marcado pela tônica da proteção global. • Ao lado do direito à igualdade, surge o direito à diferença. • Igualdade orientada pelos critérios de gênero, orientação sexual, idade, etnia e demais critérios.
  • 18.
    • A Constituiçãode 1988 inaugura uma Carta de Direitos até então inédita no Brasil e reflete a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
  • 19.
  • 20.
    Lei de Diretrizese Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394/96 No artigo 26: • “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.”,
  • 21.
    A lei 5692/71. •Ainda estamos presos à divisão núcleo comum e parte diversificada presente nesta lei. • O peso da rigidez dessa lei marcou profundamente a organização e a estrutura da escolas. É dela que herdamos, sobretudo, a forma fragmentada de como o conhecimento escolar e o currículo ainda são tratados e a persistente associação entre educação escolar e preparo para o mercado de trabalho.
  • 22.
    Alguns Avanços Políticos •Em 2002, o Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, por meio da Resolução CNE/CEB n. 01, de 03 de abril de 2002. • Criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). • No interior da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), Coordenadoria de Diversidade e Inclusão Educacional. • A lei de nº 10.639/03. Esta lei torna obrigatória a inclusão do ensino da História da África e da Cultura Afro- Brasileira nos currículos dos estabelecimentos de ensino públicos e particulares da educação básica. • O Conselho Nacional de Educação aprovou a Resolução 01 de 17 de março de 2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira.
  • 23.
    Que indagações adiversidade traz aos currículos? • A questão da diversidade aparece, porém, não como um dos eixos centrais da orientação curricular, mas, sim, como um tema. • A diversidade é vista e reduzida sob a ótica das manifestações culturais. • A cultura não deve ser vista como um tema e nem como disciplina, mas como um eixo que orienta as experiências e práticas curriculares.
  • 24.
    Para Refletir • “Temos o direito a ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí nossa necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades” Boaventura de Souza Santos