Diarreia
Persistente
R1: Thais Reggiani Cintra
Orientação: Dra Fernanda D’Amico
“Episódio de diarreia que inicia
agudamente, cuja a etiologia
seja presumivelmente infecciosa,
e prolonga-se por 14 dias ou
mais, com danos nutricionais e
condição de alto risco à vida.”
Definição
OMS,1987
O termo não inclui as formas
crônicas ou recorrentes de
diarreia, como sprue tropical,
doença celíaca, fibrose cística e
outras afecções hereditárias com
manifestações diarreicas.
Definição
OMS,1987
Definição
Porque o “ponto de corte” de 14 dias?
• Taxas de mortalidade:
• Até 14 dias: 0,8%
• Maior que 14 dias: subiam para 14%
Caracterizando essa
síndrome como
provocadora de alto
risco de vida
Epidemiologia
Doença diarreica
Terceira principal causa de morte em crianças abaixo dos 5 anos de idade
Causas neonatais 🡪 pneumonia 🡪 Doença diarreica
Responsável por 1,5 milhões das mortes anualmente ao redor do mundo
(2011)
Alcançando 16% das mortes nessa faixa etária
Epidemiologia
Epidemiologia
Diarréia persistente:
• 35% dos óbitos por diarreia em crianças abaixo de 5 anos (OMS)
• Menores taxas de mortalidade por diarreia aguda após a Terapia de Reidratação
Oral (TRO).
• Em geral, em crianças abaixo dos 3 anos de idade.
Evolução de um episódio de diarreia aguda para persistente:
• Entre 1,4% a 28% em crianças menores de 5 anos de Idade
• No Brasil, em regiões de baixa renda, cerca de 10-56,9% das diarreias agudas
evoluem por mais de 2 semanas
Etiologia
Obs: não encontrou associação de Rotavírus com diarreia persistente
Agentes mais comuns
E. Coli
Enteropatogênica
clássica (EPEC)
Enteroagregativa
E. coli (EAEC)
Salmonella
Shigella
Giardia
(episódios agudos)
Cryptosporidium
(HIV)
Fatores de Risco
Episódio prévio
de diarreia
persistente
Desnutrição
prévia
Uso de
antibióticos
Enteropatógenos
nas fezes
Idade inferior a
6 meses
Baixo peso ao
nascer
Desmame
precoce
Internação prévia
por diarreia
Deficiência
imunológica
celular
Restrição
alimentar durante
o quadro de
diarreia aguda
Baixa
escolaridade dos
pais
Fatores
ambientais
desfavoráveis
complicações
Crítico do
crescimento físico e
do desenvolvimento
mental
Agravos na curva
pondero-estatural
Déficit nas funções
intelectual e
cognitiva
Déficit nas futuro
desempenho
escolar
Aumento da
morbimortalidade
por outras
patologias
Colite
Fisiopatogenia
Com a continuidades pode haver deficiência na absorção de glicose, galactose e frutose
Enteropatógenos
Lesão da mucosa
intestinal
Alteração da morfologia
do enterócito
+
descamação da
mucosa
Deficiências
enzimática
Má absorção de
carboidratos
Intolerância a
lactose
Fenômeno
osmótico
Persistência do
quadro, com
alteração da
barreira de
permeabilidade
Passagem de
proteínas pela
mucosa, através da
barreira de
permeabilidade
Alergia à proteínas
(APLV)
Fisiopatogenia
Quebra da
homeostase
intestinal
Sobrecrescimento
bacteriano do
intestino delgado
(Veillonella e Bacteroide)
Predispõe o
dano da
mucosa
intestinal
Desconjugação
e desidroxilação
dos sais biliares
Diminuição da
superfície de
absorção
Desconjugação
dos ácidos
biliares
Má absorção de
gordura
Enterorréia e
diarreia
colerética
Fisiopatogenia
Fator determinante de
ausência de recuperação da
mucosa intestinal
• Desnutrição
energético-proteica
• Deficiências específicas de
micronutrientes
Microscopia
• Achatamento das
microvilosidades
• Número aumentado de corpos
multivesiculares e
vacuolização das mitocôndrias
e do retículo endoplasmático.
• Aumento da espessura da
lâmina basal dos enterócitos e
do endotélio dos vasos
• Depósito de colágeno na
lâmina própria
Quadro clínico
Mais amolecidas
Aumento do número de evacuações
Fezes mudança no padrão das fezes
Distúrbios eletrolíticos
Má absorção foi definida por presença de nutrientes nas fezes, acompanhada de perda ou ganho
insuficiente de peso, com dieta apropriada para a idade.
Síndrome de má absorção
Desnutrição
Comprometimento da imunidade
Maior suscetibilidade às infecções e septicemia
Diagnóstico
Anamnese
Exame físico
Cultura das fezes
Avaliar absorção de carboidratos
Ex: lactose, glicose e frutose
Teste de hidrogênio no ar expirado
pH fecal e a pesquisa de substâncias redutoras nas fezes, além da pesquisa de leucócitos e sangue oculto e da
determinação da α1 antitripsina fecal e do esteatócrito eletrólitos fecais
Distinguir a diarreia osmótica da secretora
Biopsia do intestino delgado (EDA)
Tratamento
Bases
Mesmas medidas da diarreia aguda
Restaurar os déficits hidroeletrolíticos e repor as perdas fecais, até que o processo diarreico cesse.
Terapia de reidratação oral
Recuperação nutricional (ponto central)
Realimentação precoce (alimentação usual à idade)
Diminuição da lactose (Intolerância à lactose secundária)
Tratamento
Fórmulas hidrolisadas até 6 semanas (PREGOMIM).
Dieta
Inicia
75kcal/kg/dia
Aumentada
em
25kcal/kg/dia
Alvo
250kcal/kg/dia
Tratamento
• Fórmulas hidrolisadas são caras, mas hoje quando há indicação o
governo fornece.
• Preconiza terapia nutricional, usando alimentos baratos, disponíveis,
com suplementação mineral e vitamínica.
• BASE: fórmulas isentas de lactose.
• Fórmulas de arroz, que devem ser preparadas com adição de óleo
vegetal para aumento da oferta calórica
• Fórmulas de soja
• Fórmula de frango (usada no passado, quando não havia hidrolisado)
• Na impossibilidade de atingir a oferta proteico calórica adequada, alguns
autores sugerem o uso de coalhada
OMS POPULAÇÃO CARENTE/
SITUAÇÕES EXTREMAS
Tratamento
• Somente deve ser utilizada em último caso,
naqueles pacientes com intolerância alimentar
múltipla, inclusive aos monossacarídeos
• Preferentemente por via periférica para
• Diminuir os riscos de infecção sistêmica devido à
contaminação do cateter
• Sempre objetivando o retorno a dieta por via oral o
mais rapidamente possível.
Via parenteral
Tratamento
Devem ser administrados a
pacientes com diarreia
persistente, por sua ação sobre
a mucosa intestinal e sobre a
resposta imune
Vitamina A
Ácido fólico
Ferro
Vitamina B1
Suplementação de zinco
Diminui significativamente
o tempo de recuperação
em crianças desnutridas
10 mg/dia
Por 2 a 3 meses depois de
cessar o episódio de
diarreia
Tratamento
Provas de supressão e provocação com as proteínas em questão (leite de vaca)
Diagnóstico presuntivo de alergia alimentar
Devem ser investigadas para outras alterações
Intolerância aos monossacáridos Alergia à proteínas da dieta.
Crianças não respondem a essa proposta dietética
E O
ANTIBIOTICO?
Tratamento
Não têm ação benéfica sobre o controle da diarreia.
Indica-se a antibioticoterapia na infecção prolongada por Salmonella, Giardia, Cyclospora,
Strongyloides e E. coli enteroagregativa
Especialmente em menores de 3 meses de vida, desnutridos, imunodeprimidos ou apresentar sinais de doença
invasiva
A decisão de prescrever antibióticos fica limitada à comprovação laboratorial do agente
enteropatogênico nas fezes e ao tipo de resistência microbiana
Profilaxia
Aleitamento materno exclusivo
Acesso à agua tratada
Cuidado de higiene pessoal e da dieta
Cuidados de nutrição e hidratação
Obrigada!
BORA COMER!!!

Diarreia_persistente.pptx

  • 1.
    Diarreia Persistente R1: Thais ReggianiCintra Orientação: Dra Fernanda D’Amico
  • 2.
    “Episódio de diarreiaque inicia agudamente, cuja a etiologia seja presumivelmente infecciosa, e prolonga-se por 14 dias ou mais, com danos nutricionais e condição de alto risco à vida.” Definição OMS,1987
  • 3.
    O termo nãoinclui as formas crônicas ou recorrentes de diarreia, como sprue tropical, doença celíaca, fibrose cística e outras afecções hereditárias com manifestações diarreicas. Definição OMS,1987
  • 4.
    Definição Porque o “pontode corte” de 14 dias? • Taxas de mortalidade: • Até 14 dias: 0,8% • Maior que 14 dias: subiam para 14% Caracterizando essa síndrome como provocadora de alto risco de vida
  • 5.
    Epidemiologia Doença diarreica Terceira principalcausa de morte em crianças abaixo dos 5 anos de idade Causas neonatais 🡪 pneumonia 🡪 Doença diarreica Responsável por 1,5 milhões das mortes anualmente ao redor do mundo (2011) Alcançando 16% das mortes nessa faixa etária
  • 6.
  • 7.
    Epidemiologia Diarréia persistente: • 35%dos óbitos por diarreia em crianças abaixo de 5 anos (OMS) • Menores taxas de mortalidade por diarreia aguda após a Terapia de Reidratação Oral (TRO). • Em geral, em crianças abaixo dos 3 anos de idade. Evolução de um episódio de diarreia aguda para persistente: • Entre 1,4% a 28% em crianças menores de 5 anos de Idade • No Brasil, em regiões de baixa renda, cerca de 10-56,9% das diarreias agudas evoluem por mais de 2 semanas
  • 8.
    Etiologia Obs: não encontrouassociação de Rotavírus com diarreia persistente Agentes mais comuns E. Coli Enteropatogênica clássica (EPEC) Enteroagregativa E. coli (EAEC) Salmonella Shigella Giardia (episódios agudos) Cryptosporidium (HIV)
  • 9.
    Fatores de Risco Episódioprévio de diarreia persistente Desnutrição prévia Uso de antibióticos Enteropatógenos nas fezes Idade inferior a 6 meses Baixo peso ao nascer Desmame precoce Internação prévia por diarreia Deficiência imunológica celular Restrição alimentar durante o quadro de diarreia aguda Baixa escolaridade dos pais Fatores ambientais desfavoráveis
  • 10.
    complicações Crítico do crescimento físicoe do desenvolvimento mental Agravos na curva pondero-estatural Déficit nas funções intelectual e cognitiva Déficit nas futuro desempenho escolar Aumento da morbimortalidade por outras patologias Colite
  • 11.
    Fisiopatogenia Com a continuidadespode haver deficiência na absorção de glicose, galactose e frutose Enteropatógenos Lesão da mucosa intestinal Alteração da morfologia do enterócito + descamação da mucosa Deficiências enzimática Má absorção de carboidratos Intolerância a lactose Fenômeno osmótico Persistência do quadro, com alteração da barreira de permeabilidade Passagem de proteínas pela mucosa, através da barreira de permeabilidade Alergia à proteínas (APLV)
  • 12.
    Fisiopatogenia Quebra da homeostase intestinal Sobrecrescimento bacteriano do intestinodelgado (Veillonella e Bacteroide) Predispõe o dano da mucosa intestinal Desconjugação e desidroxilação dos sais biliares Diminuição da superfície de absorção Desconjugação dos ácidos biliares Má absorção de gordura Enterorréia e diarreia colerética
  • 13.
    Fisiopatogenia Fator determinante de ausênciade recuperação da mucosa intestinal • Desnutrição energético-proteica • Deficiências específicas de micronutrientes Microscopia • Achatamento das microvilosidades • Número aumentado de corpos multivesiculares e vacuolização das mitocôndrias e do retículo endoplasmático. • Aumento da espessura da lâmina basal dos enterócitos e do endotélio dos vasos • Depósito de colágeno na lâmina própria
  • 14.
    Quadro clínico Mais amolecidas Aumentodo número de evacuações Fezes mudança no padrão das fezes Distúrbios eletrolíticos Má absorção foi definida por presença de nutrientes nas fezes, acompanhada de perda ou ganho insuficiente de peso, com dieta apropriada para a idade. Síndrome de má absorção Desnutrição Comprometimento da imunidade Maior suscetibilidade às infecções e septicemia
  • 15.
    Diagnóstico Anamnese Exame físico Cultura dasfezes Avaliar absorção de carboidratos Ex: lactose, glicose e frutose Teste de hidrogênio no ar expirado pH fecal e a pesquisa de substâncias redutoras nas fezes, além da pesquisa de leucócitos e sangue oculto e da determinação da α1 antitripsina fecal e do esteatócrito eletrólitos fecais Distinguir a diarreia osmótica da secretora Biopsia do intestino delgado (EDA)
  • 16.
    Tratamento Bases Mesmas medidas dadiarreia aguda Restaurar os déficits hidroeletrolíticos e repor as perdas fecais, até que o processo diarreico cesse. Terapia de reidratação oral Recuperação nutricional (ponto central) Realimentação precoce (alimentação usual à idade) Diminuição da lactose (Intolerância à lactose secundária)
  • 17.
    Tratamento Fórmulas hidrolisadas até6 semanas (PREGOMIM). Dieta Inicia 75kcal/kg/dia Aumentada em 25kcal/kg/dia Alvo 250kcal/kg/dia
  • 18.
    Tratamento • Fórmulas hidrolisadassão caras, mas hoje quando há indicação o governo fornece. • Preconiza terapia nutricional, usando alimentos baratos, disponíveis, com suplementação mineral e vitamínica. • BASE: fórmulas isentas de lactose. • Fórmulas de arroz, que devem ser preparadas com adição de óleo vegetal para aumento da oferta calórica • Fórmulas de soja • Fórmula de frango (usada no passado, quando não havia hidrolisado) • Na impossibilidade de atingir a oferta proteico calórica adequada, alguns autores sugerem o uso de coalhada OMS POPULAÇÃO CARENTE/ SITUAÇÕES EXTREMAS
  • 19.
    Tratamento • Somente deveser utilizada em último caso, naqueles pacientes com intolerância alimentar múltipla, inclusive aos monossacarídeos • Preferentemente por via periférica para • Diminuir os riscos de infecção sistêmica devido à contaminação do cateter • Sempre objetivando o retorno a dieta por via oral o mais rapidamente possível. Via parenteral
  • 20.
    Tratamento Devem ser administradosa pacientes com diarreia persistente, por sua ação sobre a mucosa intestinal e sobre a resposta imune Vitamina A Ácido fólico Ferro Vitamina B1 Suplementação de zinco Diminui significativamente o tempo de recuperação em crianças desnutridas 10 mg/dia Por 2 a 3 meses depois de cessar o episódio de diarreia
  • 21.
    Tratamento Provas de supressãoe provocação com as proteínas em questão (leite de vaca) Diagnóstico presuntivo de alergia alimentar Devem ser investigadas para outras alterações Intolerância aos monossacáridos Alergia à proteínas da dieta. Crianças não respondem a essa proposta dietética
  • 22.
  • 23.
    Tratamento Não têm açãobenéfica sobre o controle da diarreia. Indica-se a antibioticoterapia na infecção prolongada por Salmonella, Giardia, Cyclospora, Strongyloides e E. coli enteroagregativa Especialmente em menores de 3 meses de vida, desnutridos, imunodeprimidos ou apresentar sinais de doença invasiva A decisão de prescrever antibióticos fica limitada à comprovação laboratorial do agente enteropatogênico nas fezes e ao tipo de resistência microbiana
  • 24.
    Profilaxia Aleitamento materno exclusivo Acessoà agua tratada Cuidado de higiene pessoal e da dieta Cuidados de nutrição e hidratação
  • 25.

Notas do Editor

  • #3 O termo não inclui as formas crônicas ou recorrentes de diarréia, como sprue tropical, doença celíaca, fibrose cística e outras desordens hereditárias com manifestações diarréica7.
  • #4 O espru tropical é uma doença rara e de causa desconhecida que afeta habitantes de zonas tropicais e subtropicais que desenvolvem anormalidades do revestimento do intestino delgado, provocando má absorção e deficiências de muitos nutrientes. A causa é desconhecida; porém, suspeita-se de infecção. Os sintomas característicos incluem anemia, fezes de cor clara, diarreia crônica e perda de peso. O médico baseia o diagnóstico nos sintomas em uma pessoa que vive ou esteve recentemente em uma das regiões onde essa doença ocorre frequentemente. O antibiótico tetraciclina trata a doença.
  • #5 O termo não inclui as formas crônicas ou recorrentes de diarréia, como sprue tropical, doença celíaca, fibrose cística e outras desordens hereditárias com manifestações diarréica7.
  • #11 É importante fazer uma distinção entre a enteropatia causada pela persistência da colonização bacteriana e a enteropatia pós-infecciosa que ocorre por uma falha ou por um retardo na regeneração da mucosa intestinal30.
  • #17  Uso de antimicrobianos contraindicado para tratamento ou profilaxia Excerto em casos de desnutrição grave, imunodeprimidos ou imunossuprimidos com infecção comprovada e dirigido ao agente infeccioso etiológico