Design autogestionário:
experiências e prospecções
Frederick van Amstel @usabilidoido


Design de Serviços e Design de Experiências


DADIN - UTFPR
O que é autogestão hoje
•Capacidade de um
indivíduo ou de um
coletivo de gerir suas
atividades de maneira
sustentável sem a
necessidade de um gestor
ou chefe


•Participação nos lucros e
em decisões estratégicas
O que poderia ser autogestão
•Uma maneira de organizar
a produção da sociedade à
partir dos desejos que as
pessoas sentem no seu
cotidiano


•Como os desejos são
diversos, é preciso que
hajam diversos pequenos
coletivos autônomos
capazes de realizá-los
Economia Solidária
•Circuitos econômicos
alternativos ou
complementares ao
capitalismo


•Transações econômicas
que visam a solidariedade
comunitária e o bem viver


•Comércio justo e boas
condições de trabalho
Autogestão solidária brasileira
•Rodízio de tarefas: todo
mundo faz tudo


•Divisão em grupos de
trabalho (GTs) sem
hierarquia entre si


•Tomadas de decisões
cruciais só em assembléia


•Discussões longas mas
com encaminhamentos
O que design tem a ver com isso?
Design materializa desejos em produtos produzidos em
massa que fazem mal para a saúde e para o ambiente.
A criatividade das identidades visuais esconde a
heterogestão centralizada da produção de alimentos.
Design é uma competência estratégica para convencer as
pessoas da necessidade da heterogestão.
Design heterogestionário
•Feito por designers


•Designers trabalhando como gestores ou como
conselheiros de gestores


•Designers utilizando seu conhecimento de
especialista para dizer aos outros o que fazer


•Designers como gênios criativos ou como
gestores capazes de reconhecer a criatividade
dos outros
É possível um design
autogestionário? Sim, ele já
existe, mas não se parece em
nada com o design
heterogestionário.
Design autogestionário
•Feito por usigners (usuários-designers), ou
designers amadores


•Usigners trabalham para projetar aquilo que sua
comunidade precisa com o que têm à mão


•As ideias são criadas coletivamente e ninguém se
sente autor individualmente


•Compartilha-se aprendizagens constantemente
Logos de coletivos autogestionários encontradas no
Cirandas.NET.
Embalagens autogetionárias encontradas no Cirandas.NEt.
Foco na descrição do produto, escolha de produto local,
uso de dialeto, não usa selos próprios (Classic, Premium)
Características visuais do design
autogestionário
•Enfatiza a origem do produto como diferencial


•Distingue-se das grandes corporações pelo:


•Alto contraste entre cores


•Formas complexas sobre fundos simples


•Descrição do produto em destaque


•Referências a produtos caseiros e coloniais
Se design autogestionário é
feito por usigners, designers
podem participar também?
Para não transformar o design
autogestionário em design
heterogestionário, designers
precisam adotar o design
participativo.
Oficina na Incubadora Trilhas (2015): recuperar a história
do empreendimento utilizando Lego Serious Play.
Diversas ferramentas de design participativo: produto
pinóquio, colagem, esboço e matriz de identidade.
Os esboços de logos foram encaminhados a designers
profissionais para finalização (2015).
Helena de Sylvio se inspirou na oficina para projetar
participativamente a logo de uma feira de Economia
Solidária no seu TCC em Design (2018).
Seguindo os passos de Helena, Luciane Hulyk projetou
participativamente um livro sobre autogestão (2021).
A Rede Design Possível já desenvolveu diversos produtos
junto a coletivos autogestionários.
É possível design
autogestionário além de projeto
gráfico e de produto?
1ª


Ordem


Design
Gráfico


focado em
informação
2ª


Ordem


Design de
Produto
focado em
experiência
3ª


Ordem


Design de
Serviços
focado em
interação
4ª


Ordem


Design
Prospectivo
focado em
relações
Buchanan (1992, 2001)
Embora existam muitos
problemas de primeira e segunda
ordem, coletivos autogestionários
enfrentam muitos problemas de
terceira ordem (interações).
O cirandas.NET foi uma tentativa de fazer uma rede social
autogestionária, mas está parado por falta de recursos.
A grande maioria dos empreendimentos solidários hoje
depende de serviços digitais gratuitos para se autogerir.
Problemas de interação
•Plataformas privadas para coisas públicas


•Vigilância sem accountability


•Mecanismos de bloqueio e incompatibilidade


•Interfaces que facilitam interações efêmeras e
dificultam interações de longo prazo
Problemas de interação
•O crescimento orgânico (gratuito) é sempre mais
devagar do que o crescimento pago (anúncios)


•Os coletivos precisam cada vez mais investir na
produção de dados de qualidade para chamar a
atenção de potenciais usuários


•Reprodução de valores antitéticos com a
autogestão: culto ao indivíduo, ostentação,
comodificação, hierarquia, etc…
O design autogestionário precisa
estar consciente sobre os vieses do
colonialismo digital e do
capitalismo de plataforma.
Colonialismo Digital
•Países subdesenvolvidos
dependem de
infraestrutura estrangeira
para realizar as mais
básicas operações


•Infraestruturas extraem
dados nas colônias que
são usados para gerar
informações valiosas nas
metrópoles
Capitalismo de Plataforma
•Plataformas da GAFAM se
sustentam pela extração,
refinamento e uso de
dados dos trabalhadores


(“o novo petróleo”)


•A gestão heterogestionária
é tão estranha ao
trabalhador que ele não se
vê como trabalhador, mas
somente como usuário
Além disso, é preciso estar
consciente das alternativas.
Software Livre
•Software que oferece a
liberdade de utilizar para
quaisquer fins, modificar o
código fonte para atender
demandas específicas e
distribuir cópias para
quem precisa


•Pode ser instalado e
configurado em
computadores nacionais
Cooperativismo de Plataforma
•Se o capitalismo pode, o o
cooperativismo também
pode criar plataformas de
compartilhamento de bens
e venda de serviços


•A diferença é que são
geridas pelos próprios
trabalhadores e baseadas
em software livre
Como aplicar as ideias do
software livre e do
cooperativismo de plataforma
no design autogestionário?
No Instituto Faber-Ludens (2007-2012) desenvolvemos uma
visão crítica sobre design de interação a partir do software
livre.
Como ainda não existia a profissão de design de interação
no Brasil, nós tínhamos que disseminar conhecimento
livremente em nosso website.
Além do website, nós tínhamos uma ecologia de mídias
abertas à participação externa.
Nós não tínhamos programadores na equipe, então
dependíamos de software livre para fazer essas mídias.
Influenciados pela filosofia do software livre,
percebemos que a relação do design com a tecnologia
estava limitada a pintar caixas pretas.
Enquanto refletíamos sobre isso, surgia o movimento de
Open Design associado aos Fab Labs nos EUA e Europa.
Nós comemos o Open
Design
E transformamos em
Design Livre
Antropofagia
Design Livre: abrir a caixa preta para que outras pessoas
participem e continuem o processo de design.
Plataforma Corais
•Criada pelo Instituto Faber-Ludens em 2011 com
o objetivo de infraestruturar projetos livres


•Desenvolvida com o software livre Drupal 6.0 e
com vários outros que foram sendo plugados


•Transparência radical: todo o conteúdo dos
projetos é acessível pela web sem login


•Licença Creative Commons obrigatória para todos
os conteúdos
Cada projeto na Plataforma Corais tinha à sua disposição
diversas ferramentas colaborativas.
A Corais não formaliza laços fracos através de adicionar
amigos, mas sim laços fortes através da participação
efetiva em projetos colaborativos compartilhados.
A Corais consolidou a estratégia de Inovação Aberta do
Instituto Faber-Ludens (Pelanda, 2019).
A Plataforma Corais é um projeto biomimético inspirado
nas relações ecológicas dos recifes de corais.
Estruturas de um projeto morto (UXCards, 2010) serviram
para vários outros projetos (Copel+ Cards, 2018).
Escrevemos com auxílio da Plataforma Corais o livro Design
Livre em uma semana usando o método Book Sprint.
O livro foi publicado em 2012, baixado 7000 vezes e
traduzido ao Espanhol (www.designlivre.org).
Um dos conceitos principais do livro é o plano livre, que
transforma fins em novos começos.
"…não há fim para o plano livre.
O plano é continuar sempre, sem
objetivos definidos. Ao invés de
fins, o resultado de um plano livre
são vários começos, vários outros
planos que surgem a partir deste.”
(Faber-Ludens, 2012)
A estratégia de Inovação Aberta não deu certo. Porém, os
coletivos autogestionários ligados ao movimento de Cultura
Digital brasileiro ocuparam a Plataforma Corais desde 2012.
Esses coletivos haviam se formado em torno dos Pontos de
Cultura (programa Cultura Viva), usando software livre,
licenciando seus conteúdos com Creative Commons e
valorizando manifestações da cultura popular.
Esse movimento passava por um momento difícil em 2012
devido aos cortes no programa Cultura Viva e a virada do
Ministério da Cultura para a cobrança de direitos autorais
(ECAD) e apoio aos “grandes" artistas.
Necessidades dos coletivos de
produção cultural
•Ferramentas colaborativas baseadas em software
livre


•Plataforma nacional com enraizamento na cultura
brasileira


•Design de interação favorável à autogestão


•Licenciamento de conteúdos em Creative
Commons


•Transparência de dados
Na Corais, cada coletivo podia criar diversos projetos
colaborativos e escolher que ferramentas compartilhar.
Após instalar uma ferramenta de bate-papo em 2012, um
dos usuários mais ativos da plataforma perguntou se era
possível fazer mudanças no módulo de planilhas.
Os coletivos que Pedro Jatobá fazia parte já eram
autogeridos e queriam experimentar organizar um circuito
de Economia Solidária com ferramentas digitais.
Juntos, nós criamos uma especificação para uma nova
ferramenta de moeda social no projeto Metadesign.
O projeto Metadesign é aquele que visa projetar a própria
Plataforma Corais.
A ferramenta de moeda social projetada permitiu gerenciar
um banco comunitário para cada projeto da plataforma.
O Teatro Vila Velha oferece um curso livre pago
parcialmente em moeda social na Corais desde 2013.
Uma pessoa cadastra a tarefa, outra realiza, uma terceira
fiscaliza e uma quarta libera o pagamento.
O lastro da moeda social equivale à capacidade produtiva
do coletivo num determinado período.
A capacidade produtiva coletiva é calculada a partir de
redes convergentes de conhecimento.
A dissertação de Pedro Jatobá (2014) descreve os
processos de trabalho da Produtora Cultural Colaborativa.
16 usuários da plataforma se reuniram para escrever um
guia de uso em 2014, o livro Coralizando.
2022


+700 projetos
+6000 membros
Problemas da Plataforma Corais
•A versão 6 do Drupal (Software Livre) está muito
desatualizada


•Não funciona bem em dispositivos móveis


•A velocidade de carregamento é lenta


•Competição difícil com Slack, Asana, Google
Drive, Basecamp


•Faltam recursos e voluntários
Serviço digital Rios oferecido desde 2017 pela Cooperativa
EITA para complementar a Plataforma Corais.
Problemas de ambas as
plataformas
•A esperança na autogestão está em baixa neste
momento. As pessoas acham que é melhor deixar
que alguém resolva seus problemas


•As redes sociais sugam projetos colaborativos e
matam eles no seu ninho, fazendo as pessoas
perderem ainda mais a esperança


•As pessoas estão acomodadas com softwares
proprietários pirateados ou plataformas gratuitas
extrativistas de dados
Os problemas de terceira
ordem apontam para
problemas de quarta ordem.
1ª


Ordem


Design
Gráfico


focado em
informação
2ª


Ordem


Design de
Produto
focado em
experiência
3ª


Ordem


Design de
Serviços
focado em
interação
4ª


Ordem


Design
Prospectivo
focado em
relações
Buchanan (1992, 2001)
Design pode ser uma abordagem
para PROSPECTAR novas
relações em sistemas sociotécnicos.
Segundo o futuro Programa de Pós-Graduação em Design
Prospectivo da UTFPR…
Um sistema sociotécnico é formado por diversas coisas em relação.
Exemplo: o sistema de mobilidade urbana.
Sistema sociotécnico com várias coisas relacionadas
Qualidade das coisas do sistema
Qualidade das relações entre as coisas do sistema
sustentabilidade


resiliência


igualdade


solidariedade


convivialidade


mobilidade
usabilidade


acessibilidade


durabilidade


utilidade


beleza


clareza
Qualidades objetivas Qualidades relacionais
Qualidades relacionais nem sempre são valorizadas por todos os
atores (Ex: GM EV1 – Quem matou o carro elétrico?).
Qualidades relacionais não são afetadas por mudanças pontuais em
sistemas sociotécnicos.
Qualidades relacionais mudam quando há pressão vinda de todos
os lados no sistema sociotécnico.
Regime
Nichos
Panorama
Mudanças climáticas
Aplicativos de mobilidade Carro híbrido
Breque dos apps
Desemprego
Geels (2010)
As tensões acumuladas em
sistemas sociotécnicos
impulsionam a prospecção de
relações capazes de expandir o
que é considerado possível.
Rede Design e Opressão (Serpa et al. 2011), uma rede
autogestionária que combate relações de opressão.
Coalizão de design feminista para valorizar o trabalho
feminino na cadeia do café (Eleutério & Van Amstel, 2020).
Sistema produto-serviço para móvel modular livre e aberto
(Tarran e Conrado, 2021).
Design autogestionário de uma comunidade de
aprendizagem na Graduação em Design da UTFPR.
Descobrimos neste curso que design autogetionário deve
ser feito por um corpo projetual coletivo e monstruoso
(Angelon & Van Amstel, 2020).
O design autogestionário de
quarta ordem está em
construção. Participe!
Referências principais
JATOBÁ, Pedro Henrique Gomes. Desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e gestão
colaborativa: casos de cultura solidária na economia criativa. 2014. http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/21715


DE SYLVIO, Helena Cantão. Design, Economia Solidária e Tecnologia Social: Introdução a Processos de Design
Emancipatório. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso - Curso de Bacharelado em Design, Universidade
Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2018.


ELEUTÉRIO, Rafaella P. and Van Amstel, Frederick M.C. Matters of Care in Designing a Feminist Coalition.
(2020). In: Proceedings of the 16th Participatory Design Conference. Manizales, Colombia. DOI: https://doi.org/
10.1145/3384772.3385157


HULYK, Luciane de Carvalho Hulyk. Design Participativo e Economia Solidária: o papel da designer em um
projeto editorial participativo. 2021. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Design Gráfico) -
Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2021


SERPA, B. O. ; VAN AMSTEL, Frederick M.C. ; MAZZAROTTO, M. ; CARVALHO, R. A. P. ; GONZATTO, Rodrigo
Fresse ; SILVA, S. B. E. . Design como prática de liberdade: a rede Design & Opressão como um espaço de
reflexão crítica. In: Cristiano C. Cruz; John B. Kleba; Celso A. S. Alvear. (Org.). Engenharia e outras práticas
técnicas engajadas. 1ed.Campina Grande: EDUEPB, 2021, v. 2, p. 433-468.


GONZATTO, R.F., VAN AMSTEL, F.,and JATOBÁ, P.H.(2021) Redesigning money as a tool for self-management in
cultural production, in Leitão, R.M., Men, I., Noel, L-A., Lima, J., Meninato, T. (eds.), Pivot 2021: Dismantling/
Reassembling, 22-23 July, Toronto, Canada. https://doi.org/10.21606/pluriversal.2021.0003


ANGELON, Rafaela and Van Amstel, Frederick M.C. (2021) Monster aesthetics as an expression of decolonizing
the design body. Art, Design & Communication in Higher Education, 20(1), pp. 83-102(20). https://doi.org/
10.1386/adch_00031_1
Obrigado!
Frederick van Amstel @usabilidoido


DADIN - UTFPR

Design autogestionário: experiências e prospecções

  • 1.
    Design autogestionário: experiências eprospecções Frederick van Amstel @usabilidoido Design de Serviços e Design de Experiências DADIN - UTFPR
  • 2.
    O que éautogestão hoje •Capacidade de um indivíduo ou de um coletivo de gerir suas atividades de maneira sustentável sem a necessidade de um gestor ou chefe •Participação nos lucros e em decisões estratégicas
  • 3.
    O que poderiaser autogestão •Uma maneira de organizar a produção da sociedade à partir dos desejos que as pessoas sentem no seu cotidiano •Como os desejos são diversos, é preciso que hajam diversos pequenos coletivos autônomos capazes de realizá-los
  • 4.
    Economia Solidária •Circuitos econômicos alternativosou complementares ao capitalismo •Transações econômicas que visam a solidariedade comunitária e o bem viver •Comércio justo e boas condições de trabalho
  • 5.
    Autogestão solidária brasileira •Rodíziode tarefas: todo mundo faz tudo •Divisão em grupos de trabalho (GTs) sem hierarquia entre si •Tomadas de decisões cruciais só em assembléia •Discussões longas mas com encaminhamentos
  • 6.
    O que designtem a ver com isso?
  • 7.
    Design materializa desejosem produtos produzidos em massa que fazem mal para a saúde e para o ambiente.
  • 8.
    A criatividade dasidentidades visuais esconde a heterogestão centralizada da produção de alimentos.
  • 9.
    Design é umacompetência estratégica para convencer as pessoas da necessidade da heterogestão.
  • 10.
    Design heterogestionário •Feito pordesigners •Designers trabalhando como gestores ou como conselheiros de gestores •Designers utilizando seu conhecimento de especialista para dizer aos outros o que fazer •Designers como gênios criativos ou como gestores capazes de reconhecer a criatividade dos outros
  • 11.
    É possível umdesign autogestionário? Sim, ele já existe, mas não se parece em nada com o design heterogestionário.
  • 12.
    Design autogestionário •Feito porusigners (usuários-designers), ou designers amadores •Usigners trabalham para projetar aquilo que sua comunidade precisa com o que têm à mão •As ideias são criadas coletivamente e ninguém se sente autor individualmente •Compartilha-se aprendizagens constantemente
  • 13.
    Logos de coletivosautogestionários encontradas no Cirandas.NET.
  • 14.
  • 15.
    Foco na descriçãodo produto, escolha de produto local, uso de dialeto, não usa selos próprios (Classic, Premium)
  • 16.
    Características visuais dodesign autogestionário •Enfatiza a origem do produto como diferencial •Distingue-se das grandes corporações pelo: •Alto contraste entre cores •Formas complexas sobre fundos simples •Descrição do produto em destaque •Referências a produtos caseiros e coloniais
  • 17.
    Se design autogestionárioé feito por usigners, designers podem participar também?
  • 18.
    Para não transformaro design autogestionário em design heterogestionário, designers precisam adotar o design participativo.
  • 19.
    Oficina na IncubadoraTrilhas (2015): recuperar a história do empreendimento utilizando Lego Serious Play.
  • 20.
    Diversas ferramentas dedesign participativo: produto pinóquio, colagem, esboço e matriz de identidade.
  • 21.
    Os esboços delogos foram encaminhados a designers profissionais para finalização (2015).
  • 22.
    Helena de Sylviose inspirou na oficina para projetar participativamente a logo de uma feira de Economia Solidária no seu TCC em Design (2018).
  • 23.
    Seguindo os passosde Helena, Luciane Hulyk projetou participativamente um livro sobre autogestão (2021).
  • 24.
    A Rede DesignPossível já desenvolveu diversos produtos junto a coletivos autogestionários.
  • 25.
    É possível design autogestionárioalém de projeto gráfico e de produto?
  • 26.
    1ª Ordem Design Gráfico focado em informação 2ª Ordem Design de Produto focadoem experiência 3ª Ordem Design de Serviços focado em interação 4ª Ordem Design Prospectivo focado em relações Buchanan (1992, 2001)
  • 27.
    Embora existam muitos problemasde primeira e segunda ordem, coletivos autogestionários enfrentam muitos problemas de terceira ordem (interações).
  • 28.
    O cirandas.NET foiuma tentativa de fazer uma rede social autogestionária, mas está parado por falta de recursos.
  • 29.
    A grande maioriados empreendimentos solidários hoje depende de serviços digitais gratuitos para se autogerir.
  • 30.
    Problemas de interação •Plataformasprivadas para coisas públicas •Vigilância sem accountability •Mecanismos de bloqueio e incompatibilidade •Interfaces que facilitam interações efêmeras e dificultam interações de longo prazo
  • 31.
    Problemas de interação •Ocrescimento orgânico (gratuito) é sempre mais devagar do que o crescimento pago (anúncios) •Os coletivos precisam cada vez mais investir na produção de dados de qualidade para chamar a atenção de potenciais usuários •Reprodução de valores antitéticos com a autogestão: culto ao indivíduo, ostentação, comodificação, hierarquia, etc…
  • 32.
    O design autogestionárioprecisa estar consciente sobre os vieses do colonialismo digital e do capitalismo de plataforma.
  • 33.
    Colonialismo Digital •Países subdesenvolvidos dependemde infraestrutura estrangeira para realizar as mais básicas operações •Infraestruturas extraem dados nas colônias que são usados para gerar informações valiosas nas metrópoles
  • 34.
    Capitalismo de Plataforma •Plataformasda GAFAM se sustentam pela extração, refinamento e uso de dados dos trabalhadores 
 (“o novo petróleo”) •A gestão heterogestionária é tão estranha ao trabalhador que ele não se vê como trabalhador, mas somente como usuário
  • 35.
    Além disso, épreciso estar consciente das alternativas.
  • 36.
    Software Livre •Software queoferece a liberdade de utilizar para quaisquer fins, modificar o código fonte para atender demandas específicas e distribuir cópias para quem precisa •Pode ser instalado e configurado em computadores nacionais
  • 37.
    Cooperativismo de Plataforma •Seo capitalismo pode, o o cooperativismo também pode criar plataformas de compartilhamento de bens e venda de serviços •A diferença é que são geridas pelos próprios trabalhadores e baseadas em software livre
  • 38.
    Como aplicar asideias do software livre e do cooperativismo de plataforma no design autogestionário?
  • 39.
    No Instituto Faber-Ludens(2007-2012) desenvolvemos uma visão crítica sobre design de interação a partir do software livre.
  • 40.
    Como ainda nãoexistia a profissão de design de interação no Brasil, nós tínhamos que disseminar conhecimento livremente em nosso website.
  • 41.
    Além do website,nós tínhamos uma ecologia de mídias abertas à participação externa.
  • 42.
    Nós não tínhamosprogramadores na equipe, então dependíamos de software livre para fazer essas mídias.
  • 43.
    Influenciados pela filosofiado software livre, percebemos que a relação do design com a tecnologia estava limitada a pintar caixas pretas.
  • 44.
    Enquanto refletíamos sobreisso, surgia o movimento de Open Design associado aos Fab Labs nos EUA e Europa.
  • 45.
    Nós comemos oOpen Design E transformamos em Design Livre Antropofagia
  • 46.
    Design Livre: abrira caixa preta para que outras pessoas participem e continuem o processo de design.
  • 47.
    Plataforma Corais •Criada peloInstituto Faber-Ludens em 2011 com o objetivo de infraestruturar projetos livres •Desenvolvida com o software livre Drupal 6.0 e com vários outros que foram sendo plugados •Transparência radical: todo o conteúdo dos projetos é acessível pela web sem login •Licença Creative Commons obrigatória para todos os conteúdos
  • 48.
    Cada projeto naPlataforma Corais tinha à sua disposição diversas ferramentas colaborativas.
  • 49.
    A Corais nãoformaliza laços fracos através de adicionar amigos, mas sim laços fortes através da participação efetiva em projetos colaborativos compartilhados.
  • 50.
    A Corais consolidoua estratégia de Inovação Aberta do Instituto Faber-Ludens (Pelanda, 2019).
  • 51.
    A Plataforma Coraisé um projeto biomimético inspirado nas relações ecológicas dos recifes de corais.
  • 52.
    Estruturas de umprojeto morto (UXCards, 2010) serviram para vários outros projetos (Copel+ Cards, 2018).
  • 53.
    Escrevemos com auxílioda Plataforma Corais o livro Design Livre em uma semana usando o método Book Sprint.
  • 54.
    O livro foipublicado em 2012, baixado 7000 vezes e traduzido ao Espanhol (www.designlivre.org).
  • 55.
    Um dos conceitosprincipais do livro é o plano livre, que transforma fins em novos começos.
  • 56.
    "…não há fimpara o plano livre. O plano é continuar sempre, sem objetivos definidos. Ao invés de fins, o resultado de um plano livre são vários começos, vários outros planos que surgem a partir deste.” (Faber-Ludens, 2012)
  • 57.
    A estratégia deInovação Aberta não deu certo. Porém, os coletivos autogestionários ligados ao movimento de Cultura Digital brasileiro ocuparam a Plataforma Corais desde 2012.
  • 58.
    Esses coletivos haviamse formado em torno dos Pontos de Cultura (programa Cultura Viva), usando software livre, licenciando seus conteúdos com Creative Commons e valorizando manifestações da cultura popular.
  • 59.
    Esse movimento passavapor um momento difícil em 2012 devido aos cortes no programa Cultura Viva e a virada do Ministério da Cultura para a cobrança de direitos autorais (ECAD) e apoio aos “grandes" artistas.
  • 60.
    Necessidades dos coletivosde produção cultural •Ferramentas colaborativas baseadas em software livre •Plataforma nacional com enraizamento na cultura brasileira •Design de interação favorável à autogestão •Licenciamento de conteúdos em Creative Commons •Transparência de dados
  • 61.
    Na Corais, cadacoletivo podia criar diversos projetos colaborativos e escolher que ferramentas compartilhar.
  • 62.
    Após instalar umaferramenta de bate-papo em 2012, um dos usuários mais ativos da plataforma perguntou se era possível fazer mudanças no módulo de planilhas.
  • 63.
    Os coletivos quePedro Jatobá fazia parte já eram autogeridos e queriam experimentar organizar um circuito de Economia Solidária com ferramentas digitais.
  • 64.
    Juntos, nós criamosuma especificação para uma nova ferramenta de moeda social no projeto Metadesign.
  • 65.
    O projeto Metadesigné aquele que visa projetar a própria Plataforma Corais.
  • 66.
    A ferramenta demoeda social projetada permitiu gerenciar um banco comunitário para cada projeto da plataforma.
  • 67.
    O Teatro VilaVelha oferece um curso livre pago parcialmente em moeda social na Corais desde 2013.
  • 68.
    Uma pessoa cadastraa tarefa, outra realiza, uma terceira fiscaliza e uma quarta libera o pagamento.
  • 69.
    O lastro damoeda social equivale à capacidade produtiva do coletivo num determinado período.
  • 70.
    A capacidade produtivacoletiva é calculada a partir de redes convergentes de conhecimento.
  • 71.
    A dissertação dePedro Jatobá (2014) descreve os processos de trabalho da Produtora Cultural Colaborativa.
  • 72.
    16 usuários daplataforma se reuniram para escrever um guia de uso em 2014, o livro Coralizando.
  • 73.
  • 74.
    Problemas da PlataformaCorais •A versão 6 do Drupal (Software Livre) está muito desatualizada •Não funciona bem em dispositivos móveis •A velocidade de carregamento é lenta •Competição difícil com Slack, Asana, Google Drive, Basecamp •Faltam recursos e voluntários
  • 75.
    Serviço digital Riosoferecido desde 2017 pela Cooperativa EITA para complementar a Plataforma Corais.
  • 76.
    Problemas de ambasas plataformas •A esperança na autogestão está em baixa neste momento. As pessoas acham que é melhor deixar que alguém resolva seus problemas •As redes sociais sugam projetos colaborativos e matam eles no seu ninho, fazendo as pessoas perderem ainda mais a esperança •As pessoas estão acomodadas com softwares proprietários pirateados ou plataformas gratuitas extrativistas de dados
  • 77.
    Os problemas deterceira ordem apontam para problemas de quarta ordem.
  • 78.
    1ª Ordem Design Gráfico focado em informação 2ª Ordem Design de Produto focadoem experiência 3ª Ordem Design de Serviços focado em interação 4ª Ordem Design Prospectivo focado em relações Buchanan (1992, 2001)
  • 79.
    Design pode seruma abordagem para PROSPECTAR novas relações em sistemas sociotécnicos. Segundo o futuro Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo da UTFPR…
  • 80.
    Um sistema sociotécnicoé formado por diversas coisas em relação. Exemplo: o sistema de mobilidade urbana.
  • 81.
    Sistema sociotécnico comvárias coisas relacionadas
  • 82.
  • 83.
    Qualidade das relaçõesentre as coisas do sistema
  • 84.
  • 85.
    Qualidades relacionais nemsempre são valorizadas por todos os atores (Ex: GM EV1 – Quem matou o carro elétrico?).
  • 86.
    Qualidades relacionais nãosão afetadas por mudanças pontuais em sistemas sociotécnicos.
  • 87.
    Qualidades relacionais mudamquando há pressão vinda de todos os lados no sistema sociotécnico.
  • 88.
    Regime Nichos Panorama Mudanças climáticas Aplicativos demobilidade Carro híbrido Breque dos apps Desemprego Geels (2010)
  • 89.
    As tensões acumuladasem sistemas sociotécnicos impulsionam a prospecção de relações capazes de expandir o que é considerado possível.
  • 90.
    Rede Design eOpressão (Serpa et al. 2011), uma rede autogestionária que combate relações de opressão.
  • 91.
    Coalizão de designfeminista para valorizar o trabalho feminino na cadeia do café (Eleutério & Van Amstel, 2020).
  • 92.
    Sistema produto-serviço paramóvel modular livre e aberto (Tarran e Conrado, 2021).
  • 93.
    Design autogestionário deuma comunidade de aprendizagem na Graduação em Design da UTFPR.
  • 94.
    Descobrimos neste cursoque design autogetionário deve ser feito por um corpo projetual coletivo e monstruoso (Angelon & Van Amstel, 2020).
  • 95.
    O design autogestionáriode quarta ordem está em construção. Participe!
  • 96.
    Referências principais JATOBÁ, PedroHenrique Gomes. Desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem e gestão colaborativa: casos de cultura solidária na economia criativa. 2014. http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/21715 DE SYLVIO, Helena Cantão. Design, Economia Solidária e Tecnologia Social: Introdução a Processos de Design Emancipatório. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso - Curso de Bacharelado em Design, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2018. ELEUTÉRIO, Rafaella P. and Van Amstel, Frederick M.C. Matters of Care in Designing a Feminist Coalition. (2020). In: Proceedings of the 16th Participatory Design Conference. Manizales, Colombia. DOI: https://doi.org/ 10.1145/3384772.3385157 HULYK, Luciane de Carvalho Hulyk. Design Participativo e Economia Solidária: o papel da designer em um projeto editorial participativo. 2021. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Design Gráfico) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2021 SERPA, B. O. ; VAN AMSTEL, Frederick M.C. ; MAZZAROTTO, M. ; CARVALHO, R. A. P. ; GONZATTO, Rodrigo Fresse ; SILVA, S. B. E. . Design como prática de liberdade: a rede Design & Opressão como um espaço de reflexão crítica. In: Cristiano C. Cruz; John B. Kleba; Celso A. S. Alvear. (Org.). Engenharia e outras práticas técnicas engajadas. 1ed.Campina Grande: EDUEPB, 2021, v. 2, p. 433-468. GONZATTO, R.F., VAN AMSTEL, F.,and JATOBÁ, P.H.(2021) Redesigning money as a tool for self-management in cultural production, in Leitão, R.M., Men, I., Noel, L-A., Lima, J., Meninato, T. (eds.), Pivot 2021: Dismantling/ Reassembling, 22-23 July, Toronto, Canada. https://doi.org/10.21606/pluriversal.2021.0003 ANGELON, Rafaela and Van Amstel, Frederick M.C. (2021) Monster aesthetics as an expression of decolonizing the design body. Art, Design & Communication in Higher Education, 20(1), pp. 83-102(20). https://doi.org/ 10.1386/adch_00031_1
  • 97.
    Obrigado! Frederick van Amstel@usabilidoido DADIN - UTFPR