Design Expansivo: pensar o
possível para fazer o impossível
Frederick van Amstel @usabilidoido
DADIN - UTFPR
www.usabilidoido.com.br
Muita gente diz por aí que
criatividade é o mesmo que
pensar fora da caixa
ou
fazer mais com menos.
E se a caixa for o capitalismo
e o material for o recurso
humano? Seria possível pensar
fora do capitalismo e fazer
mais com ainda menos
recursos humanos?
Para pensar o fim do capitalismo e
adiar o fim do mundo, é preciso
produzir alter/nativas ao
capitalismo.
Designers são bons em produzir
alter/nativas, mas às vezes, devido à
colonialidade do fazer, acabam
produzindo alter/gringas.
Alter/gringas
Midjourney: imagine/ sociedade utópica de design socialista brasileiro baseada em economia solidária,
autogestão, desenvolvimento autônomo, agroecologia, tecnologia livre, educação popular, pessoas diversas
Midjourney: imagine/ Brazilian socialist design utopic society based on solidarity
economy, self-management, autonomous development, agroecology, libre technology,
popular education, diverse people
Alter/nativas
Transformar alter/gringas em
alter/nativas requer a curadoria e o
improviso de uma inteligência
artificial de carne e osso.
Isso não é pensar fora da caixa
e nem fazer mais com menos.
Isso é metacriatividade.
O realismo capitalista bloqueia o
desenvolvimento da metacriatividade.
Cria-atividade
Cria-corpos
Cria-espaço
Pensar fora da caixa significa
pensar fora do cria-espaço, ou seja,
fora do que é considerado possível.
Provável
Possível
Improvável
Impossível
Impensável
Por outro lado, fazer mais com
menos significa restringir-se a algo
menor do que é possível.
Provável
Possível
Improvável
Impossível
Impensável
Medíocre
O possível é uma construção
histórica, por isso, é possível
pensar o impossível para
repensar o possível.
Provável
Possível
Improvável
Impossível
Impensável
Provável
Pensar fora da caixa significa
também pensar fora do cria-corpo,
fora de hábitos, fora de posições
sociais, fora de lugar.
O mito da caverna de Platão visava educar o cidadão sobre a
possibilidade de pensar fora da prisão do seu cria-corpo.
Quem é que tem o privilégio de
pensar fora do cria-corpo, de forma
abstrata e universal, tal como
Platão sugere?
O próprio Platão é claro! Platão acreditava que só os filósofos
tinham liberdade suficiente para guiar a sociedade.
O problema é que os
desprivilegiados não conseguem
sair da caverna apenas pensando.
Eles precisam fazer uma saída
pra poder sair.
Os trabalhadores tiveram que fazer uma guerra para se livrar da
alienação capitalista na Comuna de Paris, em 1871.
De que adianta pensar fora da
caixa se só é possível fazer algo
dentro da caixa?
Uma vez que um projeto dá certo, ele deixa um trajeto que
condiciona os projetos subsequentes.
Para desenvolver projetos alter/
nativos, é preciso considerar
também trajetos alter/nativos, ou
seja, as histórias de projetos
cancelados e/ou esquecidos.
O Brasil tem trajetos deixados por projetos anti-capitalistas,
anti-racistas e anti-sexistas, como o Quilombo dos Palmares.
Design especulativo no estilo futrô:
recuperar os trajetos necessários
para libertar os projetos oprimidos.
Possível sem tensões
Impossível devido a tensões
Possível com tensões Ficção Projetual
Ficção Científica
Realidade
Exemplo: Mockumentário especulativo A Crise do Tempo (2017)
sobre as inteligências artificiais imperialistas que interferiram na
política brasileira para provocar o golpe de Dilma Rousseff.
O estilo futrô pensa dentro da
caixa algo que está fora da caixa.
Teatro-Fórum com estudantes de Design e Cultura na UTFPR
(2019).
Escrotiã é um projeto especulativo sobre igualdade de gênero
na moda (Maceira et al 2019).
Especular é interessante, mas para
transformar a realidade é preciso
nao só pensar diferente mas
também fazer diferente.
Exemplo: SURU’BA é um sistema de móveis modulares de código
aberto para fazeres distribuídos (Dembinski & Tarran, 2022).
O fazer dentro da caixa pode ser
uma oportunidade para repensar a
própria caixa. O fazer menos com
mais pode ser uma oportunidade
para repensar o capital.
A Economia Solidária coloca o capitalismo contra a si próprio ao
estabelecer limites de acumulação e de endividamento.
O bem-viver (sumak kawsay), princípio básico da Economia
Solidária, tem sua origem na economia indígena andina.
O bem-viver se baseia em uma lógica de abundância e não de
escassez de recursos (Jatobá, 2017).
Repensar a caixa é o primeiro
passo para refazer a caixa.
Fazer menos com mais é o primeiro
passo para repensar o capital.
Pergunta norteadora suleadora do
design expansivo: como expandir as
caixas e os fazeres do design?
Investigação da história da caixa: Onde a caixa do design de
sobrancelhas surgiu? Quem construiu? Com que propósito?
Revelando as caixas dentro da caixa: Quais são os padrões de
beleza impostos pelo design de sobrancelhas?
Identificando tensões nos limites da caixa: Porque isso pode e
isso não pode? Porque isso desperta emoções fortes?
Especulando mudanças qualitativas: E se olharmos para o que
fazemos todo dia por uma outra perspectiva?
A caixa começa a ser refeita e o
fazer começa a ser
desencaixotado a partir do
tensionamento de seus limites.
Frida Kahlo (1943) tensionou os limites da caixa do design de
sobrancelhas junto com a caixa do comportamento da mulher.
Mais recentemente, Sophia Hadjipanteli tensionou essa caixa
com seu visual unibrow, pelo qual recebeu ameaças de morte.
O design de sobrancelhas, junto com
outros movimentos, expandiu a
caixa e os fazeres do design.
Alguns livros que discutem essa expansão. Os brasileiros
estavam na frente dos gringos.
2012 2013 2014
A caixa do design deixou de ser
uma caixa preta e passou a ser
uma caixa transparente para quem
quisesse participar.
A utilização de diversas caixas de ferramentas é uma das
estratégias inclusivas do design expansivo.
Cada caixa contém em si um cria-espaço em potencial.
A sobreposição de cria-espaços já mapeados cria a oportunidade
para produzir cria-espaços ainda não mapeados.
A produção consciente de cria-espaços é fundamental para
expandir a metacriatividade (Zukowski & Kosake, 2023).
Nem todo projeto de fronteira é
expansivo. "É preciso estar atento e
forte", como diriam Caetano
Veloso e Gal Costa, pois lá estão
também projetos redutivos.
Máquinas de projetar automáticas reduzem drasticamente o que
pode ser design (Benefit Brow Genie App, 2015)
A automação capitalista do trabalho de design faz o designer se
tornar menos valioso e, portanto, passível de precarização.
Refazer a caixa e repensar o
capital requer coragem para
enfrentar suas contradições
internas e externas.
Na práxis do design expansivo,
o pensar é um meio para o fazer
(fazer pelo pensar) e o fazer é
um meio para o pensar (pensar
pelo fazer). Nenhum deles é
um fim em si mesmo.
Como é possível que pessoas negras defendam um líder racista?
Só fazendo uma teoria para pensar essa prática!
O fim da práxis transformadora é
transformar a realidade, ainda que
isso pareça impossível.
O Laboratório de Design contra Opressões (LADO) conduz
experimentos de transformação da realidade através do design.
Lá estão disponíveis abordagens, métodos e ferramentas para
fazer Design Expansivo.
Com essas ferramentas, é possível criar pontes entre o que é
possível e o que é impossível.
Design expansivo é pensar o
possível para fazer o impossível,
assumindo todas as contradições
que isso implica.
Obrigado e até breve!
Frederick van Amstel @usabilidoido
DADIN - UTFPR
www.usabilidoido.com.br

Design expansivo: pensar o possível para fazer o impossível

  • 1.
    Design Expansivo: pensaro possível para fazer o impossível Frederick van Amstel @usabilidoido DADIN - UTFPR www.usabilidoido.com.br
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    Muita gente dizpor aí que criatividade é o mesmo que pensar fora da caixa ou fazer mais com menos.
  • 3.
    E se acaixa for o capitalismo e o material for o recurso humano? Seria possível pensar fora do capitalismo e fazer mais com ainda menos recursos humanos?
  • 6.
    Para pensar ofim do capitalismo e adiar o fim do mundo, é preciso produzir alter/nativas ao capitalismo.
  • 7.
    Designers são bonsem produzir alter/nativas, mas às vezes, devido à colonialidade do fazer, acabam produzindo alter/gringas.
  • 8.
    Alter/gringas Midjourney: imagine/ sociedadeutópica de design socialista brasileiro baseada em economia solidária, autogestão, desenvolvimento autônomo, agroecologia, tecnologia livre, educação popular, pessoas diversas
  • 9.
    Midjourney: imagine/ Braziliansocialist design utopic society based on solidarity economy, self-management, autonomous development, agroecology, libre technology, popular education, diverse people Alter/nativas
  • 10.
    Transformar alter/gringas em alter/nativasrequer a curadoria e o improviso de uma inteligência artificial de carne e osso.
  • 11.
    Isso não épensar fora da caixa e nem fazer mais com menos. Isso é metacriatividade.
  • 12.
    O realismo capitalistabloqueia o desenvolvimento da metacriatividade.
  • 13.
  • 14.
    Pensar fora dacaixa significa pensar fora do cria-espaço, ou seja, fora do que é considerado possível.
  • 15.
  • 16.
    Por outro lado,fazer mais com menos significa restringir-se a algo menor do que é possível.
  • 17.
  • 18.
    O possível éuma construção histórica, por isso, é possível pensar o impossível para repensar o possível.
  • 19.
  • 20.
    Pensar fora dacaixa significa também pensar fora do cria-corpo, fora de hábitos, fora de posições sociais, fora de lugar.
  • 21.
    O mito dacaverna de Platão visava educar o cidadão sobre a possibilidade de pensar fora da prisão do seu cria-corpo.
  • 22.
    Quem é quetem o privilégio de pensar fora do cria-corpo, de forma abstrata e universal, tal como Platão sugere?
  • 23.
    O próprio Platãoé claro! Platão acreditava que só os filósofos tinham liberdade suficiente para guiar a sociedade.
  • 24.
    O problema éque os desprivilegiados não conseguem sair da caverna apenas pensando. Eles precisam fazer uma saída pra poder sair.
  • 25.
    Os trabalhadores tiveramque fazer uma guerra para se livrar da alienação capitalista na Comuna de Paris, em 1871.
  • 26.
    De que adiantapensar fora da caixa se só é possível fazer algo dentro da caixa?
  • 27.
    Uma vez queum projeto dá certo, ele deixa um trajeto que condiciona os projetos subsequentes.
  • 28.
    Para desenvolver projetosalter/ nativos, é preciso considerar também trajetos alter/nativos, ou seja, as histórias de projetos cancelados e/ou esquecidos.
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    O Brasil temtrajetos deixados por projetos anti-capitalistas, anti-racistas e anti-sexistas, como o Quilombo dos Palmares.
  • 30.
    Design especulativo noestilo futrô: recuperar os trajetos necessários para libertar os projetos oprimidos.
  • 31.
    Possível sem tensões Impossíveldevido a tensões Possível com tensões Ficção Projetual Ficção Científica Realidade
  • 32.
    Exemplo: Mockumentário especulativoA Crise do Tempo (2017) sobre as inteligências artificiais imperialistas que interferiram na política brasileira para provocar o golpe de Dilma Rousseff.
  • 33.
    O estilo futrôpensa dentro da caixa algo que está fora da caixa.
  • 34.
    Teatro-Fórum com estudantesde Design e Cultura na UTFPR (2019).
  • 35.
    Escrotiã é umprojeto especulativo sobre igualdade de gênero na moda (Maceira et al 2019).
  • 36.
    Especular é interessante,mas para transformar a realidade é preciso nao só pensar diferente mas também fazer diferente.
  • 37.
    Exemplo: SURU’BA éum sistema de móveis modulares de código aberto para fazeres distribuídos (Dembinski & Tarran, 2022).
  • 38.
    O fazer dentroda caixa pode ser uma oportunidade para repensar a própria caixa. O fazer menos com mais pode ser uma oportunidade para repensar o capital.
  • 39.
    A Economia Solidáriacoloca o capitalismo contra a si próprio ao estabelecer limites de acumulação e de endividamento.
  • 40.
    O bem-viver (sumakkawsay), princípio básico da Economia Solidária, tem sua origem na economia indígena andina.
  • 41.
    O bem-viver sebaseia em uma lógica de abundância e não de escassez de recursos (Jatobá, 2017).
  • 42.
    Repensar a caixaé o primeiro passo para refazer a caixa. Fazer menos com mais é o primeiro passo para repensar o capital.
  • 43.
    Pergunta norteadora suleadorado design expansivo: como expandir as caixas e os fazeres do design?
  • 44.
    Investigação da históriada caixa: Onde a caixa do design de sobrancelhas surgiu? Quem construiu? Com que propósito?
  • 45.
    Revelando as caixasdentro da caixa: Quais são os padrões de beleza impostos pelo design de sobrancelhas?
  • 46.
    Identificando tensões noslimites da caixa: Porque isso pode e isso não pode? Porque isso desperta emoções fortes?
  • 47.
    Especulando mudanças qualitativas:E se olharmos para o que fazemos todo dia por uma outra perspectiva?
  • 48.
    A caixa começaa ser refeita e o fazer começa a ser desencaixotado a partir do tensionamento de seus limites.
  • 49.
    Frida Kahlo (1943)tensionou os limites da caixa do design de sobrancelhas junto com a caixa do comportamento da mulher.
  • 50.
    Mais recentemente, SophiaHadjipanteli tensionou essa caixa com seu visual unibrow, pelo qual recebeu ameaças de morte.
  • 51.
    O design desobrancelhas, junto com outros movimentos, expandiu a caixa e os fazeres do design.
  • 52.
    Alguns livros quediscutem essa expansão. Os brasileiros estavam na frente dos gringos. 2012 2013 2014
  • 53.
    A caixa dodesign deixou de ser uma caixa preta e passou a ser uma caixa transparente para quem quisesse participar.
  • 54.
    A utilização dediversas caixas de ferramentas é uma das estratégias inclusivas do design expansivo.
  • 55.
    Cada caixa contémem si um cria-espaço em potencial.
  • 56.
    A sobreposição decria-espaços já mapeados cria a oportunidade para produzir cria-espaços ainda não mapeados.
  • 57.
    A produção conscientede cria-espaços é fundamental para expandir a metacriatividade (Zukowski & Kosake, 2023).
  • 58.
    Nem todo projetode fronteira é expansivo. "É preciso estar atento e forte", como diriam Caetano Veloso e Gal Costa, pois lá estão também projetos redutivos.
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    Máquinas de projetarautomáticas reduzem drasticamente o que pode ser design (Benefit Brow Genie App, 2015)
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    A automação capitalistado trabalho de design faz o designer se tornar menos valioso e, portanto, passível de precarização.
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    Refazer a caixae repensar o capital requer coragem para enfrentar suas contradições internas e externas.
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    Na práxis dodesign expansivo, o pensar é um meio para o fazer (fazer pelo pensar) e o fazer é um meio para o pensar (pensar pelo fazer). Nenhum deles é um fim em si mesmo.
  • 66.
    Como é possívelque pessoas negras defendam um líder racista? Só fazendo uma teoria para pensar essa prática!
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    O fim dapráxis transformadora é transformar a realidade, ainda que isso pareça impossível.
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    O Laboratório deDesign contra Opressões (LADO) conduz experimentos de transformação da realidade através do design.
  • 69.
    Lá estão disponíveisabordagens, métodos e ferramentas para fazer Design Expansivo.
  • 70.
    Com essas ferramentas,é possível criar pontes entre o que é possível e o que é impossível.
  • 71.
    Design expansivo épensar o possível para fazer o impossível, assumindo todas as contradições que isso implica.
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    Obrigado e atébreve! Frederick van Amstel @usabilidoido DADIN - UTFPR www.usabilidoido.com.br