LAVANDERIA “NOSSA SENHORA DE LOURDES”
                                                                                           Jorge Marcos de Oliveira


                Coube ao Prefeito Jorge Campos                 militares estaduais, federais e municipais e
Maynard a honra de comemorar o centenário                      por uma incalculável multidão ocupou toda a
de Aracaju. Os anos de 1953 a 1955 foram                       área interna e adjacente, fora inaugurada a
repletos de realizações em Aracaju.                            “Lavanderia Nossa Senhora de Lourdes”.
                                                               Recebeu esse nome por solicitação do povo
                                                               católico do bairro, homenagem a sua excelsa
                                                               padroeira.


                                                                              Com a lavanderia foi construída
                                                               também uma cisterna, onde a água é
                                                               abundante, ficando assim atendido também
                                                               outro antigo desejo do povo do Siqueira
                                                               Campos.        A    população        do    Aribé   era
                                                               “desservindo da água da Cabrita que por ali
                                                               vai de passagem em direção ao Quartel do 28º
                                                               B. C. deixando caírem gotas do precioso
                                          1                    liquido no chafariz da Rua Maranhão”.
                 Jorge Campos Maynard



                Dentro desse plano de realizações                             Assim sendo, a é uma obra
da Prefeitura da capital, no dia 19 de julho,                  publica de caráter social de inestimável valor.
um belo domingo de 1953, no Siqueira                           Ela      enriqueceu     a     rede    de    lavanderia
Campos,         com      a   presença         de    figuras    municipais. Segundo o Jornal Correio de
representativas de nossa sociedade, das                        Aracaju, o projeto da Lavanderia é de
classes      produtoras,       autoridades         civis   e   “autoria do arquiteto Sérgio Silva e a
                                                               condução da obra coube ao Sr. Vergniaud,
1
    Foto retirada do Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº          ambos da Prefeitura” e que toda execução da
    4800, 30 de julho de 1953, p. 1-3. Falando sobre o
    atual prefeito, o jornal afirma que “Prefeito Jorge        referida obra foi feita pela própria prefeitura.2
    Campos Maynard, restabelece no governo local as
    tradições de trabalho, honorabilidade e zelo pela
    coisa pública” e que o mesmo vem “prestando com a
    clareza de seus atos e das realizações levadas a efeito
                                                                              Com a obra o prefeito solucionava
    em prol do povo, as contas de suas atividades e da         um dos mais sérios problemas do bairro – a
    aplicação dos dinheiros públicos e da sua
    administração de portas abertas e ao exame e ao juízo
                                                               2
    da opinião publica local”.                                     Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº 4800, 30 de julho
                                                                   de 1953, p. 1-3
falta de água. Era triste o aspecto daquela               públicos ali existentes ou da Lavanderia
parte da cidade em que as romarias de                     Manuel Cruz, no bairro 18 do Forte.
mulheres de pote ou cesto na cabeça se
enfileiram em direção dos quatro chafarizes




               Segundo as palavras do próprio                          Comparada a outras lavanderias
prefeito,      o     Bairro     Siqueira     Campos       que funcionavam em Aracaju, a Lavanderia
necessitava de um melhoramento público                    “Nossa Senhora de Lourdes” foi infinitamente
deste gênero, utilíssimo para a sua população             mais barata. Segundo dados oficiais,
mais pobre3. A Lavanderia N. S. de Lourdes,                            “A do Manuel Preto, no Bairro
que estava sendo inaugurada, custou apenas                Santo Antonio, construída na administração
Cr$ 208 contos. É a maior e a mais bem                    José Garcez, em 1945, onde um grande
aparelhada, pois, provida de um motor                     movimento de terras e alicerces profundos
elétrico de que as outras não dispõem, para a             encareceu a obra, custou a Prefeitura
capitação da água da cisterna. Segundo dados              duzentos e muitos contos. A Lavanderia
oficiais, na realização da obra gastou-se 320             Manuel Cruz, no Bairro 18 do Forte,
sacos de cimento.4                                        construída    em     1950,    na    administração
                                                          Aldebrando Franco, custou 480 contos,
3                                                         inclusive a compra do terreno em que está
    Ibid.
4
     A Prefeitura não realizou a obra através da          localizada, que custou 80 contos. É de notar-
    concorrência pública. Isto rendeu-lhes inúmeras
    críticas da oposição. Respondendo as críticas,        se que todo esse dinheiro, isto é, 400 contos
    Heribaldo Dantas (UDN) afirma: Ninguém ignora os
    poucos recursos da prefeitura. Ela certamente não
    poderia tirar uma vultosa importância para realizar    repartição, muitas vezes sem serviço. Conclui
    essa obra, com gente de fora de seus quadros. Ao       dizendo      que      “uma       obra       realizada
    mesmo tempo dispõe no corpo de seus funcionários,      administrativamente,    quando     é    feita     com
    trazidos de outras administrações, um potencial        honestidade, é sempre mais barata do quem a
    humano de mais de mil almas que se apinha na           realizada sob o regime de concorrência pública”.
foram consumidos apenas no levantamento do                          Dom Fernando Gomes, usando os
edifício, pois ai já existia uma cisterna, que         microfones     descreveu    a   personalidade
foi aproveitada (...) Na Lavanderia Manuel             simples, cautelosa, modesta, mas realizadora
Cruz, onde não se fez cisterna o consumo de            do prefeito Jorge Campos Maynard e a
cimento elevou-se a 580 sacos”;5                       significação daquela construção para aquela
             Na ocasião, o Prefeito Jorge              gente pobre que acabava de receber tão útil
Campos Maynard agradece as “associações                melhoramento.8
religiosas e ao povo católico da paróquia,
tendo á frente o prezado Monsenhor João                             Jorge   Campos     Maynard,    o
Moreira Lima, seu incansável vigário, a                prefeito da cidade ao falar prestou contas,
oferta da linda imagem que aqui está, para             mostrou suas realizações e pediu a população
que todos sintam mais vivamente a presença             lhe desse alento para prosseguir na sua tarefa
de sua protetora”.6                                    de difíceis pelejas, a fim de poder realizar
                                                       outros benefícios que compensem os labores
             Durante a solenidade, além de ser         cotidianos, dos que contribuem para o erário
entronizada a imagem da Santa e ser dada a             publico e para a riqueza do município 9, e que
benção das instalações, fez uso da palavra o           a missão da Prefeitura tem de ser essa mesma
Bispo de Aracaju, Dom Fernando Gomes, o                de amenizar a dureza da vida naquele ponto
prefeito Jorge Campos Maynard, o Dr.                   esquecido da cidade com a multiplicação dos
Arquimedes Ferrão, representante do P.S.P., a          chafarizes e construção de lavanderias.
Vereadora D. Carmelita Cardoso Chagas que
engrandeceu a Lavanderia em nome dos                                Antes da palavra do General
moradores do bairro; e, nome da UDN, falou             Augusto Maynard Gomes que encerrou a
o seu secretário geral – Heribaldo Vieira. Em          solenidade, a banda do 28 BC tocou e ao final
seu discurso disse que o prefeito Jorge                apresentação de Conjunto Regional para
Campos Maynard consultou o povo do                     divertimento do povo. 10
Siqueira    Campos      e   verificou    que    ele                 No local onde funcionou por
angustiado pedia água para beber. E, solicito,         muitos anos a Lavanderia Nossa Senhora de
lhe deu essa Lavanderia.7                              Lourdes, a Prefeitura de Aracaju construiu
                                                       uma pequena praça e, posteriormente, ergueu
                                                       o Posto de Saúde denominado “Edelzio Vieira
                                                       de Melo”.
5
  MELHORAMENTOS NO B. S. CAMPOS in Correio
  de Aracaju: 21.jul.1953, p. 1 e 4.
6                                                      8
  Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº 4800, 30 de julho     Ibid.
                                                       9
  de 1953, p. 1-3                                        Ibid.
7                                                      10
   MELHORAMENTOS NO B. S. CAMPOS do                       Ibid.
  Correio de Aracaju: 21.jul.1953, p. 1 e 4.

Coisas do aribé lavanderia texto

  • 1.
    LAVANDERIA “NOSSA SENHORADE LOURDES” Jorge Marcos de Oliveira Coube ao Prefeito Jorge Campos militares estaduais, federais e municipais e Maynard a honra de comemorar o centenário por uma incalculável multidão ocupou toda a de Aracaju. Os anos de 1953 a 1955 foram área interna e adjacente, fora inaugurada a repletos de realizações em Aracaju. “Lavanderia Nossa Senhora de Lourdes”. Recebeu esse nome por solicitação do povo católico do bairro, homenagem a sua excelsa padroeira. Com a lavanderia foi construída também uma cisterna, onde a água é abundante, ficando assim atendido também outro antigo desejo do povo do Siqueira Campos. A população do Aribé era “desservindo da água da Cabrita que por ali vai de passagem em direção ao Quartel do 28º B. C. deixando caírem gotas do precioso 1 liquido no chafariz da Rua Maranhão”. Jorge Campos Maynard Dentro desse plano de realizações Assim sendo, a é uma obra da Prefeitura da capital, no dia 19 de julho, publica de caráter social de inestimável valor. um belo domingo de 1953, no Siqueira Ela enriqueceu a rede de lavanderia Campos, com a presença de figuras municipais. Segundo o Jornal Correio de representativas de nossa sociedade, das Aracaju, o projeto da Lavanderia é de classes produtoras, autoridades civis e “autoria do arquiteto Sérgio Silva e a condução da obra coube ao Sr. Vergniaud, 1 Foto retirada do Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº ambos da Prefeitura” e que toda execução da 4800, 30 de julho de 1953, p. 1-3. Falando sobre o atual prefeito, o jornal afirma que “Prefeito Jorge referida obra foi feita pela própria prefeitura.2 Campos Maynard, restabelece no governo local as tradições de trabalho, honorabilidade e zelo pela coisa pública” e que o mesmo vem “prestando com a clareza de seus atos e das realizações levadas a efeito Com a obra o prefeito solucionava em prol do povo, as contas de suas atividades e da um dos mais sérios problemas do bairro – a aplicação dos dinheiros públicos e da sua administração de portas abertas e ao exame e ao juízo 2 da opinião publica local”. Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº 4800, 30 de julho de 1953, p. 1-3
  • 2.
    falta de água.Era triste o aspecto daquela públicos ali existentes ou da Lavanderia parte da cidade em que as romarias de Manuel Cruz, no bairro 18 do Forte. mulheres de pote ou cesto na cabeça se enfileiram em direção dos quatro chafarizes Segundo as palavras do próprio Comparada a outras lavanderias prefeito, o Bairro Siqueira Campos que funcionavam em Aracaju, a Lavanderia necessitava de um melhoramento público “Nossa Senhora de Lourdes” foi infinitamente deste gênero, utilíssimo para a sua população mais barata. Segundo dados oficiais, mais pobre3. A Lavanderia N. S. de Lourdes, “A do Manuel Preto, no Bairro que estava sendo inaugurada, custou apenas Santo Antonio, construída na administração Cr$ 208 contos. É a maior e a mais bem José Garcez, em 1945, onde um grande aparelhada, pois, provida de um motor movimento de terras e alicerces profundos elétrico de que as outras não dispõem, para a encareceu a obra, custou a Prefeitura capitação da água da cisterna. Segundo dados duzentos e muitos contos. A Lavanderia oficiais, na realização da obra gastou-se 320 Manuel Cruz, no Bairro 18 do Forte, sacos de cimento.4 construída em 1950, na administração Aldebrando Franco, custou 480 contos, 3 inclusive a compra do terreno em que está Ibid. 4 A Prefeitura não realizou a obra através da localizada, que custou 80 contos. É de notar- concorrência pública. Isto rendeu-lhes inúmeras críticas da oposição. Respondendo as críticas, se que todo esse dinheiro, isto é, 400 contos Heribaldo Dantas (UDN) afirma: Ninguém ignora os poucos recursos da prefeitura. Ela certamente não poderia tirar uma vultosa importância para realizar repartição, muitas vezes sem serviço. Conclui essa obra, com gente de fora de seus quadros. Ao dizendo que “uma obra realizada mesmo tempo dispõe no corpo de seus funcionários, administrativamente, quando é feita com trazidos de outras administrações, um potencial honestidade, é sempre mais barata do quem a humano de mais de mil almas que se apinha na realizada sob o regime de concorrência pública”.
  • 3.
    foram consumidos apenasno levantamento do Dom Fernando Gomes, usando os edifício, pois ai já existia uma cisterna, que microfones descreveu a personalidade foi aproveitada (...) Na Lavanderia Manuel simples, cautelosa, modesta, mas realizadora Cruz, onde não se fez cisterna o consumo de do prefeito Jorge Campos Maynard e a cimento elevou-se a 580 sacos”;5 significação daquela construção para aquela Na ocasião, o Prefeito Jorge gente pobre que acabava de receber tão útil Campos Maynard agradece as “associações melhoramento.8 religiosas e ao povo católico da paróquia, tendo á frente o prezado Monsenhor João Jorge Campos Maynard, o Moreira Lima, seu incansável vigário, a prefeito da cidade ao falar prestou contas, oferta da linda imagem que aqui está, para mostrou suas realizações e pediu a população que todos sintam mais vivamente a presença lhe desse alento para prosseguir na sua tarefa de sua protetora”.6 de difíceis pelejas, a fim de poder realizar outros benefícios que compensem os labores Durante a solenidade, além de ser cotidianos, dos que contribuem para o erário entronizada a imagem da Santa e ser dada a publico e para a riqueza do município 9, e que benção das instalações, fez uso da palavra o a missão da Prefeitura tem de ser essa mesma Bispo de Aracaju, Dom Fernando Gomes, o de amenizar a dureza da vida naquele ponto prefeito Jorge Campos Maynard, o Dr. esquecido da cidade com a multiplicação dos Arquimedes Ferrão, representante do P.S.P., a chafarizes e construção de lavanderias. Vereadora D. Carmelita Cardoso Chagas que engrandeceu a Lavanderia em nome dos Antes da palavra do General moradores do bairro; e, nome da UDN, falou Augusto Maynard Gomes que encerrou a o seu secretário geral – Heribaldo Vieira. Em solenidade, a banda do 28 BC tocou e ao final seu discurso disse que o prefeito Jorge apresentação de Conjunto Regional para Campos Maynard consultou o povo do divertimento do povo. 10 Siqueira Campos e verificou que ele No local onde funcionou por angustiado pedia água para beber. E, solicito, muitos anos a Lavanderia Nossa Senhora de lhe deu essa Lavanderia.7 Lourdes, a Prefeitura de Aracaju construiu uma pequena praça e, posteriormente, ergueu o Posto de Saúde denominado “Edelzio Vieira de Melo”. 5 MELHORAMENTOS NO B. S. CAMPOS in Correio de Aracaju: 21.jul.1953, p. 1 e 4. 6 8 Correio de Aracaju; Ano XLVI, Nº 4800, 30 de julho Ibid. 9 de 1953, p. 1-3 Ibid. 7 10 MELHORAMENTOS NO B. S. CAMPOS do Ibid. Correio de Aracaju: 21.jul.1953, p. 1 e 4.