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Bioma Cerrado




       Cerrado é o nome regional dado à savana brasileira que se localiza no grande platô no
planalto central brasileiro. É considerado o segundo maior bioma da América do Sul, superado
apenas pela Floresta Amazônica.
       Com uma área total de aproximadamente 2.100.000 km², sendo com ação antrópica
700.000 km², está concentrado nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, abrangendo os
estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, a região sul de Mato Grosso, o oeste e norte
de Minas Gerais, oeste da Bahia e o Distrito Federal. Prolongações do Cerrado, denominadas
áreas marginais, estendem-se em direção ao norte do país alcançando a região centro-sul do
Maranhão e norte do Piauí, para oeste, até Rondônia. Existem ainda fragmentos desta
vegetação, formando as áreas disjuntas do cerrado, que ocupam 1/5 do estado de São Paulo, os
estados de Rondônia e Amapá. Podem ser encontradas manchas de Cerrado incrustadas na
região da caatinga, floresta atlântica e floresta amazônica.
       A presença humana na região data de pelo menos 12 mil anos, com o aparecimento de
grupos de caçadores e coletores de frutos e outros alimentos naturais. Só recentemente, há
cerca de 50 anos, é que começou a ser mais densamente povoada.
       O precursor do processo de ocupação do Brasil central, no século XVII, foi o interesse
por ouro e pedras preciosas. Pequenos povoados, de importância inexpressiva, foram sendo
formados na região que vai de Cuiabá a oeste do triângulo mineiro, e ao norte da região dos
cerrados, nos estados de Tocantins e Maranhão. Contudo, foi somente a partir da década de
50, com o surgimento de Brasília e de uma política de expansão agrícola, por parte do
Governo Federal, que se iniciou uma acelerada e desordenada ocupação da região do cerrado,
baseada em um modelo de exploração feita de forma fundamentalmente extrativista e, em
muitos casos, predatória.
       A explosão agrícola sobre o cerrado deparou-se com uma região de solos,
caracteristicamente, com baixo teor nutricional e ácidos. Estes, na maioria dos casos, não
submetidos a qualquer trato cultural e ainda expostos a ciclos periódicos de queimadas, em
poucos anos tornavam-se inviáveis para a produção a nível comercial. Esta situação iniciava
um processo migratório das lavouras em busca de novas áreas de plantio. Comportamentos
como estes podem ainda ser observados entre os pequenos produtores na região do cerrado.
       Concominantemente com o aumento das atividades agropastoris, o acelerado ritmo do
processo de urbanização na região, no período de 1970-1991 houve um incremento
demográfico de 93% na região dos cerrado, também tem contribuído para o aumento da
pressão sobre as áreas ainda não ocupadas do cerrado. Estima-se que atualmente cerca de 37%
da área do cerrado já perderam a cobertura original, dando lugar a diferentes paisagens
antrópicas. Da área remanescente do cerrado, estima-se que 63% estejam em áreas privadas,
9% em áreas indígenas e apenas 1% da área total do cerrado encontra-se sob a forma de
Unidades de Conservação Federais.
       No domínio do Cerrado predomina o Bioma do Cerrado. Todavia, outros tipos de
Biomas também estão ali representados, seja como tipos “dominados”ou“não predominantes”
(caso das Matas Mesófilas de Interflúvio), seja como encraves (ilhas ou manchas de caatinga,
por exemplo), ou penetrações de Florestas Galeria, de tipo amazônico ou atlântico, ao longo
dos vales úmidos dos rios. O Domínio é extremamente abrangente. Englobando ecossistemas
os mais variados, sejam eles terrestres, paludosos, lacustres, fluviais, de pequenas ou de
grandes altitudes etc.
       Situado a 19º 40' de latitude sul, o cerrado está a apenas 835 metros acima do nível do
mar. Apesar de abranger uma extensa área, a região de cerrado apresenta clima bastante
regular, classificado como continental tropical semi-úmido (Tropical Sazonal). A temperatura
média é de 25ºC, registrando máximas de 40ºC no verão. As mínimas registradas podem
chegar a valores próximos de 10°C ou até menos, nos meses de maio, junho e julho. A estação
seca começa em abril e continua até setembro. Nesta estação os ventos predominantes são de
leste ou de sudeste e as tempestades são muito raras. Os meses mais frios são junho e julho,
com temperaturas que variam de 20 a 10ºC, e em agosto apresenta as maiores temperaturas.
Os meses mais chuvosos são novembro, dezembro e janeiro. A ocorrência de geadas no
Domínio do Cerrado não é fato incomum, ao menos em sua porção austral.




                            Figura * - Distribuição Climática no Brasil


       Em geral, a precipitação média anual fica entre 1200 e 1800 mm. Ao contrário da
temperatura, a precipitação média mensal apresenta uma grande estacionalidade,
concentrando-se nos meses de primavera e verão (outubro a março), que é a estação chuvosa.
Curtos períodos de seca, chamados de veranicos, podem ocorrer em meio a esta estação,
criando sérios problemas para a agricultura. No período de maio a setembro os índices
pluviométricos mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero.
       Na estação seca, a ocorrência de nevoeiros é comum nas primeiras horas das manhãs,
formando-se grande quantidade de orvalho sobre as plantas e umedecendo o solo. Já no
período da tarde os índices de umidade relativa do ar caem bastante, podendo baixar a valores
próximos a 15%, principalmente nos meses de julho e agosto.
       Ventos fortes e constantes não é uma característica geral do Domínio do Cerrado.
Normalmente a atmosfera é calma e o ar fica muitas vezes quase parado. Em agosto costumam
ocorrer algumas ventanias, levantando poeira e cinzas de queimadas a grandes alturas, através
de redemoinhos que se podem ver de longe. Às vezes elas podem ser tão fortes que até mesmo
grossos galhos são arrancados das árvores e atirados à distância.
          A radiação solar no Domínio do Cerrado é geralmente bastante intensa, podendo
reduzir-se devido à alta nebulosidade, nos meses excessivamente chuvosos do verão. Por esta
possível razão, em certos anos, outubro costuma ser mais quente do que dezembro ou janeiro.
Como o inverno é seco, quase sem nuvens, e as latitudes são relativamente pequenas, a
radiação solar nesta época também é intensa, aquecendo bem as horas do meio do dia. Em
agosto-setembro esta intensidade pode reduzir-se um pouco em virtude da abundância de
névoa seca produzida pelos incêndios e queimadas da vegetação, tão freqüentes neste período
do ano.
          O relevo do Domínio do Cerrado é em geral bastante plano ou suavemente ondulado,
estendendo-se por imensos planaltos ou chapadões. Cerca de 50% de sua área situa-se em
altitudes que ficam entre 300 e 600 m acima do nível do mar; apenas 5,5% vão além de 900m.
As maiores elevações são o Pico do Itacolomi (1797 m) na Serra do Espinhaço, o Pico do Sol
(2070 m) na Serra do Caraça e a Chapada dos Veadeiros, que pode atingir 1676 m. O bioma
do Cerrado não ultrapassa, em geral, os 1100 m.
                Originando-se de espessas camadas de sedimentos que datam do Terciário, os
solos do Bioma do Cerrado são geralmente profundos, azonados, de cor vermelha ou vermelha
amarelada, porosos, permeáveis, bem drenados e, por isto, intensamente lixiviados. Em sua
textura predomina, em geral, a fração areia, vindo em seguida à argila e por último o silte. Eles
são,   portanto,     predominantemente     arenosos,   areno-argilosos,    argilo-arenosos   ou,
eventualmente, argilosos. Sua capacidade de retenção de água é relativamente baixa.
          O teor de matéria orgânica destes solos é pequeno, ficando geralmente entre 3 e 5%.
Como o clima é sazonal, com um longo período de seca, a decomposição do húmus é lenta.
Sua microflora e micro/mesofauna são ainda muito pouco conhecidas. Todavia, acreditamos
que elas devam ser bem características ou típicas, o que, talvez, nos permitisse falar em "solo
de cerrado" e não apenas em "solo sob cerrado", como preferem alguns. Afinal, a flora e a
fauna de um solo são partes integrantes dele e deveriam permitir distingui-lo de outros tantos
solos, física ou quimicamente similares.
          Quanto às suas características químicas, eles são bastante ácidos, com pH que pode
variar de menos de 4 a pouco mais de 5. Esta forte acidez é devida em boa parte aos altos
níveis de Al3+, o que os torna aluminotóxicos para a maioria das plantas agrícolas. Níveis
elevados de íons Fe e de Mn também contribuem para a sua toxidez.
       Correção do pH pela calagem (aplicação de calcário) e adubação, tanto com macro
quanto com micronutrientes, podem torná-los férteis e produtivos, seja para a cultura de grãos
ou de frutíferas. Isto é o que se faz na grande região produtora de soja, situada, em solos de
Cerrado de Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, etc. Além da soja, outros grãos como: milho,
sorgo, feijão, e frutíferas como: manga, abacate, abacaxi, laranja etc, são também cultivados
com sucesso. Com a calagem e a adubação, os cerrados tornaram-se a grande área de expansão
agrícola de país nas últimas décadas. A pecuária também se expandiu com o cultivo de
gramíneas africanas introduzidas, de alta produção e palatabilidade, como a braquiária, por
exemplo.
       A diversificação em variados ambientes é que atribui ao Sistema dos Cerrados o
caráter fundamental da biodiversidade. Compreender a distribuição dos elementos da flora e
fauna pelos diversos subsistemas e seu ciclo anual é muito importante para uma visão de
globalidade.
       No que se refere a frutíferas, o Sistema dos Cerrados se apresenta como um dos mais
ricos, oferecendo uma grande quantidade de frutos comestíveis, alguns de excelente qualidade,
cujo aproveitamento por populações humanas, se dá desde os primórdios da ocupação e, em
épocas atuais são aproveitados de forma artesanal. Associados aos frutos, outros recursos
vegetais de caráter medicinal, madeireiro, venífero, etc., podem ser listados em grande
quantidade. Alguns desses recursos, frutíferos ou não, constituem potenciais fontes de
exploração econômica de certa grandeza, cuja pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias
podem viabilizar seu aproveitamento a curto prazo.
       O Sistema dos Cerrados também apresenta uma fauna variada representada
essencialmente por animais de médio e pequeno porte. A distribuição dos recursos vegetais,
principalmente os frutos, tem sua maior concentração nos meses de novembro, dezembro e
janeiro. Época que coincide com auge da estação chuvosa. Essa concentração diminui
proporcionalmente à medida que se distância da época chuvosa. Todavia, com exceção de
maio, os meses que correspondem à época seca, mesmo em quantidade menor, apresentam
certa quantidade de recursos.
Embora possam ser visíveis durante todo ano, os mamíferos campestres estão mais
concentrados nos meses de setembro a janeiro. Esta época coincide com as floradas e rebrota
dos pastos afetados por queimadas, naturais ou antrópicas do ano anterior, coincide também,
principalmente, a partir de novembro com a época de maturação dos frutos. As espécies,
insetívoras também encontram, nesta época, farto recurso, proporcionado pela revoada e
multiplicação de certas espécies de insetos.
       Os Carnívoros também estão mais concentrados em setembro, outubro, novembro,
dezembro e janeiro, acompanhado a concentração dos mamíferos campestres. Os mamíferos
habitantes do bioma ribeirinho, podem ser mais visíveis e concentrados nos meses secos,
principalmente junho, julho, agosto e setembro. A maior parte das aves do Sistema dos
Cerrados, põe seus ovos durante a estação seca mais especificamente em junho, julho e agosto.
As aves campestres estão mais concentradas no início da estação chuvosa.
           A flora do bioma do Cerrado é riquíssima. Tomando uma atitude conservadora,
poderíamos estimar a flora do bioma do cerrado como sendo constituída por cerca de 3.000
espécies, sendo 1.000 delas do estrato arbóreo-arbustivo e 2.000 do herbáceo-subarbustivo.

             Os campos cobrem a maior parte do território. É essencialmente coberto por
gramíneas, com árvores e arbustos. É subdividido em campo de cerrado e campo limpo, que se
diferenciam na formação do terreno e na composição do solo, com declives ou plano.

         As árvores mais altas do Cerrado chegam a 15 metros de altura e formam estruturas
irregulares. Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem
normalmente folhas pequenas. Nos chapadões arenosos e nos quentes campos rupestres estão
os mais exuberantes e exóticos cactos, bromeliáceas e orquídeas, contando com centenas de
espécies endêmicas. E ainda existem espécies desconhecidas, que devido à ação do homem
podem ser destruídas antes mesmo de serem catalogadas.

         Água parece não ser um fator limitante para a vegetação do cerrado, particularmente
para o seu estrato arbóreo-arbustivo. Como estas plantas possuem raízes pivotantes profundas,
que chegam a 10, 15, 20 metros de profundidade, atingindo camadas de solo permanentemente
úmidas, mesmo na sêca, elas dispõem sempre de algum abastecimento hídrico. No período de
estiagem, o solo se desseca realmente, mas apenas em sua parte superficial ( 1,5 a 2 metros de
profundidade). Consequência disto é a deficiência hídrica apresentada pelo estrato herbáceo-
subarbustivo. Os principais tipos de vegetação são:

              Cerrado (strictu sensu) - é a vegetação característica do cerrado, composta por
exemplares arbustivo-arbóreos, de caules e galhos grossos e retorcidos, distribuídos de forma
ligeiramente esparsa, intercalados por uma cobertura de ervas, gramíneas e espécies semi-
arbustivas.

        Floresta mesofítica de interflúvio (cerradão) - este tipo de vegetação cresce sob
solos bem drenados e relativamente ricos em nutrientes, as copas das árvores, que medem em
média de 8-10 metros de altura, tocam-se o que denota um aspecto fechado a esta vegetação.

        Campo rupestre - encontrado em áreas de contato do cerrado com o caatinga e
floresta atlântica, os solos deste tipo fisionômico são quase sempre rasos e sofrem bruscas
variações em relação a profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. É caracteristicamente,
composto       por   uma     vegetação   arbustiva   de   distribuição   aberta   ou   fechada.


       Campos litossólicos miscelâneos - são caracterizados pela presença de um substrato
duro, rocha mãe, e a quase inexistência de solo macio, este quando presente não ocupa mais
que poucos centímetros de profundidade até se deparar com a camada rochosa pela qual não
passam nem umidade nem raízes. Sua flora é caracterizada por um tapete de ervas latifoliadas
ou de gramíneas curtas, havendo em geral a ausências de exemplares arbustivos, ou a presença
de raríssimos espécimes lenhosos, neste caso enraizados em frestas da camada rochosa.


        Vegetação de afloramento de rocha maciça - representada por cactos, liquens,
musgos, bromélias, ervas e raríssimas árvores e arbustos, cresce sob penhascos e morros
rochosos.

      Florestas de galerias e florestas de encosta associadas - são tipos de vegetação que
ocorrem de modo adjacente, estão associados a proximidade do lençol freático da superfície
do solo. Assim como as florestas mesofíticas, constituem um tipo florestal, contudo estão
situadas sob solos mais férteis e com maior disponibilidade hídrica, o que lhes atribui uma
característica mais densa.
Buritizais e veredas - ocorrem nos fundos vales em áreas inundadas, inviáveis para o
desenvolvimento das florestas de galerias. São caracterizados pela presença dos denominados
"brejos" e a ocorrência de agrupamento de exemplares de buriti (Mauritia vinifera M.), nas
áreas mais úmidas, e babaçu (Orbignya barbosiana B) e carnaúba (Copernicia prunifera M),
em éreas mais secas.

        Campo úmido - caracterizado por um campo limpo, com raras espécimes arbóreas,
que permanece encharcado durante a época chuvosa e ressecado na estação seca, ou no final
desta, em geral constitui uma área de transição que separa a floresta de galeria ou vereda do
cerrado de interflúvio.




                  Mata mesofítica                           Campo rupestre




              Bromélias                                   Buritizais e veredas

          Não se pode levar adiante qualquer estudo sobre os cerrados, se não se tomar em
consideração o fogo, elemento intimamente associado a esta paisagem. Apesar de sua
importância para o entendimento da ecologia desse ambiente enquanto conjunto
biogeográfico, a ação do fogo nos cerrados é ainda mal conhecida e geralmente marcada por
questões mais ideológicas do que científicas.
       O estudo do fogo como agente, será mais completo se também se observar a
comunidade faunística e os hábitos que certos animais desenvolveram e que estão intimamente
associados à sua ação, cuja assimilação, sem dúvida, necessita de arranjos evolutivos
caracterizados por tempo relativamente longo. De algumas observações constata-se, por
exemplo, que a perdiz só faz seu ninho em macegas, tufos de gramíneas queimadas no ano
anterior. Da visita a várias áreas do cerrado imediatamente após grande queimada, tem-se
constatado que apesar da características das árvores e arbustos enegrecidos superficialmente,
estes continuam com vida, ostentando ainda entre a casca energecida e o tronco, intensa
microfauna. Fenômeno semelhante acontece com o estrato gramíneo: poucos dias após a
queimada, mostra sinais de rebrota, que constitui elemento fundamental para concentração de
certas espécies animais. O fogo portanto, é um elemento extremamente comum no cerrado, e
de tal forma antigo, que a maioria das plantas parece estar adaptada a ele.
       Assim, embora o Bioma do Cerrado distribua-se predominantemente em áreas de clima
tropical sazonal, os fatores que aí limitam a vegetação são outros: a fertilidade do solo e o
fogo. Claro que certas formas abertas de cerrado devem esta sua fisionomia às derrubadas
feitas pelo homem para a obtenção de lenha ou carvão.
       Entre as espécies vegetais que caracterizam o Cerrado estão o barbatimão, o pau-santo,
a gabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba e o indaiá. Debaixo dessas
árvores crescem diferentes tipos de capim, como o capim-flecha, que pode atingir uma altura
de 2,5m.
       O Cerrado apresenta grande variedade em espécies em todos os ambientes, que
dispõem de muitos recursos ecológicos, abrigando comunidades de animais com abundância
de indivíduos, alguns com adaptações especializadas para explorar o que fornece seu habitat.
       No ambiente do Cerrado são conhecidos até o momento mais de 1.500 espécies
animais, formando o segundo maior conjunto animal do planeta. Cerca de 50 das 100 espécies
de mamíferos (pertencentes a 67 gêneros) estão no Cerrado. Apresenta mais de 830 espécies
de aves, 150 de anfíbios (das quais 45 são endêmicas), 120 espécies de répteis (das quais 45
são endêmicas). Apenas no Distrito Federal há 90 espécies de cupins, 1.000 espécies de
borboletas e 500 de abelhas e vespas.
Segundo um estudo feito no Bioma, pensava-se que a fauna do Cerrado era composta
basicamente das mesmas espécies de outros ambientes, como a Caatinga, o Pantanal ou o
Chaco. Porém, 45% das espécies de lagartos, cobras e anfisbenas e 23% dos pequenos
mamíferos são endêmicos. Nas áreas de campos abertos, normalmente as mais desvalorizadas,
estão as maiores taxas de endemismo dos mamíferos. Cerca de 73% dos animais encontrados
nesses campos só ocorrem ali, como, por exemplo, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga
tridactyla) o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tatu-canastra entre outros. Dentre as que
correm risco de desaparecer estão o tamanduá-bandeira, a anta, o lobo-guará, o pato-
mergulhão, o falcão-de-peito-vermelho, o tatu-bola, o tatu-canastra, o cervo, o cachorro-
vinagre, a onça-pintada, a ariranha e a lontra.
       Poucas são as unidades de conservação com áreas significativas, onde o Cerrado é o
bioma dominante. Entre elas podemos mencionar o Parque Nacional das Emas (131.832 ha), o
Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84.000 ha), o Parque Nacional da Chapada dos
Guimarães (33.000 hs), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71.525 ha), o Parque
Nacional da Chapada dos Veadeiros (60.000 ha), o Parque Nacional de Brasília (28.000 ha).
Embora estas áreas possam, à primeira vista, parecer suficientes, para a conservação de
carnívoros de maior porte, como a onça-pintada e a onça-parda, por exemplo, o ideal seria que
elas fossem ainda maiores.
       Se considerarmos que cerca de 45% da área do Domínio do Cerrado já foram
convertidos em pastagens cultivadas e lavouras diversas, é extremamente urgente que novas
unidades de conservação representativas dos cerrados sejam criadas ao longo de toda a
extensão deste Domínio, não só em sua área nuclear mas também em seus extremos norte, sul,
leste e oeste. A criação de unidades de conservação com áreas menos significativas não deve,
todavia, ser menosprezada. Quando adequadamente manejadas, elas também são de enorme
importância para a preservação da biodiversidade. Só assim se conseguirá, em tempo,
conservar o maior número de espécies de sua rica e variadíssima flora e fauna.
        A grande maioria das atuais unidades de conservação, sejam elas federais, estaduais ou
municipais, acha-se hoje em uma situação de completo abandono, com sérios problemas de
manejo de fauna e flora, problemas fundiários, de demarcação de terras e construção de
cercas, de acesso por estrada de rodagem, de comunicação, de gerenciamento, de realização de
benfeitorias necessárias, etc.
Problemas de consangüinidade, viroses, verminoses, epidemias, podem estar
dizimando os animais. Pesquisas a médio e longo prazo são essenciais para que possamos
compreender o que acontece com as populações animais remanescentes nos cerrados.

        Paralelamente, espécies exóticas de gramíneas, principalmente as de origem africana,
como o capim-gordura, o capim-jaraguá, a braquiária, estão invadindo estas unidades de
conservação e substituindo rapidamente as espécies nativas do seu riquíssimo estrato
herbáceo/subarbustivo.

              O cerrado como qualquer outro ecossistema, possui organismos denominados
produtores, consumidores e decompositores. Os organismos produtores são todos os seres que
fabricam o seu próprio alimento, através da fotossíntese, sendo neste caso as plantas, sejam
elas terrestres ou aquáticas;Os organismos consumidores são aqueles que obtem sua energia e
alimentos comendo plantas ou outros animais, pois não realizam fotossíntese, sendo, portanto
incapazes de fabricarem seu próprio alimento;Os decompositores são os organismos
responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, transformando-a em nutrientes minerais
que se tornam novamente disponíveis no ambiente. Os decompositores, representados pelas
bactérias e fungos, são o último elo da cadeia trófica, fechando o ciclo. A seqüência de
organismos relacionados pela predação constitui uma cadeia alimentar, cuja estrutura é
simples, unidirecional e não ramificada.

              Espécies endêmicas são espécies cuja distribuição geográfica se limita a uma
determinada zona do globo. Algumas espécies presentes no bioma cerrado são:

           *Antilophia galeata - Soldadinho: É uma das espécies mais notáveis do Cerrado,
apresentando um grande tufo frontal vermelho e uma cauda grande, sendo que a fêmea é
esverdeada (Sick 1997). Habita a mata de galeria, capões, mata em terreno pantanoso e
buritizais. No PESRM (MG) a espécie não é tão comum como em outras UC 's da área core do
Cerrado.

           *Cyanocorax cristatellus – Gralha-do cerrado: Espécie campestre típica do Brasil
central, ocorrendo do Piauí, Maranhão e sul do Pará a Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e
São Paulo (Sick 1997). É uma das espécies endêmicas mais comuns em Unidades de
Conservação do Cerrado, estando presente em 18 de 21 áreas avaliadas (Braz 2003).
*Augastes scutatus (beija-flor-de-gravata) : Espécie endêmica com distribuição
restrita a cadeia do Espinhaço, é considerada relativamente comum nas áreas onde ocorre.
Ocorre na Serra do Espinhaço, norte de Minas Gerais, desde Montes Claros, Grão Mogol e
Diamantina, até a Serra do Cipó, em Belo Horizonte , Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete
(Birdlife International 2004). A principal ameaça é a rápida conversão de áreas de Cerrado em
pastagen, e como tem distribuição restrita, é muito vulnerável a perda de áreas dentro da sua
distribuição. No PESRM foi observada no ponto P2.4, Canga.

         *Melanopareia torquata (Meia-lua-do-cerrado): Espécie típica do Brasil Central,
vive no campo cerrado, savanas ricas em cupinzeiros e campos sujos (Sick, 1997). Ocorre no
sul do Pará, Piauí, Bahia, Goiás, Mato Grosso e São Paulo à Bolívia. É relativamente comum e
está representada em 17 de 21 Unidades de Conservação do Cerrado estudadas (Braz 2003).
No PESRM, a espécie foi registrada em sete pontos de amostragem, sendo a endêmica mais
comum, juntamente com a gralha-do-campo Cyanocorax cristatellus.

       *Polysticus superciliaris: Espécie restrita a campos rupestres, campo cerrado e campo
sujo. Ocorre localmente desde o leste do Brasil, no Morro do Chapéu (Bahia) até a Serra da
Bocaína, norte de São Paulo. A conversão de hábitats é a principal causa de diminuição da
população (Birdlife International 2004). Foi registrada em um ponto somente, P2.7, Portão I.

           *Porphyrospiza caerulescens – campainha-azul: Ocorre na Bolívia e Brasil, do
Maranhão a sudeste do Pará, Piauí, Bahia, oeste de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e
Mato Grosso, em áreas de cerrado aberto com pedras e capim ralo (Sick 1997). No PESRM,
somente é observada na região da Jacuba onde existem os afloramentos acompanhados de
bambus. No entorno só foi observada na região do Taquari. É considerada como espécie
próxima de ameaça de extinção também pela rápida conversão de áreas de Cerrado para
atividades antrópicas (BirdLife International 2004).
Polysticus superciliaris           Augastes scutatus – beija-flor-de-gravata




                 Campainha azul                            Grallha do cerrado




                     Soldadinho                               Meia lua do cerrado

        O Cerrado é considerado um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Embora seja um
ambiente fragmentado e intensamente alterado pela ação antrópica (Felfili & Silva Júnior,
2001), possui diversidade biológica elevada, e conseqüentemente, alto potencial de ocorrência
de interações populacionais entre plantas e insetos. Nessas interações, muitas espécies de
plantas costumam hospedar uma grande diversidade de insetos herbívoros, dentre os quais
estão os minadores foliares. Algumas relações entre plantas e insetos ocorrem ao acaso, em
pequena escala espacial e temporal, apresentando baixa estabilidade, dificultando o seu
registro por estudos científicos. Outras, ao contrário, são bem sucedidas e permanecem por
longos períodos, tornando-se especializadas (Ehrlich & Raven, 1964; Mopper et al., 2000).
Erythroxylaceae é uma família de grande representatividade nos cerrados brasileiros,
possuindo distribuição subtropical e pantropical, com um único gênero ocorrente na região
neotropical: Erythroxylum P. Browne (Wanderley et al., 2002). O gênero compreende cerca de
180 espécies neotropicais, sendo que para o Brasil foram listadas 130 espécies em ambientes
florestais e de cerrado sensu lato (Ribeiro et. al., 1999). Erythroxylum tortuosum Mart. é uma
planta arbustiva-arbórea típica dos cerrados (Amaral Jr., 1973), onde pouco se conhece sobre
os organismos ocorrentes e os padrões e processos populacionais naturais oriundos de
interações tróficas.

        As interações entre plantas e animais representam uma grande e diversificada área em
ecologia. A necessidade de estudos em longo prazo para a compreensão de padrões e da
importância destas interações no funcionamento de comunidades e de suas aplicações em
programas de conservação e manejo vem sendo cada vez mais ressaltada na literatura. Para o
Cerrado o conhecimento dos diferentes tipos de interações entre plantas e animais é variável,
mas de uma maneira geral os padrões gerais e as variações temporais são pouco conhecidos.

       Os padrões fenológicos são importantes nas interações de herbivoria, polinização,
predação e dispersão de frutos e sementes. O conhecimento fenológico atual permite propor
alguns conjuntos de plantas lenhosas com eventos fenológicos similares, onde as fenofases são
relativamente    independentes   de fatores   ambientais   (sazonalidade),   exceto   para o
estabelecimento de plântulas.    As opções de ajustamento seqüencial entre as fenofases
possibilitam grande diversidade de estratégias fenológicas, mesmo entre espécies co-genéricas
e parece variar entre fitofisionomias. Um aspecto que chama a atenção é a grande variação
espacial e temporal de eventos fenológicos (foliação, floração, frutificação) e de abundância
de insetos herbívoros mastigadores (larvas de Lepidoptera) dentro da mesma fitofisionomia,
mesmo em áreas próximas.
UNIVERSIDADE FERDERAL DE ALAGOAS
CTEC – CENTRO DE TECNOLOGIA
ENGENHARIA AMBIENTAL
ECOLOGIA




                  BIOMA – CERRADO




                                                                   EQUIPE:
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                                                              Lícia Holanda
                                                           Rafaela Santiago




                    Maceió, 23 de setembro de 2009.
UNIVERSIDADE FERDERAL DE ALAGOAS
CTEC – CENTRO DE TECNOLOGIA
ENGENHARIA AMBIENTAL
ECOLOGIA




                  BIOMA – CERRADO




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                                                           Rafaela Santiago




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Bioma Cerrado

  • 1. Bioma Cerrado Cerrado é o nome regional dado à savana brasileira que se localiza no grande platô no planalto central brasileiro. É considerado o segundo maior bioma da América do Sul, superado apenas pela Floresta Amazônica. Com uma área total de aproximadamente 2.100.000 km², sendo com ação antrópica 700.000 km², está concentrado nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, abrangendo os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, a região sul de Mato Grosso, o oeste e norte de Minas Gerais, oeste da Bahia e o Distrito Federal. Prolongações do Cerrado, denominadas áreas marginais, estendem-se em direção ao norte do país alcançando a região centro-sul do Maranhão e norte do Piauí, para oeste, até Rondônia. Existem ainda fragmentos desta vegetação, formando as áreas disjuntas do cerrado, que ocupam 1/5 do estado de São Paulo, os estados de Rondônia e Amapá. Podem ser encontradas manchas de Cerrado incrustadas na região da caatinga, floresta atlântica e floresta amazônica. A presença humana na região data de pelo menos 12 mil anos, com o aparecimento de grupos de caçadores e coletores de frutos e outros alimentos naturais. Só recentemente, há cerca de 50 anos, é que começou a ser mais densamente povoada. O precursor do processo de ocupação do Brasil central, no século XVII, foi o interesse por ouro e pedras preciosas. Pequenos povoados, de importância inexpressiva, foram sendo formados na região que vai de Cuiabá a oeste do triângulo mineiro, e ao norte da região dos cerrados, nos estados de Tocantins e Maranhão. Contudo, foi somente a partir da década de
  • 2. 50, com o surgimento de Brasília e de uma política de expansão agrícola, por parte do Governo Federal, que se iniciou uma acelerada e desordenada ocupação da região do cerrado, baseada em um modelo de exploração feita de forma fundamentalmente extrativista e, em muitos casos, predatória. A explosão agrícola sobre o cerrado deparou-se com uma região de solos, caracteristicamente, com baixo teor nutricional e ácidos. Estes, na maioria dos casos, não submetidos a qualquer trato cultural e ainda expostos a ciclos periódicos de queimadas, em poucos anos tornavam-se inviáveis para a produção a nível comercial. Esta situação iniciava um processo migratório das lavouras em busca de novas áreas de plantio. Comportamentos como estes podem ainda ser observados entre os pequenos produtores na região do cerrado. Concominantemente com o aumento das atividades agropastoris, o acelerado ritmo do processo de urbanização na região, no período de 1970-1991 houve um incremento demográfico de 93% na região dos cerrado, também tem contribuído para o aumento da pressão sobre as áreas ainda não ocupadas do cerrado. Estima-se que atualmente cerca de 37% da área do cerrado já perderam a cobertura original, dando lugar a diferentes paisagens antrópicas. Da área remanescente do cerrado, estima-se que 63% estejam em áreas privadas, 9% em áreas indígenas e apenas 1% da área total do cerrado encontra-se sob a forma de Unidades de Conservação Federais. No domínio do Cerrado predomina o Bioma do Cerrado. Todavia, outros tipos de Biomas também estão ali representados, seja como tipos “dominados”ou“não predominantes” (caso das Matas Mesófilas de Interflúvio), seja como encraves (ilhas ou manchas de caatinga, por exemplo), ou penetrações de Florestas Galeria, de tipo amazônico ou atlântico, ao longo dos vales úmidos dos rios. O Domínio é extremamente abrangente. Englobando ecossistemas os mais variados, sejam eles terrestres, paludosos, lacustres, fluviais, de pequenas ou de grandes altitudes etc. Situado a 19º 40' de latitude sul, o cerrado está a apenas 835 metros acima do nível do mar. Apesar de abranger uma extensa área, a região de cerrado apresenta clima bastante regular, classificado como continental tropical semi-úmido (Tropical Sazonal). A temperatura média é de 25ºC, registrando máximas de 40ºC no verão. As mínimas registradas podem chegar a valores próximos de 10°C ou até menos, nos meses de maio, junho e julho. A estação seca começa em abril e continua até setembro. Nesta estação os ventos predominantes são de
  • 3. leste ou de sudeste e as tempestades são muito raras. Os meses mais frios são junho e julho, com temperaturas que variam de 20 a 10ºC, e em agosto apresenta as maiores temperaturas. Os meses mais chuvosos são novembro, dezembro e janeiro. A ocorrência de geadas no Domínio do Cerrado não é fato incomum, ao menos em sua porção austral. Figura * - Distribuição Climática no Brasil Em geral, a precipitação média anual fica entre 1200 e 1800 mm. Ao contrário da temperatura, a precipitação média mensal apresenta uma grande estacionalidade, concentrando-se nos meses de primavera e verão (outubro a março), que é a estação chuvosa. Curtos períodos de seca, chamados de veranicos, podem ocorrer em meio a esta estação, criando sérios problemas para a agricultura. No período de maio a setembro os índices pluviométricos mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero. Na estação seca, a ocorrência de nevoeiros é comum nas primeiras horas das manhãs, formando-se grande quantidade de orvalho sobre as plantas e umedecendo o solo. Já no período da tarde os índices de umidade relativa do ar caem bastante, podendo baixar a valores próximos a 15%, principalmente nos meses de julho e agosto. Ventos fortes e constantes não é uma característica geral do Domínio do Cerrado. Normalmente a atmosfera é calma e o ar fica muitas vezes quase parado. Em agosto costumam ocorrer algumas ventanias, levantando poeira e cinzas de queimadas a grandes alturas, através
  • 4. de redemoinhos que se podem ver de longe. Às vezes elas podem ser tão fortes que até mesmo grossos galhos são arrancados das árvores e atirados à distância. A radiação solar no Domínio do Cerrado é geralmente bastante intensa, podendo reduzir-se devido à alta nebulosidade, nos meses excessivamente chuvosos do verão. Por esta possível razão, em certos anos, outubro costuma ser mais quente do que dezembro ou janeiro. Como o inverno é seco, quase sem nuvens, e as latitudes são relativamente pequenas, a radiação solar nesta época também é intensa, aquecendo bem as horas do meio do dia. Em agosto-setembro esta intensidade pode reduzir-se um pouco em virtude da abundância de névoa seca produzida pelos incêndios e queimadas da vegetação, tão freqüentes neste período do ano. O relevo do Domínio do Cerrado é em geral bastante plano ou suavemente ondulado, estendendo-se por imensos planaltos ou chapadões. Cerca de 50% de sua área situa-se em altitudes que ficam entre 300 e 600 m acima do nível do mar; apenas 5,5% vão além de 900m. As maiores elevações são o Pico do Itacolomi (1797 m) na Serra do Espinhaço, o Pico do Sol (2070 m) na Serra do Caraça e a Chapada dos Veadeiros, que pode atingir 1676 m. O bioma do Cerrado não ultrapassa, em geral, os 1100 m. Originando-se de espessas camadas de sedimentos que datam do Terciário, os solos do Bioma do Cerrado são geralmente profundos, azonados, de cor vermelha ou vermelha amarelada, porosos, permeáveis, bem drenados e, por isto, intensamente lixiviados. Em sua textura predomina, em geral, a fração areia, vindo em seguida à argila e por último o silte. Eles são, portanto, predominantemente arenosos, areno-argilosos, argilo-arenosos ou, eventualmente, argilosos. Sua capacidade de retenção de água é relativamente baixa. O teor de matéria orgânica destes solos é pequeno, ficando geralmente entre 3 e 5%. Como o clima é sazonal, com um longo período de seca, a decomposição do húmus é lenta. Sua microflora e micro/mesofauna são ainda muito pouco conhecidas. Todavia, acreditamos que elas devam ser bem características ou típicas, o que, talvez, nos permitisse falar em "solo de cerrado" e não apenas em "solo sob cerrado", como preferem alguns. Afinal, a flora e a fauna de um solo são partes integrantes dele e deveriam permitir distingui-lo de outros tantos solos, física ou quimicamente similares. Quanto às suas características químicas, eles são bastante ácidos, com pH que pode variar de menos de 4 a pouco mais de 5. Esta forte acidez é devida em boa parte aos altos
  • 5. níveis de Al3+, o que os torna aluminotóxicos para a maioria das plantas agrícolas. Níveis elevados de íons Fe e de Mn também contribuem para a sua toxidez. Correção do pH pela calagem (aplicação de calcário) e adubação, tanto com macro quanto com micronutrientes, podem torná-los férteis e produtivos, seja para a cultura de grãos ou de frutíferas. Isto é o que se faz na grande região produtora de soja, situada, em solos de Cerrado de Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, etc. Além da soja, outros grãos como: milho, sorgo, feijão, e frutíferas como: manga, abacate, abacaxi, laranja etc, são também cultivados com sucesso. Com a calagem e a adubação, os cerrados tornaram-se a grande área de expansão agrícola de país nas últimas décadas. A pecuária também se expandiu com o cultivo de gramíneas africanas introduzidas, de alta produção e palatabilidade, como a braquiária, por exemplo. A diversificação em variados ambientes é que atribui ao Sistema dos Cerrados o caráter fundamental da biodiversidade. Compreender a distribuição dos elementos da flora e fauna pelos diversos subsistemas e seu ciclo anual é muito importante para uma visão de globalidade. No que se refere a frutíferas, o Sistema dos Cerrados se apresenta como um dos mais ricos, oferecendo uma grande quantidade de frutos comestíveis, alguns de excelente qualidade, cujo aproveitamento por populações humanas, se dá desde os primórdios da ocupação e, em épocas atuais são aproveitados de forma artesanal. Associados aos frutos, outros recursos vegetais de caráter medicinal, madeireiro, venífero, etc., podem ser listados em grande quantidade. Alguns desses recursos, frutíferos ou não, constituem potenciais fontes de exploração econômica de certa grandeza, cuja pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias podem viabilizar seu aproveitamento a curto prazo. O Sistema dos Cerrados também apresenta uma fauna variada representada essencialmente por animais de médio e pequeno porte. A distribuição dos recursos vegetais, principalmente os frutos, tem sua maior concentração nos meses de novembro, dezembro e janeiro. Época que coincide com auge da estação chuvosa. Essa concentração diminui proporcionalmente à medida que se distância da época chuvosa. Todavia, com exceção de maio, os meses que correspondem à época seca, mesmo em quantidade menor, apresentam certa quantidade de recursos.
  • 6. Embora possam ser visíveis durante todo ano, os mamíferos campestres estão mais concentrados nos meses de setembro a janeiro. Esta época coincide com as floradas e rebrota dos pastos afetados por queimadas, naturais ou antrópicas do ano anterior, coincide também, principalmente, a partir de novembro com a época de maturação dos frutos. As espécies, insetívoras também encontram, nesta época, farto recurso, proporcionado pela revoada e multiplicação de certas espécies de insetos. Os Carnívoros também estão mais concentrados em setembro, outubro, novembro, dezembro e janeiro, acompanhado a concentração dos mamíferos campestres. Os mamíferos habitantes do bioma ribeirinho, podem ser mais visíveis e concentrados nos meses secos, principalmente junho, julho, agosto e setembro. A maior parte das aves do Sistema dos Cerrados, põe seus ovos durante a estação seca mais especificamente em junho, julho e agosto. As aves campestres estão mais concentradas no início da estação chuvosa. A flora do bioma do Cerrado é riquíssima. Tomando uma atitude conservadora, poderíamos estimar a flora do bioma do cerrado como sendo constituída por cerca de 3.000 espécies, sendo 1.000 delas do estrato arbóreo-arbustivo e 2.000 do herbáceo-subarbustivo. Os campos cobrem a maior parte do território. É essencialmente coberto por gramíneas, com árvores e arbustos. É subdividido em campo de cerrado e campo limpo, que se diferenciam na formação do terreno e na composição do solo, com declives ou plano. As árvores mais altas do Cerrado chegam a 15 metros de altura e formam estruturas irregulares. Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem normalmente folhas pequenas. Nos chapadões arenosos e nos quentes campos rupestres estão os mais exuberantes e exóticos cactos, bromeliáceas e orquídeas, contando com centenas de espécies endêmicas. E ainda existem espécies desconhecidas, que devido à ação do homem podem ser destruídas antes mesmo de serem catalogadas. Água parece não ser um fator limitante para a vegetação do cerrado, particularmente para o seu estrato arbóreo-arbustivo. Como estas plantas possuem raízes pivotantes profundas, que chegam a 10, 15, 20 metros de profundidade, atingindo camadas de solo permanentemente úmidas, mesmo na sêca, elas dispõem sempre de algum abastecimento hídrico. No período de estiagem, o solo se desseca realmente, mas apenas em sua parte superficial ( 1,5 a 2 metros de
  • 7. profundidade). Consequência disto é a deficiência hídrica apresentada pelo estrato herbáceo- subarbustivo. Os principais tipos de vegetação são: Cerrado (strictu sensu) - é a vegetação característica do cerrado, composta por exemplares arbustivo-arbóreos, de caules e galhos grossos e retorcidos, distribuídos de forma ligeiramente esparsa, intercalados por uma cobertura de ervas, gramíneas e espécies semi- arbustivas. Floresta mesofítica de interflúvio (cerradão) - este tipo de vegetação cresce sob solos bem drenados e relativamente ricos em nutrientes, as copas das árvores, que medem em média de 8-10 metros de altura, tocam-se o que denota um aspecto fechado a esta vegetação. Campo rupestre - encontrado em áreas de contato do cerrado com o caatinga e floresta atlântica, os solos deste tipo fisionômico são quase sempre rasos e sofrem bruscas variações em relação a profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. É caracteristicamente, composto por uma vegetação arbustiva de distribuição aberta ou fechada. Campos litossólicos miscelâneos - são caracterizados pela presença de um substrato duro, rocha mãe, e a quase inexistência de solo macio, este quando presente não ocupa mais que poucos centímetros de profundidade até se deparar com a camada rochosa pela qual não passam nem umidade nem raízes. Sua flora é caracterizada por um tapete de ervas latifoliadas ou de gramíneas curtas, havendo em geral a ausências de exemplares arbustivos, ou a presença de raríssimos espécimes lenhosos, neste caso enraizados em frestas da camada rochosa. Vegetação de afloramento de rocha maciça - representada por cactos, liquens, musgos, bromélias, ervas e raríssimas árvores e arbustos, cresce sob penhascos e morros rochosos. Florestas de galerias e florestas de encosta associadas - são tipos de vegetação que ocorrem de modo adjacente, estão associados a proximidade do lençol freático da superfície do solo. Assim como as florestas mesofíticas, constituem um tipo florestal, contudo estão situadas sob solos mais férteis e com maior disponibilidade hídrica, o que lhes atribui uma característica mais densa.
  • 8. Buritizais e veredas - ocorrem nos fundos vales em áreas inundadas, inviáveis para o desenvolvimento das florestas de galerias. São caracterizados pela presença dos denominados "brejos" e a ocorrência de agrupamento de exemplares de buriti (Mauritia vinifera M.), nas áreas mais úmidas, e babaçu (Orbignya barbosiana B) e carnaúba (Copernicia prunifera M), em éreas mais secas. Campo úmido - caracterizado por um campo limpo, com raras espécimes arbóreas, que permanece encharcado durante a época chuvosa e ressecado na estação seca, ou no final desta, em geral constitui uma área de transição que separa a floresta de galeria ou vereda do cerrado de interflúvio. Mata mesofítica Campo rupestre Bromélias Buritizais e veredas Não se pode levar adiante qualquer estudo sobre os cerrados, se não se tomar em consideração o fogo, elemento intimamente associado a esta paisagem. Apesar de sua importância para o entendimento da ecologia desse ambiente enquanto conjunto
  • 9. biogeográfico, a ação do fogo nos cerrados é ainda mal conhecida e geralmente marcada por questões mais ideológicas do que científicas. O estudo do fogo como agente, será mais completo se também se observar a comunidade faunística e os hábitos que certos animais desenvolveram e que estão intimamente associados à sua ação, cuja assimilação, sem dúvida, necessita de arranjos evolutivos caracterizados por tempo relativamente longo. De algumas observações constata-se, por exemplo, que a perdiz só faz seu ninho em macegas, tufos de gramíneas queimadas no ano anterior. Da visita a várias áreas do cerrado imediatamente após grande queimada, tem-se constatado que apesar da características das árvores e arbustos enegrecidos superficialmente, estes continuam com vida, ostentando ainda entre a casca energecida e o tronco, intensa microfauna. Fenômeno semelhante acontece com o estrato gramíneo: poucos dias após a queimada, mostra sinais de rebrota, que constitui elemento fundamental para concentração de certas espécies animais. O fogo portanto, é um elemento extremamente comum no cerrado, e de tal forma antigo, que a maioria das plantas parece estar adaptada a ele. Assim, embora o Bioma do Cerrado distribua-se predominantemente em áreas de clima tropical sazonal, os fatores que aí limitam a vegetação são outros: a fertilidade do solo e o fogo. Claro que certas formas abertas de cerrado devem esta sua fisionomia às derrubadas feitas pelo homem para a obtenção de lenha ou carvão. Entre as espécies vegetais que caracterizam o Cerrado estão o barbatimão, o pau-santo, a gabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba e o indaiá. Debaixo dessas árvores crescem diferentes tipos de capim, como o capim-flecha, que pode atingir uma altura de 2,5m. O Cerrado apresenta grande variedade em espécies em todos os ambientes, que dispõem de muitos recursos ecológicos, abrigando comunidades de animais com abundância de indivíduos, alguns com adaptações especializadas para explorar o que fornece seu habitat. No ambiente do Cerrado são conhecidos até o momento mais de 1.500 espécies animais, formando o segundo maior conjunto animal do planeta. Cerca de 50 das 100 espécies de mamíferos (pertencentes a 67 gêneros) estão no Cerrado. Apresenta mais de 830 espécies de aves, 150 de anfíbios (das quais 45 são endêmicas), 120 espécies de répteis (das quais 45 são endêmicas). Apenas no Distrito Federal há 90 espécies de cupins, 1.000 espécies de borboletas e 500 de abelhas e vespas.
  • 10. Segundo um estudo feito no Bioma, pensava-se que a fauna do Cerrado era composta basicamente das mesmas espécies de outros ambientes, como a Caatinga, o Pantanal ou o Chaco. Porém, 45% das espécies de lagartos, cobras e anfisbenas e 23% dos pequenos mamíferos são endêmicos. Nas áreas de campos abertos, normalmente as mais desvalorizadas, estão as maiores taxas de endemismo dos mamíferos. Cerca de 73% dos animais encontrados nesses campos só ocorrem ali, como, por exemplo, o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tatu-canastra entre outros. Dentre as que correm risco de desaparecer estão o tamanduá-bandeira, a anta, o lobo-guará, o pato- mergulhão, o falcão-de-peito-vermelho, o tatu-bola, o tatu-canastra, o cervo, o cachorro- vinagre, a onça-pintada, a ariranha e a lontra. Poucas são as unidades de conservação com áreas significativas, onde o Cerrado é o bioma dominante. Entre elas podemos mencionar o Parque Nacional das Emas (131.832 ha), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84.000 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (33.000 hs), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71.525 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60.000 ha), o Parque Nacional de Brasília (28.000 ha). Embora estas áreas possam, à primeira vista, parecer suficientes, para a conservação de carnívoros de maior porte, como a onça-pintada e a onça-parda, por exemplo, o ideal seria que elas fossem ainda maiores. Se considerarmos que cerca de 45% da área do Domínio do Cerrado já foram convertidos em pastagens cultivadas e lavouras diversas, é extremamente urgente que novas unidades de conservação representativas dos cerrados sejam criadas ao longo de toda a extensão deste Domínio, não só em sua área nuclear mas também em seus extremos norte, sul, leste e oeste. A criação de unidades de conservação com áreas menos significativas não deve, todavia, ser menosprezada. Quando adequadamente manejadas, elas também são de enorme importância para a preservação da biodiversidade. Só assim se conseguirá, em tempo, conservar o maior número de espécies de sua rica e variadíssima flora e fauna. A grande maioria das atuais unidades de conservação, sejam elas federais, estaduais ou municipais, acha-se hoje em uma situação de completo abandono, com sérios problemas de manejo de fauna e flora, problemas fundiários, de demarcação de terras e construção de cercas, de acesso por estrada de rodagem, de comunicação, de gerenciamento, de realização de benfeitorias necessárias, etc.
  • 11. Problemas de consangüinidade, viroses, verminoses, epidemias, podem estar dizimando os animais. Pesquisas a médio e longo prazo são essenciais para que possamos compreender o que acontece com as populações animais remanescentes nos cerrados. Paralelamente, espécies exóticas de gramíneas, principalmente as de origem africana, como o capim-gordura, o capim-jaraguá, a braquiária, estão invadindo estas unidades de conservação e substituindo rapidamente as espécies nativas do seu riquíssimo estrato herbáceo/subarbustivo. O cerrado como qualquer outro ecossistema, possui organismos denominados produtores, consumidores e decompositores. Os organismos produtores são todos os seres que fabricam o seu próprio alimento, através da fotossíntese, sendo neste caso as plantas, sejam elas terrestres ou aquáticas;Os organismos consumidores são aqueles que obtem sua energia e alimentos comendo plantas ou outros animais, pois não realizam fotossíntese, sendo, portanto incapazes de fabricarem seu próprio alimento;Os decompositores são os organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, transformando-a em nutrientes minerais que se tornam novamente disponíveis no ambiente. Os decompositores, representados pelas bactérias e fungos, são o último elo da cadeia trófica, fechando o ciclo. A seqüência de organismos relacionados pela predação constitui uma cadeia alimentar, cuja estrutura é simples, unidirecional e não ramificada. Espécies endêmicas são espécies cuja distribuição geográfica se limita a uma determinada zona do globo. Algumas espécies presentes no bioma cerrado são: *Antilophia galeata - Soldadinho: É uma das espécies mais notáveis do Cerrado, apresentando um grande tufo frontal vermelho e uma cauda grande, sendo que a fêmea é esverdeada (Sick 1997). Habita a mata de galeria, capões, mata em terreno pantanoso e buritizais. No PESRM (MG) a espécie não é tão comum como em outras UC 's da área core do Cerrado. *Cyanocorax cristatellus – Gralha-do cerrado: Espécie campestre típica do Brasil central, ocorrendo do Piauí, Maranhão e sul do Pará a Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo (Sick 1997). É uma das espécies endêmicas mais comuns em Unidades de Conservação do Cerrado, estando presente em 18 de 21 áreas avaliadas (Braz 2003).
  • 12. *Augastes scutatus (beija-flor-de-gravata) : Espécie endêmica com distribuição restrita a cadeia do Espinhaço, é considerada relativamente comum nas áreas onde ocorre. Ocorre na Serra do Espinhaço, norte de Minas Gerais, desde Montes Claros, Grão Mogol e Diamantina, até a Serra do Cipó, em Belo Horizonte , Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete (Birdlife International 2004). A principal ameaça é a rápida conversão de áreas de Cerrado em pastagen, e como tem distribuição restrita, é muito vulnerável a perda de áreas dentro da sua distribuição. No PESRM foi observada no ponto P2.4, Canga. *Melanopareia torquata (Meia-lua-do-cerrado): Espécie típica do Brasil Central, vive no campo cerrado, savanas ricas em cupinzeiros e campos sujos (Sick, 1997). Ocorre no sul do Pará, Piauí, Bahia, Goiás, Mato Grosso e São Paulo à Bolívia. É relativamente comum e está representada em 17 de 21 Unidades de Conservação do Cerrado estudadas (Braz 2003). No PESRM, a espécie foi registrada em sete pontos de amostragem, sendo a endêmica mais comum, juntamente com a gralha-do-campo Cyanocorax cristatellus. *Polysticus superciliaris: Espécie restrita a campos rupestres, campo cerrado e campo sujo. Ocorre localmente desde o leste do Brasil, no Morro do Chapéu (Bahia) até a Serra da Bocaína, norte de São Paulo. A conversão de hábitats é a principal causa de diminuição da população (Birdlife International 2004). Foi registrada em um ponto somente, P2.7, Portão I. *Porphyrospiza caerulescens – campainha-azul: Ocorre na Bolívia e Brasil, do Maranhão a sudeste do Pará, Piauí, Bahia, oeste de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso, em áreas de cerrado aberto com pedras e capim ralo (Sick 1997). No PESRM, somente é observada na região da Jacuba onde existem os afloramentos acompanhados de bambus. No entorno só foi observada na região do Taquari. É considerada como espécie próxima de ameaça de extinção também pela rápida conversão de áreas de Cerrado para atividades antrópicas (BirdLife International 2004).
  • 13. Polysticus superciliaris Augastes scutatus – beija-flor-de-gravata Campainha azul Grallha do cerrado Soldadinho Meia lua do cerrado O Cerrado é considerado um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Embora seja um ambiente fragmentado e intensamente alterado pela ação antrópica (Felfili & Silva Júnior, 2001), possui diversidade biológica elevada, e conseqüentemente, alto potencial de ocorrência de interações populacionais entre plantas e insetos. Nessas interações, muitas espécies de plantas costumam hospedar uma grande diversidade de insetos herbívoros, dentre os quais estão os minadores foliares. Algumas relações entre plantas e insetos ocorrem ao acaso, em pequena escala espacial e temporal, apresentando baixa estabilidade, dificultando o seu
  • 14. registro por estudos científicos. Outras, ao contrário, são bem sucedidas e permanecem por longos períodos, tornando-se especializadas (Ehrlich & Raven, 1964; Mopper et al., 2000). Erythroxylaceae é uma família de grande representatividade nos cerrados brasileiros, possuindo distribuição subtropical e pantropical, com um único gênero ocorrente na região neotropical: Erythroxylum P. Browne (Wanderley et al., 2002). O gênero compreende cerca de 180 espécies neotropicais, sendo que para o Brasil foram listadas 130 espécies em ambientes florestais e de cerrado sensu lato (Ribeiro et. al., 1999). Erythroxylum tortuosum Mart. é uma planta arbustiva-arbórea típica dos cerrados (Amaral Jr., 1973), onde pouco se conhece sobre os organismos ocorrentes e os padrões e processos populacionais naturais oriundos de interações tróficas. As interações entre plantas e animais representam uma grande e diversificada área em ecologia. A necessidade de estudos em longo prazo para a compreensão de padrões e da importância destas interações no funcionamento de comunidades e de suas aplicações em programas de conservação e manejo vem sendo cada vez mais ressaltada na literatura. Para o Cerrado o conhecimento dos diferentes tipos de interações entre plantas e animais é variável, mas de uma maneira geral os padrões gerais e as variações temporais são pouco conhecidos. Os padrões fenológicos são importantes nas interações de herbivoria, polinização, predação e dispersão de frutos e sementes. O conhecimento fenológico atual permite propor alguns conjuntos de plantas lenhosas com eventos fenológicos similares, onde as fenofases são relativamente independentes de fatores ambientais (sazonalidade), exceto para o estabelecimento de plântulas. As opções de ajustamento seqüencial entre as fenofases possibilitam grande diversidade de estratégias fenológicas, mesmo entre espécies co-genéricas e parece variar entre fitofisionomias. Um aspecto que chama a atenção é a grande variação espacial e temporal de eventos fenológicos (foliação, floração, frutificação) e de abundância de insetos herbívoros mastigadores (larvas de Lepidoptera) dentro da mesma fitofisionomia, mesmo em áreas próximas.
  • 15. UNIVERSIDADE FERDERAL DE ALAGOAS CTEC – CENTRO DE TECNOLOGIA ENGENHARIA AMBIENTAL ECOLOGIA BIOMA – CERRADO EQUIPE: Jullyeth Angelina Karlyandra dos Santos Lícia Holanda Rafaela Santiago Maceió, 23 de setembro de 2009.
  • 16. UNIVERSIDADE FERDERAL DE ALAGOAS CTEC – CENTRO DE TECNOLOGIA ENGENHARIA AMBIENTAL ECOLOGIA BIOMA – CERRADO EQUIPE: Jullyeth Angelina Karlyandra dos Santos Lícia Holanda Rafaela Santiago Maceió, 23 de setembro de 2009.