1. A Palavra Sagrada
Sagrada é a Palavra! Tão sagrada, que eu sinto vontade de retirá-la da
humanidade terrena, porque lhe falta toda a noção, sim, até mesmo um
pressentimento da grandeza dessa Palavra! Sinto-me impelido a
ocultar a Palavra, de modo a protegê-la, para que jamais entre em
contato com a presunção injuriosa ou com a indiferença dessas almas
humanas que, em sua preguiça espiritual, se tornaram tão
incrivelmente restritas e, assim, desprovidas de saber.
Que sabem elas ainda a respeito da santidade! Da santidade de
Deus e também de Sua Palavra! É deplorável! Poderia-se desesperar e
desanimar diante desse reconhecer. Sinto-me impelido a escolher
apenas alguns dentre todos os seres humanos, dez ou vinte apenas, aos
quais continuaria anunciando ainda a Palavra, embora esses poucos,
também, não chegariam à noção da verdadeira santidade e, dessa
maneira, nem mesmo a uma sintonização correta com a grandeza e o
valor de minha Palavra!
Dar a Palavra Sagrada a estes seres humanos é para mim o mais
difícil que tenho que cumprir.
O que isso significa, o que jaz nestas palavras, isso vós novamente
não podeis abranger! Assim encontro-me perante vós, ciente de que
também os melhores dentre vós aqui na Terra jamais me
compreenderão acertadamente, nem assimilarão a décima parte do
que lhes é dado com minha Palavra. Vós a ouvis e a tendes em mãos,
contudo não utilizais seu valor para vós! Vejo como passam
despercebidos os altos valores e indizíveis forças, enquanto, por outro
lado, vos utilizais de coisas que, em relação à Palavra em vosso poder,
não podem ser consideradas nem como o mais ínfimo grão de pó.
Com esse saber encontro-me diante de vós. Cada vez resistindo
espiritualmente, dou-vos acesso às elevadas solenidades do Graal, cujo
significado, cuja severidade e força mais pura, porém, vós nunca
compreendereis. Muitos nem mesmo se esforçam sinceramente para
ao menos imaginar o sentido de modo certo! Além disso, os elevados
atos do Selamento e da Santa Ceia! O Selamento! Vós vos jogaríeis
tremendo no chão, se pudésseis reconhecer, ver conscientemente uma
ínfima parte da incomensurável vivacidade nesses atos!
Bem que nisso um intuir desconhecido, bem-aventurado comove
alguma alma humana, que deixa pressentir a força da Luz vinda da
proximidade de Deus. No entanto, rapidamente tudo isso se apaga
novamente com a afluência das pequenas preocupações cotidianas,
alegrias cotidianas e prazeres.
Somente quando a alma humana penetrar no reino da matéria fina
então é que vai, aos poucos, adquirindo um novo reconhecimento de
tudo aquilo que pôde co-vivenciar aqui na Terra.
Apesar de que isso seja também apenas uma sombra da pujante
grandeza do verdadeiro acontecimento, é suficiente para abalar do
modo mais profundo cada alma humana! Mal pode crer que lhe foi
permitido vivenciar tudo aquilo, tal é a graça de Deus que aí se
manifesta a ela. Preenchida disso, ela gostaria de sacudir, abalar esses
seres humanos terrenos, a fim de que rompam sua superficialidade e
se esforcem para intuir, já agora, essas graças, mais intensamente do
que até então.
Inútil esforço, porém! O ser humano terreno, por si próprio, tornou-
se embotado demais para isso. Tornou-se incapaz por haver envidado
os mais assíduos esforços em seus caminhos falsos. Cada alma,
despertada no reino da matéria fina, afasta-se por isso novamente, com
o coração a sangrar e com profundos remorsos, sabendo que ela
própria não foi diferente aqui na Terra, e por certo também não poderá
esperar mais dos que ainda se encontram aqui na Terra.
Assim também tudo agora se opõe em mim, ao pensar que tenho de
deixar divulgar esta sagrada Mensagem através de meus discípulos,
pois eu sei que nem um único entre os seres humanos jamais saberá
realmente o que recebe com isso, quão imensa e elevada graça de Deus
reside no fato de lhes ser permitido ouvir essa Mensagem! A essa
ignorância, a essa indiferença, a esse querer saber melhor de tais seres
humanos, devo mandar oferecer algo que, em pureza, vem dos degraus
do trono de Deus! Custa-me uma luta, custa-me grande esforço! A cada
hora novamente!
Uma coisa, porém, me consola nisso! É satisfação em cada escárnio,
cada zombaria, cada observação depreciativa ou cada sinal de
impassibilidade indolente dos seres humanos: o meu saber que cada
um desses seres humanos, pelo seu atuar e pensar, se julga na Palavra,
cuja grandeza ele não quer ver, pela qual ainda passa desatento. Me é
consolo saber, que o ser humano com cada palavra que pronuncia
sobre a minha Mensagem, se dá, ele próprio, a sua sentença, que traz
em si destruição ou vida para ele!
Este saber me deixa suportar tudo, superar tudo! Nenhuma alma
poderá agora fugir dele. Como tal espada julgadora lanço agora a
Palavra para vós nos cumprimentos do Juízo Final! Isso faz a tristeza se
desprender de mim! Que os seres humanos a repudiem, o quanto
quiserem, eles se ferem somente a si próprios, que escarneiem,
zombem ou meneiem a cabeça... tudo atingirá eles próprios na mais
rápida reciprocidade!
Anos se passaram, quando pela primeira vez senti horror, ao
observar os espíritos humanos e ver a minha conclusão sobre o destino
que lhes está reservado de acordo com a lei primordial da Criação.
Senti horror, porque vi que era impossível auxiliar os seres
humanos ainda de outra forma, a não ser mostrando-lhes aquele
caminho que eles têm de seguir, para escaparem à destruição.
Isso deixou-me indizivelmente triste, pois do atual estado da
humanidade só poderá resultar um fim: A certeza de que a maior parte
de toda a humanidade terá de perecer incondicionalmente, enquanto
lhe for deixada a livre resolução para cada decisão!
O livre-arbítrio da resolução, porém, segundo as leis da Criação,
nunca poderá ser retirado do espírito humano! Isso reside na espécie
do espírito! E por causa disso, isto é, por si próprias, as grandes massas
então sucumbirão no presente Juízo!
Cada resolução individual do ser humano traça-lhe os caminhos
que terá de percorrer na Criação e também aqui na Terra. As pequenas
coisas da sua profissão e da necessária vida cotidiana constituem nisso
apenas coisas secundárias, que resultam muitas vezes ainda de
conclusões de remotas resoluções voluntárias. Contudo, somente a
resolução é livre para um espírito humano! Com essa resolução,
começa a atuar a alavanca automática que provoca a efetivação das leis
de Deus na Criação, de acordo com a espécie da resolução! Assim é o
livre-arbítrio de que dispõe o espírito humano! Ele reside somente na
liberdade incondicional da resolução. A resolução espiritual, porém,
desencadeia imediatamente na Criação uma até então misteriosa e
automática atuação que, sem que o espírito humano saiba, desenvolve
ainda mais a espécie do querer inerente à resolução, até a maturação,
levando com isso a um resgate final, que algum dia subitamente se
apresenta, de acordo com a força da resolução primitiva e a nutrição
que tal espécie ainda recebeu através da espécie igual durante o seu
percurso na Criação.
O ser humano tem então de arcar com os efeitos de cada uma de
suas resoluções. Isso ele não poderá e não deverá sentir como injusto,
pois no derradeiro efeito encontra-se sempre apenas o que estava
inserido na resolução. Contudo, no efeito final é atingido sempre
exclusivamente o autor da resolução, ainda que essa tenha sido
destinada a outrem. Muitas vezes, por ocasião de um efeito final, a
resolução original já fora esquecida há muito tempo pelo seu autor; seu
querer e suas resoluções nessa época poderão ser talvez já
completamente diferentes, até mesmo contrárias às primitivas, mas as
conseqüências das resoluções de outrora, mesmo sem o seu
conhecimento, seguem imutavelmente seu curso automático até o fim,
de acordo com a lei.
O ser humano encontra-se sempre no meio das conseqüências de
todas as suas resoluções, muitas das quais ele nem mais conhece e nas
quais não mais pensa; sente então, por essa razão, freqüentemente
como injustiça, quando uma ou outra coisa, inesperadamente, o atinge
como derradeiro efeito. Quanto a isso, porém, pode ficar tranqüilo.
Nada o atingirá, senão aquilo para o que ele mesmo, um dia, tenha
dado o motivo; aquilo que ele mesmo, alguma vez, por qualquer
resolução, tenha criado, literalmente; portanto, que tenha “posto” na
Criação para efetivar-se de acordo com as leis! Seja isso através do
pensar, falar ou atuar! Para tanto, ele movimentou a alavanca. Para
tudo é necessário, originalmente, o seu querer, e cada querer é uma
resolução!
Entretanto, por desconhecimento das leis da Criação, os seres
humanos sempre gritam com relação à injustiça e perguntam onde
estaria o tão afamado livre-arbítrio do ser humano! Eruditos escrevem
e falam sobre isso, enquanto, na realidade, tudo é tão simples! Em
qualquer hipótese, um livre-arbítrio só pode existir na capacidade de
livre resolução, nunca diferentemente. E esta é e sempre será mantida
ao espírito humano na Criação para o seu caminho. Com isso ele
sempre se esquece de um fato importante ou o omite: que apesar de
tudo ele é e permanecerá somente uma criatura, um fruto desta
Criação posterior, que surgiu de suas leis eternas e imutáveis e por isso
também jamais poderá desviar-se dessas leis ou desprezá-las! Elas se
efetivam, queira ou não queira, goste ou não goste. Nisso ele é um
nada, é como uma criança que, passeando sozinha, pode enveredar por
seus caminhos, de acordo com a sua vontade, ficando, porém, depois,
sujeita à espécie do caminho, não importando se é fácil ou difícil de
percorrer, se conduz a um alvo belo ou a um abismo.
Com cada nova resolução de uma pessoa surge, portanto, um novo
caminho e, com isso, um novo fio no tapete do seu destino. Os
caminhos velhos, porém, que até então ainda não foram solvidos,
continuam, apesar disso, à frente dos mais novos, até que sejam
completamente percorridos. Estes, portanto, com um novo caminho,
ainda não estão cortados, mas sim têm de ser vivenciados e
percorridos até o fim. Aí cruzam-se também, às vezes, velhos com
novos caminhos, resultando, com isso, novos rumos.
Tudo isso o ser humano terá de desamarrar pela vivência e aí se
admira muitas vezes de como lhe pode advir isto ou aquilo, porque não
ficou consciente de suas resoluções anteriores, ficando, no entanto,
sujeito às respectivas conseqüências, até que tenham se exaurido e,
com isso, “extinguido”! Não é possível eliminá-las do mundo por outra
forma, a não ser pelo próprio gerador. Ele não poderá se desviar delas,
uma vez que permanecem firmemente ancoradas nele até a completa
liquidação.
É necessário, pois, que todas as conseqüências de cada uma das
resoluções alcancem sua liquidação até o fim: só então desprendem-se
de seu gerador, deixando de existir. Mas se os fios de novas e boas
resoluções cruzarem com outros ainda pendentes, de antigas e más
resoluções, os efeitos dessas conseqüências antigas e más serão, pelo
cruzamento com as novas e boas, correspondentemente enfraquecidos
e poderão até, caso essas novas e boas resoluções sejam muito fortes,
ser completamente dissolvidos, de forma que as conseqüências más
sejam apenas simbolicamente resgatadas na matéria grosseira.
Também isto está totalmente de acordo com a lei, segundo a vontade
de Deus na Criação.
Tudo atua vivamente na Criação, sem que o ser humano jamais
consiga alterar algo nisso, pois é uma atuação em redor e por cima
dele. Dessa forma ele se encontra dentro e sob a lei da Criação.
Em minha Mensagem encontrareis o caminho para chegar, com
segurança, às alturas luminosas, através do labirinto das
conseqüências de vossas resoluções!
Um grave obstáculo, contudo, se vos antepõe no caminho! É o
obstáculo que me infundiu o horror: eis por que vós próprios tendes de
realizar tudo isso, cada um sozinho, por si próprio.
Essa condição reside na conformidade da lei de vosso livre-arbítrio
de resolução e na conseqüente e automática atuação dos
acontecimentos na Criação e em vós próprios!
O querer na resolução forma um caminho que, conforme a espécie
do querer, conduz para cima ou para baixo. O querer humano na
atualidade, porém, vos conduz predominantemente só para baixo, e
com a descida, que vós próprios nem podeis perceber, diminui e se
restringe, paralelamente, a capacidade de vossa compreensão. Os
limites da compreensão, isto é, de vosso horizonte, tornam-se dessa
forma mais restritos, e por esse motivo imaginais estar ainda nas
alturas, como antes, pois esse limite, realmente, é para vós também a
respectiva altura final! Não podeis alcançar um limite mais amplo, não
podeis compreender o que está acima de vosso próprio limite, e
recusais tudo isso, meneando a cabeça ou mesmo exaltando-se, como
sendo falso ou até inexistente.
Por isso também não abandonais vossos erros tão facilmente! Vós
bem os observais em outros, mas não em vós. Por mais que eu vos
esclareça esse fato, não o relacionais convosco. Acreditais em tudo
quanto digo, enquanto se referir aos outros. No entanto, o que tenho a
censurar em vós, e o que tantas vezes me desespera, isso não podeis
compreender, pois para isso todos os limites em volta do querido “eu”
já se tornaram demasiadamente estreitos! Eis o ponto onde ocorre
tanto fracasso e onde não vos posso auxiliar, pois vós próprios tendes
de romper esses limites, de dentro para fora, com a incondicional fé na
missão que eu tenho que cumprir.
E isso não é tão fácil como imaginais. Com fisionomia preocupada
vos encontrais muitas vezes perante mim, com amor no coração para a
grande missão, e por isso entristecidos com relação a todos aqueles
que não querem ou que não podem reconhecer seus erros, e eu, eu sei
que muitos desses erros que censurais severamente nos outros, e por
cujas ações vos desesperais, estão ancorados em muito maior grau em
vós próprios. Isso é o mais terrível de tudo! E isso está ancorado
também no livre-arbítrio da resolução, que tem de ficar convosco, por
estar ancorado no espiritual. Eu até posso vos rejeitar ou aprovar,
posso vos elevar ou derrubar pela força da Luz, dependendo de como
vós próprios o quereis sinceramente, porém, nunca poderei forçar
alguém a enveredar por um caminho em direção às alturas luminosas!
Isso está nas próprias mãos de cada ser humano, unicamente.
Por isso mostro, advertindo, mais uma vez este processo: com cada
passo em direção para baixo, estreitam-se cada vez mais os limites de
vossa capacidade de compreensão, sem que isso chegue a vossa
consciência! Por essa razão também nunca acreditaríeis, se eu vos
dissesse, porque não podeis compreender e devido a isso também não
posso auxiliar lá onde não surja uma nova, grande e espontânea
resolução nesse sentido, vinda pelo anseio ou pela fé.
Lá, unicamente, posso conceder a força para a vitória! A vitória
sobre vós mesmos, com o que os muros e os estreitos limites serão
rapidamente rompidos pelo espírito redivivo que quer elevar-se às
alturas. Eu vos mostro o caminho e, havendo um querer verdadeiro,
dou-vos também a força necessária para isso. Dessa maneira posso
auxiliar onde existir legítimo querer, legítimo pedir.
Novamente, todavia, se depara ao ser humano um impedimento no
caminho. Consiste em que a força só lhe poderá trazer proveito,
quando ele não só a assimilar, mas sim a utilizar de maneira certa! Ele
próprio tem de utilizá-la de modo certo, não permitindo que nele
permaneça inativa, senão essa força se afasta dele novamente,
retornando ao ponto de partida. Assim, surge um impedimento após
outro, quando o ser humano não quer sinceramente com toda a força!
Bem poucos são capazes de vencer esses impedimentos. A humanidade
já se tornou preguiçosa demais, espiritualmente, ao passo que uma
ascensão só poderá ser alcançada com contínua atividade e vigilância!
Este acontecimento é natural, simples e grandioso. Nele está
ancorada justiça, maravilhosamente perfeita, a qual agora também
desencadeia o Juízo.
Nisso, porém, é impossível a um espírito humano poder ser salvo
sem humildade! Em oposição à verdadeira humildade encontra-se,
impedindo o caminho, sua presunção de saber. A presunção de um
saber que não é saber algum, pois em relação às aptidões, dentre todas
as criaturas desta Criação posterior, é de se qualificar o ser humano, na
realidade, como a mais bronca, por ser ele demasiado presunçoso para
aceitar algo com humildade.
Sobre isso não há o que discutir, pois é assim de fato. O ser humano,
porém, não reconhece isso, não quer acreditar, conseqüência também
de sua ilimitada presunção, a qual é sempre produto certo da
estupidez. Só a estupidez gera presunção, pois onde existe verdadeiro
saber não há lugar para presunção. Esta só pode se originar dentro dos
limites estreitos de uma imaginação inferior, em nenhuma outra parte.
Onde começa o saber, cessa a presunção. Como a maioria da
humanidade hoje vive somente na presunção, não existe saber.
O ser humano perdeu totalmente a noção do verdadeiro saber! Não
sabe mais o que é saber! Não é sem razão que o conhecido dito popular
é considerado como sabedoria: “Quanto maior o saber de um ser
humano, mais se convence ele de que nada sabe!”
Nisso reside verdade! Se, porém, um ser humano chegou a esta
convicção, então se extingue nele a presunção, e a recepção do
verdadeiro saber pode começar.
Todo o aprendizado adquirido por meio de estudos nada tem que
ver com saber! Um estudioso diligente poderá tornar-se um cientista ;
está, porém, ainda longe de poder ser designado sábio. Por isso
também é falsa a expressão ciência, assim como hoje ainda é utilizada.
Justamente o ser humano atual pode falar de erudição, não porém de
saber! O que ele aprende nas Universidades é exclusivamente erudição,
como progressão e coroação do que aprendeu! É coisa adquirida, não
algo próprio! Somente o que é próprio, porém, é saber! Saber só pode
se originar pela vivência, não pelos estudos!
Assim, na minha Mensagem, indico somente o caminho, a fim de
que o ser humano que o percorre chegue a obter vivências, que lhe
proporcionem o saber. O ser humano precisa primeiro “vivenciar” a
Criação, se ele quiser realmente saber dela. A possibilidade para a
vivência dou-lhe através de meu saber, já que eu próprio vivencio
continuamente a Criação!
Teremos, portanto, no futuro, eruditos e sábios. Os eruditos podem
e devem aprender com os sábios!
A presunção não existirá mais no novo Reino, na geração vindoura!
Ela é o maior obstáculo para a ascensão, empurra milhares de seres
humanos, que não querem ou não podem deixar dela, agora para a
destruição! No entanto, é bom assim; pois com isso a Criação será
purificada das criaturas imprestáveis, que dos outros somente tiram
espaço e alimento e que ocupam o espaço, sem produzir o mínimo
proveito. Haverá, então, ar fresco para os espíritos humanos úteis!
2. Manhã de Ressurreição!
Manhã de Ressurreição! Destas palavras se irradia um encanto que
toca todas as almas de modo singular. O espírito sente com isso, de
maneira intuitiva, o Sol sobre campinas repletas de flores,
murmurantes riachos, longínquo badalar de sinos, paz por toda a
parte! Um respirar alegre e livre na natureza! — —
E manhã de ressurreição deve tornar-se para todas aquelas almas
humanas, consideradas agora dignas de vivenciar aqui na Terra o
Reino de Deus. As demais permanecerão retidas nas trevas, que ainda
hoje envolvem a Terra, e com elas serão arremessadas à trajetória que
conduz à decomposição inevitável, à morte espiritual!
A aurora já enrubesce o firmamento da matéria fina, como sinal de
que se aproxima o dia!
Despertai, almas, que esperais de maneira certa pela libertação!
Curto é o tempo até a hora em que deveis vos encontrar preparadas.
Não vos deixeis surpreender dormindo ainda no último instante!
Terríveis são as trevas que envolvem a Terra, na matéria fina. Seria
impossível a qualquer alma humana transpassá-las agora. — — —
Se do nascente até o poente um raio faiscante de Verdade divina
não atravessar com toda a força a noite sufocante do espiritual, o
espírito humano em adormecimento perder-se-á nesta Criação
posterior.
Pois toda a sabedoria trazida por convocados, destinada a preparar
aos seres humanos terrenos a possibilidade de ascensão do espírito às
alturas luminosas, foi predominantemente aproveitada pelos adeptos
desses convocados para finalidades terrenas! Ela não se conservou
como era, livre e natural, destinada a trazer proveito a todos os seres
humanos, mas sim retocaram-na de todos os lados, com bem adestrada
astúcia humana, até que nada mais restou da forma propriamente dita
em sua simplicidade original.
Os reformadores vaidosos realizaram com isso uma presunçosa
obra de desgraça, na qual milhões de almas humanas se emaranharam.
Tudo se tornou comércio, do qual pouco a pouco surgiu a ânsia pelo
poder. Sob a orientação do raciocínio, que como fruto de Lúcifer deu
bom resultado, apareceram apenas caricaturas daquilo que a
verdadeira sabedoria deveria deixar surgir. As trevas, astutamente,
aproveitaram-se disso, de modo que as vítimas incautas tiveram de
cair cegamente em seus braços, na ilusão, proveniente da preguiça
espiritual, de que seguiam para a Luz.
Não se deu de outra maneira também com a Verdade luminosa
trazida à Terra pelo Filho de Deus, a fim de assim desembaraçar,
finalmente, para os seres humanos, o caminho para a necessária
ascensão ao Reino de Deus; a fim de libertá-los em definitivo dos
emaranhamentos das trevas, surgidos das deformações das sabedorias
de até então.
Cristo exigiu vivacidade do espírito, de cada um individualmente, no
saber que lhes entregou, e com isso adoração ao Supremo pela ação!
O ser humano devia saber tudo o que a Criação encerra, para
reconhecer as leis fundamentais nela atuantes, portadoras da vontade
de Deus, pois somente através desse saber é que o ser humano pode
entrosar-se assim como Deus exige. Vivendo assim, poderá então
favorecer, alegrando, tudo o que o cerca, recebendo em reciprocidade
ascensão e aquela maturidade que ele, como ser humano, pode e deve
alcançar, conforme a vontade de Deus, se quiser “subsistir”. “Subsistir”
perante Deus, porém, significa não ter de cair na decomposição.
Todas as leis de Deus estão somente sintonizadas no sentido de
trazer construção e benefício! Através de Cristo foi dada à humanidade
inteira a possibilidade de se libertar, por fim, no espírito. — —
Todavia, surgiram igrejas e elas esforçaram-se em retalhar a
Palavra do Senhor, por trás dos muros dos conventos, ocultando-a
também em parte, dando a conhecer apenas aquilo que, de acordo com
suas próprias explicações, haviam interpretado, de modo a
corresponder a seus objetivos e intenções.
Com isso viu-se o ser humano individual mais uma vez privado da
maior parte dos bens que Deus lhe enviara, conseguindo-se que esses
seres humanos não se tornassem suficientemente ativos no espírito,
nem suficientemente livres. Justamente o contrário daquilo que Cristo
desejava!
As igrejas procuravam adeptos, riquezas e poder. Para essas
finalidades, ser humano algum deveria saber que ele, inteiramente só,
sem ajuda da igreja, poderia atingir o Reino de seu Deus! Não deveria
chegar ao pensamento de que Deus não necessita de uma igreja entre
Ele e a Sua criatura, a qual Ele criou também sem a igreja.
E conseguiram. Lentamente, mas com segurança, a igreja
intrometeu-se, com seus desejos, de forma separadora, entre o anseio
dos seres humanos pela Luz e seu Deus! Para aumentar o número de
seus adeptos, ofereceu, como engodo, o comodismo ao indolente
espírito humano! Chegou mesmo a tal ponto, que se podia, por
dinheiro, solicitar orações nas igrejas, para este ou aquele fim.
Mediante remuneração, a igreja encarregou-se desse trabalho,
desvalorizando dessa maneira também a oração, a única forma pela
qual o espírito humano deve aproximar-se de seu Deus. Indivíduo
algum, porém, se apercebeu da insensatez e da degradação de tais
impossibilidades. Era cômodo, e assim o número dos “fiéis” aumentava.
Com o crescimento, a igreja tornou-se mais agressiva, deixando até,
por fim, cair em parte a máscara. Agindo contra todas as leis de Deus,
minou tudo quanto não quisesse se declarar a seu favor, incitou e
difamou, sim, assassinou onde não fosse possível de outra maneira.
Inicialmente às ocultas, com o aumento de seu poder terreno, porém,
também abertamente. Ela não hesitou em colocar à frente o nome de
Deus como escudo.
Aqui ser humano algum pode falar de um equívoco; uma tal atuação
traz, nitidamente demais, o cunho da mais baixa escuridão! É
diametralmente oposto a tudo o que Jesus ensinou! São golpes hostis
que com isso deram a cada palavra por ele pronunciada. Não existe
nada em toda a Terra que ousou colocar-se mais contra Cristo e sua
Palavra, do que a organização eclesiástica, já desde o início!
Nenhuma outra coisa, porém, poderia ser tão perigosa! Justamente
pela aparência de querer servir a Deus é que o efeito foi terrível para a
humanidade! Lúcifer não poderia ter melhores colaboradores para sua
obra hostil a Deus. Aqui a sua habilidosa indicação para o raciocínio
terreno conquistou a sua maior vitória! Produziu uma enganadora
falsificação de tudo aquilo que na realidade devia formar-se, desejado
por Deus! O simulacro da legitimidade fora conseguido. O mais valioso,
que deveria conduzir para Deus, ele fez desviar para o oposto, pelos
que se apresentavam como servidores de Deus e que muitas vezes
também se consideravam como tal; fez com que se tornasse um
empecilho para os seres humanos, que teve de impedi-los de caminhar
alegremente ao encontro da Luz almejada! Uma jogada arrojada sem
igual. —
E assim, as trevas envolveram a Terra, tornando-se a mais
profunda noite para as almas! — —
Agora, porém, foi dado um basta ao mal! De chofre, todos os seres
humanos serão despertados da falsa ilusão! Para a libertação, poucos;
para a destruição, muitos! O ajuste de contas do Gólgota chegou! Em
sentido diferente, porém, do que os seres humanos até agora
imaginaram! —
Tal como, na atmosfera abafadiça de uma noite de verão, os
cogumelos brotam da Terra, surgirão falsos profetas das massas, como
foi prometido, para que, por si mesmos, dêem cumprimento à Palavra e
possam ser julgados, pois o mundo deverá se tornar limpo deles!
No entanto, deixai as coisas se tumultuarem, deixai-as retumbarem,
pequeno grupo! Antes de uma manhã de primavera, têm de soprar
ventos fortes! Deixai que sejam arrastados milhões de seres humanos;
é bom assim e de acordo com a vontade inflexível do Altíssimo! Cada
qual receberá aquilo que merece! A hipocrisia, a ilusão da sabedoria
humana e a sedução precisam ter um fim.
Em breve as palavras decisivas: “Está consumado!” vibrarão,
repetindo-se sonoras e cheias de júbilo através dos mundos!
Romperá então a manhã de ressurreição, e, radiante, o Sol vos trará
um novo dia! O Senhor e Deus presenteará uma nova era às Suas
criaturas, que se curvam diante de Sua vontade!
Perpassará, então, por todas as almas, o grande e livre suspiro de
alívio, que, como um agradecimento, como uma oração, elevar-se-á ao
trono do Altíssimo, como um juramento de servi-Lo da maneira como
ELE o quer! Assim seja, em nome de Deus!
3. Espinheiral de matéria fina
O caminho para a Luz e para a Verdade, desde de tempos remotos, é
considerado cheio de espinhos e pedregoso, penoso e difícil.
O ser humano, simplesmente, considera isso como sendo dessa
forma. Ninguém medita por que assim é, qual possa ser o verdadeiro
motivo disso. E quem, no entanto, alguma vez se ocupar com isso,
certamente fará uma falsa imagem a respeito.
Cheio de espinhos e de pedras, penoso e difícil é somente um
caminho sem trato, pouco transitado!
Este é o motivo pelo qual parece difícil àqueles poucos que, depois
de muito errarem, o escolheram para andar. Também nisso é preciso
que se tome sempre em consideração o acontecimento natural e não
imaginações falsas e fantásticas, com as quais o cérebro humano se
compraz ao pensar assim.
O caminho para a Luz foi, desde o início, somente luminoso e belo.
Ainda hoje não é diferente para aquele espírito humano que o percorra
com espírito liberto, livre de falsos conceitos, com os quais muitos de
bom grado deixam cultivar e proliferar seus caminhos espirituais!
Depende exclusivamente do ser humano! Uma pessoa que ainda
deixa seu espírito olhar livremente para a Luz, que com sua intuição
jamais deixou de pesar aquilo que seus próximos lhe ensinaram ou
relataram, essa, assim procedendo, cuidou do caminho que conduz à
Luz, conservou-o limpo para si! Não encontrará espinhos nem pedras,
ao percorrê-lo, mas sim macios tapetes de flores, banhados de Luz, que
somente encantam os olhos, tornando leves seus passos!
Cada ser humano tem de cuidar do caminho para si próprio, tratá-
lo e ocupar-se com ele. Para aquele que não o fizer, ele tornar-se-á,
devido à negligência, repleto de espinhos, pedregoso e difícil de
percorrer, muitas vezes também inteiramente aterrado, de forma que,
por fim, nunca mais consegue descobri-lo, mesmo que o procure!
Pesar com a própria intuição tudo o que o ser humano ouve e lê!
Isso é necessário para ele, se quiser conservar seu caminho livre e belo.
Imediatamente intuirá, já de início, ao ler ou ouvir alguma coisa, se ela
o oprime, talvez o confunda ou o acalente, parecendo um som pátrio.
Aí, porém, nunca deverá esquecer-se de que a verdadeira grandeza
e a naturalidade sempre estão ancoradas somente na simplicidade!
Onde esta faltar, onde houver necessidade de recorrer a designações
de toda a sorte, aí falta a autenticidade. Os caminhos então jamais
serão claros, tampouco poderão ser ensolarados.
Assim, por exemplo, todo ser humano de visão límpida intuirá de
modo forte e imediatamente a falta de clareza, ao ler ou ouvir coisas de
sentido místico ou oculto, como também com relação ao dogma das
igrejas. Coisas confusas ou palavras bombásticas devem encobrir, por
toda a parte, a ignorância que se evidencia claramente.
Prazerosamente são então lisonjeadas as almas humanas, entoando-se
uma doce canção às suas principais fraquezas, em primeiro lugar à
presunção, a fim de que passem com facilidade e boa vontade sobre
todos os lugares podres, deixando, por descuido, de reconhecer as
lacunas profundas e as impossibilidades, que se apresentam sempre de
novo, advertindo-as.
Quem, entretanto, atenta à advertência sutil de seu espírito não
turvado, conserva livre para si o caminho em direção à Luz e à
Verdade.
Todavia, quem se deixa engodar por estas coisas confusas e
abafadiças, por conceder espaço ilimitado aos próprios pensamentos
fantásticos, permite cobrir o límpido caminho em si com o cipoal que
impede e dificulta seu livre caminhar, vedando-o muitas vezes por
completo!
São fortíssimas as tentações de ceder lugar aos próprios
pensamentos fantásticos, ilimitadamente. O número de pessoas que aí
se movimenta com prazer é muito grande, porque nisso cada um pode
dizer algo, pode sentir-se importante nas incertezas sombrias do
caótico mundo de pensamentos!
Para os devotos das igrejas não será, nem de longe, tão difícil
libertarem-se para chegar à Verdade, quanto para os adeptos de seitas
e associações ocultistas. Necessitam apenas se esforçar nesse sentido
com certa seriedade, ponderar intimamente com calma, para
reconhecerem imediatamente as falhas que foram ali tecidas pelo
querer saber do raciocínio, obscurecendo e perturbando o verdadeiro
caminho!
A um espírito humano sincero não custa grande esforço para
distinguir rapidamente a verdade dos erros em todas as igrejas. Por
este motivo as ligações através das igrejas, para um ser humano
verdadeiramente examinador, não são tão grandes quanto parecem!
Bastará um simples e sincero querer para romper imediatamente essas
ligações, numa convicção própria, rapidamente despertada.
A igreja prende apenas espíritos humanos espiritualmente
indolentes. Com respeito a esses, porém, não há que se lastimar, pois
desse modo mostram-se como os servos imprestáveis perante seu
Senhor.
Observando calmamente, cada pessoa nota logo que a atual igreja
não significa outra coisa senão uma instituição que visa ao poder
terrenal e à autoconservação, como o demonstram as opiniões e os atos
de seus empregados, a toda hora, e sempre de novo, nas instigações e
hostilidades contra aqueles que a eles não se sujeitam! Não é difícil
reconhecer tudo isso. Assim também todas as vacuidades e
impossibilidades que estão entrelaçadas nas ações, asseverações e
doutrinas. Para descobrir isso, não é necessário absolutamente um
espírito perspicaz.
Por isso uma igreja não pode, como geralmente se supõe, trazer tão
grandes prejuízos para pessoas que pensam. Ela não consegue prender
os espiritualmente vivos!
Contudo, prejuízos sem igual, e dificilmente reparáveis, causam as
seitas e associações ocultistas de todos os tipos ao espírito humano!
Não obstante apenas procurarem simular um saber próprio, que nada
tem que ver com o verdadeiro saber! Lisonjeiam o ser humano de
raciocínio, como também a todos os que procuram. E com isso obtêm
sucesso, pois também entre aqueles que procuram existe um grande
número que, apesar de toda a procura pela Luz, ainda carregam
consigo todas as vaidades de suas almas, tornando-se de modo natural
e rápido vítimas delas.
Uma vez que justamente o ocultismo e o misticismo oferecem
possibilidades ilimitadas de expansão a essas vaidades, são aqueles
atraídos nessa direção, de acordo com a lei de atração da igual espécie!
Os mais externos e mínimos efeitos dessa lei os ocultistas já notaram
freqüentemente e procuram aproveitá-los. Bombasticamente chamam
de “magia” a sua fraca atividade nesse acontecimento natural! Soa bem
e age, além disso, como algo misterioso!
Contudo, a lei, em si, em sua simplicidade, não obstante ser na
realidade de importância dominadora, incandescendo mundos, eles
ainda não conhecem em sua grandeza! Ignoram que com todo o seu
querer saber são empurrados de um lado para outro pelos punhos
dessa lei da Criação, como míseros bonecos desamparados!
A atuação dessas pessoas liga seus adeptos e partidários a planos
baixos, aos quais nem teriam tido necessidade de atentar, se
percorressem serenamente seu caminho, com toda a simplicidade e
dignidade, condizentes com o espírito humano. Assim, porém, serão
retidos, perdendo-se até na maior parte por causa disso, pois para o
espírito humano é necessário um enorme esforço, a fim de libertar-se
novamente das brincadeiras de todos os ocultistas, que acorrentam os
espíritos. Atividades de tal espécie desviam forças espirituais dos
caminhos retos que conduzem às alturas! A força para novamente se
libertarem disso raramente conseguem reunir, visto que espíritos
fortes, de qualquer maneira, não permanecem entre os ocultistas, a não
ser para saciar sua vaidade.
Onde ainda seja possível encontrar algum saber, nos inúmeros
ramos de ocultismo, tratar-se-á então exclusivamente, e nunca de outra
forma, dos ambientes mais inferiores da parte fina da matéria
grosseira ou também da parte grossa da matéria fina; portanto, das
camadas de transição mais próximas, distinguidas com nomes
retumbantes, a fim de aparentarem alguma coisa, correspondendo à
presunção de todos os que andam às apalpadelas.
Na realidade é como se nada fosse. Ou que seja! Só que nada para a
ascensão, mas sim para o atamento de cada espírito humano, que em
sua espécie original somente precisaria passar por cima disso tudo,
altiva e livremente, sem aí se deter. No entanto, dão um valor às
futilidades, transformando-as num cipoal, que os asseclas de Lúcifer
utilizam, através da atuação dos ocultistas, como armadilhas para
centenas de milhares! Ficam presos aí, como as moscas nas teias de
aranha.
Examinai apenas seus livros! Quanta coisa neles já se acumula em
matéria de nojentas autobajulações de grandes e pequenos pretensos
sabedores!
Fatos naturais, ridiculamente pequenos, são exagerados como se
fossem coisas superiores, com uma tenacidade e persistência, que
poderiam ser utilizadas para coisas melhores. Fatos que os bisavôs
interpretavam muito mais claramente do que esses descendentes, os
quais, com tanto alarde, querem chamar a atenção sobre si e seu alto
saber. Quanto mais louca a história e quanto mais incompreensível o
modo de expressão, em formas rebuscadas, tanto mais bela será
considerada. Sensacionalismo a qualquer preço é muitas vezes o
supremo objetivo, como acontece com muitos jornalistas que agora
aparecem em massa, não lhes sendo mais nada sagrado, muitíssimo
menos a verdade.
É incrível quanta coisa é solta sobre a humanidade! E muitos se
apegam a isso com demasiado prazer. Pois é “interessante”; às vezes
até pode provocar calafrios. O leitor e o ouvinte, prosseguindo nessa
ordem de idéias, podem colocar-se, a si mesmos, numa sensação de
pavor, representando até um papel nisso, pois sentem-se rodeados das
mais lúgubres coisas, que antes jamais os haviam perturbado. Devido a
isso tudo, eles, de repente, são alguma coisa, em torno do que muita
coisa acontece por sua causa!
Justamente tudo aquilo que o ser humano não compreende
perfeitamente, mas que pode enfeitar com rica fantasia, é que atrai as
“possibilidades”! De acordo com o próprio critério, interpretam então
muita coisa que vivenciaram até agora, e algo disso subitamente
representa um papel importante, ao que até agora nem davam atenção.
A vida adquire significado, quando até agora tinha sido tão vazia! E
com isto o ser humano, segundo sua opinião, muito ganhou, acordou,
denominando-se espiritualmente ciente!
Os estranhos seres humanos! Nem chegam a pensar que na
realidade pudesse ser diferente. Nadam apenas no mundo dos próprios
pensamentos, que lhes é tão confortável, por se ter originado dos
próprios conceitos.
Este mundo, porém, não tem duração! Desintegrar-se-á nas horas
do Juízo! Então todas essas almas estarão com frio, em indizível
desespero, desamparadas, e serão arrastadas para o redemoinho, que,
como tufão, subitamente terá de se formar pela pressão da Luz.
Com isso, receberão todos apenas o que criaram para si! Imenso é o
prejuízo que causam com sua vaidade. Os conceitos sagrados que
realmente auxiliam os seres humanos para cima, foram por eles
torcidos e deformados. Destes existem apenas imagens sucedâneas as
mais conspurcadas, que mostram o cunho da mais bronca presunção
humana. Somente nisso já se prenuncia um Juízo terrível!
Pavorosas confusões foram preparadas. Observações superficiais,
dos mais distantes efeitos do verdadeiro acontecimento na Criação,
foram estabelecidas como saber, as quais devem servir para esclarecer
as causas e o desenrolar das coisas, sem que os que assim falam
possuam também verdadeiro saber a respeito das leis desta Criação.
Eles nem sequer as pressentem e só colhem de sua excitada fantasia!
E assim eles torcem a sabedoria de Deus, que repousa na Criação,
conspurcam as leis sagradas que não compreendem, aliás nem
conhecem, impedindo milhares de trilhar o caminho simples e claro
que está exatamente determinado a cada espírito humano, sendo
também útil para ele, protegendo-o contra os perigos! Por outro lado,
eles próprios provocam os inúmeros perigos, que antes nunca
existiam, mas sim só foram formados por esse atuar leviano!
O dia está próximo, porém, em que o seu vazio querer saber terá de
se apresentar perante a Luz; em que terão de confessar e sucumbir!
São os piores inimigos de todos aqueles seres humanos que, na Terra,
se esforçam para a Luz; não possuem sequer uma capacidade que os
possa desculpar no ato do julgamento! Inconscientemente são os mais
esforçados entre os caçadores de almas humanas para as trevas!
Inconscientemente, porque a vaidade lhes turva a própria clareza. Eles,
por si, jamais alcançarão a força para se salvarem, pois acham-se
demasiadamente envolvidos nas malhas do querer saber melhor
terrenal e dos erros em que se soterraram!
Na sua presunção ilimitada, não só reduzem o grande amor de
Deus, mas sim até querem, em parte, se tornar seres humanos divinos!
Não demorará muito e toda a humanidade terá de reconhecer a
ilimitada estupidez contida justamente nessa idéia. Ela, por si só, já
demonstra que tais seres humanos não podem ter a menor idéia das
verdadeiras leis de Deus na Criação, nem da própria Criação!
Edificam também um trono para o próprio espírito humano, que na
Criação tem de servir somente à Luz! Procuram guindá-lo ao ponto
central, sim, ao ponto de partida.
Quando, hoje, um ser humano, que sofre do corpo ou da alma, se
dirige em prece ardente a seu Deus e de lá é atendido, de modo que
possa curar-se, então esses pretensiosos do saber melhor apresentam
explicações unilaterais sobre o fato, que tendem a diminuir Deus.
Falam de auto-sugestão, que teria produzido essa cura, duma força
latente no corpo humano, no espírito humano, a qual lhe permite
conseguir tudo o que quiser no sentido correto!
Com isso se canta logo um hino de louvor à capacidade humana,
ficando conspurcada a santidade da fé e da convicção no poder de
Deus! Conspurcada! Esse é o termo apropriado. Pois com base nisso
muitos pretendem até afirmar que o próprio Filho de Deus, outrora,
praticava a sugestão* (* transmissão de vontade), fundamentando-se
na auto-sugestão** (** auto-sugestões).
Até esse ponto vai o atrevimento da presunção humana de muitos
ocultistas! Tornaram-se negadores de Deus, glorificando o espírito
humano!
Nem todos confessam isso, porque não vêem que suas doutrinas só
podem, finalmente, atingir esse ponto! Negação do poder inatingível de
Deus são inegavelmente os últimos frutos produzidos por essas
doutrinas, se as verificarmos até o fim!
Com habilidade luciferiana torcem os fatos numa imagem, que atua
muito convincentemente sobre o raciocínio, demonstrando, porém, aos
sabedores, o limite nítido onde a compreensão de tais ocultistas não
mais pode prosseguir. Esta apresenta meramente o querer do
raciocínio; nenhum vestígio, porém, do puro saber espiritual! A mais
grosseira auto-ilusão permite aos ocultistas considerarem-se
discípulos de puras ciências do espírito! Reside nisso quase uma sutil
ironia!
Em tudo o que dizem e fazem demonstram apenas constantemente
que possuem o mais pronunciado querer intelectivo, com especial
destaque de todas as suas fraquezas, e que eles ficaram bem distantes
do saber espiritual, em relação ao qual se encontram inteiramente
desamparados. Não têm noção alguma da maneira certa de toda a
atuação de conformidade com a lei na Criação e menos ainda
compreendem a maravilhosa Criação em si.
Também nas curas milagrosas e nos milagres de Cristo jamais essa
conformidade da lei na Criação foi suspensa. Isto nem poderia ocorrer,
visto que as leis de Deus na Criação são perfeitas já desde o início, não
podendo, portanto, ser modificadas ou suspensas.
A força divina acelera todos os efeitos das leis, podendo deste modo
produzir os milagres. O processo em si está sempre de conformidade
com as leis da Criação, pois de outra forma não seria possível nenhum
acontecimento na Criação, nem o mais simples movimento sequer. A
elevada força de origem divina pode, contudo, acelerar o efeito; em
alguns casos, desencadeá-lo imediatamente! Nisto se encontra e surge
o milagre para o espírito humano!
Mesmo Deus nunca atuaria arbitrariamente, porque encerra em Si
as leis, na mais pura forma, já que Ele próprio é a lei. Cada ação divina,
por esse motivo, estará sempre de acordo com a lei. Cada ato da
vontade de Deus efetiva-se por esse motivo também sempre
exatamente de acordo com essas leis!
Suponhamos que um doente, em ardente oração, peça por sua cura.
Durante essa oração ele se encontra na mais pura humildade,
amplamente aberto em espírito para a realização de seu pedido. O
pedido se eleva, conseqüentemente, e na irradiação desse humilde
pedido pode descer, por sua vez, a concessão para ele. Essa concessão é
um querer proveniente da Luz! O querer encontra-se na própria Luz,
sempre inalterado, continuamente disposto à ajuda, onde encontre o
solo adequado. O pedido humilde é o solo adequado onde a força pura
da Luz pode atuar. Trata-se aí, então, sim, de um merecimento do
espírito humano também, por se haver aberto a uma possibilidade de
auxílio, assim como, igualmente, de uma conseqüência do atuar ou
querer acertado desse espírito humano, mas nunca da própria origem
de sua cura. Também não se trata daquela força que pôde auxiliá-lo e o
auxiliou!
O ser humano somente pode abrir-se para isso, mas nunca poderá
curar a si próprio pela auto-sugestão! Aqui o ocultista confunde, em
sua miopia, o abrir-se para o auxílio com o próprio auxílio! Trata-se aí
de uma imensa culpa com que ele se sobrecarregou dessa maneira, e a
qual terá de expiar pesadamente, porque, através disso, males
indizíveis foram causados à humanidade!
Visto que o auxílio da Luz está sempre à disposição dos que se
abrem de modo certo, chegando a envolvê-los continuamente mesmo
nas pequenas coisas, porque uma parte disso se encontra nesta própria
Criação, sob forma de irradiações, correspondentemente
enfraquecidas, os tão sabidos seres humanos, em suas observações,
chegaram por fim, vaidosamente, à idéia de que é o próprio espírito
humano que pode criar esse auxílio para si.
Ele pode consegui-lo, sim, mas apenas abrindo direito seu espírito,
para deixá-lo entrar! Nada mais. O próprio auxílio, a força, a irradiação
para isso, ele não cria! Esta se encontra unicamente na Luz, em Deus,
que a envia para vós!
O ser humano, porém, observa somente o efeito, tirando disso suas
conclusões, que até agora, em muitos casos, foram conclusões ilusórias,
oriundas da presunção que traz em si! Poderia conseguir coisa bem
diferente com a sintonização correta, isto é, com o abrir-se correto e
amplo do seu espírito! Isto, contudo, ele obstruiu mediante as
doutrinas de tantos ocultistas, que gostariam de elevar-se a seres
humanos divinos! Porque para eles as leis primordiais da Criação são
coisas estranhas.
De mil modos ramificadas e subdivididas, mas sempre seguindo o
impulso da lei fundamental, irradiações de Luz, fortificantes, e com isso
também curativas, estão entrelaçadas na Criação posterior, esperando
que a criatura as utilize! Não se encontram, entretanto, no espírito
humano e menos ainda no seu próprio corpo terreno, mas sim fora
deste. O espírito humano tem de procurar a ligação, abrindo-se
corretamente para a recepção, o que se dá melhor quando se
aprofunda numa prece sincera.
Visto, pois, que o auxílio da Luz está sempre à disposição do
espírito humano, quando ele quiser abrir-se para tal, ocorre que muitos
encontram pequenos auxílios por intermédio de um abrir-se que eles
próprios aprenderam. Onde esses auxílios ocorreram, houve antes um
momento, que continha a intuição de um espírito humano, a qual
correspondia realmente às leis da Criação, para a ligação ao auxílio.
Essa intuição não precisa ter sido terrenamente consciente para o ser
humano, pois a intuição é apenas um fenômeno espiritual, que muitas
vezes não se torna perceptível ao raciocínio humano. Para isso basta
uma manifestação momentânea. E aí se inicia o auxílio da Luz, porque
as respectivas leis vigentes nunca serão derrubadas! Elas se cumprem,
mesmo que para a pessoa isso suceda inconscientemente.
Disso, porém, o ocultista nada vê, acreditando então firmemente
que o conseguiu de fato somente com sua sugestão ou com auto-
sugestão! Ilude-se nisso, pois nunca terá o auxílio quando necessitar
duma força ainda mais intensa do que aquela que sempre ainda se
encontra à disposição na Criação.
Pois então primeiro precisa partir de cima um ato especial da
vontade da Luz para reforçar a corrente de força! E isso só pode
ocorrer como conseqüência de uma oração de verdadeira fé, isto é, de
uma súplica proveniente da convicção na onipotência e no amor
divino!
Às vezes a sincera intercessão também poderá trazer a realização
do auxílio! Quando uma pessoa adoece gravemente, ela está então em
si também enfraquecida, apática. Assim não há nenhuma resistência
nela, mesmo se antes não fosse tão devota. Esse estado de seu espírito
permite a penetração da força da Luz, a qual pode ser dirigida por meio
de intercessão sincera! E assim acontece que uma pessoa, às vezes,
recebe auxílio por meio de intercessão.
Se, no entanto, após a cura, despertarem nela novamente
resistências contra a verdadeira fé, então crescerá com isso também
sua culpa. Nesse caso teria sido melhor para ela haver mesmo falecido,
porque na ocasião do falecimento, que irá ocorrer mais tarde, terá de
cair mais profundamente do que se tivesse acontecido antes! Por essa
razão, nem toda intercessão é justificada ou boa. Felizmente, para o ser
humano, muitas vezes a intercessão sincera não é atendida, para o bem
do enfermo!
No desconhecimento dos efeitos dessas simples leis da Criação,
ocultistas com pretensões altaneiras fizeram uma imagem incompleta,
conduzindo dessa forma milhares de seres humanos ao labirinto do
qual será difícil sair.
O esplendor da expressão “fé pura”, “convicção pura”, ficou assim
envenenado, sendo oferecidos aos seres humanos, como cópia borrada,
somente os feitos medíocres do raciocínio na sugestão e auto-sugestão.
O caminho que conduz ao aperfeiçoamento do espírito humano
está vedado aos ocultistas por eles próprios!
Aproxima-se, porém, a hora, em que será impedida a baixa atuação,
em que, finalmente, o conhecimento mais elevado da força da Luz fará
de novo seu ingresso, para a elevação e salvação de muitos espíritos
humanos!
4. Espírito de casta, sistema social
O sistema de classes sociais sempre hostilizado e o espírito de castas
tem sua origem na simples percepção intuitiva da atuação de uma das
leis da Criação: a da atração da igual espécie!
Um dos maiores erros da humanidade foi o de observar muito
pouco esse atuar, ou de praticamente não o ter considerado, deixando
com isso surgir numerosos erros, que terão de conduzir a uma grande
confusão e finalmente a um desmoronamento total!
A lei foi intuída por todos os seres humanos, porém aquilo que está
acima do saber puramente grosso-material, não ligado diretamente
com a possibilidade de aquisições terrenas, é considerado por eles de
modo demasiado superficial e secundário. Dessa forma, também aquilo
que é mais importante para a base de uma vida terrena
harmonicamente ascendente nunca foi reconhecido e menos ainda
inserido, através da assimilação certa, na matéria grosseira, isto é, na
vida terrestre cotidiana! E tem de ser inserido na vida desta Terra,
porque do contrário jamais poderá surgir a harmonia, enquanto uma
só das leis primordiais da Criação permanecer incompreendida pelos
seres humanos, ficando desse modo muito torcida ou mesmo excluída
na vida da matéria grosseira.
Todos os povos antigos já haviam adotado o sistema de divisões
das diferentes categorias sociais ou classes culturais, porque
reconheceram inconscientemente essa necessidade, muito melhor do
que hoje.
Olhai, pois, em redor! Onde se juntem apenas algumas pessoas, sob
qualquer pretexto, aí também a lei efetiva-se mui rápida e seguramente
numa forma cuja configuração demonstra sempre o livre-arbítrio
desses espíritos humanos, porque a vontade espiritual é capaz de
imprimir seu cunho em todas as formas, pouco importando se essa
vontade se manifeste plenamente consciente ou de modo inconsciente.
Assim, a forma também apresentará sempre, visível em si, a
maturidade ou imaturidade do espírito.
Deixai que cinco pessoas ou só três mesmo se reúnam, sob
qualquer pretexto, seja para um trabalho ou para o divertimento,
rapidamente a lei de atração da igual espécie formará entre elas dois
grupos, ainda que exclusivamente na conversa ou no intercâmbio de
suas opiniões. Tal fato, que se repete constantemente já há milhões de
anos, deve pressupor um motivo de origem mais profunda, ao invés de
evidenciar somente uma atuação costumeira.
Entretanto, também desse fenômeno tão visível tiraram-se apenas
conclusões inteiramente superficiais e levianas, em relação ao que é
sério, demasiado limitadas, por terem sido formadas pelo raciocínio,
que só pode compreender sempre as últimas e grosseiras
manifestações dos legítimos efeitos, mas nunca é capaz de entrar no
extramaterial, por ter ele próprio sua origem apenas na matéria
grosseira. E é justamente no extramaterial que se encontra a origem de
toda a força e de todas as vibrações que atravessam constantemente as
espécies da Criação.
Tudo o que, portanto, aqui na Terra, com base nessa observação, foi
moldado, em forma, pelo raciocínio, carece da verdadeira vida, de
mobilidade! Tornou-se errado e insalubre pela rigidez do sistema
grosso-material, que surgiu em toda a instituição, comprimindo tudo o
que é vivo em formas mortas.
Sucede ao ser humano o mesmo que a uma planta que é arrancada
de seu solo original, não podendo mais medrar no novo solo que lhe
oferecem, porque este não mais corresponde à sua espécie. Tem de
definhar, enquanto que em solo adequado teria florescido plenamente
e poderia ter produzido ricos frutos, em proveito de seu ambiente na
Criação, para a mais pura alegria de si mesma e para constantes
transformações da força.
Nesse grande erro repousa sempre o germe da ruína.
Com relação à expressão espírito de casta, não é necessário que se
aponte um determinado povo, pois todos os povos o possuíram! Ele
tem de desenvolver-se onde existem seres humanos, porém, enquanto
as leis da Criação permanecerem desconhecidas, como sucede até hoje,
sempre surgirá de modo errado.
E esse modo errado tinha de provocar inveja e ódio, um impulso
para romper a situação existente. Esse impulso inconsciente
avolumou-se regularmente até tornar-se uma onda sinistra, a qual,
como florescência no encerramento do ciclo dos acontecimentos,
acarretou a conflagração geral, por nem ter sido possível de outro
modo.
Nisso se mostra, como fruto, o falso existente até agora na
estruturação do convívio humano na Terra; mostra todos os pontos
onde as leis primordiais da Criação não foram observadas, ou onde
foram torcidas conscientemente. Tinha de chegar a esses efeitos,
porque a Luz, agora penetrante, impulsiona também todo o errado até
ao grau máximo, a fim de que então, ruindo por si mesmo na
supermaturação, ceda o terreno para a nova construção de acordo com
a vontade de Deus, a qual já desde o início foi ancorada nas leis desta
Criação, não podendo ser torcida ou encoberta, sem conseqüências
funestas.
É a colheita de toda a semeadura, realizada pela atuação dos seres
humanos com a sua vontade. A colheita de tudo o que é certo, bem
como de tudo o que é errado, pouco importando se esse errado se
tenha originado outrora da maldade ou somente da ignorância das leis
divinas da Criação. Chega à florescência pela força aumentada da Luz e
tem de apresentar os frutos abertamente, que haverão de ser aceitos
pelos causadores e seus adeptos, como também pelos seguidores,
agora neste Juízo Final, como recompensa ou castigo, no refluxo da
reciprocidade!
As funestas inimizades e cisões dos numerosos partidos não são
conseqüência duma estruturação estatal errada, porém
exclusivamente a continuação da divisão errada de classes, que, em sua
rigidez e torção, jamais poderia conduzir à harmonia a humanidade
desta Terra!
Juntai a isso ainda a lei primordial da Criação do movimento
necessário, então reconhecereis que a classe média, pacata e
comodista, tinha de sofrer o maior prejuízo com isso. — Era apenas o
efeito da necessária lei primordial do movimento!
O comodismo anda de mãos dadas com a presunção e com a
indolência do espírito: ambas tolhem o movimento espiritual, da
mesma forma que a fama e o poder, fato esse que leva mui facilmente à
arrogância, como tantas vezes se deu nas classes superiores. Tudo isso
tolhe e retarda o movimento espiritual, ao passo que favorece
unilateralmente o trabalho do raciocínio.
Trabalho do raciocínio, porém, não é ao mesmo tempo movimento
espiritual! Reside nisso uma grande diferença.
A inveja e o ódio das classes inferiores, porém, penetram muito
mais profundamente. Em seu ardor atingem a intuição e, com isso, o
espírito. Dessa forma aumentam o movimento espiritual, mesmo onde
esses seres humanos pertençam fisicamente aos vadios!
Como, porém, esse movimento, chegando até o estado febril, age
igualmente contra a lei primordial da Criação, como o movimento
demasiadamente vagaroso, a desarmonia tinha de irromper por fim, à
semelhança de ondas agitadas do mar, correspondendo exatamente ao
efeito impulsivo e automático da lei primordial! Nem poderia suceder
diferentemente!
Falo aqui, propositalmente, de classes sociais superior, média e
inferior, porque essa divisão, basicamente, foi assim. Nisso consistiu o
errado. Essas classes, em si necessárias, não devem agir por cima ou
por baixo, porém uma ao lado da outra, cada classe de pleno valor por
si, como uma espécie indispensável e que deve amadurecer na Criação
até a plena florescência e frutificação, a fim de realizar coisas grandes,
máximas, no solo de sua bem determinada espécie, solo esse que é o
único capacitado para isso e que oferece as forças!
Contemplai as diferentes raças na Terra, ó criaturas humanas!
Disso, muito podereis aprender. Em si própria, cada raça pode
enobrecer-se, amadurecer, tornar-se grande e forte, enquanto pela
mistura de duas raças serão reproduzidas apenas as falhas, fraquezas e
defeitos de ambas as raças que se misturam, resultando, nos frutos,
com poucas exceções, desmedido aumento de todos os defeitos,
raramente algo de bom!
Tomai isso como aviso da Criação e orientai-vos
correspondentemente em vossa vida cotidiana de matéria grosseira na
Terra. Tendes aqui na Terra uma vestimenta de matéria grosseira, o
corpo terreno, ao qual tendes de dar atenção, pois nisso é que reside,
aqui na Terra, a continuação da raça! Nunca vos esqueçais disso. Jamais
podereis contornar impunemente essas leis.
No entanto, todos vós em conjunto dependeis da Terra. Cada qual
tem o direito de atuar e se desenvolver aqui. Não só o direito, como
também o sagrado dever! Contudo, não um embaixo do outro, mas um
ao lado do outro. Prestai atenção aos sons. Cada som é completamente
autônomo, permanece autônomo e não se deixa misturar. Somente
quando se encontra no lugar certo, ao lado de sons de tonalidades
diferentes, resultará a harmonia, que soa melodiosamente. Deslocai os
sons, experimentando dispô-los de maneira diversa, a conseqüência
será sempre uma desarmonia, que, no seu efeito, poderá crescer até
causar sensação de dor física, chegando por fim até o insuportável.
Aprendei nisso e compreendei! Não comeceis, porém, já desde o
início, novamente, pelo lado errado!
Tudo quanto tentastes até agora foi contra a harmonia das leis
divinas na Criação, por isso não podíeis esperar outra coisa senão
aqueles frutos, que amadurecem ao vosso encontro e que agora serão
vossos! Lançai-os ao fogo e começai a semear novamente. A renovação
só pode ocorrer a partir da base.
Agi assim, pois não sois capazes de torcer uma única das leis
primordiais da Criação, sem ter de sofrer, conseqüentemente, grandes
prejuízos. Aprendei as leis e depois construí de acordo com elas, assim
conseguireis paz, alegria e felicidade!
Considerando-se que afinal tudo, mas tudo mesmo, só foi erigido
sobre o dinheiro, sobre o poder e os valores terrenos, então a miséria
atual nada tem de surpreendente, e o desmoronamento está
condicionado pelas próprias leis da Criação!
E como sucedeu com um, assim também sucederá com tudo o mais
que não se baseie nas leis divinas, as quais são tão facilmente
reconhecíveis nas leis primordiais da Criação.
Agora tudo tem de ser impelido para o resgate final. Impulsionado
pela Luz, que penetra nas trevas desta Terra, tinha de seguir-se, por
exemplo, em conseqüência dos contínuos preparativos bélicos, em
conjunto com os pensamentos de guerra, a guerra das multidões. O
estímulo para isso foi dado somente pelo pensar, querer, apreensões e
medo dos seres humanos. Com isso as pessoas puseram as formas na
Criação, as quais, impelidas pela Luz reforçada, cresceram
vigorosamente até à florescência e frutificação, portanto até à ação,
tiveram de crescer, como tudo o que ainda existe em formas na Criação,
não importando de que espécie sejam.
Elas têm de crescer, serão erguidas e fortalecidas pela Luz, para
continuar existindo, se corresponderem às leis dessa força de Luz, ou
ficarão somente reforçadas, para, ao vicejarem, se romperem nessa
mesma força de Luz, julgando-se, desse modo, a si próprias, se não
corresponderem às leis dessa força de Luz e, por isso, não puderem
obter ligação com a mesma. Com isso, tudo o que é errado se exaure
por si mesmo, efetivando-se agora de modo visível a todos, e também
aquilo que ainda gostaria de ocultar-se. Nada, daqui por diante, poderá
esquivar-se à pressão da Luz; terá de apresentar-se à Luz do dia, terá
de mostrar seus frutos na ação! Para que seja reconhecido de forma
exata como realmente é. E tudo por si próprio.
Aí nada mais serve uma oposição, nem valem as sutilezas do
raciocínio, que até agora muitas vezes puderam ter êxito na escuridão
e na penumbra deste grande caos. Há de haver Luz por toda a parte! De
acordo com as leis fundamentais e automáticas desta Criação, agora
muito fortalecidas. Os seres humanos, com seu querer, nada mais
representam neste movimento gigantesco, o qual, novamente
impregnado pela força de Deus, acelera os efeitos, para realizar no
avanço a purificação e renovar-se nisso!
Não faleis, a esse respeito, em sugestões das massas de alguns
líderes, porque estas não existem em tal sentido. O processo é
inteiramente diferente. Um líder só poderá produzir a homogeneidade
dos pensamentos pelos seus esforços. Força impulsionadora, para a
eclosão da ação, é trazida exclusivamente pelos efeitos, continuamente
automáticos, das leis primordiais da Criação! Os seres humanos,
infelizmente, encaram tudo pelo lado errado, na fundamentação de
suas concepções, como se a força partisse do ser humano
individualmente, isto é, do ser humano em geral. Contudo, é o
contrário! Toda e qualquer força só vem de cima!
Assim, também não poderia deixar de acontecer que surgissem
lutas partidárias das mais repugnantes formas, crescendo até o próprio
desmoronamento, porque os partidos, ignorando as leis primordiais da
Criação, também se encontram sobre bases erradas, e por essa razão
jamais podem ser harmonizados. Iguais a flores de todas as ervas
daninhas, proliferam na organização partidária os jornais, que,
instigando com falta de consciência, envenenam também aquela parte
da humanidade que inofensivamente deseja trilhar seu caminho. Os
jornais procuram exceder-se uns aos outros da maneira mais
desenfreada, porque têm de mostrar agora, devido à força impulsiva da
Luz, toda a sua vacuidade, todos os seus esforços errados! E mostram-
no! Imprimem em si próprios aquele cunho de que são merecedores e
que não poderão mais alterar nem apagar, quando chegar a hora do
esclarecimento para os seres humanos, na própria vivência, no próprio
reconhecimento!
Não haverá então nenhum retorno, onde avançaram
demasiadamente, tornando deste modo, eles mesmos, impossível uma
volta. Assim também aqui sobrevirão, devido à própria culpa, a queda e
a autodestruição. Quando então todos os partidos tiverem se exaurido
pela aceleração aumentada de suas atividades, de acordo com as leis
sagradas desta Criação, aí como conseqüência imediata extinguir-se-ão
também a maioria dos jornais, por não terem mais o que oferecer aos
seus leitores, quando se tiverem rompido suas bases com a inveja, o
ódio e a inimizade, pois somente nesse pântano puderam chegar a tal
florescência. Em solo bom, a possibilidade de existência lhes é tirada.
Tudo tem de se tornar novo! Mesmo as igrejas não serão poupadas
naquilo que até agora tem sido errado. De conformidade com a lei da
Criação, também aí tudo segue seu caminho, não podendo mais ser
detido por nada: aquilo que não estiver em perfeita consonância com
as leis de Deus, ancoradas firmemente, não em livros, mas na Criação,
terá de manifestar-se. De conformidade com a espécie da semente,
amadurecem agora os frutos para a colheita, no remate do ciclo dos
acontecimentos de tudo quanto foi entretecido na Criação pelas
atividades e pelo querer da humanidade, e isso equivale ao muitas
vezes prometido Juízo, antes do início de uma nova era mais agradável
a Deus!
Os frutos têm gosto amargo, os quais a ação dos seres humanos
cultivou na Criação e que a humanidade agora terá de comer, ainda que
se envenene e pereça por causa disso! Durante muito tempo ela se
opôs a qualquer reconhecimento, por não estar este de acordo com sua
conceituação de até então.
No entanto, primeiro tudo tem de se tornar novo, antes que a
ascensão possa sobrevir, de acordo com as promessas há muito
proferidas e conforme o próprio Filho de Deus declarou outrora. Isso
significa também que tudo tem sido errado.
Preguiçosos nos pensamentos, todavia, os seres humanos
continuam a passar por essa realidade, mesmo aqueles que falam
freqüentemente dessa anunciação. Eles sabem dela, porém não dão
atenção a ela com aquela seriedade que seria necessária para a própria
salvação!
Infelizmente, tudo é considerado e interpretado de tal modo, que
corresponda aos desejos egoísticos ou também comodistas de cada um.
E aquilo que não lhe agrada, ou que não compreende com facilidade, na
maioria das vezes rejeita ou nem sequer dá atenção, porque assim lhe é
mais cômodo no momento.
Ainda não é suficiente, que o falhar de todas as igrejas durante a
guerra mundial, teve que mostrar tão claramente quão pouco seus
ensinamentos estavam realmente vivos dentro dos adeptos. Eles
permaneceram totalmente palavras ocas e apenas uma forma
superficial, em vez de aí se comprovar. O falhar, porém, não era culpa
dos adeptos, mas das interpretações da Palavra até agora, às quais falta
todo o calor vital de uma convicção! Por isso, também não são capazes
de despertar convicção.
Somente onde a convicção é viva, a Palavra se torna ação, dando aos
seres humanos realmente um apoio firme! O tempo da guerra e das
conseqüências, porém, era para todos os dogmas apenas o
amadurecimento até a floração. Os frutos devem se mostrar agora, os
quais deixarão reconhecer exatamente a espécie da verdadeira
semeadura! Com o aumento da aflição lotar-se-ão as igrejas e os
templos, todas as casas de Deus, indiferente de que doutrina, pelos
seus adeptos e seguidores que lá esperam encontrar auxílio naquela
forma, na qual lhes foi ensinado. Nisso, todos os seres humanos ficarão
sabendo no próprio vivenciar, o que nos ensinamentos de até agora era
verdadeiro e o que de errado ainda estava contido neles. Tudo o que é
legítimo, bem como tudo o que está errado, terá de se comprovar, a fim
de que se apresente nitidamente perante cada um, e todo o errado
desmoronar-se-á velozmente ao despertar pela vivência, para nunca
mais poder ressurgir. Só pela vivência é que o ser humano aprende a
discernir! Enquanto lhe faltar a convicção do vivenciar, permanecerá
em crença cega, inativa, crença que não traz proveito algum ao seu
espírito, mas sim o entorpece e paralisa.
Ide, ó seres humanos, e vivenciai, já que voluntariamente, por meio
da movimentação do vosso espírito, não mais podeis chegar ao
reconhecimento da Verdade divina, porque vós mesmos mantivestes
sempre e sempre fechadas as entradas para isso.
Também a expressão usada tão freqüentemente por vós logo
desaparecerá, em sua falsa concepção de até agora, se ainda quiserdes
continuar a consolar-vos, segundo o vosso sentido, com palavras como:
“Diante de Deus todos os seres humanos são iguais!”
Esta expressão em si é certa, mas a sua interpretação de até agora,
errada! Também aqui as leis divinas da Criação não admitem, de modo
algum, uma interpretação tão cômoda.
De fato, é certo que diante de Deus os seres humanos são iguais,
sem considerar aquilo que já se encontra atrás deles. Encontrar-se,
porém, diante de Deus, isto é, chegar até os degraus de Seu trono, só é
possível a poucos seres humanos. Nesse fato grave, o ser humano
terreno, contudo, em seu hábito superficial, não pensa, mas procura
convencer-se de que reina, no espiritual, uma igualdade incondicional
diante de Deus. Não procura dar maior atenção à indicação expressa
nisso: “diante de Deus”. Tranqüilamente o ser humano passa por cima
disso e apega-se somente ao termo “igualdade” da sentença.
Sem tomar em consideração, porém, que na expressão, ser igual
diante de Deus, se encontra uma indicação da nulidade das dignidades
terrenas perante todas as leis divinas, as quais não fazem distinção
alguma quando do trespasse de um espírito humano do seu invólucro
de matéria grosseira para o mundo de matéria fina, pouco importando
se esse ser humano tenha sido na Terra mendigo ou rei, sacerdote ou
papa, ele é diante de Deus um espírito humano e nada mais, que tem de
responder, pessoalmente, por um a um de seus pensamentos, palavras
e ações; há nestas palavras um sentido mais elevado.
Diante de Deus significa encontrar-se diante dos degraus do trono
de Deus, portanto no reino espiritual, no Paraíso, que está abaixo dos
degraus do trono. Isso é o mais significativo nessa sentença, que o ser
humano, porém, não atenta. É-lhe o mais difícil, porque um espírito
humano na Criação só chega diante de Deus, quando tiver se livrado de
tudo o que lhe pesava nesta Criação, de culpas e coisas erradas. Tudo,
mesmo o derradeiro grãozinho de pó! Antes disso, não poderá “estar
diante de Deus”!
Apesar disso, jamais verá Deus, pois isso lhe é impossível. É imenso
ainda o abismo que o separa do lugar que se denomina “aos pés de Seu
trono”. Jamais será transposto por um espírito humano. O ser humano,
portanto, tem de contentar-se com aquilo que possui. Isso já é
imensuravelmente grande e mal é aproveitado realmente por ele na
mínima parte!
No entanto, os espíritos humanos aqui na Terra e também todos
aqueles na Criação não são de igual valor diante de Deus! Tal
concepção é um erro nefasto! Primeiramente o ser humano precisa ter
chegado a tal ponto em sua maturidade e pureza, que possa subsistir
ou estar diante de Deus, só então é-lhe permitido dizer que pode ser
considerado igual aos outros que se encontram simultaneamente
diante de Deus. Aquilo que estiver por trás dele, já não terá
importância, porque não poderá encontrar-se diante de Deus antes que
esteja extinto e anulado tudo o que nele estava errado anteriormente,
não importando tratar-se de conceitos ou ações. Estará remido e
resgatado, assim que se encontrar diante dos degraus do trono, pois
antes não chegará até lá. Nem com astúcia, nem à força, pois as leis da
Criação não o permitem.
Encontrando-se, porém, lá, então, mesmo no caso dos maiores
erros anteriores, será absolutamente igual, como se jamais houvesse
algo errado nele! Assim deve ser, ao mesmo tempo, também aqui na
Terra, de acordo com a vontade de Deus, porém os seres humanos não
dão atenção a isso nas leis que elaboraram para si, não se apóiam na
vontade de Deus, mas sim esperam do próprio Deus sempre mais do
que eles estão dispostos a dar de si a seus semelhantes! Cristo já
dissera isso outrora, de modo bastante claro, em sua parábola do servo
infiel. —
As palavras ocas de até hoje tornar-se-ão agora evidentes na força
da Luz! E com isso sobrevirá automaticamente, por si, a expulsão de
tudo o que até agora foi doentio e a conseqüente cura. Também o que é
errado será despertado para a vida e terá de mostrar seus frutos a toda
a humanidade! A fim de que através disso ela chegue a reconhecer! A
ira de Deus onipotente fará o mal despedaçar-se por si mesmo!
Contudo, somente pela inobservância das leis divinas é que puderam
amadurecer tais excrescências e maus frutos, os quais tendes de colher
hoje por toda a parte, a fim de saboreá-los, libertando-vos deles ou
arruinando-vos com eles!
Só quando esses males se tiverem aniquilado por si é que os seres
humanos reconhecerão, pouco a pouco, como na realidade sofreram
com esse veneno. Só então respirarão libertos o ar límpido produzido
pelos temporais purificadores da mais grave espécie.
Hoje, contudo, ainda não se chegou a esse ponto. Em toda a parte
reina ainda o medo! A humanidade, aliás, ainda não quer confessar-se
disso, mas assim mesmo age impelida por esse medo, pois já se
manifesta o ódio! O verdadeiro ponto de partida do ódio, porém, é o
medo! O que é atacado pelo ódio, também é temido em todos os casos.
Assim é o hábito dos seres humanos terrenos.
Somente do medo é que se origina o verdadeiro ódio. Jamais da
raiva, nem da indignação, que, por sua vez, produz ira sagrada. O ódio
também não pode surgir do desprezo, nem do nojo.
E como o medo já se inicia com o ódio, então o fim não está mais
longe, pois esse medo surge agora nos seres humanos terrenos pela
pressão da Luz, da qual não podem escapar com suas velhas e
habituais sutilezas do raciocínio, que, pela primeira vez, desde
milênios, falha, visto ser impotente contra a vontade viva e onipotente
de Deus! —
Todos os fenômenos que vos explico abrangem a humanidade
inteira. Portanto, não penseis, de modo humano, que tudo já esteja
liquidado dentro de dias, semanas ou meses. É uma luta que já dura
anos, mas cujo fim se encontra entretecido nas leis primordiais da
Criação, como vitória incondicional da Luz!
Seres humanos, despertai através da vivência, a fim de que não tenhais
de perecer! Pois brevemente deverá surgir uma humanidade que
vibrará conscientemente nas leis primordiais da Criação, para que o
mal, como conseqüência da vida errada, permaneça afastado e para
que somente paz e alegria possam reinar neste plano terrestre. Para a
vossa felicidade, para a honra de Deus!
5. Aspirai à convicção!
Aspirai à convicção em tudo o que fizerdes! Do contrário sereis
bonecos sem vida ou mercenários! No futuro Reino de Deus na Terra o
que é morto e indolente deve ser eliminado e não mais ter direito à
existência, pois não tem valor, perante as leis divinas, um ser humano
que de qualquer modo permanece apenas como mero acompanhante.
— Olhai em torno de vós, a fim de que possais aprender com tudo.
Diariamente e a cada hora vos é dada oportunidade para isso. Observai
os acontecimentos em todos os países. As massas, que durante anos,
nos diversos partidos, a princípio se conspurcavam e se hostilizavam
mutuamente, chegando a vias de fato, até ao assassínio, passam às
vezes, da noite para o dia, a percorrer juntas as ruas, cantando e
brandindo archotes de alegria, como se já há anos fossem fiéis amigas.
Da noite para o dia. E só porque ocasionalmente seus chefes se dão
as mãos para um fim qualquer. Onde encontrareis, nessas coisas,
uma verdadeira e firme convicção pessoal; onde, aliás, uma
convicção! Ela falta. É um marchar em conjunto, sem intuição, de
milhares, evidenciando com isso que são imprestáveis para o que é
grande. Em tal solo jamais poderá surgir um reino que vibre nas
leis divinas. Por isso, também nunca poderá, desse modo, ficar
saneado.
Se os partidos se combatem, e esse combate reside na convicção,
então é completamente impossível que se efetue uma aliança, sem
alteração da convicção e dos caminhos. Isso, porém, não se dá em
apenas algumas horas. Onde, contudo, tal fato se torne possível, lá
seguramente não existia convicção, mas apenas um alvo comum
poderia ter tal efeito decisivo: o alvo do poder! Somente isso se
sobrepõe, inescrupulosamente, sobre tudo, passando mesmo por cima
de cadáveres, se de outra maneira não possa ser. Contudo, alianças
tão forçadas também trazem dentro de si, de antemão, a
desconfiança, que vigia sempre a outra parte com suspeita, restando,
então, pouco tempo para o principal: o bem do povo, que cheio de
esperança os observa.
Tais seres humanos, sem verdadeira convicção, podem ser
facilmente desviados do rumo que a aliança lhes trouxe. Não pode
haver confiança neles, a qual repousa na convicção própria! Basta-
lhes um palavrório de discursos vazios para se embriagarem. Na
embriaguez, entretanto, não se encontra nenhuma ação sadia.
Com seres humanos de tal espécie não poderá resultar uma
construção capaz de resistir às tempestades! Não ocorre de modo
diverso do que no tempo de Jesus, quando as massas bradavam
“Hosana!” para, poucas horas depois, gritarem: “Crucificai!”
Onde, porém, a convicção forma a base de uma ação, de uma
realização, aí semelhante fato não pode ocorrer, pois a convicção vem
do saber, e o saber gera perseverança e estabilidade, dá
inabalabilidade e coragem vitoriosa, porque o verdadeiro saber
provém do vivenciar.
Os portadores da Cruz do Graal, porém, possuem saber.
Disso deverá levantar-se e derramar-se uma onda de força sobre
toda a humanidade na Terra. Com ímpeto irresistível essa onda terá de
arrastar consigo todas as escórias que ainda impedem os seres
humanos de despertarem para o reconhecimento. Por isso tornai-vos
fortes, a fim de que sejais capazes de, conjuntamente com a
grande purificação, que agora se processa pela pressão da Luz,
fornecerdes forças aos seres humanos para o novo soerguimento!
Pois pesadas tempestades terão de açoitar as almas, para que se
modifiquem na dor e no infortúnio, e se elevem purificadas, ou
pereçam!
Aprendei e amadurecei, porém, vós próprios nisso, a fim de que a
convicção surja em vós! E de conformidade com a espécie da
convicção decidir-se-á quem poderá ser salvo e quem terá de ficar
excluído para sempre do futuro Reino de Deus, pois a convicção
também é, ao mesmo tempo, fruto do querer!
Somente a força da convicção torna o ser humano vivo na Criação,
portanto, de pleno valor! Habilita-o a executar obras que têm de ser
tomadas a sério e que não perecem facilmente.
Por isso clamei aos seres humanos, na introdução da minha
Mensagem, que agora a crença tem de se tornar convicção!
É, para todos, agora, o último instante para isso. E como a convicção
do saber provém, por sua vez, só da vivência, o ser humano será agora
impelido à força para o vivenciar exterior de tudo aquilo que até agora
formou, a fim de que reconheça, claramente, tanto na dor como na
alegria, o que formou com acerto e o que foi errado, no pensar e no
intuir de sua existência. —
Os portadores da Cruz em todos os países servirão, nos tempos
de maior calamidade, de exemplo aos seres humanos terrenos,
exemplo que deverão seguir. Nada podereis alterar nisso, pois está
determinado. Ai de vós, contudo, se então encontrarem defeitos em
vós! Ai de vós, por causa de vós próprios e dos seres humanos! Por
isso, não desperdiceis o tempo para o amadurecimento necessário. Os
próprios seres humanos vingariam sua desilusão amargamente em
vós. Sede vigilantes e fortes! — — —
Deve surgir agora o novo Reino aqui na Terra! O Reino de
Deus, como fora prometido aos seres humanos pela Luz! Não
chegará, porém, com brando sussurro, como recompensa à
humanidade atual!
Quanto se enganam os presunçosos fiéis, que até estremecem
prazerosamente, pensando já há muito tempo no Reino de Deus na
Terra, na vaidosa autoconsciência de que poderão usufruí-lo,
como filhos escolhidos de Deus, porque crêem, conforme sua
opinião, em seu Redentor que morreu por eles, tomando com isso
sobre os ombros os pecados deles. Da mesma forma como uma
criança obediente, muitas vezes, se habitua à recompensa de um doce,
assim também imaginam o evento desse reino divino aqui na
Terra. Um doce sonhar acorre-lhes vagamente, ao pensarem numa
existência abrigada e tranqüila, sob os fiéis cuidados de Deus, que
derrama sobre eles Seu amor, por alegria, porque Nele crêem! Que os
recompensa assim, por terem confessado publicamente sua crença
Nele e jamais terem se envergonhado Dele perante os seres humanos.
Quanta arrogância indizível repousa nesse conceito!
Examinai, exata e severamente, ó seres humanos, e vereis que a
maioria de todos os cristãos é realmente assim e não diferente! Nesta
asserção não há exagero algum, por mais triste que isso soe.
Contudo, a ira divina atingirá esses presunçosos com grande
severidade! São eles qual pântano viscoso que se evita com asco!
Justamente todos aqueles, que cheios de arrogância se
vangloriam, atualmente, de serem filhos de Deus, escolhidos e
leais.
O Reino de Deus, porém, impõe grandes exigências à
humanidade, trazendo trabalho em riquíssima abundância! É o
contrário daquilo que os fiéis das igrejas sonham! O trabalho mais
difícil, porém, aguarda o ser humano nele mesmo! Nisso muito ele
tem de reparar, se aliás quiser subsistir. Quero tirar-vos a venda, a fim
de que reconheçais esses seres humanos terrenos em toda sua perfídia,
porque se aproxima o fim de minha luta e vós deveis cooperar
nesta matéria grosseira, cooperar para a vitória da Luz, que
extinguirá esses vermes arrogantes, e por isso tão malévolos. Pois
só se pode denominá-los ainda de vermes, não mais seres humanos!
A espada que vós manejais em nome de Deus, ao qual vós vos
comprometestes, porém, deve estar afiada e reluzente!
No entanto, quem de vós está firme e quem está alerta para a
luta contra a humanidade inteira e contra as trevas que a
circundam!
Bem-intencionados e de boa vontade vos aferrais ainda, de modo
demasiadamente tenaz e rígido, às ninharias cotidianas, com o que vós
próprios colocais empecilhos nos caminhos, de modo que mal sois
capazes de realizar a mínima parte daquilo que na realidade deveis
realizar e tendes de realizar. Cada um de vós está ainda muito
atrasado, por não poder vibrar harmoniosamente nas coisas grandes,
devido a todas essas ninharias!
Tornai-vos mais flexíveis e mais livres na atuação do dia-a-dia e
mantende sempre e ininterruptamente na vista e na intuição apenas as
coisas grandes! Não vos aferreis, demasiadamente, numa perseverança
embaraçosa. Não deveis transformar-vos em peças de uma
máquina humana, mas sim tendes de tornar-vos vivos, grandes e
livres! Onde vossos defeitos quiserem formar obstáculos, procurai
logo novos caminhos, que vos serão mais fáceis, pois assim muitas
vezes ainda podereis chegar, finalmente, ao lugar que tendes de
alcançar!
Agi da mesma forma com vossos co-convocados. Vereis que a
harmonia então não poderá ser rompida tão facilmente! Deixai cair
tudo o que é rígido com relação ao vosso próximo, tornai-vos lugar
disso vivos e móveis! Cedei temporariamente, onde algo
aparentemente não se deixa realizar, porém jamais solteis as rédeas
das mãos! Aquilo que se opõe conseguireis, finalmente, com alguma
habilidade, levar ao lugar onde deve ficar. Um bom cavaleiro jamais
terá necessidade de puxar as rédeas, a ponto de sangrar o cavalo, para
impor a sua vontade, se souber lidar com animais. Ele tem, apenas, de
aprender, primeiramente, a compreender os animais, se quiser
dominá-los! Sua rigidez teria como conseqüência somente a
teimosia, ou aquela obediência que a qualquer momento poderá
tornar a falhar. Desse modo estaria sentado sobre um barril de
pólvora, em vez de o cavalo carregá-lo com amor e cuidado!
Inflexível é, na realidade, aquela vontade que conduz ao alvo,
mesmo se tiver de modificar seus caminhos, mas não aquela que
quebra seu alvo por causa da própria rigidez. Só a perseverança
conduz ao alvo, e não a rigidez. Rigidez é sempre errada, por ser
antinatural e também por não estar em harmonia com as leis
primordiais da Criação, que condicionam movimento. Toda a
insistência rígida representa falta de habilidade, que não reconhece
outros caminhos transitáveis, impedindo assim os esforços
progressistas de seu próximo! —
Vós, portadores da Cruz, despertai para um novo modo de ser,
deixai cair os hábitos e ensinamentos antigos, tornai-vos
primeiramente novos perante o Mundo, também no pensar e agir
quotidiano! Nada existe, que não tivesse de se tornar novo, isso eu já
vos disse cêntuplas vezes! O início deve ser em vós! Sem início não há
continuação! Se vós falhardes, cairá o mundo!
6. Como és tu, ser humano!
Esta é a pergunta que retumbará ao teu encontro no Juízo! Como és tu,
não como foste!
Portanto, sê vigilante, se quiseres subsistir no Juízo! Há muito que
assim clamo ao espírito humano. Minhas advertências, porém,
perderam-se sem serem ouvidas. Poucos apenas ouviram o chamado,
queriam ouvi-lo! Outros julgaram possuir algo muito melhor, com o
que se contentaram até então, seja nas doutrinas das igrejas, nos
programas de muitas seitas ou na descrença completa de tudo o que
não é visível ou palpável terrenamente.
Aqueles, porém, que querem ouvir, são muito pouco severos para
consigo mesmos. Não são bastante sinceros para com o próprio
espírito. “Como és tu, ser humano!” estará de repente diante dele, no
efeito das leis vivas desta Criação e justamente quando ele não estiver
preparado para isso. Pois mesmo que tenha se esforçado durante anos
para ser de tal maneira, que possa resistir às tempestades, que
bramem por cima dele com violência indescritível, de nada lhe
adiantará tudo isso, se no fim afrouxar, mesmo que seja apenas
durante uma hora. Se tiver chegado a sua hora, cairá apesar de tudo,
porque não estivera tão desperto no momento dos acontecimentos,
como deveria estar na força da Luz, que lhe fora concedida para isso. E
isso advirá da noite para o dia!
A quem muito foi dado, muito será exigido! A máxima vivacidade do
espírito e do corpo é lei inexorável em todo o desenvolvimento para a
ascensão e para o serviço na Luz! A força tornar-se-á fatal, se não a
aproveitardes, continuamente, naquele sentido em que vos foi
concedida! Ela vos eleva ou vos oprime, vos fortalece ou esmaga,
exatamente de acordo com a maneira como vós próprios sois no íntimo!
Um meio-termo é impossível em face da força da Luz! A inatividade,
bem como o aguardar indolente, na boa vontade, produz o mesmo
efeito que o emprego errado, isto é, a queda!
A vontade tem de ter se transformado em ação, quando agora vos
atingirem as ondas, que já estavam previstas para cada um
individualmente, por ocasião do nascimento!
Cada ser humano, na Terra, tem agora o seu tempo para purificação
ou destruição. Ele lhe sobrevém de acordo com a lei, e então o ser
humano, sozinho, tem seu destino nas mãos.
Não ocorre na mesma hora em toda a parte, mas atinge cada um,
como lhe está previsto! Isto representa a última seleção para o Juízo!
Somente aquele que for capaz de passar vitoriosamente pela
seleção espontânea, este, com isso, será então escolhido para a ação!
Para a construção no Reino dos Mil Anos. E tudo isso ele tem em suas
próprias mãos!
Se ele não levou tão a sério para si as advertências, que tantas vezes
dei, como deveriam ser levadas por cada um individualmente, então
ele traz agora para si as conseqüências prejudiciais na mais implacável
justiça; pois como ele é, assim ele será atingido. Exatamente conforme a
realidade. Não, por ventura, como ele imagina ser!
Nisso comprovar-se-á, quem utilizou totalmente a força em seu
anseio pelo cumprimento e convocação, ou quem com ela apenas
brincou em acessos de vaidade, mesmo que ela seja mínima. Mostrar-
se-á quem leva a sério a vontade de servir, ou quem apenas queria
estar presente, para nada perder.
Ai daquele em quem pôde aninhar-se a presunção ou a falsa
ambição, de modo que a verdadeira humildade não mais tenha
encontrado lugar! Manifestar-se-á de maneira assustadora e
arremessará para o lado aquele que se deixou envenenar com isso.
Digo-vos, tudo o que se manifesta em vós, até o mais ínfimo, será
pesado e medido, inclusive aquilo que imaginais achar-se sepultado, se
não tiver de fato se desprendido de vós! —
Eu temo por vós, pois tendes de lutar, agora, sozinhos, na última
fase, a fim de subsistirdes ou perecerdes!
Contudo, quero hoje ainda esclarecer que serão atingidas com
segurança as fraquezas, grandes e pequenas, a fim de que sejam
cauterizadas, não embaraçando por mais tempo uma atuação pura,
com alegria no servir! Nada disso restará. Passais agora pelo fogo de
um processo de purificação, que tereis de vencer, se não quiserdes nele
perecer. —
Quem, porém, estiver certo e verdadeiro, na seriedade da humilde
vontade de servir, este será unicamente fortalecido nessas ondas e por
elas elevado em sua grande força potencial, o que lhe traz o último
impulso para cima, o qual, antes de tudo, prepara-o para o
cumprimento de sua missão no serviço do Graal! —
Cada ser humano de toda a Terra terá de passar por isso. Ninguém
será poupado disso.
Quero também explicar-vos como se realizará o processo em vós, a
fim de que possais passar cientes através daquelas semanas. Lembrai-
vos, no entanto, de que este saber também aumenta vossa
responsabilidade!
Para cada ser humano, que vive hoje nesta Terra, o caminho, desde
o nascimento, já está traçado de tal modo, que estará sujeito nessa
época, que se encontra agora próxima dele, a determinadas
irradiações, que atuarão de modo preparatório para o Juízo Final, como
última seleção, decisiva para o seu destino. Esse espaço de tempo dura
meses para cada um. Não será vivido em horas ou dias apenas. Também
ninguém poderá escapar dele. Não poderá ser detido, nem desviado ou
retardado por um único segundo sequer!
Acresce que das alturas chega uma nova pressão da Luz, que
desencadeia e fortalece os efeitos. Tão poderosa, que nada poderá
oferecer resistência a essa pressão da Luz, por mais forte e tenaz que
seja.
Assim o ser humano estará durante um determinado espaço de
tempo como que sob um chuveiro, proveniente de todos os lados e ao
qual é obrigado a resistir incondicionalmente. Não poderá fugir, nem
para diante, nem para trás e nem para os lados; tampouco poderá
cobrir-se ou esconder-se.
Tudo isso é uma vivência indispensável! Poder-se-ia comparar esse
processo com uma prova de pressão, se bem que tal imagem não
reproduza com exatidão o acontecimento. Não se trata aqui somente
duma pressão bem determinada, que cada ser humano tem de ser
capaz de suportar, se não quiser sucumbir, mas sim essa pressão tem
vida, torna também vivo tudo o mais, acorda para a movimentação ou
obriga a manifestar-se tudo o que se encontra sob ela e também aquilo
que estiver dormitando.
Assim como esse acontecimento ocorre em toda a Criação durante
a sua purificação, da mesma forma e ao mesmo tempo sucede com o
ser humano, individualmente, que não pode ser excluído disso, e que
até tem de ser atingido da maneira mais severa. O que desse modo foi
despertado ou estimulado, será ainda fortalecido, quer seja bom ou
mau. Cresce por meio desse fortalecimento!
O mal, porém, sendo de outra espécie, se opõe a essa pressão da
Luz, aumentando também com seu crescimento a sua resistência, a
qual, no entanto, só lhe acarretará sofrimentos, pelo fato de a poderosa
pressão da Luz não ceder sequer pela espessura de um fio de cabelo.
Desse modo o mal é obrigado a quebrar, literalmente, a cabeça, a fim
de, destruído, acabar de ruir.
Com isso, aliás, vos apresento apenas uma imagem. Trata-se,
porém, de um acontecimento real, pois o mal é obrigado a aniquilar-se,
a si próprio, inteiramente e em seu próprio movimento, impulsionado
tão fortemente pela pressão da Luz. Todos os erros e todas as falsas
concepções são igualmente entregues à autodestruição, por não
poderem ter nenhuma ligação beneficiadora com a Luz.
Imaginai agora um ser humano que possua muitas fraquezas, bem
como defeitos, e que não esteja disposto com toda a força a abandoná-
los. Infalivelmente resultará que também seu corpo terreno não será
capaz de suportar, absolutamente, o imenso choque, perecendo
conjuntamente, isto é, tendo de destroçar-se também, ao passo que,
tratando-se de defeitos menos rebeldes, o corpo terreno sofrerá
apenas danos leves.
Naturalmente, atingirá o corpo sempre onde pontos fracos
oferecerem lugares propícios ao ataque ou onde existir alguma doença.
Não está excluído que em muitos seres humanos as células do cérebro
oferecerão tais pontos de agressão, produzindo-se assim uma
perturbação da mente, a qual é denominada erradamente perturbação
do espírito. Na realidade é somente o raciocínio que está sujeito a
perturbações, nunca o espírito! É unicamente a atividade do cérebro
terreno que sofre o distúrbio, porque perturbação do espírito nem
existe.
Com o abandono do corpo pela morte terrena, estará também
extinta, sem mais nem menos, a perturbação doentia de tal enfermo.
É justamente nos distúrbios da atividade cerebral que se
evidenciará o pecado de muitas escolas, que sobrecarregaram o
cérebro anterior dos jovens com coisas das quais eles nem necessitam
durante sua existência terrena para uso prático. A vaidade aí tornou-se
desgraça e crime, pois desse modo não sobrou nem força nem tempo
para aquilo que teria sido mais necessário e que é indispensável a todo
o ser humano: reconhecer a vontade de Deus na Criação!
O ataque sobre o corpo reside no rechaço do errado que se revolta
e nos esforços que têm de resultar da intensificação violenta e imediata
pela pressão da Luz. A própria Luz nada agride, ela unicamente é e
existe! Contudo, tal como uma muralha inabalável, aproxima-se cada
vez mais a parede de Luz, estreitando continuamente o espaço, dentro
do qual o errado terá de exaurir-se até a total autodestruição.
Assim acontece com aqueles seres humanos que não estão certos
em relação à Luz, e por essa razão também não vibram nas leis. Quanto
aos seres humanos que estão certos na Criação, essas irradiações terão
de elevá-los bem para cima, até o limite em que se encontrem fora do
perigo de serem arrastados para a decomposição vindoura. Cauterizam
nele tudo aquilo que não estiver inteiramente de acordo com as leis
desta Criação. Somente, porém, no caso em que o ser humano oferecer
possibilidade para tal, pelo domínio de si próprio, férreo e
desapiedado, no reconhecimento de seus erros e particularidades
erradas. Muito lhe é facilitado para poder fazer isso, por se tornar
visível nele, mediante essas irradiações, todo o errado fortalecido. A
visualização de tais erros, porém, não ocorre por meio de imagens
cômodas, como talvez o ser humano mais uma vez espera
erroneamente, segundo a espécie indolente de seu espírito, mas sim
ele é que tem de esforçar-se para tal, do contrário não receberá
nenhuma recompensa e nenhuma ajuda. Ele próprio poderá notá-lo se,
possuído de um desejo sincero, abrir os olhos para isso! Então verá
logo com o que se esbarra e se choca com seus semelhantes. Com um
pouco de esforço poderá reconhecê-lo na maneira de ser de seu
próximo para com ele, pois se é que realmente deseja ascender, então,
em todas as coisas, tanto nos leves como nos pesados choques e
discórdias, em toda e qualquer perturbação da harmonia, não mais
procurará e nem presumirá encontrar os erros nos outros, mas sim em
si próprio! É desse modo que reconhecerá, ainda em tempo, tudo o que
lhe falta. Portanto, somente na vivência! Não existe outro modo de
reconhecimento para ele.
Se olhar dessa maneira em torno de si, então já terá dado o passo
mais difícil de sua luta, que o conduzirá à vitória! Nesse primeiro passo
reside o fundamental para ele! Deixando de considerá-lo, nunca
vencerá, mas terá de cair, ainda que tenha muita boa vontade. Se omitir
esse passo, é porque não possui a vontade certa, mas sim enganou-se a
si próprio nisso, iludiu-se por vaidade ou comodidade, e os frutos de
tais ilusões recairão sobre ele.
Totalmente diferente, porém, sucede às pessoas que realmente
trazem em si a vontade sincera, que sempre faz surgir a ação, não
permanecendo somente na vontade.
Estas recebem, pela pressão da Luz, reforço inesperado e poderoso
de seus esforços bons e puros, que as eleva para o alto, acima do limite
determinado para o Juízo, concedendo-lhes segurança, assim que se
desencadear a tempestade que arrastará todos os outros para a região
da decomposição, que é equivalente à condenação eterna.
Despertai, ó espíritos humanos! Não podeis malbaratar um só dia!
Já outrora o Filho de Deus clamou para vós, advertindo: perdoai ao
próximo! Sabeis o que reside nisso? Pensais em tudo de modo
demasiadamente superficial, não quereis aprofundar-vos na Palavra,
que contém tesouros tão inestimáveis.
O perdão para o próximo tem início e fim no fato de não vos
preocupardes com seus erros! De deixardes de procurar erros nele! Em
outros termos, que deveis preocupar-vos nisso exclusivamente
convosco! Que deveis primeiramente procurar vossos erros, livrando-
vos deles, antes de vos esforçardes em repreender vosso vizinho por
seus erros.
Jesus sabia muito bem que tendes de preencher totalmente o tempo
de vossa existência terrena, se quiserdes cuidar suficientemente de vós
próprios, para assim progredirdes e amadurecerdes, como deveis.
Investigai primeiramente em vós, somente então compreendereis o
vosso próximo! Na compreensão, porém, reside o perdão.
No entanto, quantos seres humanos existem, na Terra, que agem
dessa forma! Nenhum acolheu em si de tal modo a Palavra do Filho de
Deus. Nem esta única sentença e muito menos ainda a doutrina toda.
Justamente na inobservância desta exigência encontra-se o vosso
maior erro! É nisso que pecais ao máximo e. . . com isso desperdiçais ao
máximo, sim, malbaratais dessa forma toda a vossa existência! E
apesar de tudo isso tendes a esperança de subsistir!
“Como és tu, ser humano!” Não se trata de uma pergunta, mas sim
de uma exigência! Nela tereis de destroçar-vos, se não vos definirdes
rapidamente! Advirto-vos! Tantos já se encontram à beira do abismo e
cairão, se não recuarem com toda a energia, no último momento! Não
procureis mais nos outros os erros, mas sim somente em vós!
Não lanceis fora o último apoio, que vos posso oferecer, no
momento do perigo extremo!
Já tantas vezes não atentastes a ele, apesar de o Filho de Deus vos
havê-lo oferecido em cada frase. Também quando vos disse: “Ama a teu
próximo como a ti mesmo!”
Assim também aqui o sentido é o mesmo. Sempre de novo vos deu
o mesmo conselho, com o qual poderíeis progredir com todo o vigor, se
realmente quisésseis! Para isso, contudo, tínheis também de pensar e
agir por vós próprios, e isso foi exigir demais! Tal fato vingar-se-á
amarga, amargamente em vós!
Sede, por isso, finalmente vigilantes e não sonheis mais com o
passado, nem com o futuro, mas vivenciai o momento, o presente!
Unicamente isso ainda poderá trazer-vos proveito!
“Como és tu, ser humano!” Assim exige a lei da Criação no Juízo! —
Quero por isso fazer mais uma advertência, antes que a grave e
pesada exigência tenha de despertar-vos da falsa ilusão!
Não vos preocupeis com o que já fostes outrora aqui na Terra! Tal
saber em nada poderá auxiliar-vos no Juízo, pois não conta! Só mais
tarde, quando estiverdes mais maduros para isso, tal conhecimento
poderá explicar-vos muita coisa! Podereis então tirar ensinamentos
disso, que vos trarão muito proveito para o presente, se sintonizardes
corretamente vosso modo de pensar.
É apenas por curiosidade ou também por vaidade, que muitos,
dentre vós, perguntam por isso tão insistentemente. Contudo, não
colheis aquilo que já hoje poderíeis colher desse saber, deveríeis
colher: contentamento e gratidão pela vossa presença, pois tudo
pudestes experimentar na Terra até agora! Não há um sequer que já
não tenha sido terrenamente rico ou tenha ocupado uma posição
dominante qualquer. Nenhum que já não tenha experimentado todas
as alegrias desta Terra. Por isso não tendes direito nem motivo para
invejardes os que hoje reinam, tampouco os que têm posses, os quais
talvez durante o vosso bom tempo e sob o vosso domínio já tivessem
de sofrer necessidades e penúria!
Devíeis aprender com isso, que vos encontrais justamente agora
naquela situação que ainda vos é necessário experimentar, para nela
amadurecer ou para reparar o mal que outrora causastes. Ambos os
casos só podem gerar gratidão pela graça que vos concede isso na
atuação de leis inamovíveis, que jamais podem ser injustas, que jamais
erram em sua perfeição intangível, e que, ajustadas na maior precisão,
sempre trazem ao ser humano, como fruto, aquilo que ele mesmo
semeou nesta Criação com as decisões do seu livre-arbítrio!
O sofrimento que o atinge é sua própria ação, como também a
alegria que lhe é presenteada pela lei! E quando lhe é dado sofrer ou
passar necessidades, sabe ele perfeitamente que isso o conduz à
libertação das conseqüências de uma ação que ele próprio cometeu,
constituindo dessa forma auxílio para a ascensão, que unicamente
pode conduzi-lo aos reinos luminosos da mais pura alegria. Quer viva
na riqueza ou mesmo como soberano, então aquilo que vivenciou até
agora deve ser uma exortação para que administre tudo isso
acertadamente, no sentido das leis divinas, a fim de que resulte em
bênçãos para os seus semelhantes e não o conduza mais uma vez para
baixo, atando-o a uma futura existência de sofrimentos nesta Terra,
mas sim tenha de elevá-lo pela gratidão daqueles que, graças à sua
atividade, puderam encontrar paz e felicidade.
É exclusivamente para isso que o saber deverá servir-vos
futuramente. Hoje, porém, vos entretendes em vaidosa presunção,
pensando no que já fostes outrora, talvez até vangloriando-vos com
isso, como se vos pudesse ser de alguma utilidade hoje.
Digo-vos, se vós mesmos não fordes capazes de tirar proveito disso
para vossa existência, no sentido por mim apontado, não terá valor,
podendo acarretar somente prejuízo. Que vale perante as leis nesta
Criação, se outrora fostes na Terra imperador ou rei, apóstolo ou papa:
“Como és tu, ser humano!” terá de confessar cada um na vivência! E
vossa resposta encontra-se na existência atual, no vosso modo de ser,
exclusivamente!
E esse momento grave está diante de vós! Vigiai! —
Poderá apresentar-se a qualquer hora!
Não acontecerá para todos ao mesmo tempo, mas sim somente um
após outro! Para cada um de uma maneira nova. Suas fraquezas
condicionam a maneira.
A quem, então, implorar força no sentido certo, ela lhe será
concedida. Essa força também o auxilia a vencer, contanto que
reconheça e procure seriamente vencer aqueles erros que traz em si
mesmo!
Ninguém, portanto, olhe para os outros, pois nenhum é tão puro, que
ele mesmo não tenha de lutar!
7. Deixai que a páscoa surja em ti, ser humano!
Um brado percorre o Universo! Inicia-se o grande despertar e,
retumbantes, sucedem-se agora as badaladas desse relógio universal,
anunciando-vos a duodécima hora, com isso o fim da época atual e de
tudo o que nela aconteceu. —
Ajuste de contas! O conceito, tendo tomado forma, corre
velozmente atrás desse primeiro brado para o despertar, nas trilhas
dos efeitos recíprocos, agora fortemente incentivados e se encontra
com velocidade inimaginável diante de cada criatura, frio, objetivo e
impiedoso, pois atrás e dentro dele encontra-se a lei viva, ofertando
aqueles frutos, cujas semeaduras se deram na existência de cada um.
Assim, cada ser humano já se encontra envolvido por tentáculos
ainda invisíveis para ele, de modo a não poder avançar nem recuar,
tendo de aceitar indefeso aquilo que lhe brotou na grande estufa da
Criação, por intermédio de seu querer e de suas ações!
Toma, ó ser humano, a recompensa que mereces!
Poucos são os bons frutos, que aí terás, pois desrespeitaste e
violaste o santuário que a inconcebível graça de Deus te deu como
firme apoio para a peregrinação, a qual Ele te concedeu outrora,
satisfazendo as tuas ardentes súplicas! Era o conhecimento na intuição
de Sua elevada vontade, a qual unicamente concede continuação à
Criação, uma vez que ela Dele se originou, assim como tu!
Essa vontade é para tua salvação, para tua alegria e tua felicidade,
pois outra coisa não existe na vontade Daquele que, cheio de amor, te
concedeu a consciência do existir. Precisavas apenas seguir pelos
caminhos que a lei da vontade já havia te aplainado na Criação, como
dádiva, a fim de que te conduzissem a todas as delícias que a
consciência do existir encerra em si!
Rompeste, porém, com atuação leviana as muralhas protetoras que
juntamente contigo surgiram na lei, destruíste-as com teimosia e
presunção, colocaste ainda criminosamente o teu mesquinho querer
acima da lei, que repousa na vontade de Deus. Assim, em vez de te
proteger e elevar, essa lei tem de destruir em ti tudo aquilo que
abandonou o caminho desejado por Deus!
Poucos são, dentre os seres humanos, os que não abandonaram
esses caminhos!
De todos os que perambulam desviados, muitos são apenas vítimas
daqueles que romperam as muralhas protetoras. Em confiança, ao
modo humano, deixaram-se arrastar para fora do caminho que conduz
às alturas luminosas, e agora não sabem mais voltar, mas sim erram de
um lado para outro à procura do caminho certo, no matagal das baixas
concepções humanas, sem contudo encontrá-lo.
Por isso ide vós, a quem já mostrei o caminho na Palavra! Ide por
toda a parte, esclarecei e interpretai minha Palavra a todos os que
procuram com sinceridade na Luz da Verdade, cujas irradiações vos
acompanham, pois é chegado o tempo para isso!
Desponta a aurora do prometido Reino do Milênio! Deverá iluminar
agora todos os povos por intermédio dos que foram ricamente dotados,
os quais portam a Cruz da Verdade como sinal de sua convicção!
Não tardará muito e os seres humanos perguntarão temerosos pela
Cruz, na esperança de que, por vosso intermédio, possam encontrar
aquilo que traga em si o verdadeiro auxílio e os arranque do desespero
esmagador, elevando-os das ruínas das vaidosas esperanças que
depositaram nos seres humanos terrenos e em suas capacitações!
Quando agora desmoronarem repentinamente todos os esteios
entre os povos, quando se desvanecerem a crença no poder do
dinheiro e a confiança no saber do raciocínio, e quando, sobretudo, se
apagar o último vislumbre duma aparente existência de dignidade
humana, então. . . então vosso tempo terá chegado, portadores da
sagrada Cruz! Anunciareis, tereis de anunciar a Verdade, que vos foi
proporcionada, pois os seres humanos esperarão de vós, rogarão por
ela e a exigirão até, se porventura quiserdes hesitar!
Estai preparados, portanto! O tempo fará com que a humanidade se
aproxime de vós! Por alta condução espiritual, isso ocorrerá para vós
como que automaticamente. Se não vos esquivardes da correnteza,
cumprireis vosso dever! Isso vem ao vosso encontro. Sede corajosos,
altivos e livres! Não deveis solicitar mendigando a benevolência dos
seres humanos, mas sim somente conceder onde vo-lo pedirem!
Vós sereis vitoriosos a cada passo; pois convosco está aquele
auxílio, cujo poder é o mais potente, com o qual nada na Terra pode
medir forças!
Vós sois os vencedores; pois assim é da vontade de Deus! —
A Páscoa há de surgir agora para os espíritos humanos aqui na
Terra! Por isso deveis estar a postos!
Os seres humanos logo se acercarão de vós. Todos quererão ver em
vós seres humanos terrenos sem defeitos! Isso querem, tanto os
amigos como os inimigos! Os mais ferrenhos adversários da Palavra
Sagrada, contudo, muito esperarão de vós, mais do que em tempo
algum se esperou de seres humanos. Isso é uma lei viva!
Quero dar-vos diretrizes para esse fim, as quais tendes de seguir, se
é que vossa existência, futuramente, deva tornar-se benfazeja, como
está determinado pela vontade de Deus. Segui essas diretrizes, pois
elas são mandamentos para vós! Rigorosa obediência vos trará alegria
e vitória; aos seres humanos, porém, trará a salvação! Para vós olharão,
mais tarde, agradecidos. Deveis tornar-vos um exemplo vivo para o
soerguimento desse caos!
Em primeiro lugar dou-vos, para isso, o mandamento de
redespertardes em vós o senso da beleza, que já desde o início se
encontra em vós e que soterrastes criminosamente! Ele vos será um
auxílio inestimável para a libertação do espírito e para a própria
ascensão! Não o menosprezeis! Há nele mais valor do que supondes!
Segui-o e em breve reconhecereis, na vivência, o quanto ele favorece a
cada um nos degraus de sua existência! Até lá, procurai obedecer-me,
para que participeis do proveito, tão indispensável para vós!
Do contrário, não podereis tornar-vos os vencedores, exemplos
aqui para esta Terra, com todo o vosso modo de ser. Viver
terrenamente de modo exemplar é o que tendes de fazer
incondicionalmente por primeiro, se quiserdes cumprir a missão que
recebestes e que tomastes a vosso cargo, de livre vontade, ao pedirdes
a Cruz!
Viver terrenamente de modo exemplar, porém, significa ser natural!
Assim como a Criação vos mostra, para que nela vos enquadreis e não
permaneçais qual caricatura, como é hoje. O senso de beleza, que tem
sua origem na mais pura intuição, vos foi presenteado, a fim de vos
servir de norma, para levardes uma vida, aqui na Terra, de acordo com
a vontade de Deus. Essa intuição traz em si a recordação de alturas
luminosas, onde a beleza é coisa evidente! Pois Luz e beleza não se
deixam separar, absolutamente. São uma só coisa! Se quiserdes, pois,
trazer Luz para esta Terra, tereis de trazer beleza. Beleza em tudo o
que fizerdes!
O que, porém, até agora considerastes como belo, foi constituído, na
maior parte, de produtos do raciocínio, engendrados e formados por
seres humanos que só se baseavam em vossas fraquezas, querendo
estimulá-las, a fim de assim auferir vantagens terrenas. Ganhar
dinheiro ou simpatia. Tudo se baseava em cálculos. De verdadeira
beleza aí nenhum vestígio! Unicamente excitação dos sentidos, de
qualquer maneira.
Cada excitação, porém, é um estímulo desejado pelo raciocínio, que
jamais pode elevar! É meio de engodo para um propósito qualquer.
Mesmo que seja, apenas, para a compra de um tecido ou de uma
vestimenta.
Já vos habituastes a adaptar-vos a opiniões alheias, a aceitá-las,
tornando-vos, por isso, vítimas de cálculos de outros, que cada vez
mais vos confundem e degradam, pois com isso, voluntariamente,
desististes de uma parcela de liberdade e, com a liberdade, do próprio
direito ao senso de beleza. Pensais ainda possuir a liberdade de decisão
na escolha da compra. Aí, no entanto, estais limitados a um bem
determinado número de artigos daquela espécie que outros criaram
como “moda”, também somente para um bem determinado espaço de
tempo!
Assim desististes de direitos que vos deveriam proporcionar
muitos apoios, deixastes cair, em vossas peregrinações, aquele bordão
que vos deveria dar um forte arrimo e proteção contra tudo o que é
inverídico, que deveria deixar-vos reconhecer imediatamente as
caricaturas, que de modo atraente vos são apresentadas e que, no
entanto, nada têm que ver com a verdadeira beleza.
E um passo condiciona os outros. O segundo logo vos desviou da
naturalidade em vossos movimentos! Estes tornaram-se bruscos e
artificiais, perdendo dessa forma, cada vez mais, em beleza e em força.
Procurais adaptar-vos aos trajes, ao invés de formardes a
vestimenta condizente convosco. Vede vosso porte! Reparai no vosso
andar, nos movimentos das mãos! Também aí já domina o raciocínio,
pois tudo é artificial, unilateral. Manifesta-se nitidamente sempre a
atenção dirigida para um único ponto! Nisso revelam-se imediatamente
a atividade e o domínio do raciocínio!
Este sempre só é capaz de dirigir sua atenção a uma parte do corpo.
Um ponto, por isso, destaca-se também, especialmente nítido, em cada
atividade do raciocínio terreno, conforme a parte visada pelo
raciocínio. Assim também com os movimentos do corpo. O unilateral,
porém, perturba a harmonia do todo! E, por conseguinte, a beleza!
Deixai a intuição chegar novamente ao seu pleno valor e então
reconhecereis como o corpo, em seus movimentos, forma um todo.
Tudo contribui então, simultaneamente, para que se execute esta ou
aquela ação, com o que, naturalmente, se estabelece a harmonia dos
movimentos. Semelhante a um jogo gracioso, o corpo inteiro executa
tudo o que a intuição quer. É muito mais livre, natural e
desembaraçado. Lembrai-vos sempre: o raciocínio compele sempre em
direção a um determinado ponto, destruindo assim, imediatamente, o
equilíbrio e a harmonia. Não passa de um adestramento, que o ser
humano se impõe a si mesmo, nunca uma atividade altiva e livre.
Deixai, portanto, que novamente e em primeiro lugar desperte em
vós a intuição para a beleza da naturalidade! Isto seja Lei para vós a
partir de hoje! Pois isso é um grande auxílio para a conservação do
caminho reto na Criação, que nunca falha e que jamais vos induz a
dúvidas. No entanto, quanto já pecastes aí! Como tolos, mostraram-se
os seres humanos com sua conduta, diante daquele que ainda
conservou em si o senso sadio para a beleza, ou que de novo o tenha
reconquistado!
Horrorizados, ainda vos lembrareis, dentro de poucos anos, de
como foi hoje e de como tem sido nos séculos passados.
Quão míseros pareceis, vistos da Luz, à qual, no entanto, deveríeis
permanecer estreitamente ligados! Não imaginais quanto, justamente
nisso, o vosso falhar vos desvalorizou perante toda a criatura. E
somente o ser humano, como único entre as criaturas, foi quem
pisoteou o grande apoio, ridicularizando-se a si próprio. Justamente
ele, que deveria tornar-se uma coroa da Criação posterior e que, de
acordo com seus dons, também poderia sê-lo!
Chegou a hora, agora, de largar os erros!
Sede firmes como um rochedo ao embate das ondas do mar! Nada
tendes a temer, se seguirdes a lei da beleza! E cada qual poderá segui-
la facilmente, se apenas se esforçar para escutar, finalmente, o seu
íntimo.
Por isso deveis também trajar-vos sempre de acordo. Não vos
deixeis guiar pela moda, que sempre procura imprimir um
determinado cunho de uniformidade a todos os seres humanos,
especialmente às mulheres, que nisso são mais suscetíveis! Nas cores,
como no talhe!
Isto já está errado! Onde se encontra aí a vivacidade, que deve
haver na Criação! Deixai, finalmente, prevalecer vosso gosto pessoal!
Deixai-o dominar, cada um por si! Assim, em breve tereis destruído
todo o esquemático existente em vosso redor, pois a individualidade,
ressurgindo em vós, traz consigo a força e a lei da Criação!
Os seres humanos também não devem aparentar externamente
apenas figuras vazias, não devem trajar-se de modo tão uniforme, mas
sim também nisso devem dar expressão e vida à sua própria
personalidade, de plena conformidade com sua índole! Também de
acordo com a estatura e a forma! Justamente quanto a isso deve
extinguir-se a imitação. Ela acarreta estagnação, retrocesso e,
finalmente, indolência paralisadora de vosso espírito! Não é, pois, de
admirar, que muitos verdadeiros artistas tiveram de se asfixiar nisso.
—
Vossas formas e vossa índole são uma só coisa, pois as formas
externas se constituem de acordo com a vossa índole, têm de ser a
expressão de vossa índole! Por esse motivo, deixai predominar agora
unicamente o vosso gosto pessoal e não a moda! Assim vossa aparência
externa também se adaptará, tanto na cor como no feitio dos trajes, à
espécie do vosso espírito, com o que finalmente constituireis, cada um
por si, um todo, vivificando vosso ambiente.
É necessário também que cada um se aperfeiçoe na expressão da
linguagem e no próprio falar.
Para um ser humano, que é a mais elevada criatura desta Criação
posterior, da qual também é a coroa, não há desculpas, se ele não se
controla, agindo negligentemente, de qualquer modo, não envidando
todos os esforços, a fim de desenvolver tudo à máxima beleza, tudo o
que outrora lhe foi dado, como um bem a ele confiado!
O mais pobre dentre todos os pobres tem a obrigação e também a
possibilidade de dominar-se no modo de se apresentar, na maneira de
se expressar e no seu linguajar! Isso apenas lhe custa uma vontade
sincera e um pouco de esforço, nada mais!
É desprezo às dádivas de Deus, quando uma pessoa se apresenta
rude e inculta, ofendendo assim todo e qualquer senso de beleza. Tal
pessoa, reciprocamente, deverá no futuro ser também desprezada e
expulsa da sociedade humana, por não se mostrar como ser humano,
como coroa desta Criação.
O desenvolvimento da beleza em todas as coisas, até a mais
insignificante, representa uma homenagem a Deus e uma oração de
gratidão expressa pela ação!
Cumpri este mandamento. Vereis que, com isso, tudo mudará para
melhor na vida individual, na família e no povo!
Reside nisso muito mais do que hoje imaginais e dá garantia para a
paz, harmonia e felicidade!
Deveis enobrecer-vos e não modificar-vos pela imitação. Aquilo que
se encontra em vós, deverá atingir a mais bela florescência! Do
contrário, não permanecereis vós próprios. Em cada ser humano,
porém, reside em outro grande valor, que agora deverá exprimir-se
externamente também na cor e no feitio, conforme se dá com as flores.
Quem se sujeita à moda, já demonstra com isso a indolência de seu
espírito, aceitando a vontade alheia, unicamente para não ter de
perscrutar o seu íntimo, a fim de saber, dali, o que a ele convém.
E atrás de tudo isso, que faz parte das modas e de costumes
similares, outra coisa não espreita senão a avidez pela riqueza, da
parte daqueles que se aproveitam da vaidade e da indolência espiritual
dos seus semelhantes, no intuito de aumentarem ainda a acumulação
de bens terrenos.
Esforçai-vos por refletir seriamente sobre isso! Cada qual deve
tornar-se um artista em seu próprio gosto, que só diz respeito a sua
pessoa! Não aos outros. Com isso dais o início para redespertar o
verdadeiro senso de beleza, para que ele ressuscite, tornando-se para
vós um forte auxílio nas peregrinações através dos reinos desta
Criação. Necessitareis desse auxílio em cada plano, a fim de a ele vos
adaptardes e assim evoluir. Nenhum plano é igual a outro. E, no
entanto, cada qual é belo por si! —
Tal como acontece nos planos da Criação, em grande escala, assim
também deve suceder com cada ser humano, individualmente!
Nenhum se assemelha inteiramente a outrem! Por que desejais ocultar
esse fato externamente pela imitação? Tornai-vos, pois, assim como
vós próprios sois, porém integralmente! E procurai sempre enobrecer
aquilo que existe. Para isso, somente o senso de beleza poderá ser o
vosso apoio! Seu valor é muito maior do que supondes! Ele vos torna
independentes e livres! A igual espécie se associará, então,
automaticamente. Também nisso o senso de beleza mostra e facilita o
caminho, se seguirdes o seu chamado! Que, também aqui, a mulher
caminhe novamente na frente! —
Ainda um segundo conselho quero dar-vos para o futuro próximo:
sempre que vos perguntarem sobre o valor ou desvalor de quaisquer
movimentos ou associações, nunca entreis na questão, ainda que
reconheçais desvalores! Vós próprios tendes a Palavra viva! Não
devem ser feitas comparações entre ela e quaisquer outros
movimentos, porque nem pode haver comparação. A Palavra da
Mensagem é! Quem não for capaz de acolhê-la, assim como ela emana
de mim, deve deixá-la, pois não é destinada para tal pessoa! Não sois
vós que tendes de pedir à humanidade para que a ouça, mas sim a
própria humanidade terá de pedir, sinceramente e de agradecer, para
que lhe seja mais uma vez concedido recebê-la. Assim o exige a lei!
Sede rigorosos e severos! Toda e qualquer condescendência
desnecessária equivale a uma conspurcação da Palavra Sagrada! Sede
altivos e verdadeiros em tudo o que disserdes. Não tendes necessidade
de atacar outros movimentos e seus dirigentes! Quem assim procede,
procura salientar-se, difamando a outrem; procura por esse meio atrair
a atenção para si, porque nada tem que oferecer! Quem, porém, possui
a Verdade, segue tranqüilamente seu caminho! Não molesta,
absolutamente, outros.
Os seres humanos afluíram, desde todos os tempos, aos
instigadores, mais fácil e rapidamente. Não são sinceros, porém, nem
bastante puros para a luminosa Verdade. São da mesma espécie
daqueles que se comprazem com as instigações! Não fazem parte de
uma estirpe radicada na convicção. Quem muito fala sobre outrem, esse
não tem muito que dizer! Lembrai-vos disso e agi rigorosamente de
acordo.
Ide e vivei como testemunhas da Palavra! A humanidade quer
medir em vós o valor da Palavra! Lembrai-vos disso em tudo que
disserdes e fizerdes! Ai de vós, se os seres humanos terrenos tiverem
de duvidar de vós, por vos mostrardes diferentes daquilo que a Palavra
da Verdade encerra!
A própria humanidade, então, vos julgará! Pelos atos dessa
humanidade reconhecer-vos-eis a vós próprios!
Modelos é o que a humanidade quer ver em vós! Sereis
rigorosamente observados! Lembrai-vos destas minhas palavras! Até
mesmo aqueles que não estão aptos a reconhecer a Mensagem,
inclusive os seus inimigos, observar-vos-ão no intuito de descobrir
erros em vós! E ai de vós, se ainda descobrirem erros! Aquilo que a
humanidade inteira compreensivamente perdoa a qualquer um de
bom grado, a vós não perdoará, se encontrar um erro sequer!
Inconscientemente os seres humanos, em sua expectativa, farão
exigências totalmente imprevistas aos portadores da Cruz! Com
desconhecida implacabilidade atirar-se-ão sobre vós, se não puderdes
corresponder inteiramente a essas expectativas!
Isso vos surpreenderá. Nisso, porém, se encontra o efeito de uma
lei, da qual não podeis escapar.
Por esse modo surpreendente, porém, tereis de reconhecer que
também os inimigos e os zombadores, sem o saberem, têm um respeito
ilimitado pela Cruz e seus portadores! Terão de confessá-lo, desse
modo, sem o quererem. É apenas natural, em face de tudo o que é da
Luz.
Nisso ainda amadurecereis nos pontos onde for necessário. A tanto
vos obrigarão os seres humanos! Inteiramente inconscientes, esperam
de vós algo especial! Onde isso se espera, procura-se também um
determinado valor, pois jamais se espera algo sem que se reconheça
um valor! Aquilo que o ser humano não considera como pleno, ele não
ataca, nem dá atenção.
A humanidade inteira, porém, pressente o elevado valor que vos foi
concedido pelo vosso saber! E é isto que os induz a observar-vos
rigorosamente, amigos e inimigos! Nenhum se dispensará de vos
observar, quando for chegado o tempo. E ele já está começando, já
iniciou sua automática atuação. — —
Pelo vosso modo de ser, tendes de confessar agora, pessoalmente,
perante os seres humanos, qual a vossa posição em relação à Luz, se
legítima ou falsa. E os seres humanos são impelidos a aproximar-se de
vós, bem de perto, a fim de que sejais obrigados a confessar-vos. Assim
é da vontade da Luz! Sois obrigados, e não podeis ocultar-vos.
Mostrai-o, portanto, de ânimo alegre, e a vitória vos florescerá em
todos os caminhos! Esta é a luta pela qual tereis de passar, a qual, no
entanto, apenas vos retemperará e fortalecerá, em vez de vos fatigar.
Ela vos trará alegria, em vez de dor.
Não precisareis fazer outra coisa senão ser. Contudo, ser modelos,
tanto na atuação como na vida para a Luz! Deixai agora surgir a Páscoa
para a humanidade aqui na Terra! Deixai, finalmente, reconhecível
através de vós a aurora que vem despontando!
8. Decepções
Quando o ser humano aprenderá a procurar em si próprio cada erro,
cada causa de insucessos e frustrações! Parece que jamais o
conseguirá. Grande demais é sua consideração por si mesmo, porém
pequeno e limitado demais seu obstinado e rígido pensar.
De acordo com o que demonstram as experiências de até agora,
jamais o aprenderá, porque não quer! Permanece sempre, em seu
íntimo, mesmo no caso da melhor e mais bem-intencionada vontade,
uma reserva que, em última análise, é sempre seu querido “eu”, ligado
a alguma particularidade, a qual ainda procura prender com uma
tenacidade, que supera até mesmo a força da maior boa vontade.
Esse “eu” mantém-se profundamente oculto, tão oculto, que muitos
seres humanos já o julgam inexistente. Não obstante, continua a existir,
e do seu esconderijo envia seus fios, de modo nocivo, em momentos em
que o ser humano menos espera. Intromete-se em muitas coisas, e em
decisões especiais, que têm de ser tomadas com inesperada rapidez, o
querido “eu”, por vezes, se coloca até abertamente na frente do dever
do sagrado cumprimento!
Se isso, diante de uma forte vontade para o cumprimento, também
só seja possível temporariamente, assim mesmo enfraquece o efeito da
vontade do cumprimento e retarda muitas vitórias, dificulta-as ou as
torna completamente impossíveis.
Assim o ser humano foi julgado no último exame. Voluntariamente,
ele jamais renuncia, de modo total, às suas particularidades ou desejos,
nem mesmo sob a ação do maior sofrimento. O “eu” sempre tem ainda
algo que dizer e se manifesta, principalmente no amor que nutre por
alguma outra pessoa, amor esse que ele coloca acima de tudo, sem que
o ser humano se torne bem consciente dessa fraqueza.
Portanto, o ser humano tem de ser despedaçado em seu íntimo, a
fim de, assim, conseguir as possibilidades de erigir dentro de si uma
nova construção em louvor a Deus, a qual, unicamente, conduz os seres
humanos à verdadeira felicidade. Os ídolos de até agora terão de
curvar-se ou ser exterminados pelos golpes de espada, que serão
forçados pelos próprios seres humanos.
Seres humanos, quão facilmente poderíeis ter tudo e, no entanto,
quão difícil tornais tudo para vós!
Não podeis, pois, pelo menos uma vez, elevar o vosso pensar um
pouco que seja acima dessa forma rígida que criastes, no decurso dos
milênios, e para cuja evolução sacrificastes voluntariamente longos
períodos de tempo, como se dispusésseis deles em demasia, enquanto
que as leis eternas, que atuam tecendo na Criação, não vos podem
conceder um único minuto sequer para ser desperdiçado.
Que imaginais então que deva acontecer agora! Acaso refletistes
sobre isto alguma vez, sem vos colocardes de novo, cuidadosamente,
de lado, a fim de que não sejais atingidos por vosso olhar examinador,
como sempre o fizestes até agora, porque o vosso hábito não vos
permitiu agir ou pensar diferentemente.
Movimentai-vos, espiritualmente, de modo mais ativo, livrai-vos de
todas as formas rígidas que vos oprimem e desvalorizam.
Ao ciclo de vossos pensamentos falta vida! Quero mostrar-vos,
apenas com um exemplo, como vos obrigais nisso, na boa fé, a ser
insignificantes, a prejudicar, com a melhor boa vontade para o bem, a
vós e a outrem, sim, até mesmo a profanar aquilo que vos é realmente
sagrado:
Suponde o caso de uma pessoa que se acerca de um sábio, a fim de
pedir que lhe informe se o caminho que está seguindo é certo. Tal
pessoa tem sempre uma infinidade de desejos e de perguntas. Pode-se
contar sempre, com segurança, que, de todas as perguntas, bem poucas
são realmente objetivas. A grande maioria é de natureza puramente
pessoal e terrena.
Ainda que cada sábio só responda contrafeito a tais perguntas,
porque a Mensagem contém tudo quanto cada ser humano precisa
para si, pode acontecer que, cedendo aos pedidos, levante um pouco o
véu do caminho que ainda poderá surgir ao indagador através da
tecedura das leis. Este agarra-se, avidamente, à resposta, e por ela
procura orientar-se do melhor modo que lhe seja possível, porém,
sempre só da maneira como ele próprio a imagina.
A imagem das palavras, que pediu por ocasião da visita, permanece
diante dele, e inabalavelmente se apega a ela, até a hora em que
imaginou o cumprimento. O pensar, no entanto, é construído
predominantemente sobre seus desejos e moldado de acordo com seus
conceitos inteiramente pessoais, os quais ele sempre quer considerar
como acertados.
Todavia, freqüentemente o momento assim imaginado passa, sem
que surja o cumprimento! Tratando-se de um ser humano de boa
índole, então se perguntará, meneando a cabeça, perplexo, talvez
resignado, como isso é possível, visto acreditar firmemente no que foi
dito, e tudo o que um sábio diz, tem de se realizar, se realmente for tão
sabedor.
Entrará em conflito consigo mesmo e talvez se console com a idéia
de esperar por enquanto, a fim de ver o que ainda acontecerá. Em todo
o caso, a primeira conseqüência será um esfriamento de sua fé, que
ficará abalada, se não for capaz de encontrar um motivo que lhe
possibilite refazer-se da decepção.
Tratando-se, porém, de um ser humano de má índole, passará a
escarnecer e a investir contra tudo o que se relacione com esse sábio,
que o decepcionou e, naturalmente, também contra o mesmo
pessoalmente. Envolverá inclusive a minha Mensagem, mesmo que isso
demonstre que ele jamais a compreendeu ou que ele não é capaz de
depositar confiança em sua própria convicção, em suma, que ele
próprio, espiritualmente, nada é, permanecendo sujeito a todas as
oscilações das exterioridades terrenas. Trata-se do joio, com o qual tal
pessoa se identifica.
Já não se lembra mais de que possuíra anteriormente a convicção
da Verdade da minha Mensagem, cujos valores pudera intuir em seu
redor e dentro de si. Com isso, coloca a Mensagem também de lado,
embora ela muito lhe tenha proporcionado.
Tentará insuflar dúvidas em todos os seus semelhantes. Deixará de
mencionar aquilo que ele próprio reconhecera como sendo bom e que,
talvez, também haja experimentado pessoalmente, tentando até
mesmo torcer ao contrário. Ser humano algum se lembra de
primeiramente observar a si mesmo, pesquisando de modo acertado e
analisador, se os motivos da não-realização do que foi dito não
estariam nele mesmo e em sua atuação.
Justamente isso, porém, seria o mais acertado! Pois toda a não-
realização é sempre culpa daquele assim tão decepcionado.
Ele poderá, sim, já na hora seguinte à entrevista, transformar-se,
tornando impossíveis os cumprimentos. Tão logo ele próprio não seja
capaz de alcançar o que lhe aguarda no caminho, portanto, o que lhe
está previsto, não poderá haver cumprimento integral. Ao invés disso,
aguarda-o outra vivência, pois a vivência em si surgirá infalivelmente,
alterando-se aí somente as formas, devido ao próprio comportamento.
Assim pode surgir sofrimento em vez de alegria; ou o sofrimento
transformar-se em alegria; ambos, porém, trar-lhe-ão a vivência
prevista para o seu espírito.
Os bem determinados marcos da peregrinação terrena cumprem-se
para cada espírito. A sua aparência externa, no entanto, os motivos que
lhe dão origem, orientam-se e modificam-se de acordo com a vida
interior da pessoa em questão.
O peregrino terreno, contudo, atenta aí apenas para todas as
exterioridades, para a forma, a qual fica sujeita a alterações! E por esta
razão cria para si decepções e dúvidas.
Imaginai o seguinte quadro: uma pessoa caminha por uma estrada
que a conduzirá a Viena, contanto que mantenha sempre a mesma
direção.
Se ela perguntasse a alguém que conheça exatamente a região:
“Onde chegarei nesta minha caminhada?”
O indagado, então, evidentemente, teria de responder: “A Viena!”
Poderá, também, mencionar algumas das cidades intermediárias
que o peregrino irá encontrar.
Se o peregrino, no entanto, por um motivo qualquer, mudar de
direção, antes de atingir algum dos lugares citados, não chegará a
Viena, mas sim a outro lugar qualquer, apesar da verdade do que lhe
fora dito. Talvez chegue a Paris, a Zurique ou a Roma.
Tão logo se desvie da estrada, com a menor alteração modificar-se-
á também o destino e com isso os cumprimentos em sua forma
original, assim como estavam previstos na primeira direção do
caminho. Ele, no entanto, não tem nenhum motivo para considerar
aquele que lhe deu a informação um ignorante ou até uma pessoa que
procura propositalmente aparentar saber. —
Tão simples como o acontecimento que aí está, assim também
ocorre com cada peregrinação do ser humano através de sua existência
terrena.
Se um ser humano perguntar para onde o conduzirá seu caminho,
então um sábio bem poderá dizer quais os pontos que deparará, isto é,
aqueles que terá de deparar no caminho em que se encontra no
momento da pergunta!
Outra coisa jamais poderá ser dada a um ser humano. A informação
só poderá ser dada sempre conforme a respectiva posição e a
respectiva direção do indagador, visto que este, como todos sabem pela
Mensagem, conserva sempre seu livre-arbítrio para as próprias
decisões. Ele poderá, pois, poucos minutos após a pergunta, desviar-se
interiormente, o que imediatamente, de modo automático, também
terá de alterar o caminho e seu destino.
Se alguém dirigiu, primeiramente, seus passos para Viena e,
subitamente, toma a direção de Roma, naturalmente chegará a Roma e
não a Viena.
Com os caminhos espirituais ocorre exatamente o mesmo. E estes
têm seus efeitos também na matéria grosseira! Pois são determinantes
para isso.
Eu disse, muitas vezes, que nem mesmo um Filho de Deus pode
obrigar um ser humano a tornar-se bem-aventurado, visto que o livre-
arbítrio de cada espírito humano, com relação às suas decisões, não
será suprimido.
Alguns se têm por especialmente grandes em sua fé, quando
pensam que seu caminho terreno possa ser visto por mim
perfeitamente, que então, aquilo que eu lhe disser a respeito, em
resposta à sua pergunta, também deverá vir impreterivelmente para
ele. E alguns seres humanos, por sua vez, mostram-se também tão
indescritivelmente pequenos em sua suposição de que, quando algo
daquilo não se realizar, então eu não poderia ser, na sua opinião, um
enviado de Deus.
Em ambos os casos mostra-se apenas o desconhecimento, daquele
que assim pensa, sobre a atividade na Criação de acordo com as
sagradas leis de Deus, que constantemente estão em movimento e que
absorvem imediatamente cada vontade de um ser humano, para atá-lo
ao seu efeito.
Até mesmo no Juízo não é possível prever com exatidão como esse
sagrado acontecimento se cumprirá em cada um individualmente.
Também nisso existe movimento até o último instante. Muitos que já
são considerados como perdidos, poderão ser salvos, e outros que se
julgam firmes, ainda poderão tombar.
A hora de cada ser humano está exatamente determinada, a espécie
dos efeitos, porém, orienta-se de acordo com seu modo de ser no
momento do Juízo. A espécie manifesta-se pelo efeito retroativo,
conforme a vontade de seu espírito com tudo o que ainda pende nele.
Quem, porém, pecou novamente contra o Espírito do Senhor, para
este já foi pronunciada a sentença e esta já impele para seu
cumprimento, de modo que para ele a salvação não é mais possível.
Enquanto ainda estou pronunciando estas palavras, já sei que elas,
novamente, só serão assimiladas limitadamente pelos seres humanos,
e que o assimilado por eles, igualmente, logo será comprimido numa
forma rígida. Com isso é tirada do que foi dito, sem mais nem menos,
novamente toda a mobilidade, e a Verdade que acaba de ser
presenteada é rapidamente torcida pelo pensar rígido, ainda antes que
possa trazer-vos vida.
Assim acontece com todas as minhas palavras. Os seres humanos
não as assimilam como eu quero! E o saber disso ocasiona fadiga. Ainda
que eu me decidisse a explicar, repetidamente, o que já foi dito, não
seria, em última análise, suficiente; tornar-se-ia um ter de explicar sem
fim, uma vez que os seres humanos criam sempre de novo algum ponto
não esclarecido para o seu pensar mesquinho. —
Apesar de atado a todas as conseqüências das decisões de sua livre
vontade, o ser humano ainda possui suficientes possibilidades de
movimento nos caminhos de suas peregrinações vivenciais na Criação,
portanto também na Terra. O Como, Onde e Quando, com todos os seus
efeitos, encontram-se na minha Mensagem, que não pode ser
interpretada erroneamente em seu feitio, desde que o ser humano se
esforce por perscrutar direito minhas palavras, aceitando-as assim
como foram dadas por mim.
Quando possuís a Mensagem diante de vós, então tendes de
procurar aprofundar-vos nas minhas palavras, observando exatamente
a disposição das frases e das palavras, pois esta conduz vosso espírito!
Emprego vosso idioma no seu verdadeiro sentido, assim como ele tem
de ser empregado, a fim de torná-lo vivo e não como o raciocínio
torcido o define como certo e belo!
Sabeis que cada nome de uma pessoa abrange ela própria. O ser
humano é aquilo que o seu nome diz, não sendo apenas chamado
assim. O nome, porém, também é uma palavra. E assim como este vive
e age realmente, assim também vive e atua cada palavra de vosso
idioma por si mesma!
Isto, porém, todos os seres humanos torceram, do mesmo modo
que o seu raciocínio. Por essa razão, em primeiro lugar, vós tendes de
colocar completamente de lado essas brincadeiras nocivas do
raciocínio, quando da leitura de minha Palavra viva! Não deveis, aí,
procurar pensar de acordo com aquelas formas que estabelecestes ou
que outros tentam, sempre de novo, estabelecer para vós, mas sim
tendes de obrigar-vos a deixar que a espécie de minhas palavras e
também a espécie da composição de minhas palavras atuem sobre vós
ininfluenciadamente, intuindo-as também de modo correspondente!
Vivenciareis milagres ao fazê-lo, se agirdes com seriedade, pois a
espécie das minhas frases vos dá conceitos totalmente diferentes,
imagens totalmente diferentes, do que vos dariam as mesmas palavras,
se fossem compostas segundo a vossa espécie.
Esse esforço, até agora, ainda não fizestes! Ainda não aceitastes o
que se tornou novo na minha maneira de falar, mas sim continuais a
pensar de acordo com as vossas bases usuais de raciocínio, que nos
últimos anos, e já muitas vezes, sofreram modificações; sim, vós as
empregais até mesmo na leitura das minhas palavras.
O idioma traz, na realidade, tanta vida própria em si, como também
cada palavra isolada, de modo que ele não pode ser modificado
futilmente, sem enfraquecer os efeitos! Terei de ensinar-vos primeiro a
compreender e a empregar acertadamente vosso próprio idioma, visto
que também nisso fostes desviados pelos sofismas intelectivos.
Intuitivamente tornastes a encontrar o termo bem acertado para
expressar o que os esforços de vosso raciocínio quiseram criar até
agora, quando dizeis que sua finalidade consiste em tornar o idioma
mais fluente, mais corrente, a fim de que possa ser lido mais
rapidamente e com maior facilidade.
Com o tornar fluente, porém, processa-se uma diluição! Tornar o
idioma mais fluente, por intermédio dos esforços de vosso raciocínio,
nada mais é que uma diluição do idioma, com o que também sua força,
seu vigor, será enfraquecido, ou se perderá totalmente.
A possibilidade de uma leitura mais rápida e mais fácil, porém, diz
respeito unicamente ao raciocínio, para que este tenha maior
comodidade.
Em tudo reside apenas o impulso para a superficialidade, que de
maneira tão deplorável caracteriza a época atual, como coroação dos
esforços de vosso raciocínio desde milênios!
A intuição, vosso espírito, fala de maneira diferente, isso podeis
notar também em cada sentença que vos é transmitida da Luz. Já
recebestes tanto disso, porém nada aprendestes.
Olhai para mim e orientai-vos por mim! Assim foi o meu chamado
desde o início. Eu vos trago o Novo; pois tudo deve se tornar novo de
acordo com a sagrada vontade de Deus, também o emprego da fala, que
não pode ser urdida para conversa superficial!
Como, no entanto, a espécie correta do idioma se apresenta
estranha, muitas pessoas se chocam com isso. Uns consideram-na
demasiado simples, outros, talvez, confusa ou até desajeitada e
erradamente empregada, e outras coisas mais, quando, na verdade, ela
vos renova a exatidão de como tem de ser utilizada de fato, para que
possa viver e falar-vos de modo vivo, para que seja capaz de tocar e
abrir vossas almas, e não apenas lisonjear as fraquezas de vosso
raciocínio superficial! Para que vibre no ritmo sagrado das leis eternas!
Aprofundai-vos, portanto, na espécie do idioma, mas com vosso
espírito, que exige muito mais. Dai-vos ao trabalho de compreender,
primeiramente, a mim, na Palavra!
Quando tiverdes compreendido as palavras de minha Mensagem,
em todos os seus valores, então conhecereis também todas as leis
automaticamente atuantes da Criação. Então para vós não haverá mais
nenhuma decepção; pois vós mesmos vos tornareis sábios!
10. O poder do idioma
Quão importante e significativa também é a palavra humana no
tecer desta Criação, no reino dos planos de matéria grosseira, já dei a
conhecer.
Contudo, não foi compreendido quão longe vai a influência no
formar e quão nociva pode tornar-se a negligência. Não é somente a
palavra isolada em si que atua fortemente, influenciando e formando
em vosso ambiente, mas também a maneira pela qual colocais e ligais
as palavras e como vos esforçais em pronunciá-las.
Portanto, a própria maneira de falar atua fortemente sobre o vosso
ambiente. Vós sabeis que tudo emana da Palavra! No começo era o
Verbo! Isso já indiquei. E mesmo que nessa sentença se tenha feito
referência à Palavra de Deus, que encerra sacrossantas forças
criadoras, mesmo assim vibra na palavra humana, que propriamente
só surgiu com o ser humano por intermédio da Palavra de Deus, uma
força, embora não criadora, mas de certa capacidade formadora, que
alcança até a parte fina da matéria grosseira, e de lá, então, atua
retroativamente sobre a grossa materialidade.
Por essa razão, aprendei a observar mais cuidadosamente a vossa
maneira de falar! Colocai vossas palavras de tal modo, que vibrem
corretamente na lei da Criação, permanecendo, portanto, em harmonia.
O ritmo uniforme de todo o circular da Criação tem de soar em vossas
sentenças, se quiserdes desenvolver o falar até aquele poder que dessa
maneira vos foi dado por Deus!
Quero ajudar-vos a reconhecer o perigo da negligência, a fim de que
possais cumprir fielmente comigo o mandamento do Senhor, que vale
para os dias do Juízo e que há muito já é conhecido de vós nestas
palavras: “Tudo tem de se tornar novo!”
Tudo, não só alguma coisa! E como só o errado precisa tornar-se
novo, indicam estas palavras, de modo claro e nítido, que atualmente
tudo, sem exceção, está errado, pois do contrário não precisaria tornar-
se novo. Tudo! Esta não é uma palavra que, neste caso, deva ser
considerada como palavra cotidiana, mas sim é um mandamento de
Deus, que precisa ser acolhido no seu sentido integral, sem restrições;
senão não teria sido utilizado para isso.
E é isto que ainda não quisestes compreender direito em toda a sua
seriedade, sobre o que ainda refletis de modo demasiado superficial.
Disto, sem exceção, sofre vossa grande vontade, e tão-somente isto vos
impede de dar aquele passo imprescindível, sem o qual vós nunca
poderíeis cumprir nem mesmo uma parte da missão terrena futura,
sem a qual vosso desenvolvimento não pode ser completado.
Este passo, tão decisivo para tudo, é: abandonar tudo, mas tudo
mesmo, e não tentar levar algo disso para o novo ou misturá-lo com o
que é novo! Cada tentativa de absorver o novo e de torná-lo vivo
dentro de vós é, desde o início, inútil e em vão, se ainda quiserdes
deixar aderido a vós uma partícula de pó do velho. Seja em vossos
conceitos ou em vossa capacidade, em vossa aquisição de
conhecimentos ou em vossas opiniões. O novo somente aproximar-se-á
de vós quando tudo o que é velho estiver rechaçado.
Ajustar-vos com toda a força a esse novo, isso é vosso próximo,
mais necessário dever! Perguntareis o quê é o novo, com a observação
de que vós, de bom grado, estaríeis dispostos a ajustar-vos, se antes ao
menos pudésseis reconhecê-lo claramente!
Eu, no entanto, vos digo: vós sabeis muita coisa nova, apesar disso,
insistis obstinadamente em agarrar-vos ao velho e, em muitos casos,
ofereceis a mão ao novo apenas de modo relutante! Ou expressemo-nos
de modo mais brando: vós vos aproximais do novo com resistência
interior. Muita, muita coisa poderia enumerar-vos. Seja agora o
conceito de família em sua forma antiga, seja o pendão pela moda, que
em circunstância nenhuma quereis deixar totalmente de lado, ou...
bem, é praticamente tudo em que ainda mantendes ligado algo do
velho com o novo, também na melhor vontade para a aceitação do
novo.
E assim como nisso, ocorre ainda em mil outras coisas consideradas
secundárias e que, no entanto, mostrar-se-ão incisivas em severidade
inimaginada. Por isso, nunca considereis algo insignificante demais,
isso poderia trazer inesperadamente as piores decepções como
conseqüência!
Mas estas exterioridades, apenas em segundo plano, pois, pelo
menos podem ser facilmente modificadas; mesmo se dificultam agora
em muitos casos o alegre desenvolvimento ascendente. O prejudicial,
porém, são os velhos conceitos, que de mil maneiras encontram-se
dentro dos seres humanos, também ainda em vós que, como os
primeiros, deveis tornar-vos novos entre todos os seres humanos.
E sempre de novo seguis nisso o caminho errado, o caminho que
nunca poderá conduzir ao alvo!
Sim, vós sabeis muita coisa nova, que talvez vos pareça pequena e
que, apesar disso, é de importância incisiva; no entanto, nesse novo,
procurais sempre de novo introduzir algo velho em auto-ilusão
deplorável e com lastimáveis autodesculpas! Isso, porém, vos obstrui o
mais importante de todos os passos que podem levar-vos ao êxito, o
primeiro passo, desembaraçar-se corajosamente do velho, destroçar
todas as velhas formas, impiedosamente contra vós próprios, para
então poder assimilar o novo!
Jamais conseguireis introduzir algo do novo, mesmo em parte
mínima, numa das formas antigas, na ilusão de que com isso se torne
nova!
Vós não podeis, de modo algum, reconhecer direito e muito menos
compreender o novo, antes de ter deixado primeiramente todo o velho
completamente destroçado para trás. Esta é a condição básica para o
tornar-se novo para cada um individualmente e condição básica para
toda a humanidade.
Somente após completa destruição de velhos conceitos, os quais
todos estavam errados, pode surgir um verdadeiro reconhecimento e
compreensão do novo e certo, oferecido por Deus!
Justamente nisso não existem transições, nenhuma condução para
fora, mas tem que ser um ressuscitar na onipotência da Criação de
Deus, um reviver totalmente novo, mas que não pode ser transformado
a partir de algo velho, com o que tanta coisa errada seria capaz de
desenvolver-se com nova força, como erva daninha.
Compreendei, primeiramente, isto como o mais importante para vós
e procurai cumpri-lo integralmente; então, e não antes, poderá o novo
surgir em vós próprios! Só então podereis compreendê-lo, e não mais
correreis perigo de recair no que é velho.
Quero tentar ajudar-vos, pois vejo que embora não vos falte grande
vontade e afinco para assimilar o novo, ainda não podeis, no entanto,
decidir-vos a realmente abandonar de maneira completa esse velho,
mesmo correndo o risco de serdes considerados pelo próximo,
inicialmente, como esquisitos em vossas concepções.
E esse receio, que não quereis confessar, existe em muitos casos.
Tão-somente ele vos faz muitas vezes hesitar em cumprir a minha
Palavra! Poderíeis cair demasiadamente na vista é o que pensais com
relação a uma ou outra coisa, e encontrais toda a sorte de objeções
diante de vós mesmos, como desculpa consoladora para o fato de não
cumprirdes tão integralmente a minha Palavra e a minha exigência
como seria necessário para a sagrada vitória da Luz aqui na Terra!
Por consideração a pessoas e a outras contingências incômodas,
restringis vossos limites de cumprimento, sem pensar que deixa de ser
cumprimento, se faltar uma pequena parte que seja no todo!
Jamais vos tornareis objeto de escárnio dos seres humanos, se
cumprirdes integralmente o que é exigido pela Luz! Mas vós
sucumbireis com os seres humanos e com vossos erros, se quiserdes
levá-los em consideração.
Deveis, pois, preceder, de maneira modelar, a todos os seres
humanos! Não deveis esperar até que o velho caia por si, para então
vos associardes, de boa vontade, a tudo o que é novo; pelo contrário,
tendes de iniciar já agora o processo em vós!
E para tanto deveis chamar a atenção; é desejado que todos falem
de vós!
Não fora isso, diferença alguma existiria. A ausência dessa visível
diferença, porém, seja no modo de vestir-se, na forma de atuar ou na
vossa maneira de ser, poderia mostrar-vos que, tal como os outros,
permaneceis ainda no velho e errado, e que até agora não conseguistes
sobressair nisso!
No entanto, se vós agis dessa forma, o que quereis esperar então de
outros, que na Terra devem encontrar-se mais afastados da Luz e que
também não receberam a força que foi dada a vós!
Com a minha ajuda deveis começar agora! Para tanto quero
levantar véu após véu dos mistérios da atuação das leis divinas na
Criação, as quais, apesar das repetidas indicações, aparentemente
ainda não são suficientemente compreensíveis para vós, pois atribuís
muito pouco valor a isso. Assimilai hoje minha indicação referente à
palavra humana, com a qual desenvolvestes, pouco a pouco, vossos
idiomas!
A palavra formou-se na lei e por esse motivo possui em si muito
maior significação do que ousais supor. Por essa razão já mostrei os
perigos do tagarelar leviano ou de conversas injuriosas e vos citei os
frutos que têm de crescer de tal proceder, nos efeitos das leis
primordiais da Criação, tanto para a pessoa isoladamente como para os
povos e as raças.
Mas essa influência, de cada palavra, se estende muito mais longe,
até nos detalhes aparentemente ínfimos. Por isso somente alcançará
um ponto culminante, duradouro, aquele povo que vibrar com seu
idioma no ritmo das leis divinas da Criação! E também só será
duradouro, se o idioma desse povo permanecer sempre nessa situação,
não se deixando desvirtuar por artifícios ou por artimanhas do
raciocínio.
Pressentis, talvez já agora, o quanto nesse sentido já foi
transgredido, quantos obstáculos já surgiram no círculo evolutivo de
muitos povos, unicamente por essa razão.
O desenvolvimento progressivo dos sons de expressão até o idioma
processou-se, a princípio, de forma mais ou menos uniforme, vibrando
nas leis da natureza.
Estava e permaneceu tudo em ordem, até que também aí se
intrometeu o raciocínio, deslocando e impedindo totalmente a vibração
pura.
Não deveis, porém, pensar sobre isso de modo demasiado
superficial! Os povos mais primitivos, dotados de poucos sons de
expressão, são capazes de vibrar de forma muito mais harmoniosa nas
leis, do que os mais inteligentes povos, com sua maneira afetada de
manter conversação ou de exprimir sua opinião.
A quantidade de formas de expressão em si não importa, mas sim a
maneira de utilização e a composição; a seqüência das palavras
isoladas é que produz o vibrar certo ou errado, acarretando as suas
conseqüências. Isto, porém, está agora igualmente torcido e por essa
razão errado, como tudo quanto o espírito humano formou para si nos
últimos tempos.
Não podeis, porém, aprender uma diferenciação nisto, apenas
podeis intuí-la! Só podereis, pois, consegui-lo, quando tiverdes
despertado novamente a vossa intuição, deixando-a reinar livremente
em vós mesmos!
Quero dar-vos, porém, uma indicação, que podeis usar como
norma. Já há séculos foi preparada aqui na Terra pela Luz a vinda do
Filho do Homem, em tudo quanto era necessário para a sua missão de
trazer auxílio.
Assim também o idioma, que Ele necessitava para a Mensagem
proveniente da Luz, para torná-la acessível, em clareza terrena, a esta
humanidade terrena.
Tinha de ser preparado para isso um idioma na Terra, que vibrasse
do modo mais puro possível nas leis primordiais da Criação, e cujo
modo de expressão não pudesse mais tarde novamente ser torcido, a
fim de que a Mensagem permanecesse pura para sempre!
Para esta finalidade o idioma alemão foi conduzido
cuidadosamente, já há séculos, a uma perfeição, que se ligava com o
vibrar uniforme desta Criação e, desse modo, é capaz de acolher a força
da Luz com a maior intensidade e também a retransmite sem turvação.
É por este motivo que a Mensagem proveniente da Luz foi firmada
no idioma alemão, pois outro idioma nem poderia reproduzi-la com
essa clareza e nitidez, sem restrições, até o ponto em que é possível
comprimir a Palavra viva numa forma de matéria grosseira!
O idioma alemão, devido aos preparos realizados durante séculos,
por muitos especialmente escolhidos e agraciados para tal finalidade,
deu ao menos a possibilidade para que agora o portador da Palavra viva
de Deus pudesse utilizar esse idioma, a fim de cumprir também nisso
sua missão aqui na Terra.
Por essa razão, o idioma alemão da minha Mensagem é, na
colocação das frases e das palavras, o único modo de expressão
exemplar para todo o futuro, por vibrar de modo puro nas leis da
Criação!
Ele pode e deve servir um dia, em sua forma e modo de expressão,
como diretriz ao idioma alemão, em amadurecimento para o seu ponto
culminante, que terá de ser empregado pelo futuro povo-guia aqui
sobre a Terra, por encerrar apenas nesta, e em nenhuma outra forma, a
máxima capacidade construtiva e conservadora, recebendo todas as
poderosas ajudas do tecer da Criação!
Procurai, pois, compreender o que isto significa. O idioma nesta
forma haure as maiores forças e atua dessa maneira moldando e
formando o vosso ambiente, e, antes de tudo, forma da maneira certa,
como quer o Criador, o que é sempre e somente para vosso máximo
proveito, para a paz e para a felicidade.
Se torcerdes novamente esta forma do idioma, ele não mais haurirá
aquela intensidade de todas as forças e forma, também, por sua vez,
apenas ainda as coisas igualmente torcidas.
Por isso, esforçai-vos por compreender direito o idioma e empregá-
lo seguindo vossa intuição, vibrando de modo natural em tudo o que
pensardes ou formardes no falar. Com isto atuareis beneficiadoramente
na matéria, pois formas puras só podem ser moldadas com idioma
puro!
Essa forma pura no vibrar da Criação vos é dada exemplarmente
pela Mensagem! Conservai-a para a humanidade e guardai-a fielmente,
não permitais que vo-la retorçam e procurai tornar a sua forma vossa
propriedade; então, através da vida exemplar, agireis com sucesso na
Terra, para o bem de todos os povos!
Com isto já se vos torna claro que dialetos de um idioma são
errados e só poderão trazer prejuízos, porque falta a pureza desse
idioma, a qual, como em toda a parte, só pode mostrar-se na perfeição.
O motivo de cada dialeto ou é negligência, que rebaixou a pureza
original do idioma devido a um desleixo, ou foi a estagnação em um
dos degraus naturais e imprescindíveis do desenvolvimento do idioma
em questão, uma falta de progresso, uma oposição à lei do contínuo
desenvolvimento para o auge da pureza em tudo, portanto também no
idioma.
Ambas as possibilidades são condenáveis e dirigidas contra a lei
primordial da Criação, assim também a manutenção e o cultivo dos
dialetos, seja por afeiçoado apreço, ou... por hábito indolente. Tudo
nisso está errado, não importando quais os motivos! E como o errado
nunca é capaz de algo construtivo, podendo, pelo contrário, trazer
somente prejuízos ou pelo menos obstruções, que em si também já
constituem prejuízo, deverá, pouco a pouco, ser evitado, a fim de que o
ser humano no futuro só produza coisas proveitosas para a Criação,
não sendo mais nocivo.
Portanto, também o cultivo de um dialeto constitui uma
manutenção do imperfeito, que, por sua vez, apenas pode moldar
coisas imperfeitas. E ele molda, forma em qualquer caso, não
importando se vos decidistes a cultivar os dialetos impensadamente ou
conscientemente, propositalmente, ele forma com ou sem vossa
vontade. E como só pode formar coisas imperfeitas, de acordo com a
própria espécie, logo os dialetos são nocivos, jamais úteis!
Refleti, pois, o que fazeis com isso e orientai-vos de acordo. Os
efeitos podem tornar-se devastadores.
Diz-se freqüentemente que os idiomas se coadunam estreitamente
com a maneira de ser das pessoas, o que é correto. E isso não se
constata apenas em nações diferentes, mas também no próprio povo
alemão em todos os seus dialetos, nas diversas maneiras de falar de um
idioma uniforme!
Contudo, não é bem assim, que a maneira de ser das pessoas forme
essa maneira de falar; pelo contrário, é a maneira de falar que molda as
pessoas! O poder de formação e de moldagem reside somente na
palavra, no idioma ou, mais incisivamente expresso, na respectiva
maneira de falar das pessoas! As características tão marcantes e tão
destacadas de diversos grupos humanos com dialetos diferentes
surgiram originariamente dos dialetos; por intermédio destes, os
grupos humanos se desenvolveram com o tempo, chegando às suas
características, não, porém, de maneira contrária.
Um dialeto pesado moldará seres humanos pesados, um dialeto
agradável, que aliás nem existe, visto que somente um idioma perfeito
pode ser realmente agradável, jamais poderá moldar seres humanos
pesados e toscos, enquanto que uma maneira de falar superficial
também produzirá seres humanos superficiais.
Assim, cada ser humano que quiser aprender algo disso, pode
observar facilmente e com exatidão, até às minúcias. Reconhecereis
rapidamente quão imprevisível é, em sua força, cada efeito do emprego
de vossas palavras humanas sobre toda a matéria, principalmente no
efeito retroativo sobre vosso ambiente mais próximo.
Contudo, não somente na grossa materialidade podeis constatar as
conseqüências, mas sim sereis capazes de reconhecer em breve
também correntezas terrenamente invisíveis. Quando vosso falar
estiver em inteira harmonia com o vibrar da Criação, com o tempo a
harmonia far-se-á valer em torno de vós, beleza e graça surgirão e
florescerão.
A maior beleza e a mais apurada graça, porém, serão
imediatamente feridas pelo emprego de dialetos ou por pronúncia
imperfeita, em todo caso, faltará nisso a pureza e isso se torna
perceptível!
As explicações tornar-se-iam sem fim, se eu quisesse falar mais
pormenorizadamente sobre isso, porém as breves referências
certamente bastarão para vós, a fim de agora poderdes continuar a
progredir pessoalmente na observação, na pesquisa e no
reconhecimento. Encontrareis por toda a parte confirmação nas
vivências.
Mas não existe quase nada em que não procurais introduzir
novamente, com satisfação, coisas velhas em todas as coisas novas que
já vos dei! Principalmente nos pequenos desejos, a respeito dos quais
tantas vezes já vos aconselhei.
Também nisto tornais sempre a ignorar o que já disse tantas vezes:
que nas coisas pequenas e simples reside a verdadeira grandeza!
E como procurais manter com grande tenacidade muitas coisas
pequenas e simples nos velhos conceitos, talvez irrefletidamente,
dirigindo o olhar somente para o que é grande e distante, jamais
podereis efetuar o verdadeiro começo para o que é grande ou para o
que se vos afigura tão grande e que, no entanto, é apenas a
conseqüência de todas as coisas pequenas.
Por essa razão, esforçai-vos agora, primeiramente, por encontrar os
erros básicos de tudo quanto é torto e afastá-los em primeiro lugar,
derrubá-los, destruir neles tudo quanto é velho, a fim de que então
possais compreender plenamente o novo, sem turvá-lo com os restos
provenientes do velho, que não pode existir mais, de acordo com o
sagrado mandamento de Deus!
Muitas vezes encontrareis no apenas aparente secundário e
pequeno as alavancas para as coisas máximas, o que é uma
conseqüência de toda a simplicidade das leis de Deus. Tornai-vos, por
isso, simples nas intuições, dessa forma logo obtereis clareza sobre
tudo e não mais podereis errar como até agora. No entanto, urge o
tempo para isso, se quiserdes cumprir na sacrossanta força de Deus,
pois sem simplicidade não podereis obtê-la e muito menos aproveitá-
la!
17. A chama do discípulo
Tanto em quadros antigos como em modernos encontram-se os
discípulos do Filho de Deus, Jesus, freqüentemente representados com
línguas de fogo sobre a cabeça, de modo que tal figura no quadro
assemelha-se a uma vela acesa, ardendo de maneira irrequieta.
Essa apresentação provém, em sua origem, de artistas que, ou
foram eles próprios clarividentes e retransmitiram, dessa forma,
imagens mostradas espiritualmente, ou então aproveitaram descrições
feitas por pessoas clarividentes.
Entre eles, porém, ainda existem outros que se basearam na
narração da efusão da força do Espírito Santo sobre os discípulos, onde
são feitas alusões a línguas de fogo.
Não obstante, a maioria dos seres humanos terrenos presume que
somente a fantasia do artista escolheu essa forma de representação.
Neste caso, porém, a representação chega bem próxima da verdade, até
o ponto em que ela se deixa compor em imagens.
De todos os artistas, porém, que criaram tais quadros, bem como de
todos os seres humanos que tomaram conhecimento deles ou que por
si mesmos formaram uma idéia parecida a respeito, nenhum sabe a
verdadeira conexão e a origem desse aparecimento da língua de fogo
sobre a cabeça. Pessoas clarividentes vêem-na, sim, mas não sabem
valer-se disso, pois jamais surgiu uma explicação entre os seres
humanos a esse respeito, que somente pode ser dada do alto.
Por essa razão quero hoje falar a respeito, porque os atuais
discípulos trazem a mesma chama sobre a cabeça, o que pode se tornar
claramente visível em certos momentos para muitas pessoas
clarividentes. Não para todas, pois o dom da vidência é distribuído de
modo diferente.
A consagração de discípulo liga os seres humanos escolhidos para
tal, da Criação posterior à Criação primordial. Isto acontece pelo fato
de ser doada aos espíritos humanos desenvolvidos uma centelha do
puro espiritual.
Essa centelha apresenta-se então qual língua de fogo sobre a
cabeça, contudo apenas quando ele utiliza essa centelha e não é
demasiado indolente para tal. Na utilização, ela brilha e atua de acordo
com a sua espécie. Ela continuará, no entanto, sempre por si, podendo
ser associada ou anexada ao espiritual, mas nunca absorvida por ele.
Assim como o puro espiritual na Criação vibra, segundo as leis, de
acordo com a sua espécie, acima do espiritual, da mesma forma está
acima do espírito do discípulo da Criação posterior, e assim
permanece, sem nele penetrar, pois o puro espiritual não é acaso um
espiritual mais refinado ou apenas mais forte, mas sim é de uma
espécie completamente diferente, autônoma, tendo por conseguinte
uma constituição completamente diversa do espiritual.
Uma anexação dessas duas espécies torna-se possível quando
existem as transições de acordo com as leis da Criação, nunca porém
uma fusão.
Essa é a razão pela qual a centelha puro espiritual se apresenta
acima do espírito humano, como língua de fogo.
Eu não quero contentar-me, porém, em explicar somente o
acontecimento reproduzido pelos pintores nos quadros, mas sim,
prosseguindo, mencionar também por que os discípulos recebem uma
centelha da Criação primordial, por que dela necessitam, pois sem
necessidade absoluta também não a receberiam.
Os discípulos devem se tornar mediadores entre o Filho de Deus
encarnado na Terra e os seres humanos terrenos. Eles devem divulgar
a Palavra divina, viver a vontade divina como exemplo, realizar
terrenamente como primeiros.
Para isso necessitam de uma capacidade de compreensão mais
ampla, apta a assimilar o elevado sentido da Palavra de Deus, isto é,
compreender o Filho de Deus.
Só para esse fim todos os discípulos recebem uma centelha do reino
puro espiritual, que os capacita a assimilar a Mensagem proveniente da
Luz de maneira mais elevada do que o espírito do ser humano terreno
desenvolvido, porque eles, mediante a centelha, podem aproximar-se
um pequeno passo do divino, são elevados espiritualmente da Criação
posterior para um reconhecimento melhor.
De outra forma, demasiado grande é o abismo entre um Filho de
Deus e os seres humanos terrenos, demasiadamente profunda a queda
já ocorrida até agora da humanidade na Terra, de modo que a
assimilação da força da Palavra proveniente da Luz tornar-se-ia
totalmente impossível para a humanidade, sem a mediação dos
discípulos.
A centelha do puro espiritual, que os discípulos recebem como
dádiva pela graça proveniente da Luz, capacita-os não apenas para
uma compreensão mais fácil e mais ampla, mas também para uma
recepção de força superior.
Essa força que os discípulos se tornam capazes de absorver, teria de
passar inaproveitada pelos seres humanos terrenos, porque estes não
estão em condições de abrir-se para tal, se antes ela não for tornada
acessível a sua espécie espiritual.
Realizar isso é incumbência dos discípulos!
Uma transformação da força pelos discípulos, para a retransmissão,
nem entra em consideração, visto que uma transformação da força, em
si, é absolutamente impossível. A força permanece sempre exatamente
a mesma, apenas a irradiação da espécie correspondente, incandescida
pela força, é também diferente na diversidade de espécies, podendo,
por isso, apartar-se em muitas divisões.
A força produz somente a pressão! O efeito da pressão, porém, é
determinado pela diversidade de resistência que as espécies oferecem
na Criação. Apenas as diferenciações de resistência provocam calor ou
frio, cores e sons, atrações ou repulsas, sob forma de movimentos, e
também gravidade ou leveza. Identicamente todas as variações nisso.
Só a resistência, portanto, provoca a expressão de todas as
particularidades! Essa palavra “expressão” mostra de fato o
acontecimento sob o aspecto certo, pois é pela força que as
propriedades de todas as espécies são realmente expressas, chegando,
portanto, à expressão pela pressão da força, são forçadas a se
manifestar.
Quanto mais ou menos acentuada for a resistência das espécies, de
modo correspondente apresentam-se, produzidos e expressos pela
pressão, as irradiações e seus efeitos, em suas características bem
definidas que aí se desenvolvem.
Imaginai-o assim: a força viva é! Somente, porém, pela resistência é
que ela se torna sentida e perceptível, a qual também provoca e gera a
pressão, bem como faz com que esta se torne mais forte ou mais fraca.
E na pressão nasce tudo o que se vê, ela é a base de cada formação
na Criação, que tem de colocar-se em torno da Cruz isósceles e vibrar
na mesma, visto que essa Cruz é a força viva que sempre permanece
numa vibração equilibrada, positiva e negativa. A vibração positiva
vertical, a vibração negativa em sentido horizontal.
Isto, hoje, porém, só de passagem. Voltemos a observar os
discípulos, que trazem uma língua de fogo do puro espiritual sobre a
cabeça.
Essa língua de fogo atua de duas maneiras, uma vez como um funil
para o espírito humano, debaixo dela, e outra vez como uma antena. Eu
descrevo assim duas espécies de recepção. O funil representa a imagem
da recepção passiva, negativa, enquanto a antena reflete a recepção
ativa ou positiva. No funil há necessidade de derramar dentro,
enquanto a antena, por si só, segura firme aquilo pelo qual, de uma
maneira bem determinada, é atingida.
O funil recebe a Palavra como forma e a antena a recebe como
irradiação de força.
O efeito sobre o discípulo agora é o seguinte:
Apesar de ser ligada, a chama conserva sua espécie individual,
assim como também o espírito humano terreno mantém, sem
modificações, a espécie própria que lhe compete.
Contudo, o que a chama sobre a cabeça do discípulo é capaz de
absorver, ecoa vibrando no espírito humano e este retransmite então
aos seres humanos terrenos aquilo que, no co-vibrar, intuiu! Transmite
de acordo com a espécie dos seres humanos terrenos, porque pela lei
da Criação não lhe é possível de outra forma e, por isso, os seres
humanos terrenos também podem compreendê-lo devido à igualdade
de espécie de seu espírito! Assim, aparentemente é como uma
transformação da força da Palavra e da espécie, porque o discípulo
retransmite diferentemente do que é capaz de receber. Seu espírito,
porém, nada recebeu diretamente, mas sim apenas pôde intuir no
vibrar da recepção da chama sobre ele, aquilo que a chama captou.
Sem essa chama, de intuição mais delicada, o espírito humano do
discípulo não poderia perceber mais do que outras criaturas humanas.
O espírito humano do discípulo, no entanto, só pode intuir
conforme sua própria espécie peculiar; absorve, por isso, já na intuição,
de acordo com essa espécie peculiar, a qual então retransmite da forma
como ele mesmo intuiu, dentro de sua espécie igual à dos seres
humanos terrenos.
Não se trata, pois, na realidade, de nenhuma transformação da
força, mas sim um discípulo pode, por intermédio da chama que lhe foi
proporcionada, intuir muito mais do que os seres humanos terrenos, já
que a chama se assemelha a uma antena capaz de intermediar maiores
distâncias, concedendo-lhe, parcialmente, a capacidade de recepção
das vibrações do puro espiritual.
Suponho ter-me expressado com suficiente clareza, a fim de
despertar em vossa capacidade de imaginação um quadro que se
assemelhe o mais possível ao acontecimento.
No entanto, deveis imaginar sempre de novo que uma espécie
determinada nunca pode, como tal, ser transformada. Ela pode receber,
pelo poder superior, algo que lhe possa ser anexado, porém esse
anexado sempre manterá a sua própria espécie individual. Só pode
resultar numa atuação conjunta, que tem de manter o caminho
exatamente de acordo com as leis da Criação, sem poder sair nem para
cima, nem para o lado.
Os discípulos recebem, portanto, essa língua de fogo puro espiritual
para uma melhor capacidade de absorção das palavras do Filho de
Deus na Terra, cujo sentido então retransmitem de acordo com a
espécie humano-terrenal, assim como, também, a força sagrada
contida na Palavra.
Isso acontece, portanto, para facilitar o cumprimento da missão do
Filho de Deus na Terra, ou, pode-se dizer também, para, de algum
modo, possibilitar a atuação de um Filho de Deus na Terra.
Com isso pode-se reconhecer a enorme importância que os
discípulos, em suas várias espécies, têm como pontes para a
humanidade, que não devem ser interrompidas, mas sim plenamente
cumpridas.
São pontes de espécies completamente diferentes, das quais a
humanidade precisa na sua composição, a fim de poder alcançar a
Palavra e a força correspondente. Por esse motivo também os
discípulos não são escolhidos uniformemente em suas características
pessoais, mas sim são completamente diferentes entre si. Diferentes
em educação e caráter, no saber terreno e na posição social, diferentes
mesmo na sua maturidade espiritual. Essas diferenças são necessárias,
pois proporcionam as pontes para os variados grupos, nos quais a
massa da humanidade se dividiu.
Cada discípulo assimila a Palavra e a força do Filho de Deus de
acordo com a própria espécie e as retransmite correspondentemente,
atingindo com isso aquele grupo da humanidade que tem igual espécie
com ele. O discípulo, porém, tem de aperfeiçoar essa sua espécie à
máxima madureza, a fim de constituir um exemplo para os de sua igual
espécie!
Com isso recebeis agora uma idéia da sabedoria de Deus, que em
amor abrange com a vista tudo quanto existe, sabendo auxiliar de
modo correspondente. Isto também vos esclarece muitas coisas que
vos faziam quebrar a cabeça, porque não podíeis explicar o motivo
para tal ou qual atuação.
Em cada discípulo, individualmente, vedes personificado e
representado um grupo bem definido de seres humanos terrenos.
Nenhum deles se iguala ao outro, tampouco se igualam completamente
os grandes grupos de seres humanos terrenos de igual espécie.
A totalidade do grupo dos discípulos, contudo, personificará
também toda a humanidade terrena... após o Juízo! Pois só então os
seres humanos poderão receber o auxílio certo através dos discípulos.
Só então serão baixadas as pontes levadiças, que hoje ainda têm de
permanecer suspensas.
Vale aí, porém, sempre apenas a criatura individual como tal, não
acaso como raça, como membro de uma nação ou até do produto
luciferiano de um raciocínio ávido de poder, que é chamado de
“partido” e que é um dos canais mais funestos da vontade luciferiana.
Perante Deus tal coisa não existe. Lá existe somente a criatura
como tal! E como a criatura individual é dentro de si mesma, assim vale
na Criação e perante Deus, não diferentemente!
Também não entra em cogitação aí, se uma criatura humana é
católica ou protestante, ou se pertence a qualquer confissão especial;
ela vale unicamente como ser humano por si. O pensar, o querer e o
atuar são determinantes perante as sagradas leis de Deus!
Os disfarces multicoloridos, com os quais o raciocínio procurou
envolver a alma na Terra, serão arrebatados com o Juízo de Deus, pois
estão pendurados apenas frouxamente. Aquilo, porém, que procurou
ocultar-se debaixo, isso será revelado agora pela irradiação da Luz!
Da escolha dos discípulos resulta o fato de que, para cada ser
humano na Terra, após o Juízo, também haverá um discípulo, que,
justamente de acordo com sua espécie, pode transmitir-lhe a Palavra e
a força, sendo que ninguém que procure e peça ficará sem ser atendido,
desde que se esforce em encontrar realmente a Palavra. Ele
imprescindivelmente receberá espiritualmente a ligação com aquele
discípulo que, em sua espécie, lhe é mais próximo e pode, também
terrenamente, encontrar-se com ele, se ele sinceramente o deseja, para
receber dele também a última coisa: o selamento!
Assim foi providenciado pela Luz. Hoje vedes apenas inícios disso e
por essa razão ainda não podeis formar um quadro completo; virá,
porém, o tempo em que ficareis admirados e vereis que já hoje estava
constituído precisamente todo o alicerce para isso e que só falta
colocar algumas pedras nos lugares ainda vazios por aqueles
discípulos, que ainda serão convocados, para terminar a magnífica
obra de mosaico, sobre a qual deverá fundamentar-se o grande Reino
de Paz do Milênio, que está prometido por Deus, e que só por Deus
pode ser criado, nunca pela espécie humana, mesmo que muitos seres
humanos se considerem escolhidos para tal.
Em todos estes casos a ausência do sucesso, no momento em que tal
ser humano julga tê-lo alcançado, provará que foi apenas um ser
humano que tentou alcançá-lo!
Tudo isto vivenciareis agora. Por essa razão olhai em redor de vós e
despertai, ó seres humanos! Rogai a Deus, com humildade pura, pelo
auxílio tão ardentemente almejado. Não confieis no raciocínio humano,
mesmo se ele vos prometer, com palavras altissonantes, um paraíso. Só
Deus, unicamente, vo-lo poderá dar e ninguém mais em toda a Criação!
Dirigi-vos a Ele, pois Sua Sagrada Palavra quer cumprir-se em vós!
Abdrushin
15. A Palavra viva (Pentecostes 1935)
Pentecostes! Há poucos dias apenas celebramos a solenidade que é o
verdadeiro Pentecostes, a solenidade da Pomba sagrada, da efusão da
sagrada força de Deus nesta Criação! É renovação, conservação e
saneamento!
Que esta festa poderá permanecer para vós na Terra também
futuramente, que esta Terra, junto com tantos outros astros não terá
que desaparecer, isso agradecerás somente ao grande amor de Deus,
que vos ajudou ainda no último momento, depois que pelo vosso
querer errado tudo já foi conduzido ao encontro do fim.
Ainda virá o tempo em que vós, seres humanos, compreendereis
que sacrifício era necessário para isso, a fim de arrancar-vos da
destruição certa. Hoje ainda não o podeis. Ainda não podeis
compreender, o que na verdade foi feito para vós pela Luz. Está muito
acima de toda a compreensão humana.
Podeis, no entanto, agradecer a Deus, o Senhor, por Sua
inconcebível bondade, que pode ser reconhecida diariamente, a cada
hora, em todo o vosso ser, contanto que desejeis com sinceridade! E
por isso toda a vossa vida deve tornar-se gratidão!
Gratidão, vossa vida inteira! Se tomardes estas palavras no sentido
comum, assim como os seres humanos as interpretam, o proferir
agradecimento, ininterruptamente, haveria de tornar-se cansativo,
pois o ser humano imagina com isto um rosário de orações de
agradecimento.
Assim, porém, não é desejado. A mais bela gratidão é pura alegria!
Se os seres humanos vivessem de acordo com a vontade de Deus em
suas peregrinações pela materialidade, não poderiam encontrar outra
coisa a não ser alegria! Que aí também exista tristeza é culpa exclusiva
dos seres humanos, pois a tristeza é estranha à Luz.
Os seres humanos criaram para si as trevas e com isso a tristeza,
emaranhando-se nisso com teimosa obstinação, de tal forma, que por
fim nem lhes foi mais possível encontrar os caminhos que poderiam
conduzi-los para fora.
A materialidade, sob a influência errada da vontade dos seres
humanos, tornou-se, não um paraíso, mas em vez disso um labirinto,
do qual nenhuma alma humana conseguiu sair. Aí multiplicaram-se os
erros, cujas conseqüências trouxeram um inaudito aumento da má
vontade, e todas as tentativas de boa vontade foram fortemente
agarradas no emaranhado de conceitos torcidos, sendo assim
impedidas de se desenvolver, terminando por fenecer brevemente.
Este era o aspecto, quando a vontade de Deus desceu para as
materialidades, a fim de proporcionar um derradeiro auxílio àqueles
que traziam anseio por isso.
Contudo, imaginastes tudo isto de modo demasiadamente
superficial, pois os seres humanos são muito esquisitos a este respeito.
Ou estão logo prontos para condenar tudo quanto é enviado por Deus,
em sua pretensão vaidosa de saber melhor, ou caem no extremo
oposto, esperando muitas vezes, como aqueles que crêem cegamente,
impossibilidades fantásticas, que se encontram fora das leis divinas da
Criação.
Por essa razão ficam muito decepcionados, tornam até facilmente a
cair na incredulidade, quando muitas coisas se desenrolam de forma
diferente do que eles supunham. Também nas suas decepções, das
quais são os próprios culpados, são capazes de se tornarem igualmente
exagerados como anteriormente em sua crença cega e, por essa razão,
nos inimigos mais ferrenhos de tudo aquilo que, conforme sua opinião,
os decepcionou. Nisso são capazes de atos inconcebíveis, ainda que
inteiramente destituídos de fundamento e pueris, nem sequer dignos
de um ser humano.
Não querem ter compreensão de um bem coordenado e bem
construído atuar na Criação, segundo a vontade de Deus, que é
inflexível; presumem, ao contrário, que Deus possa anular ou modificar
aí, arbitrariamente, a qualquer momento, as Suas próprias leis. Não
refletem que dessa forma confessam bem claramente suas dúvidas em
relação à eterna perfeição de Deus ou sua própria estreiteza
inconcebível, que só pode ser denominada indolência criminosa do
espírito ou estupidez, oriunda da preguiça.
Querem, com palavras grandiloqüentes, basear-se na asserção de
que, afinal, tudo na Criação está sujeito a constantes transformações.
Isto é dito com acerto, porém as transformações mostram-se no
desenvolvimento e desabrochar lógicos do já existente, com base nas
leis da Criação, as quais, não obstante, permanecem imutáveis e atuam
de modo impulsionador, sem, porém, jamais se modificarem. As
palavras grandiloqüentes são, pois, apenas um tagarelar vazio,
totalmente impensadas e empregadas em leviana superficialidade.
Os seres humanos, quais crianças em folguedos, espalham com suas
palavras valores imensos, sem que eles próprios se tenham
compenetrado desses valores. Por isso também empregam as palavras
de modo errado, dando-lhes falsas interpretações.
Não percebem a verdade contida nelas, pois distinguem e ouvem
apenas aquilo que eles querem. Em sua indolente presunção nem estão
preparados para uma profunda pesquisa e esforço, a fim de
compreenderem aquilo que as palavras devem dizer e que também
dizem de maneira bastante nítida.
A compreensão certa para tanto falta também a muitos dentre vós,
porque efetivamente ainda não penetrastes com suficiente
profundidade na minha Mensagem, a fim de formardes uma imagem da
perfeição do Criador onipotente em Sua intangibilidade e
imutabilidade desde a base, onde se encontra a incomensurável
grandeza numa clara simplicidade, que o espírito humano não quer
imaginar.
No entanto, em todo vosso pensar, na pesquisa e no esclarecimento
de qualquer acontecimento, tendes de colocar sempre como base,
rigorosamente, a imutabilidade da perfeição das leis divinas e
automáticas desta Criação. Do contrário jamais conseguireis progredir
e tereis de trilhar caminhos errados!
Por essa razão é conveniente que eu, justamente hoje, levante um
pouco o céu que ainda vos oculta a grandeza daquele sacrifício
realizado por Parsival para vossa libertação e salvação. Julgais, talvez,
que o mais difícil tenha sido a luta com Lúcifer, que terminou com o
manietamento de Lúcifer. No entanto, não é assim, pois o mais difícil
foi abrir-vos os caminhos de saída do labirinto que criastes mediante
vossos erros!
Esta é, aliás, apenas uma parte de sua obra de salvação, mas se
procurardes compreender isso, por pouco que seja, assim como
realmente se deu, então nada mais podereis fazer senão agradecer
continuamente a Deus, pela permissão de poderdes existir.
Imaginai, pois: saindo da Luz, tomando novamente sobre si todos
os sacrifícios de um caminho para as densas materialidades, que já
uma vez trilhou outrora para a humanidade, desceu Parsival para o
globo terrestre, tão profundamente caído, por culpa humana.
Ele, vindo da Luz, não conhecia erros nem tristezas, embora já
tivesse tido uma vez ocasião de conhecer o ódio dos seres humanos,
pois a Luz não conhece tristeza nem erros. Não ciente disso,
encontrava-se a princípio no meio desses seres humanos e seus
conceitos totalmente torcidos e falsos. Tudo em redor dele estava
errado, sob o domínio de Lúcifer, desviado da Luz e, portanto, tudo
para ele estranho e frio, até mesmo hostil e feio.
Talvez torneis a pensar que ele apenas teria de indicar o caminho
para as alturas luminosas, a fim de dar aos seres humanos, dessa
maneira, aquilo de que necessitavam para a sua salvação. Imaginais
que ele, simplesmente, precisaria anunciar a Palavra de Deus, tal qual
ela é!
Os seres humanos nada poderiam fazer com isso, pois estavam
inteiramente envolvidos pelos seus erros e não mais podiam dirigir o
olhar para o alto, se não lhes fosse aberto, primeiramente, o caminho
para tanto, desimpedindo a saída pela qual novamente pudessem ver a
promissora Luz.
Tudo dependia, portanto, do modo pelo qual Parsival aproximasse a
Palavra aos seres humanos! Tinha de dar à Palavra Sagrada uma forma
que fosse adequada aos seres humanos em suas aflições, pois a Palavra
em si já haviam recebido através de Jesus, ao menos em parte, mas não
podiam mais torná-la viva em seu íntimo, pois não encontravam
nenhum caminho para tanto, e as interpretações das igrejas eram
demasiado fracas e configuradas apenas para o objetivo do próprio
poder terreno, para ainda constituírem realmente uma ajuda.
A Palavra! Também vós ainda não sabeis pensar direito no sentido
dela, pois, como todos os outros, esqueceis o que a Palavra, da qual
sempre falo, realmente é. Sabeis, sim, que se trata da Palavra viva, mas
ainda assim não formais um conceito inteiramente certo.
Assim como, outrora, Jesus disse em relação à Palavra: Eu sou a
Palavra! Assim, hoje vos digo eu novamente: Eu próprio me entrego a
vós, em minha Palavra! Pois também eu sou em verdade a própria
Palavra! Já há muito tempo vos foi dito outrora: No início era a Palavra,
e a Palavra estava junto a Deus, e Deus era a Palavra!
Contudo, deve dizer-vos o suficiente, quando Jesus falou então para
os seus discípulos: Eu sou a Palavra e na Palavra eu me dou a vós! E
hoje eu repito: Eu sou a própria Palavra, a qual eu vos dou!
Refleti sobre isso com toda calma e profundidade, vós deveis
encontrar aquilo que nisso se encontra.
Se eu quisesse dar a Palavra aos seres humanos, sem lhes havê-la
moldado, não me compreenderiam! Gravai isso a fogo em vós, pois a
Palavra é viva, ela própria é a vida e, em seu estado original, ela é, para
vós, de uma forma não visível e não reconhecível. Ela é!
Tão logo, porém, eu queira torná-la acessível aos seres humanos,
isto é, fazê-la compreensível a eles, tenho de transformá-la, em sua
essência, de modo a que os seres humanos consigam entendê-la. A
forma tem de ser dada de tal maneira, que lhes seja proveitosa. E
ninguém mais poderia formar a Palavra Sagrada, que é Deus, do que
ela mesma!
E ninguém mais pode revelá-la para vós em toda a sua força! Isto é,
não suportaríeis toda a sua força. Por esse motivo recebeis a Palavra de
uma forma preparada exclusivamente para vós, seres humanos, forma
esta que contém justamente tanta força quanto necessitais e quanto
podeis suportar, se estiverdes abertos para isso, pois, sem vos abrirdes
para tanto, nada podeis receber da força, visto que para o recebimento
torna-se necessário vosso querer, que equivale a uma súplica para tal.
Quão freqüentemente ainda brincais em pensamento com a Palavra
Sagrada, sem realmente saber o que com isso fazeis.
Quantas vezes, também, já foi clamado a esta humanidade, que eles
pregaram na cruz a Palavra, ao crucificarem Jesus, mas no entanto
ainda continuam crucificando a Palavra, a cada dia de novo, quando
ousam torcê-la ou interpretá-la somente segundo sua vontade, a fim de
torná-la utilizável para muitos de seus desejos, utilizável em seus
efeitos com relação aos seres humanos!
Todavia, quem chega a pensar que essas transgressões têm de
vingar-se amargamente nos transgressores que ousaram tais males;
que não pode haver absolvição para isso! E quando está escrito: “A
vingança é minha! Eu quero vingar!”, então isso realizar-se-á nesse
caso com total intensidade; pois a Palavra, por mil maneiras já
abusivamente utilizada pelos seres humanos terrenos, foi a Palavra
Viva, é o próprio Deus!
Nunca esqueçais o que a Palavra é, a qual eu vos dou naquela forma
que vos é necessária, e assimilai-a como nutrição de vosso espírito, pois
ela é o alimento de que ele necessita, a bebida da qual ele sente sede e
sem a qual ele não pode existir! Não tenteis desvalorizá-la mais uma
vez através de vosso raciocínio terreno! Ela então nunca mais seria
oferecida a vós. Conservai-a, a fim de que ela não possa perder-se para
vós!
A Palavra viva de minha Mensagem não consiste nas expressões e
sentenças humanas que utilizo para tal fim; é, porém, em si, algo de
intangível para vós, que eu coloco nela e que através dessas formas
torna-se capaz de penetrar em vosso íntimo, se vos abrirdes para
tanto.
Utilizo vossas formas verbais e sentenças somente como uma
espécie de canais, através dos quais conduzo a Palavra viva ao vosso
espírito, único capacitado a assimilá-la, a fim de que, assim fortalecido,
possa romper todas as algemas das trevas rastejantes.
E essa vida, não palpável para vós, que o vosso espírito deve tomar
com essas formas de palavras e sentenças, é uma parte de mim mesmo,
que com isso vos dou, para que vós possais continuar vivendo na graça
de Deus!
Agora, certamente, tornar-se-vos-á também mais familiar a
necessidade, basicamente exigida, de que Parsival tivesse uma longa
vida terrena, entre os seres humanos, inteiramente incógnito, se
devesse, aliás, mais uma vez ser proporcionado auxílio à humanidade
pela Palavra. E somente a Palavra poderia proporcionar o auxílio, visto
que a salvação reside, unicamente, no despertar do espírito humano, ao
qual tem de seguir-se o reconhecimento. A lei de Deus não previu outro
caminho, senão este único, de intocável justiça!
Por esse motivo já falou Jesus: Ninguém chega ao Pai senão através
de mim! Portanto, através da Palavra, pois Ele veio de Deus e, por isso,
também tinha que ser a Palavra. E, por isso, a Palavra para a salvação
veio novamente até a Terra na vontade de Deus que, também como o
amor de Deus, é a Palavra!
Se Parsival, que é uma parte da vontade de Deus, pois, quisesse
encontrar uma forma adequada para a Palavra, que fosse capaz de
ajudar os seres humanos terrenos, tinha, primeiro, de compreender
pessoalmente a maneira de ser dos seres humanos, com todos os seus
erros e conceitos torcidos; tinha de procurar, primeiramente, a raiz de
todos os males nos seres humanos, a fim de pesquisar e abrir os
caminhos mediante a forma que deu à Palavra, os quais realmente
tinham de ajudar, se os seres humanos quisessem trilhar por esses
caminhos.
Isto, no entanto, somente seria possível a ele, quando tivesse se
tornado ciente de todos os erros e de todas as fraquezas deles!
O tornar-se ciente, porém, nunca pode ser alcançado por um
enviado da Luz mediante observações ou perguntas, mas sim somente
através da própria vivência, porque erros, fraquezas, males e torções
são e permanecerão completamente estranhos para a Luz. Nunca um
enviado da Luz poderá ter compreensão para tal.
Esta foi, assim, a parte mais difícil do caminho que Parsival teve de
trilhar. Se ele quisesse auxiliar, restava-lhe apenas uma alternativa:
teria de viver como ser humano, entre os seres humanos,
temporariamente, sem conhecer sua origem ou sua missão, pois do
contrário jamais poderia advir uma vivência! Contudo, não apenas isto,
mas sim tinha de entrar em contato direto com todos os erros desta
humanidade, tinha de sofrê-los em si, para, mediante essa participação
no sofrimento, chegar pelo menos a um conhecimento a respeito, já que
nunca poderia chegar a uma compreensão, uma vez que as coisas
torcidas das opiniões e dos direitos humanos teriam sempre de
permanecer estranhos e falsos para a espécie e origem dele. Por essa
razão ele também não podia pensar ou agir de acordo com os errôneos
direitos humanos, mas sim, apesar da vida terrena, podia cumprir
somente as leis de Deus, às quais muitas das concepções de direito da
humanidade, tão profundamente caída e restrita, se opunham,
freqüentemente, de forma hostil.
Isso resultou, naturalmente, numa luta contínua e árdua, em
preocupações e sofrimentos no sentido terreno para o estranho, vindo
da Luz, desconhecedor de sua missão, durante o período necessário de
difícil aprendizagem, no palco de balbúrdia de todas as trevas.
Por essa razão foi ele atirado, sem consideração alguma, nos
torvelinhos que o conduziram através de tudo o que existia de injusto
entre os seres humanos; não foi apenas posto em presença de tudo, isto
não teria sido suficiente, mas sim ele próprio tinha de ser envolvido em
tudo, a fim de poder reconhecer, no meio dessa horrível trama, cada
mal, isoladamente, e encontrar, através do próprio sofrimento, um
caminho que proporcionasse aos seres humanos uma possibilidade de
se libertarem das algemas funestas. Ele próprio teve de trilhar primeiro
o caminho da salvação, aplainando-o assim aos seres humanos, cada
um isoladamente, a fim de então mostrar-lhes na Palavra como
poderiam desvencilhar-se de todos esses males.
Por isso nada lhe pôde ser poupado, uma vez que nada lhe deveria
ser estranho daquilo que aflige, martiriza e arrasta os seres humanos
da Luz!
Assim, foram-lhe postos no caminho todos os males terrenos, para
que os vencesse primeiro através do próprio sofrimento e, ao vencê-
los, extirpasse ao mesmo tempo as respectivas raízes, esmagando-as e
aplainando aos seres humanos os caminhos que conduzem para fora,
em direção à Luz.
Enquanto, pois, sofria entre a humanidade e por causa dela, tinha
de lutar para libertar esta mesma humanidade de todas aquelas coisas
que ela utilizava contra ele, ao mesmo tempo que reconhecia nisso o
que havia de errado, trilhando como primeiro o caminho para a
salvação. Com o reconhecimento de cada mal, por parte de Parsival,
também o poder do mal já ficava sempre quebrado, e estava colocada a
base para o auxílio à humanidade que nele se encontrava afundando.
Este foi o maior e mais pesado sacrifício que ele fez em prol dos
seres humanos terrenos, e, como que por escárnio, é justamente desse
período terreno que os seres humanos das trevas se utilizam para
procurar estabelecer investidas injuriosas contra ele! Querem utilizar
justamente esta parte mais pesada de sua missão, que ele realizou para
os seres humanos, através do próprio sofrimento, para difamá-lo e
conspurcá-lo do modo mais repugnante.
Justamente tudo aquilo que ele sofreu por eles, para na hora
determinada, por experiência própria, poder ajudá-los realmente com
seu conselho, o qual tinha de ter nascido da vivência, instrumentos
servis das trevas, constantemente, da forma mais abjeta, procuravam
utilizar para censurá-lo, a fim de reter ou desviar outros seres
humanos dos caminhos da salvação, tentando abalar a confiança e a fé
no Salvador e em sua missão. Vós próprios vivenciastes isto em parte.
Esta é, certamente, a maior das culpas com que os seres humanos
se sobrecarregam, e que não poderá ser perdoada!
Procurai imaginar o que significa, o que é, ter de aprender em
poucos decênios, através de vivência própria, todos os erros e
fraquezas humanas existentes sobre a Terra! Procurai aprofundar-vos
nas situações que resultam, quando todas as conseqüências dos
conceitos errados e torcidos dos seres humanos precisam ser
experimentadas, para encontrar a possibilidade da luta libertadora e
dá-la, então, aos seres humanos, na forma adequada da Palavra, já que
a eles próprios seria impossível obtê-la mais uma vez.
E que intuições são despertadas a esse respeito, justamente quando
se é insultado por malévolos. Não é intuição diferente daquela outrora
já experimentada pelo Filho de Deus, Jesus, quando o acusaram de
blasfemador, crucificando justamente ele, que estava em Deus e,
também, Deus nele! Ele, que também já tinha sofrido bastante por
causa da humanidade e que só tinha vindo para ela, a fim de trazer-lhe,
ainda a tempo, o auxílio na Palavra!
Não tivesse Parsival tomado sobre si este sofrimento, a fim de, em
auxílio à humanidade desviada e decaída, achar a forma salvadora para
a Palavra Sagrada, que os seres humanos necessitam em suas aflições,
a fim de poderem trilhar novamente o caminho para as alturas
luminosas, nunca mais poderiam festejar, com gratidão, o verdadeiro
Pentecostes, depois do sagrado Juízo que agora irromperá sobre esta
Terra, para ajustar tudo o que é velho, na justiça do Senhor!
Agradecei, por isso, ao Criador, vosso Deus, pela graça de haver-vos
estendido, mais uma vez, a Sua mão, para que não tivésseis de perder-
vos eternamente! Alegrai-vos com Sua força, que Ele novamente vos
concedeu e vivei gratos, de acordo com a Palavra, em Seu louvor! Pois
na Palavra eu vos dou o caminho, alimento e força, e com isso tendes
tudo o que necessitais para a existência e para a ascensão! A Palavra,
porém, eu próprio a sou, e vós assimilais com isso uma parte de mim
em vosso espírito!
AMÉM.
16. A grande purificação
Nada existe na Terra, seres humanos, que pudésseis oferecer como
compensação, em agradecimento pelo fato de Deus vos libertar dos
vermes das trevas, que vós próprios criastes com o vosso querer
errado!
Se ao menos quisésseis vos esforçar por compreender que a luta da
Luz contra todas as trevas não é para ela uma luta prazerosa, mas sim
um esmagar e aniquilar de todas as imundícies das mais repugnantes
espécies, sendo que a maior parte dos seres humanos, aos quais se
destina a libertação, trazendo-lhes todos os proveitos, ainda se coloca
ao lado das trevas venenosas, para dificultar, na mais baixa
mentalidade, o caminho dos enviados da Luz!
A ira de Deus Todo-Poderoso, porém, abate-se agora sobre as
fileiras desses malfeitores, os quais, como os mais nojentos vermes, são
condenados a se afogar na própria saliva repugnante! Para que o
mundo seja purificado de tal mal!
A expressão não é bonita, mas não existe outra palavra para
denominar algo que na verdade é completamente indescritível em sua
torpe vileza, pois até mesmo essa linguagem terrena não basta para
expressar corretamente tão baixa mentalidade.
As expressões “escória” e “verme”, por si sós, definem os dois tipos
fundamentais desses degenerados, que se excluíram de todas as
possibilidades de salvação, porque, não sendo capazes de produzir
sequer um único pensamento puro, espalham sua espuma venenosa
que tudo corrói, e a qual, agora, voltando-se sobre eles, terá de corroer
e decompor a eles próprios!
Dilacerados por indizível inveja cheia de ódio, sucumbirão agora,
possuídos de temor e medo, horror e pavor, e mão alguma deverá
estender-se para amenizar seu merecido sofrimento. Serão repelidos
por tudo o que almeja a Luz e a liberdade espiritual. E enquanto são
empurrados de um lado para outro, açoitados por aflições e tormentos,
padecendo dores indizíveis, desperta neles, devido à decomposição
desagregante, de modo acusador, a centelha espiritual, que
procuraram atrofiar e isolar com suas tendências hostis à Luz.
Manifesta-se ela em cada um, queimando e crestando dolorosamente,
em seu anseio insatisfeito, tudo quanto até agora a deteve.
Dessa forma a decomposição se processa, conjunta e
simultaneamente, por fora e por dentro, num martírio incrível, por
séculos, milênios, longe de todo o auxílio e de todo o lenitivo, com
medo constantemente crescente e o mais horroroso desespero, até
que, finalmente, a consciência do eu esteja inteiramente corroída, pois
dela nada deverá restar.
Esses são os caminhos dos malditos, desde o momento em que
Deus retirou a mão e, com ira sagrada, excluiu-os, todos, do
recebimento das graças salvadoras!
Então o condenado teve de afundar e ser arrastado para baixo, aos
abismos dos horrores e das devastações, pois faltava-lhe todo o apoio
vindo de cima!
E este dia do sagrado Juízo chegou agora! Vós que vos esforçais por
ascender, sereis libertados de todos os vermes e de todos os
instrumentos das trevas, como já fostes libertados por um grande
espaço de tempo do próprio príncipe das trevas, pela sagrada Luz! Para
que possais novamente fortalecer-vos, a ponto de não mais precisar
temê-lo.
Agora a Terra inteira, que vos carrega, elevar-se-á convosco para
regiões mais puras e mais luminosas.
E quando então puderdes respirar novamente a pureza, quando em
torno de vós houver caído tudo aquilo que vos obstruía a visão clara
para a Luz, somente então reconhecereis, olhando retrospectivamente,
quão sórdido fora o pântano em que até então vivestes. Só quando
efetuardes esse olhar retrospectivo, sentireis o mal-estar e o horror...
e... talvez... floresça então em vós também uma parte daquela gratidão
que, já hoje, deveríeis dar a Deus pela grande obra de amor, que,
mediante essa purificação, Ele realiza convosco!
Já há muito poderíeis, sim, deveríeis ter reconhecido quão sobre-
humana é a paciência e a longanimidade que Ele teve ainda até com
aqueles que agora foram definitivamente condenados. Podíeis vê-lo em
vossas próprias fileiras! Somente como um pequeno exemplo, pensai
mais uma vez em todos aqueles que reconheceram a Mensagem
voluntariamente e que mais tarde abjuraram!
Não falo aqui de acontecimentos anteriores em paragens mais
luminosas, nem de promessas anteriores em prol da concessão de
pedidos espontâneos, não; falo tão-somente de um curto espaço desta
existência terrena, que, não obstante, já contém o suficiente para
afastar-se, com repulsa, daqueles seres humanos cujos pensamentos
todos constituem apenas as mais baixas manifestações da vaidade
ferida, da decepção com relação a alguns desejos terrenos, de
diferentes espécies, recusados, e também do egoísmo que não pôde
fazer-se valer.
Olhai em torno de vós e encontrareis esses seres humanos por toda
a parte! Vós os conhecestes bem, de modo que não preciso mencionar
nomes. Todos esses nomes ainda arderão no vosso sentimento de
justiça, até virdes que a justiça de Deus não se deixa escarnecer e que
se efetiva em tempo certo de tal maneira, como os seres humanos
jamais poderiam conseguir.
O Juízo, em sua sabedoria e justiça, obrigar-vos-á a ajoelhardes com
veneração, e pedireis perdão pelo fato de, na irritação e na indignação,
freqüentemente vos haverdes antecipado com vossos desejos à
verdadeira justiça, sem pensardes que a onipotência de Deus atinge
com muito mais rigor, mais certeza e de forma mais inexorável do que
ser humano algum jamais possa imaginar.
O Senhor não se deixa escarnecer! E escárnio também se encontra
na inobservância de Suas sagradas leis. Se o ser humano pensa que
pode agir segundo seus desejos, sem indagar aí pela justiça de Deus, ou
se julga poder satisfazer sempre seus caprichos, sem que um efeito
retroativo o atinja, está assim escarnecendo da justiça universal do
Senhor!
O Senhor, porém, não se deixa escarnecer! Isso é uma advertência
que acarreta realização para cada um! E o dia dessas realizações já
chegou!
Observai mais uma vez retrospectivamente, de modo examinador,
os seres humanos e suas ações, antes que afundem agora nas duras
mós dos efeitos retroativos, desaparecendo dessa forma para sempre!
Existem muitos entre vós, sim, que co-vivenciaram tudo. Nem vos será
difícil obter desses fatos um reconhecimento, que possa servir-vos para
o futuro.
Os seres humanos, a que me refiro, encontraram na Mensagem o
que já há muito procuravam e reconheceram-na, conforme sua própria
afirmação de então, como sendo a Verdade!
Entraram então eles em contato conosco, e não acaso nós com eles.
Todos eles se dirigiram por si mesmos a nós. Eu não os chamei! Eles
utilizaram nosso tempo, muitas vezes em grande escala, naturalmente
com a intenção de auferir proveitos de alguma espécie para si.
Suponhamos, de bom coração, que visavam a vantagens e proveitos
espirituais.
Isso eles podem e também devem encontrar de maneira mais
profusa na Mensagem e nas minhas dissertações, bem como em
conversas individuais, quando procuram esclarecimentos sobre
assuntos que elevam e enobrecem o ser humano. A própria Mensagem
comprova tudo isso à sua maneira, à qual também correspondem as
conferências.
Tudo isso lhes foi concedido, embora alguma vezes com relutância,
porque com relação a esses seres humanos, mesmo que pedindo, ainda
assim era meio forçado, devido à maneira condicionada pelo egoísmo e
à vaidade a ele inerentes, e que então também, mais tarde, os desligava
novamente da causa.
Quando julgavam já haver preenchido as suas lacunas de até então
no saber, ou que não poderiam obter mais outras vantagens, também a
Mensagem perdeu para eles a importância, e o conhecido querer saber
melhor, companheiro de todas as vaidades, particularmente da vaidade
ferida, cresceu lentamente no seu íntimo.
O que, porém, por fim, muitas vezes dá o golpe mais profundo a tal
vaidade é o fato de não aliciarmos aquele que se afasta, nem lutarmos
por ele, pois isso me é completamente indiferente, visto que todo o ser
humano tem de ter o livre-arbítrio para a resolução, se esta lhe deva
trazer valores ou destruição, pois ele, tão só, possui inteira
responsabilidade por si mesmo.
Por esse motivo também rejeito sempre influências de toda espécie.
O contrário, portanto, daquilo que gostariam de afirmar tais seres
humanos após o afastamento, a fim de assim desculpar os seus
próprios maus atos e sua má vontade, e, da maneira mais ridícula, pelo
menos justificá-los de alguma forma.
Preferem, assim, dar a si próprios um deplorável testemunho de
sua inconstância interior, somente para satisfazer a sua perversidade
de ocasionar prejuízos ou aborrecimentos onde sentem ou pensam que
se tenha de desprezá-los!
São demasiado covardes e convencidos para admitir que eles
poderiam ter errado no início, quando mais tarde chegam a pensar
diferentemente, e que foram eles mesmos que vieram e novamente
foram embora, que igualmente nem possuem direito algum para
responsabilizar, sob qualquer forma, por esse seu aparente engano, a
outrem que não os aliciou nem chamou.
No entanto, a tais absurdas hostilizações se contrapõe cada Palavra
que até agora já escrevi e falei, e eu vivo essa Palavra! Sou inseparável
de minha Palavra. E essa Palavra está agora gravada a fogo e de
maneira eternamente imutável em toda a Criação!
Dessa forma pretendem, porém, vingar-se aquelas criaturas, que
almejam mais do que são capazes de absorver, porque falta para a sua
sintonização a necessária pureza de seus desejos e a humildade
espiritual, porque sempre colocam em tudo apenas as finalidades
terrenas como objetivo principal do seu caminho.
Mesmo que puramente humano, tal procedimento nem é
compreensível, a não ser com a simples explicação de que os seres
humanos dessa espécie não conhecem barreiras para, através de
artimanhas e astúcias, se entregarem a seu pendor de criar
aborrecimentos a outrem e, se possível, prejuízos, o que lhes causa
prazer. Em tais atos encontram satisfação íntima, às vezes até com
disposição doentia.
Se, na mesma ocasião, lhes for possível obter também vantagens
terrenas de qualquer espécie, sem envidar esforços, aproveitá-las-ão
sem escrúpulos, como bem-vinda conjuntura colateral de seu atuar.
O verdadeiro motivo de tudo isso, porém, é muito mais profundo.
Somente no sentido da Mensagem é que pode ser explicado:
Esses seres humanos, ao se tornarem mornos, foram, pouco a
pouco, em suas fraquezas, atraídos pelas trevas e agarrados
imperceptivelmente, não obstante de maneira firme e inelutável,
porque não ofereceram resistência alguma; pelo contrário, ainda se
sentiram satisfeitos pelo contato mental das suas fraquezas com as
trevas.
Então, com as brincadeiras mentais, produziu-se também o contato
inevitável, as trevas manifestaram-se ostensivamente... de bom grado
eles se tornaram instrumentos solícitos e ainda contribuíram, eles
próprios, com seu quinhão.
A sua primitiva mornidão cresceu até transformar-se em inimizade
e em malcontido ódio, envolvendo por fim todo o pensar e atuar, de
modo correspondente.
Naturalmente as correntes de espécie igual procuram sempre
associar-se; eles se encontram e preparam então juntos a poção de
veneno que haviam destinado à sua vítima, mas que desta vez eles
próprios terão de sorvê-la até a última gota, de acordo com a sagrada
vontade de Deus, que, em Sua onipotência, recai sobre eles,
reciprocamente!
O que forjam nesse calunioso modo de pensar e em procedimentos
análogos, o que formam mediante falsificação pretensamente
inteligente dos conceitos e acontecimentos reais, tudo isso tornar-se-á
uma espada afiada contra eles, e até mesmo o menor e mais
insignificante errado modo de pensar recairá centuplicado sobre eles,
pois o seu ódio fora dirigido contra a sagrada Luz!
O incrível atuar, em sua má espécie, também para aquele que está
de fora, nem é difícil de ser reconhecido. Tal atuar, em si, já não pode
ser qualificado por nenhuma pessoa como “bom”, sendo, pelo
contrário, reconhecido logo como um querer mau! E o mal só pode
provir das trevas, jamais da Luz.
Nisso se demonstra onde as trevas espreitam. E o que as trevas
odeiam, perseguem com ódio é somente a Luz e tudo o que é luminoso.
Tão-somente nisso já se encontra, para o examinador sereno, a
indicação de onde as trevas e onde a Luz estão ancoradas.
De acordo com as leis da Criação pode-se fundamentar isso bem
minuciosamente de acordo com a minha Mensagem!
Onde as trevas atacam, aí existem valores luminosos! No futuro isso
tornar-se-á prontamente compreensível para os seres humanos e eles
julgarão e procederão de acordo, a fim de extirpar por completo o mal,
que é sempre obrigado a evidenciar-se a si mesmo dessa forma!
O que é trevas ou delas faz parte distingui-se mui facilmente pelo
modo do querer, que se manifesta na ação.
Dou-vos com esse exemplo um ensinamento que deveis utilizar em
vossa existência futura e ao mesmo tempo mostro quão repugnante e
nojenta é a luta contra as trevas, pois as trevas sempre agem somente
de modo sorrateiro, com perfídia, mentiras e maldade, revolvendo-se
no lodo das próprias cobiças e lançando veneno desse pântano para os
pontos a que sua inveja visa.
Se tal modo de ser já constitui um horror para os seres humanos
terrenos, quanto mais para a Luz e perante Deus!
Agora, porém, o raio da ira de Deus cai incendiando no pântano
abjeto, e extermina tudo o que com ele se identifica quanto ao modo de
pensar e atuar!
Não se pode realmente tachá-la de luta, pois aversão e asco surgem
a cada golpe que a límpida espada de Deus tem de vibrar contra a
imundície, obrigada pelos ataques das trevas que já pressentem o seu
fim.
Um ser humano que ainda possui dignidade simplesmente se retira,
quando julga não encontrar aquilo que ele almejava para si, e confessa
que ele próprio se enganara a respeito, ao esperar algo diferente.
Jamais poderá mostrar-se sorrateiro e ordinário, se ele próprio não
trouxer em si os males que, estimulados então pelas trevas, muitas
vezes ainda aumentam de maneira incrível.
A tudo isso ainda advém a crescente pressão da Luz, que obriga as
propriedades, tanto boas como más, ao resgate final, na medida em que
são obrigadas a exaurir-se, devido ao aumento do movimento
proveniente dessa pressão.
Nessa inesperada erupção é derrubado ao mesmo tempo e de modo
definitivo o mal, sendo, porém, o bem erguido alto. A obrigação para a
atividade, de tudo aquilo que está latente na alma humana, dá o
impulso para os efeitos do Juízo, tanto no indivíduo como nas massas!
É um processo muito simples, que agora podereis constatar dia a
dia, cada vez mais nítido. Aprendei com isso e tirai daí proveitos
espirituais!
É o Juízo universal em sua atuação automática e a simples
naturalidade, inerente à sagrada vontade de Deus! Vós mesmos vedes
que a expressão luta é boa demais para o necessário aniquilamento de
tais salteadores que estão nas margens de todas as estradas
presenteadas por Deus, em Sua abundante graça, que conduzem à paz
do espírito.
Não se trata de uma luta, mas sim da grande purificação pela Luz
em sua obra de salvação. Contudo, é para a Luz apenas um trabalho
repugnante, porque as trevas, até o último instante, não poderão ser
nem serão diferentes do que como são: abjetas e desprezíveis em todas
as suas ações. Não são um adversário digno de respeito nem leal!
Adversários dignos de respeito a Luz, aliás, não pode ter, porque tudo o
que realmente for digno de respeito quer servir somente à Luz e não às
trevas.
Essa é a tarefa que a Luz soluciona para vós, seres humanos! Vós,
que podeis participar de tudo isso já cientes, encontrareis nisso a
grandeza de Deus, Sua onipotência e justiça e o Seu... amor!
Pois é amor, quando Ele extirpa da Terra esse bafo pestilento,
libertando-vos dele, para que possais estar alegres na Criação que Ele,
cheio de graça, vos concede como morada!
Dai-Lhe aquele agradecimento que compete a essa obra de amor,
conservando limpo o vosso pensamento e visando apenas ao bem-
estar, à paz do vosso próximo, não, porém, estudando como lhe podeis
causar dano!
17. A chama do discípulo
Tanto em quadros antigos como em modernos encontram-se os
discípulos do Filho de Deus, Jesus, freqüentemente representados com
línguas de fogo sobre a cabeça, de modo que tal figura no quadro
assemelha-se a uma vela acesa, ardendo de maneira irrequieta.
Essa apresentação provém, em sua origem, de artistas que, ou
foram eles próprios clarividentes e retransmitiram, dessa forma,
imagens mostradas espiritualmente, ou então aproveitaram descrições
feitas por pessoas clarividentes.
Entre eles, porém, ainda existem outros que se basearam na
narração da efusão da força do Espírito Santo sobre os discípulos, onde
são feitas alusões a línguas de fogo.
Não obstante, a maioria dos seres humanos terrenos presume que
somente a fantasia do artista escolheu essa forma de representação.
Neste caso, porém, a representação chega bem próxima da verdade, até
o ponto em que ela se deixa compor em imagens.
De todos os artistas, porém, que criaram tais quadros, bem como de
todos os seres humanos que tomaram conhecimento deles ou que por
si mesmos formaram uma idéia parecida a respeito, nenhum sabe a
verdadeira conexão e a origem desse aparecimento da língua de fogo
sobre a cabeça. Pessoas clarividentes vêem-na, sim, mas não sabem
valer-se disso, pois jamais surgiu uma explicação entre os seres
humanos a esse respeito, que somente pode ser dada do alto.
Por essa razão quero hoje falar a respeito, porque os atuais
discípulos trazem a mesma chama sobre a cabeça, o que pode se tornar
claramente visível em certos momentos para muitas pessoas
clarividentes. Não para todas, pois o dom da vidência é distribuído de
modo diferente.
A consagração de discípulo liga os seres humanos escolhidos para
tal, da Criação posterior à Criação primordial. Isto acontece pelo fato
de ser doada aos espíritos humanos desenvolvidos uma centelha do
puro espiritual.
Essa centelha apresenta-se então qual língua de fogo sobre a
cabeça, contudo apenas quando ele utiliza essa centelha e não é
demasiado indolente para tal. Na utilização, ela brilha e atua de acordo
com a sua espécie. Ela continuará, no entanto, sempre por si, podendo
ser associada ou anexada ao espiritual, mas nunca absorvida por ele.
Assim como o puro espiritual na Criação vibra, segundo as leis, de
acordo com a sua espécie, acima do espiritual, da mesma forma está
acima do espírito do discípulo da Criação posterior, e assim
permanece, sem nele penetrar, pois o puro espiritual não é acaso um
espiritual mais refinado ou apenas mais forte, mas sim é de uma
espécie completamente diferente, autônoma, tendo por conseguinte
uma constituição completamente diversa do espiritual.
Uma anexação dessas duas espécies torna-se possível quando
existem as transições de acordo com as leis da Criação, nunca porém
uma fusão.
Essa é a razão pela qual a centelha puro espiritual se apresenta
acima do espírito humano, como língua de fogo.
Eu não quero contentar-me, porém, em explicar somente o
acontecimento reproduzido pelos pintores nos quadros, mas sim,
prosseguindo, mencionar também por que os discípulos recebem uma
centelha da Criação primordial, por que dela necessitam, pois sem
necessidade absoluta também não a receberiam.
Os discípulos devem se tornar mediadores entre o Filho de Deus
encarnado na Terra e os seres humanos terrenos. Eles devem divulgar
a Palavra divina, viver a vontade divina como exemplo, realizar
terrenamente como primeiros.
Para isso necessitam de uma capacidade de compreensão mais
ampla, apta a assimilar o elevado sentido da Palavra de Deus, isto é,
compreender o Filho de Deus.
Só para esse fim todos os discípulos recebem uma centelha do reino
puro espiritual, que os capacita a assimilar a Mensagem proveniente da
Luz de maneira mais elevada do que o espírito do ser humano terreno
desenvolvido, porque eles, mediante a centelha, podem aproximar-se
um pequeno passo do divino, são elevados espiritualmente da Criação
posterior para um reconhecimento melhor.
De outra forma, demasiado grande é o abismo entre um Filho de
Deus e os seres humanos terrenos, demasiadamente profunda a queda
já ocorrida até agora da humanidade na Terra, de modo que a
assimilação da força da Palavra proveniente da Luz tornar-se-ia
totalmente impossível para a humanidade, sem a mediação dos
discípulos.
A centelha do puro espiritual, que os discípulos recebem como
dádiva pela graça proveniente da Luz, capacita-os não apenas para
uma compreensão mais fácil e mais ampla, mas também para uma
recepção de força superior.
Essa força que os discípulos se tornam capazes de absorver, teria de
passar inaproveitada pelos seres humanos terrenos, porque estes não
estão em condições de abrir-se para tal, se antes ela não for tornada
acessível a sua espécie espiritual.
Realizar isso é incumbência dos discípulos!
Uma transformação da força pelos discípulos, para a retransmissão,
nem entra em consideração, visto que uma transformação da força, em
si, é absolutamente impossível. A força permanece sempre exatamente
a mesma, apenas a irradiação da espécie correspondente, incandescida
pela força, é também diferente na diversidade de espécies, podendo,
por isso, apartar-se em muitas divisões.
A força produz somente a pressão! O efeito da pressão, porém, é
determinado pela diversidade de resistência que as espécies oferecem
na Criação. Apenas as diferenciações de resistência provocam calor ou
frio, cores e sons, atrações ou repulsas, sob forma de movimentos, e
também gravidade ou leveza. Identicamente todas as variações nisso.
Só a resistência, portanto, provoca a expressão de todas as
particularidades! Essa palavra “expressão” mostra de fato o
acontecimento sob o aspecto certo, pois é pela força que as
propriedades de todas as espécies são realmente expressas, chegando,
portanto, à expressão pela pressão da força, são forçadas a se
manifestar.
Quanto mais ou menos acentuada for a resistência das espécies, de
modo correspondente apresentam-se, produzidos e expressos pela
pressão, as irradiações e seus efeitos, em suas características bem
definidas que aí se desenvolvem.
Imaginai-o assim: a força viva é! Somente, porém, pela resistência é
que ela se torna sentida e perceptível, a qual também provoca e gera a
pressão, bem como faz com que esta se torne mais forte ou mais fraca.
E na pressão nasce tudo o que se vê, ela é a base de cada formação
na Criação, que tem de colocar-se em torno da Cruz isósceles e vibrar
na mesma, visto que essa Cruz é a força viva que sempre permanece
numa vibração equilibrada, positiva e negativa. A vibração positiva
vertical, a vibração negativa em sentido horizontal.
Isto, hoje, porém, só de passagem. Voltemos a observar os
discípulos, que trazem uma língua de fogo do puro espiritual sobre a
cabeça.
Essa língua de fogo atua de duas maneiras, uma vez como um funil
para o espírito humano, debaixo dela, e outra vez como uma antena. Eu
descrevo assim duas espécies de recepção. O funil representa a imagem
da recepção passiva, negativa, enquanto a antena reflete a recepção
ativa ou positiva. No funil há necessidade de derramar dentro,
enquanto a antena, por si só, segura firme aquilo pelo qual, de uma
maneira bem determinada, é atingida.
O funil recebe a Palavra como forma e a antena a recebe como
irradiação de força.
O efeito sobre o discípulo agora é o seguinte:
Apesar de ser ligada, a chama conserva sua espécie individual,
assim como também o espírito humano terreno mantém, sem
modificações, a espécie própria que lhe compete.
Contudo, o que a chama sobre a cabeça do discípulo é capaz de
absorver, ecoa vibrando no espírito humano e este retransmite então
aos seres humanos terrenos aquilo que, no co-vibrar, intuiu! Transmite
de acordo com a espécie dos seres humanos terrenos, porque pela lei
da Criação não lhe é possível de outra forma e, por isso, os seres
humanos terrenos também podem compreendê-lo devido à igualdade
de espécie de seu espírito! Assim, aparentemente é como uma
transformação da força da Palavra e da espécie, porque o discípulo
retransmite diferentemente do que é capaz de receber. Seu espírito,
porém, nada recebeu diretamente, mas sim apenas pôde intuir no
vibrar da recepção da chama sobre ele, aquilo que a chama captou.
Sem essa chama, de intuição mais delicada, o espírito humano do
discípulo não poderia perceber mais do que outras criaturas humanas.
O espírito humano do discípulo, no entanto, só pode intuir
conforme sua própria espécie peculiar; absorve, por isso, já na intuição,
de acordo com essa espécie peculiar, a qual então retransmite da forma
como ele mesmo intuiu, dentro de sua espécie igual à dos seres
humanos terrenos.
Não se trata, pois, na realidade, de nenhuma transformação da
força, mas sim um discípulo pode, por intermédio da chama que lhe foi
proporcionada, intuir muito mais do que os seres humanos terrenos, já
que a chama se assemelha a uma antena capaz de intermediar maiores
distâncias, concedendo-lhe, parcialmente, a capacidade de recepção
das vibrações do puro espiritual.
Suponho ter-me expressado com suficiente clareza, a fim de
despertar em vossa capacidade de imaginação um quadro que se
assemelhe o mais possível ao acontecimento.
No entanto, deveis imaginar sempre de novo que uma espécie
determinada nunca pode, como tal, ser transformada. Ela pode receber,
pelo poder superior, algo que lhe possa ser anexado, porém esse
anexado sempre manterá a sua própria espécie individual. Só pode
resultar numa atuação conjunta, que tem de manter o caminho
exatamente de acordo com as leis da Criação, sem poder sair nem para
cima, nem para o lado.
Os discípulos recebem, portanto, essa língua de fogo puro espiritual
para uma melhor capacidade de absorção das palavras do Filho de
Deus na Terra, cujo sentido então retransmitem de acordo com a
espécie humano-terrenal, assim como, também, a força sagrada
contida na Palavra.
Isso acontece, portanto, para facilitar o cumprimento da missão do
Filho de Deus na Terra, ou, pode-se dizer também, para, de algum
modo, possibilitar a atuação de um Filho de Deus na Terra.
Com isso pode-se reconhecer a enorme importância que os
discípulos, em suas várias espécies, têm como pontes para a
humanidade, que não devem ser interrompidas, mas sim plenamente
cumpridas.
São pontes de espécies completamente diferentes, das quais a
humanidade precisa na sua composição, a fim de poder alcançar a
Palavra e a força correspondente. Por esse motivo também os
discípulos não são escolhidos uniformemente em suas características
pessoais, mas sim são completamente diferentes entre si. Diferentes
em educação e caráter, no saber terreno e na posição social, diferentes
mesmo na sua maturidade espiritual. Essas diferenças são necessárias,
pois proporcionam as pontes para os variados grupos, nos quais a
massa da humanidade se dividiu.
Cada discípulo assimila a Palavra e a força do Filho de Deus de
acordo com a própria espécie e as retransmite correspondentemente,
atingindo com isso aquele grupo da humanidade que tem igual espécie
com ele. O discípulo, porém, tem de aperfeiçoar essa sua espécie à
máxima madureza, a fim de constituir um exemplo para os de sua igual
espécie!
Com isso recebeis agora uma idéia da sabedoria de Deus, que em
amor abrange com a vista tudo quanto existe, sabendo auxiliar de
modo correspondente. Isto também vos esclarece muitas coisas que
vos faziam quebrar a cabeça, porque não podíeis explicar o motivo
para tal ou qual atuação.
Em cada discípulo, individualmente, vedes personificado e
representado um grupo bem definido de seres humanos terrenos.
Nenhum deles se iguala ao outro, tampouco se igualam completamente
os grandes grupos de seres humanos terrenos de igual espécie.
A totalidade do grupo dos discípulos, contudo, personificará
também toda a humanidade terrena... após o Juízo! Pois só então os
seres humanos poderão receber o auxílio certo através dos discípulos.
Só então serão baixadas as pontes levadiças, que hoje ainda têm de
permanecer suspensas.
Vale aí, porém, sempre apenas a criatura individual como tal, não
acaso como raça, como membro de uma nação ou até do produto
luciferiano de um raciocínio ávido de poder, que é chamado de
“partido” e que é um dos canais mais funestos da vontade luciferiana.
Perante Deus tal coisa não existe. Lá existe somente a criatura
como tal! E como a criatura individual é dentro de si mesma, assim vale
na Criação e perante Deus, não diferentemente!
Também não entra em cogitação aí, se uma criatura humana é
católica ou protestante, ou se pertence a qualquer confissão especial;
ela vale unicamente como ser humano por si. O pensar, o querer e o
atuar são determinantes perante as sagradas leis de Deus!
Os disfarces multicoloridos, com os quais o raciocínio procurou
envolver a alma na Terra, serão arrebatados com o Juízo de Deus, pois
estão pendurados apenas frouxamente. Aquilo, porém, que procurou
ocultar-se debaixo, isso será revelado agora pela irradiação da Luz!
Da escolha dos discípulos resulta o fato de que, para cada ser
humano na Terra, após o Juízo, também haverá um discípulo, que,
justamente de acordo com sua espécie, pode transmitir-lhe a Palavra e
a força, sendo que ninguém que procure e peça ficará sem ser atendido,
desde que se esforce em encontrar realmente a Palavra. Ele
imprescindivelmente receberá espiritualmente a ligação com aquele
discípulo que, em sua espécie, lhe é mais próximo e pode, também
terrenamente, encontrar-se com ele, se ele sinceramente o deseja, para
receber dele também a última coisa: o selamento!
Assim foi providenciado pela Luz. Hoje vedes apenas inícios disso e
por essa razão ainda não podeis formar um quadro completo; virá,
porém, o tempo em que ficareis admirados e vereis que já hoje estava
constituído precisamente todo o alicerce para isso e que só falta
colocar algumas pedras nos lugares ainda vazios por aqueles
discípulos, que ainda serão convocados, para terminar a magnífica
obra de mosaico, sobre a qual deverá fundamentar-se o grande Reino
de Paz do Milênio, que está prometido por Deus, e que só por Deus
pode ser criado, nunca pela espécie humana, mesmo que muitos seres
humanos se considerem escolhidos para tal.
Em todos estes casos a ausência do sucesso, no momento em que tal
ser humano julga tê-lo alcançado, provará que foi apenas um ser
humano que tentou alcançá-lo!
Tudo isto vivenciareis agora. Por essa razão olhai em redor de vós e
despertai, ó seres humanos! Rogai a Deus, com humildade pura, pelo
auxílio tão ardentemente almejado. Não confieis no raciocínio humano,
mesmo se ele vos prometer, com palavras altissonantes, um paraíso. Só
Deus, unicamente, vo-lo poderá dar e ninguém mais em toda a Criação!
Dirigi-vos a Ele, pois Sua Sagrada Palavra quer cumprir-se em vós!
Abdrushin
18. Preparadores do caminho
Quando vos sobrevier o reconhecimento de toda a vossa culpa perante
Deus, então mal podereis ter ainda esperança por misericórdia ou
piedade; pois vós certamente não a mereceis.
Quanto mais a vista se estende sobre o passado, tanto mais
ameaçadoramente surgem para vós, oriundas de milênios passados,
sucessivas acusações que, sem interstícios, se unem em um círculo
compacto, que, tornando-se cada vez mais estreito, se fecha em torno
de vós.
Por último esse círculo cairá sobre vós, de modo destruidor, se não
apanhardes, ainda na última hora, cheios de gratidão a corda de
salvação que vos suspenda desse cerco que encerra a ruína, o fim de
vossa culpa, o que ao mesmo tempo também acarretará agora o vosso
fim.
Acordai, pois, seres humanos, cobrai ânimo! Para vosso auxílio
serão tirados pela Luz todos os véus do passado, a qual com isso vos
deixa reconhecer o que perdestes e como procedestes sempre
erradamente!
Não podeis alegar que no passado foram outras as pessoas que se
carregaram de culpa e que vós, em tudo isso, não tendes nenhuma
participação. É um grande erro, pois fostes vós mesmos, um aqui, outro
acolá, nem sempre no mesmo tempo e no mesmo lugar, mas de alguma
maneira os fios já vos ligavam com todo o acontecer! Mesmo que até
agora ainda não vos tenhais tornado conscientes disso.
Em vossa decadência terrenal não fazeis uma idéia sequer dos
muitos auxílios que a Luz sempre de novo vos concedeu, a cada hora e
sem interrupção, para que não vos transviásseis do caminho certo...
vosso espírito, porém, esse sabe disso, porque disso tantas vezes
participou!
Somente a vossa profunda queda, devido à escravidão do raciocínio
que aceitastes voluntariamente, conseguiu que nada mais disso possais
intuir, e vosso espírito, por sua vez, não é capaz, por si mesmo, de
penetrar até a vossa consciência diurna, porque o mantendes
encarcerado no pesadume contemporâneo da Terra.
Além disso, não lhe dais nenhuma oportunidade para que possa
manifestar-se, porque elevastes de modo criminoso, como guia, no
lugar de vosso espírito, seu instrumento, vosso raciocínio preso à
Terra.
Dessa maneira vos foram fechados automaticamente todos os
caminhos provenientes das alturas luminosas. Vós mesmos mantendes
afastado obstinadamente tudo o que possa perturbar esse estado
doentio de sonolência espiritual, só para não precisardes despertar
subitamente da complacente comodidade do próprio querer saber
melhor, que foi cultivado pela presunção decorrente da falsa
supervalorização do valor próprio!
Como terá de tornar-se terrível, pois, o verdadeiro reconhecimento
para tais seres humanos!
Isso é também o que, em primeiro lugar, impede a muitos acolher a
Verdade proveniente da Luz! São o temor e o medo que, embora ainda
bem escondidos, procuram ocultar-se, mas que já deixam perceber
seus leves arrepios, só que a muitos seres humanos de modo
completamente inconsciente, até que repentinamente golpes cortantes
da Luz os obriguem inexoravelmente ao despertar involuntário!
Sim, temor e medo de cada irradiação da cristalina e fria Luz, que
traz consigo a Verdade e que, de modo incorruptível, deixa facilmente
reconhecíveis os erros e falhas desses seres humanos terrenos, este é o
motivo por que muitos hesitam, levianamente, em se colocar agora
corajosamente dentro da irradiação luminosa!
Eles todos não querem renunciar tão facilmente ao bem-estar da
própria ilusão que se amolda, tão lisonjeiramente, de acordo com seus
desejos próprios. Por isso, também preferem velhos hábitos ao
desassossego, que a minha Palavra tem de lhes causar primeiramente,
até que nela encontrem, pouco a pouco, a verdadeira paz, ressurgindo
espiritualmente como novos seres humanos, que vibram alegres e
conscientes nas leis de Deus.
Eles intuirão a sagrada vontade de Deus apenas ainda como algo
abençoado, auxiliador e estimulante, mas nunca de modo duro ou
como pressão, assim como lhes deva parecer ainda hoje, devido a sua
sintonização errada.
Já é, em si, um sinal certo de sintonização errada e prova de
andarem por caminhos errôneos, quando aqueles seres humanos se
chocam com a Palavra da Verdade, porque ela não lhes agrada!
O “não agradar” é, aliás, uma das melhores expressões para a
recusa daquelas pessoas, que julgam poder escolher a Verdade,
precisando retirar da mesma apenas o que lhes agrada, ou, como
também dizem: “convém”! Por essa denominação vós mesmos vedes
que condenável vaidade e que arrogante presunção reside nisso, já em
toda a maneira como se aproximam da Palavra, se é que querem
dignar-se a isso alguma vez!
Não há nisso a devida seriedade, menos ainda a necessária
humildade para encontrar de mais a mais algo nela, pois a Verdade
nunca se impõe.
Eu, porém, vos digo que os seres humanos não possuem nenhuma
escolha, mas sim têm de se curvar agora e descer do trono de sua
autoglorificação de uma existência erradamente imaginada!
Se os seres humanos não tivessem agido sempre assim, no decorrer
dos milênios, como procedem ainda hoje, se não tivessem torcido
sempre tudo o que lhes deveria ter auxiliado, para adaptá-lo ao sentido
humano e aos seus desejos terrenos, então haveria aqui na Terra agora
somente uma única doutrina, proveniente da vontade de Deus. Não
estariam em curso tantas espécies de confissões.
Tudo o que de doutrinas até agora veio para a Terra, unido, não
formaria senão uma escada para o pedestal que a Verdade tem de
ocupar, conforme a sagrada vontade de Deus, como foi anunciado aos
seres humanos tantas vezes, em múltiplas promessas.
Não haveria diversidade nas concepções, menos ainda nas próprias
doutrinas!
Pois todas as doutrinas estavam, outrora, de acordo com a vontade
de Deus, adaptadas exatamente a cada povo e a cada país, e moldadas
inteiramente de acordo com as respectivas maturidades espirituais e
receptibilidade.
Elas todas conduziam originariamente em linha reta para a Palavra
Sagrada de Deus da Verdade que encontrais na Mensagem. Já naquele
tempo tudo convergia em direção à época do Juízo Final, que hoje é! Os
portadores de cada uma das doutrinas com exceção daquela vinda da
própria Luz a esta Terra, eram os preparadores do caminho para a
própria Palavra da Verdade.
E esses preparadores do caminho esforçaram-se, muitas vezes em
árdua luta íntima, para cumprir fielmente sua missão, apesar de todos
os obstáculos que os seres humanos, sempre de novo, procuravam
interpor-lhes no caminho.
Mas a humanidade, já outrora, como sempre, falhou totalmente, em
cada caso, ao torcer sempre as palavras dos anunciadores,
preparadores do caminho, logo após o seu falecimento, ou ao deixar
fora totalmente aquilo que não podia compreender direito, retendo-o
da posteridade.
Contudo, justamente aquilo que procuraram reter, porque não
podiam compreendê-lo naquele tempo, era o mais importante de tudo!
Como essas anunciações mais importantes, naturalmente, sempre
tratavam do mais elevado de cada doutrina, o que sempre tinha sido
acessível apenas a um círculo bem restrito, porque o povo em geral não
as teria compreendido de nenhuma maneira, não foi difícil e também
foi compreensível retê-las primeiramente, razão por que, com o tempo,
foram esquecidas completamente.
Contudo, uma sábia providência não as deixou desaparecer
totalmente, e tempo virá, aliás já está próximo, em que chegarão
notícias de todos os países a respeito de escritos que falam dessas eras
antigas, surgindo como testemunhas contra os desvirtuamentos feitos
por uma humanidade presunçosa.
Demonstrar-se-á então que os posteriores adeptos das doutrinas,
hoje, não possuem mais contato algum com a própria doutrina
originária, a qual era muito diferente da forma como hoje é
apresentada e ensinada! Pois até a própria Verdade, trazida por Jesus,
foi torcida na expressão e no sentido.
Infelizmente, muitos esforços e também muita boa vontade foram
por isso despendidos por tantos fiéis nos erros que se constituíram no
decorrer dos milênios, e, assim, vemos hoje também as doutrinas de
todos aqueles sábios, que já eram preparadores do caminho para a
própria Palavra da Verdade, como Krischna, Lao-Tse, Buddha e
Zoroaster, apresentadas numa forma completamente estranha e, dessa
maneira, também de conteúdo diverso daquele como foi dado outrora
pelos próprios anunciadores. Assim também as descrições de suas
vidas terrenas foram desfiguradas no decorrer do tempo. Não
correspondem à realidade.
Milênios, sim, centenas de milênios de anos terrenos já foram
penosamente gastos pela Luz, com indizível paciência e inconcebível
bondade, a fim de vos formar e preparar para a época em que tereis de
julgar-vos, para sucumbirdes aí ou poderdes ascender
esplendidamente para os jardins luminosos da alegria eterna.
E uma vez que agora despontou a época que sempre foi anunciada,
os seres humanos encontram-se mais afastados da Verdade do que
nunca! Obstinadamente, apenas correm atrás das configurações do seu
querer saber próprio, precipitando-se assim nos abismos da
decomposição com o último golpe de espada da separação
purificadora, desejada por Deus!
O que imaginais, seres humanos, que agora virá para vós? Não darei
mais nenhuma indicação, em breve ireis, pois, vivenciá-lo!
Entretanto, ainda nesta época das mais desesperadoras confusões,
a Luz, auxiliando, distribui sempre de novo, de mãos cheias, novas
graças do manancial de sua onisciência inesgotável, que ainda terão de
se desenvolver automaticamente no fechamento do círculo de todo o
acontecer, palpáveis por todos aqueles que reconhecem o seu valor e
utilizam os auxílios agradecidos.
A Luz tira mais uma vez os véus que foram tecidos pelo sentido
humano em volta de tudo, e que tiveram de causar com isso a atual
confusão.
A Luz vos dá no Juízo novamente a Verdade e, com isso, também o
reconhecimento das conexões na grande condução que queria levar a
humanidade, de degrau em degrau e com cuidado, ao reconhecimento
da Luz, e para o que todas essas doutrinas deveriam servir.
Somente pelo mesquinho sentido humano e pelas vaidades
humanas surgiu coisa tão diversa, e às vezes até contraditória, daquilo
que originariamente era sempre uma só coisa e que jamais deveria
conduzir à dispersão!
Também nisso as trevas reconheceram mui habilmente as
fraquezas dos seres humanos terrenos e as utilizaram para si a fim de
alcançarem as metas hostis à Luz.
E esses seres humanos terrenos, aos quais sempre e sempre de
novo foram concedidos tantos auxílios da Luz, seguiram todos os
engodos das trevas mais do que dispostos, e até alegremente, devido à
vaidade e à presunção!
E entre esses seres humanos estivestes também vós, outrora, vós
que hoje nada quereis saber de tal culpa e, se possível, procurais
descarregá-la sobre outrem.
Cada um dos seres humanos encarnados atualmente sobre a Terra
teve uma vez, e na maioria dos casos até várias vezes, oportunidade de
seguir fielmente ao chamado da Luz! Uma vez pelo menos recebeu de
forma legítima a doutrina de um preparador do caminho.
Contudo, apesar de a humanidade pecar nisso sempre de novo, a
Luz dá com o Juízo e os conseqüentes fechamentos dos círculos de
todos os acontecimentos, também nisso, mais uma vez, a oportunidade
para o reconhecimento de tudo aquilo que até agora fez para a
humanidade, a fim de preservá-la da queda definitiva!
Com esses fechamentos dos círculos apresentam-se mais uma vez
as vivências de todos os preparadores do caminho, seu evoluir e
também seu atuar na irradiação da Luz, assim como foi, a fim de com
isso endireitar o que foi torcido e resguardá-lo, para todo o futuro, dos
pecados daqueles ambiciosos que tudo pretendem saber melhor.
As vidas terrenas e as atuações dos conhecidos preparadores do
caminho, a começar por Hjalfdar até Krishna, Lao-Tse, Buddha e
Zoroaster, e mais alguns outros ainda, revivem, visto que agora cada
princípio há de unir-se ao fim, no movimento circular, a fim de assim se
julgar, para se elevar ou cair.
Nas histórias de todos vereis, mais uma vez, nitidamente, a grande e
uniforme condução proveniente da Luz, mas também a luta
repugnante das trevas contra cada auxílio que devia ser dado às
criaturas humanas.
O ser humano, até agora, podia decidir quanto a aceitar ou rejeitar
o auxílio. Com a torção de doutrinas puras através de seu querer saber
melhor, porém, serviu ele somente às trevas, não à Luz! Causou desse
modo confusão e inimizades, como conseqüência daquelas doutrinas,
que na realidade deveriam unificar, se naquele tempo tivessem
permanecido puras, tão puras e cristalinas como foram dadas.
No entanto, que tais conseqüências funestas pudessem surgir,
apenas prova que tem de tratar-se de obra humana nas formas atuais,
pois o que provém de Deus ou o que for feito legitimamente por Sua
ordem, não conhece ódio nem inimizade!
Essa Verdade deveis tomar como pedra de toque para tudo! Sempre
que encontrardes intolerância e odiosidade ou até mesmo inimizade,
provocações contra quem não for da mesma crença, onde se tenta
prejudicar os adeptos de credos diferentes, aí a doutrina não é de Deus
ou é falsificada! E tais seres humanos servem somente às trevas, nunca
à Luz!
A doutrina que permite tal coisa tem de ser torcida, pouco
importando como é denominada, pois uma doutrina que ainda não é
torcida vibrará também, de modo puro, nas leis de Deus. Não educa
criaturas que queiram prejudicar o próximo!
Existem, naturalmente, também seres humanos que se servem de
uma doutrina pura, porém abusam dela, utilizando-a para fins próprios,
como o encontrais freqüentemente na História Universal e na de
alguns povos isolados, que, por isso, finalmente são conduzidos sempre
à ruína, mesmo que pareçam também elevar-se às vezes, aqui ou acolá.
Chama a atenção que os que assim procedem são
comprovadamente sempre os próprios servidores de tais doutrinas, que
desde os tempos antigos sempre se denominavam sacerdotes ou
servidores de Deus. E eles preparavam as doutrinas de tal forma, que
as interpretações servissem às realizações de seus próprios desejos.
Dessa forma o sentido das doutrinas já era torcido e os adeptos e fiéis
serviam, sem o saberem, somente aos templos e às igrejas, mas não
realmente a Deus!
E esses assim chamados servidores de Deus zelavam sempre,
ciumentos, pela manutenção de sua influência terrena sobre os
crédulos seres humanos e procuravam estendê-la sempre mais, pois
significava e era para eles, ao mesmo tempo, um poder e... o seu ganho,
sua subsistência!
E dessa maneira surgiu uma luta na qual se utilizavam de todos os
meios; uma luta, porém, pela subsistência, para o que qualquer meio
lhes parecia certo! Ainda hoje e por toda a parte podeis reconhecer mui
facilmente esse fato!
Disso resultou por fim, de modo totalmente natural, ódio e
inimizade, intolerância e provocações com relação ao próximo. Assim,
porém, ninguém serve a Deus, pois Deus proíbe essas coisas más, que,
aliás, mesmo consideradas apenas de modo puramente terreno e
examinadas com justiça, demonstra somente o pensar impuro daquele
que é capaz de agir de tal maneira, não podendo, entretanto, prejudicar
a pessoa visada, diante de seres humanos que ainda possuem índole
correta!
Há nisso, portanto, duas coisas como ponto de partida do falso: ou a
própria doutrina foi torcida pela mão e pelo sentido humano, ou seus
servos procuram utilizá-la no sentido errado, para fins principalmente
terrenos, egoísticos. Sua prática está, então, torcida e aproveitada para
fins próprios.
Uma coisa é tão condenável quanto a outra. Utilizar, porém, uma
doutrina pura predominantemente para fins próprios é pior ainda do
que quando uma doutrina é torcida por ignorância.
Tudo isso demonstrar-se-á agora no Juízo! Mas nos próprios seres
humanos, que assim pecaram contra o espírito, o qual deu a todos,
sempre de novo, como conceito básico da existência, desejada por Deus
nesta Criação, apenas a única doutrina: ama teu próximo, isto é,
respeita-o como tal! Nisso se encontra o mandamento férreo: que nunca
deverás prejudicar o próximo conscientemente, nem seu corpo, nem
sua alma, tampouco seus bens terrenos ou sua reputação!
Quem não considera isso e procede de modo diferente, não serve a
Deus, mas sim às trevas, às quais se entrega como instrumento!
Esse também não conhece Deus, nem a Sua santíssima vontade, que
se encontra em Sua Palavra. Também não conhece, por conseguinte, a
Palavra de Deus em seu verdadeiro sentido! E isso cada qual prova
claramente pelo seu modo de agir, isto é, no falar e no atuar! Por aí
vedes imediatamente quem serve realmente a Deus ou apenas às
trevas!
Aceitai isso como guia para a luta que deveis vencer contra tudo o
que serve às trevas e a elas pertence.
Se estiverdes firmes na Palavra, não será difícil sairdes sempre
vencedores, pois a Luz é eternamente mais forte do que as trevas, e
convosco está a onipotência de Deus, se servirdes fielmente!
Abdrushin
19. Quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais
próximo de vós!
Quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais
próximo de vós! Já há muito tempo esta expressão percorre o mundo.
Muitos lábios humanos a pronunciam como consolo, mas
infelizmente, muitas vezes, de modo impensado e apenas para que seja
dito algo diante de preocupações que oprimam a outrem.
Esta bela expressão, que encerra uma promessa, tornou-se uma
fórmula vazia de polidez social.
Quem, porém, não quer citar o nome de Deus, como existem tantos,
por estarem impedidos por mil motivos, este então diz: Depois da
chuva vem o sol! Ou ainda outras expressões populares do mesmo
sentido. Existem muitas dessas.
Contudo, nenhuma delas encerra a profunda seriedade e também a
força, como a expressão:
Quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais
próximo de vós!
A força animadora, que flui destas palavras, cada ser humano
intuirá quando, durante graves preocupações, nelas pensar. Há algo de
especial aí, o que não é proporcionado por nenhuma das muitas
maneiras de consolo. Destaca-se como herói vitorioso e vós o intuireis,
sem vos tornar cientes daquilo que é capaz de conseguir a
tranqüilização.
Quem, porém, estiver integrado na Mensagem, conhece o poder da
palavra, quando vibra nas leis da Criação. Nisso reside o segredo desse
efeito. A sentença aqui mencionada está bem ligada com as vibrações
da Luz, transmitindo, por isso, uma força que deve surpreender, se cair
em solo fértil.
No entanto, isso é condição fundamental, como, aliás, em tudo: o
solo deve estar preparado para tal!
Nas grandes aflições, porém, ele muitas vezes está preparado
devido aos abalos. Dessa maneira as palavras podem formar uma
ponte para o auxílio proveniente da força do Criador, que está à
disposição de cada criatura, porque se encontra vibrando na Criação
inteira. A criatura precisa apenas elevar o olhar confiantemente para o
Senhor, pois a confiança forma sempre o melhor caminho para um
auxílio proveniente da força.
O processo, pois, na utilização dessa sentença, é o seguinte: as
palavras “quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus também
estará mais próximo” despertam a confiança no ser humano que
acredita em Deus.
Com isso essas palavras estabelecem uma ponte, pois a confiança
surgida por meio delas eleva-se qual uma súplica, como uma oração,
por serem intuídas pelo espírito humano. Dessa forma o espírito se
abre para nova força, a qual, por sua vez, flui através dele em direção
aos lugares que o oprimem pesadamente.
Assim esses lugares de má vontade que se aproximam entram na
irradiação da Luz, a qual vence o mal.
Onde, porém, um ser humano não acredita no auxílio de Deus,
também não poderá surgir através dessas palavras aquela confiança,
que é necessária para deixar entrar a sagrada força da Luz e conduzi-la
àqueles lugares que geram a aflição.
Não penseis, contudo, que deveis retransmitir a força da Luz que
vos atinge, através de pensamentos egoísticos de ódio e planos
aniquiladores. Seriam canais impuros, através dos quais a força da Luz
também não poderia fluir sem turvação.
E cada turvação provoca enfraquecimento. Com isso, portanto,
enfraqueceríeis em seus efeitos o auxílio a vós destinado. Somente
quando fordes capazes de assimilar a força, na pura confiança em Deus,
que suplica o auxílio de Deus, deixando à Sua sabedoria a maneira
como Ele queira auxiliar, então será certo e possível utilizar de forma
límpida a força, para afastar e extinguir o mal.
Não necessitais nem deveis ter pensamentos próprios, quanto à
maneira e à forma dos efeitos! Aguardai com tranqüila confiança.
Vosso sofrimento já indicará o caminho para a força! E assim,
também o maior sofrimento terá de afastar-se finalmente de vós, sem
que vos sobrecarregueis novamente com pensamentos de raiva
irrefletida ou ódio.
Por isso também vos foi dada como advertência a expressão: A Mim
pertence a vingança, Eu retribuirei!
Isso deve servir como indicação para que vos comporteis de tal
forma, como é da vontade de Deus, encontrando-vos dessa forma na lei
da Criação, a fim de que então a força da Luz realmente vos possa
auxiliar! Contudo, tendes de formar a passagem para isso.
Para onde olhardes, vedes auxílios ao redor de vós; sois envoltos
por auxílios, de maneira que nem podeis cair, se quiserdes ver. E ver,
isto é, “saber”, só podeis mediante o conhecimento das leis de Deus na
Criação, portadoras daquela vontade, que vos auxilia sempre que
entrardes em situações aflitivas, desde que vós próprios não vos
mantenhais fechados com relação à força auxiliadora!
Breve chegará a época em que ficareis abalados diante da grandeza
de Deus e diante de Seu amor, que jaz em Sua vontade, atuando através
dela! Desejareis então desaparecer de sofrimento, ao reconhecer vossa
falta, vossa culpa, que não só repeliu todos esses auxílios, mas sim
pretendeu colocar-se acima deles, na presunção proveniente sempre
da pequenez, pois a grandeza desconhece a presunção, porque nem
tem necessidade de ainda ser presunçosa.
Por isso a presunção é sempre um sinal de pequenez interior e a
expressão da consciência de que a pequenez necessita, através da
presunção, aparentar algo maior do que em verdade é! Precisamente a
consciência da própria pequenez é o melhor alimento da presunção.
Vós, seres humanos, estais na realidade tão envolvidos por vosso
Criador, que nada vos poderia acontecer. Sois dirigidos e guiados de
maneira que nada vos pode expulsar do caminho certo, se vós próprios
não o quiserdes!
E apesar disso caístes tanto, afastaste-vos da Luz. Aquilo que em
toda a simplicidade era impossível, vós o fizestes e forçastes com
frívola vaidade: o afastamento do caminho certo, que conduzia em
linha bem reta para cima!
Quisestes entrar no pântano, e vossa livre resolução da vontade
precipitou-vos para baixo, cada vez mais fundo, justamente aquela que
deveria elevar-vos para cima, no anseio pela Luz.
Ainda hoje não conheceis toda a gravidade de vossa culpa! No
entanto, de mil maneiras ela se levanta agora contra vós, de todos os
lados, caindo sobre vós, como não era de esperar de forma diferente.
Os espessos véus tornar-se-ão agora, de uma semana para a outra,
cada vez mais transparentes, pois deveis reconhecer e então sucumbir,
a não ser que prefirais reunir todas as forças, a fim de agarrar-vos
suplicantes aos últimos auxílios, dispostos a principiar uma vida
totalmente nova, que com humildade se esforça para reconhecer a
grandeza de Deus na Criação, a fim de, servindo, dar atenção à Sua
sagrada vontade, e dentro dela empreender a escalada às alturas
luminosas.
Dessa forma, elevareis também lentamente o vosso ambiente e
seguireis de modo puro em direção à perfeição da beleza, que, como
expressão da constituição de vosso espírito, resulta do seu
crescimento, florescimento e amadurecimento.
Sim, tendes necessidade urgente de auxílio! Todos, sem exceção. E
por isso clamo hoje mais uma vez para vós, especialmente, que quando
a aflição estiver no auge, também mais próximo de vós estará o auxílio
de Deus! No entanto, tendes de preparar um solo adequado em vós,
capaz de acolher o auxílio, como é condição em tudo o que provém da
Luz para vós!
Não sejais levianos na confiança em Deus, nem superficiais na
crença, pois só então, quando essa confiança estiver forte e firmemente
ancorada em vós, é que podereis receber auxílio.
E a vós, portadores da Cruz, seja dito mais uma vez: quando
sofrerdes com as tentações, que as trevas ainda vos querem preparar,
não cultiveis durante as aflições pensamentos de ódio, mas sim
permanecei livres disso e olhai confiantes somente para cima, em
direção à Luz, para Deus, que nunca vos abandonará e que poderá
auxiliar-vos em cada aflição!
Então recebereis auxílios que vos surpreenderão e que para os
seres humanos constituem milagres, pois Deus então mostrará Sua
sagrada vontade, palpável e visível a todos os seres humanos que
queiram vê-Lo nos auxílios! É por meio de Sua onipotência que Ele
falará!
Refleti, porém, que não deveis brincar com isso! O Filho de Deus,
Jesus, também não se precipitou do alto da muralha, somente para
mostrar às criaturas humanas como Deus o protegia! Tomai isso como
exemplo e advertência.
Quantas vezes embaraçais os planos provenientes da Luz, por
irresponsabilidade e superficialidade, pela introdução de tanto querer
próprio errado e por meio de novos erros, que continuamente
cometeis.
Quando as conseqüências disso vos atingem, gritais e clamais por
Deus, para que Ele vos auxilie! Apesar de vós mesmos terdes agido
contra a Sua vontade, só porque ainda não vos aprofundastes
suficientemente nela e ainda não destes, de modo suficientemente
sério, atenção aos avisos, sinais e advertências provenientes do reino
espiritual. Eles vos foram oferecidos abundantemente.
Tão-só o atendimento literal das advertências espirituais devia ter
sido suficiente para vos poupar a metade e mais ainda das
preocupações e sofrimentos. Vossa missão devia ser sempre a de agir
em todas as coisas terrenas apenas de tal forma, que nunca mais fosse
dada às trevas possibilidade de poder atacar-vos terrenamente! Vós,
porém, particularmente destes muito pouco valor ao vosso falar, como
também ao vosso escrever!
Portanto, façais nisso uma diferença. Quantas vezes já indiquei que
mesmo a melhor vontade pode trazer grandes prejuízos e que também
justamente a boa vontade já provocou muitos e graves danos, quando o
ser humano se orienta aí exclusivamente de acordo com seu próprio
pensar.
Estais muito enganados se imaginais que muitas coisas não podiam
ter sido de outra maneira; não deveis presumir que o Senhor não teria
encontrado outros caminhos senão aqueles imaginados por vós, se a
Ele tivésseis suplicado profundamente. E é isso o que ainda vos falta. O
profundo suplicar infantil!
Quando quereis servir a Deus, pensais que Ele também deveria
concordar com todos os caminhos que vós seguis. Esta é apenas uma
exigência injusta e nada tem que ver com a confiança em Deus.
Aprendei a orar profundamente! Se necessitardes de uma solução,
ser-vos-á concedida de qualquer forma, com absoluta certeza. Pedi, no
entanto, primeiramente, que vos seja dado proceder de forma certa,
antes de iniciardes, e não rogueis bom êxito, após haverdes começado
conforme as vossas idéias!
Cada um de vós tem a forte condução do Graal, a ela deveríeis pedir
auxílio! Raramente, porém, isso virá a acontecer, porque vós pensais de
vossa condução, que ela, igual a vós próprios, também serve, e que ela,
por isso, no servir, deve ajudar a vós.
Podeis lembrar-vos dela também muitas vezes agradecidos, se um
trabalho vos for bem sucedido, de cujo término vós próprios não vos
julgastes capazes.
Fazei uma vez um sério exame de consciência e interrogai vosso
espírito, sem a delicadeza da própria deferência, o que realmente
acontece! Muitos de vós pensarão envergonhados nas muitas
negligências a este respeito.
No entanto, vos é mostrado de modo nítido e claro, através dos
relatos de tempos passados, em todos os livros que podeis conhecer,
como devem viver os seres humanos que foram convocados pela Luz, e
como têm de proceder nisso, a fim de obter êxito.
A finalidade de tudo isso agora pode ser dado a vós, não se limita
apenas a enriquecer vosso saber, mas sim mostrar novamente ao vosso
espírito os caminhos que ele tem de seguir, a fim de chegar
gradativamente ao reconhecimento.
Através da vivência de outros vos é mostrado o que a Mensagem
vos anuncia e o que ela exige de vós.
Antes de tudo, jamais esqueçais que as trevas sempre alimentam
ódio contra a Luz, esperando apenas a oportunidade para prejudicá-la,
procurando até arquitetar possibilidades para tal, se não for possível
de outra maneira, quer seja pela mentira e calúnia,
inescrupulosamente, quer seja mesmo pelo falso testemunho. Qualquer
recurso serve às trevas, como também aos seus instrumentos e
auxiliares voluntários, desde que possa embargar a Luz em seu avanço.
Por essa razão tendes de estar duplamente vigilantes, procurando
evitar tudo onde seja possível formar habilmente uma imagem falsa.
E lá onde, apesar de tudo, vierdes a ser acossados, recordai-vos da
expressão, que o auxílio de Deus estará mais próximo de vós, quando a
aflição estiver no auge.
Nem para todos os seres humanos, porém, essa expressão
representa a promessa que é. Pois não se deve pensar nela
unilateralmente, apenas querendo receber, como os seres humanos na
maioria das vezes o fazem, mas sim essas palavras impõem também
uma condição!
Deus é citado nelas, o que pressupõe que são dirigidas àqueles seres
humanos que acreditam em Deus e em Seu auxílio, Seu poder. Um ateu
excluir-se-ia desse auxílio proveniente da Luz!
Observai, pois, a regularidade da lei que chega à efetivação nesses
acontecimentos. Não é difícil reconhecê-la claramente.
Quem realmente acredita em Deus e em Sua sacrossanta vontade,
de forma e maneira corretas, não atuará de modo mal-intencionado e
injurioso contra as leis de Deus. Assim, para esse sempre estará aberto
o caminho do auxílio de Deus!
Se a ele acometer aflição terrena, então a causa para isso somente
pode estar em obras humanas ou concepções humanas, que nem
sempre vibram na vontade de Deus, mas que se originam de cálculos
egoísticos humanos.
Se atentar contra essas, o auxílio de Deus não lhe ficará negado.
Existe, muitas vezes, uma grande diferença entre aquilo que se
costuma denominar culpa perante a opinião humana e leis humanas, e
aquilo que é realmente culpa perante a sagrada Lei de Deus!
Nisso, o efeito recíproco na Criação nunca se deixa desconcertar e
ele não se orienta pelo teor de leis terrenas, mas atua unicamente nas
vibrações da vontade de Deus.
Se um legislador terreno, na elaboração de leis terrenas, não se
orientar precisa e cuidadosamente também pela questão,se as suas leis
estão realmente conforme a sacrossanta vontade de Deus,
permanecendo vibrando nela, sem desviar dela, então cada efeito
recairá pesado sobre ele e o manterá atado, mesmo se ele estiver de
opinião de que, a seu tempo, somente foi possível fazer assim, e de
outra forma nem teria sido possível aqui na Terra.
Atinge também todos aqueles que, atuando dentro das leis,
oprimem ou prejudicam seus semelhantes.
Tudo isso é tão simples e tão claro que, na verdade, nem seria
necessário falar sobre isso; pois os seres humanos o vêem sempre de
novo em toda a história universal, se prestarem atenção. Podem
encontrar nela a rápida ascensão de pessoas individuais e de povos
inteiros que, de uma aparente altura, tiveram então que desaparecer
em repentina queda!
Isso, então, sempre foi a conseqüência do efeito recíproco de ações
erradas e de diversas decisões que não estavam de acordo com a
constante, permanentemente imutável, vontade sagrada de Deus.
Quem, porém, na elaboração, procura derivar leis terrenas da
vontade de Deus, este edifica em solo firme e suas obras também
subsistirão naquela bênção e naquela paz que elas trazem a todos os
seres humanos que devem orientar-se por estas leis!
Nisso, não existe diferença num efeito, não importa se nos
acontecimentos trata-se de pessoas individuais, que procuraram
estabelecer, somente para si, diretrizes bem determinadas por suas
próprias decisões, ou se isso valia em dado momento para povos
inteiros, de soberanos que tiveram o destino de um povo em suas
mãos: cada decisão deve estar firmemente ancorada na vontade de
Deus, se dela deva advir uma bênção!
Uma determinação não deve partir da vontade própria de um ser
humano, não importa quais os objetivos que ele persegue com isso.
Nisso, seus pensamentos devem repousar na vontade de Deus; pois
somente Deus é o verdadeiro Soberano sobre tudo!
Cada ser humano fica dependente Dele, seja ele rei ou mendigo.
Proteção, auxílio e bênção estarão com ele somente quando se orientar
pela vontade de Deus e não pela própria! Isso subsistirá por todos os
tempos e demonstrar-se-á, por fim, sempre de novo, visivelmente, nos
efeitos.
Por esse motivo pesai primeiro cuidadosamente e de modo exato,
em vosso íntimo, tudo o que pretendeis falar e fazer, para que a
reciprocidade vos possa trazer apenas bênção.
É preferível que penseis dez vezes a respeito de algo, procurando
pesar minuciosamente os prós e os contras, a falar ou a fazer algo
impensadamente, uma só vez que seja, ou considerar alguma coisa
superficialmente.
Pensar dez vezes não exige muito tempo. Uma vez habituados,
necessitareis para isso de poucos segundos apenas, pois vossa intuição
pesará instantaneamente.
No começo, custar-vos-á naturalmente algum esforço, até que, por
fim, se desenvolva num fenômeno natural, na consciência da
responsabilidade!
A esse objetivo têm de chegar todos os seres humanos, pouco
importando o que façam na Terra e em que lugar eles souberam
colocar a atual existência.
Então resultará um atuar alegre e uniforme, que sempre constituiu
o silencioso anseio daqueles seres humanos que com a existência
terrena só procuraram servir a Deus!
Abdrushin
20. O abismo dos desejos pessoais
Onde quer que sejam apresentadas palavras oriundas da Luz a um ser
humano terreno, ele, ao querer compreendê-las, adapta o sentido aos
costumes terreno-humanos, arrastando assim essas palavras para o
círculo restrito de suas esperanças e desejos. Embora não modifique o
teor dessas palavras, rebaixa-as, todavia, porque esquece que tais
palavras não provêm do sentido humano, mas sim daquela altura,
inacessível a sua compreensão.
Não se esforça, porém, pelo menos nesses casos, em modificar seu
modo de pensar, em tentar seguir, mais ou menos, aquele caminho por
onde as palavras descem a ele, ou ao menos em colocar isso como base
de sua vontade de compreender, mas sim, em sua presunção, espera
simplesmente que Deus tenha de falar com ele, partindo do ponto de
vista humano, se quiser comunicar-lhe algo destinado a sua salvação.
Nada adianta opor-se a esse fato, pois assim é, como se mostra
diariamente, de modo constante!
No entanto, justamente isso se torna a ruína para o ser humano,
pois dessa forma nunca aceitou a mão que lhe foi estendida para a
ascensão, e tem de vivenciar agora em si mesmo, através da
manifestação dos últimos efeitos recíprocos, que a mão, que até então
deixara de lado, sem dar atenção, passando vaidosamente por ela, na
ilusão do seu próprio querer saber, foi retirada.
Justamente então, quando gostaria de pegá-la, na hora de sua
aflição, não mais a encontrará!
É, no entanto, de tal forma incisivo para cada ser humano, e tão
importante, abandonar essa comodidade e essa presunção, que sempre
de novo tenho de falar a respeito, a fim de procurar explicá-lo aos seres
humanos, de tal maneira que me compreendam, pois sem essa
modificação, desde a base, não são capazes de se elevarem
espiritualmente de novo, apesar de procurarem iludir-se de muitas
formas.
As formas, que eles próprios imaginaram, são todas erradas e têm
agora de ser destruídas. Aí os seres humanos cairão em desespero,
perecendo, então, doentes de corpo e de alma, caso não se dignarem
sujeitar-se antes, obedientes como as crianças, à Palavra da Verdade, e,
com toda a força que lhes resta, subir de novo, penosamente, degrau
após degrau, pelos quais, na teimosia do querer saber melhor,
resvalaram despercebidamente!
O pensar errado causado pela torção do raciocínio terreno!
É indizivelmente triste que por toda a parte justamente esse defeito
principal dos seres humanos se coloque tanto em evidência em todo o
seu pensar, turvando-lhes a clareza da visão.
O que quer que pensem, onde quer que examinem, sua presunção
não os deixa chegar à Verdade, porque eles mesmos se encontram em
terreno errado, a partir do qual nunca poderão pensar acertadamente,
mesmo quando se esforçam sinceramente em prol disso.
E assim, a maior parte de todos os seres humanos cairá no abismo,
sem pensar nisso e sem se aperceber disso no começo da queda.
Esse momento, porém, já está presente, não está ainda por vir. A
maioria dos seres humanos, desde algum tempo, já se encontra na
queda, não podendo mais impedi-la, porque chegaram tarde demais ao
reconhecimento, pois não deram ouvidos àquilo que ainda em tempo
poderia tê-los levado à salvação, porque dirigiram o olhar para o lado
errado, na expectativa e na esperança correspondente a sua vaidade.
Quando, porém, finalmente quiserem mudar, não poderão mais
alcançar a salvação, pois ter-se-á aberto nesse ínterim um abismo
intransponível, enquanto eles mesmos já foram arrastados longe
demais, em direção ao redemoinho aniquilador, que não os solta mais
de sua correnteza absorvente.
Assim, grandes massas serão vitimas dos erros provenientes da
própria vontade, porque na realidade seguiram fielmente apenas
desejos pessoais, pouca atenção dando a tudo o mais.
E esse desejar pessoal, que já reina há milênios, que o ser humano
tratou e cultivou com grande cuidado, encontra-se tão arraigado
devido ao trato, penetrando em tudo de tal modo, que mesmo toda a
melhor vontade, já ao nascer, se encontra entrelaçada pelo mal, sem
que o próprio ser humano perceba algo disso.
Ele não o acredita, nem mesmo que lhe seja mostrado; julga-o
impossível, no entanto aí está, sempre à espreita, irrompe de repente,
impondo valia muitas vezes, justamente quando se trata de ser
abnegado, como o exige o servir a Deus.
E uma vez que no Reino do Milênio somente deverá persistir o
servir a Deus, como base para toda a atuação, como condição
fundamental do poder existir, assim podeis imaginar o que terá de
resultar disso, o que aguarda tal humanidade! É algo que mesmo o
mais sério entre os que procuram ou entre aqueles que pretendem já
ter encontrado, não é capaz de imaginar. E, no entanto, tornar-se-á
ação, abrangendo amplamente, selecionando, julgando!
Todos vós estais incluídos, pois também vós não reconhecestes
ainda a seriedade dos acontecimentos vindouros e das exigências que
Deus vos impõe.
Por esse motivo, trato hoje mais uma vez detalhadamente desse
assunto, pois é chegado o tempo em que tereis de comprovar-vos em
tudo, inclusive nisso.
Para mim de fato já é desoladora a sempre repetida necessidade de
exortar, pois apenas raras vezes encontro alguma compreensão, e vós,
seres humanos, vos habituais a isso. Por acontecer tão freqüentemente,
parece-vos demais conhecido, e devido a isso julgais já tê-lo
compreendido. Essas palavras, porém, jazem inaproveitadas num
canto bem escondido de vossa alma, esperando a ressurreição.
Não lhes dais importância, porque podeis tê-las sempre de novo,
pelo menos assim pensais, e, principalmente, porque elas não vos
agradam. Elas vos são incômodas, por isso parece como se vos
cansassem ou como se nada de novo vos pudessem dar, e, por esse
motivo, permanecendo vazios, passais por elas, para rapidamente vos
desviardes a outros pensamentos. Bem sei disso. Não obstante, quero
ocupar-me mais uma vez com esta necessidade de modificação, tão
importante e indispensável para vós, embora acrediteis já saber
exatamente a esse respeito.
Não o sabeis! Pois desse desconhecimento forneceis sempre de
novo provas infalíveis.
Tomemos primeiramente a Palavra, a Mensagem! Não escolho
casos isolados entre vós, pois no fundo, em todos os seres humanos,
sempre de novo, com maiores ou menores alterações, é exatamente
igual, mesmo que as formas exteriores se mostrem aí, às vezes,
essencialmente diferentes. Essas são então adaptadas apenas às
respectivas condições terrenas de cada um, ao seu grau de cultura e às
suas experiências.
Excluamos daí, por completo, os zombadores presunçosos e os
indolentes de espírito, pois esses de qualquer forma já se julgam por si
mesmos e, para o futuro, não mais entrarão em consideração. Desses,
portanto, nem precisamos falar.
Tomemos, por isso, os que procuram sinceramente a Luz e os que
ainda são espiritualmente ativos.
Imaginai que um desses seres humanos entre em contato com a
Palavra da Mensagem. Ela obrigatoriamente terá de tocá-lo de alguma
maneira, por nem ser possível diferentemente com relação ao espírito,
assim que a Palavra, que provém da Luz, chegue até ele. Cada espírito
ouvi-la-á, se não estiver demasiadamente enclausurado ou já
dormindo.
O ser humano intui então alegria ou pavor, aprofundar-se-á na
Palavra e aí, talvez, reconhecerá. Consideremos, pois, aqueles que, em
favor de sua salvação, reconhecem.
Com a penetração da Palavra ficam profundamente emocionados,
sentem-se libertos, elevados. Dispostos a reconhecer os erros, a se
corrigirem, pedem conselhos e força, e gostam de mencionar suas
dificuldades, seja aí verbalmente ou por escrito. Dificuldades, na
maioria, de ordem terrena e somente mui raras vezes de ordem
espiritual. Dificuldades das quais eles mesmos são culpados, a que eles
mesmos deram a causa.
E notai bem, esses são os bons, são aqueles que aceitam a Palavra e
querem modificar-se! Vede vós mesmos: ao reconhecerem já vêm com
pedidos, nos quais vibra a esperança da realização! É o que chamam
querer servir a Deus!
Segundo sua opinião possuem a grande “boa vontade”, e o resto a
força da Luz deve agora fazer. Ou... tem de fazer? Sim, segundo sua
opinião, a expressão “tem” certamente está correta, isto é, conforme a
opinião mais íntima! E também segundo sua expectativa, a Luz tem de
auxiliar da maneira como eles desejam e imaginam! Seus pensamentos,
aliás, são desejos e seus desejos silenciosos são pensamentos mal
definidos, não expressos.
O melhor e o máximo que o ser humano julga poder dar ao Criador
e Conservador é ajoelhar-se diante Dele e exclamar com sujeição:
“Aqui tens minha alma, Senhor. Dispõe dela a Teu agrado!”
Isso é o máximo que o ser humano é capaz de fazer, é ao mesmo
tempo o mais humilde e melhor, também o certo... segundo sua opinião
terrena!
Contudo, não é assim! Nesse seu proceder reside apenas
comodismo e preguiça de seu espírito, que assim se expressam!
Não é Deus que quer aí ser obrigado a agir em favor do ser humano,
mas sim sempre apenas o próprio ser humano tem de fazer isso para si!
Terá de envidar todos os esforços para cumprir finalmente as leis de
Deus! Trilhar o caminho que a Palavra da Verdade, mais uma vez, lhe
indica.
Como são tolos os seres humanos e, apesar disso, tão hábeis em
iludir a si mesmos quanto àquilo que tem de ser e permanecer para
eles o que há de mais precioso, se quiserem poder continuar a usufruir
as graças de seu Deus.
São tão horríveis os erros e desvios em todo o proceder e pensar
desses seres humanos terrenos, que, temendo por eles, seria de
desesperar, se não se soubesse do temporal purificador que agora
soprará com a força da Luz, para salvação daqueles que ainda
conservarem acesa uma pequena centelha de seu espírito, escondida
debaixo dos escombros vindouros de todo o errar humano.
Tal centelha será inflamada ou apagada pelo temporal, conforme o
anseio e a vontade de tal centelha.
E, apesar da gravidade dessa época, o ser humano procura ainda
intrometer seus insignificantes desejos pessoais e seu saber pessoal na
engrenagem da grande atuação da Criação, a fim de moldar, segundo
sua mentalidade, até mesmo aquelas realizações que provêm da
onipotência de Deus!
Tudo isso, no entanto, jamais querem confessar a si próprios, por
preço algum! Pelo contrário, apegam-se firmemente ao pensamento de
que seu falso proceder já é o primeiro passo para a transformação. E
esse passo denominam de humildade, orgulham-se de sua confiança na
ajuda proveniente da Luz, que solicitam e pela qual esperam.
Na realidade, porém, o nefasto desejar pessoal novamente já se
imiscuiu no primeiro passo, deturpando-lhe em muito a vontade
ascensional!
Os seres humanos nada disso percebem. Ficam desapontados,
quando o auxílio não se lhes apresenta imediatamente de modo visível,
apesar de terem lançado na balança apenas a sua “vontade” e nada
mais! A “vontade” já era, para eles, a ação, que, entretanto, só dava para
formar um “pedido”, o que já consideram algo especialmente
grandioso.
Certamente a “boa vontade” nisso já é, no desvirtuamento atual,
algo grandioso e também raro, mas não é suficiente para o
cumprimento da exigência que Deus faz agora à humanidade, para a
sua salvação! Somente o mais severo exigir, sem indulgências, ainda
poderá trazer salvação para a humanidade, pois do contrário não
despertaria, caindo logo novamente no que é velho, no errado e no
comodismo espiritual.
E Deus exige! Ele exige agora de vós, antes de conceder novamente
algo, porque espontaneamente não quisestes decidir-vos a usar os Seus
caminhos que Ele mandou tecer para vós na Criação! E que são
constituídos unicamente de acordo com Sua vontade.
A boa vontade da humanidade de nada adianta, se essa vontade não
for transformada em ação. Transformada em ação pelos próprios seres
humanos, antes de se apresentarem com novos pedidos perante Deus!
Isso está bem explícito na Mensagem como condição fundamental.
Os próprios seres humanos têm de provar, agora, através de seus
esforços ativos, o quanto levam a sério a sua própria salvação!
Somente então o Senhor os aceitará mais uma vez em Sua graça. É,
porém, decididamente algo diferente, muitíssimo diferente, de como
procuram imaginar, mesmo os seres humanos de boa vontade! E mais
de uma vez já chamei expressamente a atenção para isso na
Mensagem.
Quem não quiser cumprir, esforçar-se por si mesmo, e lutar em
causa própria, esse também não merece mais auxílio!
Somente na luta e nos esforços sinceros é que vem o auxílio,
através da força; do contrário, deixa de vir.
Somente na luta, na ação, cada ser humano se abre acertadamente,
de forma que possa lhe fluir a força e com isso o auxílio.
A força é auxílio, se ele a aproveita, isto é, a utiliza! Contudo, nunca
de maneira diferente do que em suas ações! Os seres humanos devem
transformar-se e depois vir; e não devem vir, a fim de se deixarem
transformar!
Como o ser humano deve se transformar, o que tem ele de fazer
para isso, encontra-se explicado exatamente em minha Mensagem!
Se quiser encontrar dentro dela, encontrará, de qualquer maneira.
Minha Palavra não deixa sem esclarecimentos aos que procuram, em
qualquer situação de vida, seja ela qual for.
Quem então vier com perguntas, não compreendeu a Mensagem,
não se inteirou dela de modo suficientemente profundo e sério. Este,
por conseguinte, também não é suficientemente sério em seu procurar!
Não aplica aquele esforço que é condição, se lhe deva vir auxílio. Por
isso, terá de esperar também em vão por auxílio.
Gravai isso, vós que vos denominais buscadores! Encontrareis nisso
uma medida para a atividade de vosso espírito, com a qual não vos
podeis enganar.
O perguntar constitui comodismo daquele que tem a Mensagem nas
mãos. Não é suficientemente ativo, pois do contrário não lhe restaria
nenhuma pergunta.
Procurai e tereis de achar o que precisais para vós! No entanto,
procurar, isto é, esforçar-vos, deveis fazê-lo de fato.
E ao esforçar-vos, encontrareis a vivência espiritual que necessitais,
se quiserdes tirar proveito da minha Palavra! Pois se eu quisesse
explicar-vos continuamente todas as vossas perguntas, se eu ensinasse
cada ser humano durante cem anos, ele não poderia ter nenhum
proveito, pois, não obstante isso, nada vivenciou!
Avançando continuamente no querer saber, jamais poderá chegar a
vivenciar o que aprendeu. Cada palavra aprendida tem de se tornar
primeiramente ação! Somente pela atividade, ainda que seja apenas
espiritual, ela pode tornar-se propriedade de cada um!
Por esse motivo não adianta querer, sempre e sempre de novo,
ouvir coisas novas de mim. Eu já falei o bastante, tanto, que toda a
vossa existência terrena não será suficiente para concretizar o
pronunciado dentro de vós, muito menos externamente!
Agi, pois, primeiramente de acordo com o que eu já vos disse até
agora! No entanto, aí hesitais, na opinião de querer primeiro conhecer
muito mais, possivelmente saber tudo, antes de imprimirdes um
verdadeiro início com vós mesmos.
Dessa maneira sempre tendes de gravar em vossa mente o que é
novo. Para vivenciar aquilo que já foi dito, não vos resta tempo algum.
E assim perdeis tudo!
Deixai agora a correria em busca de coisas novas, pois só podeis
começar com as pequenas coisas, se quiserdes cumprir tudo
plenamente, assim como tem de ser.
Em toda esta criação não há nenhuma realização sem um começo,
ao qual se segue um constante crescimento, que impele para o
florescimento e para a frutificação, que, por sua vez, encerra um novo
processo criativo.
Assim, como vos mostrais agora, pode apenas vos resultar como
sucede com o corpo terreno, que tem de tornar-se indolente, tão logo
seja superalimentado! Não é possível de forma diferente. Começar com
bom ânimo, pequeno e humildemente, e somente então, devagar, mas
seguramente, para diante no saber!
De forma diferente nada podereis alcançar, porque tudo na
Mensagem é novo para a humanidade terrena, mesmo que alguma
coisa nela vos pareça conhecida. Contudo, apenas parece assim, porque
procurais tratar disso com demasiada superficialidade.
Se observardes direito, no esforço assíduo de um espírito ativo, é
novo!
Movimentai-vos, vós próprios, e não vinde logo com perguntas a
respeito de impedimentos e fardos, sob os quais tendes de sofrer no
momento. Assimilai primeiro de modo certo minha Palavra e procurai
vivenciá-la dentro de vós, então tudo se modificará com acerto!
Por isso observai-vos rigorosamente e cuidai para que, no servir,
vos torneis capazes de deixar o pendor para os desejos pessoais, o que
naturalmente só alcançareis, quando conseguirdes reconhecer essa
falta, para vós tão funesta.
Não é difícil, tão logo vos observardes, a partir da Palavra da
Mensagem, com aquela implacabilidade que todo o buscador sincero, e
que se esforça pelas alturas luminosas, tem de empregar contra si
mesmo, se ele leva a sério sua busca e seus esforços.
Este é o primeiro e difícil passo que, sendo cumprido, tornará então
todos os outros mais fáceis. Reuni apenas a força e também a coragem
para dá-lo, então vos florescerão auxílios por toda a parte, sem que
ainda tenhais de pedir por eles especialmente.
Chegareis então a um ponto em que, balbuciando, somente
agradecereis sempre e sempre de novo a vosso Deus, enquanto que
todo o pedir se tornará, por si próprio, desnecessário.
Ide e agi assim, para que em breve a paz e a alegria possam estar
convosco!
Abdrushin
21. Chamas purificadoras
Também hoje muitos seres humanos, que têm conhecimento do Filho
de Deus, Jesus, e acreditam em sua espécie e missão, festejam
novamente o Natal.
Apesar de a espécie de missão não ter sido reconhecida de maneira
certa pelos seres humanos, porque muitos pensam que ele veio apenas
para sofrer e morrer aqui na Terra por eles, mesmo assim também
existem alguns entre eles que, no mais puro querer, oram a Deus e a Ele
agradecem pela missão de Seu Filho.
E a esses seres humanos deve ser dado auxílio, por causa de seu
querer puro, mesmo que através de dor e sofrimento, se de outra
forma não for possível levá-los ao reconhecimento de seu erro!
A dor e o sofrimento são então um ato do maior amor, que mais
uma vez lhes quer ajudar, para que não se perca o seu querer puro, só
por causa de um conceito errado aprendido através de escolas e igrejas
e do qual, espontaneamente, não podem mais deixar, porque receiam
ficar com isso sem apoio e se expor a inimizades terrenas.
A esses seres humanos deve ser dado auxílio! Não, porém, àqueles
que, tal qual os primeiros, foram levados por caminhos errados, mas
que não trazem em si o grande e puro querer, e sim mornidão,
superficialidade, indiferença em tudo o que está em ligação com essa
festa. Tampouco àqueles que, por costume, consideram a festa como
algo puramente terrenal e não espiritual!
Para esses a irradiação do amor, que hoje e por ocasião da
solenidade da Estrela Radiante atravessa as chamas do Juízo, não
encerra o auxílio alegre, mas sim repulsa, para que eles sucumbam no
Juízo!
A irradiação do amor, que hoje, após meses, atinge pela primeira
vez novamente esta Terra, é precursora do próprio amor de Deus, o
qual aos poucos se movimenta novamente ao encontro de seu
invólucro terreno, seguindo a trajetória da Estrela, que agora vem de
modo exigente, na força primordial de sua constituição espiritual,
aproximando-se cada vez mais da humanidade terrena.
Impetuosamente se aproxima como mensageira de Deus, como
testemunha Daquele que foi enviado para cumprir a sacrossanta
vontade!
Ela torna, aí, tudo novo, pois através dela cai e despenca aquilo que,
no Juízo, foi marcado para a queda! Ela traz o desencadeamento disso.
Em sua irradiação vivenciareis, agora, os efeitos grosso-materiais!
É o desencadeamento do já ocorrido Juízo na matéria grosseira, de
acordo com as leis da Criação, como foi prometido desde há muito!
Julgado já está cada ser humano segundo suas obras, as quais deixam
reconhecer seu íntimo.
Entre essas obras não se devem entender aquelas de matéria
grosseira visíveis aos seres humanos, mas sim os efeitos do seu
verdadeiro querer, que ele freqüentemente esconde dos seres
humanos.
Os efeitos do seu querer mostram-se em suas obras, que de início
são invisíveis aos seres humanos, no legítimo e automático tecer desta
Criação, conforme já descrevi na Mensagem, as quais, porém, estão em
conexão com o seu gerador, devendo com o tempo tornar-se sensíveis
e também visíveis na matéria grosseira.
E este Juízo de Deus já ocorreu em toda parte! Espiritualmente ele
se efetuou imediatamente e agora também aconteceu na matéria fina.
A Estrela Radiante em impetuosa aproximação é, no entanto, agora
a chave que desencadeia o acontecimento na matéria grosseira,
terminando aqui o que já se processou no espiritual e na matéria fina.
A força da Estrela rompe as muralhas que os seres humanos
erigiram em volta de si mesmos, far-lhes-á sentir o Juízo, perante o
qual, sob a proteção grosso-material de seus corpos terrenos, até agora
ainda podiam passar furtivamente.
A Estrela é a chave para os acontecimentos de matéria grosseira,
que em tudo foram preparados pelos auxiliadores enteais!
Desse modo ela se torna, agora, o último chamado para a
humanidade terrena, a derradeira advertência que, em rápida, sim,
direta seqüência, traz também consigo o fim, o qual pode se tornar um
princípio somente para aqueles seres humanos que quiserem, daqui
em diante, enquadrar-se nas leis de Deus, incondicionalmente, em
humilde adoração a Deus-Pai, seu Único Senhor em toda a eternidade!
Os seres humanos que, devido ao seu querer próprio, procuraram
afastar-se Dele, criando ídolos por eles mesmos escolhidos, serão
esmagados por estes, que, derrubados agora dos seus pedestais pela
onipotência de Deus, cairão sobre aqueles que os elevaram a esse
ponto.
Seres humanos, encontrai-vos numa época, cuja aspereza tendes de
agradecer a Deus, porque unicamente ela pode trazer-vos salvação, ao
despertar-vos do profundo sono em que caístes por vosso próprio
querer!
Abalos sobre abalos de toda a espécie vos atingirão agora
terrenamente, e, estreitamente ligado a isso, também a alma. Muitas
pessoas, hoje, somente podem ser atingidas na alma, se tiverem de
vivenciar o terrenal na forma mais grosseira, porque já são
demasiadamente embotadas em tudo, e suas almas jazem isoladas
atrás de uma edificação de pedra, para sonhar, como que paralisadas,
ao encontro do sono da morte.
A edificação de pedra é a obra do raciocínio terreno que, em
primeiro lugar, tem de ser quebrada e destruída, antes que a alma
possa notar algo das irradiações da Luz.
A obra do raciocínio terreno, opressor do espírito, estende-se por
toda esta Terra, endurecendo tudo, sendo ainda especialmente
destacada em muitas pessoas. Entretanto, já no primeiro impacto da
Luz chegará ela, mui rapidamente, a balançar.
Com o aparecimento da Estrela Radiante, porém, ela desmoronará
por toda a parte sob os gritos dos seres humanos que a ela estão
presos, e sob imprecações e maldições mútuas.
Toda a confusão caótica será, então, ornada por toda a parte com
atos de loucura, mas também misturada com súplicas que se elevam do
desespero!
Justamente pelo fato de a obra perniciosa parecer tão firmemente
edificada e terrenamente forte, sua ruína deverá tornar-se tanto mais
horrível, porque devido à força de sua resistência também o impacto
da Luz se tornará mais poderoso.
Então, encontrar-vos-eis firmes no meio da confusão, olhando
alegremente para Deus, pois sois guardados e protegidos na graça de
Sua onipotência, se atuardes dentro da Palavra!
E vossa segurança concede proteção e auxílio a todos, cujas
súplicas, baseadas no reconhecimento de Deus, se dirigem à Luz. Vós
podereis indicar o caminho aos que procuram, o qual os conduzirá
para fora dos laços e das armadilhas das trevas que caem, para que eles
não sejam arrastados conjuntamente, se suas almas ainda no último
momento, esforçando-se sinceramente, procurarem agarrar-se à
Palavra.
Que a irradiação do amor de Deus será enviada já agora, em meio
de todas as irradiações de ira, é novamente uma bênção tão
imensurável, a qual o ser humano compreenderá somente muito mais
tarde. A irradiação do amor dá hoje, a muitos seres humanos ainda,
uma possibilidade de poderem se salvar no meio do Juízo. A tais, que
de outra forma teriam de se perder, porque suas forças não bastariam
para se libertarem das trevas, cujos tentáculos procuram mantê-los
presos na queda.
É a irradiação do amor divino, que a ele mesmo precede! Amor esse
que está estreitamente ligado a Jesus, que em parte vem de Jesus.
Como outrora, por ocasião do nascimento do Filho de Deus, Jesus,
na Terra, assim também será hoje, mais uma vez, colocada a base para
que a nossa solenidade da Estrela Radiante novamente possa tornar-se
uma solenidade de agradecimento pelo inimaginável amor de Deus!
Assim como em 7 de setembro de cada ano é celebrada com alegria
a solenidade da pureza divina, a solenidade do Lírio, também a
solenidade da Estrela Radiante, por este novo ato de graças do Senhor,
tornou-se agora uma solenidade do amor divino, a solenidade da Rosa!
Onde quer que a Estrela Radiante envie ao Universo as puras
chamas incandescidas pelo espiritual, realiza-se sempre e
simultaneamente naqueles pontos também um grande ato de graças do
amor de Deus!
E se ela, agora aqui na Terra, desencadeia o Juízo, então há também
nisso amor de Deus, pois ele traz salvação e libertação das trevas e de
todo o malquerer para as criaturas que almejam a Luz!
Que as chamas desta Estrela tenham de desencadear um Juízo,
deve-se unicamente aos seres humanos que, em seu querer mau,
afastado de Deus, sua presunção e egoísmo, formaram obras más, que
não suportam a irradiação purificadora da Luz, oscilando e
desmoronando!
Na realidade essa irradiação encerra em sua incandescência
somente a mais pura força para a devida elevação de todos os seres
humanos terrenos e da própria Terra, agora, dentro do fenômeno
universal! Portanto, a irradiação do mais puro amor de Deus, o qual,
contudo, é suportável apenas por aquele que vibra no amor de Deus.
E tudo o que não possa vibrar nele será dolorosamente apanhado,
crestado, queimado pela pureza dessas irradiações, pois a chama
purificadora desta Estrela não é somente destinada ao espírito, mas
sim para toda a criatura, também para a matéria grosseira. E à
purificação pertence a destruição de tudo aquilo que não pode vibrar
no amor de Deus!
A Estrela, de qualquer forma, teria chegado nesta época, para então
derramar sobre a Terra a plenitude de sua incandescência e, com isso,
na sua intensa força espiritual, sugando, elevar a humanidade e a Terra
para um novo reino, ao qual agora pertencem segundo a lei da vontade
de Deus!
Estivessem os seres humanos tão amadurecidos, como já deveriam
estar hoje em seu desenvolvimento, se tivessem procurado atender a
todas as leis da Criação, então o aparecimento dela despertaria nos
seres humanos jubilosa saudação e uma feliz adoração, cheia de
agradecimento, ao Senhor que a enviou!
Como, porém, não é assim, mas sim a humanidade terrena no falhar
afundou ainda mais do que se poderia imaginar, o seu aparecimento
efetua-se agora, de modo diferente. Ela deve atuar, primeiramente,
destruindo e aniquilando, até que a força de sua irradiação, elevadora e
construtiva, possa manifestar-se da forma mais pura, porque então ela
cairá sobre aquele solo, que foi preparado pelos sofrimentos, para
recebê-la dignamente!
Somente por isso a Estrela torna-se o Juízo para os seres humanos e
para tudo aquilo que não está de acordo com a vontade de Deus. E só
está de acordo com a vontade de Deus aquilo que vibra no amor de
Deus, porque Deus é o amor!
Vós, seres humanos, compreendeis agora a grande simplicidade
que se encontra em todo o fenômeno universal? Seja o que nele se der,
só poderá ser sempre amor!
Vós, porém, fizestes da santidade do amor uma imagem totalmente
desfigurada, rebaixastes o seu conceito até a imundície.
Contudo, também isso, por sua vez, somente devido ao raciocínio
preso à Terra que, consoante a sua espécie, conhece apenas o amor
terreno edificado sobre o sentimento de matéria grosseira, não
possuindo nenhuma capacidade de compreensão para a intuição de um
espírito puro. E o sentimento de matéria grosseira ele ainda torceu,
transformando-o num instinto embrutecido!
Não contente com isso, porém, o raciocínio, no desenvolvimento
progressivo de seu exagerado cultivo, forçou ainda esse instinto
embrutecido, o qual, no entanto, podia permanecer puro como nos
animais, cada vez mais para baixo, até o pecado!
Colocar o ser humano terreno num nível igual ao do animal, era
insuficiente como objetivo das trevas escarnecedoras. Queriam manter
o espécime humano ainda muito mais baixo, colocá-lo abaixo ainda de
cada animal!
Os seres humanos, que nos seus lentos desenvolvimentos, sob
cuidadosa direção de tantos eleitos, determinados e preparados pela
Luz para esse fim, foram capazes de conseguir livrar-se com grandes
esforços dos instintos animais, todavia puros, e que no princípio ainda
existiam nos seus corpos, deviam, não só cair de novo nesse estado,
apesar de já terem despertado neles os espíritos, mas sim deviam ser
forçados a cair ainda mais para baixo do que estavam antes.
Através do raciocínio, servindo voluntariamente às trevas, e, com o
estímulo delas, cultivado excessivamente pelos próprios seres
humanos, raciocínio esse que, eternamente duvidando, cismando, não
concede mais um firme apoio ao ainda insuficientemente fortalecido
espírito, estes assim tornados dependentes conseguiram, como
conseqüência automática, transformar o instinto animal puro de seu
corpo numa cobiça calculista da forma mais baixa, isto é, envenenando
no ser humano até a naturalidade do animal!
Com isto, tudo ficou literalmente estragado, e o ser humano terreno
facilmente rebaixado para a mais ínfima dentre as criaturas de toda a
Criação, porque isto tinha de ser a conseqüência do raciocínio que se
desenvolvia automaticamente em todos os males, com o cultivo
excessivo e unilateral, após o pecado original, uma vez que ele não dera
ouvidos aos muitos auxílios provenientes da Luz!
E que ele não daria ouvidos a esses auxílios, era evidente às trevas,
pois estas conheciam a vaidade dos seres humanos, que tinha de
aumentar sempre mais, devido à presunção do raciocínio terreno
errada e excessivamente cultivado.
Assim, com o cultivo errado do raciocínio, foi colocada para o ser
humano não somente uma profunda e fatal armadilha de alma, mas
sim, ao mesmo tempo, também foi corrido um pesado ferrolho devido
à vaidade que aí disparava, o qual teria de impedir que uma alma
pudesse escapar da armadilha, pois a vaidade no querer saber melhor
não deixaria, assim tão facilmente, esses seres humanos terrenos, em
seu mesquinho modo de pensar, dar ouvidos aos auxílios vindos da Luz
pela Palavra!
Está certo, pois, se ficais tomados de horror, assim que eu fale de
quão profundamente caiu o ser humano!
Agora, porém, deve ser pronunciado e arrastado do esconderijo
lúgubre para a Luz, para que seja definitivamente destruído pela
irradiação da Estrela, caso não seja queimado pessoalmente por cada
um que desperta, no fogo do espírito acordado. Justamente hoje eu
quero cumpri-lo, no dia do mais sagrado amor de Deus.
Eu clamo aos seres humanos para que reconheçam tal fato e se
livrem do mal, ao qual se entregaram como ao mais forte entorpecente,
por artimanhas do tão torcido raciocínio! Pois unicamente este os
levou a isso.
O sedutor sabia muito bem que tinha de acontecer assim, após a
humanidade ter tomado a direção falsa por ele oferecida como engodo!
Nem podia acontecer de forma diferente, pois o raciocínio, que
devia tornar-se apenas um instrumento executivo do querer humano,
prejudica agora todo o querer e elevou-se, desse modo, a si mesmo, a
falso guia, que não pode ter ligação com a sagrada vontade de Deus,
ficando, com isso, interceptado também do amor de Deus.
Justamente hoje, por ocasião da solenidade do sagrado amor, no
que, aliás, ela deverá se tornar futuramente, eu tinha de apresentar-vos
mais uma vez o quadro, a fim de que vísseis como é constituído
atualmente vosso amor em sua maior parte; a fim de que reflitais,
horripilados, e ainda possais receber uma centelha do puro amor de
Deus!
Eu descortino esse quadro, a fim de que possa ser destroçado agora
com tudo quanto está errado e que agora não mais deve ter lugar na
Criação, depois de sua grande purificação!
Nunca teria chegado a tal ponto, se os seres humanos tivessem
dado ouvidos, pelo menos uma vez, de modo eficaz, aos muitos auxílios
vindos da Luz!
Algumas vezes, sim, deram ouvidos, quando se demorava entre eles
um anunciador, contudo depois de sua partida logo cismavam a
respeito da sua palavra, a fim de, através das dúvidas surgidas e do
querer saber melhor, dissecá-la, torcê-la e transformá-la de acordo
com o próprio gosto. E assim afundou a humanidade terrena, lenta,
porém seguramente, cada vez mais fundo, no lodo que seus próprios
pensamentos formaram e difundiram.
Agora, porém, erguei-vos vigorosamente! Pois mais uma vez não
será permitido tal acontecimento. Chegou o fim, mas somente o vosso,
se desta vez não quiserdes dar ouvidos às Palavras de Deus, as quais
devem elevar-vos para aquele ponto, em que o ser humano deve se
encontrar como ser humano nesta Criação!
Não lhe será mais permitido permanecer como um monstro, que
não pode ser nem bem ser humano nem bem animal, na perfeita obra
do Criador, para desfigurar a sua beleza, para continuar a impedir e
perturbar a vibração da pura harmonia.
Vem aí o sagrado Juízo, ó seres humanos terrenos! Por isso tornai-
vos seres humanos ou perecei nas chamas da Estrela Radiante!
No entanto vós, portadores da sagrada Cruz na testa, agradecei ao
Senhor por esta grande purificação, pois vós, que portais pura em
vossas almas a Palavra da Mensagem, com o grande querer para o bem;
vós, que aspirais pelas luminosas alturas, a vós a Estrela outorgará
grande força, para que vos torneis novos dentro de vós, de acordo com
a vontade de Deus!
Sob forte proteção da Luz, passareis por esses tempos difíceis, que
vos deixarão cada vez mais purificados e incandescentes, até vos
tornardes chamas, que brilharão na Terra para honra de Deus, na mais
pura adoração, e que atuarão auxiliando entre os seres humanos,
atraindo por toda a parte em que uma centelha espiritual, no
despertar, ainda se queira elevar para as alturas luminosas!
Por isso, ide agora confiantes na Palavra, que vos mostra os
caminhos certos, que tendes de seguir, e que também vos transmitirá a
força para as horas em que o desânimo vos quiser dominar. Pensai que
tudo o que vier será um ato de graças do amor de Deus, que força a
purificação!
Cada solenidade da Estrela deverá tornar-se, no futuro, uma
solenidade de agradecimento pelo atuante amor de Deus, a qual se
unificará com a, até agora conhecida, Festa de Natal.
Contribuí vós para isso, com o vosso auxílio junto aos seres
humanos, que em aflições de alma brevemente se acercarão de vós.
Prestai-lhes auxílio na Palavra! Pois esta permanece ainda a única
coisa que precisarão em primeiro lugar!
Abdrushin
22. A saudade salvadora
Uma profunda saudade perpassa todos os seres humanos terrenos que
dentro de si ainda não estão inteiramente perdidos: a saudade pela
libertação de seu espírito!
De como deverá se processar a libertação, ninguém faz uma idéia
clara. Todos têm apenas anseio por isso, que se intensifica cada vez
mais pronunciadamente.
E estranho: a saudade manifesta-se de tão múltiplas maneiras.
Cansaço invade algumas almas, outras sentem uma tristeza que não
podem compreender, muitos se vêem tomados de uma inquietação que
os deixa apreensivos, havendo por outro lado também aqueles que
trazem em si o pressentimento de uma grande intuição de felicidade,
sem conhecerem um motivo para tal.
Inúmeros seres humanos, porém, andam como que aturdidos,
tornam-se facilmente susceptíveis, desconfiados, irritados e, em noites
agitadas, surge-lhes à frente a horrorosa imagem da inferioridade, cuja
ridícula inexpressividade os torna desnorteados, o que por sua vez os
instiga à cobiça de influência e de poder, a fim de preencher essa
lacuna que se abre cada vez mais visivelmente.
Quanto mais essa espécie de seres humanos se vêem afundar
espiritualmente, sem possibilidade de salvação, tanto mais
convulsivamente se agarram às aparências! Todo o seu pensar se dirige
apenas às exterioridades vazias, envoltas com palavras bombásticas, a
fim de, em delírios extenuantes de prazeres ou festanças, anestesiar
por alguns momentos o sentimento da própria inferioridade, que cada
vez mais forte se manifesta.
Os prazeres não devem sempre ser considerados aí somente de
modo físico, mas existem também prazeres que encerram desejos
errados de dominar, na satisfação da avidez pelo poder ou da vaidade,
que se pode manifestar sob múltiplas maneiras, desde a brutalidade
descontrolada e obstinada, até as mais ridículas brincadeiras,
consideradas inofensivas, mas que na realidade não permanecem
inofensivas, quando, com relação a tais brincadeiras, se procura
colocar obstáculos no caminho.
Como é notório, toda a puerilidade contém em si crueldade, logo
que se trate de forçar satisfações.
Finalmente, em todos esses que afundam e que estão perdidos, ao
sentirem sua incapacidade, irrompe então uma injustificada raiva,
cheia de ódio, contra aqueles seres humanos que ainda trazem em si
algo de valor e mostram verdadeira capacidade.
A inveja não lhes permite unirem-se a tais seres humanos de modo
pacífico, a fim de aproveitarem as suas capacidades beneficamente, a
não ser que antes se comprometam com a escravidão total.
No entanto, também isso não deixaria em paz os indivíduos assim
fustigados intimamente, porque, a julgar pelos próprios erros, não
confiam na palavra alheia e, além disso, ainda receiam sucumbir
rapidamente diante da capacidade daqueles.
Temem que a capacidade de outrem, no decorrer do tempo, não
possa ser ocultada indefinidamente, surgindo claramente à luz do dia,
com o que a sua própria incapacidade evidenciar-se-á mais
nitidamente ainda. É o que a vaidade menos pode suportar. Já o
pensamento disso desperta uma revolta, que só pode planejar
destruição.
Dessa maneira, ódio cheio de inveja cresce até os mais extremos
excessos naqueles que estão afundando espiritualmente: a raiva
incalculável e injusta da completa irreflexão: o destino dos tiranos!
Contudo, no rol dessa classe de tiranos não deveis imaginar apenas
dirigentes de grandes povos, pois com isso não aponto para
determinadas pessoas, isoladamente, nem deverá surgir diante de vós
um Nero, nem a pior ignomínia da assim chamada cristandade na
época das inquisições, hostis a Deus, instituídas pela igreja; mas sim
deveis apenas observar e aprender no presente, a fim de vos tornardes
seres humanos de espírito livre, como vosso Criador deseja!
Com isso eu quero abrir vossos olhos espirituais, pois o Criador vos
fala, nesta época, através de cada acontecimento, tão claramente como
nunca, a fim de amadurecerdes no espírito!
Em toda a parte podeis encontrar tiranos, nas profissões, na
sociedade e nas famílias! Existem, agora, muito mais do que nunca, pois
todos os seres humanos encontram-se no Juízo! Devido a isso, tudo se
desenvolve também mais rapidamente e de maneira mais forte do que
jamais aconteceu.
Atentai para a época e também para os sinais que eu vos indico com
minhas explicações. Isso vos trará grande proveito, se deixardes tudo
chegar à vivência dentro de vós!
Com minha exposição eu vos apontei a situação da humanidade
atual, assim como ela é hoje, sem que ela mesma o saiba.
Ela já está dividida em dois grupos definidos. Um grupo compõe-se
das pessoas mencionadas inicialmente, cujas almas, perpassadas de
saudade, aguardam inconscientemente algo que elas mesmas ainda
não podem definir, uma vez que a época para tanto ainda chegará.
O segundo grupo compõe-se dos mencionados por último, que se
encaminham para a ruína, que eles mesmos têm de preparar para si,
segundo a sacrossanta vontade de Deus. Pertencem a esse grupo
também todos aqueles que, por preguiça ou livre vontade, se
irmanaram aos que afundam.
Este evento já constitui a separação de toda a humanidade terrena
em bodes e ovelhas, como outrora foi prometido!
A grande realização básica para o Juízo já está concluída, e os seres
humanos nada disso pressentem! Vivem no torvelinho de suas
imaginações, sonhando com a grandeza e importância de sua
existência, ao encontro... do fim que os despertará brevemente para a
realidade, e assim para a responsabilidade de cada pensamento, cada
palavra e cada ação!
Tudo isso é inimaginável para os seres humanos, porque eles
supõem tudo em escala muito menor do que realmente se realiza, e,
contudo, procuram dar-se muito mais valor do que na realidade têm.
Seria completamente inútil dar uma ampla imagem do futuro.
Proveito só vos traz, se souberdes daquilo que se processa agora, se
reconhecerdes o presente e disso colherdes ricos frutos para o futuro!
Sede vigilantes, observai e examinai, sem que vós mesmos
sucumbais nisso! E para isso dou-vos as explicações, pois cientes deveis
poder vivenciar todas as transformações. Quem negligenciar isso, não
pressente qual o lucro a que assim renunciou.
Compreendei minhas palavras e olhai em vosso redor! Cairá então
como que uma venda de vossos olhos.
A origem de tudo aquilo que hoje mencionei, tornando a separação
cada vez mais nítida, não é conhecida dos seres humanos, apesar de
terem de vivenciar em si mesmos os acontecimentos. É também
absolutamente impossível que de algum modo possam defender-se das
conseqüências, ou que possam alterar algo delas, a não ser que eles
próprios se transformem! Unicamente isso pode dar-lhes alívio, nada
mais no mundo.
Todos estão sujeitos a esse fenômeno, seja oferecendo resistência,
seja de modo solícito, e também vós, cada um individualmente. Estais
entregues incondicionalmente a ele. Tudo isso, porém, é o início, que
com espantosa velocidade se avoluma para o fim. Para o fim, que para
muitos só poderá ser e será um fim de máximo pavor; somente para
poucos um fim que trará a libertação espiritual de laços que durante
milênios os oprimiam, como desgraça por eles mesmos forçada, que
hoje têm de suportar.
A causa da saudade salvadora, porém, bem como do
desenvolvimento até o limite exato do início da autodestruição é a
mesma força: a pressão da Luz proveniente da Luz primordial, a
sagrada vontade emanada de Deus!
Esta se acha tão intensificada, na grande era de transformações da
humanidade, que agora perflui os mundos, purificando-os, forçando
tudo novamente à vibração uniforme das leis harmoniosas da Criação,
abrangendo agora também esta Terra, ainda como última obra,
envolvendo-a implacavelmente, desencadeando, no remate final,
aquilo que sobre ela já aconteceu e, dessa forma, aniquilando ou
elevando, extinguindo o que não quiser mais vibrar em suas leis
imutáveis, vivificando o que procura adaptar-se de boa vontade.
O que vós, em face dessas explicações, vereis agora, para vosso
amadurecimento, são os primeiros efeitos terrenamente visíveis da
descomunal pressão da Luz, jamais existente na Terra!
Brevemente e em seqüência cada vez mais acelerada, seguir-se-ão
os outros efeitos, irresistivelmente, até que finalmente também vossa
Terra esteja purificada de tudo quanto é errado e de tudo quanto não
quis enquadrar-se nas leis de Deus, visando a dar preferência ao
próprio querer pensar.
Por ora só vos pode ser útil saber aquilo que vós mesmos fordes
capazes de observar e, por esse motivo, chamo vossa atenção para as
ocorrências atuais, fundamentais já para o final do Juízo, pois separam
todos os seres humanos naqueles que afundam e naqueles que
poderão ser salvos!
Inúmeros são os sinais que anunciam o começo do Juízo Final;
contudo, o seres humanos passam apressadamente por eles, na
suposição ou ilusão de que tudo isso já aconteceu muitas vezes.
Esquecem, porém, de confrontar as contingências sob as quais isso
ou aquilo já aconteceu anteriormente. Existem aí enormes diferenças,
que não deverão passar despercebidas, se se pretende julgar
acertadamente.
Antes de mais nada o ser humano não deve revelar-se tão medroso,
covarde ou superficial, para querer passar indiferente diante do atual,
absolutamente surpreendente, volume dos acontecimentos, quer se
trate de catástrofes da natureza ou econômicas, quer sejam homicídios
e suicídios, confusões políticas, lutas pelo poder terreno entre Estados
e igrejas, e tudo o mais.
Jamais se deu tudo isso simultaneamente, em tão grande
quantidade, como se dá hoje. Só isso já devia dar, a cada um que medite
a respeito, um indício de desencadeamentos mais acelerados, que se
avolumam visivelmente; devia despertar o pressentimento de um
colossal remate circular universal, através de um poder superior à
vontade e à capacidade humana, e uma desforra ligada a isso.
Nisso desaparecerá o errado, permanecendo unicamente o bem. O
bem ou o errado, no entanto, não será medido aí de acordo com o
sentido humano, mas sim somente segundo o sentido de Deus!
Os seres humanos permanecem na ignorância de tudo isso, por sua
própria vontade! Devido ao medo, à superficialidade e leviandade, ou
também por presunção. Não em último lugar, nisso, encontra-se a
preguiça espiritual. Muitos até, dentre os que procuram a Luz, não
conseguem libertar-se inteiramente disso. Em minha última
dissertação já me referi à preguiça espiritual, a qual chega a tal
extremo, que nem mesmo os mais inteligentes querem realmente
“pensar” sobre coisas que não se orientem de acordo com seus
ambiciosos objetivos terrenos!
Os seres humanos não querem compreender e somente
reconhecerão tudo quando o reconhecimento não tiver mais nenhuma
utilidade para eles. Todos os apelos partidos da Luz para um despertar
são por isso em vão.
A propósito de tudo o que lhes é novo, os seres humanos,
irrefletidamente, referem-se à advertência sobre os falsos profetas,
durante a estada, na Terra, do legítimo grande Salvador proveniente da
Luz, que simultaneamente desencadeia o Juízo.
Irrefletidamente falam de tudo isso, e notam-se aí o vazio e a
imaturidade das almas, o desvalor de tal espírito humano para o
desenvolvimento progressivo, visto que sua preguiça desperdiçará
qualquer possibilidade de ascensão, embaraçando tão-só o caminho
para novas revelações, de maneira que o amor proveniente da Luz não
poderá encontrar nenhuma entrada para a salvação.
Quem dos seres humanos dá-se conta de que, sob falsos profetas,
não pode ser entendido apenas, de modo unilateral, o conceito de
portadores de novas revelações, mas sim de que se refere a cada um
daqueles que diz poder realizar nem que seja uma parte somente
daquela obra, que aguarda a força do prometido enviado da Luz.
Também não são entendidos com isso somente aqueles que
afirmam pretender ser o Salvador renascido, o que já denota por si,
claramente, a própria ignorância sobre a missão do prometido Filho do
Homem, mas sim são englobados nisso muitos mais.
Para poder julgar a respeito, porém, tem de preceder um outro
saber: o saber da verdadeira missão do prometido Filho do Homem na
Terra!
Já aqui tudo pára, se ponderardes sobre isso. Não existe ser
humano algum na Terra, que possuísse um efetivo saber sobre isso!
Desde séculos fala-se de fato muito sobre isso, entretanto não existe
um saber verdadeiro a respeito. Com palavras bíblicas
incompreendidas, dá-se a cada interpelante uma resposta que nada
esclarece e novamente realça apenas o tatear inconsistente de todos os
seres humanos pretensamente sabedores, a fim de que se torne
claramente visível.
Um falso profeta é, na verdade, aquele ser humano que se atreve
afirmar poder realizar uma parte daquilo que é reservado ao
prometido enviado de Deus!
E desses existem muitos hoje em dia, por se tratar de atuação na
Terra, não de ensinamento; pois o prometido será o único verdadeiro
auxiliador da humanidade em suas aflições da alma e aflições terrenas!
Reconhecer os falsos profetas na hora certa, não será
demasiadamente difícil para os seres humanos, uma vez que terão de
vivenciar em si mesmos, a fim de chegarem ao reconhecimento,
porque, antes, nem acreditariam em palavras.
Toda a obra daqueles seres humanos que, como falsos profetas,
prometeram algo aos seres humanos, algo que não lhes podem dar,
agora ruirá por inconsistente ou nem chegará a erguer-se, no que a
humanidade tem de reconhecer, ainda que em amarga vivência, que
confiou em falsas promessas, que acreditou em capacidades simuladas,
inexistentes.
Esses são, pois, os falsos profetas propriamente ditos, aos quais a
profecia se refere, pois quem neles acreditar deverá passar por
vivências amargas com dolorosa decepção.
Aqueles, porém, que se apresentam como Jesus renascido, nem
podem ser considerados falsos profetas, mas sim mentirosos, sem
noção alguma da missão do Filho do Homem, menos ainda têm a
capacidade para poder iniciar sequer a mínima parte dela. Nem sabem
que Jesus e o Filho do Homem não são uma única pessoa, mas sim duas
pessoas distintas, expresso em linguagem humana, embora sejam um
só naquele sentido como Jesus dizia de si: Eu e o Pai somos um só!
É estranho que também muitos cristãos não queiram compreender
isso, apesar de falarem sempre, de modo natural e acertadamente, da
trindade de Deus, que é três e, no entanto, um só! E Jesus, que é uma
parte dessa trindade, eles separam, sem hesitar, como se existisse e
agisse por si só, como Salvador em pessoa, sozinho. Nisso, aliás, não
estão totalmente errados, mas não o compreendem! Também não
meditam a respeito, porque são demasiadamente preguiçosos
espiritualmente.
Prossigamos, entretanto, mais um pouco. O ser humano que aponta
para os falsos profetas, rejeitando-os, também tem de saber que os
falsos profetas que surgem constituem justamente um dos muitos
sinais que anunciam o aparecimento do verdadeiro enviado!
Sim, então o verdadeiro perscrutador, pelo menos, teria de manter-
se atento, para não perder o certo! É que isso não deve dar-lhe sossego,
estimulando-o para o mais severo exame de tudo o que é oferecido,
para que possa tornar-se, sem demora, um auxiliar para aquele que
virá, e não, em vez disso, um obstáculo em seu caminho! Ou até um
aborrecimento!
Ele, o ser humano terreno, tem de se esforçar para reconhecê-lo!
Esta é uma das tarefas, condicionadas por Deus, para ele, para que
desta vez se mostre digno da Sagrada Palavra. Nisso, todavia, também
o ser humano que se diz buscador, age de modo demasiado leviano, se
se contemplar e observar os buscadores. Contudo, a causa disso não é
unicamente a leviandade, ou melhor, a costumeira superficialidade
devido à preguiça do espírito, mas sim justamente entre os buscadores
fala em primeiro lugar a vaidade, a presunção!
Tal fraqueza, por si só, precipitará na ruína a maior parte dos seres
humanos que dizem buscar a Luz! E não é de lastimar, pois são
hipócritas, visto que não empregam aquela sinceridade que cumpre à
Palavra de Deus, querendo apenas vangloriar-se nessa aspiração
vaidosa, destituída totalmente de qualquer humildade.
E unicamente a humildade abre o portal para o reconhecimento de
tudo aquilo que emana da Luz!
Contudo, passemos também sobre esse fato, então resta ainda um
ponto que a muitos parece totalmente intransponível: de que maneira
os buscadores imaginam esse prometido, em sua vida terrena e em sua
“vinda”! Sob a expressão “vinda” entende-se nesse caso o “evidenciar-
se”, pois certamente será compreensível, a cada ser humano, que ele
não cairá do céu já como homem feito, de matéria grosseira, nem como
criança.
Em verdade, não imaginam absolutamente nada! Contudo, desde o
início, estipulam condições bem estreitamente delimitadas, com suas
esperanças ou pretensões imprecisas!
Acima de tudo prevalece o desejo de que ele surja de seus
respectivos círculos! De outro modo nem podem imaginar tal evento,
porque julgam possuir um direito preferencial para tal, visto terem
acreditado em sua vinda antes dos outros.
Terá, naturalmente, de interessar-se por eles, isso é sua obrigação,
pois para tanto vem como auxiliador na aflição; talvez até devesse
deixar-se guiar por eles, pois é estranho à Terra e precisa dos
conselhos cuidadosos que lhe oferecem com suas experiências
terrenas já colhidas! Assim, construir-lhe-iam prazerosamente um
futuro, que ele haveria de lhes agradecer. E, retroativamente, também
não lhes faltariam as bênçãos.
Em suma, todo o pensar, todo o querer é puramente terreno,
enquadrado em seu acanhado pensar terrenal, em seus conceitos
terrenos, misturado com muitos desejos ocultos.
Não refletem que, ao iniciar, ele já deva ter acumulado suas
próprias experiências, passando completamente desconhecido até
então, a fim de que fosse excluída totalmente qualquer influência; pelo
contrário, os seres humanos se mostram de tal forma como realmente
são, com todas as suas fraquezas, seus defeitos e em todos os males!
Inclusive em relação a ele mesmo.
Que tudo isso só possa acontecer no ambiente da vida cotidiana, da
maneira mais natural e simples, na mais real experiência vivencial, o
raciocínio humano não alcança. Na mais infundada superficialidade e
verdadeira indiferença, aguardam-se acontecimentos especiais, não
terrenais, extraordinários! De maneira muito chamativa até.
Por quê? Ninguém se dá conta a respeito. Também ninguém pensa
que justamente com relação às coisas chamativas imediatamente tudo
aquilo que julga possuir aqui algum poder e influência se colocaria em
oposição, sem falar que das coisas chamativas jamais poderiam ter
oportunidade de receber reconhecimentos profundos.
Não é assim, que alguém vindo da Luz possa, facilmente, descobrir,
talvez mesmo compreender, o pensar restrito e o malquerer dos seres
humanos terrenos, pois o mal é estranho e incompreensível à Luz.
Quantas vezes os pais não compreendem os próprios filhos, que são da
mesma espécie, ao passo que a Luz permanece completamente
estranha, em espécie, com relação a tudo o que é humano.
Somente com grande esforço, no próprio vivenciar e nos
sofrimentos, o enviado da Luz pode adquirir o conhecimento de todos
os males da Terra e, antes de tudo, de todo malquerer; nunca, porém,
uma compreensão disso, uma vez que o mal de forma alguma pode ser
compreendido, porque não há nenhuma justificativa para a sua
existência na Criação.
Portanto, uma longa estada na Terra, para conhecer todo o mal
humano e também todo o pensar dos seres humanos, tem de ter
precedido essa “vinda”, porque com a vinda já há de se iniciar o Juízo, e
então o auxílio. E auxílio só poderá prestar quem conhece exatamente
as fraquezas e as forças.
Tudo é muito simples, e cada ser humano poderia, teria de dizê-lo a
si mesmo, se não fosse demasiado preguiçoso espiritualmente e
demasiado indiferente a esse respeito. E ele é indiferente, porque como
buscador fala, sim, a respeito, mas no seu íntimo não procura vivenciá-
lo.
Falta toda a ligação entre a real intuição e as palavras e, com isso,
todo o apoio verdadeiro. Ele procura! Essa é a única coisa que não se
lhe pode tomar como mentira. A expressão “procurar” já encerra
também a resposta, que nada encontrou.
Uma vez, porém, que foi prometido pela Luz que todo aquele que
procure sinceramente e com humildade, também encontrará, de
conformidade com a lei, isso assim demonstra que os buscadores, que
hoje assim se denominam, não são verdadeiros buscadores e que falta
a todos eles o principal para isso, a humildade!
Esta, realmente, não se encontra entre os que hoje se chamam
buscadores e muito menos ainda onde justamente se fala de
humildade! Os seres humanos nem sabem mais o que seja humildade
no espírito, porque conservam o espírito encerrado dentro de si pelo
raciocínio, o qual apenas conhece a presunção e a vaidade, zombando
da humildade.
Mas chega disso. Chegou o tempo em que toda a presunção ruirá
fragorosamente em sofrimento lastimoso, de tal forma que o ser
humano por si mesmo tem de chegar à humildade ou tombará para
nunca mais poder levantar-se. Vivenciar é ainda o único auxílio para a
humanidade, que não quer ouvir!
Os buscadores, ou os que esperam pela realização, enfronharam-se
tanto nos próprios pensamentos, que nem mais prestam atenção a
outra coisa e, de antemão, enfrentam com desconfiança tudo o que não
se enquadre nos seus desejos, tendo a recusa já na ponta da língua. Eles
nunca chegarão ao reconhecimento, sem passarem pelas mais graves
aflições!
Milhares de coisas desde o início se opõem a isso e, a favor, nada!
Muitos pressupõem, categoricamente, uma semelhança de vida, na
atualidade, com a época do Filho de Deus, Jesus, há dois mil anos!
Esperam uma peregrinação através dos países, cheia de renúncias, sem
pensarem sobre o que as autoridades de hoje diriam a tal respeito!
Também hoje uma pessoa não pode retrair-se sossegadamente,
como outrora, para alcançar, no isolamento, a concentração para o
despertar. Isso teria suas grandes dificuldades, que em parte nem
seriam transponíveis!
Mesmo transpondo todas as dificuldades, não seria possível, sem
que suspeitassem de doença ou desequilíbrio mental. Sem falar da
avidez nociva e inescrupulosa de muitos jornais pelo sensacionalismo,
que, freqüentemente, na falta de qualquer moral e do mais elementar
sentimento de justiça, são capazes de praticar os maiores absurdos.
Também aquilo que outrora ainda se sabia respeitar e que se
considerava um direito pessoal de todo ser humano, aquilo que ainda
se julgava lógico e natural em tais assuntos, hoje muitos encontrariam
nisso apenas razões para justificativas de suspeita, por puro medo de
todas as idéias diferentes, ou atribuiriam somente motivos
fraudulentos à vontade mais honesta, porque todo o pensar
contemporâneo está envenenado!
Constitui, porém, uma certeza irrefutável o fato de que só pode
pensar mal de seu próximo, aquele que traz em si mesmo a maldade!
Sobre isso ser humano algum pode argumentar. Somente um perjuro
supõe ou espera quebra de palavra de outrem; só um mentiroso, uma
mentira; um traidor, a traição! E assim se dá com tudo, é lei irrefutável!
Hoje é muito pior do que naquela época, quando Jesus peregrinava
aqui na Terra, e nada disso poderia hoje repetir-se. Tudo, pois, tem de
ocorrer agora de modo totalmente diferente, isso é evidente.
Não obstante, os seres humanos não querem imaginar um enviado
de Deus vestido de casaca ou num automóvel, enquanto deveriam,
pois, saber que também Jesus não se apresentou com vestes
sacerdotais, mas sim andou bem trajado, de acordo com os costumes
daquele tempo, vivendo também segundo aquela época. Tudo o que aí é
esperado pelos seres humanos se encontra sobre base fraca e nada
disso se realizará, porque Deus, em Suas realizações, não Se orienta
segundo os desejos humanos.
Os seres humanos, porém, estão demasiadamente distantes de tudo
o que se refere ao divino e pensam de modo demasiado mesquinho e
terrenal para, em suas concepções, ainda poderem se aproximar das
realizações vindouras. Encontram-se afastados da Verdade, assim
como sempre foi. A maior parte, porém, de qualquer forma nem tem
tempo e muito menos vontade para ocupar-se com isso! Como sempre,
quando estava em jogo, para a humanidade, assimilar algo da Luz ou
fazer algo para a própria salvação.
Em primeiro lugar, para eles, está o terrenal, e para tudo o mais, na
pressa cada vez mais crescente, não sobra tempo algum! E se alguma
vez sobrar uma hora de calma, então esses seres humanos, tão
inutilmente extenuados, só querem, para compensar, distrações ou
esporte, nada mais.
Eu vos digo, ó seres humanos, negligenciastes o principal para vós,
e vossa separação já está concluída para o Juízo! Vós próprios vos
separastes, sob a pressão aumentada da Luz, que tudo desencadeia na
sacrossanta vontade de Deus. Sem parar, tudo agora caminha para o
fim! O fim, no entanto, constituirá somente para aquela pequena parte
uma nova vida, na graça resplandecente do amor de vosso Criador,
para todos os demais, porém, a eterna condenação e queda para a
decomposição. Nem vos resta, também, mais tempo para a costumeira
e demorada ponderação, que até agora jamais fez nascer uma
resolução. Vós sois indolentes demais para a verdadeira vida, e, para a
volta, falta-vos, com a humildade, tudo.
AMÉM.

AS RESSONANCIAS DA MENSAGEM DO GRAAL II - ABDRUSCHIN

  • 1.
    1. A PalavraSagrada Sagrada é a Palavra! Tão sagrada, que eu sinto vontade de retirá-la da humanidade terrena, porque lhe falta toda a noção, sim, até mesmo um pressentimento da grandeza dessa Palavra! Sinto-me impelido a ocultar a Palavra, de modo a protegê-la, para que jamais entre em contato com a presunção injuriosa ou com a indiferença dessas almas humanas que, em sua preguiça espiritual, se tornaram tão incrivelmente restritas e, assim, desprovidas de saber. Que sabem elas ainda a respeito da santidade! Da santidade de Deus e também de Sua Palavra! É deplorável! Poderia-se desesperar e desanimar diante desse reconhecer. Sinto-me impelido a escolher apenas alguns dentre todos os seres humanos, dez ou vinte apenas, aos quais continuaria anunciando ainda a Palavra, embora esses poucos, também, não chegariam à noção da verdadeira santidade e, dessa maneira, nem mesmo a uma sintonização correta com a grandeza e o valor de minha Palavra! Dar a Palavra Sagrada a estes seres humanos é para mim o mais difícil que tenho que cumprir. O que isso significa, o que jaz nestas palavras, isso vós novamente não podeis abranger! Assim encontro-me perante vós, ciente de que também os melhores dentre vós aqui na Terra jamais me compreenderão acertadamente, nem assimilarão a décima parte do que lhes é dado com minha Palavra. Vós a ouvis e a tendes em mãos, contudo não utilizais seu valor para vós! Vejo como passam despercebidos os altos valores e indizíveis forças, enquanto, por outro lado, vos utilizais de coisas que, em relação à Palavra em vosso poder, não podem ser consideradas nem como o mais ínfimo grão de pó. Com esse saber encontro-me diante de vós. Cada vez resistindo espiritualmente, dou-vos acesso às elevadas solenidades do Graal, cujo significado, cuja severidade e força mais pura, porém, vós nunca compreendereis. Muitos nem mesmo se esforçam sinceramente para ao menos imaginar o sentido de modo certo! Além disso, os elevados atos do Selamento e da Santa Ceia! O Selamento! Vós vos jogaríeis tremendo no chão, se pudésseis reconhecer, ver conscientemente uma ínfima parte da incomensurável vivacidade nesses atos! Bem que nisso um intuir desconhecido, bem-aventurado comove alguma alma humana, que deixa pressentir a força da Luz vinda da
  • 2.
    proximidade de Deus.No entanto, rapidamente tudo isso se apaga novamente com a afluência das pequenas preocupações cotidianas, alegrias cotidianas e prazeres. Somente quando a alma humana penetrar no reino da matéria fina então é que vai, aos poucos, adquirindo um novo reconhecimento de tudo aquilo que pôde co-vivenciar aqui na Terra. Apesar de que isso seja também apenas uma sombra da pujante grandeza do verdadeiro acontecimento, é suficiente para abalar do modo mais profundo cada alma humana! Mal pode crer que lhe foi permitido vivenciar tudo aquilo, tal é a graça de Deus que aí se manifesta a ela. Preenchida disso, ela gostaria de sacudir, abalar esses seres humanos terrenos, a fim de que rompam sua superficialidade e se esforcem para intuir, já agora, essas graças, mais intensamente do que até então. Inútil esforço, porém! O ser humano terreno, por si próprio, tornou- se embotado demais para isso. Tornou-se incapaz por haver envidado os mais assíduos esforços em seus caminhos falsos. Cada alma, despertada no reino da matéria fina, afasta-se por isso novamente, com o coração a sangrar e com profundos remorsos, sabendo que ela própria não foi diferente aqui na Terra, e por certo também não poderá esperar mais dos que ainda se encontram aqui na Terra. Assim também tudo agora se opõe em mim, ao pensar que tenho de deixar divulgar esta sagrada Mensagem através de meus discípulos, pois eu sei que nem um único entre os seres humanos jamais saberá realmente o que recebe com isso, quão imensa e elevada graça de Deus reside no fato de lhes ser permitido ouvir essa Mensagem! A essa ignorância, a essa indiferença, a esse querer saber melhor de tais seres humanos, devo mandar oferecer algo que, em pureza, vem dos degraus do trono de Deus! Custa-me uma luta, custa-me grande esforço! A cada hora novamente! Uma coisa, porém, me consola nisso! É satisfação em cada escárnio, cada zombaria, cada observação depreciativa ou cada sinal de impassibilidade indolente dos seres humanos: o meu saber que cada um desses seres humanos, pelo seu atuar e pensar, se julga na Palavra, cuja grandeza ele não quer ver, pela qual ainda passa desatento. Me é consolo saber, que o ser humano com cada palavra que pronuncia sobre a minha Mensagem, se dá, ele próprio, a sua sentença, que traz em si destruição ou vida para ele!
  • 3.
    Este saber medeixa suportar tudo, superar tudo! Nenhuma alma poderá agora fugir dele. Como tal espada julgadora lanço agora a Palavra para vós nos cumprimentos do Juízo Final! Isso faz a tristeza se desprender de mim! Que os seres humanos a repudiem, o quanto quiserem, eles se ferem somente a si próprios, que escarneiem, zombem ou meneiem a cabeça... tudo atingirá eles próprios na mais rápida reciprocidade! Anos se passaram, quando pela primeira vez senti horror, ao observar os espíritos humanos e ver a minha conclusão sobre o destino que lhes está reservado de acordo com a lei primordial da Criação. Senti horror, porque vi que era impossível auxiliar os seres humanos ainda de outra forma, a não ser mostrando-lhes aquele caminho que eles têm de seguir, para escaparem à destruição. Isso deixou-me indizivelmente triste, pois do atual estado da humanidade só poderá resultar um fim: A certeza de que a maior parte de toda a humanidade terá de perecer incondicionalmente, enquanto lhe for deixada a livre resolução para cada decisão! O livre-arbítrio da resolução, porém, segundo as leis da Criação, nunca poderá ser retirado do espírito humano! Isso reside na espécie do espírito! E por causa disso, isto é, por si próprias, as grandes massas então sucumbirão no presente Juízo! Cada resolução individual do ser humano traça-lhe os caminhos que terá de percorrer na Criação e também aqui na Terra. As pequenas coisas da sua profissão e da necessária vida cotidiana constituem nisso apenas coisas secundárias, que resultam muitas vezes ainda de conclusões de remotas resoluções voluntárias. Contudo, somente a resolução é livre para um espírito humano! Com essa resolução, começa a atuar a alavanca automática que provoca a efetivação das leis de Deus na Criação, de acordo com a espécie da resolução! Assim é o livre-arbítrio de que dispõe o espírito humano! Ele reside somente na liberdade incondicional da resolução. A resolução espiritual, porém, desencadeia imediatamente na Criação uma até então misteriosa e automática atuação que, sem que o espírito humano saiba, desenvolve ainda mais a espécie do querer inerente à resolução, até a maturação, levando com isso a um resgate final, que algum dia subitamente se apresenta, de acordo com a força da resolução primitiva e a nutrição que tal espécie ainda recebeu através da espécie igual durante o seu percurso na Criação.
  • 4.
    O ser humanotem então de arcar com os efeitos de cada uma de suas resoluções. Isso ele não poderá e não deverá sentir como injusto, pois no derradeiro efeito encontra-se sempre apenas o que estava inserido na resolução. Contudo, no efeito final é atingido sempre exclusivamente o autor da resolução, ainda que essa tenha sido destinada a outrem. Muitas vezes, por ocasião de um efeito final, a resolução original já fora esquecida há muito tempo pelo seu autor; seu querer e suas resoluções nessa época poderão ser talvez já completamente diferentes, até mesmo contrárias às primitivas, mas as conseqüências das resoluções de outrora, mesmo sem o seu conhecimento, seguem imutavelmente seu curso automático até o fim, de acordo com a lei. O ser humano encontra-se sempre no meio das conseqüências de todas as suas resoluções, muitas das quais ele nem mais conhece e nas quais não mais pensa; sente então, por essa razão, freqüentemente como injustiça, quando uma ou outra coisa, inesperadamente, o atinge como derradeiro efeito. Quanto a isso, porém, pode ficar tranqüilo. Nada o atingirá, senão aquilo para o que ele mesmo, um dia, tenha dado o motivo; aquilo que ele mesmo, alguma vez, por qualquer resolução, tenha criado, literalmente; portanto, que tenha “posto” na Criação para efetivar-se de acordo com as leis! Seja isso através do pensar, falar ou atuar! Para tanto, ele movimentou a alavanca. Para tudo é necessário, originalmente, o seu querer, e cada querer é uma resolução! Entretanto, por desconhecimento das leis da Criação, os seres humanos sempre gritam com relação à injustiça e perguntam onde estaria o tão afamado livre-arbítrio do ser humano! Eruditos escrevem e falam sobre isso, enquanto, na realidade, tudo é tão simples! Em qualquer hipótese, um livre-arbítrio só pode existir na capacidade de livre resolução, nunca diferentemente. E esta é e sempre será mantida ao espírito humano na Criação para o seu caminho. Com isso ele sempre se esquece de um fato importante ou o omite: que apesar de tudo ele é e permanecerá somente uma criatura, um fruto desta Criação posterior, que surgiu de suas leis eternas e imutáveis e por isso também jamais poderá desviar-se dessas leis ou desprezá-las! Elas se efetivam, queira ou não queira, goste ou não goste. Nisso ele é um nada, é como uma criança que, passeando sozinha, pode enveredar por seus caminhos, de acordo com a sua vontade, ficando, porém, depois, sujeita à espécie do caminho, não importando se é fácil ou difícil de percorrer, se conduz a um alvo belo ou a um abismo.
  • 5.
    Com cada novaresolução de uma pessoa surge, portanto, um novo caminho e, com isso, um novo fio no tapete do seu destino. Os caminhos velhos, porém, que até então ainda não foram solvidos, continuam, apesar disso, à frente dos mais novos, até que sejam completamente percorridos. Estes, portanto, com um novo caminho, ainda não estão cortados, mas sim têm de ser vivenciados e percorridos até o fim. Aí cruzam-se também, às vezes, velhos com novos caminhos, resultando, com isso, novos rumos. Tudo isso o ser humano terá de desamarrar pela vivência e aí se admira muitas vezes de como lhe pode advir isto ou aquilo, porque não ficou consciente de suas resoluções anteriores, ficando, no entanto, sujeito às respectivas conseqüências, até que tenham se exaurido e, com isso, “extinguido”! Não é possível eliminá-las do mundo por outra forma, a não ser pelo próprio gerador. Ele não poderá se desviar delas, uma vez que permanecem firmemente ancoradas nele até a completa liquidação. É necessário, pois, que todas as conseqüências de cada uma das resoluções alcancem sua liquidação até o fim: só então desprendem-se de seu gerador, deixando de existir. Mas se os fios de novas e boas resoluções cruzarem com outros ainda pendentes, de antigas e más resoluções, os efeitos dessas conseqüências antigas e más serão, pelo cruzamento com as novas e boas, correspondentemente enfraquecidos e poderão até, caso essas novas e boas resoluções sejam muito fortes, ser completamente dissolvidos, de forma que as conseqüências más sejam apenas simbolicamente resgatadas na matéria grosseira. Também isto está totalmente de acordo com a lei, segundo a vontade de Deus na Criação. Tudo atua vivamente na Criação, sem que o ser humano jamais consiga alterar algo nisso, pois é uma atuação em redor e por cima dele. Dessa forma ele se encontra dentro e sob a lei da Criação. Em minha Mensagem encontrareis o caminho para chegar, com segurança, às alturas luminosas, através do labirinto das conseqüências de vossas resoluções! Um grave obstáculo, contudo, se vos antepõe no caminho! É o obstáculo que me infundiu o horror: eis por que vós próprios tendes de realizar tudo isso, cada um sozinho, por si próprio.
  • 6.
    Essa condição residena conformidade da lei de vosso livre-arbítrio de resolução e na conseqüente e automática atuação dos acontecimentos na Criação e em vós próprios! O querer na resolução forma um caminho que, conforme a espécie do querer, conduz para cima ou para baixo. O querer humano na atualidade, porém, vos conduz predominantemente só para baixo, e com a descida, que vós próprios nem podeis perceber, diminui e se restringe, paralelamente, a capacidade de vossa compreensão. Os limites da compreensão, isto é, de vosso horizonte, tornam-se dessa forma mais restritos, e por esse motivo imaginais estar ainda nas alturas, como antes, pois esse limite, realmente, é para vós também a respectiva altura final! Não podeis alcançar um limite mais amplo, não podeis compreender o que está acima de vosso próprio limite, e recusais tudo isso, meneando a cabeça ou mesmo exaltando-se, como sendo falso ou até inexistente. Por isso também não abandonais vossos erros tão facilmente! Vós bem os observais em outros, mas não em vós. Por mais que eu vos esclareça esse fato, não o relacionais convosco. Acreditais em tudo quanto digo, enquanto se referir aos outros. No entanto, o que tenho a censurar em vós, e o que tantas vezes me desespera, isso não podeis compreender, pois para isso todos os limites em volta do querido “eu” já se tornaram demasiadamente estreitos! Eis o ponto onde ocorre tanto fracasso e onde não vos posso auxiliar, pois vós próprios tendes de romper esses limites, de dentro para fora, com a incondicional fé na missão que eu tenho que cumprir. E isso não é tão fácil como imaginais. Com fisionomia preocupada vos encontrais muitas vezes perante mim, com amor no coração para a grande missão, e por isso entristecidos com relação a todos aqueles que não querem ou que não podem reconhecer seus erros, e eu, eu sei que muitos desses erros que censurais severamente nos outros, e por cujas ações vos desesperais, estão ancorados em muito maior grau em vós próprios. Isso é o mais terrível de tudo! E isso está ancorado também no livre-arbítrio da resolução, que tem de ficar convosco, por estar ancorado no espiritual. Eu até posso vos rejeitar ou aprovar, posso vos elevar ou derrubar pela força da Luz, dependendo de como vós próprios o quereis sinceramente, porém, nunca poderei forçar alguém a enveredar por um caminho em direção às alturas luminosas! Isso está nas próprias mãos de cada ser humano, unicamente. Por isso mostro, advertindo, mais uma vez este processo: com cada passo em direção para baixo, estreitam-se cada vez mais os limites de
  • 7.
    vossa capacidade decompreensão, sem que isso chegue a vossa consciência! Por essa razão também nunca acreditaríeis, se eu vos dissesse, porque não podeis compreender e devido a isso também não posso auxiliar lá onde não surja uma nova, grande e espontânea resolução nesse sentido, vinda pelo anseio ou pela fé. Lá, unicamente, posso conceder a força para a vitória! A vitória sobre vós mesmos, com o que os muros e os estreitos limites serão rapidamente rompidos pelo espírito redivivo que quer elevar-se às alturas. Eu vos mostro o caminho e, havendo um querer verdadeiro, dou-vos também a força necessária para isso. Dessa maneira posso auxiliar onde existir legítimo querer, legítimo pedir. Novamente, todavia, se depara ao ser humano um impedimento no caminho. Consiste em que a força só lhe poderá trazer proveito, quando ele não só a assimilar, mas sim a utilizar de maneira certa! Ele próprio tem de utilizá-la de modo certo, não permitindo que nele permaneça inativa, senão essa força se afasta dele novamente, retornando ao ponto de partida. Assim, surge um impedimento após outro, quando o ser humano não quer sinceramente com toda a força! Bem poucos são capazes de vencer esses impedimentos. A humanidade já se tornou preguiçosa demais, espiritualmente, ao passo que uma ascensão só poderá ser alcançada com contínua atividade e vigilância! Este acontecimento é natural, simples e grandioso. Nele está ancorada justiça, maravilhosamente perfeita, a qual agora também desencadeia o Juízo. Nisso, porém, é impossível a um espírito humano poder ser salvo sem humildade! Em oposição à verdadeira humildade encontra-se, impedindo o caminho, sua presunção de saber. A presunção de um saber que não é saber algum, pois em relação às aptidões, dentre todas as criaturas desta Criação posterior, é de se qualificar o ser humano, na realidade, como a mais bronca, por ser ele demasiado presunçoso para aceitar algo com humildade. Sobre isso não há o que discutir, pois é assim de fato. O ser humano, porém, não reconhece isso, não quer acreditar, conseqüência também de sua ilimitada presunção, a qual é sempre produto certo da estupidez. Só a estupidez gera presunção, pois onde existe verdadeiro saber não há lugar para presunção. Esta só pode se originar dentro dos limites estreitos de uma imaginação inferior, em nenhuma outra parte.
  • 8.
    Onde começa osaber, cessa a presunção. Como a maioria da humanidade hoje vive somente na presunção, não existe saber. O ser humano perdeu totalmente a noção do verdadeiro saber! Não sabe mais o que é saber! Não é sem razão que o conhecido dito popular é considerado como sabedoria: “Quanto maior o saber de um ser humano, mais se convence ele de que nada sabe!” Nisso reside verdade! Se, porém, um ser humano chegou a esta convicção, então se extingue nele a presunção, e a recepção do verdadeiro saber pode começar. Todo o aprendizado adquirido por meio de estudos nada tem que ver com saber! Um estudioso diligente poderá tornar-se um cientista ; está, porém, ainda longe de poder ser designado sábio. Por isso também é falsa a expressão ciência, assim como hoje ainda é utilizada. Justamente o ser humano atual pode falar de erudição, não porém de saber! O que ele aprende nas Universidades é exclusivamente erudição, como progressão e coroação do que aprendeu! É coisa adquirida, não algo próprio! Somente o que é próprio, porém, é saber! Saber só pode se originar pela vivência, não pelos estudos! Assim, na minha Mensagem, indico somente o caminho, a fim de que o ser humano que o percorre chegue a obter vivências, que lhe proporcionem o saber. O ser humano precisa primeiro “vivenciar” a Criação, se ele quiser realmente saber dela. A possibilidade para a vivência dou-lhe através de meu saber, já que eu próprio vivencio continuamente a Criação! Teremos, portanto, no futuro, eruditos e sábios. Os eruditos podem e devem aprender com os sábios! A presunção não existirá mais no novo Reino, na geração vindoura! Ela é o maior obstáculo para a ascensão, empurra milhares de seres humanos, que não querem ou não podem deixar dela, agora para a destruição! No entanto, é bom assim; pois com isso a Criação será purificada das criaturas imprestáveis, que dos outros somente tiram espaço e alimento e que ocupam o espaço, sem produzir o mínimo proveito. Haverá, então, ar fresco para os espíritos humanos úteis!
  • 9.
    2. Manhã deRessurreição! Manhã de Ressurreição! Destas palavras se irradia um encanto que toca todas as almas de modo singular. O espírito sente com isso, de maneira intuitiva, o Sol sobre campinas repletas de flores, murmurantes riachos, longínquo badalar de sinos, paz por toda a parte! Um respirar alegre e livre na natureza! — — E manhã de ressurreição deve tornar-se para todas aquelas almas humanas, consideradas agora dignas de vivenciar aqui na Terra o Reino de Deus. As demais permanecerão retidas nas trevas, que ainda hoje envolvem a Terra, e com elas serão arremessadas à trajetória que conduz à decomposição inevitável, à morte espiritual! A aurora já enrubesce o firmamento da matéria fina, como sinal de que se aproxima o dia! Despertai, almas, que esperais de maneira certa pela libertação! Curto é o tempo até a hora em que deveis vos encontrar preparadas. Não vos deixeis surpreender dormindo ainda no último instante! Terríveis são as trevas que envolvem a Terra, na matéria fina. Seria impossível a qualquer alma humana transpassá-las agora. — — — Se do nascente até o poente um raio faiscante de Verdade divina não atravessar com toda a força a noite sufocante do espiritual, o espírito humano em adormecimento perder-se-á nesta Criação posterior. Pois toda a sabedoria trazida por convocados, destinada a preparar aos seres humanos terrenos a possibilidade de ascensão do espírito às alturas luminosas, foi predominantemente aproveitada pelos adeptos desses convocados para finalidades terrenas! Ela não se conservou como era, livre e natural, destinada a trazer proveito a todos os seres humanos, mas sim retocaram-na de todos os lados, com bem adestrada astúcia humana, até que nada mais restou da forma propriamente dita em sua simplicidade original. Os reformadores vaidosos realizaram com isso uma presunçosa obra de desgraça, na qual milhões de almas humanas se emaranharam. Tudo se tornou comércio, do qual pouco a pouco surgiu a ânsia pelo poder. Sob a orientação do raciocínio, que como fruto de Lúcifer deu bom resultado, apareceram apenas caricaturas daquilo que a
  • 10.
    verdadeira sabedoria deveriadeixar surgir. As trevas, astutamente, aproveitaram-se disso, de modo que as vítimas incautas tiveram de cair cegamente em seus braços, na ilusão, proveniente da preguiça espiritual, de que seguiam para a Luz. Não se deu de outra maneira também com a Verdade luminosa trazida à Terra pelo Filho de Deus, a fim de assim desembaraçar, finalmente, para os seres humanos, o caminho para a necessária ascensão ao Reino de Deus; a fim de libertá-los em definitivo dos emaranhamentos das trevas, surgidos das deformações das sabedorias de até então. Cristo exigiu vivacidade do espírito, de cada um individualmente, no saber que lhes entregou, e com isso adoração ao Supremo pela ação! O ser humano devia saber tudo o que a Criação encerra, para reconhecer as leis fundamentais nela atuantes, portadoras da vontade de Deus, pois somente através desse saber é que o ser humano pode entrosar-se assim como Deus exige. Vivendo assim, poderá então favorecer, alegrando, tudo o que o cerca, recebendo em reciprocidade ascensão e aquela maturidade que ele, como ser humano, pode e deve alcançar, conforme a vontade de Deus, se quiser “subsistir”. “Subsistir” perante Deus, porém, significa não ter de cair na decomposição. Todas as leis de Deus estão somente sintonizadas no sentido de trazer construção e benefício! Através de Cristo foi dada à humanidade inteira a possibilidade de se libertar, por fim, no espírito. — — Todavia, surgiram igrejas e elas esforçaram-se em retalhar a Palavra do Senhor, por trás dos muros dos conventos, ocultando-a também em parte, dando a conhecer apenas aquilo que, de acordo com suas próprias explicações, haviam interpretado, de modo a corresponder a seus objetivos e intenções. Com isso viu-se o ser humano individual mais uma vez privado da maior parte dos bens que Deus lhe enviara, conseguindo-se que esses seres humanos não se tornassem suficientemente ativos no espírito, nem suficientemente livres. Justamente o contrário daquilo que Cristo desejava! As igrejas procuravam adeptos, riquezas e poder. Para essas finalidades, ser humano algum deveria saber que ele, inteiramente só, sem ajuda da igreja, poderia atingir o Reino de seu Deus! Não deveria chegar ao pensamento de que Deus não necessita de uma igreja entre Ele e a Sua criatura, a qual Ele criou também sem a igreja.
  • 11.
    E conseguiram. Lentamente,mas com segurança, a igreja intrometeu-se, com seus desejos, de forma separadora, entre o anseio dos seres humanos pela Luz e seu Deus! Para aumentar o número de seus adeptos, ofereceu, como engodo, o comodismo ao indolente espírito humano! Chegou mesmo a tal ponto, que se podia, por dinheiro, solicitar orações nas igrejas, para este ou aquele fim. Mediante remuneração, a igreja encarregou-se desse trabalho, desvalorizando dessa maneira também a oração, a única forma pela qual o espírito humano deve aproximar-se de seu Deus. Indivíduo algum, porém, se apercebeu da insensatez e da degradação de tais impossibilidades. Era cômodo, e assim o número dos “fiéis” aumentava. Com o crescimento, a igreja tornou-se mais agressiva, deixando até, por fim, cair em parte a máscara. Agindo contra todas as leis de Deus, minou tudo quanto não quisesse se declarar a seu favor, incitou e difamou, sim, assassinou onde não fosse possível de outra maneira. Inicialmente às ocultas, com o aumento de seu poder terreno, porém, também abertamente. Ela não hesitou em colocar à frente o nome de Deus como escudo. Aqui ser humano algum pode falar de um equívoco; uma tal atuação traz, nitidamente demais, o cunho da mais baixa escuridão! É diametralmente oposto a tudo o que Jesus ensinou! São golpes hostis que com isso deram a cada palavra por ele pronunciada. Não existe nada em toda a Terra que ousou colocar-se mais contra Cristo e sua Palavra, do que a organização eclesiástica, já desde o início! Nenhuma outra coisa, porém, poderia ser tão perigosa! Justamente pela aparência de querer servir a Deus é que o efeito foi terrível para a humanidade! Lúcifer não poderia ter melhores colaboradores para sua obra hostil a Deus. Aqui a sua habilidosa indicação para o raciocínio terreno conquistou a sua maior vitória! Produziu uma enganadora falsificação de tudo aquilo que na realidade devia formar-se, desejado por Deus! O simulacro da legitimidade fora conseguido. O mais valioso, que deveria conduzir para Deus, ele fez desviar para o oposto, pelos que se apresentavam como servidores de Deus e que muitas vezes também se consideravam como tal; fez com que se tornasse um empecilho para os seres humanos, que teve de impedi-los de caminhar alegremente ao encontro da Luz almejada! Uma jogada arrojada sem igual. — E assim, as trevas envolveram a Terra, tornando-se a mais profunda noite para as almas! — —
  • 12.
    Agora, porém, foidado um basta ao mal! De chofre, todos os seres humanos serão despertados da falsa ilusão! Para a libertação, poucos; para a destruição, muitos! O ajuste de contas do Gólgota chegou! Em sentido diferente, porém, do que os seres humanos até agora imaginaram! — Tal como, na atmosfera abafadiça de uma noite de verão, os cogumelos brotam da Terra, surgirão falsos profetas das massas, como foi prometido, para que, por si mesmos, dêem cumprimento à Palavra e possam ser julgados, pois o mundo deverá se tornar limpo deles! No entanto, deixai as coisas se tumultuarem, deixai-as retumbarem, pequeno grupo! Antes de uma manhã de primavera, têm de soprar ventos fortes! Deixai que sejam arrastados milhões de seres humanos; é bom assim e de acordo com a vontade inflexível do Altíssimo! Cada qual receberá aquilo que merece! A hipocrisia, a ilusão da sabedoria humana e a sedução precisam ter um fim. Em breve as palavras decisivas: “Está consumado!” vibrarão, repetindo-se sonoras e cheias de júbilo através dos mundos! Romperá então a manhã de ressurreição, e, radiante, o Sol vos trará um novo dia! O Senhor e Deus presenteará uma nova era às Suas criaturas, que se curvam diante de Sua vontade! Perpassará, então, por todas as almas, o grande e livre suspiro de alívio, que, como um agradecimento, como uma oração, elevar-se-á ao trono do Altíssimo, como um juramento de servi-Lo da maneira como ELE o quer! Assim seja, em nome de Deus!
  • 13.
    3. Espinheiral dematéria fina O caminho para a Luz e para a Verdade, desde de tempos remotos, é considerado cheio de espinhos e pedregoso, penoso e difícil. O ser humano, simplesmente, considera isso como sendo dessa forma. Ninguém medita por que assim é, qual possa ser o verdadeiro motivo disso. E quem, no entanto, alguma vez se ocupar com isso, certamente fará uma falsa imagem a respeito. Cheio de espinhos e de pedras, penoso e difícil é somente um caminho sem trato, pouco transitado! Este é o motivo pelo qual parece difícil àqueles poucos que, depois de muito errarem, o escolheram para andar. Também nisso é preciso que se tome sempre em consideração o acontecimento natural e não imaginações falsas e fantásticas, com as quais o cérebro humano se compraz ao pensar assim. O caminho para a Luz foi, desde o início, somente luminoso e belo. Ainda hoje não é diferente para aquele espírito humano que o percorra com espírito liberto, livre de falsos conceitos, com os quais muitos de bom grado deixam cultivar e proliferar seus caminhos espirituais! Depende exclusivamente do ser humano! Uma pessoa que ainda deixa seu espírito olhar livremente para a Luz, que com sua intuição jamais deixou de pesar aquilo que seus próximos lhe ensinaram ou relataram, essa, assim procedendo, cuidou do caminho que conduz à Luz, conservou-o limpo para si! Não encontrará espinhos nem pedras, ao percorrê-lo, mas sim macios tapetes de flores, banhados de Luz, que somente encantam os olhos, tornando leves seus passos! Cada ser humano tem de cuidar do caminho para si próprio, tratá- lo e ocupar-se com ele. Para aquele que não o fizer, ele tornar-se-á, devido à negligência, repleto de espinhos, pedregoso e difícil de percorrer, muitas vezes também inteiramente aterrado, de forma que, por fim, nunca mais consegue descobri-lo, mesmo que o procure! Pesar com a própria intuição tudo o que o ser humano ouve e lê! Isso é necessário para ele, se quiser conservar seu caminho livre e belo. Imediatamente intuirá, já de início, ao ler ou ouvir alguma coisa, se ela o oprime, talvez o confunda ou o acalente, parecendo um som pátrio.
  • 14.
    Aí, porém, nuncadeverá esquecer-se de que a verdadeira grandeza e a naturalidade sempre estão ancoradas somente na simplicidade! Onde esta faltar, onde houver necessidade de recorrer a designações de toda a sorte, aí falta a autenticidade. Os caminhos então jamais serão claros, tampouco poderão ser ensolarados. Assim, por exemplo, todo ser humano de visão límpida intuirá de modo forte e imediatamente a falta de clareza, ao ler ou ouvir coisas de sentido místico ou oculto, como também com relação ao dogma das igrejas. Coisas confusas ou palavras bombásticas devem encobrir, por toda a parte, a ignorância que se evidencia claramente. Prazerosamente são então lisonjeadas as almas humanas, entoando-se uma doce canção às suas principais fraquezas, em primeiro lugar à presunção, a fim de que passem com facilidade e boa vontade sobre todos os lugares podres, deixando, por descuido, de reconhecer as lacunas profundas e as impossibilidades, que se apresentam sempre de novo, advertindo-as. Quem, entretanto, atenta à advertência sutil de seu espírito não turvado, conserva livre para si o caminho em direção à Luz e à Verdade. Todavia, quem se deixa engodar por estas coisas confusas e abafadiças, por conceder espaço ilimitado aos próprios pensamentos fantásticos, permite cobrir o límpido caminho em si com o cipoal que impede e dificulta seu livre caminhar, vedando-o muitas vezes por completo! São fortíssimas as tentações de ceder lugar aos próprios pensamentos fantásticos, ilimitadamente. O número de pessoas que aí se movimenta com prazer é muito grande, porque nisso cada um pode dizer algo, pode sentir-se importante nas incertezas sombrias do caótico mundo de pensamentos! Para os devotos das igrejas não será, nem de longe, tão difícil libertarem-se para chegar à Verdade, quanto para os adeptos de seitas e associações ocultistas. Necessitam apenas se esforçar nesse sentido com certa seriedade, ponderar intimamente com calma, para reconhecerem imediatamente as falhas que foram ali tecidas pelo querer saber do raciocínio, obscurecendo e perturbando o verdadeiro caminho! A um espírito humano sincero não custa grande esforço para distinguir rapidamente a verdade dos erros em todas as igrejas. Por
  • 15.
    este motivo asligações através das igrejas, para um ser humano verdadeiramente examinador, não são tão grandes quanto parecem! Bastará um simples e sincero querer para romper imediatamente essas ligações, numa convicção própria, rapidamente despertada. A igreja prende apenas espíritos humanos espiritualmente indolentes. Com respeito a esses, porém, não há que se lastimar, pois desse modo mostram-se como os servos imprestáveis perante seu Senhor. Observando calmamente, cada pessoa nota logo que a atual igreja não significa outra coisa senão uma instituição que visa ao poder terrenal e à autoconservação, como o demonstram as opiniões e os atos de seus empregados, a toda hora, e sempre de novo, nas instigações e hostilidades contra aqueles que a eles não se sujeitam! Não é difícil reconhecer tudo isso. Assim também todas as vacuidades e impossibilidades que estão entrelaçadas nas ações, asseverações e doutrinas. Para descobrir isso, não é necessário absolutamente um espírito perspicaz. Por isso uma igreja não pode, como geralmente se supõe, trazer tão grandes prejuízos para pessoas que pensam. Ela não consegue prender os espiritualmente vivos! Contudo, prejuízos sem igual, e dificilmente reparáveis, causam as seitas e associações ocultistas de todos os tipos ao espírito humano! Não obstante apenas procurarem simular um saber próprio, que nada tem que ver com o verdadeiro saber! Lisonjeiam o ser humano de raciocínio, como também a todos os que procuram. E com isso obtêm sucesso, pois também entre aqueles que procuram existe um grande número que, apesar de toda a procura pela Luz, ainda carregam consigo todas as vaidades de suas almas, tornando-se de modo natural e rápido vítimas delas. Uma vez que justamente o ocultismo e o misticismo oferecem possibilidades ilimitadas de expansão a essas vaidades, são aqueles atraídos nessa direção, de acordo com a lei de atração da igual espécie! Os mais externos e mínimos efeitos dessa lei os ocultistas já notaram freqüentemente e procuram aproveitá-los. Bombasticamente chamam de “magia” a sua fraca atividade nesse acontecimento natural! Soa bem e age, além disso, como algo misterioso! Contudo, a lei, em si, em sua simplicidade, não obstante ser na realidade de importância dominadora, incandescendo mundos, eles
  • 16.
    ainda não conhecemem sua grandeza! Ignoram que com todo o seu querer saber são empurrados de um lado para outro pelos punhos dessa lei da Criação, como míseros bonecos desamparados! A atuação dessas pessoas liga seus adeptos e partidários a planos baixos, aos quais nem teriam tido necessidade de atentar, se percorressem serenamente seu caminho, com toda a simplicidade e dignidade, condizentes com o espírito humano. Assim, porém, serão retidos, perdendo-se até na maior parte por causa disso, pois para o espírito humano é necessário um enorme esforço, a fim de libertar-se novamente das brincadeiras de todos os ocultistas, que acorrentam os espíritos. Atividades de tal espécie desviam forças espirituais dos caminhos retos que conduzem às alturas! A força para novamente se libertarem disso raramente conseguem reunir, visto que espíritos fortes, de qualquer maneira, não permanecem entre os ocultistas, a não ser para saciar sua vaidade. Onde ainda seja possível encontrar algum saber, nos inúmeros ramos de ocultismo, tratar-se-á então exclusivamente, e nunca de outra forma, dos ambientes mais inferiores da parte fina da matéria grosseira ou também da parte grossa da matéria fina; portanto, das camadas de transição mais próximas, distinguidas com nomes retumbantes, a fim de aparentarem alguma coisa, correspondendo à presunção de todos os que andam às apalpadelas. Na realidade é como se nada fosse. Ou que seja! Só que nada para a ascensão, mas sim para o atamento de cada espírito humano, que em sua espécie original somente precisaria passar por cima disso tudo, altiva e livremente, sem aí se deter. No entanto, dão um valor às futilidades, transformando-as num cipoal, que os asseclas de Lúcifer utilizam, através da atuação dos ocultistas, como armadilhas para centenas de milhares! Ficam presos aí, como as moscas nas teias de aranha. Examinai apenas seus livros! Quanta coisa neles já se acumula em matéria de nojentas autobajulações de grandes e pequenos pretensos sabedores! Fatos naturais, ridiculamente pequenos, são exagerados como se fossem coisas superiores, com uma tenacidade e persistência, que poderiam ser utilizadas para coisas melhores. Fatos que os bisavôs interpretavam muito mais claramente do que esses descendentes, os quais, com tanto alarde, querem chamar a atenção sobre si e seu alto saber. Quanto mais louca a história e quanto mais incompreensível o
  • 17.
    modo de expressão,em formas rebuscadas, tanto mais bela será considerada. Sensacionalismo a qualquer preço é muitas vezes o supremo objetivo, como acontece com muitos jornalistas que agora aparecem em massa, não lhes sendo mais nada sagrado, muitíssimo menos a verdade. É incrível quanta coisa é solta sobre a humanidade! E muitos se apegam a isso com demasiado prazer. Pois é “interessante”; às vezes até pode provocar calafrios. O leitor e o ouvinte, prosseguindo nessa ordem de idéias, podem colocar-se, a si mesmos, numa sensação de pavor, representando até um papel nisso, pois sentem-se rodeados das mais lúgubres coisas, que antes jamais os haviam perturbado. Devido a isso tudo, eles, de repente, são alguma coisa, em torno do que muita coisa acontece por sua causa! Justamente tudo aquilo que o ser humano não compreende perfeitamente, mas que pode enfeitar com rica fantasia, é que atrai as “possibilidades”! De acordo com o próprio critério, interpretam então muita coisa que vivenciaram até agora, e algo disso subitamente representa um papel importante, ao que até agora nem davam atenção. A vida adquire significado, quando até agora tinha sido tão vazia! E com isto o ser humano, segundo sua opinião, muito ganhou, acordou, denominando-se espiritualmente ciente! Os estranhos seres humanos! Nem chegam a pensar que na realidade pudesse ser diferente. Nadam apenas no mundo dos próprios pensamentos, que lhes é tão confortável, por se ter originado dos próprios conceitos. Este mundo, porém, não tem duração! Desintegrar-se-á nas horas do Juízo! Então todas essas almas estarão com frio, em indizível desespero, desamparadas, e serão arrastadas para o redemoinho, que, como tufão, subitamente terá de se formar pela pressão da Luz. Com isso, receberão todos apenas o que criaram para si! Imenso é o prejuízo que causam com sua vaidade. Os conceitos sagrados que realmente auxiliam os seres humanos para cima, foram por eles torcidos e deformados. Destes existem apenas imagens sucedâneas as mais conspurcadas, que mostram o cunho da mais bronca presunção humana. Somente nisso já se prenuncia um Juízo terrível! Pavorosas confusões foram preparadas. Observações superficiais, dos mais distantes efeitos do verdadeiro acontecimento na Criação, foram estabelecidas como saber, as quais devem servir para esclarecer
  • 18.
    as causas eo desenrolar das coisas, sem que os que assim falam possuam também verdadeiro saber a respeito das leis desta Criação. Eles nem sequer as pressentem e só colhem de sua excitada fantasia! E assim eles torcem a sabedoria de Deus, que repousa na Criação, conspurcam as leis sagradas que não compreendem, aliás nem conhecem, impedindo milhares de trilhar o caminho simples e claro que está exatamente determinado a cada espírito humano, sendo também útil para ele, protegendo-o contra os perigos! Por outro lado, eles próprios provocam os inúmeros perigos, que antes nunca existiam, mas sim só foram formados por esse atuar leviano! O dia está próximo, porém, em que o seu vazio querer saber terá de se apresentar perante a Luz; em que terão de confessar e sucumbir! São os piores inimigos de todos aqueles seres humanos que, na Terra, se esforçam para a Luz; não possuem sequer uma capacidade que os possa desculpar no ato do julgamento! Inconscientemente são os mais esforçados entre os caçadores de almas humanas para as trevas! Inconscientemente, porque a vaidade lhes turva a própria clareza. Eles, por si, jamais alcançarão a força para se salvarem, pois acham-se demasiadamente envolvidos nas malhas do querer saber melhor terrenal e dos erros em que se soterraram! Na sua presunção ilimitada, não só reduzem o grande amor de Deus, mas sim até querem, em parte, se tornar seres humanos divinos! Não demorará muito e toda a humanidade terá de reconhecer a ilimitada estupidez contida justamente nessa idéia. Ela, por si só, já demonstra que tais seres humanos não podem ter a menor idéia das verdadeiras leis de Deus na Criação, nem da própria Criação! Edificam também um trono para o próprio espírito humano, que na Criação tem de servir somente à Luz! Procuram guindá-lo ao ponto central, sim, ao ponto de partida. Quando, hoje, um ser humano, que sofre do corpo ou da alma, se dirige em prece ardente a seu Deus e de lá é atendido, de modo que possa curar-se, então esses pretensiosos do saber melhor apresentam explicações unilaterais sobre o fato, que tendem a diminuir Deus. Falam de auto-sugestão, que teria produzido essa cura, duma força latente no corpo humano, no espírito humano, a qual lhe permite conseguir tudo o que quiser no sentido correto! Com isso se canta logo um hino de louvor à capacidade humana, ficando conspurcada a santidade da fé e da convicção no poder de
  • 19.
    Deus! Conspurcada! Esseé o termo apropriado. Pois com base nisso muitos pretendem até afirmar que o próprio Filho de Deus, outrora, praticava a sugestão* (* transmissão de vontade), fundamentando-se na auto-sugestão** (** auto-sugestões). Até esse ponto vai o atrevimento da presunção humana de muitos ocultistas! Tornaram-se negadores de Deus, glorificando o espírito humano! Nem todos confessam isso, porque não vêem que suas doutrinas só podem, finalmente, atingir esse ponto! Negação do poder inatingível de Deus são inegavelmente os últimos frutos produzidos por essas doutrinas, se as verificarmos até o fim! Com habilidade luciferiana torcem os fatos numa imagem, que atua muito convincentemente sobre o raciocínio, demonstrando, porém, aos sabedores, o limite nítido onde a compreensão de tais ocultistas não mais pode prosseguir. Esta apresenta meramente o querer do raciocínio; nenhum vestígio, porém, do puro saber espiritual! A mais grosseira auto-ilusão permite aos ocultistas considerarem-se discípulos de puras ciências do espírito! Reside nisso quase uma sutil ironia! Em tudo o que dizem e fazem demonstram apenas constantemente que possuem o mais pronunciado querer intelectivo, com especial destaque de todas as suas fraquezas, e que eles ficaram bem distantes do saber espiritual, em relação ao qual se encontram inteiramente desamparados. Não têm noção alguma da maneira certa de toda a atuação de conformidade com a lei na Criação e menos ainda compreendem a maravilhosa Criação em si. Também nas curas milagrosas e nos milagres de Cristo jamais essa conformidade da lei na Criação foi suspensa. Isto nem poderia ocorrer, visto que as leis de Deus na Criação são perfeitas já desde o início, não podendo, portanto, ser modificadas ou suspensas. A força divina acelera todos os efeitos das leis, podendo deste modo produzir os milagres. O processo em si está sempre de conformidade com as leis da Criação, pois de outra forma não seria possível nenhum acontecimento na Criação, nem o mais simples movimento sequer. A elevada força de origem divina pode, contudo, acelerar o efeito; em alguns casos, desencadeá-lo imediatamente! Nisto se encontra e surge o milagre para o espírito humano!
  • 20.
    Mesmo Deus nuncaatuaria arbitrariamente, porque encerra em Si as leis, na mais pura forma, já que Ele próprio é a lei. Cada ação divina, por esse motivo, estará sempre de acordo com a lei. Cada ato da vontade de Deus efetiva-se por esse motivo também sempre exatamente de acordo com essas leis! Suponhamos que um doente, em ardente oração, peça por sua cura. Durante essa oração ele se encontra na mais pura humildade, amplamente aberto em espírito para a realização de seu pedido. O pedido se eleva, conseqüentemente, e na irradiação desse humilde pedido pode descer, por sua vez, a concessão para ele. Essa concessão é um querer proveniente da Luz! O querer encontra-se na própria Luz, sempre inalterado, continuamente disposto à ajuda, onde encontre o solo adequado. O pedido humilde é o solo adequado onde a força pura da Luz pode atuar. Trata-se aí, então, sim, de um merecimento do espírito humano também, por se haver aberto a uma possibilidade de auxílio, assim como, igualmente, de uma conseqüência do atuar ou querer acertado desse espírito humano, mas nunca da própria origem de sua cura. Também não se trata daquela força que pôde auxiliá-lo e o auxiliou! O ser humano somente pode abrir-se para isso, mas nunca poderá curar a si próprio pela auto-sugestão! Aqui o ocultista confunde, em sua miopia, o abrir-se para o auxílio com o próprio auxílio! Trata-se aí de uma imensa culpa com que ele se sobrecarregou dessa maneira, e a qual terá de expiar pesadamente, porque, através disso, males indizíveis foram causados à humanidade! Visto que o auxílio da Luz está sempre à disposição dos que se abrem de modo certo, chegando a envolvê-los continuamente mesmo nas pequenas coisas, porque uma parte disso se encontra nesta própria Criação, sob forma de irradiações, correspondentemente enfraquecidas, os tão sabidos seres humanos, em suas observações, chegaram por fim, vaidosamente, à idéia de que é o próprio espírito humano que pode criar esse auxílio para si. Ele pode consegui-lo, sim, mas apenas abrindo direito seu espírito, para deixá-lo entrar! Nada mais. O próprio auxílio, a força, a irradiação para isso, ele não cria! Esta se encontra unicamente na Luz, em Deus, que a envia para vós! O ser humano, porém, observa somente o efeito, tirando disso suas conclusões, que até agora, em muitos casos, foram conclusões ilusórias, oriundas da presunção que traz em si! Poderia conseguir coisa bem
  • 21.
    diferente com asintonização correta, isto é, com o abrir-se correto e amplo do seu espírito! Isto, contudo, ele obstruiu mediante as doutrinas de tantos ocultistas, que gostariam de elevar-se a seres humanos divinos! Porque para eles as leis primordiais da Criação são coisas estranhas. De mil modos ramificadas e subdivididas, mas sempre seguindo o impulso da lei fundamental, irradiações de Luz, fortificantes, e com isso também curativas, estão entrelaçadas na Criação posterior, esperando que a criatura as utilize! Não se encontram, entretanto, no espírito humano e menos ainda no seu próprio corpo terreno, mas sim fora deste. O espírito humano tem de procurar a ligação, abrindo-se corretamente para a recepção, o que se dá melhor quando se aprofunda numa prece sincera. Visto, pois, que o auxílio da Luz está sempre à disposição do espírito humano, quando ele quiser abrir-se para tal, ocorre que muitos encontram pequenos auxílios por intermédio de um abrir-se que eles próprios aprenderam. Onde esses auxílios ocorreram, houve antes um momento, que continha a intuição de um espírito humano, a qual correspondia realmente às leis da Criação, para a ligação ao auxílio. Essa intuição não precisa ter sido terrenamente consciente para o ser humano, pois a intuição é apenas um fenômeno espiritual, que muitas vezes não se torna perceptível ao raciocínio humano. Para isso basta uma manifestação momentânea. E aí se inicia o auxílio da Luz, porque as respectivas leis vigentes nunca serão derrubadas! Elas se cumprem, mesmo que para a pessoa isso suceda inconscientemente. Disso, porém, o ocultista nada vê, acreditando então firmemente que o conseguiu de fato somente com sua sugestão ou com auto- sugestão! Ilude-se nisso, pois nunca terá o auxílio quando necessitar duma força ainda mais intensa do que aquela que sempre ainda se encontra à disposição na Criação. Pois então primeiro precisa partir de cima um ato especial da vontade da Luz para reforçar a corrente de força! E isso só pode ocorrer como conseqüência de uma oração de verdadeira fé, isto é, de uma súplica proveniente da convicção na onipotência e no amor divino! Às vezes a sincera intercessão também poderá trazer a realização do auxílio! Quando uma pessoa adoece gravemente, ela está então em si também enfraquecida, apática. Assim não há nenhuma resistência nela, mesmo se antes não fosse tão devota. Esse estado de seu espírito
  • 22.
    permite a penetraçãoda força da Luz, a qual pode ser dirigida por meio de intercessão sincera! E assim acontece que uma pessoa, às vezes, recebe auxílio por meio de intercessão. Se, no entanto, após a cura, despertarem nela novamente resistências contra a verdadeira fé, então crescerá com isso também sua culpa. Nesse caso teria sido melhor para ela haver mesmo falecido, porque na ocasião do falecimento, que irá ocorrer mais tarde, terá de cair mais profundamente do que se tivesse acontecido antes! Por essa razão, nem toda intercessão é justificada ou boa. Felizmente, para o ser humano, muitas vezes a intercessão sincera não é atendida, para o bem do enfermo! No desconhecimento dos efeitos dessas simples leis da Criação, ocultistas com pretensões altaneiras fizeram uma imagem incompleta, conduzindo dessa forma milhares de seres humanos ao labirinto do qual será difícil sair. O esplendor da expressão “fé pura”, “convicção pura”, ficou assim envenenado, sendo oferecidos aos seres humanos, como cópia borrada, somente os feitos medíocres do raciocínio na sugestão e auto-sugestão. O caminho que conduz ao aperfeiçoamento do espírito humano está vedado aos ocultistas por eles próprios! Aproxima-se, porém, a hora, em que será impedida a baixa atuação, em que, finalmente, o conhecimento mais elevado da força da Luz fará de novo seu ingresso, para a elevação e salvação de muitos espíritos humanos!
  • 23.
    4. Espírito decasta, sistema social O sistema de classes sociais sempre hostilizado e o espírito de castas tem sua origem na simples percepção intuitiva da atuação de uma das leis da Criação: a da atração da igual espécie! Um dos maiores erros da humanidade foi o de observar muito pouco esse atuar, ou de praticamente não o ter considerado, deixando com isso surgir numerosos erros, que terão de conduzir a uma grande confusão e finalmente a um desmoronamento total! A lei foi intuída por todos os seres humanos, porém aquilo que está acima do saber puramente grosso-material, não ligado diretamente com a possibilidade de aquisições terrenas, é considerado por eles de modo demasiado superficial e secundário. Dessa forma, também aquilo que é mais importante para a base de uma vida terrena harmonicamente ascendente nunca foi reconhecido e menos ainda inserido, através da assimilação certa, na matéria grosseira, isto é, na vida terrestre cotidiana! E tem de ser inserido na vida desta Terra, porque do contrário jamais poderá surgir a harmonia, enquanto uma só das leis primordiais da Criação permanecer incompreendida pelos seres humanos, ficando desse modo muito torcida ou mesmo excluída na vida da matéria grosseira. Todos os povos antigos já haviam adotado o sistema de divisões das diferentes categorias sociais ou classes culturais, porque reconheceram inconscientemente essa necessidade, muito melhor do que hoje. Olhai, pois, em redor! Onde se juntem apenas algumas pessoas, sob qualquer pretexto, aí também a lei efetiva-se mui rápida e seguramente numa forma cuja configuração demonstra sempre o livre-arbítrio desses espíritos humanos, porque a vontade espiritual é capaz de imprimir seu cunho em todas as formas, pouco importando se essa vontade se manifeste plenamente consciente ou de modo inconsciente. Assim, a forma também apresentará sempre, visível em si, a maturidade ou imaturidade do espírito. Deixai que cinco pessoas ou só três mesmo se reúnam, sob qualquer pretexto, seja para um trabalho ou para o divertimento, rapidamente a lei de atração da igual espécie formará entre elas dois grupos, ainda que exclusivamente na conversa ou no intercâmbio de suas opiniões. Tal fato, que se repete constantemente já há milhões de
  • 24.
    anos, deve pressuporum motivo de origem mais profunda, ao invés de evidenciar somente uma atuação costumeira. Entretanto, também desse fenômeno tão visível tiraram-se apenas conclusões inteiramente superficiais e levianas, em relação ao que é sério, demasiado limitadas, por terem sido formadas pelo raciocínio, que só pode compreender sempre as últimas e grosseiras manifestações dos legítimos efeitos, mas nunca é capaz de entrar no extramaterial, por ter ele próprio sua origem apenas na matéria grosseira. E é justamente no extramaterial que se encontra a origem de toda a força e de todas as vibrações que atravessam constantemente as espécies da Criação. Tudo o que, portanto, aqui na Terra, com base nessa observação, foi moldado, em forma, pelo raciocínio, carece da verdadeira vida, de mobilidade! Tornou-se errado e insalubre pela rigidez do sistema grosso-material, que surgiu em toda a instituição, comprimindo tudo o que é vivo em formas mortas. Sucede ao ser humano o mesmo que a uma planta que é arrancada de seu solo original, não podendo mais medrar no novo solo que lhe oferecem, porque este não mais corresponde à sua espécie. Tem de definhar, enquanto que em solo adequado teria florescido plenamente e poderia ter produzido ricos frutos, em proveito de seu ambiente na Criação, para a mais pura alegria de si mesma e para constantes transformações da força. Nesse grande erro repousa sempre o germe da ruína. Com relação à expressão espírito de casta, não é necessário que se aponte um determinado povo, pois todos os povos o possuíram! Ele tem de desenvolver-se onde existem seres humanos, porém, enquanto as leis da Criação permanecerem desconhecidas, como sucede até hoje, sempre surgirá de modo errado. E esse modo errado tinha de provocar inveja e ódio, um impulso para romper a situação existente. Esse impulso inconsciente avolumou-se regularmente até tornar-se uma onda sinistra, a qual, como florescência no encerramento do ciclo dos acontecimentos, acarretou a conflagração geral, por nem ter sido possível de outro modo. Nisso se mostra, como fruto, o falso existente até agora na estruturação do convívio humano na Terra; mostra todos os pontos onde as leis primordiais da Criação não foram observadas, ou onde
  • 25.
    foram torcidas conscientemente.Tinha de chegar a esses efeitos, porque a Luz, agora penetrante, impulsiona também todo o errado até ao grau máximo, a fim de que então, ruindo por si mesmo na supermaturação, ceda o terreno para a nova construção de acordo com a vontade de Deus, a qual já desde o início foi ancorada nas leis desta Criação, não podendo ser torcida ou encoberta, sem conseqüências funestas. É a colheita de toda a semeadura, realizada pela atuação dos seres humanos com a sua vontade. A colheita de tudo o que é certo, bem como de tudo o que é errado, pouco importando se esse errado se tenha originado outrora da maldade ou somente da ignorância das leis divinas da Criação. Chega à florescência pela força aumentada da Luz e tem de apresentar os frutos abertamente, que haverão de ser aceitos pelos causadores e seus adeptos, como também pelos seguidores, agora neste Juízo Final, como recompensa ou castigo, no refluxo da reciprocidade! As funestas inimizades e cisões dos numerosos partidos não são conseqüência duma estruturação estatal errada, porém exclusivamente a continuação da divisão errada de classes, que, em sua rigidez e torção, jamais poderia conduzir à harmonia a humanidade desta Terra! Juntai a isso ainda a lei primordial da Criação do movimento necessário, então reconhecereis que a classe média, pacata e comodista, tinha de sofrer o maior prejuízo com isso. — Era apenas o efeito da necessária lei primordial do movimento! O comodismo anda de mãos dadas com a presunção e com a indolência do espírito: ambas tolhem o movimento espiritual, da mesma forma que a fama e o poder, fato esse que leva mui facilmente à arrogância, como tantas vezes se deu nas classes superiores. Tudo isso tolhe e retarda o movimento espiritual, ao passo que favorece unilateralmente o trabalho do raciocínio. Trabalho do raciocínio, porém, não é ao mesmo tempo movimento espiritual! Reside nisso uma grande diferença. A inveja e o ódio das classes inferiores, porém, penetram muito mais profundamente. Em seu ardor atingem a intuição e, com isso, o espírito. Dessa forma aumentam o movimento espiritual, mesmo onde esses seres humanos pertençam fisicamente aos vadios!
  • 26.
    Como, porém, essemovimento, chegando até o estado febril, age igualmente contra a lei primordial da Criação, como o movimento demasiadamente vagaroso, a desarmonia tinha de irromper por fim, à semelhança de ondas agitadas do mar, correspondendo exatamente ao efeito impulsivo e automático da lei primordial! Nem poderia suceder diferentemente! Falo aqui, propositalmente, de classes sociais superior, média e inferior, porque essa divisão, basicamente, foi assim. Nisso consistiu o errado. Essas classes, em si necessárias, não devem agir por cima ou por baixo, porém uma ao lado da outra, cada classe de pleno valor por si, como uma espécie indispensável e que deve amadurecer na Criação até a plena florescência e frutificação, a fim de realizar coisas grandes, máximas, no solo de sua bem determinada espécie, solo esse que é o único capacitado para isso e que oferece as forças! Contemplai as diferentes raças na Terra, ó criaturas humanas! Disso, muito podereis aprender. Em si própria, cada raça pode enobrecer-se, amadurecer, tornar-se grande e forte, enquanto pela mistura de duas raças serão reproduzidas apenas as falhas, fraquezas e defeitos de ambas as raças que se misturam, resultando, nos frutos, com poucas exceções, desmedido aumento de todos os defeitos, raramente algo de bom! Tomai isso como aviso da Criação e orientai-vos correspondentemente em vossa vida cotidiana de matéria grosseira na Terra. Tendes aqui na Terra uma vestimenta de matéria grosseira, o corpo terreno, ao qual tendes de dar atenção, pois nisso é que reside, aqui na Terra, a continuação da raça! Nunca vos esqueçais disso. Jamais podereis contornar impunemente essas leis. No entanto, todos vós em conjunto dependeis da Terra. Cada qual tem o direito de atuar e se desenvolver aqui. Não só o direito, como também o sagrado dever! Contudo, não um embaixo do outro, mas um ao lado do outro. Prestai atenção aos sons. Cada som é completamente autônomo, permanece autônomo e não se deixa misturar. Somente quando se encontra no lugar certo, ao lado de sons de tonalidades diferentes, resultará a harmonia, que soa melodiosamente. Deslocai os sons, experimentando dispô-los de maneira diversa, a conseqüência será sempre uma desarmonia, que, no seu efeito, poderá crescer até causar sensação de dor física, chegando por fim até o insuportável. Aprendei nisso e compreendei! Não comeceis, porém, já desde o início, novamente, pelo lado errado!
  • 27.
    Tudo quanto tentastesaté agora foi contra a harmonia das leis divinas na Criação, por isso não podíeis esperar outra coisa senão aqueles frutos, que amadurecem ao vosso encontro e que agora serão vossos! Lançai-os ao fogo e começai a semear novamente. A renovação só pode ocorrer a partir da base. Agi assim, pois não sois capazes de torcer uma única das leis primordiais da Criação, sem ter de sofrer, conseqüentemente, grandes prejuízos. Aprendei as leis e depois construí de acordo com elas, assim conseguireis paz, alegria e felicidade! Considerando-se que afinal tudo, mas tudo mesmo, só foi erigido sobre o dinheiro, sobre o poder e os valores terrenos, então a miséria atual nada tem de surpreendente, e o desmoronamento está condicionado pelas próprias leis da Criação! E como sucedeu com um, assim também sucederá com tudo o mais que não se baseie nas leis divinas, as quais são tão facilmente reconhecíveis nas leis primordiais da Criação. Agora tudo tem de ser impelido para o resgate final. Impulsionado pela Luz, que penetra nas trevas desta Terra, tinha de seguir-se, por exemplo, em conseqüência dos contínuos preparativos bélicos, em conjunto com os pensamentos de guerra, a guerra das multidões. O estímulo para isso foi dado somente pelo pensar, querer, apreensões e medo dos seres humanos. Com isso as pessoas puseram as formas na Criação, as quais, impelidas pela Luz reforçada, cresceram vigorosamente até à florescência e frutificação, portanto até à ação, tiveram de crescer, como tudo o que ainda existe em formas na Criação, não importando de que espécie sejam. Elas têm de crescer, serão erguidas e fortalecidas pela Luz, para continuar existindo, se corresponderem às leis dessa força de Luz, ou ficarão somente reforçadas, para, ao vicejarem, se romperem nessa mesma força de Luz, julgando-se, desse modo, a si próprias, se não corresponderem às leis dessa força de Luz e, por isso, não puderem obter ligação com a mesma. Com isso, tudo o que é errado se exaure por si mesmo, efetivando-se agora de modo visível a todos, e também aquilo que ainda gostaria de ocultar-se. Nada, daqui por diante, poderá esquivar-se à pressão da Luz; terá de apresentar-se à Luz do dia, terá de mostrar seus frutos na ação! Para que seja reconhecido de forma exata como realmente é. E tudo por si próprio.
  • 28.
    Aí nada maisserve uma oposição, nem valem as sutilezas do raciocínio, que até agora muitas vezes puderam ter êxito na escuridão e na penumbra deste grande caos. Há de haver Luz por toda a parte! De acordo com as leis fundamentais e automáticas desta Criação, agora muito fortalecidas. Os seres humanos, com seu querer, nada mais representam neste movimento gigantesco, o qual, novamente impregnado pela força de Deus, acelera os efeitos, para realizar no avanço a purificação e renovar-se nisso! Não faleis, a esse respeito, em sugestões das massas de alguns líderes, porque estas não existem em tal sentido. O processo é inteiramente diferente. Um líder só poderá produzir a homogeneidade dos pensamentos pelos seus esforços. Força impulsionadora, para a eclosão da ação, é trazida exclusivamente pelos efeitos, continuamente automáticos, das leis primordiais da Criação! Os seres humanos, infelizmente, encaram tudo pelo lado errado, na fundamentação de suas concepções, como se a força partisse do ser humano individualmente, isto é, do ser humano em geral. Contudo, é o contrário! Toda e qualquer força só vem de cima! Assim, também não poderia deixar de acontecer que surgissem lutas partidárias das mais repugnantes formas, crescendo até o próprio desmoronamento, porque os partidos, ignorando as leis primordiais da Criação, também se encontram sobre bases erradas, e por essa razão jamais podem ser harmonizados. Iguais a flores de todas as ervas daninhas, proliferam na organização partidária os jornais, que, instigando com falta de consciência, envenenam também aquela parte da humanidade que inofensivamente deseja trilhar seu caminho. Os jornais procuram exceder-se uns aos outros da maneira mais desenfreada, porque têm de mostrar agora, devido à força impulsiva da Luz, toda a sua vacuidade, todos os seus esforços errados! E mostram- no! Imprimem em si próprios aquele cunho de que são merecedores e que não poderão mais alterar nem apagar, quando chegar a hora do esclarecimento para os seres humanos, na própria vivência, no próprio reconhecimento! Não haverá então nenhum retorno, onde avançaram demasiadamente, tornando deste modo, eles mesmos, impossível uma volta. Assim também aqui sobrevirão, devido à própria culpa, a queda e a autodestruição. Quando então todos os partidos tiverem se exaurido pela aceleração aumentada de suas atividades, de acordo com as leis sagradas desta Criação, aí como conseqüência imediata extinguir-se-ão também a maioria dos jornais, por não terem mais o que oferecer aos
  • 29.
    seus leitores, quandose tiverem rompido suas bases com a inveja, o ódio e a inimizade, pois somente nesse pântano puderam chegar a tal florescência. Em solo bom, a possibilidade de existência lhes é tirada. Tudo tem de se tornar novo! Mesmo as igrejas não serão poupadas naquilo que até agora tem sido errado. De conformidade com a lei da Criação, também aí tudo segue seu caminho, não podendo mais ser detido por nada: aquilo que não estiver em perfeita consonância com as leis de Deus, ancoradas firmemente, não em livros, mas na Criação, terá de manifestar-se. De conformidade com a espécie da semente, amadurecem agora os frutos para a colheita, no remate do ciclo dos acontecimentos de tudo quanto foi entretecido na Criação pelas atividades e pelo querer da humanidade, e isso equivale ao muitas vezes prometido Juízo, antes do início de uma nova era mais agradável a Deus! Os frutos têm gosto amargo, os quais a ação dos seres humanos cultivou na Criação e que a humanidade agora terá de comer, ainda que se envenene e pereça por causa disso! Durante muito tempo ela se opôs a qualquer reconhecimento, por não estar este de acordo com sua conceituação de até então. No entanto, primeiro tudo tem de se tornar novo, antes que a ascensão possa sobrevir, de acordo com as promessas há muito proferidas e conforme o próprio Filho de Deus declarou outrora. Isso significa também que tudo tem sido errado. Preguiçosos nos pensamentos, todavia, os seres humanos continuam a passar por essa realidade, mesmo aqueles que falam freqüentemente dessa anunciação. Eles sabem dela, porém não dão atenção a ela com aquela seriedade que seria necessária para a própria salvação! Infelizmente, tudo é considerado e interpretado de tal modo, que corresponda aos desejos egoísticos ou também comodistas de cada um. E aquilo que não lhe agrada, ou que não compreende com facilidade, na maioria das vezes rejeita ou nem sequer dá atenção, porque assim lhe é mais cômodo no momento. Ainda não é suficiente, que o falhar de todas as igrejas durante a guerra mundial, teve que mostrar tão claramente quão pouco seus ensinamentos estavam realmente vivos dentro dos adeptos. Eles permaneceram totalmente palavras ocas e apenas uma forma superficial, em vez de aí se comprovar. O falhar, porém, não era culpa
  • 30.
    dos adeptos, masdas interpretações da Palavra até agora, às quais falta todo o calor vital de uma convicção! Por isso, também não são capazes de despertar convicção. Somente onde a convicção é viva, a Palavra se torna ação, dando aos seres humanos realmente um apoio firme! O tempo da guerra e das conseqüências, porém, era para todos os dogmas apenas o amadurecimento até a floração. Os frutos devem se mostrar agora, os quais deixarão reconhecer exatamente a espécie da verdadeira semeadura! Com o aumento da aflição lotar-se-ão as igrejas e os templos, todas as casas de Deus, indiferente de que doutrina, pelos seus adeptos e seguidores que lá esperam encontrar auxílio naquela forma, na qual lhes foi ensinado. Nisso, todos os seres humanos ficarão sabendo no próprio vivenciar, o que nos ensinamentos de até agora era verdadeiro e o que de errado ainda estava contido neles. Tudo o que é legítimo, bem como tudo o que está errado, terá de se comprovar, a fim de que se apresente nitidamente perante cada um, e todo o errado desmoronar-se-á velozmente ao despertar pela vivência, para nunca mais poder ressurgir. Só pela vivência é que o ser humano aprende a discernir! Enquanto lhe faltar a convicção do vivenciar, permanecerá em crença cega, inativa, crença que não traz proveito algum ao seu espírito, mas sim o entorpece e paralisa. Ide, ó seres humanos, e vivenciai, já que voluntariamente, por meio da movimentação do vosso espírito, não mais podeis chegar ao reconhecimento da Verdade divina, porque vós mesmos mantivestes sempre e sempre fechadas as entradas para isso. Também a expressão usada tão freqüentemente por vós logo desaparecerá, em sua falsa concepção de até agora, se ainda quiserdes continuar a consolar-vos, segundo o vosso sentido, com palavras como: “Diante de Deus todos os seres humanos são iguais!” Esta expressão em si é certa, mas a sua interpretação de até agora, errada! Também aqui as leis divinas da Criação não admitem, de modo algum, uma interpretação tão cômoda. De fato, é certo que diante de Deus os seres humanos são iguais, sem considerar aquilo que já se encontra atrás deles. Encontrar-se, porém, diante de Deus, isto é, chegar até os degraus de Seu trono, só é possível a poucos seres humanos. Nesse fato grave, o ser humano terreno, contudo, em seu hábito superficial, não pensa, mas procura convencer-se de que reina, no espiritual, uma igualdade incondicional diante de Deus. Não procura dar maior atenção à indicação expressa
  • 31.
    nisso: “diante deDeus”. Tranqüilamente o ser humano passa por cima disso e apega-se somente ao termo “igualdade” da sentença. Sem tomar em consideração, porém, que na expressão, ser igual diante de Deus, se encontra uma indicação da nulidade das dignidades terrenas perante todas as leis divinas, as quais não fazem distinção alguma quando do trespasse de um espírito humano do seu invólucro de matéria grosseira para o mundo de matéria fina, pouco importando se esse ser humano tenha sido na Terra mendigo ou rei, sacerdote ou papa, ele é diante de Deus um espírito humano e nada mais, que tem de responder, pessoalmente, por um a um de seus pensamentos, palavras e ações; há nestas palavras um sentido mais elevado. Diante de Deus significa encontrar-se diante dos degraus do trono de Deus, portanto no reino espiritual, no Paraíso, que está abaixo dos degraus do trono. Isso é o mais significativo nessa sentença, que o ser humano, porém, não atenta. É-lhe o mais difícil, porque um espírito humano na Criação só chega diante de Deus, quando tiver se livrado de tudo o que lhe pesava nesta Criação, de culpas e coisas erradas. Tudo, mesmo o derradeiro grãozinho de pó! Antes disso, não poderá “estar diante de Deus”! Apesar disso, jamais verá Deus, pois isso lhe é impossível. É imenso ainda o abismo que o separa do lugar que se denomina “aos pés de Seu trono”. Jamais será transposto por um espírito humano. O ser humano, portanto, tem de contentar-se com aquilo que possui. Isso já é imensuravelmente grande e mal é aproveitado realmente por ele na mínima parte! No entanto, os espíritos humanos aqui na Terra e também todos aqueles na Criação não são de igual valor diante de Deus! Tal concepção é um erro nefasto! Primeiramente o ser humano precisa ter chegado a tal ponto em sua maturidade e pureza, que possa subsistir ou estar diante de Deus, só então é-lhe permitido dizer que pode ser considerado igual aos outros que se encontram simultaneamente diante de Deus. Aquilo que estiver por trás dele, já não terá importância, porque não poderá encontrar-se diante de Deus antes que esteja extinto e anulado tudo o que nele estava errado anteriormente, não importando tratar-se de conceitos ou ações. Estará remido e resgatado, assim que se encontrar diante dos degraus do trono, pois antes não chegará até lá. Nem com astúcia, nem à força, pois as leis da Criação não o permitem.
  • 32.
    Encontrando-se, porém, lá,então, mesmo no caso dos maiores erros anteriores, será absolutamente igual, como se jamais houvesse algo errado nele! Assim deve ser, ao mesmo tempo, também aqui na Terra, de acordo com a vontade de Deus, porém os seres humanos não dão atenção a isso nas leis que elaboraram para si, não se apóiam na vontade de Deus, mas sim esperam do próprio Deus sempre mais do que eles estão dispostos a dar de si a seus semelhantes! Cristo já dissera isso outrora, de modo bastante claro, em sua parábola do servo infiel. — As palavras ocas de até hoje tornar-se-ão agora evidentes na força da Luz! E com isso sobrevirá automaticamente, por si, a expulsão de tudo o que até agora foi doentio e a conseqüente cura. Também o que é errado será despertado para a vida e terá de mostrar seus frutos a toda a humanidade! A fim de que através disso ela chegue a reconhecer! A ira de Deus onipotente fará o mal despedaçar-se por si mesmo! Contudo, somente pela inobservância das leis divinas é que puderam amadurecer tais excrescências e maus frutos, os quais tendes de colher hoje por toda a parte, a fim de saboreá-los, libertando-vos deles ou arruinando-vos com eles! Só quando esses males se tiverem aniquilado por si é que os seres humanos reconhecerão, pouco a pouco, como na realidade sofreram com esse veneno. Só então respirarão libertos o ar límpido produzido pelos temporais purificadores da mais grave espécie. Hoje, contudo, ainda não se chegou a esse ponto. Em toda a parte reina ainda o medo! A humanidade, aliás, ainda não quer confessar-se disso, mas assim mesmo age impelida por esse medo, pois já se manifesta o ódio! O verdadeiro ponto de partida do ódio, porém, é o medo! O que é atacado pelo ódio, também é temido em todos os casos. Assim é o hábito dos seres humanos terrenos. Somente do medo é que se origina o verdadeiro ódio. Jamais da raiva, nem da indignação, que, por sua vez, produz ira sagrada. O ódio também não pode surgir do desprezo, nem do nojo. E como o medo já se inicia com o ódio, então o fim não está mais longe, pois esse medo surge agora nos seres humanos terrenos pela pressão da Luz, da qual não podem escapar com suas velhas e habituais sutilezas do raciocínio, que, pela primeira vez, desde milênios, falha, visto ser impotente contra a vontade viva e onipotente de Deus! —
  • 33.
    Todos os fenômenosque vos explico abrangem a humanidade inteira. Portanto, não penseis, de modo humano, que tudo já esteja liquidado dentro de dias, semanas ou meses. É uma luta que já dura anos, mas cujo fim se encontra entretecido nas leis primordiais da Criação, como vitória incondicional da Luz! Seres humanos, despertai através da vivência, a fim de que não tenhais de perecer! Pois brevemente deverá surgir uma humanidade que vibrará conscientemente nas leis primordiais da Criação, para que o mal, como conseqüência da vida errada, permaneça afastado e para que somente paz e alegria possam reinar neste plano terrestre. Para a vossa felicidade, para a honra de Deus!
  • 34.
    5. Aspirai àconvicção! Aspirai à convicção em tudo o que fizerdes! Do contrário sereis bonecos sem vida ou mercenários! No futuro Reino de Deus na Terra o que é morto e indolente deve ser eliminado e não mais ter direito à existência, pois não tem valor, perante as leis divinas, um ser humano que de qualquer modo permanece apenas como mero acompanhante. — Olhai em torno de vós, a fim de que possais aprender com tudo. Diariamente e a cada hora vos é dada oportunidade para isso. Observai os acontecimentos em todos os países. As massas, que durante anos, nos diversos partidos, a princípio se conspurcavam e se hostilizavam mutuamente, chegando a vias de fato, até ao assassínio, passam às vezes, da noite para o dia, a percorrer juntas as ruas, cantando e brandindo archotes de alegria, como se já há anos fossem fiéis amigas. Da noite para o dia. E só porque ocasionalmente seus chefes se dão as mãos para um fim qualquer. Onde encontrareis, nessas coisas, uma verdadeira e firme convicção pessoal; onde, aliás, uma convicção! Ela falta. É um marchar em conjunto, sem intuição, de milhares, evidenciando com isso que são imprestáveis para o que é grande. Em tal solo jamais poderá surgir um reino que vibre nas leis divinas. Por isso, também nunca poderá, desse modo, ficar saneado. Se os partidos se combatem, e esse combate reside na convicção, então é completamente impossível que se efetue uma aliança, sem alteração da convicção e dos caminhos. Isso, porém, não se dá em apenas algumas horas. Onde, contudo, tal fato se torne possível, lá seguramente não existia convicção, mas apenas um alvo comum poderia ter tal efeito decisivo: o alvo do poder! Somente isso se sobrepõe, inescrupulosamente, sobre tudo, passando mesmo por cima de cadáveres, se de outra maneira não possa ser. Contudo, alianças tão forçadas também trazem dentro de si, de antemão, a desconfiança, que vigia sempre a outra parte com suspeita, restando, então, pouco tempo para o principal: o bem do povo, que cheio de esperança os observa. Tais seres humanos, sem verdadeira convicção, podem ser facilmente desviados do rumo que a aliança lhes trouxe. Não pode haver confiança neles, a qual repousa na convicção própria! Basta- lhes um palavrório de discursos vazios para se embriagarem. Na embriaguez, entretanto, não se encontra nenhuma ação sadia.
  • 35.
    Com seres humanosde tal espécie não poderá resultar uma construção capaz de resistir às tempestades! Não ocorre de modo diverso do que no tempo de Jesus, quando as massas bradavam “Hosana!” para, poucas horas depois, gritarem: “Crucificai!” Onde, porém, a convicção forma a base de uma ação, de uma realização, aí semelhante fato não pode ocorrer, pois a convicção vem do saber, e o saber gera perseverança e estabilidade, dá inabalabilidade e coragem vitoriosa, porque o verdadeiro saber provém do vivenciar. Os portadores da Cruz do Graal, porém, possuem saber. Disso deverá levantar-se e derramar-se uma onda de força sobre toda a humanidade na Terra. Com ímpeto irresistível essa onda terá de arrastar consigo todas as escórias que ainda impedem os seres humanos de despertarem para o reconhecimento. Por isso tornai-vos fortes, a fim de que sejais capazes de, conjuntamente com a grande purificação, que agora se processa pela pressão da Luz, fornecerdes forças aos seres humanos para o novo soerguimento! Pois pesadas tempestades terão de açoitar as almas, para que se modifiquem na dor e no infortúnio, e se elevem purificadas, ou pereçam! Aprendei e amadurecei, porém, vós próprios nisso, a fim de que a convicção surja em vós! E de conformidade com a espécie da convicção decidir-se-á quem poderá ser salvo e quem terá de ficar excluído para sempre do futuro Reino de Deus, pois a convicção também é, ao mesmo tempo, fruto do querer! Somente a força da convicção torna o ser humano vivo na Criação, portanto, de pleno valor! Habilita-o a executar obras que têm de ser tomadas a sério e que não perecem facilmente. Por isso clamei aos seres humanos, na introdução da minha Mensagem, que agora a crença tem de se tornar convicção! É, para todos, agora, o último instante para isso. E como a convicção do saber provém, por sua vez, só da vivência, o ser humano será agora impelido à força para o vivenciar exterior de tudo aquilo que até agora formou, a fim de que reconheça, claramente, tanto na dor como na alegria, o que formou com acerto e o que foi errado, no pensar e no intuir de sua existência. —
  • 36.
    Os portadores daCruz em todos os países servirão, nos tempos de maior calamidade, de exemplo aos seres humanos terrenos, exemplo que deverão seguir. Nada podereis alterar nisso, pois está determinado. Ai de vós, contudo, se então encontrarem defeitos em vós! Ai de vós, por causa de vós próprios e dos seres humanos! Por isso, não desperdiceis o tempo para o amadurecimento necessário. Os próprios seres humanos vingariam sua desilusão amargamente em vós. Sede vigilantes e fortes! — — — Deve surgir agora o novo Reino aqui na Terra! O Reino de Deus, como fora prometido aos seres humanos pela Luz! Não chegará, porém, com brando sussurro, como recompensa à humanidade atual! Quanto se enganam os presunçosos fiéis, que até estremecem prazerosamente, pensando já há muito tempo no Reino de Deus na Terra, na vaidosa autoconsciência de que poderão usufruí-lo, como filhos escolhidos de Deus, porque crêem, conforme sua opinião, em seu Redentor que morreu por eles, tomando com isso sobre os ombros os pecados deles. Da mesma forma como uma criança obediente, muitas vezes, se habitua à recompensa de um doce, assim também imaginam o evento desse reino divino aqui na Terra. Um doce sonhar acorre-lhes vagamente, ao pensarem numa existência abrigada e tranqüila, sob os fiéis cuidados de Deus, que derrama sobre eles Seu amor, por alegria, porque Nele crêem! Que os recompensa assim, por terem confessado publicamente sua crença Nele e jamais terem se envergonhado Dele perante os seres humanos. Quanta arrogância indizível repousa nesse conceito! Examinai, exata e severamente, ó seres humanos, e vereis que a maioria de todos os cristãos é realmente assim e não diferente! Nesta asserção não há exagero algum, por mais triste que isso soe. Contudo, a ira divina atingirá esses presunçosos com grande severidade! São eles qual pântano viscoso que se evita com asco! Justamente todos aqueles, que cheios de arrogância se vangloriam, atualmente, de serem filhos de Deus, escolhidos e leais. O Reino de Deus, porém, impõe grandes exigências à humanidade, trazendo trabalho em riquíssima abundância! É o contrário daquilo que os fiéis das igrejas sonham! O trabalho mais difícil, porém, aguarda o ser humano nele mesmo! Nisso muito ele tem de reparar, se aliás quiser subsistir. Quero tirar-vos a venda, a fim
  • 37.
    de que reconheçaisesses seres humanos terrenos em toda sua perfídia, porque se aproxima o fim de minha luta e vós deveis cooperar nesta matéria grosseira, cooperar para a vitória da Luz, que extinguirá esses vermes arrogantes, e por isso tão malévolos. Pois só se pode denominá-los ainda de vermes, não mais seres humanos! A espada que vós manejais em nome de Deus, ao qual vós vos comprometestes, porém, deve estar afiada e reluzente! No entanto, quem de vós está firme e quem está alerta para a luta contra a humanidade inteira e contra as trevas que a circundam! Bem-intencionados e de boa vontade vos aferrais ainda, de modo demasiadamente tenaz e rígido, às ninharias cotidianas, com o que vós próprios colocais empecilhos nos caminhos, de modo que mal sois capazes de realizar a mínima parte daquilo que na realidade deveis realizar e tendes de realizar. Cada um de vós está ainda muito atrasado, por não poder vibrar harmoniosamente nas coisas grandes, devido a todas essas ninharias! Tornai-vos mais flexíveis e mais livres na atuação do dia-a-dia e mantende sempre e ininterruptamente na vista e na intuição apenas as coisas grandes! Não vos aferreis, demasiadamente, numa perseverança embaraçosa. Não deveis transformar-vos em peças de uma máquina humana, mas sim tendes de tornar-vos vivos, grandes e livres! Onde vossos defeitos quiserem formar obstáculos, procurai logo novos caminhos, que vos serão mais fáceis, pois assim muitas vezes ainda podereis chegar, finalmente, ao lugar que tendes de alcançar! Agi da mesma forma com vossos co-convocados. Vereis que a harmonia então não poderá ser rompida tão facilmente! Deixai cair tudo o que é rígido com relação ao vosso próximo, tornai-vos lugar disso vivos e móveis! Cedei temporariamente, onde algo aparentemente não se deixa realizar, porém jamais solteis as rédeas das mãos! Aquilo que se opõe conseguireis, finalmente, com alguma habilidade, levar ao lugar onde deve ficar. Um bom cavaleiro jamais terá necessidade de puxar as rédeas, a ponto de sangrar o cavalo, para impor a sua vontade, se souber lidar com animais. Ele tem, apenas, de aprender, primeiramente, a compreender os animais, se quiser dominá-los! Sua rigidez teria como conseqüência somente a teimosia, ou aquela obediência que a qualquer momento poderá
  • 38.
    tornar a falhar.Desse modo estaria sentado sobre um barril de pólvora, em vez de o cavalo carregá-lo com amor e cuidado! Inflexível é, na realidade, aquela vontade que conduz ao alvo, mesmo se tiver de modificar seus caminhos, mas não aquela que quebra seu alvo por causa da própria rigidez. Só a perseverança conduz ao alvo, e não a rigidez. Rigidez é sempre errada, por ser antinatural e também por não estar em harmonia com as leis primordiais da Criação, que condicionam movimento. Toda a insistência rígida representa falta de habilidade, que não reconhece outros caminhos transitáveis, impedindo assim os esforços progressistas de seu próximo! — Vós, portadores da Cruz, despertai para um novo modo de ser, deixai cair os hábitos e ensinamentos antigos, tornai-vos primeiramente novos perante o Mundo, também no pensar e agir quotidiano! Nada existe, que não tivesse de se tornar novo, isso eu já vos disse cêntuplas vezes! O início deve ser em vós! Sem início não há continuação! Se vós falhardes, cairá o mundo!
  • 39.
    6. Como éstu, ser humano! Esta é a pergunta que retumbará ao teu encontro no Juízo! Como és tu, não como foste! Portanto, sê vigilante, se quiseres subsistir no Juízo! Há muito que assim clamo ao espírito humano. Minhas advertências, porém, perderam-se sem serem ouvidas. Poucos apenas ouviram o chamado, queriam ouvi-lo! Outros julgaram possuir algo muito melhor, com o que se contentaram até então, seja nas doutrinas das igrejas, nos programas de muitas seitas ou na descrença completa de tudo o que não é visível ou palpável terrenamente. Aqueles, porém, que querem ouvir, são muito pouco severos para consigo mesmos. Não são bastante sinceros para com o próprio espírito. “Como és tu, ser humano!” estará de repente diante dele, no efeito das leis vivas desta Criação e justamente quando ele não estiver preparado para isso. Pois mesmo que tenha se esforçado durante anos para ser de tal maneira, que possa resistir às tempestades, que bramem por cima dele com violência indescritível, de nada lhe adiantará tudo isso, se no fim afrouxar, mesmo que seja apenas durante uma hora. Se tiver chegado a sua hora, cairá apesar de tudo, porque não estivera tão desperto no momento dos acontecimentos, como deveria estar na força da Luz, que lhe fora concedida para isso. E isso advirá da noite para o dia! A quem muito foi dado, muito será exigido! A máxima vivacidade do espírito e do corpo é lei inexorável em todo o desenvolvimento para a ascensão e para o serviço na Luz! A força tornar-se-á fatal, se não a aproveitardes, continuamente, naquele sentido em que vos foi concedida! Ela vos eleva ou vos oprime, vos fortalece ou esmaga, exatamente de acordo com a maneira como vós próprios sois no íntimo! Um meio-termo é impossível em face da força da Luz! A inatividade, bem como o aguardar indolente, na boa vontade, produz o mesmo efeito que o emprego errado, isto é, a queda! A vontade tem de ter se transformado em ação, quando agora vos atingirem as ondas, que já estavam previstas para cada um individualmente, por ocasião do nascimento!
  • 40.
    Cada ser humano,na Terra, tem agora o seu tempo para purificação ou destruição. Ele lhe sobrevém de acordo com a lei, e então o ser humano, sozinho, tem seu destino nas mãos. Não ocorre na mesma hora em toda a parte, mas atinge cada um, como lhe está previsto! Isto representa a última seleção para o Juízo! Somente aquele que for capaz de passar vitoriosamente pela seleção espontânea, este, com isso, será então escolhido para a ação! Para a construção no Reino dos Mil Anos. E tudo isso ele tem em suas próprias mãos! Se ele não levou tão a sério para si as advertências, que tantas vezes dei, como deveriam ser levadas por cada um individualmente, então ele traz agora para si as conseqüências prejudiciais na mais implacável justiça; pois como ele é, assim ele será atingido. Exatamente conforme a realidade. Não, por ventura, como ele imagina ser! Nisso comprovar-se-á, quem utilizou totalmente a força em seu anseio pelo cumprimento e convocação, ou quem com ela apenas brincou em acessos de vaidade, mesmo que ela seja mínima. Mostrar- se-á quem leva a sério a vontade de servir, ou quem apenas queria estar presente, para nada perder. Ai daquele em quem pôde aninhar-se a presunção ou a falsa ambição, de modo que a verdadeira humildade não mais tenha encontrado lugar! Manifestar-se-á de maneira assustadora e arremessará para o lado aquele que se deixou envenenar com isso. Digo-vos, tudo o que se manifesta em vós, até o mais ínfimo, será pesado e medido, inclusive aquilo que imaginais achar-se sepultado, se não tiver de fato se desprendido de vós! — Eu temo por vós, pois tendes de lutar, agora, sozinhos, na última fase, a fim de subsistirdes ou perecerdes! Contudo, quero hoje ainda esclarecer que serão atingidas com segurança as fraquezas, grandes e pequenas, a fim de que sejam cauterizadas, não embaraçando por mais tempo uma atuação pura, com alegria no servir! Nada disso restará. Passais agora pelo fogo de um processo de purificação, que tereis de vencer, se não quiserdes nele perecer. — Quem, porém, estiver certo e verdadeiro, na seriedade da humilde vontade de servir, este será unicamente fortalecido nessas ondas e por
  • 41.
    elas elevado emsua grande força potencial, o que lhe traz o último impulso para cima, o qual, antes de tudo, prepara-o para o cumprimento de sua missão no serviço do Graal! — Cada ser humano de toda a Terra terá de passar por isso. Ninguém será poupado disso. Quero também explicar-vos como se realizará o processo em vós, a fim de que possais passar cientes através daquelas semanas. Lembrai- vos, no entanto, de que este saber também aumenta vossa responsabilidade! Para cada ser humano, que vive hoje nesta Terra, o caminho, desde o nascimento, já está traçado de tal modo, que estará sujeito nessa época, que se encontra agora próxima dele, a determinadas irradiações, que atuarão de modo preparatório para o Juízo Final, como última seleção, decisiva para o seu destino. Esse espaço de tempo dura meses para cada um. Não será vivido em horas ou dias apenas. Também ninguém poderá escapar dele. Não poderá ser detido, nem desviado ou retardado por um único segundo sequer! Acresce que das alturas chega uma nova pressão da Luz, que desencadeia e fortalece os efeitos. Tão poderosa, que nada poderá oferecer resistência a essa pressão da Luz, por mais forte e tenaz que seja. Assim o ser humano estará durante um determinado espaço de tempo como que sob um chuveiro, proveniente de todos os lados e ao qual é obrigado a resistir incondicionalmente. Não poderá fugir, nem para diante, nem para trás e nem para os lados; tampouco poderá cobrir-se ou esconder-se. Tudo isso é uma vivência indispensável! Poder-se-ia comparar esse processo com uma prova de pressão, se bem que tal imagem não reproduza com exatidão o acontecimento. Não se trata aqui somente duma pressão bem determinada, que cada ser humano tem de ser capaz de suportar, se não quiser sucumbir, mas sim essa pressão tem vida, torna também vivo tudo o mais, acorda para a movimentação ou obriga a manifestar-se tudo o que se encontra sob ela e também aquilo que estiver dormitando. Assim como esse acontecimento ocorre em toda a Criação durante a sua purificação, da mesma forma e ao mesmo tempo sucede com o ser humano, individualmente, que não pode ser excluído disso, e que até tem de ser atingido da maneira mais severa. O que desse modo foi
  • 42.
    despertado ou estimulado,será ainda fortalecido, quer seja bom ou mau. Cresce por meio desse fortalecimento! O mal, porém, sendo de outra espécie, se opõe a essa pressão da Luz, aumentando também com seu crescimento a sua resistência, a qual, no entanto, só lhe acarretará sofrimentos, pelo fato de a poderosa pressão da Luz não ceder sequer pela espessura de um fio de cabelo. Desse modo o mal é obrigado a quebrar, literalmente, a cabeça, a fim de, destruído, acabar de ruir. Com isso, aliás, vos apresento apenas uma imagem. Trata-se, porém, de um acontecimento real, pois o mal é obrigado a aniquilar-se, a si próprio, inteiramente e em seu próprio movimento, impulsionado tão fortemente pela pressão da Luz. Todos os erros e todas as falsas concepções são igualmente entregues à autodestruição, por não poderem ter nenhuma ligação beneficiadora com a Luz. Imaginai agora um ser humano que possua muitas fraquezas, bem como defeitos, e que não esteja disposto com toda a força a abandoná- los. Infalivelmente resultará que também seu corpo terreno não será capaz de suportar, absolutamente, o imenso choque, perecendo conjuntamente, isto é, tendo de destroçar-se também, ao passo que, tratando-se de defeitos menos rebeldes, o corpo terreno sofrerá apenas danos leves. Naturalmente, atingirá o corpo sempre onde pontos fracos oferecerem lugares propícios ao ataque ou onde existir alguma doença. Não está excluído que em muitos seres humanos as células do cérebro oferecerão tais pontos de agressão, produzindo-se assim uma perturbação da mente, a qual é denominada erradamente perturbação do espírito. Na realidade é somente o raciocínio que está sujeito a perturbações, nunca o espírito! É unicamente a atividade do cérebro terreno que sofre o distúrbio, porque perturbação do espírito nem existe. Com o abandono do corpo pela morte terrena, estará também extinta, sem mais nem menos, a perturbação doentia de tal enfermo. É justamente nos distúrbios da atividade cerebral que se evidenciará o pecado de muitas escolas, que sobrecarregaram o cérebro anterior dos jovens com coisas das quais eles nem necessitam durante sua existência terrena para uso prático. A vaidade aí tornou-se desgraça e crime, pois desse modo não sobrou nem força nem tempo
  • 43.
    para aquilo queteria sido mais necessário e que é indispensável a todo o ser humano: reconhecer a vontade de Deus na Criação! O ataque sobre o corpo reside no rechaço do errado que se revolta e nos esforços que têm de resultar da intensificação violenta e imediata pela pressão da Luz. A própria Luz nada agride, ela unicamente é e existe! Contudo, tal como uma muralha inabalável, aproxima-se cada vez mais a parede de Luz, estreitando continuamente o espaço, dentro do qual o errado terá de exaurir-se até a total autodestruição. Assim acontece com aqueles seres humanos que não estão certos em relação à Luz, e por essa razão também não vibram nas leis. Quanto aos seres humanos que estão certos na Criação, essas irradiações terão de elevá-los bem para cima, até o limite em que se encontrem fora do perigo de serem arrastados para a decomposição vindoura. Cauterizam nele tudo aquilo que não estiver inteiramente de acordo com as leis desta Criação. Somente, porém, no caso em que o ser humano oferecer possibilidade para tal, pelo domínio de si próprio, férreo e desapiedado, no reconhecimento de seus erros e particularidades erradas. Muito lhe é facilitado para poder fazer isso, por se tornar visível nele, mediante essas irradiações, todo o errado fortalecido. A visualização de tais erros, porém, não ocorre por meio de imagens cômodas, como talvez o ser humano mais uma vez espera erroneamente, segundo a espécie indolente de seu espírito, mas sim ele é que tem de esforçar-se para tal, do contrário não receberá nenhuma recompensa e nenhuma ajuda. Ele próprio poderá notá-lo se, possuído de um desejo sincero, abrir os olhos para isso! Então verá logo com o que se esbarra e se choca com seus semelhantes. Com um pouco de esforço poderá reconhecê-lo na maneira de ser de seu próximo para com ele, pois se é que realmente deseja ascender, então, em todas as coisas, tanto nos leves como nos pesados choques e discórdias, em toda e qualquer perturbação da harmonia, não mais procurará e nem presumirá encontrar os erros nos outros, mas sim em si próprio! É desse modo que reconhecerá, ainda em tempo, tudo o que lhe falta. Portanto, somente na vivência! Não existe outro modo de reconhecimento para ele. Se olhar dessa maneira em torno de si, então já terá dado o passo mais difícil de sua luta, que o conduzirá à vitória! Nesse primeiro passo reside o fundamental para ele! Deixando de considerá-lo, nunca vencerá, mas terá de cair, ainda que tenha muita boa vontade. Se omitir esse passo, é porque não possui a vontade certa, mas sim enganou-se a
  • 44.
    si próprio nisso,iludiu-se por vaidade ou comodidade, e os frutos de tais ilusões recairão sobre ele. Totalmente diferente, porém, sucede às pessoas que realmente trazem em si a vontade sincera, que sempre faz surgir a ação, não permanecendo somente na vontade. Estas recebem, pela pressão da Luz, reforço inesperado e poderoso de seus esforços bons e puros, que as eleva para o alto, acima do limite determinado para o Juízo, concedendo-lhes segurança, assim que se desencadear a tempestade que arrastará todos os outros para a região da decomposição, que é equivalente à condenação eterna. Despertai, ó espíritos humanos! Não podeis malbaratar um só dia! Já outrora o Filho de Deus clamou para vós, advertindo: perdoai ao próximo! Sabeis o que reside nisso? Pensais em tudo de modo demasiadamente superficial, não quereis aprofundar-vos na Palavra, que contém tesouros tão inestimáveis. O perdão para o próximo tem início e fim no fato de não vos preocupardes com seus erros! De deixardes de procurar erros nele! Em outros termos, que deveis preocupar-vos nisso exclusivamente convosco! Que deveis primeiramente procurar vossos erros, livrando- vos deles, antes de vos esforçardes em repreender vosso vizinho por seus erros. Jesus sabia muito bem que tendes de preencher totalmente o tempo de vossa existência terrena, se quiserdes cuidar suficientemente de vós próprios, para assim progredirdes e amadurecerdes, como deveis. Investigai primeiramente em vós, somente então compreendereis o vosso próximo! Na compreensão, porém, reside o perdão. No entanto, quantos seres humanos existem, na Terra, que agem dessa forma! Nenhum acolheu em si de tal modo a Palavra do Filho de Deus. Nem esta única sentença e muito menos ainda a doutrina toda. Justamente na inobservância desta exigência encontra-se o vosso maior erro! É nisso que pecais ao máximo e. . . com isso desperdiçais ao máximo, sim, malbaratais dessa forma toda a vossa existência! E apesar de tudo isso tendes a esperança de subsistir! “Como és tu, ser humano!” Não se trata de uma pergunta, mas sim de uma exigência! Nela tereis de destroçar-vos, se não vos definirdes rapidamente! Advirto-vos! Tantos já se encontram à beira do abismo e
  • 45.
    cairão, se nãorecuarem com toda a energia, no último momento! Não procureis mais nos outros os erros, mas sim somente em vós! Não lanceis fora o último apoio, que vos posso oferecer, no momento do perigo extremo! Já tantas vezes não atentastes a ele, apesar de o Filho de Deus vos havê-lo oferecido em cada frase. Também quando vos disse: “Ama a teu próximo como a ti mesmo!” Assim também aqui o sentido é o mesmo. Sempre de novo vos deu o mesmo conselho, com o qual poderíeis progredir com todo o vigor, se realmente quisésseis! Para isso, contudo, tínheis também de pensar e agir por vós próprios, e isso foi exigir demais! Tal fato vingar-se-á amarga, amargamente em vós! Sede, por isso, finalmente vigilantes e não sonheis mais com o passado, nem com o futuro, mas vivenciai o momento, o presente! Unicamente isso ainda poderá trazer-vos proveito! “Como és tu, ser humano!” Assim exige a lei da Criação no Juízo! — Quero por isso fazer mais uma advertência, antes que a grave e pesada exigência tenha de despertar-vos da falsa ilusão! Não vos preocupeis com o que já fostes outrora aqui na Terra! Tal saber em nada poderá auxiliar-vos no Juízo, pois não conta! Só mais tarde, quando estiverdes mais maduros para isso, tal conhecimento poderá explicar-vos muita coisa! Podereis então tirar ensinamentos disso, que vos trarão muito proveito para o presente, se sintonizardes corretamente vosso modo de pensar. É apenas por curiosidade ou também por vaidade, que muitos, dentre vós, perguntam por isso tão insistentemente. Contudo, não colheis aquilo que já hoje poderíeis colher desse saber, deveríeis colher: contentamento e gratidão pela vossa presença, pois tudo pudestes experimentar na Terra até agora! Não há um sequer que já não tenha sido terrenamente rico ou tenha ocupado uma posição dominante qualquer. Nenhum que já não tenha experimentado todas as alegrias desta Terra. Por isso não tendes direito nem motivo para invejardes os que hoje reinam, tampouco os que têm posses, os quais talvez durante o vosso bom tempo e sob o vosso domínio já tivessem de sofrer necessidades e penúria!
  • 46.
    Devíeis aprender comisso, que vos encontrais justamente agora naquela situação que ainda vos é necessário experimentar, para nela amadurecer ou para reparar o mal que outrora causastes. Ambos os casos só podem gerar gratidão pela graça que vos concede isso na atuação de leis inamovíveis, que jamais podem ser injustas, que jamais erram em sua perfeição intangível, e que, ajustadas na maior precisão, sempre trazem ao ser humano, como fruto, aquilo que ele mesmo semeou nesta Criação com as decisões do seu livre-arbítrio! O sofrimento que o atinge é sua própria ação, como também a alegria que lhe é presenteada pela lei! E quando lhe é dado sofrer ou passar necessidades, sabe ele perfeitamente que isso o conduz à libertação das conseqüências de uma ação que ele próprio cometeu, constituindo dessa forma auxílio para a ascensão, que unicamente pode conduzi-lo aos reinos luminosos da mais pura alegria. Quer viva na riqueza ou mesmo como soberano, então aquilo que vivenciou até agora deve ser uma exortação para que administre tudo isso acertadamente, no sentido das leis divinas, a fim de que resulte em bênçãos para os seus semelhantes e não o conduza mais uma vez para baixo, atando-o a uma futura existência de sofrimentos nesta Terra, mas sim tenha de elevá-lo pela gratidão daqueles que, graças à sua atividade, puderam encontrar paz e felicidade. É exclusivamente para isso que o saber deverá servir-vos futuramente. Hoje, porém, vos entretendes em vaidosa presunção, pensando no que já fostes outrora, talvez até vangloriando-vos com isso, como se vos pudesse ser de alguma utilidade hoje. Digo-vos, se vós mesmos não fordes capazes de tirar proveito disso para vossa existência, no sentido por mim apontado, não terá valor, podendo acarretar somente prejuízo. Que vale perante as leis nesta Criação, se outrora fostes na Terra imperador ou rei, apóstolo ou papa: “Como és tu, ser humano!” terá de confessar cada um na vivência! E vossa resposta encontra-se na existência atual, no vosso modo de ser, exclusivamente! E esse momento grave está diante de vós! Vigiai! — Poderá apresentar-se a qualquer hora! Não acontecerá para todos ao mesmo tempo, mas sim somente um após outro! Para cada um de uma maneira nova. Suas fraquezas condicionam a maneira.
  • 47.
    A quem, então,implorar força no sentido certo, ela lhe será concedida. Essa força também o auxilia a vencer, contanto que reconheça e procure seriamente vencer aqueles erros que traz em si mesmo! Ninguém, portanto, olhe para os outros, pois nenhum é tão puro, que ele mesmo não tenha de lutar!
  • 48.
    7. Deixai quea páscoa surja em ti, ser humano! Um brado percorre o Universo! Inicia-se o grande despertar e, retumbantes, sucedem-se agora as badaladas desse relógio universal, anunciando-vos a duodécima hora, com isso o fim da época atual e de tudo o que nela aconteceu. — Ajuste de contas! O conceito, tendo tomado forma, corre velozmente atrás desse primeiro brado para o despertar, nas trilhas dos efeitos recíprocos, agora fortemente incentivados e se encontra com velocidade inimaginável diante de cada criatura, frio, objetivo e impiedoso, pois atrás e dentro dele encontra-se a lei viva, ofertando aqueles frutos, cujas semeaduras se deram na existência de cada um. Assim, cada ser humano já se encontra envolvido por tentáculos ainda invisíveis para ele, de modo a não poder avançar nem recuar, tendo de aceitar indefeso aquilo que lhe brotou na grande estufa da Criação, por intermédio de seu querer e de suas ações! Toma, ó ser humano, a recompensa que mereces! Poucos são os bons frutos, que aí terás, pois desrespeitaste e violaste o santuário que a inconcebível graça de Deus te deu como firme apoio para a peregrinação, a qual Ele te concedeu outrora, satisfazendo as tuas ardentes súplicas! Era o conhecimento na intuição de Sua elevada vontade, a qual unicamente concede continuação à Criação, uma vez que ela Dele se originou, assim como tu! Essa vontade é para tua salvação, para tua alegria e tua felicidade, pois outra coisa não existe na vontade Daquele que, cheio de amor, te concedeu a consciência do existir. Precisavas apenas seguir pelos caminhos que a lei da vontade já havia te aplainado na Criação, como dádiva, a fim de que te conduzissem a todas as delícias que a consciência do existir encerra em si! Rompeste, porém, com atuação leviana as muralhas protetoras que juntamente contigo surgiram na lei, destruíste-as com teimosia e presunção, colocaste ainda criminosamente o teu mesquinho querer acima da lei, que repousa na vontade de Deus. Assim, em vez de te proteger e elevar, essa lei tem de destruir em ti tudo aquilo que abandonou o caminho desejado por Deus!
  • 49.
    Poucos são, dentreos seres humanos, os que não abandonaram esses caminhos! De todos os que perambulam desviados, muitos são apenas vítimas daqueles que romperam as muralhas protetoras. Em confiança, ao modo humano, deixaram-se arrastar para fora do caminho que conduz às alturas luminosas, e agora não sabem mais voltar, mas sim erram de um lado para outro à procura do caminho certo, no matagal das baixas concepções humanas, sem contudo encontrá-lo. Por isso ide vós, a quem já mostrei o caminho na Palavra! Ide por toda a parte, esclarecei e interpretai minha Palavra a todos os que procuram com sinceridade na Luz da Verdade, cujas irradiações vos acompanham, pois é chegado o tempo para isso! Desponta a aurora do prometido Reino do Milênio! Deverá iluminar agora todos os povos por intermédio dos que foram ricamente dotados, os quais portam a Cruz da Verdade como sinal de sua convicção! Não tardará muito e os seres humanos perguntarão temerosos pela Cruz, na esperança de que, por vosso intermédio, possam encontrar aquilo que traga em si o verdadeiro auxílio e os arranque do desespero esmagador, elevando-os das ruínas das vaidosas esperanças que depositaram nos seres humanos terrenos e em suas capacitações! Quando agora desmoronarem repentinamente todos os esteios entre os povos, quando se desvanecerem a crença no poder do dinheiro e a confiança no saber do raciocínio, e quando, sobretudo, se apagar o último vislumbre duma aparente existência de dignidade humana, então. . . então vosso tempo terá chegado, portadores da sagrada Cruz! Anunciareis, tereis de anunciar a Verdade, que vos foi proporcionada, pois os seres humanos esperarão de vós, rogarão por ela e a exigirão até, se porventura quiserdes hesitar! Estai preparados, portanto! O tempo fará com que a humanidade se aproxime de vós! Por alta condução espiritual, isso ocorrerá para vós como que automaticamente. Se não vos esquivardes da correnteza, cumprireis vosso dever! Isso vem ao vosso encontro. Sede corajosos, altivos e livres! Não deveis solicitar mendigando a benevolência dos seres humanos, mas sim somente conceder onde vo-lo pedirem! Vós sereis vitoriosos a cada passo; pois convosco está aquele auxílio, cujo poder é o mais potente, com o qual nada na Terra pode medir forças!
  • 50.
    Vós sois osvencedores; pois assim é da vontade de Deus! — A Páscoa há de surgir agora para os espíritos humanos aqui na Terra! Por isso deveis estar a postos! Os seres humanos logo se acercarão de vós. Todos quererão ver em vós seres humanos terrenos sem defeitos! Isso querem, tanto os amigos como os inimigos! Os mais ferrenhos adversários da Palavra Sagrada, contudo, muito esperarão de vós, mais do que em tempo algum se esperou de seres humanos. Isso é uma lei viva! Quero dar-vos diretrizes para esse fim, as quais tendes de seguir, se é que vossa existência, futuramente, deva tornar-se benfazeja, como está determinado pela vontade de Deus. Segui essas diretrizes, pois elas são mandamentos para vós! Rigorosa obediência vos trará alegria e vitória; aos seres humanos, porém, trará a salvação! Para vós olharão, mais tarde, agradecidos. Deveis tornar-vos um exemplo vivo para o soerguimento desse caos! Em primeiro lugar dou-vos, para isso, o mandamento de redespertardes em vós o senso da beleza, que já desde o início se encontra em vós e que soterrastes criminosamente! Ele vos será um auxílio inestimável para a libertação do espírito e para a própria ascensão! Não o menosprezeis! Há nele mais valor do que supondes! Segui-o e em breve reconhecereis, na vivência, o quanto ele favorece a cada um nos degraus de sua existência! Até lá, procurai obedecer-me, para que participeis do proveito, tão indispensável para vós! Do contrário, não podereis tornar-vos os vencedores, exemplos aqui para esta Terra, com todo o vosso modo de ser. Viver terrenamente de modo exemplar é o que tendes de fazer incondicionalmente por primeiro, se quiserdes cumprir a missão que recebestes e que tomastes a vosso cargo, de livre vontade, ao pedirdes a Cruz! Viver terrenamente de modo exemplar, porém, significa ser natural! Assim como a Criação vos mostra, para que nela vos enquadreis e não permaneçais qual caricatura, como é hoje. O senso de beleza, que tem sua origem na mais pura intuição, vos foi presenteado, a fim de vos servir de norma, para levardes uma vida, aqui na Terra, de acordo com a vontade de Deus. Essa intuição traz em si a recordação de alturas luminosas, onde a beleza é coisa evidente! Pois Luz e beleza não se deixam separar, absolutamente. São uma só coisa! Se quiserdes, pois,
  • 51.
    trazer Luz paraesta Terra, tereis de trazer beleza. Beleza em tudo o que fizerdes! O que, porém, até agora considerastes como belo, foi constituído, na maior parte, de produtos do raciocínio, engendrados e formados por seres humanos que só se baseavam em vossas fraquezas, querendo estimulá-las, a fim de assim auferir vantagens terrenas. Ganhar dinheiro ou simpatia. Tudo se baseava em cálculos. De verdadeira beleza aí nenhum vestígio! Unicamente excitação dos sentidos, de qualquer maneira. Cada excitação, porém, é um estímulo desejado pelo raciocínio, que jamais pode elevar! É meio de engodo para um propósito qualquer. Mesmo que seja, apenas, para a compra de um tecido ou de uma vestimenta. Já vos habituastes a adaptar-vos a opiniões alheias, a aceitá-las, tornando-vos, por isso, vítimas de cálculos de outros, que cada vez mais vos confundem e degradam, pois com isso, voluntariamente, desististes de uma parcela de liberdade e, com a liberdade, do próprio direito ao senso de beleza. Pensais ainda possuir a liberdade de decisão na escolha da compra. Aí, no entanto, estais limitados a um bem determinado número de artigos daquela espécie que outros criaram como “moda”, também somente para um bem determinado espaço de tempo! Assim desististes de direitos que vos deveriam proporcionar muitos apoios, deixastes cair, em vossas peregrinações, aquele bordão que vos deveria dar um forte arrimo e proteção contra tudo o que é inverídico, que deveria deixar-vos reconhecer imediatamente as caricaturas, que de modo atraente vos são apresentadas e que, no entanto, nada têm que ver com a verdadeira beleza. E um passo condiciona os outros. O segundo logo vos desviou da naturalidade em vossos movimentos! Estes tornaram-se bruscos e artificiais, perdendo dessa forma, cada vez mais, em beleza e em força. Procurais adaptar-vos aos trajes, ao invés de formardes a vestimenta condizente convosco. Vede vosso porte! Reparai no vosso andar, nos movimentos das mãos! Também aí já domina o raciocínio, pois tudo é artificial, unilateral. Manifesta-se nitidamente sempre a atenção dirigida para um único ponto! Nisso revelam-se imediatamente a atividade e o domínio do raciocínio!
  • 52.
    Este sempre sóé capaz de dirigir sua atenção a uma parte do corpo. Um ponto, por isso, destaca-se também, especialmente nítido, em cada atividade do raciocínio terreno, conforme a parte visada pelo raciocínio. Assim também com os movimentos do corpo. O unilateral, porém, perturba a harmonia do todo! E, por conseguinte, a beleza! Deixai a intuição chegar novamente ao seu pleno valor e então reconhecereis como o corpo, em seus movimentos, forma um todo. Tudo contribui então, simultaneamente, para que se execute esta ou aquela ação, com o que, naturalmente, se estabelece a harmonia dos movimentos. Semelhante a um jogo gracioso, o corpo inteiro executa tudo o que a intuição quer. É muito mais livre, natural e desembaraçado. Lembrai-vos sempre: o raciocínio compele sempre em direção a um determinado ponto, destruindo assim, imediatamente, o equilíbrio e a harmonia. Não passa de um adestramento, que o ser humano se impõe a si mesmo, nunca uma atividade altiva e livre. Deixai, portanto, que novamente e em primeiro lugar desperte em vós a intuição para a beleza da naturalidade! Isto seja Lei para vós a partir de hoje! Pois isso é um grande auxílio para a conservação do caminho reto na Criação, que nunca falha e que jamais vos induz a dúvidas. No entanto, quanto já pecastes aí! Como tolos, mostraram-se os seres humanos com sua conduta, diante daquele que ainda conservou em si o senso sadio para a beleza, ou que de novo o tenha reconquistado! Horrorizados, ainda vos lembrareis, dentro de poucos anos, de como foi hoje e de como tem sido nos séculos passados. Quão míseros pareceis, vistos da Luz, à qual, no entanto, deveríeis permanecer estreitamente ligados! Não imaginais quanto, justamente nisso, o vosso falhar vos desvalorizou perante toda a criatura. E somente o ser humano, como único entre as criaturas, foi quem pisoteou o grande apoio, ridicularizando-se a si próprio. Justamente ele, que deveria tornar-se uma coroa da Criação posterior e que, de acordo com seus dons, também poderia sê-lo! Chegou a hora, agora, de largar os erros! Sede firmes como um rochedo ao embate das ondas do mar! Nada tendes a temer, se seguirdes a lei da beleza! E cada qual poderá segui- la facilmente, se apenas se esforçar para escutar, finalmente, o seu íntimo.
  • 53.
    Por isso deveistambém trajar-vos sempre de acordo. Não vos deixeis guiar pela moda, que sempre procura imprimir um determinado cunho de uniformidade a todos os seres humanos, especialmente às mulheres, que nisso são mais suscetíveis! Nas cores, como no talhe! Isto já está errado! Onde se encontra aí a vivacidade, que deve haver na Criação! Deixai, finalmente, prevalecer vosso gosto pessoal! Deixai-o dominar, cada um por si! Assim, em breve tereis destruído todo o esquemático existente em vosso redor, pois a individualidade, ressurgindo em vós, traz consigo a força e a lei da Criação! Os seres humanos também não devem aparentar externamente apenas figuras vazias, não devem trajar-se de modo tão uniforme, mas sim também nisso devem dar expressão e vida à sua própria personalidade, de plena conformidade com sua índole! Também de acordo com a estatura e a forma! Justamente quanto a isso deve extinguir-se a imitação. Ela acarreta estagnação, retrocesso e, finalmente, indolência paralisadora de vosso espírito! Não é, pois, de admirar, que muitos verdadeiros artistas tiveram de se asfixiar nisso. — Vossas formas e vossa índole são uma só coisa, pois as formas externas se constituem de acordo com a vossa índole, têm de ser a expressão de vossa índole! Por esse motivo, deixai predominar agora unicamente o vosso gosto pessoal e não a moda! Assim vossa aparência externa também se adaptará, tanto na cor como no feitio dos trajes, à espécie do vosso espírito, com o que finalmente constituireis, cada um por si, um todo, vivificando vosso ambiente. É necessário também que cada um se aperfeiçoe na expressão da linguagem e no próprio falar. Para um ser humano, que é a mais elevada criatura desta Criação posterior, da qual também é a coroa, não há desculpas, se ele não se controla, agindo negligentemente, de qualquer modo, não envidando todos os esforços, a fim de desenvolver tudo à máxima beleza, tudo o que outrora lhe foi dado, como um bem a ele confiado! O mais pobre dentre todos os pobres tem a obrigação e também a possibilidade de dominar-se no modo de se apresentar, na maneira de se expressar e no seu linguajar! Isso apenas lhe custa uma vontade sincera e um pouco de esforço, nada mais!
  • 54.
    É desprezo àsdádivas de Deus, quando uma pessoa se apresenta rude e inculta, ofendendo assim todo e qualquer senso de beleza. Tal pessoa, reciprocamente, deverá no futuro ser também desprezada e expulsa da sociedade humana, por não se mostrar como ser humano, como coroa desta Criação. O desenvolvimento da beleza em todas as coisas, até a mais insignificante, representa uma homenagem a Deus e uma oração de gratidão expressa pela ação! Cumpri este mandamento. Vereis que, com isso, tudo mudará para melhor na vida individual, na família e no povo! Reside nisso muito mais do que hoje imaginais e dá garantia para a paz, harmonia e felicidade! Deveis enobrecer-vos e não modificar-vos pela imitação. Aquilo que se encontra em vós, deverá atingir a mais bela florescência! Do contrário, não permanecereis vós próprios. Em cada ser humano, porém, reside em outro grande valor, que agora deverá exprimir-se externamente também na cor e no feitio, conforme se dá com as flores. Quem se sujeita à moda, já demonstra com isso a indolência de seu espírito, aceitando a vontade alheia, unicamente para não ter de perscrutar o seu íntimo, a fim de saber, dali, o que a ele convém. E atrás de tudo isso, que faz parte das modas e de costumes similares, outra coisa não espreita senão a avidez pela riqueza, da parte daqueles que se aproveitam da vaidade e da indolência espiritual dos seus semelhantes, no intuito de aumentarem ainda a acumulação de bens terrenos. Esforçai-vos por refletir seriamente sobre isso! Cada qual deve tornar-se um artista em seu próprio gosto, que só diz respeito a sua pessoa! Não aos outros. Com isso dais o início para redespertar o verdadeiro senso de beleza, para que ele ressuscite, tornando-se para vós um forte auxílio nas peregrinações através dos reinos desta Criação. Necessitareis desse auxílio em cada plano, a fim de a ele vos adaptardes e assim evoluir. Nenhum plano é igual a outro. E, no entanto, cada qual é belo por si! — Tal como acontece nos planos da Criação, em grande escala, assim também deve suceder com cada ser humano, individualmente! Nenhum se assemelha inteiramente a outrem! Por que desejais ocultar esse fato externamente pela imitação? Tornai-vos, pois, assim como
  • 55.
    vós próprios sois,porém integralmente! E procurai sempre enobrecer aquilo que existe. Para isso, somente o senso de beleza poderá ser o vosso apoio! Seu valor é muito maior do que supondes! Ele vos torna independentes e livres! A igual espécie se associará, então, automaticamente. Também nisso o senso de beleza mostra e facilita o caminho, se seguirdes o seu chamado! Que, também aqui, a mulher caminhe novamente na frente! — Ainda um segundo conselho quero dar-vos para o futuro próximo: sempre que vos perguntarem sobre o valor ou desvalor de quaisquer movimentos ou associações, nunca entreis na questão, ainda que reconheçais desvalores! Vós próprios tendes a Palavra viva! Não devem ser feitas comparações entre ela e quaisquer outros movimentos, porque nem pode haver comparação. A Palavra da Mensagem é! Quem não for capaz de acolhê-la, assim como ela emana de mim, deve deixá-la, pois não é destinada para tal pessoa! Não sois vós que tendes de pedir à humanidade para que a ouça, mas sim a própria humanidade terá de pedir, sinceramente e de agradecer, para que lhe seja mais uma vez concedido recebê-la. Assim o exige a lei! Sede rigorosos e severos! Toda e qualquer condescendência desnecessária equivale a uma conspurcação da Palavra Sagrada! Sede altivos e verdadeiros em tudo o que disserdes. Não tendes necessidade de atacar outros movimentos e seus dirigentes! Quem assim procede, procura salientar-se, difamando a outrem; procura por esse meio atrair a atenção para si, porque nada tem que oferecer! Quem, porém, possui a Verdade, segue tranqüilamente seu caminho! Não molesta, absolutamente, outros. Os seres humanos afluíram, desde todos os tempos, aos instigadores, mais fácil e rapidamente. Não são sinceros, porém, nem bastante puros para a luminosa Verdade. São da mesma espécie daqueles que se comprazem com as instigações! Não fazem parte de uma estirpe radicada na convicção. Quem muito fala sobre outrem, esse não tem muito que dizer! Lembrai-vos disso e agi rigorosamente de acordo. Ide e vivei como testemunhas da Palavra! A humanidade quer medir em vós o valor da Palavra! Lembrai-vos disso em tudo que disserdes e fizerdes! Ai de vós, se os seres humanos terrenos tiverem de duvidar de vós, por vos mostrardes diferentes daquilo que a Palavra da Verdade encerra!
  • 56.
    A própria humanidade,então, vos julgará! Pelos atos dessa humanidade reconhecer-vos-eis a vós próprios! Modelos é o que a humanidade quer ver em vós! Sereis rigorosamente observados! Lembrai-vos destas minhas palavras! Até mesmo aqueles que não estão aptos a reconhecer a Mensagem, inclusive os seus inimigos, observar-vos-ão no intuito de descobrir erros em vós! E ai de vós, se ainda descobrirem erros! Aquilo que a humanidade inteira compreensivamente perdoa a qualquer um de bom grado, a vós não perdoará, se encontrar um erro sequer! Inconscientemente os seres humanos, em sua expectativa, farão exigências totalmente imprevistas aos portadores da Cruz! Com desconhecida implacabilidade atirar-se-ão sobre vós, se não puderdes corresponder inteiramente a essas expectativas! Isso vos surpreenderá. Nisso, porém, se encontra o efeito de uma lei, da qual não podeis escapar. Por esse modo surpreendente, porém, tereis de reconhecer que também os inimigos e os zombadores, sem o saberem, têm um respeito ilimitado pela Cruz e seus portadores! Terão de confessá-lo, desse modo, sem o quererem. É apenas natural, em face de tudo o que é da Luz. Nisso ainda amadurecereis nos pontos onde for necessário. A tanto vos obrigarão os seres humanos! Inteiramente inconscientes, esperam de vós algo especial! Onde isso se espera, procura-se também um determinado valor, pois jamais se espera algo sem que se reconheça um valor! Aquilo que o ser humano não considera como pleno, ele não ataca, nem dá atenção. A humanidade inteira, porém, pressente o elevado valor que vos foi concedido pelo vosso saber! E é isto que os induz a observar-vos rigorosamente, amigos e inimigos! Nenhum se dispensará de vos observar, quando for chegado o tempo. E ele já está começando, já iniciou sua automática atuação. — — Pelo vosso modo de ser, tendes de confessar agora, pessoalmente, perante os seres humanos, qual a vossa posição em relação à Luz, se legítima ou falsa. E os seres humanos são impelidos a aproximar-se de vós, bem de perto, a fim de que sejais obrigados a confessar-vos. Assim é da vontade da Luz! Sois obrigados, e não podeis ocultar-vos.
  • 57.
    Mostrai-o, portanto, deânimo alegre, e a vitória vos florescerá em todos os caminhos! Esta é a luta pela qual tereis de passar, a qual, no entanto, apenas vos retemperará e fortalecerá, em vez de vos fatigar. Ela vos trará alegria, em vez de dor. Não precisareis fazer outra coisa senão ser. Contudo, ser modelos, tanto na atuação como na vida para a Luz! Deixai agora surgir a Páscoa para a humanidade aqui na Terra! Deixai, finalmente, reconhecível através de vós a aurora que vem despontando!
  • 58.
    8. Decepções Quando oser humano aprenderá a procurar em si próprio cada erro, cada causa de insucessos e frustrações! Parece que jamais o conseguirá. Grande demais é sua consideração por si mesmo, porém pequeno e limitado demais seu obstinado e rígido pensar. De acordo com o que demonstram as experiências de até agora, jamais o aprenderá, porque não quer! Permanece sempre, em seu íntimo, mesmo no caso da melhor e mais bem-intencionada vontade, uma reserva que, em última análise, é sempre seu querido “eu”, ligado a alguma particularidade, a qual ainda procura prender com uma tenacidade, que supera até mesmo a força da maior boa vontade. Esse “eu” mantém-se profundamente oculto, tão oculto, que muitos seres humanos já o julgam inexistente. Não obstante, continua a existir, e do seu esconderijo envia seus fios, de modo nocivo, em momentos em que o ser humano menos espera. Intromete-se em muitas coisas, e em decisões especiais, que têm de ser tomadas com inesperada rapidez, o querido “eu”, por vezes, se coloca até abertamente na frente do dever do sagrado cumprimento! Se isso, diante de uma forte vontade para o cumprimento, também só seja possível temporariamente, assim mesmo enfraquece o efeito da vontade do cumprimento e retarda muitas vitórias, dificulta-as ou as torna completamente impossíveis. Assim o ser humano foi julgado no último exame. Voluntariamente, ele jamais renuncia, de modo total, às suas particularidades ou desejos, nem mesmo sob a ação do maior sofrimento. O “eu” sempre tem ainda algo que dizer e se manifesta, principalmente no amor que nutre por alguma outra pessoa, amor esse que ele coloca acima de tudo, sem que o ser humano se torne bem consciente dessa fraqueza. Portanto, o ser humano tem de ser despedaçado em seu íntimo, a fim de, assim, conseguir as possibilidades de erigir dentro de si uma nova construção em louvor a Deus, a qual, unicamente, conduz os seres humanos à verdadeira felicidade. Os ídolos de até agora terão de curvar-se ou ser exterminados pelos golpes de espada, que serão forçados pelos próprios seres humanos. Seres humanos, quão facilmente poderíeis ter tudo e, no entanto, quão difícil tornais tudo para vós!
  • 59.
    Não podeis, pois,pelo menos uma vez, elevar o vosso pensar um pouco que seja acima dessa forma rígida que criastes, no decurso dos milênios, e para cuja evolução sacrificastes voluntariamente longos períodos de tempo, como se dispusésseis deles em demasia, enquanto que as leis eternas, que atuam tecendo na Criação, não vos podem conceder um único minuto sequer para ser desperdiçado. Que imaginais então que deva acontecer agora! Acaso refletistes sobre isto alguma vez, sem vos colocardes de novo, cuidadosamente, de lado, a fim de que não sejais atingidos por vosso olhar examinador, como sempre o fizestes até agora, porque o vosso hábito não vos permitiu agir ou pensar diferentemente. Movimentai-vos, espiritualmente, de modo mais ativo, livrai-vos de todas as formas rígidas que vos oprimem e desvalorizam. Ao ciclo de vossos pensamentos falta vida! Quero mostrar-vos, apenas com um exemplo, como vos obrigais nisso, na boa fé, a ser insignificantes, a prejudicar, com a melhor boa vontade para o bem, a vós e a outrem, sim, até mesmo a profanar aquilo que vos é realmente sagrado: Suponde o caso de uma pessoa que se acerca de um sábio, a fim de pedir que lhe informe se o caminho que está seguindo é certo. Tal pessoa tem sempre uma infinidade de desejos e de perguntas. Pode-se contar sempre, com segurança, que, de todas as perguntas, bem poucas são realmente objetivas. A grande maioria é de natureza puramente pessoal e terrena. Ainda que cada sábio só responda contrafeito a tais perguntas, porque a Mensagem contém tudo quanto cada ser humano precisa para si, pode acontecer que, cedendo aos pedidos, levante um pouco o véu do caminho que ainda poderá surgir ao indagador através da tecedura das leis. Este agarra-se, avidamente, à resposta, e por ela procura orientar-se do melhor modo que lhe seja possível, porém, sempre só da maneira como ele próprio a imagina. A imagem das palavras, que pediu por ocasião da visita, permanece diante dele, e inabalavelmente se apega a ela, até a hora em que imaginou o cumprimento. O pensar, no entanto, é construído predominantemente sobre seus desejos e moldado de acordo com seus conceitos inteiramente pessoais, os quais ele sempre quer considerar como acertados.
  • 60.
    Todavia, freqüentemente omomento assim imaginado passa, sem que surja o cumprimento! Tratando-se de um ser humano de boa índole, então se perguntará, meneando a cabeça, perplexo, talvez resignado, como isso é possível, visto acreditar firmemente no que foi dito, e tudo o que um sábio diz, tem de se realizar, se realmente for tão sabedor. Entrará em conflito consigo mesmo e talvez se console com a idéia de esperar por enquanto, a fim de ver o que ainda acontecerá. Em todo o caso, a primeira conseqüência será um esfriamento de sua fé, que ficará abalada, se não for capaz de encontrar um motivo que lhe possibilite refazer-se da decepção. Tratando-se, porém, de um ser humano de má índole, passará a escarnecer e a investir contra tudo o que se relacione com esse sábio, que o decepcionou e, naturalmente, também contra o mesmo pessoalmente. Envolverá inclusive a minha Mensagem, mesmo que isso demonstre que ele jamais a compreendeu ou que ele não é capaz de depositar confiança em sua própria convicção, em suma, que ele próprio, espiritualmente, nada é, permanecendo sujeito a todas as oscilações das exterioridades terrenas. Trata-se do joio, com o qual tal pessoa se identifica. Já não se lembra mais de que possuíra anteriormente a convicção da Verdade da minha Mensagem, cujos valores pudera intuir em seu redor e dentro de si. Com isso, coloca a Mensagem também de lado, embora ela muito lhe tenha proporcionado. Tentará insuflar dúvidas em todos os seus semelhantes. Deixará de mencionar aquilo que ele próprio reconhecera como sendo bom e que, talvez, também haja experimentado pessoalmente, tentando até mesmo torcer ao contrário. Ser humano algum se lembra de primeiramente observar a si mesmo, pesquisando de modo acertado e analisador, se os motivos da não-realização do que foi dito não estariam nele mesmo e em sua atuação. Justamente isso, porém, seria o mais acertado! Pois toda a não- realização é sempre culpa daquele assim tão decepcionado. Ele poderá, sim, já na hora seguinte à entrevista, transformar-se, tornando impossíveis os cumprimentos. Tão logo ele próprio não seja capaz de alcançar o que lhe aguarda no caminho, portanto, o que lhe está previsto, não poderá haver cumprimento integral. Ao invés disso, aguarda-o outra vivência, pois a vivência em si surgirá infalivelmente,
  • 61.
    alterando-se aí somenteas formas, devido ao próprio comportamento. Assim pode surgir sofrimento em vez de alegria; ou o sofrimento transformar-se em alegria; ambos, porém, trar-lhe-ão a vivência prevista para o seu espírito. Os bem determinados marcos da peregrinação terrena cumprem-se para cada espírito. A sua aparência externa, no entanto, os motivos que lhe dão origem, orientam-se e modificam-se de acordo com a vida interior da pessoa em questão. O peregrino terreno, contudo, atenta aí apenas para todas as exterioridades, para a forma, a qual fica sujeita a alterações! E por esta razão cria para si decepções e dúvidas. Imaginai o seguinte quadro: uma pessoa caminha por uma estrada que a conduzirá a Viena, contanto que mantenha sempre a mesma direção. Se ela perguntasse a alguém que conheça exatamente a região: “Onde chegarei nesta minha caminhada?” O indagado, então, evidentemente, teria de responder: “A Viena!” Poderá, também, mencionar algumas das cidades intermediárias que o peregrino irá encontrar. Se o peregrino, no entanto, por um motivo qualquer, mudar de direção, antes de atingir algum dos lugares citados, não chegará a Viena, mas sim a outro lugar qualquer, apesar da verdade do que lhe fora dito. Talvez chegue a Paris, a Zurique ou a Roma. Tão logo se desvie da estrada, com a menor alteração modificar-se- á também o destino e com isso os cumprimentos em sua forma original, assim como estavam previstos na primeira direção do caminho. Ele, no entanto, não tem nenhum motivo para considerar aquele que lhe deu a informação um ignorante ou até uma pessoa que procura propositalmente aparentar saber. — Tão simples como o acontecimento que aí está, assim também ocorre com cada peregrinação do ser humano através de sua existência terrena. Se um ser humano perguntar para onde o conduzirá seu caminho, então um sábio bem poderá dizer quais os pontos que deparará, isto é,
  • 62.
    aqueles que teráde deparar no caminho em que se encontra no momento da pergunta! Outra coisa jamais poderá ser dada a um ser humano. A informação só poderá ser dada sempre conforme a respectiva posição e a respectiva direção do indagador, visto que este, como todos sabem pela Mensagem, conserva sempre seu livre-arbítrio para as próprias decisões. Ele poderá, pois, poucos minutos após a pergunta, desviar-se interiormente, o que imediatamente, de modo automático, também terá de alterar o caminho e seu destino. Se alguém dirigiu, primeiramente, seus passos para Viena e, subitamente, toma a direção de Roma, naturalmente chegará a Roma e não a Viena. Com os caminhos espirituais ocorre exatamente o mesmo. E estes têm seus efeitos também na matéria grosseira! Pois são determinantes para isso. Eu disse, muitas vezes, que nem mesmo um Filho de Deus pode obrigar um ser humano a tornar-se bem-aventurado, visto que o livre- arbítrio de cada espírito humano, com relação às suas decisões, não será suprimido. Alguns se têm por especialmente grandes em sua fé, quando pensam que seu caminho terreno possa ser visto por mim perfeitamente, que então, aquilo que eu lhe disser a respeito, em resposta à sua pergunta, também deverá vir impreterivelmente para ele. E alguns seres humanos, por sua vez, mostram-se também tão indescritivelmente pequenos em sua suposição de que, quando algo daquilo não se realizar, então eu não poderia ser, na sua opinião, um enviado de Deus. Em ambos os casos mostra-se apenas o desconhecimento, daquele que assim pensa, sobre a atividade na Criação de acordo com as sagradas leis de Deus, que constantemente estão em movimento e que absorvem imediatamente cada vontade de um ser humano, para atá-lo ao seu efeito. Até mesmo no Juízo não é possível prever com exatidão como esse sagrado acontecimento se cumprirá em cada um individualmente. Também nisso existe movimento até o último instante. Muitos que já são considerados como perdidos, poderão ser salvos, e outros que se julgam firmes, ainda poderão tombar.
  • 63.
    A hora decada ser humano está exatamente determinada, a espécie dos efeitos, porém, orienta-se de acordo com seu modo de ser no momento do Juízo. A espécie manifesta-se pelo efeito retroativo, conforme a vontade de seu espírito com tudo o que ainda pende nele. Quem, porém, pecou novamente contra o Espírito do Senhor, para este já foi pronunciada a sentença e esta já impele para seu cumprimento, de modo que para ele a salvação não é mais possível. Enquanto ainda estou pronunciando estas palavras, já sei que elas, novamente, só serão assimiladas limitadamente pelos seres humanos, e que o assimilado por eles, igualmente, logo será comprimido numa forma rígida. Com isso é tirada do que foi dito, sem mais nem menos, novamente toda a mobilidade, e a Verdade que acaba de ser presenteada é rapidamente torcida pelo pensar rígido, ainda antes que possa trazer-vos vida. Assim acontece com todas as minhas palavras. Os seres humanos não as assimilam como eu quero! E o saber disso ocasiona fadiga. Ainda que eu me decidisse a explicar, repetidamente, o que já foi dito, não seria, em última análise, suficiente; tornar-se-ia um ter de explicar sem fim, uma vez que os seres humanos criam sempre de novo algum ponto não esclarecido para o seu pensar mesquinho. — Apesar de atado a todas as conseqüências das decisões de sua livre vontade, o ser humano ainda possui suficientes possibilidades de movimento nos caminhos de suas peregrinações vivenciais na Criação, portanto também na Terra. O Como, Onde e Quando, com todos os seus efeitos, encontram-se na minha Mensagem, que não pode ser interpretada erroneamente em seu feitio, desde que o ser humano se esforce por perscrutar direito minhas palavras, aceitando-as assim como foram dadas por mim. Quando possuís a Mensagem diante de vós, então tendes de procurar aprofundar-vos nas minhas palavras, observando exatamente a disposição das frases e das palavras, pois esta conduz vosso espírito! Emprego vosso idioma no seu verdadeiro sentido, assim como ele tem de ser empregado, a fim de torná-lo vivo e não como o raciocínio torcido o define como certo e belo! Sabeis que cada nome de uma pessoa abrange ela própria. O ser humano é aquilo que o seu nome diz, não sendo apenas chamado assim. O nome, porém, também é uma palavra. E assim como este vive
  • 64.
    e age realmente,assim também vive e atua cada palavra de vosso idioma por si mesma! Isto, porém, todos os seres humanos torceram, do mesmo modo que o seu raciocínio. Por essa razão, em primeiro lugar, vós tendes de colocar completamente de lado essas brincadeiras nocivas do raciocínio, quando da leitura de minha Palavra viva! Não deveis, aí, procurar pensar de acordo com aquelas formas que estabelecestes ou que outros tentam, sempre de novo, estabelecer para vós, mas sim tendes de obrigar-vos a deixar que a espécie de minhas palavras e também a espécie da composição de minhas palavras atuem sobre vós ininfluenciadamente, intuindo-as também de modo correspondente! Vivenciareis milagres ao fazê-lo, se agirdes com seriedade, pois a espécie das minhas frases vos dá conceitos totalmente diferentes, imagens totalmente diferentes, do que vos dariam as mesmas palavras, se fossem compostas segundo a vossa espécie. Esse esforço, até agora, ainda não fizestes! Ainda não aceitastes o que se tornou novo na minha maneira de falar, mas sim continuais a pensar de acordo com as vossas bases usuais de raciocínio, que nos últimos anos, e já muitas vezes, sofreram modificações; sim, vós as empregais até mesmo na leitura das minhas palavras. O idioma traz, na realidade, tanta vida própria em si, como também cada palavra isolada, de modo que ele não pode ser modificado futilmente, sem enfraquecer os efeitos! Terei de ensinar-vos primeiro a compreender e a empregar acertadamente vosso próprio idioma, visto que também nisso fostes desviados pelos sofismas intelectivos. Intuitivamente tornastes a encontrar o termo bem acertado para expressar o que os esforços de vosso raciocínio quiseram criar até agora, quando dizeis que sua finalidade consiste em tornar o idioma mais fluente, mais corrente, a fim de que possa ser lido mais rapidamente e com maior facilidade. Com o tornar fluente, porém, processa-se uma diluição! Tornar o idioma mais fluente, por intermédio dos esforços de vosso raciocínio, nada mais é que uma diluição do idioma, com o que também sua força, seu vigor, será enfraquecido, ou se perderá totalmente. A possibilidade de uma leitura mais rápida e mais fácil, porém, diz respeito unicamente ao raciocínio, para que este tenha maior comodidade.
  • 65.
    Em tudo resideapenas o impulso para a superficialidade, que de maneira tão deplorável caracteriza a época atual, como coroação dos esforços de vosso raciocínio desde milênios! A intuição, vosso espírito, fala de maneira diferente, isso podeis notar também em cada sentença que vos é transmitida da Luz. Já recebestes tanto disso, porém nada aprendestes. Olhai para mim e orientai-vos por mim! Assim foi o meu chamado desde o início. Eu vos trago o Novo; pois tudo deve se tornar novo de acordo com a sagrada vontade de Deus, também o emprego da fala, que não pode ser urdida para conversa superficial! Como, no entanto, a espécie correta do idioma se apresenta estranha, muitas pessoas se chocam com isso. Uns consideram-na demasiado simples, outros, talvez, confusa ou até desajeitada e erradamente empregada, e outras coisas mais, quando, na verdade, ela vos renova a exatidão de como tem de ser utilizada de fato, para que possa viver e falar-vos de modo vivo, para que seja capaz de tocar e abrir vossas almas, e não apenas lisonjear as fraquezas de vosso raciocínio superficial! Para que vibre no ritmo sagrado das leis eternas! Aprofundai-vos, portanto, na espécie do idioma, mas com vosso espírito, que exige muito mais. Dai-vos ao trabalho de compreender, primeiramente, a mim, na Palavra! Quando tiverdes compreendido as palavras de minha Mensagem, em todos os seus valores, então conhecereis também todas as leis automaticamente atuantes da Criação. Então para vós não haverá mais nenhuma decepção; pois vós mesmos vos tornareis sábios!
  • 66.
    10. O poderdo idioma Quão importante e significativa também é a palavra humana no tecer desta Criação, no reino dos planos de matéria grosseira, já dei a conhecer. Contudo, não foi compreendido quão longe vai a influência no formar e quão nociva pode tornar-se a negligência. Não é somente a palavra isolada em si que atua fortemente, influenciando e formando em vosso ambiente, mas também a maneira pela qual colocais e ligais as palavras e como vos esforçais em pronunciá-las. Portanto, a própria maneira de falar atua fortemente sobre o vosso ambiente. Vós sabeis que tudo emana da Palavra! No começo era o Verbo! Isso já indiquei. E mesmo que nessa sentença se tenha feito referência à Palavra de Deus, que encerra sacrossantas forças criadoras, mesmo assim vibra na palavra humana, que propriamente só surgiu com o ser humano por intermédio da Palavra de Deus, uma força, embora não criadora, mas de certa capacidade formadora, que alcança até a parte fina da matéria grosseira, e de lá, então, atua retroativamente sobre a grossa materialidade. Por essa razão, aprendei a observar mais cuidadosamente a vossa maneira de falar! Colocai vossas palavras de tal modo, que vibrem corretamente na lei da Criação, permanecendo, portanto, em harmonia. O ritmo uniforme de todo o circular da Criação tem de soar em vossas sentenças, se quiserdes desenvolver o falar até aquele poder que dessa maneira vos foi dado por Deus! Quero ajudar-vos a reconhecer o perigo da negligência, a fim de que possais cumprir fielmente comigo o mandamento do Senhor, que vale para os dias do Juízo e que há muito já é conhecido de vós nestas palavras: “Tudo tem de se tornar novo!” Tudo, não só alguma coisa! E como só o errado precisa tornar-se novo, indicam estas palavras, de modo claro e nítido, que atualmente tudo, sem exceção, está errado, pois do contrário não precisaria tornar- se novo. Tudo! Esta não é uma palavra que, neste caso, deva ser considerada como palavra cotidiana, mas sim é um mandamento de Deus, que precisa ser acolhido no seu sentido integral, sem restrições; senão não teria sido utilizado para isso.
  • 67.
    E é istoque ainda não quisestes compreender direito em toda a sua seriedade, sobre o que ainda refletis de modo demasiado superficial. Disto, sem exceção, sofre vossa grande vontade, e tão-somente isto vos impede de dar aquele passo imprescindível, sem o qual vós nunca poderíeis cumprir nem mesmo uma parte da missão terrena futura, sem a qual vosso desenvolvimento não pode ser completado. Este passo, tão decisivo para tudo, é: abandonar tudo, mas tudo mesmo, e não tentar levar algo disso para o novo ou misturá-lo com o que é novo! Cada tentativa de absorver o novo e de torná-lo vivo dentro de vós é, desde o início, inútil e em vão, se ainda quiserdes deixar aderido a vós uma partícula de pó do velho. Seja em vossos conceitos ou em vossa capacidade, em vossa aquisição de conhecimentos ou em vossas opiniões. O novo somente aproximar-se-á de vós quando tudo o que é velho estiver rechaçado. Ajustar-vos com toda a força a esse novo, isso é vosso próximo, mais necessário dever! Perguntareis o quê é o novo, com a observação de que vós, de bom grado, estaríeis dispostos a ajustar-vos, se antes ao menos pudésseis reconhecê-lo claramente! Eu, no entanto, vos digo: vós sabeis muita coisa nova, apesar disso, insistis obstinadamente em agarrar-vos ao velho e, em muitos casos, ofereceis a mão ao novo apenas de modo relutante! Ou expressemo-nos de modo mais brando: vós vos aproximais do novo com resistência interior. Muita, muita coisa poderia enumerar-vos. Seja agora o conceito de família em sua forma antiga, seja o pendão pela moda, que em circunstância nenhuma quereis deixar totalmente de lado, ou... bem, é praticamente tudo em que ainda mantendes ligado algo do velho com o novo, também na melhor vontade para a aceitação do novo. E assim como nisso, ocorre ainda em mil outras coisas consideradas secundárias e que, no entanto, mostrar-se-ão incisivas em severidade inimaginada. Por isso, nunca considereis algo insignificante demais, isso poderia trazer inesperadamente as piores decepções como conseqüência! Mas estas exterioridades, apenas em segundo plano, pois, pelo menos podem ser facilmente modificadas; mesmo se dificultam agora em muitos casos o alegre desenvolvimento ascendente. O prejudicial, porém, são os velhos conceitos, que de mil maneiras encontram-se dentro dos seres humanos, também ainda em vós que, como os primeiros, deveis tornar-vos novos entre todos os seres humanos.
  • 68.
    E sempre denovo seguis nisso o caminho errado, o caminho que nunca poderá conduzir ao alvo! Sim, vós sabeis muita coisa nova, que talvez vos pareça pequena e que, apesar disso, é de importância incisiva; no entanto, nesse novo, procurais sempre de novo introduzir algo velho em auto-ilusão deplorável e com lastimáveis autodesculpas! Isso, porém, vos obstrui o mais importante de todos os passos que podem levar-vos ao êxito, o primeiro passo, desembaraçar-se corajosamente do velho, destroçar todas as velhas formas, impiedosamente contra vós próprios, para então poder assimilar o novo! Jamais conseguireis introduzir algo do novo, mesmo em parte mínima, numa das formas antigas, na ilusão de que com isso se torne nova! Vós não podeis, de modo algum, reconhecer direito e muito menos compreender o novo, antes de ter deixado primeiramente todo o velho completamente destroçado para trás. Esta é a condição básica para o tornar-se novo para cada um individualmente e condição básica para toda a humanidade. Somente após completa destruição de velhos conceitos, os quais todos estavam errados, pode surgir um verdadeiro reconhecimento e compreensão do novo e certo, oferecido por Deus! Justamente nisso não existem transições, nenhuma condução para fora, mas tem que ser um ressuscitar na onipotência da Criação de Deus, um reviver totalmente novo, mas que não pode ser transformado a partir de algo velho, com o que tanta coisa errada seria capaz de desenvolver-se com nova força, como erva daninha. Compreendei, primeiramente, isto como o mais importante para vós e procurai cumpri-lo integralmente; então, e não antes, poderá o novo surgir em vós próprios! Só então podereis compreendê-lo, e não mais correreis perigo de recair no que é velho. Quero tentar ajudar-vos, pois vejo que embora não vos falte grande vontade e afinco para assimilar o novo, ainda não podeis, no entanto, decidir-vos a realmente abandonar de maneira completa esse velho, mesmo correndo o risco de serdes considerados pelo próximo, inicialmente, como esquisitos em vossas concepções. E esse receio, que não quereis confessar, existe em muitos casos. Tão-somente ele vos faz muitas vezes hesitar em cumprir a minha
  • 69.
    Palavra! Poderíeis cairdemasiadamente na vista é o que pensais com relação a uma ou outra coisa, e encontrais toda a sorte de objeções diante de vós mesmos, como desculpa consoladora para o fato de não cumprirdes tão integralmente a minha Palavra e a minha exigência como seria necessário para a sagrada vitória da Luz aqui na Terra! Por consideração a pessoas e a outras contingências incômodas, restringis vossos limites de cumprimento, sem pensar que deixa de ser cumprimento, se faltar uma pequena parte que seja no todo! Jamais vos tornareis objeto de escárnio dos seres humanos, se cumprirdes integralmente o que é exigido pela Luz! Mas vós sucumbireis com os seres humanos e com vossos erros, se quiserdes levá-los em consideração. Deveis, pois, preceder, de maneira modelar, a todos os seres humanos! Não deveis esperar até que o velho caia por si, para então vos associardes, de boa vontade, a tudo o que é novo; pelo contrário, tendes de iniciar já agora o processo em vós! E para tanto deveis chamar a atenção; é desejado que todos falem de vós! Não fora isso, diferença alguma existiria. A ausência dessa visível diferença, porém, seja no modo de vestir-se, na forma de atuar ou na vossa maneira de ser, poderia mostrar-vos que, tal como os outros, permaneceis ainda no velho e errado, e que até agora não conseguistes sobressair nisso! No entanto, se vós agis dessa forma, o que quereis esperar então de outros, que na Terra devem encontrar-se mais afastados da Luz e que também não receberam a força que foi dada a vós! Com a minha ajuda deveis começar agora! Para tanto quero levantar véu após véu dos mistérios da atuação das leis divinas na Criação, as quais, apesar das repetidas indicações, aparentemente ainda não são suficientemente compreensíveis para vós, pois atribuís muito pouco valor a isso. Assimilai hoje minha indicação referente à palavra humana, com a qual desenvolvestes, pouco a pouco, vossos idiomas! A palavra formou-se na lei e por esse motivo possui em si muito maior significação do que ousais supor. Por essa razão já mostrei os perigos do tagarelar leviano ou de conversas injuriosas e vos citei os frutos que têm de crescer de tal proceder, nos efeitos das leis
  • 70.
    primordiais da Criação,tanto para a pessoa isoladamente como para os povos e as raças. Mas essa influência, de cada palavra, se estende muito mais longe, até nos detalhes aparentemente ínfimos. Por isso somente alcançará um ponto culminante, duradouro, aquele povo que vibrar com seu idioma no ritmo das leis divinas da Criação! E também só será duradouro, se o idioma desse povo permanecer sempre nessa situação, não se deixando desvirtuar por artifícios ou por artimanhas do raciocínio. Pressentis, talvez já agora, o quanto nesse sentido já foi transgredido, quantos obstáculos já surgiram no círculo evolutivo de muitos povos, unicamente por essa razão. O desenvolvimento progressivo dos sons de expressão até o idioma processou-se, a princípio, de forma mais ou menos uniforme, vibrando nas leis da natureza. Estava e permaneceu tudo em ordem, até que também aí se intrometeu o raciocínio, deslocando e impedindo totalmente a vibração pura. Não deveis, porém, pensar sobre isso de modo demasiado superficial! Os povos mais primitivos, dotados de poucos sons de expressão, são capazes de vibrar de forma muito mais harmoniosa nas leis, do que os mais inteligentes povos, com sua maneira afetada de manter conversação ou de exprimir sua opinião. A quantidade de formas de expressão em si não importa, mas sim a maneira de utilização e a composição; a seqüência das palavras isoladas é que produz o vibrar certo ou errado, acarretando as suas conseqüências. Isto, porém, está agora igualmente torcido e por essa razão errado, como tudo quanto o espírito humano formou para si nos últimos tempos. Não podeis, porém, aprender uma diferenciação nisto, apenas podeis intuí-la! Só podereis, pois, consegui-lo, quando tiverdes despertado novamente a vossa intuição, deixando-a reinar livremente em vós mesmos! Quero dar-vos, porém, uma indicação, que podeis usar como norma. Já há séculos foi preparada aqui na Terra pela Luz a vinda do Filho do Homem, em tudo quanto era necessário para a sua missão de trazer auxílio.
  • 71.
    Assim também oidioma, que Ele necessitava para a Mensagem proveniente da Luz, para torná-la acessível, em clareza terrena, a esta humanidade terrena. Tinha de ser preparado para isso um idioma na Terra, que vibrasse do modo mais puro possível nas leis primordiais da Criação, e cujo modo de expressão não pudesse mais tarde novamente ser torcido, a fim de que a Mensagem permanecesse pura para sempre! Para esta finalidade o idioma alemão foi conduzido cuidadosamente, já há séculos, a uma perfeição, que se ligava com o vibrar uniforme desta Criação e, desse modo, é capaz de acolher a força da Luz com a maior intensidade e também a retransmite sem turvação. É por este motivo que a Mensagem proveniente da Luz foi firmada no idioma alemão, pois outro idioma nem poderia reproduzi-la com essa clareza e nitidez, sem restrições, até o ponto em que é possível comprimir a Palavra viva numa forma de matéria grosseira! O idioma alemão, devido aos preparos realizados durante séculos, por muitos especialmente escolhidos e agraciados para tal finalidade, deu ao menos a possibilidade para que agora o portador da Palavra viva de Deus pudesse utilizar esse idioma, a fim de cumprir também nisso sua missão aqui na Terra. Por essa razão, o idioma alemão da minha Mensagem é, na colocação das frases e das palavras, o único modo de expressão exemplar para todo o futuro, por vibrar de modo puro nas leis da Criação! Ele pode e deve servir um dia, em sua forma e modo de expressão, como diretriz ao idioma alemão, em amadurecimento para o seu ponto culminante, que terá de ser empregado pelo futuro povo-guia aqui sobre a Terra, por encerrar apenas nesta, e em nenhuma outra forma, a máxima capacidade construtiva e conservadora, recebendo todas as poderosas ajudas do tecer da Criação! Procurai, pois, compreender o que isto significa. O idioma nesta forma haure as maiores forças e atua dessa maneira moldando e formando o vosso ambiente, e, antes de tudo, forma da maneira certa, como quer o Criador, o que é sempre e somente para vosso máximo proveito, para a paz e para a felicidade.
  • 72.
    Se torcerdes novamenteesta forma do idioma, ele não mais haurirá aquela intensidade de todas as forças e forma, também, por sua vez, apenas ainda as coisas igualmente torcidas. Por isso, esforçai-vos por compreender direito o idioma e empregá- lo seguindo vossa intuição, vibrando de modo natural em tudo o que pensardes ou formardes no falar. Com isto atuareis beneficiadoramente na matéria, pois formas puras só podem ser moldadas com idioma puro! Essa forma pura no vibrar da Criação vos é dada exemplarmente pela Mensagem! Conservai-a para a humanidade e guardai-a fielmente, não permitais que vo-la retorçam e procurai tornar a sua forma vossa propriedade; então, através da vida exemplar, agireis com sucesso na Terra, para o bem de todos os povos! Com isto já se vos torna claro que dialetos de um idioma são errados e só poderão trazer prejuízos, porque falta a pureza desse idioma, a qual, como em toda a parte, só pode mostrar-se na perfeição. O motivo de cada dialeto ou é negligência, que rebaixou a pureza original do idioma devido a um desleixo, ou foi a estagnação em um dos degraus naturais e imprescindíveis do desenvolvimento do idioma em questão, uma falta de progresso, uma oposição à lei do contínuo desenvolvimento para o auge da pureza em tudo, portanto também no idioma. Ambas as possibilidades são condenáveis e dirigidas contra a lei primordial da Criação, assim também a manutenção e o cultivo dos dialetos, seja por afeiçoado apreço, ou... por hábito indolente. Tudo nisso está errado, não importando quais os motivos! E como o errado nunca é capaz de algo construtivo, podendo, pelo contrário, trazer somente prejuízos ou pelo menos obstruções, que em si também já constituem prejuízo, deverá, pouco a pouco, ser evitado, a fim de que o ser humano no futuro só produza coisas proveitosas para a Criação, não sendo mais nocivo. Portanto, também o cultivo de um dialeto constitui uma manutenção do imperfeito, que, por sua vez, apenas pode moldar coisas imperfeitas. E ele molda, forma em qualquer caso, não importando se vos decidistes a cultivar os dialetos impensadamente ou conscientemente, propositalmente, ele forma com ou sem vossa vontade. E como só pode formar coisas imperfeitas, de acordo com a própria espécie, logo os dialetos são nocivos, jamais úteis!
  • 73.
    Refleti, pois, oque fazeis com isso e orientai-vos de acordo. Os efeitos podem tornar-se devastadores. Diz-se freqüentemente que os idiomas se coadunam estreitamente com a maneira de ser das pessoas, o que é correto. E isso não se constata apenas em nações diferentes, mas também no próprio povo alemão em todos os seus dialetos, nas diversas maneiras de falar de um idioma uniforme! Contudo, não é bem assim, que a maneira de ser das pessoas forme essa maneira de falar; pelo contrário, é a maneira de falar que molda as pessoas! O poder de formação e de moldagem reside somente na palavra, no idioma ou, mais incisivamente expresso, na respectiva maneira de falar das pessoas! As características tão marcantes e tão destacadas de diversos grupos humanos com dialetos diferentes surgiram originariamente dos dialetos; por intermédio destes, os grupos humanos se desenvolveram com o tempo, chegando às suas características, não, porém, de maneira contrária. Um dialeto pesado moldará seres humanos pesados, um dialeto agradável, que aliás nem existe, visto que somente um idioma perfeito pode ser realmente agradável, jamais poderá moldar seres humanos pesados e toscos, enquanto que uma maneira de falar superficial também produzirá seres humanos superficiais. Assim, cada ser humano que quiser aprender algo disso, pode observar facilmente e com exatidão, até às minúcias. Reconhecereis rapidamente quão imprevisível é, em sua força, cada efeito do emprego de vossas palavras humanas sobre toda a matéria, principalmente no efeito retroativo sobre vosso ambiente mais próximo. Contudo, não somente na grossa materialidade podeis constatar as conseqüências, mas sim sereis capazes de reconhecer em breve também correntezas terrenamente invisíveis. Quando vosso falar estiver em inteira harmonia com o vibrar da Criação, com o tempo a harmonia far-se-á valer em torno de vós, beleza e graça surgirão e florescerão. A maior beleza e a mais apurada graça, porém, serão imediatamente feridas pelo emprego de dialetos ou por pronúncia imperfeita, em todo caso, faltará nisso a pureza e isso se torna perceptível! As explicações tornar-se-iam sem fim, se eu quisesse falar mais pormenorizadamente sobre isso, porém as breves referências
  • 74.
    certamente bastarão paravós, a fim de agora poderdes continuar a progredir pessoalmente na observação, na pesquisa e no reconhecimento. Encontrareis por toda a parte confirmação nas vivências. Mas não existe quase nada em que não procurais introduzir novamente, com satisfação, coisas velhas em todas as coisas novas que já vos dei! Principalmente nos pequenos desejos, a respeito dos quais tantas vezes já vos aconselhei. Também nisto tornais sempre a ignorar o que já disse tantas vezes: que nas coisas pequenas e simples reside a verdadeira grandeza! E como procurais manter com grande tenacidade muitas coisas pequenas e simples nos velhos conceitos, talvez irrefletidamente, dirigindo o olhar somente para o que é grande e distante, jamais podereis efetuar o verdadeiro começo para o que é grande ou para o que se vos afigura tão grande e que, no entanto, é apenas a conseqüência de todas as coisas pequenas. Por essa razão, esforçai-vos agora, primeiramente, por encontrar os erros básicos de tudo quanto é torto e afastá-los em primeiro lugar, derrubá-los, destruir neles tudo quanto é velho, a fim de que então possais compreender plenamente o novo, sem turvá-lo com os restos provenientes do velho, que não pode existir mais, de acordo com o sagrado mandamento de Deus! Muitas vezes encontrareis no apenas aparente secundário e pequeno as alavancas para as coisas máximas, o que é uma conseqüência de toda a simplicidade das leis de Deus. Tornai-vos, por isso, simples nas intuições, dessa forma logo obtereis clareza sobre tudo e não mais podereis errar como até agora. No entanto, urge o tempo para isso, se quiserdes cumprir na sacrossanta força de Deus, pois sem simplicidade não podereis obtê-la e muito menos aproveitá- la!
  • 75.
    17. A chamado discípulo Tanto em quadros antigos como em modernos encontram-se os discípulos do Filho de Deus, Jesus, freqüentemente representados com línguas de fogo sobre a cabeça, de modo que tal figura no quadro assemelha-se a uma vela acesa, ardendo de maneira irrequieta. Essa apresentação provém, em sua origem, de artistas que, ou foram eles próprios clarividentes e retransmitiram, dessa forma, imagens mostradas espiritualmente, ou então aproveitaram descrições feitas por pessoas clarividentes. Entre eles, porém, ainda existem outros que se basearam na narração da efusão da força do Espírito Santo sobre os discípulos, onde são feitas alusões a línguas de fogo. Não obstante, a maioria dos seres humanos terrenos presume que somente a fantasia do artista escolheu essa forma de representação. Neste caso, porém, a representação chega bem próxima da verdade, até o ponto em que ela se deixa compor em imagens. De todos os artistas, porém, que criaram tais quadros, bem como de todos os seres humanos que tomaram conhecimento deles ou que por si mesmos formaram uma idéia parecida a respeito, nenhum sabe a verdadeira conexão e a origem desse aparecimento da língua de fogo sobre a cabeça. Pessoas clarividentes vêem-na, sim, mas não sabem valer-se disso, pois jamais surgiu uma explicação entre os seres humanos a esse respeito, que somente pode ser dada do alto. Por essa razão quero hoje falar a respeito, porque os atuais discípulos trazem a mesma chama sobre a cabeça, o que pode se tornar claramente visível em certos momentos para muitas pessoas clarividentes. Não para todas, pois o dom da vidência é distribuído de modo diferente. A consagração de discípulo liga os seres humanos escolhidos para tal, da Criação posterior à Criação primordial. Isto acontece pelo fato de ser doada aos espíritos humanos desenvolvidos uma centelha do puro espiritual. Essa centelha apresenta-se então qual língua de fogo sobre a cabeça, contudo apenas quando ele utiliza essa centelha e não é demasiado indolente para tal. Na utilização, ela brilha e atua de acordo
  • 76.
    com a suaespécie. Ela continuará, no entanto, sempre por si, podendo ser associada ou anexada ao espiritual, mas nunca absorvida por ele. Assim como o puro espiritual na Criação vibra, segundo as leis, de acordo com a sua espécie, acima do espiritual, da mesma forma está acima do espírito do discípulo da Criação posterior, e assim permanece, sem nele penetrar, pois o puro espiritual não é acaso um espiritual mais refinado ou apenas mais forte, mas sim é de uma espécie completamente diferente, autônoma, tendo por conseguinte uma constituição completamente diversa do espiritual. Uma anexação dessas duas espécies torna-se possível quando existem as transições de acordo com as leis da Criação, nunca porém uma fusão. Essa é a razão pela qual a centelha puro espiritual se apresenta acima do espírito humano, como língua de fogo. Eu não quero contentar-me, porém, em explicar somente o acontecimento reproduzido pelos pintores nos quadros, mas sim, prosseguindo, mencionar também por que os discípulos recebem uma centelha da Criação primordial, por que dela necessitam, pois sem necessidade absoluta também não a receberiam. Os discípulos devem se tornar mediadores entre o Filho de Deus encarnado na Terra e os seres humanos terrenos. Eles devem divulgar a Palavra divina, viver a vontade divina como exemplo, realizar terrenamente como primeiros. Para isso necessitam de uma capacidade de compreensão mais ampla, apta a assimilar o elevado sentido da Palavra de Deus, isto é, compreender o Filho de Deus. Só para esse fim todos os discípulos recebem uma centelha do reino puro espiritual, que os capacita a assimilar a Mensagem proveniente da Luz de maneira mais elevada do que o espírito do ser humano terreno desenvolvido, porque eles, mediante a centelha, podem aproximar-se um pequeno passo do divino, são elevados espiritualmente da Criação posterior para um reconhecimento melhor. De outra forma, demasiado grande é o abismo entre um Filho de Deus e os seres humanos terrenos, demasiadamente profunda a queda já ocorrida até agora da humanidade na Terra, de modo que a assimilação da força da Palavra proveniente da Luz tornar-se-ia
  • 77.
    totalmente impossível paraa humanidade, sem a mediação dos discípulos. A centelha do puro espiritual, que os discípulos recebem como dádiva pela graça proveniente da Luz, capacita-os não apenas para uma compreensão mais fácil e mais ampla, mas também para uma recepção de força superior. Essa força que os discípulos se tornam capazes de absorver, teria de passar inaproveitada pelos seres humanos terrenos, porque estes não estão em condições de abrir-se para tal, se antes ela não for tornada acessível a sua espécie espiritual. Realizar isso é incumbência dos discípulos! Uma transformação da força pelos discípulos, para a retransmissão, nem entra em consideração, visto que uma transformação da força, em si, é absolutamente impossível. A força permanece sempre exatamente a mesma, apenas a irradiação da espécie correspondente, incandescida pela força, é também diferente na diversidade de espécies, podendo, por isso, apartar-se em muitas divisões. A força produz somente a pressão! O efeito da pressão, porém, é determinado pela diversidade de resistência que as espécies oferecem na Criação. Apenas as diferenciações de resistência provocam calor ou frio, cores e sons, atrações ou repulsas, sob forma de movimentos, e também gravidade ou leveza. Identicamente todas as variações nisso. Só a resistência, portanto, provoca a expressão de todas as particularidades! Essa palavra “expressão” mostra de fato o acontecimento sob o aspecto certo, pois é pela força que as propriedades de todas as espécies são realmente expressas, chegando, portanto, à expressão pela pressão da força, são forçadas a se manifestar. Quanto mais ou menos acentuada for a resistência das espécies, de modo correspondente apresentam-se, produzidos e expressos pela pressão, as irradiações e seus efeitos, em suas características bem definidas que aí se desenvolvem. Imaginai-o assim: a força viva é! Somente, porém, pela resistência é que ela se torna sentida e perceptível, a qual também provoca e gera a pressão, bem como faz com que esta se torne mais forte ou mais fraca. E na pressão nasce tudo o que se vê, ela é a base de cada formação na Criação, que tem de colocar-se em torno da Cruz isósceles e vibrar
  • 78.
    na mesma, vistoque essa Cruz é a força viva que sempre permanece numa vibração equilibrada, positiva e negativa. A vibração positiva vertical, a vibração negativa em sentido horizontal. Isto, hoje, porém, só de passagem. Voltemos a observar os discípulos, que trazem uma língua de fogo do puro espiritual sobre a cabeça. Essa língua de fogo atua de duas maneiras, uma vez como um funil para o espírito humano, debaixo dela, e outra vez como uma antena. Eu descrevo assim duas espécies de recepção. O funil representa a imagem da recepção passiva, negativa, enquanto a antena reflete a recepção ativa ou positiva. No funil há necessidade de derramar dentro, enquanto a antena, por si só, segura firme aquilo pelo qual, de uma maneira bem determinada, é atingida. O funil recebe a Palavra como forma e a antena a recebe como irradiação de força. O efeito sobre o discípulo agora é o seguinte: Apesar de ser ligada, a chama conserva sua espécie individual, assim como também o espírito humano terreno mantém, sem modificações, a espécie própria que lhe compete. Contudo, o que a chama sobre a cabeça do discípulo é capaz de absorver, ecoa vibrando no espírito humano e este retransmite então aos seres humanos terrenos aquilo que, no co-vibrar, intuiu! Transmite de acordo com a espécie dos seres humanos terrenos, porque pela lei da Criação não lhe é possível de outra forma e, por isso, os seres humanos terrenos também podem compreendê-lo devido à igualdade de espécie de seu espírito! Assim, aparentemente é como uma transformação da força da Palavra e da espécie, porque o discípulo retransmite diferentemente do que é capaz de receber. Seu espírito, porém, nada recebeu diretamente, mas sim apenas pôde intuir no vibrar da recepção da chama sobre ele, aquilo que a chama captou. Sem essa chama, de intuição mais delicada, o espírito humano do discípulo não poderia perceber mais do que outras criaturas humanas. O espírito humano do discípulo, no entanto, só pode intuir conforme sua própria espécie peculiar; absorve, por isso, já na intuição, de acordo com essa espécie peculiar, a qual então retransmite da forma como ele mesmo intuiu, dentro de sua espécie igual à dos seres humanos terrenos.
  • 79.
    Não se trata,pois, na realidade, de nenhuma transformação da força, mas sim um discípulo pode, por intermédio da chama que lhe foi proporcionada, intuir muito mais do que os seres humanos terrenos, já que a chama se assemelha a uma antena capaz de intermediar maiores distâncias, concedendo-lhe, parcialmente, a capacidade de recepção das vibrações do puro espiritual. Suponho ter-me expressado com suficiente clareza, a fim de despertar em vossa capacidade de imaginação um quadro que se assemelhe o mais possível ao acontecimento. No entanto, deveis imaginar sempre de novo que uma espécie determinada nunca pode, como tal, ser transformada. Ela pode receber, pelo poder superior, algo que lhe possa ser anexado, porém esse anexado sempre manterá a sua própria espécie individual. Só pode resultar numa atuação conjunta, que tem de manter o caminho exatamente de acordo com as leis da Criação, sem poder sair nem para cima, nem para o lado. Os discípulos recebem, portanto, essa língua de fogo puro espiritual para uma melhor capacidade de absorção das palavras do Filho de Deus na Terra, cujo sentido então retransmitem de acordo com a espécie humano-terrenal, assim como, também, a força sagrada contida na Palavra. Isso acontece, portanto, para facilitar o cumprimento da missão do Filho de Deus na Terra, ou, pode-se dizer também, para, de algum modo, possibilitar a atuação de um Filho de Deus na Terra. Com isso pode-se reconhecer a enorme importância que os discípulos, em suas várias espécies, têm como pontes para a humanidade, que não devem ser interrompidas, mas sim plenamente cumpridas. São pontes de espécies completamente diferentes, das quais a humanidade precisa na sua composição, a fim de poder alcançar a Palavra e a força correspondente. Por esse motivo também os discípulos não são escolhidos uniformemente em suas características pessoais, mas sim são completamente diferentes entre si. Diferentes em educação e caráter, no saber terreno e na posição social, diferentes mesmo na sua maturidade espiritual. Essas diferenças são necessárias, pois proporcionam as pontes para os variados grupos, nos quais a massa da humanidade se dividiu.
  • 80.
    Cada discípulo assimilaa Palavra e a força do Filho de Deus de acordo com a própria espécie e as retransmite correspondentemente, atingindo com isso aquele grupo da humanidade que tem igual espécie com ele. O discípulo, porém, tem de aperfeiçoar essa sua espécie à máxima madureza, a fim de constituir um exemplo para os de sua igual espécie! Com isso recebeis agora uma idéia da sabedoria de Deus, que em amor abrange com a vista tudo quanto existe, sabendo auxiliar de modo correspondente. Isto também vos esclarece muitas coisas que vos faziam quebrar a cabeça, porque não podíeis explicar o motivo para tal ou qual atuação. Em cada discípulo, individualmente, vedes personificado e representado um grupo bem definido de seres humanos terrenos. Nenhum deles se iguala ao outro, tampouco se igualam completamente os grandes grupos de seres humanos terrenos de igual espécie. A totalidade do grupo dos discípulos, contudo, personificará também toda a humanidade terrena... após o Juízo! Pois só então os seres humanos poderão receber o auxílio certo através dos discípulos. Só então serão baixadas as pontes levadiças, que hoje ainda têm de permanecer suspensas. Vale aí, porém, sempre apenas a criatura individual como tal, não acaso como raça, como membro de uma nação ou até do produto luciferiano de um raciocínio ávido de poder, que é chamado de “partido” e que é um dos canais mais funestos da vontade luciferiana. Perante Deus tal coisa não existe. Lá existe somente a criatura como tal! E como a criatura individual é dentro de si mesma, assim vale na Criação e perante Deus, não diferentemente! Também não entra em cogitação aí, se uma criatura humana é católica ou protestante, ou se pertence a qualquer confissão especial; ela vale unicamente como ser humano por si. O pensar, o querer e o atuar são determinantes perante as sagradas leis de Deus! Os disfarces multicoloridos, com os quais o raciocínio procurou envolver a alma na Terra, serão arrebatados com o Juízo de Deus, pois estão pendurados apenas frouxamente. Aquilo, porém, que procurou ocultar-se debaixo, isso será revelado agora pela irradiação da Luz! Da escolha dos discípulos resulta o fato de que, para cada ser humano na Terra, após o Juízo, também haverá um discípulo, que,
  • 81.
    justamente de acordocom sua espécie, pode transmitir-lhe a Palavra e a força, sendo que ninguém que procure e peça ficará sem ser atendido, desde que se esforce em encontrar realmente a Palavra. Ele imprescindivelmente receberá espiritualmente a ligação com aquele discípulo que, em sua espécie, lhe é mais próximo e pode, também terrenamente, encontrar-se com ele, se ele sinceramente o deseja, para receber dele também a última coisa: o selamento! Assim foi providenciado pela Luz. Hoje vedes apenas inícios disso e por essa razão ainda não podeis formar um quadro completo; virá, porém, o tempo em que ficareis admirados e vereis que já hoje estava constituído precisamente todo o alicerce para isso e que só falta colocar algumas pedras nos lugares ainda vazios por aqueles discípulos, que ainda serão convocados, para terminar a magnífica obra de mosaico, sobre a qual deverá fundamentar-se o grande Reino de Paz do Milênio, que está prometido por Deus, e que só por Deus pode ser criado, nunca pela espécie humana, mesmo que muitos seres humanos se considerem escolhidos para tal. Em todos estes casos a ausência do sucesso, no momento em que tal ser humano julga tê-lo alcançado, provará que foi apenas um ser humano que tentou alcançá-lo! Tudo isto vivenciareis agora. Por essa razão olhai em redor de vós e despertai, ó seres humanos! Rogai a Deus, com humildade pura, pelo auxílio tão ardentemente almejado. Não confieis no raciocínio humano, mesmo se ele vos prometer, com palavras altissonantes, um paraíso. Só Deus, unicamente, vo-lo poderá dar e ninguém mais em toda a Criação! Dirigi-vos a Ele, pois Sua Sagrada Palavra quer cumprir-se em vós! Abdrushin
  • 82.
    15. A Palavraviva (Pentecostes 1935) Pentecostes! Há poucos dias apenas celebramos a solenidade que é o verdadeiro Pentecostes, a solenidade da Pomba sagrada, da efusão da sagrada força de Deus nesta Criação! É renovação, conservação e saneamento! Que esta festa poderá permanecer para vós na Terra também futuramente, que esta Terra, junto com tantos outros astros não terá que desaparecer, isso agradecerás somente ao grande amor de Deus, que vos ajudou ainda no último momento, depois que pelo vosso querer errado tudo já foi conduzido ao encontro do fim. Ainda virá o tempo em que vós, seres humanos, compreendereis que sacrifício era necessário para isso, a fim de arrancar-vos da destruição certa. Hoje ainda não o podeis. Ainda não podeis compreender, o que na verdade foi feito para vós pela Luz. Está muito acima de toda a compreensão humana. Podeis, no entanto, agradecer a Deus, o Senhor, por Sua inconcebível bondade, que pode ser reconhecida diariamente, a cada hora, em todo o vosso ser, contanto que desejeis com sinceridade! E por isso toda a vossa vida deve tornar-se gratidão! Gratidão, vossa vida inteira! Se tomardes estas palavras no sentido comum, assim como os seres humanos as interpretam, o proferir agradecimento, ininterruptamente, haveria de tornar-se cansativo, pois o ser humano imagina com isto um rosário de orações de agradecimento. Assim, porém, não é desejado. A mais bela gratidão é pura alegria! Se os seres humanos vivessem de acordo com a vontade de Deus em suas peregrinações pela materialidade, não poderiam encontrar outra coisa a não ser alegria! Que aí também exista tristeza é culpa exclusiva dos seres humanos, pois a tristeza é estranha à Luz. Os seres humanos criaram para si as trevas e com isso a tristeza, emaranhando-se nisso com teimosa obstinação, de tal forma, que por fim nem lhes foi mais possível encontrar os caminhos que poderiam conduzi-los para fora. A materialidade, sob a influência errada da vontade dos seres humanos, tornou-se, não um paraíso, mas em vez disso um labirinto,
  • 83.
    do qual nenhumaalma humana conseguiu sair. Aí multiplicaram-se os erros, cujas conseqüências trouxeram um inaudito aumento da má vontade, e todas as tentativas de boa vontade foram fortemente agarradas no emaranhado de conceitos torcidos, sendo assim impedidas de se desenvolver, terminando por fenecer brevemente. Este era o aspecto, quando a vontade de Deus desceu para as materialidades, a fim de proporcionar um derradeiro auxílio àqueles que traziam anseio por isso. Contudo, imaginastes tudo isto de modo demasiadamente superficial, pois os seres humanos são muito esquisitos a este respeito. Ou estão logo prontos para condenar tudo quanto é enviado por Deus, em sua pretensão vaidosa de saber melhor, ou caem no extremo oposto, esperando muitas vezes, como aqueles que crêem cegamente, impossibilidades fantásticas, que se encontram fora das leis divinas da Criação. Por essa razão ficam muito decepcionados, tornam até facilmente a cair na incredulidade, quando muitas coisas se desenrolam de forma diferente do que eles supunham. Também nas suas decepções, das quais são os próprios culpados, são capazes de se tornarem igualmente exagerados como anteriormente em sua crença cega e, por essa razão, nos inimigos mais ferrenhos de tudo aquilo que, conforme sua opinião, os decepcionou. Nisso são capazes de atos inconcebíveis, ainda que inteiramente destituídos de fundamento e pueris, nem sequer dignos de um ser humano. Não querem ter compreensão de um bem coordenado e bem construído atuar na Criação, segundo a vontade de Deus, que é inflexível; presumem, ao contrário, que Deus possa anular ou modificar aí, arbitrariamente, a qualquer momento, as Suas próprias leis. Não refletem que dessa forma confessam bem claramente suas dúvidas em relação à eterna perfeição de Deus ou sua própria estreiteza inconcebível, que só pode ser denominada indolência criminosa do espírito ou estupidez, oriunda da preguiça. Querem, com palavras grandiloqüentes, basear-se na asserção de que, afinal, tudo na Criação está sujeito a constantes transformações. Isto é dito com acerto, porém as transformações mostram-se no desenvolvimento e desabrochar lógicos do já existente, com base nas leis da Criação, as quais, não obstante, permanecem imutáveis e atuam de modo impulsionador, sem, porém, jamais se modificarem. As
  • 84.
    palavras grandiloqüentes são,pois, apenas um tagarelar vazio, totalmente impensadas e empregadas em leviana superficialidade. Os seres humanos, quais crianças em folguedos, espalham com suas palavras valores imensos, sem que eles próprios se tenham compenetrado desses valores. Por isso também empregam as palavras de modo errado, dando-lhes falsas interpretações. Não percebem a verdade contida nelas, pois distinguem e ouvem apenas aquilo que eles querem. Em sua indolente presunção nem estão preparados para uma profunda pesquisa e esforço, a fim de compreenderem aquilo que as palavras devem dizer e que também dizem de maneira bastante nítida. A compreensão certa para tanto falta também a muitos dentre vós, porque efetivamente ainda não penetrastes com suficiente profundidade na minha Mensagem, a fim de formardes uma imagem da perfeição do Criador onipotente em Sua intangibilidade e imutabilidade desde a base, onde se encontra a incomensurável grandeza numa clara simplicidade, que o espírito humano não quer imaginar. No entanto, em todo vosso pensar, na pesquisa e no esclarecimento de qualquer acontecimento, tendes de colocar sempre como base, rigorosamente, a imutabilidade da perfeição das leis divinas e automáticas desta Criação. Do contrário jamais conseguireis progredir e tereis de trilhar caminhos errados! Por essa razão é conveniente que eu, justamente hoje, levante um pouco o céu que ainda vos oculta a grandeza daquele sacrifício realizado por Parsival para vossa libertação e salvação. Julgais, talvez, que o mais difícil tenha sido a luta com Lúcifer, que terminou com o manietamento de Lúcifer. No entanto, não é assim, pois o mais difícil foi abrir-vos os caminhos de saída do labirinto que criastes mediante vossos erros! Esta é, aliás, apenas uma parte de sua obra de salvação, mas se procurardes compreender isso, por pouco que seja, assim como realmente se deu, então nada mais podereis fazer senão agradecer continuamente a Deus, pela permissão de poderdes existir. Imaginai, pois: saindo da Luz, tomando novamente sobre si todos os sacrifícios de um caminho para as densas materialidades, que já uma vez trilhou outrora para a humanidade, desceu Parsival para o globo terrestre, tão profundamente caído, por culpa humana.
  • 85.
    Ele, vindo daLuz, não conhecia erros nem tristezas, embora já tivesse tido uma vez ocasião de conhecer o ódio dos seres humanos, pois a Luz não conhece tristeza nem erros. Não ciente disso, encontrava-se a princípio no meio desses seres humanos e seus conceitos totalmente torcidos e falsos. Tudo em redor dele estava errado, sob o domínio de Lúcifer, desviado da Luz e, portanto, tudo para ele estranho e frio, até mesmo hostil e feio. Talvez torneis a pensar que ele apenas teria de indicar o caminho para as alturas luminosas, a fim de dar aos seres humanos, dessa maneira, aquilo de que necessitavam para a sua salvação. Imaginais que ele, simplesmente, precisaria anunciar a Palavra de Deus, tal qual ela é! Os seres humanos nada poderiam fazer com isso, pois estavam inteiramente envolvidos pelos seus erros e não mais podiam dirigir o olhar para o alto, se não lhes fosse aberto, primeiramente, o caminho para tanto, desimpedindo a saída pela qual novamente pudessem ver a promissora Luz. Tudo dependia, portanto, do modo pelo qual Parsival aproximasse a Palavra aos seres humanos! Tinha de dar à Palavra Sagrada uma forma que fosse adequada aos seres humanos em suas aflições, pois a Palavra em si já haviam recebido através de Jesus, ao menos em parte, mas não podiam mais torná-la viva em seu íntimo, pois não encontravam nenhum caminho para tanto, e as interpretações das igrejas eram demasiado fracas e configuradas apenas para o objetivo do próprio poder terreno, para ainda constituírem realmente uma ajuda. A Palavra! Também vós ainda não sabeis pensar direito no sentido dela, pois, como todos os outros, esqueceis o que a Palavra, da qual sempre falo, realmente é. Sabeis, sim, que se trata da Palavra viva, mas ainda assim não formais um conceito inteiramente certo. Assim como, outrora, Jesus disse em relação à Palavra: Eu sou a Palavra! Assim, hoje vos digo eu novamente: Eu próprio me entrego a vós, em minha Palavra! Pois também eu sou em verdade a própria Palavra! Já há muito tempo vos foi dito outrora: No início era a Palavra, e a Palavra estava junto a Deus, e Deus era a Palavra! Contudo, deve dizer-vos o suficiente, quando Jesus falou então para os seus discípulos: Eu sou a Palavra e na Palavra eu me dou a vós! E hoje eu repito: Eu sou a própria Palavra, a qual eu vos dou!
  • 86.
    Refleti sobre issocom toda calma e profundidade, vós deveis encontrar aquilo que nisso se encontra. Se eu quisesse dar a Palavra aos seres humanos, sem lhes havê-la moldado, não me compreenderiam! Gravai isso a fogo em vós, pois a Palavra é viva, ela própria é a vida e, em seu estado original, ela é, para vós, de uma forma não visível e não reconhecível. Ela é! Tão logo, porém, eu queira torná-la acessível aos seres humanos, isto é, fazê-la compreensível a eles, tenho de transformá-la, em sua essência, de modo a que os seres humanos consigam entendê-la. A forma tem de ser dada de tal maneira, que lhes seja proveitosa. E ninguém mais poderia formar a Palavra Sagrada, que é Deus, do que ela mesma! E ninguém mais pode revelá-la para vós em toda a sua força! Isto é, não suportaríeis toda a sua força. Por esse motivo recebeis a Palavra de uma forma preparada exclusivamente para vós, seres humanos, forma esta que contém justamente tanta força quanto necessitais e quanto podeis suportar, se estiverdes abertos para isso, pois, sem vos abrirdes para tanto, nada podeis receber da força, visto que para o recebimento torna-se necessário vosso querer, que equivale a uma súplica para tal. Quão freqüentemente ainda brincais em pensamento com a Palavra Sagrada, sem realmente saber o que com isso fazeis. Quantas vezes, também, já foi clamado a esta humanidade, que eles pregaram na cruz a Palavra, ao crucificarem Jesus, mas no entanto ainda continuam crucificando a Palavra, a cada dia de novo, quando ousam torcê-la ou interpretá-la somente segundo sua vontade, a fim de torná-la utilizável para muitos de seus desejos, utilizável em seus efeitos com relação aos seres humanos! Todavia, quem chega a pensar que essas transgressões têm de vingar-se amargamente nos transgressores que ousaram tais males; que não pode haver absolvição para isso! E quando está escrito: “A vingança é minha! Eu quero vingar!”, então isso realizar-se-á nesse caso com total intensidade; pois a Palavra, por mil maneiras já abusivamente utilizada pelos seres humanos terrenos, foi a Palavra Viva, é o próprio Deus! Nunca esqueçais o que a Palavra é, a qual eu vos dou naquela forma que vos é necessária, e assimilai-a como nutrição de vosso espírito, pois ela é o alimento de que ele necessita, a bebida da qual ele sente sede e sem a qual ele não pode existir! Não tenteis desvalorizá-la mais uma
  • 87.
    vez através devosso raciocínio terreno! Ela então nunca mais seria oferecida a vós. Conservai-a, a fim de que ela não possa perder-se para vós! A Palavra viva de minha Mensagem não consiste nas expressões e sentenças humanas que utilizo para tal fim; é, porém, em si, algo de intangível para vós, que eu coloco nela e que através dessas formas torna-se capaz de penetrar em vosso íntimo, se vos abrirdes para tanto. Utilizo vossas formas verbais e sentenças somente como uma espécie de canais, através dos quais conduzo a Palavra viva ao vosso espírito, único capacitado a assimilá-la, a fim de que, assim fortalecido, possa romper todas as algemas das trevas rastejantes. E essa vida, não palpável para vós, que o vosso espírito deve tomar com essas formas de palavras e sentenças, é uma parte de mim mesmo, que com isso vos dou, para que vós possais continuar vivendo na graça de Deus! Agora, certamente, tornar-se-vos-á também mais familiar a necessidade, basicamente exigida, de que Parsival tivesse uma longa vida terrena, entre os seres humanos, inteiramente incógnito, se devesse, aliás, mais uma vez ser proporcionado auxílio à humanidade pela Palavra. E somente a Palavra poderia proporcionar o auxílio, visto que a salvação reside, unicamente, no despertar do espírito humano, ao qual tem de seguir-se o reconhecimento. A lei de Deus não previu outro caminho, senão este único, de intocável justiça! Por esse motivo já falou Jesus: Ninguém chega ao Pai senão através de mim! Portanto, através da Palavra, pois Ele veio de Deus e, por isso, também tinha que ser a Palavra. E, por isso, a Palavra para a salvação veio novamente até a Terra na vontade de Deus que, também como o amor de Deus, é a Palavra! Se Parsival, que é uma parte da vontade de Deus, pois, quisesse encontrar uma forma adequada para a Palavra, que fosse capaz de ajudar os seres humanos terrenos, tinha, primeiro, de compreender pessoalmente a maneira de ser dos seres humanos, com todos os seus erros e conceitos torcidos; tinha de procurar, primeiramente, a raiz de todos os males nos seres humanos, a fim de pesquisar e abrir os caminhos mediante a forma que deu à Palavra, os quais realmente tinham de ajudar, se os seres humanos quisessem trilhar por esses caminhos.
  • 88.
    Isto, no entanto,somente seria possível a ele, quando tivesse se tornado ciente de todos os erros e de todas as fraquezas deles! O tornar-se ciente, porém, nunca pode ser alcançado por um enviado da Luz mediante observações ou perguntas, mas sim somente através da própria vivência, porque erros, fraquezas, males e torções são e permanecerão completamente estranhos para a Luz. Nunca um enviado da Luz poderá ter compreensão para tal. Esta foi, assim, a parte mais difícil do caminho que Parsival teve de trilhar. Se ele quisesse auxiliar, restava-lhe apenas uma alternativa: teria de viver como ser humano, entre os seres humanos, temporariamente, sem conhecer sua origem ou sua missão, pois do contrário jamais poderia advir uma vivência! Contudo, não apenas isto, mas sim tinha de entrar em contato direto com todos os erros desta humanidade, tinha de sofrê-los em si, para, mediante essa participação no sofrimento, chegar pelo menos a um conhecimento a respeito, já que nunca poderia chegar a uma compreensão, uma vez que as coisas torcidas das opiniões e dos direitos humanos teriam sempre de permanecer estranhos e falsos para a espécie e origem dele. Por essa razão ele também não podia pensar ou agir de acordo com os errôneos direitos humanos, mas sim, apesar da vida terrena, podia cumprir somente as leis de Deus, às quais muitas das concepções de direito da humanidade, tão profundamente caída e restrita, se opunham, freqüentemente, de forma hostil. Isso resultou, naturalmente, numa luta contínua e árdua, em preocupações e sofrimentos no sentido terreno para o estranho, vindo da Luz, desconhecedor de sua missão, durante o período necessário de difícil aprendizagem, no palco de balbúrdia de todas as trevas. Por essa razão foi ele atirado, sem consideração alguma, nos torvelinhos que o conduziram através de tudo o que existia de injusto entre os seres humanos; não foi apenas posto em presença de tudo, isto não teria sido suficiente, mas sim ele próprio tinha de ser envolvido em tudo, a fim de poder reconhecer, no meio dessa horrível trama, cada mal, isoladamente, e encontrar, através do próprio sofrimento, um caminho que proporcionasse aos seres humanos uma possibilidade de se libertarem das algemas funestas. Ele próprio teve de trilhar primeiro o caminho da salvação, aplainando-o assim aos seres humanos, cada um isoladamente, a fim de então mostrar-lhes na Palavra como poderiam desvencilhar-se de todos esses males.
  • 89.
    Por isso nadalhe pôde ser poupado, uma vez que nada lhe deveria ser estranho daquilo que aflige, martiriza e arrasta os seres humanos da Luz! Assim, foram-lhe postos no caminho todos os males terrenos, para que os vencesse primeiro através do próprio sofrimento e, ao vencê- los, extirpasse ao mesmo tempo as respectivas raízes, esmagando-as e aplainando aos seres humanos os caminhos que conduzem para fora, em direção à Luz. Enquanto, pois, sofria entre a humanidade e por causa dela, tinha de lutar para libertar esta mesma humanidade de todas aquelas coisas que ela utilizava contra ele, ao mesmo tempo que reconhecia nisso o que havia de errado, trilhando como primeiro o caminho para a salvação. Com o reconhecimento de cada mal, por parte de Parsival, também o poder do mal já ficava sempre quebrado, e estava colocada a base para o auxílio à humanidade que nele se encontrava afundando. Este foi o maior e mais pesado sacrifício que ele fez em prol dos seres humanos terrenos, e, como que por escárnio, é justamente desse período terreno que os seres humanos das trevas se utilizam para procurar estabelecer investidas injuriosas contra ele! Querem utilizar justamente esta parte mais pesada de sua missão, que ele realizou para os seres humanos, através do próprio sofrimento, para difamá-lo e conspurcá-lo do modo mais repugnante. Justamente tudo aquilo que ele sofreu por eles, para na hora determinada, por experiência própria, poder ajudá-los realmente com seu conselho, o qual tinha de ter nascido da vivência, instrumentos servis das trevas, constantemente, da forma mais abjeta, procuravam utilizar para censurá-lo, a fim de reter ou desviar outros seres humanos dos caminhos da salvação, tentando abalar a confiança e a fé no Salvador e em sua missão. Vós próprios vivenciastes isto em parte. Esta é, certamente, a maior das culpas com que os seres humanos se sobrecarregam, e que não poderá ser perdoada! Procurai imaginar o que significa, o que é, ter de aprender em poucos decênios, através de vivência própria, todos os erros e fraquezas humanas existentes sobre a Terra! Procurai aprofundar-vos nas situações que resultam, quando todas as conseqüências dos conceitos errados e torcidos dos seres humanos precisam ser experimentadas, para encontrar a possibilidade da luta libertadora e
  • 90.
    dá-la, então, aosseres humanos, na forma adequada da Palavra, já que a eles próprios seria impossível obtê-la mais uma vez. E que intuições são despertadas a esse respeito, justamente quando se é insultado por malévolos. Não é intuição diferente daquela outrora já experimentada pelo Filho de Deus, Jesus, quando o acusaram de blasfemador, crucificando justamente ele, que estava em Deus e, também, Deus nele! Ele, que também já tinha sofrido bastante por causa da humanidade e que só tinha vindo para ela, a fim de trazer-lhe, ainda a tempo, o auxílio na Palavra! Não tivesse Parsival tomado sobre si este sofrimento, a fim de, em auxílio à humanidade desviada e decaída, achar a forma salvadora para a Palavra Sagrada, que os seres humanos necessitam em suas aflições, a fim de poderem trilhar novamente o caminho para as alturas luminosas, nunca mais poderiam festejar, com gratidão, o verdadeiro Pentecostes, depois do sagrado Juízo que agora irromperá sobre esta Terra, para ajustar tudo o que é velho, na justiça do Senhor! Agradecei, por isso, ao Criador, vosso Deus, pela graça de haver-vos estendido, mais uma vez, a Sua mão, para que não tivésseis de perder- vos eternamente! Alegrai-vos com Sua força, que Ele novamente vos concedeu e vivei gratos, de acordo com a Palavra, em Seu louvor! Pois na Palavra eu vos dou o caminho, alimento e força, e com isso tendes tudo o que necessitais para a existência e para a ascensão! A Palavra, porém, eu próprio a sou, e vós assimilais com isso uma parte de mim em vosso espírito! AMÉM.
  • 91.
    16. A grandepurificação Nada existe na Terra, seres humanos, que pudésseis oferecer como compensação, em agradecimento pelo fato de Deus vos libertar dos vermes das trevas, que vós próprios criastes com o vosso querer errado! Se ao menos quisésseis vos esforçar por compreender que a luta da Luz contra todas as trevas não é para ela uma luta prazerosa, mas sim um esmagar e aniquilar de todas as imundícies das mais repugnantes espécies, sendo que a maior parte dos seres humanos, aos quais se destina a libertação, trazendo-lhes todos os proveitos, ainda se coloca ao lado das trevas venenosas, para dificultar, na mais baixa mentalidade, o caminho dos enviados da Luz! A ira de Deus Todo-Poderoso, porém, abate-se agora sobre as fileiras desses malfeitores, os quais, como os mais nojentos vermes, são condenados a se afogar na própria saliva repugnante! Para que o mundo seja purificado de tal mal! A expressão não é bonita, mas não existe outra palavra para denominar algo que na verdade é completamente indescritível em sua torpe vileza, pois até mesmo essa linguagem terrena não basta para expressar corretamente tão baixa mentalidade. As expressões “escória” e “verme”, por si sós, definem os dois tipos fundamentais desses degenerados, que se excluíram de todas as possibilidades de salvação, porque, não sendo capazes de produzir sequer um único pensamento puro, espalham sua espuma venenosa que tudo corrói, e a qual, agora, voltando-se sobre eles, terá de corroer e decompor a eles próprios! Dilacerados por indizível inveja cheia de ódio, sucumbirão agora, possuídos de temor e medo, horror e pavor, e mão alguma deverá estender-se para amenizar seu merecido sofrimento. Serão repelidos por tudo o que almeja a Luz e a liberdade espiritual. E enquanto são empurrados de um lado para outro, açoitados por aflições e tormentos, padecendo dores indizíveis, desperta neles, devido à decomposição desagregante, de modo acusador, a centelha espiritual, que procuraram atrofiar e isolar com suas tendências hostis à Luz. Manifesta-se ela em cada um, queimando e crestando dolorosamente, em seu anseio insatisfeito, tudo quanto até agora a deteve. Dessa forma a decomposição se processa, conjunta e simultaneamente, por fora e por dentro, num martírio incrível, por
  • 92.
    séculos, milênios, longede todo o auxílio e de todo o lenitivo, com medo constantemente crescente e o mais horroroso desespero, até que, finalmente, a consciência do eu esteja inteiramente corroída, pois dela nada deverá restar. Esses são os caminhos dos malditos, desde o momento em que Deus retirou a mão e, com ira sagrada, excluiu-os, todos, do recebimento das graças salvadoras! Então o condenado teve de afundar e ser arrastado para baixo, aos abismos dos horrores e das devastações, pois faltava-lhe todo o apoio vindo de cima! E este dia do sagrado Juízo chegou agora! Vós que vos esforçais por ascender, sereis libertados de todos os vermes e de todos os instrumentos das trevas, como já fostes libertados por um grande espaço de tempo do próprio príncipe das trevas, pela sagrada Luz! Para que possais novamente fortalecer-vos, a ponto de não mais precisar temê-lo. Agora a Terra inteira, que vos carrega, elevar-se-á convosco para regiões mais puras e mais luminosas. E quando então puderdes respirar novamente a pureza, quando em torno de vós houver caído tudo aquilo que vos obstruía a visão clara para a Luz, somente então reconhecereis, olhando retrospectivamente, quão sórdido fora o pântano em que até então vivestes. Só quando efetuardes esse olhar retrospectivo, sentireis o mal-estar e o horror... e... talvez... floresça então em vós também uma parte daquela gratidão que, já hoje, deveríeis dar a Deus pela grande obra de amor, que, mediante essa purificação, Ele realiza convosco! Já há muito poderíeis, sim, deveríeis ter reconhecido quão sobre- humana é a paciência e a longanimidade que Ele teve ainda até com aqueles que agora foram definitivamente condenados. Podíeis vê-lo em vossas próprias fileiras! Somente como um pequeno exemplo, pensai mais uma vez em todos aqueles que reconheceram a Mensagem voluntariamente e que mais tarde abjuraram! Não falo aqui de acontecimentos anteriores em paragens mais luminosas, nem de promessas anteriores em prol da concessão de pedidos espontâneos, não; falo tão-somente de um curto espaço desta existência terrena, que, não obstante, já contém o suficiente para afastar-se, com repulsa, daqueles seres humanos cujos pensamentos todos constituem apenas as mais baixas manifestações da vaidade
  • 93.
    ferida, da decepçãocom relação a alguns desejos terrenos, de diferentes espécies, recusados, e também do egoísmo que não pôde fazer-se valer. Olhai em torno de vós e encontrareis esses seres humanos por toda a parte! Vós os conhecestes bem, de modo que não preciso mencionar nomes. Todos esses nomes ainda arderão no vosso sentimento de justiça, até virdes que a justiça de Deus não se deixa escarnecer e que se efetiva em tempo certo de tal maneira, como os seres humanos jamais poderiam conseguir. O Juízo, em sua sabedoria e justiça, obrigar-vos-á a ajoelhardes com veneração, e pedireis perdão pelo fato de, na irritação e na indignação, freqüentemente vos haverdes antecipado com vossos desejos à verdadeira justiça, sem pensardes que a onipotência de Deus atinge com muito mais rigor, mais certeza e de forma mais inexorável do que ser humano algum jamais possa imaginar. O Senhor não se deixa escarnecer! E escárnio também se encontra na inobservância de Suas sagradas leis. Se o ser humano pensa que pode agir segundo seus desejos, sem indagar aí pela justiça de Deus, ou se julga poder satisfazer sempre seus caprichos, sem que um efeito retroativo o atinja, está assim escarnecendo da justiça universal do Senhor! O Senhor, porém, não se deixa escarnecer! Isso é uma advertência que acarreta realização para cada um! E o dia dessas realizações já chegou! Observai mais uma vez retrospectivamente, de modo examinador, os seres humanos e suas ações, antes que afundem agora nas duras mós dos efeitos retroativos, desaparecendo dessa forma para sempre! Existem muitos entre vós, sim, que co-vivenciaram tudo. Nem vos será difícil obter desses fatos um reconhecimento, que possa servir-vos para o futuro. Os seres humanos, a que me refiro, encontraram na Mensagem o que já há muito procuravam e reconheceram-na, conforme sua própria afirmação de então, como sendo a Verdade! Entraram então eles em contato conosco, e não acaso nós com eles. Todos eles se dirigiram por si mesmos a nós. Eu não os chamei! Eles utilizaram nosso tempo, muitas vezes em grande escala, naturalmente com a intenção de auferir proveitos de alguma espécie para si.
  • 94.
    Suponhamos, de bomcoração, que visavam a vantagens e proveitos espirituais. Isso eles podem e também devem encontrar de maneira mais profusa na Mensagem e nas minhas dissertações, bem como em conversas individuais, quando procuram esclarecimentos sobre assuntos que elevam e enobrecem o ser humano. A própria Mensagem comprova tudo isso à sua maneira, à qual também correspondem as conferências. Tudo isso lhes foi concedido, embora alguma vezes com relutância, porque com relação a esses seres humanos, mesmo que pedindo, ainda assim era meio forçado, devido à maneira condicionada pelo egoísmo e à vaidade a ele inerentes, e que então também, mais tarde, os desligava novamente da causa. Quando julgavam já haver preenchido as suas lacunas de até então no saber, ou que não poderiam obter mais outras vantagens, também a Mensagem perdeu para eles a importância, e o conhecido querer saber melhor, companheiro de todas as vaidades, particularmente da vaidade ferida, cresceu lentamente no seu íntimo. O que, porém, por fim, muitas vezes dá o golpe mais profundo a tal vaidade é o fato de não aliciarmos aquele que se afasta, nem lutarmos por ele, pois isso me é completamente indiferente, visto que todo o ser humano tem de ter o livre-arbítrio para a resolução, se esta lhe deva trazer valores ou destruição, pois ele, tão só, possui inteira responsabilidade por si mesmo. Por esse motivo também rejeito sempre influências de toda espécie. O contrário, portanto, daquilo que gostariam de afirmar tais seres humanos após o afastamento, a fim de assim desculpar os seus próprios maus atos e sua má vontade, e, da maneira mais ridícula, pelo menos justificá-los de alguma forma. Preferem, assim, dar a si próprios um deplorável testemunho de sua inconstância interior, somente para satisfazer a sua perversidade de ocasionar prejuízos ou aborrecimentos onde sentem ou pensam que se tenha de desprezá-los! São demasiado covardes e convencidos para admitir que eles poderiam ter errado no início, quando mais tarde chegam a pensar diferentemente, e que foram eles mesmos que vieram e novamente foram embora, que igualmente nem possuem direito algum para
  • 95.
    responsabilizar, sob qualquerforma, por esse seu aparente engano, a outrem que não os aliciou nem chamou. No entanto, a tais absurdas hostilizações se contrapõe cada Palavra que até agora já escrevi e falei, e eu vivo essa Palavra! Sou inseparável de minha Palavra. E essa Palavra está agora gravada a fogo e de maneira eternamente imutável em toda a Criação! Dessa forma pretendem, porém, vingar-se aquelas criaturas, que almejam mais do que são capazes de absorver, porque falta para a sua sintonização a necessária pureza de seus desejos e a humildade espiritual, porque sempre colocam em tudo apenas as finalidades terrenas como objetivo principal do seu caminho. Mesmo que puramente humano, tal procedimento nem é compreensível, a não ser com a simples explicação de que os seres humanos dessa espécie não conhecem barreiras para, através de artimanhas e astúcias, se entregarem a seu pendor de criar aborrecimentos a outrem e, se possível, prejuízos, o que lhes causa prazer. Em tais atos encontram satisfação íntima, às vezes até com disposição doentia. Se, na mesma ocasião, lhes for possível obter também vantagens terrenas de qualquer espécie, sem envidar esforços, aproveitá-las-ão sem escrúpulos, como bem-vinda conjuntura colateral de seu atuar. O verdadeiro motivo de tudo isso, porém, é muito mais profundo. Somente no sentido da Mensagem é que pode ser explicado: Esses seres humanos, ao se tornarem mornos, foram, pouco a pouco, em suas fraquezas, atraídos pelas trevas e agarrados imperceptivelmente, não obstante de maneira firme e inelutável, porque não ofereceram resistência alguma; pelo contrário, ainda se sentiram satisfeitos pelo contato mental das suas fraquezas com as trevas. Então, com as brincadeiras mentais, produziu-se também o contato inevitável, as trevas manifestaram-se ostensivamente... de bom grado eles se tornaram instrumentos solícitos e ainda contribuíram, eles próprios, com seu quinhão. A sua primitiva mornidão cresceu até transformar-se em inimizade e em malcontido ódio, envolvendo por fim todo o pensar e atuar, de modo correspondente.
  • 96.
    Naturalmente as correntesde espécie igual procuram sempre associar-se; eles se encontram e preparam então juntos a poção de veneno que haviam destinado à sua vítima, mas que desta vez eles próprios terão de sorvê-la até a última gota, de acordo com a sagrada vontade de Deus, que, em Sua onipotência, recai sobre eles, reciprocamente! O que forjam nesse calunioso modo de pensar e em procedimentos análogos, o que formam mediante falsificação pretensamente inteligente dos conceitos e acontecimentos reais, tudo isso tornar-se-á uma espada afiada contra eles, e até mesmo o menor e mais insignificante errado modo de pensar recairá centuplicado sobre eles, pois o seu ódio fora dirigido contra a sagrada Luz! O incrível atuar, em sua má espécie, também para aquele que está de fora, nem é difícil de ser reconhecido. Tal atuar, em si, já não pode ser qualificado por nenhuma pessoa como “bom”, sendo, pelo contrário, reconhecido logo como um querer mau! E o mal só pode provir das trevas, jamais da Luz. Nisso se demonstra onde as trevas espreitam. E o que as trevas odeiam, perseguem com ódio é somente a Luz e tudo o que é luminoso. Tão-somente nisso já se encontra, para o examinador sereno, a indicação de onde as trevas e onde a Luz estão ancoradas. De acordo com as leis da Criação pode-se fundamentar isso bem minuciosamente de acordo com a minha Mensagem! Onde as trevas atacam, aí existem valores luminosos! No futuro isso tornar-se-á prontamente compreensível para os seres humanos e eles julgarão e procederão de acordo, a fim de extirpar por completo o mal, que é sempre obrigado a evidenciar-se a si mesmo dessa forma! O que é trevas ou delas faz parte distingui-se mui facilmente pelo modo do querer, que se manifesta na ação. Dou-vos com esse exemplo um ensinamento que deveis utilizar em vossa existência futura e ao mesmo tempo mostro quão repugnante e nojenta é a luta contra as trevas, pois as trevas sempre agem somente de modo sorrateiro, com perfídia, mentiras e maldade, revolvendo-se no lodo das próprias cobiças e lançando veneno desse pântano para os pontos a que sua inveja visa. Se tal modo de ser já constitui um horror para os seres humanos terrenos, quanto mais para a Luz e perante Deus!
  • 97.
    Agora, porém, oraio da ira de Deus cai incendiando no pântano abjeto, e extermina tudo o que com ele se identifica quanto ao modo de pensar e atuar! Não se pode realmente tachá-la de luta, pois aversão e asco surgem a cada golpe que a límpida espada de Deus tem de vibrar contra a imundície, obrigada pelos ataques das trevas que já pressentem o seu fim. Um ser humano que ainda possui dignidade simplesmente se retira, quando julga não encontrar aquilo que ele almejava para si, e confessa que ele próprio se enganara a respeito, ao esperar algo diferente. Jamais poderá mostrar-se sorrateiro e ordinário, se ele próprio não trouxer em si os males que, estimulados então pelas trevas, muitas vezes ainda aumentam de maneira incrível. A tudo isso ainda advém a crescente pressão da Luz, que obriga as propriedades, tanto boas como más, ao resgate final, na medida em que são obrigadas a exaurir-se, devido ao aumento do movimento proveniente dessa pressão. Nessa inesperada erupção é derrubado ao mesmo tempo e de modo definitivo o mal, sendo, porém, o bem erguido alto. A obrigação para a atividade, de tudo aquilo que está latente na alma humana, dá o impulso para os efeitos do Juízo, tanto no indivíduo como nas massas! É um processo muito simples, que agora podereis constatar dia a dia, cada vez mais nítido. Aprendei com isso e tirai daí proveitos espirituais! É o Juízo universal em sua atuação automática e a simples naturalidade, inerente à sagrada vontade de Deus! Vós mesmos vedes que a expressão luta é boa demais para o necessário aniquilamento de tais salteadores que estão nas margens de todas as estradas presenteadas por Deus, em Sua abundante graça, que conduzem à paz do espírito. Não se trata de uma luta, mas sim da grande purificação pela Luz em sua obra de salvação. Contudo, é para a Luz apenas um trabalho repugnante, porque as trevas, até o último instante, não poderão ser nem serão diferentes do que como são: abjetas e desprezíveis em todas as suas ações. Não são um adversário digno de respeito nem leal! Adversários dignos de respeito a Luz, aliás, não pode ter, porque tudo o que realmente for digno de respeito quer servir somente à Luz e não às trevas.
  • 98.
    Essa é atarefa que a Luz soluciona para vós, seres humanos! Vós, que podeis participar de tudo isso já cientes, encontrareis nisso a grandeza de Deus, Sua onipotência e justiça e o Seu... amor! Pois é amor, quando Ele extirpa da Terra esse bafo pestilento, libertando-vos dele, para que possais estar alegres na Criação que Ele, cheio de graça, vos concede como morada! Dai-Lhe aquele agradecimento que compete a essa obra de amor, conservando limpo o vosso pensamento e visando apenas ao bem- estar, à paz do vosso próximo, não, porém, estudando como lhe podeis causar dano!
  • 99.
    17. A chamado discípulo Tanto em quadros antigos como em modernos encontram-se os discípulos do Filho de Deus, Jesus, freqüentemente representados com línguas de fogo sobre a cabeça, de modo que tal figura no quadro assemelha-se a uma vela acesa, ardendo de maneira irrequieta. Essa apresentação provém, em sua origem, de artistas que, ou foram eles próprios clarividentes e retransmitiram, dessa forma, imagens mostradas espiritualmente, ou então aproveitaram descrições feitas por pessoas clarividentes. Entre eles, porém, ainda existem outros que se basearam na narração da efusão da força do Espírito Santo sobre os discípulos, onde são feitas alusões a línguas de fogo. Não obstante, a maioria dos seres humanos terrenos presume que somente a fantasia do artista escolheu essa forma de representação. Neste caso, porém, a representação chega bem próxima da verdade, até o ponto em que ela se deixa compor em imagens. De todos os artistas, porém, que criaram tais quadros, bem como de todos os seres humanos que tomaram conhecimento deles ou que por si mesmos formaram uma idéia parecida a respeito, nenhum sabe a verdadeira conexão e a origem desse aparecimento da língua de fogo sobre a cabeça. Pessoas clarividentes vêem-na, sim, mas não sabem valer-se disso, pois jamais surgiu uma explicação entre os seres humanos a esse respeito, que somente pode ser dada do alto. Por essa razão quero hoje falar a respeito, porque os atuais discípulos trazem a mesma chama sobre a cabeça, o que pode se tornar claramente visível em certos momentos para muitas pessoas clarividentes. Não para todas, pois o dom da vidência é distribuído de modo diferente. A consagração de discípulo liga os seres humanos escolhidos para tal, da Criação posterior à Criação primordial. Isto acontece pelo fato de ser doada aos espíritos humanos desenvolvidos uma centelha do puro espiritual. Essa centelha apresenta-se então qual língua de fogo sobre a cabeça, contudo apenas quando ele utiliza essa centelha e não é demasiado indolente para tal. Na utilização, ela brilha e atua de acordo com a sua espécie. Ela continuará, no entanto, sempre por si, podendo ser associada ou anexada ao espiritual, mas nunca absorvida por ele.
  • 100.
    Assim como opuro espiritual na Criação vibra, segundo as leis, de acordo com a sua espécie, acima do espiritual, da mesma forma está acima do espírito do discípulo da Criação posterior, e assim permanece, sem nele penetrar, pois o puro espiritual não é acaso um espiritual mais refinado ou apenas mais forte, mas sim é de uma espécie completamente diferente, autônoma, tendo por conseguinte uma constituição completamente diversa do espiritual. Uma anexação dessas duas espécies torna-se possível quando existem as transições de acordo com as leis da Criação, nunca porém uma fusão. Essa é a razão pela qual a centelha puro espiritual se apresenta acima do espírito humano, como língua de fogo. Eu não quero contentar-me, porém, em explicar somente o acontecimento reproduzido pelos pintores nos quadros, mas sim, prosseguindo, mencionar também por que os discípulos recebem uma centelha da Criação primordial, por que dela necessitam, pois sem necessidade absoluta também não a receberiam. Os discípulos devem se tornar mediadores entre o Filho de Deus encarnado na Terra e os seres humanos terrenos. Eles devem divulgar a Palavra divina, viver a vontade divina como exemplo, realizar terrenamente como primeiros. Para isso necessitam de uma capacidade de compreensão mais ampla, apta a assimilar o elevado sentido da Palavra de Deus, isto é, compreender o Filho de Deus. Só para esse fim todos os discípulos recebem uma centelha do reino puro espiritual, que os capacita a assimilar a Mensagem proveniente da Luz de maneira mais elevada do que o espírito do ser humano terreno desenvolvido, porque eles, mediante a centelha, podem aproximar-se um pequeno passo do divino, são elevados espiritualmente da Criação posterior para um reconhecimento melhor. De outra forma, demasiado grande é o abismo entre um Filho de Deus e os seres humanos terrenos, demasiadamente profunda a queda já ocorrida até agora da humanidade na Terra, de modo que a assimilação da força da Palavra proveniente da Luz tornar-se-ia totalmente impossível para a humanidade, sem a mediação dos discípulos.
  • 101.
    A centelha dopuro espiritual, que os discípulos recebem como dádiva pela graça proveniente da Luz, capacita-os não apenas para uma compreensão mais fácil e mais ampla, mas também para uma recepção de força superior. Essa força que os discípulos se tornam capazes de absorver, teria de passar inaproveitada pelos seres humanos terrenos, porque estes não estão em condições de abrir-se para tal, se antes ela não for tornada acessível a sua espécie espiritual. Realizar isso é incumbência dos discípulos! Uma transformação da força pelos discípulos, para a retransmissão, nem entra em consideração, visto que uma transformação da força, em si, é absolutamente impossível. A força permanece sempre exatamente a mesma, apenas a irradiação da espécie correspondente, incandescida pela força, é também diferente na diversidade de espécies, podendo, por isso, apartar-se em muitas divisões. A força produz somente a pressão! O efeito da pressão, porém, é determinado pela diversidade de resistência que as espécies oferecem na Criação. Apenas as diferenciações de resistência provocam calor ou frio, cores e sons, atrações ou repulsas, sob forma de movimentos, e também gravidade ou leveza. Identicamente todas as variações nisso. Só a resistência, portanto, provoca a expressão de todas as particularidades! Essa palavra “expressão” mostra de fato o acontecimento sob o aspecto certo, pois é pela força que as propriedades de todas as espécies são realmente expressas, chegando, portanto, à expressão pela pressão da força, são forçadas a se manifestar. Quanto mais ou menos acentuada for a resistência das espécies, de modo correspondente apresentam-se, produzidos e expressos pela pressão, as irradiações e seus efeitos, em suas características bem definidas que aí se desenvolvem. Imaginai-o assim: a força viva é! Somente, porém, pela resistência é que ela se torna sentida e perceptível, a qual também provoca e gera a pressão, bem como faz com que esta se torne mais forte ou mais fraca. E na pressão nasce tudo o que se vê, ela é a base de cada formação na Criação, que tem de colocar-se em torno da Cruz isósceles e vibrar na mesma, visto que essa Cruz é a força viva que sempre permanece numa vibração equilibrada, positiva e negativa. A vibração positiva vertical, a vibração negativa em sentido horizontal.
  • 102.
    Isto, hoje, porém,só de passagem. Voltemos a observar os discípulos, que trazem uma língua de fogo do puro espiritual sobre a cabeça. Essa língua de fogo atua de duas maneiras, uma vez como um funil para o espírito humano, debaixo dela, e outra vez como uma antena. Eu descrevo assim duas espécies de recepção. O funil representa a imagem da recepção passiva, negativa, enquanto a antena reflete a recepção ativa ou positiva. No funil há necessidade de derramar dentro, enquanto a antena, por si só, segura firme aquilo pelo qual, de uma maneira bem determinada, é atingida. O funil recebe a Palavra como forma e a antena a recebe como irradiação de força. O efeito sobre o discípulo agora é o seguinte: Apesar de ser ligada, a chama conserva sua espécie individual, assim como também o espírito humano terreno mantém, sem modificações, a espécie própria que lhe compete. Contudo, o que a chama sobre a cabeça do discípulo é capaz de absorver, ecoa vibrando no espírito humano e este retransmite então aos seres humanos terrenos aquilo que, no co-vibrar, intuiu! Transmite de acordo com a espécie dos seres humanos terrenos, porque pela lei da Criação não lhe é possível de outra forma e, por isso, os seres humanos terrenos também podem compreendê-lo devido à igualdade de espécie de seu espírito! Assim, aparentemente é como uma transformação da força da Palavra e da espécie, porque o discípulo retransmite diferentemente do que é capaz de receber. Seu espírito, porém, nada recebeu diretamente, mas sim apenas pôde intuir no vibrar da recepção da chama sobre ele, aquilo que a chama captou. Sem essa chama, de intuição mais delicada, o espírito humano do discípulo não poderia perceber mais do que outras criaturas humanas. O espírito humano do discípulo, no entanto, só pode intuir conforme sua própria espécie peculiar; absorve, por isso, já na intuição, de acordo com essa espécie peculiar, a qual então retransmite da forma como ele mesmo intuiu, dentro de sua espécie igual à dos seres humanos terrenos. Não se trata, pois, na realidade, de nenhuma transformação da força, mas sim um discípulo pode, por intermédio da chama que lhe foi proporcionada, intuir muito mais do que os seres humanos terrenos, já
  • 103.
    que a chamase assemelha a uma antena capaz de intermediar maiores distâncias, concedendo-lhe, parcialmente, a capacidade de recepção das vibrações do puro espiritual. Suponho ter-me expressado com suficiente clareza, a fim de despertar em vossa capacidade de imaginação um quadro que se assemelhe o mais possível ao acontecimento. No entanto, deveis imaginar sempre de novo que uma espécie determinada nunca pode, como tal, ser transformada. Ela pode receber, pelo poder superior, algo que lhe possa ser anexado, porém esse anexado sempre manterá a sua própria espécie individual. Só pode resultar numa atuação conjunta, que tem de manter o caminho exatamente de acordo com as leis da Criação, sem poder sair nem para cima, nem para o lado. Os discípulos recebem, portanto, essa língua de fogo puro espiritual para uma melhor capacidade de absorção das palavras do Filho de Deus na Terra, cujo sentido então retransmitem de acordo com a espécie humano-terrenal, assim como, também, a força sagrada contida na Palavra. Isso acontece, portanto, para facilitar o cumprimento da missão do Filho de Deus na Terra, ou, pode-se dizer também, para, de algum modo, possibilitar a atuação de um Filho de Deus na Terra. Com isso pode-se reconhecer a enorme importância que os discípulos, em suas várias espécies, têm como pontes para a humanidade, que não devem ser interrompidas, mas sim plenamente cumpridas. São pontes de espécies completamente diferentes, das quais a humanidade precisa na sua composição, a fim de poder alcançar a Palavra e a força correspondente. Por esse motivo também os discípulos não são escolhidos uniformemente em suas características pessoais, mas sim são completamente diferentes entre si. Diferentes em educação e caráter, no saber terreno e na posição social, diferentes mesmo na sua maturidade espiritual. Essas diferenças são necessárias, pois proporcionam as pontes para os variados grupos, nos quais a massa da humanidade se dividiu. Cada discípulo assimila a Palavra e a força do Filho de Deus de acordo com a própria espécie e as retransmite correspondentemente, atingindo com isso aquele grupo da humanidade que tem igual espécie com ele. O discípulo, porém, tem de aperfeiçoar essa sua espécie à
  • 104.
    máxima madureza, afim de constituir um exemplo para os de sua igual espécie! Com isso recebeis agora uma idéia da sabedoria de Deus, que em amor abrange com a vista tudo quanto existe, sabendo auxiliar de modo correspondente. Isto também vos esclarece muitas coisas que vos faziam quebrar a cabeça, porque não podíeis explicar o motivo para tal ou qual atuação. Em cada discípulo, individualmente, vedes personificado e representado um grupo bem definido de seres humanos terrenos. Nenhum deles se iguala ao outro, tampouco se igualam completamente os grandes grupos de seres humanos terrenos de igual espécie. A totalidade do grupo dos discípulos, contudo, personificará também toda a humanidade terrena... após o Juízo! Pois só então os seres humanos poderão receber o auxílio certo através dos discípulos. Só então serão baixadas as pontes levadiças, que hoje ainda têm de permanecer suspensas. Vale aí, porém, sempre apenas a criatura individual como tal, não acaso como raça, como membro de uma nação ou até do produto luciferiano de um raciocínio ávido de poder, que é chamado de “partido” e que é um dos canais mais funestos da vontade luciferiana. Perante Deus tal coisa não existe. Lá existe somente a criatura como tal! E como a criatura individual é dentro de si mesma, assim vale na Criação e perante Deus, não diferentemente! Também não entra em cogitação aí, se uma criatura humana é católica ou protestante, ou se pertence a qualquer confissão especial; ela vale unicamente como ser humano por si. O pensar, o querer e o atuar são determinantes perante as sagradas leis de Deus! Os disfarces multicoloridos, com os quais o raciocínio procurou envolver a alma na Terra, serão arrebatados com o Juízo de Deus, pois estão pendurados apenas frouxamente. Aquilo, porém, que procurou ocultar-se debaixo, isso será revelado agora pela irradiação da Luz! Da escolha dos discípulos resulta o fato de que, para cada ser humano na Terra, após o Juízo, também haverá um discípulo, que, justamente de acordo com sua espécie, pode transmitir-lhe a Palavra e a força, sendo que ninguém que procure e peça ficará sem ser atendido, desde que se esforce em encontrar realmente a Palavra. Ele imprescindivelmente receberá espiritualmente a ligação com aquele
  • 105.
    discípulo que, emsua espécie, lhe é mais próximo e pode, também terrenamente, encontrar-se com ele, se ele sinceramente o deseja, para receber dele também a última coisa: o selamento! Assim foi providenciado pela Luz. Hoje vedes apenas inícios disso e por essa razão ainda não podeis formar um quadro completo; virá, porém, o tempo em que ficareis admirados e vereis que já hoje estava constituído precisamente todo o alicerce para isso e que só falta colocar algumas pedras nos lugares ainda vazios por aqueles discípulos, que ainda serão convocados, para terminar a magnífica obra de mosaico, sobre a qual deverá fundamentar-se o grande Reino de Paz do Milênio, que está prometido por Deus, e que só por Deus pode ser criado, nunca pela espécie humana, mesmo que muitos seres humanos se considerem escolhidos para tal. Em todos estes casos a ausência do sucesso, no momento em que tal ser humano julga tê-lo alcançado, provará que foi apenas um ser humano que tentou alcançá-lo! Tudo isto vivenciareis agora. Por essa razão olhai em redor de vós e despertai, ó seres humanos! Rogai a Deus, com humildade pura, pelo auxílio tão ardentemente almejado. Não confieis no raciocínio humano, mesmo se ele vos prometer, com palavras altissonantes, um paraíso. Só Deus, unicamente, vo-lo poderá dar e ninguém mais em toda a Criação! Dirigi-vos a Ele, pois Sua Sagrada Palavra quer cumprir-se em vós! Abdrushin
  • 106.
    18. Preparadores docaminho Quando vos sobrevier o reconhecimento de toda a vossa culpa perante Deus, então mal podereis ter ainda esperança por misericórdia ou piedade; pois vós certamente não a mereceis. Quanto mais a vista se estende sobre o passado, tanto mais ameaçadoramente surgem para vós, oriundas de milênios passados, sucessivas acusações que, sem interstícios, se unem em um círculo compacto, que, tornando-se cada vez mais estreito, se fecha em torno de vós. Por último esse círculo cairá sobre vós, de modo destruidor, se não apanhardes, ainda na última hora, cheios de gratidão a corda de salvação que vos suspenda desse cerco que encerra a ruína, o fim de vossa culpa, o que ao mesmo tempo também acarretará agora o vosso fim. Acordai, pois, seres humanos, cobrai ânimo! Para vosso auxílio serão tirados pela Luz todos os véus do passado, a qual com isso vos deixa reconhecer o que perdestes e como procedestes sempre erradamente! Não podeis alegar que no passado foram outras as pessoas que se carregaram de culpa e que vós, em tudo isso, não tendes nenhuma participação. É um grande erro, pois fostes vós mesmos, um aqui, outro acolá, nem sempre no mesmo tempo e no mesmo lugar, mas de alguma maneira os fios já vos ligavam com todo o acontecer! Mesmo que até agora ainda não vos tenhais tornado conscientes disso. Em vossa decadência terrenal não fazeis uma idéia sequer dos muitos auxílios que a Luz sempre de novo vos concedeu, a cada hora e sem interrupção, para que não vos transviásseis do caminho certo... vosso espírito, porém, esse sabe disso, porque disso tantas vezes participou! Somente a vossa profunda queda, devido à escravidão do raciocínio que aceitastes voluntariamente, conseguiu que nada mais disso possais intuir, e vosso espírito, por sua vez, não é capaz, por si mesmo, de penetrar até a vossa consciência diurna, porque o mantendes encarcerado no pesadume contemporâneo da Terra. Além disso, não lhe dais nenhuma oportunidade para que possa manifestar-se, porque elevastes de modo criminoso, como guia, no
  • 107.
    lugar de vossoespírito, seu instrumento, vosso raciocínio preso à Terra. Dessa maneira vos foram fechados automaticamente todos os caminhos provenientes das alturas luminosas. Vós mesmos mantendes afastado obstinadamente tudo o que possa perturbar esse estado doentio de sonolência espiritual, só para não precisardes despertar subitamente da complacente comodidade do próprio querer saber melhor, que foi cultivado pela presunção decorrente da falsa supervalorização do valor próprio! Como terá de tornar-se terrível, pois, o verdadeiro reconhecimento para tais seres humanos! Isso é também o que, em primeiro lugar, impede a muitos acolher a Verdade proveniente da Luz! São o temor e o medo que, embora ainda bem escondidos, procuram ocultar-se, mas que já deixam perceber seus leves arrepios, só que a muitos seres humanos de modo completamente inconsciente, até que repentinamente golpes cortantes da Luz os obriguem inexoravelmente ao despertar involuntário! Sim, temor e medo de cada irradiação da cristalina e fria Luz, que traz consigo a Verdade e que, de modo incorruptível, deixa facilmente reconhecíveis os erros e falhas desses seres humanos terrenos, este é o motivo por que muitos hesitam, levianamente, em se colocar agora corajosamente dentro da irradiação luminosa! Eles todos não querem renunciar tão facilmente ao bem-estar da própria ilusão que se amolda, tão lisonjeiramente, de acordo com seus desejos próprios. Por isso, também preferem velhos hábitos ao desassossego, que a minha Palavra tem de lhes causar primeiramente, até que nela encontrem, pouco a pouco, a verdadeira paz, ressurgindo espiritualmente como novos seres humanos, que vibram alegres e conscientes nas leis de Deus. Eles intuirão a sagrada vontade de Deus apenas ainda como algo abençoado, auxiliador e estimulante, mas nunca de modo duro ou como pressão, assim como lhes deva parecer ainda hoje, devido a sua sintonização errada. Já é, em si, um sinal certo de sintonização errada e prova de andarem por caminhos errôneos, quando aqueles seres humanos se chocam com a Palavra da Verdade, porque ela não lhes agrada!
  • 108.
    O “não agradar”é, aliás, uma das melhores expressões para a recusa daquelas pessoas, que julgam poder escolher a Verdade, precisando retirar da mesma apenas o que lhes agrada, ou, como também dizem: “convém”! Por essa denominação vós mesmos vedes que condenável vaidade e que arrogante presunção reside nisso, já em toda a maneira como se aproximam da Palavra, se é que querem dignar-se a isso alguma vez! Não há nisso a devida seriedade, menos ainda a necessária humildade para encontrar de mais a mais algo nela, pois a Verdade nunca se impõe. Eu, porém, vos digo que os seres humanos não possuem nenhuma escolha, mas sim têm de se curvar agora e descer do trono de sua autoglorificação de uma existência erradamente imaginada! Se os seres humanos não tivessem agido sempre assim, no decorrer dos milênios, como procedem ainda hoje, se não tivessem torcido sempre tudo o que lhes deveria ter auxiliado, para adaptá-lo ao sentido humano e aos seus desejos terrenos, então haveria aqui na Terra agora somente uma única doutrina, proveniente da vontade de Deus. Não estariam em curso tantas espécies de confissões. Tudo o que de doutrinas até agora veio para a Terra, unido, não formaria senão uma escada para o pedestal que a Verdade tem de ocupar, conforme a sagrada vontade de Deus, como foi anunciado aos seres humanos tantas vezes, em múltiplas promessas. Não haveria diversidade nas concepções, menos ainda nas próprias doutrinas! Pois todas as doutrinas estavam, outrora, de acordo com a vontade de Deus, adaptadas exatamente a cada povo e a cada país, e moldadas inteiramente de acordo com as respectivas maturidades espirituais e receptibilidade. Elas todas conduziam originariamente em linha reta para a Palavra Sagrada de Deus da Verdade que encontrais na Mensagem. Já naquele tempo tudo convergia em direção à época do Juízo Final, que hoje é! Os portadores de cada uma das doutrinas com exceção daquela vinda da própria Luz a esta Terra, eram os preparadores do caminho para a própria Palavra da Verdade. E esses preparadores do caminho esforçaram-se, muitas vezes em árdua luta íntima, para cumprir fielmente sua missão, apesar de todos
  • 109.
    os obstáculos queos seres humanos, sempre de novo, procuravam interpor-lhes no caminho. Mas a humanidade, já outrora, como sempre, falhou totalmente, em cada caso, ao torcer sempre as palavras dos anunciadores, preparadores do caminho, logo após o seu falecimento, ou ao deixar fora totalmente aquilo que não podia compreender direito, retendo-o da posteridade. Contudo, justamente aquilo que procuraram reter, porque não podiam compreendê-lo naquele tempo, era o mais importante de tudo! Como essas anunciações mais importantes, naturalmente, sempre tratavam do mais elevado de cada doutrina, o que sempre tinha sido acessível apenas a um círculo bem restrito, porque o povo em geral não as teria compreendido de nenhuma maneira, não foi difícil e também foi compreensível retê-las primeiramente, razão por que, com o tempo, foram esquecidas completamente. Contudo, uma sábia providência não as deixou desaparecer totalmente, e tempo virá, aliás já está próximo, em que chegarão notícias de todos os países a respeito de escritos que falam dessas eras antigas, surgindo como testemunhas contra os desvirtuamentos feitos por uma humanidade presunçosa. Demonstrar-se-á então que os posteriores adeptos das doutrinas, hoje, não possuem mais contato algum com a própria doutrina originária, a qual era muito diferente da forma como hoje é apresentada e ensinada! Pois até a própria Verdade, trazida por Jesus, foi torcida na expressão e no sentido. Infelizmente, muitos esforços e também muita boa vontade foram por isso despendidos por tantos fiéis nos erros que se constituíram no decorrer dos milênios, e, assim, vemos hoje também as doutrinas de todos aqueles sábios, que já eram preparadores do caminho para a própria Palavra da Verdade, como Krischna, Lao-Tse, Buddha e Zoroaster, apresentadas numa forma completamente estranha e, dessa maneira, também de conteúdo diverso daquele como foi dado outrora pelos próprios anunciadores. Assim também as descrições de suas vidas terrenas foram desfiguradas no decorrer do tempo. Não correspondem à realidade. Milênios, sim, centenas de milênios de anos terrenos já foram penosamente gastos pela Luz, com indizível paciência e inconcebível bondade, a fim de vos formar e preparar para a época em que tereis de
  • 110.
    julgar-vos, para sucumbirdesaí ou poderdes ascender esplendidamente para os jardins luminosos da alegria eterna. E uma vez que agora despontou a época que sempre foi anunciada, os seres humanos encontram-se mais afastados da Verdade do que nunca! Obstinadamente, apenas correm atrás das configurações do seu querer saber próprio, precipitando-se assim nos abismos da decomposição com o último golpe de espada da separação purificadora, desejada por Deus! O que imaginais, seres humanos, que agora virá para vós? Não darei mais nenhuma indicação, em breve ireis, pois, vivenciá-lo! Entretanto, ainda nesta época das mais desesperadoras confusões, a Luz, auxiliando, distribui sempre de novo, de mãos cheias, novas graças do manancial de sua onisciência inesgotável, que ainda terão de se desenvolver automaticamente no fechamento do círculo de todo o acontecer, palpáveis por todos aqueles que reconhecem o seu valor e utilizam os auxílios agradecidos. A Luz tira mais uma vez os véus que foram tecidos pelo sentido humano em volta de tudo, e que tiveram de causar com isso a atual confusão. A Luz vos dá no Juízo novamente a Verdade e, com isso, também o reconhecimento das conexões na grande condução que queria levar a humanidade, de degrau em degrau e com cuidado, ao reconhecimento da Luz, e para o que todas essas doutrinas deveriam servir. Somente pelo mesquinho sentido humano e pelas vaidades humanas surgiu coisa tão diversa, e às vezes até contraditória, daquilo que originariamente era sempre uma só coisa e que jamais deveria conduzir à dispersão! Também nisso as trevas reconheceram mui habilmente as fraquezas dos seres humanos terrenos e as utilizaram para si a fim de alcançarem as metas hostis à Luz. E esses seres humanos terrenos, aos quais sempre e sempre de novo foram concedidos tantos auxílios da Luz, seguiram todos os engodos das trevas mais do que dispostos, e até alegremente, devido à vaidade e à presunção!
  • 111.
    E entre essesseres humanos estivestes também vós, outrora, vós que hoje nada quereis saber de tal culpa e, se possível, procurais descarregá-la sobre outrem. Cada um dos seres humanos encarnados atualmente sobre a Terra teve uma vez, e na maioria dos casos até várias vezes, oportunidade de seguir fielmente ao chamado da Luz! Uma vez pelo menos recebeu de forma legítima a doutrina de um preparador do caminho. Contudo, apesar de a humanidade pecar nisso sempre de novo, a Luz dá com o Juízo e os conseqüentes fechamentos dos círculos de todos os acontecimentos, também nisso, mais uma vez, a oportunidade para o reconhecimento de tudo aquilo que até agora fez para a humanidade, a fim de preservá-la da queda definitiva! Com esses fechamentos dos círculos apresentam-se mais uma vez as vivências de todos os preparadores do caminho, seu evoluir e também seu atuar na irradiação da Luz, assim como foi, a fim de com isso endireitar o que foi torcido e resguardá-lo, para todo o futuro, dos pecados daqueles ambiciosos que tudo pretendem saber melhor. As vidas terrenas e as atuações dos conhecidos preparadores do caminho, a começar por Hjalfdar até Krishna, Lao-Tse, Buddha e Zoroaster, e mais alguns outros ainda, revivem, visto que agora cada princípio há de unir-se ao fim, no movimento circular, a fim de assim se julgar, para se elevar ou cair. Nas histórias de todos vereis, mais uma vez, nitidamente, a grande e uniforme condução proveniente da Luz, mas também a luta repugnante das trevas contra cada auxílio que devia ser dado às criaturas humanas. O ser humano, até agora, podia decidir quanto a aceitar ou rejeitar o auxílio. Com a torção de doutrinas puras através de seu querer saber melhor, porém, serviu ele somente às trevas, não à Luz! Causou desse modo confusão e inimizades, como conseqüência daquelas doutrinas, que na realidade deveriam unificar, se naquele tempo tivessem permanecido puras, tão puras e cristalinas como foram dadas. No entanto, que tais conseqüências funestas pudessem surgir, apenas prova que tem de tratar-se de obra humana nas formas atuais, pois o que provém de Deus ou o que for feito legitimamente por Sua ordem, não conhece ódio nem inimizade!
  • 112.
    Essa Verdade deveistomar como pedra de toque para tudo! Sempre que encontrardes intolerância e odiosidade ou até mesmo inimizade, provocações contra quem não for da mesma crença, onde se tenta prejudicar os adeptos de credos diferentes, aí a doutrina não é de Deus ou é falsificada! E tais seres humanos servem somente às trevas, nunca à Luz! A doutrina que permite tal coisa tem de ser torcida, pouco importando como é denominada, pois uma doutrina que ainda não é torcida vibrará também, de modo puro, nas leis de Deus. Não educa criaturas que queiram prejudicar o próximo! Existem, naturalmente, também seres humanos que se servem de uma doutrina pura, porém abusam dela, utilizando-a para fins próprios, como o encontrais freqüentemente na História Universal e na de alguns povos isolados, que, por isso, finalmente são conduzidos sempre à ruína, mesmo que pareçam também elevar-se às vezes, aqui ou acolá. Chama a atenção que os que assim procedem são comprovadamente sempre os próprios servidores de tais doutrinas, que desde os tempos antigos sempre se denominavam sacerdotes ou servidores de Deus. E eles preparavam as doutrinas de tal forma, que as interpretações servissem às realizações de seus próprios desejos. Dessa forma o sentido das doutrinas já era torcido e os adeptos e fiéis serviam, sem o saberem, somente aos templos e às igrejas, mas não realmente a Deus! E esses assim chamados servidores de Deus zelavam sempre, ciumentos, pela manutenção de sua influência terrena sobre os crédulos seres humanos e procuravam estendê-la sempre mais, pois significava e era para eles, ao mesmo tempo, um poder e... o seu ganho, sua subsistência! E dessa maneira surgiu uma luta na qual se utilizavam de todos os meios; uma luta, porém, pela subsistência, para o que qualquer meio lhes parecia certo! Ainda hoje e por toda a parte podeis reconhecer mui facilmente esse fato! Disso resultou por fim, de modo totalmente natural, ódio e inimizade, intolerância e provocações com relação ao próximo. Assim, porém, ninguém serve a Deus, pois Deus proíbe essas coisas más, que, aliás, mesmo consideradas apenas de modo puramente terreno e examinadas com justiça, demonstra somente o pensar impuro daquele que é capaz de agir de tal maneira, não podendo, entretanto, prejudicar
  • 113.
    a pessoa visada,diante de seres humanos que ainda possuem índole correta! Há nisso, portanto, duas coisas como ponto de partida do falso: ou a própria doutrina foi torcida pela mão e pelo sentido humano, ou seus servos procuram utilizá-la no sentido errado, para fins principalmente terrenos, egoísticos. Sua prática está, então, torcida e aproveitada para fins próprios. Uma coisa é tão condenável quanto a outra. Utilizar, porém, uma doutrina pura predominantemente para fins próprios é pior ainda do que quando uma doutrina é torcida por ignorância. Tudo isso demonstrar-se-á agora no Juízo! Mas nos próprios seres humanos, que assim pecaram contra o espírito, o qual deu a todos, sempre de novo, como conceito básico da existência, desejada por Deus nesta Criação, apenas a única doutrina: ama teu próximo, isto é, respeita-o como tal! Nisso se encontra o mandamento férreo: que nunca deverás prejudicar o próximo conscientemente, nem seu corpo, nem sua alma, tampouco seus bens terrenos ou sua reputação! Quem não considera isso e procede de modo diferente, não serve a Deus, mas sim às trevas, às quais se entrega como instrumento! Esse também não conhece Deus, nem a Sua santíssima vontade, que se encontra em Sua Palavra. Também não conhece, por conseguinte, a Palavra de Deus em seu verdadeiro sentido! E isso cada qual prova claramente pelo seu modo de agir, isto é, no falar e no atuar! Por aí vedes imediatamente quem serve realmente a Deus ou apenas às trevas! Aceitai isso como guia para a luta que deveis vencer contra tudo o que serve às trevas e a elas pertence. Se estiverdes firmes na Palavra, não será difícil sairdes sempre vencedores, pois a Luz é eternamente mais forte do que as trevas, e convosco está a onipotência de Deus, se servirdes fielmente! Abdrushin
  • 114.
    19. Quando aaflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais próximo de vós! Quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais próximo de vós! Já há muito tempo esta expressão percorre o mundo. Muitos lábios humanos a pronunciam como consolo, mas infelizmente, muitas vezes, de modo impensado e apenas para que seja dito algo diante de preocupações que oprimam a outrem. Esta bela expressão, que encerra uma promessa, tornou-se uma fórmula vazia de polidez social. Quem, porém, não quer citar o nome de Deus, como existem tantos, por estarem impedidos por mil motivos, este então diz: Depois da chuva vem o sol! Ou ainda outras expressões populares do mesmo sentido. Existem muitas dessas. Contudo, nenhuma delas encerra a profunda seriedade e também a força, como a expressão: Quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus estará mais próximo de vós! A força animadora, que flui destas palavras, cada ser humano intuirá quando, durante graves preocupações, nelas pensar. Há algo de especial aí, o que não é proporcionado por nenhuma das muitas maneiras de consolo. Destaca-se como herói vitorioso e vós o intuireis, sem vos tornar cientes daquilo que é capaz de conseguir a tranqüilização. Quem, porém, estiver integrado na Mensagem, conhece o poder da palavra, quando vibra nas leis da Criação. Nisso reside o segredo desse efeito. A sentença aqui mencionada está bem ligada com as vibrações da Luz, transmitindo, por isso, uma força que deve surpreender, se cair em solo fértil. No entanto, isso é condição fundamental, como, aliás, em tudo: o solo deve estar preparado para tal! Nas grandes aflições, porém, ele muitas vezes está preparado devido aos abalos. Dessa maneira as palavras podem formar uma ponte para o auxílio proveniente da força do Criador, que está à disposição de cada criatura, porque se encontra vibrando na Criação inteira. A criatura precisa apenas elevar o olhar confiantemente para o
  • 115.
    Senhor, pois aconfiança forma sempre o melhor caminho para um auxílio proveniente da força. O processo, pois, na utilização dessa sentença, é o seguinte: as palavras “quando a aflição estiver no auge, o auxílio de Deus também estará mais próximo” despertam a confiança no ser humano que acredita em Deus. Com isso essas palavras estabelecem uma ponte, pois a confiança surgida por meio delas eleva-se qual uma súplica, como uma oração, por serem intuídas pelo espírito humano. Dessa forma o espírito se abre para nova força, a qual, por sua vez, flui através dele em direção aos lugares que o oprimem pesadamente. Assim esses lugares de má vontade que se aproximam entram na irradiação da Luz, a qual vence o mal. Onde, porém, um ser humano não acredita no auxílio de Deus, também não poderá surgir através dessas palavras aquela confiança, que é necessária para deixar entrar a sagrada força da Luz e conduzi-la àqueles lugares que geram a aflição. Não penseis, contudo, que deveis retransmitir a força da Luz que vos atinge, através de pensamentos egoísticos de ódio e planos aniquiladores. Seriam canais impuros, através dos quais a força da Luz também não poderia fluir sem turvação. E cada turvação provoca enfraquecimento. Com isso, portanto, enfraqueceríeis em seus efeitos o auxílio a vós destinado. Somente quando fordes capazes de assimilar a força, na pura confiança em Deus, que suplica o auxílio de Deus, deixando à Sua sabedoria a maneira como Ele queira auxiliar, então será certo e possível utilizar de forma límpida a força, para afastar e extinguir o mal. Não necessitais nem deveis ter pensamentos próprios, quanto à maneira e à forma dos efeitos! Aguardai com tranqüila confiança. Vosso sofrimento já indicará o caminho para a força! E assim, também o maior sofrimento terá de afastar-se finalmente de vós, sem que vos sobrecarregueis novamente com pensamentos de raiva irrefletida ou ódio. Por isso também vos foi dada como advertência a expressão: A Mim pertence a vingança, Eu retribuirei!
  • 116.
    Isso deve servircomo indicação para que vos comporteis de tal forma, como é da vontade de Deus, encontrando-vos dessa forma na lei da Criação, a fim de que então a força da Luz realmente vos possa auxiliar! Contudo, tendes de formar a passagem para isso. Para onde olhardes, vedes auxílios ao redor de vós; sois envoltos por auxílios, de maneira que nem podeis cair, se quiserdes ver. E ver, isto é, “saber”, só podeis mediante o conhecimento das leis de Deus na Criação, portadoras daquela vontade, que vos auxilia sempre que entrardes em situações aflitivas, desde que vós próprios não vos mantenhais fechados com relação à força auxiliadora! Breve chegará a época em que ficareis abalados diante da grandeza de Deus e diante de Seu amor, que jaz em Sua vontade, atuando através dela! Desejareis então desaparecer de sofrimento, ao reconhecer vossa falta, vossa culpa, que não só repeliu todos esses auxílios, mas sim pretendeu colocar-se acima deles, na presunção proveniente sempre da pequenez, pois a grandeza desconhece a presunção, porque nem tem necessidade de ainda ser presunçosa. Por isso a presunção é sempre um sinal de pequenez interior e a expressão da consciência de que a pequenez necessita, através da presunção, aparentar algo maior do que em verdade é! Precisamente a consciência da própria pequenez é o melhor alimento da presunção. Vós, seres humanos, estais na realidade tão envolvidos por vosso Criador, que nada vos poderia acontecer. Sois dirigidos e guiados de maneira que nada vos pode expulsar do caminho certo, se vós próprios não o quiserdes! E apesar disso caístes tanto, afastaste-vos da Luz. Aquilo que em toda a simplicidade era impossível, vós o fizestes e forçastes com frívola vaidade: o afastamento do caminho certo, que conduzia em linha bem reta para cima! Quisestes entrar no pântano, e vossa livre resolução da vontade precipitou-vos para baixo, cada vez mais fundo, justamente aquela que deveria elevar-vos para cima, no anseio pela Luz. Ainda hoje não conheceis toda a gravidade de vossa culpa! No entanto, de mil maneiras ela se levanta agora contra vós, de todos os lados, caindo sobre vós, como não era de esperar de forma diferente. Os espessos véus tornar-se-ão agora, de uma semana para a outra, cada vez mais transparentes, pois deveis reconhecer e então sucumbir,
  • 117.
    a não serque prefirais reunir todas as forças, a fim de agarrar-vos suplicantes aos últimos auxílios, dispostos a principiar uma vida totalmente nova, que com humildade se esforça para reconhecer a grandeza de Deus na Criação, a fim de, servindo, dar atenção à Sua sagrada vontade, e dentro dela empreender a escalada às alturas luminosas. Dessa forma, elevareis também lentamente o vosso ambiente e seguireis de modo puro em direção à perfeição da beleza, que, como expressão da constituição de vosso espírito, resulta do seu crescimento, florescimento e amadurecimento. Sim, tendes necessidade urgente de auxílio! Todos, sem exceção. E por isso clamo hoje mais uma vez para vós, especialmente, que quando a aflição estiver no auge, também mais próximo de vós estará o auxílio de Deus! No entanto, tendes de preparar um solo adequado em vós, capaz de acolher o auxílio, como é condição em tudo o que provém da Luz para vós! Não sejais levianos na confiança em Deus, nem superficiais na crença, pois só então, quando essa confiança estiver forte e firmemente ancorada em vós, é que podereis receber auxílio. E a vós, portadores da Cruz, seja dito mais uma vez: quando sofrerdes com as tentações, que as trevas ainda vos querem preparar, não cultiveis durante as aflições pensamentos de ódio, mas sim permanecei livres disso e olhai confiantes somente para cima, em direção à Luz, para Deus, que nunca vos abandonará e que poderá auxiliar-vos em cada aflição! Então recebereis auxílios que vos surpreenderão e que para os seres humanos constituem milagres, pois Deus então mostrará Sua sagrada vontade, palpável e visível a todos os seres humanos que queiram vê-Lo nos auxílios! É por meio de Sua onipotência que Ele falará! Refleti, porém, que não deveis brincar com isso! O Filho de Deus, Jesus, também não se precipitou do alto da muralha, somente para mostrar às criaturas humanas como Deus o protegia! Tomai isso como exemplo e advertência. Quantas vezes embaraçais os planos provenientes da Luz, por irresponsabilidade e superficialidade, pela introdução de tanto querer próprio errado e por meio de novos erros, que continuamente cometeis.
  • 118.
    Quando as conseqüênciasdisso vos atingem, gritais e clamais por Deus, para que Ele vos auxilie! Apesar de vós mesmos terdes agido contra a Sua vontade, só porque ainda não vos aprofundastes suficientemente nela e ainda não destes, de modo suficientemente sério, atenção aos avisos, sinais e advertências provenientes do reino espiritual. Eles vos foram oferecidos abundantemente. Tão-só o atendimento literal das advertências espirituais devia ter sido suficiente para vos poupar a metade e mais ainda das preocupações e sofrimentos. Vossa missão devia ser sempre a de agir em todas as coisas terrenas apenas de tal forma, que nunca mais fosse dada às trevas possibilidade de poder atacar-vos terrenamente! Vós, porém, particularmente destes muito pouco valor ao vosso falar, como também ao vosso escrever! Portanto, façais nisso uma diferença. Quantas vezes já indiquei que mesmo a melhor vontade pode trazer grandes prejuízos e que também justamente a boa vontade já provocou muitos e graves danos, quando o ser humano se orienta aí exclusivamente de acordo com seu próprio pensar. Estais muito enganados se imaginais que muitas coisas não podiam ter sido de outra maneira; não deveis presumir que o Senhor não teria encontrado outros caminhos senão aqueles imaginados por vós, se a Ele tivésseis suplicado profundamente. E é isso o que ainda vos falta. O profundo suplicar infantil! Quando quereis servir a Deus, pensais que Ele também deveria concordar com todos os caminhos que vós seguis. Esta é apenas uma exigência injusta e nada tem que ver com a confiança em Deus. Aprendei a orar profundamente! Se necessitardes de uma solução, ser-vos-á concedida de qualquer forma, com absoluta certeza. Pedi, no entanto, primeiramente, que vos seja dado proceder de forma certa, antes de iniciardes, e não rogueis bom êxito, após haverdes começado conforme as vossas idéias! Cada um de vós tem a forte condução do Graal, a ela deveríeis pedir auxílio! Raramente, porém, isso virá a acontecer, porque vós pensais de vossa condução, que ela, igual a vós próprios, também serve, e que ela, por isso, no servir, deve ajudar a vós. Podeis lembrar-vos dela também muitas vezes agradecidos, se um trabalho vos for bem sucedido, de cujo término vós próprios não vos julgastes capazes.
  • 119.
    Fazei uma vezum sério exame de consciência e interrogai vosso espírito, sem a delicadeza da própria deferência, o que realmente acontece! Muitos de vós pensarão envergonhados nas muitas negligências a este respeito. No entanto, vos é mostrado de modo nítido e claro, através dos relatos de tempos passados, em todos os livros que podeis conhecer, como devem viver os seres humanos que foram convocados pela Luz, e como têm de proceder nisso, a fim de obter êxito. A finalidade de tudo isso agora pode ser dado a vós, não se limita apenas a enriquecer vosso saber, mas sim mostrar novamente ao vosso espírito os caminhos que ele tem de seguir, a fim de chegar gradativamente ao reconhecimento. Através da vivência de outros vos é mostrado o que a Mensagem vos anuncia e o que ela exige de vós. Antes de tudo, jamais esqueçais que as trevas sempre alimentam ódio contra a Luz, esperando apenas a oportunidade para prejudicá-la, procurando até arquitetar possibilidades para tal, se não for possível de outra maneira, quer seja pela mentira e calúnia, inescrupulosamente, quer seja mesmo pelo falso testemunho. Qualquer recurso serve às trevas, como também aos seus instrumentos e auxiliares voluntários, desde que possa embargar a Luz em seu avanço. Por essa razão tendes de estar duplamente vigilantes, procurando evitar tudo onde seja possível formar habilmente uma imagem falsa. E lá onde, apesar de tudo, vierdes a ser acossados, recordai-vos da expressão, que o auxílio de Deus estará mais próximo de vós, quando a aflição estiver no auge. Nem para todos os seres humanos, porém, essa expressão representa a promessa que é. Pois não se deve pensar nela unilateralmente, apenas querendo receber, como os seres humanos na maioria das vezes o fazem, mas sim essas palavras impõem também uma condição! Deus é citado nelas, o que pressupõe que são dirigidas àqueles seres humanos que acreditam em Deus e em Seu auxílio, Seu poder. Um ateu excluir-se-ia desse auxílio proveniente da Luz! Observai, pois, a regularidade da lei que chega à efetivação nesses acontecimentos. Não é difícil reconhecê-la claramente.
  • 120.
    Quem realmente acreditaem Deus e em Sua sacrossanta vontade, de forma e maneira corretas, não atuará de modo mal-intencionado e injurioso contra as leis de Deus. Assim, para esse sempre estará aberto o caminho do auxílio de Deus! Se a ele acometer aflição terrena, então a causa para isso somente pode estar em obras humanas ou concepções humanas, que nem sempre vibram na vontade de Deus, mas que se originam de cálculos egoísticos humanos. Se atentar contra essas, o auxílio de Deus não lhe ficará negado. Existe, muitas vezes, uma grande diferença entre aquilo que se costuma denominar culpa perante a opinião humana e leis humanas, e aquilo que é realmente culpa perante a sagrada Lei de Deus! Nisso, o efeito recíproco na Criação nunca se deixa desconcertar e ele não se orienta pelo teor de leis terrenas, mas atua unicamente nas vibrações da vontade de Deus. Se um legislador terreno, na elaboração de leis terrenas, não se orientar precisa e cuidadosamente também pela questão,se as suas leis estão realmente conforme a sacrossanta vontade de Deus, permanecendo vibrando nela, sem desviar dela, então cada efeito recairá pesado sobre ele e o manterá atado, mesmo se ele estiver de opinião de que, a seu tempo, somente foi possível fazer assim, e de outra forma nem teria sido possível aqui na Terra. Atinge também todos aqueles que, atuando dentro das leis, oprimem ou prejudicam seus semelhantes. Tudo isso é tão simples e tão claro que, na verdade, nem seria necessário falar sobre isso; pois os seres humanos o vêem sempre de novo em toda a história universal, se prestarem atenção. Podem encontrar nela a rápida ascensão de pessoas individuais e de povos inteiros que, de uma aparente altura, tiveram então que desaparecer em repentina queda! Isso, então, sempre foi a conseqüência do efeito recíproco de ações erradas e de diversas decisões que não estavam de acordo com a constante, permanentemente imutável, vontade sagrada de Deus. Quem, porém, na elaboração, procura derivar leis terrenas da vontade de Deus, este edifica em solo firme e suas obras também
  • 121.
    subsistirão naquela bênçãoe naquela paz que elas trazem a todos os seres humanos que devem orientar-se por estas leis! Nisso, não existe diferença num efeito, não importa se nos acontecimentos trata-se de pessoas individuais, que procuraram estabelecer, somente para si, diretrizes bem determinadas por suas próprias decisões, ou se isso valia em dado momento para povos inteiros, de soberanos que tiveram o destino de um povo em suas mãos: cada decisão deve estar firmemente ancorada na vontade de Deus, se dela deva advir uma bênção! Uma determinação não deve partir da vontade própria de um ser humano, não importa quais os objetivos que ele persegue com isso. Nisso, seus pensamentos devem repousar na vontade de Deus; pois somente Deus é o verdadeiro Soberano sobre tudo! Cada ser humano fica dependente Dele, seja ele rei ou mendigo. Proteção, auxílio e bênção estarão com ele somente quando se orientar pela vontade de Deus e não pela própria! Isso subsistirá por todos os tempos e demonstrar-se-á, por fim, sempre de novo, visivelmente, nos efeitos. Por esse motivo pesai primeiro cuidadosamente e de modo exato, em vosso íntimo, tudo o que pretendeis falar e fazer, para que a reciprocidade vos possa trazer apenas bênção. É preferível que penseis dez vezes a respeito de algo, procurando pesar minuciosamente os prós e os contras, a falar ou a fazer algo impensadamente, uma só vez que seja, ou considerar alguma coisa superficialmente. Pensar dez vezes não exige muito tempo. Uma vez habituados, necessitareis para isso de poucos segundos apenas, pois vossa intuição pesará instantaneamente. No começo, custar-vos-á naturalmente algum esforço, até que, por fim, se desenvolva num fenômeno natural, na consciência da responsabilidade! A esse objetivo têm de chegar todos os seres humanos, pouco importando o que façam na Terra e em que lugar eles souberam colocar a atual existência.
  • 122.
    Então resultará umatuar alegre e uniforme, que sempre constituiu o silencioso anseio daqueles seres humanos que com a existência terrena só procuraram servir a Deus! Abdrushin
  • 123.
    20. O abismodos desejos pessoais Onde quer que sejam apresentadas palavras oriundas da Luz a um ser humano terreno, ele, ao querer compreendê-las, adapta o sentido aos costumes terreno-humanos, arrastando assim essas palavras para o círculo restrito de suas esperanças e desejos. Embora não modifique o teor dessas palavras, rebaixa-as, todavia, porque esquece que tais palavras não provêm do sentido humano, mas sim daquela altura, inacessível a sua compreensão. Não se esforça, porém, pelo menos nesses casos, em modificar seu modo de pensar, em tentar seguir, mais ou menos, aquele caminho por onde as palavras descem a ele, ou ao menos em colocar isso como base de sua vontade de compreender, mas sim, em sua presunção, espera simplesmente que Deus tenha de falar com ele, partindo do ponto de vista humano, se quiser comunicar-lhe algo destinado a sua salvação. Nada adianta opor-se a esse fato, pois assim é, como se mostra diariamente, de modo constante! No entanto, justamente isso se torna a ruína para o ser humano, pois dessa forma nunca aceitou a mão que lhe foi estendida para a ascensão, e tem de vivenciar agora em si mesmo, através da manifestação dos últimos efeitos recíprocos, que a mão, que até então deixara de lado, sem dar atenção, passando vaidosamente por ela, na ilusão do seu próprio querer saber, foi retirada. Justamente então, quando gostaria de pegá-la, na hora de sua aflição, não mais a encontrará! É, no entanto, de tal forma incisivo para cada ser humano, e tão importante, abandonar essa comodidade e essa presunção, que sempre de novo tenho de falar a respeito, a fim de procurar explicá-lo aos seres humanos, de tal maneira que me compreendam, pois sem essa modificação, desde a base, não são capazes de se elevarem espiritualmente de novo, apesar de procurarem iludir-se de muitas formas. As formas, que eles próprios imaginaram, são todas erradas e têm agora de ser destruídas. Aí os seres humanos cairão em desespero, perecendo, então, doentes de corpo e de alma, caso não se dignarem sujeitar-se antes, obedientes como as crianças, à Palavra da Verdade, e, com toda a força que lhes resta, subir de novo, penosamente, degrau após degrau, pelos quais, na teimosia do querer saber melhor, resvalaram despercebidamente!
  • 124.
    O pensar erradocausado pela torção do raciocínio terreno! É indizivelmente triste que por toda a parte justamente esse defeito principal dos seres humanos se coloque tanto em evidência em todo o seu pensar, turvando-lhes a clareza da visão. O que quer que pensem, onde quer que examinem, sua presunção não os deixa chegar à Verdade, porque eles mesmos se encontram em terreno errado, a partir do qual nunca poderão pensar acertadamente, mesmo quando se esforçam sinceramente em prol disso. E assim, a maior parte de todos os seres humanos cairá no abismo, sem pensar nisso e sem se aperceber disso no começo da queda. Esse momento, porém, já está presente, não está ainda por vir. A maioria dos seres humanos, desde algum tempo, já se encontra na queda, não podendo mais impedi-la, porque chegaram tarde demais ao reconhecimento, pois não deram ouvidos àquilo que ainda em tempo poderia tê-los levado à salvação, porque dirigiram o olhar para o lado errado, na expectativa e na esperança correspondente a sua vaidade. Quando, porém, finalmente quiserem mudar, não poderão mais alcançar a salvação, pois ter-se-á aberto nesse ínterim um abismo intransponível, enquanto eles mesmos já foram arrastados longe demais, em direção ao redemoinho aniquilador, que não os solta mais de sua correnteza absorvente. Assim, grandes massas serão vitimas dos erros provenientes da própria vontade, porque na realidade seguiram fielmente apenas desejos pessoais, pouca atenção dando a tudo o mais. E esse desejar pessoal, que já reina há milênios, que o ser humano tratou e cultivou com grande cuidado, encontra-se tão arraigado devido ao trato, penetrando em tudo de tal modo, que mesmo toda a melhor vontade, já ao nascer, se encontra entrelaçada pelo mal, sem que o próprio ser humano perceba algo disso. Ele não o acredita, nem mesmo que lhe seja mostrado; julga-o impossível, no entanto aí está, sempre à espreita, irrompe de repente, impondo valia muitas vezes, justamente quando se trata de ser abnegado, como o exige o servir a Deus. E uma vez que no Reino do Milênio somente deverá persistir o servir a Deus, como base para toda a atuação, como condição fundamental do poder existir, assim podeis imaginar o que terá de
  • 125.
    resultar disso, oque aguarda tal humanidade! É algo que mesmo o mais sério entre os que procuram ou entre aqueles que pretendem já ter encontrado, não é capaz de imaginar. E, no entanto, tornar-se-á ação, abrangendo amplamente, selecionando, julgando! Todos vós estais incluídos, pois também vós não reconhecestes ainda a seriedade dos acontecimentos vindouros e das exigências que Deus vos impõe. Por esse motivo, trato hoje mais uma vez detalhadamente desse assunto, pois é chegado o tempo em que tereis de comprovar-vos em tudo, inclusive nisso. Para mim de fato já é desoladora a sempre repetida necessidade de exortar, pois apenas raras vezes encontro alguma compreensão, e vós, seres humanos, vos habituais a isso. Por acontecer tão freqüentemente, parece-vos demais conhecido, e devido a isso julgais já tê-lo compreendido. Essas palavras, porém, jazem inaproveitadas num canto bem escondido de vossa alma, esperando a ressurreição. Não lhes dais importância, porque podeis tê-las sempre de novo, pelo menos assim pensais, e, principalmente, porque elas não vos agradam. Elas vos são incômodas, por isso parece como se vos cansassem ou como se nada de novo vos pudessem dar, e, por esse motivo, permanecendo vazios, passais por elas, para rapidamente vos desviardes a outros pensamentos. Bem sei disso. Não obstante, quero ocupar-me mais uma vez com esta necessidade de modificação, tão importante e indispensável para vós, embora acrediteis já saber exatamente a esse respeito. Não o sabeis! Pois desse desconhecimento forneceis sempre de novo provas infalíveis. Tomemos primeiramente a Palavra, a Mensagem! Não escolho casos isolados entre vós, pois no fundo, em todos os seres humanos, sempre de novo, com maiores ou menores alterações, é exatamente igual, mesmo que as formas exteriores se mostrem aí, às vezes, essencialmente diferentes. Essas são então adaptadas apenas às respectivas condições terrenas de cada um, ao seu grau de cultura e às suas experiências. Excluamos daí, por completo, os zombadores presunçosos e os indolentes de espírito, pois esses de qualquer forma já se julgam por si mesmos e, para o futuro, não mais entrarão em consideração. Desses, portanto, nem precisamos falar.
  • 126.
    Tomemos, por isso,os que procuram sinceramente a Luz e os que ainda são espiritualmente ativos. Imaginai que um desses seres humanos entre em contato com a Palavra da Mensagem. Ela obrigatoriamente terá de tocá-lo de alguma maneira, por nem ser possível diferentemente com relação ao espírito, assim que a Palavra, que provém da Luz, chegue até ele. Cada espírito ouvi-la-á, se não estiver demasiadamente enclausurado ou já dormindo. O ser humano intui então alegria ou pavor, aprofundar-se-á na Palavra e aí, talvez, reconhecerá. Consideremos, pois, aqueles que, em favor de sua salvação, reconhecem. Com a penetração da Palavra ficam profundamente emocionados, sentem-se libertos, elevados. Dispostos a reconhecer os erros, a se corrigirem, pedem conselhos e força, e gostam de mencionar suas dificuldades, seja aí verbalmente ou por escrito. Dificuldades, na maioria, de ordem terrena e somente mui raras vezes de ordem espiritual. Dificuldades das quais eles mesmos são culpados, a que eles mesmos deram a causa. E notai bem, esses são os bons, são aqueles que aceitam a Palavra e querem modificar-se! Vede vós mesmos: ao reconhecerem já vêm com pedidos, nos quais vibra a esperança da realização! É o que chamam querer servir a Deus! Segundo sua opinião possuem a grande “boa vontade”, e o resto a força da Luz deve agora fazer. Ou... tem de fazer? Sim, segundo sua opinião, a expressão “tem” certamente está correta, isto é, conforme a opinião mais íntima! E também segundo sua expectativa, a Luz tem de auxiliar da maneira como eles desejam e imaginam! Seus pensamentos, aliás, são desejos e seus desejos silenciosos são pensamentos mal definidos, não expressos. O melhor e o máximo que o ser humano julga poder dar ao Criador e Conservador é ajoelhar-se diante Dele e exclamar com sujeição: “Aqui tens minha alma, Senhor. Dispõe dela a Teu agrado!” Isso é o máximo que o ser humano é capaz de fazer, é ao mesmo tempo o mais humilde e melhor, também o certo... segundo sua opinião terrena!
  • 127.
    Contudo, não éassim! Nesse seu proceder reside apenas comodismo e preguiça de seu espírito, que assim se expressam! Não é Deus que quer aí ser obrigado a agir em favor do ser humano, mas sim sempre apenas o próprio ser humano tem de fazer isso para si! Terá de envidar todos os esforços para cumprir finalmente as leis de Deus! Trilhar o caminho que a Palavra da Verdade, mais uma vez, lhe indica. Como são tolos os seres humanos e, apesar disso, tão hábeis em iludir a si mesmos quanto àquilo que tem de ser e permanecer para eles o que há de mais precioso, se quiserem poder continuar a usufruir as graças de seu Deus. São tão horríveis os erros e desvios em todo o proceder e pensar desses seres humanos terrenos, que, temendo por eles, seria de desesperar, se não se soubesse do temporal purificador que agora soprará com a força da Luz, para salvação daqueles que ainda conservarem acesa uma pequena centelha de seu espírito, escondida debaixo dos escombros vindouros de todo o errar humano. Tal centelha será inflamada ou apagada pelo temporal, conforme o anseio e a vontade de tal centelha. E, apesar da gravidade dessa época, o ser humano procura ainda intrometer seus insignificantes desejos pessoais e seu saber pessoal na engrenagem da grande atuação da Criação, a fim de moldar, segundo sua mentalidade, até mesmo aquelas realizações que provêm da onipotência de Deus! Tudo isso, no entanto, jamais querem confessar a si próprios, por preço algum! Pelo contrário, apegam-se firmemente ao pensamento de que seu falso proceder já é o primeiro passo para a transformação. E esse passo denominam de humildade, orgulham-se de sua confiança na ajuda proveniente da Luz, que solicitam e pela qual esperam. Na realidade, porém, o nefasto desejar pessoal novamente já se imiscuiu no primeiro passo, deturpando-lhe em muito a vontade ascensional! Os seres humanos nada disso percebem. Ficam desapontados, quando o auxílio não se lhes apresenta imediatamente de modo visível, apesar de terem lançado na balança apenas a sua “vontade” e nada mais! A “vontade” já era, para eles, a ação, que, entretanto, só dava para
  • 128.
    formar um “pedido”,o que já consideram algo especialmente grandioso. Certamente a “boa vontade” nisso já é, no desvirtuamento atual, algo grandioso e também raro, mas não é suficiente para o cumprimento da exigência que Deus faz agora à humanidade, para a sua salvação! Somente o mais severo exigir, sem indulgências, ainda poderá trazer salvação para a humanidade, pois do contrário não despertaria, caindo logo novamente no que é velho, no errado e no comodismo espiritual. E Deus exige! Ele exige agora de vós, antes de conceder novamente algo, porque espontaneamente não quisestes decidir-vos a usar os Seus caminhos que Ele mandou tecer para vós na Criação! E que são constituídos unicamente de acordo com Sua vontade. A boa vontade da humanidade de nada adianta, se essa vontade não for transformada em ação. Transformada em ação pelos próprios seres humanos, antes de se apresentarem com novos pedidos perante Deus! Isso está bem explícito na Mensagem como condição fundamental. Os próprios seres humanos têm de provar, agora, através de seus esforços ativos, o quanto levam a sério a sua própria salvação! Somente então o Senhor os aceitará mais uma vez em Sua graça. É, porém, decididamente algo diferente, muitíssimo diferente, de como procuram imaginar, mesmo os seres humanos de boa vontade! E mais de uma vez já chamei expressamente a atenção para isso na Mensagem. Quem não quiser cumprir, esforçar-se por si mesmo, e lutar em causa própria, esse também não merece mais auxílio! Somente na luta e nos esforços sinceros é que vem o auxílio, através da força; do contrário, deixa de vir. Somente na luta, na ação, cada ser humano se abre acertadamente, de forma que possa lhe fluir a força e com isso o auxílio. A força é auxílio, se ele a aproveita, isto é, a utiliza! Contudo, nunca de maneira diferente do que em suas ações! Os seres humanos devem transformar-se e depois vir; e não devem vir, a fim de se deixarem transformar! Como o ser humano deve se transformar, o que tem ele de fazer para isso, encontra-se explicado exatamente em minha Mensagem!
  • 129.
    Se quiser encontrardentro dela, encontrará, de qualquer maneira. Minha Palavra não deixa sem esclarecimentos aos que procuram, em qualquer situação de vida, seja ela qual for. Quem então vier com perguntas, não compreendeu a Mensagem, não se inteirou dela de modo suficientemente profundo e sério. Este, por conseguinte, também não é suficientemente sério em seu procurar! Não aplica aquele esforço que é condição, se lhe deva vir auxílio. Por isso, terá de esperar também em vão por auxílio. Gravai isso, vós que vos denominais buscadores! Encontrareis nisso uma medida para a atividade de vosso espírito, com a qual não vos podeis enganar. O perguntar constitui comodismo daquele que tem a Mensagem nas mãos. Não é suficientemente ativo, pois do contrário não lhe restaria nenhuma pergunta. Procurai e tereis de achar o que precisais para vós! No entanto, procurar, isto é, esforçar-vos, deveis fazê-lo de fato. E ao esforçar-vos, encontrareis a vivência espiritual que necessitais, se quiserdes tirar proveito da minha Palavra! Pois se eu quisesse explicar-vos continuamente todas as vossas perguntas, se eu ensinasse cada ser humano durante cem anos, ele não poderia ter nenhum proveito, pois, não obstante isso, nada vivenciou! Avançando continuamente no querer saber, jamais poderá chegar a vivenciar o que aprendeu. Cada palavra aprendida tem de se tornar primeiramente ação! Somente pela atividade, ainda que seja apenas espiritual, ela pode tornar-se propriedade de cada um! Por esse motivo não adianta querer, sempre e sempre de novo, ouvir coisas novas de mim. Eu já falei o bastante, tanto, que toda a vossa existência terrena não será suficiente para concretizar o pronunciado dentro de vós, muito menos externamente! Agi, pois, primeiramente de acordo com o que eu já vos disse até agora! No entanto, aí hesitais, na opinião de querer primeiro conhecer muito mais, possivelmente saber tudo, antes de imprimirdes um verdadeiro início com vós mesmos. Dessa maneira sempre tendes de gravar em vossa mente o que é novo. Para vivenciar aquilo que já foi dito, não vos resta tempo algum. E assim perdeis tudo!
  • 130.
    Deixai agora acorreria em busca de coisas novas, pois só podeis começar com as pequenas coisas, se quiserdes cumprir tudo plenamente, assim como tem de ser. Em toda esta criação não há nenhuma realização sem um começo, ao qual se segue um constante crescimento, que impele para o florescimento e para a frutificação, que, por sua vez, encerra um novo processo criativo. Assim, como vos mostrais agora, pode apenas vos resultar como sucede com o corpo terreno, que tem de tornar-se indolente, tão logo seja superalimentado! Não é possível de forma diferente. Começar com bom ânimo, pequeno e humildemente, e somente então, devagar, mas seguramente, para diante no saber! De forma diferente nada podereis alcançar, porque tudo na Mensagem é novo para a humanidade terrena, mesmo que alguma coisa nela vos pareça conhecida. Contudo, apenas parece assim, porque procurais tratar disso com demasiada superficialidade. Se observardes direito, no esforço assíduo de um espírito ativo, é novo! Movimentai-vos, vós próprios, e não vinde logo com perguntas a respeito de impedimentos e fardos, sob os quais tendes de sofrer no momento. Assimilai primeiro de modo certo minha Palavra e procurai vivenciá-la dentro de vós, então tudo se modificará com acerto! Por isso observai-vos rigorosamente e cuidai para que, no servir, vos torneis capazes de deixar o pendor para os desejos pessoais, o que naturalmente só alcançareis, quando conseguirdes reconhecer essa falta, para vós tão funesta. Não é difícil, tão logo vos observardes, a partir da Palavra da Mensagem, com aquela implacabilidade que todo o buscador sincero, e que se esforça pelas alturas luminosas, tem de empregar contra si mesmo, se ele leva a sério sua busca e seus esforços. Este é o primeiro e difícil passo que, sendo cumprido, tornará então todos os outros mais fáceis. Reuni apenas a força e também a coragem para dá-lo, então vos florescerão auxílios por toda a parte, sem que ainda tenhais de pedir por eles especialmente.
  • 131.
    Chegareis então aum ponto em que, balbuciando, somente agradecereis sempre e sempre de novo a vosso Deus, enquanto que todo o pedir se tornará, por si próprio, desnecessário. Ide e agi assim, para que em breve a paz e a alegria possam estar convosco! Abdrushin
  • 132.
    21. Chamas purificadoras Tambémhoje muitos seres humanos, que têm conhecimento do Filho de Deus, Jesus, e acreditam em sua espécie e missão, festejam novamente o Natal. Apesar de a espécie de missão não ter sido reconhecida de maneira certa pelos seres humanos, porque muitos pensam que ele veio apenas para sofrer e morrer aqui na Terra por eles, mesmo assim também existem alguns entre eles que, no mais puro querer, oram a Deus e a Ele agradecem pela missão de Seu Filho. E a esses seres humanos deve ser dado auxílio, por causa de seu querer puro, mesmo que através de dor e sofrimento, se de outra forma não for possível levá-los ao reconhecimento de seu erro! A dor e o sofrimento são então um ato do maior amor, que mais uma vez lhes quer ajudar, para que não se perca o seu querer puro, só por causa de um conceito errado aprendido através de escolas e igrejas e do qual, espontaneamente, não podem mais deixar, porque receiam ficar com isso sem apoio e se expor a inimizades terrenas. A esses seres humanos deve ser dado auxílio! Não, porém, àqueles que, tal qual os primeiros, foram levados por caminhos errados, mas que não trazem em si o grande e puro querer, e sim mornidão, superficialidade, indiferença em tudo o que está em ligação com essa festa. Tampouco àqueles que, por costume, consideram a festa como algo puramente terrenal e não espiritual! Para esses a irradiação do amor, que hoje e por ocasião da solenidade da Estrela Radiante atravessa as chamas do Juízo, não encerra o auxílio alegre, mas sim repulsa, para que eles sucumbam no Juízo! A irradiação do amor, que hoje, após meses, atinge pela primeira vez novamente esta Terra, é precursora do próprio amor de Deus, o qual aos poucos se movimenta novamente ao encontro de seu invólucro terreno, seguindo a trajetória da Estrela, que agora vem de modo exigente, na força primordial de sua constituição espiritual, aproximando-se cada vez mais da humanidade terrena. Impetuosamente se aproxima como mensageira de Deus, como testemunha Daquele que foi enviado para cumprir a sacrossanta vontade!
  • 133.
    Ela torna, aí,tudo novo, pois através dela cai e despenca aquilo que, no Juízo, foi marcado para a queda! Ela traz o desencadeamento disso. Em sua irradiação vivenciareis, agora, os efeitos grosso-materiais! É o desencadeamento do já ocorrido Juízo na matéria grosseira, de acordo com as leis da Criação, como foi prometido desde há muito! Julgado já está cada ser humano segundo suas obras, as quais deixam reconhecer seu íntimo. Entre essas obras não se devem entender aquelas de matéria grosseira visíveis aos seres humanos, mas sim os efeitos do seu verdadeiro querer, que ele freqüentemente esconde dos seres humanos. Os efeitos do seu querer mostram-se em suas obras, que de início são invisíveis aos seres humanos, no legítimo e automático tecer desta Criação, conforme já descrevi na Mensagem, as quais, porém, estão em conexão com o seu gerador, devendo com o tempo tornar-se sensíveis e também visíveis na matéria grosseira. E este Juízo de Deus já ocorreu em toda parte! Espiritualmente ele se efetuou imediatamente e agora também aconteceu na matéria fina. A Estrela Radiante em impetuosa aproximação é, no entanto, agora a chave que desencadeia o acontecimento na matéria grosseira, terminando aqui o que já se processou no espiritual e na matéria fina. A força da Estrela rompe as muralhas que os seres humanos erigiram em volta de si mesmos, far-lhes-á sentir o Juízo, perante o qual, sob a proteção grosso-material de seus corpos terrenos, até agora ainda podiam passar furtivamente. A Estrela é a chave para os acontecimentos de matéria grosseira, que em tudo foram preparados pelos auxiliadores enteais! Desse modo ela se torna, agora, o último chamado para a humanidade terrena, a derradeira advertência que, em rápida, sim, direta seqüência, traz também consigo o fim, o qual pode se tornar um princípio somente para aqueles seres humanos que quiserem, daqui em diante, enquadrar-se nas leis de Deus, incondicionalmente, em humilde adoração a Deus-Pai, seu Único Senhor em toda a eternidade! Os seres humanos que, devido ao seu querer próprio, procuraram afastar-se Dele, criando ídolos por eles mesmos escolhidos, serão esmagados por estes, que, derrubados agora dos seus pedestais pela
  • 134.
    onipotência de Deus,cairão sobre aqueles que os elevaram a esse ponto. Seres humanos, encontrai-vos numa época, cuja aspereza tendes de agradecer a Deus, porque unicamente ela pode trazer-vos salvação, ao despertar-vos do profundo sono em que caístes por vosso próprio querer! Abalos sobre abalos de toda a espécie vos atingirão agora terrenamente, e, estreitamente ligado a isso, também a alma. Muitas pessoas, hoje, somente podem ser atingidas na alma, se tiverem de vivenciar o terrenal na forma mais grosseira, porque já são demasiadamente embotadas em tudo, e suas almas jazem isoladas atrás de uma edificação de pedra, para sonhar, como que paralisadas, ao encontro do sono da morte. A edificação de pedra é a obra do raciocínio terreno que, em primeiro lugar, tem de ser quebrada e destruída, antes que a alma possa notar algo das irradiações da Luz. A obra do raciocínio terreno, opressor do espírito, estende-se por toda esta Terra, endurecendo tudo, sendo ainda especialmente destacada em muitas pessoas. Entretanto, já no primeiro impacto da Luz chegará ela, mui rapidamente, a balançar. Com o aparecimento da Estrela Radiante, porém, ela desmoronará por toda a parte sob os gritos dos seres humanos que a ela estão presos, e sob imprecações e maldições mútuas. Toda a confusão caótica será, então, ornada por toda a parte com atos de loucura, mas também misturada com súplicas que se elevam do desespero! Justamente pelo fato de a obra perniciosa parecer tão firmemente edificada e terrenamente forte, sua ruína deverá tornar-se tanto mais horrível, porque devido à força de sua resistência também o impacto da Luz se tornará mais poderoso. Então, encontrar-vos-eis firmes no meio da confusão, olhando alegremente para Deus, pois sois guardados e protegidos na graça de Sua onipotência, se atuardes dentro da Palavra! E vossa segurança concede proteção e auxílio a todos, cujas súplicas, baseadas no reconhecimento de Deus, se dirigem à Luz. Vós podereis indicar o caminho aos que procuram, o qual os conduzirá
  • 135.
    para fora doslaços e das armadilhas das trevas que caem, para que eles não sejam arrastados conjuntamente, se suas almas ainda no último momento, esforçando-se sinceramente, procurarem agarrar-se à Palavra. Que a irradiação do amor de Deus será enviada já agora, em meio de todas as irradiações de ira, é novamente uma bênção tão imensurável, a qual o ser humano compreenderá somente muito mais tarde. A irradiação do amor dá hoje, a muitos seres humanos ainda, uma possibilidade de poderem se salvar no meio do Juízo. A tais, que de outra forma teriam de se perder, porque suas forças não bastariam para se libertarem das trevas, cujos tentáculos procuram mantê-los presos na queda. É a irradiação do amor divino, que a ele mesmo precede! Amor esse que está estreitamente ligado a Jesus, que em parte vem de Jesus. Como outrora, por ocasião do nascimento do Filho de Deus, Jesus, na Terra, assim também será hoje, mais uma vez, colocada a base para que a nossa solenidade da Estrela Radiante novamente possa tornar-se uma solenidade de agradecimento pelo inimaginável amor de Deus! Assim como em 7 de setembro de cada ano é celebrada com alegria a solenidade da pureza divina, a solenidade do Lírio, também a solenidade da Estrela Radiante, por este novo ato de graças do Senhor, tornou-se agora uma solenidade do amor divino, a solenidade da Rosa! Onde quer que a Estrela Radiante envie ao Universo as puras chamas incandescidas pelo espiritual, realiza-se sempre e simultaneamente naqueles pontos também um grande ato de graças do amor de Deus! E se ela, agora aqui na Terra, desencadeia o Juízo, então há também nisso amor de Deus, pois ele traz salvação e libertação das trevas e de todo o malquerer para as criaturas que almejam a Luz! Que as chamas desta Estrela tenham de desencadear um Juízo, deve-se unicamente aos seres humanos que, em seu querer mau, afastado de Deus, sua presunção e egoísmo, formaram obras más, que não suportam a irradiação purificadora da Luz, oscilando e desmoronando! Na realidade essa irradiação encerra em sua incandescência somente a mais pura força para a devida elevação de todos os seres humanos terrenos e da própria Terra, agora, dentro do fenômeno
  • 136.
    universal! Portanto, airradiação do mais puro amor de Deus, o qual, contudo, é suportável apenas por aquele que vibra no amor de Deus. E tudo o que não possa vibrar nele será dolorosamente apanhado, crestado, queimado pela pureza dessas irradiações, pois a chama purificadora desta Estrela não é somente destinada ao espírito, mas sim para toda a criatura, também para a matéria grosseira. E à purificação pertence a destruição de tudo aquilo que não pode vibrar no amor de Deus! A Estrela, de qualquer forma, teria chegado nesta época, para então derramar sobre a Terra a plenitude de sua incandescência e, com isso, na sua intensa força espiritual, sugando, elevar a humanidade e a Terra para um novo reino, ao qual agora pertencem segundo a lei da vontade de Deus! Estivessem os seres humanos tão amadurecidos, como já deveriam estar hoje em seu desenvolvimento, se tivessem procurado atender a todas as leis da Criação, então o aparecimento dela despertaria nos seres humanos jubilosa saudação e uma feliz adoração, cheia de agradecimento, ao Senhor que a enviou! Como, porém, não é assim, mas sim a humanidade terrena no falhar afundou ainda mais do que se poderia imaginar, o seu aparecimento efetua-se agora, de modo diferente. Ela deve atuar, primeiramente, destruindo e aniquilando, até que a força de sua irradiação, elevadora e construtiva, possa manifestar-se da forma mais pura, porque então ela cairá sobre aquele solo, que foi preparado pelos sofrimentos, para recebê-la dignamente! Somente por isso a Estrela torna-se o Juízo para os seres humanos e para tudo aquilo que não está de acordo com a vontade de Deus. E só está de acordo com a vontade de Deus aquilo que vibra no amor de Deus, porque Deus é o amor! Vós, seres humanos, compreendeis agora a grande simplicidade que se encontra em todo o fenômeno universal? Seja o que nele se der, só poderá ser sempre amor! Vós, porém, fizestes da santidade do amor uma imagem totalmente desfigurada, rebaixastes o seu conceito até a imundície. Contudo, também isso, por sua vez, somente devido ao raciocínio preso à Terra que, consoante a sua espécie, conhece apenas o amor terreno edificado sobre o sentimento de matéria grosseira, não
  • 137.
    possuindo nenhuma capacidadede compreensão para a intuição de um espírito puro. E o sentimento de matéria grosseira ele ainda torceu, transformando-o num instinto embrutecido! Não contente com isso, porém, o raciocínio, no desenvolvimento progressivo de seu exagerado cultivo, forçou ainda esse instinto embrutecido, o qual, no entanto, podia permanecer puro como nos animais, cada vez mais para baixo, até o pecado! Colocar o ser humano terreno num nível igual ao do animal, era insuficiente como objetivo das trevas escarnecedoras. Queriam manter o espécime humano ainda muito mais baixo, colocá-lo abaixo ainda de cada animal! Os seres humanos, que nos seus lentos desenvolvimentos, sob cuidadosa direção de tantos eleitos, determinados e preparados pela Luz para esse fim, foram capazes de conseguir livrar-se com grandes esforços dos instintos animais, todavia puros, e que no princípio ainda existiam nos seus corpos, deviam, não só cair de novo nesse estado, apesar de já terem despertado neles os espíritos, mas sim deviam ser forçados a cair ainda mais para baixo do que estavam antes. Através do raciocínio, servindo voluntariamente às trevas, e, com o estímulo delas, cultivado excessivamente pelos próprios seres humanos, raciocínio esse que, eternamente duvidando, cismando, não concede mais um firme apoio ao ainda insuficientemente fortalecido espírito, estes assim tornados dependentes conseguiram, como conseqüência automática, transformar o instinto animal puro de seu corpo numa cobiça calculista da forma mais baixa, isto é, envenenando no ser humano até a naturalidade do animal! Com isto, tudo ficou literalmente estragado, e o ser humano terreno facilmente rebaixado para a mais ínfima dentre as criaturas de toda a Criação, porque isto tinha de ser a conseqüência do raciocínio que se desenvolvia automaticamente em todos os males, com o cultivo excessivo e unilateral, após o pecado original, uma vez que ele não dera ouvidos aos muitos auxílios provenientes da Luz! E que ele não daria ouvidos a esses auxílios, era evidente às trevas, pois estas conheciam a vaidade dos seres humanos, que tinha de aumentar sempre mais, devido à presunção do raciocínio terreno errada e excessivamente cultivado. Assim, com o cultivo errado do raciocínio, foi colocada para o ser humano não somente uma profunda e fatal armadilha de alma, mas
  • 138.
    sim, ao mesmotempo, também foi corrido um pesado ferrolho devido à vaidade que aí disparava, o qual teria de impedir que uma alma pudesse escapar da armadilha, pois a vaidade no querer saber melhor não deixaria, assim tão facilmente, esses seres humanos terrenos, em seu mesquinho modo de pensar, dar ouvidos aos auxílios vindos da Luz pela Palavra! Está certo, pois, se ficais tomados de horror, assim que eu fale de quão profundamente caiu o ser humano! Agora, porém, deve ser pronunciado e arrastado do esconderijo lúgubre para a Luz, para que seja definitivamente destruído pela irradiação da Estrela, caso não seja queimado pessoalmente por cada um que desperta, no fogo do espírito acordado. Justamente hoje eu quero cumpri-lo, no dia do mais sagrado amor de Deus. Eu clamo aos seres humanos para que reconheçam tal fato e se livrem do mal, ao qual se entregaram como ao mais forte entorpecente, por artimanhas do tão torcido raciocínio! Pois unicamente este os levou a isso. O sedutor sabia muito bem que tinha de acontecer assim, após a humanidade ter tomado a direção falsa por ele oferecida como engodo! Nem podia acontecer de forma diferente, pois o raciocínio, que devia tornar-se apenas um instrumento executivo do querer humano, prejudica agora todo o querer e elevou-se, desse modo, a si mesmo, a falso guia, que não pode ter ligação com a sagrada vontade de Deus, ficando, com isso, interceptado também do amor de Deus. Justamente hoje, por ocasião da solenidade do sagrado amor, no que, aliás, ela deverá se tornar futuramente, eu tinha de apresentar-vos mais uma vez o quadro, a fim de que vísseis como é constituído atualmente vosso amor em sua maior parte; a fim de que reflitais, horripilados, e ainda possais receber uma centelha do puro amor de Deus! Eu descortino esse quadro, a fim de que possa ser destroçado agora com tudo quanto está errado e que agora não mais deve ter lugar na Criação, depois de sua grande purificação! Nunca teria chegado a tal ponto, se os seres humanos tivessem dado ouvidos, pelo menos uma vez, de modo eficaz, aos muitos auxílios vindos da Luz!
  • 139.
    Algumas vezes, sim,deram ouvidos, quando se demorava entre eles um anunciador, contudo depois de sua partida logo cismavam a respeito da sua palavra, a fim de, através das dúvidas surgidas e do querer saber melhor, dissecá-la, torcê-la e transformá-la de acordo com o próprio gosto. E assim afundou a humanidade terrena, lenta, porém seguramente, cada vez mais fundo, no lodo que seus próprios pensamentos formaram e difundiram. Agora, porém, erguei-vos vigorosamente! Pois mais uma vez não será permitido tal acontecimento. Chegou o fim, mas somente o vosso, se desta vez não quiserdes dar ouvidos às Palavras de Deus, as quais devem elevar-vos para aquele ponto, em que o ser humano deve se encontrar como ser humano nesta Criação! Não lhe será mais permitido permanecer como um monstro, que não pode ser nem bem ser humano nem bem animal, na perfeita obra do Criador, para desfigurar a sua beleza, para continuar a impedir e perturbar a vibração da pura harmonia. Vem aí o sagrado Juízo, ó seres humanos terrenos! Por isso tornai- vos seres humanos ou perecei nas chamas da Estrela Radiante! No entanto vós, portadores da sagrada Cruz na testa, agradecei ao Senhor por esta grande purificação, pois vós, que portais pura em vossas almas a Palavra da Mensagem, com o grande querer para o bem; vós, que aspirais pelas luminosas alturas, a vós a Estrela outorgará grande força, para que vos torneis novos dentro de vós, de acordo com a vontade de Deus! Sob forte proteção da Luz, passareis por esses tempos difíceis, que vos deixarão cada vez mais purificados e incandescentes, até vos tornardes chamas, que brilharão na Terra para honra de Deus, na mais pura adoração, e que atuarão auxiliando entre os seres humanos, atraindo por toda a parte em que uma centelha espiritual, no despertar, ainda se queira elevar para as alturas luminosas! Por isso, ide agora confiantes na Palavra, que vos mostra os caminhos certos, que tendes de seguir, e que também vos transmitirá a força para as horas em que o desânimo vos quiser dominar. Pensai que tudo o que vier será um ato de graças do amor de Deus, que força a purificação! Cada solenidade da Estrela deverá tornar-se, no futuro, uma solenidade de agradecimento pelo atuante amor de Deus, a qual se unificará com a, até agora conhecida, Festa de Natal.
  • 140.
    Contribuí vós paraisso, com o vosso auxílio junto aos seres humanos, que em aflições de alma brevemente se acercarão de vós. Prestai-lhes auxílio na Palavra! Pois esta permanece ainda a única coisa que precisarão em primeiro lugar! Abdrushin
  • 141.
    22. A saudadesalvadora Uma profunda saudade perpassa todos os seres humanos terrenos que dentro de si ainda não estão inteiramente perdidos: a saudade pela libertação de seu espírito! De como deverá se processar a libertação, ninguém faz uma idéia clara. Todos têm apenas anseio por isso, que se intensifica cada vez mais pronunciadamente. E estranho: a saudade manifesta-se de tão múltiplas maneiras. Cansaço invade algumas almas, outras sentem uma tristeza que não podem compreender, muitos se vêem tomados de uma inquietação que os deixa apreensivos, havendo por outro lado também aqueles que trazem em si o pressentimento de uma grande intuição de felicidade, sem conhecerem um motivo para tal. Inúmeros seres humanos, porém, andam como que aturdidos, tornam-se facilmente susceptíveis, desconfiados, irritados e, em noites agitadas, surge-lhes à frente a horrorosa imagem da inferioridade, cuja ridícula inexpressividade os torna desnorteados, o que por sua vez os instiga à cobiça de influência e de poder, a fim de preencher essa lacuna que se abre cada vez mais visivelmente. Quanto mais essa espécie de seres humanos se vêem afundar espiritualmente, sem possibilidade de salvação, tanto mais convulsivamente se agarram às aparências! Todo o seu pensar se dirige apenas às exterioridades vazias, envoltas com palavras bombásticas, a fim de, em delírios extenuantes de prazeres ou festanças, anestesiar por alguns momentos o sentimento da própria inferioridade, que cada vez mais forte se manifesta. Os prazeres não devem sempre ser considerados aí somente de modo físico, mas existem também prazeres que encerram desejos errados de dominar, na satisfação da avidez pelo poder ou da vaidade, que se pode manifestar sob múltiplas maneiras, desde a brutalidade descontrolada e obstinada, até as mais ridículas brincadeiras, consideradas inofensivas, mas que na realidade não permanecem inofensivas, quando, com relação a tais brincadeiras, se procura colocar obstáculos no caminho. Como é notório, toda a puerilidade contém em si crueldade, logo que se trate de forçar satisfações.
  • 142.
    Finalmente, em todosesses que afundam e que estão perdidos, ao sentirem sua incapacidade, irrompe então uma injustificada raiva, cheia de ódio, contra aqueles seres humanos que ainda trazem em si algo de valor e mostram verdadeira capacidade. A inveja não lhes permite unirem-se a tais seres humanos de modo pacífico, a fim de aproveitarem as suas capacidades beneficamente, a não ser que antes se comprometam com a escravidão total. No entanto, também isso não deixaria em paz os indivíduos assim fustigados intimamente, porque, a julgar pelos próprios erros, não confiam na palavra alheia e, além disso, ainda receiam sucumbir rapidamente diante da capacidade daqueles. Temem que a capacidade de outrem, no decorrer do tempo, não possa ser ocultada indefinidamente, surgindo claramente à luz do dia, com o que a sua própria incapacidade evidenciar-se-á mais nitidamente ainda. É o que a vaidade menos pode suportar. Já o pensamento disso desperta uma revolta, que só pode planejar destruição. Dessa maneira, ódio cheio de inveja cresce até os mais extremos excessos naqueles que estão afundando espiritualmente: a raiva incalculável e injusta da completa irreflexão: o destino dos tiranos! Contudo, no rol dessa classe de tiranos não deveis imaginar apenas dirigentes de grandes povos, pois com isso não aponto para determinadas pessoas, isoladamente, nem deverá surgir diante de vós um Nero, nem a pior ignomínia da assim chamada cristandade na época das inquisições, hostis a Deus, instituídas pela igreja; mas sim deveis apenas observar e aprender no presente, a fim de vos tornardes seres humanos de espírito livre, como vosso Criador deseja! Com isso eu quero abrir vossos olhos espirituais, pois o Criador vos fala, nesta época, através de cada acontecimento, tão claramente como nunca, a fim de amadurecerdes no espírito! Em toda a parte podeis encontrar tiranos, nas profissões, na sociedade e nas famílias! Existem, agora, muito mais do que nunca, pois todos os seres humanos encontram-se no Juízo! Devido a isso, tudo se desenvolve também mais rapidamente e de maneira mais forte do que jamais aconteceu.
  • 143.
    Atentai para aépoca e também para os sinais que eu vos indico com minhas explicações. Isso vos trará grande proveito, se deixardes tudo chegar à vivência dentro de vós! Com minha exposição eu vos apontei a situação da humanidade atual, assim como ela é hoje, sem que ela mesma o saiba. Ela já está dividida em dois grupos definidos. Um grupo compõe-se das pessoas mencionadas inicialmente, cujas almas, perpassadas de saudade, aguardam inconscientemente algo que elas mesmas ainda não podem definir, uma vez que a época para tanto ainda chegará. O segundo grupo compõe-se dos mencionados por último, que se encaminham para a ruína, que eles mesmos têm de preparar para si, segundo a sacrossanta vontade de Deus. Pertencem a esse grupo também todos aqueles que, por preguiça ou livre vontade, se irmanaram aos que afundam. Este evento já constitui a separação de toda a humanidade terrena em bodes e ovelhas, como outrora foi prometido! A grande realização básica para o Juízo já está concluída, e os seres humanos nada disso pressentem! Vivem no torvelinho de suas imaginações, sonhando com a grandeza e importância de sua existência, ao encontro... do fim que os despertará brevemente para a realidade, e assim para a responsabilidade de cada pensamento, cada palavra e cada ação! Tudo isso é inimaginável para os seres humanos, porque eles supõem tudo em escala muito menor do que realmente se realiza, e, contudo, procuram dar-se muito mais valor do que na realidade têm. Seria completamente inútil dar uma ampla imagem do futuro. Proveito só vos traz, se souberdes daquilo que se processa agora, se reconhecerdes o presente e disso colherdes ricos frutos para o futuro! Sede vigilantes, observai e examinai, sem que vós mesmos sucumbais nisso! E para isso dou-vos as explicações, pois cientes deveis poder vivenciar todas as transformações. Quem negligenciar isso, não pressente qual o lucro a que assim renunciou. Compreendei minhas palavras e olhai em vosso redor! Cairá então como que uma venda de vossos olhos. A origem de tudo aquilo que hoje mencionei, tornando a separação cada vez mais nítida, não é conhecida dos seres humanos, apesar de
  • 144.
    terem de vivenciarem si mesmos os acontecimentos. É também absolutamente impossível que de algum modo possam defender-se das conseqüências, ou que possam alterar algo delas, a não ser que eles próprios se transformem! Unicamente isso pode dar-lhes alívio, nada mais no mundo. Todos estão sujeitos a esse fenômeno, seja oferecendo resistência, seja de modo solícito, e também vós, cada um individualmente. Estais entregues incondicionalmente a ele. Tudo isso, porém, é o início, que com espantosa velocidade se avoluma para o fim. Para o fim, que para muitos só poderá ser e será um fim de máximo pavor; somente para poucos um fim que trará a libertação espiritual de laços que durante milênios os oprimiam, como desgraça por eles mesmos forçada, que hoje têm de suportar. A causa da saudade salvadora, porém, bem como do desenvolvimento até o limite exato do início da autodestruição é a mesma força: a pressão da Luz proveniente da Luz primordial, a sagrada vontade emanada de Deus! Esta se acha tão intensificada, na grande era de transformações da humanidade, que agora perflui os mundos, purificando-os, forçando tudo novamente à vibração uniforme das leis harmoniosas da Criação, abrangendo agora também esta Terra, ainda como última obra, envolvendo-a implacavelmente, desencadeando, no remate final, aquilo que sobre ela já aconteceu e, dessa forma, aniquilando ou elevando, extinguindo o que não quiser mais vibrar em suas leis imutáveis, vivificando o que procura adaptar-se de boa vontade. O que vós, em face dessas explicações, vereis agora, para vosso amadurecimento, são os primeiros efeitos terrenamente visíveis da descomunal pressão da Luz, jamais existente na Terra! Brevemente e em seqüência cada vez mais acelerada, seguir-se-ão os outros efeitos, irresistivelmente, até que finalmente também vossa Terra esteja purificada de tudo quanto é errado e de tudo quanto não quis enquadrar-se nas leis de Deus, visando a dar preferência ao próprio querer pensar. Por ora só vos pode ser útil saber aquilo que vós mesmos fordes capazes de observar e, por esse motivo, chamo vossa atenção para as ocorrências atuais, fundamentais já para o final do Juízo, pois separam todos os seres humanos naqueles que afundam e naqueles que poderão ser salvos!
  • 145.
    Inúmeros são ossinais que anunciam o começo do Juízo Final; contudo, o seres humanos passam apressadamente por eles, na suposição ou ilusão de que tudo isso já aconteceu muitas vezes. Esquecem, porém, de confrontar as contingências sob as quais isso ou aquilo já aconteceu anteriormente. Existem aí enormes diferenças, que não deverão passar despercebidas, se se pretende julgar acertadamente. Antes de mais nada o ser humano não deve revelar-se tão medroso, covarde ou superficial, para querer passar indiferente diante do atual, absolutamente surpreendente, volume dos acontecimentos, quer se trate de catástrofes da natureza ou econômicas, quer sejam homicídios e suicídios, confusões políticas, lutas pelo poder terreno entre Estados e igrejas, e tudo o mais. Jamais se deu tudo isso simultaneamente, em tão grande quantidade, como se dá hoje. Só isso já devia dar, a cada um que medite a respeito, um indício de desencadeamentos mais acelerados, que se avolumam visivelmente; devia despertar o pressentimento de um colossal remate circular universal, através de um poder superior à vontade e à capacidade humana, e uma desforra ligada a isso. Nisso desaparecerá o errado, permanecendo unicamente o bem. O bem ou o errado, no entanto, não será medido aí de acordo com o sentido humano, mas sim somente segundo o sentido de Deus! Os seres humanos permanecem na ignorância de tudo isso, por sua própria vontade! Devido ao medo, à superficialidade e leviandade, ou também por presunção. Não em último lugar, nisso, encontra-se a preguiça espiritual. Muitos até, dentre os que procuram a Luz, não conseguem libertar-se inteiramente disso. Em minha última dissertação já me referi à preguiça espiritual, a qual chega a tal extremo, que nem mesmo os mais inteligentes querem realmente “pensar” sobre coisas que não se orientem de acordo com seus ambiciosos objetivos terrenos! Os seres humanos não querem compreender e somente reconhecerão tudo quando o reconhecimento não tiver mais nenhuma utilidade para eles. Todos os apelos partidos da Luz para um despertar são por isso em vão. A propósito de tudo o que lhes é novo, os seres humanos, irrefletidamente, referem-se à advertência sobre os falsos profetas,
  • 146.
    durante a estada,na Terra, do legítimo grande Salvador proveniente da Luz, que simultaneamente desencadeia o Juízo. Irrefletidamente falam de tudo isso, e notam-se aí o vazio e a imaturidade das almas, o desvalor de tal espírito humano para o desenvolvimento progressivo, visto que sua preguiça desperdiçará qualquer possibilidade de ascensão, embaraçando tão-só o caminho para novas revelações, de maneira que o amor proveniente da Luz não poderá encontrar nenhuma entrada para a salvação. Quem dos seres humanos dá-se conta de que, sob falsos profetas, não pode ser entendido apenas, de modo unilateral, o conceito de portadores de novas revelações, mas sim de que se refere a cada um daqueles que diz poder realizar nem que seja uma parte somente daquela obra, que aguarda a força do prometido enviado da Luz. Também não são entendidos com isso somente aqueles que afirmam pretender ser o Salvador renascido, o que já denota por si, claramente, a própria ignorância sobre a missão do prometido Filho do Homem, mas sim são englobados nisso muitos mais. Para poder julgar a respeito, porém, tem de preceder um outro saber: o saber da verdadeira missão do prometido Filho do Homem na Terra! Já aqui tudo pára, se ponderardes sobre isso. Não existe ser humano algum na Terra, que possuísse um efetivo saber sobre isso! Desde séculos fala-se de fato muito sobre isso, entretanto não existe um saber verdadeiro a respeito. Com palavras bíblicas incompreendidas, dá-se a cada interpelante uma resposta que nada esclarece e novamente realça apenas o tatear inconsistente de todos os seres humanos pretensamente sabedores, a fim de que se torne claramente visível. Um falso profeta é, na verdade, aquele ser humano que se atreve afirmar poder realizar uma parte daquilo que é reservado ao prometido enviado de Deus! E desses existem muitos hoje em dia, por se tratar de atuação na Terra, não de ensinamento; pois o prometido será o único verdadeiro auxiliador da humanidade em suas aflições da alma e aflições terrenas! Reconhecer os falsos profetas na hora certa, não será demasiadamente difícil para os seres humanos, uma vez que terão de
  • 147.
    vivenciar em simesmos, a fim de chegarem ao reconhecimento, porque, antes, nem acreditariam em palavras. Toda a obra daqueles seres humanos que, como falsos profetas, prometeram algo aos seres humanos, algo que não lhes podem dar, agora ruirá por inconsistente ou nem chegará a erguer-se, no que a humanidade tem de reconhecer, ainda que em amarga vivência, que confiou em falsas promessas, que acreditou em capacidades simuladas, inexistentes. Esses são, pois, os falsos profetas propriamente ditos, aos quais a profecia se refere, pois quem neles acreditar deverá passar por vivências amargas com dolorosa decepção. Aqueles, porém, que se apresentam como Jesus renascido, nem podem ser considerados falsos profetas, mas sim mentirosos, sem noção alguma da missão do Filho do Homem, menos ainda têm a capacidade para poder iniciar sequer a mínima parte dela. Nem sabem que Jesus e o Filho do Homem não são uma única pessoa, mas sim duas pessoas distintas, expresso em linguagem humana, embora sejam um só naquele sentido como Jesus dizia de si: Eu e o Pai somos um só! É estranho que também muitos cristãos não queiram compreender isso, apesar de falarem sempre, de modo natural e acertadamente, da trindade de Deus, que é três e, no entanto, um só! E Jesus, que é uma parte dessa trindade, eles separam, sem hesitar, como se existisse e agisse por si só, como Salvador em pessoa, sozinho. Nisso, aliás, não estão totalmente errados, mas não o compreendem! Também não meditam a respeito, porque são demasiadamente preguiçosos espiritualmente. Prossigamos, entretanto, mais um pouco. O ser humano que aponta para os falsos profetas, rejeitando-os, também tem de saber que os falsos profetas que surgem constituem justamente um dos muitos sinais que anunciam o aparecimento do verdadeiro enviado! Sim, então o verdadeiro perscrutador, pelo menos, teria de manter- se atento, para não perder o certo! É que isso não deve dar-lhe sossego, estimulando-o para o mais severo exame de tudo o que é oferecido, para que possa tornar-se, sem demora, um auxiliar para aquele que virá, e não, em vez disso, um obstáculo em seu caminho! Ou até um aborrecimento! Ele, o ser humano terreno, tem de se esforçar para reconhecê-lo! Esta é uma das tarefas, condicionadas por Deus, para ele, para que
  • 148.
    desta vez semostre digno da Sagrada Palavra. Nisso, todavia, também o ser humano que se diz buscador, age de modo demasiado leviano, se se contemplar e observar os buscadores. Contudo, a causa disso não é unicamente a leviandade, ou melhor, a costumeira superficialidade devido à preguiça do espírito, mas sim justamente entre os buscadores fala em primeiro lugar a vaidade, a presunção! Tal fraqueza, por si só, precipitará na ruína a maior parte dos seres humanos que dizem buscar a Luz! E não é de lastimar, pois são hipócritas, visto que não empregam aquela sinceridade que cumpre à Palavra de Deus, querendo apenas vangloriar-se nessa aspiração vaidosa, destituída totalmente de qualquer humildade. E unicamente a humildade abre o portal para o reconhecimento de tudo aquilo que emana da Luz! Contudo, passemos também sobre esse fato, então resta ainda um ponto que a muitos parece totalmente intransponível: de que maneira os buscadores imaginam esse prometido, em sua vida terrena e em sua “vinda”! Sob a expressão “vinda” entende-se nesse caso o “evidenciar- se”, pois certamente será compreensível, a cada ser humano, que ele não cairá do céu já como homem feito, de matéria grosseira, nem como criança. Em verdade, não imaginam absolutamente nada! Contudo, desde o início, estipulam condições bem estreitamente delimitadas, com suas esperanças ou pretensões imprecisas! Acima de tudo prevalece o desejo de que ele surja de seus respectivos círculos! De outro modo nem podem imaginar tal evento, porque julgam possuir um direito preferencial para tal, visto terem acreditado em sua vinda antes dos outros. Terá, naturalmente, de interessar-se por eles, isso é sua obrigação, pois para tanto vem como auxiliador na aflição; talvez até devesse deixar-se guiar por eles, pois é estranho à Terra e precisa dos conselhos cuidadosos que lhe oferecem com suas experiências terrenas já colhidas! Assim, construir-lhe-iam prazerosamente um futuro, que ele haveria de lhes agradecer. E, retroativamente, também não lhes faltariam as bênçãos. Em suma, todo o pensar, todo o querer é puramente terreno, enquadrado em seu acanhado pensar terrenal, em seus conceitos terrenos, misturado com muitos desejos ocultos.
  • 149.
    Não refletem que,ao iniciar, ele já deva ter acumulado suas próprias experiências, passando completamente desconhecido até então, a fim de que fosse excluída totalmente qualquer influência; pelo contrário, os seres humanos se mostram de tal forma como realmente são, com todas as suas fraquezas, seus defeitos e em todos os males! Inclusive em relação a ele mesmo. Que tudo isso só possa acontecer no ambiente da vida cotidiana, da maneira mais natural e simples, na mais real experiência vivencial, o raciocínio humano não alcança. Na mais infundada superficialidade e verdadeira indiferença, aguardam-se acontecimentos especiais, não terrenais, extraordinários! De maneira muito chamativa até. Por quê? Ninguém se dá conta a respeito. Também ninguém pensa que justamente com relação às coisas chamativas imediatamente tudo aquilo que julga possuir aqui algum poder e influência se colocaria em oposição, sem falar que das coisas chamativas jamais poderiam ter oportunidade de receber reconhecimentos profundos. Não é assim, que alguém vindo da Luz possa, facilmente, descobrir, talvez mesmo compreender, o pensar restrito e o malquerer dos seres humanos terrenos, pois o mal é estranho e incompreensível à Luz. Quantas vezes os pais não compreendem os próprios filhos, que são da mesma espécie, ao passo que a Luz permanece completamente estranha, em espécie, com relação a tudo o que é humano. Somente com grande esforço, no próprio vivenciar e nos sofrimentos, o enviado da Luz pode adquirir o conhecimento de todos os males da Terra e, antes de tudo, de todo malquerer; nunca, porém, uma compreensão disso, uma vez que o mal de forma alguma pode ser compreendido, porque não há nenhuma justificativa para a sua existência na Criação. Portanto, uma longa estada na Terra, para conhecer todo o mal humano e também todo o pensar dos seres humanos, tem de ter precedido essa “vinda”, porque com a vinda já há de se iniciar o Juízo, e então o auxílio. E auxílio só poderá prestar quem conhece exatamente as fraquezas e as forças. Tudo é muito simples, e cada ser humano poderia, teria de dizê-lo a si mesmo, se não fosse demasiado preguiçoso espiritualmente e demasiado indiferente a esse respeito. E ele é indiferente, porque como buscador fala, sim, a respeito, mas no seu íntimo não procura vivenciá- lo.
  • 150.
    Falta toda aligação entre a real intuição e as palavras e, com isso, todo o apoio verdadeiro. Ele procura! Essa é a única coisa que não se lhe pode tomar como mentira. A expressão “procurar” já encerra também a resposta, que nada encontrou. Uma vez, porém, que foi prometido pela Luz que todo aquele que procure sinceramente e com humildade, também encontrará, de conformidade com a lei, isso assim demonstra que os buscadores, que hoje assim se denominam, não são verdadeiros buscadores e que falta a todos eles o principal para isso, a humildade! Esta, realmente, não se encontra entre os que hoje se chamam buscadores e muito menos ainda onde justamente se fala de humildade! Os seres humanos nem sabem mais o que seja humildade no espírito, porque conservam o espírito encerrado dentro de si pelo raciocínio, o qual apenas conhece a presunção e a vaidade, zombando da humildade. Mas chega disso. Chegou o tempo em que toda a presunção ruirá fragorosamente em sofrimento lastimoso, de tal forma que o ser humano por si mesmo tem de chegar à humildade ou tombará para nunca mais poder levantar-se. Vivenciar é ainda o único auxílio para a humanidade, que não quer ouvir! Os buscadores, ou os que esperam pela realização, enfronharam-se tanto nos próprios pensamentos, que nem mais prestam atenção a outra coisa e, de antemão, enfrentam com desconfiança tudo o que não se enquadre nos seus desejos, tendo a recusa já na ponta da língua. Eles nunca chegarão ao reconhecimento, sem passarem pelas mais graves aflições! Milhares de coisas desde o início se opõem a isso e, a favor, nada! Muitos pressupõem, categoricamente, uma semelhança de vida, na atualidade, com a época do Filho de Deus, Jesus, há dois mil anos! Esperam uma peregrinação através dos países, cheia de renúncias, sem pensarem sobre o que as autoridades de hoje diriam a tal respeito! Também hoje uma pessoa não pode retrair-se sossegadamente, como outrora, para alcançar, no isolamento, a concentração para o despertar. Isso teria suas grandes dificuldades, que em parte nem seriam transponíveis! Mesmo transpondo todas as dificuldades, não seria possível, sem que suspeitassem de doença ou desequilíbrio mental. Sem falar da avidez nociva e inescrupulosa de muitos jornais pelo sensacionalismo,
  • 151.
    que, freqüentemente, nafalta de qualquer moral e do mais elementar sentimento de justiça, são capazes de praticar os maiores absurdos. Também aquilo que outrora ainda se sabia respeitar e que se considerava um direito pessoal de todo ser humano, aquilo que ainda se julgava lógico e natural em tais assuntos, hoje muitos encontrariam nisso apenas razões para justificativas de suspeita, por puro medo de todas as idéias diferentes, ou atribuiriam somente motivos fraudulentos à vontade mais honesta, porque todo o pensar contemporâneo está envenenado! Constitui, porém, uma certeza irrefutável o fato de que só pode pensar mal de seu próximo, aquele que traz em si mesmo a maldade! Sobre isso ser humano algum pode argumentar. Somente um perjuro supõe ou espera quebra de palavra de outrem; só um mentiroso, uma mentira; um traidor, a traição! E assim se dá com tudo, é lei irrefutável! Hoje é muito pior do que naquela época, quando Jesus peregrinava aqui na Terra, e nada disso poderia hoje repetir-se. Tudo, pois, tem de ocorrer agora de modo totalmente diferente, isso é evidente. Não obstante, os seres humanos não querem imaginar um enviado de Deus vestido de casaca ou num automóvel, enquanto deveriam, pois, saber que também Jesus não se apresentou com vestes sacerdotais, mas sim andou bem trajado, de acordo com os costumes daquele tempo, vivendo também segundo aquela época. Tudo o que aí é esperado pelos seres humanos se encontra sobre base fraca e nada disso se realizará, porque Deus, em Suas realizações, não Se orienta segundo os desejos humanos. Os seres humanos, porém, estão demasiadamente distantes de tudo o que se refere ao divino e pensam de modo demasiado mesquinho e terrenal para, em suas concepções, ainda poderem se aproximar das realizações vindouras. Encontram-se afastados da Verdade, assim como sempre foi. A maior parte, porém, de qualquer forma nem tem tempo e muito menos vontade para ocupar-se com isso! Como sempre, quando estava em jogo, para a humanidade, assimilar algo da Luz ou fazer algo para a própria salvação. Em primeiro lugar, para eles, está o terrenal, e para tudo o mais, na pressa cada vez mais crescente, não sobra tempo algum! E se alguma vez sobrar uma hora de calma, então esses seres humanos, tão inutilmente extenuados, só querem, para compensar, distrações ou esporte, nada mais.
  • 152.
    Eu vos digo,ó seres humanos, negligenciastes o principal para vós, e vossa separação já está concluída para o Juízo! Vós próprios vos separastes, sob a pressão aumentada da Luz, que tudo desencadeia na sacrossanta vontade de Deus. Sem parar, tudo agora caminha para o fim! O fim, no entanto, constituirá somente para aquela pequena parte uma nova vida, na graça resplandecente do amor de vosso Criador, para todos os demais, porém, a eterna condenação e queda para a decomposição. Nem vos resta, também, mais tempo para a costumeira e demorada ponderação, que até agora jamais fez nascer uma resolução. Vós sois indolentes demais para a verdadeira vida, e, para a volta, falta-vos, com a humildade, tudo. AMÉM.