REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 21 - Número 2 - 2º Semestre 2021
AVIFAUNA DO PARQUE DA RUA DO PORTO, PIRACICABA, SÃO PAULO, BRASIL
Maria Eliana C. Navega-Gonçalves1
; Liliane Cristina Trevisan 2
RESUMO
O estudo foi realizado no Parque da Rua do Porto, situado em uma área urbana do município de
Piracicaba (SP), e teve como objetivo inventariar a avifauna do parque, mostrando a importância do
local como refúgio/habitat para as aves e chamando atenção para a necessidade de sua conservação e
manejo. Foram identificadas cem espécies de aves, dentre as quais Amazilia versicolor versicolor e
Todirostrum poliocephalum, que são endêmicas da Mata Atlântica. Houve predomínio das famílias
Tyrannidae (15 espécies) e Thraupidae (13 espécies) e as guildas tróficas mais representativas foram
a dos insetívoros (50%) seguida pelos onívoros (16%). Vinte e quatro espécies são aves de áreas
úmidas atraídas pela presença de um lago no parque e dezesseis espécies foram observadas
nidificando e/ou cuidando dos filhotes, o que reforça a relevância da área para a sobrevivência da
avifauna. Alguns problemas foram identificados no parque, tais como podas inadequadas das árvores,
acúmulo de lixo em algumas áreas, cercas quebradas e cães soltos, situações que podem colocar em
risco a sobrevivência das aves. Assim, sugere-se a implementação de medidas de manejo e
conservação da área, bem como a continuidade dos estudos, visando o monitoramento das espécies
que nidificam no local.
Palavras-chave: Aves Urbanas, Aves Aquáticas, Aves Endêmicas, Nidificação, Guildas Tróficas.
AVIFAUNA OF THE RUA DO PORTO PARK, PIRACICABA, SÃO PAULO, BRAZIL
The study was carried out in the Rua do Porto Park, located in an urban area of the city of Piracicaba
(SP), and aimed to inventory the park's avifauna, showing the importance of the place as a
refuge/habitat for birds and calling attention to the need for its conservation and management. We
identified 100 bird species, among which Amazilia versicolor versicolor and Todirostrum
poliocephalum, which are endemic to the Atlantic Forest. Tyrannidae (15 species) and Thraupidae
(13 species) were the predominant bird families and the most representative trophic guilds were those
of insectivores (50%) followed by omnivores (16%). We verified 24 species from humid areas, and
they were attracted by the presence of a lake in the park and 16 species were observed nesting and/or
caring for the young, which reinforces the relevance of the area for the survival of avifauna. Some
problems have been identified in the park, such as inadequate tree pruning, garbage accumulation in
some areas, broken fences and loose dogs, situations that can endanger the birds' survival. Thus, it is
suggested the implementation of management and conservation measures in the area, as well as the
continuity of studies, aiming at monitoring the species that nest in the place.
Keywords: Urban Birds, Water Birds, Endemic Birds, Nesting, Trophic Guilds.
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INTRODUÇÃO
As aves exercem importantes funções nos
ecossistemas em que estão inseridas atuando na
polinização, na dispersão de espécies vegetais e
no controle da população de alguns animais
(SICK, 1997; ABREU; VIEIRA, 2004; FRISCH;
FRISCH, 2005; MACHADO; ROCCA, 2010). O
hábito frugívoro e a consequente dispersão de
sementes faz com que algumas espécies de aves
sejam auxiliadoras no processo de restauração
ecológica (PIZO, 2004; SILVA et al., 2010;
ATHIÊ; DIAS, 2012; CAMPOS et al., 2012).
Estudos têm mostrado que a urbanização
afeta a avifauna, diminuindo sua riqueza e
aumentando a abundância de algumas espécies,
favorecendo aquelas de hábitos generalistas
(BEISSINGER; OSBORNE, 1982; BLAIR,
2004; CHACE; WALSH, 2006; ORTEGA-
ÁLVAREZ; MACGREGOR-FORS, 2009; REIS
et al., 2012; RAYNER et al., 2015). Assim, a
presença de determinadas espécies de aves nos
ambientes estudados pode indicar a qualidade do
mesmo, uma vez que muitas delas necessitam de
áreas naturais e bem preservadas para
sobreviverem, enquanto outras são encontradas
em ambientes antropizados atuando, desta forma,
como bioindicadoras da qualidade ambiental
(ANTAS; ALMEIDA, 2003; STRAUBE;
URBEN-FILHO, 2005; FAVRETTO, 2015;
VOLPATO et al., 2018).
Nos ecossistemas naturais as
intervenções humanas têm afetado a avifauna de
maneira significativa, por esta razão, áreas
verdes ou fragmentos de mata encontradas em
campi universitários, praças, parques urbanos
entre outras podem ser utilizadas como refúgio,
locais de descanso, alimentação e reprodução
para as aves (MATARAZZO-NEUBERGER,
1995; GOSHIMA; IZAGUIRRE, 2007;
CATIAN; ARANDA, 2009; MORENO;
CUAMATZI, 2010; CASTRO-
TORREBLANCA; CALVA, 2014).
Os parques urbanos são áreas verdes de
uso coletivo com função ecológica, estética e
social constituindo-se em importantes espaços de
lazer e cultura para a população, além de
manterem espécies da fauna e flora, funcionando
como atenuantes da paisagem urbana,
propiciando melhoria na qualidade do ar, redução
de ruídos e atenuação do calor (OLIVEIRA,
1996; LOBODA; ANGELIS, 2005; GUZZO;
SCHIAVETTI, 2003). Apresentam habitats
potenciais para avifauna possibilitando o estudo
das relações de comunidades de aves afetadas por
atividades antrópicas, que levaram à alteração do
ambiente natural e que provocam perturbações
associadas à proximidade com populações
humanas, à presença de construções entre outras
(GAVARESKI, 1976; MATARAZZO-
NEUBERGER, 1995).
Em 2016, foi realizado um levantamento
preliminar das aves no Parque da Rua do Porto,
no município de Piracicaba (São Paulo), no qual
foram identificadas 69 espécies, com o intuito de
utilizá-las como ferramenta para atividades de
Educação Ambiental (TREVISAN et al., 2019).
O potencial avifaunístico observado no parque,
motivou a continuidade do estudo, que tem como
objetivo mostrar a importância do parque como
um refúgio/habitat para a avifauna, imerso em
uma matriz antropizada, chamando atenção para
a necessidade de sua conservação e manejo.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
O estudo foi realizado no Parque da Rua
do Porto “João Herrmann Neto” situado no bairro
Chácara Nazareth, na área urbana do município
de Piracicaba, São Paulo, (22°43'36.99"S
47°39'38.20"W) (Figura 1). O parque possui
cerca de 200 mil m² (SEMACTUR, 2020) em
uma área parcialmente plana próxima ao Rio
Piracicaba configurando uma região de várzea,
que é ocupada pelas águas do rio em períodos de
cheia e transbordamentos (OTERO et al., 2011).
A área ocupada pelo parque está inserida
dentro do Domínio Mata Atlântica, na sub-região
biogeográfica denominada Florestas de Interior,
segundo classificação utilizada por Silva e
Casteleti (2005). O clima da região é do tipo
“Cwa”, temperado com verões quentes e
estiagem no inverno, de acordo com o sistema de
classificação climática de Köppen-Geiger (PEEL
et al. 2007). A temperatura média anual é de
20,8°C e a pluviosidade média de 1.255 mm/ano
(CLIMATE-DATA.ORG).
Além da proximidade com o Rio
Piracicaba e sua mata ciliar, o parque tem em seu
entorno fragmentos de mata do Engenho Central,
da Área de Lazer do Trabalhador e da Chácara
Nazareth (Figura 1).
Figura 1. Parque da Rua do Porto e áreas do seu entorno mostrando os fragmentos de mata do Engenho Central, da
Área de Lazer do Trabalhador, do Rio Piracicaba e da Chácara Nazareth. O marcador amarelo dentro do parque indica o
ponto onde foram obtidas as coordenadas (Fonte: modificada de GOOGLE EARTH).
O parque tem por elemento central um
lago com aproximadamente 1.250 m de
perímetro e 30 mil m2
de área (medidos pelo
software do GOOGLE EARTH) sendo este,
muito utilizado para treinos de remo e canoagem
da Associação de Canoagem de Piracicaba -
ASCAPI (OTERO et al., 2011), além de atrair
pescadores (Figura 2). Conta, ainda, com
pedalinhos, que são
pequenas embarcações aquaviárias acionadas
por pedais e que comportam dois passageiros,
como veículo de passeio no lago.
Figura 2. Vista aérea do Lago do Parque da Rua do Porto (Crédito: Maria Eliana Navega-Gonçalves).
Como estrutura geral para o lazer, o
parque apresenta extensas áreas gramadas e uma
pista de caminhada com 2 km de extensão,
margeada por diversas espécies arbóreas. Possui,
ainda, quiosques, bebedouros e bancos
distribuídos ao longo do parque; uma academia
para a terceira idade e para cadeirantes, ambas ao
ar livre; um playground; um teatro em formato
de arena e sanitários masculino e feminino. Em
suas dependências opera, ainda, uma guarita da
Guarda Civil Municipal e o Centro Infantil para
Educação de Trânsito (CIET).
Levantamento da avifauna do Parque da Rua do Porto
Um levantamento preliminar, no qual
foram identificadas 69 espécies de aves, foi
realizado entre os meses de abril a outubro de
2016 (TREVISAN et al., 2019).
Em outubro de 2018 o inventário da
avifauna do parque foi reiniciado e estendeu-se
até dezembro de 2019, duas a três vezes na
semana, em horários variados, no período da
manhã, tarde e no início da noite, totalizando
cerca de 140 horas de esforço amostral. Foram
utilizados os métodos amostrais de transecto e
ponto fixo, sendo que o primeiro consiste no
registro de todas as espécies de aves visualizadas
e/ou ouvidas durante o percurso de trilhas e o
segundo, no qual o observador permanece
parado, em um determinado local, anotando as
aves presentes na área (DEVELEY, 2006).
Registrou-se também as espécies em atividade de
nidificação e/ou cuidado parental.
As aves foram avistadas a olho nú e/ou
com o auxílio de binóculo (Zenith 8x30) e
fotografadas, quando possível (Câmera Nikon
digital 60x). Foram identificadas com base em
guias de campo (DEVELEY; ENDRIGO, 2011;
SIGRIST, 2014) ou através de registros
sonográficos. Para ambas as situações se utilizou
também, quando necessário, dos dados
disponibilizados pelo site do WikiAves (2008-
2019).
Posteriormente, as aves foram agrupadas
taxonomicamente e nomeadas cientificamente
segundo a lista comentada das aves do Brasil
pelo Comitê Brasileiro de Registros
Ornitológicos – CBRO (PIACENTINI et al.,
2015) e classificadas quanto às suas guildas
tróficas e área de avistamento dentro do parque.
Também foram indicadas as espécies endêmicas
no bioma e as espécies exóticas.
Quanto aos hábitos alimentares
predominantes (guildas tróficas) foram adotadas
as classificações utilizadas por Alexandrino
(2015) e Alexandrino et al. (2017) e, para
espécies que não constam na listagem dos autores
citados, utilizou-se Alexandrino et al. (2013).
Para sete das espécies (Anas platyrynchus,
Tachornis squamata, Amazilia versicolor,
Tachycineta albiventer, Paroaria dominicana,
Tyrannus albogularis e Phimosus infuscatus),
que não constam nos trabalhos citados, utilizou-
se outras referências (MOTTA-JR;
VASCONCELLOS, 1996; SICK, 1997;
WILMAN et al., 2014).
Para indicação dos locais onde as aves
foram avistadas, o ambiente do parque foi
classificado em áreas (Figura 3), de forma
semelhante ao que foi adotado por Krul e Moraes
(1993) e Efe et al. (2001), que estão descritas no
quadro 1. Para as espécies identificadas somente
através de registro sonoro (RS) foi indicada a
área em que o mesmo foi gravado.
Figura 3. Delimitação do Parque da Rua do Porto, indicando os locais de: mata (MA), áreas abertas (AA) e o lago (LA).
Ac - indica área onde se encontram as academias ao ar livre (Fonte: modificada de GOOGLE EARTH).
Quadro 1- Áreas do Parque da Rua do Porto indicando locais de avistamento das aves
Área do parque Descrição da área e locais de avistamento
Mata (MA) Área com vegetação densa, com árvores de maior porte e solo coberto por
serapilheira, situada na parte Leste do parque. As aves foram avistadas sobre as
árvores ou no chão da mata.
Áreas abertas (AA) Espaços constituídos de vegetação rasteira (gramínea), árvores e arbustos esparsos.
As aves foram avistadas sobre a vegetação arbustiva ou sobre a grama presentes nas
margens da pista de caminhada e nos locais de lazer; também em postes de
iluminação, fios, telhados dos quiosques, cercas e outros materiais antrópicos.
Algumas foram identificadas através de registro sonoro (RS).
Área úmida – Lago (LA): Corresponde à área ocupada pelo lago e suas margens e o espaço aéreo sobre a água.
Aves avistadas dentro do lago, no banco de areia dentro dele, na vegetação ou outro
local de suas margens ou sobrevoando o mesmo.
Espaço aéreo (EA): Indivíduos avistados somente sobrevoando o parque.
Fonte: Elaborado pelas autoras.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram identificadas no parque cem
espécies de aves considerando os levantamentos
realizados em 2016, 2018-2019 e uma espécie
registrada após este período. De acordo com a
lista de aves publicada na plataforma WikiAves
(2008-2020) e consultada em julho de 2020, a
cidade de Piracicaba registra 365 espécies e ao
confrontarmos nossa lista com aquela, é possível
afirmar que o Parque da Rua do Porto abriga
cerca de 27% dessa riqueza.
Embora esteja inserido em uma área
urbanizada, o parque localiza-se próximo ao Rio
Piracicaba e sua mata ciliar e, em seu entorno,
encontram-se os fragmentos de mata do Engenho
Central, da Área de Lazer do Trabalhador e da
Chácara Nazareth, locais que contribuem para a
atração de aves e, a partir dos quais, estas
poderiam chegar ao parque (Figura 1).
As espécies observadas estão listadas na
Tabela 1 e pertencem a 15 ordens e 36 famílias,
sendo Tyrannidae e Thraupidae as famílias que
apresentam o maior número de espécies
avistadas, 15 e 13 espécies, respectivamente,
corroborando com outros estudos realizados, no
Brasil, com aves em parques localizados em
áreas urbanas ou próximas às mesmas (KRUL;
MORAES, 1993; FRANCHIN; MARÇAL
JÚNIOR, 2004; SCHERER et al., 2005, 2010;
VALADÃO et al., 2006 (a,b); BONANÇA;
BEIG 2010; SILVA; CARREGARO, 2012).
Tabela 1. Lista de espécies observadas no Parque da Rua do Porto, Piracicaba-SP, conforme CBRO (Piacentini et
al., 2015). Guilda trófica (G.T): CAR=carnívoro, FRU=frugívoro, GRA=granívoro, INS=insetívoro,
PIS=piscívoro, NEC=nectarívoro e ONI=onívoro (Fontes: Motta-Jr; Vasconcellos, 1996; Sick, 1997; Alexandrino
et al., 2013, 2017; Wilman et al., 2014; Alexandrino, 2015). Local de avistamento (L.Av.): mata (MA), áreas abertas
(AA), lago (LA), espaço aéreo (EA), registro sonoro (RS).
TÁXON NOME POPULAR G. T. L.Av.
ANSERIFORMES
Anatidae
Anas platyrynchus Pato-real ONI LA
Cairina moschata Pato-do-mato ONI LA
Dendrocygna viduata Irerê ONI LA
SULIFORMES
Anhingidae
Anhinga anhinga Biguatinga PIS LA
Phalacrocoracidae
Nannopterum brasilianus Biguá PIS LA
PELECANIFORMES
Ardeidae
Ardea alba Garça-branca-grande PIS LA
Ardea cocoi Garça-moura PIS LA
Butorides striata Socozinho PIS LA
Egretta thula Garça-branca-pequena INS LA
Nycticorax nycticorax Savacu PIS LA
Threskiornithidae
Mesembrinibis cayennensis Coró-coró INS LA
Phimosus infuscatus Tapicuru INS LA
CATHARTIFORMES
Cathartidae
Coragyps atratus Urubu-de-cabeça-preta ONI EA
ACCIPITRIFORMES
Accipitridae
Buteo brachyurus Gavião-de-cauda-curta CAR EA
Ictinia plumbea Sovi INS AA
Rupornis magnirostris Gavião-carijó CAR EA
GRUIFORMES
Aramidae
Aramus guarauna Carão CAR LA
Rallidae
Gallinula galeata Frango-d'água ONI LA
CHARADRIIFORMES
Charadriidae
Vanellus chilensis Quero-quero INS AA/LA
COLUMBIFORMES
Columbidae
Columba livia Pombo-doméstico ONI AA
Columbina talpacoti Rolinha GRA AA/MA
Patagioenas picazuro Pombão ONI AA/MA
Zenaida auriculata Pomba-de-bando GRA AA/MA
CUCULIFORMES
Cuculidae
Crotophaga ani Anu-preto ONI AA
Guira guira Anu-branco INS AA
Piaya cayana Alma-de-gato INS AA/MA
Tapera naevia Saci INS AA (RS)
STRIGIFORMES
Strigidae
Athene cunicularia Coruja-buraqueira CAR AA
APODIFORMES
Apodidae
Chaetura meridionalis Andorinhão-do-temporal INS AA/LA
Tachornis squamata Andorinhão-do-buriti INS AA/LA
Trochilidae
Amazilia lactea Beija-flor-de-peito-azul NEC AA
Amazilia versicolor versicolor Beija-flor-de-banda-branca NEC AA
Eupetomena macroura Beija-flor-tesoura NEC AA
CORACIIFORMES
Alcedinidae
Chloroceryle amazona Martim-pescador-verde PIS LA
Chloroceryle americana Martim-pescador-pequeno PIS LA
Megaceryle torquata Martim-pescador-grande PIS LA
PICIFORMES
Ramphastidae
Ramphastos toco Tucano-açu FRU AA
Picidae
Colaptes campestris Pica-pau-do-campo INS AA
Colaptes melanochloros Pica-pau-verde-barrado INS AA/MA
Dryocopus lineatus Pica-pau-de-banda-branca INS AA
Melanerpes candidus Pica-pau-branco INS AA
Picumnus albosquamatus Pica-pau-anão-escamado INS AA
Picumnus cirratus Picapauzinho-barrado INS AA (RS)
Veniliornis passerinus Pica-pau-pequeno INS AA (RS)
FALCONIFORMES
Falconidae
Caracara plancus Carcará ONI AA
PSITTACIFORMES
Psittacidae
Brotogeris chiriri Periquito-de-encontro-amarelo FRU AA/MA
Forpus xanthopterygius Tuim FRU AA
Psittacara leucophthalmus Periquitão maracanã ONI AA
PASSERIFORMES
Thamnophilidae
Taraba major Choró-boi INS AA
Thamnophilus doliatus Choca-barrada INS AA
Dendrocolaptidae
Lepidocolaptes angustirostris Arapaçu-de-cerrado INS AA
Furnariidae
Certhiaxis cinnamomeus Curutié INS LA
Cranioleuca vulpina Arredio-do-rio INS LA
Furnarius rufus João-de-barro INS AA
Rhynchocyclidae
Todirostrum cinereum Ferreirinho-relógio INS AA
Todirostrum poliocephalum Teque-teque INS AA
Tyrannidae
Camptostoma obsoletum Risadinha INS AA
Elaenia flavogaster Guaracava-de-barriga-amarela INS AA
Elaenia spectabilis Guaracava-grande INS AA
Empidonomus varius Peitica INS AA
Fluvicola nengeta Lavadeira-mascarada INS LA
Machetornis rixosa Suiriri-cavaleiro INS AA
Megarynchus pitangua Neinei ONI AA
Myiarchus ferox Maria-cavaleira INS AA
Myiodynastes maculatus Bem-te-vi-rajado INS AA/MA
Myiozetetes similis Bentevizinho-de-penacho-vermelho INS AA
Pitangus sulphuratus Bem-te-vi ONI AA
Pyrocephalus rubinus Príncipe INS AA
Tyrannus albogularis Suiriri-de-garganta-branca INS AA
Tyrannus melancholicus Suiriri INS AA
Tyrannus savana Tesourinha INS AA
Hirundinidae
Pygochelidon cyanoleuca Andorinha-pequena-de-casa INS AA
Stelgidopteryx ruficollis Andorinha-serradora INS AA/LA
Tachycineta albiventer Andorinha-do-rio INS LA
Troglodytidae
Troglodytes musculus Corruíra-de-casa INS AA
Turdidae
Turdus amaurochalinus Sabiá-poca FRU AA/MA
Turdus leucomelas Sabiá-barranco INS AA/MA
Mimidae
Mimus saturninus Sabiá-do-campo INS AA
Passerellidae
Zonotrichia capensis Tico-tico GRA AA
Parulidae
Setophaga pitiayumi Mariquita INS AA
Icteridae
Chrysomus ruficapillus Garibaldi GRA LA
Icterus pyrrhopterus Encontro INS AA
Molothrus bonariensis Chupim INS AA
Thraupidae
Coereba flaveola Cambacica NEC AA
Conirostrum speciosum Figurinha-de-rabo-castanho FRU AA
Dacnis cayana Saí-azul ONI AA
Nemosia pileata Saíra-de-chapéu-preto INS AA
Paroaria dominicana Cardeal-do-nordeste GRA AA
Ramphocelus carbo Pipira-vermelha FRU MA
Sporophila caerulescens Bigodinho GRA AA
Sporophila lineola Coleirinho GRA AA
Tachyphonus coronatus Tiê-preto ONI AA
Tangara cayana Saíra-amarela FRU AA
Tangara palmarum Sanhaçu-do-coqueiro ONI AA
Tangara sayaca Sanhaçu-cinzento ONI AA
Thlypopsis sordida Saí-canário INS AA
Fringillidae
Euphonia chlorotica Fim-fim FRU AA/MA
Euphonia violacea Gaturamo-verdadeiro FRU AA/MA
Vireonidae
Cyclarhis gujanensis Pitiguari INS AA
Passeridae
Passer domesticus Pardal GRA AA
Estas famílias incluem espécies que são
bastante comuns nos levantamentos realizados
em áreas urbanas ou nas proximidades das
mesmas, mostrando uma capacidade de
adaptação a ambientes modificados, com alto
grau de influência antrópica, mas que oferecem
recursos para a sobrevivência dos indivíduos,
haja vista que a maioria das espécies neste estudo
(cerca de 70%) foi observada nas áreas abertas do
parque, constituídas de extensos gramados, com
árvores e arbustos esparsos, próximas à pista de
caminhada e demais construções, onde a
circulação de pessoas é maior (Figura 3).
A cobertura vegetal é o fator que mais
favorece o aumento na abundância e riqueza de
espécies da avifauna em ambiente urbano, uma
vez que propicia variedade de alimento, recursos
para construção de ninhos, bem como abrigo e
fuga de predadores (MACARTHUR;
MACARTHUR, 1961; BEISSINGER;
OSBORNE, 1982; FONTANA et al., 2011,
RODRIGUES et al. 2018), influenciando
significativamente nas espécies de aves que
vivem dentro de um parque (PETROVA, 2012).
Flores, frutos e sementes, além de serem
utilizados como alimento por várias espécies de
aves, atraem outros animais, como os insetos,
que também são consumidos por elas
(NAVEGA-GONÇALVES; LIMA no prelo).
O Parque da Rua do Porto possui 29
espécies vegetais arbóreas catalogadas sendo
algumas delas exóticas, originárias de outros
biomas brasileiros ou de outros países
(PIRACICABA, 2012; TREVISAN et al., 2019).
Duas outras espécies, identificadas no período
deste estudo, Calicarpa reevesii (Verbenaceae) e
Cordia abyssinica (Boraginaceae), ambas
exóticas, se destacaram pelo potencial atrativo de
seus frutos, possibilitando a observação de várias
espécies de aves fazendo uso deste recurso. Em
Cordia abyssinica, com frutos no verão, foram
observados bandos de Psittacara
leucophthalmus forrageando. Em Calicarpa
reevesii, com frutificação no outono/inverno,
foram vistas Patagioenas picazuro, Brotogeris
chiriri, Forpus xanthopterygius, Myiozetetes
similis, Turdus leucomelas, Coereba flaveola,
Tangara cayana, T. palmarum, T. sayaca e
Euphonia violacea, algumas das quais
compartilhando o recurso ao mesmo tempo. A
atração dos frutos da calicarpa sobre estas e
outras aves foi relatada também por Frisch e
Frisch (2005).
Somente a parte Leste do parque,
apresenta uma vegetação mais densa, com
árvores de maior porte e solo coberto por
serapilheira (Figura 3). Neste local, apenas uma
espécie de ave foi avistada exclusivamente ali,
Ramphocelus carbo, enquanto outras espécies ali
observadas (Columbina talpacoti, P. picazuro,
Zenaida auriculata, Piaya cayana, Colaptes
melanochloros, B. chiriri, Myiodynastes
maculatus, Turdus amaurochalinus, T.
leucomelas,, Euphonia chlorotica e E. violacea)
foram avistadas também nas áreas abertas.
A presença do lago no parque possibilita
a atração de aves de hábitos aquáticos ou semi-
aquáticos denominadas, mais apropriadamente
por Accordi (2010), como “aves de áreas
úmidas”. Segundo o autor, uma ave pode ser
dependente de área úmida para obtenção de
alimento, construção de ninhos e/ou
repouso/pernoite.
Foram identificadas 24 espécies de aves
dependentes de áreas úmidas atraídas pela
presença do lago no parque: Anas platyrynchus,
Cairina moschata, Dendrocygna viduata
(Anatidae); Ardea alba, A. cocoi, Butorides
striata, Egretta thula, Nycticorax nycticorax
(Ardeidae); Anhinga anhinga (Anhingidae);
Nannopterum brasilianus (Phalacrocoracidae);
Mesembrinibis cayennensis, Phimosus
infuscatus (Threskiornithidae); Aramus
guarauna (Aramidae); Gallinula galeata
(Rallidae); Vanellus chilensis (Charadriidae);
Chloroceryle amazona, C. americana,
Megaceryle torquata (Alcedinidae) e os
passeriformes Certhiaxis cinnamomeus
(Furnariidae); Stelgidopteryx ruficollis,
Tachycineta albiventer (Hirundinidae);
Chrysomus ruficapillus (Icteridae) e Fluvicola
nengeta (Tyrannidae), segundo Accordi (2010).
Embora Cranioleuca vulpina (Furnariidae) não
conste na lista de aves dependentes de áreas
úmidas apresentadas pelo autor citado, esta foi
observada nas margens do lago e, como o nome
popular “arredio-do-rio” indica, a espécie vive
em matas à beira de lagos e outros cursos d’água
e constrói seu ninho em galhos que se debruçam
sobre a água (SICK, 1997; SIGRIST, 2014)
sendo, portanto, considerada uma espécie de área
úmida, neste estudo.
Outras espécies foram avistadas
sobrevoando o lago, como os andorinhões
(Chaetura meridionalis e Tachornis squamata),
provavelmente capturando insetos ou mesmo
bebendo água (SICK, 1997), assim como outras
aves não-dependentes de áreas úmidas, que
podem ser atraídas pela abundância de insetos ao
redor do lago ou algum outro recurso disponível
neste habitat.
O lago está sujeito ao assoreamento, que
é causado pelo despejo de material sólido trazido
pelas chuvas, e que se deposita em alguns locais
dentro do lago, provocando a formação de
bancos de areia. Embora esta situação possa
comprometer a fauna aquática, para algumas
aves os bancos de areia servem de locais
estratégicos para obtenção de alimento e para
nidificação. Espécies palustres como as garças, o
biguá, o frango-d’água, o pato-comum e o quero-
quero (A. alba, E. thula, N. brasilianus G.
galeata, C. moschata e V. chilensis) foram vistas
com frequência sobre um grande banco de areia
formado e um frango-d’água construiu seu ninho
sobre ele.
A proximidade com o Rio Piracicaba
favorece o deslocamento de indivíduos de
algumas espécies, em busca de recursos, como o
biguá e o biguatinga (N. brasilianus e A.
anhinga), as garças e socós (A. alba, A. cocoi, B.
striata, E. thula e Nycticorax nycticorax), o
tapicuru e o coró-coró (P. infuscatus e M.
cayennensis), observados no parque e
comumente avistados às margens do Rio
Piracicaba, a maioria dos quais se alimenta de
peixes e/ou invertebrados aquáticos (SICK,
1997). Alguns indivíduos foram avistados
sobrevoando o parque, o que confirma o
deslocamento entre as áreas citadas.
Estes resultados evidenciam a
importância de áreas úmidas para a manutenção
da comunidade de aves aquáticas em ambientes
urbanizados e reforça a necessidade de sua
conservação, conforme tem sido apontado em
outros estudos semelhantes (SCHERER et al.,
2006, 2010; VALADÃO et al. 2006a; SILVA,
2007; RIBEIRO; FERREIRA, 2014; PERRELA
et al., 2018).
Foram reconhecidas sete guildas de
forrageamento, neste estudo: granívora,
frugívora, nectarívora, insetívora, carnívora,
piscívora e onívora, sendo metade das espécies
insetívoras (50%), seguidas pelas onívoras
(16%), percentuais estes semelhantes aos obtidos
por Matarazzo-Neuberger (1995), em
levantamentos de aves realizados em parques e
praças da Grande São Paulo (Figura 4).
Figura 4 – Distribuição da avifauna do Parque da Rua do
Porto conforme a guilda trófica. Legenda: INS - insetívoro;
ONI - onívoro; FRU - frugívoro; PIS - piscívoro; GRA -
granívoro; NEC - nectarívoro, CAR – carnívoro (Gráfico
elaborado pelas autoras).
Aves insetívoras e onívoras também
predominaram em outros estudos realizados em
parques urbanos, campi universitários e outras
áreas urbanas (MOTTA-JÚNIOR, 1990;
FRANCHIN; MARÇAL JÚNIOR, 2004;
SCHERER et al. 2005, 2010; VALADÃO et al.,
2006 (a,b); TORGA et al., 2007; FORCATO et
al., 2011; ROSA; BLAMIRES, 2011; SILVA;
MARTINELLI, 2011; ALEXANDRINO et al.
2013; PONÇO et al., 2013; FAVRETTO, 2015;
NAVEGA-GONÇALVES; LIMA, no prelo),
em alguns casos, com percentuais mais altos para
as espécies onívoras ou com valores próximos
para as duas guildas.
Cabe ressaltar que a classificação em
guildas tróficas apresenta divergência entre os
ornitólogos, principalmente entre as duas
categorias citadas. Para Mallet-Rodrigues (2010)
o conhecimento sobre a composição da dieta das
aves neotropicais ainda é escasso devido,
principalmente, à dificuldade em quantificar e
identificar o alimento ingerido o que poderia
resultar, ao nosso ver, em classificações baseadas
em observações mais subjetivas do que
metodológicas. Soma-se a isto o fato de que a
interpretação do que se considera como hábito
onívoro em aves também diverge entre os autores
(WILMAN et al., 2014; ALEXANDRINO et al.,
2017).
Este e os demais estudos citados mostram
que a urbanização favorece as espécies
insetívoras e onívoras. A maior ocorrência de
espécies de hábitos insetívoros se deve,
provavelmente, à disponibilidade deste alimento
durante o ano todo (SCHERER et al. 2005,
2010). As onívoras, por sua vez, se utilizam de
uma variedade maior de alimentos, sendo
favorecidas em áreas com mata fragmentada,
cobertas por vegetação secundária ou exótica
(SANTOS, 2004; SCHERER et al. 2005, 2010;
TELINO-JÚNIOR et al., 2005; FRANCO;
PRADO 2012; OLIVEIRA et al. 2015).
Nove espécies identificadas neste estudo
(9%) são predominantemente frugívoras, embora
espécies onívoras também sejam atraídas por
frutos. Além dos frutos fornecidos pelas espécies
vegetais do parque, o fragmento de mata da
Chácara Nazareth, que está próximo ao parque,
forma um maciço de árvores que inclui um rico
pomar contendo mangueiras, jabuticabeiras,
laranjeiras, limoeiros, abacateiros entre outras
árvores (ELIAS, 2014), cujos frutos são muito
apreciados por diversas espécies de aves,
atraindo aquelas de hábito frugívoro e também
onívoro.
As espécies piscívoras (9%) são atraídas
pela disponibilidade de peixes presente no lago
(TREVISAN et al., 2019), além de outros itens
alimentares (invertebrados, anfíbios e répteis)
que podem fazer parte de sua dieta (WILMAN et
al. 2014).
Os granívoros se constituem na terceira
guilda trófica mais frequente em vários
levantamentos de avifauna realizados em parques
e em outras áreas urbanas (SCHERER et al.,
2005, 2010; ALEXANDRINO et al., 2013;
ROSA; BLAMIRES, 2011; OLIVEIRA;
BLAMIRES, 2013; DUPONT et al., 2017), no
entanto, neste estudo, o percentual relativo à esta
categoria trófica (8%) ficou abaixo daqueles
registrados para frugívoros e piscívoros.
50%
16%
9%
9%
8%
4% 4%
Guildas tróficas
INS
ONI
FRU
PIS
GRA
NEC
CAR
Segundo Vogel et al. (2011), as aves granívoras,
em áreas urbanas, são diretamente afetadas pelo
gerenciamento da paisagem. O Parque da Rua do
Porto, embora apresente extensas áreas cobertas
por grama, passa periodicamente por processos
de corte, o que impede a frutificação, reduzindo
a quantidade de alimento disponível para as
espécies granívoras.
O levantamento constatou a presença de
espécies endêmicas e de espécies exóticas no
parque. Amazilia versicolor versicolor
(Trochilidae), subespécie que ocorre no Sudeste
do Brasil, e Todirostrum poliocephalum
(Rhynchocyclidae) são endêmicas da Mata
Atlântica (MOREIRA-LIMA, 2013) e a presença
delas no parque reforça a importância do mesmo
como área para a sobrevivência da avifauna, em
meio a uma matriz urbana.
O cardeal-do-nordeste (Paroaria
dominicana Traupidae), segundo Bencke et al.
(2006), é endêmico da Caatinga (Nordeste), mas
foi recentemente introduzido no Sudeste do país
(SIGRIST, 2014). É uma das aves vítima do
comércio ilegal de aves silvestres
(CAVALCANTI; NUNES, 2019), devido à
beleza de sua plumagem e canto. É possível que
o espécime observado no parque tenha sido um
pássaro cativo, pois foi avistado enquanto se
alimentava de sementes das gramíneas nas
proximidades do lago, onde haviam pessoas
aguardando para embarcar no pedalinho e
permitiu a aproximação do observador.
O pato-real (Anas platyrynchus Anatidae)
é uma espécie exótica, de origem asiática, que
apresenta uma grande variedade de linhagens
distribuídas pelo mundo, sendo encontrada em
muitos tipos de habitats aquáticos e considerada
invasora em algumas regiões (MOONEY;
CLELAND, 2001; RUFINO et al., 2017;). Várias
espécies de anatídeos foram domesticadas
(SICK, 1997) e muitos híbridos são relatados,
tanto entre espécies do mesmo gênero ou de
diferentes gêneros (JOHNSGARD, 1960). Não
há registro de Anas platyrynchus na lista de
Piacentini et al. (2015) e nem no site do
WikiAves (2008-2019), provavelmente, por não
haver populações em estado selvagem no Brasil
(PERRELA et al., 2018).
O pombo-doméstico (Columba livia
Columbidae) e o pardal (Passer domesticus
Passeridae) também são espécies exóticas, que
foram introduzidas no Brasil oriundas de
Portugal (HOFLING; CAMARGO, 2002). O
pombo-doméstico proliferou-se por todas as
regiões do país e, embora seja uma ave tratada e
criada por muitos admiradores, tornou-se um
problema de saúde pública, em algumas cidades,
por veicular patógenos, além de causar prejuízo
ambiental, por competir com a avifauna nativa
por recursos (HOFLING; CAMARGO, 2002;
SIGRIST, 2014). No parque, os pombos-
domésticos são avistados somente na área das
academias (Figura 3), provavelmente, pela
proximidade desta com os restaurantes, uma vez
que são atraídas pelos restos de alimento
deixados pelos frequentadores do parque e do
entorno.
O pardal, que é muito comum em parques
e jardins urbanos de várias cidades do país, têm
sofrido declínio de suas populações nas grandes
cidades, provavelmente, devido à verticalização
das construções, o que reduz os locais para
nidificação e a redução da oferta de alimentos,
antes encontrados em abundância em terrenos
baldios (SILVEIRA, 2012). Assim, de acordo
com o autor, a espécie vai ficando confinada a
locais que ainda possuem construções baixas,
com telhados e beirais, em cujas cavidades os
ninhos podem ser construídos e onde existe
alimento abundante (insetos e sementes), como
no parque, onde vários indivíduos foram
observados nidificando nos telhados dos
quiosques.
Além do pardal (P. domesticus), outras 15
espécies de aves foram observadas nidificando
e/ou cuidando dos filhotes, no parque: C.
moschata, B. striata, Ictinia plumbea, G. galeata,
V. chilensis, P. picazuro, Z. auriculata, Athene
cunicularia, B. chiriri, Furnarius rufus,
Troglodytes musculus, T. leucomelas, Fluvicola
nengeta, M. similis e Pitangus sulphuratus,
embora outros ninhos tenham sido observados
sem que as respectivas espécies fossem
identificadas. A nidificação é uma atividade
indicativa de que a espécie se utiliza do local
como habitat, usando os recursos do mesmo para
elaboração do ninho, proteção e alimentação dos
filhotes. De acordo com Sick (1997) a fartura de
alimento e a presença de matéria-prima para a
confecção dos ninhos são os fatores
preponderantes que condicionam as atividades
reprodutivas, que ocorrem em períodos distintos
ao longo do ano, segundo as necessidades de
cada espécie.
Pereira et al (2009), em estudo realizado
num parque urbano de Uberlândia (MG),
identificaram 15 espécies nidificando no local, 7
das quais foram registradas neste estudo (P.
domesticus, P. picazuro, Z. auriculata, A.
cunicularia, F. rufus, F. nengeta, e P.
sulphuratus). A maioria das espécies que se
reproduz em ambiente urbano são aquelas menos
exigentes e de hábitos generalistas, sendo que o
tamanho da área e a diversidade da vegetação
encontrada no local influenciam no sucesso
reprodutivo das espécies de aves (BEISSINGER;
OSBORNE, 1982; CHANG; LEE, 2016).
Ao longo do período em que foi realizado
o levantamento das aves, alguns problemas
foram identificados no parque, tais como podas
inadequadas das árvores, acúmulo de lixo em
algumas áreas, cercas quebradas e cães soltos,
situações que podem colocar em risco a
sobrevivência das aves.
As árvores servem como suporte, abrigo,
fonte de alimentação e de materiais para
confecção de ninhos pelas aves, portanto, além
de se levar em conta o período de floração e
frutificação das mesmas, é necessário identificar
as espécies de aves que nidificam no parque,
além daquelas citadas e o período do ano em que
esta atividade ocorre, de forma a se estabelecer
um calendário mais adequado para as podas,
minimizando os impactos ao ambiente.
Restos de marmita, roupas, calçados entre
outros objetos foram visualizados,
principalmente, na área Leste do parque, que
apresenta uma vegetação mais densa e fechada.
Algumas lixeiras, dispostas ao longo do parque,
estavam danificadas e o lixo exposto no chão e
dentro do lago, favorecendo a contaminação do
mesmo. Restos de comida podem estimular uma
alimentação inadequada fazendo com que
algumas aves deixem de cumprir seu papel
ecológico em função de alimentos mais fáceis,
como acontece com os pombos-domésticos.
Outros objetos podem causar riscos ao serem
ingeridos pelas aves ou servir como materiais
para confecção de ninhos, como foi observado
em um ninho de frango-d’água (G. galeata), que
tinha em sua estrutura uma sacola plástica.
Em algumas áreas ao redor do parque
haviam cercas quebradas permitindo fácil acesso
à cães que, estando soltos dentro do parque,
podem se tornar predadores de aves ou afugentá-
las, conforme foi presenciado. Segundo Chang e
Lee (2016) a manutenção do parque afeta
diretamente a estrutura da vegetação podendo
causar danos consideráveis aos ninhos e filhotes
das aves, enquanto predadores e excesso de
ruídos provocados por atividades humanas
podem afastar espécies menos tolerantes.
As aves se constituem em importante
ferramenta para atividades de Educação
Ambiental no parque da Rua do Porto
(TREVISAN et al. 2019) e, a exemplo do que foi
feito no Parque dos Ipês em Santa Bárbara
d’Oeste, SP (DAE, 2018), a instalação de placas
educativas seria uma forma de chamar a atenção
do público frequentador para medidas de
conservação e uso da área, mostrando a
importância do parque como área promotora de
atividades culturais, esportivas, de lazer e
também científicas, além de estimular a prática
da observação de aves ou birdwaching.
CONCLUSÃO
O Parque da Rua do Porto se constitui em
uma área relevante para a manutenção da
avifauna por reunir habitats distintos, que
oferecem recursos alimentares variados e sítios
de nidificação, influenciando no sucesso
reprodutivo e na sobrevivência das aves, a longo
prazo. Além, disso, sua proximidade com o rio
Piracicaba e fragmentos de mata do entorno,
evidenciam sua importância como área de
manutenção e transição de espécies oriundas
destes locais. Desta forma, o manejo do parque
deve considerar a riqueza avifaunística
amostrada buscando sanar os problemas
detectados e implementar medidas de
conservação que favoreçam, não somente as
atividades humanas, mas a permanência das
aves. Portanto, sugere-se a continuidade dos
estudos no parque, principalmente o
monitoramento das espécies que nidificam no
local.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos biólogos Elizabeth da
Silveira Nunes Salles, Letícia Steagall Zanatta,
Thainá Municelli Cordeiro e Valdir Felipe
Paulete pela colaboração na coleta de dados
relativa a este estudo e a Tomás Maurício A.L.C.
Carvalho e Camila Navega Gonçalves pelo
auxílio com a edição do texto e imagens.
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______________________________________
1
Doutora em Zoologia pela Universidade de São
Paulo, SP, Brasil. E-mail: eliana.navega@gmail.com
(autora para correspondência). ORCID:
https://orcid.org/0000-0003-2256-4950
2
Graduada em Ciências Biológicas pela
Universidade Metodista de Piracicaba, SP, Brasil. E-
mail: lictrevisan@gmail.com
51

Artigo bioterra v21_n2_05

  • 1.
    REVISTA DE BIOLOGIAE CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 21 - Número 2 - 2º Semestre 2021 AVIFAUNA DO PARQUE DA RUA DO PORTO, PIRACICABA, SÃO PAULO, BRASIL Maria Eliana C. Navega-Gonçalves1 ; Liliane Cristina Trevisan 2 RESUMO O estudo foi realizado no Parque da Rua do Porto, situado em uma área urbana do município de Piracicaba (SP), e teve como objetivo inventariar a avifauna do parque, mostrando a importância do local como refúgio/habitat para as aves e chamando atenção para a necessidade de sua conservação e manejo. Foram identificadas cem espécies de aves, dentre as quais Amazilia versicolor versicolor e Todirostrum poliocephalum, que são endêmicas da Mata Atlântica. Houve predomínio das famílias Tyrannidae (15 espécies) e Thraupidae (13 espécies) e as guildas tróficas mais representativas foram a dos insetívoros (50%) seguida pelos onívoros (16%). Vinte e quatro espécies são aves de áreas úmidas atraídas pela presença de um lago no parque e dezesseis espécies foram observadas nidificando e/ou cuidando dos filhotes, o que reforça a relevância da área para a sobrevivência da avifauna. Alguns problemas foram identificados no parque, tais como podas inadequadas das árvores, acúmulo de lixo em algumas áreas, cercas quebradas e cães soltos, situações que podem colocar em risco a sobrevivência das aves. Assim, sugere-se a implementação de medidas de manejo e conservação da área, bem como a continuidade dos estudos, visando o monitoramento das espécies que nidificam no local. Palavras-chave: Aves Urbanas, Aves Aquáticas, Aves Endêmicas, Nidificação, Guildas Tróficas. AVIFAUNA OF THE RUA DO PORTO PARK, PIRACICABA, SÃO PAULO, BRAZIL The study was carried out in the Rua do Porto Park, located in an urban area of the city of Piracicaba (SP), and aimed to inventory the park's avifauna, showing the importance of the place as a refuge/habitat for birds and calling attention to the need for its conservation and management. We identified 100 bird species, among which Amazilia versicolor versicolor and Todirostrum poliocephalum, which are endemic to the Atlantic Forest. Tyrannidae (15 species) and Thraupidae (13 species) were the predominant bird families and the most representative trophic guilds were those of insectivores (50%) followed by omnivores (16%). We verified 24 species from humid areas, and they were attracted by the presence of a lake in the park and 16 species were observed nesting and/or caring for the young, which reinforces the relevance of the area for the survival of avifauna. Some problems have been identified in the park, such as inadequate tree pruning, garbage accumulation in some areas, broken fences and loose dogs, situations that can endanger the birds' survival. Thus, it is suggested the implementation of management and conservation measures in the area, as well as the continuity of studies, aiming at monitoring the species that nest in the place. Keywords: Urban Birds, Water Birds, Endemic Birds, Nesting, Trophic Guilds. 33
  • 2.
    INTRODUÇÃO As aves exercemimportantes funções nos ecossistemas em que estão inseridas atuando na polinização, na dispersão de espécies vegetais e no controle da população de alguns animais (SICK, 1997; ABREU; VIEIRA, 2004; FRISCH; FRISCH, 2005; MACHADO; ROCCA, 2010). O hábito frugívoro e a consequente dispersão de sementes faz com que algumas espécies de aves sejam auxiliadoras no processo de restauração ecológica (PIZO, 2004; SILVA et al., 2010; ATHIÊ; DIAS, 2012; CAMPOS et al., 2012). Estudos têm mostrado que a urbanização afeta a avifauna, diminuindo sua riqueza e aumentando a abundância de algumas espécies, favorecendo aquelas de hábitos generalistas (BEISSINGER; OSBORNE, 1982; BLAIR, 2004; CHACE; WALSH, 2006; ORTEGA- ÁLVAREZ; MACGREGOR-FORS, 2009; REIS et al., 2012; RAYNER et al., 2015). Assim, a presença de determinadas espécies de aves nos ambientes estudados pode indicar a qualidade do mesmo, uma vez que muitas delas necessitam de áreas naturais e bem preservadas para sobreviverem, enquanto outras são encontradas em ambientes antropizados atuando, desta forma, como bioindicadoras da qualidade ambiental (ANTAS; ALMEIDA, 2003; STRAUBE; URBEN-FILHO, 2005; FAVRETTO, 2015; VOLPATO et al., 2018). Nos ecossistemas naturais as intervenções humanas têm afetado a avifauna de maneira significativa, por esta razão, áreas verdes ou fragmentos de mata encontradas em campi universitários, praças, parques urbanos entre outras podem ser utilizadas como refúgio, locais de descanso, alimentação e reprodução para as aves (MATARAZZO-NEUBERGER, 1995; GOSHIMA; IZAGUIRRE, 2007; CATIAN; ARANDA, 2009; MORENO; CUAMATZI, 2010; CASTRO- TORREBLANCA; CALVA, 2014). Os parques urbanos são áreas verdes de uso coletivo com função ecológica, estética e social constituindo-se em importantes espaços de lazer e cultura para a população, além de manterem espécies da fauna e flora, funcionando como atenuantes da paisagem urbana, propiciando melhoria na qualidade do ar, redução de ruídos e atenuação do calor (OLIVEIRA, 1996; LOBODA; ANGELIS, 2005; GUZZO; SCHIAVETTI, 2003). Apresentam habitats potenciais para avifauna possibilitando o estudo das relações de comunidades de aves afetadas por atividades antrópicas, que levaram à alteração do ambiente natural e que provocam perturbações associadas à proximidade com populações humanas, à presença de construções entre outras (GAVARESKI, 1976; MATARAZZO- NEUBERGER, 1995). Em 2016, foi realizado um levantamento preliminar das aves no Parque da Rua do Porto, no município de Piracicaba (São Paulo), no qual foram identificadas 69 espécies, com o intuito de utilizá-las como ferramenta para atividades de Educação Ambiental (TREVISAN et al., 2019). O potencial avifaunístico observado no parque, motivou a continuidade do estudo, que tem como objetivo mostrar a importância do parque como um refúgio/habitat para a avifauna, imerso em uma matriz antropizada, chamando atenção para a necessidade de sua conservação e manejo. MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo O estudo foi realizado no Parque da Rua do Porto “João Herrmann Neto” situado no bairro Chácara Nazareth, na área urbana do município de Piracicaba, São Paulo, (22°43'36.99"S 47°39'38.20"W) (Figura 1). O parque possui cerca de 200 mil m² (SEMACTUR, 2020) em uma área parcialmente plana próxima ao Rio Piracicaba configurando uma região de várzea, que é ocupada pelas águas do rio em períodos de cheia e transbordamentos (OTERO et al., 2011). A área ocupada pelo parque está inserida dentro do Domínio Mata Atlântica, na sub-região biogeográfica denominada Florestas de Interior, segundo classificação utilizada por Silva e Casteleti (2005). O clima da região é do tipo “Cwa”, temperado com verões quentes e
  • 3.
    estiagem no inverno,de acordo com o sistema de classificação climática de Köppen-Geiger (PEEL et al. 2007). A temperatura média anual é de 20,8°C e a pluviosidade média de 1.255 mm/ano (CLIMATE-DATA.ORG). Além da proximidade com o Rio Piracicaba e sua mata ciliar, o parque tem em seu entorno fragmentos de mata do Engenho Central, da Área de Lazer do Trabalhador e da Chácara Nazareth (Figura 1). Figura 1. Parque da Rua do Porto e áreas do seu entorno mostrando os fragmentos de mata do Engenho Central, da Área de Lazer do Trabalhador, do Rio Piracicaba e da Chácara Nazareth. O marcador amarelo dentro do parque indica o ponto onde foram obtidas as coordenadas (Fonte: modificada de GOOGLE EARTH). O parque tem por elemento central um lago com aproximadamente 1.250 m de perímetro e 30 mil m2 de área (medidos pelo software do GOOGLE EARTH) sendo este, muito utilizado para treinos de remo e canoagem da Associação de Canoagem de Piracicaba - ASCAPI (OTERO et al., 2011), além de atrair pescadores (Figura 2). Conta, ainda, com pedalinhos, que são pequenas embarcações aquaviárias acionadas por pedais e que comportam dois passageiros, como veículo de passeio no lago. Figura 2. Vista aérea do Lago do Parque da Rua do Porto (Crédito: Maria Eliana Navega-Gonçalves).
  • 4.
    Como estrutura geralpara o lazer, o parque apresenta extensas áreas gramadas e uma pista de caminhada com 2 km de extensão, margeada por diversas espécies arbóreas. Possui, ainda, quiosques, bebedouros e bancos distribuídos ao longo do parque; uma academia para a terceira idade e para cadeirantes, ambas ao ar livre; um playground; um teatro em formato de arena e sanitários masculino e feminino. Em suas dependências opera, ainda, uma guarita da Guarda Civil Municipal e o Centro Infantil para Educação de Trânsito (CIET). Levantamento da avifauna do Parque da Rua do Porto Um levantamento preliminar, no qual foram identificadas 69 espécies de aves, foi realizado entre os meses de abril a outubro de 2016 (TREVISAN et al., 2019). Em outubro de 2018 o inventário da avifauna do parque foi reiniciado e estendeu-se até dezembro de 2019, duas a três vezes na semana, em horários variados, no período da manhã, tarde e no início da noite, totalizando cerca de 140 horas de esforço amostral. Foram utilizados os métodos amostrais de transecto e ponto fixo, sendo que o primeiro consiste no registro de todas as espécies de aves visualizadas e/ou ouvidas durante o percurso de trilhas e o segundo, no qual o observador permanece parado, em um determinado local, anotando as aves presentes na área (DEVELEY, 2006). Registrou-se também as espécies em atividade de nidificação e/ou cuidado parental. As aves foram avistadas a olho nú e/ou com o auxílio de binóculo (Zenith 8x30) e fotografadas, quando possível (Câmera Nikon digital 60x). Foram identificadas com base em guias de campo (DEVELEY; ENDRIGO, 2011; SIGRIST, 2014) ou através de registros sonográficos. Para ambas as situações se utilizou também, quando necessário, dos dados disponibilizados pelo site do WikiAves (2008- 2019). Posteriormente, as aves foram agrupadas taxonomicamente e nomeadas cientificamente segundo a lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – CBRO (PIACENTINI et al., 2015) e classificadas quanto às suas guildas tróficas e área de avistamento dentro do parque. Também foram indicadas as espécies endêmicas no bioma e as espécies exóticas. Quanto aos hábitos alimentares predominantes (guildas tróficas) foram adotadas as classificações utilizadas por Alexandrino (2015) e Alexandrino et al. (2017) e, para espécies que não constam na listagem dos autores citados, utilizou-se Alexandrino et al. (2013). Para sete das espécies (Anas platyrynchus, Tachornis squamata, Amazilia versicolor, Tachycineta albiventer, Paroaria dominicana, Tyrannus albogularis e Phimosus infuscatus), que não constam nos trabalhos citados, utilizou- se outras referências (MOTTA-JR; VASCONCELLOS, 1996; SICK, 1997; WILMAN et al., 2014). Para indicação dos locais onde as aves foram avistadas, o ambiente do parque foi classificado em áreas (Figura 3), de forma semelhante ao que foi adotado por Krul e Moraes (1993) e Efe et al. (2001), que estão descritas no quadro 1. Para as espécies identificadas somente através de registro sonoro (RS) foi indicada a área em que o mesmo foi gravado.
  • 5.
    Figura 3. Delimitaçãodo Parque da Rua do Porto, indicando os locais de: mata (MA), áreas abertas (AA) e o lago (LA). Ac - indica área onde se encontram as academias ao ar livre (Fonte: modificada de GOOGLE EARTH). Quadro 1- Áreas do Parque da Rua do Porto indicando locais de avistamento das aves Área do parque Descrição da área e locais de avistamento Mata (MA) Área com vegetação densa, com árvores de maior porte e solo coberto por serapilheira, situada na parte Leste do parque. As aves foram avistadas sobre as árvores ou no chão da mata. Áreas abertas (AA) Espaços constituídos de vegetação rasteira (gramínea), árvores e arbustos esparsos. As aves foram avistadas sobre a vegetação arbustiva ou sobre a grama presentes nas margens da pista de caminhada e nos locais de lazer; também em postes de iluminação, fios, telhados dos quiosques, cercas e outros materiais antrópicos. Algumas foram identificadas através de registro sonoro (RS). Área úmida – Lago (LA): Corresponde à área ocupada pelo lago e suas margens e o espaço aéreo sobre a água. Aves avistadas dentro do lago, no banco de areia dentro dele, na vegetação ou outro local de suas margens ou sobrevoando o mesmo. Espaço aéreo (EA): Indivíduos avistados somente sobrevoando o parque. Fonte: Elaborado pelas autoras. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram identificadas no parque cem espécies de aves considerando os levantamentos realizados em 2016, 2018-2019 e uma espécie registrada após este período. De acordo com a lista de aves publicada na plataforma WikiAves (2008-2020) e consultada em julho de 2020, a cidade de Piracicaba registra 365 espécies e ao confrontarmos nossa lista com aquela, é possível afirmar que o Parque da Rua do Porto abriga cerca de 27% dessa riqueza. Embora esteja inserido em uma área urbanizada, o parque localiza-se próximo ao Rio Piracicaba e sua mata ciliar e, em seu entorno, encontram-se os fragmentos de mata do Engenho Central, da Área de Lazer do Trabalhador e da Chácara Nazareth, locais que contribuem para a atração de aves e, a partir dos quais, estas poderiam chegar ao parque (Figura 1). As espécies observadas estão listadas na Tabela 1 e pertencem a 15 ordens e 36 famílias, sendo Tyrannidae e Thraupidae as famílias que apresentam o maior número de espécies avistadas, 15 e 13 espécies, respectivamente, corroborando com outros estudos realizados, no Brasil, com aves em parques localizados em áreas urbanas ou próximas às mesmas (KRUL; MORAES, 1993; FRANCHIN; MARÇAL JÚNIOR, 2004; SCHERER et al., 2005, 2010; VALADÃO et al., 2006 (a,b); BONANÇA; BEIG 2010; SILVA; CARREGARO, 2012).
  • 6.
    Tabela 1. Listade espécies observadas no Parque da Rua do Porto, Piracicaba-SP, conforme CBRO (Piacentini et al., 2015). Guilda trófica (G.T): CAR=carnívoro, FRU=frugívoro, GRA=granívoro, INS=insetívoro, PIS=piscívoro, NEC=nectarívoro e ONI=onívoro (Fontes: Motta-Jr; Vasconcellos, 1996; Sick, 1997; Alexandrino et al., 2013, 2017; Wilman et al., 2014; Alexandrino, 2015). Local de avistamento (L.Av.): mata (MA), áreas abertas (AA), lago (LA), espaço aéreo (EA), registro sonoro (RS). TÁXON NOME POPULAR G. T. L.Av. ANSERIFORMES Anatidae Anas platyrynchus Pato-real ONI LA Cairina moschata Pato-do-mato ONI LA Dendrocygna viduata Irerê ONI LA SULIFORMES Anhingidae Anhinga anhinga Biguatinga PIS LA Phalacrocoracidae Nannopterum brasilianus Biguá PIS LA PELECANIFORMES Ardeidae Ardea alba Garça-branca-grande PIS LA Ardea cocoi Garça-moura PIS LA Butorides striata Socozinho PIS LA Egretta thula Garça-branca-pequena INS LA Nycticorax nycticorax Savacu PIS LA Threskiornithidae Mesembrinibis cayennensis Coró-coró INS LA Phimosus infuscatus Tapicuru INS LA CATHARTIFORMES Cathartidae Coragyps atratus Urubu-de-cabeça-preta ONI EA ACCIPITRIFORMES Accipitridae Buteo brachyurus Gavião-de-cauda-curta CAR EA Ictinia plumbea Sovi INS AA Rupornis magnirostris Gavião-carijó CAR EA GRUIFORMES Aramidae Aramus guarauna Carão CAR LA Rallidae Gallinula galeata Frango-d'água ONI LA CHARADRIIFORMES Charadriidae Vanellus chilensis Quero-quero INS AA/LA COLUMBIFORMES Columbidae Columba livia Pombo-doméstico ONI AA
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    Columbina talpacoti RolinhaGRA AA/MA Patagioenas picazuro Pombão ONI AA/MA Zenaida auriculata Pomba-de-bando GRA AA/MA CUCULIFORMES Cuculidae Crotophaga ani Anu-preto ONI AA Guira guira Anu-branco INS AA Piaya cayana Alma-de-gato INS AA/MA Tapera naevia Saci INS AA (RS) STRIGIFORMES Strigidae Athene cunicularia Coruja-buraqueira CAR AA APODIFORMES Apodidae Chaetura meridionalis Andorinhão-do-temporal INS AA/LA Tachornis squamata Andorinhão-do-buriti INS AA/LA Trochilidae Amazilia lactea Beija-flor-de-peito-azul NEC AA Amazilia versicolor versicolor Beija-flor-de-banda-branca NEC AA Eupetomena macroura Beija-flor-tesoura NEC AA CORACIIFORMES Alcedinidae Chloroceryle amazona Martim-pescador-verde PIS LA Chloroceryle americana Martim-pescador-pequeno PIS LA Megaceryle torquata Martim-pescador-grande PIS LA PICIFORMES Ramphastidae Ramphastos toco Tucano-açu FRU AA Picidae Colaptes campestris Pica-pau-do-campo INS AA Colaptes melanochloros Pica-pau-verde-barrado INS AA/MA Dryocopus lineatus Pica-pau-de-banda-branca INS AA Melanerpes candidus Pica-pau-branco INS AA Picumnus albosquamatus Pica-pau-anão-escamado INS AA Picumnus cirratus Picapauzinho-barrado INS AA (RS) Veniliornis passerinus Pica-pau-pequeno INS AA (RS) FALCONIFORMES Falconidae Caracara plancus Carcará ONI AA PSITTACIFORMES Psittacidae Brotogeris chiriri Periquito-de-encontro-amarelo FRU AA/MA Forpus xanthopterygius Tuim FRU AA Psittacara leucophthalmus Periquitão maracanã ONI AA
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    PASSERIFORMES Thamnophilidae Taraba major Choró-boiINS AA Thamnophilus doliatus Choca-barrada INS AA Dendrocolaptidae Lepidocolaptes angustirostris Arapaçu-de-cerrado INS AA Furnariidae Certhiaxis cinnamomeus Curutié INS LA Cranioleuca vulpina Arredio-do-rio INS LA Furnarius rufus João-de-barro INS AA Rhynchocyclidae Todirostrum cinereum Ferreirinho-relógio INS AA Todirostrum poliocephalum Teque-teque INS AA Tyrannidae Camptostoma obsoletum Risadinha INS AA Elaenia flavogaster Guaracava-de-barriga-amarela INS AA Elaenia spectabilis Guaracava-grande INS AA Empidonomus varius Peitica INS AA Fluvicola nengeta Lavadeira-mascarada INS LA Machetornis rixosa Suiriri-cavaleiro INS AA Megarynchus pitangua Neinei ONI AA Myiarchus ferox Maria-cavaleira INS AA Myiodynastes maculatus Bem-te-vi-rajado INS AA/MA Myiozetetes similis Bentevizinho-de-penacho-vermelho INS AA Pitangus sulphuratus Bem-te-vi ONI AA Pyrocephalus rubinus Príncipe INS AA Tyrannus albogularis Suiriri-de-garganta-branca INS AA Tyrannus melancholicus Suiriri INS AA Tyrannus savana Tesourinha INS AA Hirundinidae Pygochelidon cyanoleuca Andorinha-pequena-de-casa INS AA Stelgidopteryx ruficollis Andorinha-serradora INS AA/LA Tachycineta albiventer Andorinha-do-rio INS LA Troglodytidae Troglodytes musculus Corruíra-de-casa INS AA Turdidae Turdus amaurochalinus Sabiá-poca FRU AA/MA Turdus leucomelas Sabiá-barranco INS AA/MA Mimidae Mimus saturninus Sabiá-do-campo INS AA Passerellidae Zonotrichia capensis Tico-tico GRA AA Parulidae Setophaga pitiayumi Mariquita INS AA
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    Icteridae Chrysomus ruficapillus GaribaldiGRA LA Icterus pyrrhopterus Encontro INS AA Molothrus bonariensis Chupim INS AA Thraupidae Coereba flaveola Cambacica NEC AA Conirostrum speciosum Figurinha-de-rabo-castanho FRU AA Dacnis cayana Saí-azul ONI AA Nemosia pileata Saíra-de-chapéu-preto INS AA Paroaria dominicana Cardeal-do-nordeste GRA AA Ramphocelus carbo Pipira-vermelha FRU MA Sporophila caerulescens Bigodinho GRA AA Sporophila lineola Coleirinho GRA AA Tachyphonus coronatus Tiê-preto ONI AA Tangara cayana Saíra-amarela FRU AA Tangara palmarum Sanhaçu-do-coqueiro ONI AA Tangara sayaca Sanhaçu-cinzento ONI AA Thlypopsis sordida Saí-canário INS AA Fringillidae Euphonia chlorotica Fim-fim FRU AA/MA Euphonia violacea Gaturamo-verdadeiro FRU AA/MA Vireonidae Cyclarhis gujanensis Pitiguari INS AA Passeridae Passer domesticus Pardal GRA AA Estas famílias incluem espécies que são bastante comuns nos levantamentos realizados em áreas urbanas ou nas proximidades das mesmas, mostrando uma capacidade de adaptação a ambientes modificados, com alto grau de influência antrópica, mas que oferecem recursos para a sobrevivência dos indivíduos, haja vista que a maioria das espécies neste estudo (cerca de 70%) foi observada nas áreas abertas do parque, constituídas de extensos gramados, com árvores e arbustos esparsos, próximas à pista de caminhada e demais construções, onde a circulação de pessoas é maior (Figura 3). A cobertura vegetal é o fator que mais favorece o aumento na abundância e riqueza de espécies da avifauna em ambiente urbano, uma vez que propicia variedade de alimento, recursos para construção de ninhos, bem como abrigo e fuga de predadores (MACARTHUR; MACARTHUR, 1961; BEISSINGER; OSBORNE, 1982; FONTANA et al., 2011, RODRIGUES et al. 2018), influenciando significativamente nas espécies de aves que vivem dentro de um parque (PETROVA, 2012). Flores, frutos e sementes, além de serem utilizados como alimento por várias espécies de aves, atraem outros animais, como os insetos, que também são consumidos por elas (NAVEGA-GONÇALVES; LIMA no prelo). O Parque da Rua do Porto possui 29 espécies vegetais arbóreas catalogadas sendo algumas delas exóticas, originárias de outros biomas brasileiros ou de outros países (PIRACICABA, 2012; TREVISAN et al., 2019). Duas outras espécies, identificadas no período deste estudo, Calicarpa reevesii (Verbenaceae) e Cordia abyssinica (Boraginaceae), ambas exóticas, se destacaram pelo potencial atrativo de seus frutos, possibilitando a observação de várias espécies de aves fazendo uso deste recurso. Em Cordia abyssinica, com frutos no verão, foram observados bandos de Psittacara
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    leucophthalmus forrageando. EmCalicarpa reevesii, com frutificação no outono/inverno, foram vistas Patagioenas picazuro, Brotogeris chiriri, Forpus xanthopterygius, Myiozetetes similis, Turdus leucomelas, Coereba flaveola, Tangara cayana, T. palmarum, T. sayaca e Euphonia violacea, algumas das quais compartilhando o recurso ao mesmo tempo. A atração dos frutos da calicarpa sobre estas e outras aves foi relatada também por Frisch e Frisch (2005). Somente a parte Leste do parque, apresenta uma vegetação mais densa, com árvores de maior porte e solo coberto por serapilheira (Figura 3). Neste local, apenas uma espécie de ave foi avistada exclusivamente ali, Ramphocelus carbo, enquanto outras espécies ali observadas (Columbina talpacoti, P. picazuro, Zenaida auriculata, Piaya cayana, Colaptes melanochloros, B. chiriri, Myiodynastes maculatus, Turdus amaurochalinus, T. leucomelas,, Euphonia chlorotica e E. violacea) foram avistadas também nas áreas abertas. A presença do lago no parque possibilita a atração de aves de hábitos aquáticos ou semi- aquáticos denominadas, mais apropriadamente por Accordi (2010), como “aves de áreas úmidas”. Segundo o autor, uma ave pode ser dependente de área úmida para obtenção de alimento, construção de ninhos e/ou repouso/pernoite. Foram identificadas 24 espécies de aves dependentes de áreas úmidas atraídas pela presença do lago no parque: Anas platyrynchus, Cairina moschata, Dendrocygna viduata (Anatidae); Ardea alba, A. cocoi, Butorides striata, Egretta thula, Nycticorax nycticorax (Ardeidae); Anhinga anhinga (Anhingidae); Nannopterum brasilianus (Phalacrocoracidae); Mesembrinibis cayennensis, Phimosus infuscatus (Threskiornithidae); Aramus guarauna (Aramidae); Gallinula galeata (Rallidae); Vanellus chilensis (Charadriidae); Chloroceryle amazona, C. americana, Megaceryle torquata (Alcedinidae) e os passeriformes Certhiaxis cinnamomeus (Furnariidae); Stelgidopteryx ruficollis, Tachycineta albiventer (Hirundinidae); Chrysomus ruficapillus (Icteridae) e Fluvicola nengeta (Tyrannidae), segundo Accordi (2010). Embora Cranioleuca vulpina (Furnariidae) não conste na lista de aves dependentes de áreas úmidas apresentadas pelo autor citado, esta foi observada nas margens do lago e, como o nome popular “arredio-do-rio” indica, a espécie vive em matas à beira de lagos e outros cursos d’água e constrói seu ninho em galhos que se debruçam sobre a água (SICK, 1997; SIGRIST, 2014) sendo, portanto, considerada uma espécie de área úmida, neste estudo. Outras espécies foram avistadas sobrevoando o lago, como os andorinhões (Chaetura meridionalis e Tachornis squamata), provavelmente capturando insetos ou mesmo bebendo água (SICK, 1997), assim como outras aves não-dependentes de áreas úmidas, que podem ser atraídas pela abundância de insetos ao redor do lago ou algum outro recurso disponível neste habitat. O lago está sujeito ao assoreamento, que é causado pelo despejo de material sólido trazido pelas chuvas, e que se deposita em alguns locais dentro do lago, provocando a formação de bancos de areia. Embora esta situação possa comprometer a fauna aquática, para algumas aves os bancos de areia servem de locais estratégicos para obtenção de alimento e para nidificação. Espécies palustres como as garças, o biguá, o frango-d’água, o pato-comum e o quero- quero (A. alba, E. thula, N. brasilianus G. galeata, C. moschata e V. chilensis) foram vistas com frequência sobre um grande banco de areia formado e um frango-d’água construiu seu ninho sobre ele. A proximidade com o Rio Piracicaba favorece o deslocamento de indivíduos de algumas espécies, em busca de recursos, como o biguá e o biguatinga (N. brasilianus e A. anhinga), as garças e socós (A. alba, A. cocoi, B. striata, E. thula e Nycticorax nycticorax), o tapicuru e o coró-coró (P. infuscatus e M. cayennensis), observados no parque e comumente avistados às margens do Rio Piracicaba, a maioria dos quais se alimenta de peixes e/ou invertebrados aquáticos (SICK, 1997). Alguns indivíduos foram avistados sobrevoando o parque, o que confirma o deslocamento entre as áreas citadas. Estes resultados evidenciam a importância de áreas úmidas para a manutenção da comunidade de aves aquáticas em ambientes urbanizados e reforça a necessidade de sua
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    conservação, conforme temsido apontado em outros estudos semelhantes (SCHERER et al., 2006, 2010; VALADÃO et al. 2006a; SILVA, 2007; RIBEIRO; FERREIRA, 2014; PERRELA et al., 2018). Foram reconhecidas sete guildas de forrageamento, neste estudo: granívora, frugívora, nectarívora, insetívora, carnívora, piscívora e onívora, sendo metade das espécies insetívoras (50%), seguidas pelas onívoras (16%), percentuais estes semelhantes aos obtidos por Matarazzo-Neuberger (1995), em levantamentos de aves realizados em parques e praças da Grande São Paulo (Figura 4). Figura 4 – Distribuição da avifauna do Parque da Rua do Porto conforme a guilda trófica. Legenda: INS - insetívoro; ONI - onívoro; FRU - frugívoro; PIS - piscívoro; GRA - granívoro; NEC - nectarívoro, CAR – carnívoro (Gráfico elaborado pelas autoras). Aves insetívoras e onívoras também predominaram em outros estudos realizados em parques urbanos, campi universitários e outras áreas urbanas (MOTTA-JÚNIOR, 1990; FRANCHIN; MARÇAL JÚNIOR, 2004; SCHERER et al. 2005, 2010; VALADÃO et al., 2006 (a,b); TORGA et al., 2007; FORCATO et al., 2011; ROSA; BLAMIRES, 2011; SILVA; MARTINELLI, 2011; ALEXANDRINO et al. 2013; PONÇO et al., 2013; FAVRETTO, 2015; NAVEGA-GONÇALVES; LIMA, no prelo), em alguns casos, com percentuais mais altos para as espécies onívoras ou com valores próximos para as duas guildas. Cabe ressaltar que a classificação em guildas tróficas apresenta divergência entre os ornitólogos, principalmente entre as duas categorias citadas. Para Mallet-Rodrigues (2010) o conhecimento sobre a composição da dieta das aves neotropicais ainda é escasso devido, principalmente, à dificuldade em quantificar e identificar o alimento ingerido o que poderia resultar, ao nosso ver, em classificações baseadas em observações mais subjetivas do que metodológicas. Soma-se a isto o fato de que a interpretação do que se considera como hábito onívoro em aves também diverge entre os autores (WILMAN et al., 2014; ALEXANDRINO et al., 2017). Este e os demais estudos citados mostram que a urbanização favorece as espécies insetívoras e onívoras. A maior ocorrência de espécies de hábitos insetívoros se deve, provavelmente, à disponibilidade deste alimento durante o ano todo (SCHERER et al. 2005, 2010). As onívoras, por sua vez, se utilizam de uma variedade maior de alimentos, sendo favorecidas em áreas com mata fragmentada, cobertas por vegetação secundária ou exótica (SANTOS, 2004; SCHERER et al. 2005, 2010; TELINO-JÚNIOR et al., 2005; FRANCO; PRADO 2012; OLIVEIRA et al. 2015). Nove espécies identificadas neste estudo (9%) são predominantemente frugívoras, embora espécies onívoras também sejam atraídas por frutos. Além dos frutos fornecidos pelas espécies vegetais do parque, o fragmento de mata da Chácara Nazareth, que está próximo ao parque, forma um maciço de árvores que inclui um rico pomar contendo mangueiras, jabuticabeiras, laranjeiras, limoeiros, abacateiros entre outras árvores (ELIAS, 2014), cujos frutos são muito apreciados por diversas espécies de aves, atraindo aquelas de hábito frugívoro e também onívoro. As espécies piscívoras (9%) são atraídas pela disponibilidade de peixes presente no lago (TREVISAN et al., 2019), além de outros itens alimentares (invertebrados, anfíbios e répteis) que podem fazer parte de sua dieta (WILMAN et al. 2014). Os granívoros se constituem na terceira guilda trófica mais frequente em vários levantamentos de avifauna realizados em parques e em outras áreas urbanas (SCHERER et al., 2005, 2010; ALEXANDRINO et al., 2013; ROSA; BLAMIRES, 2011; OLIVEIRA; BLAMIRES, 2013; DUPONT et al., 2017), no entanto, neste estudo, o percentual relativo à esta categoria trófica (8%) ficou abaixo daqueles registrados para frugívoros e piscívoros. 50% 16% 9% 9% 8% 4% 4% Guildas tróficas INS ONI FRU PIS GRA NEC CAR
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    Segundo Vogel etal. (2011), as aves granívoras, em áreas urbanas, são diretamente afetadas pelo gerenciamento da paisagem. O Parque da Rua do Porto, embora apresente extensas áreas cobertas por grama, passa periodicamente por processos de corte, o que impede a frutificação, reduzindo a quantidade de alimento disponível para as espécies granívoras. O levantamento constatou a presença de espécies endêmicas e de espécies exóticas no parque. Amazilia versicolor versicolor (Trochilidae), subespécie que ocorre no Sudeste do Brasil, e Todirostrum poliocephalum (Rhynchocyclidae) são endêmicas da Mata Atlântica (MOREIRA-LIMA, 2013) e a presença delas no parque reforça a importância do mesmo como área para a sobrevivência da avifauna, em meio a uma matriz urbana. O cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana Traupidae), segundo Bencke et al. (2006), é endêmico da Caatinga (Nordeste), mas foi recentemente introduzido no Sudeste do país (SIGRIST, 2014). É uma das aves vítima do comércio ilegal de aves silvestres (CAVALCANTI; NUNES, 2019), devido à beleza de sua plumagem e canto. É possível que o espécime observado no parque tenha sido um pássaro cativo, pois foi avistado enquanto se alimentava de sementes das gramíneas nas proximidades do lago, onde haviam pessoas aguardando para embarcar no pedalinho e permitiu a aproximação do observador. O pato-real (Anas platyrynchus Anatidae) é uma espécie exótica, de origem asiática, que apresenta uma grande variedade de linhagens distribuídas pelo mundo, sendo encontrada em muitos tipos de habitats aquáticos e considerada invasora em algumas regiões (MOONEY; CLELAND, 2001; RUFINO et al., 2017;). Várias espécies de anatídeos foram domesticadas (SICK, 1997) e muitos híbridos são relatados, tanto entre espécies do mesmo gênero ou de diferentes gêneros (JOHNSGARD, 1960). Não há registro de Anas platyrynchus na lista de Piacentini et al. (2015) e nem no site do WikiAves (2008-2019), provavelmente, por não haver populações em estado selvagem no Brasil (PERRELA et al., 2018). O pombo-doméstico (Columba livia Columbidae) e o pardal (Passer domesticus Passeridae) também são espécies exóticas, que foram introduzidas no Brasil oriundas de Portugal (HOFLING; CAMARGO, 2002). O pombo-doméstico proliferou-se por todas as regiões do país e, embora seja uma ave tratada e criada por muitos admiradores, tornou-se um problema de saúde pública, em algumas cidades, por veicular patógenos, além de causar prejuízo ambiental, por competir com a avifauna nativa por recursos (HOFLING; CAMARGO, 2002; SIGRIST, 2014). No parque, os pombos- domésticos são avistados somente na área das academias (Figura 3), provavelmente, pela proximidade desta com os restaurantes, uma vez que são atraídas pelos restos de alimento deixados pelos frequentadores do parque e do entorno. O pardal, que é muito comum em parques e jardins urbanos de várias cidades do país, têm sofrido declínio de suas populações nas grandes cidades, provavelmente, devido à verticalização das construções, o que reduz os locais para nidificação e a redução da oferta de alimentos, antes encontrados em abundância em terrenos baldios (SILVEIRA, 2012). Assim, de acordo com o autor, a espécie vai ficando confinada a locais que ainda possuem construções baixas, com telhados e beirais, em cujas cavidades os ninhos podem ser construídos e onde existe alimento abundante (insetos e sementes), como no parque, onde vários indivíduos foram observados nidificando nos telhados dos quiosques. Além do pardal (P. domesticus), outras 15 espécies de aves foram observadas nidificando e/ou cuidando dos filhotes, no parque: C. moschata, B. striata, Ictinia plumbea, G. galeata, V. chilensis, P. picazuro, Z. auriculata, Athene cunicularia, B. chiriri, Furnarius rufus, Troglodytes musculus, T. leucomelas, Fluvicola nengeta, M. similis e Pitangus sulphuratus, embora outros ninhos tenham sido observados sem que as respectivas espécies fossem identificadas. A nidificação é uma atividade indicativa de que a espécie se utiliza do local como habitat, usando os recursos do mesmo para elaboração do ninho, proteção e alimentação dos filhotes. De acordo com Sick (1997) a fartura de alimento e a presença de matéria-prima para a confecção dos ninhos são os fatores preponderantes que condicionam as atividades reprodutivas, que ocorrem em períodos distintos
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    ao longo doano, segundo as necessidades de cada espécie. Pereira et al (2009), em estudo realizado num parque urbano de Uberlândia (MG), identificaram 15 espécies nidificando no local, 7 das quais foram registradas neste estudo (P. domesticus, P. picazuro, Z. auriculata, A. cunicularia, F. rufus, F. nengeta, e P. sulphuratus). A maioria das espécies que se reproduz em ambiente urbano são aquelas menos exigentes e de hábitos generalistas, sendo que o tamanho da área e a diversidade da vegetação encontrada no local influenciam no sucesso reprodutivo das espécies de aves (BEISSINGER; OSBORNE, 1982; CHANG; LEE, 2016). Ao longo do período em que foi realizado o levantamento das aves, alguns problemas foram identificados no parque, tais como podas inadequadas das árvores, acúmulo de lixo em algumas áreas, cercas quebradas e cães soltos, situações que podem colocar em risco a sobrevivência das aves. As árvores servem como suporte, abrigo, fonte de alimentação e de materiais para confecção de ninhos pelas aves, portanto, além de se levar em conta o período de floração e frutificação das mesmas, é necessário identificar as espécies de aves que nidificam no parque, além daquelas citadas e o período do ano em que esta atividade ocorre, de forma a se estabelecer um calendário mais adequado para as podas, minimizando os impactos ao ambiente. Restos de marmita, roupas, calçados entre outros objetos foram visualizados, principalmente, na área Leste do parque, que apresenta uma vegetação mais densa e fechada. Algumas lixeiras, dispostas ao longo do parque, estavam danificadas e o lixo exposto no chão e dentro do lago, favorecendo a contaminação do mesmo. Restos de comida podem estimular uma alimentação inadequada fazendo com que algumas aves deixem de cumprir seu papel ecológico em função de alimentos mais fáceis, como acontece com os pombos-domésticos. Outros objetos podem causar riscos ao serem ingeridos pelas aves ou servir como materiais para confecção de ninhos, como foi observado em um ninho de frango-d’água (G. galeata), que tinha em sua estrutura uma sacola plástica. Em algumas áreas ao redor do parque haviam cercas quebradas permitindo fácil acesso à cães que, estando soltos dentro do parque, podem se tornar predadores de aves ou afugentá- las, conforme foi presenciado. Segundo Chang e Lee (2016) a manutenção do parque afeta diretamente a estrutura da vegetação podendo causar danos consideráveis aos ninhos e filhotes das aves, enquanto predadores e excesso de ruídos provocados por atividades humanas podem afastar espécies menos tolerantes. As aves se constituem em importante ferramenta para atividades de Educação Ambiental no parque da Rua do Porto (TREVISAN et al. 2019) e, a exemplo do que foi feito no Parque dos Ipês em Santa Bárbara d’Oeste, SP (DAE, 2018), a instalação de placas educativas seria uma forma de chamar a atenção do público frequentador para medidas de conservação e uso da área, mostrando a importância do parque como área promotora de atividades culturais, esportivas, de lazer e também científicas, além de estimular a prática da observação de aves ou birdwaching. CONCLUSÃO O Parque da Rua do Porto se constitui em uma área relevante para a manutenção da avifauna por reunir habitats distintos, que oferecem recursos alimentares variados e sítios de nidificação, influenciando no sucesso reprodutivo e na sobrevivência das aves, a longo prazo. Além, disso, sua proximidade com o rio Piracicaba e fragmentos de mata do entorno, evidenciam sua importância como área de manutenção e transição de espécies oriundas destes locais. Desta forma, o manejo do parque deve considerar a riqueza avifaunística amostrada buscando sanar os problemas detectados e implementar medidas de conservação que favoreçam, não somente as atividades humanas, mas a permanência das aves. Portanto, sugere-se a continuidade dos estudos no parque, principalmente o monitoramento das espécies que nidificam no local.
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    AGRADECIMENTOS Agradecemos aos biólogosElizabeth da Silveira Nunes Salles, Letícia Steagall Zanatta, Thainá Municelli Cordeiro e Valdir Felipe Paulete pela colaboração na coleta de dados relativa a este estudo e a Tomás Maurício A.L.C. Carvalho e Camila Navega Gonçalves pelo auxílio com a edição do texto e imagens. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, C. R. M.; VIEIRA, M. F. Os beija- flores e seus recursos florais em um fragmento florestal de Viçosa, sudeste brasileiro. Lundiana, Belo Horizonte, v. 5, n. 2, p. 129-134, 2004. ACCORDI, I.A. Pesquisa e conservação de aves em áreas úmidas. In: MATTER et al. (orgs.). Ornitologia e Conservação: ciência aplicada, técnicas de pesquisa e levantamento. Rio de Janeiro: Technical Books, 2010. p.191-216 ALEXANDRINO, E. R. A paisagem antrópica sob avaliação: a avifauna em remanescentes florestais, matrizes agrícolas e as implicações para a conservação. 2015. 196 f. Tese (Doutorado em Ecologia Aplicada) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2015. ALEXANDRINO, E.R. et al. Aves do campus “Luiz de Queiroz” (Piracicaba, SP) da Universidade de São Paulo: mais de 10 anos de observações neste ambiente antrópico. Atualidades Ornitológicas On-line, n. 173, p. 40-52, mai./jun., 2013. Disponível em: <www.ao.com.br >. Acesso em: 2 novembro 2015. ALEXANDRINO, E.R. et al. Bird based Index of Biotic Integrity: Assessing the ecological condition of Atlantic Forest patches in human- modified landscape. Ecological Indicators, v. 73, p. 662-675, fev., 2017. ANTAS, P.T.Z; ALMEIDA, A.C. Aves como bioindicadoras de qualidade ambiental: aplicação em áreas de plantio de eucalipto da Aracruz Celulose S.A., 2003. 36p. Disponível em: <http://www.academia.edu/26533958>. Acesso em: 10 janeiro 2019. ATHIÊ, S.; DIAS, M.M. Frugivoria por aves em um mosaico de Floresta Estacional Semidecidual e reflorestamento misto em Rio Claro, São Paulo, Brasil. Acta Botanica Brasilica, v. 26, n. 1, p. 84-93, 2012 BEISSINGER, S.R.; OSBORNE, D.R. Effects of urbanization on avian community organization. Condor, v. 84, p.75-83, 1982. BENCKE, G.A. et al. (orgs.). Áreas importantes para a conservação das aves no Brasil. Parte I – Estados do Domínio da Mata Atlântica. São Paulo: SAVE Brasil, 2006. 494p. BLAIR, R. B. The effects of urban sprawl on birds at multiple levels of biological organization. Ecology and Society, v. 9, n. 5: 2, 2004. [online]. Disponível em: <http://www.ecologyandsociety.org/vol9/iss5/ar t2>. Acesso em: 27 de maio 2020. BONANÇA, R.A.; BEIG, B.B. Levantamento da avifauna em três parques do município de Jundiaí, São Paulo. Atualidades Ornitológicas On-line n. 156, jul/ago, p. 48-52, 2010. Disponível em: <www.ao.com.br>. Acesso em: 9 de agosto 2019. CAMPOS, W.H.; MIRANDA NETO, A.; PEIXOTO, H.J.C.; GODINHO. L.B.; SILVA, E. Contribuição da fauna silvestre em projetos de restauração ecológica no Brasil. Pesquisa Florestal Brasileira, Colombo, v. 32, n. 72, p. 429-440, out./dez., 2012. CASTRO-TORREBLANCA, M.; CALVA, E.B. Aves de Ciudad Universitaria campus Sur de la Universidad Autónoma de Guerrero, Chilpancingo, Guerrero, México. Huitzil [online]. v.15, n. 2, p. 82-92, 2014.
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