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REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 20 - Número 2 - 2º Semestre 2020
A ECOLOGIA HUMANA NA ANÁLISE AMBIENTAL E AS INFLUÊNCIAS
ANTRÓPICAS NO MEIO AMBIENTE: REFLEXÕES PARA GESTÕES SUSTENTÁVEIS
EFICAZES
Leverson Ferreira Chaves 1
RESUMO
A Ecologia Humana não trata apenas o ser humano como uma espécie biológica e sua ligação com a Natureza,
mas também sua interação com os muitos ambientes onde ele habita. A questão ecológica humana se relaciona
com a habitação desses ambientes e as reciprocidades criadas pelo ser humano. A relação do desenvolvimento
humano com as influências antrópicas no meio ambiente reflete a forma como cada indivíduo interage com o
meio natural por visões, crenças e valores oriundos dos ambientes em que o homem se desenvolve. As gestões
ambientais buscam retirar o homem do antropocentrismo e conduzi-lo na perspectiva de um meio ambiente
sustentável em todos os aspectos. O entendimento dos ambientes que influenciam o desenvolvimento humano
permite criar gestões sustentáveis mais eficazes, indo além de projetos e ações voltados apenas para um
enfoque administrativo. Através de uma ampla pesquisa de revisão bibliográfica foi possível gerar reflexões
sobre a ecologia humana e os vários ambientes onde o homem está inserido, pensar a relação entre esses
ambientes e as influências antrópicas no meio ambiente, além de ponderar a eficácia das ações em gestões
sustentáveis em um cenário de mudanças socioambientais drásticas e ameaçadoras para os recursos naturais
do planeta.
Palavras-chave: Ecologia, Sociedade, Ambiente, Gestão, Sustentabilidade.
HUMAN ECOLOGY IN ENVIRONMENTAL ANALYSIS AND ANTHROPOLOGICAL
INFLUENCES IN THE ENVIRONMENT: REFLECTIONS FOR EFFECTIVE
SUSTAINABLE MANAGEMENT
ABSTRACT
Human Ecology not only treats humans as a biological species and its connection with Nature, but also its
interaction with the many environments where it inhabits. The human ecological issue has a relation with the
habitation of these environments and the reciprocities created by the human being. The relationship of human
development with anthropogenic influences on the environment reflects how each individual interacts with the
natural environment through visions, beliefs and values derived from the environments in which man develops.
Environmental management seeks to remove man from anthropocentrism and to lead it in the perspective of a
sustainable environment in all aspects. Understanding the environments that influence human development
allows us to create effective sustainable management, going beyond the projects and actions focused only on
an administrative approach. In an extensive bibliographical review research, it was possible to generate
reflections on human ecology and the various environments where man is. It was to think about the relationship
between these environments and anthropic influences on the environment, as well as to consider the
effectiveness of actions in sustainable management in a scenario of drastic and threatening socio-
environmental changes for the natural resources of the planet.
Keywords: Ecology, Society, Environment, Management, Sustainability.
56
INTRODUÇÃO
A palavra ecologia, proposta pela
primeira vez pelo biólogo alemão Ernest Haeckel
em 1869, traz em sua essência o estudo das
relações dos organismos ou grupo de organismos
com o seu ambiente (Odum, 2004). A Ecologia
Humana não é uma das ramificações da
Ecologia, ainda que utilize seus conceitos
(Begossi, 1993). Para alguns autores, na Ecologia
Humana não há referência à Natureza somente,
mas à habitação (oikos), onde o ser humano
“habita” muitos lugares (corpo, família, escola,
cidade, país, continente, planeta, Cosmos),
gerando interações entre espaços mentais, sociais
e geográficos (Castro, 1992). A questão
ecológica humana permearia a relação do sujeito
e a habitação desses ambientes, os processos
neles e entre eles envolvidos, bem como os
reflexos da interação mútua entre o homem em
desenvolvimento e o mundo em transformação
(Portugal, 1992).
Na dinâmica do planeta Terra, um
mundo em constante transformação, estão
consolidados impactos profundos ocorridos pela
influência de muitos organismos vivos, incluindo
a espécie humana, que mudaram os rumos do
planeta (Donn, 1978). Enquanto organismo vivo
e, portanto, sob a influência dos agentes
evolutivos, a espécie humana desenvolveu
adaptações e aptidões de grande
representatividade no córtex cerebral, tais como
a preensão e a habilidade motora fina, o que
permitiu a manipulação de objetos e a fabricação
de instrumentos para inovações e realizações
tecnológicas (Fonseca, 1998). Ao longo do
tempo, o aperfeiçoamento dessas inovações
promoveu profundas transformações no sistema
planetário, ao ponto de suscitar reflexões acerca
do provável início de uma nova era geológica, a
saber, o Antropoceno (Viola e Basso, 2016). A
espécie humana mudou seu ambiente através do
conhecimento sobre seu mundo e criou
ferramentas industriais de produção em massa,
culminando em tecnologias de ponta
consolidadas no início do século XXI
(Kormondy e Brown, 2002). Contudo, a
demanda por recursos naturais e a formação de
resíduos oriundas do desenvolvimento em
expansão das sociedades humanas
industrializadas não seriam totalmente
compatíveis com a capacidade de sustentação e
regeneração do planeta, influenciando os fluxos
biogeoquímicos, poluindo os recursos naturais,
destruindo a biodiversidade e alterando o meio
ambiente (Viola e Basso, 2016).
Diante do aparente paradoxo entre as
influências antrópicas que ameaçam os finitos
recursos naturais do planeta e o desenvolvimento
econômico que permita a manutenção da
crescente expansão do modo de vida da
sociedade humana (Bursztyn, 1995), questiona-
se a possibilidade da existência de gestões
sustentáveis capazes de conciliar
desenvolvimento econômico e meio ambiente
dinâmico funcional. As demandas do
desenvolvimento humano são, em sua essência,
consumidoras dos recursos naturais, contudo,
para Bursztyn (1995, p.99), “a maior parte dos
problemas ambientais do nosso planeta resulta
muito mais do mau desenvolvimento do que do
não desenvolvimento”. Para que as gestões
sustentáveis se tornem eficazes, suas ações e
políticas deveriam promover mudanças em
níveis sistêmicos do desenvolvimento humano
(ecologia humana) e não apenas individualmente
(Yunes e Juliano, 2010), isto é, não ligados
apenas à Natureza (Ecologia). As gestões
sustentáveis, muitas vezes de caráter
institucional e técnico (Molina et al., 2007),
deveriam considerar ações que levem em conta a
ecologia humana nos muitos “ambientes” (oikos)
em que a espécie humana está inserida, bem
como a dualidade da sua existência, isto é, a
espécie animal, fio da trama ecológica da
biosfera e o ente criador de “ambientes”
singulares e socialmente distintos (Buttel, 1992).
Nesse contexto e justificativa, o
objetivo principal desse estudo, através de uma
ampla pesquisa de revisão bibliográfica, foi gerar
reflexões sobre a ecologia humana e os vários
“ambientes” onde o homem está inserido, pensar
a relação entre esses “ambientes” e as influências
antrópicas no meio ambiente, além de ponderar a
eficácia das ações em gestões sustentáveis em um
cenário de mudanças socioambientais drásticas e
ameaçadoras para os recursos naturais do
planeta.
1. Antropoceno, Ecologia e Ecologia Humana
A proposta de uma nova era geológica,
o Antropoceno, demonstraria um entendimento
das Ciências Naturais sobre a magnitude da
influência humana sobre o planeta Terra (Viola e
Basso, 2016). Para a Ecologia, integrante das
Ciências Naturais, a espécie humana é uma
dentre as muitas outras oriundas do processo
evolutivo na biosfera (Odum, 2004), dotada de
adaptações peculiares e que tem alterado
profundamente o meio ambiente em que vive.
Essas mudanças profundas ocorrem
principalmente pela forma como a espécie
humana utiliza os recursos naturais, pela
extensão dos impactos ambientais que as
populações humanas causam e pela
complexidade do funcionamento dos
ecossistemas, tornando os danos ambientais
difíceis de prever e de intervir:
... os ecossistemas são caracterizados por
comportamentos não lineares, o que faz com que
não seja possível fazer previsões de intervenções
baseadas apenas em conhecimentos sobre cada
componente individualmente (Andrade e
Romeiro, 2009, p.4).
Do ponto de vista das Ciências Sociais e
Humanas, representadas de forma contundente
pela Sociologia e pela Antropologia, com fortes
influências do pensamento sociológico clássico,
o homem é singular em todo o mundo animal,
pela capacidade de criar comunicação simbólica
e cultura (Buttel, 1992). Nessa visão, as
diferenças humanas não seriam inatas, mas
socialmente induzidas e alteradas. Além disso, a
cultura poderia variar infinitamente e se
acumular, transcendendo as características
biológicas, permitindo o progresso ilimitado e a
solução de todos os problemas sociais da
humanidade (Catton e Dunlap, 1978).
Em uma abordagem ambiental, para a
Ecologia Humana, o homem é singular e
complexo, mas também participante das
influências e feedbacks ambientais oriundos de
consequências voluntárias a partir de sua ação
social intencional, pois habita um planeta finito
de recursos e com limites biogeoquímicos que
modulam seu progresso socioeconômico (Catton
e Dunlap, 1978). Assim, é impossível separar a
espécie humana do ente humano no que concerne
as questões do meio ambiente, pois a
humanidade interage de múltiplas formas e em
amplos contextos nos “ambientes” em que se
desenvolve, gerando influências em todos esses
ambientes, incluindo a Natureza.
Para além da proposta antropocênica,
tem havido um consenso de que muitos dos
problemas ambientais sinalizam ligações com o
processo de desenvolvimento humano no que
concerne à organização das sociedades humanas,
a utilização dos recursos naturais, a pressão
socioeconômica sobre os ecossistemas (Nobre et
al., 2012) e o entendimento sobre o
funcionamento dos mesmos. Diante desses
problemas surgem propostas de gestões que
visam integrar desenvolvimento
socioeconômico, sustentabilidade, solução para
os problemas socioambientais e inovação
tecnológica (Molina et al., 2007). As discussões
acerca de questões ambientais, como por
exemplo, as relacionadas ao clorofluorcarbono e
o ozônio, bem como a utilização dos
combustíveis fósseis e o aquecimento global,
incutiram que o meio ambiente modularia o
desenvolvimento socioeconômico e,
consequentemente, o bem-estar humano, quando
na verdade, serviços ecossistêmicos hígidos
podem ser motores da economia e do
desenvolvimento social da população (Andrade e
Romeiro, 2009).
Seja do ponto de vista da Ecologia ou da
Ecologia Humana, o homem ainda é o ator
antropocênico das mudanças globais, mas
também detentor de conhecimento, cultura e
experiência no fracasso e no sucesso no processo
civilizatório tão entrelaçado ao mundo natural.
Segundo a visão antropocênica, o homem é o
principal vetor das mudanças no sistema
planetário (Viola e Basso, 2016), e por isso, toda
proposta de gestão eficaz deveria considerar o
homem como ponto de partida para ações e
projetos, além de conduzir o entendimento de
que toda gestão ambiental deveria ter uma visão
ecológica, antropológica e social do homem.
2. O oikos e os vários ambientes da Ecologia
Humana
A forma como o ser humano percebe o
mundo interno e externo está atrelada ao seu
desenvolvimento. Segundo Bronfenbrenner
(1974, p.4), “a pessoa em desenvolvimento
molda-se, muda e recria o meio no qual se
encontra”, sendo influenciado pelo mesmo em
uma interação mútua. Em um processo, nem
sempre linear e envolvendo múltiplos contextos,
o meio seria de máxima importância no
desenvolvimento da espécie humana (Vygotsky,
1996). O “ambiente” onde acontece o
desenvolvimento humano caracteriza-se por ser
abrangente e ocorrer dentro dos campos
cognitivo, afetivo, social e motor, evolvendo
cultura, sociedade, práticas e interações
(Vygotsky, 1996). O ser humano “habita” muitos
lugares gerando inter-relações e múltiplas
interações entre espaços mentais, sociais e
geográficos, que incluem o corpo, a família, a
escola, a cidade, o país, o continente, o planeta e
até mesmo o Cosmos (Castro, 1992). Esses
“habitats” são múltiplos, interativos,
particulares, coletivos e abrangê-los em sua
totalidade é quase impossível pela sua natureza
complexa e porque cada indivíduo é um ser
único.
A interação do homem com o ambiente
é caracterizada pela reciprocidade, em que
quando um sofre um processo de
desenvolvimento o outro também sofrerá
(Bronfenbrenner, 1974). Nos múltiplos “oikos”
(ambientes), o homem relaciona-se em
reciprocidade consigo mesmo, com os outros e
com os objetos dentro desses ambientes. Nessa
visão, propõe-se que o homem teria
reciprocidade autoica quando se relaciona
consigo mesmo; reciprocidade interoica quando
se relaciona com a família e com a cidade (escola,
clube, igreja, etc.); reciprocidade perioica
quando se relaciona com países, continentes e
com seu planeta; reciprocidade exoica quando se
relaciona com o Cosmos, os planetas e seus
possíveis habitantes; e, por fim, a reciprocidade
ecoloica quando se relaciona com os recursos
naturais e com o meio natural.
Na reciprocidade autoica, o homem se
relaciona diretamente consigo em um ambiente
particular, individual e interno, porém, não
estando só dentro de si. Ainda no útero, a partir
do momento em que estão aptas para acessar
informações, as organizações somáticas
hereditárias permitem reciprocidade, trocas e
interações em uma relação do indivíduo com ele
mesmo. Essas interações vão desde a fisiologia
celular em seus amplos aspectos, passando pela
propriocepção até reações da mente. Não se trata
de um monólogo sem repostas, mas da interação
de vários componentes dentro do próprio
indivíduo de forma recíproca ao nível molecular,
celular, fisiológico, perceptivo e mental. O
indivíduo apresenta autopercepção mesmo em
níveis básicos ou até inconscientes, percebendo-
se, recebendo estímulos de si mesmo em uma
reciprocidade autoica, similar ao id concebido
por Freud para explicar o aparelho psíquico
humano (Lima, 2010). Segundo Freud, o id é
caracterizado como a reserva instintiva
inconsciente dos desejos e dos impulsos que se
originam da organização somática, contendo
tudo que é geneticamente herdado, inato e
inconsciente (Lima, 2010). O id poderia se
configurar em uma reciprocidade autoica do
indivíduo que, posteriormente modulado por
outras duas instâncias psíquicas chamadas ego e
superego, realizaria relações bidirecionais com
outros ambientes em reciprocidade,
denominadas por Bronfenbrenner (1996) de
díades.
Na reciprocidade interoica, o homem
estabelece inter-relações sociais dinâmicas e
constantes em ambientes que englobam a família,
a cidade, a escola, o clube, o templo ou qualquer
outro espaço em que sua interação seja cotidiana,
sensorial e direta. O desenvolvimento humano se
dá nas trocas, mediações e interações entre
parcerias sociais (Vygotsky, 1996), configurando
alterações estáveis e dinâmicas na psicologia
humana durante seu ciclo de vida e através das
gerações (Yunes e Juliano, 2010). O
desenvolvimento promovido na reciprocidade
interoica acontece de forma vasta e imediata
dentro das conexões estabelecidas entre o
indivíduo, seus pares e o meio em constante
transformação (Portugal, 1992). As relações são
estabelecidas face a face, onde os atores
concebem o mundo imersos na sua própria
percepção e não como a realidade de fato se
apresenta (Yunes e Juliano, 2010). Nessa
percepção do mundo, o indivíduo interage em
ambientes formadores de atitudes, opiniões,
valores, crenças e ideologias de forma receptiva,
participativa, ativa e influente (Goldberg et al.,
2005). O desenvolvimento é baseado no
resultado dessas trocas, interações e relações, e
influenciam de forma contundente o pensamento
e a cultura social. Na reciprocidade interoica o
desenvolvimento ocorre substancialmente pela
gama de interações existentes, visto que são
constantes, cotidianas e de forma direta nos
ambientes que o indivíduo habita. Nesse
processo, o indivíduo interoico realiza uma
mudança em si mesmo e muda os ambientes nos
quais interage.
Na reciprocidade perioica as inter-
relações são realizadas dentro de contextos
regionais, geográficos e sociopolíticos cuja
abrangência não permita uma interação direta,
cotidiana e sensorial. Dessa forma, ela ocorre
com outros países e continentes dentro do planeta
Terra, bem como dentro do próprio país onde o
indivíduo interage quando as distâncias regionais
não permitem uma interação direta. Na
reciprocidade perioica a interação é sempre
indireta, impessoal, esporádica e com restrição
sensorial. A discrepância geográfica, a distinção
de culturas, valores, crenças e ideologias, bem
como a barreira do idioma podem restringir a
interação, modulando o desenvolvimento entre
esses ambientes de uma forma menos dinâmica e
profunda que a reciprocidade interoica. A
reciprocidade existe, contudo, pelas
discrepâncias geográficas e os fatores
relacionados a ela, um membro da díade pode ser
mais influente que o outro em determinados
momentos, visto que a ausência cotidiana, direta
e sensorial dos mecanismos de desenvolvimento
ligados a interação face a face (Yunes e Juliano,
2010) são limitantes.
Na reciprocidade exoica o homem
interage com o Cosmos e, portanto, com os
planetas, o sistema solar, as galáxias e seus
possíveis habitantes. A interação do ser humano
com o Universo remonta à Antiguidade, cuja
relação com os fenômenos celestes estava ligada
à subsistência e ao desenvolvimento das
sociedades (Duarte e Lima, 2004). Através da
tecnologia, o homem ultrapassou os limites da
atmosfera terrestre promovendo um avanço na
sua relação com o Cosmos. A exploração
espacial promoveu o crescimento da
humanidade, conduzindo o homem a patamares
de desenvolvimento, enquanto espécie e ente
humano, tão vastos quanto o próprio Universo.
Nessa reciprocidade, a relação é direta, sensorial
e cotidiana, pois o ser humano interage com o
Sol, com a Lua, com as estrelas e recebe do
Cosmos recursos naturais e influências. Contudo,
essa relação também é indireta, não sensorial e
não cotidiana, pois o homem não pode sair do
planeta sem o aparato tecnológico. A
reciprocidade exoica é tão própria do ser humano
quanto a reciprocidade autoica, interoica e
perioica, pois a humanidade sempre promoveu
com os corpos celestes relações profundas, ao
ponto de considerá-las como deidades (Steiner,
2006). E como ocorre com toda deidade, a
relação do homem é abstrata e intangível, apesar
de contundente e influente na forma como ela
influencia na interação do ser humano com os
ambientes.
Na reciprocidade ecoloica, o homem se
relaciona com os recursos naturais e com o meio
natural. Na reciprocidade ecoloica, a interação do
homem vai além de uma relação ecológica
biológica, tanto como espécie quanto como ente
humano, pois não se trata apenas de
sobrevivência, subsistência, matéria e energia,
mas também de desenvolvimento e
transformações mútuas, gerando díades e
influências profundas nos membros dessa
relação. Na reciprocidade ecoloica encontramos
relação afetiva, equilíbrio de poder e
interconexões próprias das díades e
reciprocidades (Bronfenbrenner, 1974), bem
como uma relação ecológica biológica própria
das espécies com a Natureza. Diferente das
interações ecológicas, onde o homem é apenas e
essencialmente uma espécie animal, na
reciprocidade ecoloica o homem é também uma
espécie que promove mudanças no meio natural
através de sua cultura, do acúmulo de
conhecimento e da comunicação simbólica. Nela,
o ser humano é capaz de realizar múltiplas
interações com o meio natural de forma
diferenciada de todas as outras espécies (Sagan
et al., 1990). Nessa interação o homem pode
modular sua própria extinção, pode promover a
extinção das outras espécies, pode entender o
funcionamento do meio natural, pode influenciar
outros seres vivos, alterar genomas, criar
vantagens sobre as forças de seleção natural e
evitar catástrofes ambientais, diferente dos
dinossauros e das cianobactérias, por exemplo.
3. As reciprocidades ecológicas humanas e as
influências antrópicas
Os distúrbios no meio natural gerados
pelas influências antrópicas, sobretudo após a
Revolução Industrial, sinalizam ameaças que
colocam em risco os ecossistemas e as
sociedades humanas (Viola e Basso, 2016). As
atividades oriundas do desenvolvimento
socioeconômico suscitam questionamentos
acerca da incoerência do crescimento às custas da
sobrevivência, sugerindo hipóteses sobre as
escolhas do homem em continuar poluindo e
degradando diante das perspectivas catastróficas
ambientais no futuro. As reflexões sobre a
relação entre as reciprocidades ecológicas
humanas e as influências antrópicas no meio
natural podem lançar luz sobre os caminhos
escolhidos pelo homem na sua relação com o
planeta.
Em relação a reciprocidade autoica e as
influências antrópicas no meio natural, nenhum
indivíduo é semelhante no ambiente autoico
devido as múltiplas e complexas interações na
autopercepção e nas nuances das variações
genéticas, epigenéticas, anatômicas e até mesmo
quânticas próprias de cada ser humano. Essas
reflexões levantam ideias da possibilidade de que
cada indivíduo poderia ter, de forma autoica, uma
conexão ou desconexão com a Natureza, isto é,
uma inerência autoica para depredar, poluir
conscientemente, visar o lucro insustentável ou
até mesmo sofrer danos e prejuízos por uma
causa ambiental. Do ponto de vista racional é
extremamente ilógico, insano e atípico, mas
talvez autoico, o homem colocar
conscientemente o lucro acima da sobrevivência
de todos, ou destruir o planeta para preservar-se
em uma situação bélica, por exemplo. Contudo,
para Koshiba e Pereira (2004), essa possibilidade
não é congruente com as sociedades humanas
antes da revolução neolítica, visto que a
desigualdade pressupõe uma exploração do
homem pelo homem, denotando uma economia
produtora em funcionamento já vigente naquele
período, o que não parece ser um consenso
arqueológico.
Do ponto de vista da ecologia humana,
é impossível isolar o indivíduo autoico, pois a
partir do momento em que ele existe, a
reciprocidade autoica já estabelece interações
com outras reciprocidades, mesmo dentro do
útero, tornando-o um ser humano. O homem
autoico interage com culturas, valores, ideias,
comportamentos que o tornam sociocultural.
Assim, as influências do ponto de vista autoico
quase desaparecem a partir das interações com
outras reciprocidades, tornando o homem autoico
imerso no homem cultural do contexto em que
está inserido, o que talvez poderia justificar a
ausência arqueológica de influências antrópicas
típicas de um desenvolvimento egoísta nas
sociedades humanas antes da revolução neolítica:
Temos uma parte de nós que responde a partir da
condição natural e outra parte a cultural. Não há
como isolar o ser humano dessas teias e analisa-
lo sem a cultura, como um ser natural, a cultura
está indissociável do mesmo e é isso que o torna
efetivamente humano (Silva e Sammarco, 2015,
p.10).
A partir da reciprocidade interoica, o
indivíduo autoico estabelece mudanças no seu
desenvolvimento que marcarão profundamente a
sua relação com o meio natural e seus recursos.
Através da reciprocidade interoica, o indivíduo
vê o mundo baseado na organização social
consolidada vigente onde está inserido. As
constantes interações de forma cotidiana,
sensorial e direta entre os indivíduos culminarão
na organização de sociedades e culturas sólidas
através de parcerias sociais, costumes, ideias,
atitudes, opiniões, valores, crenças e ideologias
(Goldberg et al., 2005), resultando em uma
sociedade consolidada e que ditará normas,
regras, valores e visões ao influenciar cada
indivíduo em sua forma de se relacionar com o
mundo natural.
As normas e valores, muitas vezes
direcionada mais pelo vínculo social do que pelas
convicções internas próprias do indivíduo,
poderão encontrar outras sociedades sólidas
(Goldberg et al., 2005), duradouras, com visões,
valores e ideias próprias de sua reciprocidade
interoica. Esses valores podem ser remodelados
através de díades envolvendo relações de poder e
afetividade, sendo desconstruídos muitas vezes
em uma reciprocidade perioica por uma nova
visão, choque entre realidades e contextos vindos
de outros locais e culturas. Através da
reciprocidade perioica, outras organizações
sólidas, mas nem sempre permanentes, com
valores, ideias e visões diferenciadas ou
parecidas poderão agregar novas ferramentas e
experiências a ambas organizações sociais,
consolidando ou rejeitando visões sobre a forma
como se relacionam com o meio natural e
apropriam os seus recursos (Molina et al., 2007).
O comportamento de apropriação dos
recursos naturais muda de acordo com a
organização sociocultural, não significando que
as atividades humanas em culturas mais arcaicas
não degradem recursos e se extingam, como
aconteceu na Ilha de Páscoa e na civilização
maia. Os limites biogeoquímicos do planeta, as
mudanças climáticas e a aparente apatia diante
dos sinais de um colapso social parecem ser uma
constante nos achados arqueológicos acerca dos
fracassos das antigas civilizações humanas
(Diamond, 2013).
O indivíduo e as organizações sociais
também estabelecem relações com o meio
natural em cunho filosófico e religioso,
protegendo ou degradando a Natureza por visões
míticas adquiridas nas reciprocidades interoica e
perioica, consolidadas e passadas de geração a
geração, e às vezes iniciadas como estratégia de
sobrevivência. Begossi (1993) relata estudos que
sugerem que o canibalismo asteca era uma forma
de satisfazer as necessidades de proteína animal
em uma área escassa de ruminantes e de alto
custo na produção de cereais para alimentar
pequenos animais. Isso também pode ocorrer na
preservação de um recurso natural, como a
sacralidade das vacas na Índia:
... a vaca é muito importante para ser eliminada
(tabu de uso), por garantir o leite e o arado da
terra, dentre outros (o consumo da vaca
eliminaria seus benefícios) (Begossi, 1993, p.7).
A visão de que a Natureza era algo
criado por uma deidade para servir ao ser
humano também marcou o comportamento de
apropriação muito antes da Revolução Industrial,
no período colonial, onde os colonizadores
enxergavam os territórios naturais e seus
recursos como espaços a serem explorados para
o avanço dos interesses econômicos, muitas
vezes de forma insustentável:
A primeira não deixa dúvidas quanto ao total
desrespeito à flora nativa, considerada pelo
português que aqui chegava quase sempre como
desprezível (merecedora de ser queimada e
substituída por espécies exóticas, valorizadas,
elas sim, pelos europeus) e, sempre inesgotável
(Corrêa et al., 2013, p.187).
De acordo com o desenvolvimento
através das reciprocidades interoica e perioica, as
comunidades humanas se diversificam na forma
como se organizam no âmbito sociocultural,
determinando profundamente como essas
sociedades respondem às ameaças e os sinais de
colapso, resolvem seus problemas
socioeconômicos e socioambientais (Diamond,
2013) e interferem no meio natural. A
organização social criada também direcionará a
forma como veem a Natureza e como interagem
com o contexto natural na busca por recursos,
isto é, como se apropriam dele (Mendonça,
2005).
A relação da reciprocidade exoica com
as influências antrópicas no meio ambiente estão
profundamente ligadas ao desenvolvimento
tecnológico humano. Dentro da reciprocidade
exoica, o Cosmos estabelece com o ser humano
inter-relações em um nível nunca alcançado no
ambiente terrestre e com repercussões ainda
pouco conhecidas pela Ciência. As conquistas
espaciais talvez permitirão que o ser humano
colonize outros planetas e estabeleça díades entre
ambientes e realidades extremas, quiçá formas de
vida e culturas totalmente discrepantes das
encontradas no planeta Terra. Apesar disso, as
influências antrópicas na exosfera já são uma
realidade. Nogueira (2005) relata que a poluição
pelos detritos espaciais oriundos da exploração
espacial aconteceu antes do homem entender a
exosfera, mas no instante em que a ocupou.
As sondas enviadas ao espaço, além de
fontes poluidoras, podem contaminar ambientes
desconhecidos, inclusive com fontes biológicas
(Sobreira, 2005). Os astronautas da Apolo-12
recolheram partes de uma sonda anteriormente
lançada à Lua, e constatou-se sinais de
contaminação por vírus da gripe nas peças
(Nogueira, 2005). As repercussões de uma
possível contaminação exobiológica por material
oriundo da Terra são especulativas, mas
poderiam ter consequências drásticas pelo
conhecimento insuficiente da dinâmica dos
ecossistemas siderais. O lixo espacial, detritos
antrópicos que se mantêm-se em órbita sem
função útil, podem reentrar na atmosfera terrestre
(Moreno, 2008) causando danos ambientais. Os
detritos espaciais já são uma realidade e são
fontes de poluição através de componentes e
materiais tóxicos e radioativos que caem em
outros planetas e satélites, bem como nos rios,
aquíferos, solos e cidades do planeta Terra.
Nas últimas décadas, em uma
reciprocidade exoica, o ser humano saiu dos
limites da atmosfera terrestre e levou a sua
relação com o Cosmos a um passo além, não
mais apenas recebendo influências do espaço
sideral através do Sol, dos meteoritos, dos
cometas, das estrelas e de outros planetas, mas
também gerando influências através dos resíduos
produzidos por satélites, sondas, viagens
espaciais e talvez pela sua influência antrópica no
planeta Terra, visto que os planetas exportam
matéria e energia para a exosfera (Duarte e Lima,
2004). Com os avanços na exploração espacial,
as inter-relações do homem com o Cosmos
incrementará a dimensão dessa reciprocidade,
cujos resultados são ainda pouco conhecidos.
Ainda dentro dos ambientes na ecologia
humana, a reciprocidade ecoloica é
extremamente contundente no âmbito das
influências antrópicas ambientais. Como todas as
espécies da Terra, o homem busca
incessantemente por recursos naturais com o
objetivo de garantir sua sobrevivência, seja pelo
domínio do fogo, da invenção da roda, do
desenvolvimento da agricultura, das cidades e
civilizações, culminando nos atuais mecanismos
tecnológicos (Sagan et al., 1990). As
especulações acerca dos danos ao meio natural
em relação às tecnologias são ainda polêmicas e
relevantes diante dos grandes benefícios
socioambientais que os avanços tecnológicos
oferecem, haja vista as controvérsias acerca dos
Organismos Geneticamente Modificados
(OGMs) e a comercialização dos transgênicos, a
utilização dos pesticidas e sua influência na biota
(Carson, 2010), os resíduos produzidos
tecnologicamente e a poluição ambiental, todos
oriundos das influências antrópicas relacionadas
à tecnologia.
Como toda espécie no planeta Terra, a
sobrevivência é um dos principais objetivos da
espécie humana. A forma como o homem
interage ecoloicamente tem íntima relação com a
forma como o homem encara sua sobrevivência
no tempo e no espaço (Naves e Bernardes, 2014).
Dentro desse contexto, as civilizações
desenvolveram aparatos tecnológicos para
prolongar os recursos naturais visando obtê-los
de prontidão, pelo maior tempo possível e com o
mínimo dispêndio de energia (Diamond, 2013).
Apesar de ecoloicamente compreensível, esse
objetivo humano é ecologicamente bem peculiar,
visto que os recursos naturais sempre são finitos
e inconstantes no tempo e no espaço (Odum,
2004). Dentro da reciprocidade ecoloica o
homem coloca em primazia o objetivo do recurso
natural, isto é, algo a ser buscado em prol da
sobrevivência, muitas vezes ignorando que eles
estão intimamente relacionados à ecologia dos
ecossistemas e, portanto, limitados e modulados
pelas intrínsecas e complexas ligações
biogeoquímicas do funcionamento do planeta.
Em uma visão peculiar, Serres (2011) sugere que
o homem externaliza seus resíduos no intuito de
demarcar propriedade, similar a um animal
lançando suas excretas próximo a sua toca,
exprimindo uma ligação intrínseca com seu
habitat. Nesse sentido, o homem poluiria para se
apropriar. Para que a civilização contemporânea
não sucumba como outras civilizações do
passado, é mister que a reciprocidade ecoloica
galgue uma renúncia da posição antropocêntrica
para uma posição verdadeiramente sustentável
(Yunes e Juliano, 2010).
4. Gestões sustentáveis eficazes pela análise
ambiental
As políticas em gestões sustentáveis
estão mais presentes no setor público e
empresarial através de demarcação territorial,
legislação ambiental, normas para certificação,
responsabilidade socioambiental e outros
procedimentos visando conter e regular ações
antrópicas destrutivas, tornando-se muitas vezes
obsoletas, ineficazes e limitadas em sua
abrangência (Molina et al., 2007). A gestão
ambiental eficaz tem o desafio de deslocar o ser
humano da posição de onipotência
antropocêntrica, integrando-o aos diversos
ambientes em que habita de forma harmônica e
em pleno desenvolvimento ambiental, cultural,
social e econômico (Yunes e Juliano, 2010).
Capra (2006) menciona que a natureza
das relações ecológicas é como uma teia de
interdependência. A maioria das gestões ocorrem
em nível profissional e institucional quando as
mesmas deveriam considerar as interações nos
vários “ambientes” onde o homem “habita”
(Molina et al. 2007), visto que as reciprocidades
ecológicas humanas estão presentes nessas
interações. A interação do homem com esses
“ambientes” repercutiria no seu desenvolvimento
humano (antropológico), na sociedade
(sociológico) e no meio natural (ecológico),
influenciando, portanto, nas respostas às ações
propostas em gestão ambiental (Yunes e Juliano,
2010). De forma conceitual, o homem se
relaciona com a Natureza em todas as
reciprocidades ecológicas humanas abordadas.
As gestões sustentáveis seriam mais eficazes se
as considerassem e desenvolvessem suas
políticas públicas através delas.
Para as ações e práticas eficazes em
gestões sustentáveis, a reciprocidade autoica
talvez seja indiferente, pois praticamente é
impossível saber quais influências um indivíduo
recebe de si mesmo em caráter particular,
genético, molecular, quântico, inconsciente e
considerá-las nas políticas e ferramentas de
gestão ambiental. Diante dos avanços da edição
genética e sua aplicação, talvez no futuro seja
possível o acesso à intricada condição autoica
humana através da biotecnologia, alterando
geneticamente sua forma de perceber os
ambientes e se relacionar com a Natureza.
Contudo, questões éticas na sacralidade do
genoma ainda são consideradas nos estudos da
edição genética (Bergel, 2017).
Dentro do âmbito das reciprocidades
ecológicas humanas, a reciprocidade interoica é
a mais promissora na eficácia das gestões
sustentáveis, visto que todo o aparato biológico
da espécie humana não é suficiente para o
aprendizado e apreensão de ideias, se o indivíduo
não participa de ambientes, experiências e
práticas específicas que propiciem o
desenvolvimento (Vygotsky, 1996). Assim, a
visão que um indivíduo tem da Natureza está
atrelada às influências e interações que recebe no
ambiente interoico. Nessa condição, por
exemplo, um agricultor que vive da terra tem um
apego maior a ela que um turista que tenha
contato eventual com o campo, pois as
percepções e atitudes em relação ao mesmo local
estão ligados ao seu desenvolvimento interoico
(Tuan, 1980). O desenvolvimento interoico
relacionado às experiências e práticas dentro de
um contexto familiar, na escola, nos clubes
poderiam despertar uma topofilia, influenciando
a maneira como esse indivíduo encara os
problemas ambientais, como valoriza o meio
natural e o senso de proteção ambiental (Tuan,
1980). Nesse ponto, para que sejam eficazes, as
gestões sustentáveis deveriam estimular ações
nesses contextos por meio de realidades locais,
estudos ambientais, etnocultura (Molina et al.,
2007), saídas de campo para solução de
problemas ambientais (Baines, 1997),
despertando a conexão intrínseca que todo ser
humano tem com a Natureza.
No que concerne a reciprocidade
perioica, a sociedade contemporânea alcançou
patamares particulares no desenvolvimento
perioico com o advento das tecnologias e redes
sociais. A eficácia das gestões ambientais na
reciprocidade perioica são inúmeras, pois em um
mundo conectado, as ideias se tornam
globalizadas. Os formadores de opinião são
capazes de promover mudanças de paradigmas
dentro de suas realidades e valorar as ações
ambientais locais, que posteriormente podem
tomar proporções mundiais. Através das mídias,
uma prática sustentável, uma denúncia
ambiental, um documentário, uma ação coletiva
pode gerar ideias e mudanças em visões
anteriormente consolidadas no desenvolvimento
estabelecido em uma reciprocidade interoica.
Através das mídias sociais, as culturas se
conectam, facilitando o intercâmbio de ideias,
promovendo consciência, educação e gestão
ambiental:
As redes ambientalistas mostram o potencial para
uma crescente ativação de entidades da
sociedade civil na esfera pública, como atores
pluralistas e multiculturais questionadores, que
exercem pressão e criam consciência ambiental,
mas que também são propositivos, visando a
reduzir os riscos de degradação das condições
socioambientais, sejam elas locais, regionais ou,
mesmo, transnacionais (Jacobi, 2000, p.156).
Atrelado a esse caminho e dentro da
reciprocidade exoica está, por exemplo, o ensino
amador da Astronomia. Através da reciprocidade
perioica, com o auxílio das mídias e redes
sociais, as práticas e desenvolvimento de clubes
de astronomia por pais, escoteiros e a escola,
despertam a abrangente visão de que todos os
seres humanos são parte de um universo infinito
para além do pequeno cotidiano que vivenciam.
Do ponto de vista interoico, quiçá autoico,
quando alguém vislumbra outros mundos pelas
lentes de um telescópio amador ou profissional,
ele sempre começa uma viagem para dentro de si
mesmo (Sagan et al., 1990). Observar os anéis de
Saturno, as luas de Júpiter, as crateras da Lua e
os satélites em órbita; aprender sobre as
constelações, seus nomes e as culturas que as
designaram, muitas vezes sentados em um campo
sob o céu estrelado, em um ambiente social
seguro e repleto de díades, podem deflagrar uma
conexão antiga vivida pelos ancestrais do
homem, promovendo sensações de
pertencimento, de contextualização e
responsabilidade ambiental (Tuan, 1980).
As gestões ambientais atualmente
enfocam suas ações nos recursos naturais, ou
seja, baseadas nos reflexos da sociedade atual
dentro da reciprocidade ecoloica. Os projetos
parecem visar mais a proteção dos recursos
naturais diante da rapidez com que os mesmos
são degradados, no intuito de preserva-los para as
gerações futuras. O grande desafio das gestões
ambientais eficazes, mais que a sustentabilidade,
é trabalhar a ecologia humana dentro das
reciprocidades ecológicas humanas, tornando o
ser humano sustentável. As ações visando a
preservação dos recursos naturais é
extremamente importante, mas serão em vão se
as próximas gerações perpetuarem os
comportamentos predatórios inconsequentes.
Um consenso cada vez mais crescente é
que a educação ambiental, uma das ferramentas
da gestão sustentável, deve ser política, isto é,
mais que simplesmente preservar, ela deve
refletir sobre a transformação das relações da
humanidade com a Natureza em sua essência
política, cultural e socioeconômica (Reigota,
2004). O desenvolvimento ecoloico em linha
com essa vertente, seria a gestão ambiental
sustentável eficaz em sua essência. Todas as
gerações têm o direito de viver em um mundo
sustentável, com seus recursos naturais em
equilíbrio com o desenvolvimento
socioeconômico e cultural. Contudo, é dever de
cada ser humano segurar que a sua sobrevivência
e a sobrevivência das próximas gerações sejam
garantidas, já que o ser humano é seu próprio
algoz e tem o dever de rever suas ações contra o
meio ambiente. Essa consciência plural e coletiva
demanda uma mudança na concepção dos
recursos naturais pelo homem. A consciência de
que é parte componente do meio natural refletirá
na sua decisão de preserva-los, pois nesse
contexto, as próximas gerações precisam ser
poupadas. Essa é a essência da sustentabilidade e
do desenvolvimento ecoloico humano:
Claro que a educação ambiental por si só não
resolverá os complexos problemas ambientais
planetários. No entanto ela pode influir
decisivamente para isso, quando forma cidadãos
conscientes dos seus direitos e deveres. Tendo
consciência e conhecimento da problemática
global e atuando na sua comunidade, haverá uma
mudança no sistema, que se não é de resultados
imediatos, visíveis, também não será sem efeitos
concretos (Reigota, 2004, p. 12).
A espécie humana existe, não há como
extingui-la para que as demais sobrevivam. Ela é
fruto da própria evolução das espécies e não
necessariamente uma ameaça. Os caminhos da
evolução demonstraram que a espécie humana
tem grande capacidade de adaptação. As gestões
ambientais eficazes são aquelas que não
protegem a Natureza do homem, mas o integram
em toda sua essência social, política, cultural e
econômica. A educação ambiental eficaz é
aquela que conseguirá retirar o homem da sua
posição de onipotência antropocênica para a
posição de uma espécie que é capaz de produzir
transformações, indo além de si mesmo em um
pleno desenvolvimento social, cultural,
econômico e entendendo a importância de cada
micróbio, de cada planta, de cada montanha, pois
sabe que são parte de sua sobrevivência.
Para a Ecologia Humana, a humanidade
pode atuar no planeta como promotora de
sustentabilidade em níveis mais profundos e
complexos que apenas proteger para gerações
futuras; tornando-se cuidadora, protetora e
mantenedora dos recursos naturais em um pleno
desenvolvimento ecoloico.
CONCLUSÃO
A Ecologia Humana entende que o
homem é uma espécie biológica e também um
ente social que habita vários ambientes de
reciprocidade. Dentro dessas reciprocidades o
homem se desenvolve promovendo
transformações. As influências antrópicas na
Natureza também resultam da reciprocidade.
As gestões eficazes são capazes de
promover ações e políticas de sustentabilidade
que consideram não somente projetos que
incluam ações reparadoras e coercitivas
envolvendo o meio ambiente, mas também que
promovam o desenvolvimento social,
econômico, cultural e natural ao analisar como o
homem realiza suas relações e conexões dentro
dos ambientes de reciprocidade.
Em um cenário de mudanças
socioambientais drásticas e ameaçadoras para os
recursos naturais do planeta, é mister que a
Educação Ambiental como ferramenta de gestão
seja conduzida a patamares que retirem o ser
humano da posição antropocêntrica para uma
posição coletiva. Nessa posição, as organizações
sociais entenderiam que, apesar da raça humana
ser uma espécie dentre tantas outras, ela também
é capaz de promover equilíbrio nos diversos
ambientes onde habita, não somente nas esferas
ambiental, mas também nas esferas social,
econômica e cultural, de forma que a civilização
seja sustentável em um planeta hígido em tudo e
para todos.
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interfaces com a Educação Ambiental. Cadernos
de Educação. Pelotas [37]: 347 – 379.
(1) Licenciatura em Ciências Biológicas pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pela
Universidade Estadual do Norte Fluminense
Darcy Ribeiro (UENF).
E-mail: leversonchaves@yahoo.com.br
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Artigo bioterra v20_n2_05

  • 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 20 - Número 2 - 2º Semestre 2020 A ECOLOGIA HUMANA NA ANÁLISE AMBIENTAL E AS INFLUÊNCIAS ANTRÓPICAS NO MEIO AMBIENTE: REFLEXÕES PARA GESTÕES SUSTENTÁVEIS EFICAZES Leverson Ferreira Chaves 1 RESUMO A Ecologia Humana não trata apenas o ser humano como uma espécie biológica e sua ligação com a Natureza, mas também sua interação com os muitos ambientes onde ele habita. A questão ecológica humana se relaciona com a habitação desses ambientes e as reciprocidades criadas pelo ser humano. A relação do desenvolvimento humano com as influências antrópicas no meio ambiente reflete a forma como cada indivíduo interage com o meio natural por visões, crenças e valores oriundos dos ambientes em que o homem se desenvolve. As gestões ambientais buscam retirar o homem do antropocentrismo e conduzi-lo na perspectiva de um meio ambiente sustentável em todos os aspectos. O entendimento dos ambientes que influenciam o desenvolvimento humano permite criar gestões sustentáveis mais eficazes, indo além de projetos e ações voltados apenas para um enfoque administrativo. Através de uma ampla pesquisa de revisão bibliográfica foi possível gerar reflexões sobre a ecologia humana e os vários ambientes onde o homem está inserido, pensar a relação entre esses ambientes e as influências antrópicas no meio ambiente, além de ponderar a eficácia das ações em gestões sustentáveis em um cenário de mudanças socioambientais drásticas e ameaçadoras para os recursos naturais do planeta. Palavras-chave: Ecologia, Sociedade, Ambiente, Gestão, Sustentabilidade. HUMAN ECOLOGY IN ENVIRONMENTAL ANALYSIS AND ANTHROPOLOGICAL INFLUENCES IN THE ENVIRONMENT: REFLECTIONS FOR EFFECTIVE SUSTAINABLE MANAGEMENT ABSTRACT Human Ecology not only treats humans as a biological species and its connection with Nature, but also its interaction with the many environments where it inhabits. The human ecological issue has a relation with the habitation of these environments and the reciprocities created by the human being. The relationship of human development with anthropogenic influences on the environment reflects how each individual interacts with the natural environment through visions, beliefs and values derived from the environments in which man develops. Environmental management seeks to remove man from anthropocentrism and to lead it in the perspective of a sustainable environment in all aspects. Understanding the environments that influence human development allows us to create effective sustainable management, going beyond the projects and actions focused only on an administrative approach. In an extensive bibliographical review research, it was possible to generate reflections on human ecology and the various environments where man is. It was to think about the relationship between these environments and anthropic influences on the environment, as well as to consider the effectiveness of actions in sustainable management in a scenario of drastic and threatening socio- environmental changes for the natural resources of the planet. Keywords: Ecology, Society, Environment, Management, Sustainability. 56
  • 2. INTRODUÇÃO A palavra ecologia, proposta pela primeira vez pelo biólogo alemão Ernest Haeckel em 1869, traz em sua essência o estudo das relações dos organismos ou grupo de organismos com o seu ambiente (Odum, 2004). A Ecologia Humana não é uma das ramificações da Ecologia, ainda que utilize seus conceitos (Begossi, 1993). Para alguns autores, na Ecologia Humana não há referência à Natureza somente, mas à habitação (oikos), onde o ser humano “habita” muitos lugares (corpo, família, escola, cidade, país, continente, planeta, Cosmos), gerando interações entre espaços mentais, sociais e geográficos (Castro, 1992). A questão ecológica humana permearia a relação do sujeito e a habitação desses ambientes, os processos neles e entre eles envolvidos, bem como os reflexos da interação mútua entre o homem em desenvolvimento e o mundo em transformação (Portugal, 1992). Na dinâmica do planeta Terra, um mundo em constante transformação, estão consolidados impactos profundos ocorridos pela influência de muitos organismos vivos, incluindo a espécie humana, que mudaram os rumos do planeta (Donn, 1978). Enquanto organismo vivo e, portanto, sob a influência dos agentes evolutivos, a espécie humana desenvolveu adaptações e aptidões de grande representatividade no córtex cerebral, tais como a preensão e a habilidade motora fina, o que permitiu a manipulação de objetos e a fabricação de instrumentos para inovações e realizações tecnológicas (Fonseca, 1998). Ao longo do tempo, o aperfeiçoamento dessas inovações promoveu profundas transformações no sistema planetário, ao ponto de suscitar reflexões acerca do provável início de uma nova era geológica, a saber, o Antropoceno (Viola e Basso, 2016). A espécie humana mudou seu ambiente através do conhecimento sobre seu mundo e criou ferramentas industriais de produção em massa, culminando em tecnologias de ponta consolidadas no início do século XXI (Kormondy e Brown, 2002). Contudo, a demanda por recursos naturais e a formação de resíduos oriundas do desenvolvimento em expansão das sociedades humanas industrializadas não seriam totalmente compatíveis com a capacidade de sustentação e regeneração do planeta, influenciando os fluxos biogeoquímicos, poluindo os recursos naturais, destruindo a biodiversidade e alterando o meio ambiente (Viola e Basso, 2016). Diante do aparente paradoxo entre as influências antrópicas que ameaçam os finitos recursos naturais do planeta e o desenvolvimento econômico que permita a manutenção da crescente expansão do modo de vida da sociedade humana (Bursztyn, 1995), questiona- se a possibilidade da existência de gestões sustentáveis capazes de conciliar desenvolvimento econômico e meio ambiente dinâmico funcional. As demandas do desenvolvimento humano são, em sua essência, consumidoras dos recursos naturais, contudo, para Bursztyn (1995, p.99), “a maior parte dos problemas ambientais do nosso planeta resulta muito mais do mau desenvolvimento do que do não desenvolvimento”. Para que as gestões sustentáveis se tornem eficazes, suas ações e políticas deveriam promover mudanças em níveis sistêmicos do desenvolvimento humano (ecologia humana) e não apenas individualmente (Yunes e Juliano, 2010), isto é, não ligados apenas à Natureza (Ecologia). As gestões sustentáveis, muitas vezes de caráter institucional e técnico (Molina et al., 2007), deveriam considerar ações que levem em conta a ecologia humana nos muitos “ambientes” (oikos) em que a espécie humana está inserida, bem como a dualidade da sua existência, isto é, a espécie animal, fio da trama ecológica da biosfera e o ente criador de “ambientes” singulares e socialmente distintos (Buttel, 1992). Nesse contexto e justificativa, o objetivo principal desse estudo, através de uma ampla pesquisa de revisão bibliográfica, foi gerar reflexões sobre a ecologia humana e os vários “ambientes” onde o homem está inserido, pensar a relação entre esses “ambientes” e as influências antrópicas no meio ambiente, além de ponderar a eficácia das ações em gestões sustentáveis em um cenário de mudanças socioambientais drásticas e ameaçadoras para os recursos naturais do planeta. 1. Antropoceno, Ecologia e Ecologia Humana A proposta de uma nova era geológica, o Antropoceno, demonstraria um entendimento das Ciências Naturais sobre a magnitude da
  • 3. influência humana sobre o planeta Terra (Viola e Basso, 2016). Para a Ecologia, integrante das Ciências Naturais, a espécie humana é uma dentre as muitas outras oriundas do processo evolutivo na biosfera (Odum, 2004), dotada de adaptações peculiares e que tem alterado profundamente o meio ambiente em que vive. Essas mudanças profundas ocorrem principalmente pela forma como a espécie humana utiliza os recursos naturais, pela extensão dos impactos ambientais que as populações humanas causam e pela complexidade do funcionamento dos ecossistemas, tornando os danos ambientais difíceis de prever e de intervir: ... os ecossistemas são caracterizados por comportamentos não lineares, o que faz com que não seja possível fazer previsões de intervenções baseadas apenas em conhecimentos sobre cada componente individualmente (Andrade e Romeiro, 2009, p.4). Do ponto de vista das Ciências Sociais e Humanas, representadas de forma contundente pela Sociologia e pela Antropologia, com fortes influências do pensamento sociológico clássico, o homem é singular em todo o mundo animal, pela capacidade de criar comunicação simbólica e cultura (Buttel, 1992). Nessa visão, as diferenças humanas não seriam inatas, mas socialmente induzidas e alteradas. Além disso, a cultura poderia variar infinitamente e se acumular, transcendendo as características biológicas, permitindo o progresso ilimitado e a solução de todos os problemas sociais da humanidade (Catton e Dunlap, 1978). Em uma abordagem ambiental, para a Ecologia Humana, o homem é singular e complexo, mas também participante das influências e feedbacks ambientais oriundos de consequências voluntárias a partir de sua ação social intencional, pois habita um planeta finito de recursos e com limites biogeoquímicos que modulam seu progresso socioeconômico (Catton e Dunlap, 1978). Assim, é impossível separar a espécie humana do ente humano no que concerne as questões do meio ambiente, pois a humanidade interage de múltiplas formas e em amplos contextos nos “ambientes” em que se desenvolve, gerando influências em todos esses ambientes, incluindo a Natureza. Para além da proposta antropocênica, tem havido um consenso de que muitos dos problemas ambientais sinalizam ligações com o processo de desenvolvimento humano no que concerne à organização das sociedades humanas, a utilização dos recursos naturais, a pressão socioeconômica sobre os ecossistemas (Nobre et al., 2012) e o entendimento sobre o funcionamento dos mesmos. Diante desses problemas surgem propostas de gestões que visam integrar desenvolvimento socioeconômico, sustentabilidade, solução para os problemas socioambientais e inovação tecnológica (Molina et al., 2007). As discussões acerca de questões ambientais, como por exemplo, as relacionadas ao clorofluorcarbono e o ozônio, bem como a utilização dos combustíveis fósseis e o aquecimento global, incutiram que o meio ambiente modularia o desenvolvimento socioeconômico e, consequentemente, o bem-estar humano, quando na verdade, serviços ecossistêmicos hígidos podem ser motores da economia e do desenvolvimento social da população (Andrade e Romeiro, 2009). Seja do ponto de vista da Ecologia ou da Ecologia Humana, o homem ainda é o ator antropocênico das mudanças globais, mas também detentor de conhecimento, cultura e experiência no fracasso e no sucesso no processo civilizatório tão entrelaçado ao mundo natural. Segundo a visão antropocênica, o homem é o principal vetor das mudanças no sistema planetário (Viola e Basso, 2016), e por isso, toda proposta de gestão eficaz deveria considerar o homem como ponto de partida para ações e projetos, além de conduzir o entendimento de que toda gestão ambiental deveria ter uma visão ecológica, antropológica e social do homem. 2. O oikos e os vários ambientes da Ecologia Humana A forma como o ser humano percebe o mundo interno e externo está atrelada ao seu desenvolvimento. Segundo Bronfenbrenner (1974, p.4), “a pessoa em desenvolvimento molda-se, muda e recria o meio no qual se encontra”, sendo influenciado pelo mesmo em uma interação mútua. Em um processo, nem sempre linear e envolvendo múltiplos contextos, o meio seria de máxima importância no
  • 4. desenvolvimento da espécie humana (Vygotsky, 1996). O “ambiente” onde acontece o desenvolvimento humano caracteriza-se por ser abrangente e ocorrer dentro dos campos cognitivo, afetivo, social e motor, evolvendo cultura, sociedade, práticas e interações (Vygotsky, 1996). O ser humano “habita” muitos lugares gerando inter-relações e múltiplas interações entre espaços mentais, sociais e geográficos, que incluem o corpo, a família, a escola, a cidade, o país, o continente, o planeta e até mesmo o Cosmos (Castro, 1992). Esses “habitats” são múltiplos, interativos, particulares, coletivos e abrangê-los em sua totalidade é quase impossível pela sua natureza complexa e porque cada indivíduo é um ser único. A interação do homem com o ambiente é caracterizada pela reciprocidade, em que quando um sofre um processo de desenvolvimento o outro também sofrerá (Bronfenbrenner, 1974). Nos múltiplos “oikos” (ambientes), o homem relaciona-se em reciprocidade consigo mesmo, com os outros e com os objetos dentro desses ambientes. Nessa visão, propõe-se que o homem teria reciprocidade autoica quando se relaciona consigo mesmo; reciprocidade interoica quando se relaciona com a família e com a cidade (escola, clube, igreja, etc.); reciprocidade perioica quando se relaciona com países, continentes e com seu planeta; reciprocidade exoica quando se relaciona com o Cosmos, os planetas e seus possíveis habitantes; e, por fim, a reciprocidade ecoloica quando se relaciona com os recursos naturais e com o meio natural. Na reciprocidade autoica, o homem se relaciona diretamente consigo em um ambiente particular, individual e interno, porém, não estando só dentro de si. Ainda no útero, a partir do momento em que estão aptas para acessar informações, as organizações somáticas hereditárias permitem reciprocidade, trocas e interações em uma relação do indivíduo com ele mesmo. Essas interações vão desde a fisiologia celular em seus amplos aspectos, passando pela propriocepção até reações da mente. Não se trata de um monólogo sem repostas, mas da interação de vários componentes dentro do próprio indivíduo de forma recíproca ao nível molecular, celular, fisiológico, perceptivo e mental. O indivíduo apresenta autopercepção mesmo em níveis básicos ou até inconscientes, percebendo- se, recebendo estímulos de si mesmo em uma reciprocidade autoica, similar ao id concebido por Freud para explicar o aparelho psíquico humano (Lima, 2010). Segundo Freud, o id é caracterizado como a reserva instintiva inconsciente dos desejos e dos impulsos que se originam da organização somática, contendo tudo que é geneticamente herdado, inato e inconsciente (Lima, 2010). O id poderia se configurar em uma reciprocidade autoica do indivíduo que, posteriormente modulado por outras duas instâncias psíquicas chamadas ego e superego, realizaria relações bidirecionais com outros ambientes em reciprocidade, denominadas por Bronfenbrenner (1996) de díades. Na reciprocidade interoica, o homem estabelece inter-relações sociais dinâmicas e constantes em ambientes que englobam a família, a cidade, a escola, o clube, o templo ou qualquer outro espaço em que sua interação seja cotidiana, sensorial e direta. O desenvolvimento humano se dá nas trocas, mediações e interações entre parcerias sociais (Vygotsky, 1996), configurando alterações estáveis e dinâmicas na psicologia humana durante seu ciclo de vida e através das gerações (Yunes e Juliano, 2010). O desenvolvimento promovido na reciprocidade interoica acontece de forma vasta e imediata dentro das conexões estabelecidas entre o indivíduo, seus pares e o meio em constante transformação (Portugal, 1992). As relações são estabelecidas face a face, onde os atores concebem o mundo imersos na sua própria percepção e não como a realidade de fato se apresenta (Yunes e Juliano, 2010). Nessa percepção do mundo, o indivíduo interage em ambientes formadores de atitudes, opiniões, valores, crenças e ideologias de forma receptiva, participativa, ativa e influente (Goldberg et al., 2005). O desenvolvimento é baseado no resultado dessas trocas, interações e relações, e influenciam de forma contundente o pensamento e a cultura social. Na reciprocidade interoica o desenvolvimento ocorre substancialmente pela gama de interações existentes, visto que são constantes, cotidianas e de forma direta nos ambientes que o indivíduo habita. Nesse processo, o indivíduo interoico realiza uma mudança em si mesmo e muda os ambientes nos quais interage.
  • 5. Na reciprocidade perioica as inter- relações são realizadas dentro de contextos regionais, geográficos e sociopolíticos cuja abrangência não permita uma interação direta, cotidiana e sensorial. Dessa forma, ela ocorre com outros países e continentes dentro do planeta Terra, bem como dentro do próprio país onde o indivíduo interage quando as distâncias regionais não permitem uma interação direta. Na reciprocidade perioica a interação é sempre indireta, impessoal, esporádica e com restrição sensorial. A discrepância geográfica, a distinção de culturas, valores, crenças e ideologias, bem como a barreira do idioma podem restringir a interação, modulando o desenvolvimento entre esses ambientes de uma forma menos dinâmica e profunda que a reciprocidade interoica. A reciprocidade existe, contudo, pelas discrepâncias geográficas e os fatores relacionados a ela, um membro da díade pode ser mais influente que o outro em determinados momentos, visto que a ausência cotidiana, direta e sensorial dos mecanismos de desenvolvimento ligados a interação face a face (Yunes e Juliano, 2010) são limitantes. Na reciprocidade exoica o homem interage com o Cosmos e, portanto, com os planetas, o sistema solar, as galáxias e seus possíveis habitantes. A interação do ser humano com o Universo remonta à Antiguidade, cuja relação com os fenômenos celestes estava ligada à subsistência e ao desenvolvimento das sociedades (Duarte e Lima, 2004). Através da tecnologia, o homem ultrapassou os limites da atmosfera terrestre promovendo um avanço na sua relação com o Cosmos. A exploração espacial promoveu o crescimento da humanidade, conduzindo o homem a patamares de desenvolvimento, enquanto espécie e ente humano, tão vastos quanto o próprio Universo. Nessa reciprocidade, a relação é direta, sensorial e cotidiana, pois o ser humano interage com o Sol, com a Lua, com as estrelas e recebe do Cosmos recursos naturais e influências. Contudo, essa relação também é indireta, não sensorial e não cotidiana, pois o homem não pode sair do planeta sem o aparato tecnológico. A reciprocidade exoica é tão própria do ser humano quanto a reciprocidade autoica, interoica e perioica, pois a humanidade sempre promoveu com os corpos celestes relações profundas, ao ponto de considerá-las como deidades (Steiner, 2006). E como ocorre com toda deidade, a relação do homem é abstrata e intangível, apesar de contundente e influente na forma como ela influencia na interação do ser humano com os ambientes. Na reciprocidade ecoloica, o homem se relaciona com os recursos naturais e com o meio natural. Na reciprocidade ecoloica, a interação do homem vai além de uma relação ecológica biológica, tanto como espécie quanto como ente humano, pois não se trata apenas de sobrevivência, subsistência, matéria e energia, mas também de desenvolvimento e transformações mútuas, gerando díades e influências profundas nos membros dessa relação. Na reciprocidade ecoloica encontramos relação afetiva, equilíbrio de poder e interconexões próprias das díades e reciprocidades (Bronfenbrenner, 1974), bem como uma relação ecológica biológica própria das espécies com a Natureza. Diferente das interações ecológicas, onde o homem é apenas e essencialmente uma espécie animal, na reciprocidade ecoloica o homem é também uma espécie que promove mudanças no meio natural através de sua cultura, do acúmulo de conhecimento e da comunicação simbólica. Nela, o ser humano é capaz de realizar múltiplas interações com o meio natural de forma diferenciada de todas as outras espécies (Sagan et al., 1990). Nessa interação o homem pode modular sua própria extinção, pode promover a extinção das outras espécies, pode entender o funcionamento do meio natural, pode influenciar outros seres vivos, alterar genomas, criar vantagens sobre as forças de seleção natural e evitar catástrofes ambientais, diferente dos dinossauros e das cianobactérias, por exemplo. 3. As reciprocidades ecológicas humanas e as influências antrópicas Os distúrbios no meio natural gerados pelas influências antrópicas, sobretudo após a Revolução Industrial, sinalizam ameaças que colocam em risco os ecossistemas e as sociedades humanas (Viola e Basso, 2016). As atividades oriundas do desenvolvimento socioeconômico suscitam questionamentos acerca da incoerência do crescimento às custas da sobrevivência, sugerindo hipóteses sobre as escolhas do homem em continuar poluindo e
  • 6. degradando diante das perspectivas catastróficas ambientais no futuro. As reflexões sobre a relação entre as reciprocidades ecológicas humanas e as influências antrópicas no meio natural podem lançar luz sobre os caminhos escolhidos pelo homem na sua relação com o planeta. Em relação a reciprocidade autoica e as influências antrópicas no meio natural, nenhum indivíduo é semelhante no ambiente autoico devido as múltiplas e complexas interações na autopercepção e nas nuances das variações genéticas, epigenéticas, anatômicas e até mesmo quânticas próprias de cada ser humano. Essas reflexões levantam ideias da possibilidade de que cada indivíduo poderia ter, de forma autoica, uma conexão ou desconexão com a Natureza, isto é, uma inerência autoica para depredar, poluir conscientemente, visar o lucro insustentável ou até mesmo sofrer danos e prejuízos por uma causa ambiental. Do ponto de vista racional é extremamente ilógico, insano e atípico, mas talvez autoico, o homem colocar conscientemente o lucro acima da sobrevivência de todos, ou destruir o planeta para preservar-se em uma situação bélica, por exemplo. Contudo, para Koshiba e Pereira (2004), essa possibilidade não é congruente com as sociedades humanas antes da revolução neolítica, visto que a desigualdade pressupõe uma exploração do homem pelo homem, denotando uma economia produtora em funcionamento já vigente naquele período, o que não parece ser um consenso arqueológico. Do ponto de vista da ecologia humana, é impossível isolar o indivíduo autoico, pois a partir do momento em que ele existe, a reciprocidade autoica já estabelece interações com outras reciprocidades, mesmo dentro do útero, tornando-o um ser humano. O homem autoico interage com culturas, valores, ideias, comportamentos que o tornam sociocultural. Assim, as influências do ponto de vista autoico quase desaparecem a partir das interações com outras reciprocidades, tornando o homem autoico imerso no homem cultural do contexto em que está inserido, o que talvez poderia justificar a ausência arqueológica de influências antrópicas típicas de um desenvolvimento egoísta nas sociedades humanas antes da revolução neolítica: Temos uma parte de nós que responde a partir da condição natural e outra parte a cultural. Não há como isolar o ser humano dessas teias e analisa- lo sem a cultura, como um ser natural, a cultura está indissociável do mesmo e é isso que o torna efetivamente humano (Silva e Sammarco, 2015, p.10). A partir da reciprocidade interoica, o indivíduo autoico estabelece mudanças no seu desenvolvimento que marcarão profundamente a sua relação com o meio natural e seus recursos. Através da reciprocidade interoica, o indivíduo vê o mundo baseado na organização social consolidada vigente onde está inserido. As constantes interações de forma cotidiana, sensorial e direta entre os indivíduos culminarão na organização de sociedades e culturas sólidas através de parcerias sociais, costumes, ideias, atitudes, opiniões, valores, crenças e ideologias (Goldberg et al., 2005), resultando em uma sociedade consolidada e que ditará normas, regras, valores e visões ao influenciar cada indivíduo em sua forma de se relacionar com o mundo natural. As normas e valores, muitas vezes direcionada mais pelo vínculo social do que pelas convicções internas próprias do indivíduo, poderão encontrar outras sociedades sólidas (Goldberg et al., 2005), duradouras, com visões, valores e ideias próprias de sua reciprocidade interoica. Esses valores podem ser remodelados através de díades envolvendo relações de poder e afetividade, sendo desconstruídos muitas vezes em uma reciprocidade perioica por uma nova visão, choque entre realidades e contextos vindos de outros locais e culturas. Através da reciprocidade perioica, outras organizações sólidas, mas nem sempre permanentes, com valores, ideias e visões diferenciadas ou parecidas poderão agregar novas ferramentas e experiências a ambas organizações sociais, consolidando ou rejeitando visões sobre a forma como se relacionam com o meio natural e apropriam os seus recursos (Molina et al., 2007). O comportamento de apropriação dos recursos naturais muda de acordo com a organização sociocultural, não significando que as atividades humanas em culturas mais arcaicas não degradem recursos e se extingam, como aconteceu na Ilha de Páscoa e na civilização maia. Os limites biogeoquímicos do planeta, as
  • 7. mudanças climáticas e a aparente apatia diante dos sinais de um colapso social parecem ser uma constante nos achados arqueológicos acerca dos fracassos das antigas civilizações humanas (Diamond, 2013). O indivíduo e as organizações sociais também estabelecem relações com o meio natural em cunho filosófico e religioso, protegendo ou degradando a Natureza por visões míticas adquiridas nas reciprocidades interoica e perioica, consolidadas e passadas de geração a geração, e às vezes iniciadas como estratégia de sobrevivência. Begossi (1993) relata estudos que sugerem que o canibalismo asteca era uma forma de satisfazer as necessidades de proteína animal em uma área escassa de ruminantes e de alto custo na produção de cereais para alimentar pequenos animais. Isso também pode ocorrer na preservação de um recurso natural, como a sacralidade das vacas na Índia: ... a vaca é muito importante para ser eliminada (tabu de uso), por garantir o leite e o arado da terra, dentre outros (o consumo da vaca eliminaria seus benefícios) (Begossi, 1993, p.7). A visão de que a Natureza era algo criado por uma deidade para servir ao ser humano também marcou o comportamento de apropriação muito antes da Revolução Industrial, no período colonial, onde os colonizadores enxergavam os territórios naturais e seus recursos como espaços a serem explorados para o avanço dos interesses econômicos, muitas vezes de forma insustentável: A primeira não deixa dúvidas quanto ao total desrespeito à flora nativa, considerada pelo português que aqui chegava quase sempre como desprezível (merecedora de ser queimada e substituída por espécies exóticas, valorizadas, elas sim, pelos europeus) e, sempre inesgotável (Corrêa et al., 2013, p.187). De acordo com o desenvolvimento através das reciprocidades interoica e perioica, as comunidades humanas se diversificam na forma como se organizam no âmbito sociocultural, determinando profundamente como essas sociedades respondem às ameaças e os sinais de colapso, resolvem seus problemas socioeconômicos e socioambientais (Diamond, 2013) e interferem no meio natural. A organização social criada também direcionará a forma como veem a Natureza e como interagem com o contexto natural na busca por recursos, isto é, como se apropriam dele (Mendonça, 2005). A relação da reciprocidade exoica com as influências antrópicas no meio ambiente estão profundamente ligadas ao desenvolvimento tecnológico humano. Dentro da reciprocidade exoica, o Cosmos estabelece com o ser humano inter-relações em um nível nunca alcançado no ambiente terrestre e com repercussões ainda pouco conhecidas pela Ciência. As conquistas espaciais talvez permitirão que o ser humano colonize outros planetas e estabeleça díades entre ambientes e realidades extremas, quiçá formas de vida e culturas totalmente discrepantes das encontradas no planeta Terra. Apesar disso, as influências antrópicas na exosfera já são uma realidade. Nogueira (2005) relata que a poluição pelos detritos espaciais oriundos da exploração espacial aconteceu antes do homem entender a exosfera, mas no instante em que a ocupou. As sondas enviadas ao espaço, além de fontes poluidoras, podem contaminar ambientes desconhecidos, inclusive com fontes biológicas (Sobreira, 2005). Os astronautas da Apolo-12 recolheram partes de uma sonda anteriormente lançada à Lua, e constatou-se sinais de contaminação por vírus da gripe nas peças (Nogueira, 2005). As repercussões de uma possível contaminação exobiológica por material oriundo da Terra são especulativas, mas poderiam ter consequências drásticas pelo conhecimento insuficiente da dinâmica dos ecossistemas siderais. O lixo espacial, detritos antrópicos que se mantêm-se em órbita sem função útil, podem reentrar na atmosfera terrestre (Moreno, 2008) causando danos ambientais. Os detritos espaciais já são uma realidade e são fontes de poluição através de componentes e materiais tóxicos e radioativos que caem em outros planetas e satélites, bem como nos rios, aquíferos, solos e cidades do planeta Terra. Nas últimas décadas, em uma reciprocidade exoica, o ser humano saiu dos limites da atmosfera terrestre e levou a sua relação com o Cosmos a um passo além, não mais apenas recebendo influências do espaço sideral através do Sol, dos meteoritos, dos cometas, das estrelas e de outros planetas, mas
  • 8. também gerando influências através dos resíduos produzidos por satélites, sondas, viagens espaciais e talvez pela sua influência antrópica no planeta Terra, visto que os planetas exportam matéria e energia para a exosfera (Duarte e Lima, 2004). Com os avanços na exploração espacial, as inter-relações do homem com o Cosmos incrementará a dimensão dessa reciprocidade, cujos resultados são ainda pouco conhecidos. Ainda dentro dos ambientes na ecologia humana, a reciprocidade ecoloica é extremamente contundente no âmbito das influências antrópicas ambientais. Como todas as espécies da Terra, o homem busca incessantemente por recursos naturais com o objetivo de garantir sua sobrevivência, seja pelo domínio do fogo, da invenção da roda, do desenvolvimento da agricultura, das cidades e civilizações, culminando nos atuais mecanismos tecnológicos (Sagan et al., 1990). As especulações acerca dos danos ao meio natural em relação às tecnologias são ainda polêmicas e relevantes diante dos grandes benefícios socioambientais que os avanços tecnológicos oferecem, haja vista as controvérsias acerca dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) e a comercialização dos transgênicos, a utilização dos pesticidas e sua influência na biota (Carson, 2010), os resíduos produzidos tecnologicamente e a poluição ambiental, todos oriundos das influências antrópicas relacionadas à tecnologia. Como toda espécie no planeta Terra, a sobrevivência é um dos principais objetivos da espécie humana. A forma como o homem interage ecoloicamente tem íntima relação com a forma como o homem encara sua sobrevivência no tempo e no espaço (Naves e Bernardes, 2014). Dentro desse contexto, as civilizações desenvolveram aparatos tecnológicos para prolongar os recursos naturais visando obtê-los de prontidão, pelo maior tempo possível e com o mínimo dispêndio de energia (Diamond, 2013). Apesar de ecoloicamente compreensível, esse objetivo humano é ecologicamente bem peculiar, visto que os recursos naturais sempre são finitos e inconstantes no tempo e no espaço (Odum, 2004). Dentro da reciprocidade ecoloica o homem coloca em primazia o objetivo do recurso natural, isto é, algo a ser buscado em prol da sobrevivência, muitas vezes ignorando que eles estão intimamente relacionados à ecologia dos ecossistemas e, portanto, limitados e modulados pelas intrínsecas e complexas ligações biogeoquímicas do funcionamento do planeta. Em uma visão peculiar, Serres (2011) sugere que o homem externaliza seus resíduos no intuito de demarcar propriedade, similar a um animal lançando suas excretas próximo a sua toca, exprimindo uma ligação intrínseca com seu habitat. Nesse sentido, o homem poluiria para se apropriar. Para que a civilização contemporânea não sucumba como outras civilizações do passado, é mister que a reciprocidade ecoloica galgue uma renúncia da posição antropocêntrica para uma posição verdadeiramente sustentável (Yunes e Juliano, 2010). 4. Gestões sustentáveis eficazes pela análise ambiental As políticas em gestões sustentáveis estão mais presentes no setor público e empresarial através de demarcação territorial, legislação ambiental, normas para certificação, responsabilidade socioambiental e outros procedimentos visando conter e regular ações antrópicas destrutivas, tornando-se muitas vezes obsoletas, ineficazes e limitadas em sua abrangência (Molina et al., 2007). A gestão ambiental eficaz tem o desafio de deslocar o ser humano da posição de onipotência antropocêntrica, integrando-o aos diversos ambientes em que habita de forma harmônica e em pleno desenvolvimento ambiental, cultural, social e econômico (Yunes e Juliano, 2010). Capra (2006) menciona que a natureza das relações ecológicas é como uma teia de interdependência. A maioria das gestões ocorrem em nível profissional e institucional quando as mesmas deveriam considerar as interações nos vários “ambientes” onde o homem “habita” (Molina et al. 2007), visto que as reciprocidades ecológicas humanas estão presentes nessas interações. A interação do homem com esses “ambientes” repercutiria no seu desenvolvimento humano (antropológico), na sociedade (sociológico) e no meio natural (ecológico), influenciando, portanto, nas respostas às ações propostas em gestão ambiental (Yunes e Juliano, 2010). De forma conceitual, o homem se relaciona com a Natureza em todas as reciprocidades ecológicas humanas abordadas. As gestões sustentáveis seriam mais eficazes se
  • 9. as considerassem e desenvolvessem suas políticas públicas através delas. Para as ações e práticas eficazes em gestões sustentáveis, a reciprocidade autoica talvez seja indiferente, pois praticamente é impossível saber quais influências um indivíduo recebe de si mesmo em caráter particular, genético, molecular, quântico, inconsciente e considerá-las nas políticas e ferramentas de gestão ambiental. Diante dos avanços da edição genética e sua aplicação, talvez no futuro seja possível o acesso à intricada condição autoica humana através da biotecnologia, alterando geneticamente sua forma de perceber os ambientes e se relacionar com a Natureza. Contudo, questões éticas na sacralidade do genoma ainda são consideradas nos estudos da edição genética (Bergel, 2017). Dentro do âmbito das reciprocidades ecológicas humanas, a reciprocidade interoica é a mais promissora na eficácia das gestões sustentáveis, visto que todo o aparato biológico da espécie humana não é suficiente para o aprendizado e apreensão de ideias, se o indivíduo não participa de ambientes, experiências e práticas específicas que propiciem o desenvolvimento (Vygotsky, 1996). Assim, a visão que um indivíduo tem da Natureza está atrelada às influências e interações que recebe no ambiente interoico. Nessa condição, por exemplo, um agricultor que vive da terra tem um apego maior a ela que um turista que tenha contato eventual com o campo, pois as percepções e atitudes em relação ao mesmo local estão ligados ao seu desenvolvimento interoico (Tuan, 1980). O desenvolvimento interoico relacionado às experiências e práticas dentro de um contexto familiar, na escola, nos clubes poderiam despertar uma topofilia, influenciando a maneira como esse indivíduo encara os problemas ambientais, como valoriza o meio natural e o senso de proteção ambiental (Tuan, 1980). Nesse ponto, para que sejam eficazes, as gestões sustentáveis deveriam estimular ações nesses contextos por meio de realidades locais, estudos ambientais, etnocultura (Molina et al., 2007), saídas de campo para solução de problemas ambientais (Baines, 1997), despertando a conexão intrínseca que todo ser humano tem com a Natureza. No que concerne a reciprocidade perioica, a sociedade contemporânea alcançou patamares particulares no desenvolvimento perioico com o advento das tecnologias e redes sociais. A eficácia das gestões ambientais na reciprocidade perioica são inúmeras, pois em um mundo conectado, as ideias se tornam globalizadas. Os formadores de opinião são capazes de promover mudanças de paradigmas dentro de suas realidades e valorar as ações ambientais locais, que posteriormente podem tomar proporções mundiais. Através das mídias, uma prática sustentável, uma denúncia ambiental, um documentário, uma ação coletiva pode gerar ideias e mudanças em visões anteriormente consolidadas no desenvolvimento estabelecido em uma reciprocidade interoica. Através das mídias sociais, as culturas se conectam, facilitando o intercâmbio de ideias, promovendo consciência, educação e gestão ambiental: As redes ambientalistas mostram o potencial para uma crescente ativação de entidades da sociedade civil na esfera pública, como atores pluralistas e multiculturais questionadores, que exercem pressão e criam consciência ambiental, mas que também são propositivos, visando a reduzir os riscos de degradação das condições socioambientais, sejam elas locais, regionais ou, mesmo, transnacionais (Jacobi, 2000, p.156). Atrelado a esse caminho e dentro da reciprocidade exoica está, por exemplo, o ensino amador da Astronomia. Através da reciprocidade perioica, com o auxílio das mídias e redes sociais, as práticas e desenvolvimento de clubes de astronomia por pais, escoteiros e a escola, despertam a abrangente visão de que todos os seres humanos são parte de um universo infinito para além do pequeno cotidiano que vivenciam. Do ponto de vista interoico, quiçá autoico, quando alguém vislumbra outros mundos pelas lentes de um telescópio amador ou profissional, ele sempre começa uma viagem para dentro de si mesmo (Sagan et al., 1990). Observar os anéis de Saturno, as luas de Júpiter, as crateras da Lua e os satélites em órbita; aprender sobre as constelações, seus nomes e as culturas que as designaram, muitas vezes sentados em um campo sob o céu estrelado, em um ambiente social seguro e repleto de díades, podem deflagrar uma conexão antiga vivida pelos ancestrais do homem, promovendo sensações de
  • 10. pertencimento, de contextualização e responsabilidade ambiental (Tuan, 1980). As gestões ambientais atualmente enfocam suas ações nos recursos naturais, ou seja, baseadas nos reflexos da sociedade atual dentro da reciprocidade ecoloica. Os projetos parecem visar mais a proteção dos recursos naturais diante da rapidez com que os mesmos são degradados, no intuito de preserva-los para as gerações futuras. O grande desafio das gestões ambientais eficazes, mais que a sustentabilidade, é trabalhar a ecologia humana dentro das reciprocidades ecológicas humanas, tornando o ser humano sustentável. As ações visando a preservação dos recursos naturais é extremamente importante, mas serão em vão se as próximas gerações perpetuarem os comportamentos predatórios inconsequentes. Um consenso cada vez mais crescente é que a educação ambiental, uma das ferramentas da gestão sustentável, deve ser política, isto é, mais que simplesmente preservar, ela deve refletir sobre a transformação das relações da humanidade com a Natureza em sua essência política, cultural e socioeconômica (Reigota, 2004). O desenvolvimento ecoloico em linha com essa vertente, seria a gestão ambiental sustentável eficaz em sua essência. Todas as gerações têm o direito de viver em um mundo sustentável, com seus recursos naturais em equilíbrio com o desenvolvimento socioeconômico e cultural. Contudo, é dever de cada ser humano segurar que a sua sobrevivência e a sobrevivência das próximas gerações sejam garantidas, já que o ser humano é seu próprio algoz e tem o dever de rever suas ações contra o meio ambiente. Essa consciência plural e coletiva demanda uma mudança na concepção dos recursos naturais pelo homem. A consciência de que é parte componente do meio natural refletirá na sua decisão de preserva-los, pois nesse contexto, as próximas gerações precisam ser poupadas. Essa é a essência da sustentabilidade e do desenvolvimento ecoloico humano: Claro que a educação ambiental por si só não resolverá os complexos problemas ambientais planetários. No entanto ela pode influir decisivamente para isso, quando forma cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres. Tendo consciência e conhecimento da problemática global e atuando na sua comunidade, haverá uma mudança no sistema, que se não é de resultados imediatos, visíveis, também não será sem efeitos concretos (Reigota, 2004, p. 12). A espécie humana existe, não há como extingui-la para que as demais sobrevivam. Ela é fruto da própria evolução das espécies e não necessariamente uma ameaça. Os caminhos da evolução demonstraram que a espécie humana tem grande capacidade de adaptação. As gestões ambientais eficazes são aquelas que não protegem a Natureza do homem, mas o integram em toda sua essência social, política, cultural e econômica. A educação ambiental eficaz é aquela que conseguirá retirar o homem da sua posição de onipotência antropocênica para a posição de uma espécie que é capaz de produzir transformações, indo além de si mesmo em um pleno desenvolvimento social, cultural, econômico e entendendo a importância de cada micróbio, de cada planta, de cada montanha, pois sabe que são parte de sua sobrevivência. Para a Ecologia Humana, a humanidade pode atuar no planeta como promotora de sustentabilidade em níveis mais profundos e complexos que apenas proteger para gerações futuras; tornando-se cuidadora, protetora e mantenedora dos recursos naturais em um pleno desenvolvimento ecoloico. CONCLUSÃO A Ecologia Humana entende que o homem é uma espécie biológica e também um ente social que habita vários ambientes de reciprocidade. Dentro dessas reciprocidades o homem se desenvolve promovendo transformações. As influências antrópicas na Natureza também resultam da reciprocidade. As gestões eficazes são capazes de promover ações e políticas de sustentabilidade que consideram não somente projetos que incluam ações reparadoras e coercitivas envolvendo o meio ambiente, mas também que promovam o desenvolvimento social, econômico, cultural e natural ao analisar como o homem realiza suas relações e conexões dentro dos ambientes de reciprocidade. Em um cenário de mudanças socioambientais drásticas e ameaçadoras para os recursos naturais do planeta, é mister que a
  • 11. Educação Ambiental como ferramenta de gestão seja conduzida a patamares que retirem o ser humano da posição antropocêntrica para uma posição coletiva. Nessa posição, as organizações sociais entenderiam que, apesar da raça humana ser uma espécie dentre tantas outras, ela também é capaz de promover equilíbrio nos diversos ambientes onde habita, não somente nas esferas ambiental, mas também nas esferas social, econômica e cultural, de forma que a civilização seja sustentável em um planeta hígido em tudo e para todos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, D. C.; ROMEIRO, A. R. 2009. Serviços ecossistêmicos e sua importância para o sistema econômico e o bem-estar humano. Texto para Discussão. IE/UNICAMP, Campinas, n. 155, p.1- 44. BAINES, J. 1997. Chuva ácida. Editora Scipione. p.47. BEGOSSI, A. 1993. Ecologia Humana: Um enfoque das relações homem-ambiente. Interciencia. 18(1): 121-132. BERGEL, S. D. 2017. O impacto ético das novas tecnologias de edição genética. Rev. bioét. (Impr.). 25 (3): 454-61. BRONFENBRENNER, U. 1974. Developmental research, public policy, and the ecology of childhood. Child Development, v. 45, p. 1-5. BRONFENBRENNER, U. 1996. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas. BURSZTYN, M. 1995. Armadilhas do progresso: contradição entre economia e ecologia. Revista Sociedade e Estado. Volume X, nº1. p.97-124. BUTTEL, F. H. 1992. A sociologia e o meio ambiente: um caminho tortuoso rumo à Ecologia Humana. Perspectivas. (15): 69-94. CAPRA, F. 2006. A teia da vida: uma nova concepção científica dos sistemas vivos. Ed. Cultrix. São Paulo. CARSON, R. 2010. Primavera silenciosa. Editora Gaia. São Paulo. 1ª edição. p.327. CASTRO, M. A. 1992. Ecologia: a cultura como habitação. Em Soares, A. (Org). Ecologia e Literatura. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. pp.13-33. CATTON Jr, W. R.; DUNLAP, R. E. 1978. Environmental sociology: a New Paradigm? The American Sociologist, v 13, p. 41-9. CORRÊA, A. M.; COSTA, L. M.; BARROS, J. F. P. 2013. A floresta, educação, cultura e justiça ambiental. Editora Garamond. Rio de Janeiro, p.280. DIAMOND, J. 2013. Colapso, como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Editora Record. 9ª edição, p. 699. DONN, W. 1978. Meteorologia. Reverte Editorial. Barcelona. DUARTE, R.; LIMA, I. 2004. Astrobiologia, o estudo da origem e evolução da vida dentro e fora do planeta Terra. Revista macroCOSMO.com. Ano II. Edição 13. p.11-30. FONSECA, V. 1998. Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes Médicas. GOLDBERG, L. G.; YUNES, M. A. M.; FREITAS, J. V. 2005. O desenvolvimento infantil na ótica da ecologia do desenvolvimento humano. Psicologia em Estudo. Maringá. v.10, n.1,p. 97-106. JACOBI, P. 2000. Meio ambiente e redes sociais: dimensões intersetoriais e complexidade na articulação de práticas coletivas. Revista de Administração Pública. Rio de Janeiro 34(6):131-58. KORMONDY, E. J.; BROWN, D. E. 2002. Ecologia Humana. Atheneu Editora. São Paulo.
  • 12. KOSHIBA, L.; PEREIRA, D. M. F. 2004. História Geral e Brasil: trabalho, cultura, poder: ensino médio. Editora Atual. 1ª ed. São Paulo. LIMA, A. P. 2010. O modelo estrutural de Freud e o cérebro: uma proposta de integração entre a psicanálise e a neurofisiologia. Rev. Psiq. Clín. 37(6): 270-277. MENDONÇA, R. 2005. Conservar e criar: natureza, cultura e complexidade. Editora Senac São Paulo. São Paulo. MOLINA, S. M. G.; LUI, G. H.; SILVA, M. P. da. 2007. A ecologia humana como referencial teórico e metodológico para a gestão ambiental. OLAM Ciência & Tecnologia. Rio Claro/SP, Brasil. Ano VII, Vol. 7, Nº 2. p.19 - 40. MORENO, M. F. 2008. O Direito Espacial Como Norte da Exploração Espacial. Trabalho de Conclusão de Curso. UEL – Universidade Estadual de Londrina. p.146. NAVES, J. G. P.; BERNARDES, M. B. J. 2014. A relação histórica homem/natureza e sua importância no enfrentamento da questão ambiental. Geosul, Florianópolis, v. 29, n. 57, p. 7-26. NOBRE, C. A.; REID, J.; VEIGA, A. P. S. 2012. Fundamentos científicos das mudanças climáticas. Rede Clima/INPE, p. 1- 44. São José dos Campos, SP. NOGUEIRA, S. 2005. Rumo Ao Infinito, passado e futuro da aventura humana na conquista do espaço. São Paulo: Globo. ODUM, E. P. 2004. Fundamento de Ecologia. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. PORTUGAL, G. 1992. Ecologia e Desenvolvimento Humano em Bronfenbrenner. Aveiro: CIDINE. REIGOTA, M. 2004. O que é educação ambiental. Editora Brasiliense: Coleção Primeiros Passos. São Paulo. SAGAN, C.; DRUYAN, A.; SOTER, S. 1990. Cosmos. Cassete VHS, 45 min. Color. Estados Unidos. SERRES, M. 2011. O mal limpo: poluir para se apropriar? Editora Bertrand Brasil. p.112. Rio de Janeiro. SILVA, K. C.; SAMMARCO, Y. M. 2015. Relação Ser Humano e Natureza: Um Desafio Ecológico e Filosófico. Revista Monografias Ambientais. Santa Maria, v. 14, n. 2, p. 01−12. SOBREIRA, P. H. A. 2005. Cosmografia Geográfica: a Astronomia no ensino de Geografia. Universidade de São Paulo – FFLCH – Departamento de Geografia. Tese de Doutorado apresentada a FFLCH-USP, São Paulo. p.239. STEINER, J. E. 2006. A origem do Universo. Estudos Avançados 20 (58). p.231-248. TUAN, Y. F. 1980. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel. VIOLA, E.; BASSO, L. 2016. O sistema internacional no Antropoceno. Revista Brasileira de Ciências Sociais. Vol. 31, n° 92. VYGOTSKY, L. S. 1996. A formação social da mente. Rio de Janeiro: Martins Fontes. YUNES, M. A. M.; JULIANO, M. C. 2010. A bioecologia do desenvolvimento humano e suas interfaces com a Educação Ambiental. Cadernos de Educação. Pelotas [37]: 347 – 379. (1) Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). E-mail: leversonchaves@yahoo.com.br 67