Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Departamento de Medicina Social
Epidemiologia do Dengue
Amaury Lélis Dal Fabbro
- 2019 -
Dengue - caso clínico 1
• Identificação – F. G. M., feminino, 24 anos, do lar, branca, residente no
município A, Bairro de Nova Estação.
• História da doença atual – procurou o serviço médico da UBS com história
de febre não aferida há dois dias, cefaleia, mialgia, náuseas, vômitos e
prostração. No dia do atendimento notou vermelhidão no corpo.
• Exame físico – Geral: BEG, T. axilar de 37,5ºC, PA 120x75 mmHg, eupneica,
anictérica. Pele: exantema morbiliforme, sobretudo em face e troncos.
Segmento cefálico: gânglios submandibulares pouco aumentados, de
consistência fibro-elástica, indolores. Tórax: murmúrio vesicular simétrico,
ausência de ruídos adventícios à ausculta pulmonar; BRNF sem sopros à
ausculta cardíaca. Abdome: normotenso, indolor, sem visceromegalias,
RHA presentes e normais. Neurológico: sem alterações.
Dengue caso clínico 1 (cont.)
• Conduta diagnóstica – o médico fez as hipóteses diagnósticas de rubéola e
de dengue. Solicitou sorologia para rubéola e dengue.
• Conduta terapêutica – foi prescrito paracetamol e outros sintomáticos e a
paciente foi orientada a retornar se necessário.
• Evolução – desaparecimento do exantema em dois dias e melhora dos
outros sintomas. O resultado da sorologia para rubéola foi negativo e para
dengue, positivo. O resultado da sorologia para dengue levou três meses
para ser enviado à UBS, porque o Laboratório estava processando
amostras acumuladas dos meses anteriores. Por causa do atraso no
processamento das amostras, a vigilância epidemiológica não foi capaz de
detectar o início da epidemia de dengue.
Etiologia
• Vírus do dengue constituído por RNA.
• Arbovírus (arthropod-borne virus).
• Família Flaviviridae. Gênero Flavivirus.
• 4 sorotipos (DEN-1, 2, 3, 4)*
*recentemente foi descrito um possível novo sorotipo
dengue 5 em macacos na Malásia (Normile, D. Surprising new dengue
virus throws a spanner in disease control efforts. Science, vol 342, oct. 2013).
Partículas virais de vírus dengue
em plaquetas isoladas de pacientes
com dengue confirmado.
(a) Partículas do vírus dengue
dentro de vesículas (seta
vermelha) e entrando na
vesícula (seta azul).
(b) Partícula viral sendo liberada
de plaquetas (seta vermelha).
Cells in Dengue Virus Infection In Vivo
Sansanee Noisakran, Nattawat Onlamoon,
[...], and Guey Chuen Perng Adv Virol
. 2010; 2010: 164878.
Árvore filogenética de cepas dos 4 sorotipos de DENV avaliadas do GenBank. A filogenia
foi inferida por análise Bayesiana (1 milhão de cópias). Codificação por abreviaturas pela
coleção país/nome da cepa/ano da coleta.(Weaver & Vasilakis, Infect Genet Evol, 2009).
Dengue caso clínico 2
• Identificação – A. F. A., feminino, 26 anos, residente em Fortaleza, CE.
• História da doença atual – a paciente procurou a UBS queixando-se de febre
alta, de início abrupto, acompanhada de cefaleia intensa, mal-estar geral, dor
retro-orbitaria, náuseas, vômitos e dois episódios de evacuações líquidas, com
início do quadro há três dias. Achava que estava com dengue. G1, P0, na 29ª
semana de gestação. Negava perdas via vaginal.
• Exame físico – Geral: BEG, corada, hidratada, anictérica. T. axilar de 39ºC, PA
deitada: 120x80mmHg; Pulso: 100ppm. Pele: sem lesões. Segmento cefálico e
tórax: sem alterações. Abdome: gravídico, normotenso, indolor. Neurológico:
sem alterações.
• Feita a HD de dengue, o médico realizou a prova do laço da seguinte maneira:
com a paciente deitada, insuflou o manguito do esfigmomanômetro até
100mmHg por cinco minutos. A seguir, desinsuflou o manguito e, num quadrado
de 2,5cm por 2,5cm, não contou nenhuma petéquia. A prova foi considerada
negativa.
Dengue caso clínico 2
• Conduta – Prescrito paracetamol 750mg de 6/6 horas, hidratação com soro caseiro e retorno
em 48 horas para reavaliação. No quarto dia de doença, a paciente retornou referindo melhora
discreta dos sintomas e aparecimento de vermelhidão no corpo, acompanhado de prurido
intenso. Referia picada de mosquitos em membros inferiores três dias antes do início dos
sintomas, enquanto ministrava aulas. Não se recordava de ter tido rubéola e negava contato
com pessoas doentes.
• Exame físico – Geral: REG, corada, desidratada +/4, anictérica, acianótica. T. axilar de 38,5ºC, PA
deitada: 110x65mmHg; Pulso: 88ppm; Peso: 58kg. Pele: exantema maculopapular difuso,
predominantemente em membros inferiores. Segmento cefálico e tórax: sem alterações.
Coração: bulhas rítmicas, dois tempos, sem sopros. Abdome: gravídico, normotenso, indolor à
palpação. Extremidades: edema de MMII +/4. Neurológico: sem alterações.
• Conduta – orientada a ingerir líquidos à vontade, repouso e pasta d’água e calamina para
aplicação local na pele. Solicitadas sorologias para dengue e rubéola.
• Exames complementares – Hemograma: Hb: 11,6g/dl; Ht: 35%; Leuc: 5.600/mm3 ; Plaq:
154.000/mm3 ; Função hepática: AST(TGO): 66 UI/l; ALT(TGP): 72 UI/l. No sexto dia de evolução,
a paciente apresentava melhora clínica, afebril, queixando-se apenas de prurido de leve
intensidade. No décimo dia, já se encontrava completamente assintomática. MAC-Elisa positivo
para dengue.
Aspectos clínicos
Dengue clássico
Febre alta (39°C) de início súbito, cefaléia, mialgia, artralgia, dor retro-
orbital, astenia, anorexia, náuseas, vômitos, prostração, exantema e prurido
cutâneo. Hepatomegalia dolorosa, dor abdominal, petéquias, epistaxe,
gengivorragia, sangramento gastrintestinal, hematúria e metrorragia.
Febre hemorrágica do dengue (FHD) ou dengue grave
Evolução para manifestações hemorrágicas, derrames cavitários,
instabilidade hemodinâmica e choque. Tipicamente febre alta,
fenômenos hemorrágicos, hepatomegalia e insuficiência circulatória; efusão
de plasma, com valores crescentes de hematócrito, prova do laço positiva e
plaquetopenia; choque rápido, 3º-7º dia, de curta duração.
Febre Hemorrágica do Dengue – dengue grave
Febre
Manifestações hemorrágicas:
. prova do laço positiva
. petéquias, equimoses ou púrpura
. sangramento de mucosas, trato gastrintestinal ou outros
Trombocitopenia (< 100.000 plaq./mm³)
Aumento da permeabilidade vascular:
. hematócrito aumentado em 20 %
. diminuição do hematócrito em 20% após tratamento
. sinais associados ao extravasamento de plasma : derrame
pleural, ascite ou hipoproteinemia
Prova do laço
• Aferir a PA do paciente
• Inflar o manguito até a pressão intermediária entre a PAS e PAD
• Manter nessa pressão por 5 minutos
• Observar abaixo do manguito um quadrado de 2,5 cm de lado
• Contar o nº de petéquias nesse quadrado
• A prova é positiva caso se observe 20 ou mais petéquias por
polegada²
• Significa simplesmente que os capilares estão com fragilidade
aumentada, portanto com risco de sangramento
• É uma prova clínica que deve ser feita no consultório
• Não é específica para dengue
Prova do laço
Critérios de Gravidade do DH/SCD
Grau I: febre e sintomas gerais; prova do laço positiva
Grau II: hemorragia espontânea, com hemorragia cutânea ou outra
Grau III: insuficiência circulatória, diminuição da pressão arterial,
hipotensão, pele fria, úmida e agitação
Grau IV: choque profundo com pressão arterial e pulso imperceptíveis
_________________________________________________________
Graus III e IV constituem a Síndrome do Choque do Dengue
Trombocitopenia e hemoconcentração diferenciam DH Graus I e II da FD
Quadro clínico
Guzman, MG, et al. Epidemiological studies on dengue in Santiago de Cuba, 1997. Am J Epidemiol 2000; 152:793–99.
Quadro clínico
Dengue - caso clínico 3
• Identificação – J.J.S., masculino, 48 anos, caminhoneiro, negro, residente em
Campo Grande, MS.
• História da doença atual – em 5/2/2002 procurou a UBS com quadro de febre
não aferida, cefaléia, dor retro-orbitária, mialgia e artralgia há 48 horas. Foi
prescrito dipirona, com melhora parcial dos sintomas. No 5º dia de doença,
procurou o pronto-socorro por persistirem os sintomas e pelo aparecimento de
pequenas manchas no corpo. Referia viagem à Rondônia em 6/12/2001.
Antecedentes: Diabetes Melitus II, tratado irregularmente.
• Exame físico – Geral: BEG, corado, hidratado, anictérico. T. axilar de 38ºC, PA:
160x110mmHg; FC: 94bpm; Peso:105kg; Estatura: 1,70m. Pele: exantema
maculopapular difuso. Segmento cefálico: sem alterações. Tórax: pulmões livres,
coração: bulhas rítmicas, normofonéticas, sopro sistólico de ++/6 em foco mitral.
Abdome: globoso, normotenso, indolor, sem visceromegalias. Neurológico: sem
alterações. Prova do laço: positiva. Exames complementares – Hemograma: Hb:
16g/dl; Ht: 48%; Plaq: 87.000/. mm3 ; Leucócitos totais: 5.200/mm3 .
Dengue – caso clínico 3 (cont.)
• Conduta – prescrito soro caseiro para reidratação em casa, paracetamol 750mg de 6/6 horas e retorno
em 48 horas para reavaliação. Como não houve melhora da mioartralgia, fez uso de diclofenaco,
100mg de 6/6 hs, por conta própria. No 6o dia de doença, o paciente retornou sem melhora dos
sintomas, referindo vômitos e inapetência. Referiu vacina contra febre amarela há dois anos.
• Exame físico – Geral: REG, desidratado +/4, anictérico, acianótico. T. axilar de 37,5ºC, PA deitado:
150x110mmHg; Pulso: 100 ppm. Segmento cefálico, tórax e abdome: inalterado em relação ao
anterior. Neurológico: sem alterações.
• Exames complementares – Hemograma: Hb: 16,5g/dL; Ht: 50%; Plaq: 72.000/ mm3 ; Leucócitos
totais: 5.500/mm3 . Função hepática: ALT: 95 UI/L, AST: 86 UI/L. Glicemia: 200mg/dl.
• Conduta – internado para reidratação parenteral. Prescrito Soro Fisiológico 1.000ml em 2 horas,
metoclopramida e dipirona, além de oferta de líquidos VO e dos medicamentos para HAS e DM II.
Mantido Soro fisiológico nas próximas 24hs, perfazendo um total de 5.000ml. No segundo dia de
internação referia melhora dos sintomas.
• Exames complementares – Hemograma: Hb: 14,5g/dl; Ht: 44%; Plaq: 85.000/mm3 . No terceiro dia de
internação, recebeu alta e foi orientado a manter reidratação em casa e a retornar em 24 horas, para
nova coleta de Ht e plaquetas.
• No retorno referia melhora dos sintomas. Exames complementares – Hemograma: Hb: 14,0g/dl; Ht:
42%; Plaq: 100.000/mm3 . Conduta – Colhida sorologia para dengue e alta. Resultado do MAC-Elisa:
positivo para dengue.
Classificação clínica
Patogênese – Fatores de Risco
Fatores
virais
Fatores
hospedeiro
Fatores
ambientais
Sorotipo
Cepa
Infecção secundária
Idade (RN)
Genética
Densidade vetorial
Densidade populacional
Intervalo entre epidemias Guzmán MG and Kourí G. The Lancet, Jan 2002.
.
Bhatt et al. The
global distribution
and burden of
dengue.
Nature.496(7446):5
04-507. 2013.
Estimativa de 390
(284-528)milhões de
casos anuais, aparentes
e inaparentes.
Dengue nas Américas (OPAS, 1980-2007) .
Am J Trop Med Hyg, 2010.
Distribuição geográfica do Aedes aegypti nas Américas.
*Dados de Hospitalizações até Maio
Ondas epidêmicas em
áreas localizadas Endêmico/Epidêmico Circulação
do vírus em todas regiões
Aumento de Casos
Graves em crianças
0
100.000
200.000
300.000
400.000
500.000
600.000
700.000
800.000
86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09
Nº
de
casos
0
10.000
20.000
30.000
40.000
50.000
60.000
70.000
80.000
90.000
Hospitalizações
Casos Hospitalizações
DE NV 2
DE NV 1
DE NV 3
Fonte: Sinan, todos os casos, exceto os descartados. Em 2009 são casos notificados
Casos de dengue e hospitalizações, Brasil, 1982 a 2009*
j f m a m j j a s o n d
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
Dengue no estado de São Paulo em 2018
2018
Casos notificados – 75.965
Casos confirmados autóctones – 13.128
Casos confirmados importados – 780
2019
Casos registrados ~4500 (DEN2)
Andradina, Bauru, Araraquara, S.J.Barra
Fonte: SES-SP-CVE
População sob risco de dengue em 1990
(A) e estimado para 2085 (B), usando
dados climáticos de 1961-1990 e projeções
para alterações da umidade em função das
mudanças climáticas para 2080-2100.
Abaixo as proporções da população sob
risco.
Hales S, et al. 2002. Potential effect of population
and climate changes on global distribution
of dengue fever: an empirical model.
Lancet, 360: 830–834.
Dengue Reborn: Widespread Resurgence of a
Resilient Vector. Melissa Lee Phillips
Environ Health Perspect
. 2008 September; 116(9): A382–A388.
Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde.
Sazonalidade
Determinantes da expansão do dengue
• Aumento da densidade populacional em áreas urbanas
• Abastecimento irregular de água – estoque domiciliar de água
• Aumento do lixo urbano – maior oferta de recipientes
• Aumento dos sítios potenciais de criadouros de Aedes aegypti
em áreas urbanas
• Aumento do transporte de cargas – dispersão do vetor
• Aumento do trânsito de pessoas – dispersão do vírus
• Mudanças climáticas – aquecimento global
Locais de proliferação de Aedes aegypti
Aedes aegypti - Depósitos predominantes, Brasil 2004 e 2005(*)
Sem informação
Pneu
Tambor/Tanque/Barril/Tina/Tonel/Dep. Barro
Vaso de Planta
Mat. De construção/Peça de carro
Garrafa/Lata/Plástico
Poço/Cisterna/Cacimba
Caixa d’água
Outros
Fonte: Sistema FAD
(*) Dados sujeitos à revisão
Atualizado em 16/6/2006
Vetores do dengue
Aedes (Stegomyia) aegypti (Diptera, Culicidae) (Linnaeu, 1762)
Originário da Etiópia, de ampla dispersão mundial,
urbano, antropofílico, domiciliado, ocorre entre as
latitudes 35 N e 35 S; infesta recipientes próximos à
habitação humana.
Aedes (Stegomyia) albopictus (Diptera, Culicidae) (Skuse, 1894)
Ampla distribuição na Ásia, espécie silvestre
adaptada à ambientes urbanos e rurais, invasora,
ocupando nichos ecológicos naturais, considerado
vetor secundário.
Aedes aegypti
Aedes albopictus
Estágios do ciclo de vida do Aedes aegypti.
Ciclo biológico
Período de incubação
extrínseco (7-11 dias)
Período de incubação
intrínseco (2-8 dias)
Período de maturação
(10 dias)
The geography of sylvatic dengue virus.
Vasilakis N, Cardosa J, Hanley KA, Holmes EC, Weaver SC.
Nat Rev Microbiol. 2011 June 13; 9(7): 532–541.
Vetores implicados na transmissão silvestre de dengue.
Vetores do dengue (outros possíveis)
• Aedes aegypti subsp. formosus, um ancestral do Ae.
aegypti subsp. aegypti, transmissor em florestas da
África Ocidental.
• Aedes furcifer, Aedes taylori e Aedes luteocephalus
do Senegal.
• Aedes polynesiensis, Aedes pseudosculetaris, Aedes
malayensis e Aedes cooki, todos do Pacífico Sul.
• Aedes niveus (complexo)
da Malásia, possivelmente
envolvido em transmissão
silvestre do dengue
The geography of sylvatic dengue virus.
Vasilakis N, Cardosa J, Hanley KA, Holmes EC, Weaver SC.
Nat Rev Microbiol. 2011 June 13; 9(7): 532–541.
Áreas geográficas com transmissão silvestre de dengue.
Prevenção
• Centrada no combate ao vetor:
– Redução de criadouros
– Larvicidas químicos e biológicos (B. thuringiensis)
– Borrifação para forma alada (perifocal e UBV)
– Armadilhas para ovos e larvas
– Criação de machos inférteis (?)
– Participação da comunidade na prevenção
– Levantamentos entomológicos periódicos – avaliação da densidade do vetor
• Diagnóstico precoce da doença e triagem de casos graves
• Terapia precoce e controle – prevenção das complicações e óbitos – diminuição da
mortalidade
• Vacina tetravalente (?) – em estudo
• Busca ativa de casos e levantamentos epidemiológicos avaliativos
Prevenção: vacina tetravalente
Global strategy for dengue prevention and control,
2012-2020 – WHO Tech. Report, 2012.
• Objetivo – dengue como doença tropical negligenciada. Necessidade de
respostas proativas e sustentáveis ao invés de respostas reativas.
• Meta de reduzir a morbidade por dengue em 25% e da mortalidade em 50% até
2020.
• Manejo Integrado do Vetor – racional, custo-efetivo e com processos de decisão
otimizados nos programas de controle de vetores.
• Combinação de mobilização social, integração de métodos químicos e não
químicos permitindo redução de transmissão em áreas de risco.
• Fortalecimento de sistema de vigilância epidemiológica para avaliação de áreas
de risco, incluindo a vigilância entomológica.
• Redução da morbidade e mortalidade por acesso à atenção médica oportuna e
eficaz.
• Aumento dos recursos disponíveis para o controle da doença, incluindo
pesquisa e produção de vacina eficaz.
Fig. 2 legend. Clinical symptoms typical of dengue (top) and chikungunya infections (bottom).
Furuya-Kanamori et al. BMC Infectious Diseases (2016) 16:84.
Int. J. Environ. Res. Public Health 2018, 15, 96.
Int. J. Environ. Res. Public Health 2018, 15, 96.
Int. J. Environ. Res. Public Health 2018, 15, 96.
Int. J. Environ. Res. Public Health 2018, 15, 96.
Arboviroses para agentes de saúde e equipe

Arboviroses para agentes de saúde e equipe

  • 1.
    Universidade de SãoPaulo Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Departamento de Medicina Social Epidemiologia do Dengue Amaury Lélis Dal Fabbro - 2019 -
  • 2.
    Dengue - casoclínico 1 • Identificação – F. G. M., feminino, 24 anos, do lar, branca, residente no município A, Bairro de Nova Estação. • História da doença atual – procurou o serviço médico da UBS com história de febre não aferida há dois dias, cefaleia, mialgia, náuseas, vômitos e prostração. No dia do atendimento notou vermelhidão no corpo. • Exame físico – Geral: BEG, T. axilar de 37,5ºC, PA 120x75 mmHg, eupneica, anictérica. Pele: exantema morbiliforme, sobretudo em face e troncos. Segmento cefálico: gânglios submandibulares pouco aumentados, de consistência fibro-elástica, indolores. Tórax: murmúrio vesicular simétrico, ausência de ruídos adventícios à ausculta pulmonar; BRNF sem sopros à ausculta cardíaca. Abdome: normotenso, indolor, sem visceromegalias, RHA presentes e normais. Neurológico: sem alterações.
  • 3.
    Dengue caso clínico1 (cont.) • Conduta diagnóstica – o médico fez as hipóteses diagnósticas de rubéola e de dengue. Solicitou sorologia para rubéola e dengue. • Conduta terapêutica – foi prescrito paracetamol e outros sintomáticos e a paciente foi orientada a retornar se necessário. • Evolução – desaparecimento do exantema em dois dias e melhora dos outros sintomas. O resultado da sorologia para rubéola foi negativo e para dengue, positivo. O resultado da sorologia para dengue levou três meses para ser enviado à UBS, porque o Laboratório estava processando amostras acumuladas dos meses anteriores. Por causa do atraso no processamento das amostras, a vigilância epidemiológica não foi capaz de detectar o início da epidemia de dengue.
  • 4.
    Etiologia • Vírus dodengue constituído por RNA. • Arbovírus (arthropod-borne virus). • Família Flaviviridae. Gênero Flavivirus. • 4 sorotipos (DEN-1, 2, 3, 4)* *recentemente foi descrito um possível novo sorotipo dengue 5 em macacos na Malásia (Normile, D. Surprising new dengue virus throws a spanner in disease control efforts. Science, vol 342, oct. 2013).
  • 5.
    Partículas virais devírus dengue em plaquetas isoladas de pacientes com dengue confirmado. (a) Partículas do vírus dengue dentro de vesículas (seta vermelha) e entrando na vesícula (seta azul). (b) Partícula viral sendo liberada de plaquetas (seta vermelha). Cells in Dengue Virus Infection In Vivo Sansanee Noisakran, Nattawat Onlamoon, [...], and Guey Chuen Perng Adv Virol . 2010; 2010: 164878.
  • 6.
    Árvore filogenética decepas dos 4 sorotipos de DENV avaliadas do GenBank. A filogenia foi inferida por análise Bayesiana (1 milhão de cópias). Codificação por abreviaturas pela coleção país/nome da cepa/ano da coleta.(Weaver & Vasilakis, Infect Genet Evol, 2009).
  • 7.
    Dengue caso clínico2 • Identificação – A. F. A., feminino, 26 anos, residente em Fortaleza, CE. • História da doença atual – a paciente procurou a UBS queixando-se de febre alta, de início abrupto, acompanhada de cefaleia intensa, mal-estar geral, dor retro-orbitaria, náuseas, vômitos e dois episódios de evacuações líquidas, com início do quadro há três dias. Achava que estava com dengue. G1, P0, na 29ª semana de gestação. Negava perdas via vaginal. • Exame físico – Geral: BEG, corada, hidratada, anictérica. T. axilar de 39ºC, PA deitada: 120x80mmHg; Pulso: 100ppm. Pele: sem lesões. Segmento cefálico e tórax: sem alterações. Abdome: gravídico, normotenso, indolor. Neurológico: sem alterações. • Feita a HD de dengue, o médico realizou a prova do laço da seguinte maneira: com a paciente deitada, insuflou o manguito do esfigmomanômetro até 100mmHg por cinco minutos. A seguir, desinsuflou o manguito e, num quadrado de 2,5cm por 2,5cm, não contou nenhuma petéquia. A prova foi considerada negativa.
  • 8.
    Dengue caso clínico2 • Conduta – Prescrito paracetamol 750mg de 6/6 horas, hidratação com soro caseiro e retorno em 48 horas para reavaliação. No quarto dia de doença, a paciente retornou referindo melhora discreta dos sintomas e aparecimento de vermelhidão no corpo, acompanhado de prurido intenso. Referia picada de mosquitos em membros inferiores três dias antes do início dos sintomas, enquanto ministrava aulas. Não se recordava de ter tido rubéola e negava contato com pessoas doentes. • Exame físico – Geral: REG, corada, desidratada +/4, anictérica, acianótica. T. axilar de 38,5ºC, PA deitada: 110x65mmHg; Pulso: 88ppm; Peso: 58kg. Pele: exantema maculopapular difuso, predominantemente em membros inferiores. Segmento cefálico e tórax: sem alterações. Coração: bulhas rítmicas, dois tempos, sem sopros. Abdome: gravídico, normotenso, indolor à palpação. Extremidades: edema de MMII +/4. Neurológico: sem alterações. • Conduta – orientada a ingerir líquidos à vontade, repouso e pasta d’água e calamina para aplicação local na pele. Solicitadas sorologias para dengue e rubéola. • Exames complementares – Hemograma: Hb: 11,6g/dl; Ht: 35%; Leuc: 5.600/mm3 ; Plaq: 154.000/mm3 ; Função hepática: AST(TGO): 66 UI/l; ALT(TGP): 72 UI/l. No sexto dia de evolução, a paciente apresentava melhora clínica, afebril, queixando-se apenas de prurido de leve intensidade. No décimo dia, já se encontrava completamente assintomática. MAC-Elisa positivo para dengue.
  • 9.
    Aspectos clínicos Dengue clássico Febrealta (39°C) de início súbito, cefaléia, mialgia, artralgia, dor retro- orbital, astenia, anorexia, náuseas, vômitos, prostração, exantema e prurido cutâneo. Hepatomegalia dolorosa, dor abdominal, petéquias, epistaxe, gengivorragia, sangramento gastrintestinal, hematúria e metrorragia. Febre hemorrágica do dengue (FHD) ou dengue grave Evolução para manifestações hemorrágicas, derrames cavitários, instabilidade hemodinâmica e choque. Tipicamente febre alta, fenômenos hemorrágicos, hepatomegalia e insuficiência circulatória; efusão de plasma, com valores crescentes de hematócrito, prova do laço positiva e plaquetopenia; choque rápido, 3º-7º dia, de curta duração.
  • 10.
    Febre Hemorrágica doDengue – dengue grave Febre Manifestações hemorrágicas: . prova do laço positiva . petéquias, equimoses ou púrpura . sangramento de mucosas, trato gastrintestinal ou outros Trombocitopenia (< 100.000 plaq./mm³) Aumento da permeabilidade vascular: . hematócrito aumentado em 20 % . diminuição do hematócrito em 20% após tratamento . sinais associados ao extravasamento de plasma : derrame pleural, ascite ou hipoproteinemia
  • 11.
    Prova do laço •Aferir a PA do paciente • Inflar o manguito até a pressão intermediária entre a PAS e PAD • Manter nessa pressão por 5 minutos • Observar abaixo do manguito um quadrado de 2,5 cm de lado • Contar o nº de petéquias nesse quadrado • A prova é positiva caso se observe 20 ou mais petéquias por polegada² • Significa simplesmente que os capilares estão com fragilidade aumentada, portanto com risco de sangramento • É uma prova clínica que deve ser feita no consultório • Não é específica para dengue
  • 12.
  • 13.
    Critérios de Gravidadedo DH/SCD Grau I: febre e sintomas gerais; prova do laço positiva Grau II: hemorragia espontânea, com hemorragia cutânea ou outra Grau III: insuficiência circulatória, diminuição da pressão arterial, hipotensão, pele fria, úmida e agitação Grau IV: choque profundo com pressão arterial e pulso imperceptíveis _________________________________________________________ Graus III e IV constituem a Síndrome do Choque do Dengue Trombocitopenia e hemoconcentração diferenciam DH Graus I e II da FD
  • 14.
  • 16.
    Guzman, MG, etal. Epidemiological studies on dengue in Santiago de Cuba, 1997. Am J Epidemiol 2000; 152:793–99. Quadro clínico
  • 17.
    Dengue - casoclínico 3 • Identificação – J.J.S., masculino, 48 anos, caminhoneiro, negro, residente em Campo Grande, MS. • História da doença atual – em 5/2/2002 procurou a UBS com quadro de febre não aferida, cefaléia, dor retro-orbitária, mialgia e artralgia há 48 horas. Foi prescrito dipirona, com melhora parcial dos sintomas. No 5º dia de doença, procurou o pronto-socorro por persistirem os sintomas e pelo aparecimento de pequenas manchas no corpo. Referia viagem à Rondônia em 6/12/2001. Antecedentes: Diabetes Melitus II, tratado irregularmente. • Exame físico – Geral: BEG, corado, hidratado, anictérico. T. axilar de 38ºC, PA: 160x110mmHg; FC: 94bpm; Peso:105kg; Estatura: 1,70m. Pele: exantema maculopapular difuso. Segmento cefálico: sem alterações. Tórax: pulmões livres, coração: bulhas rítmicas, normofonéticas, sopro sistólico de ++/6 em foco mitral. Abdome: globoso, normotenso, indolor, sem visceromegalias. Neurológico: sem alterações. Prova do laço: positiva. Exames complementares – Hemograma: Hb: 16g/dl; Ht: 48%; Plaq: 87.000/. mm3 ; Leucócitos totais: 5.200/mm3 .
  • 18.
    Dengue – casoclínico 3 (cont.) • Conduta – prescrito soro caseiro para reidratação em casa, paracetamol 750mg de 6/6 horas e retorno em 48 horas para reavaliação. Como não houve melhora da mioartralgia, fez uso de diclofenaco, 100mg de 6/6 hs, por conta própria. No 6o dia de doença, o paciente retornou sem melhora dos sintomas, referindo vômitos e inapetência. Referiu vacina contra febre amarela há dois anos. • Exame físico – Geral: REG, desidratado +/4, anictérico, acianótico. T. axilar de 37,5ºC, PA deitado: 150x110mmHg; Pulso: 100 ppm. Segmento cefálico, tórax e abdome: inalterado em relação ao anterior. Neurológico: sem alterações. • Exames complementares – Hemograma: Hb: 16,5g/dL; Ht: 50%; Plaq: 72.000/ mm3 ; Leucócitos totais: 5.500/mm3 . Função hepática: ALT: 95 UI/L, AST: 86 UI/L. Glicemia: 200mg/dl. • Conduta – internado para reidratação parenteral. Prescrito Soro Fisiológico 1.000ml em 2 horas, metoclopramida e dipirona, além de oferta de líquidos VO e dos medicamentos para HAS e DM II. Mantido Soro fisiológico nas próximas 24hs, perfazendo um total de 5.000ml. No segundo dia de internação referia melhora dos sintomas. • Exames complementares – Hemograma: Hb: 14,5g/dl; Ht: 44%; Plaq: 85.000/mm3 . No terceiro dia de internação, recebeu alta e foi orientado a manter reidratação em casa e a retornar em 24 horas, para nova coleta de Ht e plaquetas. • No retorno referia melhora dos sintomas. Exames complementares – Hemograma: Hb: 14,0g/dl; Ht: 42%; Plaq: 100.000/mm3 . Conduta – Colhida sorologia para dengue e alta. Resultado do MAC-Elisa: positivo para dengue.
  • 19.
  • 22.
    Patogênese – Fatoresde Risco Fatores virais Fatores hospedeiro Fatores ambientais Sorotipo Cepa Infecção secundária Idade (RN) Genética Densidade vetorial Densidade populacional Intervalo entre epidemias Guzmán MG and Kourí G. The Lancet, Jan 2002.
  • 28.
    . Bhatt et al.The global distribution and burden of dengue. Nature.496(7446):5 04-507. 2013. Estimativa de 390 (284-528)milhões de casos anuais, aparentes e inaparentes.
  • 30.
    Dengue nas Américas(OPAS, 1980-2007) . Am J Trop Med Hyg, 2010.
  • 31.
    Distribuição geográfica doAedes aegypti nas Américas.
  • 32.
    *Dados de Hospitalizaçõesaté Maio Ondas epidêmicas em áreas localizadas Endêmico/Epidêmico Circulação do vírus em todas regiões Aumento de Casos Graves em crianças 0 100.000 200.000 300.000 400.000 500.000 600.000 700.000 800.000 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 Nº de casos 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 70.000 80.000 90.000 Hospitalizações Casos Hospitalizações DE NV 2 DE NV 1 DE NV 3 Fonte: Sinan, todos os casos, exceto os descartados. Em 2009 são casos notificados Casos de dengue e hospitalizações, Brasil, 1982 a 2009*
  • 33.
    j f ma m j j a s o n d 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 Dengue no estado de São Paulo em 2018 2018 Casos notificados – 75.965 Casos confirmados autóctones – 13.128 Casos confirmados importados – 780 2019 Casos registrados ~4500 (DEN2) Andradina, Bauru, Araraquara, S.J.Barra Fonte: SES-SP-CVE
  • 34.
    População sob riscode dengue em 1990 (A) e estimado para 2085 (B), usando dados climáticos de 1961-1990 e projeções para alterações da umidade em função das mudanças climáticas para 2080-2100. Abaixo as proporções da população sob risco. Hales S, et al. 2002. Potential effect of population and climate changes on global distribution of dengue fever: an empirical model. Lancet, 360: 830–834. Dengue Reborn: Widespread Resurgence of a Resilient Vector. Melissa Lee Phillips Environ Health Perspect . 2008 September; 116(9): A382–A388.
  • 35.
    Secretaria de Vigilânciaem Saúde, Ministério da Saúde. Sazonalidade
  • 36.
    Determinantes da expansãodo dengue • Aumento da densidade populacional em áreas urbanas • Abastecimento irregular de água – estoque domiciliar de água • Aumento do lixo urbano – maior oferta de recipientes • Aumento dos sítios potenciais de criadouros de Aedes aegypti em áreas urbanas • Aumento do transporte de cargas – dispersão do vetor • Aumento do trânsito de pessoas – dispersão do vírus • Mudanças climáticas – aquecimento global
  • 37.
    Locais de proliferaçãode Aedes aegypti
  • 38.
    Aedes aegypti -Depósitos predominantes, Brasil 2004 e 2005(*) Sem informação Pneu Tambor/Tanque/Barril/Tina/Tonel/Dep. Barro Vaso de Planta Mat. De construção/Peça de carro Garrafa/Lata/Plástico Poço/Cisterna/Cacimba Caixa d’água Outros Fonte: Sistema FAD (*) Dados sujeitos à revisão Atualizado em 16/6/2006
  • 39.
    Vetores do dengue Aedes(Stegomyia) aegypti (Diptera, Culicidae) (Linnaeu, 1762) Originário da Etiópia, de ampla dispersão mundial, urbano, antropofílico, domiciliado, ocorre entre as latitudes 35 N e 35 S; infesta recipientes próximos à habitação humana. Aedes (Stegomyia) albopictus (Diptera, Culicidae) (Skuse, 1894) Ampla distribuição na Ásia, espécie silvestre adaptada à ambientes urbanos e rurais, invasora, ocupando nichos ecológicos naturais, considerado vetor secundário.
  • 40.
    Aedes aegypti Aedes albopictus Estágiosdo ciclo de vida do Aedes aegypti.
  • 41.
    Ciclo biológico Período deincubação extrínseco (7-11 dias) Período de incubação intrínseco (2-8 dias) Período de maturação (10 dias)
  • 42.
    The geography ofsylvatic dengue virus. Vasilakis N, Cardosa J, Hanley KA, Holmes EC, Weaver SC. Nat Rev Microbiol. 2011 June 13; 9(7): 532–541. Vetores implicados na transmissão silvestre de dengue.
  • 43.
    Vetores do dengue(outros possíveis) • Aedes aegypti subsp. formosus, um ancestral do Ae. aegypti subsp. aegypti, transmissor em florestas da África Ocidental. • Aedes furcifer, Aedes taylori e Aedes luteocephalus do Senegal. • Aedes polynesiensis, Aedes pseudosculetaris, Aedes malayensis e Aedes cooki, todos do Pacífico Sul. • Aedes niveus (complexo) da Malásia, possivelmente envolvido em transmissão silvestre do dengue
  • 44.
    The geography ofsylvatic dengue virus. Vasilakis N, Cardosa J, Hanley KA, Holmes EC, Weaver SC. Nat Rev Microbiol. 2011 June 13; 9(7): 532–541. Áreas geográficas com transmissão silvestre de dengue.
  • 45.
    Prevenção • Centrada nocombate ao vetor: – Redução de criadouros – Larvicidas químicos e biológicos (B. thuringiensis) – Borrifação para forma alada (perifocal e UBV) – Armadilhas para ovos e larvas – Criação de machos inférteis (?) – Participação da comunidade na prevenção – Levantamentos entomológicos periódicos – avaliação da densidade do vetor • Diagnóstico precoce da doença e triagem de casos graves • Terapia precoce e controle – prevenção das complicações e óbitos – diminuição da mortalidade • Vacina tetravalente (?) – em estudo • Busca ativa de casos e levantamentos epidemiológicos avaliativos
  • 47.
  • 48.
    Global strategy fordengue prevention and control, 2012-2020 – WHO Tech. Report, 2012. • Objetivo – dengue como doença tropical negligenciada. Necessidade de respostas proativas e sustentáveis ao invés de respostas reativas. • Meta de reduzir a morbidade por dengue em 25% e da mortalidade em 50% até 2020. • Manejo Integrado do Vetor – racional, custo-efetivo e com processos de decisão otimizados nos programas de controle de vetores. • Combinação de mobilização social, integração de métodos químicos e não químicos permitindo redução de transmissão em áreas de risco. • Fortalecimento de sistema de vigilância epidemiológica para avaliação de áreas de risco, incluindo a vigilância entomológica. • Redução da morbidade e mortalidade por acesso à atenção médica oportuna e eficaz. • Aumento dos recursos disponíveis para o controle da doença, incluindo pesquisa e produção de vacina eficaz.
  • 49.
    Fig. 2 legend.Clinical symptoms typical of dengue (top) and chikungunya infections (bottom). Furuya-Kanamori et al. BMC Infectious Diseases (2016) 16:84.
  • 50.
    Int. J. Environ.Res. Public Health 2018, 15, 96.
  • 51.
    Int. J. Environ.Res. Public Health 2018, 15, 96.
  • 52.
    Int. J. Environ.Res. Public Health 2018, 15, 96.
  • 53.
    Int. J. Environ.Res. Public Health 2018, 15, 96.

Notas do Editor

  • #16 prova do laço"? É um procedimento realizado com o aparelho de pressão, na tentativa de verificar fragilidade dos capilares (pequenos vasos sangüíneos). O aparelho é mantido inflado por cinco minutos em uma pressão intermediária entre a máxima e a mínima (o que pode ser desconfortável), com o objetivo de verificar a produção de petéquias (pequenos pontos avermelhados). É considerado positivo quando aparecem mais de 20 petéquias por polegada quadrada. 7. A "prova do laço" é útil no diagnóstico de dengue? Não. Além do dengue, a "prova do laço" pode estar positiva em diversas outras doenças  (meningococcemia, leptospirose, rubéola etc) e até em pessoas saudáveis. Também pode estar negativa nos casos de dengue, inclusive nos mais graves ("hemorrágicos"). Não ajuda, portanto, a concluir se a pessoa está ou não com dengue ou se o dengue é mais grave. Técnica para a prova do laço Determinar a pressão arterial do usuário, seguindo as recomendações técnicas. Voltar a insuflar o manguito até o ponto médio entre a pressão máxima e a mínima (Ex.: PA de 120 por 80 mmHg, insuflar até 100 mmHg). O aperto do manguito não pode fazer desaparecer o pulso. Aguardar 5 minutos com o manguito insuflado Orientar o usuário sobre o pequeno desconforto sobre o braço. Após 5 minutos, soltar o ar do manguito e retirá-lo do braço do paciente. Procurar por petéquias na área onde estava o manguito e abaixo da prega do cotovelo. Escolher o local de maior concentração e marcar um círculo (com caneta) do tamanho de 1.78 cm de diâmetro, isto é, pouco menor que uma moedinha de 1 centavo. Contar nessa área o número de petéquias. A prova do laço é considerada positiva se forem contadas 20 ou mais petéquias.
  • #19 Todos os indivíduos com doença febril com suspeita diagnóstica de dengue devem ser submetidos a avaliação clínica e classificado em uma das seguintes situações:   Dengue clássico sem manifestação de hemorragia. Dengue clássico com alguma manifestação hematológica ou de hemorragia. Febre hemorrágica do dengue com ou sem choque. Na maioria das vezes ocorre uma nítida progressão entre estas três situações, ou seja o paciente inicia os sintomas de Dengue Clássico (febre alta de início abrupto seguido de um ou mais dos seguintes sintomas: cefaléia, mialgias, artralgias, dor retro-orbitária, prostração, náuseas, vômitos e exantema. A partir do terceiro dia da doença ( mais comumente entre o quarto e sexto dia), pode-se observar alguns pequenos sinais de sangramento (petéquias, epistaxes, gengivorragia), o que configura o quadro de Dengue Clássico com Hemorragia, que, se for acompanhado de um ou mais dos sinais de alerta (quadro 2), deve-se ser levantada a suspeita de Dengue Hemorrágico e ser iniciada a terapêutica adequada, que é a reidratação parenteral. Assim, qualquer Unidade de Saúde com condições de realizar hidratação venosa e hemograma (ou coletar o material para que este seja feito de urgência) pode atender os casos de Dengue Hemorrágico.
  • #22 Atualmente, a teoria mais aceita para explicar a ocorrência de FHD inclui fatores ambientais, virais e do hospedeiro. A alta densidade vetorial, em locais densamente povoados, com alta proporção de suscetíveis e circulação viral de 2 ou mais sorotipos são fatores ambientais que contribuem para a ocorrência de FHD. Em relação aos fatores virais,sabe-se que algumas cepas podem determinar maior viremia e infecciosidade. Além disso a seqüência de infecções parece ter papel importante, sendo que o risco é maior para den-2, seguido do den- 3, den- 4 e den- 1.Finalmente, fatores relacionados ao hospedeiro incluem: imunidade à dengue, isto é presença de Ac heterotípicos pré existentes; pacientes que apresentam doença crônica de base, como por exemplo asma brônquica; sexo: em cuba, as mulheres apresentaram risco maior de desenvolver FHD. Idade: em cuba e nos paises asiáticos, as crianças apresentaram risco maior para as formas mais graves, embora isto não se verifica em outros paises americanos; Etnia: fenótipos caucasóides (brancos) parecem ser mais predispostos a formas mais graves fatores genéticos que regulam a resposta imune, como a produção de citocinas e possivelmente perfis imunogenéticos, determinados por possivelmente têm papel importante na patogênese da FHD. Cepa do vírus Anticorpo antidengue pré-existente infecção anterior anticorpos maternais em bebês Genética dos hospedeiros Idade Maior risco em infecções seqüenciais Maior risco em locais com dois ou mais sorotipos circulando simultaneamente em altos níveis (transmissão hiperendêmica) Teoria integral da multicausalidade Individuais: <15a e lactentes, sexo F, raça B, boa nutrição, doenças crônicas (DM, asma, anemia falciforme, preexistência Ac, intensidade da resposta imune anterior Virais: Virulência da cepa, sorotipo circulante Epidemiológicos: População suscetível, circulação de sorotipos, presença do vetor, densidade vetorial, tempo de intervalo entre sorotipos, seqüência sorotipos, ampla circulação do vírus SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE A suscetibilidade ao vírus do Dengue é universal. A imunidade desenvolvida é permanente para um mesmo sorotipo (homóloga), existindo, contudo, imunidade cruzada ( heteróloga ) temporária para os demais sorotipos. A resposta imunológica à infecção aguda pode ser primária, em pessoas não expostas previamente ao vírus do Dengue, e secundária, em pessoas que tiveram infecção prévia.   A suscetibilidade ao Dengue Hemorrágico não está totalmente esclarecida. As hipóteses que procuram explicar sua ocorrência relacionam o aparecimento do Dengue Hemorrágico à virulência da cepa infectante (Teoria de Rosen ), à ocorrência e infecções seqüenciais por diferentes sorotipos num período de três meses a cinco anos (Teoria de Halstead ) e a fatores de risco relacionados ao hospedeiro como idade, sexo, estado imunitário, etc (Teoria da Multicausalidade ). uma hipótese integral de multicausalidade tem sido proposta por autores cubanos, segundo a qual se aliam vários fatores de risco às teorias de Halstead e da virulência da cepa. A interação desses fatores de risco promoveria condições para a ocorrência da FHD:   a) Fatores individuais: menores de 15 anos e lactentes, adultos do sexo feminino, raça branca, bom estado nutricional, presença de doenças crônicas (diabetes, asma brônquica, anemia falciforme), preexistência de anticorpos, intensidade da resposta imune anterior. b) Fatores virais: virulência da cepa circulante, sorotipo viral que esteja circulando no momento. c) Fatores epidemiológicos: existência de população suscetível, presença de vetor eficiente, alta densidade vetorial, intervalo de tempo calculado entre 3 meses e 5 anos entre duas infecções por sorotipos diferentes, seqüência das infecções (Den 2 secundário aos outros sorotipos), ampla circulação de vírus. Embora não se saiba qual o sorotipo mais patogênico, tem-se observado que as manifestações hemorrágicas mais graves estão associadas ao sorotipo 2. A suscetibilidade individual parece influenciar a ocorrência de FHD. Além disso, a intensidade da transmissão do vírus do Dengue e a circulação simultânea de vários sorotipos também têm sido considerados fatores de risco.
  • #41 Incubação extrínseca 8-12 dias Transmissão mecânica Transmissão até o fim da vida Não há contágio direto Incubação intrínseca 3-15 dias (5-6 dias) Transmissão (-1 a 6 dias)