AMEOPOEMA
Edição 074 - Fe(r)vereiro de 2021 - Ouro Preto - MG
TALVEZ
O
AMOR
:: dois poemas do grande poeta e
artista de Ouro Preto: Antônio dos Anjos
antoniodosanjosouropreto.blogspot.com
hoje de manhã
me vi sorrindo
à toa, de graça
que graça!
talvez
sejam desejos
talvez medo
talvez o sol
que me acordou
talvez o amor
que nem me deixou dormir
talvez até
pelo fato de eu existir
eu tenho sorrido
existo
resisto
amo
e insisto em sorrir...
o que me deprime
é um muro alto
a esconder jardins
são nuvens pesadas
a esconder a lua cheia
são passos na areia
são os olhos no nada
o que me deprime
é ter-se tão pouco
saber-se tão perto
querer-te tão dentro
e ter-me tão quieto
tão mudo
tão triste...
ESCONDERIJOS
Coma essas sandálias de ouro...
Meu vulcão,
me empreste a deus!
me transforme num besouro,
que presta culto
ao morto,
eu!
se o opositor me guarda,
tudo que nele posso
é meu.
se sua moral é uma mortalha
então irmão:
de que adianta Deus?
Saiba sempre, entretanto:
A dualidade é uma navalha.
Que primeiro, assassina
Os teus!
Castor Azevedo
pvictorazevedo@gmail.com
viver e rever
lembrar esquecer
soltar e reter
partir retornar
a vida se faz
de pé ante pé
compreender e sonhar
a vida se faz
de corpo a corpo
combater e gozar
a vida se faz e desfaz
até que se faça entender
que precisamos mudar
para outra humanidade
conjugada no plural
na singular natureza
João Aidar Filho
facebook.com/JoaoAidarFilho
$
BY ND
=
NC
cc _
Edição: Studio b2mr (@studiob2mr)
Coordenação: Editora AMEOPOEMA.
Circulação: Ouro Preto, Mariana (MG).
Conselho Editorial: Flávia Alves Santos
Exemplares na pRAÇA: 1.000 (distribuídos gratuitamente).
Paticipação: Daniela Mara , Júlia Arantes, Castor Azevedo, RF
Antônio dos Anjos, João Aidar Filho; capa: Rômulo Ferreira.
Publicação sem fins lucrativos, feita artesanalmente, com amor
e vontade de circular ideias e fomentar a produção literária em
Ouro Preto e região. PARTICIPE, ENVIE SEU MATERIAL
ameopoemaeditora@gmail.com || fb.com/ameopoema
AMEOPO MA
E
E AMEOPO MA
E
E AMEOPO MA
E
E AMEOPO MA
E
E
Daniela Mara
facebook.com/danielamara.rs
anticorpos.wordpress.com
Júlia Arantes
juarantes_op@hotmail.com
O gosto das palavras é das águas salgadas
Escorrendo em meu rosto,
Seja pelo o desaforo ou o sentimento de desgosto.
As palavras ainda resistem em ser ditas
Palavras tão confusas quanto o imagem turva
Apresentadas nos jornais.
O cheiro do incêndio atravessa as telas
Sufocando e secando florestas
Passando a boiada ou arriando a cela.
Há falta de ar entre as palavras contidas.
Asfixia lidas para as
Vítimas da própria dor esquecida.
São essas palavras pontuadas e esperadas.
Palavra escassa, empobrecida, abandonada
Palavra esta que arde, doí, mata
É palavra fumaça
Palavra que acaba com a mata.
Palavras em luto.
PALA
VRAS
Surgiu
de surpresa.
Tinha pressa,
estava de passagem.
Passou
e de resto
sobrou
a sombra
a sensação
do sabor
o traço, o rastro
o vestígio, o vestido
a essência
e a saudade.
Passo a sonhar...
É possível ressurgir.
É preciso esquecer.
Me despeço
e peço que passe.
Que não passe mais.
Impasse.
PASSAGEIRO
AMEOPO MA
E
editora artesanal
... o corte certeiro na mão do navegante, a corda espreme seus dedos no pano
retorcido; tudo navega em seu corpo como se mar o corpo fosse...
adormece o dia atrás da última onda que emplaca mais movimento a barca, seguimos
sem lua, 22 dias seguidos sem o tom cinza do luar, sem Jorges, nem coelhos, nem luz.
apenas mar e lembrança. e nada mais.
ouvi dizer que todos os marinheiros dormem cedo, e na vida quem tem olho
geralmente não enxerga nada a sua frente. nem seu porto. quando o porto existe.
Rômulo Ferreira
facebook.com/silhuetaartzine
Essa edição é toda especial,
voltamos as ruas, (estamos
fora delas tem quase um ano)
de maneira adaptada, voltamos
a circular com poesia e vida; por
enquanto vamos experimentar
este esquema de entregar alguns
exemplares de casa em casa, de mão em
mão, na surdina dos lugares onde se torna
inevitável a circulação de pessoas, (mas, gente,
por favor, sempre com muito cuidado a pandemia
ainda está matando muitas pessoas diariamente).
A edição, impressão e circulação deste
fanzine coletivo foi possível graças a Lei Aldir
Blanc.
A g r a d e c e m o s a q u i a t o d o s o s
participantes envolvidos, ao pessoal do coletivo
AMEOPOEMA, e a todo mundo que sempre soma
forças nas empreitadas poéticas. Estamos
movendo mundos.
E se você recebeu esse fanzine, não dá
bobeira, entre em contato com o povo que está
aqui publicado, comece a escrever poemas
também, troque mensagens, cartas... provoque
as coisas (todas) para que elas se movam.
seja poesia, só a poesia salva.
Patrocínio
Realização

Ameopoema 074 fevereiro 2021

  • 1.
    AMEOPOEMA Edição 074 -Fe(r)vereiro de 2021 - Ouro Preto - MG TALVEZ O AMOR :: dois poemas do grande poeta e artista de Ouro Preto: Antônio dos Anjos antoniodosanjosouropreto.blogspot.com hoje de manhã me vi sorrindo à toa, de graça que graça! talvez sejam desejos talvez medo talvez o sol que me acordou talvez o amor que nem me deixou dormir talvez até pelo fato de eu existir eu tenho sorrido existo resisto amo e insisto em sorrir... o que me deprime é um muro alto a esconder jardins são nuvens pesadas a esconder a lua cheia são passos na areia são os olhos no nada o que me deprime é ter-se tão pouco saber-se tão perto querer-te tão dentro e ter-me tão quieto tão mudo tão triste... ESCONDERIJOS Coma essas sandálias de ouro... Meu vulcão, me empreste a deus! me transforme num besouro, que presta culto ao morto, eu! se o opositor me guarda, tudo que nele posso é meu. se sua moral é uma mortalha então irmão: de que adianta Deus? Saiba sempre, entretanto: A dualidade é uma navalha. Que primeiro, assassina Os teus! Castor Azevedo pvictorazevedo@gmail.com viver e rever lembrar esquecer soltar e reter partir retornar a vida se faz de pé ante pé compreender e sonhar a vida se faz de corpo a corpo combater e gozar a vida se faz e desfaz até que se faça entender que precisamos mudar para outra humanidade conjugada no plural na singular natureza João Aidar Filho facebook.com/JoaoAidarFilho
  • 2.
    $ BY ND = NC cc _ Edição:Studio b2mr (@studiob2mr) Coordenação: Editora AMEOPOEMA. Circulação: Ouro Preto, Mariana (MG). Conselho Editorial: Flávia Alves Santos Exemplares na pRAÇA: 1.000 (distribuídos gratuitamente). Paticipação: Daniela Mara , Júlia Arantes, Castor Azevedo, RF Antônio dos Anjos, João Aidar Filho; capa: Rômulo Ferreira. Publicação sem fins lucrativos, feita artesanalmente, com amor e vontade de circular ideias e fomentar a produção literária em Ouro Preto e região. PARTICIPE, ENVIE SEU MATERIAL ameopoemaeditora@gmail.com || fb.com/ameopoema AMEOPO MA E E AMEOPO MA E E AMEOPO MA E E AMEOPO MA E E Daniela Mara facebook.com/danielamara.rs anticorpos.wordpress.com Júlia Arantes juarantes_op@hotmail.com O gosto das palavras é das águas salgadas Escorrendo em meu rosto, Seja pelo o desaforo ou o sentimento de desgosto. As palavras ainda resistem em ser ditas Palavras tão confusas quanto o imagem turva Apresentadas nos jornais. O cheiro do incêndio atravessa as telas Sufocando e secando florestas Passando a boiada ou arriando a cela. Há falta de ar entre as palavras contidas. Asfixia lidas para as Vítimas da própria dor esquecida. São essas palavras pontuadas e esperadas. Palavra escassa, empobrecida, abandonada Palavra esta que arde, doí, mata É palavra fumaça Palavra que acaba com a mata. Palavras em luto. PALA VRAS Surgiu de surpresa. Tinha pressa, estava de passagem. Passou e de resto sobrou a sombra a sensação do sabor o traço, o rastro o vestígio, o vestido a essência e a saudade. Passo a sonhar... É possível ressurgir. É preciso esquecer. Me despeço e peço que passe. Que não passe mais. Impasse. PASSAGEIRO AMEOPO MA E editora artesanal ... o corte certeiro na mão do navegante, a corda espreme seus dedos no pano retorcido; tudo navega em seu corpo como se mar o corpo fosse... adormece o dia atrás da última onda que emplaca mais movimento a barca, seguimos sem lua, 22 dias seguidos sem o tom cinza do luar, sem Jorges, nem coelhos, nem luz. apenas mar e lembrança. e nada mais. ouvi dizer que todos os marinheiros dormem cedo, e na vida quem tem olho geralmente não enxerga nada a sua frente. nem seu porto. quando o porto existe. Rômulo Ferreira facebook.com/silhuetaartzine Essa edição é toda especial, voltamos as ruas, (estamos fora delas tem quase um ano) de maneira adaptada, voltamos a circular com poesia e vida; por enquanto vamos experimentar este esquema de entregar alguns exemplares de casa em casa, de mão em mão, na surdina dos lugares onde se torna inevitável a circulação de pessoas, (mas, gente, por favor, sempre com muito cuidado a pandemia ainda está matando muitas pessoas diariamente). A edição, impressão e circulação deste fanzine coletivo foi possível graças a Lei Aldir Blanc. A g r a d e c e m o s a q u i a t o d o s o s participantes envolvidos, ao pessoal do coletivo AMEOPOEMA, e a todo mundo que sempre soma forças nas empreitadas poéticas. Estamos movendo mundos. E se você recebeu esse fanzine, não dá bobeira, entre em contato com o povo que está aqui publicado, comece a escrever poemas também, troque mensagens, cartas... provoque as coisas (todas) para que elas se movam. seja poesia, só a poesia salva. Patrocínio Realização