FANZINE #35
Ouro Preto, MG | 2012 -2025
AMEOPO MA
E
editora artesanal
ameopoemaeditora@gmail.com
@ameopoemaeditora @coletivoamepoema
FANZINE
#35
|
várias (os) colaboradoras (es)
revisão: participantes
edição e finalização: @ameopoemaeditora
organização: Ed. AMEOPOEMA | @coletivoameopoema
tiragem: 600 exemplares + e-book | Ouro Preto, MG - fev / mar 2025
Visite: instagram.com/ameopoemaeditora
|
part
icip
antes
trilha sonora desta edição: Songs for Nuclear Annihilation (Slowed and Reverb)
AltiereLeal+ KalilaA.Amorim+RômuloFerreira+FlaviaASantos
DaniMara+ElidiomarRibeiro+AlineBischoff+MarceloHeidenreich
ConradoGonçalves+Cyber.xerecuda+AllyssonGudu+AnaLuKattah
RafaelGrillo+TheGanmit+Ludmilalud+PaulaEster
IsaíasGabrielFranco+ReginaldoGoulartdeOliveira
Anastácio+PatríciaD'viso+JoséVictorBarbosa+LuizFernandoPinto
CassianoIorguensen+AlbertoOliveiradaSilva+Intervenções...
ser desaparecido num país
onde se não é dele
e se é deportado, parêntesis, exportado
pra um terceiro, onde o embargo
sem contéiner, é prisão
é mister, pela decência do mundo
e pela boa convivência no matadouro
comum antitelevisionado, mas são
silêncio na tv, a mtv já nem existe
- sepultura uma vez, em música, guerreou pelo território palestino,
[hoje, repete repertório -
silêncio na tv aberta, fechada ou mídia qualquer
guantánamo, minúscula cela do mundo
deportar é direito na terra direita
ou vice e versa (é direito universal andarilhar)
emigrar sempre foi um expediente humano
e a música desaparece sob uma kufiya
(anteparo ancestral das bombas d hoje)
o dabke, celebrado na surdina, torce pela vida
como qualquer ianomâmi dançava
aparecemos e sumimos sob assasinato
e bombardeio, e emboscada, e polícia, e poesia
os que vivem demais, sempre morrem no dia antes
Conrado Gonçalves
@cnrd_cnrd
Fui untado nas Injustiças
Abandonos
Sofrimentos
Tristezas
e perdas de meus ancestrais
Brindamos a vida
Brindamos o desejo
Brindamos a amizade
Brindamos o ano novo
Brindamos a praia
Brindamos o enlace
Brindamos a dúvida
Brindamos o amor
Brindamos a certeza
Brindamos o pimpolho
Brindamos a cachorra
Brindamos os cachorros
Brindamos as casas na cidade
Brindamos os anseios no campo
Brindamos as caminhadas
Brindemos em tempo, o ostracismo!
E todos os brindes em vão da humanidade
A vida é um sopro
poemas do novo livro
‘‘Aos muros que nos
cercam’’ de Allysson
Gudu, lançamento
Editora M.inimalismos.
2
dm.
@__danimara
o
silêncio
da
lua
No meio do mato não tem hora
Ainda assim o tempo voa
Voa com a gralha-cancã
Abre o bico e canta:
cã… cã…
cã… cã…
cã… cã…
Já passou da hora.
O relógio da
gralha-cancã
Altiere Leal
cinealegoria@gmail.com
o silêncio da lua me deixa com
cabeça avoada, corpo atento
e coração firme.
o que sinto é encontro
de saliva seca.
transformações do tempo,
nova, cheia, minguante e crescente...
das armadilhas da mente cansada
é dança de sussurros.
riscos dos silêncios
caminhos que protegem
no encontro da espera:
o que não rega, morre.
o silêncio da lua
me mexe dentro, sabe?
não sei o que sinto,
abraço o espaço numa
dança que anseia passos.
Cassiano Iorguensen
@cassiano.iorguensen
Caído em mil versões de mim, gritaram-me no alto inferno.
Sem acreditar corri rumo ao infinito.
Tropecei em meu próprio ódio,
mas chegando aos confins do universo não encontrei inferno algum.
Certo em estar,
certo caí uma segunda vez
e só então encontrei um demônio guardado no fundo do meu peito.
O que eu fiz?
Não, não renunciei a minha carne …
Em silêncio, solidifiquei minha alma
e a comi e para acompanhar
tal banquete bebi meu ódio.
Olhei-me no espelho e então o vi …
Eu e o espelho
Repasso a fala em minha mente. A tosse interrompe meus pensamentos. Seca e áspera,
impossível não me levar para tantas outras memórias. O arco imaginário em volta de minha
cabeça volta a apertar, a dor e a pressão na testa chegam a deixar tonto... Que nostalgia. Nos
anos que eu era movido a fúria em meio a tudo, onde foi que perdi minha loucura? Rir o
desespero, sorrir bem amargo, as unhas cortadas para não cravar em nada, mas já nem
tentaria... Dessa vez sei que o mundo está parado e só eu que estou girando. Não faz muita
diferença no fim, ainda quero vomitar. Ainda preciso vomitar. Todas essas coisas que engoli
iludindo-me alimentar rastejam agora querendo sair. A tosse força o corpo a arquear. O mesmo
meio sorriso, amargo e cansado. Quero rir. Não quero rir. A mão vai à boca mas já estou rindo. A
mão dança no rosto passando pelo nariz, ainda não vou gargalhar. Os olhos ardem, estou rindo, a
mão sobe à testa, não vou gargalhar. Sento no chão. Acho que estou sozinho. Estou sozinho?
Posso enlouquecer?Ailusão de abrir uma jaula e pensar em entrar quando já se está trancafiado.
Como cheguei até aqui? Sei exatamente e não faço a mínima ideia. Se for lembrar de tudo, não
terei forças para sair daqui. O esquecimento sendo a única vingança vã. E o único perdão tolo. Ou
o contrário. Talvez eu não me canse de fazer tolices. Mas já estou cansado de todo o resto. Os
olhos e o peito disputam peso com o mundo. Deito-me. Estou gargalhando no chão. E a tosse
vem me jogar de volta à realidade violentamente. Estou deitado. Acho que está escuro, meus
olhos estão abertos e não vejo nada. Acho que respiro. Repasso a fala em minha mente. A tosse
interrompe meus pensamentos.
PIGARRO Alberto Oliveira Da Silva
@feijao.indigesto
De tempo pra ser conciso, pra ser construído, pra ser desatado,
[pra ser desvendado, pra ser retomado, pra ir e também pra voltar;
Precisa de tempo pra se conhecer, pra se escrever, pra se esculpir,
[pra caminhar, pra se iluminar, pra redundar.
Mas vez ou outra o amor precisa de todos os ponteiros
[dum relógio pra ser só.
O amor pode viver sozinho,
pode viver nos braços de um outro alguém,
pode repensar,
pode se mudar,
pode se refazer,
pode se despedir,
pode se reencontrar,
pode viajar,
pode se amar,
pode ir, mas também pode voltar.
O amor precisa de tempo pra ser todo,
[e ser autor a sós, de duas pessoas.
O amor precisa de tempo até mesmo pra amar.
às vezes
até o amor
precisa
de tempo
Kalila Assis Amorim
@kalilaamorim
Patrícia D'viso
@patriciadviso
Despetalar no ar, o ar.
Nada existe para além do nada.
Os pedaços que me definem farão parte de você
Em uma grandeza física inexistente.
O real é o espaço imensurável entre nós.
Os desejos, todos, eróticos.
Entenda isso
A energia que sustenta move a complexidade simples
Esse imenso caos, exótico, tópico...
Se for pele esconde sua alma
Desperta,
Se diluir é um propósito,
Volta e aguarda.
O fluxo te conduz
Parece essência, mas, é breu.
Eu pétala no ar, sem ar...
Termino no tempo
Pura fantasia...
Era seu corpo
Morto, sobre o meu.
DESPERTAR
E vênus abre a máquina do mundo.
Portulano ante o desejo
de novos mares,
ao navegador imberbe e donzel de vida,
restará a náutica do desejo
infinito como seus monstros
guardados e famélicos no baixo ventre.
Arca foederis
Isaías Gabriel Franco
outra
praça
outro
preito
outra
posse
ouro
preto
ouro
pedra
outro
padre
outra
prece
ouro
preto
outro
parto
ouro
peito
outro
fruto
ouro
preto
outra
ponte
outro
feito
outro
poste
ouro
preto
outra
porta
ouro
penso
outro
ponto
ouro
preto
ouro
passo
outro
preço
outro
prato
ouro
preto
Marcelo Heidenreich
@mhar.music
Tempos estranhos, pessoas estranhas
O ódio mastigado empurrado nas entranhas
O sonho americano acorrentado
Imigrantes ameaçados, jogados na sarjeta
O sorriso amarelo da extrema direita
Palavras cuspidas para todos os lados
Num mundo polarizado
Algumas pessoas ,de suas orígens se esquecem,
[outras atordoadas perecem
A saúde mental adoece e o Canalha envelhece
Assustador?
Horripilante?
É humanos, o mundo definitivamente não está para amadores.
Salve-se quem puder.
Salve-se
The Ganmit
ganmitthe@gmail.com
Amanheceu há algumas horas atrás.
Há tempos é dia, mas só agora desperto.
Apenas agora, abro os meus olhos...
Há algo diferente no ambiente
Mais sombras
Menos luz
Mais CONSCIÊNCIA.
Falta eletricidade [entre muitas outras coisas]
Energia?
Alegria?
Poesia?!
Zerada de bateria. Desligar?
Me ligar?
Não é todo dia...
Reflexiva, um pouco evasiva.
Desconectada
Desconcertada. Deslocada.
Me ressignifico
Nessa nova
Caminhada.
AMANHECEU
SEM LUZ
Paula Ester
@paula_ester_apol
Alô! Ôôô Deise? Hello, Deise! Cansei desse negócio de
carta, agora é telefone. Tô aqui ó… direto do çentro.
Isso...vou direto ao ponto. Escuta. Eu vi. Ninguém me
contou, não. Botei a cara na rua e você estava lá. Filmei
hein. Tá tudo na nuvem. Tá querendo virar atleta? Só não
entendi o horário. Coisa de lacradora mesmo, Deise! Tu
queria flash! Não se faz de besta, sei que tá me ouvindo.
Como está o tempo aí em Varginha? Quando vier traz
umas mangas! Ainda bem que nada passa batido, já fez
as contas? São mais de trezentas janelas. Eu sou
trezentos, sou trezentos-e-cincoenta olhos que não
falham, apesar da miopia, Deise. Dessas frestas eu já vi
coisas que até Mário desconfia. Foi
exatamente neste horário. As águas
platinadas da baía pareciam até uma
pintura...lindo! Os peixes, os barquinhos, as
eucariontes, fotossintetizantes, clorofiladas,
unicelulares e pluricelulares, o lixo, o óleo, as
placas tectônicas, as bostas... lógico! Tu acha
que teu coco vai pra onde? Tudo refletido pela
lua cheia. Coisa linda! Outro patamar... mar se
eu fosse poeta de poesia faria um poema.
Como não sou, te ligo e narro o que vi-vi. Narro
como questão de sobrevivência, Deise. Te
reconheci pelo cocoruco, essa peruca, lady,
Deise é batata te reconhecer. Você não me viu.
É que me fingi de morto. Não sou besta!
Pareço defunto mas é tudo fingimento, tudo
encenação. Fiz escola, mon amour. Tá
pensando o que? Todos esses artistas aí são
fruto de muá, ou de mauá. Mas Deise, vai que
tu pega um resfriado? Uma gripe? Uma
pneumonia? Pelo menos estava nadando
sozinha, sem aglomeração, e devidamente
mascarada, é bom ressaltar. Mas, escuta aqui.
Gostei do maiô, esse rosa choque é a tua cara.
Confesso que foi bom te reencontrar. Aqui é
tudo tão solitário que só fico com as
lembranças. Vez ou outra até elas me faltam.
Você está aí? Falei dele mas eu já ia
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Dorival Caymmi
#1 Era tu Deise ou o nosso amigo Mário
Luiz Fernando Pinto
@luizfernandoppinto
esquecendo de contar o mais importante. O nosso amigo. O que está acontecendo com o Mário? Voltou
quatro meses depois, e entrou na minha casa, certa manhã, quase no estado em que eu o vi no passeio
público. A diferença é que o olhar era outro. Vinha com sede de guaraná jesus. Me contou que vai fundar o
desvairismo, sim... doido de pedra. Não só está louco, mas sabe que está louco. E esse restin de
consciência, como uma frouxa lamparina no meio das trevas, complica muito o horror da situação. Perdeu a
seriedade. Escuta. Mário não tá sozinho, mesmo que insista em dizer o contrário. Isso é coisa de quem está
acompanhado, Deise! Tem dedo do olho grande do Martinelli ou o Marinetti, ervas daninhas, Deise! O pior,
ele não se irrita contra o mal, ao contrário, diz que o sintoma é ainda uma prova de desvairismo. Recitou um
prefácio longuíssimo e um tanto interessantíssimo. Um cruzo danado, um entroncamento. Deise,
deixaremos que tropece? Caia e se fira? Assis acha que é exagero! Mas não foi ele quem ouviu o coitado
dizer que seguia um tal de Dom Lirismo, único dom que conheço é o Casmurro, esse Lirismo deve ser um
desses deuses que ele foi buscar no Piauí.Antes no Piauí do que ir parar em Itaguaí. Veio com um papo que
havia passado um bom tempo procurando a si mesmo e que era um tupi tangendo um alaúde. Ainda teve o
disparate de dizer que não se importava por eu não entender essa loucura toda. E por fim, pra completar,
depois de tudo olhou nos meus olhos e berrou “está acabado o desvairismo”. Imagino o seu susto, Deise,
ouvindo isto. Não tenho tempo para explicar: me ligue, se quiser. Ou convide o Mário para um mergulho.
Aproveite o seu exílio no Rio. Saudades aos seus e aceite um abraço eletromagnético. Não! Não é
eletromagnético, me enganei, é radioativo, que falou um faquir alemão que me analisou e disse que dou
felicidades pelas forças radioativas que possuo. Um cheiro e um queijo, de Minas!
Precisamos de um remédio que cure o
Orgulho, duma vacina que combata o
Egoísmo, disseminando a empatia e a
Solidariedade, gerando oportunidades
Iguais, ativando nossos anticorpos do
Amor, é que seremos de fato imunes,
Contra toda e qualquer enfermidade,
Unidos em prol de uma humanidade
Ressignificada. Para tal, é vital que a
Arte e a cultura nos apontem a cura.
POESIA CURA
À memória de Paulo Gustavo.
Aline Bischoff
aline.b.bischof@gmail.com
Eu irei redimir os meus ancestrais
Irei libertar os meus descendentes
Eu me tornarei o reflexo límpido
[do amor eterno da vida
Quando eu primeiro encontrar
[a fonte do amor dentro de mim
(Poesia mística pode?)
cyber.xerecuda
@cyber.xerecuda
Saudade de seu beijo de seda
Sê-lo
Selo
Entrelinhas:
Entre línguas.
Eduardo C Souza
@educsouza76
Tragédia que se varreu
Pra debaixo do tapete
A alma se escondeu
Num sorriso de enfeite
Ceifado sonho que morreu no torniquete
Selado foi o sangue a ser jorrado
Eviscerado da carne decomposta
Mutilado do direito de resposta
Me deixa sangrar, me deixa gritar
Preciso muito extravasar
Preciso de algo sujo para me limpar
Esfregar, lavar, centrifugar
Exposta a tudo quero (me) contaminar
Ante o imposto ideal de limpeza
Higienista, eugenista
Querendo no nojo (me) alvejar
De raiva e reclusão não vou morrer
Suando no pecado vou me encontrar
Roupa
Suja AnaLu Kattah
@art_analukattah
Retalhos, não pedaços.
Costurados, não de qualquer jeito.
Um a um, na única colcha de retalhos
Que ao falar de mim,
São apenas retalhos.
Retalhos, não só os meus.
“—Também, meu amor, os teus!”
Retalhos de vida e sonhos.
Pelas linhas do amor costurados.
Retalhos, nem grandes nem pequenos.
Do tamanho certo para amar
Cada detalhe, costura, segredo.
Retalhos: mais que parte de um todo
Que somos sozinhos ou costurados.
Retalhos de dias, meses e anos.
Lembranças ou memórias e sentimentos.
Perto ou distante, presente ou ausente.
Retalhos somente!
Retalhos
Reginaldo Goulart De Oliveira
lentesgregori@gmail.com
[RESPEITO]
Em sinal de deferência, o guerreiro ornou seu escudo com a
pele do leopardo abatido. Deferência que o invasor europeu
não teve, ao perfurar ambos - escudo e guerreiro - com um tiro
de arma de fogo.
[MALDITO]
Levou seu amigo para passear. Voltou sozinho duas horas
depois, guia e coleira na mão. O amor incondicional era só de
um lado.
[FIM DO SONHO]
Não aguentava mais a vida na cidade grande. Contava cada
minuto para a almejada aposentadoria, quando finalmente
poderia juntar suas economias, comprar um pedacinho de
roça, algumas galinhas, patos e quem sabe até uma vaca
leiteira. O diabo é que a selva de pedra costuma punir também
os inocentes e as balas urbanas só são perdidas no nome.
[LIVRAMENTO]
"Por que será que ele não me nota?", questiona aquela que tem
o mais eficiente dos anjos da guarda.
Quatro
microcontos
sobre
a humanidade
Elidiomar Ribeiro
elidiomar@gmail.com
@elidiomar.ribeiro
Atravessa a passarela 7 às 9
correr pra pegar o trem com destino a sobrevivência
Volta às 20h cansada de negociar a própria sorte
tem que ter muita munição para dar um tiro e acertar a
cabeça do futuro, dá medo porque às vezes é você o alvo
Nos finais de semana, brinca de deus para se distrair,
chega a ter teto preto, se recupera no breu da noite de domingo
que toda semana termina cinza.
Segunda, acorda às 5h porque a vida retinta
o relógio só diminui a vida.
vida retinta
Ludmila lud
ludludmila075@gmail.com
não posso comprar o ócio
minha mãe tem que rir de novo
não tem poema dócil
velho pra voltar atrás, pra morrer muito novo
sempre posso ser um pouco melhor
não é louvor se envenena a
lavoura
venho do zero
Zé MeneBar
josevictorbarbosa50@gmail.com
Desculpem o mau jeito, mas não queria ter feito,
ter feito parte, ter feito arte, ter querido estar nisso.
Não quero ser chato, mas agora já não tenho mais saco,
me causa asco no que faço.
Desculpem a má vontade, mas agora já não me sinto mais à vontade,
não sinto vontade de ter, não sinto vontade de ser.
Não sinto mais vontade de estar junto a você.
Desculpem minha áscua, minha violência,
não tenho e nem mesmo quero ter mais paciência.
Não sou desses que medem esforços e palavras,
aqueles que só fazem por conveniência.
Vá a merda toda a desculpa, sem desculpas.
Meu amor hoje é grosso, meu carinho hoje é bruto,
meu desejo é apenas ser porra.
Hoje não tenho mais desculpas,
estou puto!
Rafael Grillo
@rafaelgrilloceramicas
100 desculpas
Anastácio
MUITO OBRIGADO PELA LEITURA
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Suplemento Acre 035 - Fevereiro e Marco 2025

  • 1.
    FANZINE #35 Ouro Preto,MG | 2012 -2025
  • 2.
    AMEOPO MA E editora artesanal ameopoemaeditora@gmail.com @ameopoemaeditora@coletivoamepoema FANZINE #35 | várias (os) colaboradoras (es) revisão: participantes edição e finalização: @ameopoemaeditora organização: Ed. AMEOPOEMA | @coletivoameopoema tiragem: 600 exemplares + e-book | Ouro Preto, MG - fev / mar 2025 Visite: instagram.com/ameopoemaeditora | part icip antes trilha sonora desta edição: Songs for Nuclear Annihilation (Slowed and Reverb) AltiereLeal+ KalilaA.Amorim+RômuloFerreira+FlaviaASantos DaniMara+ElidiomarRibeiro+AlineBischoff+MarceloHeidenreich ConradoGonçalves+Cyber.xerecuda+AllyssonGudu+AnaLuKattah RafaelGrillo+TheGanmit+Ludmilalud+PaulaEster IsaíasGabrielFranco+ReginaldoGoulartdeOliveira Anastácio+PatríciaD'viso+JoséVictorBarbosa+LuizFernandoPinto CassianoIorguensen+AlbertoOliveiradaSilva+Intervenções...
  • 3.
    ser desaparecido numpaís onde se não é dele e se é deportado, parêntesis, exportado pra um terceiro, onde o embargo sem contéiner, é prisão é mister, pela decência do mundo e pela boa convivência no matadouro comum antitelevisionado, mas são silêncio na tv, a mtv já nem existe - sepultura uma vez, em música, guerreou pelo território palestino, [hoje, repete repertório - silêncio na tv aberta, fechada ou mídia qualquer guantánamo, minúscula cela do mundo deportar é direito na terra direita ou vice e versa (é direito universal andarilhar) emigrar sempre foi um expediente humano e a música desaparece sob uma kufiya (anteparo ancestral das bombas d hoje) o dabke, celebrado na surdina, torce pela vida como qualquer ianomâmi dançava aparecemos e sumimos sob assasinato e bombardeio, e emboscada, e polícia, e poesia os que vivem demais, sempre morrem no dia antes Conrado Gonçalves @cnrd_cnrd
  • 4.
    Fui untado nasInjustiças Abandonos Sofrimentos Tristezas e perdas de meus ancestrais Brindamos a vida Brindamos o desejo Brindamos a amizade Brindamos o ano novo Brindamos a praia Brindamos o enlace Brindamos a dúvida Brindamos o amor Brindamos a certeza Brindamos o pimpolho Brindamos a cachorra Brindamos os cachorros Brindamos as casas na cidade Brindamos os anseios no campo Brindamos as caminhadas Brindemos em tempo, o ostracismo! E todos os brindes em vão da humanidade A vida é um sopro poemas do novo livro ‘‘Aos muros que nos cercam’’ de Allysson Gudu, lançamento Editora M.inimalismos. 2
  • 5.
    dm. @__danimara o silêncio da lua No meio domato não tem hora Ainda assim o tempo voa Voa com a gralha-cancã Abre o bico e canta: cã… cã… cã… cã… cã… cã… Já passou da hora. O relógio da gralha-cancã Altiere Leal cinealegoria@gmail.com o silêncio da lua me deixa com cabeça avoada, corpo atento e coração firme. o que sinto é encontro de saliva seca. transformações do tempo, nova, cheia, minguante e crescente... das armadilhas da mente cansada é dança de sussurros. riscos dos silêncios caminhos que protegem no encontro da espera: o que não rega, morre. o silêncio da lua me mexe dentro, sabe? não sei o que sinto, abraço o espaço numa dança que anseia passos.
  • 6.
    Cassiano Iorguensen @cassiano.iorguensen Caído emmil versões de mim, gritaram-me no alto inferno. Sem acreditar corri rumo ao infinito. Tropecei em meu próprio ódio, mas chegando aos confins do universo não encontrei inferno algum. Certo em estar, certo caí uma segunda vez e só então encontrei um demônio guardado no fundo do meu peito. O que eu fiz? Não, não renunciei a minha carne … Em silêncio, solidifiquei minha alma e a comi e para acompanhar tal banquete bebi meu ódio. Olhei-me no espelho e então o vi … Eu e o espelho
  • 7.
    Repasso a falaem minha mente. A tosse interrompe meus pensamentos. Seca e áspera, impossível não me levar para tantas outras memórias. O arco imaginário em volta de minha cabeça volta a apertar, a dor e a pressão na testa chegam a deixar tonto... Que nostalgia. Nos anos que eu era movido a fúria em meio a tudo, onde foi que perdi minha loucura? Rir o desespero, sorrir bem amargo, as unhas cortadas para não cravar em nada, mas já nem tentaria... Dessa vez sei que o mundo está parado e só eu que estou girando. Não faz muita diferença no fim, ainda quero vomitar. Ainda preciso vomitar. Todas essas coisas que engoli iludindo-me alimentar rastejam agora querendo sair. A tosse força o corpo a arquear. O mesmo meio sorriso, amargo e cansado. Quero rir. Não quero rir. A mão vai à boca mas já estou rindo. A mão dança no rosto passando pelo nariz, ainda não vou gargalhar. Os olhos ardem, estou rindo, a mão sobe à testa, não vou gargalhar. Sento no chão. Acho que estou sozinho. Estou sozinho? Posso enlouquecer?Ailusão de abrir uma jaula e pensar em entrar quando já se está trancafiado. Como cheguei até aqui? Sei exatamente e não faço a mínima ideia. Se for lembrar de tudo, não terei forças para sair daqui. O esquecimento sendo a única vingança vã. E o único perdão tolo. Ou o contrário. Talvez eu não me canse de fazer tolices. Mas já estou cansado de todo o resto. Os olhos e o peito disputam peso com o mundo. Deito-me. Estou gargalhando no chão. E a tosse vem me jogar de volta à realidade violentamente. Estou deitado. Acho que está escuro, meus olhos estão abertos e não vejo nada. Acho que respiro. Repasso a fala em minha mente. A tosse interrompe meus pensamentos. PIGARRO Alberto Oliveira Da Silva @feijao.indigesto
  • 8.
    De tempo praser conciso, pra ser construído, pra ser desatado, [pra ser desvendado, pra ser retomado, pra ir e também pra voltar; Precisa de tempo pra se conhecer, pra se escrever, pra se esculpir, [pra caminhar, pra se iluminar, pra redundar. Mas vez ou outra o amor precisa de todos os ponteiros [dum relógio pra ser só. O amor pode viver sozinho, pode viver nos braços de um outro alguém, pode repensar, pode se mudar, pode se refazer, pode se despedir, pode se reencontrar, pode viajar, pode se amar, pode ir, mas também pode voltar. O amor precisa de tempo pra ser todo, [e ser autor a sós, de duas pessoas. O amor precisa de tempo até mesmo pra amar. às vezes até o amor precisa de tempo Kalila Assis Amorim @kalilaamorim
  • 9.
    Patrícia D'viso @patriciadviso Despetalar noar, o ar. Nada existe para além do nada. Os pedaços que me definem farão parte de você Em uma grandeza física inexistente. O real é o espaço imensurável entre nós. Os desejos, todos, eróticos. Entenda isso A energia que sustenta move a complexidade simples Esse imenso caos, exótico, tópico... Se for pele esconde sua alma Desperta, Se diluir é um propósito, Volta e aguarda. O fluxo te conduz Parece essência, mas, é breu. Eu pétala no ar, sem ar... Termino no tempo Pura fantasia... Era seu corpo Morto, sobre o meu. DESPERTAR
  • 10.
    E vênus abrea máquina do mundo. Portulano ante o desejo de novos mares, ao navegador imberbe e donzel de vida, restará a náutica do desejo infinito como seus monstros guardados e famélicos no baixo ventre. Arca foederis Isaías Gabriel Franco
  • 11.
  • 12.
    Tempos estranhos, pessoasestranhas O ódio mastigado empurrado nas entranhas O sonho americano acorrentado Imigrantes ameaçados, jogados na sarjeta O sorriso amarelo da extrema direita Palavras cuspidas para todos os lados Num mundo polarizado Algumas pessoas ,de suas orígens se esquecem, [outras atordoadas perecem A saúde mental adoece e o Canalha envelhece Assustador? Horripilante? É humanos, o mundo definitivamente não está para amadores. Salve-se quem puder. Salve-se The Ganmit ganmitthe@gmail.com
  • 13.
    Amanheceu há algumashoras atrás. Há tempos é dia, mas só agora desperto. Apenas agora, abro os meus olhos... Há algo diferente no ambiente Mais sombras Menos luz Mais CONSCIÊNCIA. Falta eletricidade [entre muitas outras coisas] Energia? Alegria? Poesia?! Zerada de bateria. Desligar? Me ligar? Não é todo dia... Reflexiva, um pouco evasiva. Desconectada Desconcertada. Deslocada. Me ressignifico Nessa nova Caminhada. AMANHECEU SEM LUZ Paula Ester @paula_ester_apol
  • 14.
    Alô! Ôôô Deise?Hello, Deise! Cansei desse negócio de carta, agora é telefone. Tô aqui ó… direto do çentro. Isso...vou direto ao ponto. Escuta. Eu vi. Ninguém me contou, não. Botei a cara na rua e você estava lá. Filmei hein. Tá tudo na nuvem. Tá querendo virar atleta? Só não entendi o horário. Coisa de lacradora mesmo, Deise! Tu queria flash! Não se faz de besta, sei que tá me ouvindo. Como está o tempo aí em Varginha? Quando vier traz umas mangas! Ainda bem que nada passa batido, já fez as contas? São mais de trezentas janelas. Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta olhos que não falham, apesar da miopia, Deise. Dessas frestas eu já vi coisas que até Mário desconfia. Foi exatamente neste horário. As águas platinadas da baía pareciam até uma pintura...lindo! Os peixes, os barquinhos, as eucariontes, fotossintetizantes, clorofiladas, unicelulares e pluricelulares, o lixo, o óleo, as placas tectônicas, as bostas... lógico! Tu acha que teu coco vai pra onde? Tudo refletido pela lua cheia. Coisa linda! Outro patamar... mar se eu fosse poeta de poesia faria um poema. Como não sou, te ligo e narro o que vi-vi. Narro como questão de sobrevivência, Deise. Te reconheci pelo cocoruco, essa peruca, lady, Deise é batata te reconhecer. Você não me viu. É que me fingi de morto. Não sou besta! Pareço defunto mas é tudo fingimento, tudo encenação. Fiz escola, mon amour. Tá pensando o que? Todos esses artistas aí são fruto de muá, ou de mauá. Mas Deise, vai que tu pega um resfriado? Uma gripe? Uma pneumonia? Pelo menos estava nadando sozinha, sem aglomeração, e devidamente mascarada, é bom ressaltar. Mas, escuta aqui. Gostei do maiô, esse rosa choque é a tua cara. Confesso que foi bom te reencontrar. Aqui é tudo tão solitário que só fico com as lembranças. Vez ou outra até elas me faltam. Você está aí? Falei dele mas eu já ia É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar É doce morrer no mar Nas ondas verdes do mar Dorival Caymmi #1 Era tu Deise ou o nosso amigo Mário Luiz Fernando Pinto @luizfernandoppinto
  • 15.
    esquecendo de contaro mais importante. O nosso amigo. O que está acontecendo com o Mário? Voltou quatro meses depois, e entrou na minha casa, certa manhã, quase no estado em que eu o vi no passeio público. A diferença é que o olhar era outro. Vinha com sede de guaraná jesus. Me contou que vai fundar o desvairismo, sim... doido de pedra. Não só está louco, mas sabe que está louco. E esse restin de consciência, como uma frouxa lamparina no meio das trevas, complica muito o horror da situação. Perdeu a seriedade. Escuta. Mário não tá sozinho, mesmo que insista em dizer o contrário. Isso é coisa de quem está acompanhado, Deise! Tem dedo do olho grande do Martinelli ou o Marinetti, ervas daninhas, Deise! O pior, ele não se irrita contra o mal, ao contrário, diz que o sintoma é ainda uma prova de desvairismo. Recitou um prefácio longuíssimo e um tanto interessantíssimo. Um cruzo danado, um entroncamento. Deise, deixaremos que tropece? Caia e se fira? Assis acha que é exagero! Mas não foi ele quem ouviu o coitado dizer que seguia um tal de Dom Lirismo, único dom que conheço é o Casmurro, esse Lirismo deve ser um desses deuses que ele foi buscar no Piauí.Antes no Piauí do que ir parar em Itaguaí. Veio com um papo que havia passado um bom tempo procurando a si mesmo e que era um tupi tangendo um alaúde. Ainda teve o disparate de dizer que não se importava por eu não entender essa loucura toda. E por fim, pra completar, depois de tudo olhou nos meus olhos e berrou “está acabado o desvairismo”. Imagino o seu susto, Deise, ouvindo isto. Não tenho tempo para explicar: me ligue, se quiser. Ou convide o Mário para um mergulho. Aproveite o seu exílio no Rio. Saudades aos seus e aceite um abraço eletromagnético. Não! Não é eletromagnético, me enganei, é radioativo, que falou um faquir alemão que me analisou e disse que dou felicidades pelas forças radioativas que possuo. Um cheiro e um queijo, de Minas!
  • 16.
    Precisamos de umremédio que cure o Orgulho, duma vacina que combata o Egoísmo, disseminando a empatia e a Solidariedade, gerando oportunidades Iguais, ativando nossos anticorpos do Amor, é que seremos de fato imunes, Contra toda e qualquer enfermidade, Unidos em prol de uma humanidade Ressignificada. Para tal, é vital que a Arte e a cultura nos apontem a cura. POESIA CURA À memória de Paulo Gustavo. Aline Bischoff aline.b.bischof@gmail.com Eu irei redimir os meus ancestrais Irei libertar os meus descendentes Eu me tornarei o reflexo límpido [do amor eterno da vida Quando eu primeiro encontrar [a fonte do amor dentro de mim (Poesia mística pode?) cyber.xerecuda @cyber.xerecuda Saudade de seu beijo de seda Sê-lo Selo Entrelinhas: Entre línguas. Eduardo C Souza @educsouza76
  • 17.
    Tragédia que sevarreu Pra debaixo do tapete A alma se escondeu Num sorriso de enfeite Ceifado sonho que morreu no torniquete Selado foi o sangue a ser jorrado Eviscerado da carne decomposta Mutilado do direito de resposta Me deixa sangrar, me deixa gritar Preciso muito extravasar Preciso de algo sujo para me limpar Esfregar, lavar, centrifugar Exposta a tudo quero (me) contaminar Ante o imposto ideal de limpeza Higienista, eugenista Querendo no nojo (me) alvejar De raiva e reclusão não vou morrer Suando no pecado vou me encontrar Roupa Suja AnaLu Kattah @art_analukattah Retalhos, não pedaços. Costurados, não de qualquer jeito. Um a um, na única colcha de retalhos Que ao falar de mim, São apenas retalhos. Retalhos, não só os meus. “—Também, meu amor, os teus!” Retalhos de vida e sonhos. Pelas linhas do amor costurados. Retalhos, nem grandes nem pequenos. Do tamanho certo para amar Cada detalhe, costura, segredo. Retalhos: mais que parte de um todo Que somos sozinhos ou costurados. Retalhos de dias, meses e anos. Lembranças ou memórias e sentimentos. Perto ou distante, presente ou ausente. Retalhos somente! Retalhos Reginaldo Goulart De Oliveira lentesgregori@gmail.com
  • 18.
    [RESPEITO] Em sinal dedeferência, o guerreiro ornou seu escudo com a pele do leopardo abatido. Deferência que o invasor europeu não teve, ao perfurar ambos - escudo e guerreiro - com um tiro de arma de fogo. [MALDITO] Levou seu amigo para passear. Voltou sozinho duas horas depois, guia e coleira na mão. O amor incondicional era só de um lado. [FIM DO SONHO] Não aguentava mais a vida na cidade grande. Contava cada minuto para a almejada aposentadoria, quando finalmente poderia juntar suas economias, comprar um pedacinho de roça, algumas galinhas, patos e quem sabe até uma vaca leiteira. O diabo é que a selva de pedra costuma punir também os inocentes e as balas urbanas só são perdidas no nome. [LIVRAMENTO] "Por que será que ele não me nota?", questiona aquela que tem o mais eficiente dos anjos da guarda. Quatro microcontos sobre a humanidade Elidiomar Ribeiro elidiomar@gmail.com @elidiomar.ribeiro
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    Atravessa a passarela7 às 9 correr pra pegar o trem com destino a sobrevivência Volta às 20h cansada de negociar a própria sorte tem que ter muita munição para dar um tiro e acertar a cabeça do futuro, dá medo porque às vezes é você o alvo Nos finais de semana, brinca de deus para se distrair, chega a ter teto preto, se recupera no breu da noite de domingo que toda semana termina cinza. Segunda, acorda às 5h porque a vida retinta o relógio só diminui a vida. vida retinta Ludmila lud ludludmila075@gmail.com não posso comprar o ócio minha mãe tem que rir de novo não tem poema dócil velho pra voltar atrás, pra morrer muito novo sempre posso ser um pouco melhor não é louvor se envenena a lavoura venho do zero Zé MeneBar josevictorbarbosa50@gmail.com
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    Desculpem o maujeito, mas não queria ter feito, ter feito parte, ter feito arte, ter querido estar nisso. Não quero ser chato, mas agora já não tenho mais saco, me causa asco no que faço. Desculpem a má vontade, mas agora já não me sinto mais à vontade, não sinto vontade de ter, não sinto vontade de ser. Não sinto mais vontade de estar junto a você. Desculpem minha áscua, minha violência, não tenho e nem mesmo quero ter mais paciência. Não sou desses que medem esforços e palavras, aqueles que só fazem por conveniência. Vá a merda toda a desculpa, sem desculpas. Meu amor hoje é grosso, meu carinho hoje é bruto, meu desejo é apenas ser porra. Hoje não tenho mais desculpas, estou puto! Rafael Grillo @rafaelgrilloceramicas 100 desculpas
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  • 22.
    MUITO OBRIGADO PELALEITURA ATÉ A PRÓXIMA EDIÇÃO! ameopoemaeditora@gmail.com fb.com/ameopoema @coletivoameopoema COLABORE LIVREMENTE, MANDE UM PIX PRA INCENTIVAR NOVOS TRABALHOS: ameopoemaeditora@gmail.com Caso queira anunciar algum livro ou serviço cultural, entre em contato. Caso queira publicar seu livro (físico ou e-book) a baixo custo entre em contato, são esses trabalhos e doações que mantêm a revista viva. INTERVENHA NESTA REVISTA E MANDE UMA FOTO PRA GENTE EDITORA INDEPENDENTE