02
Caderno 2
Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade

                  novembro de 2012




                Empoderando vidas.
              Empoderando vidas.
                Fortalecendo nações.
              Fortalecendo nações.
Governo Federal                                            Coordenação e Produção
Presidência da República                                   Alessandra Bortoni Ninis 
Secretaria de Assuntos Estratégicos
Esplanada dos Ministérios                                  Redação
Bloco O, 7º, 8º e 9º andares                               Ricardo Paes de Barros (SAE/PR)
Brasília – DF / CEP 70052-900                              Diana Grosner (SAE/PR)
http://www.sae.gov.br                                      Adriana Mascarenhas (SAE/PR)
                                                           	
Ministro Moreira Franco                                    Produção estatística
                                                           Samuel Franco (IETS)
Parceiros                                                  Andrezza Rosalém (IETS)
Caixa Econômica Federal                                    José Jorge Gabriel Júnior (SAE/PR)
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)   Karina Bugarin (SAE/PR)
                                                           	
Apoio                                                      Projeto gráfico / diagramação
Confederação Nacional da Indústria (CNI)                   Rafael Willadino Braga (SAE/PR)
Instituto Data Popular                                     Empresa Ellite Gráfica
                                                           	
Editores                                                   Divulgação
Diana Grosner (SAE/PR)                                     Assessoria de Comunicação (SAE/PR)
Daniela Gomes (PNUD)
Renato Meirelles (Data Popular)
Sumário
		
 Apresentação.........................................................................7

	1.	Limites......................................................................................... 11

	2.	Desigualdade........................................................................15

	3.	Heterogeneidade.............................................................23

	4.	 Diversidade............................................................................47

	5.	Colaborador permanente:............................................53
		 Junto e Misturado
 Tudo
		A Classe Média e a Diversidade do Povo Brasileiro
	 Renato Meirelles


	6.	Colaborador desta edição:.........................................57
		“Quando novos personagens entram em cena”
		Jailson de Souza e Silva



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6 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Apresentação
Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade

Como ressaltado no primeiro número da série Vozes da Classe Média, ao longo da última
década a classe média brasileira passou de menos de 70 milhões para mais de 100 milhões
de brasileiros. Como resultado dessa incorporação massiva de quase 40 milhões de
pessoas, hoje, se a classe média brasileira fosse um país, ela seria o 12º país mais populoso
do mundo, logo atrás do México (ver Gráfico 1).


                              Gráfico1: População por país, 2012 2012
                                        Gráfico1: População por país,
                   China
                    Índia
        Estados Unidos
              Indonésia
                   Brasil                                                         5º
             Paquistão
                 Nigéria
            Bangladesh
                  Russia
                   Japão
                 Mexico
 Classe Média Brasileira                                                  12º
                Filipinas
                  Vietnã
                  Etiópia
                    Egito
             Alemanha
                       Irã
                 Turquia
               Tailândia
                             10                                     100                              1000
                                                                                        (Milhões de pessoas)
             Fonte: Banco Mundial - World Development Indicators.




Esse aumento da classe média brasileira é uma das principais consequências do crescimento
com redução no grau de desigualdade que caracterizou o desenvolvimento do país nos
últimos 10 anos. A queda no grau de desigualdade foi particularmente importante, sendo
responsável por cerca de 2/3 da expansão da classe média.

A expansão da classe média foi também caracterizada pela entrada prioritária dos grupos
sociais menos privilegiados que antes estavam nela sub-representados. Como resultado dessa
entrada diferenciada, a classe média brasileira se tornou muito mais heterogênea (por exemplo,



                                                                           Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 7
abrigando uma parcela significativa tanto de analfabetos funcionais, como de trabalhadores
          com ensino médio completo), como muito mais diversa, com ¾ dos entrantes sendo negros.

          O resultado final é uma classe média muito mais representativa dos mais diversos
          segmentos da população brasileira. Cada vez mais, a classe média vem se tornando um
          retrato do Brasil e, dessa forma, um ambiente ideal tanto para o aprimoramento do
          respeito à diversidade, como para o aproveitamento dessa diversidade como um ativo
          cultural, social e também econômico.

          Por esses motivos, neste segundo número da série Vozes da Classe Média centramos
          nossa atenção no trinômio: desigualdade, heterogeneidade e diversidade. Procuramos
          documentar, por um lado, a relação desse trinômio com a expansão da classe média
          e, por outro, como a própria classe média o percebe, com particular atenção à forma
          como a classe média considera e trata a sua própria e crescente diversidade.




          Entre o lançamento do primeiro número da série e este segundo número, ocorreu a
          divulgação pelo IBGE dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
          – PNAD referentes a 2011. Como eles são as informações base para todo o cálculo do
          tamanho e características da classe média brasileira, provocaram pequenas revisões em
          nossas estimativas para o tamanho e a composição da classe média em 2012. Esse é o
          motivo pelo qual, neste número, estimamos que a classe média em 2012 deva representar
          52% da população brasileira, contra os 53% estimados no número anterior desta série.

          Essa defasagem natural entre o momento de referência e o momento da divulgação das
          estatísticas nacionais (decorrente do tempo necessário para coleta e processamento
          dessas informações) nos obriga a sempre basear as estimativas para o último ano em
          projeções, que vão sendo atualizadas a cada nova divulgação. Assim, enquanto no
          número anterior o tamanho da classe média para 2012 foi estimado projetando-o a
          partir das últimas informações existentes naquele momento (PNAD-2009), neste
          número reestimamos o tamanho e as características da classe média para 2012 a partir
          da PNAD-2011. Para isso, extrapolamos a tendência de melhoria na distribuição de
          renda brasileira ocorrida ao longo da década 2001-2011.




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Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 9
10 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
1. Limites
Limites de renda definidores da classe média brasileira

Para qualquer distribuição de renda, a definição do que vem a ser a classe média exige
estabelecer limites inferior e superior de renda, de forma que todas as pessoas com renda
familiar per capita dentro de tal intervalo sejam consideradas membros de tal classe. Da
mesma maneira, quem estiver abaixo do corte inferior pertence à classe baixa e acima do
superior pertence à classe alta.

No Brasil, esses limites de renda em valores monetários atuais são R$291 e R$1.019 por
cada pessoa da família ao mês. Isso significa que são considerados membros da classe
baixa aqueles com renda familiar per capita inferior a R$291 ao mês; pertencem à classe
média os que apresentam renda familiar per capita entre R$291 e R$1.019; e acima
de R$1.019, à classe alta. De acordo com essa classificação, hoje, 28% da população
brasileira pertence à classe baixa; 52%, à classe média e 20%, à classe alta.

Mesmo reconhecendo o valor e a utilidade desses limites para avaliar as transformações
históricas pelas quais tem passado a distribuição de renda brasileira, é possível questionar
se esses níveis de renda são mesmo adequados. Isso equivale a indagar se o tamanho da
classe média brasileira deveria ser esse. De forma mais específica, tal raciocínio nos levaria
a questionar se o limite inferior está demasiadamente baixo, incluindo equivocadamente na
classe média pessoas que, na realidade, pertencem à classe baixa (a classe baixa brasileira
deveria ser maior do que é?). Igualmente, podemos questionar se o limite superior não
se encontra artificialmente baixo, jogando para classe alta pessoas que deveriam ser
consideradas membros da classe média (a classe alta brasileira não deveria ser menor?).

Atualmente, o limite inferior, tal como definido, nos dá um contingente de 50 milhões
de brasileiros (28% da população) que pertencem à classe baixa, o que já parece alto,
considerando estimativas clássicas de pobreza no país. Aumentar o limite inferior
implicaria aumentar ainda mais esse contingente. Embora essa seja uma evidência em prol
da adequação do limite inferior atual, alguma evidência internacional pode nos ajudar a
corroborar a argumentação.




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O Gráfico 2 mostra a distribuição de pessoas em todo o mundo de acordo com a renda
          per capita de sua família. Observamos que mais da metade da população mundial (54%)
          vive em famílias com renda per capita inferior a R$291 por mês (critério brasileiro para
          definir classe baixa). Aumentar esse limite significa incrementar o número de pessoas no
          mundo que vivem no padrão brasileiro de classe baixa, o que parece inverossímil.

          As comparações internacionais também trazem luz à avaliação do quão adequado está
          o limite superior. Apenas 18% da população mundial vivem em famílias com renda per
          capita acima de R$1.019 por mês. Subir esse corte reduziria ainda mais o número de
          pessoas no mundo que se enquadram na definição brasileira de classe alta, o que também
          parece questionável.


                                                             Gráfico 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar
                                                             per capita 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar per capita
                                                                  Gráfico
                                                      2000
                                                      1900
                                                      1800
                                                      1700
          Renda familiar per capita (R$/mês - 2012)




                                                      1600
                                                      1500
                                                      1400
                                                      1300
                                                      1200
                                                      1100
                                                                                                                                                                 R$1019
                                                      1000                                                                                                                             18%
                                                       900
                                                       800
                                                       700
                                                       600
                                                       500
                                                       400
                                                       300                                   54%                                             R$291
                                                       200
                                                       100
                                                        0
                                                             0%   5%    10%   15%    20%    25%    30%    35%    40%    45%    50%    55%    60%     65%   70%    75%    80%    85%   90%    95% 1

                                                      Fonte: Banco Mundial, estimativas produzidas com base em Milanovic, 2011 (The Have and the Have Nots). Valores em R$ de 2012.




12 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 13
14 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
2. Desigualdade
A importância da queda na desigualdade de renda para a expan-
são da classe média brasileira

Ao longo da última década, o crescimento na renda das famílias1 brasileiras não foi
neutro. Isso significa que alguns grupos experimentaram maior incremento de renda do
que outros. Os mais favorecidos foram justamente os pobres. O Gráfico 3 mostra que,
no período 2001-2011, enquanto o crescimento na renda dos 10% mais pobres foi de
6,3% ao ano, para os 10% mais ricos não passou de 1,4% ao ano.


                                 Gráfico 3: Taxa de crescimento porda distribuição de renda mensalde
                                    Gráfico 3: Taxa de crescimento por décimo
                                                                              décimo da distribuição
                                 renda mensal familiar per capita: Brasil, 2001-2011
                                                        familiar per capita: Brasil, 2001-2011
                             7

                           6,5

                             6

                           5,5

                             5

                           4,5
 Taxa média anual (%)




                             4

                           3,5

                             3

                           2,5

                             2

                           1,5

                             1

                           0,5

                             0
                                   Primeiro      Segundo       Terceiro       Quarto        Quinto         Sexto         Sétimo   Oitavo   Nono   Décimo

                         Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD.




Logo, o país passou por um processo de crescimento inclusivo, que ocorre quando renda
média das famílias aumenta e a desigualdade cai. É possível ocorrer crescimento inclusivo
mesmo quando grupos não pobres perdem renda ao longo do tempo. Basta que os
ganhos dos pobres compensem mais do que as perdas dos ricos. Nesse caso, ainda haverá


1	                      Em toda a análise aqui apresentada, foi sempre considerada a distribuição da população brasileira de acordo
                        com sua renda familiar per capita mensal.




                                                                                                                     Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 15
aumento na renda média da sociedade com ganhos maiores para os mais pobres. Não foi
          o que aconteceu no Brasil. No período considerado, todos os grupos ganharam.

          Nesse ganha-ganha recente, a classe média foi afetada. Antigas famílias pobres melhoraram
          tanto sua renda que deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Da mesma forma,
          famílias ora pertencentes à classe média passaram à classe alta. Houve um movimento de
          entrada e saída. Qual foi a importância do crescimento geral da renda vis a vis a redução
          da desigualdade na definição do tamanho da nova classe média brasileira?

          Para responder a essa pergunta será preciso decompor o aumento da classe média em dois
          efeitos provenientes de movimentos da distribuição de renda que, embora na prática ocorram
          misturados, sua separação possui grande valor analítico. O primeiro deles é o crescimento
          uniforme ou balanceado, situação em que todos os grupos de renda melhoram a uma
          mesma taxa. Se somarmos a isso as mudanças na desigualdade – definidas como desvios de
          crescimento (em relação ao crescimento médio) efetivamente experimentados por cada
          grupo – conseguimos recuperar exatamente o que aconteceu nos últimos dez anos.

          O exercício aqui consiste, portanto, em simular o que teria acontecido com a classe média
          caso a sociedade brasileira tivesse vivido apenas o crescimento balanceado, sem mudanças na
          desigualdade. Também se investiga o oposto: o que passaria se apenas a desigualdade tivesse
          se alterado.

          Note que, com as simulações propostas, o crescimento balanceado por si só é capaz
          de aumentar e diminuir o tamanho da classe média, pois inclui segmentos antes
          pertencentes ao grupo mais pobre, porém exclui um contingente que passa aos mais
          ricos (o que também é bom, evidentemente). Já as reduções na desigualdade (quando
          isolada do crescimento, isto é, quando a taxa de crescimento média é igual a zero)
          somente aumentam o tamanho da classe média. Basta imaginar que as reduções na
          desigualdade são como transferências de grupos mais ricos para os mais pobres,
          mantendo-se inalterada a média da distribuição. Nesse caso, os mais pobres podem
          se beneficiar e ascender, e os mais ricos podem descer. Na sequência, tais exercícios
          são postos em prática, permitindo estimar os impactos desses movimentos sobre o
          aumento real no tamanho da classe média brasileira.


          Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da classe média
          Por ser um grupo intermediário, mudanças no tamanho da classe média são determinadas
          por dois fluxos: entrada e saída. A Tabela 1 indica que houve expansão de 14 pontos



16 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
percentuais no tamanho dessa classe, que deixou de representar 38% da população,
em 2002, e passou a 52%, em 20122. Tal expansão ocorreu porque a entrada de novos
contingentes provenientes da classe baixa foi muito superior à saída para a classe alta. De
fato, o fluxo de entrada foi responsável por 21 pontos percentuais de expansão da classe
média, mas a saída reduziu o grupo em 7 pontos.

Por trás dessa expansão estão os movimentos de crescimento balanceado e redução na
desigualdade de renda. As simulações indicam que, caso apenas reduções no grau de
desigualdade tivessem ocorrido, a classe média se expandiria em 9 pontos percentuais.
Contando com o crescimento balanceado, a classe média se expandiria em apenas 5
pontos percentuais. Portanto, 2/3 do aumento da classe média deve-se à redução no grau
de desigualdade e 1/3 ao crescimento.


 Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da
        Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo
 classe média
                            sobre o tamanho da classe média
                                                               Tamanho (participação na                Entrada/Saída
               Simulações                      Classe              população - %)                       (em pontos
                                                                  2002          2012                    percentuais)

                                               Baixa                   48                28                 -21
           Crescimento com
              redução de                       Média                   38                52                 14
             desigualdade
                                                Alta                   13                20                 7


                                               Baixa                   48                38                 -11

              Crescimento
                                               Média                   38                43                 5
              balanceado

                                                Alta                   13                19                 6


                                               Baixa                   48                40                 -8

          Apenas redução da
                                               Média                   38                47                 9
            desigualdade

                                                Alta                   13                12                 -1

       Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




2	   Os resultados para 2012 foram obtidos a partir de uma projeção de informações da Pesquisa Nacional por
     Amostra de Domicílios (PNAD) acerca de evolução 2001-2011, projetadas a partir de 2011.




                                                                                    Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 17
Então isso significa que a queda na desigualdade foi mais importante que o crescimento?

          A resposta é não. Afinal, o crescimento gerou outro efeito não computado na
          simulação anterior: a saída de pessoas da classe média para a classe alta (que reduz o
          tamanho da classe média, mas deve ser contabilizada como um resultado positivo). Se
          apenas o crescimento tivesse acontecido (sem reduções no grau de desigualdade), a
          classe alta teria se expandido (e a classe média encolhido) em 6 pontos percentuais. Já
          se apenas o grau de desigualdade tivesse sido reduzido (sem crescimento na renda), a
          classe alta não teria aumentado. Na verdade, teria diminuído ligeiramente em 1 ponto
          percentual.


          A importância do crescimento para outras características da clas-
          se média

          Outras características da classe média
          O tamanho da classe média não é a única característica merecedora de atenção. É relevante
          acompanhar o que aconteceu com a participação dessa classe na renda total das famílias,
          bem como avaliar a taxa de crescimento na renda média do grupo.

          Contudo, para trabalhar com esse último indicador (a renda média do grupo) há de se
          ter alguns cuidados. Dado que mudanças na classe média são marcadas por um fluxo
          de entrada e saída, constatar que, de um momento para outro a renda média do grupo
          se reduziu, não é necessariamente um problema. Por exemplo, se muitos membros da
          classe média experimentarem ganhos suficientes para levá-los à classe alta, mesmo que
          a renda dos demais membros permaneça inalterada, é bem possível que a média do
          grupo caia. Para escapar dessa armadilha, recomenda-se adotar uma definição “relativa”
          de classe média3. Isto é, fixar o grupo que pertencia à classe média em 2002 e olhar
          para o que aconteceu com esse grupo em 2012. Tal estratégia permite medir de maneira
          mais adequada se um dado grupo enriqueceu. Para fazer isso, é necessário conhecer os
          valores correspondentes ao pontos de corte mínimo e máximo que delimitam quem fazia
          parte da classe média em 2002 e identificar os centésimos de corte (ou, simplesmente,
          a posição na distribuição de renda) correspondentes. Em seguida, basta buscar esses
          mesmos centésimos na distribuição de 2012. Nesse caso, os pontos de corte em valores
          monetários absolutos em 2012 não serão os mesmos de 2002.


          3	   A análise da evolução do tamanho da classe média foi construída a partir de uma noção absoluta de classe
               média, em que são fixados os mesmos pontos de corte em valores monetários absolutos para 2002 e 2012.
               No caso, R$291 e R$1.019.




18 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
De acordo com a definição relativa de classe média (que considera a posição na distribuição
de renda e não os pontos de corte em valores monetários absolutos), a renda do grupo
cresceu acima da média nacional (veja Tabela 2). Enquanto a taxa média de crescimento
da renda do país foi de 2,9% ao ano, a renda da classe média cresceu a 3,7% ao ano.
Consequentemente, a participação da classe média na renda total das famílias brasileiras
passou de 35% para 37%.


Tabela 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outras
características 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outras características da classe média
           Tabela
                  da classe média

        Simulações           Classes de renda                                                   2002    2012     Taxa anual de
                                                                                                                 crescimento

                             Brasil (renda em R$/mês)                                           590     789         2,9%

                             Classe média absoluta (renda em R$/mês)                            532     566         0,6%

 Crescimento com redução
                             Classe média absoluta (participação na renda total)                35%     38%          ........
      de desigualdade

                             Classe média relativa (renda em R$/mês)                            532     767         3,7%

                             Classe média relativa (participação na renda total)                35%     37%          ........


                             Brasil (renda em R$/mês)                                           590     789         2,9%

                             Classe média absoluta (renda em R$/mês)                            532     555         0,4%

  Crescimento balanceado     Classe média absoluta (participação na renda total)                35%     30%          ........

                             Classe média relativa (renda em R$/mês)                            532     711         2,9%

                             Classe média relativa (participação na renda total)                35%     35%          ........


                             Brasil (renda em R$/mês)                                           590     590         0,0%

                             Classe média absoluta (renda em R$/mês)                            532     536         0,1%

    Apenas redução da
                             Classe média absoluta (participação na renda total)                35%     43%          ........
      desigualdade

                             Classe média relativa (renda em R$/mês)                            532     571         0,7%

                             Classe média relativa (participação na renda total)                35%     37%          ........

Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).



Mas se considerarmos a noção absoluta de classe média (mesmos pontos de corte em
valores monetários absolutos em 2002 e em 2012), veremos que a renda do grupo cresce
muito lentamente, pois incorpora novos membros com renda mais baixa (oriundos da
classe baixa) e perde antigos membros com renda mais alta. O resultado é um cresci-
mento na renda do grupo de apenas a 0,6% ao ano. Consequentemente, embora essa



                                                                                       Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 19
população tenha aumentado em 15 pontos percentuais, sua participação na renda total
          das famílias cresceu apenas 3 pontos percentuais (passou de 35% para 38%).


          Novos impactos
          Já vimos que o crescimento inclusivo fez também com que a renda da classe média
          definida em termos relativos crescesse mais aceleradamente que a média nacional: 3,7%
          ao ano contra 2,9%. Se a expansão do tamanho da classe média se deu primordialmente
          pela redução no grau de desigualdade, o contrário ocorre com o crescimento da renda
          da classe média definida em termos relativos. Caso o crescimento tivesse ocorrido sem
          redução na desigualdade (crescimento balanceado), a renda da classe média “relativa”
          teria crescido igual à média nacional (veja Tabela 2). Se a única transformação tivesse
          sido a redução no grau de desigualdade, a renda da classe média “relativa” teria crescido
          somente 0,7%.

          Para explicar o aumento da participação da classe média (definida em termos relativos)
          na renda total das famílias (que passou de 35% para 37%), todo o destaque recai sobre
          a queda no grau de desigualdade. Note que, na presença do crescimento balanceado, a
          participação em 2002 (35%) teria se mantido em 2012.


          Considerações finais
          Em suma, a redução na desigualdade e o crescimento foram igualmente importantes para
          explicar a ascensão da classe média no Brasil entre 2002 e 2012. Essa conclusão exige que
          se avaliem, em conjunto, os resultados das simulações que tratam dos impactos sobre
          o tamanho das classes média e alta. Se a redução na desigualdade demonstrou ser o
          principal fator por trás do aumento da classe média, o crescimento, por sua vez, levou
          muita gente da classe média para a classe alta.

          Para além do tamanho da classe média, se investigou o papel desses dois fatores no
          crescimento da renda média do grupo e na participação do grupo na renda total das
          famílias. A importância relativa dos fatores varia. Para explicar o crescimento na renda
          média, o crescimento se mostrou mais importante. Para o aumento na participação na
          renda total das famílias, a redução na desigualdade foi decisiva.




20 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 21
22 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
3. Heterogeneidade
As novas faces da classe média: quando uma classe se torna qua-
se tão heterogênea quanto o Brasil

Nesta seção, apresentamos o perfil daqueles que entraram na classe média nos últimos
10 anos (coluna “Contribuição à expansão” das Tabelas 3, 7 e 8), contrastando também o
retrato para os anos de 2002 e 2012 dos diversos grupos socioeconômicos no Brasil e na
classe média brasileira (Tabelas 3, 7 e 8). Além disso, demonstramos qual a proporção de
pessoas dentro de cada grupo socioeconômico que está na classe média em 2012 e que
estava na classe média em 2002, bem como a expansão líquida da classe média, isto é, o
quanto ela cresceu, dentro de cada grupo (Tabelas 4 e 9)4. Para se ter ideia mais geral do
que aconteceu no Brasil, apresentamos também o tamanho das classes baixa e alta para
os anos de 2002 (Tabelas 5 e 10) e 2012 (Tabelas 6 e 11). Optamos, contudo, por focar a
atenção aos movimentos da classe média.


Igualdade racial na classe média

Na Tabela 3, coluna “Contribuição à expansão“, podemos ver a proporção de negros
e brancos entre os novos entrantes, de 75% e 25%, respectivamente. Isso quer dizer
que, de cada 100 pessoas que entraram na classe média, 75 eram negras e 25, brancas.
A entrada maciça de negros na classe média fez com que a participação desse grupo na
classe média brasileira subisse de 38%, em 2002, para 51%, em 2012.




4	   Nos casos em que houve retração da classe média, o valor da expansão aparecerá com sinal negativo.




                                                                     Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 23
Tabela 3: Contribuição dos gruposgrupos socioeconômicos no Brasil e para a
           Tabela
                  3: Contribuição dos socioeconômicos no Brasil e para a formação e expansão
         formação e expansão da classe média da classe média
                                                                                                                                                (%)

                                                                                     2002                 Contribuição à            2012
                                                                                                           expansão da
          Grupo
                                                                                                           classe média
                                                                            Brasil      Classe Média       (2002-2012)     Brasil     Classe Média



             Cor
                    Brancos e amarelos                                        54              62               25            48            49
                    Negros                                                    46              38               75            52            51
             Região
                    Norte                                                      6              5                 8            7             6
                    Nordeste                                                  29              17               34            29            23
                    Sudeste                                                   43              52               36            42            46
                    Sul                                                       15              19               12            15            16
                    Centro-Oeste                                               7              7                11            8             9
             Área
                    Urbana                                                    84              91               86            86            89
                    Rural                                                     16              9                14            14            11
             Nível educacional do chefe
                    Fundamental incompleto ou sem escolaridade                66              59               64            49            51
                    Fundamental completo                                       9              11                8            11            13
                    Ensino médio completo ou incompleto                       17              23               23            28            30
                    Alguma educação superior                                   8              6                 5            12            7
             População em idade ativa
                    Ocupados                                                  55              59               56            56            58
                    Desempregados                                              6              5                 1            4             3
                    Inativos                                                  39              36               43            40            39
          População ocupada
             Formalização
                    Formal                                                    44              52               69            56            58
                    Informal                                                  56              48               31            44            42
             Setor de atividaddes
                    Agrícola                                                  21              12               11            15            12
                    Outras atividades industriais                              1              1                 1            1             1
                    Indústria de transformação                                14              17               10            13            14
                    Construção                                                 7              7                14            9             10
                    Comércio e reparação                                      17              20               19            18            19
                    Alojamento e alimentação                                   4              4                 8            5             6
                    Transporte, armazenagem e comunicação                      5              6                 6            6             6
                    Administração pública                                      5              5                 3            6             5
                    Educação, saúde e serviços sociais                         9              10                4            9             8
                    Serviços domésticos                                        7              7                11            7             8
                    Outros serviços coletivos, sociais e pessoais              4              4                 3            4             4
                    Outras atividades                                          7              7                 9            9             8
                    Atividades maldefinidas                                    0              0                 0            0             0
          Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




24 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Já a Tabela 4 revela a proporção de negros pertencentes à classe média. Em 2002, apenas
31% dos negros pertenciam a essa classe, enquanto que no Brasil como um todo – somando
negros e brancos – a proporção de pessoas que pertenciam à classe média era de 38%. Em
2012, a proporção de negros pertencentes à classe média subiu para 52%, valor igual à
proporção total de pessoas (negras e brancas) que pertencem a essa classe no Brasil.

Tabela 4: Tamanho e expansão damédia nos diferentes grupos socieconômicos
          Tabela 4: Tamanho e expansão da classe
                                                 classe média nos diferentes
grupos socieconômicos
                                                                               (%)              (p.p.)      (%)

                                                                              2002                          2012
                                                                                       Expansão líquida
Grupo                                                                                  da classe média
                                                                          Classe Média   (2002-2012)    Classe Média

Brasil                                                                          38               14          52
   Cor
          Brancos e amarelos                                                    44                8          53
          Negros                                                                31               21          52
   Região
          Norte                                                                 31               17          48
          Nordeste                                                              22               20          42
          Sudeste                                                               46               11          57
          Sul                                                                   49                9          58
          Centro-Oeste                                                          40               17          57
   Área
          Urbana                                                                42               12          54
          Rural                                                                 21               21          42
   Nível educacional do chefe
          Fundamental incompleto ou sem escolaridade                            34               19          54
          Fundamental completo                                                  49               10          59
          Ensino médio completo ou incompleto                                   53                4          57
          Alguma educação superior                                              27                2          30
   População em idade ativa                                                     41               12          53
          Ocupados                                                              44               11          55
          Desempregados                                                         33               12          44
          Inativos                                                              38               13          51
População ocupada
   Formalização
          Formal                                                                51                6          57
          Informal                                                              38               15          52
   Setor de atividaddes
          Agrícola                                                              25               20          45
          Outras atividades industriais                                         41                7          49
          Indústria de transformação                                            54                9          62
          Construção                                                            45               17          62
          Comércio e reparação                                                  50                9          59
          Alojamento e alimentação                                              50               13          63
          Transporte, armazenagem e comunicação                                 53                6          58
          Administração pública                                                 47               -2          45
          Educação, saúde e serviços sociais                                    47               -1          46
          Serviços domésticos                                                   42               23          65
          Outros serviços coletivos, sociais e pessoais                         48                5          53
          Outras atividades                                                     44                4          48
          Atividades maldefinidas                                               31               24          55
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                               Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 25
Diminuem as desigualdades regionais

          Como se pode ver pela Tabela 3, a região que mais colocou novas pessoas na classe média foi
          a Sudeste (36% dos entrantes), seguida da Nordeste (34%) e Sul (12%). No entanto, isso
          não significa que o crescimento da classe média nessas regiões tenha sido mais expressivo.
          Muito do peso entre os entrantes deve-se simplesmente ao fato de que essas regiões são as
          que abrigam um maior contingente da população brasileira como um todo (o que pode ser
          visto tanto na coluna “2002-Brasil”, como na coluna “2012-Brasil”), naturalmente abrigando
          também boa parte dos entrantes à classe média. A participação de um dado grupo entre os
          entrantes só pode ser considerada especialmente expressiva, se for superior à proporção
          que esse grupo representa no Brasil como um todo.

          No caso do Sudeste, a sua participação no Brasil em 2002 era de 43% da população (isto
          é, 43% dos brasileiros viviam nessa região naquele ano). Assim sendo, era de se esperar
          que um movimento de expansão da classe média no Brasil incluísse uma grande parte de
          brasileiros que vivem na região Sudeste.

          Já no caso no Nordeste, a proporção de brasileiros que viviam nessa região em 2002 era
          de 29%, enquanto que, entre os que entraram na classe média entre 2002 e 2012, 34%
          viviam na região. Aqui, sim, a participação do Nordeste entre os novos membros da classe
          média pode ser considerada expressiva.

          O mesmo contraste ocorre em relação ao Sul e ao Centro-Oeste. No caso do Sul, que
          abrigava 15% dos brasileiros em 2012, a participação entre os entrantes se restringiu
          a 12%. Ao passo que no Centro-Oeste, que abrigava 7% dos brasileiros em 2002, a
          participação de 11% entre os entrantes deve ser considerada muito mais expressiva.

          A participação da região Norte entre os entrantes, mesmo sendo a menor das cinco
          regiões (8%), deve ser também considerada expressiva, dada a proporção de brasileiros
          que viviam na região em 2002, de apenas 6% do total.

          Uma outra forma, mais fácil, de ver a importância da expansão da classe média nas
          diferentes regiões é olhar para o quanto a classe média cresceu dentro de cada região. Esse
          crescimento pode ser visto na coluna “Expansão líquida” da Tabela 4, que corresponde
          à diferença entre a proporção de pessoas dentro de cada região que pertencem à classe
          média em 2012 e a proporção de pessoas dentro de cada região que pertenciam a essa
          classe em 2002.




26 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Como se pode ver, a região Nordeste foi aquela que apresentou maior expansão de sua
classe média (20 pontos percentuais), seguida das regiões Norte, Centro-Oeste (ambas
com 17 pontos percentuais), Sudeste e Sul (com expansão de 11 e 9 pontos percentuais
respectivamente).

O aumento da classe média no Nordeste fez com que a proporção de pessoas nessa
classe, nessa região, passasse de 22%, em 2002, para 42%, em 2012. No entanto,
apesar da expressiva expansão da classe média no Nordeste, essa região é a que tem a
menor proporção da população na classe média: apenas 42% dos nordestinos brasileiros
pertencem à classe média, enquanto que, no Brasil como um todo, 52% pertencem a essa
classe. A expansão de 17 pontos percentuais da classe média na região Norte fez com que
a proporção de pessoas nessa classe subisse de 31%, em 2002, para 48%, em 2012. Ainda
aquém da proporção total de brasileiros na classe média, mas já bem mais próxima desse
número. Se em 2002 a distância em relação à proporção de brasileiros vivendo na classe
média era na região Nordeste de 16 pontos percentuais (38% - 22% = 16 p.p.) e na região
Norte de 7 pontos percentuais (38% - 31% = 7 p.p.), em 2002, a distância em relação ao
Brasil cai para 10 pontos percentuais no Nordeste (52% - 42% = 10 p.p.) e para 4 pontos
percentuais no Norte (52% - 48% = 4 p.p.).

Nas demais regiões, a proporção de pessoas que pertencem à classe média é superior à
proporção da população brasileira como um todo pertencente à classe média. Destaque
para a região Centro-Oeste que, com uma expansão líquida de 17 pontos percentuais, viu
sua classe média crescer de 40%, em 2002, para 57%, em 2012, igualando-se à região
Sudeste (que também possui 57% de sua população na classe média), e aproximando-se
da região Sul (que possui 58% de seus habitantes nessa classe). O desempenho da região
Centro-Oeste é ainda mais impressionante quando se considera a distância que ela estava
das regiões Sudeste e Sul em 2002.


Diminuição das desigualdades urbano/rural

Dado o elevado contingente de brasileiros vivendo em área urbana (84% da população em
2002 e 86% em 2012), é natural que a maior parte da classe média também se concentre
nessa área. No entanto, é possível saber se a desigualdade urbano/rural está diminuindo ou
não, olhando para a expansão da classe média dentro de cada uma dessas áreas.

A Tabela 4 indica um expressivo aumento da classe média no meio rural: em 2002, apenas
21% das pessoas que aí viviam pertenciam à classe média; em 2012, já são 42% dos brasileiros




                                                          Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 27
vivendo na área rural que pertencem a essa classe. Esses dados são bastante animadores,
          sinalizando uma ruptura da relação histórica entre área rural e pobreza. Os bons resultados
          da área rural podem também ser vistos nas Tabelas 5 e 6: a proporção de pessoas na área
          rural que pertenciam à classe baixa, média e alta em 2002 eram, respectivamente, de 77%,
          21% e 2%, e, em 2012, correspondem a 52%, 42% e 6%.


          Classe média e nível educacional

          Sem dúvida, a melhora de renda no Brasil atingiu pessoas de todos os níveis educacionais.
          Como se pode ver na Tabela 4, o contingente de pessoas com ensino fundamental
          incompleto ou sem escolaridade que pertenciam à classe média era, em 2002, inferior
          ao contingente de brasileiros que pertenciam à classe média naquele ano (34% contra
          38%). Já em 2012, após uma expansão líquida de 19 pontos percentuais, o contingente
          de pessoas com esse nível educacional que pertencem à classe média chega a 54%,
          acima da proporção de brasileiros que pertencem a essa classe (52% do total)5.

          Os grupos de nível educacional que tiveram menor expansão líquida de suas classes
          médias referem-se ao do ensino médio e do ensino superior. Isso se deve, contudo, a
          fatores distintos. No caso do ensino médio completo ou incompleto, grande parte dessa
          população já pertencia à classe média em 2002 (53%). No caso do ensino superior, a
          maior parte das pessoas pertence à classe alta e não à classe média.


          A classe média e o mercado de trabalho

          De cada 100 trabalhadores que entraram na classe média, 69% ocupavam postos formais, o
          que elevou a contribuição dos trabalhadores formais para a classe média de 52%, em 2002,
          para 58%, em 2012 (Tabela 3). Já a proporção dos trabalhadores formais que pertencem
          à classe média passou de 51%, em 2002, para 57%, em 2012, enquanto que, dentre a
          população em idade ativa no Brasil, o contingente que pertencia à classe média representava
          apenas 41%, em 2002 e, em 2012, representava 53% (Tabela 4). Isso revela uma forte
          representação da classe média entre os trabalhadores formais.

          Há que se ressaltar, também, que não foram apenas os trabalhadores formais que se
          beneficiaram do crescimento recente do país. Em 2002, 38% dos trabalhadores informais
          pertenciam à classe média e, após uma expansão líquida de 15 pontos percentuais, 52%
          dos trabalhadores informais já pertencem a essa classe.


          5	   As diferenças entre 2002 e 2012 não são exatas em função de arredondamentos.




28 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
A classe média e os setores de atividade econômica

Como se pode ver na Tabela 3, os setores que mais contribuíram para a expansão da
classe média foram o de comércio e o de serviços que, somados, chegam a 36% do
total dos entrantes da classe média, seguidos do setor industrial (incluindo a indústria da
construção), que abrangeu 25% dos entrantes. Em sequência, vêm os setores agrícolas e
de serviços domésticos, ambos representando 11% dos novos entrantes.

Já na Tabela 4, é possível verificar em que setores a proporção de pessoas que pertencem
à classe média cresceu. Embora o setor de serviços domésticos tenha contribuído
menos para a composição da classe média como um todo (11%, como afirmado no
parágrafo anterior), foi nesse setor que o número de pessoas que pertencem à classe
média mais cresceu: após uma expansão líquida de 23 pontos percentuais, a proporção
de trabalhadores domésticos que pertencem a essa classe subiu de 42%, em 2002, para
65%, em 2012.

Dentre as diversas atividades que compõem o segmento industrial, o que mais viu sua
parcela correspondente à classe média crescer foi o da construção que, após expansão
líquida de 17 pontos percentuais, elevou a proporção desses trabalhadores pertencentes
à classe média de 45%, em 2002, para 62%, em 2012.

Destaque também há de ser feito para o setor agrícola, que demonstrou seu dinamismo ao
conseguir elevar o contingente de trabalhadores do setor pertencentes à classe média de
25%, em 2002, para 45%, em 2002: uma expansão líquida de 20 pontos percentuais, uma
das maiores dentre os diversos setores de atividades econômicas. Esse resultado se mostra
coerente com a expansão da classe média dentre os habitantes da área rural.




                                                         Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 29
Tabela 5: Distribuição por classes segundo os diferentes grupos
          socioeconômicos, 2002 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2002
                   Tabela 5: Distribuição


                                                                                                                            (%)

                                                                                                            Classe
            Grupo
                                                                                          Baixa             Média    Alta

            Brasil                                                                          48               38       13
               Cor
                      Brancos e amarelos                                                    35               44       20
                      Negros                                                                63               31       6
               Região
                      Norte                                                                 61               31       8
                      Nordeste                                                              73               22       5
                      Sudeste                                                               36               46       18
                      Sul                                                                   35               49       16
                      Centro-Oeste                                                          45               40       16
               Área
                      Urbana                                                                43               42       15
                      Rural                                                                 77               21       2
               Nível educacional do chefe
                      Fundamental incompleto ou sem escolaridade                            61               34       4
                      Fundamental completo                                                  39               49       12
                      Ensino médio completo ou incompleto                                   24               53       23
                      Alguma educação superior                                              3                27       70
               População em idade ativa                                                     44               41       15
                      Ocupados                                                              39               44       17
                      Desempregados                                                         60               33       7
                      Inativos                                                              49               38       13
            População ocupada                                                               39               44       17
               Formalização
                      Formal                                                                23               51       26
                      Informal                                                              52               38       10
               Setor de atividaddes
                      Agrícola                                                              71               25       3
                      Outras atividades industriais                                         33               41       26
                      Indústria de transformação                                            29               54       17
                      Construção                                                            47               45       8
                      Comércio e reparação                                                  31               50       19
                      Alojamento e alimentação                                              36               50       14
                      Transporte, armazenagem e comunicação                                 26               53       21
                      Administração pública                                                 20               47       33
                      Educação, saúde e serviços sociais                                    17               47       35
                      Serviços domésticos                                                   55               42       3
                      Outros serviços coletivos, sociais e pessoais                         31               48       21
                      Outras atividades                                                     16               44       39
                      Atividades maldefinidas                                               61               31       8
            Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




30 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Tabela 6: Distribuição por classes segundo os diferentes grupos
socioeconômicos, 2012 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2012
         Tabela 6: Distribuição


                                                                                                                 (%)

                                                                                                 Classe
 Grupo
                                                                               Baixa             Média    Alta

 Brasil                                                                          28               52       20
    Cor
           Brancos e amarelos                                                    19               53       29
           Negros                                                                36               52       12
    Região
           Norte                                                                 39               48       13
           Nordeste                                                              49               42       9
           Sudeste                                                               18               57       25
           Sul                                                                   15               58       28
           Centro-Oeste                                                          19               57       24
    Área
           Urbana                                                                24               54       22
           Rural                                                                 52               42       6
    Nível educacional do chefe
           Fundamental incompleto ou sem escolaridade                            38               54       8
           Fundamental completo                                                  26               59       15
           Ensino médio completo ou incompleto                                   20               57       23
           Alguma educação superior                                               5               30       65
    População em idade ativa                                                     25               53       22
           Ocupados                                                              18               55       27
           Desempregados                                                         47               44       9
           Inativos                                                              33               51       17
 População ocupada                                                               18               55       27
    Formalização
           Formal                                                                 9               57       34
           Informal                                                              29               52       19
    Setor de atividaddes
           Agrícola                                                              46               45       9
           Outras atividades industriais                                         10               49       41
           Indústria de transformação                                            11               62       27
           Construção                                                            22               62       16
           Comércio e reparação                                                  13               59       27
           Alojamento e alimentação                                              16               63       21
           Transporte, armazenagem e comunicação                                 12               58       30
           Administração pública                                                  9               45       46
           Educação, saúde e serviços sociais                                     6               46       48
           Serviços domésticos                                                   26               65       9
           Outros serviços coletivos, sociais e pessoais                         12               53       35
           Outras atividades                                                      7               48       46
           Atividades maldefinidas                                               30               55       15
 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                                Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 31
A classe média nos estados brasileiros

          Apresentamos, nas Tabelas 7 a 11, um resumo da evolução da classe média nas diferentes
          regiões e estados do Brasil. A Tabela 7 apresenta o peso de cada estado na composição
          total do Brasil, na composição da classe média, para os anos de 2002 e 2012, bem como
          a contribuição de cada estado para os entrantes da classe média brasileira. A Tabela 8
          apresenta os mesmos números, mas com relação a cada região. Dessa maneira, é possível
          observar o peso de cada estado para a composição da sua região, para a classe média da
          sua região, bem como a sua contribuição para o total de entrantes na classe média da sua
          região. A Tabela 9 apresenta o tamanho da classe média em 2002 e 2012, bem como a
          expansão dessa classe em cada um dos estados brasileiros.

          Finalmente, as Tabelas 10 e 11 apresentam o tamanho das três classes em cada estado e
          região brasileira, para os anos de 2002 e 2012 respectivamente.

          Como se pode ver na coluna “Expansão líquida” da Tabela 9, as regiões Norte, Nordeste
          e Centro-Oeste tiveram expansão líquida da classe média superior à média brasileira.




32 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a
 formação e expansão da classe média no Brasil
                       Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil


                                                                                                                                                         (%)

                                                                                        2002                Contribuição à                 2012
                                                                                                             expansão da
Localidade
                                                                                                             classe média
                                                                               Brasil      Classe Média      (2002-2012)        Brasil       Classe Média



   Norte                                                                         6               5                8               7                6
           Acre                                                                  0,2            0,2              0,5             0,3              0,3
           Amapá                                                                 0,3            0,2              0,3             0,3              0,3
           Amazonas                                                              1,4            1,1              1,5             1,4              1,3
           Pará                                                                  2,6            2,1              3,6             2,9              2,6
           Rondônia                                                              0,6            0,6              0,8             0,6              0,7
           Roraima                                                               0,2            0,1              0,4             0,2              0,2
           Tocantins                                                             0,7            0,5              1,2             0,8              0,7
   Nordeste                                                                      29             17               34               29              23
           Alagoas                                                               1,7            0,8              1,9             1,7              1,2
           Bahia                                                                 7,8            4,6              9,0             7,3              6,2
           Ceará                                                                 4,5            2,5              6,4             4,7              3,9
           Maranhão                                                              3,5            1,7              3,7             3,6              2,4
           Paraíba                                                               2,1            1,2              2,7             2,1              1,7
           Pernambuco                                                            4,6            2,7              5,9             4,5              3,8
           Piauí                                                                 1,7            1,0              2,3             1,7              1,4
           Rio Grande do Norte                                                   1,7            1,2              2,0             1,8              1,4
           Sergipe                                                               1,1            0,8              1,3             1,2              1,0
   Sudeste                                                                       43             52               36               42              46
           Espírito Santo                                                        1,9            1,8              2,4             1,9              2,0
           Minas Gerais                                                         10,7            11,0             12,8            10,5             11,6
           Rio de Janeiro                                                        8,5            10,8             3,3             7,9              8,2
           São Paulo                                                            22,0            28,2             16,0            21,6             24,0
   Sul                                                                           15             19               12               15              16
           Paraná                                                                5,7            6,9              5,5             5,7              6,4
           Rio Grande do Sul                                                     6,0            7,5              3,9             5,7              6,3
           Santa Catarina                                                        3,3            4,9              1,5             3,4              3,7
   Centro-Oeste                                                                  7               7               11               8                9
           Distrito Federal                                                      1,3            1,2              1,4             1,4              1,3
           Goiás                                                                 3,1            3,3              4,9             3,4              3,9
           Mato Grosso                                                           1,6            1,6              2,7             1,7              1,9
           Mato Grosso do Sul                                                    1,3            1,4              1,9             1,4              1,6
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                                                       Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 33
Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação
          e expansão da classe média em sua respectiva região
                           Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação e expansão da classe média em sua respectiva região


                                                                                                                                                                (%)

                                                                                                 2002               Contribuição à               2012
                                                                                                                     expansão da
         Localidade
                                                                                                                     classe média
                                                                                        Região      Classe Média     (2002-2012)        Região       Classe Média



            Norte
                    Acre                                                                   4              4               6                5               5
                    Amapá                                                                  5              5               4                5               4
                    Amazonas                                                              23             23               18               21              21
                    Pará                                                                  44             43               43               44              43
                    Rondônia                                                              10             13               9                9               11
                    Roraima                                                                3              2               5                3               3
                    Tocantins                                                             12             10               15               12              12
            Nordeste
                    Alagoas                                                                6              5                5               6               5
                    Bahia                                                                 27             28               26               26              27
                    Ceará                                                                 16             15               18               17              17
                    Maranhão                                                              12             10               11               13              11
                    Paraíba                                                                7              7                8               7               8
                    Pernambuco                                                            16             16               17               16              17
                    Piauí                                                                  6              6                7               6               6
                    Rio Grande do Norte                                                    6              7                6               6               6
                    Sergipe                                                                4              5                4               4               4
            Sudeste
                    Espírito Santo                                                         4              4                7               4               4
                    Minas Gerais                                                          25             21               37               25              25
                    Rio de Janeiro                                                        20             21               10               19              18
                    São Paulo                                                             51             54               46               52              52
            Sul
                    Paraná                                                                38             36               50               38              39
                    Rio Grande do Sul                                                     40             39               36               39              38
                    Santa Catarina                                                        22             25               14               23              23
            Centro-Oeste
                    Distrito Federal                                                      18             16               13               18              15
                    Goiás                                                                 43             45               45               43              45
                    Mato Grosso                                                           22             21               25               22              22
                    Mato Grosso do Sul                                                    18             18               18               18              18
         Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




34 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados e
regiões do Brasil
                      Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados e regiões do Brasil


                                                                                  (%)             (p.p.)        (%)

                                                                                 2002     Expansão líquida     2012
  Localidade                                                                              da classe média
                                                                             Classe Média   (2002-2012)    Classe Média

  Brasil                                                                          38               14           52
     Norte                                                                        31               17           48
             Acre                                                                 32               15           48
             Amapá                                                                31               11           42
             Amazonas                                                             32               15           47
             Pará                                                                 31               16           47
             Rondônia                                                             42               15           56
             Roraima                                                              28               22           50
             Tocantins                                                            25               24           49
     Nordeste                                                                     22               20           42
             Alagoas                                                              18               20           37
             Bahia                                                                23               21           44
             Ceará                                                                22               21           43
             Maranhão                                                             19               16           35
             Paraíba                                                              23               21           44
             Pernambuco                                                           23               22           44
             Piauí                                                                21               21           43
             Rio Grande do Norte                                                  26               16           42
             Sergipe                                                              28               16           44
     Sudeste                                                                      46               11           57
             Espírito Santo                                                       37               20           57
             Minas Gerais                                                         39               18           58
             Rio de Janeiro                                                       49                6           55
             São Paulo                                                            49                9           58
     Sul                                                                          49                9           58
             Paraná                                                               46               13           59
             Rio Grande do Sul                                                    48                9           57
             Santa Catarina                                                       56                0           57
     Centro-Oeste                                                                 40               17           57
             Distrito Federal                                                     36               11           47
             Goiás                                                                41               18           60
             Mato Grosso                                                          38               21           59
             Mato Grosso do Sul                                                   41               18           58
  Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                                 Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 35
Dos estados que compõem a região Norte, apenas o Amapá apresentou expansão
          líquida da classe média (11 pontos percentuais) abaixo da média brasileira (14 pontos
          percentuais). Os maiores destaques ficaram para os estados de Roraima (22 pontos
          percentuais) e Tocantins (24 pontos percentuais), que eram justamente aqueles que
          possuíam as menores classes médias da região em 2002: em Roraima, apenas 28 % da
          população pertenciam à classe média; no Tocantins, a proporção de pessoas vivendo nessa
          classe era de 25 %. Após a expansão, esses dois estados passaram a ter uma classe média
          de, respectivamente, 50 % e 49 % da população estadual, ultrapassando todos os demais
          estados da região, com exceção de Rondônia.

          Como já mencionado, a região Nordeste foi a que apresentou a maior expansão líquida da
          classe média no país (20 pontos percentuais). Além disso, todos os seus estados apresentaram
          expansão acima da média brasileira. Como os estados dessa região eram os que tinham os
          menores tamanhos de classe média no ano de 2002, a expressiva expansão dessa classe
          contribuiu para a diminuição das disparidades regionais no Brasil.

          Na região Sudeste, os estados que mais viram suas classes médias crescerem foram os do Espírito
          Santo (20 pontos percentuais) e Minas Gerais (18 pontos percentuais), que eram aqueles que
          tinham a menor proporção de pessoas vivendo nessa classe em 2002. A classe média nesses
          estados cresceu acima da média do Brasil, mas como a expansão nos estados do Rio de Janeiro
          e de São Paulo cresceram bem abaixo da média para o Brasil, a expansão média da região ficou
          bem abaixo da média brasileira. Mas atenção, isso não quer dizer que esses estados apresentaram
          piora na sua situação econômica. Ocorre que ambos já detinham uma classe média muito
          expressiva em 2002, além de terem apresentado expansão de sua classe alta.

          Movimento semelhante ocorre na região Sul, em que o estado que mais viu sua classe média
          crescer (Paraná, com expansão líquida de 13 pontos percentuais) foi o que tinha a menor
          classe média em 2002. Agora, é o estado que apresenta a maior classe média da região.
          Mas, novamente, isso não quer dizer que esteja em melhor situação que os demais estados.
          Em Santa Catarina, por exemplo, o contingente de pessoas que saíram da classe baixa e
          entraram na classe média foi semelhante ao das que saíram da classe média para a classe alta,
          fazendo com que esse estado não apresentasse expansão líquida da classe média, mas que as
          suas classes baixa e alta passassem de 27 % e 16 %, em 2002, para 11 % e 32 %, em 2012,
          respectivamente (Tabelas 10 e 11).

          Na região Centro-Oeste, com exceção do DF todos os estados apresentaram expansão
                                                   ,
          líquida da classe média acima do Brasil. O maior destaque ficou para o estado do Mato
          Grosso, que com expansão de 21 pontos percentuais viu sua classe média crescer de 38 %, em



36 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
2002, para 59%, em 2012. Os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram desempenho
bastante semelhantes.6 De novo, esses resultados não indicam piora do Distrito Federal, que
viu sua classe baixa cair de 34%, em 2002, para 16%, em 2012, e sua classe alta subir de
30% para 37% entre os mesmos anos (Tabelas 10 e 11).

Tabela 10: TamanhoTamanho das classes nos diferentes regiões do Brasil, 2002
             Tabela 10: das classes nos diferentes estados e estados e regiões do Brasil,
2002
                                                                                                                     (%)

                                                                                                     Classe
     Localidade
                                                                                   Baixa             Média    Alta

     Brasil                                                                          48               38      13
        Norte                                                                        61               31       8
                Acre                                                                 55               32      13
                Amapá                                                                60               31       9
                Amazonas                                                             61               32       7
                Pará                                                                 61               31       8
                Rondônia                                                             47               42      12
                Roraima                                                              64               28       8
                Tocantins                                                            69               25       6
        Nordeste                                                                     73               22       5
                Alagoas                                                              79               18       4
                Bahia                                                                72               23       5
                Ceará                                                                73               22       6
                Maranhão                                                             78               19       3
                Paraíba                                                              72               23       6
                Pernambuco                                                           71               23       7
                Piauí                                                                74               21       4
                Rio Grande do Norte                                                  67               26       7
                Sergipe                                                              65               28       7
        Sudeste                                                                      36               46      18
                Espírito Santo                                                       49               37      14
                Minas Gerais                                                         49               39      11
                Rio de Janeiro                                                       32               49      19
                São Paulo                                                            30               49      21
        Sul                                                                          35               49      16
                Paraná                                                               39               46      15
                Rio Grande do Sul                                                    35               48      17
                Santa Catarina                                                       27               56      16
        Centro-Oeste                                                                 45               40      16
                Distrito Federal                                                     34               36      30
                Goiás                                                                47               41      12
                Mato Grosso                                                          48               38      13
                Mato Grosso do Sul                                                   46               41      14
     Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).


6	     Na Tabela 9, os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul partem de classe média de mesmo tamanho, apresen-
       tam a mesma expansão líquida, mas têm resultados finais, em 2012, diferentes. Isso ocorre tão somente em
       função dos arredondamentos para cima e para baixo.




                                                                                     Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 37
Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil,
          2012         Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil, 2012


                                                                                                                            (%)

                                                                                                            Classe
            Localidade
                                                                                          Baixa             Média    Alta

            Brasil                                                                          28               52      20
               Norte                                                                        39               48      13
                       Acre                                                                 38               48      14
                       Amapá                                                                44               42      14
                       Amazonas                                                             41               47      12
                       Pará                                                                 42               47      11
                       Rondônia                                                             23               56      20
                       Roraima                                                              29               50      22
                       Tocantins                                                            38               49      14
               Nordeste                                                                     49               42       9
                       Alagoas                                                              57               37       6
                       Bahia                                                                46               44      10
                       Ceará                                                                48               43       9
                       Maranhão                                                             59               35       6
                       Paraíba                                                              45               44      11
                       Pernambuco                                                           47               44       8
                       Piauí                                                                50               43       7
                       Rio Grande do Norte                                                  45               42      13
                       Sergipe                                                              44               44      12
               Sudeste                                                                      18               57      25
                       Espírito Santo                                                       22               57      22
                       Minas Gerais                                                         24               58      18
                       Rio de Janeiro                                                       21               55      24
                       São Paulo                                                            14               58      28
               Sul                                                                          15               58      28
                       Paraná                                                               15               59      26
                       Rio Grande do Sul                                                    17               57      26
                       Santa Catarina                                                       11               57      32
               Centro-Oeste                                                                 19               57      24
                       Distrito Federal                                                     16               47      37
                       Goiás                                                                20               60      20
                       Mato Grosso                                                          19               59      22
                       Mato Grosso do Sul                                                   19               58      23
            Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




38 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Balanço geral

A seguir, apresentamos uma série de gráficos que revelam a diminuição das desigualdades
no Brasil pela ótica dos movimentos de expansão da classe média. Nos Gráficos 4, 5 e 6
apresentamos o contraste do tamanho da classe média em 2002 com o seu tamanho em
2012. A reta de 45o que divide os gráficos ao meio indica os pontos em que o tamanho
da classe média em 2002 é igual ao tamanho dessa classe em 2012. Dessa forma, todos
os pontos que estão acima dessa reta indicam que o tamanho da classe média em 2012
é superior ao tamanho da classe média em 2002. E quanto mais distante da reta estiver o
ponto, maior foi o crescimento da classe média. A distância entre o ponto e a reta de 45o
corresponde exatamente à expansão líquida apresentada nas Tabelas 4 e 6.

Como se pode ver no Gráfico 4, os maiores destaques ficaram para os grupos que
representam a população negra, a área rural, as pessoas com nível fundamental incompleto ou
sem escolaridade e os ocupados informais. Pode-se ver, também, que esses eram os grupos
que tinham menor tamanho da classe média em 2002. A maior expansão da classe média
nesses grupos aproximou-os dos demais e da média brasileira, diminuindo as desigualdades
socioeconômicas no Brasil. Convém ressaltar a exceção do grupo de pessoas com nível
superior, que apresenta reduzida classe média em 2002 e também em 2012. Como referido
anteriormente, isso ocorre em função de uma maior concentração da classe alta nesse grupo.

                                             Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média
                                               Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média brasileira
                                             brasileira nos diferentes grupos socioeconômicos, 2012 e 2012
                                                      nos diferentes grupos socioeconômicos, 2002 e 2002
                                        65


                                        60                                                                             Fundamental
                                                                                                                         completo             Ensino médio completo
                                                                    Fundamental incompleto ou                                                     ou incompleto
 Tamanho da classe média em 2012 (%)




                                                                        sem escolaridade     Classe média      Área urbana         Ocupados
                                        55
                                                                                               brasileira                           formais
                                                                                                                        Brancos
                                                                                Negros        Ocupados                e amarelos
                                        50
                                                                                              informais

                                        45


                                        40        Área rural


                                        35

                                                                    Alguma educação
                                        30                              superior


                                        25


                                        20         45°
                                             20                25         30             35               40          45               50          55            60   65
                                                                                         Tamanho da classe média em 2002 (%)

                                       Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                                                                                Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 39
O Gráfico 5 apresenta os resultados referentes aos diferentes setores de atividade
          econômica. Os destaques ficaram para o setor agrícola e atividades mal definidas, que
          também apresentavam em 2002 tamanho da classe média inferior às demais. As grandes
          exceções ficam para os setores da administração pública e de educação, saúde e serviços
          sociais, que em 2012 exibem classes médias de tamanho inferior ao de 2002. Essa retração
          na classe média, porém, não significa uma piora no tempo: na administração pública o
          tamanho da classe baixa caiu de 20 % para 9% enquanto que o da classe alta subiu de 33 %
          para 46 %; no setor de educação, saúde e serviços sociais a classe baixa caiu de 17 % para
          6 %, ao passo que a classe alta subiu de 35 % para 48% (Tabelas 5 e 6).


                                                      Gráfico 5: Comparaçãoentre o tamanho da classe média brasileira por
                                                        Gráfico 5: Comparação
                                                                                entre o tamanho da classe média
                                                      brasileira por setor de atividade econômica, 2002 e 2012 2012
                                                                      setor de atividade econômica, 2002 e
                                                70

                                                                                               Serviços domésticos        Alojamento e
                                                65
                                                                                                                          alimentação
                                                                                                                                                Indústria de transformação
          Tamanho da classe média em 2012 (%)




                                                60                                                         Construção
                                                                                                                         Comércio e       Transporte, armazenagem e
                                                             Atividades maldefinidas                                     reparação              comunicação
                                                                                        Classe média
                                                55
                                                                                          brasileira
                                                                                                                           Outros serviços coletivos,
                                                50                                                                            sociais e pessoais
                                                                                                           Outras atividades
                                                                                            Outras atividades             Educação, saúde e serviços
                                                45                                             industriais                         sociais
                                                          Agrícola                                              Administração
                                                                                                                  pública
                                                40


                                                35


                                                30


                                                25          45°
                                                     25              30            35            40             45              50              55            60             65   70
                                                                                                  Tamanho da classe média em 2002 (%)

                                                Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




          O Gráfico 6 apresenta os resultados dos estados e regiões brasileiras. Como mencionado,
          as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram as que tiveram maior crescimento da
          classe média, sendo, ainda, as que apresentavam, em 2002, os menores tamanhos dessa
          classe.




40 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Gráfico 6: Comparação entre o tamanho da classe média por
                                                                            estado e6: Comparação entre2002 e 2012 classe média por estado e
                                                                              Gráfico
                                                                                      região do Brasil, o tamanho da
                                                                                                                                           região do Brasil, 2002 e 2012
                                                                      64
                                                                      62
                                                                                                                                                                   GO
                                                                      60                                                                            MT                                   PR              Sul
                                                                      58                                                                                MG            MS
                                                                      56                                                                                                       SudesteRS             SP
                                                                                                                                              ES Centro-Oeste RO                                                                    SC
                               Tamanho da classe média em 2012 (%)




                                                                      54
                                                                                                                                                                                                     RJ
                                                                      52                                                                                     Brasil
                                                                      50                                         RR
                                                                                                  TO                         Norte
                                                                      48                                               PA         AC
                                                                      46                                                                           DF
                                                                                            PE              SE                   AM
                                                                      44         PI
                                                                                             PB
                                                                      42                   BA                                    AP
                                                                                 CE
                                                                      40           Nordeste RN
                                                                      38
                                                                      36
                                                                      34
                                                                      32
                                                                      30
                                                                      28
                                                                      26
                                                                      24
                                                                      22
                                                                      20
                                                                                      45°
                                                                           20         22     24   26         28        30        32    34     36    38        40      42       44    46        48        50         52    54   56    58   60   62    64
                                                                                                                                            Tamanho da classe média em 2002 (%)

                                                                     Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




Para melhor visualização do que ocorreu nos estados brasileiros, que são muito numerosos,
construímos o Gráfico 7, que demonstra a expansão líquida da classe média em contraste
com o seu tamanho em 2002. Como se pode ver pela linha de tendência, quanto menor
era o tamanho da classe média em 2002, maior foi a expansão dessa classe entre os anos de
2002 e 2012.

                                                                            Gráfico 7: Expansão líquida e tamanho da classe média dentro
                                                                              Gráfico 7: Expansão líquida e tamanho da classe média dentro de
                                                                            de cada estado ecada estado Brasil do Brasil
                                                                                                região do e região
                                                                      24
                                                                                                       TO
 Expansão líquida da classe média entre 2002 e 2012




                                                                      22        PI          PE                        RR
                                                                                                                                                                   MT
                                                                      20        CE BA PB
                                                                                                                                                    ES
                                                                                Nordeste                                                                      MG          GO
                                                                      18
                                                                                                                                      Norte                             MS
                                                                                                                 SE         PA                               Centro-Oeste
                                                                      16
                                                                                                  RN                                        AC
                                                                                                                                 AM                                                 RO
                                                                      14                                                                                              Brasil

                                                                      12
                                                                                                                                                                                                         PR
                                                                                                                                                                                                          Sudeste
                                                                      10                                                              AP                DF                                           RS
                                                                                                                                                                                                                         Sul
                                                                       8
                                                                                                                                                                                                                    SP
                                                                       6
                                                                                                                                                                                                               RJ
                                                                       4

                                                                       2

                                                                       0                                                                                                                                                                       SC
                                                                           20         22     24        26         28        30        32     34     36        38        40      42        44        46         48        50    52    54   56    58        60
                                                                                                                                            Tamanho da classe média em 2002 (%)

                                                                     Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




                                                                                                                                                                                                Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 41
Em suma, de maneira geral os grupos socioeconômicos que mais cresceram na classe
          média foram aqueles que tinham menor representação nesse segmento em 2002. Assim,
          em 2012, temos uma classe média mais equilibrada, com maior representatividade de cada
          um dos diferentes grupos socioeconômicos brasileiros e, portanto, quase tão heterogênea
          quanto o Brasil.

          Uma maneira mais direta de observar a crescente heterogeneidade na classe média e,
          consequentemente, a crescente igualdade entre os diversos grupos socioeconômicos
          que compõem o país, é por meio do chamado índice de dissimilaridade. Quanto mais
          perto de zero o valor do índice, mais igualitário é aquele grupo. Apresentamos também
          a sua variação percentual entre os anos de 2002 e 2012. O sinal negativo indica queda, o
          positivo, aumento.

          Nas Tabela 12 apresentamos a evolução do índice de dissimilaridade na classe média dos
          diversos grupos entre os anos de 2002 e 2012. Como se pode ver, em todos eles o
          índice diminui de valor, aproximando-se de zero. O grupo que mais conseguiu alcançar
          igualdade interna na classe média foi aquele correspondente a cor, caso em que o índice
          de dissimilaridade caiu 94% em 10 anos. Em seguida, as maiores evoluções se deram na
          diminuição da dicotomia formal/informal e urbano/rural (com quedas respectivas de 71%
          e 61% nos índices de dissimilaridade). As desigualdades na classe média entre as regiões
          brasileiras também diminuíram bastante, com queda de 53% na dissimilaridade.


          Tabela 12: Índice de dissimilaridade na classe média, por grupo
          Tabela 12: Índice de dissimilaridade na classe média, por grupo
                              socioeconômico no Brasil
          socioeconômico no Brasil


                                                                                    Índice de Dissimilaridade      Variação
          Grupo                                                                                                   percentual
                                                                                         2002             2012   (2002-2012)



             Cor                                                                          8,6             0,5      -94%
             Região                                                                      13,2             6,1      -53%
             Área                                                                         7,2             2,8      -61%
             Nível educacional do chefe                                                   9,0             5,1      -43%
             População em idade ativa (Ocupados/Desempregados/Inativ                      3,9             2,3      -39%
             Formais/Informais                                                            7,8             2,3      -71%
             Setor de atividaddes                                                         9,1             6,5      -29%
          Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




42 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Na Tabela 13 apresentamos o índice de dissimilaridade na classe média para cada região.
Assim, podemos ver se a desigualdade no interior da classe média entre os estados dentro
de cada região diminuiu entre os anos de 2002 e 2012. Com exceção da região Centro-
Oeste, em todas as regiões o índice de dissimilaridade na classe média apresentou queda,
em especial, nas regiões Sudeste, Sul (80% e 81%). Dessa forma, se o crescimento médio
da classe média nessas regiões não foi muito expressivo (como se pôde ver na Tabela 4),
o crescimento substancialmente maior nos estados em que a classe média era menor em
2002 contribuiu para que a classe média dessas regiões se tornassem as mais igualitárias.
A desigualdade também diminuiu nas regiões Norte (42%) e Nordeste (21%), mas como
houve muita variação na expansão da classe média entre os estados dessas regiões (uns
expandiram consideravelmente mais do que outros), bem como estados que já tinham um
tamanho da classe média em 2002 relativamente maior também apresentaram expansão
expressiva dessa classe, a redução na dissimilaridade foi mais limitada.



Tabela 13: Índice Índice de dissimilaridade na classe média, por
   Tabela 13: de dissimilaridade na classe média, por região em relação
aos seus região em relação aos seus respectivos estados
         respectivos estados

                                                                          Índice de Dissimilaridade      Variação
Grupo                                                                                                   percentual
                                                                               2002             2012   (2002-2012)



   Norte                                                                        3,4             2,0      -42%
   Nordeste                                                                     3,5             2,8      -21%
   Sudeste                                                                      4,5             0,9      -80%
   Sul                                                                          3,4             0,7      -81%
   Centro-Oeste                                                                 2,3             3,2      42%
Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).



Finalmente, não apenas a classe média se tornou mais igualitária – com maior
representatividade dos diversos grupos e estados – entre os anos de 2002 e 2012, ela
também é a classe de renda que apresenta maior igualdade dentre as três (baixa, média
e alta). Nas Tabelas 14 e 15 apresentamos o índice de dissimilaridade para as três classes.
Como se pode ver, tanto em relação a todos os diferentes grupos analisados (Tabela 14),
como em relação à igualdade entre os estados dentro de cada região (Tabela 15), a classe
média é a que apresenta sempre o menor valor do índice de dissimilaridade. Portanto, se
tivéssemos que escolher uma classe para representar a grande heterogeneidade brasileira,
a resposta seria, sem dúvida, a classe média.



                                                                                 Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 43
Tabela 14: Índice Índice de dissimilaridade nas 3 classes de
              Tabela 14: de dissimilaridade nas 3 classes de renda, por grupo
          socioeconômico no grupo socioeconômico no Brasil, 2012
                renda, por Brasil, 2012

                                                                                          Índice de Dissimilaridade
          Grupo
                                                                                       Classe        Classe     Classe
                                                                                       Baixa         Média       Alta


             Cor                                                                         16,0             0,5    21,1
             Região                                                                      24,3             6,1    18,0
             Área                                                                        11,8             2,8     9,3
             Nível educacional do chefe                                                  18,2             5,1    31,5
             População em idade ativa (Ocupados/Desempregados/Inativo                    15,8             2,3    12,3
             Formais/Informais                                                           27,5             2,3    13,5
             Setor de atividaddes                                                        27,8             6,5    19,1
          Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




          Tabela 15: Índice de dissimilaridade nas 3 classesnas 3 classes de em
              Tabela 15: Índice de dissimilaridade de renda, por região
          relação aos seus respectivos estados, 2012 seus respectivos
               renda, por região em relação aos

                                                                                          Índice de Dissimilaridade
          Grupo
                                                                                       Classe        Classe     Classe
                                                                                       Baixa         Média       Alta


             Norte                                                                        5,0             2,0    7,8
             Nordeste                                                                     3,7             2,8    8,6
             Sudeste                                                                     12,5             0,9    7,4
             Sul                                                                          6,2             0,7    3,9
             Centro-Oeste                                                                 2,6             3,2    9,5
          Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).




44 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 45
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4. Diversidade
Sobre o grau de tolerância e respeito à diversidade

O quanto uma pessoa aceita valores e comportamentos diferentes dos seus é algo que
está no coração de um regime verdadeiramente democrático e de relações sociais mais
positivas e construtivas. Nessa parte, entenderemos que tal tipo de abertura denota grau
de tolerância ou respeito à diversidade.

O grau de tolerância é algo que pode ser ensinado a crianças e adultos. Portanto, é maleável,
além de fortemente relacionado ao ambiente socioeconômico e cultural. Por outro
lado, pode ser também determinante para o sucesso socioeconômico de um indivíduo,
no sentido de que é possível que pessoas mais abertas tenham melhores resultados no
trabalho, tenham mais amigos, mais facilidade no relacionamento amoroso etc. Embora
seja difícil estabelecer a direção dessa causalidade (se grau de tolerância afeta ou é afetado
pelo ambiente socioeconômico), nesse estudo são apresentadas estimativas da incidência
de tolerância por classe de renda.

Para tanto, utiliza-se a pesquisa Data Popular – Tendências, coletada pelo Instituto
Datapopular em 2012. Foram entrevistadas 5.182 pessoas, com 14 anos ou mais de idade,
em todo território nacional, exceto as zonas rurais.

São doze itens considerados, sendo que cada um é um questionamento ao entrevistado
sobre “se ele gosta de pessoas com determinada característica” que pode ser alvo de
preconceito ou discriminação. Para facilitar a análise, agrupamos tais características em
três categorias: (a) inatas e básicas (inclui raça, religião e estado conjugal); (b) sexualidade
(inclui orientação sexual, casamento entre pessoas com grande diferença de idade, vaidade
entre homens e sensualidade de mulheres) e (c) ilegalidade questionada por parte da
sociedade (uso de drogas e prática de aborto).

A Tabela 16 apresenta o percentual que declarou “não gostar de pessoas com determinada
característica” para cada uma das três classes de renda (alta, média e baixa). Considerou-
se que um percentual inferior a 5% denota alta tolerância; entre 5% e 15%, média
tolerância e superior a 15%, intolerância




                                                             Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 47
Tabela 16: Grau de intolerância medido pela porcentagem de entrevistados
                                                     que não gostam de pessoas com as seguintes características
                                                                                                                        Tabela 16: Grau de intolerância medido pela porcentagem de entrevistados que não gostam de pessoas com as seguintes características



                                                                                                                                                                 Grau de tolerância (%)                                Diferença no grau de tolerância entre classes           Ordenação segundo o grau de tolerância



                                                   Característica pessoal                                                                                                                                       Média versus Baixa                   Média versus Alta
                                                                                                                                              Todas as
                                                                                                                                                              Classe Baixa   Classe Média   Classe Alta                                                                      Classe Baixa   Classe Média    Classe Alta
                                                                                                                                               Classes
                                                                                                                                                                                                          Diferença (p.p.)       p-valor      Diferença (p.p.)     p-valor




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                                                   Outra cor                                                                                     1,7               2,6            1,6           0,9             -1,0                16              0,7                3          1              1              1

                                                   Outra religião                                                                                2,4               3,2            2,4           1,3             -0,8                33              1,1                1          2              2              2

                                                   Pessoas que não acreditam em Deus / Ateus                                                    35,8              41,1           36,9          25,9             -4,2                6              11,0                0         11             11              10

                                                   Mulheres sensuais                                                                             8,1              10,7            8,1           4,9             -2,6                6               3,2                0          6              4              4

                                                   Mulheres casadas com homens bem mais jovens                                                   9,5              11,7            8,6           8,6             -3,1                3               0,0                99         8              6              5

                                                   Homens casados com mulheres bem mais jovens                                                  10,1              12,9            9,6           7,7             -3,3                3               1,8                4          7              5              6

                                                   Homossexuais                                                                                  9,6               6,7           11,2           9,4             4,5                 0               1,7                7          4              7              7

                                                   Homens vaidosos que usam cremes, se depilam etc.                                             11,2               9,9           11,3          12,4             1,4                 31              -1,1               28         5              8              8

                                                   Pessoas que fizeram aborto                                                                   36,7              42,8           38,2          24,4             -4,6                4              13,7                0         10             10              11

                                                   Pessoas que já usaram drogas                                                                 18,0              22,9           16,3          15,8             -6,5                0               0,5                66         9              9              9

                                                   Pessoas que usam drogas atualmente                                                           58,1              59,9           58,4          55,1             -1,5                51              3,2                4         12             12              12

                                                   Fonte: Estimativas produzidas com base da pesquisa Data Popular – Geral, coletada pelo Instituto Datapopular em 2012.
Análises

Panorama geral: o que a sociedade não tolera?
Conforme revela a Tabela 16, de uma maneira geral, a intolerância maior no Brasil está
associada a comportamentos que são ilegais, embora tenham ilegalidade contestada por
parte da sociedade. 58% dos respondentes declararam não gostar de pessoas que utilizam
drogas e 37% não gostam de pessoas que fizeram aborto. Com relação a quem já usou
drogas no passado (porém não usa mais no presente), a intolerância é de 18%.

Para as demais características, apenas uma é também intolerável (superior a 15%): a falta
de crença em Deus. 36% não gostam de pessoas descrentes.

Há tolerância moderada no que tange à sexualidade. Os percentuais nesse grupo de
características variam de 8% de intolerância com relação a mulheres sensuais a 11%
contra homens que se dizem vaidosos (usam cremes, se depilam etc.).

A maior aceitação parece ser com relação às características inatas ou básicas, como raça,
ter religião diferente e mães solteiras (sempre abaixo de 3,5%).


Intolerância e classe de renda
Entre as doze características investigadas, dez têm aceitação crescente com a renda, isto
é, a classe média declara ser mais tolerante que a classe baixa (para dez características),
porém menos tolerante que a classe alta (para onze características). Em apenas um caso
o grau de intolerância é maior na classe média que nas duas outras: o homossexualismo.

Dependendo da característica, a classe média pode ter perfil mais próximo ao da classe baixa
ou alta. Para analisar esse perfil, utilizamos apenas as distâncias nos percentuais de cada classe.
No que é mais “intolerável” para a sociedade como um todo, que são os comportamentos
ilegais ou a falta de crença em Deus, a classe média está mais próxima da classe baixa: é mais
avessa! Contudo, para o que é moderadamente tolerado (sexualidade), o perfil da classe média
é mais semelhante ao da classe alta (que é mais aberta), exceto pelo homossexualismo.

Não só o grau de tolerância da classe média está mais próximo ao da classe baixa para o
que é ilegal ou a descrença em Deus, mas também o ranking que a classe média faz das
características mais toleradas desse bloco é idêntico ao da classe baixa e um pouco distinto
do que pensa a classe alta. Por exemplo, as classes baixa e média toleram mais pessoas
que fizeram aborto do que quem não acredita em Deus. Para a classe alta, é o contrário.



                                                              Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 49
Para o que é medianamente tolerado, a classe média se assemelha à classe alta por
          proximidade dos percentuais e também ranking das características. As classes média e alta
          aceitam menos a vaidade masculina e o homossexualismo do que a classe baixa. Por outro
          lado, são mais abertas para casamentos de pessoas com muita diferença de idade.

          É interessante dizer que para as características inatas e básicas, as quais são as mais
          toleradas, o grau de concordância entre as classes é pleno. As diferenças percentuais
          entre as classes são pequenas e a ordenação das características é exatamente a mesma.


          Síntese
          Raça, outra religião e ser mãe solteira são características amplamente aceitas e todos
          parecem estar de acordo com isso. O que parece ser mais intolerável para a sociedade
          brasileira é a prática do aborto, a descrença em Deus e, em primeiro lugar, o uso de
          drogas. Os mais intolerantes são os membros da classe baixa, sendo que o padrão da
          classe média quanto a essas características é similar. Nesse aspecto, uma diferença de
          valores relevante entre as classes baixa e média, de um lado, e a alta de outro, é que as
          duas primeiras colocam a descrença a Deus como mais intolerável do que a prática do
          aborto e para a classe alta é o contrário.

          Para o que é medianamente tolerado, a classe média fica mais próxima da alta, e comparadas
          com a classe baixa, mostram mais problemas em lidar com o homossexualismo e a vaidade
          masculina.




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Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 51
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5. Colaborador permanente
TUDO JUNTO E MISTURADO
A CLASSE MÉDIA E A DIVERSIDADE DO POVO BRASILEIRO



                  RENATO MEIRELLES - Sócio diretor do Data Popular, Instituto de
                  pesquisa pioneiro no estudo do brasileiro emergente. Comunicólogo e
                  escritor, já coordenou mais de 400 estudos sobre o consumidor da classe
                  média brasileira

Já virou senso comum falar sobre a miscigenação da população brasileira. Um povo que
mistura em sua cultura traços negros e indígenas com a herança dos colonizadores europeus.
Esse caldeirão étnico, que contribui para dar visibilidade ao Brasil, foi por ao menos dois
séculos apontado como um obstáculo para o desenvolvimento do país. Mas esse quadro
começa a criar novas nuances, impulsionado também por meio do crescimento de uma
classe média que leva consigo uma parcela cada vez menos homogênea da população.

Difícil definir uma típica família brasileira. Encontrar um rosto que identifique um todo
dentro desta diversidade então, é quase impossível. Somos pardos nipônicos, negros com
olhos de mel e loiros com vastas cabeleiras crespas, que contradizem qualquer estereótipo
pré-definido e tornam o nosso passaporte um dos mais desejáveis para falsificadores. No
entanto, muitas vezes essa mistura acaba por encobrir preconceitos e desigualdades que
sempre estiveram presentes em nossa história. Ainda hoje, temos muito mais negros entre
a população mais pobre e muito mais brancos na elite econômica do Brasil. A boa notícia é
que como a classe media é fruto direto da redução das desigualdades, tem na diversidade
étnica regional uma de suas maiores características. E isso faz toda a diferença. A ascensão
dessa camada social amplia as possibilidades de, enfim, reduzirmos um conjunto de
preconceitos que insistem em permanecer em nossa cultura.

Com o crescimento da classe média através da redução das desigualdades históricas de
gênero, cor da pele e desenvolvimento regional surgiu uma demanda econômica de inserir
no cenário de consumo novos protagonistas. As telenovelas, até então acostumadas a
colocar o negro numa posição servil aos brancos agora colocam-no em posição de destaque



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em suas produções. São protagonistas que fogem do padrão desgastado e irreal do padrão
          étnico europeu, fazendo um resgate às origens e criando identificação com o público das
          classes emergentes. Até mesmo o padrão de beleza que fazia com que mulheres negras
          muitas vezes fossem caracterizadas com signos comuns a mulheres brancas, alisando os
          cabelos crespos e adotando tons neutros, que não contrastavam com seu tom de pele,
          mudou.

          Não preciso dizer aqui que racismo e preconceito ocorrem em todas as classes sociais
          e portanto nunca serão resolvidos com a simples melhora do poder aquisitivo ou dos
          níveis educacionais. Mas o fato é que se o país estava acostumado a somar ao preconceito
          étnico a discriminação financeira, com o avanço da classe média, começamos a caminhar
          num sentido de quebra de um paradigma, conservado por centenas de anos mesmo após
          a abolição da escravatura. A valorização da etnia é conquistada através da melhora da
          autoestima. São milhões de pessoas que viram sua vida melhorar com a estabilidade da
          economia e o surgimento de uma gama de empregos formais que antes, ou eram privilégios
          apenas de uma elite branca, ou até mesmo inexistiam. Pouco a pouco começamos a
          encontrar negros brasileiros ocupando cargos de prestígio e frequentando lugares que
          eram restritos apenas aos brancos detentores de uma renda que passava distante de suas
          possibilidades. Para eles, sobravam os empregos de menor remuneração.

          Negros que viviam marginalizados, agora aparecem com destaque num universo, onde
          a cor e a tradição atravessam as fronteiras sociais, ressaltando a verdadeira beleza
          nacional, antes vista somente com preconceito. São essas características, verde-amarelas
          heterogêneas, que fazem do nosso povo tão especial, com aspectos tão peculiares. No
          entanto, não devemos nos esquecer do mérito das lutas empreendidas pelos movimentos
          sociais de afirmação da identidade negra, nem das políticas públicas de inclusão que
          pouco a pouco se fortalecem desde a redemocratização. As mudanças que ocorrem
          hoje ainda não são suficientes para colocar um ponto final no preconceito cotidiano de
          muitos brasileiros. Em muitos estabelecimentos comerciais, apesar de não acontecerem
          casos explícitos de discriminação racial, que seriam punidas pela lei, os negros ainda são
          obrigados a lidar com situações desagradáveis, decorrentes de mau atendimento.

          O acesso ao crédito e a descoberta de um universo de consumo possibilitou aos negros
          e brancos da classe média, uma ascensão econômica que embora esbarre em alguns
          valores arcaicos adquiridos pela elite, começa a ganhar fôlego e, finalmente, encontrar
          o seu lugar. A educação foi um destes lugares, pois ele passou a ter acesso não apenas
          aos bens de consumo, mas a universidade. Com isso, pode investir na educação do filho



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e percebe agora a oportunidade de fugir de um ciclo vicioso. Hoje, é possível ver nas
universidades, em cursos de diferentes áreas do conhecimento um corpo de alunos cada
vez mais heterogêneo. Com a ampliação da escolaridade, elevação da renda e melhor
acesso aos postos de trabalho, a população negra foi a que apresentou os maiores índices
de mobilidade socioeconômica dos últimos anos.

A classe média atual é a mistura brasileira que não se restringe apenas a cor da pele,
mas também se sustenta pelos valores. A tradição carnavalesca dos festejos populares
e a alegria das cores primárias fundem-se com a garra daquele que veio de baixo e
precisou juntar forças para não desistir e seguir em frente. Agora, com a oportunidade
de crescimento, este cidadão multicores, antes encolhido perante a desigualdade social,
encontra ferramentas e munições para lidar com as diferenças enraizadas. Prova que o
que antes era visto como fraqueza, hoje torna-se sinônimo de força. Sobram exemplos
de brasileiros que superaram as dificuldades educacionais, as barreiras étnicas e regionais
e acabam servindo de inspiração para outros brasileiros que estão vencendo na vida sem
ter que abrir mão de seus valores, de sua cultura e de sua origem.

Este avanço ainda está longe de ser uma conquista definitiva, pois não bastam apenas
mudanças na renda, é preciso mudar a ideologia que está enraizada na cabeça das pessoas.
No então é inegável a constatação que o crescimento da economia tem forçado diversos
setores da sociedade a serem mais tolerantes e menos preconceituosos. Viva a diversidade
da classe média brasileira




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6. Colaborador desta edição

“Quando novos personagens entram em cena”



                  Jailson de Souza e Silva, Professor da Faculdade de Educação da
                  Universidade Federal Fluminense – UFF-RJ e Diretor do Observatório de
                  Favelas do Rio de Janeiro.

O título acima é de um livro do pesquisador Eder Sader, lançado em 1988. À época,
o autor buscava identificar os novos grupos sociais que ocupavam a cena econômica e
política do Brasil a partir da década de 70. Sua grande expressão eram os trabalhadores da
indústria de transformação, com destaque para os metalúrgicos do ABC.

O grande mérito da Secretaria de Assuntos Estratégicos ao discutir a emergência de
uma “nova classe média” no Brasil é visibilizar e construir uma análise sistemática de um
processo socioeconômico e cultural mobilizado por um grupo que tem provocado um
forte impacto no país e deverá fazê-lo com maior intensidade nos próximos anos.

O que assistimos é, acima de tudo, à emergência dos trabalhadores, principalmente
negros, no cenário nacional. Eles ampliam o seu poder de consumo, fortalecem a sua
capacidade de influenciar as tendências políticas, os padrões culturais e educacionais. Os
recentes sucessos de produções televisivas, como as novelas baseadas no que seriam as
vivências cotidianas desse grupo, são um exemplo desse processo; a menor influência, no
caso do Rio de Janeiro, dos moradores das áreas nobres da cidade no processo eleitoral
é outra demonstração dessas transformações; a ampliação do acesso ao ensino superior
também revela essa dinâmica.

Interessa-me, de forma especial, o impacto que esse fenômeno de ampliação da renda
dos trabalhadores vem provocando na juventude e, em especial, nas periferias e favelas.
Com efeito, em vários centros metropolitanos brasileiros, uma parcela significativa dos
moradores desses territórios tem ingressado nas classes médias. Isso tem provocado um
forte impacto no processo de valorização imobiliária desses espaços, ampliado a oferta de
produtos de variadas ordens e fortalecido seu dinamismo econômico.



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Acima de tudo, o aumento da escolarização das populações dessas áreas, a maior
          consciência sobre suas demandas e maior capacidade de verbalizá-las, a criação de novas
          linguagens artísticas e a ampliação do repertório sociocultural geram a criação de um novo
          ser social. Esse ser, que no caso do Rio de Janeiro chamamos de um “Novo Carioca”, amplia
          sua mobilidade na cidade. Ela representa muito mais do que a capacidade de circulação
          física. Essa mobilidade é social, econômica, educacional e, principalmente, simbólica.
          Esse “novo” carioca, paulista, gaúcho, baiano (...) revela a capacidade de se apropriar dos
          territórios urbanos de maneira autônoma, coletiva, com alto grau de criatividade e poder
          de realização. E, nesse processo, consciente ou não, eles vão criando novas cidades, novos
          cidadãos, de um novo país.




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Empoderando vidas.
                                               Fortalecendo nações.




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2º Caderno Vozes da Classe Média

  • 1.
  • 3.
    Caderno 2 Desigualdade, Heterogeneidadee Diversidade novembro de 2012 Empoderando vidas. Empoderando vidas. Fortalecendo nações. Fortalecendo nações.
  • 4.
    Governo Federal Coordenação e Produção Presidência da República Alessandra Bortoni Ninis  Secretaria de Assuntos Estratégicos Esplanada dos Ministérios Redação Bloco O, 7º, 8º e 9º andares Ricardo Paes de Barros (SAE/PR) Brasília – DF / CEP 70052-900 Diana Grosner (SAE/PR) http://www.sae.gov.br Adriana Mascarenhas (SAE/PR) Ministro Moreira Franco Produção estatística Samuel Franco (IETS) Parceiros Andrezza Rosalém (IETS) Caixa Econômica Federal José Jorge Gabriel Júnior (SAE/PR) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Karina Bugarin (SAE/PR) Apoio Projeto gráfico / diagramação Confederação Nacional da Indústria (CNI) Rafael Willadino Braga (SAE/PR) Instituto Data Popular Empresa Ellite Gráfica Editores Divulgação Diana Grosner (SAE/PR) Assessoria de Comunicação (SAE/PR) Daniela Gomes (PNUD) Renato Meirelles (Data Popular)
  • 5.
    Sumário Apresentação.........................................................................7 1. Limites......................................................................................... 11 2. Desigualdade........................................................................15 3. Heterogeneidade.............................................................23 4. Diversidade............................................................................47 5. Colaborador permanente:............................................53 Junto e Misturado Tudo A Classe Média e a Diversidade do Povo Brasileiro Renato Meirelles 6. Colaborador desta edição:.........................................57 “Quando novos personagens entram em cena” Jailson de Souza e Silva Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 5
  • 6.
    6 | Desigualdade,Heterogeneidade e Diversidade
  • 7.
    Apresentação Desigualdade, Heterogeneidade eDiversidade Como ressaltado no primeiro número da série Vozes da Classe Média, ao longo da última década a classe média brasileira passou de menos de 70 milhões para mais de 100 milhões de brasileiros. Como resultado dessa incorporação massiva de quase 40 milhões de pessoas, hoje, se a classe média brasileira fosse um país, ela seria o 12º país mais populoso do mundo, logo atrás do México (ver Gráfico 1). Gráfico1: População por país, 2012 2012 Gráfico1: População por país, China Índia Estados Unidos Indonésia Brasil 5º Paquistão Nigéria Bangladesh Russia Japão Mexico Classe Média Brasileira 12º Filipinas Vietnã Etiópia Egito Alemanha Irã Turquia Tailândia 10 100 1000 (Milhões de pessoas) Fonte: Banco Mundial - World Development Indicators. Esse aumento da classe média brasileira é uma das principais consequências do crescimento com redução no grau de desigualdade que caracterizou o desenvolvimento do país nos últimos 10 anos. A queda no grau de desigualdade foi particularmente importante, sendo responsável por cerca de 2/3 da expansão da classe média. A expansão da classe média foi também caracterizada pela entrada prioritária dos grupos sociais menos privilegiados que antes estavam nela sub-representados. Como resultado dessa entrada diferenciada, a classe média brasileira se tornou muito mais heterogênea (por exemplo, Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 7
  • 8.
    abrigando uma parcelasignificativa tanto de analfabetos funcionais, como de trabalhadores com ensino médio completo), como muito mais diversa, com ¾ dos entrantes sendo negros. O resultado final é uma classe média muito mais representativa dos mais diversos segmentos da população brasileira. Cada vez mais, a classe média vem se tornando um retrato do Brasil e, dessa forma, um ambiente ideal tanto para o aprimoramento do respeito à diversidade, como para o aproveitamento dessa diversidade como um ativo cultural, social e também econômico. Por esses motivos, neste segundo número da série Vozes da Classe Média centramos nossa atenção no trinômio: desigualdade, heterogeneidade e diversidade. Procuramos documentar, por um lado, a relação desse trinômio com a expansão da classe média e, por outro, como a própria classe média o percebe, com particular atenção à forma como a classe média considera e trata a sua própria e crescente diversidade. Entre o lançamento do primeiro número da série e este segundo número, ocorreu a divulgação pelo IBGE dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD referentes a 2011. Como eles são as informações base para todo o cálculo do tamanho e características da classe média brasileira, provocaram pequenas revisões em nossas estimativas para o tamanho e a composição da classe média em 2012. Esse é o motivo pelo qual, neste número, estimamos que a classe média em 2012 deva representar 52% da população brasileira, contra os 53% estimados no número anterior desta série. Essa defasagem natural entre o momento de referência e o momento da divulgação das estatísticas nacionais (decorrente do tempo necessário para coleta e processamento dessas informações) nos obriga a sempre basear as estimativas para o último ano em projeções, que vão sendo atualizadas a cada nova divulgação. Assim, enquanto no número anterior o tamanho da classe média para 2012 foi estimado projetando-o a partir das últimas informações existentes naquele momento (PNAD-2009), neste número reestimamos o tamanho e as características da classe média para 2012 a partir da PNAD-2011. Para isso, extrapolamos a tendência de melhoria na distribuição de renda brasileira ocorrida ao longo da década 2001-2011. 8 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    1. Limites Limites derenda definidores da classe média brasileira Para qualquer distribuição de renda, a definição do que vem a ser a classe média exige estabelecer limites inferior e superior de renda, de forma que todas as pessoas com renda familiar per capita dentro de tal intervalo sejam consideradas membros de tal classe. Da mesma maneira, quem estiver abaixo do corte inferior pertence à classe baixa e acima do superior pertence à classe alta. No Brasil, esses limites de renda em valores monetários atuais são R$291 e R$1.019 por cada pessoa da família ao mês. Isso significa que são considerados membros da classe baixa aqueles com renda familiar per capita inferior a R$291 ao mês; pertencem à classe média os que apresentam renda familiar per capita entre R$291 e R$1.019; e acima de R$1.019, à classe alta. De acordo com essa classificação, hoje, 28% da população brasileira pertence à classe baixa; 52%, à classe média e 20%, à classe alta. Mesmo reconhecendo o valor e a utilidade desses limites para avaliar as transformações históricas pelas quais tem passado a distribuição de renda brasileira, é possível questionar se esses níveis de renda são mesmo adequados. Isso equivale a indagar se o tamanho da classe média brasileira deveria ser esse. De forma mais específica, tal raciocínio nos levaria a questionar se o limite inferior está demasiadamente baixo, incluindo equivocadamente na classe média pessoas que, na realidade, pertencem à classe baixa (a classe baixa brasileira deveria ser maior do que é?). Igualmente, podemos questionar se o limite superior não se encontra artificialmente baixo, jogando para classe alta pessoas que deveriam ser consideradas membros da classe média (a classe alta brasileira não deveria ser menor?). Atualmente, o limite inferior, tal como definido, nos dá um contingente de 50 milhões de brasileiros (28% da população) que pertencem à classe baixa, o que já parece alto, considerando estimativas clássicas de pobreza no país. Aumentar o limite inferior implicaria aumentar ainda mais esse contingente. Embora essa seja uma evidência em prol da adequação do limite inferior atual, alguma evidência internacional pode nos ajudar a corroborar a argumentação. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 11
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    O Gráfico 2mostra a distribuição de pessoas em todo o mundo de acordo com a renda per capita de sua família. Observamos que mais da metade da população mundial (54%) vive em famílias com renda per capita inferior a R$291 por mês (critério brasileiro para definir classe baixa). Aumentar esse limite significa incrementar o número de pessoas no mundo que vivem no padrão brasileiro de classe baixa, o que parece inverossímil. As comparações internacionais também trazem luz à avaliação do quão adequado está o limite superior. Apenas 18% da população mundial vivem em famílias com renda per capita acima de R$1.019 por mês. Subir esse corte reduziria ainda mais o número de pessoas no mundo que se enquadram na definição brasileira de classe alta, o que também parece questionável. Gráfico 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar per capita 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar per capita Gráfico 2000 1900 1800 1700 Renda familiar per capita (R$/mês - 2012) 1600 1500 1400 1300 1200 1100 R$1019 1000 18% 900 800 700 600 500 400 300 54% R$291 200 100 0 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 65% 70% 75% 80% 85% 90% 95% 1 Fonte: Banco Mundial, estimativas produzidas com base em Milanovic, 2011 (The Have and the Have Nots). Valores em R$ de 2012. 12 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    2. Desigualdade A importânciada queda na desigualdade de renda para a expan- são da classe média brasileira Ao longo da última década, o crescimento na renda das famílias1 brasileiras não foi neutro. Isso significa que alguns grupos experimentaram maior incremento de renda do que outros. Os mais favorecidos foram justamente os pobres. O Gráfico 3 mostra que, no período 2001-2011, enquanto o crescimento na renda dos 10% mais pobres foi de 6,3% ao ano, para os 10% mais ricos não passou de 1,4% ao ano. Gráfico 3: Taxa de crescimento porda distribuição de renda mensalde Gráfico 3: Taxa de crescimento por décimo décimo da distribuição renda mensal familiar per capita: Brasil, 2001-2011 familiar per capita: Brasil, 2001-2011 7 6,5 6 5,5 5 4,5 Taxa média anual (%) 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Primeiro Segundo Terceiro Quarto Quinto Sexto Sétimo Oitavo Nono Décimo Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD. Logo, o país passou por um processo de crescimento inclusivo, que ocorre quando renda média das famílias aumenta e a desigualdade cai. É possível ocorrer crescimento inclusivo mesmo quando grupos não pobres perdem renda ao longo do tempo. Basta que os ganhos dos pobres compensem mais do que as perdas dos ricos. Nesse caso, ainda haverá 1 Em toda a análise aqui apresentada, foi sempre considerada a distribuição da população brasileira de acordo com sua renda familiar per capita mensal. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 15
  • 16.
    aumento na rendamédia da sociedade com ganhos maiores para os mais pobres. Não foi o que aconteceu no Brasil. No período considerado, todos os grupos ganharam. Nesse ganha-ganha recente, a classe média foi afetada. Antigas famílias pobres melhoraram tanto sua renda que deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Da mesma forma, famílias ora pertencentes à classe média passaram à classe alta. Houve um movimento de entrada e saída. Qual foi a importância do crescimento geral da renda vis a vis a redução da desigualdade na definição do tamanho da nova classe média brasileira? Para responder a essa pergunta será preciso decompor o aumento da classe média em dois efeitos provenientes de movimentos da distribuição de renda que, embora na prática ocorram misturados, sua separação possui grande valor analítico. O primeiro deles é o crescimento uniforme ou balanceado, situação em que todos os grupos de renda melhoram a uma mesma taxa. Se somarmos a isso as mudanças na desigualdade – definidas como desvios de crescimento (em relação ao crescimento médio) efetivamente experimentados por cada grupo – conseguimos recuperar exatamente o que aconteceu nos últimos dez anos. O exercício aqui consiste, portanto, em simular o que teria acontecido com a classe média caso a sociedade brasileira tivesse vivido apenas o crescimento balanceado, sem mudanças na desigualdade. Também se investiga o oposto: o que passaria se apenas a desigualdade tivesse se alterado. Note que, com as simulações propostas, o crescimento balanceado por si só é capaz de aumentar e diminuir o tamanho da classe média, pois inclui segmentos antes pertencentes ao grupo mais pobre, porém exclui um contingente que passa aos mais ricos (o que também é bom, evidentemente). Já as reduções na desigualdade (quando isolada do crescimento, isto é, quando a taxa de crescimento média é igual a zero) somente aumentam o tamanho da classe média. Basta imaginar que as reduções na desigualdade são como transferências de grupos mais ricos para os mais pobres, mantendo-se inalterada a média da distribuição. Nesse caso, os mais pobres podem se beneficiar e ascender, e os mais ricos podem descer. Na sequência, tais exercícios são postos em prática, permitindo estimar os impactos desses movimentos sobre o aumento real no tamanho da classe média brasileira. Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da classe média Por ser um grupo intermediário, mudanças no tamanho da classe média são determinadas por dois fluxos: entrada e saída. A Tabela 1 indica que houve expansão de 14 pontos 16 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    percentuais no tamanhodessa classe, que deixou de representar 38% da população, em 2002, e passou a 52%, em 20122. Tal expansão ocorreu porque a entrada de novos contingentes provenientes da classe baixa foi muito superior à saída para a classe alta. De fato, o fluxo de entrada foi responsável por 21 pontos percentuais de expansão da classe média, mas a saída reduziu o grupo em 7 pontos. Por trás dessa expansão estão os movimentos de crescimento balanceado e redução na desigualdade de renda. As simulações indicam que, caso apenas reduções no grau de desigualdade tivessem ocorrido, a classe média se expandiria em 9 pontos percentuais. Contando com o crescimento balanceado, a classe média se expandiria em apenas 5 pontos percentuais. Portanto, 2/3 do aumento da classe média deve-se à redução no grau de desigualdade e 1/3 ao crescimento. Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo classe média sobre o tamanho da classe média Tamanho (participação na Entrada/Saída Simulações Classe população - %) (em pontos 2002 2012 percentuais) Baixa 48 28 -21 Crescimento com redução de Média 38 52 14 desigualdade Alta 13 20 7 Baixa 48 38 -11 Crescimento Média 38 43 5 balanceado Alta 13 19 6 Baixa 48 40 -8 Apenas redução da Média 38 47 9 desigualdade Alta 13 12 -1 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 2 Os resultados para 2012 foram obtidos a partir de uma projeção de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) acerca de evolução 2001-2011, projetadas a partir de 2011. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 17
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    Então isso significaque a queda na desigualdade foi mais importante que o crescimento? A resposta é não. Afinal, o crescimento gerou outro efeito não computado na simulação anterior: a saída de pessoas da classe média para a classe alta (que reduz o tamanho da classe média, mas deve ser contabilizada como um resultado positivo). Se apenas o crescimento tivesse acontecido (sem reduções no grau de desigualdade), a classe alta teria se expandido (e a classe média encolhido) em 6 pontos percentuais. Já se apenas o grau de desigualdade tivesse sido reduzido (sem crescimento na renda), a classe alta não teria aumentado. Na verdade, teria diminuído ligeiramente em 1 ponto percentual. A importância do crescimento para outras características da clas- se média Outras características da classe média O tamanho da classe média não é a única característica merecedora de atenção. É relevante acompanhar o que aconteceu com a participação dessa classe na renda total das famílias, bem como avaliar a taxa de crescimento na renda média do grupo. Contudo, para trabalhar com esse último indicador (a renda média do grupo) há de se ter alguns cuidados. Dado que mudanças na classe média são marcadas por um fluxo de entrada e saída, constatar que, de um momento para outro a renda média do grupo se reduziu, não é necessariamente um problema. Por exemplo, se muitos membros da classe média experimentarem ganhos suficientes para levá-los à classe alta, mesmo que a renda dos demais membros permaneça inalterada, é bem possível que a média do grupo caia. Para escapar dessa armadilha, recomenda-se adotar uma definição “relativa” de classe média3. Isto é, fixar o grupo que pertencia à classe média em 2002 e olhar para o que aconteceu com esse grupo em 2012. Tal estratégia permite medir de maneira mais adequada se um dado grupo enriqueceu. Para fazer isso, é necessário conhecer os valores correspondentes ao pontos de corte mínimo e máximo que delimitam quem fazia parte da classe média em 2002 e identificar os centésimos de corte (ou, simplesmente, a posição na distribuição de renda) correspondentes. Em seguida, basta buscar esses mesmos centésimos na distribuição de 2012. Nesse caso, os pontos de corte em valores monetários absolutos em 2012 não serão os mesmos de 2002. 3 A análise da evolução do tamanho da classe média foi construída a partir de uma noção absoluta de classe média, em que são fixados os mesmos pontos de corte em valores monetários absolutos para 2002 e 2012. No caso, R$291 e R$1.019. 18 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    De acordo coma definição relativa de classe média (que considera a posição na distribuição de renda e não os pontos de corte em valores monetários absolutos), a renda do grupo cresceu acima da média nacional (veja Tabela 2). Enquanto a taxa média de crescimento da renda do país foi de 2,9% ao ano, a renda da classe média cresceu a 3,7% ao ano. Consequentemente, a participação da classe média na renda total das famílias brasileiras passou de 35% para 37%. Tabela 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outras características 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outras características da classe média Tabela da classe média Simulações Classes de renda 2002 2012 Taxa anual de crescimento Brasil (renda em R$/mês) 590 789 2,9% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 566 0,6% Crescimento com redução Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 38% ........ de desigualdade Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 767 3,7% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 37% ........ Brasil (renda em R$/mês) 590 789 2,9% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 555 0,4% Crescimento balanceado Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 30% ........ Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 711 2,9% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 35% ........ Brasil (renda em R$/mês) 590 590 0,0% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 536 0,1% Apenas redução da Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 43% ........ desigualdade Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 571 0,7% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 37% ........ Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Mas se considerarmos a noção absoluta de classe média (mesmos pontos de corte em valores monetários absolutos em 2002 e em 2012), veremos que a renda do grupo cresce muito lentamente, pois incorpora novos membros com renda mais baixa (oriundos da classe baixa) e perde antigos membros com renda mais alta. O resultado é um cresci- mento na renda do grupo de apenas a 0,6% ao ano. Consequentemente, embora essa Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 19
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    população tenha aumentadoem 15 pontos percentuais, sua participação na renda total das famílias cresceu apenas 3 pontos percentuais (passou de 35% para 38%). Novos impactos Já vimos que o crescimento inclusivo fez também com que a renda da classe média definida em termos relativos crescesse mais aceleradamente que a média nacional: 3,7% ao ano contra 2,9%. Se a expansão do tamanho da classe média se deu primordialmente pela redução no grau de desigualdade, o contrário ocorre com o crescimento da renda da classe média definida em termos relativos. Caso o crescimento tivesse ocorrido sem redução na desigualdade (crescimento balanceado), a renda da classe média “relativa” teria crescido igual à média nacional (veja Tabela 2). Se a única transformação tivesse sido a redução no grau de desigualdade, a renda da classe média “relativa” teria crescido somente 0,7%. Para explicar o aumento da participação da classe média (definida em termos relativos) na renda total das famílias (que passou de 35% para 37%), todo o destaque recai sobre a queda no grau de desigualdade. Note que, na presença do crescimento balanceado, a participação em 2002 (35%) teria se mantido em 2012. Considerações finais Em suma, a redução na desigualdade e o crescimento foram igualmente importantes para explicar a ascensão da classe média no Brasil entre 2002 e 2012. Essa conclusão exige que se avaliem, em conjunto, os resultados das simulações que tratam dos impactos sobre o tamanho das classes média e alta. Se a redução na desigualdade demonstrou ser o principal fator por trás do aumento da classe média, o crescimento, por sua vez, levou muita gente da classe média para a classe alta. Para além do tamanho da classe média, se investigou o papel desses dois fatores no crescimento da renda média do grupo e na participação do grupo na renda total das famílias. A importância relativa dos fatores varia. Para explicar o crescimento na renda média, o crescimento se mostrou mais importante. Para o aumento na participação na renda total das famílias, a redução na desigualdade foi decisiva. 20 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    3. Heterogeneidade As novasfaces da classe média: quando uma classe se torna qua- se tão heterogênea quanto o Brasil Nesta seção, apresentamos o perfil daqueles que entraram na classe média nos últimos 10 anos (coluna “Contribuição à expansão” das Tabelas 3, 7 e 8), contrastando também o retrato para os anos de 2002 e 2012 dos diversos grupos socioeconômicos no Brasil e na classe média brasileira (Tabelas 3, 7 e 8). Além disso, demonstramos qual a proporção de pessoas dentro de cada grupo socioeconômico que está na classe média em 2012 e que estava na classe média em 2002, bem como a expansão líquida da classe média, isto é, o quanto ela cresceu, dentro de cada grupo (Tabelas 4 e 9)4. Para se ter ideia mais geral do que aconteceu no Brasil, apresentamos também o tamanho das classes baixa e alta para os anos de 2002 (Tabelas 5 e 10) e 2012 (Tabelas 6 e 11). Optamos, contudo, por focar a atenção aos movimentos da classe média. Igualdade racial na classe média Na Tabela 3, coluna “Contribuição à expansão“, podemos ver a proporção de negros e brancos entre os novos entrantes, de 75% e 25%, respectivamente. Isso quer dizer que, de cada 100 pessoas que entraram na classe média, 75 eram negras e 25, brancas. A entrada maciça de negros na classe média fez com que a participação desse grupo na classe média brasileira subisse de 38%, em 2002, para 51%, em 2012. 4 Nos casos em que houve retração da classe média, o valor da expansão aparecerá com sinal negativo. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 23
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    Tabela 3: Contribuiçãodos gruposgrupos socioeconômicos no Brasil e para a Tabela 3: Contribuição dos socioeconômicos no Brasil e para a formação e expansão formação e expansão da classe média da classe média (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão da Grupo classe média Brasil Classe Média (2002-2012) Brasil Classe Média Cor Brancos e amarelos 54 62 25 48 49 Negros 46 38 75 52 51 Região Norte 6 5 8 7 6 Nordeste 29 17 34 29 23 Sudeste 43 52 36 42 46 Sul 15 19 12 15 16 Centro-Oeste 7 7 11 8 9 Área Urbana 84 91 86 86 89 Rural 16 9 14 14 11 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 66 59 64 49 51 Fundamental completo 9 11 8 11 13 Ensino médio completo ou incompleto 17 23 23 28 30 Alguma educação superior 8 6 5 12 7 População em idade ativa Ocupados 55 59 56 56 58 Desempregados 6 5 1 4 3 Inativos 39 36 43 40 39 População ocupada Formalização Formal 44 52 69 56 58 Informal 56 48 31 44 42 Setor de atividaddes Agrícola 21 12 11 15 12 Outras atividades industriais 1 1 1 1 1 Indústria de transformação 14 17 10 13 14 Construção 7 7 14 9 10 Comércio e reparação 17 20 19 18 19 Alojamento e alimentação 4 4 8 5 6 Transporte, armazenagem e comunicação 5 6 6 6 6 Administração pública 5 5 3 6 5 Educação, saúde e serviços sociais 9 10 4 9 8 Serviços domésticos 7 7 11 7 8 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 4 4 3 4 4 Outras atividades 7 7 9 9 8 Atividades maldefinidas 0 0 0 0 0 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 24 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Já a Tabela4 revela a proporção de negros pertencentes à classe média. Em 2002, apenas 31% dos negros pertenciam a essa classe, enquanto que no Brasil como um todo – somando negros e brancos – a proporção de pessoas que pertenciam à classe média era de 38%. Em 2012, a proporção de negros pertencentes à classe média subiu para 52%, valor igual à proporção total de pessoas (negras e brancas) que pertencem a essa classe no Brasil. Tabela 4: Tamanho e expansão damédia nos diferentes grupos socieconômicos Tabela 4: Tamanho e expansão da classe classe média nos diferentes grupos socieconômicos (%) (p.p.) (%) 2002 2012 Expansão líquida Grupo da classe média Classe Média (2002-2012) Classe Média Brasil 38 14 52 Cor Brancos e amarelos 44 8 53 Negros 31 21 52 Região Norte 31 17 48 Nordeste 22 20 42 Sudeste 46 11 57 Sul 49 9 58 Centro-Oeste 40 17 57 Área Urbana 42 12 54 Rural 21 21 42 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 34 19 54 Fundamental completo 49 10 59 Ensino médio completo ou incompleto 53 4 57 Alguma educação superior 27 2 30 População em idade ativa 41 12 53 Ocupados 44 11 55 Desempregados 33 12 44 Inativos 38 13 51 População ocupada Formalização Formal 51 6 57 Informal 38 15 52 Setor de atividaddes Agrícola 25 20 45 Outras atividades industriais 41 7 49 Indústria de transformação 54 9 62 Construção 45 17 62 Comércio e reparação 50 9 59 Alojamento e alimentação 50 13 63 Transporte, armazenagem e comunicação 53 6 58 Administração pública 47 -2 45 Educação, saúde e serviços sociais 47 -1 46 Serviços domésticos 42 23 65 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 48 5 53 Outras atividades 44 4 48 Atividades maldefinidas 31 24 55 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 25
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    Diminuem as desigualdadesregionais Como se pode ver pela Tabela 3, a região que mais colocou novas pessoas na classe média foi a Sudeste (36% dos entrantes), seguida da Nordeste (34%) e Sul (12%). No entanto, isso não significa que o crescimento da classe média nessas regiões tenha sido mais expressivo. Muito do peso entre os entrantes deve-se simplesmente ao fato de que essas regiões são as que abrigam um maior contingente da população brasileira como um todo (o que pode ser visto tanto na coluna “2002-Brasil”, como na coluna “2012-Brasil”), naturalmente abrigando também boa parte dos entrantes à classe média. A participação de um dado grupo entre os entrantes só pode ser considerada especialmente expressiva, se for superior à proporção que esse grupo representa no Brasil como um todo. No caso do Sudeste, a sua participação no Brasil em 2002 era de 43% da população (isto é, 43% dos brasileiros viviam nessa região naquele ano). Assim sendo, era de se esperar que um movimento de expansão da classe média no Brasil incluísse uma grande parte de brasileiros que vivem na região Sudeste. Já no caso no Nordeste, a proporção de brasileiros que viviam nessa região em 2002 era de 29%, enquanto que, entre os que entraram na classe média entre 2002 e 2012, 34% viviam na região. Aqui, sim, a participação do Nordeste entre os novos membros da classe média pode ser considerada expressiva. O mesmo contraste ocorre em relação ao Sul e ao Centro-Oeste. No caso do Sul, que abrigava 15% dos brasileiros em 2012, a participação entre os entrantes se restringiu a 12%. Ao passo que no Centro-Oeste, que abrigava 7% dos brasileiros em 2002, a participação de 11% entre os entrantes deve ser considerada muito mais expressiva. A participação da região Norte entre os entrantes, mesmo sendo a menor das cinco regiões (8%), deve ser também considerada expressiva, dada a proporção de brasileiros que viviam na região em 2002, de apenas 6% do total. Uma outra forma, mais fácil, de ver a importância da expansão da classe média nas diferentes regiões é olhar para o quanto a classe média cresceu dentro de cada região. Esse crescimento pode ser visto na coluna “Expansão líquida” da Tabela 4, que corresponde à diferença entre a proporção de pessoas dentro de cada região que pertencem à classe média em 2012 e a proporção de pessoas dentro de cada região que pertenciam a essa classe em 2002. 26 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Como se podever, a região Nordeste foi aquela que apresentou maior expansão de sua classe média (20 pontos percentuais), seguida das regiões Norte, Centro-Oeste (ambas com 17 pontos percentuais), Sudeste e Sul (com expansão de 11 e 9 pontos percentuais respectivamente). O aumento da classe média no Nordeste fez com que a proporção de pessoas nessa classe, nessa região, passasse de 22%, em 2002, para 42%, em 2012. No entanto, apesar da expressiva expansão da classe média no Nordeste, essa região é a que tem a menor proporção da população na classe média: apenas 42% dos nordestinos brasileiros pertencem à classe média, enquanto que, no Brasil como um todo, 52% pertencem a essa classe. A expansão de 17 pontos percentuais da classe média na região Norte fez com que a proporção de pessoas nessa classe subisse de 31%, em 2002, para 48%, em 2012. Ainda aquém da proporção total de brasileiros na classe média, mas já bem mais próxima desse número. Se em 2002 a distância em relação à proporção de brasileiros vivendo na classe média era na região Nordeste de 16 pontos percentuais (38% - 22% = 16 p.p.) e na região Norte de 7 pontos percentuais (38% - 31% = 7 p.p.), em 2002, a distância em relação ao Brasil cai para 10 pontos percentuais no Nordeste (52% - 42% = 10 p.p.) e para 4 pontos percentuais no Norte (52% - 48% = 4 p.p.). Nas demais regiões, a proporção de pessoas que pertencem à classe média é superior à proporção da população brasileira como um todo pertencente à classe média. Destaque para a região Centro-Oeste que, com uma expansão líquida de 17 pontos percentuais, viu sua classe média crescer de 40%, em 2002, para 57%, em 2012, igualando-se à região Sudeste (que também possui 57% de sua população na classe média), e aproximando-se da região Sul (que possui 58% de seus habitantes nessa classe). O desempenho da região Centro-Oeste é ainda mais impressionante quando se considera a distância que ela estava das regiões Sudeste e Sul em 2002. Diminuição das desigualdades urbano/rural Dado o elevado contingente de brasileiros vivendo em área urbana (84% da população em 2002 e 86% em 2012), é natural que a maior parte da classe média também se concentre nessa área. No entanto, é possível saber se a desigualdade urbano/rural está diminuindo ou não, olhando para a expansão da classe média dentro de cada uma dessas áreas. A Tabela 4 indica um expressivo aumento da classe média no meio rural: em 2002, apenas 21% das pessoas que aí viviam pertenciam à classe média; em 2012, já são 42% dos brasileiros Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 27
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    vivendo na árearural que pertencem a essa classe. Esses dados são bastante animadores, sinalizando uma ruptura da relação histórica entre área rural e pobreza. Os bons resultados da área rural podem também ser vistos nas Tabelas 5 e 6: a proporção de pessoas na área rural que pertenciam à classe baixa, média e alta em 2002 eram, respectivamente, de 77%, 21% e 2%, e, em 2012, correspondem a 52%, 42% e 6%. Classe média e nível educacional Sem dúvida, a melhora de renda no Brasil atingiu pessoas de todos os níveis educacionais. Como se pode ver na Tabela 4, o contingente de pessoas com ensino fundamental incompleto ou sem escolaridade que pertenciam à classe média era, em 2002, inferior ao contingente de brasileiros que pertenciam à classe média naquele ano (34% contra 38%). Já em 2012, após uma expansão líquida de 19 pontos percentuais, o contingente de pessoas com esse nível educacional que pertencem à classe média chega a 54%, acima da proporção de brasileiros que pertencem a essa classe (52% do total)5. Os grupos de nível educacional que tiveram menor expansão líquida de suas classes médias referem-se ao do ensino médio e do ensino superior. Isso se deve, contudo, a fatores distintos. No caso do ensino médio completo ou incompleto, grande parte dessa população já pertencia à classe média em 2002 (53%). No caso do ensino superior, a maior parte das pessoas pertence à classe alta e não à classe média. A classe média e o mercado de trabalho De cada 100 trabalhadores que entraram na classe média, 69% ocupavam postos formais, o que elevou a contribuição dos trabalhadores formais para a classe média de 52%, em 2002, para 58%, em 2012 (Tabela 3). Já a proporção dos trabalhadores formais que pertencem à classe média passou de 51%, em 2002, para 57%, em 2012, enquanto que, dentre a população em idade ativa no Brasil, o contingente que pertencia à classe média representava apenas 41%, em 2002 e, em 2012, representava 53% (Tabela 4). Isso revela uma forte representação da classe média entre os trabalhadores formais. Há que se ressaltar, também, que não foram apenas os trabalhadores formais que se beneficiaram do crescimento recente do país. Em 2002, 38% dos trabalhadores informais pertenciam à classe média e, após uma expansão líquida de 15 pontos percentuais, 52% dos trabalhadores informais já pertencem a essa classe. 5 As diferenças entre 2002 e 2012 não são exatas em função de arredondamentos. 28 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    A classe médiae os setores de atividade econômica Como se pode ver na Tabela 3, os setores que mais contribuíram para a expansão da classe média foram o de comércio e o de serviços que, somados, chegam a 36% do total dos entrantes da classe média, seguidos do setor industrial (incluindo a indústria da construção), que abrangeu 25% dos entrantes. Em sequência, vêm os setores agrícolas e de serviços domésticos, ambos representando 11% dos novos entrantes. Já na Tabela 4, é possível verificar em que setores a proporção de pessoas que pertencem à classe média cresceu. Embora o setor de serviços domésticos tenha contribuído menos para a composição da classe média como um todo (11%, como afirmado no parágrafo anterior), foi nesse setor que o número de pessoas que pertencem à classe média mais cresceu: após uma expansão líquida de 23 pontos percentuais, a proporção de trabalhadores domésticos que pertencem a essa classe subiu de 42%, em 2002, para 65%, em 2012. Dentre as diversas atividades que compõem o segmento industrial, o que mais viu sua parcela correspondente à classe média crescer foi o da construção que, após expansão líquida de 17 pontos percentuais, elevou a proporção desses trabalhadores pertencentes à classe média de 45%, em 2002, para 62%, em 2012. Destaque também há de ser feito para o setor agrícola, que demonstrou seu dinamismo ao conseguir elevar o contingente de trabalhadores do setor pertencentes à classe média de 25%, em 2002, para 45%, em 2002: uma expansão líquida de 20 pontos percentuais, uma das maiores dentre os diversos setores de atividades econômicas. Esse resultado se mostra coerente com a expansão da classe média dentre os habitantes da área rural. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 29
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    Tabela 5: Distribuiçãopor classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2002 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2002 Tabela 5: Distribuição (%) Classe Grupo Baixa Média Alta Brasil 48 38 13 Cor Brancos e amarelos 35 44 20 Negros 63 31 6 Região Norte 61 31 8 Nordeste 73 22 5 Sudeste 36 46 18 Sul 35 49 16 Centro-Oeste 45 40 16 Área Urbana 43 42 15 Rural 77 21 2 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 61 34 4 Fundamental completo 39 49 12 Ensino médio completo ou incompleto 24 53 23 Alguma educação superior 3 27 70 População em idade ativa 44 41 15 Ocupados 39 44 17 Desempregados 60 33 7 Inativos 49 38 13 População ocupada 39 44 17 Formalização Formal 23 51 26 Informal 52 38 10 Setor de atividaddes Agrícola 71 25 3 Outras atividades industriais 33 41 26 Indústria de transformação 29 54 17 Construção 47 45 8 Comércio e reparação 31 50 19 Alojamento e alimentação 36 50 14 Transporte, armazenagem e comunicação 26 53 21 Administração pública 20 47 33 Educação, saúde e serviços sociais 17 47 35 Serviços domésticos 55 42 3 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 31 48 21 Outras atividades 16 44 39 Atividades maldefinidas 61 31 8 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 30 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Tabela 6: Distribuiçãopor classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2012 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2012 Tabela 6: Distribuição (%) Classe Grupo Baixa Média Alta Brasil 28 52 20 Cor Brancos e amarelos 19 53 29 Negros 36 52 12 Região Norte 39 48 13 Nordeste 49 42 9 Sudeste 18 57 25 Sul 15 58 28 Centro-Oeste 19 57 24 Área Urbana 24 54 22 Rural 52 42 6 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 38 54 8 Fundamental completo 26 59 15 Ensino médio completo ou incompleto 20 57 23 Alguma educação superior 5 30 65 População em idade ativa 25 53 22 Ocupados 18 55 27 Desempregados 47 44 9 Inativos 33 51 17 População ocupada 18 55 27 Formalização Formal 9 57 34 Informal 29 52 19 Setor de atividaddes Agrícola 46 45 9 Outras atividades industriais 10 49 41 Indústria de transformação 11 62 27 Construção 22 62 16 Comércio e reparação 13 59 27 Alojamento e alimentação 16 63 21 Transporte, armazenagem e comunicação 12 58 30 Administração pública 9 45 46 Educação, saúde e serviços sociais 6 46 48 Serviços domésticos 26 65 9 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 12 53 35 Outras atividades 7 48 46 Atividades maldefinidas 30 55 15 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 31
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    A classe médianos estados brasileiros Apresentamos, nas Tabelas 7 a 11, um resumo da evolução da classe média nas diferentes regiões e estados do Brasil. A Tabela 7 apresenta o peso de cada estado na composição total do Brasil, na composição da classe média, para os anos de 2002 e 2012, bem como a contribuição de cada estado para os entrantes da classe média brasileira. A Tabela 8 apresenta os mesmos números, mas com relação a cada região. Dessa maneira, é possível observar o peso de cada estado para a composição da sua região, para a classe média da sua região, bem como a sua contribuição para o total de entrantes na classe média da sua região. A Tabela 9 apresenta o tamanho da classe média em 2002 e 2012, bem como a expansão dessa classe em cada um dos estados brasileiros. Finalmente, as Tabelas 10 e 11 apresentam o tamanho das três classes em cada estado e região brasileira, para os anos de 2002 e 2012 respectivamente. Como se pode ver na coluna “Expansão líquida” da Tabela 9, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tiveram expansão líquida da classe média superior à média brasileira. 32 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Tabela 7: Contribuiçãodos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão da Localidade classe média Brasil Classe Média (2002-2012) Brasil Classe Média Norte 6 5 8 7 6 Acre 0,2 0,2 0,5 0,3 0,3 Amapá 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3 Amazonas 1,4 1,1 1,5 1,4 1,3 Pará 2,6 2,1 3,6 2,9 2,6 Rondônia 0,6 0,6 0,8 0,6 0,7 Roraima 0,2 0,1 0,4 0,2 0,2 Tocantins 0,7 0,5 1,2 0,8 0,7 Nordeste 29 17 34 29 23 Alagoas 1,7 0,8 1,9 1,7 1,2 Bahia 7,8 4,6 9,0 7,3 6,2 Ceará 4,5 2,5 6,4 4,7 3,9 Maranhão 3,5 1,7 3,7 3,6 2,4 Paraíba 2,1 1,2 2,7 2,1 1,7 Pernambuco 4,6 2,7 5,9 4,5 3,8 Piauí 1,7 1,0 2,3 1,7 1,4 Rio Grande do Norte 1,7 1,2 2,0 1,8 1,4 Sergipe 1,1 0,8 1,3 1,2 1,0 Sudeste 43 52 36 42 46 Espírito Santo 1,9 1,8 2,4 1,9 2,0 Minas Gerais 10,7 11,0 12,8 10,5 11,6 Rio de Janeiro 8,5 10,8 3,3 7,9 8,2 São Paulo 22,0 28,2 16,0 21,6 24,0 Sul 15 19 12 15 16 Paraná 5,7 6,9 5,5 5,7 6,4 Rio Grande do Sul 6,0 7,5 3,9 5,7 6,3 Santa Catarina 3,3 4,9 1,5 3,4 3,7 Centro-Oeste 7 7 11 8 9 Distrito Federal 1,3 1,2 1,4 1,4 1,3 Goiás 3,1 3,3 4,9 3,4 3,9 Mato Grosso 1,6 1,6 2,7 1,7 1,9 Mato Grosso do Sul 1,3 1,4 1,9 1,4 1,6 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 33
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    Tabela 8: Contribuiçãodos estados para as suas regiões e para a formação e expansão da classe média em sua respectiva região Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação e expansão da classe média em sua respectiva região (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão da Localidade classe média Região Classe Média (2002-2012) Região Classe Média Norte Acre 4 4 6 5 5 Amapá 5 5 4 5 4 Amazonas 23 23 18 21 21 Pará 44 43 43 44 43 Rondônia 10 13 9 9 11 Roraima 3 2 5 3 3 Tocantins 12 10 15 12 12 Nordeste Alagoas 6 5 5 6 5 Bahia 27 28 26 26 27 Ceará 16 15 18 17 17 Maranhão 12 10 11 13 11 Paraíba 7 7 8 7 8 Pernambuco 16 16 17 16 17 Piauí 6 6 7 6 6 Rio Grande do Norte 6 7 6 6 6 Sergipe 4 5 4 4 4 Sudeste Espírito Santo 4 4 7 4 4 Minas Gerais 25 21 37 25 25 Rio de Janeiro 20 21 10 19 18 São Paulo 51 54 46 52 52 Sul Paraná 38 36 50 38 39 Rio Grande do Sul 40 39 36 39 38 Santa Catarina 22 25 14 23 23 Centro-Oeste Distrito Federal 18 16 13 18 15 Goiás 43 45 45 43 45 Mato Grosso 22 21 25 22 22 Mato Grosso do Sul 18 18 18 18 18 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 34 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Tabela 9: Tamanhoe expansão da classe média nos diferentes estados e regiões do Brasil Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados e regiões do Brasil (%) (p.p.) (%) 2002 Expansão líquida 2012 Localidade da classe média Classe Média (2002-2012) Classe Média Brasil 38 14 52 Norte 31 17 48 Acre 32 15 48 Amapá 31 11 42 Amazonas 32 15 47 Pará 31 16 47 Rondônia 42 15 56 Roraima 28 22 50 Tocantins 25 24 49 Nordeste 22 20 42 Alagoas 18 20 37 Bahia 23 21 44 Ceará 22 21 43 Maranhão 19 16 35 Paraíba 23 21 44 Pernambuco 23 22 44 Piauí 21 21 43 Rio Grande do Norte 26 16 42 Sergipe 28 16 44 Sudeste 46 11 57 Espírito Santo 37 20 57 Minas Gerais 39 18 58 Rio de Janeiro 49 6 55 São Paulo 49 9 58 Sul 49 9 58 Paraná 46 13 59 Rio Grande do Sul 48 9 57 Santa Catarina 56 0 57 Centro-Oeste 40 17 57 Distrito Federal 36 11 47 Goiás 41 18 60 Mato Grosso 38 21 59 Mato Grosso do Sul 41 18 58 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 35
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    Dos estados quecompõem a região Norte, apenas o Amapá apresentou expansão líquida da classe média (11 pontos percentuais) abaixo da média brasileira (14 pontos percentuais). Os maiores destaques ficaram para os estados de Roraima (22 pontos percentuais) e Tocantins (24 pontos percentuais), que eram justamente aqueles que possuíam as menores classes médias da região em 2002: em Roraima, apenas 28 % da população pertenciam à classe média; no Tocantins, a proporção de pessoas vivendo nessa classe era de 25 %. Após a expansão, esses dois estados passaram a ter uma classe média de, respectivamente, 50 % e 49 % da população estadual, ultrapassando todos os demais estados da região, com exceção de Rondônia. Como já mencionado, a região Nordeste foi a que apresentou a maior expansão líquida da classe média no país (20 pontos percentuais). Além disso, todos os seus estados apresentaram expansão acima da média brasileira. Como os estados dessa região eram os que tinham os menores tamanhos de classe média no ano de 2002, a expressiva expansão dessa classe contribuiu para a diminuição das disparidades regionais no Brasil. Na região Sudeste, os estados que mais viram suas classes médias crescerem foram os do Espírito Santo (20 pontos percentuais) e Minas Gerais (18 pontos percentuais), que eram aqueles que tinham a menor proporção de pessoas vivendo nessa classe em 2002. A classe média nesses estados cresceu acima da média do Brasil, mas como a expansão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo cresceram bem abaixo da média para o Brasil, a expansão média da região ficou bem abaixo da média brasileira. Mas atenção, isso não quer dizer que esses estados apresentaram piora na sua situação econômica. Ocorre que ambos já detinham uma classe média muito expressiva em 2002, além de terem apresentado expansão de sua classe alta. Movimento semelhante ocorre na região Sul, em que o estado que mais viu sua classe média crescer (Paraná, com expansão líquida de 13 pontos percentuais) foi o que tinha a menor classe média em 2002. Agora, é o estado que apresenta a maior classe média da região. Mas, novamente, isso não quer dizer que esteja em melhor situação que os demais estados. Em Santa Catarina, por exemplo, o contingente de pessoas que saíram da classe baixa e entraram na classe média foi semelhante ao das que saíram da classe média para a classe alta, fazendo com que esse estado não apresentasse expansão líquida da classe média, mas que as suas classes baixa e alta passassem de 27 % e 16 %, em 2002, para 11 % e 32 %, em 2012, respectivamente (Tabelas 10 e 11). Na região Centro-Oeste, com exceção do DF todos os estados apresentaram expansão , líquida da classe média acima do Brasil. O maior destaque ficou para o estado do Mato Grosso, que com expansão de 21 pontos percentuais viu sua classe média crescer de 38 %, em 36 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    2002, para 59%,em 2012. Os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram desempenho bastante semelhantes.6 De novo, esses resultados não indicam piora do Distrito Federal, que viu sua classe baixa cair de 34%, em 2002, para 16%, em 2012, e sua classe alta subir de 30% para 37% entre os mesmos anos (Tabelas 10 e 11). Tabela 10: TamanhoTamanho das classes nos diferentes regiões do Brasil, 2002 Tabela 10: das classes nos diferentes estados e estados e regiões do Brasil, 2002 (%) Classe Localidade Baixa Média Alta Brasil 48 38 13 Norte 61 31 8 Acre 55 32 13 Amapá 60 31 9 Amazonas 61 32 7 Pará 61 31 8 Rondônia 47 42 12 Roraima 64 28 8 Tocantins 69 25 6 Nordeste 73 22 5 Alagoas 79 18 4 Bahia 72 23 5 Ceará 73 22 6 Maranhão 78 19 3 Paraíba 72 23 6 Pernambuco 71 23 7 Piauí 74 21 4 Rio Grande do Norte 67 26 7 Sergipe 65 28 7 Sudeste 36 46 18 Espírito Santo 49 37 14 Minas Gerais 49 39 11 Rio de Janeiro 32 49 19 São Paulo 30 49 21 Sul 35 49 16 Paraná 39 46 15 Rio Grande do Sul 35 48 17 Santa Catarina 27 56 16 Centro-Oeste 45 40 16 Distrito Federal 34 36 30 Goiás 47 41 12 Mato Grosso 48 38 13 Mato Grosso do Sul 46 41 14 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 6 Na Tabela 9, os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul partem de classe média de mesmo tamanho, apresen- tam a mesma expansão líquida, mas têm resultados finais, em 2012, diferentes. Isso ocorre tão somente em função dos arredondamentos para cima e para baixo. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 37
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    Tabela 11: Tamanhodas classes nos diferentes estados e regiões do Brasil, 2012 Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil, 2012 (%) Classe Localidade Baixa Média Alta Brasil 28 52 20 Norte 39 48 13 Acre 38 48 14 Amapá 44 42 14 Amazonas 41 47 12 Pará 42 47 11 Rondônia 23 56 20 Roraima 29 50 22 Tocantins 38 49 14 Nordeste 49 42 9 Alagoas 57 37 6 Bahia 46 44 10 Ceará 48 43 9 Maranhão 59 35 6 Paraíba 45 44 11 Pernambuco 47 44 8 Piauí 50 43 7 Rio Grande do Norte 45 42 13 Sergipe 44 44 12 Sudeste 18 57 25 Espírito Santo 22 57 22 Minas Gerais 24 58 18 Rio de Janeiro 21 55 24 São Paulo 14 58 28 Sul 15 58 28 Paraná 15 59 26 Rio Grande do Sul 17 57 26 Santa Catarina 11 57 32 Centro-Oeste 19 57 24 Distrito Federal 16 47 37 Goiás 20 60 20 Mato Grosso 19 59 22 Mato Grosso do Sul 19 58 23 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 38 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Balanço geral A seguir,apresentamos uma série de gráficos que revelam a diminuição das desigualdades no Brasil pela ótica dos movimentos de expansão da classe média. Nos Gráficos 4, 5 e 6 apresentamos o contraste do tamanho da classe média em 2002 com o seu tamanho em 2012. A reta de 45o que divide os gráficos ao meio indica os pontos em que o tamanho da classe média em 2002 é igual ao tamanho dessa classe em 2012. Dessa forma, todos os pontos que estão acima dessa reta indicam que o tamanho da classe média em 2012 é superior ao tamanho da classe média em 2002. E quanto mais distante da reta estiver o ponto, maior foi o crescimento da classe média. A distância entre o ponto e a reta de 45o corresponde exatamente à expansão líquida apresentada nas Tabelas 4 e 6. Como se pode ver no Gráfico 4, os maiores destaques ficaram para os grupos que representam a população negra, a área rural, as pessoas com nível fundamental incompleto ou sem escolaridade e os ocupados informais. Pode-se ver, também, que esses eram os grupos que tinham menor tamanho da classe média em 2002. A maior expansão da classe média nesses grupos aproximou-os dos demais e da média brasileira, diminuindo as desigualdades socioeconômicas no Brasil. Convém ressaltar a exceção do grupo de pessoas com nível superior, que apresenta reduzida classe média em 2002 e também em 2012. Como referido anteriormente, isso ocorre em função de uma maior concentração da classe alta nesse grupo. Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média brasileira brasileira nos diferentes grupos socioeconômicos, 2012 e 2012 nos diferentes grupos socioeconômicos, 2002 e 2002 65 60 Fundamental completo Ensino médio completo Fundamental incompleto ou ou incompleto Tamanho da classe média em 2012 (%) sem escolaridade Classe média Área urbana Ocupados 55 brasileira formais Brancos Negros Ocupados e amarelos 50 informais 45 40 Área rural 35 Alguma educação 30 superior 25 20 45° 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Tamanho da classe média em 2002 (%) Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 39
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    O Gráfico 5apresenta os resultados referentes aos diferentes setores de atividade econômica. Os destaques ficaram para o setor agrícola e atividades mal definidas, que também apresentavam em 2002 tamanho da classe média inferior às demais. As grandes exceções ficam para os setores da administração pública e de educação, saúde e serviços sociais, que em 2012 exibem classes médias de tamanho inferior ao de 2002. Essa retração na classe média, porém, não significa uma piora no tempo: na administração pública o tamanho da classe baixa caiu de 20 % para 9% enquanto que o da classe alta subiu de 33 % para 46 %; no setor de educação, saúde e serviços sociais a classe baixa caiu de 17 % para 6 %, ao passo que a classe alta subiu de 35 % para 48% (Tabelas 5 e 6). Gráfico 5: Comparaçãoentre o tamanho da classe média brasileira por Gráfico 5: Comparação entre o tamanho da classe média brasileira por setor de atividade econômica, 2002 e 2012 2012 setor de atividade econômica, 2002 e 70 Serviços domésticos Alojamento e 65 alimentação Indústria de transformação Tamanho da classe média em 2012 (%) 60 Construção Comércio e Transporte, armazenagem e Atividades maldefinidas reparação comunicação Classe média 55 brasileira Outros serviços coletivos, 50 sociais e pessoais Outras atividades Outras atividades Educação, saúde e serviços 45 industriais sociais Agrícola Administração pública 40 35 30 25 45° 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 Tamanho da classe média em 2002 (%) Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). O Gráfico 6 apresenta os resultados dos estados e regiões brasileiras. Como mencionado, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste foram as que tiveram maior crescimento da classe média, sendo, ainda, as que apresentavam, em 2002, os menores tamanhos dessa classe. 40 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Gráfico 6: Comparaçãoentre o tamanho da classe média por estado e6: Comparação entre2002 e 2012 classe média por estado e Gráfico região do Brasil, o tamanho da região do Brasil, 2002 e 2012 64 62 GO 60 MT PR Sul 58 MG MS 56 SudesteRS SP ES Centro-Oeste RO SC Tamanho da classe média em 2012 (%) 54 RJ 52 Brasil 50 RR TO Norte 48 PA AC 46 DF PE SE AM 44 PI PB 42 BA AP CE 40 Nordeste RN 38 36 34 32 30 28 26 24 22 20 45° 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58 60 62 64 Tamanho da classe média em 2002 (%) Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Para melhor visualização do que ocorreu nos estados brasileiros, que são muito numerosos, construímos o Gráfico 7, que demonstra a expansão líquida da classe média em contraste com o seu tamanho em 2002. Como se pode ver pela linha de tendência, quanto menor era o tamanho da classe média em 2002, maior foi a expansão dessa classe entre os anos de 2002 e 2012. Gráfico 7: Expansão líquida e tamanho da classe média dentro Gráfico 7: Expansão líquida e tamanho da classe média dentro de de cada estado ecada estado Brasil do Brasil região do e região 24 TO Expansão líquida da classe média entre 2002 e 2012 22 PI PE RR MT 20 CE BA PB ES Nordeste MG GO 18 Norte MS SE PA Centro-Oeste 16 RN AC AM RO 14 Brasil 12 PR Sudeste 10 AP DF RS Sul 8 SP 6 RJ 4 2 0 SC 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58 60 Tamanho da classe média em 2002 (%) Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 41
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    Em suma, demaneira geral os grupos socioeconômicos que mais cresceram na classe média foram aqueles que tinham menor representação nesse segmento em 2002. Assim, em 2012, temos uma classe média mais equilibrada, com maior representatividade de cada um dos diferentes grupos socioeconômicos brasileiros e, portanto, quase tão heterogênea quanto o Brasil. Uma maneira mais direta de observar a crescente heterogeneidade na classe média e, consequentemente, a crescente igualdade entre os diversos grupos socioeconômicos que compõem o país, é por meio do chamado índice de dissimilaridade. Quanto mais perto de zero o valor do índice, mais igualitário é aquele grupo. Apresentamos também a sua variação percentual entre os anos de 2002 e 2012. O sinal negativo indica queda, o positivo, aumento. Nas Tabela 12 apresentamos a evolução do índice de dissimilaridade na classe média dos diversos grupos entre os anos de 2002 e 2012. Como se pode ver, em todos eles o índice diminui de valor, aproximando-se de zero. O grupo que mais conseguiu alcançar igualdade interna na classe média foi aquele correspondente a cor, caso em que o índice de dissimilaridade caiu 94% em 10 anos. Em seguida, as maiores evoluções se deram na diminuição da dicotomia formal/informal e urbano/rural (com quedas respectivas de 71% e 61% nos índices de dissimilaridade). As desigualdades na classe média entre as regiões brasileiras também diminuíram bastante, com queda de 53% na dissimilaridade. Tabela 12: Índice de dissimilaridade na classe média, por grupo Tabela 12: Índice de dissimilaridade na classe média, por grupo socioeconômico no Brasil socioeconômico no Brasil Índice de Dissimilaridade Variação Grupo percentual 2002 2012 (2002-2012) Cor 8,6 0,5 -94% Região 13,2 6,1 -53% Área 7,2 2,8 -61% Nível educacional do chefe 9,0 5,1 -43% População em idade ativa (Ocupados/Desempregados/Inativ 3,9 2,3 -39% Formais/Informais 7,8 2,3 -71% Setor de atividaddes 9,1 6,5 -29% Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 42 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Na Tabela 13apresentamos o índice de dissimilaridade na classe média para cada região. Assim, podemos ver se a desigualdade no interior da classe média entre os estados dentro de cada região diminuiu entre os anos de 2002 e 2012. Com exceção da região Centro- Oeste, em todas as regiões o índice de dissimilaridade na classe média apresentou queda, em especial, nas regiões Sudeste, Sul (80% e 81%). Dessa forma, se o crescimento médio da classe média nessas regiões não foi muito expressivo (como se pôde ver na Tabela 4), o crescimento substancialmente maior nos estados em que a classe média era menor em 2002 contribuiu para que a classe média dessas regiões se tornassem as mais igualitárias. A desigualdade também diminuiu nas regiões Norte (42%) e Nordeste (21%), mas como houve muita variação na expansão da classe média entre os estados dessas regiões (uns expandiram consideravelmente mais do que outros), bem como estados que já tinham um tamanho da classe média em 2002 relativamente maior também apresentaram expansão expressiva dessa classe, a redução na dissimilaridade foi mais limitada. Tabela 13: Índice Índice de dissimilaridade na classe média, por Tabela 13: de dissimilaridade na classe média, por região em relação aos seus região em relação aos seus respectivos estados respectivos estados Índice de Dissimilaridade Variação Grupo percentual 2002 2012 (2002-2012) Norte 3,4 2,0 -42% Nordeste 3,5 2,8 -21% Sudeste 4,5 0,9 -80% Sul 3,4 0,7 -81% Centro-Oeste 2,3 3,2 42% Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Finalmente, não apenas a classe média se tornou mais igualitária – com maior representatividade dos diversos grupos e estados – entre os anos de 2002 e 2012, ela também é a classe de renda que apresenta maior igualdade dentre as três (baixa, média e alta). Nas Tabelas 14 e 15 apresentamos o índice de dissimilaridade para as três classes. Como se pode ver, tanto em relação a todos os diferentes grupos analisados (Tabela 14), como em relação à igualdade entre os estados dentro de cada região (Tabela 15), a classe média é a que apresenta sempre o menor valor do índice de dissimilaridade. Portanto, se tivéssemos que escolher uma classe para representar a grande heterogeneidade brasileira, a resposta seria, sem dúvida, a classe média. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 43
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    Tabela 14: ÍndiceÍndice de dissimilaridade nas 3 classes de Tabela 14: de dissimilaridade nas 3 classes de renda, por grupo socioeconômico no grupo socioeconômico no Brasil, 2012 renda, por Brasil, 2012 Índice de Dissimilaridade Grupo Classe Classe Classe Baixa Média Alta Cor 16,0 0,5 21,1 Região 24,3 6,1 18,0 Área 11,8 2,8 9,3 Nível educacional do chefe 18,2 5,1 31,5 População em idade ativa (Ocupados/Desempregados/Inativo 15,8 2,3 12,3 Formais/Informais 27,5 2,3 13,5 Setor de atividaddes 27,8 6,5 19,1 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Tabela 15: Índice de dissimilaridade nas 3 classesnas 3 classes de em Tabela 15: Índice de dissimilaridade de renda, por região relação aos seus respectivos estados, 2012 seus respectivos renda, por região em relação aos Índice de Dissimilaridade Grupo Classe Classe Classe Baixa Média Alta Norte 5,0 2,0 7,8 Nordeste 3,7 2,8 8,6 Sudeste 12,5 0,9 7,4 Sul 6,2 0,7 3,9 Centro-Oeste 2,6 3,2 9,5 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 44 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    4. Diversidade Sobre ograu de tolerância e respeito à diversidade O quanto uma pessoa aceita valores e comportamentos diferentes dos seus é algo que está no coração de um regime verdadeiramente democrático e de relações sociais mais positivas e construtivas. Nessa parte, entenderemos que tal tipo de abertura denota grau de tolerância ou respeito à diversidade. O grau de tolerância é algo que pode ser ensinado a crianças e adultos. Portanto, é maleável, além de fortemente relacionado ao ambiente socioeconômico e cultural. Por outro lado, pode ser também determinante para o sucesso socioeconômico de um indivíduo, no sentido de que é possível que pessoas mais abertas tenham melhores resultados no trabalho, tenham mais amigos, mais facilidade no relacionamento amoroso etc. Embora seja difícil estabelecer a direção dessa causalidade (se grau de tolerância afeta ou é afetado pelo ambiente socioeconômico), nesse estudo são apresentadas estimativas da incidência de tolerância por classe de renda. Para tanto, utiliza-se a pesquisa Data Popular – Tendências, coletada pelo Instituto Datapopular em 2012. Foram entrevistadas 5.182 pessoas, com 14 anos ou mais de idade, em todo território nacional, exceto as zonas rurais. São doze itens considerados, sendo que cada um é um questionamento ao entrevistado sobre “se ele gosta de pessoas com determinada característica” que pode ser alvo de preconceito ou discriminação. Para facilitar a análise, agrupamos tais características em três categorias: (a) inatas e básicas (inclui raça, religião e estado conjugal); (b) sexualidade (inclui orientação sexual, casamento entre pessoas com grande diferença de idade, vaidade entre homens e sensualidade de mulheres) e (c) ilegalidade questionada por parte da sociedade (uso de drogas e prática de aborto). A Tabela 16 apresenta o percentual que declarou “não gostar de pessoas com determinada característica” para cada uma das três classes de renda (alta, média e baixa). Considerou- se que um percentual inferior a 5% denota alta tolerância; entre 5% e 15%, média tolerância e superior a 15%, intolerância Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 47
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    Tabela 16: Graude intolerância medido pela porcentagem de entrevistados que não gostam de pessoas com as seguintes características Tabela 16: Grau de intolerância medido pela porcentagem de entrevistados que não gostam de pessoas com as seguintes características Grau de tolerância (%) Diferença no grau de tolerância entre classes Ordenação segundo o grau de tolerância Característica pessoal Média versus Baixa Média versus Alta Todas as Classe Baixa Classe Média Classe Alta Classe Baixa Classe Média Classe Alta Classes Diferença (p.p.) p-valor Diferença (p.p.) p-valor 48 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade Outra cor 1,7 2,6 1,6 0,9 -1,0 16 0,7 3 1 1 1 Outra religião 2,4 3,2 2,4 1,3 -0,8 33 1,1 1 2 2 2 Pessoas que não acreditam em Deus / Ateus 35,8 41,1 36,9 25,9 -4,2 6 11,0 0 11 11 10 Mulheres sensuais 8,1 10,7 8,1 4,9 -2,6 6 3,2 0 6 4 4 Mulheres casadas com homens bem mais jovens 9,5 11,7 8,6 8,6 -3,1 3 0,0 99 8 6 5 Homens casados com mulheres bem mais jovens 10,1 12,9 9,6 7,7 -3,3 3 1,8 4 7 5 6 Homossexuais 9,6 6,7 11,2 9,4 4,5 0 1,7 7 4 7 7 Homens vaidosos que usam cremes, se depilam etc. 11,2 9,9 11,3 12,4 1,4 31 -1,1 28 5 8 8 Pessoas que fizeram aborto 36,7 42,8 38,2 24,4 -4,6 4 13,7 0 10 10 11 Pessoas que já usaram drogas 18,0 22,9 16,3 15,8 -6,5 0 0,5 66 9 9 9 Pessoas que usam drogas atualmente 58,1 59,9 58,4 55,1 -1,5 51 3,2 4 12 12 12 Fonte: Estimativas produzidas com base da pesquisa Data Popular – Geral, coletada pelo Instituto Datapopular em 2012.
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    Análises Panorama geral: oque a sociedade não tolera? Conforme revela a Tabela 16, de uma maneira geral, a intolerância maior no Brasil está associada a comportamentos que são ilegais, embora tenham ilegalidade contestada por parte da sociedade. 58% dos respondentes declararam não gostar de pessoas que utilizam drogas e 37% não gostam de pessoas que fizeram aborto. Com relação a quem já usou drogas no passado (porém não usa mais no presente), a intolerância é de 18%. Para as demais características, apenas uma é também intolerável (superior a 15%): a falta de crença em Deus. 36% não gostam de pessoas descrentes. Há tolerância moderada no que tange à sexualidade. Os percentuais nesse grupo de características variam de 8% de intolerância com relação a mulheres sensuais a 11% contra homens que se dizem vaidosos (usam cremes, se depilam etc.). A maior aceitação parece ser com relação às características inatas ou básicas, como raça, ter religião diferente e mães solteiras (sempre abaixo de 3,5%). Intolerância e classe de renda Entre as doze características investigadas, dez têm aceitação crescente com a renda, isto é, a classe média declara ser mais tolerante que a classe baixa (para dez características), porém menos tolerante que a classe alta (para onze características). Em apenas um caso o grau de intolerância é maior na classe média que nas duas outras: o homossexualismo. Dependendo da característica, a classe média pode ter perfil mais próximo ao da classe baixa ou alta. Para analisar esse perfil, utilizamos apenas as distâncias nos percentuais de cada classe. No que é mais “intolerável” para a sociedade como um todo, que são os comportamentos ilegais ou a falta de crença em Deus, a classe média está mais próxima da classe baixa: é mais avessa! Contudo, para o que é moderadamente tolerado (sexualidade), o perfil da classe média é mais semelhante ao da classe alta (que é mais aberta), exceto pelo homossexualismo. Não só o grau de tolerância da classe média está mais próximo ao da classe baixa para o que é ilegal ou a descrença em Deus, mas também o ranking que a classe média faz das características mais toleradas desse bloco é idêntico ao da classe baixa e um pouco distinto do que pensa a classe alta. Por exemplo, as classes baixa e média toleram mais pessoas que fizeram aborto do que quem não acredita em Deus. Para a classe alta, é o contrário. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 49
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    Para o queé medianamente tolerado, a classe média se assemelha à classe alta por proximidade dos percentuais e também ranking das características. As classes média e alta aceitam menos a vaidade masculina e o homossexualismo do que a classe baixa. Por outro lado, são mais abertas para casamentos de pessoas com muita diferença de idade. É interessante dizer que para as características inatas e básicas, as quais são as mais toleradas, o grau de concordância entre as classes é pleno. As diferenças percentuais entre as classes são pequenas e a ordenação das características é exatamente a mesma. Síntese Raça, outra religião e ser mãe solteira são características amplamente aceitas e todos parecem estar de acordo com isso. O que parece ser mais intolerável para a sociedade brasileira é a prática do aborto, a descrença em Deus e, em primeiro lugar, o uso de drogas. Os mais intolerantes são os membros da classe baixa, sendo que o padrão da classe média quanto a essas características é similar. Nesse aspecto, uma diferença de valores relevante entre as classes baixa e média, de um lado, e a alta de outro, é que as duas primeiras colocam a descrença a Deus como mais intolerável do que a prática do aborto e para a classe alta é o contrário. Para o que é medianamente tolerado, a classe média fica mais próxima da alta, e comparadas com a classe baixa, mostram mais problemas em lidar com o homossexualismo e a vaidade masculina. 50 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    5. Colaborador permanente TUDOJUNTO E MISTURADO A CLASSE MÉDIA E A DIVERSIDADE DO POVO BRASILEIRO RENATO MEIRELLES - Sócio diretor do Data Popular, Instituto de pesquisa pioneiro no estudo do brasileiro emergente. Comunicólogo e escritor, já coordenou mais de 400 estudos sobre o consumidor da classe média brasileira Já virou senso comum falar sobre a miscigenação da população brasileira. Um povo que mistura em sua cultura traços negros e indígenas com a herança dos colonizadores europeus. Esse caldeirão étnico, que contribui para dar visibilidade ao Brasil, foi por ao menos dois séculos apontado como um obstáculo para o desenvolvimento do país. Mas esse quadro começa a criar novas nuances, impulsionado também por meio do crescimento de uma classe média que leva consigo uma parcela cada vez menos homogênea da população. Difícil definir uma típica família brasileira. Encontrar um rosto que identifique um todo dentro desta diversidade então, é quase impossível. Somos pardos nipônicos, negros com olhos de mel e loiros com vastas cabeleiras crespas, que contradizem qualquer estereótipo pré-definido e tornam o nosso passaporte um dos mais desejáveis para falsificadores. No entanto, muitas vezes essa mistura acaba por encobrir preconceitos e desigualdades que sempre estiveram presentes em nossa história. Ainda hoje, temos muito mais negros entre a população mais pobre e muito mais brancos na elite econômica do Brasil. A boa notícia é que como a classe media é fruto direto da redução das desigualdades, tem na diversidade étnica regional uma de suas maiores características. E isso faz toda a diferença. A ascensão dessa camada social amplia as possibilidades de, enfim, reduzirmos um conjunto de preconceitos que insistem em permanecer em nossa cultura. Com o crescimento da classe média através da redução das desigualdades históricas de gênero, cor da pele e desenvolvimento regional surgiu uma demanda econômica de inserir no cenário de consumo novos protagonistas. As telenovelas, até então acostumadas a colocar o negro numa posição servil aos brancos agora colocam-no em posição de destaque Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 53
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    em suas produções.São protagonistas que fogem do padrão desgastado e irreal do padrão étnico europeu, fazendo um resgate às origens e criando identificação com o público das classes emergentes. Até mesmo o padrão de beleza que fazia com que mulheres negras muitas vezes fossem caracterizadas com signos comuns a mulheres brancas, alisando os cabelos crespos e adotando tons neutros, que não contrastavam com seu tom de pele, mudou. Não preciso dizer aqui que racismo e preconceito ocorrem em todas as classes sociais e portanto nunca serão resolvidos com a simples melhora do poder aquisitivo ou dos níveis educacionais. Mas o fato é que se o país estava acostumado a somar ao preconceito étnico a discriminação financeira, com o avanço da classe média, começamos a caminhar num sentido de quebra de um paradigma, conservado por centenas de anos mesmo após a abolição da escravatura. A valorização da etnia é conquistada através da melhora da autoestima. São milhões de pessoas que viram sua vida melhorar com a estabilidade da economia e o surgimento de uma gama de empregos formais que antes, ou eram privilégios apenas de uma elite branca, ou até mesmo inexistiam. Pouco a pouco começamos a encontrar negros brasileiros ocupando cargos de prestígio e frequentando lugares que eram restritos apenas aos brancos detentores de uma renda que passava distante de suas possibilidades. Para eles, sobravam os empregos de menor remuneração. Negros que viviam marginalizados, agora aparecem com destaque num universo, onde a cor e a tradição atravessam as fronteiras sociais, ressaltando a verdadeira beleza nacional, antes vista somente com preconceito. São essas características, verde-amarelas heterogêneas, que fazem do nosso povo tão especial, com aspectos tão peculiares. No entanto, não devemos nos esquecer do mérito das lutas empreendidas pelos movimentos sociais de afirmação da identidade negra, nem das políticas públicas de inclusão que pouco a pouco se fortalecem desde a redemocratização. As mudanças que ocorrem hoje ainda não são suficientes para colocar um ponto final no preconceito cotidiano de muitos brasileiros. Em muitos estabelecimentos comerciais, apesar de não acontecerem casos explícitos de discriminação racial, que seriam punidas pela lei, os negros ainda são obrigados a lidar com situações desagradáveis, decorrentes de mau atendimento. O acesso ao crédito e a descoberta de um universo de consumo possibilitou aos negros e brancos da classe média, uma ascensão econômica que embora esbarre em alguns valores arcaicos adquiridos pela elite, começa a ganhar fôlego e, finalmente, encontrar o seu lugar. A educação foi um destes lugares, pois ele passou a ter acesso não apenas aos bens de consumo, mas a universidade. Com isso, pode investir na educação do filho 54 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    e percebe agoraa oportunidade de fugir de um ciclo vicioso. Hoje, é possível ver nas universidades, em cursos de diferentes áreas do conhecimento um corpo de alunos cada vez mais heterogêneo. Com a ampliação da escolaridade, elevação da renda e melhor acesso aos postos de trabalho, a população negra foi a que apresentou os maiores índices de mobilidade socioeconômica dos últimos anos. A classe média atual é a mistura brasileira que não se restringe apenas a cor da pele, mas também se sustenta pelos valores. A tradição carnavalesca dos festejos populares e a alegria das cores primárias fundem-se com a garra daquele que veio de baixo e precisou juntar forças para não desistir e seguir em frente. Agora, com a oportunidade de crescimento, este cidadão multicores, antes encolhido perante a desigualdade social, encontra ferramentas e munições para lidar com as diferenças enraizadas. Prova que o que antes era visto como fraqueza, hoje torna-se sinônimo de força. Sobram exemplos de brasileiros que superaram as dificuldades educacionais, as barreiras étnicas e regionais e acabam servindo de inspiração para outros brasileiros que estão vencendo na vida sem ter que abrir mão de seus valores, de sua cultura e de sua origem. Este avanço ainda está longe de ser uma conquista definitiva, pois não bastam apenas mudanças na renda, é preciso mudar a ideologia que está enraizada na cabeça das pessoas. No então é inegável a constatação que o crescimento da economia tem forçado diversos setores da sociedade a serem mais tolerantes e menos preconceituosos. Viva a diversidade da classe média brasileira Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 55
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    6. Colaborador destaedição “Quando novos personagens entram em cena” Jailson de Souza e Silva, Professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense – UFF-RJ e Diretor do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro. O título acima é de um livro do pesquisador Eder Sader, lançado em 1988. À época, o autor buscava identificar os novos grupos sociais que ocupavam a cena econômica e política do Brasil a partir da década de 70. Sua grande expressão eram os trabalhadores da indústria de transformação, com destaque para os metalúrgicos do ABC. O grande mérito da Secretaria de Assuntos Estratégicos ao discutir a emergência de uma “nova classe média” no Brasil é visibilizar e construir uma análise sistemática de um processo socioeconômico e cultural mobilizado por um grupo que tem provocado um forte impacto no país e deverá fazê-lo com maior intensidade nos próximos anos. O que assistimos é, acima de tudo, à emergência dos trabalhadores, principalmente negros, no cenário nacional. Eles ampliam o seu poder de consumo, fortalecem a sua capacidade de influenciar as tendências políticas, os padrões culturais e educacionais. Os recentes sucessos de produções televisivas, como as novelas baseadas no que seriam as vivências cotidianas desse grupo, são um exemplo desse processo; a menor influência, no caso do Rio de Janeiro, dos moradores das áreas nobres da cidade no processo eleitoral é outra demonstração dessas transformações; a ampliação do acesso ao ensino superior também revela essa dinâmica. Interessa-me, de forma especial, o impacto que esse fenômeno de ampliação da renda dos trabalhadores vem provocando na juventude e, em especial, nas periferias e favelas. Com efeito, em vários centros metropolitanos brasileiros, uma parcela significativa dos moradores desses territórios tem ingressado nas classes médias. Isso tem provocado um forte impacto no processo de valorização imobiliária desses espaços, ampliado a oferta de produtos de variadas ordens e fortalecido seu dinamismo econômico. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 57
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    Acima de tudo,o aumento da escolarização das populações dessas áreas, a maior consciência sobre suas demandas e maior capacidade de verbalizá-las, a criação de novas linguagens artísticas e a ampliação do repertório sociocultural geram a criação de um novo ser social. Esse ser, que no caso do Rio de Janeiro chamamos de um “Novo Carioca”, amplia sua mobilidade na cidade. Ela representa muito mais do que a capacidade de circulação física. Essa mobilidade é social, econômica, educacional e, principalmente, simbólica. Esse “novo” carioca, paulista, gaúcho, baiano (...) revela a capacidade de se apropriar dos territórios urbanos de maneira autônoma, coletiva, com alto grau de criatividade e poder de realização. E, nesse processo, consciente ou não, eles vão criando novas cidades, novos cidadãos, de um novo país. 58 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
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    Empoderando vidas. Fortalecendo nações. 60 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade