Dominique Torquato/22dez2011/AAN
Árvore com problemas conhecidos há 5 anos, segundo engenheiro, atinge salão; não houve feridos
Henrique Beirangê
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
henrique.beirange@rac.com.br
Promotor do Ministério Públi-
co do Estado de São Paulo há
25 anos e atualmente à frente
da Promotoria do Meio Am-
biente em Campinas, José Ro-
berto Carvalho Albejante pe-
diu para deixar o cargo que
ocupa há 19 anos. Albejante
solicitou ao Conselho Supe-
rior do Ministério Público
que o órgão autorize uma tro-
ca de posto com a promotora
Lúcia Maria de Figueiredo
Ferraz Pereira Leite. Caso o
MP valide a troca, ele ficará
responsável por processos de
varas cíveis e da Fazenda Pú-
blica de Campinas. Albejante
confirmou ao Correio que o
pedido se deve a razões exclu-
sivamente pessoais (alegou
motivos de saúde e cansaço).
Ele ponderou que falará pu-
blicamente quando — e se a
troca for oficializada.
Com a publicação do pedi-
do de troca no Diário Oficial,
abre-se prazo de cinco dias
para pedidos de impugnação
da troca. Esse tipo de reclama-
ção é incomum, mas outro
promotor que tenha interesse
em ocupar o cargo de um dos
dois membros do MP pode
entrar com algum questiona-
mento. A tendência é que em
duas semanas o órgão supe-
rior do MP seja ouvido e te-
nha aprovado a mudança.
A decisão de Albejante de
sair do cargo da Promotoria
do Meio Ambiente pegou de
surpresa os principais órgãos
e entidades ligadas às suas
manifestações. O presidente
do Conselho Municipal de
Defesa do Meio Ambiente
(Comdema), Rafael Moya, dis-
se que não sabia das razões
da saída, mas que em função
da sobrecarga de serviço, a
Promotoria do Meio Ambien-
te tem tido uma ação aquém
do esperado. “Por conta dos
escândalos políticos do ano
passado e dos questionamen-
tos no MP, há uma sobrecar-
ga de serviço. Mas podemos
dizer que ele teve uma boa
atuação no Meio Ambiente”,
disse.
O presidente da Associa-
ção Regional da Habitação
(Habicamp), Francisco de Oli-
veira Lima Filho, disse que o
setor sempre teve boa rela-
ção com o promotor. “Agora
que as coisas estão engrenan-
do é uma grande perda. Preci-
samos pensar no futuro e fa-
zer Campinas crescer”, disse.
O prefeito Pedro Serafim
(PDT) também lamentou a
saída. “Ele tem uma baga-
gem muito grande e é um ze-
lador da qualidade de vida na
cidade”, afirmou.
Albejante chegou a rece-
ber um convite durante a ges-
tão do prefeito cassado Hélio
de Oliveira Santos (PDT) para
assumir a pasta de Meio Am-
biente, mas em função do
Conselho Superior do Minis-
tério Público não ter autoriza-
do uma licença do cargo para
assumir o posto, o promotor
acabou não podendo assu-
mir a função. Albejante tem
49 anos, é natural de Mogi
Mirim, e se formou pela PUC-
Campinas em 1985.
Felipe Tonon
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
felipe.tonon@rac.com.br
Um ipê-roxo de 18 metros de
altura caiu na manhã de on-
tem sobre um salão de cabe-
leireiro no Cambuí, em Cam-
pinas. De acordo com a ONG
Resgate o Cambuí, um proble-
ma já havia sido detectado na
árvore em 2007, mas nada foi
feito. Para a diretora da orga-
nização, Tereza Penteado, a
“falta de cuidado extremo”
causou o incidente. Por sorte,
ninguém ficou ferido. Ela afir-
mou, ainda, que apenas a
ONG já protocolou mais de
100 denúncias sobre árvores
com problemas no Cambuí.
“Mas ninguém responde, não
fazem nada.”
A árvore caiu por volta das
8h em cima de um salão de
beleza localizado na Rua Co-
ronel Quirino. Não houve da-
nos graves ao imóvel, mas a
queda assustou o proprietá-
rio do prédio, que afirma ter
protocolado na Prefeitura
quatro pedidos de vistoria na
árvore, o último há cerca de
seis meses, pois suspeitava
que havia risco de queda. “A
gente sabia que ela estava po-
dre, condenada. A Prefeitura
deve ter muita coisa para re-
solver. Eles não vão ligar pra
uma árvore”, disse o cabelei-
reiro José Mariano.
No momento em que a ár-
vore caiu, houve um curto cir-
cuito e um princípio de incên-
dio na rede elétrica. Alguns
prédios da região chegaram a
ficar sem telefone e energia.
Para a presidente do movi-
mento Resgate o Cambuí, a
Administração sabia do pro-
blema. “Se essas árvores tives-
sem o mínimo de acompa-
nhamento elas não cairiam.
A falta de poda correta e de
cuidado faz com que a árvore
caia”, disse.
De acordo com José Hamil-
ton de Aguirre Junior, enge-
nheiro florestal e mestre em
arborização urbana, que reali-
zou um levantamento em to-
das as árvores do Cambuí,
em 2007, o Ipê que caiu on-
tem havia sido avaliado co-
mo “péssimo” e necessitava
de cuidados. “A árvore não es-
tava condenada, mas pedia
tratamento. Como nada foi
feito, houve a queda”, afir-
mou.
Aguirre Junior lembrou
que uma árvore bem cuidada
significa benefício para a so-
ciedade e que elas devem ser
vistas com mais atenção pelo
poder público. “Por trás des-
sa queda existe um alerta. Ár-
vores não caem sem razão.”
Prefeitura
De acordo com o Departa-
mento de Parques e Jardins
(DPJ), da Secretaria de Servi-
ços Públicos, não é possível
saber se havia pedido para a
poda ou corte da árvore,
mas o departamento infor-
mou que quando os troncos
estavam sendo removidos
ontem, técnicos da pasta
perceberam que a raiz do
Ipê estava comprometida, o
que pode ter motivado a
queda. Informou, também,
que mesmo que uma visto-
ria fosse feita na árvore não
seria detectado nenhum pro-
blema, uma vez que visivel-
mente ela estava saudável.
Sobre os pedidos dos mo-
radores e da ONG não te-
rem sido atendidos, o DPJ
garantiu que todas as de-
mandas são respondidas,
mas nem todas executadas.
A Prefeitura afirmou que
uma vistoria demora de dez
a 30 dias para ser executada
e, se a poda ou a remoção
for necessária, é colocada
na programação da pasta. O
serviço pode demorar de 90
a 120 dias para ser feito. No
entanto, casos graves identi-
ficados são colocados como
prioridade, o que pode atra-
sar outros serviços já previs-
tos.
Promotor do Meio Ambiente pede para deixar cargo
Sugestões de pautas, críticas e elogios:
cidades@rac.com.br ou
pelos telefones 3772-8116 e 3772-8162
Atendimento ao assinante:
3736-3200 ou pelo
e-mail saa@rac.com.br
Editores: Adriana Villar, Claudio Liza Junior, Jorge Massarolo e Ricardo Alécio Chefe de reportagem: Guilherme Busch
Cambuí: Ipê desaba e ONG vê descaso
Defesa Civil registra mais duas quedas
A
Defesa Civil
registrou outras
três ocorrências
envolvendo árvores em
Campinas. Na Vila Costa
e Silva, uma árvore seca
ameaça cair e o DPJ foi
notificado. Na Rua
Bento de Arruda
Camargo, no Jardim
Santana, uma árvore
caiu sobre a via, mas
não houve danos. Na
região do Campo
Grande, na Rua Eudes
Batista Ribeiro, uma
outra árvore caiu na
noite de ontem, também
sem causar danos.
Na terça-feira, a chuva
forte motivou 22
ocorrências na Defesa
Civil. A mais grave foi o
deslizamento de um
barranco no Jardim das
Bandeiras 1, mas sem
vítimas.
A família que residia em
um barraco próximo à
área foi retirada do
local. Parte de um muro
de uma empresa da Vila
União também cedeu. A
Defesa Civil alerta
moradores das áreas de
risco para a
possibilidade de
ocorrência de
deslizamentos por causa
do solo encharcado e da
continuidade das
chuvas. (FT/AAN)
Alessandro Rosman/AAN
Alessandro Rosman/AAN
José Albejante alega motivos pessoais e solicita a conselho do MP sua substituição do posto ocupado há 19 anos
Cidades
ACIDENTE ||| PREVISTO
Bombeiros e agentes da Emdec mobilizados em área isolada na Rua Coronel Quirino, no Cambuí, para os trabalhos de remoção da árvore que caiu sobre o salão de beleza
Bombeiros cortam galhos do ipê-roxo de 18 metros: raiz podre
Albejante, que poderá assumir casos das varas cíveis e da Fazenda
TROCA ||| EM ANÁLISE
Entidadedizquejáfez
maisde100denúncias
deplantascomrisco
A6 CORREIO POPULAR
Campinas, quinta-feira, 7 de junho de 2012

1a

  • 1.
    Dominique Torquato/22dez2011/AAN Árvore comproblemas conhecidos há 5 anos, segundo engenheiro, atinge salão; não houve feridos Henrique Beirangê DA AGÊNCIA ANHANGUERA henrique.beirange@rac.com.br Promotor do Ministério Públi- co do Estado de São Paulo há 25 anos e atualmente à frente da Promotoria do Meio Am- biente em Campinas, José Ro- berto Carvalho Albejante pe- diu para deixar o cargo que ocupa há 19 anos. Albejante solicitou ao Conselho Supe- rior do Ministério Público que o órgão autorize uma tro- ca de posto com a promotora Lúcia Maria de Figueiredo Ferraz Pereira Leite. Caso o MP valide a troca, ele ficará responsável por processos de varas cíveis e da Fazenda Pú- blica de Campinas. Albejante confirmou ao Correio que o pedido se deve a razões exclu- sivamente pessoais (alegou motivos de saúde e cansaço). Ele ponderou que falará pu- blicamente quando — e se a troca for oficializada. Com a publicação do pedi- do de troca no Diário Oficial, abre-se prazo de cinco dias para pedidos de impugnação da troca. Esse tipo de reclama- ção é incomum, mas outro promotor que tenha interesse em ocupar o cargo de um dos dois membros do MP pode entrar com algum questiona- mento. A tendência é que em duas semanas o órgão supe- rior do MP seja ouvido e te- nha aprovado a mudança. A decisão de Albejante de sair do cargo da Promotoria do Meio Ambiente pegou de surpresa os principais órgãos e entidades ligadas às suas manifestações. O presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), Rafael Moya, dis- se que não sabia das razões da saída, mas que em função da sobrecarga de serviço, a Promotoria do Meio Ambien- te tem tido uma ação aquém do esperado. “Por conta dos escândalos políticos do ano passado e dos questionamen- tos no MP, há uma sobrecar- ga de serviço. Mas podemos dizer que ele teve uma boa atuação no Meio Ambiente”, disse. O presidente da Associa- ção Regional da Habitação (Habicamp), Francisco de Oli- veira Lima Filho, disse que o setor sempre teve boa rela- ção com o promotor. “Agora que as coisas estão engrenan- do é uma grande perda. Preci- samos pensar no futuro e fa- zer Campinas crescer”, disse. O prefeito Pedro Serafim (PDT) também lamentou a saída. “Ele tem uma baga- gem muito grande e é um ze- lador da qualidade de vida na cidade”, afirmou. Albejante chegou a rece- ber um convite durante a ges- tão do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT) para assumir a pasta de Meio Am- biente, mas em função do Conselho Superior do Minis- tério Público não ter autoriza- do uma licença do cargo para assumir o posto, o promotor acabou não podendo assu- mir a função. Albejante tem 49 anos, é natural de Mogi Mirim, e se formou pela PUC- Campinas em 1985. Felipe Tonon DA AGÊNCIA ANHANGUERA felipe.tonon@rac.com.br Um ipê-roxo de 18 metros de altura caiu na manhã de on- tem sobre um salão de cabe- leireiro no Cambuí, em Cam- pinas. De acordo com a ONG Resgate o Cambuí, um proble- ma já havia sido detectado na árvore em 2007, mas nada foi feito. Para a diretora da orga- nização, Tereza Penteado, a “falta de cuidado extremo” causou o incidente. Por sorte, ninguém ficou ferido. Ela afir- mou, ainda, que apenas a ONG já protocolou mais de 100 denúncias sobre árvores com problemas no Cambuí. “Mas ninguém responde, não fazem nada.” A árvore caiu por volta das 8h em cima de um salão de beleza localizado na Rua Co- ronel Quirino. Não houve da- nos graves ao imóvel, mas a queda assustou o proprietá- rio do prédio, que afirma ter protocolado na Prefeitura quatro pedidos de vistoria na árvore, o último há cerca de seis meses, pois suspeitava que havia risco de queda. “A gente sabia que ela estava po- dre, condenada. A Prefeitura deve ter muita coisa para re- solver. Eles não vão ligar pra uma árvore”, disse o cabelei- reiro José Mariano. No momento em que a ár- vore caiu, houve um curto cir- cuito e um princípio de incên- dio na rede elétrica. Alguns prédios da região chegaram a ficar sem telefone e energia. Para a presidente do movi- mento Resgate o Cambuí, a Administração sabia do pro- blema. “Se essas árvores tives- sem o mínimo de acompa- nhamento elas não cairiam. A falta de poda correta e de cuidado faz com que a árvore caia”, disse. De acordo com José Hamil- ton de Aguirre Junior, enge- nheiro florestal e mestre em arborização urbana, que reali- zou um levantamento em to- das as árvores do Cambuí, em 2007, o Ipê que caiu on- tem havia sido avaliado co- mo “péssimo” e necessitava de cuidados. “A árvore não es- tava condenada, mas pedia tratamento. Como nada foi feito, houve a queda”, afir- mou. Aguirre Junior lembrou que uma árvore bem cuidada significa benefício para a so- ciedade e que elas devem ser vistas com mais atenção pelo poder público. “Por trás des- sa queda existe um alerta. Ár- vores não caem sem razão.” Prefeitura De acordo com o Departa- mento de Parques e Jardins (DPJ), da Secretaria de Servi- ços Públicos, não é possível saber se havia pedido para a poda ou corte da árvore, mas o departamento infor- mou que quando os troncos estavam sendo removidos ontem, técnicos da pasta perceberam que a raiz do Ipê estava comprometida, o que pode ter motivado a queda. Informou, também, que mesmo que uma visto- ria fosse feita na árvore não seria detectado nenhum pro- blema, uma vez que visivel- mente ela estava saudável. Sobre os pedidos dos mo- radores e da ONG não te- rem sido atendidos, o DPJ garantiu que todas as de- mandas são respondidas, mas nem todas executadas. A Prefeitura afirmou que uma vistoria demora de dez a 30 dias para ser executada e, se a poda ou a remoção for necessária, é colocada na programação da pasta. O serviço pode demorar de 90 a 120 dias para ser feito. No entanto, casos graves identi- ficados são colocados como prioridade, o que pode atra- sar outros serviços já previs- tos. Promotor do Meio Ambiente pede para deixar cargo Sugestões de pautas, críticas e elogios: cidades@rac.com.br ou pelos telefones 3772-8116 e 3772-8162 Atendimento ao assinante: 3736-3200 ou pelo e-mail saa@rac.com.br Editores: Adriana Villar, Claudio Liza Junior, Jorge Massarolo e Ricardo Alécio Chefe de reportagem: Guilherme Busch Cambuí: Ipê desaba e ONG vê descaso Defesa Civil registra mais duas quedas A Defesa Civil registrou outras três ocorrências envolvendo árvores em Campinas. Na Vila Costa e Silva, uma árvore seca ameaça cair e o DPJ foi notificado. Na Rua Bento de Arruda Camargo, no Jardim Santana, uma árvore caiu sobre a via, mas não houve danos. Na região do Campo Grande, na Rua Eudes Batista Ribeiro, uma outra árvore caiu na noite de ontem, também sem causar danos. Na terça-feira, a chuva forte motivou 22 ocorrências na Defesa Civil. A mais grave foi o deslizamento de um barranco no Jardim das Bandeiras 1, mas sem vítimas. A família que residia em um barraco próximo à área foi retirada do local. Parte de um muro de uma empresa da Vila União também cedeu. A Defesa Civil alerta moradores das áreas de risco para a possibilidade de ocorrência de deslizamentos por causa do solo encharcado e da continuidade das chuvas. (FT/AAN) Alessandro Rosman/AAN Alessandro Rosman/AAN José Albejante alega motivos pessoais e solicita a conselho do MP sua substituição do posto ocupado há 19 anos Cidades ACIDENTE ||| PREVISTO Bombeiros e agentes da Emdec mobilizados em área isolada na Rua Coronel Quirino, no Cambuí, para os trabalhos de remoção da árvore que caiu sobre o salão de beleza Bombeiros cortam galhos do ipê-roxo de 18 metros: raiz podre Albejante, que poderá assumir casos das varas cíveis e da Fazenda TROCA ||| EM ANÁLISE Entidadedizquejáfez maisde100denúncias deplantascomrisco A6 CORREIO POPULAR Campinas, quinta-feira, 7 de junho de 2012