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  1. 1. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 37
  2. 2. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 SANEAMENTO BÁSICO E AS IMPLICAÇÕES PARA AS NASCENTES: O BAIRRO DA BOMBA, NA CIDADE DE SERRINHA-BA. Monise da Silva Pereira¹ Ana Cláudia Valverde Santos2 1-Universidade Federal do Recôncavo da Bahia monise.fsa@hotmail.com 2-Universidade do Estado da Bahia-UNEB claudiatapuio@hotmail.comRESUMOA água constitui um dos elementos mais importantes para o desenvolvimento da vida.Nessa perspectiva, ela se encontra em diversos ambientes, sendo vinculada também aodesenvolvimento humano, estando ao lado do surgimento das mais diversas sociedades.Contudo, esse desenvolvimento nem sempre dar-se-á de forma harmoniosa. À medida queo homem se apropria do espaço, ocasiona muitas vezes um desequilíbrio ambiental. Aexemplo disso, o Bairro da Bomba, localizado na cidade de Serrinha, Bahia, apontacaracterísticas desse tipo de desequilíbrio. No início da formação do açude, que deu nomeao bairro, os moradores utilizavam-no para abastecimento de casas, atividade pesqueira eaté mesmo para o lazer. Com o decorrer dos anos e o crescimento desordenado do bairro,bem como a falta de políticas públicas, como saneamento básico ocasionou a destruição doaçude, devido a grande quantidade de dejetos que são despejados in natura no referido.Com isso, esse estudo propõe a revitalização desse espelho d’água, a partir de um projetoque proporcione o tratamento do esgoto que é derramado, bem como transformar a área emvolta em um ambiente próprio para a prática de esportes e lazer, que acarretará, não sóuma mudança ambiental, mas também social, modificando a imagem de um bairro que porsua localização e estrutura é visto como um espaço sem atrativos para a sua população epara a cidade como um todo.PALAVRAS-CHAVE: açude, saneamento básico, desequilíbrio ambiental, revitalização.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 38
  3. 3. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 INTRODUÇÃOO aumento da atividade humana tem provocado importantes alterações econsequentes impactos sobre o meio ambiente. O planejamento ambiental temadquirido destaque em décadas recentes, dado o interesse em redirecioná-lo paraconsiderar não somente os ambientes criados e modificados pelos seres humanos,mas também o ambiente natural ao seu redor.A crescente necessidade de apresentar soluções e estratégias que interrompam erevertam os efeitos da degradação ambiental e do esgotamento dos recursosnaturais vem se fortalecendo cada vez mais, provocando uma série dequestionamentos, como por exemplo: Como enfrentar o conjunto de problemasambientais, detectados principalmente nas grandes cidades? Como elaborar edesenvolver estratégias eficazes para saná-los? Como garantir a aplicabilidadedessas estratégias?As respostas para tais questionamentos devem ser decorrentes de uma mudança,de uma revisão do binômio homem/natureza. Para tanto é necessário não maisdissociar o ambiente urbano do ambiente natural, é necessário ver a cidade comoum sistema ecológico, que possui fragilidades e que também é vulnerável, uma vezque depende de outros sistemas para se manter. Portanto, o homem não podeexercer somente o papel controlador desse sistema, ele faz, antes de mais nada,parte dele.Desta maneira, na perspectiva de Corrêa, (2005) a problemática ambiental urbanadeve ser analisada dentro de uma perspectiva ambiental extra-urbana, isto é, acidade e o homem não estão desligados dos elementos naturais (ex.: água, ar, solo),todos fazem parte de um sistema natural global, sobre o qual o homem vem atuandoe intervindo sem considerar as consequências de suas próprias atividades, queV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 39
  4. 4. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012surtem efeito cumulativo, comprometendo o presente e principalmente o futuro desua própria existência.Assim, serão analisadas as questões de saneamento básico e as suas implicaçõespara a nascente do Bairro da Bomba, localizada na cidade de Serrinha, Bahia.A partir do estudo sobre o desenvolvimento do Bairro da Bomba, foi feita afundamentação teórico-conceitual através de pesquisa bibliográfica utilizandopublicação de artigo, livros e sites de pesquisas confiáveis, com a finalidade de obtersubsídios necessários para descrever sobre o tema proposto.Paralelamente ao levantamento bibliográfico, será feito um levantamentocartográfico, como também um levantamento de fotos antigas e recentes do referidobairro que permeará todo o período de construção do referido artigo. É importanteressaltar ainda a visita in locu, através de observação semi-estruturada, entrevistase aplicação de formulários para melhor compreensão da dinâmica existente noobjeto de estudo.Para, assim, Identificar o processo de formação do Bairro da Bomba a partir dautilização do espelho d’água, perceber de que modo o crescimento desse Bairrocontribuiu para a degradação do manancial. A partir daí então, propor umaintervenção pública que venha contribuir com a revitalização do açude da Bomba econsequentemente uma melhor estrutura do bairro.Compreende-se também que para que a abordagem do mencionado bairro se façade forma clara e concisa, faz se necessário entender como se deu a formação dacidade na qual o bairro está inserido.O PROCESSO DE FORMAÇÃO DO BAIRRO NO CONTEXTO DA CIDADEO “município de Serrinha está localizado na região econômica nordeste, semi-árido,com coordenadas 11º39’28” de latitude Sul e 39º00’18” e longitude Oeste, a 360metros do nível do mar. A latitude da sede é de 365 metros do nível do mar (EstaçãoV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 40
  5. 5. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012da Leste), 377 metros ( no antigo marco da praça Miguel Carneiro) e 371, 3 metros(na praça Luís Nogueira).Segundo o governo do Estado, Serrinha é classificada como sede da regiãoadministrativa 12, microrregião do Sisal, englobando 18 municípios. Concentraserviços como o Hospital Regional, Direc, Dires, Ciretran, Delegacia Regional dePolícia, também é sub-sede de outros órgão como Embasa, Coelba, etc.A cidade dista 181 quilômetros de Salvador, sendo entrecortada pela BR-116, pelaBA-324 e pela BA-049. Seus limites municipais são: ao Norte, com Teofilândia,Barrocas e Araci; ao Sul, com Lamarão e Santa Bárbara, a Oeste com Ichú eConceição do Coité e a Leste com Biritinga.Mapa 1: Localização do município de Serrinha no contexto baianoFonte: www.sei.gov.com.brV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 41
  6. 6. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012A cidade enquanto forma de expressão de processos sociais reflete ascaracterísticas da sociedade, assim é um produto da articulação das atividadeshumanas ao longo da história. Nesse contexto, Carlos 2008 diz: “A cidade é uma realização humana, uma criação que vai se constituindo ao longo do processo histórico e que ganha materialização concreta, diferenciada, em função de determinações históricas específicas... A cidade, em cada uma das diferentes etapas do processo histórico, assume formas, características e funções distintas. Ela seria assim, em cada época, o produto da divisão, do tipo e dos objetos de trabalho, bem como do poder nela centralizado.” (CARLOS, 2008, p.57)Assim tendo por base a importância do processo histórico de formação das cidadesvale salientar que a história de Serrinha, segundo Franco 1996, pode ser dividida emtrês períodos: o que vai de 1612 a 1891, com a abertura da estrada das boiadas queligava a capital da colônia ao alto sertão do São Francisco até o Piauí.O sítio urbano da cidade tem sua formação inicial com a compra do sitio Serrinhapelo Coronel Bernardo da Silva, sua principal função na época era servir de local dedescanso para os tropeiros que ali passavam; o período entre 1880 e 1969, que temcomo principais características crescimento da população, implantação da ferrovia ede serviços como água encanada e tratada e a construção da BR-116, tendoinfluenciando esta última na expansão da cidade a exemplo da ferrovia.O período de 1969 até os dias atuais tem como um de seus principais aspectos ainstalação da Companhia Vale do Rio Doce no município de Teofilândia, o queimpulsionou o comércio de Serrinha, pois grande parte da população ingressou naempresa e também os serviços prestados cresceram. Outro fato importante desseperíodo é a instalação da Faculdade de Educação em 1989 e a consolidação domunicípio como centro regional de serviços estaduais.Durante muito tempo o município ocupou uma área muito extensa, com superfície de3.464 km², correspondente a 0,7% da área total do Estado. Houve a emancipaçãode distritos e povoados como Araci e Ichú que integravam o seu território original, emais recentemente o município perdeu parte de seu território, com a desvinculaçãoV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 42
  7. 7. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012do distrito de Barrocas, no ano de 2000. Atualmente, possui uma superfície de 568km², segundo dados do IBGE.De acordo com o contexto histórico da formação da cidade de Serrinha, podem-sedestacar dois fatores: a implantação da ferrovia em 1880 e da BR-116; como sendode suma importância para o crescimento social e econômico da cidade. Sendo oprimeiro fator de importância relevante para este estudo por influenciar de formadireta na formação do Bairro da Bomba.O OBJETO DE ESTUDO: BAIRRO DA BOMBAPara analisarmos o objeto de estudo faz-se necessário conceituar o que vem a serbairro. Para Rossi, apud Serpa, 2007: “O bairro está intimamente ligado a evolução e à natureza da cidade: o bairro é uma unidade morfológica e estrutural, caracterizado por uma certa paisagem urbana, por um certo conteúdo social e por uma função; o bairro é também um fator social baseado na segregação de classes ou de raça, nas funções econômicas.” (ROSSI,1998, apud SERPA, 2007, p.28)A partir de tais considerações pode-se afirmar que a formação do bairro da bombaestá intimamente ligada a evolução da cidade de Serrinha. Este teve seudesenvolvimento vinculado à construção da ferrovia, ao qual trouxe novamentalidade nas relações sociais e trabalhistas melhorando o abastecimento deágua com a construção do açude da Bomba, dotado de uma bomba a vapor quepuxava água para abastecer as locomotivas, casas dos funcionários e ainda geravaenergia, dando origem ao nome do bairro.A água exerceu o papel de atrativo para que a população viesse a se instalar aoredor do açude fazendo uso desta para pesca, consumo doméstico e favorecendo odesenvolvimento da agricultura local.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 43
  8. 8. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012O referido bairro localiza-se no centro – oeste da cidade de Serrinha. Sua área situa-se no quadrante, compreendido entre o início da Rua Manoel Novais e a RuaAntônio Rodrigues Nogueira, limitando-se com o bairro Vila de Fátima.Mapa 1: Localização do Bairro da BombaFonte: www.google.com.brDevido a sua localização periférica, geográfica e social na cidade de Serrinha, comoem diversas outras cidades do país, o bairro da Bomba é composto por populaçãofinanceiramente carente. Segundo dados da associação dos moradores do bairro,2007, o mesmo é composto por 1.300 famílias e aproximadamente 4.500moradores. É constituído por 15 ruas, sendo que estas não possuem rede deesgoto e apenas parte delas são pavimentadas. As residências despejam seusdejetos para o açude, sendo um dos principais fatores de impactos ambientais domesmo.Não existindo posto de saúde, devido à proximidade com alguns hospitais públicos,não existe colégio de 2º grau, nem sede para a associação de moradores. As únicasV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 44
  9. 9. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012áreas de lazer existentes são um campo e uma praça pública, que se encontra empéssimo estado de conservação. São oferecidos trabalhos sociais que vemcontribuindo para a diminuição do índice de violência no bairro. O BAIRRO DA BOMBA NA CONTEXTUALIZAÇÃO TEMPO-ESPAÇOA água é um recurso natural essencial para a sobrevivência de todas as espéciesque habitam a Terra, os alimentos que ingerimos dependem diretamente da águapara a sua produção. Necessitamos da água também para a higiene pessoal, paralavar roupas e utensílios e para a manutenção da limpeza de nossas habitações. Elaé utilizada na produção de energia elétrica, na limpeza das cidades, na construçãode obras, no combate a incêndios e na irrigação de jardins, entre outros. Estádiretamente ligada ao desenvolvimento das civilizações as quais em sua maioriasurgiram em torno de rios a exemplo do Nilo, Tigre e o Eufrates.O açude da bomba construído no início da década de 1950 tinha água potável e deboa qualidade (FIGURA 1), a qual abastecia grande parte da cidade principalmenteos moradores mais próximos. Segundo informativo mensal da Ass. dos Moradoresdo bairro publicado em abril de 2006: “Quem o conheceu há 55 anos certamente têm saudades de sua água azul clara, numa extensão de 300m x 100m, com suas pequenas ondas, e que nas tardes de domingos e feriados era ali o ponto de encontro de muitos amigos que se distraiam e se aliviavam do cansaço do dia-a-dia de trabalho, através das pequenas e simples pescarias de anzóis”. (INFORMATIVO MENSAL, ed. 14, 2006V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 45
  10. 10. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 FIGURA 1: Açude da Bomba, 1970 Fonte: Arquivo da Ass.de Moradores, 1970.Hoje, do velho tanque da bomba resta apenas a lembrança, pois foram canalizadasenormes redes de esgotos sem tratamento para dentro do açude, transformandosuas águas em depósito de lixo onde encontra-se hoje semi-aterrado (FIGURA 2),dando origem a um matagal, criadouros de cobras e todo tipo de insetos nocivos asaúde do ser humano. FIGURA 2: Açude da Bomba, 2010.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 46
  11. 11. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Fonte: Harianderson OliveiraAssim, a presença do açude passou a ser um fator prejudicial à saúde dosmoradores que fazem uso deste, devido a falta de saneamento básico, entendidoaqui nas palavras de Spósito (2004): “... refere-se aos elementos da infraestrutura de uma cidade necessários para a manutenção de boas condições para a saúde pública. As redes de água e esgoto são os elementos mais conhecidos e disseminados por todas as cidades. Também pode ser colocada nesse conceito, a canalização (a céu aberto ou subterrâneo) de córregos. Deve ser diferenciado de saúde pública, que é mais abrangente, porque, colocam-se também a qualidade da água, o ataque as doenças transmissíveis por insetos ou animais, para a preservação da saúde dos cidadãos.” (SPÓSITO, 2004, p.73)A falta de saneamento básico configura-se como um grave problema para aqualidade da água. No Brasil, segundo o Ministério das Cidades, cerca de 60milhões de brasileiros (9,6 milhões de domicílios urbanos) não são atendidos pelarede de coleta de esgoto e, destes, aproximadamente 15 milhões (3,4 milhões dedomicílios) não têm acesso à água encanada. Ainda mais alarmante é a informaçãode que, quando coletado, apenas 25% do esgoto é tratado, sendo o restantedespejado “in natura”, ou seja, sem nenhum tipo de tratamento, nos rios ou no mar.Segundo Rivière,1989: “Existem dois tipos de despejos que contaminam a água: o lixo orgânico – proveniente de excremento humanos e de animais e do descarte das partes fibrosas de vegetais colhidos e não consumidos; e o lixo industrial – gerado pelos processos industriais e pelo descarte que, cedo ou tarde, se faz dos produtos fabricados pelas indústrias”.(RIVIÈRE,1989,disponível em geosites.com)V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 47
  12. 12. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Figura 3: Bairro da Bomba, 2010.Fonte: Harianderson OliveiraO despejo de dejetos orgânicos ao longo dos anos no açude provocou aeutrofização do corpo d’água e conseqüente proliferação de algas, que contribuiupara o mau cheiro e gosto ruim na água.Os excrementos humanos contêm alguns dos mais nocivos contaminantesconhecidos, incluindo microrganismos patogênicos como os agentes da cólera, dafebre tifóide e da desinteria. Com base em entrevista com o presidente daAssociação de Moradores do Bairro, as principais ocorrências de doenças,provavelmente estão ligadas a poluição do açude, sendo elas: dor de barriga,alergia, gripe, viroses e desinteria, afetando principalmente as crianças.Não houve ainda intervenções a serem consideradas, pois a obras realizadas nobairro relacionadas a infraestrutura foram apenas de pavimentação de parte de suasruas , não resolvendo assim, o problema da falta de saneamento básico.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 48
  13. 13. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 UMA PERSPECTIVA PARA A BOMBAAo verificar a situação atual do Bairro da Bomba e as implicações do seudesenvolvimento para o açude que influenciou a sua origem, pode-se propor comomedida de melhoria tanto do espaço social e ambiental, uma intervenção através depolíticas públicas que visem melhorar as condições de vida da população por meioda revitalização do seu espelho d’água.Salienta-se que tal intervenção deve estar pautada no planejamento urbano, quesegundo Souza, 2004, é entendido como qualquer tipo de planejamento, é aindauma atividade que remete sempre para o futuro. Desse modo, planejar umaintervenção para o açude da bomba significa não só garantir que a população aliinstalada usufrua do mesmo, mas também que lhes proporcione um local que sejamarco tanto para a geração de hoje, quanto para seus descendentes.Nesse sentido, o Dique de Tororó, na capital baiana, pode ser citado como exemplode um espaço que foi reurbanizado. O dique era uma construção dos holandeses,que habitaram Salvador a partir de 1624. O mesmo esteve por décadas abandonadoe em 1998 foi revitalizado. O Dique de Tororó é o único manancial natural deSalvador tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Alémda lagoa, o local tem pista de cooper, raias para a prática de remo, deques para apesca, píers para pequenas embarcações, equipamentos de esportes e ginástica,playgrounds, além do Centro de Atividades e da Praça de Eventos. O centro possuirestaurantes e estacionamento com 150 vagas.Figura 5: Dique de Tororó, Salvador, BahiaV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 49
  14. 14. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Fonte: www.googleimagens.com.brA revitalização do Dique foi feita em 1998, tornando o local marco de beleza da cidade.O açude da Bomba assim como o local supracitado, pode deixar de ser um local dedesprezo e poluição, para tornar-se um ponto atrativo e revitalizado não só para apopulação de seu bairro, mas, sobretudo para a cidade de Serrinha.A revitalização pode ser possível, caso haja um projeto de intervenção pública, ondese proponha a revitalização desse espelho d’água, proporcione o tratamento doesgoto que lhe é derramado, bem como transformar a área em volta em umambiente próprio para a prática de esportes e lazer. Tais modificações acarretarão,não só uma mudança ambiental, mas também social, modificando a imagem de umbairro que por sua localização e estrutura é visto como um espaço sem atrativospara a sua população e para a cidade como um todo.CONSIDERAÇÕES FINAISO estudo aqui desenvolvido procurou abordar as condições de saneamento básico eas suas implicações para o açude do Bairro da Bomba, na cidade de Serrinha,Bahia. O aumento da atividade humana nessa área, ao longo do tempo, provocouV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 50
  15. 15. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012importantes alterações e conseqüentes impactos sobre o meio ambiente. A falta desaneamento básico configurou-se como um grave problema para a qualidade daágua do manancial em estudo. O despejo de dejetos orgânicos no açude provocougradativamente a eutrofização do corpo d’água e conseqüente proliferação de algas,que contribuiu para o mau cheiro e uso impróprio para o consumo.No processo de formação do Bairro da Bomba a partir da utilização do espelhod’água, percebeu-se que o crescimento desse Bairro contribuiu para a degradaçãodo manancial. Assim, o presente artigo veio como colaborador para medidas vindasde órgãos competentes, formuladores de políticas e tomadores de decisões naimplementação de políticas preventivas e para a promoção de melhorias para oaçude em estudo. REFERÊNCIASCARLOS. Ana Fani Alessandri, A cidade. 8.ed. 2ª reimpressão. São Paulo:Contexto, 2008.CARLOS, Ana Fani Alessandri. Espaço-tempo na metrópole: a fragmentação davida cotidiana. São Paulo: Contexto, 2001.CORRÊA. Roberto Lobato. Trajetórias geográficas. 3ed. Rio de Janeiro: BertrandBrasil, 2005.PEROCI. Bomba em ação. Informativo mensal da Ass. Beneficente dos moradoresdo Bairro da Bomba. N.12, 2006.SOUZA, Marcelo Lopes de. Mudar a cidade: uma introdução crítica aoplanejamento e à gestão urbanos. 5ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.SPÓSITO, Eliseu Savério. A vida nas cidades. 5. ed São Paulo: Contexto, 2004.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 51
  16. 16. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012RIVIÈRE. J. W. Maurits La. Threats to the world’s water. Scientific American, SpecialIssue. Mananging Planet Earth, 1989. Texto adaptado. Disponível em:www.geocities.com.br Acesso: 28 set 2009.Disponível em:http://www.guiadasemana.com.br/Salvador/Passeios/Estabelecimento/Dique_do_Tororo.aspx?id=1954 Acesso: 10 jul 2010Disponível em:http://www.salvador-bahia.tur.br/portugues/dique-do-tororo-salvador-bahia.htmAcesso: 10 jul 2010V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 52
  17. 17. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 DESENVOLVIMENTO DE JOGOS EDUCACIONAIS: UM FOCO NA SUSTENTABILIDADE. Adriana Vieira dos Santos*1 Luis Gustavo Jesus de Araujo*2 *Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) campus Santo Amaro. 1-adrianavieira@ifba.edu.br 2-hyperbite@ymail.comRESUMOO presente artigo tem por objetivo discutir sobre a importância da utilização de jogosna educação como forma de motivação, cognição, interação do aluno com aaprendizagem. Para tanto, abordaremos o conceito de jogos, analisaremos aimportância do jogo para a educação, apresentaremos a proposta do jogo sobreDesenvolvimento Sustentável, nas formas analógica e digital e por fim, discutiremos arelação entre o jogo desenvolvido e ensino-aprendizagem.Palavras-chave: jogos digitais, educação ambiental, desenvolvimento sustentável. INTRODUÇÃO Desenvolvimento Sustentável é um tema que está sendo bastante discutidonas escolas desde os primeiros anos de escolarização do indivíduo em virtude dosimpactos antropogênicos ao ambiente e a veiculação da mídia em torno deste tema.Muitas vezes, o tema é ensinado e discutido de forma muito teórica o que faz comque se torne um tema enfadonho para crianças e jovens em idade escolar. Nesseartigo, propomos a apresentação de um jogo de tabuleiro, lúdico, interativo, prático efuncional que favorece a exploração, o entendimento do assunto DesenvolvimentoV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 53
  18. 18. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Sustentável. No jogo, são desenvolvidos aspectos como letramento, atenção,percepção e afetividade entre os “gamers”. Segundo Edgar Morin (2009) “a palavra ensino não me basta, mas a palavraeducação e educação em jogos (grifo nosso) comporta um excesso e umacarência. A missão do ensino não é transmitir o mero saber, mas uma cultura quepermita compreender a nossa condição (professor e aluno) e nos ajude a viver, eque favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre.” CONCEITUANDO JOGOS É comum ouvir dizer que os jogos em geral e, principalmente, os eletrônicosnão contribuem em nada para o processo de formação do indivíduo, segundo acrença popular eles incitam a violência e estimulam o sedentarismo e não têmsignificação alguma dentro da Escola. Essa opinião está ligada a conceitos dapedagogia tradicional que excluía o lúdico de qualquer atividade educativa. Essa realidade é, inicialmente, modificada com “o Movimento Escola Novaque traz o jogo como capacidade de atender interesses e necessidades infantis, quese contrapunha ao ensino tradicional que ignorava esse recurso como auxílio noensino.” (SANTOS 2009, p. 03) Hoje, com o surgimento de muitos estudos acerca da importância dos jogospara a aprendizagem e com o desuso da pedagogia tradicional, os jogos vêmconquistando a sua verdadeira importância no cenário educacional. Para iniciar nossa reflexão acerca da importância do jogo no ambienteeducacional é necessário conceituar jogo, para isso recorremos a definição deSANTANA e ALVES (2009):V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 54
  19. 19. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 “O jogo é uma atividade de caráter lúdico e prazeroso, que possibilita a formação de conceitos, desenvolvendo as habilidades motoras, a afetividade e a sociabilidade daqueles que aceitam o desafio de mergulhar no brincar.” (SANTANA e ALVES 2009; p. 27) Nos primeiros anos de vida, as crianças dedicam grande parte do seu tempoao brincar. No entanto, quando crescem e ingressam na escola, esse valor éinvertido, passam a dedicar ao brincar um lugar secundário em suas vidas. ParaVENTURA (2010) Brincar não é perda de tempo. Por meio do brincar a criançahipotetisa o mundo real na fantasia, ela retoma e transforma experiências vividasanteriormente o que lhe ajuda a formar sua personalidade. Apesar de todos os estudos que comprovam os benefícios dos jogos, muitoseducadores, ainda, deixam o lúdico do lado de fora de suas salas de aula imbuídospela crença de que a escola é lugar de coisa séria e não de brincadeira, justamente,por desconhecimento do seu potencial educativo. JOGOS E APRENDIZAGEM Os jogos podem auxiliar no desenvolvimento das funções lingüística, sensóriomotor, cultural, social, psicológica e cognitiva, pois o aprendiz tem que desenvolverestratégias de sobrevivência e de respeito às regras impostas para vencer o jogo. Para Vigotsky (1984) o brinquedo e os jogos são considerados uma importante fonte de desenvolvimento e aprendizado, portanto a atividade lúdica possibilita a criança satisfazer seus desejos, através da imaginação e do faz-de-conta, logo umaV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 55
  20. 20. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 das características do jogo e do brincar é poder explorar o que Vigotsky (1984) chamou de Zona de Desenvolvimento Proximal, ocasião em que a criança vai além do que sua experiência permite. (Sena e Moura, p.3) Os jogos são ferramentas facilitadoras do processo de ensino eaprendizagem, que através das experiências proporcionadas ao jogador ajudam-noa construir novos conhecimentos. Pensar a relação jogos e aprendizagem na culturadigital suscita a idéia de que a Escola precisa reformular sua práxis, pois enquantoela queixa-se que seus alunos são dispersos, desinteressados “os gamesconseguem envolver crianças, adolescentes e até adultos que permanecem horasem frente ao computador jogando, concentrados e entretidos.” (Sena e Moura, p.5) Mas não basta apenas inserir qualquer tipo de jogo no ambiente educacionalsem que haja um planejamento prévio. De acordo com SILVA e KODAMA: Para usar jogos em sala de aula é necessário que eles sejam escolhidos com o objetivo de fazer com que os alunos ultrapassem a fase de jogar por diversão. Com isso, é importante escolher uma metodologia de trabalho que explore o potencial dos jogos no desenvolvimento das habilidades de raciocínio lógico e intuitivo, como por exemplo, a metodologia de resolução de problemas. (SILVA e KODAMA 2007 apud ORIANI 2010) Considerando-se que os jogos podem potencializar a aprendizagem por seucaráter interativo e de aproximação da escola à realidade do aluno, faz-senecessário inseri-los no cotidiano escolar por visualizá-lo como um recursoV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 56
  21. 21. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012pedagógico motivador, que exige uma presença ativa do educando no seu processode aprendizagem, o que proporciona o desenvolvimento de sua autonomia. Ainda segundo SANTOS, “diferentes teóricos argumentam a favor do lúdico.Afirmam que os jogos são importantes para as crianças, tendo o educador comomediador, capaz de estimulá-las com o uso de material diferenciado e utilizandoessa ferramenta como aliada na prática educativa.” (2009, p. 03). Com isso, professores da Educação Básica e do Ensino Superior, poderiamaproveitar as potencialidades dos jogos para a dinamização de suas aulas e odesenvolvimento na aplicação dos conteúdos, ademais a aproximação na realidadedo aluno favorece, promove e facilita o aprendizado. JOGO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: Um Desafio para Todos. Desenvolvimento Sustentável é definido segundo o relatório de Brundtland(1987) produzido na Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimentocomo sendo “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual,sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.” (ANASTAS;WARNER, 2000). As palavras desenvolver e sustentar parecem antônimas, já que desenvolversignifica fazer um ser vivo crescer; fazer algo progredir, melhorar, aumentar. Noentanto, a palavra sustentar é ter alguma coisa pesada em cima de si; agüentar,apoiar, suportar, suster. É cada vez mais difícil combinar as palavrasdesenvolvimento e sustentabilidade tendo em vista uma sociedade sem sol, sem ar,poluída (SANTOS, 2001).V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 57
  22. 22. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Pensar em desenvolvimento significa pensar em progresso e este pode serperigoso se pensado de forma desordenada. Portanto, só podemos pensar emsustentabilidade se deixarmos de pensar no sistema linear que existe entre consumoexacerbado e o ato de jogar fora aquilo que consumimos.- O jogo analógico O jogo Desenvolvimento Sustentável: Um Desafio para todos, possui atipologia de tabuleiro (PINHEIRO; BRANCO, 2005), podendo ser jogado por criançasa partir de 7 anos e permitindo e interação de 2 a 3 jogadores no máximo. O jogopossui como objetivo, o jogador, representado por um peão, dar uma volta notabuleiro (saída de uma indústria não sustentável dentro de uma cidade denominadaEsperança) e chegar ao ponto final alcançando uma indústria auto-sustentável. Paraconseguir isto, os participantes deverão responder a perguntas (identificadas notabuleiro com o símbolo do desenvolvimento sustentável) e submeterem-se aoimposto pelas cartas Sorte ou Revés, ao pararem no local sinalizado no tabuleiropelas letras S ou R, respectivamente. O jogo possui uma narrativa e está enquadrado na categoria Alea(SANTAELLA et. al., 2009) no qual o senso comum é representado por uma criançade 9 anos denominada Maria e por seus amiguinhos que moram na cidade deEsperança. Maria quer melhorar Esperança com atitudes que tornem a cidade maisdo que sustentável, uma cidade que crê nas pessoas e fazem com que tenhamosuma família na comunidade de Esperança. Esse jogo tem a função além de divertir crianças, alertá-las para o sistema emcrise que existe no consumo exacerbado que vem ocorrendo ao longo dos anos nomundo inteiro. Mesmo sendo considerado um país em desenvolvimento, o Brasil éque fornece riquezas para alimentar as grandes corporações do mundo inteiro. JáV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 58
  23. 23. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012perdemos parte dos nossos recursos naturais (água, petróleo etc.) e isso é feitolonge do nosso olhar. Oferecer somente trabalho às pessoas, sem preocupação como ambiente, não fará com que Esperança se torne sustentável e isto é representadono jogo, através de imagens que indicam poluição, consumo, rejeito de materiais etc. O sistema deve ser circular, devemos pensar em atos sustentáveis parasalvaguardar pessoas, saúde, alimentação e não o consumo exacerbado, paraencher os bolsos das grandes corporações. Nisso o senso comum tem papelessencial, mas por não entender como o sistema funciona, continua aceitando oconsumo e o rejeito das coisas consideradas por nós como ultrapassadas.- O jogo digital Em virtude do advento tecnológico e a atratividade que o jogo tem, a união detecnologias aos jogos tem se mostrado um fator primordial para a educaçãocontemporânea. Essa junção potencializa a educação que através do paradigmatradicional já não desperta mais, nos estudantes, a vontade de aprender. Isso énotório se observarmos o ambiente onde os estudantes de hoje nasceram, todosrodeados de computadores, celulares, tablets e que ao chegar à escola se deparamcom o antigo quadro negro (agora a lousa branca e o piloto) e um sistema que usaferramentas “de ontem procurando formar pessoas para o amanhã.” (MATTAR,2010). Partindo desse pensamento, se fez necessária a transformação do jogoanalógico em jogo digital. Para a criação do jogo em sua forma digital foi utilizada a ferramenta AdobeFlash CS3 Professional. Através da linguagem de alto nível, actionscrip3, foipossível desenvolver a parte lógica do jogo; desde a escolha dos personagens(agora denominado ecotime), seus movimentos, ações diferenciadas aos sorteiosdas cartas de forma randômica nas casas Sorte ou Revés, carregadas de umV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 59
  24. 24. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012arquivo eXtensible Markup Language (.xml), e as demais interatividades com ousuário. A ferramenta também possibilita a criação de animações que aparecem nodecorrer do jogo (figura1). Para ambos os processos foram utilizadas ferramentasadicionais como o Adobe Illustator CS3 para criação das imagens vetoriais quepossibilitam uma maior qualidade e o Adobe Photoshop CS3 para edição dasimagens contidas no game como cenário, botões, telas e personagens (figura 2). Figura 1- Personagens do jogo. Figura 2- Menu do jogo Na criação do game foi abordado, além do conteúdo pedagógicoindispensável na criação de um objeto educacional, os aspectos atrativos, tendo emvista que o público alvo tem, por ter nascido em meio a esse turbilhão tecnológico,um nível de exigência elevado. É necessário encontrar a sinergia entre pedagogia ediversão nos jogos educacionais. Se por um lado temos que atender ao conteúdopedagógico, por outro os nativos digitais não se encantam com qualquer tipo dedesign ou jogabilidade, afinal são especialistas em games. Em contrapartida temos um sério problema de infraestrutura nas instituiçõesde ensino, o que não nos permite a criação de jogos que possam competirdiretamente com os oferecidos no mercado com gráfico quase que reais. Sendoassim, a ferramenta Flash se mostra como uma grande opção, pois fomentamateriais de boa qualidade que não exigem tanta robustez do computador. Alémdesse problema temos a rejeição por parte dos professores que julgam não sabermanusear tais ferramentas, nesse quesito a ferramenta utilizada se mostra mais umaV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 60
  25. 25. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012vez útil, pois os arquivos gerados pelo Flash são do tipo Shokcwave Flash (.swf) quepodem ser executados em qualquer computador com o plugin Adobe Flash Player,disponível gratuitamente no site da Adobe, através do navegador. A versão digital conta com um potencial gráfico bastante superior,animações, cores variadas, sons e interatividade. O conjunto dessas característicascausa no jogador um estímulo a mais para jogar e por consequência aprender.Dessa forma o uso do jogo digital que mescla a atratividade do lúdico com atecnologia digital reforça ainda mais a aprendizagem. O jogo, em sua forma digital,ainda requer aperfeiçoamentos e outras modificações estão sendo realizadas noprojeto de extensão que está sendo desenvolvido no Instituto Federal de Educação,Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) localizado no município de Santo Amaro-Bahia. DISCUTINDO ENSINO-APRENDIZAGEM COM O JOGO Muitos jogadores aprendem mais sobre conteúdos ditos escolares em gamesdo que em todos os anos do ensino fundamental e médio, os jogos atraem eensinam mais que os livros didáticos. E essa é justamente a proposta daaprendizagem tangencial: Os jogos podem estimular o aprendizado a partir daexperiência vivenciada. Eles não precisam ser, essencialmente, “educativos” paratrazer conhecimentos aos jogadores. O conceito de aprendizagem tangencial não é o que você aprende ao serensinado, mas o que aprende por ser exposto a coisas, em um contexto no qualvocê está inserido (MATTAR, 2010). Imbuídos desse sentimento, o jogo projetadopela equipe é uma aula interativa sobre desenvolvimento sustentável. Ao ler a narrativa do jogo Desenvolvimento Sustentável: Um desafio paratodos o “gamer” percebe que aprenderá sobre o conteúdo desenvolvimentosustentável ou ao menos sobre os temas que permeiam a respeito do tema principal.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 61
  26. 26. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 O jogo também deve ser avaliado pela sua jogabilidade e não somente peloconteúdo a ser aprendido e como o conteúdo está sendo trabalhado para garantir àsgerações futuras o direito de repensar e até mesmo reformar o espaço de ensinoaprendizagem (MORIN, 2009). O conhecimento e a informação produzidos pelo jogoperpassam pelo conhecimento que se produz e reproduz na escola tendo o sensocomum e o cotidiano como focos de aprendizagem (LOPES, 1999). Assim como na sala de aula, o jogo contribui para a formação cidadã dosujeito protagonista do processo ensino-aprendizagem, além de despertar para aimportância da interatividade e da afetividade entre os “gamers” CONSIDERAÇÕES FINAIS A escola inserida em uma sociedade complexa, deve atentar-se às situaçõesnovas que surgem a cada dia, devendo estar disposta a repensar suas atividades eaberta a novas formas de educar. Utilizando-se dos mais variados recursos, como osjogos, para promover diferentes saberes, as muitas culturas e novas educações. Nesse mundo tecnológico onde a cor e o movimento fascinam tanto nossosolhos, a educação tradicional, estática, sem cor e movimento, perde sua posição eabre espaço para uma educação mais interativa que se utiliza de todos os recursosdidáticos ou não, para incentivar a participação do alunado colaborativamente noseu processo de aprendizagem e nos dos demais seres envolvidos. Efetivando-seassim uma educação tão sonhada e pouco realizada pelas propostas pedagógicasexistentes anteriormente. O trabalho pedagógico que pode ser desenvolvido com jogos perpassa aformação do professor e a construção de novos paradigmas, contudo, mudarconceitos e práticas não é fácil, é necessário um olhar livre das amarras de umV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 62
  27. 27. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012ensino engessado, tradicional. Dessa forma, favorecer um caminhar entre jogos eaprendizagem. Sendo assim, esperamos o que o jogo proposto possa contribuir para ajudar adiminuir o quadro agonizante instalado em nossas unidades escolares, incentivandoo professor a melhorar a sua prática diária contribuindo no processo de formação deum cidadão. Considerando a importância de ampliar o conceito de DesenvolvimentoSustentável para o máximo de pessoas possíveis, torna-se necessário o jogo e asdiscussões em sala de aula, outrossim, o entendimento dos problemas que serãoocasionados pela falta de conscientização das pessoas, haja visto que os problemasde ordem ambiental acarretarão desequilíbrio em todo ecossistema. É precisoconsiderar que, se por um lado a disseminação e propagação do conceito dedesenvolvimento sustentável favorece o progresso, o equilíbrio, a forma como esseconceito deve ser aplicado em sala de aula, pode promover ou não mudanças dehábitos e novas formas de comportamento. Em uma sociedade com forte influência da globalização não é concebívelpensar uma educação moldada por uma sociedade tradicional, nem a formação desujeitos acríticos. É imprescindível nos conscientizarmos de que as mudançassociais ocorridas atingem também o papel social da escola, exigindo mudanças damesma. Faz-se necessária, então, uma nova escola, adequada às novas demandasda sociedade e seus indivíduos. REFERÊNCIASANASTAS, P.T.; WARNER, J.C. Green Chemistry. Theory and Practice. NewYork: Oxford University Press Inc., 2000, 135 p.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 63
  28. 28. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012LOPES, A. R. C. Conhecimento Escolar: Ciência e Cotidiano. Rio de Janeiro:EdUERJ, 1999. 236 p.MATTAR, J. Games em educação: como os nativos digitais aprendem. SãoPaulo: Pearson Prentice Hall, 2010.MORIN, E. A Cabeça Bem-Feita: repensar a reforma, reformar o pensamento.Tradução Eloá Jacobina, 16 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009.ORIANI Jr., O. A. Subtração: jogo favorece a abordagem de diferentessignificados da operação. Revista do Professor, nº 103, ano XXVI, p.19-24 , Julho/setembro 2010.PINHEIRO, C. M.; BRANCO, M.A. Entre Combos e Enigmas: A Complexidade daNarrativa dos Games. n. 14, Porto Alegre: Famecos, 2005SANTAELLA, L. et. al. Mapa do Jogo: A diversidade cultural dos games. SãoPaulo: Cengage Learning, 2009.SANTANA, C.; ALVES, L. Psicologia ecológica: especialização em EAD.Salvador: UNEB/NEAD, 2009.SANTOS, A. C.; PIOVEZANI, A.; BASSETTO, M.; OLIVEIRA, N.; ZUCA, P. C. OLúdico a Educação. In: http://www.am.unisal.br/pos/stricto-educacao/coloquio/2009/trab_completo_files/o%20ludico%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o.pdf acesso: 22 nov. 2010SANTOS, G. M. G. Dicionário Júnior da língua portuguesa. 2 ed. São Paulo: FTD, 2001.SENA, G.; MOURA, J. Jogos Eletrônicos e Educação: Novas Formas de aprender. In:http://www.gamecultura.com.br acesso em: 21 out. 2010VENTURA, M. M. S. Atividades Lúdicas - jogar e brincar promovem o desenvolvimentodo pensar da criança. Revista do Professor, nº 103, ano XXVI, p. 5-8 , Julho/ setembro2011.http://www.wwf.org.br/informacoes/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/acesso em: 21 out. 2011http://www.jogos.antigos.nom.br/jtabuleiro.asp acesso em 02 nov. 2010http://www.wwf.org.br/informacoes/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/acesso em 01 abril. 2012http://help.adobe.com/pt_BR/ActionScript/3.0_ProgrammingAS3/flash_as3_programmingacesso em 04 de maio de 2012.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 64
  29. 29. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012http://helpx.adobe.com/content/help/br/illustrator/topics.html acesso em 05 de maio de 2012.http://helpx.adobe.com/photoshop/topics.html acesso em 05 de maio de 2012.ANEXOSStoryboard do Jogo Desenvolvimento Sustentável: Um Desafio para Todos! Figura 1- Logomarca do jogo Figura 2- Narrativa do jogo Desenvolvimento Sustentável. Desenvolvimento Sustentável. Figura 3- Desenvolvimento do tabuleiro Figura 4- Visão frontal do jogo do jogo. Desenvolvimento Sustentável.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 65
  30. 30. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Figura 5- Visão lateral do tabuleiro do Figura 6- Caixa do jogo jogo. Desenvolvimento Sustentável.. Figura 7- Logomarca do jogo digital Figura 8- Cena do jogo digital Figura 9- Logomarca do Projeto de Extensão desenvolvido no IFBA campus Santo AmaroV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 66
  31. 31. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Processos erosivos e mudanças na paisagem da bacia do Arroio Pelotas, município de Pelotas, RS. Rafael Cruz da Silva*1 *Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia – UFBA. 1-georafacruz@yahoo.comResumoEste trabalho tem como objetivo analisar as áreas suscetíveis à erosão na bacia do ArroioPelotas sobre a perspectiva da ecodinâmica de Tricart. Os processos erosivos tendem ainstituir uma dinamicidade nas paisagens, principalmente quando relacionadas ao efetivotrabalho técnico do homem, que constantemente transforma e remodela a morfologia dapaisagem em neocenários antropizados pela técnica. De acordo com IBGE (2002) oassoreamento está entre os quatros problemas ambientais mais freqüentes no país. Esteproblema atinge principalmente a metade sul do Rio Grande do Sul, onde 58% doassoreamento são ocasionados pela erosão hídrica. Entre as principais causas estavam àdegradação da mata ciliar, o desmatamento e a erosão e/ou deslizamento de encostas.Neste contexto, se insere a idealização deste estudo, no qual busca identificar e caracterizaros processos de degradação do solo, com ênfase na definição e análise de áreassuscetíveis à erosão na região abrangente da bacia do Arroio Pelotas. Em relação aoprocedimento operacional em geoprocessamento, foram levados em consideração oselementos naturais (tipo de solo, vegetação, declividade, formas de relevo, intensidade decobertura vegetal) e humanos (uso da terra) e que, posteriormente, foram atribuídos valoresaos elementos geoambientais e antrópicas. Os resultados obtidos com este estudoapontaram que cerca de 90% da área da bacia hidrográfica apresenta alguma fragilidade àerosão. Destes, 8% são consideradas de intensidade forte à erosão; 41% de intensidadeforte à moderada; e 44% de intensidade moderada. Por fim, estes dados poderão subsidiaratividades relacionadas ao planejamento socioambiental na área da bacia do Arroio Pelotas.Palavras-chave: erosão dos solos; geoprocessamento; paisagem.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 67
  32. 32. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 INTRODUÇÃO A paisagem é para o geógrafo o cerne da pesquisa geográfica, pois é ondeas relações de produção e os fluxos de matéria e energia são materializados.Moreira (2009) nos diz que a geografia lê o mundo por meio da paisagem. E aindacoloca a dependência geográfica por esta categoria, pois para Moreira (2009) ogeógrafo não vai adiante sem o recurso da paisagem à sua frente. Entre os diversos tipos de mudanças ambientais impostas à paisagem pelaação humana, a erosão dos solos preocupa de forma mais relevante. Isto devido asua relação direta na perda do potencial agrícola, nas ocorrências das enchentes enas modificações morfológicas da paisagem num curto período de tempo. Embora aerosão seja um processo natural do ciclo de evolução do relevo (ciclo de erosão), oseu processo acelerado, mais conhecido como erosão acelerada, é desencadeadopela ação humana, ou mais precisamente pelas mudanças da dinâmica do uso daterra. É neste sentido que Faria (1996) nos diz que “a erosão dos solos pode servista por duas maneiras, dependendo do objetivo do estudo: primeiro, como um dosfatores responsáveis pela evolução do relevo, na perspectiva da Geomorfologia eneste caso considera-se a escala de milhares ou milhões de anos. Na outra forma, aerosão dos solos pode ser entendida e relacionada ao ponto de vista pedológico(agrícola e ambiental)”. As mudanças no uso da terra são impostos pela ação do homem, que atravésda técnica, ou em outras palavras por um meio instrumentalizado (SANTOS, 1997)desempenha um papel de agente modelador da paisagem. Estes espaços artificiais,na forma de sistemas agrícolas, áreas de expansão urbana e de extração derecursos naturais têm provocado o desencadeado dos processos erosivos num ritmoV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 68
  33. 33. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012muito rápido, sendo este processo denominado de erosão acelerada 1. Neste sentido,Guerra e Marçal (2006) colocam que a capacidade do trabalho técnico dassociedades vem aumentando as taxas de modificações nas paisagens. Segundo Bornheim (apud ALMEIDA et al., 2008) “o espetáculo da construçãoda história parece totalmente entregue às forças transformadoras da razãoinstrumental. E tais forças tendem a desrespeitar, como notório, qualquer limite,qualquer forma de autocontrole. Elas são constituídas por um complexos de fatoresque se estende do individualismo capitalista à suficiência por assim dizer fatalistadas inovações tecnológicas”. Muitas vezes à degradação da paisagem está relacionada ao uso equivocadoda terra, pois, nestes casos, não se levam em consideração às limitações do meiofísico, como, por exemplo, grau de declividade, tipo de solo, áreas de inundações ede movimento de massas. Neste sentido, Guerra e Marçal (2006) colocam que asáreas degradadas estão relacionadas a alguma forma de relevo, no qual possuisolos e rochas que sofreram algum tipo de degradação causado, na maioria dasvezes pelo uso inadequado do meio físico do homem. A degradação dos solos constitui-se na perda de suas qualidades naturais(físicas e bioquímicas), geradas em sua maioria pelos processos erosivos,acarretando impactos tanto de ordem ambiental, como socioeconômicos, pois, emreciprocidade ao aumento da perda dos solos por erosão, há uma gradativadiminuição das camadas mais produtivas (horizontes O e A). Ocasionando, comisso, a lixiviação2 dos nutrientes superficiais e, por fim, provocando uma gradualredução na produtividade agrícola.1 É o aumento da taxa de erosão sobre a erosão geológica ou normal, em decorrência da quebra doequilíbrio do meio ambiente pelas atividades humanas, principalmente as advindas das alteraçõesconduzidas na cobertura vegetal, tais como, uso excessivo de pastagens, retirada de madeira porderrubada ou queima, práticas inadequadas de cultivo, etc. (FENDRICH, 1997).2 Processo pelo qual a matéria orgânica e os sais minerais são removidos do solo, de formadissolvida, pela percolação da água da chuva (IBGE, 2004).V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 69
  34. 34. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Neste sentido, Bertoni e Neto (2008) lecionam que o solo perdido pela erosãohídrica é geralmente mais fértil, contendo os nutrientes das plantas, húmus e algumfertilizante que o lavrador tenha aplicado. Ainda, segundo esses autores, em muitospaíses a erosão dos solos tem levado ao abandono de extensas áreas agrícolasdevido à degradação. De acordo com os dados da FAO (FAO, 1980), somente 11% dos solos nãoapresentam alguma restrição ao seu uso. Estes dados demonstram a escassezdeste recurso natural, já que a sua formação é um processo lento. Em algumasregiões de degradação acelerada a pedogênese3 não acompanha o mesmo ritmo daperda dos solos. Araújo et al. (2007) coloca que a degradação das condições dosolo é muito mais séria, no sentido de que não é facilmente reversível, uma vez queprocessos de formação e regeneração do solo são muito lentos. Ainda, segundo Araújo et al. (2007) as estimativas mundiais de solo perdidosanualmente variam entre 5 a 12 milhões hectares (de um total de 4,8 bilhões dehectares de terras cultiváveis e pastos). Conforme, estes autores, em pesquisarealizada pela FAO (1992), aproximadamente 25 bilhões de toneladas de solo (17toneladas por hectare cultivado) são erodidos a cada ano. Segundo dados do IBGE (2002), o assoreamento está entre os quatroproblemas ambientais mais freqüentes no país. No Rio Grande do Sul este problemaatinge principalmente a metade sul do estado, onde se insere a Bacia do ArroioPelotas e que de acordo com Silva (2009), em pesquisa in situ, foram identificadosimpactos ambientais relacionados à degradação dos solos e a paisagem. Ainda, orelatório do IBGE (2002) aponta que nesta região 58% do assoreamento éocasionado pela erosão hídrica. Porém, conforme Guerra e Mendonça (2004) emnosso país ainda não temos estatísticas precisas dos totais de perda de solo, emnível estadual ou nacional.3 Modo pelo qual o solo se origina, com especial referência aos fatores e processos responsáveispelo seu desenvolvimento. Os fatores que regulam os processos de formação do solo são: materialde origem, clima, relevo, ação de organismos e o tempo (IBGE, 2004).V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 70
  35. 35. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Alguns estudos, em nosso território, apontam de acordo com Marques (1949apud BERTONI e NETO, 2008) uma perda por erosão laminar de 500 milhões detoneladas de terra anualmente. Segundo Bertoni e Neto (2008) a perda de 500milhões de toneladas de terra por ano corresponde ao desgaste uniforme de umacamada de 15 cm de espessura numa área de 280.000 hectares de terra. Ainda,estes autores assinalam que uma diminuição de 5cm da camada superior do soloresulta em redução de 15% na produção do cultivo de milho; se a redução for de10cm será de 22%, caso for de 15cm será de 30%, e de 75% na produtividade casohaja uma redução de 30cm da camada do solo. Portanto, com este trabalho objetiva-se a identificação das áreas defragilidades ambiental, principalmente em relação os processos erosivos, trazendo àtona a questão ambiental e das possibilidades do uso das geotecnologias comoferramenta de auxílio neste processo de análise ambiental. Assim, percebesse aimportância em se abordar a problemática da dinâmica dos processos erosivos, quesão responsáveis pela redução na qualidade dos solos e na degradação dapaisagem. ÁREA DE ESTUDO A bacia do Arroio Pelotas está localizada entre as coordenadas geográficasde 31º23’36“S a 31º48’49”S e 52º12’24”W a 52º38’27”W. Esta bacia hidrográficapossui uma área de 909 Km² (90.900 hectares) e abrange parcialmente quatromunicípios na metade sul do Rio Grande do Sul, que são: Pelotas, Arroio do Padre,Morro Redondo e Canguçu. Em relação à dinâmica da ocupação da terra,predominam as atividades agropastoris, que são de grande importância para aeconomia local destes municípios.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 71
  36. 36. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 O clima da região é do tipo mesotérmico (subtropical úmido) e que de acordocom a classificação climática de Köppen é representado pelas letras Cfa, onde “C”representa o domínio dos climas temperados; “f” chuvas bem distribuídas; e “a” asáreas de verões quentes. A temperatura média anual oscila entre de 17ºC e 18ºC, eas precipitações totais anuais variam entre 1.300mm a 1600 mm (aumentando nosentido leste-oeste). A região é marcada por um terreno formado por uma litologia cristalina doPré-Cambriano e outra de sedimentos do quaternário e terciário que representam,respectivamente, a Serra do Sudeste e a Planície Costeira Gaúcha. A paisagem,ainda, é marcada por um faixa de transição entre os campos sulinos das coxilhas eas vegetações pioneiras de planície. MATÉRIAS E MÉTODOS A análise dos processos morfodinâmicos se dá através de uma visãometodológica sistêmica do meio físico e territorial e, no qual, leva-se emconsideração a fragilidade dos elementos pertinentes à paisagem. De acordo comAlmeida et al. (2008) “a abordagem sistêmica é baseada no princípio de que o meioecológico não é um conglomerado de elementos distintos, mas um sistemapossuidor de organização e integração – sustentado no equilíbrio dinâmico de ciclose flutuações permanentes e complementares de matéria e energia –, queredimensionou o pensamento científico moderno”. Para a realização deste trabalho deve-se seguir um procedimentometodológico apropriado a análise das variáveis que compõe a paisagem,distinguindo meios degradados dos naturalmente equilibrados. Por isso, seráV SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 72
  37. 37. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012utilizada a proposta metodológica de Crepani et al. (2008), onde estes autoresanalisam as perdas de solos a partir da caracterização morfodinâmica da paisagem,ancorado nos pressupostos da ecodinâmica de Tricart (1977), onde se estabeleceos critérios morfodinâmicos da paisagem, de acordo com a sua intensidade dedegradação. Em relação ao procedimento operacional deve-se proceder segundo o quepropõe Crepani et al. (2008), onde após serem atribuídos valores para as classesdos respectivos mapas temáticos, devem-se ser feita à integração via álgebra demapas em SIG e que, posteriormente, será gerado o mapa de suscetibilidade àerosão dos solos. Referente ao uso do solo, os valores atribuídos (Tabela 1) estavamrelacionados com a temporalidade da cobertura, vegetal, ou seja, em culturas emque sua vegetação não é totalmente retirada em alguma parte do ano foiconsiderada menos propensa à erosão em consideração as culturas de ciclo curto,como, por exemplo, o milho que passada a época de colheita, o solo fica exposto aerosividade.Tabela 1 – Uso do solo e vegetação Uso do solo e vegetação Elementos Característica de fragilidade Valor atribuído Floresta baixa 1 Mata ciliar baixa 1 Mata de restinga baixa 1 Eucalipto (silvicultura) alta 3V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 73
  38. 38. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Banhado baixa 1 Campos litorâneos baixa 1 Campos baixa 1 Policultura baixa 2 Orizicultura alta 3 Lagoa - 0 Área Urbana alta 3Fonte: Adaptado de XAVIER-DA-SILVA E ZAIDAN, R. T. (2004). O tipo de cobertura vegetal, na medida em que protege o solo, diminuindo oimpacto das chuvas sobre ele e interferindo no escoamento superficial, interfere nocálculo da erodibilidade do solo e, conseqüentemente, na estimativa de perda desolo (ABDON, 2004). Em relação aos solos, a sua classificação de fragilidade (Tabela 2) é dadapelas suas características físicas (porosidade, profundidade e estrutura dascamadas). Solos como do tipo neossolo litólico apresentam pouca profundidade, oque justifica uma maior fragilidade à erosão, devido ao valor elevado de escoamentosuperficial sobre este tipo de solo. Os neossolos litólicos rasos e com seqüência de horizontes A-R têm baixacapacidade de infiltração e armazenamento de água no solo e alta suscetibilidade àerosão hídrica, impossibilitando o seu uso com culturas anuais. (STRECK et al.,2002).V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 74
  39. 39. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Tabela 2 – Tipo de solos Solos Grupo de Solos Características de fragilidade Valor atribuído Neossolo (RD) alta 3 Luviossolo (PB) alta 3 Argilossolo (PV) média 2 Planossolo (PL) média 2 Orgânico (HG) baixa 1 Glei (H) baixa 1 Aluvião baixa 1Fonte: Adaptado de XAVIER-DA-SILVA E ZAIDAN, R. T. (2004). Embora a topografia da bacia do Arroio Pelotas não apresente áreas comdeclives acentuados, às declividades compreendidas entre 10-20% são suficientespara desencadear processos erosivos de média intensidade. O relevo da regiãocaracteriza-se por apresentar formas onduladas com topos convexos, o quepredetermina a ação da erosão laminar. Diante destas características foramatribuídos valores de baixa a média predisposição à erosão (Tabela 3).Tabela 3 - Declividade Declividade Declividade (%) Características de fragilidade Valor atribuído 0-5 Baixa 1 5-10 Baixa 1 10-20 Média 2V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 75
  40. 40. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 >20 Média 2Fonte: Adaptado de XAVIER-DA-SILVA E ZAIDAN, R. T. (2004). Após esta etapa de coleta de dados, passou-se a etapa de geoprocessamentono ARCGIS. Nesta etapa foram sobrepostos (overlay) os dados de declividade e tipode solos, o que gerou um primeiro mapa. Logo, este primeiro mapa foi sobreposto(overlay) com os dados de uso da terra, tipo cobertura vegetal e intensidade demassa vegetal. Assim, alcançou-se o resultado do mapa de fragilidade à erosão dabacia do Arroio Pelotas. RESULTADO E DISCUSSÕES Baseado no conceito de morfodinâmica de Tricart (1977), os setoresapresentados são: muito forte, forte, moderado-forte, moderado e fraco. Estasunidades ou setores de fragilidade à erosão são o resultado da interação entre osfatores geoambientais que determinam a ocorrência de erosão. Portanto, a partirdestes dados gerados podem ser elaborados cenários distintos das possibilidadesde ocorrência de processos erosivos, pois se alterando o potencial de erosividade,ou seja, a entrada de energia no sistema como, por exemplo, eventos catastróficosde chuvas ou época de precipitações torrenciais.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 76
  41. 41. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012Figura 1 - Mapa de suscetibilidade à erosão da Bacia do Arroio Pelotas Em relação aos resultados, obteve-se que mais de 90% da área da bacia doArroio Pelotas apresenta algum risco de erosão dos solos (Tabela 4).Tabela 4 – Unidades de suscetibilidade à erosão Unidades de suscetibilidade à erosão Classe Área (m²) Área (%) Muito Forte 2.392 0,26 Forte 73.305 8,06 Moderado-Forte 373.142 41,04V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 77
  42. 42. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 Moderado 398.361 43,81 Fraco 61.918 6,81 Total 909.118 1001. Setor muito forte Área caracterizada por uma alta fragilidade as condições de degradação dossolos, com predomínio dos processos erosivos. O maior grau de risco à erosão sedeve as declividades acentuadas das bordas do planalto.2. Setor forte As declividades são mais suaves, porém a ação do homem se faz maispresente. Tanto, através da utilização de maquinários, como no uso da terra para aagricultura em pequenas e médias propriedades.3. Setor moderado forte Setor marcado pelo uso intensivo do solo pela rizicultura em amploslatifúndios, que devido a própria natureza de manejo agrícola faz com que o soloseja exposto aos processos de erosão hídrica.4. Setor moderado Predomínio de baixa declividade, porém com solos bastante suscetíveis àerosão, como é o caso dos planossolos hidromórficos e associado a áreas decobertura vegetal de campos.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 78
  43. 43. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 20125. Setor fraco Predomínio da deposição dos sedimentos, que se percebe peloassoreamento dos rios, provocando, muitas vezes, enchentes constantes no valefluvial.CONSIDERAÇÕES FINAIS A elaboração deste estudo proporcionou, através da síntese cartográfica, aidentificação e caracterização dos processos de degradação do solo, com ênfase nadefinição e análise de áreas suscetíveis à erosão na região que abrange a bacia doArroio Pelotas, com o auxílio do geoprocessamento. Dessa forma, obteve-se como resultado a definição das áreas desuscetibilidade à erosão na bacia e estabelecidos os setores de acordo com a suaintensidade de atuação dos processos morfodinâmicos. Assim, foram identificadoscincos unidades distintas caracterizadas como muito forte, forte, moderado-forte,moderado e fraco, sendo que para tal adotou-se a metodologia de unidades defragilidade ambiental fundamentadas no conceito de ecodinâmica de Tricart (1977). Os resultados apontaram que aproximadamente 90% da área da bacia doArroio Pelotas apresenta risco de erosão de intensidade forte. Sendo que, 75 Km²apresentam-se como áreas fortemente erodidas, equivalente a cerca de 9% da áreatotal. E 398 Km² (43% da área) tem risco de perda de solos moderados por erosão. As áreas de maior suscetibilidade à erosão são aquelas em que asdeclividades são superiores a 20%, apresentam solos do tipo neossolo litólico, estãoassociados a cultivos de ciclo curto (milho, fumo e soja), e apresenta desmatamentoda mata nativa.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 79
  44. 44. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012 REFERÊNCIASABDON, M. Os Impactos Ambientais no Meio Físico – Erosão e Assoreamentona Bacia Hidrográfica do Rio Taquari, MS, em Decorrência da Pecuária. Tese deDoutorado. Escola de Engenharia de São Carlos, USP, São Carlos, 2004.ALMEIDA, J. R.; GUERRA, A. J. T.; NETO, J. B. C.; AGUIAR, L. A.; RODRIGUES,M. G.; COSTA, M. B. A.; MATOS; R. M. B. Ciências Ambientais. Rio de janeiro:Editora Thex, 2008.ARAUJO, G. H. S.; ALMEIDA, J. R.; GUERRA, A. J. T. Gestão Ambiental de ÁreasDegradadas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.BERTONI, J. e NETO, F. L. Conservação do solo. 6ª ed. São Paulo: Editora Ícone,2008.CEPRANI, E.; MEDEIROS, J. S.; PALMEIRA, A. F.; SILVA, F. E. ZoneamentoEcológico-Econômico. In: Geomorfologia: Conceitos e Tecnologias Atuais. SãoPaulo: Oficina de Textos, 2008.FARIA, A. P. Os Processos Erosivos e as suas Variações nas Escalas Temporal eEspacial: Revisão e Análise. In: Revista Brasileira de Geografia/IBGE. Rio deJaneiro, vol.58, n.1/4, p.1-149, jan/dez. 1996.FENDRICH, R. Drenagem e Controle da Erosão Urbana. 4ª ed. Curitiba:Champagnat, 1997.GUERRA, A. J. T. e MARÇAL, M. S. Geomorfologia Ambiental. Rio de Janeiro.Bertrand Brasil, 2006.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 80
  45. 45. V Seminário de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento. Santo Amaro – Bahia, 2012IBGE. Perfil dos Municípios Brasileiros: Meio Ambiente. Rio de Janeiro: IBGE,2002.IBGE. Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente. 2ª ed. Rio deJaneiro: IBGE, 2004.MOREIRA, R. Para Onde Vai o Pensamento Geográfico? Por UmaEpistemologia Crítica. São Paulo: Editora Contexto, 2009.SANTOS, M. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo. Razão e Emoção. 2ª ed.São Paulo: HUCITEC, 1997.SILVA, R. C. Análise das Áreas Suscetíveis à Erosão na Bacia do ArroioPelotas (RS), com Auxílio do Geoprocessamento. Dissertação de Mestrado. Pós-Graduação em Geografia, Rio Grande, 2009.STRECK, E. V.; KÄMPF, N.; DALMOLIN, R. S. D.; KLAMT, E.; NASCIMENTO, P. C.;SCHNEIDER, P. Solos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EMATER/RS; UFRGS,2002.TRICART, J. Ecodinâmica. Rio de Janeiro: IBGE, 1977.XAVIER-da-SILVA, J. e ZAIDAN, R. T. Geoprocessamento e Análise Ambiental:Aplicações. Rio de Janeiro. Editora Bertrand Brasil, 2004.V SEMAD – 04 a 06 de Junho de 2012 81

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