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No dia 18 de Maio de 2012 celebrou-se em
todo o mundo o primeiro Dia Internacional
do Fascínio das Plantas. Este evento,
promovido pela European Plant Science
Organisation (EPSO) e, em Portugal,
pela Sociedade Portuguesa de Fisiologia
Vegetal, contou com a participação de
mais de 30 instituições portuguesas que
asseguraram uma centena de actividades
de norte a sul do país.

 No ITQB, celebrámos este dia com
 actividades para todas as idades. Em
  conjunto com outras instituições do       O dia 18 de Maio foi também o culminar
   Campus de Oeiras (IBET, IGC, INRB        dos concursos Aqui há Planta, promovidos
     e IICT), convidámos os visitantes a    pelo ITQB e pela Câmara Municipal
      descobrirem com os investigadores     de Oeiras. Desafiados a mostrar o seu
        a importância do estudo das         fascínio pelas plantas, os participantes
          plantas.                          fotografaram, escreveram contos e
                                            produziram objectos artísticos diversos.
                                            Os melhores trabalhos encontram-se
                                            reunidos neste livro.
O Instituto de Tecnologia
                                            Química e Biológica da Uni-
                                            versidade Nova de Lisboa é um
                                            instituto multidisciplinar dedi-
                                            cado à investigação e ao ensino
                                            pós-graduado. Localizado na Quinta
                                            do Marquês, em Oeiras, o ITQB é um
                                            dos maiores institutos de investigação
                                            do país.

                                            Aqui trabalham quase quatrocentos
                                            investigadores especializados em diver-
Juntámos também neste livro,                sas áreas que procuram compreender o
testemunhos de investigadores de            mundo que nos rodeia e contribuir para
diversas instituições e que foram           o desenvolvimento de tecnologias que
 desafiados a transmitir o seu fascínio      melhorem a nossa vida
  pelo estudo das plantas e a importância
  do seu trabalho para as nossas vidas.
   A iniciativa “i-plant and you?” foi
   promovida através da página de
    facebook “Aqui há planta” criada a
    propósito do Dia Internacional do
     Fascínio das Plantas.
A exposição

Os melhores trabalhos dos concursos “Aqui há
Planta” estiveram expostos no Oeiras Parque,
 um movimentado Shopping Center em Oeiras,
 de 15 a 30 de Julho.

  Aqui, no corredor principal de exposições,
  nasceu um jardim enfeitado com fotografias,
   maquetes, esculturas de papel e desenhos.
    Puffs coloridos convidavam os visitantes a
     disfrutar de um momento de calma, lendo os
      melhores contos do concurso.
Este espaço foi ainda
palco de ateliers de pintura, em que as
crianças aprendiam técnicas de extracção
de pigmentos de plantas e eram
depois convidadas a dar largas à
sua imaginação com uma paleta
diferente do habitual.

E para ficarmos a conhecer o que
pensavam os visitantes das plantas,
desafiámos todos a encher os ramos
 de uma árvore despida com post-its
  que completassem a frase “Se eu
   fosse uma planta…” As ideias não
    pararam de chegar e em breve
     enchemos a nossa árvore de
     ideias fantásticas e coloridas.

    Sem dúvida que em Julho as
    plantas reinaram no Oeiras
    Parque.
Concurso de Contos
O Sobreiro Solitário


        Hoje a brisa é suave, os meus ramos e
       folhas sentem a doce aragem. A solidão é
      imensa nesta planície no Alentejo, cujo solo
     me agarra. As minhas raízes sentem a terra
    húmida e a seiva corre por todo o meu tronco
   e pelos meus ramos. Ontem fui uma semente,
                                                     Maria Beatriz
  hoje sou uma grande árvore.                        Gomes 10 anos
 Ainda me lembro de quando eu era uma                  1º prémio
 sementinha. Numa bela manhã, eu estava                 Categoria
um pouco atormentada com a brisa que me               Menores de 16
transportava. Eu só pensava onde iria parar.
De repente fui aterrar na terra húmida desta
planície, e assim fui-me desenvolvendo com o
sol e com a chuva: primeiro um pequeno caule,
depois umas folhinhas e lá fui eu assim crescendo
aos poucos.
         Descobri que os homens me chamam
Sobreiro e há quem se refira a mim como Quercus
suber, o que eu acho um pouco estranho, por
não ser nada comum. A minha casca rugosa é
delicadamente retirada para fazer cortiça, que é
uma matéria-prima. Pode ser usada no fabrico
 de rolhas para tapar as garrafas com vinho,
  cujas uvas são produzidas pelas minhas amigas
   Videiras, que vejo lá ao fundo, verdejantes
   e entrelaçadas, nos terrenos à volta da
     Vila. Nestes tempos tenho-me sentido
      preocupado, pois muitos Sobreiros têm
       sido deitados abaixo para se construírem
        estradas. Espero que isso não me
          aconteça.
           E assim termina a minha história. Agora
            vou ficar aqui a ver passar o tempo e
              a observar o que se passa do lado da
                vila.
Uma viagem longa e
            atribulada


         Eu nasci em Sumatra, uma gigantesca              Cristina
       ilha da Indonésia fustigada pela força do        Maria Soares
     oceano Índico e pelas constantes erupções
   vulcânicas. A riqueza do solo e as chuvas             1º prémio
  tropicais fazem com que uma enorme variedade             Categoria
de vegetação cresça e pinte a ilha de verde. No           Maiores de 16
meio desta vegetação cresce o cafeeiro que faz
com que esta ilha seja a principal produtora deste
produto na Indonesia.
E é exatamente sobre o café que lhes vou falar.
Eu cresci orgulhoso numa bela árvore de café.
Nos meus 3 metros de altura eu via toda a ilha       acaba? Mas passadas horas, muitas horas
nos dias de céu limpo. Comecei como uma              vi a luz ao fundo do túnel. Luz, o sol, o vento,
pequena flor de cor branca e perfume intenso e        as nuvens! Ah, a liberdade! O meu belo fato
cresci como uma bela cereja que ao fim de vários      vermelho desapareceu, já só resta a minha
meses ficou vermelha e doce. Eu imaginava o           semente e além disso estou preso em alguma
futuro grandioso que me esperava. O que iria ser     coisa mas… estou vivo!
quando fosse maduro? Uma nova árvore de café?        Horas depois ouço passos de novo e vejo um
Alimento para algum ser vivo? Ou quem sabe           homem a olhar para mim. Ele tira-me do chão
talvez viaje pelo mundo e viva muitas aventuras?     libertando-me da minha prisão e dá-me um
Numa manhã fresca ouvi um ruído de passos e,         banho. Ai que delícia. Mas não pensem que a
 de repente, vi um focinho pontiagudo entre as       minha viagem terminou aqui. Reparei que não
  folhas que me começou a cheirar. Após alguns       era o único nesta situação tão bizarra. Eramos
   momentos de hesitação o animal comeu-me.          centenas de sementes de café que passamos pela
    Que sensação dolorosa… E que escuro! Sinto-      mesma estranha viagem. Após sermos colocados
    me às voltas num líquido estranho e viscoso      em sacos fomos colocados num enorme forno
     enquanto sou atirado para todos os lados. Que   e torrados. Hum que cheirinho delicioso… Agora
     enjoo!                                          mais moreninho e perfumado fui enviado para a
      De repente sou empurrado por um tubo e aí      Europa com um novo nome: Kopi Luwak e com o
      começou a parte mais estranha da minha         título de “O café mais caro do Mundo”. Mas digam
      viagem. Comecei a atravessar um túnel          lá se depois de uma viagem destas não mereço
      longo e malcheiroso! Mas que cheiro!!!         este título? E já agora vai um cafezinho?
      Horrível! Será que é aqui que vou acabar os
      meus dias? É assim que a minha curta vida
A sementinha que não
            queria nascer

          Lá bem no escurinho tinha uma
        sementinha. Ela havia caído ali num dia
       quente de verão. Não sabia como tinha
      chegado lá. Tudo o que sabia que era bem                   Patrícia
     quentinho o cantinho dela. Tão quentinho que             Laura Kenney
    ela nem queria acordar. Mas mesmo que ela
   quisesse ficar dormindo para sempre, algo em                  2º prémio
  seu interior não ia deixar.                                    Categoria
 Uma vez, ela estava dormindo tranqüila quando                  Maiores de 16
 uma minhoca deu uma trombada nela. As duas
conversaram muito. Das coisas que a minhoca
falou, o que mais despertou a curiosidade da
sementinha foram as nuvens que passeiam pelo             brilhava lá no alto e esquentava seu corpinho,
céu. Bem que ela gostaria de ver isso!                   ainda bem pequeno. O dia era quente e a brisa
Não demorou muito, depois de uma grande                  trouxe algumas nuvens. - Ah!, disse a sementinha.
tempestade , sentiu algo estranho acontecer.             – Deve ser isso o que a minhoca falou que ficava
Ela não se sentia mais a mesma. A terra em               passeando pelo céu.
volta estava quente e úmida. Estava tão macia            Com o tempo a plantinha foi ficando maior e
que dava vontade de esticar uma perninha. Uma            maior. Em dois anos, já tinha crescido bastante
perninha? Sementes não têm pernas! Mas, para             e podia ver muito além do que via quando
a surpresa da sementinha, seu corpo atendeu              nascera. Ela se sentia orgulhosa de estar ali no
à essa estranha vontade e começou a esticar              alto daquele morro. Não havia muitas árvores
 uma pontinha que bem parecia uma perna.                 próximas para bater um papo, mas ela nunca se
  Essa perninha colocou a sementinha de pé e             sentiu sozinha. Sempre apareciam as nuvens
   ajudou a sementinha a subir em busca da luz.          para conversar e o vento para lhe fazer cócegas
    A sementinha estava com medo, mas criou              e pentear suas folhas. Passarinhos vinham fazer
    coragem e rompeu o último pedacinho de               seus ninhos e cantar lindas melodias entre seus
      terra que a separava do grande céu azul.           galhos fortes. Às vezes, pessoas sentavam em
       Fez um pouco mais de força e ficou de pé.          baixo da sua sombra e faziam piquenique. Era
        Parte da casca que lhe protegia enquanto         gostoso ouvir suas histórias. Levou muitos anos
         semente ainda estava sobre ela, mas             para aquela sementinha virar uma grande e
           já dava para ver algumas coisas, e um         majestosa árvore. Hoje ela tem muitas histórias
             mundo todo novo se iluminou para ela...     para contar, mas o que ela mais gosta mesmo de
              E, como era lindo! Pela primeira vez       fazer é esperar pelo pôr-do-sol, e ver o céu todo
               sentiu um sopro de brisa nas costas.      pintado de cor-de-rosa.
                  Aquilo fazia cócegas! HiHiHi...O sol
Vida! Vida!

              Acerola por acerola, abocanhava
            instantaneamente um garoto à frente
          da TV, no interior nordestino em um
         dia chuvoso. Passado um bom tempo, os
        suculentos frutos definharam, e o bobo       Júlio César de
      menino brinca com as sementes durante o       Moura Luz
    intervalo dos desenhos. Em um determinado       3º prémio
  momento, quase que compulsoriamente, joga
                                                    Categoria Maiores de 16
 uma pela janela da varanda, que cai levemente
sobre terra molhada e sob pingos e mais pingos
d’-água.
A chuva tem o poder de trazer vida ao sertão.
Neste caso não foi diferente! Cada gota que caía    grande e fez um alvoroço danado
na semente exercia pressão na terra, que já se      porque não sabia como aquilo teria
demonstrava acolhedora. Com o continuar do          parado ali, mas achava sua beleza
inverno, o solo foi cedendo cada vez mais, e, há    alucinante. Em resposta à curiosidade da
pouco, a semente já se encontrava totalmente        criança, seu tio, biólogo, começara a esboçar
submersa.                                           teorias de como o pequeno pé-de-acerola teria
Ali, no aconchego escuro do subsolo, já vibrava     nascido ‘sozinho’. E não é que ele foi no rumo?
enquanto vida cada átomo do fruto semeado           Porém, naquele momento, o importante para
inertemente. Tal escuro, que estontearia            todos era zelar para que a planta pudesse se
qualquer ser humano, figurava como um paraíso        desenvolver. O próprio garoto adubou, aguou e,
fértil àquela pequena semente, que, dali a pouco,   com frequência, observava o crescer das folhas, a
a estrutura começava a dissipar-se: passava a       espessura do tronco evoluindo. Não demorou e a
tomar forma.                                        planta já era atração! Copa grande, bem aparada,
 Raízes foram surgindo. O contato com a luz era     envolvendo de doçura o ar à sua volta. Há pouco
  cada vez mais almejado pelo “nascituro”. Dia      apareceriam flores, pequenas e belas flores, de
   após dia, chuva e sol revezavam. Estava tudo     onde surgiriam novas acerolas e sementes e,
    pronto! E, como num passe de mágica, “que       assim, esse ciclo pudesse se repetir. Ali, muito
    haja luz!”. Foi assim que o pequeno brotinho    mais que algo estático, exibia-se a grandiosidade
     saltou à terra em uma manhã de abril           do acaso, já a fazer parte do cotidiano da família:
     gostosa.                                       desabrochando e (re) produzindo vida.
      A plantinha, em um verde-claro lindo de
      se olhar, passou algum tempo anônima
      aos olhos da família. Porém, não demorou
      muito para ser identificada pelo próprio
      garoto que a fez germinar, ainda que
      inconscientemente. Viu o brotinho já meio
Concurso de fotografia
Ana Freire
1º prémio




             Ana Freire
             1º prémio
Suziane Fonseca
2º prémio
Raquel Pipa
3º prémio
Concurso
de Artes Plásticas
Laura Zhang
1º prémio
Carlos Cruz
2º prémio
Raquel Nery
3º prémio
Madalena Martins
e Marta Silva
menção honrosa
Inês Fernandes
e Bruno Esteves
menção honrosa
A Árvore
Jardim de Infância Grãos de Gente
         Prémio Escola
Cianotipia
Escola 2, 3 General Humberto Delgado
             Prémio Escola
Mosaicos de Flores
EB 2, 3/Secundária Aquilino Ribeiro
          Prémio Escola
i-Plant


Centro de Biologia Ambiental da FCUL
Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve
Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra
Centro de Estudos Florestais do ISA
Departamento de Botânica da FCTUC
Escola Superior Agrária de Coimbra
                                                                                                     s




Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra
                                                                                                  te
                                                                                               an




Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica
                                                                                            ip




Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da UEv
                                                                                            ti   c
Instituto Nacional de Recursos Biológicos                                                ar
Instituto de Tecnologia Química e Biológica                                        e   sP
Laboratório de Sistemas Biológicos de Plantas da FCUL                       i çõ
Museu Nacional de História Natural e da Ciência                        tit u
Universidade do Algarve                                             Ins
i-Plant. And you?
O Dia Internacional do Fascínio das Plantas foi
a desculpa perfeita para conhecer mais sobre
aqueles que se dedicam ao estudo das plantas.

Com a iniciativa “i-Plant. And you?” quisemos
divulgar as pessoas por trás da investigação em
plantas, nas suas múltiplas vertentes e pensando
nas várias fases de uma carreira científica.

O convite partiu por mail e via facebook e, ao
longo das semanas que antecederam o dia 18 de
Maio, as respostas foram publicadas na página
Aqui há Planta.                                    i-Plant. And you?
                                                   Conheça os investigadores que estudam as
                                                   plantas

                                                   Se é investigador na área das plantas, então esta
                                                   é a ocasião perfeita para dar a conhecer o seu
                                                   trabalho e cativar outros públicos, sensibilizando
                                                   para a importância das plantas. Em i-Plant
                                                   queremos divulgar as pessoas por trás da
                                                   investigação em plantas, nas suas múltiplas
                                                   vertentes e pensando nas várias fases de uma
                                                   carreira científica.
Este ano, mais de 200 instituições de 36 países
irão participar no 1º Dia Internacional do Fascínio
das Plantas “Fascination of Plants Day” (www.
plantday12.eu). Respondendo ao desafio da
European Plant Science Organisation (EPSO) e, em
Portugal, da Sociedade Portuguesa de Fisiologia
Vegetal, no dia 18 de maio iremos celebrar as
plantas, o papel que desempenham na nossa
vida e a importância desta área de investigação.
Instituições científicas, universidades, jardins
botânicos, museus, agricultores e empresas de
todo o mundo estarão juntas a comemorar este
dia com atividades para o público.
                                                      Junte-se a esta iniciativa e partilhe com o público
                                                      o Seu Fascínio pelas Plantas.

                                                      Assim pedimos-lhe apenas que responda a estas
                                                      seis questões:

                                                      1. Para si, o que torna as plantas fascinantes?
                                                      2. Porque escolheu a área das plantas para a sua
                                                      investigação?
                                                      3. O que está investigar neste momento?
                                                      4. O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
                                                      5. O que faz para se distrair do trabalho?
                                                      6. Que conselho daria a jovens interessados na
                                                      investigação em plantas?
Manuela David


       Sem querer deixar conselhos, a investiga-
      dora Manuela David deixa-nos antes o seu
     testemunho: “querer ser investigador não é
    tomar uma decisão completamente racional,
   é ser-se curioso e persistente a juntar a uma
  boa dose de emoção e de enamoramento.”           as plantas? Talvez porque foram
 Descubra hoje o que torna as plantas tão fasci-   as plantas que ganharam mais
nantes para esta investigadora da Universidade     importância na minha vida profissio-
do Algarve.                                        nal? Não tenho uma resposta única! Foi
                                                   com certeza a paisagem rural da aldeia
                                                   onde passava a maior parte das minhas férias,
Para si, o que torna as plantas fascinantes?       foram também professores entusiastas, foram
É-me difícil separar o fascínio das plantas do     desenhos, gravuras e ilustrações em livros, mas
fascínio que tenho pelas plantas! São tantas as    penso que foram sobretudo oportunidades, foi a
razões, umas mais racionais, científicas, outras    sorte de ter aprendido e trabalhado com gente
emocionais. Não são as plantas um dos pulmões      também ela fascinante a trabalhar em plantas,
do planeta? Sim, e aí poderíamos falar da fo-      com plantas. Recordo dois marcos importantes.
tossíntese, das cadeias alimentares, em suma,      Enquanto estudante de Biologia, na faculdade de
de um pilar da vida na Terra tal como a vamos      Ciências de Lisboa, o trabalho de campo de Ecolo-
conhecendo. Porque as plantas estão por aí, sem    gia Vegetal realizado na Arrábida em alfarrobeira
pressas, presentes na sua aparente imobilidade?    constituiu a minha primeira coautoria numa pu-
 Também sim, mas… afinal movem-se! Porque as        blicação científica, abriu caminho ao meu estágio
 plantas mostram uma disponibilidade generosa?     com o Prof. Fernando Catarino e vim a ser por ele
  Sim, também por isso, são os alimentos e as fi-   contagiada pelo fascínio das plantas. Mais tarde,
  bras que usamos, são a diversidade dos aromas,   recém-licenciada, foi determinante a colabora-
   das formas, das cores e das dimensões que as    ção nos trabalhos de campo com a Universidade
    tornam uma fonte de prazer e de deslumbra-     de Würzburg, em estudos que desenvolveram em
     mento para os nossos sentidos.                Portugal na fisiologia das plantas lenhosas em
                                                   ambiente mediterrâneo, mais uma vez na Arrábi-
                                                   da, e então conhecer o Prof. João Santos-Pereira,
       Porque escolheu a área das plantas          do Instituto Superior de Agronomia. Com ele viria
        para a sua investigação?                   a fazer o doutoramento e foram marcantes as
         Sei que em certa altura da minha vida,    conversas informais entre momentos de medi-
          ainda no Liceu, decidi que queria        ções sobre tantos aspetos de como funcionam as
            trabalhar em Biologia. Porquê então    plantas.
O que está investigar neste momento?                O que faz para se distrair do
 Neste momento estou a colaborar com um                trabalho?
grupo de Virologia, no estudo dos padrões de           Oiço música, muita música, e
transporte a longa distância e de distribuição         após grande interrupção recomecei
do sinal silenciamento génico contra patologias        a cantar num grupo coral. Leio agora
virais em plantas. Com o grupo de Ecofisiolo-           menos do que lia e vejo mais cinema.
gia estudo diversos aspetos da adaptação das           Mas também há muitos passeios a pé, as
plantas aos fatores de stress característicos dos      viagens e muita fotografia - antigamen-
ambientes mediterrâneos e, em particular, tento        te com muitos slides, agora com muitas
contribuir para o conhecimento da ecologia e           fotografias digitais - e sempre em boa com-
biologia de uma Cistácea endémica do Algarve.          panhia!
Mas para além da investigação há ainda mais
plantas! Como curadora estou a iniciar o processo
de informatização do Herbário da Universidade          Que conselho daria a jovens interessados na
do Algarve e, em colaboração com o naturalista         investigação em plantas?
e amigo José Rosa Pinto, estamos a montar um           Não sei dar conselhos, nem sequer sou o melhor
guia de campo de plantas espontâneas da área           exemplo de investigadora, e não tenho nenhum
envolvente onde foi instalado o campus universi-       conselho em particular para os interessados na
 tário que, espero, virá a ter uma edição “portátil”   investigação em plantas. Deixo antes mais um
  no telemóvel de qualquer visitante.                  testemunho, que querer ser investigador não é
                                                       tomar uma decisão completamente racional, é
                                                       ser-se curioso e persistente a juntar a uma boa
   O que gosta mais no seu trabalho? E me-             dose de emoção e de enamoramento.
   nos?
    Gosto em especial do trabalho de campo,
    gosto de ensinar, e de todos os momentos
    que me levam a pensar que escolhi a melhor
    profissão do mundo. O que gosto menos são
    aqueles momentos que, por razões variadas,
    me levam a pensar que devia ter escolhido
    outra profissão
Célia Miguel

        “Muitas das descobertas científicas que
       foram feitas a partir da investigação em
      plantas foram determinantes noutras áreas
     da ciência, incluindo a medicina” lembra-nos
    hoje Célia Miguel, investigadora no ITQB/IBET.
   “O contributo que os investigadores em plantas
  podem dar à sociedade vai ter uma importância
 crucial no futuro próximo”, por isso desafia todos
os jovens a interessar-se pela investigação em
plantas.                                             essencial para o progresso do conhecimento e
                                                     que esse progresso é essencial para garantir a
                                                     sustentabilidade da nossa sociedade. Muitas das
 Para si, o que torna as plantas fascinantes?        descobertas científicas que foram feitas a partir
É extraordinária a capacidade que as plantas         da investigação em plantas foram determinantes
têm de utilizar energia solar na fotossíntese para   noutras áreas da ciência, incluindo a medicina.
sintetizar todos os compostos orgânicos de que       Para além disso, os desafios que enfrentamos
necessitam e de que dependem as outras formas        actualmente, como o aumento da população num
de vida no planeta. As plantas são fascinantes       cenário de alterações climáticas que poderão
sob muitos aspectos incluindo por exemplo a          levar a uma escassez de recursos (alimentares e
grande diversidade de formas e tamanhos, estan-      outros) tornam ainda mais necessário o investi-
do algumas espécies de plantas entre os organis-     mento na investigação das plantas. A investigação
 mos que atingem maior longevidade. As plantas       nesta área é essencial para encontrarmos formas
 estão presentes em praticamente todos os            de rentabilizar a produção de alimentos e outros
  ecossistemas apesar de não se movimentarem         recursos renováveis que são utilizados, por exem-
   e moldam praticamente todas as paisagens          plo, na produção de papel e de energia.
    que conhecemos, são muitas vezes os seres
     vivos que primeiro associamos a uma pai-
      sagem. São as plantas que mantêm quase         O que está investigar neste momento?
       todos os ecossistemas terrestres tal como     No nosso laboratório investigamos alguns aspec-
        os conhecemos.                               tos da biologia das árvores que são importantes
                                                     para a valorização de espécies florestais repre-
                                                     sentativas em Portugal como o pinheiro bravo e o
           Porque escolheu a área das plantas        sobreiro. Desenvolvemos um método de propaga-
            para a sua investigação?                 ção vegetativa (clonagem) do pinheiro designado
             Acredito que a investigação em
               plantas pode dar um contributo
por embriogénese somática e que permite obter      O que faz para se distrair do
 um grande número de embriões geneticamente          trabalho?
idênticos a partir de células somáticas cultivadas   As actividades de investigação são
in vitro. A utilização deste sistema experimental    muito exigente em termos de tempo.
juntamente com outras ferramentas como a ma-         O pouco tempo disponível é dedicado
nipulação genética permite-nos também estudar        especialmente à família.
a função de genes que controlam mecanismos
tão diversos como por exemplo o desenvolvi-
mento dos embriões ou a resistência a doenças.       Que conselho daria a jovens interessados
Estamos ainda interessados em perceber quais os      na investigação em plantas?
genes e de que modo controlam a actividade de        O contributo que os investigadores em plantas
determinadas células não diferenciadas (meris-       podem dar à sociedade vai ter uma importância
temas) que são responsáveis pela formação de         crucial no futuro próximo. Há ainda muito por
madeira e cortiça.                                   explorar sobre a biologia das plantas, como por
                                                     exemplo como adaptam o seu desenvolvimento e
                                                     crescimento em função das condições do am-
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?           biente onde estão inseridas, ou que estratégias
 O que mais me motiva é o facto de todos os dias     desenvolveram para enfrentar pragas e doenças
 se nos colocarem novos desafios. O progresso         específicas, etc. Estes conhecimentos serão
  do conhecimento está a ser tão rápido que há       estratégicos no desenvolvimento de aplicações
   poucos anos atrás não era possível imaginar       de grande impacto na nossa sociedade.
    o tipo de projectos em que estamos actual-
    mente envolvidos e isso é muito motivante. O
     que menos gosto é do tempo excessivo que é
     dedicado a tentar obter financiamento para o
      nosso trabalho, e da incerteza desse finan-
      ciamento.
Paula Farinha


     “As plantas trocam-nos as voltas constan-
    temente, pois a resposta nunca é tão simples
   como imaginávamos… é sempre muito mais
  complexa” confessa-nos hoje a investigadora
  Paula Farinha, do Instituto de Tecnologia
 Química e Biológica.


 Para si, o que torna as plantas fascinantes?
Eu diria, essa magia silenciosa que ocorre dentro   tam no deserto, podendo viver anos a fio sob
das plantas com o processo da fotossíntese… é       uma forma de “hibernação” (dormência) quase
absolutamente fascinante como as plantas con-       totalmente desidratada e reatar a vida com uma
seguem converter a energia do sol numa outra        simples gota de água! Escolhi as plantas porque
forma de energia acessível para elas e para todos   queria saber exactamente o que ocorre “lá den-
os outros seres vivos! Essa força motriz que nos    tro” da célula, como podem responder a tantos
move, que nos dá energia, provém das plantas!       estímulos diferentes e integrar toda essa infor-
Sem elas, não teríamos vida. E pensar que ainda     mação de forma a poder sobreviver e a passar
por cima nos dão o oxigénio que precisamos para     essa informação à geração seguinte.
viver, captando ao mesmo tempo o dióxido de car-
bono. É absolutamente fascinante por si só! Já
para não falar da beleza das cores, formas, chei-   O que está investigar neste momento?
 ros e sabores com que nos presenteiam todos os     Estou a estudar uma dessas formas de adapta-
  dias ! São fascinantemente “generosas”!.          ção, ou seja, como as plantas respondem a nível
                                                    molecular para adaptar-se à escassez de água e/
                                                    ou ao excesso de salinidade que ocorre no solo,
   Porque escolheu a área das plantas para a        dois factores altamente limitantes à produtivida-
    sua investigação?                               de hoje em dia, e infelizmente muitas vezes as-
     Precisamente porque sempre vi as plantas       sociados… A ideia é, depois de compreendermos
      como seres vivos fascinantes! Enigmáti-       esses mecanismos base, podermos passar à fase
       cas, desde as plantas carnívoras (perfei-    seguinte, que seria obter plantas com maiores
        tamente pacíficas deva-se dizer…), às        níveis de tolerância a esses factores ambientais
          plantas da “ressurreição” que habi-       adversos.
O que gosta mais no seu trabalho? E me-
   nos?
 Gosto da ideia de que podemos formular todo
o tipo de perguntas, e que se pensarmos numa
boa estratégia, e tivermos os meios necessários       Que conselho daria a jovens
para a desenvolver, podemos chegar a respostas       interessados na investigação em
realmente fascinantes… As melhores são sempre        plantas?
aquelas que não estamos à espera… As plantas         Talvez esta seja a pergunta mais difícil…
trocam-nos as voltas constantemente, pois a res-     Se os jovens sentem essa curiosidade que
posta nunca é tão simples como imaginávamos…         leva ao exercício da investigação, então é
é sempre muito mais complexa…                        “só” uma questão de procurar/encontrar o
O que gosto menos é falta de reconhecimento de       tema certo, no lugar certo, e com as pesso-
que o trabalho de um investigador, é trabalho! A     as certas! Hoje em dia há muita informação,
grande maioria das pessoas que faz investigação      diversidade de temas e abordagens, e dado que o
é detentora de bolsas de investigação, sendo         país é pequeno, os investigadores até são fáceis
considerado que estamos em formação… De facto        de encontrar! Está tudo aí ao alcance de um click!
é “trabalho”, muito trabalho aliás, ao qual se de-   Basta procurar.
dicam muitas horas, muita paixão, mas também
muito esforço…


  O que faz para se distrair do trabalho?
  Gosto de umas belas caminhadas, um bom
   livro para ler, viajar, mas para mim a melhor
    distracção é poder estar com todos aqueles
    a quem mais queremos. Simplesmente estar
     e aproveitar que o outro existe, fazendo-me
     sentir que eu também existo.
Tiago Santos

     Para o investigador Tiago Santos, do Instituto
    de Tecnologia Química e Biológica, o interes-
   se por esta área começou na faculdade, onde
  “o Prof. Fernando Catarino falava das plantas
 com uma paixão que acabou por despertar o
 meu interesse para conjugar a biologia molecu-
lar com plantas!” A procura de explicações para a
resposta das plantas a fatores ambientais, como
tentar perceber o que faz uma planta ser mais          O que está investigar neste momento?
tolerante ou sensível ao frio, à salinidade ou à      Neste momento, a minha pesquisa está relacio-
secura “é um desafio permanente”.                      nada com os mecanismos de resposta a nível
                                                      molecular do arroz a factores ambientais, como o
                                                      frio, a salinidade ou a secura.
 Para si, o que torna as plantas fascinantes?
As plantas são verdadeiras sobreviventes! Con-
seguem viver em ambientes muito adversos com          O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
adaptações espantosas. Para além disso, são a         Gosto imenso dos intrincados puzzles molecula-
fonte da nossa sobrevivência, fornecendo oxigé-       res das respostas a factores ambientais. Estamos
 nio e serem a base da nossa alimentação.             constantemente a tentar perceber o que faz uma
                                                      planta ser mais tolerante ou sensível ao frio, sali-
                                                      nidade ou secura, e isso é um desafio permanen-
  Porque escolheu a área das plantas para a           te. O mais chato é ter de lidar com a frustração
   sua investigação?                                  de experiências que correm mal. À parte disso,
    O bichinho foi crescendo durante a Facul-         a permanente instabilidade profissional causa
     dade…o Prof. Fernando Catarino falava das        igualmente muito stress.
      plantas com uma paixão que acabou por
       despertar o meu interesse para conjugar a
        biologia molecular com plantas!
O que faz para se distrair do trabalho?
Aproveito o meu tempo livre para estar com a
minha mulher e filhas.
Como a investigação toma grande parte do meu
tempo, o restante tempo tento utilizá-lo ao
máximo para poder compensá-las das minhas
ausências.
Também gosto de jogar ténis e de vez em quando
consigo arranjar tempo para fazer umas partidas.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Gostar de plantas é fundamental! Depois é como
 em tudo: empenho, dedicação, espírito crítico,
  mas também saber ouvir os mais experientes…
Célia Cabral


     “Desde miúda que o meu gosto pelas plantas
    despoletou penso que graças a uma grande
   influência da minha mãe que adora plantas”
  revela-nos Célia Cabral, investigadora da Facul-
 dade de Farmácia da Universidade de Coim-
bra. “Conseguir dar explicação científica para os
                                                     ou seja o fascínio pela Taxonomia Vegetal
usos [das plantas] na medicina tradicional” é uma
                                                     começou no meu segundo ano da licenciatura
das suas motivações para investigar na área das
                                                     em biologia. Desde essa altura que a paixão foi
plantas.
                                                     crescendo e fui tendo cada vez mais a certeza que
                                                     fazer investigação com plantas, especialmente
                                                     de ambientes tropicais era o que eu queria fazer.
Para si, o que torna as plantas fascinantes?
Tudo nas plantas me fascina, desde as cores, as
formas, as estratégias de atração de insectos
                                                     O que está investigar neste momento?
para polinização, etc. As plantas não se conse-
                                                     Neste momento estou a trabalhar na avaliação
guem mover como os animais, e portanto quando
                                                     da bioatividade de metabolitos secundários de vá-
as condições ambientais não são as mais propí-
                                                     rias plantas medicinais. Interessam-me sobretu-
cias elas não podem fugir, têm de rapidamente se
                                                     do as plantas aromáticas e logo a caracterização
 adaptar ou morrem. Essas capacidades e estra-
                                                     química e a avaliação do potencial medicinal dos
  tégias extraordinárias que as plantas desen-
                                                     óleos essenciais que são extraídos delas.
   volvem para se defenderem das adversidades
    encantam-me…
                                                     O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
                                                     Gosto de tudo :) Desde ir para o campo colher, à
     Porque escolheu a área das plantas para a
                                                     recolha de informação etnobotânica, ir para o
      sua investigação?
                                                     laboratório obter extratos, fazer a caracterização
       Desde miúda que o meu gosto pelas plan-
                                                     química, avaliar as bioatividades… adoro con-
        tas despoletou penso que graças a uma
                                                     seguir dar explicação científica para os usos na
         grande influência da minha mãe que
                                                     medicina tradicional.
           adora plantas. Mas o gosto científico,
O que faz para se distrair do trabalho?
 Não se pode dizer que seja para me distrair do
trabalho, até porque não tenho vontade de me
distrair do trabalho porque adoro o que faço. Mas
adoro ir para o campo com o meu filho e admirar
com ele a beleza da natureza e gosto muito tam-
bém de pintar aguarelas.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
O meu conselho é que sejam persistentes. Eu fiz
parte do meu doutoramento fora de Portugal (no
Royal Botanic Garden Edinburgh, U.K.) onde há
um fascínio e um respeito pelas plantas muito
maior que no nosso país. Nem sempre é fácil
fazer investigação com plantas em Portugal, há
que sensibilizar as pessoas. Acho que devemos
 sempre perseguir os nossos sonhos e portanto o
  meu conselho é que não desistam quando sur-
  girem as primeiras adversidades, toneladas de
   burocracias e dificuldades de financiamento.
   Força, e não desistam das plantas :)
Catarina Moura

        “Há um mundo fascinante por descobrir
       e que a investigação em plantas é extre-
      mamente relevante” é o que nos diz hoje a
     investigadora Catarina Moura, do Centro de
    Estudos Florestais do ISA/UTL e do Centro
   de Ecologia Funcional da UC. Aos jovens inves-
  tigadores lembra que, se por um lado considera
 que esta área é “sempre menos financiada, me-        diversidade de formas, cores e texturas
nos apreciada que outras áreas (...) mas que vale    no reino das plantas; depois durante a
a pena se acreditarmos?... ai isso vale! Portanto,   faculdade senti uma maior afinidade pelas
força!”                                              cadeiras e pelo ambiente no Departamento de
                                                     Botânica, e finalmente fui cativada pela cadeira
                                                     de Ecologia Vegetal, e especificamente por uma
Para si, o que torna as plantas fascinantes?         aula em que o palestrante convidado, o Professor
As plantas são organismos sésseis que, pare-         Jorge Paiva, nos falou da Laurissilva e da diversi-
cendo-nos frágeis, controlam imensos aconteci-       dade vegetal... nesse dia decidi.
mentos do planeta e estão na base da vida deste.
Para além do seu papel fundamental na base da
cadeia alimentar da biosfera, podem também           O que está investigar neste momento?
ser importantíssimas na estabilização do solo,       No panorama geral, dedico-me ao estudo da
na regulação do ciclo hidrológico, na captura de     interacção entre plantas (em particular árvores
 carbono e na mitigação de alterações climáticas     e sua fisiologia) e o ambiente, nomeadamente
  e até na origem de muitos medicamentos... Nós,     factores relacionados com alteração globais (seja
   humanos, com esta aparente força, mobilidade      o aumento do CO2 na atmosfera, a incidência de
    e “inteligência” não poderíamos viver sem as     secas ou as alterações do uso do solo) e alguns ci-
     plantas!                                        clos biogeoquímicos (água, carbono, azoto). Neste
                                                     momento em particular, estou a investigar efei-
                                                     tos de determinadas alterações do uso do solo
       Porque escolheu a área das plantas            ou da paisagem (como a introdução de pastagens
        para a sua investigação?                     melhoradas biodiversas ou a “invasão” por arbus-
         Penso que resultou de uma combinação        tos) na fisiologia do sobreiro e no funcionamento
          de factores, alguns mais circunstan-       do ecossistema Montado.
           ciais que outros. Por um lado, desde
             muito cedo que me fascinava a
O que gosta mais no seu trabalho? E me-         Que conselho daria a
      nos?                                             jovens interessados na
    Gosto principalmente de questionar, de discu-      investigação em plantas?
  tir vários assuntos de ciência e de fazer ligações   Diria que há um mundo fas-
entre ramos diversos do conhecimento (penso            cinante por descobrir e que a
que é um característica e vantagem da ecologia!).      investigação em plantas é extrema-
Adoro quando ouço cientistas doutras áreas e           mente relevante, mas que o caminho
se faz um “click” na minha cabeça de como essa         e as escolhas podem ser duros. Diria
abordagem, essa técnica, essa questão poderia          que é necessário algum espírito de
ser utilizada na nossa área, ou de como se pode-       dedicação, perseverança e luta (embora
riam construir sinergias entre todos. Também           dependa muito do tipo e área de investi-
gosto do forte sentimento de calma e paz que           gação dentro de “as plantas” e do local do
o trabalho de campo me proporciona (apesar             mundo onde se está). Embora reconheça que
de muitas vezes ser duro fisicamente). E gostei         estes não deixem de ser valores transversais a
imenso de dar aulas durante o meu doutoramen-          todos os cientistas, terão que ser mais aguçados
to.                                                    numa área em que há pouco apoio e que é menos
O que gosto menos?... Hmm.... talvez de sentir         acarinhada pela própria sociedade. Será sempre
que há muitas limitações (internas e externas)         menos financiada, menos apreciada que outras
para aquilo que gostaríamos de fazer, questionar,      áreas, isso sem dúvida, mas que vale a pena se
investigar. E de perdermos muito tempo e energia       acreditarmos?... ai isso vale! Portanto, força!
 com assuntos que são muitas vezes secundários
  mas que afectam negativamente a disponibili-
   dade mental e criatividade tão necessárias na
    ciência.


    O que faz para se distrair do trabalho?
    Faço muitas coisas diversas dependendo do
    local e situação onde me encontro, mas tem-
    po com família ou amigos, música, cinema e
    livros (muitos!) estão constantemente pre-
    sentes... E sempre que posso, algo relaciona-
    do com a dança (a minha outra paixão).
Eugénia de Andrade

       Hoje o i-Plant veio falar com a investigadora
      Eugénia de Andrade, do Instituto Nacional
     de Recursos Biológicos. As plantas “são
    a fonte do oxigénio atmosférico e a base da
   cadeia alimentar (vida em geral), a habitação de
  tantos seres, a química da beleza, do crescimen-
 to e da cura de doenças físicas e psicológicas (so-
brevivência), a revelação de sentimentos (amor,
tristeza,...), a beleza das paisagens e o prazer dos   Porque escolheu a área das plantas para a
nossos olhos (lazer)” diz-nos esta investigadora.      sua investigação?
“E tanto fica ainda por dizer.”                         Numa primeira fase, vários factores, talvez com
                                                       pesos semelhantes, contribuíram para o meu
                                                       interesse pelas plantas: uma ascendência ligada
Para si, o que torna as plantas fascinantes?           à agricultura, um pai que me motivava para a
As plantas são a nossa existência e indispensá-        observação da natureza através de passeios a
veis à vida do Planeta Terra. Elas são a fonte do      pé pelo campo, da observação de sementinhas a
oxigénio atmosférico e a base da cadeia alimen-        germinar e do encorajamento na participação em
tar (vida em geral), a habitação de tantos seres,      actividades agrícolas e o meu próprio gosto pelas
a química da beleza, do crescimento e da cura de       as ciências da vida. Só mais tarde, durante a vida
doenças físicas e psicológicas (sobrevivência), a      académica, surgiu o interesse pela investigação.
 revelação de sentimentos (amor, tristeza, .), a be-
  leza das paisagens e o prazer dos nossos olhos
   (lazer). E tanto fica ainda por dizer.               O que está investigar neste momento?
                                                       O efeito da inserção casual de transgenes, em mi-
                                                       lho, nos genes codificadores e não-codificadores
                                                       de proteínas. O efeito da amostragem na quantifi-
                                                       cação precisa de sementes geneticamente modi-
                                                       ficadas em lotes de sementes não geneticamente
                                                       modificadas- amostragem 1-D.
                                                       Desenvolvimento de plasmídeos calibrantes/con-
                                                       trolos positivos para as reacções de detecção de
                                                       agentes fitopatogénicos, por PCR em tempo real.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?          na área da saúde sejam dos mais
Gosto de ler, gosto do “pensar” gerador de criati-   elevados, sugiro aos jovens que
vidade e gosto do trabalho na bancada do labora-     visem uma investigação atractiva e
tório. Não gosto tanto de escrever.                  entusiasmante, direcionada para o uso
                                                     das plantas na saúde e na melhoria da
                                                     qualidade alimentar e do meio-ambiente e
O que faz para se distrair do trabalho?              sempre em prol do bem estar da humanida-
Tento ter, ao mesmo tempo, diferentes activi-        de e da natureza.
dades em curso, para não entrar em rotina em
qualquer uma delas. Acima de tudo, faço jardi-
nagem, crochet e ponto de cruz. Também faço,
mas menos, restauro de mobílias velhas. Actual-
mente, encontrei no estudo da macrobiótica, uma
nova distracção e um novo interesse nas plantas.


 Que conselho daria a jovens interessados na
 investigação em plantas?
  Atendendo à conjuntura actual, onde a falta de
  recursos faz com que a investigação, especial-
   mente em plantas (agricultura, alimentação
   e biotecnologia), seja uma das menos finan-
    ciada e que os investimentos em projectos
Sónia Negrão

     “Adoro investigar para tentar responder a
    perguntas e surgirem sempre outras novas...o
   desafio constante da ciência” é o que motiva a
  investigadora Sónia Negrão. Conheça aqui mais
 sobre o trabalho que desenvolve no Instituto de
Tecnologia Química e Biológica da Universi-
dade Nova de Lisboa.


Para si, o que torna as plantas fascinantes?       Porque escolheu a área das plantas para a sua
Por um lado as plantas são o suporte de vida       investigação?
de todo o planeta, não só como fonte básica de     A genética sempre me fascinou desde muito
alimentação para todos os seres vivos, como        cedo...como o modelo de Mendel foi o primeiro
também o pulmão da Terra. Por outro lado, como     modelo genético com o qual tive contacto, estu-
as plantas são organismos sésseis (ou seja não     dar plantas do ponto de vista genético foi algo
possuem capacidade de locomoção e vivem            que aconteceu naturalmente.
fixos num local) desenvolveram mecanismos de
adaptação únicos (genéticos e moleculares) para
 responder às condições adversas .                 O que está investigar neste momento?
                                                   Estou a estudar a diversidade genética do arroz,
                                                   de forma a encontrar genes mais eficazes na
                                                   tolerância ao stress salino, de forma a que o arroz
                                                   consiga crescer melhor em ambientes com mais
                                                   sal.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
 Adoro investigar para tentar responder a pergun-
tas e surgirem sempre outras novas...o desafio
constante da ciência. O que menos gosto é falta
de uma carreira científica efectiva ou seja sem
ser apoiada maioritariamente por bolsas de
investigação.


O que faz para se distrair do trabalho?
Gosto de fazer desporto (Taekwondo, Krav Maga
e natação), cinema, ler e ir para a praia quando o
tempo o permite.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
 Devem ter em conta que a carreira de investiga-
 ção exige absoluta dedicação, muita persever-
  ança e uma grande paixão pela ciência. Acon-
   selharia a começar com estágios de verão ou
   mestrados num grupo forte de investigação
    para perceberem como o trabalho de investi-
    gação pode ser exigente mas recompensador.
Hélia Marchante

      “Na verdade gosto muito do meu trabalho
     (as várias vertentes incluídas tanto na parte
    de investigação como na parte de docência)
   mas detesto as plantas invasoras que investigo
  - procuro alternativas para as eliminar!” é o que
 nos diz hoje a investigadora Hélia Marchante.
Saiba mais sobre o seu trabalho com plantas
invasoras no Centro de Ecologia Funcional da
Universidade de Coimbra e sobre as suas aulas
de Botânica na Escola Superior Agrária de
Coimbra.                                              Porque escolheu a área das plantas para a sua
                                                      investigação?
                                                      Aconteceu mais ou menos por acaso (no início
Para si, o que torna as plantas fascinantes?          do curso até queria era trabalhar com animais),
Além de haver muitas plantas que são lindíssi-        mas depois de começar a trabalhar com plantas
mas, sem elas não haveria animais:) Nem muitas        nunca mais quis trocar - são fantásticas!
das paisagens fantásticas que conhecemos!

                                                      O que está investigar neste momento?
                                                      Investigo na área das plantas invasoras, in-
                                                      cluindo, e.g.: impactes de plantas invasoras nas
                                                      comunidades de plantas nativas; metodologias
                                                      de controlo de plantas invasoras e recuperação
                                                      de ecossistemas invadidos. A nível de docência
                                                      ensino Botânica (disciplina de base) - e adoro!
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
 Gosto muito das várias vertentes do meu traba-
lho, incluindo tanto as componentes de investiga-
ção como as de docência. De certa forma, o que
gosto menos são as plantas invasoras propria-
mente ditas, já que procuro alternativas para as
eliminar!


O que faz para se distrair do trabalho?
Brinco com os meus filhotes:) Ou, por vezes, pas-
seamos no campo e vêmos plantas juntos:)


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Força! não desistam - as plantas são muito mais
 fantásticas do que os animais. Mas é preciso
  “perseguir o sonho” - nem sempre é fácil conse-
   guir-se financiamentos para investigar na área
   das plantas (ou noutra áreas);)
João Silva

       Hoje falámos com o investigador João Silva,
      do Centro de Ciências do Mar da Universi-
     dade do Algarve, sobre o seu fascínio pelas
    plantas, “ainda com tantos mistérios por des-
   vendar”. “Que não pensem que a investigação
  em plantas é tão aborrecida como o quadro que
 lhes é pintado no ensino básico e secundário” é
o conselho dado por este investigador aos mais
jovens.

                                                     Porque escolheu a área das plantas para a sua
Para si, o que torna as plantas fascinantes?         investigação?
Vários aspectos, a começar pela sua função           A primeiro contacto acabou por ser quase casual,
essencial de suporte a toda a vida neste planeta,    um pouco por curiosidade, ao procurar um tema
função que ainda assim desempenham com uma           para tese de mestrado, que acabei por fazer com
subtileza notável. Depois a sua beleza, manifes-     macroalgas marinhas. O encantamento veio
tada desde os pequenos detalhes morfológicos         depois e foi definitivo.
até à escala de uma floresta ou de uma pradaria
submarina. E por fim, não menos fascinante, é o
 seu próprio “funcionamento”, a fisiologia, ainda     O que está investigar neste momento?
  com tantos mistérios por desvendar.                Neste momento trabalho sobretudo com os
                                                     efeitos do aumento do CO2 e da acidificação do
                                                     oceano no processo fotossintético destas plantas
                                                     e também na calcificação de macroalgas calcá-
                                                     rias.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
O que gosto mais é sem dúvida o trabalho de cam-
po, estar na água. Privilegio sempre que possível
a recolha de dados in situ. O que gosto menos é a
burocracia exagerada imposta à ciência.


O que faz para se distrair do trabalho?
Faço desporto e desfruto a minha família.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Que procurem o contacto directo com quem
trabalha na área, informalmente ou através de
programas de estágios e sobretudo que não pen-
 sem que a investigação em plantas é tão aborre-
  cida como o quadro que lhes é pintado no ensino
   básico e secundário.
César Garcia

     César Garcia do Museu Nacional de Histó-
    ria Natural e da Ciência e investigador do
   CBA da FCUL, diz-nos hoje que “as surpresas
  que existem quando estudamos um local novo
 e aparecem espécies raras, novas para o país ou
novas para a ciência” são o que mais o motiva.

                                                   Porque escolheu a área das plantas para a
Para si, o que torna as plantas fascinantes?       sua investigação?
As plantas são organismos especiais. São espe-     Porque desde o ensino secundário que me inte-
ciais porque têm uma relação muito específica       resso por plantas, especialmente por ecologia
com o meio que as rodeiam e respondem de           e taxonomia. Chegamos a um ponto em que de
diferentes formas, quando o meio é alterado por    olhos fechados se formos colocados num deter-
alguma razão, seja poluição ou outras situações    minado local de Portugal podemos dizer com
como são as alterações climáticas. Depois estão    uma baixa margem de erro a região onde esta-
também adaptadas morfologicamente e quimica-       mos.
mente de uma forma muito interessante, a forma
das folhas, o tamanho das suas células, papilas,
compostos químicos. etc. toda esta variabilidade   O que está investigar neste momento?
 foi programada à medida das suas necessidades.    A brioflora de São Tomé e Príncipe e a Portugue-
                                                   sa. Trabalhos de ecologia e taxonomia. Relações
                                                   das espécies com a altitude e com outras variá-
                                                   veis ambientais.


                                                   O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
                                                   As surpresas que existem quando estudamos um
                                                   local novo e aparecem espécies raras, novas para
                                                   o país ou novas para a ciência. Depois observar
                                                   investigadores aposentados com a mesma moti-
                                                   vação e interesse parecendo crianças a desem-
brulhar presentes. Recentemente tive com um
dos maiores especialistas em plantas de África,      vão ter de passar por muitas
um investigador com perto de oitenta anos com        dificuldades para obter financia-
limitações na locomoção. Disse-me, tu que podes      mento e até para garantir o próprio
ainda subir às montanhas faz-me o favor de me        ordenado. Vão estar constantemente
enviar plantas para eu as determinar. Conclusão,     em concursos públicos onde as taxas
não há reformados em determinadas áreas por-         de sucesso são ínfimas. O sistema cien-
que há uma grande paixão.                            tífico actual não garante estabilidade fi-
O que gosto menos é a falta de sensibilidade de      nanceira aos jovens investigadores mesmo
quem não a devia ter. Ou seja os decisores, os que   os que têm mérito, não garante o seu futuro
dizem que não podem garantir carreiras científi-      e até se torna caricato. Neste momento há
cas, mas são os primeiros a solicitar informação     muitas pessoas qualificadas mal aproveitadas
quando necessitam ou a colocar dados em esta-        em que houve um esforço na sua formação es-
tísticas internacionais.                             tando as entidades públicas sem quadros para
                                                     trabalhar. Há um abuso nas bolsas que só deviam
                                                     existir para a atribuição de graus académicos.
O que faz para se distrair do trabalho?
Quando estou mesmo a fazer o trabalho que é o
 meu, não é necessário distracção.

  Que conselho daria a jovens interessados na
  investigação em plantas?
   Depende. Não só para as plantas, se o interes-
   se for muito forte e tiverem dispostos a tudo
   que avancem. Se for um interesse ligeiro que
   pensem duas vezes antes de se meterem em
    investigação num país europeu. Sabem que
Amely Zavattieri

       Hoje contamos com a participação da
      investigadora Amely Zavattieri, do Instituto
     de Ciências Agrárias e Ambientais Mediter-
    rânicas da Universidade de Évora. “Que só se
   dedique quem tiver realmente vocação e paixão
  pelas plantas, sem isto, qualquer profissão é um
 tédio” é o conselho dado por esta investigadora
 se dedicou ao estudo das plantas que depois de
ter morado durante anos com os seus pais numa
                                                     Porque escolheu a área das plantas para a
fazenda e aprendido as coisas básicas de agricul-
                                                     sua investigação?
tura com o seu pai.
                                                     Morei durante anos com os meus pais numa
                                                     fazenda e aprendi as coisas básicas de agricul-
                                                     tura com o meu pai, isto sem dúvida foi o que me
Para si, o que torna as plantas fascinantes?
                                                     fez optar pela engenharia agronómica. Gosto de
A sua capacidade de adaptação face a falta de
                                                     contribuir para o conhecimento da botânica e da
movimentação, a sua extraordinária diversidade
                                                     produção vegetal em todas as suas vertentes.
em formas e cores, a sua capacidade de trans-
formação da energia solar com uma eficiência
inimitável.
                                                     O que está investigar neste momento?
                                                     Sou doutorada em biotecnologia vegetal e estou
                                                     a investigar a micorrização in vitro de espécies
                                                     florestais e os sinais bioquímicos que se estabe-
                                                     lecem entre as plantas e as micorrizas para que o
                                                     estabelecimento das relações simbióticas venha
                                                     a acontecer. Estudo além disso a propagação e
                                                     conservação de germoplasmas de espécies endé-
                                                     micas portuguesas e a produção de metabolitos
                                                     secundários.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
 Gosto especialmente de trabalhar com a exce-
lente equipa que temos formado na Universidade
de Évora nesta área.
O que menos gosto é a baixa estima que existe
na área vegetal comparativamente com outras
(como exemplo, a relevância que se dá a conser-
vação animal em detrimento da componente
vegetal), a falta de conhecimento de quem fala
sobre biotecnologia vegetal e plantas genetica-
mente modificadas.


O que faz para se distrair do trabalho?
Tento fazer fotografia..... (pois sou amadora e com
pouca formação), viajar, e recentemente comecei
a escrever o meu primeiro livro não científico que
estará dedicado a minha forma de ver a Patagó-
 nia. O livro vai se chamar “Desolação e Beleza”
  e terei o apoio da Universidade de Évora e da
   Fundação Luís de Molina.

   Que conselho daria a jovens interessados
   na investigação em plantas?
    Que só se dedique quem tiver realmente
    vocação e paixão pelas plantas, sem isto,
    qualquer profissão é um tédio.
Ricardo Mateus

     “A Investigação em Plantas é uma área com
    futuro”, diz-nos hoje o investigador Ricardo
   Mateus, do Centro de Estudos Florestais do
  Instituto Superior de Agronomia. “A sua bio-
 diversidade e o seu valor na produção de tantos
produtos e serviços, tais como a purificação do
ar, a transformação da energia solar em alimen-
tos, o armazenamento de carbono, a regulação da
qualidade da água, etc.” são algumas das coisas
                                                   Porque escolheu a área das plantas para a sua
que tornam as plantas tão fascinantes.
                                                   investigação?
                                                   São um activo fundamental para a vida do plane-
                                                   ta que deve ser melhor gerido.
Para si, o que torna as plantas fascinantes?
O facto de sem elas não existir vida na Terra. A
sua biodiversidade e o seu valor na produção de
                                                   O que está investigar neste momento?
tantos produtos e serviços, tais como a purifi-
                                                   A gestão da floresta, considerando os seus múlti-
cação do ar, a transformação da energia solar
                                                   plos benefícios e oportunidades por oposição aos
em alimentos, o armazenamento de carbono, a
                                                   custos e riscos que a sua gestão implica.
regulação da qualidade da água, etc.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
 O que gosto mais: o contacto com a Natureza, o
impacto que a minha investigação poderá ter na
gestão efectiva das florestas.
O que gosto menos: a fraca ligação e colaboração
das empresas e sociedade em geral em relação
ao trabalho que é produzido em I&D.


O que faz para se distrair do trabalho?
Leio, viajo e vivo a vida com a minha família e
amigos.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
A Investigação em Plantas é uma área com futu-
 ro, face às necessidades e desafios que vamos
  atravessar neste século. Apostem sobretudo na
   multidisciplinaridade e em criar pontes com
   outras áreas do saber.
Alexandra Cunha

    Hoje contamos com a contribuição da inves-
   tigadora Alexandra Cunha, Coordenadora do
  projeto LIFE-BIOMARE da Universidade do
 Algarve. A conservação e a gestão de prada-
 rias marinhas, de modo a assegurar que “estes
habitats não desapareçam da costa portuguesa”
é o desafio que esta investigadora tem nas suas
mãos.


Para si, o que torna as plantas fascinantes?
Pela grande diversidade de forma, por serem a
                                                    Porque escolheu a área das plantas para a sua
base de todos os ecossistemas e pelo facto de
                                                    investigação?
serem seres vivos capazes de utilizar directamen-
                                                    Porque ao contrário dos animais não têm olhos e
te a energia solar.
                                                    não demonstram sofrimento quando manipula-
                                                    das.


                                                    O que está investigar neste momento?
                                                    Conservação e gestão de pradarias marinhas, o
                                                    que fazer para que estes habitats não desapare-
                                                    çam da costa portuguesa.
O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
Gosto de contribuir para a preservação de um
conjunto de plantas em declínio. A parte que me-
nos gosto é a dificuldade em obter financiamento
para fazer o meu trabalho.

O que faz para se distrair do trabalho?
Passeios pedestres na natureza, convívio com
amigos e família, leitura, viagens.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Que comecem desde cedo a criar laços com in-
vestigadores nas áreas de trabalho com plantas,
 como voluntários ou outros.
João Palma

      João Palma, investigador do Centro de
     Estudos Florestais do Instituto Superior de
    Agronomia, fala-nos hoje sobre a possibilida-
   de que a ciência nos dá para conhecer novas
  pessoas e novos mundo. Sem nunca esquecer,
 é claro que “é importante que a competência,
excelência e dedicação estejam sempre presen-
tes na actividade profissional”.                     O que está investigar neste momento?
                                                    Modelação de base fisiológica do crescimento
                                                    da floresta, e optimização do planeamento e
Para si, o que torna as plantas fascinantes?        gestão tendo em conta riscos e alterações climá-
A morfologia variada, estratégias de reprodução e   ticas.
a falsa impressão de que é um ser estático.

                                                    O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
Porque escolheu a área das plantas para a sua       Mais: Desafio de raciocínio das dinâmicas in-
investigação?                                       terligadas da hidrologia, fisiologia, silvicultura,
Vendo bem as coisas, acho que foram elas é que      otimização de processos e a programação desta
me escolheram...                                    dinâmica. Conhecer pessoas pelo mundo que
                                                    afinal também têm interesses semelhantes.
                                                    Menos: Burocracia (quase metade do tempo) e
                                                    contratos de trabalho a termo certo.


                                                    O que faz para se distrair do trabalho?
                                                    Depende das fases. Todos os dias ir e voltar de
                                                    mota ajuda a refrescar as ideias. Depois, dar
                                                    banho à criançada em casa que, por estranho que
                                                    possa parecer, aprendi que é um alívio para os
meus neurónios. O trabalho em si, tem promovi-
do viagens de longa duração em mundos/culturas
novas que permitem misturar lazer no trabalho
(China, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, ...). Um
bom copo rodeado de amigos é certamente uma
boa distração do trabalho em qualquer parte do
mundo.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Não sejam demasiado específicos à partida. Se
gostarem de um determinado tema, não desa-
nimem por não o conseguirem logo de início.
Certamente haverá oportunidade de explorar
esse tema no futuro, ou, frequentemente surge o
interesse por outro tema por causa do “contágio”
 da inspiração de um tutor dedicado e apaixonado
  pelo seu tema de investigação. É importante
   que a competência, excelência e dedicação es-
    tejam sempre presentes na actividade profis-
    sional. Sem estas, a investigação será apenas
     poesia que, apesar de desejada, dificilmente
     progredirá em resultados para a sociedade
      em que vivemos, necessitamos e identifica-
      mos.
Ana Cristina Tavares

       Sustentáveis, fiéis, humildes, lindos e ins-
      piradores são algumas “das muitas virtudes
     das plantas fascinantes”, diz-nos hoje Cristina
    Tavares, investigadora do Departamento de
   Botânica da FCTUC. “Visitar, conhecer e usu-
  fruir dos espaços, recursos e dos programas dos
 jardins botânicos” é o desafio lançado aos mais        modelos - químicos, físicos, morfológicos
jovens.                                                – fantásticos, muitas vezes inigualáveis;
                                                       - são seres de uma fidelidade impressionante:
                                                       fieis – aos sinais do meio ambiente- respondendo
Para si, o que torna as plantas fascinantes?           com a mesma reação à mesma ação; p. ex.. – “seja
Passo a enumerar apenas 7 (o meu dígito prefe-         fiel ao seu amor como a magnólia do jardim botâ-
rido) das muitas virtudes das plantas fascinan-        nico (de Coimbra) ao dar flor” uma atividade que a
tes - deslumbrantes, encantadoras e sedutoras          este propósito desenvolvemos no 14 de fevereiro-
(sinónimos no dicionário):                             dia dos namorados- porque as magnólias, aqui ,
- são os seres vivos mais sustentáveis que conhe-      estão sempre em flor nesse dia.
ço: são auto-suficientes e não desperdiçam - só         - são seres exemplares: todos os dias nos dão
consomem e gastam o que precisam;                      lições de vida, quer pelo conhecimento das plan-
- são seres humildes – nada reclamam e são fun-        tas, quer pelas novas descobertas a partir delas.
damentais para a vida na terra;                        - são princípio e fim: toda a vida e morte na terra
 - são seres sempre ativos, esforçados e empre-        se “mistura” nas plantas.
  endedores: procuram sempre a melhor adapta-          - são seres lindos, inspiradores e únicos no mun-
   ção às circunstâncias (meio ambiente) até ao        do.
    limite das possibilidades (vida), muitas vezes
     em situações extremas, que solucionam com
                                                       Porque escolheu a área das plantas para a sua
                                                       investigação?
                                                       Pelo desafio da diferença, já que as plantas são
                                                       tão importantes quanto o pouco interesse que no
                                                       geral lhes é votado. (sobre isso escrevi a convite:
                                                       http://www.uc.pt/noticias/newsletter/022012/
                                                       tem_a_palavra).
O que está investigar neste momento?
Apiáceas endémicas da Península Ibérica em Por-
tugal: conservação in vitro e ex situ e valorização
pelos óleos essenciais.


O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
O desafio aliciante e a interdisciplinaridade na
procura de conhecimentos (botânica, fisiologia
e ciências farmacêuticas) e o modo de o conse-
guir, pois proporciona uma aventura fantástica,
por entre os infindáveis Segredos da Natureza.
Congregar e organizar todos os resultados para
publicar.


O que faz para se distrair do trabalho?
 Convívio com família e amigos, danças e nata-
 ção, espetáculos.


   Que conselho daria a jovens interessados
   na investigação em plantas?
    Visitar, conhecer e usufruir dos espaços, re-
    cursos e dos programas dos jardins botânicos
    será um bom princípio.
Maria Amélia Martins-
         Loução


       Contamos agora com a participação de Ma-
      ria Amélia Martins-Loução, investigadora no
     Centro de Biologia Ambiental da Faculdade
    de Ciências da Universidade Lisboa. “Não é
   fantástico ter sementes guardadas por mais
  de milhares de anos capazes de germinar e dar     O que está investigar neste momen-
 uma nova planta?” é uma das curiosidades que       to?
nos coloca esta investigadora.                      Pouco estou a “fazer”, antes a estudar e a
                                                    orientar experimentação. A perceber como
                                                    se pode entusiasmar as crianças para a ciên-
Para si, o que torna as plantas fascinantes?        cia, para a curiosidade e experimentação cienti-
As suas formas, a arquitectura das árvores, o       fica. Apaixona-me compreender como é que as
domínio das alturas, destemido, despojado.          plantas podem usar microrganismos ou fungos
                                                    para se adaptarem a diferentes habitats. Quais
                                                    as condições que levam as plantas a perder a sua
Porque escolheu a área das plantas para a sua       capacidade de adaptação e a ficar ameaçada a
investigação?                                       sua sobrevivência ? Será o azoto atmosférico um
Para compreender as suas adaptações e evolu-        “driver” de perturbação importante para todas as
ção, como gerem os nutrientes e a água, particu-    espécies ? Como optimizar a conservação, in situ
larmente em climas desérticos e solos pobres.       e ex situ ?


                                                    O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
                                                    O tentar aprender o que não sei, de uma forma
                                                    contínua e apaixonada. Gosto especialmente de
                                                    pensar que estou a juntar pequenas peças de
                                                    um grande puzzle. Obviamente que não gosto de
                                                    perder peças.
O que faz para se distrair do trabalho?
  Estar com a família, olhar e rever espaços e
 locais por que tenho passado e para os quais
tenho nova forma de apreciar. Conhecer novos
lugares. Para além disso leio, e procuro aprender
novas funcionalidades que a Apple oferece.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?
Que é um mundo fascinante e a base da nossa
existência. Que há uma diversidade de formas e
de funções à nossa espera para descobrir. Que a
compreensão de muitos mecanismos presentes
nas plantas pode permitir o avanço da biologia
médica. Basta pensar que as plantas podem viver
muito mais que os animais e o homem. Porquê?
Como conseguem? O que as leva a ser tão resis-
tentes? Quais os mecanismos? Não é fantástico
 ter sementes guardadas por mais de milhares
  de anos capazes de germinar e dar uma nova
   planta?
Susana Serrazina


      Hoje contamos com a participação de Susa-
     na Serrazina, investigadora no Laboratório
    de Sistemas Biológicos de Plantas, da Facul-
   dade de Ciências de Lisboa. “A investigação
  em plantas é feita de pequenos passos que
 quando são atingidos correspondem a satisfa-
ção garantida!” diz-nos esta investigadora.


Para si, o que torna as plantas fascinantes?        O que está investigar neste momento?
As plantas são fascinantes. Não tendo capaci-       Investigo por um lado, os genes envolvidos na
dade de se mover, são capazes de sobreviver a       defesa do castanheiro europeu à doença da tinta,
agressões como pragas, calor e frio, ferida…todos   provocada por Phytophthora cinnamomi, um
estes tipos de stress levam as plantas a adaptar-   organismo do tipo fungo. Por outro lado, investigo
se, correspondendo a importantes motores            factores de sinalização na reprodução sexual das
evolutivos.                                         plantas, tendo como modelo o grão de pólen de
                                                    Arabidopsis thaliana.

Porque escolheu a área das plantas para a sua       O que gosta mais no seu trabalho? E menos?
investigação?                                       A investigação que exerço é muito demorada na
 As plantas são essenciais ao ecossistema Terra,    aquisição de resultados, a minha maior satisfa-
 estão na base do fornecimento de oxigénio e ali-   ção é quando finalmente consigo discuti-los e
  mento. O conhecimento do reino das plantas e o    divulgá-los. Nada avança sem dinheiro ou finan-
   melhoramento de plantas é e será sempre uma      ciamento, a parte mais chata é o atraso na trans-
    área emergente de importância primordial.       ferência de verbas para os projectos, de forma a
                                                    ter mais resultados para a divulgação e avanço no
                                                    conhecimento. Outro ponto negativo é a carreira
                                                    de investigador. Tem muitos altos e baixos a nível
                                                    de financiamento, os contratos são escassos e
                                                    as bolsas, como alternativa, não têm as mesmas
                                                    regalias dos contratos.
O que faz para se distrair do trabalho?
O meu filho ainda é jovem (1 ano). Ele é distracção
garantida e o meu escape. Quando tenho disponi-
bilidade não dispenso sair da cidade, passeios de
bicicleta, snorkeling.


Que conselho daria a jovens interessados na
investigação em plantas?”
A investigação em plantas exige curiosidade,
empenho e perseverança. Um investigador de
plantas chega facilmente à conclusão que nunca
chegaremos a conhecê-las na sua essência, e o
dogma de que as podemos dominar é falso. Tem
a ver com o facto de Homem e Plantas serem
inequivocamente diferentes, une-nos uma an-
 cestralidade comum, mas distante e divergente.
  A investigação em plantas é feita de pequenos
  passos que quando são atingidos correspon-
   dem a satisfação garantida!
Este livro só foi possível graças aos
             participantes nas diversas actividades do
     “Aqui há Planta 2012”.

Queremos agradecer-vos pela elevada qualidade dos trabalhos a concurso,
  pelo entusiasmo nos vários roteiros, pelas visitas à exposição, pelas ideias
    na nossa árvore, pelos testemunhos I-plant e por todas as outras formas
        com que apoiaram esta iniciativa. Muito obrigada a todos os que nos
           ajudaram a celebrar em grande, o fascinante mundo das plantas.

                    Contamos convosco para a próxima edição

                               A equipa “Aqui há Planta”




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E-book aqui há planta 18 Maio 2012 Dia International do Fascino das Plantas

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  • 2. No dia 18 de Maio de 2012 celebrou-se em todo o mundo o primeiro Dia Internacional do Fascínio das Plantas. Este evento, promovido pela European Plant Science Organisation (EPSO) e, em Portugal, pela Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal, contou com a participação de mais de 30 instituições portuguesas que asseguraram uma centena de actividades de norte a sul do país. No ITQB, celebrámos este dia com actividades para todas as idades. Em conjunto com outras instituições do O dia 18 de Maio foi também o culminar Campus de Oeiras (IBET, IGC, INRB dos concursos Aqui há Planta, promovidos e IICT), convidámos os visitantes a pelo ITQB e pela Câmara Municipal descobrirem com os investigadores de Oeiras. Desafiados a mostrar o seu a importância do estudo das fascínio pelas plantas, os participantes plantas. fotografaram, escreveram contos e produziram objectos artísticos diversos. Os melhores trabalhos encontram-se reunidos neste livro.
  • 3. O Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Uni- versidade Nova de Lisboa é um instituto multidisciplinar dedi- cado à investigação e ao ensino pós-graduado. Localizado na Quinta do Marquês, em Oeiras, o ITQB é um dos maiores institutos de investigação do país. Aqui trabalham quase quatrocentos investigadores especializados em diver- Juntámos também neste livro, sas áreas que procuram compreender o testemunhos de investigadores de mundo que nos rodeia e contribuir para diversas instituições e que foram o desenvolvimento de tecnologias que desafiados a transmitir o seu fascínio melhorem a nossa vida pelo estudo das plantas e a importância do seu trabalho para as nossas vidas. A iniciativa “i-plant and you?” foi promovida através da página de facebook “Aqui há planta” criada a propósito do Dia Internacional do Fascínio das Plantas.
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  • 6. A exposição Os melhores trabalhos dos concursos “Aqui há Planta” estiveram expostos no Oeiras Parque, um movimentado Shopping Center em Oeiras, de 15 a 30 de Julho. Aqui, no corredor principal de exposições, nasceu um jardim enfeitado com fotografias, maquetes, esculturas de papel e desenhos. Puffs coloridos convidavam os visitantes a disfrutar de um momento de calma, lendo os melhores contos do concurso.
  • 7. Este espaço foi ainda palco de ateliers de pintura, em que as crianças aprendiam técnicas de extracção de pigmentos de plantas e eram depois convidadas a dar largas à sua imaginação com uma paleta diferente do habitual. E para ficarmos a conhecer o que pensavam os visitantes das plantas, desafiámos todos a encher os ramos de uma árvore despida com post-its que completassem a frase “Se eu fosse uma planta…” As ideias não pararam de chegar e em breve enchemos a nossa árvore de ideias fantásticas e coloridas. Sem dúvida que em Julho as plantas reinaram no Oeiras Parque.
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  • 10. O Sobreiro Solitário Hoje a brisa é suave, os meus ramos e folhas sentem a doce aragem. A solidão é imensa nesta planície no Alentejo, cujo solo me agarra. As minhas raízes sentem a terra húmida e a seiva corre por todo o meu tronco e pelos meus ramos. Ontem fui uma semente, Maria Beatriz hoje sou uma grande árvore. Gomes 10 anos Ainda me lembro de quando eu era uma 1º prémio sementinha. Numa bela manhã, eu estava Categoria um pouco atormentada com a brisa que me Menores de 16 transportava. Eu só pensava onde iria parar. De repente fui aterrar na terra húmida desta planície, e assim fui-me desenvolvendo com o sol e com a chuva: primeiro um pequeno caule, depois umas folhinhas e lá fui eu assim crescendo aos poucos. Descobri que os homens me chamam Sobreiro e há quem se refira a mim como Quercus suber, o que eu acho um pouco estranho, por não ser nada comum. A minha casca rugosa é delicadamente retirada para fazer cortiça, que é uma matéria-prima. Pode ser usada no fabrico de rolhas para tapar as garrafas com vinho, cujas uvas são produzidas pelas minhas amigas Videiras, que vejo lá ao fundo, verdejantes e entrelaçadas, nos terrenos à volta da Vila. Nestes tempos tenho-me sentido preocupado, pois muitos Sobreiros têm sido deitados abaixo para se construírem estradas. Espero que isso não me aconteça. E assim termina a minha história. Agora vou ficar aqui a ver passar o tempo e a observar o que se passa do lado da vila.
  • 11. Uma viagem longa e atribulada Eu nasci em Sumatra, uma gigantesca Cristina ilha da Indonésia fustigada pela força do Maria Soares oceano Índico e pelas constantes erupções vulcânicas. A riqueza do solo e as chuvas 1º prémio tropicais fazem com que uma enorme variedade Categoria de vegetação cresça e pinte a ilha de verde. No Maiores de 16 meio desta vegetação cresce o cafeeiro que faz com que esta ilha seja a principal produtora deste produto na Indonesia. E é exatamente sobre o café que lhes vou falar. Eu cresci orgulhoso numa bela árvore de café. Nos meus 3 metros de altura eu via toda a ilha acaba? Mas passadas horas, muitas horas nos dias de céu limpo. Comecei como uma vi a luz ao fundo do túnel. Luz, o sol, o vento, pequena flor de cor branca e perfume intenso e as nuvens! Ah, a liberdade! O meu belo fato cresci como uma bela cereja que ao fim de vários vermelho desapareceu, já só resta a minha meses ficou vermelha e doce. Eu imaginava o semente e além disso estou preso em alguma futuro grandioso que me esperava. O que iria ser coisa mas… estou vivo! quando fosse maduro? Uma nova árvore de café? Horas depois ouço passos de novo e vejo um Alimento para algum ser vivo? Ou quem sabe homem a olhar para mim. Ele tira-me do chão talvez viaje pelo mundo e viva muitas aventuras? libertando-me da minha prisão e dá-me um Numa manhã fresca ouvi um ruído de passos e, banho. Ai que delícia. Mas não pensem que a de repente, vi um focinho pontiagudo entre as minha viagem terminou aqui. Reparei que não folhas que me começou a cheirar. Após alguns era o único nesta situação tão bizarra. Eramos momentos de hesitação o animal comeu-me. centenas de sementes de café que passamos pela Que sensação dolorosa… E que escuro! Sinto- mesma estranha viagem. Após sermos colocados me às voltas num líquido estranho e viscoso em sacos fomos colocados num enorme forno enquanto sou atirado para todos os lados. Que e torrados. Hum que cheirinho delicioso… Agora enjoo! mais moreninho e perfumado fui enviado para a De repente sou empurrado por um tubo e aí Europa com um novo nome: Kopi Luwak e com o começou a parte mais estranha da minha título de “O café mais caro do Mundo”. Mas digam viagem. Comecei a atravessar um túnel lá se depois de uma viagem destas não mereço longo e malcheiroso! Mas que cheiro!!! este título? E já agora vai um cafezinho? Horrível! Será que é aqui que vou acabar os meus dias? É assim que a minha curta vida
  • 12. A sementinha que não queria nascer Lá bem no escurinho tinha uma sementinha. Ela havia caído ali num dia quente de verão. Não sabia como tinha chegado lá. Tudo o que sabia que era bem Patrícia quentinho o cantinho dela. Tão quentinho que Laura Kenney ela nem queria acordar. Mas mesmo que ela quisesse ficar dormindo para sempre, algo em 2º prémio seu interior não ia deixar. Categoria Uma vez, ela estava dormindo tranqüila quando Maiores de 16 uma minhoca deu uma trombada nela. As duas conversaram muito. Das coisas que a minhoca falou, o que mais despertou a curiosidade da sementinha foram as nuvens que passeiam pelo brilhava lá no alto e esquentava seu corpinho, céu. Bem que ela gostaria de ver isso! ainda bem pequeno. O dia era quente e a brisa Não demorou muito, depois de uma grande trouxe algumas nuvens. - Ah!, disse a sementinha. tempestade , sentiu algo estranho acontecer. – Deve ser isso o que a minhoca falou que ficava Ela não se sentia mais a mesma. A terra em passeando pelo céu. volta estava quente e úmida. Estava tão macia Com o tempo a plantinha foi ficando maior e que dava vontade de esticar uma perninha. Uma maior. Em dois anos, já tinha crescido bastante perninha? Sementes não têm pernas! Mas, para e podia ver muito além do que via quando a surpresa da sementinha, seu corpo atendeu nascera. Ela se sentia orgulhosa de estar ali no à essa estranha vontade e começou a esticar alto daquele morro. Não havia muitas árvores uma pontinha que bem parecia uma perna. próximas para bater um papo, mas ela nunca se Essa perninha colocou a sementinha de pé e sentiu sozinha. Sempre apareciam as nuvens ajudou a sementinha a subir em busca da luz. para conversar e o vento para lhe fazer cócegas A sementinha estava com medo, mas criou e pentear suas folhas. Passarinhos vinham fazer coragem e rompeu o último pedacinho de seus ninhos e cantar lindas melodias entre seus terra que a separava do grande céu azul. galhos fortes. Às vezes, pessoas sentavam em Fez um pouco mais de força e ficou de pé. baixo da sua sombra e faziam piquenique. Era Parte da casca que lhe protegia enquanto gostoso ouvir suas histórias. Levou muitos anos semente ainda estava sobre ela, mas para aquela sementinha virar uma grande e já dava para ver algumas coisas, e um majestosa árvore. Hoje ela tem muitas histórias mundo todo novo se iluminou para ela... para contar, mas o que ela mais gosta mesmo de E, como era lindo! Pela primeira vez fazer é esperar pelo pôr-do-sol, e ver o céu todo sentiu um sopro de brisa nas costas. pintado de cor-de-rosa. Aquilo fazia cócegas! HiHiHi...O sol
  • 13. Vida! Vida! Acerola por acerola, abocanhava instantaneamente um garoto à frente da TV, no interior nordestino em um dia chuvoso. Passado um bom tempo, os suculentos frutos definharam, e o bobo Júlio César de menino brinca com as sementes durante o Moura Luz intervalo dos desenhos. Em um determinado 3º prémio momento, quase que compulsoriamente, joga Categoria Maiores de 16 uma pela janela da varanda, que cai levemente sobre terra molhada e sob pingos e mais pingos d’-água. A chuva tem o poder de trazer vida ao sertão. Neste caso não foi diferente! Cada gota que caía grande e fez um alvoroço danado na semente exercia pressão na terra, que já se porque não sabia como aquilo teria demonstrava acolhedora. Com o continuar do parado ali, mas achava sua beleza inverno, o solo foi cedendo cada vez mais, e, há alucinante. Em resposta à curiosidade da pouco, a semente já se encontrava totalmente criança, seu tio, biólogo, começara a esboçar submersa. teorias de como o pequeno pé-de-acerola teria Ali, no aconchego escuro do subsolo, já vibrava nascido ‘sozinho’. E não é que ele foi no rumo? enquanto vida cada átomo do fruto semeado Porém, naquele momento, o importante para inertemente. Tal escuro, que estontearia todos era zelar para que a planta pudesse se qualquer ser humano, figurava como um paraíso desenvolver. O próprio garoto adubou, aguou e, fértil àquela pequena semente, que, dali a pouco, com frequência, observava o crescer das folhas, a a estrutura começava a dissipar-se: passava a espessura do tronco evoluindo. Não demorou e a tomar forma. planta já era atração! Copa grande, bem aparada, Raízes foram surgindo. O contato com a luz era envolvendo de doçura o ar à sua volta. Há pouco cada vez mais almejado pelo “nascituro”. Dia apareceriam flores, pequenas e belas flores, de após dia, chuva e sol revezavam. Estava tudo onde surgiriam novas acerolas e sementes e, pronto! E, como num passe de mágica, “que assim, esse ciclo pudesse se repetir. Ali, muito haja luz!”. Foi assim que o pequeno brotinho mais que algo estático, exibia-se a grandiosidade saltou à terra em uma manhã de abril do acaso, já a fazer parte do cotidiano da família: gostosa. desabrochando e (re) produzindo vida. A plantinha, em um verde-claro lindo de se olhar, passou algum tempo anônima aos olhos da família. Porém, não demorou muito para ser identificada pelo próprio garoto que a fez germinar, ainda que inconscientemente. Viu o brotinho já meio
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  • 16. Ana Freire 1º prémio Ana Freire 1º prémio
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  • 30. Madalena Martins e Marta Silva menção honrosa
  • 31. Inês Fernandes e Bruno Esteves menção honrosa
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  • 33. A Árvore Jardim de Infância Grãos de Gente Prémio Escola
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  • 35. Cianotipia Escola 2, 3 General Humberto Delgado Prémio Escola
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  • 37. Mosaicos de Flores EB 2, 3/Secundária Aquilino Ribeiro Prémio Escola
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  • 39. i-Plant Centro de Biologia Ambiental da FCUL Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra Centro de Estudos Florestais do ISA Departamento de Botânica da FCTUC Escola Superior Agrária de Coimbra s Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra te an Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica ip Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da UEv ti c Instituto Nacional de Recursos Biológicos ar Instituto de Tecnologia Química e Biológica e sP Laboratório de Sistemas Biológicos de Plantas da FCUL i çõ Museu Nacional de História Natural e da Ciência tit u Universidade do Algarve Ins
  • 40. i-Plant. And you? O Dia Internacional do Fascínio das Plantas foi a desculpa perfeita para conhecer mais sobre aqueles que se dedicam ao estudo das plantas. Com a iniciativa “i-Plant. And you?” quisemos divulgar as pessoas por trás da investigação em plantas, nas suas múltiplas vertentes e pensando nas várias fases de uma carreira científica. O convite partiu por mail e via facebook e, ao longo das semanas que antecederam o dia 18 de Maio, as respostas foram publicadas na página Aqui há Planta. i-Plant. And you? Conheça os investigadores que estudam as plantas Se é investigador na área das plantas, então esta é a ocasião perfeita para dar a conhecer o seu trabalho e cativar outros públicos, sensibilizando para a importância das plantas. Em i-Plant queremos divulgar as pessoas por trás da investigação em plantas, nas suas múltiplas vertentes e pensando nas várias fases de uma carreira científica.
  • 41. Este ano, mais de 200 instituições de 36 países irão participar no 1º Dia Internacional do Fascínio das Plantas “Fascination of Plants Day” (www. plantday12.eu). Respondendo ao desafio da European Plant Science Organisation (EPSO) e, em Portugal, da Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal, no dia 18 de maio iremos celebrar as plantas, o papel que desempenham na nossa vida e a importância desta área de investigação. Instituições científicas, universidades, jardins botânicos, museus, agricultores e empresas de todo o mundo estarão juntas a comemorar este dia com atividades para o público. Junte-se a esta iniciativa e partilhe com o público o Seu Fascínio pelas Plantas. Assim pedimos-lhe apenas que responda a estas seis questões: 1. Para si, o que torna as plantas fascinantes? 2. Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? 3. O que está investigar neste momento? 4. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? 5. O que faz para se distrair do trabalho? 6. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas?
  • 42. Manuela David Sem querer deixar conselhos, a investiga- dora Manuela David deixa-nos antes o seu testemunho: “querer ser investigador não é tomar uma decisão completamente racional, é ser-se curioso e persistente a juntar a uma boa dose de emoção e de enamoramento.” as plantas? Talvez porque foram Descubra hoje o que torna as plantas tão fasci- as plantas que ganharam mais nantes para esta investigadora da Universidade importância na minha vida profissio- do Algarve. nal? Não tenho uma resposta única! Foi com certeza a paisagem rural da aldeia onde passava a maior parte das minhas férias, Para si, o que torna as plantas fascinantes? foram também professores entusiastas, foram É-me difícil separar o fascínio das plantas do desenhos, gravuras e ilustrações em livros, mas fascínio que tenho pelas plantas! São tantas as penso que foram sobretudo oportunidades, foi a razões, umas mais racionais, científicas, outras sorte de ter aprendido e trabalhado com gente emocionais. Não são as plantas um dos pulmões também ela fascinante a trabalhar em plantas, do planeta? Sim, e aí poderíamos falar da fo- com plantas. Recordo dois marcos importantes. tossíntese, das cadeias alimentares, em suma, Enquanto estudante de Biologia, na faculdade de de um pilar da vida na Terra tal como a vamos Ciências de Lisboa, o trabalho de campo de Ecolo- conhecendo. Porque as plantas estão por aí, sem gia Vegetal realizado na Arrábida em alfarrobeira pressas, presentes na sua aparente imobilidade? constituiu a minha primeira coautoria numa pu- Também sim, mas… afinal movem-se! Porque as blicação científica, abriu caminho ao meu estágio plantas mostram uma disponibilidade generosa? com o Prof. Fernando Catarino e vim a ser por ele Sim, também por isso, são os alimentos e as fi- contagiada pelo fascínio das plantas. Mais tarde, bras que usamos, são a diversidade dos aromas, recém-licenciada, foi determinante a colabora- das formas, das cores e das dimensões que as ção nos trabalhos de campo com a Universidade tornam uma fonte de prazer e de deslumbra- de Würzburg, em estudos que desenvolveram em mento para os nossos sentidos. Portugal na fisiologia das plantas lenhosas em ambiente mediterrâneo, mais uma vez na Arrábi- da, e então conhecer o Prof. João Santos-Pereira, Porque escolheu a área das plantas do Instituto Superior de Agronomia. Com ele viria para a sua investigação? a fazer o doutoramento e foram marcantes as Sei que em certa altura da minha vida, conversas informais entre momentos de medi- ainda no Liceu, decidi que queria ções sobre tantos aspetos de como funcionam as trabalhar em Biologia. Porquê então plantas.
  • 43. O que está investigar neste momento? O que faz para se distrair do Neste momento estou a colaborar com um trabalho? grupo de Virologia, no estudo dos padrões de Oiço música, muita música, e transporte a longa distância e de distribuição após grande interrupção recomecei do sinal silenciamento génico contra patologias a cantar num grupo coral. Leio agora virais em plantas. Com o grupo de Ecofisiolo- menos do que lia e vejo mais cinema. gia estudo diversos aspetos da adaptação das Mas também há muitos passeios a pé, as plantas aos fatores de stress característicos dos viagens e muita fotografia - antigamen- ambientes mediterrâneos e, em particular, tento te com muitos slides, agora com muitas contribuir para o conhecimento da ecologia e fotografias digitais - e sempre em boa com- biologia de uma Cistácea endémica do Algarve. panhia! Mas para além da investigação há ainda mais plantas! Como curadora estou a iniciar o processo de informatização do Herbário da Universidade Que conselho daria a jovens interessados na do Algarve e, em colaboração com o naturalista investigação em plantas? e amigo José Rosa Pinto, estamos a montar um Não sei dar conselhos, nem sequer sou o melhor guia de campo de plantas espontâneas da área exemplo de investigadora, e não tenho nenhum envolvente onde foi instalado o campus universi- conselho em particular para os interessados na tário que, espero, virá a ter uma edição “portátil” investigação em plantas. Deixo antes mais um no telemóvel de qualquer visitante. testemunho, que querer ser investigador não é tomar uma decisão completamente racional, é ser-se curioso e persistente a juntar a uma boa O que gosta mais no seu trabalho? E me- dose de emoção e de enamoramento. nos? Gosto em especial do trabalho de campo, gosto de ensinar, e de todos os momentos que me levam a pensar que escolhi a melhor profissão do mundo. O que gosto menos são aqueles momentos que, por razões variadas, me levam a pensar que devia ter escolhido outra profissão
  • 44. Célia Miguel “Muitas das descobertas científicas que foram feitas a partir da investigação em plantas foram determinantes noutras áreas da ciência, incluindo a medicina” lembra-nos hoje Célia Miguel, investigadora no ITQB/IBET. “O contributo que os investigadores em plantas podem dar à sociedade vai ter uma importância crucial no futuro próximo”, por isso desafia todos os jovens a interessar-se pela investigação em plantas. essencial para o progresso do conhecimento e que esse progresso é essencial para garantir a sustentabilidade da nossa sociedade. Muitas das Para si, o que torna as plantas fascinantes? descobertas científicas que foram feitas a partir É extraordinária a capacidade que as plantas da investigação em plantas foram determinantes têm de utilizar energia solar na fotossíntese para noutras áreas da ciência, incluindo a medicina. sintetizar todos os compostos orgânicos de que Para além disso, os desafios que enfrentamos necessitam e de que dependem as outras formas actualmente, como o aumento da população num de vida no planeta. As plantas são fascinantes cenário de alterações climáticas que poderão sob muitos aspectos incluindo por exemplo a levar a uma escassez de recursos (alimentares e grande diversidade de formas e tamanhos, estan- outros) tornam ainda mais necessário o investi- do algumas espécies de plantas entre os organis- mento na investigação das plantas. A investigação mos que atingem maior longevidade. As plantas nesta área é essencial para encontrarmos formas estão presentes em praticamente todos os de rentabilizar a produção de alimentos e outros ecossistemas apesar de não se movimentarem recursos renováveis que são utilizados, por exem- e moldam praticamente todas as paisagens plo, na produção de papel e de energia. que conhecemos, são muitas vezes os seres vivos que primeiro associamos a uma pai- sagem. São as plantas que mantêm quase O que está investigar neste momento? todos os ecossistemas terrestres tal como No nosso laboratório investigamos alguns aspec- os conhecemos. tos da biologia das árvores que são importantes para a valorização de espécies florestais repre- sentativas em Portugal como o pinheiro bravo e o Porque escolheu a área das plantas sobreiro. Desenvolvemos um método de propaga- para a sua investigação? ção vegetativa (clonagem) do pinheiro designado Acredito que a investigação em plantas pode dar um contributo
  • 45. por embriogénese somática e que permite obter O que faz para se distrair do um grande número de embriões geneticamente trabalho? idênticos a partir de células somáticas cultivadas As actividades de investigação são in vitro. A utilização deste sistema experimental muito exigente em termos de tempo. juntamente com outras ferramentas como a ma- O pouco tempo disponível é dedicado nipulação genética permite-nos também estudar especialmente à família. a função de genes que controlam mecanismos tão diversos como por exemplo o desenvolvi- mento dos embriões ou a resistência a doenças. Que conselho daria a jovens interessados Estamos ainda interessados em perceber quais os na investigação em plantas? genes e de que modo controlam a actividade de O contributo que os investigadores em plantas determinadas células não diferenciadas (meris- podem dar à sociedade vai ter uma importância temas) que são responsáveis pela formação de crucial no futuro próximo. Há ainda muito por madeira e cortiça. explorar sobre a biologia das plantas, como por exemplo como adaptam o seu desenvolvimento e crescimento em função das condições do am- O que gosta mais no seu trabalho? E menos? biente onde estão inseridas, ou que estratégias O que mais me motiva é o facto de todos os dias desenvolveram para enfrentar pragas e doenças se nos colocarem novos desafios. O progresso específicas, etc. Estes conhecimentos serão do conhecimento está a ser tão rápido que há estratégicos no desenvolvimento de aplicações poucos anos atrás não era possível imaginar de grande impacto na nossa sociedade. o tipo de projectos em que estamos actual- mente envolvidos e isso é muito motivante. O que menos gosto é do tempo excessivo que é dedicado a tentar obter financiamento para o nosso trabalho, e da incerteza desse finan- ciamento.
  • 46. Paula Farinha “As plantas trocam-nos as voltas constan- temente, pois a resposta nunca é tão simples como imaginávamos… é sempre muito mais complexa” confessa-nos hoje a investigadora Paula Farinha, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica. Para si, o que torna as plantas fascinantes? Eu diria, essa magia silenciosa que ocorre dentro tam no deserto, podendo viver anos a fio sob das plantas com o processo da fotossíntese… é uma forma de “hibernação” (dormência) quase absolutamente fascinante como as plantas con- totalmente desidratada e reatar a vida com uma seguem converter a energia do sol numa outra simples gota de água! Escolhi as plantas porque forma de energia acessível para elas e para todos queria saber exactamente o que ocorre “lá den- os outros seres vivos! Essa força motriz que nos tro” da célula, como podem responder a tantos move, que nos dá energia, provém das plantas! estímulos diferentes e integrar toda essa infor- Sem elas, não teríamos vida. E pensar que ainda mação de forma a poder sobreviver e a passar por cima nos dão o oxigénio que precisamos para essa informação à geração seguinte. viver, captando ao mesmo tempo o dióxido de car- bono. É absolutamente fascinante por si só! Já para não falar da beleza das cores, formas, chei- O que está investigar neste momento? ros e sabores com que nos presenteiam todos os Estou a estudar uma dessas formas de adapta- dias ! São fascinantemente “generosas”!. ção, ou seja, como as plantas respondem a nível molecular para adaptar-se à escassez de água e/ ou ao excesso de salinidade que ocorre no solo, Porque escolheu a área das plantas para a dois factores altamente limitantes à produtivida- sua investigação? de hoje em dia, e infelizmente muitas vezes as- Precisamente porque sempre vi as plantas sociados… A ideia é, depois de compreendermos como seres vivos fascinantes! Enigmáti- esses mecanismos base, podermos passar à fase cas, desde as plantas carnívoras (perfei- seguinte, que seria obter plantas com maiores tamente pacíficas deva-se dizer…), às níveis de tolerância a esses factores ambientais plantas da “ressurreição” que habi- adversos.
  • 47. O que gosta mais no seu trabalho? E me- nos? Gosto da ideia de que podemos formular todo o tipo de perguntas, e que se pensarmos numa boa estratégia, e tivermos os meios necessários Que conselho daria a jovens para a desenvolver, podemos chegar a respostas interessados na investigação em realmente fascinantes… As melhores são sempre plantas? aquelas que não estamos à espera… As plantas Talvez esta seja a pergunta mais difícil… trocam-nos as voltas constantemente, pois a res- Se os jovens sentem essa curiosidade que posta nunca é tão simples como imaginávamos… leva ao exercício da investigação, então é é sempre muito mais complexa… “só” uma questão de procurar/encontrar o O que gosto menos é falta de reconhecimento de tema certo, no lugar certo, e com as pesso- que o trabalho de um investigador, é trabalho! A as certas! Hoje em dia há muita informação, grande maioria das pessoas que faz investigação diversidade de temas e abordagens, e dado que o é detentora de bolsas de investigação, sendo país é pequeno, os investigadores até são fáceis considerado que estamos em formação… De facto de encontrar! Está tudo aí ao alcance de um click! é “trabalho”, muito trabalho aliás, ao qual se de- Basta procurar. dicam muitas horas, muita paixão, mas também muito esforço… O que faz para se distrair do trabalho? Gosto de umas belas caminhadas, um bom livro para ler, viajar, mas para mim a melhor distracção é poder estar com todos aqueles a quem mais queremos. Simplesmente estar e aproveitar que o outro existe, fazendo-me sentir que eu também existo.
  • 48. Tiago Santos Para o investigador Tiago Santos, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, o interes- se por esta área começou na faculdade, onde “o Prof. Fernando Catarino falava das plantas com uma paixão que acabou por despertar o meu interesse para conjugar a biologia molecu- lar com plantas!” A procura de explicações para a resposta das plantas a fatores ambientais, como tentar perceber o que faz uma planta ser mais O que está investigar neste momento? tolerante ou sensível ao frio, à salinidade ou à Neste momento, a minha pesquisa está relacio- secura “é um desafio permanente”. nada com os mecanismos de resposta a nível molecular do arroz a factores ambientais, como o frio, a salinidade ou a secura. Para si, o que torna as plantas fascinantes? As plantas são verdadeiras sobreviventes! Con- seguem viver em ambientes muito adversos com O que gosta mais no seu trabalho? E menos? adaptações espantosas. Para além disso, são a Gosto imenso dos intrincados puzzles molecula- fonte da nossa sobrevivência, fornecendo oxigé- res das respostas a factores ambientais. Estamos nio e serem a base da nossa alimentação. constantemente a tentar perceber o que faz uma planta ser mais tolerante ou sensível ao frio, sali- nidade ou secura, e isso é um desafio permanen- Porque escolheu a área das plantas para a te. O mais chato é ter de lidar com a frustração sua investigação? de experiências que correm mal. À parte disso, O bichinho foi crescendo durante a Facul- a permanente instabilidade profissional causa dade…o Prof. Fernando Catarino falava das igualmente muito stress. plantas com uma paixão que acabou por despertar o meu interesse para conjugar a biologia molecular com plantas!
  • 49. O que faz para se distrair do trabalho? Aproveito o meu tempo livre para estar com a minha mulher e filhas. Como a investigação toma grande parte do meu tempo, o restante tempo tento utilizá-lo ao máximo para poder compensá-las das minhas ausências. Também gosto de jogar ténis e de vez em quando consigo arranjar tempo para fazer umas partidas. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Gostar de plantas é fundamental! Depois é como em tudo: empenho, dedicação, espírito crítico, mas também saber ouvir os mais experientes…
  • 50. Célia Cabral “Desde miúda que o meu gosto pelas plantas despoletou penso que graças a uma grande influência da minha mãe que adora plantas” revela-nos Célia Cabral, investigadora da Facul- dade de Farmácia da Universidade de Coim- bra. “Conseguir dar explicação científica para os ou seja o fascínio pela Taxonomia Vegetal usos [das plantas] na medicina tradicional” é uma começou no meu segundo ano da licenciatura das suas motivações para investigar na área das em biologia. Desde essa altura que a paixão foi plantas. crescendo e fui tendo cada vez mais a certeza que fazer investigação com plantas, especialmente de ambientes tropicais era o que eu queria fazer. Para si, o que torna as plantas fascinantes? Tudo nas plantas me fascina, desde as cores, as formas, as estratégias de atração de insectos O que está investigar neste momento? para polinização, etc. As plantas não se conse- Neste momento estou a trabalhar na avaliação guem mover como os animais, e portanto quando da bioatividade de metabolitos secundários de vá- as condições ambientais não são as mais propí- rias plantas medicinais. Interessam-me sobretu- cias elas não podem fugir, têm de rapidamente se do as plantas aromáticas e logo a caracterização adaptar ou morrem. Essas capacidades e estra- química e a avaliação do potencial medicinal dos tégias extraordinárias que as plantas desen- óleos essenciais que são extraídos delas. volvem para se defenderem das adversidades encantam-me… O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto de tudo :) Desde ir para o campo colher, à Porque escolheu a área das plantas para a recolha de informação etnobotânica, ir para o sua investigação? laboratório obter extratos, fazer a caracterização Desde miúda que o meu gosto pelas plan- química, avaliar as bioatividades… adoro con- tas despoletou penso que graças a uma seguir dar explicação científica para os usos na grande influência da minha mãe que medicina tradicional. adora plantas. Mas o gosto científico,
  • 51. O que faz para se distrair do trabalho? Não se pode dizer que seja para me distrair do trabalho, até porque não tenho vontade de me distrair do trabalho porque adoro o que faço. Mas adoro ir para o campo com o meu filho e admirar com ele a beleza da natureza e gosto muito tam- bém de pintar aguarelas. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? O meu conselho é que sejam persistentes. Eu fiz parte do meu doutoramento fora de Portugal (no Royal Botanic Garden Edinburgh, U.K.) onde há um fascínio e um respeito pelas plantas muito maior que no nosso país. Nem sempre é fácil fazer investigação com plantas em Portugal, há que sensibilizar as pessoas. Acho que devemos sempre perseguir os nossos sonhos e portanto o meu conselho é que não desistam quando sur- girem as primeiras adversidades, toneladas de burocracias e dificuldades de financiamento. Força, e não desistam das plantas :)
  • 52. Catarina Moura “Há um mundo fascinante por descobrir e que a investigação em plantas é extre- mamente relevante” é o que nos diz hoje a investigadora Catarina Moura, do Centro de Estudos Florestais do ISA/UTL e do Centro de Ecologia Funcional da UC. Aos jovens inves- tigadores lembra que, se por um lado considera que esta área é “sempre menos financiada, me- diversidade de formas, cores e texturas nos apreciada que outras áreas (...) mas que vale no reino das plantas; depois durante a a pena se acreditarmos?... ai isso vale! Portanto, faculdade senti uma maior afinidade pelas força!” cadeiras e pelo ambiente no Departamento de Botânica, e finalmente fui cativada pela cadeira de Ecologia Vegetal, e especificamente por uma Para si, o que torna as plantas fascinantes? aula em que o palestrante convidado, o Professor As plantas são organismos sésseis que, pare- Jorge Paiva, nos falou da Laurissilva e da diversi- cendo-nos frágeis, controlam imensos aconteci- dade vegetal... nesse dia decidi. mentos do planeta e estão na base da vida deste. Para além do seu papel fundamental na base da cadeia alimentar da biosfera, podem também O que está investigar neste momento? ser importantíssimas na estabilização do solo, No panorama geral, dedico-me ao estudo da na regulação do ciclo hidrológico, na captura de interacção entre plantas (em particular árvores carbono e na mitigação de alterações climáticas e sua fisiologia) e o ambiente, nomeadamente e até na origem de muitos medicamentos... Nós, factores relacionados com alteração globais (seja humanos, com esta aparente força, mobilidade o aumento do CO2 na atmosfera, a incidência de e “inteligência” não poderíamos viver sem as secas ou as alterações do uso do solo) e alguns ci- plantas! clos biogeoquímicos (água, carbono, azoto). Neste momento em particular, estou a investigar efei- tos de determinadas alterações do uso do solo Porque escolheu a área das plantas ou da paisagem (como a introdução de pastagens para a sua investigação? melhoradas biodiversas ou a “invasão” por arbus- Penso que resultou de uma combinação tos) na fisiologia do sobreiro e no funcionamento de factores, alguns mais circunstan- do ecossistema Montado. ciais que outros. Por um lado, desde muito cedo que me fascinava a
  • 53. O que gosta mais no seu trabalho? E me- Que conselho daria a nos? jovens interessados na Gosto principalmente de questionar, de discu- investigação em plantas? tir vários assuntos de ciência e de fazer ligações Diria que há um mundo fas- entre ramos diversos do conhecimento (penso cinante por descobrir e que a que é um característica e vantagem da ecologia!). investigação em plantas é extrema- Adoro quando ouço cientistas doutras áreas e mente relevante, mas que o caminho se faz um “click” na minha cabeça de como essa e as escolhas podem ser duros. Diria abordagem, essa técnica, essa questão poderia que é necessário algum espírito de ser utilizada na nossa área, ou de como se pode- dedicação, perseverança e luta (embora riam construir sinergias entre todos. Também dependa muito do tipo e área de investi- gosto do forte sentimento de calma e paz que gação dentro de “as plantas” e do local do o trabalho de campo me proporciona (apesar mundo onde se está). Embora reconheça que de muitas vezes ser duro fisicamente). E gostei estes não deixem de ser valores transversais a imenso de dar aulas durante o meu doutoramen- todos os cientistas, terão que ser mais aguçados to. numa área em que há pouco apoio e que é menos O que gosto menos?... Hmm.... talvez de sentir acarinhada pela própria sociedade. Será sempre que há muitas limitações (internas e externas) menos financiada, menos apreciada que outras para aquilo que gostaríamos de fazer, questionar, áreas, isso sem dúvida, mas que vale a pena se investigar. E de perdermos muito tempo e energia acreditarmos?... ai isso vale! Portanto, força! com assuntos que são muitas vezes secundários mas que afectam negativamente a disponibili- dade mental e criatividade tão necessárias na ciência. O que faz para se distrair do trabalho? Faço muitas coisas diversas dependendo do local e situação onde me encontro, mas tem- po com família ou amigos, música, cinema e livros (muitos!) estão constantemente pre- sentes... E sempre que posso, algo relaciona- do com a dança (a minha outra paixão).
  • 54. Eugénia de Andrade Hoje o i-Plant veio falar com a investigadora Eugénia de Andrade, do Instituto Nacional de Recursos Biológicos. As plantas “são a fonte do oxigénio atmosférico e a base da cadeia alimentar (vida em geral), a habitação de tantos seres, a química da beleza, do crescimen- to e da cura de doenças físicas e psicológicas (so- brevivência), a revelação de sentimentos (amor, tristeza,...), a beleza das paisagens e o prazer dos Porque escolheu a área das plantas para a nossos olhos (lazer)” diz-nos esta investigadora. sua investigação? “E tanto fica ainda por dizer.” Numa primeira fase, vários factores, talvez com pesos semelhantes, contribuíram para o meu interesse pelas plantas: uma ascendência ligada Para si, o que torna as plantas fascinantes? à agricultura, um pai que me motivava para a As plantas são a nossa existência e indispensá- observação da natureza através de passeios a veis à vida do Planeta Terra. Elas são a fonte do pé pelo campo, da observação de sementinhas a oxigénio atmosférico e a base da cadeia alimen- germinar e do encorajamento na participação em tar (vida em geral), a habitação de tantos seres, actividades agrícolas e o meu próprio gosto pelas a química da beleza, do crescimento e da cura de as ciências da vida. Só mais tarde, durante a vida doenças físicas e psicológicas (sobrevivência), a académica, surgiu o interesse pela investigação. revelação de sentimentos (amor, tristeza, .), a be- leza das paisagens e o prazer dos nossos olhos (lazer). E tanto fica ainda por dizer. O que está investigar neste momento? O efeito da inserção casual de transgenes, em mi- lho, nos genes codificadores e não-codificadores de proteínas. O efeito da amostragem na quantifi- cação precisa de sementes geneticamente modi- ficadas em lotes de sementes não geneticamente modificadas- amostragem 1-D. Desenvolvimento de plasmídeos calibrantes/con- trolos positivos para as reacções de detecção de agentes fitopatogénicos, por PCR em tempo real.
  • 55. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? na área da saúde sejam dos mais Gosto de ler, gosto do “pensar” gerador de criati- elevados, sugiro aos jovens que vidade e gosto do trabalho na bancada do labora- visem uma investigação atractiva e tório. Não gosto tanto de escrever. entusiasmante, direcionada para o uso das plantas na saúde e na melhoria da qualidade alimentar e do meio-ambiente e O que faz para se distrair do trabalho? sempre em prol do bem estar da humanida- Tento ter, ao mesmo tempo, diferentes activi- de e da natureza. dades em curso, para não entrar em rotina em qualquer uma delas. Acima de tudo, faço jardi- nagem, crochet e ponto de cruz. Também faço, mas menos, restauro de mobílias velhas. Actual- mente, encontrei no estudo da macrobiótica, uma nova distracção e um novo interesse nas plantas. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Atendendo à conjuntura actual, onde a falta de recursos faz com que a investigação, especial- mente em plantas (agricultura, alimentação e biotecnologia), seja uma das menos finan- ciada e que os investimentos em projectos
  • 56. Sónia Negrão “Adoro investigar para tentar responder a perguntas e surgirem sempre outras novas...o desafio constante da ciência” é o que motiva a investigadora Sónia Negrão. Conheça aqui mais sobre o trabalho que desenvolve no Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universi- dade Nova de Lisboa. Para si, o que torna as plantas fascinantes? Porque escolheu a área das plantas para a sua Por um lado as plantas são o suporte de vida investigação? de todo o planeta, não só como fonte básica de A genética sempre me fascinou desde muito alimentação para todos os seres vivos, como cedo...como o modelo de Mendel foi o primeiro também o pulmão da Terra. Por outro lado, como modelo genético com o qual tive contacto, estu- as plantas são organismos sésseis (ou seja não dar plantas do ponto de vista genético foi algo possuem capacidade de locomoção e vivem que aconteceu naturalmente. fixos num local) desenvolveram mecanismos de adaptação únicos (genéticos e moleculares) para responder às condições adversas . O que está investigar neste momento? Estou a estudar a diversidade genética do arroz, de forma a encontrar genes mais eficazes na tolerância ao stress salino, de forma a que o arroz consiga crescer melhor em ambientes com mais sal.
  • 57. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Adoro investigar para tentar responder a pergun- tas e surgirem sempre outras novas...o desafio constante da ciência. O que menos gosto é falta de uma carreira científica efectiva ou seja sem ser apoiada maioritariamente por bolsas de investigação. O que faz para se distrair do trabalho? Gosto de fazer desporto (Taekwondo, Krav Maga e natação), cinema, ler e ir para a praia quando o tempo o permite. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Devem ter em conta que a carreira de investiga- ção exige absoluta dedicação, muita persever- ança e uma grande paixão pela ciência. Acon- selharia a começar com estágios de verão ou mestrados num grupo forte de investigação para perceberem como o trabalho de investi- gação pode ser exigente mas recompensador.
  • 58. Hélia Marchante “Na verdade gosto muito do meu trabalho (as várias vertentes incluídas tanto na parte de investigação como na parte de docência) mas detesto as plantas invasoras que investigo - procuro alternativas para as eliminar!” é o que nos diz hoje a investigadora Hélia Marchante. Saiba mais sobre o seu trabalho com plantas invasoras no Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e sobre as suas aulas de Botânica na Escola Superior Agrária de Coimbra. Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? Aconteceu mais ou menos por acaso (no início Para si, o que torna as plantas fascinantes? do curso até queria era trabalhar com animais), Além de haver muitas plantas que são lindíssi- mas depois de começar a trabalhar com plantas mas, sem elas não haveria animais:) Nem muitas nunca mais quis trocar - são fantásticas! das paisagens fantásticas que conhecemos! O que está investigar neste momento? Investigo na área das plantas invasoras, in- cluindo, e.g.: impactes de plantas invasoras nas comunidades de plantas nativas; metodologias de controlo de plantas invasoras e recuperação de ecossistemas invadidos. A nível de docência ensino Botânica (disciplina de base) - e adoro!
  • 59. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto muito das várias vertentes do meu traba- lho, incluindo tanto as componentes de investiga- ção como as de docência. De certa forma, o que gosto menos são as plantas invasoras propria- mente ditas, já que procuro alternativas para as eliminar! O que faz para se distrair do trabalho? Brinco com os meus filhotes:) Ou, por vezes, pas- seamos no campo e vêmos plantas juntos:) Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Força! não desistam - as plantas são muito mais fantásticas do que os animais. Mas é preciso “perseguir o sonho” - nem sempre é fácil conse- guir-se financiamentos para investigar na área das plantas (ou noutra áreas);)
  • 60. João Silva Hoje falámos com o investigador João Silva, do Centro de Ciências do Mar da Universi- dade do Algarve, sobre o seu fascínio pelas plantas, “ainda com tantos mistérios por des- vendar”. “Que não pensem que a investigação em plantas é tão aborrecida como o quadro que lhes é pintado no ensino básico e secundário” é o conselho dado por este investigador aos mais jovens. Porque escolheu a área das plantas para a sua Para si, o que torna as plantas fascinantes? investigação? Vários aspectos, a começar pela sua função A primeiro contacto acabou por ser quase casual, essencial de suporte a toda a vida neste planeta, um pouco por curiosidade, ao procurar um tema função que ainda assim desempenham com uma para tese de mestrado, que acabei por fazer com subtileza notável. Depois a sua beleza, manifes- macroalgas marinhas. O encantamento veio tada desde os pequenos detalhes morfológicos depois e foi definitivo. até à escala de uma floresta ou de uma pradaria submarina. E por fim, não menos fascinante, é o seu próprio “funcionamento”, a fisiologia, ainda O que está investigar neste momento? com tantos mistérios por desvendar. Neste momento trabalho sobretudo com os efeitos do aumento do CO2 e da acidificação do oceano no processo fotossintético destas plantas e também na calcificação de macroalgas calcá- rias.
  • 61. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O que gosto mais é sem dúvida o trabalho de cam- po, estar na água. Privilegio sempre que possível a recolha de dados in situ. O que gosto menos é a burocracia exagerada imposta à ciência. O que faz para se distrair do trabalho? Faço desporto e desfruto a minha família. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Que procurem o contacto directo com quem trabalha na área, informalmente ou através de programas de estágios e sobretudo que não pen- sem que a investigação em plantas é tão aborre- cida como o quadro que lhes é pintado no ensino básico e secundário.
  • 62. César Garcia César Garcia do Museu Nacional de Histó- ria Natural e da Ciência e investigador do CBA da FCUL, diz-nos hoje que “as surpresas que existem quando estudamos um local novo e aparecem espécies raras, novas para o país ou novas para a ciência” são o que mais o motiva. Porque escolheu a área das plantas para a Para si, o que torna as plantas fascinantes? sua investigação? As plantas são organismos especiais. São espe- Porque desde o ensino secundário que me inte- ciais porque têm uma relação muito específica resso por plantas, especialmente por ecologia com o meio que as rodeiam e respondem de e taxonomia. Chegamos a um ponto em que de diferentes formas, quando o meio é alterado por olhos fechados se formos colocados num deter- alguma razão, seja poluição ou outras situações minado local de Portugal podemos dizer com como são as alterações climáticas. Depois estão uma baixa margem de erro a região onde esta- também adaptadas morfologicamente e quimica- mos. mente de uma forma muito interessante, a forma das folhas, o tamanho das suas células, papilas, compostos químicos. etc. toda esta variabilidade O que está investigar neste momento? foi programada à medida das suas necessidades. A brioflora de São Tomé e Príncipe e a Portugue- sa. Trabalhos de ecologia e taxonomia. Relações das espécies com a altitude e com outras variá- veis ambientais. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? As surpresas que existem quando estudamos um local novo e aparecem espécies raras, novas para o país ou novas para a ciência. Depois observar investigadores aposentados com a mesma moti- vação e interesse parecendo crianças a desem-
  • 63. brulhar presentes. Recentemente tive com um dos maiores especialistas em plantas de África, vão ter de passar por muitas um investigador com perto de oitenta anos com dificuldades para obter financia- limitações na locomoção. Disse-me, tu que podes mento e até para garantir o próprio ainda subir às montanhas faz-me o favor de me ordenado. Vão estar constantemente enviar plantas para eu as determinar. Conclusão, em concursos públicos onde as taxas não há reformados em determinadas áreas por- de sucesso são ínfimas. O sistema cien- que há uma grande paixão. tífico actual não garante estabilidade fi- O que gosto menos é a falta de sensibilidade de nanceira aos jovens investigadores mesmo quem não a devia ter. Ou seja os decisores, os que os que têm mérito, não garante o seu futuro dizem que não podem garantir carreiras científi- e até se torna caricato. Neste momento há cas, mas são os primeiros a solicitar informação muitas pessoas qualificadas mal aproveitadas quando necessitam ou a colocar dados em esta- em que houve um esforço na sua formação es- tísticas internacionais. tando as entidades públicas sem quadros para trabalhar. Há um abuso nas bolsas que só deviam existir para a atribuição de graus académicos. O que faz para se distrair do trabalho? Quando estou mesmo a fazer o trabalho que é o meu, não é necessário distracção. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Depende. Não só para as plantas, se o interes- se for muito forte e tiverem dispostos a tudo que avancem. Se for um interesse ligeiro que pensem duas vezes antes de se meterem em investigação num país europeu. Sabem que
  • 64. Amely Zavattieri Hoje contamos com a participação da investigadora Amely Zavattieri, do Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediter- rânicas da Universidade de Évora. “Que só se dedique quem tiver realmente vocação e paixão pelas plantas, sem isto, qualquer profissão é um tédio” é o conselho dado por esta investigadora se dedicou ao estudo das plantas que depois de ter morado durante anos com os seus pais numa Porque escolheu a área das plantas para a fazenda e aprendido as coisas básicas de agricul- sua investigação? tura com o seu pai. Morei durante anos com os meus pais numa fazenda e aprendi as coisas básicas de agricul- tura com o meu pai, isto sem dúvida foi o que me Para si, o que torna as plantas fascinantes? fez optar pela engenharia agronómica. Gosto de A sua capacidade de adaptação face a falta de contribuir para o conhecimento da botânica e da movimentação, a sua extraordinária diversidade produção vegetal em todas as suas vertentes. em formas e cores, a sua capacidade de trans- formação da energia solar com uma eficiência inimitável. O que está investigar neste momento? Sou doutorada em biotecnologia vegetal e estou a investigar a micorrização in vitro de espécies florestais e os sinais bioquímicos que se estabe- lecem entre as plantas e as micorrizas para que o estabelecimento das relações simbióticas venha a acontecer. Estudo além disso a propagação e conservação de germoplasmas de espécies endé- micas portuguesas e a produção de metabolitos secundários.
  • 65. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto especialmente de trabalhar com a exce- lente equipa que temos formado na Universidade de Évora nesta área. O que menos gosto é a baixa estima que existe na área vegetal comparativamente com outras (como exemplo, a relevância que se dá a conser- vação animal em detrimento da componente vegetal), a falta de conhecimento de quem fala sobre biotecnologia vegetal e plantas genetica- mente modificadas. O que faz para se distrair do trabalho? Tento fazer fotografia..... (pois sou amadora e com pouca formação), viajar, e recentemente comecei a escrever o meu primeiro livro não científico que estará dedicado a minha forma de ver a Patagó- nia. O livro vai se chamar “Desolação e Beleza” e terei o apoio da Universidade de Évora e da Fundação Luís de Molina. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Que só se dedique quem tiver realmente vocação e paixão pelas plantas, sem isto, qualquer profissão é um tédio.
  • 66. Ricardo Mateus “A Investigação em Plantas é uma área com futuro”, diz-nos hoje o investigador Ricardo Mateus, do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia. “A sua bio- diversidade e o seu valor na produção de tantos produtos e serviços, tais como a purificação do ar, a transformação da energia solar em alimen- tos, o armazenamento de carbono, a regulação da qualidade da água, etc.” são algumas das coisas Porque escolheu a área das plantas para a sua que tornam as plantas tão fascinantes. investigação? São um activo fundamental para a vida do plane- ta que deve ser melhor gerido. Para si, o que torna as plantas fascinantes? O facto de sem elas não existir vida na Terra. A sua biodiversidade e o seu valor na produção de O que está investigar neste momento? tantos produtos e serviços, tais como a purifi- A gestão da floresta, considerando os seus múlti- cação do ar, a transformação da energia solar plos benefícios e oportunidades por oposição aos em alimentos, o armazenamento de carbono, a custos e riscos que a sua gestão implica. regulação da qualidade da água, etc.
  • 67. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O que gosto mais: o contacto com a Natureza, o impacto que a minha investigação poderá ter na gestão efectiva das florestas. O que gosto menos: a fraca ligação e colaboração das empresas e sociedade em geral em relação ao trabalho que é produzido em I&D. O que faz para se distrair do trabalho? Leio, viajo e vivo a vida com a minha família e amigos. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? A Investigação em Plantas é uma área com futu- ro, face às necessidades e desafios que vamos atravessar neste século. Apostem sobretudo na multidisciplinaridade e em criar pontes com outras áreas do saber.
  • 68. Alexandra Cunha Hoje contamos com a contribuição da inves- tigadora Alexandra Cunha, Coordenadora do projeto LIFE-BIOMARE da Universidade do Algarve. A conservação e a gestão de prada- rias marinhas, de modo a assegurar que “estes habitats não desapareçam da costa portuguesa” é o desafio que esta investigadora tem nas suas mãos. Para si, o que torna as plantas fascinantes? Pela grande diversidade de forma, por serem a Porque escolheu a área das plantas para a sua base de todos os ecossistemas e pelo facto de investigação? serem seres vivos capazes de utilizar directamen- Porque ao contrário dos animais não têm olhos e te a energia solar. não demonstram sofrimento quando manipula- das. O que está investigar neste momento? Conservação e gestão de pradarias marinhas, o que fazer para que estes habitats não desapare- çam da costa portuguesa.
  • 69. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Gosto de contribuir para a preservação de um conjunto de plantas em declínio. A parte que me- nos gosto é a dificuldade em obter financiamento para fazer o meu trabalho. O que faz para se distrair do trabalho? Passeios pedestres na natureza, convívio com amigos e família, leitura, viagens. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Que comecem desde cedo a criar laços com in- vestigadores nas áreas de trabalho com plantas, como voluntários ou outros.
  • 70. João Palma João Palma, investigador do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, fala-nos hoje sobre a possibilida- de que a ciência nos dá para conhecer novas pessoas e novos mundo. Sem nunca esquecer, é claro que “é importante que a competência, excelência e dedicação estejam sempre presen- tes na actividade profissional”. O que está investigar neste momento? Modelação de base fisiológica do crescimento da floresta, e optimização do planeamento e Para si, o que torna as plantas fascinantes? gestão tendo em conta riscos e alterações climá- A morfologia variada, estratégias de reprodução e ticas. a falsa impressão de que é um ser estático. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? Porque escolheu a área das plantas para a sua Mais: Desafio de raciocínio das dinâmicas in- investigação? terligadas da hidrologia, fisiologia, silvicultura, Vendo bem as coisas, acho que foram elas é que otimização de processos e a programação desta me escolheram... dinâmica. Conhecer pessoas pelo mundo que afinal também têm interesses semelhantes. Menos: Burocracia (quase metade do tempo) e contratos de trabalho a termo certo. O que faz para se distrair do trabalho? Depende das fases. Todos os dias ir e voltar de mota ajuda a refrescar as ideias. Depois, dar banho à criançada em casa que, por estranho que possa parecer, aprendi que é um alívio para os
  • 71. meus neurónios. O trabalho em si, tem promovi- do viagens de longa duração em mundos/culturas novas que permitem misturar lazer no trabalho (China, Nova Zelândia, Austrália, Brasil, ...). Um bom copo rodeado de amigos é certamente uma boa distração do trabalho em qualquer parte do mundo. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Não sejam demasiado específicos à partida. Se gostarem de um determinado tema, não desa- nimem por não o conseguirem logo de início. Certamente haverá oportunidade de explorar esse tema no futuro, ou, frequentemente surge o interesse por outro tema por causa do “contágio” da inspiração de um tutor dedicado e apaixonado pelo seu tema de investigação. É importante que a competência, excelência e dedicação es- tejam sempre presentes na actividade profis- sional. Sem estas, a investigação será apenas poesia que, apesar de desejada, dificilmente progredirá em resultados para a sociedade em que vivemos, necessitamos e identifica- mos.
  • 72. Ana Cristina Tavares Sustentáveis, fiéis, humildes, lindos e ins- piradores são algumas “das muitas virtudes das plantas fascinantes”, diz-nos hoje Cristina Tavares, investigadora do Departamento de Botânica da FCTUC. “Visitar, conhecer e usu- fruir dos espaços, recursos e dos programas dos jardins botânicos” é o desafio lançado aos mais modelos - químicos, físicos, morfológicos jovens. – fantásticos, muitas vezes inigualáveis; - são seres de uma fidelidade impressionante: fieis – aos sinais do meio ambiente- respondendo Para si, o que torna as plantas fascinantes? com a mesma reação à mesma ação; p. ex.. – “seja Passo a enumerar apenas 7 (o meu dígito prefe- fiel ao seu amor como a magnólia do jardim botâ- rido) das muitas virtudes das plantas fascinan- nico (de Coimbra) ao dar flor” uma atividade que a tes - deslumbrantes, encantadoras e sedutoras este propósito desenvolvemos no 14 de fevereiro- (sinónimos no dicionário): dia dos namorados- porque as magnólias, aqui , - são os seres vivos mais sustentáveis que conhe- estão sempre em flor nesse dia. ço: são auto-suficientes e não desperdiçam - só - são seres exemplares: todos os dias nos dão consomem e gastam o que precisam; lições de vida, quer pelo conhecimento das plan- - são seres humildes – nada reclamam e são fun- tas, quer pelas novas descobertas a partir delas. damentais para a vida na terra; - são princípio e fim: toda a vida e morte na terra - são seres sempre ativos, esforçados e empre- se “mistura” nas plantas. endedores: procuram sempre a melhor adapta- - são seres lindos, inspiradores e únicos no mun- ção às circunstâncias (meio ambiente) até ao do. limite das possibilidades (vida), muitas vezes em situações extremas, que solucionam com Porque escolheu a área das plantas para a sua investigação? Pelo desafio da diferença, já que as plantas são tão importantes quanto o pouco interesse que no geral lhes é votado. (sobre isso escrevi a convite: http://www.uc.pt/noticias/newsletter/022012/ tem_a_palavra).
  • 73. O que está investigar neste momento? Apiáceas endémicas da Península Ibérica em Por- tugal: conservação in vitro e ex situ e valorização pelos óleos essenciais. O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O desafio aliciante e a interdisciplinaridade na procura de conhecimentos (botânica, fisiologia e ciências farmacêuticas) e o modo de o conse- guir, pois proporciona uma aventura fantástica, por entre os infindáveis Segredos da Natureza. Congregar e organizar todos os resultados para publicar. O que faz para se distrair do trabalho? Convívio com família e amigos, danças e nata- ção, espetáculos. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Visitar, conhecer e usufruir dos espaços, re- cursos e dos programas dos jardins botânicos será um bom princípio.
  • 74. Maria Amélia Martins- Loução Contamos agora com a participação de Ma- ria Amélia Martins-Loução, investigadora no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade Lisboa. “Não é fantástico ter sementes guardadas por mais de milhares de anos capazes de germinar e dar O que está investigar neste momen- uma nova planta?” é uma das curiosidades que to? nos coloca esta investigadora. Pouco estou a “fazer”, antes a estudar e a orientar experimentação. A perceber como se pode entusiasmar as crianças para a ciên- Para si, o que torna as plantas fascinantes? cia, para a curiosidade e experimentação cienti- As suas formas, a arquitectura das árvores, o fica. Apaixona-me compreender como é que as domínio das alturas, destemido, despojado. plantas podem usar microrganismos ou fungos para se adaptarem a diferentes habitats. Quais as condições que levam as plantas a perder a sua Porque escolheu a área das plantas para a sua capacidade de adaptação e a ficar ameaçada a investigação? sua sobrevivência ? Será o azoto atmosférico um Para compreender as suas adaptações e evolu- “driver” de perturbação importante para todas as ção, como gerem os nutrientes e a água, particu- espécies ? Como optimizar a conservação, in situ larmente em climas desérticos e solos pobres. e ex situ ? O que gosta mais no seu trabalho? E menos? O tentar aprender o que não sei, de uma forma contínua e apaixonada. Gosto especialmente de pensar que estou a juntar pequenas peças de um grande puzzle. Obviamente que não gosto de perder peças.
  • 75. O que faz para se distrair do trabalho? Estar com a família, olhar e rever espaços e locais por que tenho passado e para os quais tenho nova forma de apreciar. Conhecer novos lugares. Para além disso leio, e procuro aprender novas funcionalidades que a Apple oferece. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas? Que é um mundo fascinante e a base da nossa existência. Que há uma diversidade de formas e de funções à nossa espera para descobrir. Que a compreensão de muitos mecanismos presentes nas plantas pode permitir o avanço da biologia médica. Basta pensar que as plantas podem viver muito mais que os animais e o homem. Porquê? Como conseguem? O que as leva a ser tão resis- tentes? Quais os mecanismos? Não é fantástico ter sementes guardadas por mais de milhares de anos capazes de germinar e dar uma nova planta?
  • 76. Susana Serrazina Hoje contamos com a participação de Susa- na Serrazina, investigadora no Laboratório de Sistemas Biológicos de Plantas, da Facul- dade de Ciências de Lisboa. “A investigação em plantas é feita de pequenos passos que quando são atingidos correspondem a satisfa- ção garantida!” diz-nos esta investigadora. Para si, o que torna as plantas fascinantes? O que está investigar neste momento? As plantas são fascinantes. Não tendo capaci- Investigo por um lado, os genes envolvidos na dade de se mover, são capazes de sobreviver a defesa do castanheiro europeu à doença da tinta, agressões como pragas, calor e frio, ferida…todos provocada por Phytophthora cinnamomi, um estes tipos de stress levam as plantas a adaptar- organismo do tipo fungo. Por outro lado, investigo se, correspondendo a importantes motores factores de sinalização na reprodução sexual das evolutivos. plantas, tendo como modelo o grão de pólen de Arabidopsis thaliana. Porque escolheu a área das plantas para a sua O que gosta mais no seu trabalho? E menos? investigação? A investigação que exerço é muito demorada na As plantas são essenciais ao ecossistema Terra, aquisição de resultados, a minha maior satisfa- estão na base do fornecimento de oxigénio e ali- ção é quando finalmente consigo discuti-los e mento. O conhecimento do reino das plantas e o divulgá-los. Nada avança sem dinheiro ou finan- melhoramento de plantas é e será sempre uma ciamento, a parte mais chata é o atraso na trans- área emergente de importância primordial. ferência de verbas para os projectos, de forma a ter mais resultados para a divulgação e avanço no conhecimento. Outro ponto negativo é a carreira de investigador. Tem muitos altos e baixos a nível de financiamento, os contratos são escassos e as bolsas, como alternativa, não têm as mesmas regalias dos contratos.
  • 77. O que faz para se distrair do trabalho? O meu filho ainda é jovem (1 ano). Ele é distracção garantida e o meu escape. Quando tenho disponi- bilidade não dispenso sair da cidade, passeios de bicicleta, snorkeling. Que conselho daria a jovens interessados na investigação em plantas?” A investigação em plantas exige curiosidade, empenho e perseverança. Um investigador de plantas chega facilmente à conclusão que nunca chegaremos a conhecê-las na sua essência, e o dogma de que as podemos dominar é falso. Tem a ver com o facto de Homem e Plantas serem inequivocamente diferentes, une-nos uma an- cestralidade comum, mas distante e divergente. A investigação em plantas é feita de pequenos passos que quando são atingidos correspon- dem a satisfação garantida!
  • 78. Este livro só foi possível graças aos participantes nas diversas actividades do “Aqui há Planta 2012”. Queremos agradecer-vos pela elevada qualidade dos trabalhos a concurso, pelo entusiasmo nos vários roteiros, pelas visitas à exposição, pelas ideias na nossa árvore, pelos testemunhos I-plant e por todas as outras formas com que apoiaram esta iniciativa. Muito obrigada a todos os que nos ajudaram a celebrar em grande, o fascinante mundo das plantas. Contamos convosco para a próxima edição A equipa “Aqui há Planta” www.itqb.unl.pt | sci@itqb.unl.pt | 214469350