Monografia cavalinha

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SILVA, L. O. . Equisetum arvense (Cavalinha) 2011 (Monografia não publicada).
Monografia desenvolvida durante a disciplina optativa "Plantas Medicinais", oferecida pelo Prof. Dr. Luis Claudio Di Stasi, do Instituto de Biociências da UNESP (Botucatu).

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Monografia cavalinha

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO” INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS DE BOTUCATU CIÊNCIAS BIOLÓGICAS LUIZA DE OLIVEIRA SILVA Equisetum arvense BOTUCATU 2011
  2. 2. INTRODUÇÃO Com aproximadamente 15 espécies já identificadas (e um número semelhante de híbridos), o gênero Equisetum é o único pertencente à Família Equisetaceae, da divisão Pteridophyta do Reino Plantae. As cavalinhas, assim como são conhecidas as espécies do gênero, são uns dos seres vivos mais antigos do planeta. Datadas do período Carbonífero, apresentam-se como relíquias do início da evolução das plantas terrestres e sofreram uma evolução muito pequena até os dias de hoje, sendo então consideradas como fósseis vivos. As espécies de Equisetum estão distribuídas em quase todas as regiões do mundo, exceto na Austrália e na Nova Zelândia. No Brasil, apenas a espécie Equisetum giganteum é reconhecida como nativa, sendo que ela também é encontrada em países da América Central e da América do Sul. A espécie Equisetum arvense é originária da Europa, da Ásia e da América do Norte. IDENTIFICAÇÃO DA PLANTA Nome científico: Equisetum arvense Sinonímia popular: cavalinha; horsetail, field horsetail (English); cola de caballo (Spanish); prêle de champs (French), acker-schachtelhalm (German), codda di cavallo (Italian). Origem: América do Norte, Europa e Ásia Ocorrência: Zona Temperada do Hemisfério Norte Habitat: prefere solos argilosos úmidos e cresce facilmente em áreas de campo plano ou de relevo suave, naturalmente úmido ou irrigado (prado). É considerada uma planta indicadora de presença de água. Embora, em sua maioria, prefira lugares úmidos, onde possam apresentar rizomas perenes na água ou no barro, a planta também cresce em jardins próximos à água e na sombra, espalhando-se rapidamente e podendo se tornar um problema em culturas perenes, agindo como erva daninha, inclusive em áreas de pastagem e terrenos baldios. Pode ocorrer esporadicamente no Mediterrâneo e em condições extremas do clima continental. Descrição botânica: é caracterizada, principalmente, por possuir dois tipos de hastes, as férteis ou produtoras de esporos e as estéreis ou vegetativas, que possuem função fotossintética. As hastes férteis, desprovidas de clorofila e de cor acastanhada, desenvolvem-se no início da primavera (final de Março, no Hemisfério Norte) e apresentam em sua extremidade o estróbilo produtor de esporos (Figura 1), que murcham após a fase reprodutiva. A hastes estéreis desenvolvem-se no verão (a partir do final de Junho, no Hemisfério Norte) e atingem, em média, 50 cm de altura. São verdes e responsáveis pela função fotossintética da planta e também por suas propriedades medicinais, além disso, são caracterizadas por possuírem de quatro a cinco ramos ao redor de cada nó (Figura 2).
  3. 3. Figura 1 Figura 2 DADOS ETNOFARMACOLÓGICOS Segundo Wyk e Wink (2004, p. 136), a planta é utilizada principalmente como diurético para o tratamento de inflamações no trato urinário inferior, cálculo renal e edema, sendo também usada em casos de hemorragia menstrual, cicatrização de feridas e outras doenças de pele. Além disso, Auger (1982) afirma que, devido a riqueza de minerais encontrados na espécie, especialmente sílica, mas também potássio e cálcio, a planta é utilizada como um excelente remineralizante. Extratos de cavalinha também são utilizados para o fortalecimento do tecido conjuntivo, firmando a pele, melhorando a circulação e os efeitos adstringentes (Bährle-Rapp, 2007). A sílica presente na planta também promove a saúde dos ossos e dos dentes, sendo tradicionalmente usada para melhorar a textura e o tom da pele, dos cabelos e das unhas. O suco derivado do caule estéril da cavalinha tem sido utilizado para tratar além de distúrbios urinários, doenças crônicas que afetam os pulmões e as vias respiratórias. Para preparar uma decocção, a erva deve ser cozida por no mínimo três horas, a fim de extrair elementos essenciais e o chá pode ser usado para aliviar coceira, irritação e inflamações da pele, como o eczema. O pó da planta pode ser diluído com água e ingerido para acalmar a azia, sendo também usado como anti-séptico bucal para o tratamento de inflamações e irritações orais (Willhite, 2011). Devido ao seu alto teor de sílica, a planta já foi usada para limpar e arear materiais, sendo utilizada por índios americanos como abrasivo no polimento de arco e flecha (Murphey, 1959) e as cinzas da planta seca e queimada, usadas para tratar feridas da boca. A cavalinha também é consumida como “aspargos” em saladas, devido ao seu potencial nutritivo e dela também é possível se obter um corante amarelo. Na agricultura biológica ela é usada como remédio natural contra fungos e pragas.
  4. 4. DADOS FARMACOLÓGICOS Os efeitos farmacológicos da Equisetum arvense baseiam-se principalmente no seu uso tradicional. Apresenta-se como um diurético suave, com ação reguladora e adstringente do trato genito urinário, muito útil em casos de incontinência noturna de crianças. Flavonóides, sílica e sais de potássio são os principais constituintes responsáveis pela atividade diurética (Wyk e Wink, 2004) e remineralizante da planta, permitindo a eliminação de substancias tóxicas, além da ação cicatrizante e de reparo dos tecidos ósseos e da pele. Além da atividade diurética e adstringente do trato genito urinário, a planta possui diversas outros efeitos farmacológicos.  Atividade Ansiolítica Extratos do caule de Equisetum arvense em água, clorofórmio, etanol e éter de petróleo foram usados para testar o efeito ansiolítico da planta em ratos, utilizando-se o modelo do “Labirinto em cruz elevado”. Foi verificado que o extrato etanólico de E. arvense (50 e 100 mg/kg) aumentou significativamente a porcentagem de entradas no braço aberto do labirinto, assim como o tempo e o extrato etanólico a 100mg/kg diminuiu a atividade locomotora dos camundongos. Os resultados foram comparados com a droga padrão diazepan e sugerem que E. arvense parece possuir efeito ansiolítico com menor atividade sedativa que o diazepan. (Singh N, S Kaur, Bedi PM, Kaur D., 2011)  Atividade Antinociceptiva e Antiinflamatória Um estudo realizado para testar as propriedades antinociceptiva e antiinflamatória do extrato hidroalcoólico dos caules de Equisetum arvense em ratos verificou que os extratos de 10, 25, 50 e 100mg/kg reduziram as contorções induzidas por ácido acético em 49, 57,93 e 98%, dos ratos, respectivamente. A partir do teste da formalina, o extrato de 50 e 100 mg/kg reduziram 80 e 95% o estereótipo “lamber” na primeira fase, e na segunda fase, a última dose diminuiu o tempo de “lamber” em 35% dos ratos. Em ambas as fases a naloxona não reverteu o efeito analgésico do extrato. No teste da placa quente o extrato de 100 e 200 mg/kg não alteraram o tempo de latência para lamber ou pular. A dose de 50 mg/kg reduziu o edema induzido na pata por carragenina em 2h (25%) e 4h (30%). A dose de 100 mg/kg reduziu o edema apenas 4h após a administração da carragenina. Os resultados indicam que o extrato hidroalcoólico de caule de Equisetum arvense apresenta um efeito antinociceptivo em modelos químicos de nocicepção que não estão relacionados com o sistema opióide, assim como revelam propriedades antiinflamatórias. (Monte FH. et al., 2003)  Atividade Antioxidante A atividade antioxidante foi investigada em extratos de Equisetum arvense em água e em etanol. Verificou-se que os componentes fenólicos totais foram mais ricos em extratos de etanol e os teores de proteína foram maiores em frações de extrato em água. Ambos os extratos tiveram notável atividade antioxidante, semelhante à 5mM de ácido
  5. 5. ascórbico. Observou-se que extratos de água mostraram elevada concentração de ânion superóxido e os radicais hidroxila foram efetivamente eliminados por extratos de etanol. A cavalinha é rica em vitamina C e E e contém altos níveis de cobre e zinco, elementos essenciais para a superóxido desmutase agir contra espécies ativas de oxigênio, desta forma, apresenta-se útil na prevenção de várias doenças degenerativas. (Nagai T, Myoda T, Nagashima T., 2004) Um trabalho realizado por Mímica-Dukic et al. (2008), testou a atividade antioxidante e a composição fenólica em três diferentes extratos de Equisetun arvense (AcOEt, nBuOH e H2O) e os resultados demonstraram que a melhor capacidade de eliminar radicais livres foi expressa no extrato AcOEt e a menor no extrato H20. O flavonóide isoquercitrina é o principal nos extratos AcOEt e n-BuOH, porém uma quantidade considerável de di-E-cafeoil-meso-tartárico também se apresenta no n-BuOH. No extrato de H2O alto conteúdo de ácidos fenólicos e baixa porcentagem de flavonóides foram detectados.  Atividade Antioxidante e Hepatoprotetora O fracionamento do extrato de Equisetum arvense resultou no isolamento de dois phenolic petrosins, juntamente com quatro flavonóides, dos quais, os compostos onitin e luteolina apresentaram atividade hepatoprotetora sobre tacrinecitotoxicidade induzida no fígado e também mostraram efeito de eliminação de superóxido. Os resultados dão suporte ao uso desta planta no tratamento de hepatite pela medicina tradicional oriental. (Oh H, Kim D-H, Cho J-H., 2004)  Atividade Antioxidante e Melhora do Desempenho Cognitivo Um estudo que testou a melhora cognitiva de ratos idosos através da administração crônica de extrato hidroalcoólico de Equisetum arvense, verificou que a dose de 50 mg/kg do extrato melhorou o desempenho cognitivo, não havendo diferença entre os grupos controle, jovens e idosos. Não foram observadas manifestações de toxicicidade. Ensaios in vitro revelaram que o extrato diminuiu as substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico, bem como a formação de nitrito, mas não alterou a atividade catalase. Sendo assim, o efeito da melhora cognitiva, poder ser atribuído, pelo menos em parte, à ação antioxidante. (Santos Júnior JG. et al., 2005)  Atividade Antimicrobiana e Efeito Bacteriostático Um método de difusão em disco foi utilizado para avaliar a atividade antimicrobiana do óleo essencial de Equisetum arvense contra bactérias e fungos como Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Klebsiellapneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Salmonella enteritidis, Candida albans e Aspergillusniger. A diluição de 1:10 do óleo essencial demonstrou possuir forte atividade antimicrobiana contra todas as cepas testadas. (Radulović N, Stojanović G, Palić R., 2006) O extratos alcoólico e de água de Equisetum arvense têm efeitos inibidores sobre bactérias diferentes. O método do papel de filtro foi utilizado para comparar o efeito bacteriostático dos dois extratos sobre três bactérias. Em geral, o extrato alcoólico teve efeito maior que o extrato em água. No entanto, ambas as drogas tiveram maior efeito sobre Staphylococcus aureus e efeitos mais baixos sobre Bacillus subtilis e Escherichia coli. (Yanfei C., 2011)
  6. 6.  Atividade Anticonvulsiva e Atividade Sedativa Extratos hidroalcoólicos de Equisetum arvense, testados nas doses de 200 e 400 mg/kg mostraram uma atividade significativa no “teste de campo aberto”. Já, no “labirinto em cruz elevado”, as doses de 50, 100 e 150% não afetaram os parâmetros avaliados. Destaca-se então que os extratos hidroalcoólicos de E. arvense apresentam efeitos anticonvulsivos e sedativos. (Santos Júnior et al., 2005)  Atividade Antidiabética Extrato metanólico de Equisetum arvense foi analisado por sua atividade antidiabética em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina. Após a administração oral em doses de 50 e 250 mg/kg por dia, durante cinco semanas, os resultados mostraram que houve redução da glucose sanguínea, conferindo ao extrato metanólico de E. arvense atividade antidiabética significativa. Estudo histológico dos pâncreas necrosados por estreptozotocina, demonstraram regenerações significativas por extrato metanólico. (Soleimani S, Azarbaizani FF, Nejati V., 2007)  Atividade Cicatrizante Um experimento feito em coelhos verificou a capacidade de cicatrização de feridas na pele após a aplicação de extrato de Equisetum arvense, iodopovidona e cloreto de sódio. Como resultado verificou-se que E. arvense é mais eficaz quando comparado as demais soluções, acelerando a contração das feridas. O efeito da cicatrização pode ser resultado da sílica, do ácido silícico, do silício e das saponinas presentes no extrato. (Hayat A, Temamogullari F, Yilmaz R, Karabulut O., 2011) DADOS TOXICOLÓGICOS E CONTRA INDICAÇÕES Estudos relatam que a planta apresenta um fator antinutricional, a tiaminase, uma enzima que inativa a vitamina B. Um estudo de caso descrito por Garcia et al (2011) relata que a exposição pré-natal de uma mulher grávida ao etanol e à cavalinha pode ter levado à deficiência de vitamina A e B1, devido a tiaminase e isso pode ter afetado o desenvolvimento neurológico fetal e provocando distúrbios no espectro do autismo na criança. Desta forma, seu uso é contra indicado à gestantes e lactantes. O uso deve ser evitado por indivíduos que tomam laxantes, diuréticos ou esteróides (Willhite JM, WISEGEEK, 2011) e que apresentam insuficiência renal. O uso tópico pode gerar dermatite seborréica e o uso em altas concentrações pode provocar lesões no sistema urinário, cefaléias, anorexia e fadiga, possivelmente devido a presença de alcalóides. (DIVISÃO..., 2010). Recomenda-se que os tratamentos sejam curtos e autorizados por prescrição de controle médico, dada a possibilidade de aparição de descontrole da pressão arterial (LEMNIS..., 2011). Estudos sugerem que a ingestão de grandes quantidades de Equisetum arvense como alimento não é recomendada para aqueles com dieta rica em colesterol, já que experimentos em ratos demonstraram a aparição de dermatites no pescoço, na cabeça e no dorso dos animais (Maeda H, Miyamoto K, Sano T., 1997). Notas publicadas no American Fern Journal sugerem que o alto teor de sílica em Equiseutum arvense causa diarréia em cavalos e que a planta contém um alcalóide
  7. 7. tóxico, que pode ter efeito venenoso. (Rapp-Jr WF, 1954). Observações em campo mostraram que a planta é tóxica para ovinos, bovinos e cavalos, sendo venosa tanto fresca quanto seca, em feno. (Garden Organic, 2007). No entanto, um estudo da hepatotoxicidade aguda da Equisetum arvense L. em ratos verificou que a análise anatomopatológica do tecido hepático de ratos do grupo controle e de ratos que receberam doses crescentes de cavalinha revela o órgão com estrutura lobular preservada em todos os casos, não havendo alteração significativa na atividade sérica das enzimas hepáticas e indução de hepatotoxicicidade por E. arvense. (Baracho NCV, Vicente BBV, Arruda GDS, Sanches BCF, Brito J., 2009) DADOS QUÍMICOS Análises fitoquímicas detectaram que o componente ativo majoritário na planta é o ácido silícico (10 a 15%) (Figura 3), sendo que o teor de silício orgânico (ligado às proteínas) varia de 0.5 a 0,8% e os teores de silício solúvel se acumulam mais nas plantas jovens. As análises também detectaram a presença de taninos, saponinas, flavonóides e esteróis (Santos Júnior JG et al., 2005), sendo que a fração de esteróis contém, essencialmente, os seguintes componentes: beta-sitosterol (60,0%), campesterol (32,9%), isofucosterol (5,9%) e colesterol (traços). (D´Agostino M et al., 1984) e o isolamento de compostos fenólicos e flavanóides revelaram a presença de: onitin, onitin-9-O-glicosídeo, apigenina, luteolina, kaempferol-3-O-glicosídeo e quercetina-3-O-glicosídeo. (Oh H, Kim D-H, Cho J-H., 2004). Figura 3
  8. 8. OUTRAS INFORMAÇÕES Na Agricultura Biodinâmica, ciência baseada no saber, nas observações e nas influências das forças cósmicas na Terra, é possível destacar, que segundo as recomendações do alemão Rudolf Steiner (1924), Equisetum arvense é uma planta que pode ser utilizada no combate à doenças fúngicas e similares nas plantas, sendo preparada na forma de um chá bem concentrado, que em seguida é diluído e aplicado nas lavouras em doses homeopáticas. Neste contexto, a Associação Biodinâmica (ABD) – no Brasil – busca desvendar questões à respeito da origem dos organismos usados nos preparados biodinâmicos, ou seja, somente as plantas européias recomendadas por Steiner promovem os efeitos desejados, ou plantas nativas ou presentes em cada região podem ser utilizadas como substitutos eficazes? Através de um contato mais próximo com a pesquisadora e doutora em agricultura Maria Bertalot, que desde 2006 realiza estudos com espécies de Equisetum na Associação Biodinâmica, foi possível cogitar que a espécie E. arvense não encontra condições ambientais necessárias e favoráveis para ocorrer no Brasil, não havendo relato fiel de seu cultivo no país. No entanto, através de uma busca simplificada em sites da internet, é possível observar que existem locais que produzem, fornecem e comercializam a cavalinha, identificada botanicamente como Equisetum arvense. Como exemplo é possível citar uma empresa que comercializa chás medicinais e possui laudos técnicos que revelam que a planta (identificada como E. arvense) é cultivada no Brasil, porém fornecida por outra empresa. Outro exemplo, é uma cooperativa de agricultores que comercializa a planta como E. arvense, porém divulga as fotos de E. hyemale. Desta forma, considerando os conhecimentos da pesquisadora Maria Bertalot e destacando, novamente, que a espécie Equisetum arvense é originária da Europa, Ásia e Ámérica do Norte, ocorrendo nas áreas compreendidas entre o trópico de câncer e o cículo polar ártico (zona temperada, que apresenta estações do ano bem definidas com verões quentes e invernos frios) é possível fazer os seguintes questionamentos:   As espécies cultivadas no Brasil são realmente Equisetum arvense, quando assim identificadas ou existe um erro de identificação botânica? É possível ou não cultivar E. arvense no Brasil? Se possível, em quais regiões do país a espécie consegue se desenvolver e completar seu ciclo? É preciso destacar também, que no Brasil são encontradas duas espécies de Equisetum muito bem adaptadas. Uma delas é a espécie nativa Equisetum giganteum (Figura 4), conhecida popularmente como cavalinha gigante e a outra é a espécie introduzida Equisetum hyemale (Figuras 5 e 6). A cavalinha gigante é encontrada em áreas mais brejosas e apresenta hastes maiores, sempre verdes, regularmente ramificadas e com estróbilos, sendo difícil de ser cultivada. Já o E. hyemale é uma planta muito utilizada no paisagismo em terra ou jardins ornamentais na água, desenvolvendo-se facilmente e alastrando-se rapidamente caso não haja algum tipo de controle. O conhecimento popular e científico revelam que ambas as espécies possuem propriedades medicinais, assim como E. arvense, porém esta é a mais estudada e documentada na literatura. Como exemplo de propriedades medicinais, pode-se citar: atividade diurética, remineralizante, cicatrizante e adistringente do sistema urogenital.
  9. 9. Vale observar também, que o uso popular sugere que a espécie E. hyemale possui excelente atividade diurética e segundo pesquisas, a planta revelou possuir relevante atividade antioxidante, devido aos seus compostos fenólicos, promovendo a manutenção da saúde e a proteção contra doenças coronoárias e o câncer (Dogan, Diken e Dogan, 2010) Figura 5 Figura 4 Figura 6
  10. 10. CONCLUSÃO Equisetum arvense possui uma série de propriedades medicinais de relevante importância para a saúde. Dentre elas, pode-se citar os seguintes efeitos: atividade diurética, cicatrizante, remineralizante, adstringente, anti-hemorrágica, antioxidante, hepatoprotetora, antimicrobiana, bacteriostática, ansiolítica, antinociceptiva, anticonvulsiva e antidiabética. Porém, vale destacar que o uso farmacológico varia entre as regiões de ocorrência da planta. A planta apresenta algumas contra-indicações e efeitos tóxicos, devendo ser evitada principalmente por mulheres grávidas, pessoas com insuficiência renal, disfunção cardíaca e pessoas com dieta rica em colesterol. Com relação ao uso de Equisetum arvense como fitoterápico disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), agindo como diurético, é possível levantar os seguintes pontos:   Equisetum arvense é a espécie mais estudada dentre as que compõe o gênero das cavalinhas, apresentando efeitos farmacológicos bem delineados e comprovados, além de conhecimentos populares e uso tradicional de longa data. A planta possui atividade diurética, porém, algumas contra indicações. Mas o uso correto e acompanhamento médico garantem sua eficácia e segurança. No entanto, a principal questão que se levanta sobre E. arvense, refere-se à viabilidade de seu cultivo no país, pois esta é uma planta que ocorre em regiões de Zona Temperada no Hemisfério Norte. Sendo assim, torna-se necessário:     Fazer um levantamento dos lugares que cultivam cavalinha no Brasil, afim de verificar quais são as espécie botânicas. Fazer contato com brasileiros que utilizaram E. arvense em suas pesquisas e identificar a origem das plantas. Fazer estudos mais aprofundados sobre as propriedades medicinais de E. hyemale. Sugerir que E. hyemale seja a espécie de cavalinha a ser inserida no SUS, devido suas propriedades medicinais e facilidade de cultivo.
  11. 11. BIBLIOGRAFIA BEN-ERIK, W. Van; MICHAEL, W. Medicinal plants of the world. 1.ed. Portland: Timber Press, 2004. 480p. SIXEL, B.T., BERTALOT, M.J.A., Estudos sobre Equisetum arvense sp – Cavalinha. Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica, Botucatu, 2006. MAEDA, H.; MIYAMOTO, K.; SANO, T. Occurrence of dermatitis in rats fed a cholesterol diet containing field horsetail (Equisetum arvense L.). Faculty of Health and Living Sciences, Naruto University of Education Japan, out. 1997. Disponível em < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/sites/entrez/>. Acesso em: nov. 2011. D'AGOSTINO, M.; DINI, A.; PIZZA, C.; SENATORE, F.; AQUINO, R. Sterols from Equisetum arvense L. Bollettino della Società Italiana di Biologia Sperimentale, v.60, n.12, p.2241-2245, 1984. Disponível em < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/sites/entrez/>. Acesso em: nov. 2011. MONTE, F.H.M et al. Antinociceptive and anti-inflammatory properties of the hydroalcoholic extract of stems from Equisetum arvense L. in mice. Federal University of Ceará, Brazil, out. 2003. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/>. Acesso em: nov. 2011. TAKESHI, N.; MYODA, T.; NAGASHIMA, T. Antioxidative activities of water extract and ethanol extract from field horsetail (tsukushi) Equisetum arvense L. Department of Food Science and Technology, Tokyo University of Agriculture, Hokkaido, Japan. abr. 2004. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/>. Acesso em: nov. 2011. SANTOS, J.G. et al. Sedative and anticonvulsant effects of hydroalcoholic extract of Equisetum arvense L. Department of Psychobiology, Neurophysiology Laboratory, Federal University of São Paulo, São Paulo, Brazil. abr. 2005. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/>. Acesso em: nov. 2011. OH, H. et al. Hepatoprotective and free radical scavenging activities of phenolic petrosins and flavonoids isolated from Equisetum arvense L. Laboratory of Cell Signaling Regulation, Korea Research Institute of Bioscience and Biotechnology, Daejeon , South Korea. ago. 2003. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/>. Acesso em: nov. 2011. SANTOS JUNIOR, J.G. et al. Cognitive enhancement in aged rats after chronic administration of Equisetum arvense L. with demonstrated antioxidant properties in vitro. Federal University of São Paulo, Laboratório de Neurofisiologia, São Paulo, SP, Brazil. out. 2004. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/>. Acesso em: nov. 2011. RADULOVIC, N.; STOJANOVIC, G.; PALIC, R. Phytotherapy Research: Composition and antimicrobial activity of Equisetum arvense L. essential oil. Volume
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