O NATAL
NA VOZ DO POVO DE
PROENÇA-A-NOVA IV
Dezembro 2011
Natalinovas
O Madeiro de Natal
O NATAL
NA VOZ DO POVO DE
PROENÇA-A-NOVA IV
Dezembro 2011
Natalinovas
O Madeiro do Natal
O NATAL
FICHATÉCNICA
Título
ONatal na Voz doPovo deProença-a-NovaIV–Natalinovas
OMadeiro na vidaevoz doPovo deProença-a-No...
NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
O NATAL
NOTADEABERTURA
A lareira à volta da qual se junta a família, o lume
bem quente para fritar as filhós, o grande madeiro
nos...
tempo que se procura valorizar e estimular a criação
literária, que tem primado pela qualidade. A adesão
à iniciativa, ano...
PREFÁCIO
Os escritos poéticos e as narrativas sobre a tradição do
«MADEIRO» de natal constituem-se nesta quarta edição
do ...
O NATAL
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OMADEIROEOMENINO
(quadras cerzidas)
Não hánatal semMenino
Nemcalor sembombraseiro;
Não hábafo semburrinho
Nemlenhasembomma...
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O NATAL
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Natalinovas
O Madeiro do Natal
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O ESPÍRITO DO MADEIRO
Para aquecer o Menino
Na noite da Consoada
Manda a tradição ancestral
Que no adro da igreja
Ou bem n...
O NATAL
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VARIAÇÕESSOBREOMADEIRODENATAL
Falar do Madeiro de Natal é evocar uma das muitas tradições milenares do fogo
com...
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NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IVNA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
que chamavam para a missa do Galo. Com nostalgia...
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engrossava a pirâmide que crescia no largo, é lembrar os conflitos com os mais
avarentos que não contribuíam pa...
SAUDADE…
Poucos repararam naquela figura encostada à
parede a um canto. A figura principal era a fogueira que já
crepitava...
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poisera malta deforça.
O Luís, triste, bem lhe disse: - a “velha” viu-me ao
pé da salgadeira, correu comigo de lá,...
primeiro todos estranharam que não fosse preciso levar
carro, só souberam o porquê quando viram que o Zeca já
lá deixara p...
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do Carlos Sequeira, um dos que inauguraram a tradição,
tendo sido mentor desta ideia um médico oriundo das
bandas ...
era como dantes,a tradição jánão era a mesma.
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O madeiro de Natal tem como origem os cultos
pagãos de celebração do solstício de inverno, que era
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alma, era um calor muito, muito especial, era o calor do
madeiro deNatal.
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levá-lo a bom porto, às vezes percorrendo grandes
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O NATAL
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enquanto se aquecia ao redor da fogueira e se descaía
para o dono d...
filhoses de certeza e para que tal aconteça há que deixar o
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sapato? Quelo...
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observando as escuras nuvens e o abaixamento da
temperatura, ...
O MADEIRO DE NATAL
O madeiro é o lenho
Que na fogueira arde,
É a tradição de Natal
Que se celebra em Portugal.
Esta tradiç...
Não me quero alongar mais
Por agora vou terminar
A todos um Feliz Natal
Quero eu assim desejar.
Guigui
O NATAL
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O MADEIR...
ERAUMAVEZUM MADEIRO
Uns dias antes do Natal, João andou à procura do
madeiro ideal para a fogueira de Natal. Como ele ador...
O NATAL
agora! - disse ele, reparando que João os estava a pisar.
Desculpem–disseo João, arrependido.
Não faz mal.-respond...
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NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
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O DIA EM QUE A FOGUEIRA AQUECEU
CORAÇÕES
Há muitos, muitos anos existiam uma aldeia, situada na
encosta da serra, onde rei...
O NATAL
curiosidade, de saber que som tão forte era aquele,
agasalharam-se e dirigiram-se para a rua. Lá fora um
enorme cl...
OMADEIRODENATAL
Certo dia, há muitos, muitos anos, num pinhal perto de
Sobreira Formosa, ouviam-se os machados dos
lenhado...
cortar as árvores é porque o inverno está perto. E eu gosto
muito de saber isso, pois com o inverno vem o Natal, que
é a m...
velho – Nós estamos aqui contigo para te fazer
companhia, entendo que estejas triste, mas tens de te
animar.
No entanto, n...
carrinho, entre muitas outras coisas. E quando as
crianças começaram a brincar com os seus presentes, o
pinheirinho, agora...
OMADEIRODENATAL
Era uma vez um menino que se chamava Manuel e
gostavamuito doNatal.
Na sua terra era tradição pelo Natal i...
Passadas duas horas, já era hora de jantar. Os pais do
Manuel tinham convidado uns primos para irem lá
jantar. O Manuel fi...
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OMADEIRODENATAL
Era uma vez um menino chamado Joaquim que vivia
numa aldeiapequenina perdidano meiodopinhal.
Nessa terra, ...
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OMADEIRODENATAL
Era Natal, e com ele o Inverno. Na casa dos avós já
chegavam os netos, vindos da cidade, o que trazia a...
O NATAL
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vou acender a lareira, colocar o tacho e assim
continuarmos o espírito de Natal e aguardando a chegada
...
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OMADEIRODENATAL
Na noite de Natal, numa aldeia, sentado ao pé da
sua lareira, um velho começou a contar uma história de...
O NATAL
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O NATAL
enregelar. Lembrou-se então de se aconchegar no meio
das suas ovelhas. A certa altura, o pastor reparou...
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  1. 1. O NATAL NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV Dezembro 2011 Natalinovas O Madeiro de Natal
  2. 2. O NATAL NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV Dezembro 2011 Natalinovas O Madeiro do Natal
  3. 3. O NATAL FICHATÉCNICA Título ONatal na Voz doPovo deProença-a-NovaIV–Natalinovas OMadeiro na vidaevoz doPovo deProença-a-Nova Coordenação João CrisóstomoManso (VereadordoPelouro daEducação) Autores Miró (José Ribeiro Farinha); Orfeu (José Ribeiro Farinha); Bebé (José Emílio Sequeira Ribeiro), Argonauta (Virgílio Dias Moreira); Guigui ( Margarida Ferreira Alves); Cravo (Daniel RodriguesSerrano); Maria Rosário (PatríciaAlexandra Barata Cardoso); Morena Clara (Bárbara Patrícia da Silva Cruz Vaz); Alice Maravilhas (Catarina Vilhena); António Tostado (Gonçalo Grilo); Luísa de Mello (Maria João Bairrada); Gucci (Renata Fragoso) Ilustradores Alfredo Cavalheiro, Francisco José Simões Cabral, Paulo Santiago, Sílvia Mathys, José Ribeiro Farinha, Maria do Rosário Barata Cardoso Colaboradores: Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, Carla Gaspar - Biblioteca Municipal de Proença-a-Nova, Prof. António Gil Martins Dias, Prof.AlfredoBernardoSerra, Prof.HelenaNunes Edição Câmara Municipal deProença-a-Nova 1ª Edição,Dezembro 2011 Tiragem 500exemplares Impressão GráficaProencense DepósitoLegal
  4. 4. NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  5. 5. O NATAL
  6. 6. NOTADEABERTURA A lareira à volta da qual se junta a família, o lume bem quente para fritar as filhós, o grande madeiro nos adros das igrejas, à volta do qual amigos e vizinhos se juntam em convívio. O fogo é uma presença constante nas noites frias da quadra natalícia e um símbolo de partilha e encontro. À volta da fogueira contam-se histórias, recordam-se outros tempos, junta-se calor humano ao calor que daschamaschega. Escolhida como tema da edição deste ano do concurso Natalinovas, a tradição do madeiro foi durante décadas mais do que um momento na noite de Natal. Prolongava-se por todo o mês de Dezembro, quando os rapazes começavam a procurar os maiores cepos para alimentar o fogo. Continuava nas animadas aventuras para carregar a madeira, sem os meios que há hoje, até empilhar lenha suficiente para fazer arder horas e horas a fio a fogueira do convívio entre gerações, mas sobretudo entrea rapaziada novadecada povoação. Nos contos que aqui se recolhem recordam-se esses momentos, com realismo e nostalgia. Tal como se procuram as raízes e explicações antropológicas para este costume. Mas nos textos e poemas desta quarta edição da iniciativa nada se resume ao madeiro, porque à semelhança do que tem vindo a acontecer nos últimos anos é convocada uma panóplia de temas que ilustra a riqueza da vivência do Natal: da gastronomia à troca de presentes, do presépio aos cânticos da quadra, sem esquecer os valores morais e espirituais e o calor humano de uma noite que se sonha sempreemfamíliaepaz. Promover esta recolha significa assegurar a preservação de memórias e tradições, ao mesmo a NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV 7
  7. 7. tempo que se procura valorizar e estimular a criação literária, que tem primado pela qualidade. A adesão à iniciativa, ano após ano, é o melhor sinal de que vale a pena. Histórias pessoais cruzam-se com a nossa história comunitária, por isso não haverá quem não se reveja em pelo menos alguma passagem deste livro, quenos enriquecea todos. João Paulo Catarino, Presidente da Câmara O NATAL 8 8
  8. 8. PREFÁCIO Os escritos poéticos e as narrativas sobre a tradição do «MADEIRO» de natal constituem-se nesta quarta edição do “Natal na Voz do Povo de Proença-a-Nova» como baú de memórias do ritual genuíno e do espírito autêntico do madeiro denatal. Mais uma vez fomos agradavelmente surpreendidos pela veia literária e originalidade dos autores nos registos e na abordagemao temadafestivaquadra natalícia. As histórias contadas memoriam figuras castiças, narram aventuras e peripécias, aludem aos sentimentos tão característicos do «ir buscar o madeiro» e de todo o ambiente social e cultural à sua volta. Com ‘Variações sobre o madeiro do natal’, Orfeu presenteia-nos com um extraordinário ensaio evocativo «das muitas tradições milenares do fogo como objecto de culto» e por associação cultural a tradição do madeiro ‘que a Igreja soubeassimilarderitos pagãos daera pré-cristã’. O calor humano à volta do madeiro é uma referência comum nos textos. Neles tem expressão a euforia do ritual e a compreensão dos “donos” do madeiro «roubado, achado» no campo, porque afinal o madeiro «é p´ra aquecer o Menino Jesus», como «manda a tradição ancestral». Na confirmação do madeiro de Natal como lugar que é «ponto de encontro, partilha, o eterno retorno ao coração das raízes», renova-se no madeiro o espírito do natal porque, como escreve António Tostado, «Não há Natal semMadeiro, não háMadeiro semNatal!» Alfredo Bernardo Serra NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV 9
  9. 9. O NATAL 10
  10. 10. OMADEIROEOMENINO (quadras cerzidas) Não hánatal semMenino Nemcalor sembombraseiro; Não hábafo semburrinho Nemlenhasembommadeiro. Está murchoo braseiro Etirita o Menino: Pegaifogo ao madeiro, Deitaicá maisumcopinho! ÓMenino, vindecá! Para a roda dafogueira, Deixaias beatas lá, Queaquihábrincadeira! Étão perto o terreiro, São doispassosdemenino: Está embrasa o madeiro Eo petiscojáprontinho… Não Vos ralha Vosso pai, Quejáestá a “escarneirar” E,Vossa mãe,sossegai, Quesó Vos querespreitar! Já cá está o Deus-Menino! Cantemostodos à vez; Glóriaao Deuspequenino, Queemdezembro éo seumês E,à volta domadeiro, Dancemos comDeustão belo, Que,desta vez,no terreiro, Não assenta o caramelo! Gil– natalde2011 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV 11
  11. 11. 12
  12. 12. 13 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O NATAL NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV Natalinovas O Madeiro do Natal
  13. 13. O NATAL 14
  14. 14. O ESPÍRITO DO MADEIRO Para aquecer o Menino Na noite da Consoada Manda a tradição ancestral Que no adro da igreja Ou bem no centro da aldeia Se acenda a grande Fogueira Do Madeiro de Natal, Para que à sua volta se viva O nobre espírito da Quadra Em paz e alegria sem igual!... Reza ainda a tradição Que não se poupe na lenha, Que cedo os jovens comecem A juntar uma grande meda, Oferecida ou roubada Ou pelos campo achada Para que na data aprazada Esteja no adro da igreja Ou bem no centro da aldeia Em pirâmide amontoada!... Todos os caminhos apontam À Fogueira agora acesa Para viver em torno dela Num clima quase irreal Um convívio sem barreiras Que olhe a todos por igual! Alegria transbordante Festa livre sem fronteiras Num clima contagiante Junto às chamas da Fogueira! Línguas de fogo nas alturas Sorrindo às estrelas lá no alto! A incendiar a noite fria e escura Bailam as labaredas da Fogueira Derramando sonhos de ventura, Ilusões de alegria, ainda que breve, A fazer esquecer mágoas e tristezas… Mais confiante espera agora o povo Na animação daquela noite plena, Que bem depressa chegue um tempo novo! Ponto de encontro, partilha Natal, o “eterno retorno” Ao coração das raízes! Pela estrada ou por carreiros Ou tão só pelo pensamento, Não há muros nem barreiras Que apaguem os velhos sulcos Dos trilhos que dão à aldeia E à Consoada em família No conforto da lareira!... Pseudónimo: Miró Poema inédito, Agosto de 2011 O ESPÍRITO DO MADEIRO 15 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  15. 15. O NATAL 16 VARIAÇÕESSOBREOMADEIRODENATAL Falar do Madeiro de Natal é evocar uma das muitas tradições milenares do fogo como objecto de culto, elemento ritual e simbólico que o povo vem celebrando ao longo de gerações, passando assim o testemunho do que vem de tempos muito idos. Na nossa terra como pelo País em geral, as gentes das aldeias, crentes na sua maioria, não deixam extinguir as práticas do passado que, tendo muitas delas origempagã, foram sabiamenteassimiladaspelaIgreja. O Madeiro que na noite de Natal brilha no adro da igreja ou no centro de qualquer aldeia, lugares simbólicos por excelência, propicia um ambiente festivo e contagiante de encontro e de harmonioso convívio, na celebração colectiva da noite de Natal pelas populações, a todos unindo num grande abraço. Continua por isso a representar uma das expressões maiores dos rituais da Natividade que o povo venera. A Fogueira ou Madeiro de Natal - e o espaço envolvente - é como que uma grande lareira ao ar livre, a transposição em escala alargada do madeiro da lareira que, por tradição e necessidade, se mantém aceso na intimidade do lar e da família. O madeiro é o elemento primordial do fogo, suporte catalisador da lenha que o completa. Tanto no recato do lar como no espaço aberto e festivo onde brilha, a luz e o calor imanados geram uma força marcante que humaniza os locais onde se mantémaceso. No adro da igreja ou no centro da aldeia o Madeiro de Natal antes, durante e depois da missa do Galo é, além de ponto alto das celebrações natalícias, fonte de animação e de alegria na noite da Consoada. Em casa, à lareira com a família reunida e feliz, a mesa repleta das óptimas iguarias da quadra, ou em redor do fogo do Madeiro, uns e outros confraternizando, eis a noite de Natal que se deseja mas quenemtodos, infelizmente,conseguemviver. Com saudade recordo o tempo em que me juntava aos rapazes da terra no esforço de juntar muita lenha que, mesmo nos casos de furto, gozava de alguma tolerância por parte dos lesados. A utilização de tractores facilita hoje a tarefa mas, no meu tempo, era tudo arrastado ou carregado pela malta, às vezes ajoujada com molhos e ramos às costas até ao local da fogueira. Só os madeiros pesados – tanto para a Fogueira de Natal como para a de S. João, que era famosa na minha aldeia – eram arrastadosporjuntas debois. E já que a referi, não resisto à tentação de deixar umas palavras sobre a Fogueira de S. João: no cimo do monte em frente à aldeia, era erguido um cilindro gigante composto por pinheiros grandes fixados nos buracos abertos em círculo, cujo interior era recheado de pinheiros mais pequenos e lenha miúda já seca. Como se imagina, ao acender-se a fogueira lá no alto, as impressionantes labaredas criavam imagens fantasmagóricas que se avistavam das aldeias vizinhas. Perante tal espectáculotoda a genterecuavaespavoridaaos gritos deadmiração edetemor! Retomando a Festa do Madeiro lembramos muitos momentos felizes vividos à sua volta! Miúdos e graúdos, novos e velhos, ricos e pobres, todos irmanados no mesmo espírito de amizade fraterna. Noites para esquecer mágoas e carências e os graves desníveis sociais que perduram hoje. Gritos e algazarra abafavam os sinos aaa
  16. 16. 17 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IVNA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV que chamavam para a missa do Galo. Com nostalgia recordo, como se em imagens projectadas desses anos os visse, muitos dos amigos que já não estão entre nós. Algumas figuras castiças pululavam, com um grãozinho na asa, em cenas oradivertidas ora grotescas, no largo da festa. Misturavam-se com os miúdos na farra, cada qual exibindo o seu número… Ano após ano, enquanto a idade e a saúde lhes permitiu. Um desses pândegos, mau carácter e carrancudo quando sóbrio, virava afável e bem-disposto quando estava com os copos. Não dava uma peça de fruta a uma criança e ai daquele que baixasse um ramo de árvore sua que era logo corrido à vergastada. Acabou por mudar radicalmente com o nascimento de um neto, que muito desejara e sempre reclamara à única filha casada. Coisas da vida… Voltando à tradição, não variam muito as práticas rituais mas a designação difere de acordo com a região do País: Madeiro ou Fogueira de Natal, Fogueira do Galo ou da Consoada, Queima do Cepo, etc., etc. Certas aldeias transmontanas competem entre si pela maior meda de lenha junta e pela fogueira mais espectacular. Mas nada de vencedores ou vencidos que a avaliação é feita mais pelo tamanho da vontade de cumprir a tradição do que pela altura que as chamas podematingir! Noutras regiões, o Madeiro deve arder até ao dia de Reis e a tradição manda que se leve para casa – contra os raios e os trovões - o “fogo sagrado”, transportado em brasas da Fogueira ou num tição aceso nela. Sem dúvida uma alusão ao mito do titã Prometeu que “roubou o fogo aos deuses para o entregar aos humanos”, contra a vontade de Zeus que depois se vingou. Terá sido ajudado por Atena, deusa da Sabedoria, que “insuflou nas estátuas de argila que o titã tinha modelado o espírito do sopro divino, tornando-as criaturas à semelhança dos deuses”... Isto, segundo o mito grego que apareceu pela primeira vez na “Teogonia” doépicoHesíodo,(Séc.VIII a.C.). O fascínio do fogo criou inúmeros mitos onde aparece sempre como protagonista. Na observação dos fenómenos naturais, como as descargas com faíscas e raios que provocavam incêndios, o homem aprendeu a lidar com o fogo. Passou a saber dominá-lo e a aperfeiçoar a sua utilização para benefício próprio – sem descurar os perigos da sua natureza indomável, tantas vezes a provocar catástrofes - transformando-o num poderoso meio para modificar o mundo. Companhia do homem nas cavernas a aquecê-lo, a iluminá-lo, a cozer os alimentos, a afugentar as feras etc., o fogo ajudou a criar as bases do culto social da reunião dafamíliaemtorno daindispensávelfontedecalor edevida. Não admira pois que perdurem, profundamente enraizados, tantos vestígios de rituais com base no fogo e nas fogueiras, muito para além da sua utilização prática no dia a dia das pessoas. Lembramos, por exemplo, o hábito de saltar o braseiro da Fogueira de S. João e de outras fogueiras com os pés descalços como purificação e limpeza contra as doenças, o fogo como expiação e castigo, os diabólicos e estranhos rituaissatânicos, etc.etc. Voltamos à celebração do Natal, agora como pretexto para o regresso dos que vivem fora da terra. Evocar aqui o Madeiro é viajar ao sabor das recordações a lembrar outros natais, outras gentes. É repisar pela mente os caminhos mágicos da infância, as corridas pelos campos em competição pela lenha que, dia após dia, aaaa
  17. 17. O NATAL 18 engrossava a pirâmide que crescia no largo, é lembrar os conflitos com os mais avarentos que não contribuíam para a Fogueira e obrigavam a rapaziada a devolver os madeiros roubados… pois não reza a tradição que a lenha deve ser roubada? …É, enfim, reviver tradições que apesar das mudanças, no essencial, continuam quase como eram no tempo da meninicedos que regressam hoje com os filhos e os netos. As fogueiras e os presépios trazem-nos à memória os belos serões à lareira, a gastronomia própria da quadra, os odores dos saudosos manjares da Ceia da Consoada preparados pelas mães sempre presentes. Tantas memórias vivas que justificam o retorno às raízes, em datas festivas como o Natal ou a Páscoa. Muitos visitam então a terra de origem para confraternizar com familiares e amigos na certeza de poderem cruzar-se, à volta da Fogueira ou à saída da missa, com antigos parceiros de jogos e traquinices e com eles recordar outras tradições vividas na infância que vão ficando esquecidas. Ao acaso lembro: a Festa do Galo pelo Carnaval, o cantar das Janeiras pelos Reis, as Maias na Primavera, o Serrar da Velha, as caqueiradas do Entrudo, os Banhos e a Fogueira de S. João que atrás referi,etc.etc. O Madeiro, como se sabe, remonta a tempos imemoriais. Como muitas outras tradições ancestrais, tem ascendentes num misto de velhas crenças e superstições de práticas religiosas com ritos pagãos da era pré-cristã que a Igreja soube assimilar, como aconteceu com outros ritos. Pensamos estar a tradição do Madeiro ligada à antiga festa da “Adiafa”, para celebrar as safras das vindimas e da azeitona com muita animação, bailaricos e comezainas, no solstício de Inverno… Quando a “mãe – natureza termina um ciclo de parição e entra no pousio, antes de nova fertilização”. A assimilação ou apropriação por parte da Igreja Católica, deu-se também com algumas romarias de tradição camponesa e popular ou com certos ritos como as Maias… Festas primaveris para celebrar a floração dos campos, promessa de boas colheitas, as Maias estão hoje em dia praticamente esquecidas. Na minha juventude participei várias vezes, com a malta jovem da aldeia, (Figueira), nos festejos anuais. Também aqui, fazendo embora um certo desvio do tema, não resisto a deixar um cheirinho do saudoso ritual. Decoravam-se as portadas das casas com raminhos de oliveira e de sobreiro, papoilas, espigas de trigo, etc. Apanhavam-se depois flores para fazer colares que os jovens exibiam ao pescoço. Em seguida, rapazes e raparigas iam pelas ruas, os cabelos enfeitados de ramos e flores e os colares pendentes, a cantar: “Vito-Maio aos moços/ Vito-Maio às cachopas/ Uma malguinha de castanhas/ Vou pedir por estas portas/… Vito- Maio, Vito-Maio… Maio,Maio”, etc., a que os moradores correspondiam com castanhas piladas,confeitos erebuçados…Outros tempos,grande saudade! FIM Composição livre sobre o tema proposto, escrito de acordo com a antiga ortografia Pseudónimo:Orfeu Agosto de20011
  18. 18. SAUDADE… Poucos repararam naquela figura encostada à parede a um canto. A figura principal era a fogueira que já crepitava bem no centro daquele largoperto da igreja. Até os que lhe dirigiam a salvação ficavam sem resposta, o corpo estava ali mas a mente andava a divagar por outros lados,poroutras épocas,comoutras gentes… Por um canto do olho vislumbrou do outro lado da fogueira o Zeca Bairrada, sorriu, veio-lhe a lembrança daquela vez que foram para o lado do Labrunhal “roubar”, não, não foram roubar, foram apropriar-se do tronco de um sobreiro que o dono tinha cortado e pensava ter a bom recato, pois tinha-o tapado com ramos, já que era o mês de Dezembro e a malta da vila se o visse era certo que o cobiçaria e enquanto não o levassem não descansavam.No outro diaacabaria o serviçocom a ajuda do vizinho, até porque o serrote precisava de levar um fio e acertar-lhe a trava, serviço que faria depois de jantar, já que as noites eram grandes. Por hora estaria a bom recato, era perto dacasa, não iahaverproblemas. O Zeca passou junto à casa do Trocado, ia com a junta de bois à mão, aguilhada às costas, assobiou, por entre o portão apareceu a cabeça do Jaquim, ornada pelo farto bigode que lhe era característico, com os dedos fez sinal, nove, levantou o polegar, não foi preciso mais nada. Novehoras, sítiodocostume,Senhora dasNeves… Ainda se virou para trás e, sem se deter, disse secamente: - Dizao Diogo eaos domarceneiro. Passou pela Devesa, o António Russo estava à porta da tasca do António Serra, o estado era o costume, já bem aviado, com um abanar de cabeça reprovador foi- lhe dizendo: - vai curti-la, logo temos serviço, diz ao teu irmão Alfredo e ao Mudo, o sítio é o do costume, se vires mais alguém avisa, que eu dou um salto a avisar os do outeiro. Seguiu para guardar os bois no curral do patrão, o tio Chico…, deu a volta pelo outeiro, viu o Luís, deu-lhe o recado e recomendou-lhe que não se esquecesse do toucinho para derreter, pois era preciso untar as rodas do carro de bois que já chiavam muito, recomendou-lhe ainda quedissesseaos seusirmãosJoséMaria eFernando, SAUDADE… 19 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  19. 19. O NATAL poisera malta deforça. O Luís, triste, bem lhe disse: - a “velha” viu-me ao pé da salgadeira, correu comigo de lá, nem me deixa aproximar e aos meus irmãos é a mesma coisa. Talvez o Joaquim Bolhalhas arranje, a mãe vai ajudar nas matanças, sempretraz algum toucinho quelhedão. -Deixa isso comigo, disse perante tanta dificuldade, eu peço ao ti Manel da Isna, digo que é para o carro do meu patrão e fica o caso resolvido, passa é na cova funda e leva cinco litros do tinto, fica na conta a pagar depois do peditório no dia da fogueira, o Zé já sabe disso. O António, no seu canto esboçou um sorriso, parecia que o estava a ver a descer a rua todo contente em direcção a ele, viu logo que havia alguma coisa para contar e não se enganou, pois mesmo antes de chegar junto dele já vinha com um sorriso nos lábios que não enganavaninguém. -Temos material de primeira para hoje, foi dizendo, passei lá e vi aquilo, coisa boa, não há melhor por aí e bom de carregar, é chegar e andar, é preciso avisar o resto da malta, você avisa aqui os empregados do Ezequiel, cuidado para ele não ver, pois não gosta, com medodeirmosa algum clientedeleearranjar chatices. -Esse deixa-o comigo, tem umas cepas no Vale Porco, que o “catrapilas” que lá andou arrancou e que não chegam ao ano novo, disse ao Álvaro do Montinho para não falar nas cepas, com medo que as fossemos buscar, mas mesmo estando más de tirar, lá é que não ficam. Ó Zeca, o unto para as rodas? Aquilo anda a chiar muito eouve-selonge. -Para hoje já não dá que o Luís não conseguiu “passar” o toucinho à velha, amanhã já dá que eu trato dissono tiManel daIsna. O António, no seu canto, voltou a sorrir, lembrou-se das cepas do Ezequiel, ficou desconfiado que o que ele quis foi ver-se livre delas. Nesse ano, mandou dar cinco litros de vinho ao pessoal da fogueira e no chapéu deitou uma nota, isto tinha água no bico, e se elas custaram a tirar…mas lá équenão ficavam. Mas com o tal tronco é que foi o bom e o bonito, a 20 SAUDADE…
  20. 20. primeiro todos estranharam que não fosse preciso levar carro, só souberam o porquê quando viram que o Zeca já lá deixara perto o do patrão, só ao pé do carro ele se abriu comos outros edisseondeestavao tronco. Munidos do carro, lá vão eles, o Trocato como sempre era o que manobrava o cabeçalho ajudado pelo Carlos das águas. O carro chiava mesmo, faltou o unto nos eixos eissofoi fatal. O dono do madeiro ouviu barulho, lembrou-se logo do seu rico tronco e munindo-se de uma forquilha foiemdefesadomesmo. Colocando-a à laia de espingarda, ia gritando: - para trás, senão disparo. Mas aquela malta tinha lá medo, o medo comiam eles ao jantar antes de vir, não tardou muito que não estivesse já o Luís do outeiro agarrado a ele,correndoatéo perigodeseteraleijadoalgum deles. O homem bem gritava, deixem-no ficar, eu dou- vos cinco ou dez litros de vinho, mas não o levem! Mas havia lá vinho que pagasse aquele tronco, foi carregar e trazer. Chegados a Proença, foi escondê-lo em sítio seguro, pois era certo e sabido que o dono viria por ele e aquele achado tinha que se guardar até ao dia da fogueira, ainda havia que juntar mais lenha nos dias que ainda faltavam. Agora, ali postado, olhando a fogueira de onde emanava um cheiro irritante de borracha queimada, por via dos pneus com que a queriam atear, embora ela teimasse em não arder, o pensamento voou-lhe para tempos bem distantes em que da fogueira saía aquele agradável odor a resina, por via do pez catado no alto da estrada para a Amoreira, junto à fábrica da resina. Vieram-lhe ainda à mente os primos Álvaro e Tomás Valada, o Diogo, o Fiel, o João Batista, o Luís Frito, o Zé Abelha, o Carlos e o Zé Alegre. Sentiu que uma lágrima lhe escorria pela face quando lembrou os seus irmãos Américo, Dário e o José, todos já partiram, todos eles tinhamsidocúmplicesdesta tradição. Veio-lhe então à lembrança a primeira fogueira de natal, era ainda miúdo, teria dez doze anos, fora como acompanhante, já que era companhia quase permanente a 21 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV SAUDADE…
  21. 21. O NATAL do Carlos Sequeira, um dos que inauguraram a tradição, tendo sido mentor desta ideia um médico oriundo das bandas de Castelo de Vide, de nome Manuel Gregório Lopes, que bem se lembrava dele. Fora ele que tratara de sua mãe, doente com gravidade, pese embora não tenha conseguido salvá-la. Foram à lenha no sítio onde hoje se situa a creche, onde existiam uns castanheiros secos, foram elesquecomeçaram a tradição cá na terra. Sentiu que nova lágrima lhe rolava pela face, resolveu sair daquele local, sempre conhecera a fogueira no adro da igreja, sempre a lenha fora trazida pela “malta nova”, relembrou os últimos resistentes, os irmãos Rendeiro, o Joaquim, o João e o Domingos, o Paixão, o Carlos Carvalho, os Baptistas, o Carlos Trocato, os irmãos Manso, não lembrou mais ninguém porque no caminhoo interromperam, comvotos deumbomnatal. Resolveu entrar na igreja, queria ver o presépio, como era lindo o presépio do seu tempo, quantas vezes andara ao musgo, ribeiro abaixo, ribeiro acima… Como era lindo o presépio de então, as figuras de barro, o lago feito com um espelho, o riacho feito com prata, o moinho que rodava, a caixa das ofertas em que o Garcia (que saudades do Manuel Miguez Garcia) fizera com artes mágicas que aparecesse na caixa uma luz com letras a dizer «obrigado, boas festas», por cada moeda que passassena ranhura. Sorriu quando se lembrou da fórmula que arranjaram para ver a luz sem pôr as moedas que não tinham. Fora o Ti Diogo, latoeiro de profissão, quem lhes arranjara umas latitas que faziam o contacto para que a luzacendesse… O padre António Beato bem sabia quem eram os autores quando as latas apareciam dentro da caixa, mas também sabia a falta que as moedas faziam naquelas casas, porissoos desculpava. Subiu as escadas para a igreja, estão diferentes, as outras eram emredondo,sinaisdostempos… Entrou, sentou-se no banco do fundo, àquela hora ainda a igreja estava vazia, não viu o presépio, tão pouco sentiu o cheiro da mirra e do incenso, não, já na a 22 SAUDADE…
  22. 22. era como dantes,a tradição jánão era a mesma. Agora é a junta de freguesia que arranja a lenha e faz a fogueira, nem o peditório à entrada da igreja, feito pela malta da fogueira, lhe escapou. Como era gostoso ouvir o cantar das moedas a cair na boina, no “garruço” ou no chapéu que se estendia, como eles sabiam os que de carteira mais recheada ousavam dar uma nota. Não pôde deixar de relembrar o amigo Martinho, nunca falhava coma nota. Sentiu barulho atrás de si, olhou, era gente que vinha visitar a igreja, talvez em busca do presépio que não havia, levantou-se, pegou na bengala e vagarosamente saiu, rumoa casa. O frio da noite tornou mais fria a lágrima que teimava em percorrer-lhe a face, parou no Chão de Ordem, no que fora, já que agora ali estava um espaço que era o orgulho desta terra, do bolso do peitilho das calças retirou um lenço e com ele limpou a face. Tudo tinha mudado, era o progresso (?), mas a tradição da fogueira ainda duraria porquanto maistempo? Pseudónimo: Bebé Nota do autor: A ficção e a realidade confundem-se e coabitam nesta história, os nomes são reais, as alcunhas, esses títulos e brasões de então, também são reais, vão como preito da minha homenagem a todos aqueles que por esta terra deram algum do seuesforço, semolhara bensou riquezas. O narrador que escolhi é uma figura nossa conhecida, o António Fernandes Miguel “O Rolhas”, é a minha homenagem a um homem que deu muito de si a todos nós através dos Bombeiros que serviu durante décadas. Escrevo esta história em Dezembro de 2010, não sei se a lerá, fica o meu abraço degratidão. 23 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV SAUDADE…
  23. 23. O NATAL 24
  24. 24. 25 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  25. 25. O NATAL 26
  26. 26. AOREDORDOMADEIRO O madeiro de Natal tem como origem os cultos pagãos de celebração do solstício de inverno, que era comemorado com o acendimento de grandes fogueiras ao arlivre. Algumas das actuais festas religiosas cristãs são originárias da adaptação de festas pagãs que a Igreja foi, digamos assim, cristianizando, mas que mantiveram sempreummisto depagão ereligioso. A fogueira ou o madeiro foi uma delas que em muitas das localidades do nosso Portugal e mais concretamente no nosso interior se acende na véspera de Natal, tem na tradição popular o objectivo de aquecer o Deusmenino. A fogueira do madeiro sempre me intrigou. Porquê uma fogueira assim tão grande? Seria para dar nas vistas e concorrer com a localidade vizinha? Seria porque as noites de inverno, cheias de denso nevoeiro, eram escuras que nem bréu e era preciso dar-lhes um pouco mais de luz? Seria, como me dizia a minha catequista, para aquecer o menino? E nos países em que o Natal se comemorava com temperaturas muito altas, o calor do madeiro seriaapreciadocomo pornós? Não sei porque era no verão que me vinha à memória de criança a imagem do madeiro crepitando, rodeado de gente que de toda a aldeia ali vinha procurar o calor para o corpo e para a alma e depois todo o cerimonial com ele associado. Sem dúvida que era, na geralmente gélida véspera de Natal, que tinha lugar a queima do madeiro, que depois se prolongava pelo dia de Natal eatéquereduzidoa cinzasacabavaporseextinguir. Nos dias quentes de verão abominava o calor abafado e abrasador mas ao imaginar o madeiro expelindo calor e luz que dava aconchego na alma e no corpo, ansiavaporaquelediachegar. Imaginava-me todo enroupado, estendendo as mãos para a fogueira e, depois de aquecidas, passar com elas pelas faces enregeladas, aquele calor não era como o do verão, sabia bem, curava as feridas do coração e da a AO REDOR DO MADEIRO 27 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  27. 27. O NATAL alma, era um calor muito, muito especial, era o calor do madeiro deNatal. O cenário da queima do madeiro despertava em mim muitas emoções e interrogações, mas passemos às emoções,as interrogações deixei-asexplícitas atrás. Na minha aldeia, o madeiro ou fogueira de Natal, como lhe chamavam, tinha um “élan” especial para mim, era diferentedoquesepudessefazernoutras localidades. O meu madeiro era especial, era o melhor das redondezas, eu não sabia explicar porquê, talvez porque como a minha aldeia não tinha electricidade, assim o madeiro podia mostrar toda a sua pujança de luminosidade. Também não havia capela, e derivado a não haver capela, era no centro da aldeia que a fogueira tinha lugar. Até os tractores e outros veículos motorizados eram apanágio de outras terras mais populosas. Mas nem por isso a nossa fogueira do madeiro deixavadetera pompaecircunstância para todosnós. Havia que pôr a imaginação a trabalhar e seleccionar a carroça que estivesse numa cabana, mais afastada das casas e no dia, geralmente nas vésperas, depois de se ter sinalizado o “infeliz” que haveria de ficar sem a lenha que previamente tinha preparado para aqueceros friosdiasdeinverno,consumava-seo “roubo”. Combinada a hora da noite, porque era sempre de noite que acontecia o “crime”, lá íamos à cabana seleccionada buscar o carro, só que acontecia algumas vezes que o carro tinha o eixo ainda em madeira e fazia uma chiadeira medonha que nos denunciaria e acordaria o respectivo dono e não nos livraríamos de uns impropérios ou até de algumas pedradas se ele por acaso acordasse; por isso recorríamos a um estratagema, que era o de molhar o eixo do carro com água. Resolvida a situação da chiadeira, uns à frente puxando, outros atrás empurrando, lá íamos noite dentro rumo ao local do “crime” parar dar o golpe de misericórdia; e usando a táctica do silêncio lá se carregava o madeiro ou os madeiros, tudoisto acompanhadopelabelapinga. Não se podia carregar muita lenha já que era utilizando a força braçal que tinha de se puxar o carro e a 28 AO REDOR DO MADEIRO
  28. 28. levá-lo a bom porto, às vezes percorrendo grandes distâncias eporíngremescaminhos. Com avanços e recuos, safanão daqui e dali, o carro ia vencendo a pouco e pouco a distância até ao centro da aldeia, parando aqui e ali para descansar, ou simplesmente para perscrutar o silêncio da noite, não viesse o dono do carro ou da lenha ao nosso encontro e só de imaginar o que seria, nos levava a tomar todas as precauçõespossíveiseimaginárias. Nós, os mais jovens, sentíamo-nos seguros já que eram sempre os mais “velhos” que comandavam e assumiam as responsabilidades, na eventualidade de sermos descobertos pelos donos do carro ou da lenha, o crime era sempre cometido na véspera, para evitar que a vítima não tivesse hipótese de reaver a sua lenha ou o seu carro. Era com um mito de alegria e espanto que no dia em que se acendia a fogueira e toda a aldeia convergia paro o largo onde na noite anterior se tinham amontoado os troncos em forma de pirâmide, havia sempre alguém que, olhando para a pilha de madeira e ainda meio estupefacto, exclamava: - ah, seus malandros! Quem é que foi roubar a minha lenha? Um silêncio foi a resposta que obteve. Vendo que ninguém se acusava e que não lhe restava outra alternativa senão juntar-se ao grupo e participar, com voz de constrangimento, atalhou: - é para aquecero menino,então está bem. Acender a fogueira era uma tarefa para os mais velhos, muitas das vezes a lenha encontrava-se verde ou molhada, o que obrigava a ter de iniciar a combustão com petróleo ou outra lenha mais seca, o que por vezes originava uma labareda repentina, da qual era preciso precaver. Confessado o crime, e porque já não havia nada a fazer, ladrões e vítima selavam a sentença de absolvição com um copo de tinto ou aguardente que alguém tinha trazido para aquecer por dentro, porque por fora o calor provenientedafogueira era agora abrasador. O carro que tinha servido de transporte da lenha, já tinha sido recolhido na sua cabana e muitas das vezes o seu dono nem sabia que o tínhamos utilizado, mas havia a 29 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV AO REDOR DO MADEIRO
  29. 29. O NATAL sempre alguém que dava com a língua nos dentes enquanto se aquecia ao redor da fogueira e se descaía para o dono do carro, que estupefacto respondia: - não deipornada, ainda bem. Do meu ponto de observação de verão, continuo a observar a fogueira do madeiro da minha aldeia, que para mim era a mais grandiosa de todas as que podia haver.Era a minhafogueira. Nascida da escuridão da noite, sem electricidade na aldeia, as labaredas da fogueira ainda no seu começo, lançam-se rumo ao céu num clarão intenso que ilumina tudo ao redor, projectando no branco das paredes das casas circundantes as silhuetas das pessoas que se encontram postadasao redordofogo. É um cenário que me deixa sem palavras e até me interrogo se, naquele momento, o menino Jesus não estaria ele também por ali aquecendo-se. Mas o menino Jesus também tem frio!? Interrogava-me eu. Não me dizia a minhacatequista quea fogueira era para o aquecer? O ambiente continuava de uma beleza encantadora e todos pareciam irmanados por uma auréola mística. Do meu posto de observação, vejo o garrafão a passar de mão em mão e pratos de filhós quentinhas que vieram da casa ali mesmo ao lado, para acompanhar a bebida, toda a aldeia está ali presente, ninguém veio por obrigação, das bocas soltam-se mil e uma histórias, cada um à sua maneira tenta viver aquele momento. Esquecem-se desavenças, fala-se do tempo que não vai criador, das chuvas que já vão chegando, do vinho que está cozendo, lançam-se palpites para o novo ano e até alguns namoricos seiniciam. O madeiro continua em erupção forte, e cada vez que alguém o atiça, uma salva de milhentas faúlhas reluzentes se elevam obrigando a que os mais friorentos seafastem. Os miúdos, à falta de brinquedos, vão ocupando o tempo, correndo ao redor da fogueira ou entrando nas conversas dos mais velhos, tentando descobrir qual o presente que o Menino lhes trará naquela, mas que nunca passarádeumpardemeias,uns docestalvez,umas 30 AO REDOR DO MADEIRO
  30. 30. filhoses de certeza e para que tal aconteça há que deixar o sapato na chaminé. Porquê deixar um presente num sapato? Quelocal maisinestético!Interrogava-meeu. As doze badaladas estão próximas, um frio gélido sopra do norte, o céu não deixa ver as estrelas, se deixasse poderia ser que encontrássemos a do pastor, há quem alvitre entre os presentes; se chover é capaz de nevar e logo outro retorquiu; seria bom, seria um Natal abençoado e peloNatal quer-sefrio,a vervamos. Os resistentes que ainda se mantêm ao redor da fogueira, vão rodando os corpos, ora o peito, ora as costas em direcção à fogueira, para se manterem quentes, as histórias finalizaram-se, bebem-se os derradeiros copos e agora é a expectativa do dia que está para nascer que é motivo de conversa. Com a temperatura cada vez mais baixa e com o céu toldado de negras nuvens, alguém alvitra: - julgo que vai mesmo nevar, outros, mais incrédulos,apelidam-nodeadivinho. A fogueira é agora um braseiro imenso, um ou outro estão carregando as baterias para chegarem ainda quentes a suas casas, o braseiro ilumina tudo ao redor, ainda está aqui para durar por muitas horas, exclamam os que se vão retirando, seguindo cada um a sua direcção e levando no coração e na alma o calor motivado pela fogueira epeloencontro comos amigos. Os últimos a deixarem o conforto da madeiro já foram presenteados com alguns, embora poucos flocos de neve, mas como tinha acontecido das outras vezes foram-se deitar, pensando que não passaria daquilo, porquea altitudenão davaazo a muita neve. Bem se enganaram porque ao acordar, na manhã seguinte, um espesso manto de neve cobria os telhados das casas, os campos e até as árvores estavam vergadas ao peso de tanta neve; ao redor da fogueira e até onde ainda chegava o calor do braseiro a neve não se agarrou, podendo observar-se um círculo onde eram visíveis os paralelos da calçada e que permitia que os mais madrugadores e curiosos se aproximassem das derradeiras brasas quesoltavamo últimosuspiro. Os incrédulos do dia anterior eram agora questionados perante a evidência do nevão que tinha a 31 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV AO REDOR DO MADEIRO
  31. 31. O NATAL 32 caído, pelos que na noite anterior, empiricamente observando as escuras nuvens e o abaixamento da temperatura, pressagiaram a queda. Alguém que entretanto chegou, com a voz ainda um pouco roufenha mas denotando alegria, depois de dar os bons dias aos presentes, lançou para o ar: - eu bem sabia que Deus Nosso Senhor nunca ia deixar o Menino sem um bonito lençol de branco. Ele aí está para ele se deitar. O madeiro começava a dar sinais de estertor. Das chaminés das casas saíam colinas de fumo branco que subiam na vertical como a querer tocar o céu, associando- se à festa, até ao largo chegavam já os cheiros dos acepipes próprios da época, que as mulheres em casa preparavam, o quefazia crescera água na boca. O madeiro cumpriu a sua missão aquecendo o Menino e criando ao seu redor um clima em que cada um, à sua maneira, de coração nas mãos, pôde viver momentos de união com todos os seus vizinhos, esquecendodesavençaserancores. Contente pela união que criou, o madeiro exalavaagora os últimossuspiros eporfimextinguiu-se. Assim foi o madeiro da minha juventude, que do meu posto de observação de Verão ficou marcado no meu subconscienteeagora convosco aquipartilho. Argonauta AO REDOR DO MADEIRO
  32. 32. O MADEIRO DE NATAL O madeiro é o lenho Que na fogueira arde, É a tradição de Natal Que se celebra em Portugal. Esta tradição é tao linda, E tantos anos ela tem, Vem celebrar o Deus menino Lá nascido em Belém. Esta época é festiva, É de paz e de amor, O madeiro vai arder Para nos dar o seu calor. Com o madeiro a arder Vão as pessoas conviver. E em redor da fogueira Prevalece a brincadeira. Nem o frio da noite Faz gelar a amizade. Ao redor do madeiro Não há ódio, nem maldade. Todos ali se vão juntar Para o Natal celebrar, Esta tradição é digna Deste cantar popular. Vêm velhos e novos E todos ali se juntam. A falar e a cantar Não dão pelo tempo passar. Esta tradição é tão linda E se vive em Portugal Por esse mundo fora Jamais haverá igual. O MADEIRO DE NATAL 33 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  33. 33. Não me quero alongar mais Por agora vou terminar A todos um Feliz Natal Quero eu assim desejar. Guigui O NATAL 34 O MADEIRO DE NATAL
  34. 34. ERAUMAVEZUM MADEIRO Uns dias antes do Natal, João andou à procura do madeiro ideal para a fogueira de Natal. Como ele adorava ver o madeiro a arder sobre aquele fogo que aquecia a todos, que por lá estavam. Era ele que todos os anos se oferecia para o ir procurar, mas cada vez se tornava mais difícil, já que, no verão os fogos queimavam muitas árvores e outras eram cortadas. Mesmo assim ele adorava procurá-lo. Lembrava-lhe os seus anos de criança, em que eleiavero madeiro na vésperadeNatal, ao ladodaigreja. Agora ele já tinha crescido, tinha mulher e filhos e queria que eles também pudessem ver a beleza do madeiro a arder. Mas naquele dia, não estava a ser tarefa fácil, pois não encontrava o madeiro ideal em lugar nenhum. Até que de repente, sem pensar duas vezes, desatou a correr para ele. Finalmente, tinha encontrado o madeiro ideal e desatou a cortá-lo até que ouviu uma voz: - Porque estás a cortar-me?-perguntou a voz. O João não acreditava no que ouvia, pois é impossível um madeiro falar.Econtinuou a cortar, como senada fosse. ?Tu não meouviste?-disseoutra veza voz. ?Estása aleijar-mecomesseinstrumento. ? Quem está aí?- perguntou o João – eu não estou a gostar dabrincadeira. ?Sou eu!Aárvore.- disseela. ? Mas, não pode ser! As árvores não falam!- disse João já umpouco assustado. ? Isso é o que tu pensas! - disse a árvore - nós sempre falámos, mas vocês é que não nos entendiam, porque nós só falamos a nossa língua, mas se nós quiséssemos, falávamos a vossa língua, sem problemas nenhuns. Eu nem posso agora estar a falar contigo, pois a nossa primeira regra é nunca falar com humanos, foi a mãe naturezaquefezas regras. Elaétão bonita! - disseele ?Conseguesdizer-mecomo elaé?-perguntou o João. ? Sim! Ela é toda verde com um vestido de flores, com todos as cores do arco-íris, os seus sapatos são de seda, e os seus cabelos são soltos e selvagens. É tão gira – dizia ele todo babado! - Mas pronto! Já tenho mulher e filhos, que por acaso estás a pisá-los, a ERA UMA VEZ UM MADEIRO 35 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  35. 35. O NATAL agora! - disse ele, reparando que João os estava a pisar. Desculpem–disseo João, arrependido. Não faz mal.-respondemeles–jáestamos habituados. Chiu- disse uma voz vinda de uma árvore majestosa – não veemqueeleéumhumano? Esta é a minha mulher, a Fauna. A propósito, eu não me chegueia apresentar! Quedistraído! Eu sou Junco. Este é o meu filho, esta é a flor e esta é a folha.-disseo Junco. ? Se a poluição sabe que nós estamos a falar com um humano ela corta a nossa raiz e usa-a como lenha na sua fogueira! - dissea Fauna. Queméessatal poluição? –perguntou o João. Não conheces? - disse a Fauna. - vocês devem andar um bocado desatualizados! Não se fala de outra coisa aqui na floresta! Ela suja a água o ar e a terra. Resumindo ela suja e estraga tudo. Ela é tão má. Estás ver esses troncos aí no chão?-pergunta ela. - são vocês que os cortam contribuindo assim para a poluição, massacrando-nos. Olha só o corte que tu fizeste ao meu querido junquinho. Aposto que és tão mau como a poluição. Afinal és tu que a ajudas, sujando tudo. Vocês homens só se interessam porvocês.-disseFauna. - Ei!- respondeu-lhe João - Fala por ti, eu não sabia que vocês falavam nem que tinham sentimentos, vocês foram sempre tão quietinhas e nunca se mexiam, e nós sabíamos lá o que vocês sentiam!- disse João zangado- mas agora que penso melhor és capaz de ter razão. E a mãe natureza não podefazernada?- perguntou. -Coitada da mulher- disse- ela bem tenta, mas a poluição é mais forte, pois ela tem-vos a vocês a ajudá-la- respondeu Fauna. O João já irritado continua a cortar, até que, o madeiro caiu e o levou para ao pé da igreja. À noite, por volta das dez horas, acenderam a fogueira. Quando chegou a meia- noite, foram à missa do galo e depois foram-se deitar. No outro dia era Natal. Era uma festa porque Jesus tinha nascido. Foram todos à missa e quando acabou limparam tudoo quetinhasujadono diaanterior. Eassimsepassaestediaemalgumas aldeiasdopaís. Cravo ? 36 ERA UMA VEZ UM MADEIRO
  36. 36. 37 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  37. 37. O NATAL 38
  38. 38. O DIA EM QUE A FOGUEIRA AQUECEU CORAÇÕES Há muitos, muitos anos existiam uma aldeia, situada na encosta da serra, onde reinava o silêncio. Apenas se ouviam pássaros a chilrear, o vento a soprar entre as árvores, a água correndo numa fonte que ficava no centro da aldeia, o sapateado de um burro, carregando lenha para a fogueira do frio que se avizinhava, e muitos outros sons banais, aos quais nos habituamos a ouvir no nosso diaa dia. Mas todos estes sons são inúteis, quando se vive na aldeia do silêncio. Silêncio este, que morava dentro dos próprios habitantes e que fazia com que não houvesse um simples “ Bom dia” entre vizinhos ou até mesmo um “Pode ajudar- me?” entre agricultores de hortas vizinhas. Assim, e com todo este silêncio interior, naquela aldeia, todos eram desconhecidos, todos viviam a sua própria vida, todos, lá bemno fundodoseuprópriosilêncioeram infelizes. Até que chega o inverno e o silêncio torna-se ainda maior. Agora também, ele permanece nas casas dos habitantes silenciosos, pois com o frio as portas das casas fecham-se para os barulhosdomundo exterior. Viviam o frio junto às lareiras, pequenas, que cada um acendia em sua casa. Lareiras estas que apenas aqueciam o exteriordecada um. Mas certa noite, como por magia, surgiu um sujeito carregado de cepas. Parecia mesmo aquele homem gordo das barbas que se veste de vermelho pelo natal. Mas não era, pois ele era ainda mais gordo, velho, barbudo, e por aquele seu carregamento, estranho e misterioso. Calmamente e em silêncio o senhor gordo, velho e de barbas, deixou as cepas junto a uma capelinha (um pouco esquecidapeloshabitantes)epartiunovamente. O silêncio perdurou por mais algum tempo, até que chega silenciosa aquela noite especial, a noite de Natal! Uma noite como outra qualquer para aqueles habitantes, mas queestariaprestesa deixardeo ser. E foi assim, que naquela noite, ao despertar do canto forte deumgalo, tudomudou.Oshabitantesmovidospela O DIA EM QUE A FOGUEIRA AQUECEU CORAÇÕES 39 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  39. 39. O NATAL curiosidade, de saber que som tão forte era aquele, agasalharam-se e dirigiram-se para a rua. Lá fora um enorme clarão de luz vindo de ao pé da capelinha, iluminava toda a aldeia. Então, todos os habitantes decidiram ir ver o que se passava. Eles iam tão surpresos, quequasepareciamformigasao ataquedeumaçucareiro. À medida que se aproximavam, iam-se sentindo mais quentes, tanto por dentro como por fora, até que chegaram junto do clarão. Todos ficaram surpreendidos quando viram que era uma enorme fogueira, completamente diferente de todas as que faziam nas suas casas, ebemmaispoderosa. E foi graças aquela fogueira, e aquele homem velho, gordo e de barbas, que tudo mudou na aldeia do silêncio. Com todo aquele calor e luz, o Silêncio que morava dentro dos habitantes desapareceu, e no lugar deste surgiu um Coração, cheio de amor, alegria, paz, e muitos outros sentimentos,que jamais haviam sido experimentadosnaquelaaldeia. Hoje naquela aldeia, já se fala, já se ama, já se ri, já se sente! E isso é o que o natal traz às pessoas. Traz amor, felicidade,alegria,paz,... Basta que alguém nos aqueça, basta que alguém faça algo diferente,para tudoemnós mudar! Maria Rosário 40 O DIA EM QUE A FOGUEIRA AQUECEU CORAÇÕES
  40. 40. OMADEIRODENATAL Certo dia, há muitos, muitos anos, num pinhal perto de Sobreira Formosa, ouviam-se os machados dos lenhadores a cortar alguns pinheiros para o inverno, pois o tempo estava cada vez mais frio e a chuva já havia começado a cair. Ao pôr do sol todos os machados foram arrumados e cada um dos lenhadores foi para a sua casa, ficando a floresta totalmente silenciosa, ouvindo-se apenas o piar das corujas, e o som da chuva que começara a cair. No entanto, à medida que a noite avançava, a floresta ganhavavidacomo setratassedemagia. Desde que o sol se levanta até que se deita, as árvores e as flores ficam muito quietas, sempre na mesma posição, a não ser quando passa uma rajada de vento e as folhas começam a dançar no meio de toda a agitação. Já os animais da floresta, parecem todos sempre muito agitados e que não ouvem nem entendem aquilo que dizemos. Mas à noite é que descobrimos verdadeiramente o que é a floresta. As árvores já não se movem só quando há vento, e os animais já não parecem tão abstraídos do que os rodeia, pois quando a noite cai, a floresta acorda e vive as suas vidascomo sefossempessoas. Assim, esta noite a conversa na floresta era sobre a vinda dos lenhadores e do facto de estes terem cortado muitas árvores. - Já viu “Tio”! Eles levaram as árvores só deixaram os madeiros. Será que doeu muito? – perguntou um pequeno pinheiro, a um pinheiro muito grande que não tinhasidocortado. - Não, não doeu nada – respondeu um madeiro, duma das árvores mais altas que havia sido cortada – Sinto como se me tivesse saído um peso de cima. E não é uma sensação nada má. - Mas “Tio” – continuava o pequeno pinheiro, que tratava todos os pinheiros mais velhos, ou o que restava deles, por “Tio” – Não sente que lhe falta qualquer coisa? Se agora mecortassemo tronco, eunão seio quefazia. - Temos de aprender a viver com isso. E é a vida, nada fica da mesma forma durante muito tempo. E para estarem a a O MADEIRO DE NATAL 41 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  41. 41. cortar as árvores é porque o inverno está perto. E eu gosto muito de saber isso, pois com o inverno vem o Natal, que é a melhor altura da vida de um madeiro grande e velho como eu. - Porquê“Tio?No Natal nasce-lheo tronco outra vez? - Não, pinheirinho, nesta altura os lenhadores vêm buscar os madeiros como eu, para fazer uma grande fogueira na rua, em torno da qual se junta toda a aldeia para conversarepara seaquecerna noitefria. - Ah!Eissonão dói,como quando énos incêndios? - Não, só sentimos que o nosso peso diminui, e depois tornamo-nos ar. Mas só não dói na altura do Natal, porque nos incêndios, já ouvi outras árvores dizer, que dóimuito. - Ah, assim não me importava de ficar sem o meu tronco. E“Tio”,eutenhodeesperar muito atémetornar ar? - Não sei. Sabes no Natal também se cortam algumas árvores pequenas como tu, para enfeitar dentro de casa e ficarem perto do presépio. E depois, se isso acontecer, o teu pequeno madeiro também vai para a fogueira. Se não fores cortado, tens de esperar até ficares grande como eu fiquei,para ficaresar. E assim, continuaram na conversa vários pinheiros, a falar do Natal, até que o sol voltou a nascer e a floresta voltou a ficartoda muito parada. Passadas algumas semanas, o Natal tinha chegado e muitos pinheiros pequenos haviam sido cortados, restando apenas o seu madeiro. Dias depois, os madeiros foram todos recolhidos para a famosa fogueira de Natal, em que os madeiros se tornavam ar. No entanto, um madeiro tinha sido deixado para trás, era o madeiro do pequeno pinheiro, que tantas perguntas tinha feito sobre o Natal, ao “Tio”. Agora este madeiro era o único no meio de todos aqueles altos pinheiros, que o tentavam consolar. - E agora o que me vai acontecer? Não me vai crescer o tronco outra vez. E também não vou ficar ar, na fogueira de Natal. Estou aqui sozinho, sou o único madeiro e não sirvo para nada. - Não estás nada sozinho – respondeu um pinheiro mais a O NATAL 42 O MADEIRO DE NATAL
  42. 42. velho – Nós estamos aqui contigo para te fazer companhia, entendo que estejas triste, mas tens de te animar. No entanto, nada animava o pequeno madeiro, mas a certa altura nessa noite, noite de Natal, o pequeno pinheiro viu uma sombra passar no céu por cima da sua cabeça, mas não era nenhum pássaro, era o trenó do Pai Natal. O madeiro do pinheirinho reconheceu o trenó com as renas, porque o “Tio” tinha-lhe contado sobre um homem de barbas brancas com uma grande barriga, que no Natal realiza os desejos e entrega presentes a todos os meninos que se portam bem. Então o madeiro começou a pedir com muita força, que o Pai Natal fizesse com que ele ficassear. O Pai Natal ouviu o desejo deste madeiro, e parou o trenó perto deleeperguntou: - Queméo madeiro quequerserar? - Sou eu Pai Natal, eu queria muito ir para a fogueira e ficar ar, mas não pude, por isso o Pai Natal podia fazer comqueeuficassear. - Bem, eu acho que sei de uma coisa, – disse o Pai Natal – que é melhor do que ficar ar. Se quiseres posso transformar-tenisso. - Sim.Sim,PaiNatal, porfavor. - Está bem – e, calmamente, o Pai Natal tirou um pó de dentro de um saco que tinha no bolso, e deitou-o em cima do madeiro. O madeiro como por magia, saiu da terra e começou a flutuar no ar, e a sua madeira parecia que começava a ser talhada em várias partes, mas não conseguia perceberemquê. Depois da madeira ser talhada, foi embrulhada em papel muito bonito, cheio de bonecos, e arrumada dentro do saco doPaiNatal. Passado algum tempo, os embrulhos foram deixados em várias casas debaixo da árvore de Natal, e algumas horas depois, o pequeno pinheirinho sentiu que o papel em que estava embrulhado era rasgado, e aí é que as várias partes do madeiro souberam o que eram. Eram brinquedos para as crianças, uma parte era uma caixa de música, outra parte um comboio, e ainda outra, um a 43 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O MADEIRO DE NATAL
  43. 43. carrinho, entre muitas outras coisas. E quando as crianças começaram a brincar com os seus presentes, o pinheirinho, agora transformado em brinquedo, soube qual era a sensação melhor do que ser transformado em ar, a sensação de alegria e de amor que as crianças transmitiam ao brincar, e isso era melhor que qual quer coisa. O Pai Natal tinha razão, existe uma sensação melhordoquenos tornarmos ar, sentirmo-nosamados. Morena Clara O NATAL 44 O MADEIRO DE NATAL
  44. 44. OMADEIRODENATAL Era uma vez um menino que se chamava Manuel e gostavamuito doNatal. Na sua terra era tradição pelo Natal ir ao pinhal buscar um Madeiro para meter na fogueira, para aquecer o meninoJesus. O Manuel lá foi para o pinhal cumprir a tradição da sua terra. Quando chegou a casa já estava quase a anoitecer e o Manuel eos paisforam comera sua ceia. Depois da ceia, foram fazer as filhós para comer no dia seguinte. Naquele dia de Natal, as pessoas conviviam junto da fogueira eo Manuel eos seusamigosbrincavam. À meia-noite era costume irem à missa do Galo. Depois da missa, as pessoas iam novamente para junto da fogueira. No dia seguinte, o Manuel viu os presentes, que estavam junto da chaminé, que o menino Jesus lhe tinha deixado. E abriu um, era um pijama. O Manuel gostou muito do presente. Depois de experimentar o pijama foi à janela. Estava a nevar. O Manuel também gostava muito de neve, por isso, foi vestir uma roupa quente para ficar bem agasalhado e foi para a rua procurar os amigos para brincar. O Manuel brincou, brincou, brincou até quando a mãe o chamou para ir almoçar. Disse adeus aos amigos e foi almoçar. Depois do almoço, o Manuel chamou os pais para irem brincarcomelepara a neve. Como já tinham as mãos muito frias foram para casa aquecer-sena lareira. O Manuel voltou a ir brincar com os amigos, enquanto a mãe lhe foi preparando o lanche para quando ele tivesse fome. O Manuel convidou os amigos para irem lanchar com ele eelesaceitaram. Depois de lancharem, os amigos foram-se embora e o Manuel foi abrir o resto dos presentes, que ainda estavam junto à chaminé. 45 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O MADEIRO DE NATAL
  45. 45. Passadas duas horas, já era hora de jantar. Os pais do Manuel tinham convidado uns primos para irem lá jantar. O Manuel ficou muito contente, porque já não tinhaprimoshámuito tempolá emcasa. Os primos foram-se embora e o Manuel e os pais foram dormir. Eassimsepassou umNatal na terra ena casa doManuel. Alice Maravilhas O NATAL 46 O MADEIRO DE NATAL
  46. 46. 47 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV
  47. 47. O NATAL 48
  48. 48. OMADEIRODENATAL Era uma vez um menino chamado Joaquim que vivia numa aldeiapequenina perdidano meiodopinhal. Nessa terra, as pessoas eram boas e simples. Cultivavam os camposeajudavam-semutuamente. As crianças frequentavam a escola e foi aí que o pequeno Joaquim questionou a professora acerca da origem e do significadodoNatal. Aprofessora deuuma pista…Umapalavra… Equal era?? …Madeiro. Se até aqui Joaquim se encontrava cheio de dúvidas, a partirdaquiéqueJoaquimnão maissossegou! No entanto, pôs-sea pensar: “Se o Natal é a chama acesa do amor, da amizade, da família, da paz, como poderia existir essa chama sem a lareira? Semas pinhas?Semo madeiro? ... O madeiro depois de ateado produz o calor que junta a família, primeiro nos preparativos do jantar, depois aquecendo o ambiente e, finalmente, fazendo as filhós e a cevada,quesabemtão bemtomar pelanoitedentro…Ese essanoiteélonga… Éa noitedeNatal!! E depois, quando saímos para visitarmos o menino que nasceu, tão pobrezinho, embrulhado em paninhos e deitado numas palhinhas, temos outra fogueira onde impera o madeiro… Aí a chama é bem maior pois não é só a minha família, são todasas famíliasreunidas… Eentão éaíqueserealizeo verdadeiro Natal! E por sinal, se na nossa terra, uma das maiores riquezas é a floresta, não teremos nós razões para celebrar melhor o Natal, nesta zona denominadaZONADOPINHAL?? NãoháNatalsemMadeiro,não háMadeiro semNatal!” Esta foi a conclusão doJoaquim,quetal? António Tostado 49 NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O MADEIRO DE NATAL
  49. 49. O NATAL 50
  50. 50. 51 OMADEIRODENATAL Era Natal, e com ele o Inverno. Na casa dos avós já chegavam os netos, vindos da cidade, o que trazia algum rebuliçoà aldeia. De manhã muito cedo, a Joana acordava com o crash dos ovos quea avócolocavano alguidarpara fazeras filhós. Oavôacordavao Pedro eo João queainda dormitavam: - Meninos, o sol já se levantou e na calçada já se ouvem os tratores que se dirigem para a serra para trazer os madeiros para a noitedeNatal. OJoão eo Pedro perguntaram emcoro: - Óavô,o queéissodoMadeiro deNatal? - Sentem-se que eu conto a história. Sabem, falar de um madeiro ou de um cepo é tudo a mesma coisa. Nas aldeias, uma parte da consoada é passada à volta de uma fogueira, no largo da igreja, e já diziam os meus pais que era para aquecero Menino Jesus. AJoana muito sorrateira interrompeu: - Dequefalam vocêshátanto tempo? - Não interrompas, deixa o avô continuar! - reclamou o João. Eo avôcontinuou: À meia-noite, à hora da missa do Galo, as pessoas reúnem-se à volta do calorzinho da fogueira que lhes dá uma alegria especial, as conversas e as risadas fazem com que todos se sintam mais amigos e mais solidários. O Natal éuma verdadeira festa! - Ó avô, diz-me uma coisa, quando tu tinhas a nossa idade e não havia tratores, como é que transportavam os madeiros para a fogueira? - perguntou a Joana. - Era em carros de bois, os rapazes novos, e no meu tempo havia cá muitos, iam por montes e vales em busca dos melhores cepos. Às vezes, havia rivalidades com as aldeias vizinhaspara verquemtinhaa maiorfogueira. - Joana, Joana! - chamavaa avó. - Pois, minha filha, contam-se muitas histórias à volta do Madeiro, o mais importante é que ele seja um sinal de união tão necessário como o presépio nas nossas casas. Ia- meesquecendo,a massadasfilhósjádeveestarpronta, NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O MADEIRO DE NATAL
  51. 51. O NATAL 52 O NATAL vou acender a lareira, colocar o tacho e assim continuarmos o espírito de Natal e aguardando a chegada dosteuspaispara juntos celebrarmos esta grande festa! Luísa de Mello O MADEIRO DE NATAL
  52. 52. 53 OMADEIRODENATAL Na noite de Natal, numa aldeia, sentado ao pé da sua lareira, um velho começou a contar uma história de Natal ao seu neto que tinha vindo da cidade para passar o Natal comos seusavós. - Avô?! - pergunta o neto - Quando vinha para a tua casa, reparei numa grande fogueira que estava a arder no largo da aldeia. Porque é que as pessoas fazem essa fogueira tão grande, avô?Não têmlareiras emcasa? - Sabes, meu filho! Um dia, há muitos anos atrás, em pleno Inverno, num dia em que estava muito frio, os pastores que guardavam as suas ovelhas lá nos montes distantes, quando o dia estava a chegar ao fim, foram surpreendidos por um forte nevão. Os que estavam mais perto conseguiram chegar a casa antes de a noite ficar escura e os campos cheios de neve. Um deles, porém, que andava mais longe, com a neve e a noite escura, perdeu o rumo de casa. A família, depois de esperar algum tempo, começou a ficar preocupada, e a sua mulher resolveu ir perguntar a um pastor seu vizinho se tinha visto o seu marido. Este, por sua vez, respondeu-lhe que, a última vez queo vira, eleestavadoladodelá damontanha. Com o desespero a aumentar, as pessoas começaram a perguntar umas às outras se sabiam novas do pastor. A mensagem foi passando e as pessoas da aldeia saíram à rua, a comentar o sucedido e sem saberem o que fazer. Como o frio era muito e a noite estava escura, um deles resolveu ir buscar lenha para fazer uma fogueira. Aos poucos, cada um dos aldeões foi buscar mais e mais lenha para que a fogueira fosse maior, não só para aquecer mas também para iluminar enquanto resolviam o quefazer. Enquanto isto, lá no meio do monte, o pastor e as suas ovelhas continuavam perdidos. Este, que conhecia bem o monte, quando viu que não conseguia chegar a casa por causa da neve e da noite serrada, resolveu abrigar-se numa caverna que havia ali perto. E então, conduzindo o rebanho, abrigou-sena dita caverna. Ofrioera muito, eo pastor, aliparado, jáestavaa NA VOZ DO POVO DE PROENÇA-A-NOVA IV O MADEIRO DE NATAL
  53. 53. O NATAL 54 O NATAL enregelar. Lembrou-se então de se aconchegar no meio das suas ovelhas. A certa altura, o pastor reparou num grande clarão do outro lado do monte e, pensando ser um sinal, decidiu segui-lo, levando o seu rebanho. Lá foi ele, sem saber para onde ia, apenas com a sua melhor guia, a esperança devoltarpara junto dosseus. Na aldeia, o ambiente era cada vez mais pesado e as únicas palavras que se ouviam eram: «Onde está ele?», «Seráquevolta?», «Estará elevivo? Edopastor, nemsinais! Entretanto, o pastor chegara ao cimo da montanha, donde ao longe avistara a sua aldeia e, lá bem no centro, a enorme fogueira que o tinha conduzido ali. Ansioso por chegar e pensando na preocupação daqueles que lhe querem bem, lá continuou, sempre acompanhadopelassuas ovelhas. Era quase madrugada quando o pastor chegou à aldeia. Lá na praça, exaustos e com frio, estava um grupo de pessoas das que tinham esperado por ele a noite inteira. Da fogueira já só restava um pequeno brasio. Aos poucos e poucos, as pessoas foram acordando e, vendo ali o pastor, gritaram: - «Viva!», «Urra!», pois, após uma longa espera, o seu pastor tinha voltado são e salvo, com o seu rebanho! A partir dessa altura, na noite de Natal, e em muitos lugares,continua a fazer-seesta grande fogueira. - Foi muito bonita, a história, avô! Agora entendo o porquê daquela grande Fogueira, no largo da aldeia! - diz o neto. - Pois, meu rico filho! Neste mundo tudo faz sentido, ainda quemuitas vezesnão sesaiba o motivo! Gucci O MADEIRO DE NATAL

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