Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro, no início da década de 1880, era marcado
por transformações políticas, econômicas e demográficas que
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O imposto do vintém começaria a ser cobrado a partir
do dia 1º de janeiro. Quatro dias antes da data, cinco
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entrada do povo em seu palácio, julgando que assim ela e g...
“Os meetings foram proibidos e o terrível chanfalho da polícia
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No dia 1º de janeiro, 4 mil manifestantes saíram em
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“O governo, a polícia e o povo. Segundo a opinião geral e em particular de todos aqueles que
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“O Povo no dia 1º de janeiro. A mim pareceu o povo desta corte no dia 1º de janeiro
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Em 3 de janeiro de 1880, no centro da cidade, reuniram-se na rua do Carmo
Silveira da Motta, Francisco Otávio de Almeida R...
Paralela ao grupo formado pelo Partido Liberal foi
formada uma Comissão de Paz. Composta por
médicos, advogados, homens de...
Depois dos acontecimentos do dia 1º de
janeiro, os passageiros continuavam
negando-se a pagar o imposto. Em abril, as
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Manifestantes protestando no centro de São Paulo contra o aumento da tarifa de
ônibus, trens e metrôs em junho de 2013. Di...
Em junho de 2013, ocorreram em São Paulo os primeiros protestos contra
o aumento de vinte centavos na tarifa de ônibus, tr...
GRAHAM, Sandra Lauderdale. O Motim do Vintém e a
cultura política do Rio de Janeiro, 1880. In:
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  1. 1. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
  2. 2. O Rio de Janeiro, no início da década de 1880, era marcado por transformações políticas, econômicas e demográficas que alteravam o cenário da cidade. Cada vez mais aumentava o número de residências insalubres e carentes (conhecidos depreciativamente como cortiços) no centro da cidade. Por falta de opção, imigrantes, brasileiros pobres, escravos de ganho, portugueses ocupavam estas precárias moradias. Essas habituações representavam para os setores mais abastados da capital da corte uma ameaça à saúde pública. Além disso, os transportes públicos eram marcados por precárias condições: atrasos, acidentes, superlotação eram problemas muito comuns. Portanto, moradores ricos e pobres da cidade sentiam o peso das transformações urbanas. Foi neste contexto que ocorreu, nos últimos dias do mês de dezembro de 1879 e nos primeiros dias de janeiro de 1880, na capital da corte, manifestações populares contra o imposto de um vintém – moeda de menor valor do Império – sobre as passagens dos bondes urbanos. Um dos grandes motivos de indignação da população era que o imposto recaía apenas sobre os moradores da cidade do Rio de Janeiro e não onerava em nada os donos das companhias de bondes.
  3. 3. O imposto do vintém começaria a ser cobrado a partir do dia 1º de janeiro. Quatro dias antes da data, cinco mil pessoas seguiram em direção ao Palácio Imperial, em São Cristóvão, para entregar ao imperador uma petição pedindo a revogação do imposto. Rapidamente, a residência imperial foi cercada por forças policiais armadas de cassetetes. Os manifestantes foram sendo afastados do Palácio em direção à área central da cidade. Mais tarde, Pedro II mandaria notícia a José Lopes da Silva Trovão, o qual estava “representando” os manifestantes, de que os receberia. Porém, Lopes Trovão negou-se a se encontrar com o imperador. Os acontecimentos se intensificaram após este dia. Os manifestantes não reivindicavam mais o fim do imposto; decidiram negarem-se a pagá-lo.
  4. 4. “Sua majestade, por esperteza, deixou que a policia impedisse a entrada do povo em seu palácio, julgando que assim ela e governo atrairiam a odiosidade pública. Foi ainda, por esperteza, que depois de ter repelido o povo pela força armada e pelos capangas da secreta, pelo seu camarista, Sua Majestade mandou comunicar que o receberia. [...] Felizmente, porém, o povo teve bom senso e dignidade. A popularidade do rei corre parelhas com a sua ilustração. Não voltou. Dando uma tremenda lição na grandeza de sua superioridade, desprezou a traição e o traidor. Um amigo do Sr. A. Celso” (O imperador e o meeting, Gazeta de notícias, Rio de Janeiro, 31 dez. 1879. p. 1. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf2/103730/per103730_1879_00359.pdf Acesso em: 01/12/2013)
  5. 5. “Os meetings foram proibidos e o terrível chanfalho da polícia ameaça os oradores.” “O D. Lopes Trovão , um dos nossos mais populares tribunos tem sua cabeça, isto é, o seu pescoço ameaçado!” “Grandes revistas foram passadas nos quartéis, e todo o nosso exército de mar e terra está de prontidão.” “No entanto, que as intenções do nosso povo são todas pacíficas, pificas até, como o provaram no passeio que deram em S. Cristóvão. Nos que esperamos o resultado da entrevista imperial para desenhálas, somos obrigados a limitar-nos ao que acima fica dito.” Revista Illustrada, Rio de Janeiro, dez. 1879, p. 4-5. Disponível em: http://memoria.bn.br/DOCREADER/DOCREADER.ASPX?BIB=332747 Acesso em: 07/12/2013.
  6. 6. No dia 1º de janeiro, 4 mil manifestantes saíram em passeata em direção ao Largo de São Francisco, local de onde partiam todos os bondes do centro. Em certo momento os manifestantes se dividiram em grupos. Depois disso, muitos carros de bondes foram virados, trilhos foram arrancados, mulas foram esfaqueadas. A força militar colocou-se em prontidão. Reprimiu os manifestantes, disparando tiros contra eles. No final do dia o saldo aproximado foi o seguinte: quinze ou vinte feridos e três homens mortos. Os acontecimentos do dia 1º de janeiro de 1880 não são consensuais. José Carlos de Carvalho, o único manifestante que deixou relato detalhado, identificou nas depredações uma forma de resistência à violência policial, assim como observadores dos eventos relacionaram a atitude dos manifestantes como ato defensivo.
  7. 7. “O Mequetrefe que tantas vezes tem se dirigido a vossa imperial pessoa, mais uma vez hoje enfrenta-se com V. M. afim de, com a sem cerimônia de uma consciência franca, e com toda a energia de um caráter solidamente honesto, dizer-vos: - Majestade, vós fostes a única culpada dos assassinatos praticados em homens do povo indefesos, pela força pública, no dia do 1° corrente. A história, mais tarde, quando, descendo um pouco, tratar do vosso reinado há de tomar de umas tenazes para levantar-vos, a luz da civilização para que Ela desfeche sobre vós um epíteto que nos está a saltar do bico da pena. É acusado aqui dizer-vos tudo o que se deu durante os quatro primeiros dias do corrente ano; estais tão bem informado como o público em geral, por isso abstendo-nos disso apenas registramos aqui nestas páginas alegres e francas, toda a nossa indignação contra os atos de vandalismos autorizados por vós. [...] Quanto à coroa que tendes sobre a cabeça, coroa que este bom povo soube levantá-la, ao mesmo tempo que guardava o vosso berço, para mais tarde entregá-la limpa e honrada, essa coroa, esperamos vê-la o mais cedo possível caída no pó das praças para nunca mais ser erguida. No mais, como sempre, somos de V. M. o que somos de todos os outros, O Mequetrefe” (Majestade, O Mequetrefe, Rio de Janeiro, 3 jan. 1880. p. 3. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/709670/per709670_1880_00001.pdf Acesso em: 01/12/2013)
  8. 8. “Apanhado segundo a parte oficial do comandante em chefe do exército em operações na Rua Uruguaiana, contra o povo inerme. Na verdade, o seu Antonico Enéas é um bravo. Agora o que se deu não é o que fica aí, mas sim outra coisa.” “Barricadas antes da luta” “Barricadas antes da luta” “Barricada da esquina da rua da Uruguaiana e rua do Ouvidor” “Barricada da esquina da Uruguaiana e 7 de Setembro” “Barricada da esquina da Rua da Uruguaiana e Rua do Ouvidor quarteirão compreendido entre esta rua e o “Barricada da esquina da rua da Uruguaiana e Largo da Sé” ” Largo da Sé “Aspecto da Barricada central em frente o Alcazar durante a luta. 1. Um súdito polaco (morto) 2. O Pernambucano Affonso Faria de Andrade (morto) 3. O súdito francês Carlos Milet (morto) 4. Um cidadão brasileiro (ferido)” Narrativa dos acontecimentos do dia 1° de janeiro no centro da cidade. (O Mequetrefe, Rio de Janeiro, 3 jan. 1880, p. 4-5. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/709670/per709670_1880_00001.pdf Acesso em: 01/12/2013 )
  9. 9. “O governo, a polícia e o povo. Segundo a opinião geral e em particular de todos aqueles que apanharam algumas lambadas nestes últimos dias.” Revista Illustrada, Rio de Janeiro, jan. 1880, p. 8. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/332747/per332747_1880_A00189.pdf Acesso em: 07/12/2013.
  10. 10. “O Povo no dia 1º de janeiro. A mim pareceu o povo desta corte no dia 1º de janeiro ao governo de sua Majestade.” (O Mequetrefe, Rio de Janeiro, 3 jan. 1880, p. 8-9. Disponível em: http://memoria.bn.br/pdf/709670/per709670_1880_00001.pdf Acesso em: 01/12/2013 )
  11. 11. Em 3 de janeiro de 1880, no centro da cidade, reuniram-se na rua do Carmo Silveira da Motta, Francisco Otávio de Almeida Rosa, Antonio Marcellino Nunes Gonçalves, Carlos Leôncio de Carvalho, José da Costa Azevedo, Joaquim Baptista Pereira, Joaquim Nabuco e Joaquim Saldanha Marinho. Estes deputados e senadores posicionaram-se contra a violência policial ocorrida no dia 1º de janeiro. Boa parte deles iria defender a causa abolicionista. Além disso, outros envolvidos com o Motim do Vintém estariam à frente da defesa pela liberdade dos escravizados, como José do Patrocínio e Lopes Trovão. Em junho de 1880, foi fundada, sob liderança de Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Dentre seus membros estavam ativistas do Motim do Vintém. Os comícios de rua e palestras, distribuição de panfletos, organização de passeatas mudou a forma de pensar a política no contexto da década de 1880. Segundo a historiadora Sandra Lauderlate Graham, “[...] [O Motim do Vintém] redefiniu, nada mais, nada menos, os atores, a plateia e a encenação da cultura política. A década, iniciada por agitações populares e marcada por um novo estilo político, que assim se fazia anunciar, continuaria como uma década de conflito. Até fins dos anos 80, os perfis gerais da vida social seriam alterados: o Parlamento iria abolir finalmente a escravidão, e um governo republicano substituiria a monarquia constitucional do Império. [...]” (GRAHAM, Sandra Lauderlate. O Motim do Vintém e a cultura política do Rio de Janeiro, 1880. In: DANTAS, Monica (org). Revoltas, motins, revoluções: homens livres pobres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo: Palameda, 2011. p. 487.)
  12. 12. Paralela ao grupo formado pelo Partido Liberal foi formada uma Comissão de Paz. Composta por médicos, advogados, homens de negócios, a comissão repudiava a violência policial, assumindo semelhante posição dos senadores e deputados. A Comissão de Paz indicou um grupo de advogados para defender gratuitamente os presos do protesto do dia 1º de janeiro; argumentavam que as prisões tinham sido realizadas ilegalmente. Além disso, foi exigida a suspensão do imposto. Segundo Sandra Graham, a formação dessa comissão queria dizer que “a cidade dispunha de porta-vozes próprios” (idem, p. 498).
  13. 13. Depois dos acontecimentos do dia 1º de janeiro, os passageiros continuavam negando-se a pagar o imposto. Em abril, as companhias de bonde pediram ao governo para que o imposto fosse abolido. Finalmente, em 5 de setembro de 1880, o imposto do vintém foi suspenso.
  14. 14. Manifestantes protestando no centro de São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus, trens e metrôs em junho de 2013. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Tarifa_Zero_SP.jpg Acesso em: 01/12/2013.
  15. 15. Em junho de 2013, ocorreram em São Paulo os primeiros protestos contra o aumento de vinte centavos na tarifa de ônibus, trens e metrôs. Em 13 de junho, houve uma intensa repressão policial contra os manifestantes paulistas, a qual gerou uma enorme repulsa da população em escala nacional. Nos dias seguintes, ocorreu uma série de manifestações em todo o país contra o aumento das passagens. Os protestos foram marcados por intensa violência das forças policiais contra os manifestantes. Dias depois do início das grandes mobilizações, os governantes de diferentes cidades começaram a revogar o aumento da passagem. Os meses seguintes foram marcados por várias outras manifestações que possuíam pautas variadas, tais como investimentos em educação, saúde, transporte público, segurança. Para saber mais, acesse os seguintes links: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/As-manifestacoes-dejunho-e-a-midia/4/28178 http://saopaulo.mpl.org.br/2013/08/30/nao-comecou-em-salvador-nao-vaiterminar-em-sao-paulo/ http://g1.globo.com/brasil/protestos-2013/infografico/platb/
  16. 16. GRAHAM, Sandra Lauderdale. O Motim do Vintém e a cultura política do Rio de Janeiro, 1880. In: DANTAS, Monica (org). Revoltas, motins, revoluções: homens livres pobres e libertos no Brasil do século XIX. São Paulo: Palameda, 2011. Trabalho apresentado à disciplina Didática, ministrada pela professora Rachel Colacique, elaborado pela aluna de graduação em História Jamile Silva Neto.

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