História das Coisas

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Fichamento do livro destacando trechos interessantes para discussões em design e áreas afins.

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História das Coisas

  1. 1. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 1Anne Leonard 1. Referência bibliográfica LEONARD. Annie. A História das Coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. 2. Ementa Discute do ponto de vista ambiental a cadeia produtiva da extração ao descarte, lançando questões sobre“Cientista ambiental, passou duas consumo sustentável que perpassa por ações individuaisdécadas rastreando o tráfico e políticas internacionais, defendendo que umainternacional de lixo, combatendo mudança no sistema só será possível passando antes poro descarte pela incineração eestudando a economia dos uma mudança de pensamento.materiais nos mais de trintapaíses que visitou. Trabalhou comdiversas organizações, como oGreenpeace e a Global Alliance for 3. Lógica interna (desenvolvimento/argumentação)Incineration Alternatives (Gaia). O livro está dividido em cinco partes explicando doDirige o Projeto História dasCoisas, que divulga, por meio de ponto de vista ambiental o funcionamento do sistemaconferências e palestras em econômico: extração, produção, distribuição, consumo eescolas, a ameaça à descarte. Cada um deles com exemplos a partir dassustentabilidade da terra. Em experiências da autora em diversos países e atuações2008, foi eleita Herói do Meio em organizações. Antes de começar a falar sobre oAmbiente pela revista Time. Moraem uma comunidade de Berkeley, sistema, explica os principais conceitos abordados aona Califórnia, com sua filha. longo do livro: coisas, consumidor/consumo, desenvolvimento, corporações, custos externalizados (preço x custo), orgânicos e sustentabilidade. Ao finalSite: www.storyofstuff.com apresenta possibilidades de soluções em larga escala a partir de experiências pontuais e uma lista de pequenas práticas individuais para um consumo mais ecologicamente consciente e sustentável. 4. Interlocução Além das áreas ambientais, o texto dialoga com Engenharia de materiais, Design, Economia, Marketing e Publicidade, Políticas públicas internacionais, Gestão, Logística e organizações de base comunitárias. 5. Excertos (trechos mais significativos) Etapa 1 - Extração
  2. 2. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 2Água virtual – “Água virtual é a quantidade do líquido embutida nos alimentos ouem outros produtos, baseada em quanta água foi necessária para extraí-la ouproduzi-la. Países que cultivam e exportam produtos agrícolas que demandam usointensivo de água, como algodão e café, podem ser considerados exportadores deágua virtual.” (44)Pegada hídrica – “Outro conceito útil é o de “pegada hídrica”, que calcula o volumede água potável usado por uma empresa para produzir bens e serviços, ou por umindivíduo, ou ainda por uma comunidade.” (44)Categorias de valor – “Para depreender o valor real, adotou-se a estrutura de valoreconômico total, que inclui usos diretos (como beber água) e indiretos (o nível e ofluxo de um rio), o chamado valor de legado (uso pelas gerações futuras) e o valorde existência (o simples direito de estar presente na Terra). Nessas bases,representantes de governos e de ONGs de todo o mundo estabeleceram osPrincípios de Dublin na Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente em1992, a fim de reconhecer o valor da água e estipular padrões para suaadministração.” (45)Transformando a extração. Estágio inicial: “Na hora do projeto é precisoredesenhar nossos sistemas de produção para que utilizem menos recursos,reduzindo, assim, a necessidade de extração.” (69)Design – “Há muitos exemplos de que o design contribui para melhorar a eficiênciados recursos – reduzir o tamanho das embalagens e reformular os produtos sãoalguns. Com menos materiais na composição, eles se tornam mais leves. Outrasestratégias incluem tornar as Coisas mais:  Duráveis: os produtos não precisam ser descartados e substituídos tão rapidamente.  Reparáveis: aqui se inclui o benefício da geração de empregos.  Recicláveis: os materiais dever ser escolhidos segundo sua capacidade de manter a integridade quando reciclados. Alguns materiais se degradam rapidamente, ao passo que outros podem ser reciclados várias vezes.  Adaptáveis: em vez de descartar celulares e laptops assim que ficam obsoletos, os aparelhos podem ter componentes reaproveitados e atualizados, como as lentes de uma câmera.” (70)Desenho Industrial: “Nossas mentes mais brilhantes podem e devem alçar voo embusca de um desenho industrial de ponta cujo objetivo seja a melhoria na rapidez,no estilo e, sobretudo, na “desmaterialização” – o uso de menos recursos. Porexemplo, a música digital substituiu uma grande quantidade de vinil, fitas cassete eembalagens de CD. Os elegantes monitores e TVs de tela plana estão substituindoos antigos aparelhos. As embalagens são mais finas e leves. Em diversos setores, o
  3. 3. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 3uso de matéria-prima na fabricação dos produtos está diminuindo. Infelizmente, oprogresso pode ir por água abaixo se os níveis de consumo não baixarem.” (70)Transformando a extração. Estágio final: “Uma grande quantidade de metal, papel,madeira e água gasta pode ser reciclada ou reutilizada. Como os materiais já foramextraídos e processados, é melhor mantê-los em uso do que descartá-los e começara explodir mais montanhas ou derrubar mais árvores.” (70-71)Transformando a extração. Antes de consumir: “Devemos sempre nos perguntar:são mesmo necessários tantos materiais para satisfazer nossas necessidades?Como mostrar afeto, dedicarmo-nos aos filhos e ter direito ao lazer sem usar cadavez mais recursos? Nosso status poderia ser medido por bondade, experiência esabedoria, e não pelas roupas que vestimos, os carros que temos na garagem e otamanho das nossas casas. Sejamos criativos!” (71)Etapa 2 – ProduçãoLivro – “Tenho prateleiras e mais prateleiras de livros. Eles ocupam um lugarímpar entre as minhas Coisas. Embora me sinta desconfortável ao comprar roupasnovas ou equipamentos eletrônicos, não penso duas vezes antes de adquirir umlivro. Perguntei a meus amigos e descobri que eles também, de verta forma,isentam os livros das conotações negativas do excesso de Coisas. Será que o valordo conhecimento embutido em um livro justifica sua pegada ecológica?” (79)Processo mais ecológico – “Hoje, graças ao trabalho de organizações e ao esforçode líderes da indústria sustentável, a manufatura do papel e a industria editorialestá se tornando mais ecológicas. Há um número cada vez maior de livros sendoimpressos em papel reciclado e com menos tintas à base de petróleo.” (82)Computadores – “Parece ridículo que os eletrônicos não possam ser produzidos demaneira diferente. Os projetistas são pessoas inteligentes – é inacreditável arapidez com que inventam melhorias em termos de velocidade, tamanho ecapacidade. Muitas vezes citada, a lei de Moore afirma que as capacidades doscomputadores podem ser dobradas aproximadamente a cada dois anos. Ou seja,esse pessoal pode inventar formas de inserir milhares de músicas num aparelho dotamanho de uma caixa de fósforos, mas não pode eliminar o plástico mais tóxico –o PVC – de suas maravilhas de alta tecnologia, ou reduzir mais de 10% do descartede embalagens? Esses “crânios” também deveriam ser capazes de descobrir comoeliminar os produtos tóxicos gradativamente, reduzir dejetos a um mínimo eaumentar a durabilidade dos produtos.” (89)Lata de alumínio – “Alguns dias atrás, quando caminhava pelo Centro de SãoFrancisco, vi dois empolgados divulgadores distribuindo brindes de uma novabebida cafeinada. “Experimente! É comércio justo! Feito de ingredientes orgânicos!Bom para você e para o planeta!” Declinei da oferta e decidi não interromperaquele desfile de otimismo para tentar mostrar como é contraditório embalar uma
  4. 4. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 4bebida orgânica de comércio justo num dos produtos mais consumidores deenergia, produtores de CO2 e geradores de resíduos no planeta: uma lata dealumínio descartável.” (90)Rios da Amazônia – “Glenn Switkes, da International Rivers, organização dedicadaa proteger rios ao redor do mundo, explica que as produtoras de alumínio são aprincipal motivação do governo brasileiro para represar os maiores rios daAmazônia: “As empresas de alumínio estão indo para os trópicos porque osgovernos dos países em desenvolvimento lhes fornecem energia subsidiada dashidrelétricas. Essas barragens têm impactos irreversíveis na biodiversidade edesalojam milhares de habitantes ribeirinhos e povos indígenas”, diz Switkes.” (92)Menos e melhor – “Hoje, os recursos estão se tornando mais escassos, enquanto apopulação continua a crescer. Mas as tecnologias produtivas não acompanharamessa realidade. Ainda usamos processos que consomem e desperdiçam enormesquantidades de energia e materiais, como se estes e a capacidade do planeta deassimilar resíduos e poluição fossem infinitos. É hora de transformar nossossistemas de produção mais uma vez, agora fazendo menos Coisas, e Coisasmelhores.” (120)Mudanças no projeto – “Mudanças no projeto podem causar apenas melhorias,como a eliminação do uso de uma toxina em uma linha de produtos, ou levarrealmente a uma reavaliação de nossos paradigmas. Por exemplo, os pressupostosde que a “poluição é o preço do progresso” ou de que “temos que escolher entreemprego e meio ambiente” há muito limitam o pensamento criativo em torno desoluções inovadoras e benéficas para o meio ambiente e uma economia saudável.Em outras palavras: não podemos transformar o sistema sem antes transformar aforma como pensamos.” (121)Biomimética – “Uma das tendências mais animadoras em termos de projetosverdadeiramente revolucionários é a apontada pela biomimética, onde as soluçõesem design são inspiradas nos princípios fundamentais da natureza. A naturezafunciona por energia solar e usa apenas a energia de que necessita; usa umaquímica à base de água; adapta a forma à função; recicla tudo; investe nadiversidade; exige especialização local; detém os excessos internamente; utiliza opoder dos limites. A biomimética busca descobrir como fazer com que astecnologias, infraestruturas e produtos sigam esses mesmos princípios danatureza.” (122)Etapa 3 – DistribuiçãoEficiência – “E a mentalidade de eficiência-acima-de-tudo se dissemina para alémdas fábricas. Ela foi aplicada à totalidade da cadeira de fornecimento. Como? Bem,aqui está a revelação-chave: muitas empresas famosas já nãoproduzem nada por
  5. 5. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 5conta própria. Elas apenas compram e etiquetam Coisas que outras fazem. A Nikenão produz sapatos. A Apple não produz computadores. A Gap não produz roupas.Elas compram sapatos, computadores e roupas (e os componentes para fabricá-los) de diversas fábricas ao redor do mundo. Na prática, o que acontece é que umamesma fábrica acaba fazendo produtos para diversas marcas concorrentes, que sedistinguem apenas quando a etiqueta é aplicada sobre eles.” (125)A Marca – “O que empresas como Nike, Apple e Gap realmente produzem sãomarcas, e essas marcas são o que os clientes compram. Phil Knight, fundados daNike, explicou: “Durante anos nos vimos como uma empresa orientada para aprodução, então colocávamos toda a nossa ênfase em desenhar e fabricar oproduto. Mas agora compreendemos que o mais importante é divulgá-lo.” Ascompanhias gastam bilhões para promover a própria marca não exatamente com afinalidade de anunciar as características de um produto específico, e sim paracultivar a imagem pela qual os consumidores devem identificá-la. Assim resumeO´Rourke: “Quando a Apple vende um iPod, não está vendendo um tocador de mp3.Está vendendo uma declaração de moda.” “ (125-126)Banco Mundial – “O Banco Mundial e o FMI trabalham em conjunto. Enquanto oFMI impõe que os países devedores exportem mais recursos naturais, o BancoMundial se alegra em fornecer o conhecimento técnico e os empréstimosnecessários para extraí-los. (...) A missão oficial do banco é “ajudar os países emdesenvolvimento e seu povo a aliviar a pobreza”. Mas que valores e crençasorientam sua estratégia para alcançar essas metas? Assim como outras agênciasfinanceiras internacionais, o Banco Mundial acredita que mais crescimentoeconômico, mas globalização, mais fluxo de capital e mais exploração de recursosnaturais reduzem a pobreza.” (147)Etapa 4 – ConsumoConsumo/Consumismo/Superconsumismo – “Não questiono o consumo emtermos abstratos, mas o consumismo e o superconsumismo. Enquanto consumosignifica adquirir e utilizar bens e serviços para atender às necessidades,consumismo refere-se à atitude de tentar satisfazer carências emocionais e sociaisatravés de compras e demonstrar o valor pessoal por meio do que se possui. Já osuperconsumismo é quando utilizamos recursos além dos necessários e dos que oplaneta pode suprir, conforme ocorre nos Estados Unidos. É quando perdemos devista aquilo que é importante na busca por Coisas.” (158-159)Obsolescência planejada – “A obsolescência planejada é diferente da obsolescênciatecnológica, que ocorre quando alguns avanços da tecnologia tornam a versãoanterior de fato ultrapassada – caso do telefone, que substituiu o telégrafo.” (174)
  6. 6. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 6Obsolescência instantânea – “Alguns produtos foram programados para ter umaobsolescência mais do que rápida, instantânea: é o caso dos bens descartáveis.Obsolescência percebida – “Essa última característica é o que conhecemos por“obsolescência percebida”. Nesse caso, o ítem não apresenta defeito nem érealmente obsoleto; apenas o percebemos assim. Alguns chamam a isso“obsolescência de desejabilidade” ou “obsolescência psicológica”. É quando o gostoe a moda entram em cena.” (176)Publicidade – “Atualmente, publicitários atuam em conjunto com psicólogos,neurocientistas e consumidores bem-informados. O objetivo principal: causar-nosmal-estar com o qu temos ou com o que nos falta, e estimular o desejo de comprarpara nos sentirmos melhor.” (177)“Expansão vertical do nosso grupo de referência” – “(...) Em programas de TV, aspessoas são incrivelmente ricas, magras e estilosas. Assim, de uma hora para outra,em vez de se comparar com a “família Jones”, da casa ao lado, a referência sãomilionários e celebridades. É por isso que, quanto mais TVs assistem, mais aspessoas supervalorizam a riqueza dos outros, e se sentem mais pobres. Quantapressão! Minhas roupas, minha casa e meu carro não apenas têm de ser iguais aosdos meus colegas e outros pais da escola da minha filha; eles devem ostentar oestilo de vida luxuoso de Jennifer Aniston e Beyoncé. Juliet Schor chama ofenômeno de “expansão vertical do nosso grupo de referência”.” (180-181)Exercendo direito – “Estaremos de fato exercendo nosso direito de escolha quandoestivermos determinando a pauta da prefeitura de nossa cidade, das assembléias,dos gabinetes de políticos, dos editoriais de jornais – e não em corredores demercados ou balcões de cafeterias.” (183)“Personalidade consumidora, personalidade cidadã” – “Cheguei à conclusão de quecada um de nós tem duas personalidades: uma consumidora, outra cidadã oucomunitária. Em nossa sociedade, a parte consumidora recebe atenção e éalimentada desde que nascemos. Assim, nos tornamos especialistas em consumo:sabemos onde, como e quando encontrar os melhores preços. Sabemos quantotempo esperar até que a cobiçada camiseta vá para a prateleira de liquidação.Sabemos como navegar na internet para conseguir quase de imediato o quedesejamos. Nossa personalidade consumidora é tão desenvolvida que soterrou aoutra, a que deveria constituir nossa personalidade central, na condição de pais,estudantes, vizinhos, profissionais, eleitores etc. Assim, falta-nos umacompreensão básica de como empregar o músculo da cidadania.” (183)Etapa 5 – Descarte
  7. 7. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 7Lixo – “Há um exercício que faço sempre que dou palestras em escolas. Pego umalata vazia de refrigerante e a coloco sobre a mesa. “Alguém poderia me dizer o queé isto?”, pergunto. “É uma lata!”, as crianças gritam. Depois, pego uma cesta de lixo,ponho outra lata vazia dentro e pergunto de novo: “E isto aqui?” “É lixo”, elasrespondem. Então, tiro a lata da cesta e a coloco junto de outra, na mesa. “E agora?”“É uma lata.” Não existe diferença entre as duas: elas são iguais! Portanto, asegunda lata é considerada lixo não pelo que é em si, mas por conta do local emque foi colocada. Ou seja, a ideia de lixo tem a ver com contexto, e não comconteúdo propriamente.” (191-192)Próxima revolução industrial – “Hoje Anderson [Roy Anderson, presidente dafábrica de carpetes Interface] defende que matérias-primas virgens precisam sersubstituídas por materiais reciclados; o sistema linear de “extrair-produzir-descartar” tem de fazer a transição para um processo cíclico de “cadeia fechada”(em que os materiais são infinitamente reutilizados ou adaptados para que odesperdício seja eliminado); a energia de combustíveis fósseis deve ser substituídapor energia renovável; processos dispendiosos precisam alcançar a meta dodesperdício zero; e a produtividade de mão de obra deve ser substituída porprodutividade de recursos. Em poucas palavras, essa é a direção da próximarevolução industrial – ao menos a parte dela que envolve os materiais.” (196-197)Embalagens – “A mais volumosa categoria de produtos que estamos descartandonos Estados Unidos, e talvez a mais irritante, é a de embalagens e recipientes.Talvez você esteja surpreso por eu chamá-los de “produtos”, mas faz sentido,porque, na prática, funcionam como tal. Com certeza o que você deseja é o cremede amendoim e não o pote; o aparelho de mp3, e não a caixa de plástico; a espumade barbear, e não o tubo de metal. Só que, muitas vezes, é tão somente embalagemque diferencia as marcas concorrentes. Claro que, no caso de alguns alimentos eitens delicados, o invólucro desempenha a importante função de conservá-losintactos, porém, isso não altera o fato de que ele foi concebido como um produtoindividualizado que estimula a compra.” (201)Resíduos de demolição – “Felizmente, os custos operacionais do descarte e ascrescentes restrições a essa prática, além do desejo de evitar o desperdício e criarempregos, estimularam o surgimento de empresas “de desconstrução”, conformese autodenominam, voltadas para a recuperação desses valiosos recursos. Aindaque o reaproveitamento eventual de certos elementos de velhas edificações,sobretudo portas, janelas e estruturas de metal, seja uma prática antiga emdemolições, na indústria “verde” a desconstrução pressupõe um planejado emeticuloso desmonte, de forma a preservar o máximo possível seus diversosmateriais. De Berkeley ao Bronx, empresas desse tipo estão gerando empregoslocais que não podem ser terceirizados.” (204)
  8. 8. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 8Resíduo eletrônico – “O lixo eletrônico, ou e-lixo, é o descarte mais tóxico. Abragecelulares, computadores, TVs, aparelhos de DVD, brinquedos, eletrodomésticos,controles remotos etc. É composto por substâncias químicas e metais prejudiciais àsaúde, e seu volume aumenta três vezes mais rapidamente que o dos outros tiposde lixo municipal.” (206)Lixo pelo mar – “Pois bem, para onde vão as imensas pilhas de Coisas que jogamosfora? O lixo tem dois destinos principais: é enterrado ou queimado. E apenas umapequena parte é reciclada. Mas existe outro aspecto importante: carregamentosmarítimos de lixo americano são enviados a outras regiões do mundo, muitas vezessob o disfarce de reciclagem. Além de ser antiético e imoral despejar dejetoscontaminados em outras comunidades, no final, os danos à saúde e ao meioambiente retornam, via ar, água e por meio de alimentos.” (210)Compostagem – “Se conservássemos todos os materiais orgânicos fora dos aterrossanitários, poderíamos praticamente eliminar o metano liberado por eles, o quereduziria o chorume significativamente e manteria o clima mais fresco. Em muitascidades, restos orgânicos – alimentos, podas de jardim, papel usado – compõemum terço ou mais do lixo urbano. Separar esses restos do lixo sexo ainda dentro decasa (ou da empresa) e tratá-los pela compostagem é a melhor solução. Dessaforma, os recicláveis não estragam pelo contato com os materiais orgânicos, e estesnão são contaminados pelos elementos tóxicos presentes nos bens de consumo.Além disso, o resultado é um substancioso fertilizante para o solo.” (213)Programa Descarte Zero – 1. Reduzir o consumo e o descarte 2. Reutilizar os descartados 3. Responsabilidade estendida do produtor 4. Reciclagem abrangente 5. Compostagem abrangente ou biodigestão de materiais orgânicos 6. Participação do cidadão 7. Proibição da incineração de dejetos 8. Melhoria do projeto industrial 9. Apoio político, legal e financeiro ao programa (235)Cultura de Reciprocidade – “Embora haja benefícios materiais em nossocompartilhamento (poupar dinheiro e criar menos lixo), o mais importante é quecultivamos uma cultura da reciprocidade. Em seu livro Bowling Alone, RobertPutnam explica que “redes de engajamento comunitário alimentam sólidas normasde reciprocidade”. Ele menciona dois tipos de reciprocidade: uma específica, emque você realmente mede e negocia tarefas individuais (“eu pego as duas criançasna escola na segunda-feira, você pega na terça-feira”), e outra mais valiosa, em quea reciprocidade é mais generalizada (“eu farei isto por você sem esperar nada em
  9. 9. A História das Coisas – Annie Leonard * Por: Evany Nascimento * 9troca, confiando que alguém fará algo por mim no futuro”). Uma sociedade baseadaem reciprocidade generalizada é mais eficiente do que a que negocia cadainteração. Às vezes, visualizo esse tecido social que me cerca como uma rede queme seguraria se eu caísse.” (240)Ação coletiva – “Muitos escreveram ao Projeto História das Coisas dizendo quedesejam realizar mudanças, mas não sabem o que fazer, pois são apenasindivíduos. Esta é a questão: eu também sou apenas uma pessoa. Mas, quando nosreunimos, podemos atingir objetivos além do alcance individual. Por isso, oprimeiro passo é se engajar em uma organização, uma campanha, ou um grupo deamigos e vizinhos de mentalidade semelhante, trabalhando por uma meta comum.”(241) 6. Palavras-ChaveCoisas – Consumidor – Consumo – Desenvolvimento – Corporações – Custo –Orgânicos – Sustentabilidade – Sistema complexo 7. Condição de produção do texto (contexto)O livro foi produzido a partir do programa História das Coisas, pesquisasrealizadas em vários lugares do mundo sobre a cadeia econômica. Deu origem aovídeo A História das Coisas com milhares de acessos no youtube. Depois dosucesso do vídeo veio o livro.Evany Nascimentonasci.eva@gmail.com12 de abril de 2012.

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