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apoio alemão a empresas portuguesas. recordemos a treuhand

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O governo alemão quer apoiar empresas dos países intervencionados do Sul

Recordamos o programa extensivo de privatização da antiga Alemanha de Leste

Neocolonialismo e subalternidade a todo o vapor

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apoio alemão a empresas portuguesas. recordemos a treuhand

  1. 1. GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 4-6-2013 1Apoio alemão a empresas portuguesas. Recordemos a TreuhandFomos surpreendidos nos últimos dias com a notícia de que o KfW1– bancopúblico alemão– iria financiar as pequenas e médias empresas portuguesas,espanholas e gregas em dificuldades financeiras.A boa nova, como aliás todas as boas notícias que aparecem em Portugal, foitransmitida pelo Vítor Gaspar2, depois de instruido pelo seu chefe, WolfgangSchauble, ao seu lado, na divulgação da intenção alemã de prestar ajuda aPortugal. Schauble é ministro alemão das Finanças e por acaso do destino,também o presidente do conselho de supervisão do KfW. Enfim, dois em um,numa demonstração de produtividade e de poupança de recursos, para ospreguiçosos e gastadores meridionais europeus.Gaspar disse, na ocasião, as imbecilidades de um lambe-botas pois, aalternativa seria proferir aldrabices com ar sério. Como é habitual, Gasparrecorda-nos que a Alemanha quer ajudar os países do Sul a criar emprego eafastar a má imagem do cruel patrão teutónico, usando para o efeito a tradiçãobenemérita do KfW. E, bajulador, agradeceu, na presença do "bom amigo", "oapoio e amizade do governo alemão", esse “activo precioso”… O cretino, na suaformação maniqueista de mercado, só conhece activos e passivos. Nós, somoscertamente passivos a laminar.Infelizmente, não conseguimos esquecer que o mesmo Schauble se encarniçasempre pelo cumprimento da agenda da troika que, em nada ajuda oupromove a melhoria da vida dos povos do Sul. Schauble, não sendo manetatem duas mãos, uma que diz que dá e a outra que tira. Segundo a revista DerSpiegel, parece que Merkel está preocupada com a sua imagem junto dos1O KfW é um descendente do velho Kreditanstalt für Wiederaufbau instituição criada em 1948para aplicar o Plano Marshall e promover a melhoria sustentável das condições de vida. O KfWrecolhe fundos no mercado financeiro contra a entrega de títulos garantidos pelo Estadofederal.Só cerca de 10% dos empréstimos concedidos se destinam para o exterior, através dasubsidiária KfW IPEX Bank GmbH. Os empréstimos que concede cobram juros mais baixos queos vigentes no mercado e os prazos são também mais largos, sem concorrer com os bancosprivados. O KfW é um género de zelador dos interesses globais do capital alemão e umfacilitador da penetração das grandes empresas germânicas no exterior.2http://economico.sapo.pt/noticias/banco-estatal-alemao-vai-apoiar-empresas-portuguesas_169731.html.
  2. 2. GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 4-6-2013 2povos do Sul e no que isso pode prejudicar as exportações alemãs…Deutschland uber alles!Aparentemente, o KfW irá financiar os falidos bancos portugueses com umaparte dos € 10000 M a disponibilizar aos PIIGS, - também conhecidos por GIPSI(exala desta última designação um cheiro racista…) - para que o dinheirochegue às descapitalizadas PME lusas. Claro que os estimáveis banqueirossaberão ganhar uma comissão.Em Espanha o dinheiro será transferido para o Instituto de Crédito Oficial (ICO),que o colocará à disposição das empresas. Para além disso o KfW participariacom uns € 1200 M num fundo de capitais de risco3. Aqui, aparentemente sem ainterferência dos bancos.Todos sabemos que quem paga escolhe a música e o local do concerto. Isto é,serão escolhidas judiciosamente as empresas a financiar de acordo com osinteresses estratégicos alemães, não sendo de estranhar que sejam empresascom potencial exportador, criador de sinergias para a Alemanha ou,importadoras de bens alemães para o parco mercado global português. E seessas empresas vierem a ser compradas por capitais alemães ninguémcertamente estranhará; uma das vantagens potenciais desse “takeover” seria aestabilização de algum emprego e o pagamento tempestivo das contribuiçõespara a Segurança Social a que os empresários lusos se furtam na primeiradificuldade.Quem se lembra da Treuhand?A propósito desta operação que se estará a configurar com mais detalhes, surgeinevitavelmente na memória o que se passou com a Treuhand, nos anos 90,após a absorção da antiga Alemanha de Leste (RDA) pela Alemanha Ocidental(RFA), num processo designado por “reunificação”.A Treuhand foi uma agência pública criada em junho de 1990 com a finalidadede privatizar as empresas estatais do Leste (Volkseigene Betriebe (VEBs). Numprocesso relativamente rápido, a agência reestruturou e vendeu 8500 empresascom um volume inicial de 4M de trabalhadores mas que deixou 2.5 M nodesemprego, ainda hoje mais elevado no Leste do que no Ocidente do país. Oprocesso foi de tal forma violento que o primeiro presidente da Treuhand foiassassinado por um desconhecido após seis meses no cargo.A Treuhand apossou-se também de 2.4 M de hectares de terras agrícolas eflorestais, dos bens da sinistra pide local - a Stasi - e ainda de parte substancialda propriedade das forças armadas, das habitações pertencentes ao Estado e darede de farmácias.3http://economia.elpais.com/economia/2013/05/26/actualidad/1369594448_730847.html
  3. 3. GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 4-6-2013 3O negócio surgia de tal forma prometedor que a Treuhand foi criada em junhode 1990 e o tratado da reunificação apenas em 3 de outubro, cerca de quatromeses depois. Depois desta última data a Treuhand ainda se apossou dos bensdo SED o partido-guia e dos seus satélites, bem como das organizações demassas (sindicatos, órgãos juvenis, etc).A operação de saque e privatização foi dada por terminada em 1994 com umprejuizo contabilizado na Treuhand de 260/270000 M de marcos, não seconhecendo queixas por parte dos compradores. Como ainda restavam muitosbens não vendidos, à Treuhand sucederam três agências, para gerir o quesobrava das empresas públicas, do imobiliário e dos terrenos agrícolas ouflorestais e que prosseguiram o seu afã privatizador. Este processo de comprade bens públicos no Leste deverá relacionar-se com a estagnação doinvestimento nacional no exterior (média de $ 19398 M em 1991/94, contra $55118 M em 1995/984).Sabemos do processo de drenagam financeira dos países do Sul para o sistemafinanceiro global, mormente para o sediado no Norte da Europa 5. Ora,sabendo-se da histórica descapitalização das empresas, que os bancosportugueses não têm margem para a assunção de riscos financeiros, hácondições para os capitais acumulados na Europa do Norte encontraremaplicações interessantes para o reforço da complementaridade subalterna entrea economia portuguesa e, neste caso concreto, a alemã. Por outro lado, atendência para uma forte baixa dos salários e restantes custos laborais tornatambém apetecível algum investimento dentro da zona euro, uma vez que essesmenores custos associados a distâncias mais curtas de transporte, podeencaminhar para Portugal algum investimento que, antes da crise e dosmemorandos estariam melhor colocados em outras paragens. E, para mais,utilizam muito bem os mainatos lusos (Cavaco, Passos, Gaspar, Seguro…)dedicados subscritores dos memorandos da troika, encomendados pelaestratégia alemã.Documentos e textos em:http://grazia-tanta.blogspot.com/http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1http://www.slideshare.net/durgarrai/documents4Fonte: CNUCED/UNCTAD5http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html

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