"Viagens Literárias", um projeto de formação de leitores da Secretaria da Educação.
SALA DE LEITURA
ESCOLA ESTADUAL JOSÉ C...
SALA DE LEITURA
ESCOLA ESTADUAL “JOSÉ CHEDIAK”
Carlos Pires Martins
Painel do Leitor.
Escreva de forma objetiva
seus comentários. Envie-os
para o Editor do Correio
Mercantil do Rio de Janeir...
A alta sociedade é vista
pela perspectiva dos
pobres. Tendo como
personagem principal um
anti-herói, que se chama
Leonardo...
Memórias de um
Sargento de
Milícias:
Essa é a historia
de um rapaz
chamado
Leonardo que
nasceu de uma
“pisadela” e um
“bel...
“Para selar essa
união usaram uma
forma bem exótica:
Leonardo, deu uma
delicada pisadela
em Maria da
Hortaliça, esta
retru...
Comparação Histórica:
“Era no tempo do rei”
Sim, o Brasil teve um Rei!
Hoje tem uma mulher
Presidente!
Pesquise e comente:...
Em síntese, o enredo de Memórias de um Sargento de Milícias é tecido com muitas peripécias e
intrigas, que não deixam, ain...
IV - Fortuna.
Leonardo-Pataca apaixonou-se por uma cigana que também o abandona. Para atraí-la
novamente, recorre a feitiç...
X - Explicações.
O Tenente-Coronel interessara-se pelo Leonardo porque, de certa forma, ele o havia livrado de certa
obrig...
Segunda parte
I - A Comadre em Exercício.
Aqui, o autor narra o nascimento da filha de Leonardo-Pataca e de Chiquinha. A C...
VIII - Novos Amores.
Este capitulo faz a descrição da nova família que acolhe Leonardo. Era composta de duas irmãs
viúvas,...
XIV - O Vidigal Desapontado.
Vidigal, com o orgulho ferido, sobretudo devido às zombarias do povo, jurou vingar-se. A Coma...
XIX - O Granadeiro.
Depois de preso, o Toma-Largura foi abandonado na calçada porque estava completamente bêbado e
sem con...
XXIV - A Morte é Juiz.
José Manuel, com a ação que lhe moveu a sogra, tem um ataque de apoplexia e morre.
Leonardo, libert...
Abordagem Filosófica e Social: A DIALÉTICA DA MALANDRAGEM
O crítico literário Antônio Candido publicou Dialética da maland...
Dialética da ordem e da desordem
Os personagens de Memórias de um sargento de milícias oscilam entre dois extremos da
soci...
O Folhetim Memórias de um
Sargento de Milícias mostra
uma sociedade que está
alicerçada por uma espécie
de equilíbrio entr...
Memórias de Um Sargento de
Milícias
Martinho da Vila
Era o tempo do rei
Quando aqui, chegou
Um modesto casal feliz pelo
re...
A Leitura à luz de nossos próprios interesses
“O fato de sempre interpretarmos as obras literárias, até certo ponto, à luz...
Os sentidos dos textos literários no tempo e na perspectiva de diferentes
Chama a atenção o fato de que sociedades ou part...
Sargento milícias
Sargento milícias
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Sargento milícias

557 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
557
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
35
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Sargento milícias

  1. 1. "Viagens Literárias", um projeto de formação de leitores da Secretaria da Educação. SALA DE LEITURA ESCOLA ESTADUAL JOSÉ CHEDIAK Proposta de atividade para o Ensino Médio e 9º ano do Ensino fundamental de "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, um clássico da literatura brasileira que quebrou os padrões românticos da época em que foi publicado, no ano de 1854. Atividade elaborada pelo Professor Carlos Pires Martins Como sugestão e complementação das atividades dos Professores de Língua Portuguesa Diretora da Escola: Vilma Lanzotti Professores Coordenadores Pedagógicos: Vera Lúcia Dias Canha – Ensino Fundamental Rogério de Sousa – Ensino Médio Rosa Cocco – Ensino Médio
  2. 2. SALA DE LEITURA ESCOLA ESTADUAL “JOSÉ CHEDIAK” Carlos Pires Martins
  3. 3. Painel do Leitor. Escreva de forma objetiva seus comentários. Envie-os para o Editor do Correio Mercantil do Rio de Janeiro. Eles poderão ser publicados na edição de domingo na coluna “Painel do Leitor” do Suplemento Literário “A Pacotilha”. Os comentários publicados receberão brindes dos nossos patrocinadores. Carlos Pires Martins
  4. 4. A alta sociedade é vista pela perspectiva dos pobres. Tendo como personagem principal um anti-herói, que se chama Leonardo e relata os esforços para driblar as adversidades de sua condição social e, ao mesmo tempo, se aproveitar ao máximo dos intervalos de sorte que tem na vida. O que não falta são reviravoltas à narrativa. Vale insistir no valor documental e sociológico do romance e lembrar que se trata de uma narrativa divertida e bem humorada. Primeiro capítulo do folhetim Memórias de um Sargento de Milícias que mostra os costumes e hábitos da vida suburbana do Rio de Janeiro. O Correio recomenda leitura desse folhetim que expressa visão de um mundo sem marcas ou traços idealizados e sentimentalistas. O autor se vale de um estilo objetivo e realista ao mostrar os tipos humanos da gente modesta da sociedade carioca com suas histórias e costumes no Século XIX.
  5. 5. Memórias de um Sargento de Milícias: Essa é a historia de um rapaz chamado Leonardo que nasceu de uma “pisadela” e um “beliscão”, expli camos melhor: seu pai, Leonardo Pataca e sua mãe Maria da Hortaliça conheceram-se no navio em que vinha de Portugal para o Brasil
  6. 6. “Para selar essa união usaram uma forma bem exótica: Leonardo, deu uma delicada pisadela em Maria da Hortaliça, esta retrucou com um tremendo beliscão e assim nasceu Leonardo.” No Brasil do século 18, a demonstração de afeto era o beliscão. No século 18, em Portugal e, muito provavelmente, também no Brasil, uma expressão de amor bastante difundida era o beliscão. Entre os recém- conhecidos, era de bom tom beliscar “de pincho”, aplicando levemente a torção sobre a pele. Para os mais íntimos valia o beliscão “de estorcegão”, também conhecido como “enérgico”. A moda era tão forte que houve quem discutisse a necessidade de construir divisórias no interior das igrejas para impedir beliscões durante a missa. Beliscões, pisadas de pé e mútuos estalos de dedos consistiam em rituais que simbolizavam a dura vida rural. Comente e compare a expressão de amor e afeto no início de namoro dos casais do século 18 com os casais no tempo de hoje. Seu amor se tornaria mais “energético” com uma pisadela e um beliscão? Carlos Pires Martins
  7. 7. Comparação Histórica: “Era no tempo do rei” Sim, o Brasil teve um Rei! Hoje tem uma mulher Presidente! Pesquise e comente: - Os aspectos do Brasil na época do Rei. - Os aspectos do Brasil na época da Presidente. Carlos Pires Martins
  8. 8. Em síntese, o enredo de Memórias de um Sargento de Milícias é tecido com muitas peripécias e intrigas, que não deixam, ainda hoje, de entreter e prender o leitor. Pode resumir-se na história da vida de Leonardo filho de dois imigrantes portugueses, a sabia Maria da Hortaliça e Leonardo, “algibebe” em Lisboa e depois meirinho no Rio do tempo do Rei D. João VI: Nascimento do “herói”, sua infância de endiabrado, suas desditas de filho abandonado mas sempre salvo de dificuldades pelos padrinhos (a parteira e um barbeiro); sua juventude de valdevinos; seus amores com a dengosa mulatinha Vidinha; suas malandrices com o truculento Major Vidigal, chefe de polícia; seu namoro com Luisinha; sua prisão pelo major; seu engajamento, por punição, no corpo de tropa do mesmo major; finalmente, porque os fados acabaram por lhe ser propícios e não lhe faltou a proteção da madrinha, tudo tem “conclusão feliz”: promoção a sargento de milícias e casamento com Luisinha”. Primeira Parte I – Origem Nascimento e Batizado. A novela se abre com a frase “Era no tempo do rei”, que situa a estória no século XIX, no Rio de Janeiro. Narra a vinda de Leonardo-Pataca para o Brasil. Ainda no navio, namora com uma patrícia, Maria da Hortaliça, sabia portuguesa. Daí resultou o casamento e... “sete meses depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, espemeador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem deixar o peito”. Esse menino é o Leonardo, futuro “sargento de milícias” e o “herói” do livro. O capitulo termina com o batizado do garoto, tendo a “Comadre” por madrinha e o. barbeiro ou “Compadre” por padrinho, personagens importantes da estória. II - Primeiros Infortúnios. Leonardo-Pataca descobre que Maria da Hortaliça, sua mulher, o traía com vários homens; dá-lhe uma surra e ela foge com um capitão de navio para Portugal. O filho, depois de levar um pontapé no traseiro, é abandonado e o padrinho se encarrega dele. III - Despedida às Travessuras. O padrinho, já velho, e sem ter a quem dedicar sua afeição, ficou caído pelo garoto, concentrando todos os seus esforços no futuro de Leonardo e desculpando todas as suas travessuras. Depois de muito pensar, resolveu que ele seria padre.
  9. 9. IV - Fortuna. Leonardo-Pataca apaixonou-se por uma cigana que também o abandona. Para atraí-la novamente, recorre a feitiçarias de um caboclo velho e imundo que morava num mangue. Na última prova, à noite, quando estava nu e coberto com o manto do caboclo, aparece o Major Vidigal... V - O Vidigal. Este capítulo descreve o Major - “um homem alto, não muito gordo, com ares de moleirão; tinha o olhar sempre baixo, os movimentos lentos, e a voz descansada e adocicada”. Era a polícia e a justiça da época, na cidade. Depois de obrigar todos que se achavam na casa do caboclo a dançar, até não agüentarem mais, chicoteia-os e leva Leonardo para a “Casa da Guarda”, espécie de depósito de presos. Depois de visto pelos curiosos, é transferido para a cadeia. VI - Primeira Noite Fora de Casa. Leonardo filho vai acompanhar uma “Via Sacra” de rua”, muito comum naquela época, e junta-se a outros moleques. Acabam passando a noite num acampamento de ciganos. Descreve-se a festa e a dança do fado. De manhã, Leonardo pede para voltar para casa. VII - A Comadre. Era a madrinha de Leonardo - “uma mulher baixa, excessivamente gorda, bonachona, ingênua ou tola até um certo ponto, e finória até outro; vivia do oficio de parteira, que adotara por curiosidade e benzia de quebranto...”. Gostava de ir à missa e ouvir o cochicho das beatas. Viu a vizinha do barbeiro e logo quis saber do que é que ela falava. VIII - O Pátio dos Bichos. Assim era chamada a sala onde ficavam os velhos oficiais a serviço de El-Rei, esperando qualquer ordem. No meio deles, estava um Tenente-Coronel a quem a Comadre vai pedir para interceder junto a El-Rei para soltar Leonardo-Pataca. IX - O Arranjei-me do Compadre. O autor conta-nos como o barbeiro conseguiu arranjar-se na vida, apesar de sua profissão pouco rentável: improvisou-se de médico, ou melhor, “sangrador”, a bordo de um navio que vinha para o Brasil. O Capitão moribundo, entregou-lhe todas as economias para que as levasse à sua filha (do Capitão). Quando chegou a terra, ficou com tudo e nunca procurou a herdeira.
  10. 10. X - Explicações. O Tenente-Coronel interessara-se pelo Leonardo porque, de certa forma, ele o havia livrado de certa obrigação: seu filho, um desmiolado, é que havia infelicitado a tal de Mariazinha, a Maria da Hortaliça, ex- mulher de Leonardo. Por isso empenha-se e, por meio de um outro amigo, consegue que El-Rei solte Leonardo. XI - Progresso e Atraso. Este capítulo é dedicado às dificuldades que o padrinho encontra para ensinar as primeiras letras ao afilhado e às implicâncias da vizinha. A seguir vem um bate-boca entre os dois, com o menino arremedando a velha, e com grande satisfação para o barbeiro que se julga “vingado”. XII - Entrada para a Escola. É uma descrição das escolas da época. Aborda a importância da palmatória e nos conta como o novo e endiabrado aluno leva bolos de manhã e à tarde. XIII - Mudança de Vida. Depois de muito esforço e paciência, o padrinho convence ao afilhado de voltar para a escola, mas ele foge habitualmente e faz amizade com o coroinha da Igreja. Pede ao padrinho, e este acede, para também ser coroinha. Pensava assim o barbeiro que seria meio caminho andado para se tomar padre. Como coroinha, aproveitou-se dessa função para jogar fumaça de incenso na cara da vizinha e derramar-lhe cera na mantilha. Vingava-se assim dela. XIV - Nova Vingança e Seu Resultado. Neste capitulo, aparece o “Padre Mestre de Cerimônias”, que, embora de um exterior austero, mantinha relações com a cigana, a mesma que abandonara Leonardo-Pataca e fora causa de sua função. No dia da festa da Igreja da Sé, o Mestre de Cerimônia prepara-se orgulhosamente para proferir seu sermão. O menino Leonardo, encarregado de avisar-lhe a hora do sermão, informa-lhe que será às 10 horas, quando na verdade devia ser às 9. Um capuchinho italiano, para cooperar, e porque o pregador não chegava, começou a homilia. Depois de algum tempo, chega o Mestre, furioso, e corre para o púlpito também. Após um bate-papo com o religioso, toma o lugar dele e continua o sermão. O resultado foi o sacristão ser despedido. XV - Estralada. Leonardo-Pataca, sabendo que o Mestre de Cerimônias é que lhe tirara a cigana e que este iria ao aniversário dela, contratou Chico-Juca para criar confusão na festa. Avisou antecipadamente o Major Vidigal, que prende todo mundo, inclusive o Padre, e os leva para a “Casa da Guarda”. XVI - Sucesso do Plano. O Mestre de Cerimônias, com o escândalo, foi obrigado a deixar a cigana, voltando para Leonardo, que recebe as censuras da Comadre.
  11. 11. Segunda parte I - A Comadre em Exercício. Aqui, o autor narra o nascimento da filha de Leonardo-Pataca e de Chiquinha. A Comadre faz o parto, e o autor aproveita para fazer interessante descrição dos costumes da época. II - Trama. A Comadre, numa aliança com o sobrinho e o Compadre contra José Manuel, inventa para D. Maria que este fora o raptor da moça na porta da Igreja (um caso policial da época). III - Derrota. José Manuel põe-se em campo para saber quem é seu adversário e quem tinha feito a intriga perante D. Maria. IV - O Mestre de Reza. Os mestres de reza da época eram geralmente cegos que ensinavam às crianças as primeiras rezas e o catecismo. Faziam-no á base da palmatória. O Mestre de Reza encarregou-se de descobrir, para José Manuel, quem era o intrigante. V - Transtorno. O Compadre morre e deixa Leonardo como seu herdeiro. Segue-se a cerimônia de luto e o enterro. Leonardo volta para a casa do pai. A Comadre, que também mora com a filha, faz agora as vezes do Compadre. Leonardo não se entende com a madrasta, Chiquinha. VI - Pior Transtorno. Leonardo, ao voltar da casa de Luisinha, aborrecido por não a ter visto, briga com Chiquinha. O pai intervém de espada, e Leonardo foge de casa. A Comadre censura os dois e vai procurar o afilhado, enquanto os vizinhos comentam as ocorrências... VII - Remédio dos Males. Ao fugir de casa, Leonardo encontra o antigo colega, o Sacristão da Sé, num pique-nique em companhia de moças e rapazes, o qual o convida para ficar; ele aceita e enche-se de amores por Vidinha, cantora de modinhas, que tocava viola. “Vidinha era uma mulatinha de dezoito a vinte anos, de altura regular. ombros largos, peito alteado, cintura fina e pés pequeninos; tinha os olhos muito pretos e muito vivos, os lábios grossos e úmidos, os dentes alvíssimos. a fala era um pouco descansada, doce e afinada.”
  12. 12. VIII - Novos Amores. Este capitulo faz a descrição da nova família que acolhe Leonardo. Era composta de duas irmãs viúvas, uma com três filhos e a outra com três filhas. Passavam dos quarenta anos e eram muito gordas e parecidas. Os três filhos da primeira tinham mais de 20 anos e eram empregados no trem. As moças, mais ou menos da idade dos rapazes, eram bonitas, cada uma a seu modo. Uma delas era Vidinha. IX - José Manuel Triunfa. A Comadre procurou Leonardo por toda parte e, não o encontrando, foi à casa de D. Maria, que a repreendeu por “ter cometido um grande...” Ela logo entendeu e percebeu que José Manuel estava regenerado aos olhos de D. Maria; e também chegou à conclusão de que o cego Mestre de Reza é que tinha desvendado tudo. A Comadre desculpa-se e toma conhecimento do interesse de José Manuel por Luisinha. X - O Agregado. Leonardo fica agregado na nova família, como era costume naquela época. Dois irmãos pretendentes a Vidinha unem-se contra Leonardo, que estava gostando dela. Vidinha e as Velhas tomam o partido de Leonardo. Houve briga e confusões. Leonardo decidiu sair da casa, mas as velhas não consentem. Chega a Comadre. XI - Malsinação. Depois de conferências entre as velhas e a Comadre, Leonardo fica, para alegria de Vidinha. Os primos vencidos, combinam um modo de vingar-se. Fizeram uma patuscada semelhante à que haviam feito quando conheceram Leonardo e avisaram o Major Vidigal... Este chega no meio da farra e prende Leonardo. XII - Triunfo Completo de José Manuel. José Manuel ganha uma causa forense para D. Maria e, com isso, consegue o consentimento para casar-se com Luisinha, que Leonardo já havia esquecido; ela aceita com indiferença o novo pretendente. Há festa e casamento em carruagens - “destroços da arca de Noé”. XIII - Escápula. A caminho da prisão, Leonardo procura um jeito de fugir. O Major adivinha o pensamento do moço e presta atenção a todos os seus movimentos. Entretanto, na hora em que surgiu um pequeno tumulto na rua, e o Major desviou a atenção do prisioneiro, Leonardo escapuliu e foi para a casa de Vidinha. O Major, pasmado com o acontecido, procura-o por toda parte, com os granadeiros.
  13. 13. XIV - O Vidigal Desapontado. Vidigal, com o orgulho ferido, sobretudo devido às zombarias do povo, jurou vingar-se. A Comadre, entretanto, que não sabia da fuga, procura o Major e, ajoelhada a seus pés, chora e suplica pelo afilhado. Os granadeiros riam dela cada vez que gritava - solte, solte! XV - Caldo Entornado. Tendo sabido da fuga de Leonardo, a Comadre dirigiu-se à casa das velhas e pregou um sermão ao afilhado, concitando-o a que abandonasse a vadiagem e procurasse um emprego. Ela mesma consegue para ele uma ocupação na “Ucharia Real”. O Major não gostou disso porque assim não poderia prendê-la Ucharia, morava um tal de Toma-Largura, assim chamado pela sua estampa grotesca, em companhia de uma mulher bonita Leonardo começa a demorar cada vez mais no trabalho e a esquecer Vidinha. Um dia, Toma-Largura surpreendeu-o tomando sopa com sua mulher e corre atrás dele escorraçando-o de casa. No dia seguinte, Leonardo é despedido do emprego. XVI - Ciúmes. Vidinha, extremamente ciumenta, quando soube do acontecido, foi tomar satisfação com a mulher do Toma- Largura, depois de gritar, chorar e ameaçar. Leonardo vai atrás e se encontra com o Major Vidigal, que o prende. XVII - Fogo de Palha. Vidinha começa a xingar Toma-Largura e a mulher. Como não houvesse reação dos dois, ficou desconcertada, tomou a mantilha e saiu. Toma-Largura, encantado com Vidinha, resolveu conquistar nem que fosse uma diminuta parcela de seu amor, porque assim se vingaria de Leonardo e satisfaria seu desejo de conquista amorosa. Desse modo, acompanhou a moça para saber onde ela morava. XVIII - Represálias. Quando Vidinha chegou a casa, deram também por falta de Leonardo. Mandam-no procurar por toda parte e nada. Suspeitam do Major, mas não o encontram na Casa da Guarda. A Comadre, avisada, põe-se em campo à procura do afilhado, mas também não o encontra. A família que hospedava Leonardo começou a odiá-lo, julgando que ele se havia ocultado propositalmente. Enquanto isso, o Toma-Largura começa a rodear a casa de Vidinha para cumprimentá-la. Mal imagina ele o que lhes estão preparando... Recebido em casa, resolvem comemorar a aproximação com uma patuscada nos “Cajueiros”, no mesmo lugar onde Leonardo conhecera a família. E claro que o Toma-Largura lá estava. E como gosta de beber, acabou provocando uma grande confusão na festa. Inesperadamente chega o Vidigal com um grupo de granadeiros e dá ordem a um deles para levar o Toma-Largura preso. Este granadeiro era Leonardo.
  14. 14. XIX - O Granadeiro. Depois de preso, o Toma-Largura foi abandonado na calçada porque estava completamente bêbado e sem condições de andar. A seguir, o autor conta como Leonardo fora transformado em granadeiro: depois de preso foi escondido por Vidigal e levado para sentar praça no Regimento Novo. A seguir, foi requisitado para ajudar o Major nas tarefas policiais. Era a maneira de o Vidigal se vingar. Leonardo mostrou-se bom de serviço, mas participou de uma “diabrura” quando, em missão, representou Vidigal, defunto, numa cena para ridicularizá-lo. XX - Novas Diabruras. O Major decide prender Teotônio, um grande animador de festas, onde tocava e cantava modinhas e mostrava outras habilidades, como banqueiro de jogo. Teotônio, na festa de batizado do filho de Leonardo-Pataca com a filha da Comadre, fez caretas e mímicas imitando o Major, que estava presente, para risada geral do público. O Major sai correndo e incumbe Leonardo de prender Teotônio. Leonardo, muito bem recebido na casa, revela a missão de que estava incumbido e, de comum acordo com Teotônio, concebe um plano para lograr o Major. XXI - Descoberta. Leonardo foi cumprimentado por um amigo indiscreto, na frente do Major, pela façanha, e este o prende imediatamente. Enquanto isso, o José Manuel, depois da lua-de-mel com Luisinha, começou a mostrar que não era lá grande coisa. Isso fez com que D. Maria se aliasse à Comadre para soltar Leonardo. XXII - Empenhos. Depois de uma tentativa frustrada junto ao Major, a Comadre pede os préstimos de D. Maria que, por sua vez, recorre a Maria Regalada. Chamava-se assim por ser muito alegre, ria-se de tudo. Morava na Prainha, e, quando mais nova, era uma “mocetona de truz”. Já era conhecida do Major, com quem há tempos tivera encontros amorosos. XXIII - As Três em Comissâo. As três vão ao Major pedir-lhe para soltar Leonardo. Ele mostra-se inicialmente inflexível como o cargo e o lugar exigiam. Como as três rompessem em prantos, ele não se conteve e chorou também, feito um bobo. Depois recompôs-se e ficou novamente durão. Entretanto, Maria Regalada cochichou-lhe qualquer coisa ao ouvido, e ele logo promete não somente soltar Leonardo como alguma coisa mais.
  15. 15. XXIV - A Morte é Juiz. José Manuel, com a ação que lhe moveu a sogra, tem um ataque de apoplexia e morre. Leonardo, libertado, chega à noitinha e a primeira coisa que procura é Luisinha. Tinha sido promovido a sargento. A admiração um pelo outro é recíproca. XXV - Conclusão Feliz. Depois do luto, Leonardo e Luisinha recomeçam o namoro. Os dois querem casar-se, mas há uma dificuldade: Leonardo era soldado, e soldado não podia casar. Levaram o problema ao Major, que vivia com Maria Regalada. Esse fora o preço pela soltura do Leonardo. Por influência da mulher, o Vidigal logo arranjou um jeito: dar baixa em Leonardo como tropa de linha e nomeá-lo “Sargento de Milícias”. Leonardo pai entrega ao filho a herança que lhe deixara o padrinho barbeiro. Leonardo e Luisinha casam-se. E agora aparece “o reverso da medalha”: “Seguiu-se a morte de D. Maria, a do Leonardo-Pataca, e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores, fazendo aqui ponto .final.” Literatura - Proposta de abordagem reflexiva de: MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS: NEM ROMÂNTICO NEM REALISTA. Nas produções românticas, principalmente nos romances urbanos a maioria dos personagens é retratada como representantes das classes dominantes, na obra de Almeida essa tendência não é seguida, aproximando-o do realismo; "procurou mostrar o povo como o povo era e continua a ser" retratando como cenário as ruas cheias de gente, expressando dessa maneira uma preocupação documental que também é uma característica do Realismo. Em “Sargento de Milícias” as personagens se destacam por traços gerais e comuns ao grupo que pertencem. Muitas personagens não têm nome pois são alegorias (representações simbólicas) do tipo de gente da época e da classe sócio-econômica a que pertenciam. - Identifique os personagens (mesmo aqueles que não têm nomes) do Folhetim Memórias de um Sargento de Milícias. A comicidade é explícita no Folhetim de Manoel Antonio de Almeida. - Descreva e comente uma das cenas com alto teor de comicidade presente no texto. Carlos Pires Martins
  16. 16. Abordagem Filosófica e Social: A DIALÉTICA DA MALANDRAGEM O crítico literário Antônio Candido publicou Dialética da malandragem, uma referência obrigatória para qualquer estudo filosófico que aborde o tema da malandragem brasileira. O trabalho, um ensaio sobre Memórias de um Sargento de Milícias, toma o personagem principal do livro, Leonardo Pataca Filho, como o primeiro malandro da literatura brasileira, mostrando que Leonardo transita, cotidianamente, entre a ordem estabelecida e as condutas transgressivas, Cândido afirma que esse romance, já no século XIX, retrata - retrospectivamente - a ambiguidade ética da sociedade brasileira, na época de Dom João VI. A desarmonia entre as instituições ético-legais e as práticas sociais efetivas não seria novidade: "Há um traço saboroso que funde no terreno do símbolo essas confusões de hemisférios e esta subversão final de valores. (...) É burla e é sério, porque a sociedade que formiga nas Memórias é sugestiva. (...) manifesta (...) o jogo dialético da ordem e da desordem". Costuma-se apontar a corrupção como uma das maiores mazelas da sociedade brasileira. Geralmente, quando questionada acerca desse assunto, a opinião pública tem como alvo favorito de críticas a classe política. É curioso, no entanto, que boa parte dessas pessoas que avaliam negativamente seus representantes costuma recorrer, cotidianamente, a pequenos artifícios que burlam o costume ético e, muitas vezes, até a lei. Estamos nos referindo ao nosso jeitinho brasileiro, à malandragem e ao jogo de cintura, "categorias" que, já incorporadas à nossa cultura, convivem lado a lado com os valores ético-morais mais tradicionais. A "ética" do jeitinho e da malandragem coexiste, paralelamente, com a ética oficial. O cidadão que cobra dos políticos o cumprimento dos preceitos da ética tradicional é o mesmo que usa o expediente do jeitinho e da malandragem. Comente objetivamente: - Essa exaltação do tipo "malandro" tem sido proveitosa para o Brasil? - A Dialética da Malandragem tem contribuído para engrandecer nossa cultura ou para degenerá-la? - Comente sobre o estereótipo do “jeitinho brasileiro” . Você, cidadão brasileiro, cumpre os preceitos da ética e ao mesmo tempo usa do expediente do “jeitinho” para tirar vantagens?
  17. 17. Dialética da ordem e da desordem Os personagens de Memórias de um sargento de milícias oscilam entre dois extremos da sociedade: em um dos pólos (positivo), a ordem; no outro (negativo), a desordem. O protagonista cresce passando ora por um ora por outro hemisfério, terminando absolvido pelo pólo convencionalmente positivo. Leonardo pai, como oficial de justiça, pertence à ordem; contudo, sua relação com a Cigana leva-o a praticar feitiçarias e ser preso pelo Major Vidigal. Posteriormente, forma com a filha da comadre um casamento estável, retomando sua posição relativamente sancionada. Este transitar por entre a ordem e a desordem é comum entre os personagens de Memórias de um sargento de milícias, dos quais os citados são só exemplos. Essa característica leva-nos a uma sociedade na qual predomina a lógica da inculpabilidade. O romance de Almeida cria “um universo que parece liberto do erro e do pecado”. Os personagens fazem coisas tidas como reprováveis, mas também fazem outras dignas de louvor, que as compensariam. Desta forma, “como todos têm defeitos, ninguém merece censura”. A sociedade apresentada no romance estaria alicerçada por uma espécie de equilíbrio entre o bem e o mal, que são compensados um pelo outro a cada instante. Para o crítico Antônio Cândido, no romance de Almeida “decorre a ideia de simetria ou equivalência, que, numa sociedade meio caótica, restabelece incessantemente a posição por assim dizer normal de cada personagem. Os extremos se anulam e a moral dos fatos é tão equilibrada quanto as relações dos homens” (CÂNDIDO, 1970). Carlos Pires Martins
  18. 18. O Folhetim Memórias de um Sargento de Milícias mostra uma sociedade que está alicerçada por uma espécie de equilíbrio entre o bem e o mal que são compensados um pelo outro a cada instante. São mostrados personagens com atitudes e comportamentos reprováveis, mas também ações dignas de louvor que as compensam. - Identifique e descreva momentos de ações dos personagens que mostram essa dualidade. A dialética da ordem e da desordem faz emergir um mundo sem culpa, onde aquele que transgride não agride e, por isso, não é punido. Os conceitos do certo e do errado pendulam de um lado a outro num movimento constante entre os indivíduos da sociedade. Nas manifestações de rua nós temos visto essa dualidade com evidência. Há vandalismo, há reinvidicações pacíficas e de direito. Comente a relação atual entre a ordem e a desordem e o que é considerado louvável e reprovável nessas manifestações.
  19. 19. Memórias de Um Sargento de Milícias Martinho da Vila Era o tempo do rei Quando aqui, chegou Um modesto casal feliz pelo recente amor Leonardo, tornando-se meirinho Deu a Maria Hortaliça um novo lar Um pouco de conforto e de carinho Dessa união, nasceu Um lindo varão Que recebeu o mesmo nome do seu pai Personagem central da história que contamos neste carnaval Mas um dia Maria Fez a Leonardo uma ingratidão Mostrando que não era uma boa companheira Provocou a separação Foi assim que o padrinho passou A ser do menino tutor A quem lhe deu toda dedicação Sofrendo uma grande desilusão Outra figura importante em sua vida Foi a comadre parteira popular Diziam que benziam de quebranto A beata mais famosa do lugar Havia nesse tempo aqui no Rio Tipos que devemos mencionar Chico Juca, era mestre em valentia E por todos se fazia, respeitar O reverendo amante da cigana Preso pelo Vidigal O justiceiro Homem de grande autoridade Que à frente dos seus granadeiros Era temido pelo povo da cidade Luisinha primeiro amor Que Leonardo conheceu E que Dona Maria, a outro como esposa concedeu Somente foi feliz Quando José Manuel Morreu Nosso herói Novamente se apaixonou Quando com sua viola A mulata Vidinha, esta singela modinha cantou: Se os meus suspiros pudessem Aos seus ouvidos chegar Verias que uma paixão Tem o poder de assassinar.
  20. 20. A Leitura à luz de nossos próprios interesses “O fato de sempre interpretarmos as obras literárias, até certo ponto, à luz de nossos próprios interesses – e o fato de, na verdade, sermos incapazes de, num certo sentido, interpretá-las de outra maneira – poderia ser uma das razões pelas quais certas obras literárias parecem conservar seu valor através dos séculos. Pode acontecer, é claro, que ainda conservemos muitas das preocupações inerentes à da própria obra, mas pode ocorrer também que não estejamos valorizando exatamente a „mesma‟ obra, embora assim nos pareça. O „nosso‟ Homero não é igual ao Homero da Idade Média, nem o „nosso‟ Shakespeare é igual ao dos contemporâneos desse autor. Diferentes períodos históricos construíram um Homero e um Shakespeare „diferentes‟, de acordo com seus interesses e preocupações próprios, encontrando em seus textos elementos a serem valorizados ou desvalorizados, embora não necessariamente os mesmos”. (EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p.18 Carlos Pires Martins
  21. 21. Os sentidos dos textos literários no tempo e na perspectiva de diferentes Chama a atenção o fato de que sociedades ou partes delas já valorizaram (e certamente muitas ainda valorizam) a interferência do leitor no texto, entendendo a leitura como uma forma de “apropriação”. De algum modo, esse universo é próximo de você. A proposta é fazer uma releitura ou uma reescrita do texto Memórias de um Sargento de Milícias, isto é, criar paródias, raps, versões de músicas, trocadilhos com nomes dos personagens, sínteses de capítulos, apresentações teatrais de capítulos, situações ou de todo texto, ensaios, teses, trabalhos de conclusão de curso, games, enfim, releituras e ou reescritas que se fazem “brincando” no dia a dia. Esse processo, no fundo, não é apenas individual, mas a expressão de valores de grupos aos quais cada leitor pertence. * Professor * Seguindo a essência da mensagem dos textos acima, essa sugestão de situação de aprendizagem está aberta para que se possa adicionar sugestões de atividades e, com isso, possamos compartilhar nossas criações e adequar conteúdos conforme nossas necessidades e proporcionarmos ferramentas cada vez mais eficientes a fim de facilitar nosso trabalho na sala de aula. http://saladeleiturachediak.blogspot.com.br/ Professor Carlos Pires Martins

×