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Só a paz é revolucionária

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Texto de Augusto de Franco (23/06/2013 10h00)

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Só a paz é revolucionária

  1. 1. 1PARA QUEM ESTÁ EM DÚVIDAAugusto de Franco23/06/2013:10h00Muita gente anda em dúvida depois que alguns grupos (de vários matizesideológicos) tentaram dirigir, controlar e conduzir ou deturpar as múltiplasmanifestações derua neste memoráveljunho de 2013 noBrasil.A dúvida aumentou quando entraram em cena o governo e seu partido lançandosuspeitas sobre a maior movimentação da sociedade brasileira de que se temnotícia em toda a nossa história. Sim, nunca houve algo assim: tão profundo, tãogeneralizado,tão duradouroetãoespontâneo.A partir de 17 de junho, (o 17J), a data que ficará na história como o maiorswarming (enxameamento, uma dinâmica de rede, uma fenomenologia dainteração em mundos altamente conectados) já visto. Milhões foram às ruas sem
  2. 2. 2convocação centralizada. Embora muitos grupos tentassem convocar os eventos,as pessoas compareceram por seus próprios motivos e interagiram nos seusprópriostermos.Ainda bem.Sealgumaorganizaçãotivesseopoder delevantarasimensas multidõesque vimos, aísimteríamos motivos paraficarpreocupados...A grande maioria (o Ibope aponta 75%) da população apoiou as movimentações.Ou seja, os que - por algum motivo - não compareceram aos atos, passeatas eocupações, apoiaram tudo isso e continuam favoráveis ao que está acontecendo.Pensembem: équasetodooBrasil!É claro que essas pessoas não apóiam os atos violentos, os saques, asdepredações, o chamado vandalismo. Mas elas continuam favoráveis àsmultidões que estão se constelando em praças e ruas de praticamente todo opaís. Porque sabem que - apesar da cobertura da mídia, concentrada em noticiara violência - esses incidentes são laterais e extremamente minoritários (secompararmos com os grandes contingentes que saem às ruas de modo pacífico,ostaisvândalosnãochegamnema 1%).E apesar das lideranças de organizações hierárquicas financiadas pelo Estado eaparelhadas pelo governo e por seu partido, estarem envolvidas em umacampanha sórdida para dizer que os fascistas, a direita e os conservadores estãopor trás das manifestações com objetivos de instalar no Brasil uma ditadura,mesmoassimapopulação continuaapoiando econtinuase mobilizando.Sim, as manifestações continuam, evoluindo agora para várias formatos inéditos.As velhas passeatas continuam, mas vão dando lugar a ocupações menores, atosmais pontuais e, felizmente, até ocupações pacíficas de praças, acampamentos,celebrações e festas. A novidade é que a invenção de novos formatos estáocorrendosegundo umpadrãocadavezmaisdistribuído.Provavelmente o que vamos assistir a partir de agora é a pulverização dasmanifestações. Mas isso é bom, não é ruim. Significa multiplicação por maisdistribuição e mais reinvenção, mais cocriação. Significa mais rede e menoshierarquia.Significa maisdemocraciae menos autocracia.Autocracia é um metabolismo de organizações centralizadas (hierárquicas)voltadas para a guerra, para o confronto, para a violência (eventual oucontinuada, quer dizer, institucional).TEMOSJÁUMBOMCRITÉRIOPortanto, quem está em dúvida sobre o que fazer agora, já tem um bom critériopara saber se deve ou não apoiar as manifestações, se deve ou não comparecer
  3. 3. 3aos eventos, se deve ou não tomar a iniciativa de convocar novos atos. Estecritérioé apaz.A democracia é um modo pazeante de relação e de regulação de conflitos.Podemos continuar protestando, podemos continuar reivindicando, podemoscontinuar propondo, podemoscontinuarinventandonovasformasdeconvivênciaque questionemosistema:semviolência,semconfronto, semguerra. Aliás, esta éa única forma de fazer isso. É a única forma de não cair na armadilha dacentralização (da hierarquia) e da autocracia. É a única forma de não cair naarmadilha da unificação de pautas e da escolha de lideranças e direções paracentralizar em vez de distribuir. Quando combatemos inimigos nos tornamos oinimigo. Quando centralizamos erigimos sistemas muito parecidos com os quequeremos desmontar.No dia 16 de junho - um dia antes do grande swarming brasileiro - publiquei umartigo no Facebook intitulado GUERRA OU PAZ? Eis o link para quem ainda nãoleu:http://goo.gl/zZG47Já estava naquele dia com um sentimento de que este seria o grande divisor deáguas. Estava alertando para a possibilidade de grupos organizados de militantesprovocarem deliberadamente a repressão, investirem no confronto seguindo asvelhas cartilhas de agitação e propaganda (que eu mesmo segui no passado). Diziaentão no artigo que "isso não acontecerá se multidões ocuparem as ruas. Quandocentenas de milhares, milhões, saem as ruas, não há mais repressão possível. Masmultidões de pessoas conectadas - e formadas a partir de miríades demicromotivos diferentes (compondo uma grande murmuration) - não são massasarrebanhadas".Enodiaseguinteaconteceuo melhor:asmultidõesse constelaram(foio17J).Os que anseiam por mudanças profundas, os que querem uma verdadeirarevolução capaz de mudar o status quo e reiniciar (ou reprogramar) o sistema nosentido da democratização da democracia, devem saber que só a paz érevolucionária. O velho sistema foi desenhado para a guerra, para o combate. Omodelo de Estado que temos - o Estado-nação europeu- é um fruto da guerra, daPaz de Westfália. Está geneticamente programado para deter em suas mãos omonopólio da violência, quer dizer, para o combate. Só a paz pode desconcertá-loe desconsertar seus agentes (aqueles "Agentes Smith" que erigem e operamorganizações hierárquicas: sejam governamentais, partidárias, sindicais ou sociais,quer dizer,antissociais).
  4. 4. 4Portanto, é bomrepetir,temos um critério. Nãoàviolência.Nãoà guerra.Sóa paz- não um objetivo utópico distante, mas um modo amoroso de caminhar - édemocratizante.Sóapazérevolucionária.Isso significa que você que está em dúvida pode continuar interagindo semproblema. Pode tomar coragem e continuar aceitando convites paramanifestações e para convocar novos eventos. E, sobretudo, para inventar novosformatos de ocupação pacífica do espaço público e de cocriação de novaspropostas, de novos projetos. Basta não aceitar direções centralizadas e não sesujeitar a lideranças de organizações hierárquicas (e guerreiras). Bastadesobedecer. Desobedeça aos que querem dirigi-lo, conduzi-lo, puxá-lo pelo narizcomosevocêfossegado.Desobedeça!Estamos agora em um momento excepcional. Estamos diante da possibilidade deconstruir novosmundosemnossaconvivência.

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