Fluzz pilulas 79

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Fluzz pilulas 79

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 79 (Corresponde ao primeiro tópico do Capítulo 10, intitulado Mundos-bebês em gestação) Não global, glocal swarmingUm mundo mais-fluzz quer dizer muitos mundos-fluzzNão haverá aquela grande transformação capaz de lhe dar um novo mundode presente. Se você está aguardando essa mudança global apocalíptica,escatológica, é melhor esperar sentado. Simplesmente não vai acontecer. Éinútil apostar no parto de um novo mundo como um evento épico demagníficas proporções. No plano global não vem nada por aí – no curtoprazo, vamos dizer assim, no próximo milhão de anos – capaz de gerar umnovo mundo (2).
  2. 2. É claro que podem acontecer catástrofes de dimensões planetárias, podeaté irromper uma terceira guerra mundial (conquanto isso não seja muitoprovável). Mas apostar que uma tragédia de proporções planetárias possacriar condições para uma revolução internacional ou para uma batalhacósmica entre as forças do bem e as forças do mal capaz de produzir ummundo radicalmente novo em termos sociais é não entender o que sechama de sociedade humana ou ser humano.Como escreveu Paulo Brabo (2007), em Microsalvamentos: “o mundo nãopode ser salvo de uma só vez. Não há como se varrer a miséria daexistência em grandes e eficientes vassouradas... Salvar o mundo é umserviço sujo que só você pode fazer, ao ritmo de um ínfimo passo de cadavez... redimindo-se um momento de cada vez. Um remédio de cada vez.Uma refeição de cada vez. Uma conversa de cada vez. Um abraço de cadavez. Uma caminhada de cada vez” (3).Catástrofes não trarão nada de novo. Combates, batalhas, guerras erevoluções, só produzirão repetição de mundo velho. Só um sociopata podeacreditar que a violência é a parteira da história (e só alguém muitointoxicado das crenças do mundo único pode acreditar que exista umahistória).O plano global é uma construção, uma abstração. Nenhuma mudançaconcreta pode acontecer nesse terreno abstrato. As mudanças nos padrõesde relação societários ocorrem sempre em sociosferas. Por isso a queda dosmuros não poderá ser uma (única) queda, de um (único) muro. Serãomuitas quedas, provavelmente em cascata ou swarming, de muitos muros.Do ponto de vista dos movimentos invisíveis que se processam no espaço-tempo dos fluxos, muro significa centralização, obstrução de fluxo. Ondequer que existam "muros" impedindo o livre curso de fluições, “muros”estes que caracterizam organizações mais centralizadas do que distribuídas,poderá haver uma "queda". Não será um global swarming, mas um glocalswarming.Cada mundo altamente conectado que emergirá será o mundo todo, comose fosse uma imagem holográfica de uma nova matriz de mundo maisdistribuído. Não um mundo interligado – pois que isso já se materializoudesde que a conexão global-local tornou-se uma possibilidade – e sim ummundo-gerador intermitente de novos, inéditos, mundos altamentetramados, para fora e para dentro, que emergirão a cada instante. Ummundo mais-fluzz, quer dizer, muitos mundos-fluzz. Esta será,propriamente falando, a primavera das redes. 2
  3. 3. A livre interação de múltiplos mundos altamente conectados, estruturadoscom outras topologias e regidos por outras dinâmicas, vai substituirprocessualmente as remanescências deste mundo aprisionado, sob o influxode velhas narrativas ideológicas totalizantes, em grandes ou pequenasestruturas hierárquicas unificadoras top down.Mundos-bebês começam a ser gerados na medida em que tais estruturasvão sendo desmontadas. E elas estão sendo desmontadas cada vez quevocê desobedece, inova, sai do seu quadrado e inicia a transição daorganização hierárquica em que você vive e convive para uma organizaçãoem rede. 3
  4. 4. Notas(2) No final de 2010 as pessoas fingiam que não viam, mas a situação do mundoúnico – baseado no equilíbrio competitivo internacional, uma estruturadescentralizada de menos de duas centenas de Estados – já estava ficando muitocomplicada: expansão do capitalismo autoritário na China e em outros continentes,inclusive com uma espécie de neocolonização econômica da África, domíniocrescente do fundamentalismo islâmico em todos os países árabes, no OrienteMédio e alhures, perpetuação de governos de assassinos da KGB (FSB) na Rússiacom pretensões expansionistas, avanço do parasitismo democrático vianeopopulismo na América Latina, democracia nos Estados-nações claramente emrecuo, restando apenas 26 países (menos de 13% da população mundial) em que oregime democrático representativo vigorava em plenitude.(3) BRABO, Paulo (2007): Op. cit. 4

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