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Caderno 2Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade                  novembro de 2012                Empoderando vidas.  ...
Governo Federal                                            Coordenação e ProduçãoPresidência da República                 ...
Sumário		 Apresentação.........................................................................7	1.	Limites..................
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ApresentaçãoDesigualdade, Heterogeneidade e DiversidadeComo ressaltado no primeiro número da série Vozes da Classe Média, ...
abrigando uma parcela significativa tanto de analfabetos funcionais, como de trabalhadores          com ensino médio compl...
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1. LimitesLimites de renda definidores da classe média brasileiraPara qualquer distribuição de renda, a definição do que v...
O Gráfico 2 mostra a distribuição de pessoas em todo o mundo de acordo com a renda          per capita de sua família. Obs...
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2. DesigualdadeA importância da queda na desigualdade de renda para a expan-são da classe média brasileiraAo longo da últi...
aumento na renda média da sociedade com ganhos maiores para os mais pobres. Não foi          o que aconteceu no Brasil. No...
percentuais no tamanho dessa classe, que deixou de representar 38% da população,em 2002, e passou a 52%, em 20122. Tal exp...
Então isso significa que a queda na desigualdade foi mais importante que o crescimento?          A resposta é não. Afinal,...
De acordo com a definição relativa de classe média (que considera a posição na distribuiçãode renda e não os pontos de cor...
população tenha aumentado em 15 pontos percentuais, sua participação na renda total          das famílias cresceu apenas 3...
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3. HeterogeneidadeAs novas faces da classe média: quando uma classe se torna qua-se tão heterogênea quanto o BrasilNesta s...
Tabela 3: Contribuição dos gruposgrupos socioeconômicos no Brasil e para a           Tabela                  3: Contribuiç...
Já a Tabela 4 revela a proporção de negros pertencentes à classe média. Em 2002, apenas31% dos negros pertenciam a essa cl...
Diminuem as desigualdades regionais          Como se pode ver pela Tabela 3, a região que mais colocou novas pessoas na cl...
Como se pode ver, a região Nordeste foi aquela que apresentou maior expansão de suaclasse média (20 pontos percentuais), s...
vivendo na área rural que pertencem a essa classe. Esses dados são bastante animadores,          sinalizando uma ruptura d...
A classe média e os setores de atividade econômicaComo se pode ver na Tabela 3, os setores que mais contribuíram para a ex...
Tabela 5: Distribuição por classes segundo os diferentes grupos          socioeconômicos, 2002 por classes segundo os dife...
Tabela 6: Distribuição por classes segundo os diferentes grupossocioeconômicos, 2012 por classes segundo os diferentes gru...
A classe média nos estados brasileiros          Apresentamos, nas Tabelas 7 a 11, um resumo da evolução da classe média na...
Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil         ...
Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação          e expansão da classe média em sua respe...
Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados eregiões do Brasil                      Tabela 9: Tama...
Dos estados que compõem a região Norte, apenas o Amapá apresentou expansão          líquida da classe média (11 pontos per...
2002, para 59%, em 2012. Os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram desempenhobastante semelhantes.6 De novo, esses ...
Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil,          2012         Tabela 11: Tamanho das cl...
Balanço geralA seguir, apresentamos uma série de gráficos que revelam a diminuição das desigualdadesno Brasil pela ótica d...
Revista vozes-da-classe-média-novembro-2012
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Vozes da Classe média no Brasil - estudo de novembro de 2012 - A renda da população negra n Brasil cresceu em um ritmo 5 vezes maior q da não negra em 10 anos. http://ow.ly/fr5V1 #DiaDaConscienciaNegra

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  1. 1. 02
  2. 2. Caderno 2Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade novembro de 2012 Empoderando vidas. Empoderando vidas. Fortalecendo nações. Fortalecendo nações.
  3. 3. Governo Federal Coordenação e ProduçãoPresidência da República Alessandra Bortoni Ninis Secretaria de Assuntos EstratégicosEsplanada dos Ministérios RedaçãoBloco O, 7º, 8º e 9º andares Ricardo Paes de Barros (SAE/PR)Brasília – DF / CEP 70052-900 Diana Grosner (SAE/PR)http://www.sae.gov.br Adriana Mascarenhas (SAE/PR) Ministro Moreira Franco Produção estatística Samuel Franco (IETS)Parceiros Andrezza Rosalém (IETS)Caixa Econômica Federal José Jorge Gabriel Júnior (SAE/PR)Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Karina Bugarin (SAE/PR) Apoio Projeto gráfico / diagramaçãoConfederação Nacional da Indústria (CNI) Rafael Willadino Braga (SAE/PR)Instituto Data Popular Empresa Ellite Gráfica Editores DivulgaçãoDiana Grosner (SAE/PR) Assessoria de Comunicação (SAE/PR)Daniela Gomes (PNUD)Renato Meirelles (Data Popular)
  4. 4. Sumário Apresentação.........................................................................7 1. Limites......................................................................................... 11 2. Desigualdade........................................................................15 3. Heterogeneidade.............................................................23 4. Diversidade............................................................................47 5. Colaborador permanente:............................................53 Junto e Misturado Tudo A Classe Média e a Diversidade do Povo Brasileiro Renato Meirelles 6. Colaborador desta edição:.........................................57 “Quando novos personagens entram em cena” Jailson de Souza e Silva Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 5
  5. 5. 6 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  6. 6. ApresentaçãoDesigualdade, Heterogeneidade e DiversidadeComo ressaltado no primeiro número da série Vozes da Classe Média, ao longo da últimadécada a classe média brasileira passou de menos de 70 milhões para mais de 100 milhõesde brasileiros. Como resultado dessa incorporação massiva de quase 40 milhões depessoas, hoje, se a classe média brasileira fosse um país, ela seria o 12º país mais populosodo mundo, logo atrás do México (ver Gráfico 1). Gráfico1: População por país, 2012 2012 Gráfico1: População por país, China Índia Estados Unidos Indonésia Brasil 5º Paquistão Nigéria Bangladesh Russia Japão Mexico Classe Média Brasileira 12º Filipinas Vietnã Etiópia Egito Alemanha Irã Turquia Tailândia 10 100 1000 (Milhões de pessoas) Fonte: Banco Mundial - World Development Indicators.Esse aumento da classe média brasileira é uma das principais consequências do crescimentocom redução no grau de desigualdade que caracterizou o desenvolvimento do país nosúltimos 10 anos. A queda no grau de desigualdade foi particularmente importante, sendoresponsável por cerca de 2/3 da expansão da classe média.A expansão da classe média foi também caracterizada pela entrada prioritária dos grupossociais menos privilegiados que antes estavam nela sub-representados. Como resultado dessaentrada diferenciada, a classe média brasileira se tornou muito mais heterogênea (por exemplo, Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 7
  7. 7. abrigando uma parcela significativa tanto de analfabetos funcionais, como de trabalhadores com ensino médio completo), como muito mais diversa, com ¾ dos entrantes sendo negros. O resultado final é uma classe média muito mais representativa dos mais diversos segmentos da população brasileira. Cada vez mais, a classe média vem se tornando um retrato do Brasil e, dessa forma, um ambiente ideal tanto para o aprimoramento do respeito à diversidade, como para o aproveitamento dessa diversidade como um ativo cultural, social e também econômico. Por esses motivos, neste segundo número da série Vozes da Classe Média centramos nossa atenção no trinômio: desigualdade, heterogeneidade e diversidade. Procuramos documentar, por um lado, a relação desse trinômio com a expansão da classe média e, por outro, como a própria classe média o percebe, com particular atenção à forma como a classe média considera e trata a sua própria e crescente diversidade. Entre o lançamento do primeiro número da série e este segundo número, ocorreu a divulgação pelo IBGE dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD referentes a 2011. Como eles são as informações base para todo o cálculo do tamanho e características da classe média brasileira, provocaram pequenas revisões em nossas estimativas para o tamanho e a composição da classe média em 2012. Esse é o motivo pelo qual, neste número, estimamos que a classe média em 2012 deva representar 52% da população brasileira, contra os 53% estimados no número anterior desta série. Essa defasagem natural entre o momento de referência e o momento da divulgação das estatísticas nacionais (decorrente do tempo necessário para coleta e processamento dessas informações) nos obriga a sempre basear as estimativas para o último ano em projeções, que vão sendo atualizadas a cada nova divulgação. Assim, enquanto no número anterior o tamanho da classe média para 2012 foi estimado projetando-o a partir das últimas informações existentes naquele momento (PNAD-2009), neste número reestimamos o tamanho e as características da classe média para 2012 a partir da PNAD-2011. Para isso, extrapolamos a tendência de melhoria na distribuição de renda brasileira ocorrida ao longo da década 2001-2011.8 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  8. 8. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 9
  9. 9. 10 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  10. 10. 1. LimitesLimites de renda definidores da classe média brasileiraPara qualquer distribuição de renda, a definição do que vem a ser a classe média exigeestabelecer limites inferior e superior de renda, de forma que todas as pessoas com rendafamiliar per capita dentro de tal intervalo sejam consideradas membros de tal classe. Damesma maneira, quem estiver abaixo do corte inferior pertence à classe baixa e acima dosuperior pertence à classe alta.No Brasil, esses limites de renda em valores monetários atuais são R$291 e R$1.019 porcada pessoa da família ao mês. Isso significa que são considerados membros da classebaixa aqueles com renda familiar per capita inferior a R$291 ao mês; pertencem à classemédia os que apresentam renda familiar per capita entre R$291 e R$1.019; e acimade R$1.019, à classe alta. De acordo com essa classificação, hoje, 28% da populaçãobrasileira pertence à classe baixa; 52%, à classe média e 20%, à classe alta.Mesmo reconhecendo o valor e a utilidade desses limites para avaliar as transformaçõeshistóricas pelas quais tem passado a distribuição de renda brasileira, é possível questionarse esses níveis de renda são mesmo adequados. Isso equivale a indagar se o tamanho daclasse média brasileira deveria ser esse. De forma mais específica, tal raciocínio nos levariaa questionar se o limite inferior está demasiadamente baixo, incluindo equivocadamente naclasse média pessoas que, na realidade, pertencem à classe baixa (a classe baixa brasileiradeveria ser maior do que é?). Igualmente, podemos questionar se o limite superior nãose encontra artificialmente baixo, jogando para classe alta pessoas que deveriam serconsideradas membros da classe média (a classe alta brasileira não deveria ser menor?).Atualmente, o limite inferior, tal como definido, nos dá um contingente de 50 milhõesde brasileiros (28% da população) que pertencem à classe baixa, o que já parece alto,considerando estimativas clássicas de pobreza no país. Aumentar o limite inferiorimplicaria aumentar ainda mais esse contingente. Embora essa seja uma evidência em prolda adequação do limite inferior atual, alguma evidência internacional pode nos ajudar acorroborar a argumentação. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 11
  11. 11. O Gráfico 2 mostra a distribuição de pessoas em todo o mundo de acordo com a renda per capita de sua família. Observamos que mais da metade da população mundial (54%) vive em famílias com renda per capita inferior a R$291 por mês (critério brasileiro para definir classe baixa). Aumentar esse limite significa incrementar o número de pessoas no mundo que vivem no padrão brasileiro de classe baixa, o que parece inverossímil. As comparações internacionais também trazem luz à avaliação do quão adequado está o limite superior. Apenas 18% da população mundial vivem em famílias com renda per capita acima de R$1.019 por mês. Subir esse corte reduziria ainda mais o número de pessoas no mundo que se enquadram na definição brasileira de classe alta, o que também parece questionável. Gráfico 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar per capita 2: Distribuição de renda no mundo por renda familiar per capita Gráfico 2000 1900 1800 1700 Renda familiar per capita (R$/mês - 2012) 1600 1500 1400 1300 1200 1100 R$1019 1000 18% 900 800 700 600 500 400 300 54% R$291 200 100 0 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 55% 60% 65% 70% 75% 80% 85% 90% 95% 1 Fonte: Banco Mundial, estimativas produzidas com base em Milanovic, 2011 (The Have and the Have Nots). Valores em R$ de 2012.12 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  12. 12. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 13
  13. 13. 14 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  14. 14. 2. DesigualdadeA importância da queda na desigualdade de renda para a expan-são da classe média brasileiraAo longo da última década, o crescimento na renda das famílias1 brasileiras não foineutro. Isso significa que alguns grupos experimentaram maior incremento de renda doque outros. Os mais favorecidos foram justamente os pobres. O Gráfico 3 mostra que,no período 2001-2011, enquanto o crescimento na renda dos 10% mais pobres foi de6,3% ao ano, para os 10% mais ricos não passou de 1,4% ao ano. Gráfico 3: Taxa de crescimento porda distribuição de renda mensalde Gráfico 3: Taxa de crescimento por décimo décimo da distribuição renda mensal familiar per capita: Brasil, 2001-2011 familiar per capita: Brasil, 2001-2011 7 6,5 6 5,5 5 4,5 Taxa média anual (%) 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Primeiro Segundo Terceiro Quarto Quinto Sexto Sétimo Oitavo Nono Décimo Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD.Logo, o país passou por um processo de crescimento inclusivo, que ocorre quando rendamédia das famílias aumenta e a desigualdade cai. É possível ocorrer crescimento inclusivomesmo quando grupos não pobres perdem renda ao longo do tempo. Basta que osganhos dos pobres compensem mais do que as perdas dos ricos. Nesse caso, ainda haverá1 Em toda a análise aqui apresentada, foi sempre considerada a distribuição da população brasileira de acordo com sua renda familiar per capita mensal. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 15
  15. 15. aumento na renda média da sociedade com ganhos maiores para os mais pobres. Não foi o que aconteceu no Brasil. No período considerado, todos os grupos ganharam. Nesse ganha-ganha recente, a classe média foi afetada. Antigas famílias pobres melhoraram tanto sua renda que deixaram a pobreza e ingressaram na classe média. Da mesma forma, famílias ora pertencentes à classe média passaram à classe alta. Houve um movimento de entrada e saída. Qual foi a importância do crescimento geral da renda vis a vis a redução da desigualdade na definição do tamanho da nova classe média brasileira? Para responder a essa pergunta será preciso decompor o aumento da classe média em dois efeitos provenientes de movimentos da distribuição de renda que, embora na prática ocorram misturados, sua separação possui grande valor analítico. O primeiro deles é o crescimento uniforme ou balanceado, situação em que todos os grupos de renda melhoram a uma mesma taxa. Se somarmos a isso as mudanças na desigualdade – definidas como desvios de crescimento (em relação ao crescimento médio) efetivamente experimentados por cada grupo – conseguimos recuperar exatamente o que aconteceu nos últimos dez anos. O exercício aqui consiste, portanto, em simular o que teria acontecido com a classe média caso a sociedade brasileira tivesse vivido apenas o crescimento balanceado, sem mudanças na desigualdade. Também se investiga o oposto: o que passaria se apenas a desigualdade tivesse se alterado. Note que, com as simulações propostas, o crescimento balanceado por si só é capaz de aumentar e diminuir o tamanho da classe média, pois inclui segmentos antes pertencentes ao grupo mais pobre, porém exclui um contingente que passa aos mais ricos (o que também é bom, evidentemente). Já as reduções na desigualdade (quando isolada do crescimento, isto é, quando a taxa de crescimento média é igual a zero) somente aumentam o tamanho da classe média. Basta imaginar que as reduções na desigualdade são como transferências de grupos mais ricos para os mais pobres, mantendo-se inalterada a média da distribuição. Nesse caso, os mais pobres podem se beneficiar e ascender, e os mais ricos podem descer. Na sequência, tais exercícios são postos em prática, permitindo estimar os impactos desses movimentos sobre o aumento real no tamanho da classe média brasileira. Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da classe média Por ser um grupo intermediário, mudanças no tamanho da classe média são determinadas por dois fluxos: entrada e saída. A Tabela 1 indica que houve expansão de 14 pontos16 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  16. 16. percentuais no tamanho dessa classe, que deixou de representar 38% da população,em 2002, e passou a 52%, em 20122. Tal expansão ocorreu porque a entrada de novoscontingentes provenientes da classe baixa foi muito superior à saída para a classe alta. Defato, o fluxo de entrada foi responsável por 21 pontos percentuais de expansão da classemédia, mas a saída reduziu o grupo em 7 pontos.Por trás dessa expansão estão os movimentos de crescimento balanceado e redução nadesigualdade de renda. As simulações indicam que, caso apenas reduções no grau dedesigualdade tivessem ocorrido, a classe média se expandiria em 9 pontos percentuais.Contando com o crescimento balanceado, a classe média se expandiria em apenas 5pontos percentuais. Portanto, 2/3 do aumento da classe média deve-se à redução no graude desigualdade e 1/3 ao crescimento. Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo sobre o tamanho da Tabela 1: Os impactos do crescimento inclusivo classe média sobre o tamanho da classe média Tamanho (participação na Entrada/Saída Simulações Classe população - %) (em pontos 2002 2012 percentuais) Baixa 48 28 -21 Crescimento com redução de Média 38 52 14 desigualdade Alta 13 20 7 Baixa 48 38 -11 Crescimento Média 38 43 5 balanceado Alta 13 19 6 Baixa 48 40 -8 Apenas redução da Média 38 47 9 desigualdade Alta 13 12 -1 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).2 Os resultados para 2012 foram obtidos a partir de uma projeção de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) acerca de evolução 2001-2011, projetadas a partir de 2011. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 17
  17. 17. Então isso significa que a queda na desigualdade foi mais importante que o crescimento? A resposta é não. Afinal, o crescimento gerou outro efeito não computado na simulação anterior: a saída de pessoas da classe média para a classe alta (que reduz o tamanho da classe média, mas deve ser contabilizada como um resultado positivo). Se apenas o crescimento tivesse acontecido (sem reduções no grau de desigualdade), a classe alta teria se expandido (e a classe média encolhido) em 6 pontos percentuais. Já se apenas o grau de desigualdade tivesse sido reduzido (sem crescimento na renda), a classe alta não teria aumentado. Na verdade, teria diminuído ligeiramente em 1 ponto percentual. A importância do crescimento para outras características da clas- se média Outras características da classe média O tamanho da classe média não é a única característica merecedora de atenção. É relevante acompanhar o que aconteceu com a participação dessa classe na renda total das famílias, bem como avaliar a taxa de crescimento na renda média do grupo. Contudo, para trabalhar com esse último indicador (a renda média do grupo) há de se ter alguns cuidados. Dado que mudanças na classe média são marcadas por um fluxo de entrada e saída, constatar que, de um momento para outro a renda média do grupo se reduziu, não é necessariamente um problema. Por exemplo, se muitos membros da classe média experimentarem ganhos suficientes para levá-los à classe alta, mesmo que a renda dos demais membros permaneça inalterada, é bem possível que a média do grupo caia. Para escapar dessa armadilha, recomenda-se adotar uma definição “relativa” de classe média3. Isto é, fixar o grupo que pertencia à classe média em 2002 e olhar para o que aconteceu com esse grupo em 2012. Tal estratégia permite medir de maneira mais adequada se um dado grupo enriqueceu. Para fazer isso, é necessário conhecer os valores correspondentes ao pontos de corte mínimo e máximo que delimitam quem fazia parte da classe média em 2002 e identificar os centésimos de corte (ou, simplesmente, a posição na distribuição de renda) correspondentes. Em seguida, basta buscar esses mesmos centésimos na distribuição de 2012. Nesse caso, os pontos de corte em valores monetários absolutos em 2012 não serão os mesmos de 2002. 3 A análise da evolução do tamanho da classe média foi construída a partir de uma noção absoluta de classe média, em que são fixados os mesmos pontos de corte em valores monetários absolutos para 2002 e 2012. No caso, R$291 e R$1.019.18 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  18. 18. De acordo com a definição relativa de classe média (que considera a posição na distribuiçãode renda e não os pontos de corte em valores monetários absolutos), a renda do grupocresceu acima da média nacional (veja Tabela 2). Enquanto a taxa média de crescimentoda renda do país foi de 2,9% ao ano, a renda da classe média cresceu a 3,7% ao ano.Consequentemente, a participação da classe média na renda total das famílias brasileiraspassou de 35% para 37%.Tabela 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outrascaracterísticas 2: Os impactos do crescimento inclusivo sobre outras características da classe média Tabela da classe média Simulações Classes de renda 2002 2012 Taxa anual de crescimento Brasil (renda em R$/mês) 590 789 2,9% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 566 0,6% Crescimento com redução Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 38% ........ de desigualdade Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 767 3,7% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 37% ........ Brasil (renda em R$/mês) 590 789 2,9% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 555 0,4% Crescimento balanceado Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 30% ........ Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 711 2,9% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 35% ........ Brasil (renda em R$/mês) 590 590 0,0% Classe média absoluta (renda em R$/mês) 532 536 0,1% Apenas redução da Classe média absoluta (participação na renda total) 35% 43% ........ desigualdade Classe média relativa (renda em R$/mês) 532 571 0,7% Classe média relativa (participação na renda total) 35% 37% ........Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).Mas se considerarmos a noção absoluta de classe média (mesmos pontos de corte emvalores monetários absolutos em 2002 e em 2012), veremos que a renda do grupo crescemuito lentamente, pois incorpora novos membros com renda mais baixa (oriundos daclasse baixa) e perde antigos membros com renda mais alta. O resultado é um cresci-mento na renda do grupo de apenas a 0,6% ao ano. Consequentemente, embora essa Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 19
  19. 19. população tenha aumentado em 15 pontos percentuais, sua participação na renda total das famílias cresceu apenas 3 pontos percentuais (passou de 35% para 38%). Novos impactos Já vimos que o crescimento inclusivo fez também com que a renda da classe média definida em termos relativos crescesse mais aceleradamente que a média nacional: 3,7% ao ano contra 2,9%. Se a expansão do tamanho da classe média se deu primordialmente pela redução no grau de desigualdade, o contrário ocorre com o crescimento da renda da classe média definida em termos relativos. Caso o crescimento tivesse ocorrido sem redução na desigualdade (crescimento balanceado), a renda da classe média “relativa” teria crescido igual à média nacional (veja Tabela 2). Se a única transformação tivesse sido a redução no grau de desigualdade, a renda da classe média “relativa” teria crescido somente 0,7%. Para explicar o aumento da participação da classe média (definida em termos relativos) na renda total das famílias (que passou de 35% para 37%), todo o destaque recai sobre a queda no grau de desigualdade. Note que, na presença do crescimento balanceado, a participação em 2002 (35%) teria se mantido em 2012. Considerações finais Em suma, a redução na desigualdade e o crescimento foram igualmente importantes para explicar a ascensão da classe média no Brasil entre 2002 e 2012. Essa conclusão exige que se avaliem, em conjunto, os resultados das simulações que tratam dos impactos sobre o tamanho das classes média e alta. Se a redução na desigualdade demonstrou ser o principal fator por trás do aumento da classe média, o crescimento, por sua vez, levou muita gente da classe média para a classe alta. Para além do tamanho da classe média, se investigou o papel desses dois fatores no crescimento da renda média do grupo e na participação do grupo na renda total das famílias. A importância relativa dos fatores varia. Para explicar o crescimento na renda média, o crescimento se mostrou mais importante. Para o aumento na participação na renda total das famílias, a redução na desigualdade foi decisiva.20 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  20. 20. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 21
  21. 21. 22 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  22. 22. 3. HeterogeneidadeAs novas faces da classe média: quando uma classe se torna qua-se tão heterogênea quanto o BrasilNesta seção, apresentamos o perfil daqueles que entraram na classe média nos últimos10 anos (coluna “Contribuição à expansão” das Tabelas 3, 7 e 8), contrastando também oretrato para os anos de 2002 e 2012 dos diversos grupos socioeconômicos no Brasil e naclasse média brasileira (Tabelas 3, 7 e 8). Além disso, demonstramos qual a proporção depessoas dentro de cada grupo socioeconômico que está na classe média em 2012 e queestava na classe média em 2002, bem como a expansão líquida da classe média, isto é, oquanto ela cresceu, dentro de cada grupo (Tabelas 4 e 9)4. Para se ter ideia mais geral doque aconteceu no Brasil, apresentamos também o tamanho das classes baixa e alta paraos anos de 2002 (Tabelas 5 e 10) e 2012 (Tabelas 6 e 11). Optamos, contudo, por focar aatenção aos movimentos da classe média.Igualdade racial na classe médiaNa Tabela 3, coluna “Contribuição à expansão“, podemos ver a proporção de negrose brancos entre os novos entrantes, de 75% e 25%, respectivamente. Isso quer dizerque, de cada 100 pessoas que entraram na classe média, 75 eram negras e 25, brancas.A entrada maciça de negros na classe média fez com que a participação desse grupo naclasse média brasileira subisse de 38%, em 2002, para 51%, em 2012.4 Nos casos em que houve retração da classe média, o valor da expansão aparecerá com sinal negativo. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 23
  23. 23. Tabela 3: Contribuição dos gruposgrupos socioeconômicos no Brasil e para a Tabela 3: Contribuição dos socioeconômicos no Brasil e para a formação e expansão formação e expansão da classe média da classe média (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão da Grupo classe média Brasil Classe Média (2002-2012) Brasil Classe Média Cor Brancos e amarelos 54 62 25 48 49 Negros 46 38 75 52 51 Região Norte 6 5 8 7 6 Nordeste 29 17 34 29 23 Sudeste 43 52 36 42 46 Sul 15 19 12 15 16 Centro-Oeste 7 7 11 8 9 Área Urbana 84 91 86 86 89 Rural 16 9 14 14 11 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 66 59 64 49 51 Fundamental completo 9 11 8 11 13 Ensino médio completo ou incompleto 17 23 23 28 30 Alguma educação superior 8 6 5 12 7 População em idade ativa Ocupados 55 59 56 56 58 Desempregados 6 5 1 4 3 Inativos 39 36 43 40 39 População ocupada Formalização Formal 44 52 69 56 58 Informal 56 48 31 44 42 Setor de atividaddes Agrícola 21 12 11 15 12 Outras atividades industriais 1 1 1 1 1 Indústria de transformação 14 17 10 13 14 Construção 7 7 14 9 10 Comércio e reparação 17 20 19 18 19 Alojamento e alimentação 4 4 8 5 6 Transporte, armazenagem e comunicação 5 6 6 6 6 Administração pública 5 5 3 6 5 Educação, saúde e serviços sociais 9 10 4 9 8 Serviços domésticos 7 7 11 7 8 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 4 4 3 4 4 Outras atividades 7 7 9 9 8 Atividades maldefinidas 0 0 0 0 0 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).24 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  24. 24. Já a Tabela 4 revela a proporção de negros pertencentes à classe média. Em 2002, apenas31% dos negros pertenciam a essa classe, enquanto que no Brasil como um todo – somandonegros e brancos – a proporção de pessoas que pertenciam à classe média era de 38%. Em2012, a proporção de negros pertencentes à classe média subiu para 52%, valor igual àproporção total de pessoas (negras e brancas) que pertencem a essa classe no Brasil.Tabela 4: Tamanho e expansão damédia nos diferentes grupos socieconômicos Tabela 4: Tamanho e expansão da classe classe média nos diferentesgrupos socieconômicos (%) (p.p.) (%) 2002 2012 Expansão líquidaGrupo da classe média Classe Média (2002-2012) Classe MédiaBrasil 38 14 52 Cor Brancos e amarelos 44 8 53 Negros 31 21 52 Região Norte 31 17 48 Nordeste 22 20 42 Sudeste 46 11 57 Sul 49 9 58 Centro-Oeste 40 17 57 Área Urbana 42 12 54 Rural 21 21 42 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 34 19 54 Fundamental completo 49 10 59 Ensino médio completo ou incompleto 53 4 57 Alguma educação superior 27 2 30 População em idade ativa 41 12 53 Ocupados 44 11 55 Desempregados 33 12 44 Inativos 38 13 51População ocupada Formalização Formal 51 6 57 Informal 38 15 52 Setor de atividaddes Agrícola 25 20 45 Outras atividades industriais 41 7 49 Indústria de transformação 54 9 62 Construção 45 17 62 Comércio e reparação 50 9 59 Alojamento e alimentação 50 13 63 Transporte, armazenagem e comunicação 53 6 58 Administração pública 47 -2 45 Educação, saúde e serviços sociais 47 -1 46 Serviços domésticos 42 23 65 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 48 5 53 Outras atividades 44 4 48 Atividades maldefinidas 31 24 55Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 25
  25. 25. Diminuem as desigualdades regionais Como se pode ver pela Tabela 3, a região que mais colocou novas pessoas na classe média foi a Sudeste (36% dos entrantes), seguida da Nordeste (34%) e Sul (12%). No entanto, isso não significa que o crescimento da classe média nessas regiões tenha sido mais expressivo. Muito do peso entre os entrantes deve-se simplesmente ao fato de que essas regiões são as que abrigam um maior contingente da população brasileira como um todo (o que pode ser visto tanto na coluna “2002-Brasil”, como na coluna “2012-Brasil”), naturalmente abrigando também boa parte dos entrantes à classe média. A participação de um dado grupo entre os entrantes só pode ser considerada especialmente expressiva, se for superior à proporção que esse grupo representa no Brasil como um todo. No caso do Sudeste, a sua participação no Brasil em 2002 era de 43% da população (isto é, 43% dos brasileiros viviam nessa região naquele ano). Assim sendo, era de se esperar que um movimento de expansão da classe média no Brasil incluísse uma grande parte de brasileiros que vivem na região Sudeste. Já no caso no Nordeste, a proporção de brasileiros que viviam nessa região em 2002 era de 29%, enquanto que, entre os que entraram na classe média entre 2002 e 2012, 34% viviam na região. Aqui, sim, a participação do Nordeste entre os novos membros da classe média pode ser considerada expressiva. O mesmo contraste ocorre em relação ao Sul e ao Centro-Oeste. No caso do Sul, que abrigava 15% dos brasileiros em 2012, a participação entre os entrantes se restringiu a 12%. Ao passo que no Centro-Oeste, que abrigava 7% dos brasileiros em 2002, a participação de 11% entre os entrantes deve ser considerada muito mais expressiva. A participação da região Norte entre os entrantes, mesmo sendo a menor das cinco regiões (8%), deve ser também considerada expressiva, dada a proporção de brasileiros que viviam na região em 2002, de apenas 6% do total. Uma outra forma, mais fácil, de ver a importância da expansão da classe média nas diferentes regiões é olhar para o quanto a classe média cresceu dentro de cada região. Esse crescimento pode ser visto na coluna “Expansão líquida” da Tabela 4, que corresponde à diferença entre a proporção de pessoas dentro de cada região que pertencem à classe média em 2012 e a proporção de pessoas dentro de cada região que pertenciam a essa classe em 2002.26 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  26. 26. Como se pode ver, a região Nordeste foi aquela que apresentou maior expansão de suaclasse média (20 pontos percentuais), seguida das regiões Norte, Centro-Oeste (ambascom 17 pontos percentuais), Sudeste e Sul (com expansão de 11 e 9 pontos percentuaisrespectivamente).O aumento da classe média no Nordeste fez com que a proporção de pessoas nessaclasse, nessa região, passasse de 22%, em 2002, para 42%, em 2012. No entanto,apesar da expressiva expansão da classe média no Nordeste, essa região é a que tem amenor proporção da população na classe média: apenas 42% dos nordestinos brasileirospertencem à classe média, enquanto que, no Brasil como um todo, 52% pertencem a essaclasse. A expansão de 17 pontos percentuais da classe média na região Norte fez com quea proporção de pessoas nessa classe subisse de 31%, em 2002, para 48%, em 2012. Aindaaquém da proporção total de brasileiros na classe média, mas já bem mais próxima dessenúmero. Se em 2002 a distância em relação à proporção de brasileiros vivendo na classemédia era na região Nordeste de 16 pontos percentuais (38% - 22% = 16 p.p.) e na regiãoNorte de 7 pontos percentuais (38% - 31% = 7 p.p.), em 2002, a distância em relação aoBrasil cai para 10 pontos percentuais no Nordeste (52% - 42% = 10 p.p.) e para 4 pontospercentuais no Norte (52% - 48% = 4 p.p.).Nas demais regiões, a proporção de pessoas que pertencem à classe média é superior àproporção da população brasileira como um todo pertencente à classe média. Destaquepara a região Centro-Oeste que, com uma expansão líquida de 17 pontos percentuais, viusua classe média crescer de 40%, em 2002, para 57%, em 2012, igualando-se à regiãoSudeste (que também possui 57% de sua população na classe média), e aproximando-seda região Sul (que possui 58% de seus habitantes nessa classe). O desempenho da regiãoCentro-Oeste é ainda mais impressionante quando se considera a distância que ela estavadas regiões Sudeste e Sul em 2002.Diminuição das desigualdades urbano/ruralDado o elevado contingente de brasileiros vivendo em área urbana (84% da população em2002 e 86% em 2012), é natural que a maior parte da classe média também se concentrenessa área. No entanto, é possível saber se a desigualdade urbano/rural está diminuindo ounão, olhando para a expansão da classe média dentro de cada uma dessas áreas.A Tabela 4 indica um expressivo aumento da classe média no meio rural: em 2002, apenas21% das pessoas que aí viviam pertenciam à classe média; em 2012, já são 42% dos brasileiros Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 27
  27. 27. vivendo na área rural que pertencem a essa classe. Esses dados são bastante animadores, sinalizando uma ruptura da relação histórica entre área rural e pobreza. Os bons resultados da área rural podem também ser vistos nas Tabelas 5 e 6: a proporção de pessoas na área rural que pertenciam à classe baixa, média e alta em 2002 eram, respectivamente, de 77%, 21% e 2%, e, em 2012, correspondem a 52%, 42% e 6%. Classe média e nível educacional Sem dúvida, a melhora de renda no Brasil atingiu pessoas de todos os níveis educacionais. Como se pode ver na Tabela 4, o contingente de pessoas com ensino fundamental incompleto ou sem escolaridade que pertenciam à classe média era, em 2002, inferior ao contingente de brasileiros que pertenciam à classe média naquele ano (34% contra 38%). Já em 2012, após uma expansão líquida de 19 pontos percentuais, o contingente de pessoas com esse nível educacional que pertencem à classe média chega a 54%, acima da proporção de brasileiros que pertencem a essa classe (52% do total)5. Os grupos de nível educacional que tiveram menor expansão líquida de suas classes médias referem-se ao do ensino médio e do ensino superior. Isso se deve, contudo, a fatores distintos. No caso do ensino médio completo ou incompleto, grande parte dessa população já pertencia à classe média em 2002 (53%). No caso do ensino superior, a maior parte das pessoas pertence à classe alta e não à classe média. A classe média e o mercado de trabalho De cada 100 trabalhadores que entraram na classe média, 69% ocupavam postos formais, o que elevou a contribuição dos trabalhadores formais para a classe média de 52%, em 2002, para 58%, em 2012 (Tabela 3). Já a proporção dos trabalhadores formais que pertencem à classe média passou de 51%, em 2002, para 57%, em 2012, enquanto que, dentre a população em idade ativa no Brasil, o contingente que pertencia à classe média representava apenas 41%, em 2002 e, em 2012, representava 53% (Tabela 4). Isso revela uma forte representação da classe média entre os trabalhadores formais. Há que se ressaltar, também, que não foram apenas os trabalhadores formais que se beneficiaram do crescimento recente do país. Em 2002, 38% dos trabalhadores informais pertenciam à classe média e, após uma expansão líquida de 15 pontos percentuais, 52% dos trabalhadores informais já pertencem a essa classe. 5 As diferenças entre 2002 e 2012 não são exatas em função de arredondamentos.28 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  28. 28. A classe média e os setores de atividade econômicaComo se pode ver na Tabela 3, os setores que mais contribuíram para a expansão daclasse média foram o de comércio e o de serviços que, somados, chegam a 36% dototal dos entrantes da classe média, seguidos do setor industrial (incluindo a indústria daconstrução), que abrangeu 25% dos entrantes. Em sequência, vêm os setores agrícolas ede serviços domésticos, ambos representando 11% dos novos entrantes.Já na Tabela 4, é possível verificar em que setores a proporção de pessoas que pertencemà classe média cresceu. Embora o setor de serviços domésticos tenha contribuídomenos para a composição da classe média como um todo (11%, como afirmado noparágrafo anterior), foi nesse setor que o número de pessoas que pertencem à classemédia mais cresceu: após uma expansão líquida de 23 pontos percentuais, a proporçãode trabalhadores domésticos que pertencem a essa classe subiu de 42%, em 2002, para65%, em 2012.Dentre as diversas atividades que compõem o segmento industrial, o que mais viu suaparcela correspondente à classe média crescer foi o da construção que, após expansãolíquida de 17 pontos percentuais, elevou a proporção desses trabalhadores pertencentesà classe média de 45%, em 2002, para 62%, em 2012.Destaque também há de ser feito para o setor agrícola, que demonstrou seu dinamismo aoconseguir elevar o contingente de trabalhadores do setor pertencentes à classe média de25%, em 2002, para 45%, em 2002: uma expansão líquida de 20 pontos percentuais, umadas maiores dentre os diversos setores de atividades econômicas. Esse resultado se mostracoerente com a expansão da classe média dentre os habitantes da área rural. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 29
  29. 29. Tabela 5: Distribuição por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2002 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2002 Tabela 5: Distribuição (%) Classe Grupo Baixa Média Alta Brasil 48 38 13 Cor Brancos e amarelos 35 44 20 Negros 63 31 6 Região Norte 61 31 8 Nordeste 73 22 5 Sudeste 36 46 18 Sul 35 49 16 Centro-Oeste 45 40 16 Área Urbana 43 42 15 Rural 77 21 2 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 61 34 4 Fundamental completo 39 49 12 Ensino médio completo ou incompleto 24 53 23 Alguma educação superior 3 27 70 População em idade ativa 44 41 15 Ocupados 39 44 17 Desempregados 60 33 7 Inativos 49 38 13 População ocupada 39 44 17 Formalização Formal 23 51 26 Informal 52 38 10 Setor de atividaddes Agrícola 71 25 3 Outras atividades industriais 33 41 26 Indústria de transformação 29 54 17 Construção 47 45 8 Comércio e reparação 31 50 19 Alojamento e alimentação 36 50 14 Transporte, armazenagem e comunicação 26 53 21 Administração pública 20 47 33 Educação, saúde e serviços sociais 17 47 35 Serviços domésticos 55 42 3 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 31 48 21 Outras atividades 16 44 39 Atividades maldefinidas 61 31 8 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).30 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  30. 30. Tabela 6: Distribuição por classes segundo os diferentes grupossocioeconômicos, 2012 por classes segundo os diferentes grupos socioeconômicos, 2012 Tabela 6: Distribuição (%) Classe Grupo Baixa Média Alta Brasil 28 52 20 Cor Brancos e amarelos 19 53 29 Negros 36 52 12 Região Norte 39 48 13 Nordeste 49 42 9 Sudeste 18 57 25 Sul 15 58 28 Centro-Oeste 19 57 24 Área Urbana 24 54 22 Rural 52 42 6 Nível educacional do chefe Fundamental incompleto ou sem escolaridade 38 54 8 Fundamental completo 26 59 15 Ensino médio completo ou incompleto 20 57 23 Alguma educação superior 5 30 65 População em idade ativa 25 53 22 Ocupados 18 55 27 Desempregados 47 44 9 Inativos 33 51 17 População ocupada 18 55 27 Formalização Formal 9 57 34 Informal 29 52 19 Setor de atividaddes Agrícola 46 45 9 Outras atividades industriais 10 49 41 Indústria de transformação 11 62 27 Construção 22 62 16 Comércio e reparação 13 59 27 Alojamento e alimentação 16 63 21 Transporte, armazenagem e comunicação 12 58 30 Administração pública 9 45 46 Educação, saúde e serviços sociais 6 46 48 Serviços domésticos 26 65 9 Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 12 53 35 Outras atividades 7 48 46 Atividades maldefinidas 30 55 15 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 31
  31. 31. A classe média nos estados brasileiros Apresentamos, nas Tabelas 7 a 11, um resumo da evolução da classe média nas diferentes regiões e estados do Brasil. A Tabela 7 apresenta o peso de cada estado na composição total do Brasil, na composição da classe média, para os anos de 2002 e 2012, bem como a contribuição de cada estado para os entrantes da classe média brasileira. A Tabela 8 apresenta os mesmos números, mas com relação a cada região. Dessa maneira, é possível observar o peso de cada estado para a composição da sua região, para a classe média da sua região, bem como a sua contribuição para o total de entrantes na classe média da sua região. A Tabela 9 apresenta o tamanho da classe média em 2002 e 2012, bem como a expansão dessa classe em cada um dos estados brasileiros. Finalmente, as Tabelas 10 e 11 apresentam o tamanho das três classes em cada estado e região brasileira, para os anos de 2002 e 2012 respectivamente. Como se pode ver na coluna “Expansão líquida” da Tabela 9, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tiveram expansão líquida da classe média superior à média brasileira.32 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  32. 32. Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil Tabela 7: Contribuição dos estados e regiões para o Brasil e para a formação e expansão da classe média no Brasil (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão daLocalidade classe média Brasil Classe Média (2002-2012) Brasil Classe Média Norte 6 5 8 7 6 Acre 0,2 0,2 0,5 0,3 0,3 Amapá 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3 Amazonas 1,4 1,1 1,5 1,4 1,3 Pará 2,6 2,1 3,6 2,9 2,6 Rondônia 0,6 0,6 0,8 0,6 0,7 Roraima 0,2 0,1 0,4 0,2 0,2 Tocantins 0,7 0,5 1,2 0,8 0,7 Nordeste 29 17 34 29 23 Alagoas 1,7 0,8 1,9 1,7 1,2 Bahia 7,8 4,6 9,0 7,3 6,2 Ceará 4,5 2,5 6,4 4,7 3,9 Maranhão 3,5 1,7 3,7 3,6 2,4 Paraíba 2,1 1,2 2,7 2,1 1,7 Pernambuco 4,6 2,7 5,9 4,5 3,8 Piauí 1,7 1,0 2,3 1,7 1,4 Rio Grande do Norte 1,7 1,2 2,0 1,8 1,4 Sergipe 1,1 0,8 1,3 1,2 1,0 Sudeste 43 52 36 42 46 Espírito Santo 1,9 1,8 2,4 1,9 2,0 Minas Gerais 10,7 11,0 12,8 10,5 11,6 Rio de Janeiro 8,5 10,8 3,3 7,9 8,2 São Paulo 22,0 28,2 16,0 21,6 24,0 Sul 15 19 12 15 16 Paraná 5,7 6,9 5,5 5,7 6,4 Rio Grande do Sul 6,0 7,5 3,9 5,7 6,3 Santa Catarina 3,3 4,9 1,5 3,4 3,7 Centro-Oeste 7 7 11 8 9 Distrito Federal 1,3 1,2 1,4 1,4 1,3 Goiás 3,1 3,3 4,9 3,4 3,9 Mato Grosso 1,6 1,6 2,7 1,7 1,9 Mato Grosso do Sul 1,3 1,4 1,9 1,4 1,6Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 33
  33. 33. Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação e expansão da classe média em sua respectiva região Tabela 8: Contribuição dos estados para as suas regiões e para a formação e expansão da classe média em sua respectiva região (%) 2002 Contribuição à 2012 expansão da Localidade classe média Região Classe Média (2002-2012) Região Classe Média Norte Acre 4 4 6 5 5 Amapá 5 5 4 5 4 Amazonas 23 23 18 21 21 Pará 44 43 43 44 43 Rondônia 10 13 9 9 11 Roraima 3 2 5 3 3 Tocantins 12 10 15 12 12 Nordeste Alagoas 6 5 5 6 5 Bahia 27 28 26 26 27 Ceará 16 15 18 17 17 Maranhão 12 10 11 13 11 Paraíba 7 7 8 7 8 Pernambuco 16 16 17 16 17 Piauí 6 6 7 6 6 Rio Grande do Norte 6 7 6 6 6 Sergipe 4 5 4 4 4 Sudeste Espírito Santo 4 4 7 4 4 Minas Gerais 25 21 37 25 25 Rio de Janeiro 20 21 10 19 18 São Paulo 51 54 46 52 52 Sul Paraná 38 36 50 38 39 Rio Grande do Sul 40 39 36 39 38 Santa Catarina 22 25 14 23 23 Centro-Oeste Distrito Federal 18 16 13 18 15 Goiás 43 45 45 43 45 Mato Grosso 22 21 25 22 22 Mato Grosso do Sul 18 18 18 18 18 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).34 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  34. 34. Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados eregiões do Brasil Tabela 9: Tamanho e expansão da classe média nos diferentes estados e regiões do Brasil (%) (p.p.) (%) 2002 Expansão líquida 2012 Localidade da classe média Classe Média (2002-2012) Classe Média Brasil 38 14 52 Norte 31 17 48 Acre 32 15 48 Amapá 31 11 42 Amazonas 32 15 47 Pará 31 16 47 Rondônia 42 15 56 Roraima 28 22 50 Tocantins 25 24 49 Nordeste 22 20 42 Alagoas 18 20 37 Bahia 23 21 44 Ceará 22 21 43 Maranhão 19 16 35 Paraíba 23 21 44 Pernambuco 23 22 44 Piauí 21 21 43 Rio Grande do Norte 26 16 42 Sergipe 28 16 44 Sudeste 46 11 57 Espírito Santo 37 20 57 Minas Gerais 39 18 58 Rio de Janeiro 49 6 55 São Paulo 49 9 58 Sul 49 9 58 Paraná 46 13 59 Rio Grande do Sul 48 9 57 Santa Catarina 56 0 57 Centro-Oeste 40 17 57 Distrito Federal 36 11 47 Goiás 41 18 60 Mato Grosso 38 21 59 Mato Grosso do Sul 41 18 58 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 35
  35. 35. Dos estados que compõem a região Norte, apenas o Amapá apresentou expansão líquida da classe média (11 pontos percentuais) abaixo da média brasileira (14 pontos percentuais). Os maiores destaques ficaram para os estados de Roraima (22 pontos percentuais) e Tocantins (24 pontos percentuais), que eram justamente aqueles que possuíam as menores classes médias da região em 2002: em Roraima, apenas 28 % da população pertenciam à classe média; no Tocantins, a proporção de pessoas vivendo nessa classe era de 25 %. Após a expansão, esses dois estados passaram a ter uma classe média de, respectivamente, 50 % e 49 % da população estadual, ultrapassando todos os demais estados da região, com exceção de Rondônia. Como já mencionado, a região Nordeste foi a que apresentou a maior expansão líquida da classe média no país (20 pontos percentuais). Além disso, todos os seus estados apresentaram expansão acima da média brasileira. Como os estados dessa região eram os que tinham os menores tamanhos de classe média no ano de 2002, a expressiva expansão dessa classe contribuiu para a diminuição das disparidades regionais no Brasil. Na região Sudeste, os estados que mais viram suas classes médias crescerem foram os do Espírito Santo (20 pontos percentuais) e Minas Gerais (18 pontos percentuais), que eram aqueles que tinham a menor proporção de pessoas vivendo nessa classe em 2002. A classe média nesses estados cresceu acima da média do Brasil, mas como a expansão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo cresceram bem abaixo da média para o Brasil, a expansão média da região ficou bem abaixo da média brasileira. Mas atenção, isso não quer dizer que esses estados apresentaram piora na sua situação econômica. Ocorre que ambos já detinham uma classe média muito expressiva em 2002, além de terem apresentado expansão de sua classe alta. Movimento semelhante ocorre na região Sul, em que o estado que mais viu sua classe média crescer (Paraná, com expansão líquida de 13 pontos percentuais) foi o que tinha a menor classe média em 2002. Agora, é o estado que apresenta a maior classe média da região. Mas, novamente, isso não quer dizer que esteja em melhor situação que os demais estados. Em Santa Catarina, por exemplo, o contingente de pessoas que saíram da classe baixa e entraram na classe média foi semelhante ao das que saíram da classe média para a classe alta, fazendo com que esse estado não apresentasse expansão líquida da classe média, mas que as suas classes baixa e alta passassem de 27 % e 16 %, em 2002, para 11 % e 32 %, em 2012, respectivamente (Tabelas 10 e 11). Na região Centro-Oeste, com exceção do DF todos os estados apresentaram expansão , líquida da classe média acima do Brasil. O maior destaque ficou para o estado do Mato Grosso, que com expansão de 21 pontos percentuais viu sua classe média crescer de 38 %, em36 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  36. 36. 2002, para 59%, em 2012. Os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram desempenhobastante semelhantes.6 De novo, esses resultados não indicam piora do Distrito Federal, queviu sua classe baixa cair de 34%, em 2002, para 16%, em 2012, e sua classe alta subir de30% para 37% entre os mesmos anos (Tabelas 10 e 11).Tabela 10: TamanhoTamanho das classes nos diferentes regiões do Brasil, 2002 Tabela 10: das classes nos diferentes estados e estados e regiões do Brasil,2002 (%) Classe Localidade Baixa Média Alta Brasil 48 38 13 Norte 61 31 8 Acre 55 32 13 Amapá 60 31 9 Amazonas 61 32 7 Pará 61 31 8 Rondônia 47 42 12 Roraima 64 28 8 Tocantins 69 25 6 Nordeste 73 22 5 Alagoas 79 18 4 Bahia 72 23 5 Ceará 73 22 6 Maranhão 78 19 3 Paraíba 72 23 6 Pernambuco 71 23 7 Piauí 74 21 4 Rio Grande do Norte 67 26 7 Sergipe 65 28 7 Sudeste 36 46 18 Espírito Santo 49 37 14 Minas Gerais 49 39 11 Rio de Janeiro 32 49 19 São Paulo 30 49 21 Sul 35 49 16 Paraná 39 46 15 Rio Grande do Sul 35 48 17 Santa Catarina 27 56 16 Centro-Oeste 45 40 16 Distrito Federal 34 36 30 Goiás 47 41 12 Mato Grosso 48 38 13 Mato Grosso do Sul 46 41 14 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).6 Na Tabela 9, os estados de Goiás e Mato Grosso do Sul partem de classe média de mesmo tamanho, apresen- tam a mesma expansão líquida, mas têm resultados finais, em 2012, diferentes. Isso ocorre tão somente em função dos arredondamentos para cima e para baixo. Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 37
  37. 37. Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil, 2012 Tabela 11: Tamanho das classes nos diferentes estados e regiões do Brasil, 2012 (%) Classe Localidade Baixa Média Alta Brasil 28 52 20 Norte 39 48 13 Acre 38 48 14 Amapá 44 42 14 Amazonas 41 47 12 Pará 42 47 11 Rondônia 23 56 20 Roraima 29 50 22 Tocantins 38 49 14 Nordeste 49 42 9 Alagoas 57 37 6 Bahia 46 44 10 Ceará 48 43 9 Maranhão 59 35 6 Paraíba 45 44 11 Pernambuco 47 44 8 Piauí 50 43 7 Rio Grande do Norte 45 42 13 Sergipe 44 44 12 Sudeste 18 57 25 Espírito Santo 22 57 22 Minas Gerais 24 58 18 Rio de Janeiro 21 55 24 São Paulo 14 58 28 Sul 15 58 28 Paraná 15 59 26 Rio Grande do Sul 17 57 26 Santa Catarina 11 57 32 Centro-Oeste 19 57 24 Distrito Federal 16 47 37 Goiás 20 60 20 Mato Grosso 19 59 22 Mato Grosso do Sul 19 58 23 Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).38 | Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade
  38. 38. Balanço geralA seguir, apresentamos uma série de gráficos que revelam a diminuição das desigualdadesno Brasil pela ótica dos movimentos de expansão da classe média. Nos Gráficos 4, 5 e 6apresentamos o contraste do tamanho da classe média em 2002 com o seu tamanho em2012. A reta de 45o que divide os gráficos ao meio indica os pontos em que o tamanhoda classe média em 2002 é igual ao tamanho dessa classe em 2012. Dessa forma, todosos pontos que estão acima dessa reta indicam que o tamanho da classe média em 2012é superior ao tamanho da classe média em 2002. E quanto mais distante da reta estiver oponto, maior foi o crescimento da classe média. A distância entre o ponto e a reta de 45ocorresponde exatamente à expansão líquida apresentada nas Tabelas 4 e 6.Como se pode ver no Gráfico 4, os maiores destaques ficaram para os grupos querepresentam a população negra, a área rural, as pessoas com nível fundamental incompleto ousem escolaridade e os ocupados informais. Pode-se ver, também, que esses eram os gruposque tinham menor tamanho da classe média em 2002. A maior expansão da classe médianesses grupos aproximou-os dos demais e da média brasileira, diminuindo as desigualdadessocioeconômicas no Brasil. Convém ressaltar a exceção do grupo de pessoas com nívelsuperior, que apresenta reduzida classe média em 2002 e também em 2012. Como referidoanteriormente, isso ocorre em função de uma maior concentração da classe alta nesse grupo. Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média Gráfico 4: Comparação entre o tamanho da classe média brasileira brasileira nos diferentes grupos socioeconômicos, 2012 e 2012 nos diferentes grupos socioeconômicos, 2002 e 2002 65 60 Fundamental completo Ensino médio completo Fundamental incompleto ou ou incompleto Tamanho da classe média em 2012 (%) sem escolaridade Classe média Área urbana Ocupados 55 brasileira formais Brancos Negros Ocupados e amarelos 50 informais 45 40 Área rural 35 Alguma educação 30 superior 25 20 45° 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 Tamanho da classe média em 2002 (%) Fonte: Estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Desigualdade, Heterogeneidade e Diversidade | 39

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