Nº 61 Dezembro de 2014 AE Francisco de Holanda 
50 cêntimos 
130 Anos da 
Escola Francisco de 
Holanda p.16 
Encontro de Mãos 
Dadas p.11 
Pobreza: erradica-ção 
e reflexos p.6 
Eleições do 
Conselho Geral e da 
Associação de 
Estudantes p.3 
Prémio Selo 
Europeu p.4 
Projeto 
Internacional 
Clima@EduMedia p.5 
Como é que vamos 
de leitura... p.25
2 Dezembro de 2014 
EDITORIAL 
Escola 
Francisco 
de Holanda – 
130 anos a educar 
em cidadania 
A Escola Secundária Fran-cisco 
de Holanda e, com 
ela, as demais escola do 
Agrupamento celebram 
130 anos a educar em ci-dadania. 
As escolas JI/EB1 de San-ta 
Luzia, EB1 da Pegada e 
EB2/3 Egas Moniz devem 
ser, também, chamadas 
para a celebração, pois 
nos seus anos de exis-tência 
educaram, tam-bém, 
para o exercício da 
cidadania. Além do mais, 
não podemos ignorar 
que, na segunda metade 
do século dezanove, os 
vimaranenses, quando 
reclamavam pela criação 
da escola industrial, rei-vindicavam 
pela instrução 
pública em geral. Por ou-tro 
lado, não podemos es-quecer 
que o correspon-dente 
ao 2º e 3º Ciclos do 
Ensino Básico que, hoje, 
temos na Escola Egas Mo-niz, 
chegou a ser dado na 
Escola Comercial e Indus-trial 
de Guimarães. 
Note-se que na Escola 
Industrial e Comercial 
de Guimarães - a trigési-ma 
terceira concluída do 
1.º Plano de Fomento do 
governo de António Oli-veira 
Salazar- permane-cendo 
nas antigas instala-ções 
da Quinta Proposto, 
adaptadas e ampliadas 
em 1959, passaram a ser 
ministrados os cursos do 
Ciclo Preparatório, de Te-celão- 
Mecânico, de Fian-deiro, 
de Comércio, de 
Serralheiro, de Costura e 
Bordados para uma po-pulação 
escolar de 1.000 
alunos. Só mais tarde, 
com o alargamento da 
escolaridade obrigatória 
para seis anos e a 
expansão do 2º ciclo do 
ensino básico (Reforma 
Veiga Simão) é que 
se sentiu a urgência 
de construir novas 
escolas, estritamente 
vocacionadas para o 
Ensino Preparatório. Por 
isso, faz todo o sentido 
que todas as escolas do 
Agrupamento Francisco 
de Holanda se associem 
à festa da celebração dos 
130 anos a educar em ci-dadania. 
Devem ser todas convoca-das 
para uma apurada re-flexão 
sobre o educar em 
(para) a cidadania, pois 
se a educação começa no 
berço, a educação para os 
valores (respeito pelo ou-tro, 
pela diferença, a res-ponsabilidade, 
o espírito 
de iniciativa, a partilha, 
a solidariedade,…), em 
contexto escolar, começa 
no jardim de infância. Por 
outras palavras, a escola 
deve preocupar-se cada 
vez mais em ensinar e de-senvolver 
competências 
sociais - como, por exem-plo, 
ser responsável, com-preendendo 
e atuando de 
acordo com obrigações 
éticas e legais; preocupar- 
-se com os outros; mos-trar 
empatia; respeitar os 
outros, tratando-os com 
simpatia e compaixão; es-tabelecer 
relações saluta-res 
com os indivíduos e o 
grupo; procurar soluções 
para os conflitos que sa-tisfaçam 
os interesses de 
todos os envolvidos; igno-rar, 
e não produzir, pro-vocações; 
pedir e aceitar 
ajuda - de forma a tornar 
os seus alunos mais ca-pazes 
na autorregulação 
emocional e social. 
Assim, estará a formar 
cidadãos capazes de se 
integrarem na socieda-de, 
de fazerem um bom 
trabalho nas empresas e 
constituir famílias sadias, 
sem violência doméstica, 
sem crimes. 
Assim, abre caminhos 
para a construção de uma 
sociedade mais culta e 
mais sábia. Parabéns Es-cola. 
Viva a Escola. 
Os Coordenadores 
do Encontro 
Ficha Técnica: 
Coordenadores: 
António Oliveira, 
Agostinho Ferreira, 
Helena Ferreira 
Paula Marinho 
Redação: 
Agostinho Ferreira, 
António Oliveira, 
Helena Ferreira, 
Paula Marinho, 
Ana Lage (11LH3) 
Ana Silva (12LH1) 
Anabela Mendes 
(12LH4) 
André Marques (10AV2) 
Ângela Moura (11LH3) 
Carina Baptista (11CT2) 
Cláudia Coelho (11CT2) 
Inês Fernandes (11CT2) 
João Xavier (12 LH3) 
João Pinto (11CT2) 
Margarida Machado 
(11CT7) 
Maria Inês Faria 
(11CT2) 
Sofia Macedo (10 CT2) 
Petra Carneiro (12CT6) 
Teresa Silva (11CSE1) 
Verónica Gomes (12 
CSE1) 
Revisão Ortográfica: 
Professores António 
Oliveira e Agostinho 
Ferreira 
Maquetagem – 
Professora Helena Fer-reira 
Cartoons: Professores 
Viana Paredes e José 
Falcão 
Fotografia: Sr. Cunha 
Propriedade: AE Fran-cisco 
de Holanda 
Impressão: Gráfica 
Diário do Minho 
Tiragem : 500 exem-plares 
Depósito Legal: 
49073/91
Dezembro de 2014 3 
No dia 5 de novembro 
decorreram as eleições 
dos representantes do 
pessoal docente e do pes-soal 
não docente para o 
Conselho Geral do Agru-pamento 
de Escolas Fran-cisco 
de Holanda. Houve, 
apenas uma lista candi-data 
para os representan-tes 
do pessoal docente, 
liderada pelo professor 
Rui Vítor Costa, que, num 
universo de 144 votantes, 
obteve 128 votos a favor, 
fazendo eleger os profes-sores 
Rui Vítor Poeiras 
Lobo da Costa, António 
Oliveira Alves de Sousa, 
António Augusto Almeida 
Amaro das Neves, Maria 
da Conceição Mendes Pa-checo 
Lima, Isabel Maria 
Silva Almeida Carvalho, 
Ricardo Manuel Farias 
Garrido, Filomena de Je-sus 
Sales Silva e José Abí-lio 
Vieira Alves Ferreira. 
De igual modo, para os re-presentantes 
do pessoal 
não docente, apenas, se 
apresentou uma lista a 
sufrágio, liderada pela 
assistente técnica Anabe-la 
Martins dos serviços 
administrativos da Escola 
sede, que obteve 44 vo-tos 
a favor, num total de 
54 votantes. Na qualida-de 
de representantes do 
Pessoal não Docente fo-ram 
eleitos Josefina Ana-bela 
Nogueira Martins e 
Graciete de Jesus Fernan-des 
Carvalho. 
Os representantes dos 
alunos dos alunos são 
Diogo Gonçalves e Rute 
Ferreira. Os represen-tantes 
dos pais/encarre-gados 
de educação indi-cados 
pelas respetivas 
associações e eleitos em 
assembleia de pais/en-carregados 
de educação 
são Francisco José Alves 
Ferreira e José Teixeira 
Ribeiro (Escola Secundá-ria 
Francisco de Holanda), 
Daniela Arminda Pereira 
Carneiro (EB2/3 de Egas 
Moniz) e Alfredo Meireles 
Pereira (EB1/JI de Santa 
Luzia e Escola EB1 da Pe-gada). 
Os representantes da au-tarquia, 
indicados pela 
Câmara Municipal de Gui-marães, 
são Adelina Paula 
(vereadora do pelouro da 
Educação) e Helena Pinto. 
No dia 24 de novembro, 
foi feita a primeira reu-nião, 
onde os eleitos e os 
indicados pelos órgãos 
competentes tomaram 
posse e deliberaram, por 
unanimidade, cooptar 
as seguintes instituições, 
representantes dos inte-resses 
económicos e cul-turais 
da cidade: Socie-dade 
Martins Sarmento, 
Associação Comercial e 
Industrial de Guimarães 
e Universidade do Minho. 
Este Conselho Geral exer-cerá 
funções durante os 
próximos quatro anos. No 
exercício das suas compe-tências 
terá a responsabi-lidade 
de aprovar os pla-nos 
e relatórios de gestão 
e administração escolar, 
assim como os documen-tos 
mais importantes de 
regulação da vida escolar. 
Anabela (12LH4) 
Ana Lage (11LH3) 
Nos dias 6, 7 e 8 de outu-bro 
realizou-se na nossa 
escola a campanha para 
as eleições dos corpos 
gerentes da Associação 
de Estudantes para o ano 
letivo de 2014-2015. 
As eleições foram dispu-tadas 
entre as listas M e 
W, tendo como presiden-tes 
Diogo Gonçalves e 
Henrique Pinto de Mes-quita, 
respetivamente. 
Durante os três dias de 
campanha, as listas opo-sitoras 
proporcionaram 
momentos de diversão e 
confraternização aos alu-nos, 
incutindo um espírito 
de entreajuda e fair play 
entre os mesmos. Após o 
dia da reflexão foram rea-lizadas 
as eleições. Num 
total de 1651 eleitores, 
votaram 748 alunos, ten-do 
vencido a lista M com 
402 votos. 
Assim, a Direção da As-sociação 
de Estudantes 
ficou ao cargo da lista M, 
sendo Diogo Gonçalves o 
presidente e Rute Ferreira 
a vice-presidente. 
Diogo Gonçalves é o novo 
Presidente da Direção da 
Associação de Estudan-tes. 
Com ele, marcamos 
Encontro, de que resul-tou 
um testemunho e 
quiçá uma perspetiva. 
Encontro: Diogo, o que é 
que te levou a te candi-datares 
à Associação de 
Estudantes? 
Diogo: O que me levou a 
candidatar foi uma neces-sidade 
de melhorar aquilo 
que a Associação de Estu-dantes 
desenvolvia na es-cola 
e melhorar todas as 
atividades por ela propos-tas, 
a todos os níveis. 
Encontro: Qual é a tua 
opinião sobre a Vice Pre-sidente 
e a restante equi-pa 
da AE? 
Diogo: A nossa equipa 
é maravilhosa, todas as 
pessoas estão bastante 
empenhadas em todas 
as atividades. A “minha” 
vice é qualquer coisa de 
outro mundo, é das pes-soas 
que mais trabalha e 
sem ela nada era possível. 
Encontro: Que projetos e 
objetivos tem a nova di-reção 
da Associação de 
Estudantes? 
Diogo: Nós temos vários 
projetos e temos isso 
num Plano de Ativida-des. 
Já desenvolvemos 
algumas atividades, mas 
ainda vamos desenvolver 
muitas mais. 
Encontro: Como é que ca-racterizas 
o ambiente da 
campanha? 
Diogo: Foi incrível, nunca 
houve nada assim, nun-ca 
houve tanta amizade 
entre as listas. Nenhuma 
campanha foi tão amigá-vel 
e com tanto fair-play 
como esta. Com os alu-nos 
da minha lista foi um 
ambiente espetacular, e 
não há nada como estar 
presente numa lista para 
saber o que é que se pas-sa 
lá e penso que também 
na outra lista foi o mes-mo. 
Encontro: O que é que 
pensas acerca do sistema 
educativo? E o que é que 
mudarias? 
Diogo: O facto do sistema 
educativo ser obrigatório 
é o maior ponto fraco. As 
pessoas deviam ser ensi-nadas 
a ser ensinadas e 
não a serem obrigadas a 
estudar. 
Encontro: Estavas à espe-ra 
deste resultado? 
Diogo: Sim, eu estava 
muito confiante. 
Encontro: Achas que os 
estudantes se fazem ou-vir 
tanto na escola como 
a nível nacional? 
Diogo: A nível regional, 
acho que aqui em Gui-marães 
temos uma voz 
um pouco fraca, quando 
nos comparamos a outros 
distritos. Mas penso que 
também é trabalho da 
direção da AE mudar ou 
tentar mudar isso. 
Encontro: Comparativa-mente 
com os anos ante-riores, 
achas que a nova 
direção da Associação de 
Estudantes já se está a fa-zer 
ouvir? 
Diogo: Penso que sim. 
É essa a nossa ideia, nós 
queremo-nos fazer ouvir 
e propor atividades para 
os alunos para melhorar 
em todos os sentidos a 
qualidade de estudo de-les. 
Perguntas sobre as pre-ferências 
do novo presi-dente. 
DJ preferido: Alesso 
Filme preferido: Qual-quer 
um a saga do Super- 
-Homem. 
Frase que o inspira: “Se 
as portas da perceção 
estivessem limpas, tudo 
pareceria ao homem tal 
como é: infinito.» 
Super herói que seria: 
Batman 
Personagem televisiva 
com quem trocaria de 
vida: Barney Stinson 
Google images 
Rute Ferreira e Diogo Gonçalves 
Lista M 
Lista W 
ELEIÇÕES DO 
CONSELHO GERAL 
ELEIÇÕES DA ASSOCIAÇÃO DE 
ESTUDANTES
4 Dezembro de 2014 
PROJETO DO AEFH VENCE SELO EUROPEU PARA AS LÍNGUAS 
O Projeto “Comenius” 
com a colaboração do 
jornal Encontro venceu 
o prémio Selo Europeu 
para as Línguas 2014. 
Para saber todos os de-talhes 
sobre o concurso 
o Encontro contactou a 
professora Coordena-dora 
Cristina Pereira. 
Encontro: O que é o Selo 
Europeu para as Iniciati-vas 
Inovadoras na Área 
do Ensino/Aprendizagem 
das Línguas? 
Professora Cristina Pe-reira: 
“Encorajar mais 
pessoas a aprender mais 
línguas tem uma impor-tância 
óbvia para a União 
Europeia, não apenas 
por razões de ordem co-mercial 
e industrial do 
mercado único, mas tam-bém 
para que se promo-va 
uma compreensão 
mútua e se ajude a criar 
uma cidadania europeia. 
É, pois, importante dar 
visibilidade a projetos 
inovadores e bem-sucedidos 
no campo do 
ensino/aprendizagem das 
línguas, e encorajar uma 
adoção mais alargada 
dessas abordagens. Esta 
é a meta da Comissão 
Europeia ao propor 
a criação de um Selo 
Europeu. Pretende-se que 
este selo de qualidade 
funcione como um reco-nhecimento 
do progresso 
conseguido por qualquer 
iniciativa europeia na 
área da aprendizagem das 
línguas, por modesta que 
seja, tendo-se em conta 
as circunstâncias de parti-da.” 
(Preâmbulo do Regu-lamento 
do Concurso) 
Encontro: Como proce-deu 
à candidatura a este 
projeto? 
Professora Cristina Pe-reira: 
O selo é atribuído 
anualmente a um núme-ro 
limitado de projetos 
em cada país participan-te, 
selecionados por jú-ris 
nacionais. Qualquer 
iniciativa, no contexto 
do ensino/aprendizagem 
de línguas da União Eu-ropeia, 
ao longo da vida, 
é elegível. No âmbito do 
projecto «Selo Europeu 
para as Iniciativas Ino-vadoras 
na Área do En-sino/ 
Aprendizagem das 
Línguas», puderam ser 
apresentadas candidatu-ras 
para o ano de 2014, 
através do preenchimen-to 
de formulário próprio, 
disponível na Internet em 
http://www.proalv.pt/ 
erasmusmais. 
Encontro: Quais as princi-pais 
caraterísticas do pro-jeto 
escolar “Comenius- 
-“21st Century Hazards”? 
Professora Cristina Pe-reira: 
Este projeto mul-tilateral, 
“The 21st Cen-tury 
Hazards”, assentou, 
fundamentalmente, na 
pesquisa, no estudo e na 
construção de suportes 
didáticos e metodológicos 
que visavam enriquecer a 
consciência crítica sobre 
as ameaças naturais do 
século XXI. Envolveram- 
-se alunos, jovens (10- 19 
anos) e professores (Geo-grafia, 
Biologia, Química, 
Psicologia, Português, 
Inglês e Educação Física), 
correspondendo a um 
rácio de participação de 
alunos nas mobilidades 
(14) em relação ao núme-ro 
de professores envol-vidos 
(10) num trabalho 
de colaboração transdis-ciplinar, 
confluindo para o 
desenvolvimento de dife-rentes 
atividades, produ-tos 
e resultados. O curso 
“21st Century Hazards”, 
em formato de papel e 
digital, corresponde ao 
produto final do projeto, 
havendo outros: um guia 
com atividades práticas 
sobre o estudo dos im-pactos 
das ameaças, um 
guia de primeiros socor-ros 
em formato impresso 
e digital, uma webpage 
do projeto (www.cast-co-menius. 
ro), a qual remete 
para os estudos, as análi-ses, 
o curso e os conteú-dos. 
A construção destes 
produtos e todo o traba-lho 
subjacente revelou-se 
profícua ao nível da pro-ficiência 
linguística, real-çando- 
se, acima de tudo, 
a manutenção da con-fiança 
dos alunos ao per-mitir 
tarefas de oralidade 
em grupo. Neste projeto, 
foram consideradas as 
prioridades europeias re-lacionadas 
com: a contex-tualização 
da realidade da 
União Europeia; a promo-ção 
da aprendizagem e da 
diversidade linguística; a 
partilha, o conhecimento 
e a combinação de dife-rentes 
culturas; o desen-volvimento 
da cidadania 
europeia. 
O valor acrescentado ob-tido 
pela escola com a 
sua participação nesta 
parceria permitiu a pro-fessores 
e a alunos ope-racionalizarem 
um con-junto 
de dimensões que 
enriqueceram as suas 
competências. A mais de-senvolvida 
e trabalhada 
foi a oralidade, envolven-do 
os alunos ativamente 
numa comunicação com 
sentido e em diferentes 
contextos demonstrando 
assim, progressivamente, 
as competências comuni-cativas 
desenvolvidas. As 
apresentações específicas 
dos vários temas levaram 
muitos alunos a trabalhar 
a sua eficiência comunica-cional, 
a valorizar a orali-dade 
e a estarem muito 
mais recetivos e partici-pativos, 
reconhecendo a 
mais-valia das línguas 
estrangeiras no terreno. 
Os alunos adquiriram du-rante 
este processo uma 
base sólida para o con-texto 
da produção oral de 
língua estrangeira, o que 
exemplifica esta iniciativa 
global de dar resposta às 
necessidades dos alunos. 
As metodologias e abor-dagens 
pedagógicas forja-ram- 
se por via de uma co-laboração 
orientada para 
a construção de um saber 
transdisciplinar e partilha-do 
(os alunos descobrem 
e aprendem por si), de 
uma pedagogia compar-tilhada, 
inspirá-los com 
afecto para o ambiente, 
encorajando os alunos 
no estudo das línguas 
estrangeiras, encarando- 
-as como indispensáveis 
meios do desenvolvimen-to 
sociocultural. 
O domínio pedagógico 
transcurricular contri-buiu 
para uma atuação 
educativa que deu voz à 
criatividade, ajudando 
a desenvolver o próprio 
empreendedorismo dos 
alunos, tendo estes, a 
nível interno, criado um 
DVD sobre a semana de 
trabalho em Portugal, fil-mando 
e apresentando a 
sua cidade e a sua escola. 
Os alunos recorreram a 
um género musical para 
expressar as preocupa-ções 
das ameaças natu-rais 
do século 21, o Rap 
”21st Century Hazards”, 
validando, mais uma vez, 
as suas competências co-municativas 
nas línguas 
estrangeiras. O DVD tes-temunha, 
também, o al-cance 
de todo o trabalho 
realizado ao nível da pro-sódia 
na língua estrangei-ra, 
nomeadamente visível 
nas apresentações orais 
formais. 
Encontro: Ficou sur-preendida 
com a atribui-ção 
do prémio? 
Professora Cristina Perei-ra: 
Tinha consciência de 
que tínhamos um proje-to 
muito forte, acima de 
tudo pelo facto de haver, 
a nível interno, uma for-tíssima 
colaboração entre 
o projeto “21st Century 
Hazards” e o jornal esco-lar 
Encontro, principal-mente 
no que diz respei-to 
à edição especial, que 
participou no concurso 
de jornais escolares em 
2012/2013, “A Europa no 
Futuro”, promovido pelo 
Projeto Público na Escola 
e pela Rede de Bibliote-cas 
Escolares, em Parceria 
com o Gabinete de Infor-mação 
do Parlamento Eu-ropeu 
em Portugal. 
Encontro: Onde e como 
será a entrega do pré-mio? 
Professora Cristina Pe-reira: 
O prémio será en-tregue 
em Lisboa, sendo 
a cerimónia integrada na 
conferência internacional 
“Multiculturalismo, com-petitividade 
e mercados 
de trabalho”, nos dias 4 e 
5 de dezembro. 
Encontro: Qual a impor-tância 
do jornal “Encon-tro” 
na divulgação do 
projeto? 
Professora Cristina Pe-reira: 
A sua importância 
revestiu-se de um caráter 
inestimável. Constituiu a 
ponte de contacto com a 
comunidade educativa, 
não só a nível local como 
nacional, indo, inclusive, 
além fronteiras. É muito 
importante dar a conhe-cer 
à comunidade educa-tiva 
o que está a ser feito, 
pois o que faz sentido, o 
que cria riqueza é um in-vestimento 
em termos de 
perpetuação de um tra-
Dezembro de 2014 5 
Jornal Encontro... 
...em Projeto 
Internacional 
Clima@EduMedia 
...uma História 
de Prémios 
Clima@EduMedia ensi-na 
alterações climáticas 
às escolas portugue-sas 
através dos média 
O Encontro aceitou o 
convite para colaborar 
com a Faculadade de 
Letras da Universidade 
do Porto na candidatu-ra 
a um projeto interna-cional. 
Clima@EduMe-dia. 
Essa candidadtura 
foi aprovada ficando 
em primeiro lugar na 
seriação . 
O projeto “Clima@Edu- 
Media”, desenvolvido 
ao abrigo do Programa 
“AdaPT” pela Faculdade 
de Letras da Universidade 
do Porto (FLUP), pretende 
educar os estudantes de 
30 escolas do país para 
o tema das mudanças do 
clima, através do uso dos 
média. 
José Azevedo, docente da 
FLUP, investigador do CE-TAC. 
MEDIA e coordena-dor 
do projeto, refere que 
“a generalização do aces-so 
às tecnologias digitais 
abriu um vasto leque de 
possibilidades de inova-ção 
no que toca a relação 
dos média com a aprendi-zagem.” 
O desafio do “Clima@ 
EduMedia” “não é ape-nas 
produzir conteúdos 
mediáticos estimulantes 
sobre as alterações climá-ticas, 
mas também pos-sibilitar 
estratégias onde 
os alunos possam apren-der 
através do próprio 
processo de produção. A 
investigação mostra que 
proporcionar aos estu-dantes 
um espaço onde 
possam adicionar a sua 
voz à discussão pública 
sobre as alterações cli-máticas 
tem um impacto 
positivo no envolvimento 
dos mesmos com o co-nhecimento 
científico so-bre 
o tema, e ajuda a criar 
uma consciência crítica 
sobre essas alterações 
fora do contexto de sala 
de aula”, refere. 
O projeto “Clima@Edu- 
Media” é multidiscipli-nar, 
nele colaborando as 
Faculdades de Letras e 
de Ciências da U.Porto, 
bem como a sua Unidade 
de Novas Tecnologias na 
Educação. De ressaltar a 
participação de 30 esco-las 
portuguesas de todo o 
país e ainda uma parceria 
com a Universidade da Is-lândia. 
O Programa “AdaPT” foi 
criado com o objetivo de 
apoiar financeiramen-te 
a atuação em matéria 
de “Adaptação às Altera-ções 
Climáticas” em Por-tugal, 
e o seu desenvol-vimento 
foi guiado pelos 
termos estabelecidos no 
“Memorando de Enten-dimento” 
assinado entre 
Portugal, Noruega, Islân-dia 
e Liechtenstein, no 
âmbito do Mecanismo 
Financeiro do Espaço Eco-nómico 
Europeu (MFEEE/ 
EEA-Grants). 
Na “história” dos 130 
anos da Escola Secun-dária 
Francisco de Ho-landa, 
está inserido 
o percurso do jornal 
Encontro, destacando- 
-se a atribuição dos se-guintes 
prémios: 
2001/2002 – 1º lugar, no 
escalão das Escolas Se-cundárias, 
no Concurso 
Nacional de Jornais Esco-lares 
(Público na Escola); 
2002/2003 – 2º lugar (ex- 
-aequo) no escalão das 
Escolas Secundárias, no 
Concurso Nacional de Jor-nais 
Escolares (Público na 
Escola); 
2003/2004 – , recebeu o 
prémio de melhor Jornal 
de entre todos os premia-dos, 
no Concurso Nacio-nal 
de Jornais Escolares 
(Público na Escola); 
2006-2007 - Menção 
Honrosa no Concurso 
Nacional de Jornais Esco-lares 
(Público na Escola) 
e o 2º lugar no Concurso 
Regional de Jornais Es-colares, 
promovido pelo 
Gabinete de Imprensa de 
Guimarães. 
2008-2009 - 3º lugar, 
ex-aequo, (2º escalão: 
prémio para jornais de 
escolas secundárias e pro-fissionais) 
no Concurso 
Nacional de Jornais Esco-lares 
(Público na Escola). 
2010 – 2011 – Prémio de 
melhor Grafismo e Car-toon 
no Concurso Nacio-nal 
de Jornais Escolares 
(Público na Escola); 
2012-2013 – 1º lugar no 
Concurso Nacional de Jor-nais 
Escolares em suporte 
digital (Público na Escola) 
O jornal Encontro, no 
primeiro ano em que 
concorreu ao Concurso 
Nacional de Jornais Es-colares, 
promovido pelo 
projeto Público na Escola, 
no ano de 2002, ganhou 
o 1º prémio, no escalão 
das Escolas Secundárias. 
O prémio foi de 3.700 €. 
No ano de 2003, o Encon-tro 
recebeu o 2º prémio 
(ex-aequo), com o valor 
de 1.250€. 
No ano de 2004, recebeu 
o prémio de melhor Jor-nal 
de entre todos os pre-miados 
no ano anterior. 
O valor do prémio foi de 
1.250€. 
No ano de 2013 o prémio 
foi a participação numa 
sessão Euroscola no Par-lamento 
Europeu em Es-trasburgo. 
balho iniciado por alunos, 
por professores e que 
esse mesmo trabalho seja 
herdado e moldado aos 
novos tempos pelas gera-ções 
seguintes. 
Encontro: Conside-ra 
que estas inicia-tivas 
fomentam a 
motivação na apren-dizagem 
das línguas? 
Professora Cristina Perei-ra: 
Evidentemente. Equa-cionar 
uma educação/ 
formação sem adquirir-mos 
uma determinada 
proficiência em algumas 
línguas é aceitarmos 
gratuitamente uma des-vantagem 
em termos de 
competitividade. Os alu-nos 
necessitam de traba-lhar 
a sua eficiência co-municacional, 
de valorizar 
a oralidade e de estarem 
muito mais recetivos e 
participativos, reconhe-cendo 
a mais-valia das 
línguas estrangeiras no 
terreno. Estas iniciativas 
criam esse quadro real, 
contextos reais de neces-sidade 
e imposição comu-nicacional. 
Encontro: Qual a sua opi-nião 
sobre a participação 
em projetos europeus? 
Professora Cristina Perei-ra: 
É um enriquecimento 
incalculável. Durante 
o projeto testemunhei 
mudanças nos próprios 
alunos. Cresceram como 
pessoas e como alunos. 
Muitos aprenderam a 
valorizar as competências 
que tinham, mas que 
nunca evidenciaram, 
principalmente em 
termos comunicacionais. 
Outros descobriram 
capacidades que 
desconheciam. Mas o mais 
enriquecedor foi assistir e 
fazer parte de toda uma 
comunicação e vivência 
interculturais que nos 
torna necessariamente 
mais ouvintes, mais fle-xíveis, 
mais tolerantes 
,mais “nós” do que “eu”, 
pois, afinal, acabamos por 
descobrir que temos to-dos 
as mesmas preocupa-ções, 
os mesmos sonhos, 
as mesmas aspirações. 
Participar em projetos eu-ropeus 
é indubitavelmen-te 
uma mais- valia para a 
construção, em primeiro 
lugar, do “eu” e, em se-gundo, 
de uma “identida-de” 
europeia. 
Encontro: Como avalia 
o envolvimento dos alu-nos, 
professores e Agru-pamento 
no projeto pre-miado? 
Professora Cristina Pe-reira: 
Foi um privilégio 
fazer parte desta equipa 
(professores e alunos). A 
equipa foi sempre alvo de 
elogios rasgados, pelo seu 
empenho, pelo seu pro-fissionalismo, 
pela sua ri-queza 
comunicativa e pela 
sua proficiência linguísti-ca. 
Os alunos do projeto 
souberam sempre repre-sentar 
a sua escola, a sua 
cidade e o seu país. Ques-tionavam- 
nos acerca dos 
métodos utilizados para 
se ter uma relação de tra-balho 
tão positiva entre 
professores e alunos…e a 
resposta assentava e as-senta, 
necessariamente, 
no projeto educativo do 
Agrupamento. Quando se 
respeita e se confia quer 
na classe discente, quer 
na classe docente, quan-do 
se verifica uma forte 
colaboração entre vários 
projetos (projeto, jornal 
da escola), validada pelos 
preciosos contributos da 
comunidade educativa, 
então, estão reunidos to-dos 
os ingredientes para 
o que todos procuramos: 
crescer individual e cole-tivamente 
e fazer render 
a longo prazo esse cres-cimento, 
deixando uma 
incomensurável herança.
6 Dezembro de 2014 
DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA 
João Xavier,12LH3 
Os alunos da Escola Se-cundária 
Francisco de 
Holanda, por iniciativa da 
Equipa da Biblioteca, par-ticiparam, 
mais uma vez, 
nas atividades que assina-laram 
o Dia Internacional 
para a Erradicação da Po-breza, 
que se comemora a 
17 de outubro. Este ano, 
entre as 11.30 e 12.30 ho-ras, 
deram as mãos aos 
seus colegas, estudantes 
da Escola Secundária Mar-tins 
Sarmento e da Escola 
Profissional Profitecla 
(polo de Guimarães), para 
formar um cordão huma-no 
na zona envolvente do 
Estádio D. Afonso Henri-ques, 
com a solicitação 
do cumprimento de um 
minuto de silêncio. A ini-ciativa, 
promovida pela 
EAPN – Rede Europeia 
Anti-Pobreza que, desde 
2010, tem vindo a mobili-zar 
a sociedade para com-bater 
a pobreza e exclu-são 
social, teve, também, 
a adesão do Município de 
Guimarães. Com o objeti-vo 
de suscitar a reflexão, 
procedeu-se à leitura do 
“Manifesto contra a Po-breza”. 
É necessário erra-dicar 
a pobreza, mas, se-gundo 
a União Europeia, 
“Portugal é o país onde há 
mais desigualdade entre 
ricos e pobres.” No mes-mo 
sentido, as estatísticas 
indicam que um em cada 
cinco portugueses vive no 
limiar da pobreza. 
Com o intuito de saber-mos 
mais sobre o sentido 
do Dia Internacional para 
a Erradicação da Pobre-za, 
o jornal “Encontro” 
entrevistou a professora 
Manuela Paredes, coor-denadora 
da Biblioteca da 
Escola Francisco de Ho-landa. 
Encontro - De onde sur-giu 
a ideia para esta ati-vidade 
da erradicação da 
pobreza? 
Professora Manuela Pa-redes 
- Em 2009 a Oikos, 
representante da “Glo-bal 
Call To Action Against 
Poverty (GCAP)”, lançou 
o desafio às escolas para 
se juntarem ao movimen-to 
"The World We Want", 
através da campanha 
denominada “Pobreza 
Zero”. Assim iniciou esta 
manifestação pelo “Mun-do 
que Queremos”. A nos-sa 
atividade denominou- 
-se: “Levanta-te contra a 
Pobreza-2009” e, como já 
referi, integrou-se numa 
proposta nacional (ela 
mesma fazendo parte da 
proposta dos grandes lí-deres 
mundiais), com o 
objetivo de pressionar 
esses líderes para cumprir 
a promessa feita de erra-dicar 
a pobreza (Objetivos 
para o Desenvolvimento 
do Milénio). 
A atividade teve lugar no 
Pavilhão Francisco de Ho-landa, 
no dia 16 de Ou-tubro 
de 2009. A adesão 
da escola refletiu-se na 
presença de 920 pessoas, 
contribuindo para alertar 
quer os presentes, pois 
muitos deles desconhe-ciam 
a iniciativa e a sua 
importância, quer os ou-tros 
países, aos quais o 
nosso se juntou.Nos anos 
seguintes, continuamos a 
unirmo-nos a esta causa, 
pois somos cidadãos do 
mundo e, às vezes, é pre-ciso 
lembrar os “adorme-cidos” 
que é preciso agir, 
tomar posição e mostrar 
que não esquecemos as 
promessas feitas pelos 
grandes líderes mundiais. 
A escola tem esse dever: 
formar cidadãos e esta é 
uma das formas de o fa- 
zermos. 
Encontro- Qual o princi-pal 
objetivo da iniciativa? 
Professora Manuela - O 
objetivo principal é mos-trarmos 
que os jovens 
não estão insensíveis ao 
que se passa no mundo. 
Por outro lado, apesar de 
se tratar de uma iniciati-va 
simbólica, a verdade 
é que, quando milhões 
de pessoas, em todo o 
mundo, se juntam, de-monstram 
o poder de or-ganizações 
da sociedade 
civil, em torno de um ob-jetivo 
comum. Este gesto 
mostra a força da união, 
na luta contra a pobreza 
e a desigualdade. E nós 
queremos que os nossos 
jovens façam parte desta 
sociedade ativa e inter-ventiva. 
Encontro - Acha que os 
alunos da nossa escola fi-caram 
sensibilizados? 
Professora Manue-la 
- Quando aderimos 
à iniciativa em 2009, os 
jovens mostraram-se sen-sibilizados. 
O facto de nos 
encontrarmos em 2014 
e continuarmos com a 
iniciativa prova que se 
verifica uma mudança 
de atitude dos nossos jo-vens. 
Como referiu a Drª 
Adelina Paula, presente, 
este ano, no evento, esta 
iniciativa não é um conví-vio 
ou uma forma de não 
ter aula. É uma iniciativa 
séria, por uma causa que 
nos diz respeito a todos. 
A atitude dos jovens, ao 
longo dos anos, tem reve-lado 
esse respeito, depois 
cabe aos professores, aos 
pais, refletir sobre o que 
foi dito. Se nos deixar-mos 
pelo momento e não 
refletirmos sobre o que 
ouvimos, então de pouco 
terá valido. No entanto, 
eu acredito que essa re-flexão 
se faz e que se dá 
lugar ao debate. 
Encontro - Existiu alguma 
dificuldade na realização 
desta atividade? 
Professora Manuela - 
Um evento deste género 
nunca é muito fácil, mas 
este ano, nós fomos con-vidados 
a participar na 
iniciativa organizada pela 
Escola Profissional Profi-tecla 
– polo de Guimarães 
(como fizéramos anos an-tes). 
A responsável pela 
organização do evento foi 
a professora Sara Garcia, 
com quem trabalhei co-laborativamente. 
Coube- 
-me convidar os profes-sores, 
que são sensíveis 
a estas causas, acompa-nhando 
os seus alunos 
para que todos pudessem 
estar presentes e unidos 
por esta causa humani-tária. 
Reitero que todos 
foram recetivos e, como 
sempre, contamos com o 
apoio da Diretora da nos-sa 
escola, Drª Rosalina Pi-nheiro. 
Encontro - Acha que 
atualmente se estão a 
perder ou a aumentar os 
princípios de solidarieda-de 
neste tipo de causas? 
Professora Manuela - 
Penso que numa socieda-de 
em que cada um vive 
para si mesmo, esque-cendo 
os valores que a 
norteiam, é reconfortante 
ver que os jovens, quan-do 
chamados a agir neste 
tipo de causas, se revelam 
solidários e sensíveis. São 
estas atitudes que me fa-zem 
acreditar que a mi-nha 
profissão vale a pena 
e que se cada um fizer um 
pequeno gesto para aju-dar 
o outro, se conseguirá 
continuar a acreditar no 
ser humano. 
Guimarães Digital 
Guimarães Digital 
Guimarães Digital 
Guimarães Digital
Dezembro de 2014 7 
Reflexos da pobreza no 
Agrupamento Escolas Francisco de Holanda 
Verónica Gomes, 12CSE1 
“23 de outubro de 2014 
Esta quinta-feira é dia de 
greve dos alunos do ensi-no 
secundário. 
Em Guimarães dezenas 
de alunos da Escola Se-cundária 
Francisco de Ho-landa 
aderiram à greve. 
Os alunos justificam o dia 
de luta com a necessidade 
de defender a escola pú-blica 
de qualidade. Uma 
situação que entendem 
que se agravará com o 
anunciado corte de 700 
milhões de euros no or-çamento 
do Ministério 
da Educação do próximo 
ano. 
Refira-se que em Guima-rães, 
apenas alunos da 
Secundária Francisco de 
Holanda aderiam à gre-ve.” 
in Guimarães Digital 
Num país em crise, os 
cortes afetam quase tudo 
e todos, incluindo o setor 
da educação. O corte de 
700M€ previsto no próxi-mo 
orçamento de Estado 
foi motivo de greve, pro-testo 
e indignação por 
parte dos nossos alunos. 
Mas esta é apenas uma 
gota no oceano da aus-teridade 
que tem vindo 
a ser aplicada em Portu-gal. 
Diariamente, somos 
bombardeados com no-tícias 
alusivas ao estado 
de crise em que o país se 
encontra, estatísticas que 
o comprovam, e como re-visão 
de prova, vemos na 
realidade do dia-a-dia o 
reflexo da recessão. 
A palavra “pobreza” tem 
vindo a tornar-se mais 
familiar. Neste artigo, 
iremos abordá-la numa 
perspetiva mais particu-lar, 
circunscrita aos jovens 
no meio escolar. Não é 
algo fácil de detetar no 
meio de salas com 30 alu-nos 
– na maioria com ida-des 
compreendidas entre 
os 15 e os 18 anos – em 
que a imagem é uma par-te 
muito importante a ter 
em conta. As roupas e o 
calçado de marca enco-brem, 
muitas vezes a rea-lidade 
difícil que é vivida 
em casa. 
O número de famílias em 
que os dois membros do 
casal estão desemprega-dos 
continua a aumen-tar. 
Não é nada fácil para 
os pais nestas condições 
sustentar a lista infindável 
de despesas, que abarca 
os muitos gastos com os 
filhos. Só ao nível da es-cola 
há que ter em conta 
o material escolar, despe-sas 
de transporte, expli-cações, 
refeições, etc. São 
gastos que têm um peso 
considerável no orçamen-to 
familiar. 
A pobreza atinge um em 
cada três jovens portu-gueses. 
Segundo Esta-tísticas 
do Eurostat, “o 
risco de pobreza entre os 
jovens portugueses dis-parou 
de 22% para 30% 
numa década”. Já os da-dos 
do INE indicam tam-bém 
que o risco de pobre-za 
entre os menores de 
18 anos está a aumentar, 
atingindo agora os 24,4% 
– mais 2,6 pontos percen-tuais 
que em 2011. 
O Agrupamento de Esco-las 
Francisco de Holanda 
tem cerca de 1700 alunos 
(pré-escolar, 1º ciclo, 2º 
ciclo, 3º ciclo e secundá-rio). 
Destes 1700 alunos, 
mais de metade (54%) 
têm direito a escalão (A 
ou B). 
Dos 1298 alunos que 
frequentam a ESFH, 585 
beneficiam da ASE (Ação 
Social Escolar). É um nú-mero 
preocupante, tendo 
a conta a evolução do nú-mero 
de alunos com esca-lão, 
a qual é apresentada 
na tabela. 
E será que a escola deve 
ter um papel nesta situa-ção? 
Será que deve assu-mir 
alguma responsabi-lidade? 
Claro que sim. O 
Governo concede apoios 
às escolas públicas, dire-cionados 
especificamente 
para os alunos com mais 
dificuldades financeiras. 
Além disso, os próprios 
estabelecimentos de en-sino 
podem e devem de-senvolver 
mecanismos 
internos que complemen-tem 
a ajuda do Estado. 
Para sabermos mais sobre 
estes recursos disponíveis 
e a forma como atuam, 
o jornal “Encontro” en-trevistou 
a Dr.ª Rosalina, 
Diretora do Agrupamento 
de Escolas Francisco de 
Holanda. 
JE – Acha que o número 
de alunos carenciados 
tem vindo a aumentar na 
ESFH? 
Dr.ª Rosalina – Claro que 
sim, é evidente e bastante 
notório. Quando comecei 
a trabalhar na direção (há 
14 anos), a escola tinha 
100 alunos com escalão, 
dos 2200 alunos no total. 
Atualmente, existem me-nos 
alunos na totalidade, 
mas o número de alunos 
carenciados aumentou 
significativamente, com-parativamente 
ao de há 
14 anos. 
JE – Quais são os meios 
ao dispor da escola para 
ajudar os alunos mais ca-renciados? 
Dr.ª Rosalina – No geral, a 
escola segue o sistema da 
Ação Social Escolar (ASE). 
Neste sistema, atribui-se 
aos alunos mais carencia-dos 
um escalão A ou B, 
que correspondem ao es-calão 
1 e 2 da Segurança 
Social, respetivamente. 
JE – Esses mesmos apoios 
têm sofrido alterações 
(porventura devido à cri-se 
no país)? 
Dr.ª Rosalina - Sim, o Go-verno 
tem vindo a restrin-gir 
as normas de acesso 
à ASE. Tais restrições são 
relativas ao IRS – os ren-dimentos 
dos pais têm de 
ser muito baixos para que 
o aluno possa beneficiar 
da ASE. No entanto, verifi-ca- 
se que, mesmo nestas 
condições, são cada vez 
mais os alunos que neces-sitam 
deste tipo de apoio. 
JE – A escola dispõe de 
medidas próprias (que 
não sejam uma diretiva 
do Governo) para ajudar 
estes alunos? 
Dr.ª Rosalina – A diretora 
deve obediência às linhas 
orientadoras do Conselho 
Geral, na prática da ação 
social. Mas podem-se 
definir algumas medidas 
concretas dentro da pró-pria 
escola. Por exemplo, 
em situações em que o 
rendimento da família de 
um aluno diminui brus-camente, 
durante um 
período de tempo (ima-ginemos 
que o pai de um 
aluno não recebe o seu 
salário, durante alguns 
meses), o Encarregado 
de Educação pode fazer 
um requerimento à esco-la, 
acedendo a um docu-mento 
que se encontra na 
página online. Além disso, 
o dinheiro que advém do 
lucro do buffet e da pape-laria 
é usado no apoio aos 
alunos mais carenciados, 
nomeadamente no finan-ciamento 
de visitas de es-tudo. 
JE – Como se poderia tor-nar 
o sistema de apoio a 
estes alunos mais eficaz? 
Dr.ª Rosalina – O Governo 
não fiscaliza consciências. 
Eu considero, ao contrá-rio 
do que muita gente 
diz, que os Governos dos 
últimos anos, apesar das 
dificuldades, têm vindo 
a promover os apoios à 
ASE. No entanto, como 
estes subsídios são atri-buídos 
com base no IRS, 
há alunos que estão a 
receber estes apoios in-devidamente, 
enquanto 
outros que realmente ne-cessitam 
não beneficiam 
deles.
8 Dezembro de 2014 
Verónica Gomes, 12CSE1 
Para se ter uma ideia do 
que acontece na EB 2,3 
Egas Moniz, Encontro 
teve a oportunidade de 
contar com o contributo 
da professora Dominique 
Silva, Coordenadora de 
Estabelecimento da Esco-la 
EB 2,3 Egas Moniz. 
JE- Acha que o número 
de alunos carenciados 
tem vindo a aumentar na 
Escola Egas Moniz? 
Professora Dominique 
- Essencialmente, o que 
se nota é que, nos últi-mos 
anos, aumentaram 
as situações em que há 
desempregados no agre-gado 
familiar (pai ou mãe 
e em alguns casos até os 
dois). 
JE - Quais são os meios de 
que a escola dispõe para 
Reflexos da pobreza no Agrupamento de 
Escolas Francisco de Holanda 
ajudar os alunos mais ca-renciados? 
Professora Dominique - 
Para além da atribuição 
do apoio “Escalão A”/ “Es-calão 
B”, é também pos-sível 
atribuir um reforço 
alimentar que consiste no 
acesso a lanche a meio da 
manhã e a meio da tarde. 
JE- Esses mesmos apoios 
têm sofrido alguma alte-ração 
(porventura devido 
à crise no país)? 
Professora Dominique - 
Por exemplo, nos últimos 
anos procurou-se promo-ver 
a reutilização dos ma-nuais 
escolares, tendo-se 
inclusivamente instau-rado 
a obrigatoriedade 
de devolução dos livros, 
em final de ciclo, nos ca-sos 
em que estes foram 
fornecidos aos alunos no 
Escola Egas Moniz 
âmbito da Ação Social Es-colar. 
JE - A escola dispõe de 
medidas próprias (que 
não sejam uma diretiva 
do Governo) para ajudar 
estes alunos? 
Professora Dominique - 
Graças aos professores 
(em particular dos direto-res 
de turma, no âmbito 
do seu campo de atua-ção 
privilegiado junto dos 
alunos e encarregados de 
educação) e ao trabalho 
atento dos assistentes 
operacionais, é possível 
detetar situações de ca-rência 
que não chegam 
ao conhecimento da es-cola 
por uma via formal 
de pedido de apoio. A co-munidade 
educativa está 
sensibilizada para as difi-culdades 
que muitas fa-mílias 
atravessam: a título 
de exemplo, está prevista 
uma recolha de donativos 
alimentares, no âmbito 
da palestra “Promoção de 
estilos de Vida/Alimenta-ção 
Saudáveis”, promo-vida 
pela Associação de 
Pais e Encarregados de 
Educação da E.B. 2, 3 Egas 
Moniz, a realizar no próxi-mo 
dia 5 de dezembro. 
JE- Como se poderia tor-nar 
o sistema de apoio a 
estes alunos mais eficaz? 
Professora Dominique 
- Devemos continuar a 
estar atentos e procurar 
proporcionar um encami-nhamento 
que produza 
uma resposta eficaz para 
cada situação. 
A POBREZA: UM 
FLAGELO PARA 
COMBATER 
A pobreza e a desigualda-de 
social atingem níveis 
cada vez mais elevados. 
Este cenário é quase dia-riamente 
retratado pela 
comunicação social, ape-lando 
para a interajuda 
entre todos e apresen-tando 
possíveis soluções 
para solucionar o proble-ma. 
Na verdade, não é ne-cessário 
uma reportagem 
televisiva para nos alertar 
de uma realidade que 
nos é tão próxima uma 
vez que, basta andar pe-las 
ruas que se vê a cada 
esquina crianças a pedir 
esmola, adultos e idosos 
sem terem o que comer 
e um teto que os abrigue. 
Tão grave quanto a exis-tência 
dos problemas é ig-norá- 
los. A resolução des-tes 
está, na maioria das 
vezes, nas mãos daqueles 
que insistem em fingir 
que, ao refugiarem-se nas 
suas futilidades, eles dei-xam 
de existir. Isto porque 
são as classes mais altas 
que têm capacidades fi-nanceiras 
para ajudar os 
mais necessitados, con-tudo, 
talvez por como-dismo, 
não o fazem. So-mente 
em raras ocasiões 
como o Natal ou a Páscoa, 
é que o espirito de cari-dade 
aumenta, mas não 
devem ajudar, somente, 
nestas alturas, pois não é 
só nestas alturas que os 
mais carenciados necessi-tam 
de comida ou de rou-pa 
mais quente e confor-tável. 
De acordo com as 
Nações Unidas, aproxima-damente 
25.000 pessoas 
morrem de fome todos 
OPINIÕES SOBRE... 
O VOLUNTARIADO 
Ajuda e sorri! 
Demorou algum tempo a 
ganhar coragem! O pre-conceito 
era grande, mas 
a vontade de ser proacti-va 
era muito maior. Após 
ultrapassar as formações 
protocolares, o barulho 
ensurdecedor das grades 
e algum receio, conheci 
uma nova realidade. Foi 
no estabelecimento pri-sional 
que tive a minha 
primeira experiência de 
voluntariado. Tornou-se 
muito importante para o 
meu crescimento pessoal 
este contacto duro com 
um modo de vida que 
desconhecia. Entendi que 
as falhas, por vezes, têm 
graves consequências e 
que, na maior parte das 
vezes, são obstáculos evo-lutivos. 
A vontade de fazer vo-luntariado 
é na minha 
perspetiva, movido pelo 
meu egoísmo. Acredito 
que em última instância 
faço este tipo de ativida-des 
para procurar o meu 
bem-estar interior. Pre-tendo 
estar tranquila e 
sentir que cumpro com a 
minha comunidade, por 
consequência tem um im-pacto 
positivo. 
Na minha opinião ser 
voluntário não neces-sita 
de haver apenas 
trabalho por parte de 
uma entidade oficial. 
Todos os dias, temos 
oportunidade de criar la-ços 
de empatia com quem 
nos rodeia e ajudar o pró-ximo. 
Esta capacidade de 
colocar-nos no lugar do 
outro e não, apenas, sim-patizar 
com as situações é 
o que faz de nós melhores 
seres humanos. 
Dessa forma, sugiro que 
procures dar um pouco 
de ti a uma causa com a 
qual te identifiques. Exis-tem 
inúmeras opções na 
tua localidade: Cruz Ver-melha 
Portuguesa, Asso-ciação 
de apoio à criança, 
Coração na Rua, abrigo de 
animais… Na nossa esco-la 
já existiram iniciativas, 
neste âmbito. Contudo 
nada te impede de se-res 
tu o impulsionador 
de uma. No meio de to-das 
estas sugestões, não 
te esqueças de começar 
pelo mais simples: olha 
para o lado e sorri! 
Margarida Machado, 11 CT7 
os dias. Infelizmente, são 
as crianças que falecem 
com mais frequência. Te-mos 
que para com o “cli-chê” 
de que “o que os 
olhos não vêm, o coração 
não sente”, porque hoje 
são eles a precisarem do 
nosso auxílio, mas quem 
sabe um dia poderemos 
ser nós. 
Portanto, é necessário 
acabar com as desigual-dades 
e estabelecer um 
mínimo de sobrevivência, 
que vá além da teoria e 
que se estabeleça defini-tivamente 
na sociedade. 
Petra Carneiro, 12CT6
Dezembro de 2014 9 
VIDA DE ESTUDANTE 
Olá, o meu nome é Antó-nio 
e estou aqui para vos 
falar da minha interessan-te 
rotina escolar e para 
vos mostrar o quão diver-tido 
é ir para as aulas...ou 
talvez não, mas isso vere-mos! 
Acordo às 07:00h, ainda 
cheio de sono e sem von-tade 
nenhuma de sair da 
cama. Saber que me es-pera 
um dia longo e cheio 
de fichas e trabalhos, que 
obviamente não posso re-cusar, 
pois não é um bom 
sentimento. 
Saio de casa às 08:00 
para apanhar o autocarro, 
sempre ocupado, o que 
impossibilita a hipótese 
de fazer a viagem senta-do. 
Chego à escola por volta 
das 8:15 e, finalmente, 
encontro pessoas que 
partilham a minha dispo-sição 
e com quem posso 
conversar sobre as novi-dades 
ocorridas na noite 
anterior. E ficamos sem-pre 
na esperança de que 
algum funcionário venha 
com a grande notícia, de 
que o professor tenha fal-tado. 
Mas tal não acon-tece. 
Chega o professor 
na hora de começar mais 
uma rotina. Fico fechado 
dentro de uma sala com 
30 alunos, durante 90 mi-nutos 
que, cá para nós, 
parece uma eternidade. 
TPC: fazer resumo das pá-ginas 
34 e 35 do manual e 
fazer os exercícios respe-tivos 
para a próxima aula 
Intervalo... até que em 
fim. Está na hora de nos 
reunirmos todos e de fa-larmos 
do quão chata fora 
a aula, ou simplesmente 
reunidos a comer os nos-sos 
lanches comprados 
na cantina ou trazidos de 
casa. 
10:10h, de volta à sala, 
desta vez com francês ... 
uma desgraça nunca vem 
só. Hoje a aula foi tããão 
aborrecida! 
TPC: ler página 67 e fazer 
os exercícios das páginas 
100 e 101. 
11:40, mais uma pausa, é 
o último intervalo da ma-nhã, 
o que significa que 
daqui a uma hora e meia 
já estou fora das (j)aulas. 
TPC: fazer um trabalho 
sobre o mercantilismo 
Francês 
Finalmente, toca às 13:20, 
que para mim é como a 
badalada da meia-noite, 
ou seja, hora de almoço. 
13:50, chego a casa para 
um bom almoço. Se con-seguir, 
até faço uma pe-quena 
sesta antes de vol-tar 
para o autocarro. 
15:20, com muito esforço 
lá me preparo uma vez 
mais para ir para a para-gem, 
desta vez o autocar-ro 
não vai tão cheio o que 
é muito reconfortante. 
Sinceramente não vale a 
pena continuar com esta 
lenga lenga, pois tudo se 
repete... aulas, intervalo, 
aulas, intervalo e mais au-las. 
18:30, saio da escola, DE 
VEZ, e chego a casa com 
carradas de TPC’s e tra-balhos 
para fazer (como 
este) e se tiver sorte ma-térias 
para estudar. 
Talvez esteja a ver as 
coisas pelo lado errado, 
mas... Numa franca opi-nião, 
imaginem-se na 
situação de, por vezes, 
não ter os fins de semana 
livres pela simples razão 
de ter de estudar para 
dois ou três testes nes-sa 
semana. Mas, vendo 
pelo lado mais positivo, 
por vezes, nem sabemos 
a sorte que temos, a sor-te 
de podermos aprender 
coisas novas, a sorte de 
termos pessoas a acre-ditar 
nas nossas capaci-dades, 
a sorte de ter um 
futuro melhor, a sorte de 
ter amizades que durarão 
para o resto das nossas 
vidas, a sorte de ter expe-riências 
que contaremos 
um dia aos nossos filhos 
e netos. 
A escola proporciona-nos 
tudo isso. Mas mais uma 
vez, para isso, é necessá-rio 
acordar as 07:00, ain-da 
cheio de sono... 
Anónimo, 11LH3 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
UMA REALIDADE 
CADA VEZ MAIS 
ASSUSTADORA 
Até este ano não tinha o 
hábito de assistir ao no-ticiário. 
Todo aquele pa-lavreado 
técnico sobre 
economia, política, ges-tão 
e sei lá mais o quê (e 
não o sei, porque, como 
já disse, não assistia ao 
telejornal, ou, então, 
“assistia” ao telejornal) 
teciam o maior e o mais 
caótico dos emaranhados 
de palavras e números na 
minha cabeça. Para isso, 
já tenho a Matemática e 
companhia, não é? No en-tanto, 
este ano decidi que 
estava na altura de “dar o 
salto” e de começar a es-tar 
mais atenta àquilo que 
se passa no mundo (e vim 
a descobrir que, de facto, 
há mesmo muita coisa e 
muita gente a “passar- 
-se”). 
Bastou-me ver, algumas 
vezes, o telejornal para 
perceber logo o esquema 
da coisa. Por isso, é que, 
confesso, quando liguei 
a TV naquele dia, já não 
estava à espera de boas 
notícias, tinha só a espe-rança 
(somente porque 
essa é sempre a última a 
morrer) de notícias neu-tras, 
mas aquilo, aquilo 
para mim, foi demais. Era 
já o quarto dia consecu-tivo 
em que as luzes do 
televisor acendiam ape-nas 
para me informar que 
mais uma mulher portu-guesa, 
nos seus quarenta 
e tal anos, tinha morrido. 
A causa? Violência do-méstica, 
claro e a causa 
por detrás dessa causa? 
Bem...já lá chegaremos. 
Não é ficção, é facto! E 
mais! É facto comprovado 
por estudos estatísticos, 
se bem que não eram pre-cisos 
estudos para perce-ber 
que, de ano em ano, 
morrem cada vez mais 
mulheres e crianças, devi-do 
a maus-tratos, em Por-tugal. 
Eu consegui aperce-ber- 
me disso só de ligar a 
caixa mágica e aposto que 
não fui a única. De facto, 
não tenho memória de 
um ano assim: “caiu das 
escadas” para ali, “mor-ta 
a tiro” para acolá, “es-pancada 
até à morte” não 
sei onde. Eu é que queria 
espancar a televisão por 
me estar a dar a conhecer 
uma realidade tão cruel 
que chega a ser irreal! 
Só este ano morreram 
42 mulheres, vítimas de 
violência doméstica. 
E que tenha a decência de 
reconhecer que está pro-fundamente 
errado quem 
pensa que “só os da terri-nha” 
é que estão ligados 
a estas situações, porque 
o leque de vítimas abran-ge 
dentistas, advogadas, 
médicas, enfermeiras, 
secretárias, entre muitas 
outras. 
Remetendo, agora, como 
tinha prometido, para as 
causas da violência do-méstica, 
digo, admitindo 
a minha impotência e ig-norância, 
não sei quais 
são. Chego mesmo a re-conhecer 
que não sei. Po-rém, 
tenho uma suspeita: 
aquilo a que o povo tem 
por hábito chamar “o 
berço”. A educação meus 
caros! Infelizmente, o que 
muitos não veem é que 
a educação que é incu-tida, 
não só nas escolas, 
mas também (e principal-mente) 
em casa, é fun-damental 
na edificação 
do indivíduo. Claro que, 
se ensinarem às crian-ças, 
desde tenra idade 
(que é nessa altura que 
se aprende), o valor do 
respeito, do entendimen-to 
mútuo, da paciência, 
da compreensão, etc., 
as probabilidades de es-tas 
virem a crescer para 
se tornar pessoas com 
“p” maiúsculo são muito 
maiores do que se lhes 
levantarem o tom de voz 
ou até, passe a expressão, 
“lhes aquecerem as bo-chechas” 
quando erram. 
Porém, o problema não 
está só aí, a peste (que 
não tem mesmo outro 
nome) está enraizada 
em coisas tão aparente-mente 
inofensivas como, 
por exemplo, os video-jogos. 
Passo a expor um 
exemplo concreto. Aqui 
há tempos, os meus pri-mos 
de cinco anos vie-ram 
visitar-me e qual foi 
o meu espanto quando, 
ao tentar comunicar com 
eles, tive de fazer um es-forço 
“do outro mundo” 
para conseguir ver os seus 
olhos (só de relance), 
sempre colados na con-sola. 
“Olha lá, a que é que 
estás a jogar?», pergun-tei 
eu indignada. “Estou 
a matar as pessoas desta 
cidade e a destruir-lhes os 
tanques”, respondeu ele 
com a maior das tranqui-lidades. 
Se fosse anatomi-camente 
possível, eu juro, 
caía-me o queixo de ta-manha 
admiração, se não 
mesmo, escândalo! Como 
é que esperam que crian-ças 
que gostam de matar 
pessoas no mundo virtual 
não possam vir também a 
apreciar o sentimento de 
magoar os outros na di-mensão 
real? Já parece o 
caso do rapaz que caiu da 
varanda de sua casa, por-que 
pensava que podia 
ser como o Spiderman. 
É com tristeza que afirmo 
que muitos não dão a 
devida importância a isto. 
Se as mulheres que são 
vítimas de maus tratos 
não vos comovem, peço- 
-vos, então, que façam o 
seguinte exercício mental: 
pensem na perspetiva dos 
filhos destes casais. 
Conseguem imaginar? Eu 
acho que sou capaz de 
o fazer, talvez seja algo 
do género: chegar a casa 
sem vontade de chegar 
a casa, hesitar à entrada, 
com um esforço imenso, 
rodar a chave que há tan-tos 
anos treme só de pen-sar 
em abrir aquela porta, 
pousar a mochila a medo, 
só com o ruído do titilar 
dos dentes, ouvir um cho-ramingar 
que quem nos 
dera ser mais distante, ir 
de encontro a ele, estacar 
perante um braço pisado, 
uma figura altiva e um 
olhar que é comprome-tedor, 
mas que não é de 
cumplicidade e saber o 
que te espera... 
Para finalizar, quero só cri-ticar 
os media pela forma 
como andam a divulgar os 
casos de morte por vio-lência 
doméstica. É que, 
fazem-no como se fosse 
só mais um acontecimen-to, 
como se fosse normal. 
Desculpem, mas, na mi-nha 
opinião, não deveria 
haver nada de usual a 
envolver estas situações. 
Para além disso, penso, 
também, que o acesso a 
armas de fogo deveria ser 
mais limitado. Sei bem 
que quem quer ferir aca-ba 
sempre por arranjar 
meio para o fazer e, além 
do mais, este tipo de ins-trumento 
nem sequer é o 
primeiro na lista dos mais 
usados para fins de vio-lência 
doméstica. Porém, 
não consigo deixar de ter 
algum receio de que nos 
tornemos numa América, 
onde até miúdos de cinco 
anos têm pistolas e, pior, 
sabem como usá-las! 
Faço um último apelo, 
desta vez não a vocês, 
mas a essa entidade do 
Pólo-Norte que nunca a 
nos desilude: o Natal está 
próximo e isso significa 
que a passagem de ano 
também já está mesmo aí 
ao virar da esquina. Cos-tuma- 
se dizer: “Ano Novo, 
vida nova”, mas no nosso 
caso é mais: “Ano novo, 
país novo”. Por favor! 
Inês Fernandes, 11CT2
10 Dezembro de 2014 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA 
Com o objetivo de criar 
hábitos em situações de 
defesa das pessoas e de 
implementar as Medidas 
de Autoproteção (MAP), 
no passado dia 25 de no-vembro, 
pelas 10 horas e 
trinta minutos, efetuou- 
-se na Escola Secundária 
Francisco de Holanda, um 
simulacro de evacuação. 
A ação foi programada 
pela Direção e teve a co-laboração 
dos Bombeiros 
Voluntários de Guimarães 
e da Polícia de Segurança 
Pública. 
Houve seriedade e rigor 
na execução de todo o 
exercício. 
Ao toque contínuo da 
sirene, cada professor, 
em situação de aula, deu 
instruções no sentido de 
os alunos se colocarem 
em pé e em duas filas 
paralelas, no interior da 
sala, colocando-se o de 
delegado/representante 
da turma à frente (che-fe 
de fila). De seguida, o 
professor abriu a porta e 
aguardou instruções do 
Coordenador de setor. 
Recebidas as instruções, 
de imediato deu ordem 
de saída, fazendo respei-tar 
SIMULACRO DE EVACUAÇÃO DA 
a ordem das duas fi-las 
paralelas. O professor 
de cada turma, depois 
de verificar que não fi-cou 
ninguém no interior 
da sala, fechou a porta e, 
cerrando a fila, conduziu 
os alunos até ao Ponto 
de Encontro – Plataforma 
das Artes, estando já o 
trânsito cortado, pela Po-lícia 
de Segurança Pública 
que, também, colaborou 
na orientação da evacua-ção. 
No Ponto de Encon-tro, 
respeitando as instru-ções 
dos coordenadores 
desse setor, os alunos de 
cada turma, de forma or-deira, 
mantiveram-se em 
duas filas paralelas, com 
o professor à frente e o 
delegado/representante 
na retaguarda. Aí ficaram 
até receberem instruções 
no sentido de poderem 
voltar à Escola. Todos os 
utentes da escola que não 
estavam nas salas de au-las 
seguiram as instruções 
dos Coordenadores de se-tor 
e dirigiram-se para o 
Ponto de Encontro. 
Para que tudo corresse 
com calma e sem pâni-co, 
aos alunos, foram 
explicitadas as regras 
de comportamento 
em caso de emergên-cia. 
Foi explícito que, 
ao ouvir o sinal de alar-me 
para evacuação (si-rene 
contínuo), se deve 
seguir as indicações do 
coordenador de setor/ 
professor e cumprir os 
seguintes princípios bá-sicos: 
• Evitar o pânico e 
manter a calma; 
• Iniciar imediatamen-te 
a evacuação, seguin-do 
pelos corredores in-dicados 
nas Plantas de 
Emergência; 
• A evacuação deve ser 
de forma rápida e or-deira; 
• Movimentar-se em 
passo rápido, mas sem 
correr, evitando em-purrar 
outras pessoas e 
em silêncio; 
• Em situação de aula, 
o aluno responsável 
deve abrir totalmente 
a porta da sala de aula 
e, de acordo com as 
instruções, conduzir os 
restantes alunos para 
o Ponto de Encontro 
(situado na Plataforma 
das Artes); 
• O Professor deve ser o 
último a sair da sala, fe-chando 
a porta e seguindo 
imediatamente a turma; 
deve verificar se todos os 
alunos estão presentes no 
Ponto de Encontro; man-ter 
a ordem no ponto de 
encontro; 
• Não se preocupar com 
documentos, livros, pa-péis, 
vestuário, veículos, 
etc.; 
• Quem se encontrar fora 
das salas de aula deve 
seguir as sinalizações de 
saída e dirigir-se para o 
Ponto de Encontro; 
• Descer as escadas en-costado 
à parede; 
• Nunca utilizar o eleva-dor; 
• Caso exista fumo, em 
quantidade suficiente 
para dificultar a respira-ção 
e a visibilidade, prote-ger 
a boca e nariz com um 
pano e movimentar-se ga-tinhando; 
• Depois de sair do edifí-cio, 
nunca voltar ao seu 
interior por qualquer mo-tivo; 
• Não perturbar a ação 
dos bombeiros e dos 
agentes da autoridade; 
• Todos devem permane-cer 
no Ponto de Encontro 
a aguardar instruções. 
Foi ainda recomendada 
uma observação atenta 
da escola, de forma a 
proceder a uma eficaz 
perceção dos sinais de 
emergência, dos ca-minhos 
a seguir em si-tuação 
de emergência, 
a partir da sala de aula 
e ao conhecimento da 
localização do Ponto 
de Encontro. No senti-do 
de evitar acidentes, 
a organização foi im-perativa 
na solicitação 
ao cumprimento dos 
avisos e na exigência 
de respeito pelos sinais 
de segurança, meios de 
alerta e de combate a 
incêndio. 
Encontro acompanhou 
todo o exercício de eva-cuação 
que envolveu uma 
população escolar de 
1322 pessoas, constatan-do 
que o comportamento 
dos alunos foi exemplar. 
Google Images 
http://guimaraes2012.blogs.sapo.pt/7256.html
Dezembro de 2014 11 
NOTÍCIAS DA 
PEGADA 
São muitas as atividades e 
projetos em que a Escola 
Básica da Pegada está en-volvida. 
Continuamos preocupa-dos 
com o ambiente. Por 
isso, estamos a separar 
plástico, que é recolhido 
na escola pela empre-sa 
Vitrus, para ajudar na 
aquisição de camas ar-ticuladas 
e cadeiras de 
roda, e papel e cartão, 
no âmbito da campanha 
“Resíduos a Pedo”, da Re-sinorte. 
Somos solidários com as 
causas justas e, por isso, 
no dia 30 de outubro, jun-tamo- 
nos aos que quise-ram 
lembrar a importân-cia 
da deteção precoce 
do cancro da mama. Uma 
doença que pode afetar 
qualquer um. Entre ou-tras 
coisas, construímos 
um laço humano, mos-trando 
que estamos aler-ta 
para esta doença. 
Em parceria connosco 
tem trabalhado a Asso-ciação 
de Pais da Pega-da. 
Para encerrar o pri-meiro 
período letivo, a 
Associação promoverá 
uma festa-convívio com 
alunos, professores e en-carregados 
de educação. 
Será uma pequena festa 
de Natal, que pretende 
juntar a nossa escola e o 
Jardim de Infância de Azu-rém, 
a acontecer no dia 
16 de dezembro, no Sa- 
Alimentação 
No diA da alimentação 
na escoLa comi uma sande saudável 
com fIambre, ovo, alface e 
toMate 
nEste dia devemos comer alimentos bons 
Não devemos comer 
chocolaTes senão a 
Obesidade toma conta de 
nóS 
lão Paroquial de Azurém, 
a partir das 18h30. Todos 
estão convidados. 
No dia 18 de dezembro, 
com o apoio da Junta de 
Freguesia, a Associação 
levará as nossas crian-ças 
ao mundo mágico da 
“Vila Natal”, em Santa 
Maria da Feira. Uma ati-vidade 
que proporcionará 
um dia inesquecível! 
No início do mês de janei-ro, 
mantendo a tradição, 
os alunos do terceiro ano 
cantarão os Reis aos pais 
e encarregados de edu-cação. 
Queremos manter 
estreitas as ligações entre 
a escola e a comunidade, 
aproveitando para dese-jar 
um bom ano a todos. 
1º ano EB1 da Pegada 
2º ano EB1 da Pegada 
Suplemento das Escolas EB1
12 Dezembro de 2014 
Suplemento das Escolas EB1 
3º ano EB1 da Pegada 4º A EB1 da Pegada 
Escola, uma porta para o mundo 
De volta à escola 
Abrem-se as portas 
Ao conhecimento 
E ao mundo 
Voa o pensamento 
Leva-nos a viajar 
Sem sair do lugar 
Dançam as letras 
Formam palavras 
Os números saltam 
Fazem-se contas 
As ciências não faltam 
Riscos e representações 
Jogos e canções 
Entramos "pobres" 
Saímos mais "ricos" 
De tanto conhecer 
E muito ler 
Estamos a crescer 
Aprendemos a viver 
A escola é saber. 
Escrita criativa 
Dia da alimentação 
Adivinha 
Sou um meio de transporte feito de legumes. 
As minhas rodas são feitas com casca de pimento. 
Tenho um brócolo a fazer de suspensão. 
O meu acento é uma beringela. 
O meu guiador é feito com um pimento dividido em 3 
partes. 
A minha distensão é feita de curgetes. 
Quem sou eu? 
Este foi o resultado 
Depois de estudarmos o corpo Humano, resolvemos 
fazer acrósticos na área de Português. 
Corpo 
O corpo humano é 
Resistente e 
Protetor 
Os órgãos internos do corpo 
Humano trabalham muito 
Uns são autênticas 
Máquinas 
A trabalhar dia e noite, 
No nosso corpo ao mesmo tempo 
O que nos permite uma vida saudável 
Este esqueleto 
Suporta o nosso corpo 
Que tem ossos 
Unidos uns aos outros 
E têm diferentes formas 
Longos e curtos 
Estreitos e grossos 
Todos com funções diferentes 
Ossos incríveis, nós temos!
Dezembro de 2014 13 
Lindo! … Lindo!... 
Inicio este artigo, como 
representante do grupo 
Nascer do Sol, do Jardim 
de Infância de Santa Lu-zia, 
com a questão da 
Margarida de Jesus, pe-rante 
o olhar silencioso e 
expectante dos amigos. 
“ Nós somos mesmo mui-to 
importantes?” 
Quantas questões simples 
e complexas, … nesta 
interpelação singela e 
Suplemento das Escolas EB1 
JI Sala “Nascer do Sol”- 
EB1/JI Santa Luzia 
cheia de alegria de uma 
criança, que deu voz a 
todas as que esperavam a 
resposta, pois a pergunta 
também as intrigavam. 
Lindo!... Lindo!... 
Na realidade é um grupo 
de meninos e meninas, 
como tantas outras crian-ças, 
que gostam de brin-car, 
de cantar, de dançar, 
de aprender, de explorar o 
novo, de repetir o mesmo 
jogo a todo o momento, 
JI Sala “Arco-Íris”- 
EB1/JI Santa Luzia 
A MAGIA DOS 
AFETOS NO 
HALLOWEEN 
No passado dia 31 de ou-tubro, 
as crianças da sala 
Arco-Íris receberam a 
visita de duas mães que 
prepararam uma agradá-vel 
surpresa alusiva ao 
Halloween e ao tema do 
nosso projeto de sala “O 
Mundo dos Afetos – Emo-ções 
e Sentimentos”. 
Através das personagens 
da Feiticeira Melissa e da 
Doceira Miramar, com as 
suas assistentes DracBea 
e BruxiVi, as crianças vi-veram 
momentos de pura 
magia! Depois de várias 
experiências levadas a 
cabo pela Feiticeira Me-lissa 
para encontrar o Pó 
Mágico da Felicidade (o 
“Pó de Risos”), as crian-ças 
ajudaram a Doceira 
Miramar a preparar as 
bolachas do Halloween, 
em forma de pequenas 
abóboras, colocando por 
fim, o Pó Mágico. 
As crianças deliciaram-se 
a comer estas bolachinhas 
com poderes mágicos e, 
em pouco tempo, um eco 
de pequenas vozes eufó-ricas 
se fez sentir na sala 
Arco-Íris, irradiando risos 
de Alegria e Felicidade! 
EB1/JI Santa Luzia 1ºB 
Gostamos da escola porque... 
…queremos aprender. 
…aprendemos a ler e a escrever. 
…conhecemos muitos amigos. 
…gostamos de estudar. 
…fazemos atividades divertidas. 
…o professores são amigos. 
…faz-nos pensar. 
…descobrimos novas coisas. … 
...festejámos o S. Martinho. 
…temos uma biblioteca. 
mas se bem observado, 
há sempre algo de muito 
novo, na comunicação, 
na expressão, na integra-ção 
de um novo conheci-mento, 
na inclusão de um 
amigo, na…,são os raios 
do Sol, que faz da sua úni-ca 
cor, a multiplicidade de 
muitas outras. 
As cores dos afetos, das 
criações artísticas, das 
descobertas científicas, 
dos laços que prendem 
com docilidade e respeito 
o coração de todos que 
com eles convivem, do 
abraço espontâneo, da 
escolha fundamentada e 
argumentada, … 
SIM são Muito, Muito IM-PORTANTES, 
porquê? 
Porque aprendem a sen-tir, 
a gostar das pessoas 
lindas que SÃO, nas suas 
diferenças e na partilha 
de conquistas pessoais e 
do grupo, assim crescem 
em cidadania e com ale-gria.
14 Dezembro de 2014 
2º B EB1/JISanta Luzia 
Texto Coletivo 
Depois de saber que Me-linda 
tinha sido raptada 
pelo gigante Bártolo, Ro-meu 
perguntou às suas 
amigas Estrelas, qual 
seria o melhor caminho 
para chegar ao castelo do 
gigante. 
As Estrelas responderam- 
-lhe que deveria seguir 
o caminho que passava 
junto da Fonte das Águas 
Límpidas, onde encontra-ria 
um espelho mágico 
para hipnotizar os sete 
leões esfomeados que 
estavam de guarda. Disse-ram- 
lhe também para ter 
muito cuidado, pois a flo-resta 
estava cheia de bru-xas, 
morcegos e corujas. 
Romeu seguiu viagem 
com os seus amigos: a 
Suplemento das Escolas EB1 
Lua, o Vento, as Nuvens 
e as Estrelas. As Estrelas 
e a Lua iluminaram o ca-minho; 
as Nuvens junta-ram- 
se e tornaram-se tão 
negras, tão negras que 
formaram uma forte tem-pestade 
que obrigou as 
Bruxas a esconderem-se; 
o Vento empurrou-o pela 
torre do castelo que era 
mais alta do que a mais 
alta montanha do mundo 
e onde se encontrava pri-sioneira 
Melinda . 
Quando a encontrou, su-biram 
a uma Nuvem que 
os transportou a casa, 
onde o tio de Melinda os 
esperava, dando-lhes um 
carinhoso abraço. 
Conclusão da História 
«Romeu e Melinda», His-tórias 
fantásticas, de Al-berto 
Melis 
2º C EB1/JISanta Luzia 
Projeto “Uma história, 
uma aventura” 
O 2º- ano, turma C da 
EB1/JI de Santa Luzia vai 
desenvolver, ao longo do 
ano letivo de 2014/2015, 
o projeto de leitura “Uma 
história, uma aventura” 
onde envolve os pais, en-carregados 
de educação e 
famílias. 
Na primeira semana de 
cada mês, em dia e hora 
3º A EB1/JISanta Luzia 
O girassol 
Girassol amarelo 
Castanho no centro 
Tão belo que é 
Parece um coentro. 
Girassol amarelo 
Tem uma bela cor 
Toda a gente o trata 
Com muito amor. 
Girassol amarelo 
É muito perfeito 
Para florir ao sol 
Tem muito jeito. 
Girassol amarelo 
Sempre a florir 
Está no jardim 
Feliz a sorrir. 
Alegre menina 
Rosa encarnada 
Cabeça amarela 
Alegre menina 
Doce e muito bela. 
Rosa encarnada 
Pezinho espinhoso 
Alegre menina 
Coração corajoso. 
Rosa encarnada 
No jardim nascida 
Alegre menina 
No inverno despida. 
já agendada, cada alu-no, 
com o apoio de um 
elemento já inscrito no 
projeto, vai ler, explorar 
e fazer uma atividade so-bre 
uma obra da lista de 
obras para a iniciação à 
Educação Literária e dos 
livros recomendados pelo 
PNL, selecionada no dia 
da receção aos alunos, 
através do desafio Mural 
da Leitura.
Dezembro de 2014 15 
3º B EB1/JISanta Luzia 
Magusto faz-se no S.Martinho 
Acende-se uma fogueira 
Gostamos de enfarruscar a cara 
Uma festa de castanhas 
Saborosas e bem quentinhas 
Tempo frio à espera do verão de S.Martinho 
O porco se mata e o vinho se prova 
Suplemento das Escolas EB1 
3º C EB1/JISanta Luzia 4º A EB1/JISanta Luzia 
As nossas quadras do outono 
No outono há muita chuva, 
temos que nos abrigar. 
Quando parar de chover, 
Já podemos ir brincar. 
Sou o vento do outono, 
que venho para encantar. 
Às vezes deito areia para os olhos, 
que vos faço chorar. 
O outono é tão frio, 
que me escondo debaixo do cobertor. 
Com um chá quente nas mãos, 
a ouvir um cantor. 
Dia da alimentação 
No dia dezasseis de outu-bro, 
Dia da Alimentação, 
o 4º A fez espetadas na 
sala. Enquanto se prepa-ravam 
os ingredientes, 
toda a turma fazia a re-portagem 
sobre o que 
se ia passando. Cada um 
escolheu a estação que 
transmitia a reportagem. 
Depois de lermos as re-portagens, 
escolhemos a 
do Rúben para mostrar-mos 
o trabalho da turma 
nesta atividade. 
“Caros ouvintes, estamos 
em direto da Megahits 
para transmitir uma aula 
de culinária da Chef Cân-dida. 
Vai-nos ensinar a 
fazer espetadas, muito 
saudáveis! Para isso vai 
contar com a colaboração 
dos mini Chefs da turma. 
Começamos com a Chef 
Marta que descasca uma 
cenoura, depois de bem 
lavada, tirando as partes 
que não se comem. A 
nossa Chef Joana vai fa-zer 
o segundo passo que 
é cortar a cenoura às ro-delas. 
O Chef Zé dá uma 
ajuda. 
Um belo queijo é fatiado 
pela Chef Cândida! 
O Dinis, segundo Chef 
preferido de toda a gen-te, 
corta a banana em ro-delas 
idênticas e a Chef 
Sofia ajuda no projeto. A 
nossa outra Chef Sofia, 
corta as côdeas do pão 
integral que podemos 
aproveitar para fazer pão 
ralado. A Chef Isabel dá 
continuidade à tarefa mas 
desperdiça muito pão! 
A Chef Cássia como não 
estava atenta repete o 
desperdício. A professora 
corta o pão em quadradi-nhos. 
Repete-se a opera-ção 
com outro pão a ser 
cortado pelo Chef Antó-nio 
com a ajuda das Chefs 
Matilde e Maria João e… 
voilá! Tudo pronto! Cada 
Chef vai agora montar a 
sua espetada com pão 
integral, fiambre de peru, 
banana, cenoura, tomate 
e queijo. 
Tudo isto com mãos bem 
lavadas! Que delícia! 
Assim me despeço, caros 
ouvintes. Não se esque-çam 
de experimentar! 
Até ao próximo Cozinha 
com Rúben na sua rádio 
preferida, MMMegahits!” 
4º B EB1/JISanta Luzia 
16 de outubro - 
Dia Mundial da Alimentação 
Dia 16 de outubro 
Importa sempre relembrar 
Alertar e informar! 
Diferentes atividades fizemos 
A roda dos alimentos conhecemos 
Água, um alimento essencial 
Legumes,cereais, fruta, ... 
Imprescindíveis todos os alimentos são 
Muitos nutrientes nos dão 
E equilibrada será, a nossa alimentação! 
Nutricionista devemos consultar 
Também nos pode ajudar 
Assim a nossa saúde poderá melhorar! 
AÇúcar e sal 
NÃo devemos comer 
O nosso corpo vai agradecer. 
4º C EB1/JISanta Luzia 
S. Martinho 
Num dia frio de outono, 
Um soldado bem vestido 
Ajudou um pobre mendigo 
Que estava cheio de frio. 
Uma capa ao meio cortou 
E o pobre mendigo 
Com ela se agasalhou. 
E por magia 
Nesse dia 
O sol brilhou.
16 Dezembro de 2014 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO 
DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS 
Hoje, dia 3 de dezembro, 
com todo o sentido e pro-priedade, 
a Direção do 
Agrupamento de Escolas 
Francisco de Holanda, 
apresentará, em sessão 
solene, pelas 17 horas, o 
plano de atividades ine-rentes 
à celebração do 
130º aniversário da cria-ção 
da Escola Francisco de 
Holanda, a realizar ao lon-go 
do ano letivo de 2014- 
15. De facto, faz 130 anos, 
no próximo dia 3 dezem-bro, 
que foi publicado o 
decreto, no Diário do Go-verno, 
que lhe deu o esta-tuto 
de Escola Industrial 
de Guimarães. Dois dias 
depois, dia 5 de dezem-bro 
de 1884, foi publica-do, 
também no Diário do 
Governo, o decreto que 
atribuiu à Escola Indus-trial 
de Guimarães a de-nominação 
de Francisco 
de Holanda. 
Curiosamente, “O Comér-cio 
de Guimarães”, funda-do 
no ano de 1884, nas 
suas páginas, faz notícia 
dos principais eventos 
associados à Escola, não 
deixando de sublinhar, 
em tom jocoso, que a pro-metida 
escola para a cida-de 
de Guimarães nunca 
mais começava a funcio-nar. 
Era de facto uma pro-messa 
antiga, uma vez 
que o decreto régio de 20 
de dezembro de 1864 de-terminava 
a criação da Es-cola 
Industrial que só veio 
a ser confirmada a 3 de 
dezembro de 1884. E só 
começou a funcionar, no 
dia 14 de janeiro de 1885, 
com aulas de desenho 
industrial, sob a regência 
e direção de António Au-gusto 
Cardoso, num salão 
da Sociedade Martins Sar-mento, 
ao tempo instala-da, 
no Largo do Carmo. 
Para a sua implantação 
teve um papel relevante a 
1ª Exposição Industrial de 
Guimarães, realizada em 
1884, uma vez que per-mitiu 
identificar necessi-dades 
a satisfazer, ineren-tes 
à industrialização da 
região, nomeadamente a 
formação do pessoal ope-rário. 
Ora, foi nesta área 
que, ao longo dos anos, 
esta escola ganhou cré-ditos, 
norteando, até aos 
anos setenta do século 
XX, a sua missão educa-tiva 
para a formação de 
operários qualificados e 
quadros médios, dando, 
assim, respostas às neces-sidades 
do mercado de 
trabalho. 
Para assinalar a efemé-ride, 
foram colocados 
hoje outdoors nos dife-rentes 
edifícios em que 
funcionou a Escola: Casa 
de Martins Sarmento (no 
Largo do Carmo), Banco 
Millenium (Rua Paio Gal-vão), 
Casa dos Laranjais 
(Rua das Trinas), casa 
pertencente ao Barão de 
Pombeiro (confluência da 
Rua de Santa Maria com 
o Largo Cónego José Ma-ria 
Gomes), Convento de 
Santa Clara (atual edifício 
da Câmara Municipal) e 
pavilhões, construídos na 
Quinta do Proposto, que 
evoluíram para o atual 
edifício da Escola (Rua 
Alfredo Pimenta), graças 
às obras de 1959 (Estado 
Novo) e à intervenção de 
requalificação e amplia-ção, 
efetuada de 2009 a 
2011, pela empresa de-nominada 
Parque Escolar. 
De 1864 a 2014: alguns 
registos sobre a Escola 
A história da Escola Fran-cisco 
de Holanda tem sus-citado 
o interesse da co-munidade 
educativa em 
geral e dos professores 
de História em particu-lar. 
Há alguns anos, sob a 
orientação da professora 
da disciplina de História, 
Túlia Machado, já apo-sentada, 
foi feita uma 
exposição em que foram 
assinalados os principais 
eventos associados à es-cola, 
desde a sua funda-ção 
até aos nossos dias. 
Destacamos alguns: 
1864 - Criação, pelo Mi-nistro 
João Crisóstomo 
de Abreu e Sousa, através 
de decreto régio de 20 
de dezembro, da Escola 
Industrial de Guimarães, 
conjuntamente com a da 
Covilhã e Portalegre, as 
três primeiras escolas in-dustriais 
do país. 
1881 - É criada a Socieda-de 
Martins Sarmento. 
1884 – A Sociedade Mar-tins 
Sarmento começa a 
publicar a Revista de Gui-marães 
e toma a iniciati-va, 
com Alberto Sampaio 
à frente, da Exposição 
Industrial do Concelho 
destinada a mostrar as
Dezembro de 2014 17 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO 
DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS 
notáveis potencialidades 
da indústria vimaranense 
e as suas tremendas ca-rências 
em termos de tec-nologia 
e equipamentos. 
Tornava-se premente dar 
corpo ao esquecido de-creto 
de 20 de dezembro 
de 1864, que visava a cria-ção 
da Escola Industrial de 
Guimarães. Para tal, a So-ciedade 
Martins Sarmen-to, 
a Câmara Municipal de 
Guimarães, a Associação 
Artística Vimaranense e a 
imprensa local, incluindo 
o “Comércio de Guima-rães” 
conjugaram esfor-ços 
nesse sentido. 
• Chega o comboio, pela 
primeira vez, pela Trofa, 
até à estação de Vila Flor, 
em Guimarães (6 de mar-ço). 
•Soares Veloso pôs à dis-posição 
da Comissão da 
Exposição Vimaranense o 
palácio de Vila Flor (26 de 
março). Um escol de ho-mens 
de cultura e de espí-rito 
empreendedor estava 
a mudar Guimarães. 
• Surge o Comércio de 
Guimarães (14 de junho). 
• É criada a Escola de De-senho 
Industrial de Gui-marães 
por diploma de 
6 de maio, publicado no 
Diário do Governo de 7 
de maio, referendado por 
António Augusto Aguiar. 
• Sai o decreto que lhe 
dá o estatuto de Esco-la 
Industrial, que com-preenderá 
as disciplinas 
de Aritmética, Geometria 
Elementar, Contabilidade 
Industrial, Desenho e Quí-mica 
(3 de dezembro). 
• Decreto que atribui à 
Escola Industrial de Gui-marães 
a denominação 
de Francisco de Holanda 
(5 de dezembro). Come-morava- 
se então o tricen-tenário 
do Renascentista 
Francisco de Holanda. 
1885 - Começa a funcio-nar, 
sob a regência e di-reção 
de António Augusto 
Cardoso, num salão da 
Sociedade Martins Sar-mento 
ao tempo insta-lada 
no Largo do Carmo 
(14 de janeiro). Tem 153 
alunos matriculados, sen-do 
14 do sexo feminino, e 
alguns em lista de espera. 
1885 (13 de abril) - Mu-dou 
para uma casa alu-gada 
na Rua Paio Galvão, 
onde hoje funciona o 
Banco Millenium. 
1886 (1 de janeiro) - En-trou 
em funcionamento 
na Casa dos Laranjais, alu-gada 
pela Câmara Munici-pal 
de Guimarães, na Rua 
D. Luís I, hoje Rua das Tri-nas 
(1 de fevereiro), com 
três professores para três 
cadeiras essencialmente 
práticas: 
• Dr. Joaquim José de Mei-ra 
(médico) professor das 
disciplinas de Aritmética, 
Geometria Elementar e 
Contabilidade Industrial; 
• António Emílio de Qua-dro 
Flores (oficial do exér-cito) 
substituído um ano 
depois pelo Dr. Augusto 
de Matos Chaves (médi-co) 
para lecionar Química 
Industrial; 
• António Augusto Car-doso, 
professor Desenho 
Industrial. 
1887 - Visita do rei D. 
Luís a Guimarães e lança-mento 
da primeira pedra 
da escola definitiva num 
terreno adquirido para 
o efeito e pertencente à 
Quinta do Proposto. 
1888 - Criação, atra-vés 
do decreto de 30 de 
dezembro de 1886, de 
mais três cadeiras (Língua 
Francesa, Princípios de 
Física e Mecânica, Dese-nho 
de Máquinas) e, con-sequente, 
nomeação de 
novos professores: Adol-fo 
Salazar (pai do célebre 
professor Abel Salazar) e 
o Dr. Avelino Germano da 
Costa Freitas (médico). 
1889 – Nomeação do 
austríaco Afred Schwartz 
como professor de dese-nho 
de máquinas. 
1889 - Nomeação de Al-bert 
Edouard Braun, mes-tre 
de fiação de tecela-gem, 
o que demonstra a 
importância que Escola 
estava a adquirir no con-texto 
sociocultural da re-gião.
18 Dezembro de 2014 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO 
DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS 
• Entretanto, levantados 
e abertos quatro dos oito 
pavilhões, na Quinta do 
Proposto, ali se armaze-naram 
os pesados caixo-tes 
que traziam os teares 
mecânicos, máquinas de 
fiação, caldeira a vapor... 
Ainda, neste ano, chega-ram 
onze caixotes de ma-terial 
de laboratório quí-mico 
e três caixotes com 
máquinas de costura. 
1891- Aquisição coleções 
de modelos de desenho 
em gesso, aparelhos de 
fotografia, coleções de 
estampas de excelente 
qualidade com motivos 
de História da Arquitetura 
e outros. 
1901 – A Escola Francisco 
de Holanda está instalada 
nos edifícios na Quinta do 
Proposto sem condições 
mínimas para poder fun-cionar. 
1911 - O Regimento da 
Infantaria toma conta dos 
barracões do Proposto à 
exceção de um destinado 
à guarda de material ofi-cinal. 
1914 (outubro) – Instala-ção 
da Escola Industrial 
numa casa que era pro-priedade 
do Barão de 
Pombeiro - confluência da 
Rua de Santa Maria com o 
Largo Cónego José Maria 
Gomes - (24 de novem-bro). 
1914 - Instalação da Esco-la 
Industrial no Convento 
de Santa Clara (edifício 
atual da Câmara Munici-pal), 
juntamente com o 
Liceu e o Internato Muni-cipal. 
1923 – Saída dos militares 
das instalações do Pro-posto. 
• Realização de obras na 
Escola (Quinta do Propos-to) 
já com o nome de Es-cola 
Industrial e Comercial 
de Francisco de Holanda, 
graças à intervenção de 
Mariano FeIgueiras. 
• Realização nas novas 
instalações Escola Indus-trial 
(Quinta do Proposto) 
da 2ª Exposição Industrial 
e Agrícola do Concelho de 
Guimarães. 
1948 – O Ministro da Edu-cação 
- Eng° Leite Pinto 
- promulga a reforma e é 
retirado à escola o nome 
do seu patrono, Francisco 
de Holanda. 
1959 - A Escola Industrial 
e Comercial de Guimarães 
termina as suas obras que 
são as do edifício da fa-chada 
principal, corres-pondente 
ao atual Bloco 
A. 
1974 - É devolvido o nome 
de Francisco de Holanda 
(25 de Abril.) 
1979 - Confirmação em 
portaria do nome de Es-cola 
Secundária de Fran-cisco 
de Holanda (22 de 
novembro pela Portaria 
608/79) 
De julho de 2009 a abril 
de 2011 - obras de requa-lificação 
e de ampliação 
de que resultaram o atual 
edifício da Escola Secun-dária 
Francisco de Holan-da. 
2012 - Através do Despa-cho 
nº 5634-F/2012 de 26 
de abril, a extinta Direção 
Regional de Educação do 
Norte propôs a agrega-ção 
da Escola Secundá-ria 
Francisco de Holanda 
com o Agrupamento de 
Escolas Egas Moniz. A 
nova unidade orgânica 
passou a ter a designação 
de Agrupamento de Esco-las 
Francisco de Holanda, 
constituída pelas escolas 
EB1 da Pegada, EB1/JI de 
Santa Luzia, Escola EB2/3 
de Egas Moniz e Escola 
Secundária Francisco de 
Holanda. 
Ata da instalação da Escola Industrial 
Francisco de Holanda em Guimarães 
No dia primeiro do mês de Fevereiro do ano de 1886 às onze e meia horas da manhã 
em uma das salas da casa sita na rua D. Luís I desta cidade de Guimarães, oferecida 
pela câmara municipal da mesma cidade para nela se estabelecer a Escola Industrial 
denominada “Francisco de Hollanda”, estando reunidos o inspetor das Escolas Indus-triais 
e de desenho industrial da Circunscrição do norte José Guilherme de Parada e 
Silva Leitão, professor do Instituto Industrial do Porto, e o corpo docente da mesma 
Escola Industrial António Augusto da Silva Cardoso professor temporário da cadeira 
de desenho industrial, Joaquim José de Meira, professor definitivo da cadeira de arit-mética, 
geometria elementar e contabilidade industrial e António Emílio de Quadros 
Flores, professor temporário da cadeira de química industrial, o inspetor tomando 
a presidência declarou aberta a sessão. Em seguida, fazendo uma sucinta exposi-ção 
da história deste estabelecimento, disse que tendo sido primitivamente criada 
esta escola como simples escola de desenho industrial, em virtude do Decreto de 3 
de Janeiro de 1884 referendado pelo Exmo. Ministro das Obras Públicas Comércio e 
Indústria António Augusto d’Aguiar e incluída no orçamento do ano económico de 
1884 a1885 a verba para a sua dotação por proposta feita pelo deputado da Nação 
Mariano Cyrillo de Carvalho em sessão de 22 de Março do mesmo ano de 1884, fora 
mais tarde transformada em escola industrial por Decreto de 3 de Dezembro do dito 
ano passando a cadeira de desenho industrial onde na conformidade do artigo 13
Dezembro de 2014 19 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO 
DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS 
do regulamento geral das Escolas industriais e de desenho industrial de 6 de Maio 
de 1884 se professava o curso elementar de desenho e o 1º e 3º ramos dos cursos 
industriais, a fazer parte da mesma escola. Que na conformidade do citado decreto 
tinha esta escola uma organização idêntica à da Escola Industrial da Covilhã, com-preendendo 
as seguintes disciplinas professadas em três cadeiras: Aritmética, geo-metria 
elementar e contabilidade industrial; desenho industrial e química industrial 
especialmente aplicada à tinturaria, havendo além destas cadeiras dois lugares de 
guardas e um de servente. Que por Portaria de 5 de Dezembro de 1884 fora dada à 
escola a denominação de Escola Industrial “Francisco de Hollanda”. Que esta escola 
assim organizada, não poderá ser instalada logo depois da sua criação porque as 
verbas necessárias para a sua dotação só foram incluídas no orçamento geral do 
Estado no ano económico de 1885 a 1886, e portanto só havia funcionado até hoje a 
cadeira de desenho industrial primitivamente criada e para a regência da qual tinha 
sido nomeado provisoriamente o professor António Augusto da Silva Cardoso por 
Portaria de 12 de Dezembro de 1884, sendo nomeado guarda da mesma por Portaria 
de 8 de Janeiro de 1885 António de Sousa Roriz cujo nome foi retificado por Portaria 
de 7 de Fevereiro seguinte por ter vindo errado na primeira. Que a 24 de Dezembro 
de 1884 fora aberta a matrícula, inaugurando-se a cadeira a 14 de Janeiro seguinte 
na casa da Sociedade Martins Sarmento no Largo do Carmo com 104 alunos, sendo 
14 de sexo feminino; apesar de ainda não haver a mobília necessária nem o material 
de ensino indispensável porque a ilustrada direção daquela benemérita Sociedade 
com o fim de facilitar a realização de tão importante melhoramento para a cidade de 
Guimarães cedeu provisoriamente do melhor grado uma das suas salas com toda a 
mobília e material de ensino de que podia dispor continuando aí a funcionar a cadei-ra 
de desenho até que, adquirido o material de ensino mais indispensável e obtida a 
mobília necessária, foi a Escola mudada para uma casa de aluguer sita na rua de Paio 
Galvão. Que nesta casa continuou a escola a funcionar até Outubro de 1885 sendo 
regularmente frequentada não só pelos alunos que compareceram no ato da inaugu-ração, 
mas ainda por outros, que depois se matricularam e que perfaziam ao todo o 
número de 153, dos quais 43 eram do sexo feminino. Que no decorrer do ano de 1885 
se foi completando o pessoal de Escola Industrial sendo por Portaria de 27 de Abril 
nomeado o segundo guarda José Alves Correia e por ofício de 19 de Agosto de 1885 
lhe fora participada a nomeação do servente António José Capela. Que em Maio fora 
aberto concurso no Instituto Industrial do Porto para o provimento de duas cadeiras 
vagas = Aritmética, geometria elementar e contabilidade industrial e química indus-trial. 
Que para a primeira destas duas cadeiras concorreram dois candidatos ficando 
deserto o concurso da cadeira de química. Que terminadas as provas públicas dos 
candidatos admitidos ao concurso para o provimento da cadeira de aritmética em 
30 de Outubro de 1885 foi pelo júri que presidiu a este acto proposto o candi-dato 
o Snr. Joaquim José de Meira único que satisfaz a todas as provas sendo o 
mesmo por despacho de 23 de Dezembro de 1885 nomeado definitivamente 
professor daquela cadeira, e para a cadeira de química como não houvesse 
concorrentes fora pelo Governo nomeado provisoriamente por despacho de
20 Dezembro de 2014 
ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO 
DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS 
Fig.3 
23 de Dezembro de 1885 o Snr. António Emílio de Quadros Flores. 
Que logo que tivera conhecimento do despacho do Snr. Meira ele inspetor 
tratara de abrir a matrícula na cadeira de aritmética, que hoje deveria inaugu-rar- 
se e na qual se achavam matriculados 33 alunos. Que não poderá abrir a 
matrícula na cadeira de química pelo facto de não ter ainda a mobília neces-sária 
nem o material de ensino indispensável para se montar um laboratório 
químico, mas que já tinha feito as necessárias requisições. 
Que com relação à cadeira de desenho industrial a matrícula para o corrente 
ano letivo tinha sido aberta em Setembro de 1885 achando esta cadeira a 
funcionar com 145 alunos dos quais 51 são do sexo feminino. 
Terminada esta exposição acrescentou o Inspetor que, achando-se completo 
o pessoal da Escola e devendo ficar a funcionar desde já duas das suas ca-deiras, 
era necessário proceder-se à instalação definitiva da Escola Industrial 
Francisco d’ Hollanda e para isso tinha convocado todos os seus professores 
ali presentes a fim de que na conformidade do disposto no artigo 25 do re-gulamento 
geral das Escolas Industriais e de desenho industrial de 6 de Maio 
de 1884 se constituísse o Conselho escolar elegendo dentre si o diretor e o 
secretário. 
O Snr Professor de desenho António Augusto da Silva Cardoso pedindo a palavra 
propôs que o cargo de diretor fosse desempenhado pelo Snr. Joaquim José de Mei-ra, 
Professor definitivo da cadeira de Aritmética e o de secretário pelo Snr. António 
Emílio de Quadros Flores, professor provisório da cadeira de Química. Posta à vota-ção 
esta proposta e sendo aprovada o Inspetor declarou instalada a Escola Industrial 
“Francisco d’Hollanda” tendo por Diretor o Professor o Snr. Joaquim José de Meira, 
por secretário o Professor o Snr. António Emílio de Quadros Flores e por vogal o 
professor o Snr. António Augusto da Silva Cardoso e levantou a sessão da qual em 
seguida lavrei a presente ata que vai ser assinada por ele Inspetor e por todos os pro-fessores 
da Escola depois de lhes ser lida por mim António Emílio de Quadros Flores 
secretário que a escrevi. 
José Guilherme de Parada e Silva Leitão 
Inspetor 
Joaquim José de Meira 
António Augusto da Silva Cardoso 
António Emílio de Quadro Flores
Dezembro de 2014 21 
O BERÇO DA ESCOLA FRANCISCO DE HOLANDA 
Corria o ano de 1881, 
quando um grupo de 
vimaranenses decidiu que 
já era tempo da cidade 
prestar homenagem ao 
mais ilustre dos seus 
cidadãos, Francisco 
Martins Sarmento, 
o arqueólogo que 
desenterrou a Citânia de 
Briteiros e que, no último 
quartel do século XIX, 
atraíra para Guimarães as 
atenções dos estudiosos 
das raízes da cultura 
europeia. À partida, 
sabia-se que a missão 
não seria fácil, atendendo 
à personalidade 
reservada de Sarmento. 
O arqueólogo jamais 
aceitaria, como não 
aceitou, que lhe fizessem 
uma festa ruidosa ou 
lhe erguessem um 
monumento recordativo. 
Mas acabaria por aceitar 
que o seu nome fosse 
dado a uma associação 
que tivesse como 
finalidades a promoção 
e o desenvolvimento 
da instrução primária, 
secundária ou profissional 
no concelho. Assim 
nasceu a Sociedade 
Martins Sarmento, 
promotora da instrução 
popular no concelho de 
Guimarães. 
Os trabalhos dos dias 
iniciais da Sociedade 
Martins Sarmento 
centraram-se na criação 
de uma biblioteca 
pública e na procura 
de respostas para os 
problemas da instrução 
básica e secundária em 
Guimarães. A principal 
prioridade seria a criação 
de uma escola industrial, 
concretizando o projeto 
enunciado com força de 
lei na reforma do ensino 
industrial de 1864, mas 
nunca concretizado. 
Não tardaria muito 
para que a Sociedade 
Martins Sarmento se 
substituísse ao Estado, 
criando ela própria 
um instituto de ensino 
destinado a industriais 
(operários da indústria), 
que funcionaria na sua 
própria sede (à altura, na 
casa contígua ao palacete 
de Martins Sarmento, 
então pertencente aos 
viscondes de Pindela). As 
aulas iniciaram-se no dia 
9 de janeiro de 1883, com 
os cursos de Desenho 
Profissional, concebido 
e ministrado pelo pintor 
e fotógrafo António 
Augusto da Silva Cardoso, 
e de Francês, que teria 
João Pinto de Queirós 
como professor. 
A Exposição Industrial 
de Guimarães, que 
a Sociedade Martins 
Sarmento viria a 
promover em 1884, 
serviria para acrescentar 
argumentos à defesa da 
urgência da criação de 
uma escola industrial. 
Em março daquele ano, 
o deputado Mariano de 
Carvalho apresentou uma 
proposta para a criação de 
uma escola de desenho 
industrial em Guimarães, 
que seria aprovada. A 
direção da Sociedade 
Martins Sarmento, ao 
agradecer ao deputado 
a iniciativa, não deixou 
de notar que “no estado 
atual das indústrias locais, 
a escola de desenho, só 
de per si, não satisfaz, 
como era para desejar, 
às necessidades delas, 
reconhecidas desde 1864 
no Decreto que nesta 
data já indicava esta 
cidade como sede de uma 
escola industrial”. 
Uma escola de desenho 
não seria suficiente. 
Conjugando os seus 
esforços com outras 
instituições da cidade, não 
abandonaria o projeto 
da criação da escola 
industrial. A repercussão 
nacional da Exposição 
Industrial tornou evidente 
aos responsáveis políticos 
a justeza e a necessidade 
de tal ambição. A 3 de 
dezembro de 1884, o 
rei assinou um decreto 
que criava uma escola 
industrial em Guimarães. 
Dois dias depois, novo 
decreto batizava-a como 
Escola Industrial Francisco 
de Holanda. A aula 
inaugural aconteceria 
no dia 14 de janeiro de 
1885, na mesma sala 
do rés-do-chão da casa 
da Sociedade Martins 
Sarmento e com o mesmo 
diretor e professor do 
curso da SMS, o pintor 
António Cardoso. 
A Escola Francisco de 
Holanda nasceu na 
Sociedade Martins 
Sarmento. 
António Augusto Amaro 
das Neves, Presidente 
da Direção da Sociedade 
Martins Sarmento de 
2004 a 2013 e professor 
de História da ESFH.
22 Dezembro de 2014 
A imprensa é, também, um espaço de memórias 
“O Comércio de Guima-rães”, 
fundado no ano de 
1884, como “Periódico 
liberal, comercial, indus-trial 
e agrícola”, fazendo 
eco dos anseios dos vima-ranenses, 
sempre clamou 
pela criação da Escola In-dustrial 
Francisco de Ho-landa. 
Consultando as pá-ginas 
das suas edições de 
1884, ano da fundação da 
escola, temos exemplos 
de textos de protesto, de 
reivindicação e regozijo 
face à prometida escola. 
Assim, podemos ler no 
nº 14 (22 de julho) de “O 
Comércio de Guimarães” 
a notícia de que estaria 
iminente a publicação em 
“Diário de Governo” do 
decreto da criação da Es-cola 
Industrial de Guima-rães 
(Fig. 1). Na página 2 
do nº 20 (11 de agosto), 
sai a queixa de que o “de-cantado” 
decreto nunca 
mais vem (Fig. 2). 
Posteriormente, O Co-mércio 
de Guimarães 
publica a notícia, com o 
título de “Justiça” (Fig. 3), 
revelando que o governo 
incumbira o “excellen-tissimo 
snr. José Parada 
da Silva Leitão escolher a 
casa onde deve funcionar 
a escola de desenho in-dustrial”. 
Na página 1 do nº 40 (23 
de outubro), O Comér-cio 
de Guimarães vinca a 
sua indignação face à de-mora 
da vinda da Escola 
Industrial de Guimarães. 
Sob o título “Indifferen-tismo 
dos Governos para 
com Guimarães”, publi-ca 
“Guimarães, a patria 
de aguerridos e denoda-dos 
guerreiros, de vultos 
Fig.2 
venerandos, de heroes 
preclaros que, em tem-pos 
saudosos e gloriosos 
do passado, exaltaram e 
exalçaram o nome portu-guez 
nas assignaladas e 
bem feridas pugnas dos 
campos da batalha, nos 
certames das sciencias 
e das artes, no tirocínio 
das industrias. – Guima-rães, 
este padrão de glo-rias 
portuguezas, esta 
joia preciosa da corôa de 
Portugal, está votada ao 
Fig.1 
abandono, ao ostracismo, 
ao indifferentismo. 
Todos os governos fitam 
seus olhares complacen-tes 
e gratos sobre Gui-marães 
quando teem de 
mendigar-lhe uma obse-quidade, 
um sacrifício ou 
um deputado de feição 
governamental para com 
o seu voto applaudir e 
approvar os vexames go-vernativos 
e as imposi-ções 
tributarias; quando 
porém Guimarães precisa 
do mais pequeno melho-ramento, 
quando pede a 
mais insignificante cousa 
que imaginar-se possa, 
esses governos olham 
com desdem, com indiffe-rença, 
e com a mais negra 
ingratidão voltam-lhe as 
costas. (…) 
Prometteram-nos uma 
Escola Industrial; e nada! 
(…)” 
Na página 1 do nº 54 (15 
de dezembro), O Comér-cio 
de Guimarães publica 
o seu regozijo. Finalmente 
o “decantado” decreto da 
criação da Escola Indus-trial 
tinha sido publicado 
no Diário do Governo. 
Com o título de “A ESCO-LA 
INDUSTRIAL” publica o 
seguinte artigo: 
‘«O Commercio de Gui-marães, 
conservando-se 
alheio a qualquer filiação 
partidaria, que não sejam 
das conveniências locaes 
e das grandes medidas de 
interesse commum louva-rá 
em uns e outros o que 
em cada um houver de 
louvavel, em pregando to-dos 
os seus esforços, para 
que uma parcella do po-der 
central vele pela pros-peridade 
da terra que lhe 
é berço, e por tudo que 
directa e indirectamente, 
possa influir no aumento 
d’essa prosperidade. 
Art. prog. do Commercio 
de Guimarães 
Estão satisfeitas as aspira-ções 
de Guimarães. 
A escola industrial que 
tantas vezes nos trouxe 
ao campo da discussão, 
foi enfim decretada pelo 
governo. 
Desde que desfraldamos 
a nossa bandeira jornalís-tica, 
jamais deixamos de 
pugnar pela prosperidade 
da nossa terra, ora pe-dindo 
o primeiro pão do 
espirito profissional para 
os operarios, como muito 
bem disse um nosso colle-ga, 
ora lembrando melho-ramentos 
de reconhecida 
utilidade publica. 
Vilipendiada, engeitada e 
despresada a cidade de 
Guimarães pelos pode-res 
publicos, pertencia a 
nós, filhos queridos d’este 
solo glorioso e historico, 
visto que nos achavamos 
na imprensa, levantar a 
luva, e combater a todo o 
transe o maldito sello da 
roda! 
Na lucta, seriamos algu-mas 
vezes violentos, mas 
a causa santa que advo-gamos, 
o amor de devota-mos 
á nossa terra, absol-ve- 
nos d’esse sacrilegio, 
que comettemos. 
Em observação d’essa par-te 
do nosso programma, 
que encima este artigo, 
não podemos deixar de 
inscrever n’este momento 
os nomes dos cavalheiros, 
a quem devemos a nossa 
escola industrial, Francis-co 
de Hollanda. São elles: 
os exm.ºs srs. Conde de 
Margaride, Francisco Ri-beiro 
Martins da Costa e 
João Ferreira Franco Pinto 
Castello Branco. 
Também não devemos es-quecer 
o nome do exmoº 
sr. Marianno de Carvalho, 
a quem devemos a escola 
de desenho. 
O nosso preito a estes ca-valheiros. 
Em seguida apresenta-mos 
o decreto pelo qual 
foi creada a escola indus-trial 
n’esta cidade.” 
Fig.3
Dezembro de 2014 23 
Como será a Escola Se-cundária 
Francisco de Ho-landa 
daqui a 130 anos? 
Que clima se viverá na 
Secundária Francisco de 
Holanda no final de 2144? 
Porquê esta data, pergun-tarão 
vocês? Mas, que 
grandes distraídos! Por-que 
se passaram mais 130 
anos de atividade escolar. 
A nível físico, penso que 
tudo continuará na mes-ma, 
pois, ainda recente-mente, 
quase ao fim de 
130 anos e integrada no 
programa “Parque Esco-lar” 
a escola teve uma 
grande, e que grande, re-qualificação, 
modificando 
o seu visual. Mas, porque 
a Francisco de Holanda é 
uma escola de memórias, 
pois foi das primeiras es-colas 
industrias a serem 
criadas por decreto go-vernamental 
a par da Es-cola 
Campos Melo situa-da 
na Covilhã e da Escola 
Secundária S. Lourenço, 
em Portalegre, o bloco 
principal foi preservado 
na sua identidade formal, 
sofrendo, apenas, uma 
remodelação a nível das 
antigas salas de aula, o 
que fez com que houves-se 
espaço suficiente para 
relembrar aos que pas-saram 
e revelar aos pre-sentes 
as boas memórias 
de um trabalho contínuo 
e dignificante, guardadas 
num significativo e profí-cuo 
Museu Escolar. A par 
A ESCOLA NO FUTURO 
desta reedificação física 
houve, também, uma 
readaptação e atualização 
da tecnologia informática 
que não é utilizada, penso 
eu, em todas as suas ver-tentes 
e potencialidades, 
mas que servirá de tram-polim 
para uma escola de 
futuro, assente na era di-gital, 
mais prática e mais 
motivadora para todos 
os que a frequentam, de 
modo a desenvolverem a 
sua imaginação e criativi-dade. 
Esta metodologia 
digital já está bem desen-volvida 
em alguns países 
que não o nosso, Portugal, 
devido à situação de crise 
que atravessamos, não só 
económica mas também 
e sobretudo desumana e 
desatenta à grande rea-lidade 
que é a educação, 
o super e sempre atual 
valor da Escola Francisco 
de Holanda que a defen-deu, 
defende e defenderá 
“com unhas e dentes”. Os 
primeiros 130 anos por 
que passou a Francisco de 
Holanda também não fo-ram 
fáceis, devido à con-textualização 
histórica, 
social e política em que 
foram vividos, suscitando 
emoções fortes e sempre 
realistas. Pioneira na ino-vação 
e no conhecimen-to, 
a Francisco de Holan-da 
sempre soube crescer, 
vencendo os desafios que 
se lhe deparavam, utili-zando, 
para tal, as suas 
armas mais potentes: es-forço, 
dedicação e muito 
trabalho. E assim, a meni-na 
que começou por ape-nas 
saber desenhar, ama-dureceu 
e transformou-se 
numa mulher inteira, de 
corpo e alma, e com uma 
personalidade, por todos, 
admirada, personalidade 
esta que alcançará, no 
futuro, novas fronteiras, 
pois não conseguirá vi-ver 
sem objetivos, sem 
empenho, sem inovação, 
sem novas metodolo-gias… 
num clima calmo 
e tranquilizador tal como 
foi, é e será seu apanágio. 
Eu não sou futurologista, 
mas, considerando o pou-co 
que vi e ouvi (sou alu-no 
do 10º), sei que a Fran-cisco 
de Holanda seguirá 
sempre em frente, refor-mando- 
se e reformando 
os seus atores, a ponto de 
fazer da educação o palco 
da vida. 
Se for preciso mudar o 
já cansado ambiente da 
sala de aula, para fugir à 
massificação da escola 
tradicional, onde tudo se 
passa no mesmo lugar e ao 
mesmo tempo, muda-se, 
de modo a permitir a livre 
circulação dos estudantes 
e dos professores, sem se 
acotovelarem, mas uni-dos 
pelo mesmo desejo 
de um ensino mais liber-to 
de convenções, mais 
atraente, mais estimulan-te, 
mais motivador, com 
menos aulas expositivas 
e mais tempo para ativi- 
dades práticas e debates 
abertos, onde cada um 
aprenderá à sua maneira 
e esporeará a forma como 
aprendeu, aprofundando- 
-se, assim, as aprendiza-gens 
e compreendendo 
as razões por detrás das 
coisas, lendo, falando e 
encontrando soluções 
por si próprio, para que 
não se saia da escola com 
uma utilidade meramente 
económica. 
Atualmente, a escola está 
a ser transformada numa 
escola mínima, e tudo o 
que está relacionado com 
as expressões artísticas, 
como o desenho, o teatro, 
a pintura e a música, ten-dem 
a desaparecer, mas 
na Francisco de Holanda 
isto não acontecerá, por-que 
esta escola não é in-grata 
e não esquecerá a 
menina que a viu nascer. 
Assim, estas disciplinas ar-tísticas 
serão revigorados, 
promovendo a interação 
com pessoas experientes 
nas diferentes áreas 
profissionais e ocupando 
os tempos mais livres 
com workshops de foto-grafia, 
artes..., para que 
nenhum possa dizer, com 
certa nostalgia, que até 
desenhava razoavelmen-te, 
mas que, agora, não 
consegue, porque não 
praticou. Quanto ao ensi-no 
das chamadas discipli-nas 
teóricas e sempre que 
possível, acredito que a 
escola incentivará outros 
A escola 
Sendo lugar de ensino 
Não é lugar de eleição 
Mas como tenho objetivos 
De vez em quando lá atino. 
“Vais conseguir “ é meu lema 
Nem sempre posso focar 
Por vezes dá confusão 
Querer pôr tudo no ar. 
Quando toca é grande alívio, 
Sensação de liberdade 
Mistura de sensações 
E ares de felicidade. 
Sei que agora é desalento 
Um dia terei saudades 
A inocência no vento 
Surgirão as realidades. 
Anónimo, 11LH3 
Numa manhã fria, 
Lá fui eu para a escola. 
Não porque me apetecia, 
Mas lá vesti a camisola. 
É lá que aprendemos 
A ser alguém. 
Se não fores à escola, 
Garanto, não serás ninguém. 
E aos professores devemos muito 
Para com eles estamos em dívida 
Pois são eles que nos formam 
Para a escola e para a vida 
métodos para além do 
"decorar, decorar, deco-rar" 
tal como proporcio-nar 
o conto de histórias, 
quer por estudiosos, his-toriadores 
ou pessoas 
que tenham vivido um 
determinado aconteci-mento, 
quer através de 
filmes que não fantasiam, 
mas que apresentam a 
realidade de uma forma 
esclarecedora, porque vi-vida. 
O futuro da escola é a mu-dança 
da organização do 
ensino, da relação peda-gógica 
entre professores 
e alunos, da organização 
do tempo, do espaço, do 
currículo… A responsabili-dade 
está, cada vez mais, 
do lado dos alunos, que 
têm de querer aprender, 
Anónimo, 11LH3 
para não se transforma-rem 
em ervas daninhas e, 
por isso, excluídas duma 
vivência que se quer sa-lutar 
e atual. O professor 
deve incentivar o aluno, 
mas não pode ser passi-vo, 
porque a passividade 
pode contagiar-se e virar 
epidemia, o que nunca 
acontecerá no futuro da 
Escola Francisco de Ho-landa, 
porque as suas raí-zes 
são sólidas, o seu tron-co 
direito e os seus ramos 
ambiciosos por cobrirem 
uma realidade construti-va 
que servirá, tal como 
aconteceu até hoje, uma 
sociedade conhecedora 
e exigente que apostou e 
apostará no seu valor e 
mérito. 
André Marques, 10AV1
24 Dezembro de 2014 
É claro que nem todos 
os adolescentes têm 
exactamente a mesma 
rotina ou os mesmos 
hábitos, mas uma coisa 
é certa, em quase todas 
as ações do nosso dia a 
dia, sejam elas de longa 
ou curta duração, existe 
algo que está sempre 
presente: a tecnologia. 
Analisando a nossa rotina 
ao pormenor, apercebe-mo- 
nos de que até nas 
pequenas atividades que 
realizamos, estão presen-tes 
diversos aparelhos 
tecnológicos, desde a 
presença do microondas, 
para aquecer o leite, até 
às máquinas do ginásio. 
Desde a torradeira que 
usamos para torrar o pão, 
ao mais avançado smart 
phone. Desde o nosso 
portátil ao carro no qual 
viajamos diariamente. 
Desde a pequena esco-va 
elétrica à televisão da 
nossa sala. 
É certo que, a partir de 
determinado ponto, 
deixamos de nos 
preocupar e até nos 
apercebemos da quan-tidade 
de tempo que 
jetor, mostrando à turma 
os vários conteúdos atra-vés 
de power points, ví-deos 
e outros recursos. 
Quando o tempo de au-las 
termina, regressamos 
a casa. Chegados ao nos-so 
destino, aproveitamos 
o tempo livre que nos é 
dado. Alguns limitam- 
-se a deitar-se relaxados 
no sofá, vendo televisão, 
apenas com o telemóvel 
ao lado, não vá acontecer 
algum “escândalo social”. 
Outros seguem direta-mente 
para o computa-dor 
ou tablet, no qual se 
ligam imediatamente ao 
facebook, twitter, tum-blr, 
instagram, snapchat 
e uma infinidade de ou-tras 
redes sociais, de for-ma 
a ficarem atualizados 
sobre as mais recentes 
novidades. Existem, tam-bém, 
aqueles que deci-dem 
utilizar o tempo livre 
para fazer exercício físico, 
dirigindo-se assim ao gi-násio 
mais perto de casa 
e equipado com as mais 
diversificadas máquinas. 
Por fim, chega a hora de 
jantar e a inevitável hora 
de dormir, terminando as-sim 
o dia. 
Quando acordamos, to-dos 
fazemos a nossa ro-tina. 
Levantamo-nos ao 
som do despertador, que 
nos acorda com o belo 
som da nossa estação de 
rádio preferida, apesar 
de, pela manhã, esse som 
não ser assim tão aprecia-do. 
Vestimo-nos e toma-mos 
um bom pequeno-al-moço, 
composto por uma 
chávena de leite aquecida 
no microondas e umas 
deliciosas torradas, feitas, 
obviamente, na torradei-ra. 
De seguida, escova-mos 
os dentes com a es-cova 
eléctrica que a nossa 
mãe nos ofereceu e segui-mos 
para a escola, alguns 
de carro, alguns de auto-carro 
e outros a pé ou de 
bicicleta. Chegados à es-cola, 
enviamos uma men-sagem 
a um dos nossos 
amigos, com a típica per-gunta 
“Onde estás?” ou 
limitamo-nos a seguir em 
direção à sala, esperando 
encontrar algum dos 
nossos colegas. Depois 
segue-se um dia longo de 
aulas, com os professores 
a apresentar a matéria, 
utilizando não só o tão 
usual quadro de sala de 
aula, mas também o pro- 
DIA A DIA TECNOLÓGICO 
COMO 
ORGANIZAR 
MELHOR O 
TEMPO 
Tenho a certeza de que 
todos nós, ou pelo me-nos 
a maioria, já se sentiu 
a desesperar em algum 
momento do seu trajeto 
escolar por causa da enor-me 
quantidade de traba-lho 
escolar que tinha para 
fazer: livros para ler, mon-tanhas 
de trabalhos de 
casa para concluir, apre-sentações 
para preparar, 
matéria acumulada para 
estudar, trabalhos de gru-po 
para realizar, etc.. Nes-ses 
momentos de aflição, 
perguntaram, decerto, 
como foi possível deixar 
chegar as coisas a tal pon-to 
e como puderam ser 
tão desleixados, pois, na 
nossa mente, estava tudo 
muito bem organizado 
para termos, pelo menos, 
uma boa tarde de estu-do: 
chegávamos a casa, 
comíamos, descansáva-mos 
uns minutos e depois 
estudávamos um pouco 
para cada disciplina (al-gum 
para matemática, 
um pouco para português 
e assim por diante). 
Sim, parece ser um bom 
plano, o problema é 
quando, por exemplo, 
estamos a fazer um tra-balho 
no computador e 
nos lembramos de ir ao 
facebook ou ao youtube 
para fazermos ou vermos 
algo rápido e, quando 
damos por nós, estamos 
a ler coisas estúpidas na 
internet e a ver vídeos ab-surdos 
no youtube (gatos 
a tocar piano, momentos 
engraçados do Cristiano 
Ronaldo, as quedas mais 
engraçadas, etc.) e quan-do 
nos apercebemos do 
que estamos a fazer e que 
devíamos estar a estudar, 
notamos que desperdi-çamos 
uma tarde inteira 
a fazer coisas que podía-mos 
ter feito noutra altu-ra 
ou que nem era neces-sário 
fazer. 
Torna-se, por isso, urgen-te 
arranjar uma maneira 
eficaz que nos permita or-ganizar 
o tempo de modo 
a conseguirmos fazer 
tudo o que precisamos e 
ainda ter tempo para nos 
divertirmos. Se formos 
à internet encontramos 
inúmeros e bons métodos 
de aproveitar o tempo, 
apenas temos de saber 
qual o que se adequa me-lhor 
a nós. 
Pessoalmente, acho que 
um método simples e efi-caz 
é fazer um horário, 
onde dedicamos tempo a 
estudar, a divertirmo-nos 
(o que também é muito 
importante), e a fazer ou-tras 
coisas que achemos 
oportunas. Porém, vale 
a pena dizer que não há 
horário ou outro método 
de estudo que nos valha 
se não tivermos força de 
vontade para o cumprir. 
Espero ter ajudado. Bons 
estudos. 
Teresa Silva 11CSE1 
passamos em frente dos 
ecrãs, sejam eles do com-putador 
ou da televisão, e 
da importância exagerada 
que damos aos nossos 
telemóveis. No entanto, 
perdendo apenas uns 
minutos do nosso tempo 
para ver verdadeiramen-te 
como passamos os 
dias, perguntamo-nos a 
nós mesmo: “Mas afinal, 
como seria a nossa vida 
sem qualquer tecnolo-gia?”. 
A verdade é que 
não sei responder e, pro-vavelmente, 
nunca sabe-rei. 
Sem nenhum de nós se 
dar conta, o tempo foi 
passando, a mentalidade 
evoluindo, os hábitos mu-dando 
e as gerações pas-sando, 
até que, chegados 
a 2014, nos encontramos 
num mundo onde tudo 
é informatizado e a tec-nologia 
ocupa um papel 
central nas nossas vidas. 
Não existe qualquer dú-vida 
acerca das vantagens 
desta, mas será que nos 
damos conta das verda-deiras 
desvantagens? 
Enquanto estamos ocupa-dos 
a ler todos os estados 
postados no facebook na 
última hora, podería-mos 
estar a ler um livro, 
contribuindo para o en-riquecimento 
da nossa 
cultura geral, apesar de 
atualmente ser raro ler 
um livro em suporte de 
papel, e não recorrendo 
a qualquer outra tecno-logia. 
Ao invés de passar-mos 
horas em chamada 
ou a trocar mensagens 
com alguém, poderíamos 
utilizar esse tempo para 
estar efetivamente com 
essa pessoa. Devido ao 
desenvolvimento tecno-lógico, 
esquecemo-nos do 
que é passar tempo em 
família, ou simplesmen-te 
estar com os nossos 
amigos, sem o constante 
toque do telemóvel a in-terromper. 
Devido ao de-senvolvimento 
tecnológi-co 
ficamos desesperados 
por um simples corte da 
internet em nossa casa, 
afirmando que sem ela 
“não há nada para fazer”. 
Para além disso, existem 
as tão óbvias diferenças 
económicas entre países 
que, para surpresa de 
muitos, a tecnologia não 
consegue resolver. Será 
que em vez de gastar mi-lhões 
a desenvolver um 
novo Iphone, este dinhei-ro 
não deveria ser utiliza-do 
para combater a fome 
nos diversos países do 
mundo? Será que ao invés 
de se investirem quanti-dades 
enormíssimas de 
dinheiro em empresas 
com vista ao desenvolvi-mento 
tecnológico, este 
dinheiro não seria melhor 
investido em programas 
de ajuda aos mais neces-sitados? 
Se hoje em dia o mundo 
se encontra neste estado, 
como estará em 2050? 
Talvez os robots venham 
a substituir os humanos, 
quem sabe? Ou os carros 
e outros meios de trans-porte 
sejam substituídos 
por teletransportes. 
Com o progresso da tec-nologia, 
chegam também 
as inevitáveis consequên-cias, 
como a substituição 
de trabalhadores por má-quinas 
ou até a utilização 
dos novos recursos para 
fins indesejáveis. Nada 
mais tendo a acrescentar, 
coloco uma pergunta. A 
capacidade para o desen-volvimento 
é, se dúvida, 
uma das melhores quali-dades 
que o ser humano 
possui, mas será que uma 
evolução tecnológica em 
excesso ao invés de fazer 
progredir o mundo e o 
tornar um lugar melhor, 
não o fará regredir e tor-ná- 
lo num lugar bem pior 
do que o que conhece-mos 
hoje? 
Cláudia Coelho, 11CT2
Dezembro de 2014 25 
COMO É QUE VAMOS DE LEITURA 
Carina Baptista e 
Maria Inês Faria 11CT2 
Como é que vamos de 
leitura? As crianças e os 
jovens do século XXI leem 
mais ou menos do que as 
das gerações anteriores? 
A leitura será importante 
para o desenvolvimen-to 
cognitivo dos alunos? 
Contribuirá para melho-rar 
os níveis de literacia 
dos cidadãos? São ques-tões 
complexas, cujas res-postas 
não são fáceis. Se-ria 
necessário uma longa 
e criteriosa investigação 
para termos uma análise 
minimamente objetiva. 
Contudo, para ficarmos 
com uma ideia sobre a 
leitura no contexto esco-lar, 
Encontro quis ouvir a 
Coordenadora das Biblio-tecas 
do Agrupamento de 
Escolas Secundária Fran-cisco 
de Holanda, profes-sora 
Manuela Paredes. 
Encontro - Em primeiro 
lugar queríamos saber se 
é, apenas, Coordenadora 
da Biblioteca da Escola 
Secundária Francisco de 
Holanda ou de todas as 
bibliotecas das escolas 
do agrupamento de es-colas. 
Manuela Paredes - Sou 
professora bibliotecá-ria 
na Escola Secundária 
Francisco de Holanda e 
coordenadora das biblio-tecas 
escolares do Agru-pamento 
de Escolas Fran-cisco 
de Holanda. 
Encontro - Há quantos 
anos desempenha esta 
função? Tornou-se Coor-denadora 
das Bibliotecas 
por vocação ou por aci-dente 
de percurso profis-sional? 
Manuela Paredes - Esti-ve, 
durante oito anos, li-gada 
à biblioteca escolar, 
enquanto elemento da 
equipa da mesma. Estou 
há seis anos como profes-sora 
bibliotecária (coor-denadora 
nestes dois úl-timos 
anos, consequência 
do agrupamento de esco-las). 
Quanto à “vocação” ou 
“acidente de percurso 
profissional” diria que foi 
uma opção, que teve lu-gar 
há seis anos atrás, que 
se prendeu com o facto 
de me identificar com a 
missão da biblioteca esco-lar, 
não tendo prescindido 
da lecionação, no ano em 
que me foi possível fazê- 
-lo, o que significa que 
sou, antes de mais, pro-fessora 
de Português e de 
Francês, a exercer, neste 
momento, as funções de 
professora bibliotecária. 
Encontro - Para desempe-nhar 
estas funções teve, 
naturalmente, formação 
específica e, de certeza, 
continua a apostar na 
formação inerente ao 
cargo que desempenha. 
Quer fazer uma síntese 
do seu percurso formati-vo, 
nesta área? 
Manuela Paredes - A for-mação 
é essencial e era 
uma condição para que 
pudesse exercer esta fun-ção. 
Significa isso que já a 
fazia enquanto elemento 
da equipa e continuo a fa-zê- 
la enquanto professora 
bibliotecária. Frequento o 
máximo possível de for-mações 
ligadas às biblio-tecas 
escolares, à leitura, 
à escrita criativa, ao digi-tal… 
enfim, a todas aque-las 
que considero que 
irão enriquecer as minhas 
práticas na biblioteca e na 
sala de aula. Posso referir 
que estive no I Congresso 
Internacional das Artes na 
Educação, que decorreu 
em Amarante, apenas por 
considerar que me abri-ria 
caminho para outras 
áreas que eu gostava de 
ver desenvolvidas na es-cola 
como o cinema e o 
teatro. 
Encontro - Para potenciar 
a leitura, servir melhor os 
cidadãos leitores, foram 
acionados vários proje-tos. 
Quer explicar-nos em 
que consiste a Rede de 
Bibliotecas Escolares e o 
Plano Nacional de Leitu-ra? 
Foram ou estão a ser 
bem sucedidos. 
Manuela Paredes - “O 
Programa Rede de Biblio-tecas 
Escolares (PRBE) 
foi lançado em 1996, pe-los 
Ministérios da Edu-cação 
e da Cultura, com 
o objetivo de instalar e 
desenvolver bibliotecas 
em escolas públicas de 
todos os níveis de ensi-no, 
disponibilizando aos 
utilizadores os recursos 
necessários à leitura, ao 
acesso, uso e produção 
da informação em supor-te 
analógico, eletrónico e 
digital.” (http://www.rbe. 
min-edu.pt/np4/progra-ma. 
html). Parece-me que 
esta definição, que en-contram 
na RBE é escla-recedora 
quanto ao que 
significa e quais são os 
objetivos das bibliotecas 
escolares. A BE passou a 
ser vista como um espaço 
que deve estar “implicado 
na mudança das práticas 
educativas, no suporte às 
aprendizagens, no apoio 
ao currículo, no desen-volvimento 
da literacia 
digital, da informação e 
dos média, na formação 
de leitores críticos e na 
construção da cidadania.” 
Belíssima missão, que 
atrai os educadores, que 
me atrai particularmente, 
mas que sem a mudança 
de práticas em sala de 
aula, sem a abertura da 
sala de aula à biblioteca 
num trabalho colaborati-vo, 
com o objetivo de (in) 
formar cidadãos, não pas-sará 
de um espaço onde 
os alunos vão trabalhar, 
usando os recursos que 
estão ao seu dispor. 
O Plano Nacional de Lei-tura 
(PNL) é uma iniciati-va 
do Governo que tem 
como objetivo central 
elevar os níveis de litera-cia 
dos portugueses e co-locar 
o país a par dos nos-sos 
parceiros europeus. 
O PNL lança vários pro-gramas 
de promoção da 
leitura. Vocês conhecerão 
um dos concursos, o CNL 
(Concurso Nacional de 
Leitura) que se tem rea-lizado 
a nível do ensino 
básico (no caso do nosso 
agrupamento) e que se 
estende ao ensino secun-dário, 
embora nós não 
nos tenhamos inscrito. 
Encontro - A biblioteca, 
que dirige, tem feito, nos 
últimos anos, atividades 
no sentido de promover 
e motivar a(a) leitura(a). 
Quer destacar algumas, 
as mais marcantes? No 
mesmo sentido, deve ter 
já um plano de ativida-des 
para o ano letivo de 
2014-2015, quer referir 
as principais atividades 
que vai promover. 
Manuela Paredes - Na 
promoção e motivação 
para a leitura posso sa-lientar 
os escritores que 
por cá têm passado nos 
últimos anos como: Maria 
do Céu Nogueira, Adélia 
Pires, Cláudio Lima, Rena-ta 
Falcão, Richard Towers, 
Carlos Poças Falcão, Pe-dro 
Guilherme-Moreira, 
Rui Sousa Basto, Julie 
Hodgson; Jacinto Lucas 
Pires, João Almeida; Do-mingos 
Amaral (que es-teve 
na nossa escola o 
mês passado). Salientaria, 
ainda, a palestra sobre a 
obra " O Morgado de Fafe 
em Lisboa" de Camilo 
Castelo Branco, orientada 
pelo Professor Cândido 
Martins, assim como a 
conferência - Leituras do 
Desejo em Camilo Castelo 
Branco. 
Este ano letivo, como re-feri, 
já tivemos a presen-ça 
de Domingos Amaral, 
e teremos, pela tercei-ra 
vez, o escritor Pedro 
Guilherme-Moreira, que 
é já “amigo da BE” e faz 
um trabalho de interação 
fantástico com os alunos, 
já que lê e comenta os 
textos escritos sobre os 
seus livros. Das atividades 
constantes no nosso pla-no 
de atividades salien-taria 
algo que considero 
importante: a criação do 
clube de cinema e uma 
outra que é prioritária ( 
a formação web 2.0. e 
como fazer uma pesquisa 
-L.INFO). A atividade que 
envolverá mais saberes 
prende-se com o projeto: 
“Ler+Mar”, que nos levará 
numa viagem pelos des-cobrimentos. 
O blogue da 
biblioteca (http://biblio-tecaesfh. 
blogspot.pt/) 
contará, este ano, com a 
colaboração dos aman-tes 
da leitura que publi-carão, 
nesse espaço, os 
seus textos e opiniões. A 
dimensão e importância 
de cada atividade propos-ta 
pela BE depende, como 
sabem, de vocês, alunos, 
e dos vossos professores, 
com quem sempre conto. 
Encontro - Acha que todo 
esse investimento feito, 
nos últimos anos, atraiu 
mais leitores para a bi-blioteca. 
Contribuiu para 
formar melhores leito-res? 
Manuela Paredes - Sim, 
sem dúvida. Há um gran-de 
número de alunos que 
se tornou leitor (apesar 
de considerarmos que po-deria 
haver sempre mais) 
e para isso contribuiu o 
departamento de Línguas 
Clássicas e Novilatinas, 
com a insistência e persis-tência 
dada à importância 
da leitura. 
Encontro - Acredita mes-mo 
na ideia de que a lei-tura 
é muito importante 
para desenvolvimento 
cognitivo dos alunos? 
Manuela Paredes - Acre-dito, 
tenho a certeza dis-so, 
mas recomendo uma 
leitura mais científica, a
26 Dezembro de 2014 
da investigadora Teresa 
Silveira, cujos estudos so-bre 
cérebro e leitura, o im-pacto 
do ambiente digital 
no desenvolvimento das 
estruturas cerebrais da 
leitura ou as estratégias 
para promover leitura e 
compatibilidade cerebral, 
nos mostra a importância 
da leitura para desenvol-vimento 
cognitivo do ser 
humano. Recomendo-vos 
o livro “Cérebro e leitura” 
para que possam refletir 
sobre essa temática. 
Encontro – Já disse que é 
professora de Português 
e, por isso, tem conheci-mento 
do contrato de lei-tura, 
celebrado entre os 
alunos e o professor de 
Português. Em que con-siste, 
quais os objetivos 
desse projeto, a nível de 
turma? 
Manuela Paredes – Em 
primeiro lugar, o contra-to 
de leitura foi pensa-do 
para motivar o aluno 
para a leitura, o que é 
importante não só para 
aumentar o seu vocabu-lário 
como também para 
enriquecer a sua cultura 
geral, preparando-o para 
outras áreas do saber, 
para além da disciplina de 
português. 
O objetivo prioritário é, 
na verdade, tentar que 
se leia melhor, daí que “O 
plano ler melhor” tenha 
como objetivo tentar le-var 
os alunos a uma lei-tura 
mais seletiva. Anti-gamente 
incentivava-se o 
“ler mais”, porém, hoje, 
acreditamos que o ler me-lhor 
é mais importante. 
A leitura contratual é es-tabelecida 
pelos profes-sores 
de acordo com o 
ano escolar. Assim, todos 
os anos, procuramos ir 
ao encontro daquilo que 
propomos no plano de 
leitura, adquirindo alguns 
desses livros propostos, 
no entanto nem sempre é 
possível concretizar este 
objetivo. 
Um aspeto que causa al-gum 
transtorno é o facto 
de alguns alunos demo-rarem 
muito tempo a ler, 
ultrapassando mesmo a 
data estabelecida, pelo 
que, por vezes, alguns 
livros não estão disponí-veis. 
Claro que se procura 
sempre estabelecer a me-lhor 
organização possível, 
contando, para isso, com 
uma maior responsabili-dade 
por parte dos alu-nos. 
Encontro – De que for-ma 
este plano contribuiu 
para incentivar a leitura? 
Manuela Paredes - Como 
os alunos demonstram 
cada vez mais dificulda-de 
na compreensão das 
leituras recomendadas 
pelos professores de por-tuguês, 
bem como inca-pacidade 
de interpretar 
e questionar o que leram, 
é, portanto, imperiosa a 
necessidade de “ler me-lhor”. 
Efetivamente, é 
preciso que alarguem o 
seu vocabulário, enrique-çam 
a sua cultura geral, 
e, sobretudo, que apren-dam 
a ler e discutir aquilo 
que leram, o que, no fun-do, 
é o significado de “ler 
melhor” contrariamente 
ao que acontecia com o 
“ler mais”. 
Por estas razões, os jor-nais 
e as revistas deixa-ram 
de estar no” ler me-lhor”. 
São um exemplo de 
“ler mais”, porém não se 
adequam à categoria de 
“ler melhor”. O “ler mais” 
não deve deixar de existir, 
no entanto, na escola, é 
importante que se incen-tive 
o “ler melhor”. 
No geral, ler faz bem, mas 
é cada vez mais importan-te 
“ler melhor”. 
Gostaria, no entanto, de 
voltar a referir que o in-cumprimento 
das datas 
de entrega de livros na 
biblioteca leva a que o 
incentivo, por mais efi-caz 
que seja, perca o seu 
efeito, pois é importante 
oque os livros estejam 
disponíveis. 
Encontro – Que evolução 
se verificou após a con-cretização 
do contrato de 
leitura? 
Manuela Paredes - Embo-ra 
os alunos prefiram, na 
maior parte dos casos, o 
“ler mais” ao “ler melhor” 
não só deu continuidade 
à leitura que já era efe-tuada 
pelos alunos, mas 
permitiu, essencialmente, 
enriquecê-los de várias 
formas, como referi ante-riormente. 
Encontro quis ouvir, tam-bém, 
a Dona Dores, assis-tente 
que presta serviço 
na biblioteca da escola, 
há muitos anos. 
Encontro – Quando os 
alunos vão à biblioteca, 
procuram apenas livros 
ou consultam, também, 
revistas ou jornais? 
Dona Dores - Com o apa-recimento 
dos computa-dores, 
a consulta de livros 
diminuiu. Porém, ultima-mente, 
tem existido uma 
uniformidade de consul-ta. 
Com efeito, os alu-nos, 
para além das fontes 
informáticas, procuram, 
igualmente, consultar li-vros. 
Encontro – Qual o horá-rio 
em que os alunos fre-quentam 
mais a bibliote-ca? 
Dona Dores - Posso afir-mar 
que é durante todo o 
período de aulas. 
Encontro – Que cursos 
frequentam os alunos 
que recorrem mais à bi-blioteca? 
Dona Dores - Penso que 
talvez sejam os alunos 
dos cursos de CT (Ciências 
e Tecnologias) devido à 
maior exigência do curso 
e ao caráter empenhado 
dos alunos deste curso. 
Quanto aos anos de esco-laridade, 
saliento o 11º e 
o 12º anos. O 10º ano é 
ainda um ano de adapta-ção. 
Encontro – Que género 
de livros são mais requi-sitados? 
Dona Dores - Não consi-go 
apontar um género, 
pois os pedidos são muito 
diversificados. Claro que 
todos os livros que estão 
no contrato de leitura são 
muito procurados. Sendo 
assim, o leque de leituras 
é muito variado. 
Sobre o Contrato de Lei-tura, 
Encontro ouviu, 
também, o testemunho 
de duas professoras de 
Português da Escola. 
Encontro – O Contrato 
de leitura forma mais e 
melhores leitores? Ou es-tará 
simplesmente o for-çar 
a leitura? 
Professora Rosário Fer-reira 
- O contrato de lei-tura 
tem que formar mais 
e melhores leitores. Se o 
não faz é porque nós, pro-fessores 
e orientadores 
de leitura, não estamos 
a cumprir com as nossas 
obrigações – ou deveres, 
como a vossa sensibilida-de 
mais apreciar. Forçar a 
leitura? Mas quantas coi-sas 
na vida não começam 
por ser forçadas e, fre-quentemente, 
se trans-formam 
em prazeres? 
Aqui será, a meu ver, 
pertinente abordar uma 
outra questão: que livros 
se devem ler no contrato 
de leitura? Será que nós 
(mais do que professo-res, 
educadores) orien-tamos 
os alunos para 
leituras producentes, gra-tificantes, 
amplificadoras 
de horizontes, encaradas 
como mais-valias para a 
vida, motivadoras de re-flexão 
do nosso quotidia-no 
ou do nosso interior? 
Ou será que vamos pela 
moda “prequiana” de “o 
aluno é quem mais orde-na” 
e, portanto, deverá 
ler o que quer, mesmo 
que seja “lixo”? Mas isso 
são, a meu ver, contas de 
um outro longo e nem 
sempre pacífico “rosário”. 
Professora Leocádia Ro-drigues 
- Como é natu-ral, 
um dos objetivos da 
disciplina de português é 
formar leitores reflexivos 
e autónomos que leiam 
na Escola, fora da Escola 
e em todo o seu percurso 
de vida. Por tal motivo, ao 
promover o conhecimen-to 
de obras/autores re-presentativos 
da tradição 
literária nacional e estran-geira, 
procura-se educar 
para a cidadania, para a 
cultura e para o multicul-turalismo. 
O contrato de 
leitura pode, de facto, ser 
um meio para desenvol-ver 
o gosto pela leitura 
que, infelizmente, é tão 
pouco valorizada pelos 
portugueses. Da troca de 
opiniões sobre as leituras 
realizadas pelos alunos fi-cam 
sugestões, opiniões, 
experiências que podem, 
a curto prazo, assim o de-sejo, 
criar a necessidade 
de ler, o prazer de ler… 
Espero, sinceramente, 
que os alunos assumam 
este projeto não como 
uma obrigação e sejam 
capazes de fazer desco-bertas 
interessantes para 
as suas vidas. A minha ex-periência 
tem-me trazido 
surpresas muito positivas. 
É claro que, e sendo rea-lista, 
reconheço que para 
um número considerável 
de alunos “ler é maçada” 
e, por tal motivo, não aco-lhem 
esta atividade com o 
espírito que lhe deve es-tar 
inerente. 
Encontro No contrato de 
leitura, pede-se aos alu-nos 
que falem ou escre-vam 
sobre os livros que 
leem. Mas são poucos 
os professores que fa- 
COMO É QUE VAMOS DE LEITURA
Dezembro de 2014 27 
COMO É QUE VAMOS DE LEITURA COMO NASCE O GOSTO 
lam aos alunos dos livros 
que leram. Fale-nos do 
livro que mais prazer de 
leitura lhe leu ou dum li-vro 
que aconselharia aos 
seus alunos. 
Professora Rosário Fer-reira 
- Esta é difícil. São 
tantos os que me deram 
prazer por motivos tão 
distintos! Desculpem, 
mas esta resposta tem 
que ser por tópicos (vou 
responder por ordem cro-nológica): 
Os livros de Enid Blyton 
– fizeram-me descobrir 
a importância de valores 
como a lealdade e a ver-dade 
enquanto me aguça-vam 
o engenho na procu-ra 
de pistas e me faziam 
rir “a bandeiras despre-gadas” 
(esta expressão, 
lembro-me claramente, 
aprendi-a nos livros das 
Gémeas); 
A Morgadinha dos Cana-viais 
– apresentou-me o 
espaço rural do Minho 
por um olhar que não co-nhecia 
– menina da cida-de, 
obriguei-me a olhar 
para a calma do campo 
e a apaixonar-me por um 
Henrique tão estranha-mente 
citadino-campes-tre. 
(Claro que, de segui-da, 
corri a ler a Família 
Inglesa!) 
Os Clássicos russos – 
Anna Karenina, O Jogador, 
… que me deram a conhe-cer 
o calor das intrigas no 
meio do gelo. 
Os livros de Eça de Quei-rós 
– não me perguntem 
qual: ainda hoje, ao entrar 
numa igreja, vejo Amélia 
a sentir o incenso e a des-lumbrar- 
se com as talhas 
douradas, e quando vou a 
Leiria, não consigo deixar 
de pensar no cónego a 
arrotar enquanto abotoa 
a batina na beira da cama 
da Joaneira. Ou o primo 
Basílio, que me fez odiar, 
ainda hoje, as botinas. E 
claro, Os Maias, Os Maias, 
Os Maias; por tudo, mas 
por causa daquele avô 
que não tive e que adotei 
como sendo o meu, e do 
Ega que me faz rir de cada 
vez que o encontro. E A 
Capital, e A Relíquia, …. 
Lolita – que fui incapaz de 
reler quando a minha fi-lha 
tinha treze anos. 
Margarita e o Mestre – 
que me fez pensar na lou-cura 
do homem quando a 
liberdade de pensamento 
parece digna de um mani-cómio. 
As intermitências da mor-te 
– abriu-me os olhos 
para os perigos da imor-talidade. 
Os Anagramas de Varsó-via 
- que me apresentou 
uma visão humana, longe 
do dantismo fanático que 
às vezes encontramos, 
mas angustiante da vida 
dos guetos da Segunda 
Guerra. 
Posso continuar? Acho 
que já chega. Não, não, 
esqueci-me de uma saga 
importante: a coleção das 
Aventuras de Asterix que 
tanto me ensinou sobre 
a cultura clássica e sobre 
o que é fazer humor in-teligente 
(muito antes de 
haver Gatos Fedorentos). 
O que eu aconselharia? 
Depende do aluno. Não 
somos todos iguais. Sei o 
que não deixaria que les-se, 
mas isso seria politica-mente 
incorreto referir. 
Professora Leocádia Ro-drigues 
- É difícil reduzir 
uma vida já longa de lei-turas 
a um livro. De facto, 
idades diferentes gosta-ram 
de obras e autores 
distintos. No entanto, 
houve autores que mar-caram 
a minha adolescên-cia 
como León Tolstói com 
“Guerra e Paz” e “Ana Ka-renina” 
ou, de uma forma 
muito peculiar, os roman-ces 
de Eça de Queirós, Ca-milo 
castelo Branco, Júlio 
Dinis e a sua “Morgadi-nha 
dos Canaviais”, en-tre 
outros. Mais tarde fui 
descobrindo outros gran-des 
autores como Faulk-ner, 
Hemingway… Difícil 
é enumerá-los por serem 
tantos. Atualmente, para 
além dos escritores por-tugueses 
mais conheci-dos, 
os meus interesses 
vão muito para os novos 
escritores de expressão 
portuguesa como João 
Tordo, José Luís Peixoto, 
Valter Hugo Mãe…Este 
último aconselho a sua 
leitura não só pela capaci-dade 
de imaginar mas, ao 
mesmo tempo, de mos-trar 
e construir situações 
e personagens que tradu-zem 
alguns dos dramas 
dos seres humanos. 
A opinião dos alunos so-bre 
o Contrato de Leitura 
Encontro – O contrato 
de leitura é “seca” ou é 
mesmo motivador para a 
leitura? 
Tânia Alves 12CT1 - O 
contrato de leitura é mo-tivador, 
se os requisitos 
que exigem forem livres, 
ou seja, se nos derem a 
liberdade de escolher um 
livro de que gostamos e 
não um livro que esteja 
na lista, pois restringe as 
escolhas. 
Tiago Sousa 12CT – Na 
minha opinião o contrato 
de leitura é importante. 
Eu, pessoalmente, só leio, 
sendo obrigado. Cada vez 
que leio um livro para 
a disciplina, percebo o 
quão importante a leitura 
é para o meu vocabulário 
e para melhorar a própria 
leitura. 
Encontro – Quantos li-vros 
lês por ano? Fala do 
último que leste. 
Tânia Alves - Leio com re-gularidade, 
4 ou 5 ou até 
mais por ano. Não costu-mam 
ser muito grandes, 
apenas um ou outro. O 
último que li falava de fic-ção 
científica, romance. 
Era um dos muitos temas 
atuais nesse campo, que 
fala acerca de um anjo 
caído que se apaixona por 
uma humana. Foi uma 
boa obra! 
Tiago Sousa - Eu leio 
três livros por ano, para 
o contrato de leitura. O 
último que li foi mesmo 
Os Maias. Achei um li-vro 
interessante, não só 
por ser um livro sobre 
um “romance”, mas tam-bém 
porque as críticas 
que nele estão presentes 
são muito interessantes 
e muito pertinentes nos 
dias de hoje. 
PELA LEITURA? 
Por vezes, pensamos que 
a leitura é aborrecida e 
até achamos que é uma 
perda de tempo, pois po-deríamos 
fazer algo mais 
interessante durante es-ses 
momentos. Mas, afi-nal 
de contas, por que é 
que ler é divertido? 
Em primeiro lugar, na 
minha opinião, devemos 
escolher um livro relacio-nado 
com uma área de 
que nós gostemos. Assim, 
será meio caminho anda-do 
para nos debruçarmos 
mais na leitura. Se gos-tamos 
de uma área mais 
realista, devemos esco-lher 
um livro desse âm-bito, 
se gostamos de uma 
área de ficção, devemos 
escolher um livro relacio-nado 
com esse tema. 
A partir daqui, é só co-meçar 
a ler, a ler, a ler, … 
Quando dermos conta, 
já andamos pela rua, na 
escola, em casa, senta-dos 
num banco de jardim 
ou até na igreja (quando 
não nos apetece ouvir o 
padre) a ler; viciados na 
leitura, pois queremos 
sempre saber o que virá 
na página seguinte. 
E qual é a vantagem dos 
livros? A leitura de um li-vro 
oferece-nos a oportu-nidade 
de imaginarmos, 
à nossa maneira, com 
base no que está escrito, 
muitas coisas: as perso-nagens, 
os espaços envol-ventes, 
etc., ao contrário 
de muitos outros meios, 
como, por exemplo, os 
filmes, em que estamos 
formatados ao que obser-vamos, 
não dando mar-gem 
à nossa imaginação. 
Para além disso, enquan-to 
lemos, podemos viajar, 
encontrar novos mundos, 
conhecer novas formas 
de pensar, tornando o 
momento em que esta-mos 
a ler especial. Assim, 
por instantes, esquece-mos 
as nossas preocupa-ções 
e entramos noutro 
mundo, do qual, muitas 
vezes, nem nos dá vonta-de 
de sair. 
Também, os hábitos de 
leitura apresentam um 
grande peso na nossa for-mação, 
dado que, através 
deles, temos acesso a in-formações 
que abrangem 
várias áreas e várias ma-térias, 
ao mesmo tempo 
que enriquecem o nosso 
vocabulário, por termos 
contacto com novas pala-vras, 
novas expressões. 
Deste modo, do meu pon-to 
de vista, é tudo isto 
que leva a que uma pes-soa 
acabe por se apaixo-nar 
pela leitura, de forma 
a querer ler mais, e mais, 
e mais. 
Para isso, é necessário 
apenas descobrir esse 
nosso gosto que está es-condido 
em cada um de 
nós. Até poderá parecer 
estranho como é que al-guém 
poderá ficar tão 
atraída pelo ato de ler, 
assim, repentinamente, 
mas é pura verdade! 
Experimentem esta recei-ta. 
Vão ver que não se irão 
arrepender! 
João Pedro Nunes Alves 
Pinto,11CT2
28 Dezembro de 2014 
SUGESTÕES DE 
LEITURA 
Sofia Macedo – 10CT2 GLOBALIZAÇÃO 
Título do livro: 
A Rapariga Que 
Roubava Livros 
Autor: Markus Zusak 
A Rapariga que Roubava 
Livros retrata a história da 
vida de uma menina que 
cresceu na Alemanha, du-rante 
a Segunda Guerra 
Mundial. A infância e a 
adolescência de Liesel são 
contadas pela perspetiva 
da Morte, demonstrando 
o estilo de vida da época 
e transmitindo todas as 
emoções e dificuldades 
de viver em plena Muni-que 
durante um período 
tão complicado da histó-ria 
alemã e mundial, de 
um modo muito realista. 
Tendo conquistado boas 
críticas de alguns dos 
maiores especialistas a 
nível mundial, a obra de 
Markus Zusak é um óti-mo 
livro, escrito de forma 
excecional, que conta já 
com adaptação ao cine-ma. 
Título do Livro: 
A Cabana do Pai Tomás 
Autor: Harriet Beecher 
Stome 
Um dos clássicos mais 
conhecidos de sempre, 
A Cabana do Pai Tomás 
é muito mais do que um 
livro sobre escravatura. 
Ao longo da história, so-mos 
confrontados com 
a dura realidade de se 
viver como propriedade 
de alguém e de não se ter 
voz ou opinião própria. 
A história de Pai Tomás, 
que tem já 200 anos, fala 
sobre a vida vista do lado 
dos escravos, a sua falta 
de direitos e liberdade, e 
todos os aspetos de se ser 
considerado um objeto. 
Mas, apesar de tudo, fá-lo 
na perspetiva positiva de 
Tomás, que encara a vida 
de uma forma muito di-ferente 
dos outros escra-vos, 
e que é inspiração e 
conselheiro dos que o ro-deavam. 
Uma obra muito 
bem escrita, que nos re-mete 
para uma das épo-cas 
mais embaraçosas da 
Humanidade, e que con-quistou 
leitores por todo 
o mundo. 
NÃO GLOBAL 
Globalização? Que ter-mo 
tão interessante. Mas 
será assim tão maravilho-so 
como dizem ou con-siste 
apenas num termo 
ilusório? 
A globalização define-se 
num conjunto de trans-formações 
políticas e 
económicas que visam a 
integração dos mercados 
numa “aldeia-global”, 
explorada pelas grandes 
corporações internacio-nais, 
consideradas os 
grandes donos do mundo. 
Mas serão estas multina-cionais 
apenas donos do 
mundo? Pois bem, estas 
grandes empresas não 
só são donos do mundo 
como, para além de tudo 
isso, são donos de todos 
nós. É triste. É triste e la-mentável 
deixarmo-nos 
“governar” e influenciar 
por um capitalismo sel-vagem 
que tem em vista 
apenas a obtenção de lu-cros 
e que mesmo assim 
continuamos a apoiar e 
a achar que é uma coisa 
muito boa, quer para nós, 
quer para o nosso país. 
De certa forma, a globa-lização 
é uma coisa boa 
sim, no entanto, no meio 
de tantas vantagens, tam-bém 
se encontram inú-meras 
desvantagens mas 
que parece cegar toda a 
gente pois ninguém pare-ce 
tê-las em conta. 
É certo que a 
globalização promove 
um desenvolvimento 
tecnológico, aumentando 
o crescimento económico, 
o desenvolvimento 
humano e a interligação 
de diferentes povos 
e culturas. No entan-to, 
é urgente serem 
adotadas medidas para 
criar um processo de 
globalização justo, que 
vise os valores universais 
e procure a importância 
dos direitos humanos 
tanto ou mais como visa a 
importância da conquista 
de grandes capitais. 
A globalização é um pro-cesso 
fascinante, que 
abre novas esperanças 
de progresso para a hu-manidade 
mas que usada 
e abusada desta forma, 
fecha qualquer tipo de 
esperança ao desenvol-vimento 
mundial e hu-mano. 
Se por um lado a 
globalização diminui as 
distâncias espaciais, por 
outro lado aumenta mui-to 
mais as distâncias afe-tivas, 
contribuindo para 
o agravar das desigualda-des 
sociais e assimetrias 
económicas. Se o concei-to 
de globalização procu-rava 
a unificação, nos dias 
de hoje encontra-se mui-to 
longe disso. 
No meu ponto de vista, a 
promessa de que a globa-lização 
traz paz, igualda-de, 
liberdade e bem-estar 
para todos, não passa de 
“ilusões”, mas como vi-vemos 
num mundo ven-cido 
pelo consumismo, 
violência, discordância e 
desequilíbrio, todos acre-ditam 
nisso. Submisso é o 
adjetivo ideal para carac-terizar 
o povo português. 
Se nos baixam os salários 
ou aumenta o desem-prego, 
pouco ou nada 
dizemos e se nos tiram 
direitos, agimos como se 
nunca os tivéssemos tido. 
E quanto aos países de 
terceiro mundo? Meu 
deus, que falta de hu-mildade 
têm para com 
estes povos. É desuma-no 
como se exploram e 
tratam pessoas como se 
nada valessem, pois se 
os países menos desen-volvidos 
buscam apoio 
naqueles mais desen-volvidos, 
estes por sua 
vez veem isso como uma 
oportunidade para os ex-plorar 
economicamente. 
É a isto que chamam glo-balização?! 
Os ricos cada 
vez mais ricos e os pobres 
cada vez mais pobres?! 
Que miséria de pensa-mento 
e escassez de co-nhecimento 
temos nós. 
Não, não me alio a este 
processo que muito pou-co 
ou nada muda a inte-gridade 
humana, pois um 
ser íntegro não se vende 
por situações momen-tâneas 
nem deixa que a 
sua moral tenha preço. 
Não posso dizer que seja 
totalmente contra pois 
se vivemos num mundo 
repleto de comunicação, 
tecnologia e desenvolvi-mento, 
devemo-lo muito 
à globalização. Ainda as-sim, 
precisamos de um 
mundo mais transparen-te, 
que não se deixe atrair 
e levar pelo doce sabor do 
dinheiro. 
A “cegueira” deste povo 
fez com que a sua pobre-za 
e ilusão de um mundo 
melhor, servisse apenas 
para o enriquecimento 
das grandes empresas. 
Mas é certo que tudo isto 
não passa de um mundo 
utópico, pois por este an-dar, 
não sairemos disso 
mesmo. Contudo, como 
uma nação que somos, 
devemos unir-nos e pro-curar 
naqueles que nada 
nos dão, respostas para 
o porquê de tudo aquilo 
que nos tiram. 
Margarida Machado, 
12ºLH2 
GLOBALIZAÇÃO 
VS 
PROSPERIDADE 
A globalização, nestes úl-timos 
anos, tem vindo a 
ser um fenómeno cada 
vez mais comum. Mas o 
que é a globalização? Não 
tendo uma definição con-creta, 
caracteriza-se es-sencialmente 
pelo rápido 
acesso à informação por 
toda a parte doa difusão 
de culturas, hábitos, etc. É 
mais fácil agora partilhar 
opiniões e gostos, e 
difundi-los. Um exemplo 
disso é a moda. 
A globalização faz-se em 
três domínios: económi-co, 
político e cultural, com 
vantagens em todos eles. 
Começando pelo econó-mico, 
a vantagem é clara: 
a fácil transação de ca-pital, 
sem muitos ou ne-nhuns 
impedimentos; no 
domínio político, é possí-vel 
agora realizar congres-sos 
e reuniões entre os 
principais intendentes de 
modo a apaziguar as de-sigualdades 
sociais e eco-nómicas. 
Culturalmente 
falando, damos um pou-co 
da nossa cultura e re-cebemos 
outro tanto de 
outras. Mas serão só van-tagens 
neste mundo glo-balizado? 
Apesar de todas estas 
vantagens, as desvanta-gens 
sobrepõem-se, tan-to 
em número como em 
impacto no mundo. Com 
este grande processo 
crescente, num mundo 
em que vigora o capita-lismo, 
que tem por base 
o dinheiro, as pessoas 
conduzem todos os seus 
interesses e ações com a 
finalidade de obter lucro, 
só se preocupando com 
o seu próprio bem-estar. 
Para a obtenção de lu-cro, 
fundam empresas, 
que vão crescendo expo-nencialmente 
através das 
privatizações: tornam pri-vado 
tudo o que podem, 
“invadindo” completa-mente 
um país, como o 
sucedido já neste século, 
na Argentina. É difícil de 
acreditar que se tenha ta-manha 
sede de lucro, que 
se comece, consciente-mente, 
a contribuir para 
a ruina de um país; estas 
situações levam ao au-mento 
das desigualdades, 
em que os ricos são cada 
vez mais ricos e os pobres 
cada vez mais pobres. 
A nível cultural, a situação 
não apresenta melho-rias. 
Cada vez mais, com 
a difusão das culturas e 
hábitos, as pessoas estão 
padronizadas: os hábitos 
são propagados de e para 
todo o mundo, o que faz 
com que se vá perdendo 
um pouco os seus pró-prios 
hábitos, e conse-quentemente 
a sua cultu-ra. 
A maior desvantagem 
desta globalização socio-cultural 
é o que se chama 
de domínio intelectual. A 
maior parte das nossas 
fontes de informação, tal 
como o rádio e a televi-são, 
são controlados por 
grandes empresas, que 
têm sob controlo o que 
vemos e ouvimos; quase 
como que escolhem ao 
que podemos ou não ter 
acesso. 
A globalização económica 
também não fica atrás em 
desvantagens. Com a fácil 
GLOBALIZAÇÃO
Dezembro de 2014 29 
VIVER NUM MUN-DO 
GLOBALIZADO 
Nesta “era global’ con-temporânea 
em que a 
interação e integração 
entre as pessoas, 
empresas e governos de 
diferentes nações, bem 
como o rápido acesso a 
produtos, informações 
e pessoas, é vista como 
uma mais-valia, a globa-lização 
é suscetível a vá-rios 
e muito contrastados 
pontos de vista, quer se-jam 
orientações políticas, 
crenças religiosas ou con-siderações 
económicas. A 
verdade é que sem a ex-portação 
global de um sis-tema 
capitalista, a globali-zação 
não seria assim tão 
pronunciada no nosso dia 
a dia, pois é este capitalis-mo 
exacerbado que nos 
oferece a variedade e fácil 
acesso aos produtos que 
compramos para viver ou, 
em muitos casos, vivemos 
para comprar; que nos 
inunda com informação 
preciosa e nos afoga no 
vácuo quando nos fazem 
chegar aos ouvidos os 
últimos desconsolos amo-rosos 
das Kardashians. É 
este cânone de civiliza-ção, 
envolvido num podre 
sistema monetário que 
tomamos como único, o 
motor comum das três 
distintas vertentes da glo-balização, 
bem como do 
globo propriamente dito, 
pois é inevitavelmente 
o dinheiro e o seu fluxo, 
concentrado numa mi-noria 
corporativa, que 
A POPULAÇÃO E OS 
RECURSOS MARÍTI-MOS 
Hoje em dia, temos assis-tido 
ao desaparecimento 
de recursos naturais e a 
alterações preocupantes 
do meio ambiente. 
A pesca em Portugal tem 
vindo a diminuir, devido 
à sobre-exploração de 
recursos como a ativida-de 
piscatória excessiva, 
dita o destino de nações 
inteiras. Com marionetas 
em fatiotas que, entre 
discursos de esperança e 
prosperidade, nos jogam 
na miséria; com organi-zações 
internacionais que 
nos estendem a mão em 
situações difíceis, somen-te 
para esbofetear a face 
subnutrida e desconten-te 
do povo; seja quando 
nos deixam às escuras, 
cada vez que ligamos a 
luz intermitente do tele-visor 
para ver o noticiá-rio, 
seja com futebol em 
horário nobre, ou quando 
nos enganam com títulos 
sonantes em tablóides e, 
de certa forma, nos ‘ven-dem’ 
um propósito, à 
nossa vida, com anúncios 
inesgotáveis. São eles que 
mexem as peças do mo-nopólio 
implacavelmen-te, 
derrubando qualquer 
opositor, não olhando a 
meios, contornando re-gras 
e abalroando valores 
morais, num jogo em que 
só uma parte sai vence-dora. 
Todos os outros, 
falidos, assemelhando-se 
ao panorama geral em 
que vivemos, em que as 
desigualdades sociais e 
económicas são cada vez 
mais pronunciadas, quer 
sejam as ruas ou a linha 
equatorial a decalcar a si-nuosa 
folga entre a misé-ria 
e o luxo, em que bair-ros 
de lata coexistem com 
condomínios privados, 
num mundo tão dito civi-lizado, 
mas onde imobiliá-rios 
são liquidados aos mi-lhões 
enquanto milhões 
dormem nas ruas. Entre 
empréstimos irrepará-veis, 
desvalorizações mo-netárias 
e consequentes 
privatizações, vejo cala-do, 
como todos os outros, 
nações serem mergulha-das 
em dívidas abismais, 
a venderem as suas mais 
valiosas riquezas natu-rais 
a preço de restolho 
em troca de algum folgo, 
curto, instante e em nada 
recompensador. Vejo 
compatriotas serem em-purrados 
além fronteiras 
ou explorados a troco de 
algum peso no bolso, que 
sustente um teto e umas 
quantas bocas, enquanto 
magnatas aposentados ti-ram 
proveito dessas almi-nhas 
desenraizadas, que 
nada fizeram, numa cha-mada 
democracia, para 
se alistarem nesta carni-ficina 
económica. Vejo 
potências económicas 
serem enaltecidas até ao 
mais peculiar pormenor 
da sua cultura, mesmo 
deste lado do atlântico, a 
que fazem chegar através 
desta corrente do Golfo 
do século XXI (meios de 
comunicação) a Guima-rães 
ou até Cabul, estas 
novas brisas americanas, 
quer sejam elas ‘hot’ 
ou ‘cool’ ou nada ‘nice’; 
brisas em que elites me-diáticas 
criam multidões 
conformadas, invocando 
hinos de futilidade na rá-dio, 
empregando no cor-po 
os últimos gritos da 
moda, criando legiões de 
figurinos, num palco glo-bal, 
envolvido num enre-do 
muito mais doentio e 
sujo do que Hollywood 
nos faz parecer na grande 
tela. Submetem gerações 
inteiras a um culto de se-guidores, 
que respiram o 
sonho americano, em solo 
português, substituindo 
costumes e tradições cen-tenárias 
por rituais ma-cabros 
de consumo, mais 
aprazíveis à vista, mas 
mais banais na prática. O 
fado, os jogos populares, 
os ditados, a gastrono-mia 
típica perpetuam-se 
maioritariamente nas al-mas 
de quem já cá não 
estará daqui a quinze, 
vinte anos, deixando-se 
de dizer os dizeres e de 
se partilhar a tão ignora-da 
sabedoria dos nossos 
avós que leva mais anos 
que a própria globaliza-ção. 
Vai-se, enfim, con-sentindo 
a artificialidade 
e esta vai abrindo brechas 
nos mais variados círcu-los 
culturais em todo o 
mundo, levantando uma 
poeira homogénea sob a 
nossa identidade cultural. 
Mas como o diabo não é 
tão feio quanto eu o pin-to, 
a globalização tem, 
também, os seus aspetos 
positivos, sendo a inter-net 
o mais destacável nos 
dias que correm, interli-gando 
milhões de pessoas 
numa rede mundial de di-fusão 
e partilha de ideolo-gias, 
projetos e de fichei-ros 
que nos permitem 
aceder em qualquer pon-to 
do mundo à mais ten-ra 
informação em tempo 
real, ou ainda adormecer 
as nossas fendas sinápti-cas 
com autopropaganda 
de personagens irrelevan-tes 
nas redes sociais, com 
citações triviais, obsceni-dades, 
ou qualquer outra 
coisa periférica ao que 
realmente é importante. 
A globalização fomentou 
também o alargamento 
de horizontes culturais e 
sociais das populações, 
tornando-as mais escla-recidas 
desta complexa e 
miscelânea esfera, quan-to 
a etnias e culturas que 
com elas coabitam, das 
relações que de entre 
elas resultam, esmore-cendo 
racismos e xenofo-bias, 
promovendo valores 
de igualdade que entoam 
nos ouvidos de milhões, 
mas que caem por terra 
a cada dia que passa. Em 
suma, a globalização é 
um fenómeno que tem o 
potencial de unir os mais 
variados polos do mundo 
num só organismo, num 
holismo em que todos 
cooperam em prol do bem 
de todos, numa relação 
de progresso e prosperi-dade 
mundial, fenómeno 
esse que é condicionado 
pelo meio capitalista em 
que vivemos, pela ganân-cia 
destrutiva conduzida 
por somíticos irracionais, 
cuja brutalidade humana 
por eles causada, nada 
lhes incomoda, ao verem 
guerras que não lhes per-tencem 
serem despoleta-das 
e inocentes mortos, 
diretamente do conforto 
de poltronas imaculadas 
e LCD’s exagerados, em 
busca de dígitos ou res-mas 
de papel, que não 
alimentam famintos, não 
deslocam refugiados e 
muito menos contribuem, 
como cidadão, para a mi-nha 
qualidade de vida. 
Rui da Silva,12LH4 
transferência e circulação 
de dinheiro, as pessoas 
passam a ter oportuni-dade 
de depositar o seu 
dinheiro em “paraísos 
fiscais”, onde são capa-zes 
de fugir aos impostos. 
Como é óbvio, isto só traz 
vantagens para a própria 
pessoa, uma vez que os 
impostos que não estão a 
ser pagos serviriam para o 
desenvolvimento do país 
e melhoria das condições 
de vida da população. É 
por casos como estes que 
não é possível pôr em 
prática uma das melhores 
ideias para controlar e di-minuir 
as desigualdades a 
nível mundial - a taxa To-bin, 
que consiste em cada 
país retribuir com parte 
dos seus impostos para 
a ajuda de outros paí-ses, 
com garantia de que 
voltariam para o país, se 
alguma vez fosse neces-sário. 
É notório que as vanta-gens 
da globalização, em 
cada uma das três ver-tentes, 
são muitas: des-de 
o avanço tecnológico, 
à facilidade de expansão 
de economias e ao cresci-mento 
e desenvolvimen-to 
dos países. Mas ne-nhuma 
delas se sobrepõe 
ao aumento de um con-sumismo 
exagerado, em 
que nos dias que correm, 
pouco do que compramos 
é algo que realmente pre-cisamos. 
Ou ainda até a 
perda da cultura e hábitos 
pessoais, de algo que é 
nosso, e que ninguém nos 
pode tirar. Ou ninguém 
podia, antes de todo este 
processo se iniciar e do 
planeta se tornar no que 
conhecemos hoje. 
Ana Gonçalves,12LH1 
GLOBALIZAÇÃO 
ultrapassando as quotas 
impostas pela União Eu-ropeia, 
à captura ilegal de 
espécies e à destruição 
de habitats. A popula-ção 
portuguesa não tem 
contribuído para a me-lhor 
gestão dos recursos 
marítimos, pois esta tem 
vindo a poluir as águas 
do mar e dos rios, atra-vés 
do lançamento de 
efluentes nos vários tipos 
de setores como agrícola, 
industrial e doméstico. 
Tem provocado destrui-ção 
da fauna e da flora, 
consequência da pressão 
urbanística. 
Para solucionar tais pro-blemas, 
necessitamos de 
controlar eficazmente 
a nossa Zona Económi-ca 
Exclusiva, cumprindo 
as normas estabelecidas 
pela Política Comum das 
Pescas e reforçando o 
patrulhamento da Z.E.E. 
Ainda para combater a 
pressão dos recursos ma-rinhos, 
devemos regulari-zar 
a atividade piscatória, 
fiscalizando a pesca (ma-lhagem 
das redes…), mo-dificar 
algumas técnicas 
de pesca entre outras. 
Para concluir, devemos 
apelar à população portu-guesa 
para ajudar a renta-bilizar 
o litoral e os recur-sos 
marítimos através das 
soluções apresentadas 
anteriormente. 
Tomás, João Piazzon, Rui 
Pedro, 11LH2 
Google Images
30 Dezembro de 2014 
O CONCEITO DE MOVIMENTO DE ARISTÓTELES A NEWTON 
A ILUSÃO DE QUEDA 
Imaginemos a seguin-te 
situação: duas esfe-ras 
possuem dimensões 
semelhantes, contudo 
uma delas é feita de titâ-nio, 
enquanto a outra é 
feita de chumbo. Ao se-rem 
largadas ao mesmo 
tempo da mesma altura, 
qual delas atingirá o solo 
primeiro? Se respondeu 
que a esfera de chumbo 
atingiria o solo primeiro, 
é como a maioria das pes-soas 
e a sua resposta está 
errada. Na verdade, as 
esferas atingem o solo ao 
mesmo tempo, mas como 
será isto possível? 
Ao responder que a bola 
de chumbo levaria menos 
tempo a chegar ao solo, 
seguiu a crença popular, 
segundo a qual objetos 
com maior massa caem 
mais depressa. Esta era 
também a teoria de Aris-tóteles, 
grande filósofo 
clássico, que acreditava 
que a velocidade de que-da 
de um corpo era pro-porcional 
à sua massa. 
No entanto, como já foi 
indicado, esta teoria está 
incorreta, tal como Gali-leu, 
o introdutor do mé-todo 
experimental na Fí-sica, 
defendeu. Segundo 
Galileu, corpos de mas-sas 
diferentes atingem o 
solo ao mesmo tempo, 
desde que a resistência 
do ar se possa desprezar. 
Este movimento de que-da 
com resistência do ar 
desprezável é chamado 
de “queda livre”. 
A sua conclusão foi obti-da 
experimentalmente, 
ao observar o movimen-to 
de diferentes esferas 
em planos com diferentes 
inclinações, verificando 
que uma esfera percorria 
uma distância quatro ve-zes 
maior em dois segun-dos 
do que num segundo, 
provando assim que a dis-tância 
percorrida a partir 
do repouso variava com 
o quadrado do tempo, e 
que a velocidade da bola 
ao fim de dois segundos 
era o dobro da velocida-de 
ao fim de um segundo, 
isto é, que a velocidade 
variava proporcionalmen-te 
com o tempo. Noutras 
palavras, a aceleração 
(variação da velocidade 
ao londo do tempo) da 
bola era constante. 
Contudo, as teorias de 
Galileu não foram aceites 
pela comunidade cíenti-fica 
da época que se re-cusava 
a dar validade às 
suas provas experimen-tais. 
Apenas no século 
XVII, Newton conseguiu 
provar matematicamente 
a validade do raciocínio 
de Galileu, e partindo 
dele criou a três leis que 
se tornaram um dos ali-cerces 
da Física Moderna. 
Aplicando, então, a 2ª 
lei de Newton conclui- 
-se que na queda livre, o 
corpo sofre apenas a ação 
da força da gravidade, ou 
seja, a intensidade da re-sultante 
das forças a atuar 
no corpo é igual à inten-sidade 
da força da gravi-dade, 
deste modo a ace-leração 
experimentada 
pelo corpo é a aceleração 
gravítica, que possui um 
valor constante de, apro-ximadamente, 
9,8 m/s2, à 
superfície terrestre. 
Assim sendo, dado que 
os corpos partem com a 
mesma velocidade ini-cial 
e percorrem a mes-ma 
distância, conclui-se 
que atingirão o solo com 
a mesma velocidade e, 
portanto, no mesmo ins-tante. 
Tiago Rodrigues, 11CT1 
SERÁ QUE CORPOS COM 
MAIOR MASSA CHEGAM 
MAIS DEPRESSA AO 
CHÃO? 
Desde sempre até aos dias 
de hoje, o Homem tenta 
descobrir como é consti-tuído 
o mundo, tenta per-ceber 
como funcionam as 
coisas e procura estabele-cer 
regras e as teorias que 
regem o Universo, desde 
as estrelas brilhantes até 
aos movimentos na Terra. 
Dos fenómenos ocorridos 
na superfície terrestre, 
a queda livre dos corpos 
foi motivo de estudo por 
parte de vários cientistas 
e estes formularam várias 
teorias a seu respeito. O 
movimento de queda livre 
é uma particularização 
do movimento retilíneo 
uniformemente acelera-do 
em que a resistência 
do ar é desprezável. As 
principais personalidades 
que se dedicaram ao es-tudo 
deste movimento 
foram Aristóteles, Galileu 
e Newton. 
Aristóteles, um gran-de 
filósofo grego, viveu 
entre o ano de 384a.C. 
e 322a.C. Do seu estu-do 
sobre a queda de um 
corpo à superfície terres-tre, 
chegou à conclusão 
de que a velocidade de 
queda de um corpo de-pendia 
da sua massa. Isto 
é, quanto maior fosse a 
massa de um corpo maior 
seria a velocidade atin-gida 
por ele. Esta teoria 
foi aceite durante muitos 
séculos, tanto por Aris-tóteles, 
como pelos seus 
seguidores e ainda mui-tas 
pessoas na atualidade 
pensam desta forma. 
No entanto, cerca de 
1900 anos depois, Galileu 
Galilei, um famoso físi-co 
e astrónomo italiano, 
testou a teoria de Aristó-teles. 
E para isso, conta a 
lenda, subiu à Torre Pisa e 
deixou cair do topo duas 
balas de canhão de mas-sas 
diferentes. As balas 
caíram praticamente ao 
mesmo tempo. Ou seja, 
Galileu defendia que a 
velocidade de queda não 
dependia da massa do 
corpo. Para além disso, 
Galileu revolucionou o 
método científico e criou 
um novo método de es-tudo, 
o método empírico/ 
experimental muito utili-zado 
ainda hoje. 
Para resolver as diver-gências 
entre as ideias de 
Aristóteles e Galileu so-bre 
a queda dos corpos, 
surge a figura de Isaac 
Newton. Newton foi um 
físico e matemático inglês 
conhecido pelas suas leis 
da física. A segunda lei 
de Newton ou a lei fun-damental 
da dinâmica, 
publicada em 1687, veio 
comprovar a teoria de 
Galileu. Esta lei diz que a 
resultante das forças apli-cadas 
num corpo produz 
nele uma aceleração com 
a mesma direção e o mes-mo 
sentido da força resul-tante, 
e que a resultante 
das forças é diretamente 
proporcional à acelera-ção 
e à massa do corpo. 
Quer isto dizer que, na 
queda livre de um corpo 
(desprezável a resistência 
do ar), a força resultan-te 
é o peso do corpo e, 
por isso, quanto maior a 
massa do corpo maior é 
a força resultante. A razão 
entre estas duas grande-zas 
mantém-se constan-te, 
logo a aceleração da 
gravidade na Terra é igual 
para todos os corpos. Mas 
porque é que uma pena 
demora mais tempo a cair 
do que uma pedra? Isto 
acontece porque a resis-tência 
do ar não pode 
desprezar-se neste caso, 
pois tem maior efeito na 
pena do que na pedra. 
Concluindo, o simples mo-vimento 
de queda de um 
corpo, como por exemplo 
a queda de uma moeda 
ao chão, foi alvo de mui-tos 
estudos e demorou 
muitos anos até se chegar 
a uma resposta plausível. 
Se ainda continua com 
dúvidas faça você mesmo 
a experiência: pegue num 
berlinde e numa pedra de 
massas diferentes e deixe 
cair os corpos à mesma al-tura 
e no mesmo instante, 
observe o que acontece. 
José Fonseca, 11CT2 
A disciplina de Física 
e Química, no ensino 
secundário, pretende 
contribuir para a estru-turação 
do pensamento 
científico, indispensá-vel 
ao conhecimento e 
compreensão dos fenó-menos 
físicos/químicos 
que nos rodeiam. Mas, 
não menos importante, 
é compreender como 
esse conhecimento 
foi conseguido. Assim, 
no ensino da Física de 
décimo primeiro ano, 
é aliciante recorrer à 
História da Física, com-parando 
o conceito de 
movimento segundo 
Aristóteles, Galileu e 
Newton, e constatar 
que muitos ainda pen-sam 
como Aristóteles… 
Isabel Duarte, professora 
de Física e Química 
MOVIMENTOS DE QUE-DA 
NA SUPERFÍCIE DA-TERRA 
Pensamento de Aristóte-les, 
Galileu e Newton 
Ao longo dos vários sé-culos, 
a Física foi sendo 
enriquecida com novos 
conhecimentos, devido à 
formulação de novas teo-rias 
e à retificação de ou-tras, 
contribuindo para a 
criação e evolução desta 
área científica tão impor-tante 
na nossa vida, como 
a conhecemos hoje. Para 
isso, foi necessário o con-tributo 
de personalidades 
tão conhecidas da His-tória, 
como Aristóteles, 
Galileu e Newton, cuja 
paixão pela Física revolu-cionou 
o mundo através 
da descoberta do que era 
desconhecido em relação 
à Terra e, até mesmo, ao 
Universo. 
A Física, tal como muitos 
outros ramos do conhe-cimento, 
começou a ser 
particularmente estuda-da 
na Grécia Antiga – ra-zão 
pela qual a palavra 
“Física” deriva da palavra 
grega “physis” que desig-nava 
“filosofia da natu-reza”. 
Sendo assim, um 
dos primeiros e principais 
pensadores dessa época 
foi o grego Aristóteles de 
Estagira (384 a.C. – 322 
a.C.), cujo pensamento 
foi seguido por muitos, 
durante grande parte da 
História. Relativamente 
aos movimentos de que-da 
na superfície terres-tre, 
Aristóteles acreditava 
que se abandonássemos 
dois corpos de massas di-ferentes 
de uma mesma 
altura, o corpo de maior 
massa chegaria primeiro 
ao solo, ideia errada que 
prevalece até aos nossos 
dias, na mente de grande 
parte das pessoas, pela 
intuição. 
No entanto, só passados, 
aproximadamente, vinte 
séculos, o astrónomo e 
físico italiano Galileu Ga-lilei 
(1564 – 1642) refutou 
a afirmação de Aristóte-les 
em relação à queda 
de dois corpos de massas 
diferentes. Galileu – co-nhecido 
por ter sido o in-trodutor 
do método expe-rimental 
na ciência, uma 
vez que nos séculos an-teriores, 
esta se baseava, 
principalmente, na obser-vação 
– após ter subido 
à famosa Torre Inclinada 
de Pisa, tal como conta a 
lenda, e ter largado esfe-ras 
de massas diferentes 
à mesma altura, verificou 
que estas atingiam o solo 
simultaneamente. Deste 
modo, esta personalidade 
deu um grande impulso 
nesta área, sendo, atual-mente, 
considerado um 
dos grandes físicos de 
toda a História. 
Assim, a constatação de 
Galileu teve uma impor-tância 
bastante significa-tiva 
no pensamento de 
outros físicos de gerações 
seguintes, nomeadamen-te 
no de Isaac Newton 
(1642 – 1727). O inglês, 
com todas as suas expe-riências, 
provou que a 
teoria de Galileu estava 
correta, mas apenas em 
situações em que não 
existe resistência do ar 
(força contrária ao mo-vimento 
de um corpo 
em queda) ou esta é tão 
reduzida que pode ser 
desprezada. Para além 
disso, as leis definidas por 
Newton, comprovaram, 
também, que qualquer 
corpo em queda livre 
sofre um aumento uni-forme 
do módulo da sua 
velocidade até chegar ao 
solo, devido à atuação da 
força gravítica exercida 
pela terra no corpo, ex-perimentando 
este uma 
aceleração constante, a 
qual é igual para todos os 
corpos nesta condição, à 
superfície da Terra. 
Graças ao trabalho e dedi-cação 
de todos os físicos 
referidos anteriormente 
e ainda de outros, temos 
acesso a todos os conhe-cimentos 
com os quais 
nos deparamos hoje, ten-do 
a Física e toda a socie-dade 
ficado a ganhar. 
João Pedro Pinto,11 CT2 
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Dezembro de 2014 31 
NATAL EM TEM-POS 
REMOTOS 
Qual o Natal com que 
sempre sonhou? Luzes, 
cor, emoção, muita festa, 
e… algum dinheiro para 
gastar em presentes e ca-bazes? 
O espírito natalício 
- “Cheirinho a Natal” (Decoração/ 
recriação de motivos de Natal - Ex-posição 
dos trabalhos apresenta-dos; 
Decoração da Biblioteca) com 
a coordenação de professores e 
equipa da Biblioteca, tendo como 
público alvo os pais e as crianças 
JI/1º ciclo /EB1/JI de Santa Luzia e 
EB1 da Pegada. 
- Exposição de livros alusivos ao 
Natal / Atividades de leitura inter-turmas, 
uma iniciativa do Museu 
Alberto Sampaio e ESFH. 
15 e 16 de Dezembro (in-tervalos 
- “Xico Xmas” (música natalícia, 
venda de doces típicos da época, 
flasmob NED, recolha de alimen-tos, 
brinquedos e roupa), sob a 
coordenação da Associação de Es-tudantes. 
ressalta nos nossos cora-ções 
como uma pipoca a 
nascer do grão de milho… 
É natal! Abram a vos-sa 
caixinha de sonhos e 
memórias, pois vamos lá 
guardar mais uma. A festa 
vai começar! 
DESTAQUES 
VAI ACONTECER NO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FRANCISCO DE HOLANDA 
Dezembro: 
da manhã): 
Muita gente o diz: o natal 
é a partilha, família reuni-da, 
amor… e isso suplanta 
qualquer outro tipo de va-lores 
que se imponham; 
na verdade, esta máxima 
sempre ficou magnífica, 
espreguiçada no papel, 
seja no livrinho de histó-rias 
do neto ou no alma-naque 
da vovó. Mas será 
que as pessoas realmente 
pensarão dessa forma, ou 
é tudo uma utopia? Será 
que o dinheiro é o princi-pal 
promotor da felicida-de 
e a partir daí tudo ga-nha 
forma e dá sentido ao 
natal? Como se a máxima 
natalícia de tanto espre-guiçar 
caísse num sono 
profundo? 
Não há dúvida nenhuma. 
Os media já estão fartos 
de o referir: estamos em 
tempo de crise, mas o na-tal 
avizinha-se… Na verda-de, 
o Pai Natal vai ter de 
arranjar outro emprego 
visto que o mercado dos 
presentes está negro. É 
certo que se afiguram 
maus tempos para o se-nhor 
das barbas brancas 
que, não tarda nada, está 
mendigo. Ou então terá 
janeiro e fevereiro de 
2015: 
- Campeonato Nacional de Jogos 
Matemáticos, com a coordenação 
dos professores Ana Guimarães, 
Célia Lobo, Helena Ferreira e Má-rio 
Roque. A final nacional será no 
dia 6 de abril, em Vila Real. 
De janeiro a março 
Leitura domiciliária: Requisição 
de livros /Empréstimo interno em 
contexto de sala de aula e outras 
atividades /Leitura presencial, sob 
a orientação da professora biblio-tecária 
e professores do 2º e 3º 
ano do CEB. 
Até 10 de fevereiro de 2015: 
Concurso “Um conto que contas”, promovido 
pelas professoras Célia Lobo e Helena Ferreira, 
aberto à comunidade escolar. 
OBSERVAÇÃO/PEDIDO: Apenas se fez destaque de algumas atividades, pela sua 
proximidade temporal ou pela sua abrangência. Contudo, fazendo uma leitura do 
Plano Anual de Atividades do Agrupamento para o ano letivo de 2014-2015, cons-tatamos 
que há um elevado número de atividades e de visitas de estudo progra-madas 
para o 2º Período. Nós, o ”Encontro”, não podemos estar em todas. Por isso, 
pedimos aos seus promotores, sobretudo, os das visitas de estudo que nos façam 
chegar o seu relato com fotografias. Poderão, até, encarregar um aluno para fazer 
a notícia/reportagem do acontecimento. É uma boa forma de promover uma ati-vidade 
pedagógica, pois visita de estudo é diversão – é, sobretudo, aprendizagem. 
de emagrecer um pouco 
para apertar o cinto, as-sim 
como fez a nossa Po-pota 
que, visivelmente, 
está mais magra em re-lação 
aos primeiros anos 
de estrelato. Meu amigo! 
Isto para ser estrela exige 
sacrifícios! Pobre da nos-sa 
diva natalícia! 
Contudo, muito sincera-mente, 
acho que esta ima-gem 
é o retrato mais fiel 
da sociedade materialista 
em que vivemos. Onde se 
viu os ideais natalícios se-rem 
fama, luxúria e mate-rialidade? 
Infelizmente é 
o que vende, em termos 
de marketing. Porém pen-so 
que um dos principais 
objetivos dessa mensa-gem 
comercial deveria 
ser a mensagem social 
que transmite. Ora, esta 
mensagem é muito pobre 
e, para além do mais, só 
deseduca os portugueses. 
E a Leopoldina? Pouco ou 
nada se ouve falar dela 
atualmente. Será que a 
Popota… Ai meu Deus! 
Nem quero pensar nessa 
dura realidade. Porém, 
eu sei, o instinto animal 
é algo indomável. E eu 
que tinha toda a consi-deração 
pela senhora. 
Esse sim, esse é o natal 
em que eu quero acredi-tar: 
o espírito que desde 
há muito tempo se viveu 
e que em algumas casas 
mais tradicionais ainda se 
vive, graças a Deus (que 
no contexto não poderia 
ficar melhor...). 
Afinal levo-me a chegar 
à triste conclusão de que 
a crise que atravessamos 
não é principalmente 
uma crise financeira (ain-da 
que essa seja gravíssi-ma!), 
mas também uma 
crise de valores - e que fi-que 
bem claro para quem 
possa pensar que estarei 
a cair em repetição, de 
certa forma, estes valo-res 
de que falo, não são 
valores materiais, mas 
sim valores imateriais 
como o da solidariedade 
e da fraternidade. E se es-ses 
não existirem, então 
nem nos adianta sequer 
celebrar o natal. 
Para que nos serve re-ceber 
uma nota de cem 
euros (na maioria dos 
casos, até será uma de 
Dia do Diploma e 
prémios de mérito 
No dia 20 de dezembro, a Direção do 
Agrupamento de Escolas Francisco de Ho-landa, 
promove, mais uma vez, a ativida-de 
“Dia do Diploma e prémios de mérito”. 
A atividade tem como objetivo proceder 
à entrega dos diplomas aos alunos que 
concluíram os diferentes ciclos de ensino 
(1º ciclo, 2º ciclo, 3º ciclo e Secundário). 
Serão, também, entregues os prémios de 
mérito. A cerimónia será aberta a toda a 
comunidade educativa. 
Carro das Maçãzinhas 
No dia 6 de dezembro, para o público em 
geral, com a coordenação do Departa-mento 
de Artes do Agrupamento de Es-colas 
Francisco de Holanda, sairá o Carro 
das Maçãzinhas, no âmbito das Festas 
Nicolinas. 
14 de Janeiro: 
- Recriação histórica da sala de aula no século 
XIX 
- Encontro de gerações: aulas com ex-alunos – 
histórias de vida, com a coordenação dos Depar-tamentos 
de História, de Geografia, Economia e 
Sociedade. 
– oO dia da Escola Francisco de Holanda - a Di-reção 
do Agrupamento de Escolas Francisco de 
Holanda promove, mais uma, vez em sessão so-lene, 
a entrega dos Prémios de Mérito Escolar. 
De 16 a 20 de março: 
SEMANA ABERTA 
13 de fevereiro: 
Carnaval, peça de teatro dos musiké, sob a coor-denação 
dos professores titulares do 1º ciclo 
para os alunos do1º CEB. 
28 de janeiro, sob a orien-tação 
da coordenadora da 
Equipa de Educação para a 
Saúde haverá: 
- Comemoração do Dia Mundial 
da Saúde – caminhada pela cida-de. 
- Comemoração do Dia Mundial 
da Luta contra o Cancro – teste-munhos 
(palestra). 
De 9 a 13 de dezembro: 
Visita aos lares da terceira idade, pelos 
1º e 4º do 1ºCEB, sob a orientação dos 
professores titulares do 1ºe 4º. 
10 de dezembro (Dia da Declara-ção 
dos Direitos Humanos) 
Direitos Humanos: um dever a cumprir, 
com atividades promovidas pela equipa 
da Biblioteca e Departamento de Econo-mia 
e Contabilidade. 
cinco) como presente (se 
é que assim lhe poderei 
chamar), se as notas são 
todas iguais e dizem to-das 
o mesmo: “não tive 
paciência para te comprar 
nada de jeito, toma lá isto 
e compra o que quiseres.” 
Não exprimem nenhuma 
emoção idealmente na-talícia, 
do género: “vi isto 
e lembrei-me logo de ti, 
sabia perfeitamente que 
irias gostar, é a tua cara, 
amo-te…”. É destas puras 
emoções de que sobre-vive 
o natal na sua ver-dadeira 
aceção. Não da 
indiferença e do desprezo 
muitas vezes vivido até no 
seio familiar. 
Em jeito de conclusão, 
gostaria de deixar a to-dos 
os leitores o seguin-te 
pensamento: Vamos 
deixar ver o mundo a ser 
destruído pela maldade e 
pela soberba? Ou vamos 
começar por contribuir 
um pouco para um novo 
amanhecer, fazendo do 
nosso dia a dia um natal 
constante? Por que não, 
tu, ou eu, ou nós? 
Calendário Jovem/Editorial Missões - Cucujães André Marques, 10AV1
UM 
PEDIDO... 
UM 
APELO 
Vamos recor-dar 
e (re)pen-sar 
a escola 
A Escola Secun-dária 
Francisco de 
Holanda, ao longo 
dos seus 130 anos 
de existência que 
celebra, este ano le-tivo, 
foi um espaço 
de aprendizagem, 
de sabedoria e de 
afetos. Foi e é, tam-bém, 
um espaço de 
memória(s). O jor-nal 
Encontro e, atra-vés 
dele, a Escola 
pretende organizar 
e dar forma a esse 
espaço de memória. 
Por isso, apelamos 
a todos os antigos 
alunos, professores, 
assistentes técnicos 
e assistentes opera-cionais 
que nos con-tem 
a sua história de 
vida escolar. Basta 
escrever um texto 
em que exponham 
a sua experiência de 
vida na Escola Se-cundária 
Francisco 
de Holanda / Escola 
Comercial e Indus-trial 
de Guimarães: 
as suas alegrias, os 
seus êxitos, episó-dios 
engraçados que 
nunca mais esque-ceram, 
malandri-ces, 
os namoricos, 
quiçá proibidos, 
frustrações, expec-tativas, 
o curso que 
frequentou, a im-portância 
que esco-la 
teve para a sua 
vida pessoal e pro-fissional. 
Conte-nos 
como foi. Escreva a 
sua história. Envie 
o seu texto para o 
endereço do jornal 
do Agrupamento 
de Escolas Francis-co 
de Holanda jor-nalencontroesfh@ 
gmail.com, até ao 
dia 28 de fevereiro 
de 2015. Se não tem 
acesso à internet, 
deixe o seu texto na 
secretaria da Escola. 
Vamos fazer 
uma exposição 
de memórias 
A escola pretende, 
também, fazer uma 
exposição com ma-terial 
escolar que 
se usava nos anos 
cinquenta, sessenta 
e por aí adiante e, 
também, com traba-lhos 
escolares feitos 
nessas décadas do 
século XX. Vá ao 
sótão, ao baú. Reco-lha 
esses materiais e 
empreste-nos essas 
suas relíquias que 
guardou. Ajude-nos 
a reconstruir o espa-ço 
escolar do tempo 
em que foi aluno. 
Faça chegar as suas 
recolhas à Direção 
da Escola Secun-dária 
Francisco de 
Holanda, até ao dia 
28 de fevereiro de 
2015.

Encontro edição61 aefh

  • 1.
    Nº 61 Dezembrode 2014 AE Francisco de Holanda 50 cêntimos 130 Anos da Escola Francisco de Holanda p.16 Encontro de Mãos Dadas p.11 Pobreza: erradica-ção e reflexos p.6 Eleições do Conselho Geral e da Associação de Estudantes p.3 Prémio Selo Europeu p.4 Projeto Internacional Clima@EduMedia p.5 Como é que vamos de leitura... p.25
  • 2.
    2 Dezembro de2014 EDITORIAL Escola Francisco de Holanda – 130 anos a educar em cidadania A Escola Secundária Fran-cisco de Holanda e, com ela, as demais escola do Agrupamento celebram 130 anos a educar em ci-dadania. As escolas JI/EB1 de San-ta Luzia, EB1 da Pegada e EB2/3 Egas Moniz devem ser, também, chamadas para a celebração, pois nos seus anos de exis-tência educaram, tam-bém, para o exercício da cidadania. Além do mais, não podemos ignorar que, na segunda metade do século dezanove, os vimaranenses, quando reclamavam pela criação da escola industrial, rei-vindicavam pela instrução pública em geral. Por ou-tro lado, não podemos es-quecer que o correspon-dente ao 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico que, hoje, temos na Escola Egas Mo-niz, chegou a ser dado na Escola Comercial e Indus-trial de Guimarães. Note-se que na Escola Industrial e Comercial de Guimarães - a trigési-ma terceira concluída do 1.º Plano de Fomento do governo de António Oli-veira Salazar- permane-cendo nas antigas instala-ções da Quinta Proposto, adaptadas e ampliadas em 1959, passaram a ser ministrados os cursos do Ciclo Preparatório, de Te-celão- Mecânico, de Fian-deiro, de Comércio, de Serralheiro, de Costura e Bordados para uma po-pulação escolar de 1.000 alunos. Só mais tarde, com o alargamento da escolaridade obrigatória para seis anos e a expansão do 2º ciclo do ensino básico (Reforma Veiga Simão) é que se sentiu a urgência de construir novas escolas, estritamente vocacionadas para o Ensino Preparatório. Por isso, faz todo o sentido que todas as escolas do Agrupamento Francisco de Holanda se associem à festa da celebração dos 130 anos a educar em ci-dadania. Devem ser todas convoca-das para uma apurada re-flexão sobre o educar em (para) a cidadania, pois se a educação começa no berço, a educação para os valores (respeito pelo ou-tro, pela diferença, a res-ponsabilidade, o espírito de iniciativa, a partilha, a solidariedade,…), em contexto escolar, começa no jardim de infância. Por outras palavras, a escola deve preocupar-se cada vez mais em ensinar e de-senvolver competências sociais - como, por exem-plo, ser responsável, com-preendendo e atuando de acordo com obrigações éticas e legais; preocupar- -se com os outros; mos-trar empatia; respeitar os outros, tratando-os com simpatia e compaixão; es-tabelecer relações saluta-res com os indivíduos e o grupo; procurar soluções para os conflitos que sa-tisfaçam os interesses de todos os envolvidos; igno-rar, e não produzir, pro-vocações; pedir e aceitar ajuda - de forma a tornar os seus alunos mais ca-pazes na autorregulação emocional e social. Assim, estará a formar cidadãos capazes de se integrarem na socieda-de, de fazerem um bom trabalho nas empresas e constituir famílias sadias, sem violência doméstica, sem crimes. Assim, abre caminhos para a construção de uma sociedade mais culta e mais sábia. Parabéns Es-cola. Viva a Escola. Os Coordenadores do Encontro Ficha Técnica: Coordenadores: António Oliveira, Agostinho Ferreira, Helena Ferreira Paula Marinho Redação: Agostinho Ferreira, António Oliveira, Helena Ferreira, Paula Marinho, Ana Lage (11LH3) Ana Silva (12LH1) Anabela Mendes (12LH4) André Marques (10AV2) Ângela Moura (11LH3) Carina Baptista (11CT2) Cláudia Coelho (11CT2) Inês Fernandes (11CT2) João Xavier (12 LH3) João Pinto (11CT2) Margarida Machado (11CT7) Maria Inês Faria (11CT2) Sofia Macedo (10 CT2) Petra Carneiro (12CT6) Teresa Silva (11CSE1) Verónica Gomes (12 CSE1) Revisão Ortográfica: Professores António Oliveira e Agostinho Ferreira Maquetagem – Professora Helena Fer-reira Cartoons: Professores Viana Paredes e José Falcão Fotografia: Sr. Cunha Propriedade: AE Fran-cisco de Holanda Impressão: Gráfica Diário do Minho Tiragem : 500 exem-plares Depósito Legal: 49073/91
  • 3.
    Dezembro de 20143 No dia 5 de novembro decorreram as eleições dos representantes do pessoal docente e do pes-soal não docente para o Conselho Geral do Agru-pamento de Escolas Fran-cisco de Holanda. Houve, apenas uma lista candi-data para os representan-tes do pessoal docente, liderada pelo professor Rui Vítor Costa, que, num universo de 144 votantes, obteve 128 votos a favor, fazendo eleger os profes-sores Rui Vítor Poeiras Lobo da Costa, António Oliveira Alves de Sousa, António Augusto Almeida Amaro das Neves, Maria da Conceição Mendes Pa-checo Lima, Isabel Maria Silva Almeida Carvalho, Ricardo Manuel Farias Garrido, Filomena de Je-sus Sales Silva e José Abí-lio Vieira Alves Ferreira. De igual modo, para os re-presentantes do pessoal não docente, apenas, se apresentou uma lista a sufrágio, liderada pela assistente técnica Anabe-la Martins dos serviços administrativos da Escola sede, que obteve 44 vo-tos a favor, num total de 54 votantes. Na qualida-de de representantes do Pessoal não Docente fo-ram eleitos Josefina Ana-bela Nogueira Martins e Graciete de Jesus Fernan-des Carvalho. Os representantes dos alunos dos alunos são Diogo Gonçalves e Rute Ferreira. Os represen-tantes dos pais/encarre-gados de educação indi-cados pelas respetivas associações e eleitos em assembleia de pais/en-carregados de educação são Francisco José Alves Ferreira e José Teixeira Ribeiro (Escola Secundá-ria Francisco de Holanda), Daniela Arminda Pereira Carneiro (EB2/3 de Egas Moniz) e Alfredo Meireles Pereira (EB1/JI de Santa Luzia e Escola EB1 da Pe-gada). Os representantes da au-tarquia, indicados pela Câmara Municipal de Gui-marães, são Adelina Paula (vereadora do pelouro da Educação) e Helena Pinto. No dia 24 de novembro, foi feita a primeira reu-nião, onde os eleitos e os indicados pelos órgãos competentes tomaram posse e deliberaram, por unanimidade, cooptar as seguintes instituições, representantes dos inte-resses económicos e cul-turais da cidade: Socie-dade Martins Sarmento, Associação Comercial e Industrial de Guimarães e Universidade do Minho. Este Conselho Geral exer-cerá funções durante os próximos quatro anos. No exercício das suas compe-tências terá a responsabi-lidade de aprovar os pla-nos e relatórios de gestão e administração escolar, assim como os documen-tos mais importantes de regulação da vida escolar. Anabela (12LH4) Ana Lage (11LH3) Nos dias 6, 7 e 8 de outu-bro realizou-se na nossa escola a campanha para as eleições dos corpos gerentes da Associação de Estudantes para o ano letivo de 2014-2015. As eleições foram dispu-tadas entre as listas M e W, tendo como presiden-tes Diogo Gonçalves e Henrique Pinto de Mes-quita, respetivamente. Durante os três dias de campanha, as listas opo-sitoras proporcionaram momentos de diversão e confraternização aos alu-nos, incutindo um espírito de entreajuda e fair play entre os mesmos. Após o dia da reflexão foram rea-lizadas as eleições. Num total de 1651 eleitores, votaram 748 alunos, ten-do vencido a lista M com 402 votos. Assim, a Direção da As-sociação de Estudantes ficou ao cargo da lista M, sendo Diogo Gonçalves o presidente e Rute Ferreira a vice-presidente. Diogo Gonçalves é o novo Presidente da Direção da Associação de Estudan-tes. Com ele, marcamos Encontro, de que resul-tou um testemunho e quiçá uma perspetiva. Encontro: Diogo, o que é que te levou a te candi-datares à Associação de Estudantes? Diogo: O que me levou a candidatar foi uma neces-sidade de melhorar aquilo que a Associação de Estu-dantes desenvolvia na es-cola e melhorar todas as atividades por ela propos-tas, a todos os níveis. Encontro: Qual é a tua opinião sobre a Vice Pre-sidente e a restante equi-pa da AE? Diogo: A nossa equipa é maravilhosa, todas as pessoas estão bastante empenhadas em todas as atividades. A “minha” vice é qualquer coisa de outro mundo, é das pes-soas que mais trabalha e sem ela nada era possível. Encontro: Que projetos e objetivos tem a nova di-reção da Associação de Estudantes? Diogo: Nós temos vários projetos e temos isso num Plano de Ativida-des. Já desenvolvemos algumas atividades, mas ainda vamos desenvolver muitas mais. Encontro: Como é que ca-racterizas o ambiente da campanha? Diogo: Foi incrível, nunca houve nada assim, nun-ca houve tanta amizade entre as listas. Nenhuma campanha foi tão amigá-vel e com tanto fair-play como esta. Com os alu-nos da minha lista foi um ambiente espetacular, e não há nada como estar presente numa lista para saber o que é que se pas-sa lá e penso que também na outra lista foi o mes-mo. Encontro: O que é que pensas acerca do sistema educativo? E o que é que mudarias? Diogo: O facto do sistema educativo ser obrigatório é o maior ponto fraco. As pessoas deviam ser ensi-nadas a ser ensinadas e não a serem obrigadas a estudar. Encontro: Estavas à espe-ra deste resultado? Diogo: Sim, eu estava muito confiante. Encontro: Achas que os estudantes se fazem ou-vir tanto na escola como a nível nacional? Diogo: A nível regional, acho que aqui em Gui-marães temos uma voz um pouco fraca, quando nos comparamos a outros distritos. Mas penso que também é trabalho da direção da AE mudar ou tentar mudar isso. Encontro: Comparativa-mente com os anos ante-riores, achas que a nova direção da Associação de Estudantes já se está a fa-zer ouvir? Diogo: Penso que sim. É essa a nossa ideia, nós queremo-nos fazer ouvir e propor atividades para os alunos para melhorar em todos os sentidos a qualidade de estudo de-les. Perguntas sobre as pre-ferências do novo presi-dente. DJ preferido: Alesso Filme preferido: Qual-quer um a saga do Super- -Homem. Frase que o inspira: “Se as portas da perceção estivessem limpas, tudo pareceria ao homem tal como é: infinito.» Super herói que seria: Batman Personagem televisiva com quem trocaria de vida: Barney Stinson Google images Rute Ferreira e Diogo Gonçalves Lista M Lista W ELEIÇÕES DO CONSELHO GERAL ELEIÇÕES DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES
  • 4.
    4 Dezembro de2014 PROJETO DO AEFH VENCE SELO EUROPEU PARA AS LÍNGUAS O Projeto “Comenius” com a colaboração do jornal Encontro venceu o prémio Selo Europeu para as Línguas 2014. Para saber todos os de-talhes sobre o concurso o Encontro contactou a professora Coordena-dora Cristina Pereira. Encontro: O que é o Selo Europeu para as Iniciati-vas Inovadoras na Área do Ensino/Aprendizagem das Línguas? Professora Cristina Pe-reira: “Encorajar mais pessoas a aprender mais línguas tem uma impor-tância óbvia para a União Europeia, não apenas por razões de ordem co-mercial e industrial do mercado único, mas tam-bém para que se promo-va uma compreensão mútua e se ajude a criar uma cidadania europeia. É, pois, importante dar visibilidade a projetos inovadores e bem-sucedidos no campo do ensino/aprendizagem das línguas, e encorajar uma adoção mais alargada dessas abordagens. Esta é a meta da Comissão Europeia ao propor a criação de um Selo Europeu. Pretende-se que este selo de qualidade funcione como um reco-nhecimento do progresso conseguido por qualquer iniciativa europeia na área da aprendizagem das línguas, por modesta que seja, tendo-se em conta as circunstâncias de parti-da.” (Preâmbulo do Regu-lamento do Concurso) Encontro: Como proce-deu à candidatura a este projeto? Professora Cristina Pe-reira: O selo é atribuído anualmente a um núme-ro limitado de projetos em cada país participan-te, selecionados por jú-ris nacionais. Qualquer iniciativa, no contexto do ensino/aprendizagem de línguas da União Eu-ropeia, ao longo da vida, é elegível. No âmbito do projecto «Selo Europeu para as Iniciativas Ino-vadoras na Área do En-sino/ Aprendizagem das Línguas», puderam ser apresentadas candidatu-ras para o ano de 2014, através do preenchimen-to de formulário próprio, disponível na Internet em http://www.proalv.pt/ erasmusmais. Encontro: Quais as princi-pais caraterísticas do pro-jeto escolar “Comenius- -“21st Century Hazards”? Professora Cristina Pe-reira: Este projeto mul-tilateral, “The 21st Cen-tury Hazards”, assentou, fundamentalmente, na pesquisa, no estudo e na construção de suportes didáticos e metodológicos que visavam enriquecer a consciência crítica sobre as ameaças naturais do século XXI. Envolveram- -se alunos, jovens (10- 19 anos) e professores (Geo-grafia, Biologia, Química, Psicologia, Português, Inglês e Educação Física), correspondendo a um rácio de participação de alunos nas mobilidades (14) em relação ao núme-ro de professores envol-vidos (10) num trabalho de colaboração transdis-ciplinar, confluindo para o desenvolvimento de dife-rentes atividades, produ-tos e resultados. O curso “21st Century Hazards”, em formato de papel e digital, corresponde ao produto final do projeto, havendo outros: um guia com atividades práticas sobre o estudo dos im-pactos das ameaças, um guia de primeiros socor-ros em formato impresso e digital, uma webpage do projeto (www.cast-co-menius. ro), a qual remete para os estudos, as análi-ses, o curso e os conteú-dos. A construção destes produtos e todo o traba-lho subjacente revelou-se profícua ao nível da pro-ficiência linguística, real-çando- se, acima de tudo, a manutenção da con-fiança dos alunos ao per-mitir tarefas de oralidade em grupo. Neste projeto, foram consideradas as prioridades europeias re-lacionadas com: a contex-tualização da realidade da União Europeia; a promo-ção da aprendizagem e da diversidade linguística; a partilha, o conhecimento e a combinação de dife-rentes culturas; o desen-volvimento da cidadania europeia. O valor acrescentado ob-tido pela escola com a sua participação nesta parceria permitiu a pro-fessores e a alunos ope-racionalizarem um con-junto de dimensões que enriqueceram as suas competências. A mais de-senvolvida e trabalhada foi a oralidade, envolven-do os alunos ativamente numa comunicação com sentido e em diferentes contextos demonstrando assim, progressivamente, as competências comuni-cativas desenvolvidas. As apresentações específicas dos vários temas levaram muitos alunos a trabalhar a sua eficiência comunica-cional, a valorizar a orali-dade e a estarem muito mais recetivos e partici-pativos, reconhecendo a mais-valia das línguas estrangeiras no terreno. Os alunos adquiriram du-rante este processo uma base sólida para o con-texto da produção oral de língua estrangeira, o que exemplifica esta iniciativa global de dar resposta às necessidades dos alunos. As metodologias e abor-dagens pedagógicas forja-ram- se por via de uma co-laboração orientada para a construção de um saber transdisciplinar e partilha-do (os alunos descobrem e aprendem por si), de uma pedagogia compar-tilhada, inspirá-los com afecto para o ambiente, encorajando os alunos no estudo das línguas estrangeiras, encarando- -as como indispensáveis meios do desenvolvimen-to sociocultural. O domínio pedagógico transcurricular contri-buiu para uma atuação educativa que deu voz à criatividade, ajudando a desenvolver o próprio empreendedorismo dos alunos, tendo estes, a nível interno, criado um DVD sobre a semana de trabalho em Portugal, fil-mando e apresentando a sua cidade e a sua escola. Os alunos recorreram a um género musical para expressar as preocupa-ções das ameaças natu-rais do século 21, o Rap ”21st Century Hazards”, validando, mais uma vez, as suas competências co-municativas nas línguas estrangeiras. O DVD tes-temunha, também, o al-cance de todo o trabalho realizado ao nível da pro-sódia na língua estrangei-ra, nomeadamente visível nas apresentações orais formais. Encontro: Ficou sur-preendida com a atribui-ção do prémio? Professora Cristina Perei-ra: Tinha consciência de que tínhamos um proje-to muito forte, acima de tudo pelo facto de haver, a nível interno, uma for-tíssima colaboração entre o projeto “21st Century Hazards” e o jornal esco-lar Encontro, principal-mente no que diz respei-to à edição especial, que participou no concurso de jornais escolares em 2012/2013, “A Europa no Futuro”, promovido pelo Projeto Público na Escola e pela Rede de Bibliote-cas Escolares, em Parceria com o Gabinete de Infor-mação do Parlamento Eu-ropeu em Portugal. Encontro: Onde e como será a entrega do pré-mio? Professora Cristina Pe-reira: O prémio será en-tregue em Lisboa, sendo a cerimónia integrada na conferência internacional “Multiculturalismo, com-petitividade e mercados de trabalho”, nos dias 4 e 5 de dezembro. Encontro: Qual a impor-tância do jornal “Encon-tro” na divulgação do projeto? Professora Cristina Pe-reira: A sua importância revestiu-se de um caráter inestimável. Constituiu a ponte de contacto com a comunidade educativa, não só a nível local como nacional, indo, inclusive, além fronteiras. É muito importante dar a conhe-cer à comunidade educa-tiva o que está a ser feito, pois o que faz sentido, o que cria riqueza é um in-vestimento em termos de perpetuação de um tra-
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    Dezembro de 20145 Jornal Encontro... ...em Projeto Internacional Clima@EduMedia ...uma História de Prémios Clima@EduMedia ensi-na alterações climáticas às escolas portugue-sas através dos média O Encontro aceitou o convite para colaborar com a Faculadade de Letras da Universidade do Porto na candidatu-ra a um projeto interna-cional. Clima@EduMe-dia. Essa candidadtura foi aprovada ficando em primeiro lugar na seriação . O projeto “Clima@Edu- Media”, desenvolvido ao abrigo do Programa “AdaPT” pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), pretende educar os estudantes de 30 escolas do país para o tema das mudanças do clima, através do uso dos média. José Azevedo, docente da FLUP, investigador do CE-TAC. MEDIA e coordena-dor do projeto, refere que “a generalização do aces-so às tecnologias digitais abriu um vasto leque de possibilidades de inova-ção no que toca a relação dos média com a aprendi-zagem.” O desafio do “Clima@ EduMedia” “não é ape-nas produzir conteúdos mediáticos estimulantes sobre as alterações climá-ticas, mas também pos-sibilitar estratégias onde os alunos possam apren-der através do próprio processo de produção. A investigação mostra que proporcionar aos estu-dantes um espaço onde possam adicionar a sua voz à discussão pública sobre as alterações cli-máticas tem um impacto positivo no envolvimento dos mesmos com o co-nhecimento científico so-bre o tema, e ajuda a criar uma consciência crítica sobre essas alterações fora do contexto de sala de aula”, refere. O projeto “Clima@Edu- Media” é multidiscipli-nar, nele colaborando as Faculdades de Letras e de Ciências da U.Porto, bem como a sua Unidade de Novas Tecnologias na Educação. De ressaltar a participação de 30 esco-las portuguesas de todo o país e ainda uma parceria com a Universidade da Is-lândia. O Programa “AdaPT” foi criado com o objetivo de apoiar financeiramen-te a atuação em matéria de “Adaptação às Altera-ções Climáticas” em Por-tugal, e o seu desenvol-vimento foi guiado pelos termos estabelecidos no “Memorando de Enten-dimento” assinado entre Portugal, Noruega, Islân-dia e Liechtenstein, no âmbito do Mecanismo Financeiro do Espaço Eco-nómico Europeu (MFEEE/ EEA-Grants). Na “história” dos 130 anos da Escola Secun-dária Francisco de Ho-landa, está inserido o percurso do jornal Encontro, destacando- -se a atribuição dos se-guintes prémios: 2001/2002 – 1º lugar, no escalão das Escolas Se-cundárias, no Concurso Nacional de Jornais Esco-lares (Público na Escola); 2002/2003 – 2º lugar (ex- -aequo) no escalão das Escolas Secundárias, no Concurso Nacional de Jor-nais Escolares (Público na Escola); 2003/2004 – , recebeu o prémio de melhor Jornal de entre todos os premia-dos, no Concurso Nacio-nal de Jornais Escolares (Público na Escola); 2006-2007 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Jornais Esco-lares (Público na Escola) e o 2º lugar no Concurso Regional de Jornais Es-colares, promovido pelo Gabinete de Imprensa de Guimarães. 2008-2009 - 3º lugar, ex-aequo, (2º escalão: prémio para jornais de escolas secundárias e pro-fissionais) no Concurso Nacional de Jornais Esco-lares (Público na Escola). 2010 – 2011 – Prémio de melhor Grafismo e Car-toon no Concurso Nacio-nal de Jornais Escolares (Público na Escola); 2012-2013 – 1º lugar no Concurso Nacional de Jor-nais Escolares em suporte digital (Público na Escola) O jornal Encontro, no primeiro ano em que concorreu ao Concurso Nacional de Jornais Es-colares, promovido pelo projeto Público na Escola, no ano de 2002, ganhou o 1º prémio, no escalão das Escolas Secundárias. O prémio foi de 3.700 €. No ano de 2003, o Encon-tro recebeu o 2º prémio (ex-aequo), com o valor de 1.250€. No ano de 2004, recebeu o prémio de melhor Jor-nal de entre todos os pre-miados no ano anterior. O valor do prémio foi de 1.250€. No ano de 2013 o prémio foi a participação numa sessão Euroscola no Par-lamento Europeu em Es-trasburgo. balho iniciado por alunos, por professores e que esse mesmo trabalho seja herdado e moldado aos novos tempos pelas gera-ções seguintes. Encontro: Conside-ra que estas inicia-tivas fomentam a motivação na apren-dizagem das línguas? Professora Cristina Perei-ra: Evidentemente. Equa-cionar uma educação/ formação sem adquirir-mos uma determinada proficiência em algumas línguas é aceitarmos gratuitamente uma des-vantagem em termos de competitividade. Os alu-nos necessitam de traba-lhar a sua eficiência co-municacional, de valorizar a oralidade e de estarem muito mais recetivos e participativos, reconhe-cendo a mais-valia das línguas estrangeiras no terreno. Estas iniciativas criam esse quadro real, contextos reais de neces-sidade e imposição comu-nicacional. Encontro: Qual a sua opi-nião sobre a participação em projetos europeus? Professora Cristina Perei-ra: É um enriquecimento incalculável. Durante o projeto testemunhei mudanças nos próprios alunos. Cresceram como pessoas e como alunos. Muitos aprenderam a valorizar as competências que tinham, mas que nunca evidenciaram, principalmente em termos comunicacionais. Outros descobriram capacidades que desconheciam. Mas o mais enriquecedor foi assistir e fazer parte de toda uma comunicação e vivência interculturais que nos torna necessariamente mais ouvintes, mais fle-xíveis, mais tolerantes ,mais “nós” do que “eu”, pois, afinal, acabamos por descobrir que temos to-dos as mesmas preocupa-ções, os mesmos sonhos, as mesmas aspirações. Participar em projetos eu-ropeus é indubitavelmen-te uma mais- valia para a construção, em primeiro lugar, do “eu” e, em se-gundo, de uma “identida-de” europeia. Encontro: Como avalia o envolvimento dos alu-nos, professores e Agru-pamento no projeto pre-miado? Professora Cristina Pe-reira: Foi um privilégio fazer parte desta equipa (professores e alunos). A equipa foi sempre alvo de elogios rasgados, pelo seu empenho, pelo seu pro-fissionalismo, pela sua ri-queza comunicativa e pela sua proficiência linguísti-ca. Os alunos do projeto souberam sempre repre-sentar a sua escola, a sua cidade e o seu país. Ques-tionavam- nos acerca dos métodos utilizados para se ter uma relação de tra-balho tão positiva entre professores e alunos…e a resposta assentava e as-senta, necessariamente, no projeto educativo do Agrupamento. Quando se respeita e se confia quer na classe discente, quer na classe docente, quan-do se verifica uma forte colaboração entre vários projetos (projeto, jornal da escola), validada pelos preciosos contributos da comunidade educativa, então, estão reunidos to-dos os ingredientes para o que todos procuramos: crescer individual e cole-tivamente e fazer render a longo prazo esse cres-cimento, deixando uma incomensurável herança.
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    6 Dezembro de2014 DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA João Xavier,12LH3 Os alunos da Escola Se-cundária Francisco de Holanda, por iniciativa da Equipa da Biblioteca, par-ticiparam, mais uma vez, nas atividades que assina-laram o Dia Internacional para a Erradicação da Po-breza, que se comemora a 17 de outubro. Este ano, entre as 11.30 e 12.30 ho-ras, deram as mãos aos seus colegas, estudantes da Escola Secundária Mar-tins Sarmento e da Escola Profissional Profitecla (polo de Guimarães), para formar um cordão huma-no na zona envolvente do Estádio D. Afonso Henri-ques, com a solicitação do cumprimento de um minuto de silêncio. A ini-ciativa, promovida pela EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza que, desde 2010, tem vindo a mobili-zar a sociedade para com-bater a pobreza e exclu-são social, teve, também, a adesão do Município de Guimarães. Com o objeti-vo de suscitar a reflexão, procedeu-se à leitura do “Manifesto contra a Po-breza”. É necessário erra-dicar a pobreza, mas, se-gundo a União Europeia, “Portugal é o país onde há mais desigualdade entre ricos e pobres.” No mes-mo sentido, as estatísticas indicam que um em cada cinco portugueses vive no limiar da pobreza. Com o intuito de saber-mos mais sobre o sentido do Dia Internacional para a Erradicação da Pobre-za, o jornal “Encontro” entrevistou a professora Manuela Paredes, coor-denadora da Biblioteca da Escola Francisco de Ho-landa. Encontro - De onde sur-giu a ideia para esta ati-vidade da erradicação da pobreza? Professora Manuela Pa-redes - Em 2009 a Oikos, representante da “Glo-bal Call To Action Against Poverty (GCAP)”, lançou o desafio às escolas para se juntarem ao movimen-to "The World We Want", através da campanha denominada “Pobreza Zero”. Assim iniciou esta manifestação pelo “Mun-do que Queremos”. A nos-sa atividade denominou- -se: “Levanta-te contra a Pobreza-2009” e, como já referi, integrou-se numa proposta nacional (ela mesma fazendo parte da proposta dos grandes lí-deres mundiais), com o objetivo de pressionar esses líderes para cumprir a promessa feita de erra-dicar a pobreza (Objetivos para o Desenvolvimento do Milénio). A atividade teve lugar no Pavilhão Francisco de Ho-landa, no dia 16 de Ou-tubro de 2009. A adesão da escola refletiu-se na presença de 920 pessoas, contribuindo para alertar quer os presentes, pois muitos deles desconhe-ciam a iniciativa e a sua importância, quer os ou-tros países, aos quais o nosso se juntou.Nos anos seguintes, continuamos a unirmo-nos a esta causa, pois somos cidadãos do mundo e, às vezes, é pre-ciso lembrar os “adorme-cidos” que é preciso agir, tomar posição e mostrar que não esquecemos as promessas feitas pelos grandes líderes mundiais. A escola tem esse dever: formar cidadãos e esta é uma das formas de o fa- zermos. Encontro- Qual o princi-pal objetivo da iniciativa? Professora Manuela - O objetivo principal é mos-trarmos que os jovens não estão insensíveis ao que se passa no mundo. Por outro lado, apesar de se tratar de uma iniciati-va simbólica, a verdade é que, quando milhões de pessoas, em todo o mundo, se juntam, de-monstram o poder de or-ganizações da sociedade civil, em torno de um ob-jetivo comum. Este gesto mostra a força da união, na luta contra a pobreza e a desigualdade. E nós queremos que os nossos jovens façam parte desta sociedade ativa e inter-ventiva. Encontro - Acha que os alunos da nossa escola fi-caram sensibilizados? Professora Manue-la - Quando aderimos à iniciativa em 2009, os jovens mostraram-se sen-sibilizados. O facto de nos encontrarmos em 2014 e continuarmos com a iniciativa prova que se verifica uma mudança de atitude dos nossos jo-vens. Como referiu a Drª Adelina Paula, presente, este ano, no evento, esta iniciativa não é um conví-vio ou uma forma de não ter aula. É uma iniciativa séria, por uma causa que nos diz respeito a todos. A atitude dos jovens, ao longo dos anos, tem reve-lado esse respeito, depois cabe aos professores, aos pais, refletir sobre o que foi dito. Se nos deixar-mos pelo momento e não refletirmos sobre o que ouvimos, então de pouco terá valido. No entanto, eu acredito que essa re-flexão se faz e que se dá lugar ao debate. Encontro - Existiu alguma dificuldade na realização desta atividade? Professora Manuela - Um evento deste género nunca é muito fácil, mas este ano, nós fomos con-vidados a participar na iniciativa organizada pela Escola Profissional Profi-tecla – polo de Guimarães (como fizéramos anos an-tes). A responsável pela organização do evento foi a professora Sara Garcia, com quem trabalhei co-laborativamente. Coube- -me convidar os profes-sores, que são sensíveis a estas causas, acompa-nhando os seus alunos para que todos pudessem estar presentes e unidos por esta causa humani-tária. Reitero que todos foram recetivos e, como sempre, contamos com o apoio da Diretora da nos-sa escola, Drª Rosalina Pi-nheiro. Encontro - Acha que atualmente se estão a perder ou a aumentar os princípios de solidarieda-de neste tipo de causas? Professora Manuela - Penso que numa socieda-de em que cada um vive para si mesmo, esque-cendo os valores que a norteiam, é reconfortante ver que os jovens, quan-do chamados a agir neste tipo de causas, se revelam solidários e sensíveis. São estas atitudes que me fa-zem acreditar que a mi-nha profissão vale a pena e que se cada um fizer um pequeno gesto para aju-dar o outro, se conseguirá continuar a acreditar no ser humano. Guimarães Digital Guimarães Digital Guimarães Digital Guimarães Digital
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    Dezembro de 20147 Reflexos da pobreza no Agrupamento Escolas Francisco de Holanda Verónica Gomes, 12CSE1 “23 de outubro de 2014 Esta quinta-feira é dia de greve dos alunos do ensi-no secundário. Em Guimarães dezenas de alunos da Escola Se-cundária Francisco de Ho-landa aderiram à greve. Os alunos justificam o dia de luta com a necessidade de defender a escola pú-blica de qualidade. Uma situação que entendem que se agravará com o anunciado corte de 700 milhões de euros no or-çamento do Ministério da Educação do próximo ano. Refira-se que em Guima-rães, apenas alunos da Secundária Francisco de Holanda aderiam à gre-ve.” in Guimarães Digital Num país em crise, os cortes afetam quase tudo e todos, incluindo o setor da educação. O corte de 700M€ previsto no próxi-mo orçamento de Estado foi motivo de greve, pro-testo e indignação por parte dos nossos alunos. Mas esta é apenas uma gota no oceano da aus-teridade que tem vindo a ser aplicada em Portu-gal. Diariamente, somos bombardeados com no-tícias alusivas ao estado de crise em que o país se encontra, estatísticas que o comprovam, e como re-visão de prova, vemos na realidade do dia-a-dia o reflexo da recessão. A palavra “pobreza” tem vindo a tornar-se mais familiar. Neste artigo, iremos abordá-la numa perspetiva mais particu-lar, circunscrita aos jovens no meio escolar. Não é algo fácil de detetar no meio de salas com 30 alu-nos – na maioria com ida-des compreendidas entre os 15 e os 18 anos – em que a imagem é uma par-te muito importante a ter em conta. As roupas e o calçado de marca enco-brem, muitas vezes a rea-lidade difícil que é vivida em casa. O número de famílias em que os dois membros do casal estão desemprega-dos continua a aumen-tar. Não é nada fácil para os pais nestas condições sustentar a lista infindável de despesas, que abarca os muitos gastos com os filhos. Só ao nível da es-cola há que ter em conta o material escolar, despe-sas de transporte, expli-cações, refeições, etc. São gastos que têm um peso considerável no orçamen-to familiar. A pobreza atinge um em cada três jovens portu-gueses. Segundo Esta-tísticas do Eurostat, “o risco de pobreza entre os jovens portugueses dis-parou de 22% para 30% numa década”. Já os da-dos do INE indicam tam-bém que o risco de pobre-za entre os menores de 18 anos está a aumentar, atingindo agora os 24,4% – mais 2,6 pontos percen-tuais que em 2011. O Agrupamento de Esco-las Francisco de Holanda tem cerca de 1700 alunos (pré-escolar, 1º ciclo, 2º ciclo, 3º ciclo e secundá-rio). Destes 1700 alunos, mais de metade (54%) têm direito a escalão (A ou B). Dos 1298 alunos que frequentam a ESFH, 585 beneficiam da ASE (Ação Social Escolar). É um nú-mero preocupante, tendo a conta a evolução do nú-mero de alunos com esca-lão, a qual é apresentada na tabela. E será que a escola deve ter um papel nesta situa-ção? Será que deve assu-mir alguma responsabi-lidade? Claro que sim. O Governo concede apoios às escolas públicas, dire-cionados especificamente para os alunos com mais dificuldades financeiras. Além disso, os próprios estabelecimentos de en-sino podem e devem de-senvolver mecanismos internos que complemen-tem a ajuda do Estado. Para sabermos mais sobre estes recursos disponíveis e a forma como atuam, o jornal “Encontro” en-trevistou a Dr.ª Rosalina, Diretora do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda. JE – Acha que o número de alunos carenciados tem vindo a aumentar na ESFH? Dr.ª Rosalina – Claro que sim, é evidente e bastante notório. Quando comecei a trabalhar na direção (há 14 anos), a escola tinha 100 alunos com escalão, dos 2200 alunos no total. Atualmente, existem me-nos alunos na totalidade, mas o número de alunos carenciados aumentou significativamente, com-parativamente ao de há 14 anos. JE – Quais são os meios ao dispor da escola para ajudar os alunos mais ca-renciados? Dr.ª Rosalina – No geral, a escola segue o sistema da Ação Social Escolar (ASE). Neste sistema, atribui-se aos alunos mais carencia-dos um escalão A ou B, que correspondem ao es-calão 1 e 2 da Segurança Social, respetivamente. JE – Esses mesmos apoios têm sofrido alterações (porventura devido à cri-se no país)? Dr.ª Rosalina - Sim, o Go-verno tem vindo a restrin-gir as normas de acesso à ASE. Tais restrições são relativas ao IRS – os ren-dimentos dos pais têm de ser muito baixos para que o aluno possa beneficiar da ASE. No entanto, verifi-ca- se que, mesmo nestas condições, são cada vez mais os alunos que neces-sitam deste tipo de apoio. JE – A escola dispõe de medidas próprias (que não sejam uma diretiva do Governo) para ajudar estes alunos? Dr.ª Rosalina – A diretora deve obediência às linhas orientadoras do Conselho Geral, na prática da ação social. Mas podem-se definir algumas medidas concretas dentro da pró-pria escola. Por exemplo, em situações em que o rendimento da família de um aluno diminui brus-camente, durante um período de tempo (ima-ginemos que o pai de um aluno não recebe o seu salário, durante alguns meses), o Encarregado de Educação pode fazer um requerimento à esco-la, acedendo a um docu-mento que se encontra na página online. Além disso, o dinheiro que advém do lucro do buffet e da pape-laria é usado no apoio aos alunos mais carenciados, nomeadamente no finan-ciamento de visitas de es-tudo. JE – Como se poderia tor-nar o sistema de apoio a estes alunos mais eficaz? Dr.ª Rosalina – O Governo não fiscaliza consciências. Eu considero, ao contrá-rio do que muita gente diz, que os Governos dos últimos anos, apesar das dificuldades, têm vindo a promover os apoios à ASE. No entanto, como estes subsídios são atri-buídos com base no IRS, há alunos que estão a receber estes apoios in-devidamente, enquanto outros que realmente ne-cessitam não beneficiam deles.
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    8 Dezembro de2014 Verónica Gomes, 12CSE1 Para se ter uma ideia do que acontece na EB 2,3 Egas Moniz, Encontro teve a oportunidade de contar com o contributo da professora Dominique Silva, Coordenadora de Estabelecimento da Esco-la EB 2,3 Egas Moniz. JE- Acha que o número de alunos carenciados tem vindo a aumentar na Escola Egas Moniz? Professora Dominique - Essencialmente, o que se nota é que, nos últi-mos anos, aumentaram as situações em que há desempregados no agre-gado familiar (pai ou mãe e em alguns casos até os dois). JE - Quais são os meios de que a escola dispõe para Reflexos da pobreza no Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda ajudar os alunos mais ca-renciados? Professora Dominique - Para além da atribuição do apoio “Escalão A”/ “Es-calão B”, é também pos-sível atribuir um reforço alimentar que consiste no acesso a lanche a meio da manhã e a meio da tarde. JE- Esses mesmos apoios têm sofrido alguma alte-ração (porventura devido à crise no país)? Professora Dominique - Por exemplo, nos últimos anos procurou-se promo-ver a reutilização dos ma-nuais escolares, tendo-se inclusivamente instau-rado a obrigatoriedade de devolução dos livros, em final de ciclo, nos ca-sos em que estes foram fornecidos aos alunos no Escola Egas Moniz âmbito da Ação Social Es-colar. JE - A escola dispõe de medidas próprias (que não sejam uma diretiva do Governo) para ajudar estes alunos? Professora Dominique - Graças aos professores (em particular dos direto-res de turma, no âmbito do seu campo de atua-ção privilegiado junto dos alunos e encarregados de educação) e ao trabalho atento dos assistentes operacionais, é possível detetar situações de ca-rência que não chegam ao conhecimento da es-cola por uma via formal de pedido de apoio. A co-munidade educativa está sensibilizada para as difi-culdades que muitas fa-mílias atravessam: a título de exemplo, está prevista uma recolha de donativos alimentares, no âmbito da palestra “Promoção de estilos de Vida/Alimenta-ção Saudáveis”, promo-vida pela Associação de Pais e Encarregados de Educação da E.B. 2, 3 Egas Moniz, a realizar no próxi-mo dia 5 de dezembro. JE- Como se poderia tor-nar o sistema de apoio a estes alunos mais eficaz? Professora Dominique - Devemos continuar a estar atentos e procurar proporcionar um encami-nhamento que produza uma resposta eficaz para cada situação. A POBREZA: UM FLAGELO PARA COMBATER A pobreza e a desigualda-de social atingem níveis cada vez mais elevados. Este cenário é quase dia-riamente retratado pela comunicação social, ape-lando para a interajuda entre todos e apresen-tando possíveis soluções para solucionar o proble-ma. Na verdade, não é ne-cessário uma reportagem televisiva para nos alertar de uma realidade que nos é tão próxima uma vez que, basta andar pe-las ruas que se vê a cada esquina crianças a pedir esmola, adultos e idosos sem terem o que comer e um teto que os abrigue. Tão grave quanto a exis-tência dos problemas é ig-norá- los. A resolução des-tes está, na maioria das vezes, nas mãos daqueles que insistem em fingir que, ao refugiarem-se nas suas futilidades, eles dei-xam de existir. Isto porque são as classes mais altas que têm capacidades fi-nanceiras para ajudar os mais necessitados, con-tudo, talvez por como-dismo, não o fazem. So-mente em raras ocasiões como o Natal ou a Páscoa, é que o espirito de cari-dade aumenta, mas não devem ajudar, somente, nestas alturas, pois não é só nestas alturas que os mais carenciados necessi-tam de comida ou de rou-pa mais quente e confor-tável. De acordo com as Nações Unidas, aproxima-damente 25.000 pessoas morrem de fome todos OPINIÕES SOBRE... O VOLUNTARIADO Ajuda e sorri! Demorou algum tempo a ganhar coragem! O pre-conceito era grande, mas a vontade de ser proacti-va era muito maior. Após ultrapassar as formações protocolares, o barulho ensurdecedor das grades e algum receio, conheci uma nova realidade. Foi no estabelecimento pri-sional que tive a minha primeira experiência de voluntariado. Tornou-se muito importante para o meu crescimento pessoal este contacto duro com um modo de vida que desconhecia. Entendi que as falhas, por vezes, têm graves consequências e que, na maior parte das vezes, são obstáculos evo-lutivos. A vontade de fazer vo-luntariado é na minha perspetiva, movido pelo meu egoísmo. Acredito que em última instância faço este tipo de ativida-des para procurar o meu bem-estar interior. Pre-tendo estar tranquila e sentir que cumpro com a minha comunidade, por consequência tem um im-pacto positivo. Na minha opinião ser voluntário não neces-sita de haver apenas trabalho por parte de uma entidade oficial. Todos os dias, temos oportunidade de criar la-ços de empatia com quem nos rodeia e ajudar o pró-ximo. Esta capacidade de colocar-nos no lugar do outro e não, apenas, sim-patizar com as situações é o que faz de nós melhores seres humanos. Dessa forma, sugiro que procures dar um pouco de ti a uma causa com a qual te identifiques. Exis-tem inúmeras opções na tua localidade: Cruz Ver-melha Portuguesa, Asso-ciação de apoio à criança, Coração na Rua, abrigo de animais… Na nossa esco-la já existiram iniciativas, neste âmbito. Contudo nada te impede de se-res tu o impulsionador de uma. No meio de to-das estas sugestões, não te esqueças de começar pelo mais simples: olha para o lado e sorri! Margarida Machado, 11 CT7 os dias. Infelizmente, são as crianças que falecem com mais frequência. Te-mos que para com o “cli-chê” de que “o que os olhos não vêm, o coração não sente”, porque hoje são eles a precisarem do nosso auxílio, mas quem sabe um dia poderemos ser nós. Portanto, é necessário acabar com as desigual-dades e estabelecer um mínimo de sobrevivência, que vá além da teoria e que se estabeleça defini-tivamente na sociedade. Petra Carneiro, 12CT6
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    Dezembro de 20149 VIDA DE ESTUDANTE Olá, o meu nome é Antó-nio e estou aqui para vos falar da minha interessan-te rotina escolar e para vos mostrar o quão diver-tido é ir para as aulas...ou talvez não, mas isso vere-mos! Acordo às 07:00h, ainda cheio de sono e sem von-tade nenhuma de sair da cama. Saber que me es-pera um dia longo e cheio de fichas e trabalhos, que obviamente não posso re-cusar, pois não é um bom sentimento. Saio de casa às 08:00 para apanhar o autocarro, sempre ocupado, o que impossibilita a hipótese de fazer a viagem senta-do. Chego à escola por volta das 8:15 e, finalmente, encontro pessoas que partilham a minha dispo-sição e com quem posso conversar sobre as novi-dades ocorridas na noite anterior. E ficamos sem-pre na esperança de que algum funcionário venha com a grande notícia, de que o professor tenha fal-tado. Mas tal não acon-tece. Chega o professor na hora de começar mais uma rotina. Fico fechado dentro de uma sala com 30 alunos, durante 90 mi-nutos que, cá para nós, parece uma eternidade. TPC: fazer resumo das pá-ginas 34 e 35 do manual e fazer os exercícios respe-tivos para a próxima aula Intervalo... até que em fim. Está na hora de nos reunirmos todos e de fa-larmos do quão chata fora a aula, ou simplesmente reunidos a comer os nos-sos lanches comprados na cantina ou trazidos de casa. 10:10h, de volta à sala, desta vez com francês ... uma desgraça nunca vem só. Hoje a aula foi tããão aborrecida! TPC: ler página 67 e fazer os exercícios das páginas 100 e 101. 11:40, mais uma pausa, é o último intervalo da ma-nhã, o que significa que daqui a uma hora e meia já estou fora das (j)aulas. TPC: fazer um trabalho sobre o mercantilismo Francês Finalmente, toca às 13:20, que para mim é como a badalada da meia-noite, ou seja, hora de almoço. 13:50, chego a casa para um bom almoço. Se con-seguir, até faço uma pe-quena sesta antes de vol-tar para o autocarro. 15:20, com muito esforço lá me preparo uma vez mais para ir para a para-gem, desta vez o autocar-ro não vai tão cheio o que é muito reconfortante. Sinceramente não vale a pena continuar com esta lenga lenga, pois tudo se repete... aulas, intervalo, aulas, intervalo e mais au-las. 18:30, saio da escola, DE VEZ, e chego a casa com carradas de TPC’s e tra-balhos para fazer (como este) e se tiver sorte ma-térias para estudar. Talvez esteja a ver as coisas pelo lado errado, mas... Numa franca opi-nião, imaginem-se na situação de, por vezes, não ter os fins de semana livres pela simples razão de ter de estudar para dois ou três testes nes-sa semana. Mas, vendo pelo lado mais positivo, por vezes, nem sabemos a sorte que temos, a sor-te de podermos aprender coisas novas, a sorte de termos pessoas a acre-ditar nas nossas capaci-dades, a sorte de ter um futuro melhor, a sorte de ter amizades que durarão para o resto das nossas vidas, a sorte de ter expe-riências que contaremos um dia aos nossos filhos e netos. A escola proporciona-nos tudo isso. Mas mais uma vez, para isso, é necessá-rio acordar as 07:00, ain-da cheio de sono... Anónimo, 11LH3 VIOLÊNCIA DOMÉSTICA UMA REALIDADE CADA VEZ MAIS ASSUSTADORA Até este ano não tinha o hábito de assistir ao no-ticiário. Todo aquele pa-lavreado técnico sobre economia, política, ges-tão e sei lá mais o quê (e não o sei, porque, como já disse, não assistia ao telejornal, ou, então, “assistia” ao telejornal) teciam o maior e o mais caótico dos emaranhados de palavras e números na minha cabeça. Para isso, já tenho a Matemática e companhia, não é? No en-tanto, este ano decidi que estava na altura de “dar o salto” e de começar a es-tar mais atenta àquilo que se passa no mundo (e vim a descobrir que, de facto, há mesmo muita coisa e muita gente a “passar- -se”). Bastou-me ver, algumas vezes, o telejornal para perceber logo o esquema da coisa. Por isso, é que, confesso, quando liguei a TV naquele dia, já não estava à espera de boas notícias, tinha só a espe-rança (somente porque essa é sempre a última a morrer) de notícias neu-tras, mas aquilo, aquilo para mim, foi demais. Era já o quarto dia consecu-tivo em que as luzes do televisor acendiam ape-nas para me informar que mais uma mulher portu-guesa, nos seus quarenta e tal anos, tinha morrido. A causa? Violência do-méstica, claro e a causa por detrás dessa causa? Bem...já lá chegaremos. Não é ficção, é facto! E mais! É facto comprovado por estudos estatísticos, se bem que não eram pre-cisos estudos para perce-ber que, de ano em ano, morrem cada vez mais mulheres e crianças, devi-do a maus-tratos, em Por-tugal. Eu consegui aperce-ber- me disso só de ligar a caixa mágica e aposto que não fui a única. De facto, não tenho memória de um ano assim: “caiu das escadas” para ali, “mor-ta a tiro” para acolá, “es-pancada até à morte” não sei onde. Eu é que queria espancar a televisão por me estar a dar a conhecer uma realidade tão cruel que chega a ser irreal! Só este ano morreram 42 mulheres, vítimas de violência doméstica. E que tenha a decência de reconhecer que está pro-fundamente errado quem pensa que “só os da terri-nha” é que estão ligados a estas situações, porque o leque de vítimas abran-ge dentistas, advogadas, médicas, enfermeiras, secretárias, entre muitas outras. Remetendo, agora, como tinha prometido, para as causas da violência do-méstica, digo, admitindo a minha impotência e ig-norância, não sei quais são. Chego mesmo a re-conhecer que não sei. Po-rém, tenho uma suspeita: aquilo a que o povo tem por hábito chamar “o berço”. A educação meus caros! Infelizmente, o que muitos não veem é que a educação que é incu-tida, não só nas escolas, mas também (e principal-mente) em casa, é fun-damental na edificação do indivíduo. Claro que, se ensinarem às crian-ças, desde tenra idade (que é nessa altura que se aprende), o valor do respeito, do entendimen-to mútuo, da paciência, da compreensão, etc., as probabilidades de es-tas virem a crescer para se tornar pessoas com “p” maiúsculo são muito maiores do que se lhes levantarem o tom de voz ou até, passe a expressão, “lhes aquecerem as bo-chechas” quando erram. Porém, o problema não está só aí, a peste (que não tem mesmo outro nome) está enraizada em coisas tão aparente-mente inofensivas como, por exemplo, os video-jogos. Passo a expor um exemplo concreto. Aqui há tempos, os meus pri-mos de cinco anos vie-ram visitar-me e qual foi o meu espanto quando, ao tentar comunicar com eles, tive de fazer um es-forço “do outro mundo” para conseguir ver os seus olhos (só de relance), sempre colados na con-sola. “Olha lá, a que é que estás a jogar?», pergun-tei eu indignada. “Estou a matar as pessoas desta cidade e a destruir-lhes os tanques”, respondeu ele com a maior das tranqui-lidades. Se fosse anatomi-camente possível, eu juro, caía-me o queixo de ta-manha admiração, se não mesmo, escândalo! Como é que esperam que crian-ças que gostam de matar pessoas no mundo virtual não possam vir também a apreciar o sentimento de magoar os outros na di-mensão real? Já parece o caso do rapaz que caiu da varanda de sua casa, por-que pensava que podia ser como o Spiderman. É com tristeza que afirmo que muitos não dão a devida importância a isto. Se as mulheres que são vítimas de maus tratos não vos comovem, peço- -vos, então, que façam o seguinte exercício mental: pensem na perspetiva dos filhos destes casais. Conseguem imaginar? Eu acho que sou capaz de o fazer, talvez seja algo do género: chegar a casa sem vontade de chegar a casa, hesitar à entrada, com um esforço imenso, rodar a chave que há tan-tos anos treme só de pen-sar em abrir aquela porta, pousar a mochila a medo, só com o ruído do titilar dos dentes, ouvir um cho-ramingar que quem nos dera ser mais distante, ir de encontro a ele, estacar perante um braço pisado, uma figura altiva e um olhar que é comprome-tedor, mas que não é de cumplicidade e saber o que te espera... Para finalizar, quero só cri-ticar os media pela forma como andam a divulgar os casos de morte por vio-lência doméstica. É que, fazem-no como se fosse só mais um acontecimen-to, como se fosse normal. Desculpem, mas, na mi-nha opinião, não deveria haver nada de usual a envolver estas situações. Para além disso, penso, também, que o acesso a armas de fogo deveria ser mais limitado. Sei bem que quem quer ferir aca-ba sempre por arranjar meio para o fazer e, além do mais, este tipo de ins-trumento nem sequer é o primeiro na lista dos mais usados para fins de vio-lência doméstica. Porém, não consigo deixar de ter algum receio de que nos tornemos numa América, onde até miúdos de cinco anos têm pistolas e, pior, sabem como usá-las! Faço um último apelo, desta vez não a vocês, mas a essa entidade do Pólo-Norte que nunca a nos desilude: o Natal está próximo e isso significa que a passagem de ano também já está mesmo aí ao virar da esquina. Cos-tuma- se dizer: “Ano Novo, vida nova”, mas no nosso caso é mais: “Ano novo, país novo”. Por favor! Inês Fernandes, 11CT2
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    10 Dezembro de2014 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA Com o objetivo de criar hábitos em situações de defesa das pessoas e de implementar as Medidas de Autoproteção (MAP), no passado dia 25 de no-vembro, pelas 10 horas e trinta minutos, efetuou- -se na Escola Secundária Francisco de Holanda, um simulacro de evacuação. A ação foi programada pela Direção e teve a co-laboração dos Bombeiros Voluntários de Guimarães e da Polícia de Segurança Pública. Houve seriedade e rigor na execução de todo o exercício. Ao toque contínuo da sirene, cada professor, em situação de aula, deu instruções no sentido de os alunos se colocarem em pé e em duas filas paralelas, no interior da sala, colocando-se o de delegado/representante da turma à frente (che-fe de fila). De seguida, o professor abriu a porta e aguardou instruções do Coordenador de setor. Recebidas as instruções, de imediato deu ordem de saída, fazendo respei-tar SIMULACRO DE EVACUAÇÃO DA a ordem das duas fi-las paralelas. O professor de cada turma, depois de verificar que não fi-cou ninguém no interior da sala, fechou a porta e, cerrando a fila, conduziu os alunos até ao Ponto de Encontro – Plataforma das Artes, estando já o trânsito cortado, pela Po-lícia de Segurança Pública que, também, colaborou na orientação da evacua-ção. No Ponto de Encon-tro, respeitando as instru-ções dos coordenadores desse setor, os alunos de cada turma, de forma or-deira, mantiveram-se em duas filas paralelas, com o professor à frente e o delegado/representante na retaguarda. Aí ficaram até receberem instruções no sentido de poderem voltar à Escola. Todos os utentes da escola que não estavam nas salas de au-las seguiram as instruções dos Coordenadores de se-tor e dirigiram-se para o Ponto de Encontro. Para que tudo corresse com calma e sem pâni-co, aos alunos, foram explicitadas as regras de comportamento em caso de emergên-cia. Foi explícito que, ao ouvir o sinal de alar-me para evacuação (si-rene contínuo), se deve seguir as indicações do coordenador de setor/ professor e cumprir os seguintes princípios bá-sicos: • Evitar o pânico e manter a calma; • Iniciar imediatamen-te a evacuação, seguin-do pelos corredores in-dicados nas Plantas de Emergência; • A evacuação deve ser de forma rápida e or-deira; • Movimentar-se em passo rápido, mas sem correr, evitando em-purrar outras pessoas e em silêncio; • Em situação de aula, o aluno responsável deve abrir totalmente a porta da sala de aula e, de acordo com as instruções, conduzir os restantes alunos para o Ponto de Encontro (situado na Plataforma das Artes); • O Professor deve ser o último a sair da sala, fe-chando a porta e seguindo imediatamente a turma; deve verificar se todos os alunos estão presentes no Ponto de Encontro; man-ter a ordem no ponto de encontro; • Não se preocupar com documentos, livros, pa-péis, vestuário, veículos, etc.; • Quem se encontrar fora das salas de aula deve seguir as sinalizações de saída e dirigir-se para o Ponto de Encontro; • Descer as escadas en-costado à parede; • Nunca utilizar o eleva-dor; • Caso exista fumo, em quantidade suficiente para dificultar a respira-ção e a visibilidade, prote-ger a boca e nariz com um pano e movimentar-se ga-tinhando; • Depois de sair do edifí-cio, nunca voltar ao seu interior por qualquer mo-tivo; • Não perturbar a ação dos bombeiros e dos agentes da autoridade; • Todos devem permane-cer no Ponto de Encontro a aguardar instruções. Foi ainda recomendada uma observação atenta da escola, de forma a proceder a uma eficaz perceção dos sinais de emergência, dos ca-minhos a seguir em si-tuação de emergência, a partir da sala de aula e ao conhecimento da localização do Ponto de Encontro. No senti-do de evitar acidentes, a organização foi im-perativa na solicitação ao cumprimento dos avisos e na exigência de respeito pelos sinais de segurança, meios de alerta e de combate a incêndio. Encontro acompanhou todo o exercício de eva-cuação que envolveu uma população escolar de 1322 pessoas, constatan-do que o comportamento dos alunos foi exemplar. Google Images http://guimaraes2012.blogs.sapo.pt/7256.html
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    Dezembro de 201411 NOTÍCIAS DA PEGADA São muitas as atividades e projetos em que a Escola Básica da Pegada está en-volvida. Continuamos preocupa-dos com o ambiente. Por isso, estamos a separar plástico, que é recolhido na escola pela empre-sa Vitrus, para ajudar na aquisição de camas ar-ticuladas e cadeiras de roda, e papel e cartão, no âmbito da campanha “Resíduos a Pedo”, da Re-sinorte. Somos solidários com as causas justas e, por isso, no dia 30 de outubro, jun-tamo- nos aos que quise-ram lembrar a importân-cia da deteção precoce do cancro da mama. Uma doença que pode afetar qualquer um. Entre ou-tras coisas, construímos um laço humano, mos-trando que estamos aler-ta para esta doença. Em parceria connosco tem trabalhado a Asso-ciação de Pais da Pega-da. Para encerrar o pri-meiro período letivo, a Associação promoverá uma festa-convívio com alunos, professores e en-carregados de educação. Será uma pequena festa de Natal, que pretende juntar a nossa escola e o Jardim de Infância de Azu-rém, a acontecer no dia 16 de dezembro, no Sa- Alimentação No diA da alimentação na escoLa comi uma sande saudável com fIambre, ovo, alface e toMate nEste dia devemos comer alimentos bons Não devemos comer chocolaTes senão a Obesidade toma conta de nóS lão Paroquial de Azurém, a partir das 18h30. Todos estão convidados. No dia 18 de dezembro, com o apoio da Junta de Freguesia, a Associação levará as nossas crian-ças ao mundo mágico da “Vila Natal”, em Santa Maria da Feira. Uma ati-vidade que proporcionará um dia inesquecível! No início do mês de janei-ro, mantendo a tradição, os alunos do terceiro ano cantarão os Reis aos pais e encarregados de edu-cação. Queremos manter estreitas as ligações entre a escola e a comunidade, aproveitando para dese-jar um bom ano a todos. 1º ano EB1 da Pegada 2º ano EB1 da Pegada Suplemento das Escolas EB1
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    12 Dezembro de2014 Suplemento das Escolas EB1 3º ano EB1 da Pegada 4º A EB1 da Pegada Escola, uma porta para o mundo De volta à escola Abrem-se as portas Ao conhecimento E ao mundo Voa o pensamento Leva-nos a viajar Sem sair do lugar Dançam as letras Formam palavras Os números saltam Fazem-se contas As ciências não faltam Riscos e representações Jogos e canções Entramos "pobres" Saímos mais "ricos" De tanto conhecer E muito ler Estamos a crescer Aprendemos a viver A escola é saber. Escrita criativa Dia da alimentação Adivinha Sou um meio de transporte feito de legumes. As minhas rodas são feitas com casca de pimento. Tenho um brócolo a fazer de suspensão. O meu acento é uma beringela. O meu guiador é feito com um pimento dividido em 3 partes. A minha distensão é feita de curgetes. Quem sou eu? Este foi o resultado Depois de estudarmos o corpo Humano, resolvemos fazer acrósticos na área de Português. Corpo O corpo humano é Resistente e Protetor Os órgãos internos do corpo Humano trabalham muito Uns são autênticas Máquinas A trabalhar dia e noite, No nosso corpo ao mesmo tempo O que nos permite uma vida saudável Este esqueleto Suporta o nosso corpo Que tem ossos Unidos uns aos outros E têm diferentes formas Longos e curtos Estreitos e grossos Todos com funções diferentes Ossos incríveis, nós temos!
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    Dezembro de 201413 Lindo! … Lindo!... Inicio este artigo, como representante do grupo Nascer do Sol, do Jardim de Infância de Santa Lu-zia, com a questão da Margarida de Jesus, pe-rante o olhar silencioso e expectante dos amigos. “ Nós somos mesmo mui-to importantes?” Quantas questões simples e complexas, … nesta interpelação singela e Suplemento das Escolas EB1 JI Sala “Nascer do Sol”- EB1/JI Santa Luzia cheia de alegria de uma criança, que deu voz a todas as que esperavam a resposta, pois a pergunta também as intrigavam. Lindo!... Lindo!... Na realidade é um grupo de meninos e meninas, como tantas outras crian-ças, que gostam de brin-car, de cantar, de dançar, de aprender, de explorar o novo, de repetir o mesmo jogo a todo o momento, JI Sala “Arco-Íris”- EB1/JI Santa Luzia A MAGIA DOS AFETOS NO HALLOWEEN No passado dia 31 de ou-tubro, as crianças da sala Arco-Íris receberam a visita de duas mães que prepararam uma agradá-vel surpresa alusiva ao Halloween e ao tema do nosso projeto de sala “O Mundo dos Afetos – Emo-ções e Sentimentos”. Através das personagens da Feiticeira Melissa e da Doceira Miramar, com as suas assistentes DracBea e BruxiVi, as crianças vi-veram momentos de pura magia! Depois de várias experiências levadas a cabo pela Feiticeira Me-lissa para encontrar o Pó Mágico da Felicidade (o “Pó de Risos”), as crian-ças ajudaram a Doceira Miramar a preparar as bolachas do Halloween, em forma de pequenas abóboras, colocando por fim, o Pó Mágico. As crianças deliciaram-se a comer estas bolachinhas com poderes mágicos e, em pouco tempo, um eco de pequenas vozes eufó-ricas se fez sentir na sala Arco-Íris, irradiando risos de Alegria e Felicidade! EB1/JI Santa Luzia 1ºB Gostamos da escola porque... …queremos aprender. …aprendemos a ler e a escrever. …conhecemos muitos amigos. …gostamos de estudar. …fazemos atividades divertidas. …o professores são amigos. …faz-nos pensar. …descobrimos novas coisas. … ...festejámos o S. Martinho. …temos uma biblioteca. mas se bem observado, há sempre algo de muito novo, na comunicação, na expressão, na integra-ção de um novo conheci-mento, na inclusão de um amigo, na…,são os raios do Sol, que faz da sua úni-ca cor, a multiplicidade de muitas outras. As cores dos afetos, das criações artísticas, das descobertas científicas, dos laços que prendem com docilidade e respeito o coração de todos que com eles convivem, do abraço espontâneo, da escolha fundamentada e argumentada, … SIM são Muito, Muito IM-PORTANTES, porquê? Porque aprendem a sen-tir, a gostar das pessoas lindas que SÃO, nas suas diferenças e na partilha de conquistas pessoais e do grupo, assim crescem em cidadania e com ale-gria.
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    14 Dezembro de2014 2º B EB1/JISanta Luzia Texto Coletivo Depois de saber que Me-linda tinha sido raptada pelo gigante Bártolo, Ro-meu perguntou às suas amigas Estrelas, qual seria o melhor caminho para chegar ao castelo do gigante. As Estrelas responderam- -lhe que deveria seguir o caminho que passava junto da Fonte das Águas Límpidas, onde encontra-ria um espelho mágico para hipnotizar os sete leões esfomeados que estavam de guarda. Disse-ram- lhe também para ter muito cuidado, pois a flo-resta estava cheia de bru-xas, morcegos e corujas. Romeu seguiu viagem com os seus amigos: a Suplemento das Escolas EB1 Lua, o Vento, as Nuvens e as Estrelas. As Estrelas e a Lua iluminaram o ca-minho; as Nuvens junta-ram- se e tornaram-se tão negras, tão negras que formaram uma forte tem-pestade que obrigou as Bruxas a esconderem-se; o Vento empurrou-o pela torre do castelo que era mais alta do que a mais alta montanha do mundo e onde se encontrava pri-sioneira Melinda . Quando a encontrou, su-biram a uma Nuvem que os transportou a casa, onde o tio de Melinda os esperava, dando-lhes um carinhoso abraço. Conclusão da História «Romeu e Melinda», His-tórias fantásticas, de Al-berto Melis 2º C EB1/JISanta Luzia Projeto “Uma história, uma aventura” O 2º- ano, turma C da EB1/JI de Santa Luzia vai desenvolver, ao longo do ano letivo de 2014/2015, o projeto de leitura “Uma história, uma aventura” onde envolve os pais, en-carregados de educação e famílias. Na primeira semana de cada mês, em dia e hora 3º A EB1/JISanta Luzia O girassol Girassol amarelo Castanho no centro Tão belo que é Parece um coentro. Girassol amarelo Tem uma bela cor Toda a gente o trata Com muito amor. Girassol amarelo É muito perfeito Para florir ao sol Tem muito jeito. Girassol amarelo Sempre a florir Está no jardim Feliz a sorrir. Alegre menina Rosa encarnada Cabeça amarela Alegre menina Doce e muito bela. Rosa encarnada Pezinho espinhoso Alegre menina Coração corajoso. Rosa encarnada No jardim nascida Alegre menina No inverno despida. já agendada, cada alu-no, com o apoio de um elemento já inscrito no projeto, vai ler, explorar e fazer uma atividade so-bre uma obra da lista de obras para a iniciação à Educação Literária e dos livros recomendados pelo PNL, selecionada no dia da receção aos alunos, através do desafio Mural da Leitura.
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    Dezembro de 201415 3º B EB1/JISanta Luzia Magusto faz-se no S.Martinho Acende-se uma fogueira Gostamos de enfarruscar a cara Uma festa de castanhas Saborosas e bem quentinhas Tempo frio à espera do verão de S.Martinho O porco se mata e o vinho se prova Suplemento das Escolas EB1 3º C EB1/JISanta Luzia 4º A EB1/JISanta Luzia As nossas quadras do outono No outono há muita chuva, temos que nos abrigar. Quando parar de chover, Já podemos ir brincar. Sou o vento do outono, que venho para encantar. Às vezes deito areia para os olhos, que vos faço chorar. O outono é tão frio, que me escondo debaixo do cobertor. Com um chá quente nas mãos, a ouvir um cantor. Dia da alimentação No dia dezasseis de outu-bro, Dia da Alimentação, o 4º A fez espetadas na sala. Enquanto se prepa-ravam os ingredientes, toda a turma fazia a re-portagem sobre o que se ia passando. Cada um escolheu a estação que transmitia a reportagem. Depois de lermos as re-portagens, escolhemos a do Rúben para mostrar-mos o trabalho da turma nesta atividade. “Caros ouvintes, estamos em direto da Megahits para transmitir uma aula de culinária da Chef Cân-dida. Vai-nos ensinar a fazer espetadas, muito saudáveis! Para isso vai contar com a colaboração dos mini Chefs da turma. Começamos com a Chef Marta que descasca uma cenoura, depois de bem lavada, tirando as partes que não se comem. A nossa Chef Joana vai fa-zer o segundo passo que é cortar a cenoura às ro-delas. O Chef Zé dá uma ajuda. Um belo queijo é fatiado pela Chef Cândida! O Dinis, segundo Chef preferido de toda a gen-te, corta a banana em ro-delas idênticas e a Chef Sofia ajuda no projeto. A nossa outra Chef Sofia, corta as côdeas do pão integral que podemos aproveitar para fazer pão ralado. A Chef Isabel dá continuidade à tarefa mas desperdiça muito pão! A Chef Cássia como não estava atenta repete o desperdício. A professora corta o pão em quadradi-nhos. Repete-se a opera-ção com outro pão a ser cortado pelo Chef Antó-nio com a ajuda das Chefs Matilde e Maria João e… voilá! Tudo pronto! Cada Chef vai agora montar a sua espetada com pão integral, fiambre de peru, banana, cenoura, tomate e queijo. Tudo isto com mãos bem lavadas! Que delícia! Assim me despeço, caros ouvintes. Não se esque-çam de experimentar! Até ao próximo Cozinha com Rúben na sua rádio preferida, MMMegahits!” 4º B EB1/JISanta Luzia 16 de outubro - Dia Mundial da Alimentação Dia 16 de outubro Importa sempre relembrar Alertar e informar! Diferentes atividades fizemos A roda dos alimentos conhecemos Água, um alimento essencial Legumes,cereais, fruta, ... Imprescindíveis todos os alimentos são Muitos nutrientes nos dão E equilibrada será, a nossa alimentação! Nutricionista devemos consultar Também nos pode ajudar Assim a nossa saúde poderá melhorar! AÇúcar e sal NÃo devemos comer O nosso corpo vai agradecer. 4º C EB1/JISanta Luzia S. Martinho Num dia frio de outono, Um soldado bem vestido Ajudou um pobre mendigo Que estava cheio de frio. Uma capa ao meio cortou E o pobre mendigo Com ela se agasalhou. E por magia Nesse dia O sol brilhou.
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    16 Dezembro de2014 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS Hoje, dia 3 de dezembro, com todo o sentido e pro-priedade, a Direção do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda, apresentará, em sessão solene, pelas 17 horas, o plano de atividades ine-rentes à celebração do 130º aniversário da cria-ção da Escola Francisco de Holanda, a realizar ao lon-go do ano letivo de 2014- 15. De facto, faz 130 anos, no próximo dia 3 dezem-bro, que foi publicado o decreto, no Diário do Go-verno, que lhe deu o esta-tuto de Escola Industrial de Guimarães. Dois dias depois, dia 5 de dezem-bro de 1884, foi publica-do, também no Diário do Governo, o decreto que atribuiu à Escola Indus-trial de Guimarães a de-nominação de Francisco de Holanda. Curiosamente, “O Comér-cio de Guimarães”, funda-do no ano de 1884, nas suas páginas, faz notícia dos principais eventos associados à Escola, não deixando de sublinhar, em tom jocoso, que a pro-metida escola para a cida-de de Guimarães nunca mais começava a funcio-nar. Era de facto uma pro-messa antiga, uma vez que o decreto régio de 20 de dezembro de 1864 de-terminava a criação da Es-cola Industrial que só veio a ser confirmada a 3 de dezembro de 1884. E só começou a funcionar, no dia 14 de janeiro de 1885, com aulas de desenho industrial, sob a regência e direção de António Au-gusto Cardoso, num salão da Sociedade Martins Sar-mento, ao tempo instala-da, no Largo do Carmo. Para a sua implantação teve um papel relevante a 1ª Exposição Industrial de Guimarães, realizada em 1884, uma vez que per-mitiu identificar necessi-dades a satisfazer, ineren-tes à industrialização da região, nomeadamente a formação do pessoal ope-rário. Ora, foi nesta área que, ao longo dos anos, esta escola ganhou cré-ditos, norteando, até aos anos setenta do século XX, a sua missão educa-tiva para a formação de operários qualificados e quadros médios, dando, assim, respostas às neces-sidades do mercado de trabalho. Para assinalar a efemé-ride, foram colocados hoje outdoors nos dife-rentes edifícios em que funcionou a Escola: Casa de Martins Sarmento (no Largo do Carmo), Banco Millenium (Rua Paio Gal-vão), Casa dos Laranjais (Rua das Trinas), casa pertencente ao Barão de Pombeiro (confluência da Rua de Santa Maria com o Largo Cónego José Ma-ria Gomes), Convento de Santa Clara (atual edifício da Câmara Municipal) e pavilhões, construídos na Quinta do Proposto, que evoluíram para o atual edifício da Escola (Rua Alfredo Pimenta), graças às obras de 1959 (Estado Novo) e à intervenção de requalificação e amplia-ção, efetuada de 2009 a 2011, pela empresa de-nominada Parque Escolar. De 1864 a 2014: alguns registos sobre a Escola A história da Escola Fran-cisco de Holanda tem sus-citado o interesse da co-munidade educativa em geral e dos professores de História em particu-lar. Há alguns anos, sob a orientação da professora da disciplina de História, Túlia Machado, já apo-sentada, foi feita uma exposição em que foram assinalados os principais eventos associados à es-cola, desde a sua funda-ção até aos nossos dias. Destacamos alguns: 1864 - Criação, pelo Mi-nistro João Crisóstomo de Abreu e Sousa, através de decreto régio de 20 de dezembro, da Escola Industrial de Guimarães, conjuntamente com a da Covilhã e Portalegre, as três primeiras escolas in-dustriais do país. 1881 - É criada a Socieda-de Martins Sarmento. 1884 – A Sociedade Mar-tins Sarmento começa a publicar a Revista de Gui-marães e toma a iniciati-va, com Alberto Sampaio à frente, da Exposição Industrial do Concelho destinada a mostrar as
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    Dezembro de 201417 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS notáveis potencialidades da indústria vimaranense e as suas tremendas ca-rências em termos de tec-nologia e equipamentos. Tornava-se premente dar corpo ao esquecido de-creto de 20 de dezembro de 1864, que visava a cria-ção da Escola Industrial de Guimarães. Para tal, a So-ciedade Martins Sarmen-to, a Câmara Municipal de Guimarães, a Associação Artística Vimaranense e a imprensa local, incluindo o “Comércio de Guima-rães” conjugaram esfor-ços nesse sentido. • Chega o comboio, pela primeira vez, pela Trofa, até à estação de Vila Flor, em Guimarães (6 de mar-ço). •Soares Veloso pôs à dis-posição da Comissão da Exposição Vimaranense o palácio de Vila Flor (26 de março). Um escol de ho-mens de cultura e de espí-rito empreendedor estava a mudar Guimarães. • Surge o Comércio de Guimarães (14 de junho). • É criada a Escola de De-senho Industrial de Gui-marães por diploma de 6 de maio, publicado no Diário do Governo de 7 de maio, referendado por António Augusto Aguiar. • Sai o decreto que lhe dá o estatuto de Esco-la Industrial, que com-preenderá as disciplinas de Aritmética, Geometria Elementar, Contabilidade Industrial, Desenho e Quí-mica (3 de dezembro). • Decreto que atribui à Escola Industrial de Gui-marães a denominação de Francisco de Holanda (5 de dezembro). Come-morava- se então o tricen-tenário do Renascentista Francisco de Holanda. 1885 - Começa a funcio-nar, sob a regência e di-reção de António Augusto Cardoso, num salão da Sociedade Martins Sar-mento ao tempo insta-lada no Largo do Carmo (14 de janeiro). Tem 153 alunos matriculados, sen-do 14 do sexo feminino, e alguns em lista de espera. 1885 (13 de abril) - Mu-dou para uma casa alu-gada na Rua Paio Galvão, onde hoje funciona o Banco Millenium. 1886 (1 de janeiro) - En-trou em funcionamento na Casa dos Laranjais, alu-gada pela Câmara Munici-pal de Guimarães, na Rua D. Luís I, hoje Rua das Tri-nas (1 de fevereiro), com três professores para três cadeiras essencialmente práticas: • Dr. Joaquim José de Mei-ra (médico) professor das disciplinas de Aritmética, Geometria Elementar e Contabilidade Industrial; • António Emílio de Qua-dro Flores (oficial do exér-cito) substituído um ano depois pelo Dr. Augusto de Matos Chaves (médi-co) para lecionar Química Industrial; • António Augusto Car-doso, professor Desenho Industrial. 1887 - Visita do rei D. Luís a Guimarães e lança-mento da primeira pedra da escola definitiva num terreno adquirido para o efeito e pertencente à Quinta do Proposto. 1888 - Criação, atra-vés do decreto de 30 de dezembro de 1886, de mais três cadeiras (Língua Francesa, Princípios de Física e Mecânica, Dese-nho de Máquinas) e, con-sequente, nomeação de novos professores: Adol-fo Salazar (pai do célebre professor Abel Salazar) e o Dr. Avelino Germano da Costa Freitas (médico). 1889 – Nomeação do austríaco Afred Schwartz como professor de dese-nho de máquinas. 1889 - Nomeação de Al-bert Edouard Braun, mes-tre de fiação de tecela-gem, o que demonstra a importância que Escola estava a adquirir no con-texto sociocultural da re-gião.
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    18 Dezembro de2014 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS • Entretanto, levantados e abertos quatro dos oito pavilhões, na Quinta do Proposto, ali se armaze-naram os pesados caixo-tes que traziam os teares mecânicos, máquinas de fiação, caldeira a vapor... Ainda, neste ano, chega-ram onze caixotes de ma-terial de laboratório quí-mico e três caixotes com máquinas de costura. 1891- Aquisição coleções de modelos de desenho em gesso, aparelhos de fotografia, coleções de estampas de excelente qualidade com motivos de História da Arquitetura e outros. 1901 – A Escola Francisco de Holanda está instalada nos edifícios na Quinta do Proposto sem condições mínimas para poder fun-cionar. 1911 - O Regimento da Infantaria toma conta dos barracões do Proposto à exceção de um destinado à guarda de material ofi-cinal. 1914 (outubro) – Instala-ção da Escola Industrial numa casa que era pro-priedade do Barão de Pombeiro - confluência da Rua de Santa Maria com o Largo Cónego José Maria Gomes - (24 de novem-bro). 1914 - Instalação da Esco-la Industrial no Convento de Santa Clara (edifício atual da Câmara Munici-pal), juntamente com o Liceu e o Internato Muni-cipal. 1923 – Saída dos militares das instalações do Pro-posto. • Realização de obras na Escola (Quinta do Propos-to) já com o nome de Es-cola Industrial e Comercial de Francisco de Holanda, graças à intervenção de Mariano FeIgueiras. • Realização nas novas instalações Escola Indus-trial (Quinta do Proposto) da 2ª Exposição Industrial e Agrícola do Concelho de Guimarães. 1948 – O Ministro da Edu-cação - Eng° Leite Pinto - promulga a reforma e é retirado à escola o nome do seu patrono, Francisco de Holanda. 1959 - A Escola Industrial e Comercial de Guimarães termina as suas obras que são as do edifício da fa-chada principal, corres-pondente ao atual Bloco A. 1974 - É devolvido o nome de Francisco de Holanda (25 de Abril.) 1979 - Confirmação em portaria do nome de Es-cola Secundária de Fran-cisco de Holanda (22 de novembro pela Portaria 608/79) De julho de 2009 a abril de 2011 - obras de requa-lificação e de ampliação de que resultaram o atual edifício da Escola Secun-dária Francisco de Holan-da. 2012 - Através do Despa-cho nº 5634-F/2012 de 26 de abril, a extinta Direção Regional de Educação do Norte propôs a agrega-ção da Escola Secundá-ria Francisco de Holanda com o Agrupamento de Escolas Egas Moniz. A nova unidade orgânica passou a ter a designação de Agrupamento de Esco-las Francisco de Holanda, constituída pelas escolas EB1 da Pegada, EB1/JI de Santa Luzia, Escola EB2/3 de Egas Moniz e Escola Secundária Francisco de Holanda. Ata da instalação da Escola Industrial Francisco de Holanda em Guimarães No dia primeiro do mês de Fevereiro do ano de 1886 às onze e meia horas da manhã em uma das salas da casa sita na rua D. Luís I desta cidade de Guimarães, oferecida pela câmara municipal da mesma cidade para nela se estabelecer a Escola Industrial denominada “Francisco de Hollanda”, estando reunidos o inspetor das Escolas Indus-triais e de desenho industrial da Circunscrição do norte José Guilherme de Parada e Silva Leitão, professor do Instituto Industrial do Porto, e o corpo docente da mesma Escola Industrial António Augusto da Silva Cardoso professor temporário da cadeira de desenho industrial, Joaquim José de Meira, professor definitivo da cadeira de arit-mética, geometria elementar e contabilidade industrial e António Emílio de Quadros Flores, professor temporário da cadeira de química industrial, o inspetor tomando a presidência declarou aberta a sessão. Em seguida, fazendo uma sucinta exposi-ção da história deste estabelecimento, disse que tendo sido primitivamente criada esta escola como simples escola de desenho industrial, em virtude do Decreto de 3 de Janeiro de 1884 referendado pelo Exmo. Ministro das Obras Públicas Comércio e Indústria António Augusto d’Aguiar e incluída no orçamento do ano económico de 1884 a1885 a verba para a sua dotação por proposta feita pelo deputado da Nação Mariano Cyrillo de Carvalho em sessão de 22 de Março do mesmo ano de 1884, fora mais tarde transformada em escola industrial por Decreto de 3 de Dezembro do dito ano passando a cadeira de desenho industrial onde na conformidade do artigo 13
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    Dezembro de 201419 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS do regulamento geral das Escolas industriais e de desenho industrial de 6 de Maio de 1884 se professava o curso elementar de desenho e o 1º e 3º ramos dos cursos industriais, a fazer parte da mesma escola. Que na conformidade do citado decreto tinha esta escola uma organização idêntica à da Escola Industrial da Covilhã, com-preendendo as seguintes disciplinas professadas em três cadeiras: Aritmética, geo-metria elementar e contabilidade industrial; desenho industrial e química industrial especialmente aplicada à tinturaria, havendo além destas cadeiras dois lugares de guardas e um de servente. Que por Portaria de 5 de Dezembro de 1884 fora dada à escola a denominação de Escola Industrial “Francisco de Hollanda”. Que esta escola assim organizada, não poderá ser instalada logo depois da sua criação porque as verbas necessárias para a sua dotação só foram incluídas no orçamento geral do Estado no ano económico de 1885 a 1886, e portanto só havia funcionado até hoje a cadeira de desenho industrial primitivamente criada e para a regência da qual tinha sido nomeado provisoriamente o professor António Augusto da Silva Cardoso por Portaria de 12 de Dezembro de 1884, sendo nomeado guarda da mesma por Portaria de 8 de Janeiro de 1885 António de Sousa Roriz cujo nome foi retificado por Portaria de 7 de Fevereiro seguinte por ter vindo errado na primeira. Que a 24 de Dezembro de 1884 fora aberta a matrícula, inaugurando-se a cadeira a 14 de Janeiro seguinte na casa da Sociedade Martins Sarmento no Largo do Carmo com 104 alunos, sendo 14 de sexo feminino; apesar de ainda não haver a mobília necessária nem o material de ensino indispensável porque a ilustrada direção daquela benemérita Sociedade com o fim de facilitar a realização de tão importante melhoramento para a cidade de Guimarães cedeu provisoriamente do melhor grado uma das suas salas com toda a mobília e material de ensino de que podia dispor continuando aí a funcionar a cadei-ra de desenho até que, adquirido o material de ensino mais indispensável e obtida a mobília necessária, foi a Escola mudada para uma casa de aluguer sita na rua de Paio Galvão. Que nesta casa continuou a escola a funcionar até Outubro de 1885 sendo regularmente frequentada não só pelos alunos que compareceram no ato da inaugu-ração, mas ainda por outros, que depois se matricularam e que perfaziam ao todo o número de 153, dos quais 43 eram do sexo feminino. Que no decorrer do ano de 1885 se foi completando o pessoal de Escola Industrial sendo por Portaria de 27 de Abril nomeado o segundo guarda José Alves Correia e por ofício de 19 de Agosto de 1885 lhe fora participada a nomeação do servente António José Capela. Que em Maio fora aberto concurso no Instituto Industrial do Porto para o provimento de duas cadeiras vagas = Aritmética, geometria elementar e contabilidade industrial e química indus-trial. Que para a primeira destas duas cadeiras concorreram dois candidatos ficando deserto o concurso da cadeira de química. Que terminadas as provas públicas dos candidatos admitidos ao concurso para o provimento da cadeira de aritmética em 30 de Outubro de 1885 foi pelo júri que presidiu a este acto proposto o candi-dato o Snr. Joaquim José de Meira único que satisfaz a todas as provas sendo o mesmo por despacho de 23 de Dezembro de 1885 nomeado definitivamente professor daquela cadeira, e para a cadeira de química como não houvesse concorrentes fora pelo Governo nomeado provisoriamente por despacho de
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    20 Dezembro de2014 ESCOLA SECUNDÁRIA FRANCISCO DE HOLANDA CELEBRA 130 ANOS Fig.3 23 de Dezembro de 1885 o Snr. António Emílio de Quadros Flores. Que logo que tivera conhecimento do despacho do Snr. Meira ele inspetor tratara de abrir a matrícula na cadeira de aritmética, que hoje deveria inaugu-rar- se e na qual se achavam matriculados 33 alunos. Que não poderá abrir a matrícula na cadeira de química pelo facto de não ter ainda a mobília neces-sária nem o material de ensino indispensável para se montar um laboratório químico, mas que já tinha feito as necessárias requisições. Que com relação à cadeira de desenho industrial a matrícula para o corrente ano letivo tinha sido aberta em Setembro de 1885 achando esta cadeira a funcionar com 145 alunos dos quais 51 são do sexo feminino. Terminada esta exposição acrescentou o Inspetor que, achando-se completo o pessoal da Escola e devendo ficar a funcionar desde já duas das suas ca-deiras, era necessário proceder-se à instalação definitiva da Escola Industrial Francisco d’ Hollanda e para isso tinha convocado todos os seus professores ali presentes a fim de que na conformidade do disposto no artigo 25 do re-gulamento geral das Escolas Industriais e de desenho industrial de 6 de Maio de 1884 se constituísse o Conselho escolar elegendo dentre si o diretor e o secretário. O Snr Professor de desenho António Augusto da Silva Cardoso pedindo a palavra propôs que o cargo de diretor fosse desempenhado pelo Snr. Joaquim José de Mei-ra, Professor definitivo da cadeira de Aritmética e o de secretário pelo Snr. António Emílio de Quadros Flores, professor provisório da cadeira de Química. Posta à vota-ção esta proposta e sendo aprovada o Inspetor declarou instalada a Escola Industrial “Francisco d’Hollanda” tendo por Diretor o Professor o Snr. Joaquim José de Meira, por secretário o Professor o Snr. António Emílio de Quadros Flores e por vogal o professor o Snr. António Augusto da Silva Cardoso e levantou a sessão da qual em seguida lavrei a presente ata que vai ser assinada por ele Inspetor e por todos os pro-fessores da Escola depois de lhes ser lida por mim António Emílio de Quadros Flores secretário que a escrevi. José Guilherme de Parada e Silva Leitão Inspetor Joaquim José de Meira António Augusto da Silva Cardoso António Emílio de Quadro Flores
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    Dezembro de 201421 O BERÇO DA ESCOLA FRANCISCO DE HOLANDA Corria o ano de 1881, quando um grupo de vimaranenses decidiu que já era tempo da cidade prestar homenagem ao mais ilustre dos seus cidadãos, Francisco Martins Sarmento, o arqueólogo que desenterrou a Citânia de Briteiros e que, no último quartel do século XIX, atraíra para Guimarães as atenções dos estudiosos das raízes da cultura europeia. À partida, sabia-se que a missão não seria fácil, atendendo à personalidade reservada de Sarmento. O arqueólogo jamais aceitaria, como não aceitou, que lhe fizessem uma festa ruidosa ou lhe erguessem um monumento recordativo. Mas acabaria por aceitar que o seu nome fosse dado a uma associação que tivesse como finalidades a promoção e o desenvolvimento da instrução primária, secundária ou profissional no concelho. Assim nasceu a Sociedade Martins Sarmento, promotora da instrução popular no concelho de Guimarães. Os trabalhos dos dias iniciais da Sociedade Martins Sarmento centraram-se na criação de uma biblioteca pública e na procura de respostas para os problemas da instrução básica e secundária em Guimarães. A principal prioridade seria a criação de uma escola industrial, concretizando o projeto enunciado com força de lei na reforma do ensino industrial de 1864, mas nunca concretizado. Não tardaria muito para que a Sociedade Martins Sarmento se substituísse ao Estado, criando ela própria um instituto de ensino destinado a industriais (operários da indústria), que funcionaria na sua própria sede (à altura, na casa contígua ao palacete de Martins Sarmento, então pertencente aos viscondes de Pindela). As aulas iniciaram-se no dia 9 de janeiro de 1883, com os cursos de Desenho Profissional, concebido e ministrado pelo pintor e fotógrafo António Augusto da Silva Cardoso, e de Francês, que teria João Pinto de Queirós como professor. A Exposição Industrial de Guimarães, que a Sociedade Martins Sarmento viria a promover em 1884, serviria para acrescentar argumentos à defesa da urgência da criação de uma escola industrial. Em março daquele ano, o deputado Mariano de Carvalho apresentou uma proposta para a criação de uma escola de desenho industrial em Guimarães, que seria aprovada. A direção da Sociedade Martins Sarmento, ao agradecer ao deputado a iniciativa, não deixou de notar que “no estado atual das indústrias locais, a escola de desenho, só de per si, não satisfaz, como era para desejar, às necessidades delas, reconhecidas desde 1864 no Decreto que nesta data já indicava esta cidade como sede de uma escola industrial”. Uma escola de desenho não seria suficiente. Conjugando os seus esforços com outras instituições da cidade, não abandonaria o projeto da criação da escola industrial. A repercussão nacional da Exposição Industrial tornou evidente aos responsáveis políticos a justeza e a necessidade de tal ambição. A 3 de dezembro de 1884, o rei assinou um decreto que criava uma escola industrial em Guimarães. Dois dias depois, novo decreto batizava-a como Escola Industrial Francisco de Holanda. A aula inaugural aconteceria no dia 14 de janeiro de 1885, na mesma sala do rés-do-chão da casa da Sociedade Martins Sarmento e com o mesmo diretor e professor do curso da SMS, o pintor António Cardoso. A Escola Francisco de Holanda nasceu na Sociedade Martins Sarmento. António Augusto Amaro das Neves, Presidente da Direção da Sociedade Martins Sarmento de 2004 a 2013 e professor de História da ESFH.
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    22 Dezembro de2014 A imprensa é, também, um espaço de memórias “O Comércio de Guima-rães”, fundado no ano de 1884, como “Periódico liberal, comercial, indus-trial e agrícola”, fazendo eco dos anseios dos vima-ranenses, sempre clamou pela criação da Escola In-dustrial Francisco de Ho-landa. Consultando as pá-ginas das suas edições de 1884, ano da fundação da escola, temos exemplos de textos de protesto, de reivindicação e regozijo face à prometida escola. Assim, podemos ler no nº 14 (22 de julho) de “O Comércio de Guimarães” a notícia de que estaria iminente a publicação em “Diário de Governo” do decreto da criação da Es-cola Industrial de Guima-rães (Fig. 1). Na página 2 do nº 20 (11 de agosto), sai a queixa de que o “de-cantado” decreto nunca mais vem (Fig. 2). Posteriormente, O Co-mércio de Guimarães publica a notícia, com o título de “Justiça” (Fig. 3), revelando que o governo incumbira o “excellen-tissimo snr. José Parada da Silva Leitão escolher a casa onde deve funcionar a escola de desenho in-dustrial”. Na página 1 do nº 40 (23 de outubro), O Comér-cio de Guimarães vinca a sua indignação face à de-mora da vinda da Escola Industrial de Guimarães. Sob o título “Indifferen-tismo dos Governos para com Guimarães”, publi-ca “Guimarães, a patria de aguerridos e denoda-dos guerreiros, de vultos Fig.2 venerandos, de heroes preclaros que, em tem-pos saudosos e gloriosos do passado, exaltaram e exalçaram o nome portu-guez nas assignaladas e bem feridas pugnas dos campos da batalha, nos certames das sciencias e das artes, no tirocínio das industrias. – Guima-rães, este padrão de glo-rias portuguezas, esta joia preciosa da corôa de Portugal, está votada ao Fig.1 abandono, ao ostracismo, ao indifferentismo. Todos os governos fitam seus olhares complacen-tes e gratos sobre Gui-marães quando teem de mendigar-lhe uma obse-quidade, um sacrifício ou um deputado de feição governamental para com o seu voto applaudir e approvar os vexames go-vernativos e as imposi-ções tributarias; quando porém Guimarães precisa do mais pequeno melho-ramento, quando pede a mais insignificante cousa que imaginar-se possa, esses governos olham com desdem, com indiffe-rença, e com a mais negra ingratidão voltam-lhe as costas. (…) Prometteram-nos uma Escola Industrial; e nada! (…)” Na página 1 do nº 54 (15 de dezembro), O Comér-cio de Guimarães publica o seu regozijo. Finalmente o “decantado” decreto da criação da Escola Indus-trial tinha sido publicado no Diário do Governo. Com o título de “A ESCO-LA INDUSTRIAL” publica o seguinte artigo: ‘«O Commercio de Gui-marães, conservando-se alheio a qualquer filiação partidaria, que não sejam das conveniências locaes e das grandes medidas de interesse commum louva-rá em uns e outros o que em cada um houver de louvavel, em pregando to-dos os seus esforços, para que uma parcella do po-der central vele pela pros-peridade da terra que lhe é berço, e por tudo que directa e indirectamente, possa influir no aumento d’essa prosperidade. Art. prog. do Commercio de Guimarães Estão satisfeitas as aspira-ções de Guimarães. A escola industrial que tantas vezes nos trouxe ao campo da discussão, foi enfim decretada pelo governo. Desde que desfraldamos a nossa bandeira jornalís-tica, jamais deixamos de pugnar pela prosperidade da nossa terra, ora pe-dindo o primeiro pão do espirito profissional para os operarios, como muito bem disse um nosso colle-ga, ora lembrando melho-ramentos de reconhecida utilidade publica. Vilipendiada, engeitada e despresada a cidade de Guimarães pelos pode-res publicos, pertencia a nós, filhos queridos d’este solo glorioso e historico, visto que nos achavamos na imprensa, levantar a luva, e combater a todo o transe o maldito sello da roda! Na lucta, seriamos algu-mas vezes violentos, mas a causa santa que advo-gamos, o amor de devota-mos á nossa terra, absol-ve- nos d’esse sacrilegio, que comettemos. Em observação d’essa par-te do nosso programma, que encima este artigo, não podemos deixar de inscrever n’este momento os nomes dos cavalheiros, a quem devemos a nossa escola industrial, Francis-co de Hollanda. São elles: os exm.ºs srs. Conde de Margaride, Francisco Ri-beiro Martins da Costa e João Ferreira Franco Pinto Castello Branco. Também não devemos es-quecer o nome do exmoº sr. Marianno de Carvalho, a quem devemos a escola de desenho. O nosso preito a estes ca-valheiros. Em seguida apresenta-mos o decreto pelo qual foi creada a escola indus-trial n’esta cidade.” Fig.3
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    Dezembro de 201423 Como será a Escola Se-cundária Francisco de Ho-landa daqui a 130 anos? Que clima se viverá na Secundária Francisco de Holanda no final de 2144? Porquê esta data, pergun-tarão vocês? Mas, que grandes distraídos! Por-que se passaram mais 130 anos de atividade escolar. A nível físico, penso que tudo continuará na mes-ma, pois, ainda recente-mente, quase ao fim de 130 anos e integrada no programa “Parque Esco-lar” a escola teve uma grande, e que grande, re-qualificação, modificando o seu visual. Mas, porque a Francisco de Holanda é uma escola de memórias, pois foi das primeiras es-colas industrias a serem criadas por decreto go-vernamental a par da Es-cola Campos Melo situa-da na Covilhã e da Escola Secundária S. Lourenço, em Portalegre, o bloco principal foi preservado na sua identidade formal, sofrendo, apenas, uma remodelação a nível das antigas salas de aula, o que fez com que houves-se espaço suficiente para relembrar aos que pas-saram e revelar aos pre-sentes as boas memórias de um trabalho contínuo e dignificante, guardadas num significativo e profí-cuo Museu Escolar. A par A ESCOLA NO FUTURO desta reedificação física houve, também, uma readaptação e atualização da tecnologia informática que não é utilizada, penso eu, em todas as suas ver-tentes e potencialidades, mas que servirá de tram-polim para uma escola de futuro, assente na era di-gital, mais prática e mais motivadora para todos os que a frequentam, de modo a desenvolverem a sua imaginação e criativi-dade. Esta metodologia digital já está bem desen-volvida em alguns países que não o nosso, Portugal, devido à situação de crise que atravessamos, não só económica mas também e sobretudo desumana e desatenta à grande rea-lidade que é a educação, o super e sempre atual valor da Escola Francisco de Holanda que a defen-deu, defende e defenderá “com unhas e dentes”. Os primeiros 130 anos por que passou a Francisco de Holanda também não fo-ram fáceis, devido à con-textualização histórica, social e política em que foram vividos, suscitando emoções fortes e sempre realistas. Pioneira na ino-vação e no conhecimen-to, a Francisco de Holan-da sempre soube crescer, vencendo os desafios que se lhe deparavam, utili-zando, para tal, as suas armas mais potentes: es-forço, dedicação e muito trabalho. E assim, a meni-na que começou por ape-nas saber desenhar, ama-dureceu e transformou-se numa mulher inteira, de corpo e alma, e com uma personalidade, por todos, admirada, personalidade esta que alcançará, no futuro, novas fronteiras, pois não conseguirá vi-ver sem objetivos, sem empenho, sem inovação, sem novas metodolo-gias… num clima calmo e tranquilizador tal como foi, é e será seu apanágio. Eu não sou futurologista, mas, considerando o pou-co que vi e ouvi (sou alu-no do 10º), sei que a Fran-cisco de Holanda seguirá sempre em frente, refor-mando- se e reformando os seus atores, a ponto de fazer da educação o palco da vida. Se for preciso mudar o já cansado ambiente da sala de aula, para fugir à massificação da escola tradicional, onde tudo se passa no mesmo lugar e ao mesmo tempo, muda-se, de modo a permitir a livre circulação dos estudantes e dos professores, sem se acotovelarem, mas uni-dos pelo mesmo desejo de um ensino mais liber-to de convenções, mais atraente, mais estimulan-te, mais motivador, com menos aulas expositivas e mais tempo para ativi- dades práticas e debates abertos, onde cada um aprenderá à sua maneira e esporeará a forma como aprendeu, aprofundando- -se, assim, as aprendiza-gens e compreendendo as razões por detrás das coisas, lendo, falando e encontrando soluções por si próprio, para que não se saia da escola com uma utilidade meramente económica. Atualmente, a escola está a ser transformada numa escola mínima, e tudo o que está relacionado com as expressões artísticas, como o desenho, o teatro, a pintura e a música, ten-dem a desaparecer, mas na Francisco de Holanda isto não acontecerá, por-que esta escola não é in-grata e não esquecerá a menina que a viu nascer. Assim, estas disciplinas ar-tísticas serão revigorados, promovendo a interação com pessoas experientes nas diferentes áreas profissionais e ocupando os tempos mais livres com workshops de foto-grafia, artes..., para que nenhum possa dizer, com certa nostalgia, que até desenhava razoavelmen-te, mas que, agora, não consegue, porque não praticou. Quanto ao ensi-no das chamadas discipli-nas teóricas e sempre que possível, acredito que a escola incentivará outros A escola Sendo lugar de ensino Não é lugar de eleição Mas como tenho objetivos De vez em quando lá atino. “Vais conseguir “ é meu lema Nem sempre posso focar Por vezes dá confusão Querer pôr tudo no ar. Quando toca é grande alívio, Sensação de liberdade Mistura de sensações E ares de felicidade. Sei que agora é desalento Um dia terei saudades A inocência no vento Surgirão as realidades. Anónimo, 11LH3 Numa manhã fria, Lá fui eu para a escola. Não porque me apetecia, Mas lá vesti a camisola. É lá que aprendemos A ser alguém. Se não fores à escola, Garanto, não serás ninguém. E aos professores devemos muito Para com eles estamos em dívida Pois são eles que nos formam Para a escola e para a vida métodos para além do "decorar, decorar, deco-rar" tal como proporcio-nar o conto de histórias, quer por estudiosos, his-toriadores ou pessoas que tenham vivido um determinado aconteci-mento, quer através de filmes que não fantasiam, mas que apresentam a realidade de uma forma esclarecedora, porque vi-vida. O futuro da escola é a mu-dança da organização do ensino, da relação peda-gógica entre professores e alunos, da organização do tempo, do espaço, do currículo… A responsabili-dade está, cada vez mais, do lado dos alunos, que têm de querer aprender, Anónimo, 11LH3 para não se transforma-rem em ervas daninhas e, por isso, excluídas duma vivência que se quer sa-lutar e atual. O professor deve incentivar o aluno, mas não pode ser passi-vo, porque a passividade pode contagiar-se e virar epidemia, o que nunca acontecerá no futuro da Escola Francisco de Ho-landa, porque as suas raí-zes são sólidas, o seu tron-co direito e os seus ramos ambiciosos por cobrirem uma realidade construti-va que servirá, tal como aconteceu até hoje, uma sociedade conhecedora e exigente que apostou e apostará no seu valor e mérito. André Marques, 10AV1
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    24 Dezembro de2014 É claro que nem todos os adolescentes têm exactamente a mesma rotina ou os mesmos hábitos, mas uma coisa é certa, em quase todas as ações do nosso dia a dia, sejam elas de longa ou curta duração, existe algo que está sempre presente: a tecnologia. Analisando a nossa rotina ao pormenor, apercebe-mo- nos de que até nas pequenas atividades que realizamos, estão presen-tes diversos aparelhos tecnológicos, desde a presença do microondas, para aquecer o leite, até às máquinas do ginásio. Desde a torradeira que usamos para torrar o pão, ao mais avançado smart phone. Desde o nosso portátil ao carro no qual viajamos diariamente. Desde a pequena esco-va elétrica à televisão da nossa sala. É certo que, a partir de determinado ponto, deixamos de nos preocupar e até nos apercebemos da quan-tidade de tempo que jetor, mostrando à turma os vários conteúdos atra-vés de power points, ví-deos e outros recursos. Quando o tempo de au-las termina, regressamos a casa. Chegados ao nos-so destino, aproveitamos o tempo livre que nos é dado. Alguns limitam- -se a deitar-se relaxados no sofá, vendo televisão, apenas com o telemóvel ao lado, não vá acontecer algum “escândalo social”. Outros seguem direta-mente para o computa-dor ou tablet, no qual se ligam imediatamente ao facebook, twitter, tum-blr, instagram, snapchat e uma infinidade de ou-tras redes sociais, de for-ma a ficarem atualizados sobre as mais recentes novidades. Existem, tam-bém, aqueles que deci-dem utilizar o tempo livre para fazer exercício físico, dirigindo-se assim ao gi-násio mais perto de casa e equipado com as mais diversificadas máquinas. Por fim, chega a hora de jantar e a inevitável hora de dormir, terminando as-sim o dia. Quando acordamos, to-dos fazemos a nossa ro-tina. Levantamo-nos ao som do despertador, que nos acorda com o belo som da nossa estação de rádio preferida, apesar de, pela manhã, esse som não ser assim tão aprecia-do. Vestimo-nos e toma-mos um bom pequeno-al-moço, composto por uma chávena de leite aquecida no microondas e umas deliciosas torradas, feitas, obviamente, na torradei-ra. De seguida, escova-mos os dentes com a es-cova eléctrica que a nossa mãe nos ofereceu e segui-mos para a escola, alguns de carro, alguns de auto-carro e outros a pé ou de bicicleta. Chegados à es-cola, enviamos uma men-sagem a um dos nossos amigos, com a típica per-gunta “Onde estás?” ou limitamo-nos a seguir em direção à sala, esperando encontrar algum dos nossos colegas. Depois segue-se um dia longo de aulas, com os professores a apresentar a matéria, utilizando não só o tão usual quadro de sala de aula, mas também o pro- DIA A DIA TECNOLÓGICO COMO ORGANIZAR MELHOR O TEMPO Tenho a certeza de que todos nós, ou pelo me-nos a maioria, já se sentiu a desesperar em algum momento do seu trajeto escolar por causa da enor-me quantidade de traba-lho escolar que tinha para fazer: livros para ler, mon-tanhas de trabalhos de casa para concluir, apre-sentações para preparar, matéria acumulada para estudar, trabalhos de gru-po para realizar, etc.. Nes-ses momentos de aflição, perguntaram, decerto, como foi possível deixar chegar as coisas a tal pon-to e como puderam ser tão desleixados, pois, na nossa mente, estava tudo muito bem organizado para termos, pelo menos, uma boa tarde de estu-do: chegávamos a casa, comíamos, descansáva-mos uns minutos e depois estudávamos um pouco para cada disciplina (al-gum para matemática, um pouco para português e assim por diante). Sim, parece ser um bom plano, o problema é quando, por exemplo, estamos a fazer um tra-balho no computador e nos lembramos de ir ao facebook ou ao youtube para fazermos ou vermos algo rápido e, quando damos por nós, estamos a ler coisas estúpidas na internet e a ver vídeos ab-surdos no youtube (gatos a tocar piano, momentos engraçados do Cristiano Ronaldo, as quedas mais engraçadas, etc.) e quan-do nos apercebemos do que estamos a fazer e que devíamos estar a estudar, notamos que desperdi-çamos uma tarde inteira a fazer coisas que podía-mos ter feito noutra altu-ra ou que nem era neces-sário fazer. Torna-se, por isso, urgen-te arranjar uma maneira eficaz que nos permita or-ganizar o tempo de modo a conseguirmos fazer tudo o que precisamos e ainda ter tempo para nos divertirmos. Se formos à internet encontramos inúmeros e bons métodos de aproveitar o tempo, apenas temos de saber qual o que se adequa me-lhor a nós. Pessoalmente, acho que um método simples e efi-caz é fazer um horário, onde dedicamos tempo a estudar, a divertirmo-nos (o que também é muito importante), e a fazer ou-tras coisas que achemos oportunas. Porém, vale a pena dizer que não há horário ou outro método de estudo que nos valha se não tivermos força de vontade para o cumprir. Espero ter ajudado. Bons estudos. Teresa Silva 11CSE1 passamos em frente dos ecrãs, sejam eles do com-putador ou da televisão, e da importância exagerada que damos aos nossos telemóveis. No entanto, perdendo apenas uns minutos do nosso tempo para ver verdadeiramen-te como passamos os dias, perguntamo-nos a nós mesmo: “Mas afinal, como seria a nossa vida sem qualquer tecnolo-gia?”. A verdade é que não sei responder e, pro-vavelmente, nunca sabe-rei. Sem nenhum de nós se dar conta, o tempo foi passando, a mentalidade evoluindo, os hábitos mu-dando e as gerações pas-sando, até que, chegados a 2014, nos encontramos num mundo onde tudo é informatizado e a tec-nologia ocupa um papel central nas nossas vidas. Não existe qualquer dú-vida acerca das vantagens desta, mas será que nos damos conta das verda-deiras desvantagens? Enquanto estamos ocupa-dos a ler todos os estados postados no facebook na última hora, podería-mos estar a ler um livro, contribuindo para o en-riquecimento da nossa cultura geral, apesar de atualmente ser raro ler um livro em suporte de papel, e não recorrendo a qualquer outra tecno-logia. Ao invés de passar-mos horas em chamada ou a trocar mensagens com alguém, poderíamos utilizar esse tempo para estar efetivamente com essa pessoa. Devido ao desenvolvimento tecno-lógico, esquecemo-nos do que é passar tempo em família, ou simplesmen-te estar com os nossos amigos, sem o constante toque do telemóvel a in-terromper. Devido ao de-senvolvimento tecnológi-co ficamos desesperados por um simples corte da internet em nossa casa, afirmando que sem ela “não há nada para fazer”. Para além disso, existem as tão óbvias diferenças económicas entre países que, para surpresa de muitos, a tecnologia não consegue resolver. Será que em vez de gastar mi-lhões a desenvolver um novo Iphone, este dinhei-ro não deveria ser utiliza-do para combater a fome nos diversos países do mundo? Será que ao invés de se investirem quanti-dades enormíssimas de dinheiro em empresas com vista ao desenvolvi-mento tecnológico, este dinheiro não seria melhor investido em programas de ajuda aos mais neces-sitados? Se hoje em dia o mundo se encontra neste estado, como estará em 2050? Talvez os robots venham a substituir os humanos, quem sabe? Ou os carros e outros meios de trans-porte sejam substituídos por teletransportes. Com o progresso da tec-nologia, chegam também as inevitáveis consequên-cias, como a substituição de trabalhadores por má-quinas ou até a utilização dos novos recursos para fins indesejáveis. Nada mais tendo a acrescentar, coloco uma pergunta. A capacidade para o desen-volvimento é, se dúvida, uma das melhores quali-dades que o ser humano possui, mas será que uma evolução tecnológica em excesso ao invés de fazer progredir o mundo e o tornar um lugar melhor, não o fará regredir e tor-ná- lo num lugar bem pior do que o que conhece-mos hoje? Cláudia Coelho, 11CT2
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    Dezembro de 201425 COMO É QUE VAMOS DE LEITURA Carina Baptista e Maria Inês Faria 11CT2 Como é que vamos de leitura? As crianças e os jovens do século XXI leem mais ou menos do que as das gerações anteriores? A leitura será importante para o desenvolvimen-to cognitivo dos alunos? Contribuirá para melho-rar os níveis de literacia dos cidadãos? São ques-tões complexas, cujas res-postas não são fáceis. Se-ria necessário uma longa e criteriosa investigação para termos uma análise minimamente objetiva. Contudo, para ficarmos com uma ideia sobre a leitura no contexto esco-lar, Encontro quis ouvir a Coordenadora das Biblio-tecas do Agrupamento de Escolas Secundária Fran-cisco de Holanda, profes-sora Manuela Paredes. Encontro - Em primeiro lugar queríamos saber se é, apenas, Coordenadora da Biblioteca da Escola Secundária Francisco de Holanda ou de todas as bibliotecas das escolas do agrupamento de es-colas. Manuela Paredes - Sou professora bibliotecá-ria na Escola Secundária Francisco de Holanda e coordenadora das biblio-tecas escolares do Agru-pamento de Escolas Fran-cisco de Holanda. Encontro - Há quantos anos desempenha esta função? Tornou-se Coor-denadora das Bibliotecas por vocação ou por aci-dente de percurso profis-sional? Manuela Paredes - Esti-ve, durante oito anos, li-gada à biblioteca escolar, enquanto elemento da equipa da mesma. Estou há seis anos como profes-sora bibliotecária (coor-denadora nestes dois úl-timos anos, consequência do agrupamento de esco-las). Quanto à “vocação” ou “acidente de percurso profissional” diria que foi uma opção, que teve lu-gar há seis anos atrás, que se prendeu com o facto de me identificar com a missão da biblioteca esco-lar, não tendo prescindido da lecionação, no ano em que me foi possível fazê- -lo, o que significa que sou, antes de mais, pro-fessora de Português e de Francês, a exercer, neste momento, as funções de professora bibliotecária. Encontro - Para desempe-nhar estas funções teve, naturalmente, formação específica e, de certeza, continua a apostar na formação inerente ao cargo que desempenha. Quer fazer uma síntese do seu percurso formati-vo, nesta área? Manuela Paredes - A for-mação é essencial e era uma condição para que pudesse exercer esta fun-ção. Significa isso que já a fazia enquanto elemento da equipa e continuo a fa-zê- la enquanto professora bibliotecária. Frequento o máximo possível de for-mações ligadas às biblio-tecas escolares, à leitura, à escrita criativa, ao digi-tal… enfim, a todas aque-las que considero que irão enriquecer as minhas práticas na biblioteca e na sala de aula. Posso referir que estive no I Congresso Internacional das Artes na Educação, que decorreu em Amarante, apenas por considerar que me abri-ria caminho para outras áreas que eu gostava de ver desenvolvidas na es-cola como o cinema e o teatro. Encontro - Para potenciar a leitura, servir melhor os cidadãos leitores, foram acionados vários proje-tos. Quer explicar-nos em que consiste a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitu-ra? Foram ou estão a ser bem sucedidos. Manuela Paredes - “O Programa Rede de Biblio-tecas Escolares (PRBE) foi lançado em 1996, pe-los Ministérios da Edu-cação e da Cultura, com o objetivo de instalar e desenvolver bibliotecas em escolas públicas de todos os níveis de ensi-no, disponibilizando aos utilizadores os recursos necessários à leitura, ao acesso, uso e produção da informação em supor-te analógico, eletrónico e digital.” (http://www.rbe. min-edu.pt/np4/progra-ma. html). Parece-me que esta definição, que en-contram na RBE é escla-recedora quanto ao que significa e quais são os objetivos das bibliotecas escolares. A BE passou a ser vista como um espaço que deve estar “implicado na mudança das práticas educativas, no suporte às aprendizagens, no apoio ao currículo, no desen-volvimento da literacia digital, da informação e dos média, na formação de leitores críticos e na construção da cidadania.” Belíssima missão, que atrai os educadores, que me atrai particularmente, mas que sem a mudança de práticas em sala de aula, sem a abertura da sala de aula à biblioteca num trabalho colaborati-vo, com o objetivo de (in) formar cidadãos, não pas-sará de um espaço onde os alunos vão trabalhar, usando os recursos que estão ao seu dispor. O Plano Nacional de Lei-tura (PNL) é uma iniciati-va do Governo que tem como objetivo central elevar os níveis de litera-cia dos portugueses e co-locar o país a par dos nos-sos parceiros europeus. O PNL lança vários pro-gramas de promoção da leitura. Vocês conhecerão um dos concursos, o CNL (Concurso Nacional de Leitura) que se tem rea-lizado a nível do ensino básico (no caso do nosso agrupamento) e que se estende ao ensino secun-dário, embora nós não nos tenhamos inscrito. Encontro - A biblioteca, que dirige, tem feito, nos últimos anos, atividades no sentido de promover e motivar a(a) leitura(a). Quer destacar algumas, as mais marcantes? No mesmo sentido, deve ter já um plano de ativida-des para o ano letivo de 2014-2015, quer referir as principais atividades que vai promover. Manuela Paredes - Na promoção e motivação para a leitura posso sa-lientar os escritores que por cá têm passado nos últimos anos como: Maria do Céu Nogueira, Adélia Pires, Cláudio Lima, Rena-ta Falcão, Richard Towers, Carlos Poças Falcão, Pe-dro Guilherme-Moreira, Rui Sousa Basto, Julie Hodgson; Jacinto Lucas Pires, João Almeida; Do-mingos Amaral (que es-teve na nossa escola o mês passado). Salientaria, ainda, a palestra sobre a obra " O Morgado de Fafe em Lisboa" de Camilo Castelo Branco, orientada pelo Professor Cândido Martins, assim como a conferência - Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco. Este ano letivo, como re-feri, já tivemos a presen-ça de Domingos Amaral, e teremos, pela tercei-ra vez, o escritor Pedro Guilherme-Moreira, que é já “amigo da BE” e faz um trabalho de interação fantástico com os alunos, já que lê e comenta os textos escritos sobre os seus livros. Das atividades constantes no nosso pla-no de atividades salien-taria algo que considero importante: a criação do clube de cinema e uma outra que é prioritária ( a formação web 2.0. e como fazer uma pesquisa -L.INFO). A atividade que envolverá mais saberes prende-se com o projeto: “Ler+Mar”, que nos levará numa viagem pelos des-cobrimentos. O blogue da biblioteca (http://biblio-tecaesfh. blogspot.pt/) contará, este ano, com a colaboração dos aman-tes da leitura que publi-carão, nesse espaço, os seus textos e opiniões. A dimensão e importância de cada atividade propos-ta pela BE depende, como sabem, de vocês, alunos, e dos vossos professores, com quem sempre conto. Encontro - Acha que todo esse investimento feito, nos últimos anos, atraiu mais leitores para a bi-blioteca. Contribuiu para formar melhores leito-res? Manuela Paredes - Sim, sem dúvida. Há um gran-de número de alunos que se tornou leitor (apesar de considerarmos que po-deria haver sempre mais) e para isso contribuiu o departamento de Línguas Clássicas e Novilatinas, com a insistência e persis-tência dada à importância da leitura. Encontro - Acredita mes-mo na ideia de que a lei-tura é muito importante para desenvolvimento cognitivo dos alunos? Manuela Paredes - Acre-dito, tenho a certeza dis-so, mas recomendo uma leitura mais científica, a
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    26 Dezembro de2014 da investigadora Teresa Silveira, cujos estudos so-bre cérebro e leitura, o im-pacto do ambiente digital no desenvolvimento das estruturas cerebrais da leitura ou as estratégias para promover leitura e compatibilidade cerebral, nos mostra a importância da leitura para desenvol-vimento cognitivo do ser humano. Recomendo-vos o livro “Cérebro e leitura” para que possam refletir sobre essa temática. Encontro – Já disse que é professora de Português e, por isso, tem conheci-mento do contrato de lei-tura, celebrado entre os alunos e o professor de Português. Em que con-siste, quais os objetivos desse projeto, a nível de turma? Manuela Paredes – Em primeiro lugar, o contra-to de leitura foi pensa-do para motivar o aluno para a leitura, o que é importante não só para aumentar o seu vocabu-lário como também para enriquecer a sua cultura geral, preparando-o para outras áreas do saber, para além da disciplina de português. O objetivo prioritário é, na verdade, tentar que se leia melhor, daí que “O plano ler melhor” tenha como objetivo tentar le-var os alunos a uma lei-tura mais seletiva. Anti-gamente incentivava-se o “ler mais”, porém, hoje, acreditamos que o ler me-lhor é mais importante. A leitura contratual é es-tabelecida pelos profes-sores de acordo com o ano escolar. Assim, todos os anos, procuramos ir ao encontro daquilo que propomos no plano de leitura, adquirindo alguns desses livros propostos, no entanto nem sempre é possível concretizar este objetivo. Um aspeto que causa al-gum transtorno é o facto de alguns alunos demo-rarem muito tempo a ler, ultrapassando mesmo a data estabelecida, pelo que, por vezes, alguns livros não estão disponí-veis. Claro que se procura sempre estabelecer a me-lhor organização possível, contando, para isso, com uma maior responsabili-dade por parte dos alu-nos. Encontro – De que for-ma este plano contribuiu para incentivar a leitura? Manuela Paredes - Como os alunos demonstram cada vez mais dificulda-de na compreensão das leituras recomendadas pelos professores de por-tuguês, bem como inca-pacidade de interpretar e questionar o que leram, é, portanto, imperiosa a necessidade de “ler me-lhor”. Efetivamente, é preciso que alarguem o seu vocabulário, enrique-çam a sua cultura geral, e, sobretudo, que apren-dam a ler e discutir aquilo que leram, o que, no fun-do, é o significado de “ler melhor” contrariamente ao que acontecia com o “ler mais”. Por estas razões, os jor-nais e as revistas deixa-ram de estar no” ler me-lhor”. São um exemplo de “ler mais”, porém não se adequam à categoria de “ler melhor”. O “ler mais” não deve deixar de existir, no entanto, na escola, é importante que se incen-tive o “ler melhor”. No geral, ler faz bem, mas é cada vez mais importan-te “ler melhor”. Gostaria, no entanto, de voltar a referir que o in-cumprimento das datas de entrega de livros na biblioteca leva a que o incentivo, por mais efi-caz que seja, perca o seu efeito, pois é importante oque os livros estejam disponíveis. Encontro – Que evolução se verificou após a con-cretização do contrato de leitura? Manuela Paredes - Embo-ra os alunos prefiram, na maior parte dos casos, o “ler mais” ao “ler melhor” não só deu continuidade à leitura que já era efe-tuada pelos alunos, mas permitiu, essencialmente, enriquecê-los de várias formas, como referi ante-riormente. Encontro quis ouvir, tam-bém, a Dona Dores, assis-tente que presta serviço na biblioteca da escola, há muitos anos. Encontro – Quando os alunos vão à biblioteca, procuram apenas livros ou consultam, também, revistas ou jornais? Dona Dores - Com o apa-recimento dos computa-dores, a consulta de livros diminuiu. Porém, ultima-mente, tem existido uma uniformidade de consul-ta. Com efeito, os alu-nos, para além das fontes informáticas, procuram, igualmente, consultar li-vros. Encontro – Qual o horá-rio em que os alunos fre-quentam mais a bibliote-ca? Dona Dores - Posso afir-mar que é durante todo o período de aulas. Encontro – Que cursos frequentam os alunos que recorrem mais à bi-blioteca? Dona Dores - Penso que talvez sejam os alunos dos cursos de CT (Ciências e Tecnologias) devido à maior exigência do curso e ao caráter empenhado dos alunos deste curso. Quanto aos anos de esco-laridade, saliento o 11º e o 12º anos. O 10º ano é ainda um ano de adapta-ção. Encontro – Que género de livros são mais requi-sitados? Dona Dores - Não consi-go apontar um género, pois os pedidos são muito diversificados. Claro que todos os livros que estão no contrato de leitura são muito procurados. Sendo assim, o leque de leituras é muito variado. Sobre o Contrato de Lei-tura, Encontro ouviu, também, o testemunho de duas professoras de Português da Escola. Encontro – O Contrato de leitura forma mais e melhores leitores? Ou es-tará simplesmente o for-çar a leitura? Professora Rosário Fer-reira - O contrato de lei-tura tem que formar mais e melhores leitores. Se o não faz é porque nós, pro-fessores e orientadores de leitura, não estamos a cumprir com as nossas obrigações – ou deveres, como a vossa sensibilida-de mais apreciar. Forçar a leitura? Mas quantas coi-sas na vida não começam por ser forçadas e, fre-quentemente, se trans-formam em prazeres? Aqui será, a meu ver, pertinente abordar uma outra questão: que livros se devem ler no contrato de leitura? Será que nós (mais do que professo-res, educadores) orien-tamos os alunos para leituras producentes, gra-tificantes, amplificadoras de horizontes, encaradas como mais-valias para a vida, motivadoras de re-flexão do nosso quotidia-no ou do nosso interior? Ou será que vamos pela moda “prequiana” de “o aluno é quem mais orde-na” e, portanto, deverá ler o que quer, mesmo que seja “lixo”? Mas isso são, a meu ver, contas de um outro longo e nem sempre pacífico “rosário”. Professora Leocádia Ro-drigues - Como é natu-ral, um dos objetivos da disciplina de português é formar leitores reflexivos e autónomos que leiam na Escola, fora da Escola e em todo o seu percurso de vida. Por tal motivo, ao promover o conhecimen-to de obras/autores re-presentativos da tradição literária nacional e estran-geira, procura-se educar para a cidadania, para a cultura e para o multicul-turalismo. O contrato de leitura pode, de facto, ser um meio para desenvol-ver o gosto pela leitura que, infelizmente, é tão pouco valorizada pelos portugueses. Da troca de opiniões sobre as leituras realizadas pelos alunos fi-cam sugestões, opiniões, experiências que podem, a curto prazo, assim o de-sejo, criar a necessidade de ler, o prazer de ler… Espero, sinceramente, que os alunos assumam este projeto não como uma obrigação e sejam capazes de fazer desco-bertas interessantes para as suas vidas. A minha ex-periência tem-me trazido surpresas muito positivas. É claro que, e sendo rea-lista, reconheço que para um número considerável de alunos “ler é maçada” e, por tal motivo, não aco-lhem esta atividade com o espírito que lhe deve es-tar inerente. Encontro No contrato de leitura, pede-se aos alu-nos que falem ou escre-vam sobre os livros que leem. Mas são poucos os professores que fa- COMO É QUE VAMOS DE LEITURA
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    Dezembro de 201427 COMO É QUE VAMOS DE LEITURA COMO NASCE O GOSTO lam aos alunos dos livros que leram. Fale-nos do livro que mais prazer de leitura lhe leu ou dum li-vro que aconselharia aos seus alunos. Professora Rosário Fer-reira - Esta é difícil. São tantos os que me deram prazer por motivos tão distintos! Desculpem, mas esta resposta tem que ser por tópicos (vou responder por ordem cro-nológica): Os livros de Enid Blyton – fizeram-me descobrir a importância de valores como a lealdade e a ver-dade enquanto me aguça-vam o engenho na procu-ra de pistas e me faziam rir “a bandeiras despre-gadas” (esta expressão, lembro-me claramente, aprendi-a nos livros das Gémeas); A Morgadinha dos Cana-viais – apresentou-me o espaço rural do Minho por um olhar que não co-nhecia – menina da cida-de, obriguei-me a olhar para a calma do campo e a apaixonar-me por um Henrique tão estranha-mente citadino-campes-tre. (Claro que, de segui-da, corri a ler a Família Inglesa!) Os Clássicos russos – Anna Karenina, O Jogador, … que me deram a conhe-cer o calor das intrigas no meio do gelo. Os livros de Eça de Quei-rós – não me perguntem qual: ainda hoje, ao entrar numa igreja, vejo Amélia a sentir o incenso e a des-lumbrar- se com as talhas douradas, e quando vou a Leiria, não consigo deixar de pensar no cónego a arrotar enquanto abotoa a batina na beira da cama da Joaneira. Ou o primo Basílio, que me fez odiar, ainda hoje, as botinas. E claro, Os Maias, Os Maias, Os Maias; por tudo, mas por causa daquele avô que não tive e que adotei como sendo o meu, e do Ega que me faz rir de cada vez que o encontro. E A Capital, e A Relíquia, …. Lolita – que fui incapaz de reler quando a minha fi-lha tinha treze anos. Margarita e o Mestre – que me fez pensar na lou-cura do homem quando a liberdade de pensamento parece digna de um mani-cómio. As intermitências da mor-te – abriu-me os olhos para os perigos da imor-talidade. Os Anagramas de Varsó-via - que me apresentou uma visão humana, longe do dantismo fanático que às vezes encontramos, mas angustiante da vida dos guetos da Segunda Guerra. Posso continuar? Acho que já chega. Não, não, esqueci-me de uma saga importante: a coleção das Aventuras de Asterix que tanto me ensinou sobre a cultura clássica e sobre o que é fazer humor in-teligente (muito antes de haver Gatos Fedorentos). O que eu aconselharia? Depende do aluno. Não somos todos iguais. Sei o que não deixaria que les-se, mas isso seria politica-mente incorreto referir. Professora Leocádia Ro-drigues - É difícil reduzir uma vida já longa de lei-turas a um livro. De facto, idades diferentes gosta-ram de obras e autores distintos. No entanto, houve autores que mar-caram a minha adolescên-cia como León Tolstói com “Guerra e Paz” e “Ana Ka-renina” ou, de uma forma muito peculiar, os roman-ces de Eça de Queirós, Ca-milo castelo Branco, Júlio Dinis e a sua “Morgadi-nha dos Canaviais”, en-tre outros. Mais tarde fui descobrindo outros gran-des autores como Faulk-ner, Hemingway… Difícil é enumerá-los por serem tantos. Atualmente, para além dos escritores por-tugueses mais conheci-dos, os meus interesses vão muito para os novos escritores de expressão portuguesa como João Tordo, José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe…Este último aconselho a sua leitura não só pela capaci-dade de imaginar mas, ao mesmo tempo, de mos-trar e construir situações e personagens que tradu-zem alguns dos dramas dos seres humanos. A opinião dos alunos so-bre o Contrato de Leitura Encontro – O contrato de leitura é “seca” ou é mesmo motivador para a leitura? Tânia Alves 12CT1 - O contrato de leitura é mo-tivador, se os requisitos que exigem forem livres, ou seja, se nos derem a liberdade de escolher um livro de que gostamos e não um livro que esteja na lista, pois restringe as escolhas. Tiago Sousa 12CT – Na minha opinião o contrato de leitura é importante. Eu, pessoalmente, só leio, sendo obrigado. Cada vez que leio um livro para a disciplina, percebo o quão importante a leitura é para o meu vocabulário e para melhorar a própria leitura. Encontro – Quantos li-vros lês por ano? Fala do último que leste. Tânia Alves - Leio com re-gularidade, 4 ou 5 ou até mais por ano. Não costu-mam ser muito grandes, apenas um ou outro. O último que li falava de fic-ção científica, romance. Era um dos muitos temas atuais nesse campo, que fala acerca de um anjo caído que se apaixona por uma humana. Foi uma boa obra! Tiago Sousa - Eu leio três livros por ano, para o contrato de leitura. O último que li foi mesmo Os Maias. Achei um li-vro interessante, não só por ser um livro sobre um “romance”, mas tam-bém porque as críticas que nele estão presentes são muito interessantes e muito pertinentes nos dias de hoje. PELA LEITURA? Por vezes, pensamos que a leitura é aborrecida e até achamos que é uma perda de tempo, pois po-deríamos fazer algo mais interessante durante es-ses momentos. Mas, afi-nal de contas, por que é que ler é divertido? Em primeiro lugar, na minha opinião, devemos escolher um livro relacio-nado com uma área de que nós gostemos. Assim, será meio caminho anda-do para nos debruçarmos mais na leitura. Se gos-tamos de uma área mais realista, devemos esco-lher um livro desse âm-bito, se gostamos de uma área de ficção, devemos escolher um livro relacio-nado com esse tema. A partir daqui, é só co-meçar a ler, a ler, a ler, … Quando dermos conta, já andamos pela rua, na escola, em casa, senta-dos num banco de jardim ou até na igreja (quando não nos apetece ouvir o padre) a ler; viciados na leitura, pois queremos sempre saber o que virá na página seguinte. E qual é a vantagem dos livros? A leitura de um li-vro oferece-nos a oportu-nidade de imaginarmos, à nossa maneira, com base no que está escrito, muitas coisas: as perso-nagens, os espaços envol-ventes, etc., ao contrário de muitos outros meios, como, por exemplo, os filmes, em que estamos formatados ao que obser-vamos, não dando mar-gem à nossa imaginação. Para além disso, enquan-to lemos, podemos viajar, encontrar novos mundos, conhecer novas formas de pensar, tornando o momento em que esta-mos a ler especial. Assim, por instantes, esquece-mos as nossas preocupa-ções e entramos noutro mundo, do qual, muitas vezes, nem nos dá vonta-de de sair. Também, os hábitos de leitura apresentam um grande peso na nossa for-mação, dado que, através deles, temos acesso a in-formações que abrangem várias áreas e várias ma-térias, ao mesmo tempo que enriquecem o nosso vocabulário, por termos contacto com novas pala-vras, novas expressões. Deste modo, do meu pon-to de vista, é tudo isto que leva a que uma pes-soa acabe por se apaixo-nar pela leitura, de forma a querer ler mais, e mais, e mais. Para isso, é necessário apenas descobrir esse nosso gosto que está es-condido em cada um de nós. Até poderá parecer estranho como é que al-guém poderá ficar tão atraída pelo ato de ler, assim, repentinamente, mas é pura verdade! Experimentem esta recei-ta. Vão ver que não se irão arrepender! João Pedro Nunes Alves Pinto,11CT2
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    28 Dezembro de2014 SUGESTÕES DE LEITURA Sofia Macedo – 10CT2 GLOBALIZAÇÃO Título do livro: A Rapariga Que Roubava Livros Autor: Markus Zusak A Rapariga que Roubava Livros retrata a história da vida de uma menina que cresceu na Alemanha, du-rante a Segunda Guerra Mundial. A infância e a adolescência de Liesel são contadas pela perspetiva da Morte, demonstrando o estilo de vida da época e transmitindo todas as emoções e dificuldades de viver em plena Muni-que durante um período tão complicado da histó-ria alemã e mundial, de um modo muito realista. Tendo conquistado boas críticas de alguns dos maiores especialistas a nível mundial, a obra de Markus Zusak é um óti-mo livro, escrito de forma excecional, que conta já com adaptação ao cine-ma. Título do Livro: A Cabana do Pai Tomás Autor: Harriet Beecher Stome Um dos clássicos mais conhecidos de sempre, A Cabana do Pai Tomás é muito mais do que um livro sobre escravatura. Ao longo da história, so-mos confrontados com a dura realidade de se viver como propriedade de alguém e de não se ter voz ou opinião própria. A história de Pai Tomás, que tem já 200 anos, fala sobre a vida vista do lado dos escravos, a sua falta de direitos e liberdade, e todos os aspetos de se ser considerado um objeto. Mas, apesar de tudo, fá-lo na perspetiva positiva de Tomás, que encara a vida de uma forma muito di-ferente dos outros escra-vos, e que é inspiração e conselheiro dos que o ro-deavam. Uma obra muito bem escrita, que nos re-mete para uma das épo-cas mais embaraçosas da Humanidade, e que con-quistou leitores por todo o mundo. NÃO GLOBAL Globalização? Que ter-mo tão interessante. Mas será assim tão maravilho-so como dizem ou con-siste apenas num termo ilusório? A globalização define-se num conjunto de trans-formações políticas e económicas que visam a integração dos mercados numa “aldeia-global”, explorada pelas grandes corporações internacio-nais, consideradas os grandes donos do mundo. Mas serão estas multina-cionais apenas donos do mundo? Pois bem, estas grandes empresas não só são donos do mundo como, para além de tudo isso, são donos de todos nós. É triste. É triste e la-mentável deixarmo-nos “governar” e influenciar por um capitalismo sel-vagem que tem em vista apenas a obtenção de lu-cros e que mesmo assim continuamos a apoiar e a achar que é uma coisa muito boa, quer para nós, quer para o nosso país. De certa forma, a globa-lização é uma coisa boa sim, no entanto, no meio de tantas vantagens, tam-bém se encontram inú-meras desvantagens mas que parece cegar toda a gente pois ninguém pare-ce tê-las em conta. É certo que a globalização promove um desenvolvimento tecnológico, aumentando o crescimento económico, o desenvolvimento humano e a interligação de diferentes povos e culturas. No entan-to, é urgente serem adotadas medidas para criar um processo de globalização justo, que vise os valores universais e procure a importância dos direitos humanos tanto ou mais como visa a importância da conquista de grandes capitais. A globalização é um pro-cesso fascinante, que abre novas esperanças de progresso para a hu-manidade mas que usada e abusada desta forma, fecha qualquer tipo de esperança ao desenvol-vimento mundial e hu-mano. Se por um lado a globalização diminui as distâncias espaciais, por outro lado aumenta mui-to mais as distâncias afe-tivas, contribuindo para o agravar das desigualda-des sociais e assimetrias económicas. Se o concei-to de globalização procu-rava a unificação, nos dias de hoje encontra-se mui-to longe disso. No meu ponto de vista, a promessa de que a globa-lização traz paz, igualda-de, liberdade e bem-estar para todos, não passa de “ilusões”, mas como vi-vemos num mundo ven-cido pelo consumismo, violência, discordância e desequilíbrio, todos acre-ditam nisso. Submisso é o adjetivo ideal para carac-terizar o povo português. Se nos baixam os salários ou aumenta o desem-prego, pouco ou nada dizemos e se nos tiram direitos, agimos como se nunca os tivéssemos tido. E quanto aos países de terceiro mundo? Meu deus, que falta de hu-mildade têm para com estes povos. É desuma-no como se exploram e tratam pessoas como se nada valessem, pois se os países menos desen-volvidos buscam apoio naqueles mais desen-volvidos, estes por sua vez veem isso como uma oportunidade para os ex-plorar economicamente. É a isto que chamam glo-balização?! Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres?! Que miséria de pensa-mento e escassez de co-nhecimento temos nós. Não, não me alio a este processo que muito pou-co ou nada muda a inte-gridade humana, pois um ser íntegro não se vende por situações momen-tâneas nem deixa que a sua moral tenha preço. Não posso dizer que seja totalmente contra pois se vivemos num mundo repleto de comunicação, tecnologia e desenvolvi-mento, devemo-lo muito à globalização. Ainda as-sim, precisamos de um mundo mais transparen-te, que não se deixe atrair e levar pelo doce sabor do dinheiro. A “cegueira” deste povo fez com que a sua pobre-za e ilusão de um mundo melhor, servisse apenas para o enriquecimento das grandes empresas. Mas é certo que tudo isto não passa de um mundo utópico, pois por este an-dar, não sairemos disso mesmo. Contudo, como uma nação que somos, devemos unir-nos e pro-curar naqueles que nada nos dão, respostas para o porquê de tudo aquilo que nos tiram. Margarida Machado, 12ºLH2 GLOBALIZAÇÃO VS PROSPERIDADE A globalização, nestes úl-timos anos, tem vindo a ser um fenómeno cada vez mais comum. Mas o que é a globalização? Não tendo uma definição con-creta, caracteriza-se es-sencialmente pelo rápido acesso à informação por toda a parte doa difusão de culturas, hábitos, etc. É mais fácil agora partilhar opiniões e gostos, e difundi-los. Um exemplo disso é a moda. A globalização faz-se em três domínios: económi-co, político e cultural, com vantagens em todos eles. Começando pelo econó-mico, a vantagem é clara: a fácil transação de ca-pital, sem muitos ou ne-nhuns impedimentos; no domínio político, é possí-vel agora realizar congres-sos e reuniões entre os principais intendentes de modo a apaziguar as de-sigualdades sociais e eco-nómicas. Culturalmente falando, damos um pou-co da nossa cultura e re-cebemos outro tanto de outras. Mas serão só van-tagens neste mundo glo-balizado? Apesar de todas estas vantagens, as desvanta-gens sobrepõem-se, tan-to em número como em impacto no mundo. Com este grande processo crescente, num mundo em que vigora o capita-lismo, que tem por base o dinheiro, as pessoas conduzem todos os seus interesses e ações com a finalidade de obter lucro, só se preocupando com o seu próprio bem-estar. Para a obtenção de lu-cro, fundam empresas, que vão crescendo expo-nencialmente através das privatizações: tornam pri-vado tudo o que podem, “invadindo” completa-mente um país, como o sucedido já neste século, na Argentina. É difícil de acreditar que se tenha ta-manha sede de lucro, que se comece, consciente-mente, a contribuir para a ruina de um país; estas situações levam ao au-mento das desigualdades, em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. A nível cultural, a situação não apresenta melho-rias. Cada vez mais, com a difusão das culturas e hábitos, as pessoas estão padronizadas: os hábitos são propagados de e para todo o mundo, o que faz com que se vá perdendo um pouco os seus pró-prios hábitos, e conse-quentemente a sua cultu-ra. A maior desvantagem desta globalização socio-cultural é o que se chama de domínio intelectual. A maior parte das nossas fontes de informação, tal como o rádio e a televi-são, são controlados por grandes empresas, que têm sob controlo o que vemos e ouvimos; quase como que escolhem ao que podemos ou não ter acesso. A globalização económica também não fica atrás em desvantagens. Com a fácil GLOBALIZAÇÃO
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    Dezembro de 201429 VIVER NUM MUN-DO GLOBALIZADO Nesta “era global’ con-temporânea em que a interação e integração entre as pessoas, empresas e governos de diferentes nações, bem como o rápido acesso a produtos, informações e pessoas, é vista como uma mais-valia, a globa-lização é suscetível a vá-rios e muito contrastados pontos de vista, quer se-jam orientações políticas, crenças religiosas ou con-siderações económicas. A verdade é que sem a ex-portação global de um sis-tema capitalista, a globali-zação não seria assim tão pronunciada no nosso dia a dia, pois é este capitalis-mo exacerbado que nos oferece a variedade e fácil acesso aos produtos que compramos para viver ou, em muitos casos, vivemos para comprar; que nos inunda com informação preciosa e nos afoga no vácuo quando nos fazem chegar aos ouvidos os últimos desconsolos amo-rosos das Kardashians. É este cânone de civiliza-ção, envolvido num podre sistema monetário que tomamos como único, o motor comum das três distintas vertentes da glo-balização, bem como do globo propriamente dito, pois é inevitavelmente o dinheiro e o seu fluxo, concentrado numa mi-noria corporativa, que A POPULAÇÃO E OS RECURSOS MARÍTI-MOS Hoje em dia, temos assis-tido ao desaparecimento de recursos naturais e a alterações preocupantes do meio ambiente. A pesca em Portugal tem vindo a diminuir, devido à sobre-exploração de recursos como a ativida-de piscatória excessiva, dita o destino de nações inteiras. Com marionetas em fatiotas que, entre discursos de esperança e prosperidade, nos jogam na miséria; com organi-zações internacionais que nos estendem a mão em situações difíceis, somen-te para esbofetear a face subnutrida e desconten-te do povo; seja quando nos deixam às escuras, cada vez que ligamos a luz intermitente do tele-visor para ver o noticiá-rio, seja com futebol em horário nobre, ou quando nos enganam com títulos sonantes em tablóides e, de certa forma, nos ‘ven-dem’ um propósito, à nossa vida, com anúncios inesgotáveis. São eles que mexem as peças do mo-nopólio implacavelmen-te, derrubando qualquer opositor, não olhando a meios, contornando re-gras e abalroando valores morais, num jogo em que só uma parte sai vence-dora. Todos os outros, falidos, assemelhando-se ao panorama geral em que vivemos, em que as desigualdades sociais e económicas são cada vez mais pronunciadas, quer sejam as ruas ou a linha equatorial a decalcar a si-nuosa folga entre a misé-ria e o luxo, em que bair-ros de lata coexistem com condomínios privados, num mundo tão dito civi-lizado, mas onde imobiliá-rios são liquidados aos mi-lhões enquanto milhões dormem nas ruas. Entre empréstimos irrepará-veis, desvalorizações mo-netárias e consequentes privatizações, vejo cala-do, como todos os outros, nações serem mergulha-das em dívidas abismais, a venderem as suas mais valiosas riquezas natu-rais a preço de restolho em troca de algum folgo, curto, instante e em nada recompensador. Vejo compatriotas serem em-purrados além fronteiras ou explorados a troco de algum peso no bolso, que sustente um teto e umas quantas bocas, enquanto magnatas aposentados ti-ram proveito dessas almi-nhas desenraizadas, que nada fizeram, numa cha-mada democracia, para se alistarem nesta carni-ficina económica. Vejo potências económicas serem enaltecidas até ao mais peculiar pormenor da sua cultura, mesmo deste lado do atlântico, a que fazem chegar através desta corrente do Golfo do século XXI (meios de comunicação) a Guima-rães ou até Cabul, estas novas brisas americanas, quer sejam elas ‘hot’ ou ‘cool’ ou nada ‘nice’; brisas em que elites me-diáticas criam multidões conformadas, invocando hinos de futilidade na rá-dio, empregando no cor-po os últimos gritos da moda, criando legiões de figurinos, num palco glo-bal, envolvido num enre-do muito mais doentio e sujo do que Hollywood nos faz parecer na grande tela. Submetem gerações inteiras a um culto de se-guidores, que respiram o sonho americano, em solo português, substituindo costumes e tradições cen-tenárias por rituais ma-cabros de consumo, mais aprazíveis à vista, mas mais banais na prática. O fado, os jogos populares, os ditados, a gastrono-mia típica perpetuam-se maioritariamente nas al-mas de quem já cá não estará daqui a quinze, vinte anos, deixando-se de dizer os dizeres e de se partilhar a tão ignora-da sabedoria dos nossos avós que leva mais anos que a própria globaliza-ção. Vai-se, enfim, con-sentindo a artificialidade e esta vai abrindo brechas nos mais variados círcu-los culturais em todo o mundo, levantando uma poeira homogénea sob a nossa identidade cultural. Mas como o diabo não é tão feio quanto eu o pin-to, a globalização tem, também, os seus aspetos positivos, sendo a inter-net o mais destacável nos dias que correm, interli-gando milhões de pessoas numa rede mundial de di-fusão e partilha de ideolo-gias, projetos e de fichei-ros que nos permitem aceder em qualquer pon-to do mundo à mais ten-ra informação em tempo real, ou ainda adormecer as nossas fendas sinápti-cas com autopropaganda de personagens irrelevan-tes nas redes sociais, com citações triviais, obsceni-dades, ou qualquer outra coisa periférica ao que realmente é importante. A globalização fomentou também o alargamento de horizontes culturais e sociais das populações, tornando-as mais escla-recidas desta complexa e miscelânea esfera, quan-to a etnias e culturas que com elas coabitam, das relações que de entre elas resultam, esmore-cendo racismos e xenofo-bias, promovendo valores de igualdade que entoam nos ouvidos de milhões, mas que caem por terra a cada dia que passa. Em suma, a globalização é um fenómeno que tem o potencial de unir os mais variados polos do mundo num só organismo, num holismo em que todos cooperam em prol do bem de todos, numa relação de progresso e prosperi-dade mundial, fenómeno esse que é condicionado pelo meio capitalista em que vivemos, pela ganân-cia destrutiva conduzida por somíticos irracionais, cuja brutalidade humana por eles causada, nada lhes incomoda, ao verem guerras que não lhes per-tencem serem despoleta-das e inocentes mortos, diretamente do conforto de poltronas imaculadas e LCD’s exagerados, em busca de dígitos ou res-mas de papel, que não alimentam famintos, não deslocam refugiados e muito menos contribuem, como cidadão, para a mi-nha qualidade de vida. Rui da Silva,12LH4 transferência e circulação de dinheiro, as pessoas passam a ter oportuni-dade de depositar o seu dinheiro em “paraísos fiscais”, onde são capa-zes de fugir aos impostos. Como é óbvio, isto só traz vantagens para a própria pessoa, uma vez que os impostos que não estão a ser pagos serviriam para o desenvolvimento do país e melhoria das condições de vida da população. É por casos como estes que não é possível pôr em prática uma das melhores ideias para controlar e di-minuir as desigualdades a nível mundial - a taxa To-bin, que consiste em cada país retribuir com parte dos seus impostos para a ajuda de outros paí-ses, com garantia de que voltariam para o país, se alguma vez fosse neces-sário. É notório que as vanta-gens da globalização, em cada uma das três ver-tentes, são muitas: des-de o avanço tecnológico, à facilidade de expansão de economias e ao cresci-mento e desenvolvimen-to dos países. Mas ne-nhuma delas se sobrepõe ao aumento de um con-sumismo exagerado, em que nos dias que correm, pouco do que compramos é algo que realmente pre-cisamos. Ou ainda até a perda da cultura e hábitos pessoais, de algo que é nosso, e que ninguém nos pode tirar. Ou ninguém podia, antes de todo este processo se iniciar e do planeta se tornar no que conhecemos hoje. Ana Gonçalves,12LH1 GLOBALIZAÇÃO ultrapassando as quotas impostas pela União Eu-ropeia, à captura ilegal de espécies e à destruição de habitats. A popula-ção portuguesa não tem contribuído para a me-lhor gestão dos recursos marítimos, pois esta tem vindo a poluir as águas do mar e dos rios, atra-vés do lançamento de efluentes nos vários tipos de setores como agrícola, industrial e doméstico. Tem provocado destrui-ção da fauna e da flora, consequência da pressão urbanística. Para solucionar tais pro-blemas, necessitamos de controlar eficazmente a nossa Zona Económi-ca Exclusiva, cumprindo as normas estabelecidas pela Política Comum das Pescas e reforçando o patrulhamento da Z.E.E. Ainda para combater a pressão dos recursos ma-rinhos, devemos regulari-zar a atividade piscatória, fiscalizando a pesca (ma-lhagem das redes…), mo-dificar algumas técnicas de pesca entre outras. Para concluir, devemos apelar à população portu-guesa para ajudar a renta-bilizar o litoral e os recur-sos marítimos através das soluções apresentadas anteriormente. Tomás, João Piazzon, Rui Pedro, 11LH2 Google Images
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    30 Dezembro de2014 O CONCEITO DE MOVIMENTO DE ARISTÓTELES A NEWTON A ILUSÃO DE QUEDA Imaginemos a seguin-te situação: duas esfe-ras possuem dimensões semelhantes, contudo uma delas é feita de titâ-nio, enquanto a outra é feita de chumbo. Ao se-rem largadas ao mesmo tempo da mesma altura, qual delas atingirá o solo primeiro? Se respondeu que a esfera de chumbo atingiria o solo primeiro, é como a maioria das pes-soas e a sua resposta está errada. Na verdade, as esferas atingem o solo ao mesmo tempo, mas como será isto possível? Ao responder que a bola de chumbo levaria menos tempo a chegar ao solo, seguiu a crença popular, segundo a qual objetos com maior massa caem mais depressa. Esta era também a teoria de Aris-tóteles, grande filósofo clássico, que acreditava que a velocidade de que-da de um corpo era pro-porcional à sua massa. No entanto, como já foi indicado, esta teoria está incorreta, tal como Gali-leu, o introdutor do mé-todo experimental na Fí-sica, defendeu. Segundo Galileu, corpos de mas-sas diferentes atingem o solo ao mesmo tempo, desde que a resistência do ar se possa desprezar. Este movimento de que-da com resistência do ar desprezável é chamado de “queda livre”. A sua conclusão foi obti-da experimentalmente, ao observar o movimen-to de diferentes esferas em planos com diferentes inclinações, verificando que uma esfera percorria uma distância quatro ve-zes maior em dois segun-dos do que num segundo, provando assim que a dis-tância percorrida a partir do repouso variava com o quadrado do tempo, e que a velocidade da bola ao fim de dois segundos era o dobro da velocida-de ao fim de um segundo, isto é, que a velocidade variava proporcionalmen-te com o tempo. Noutras palavras, a aceleração (variação da velocidade ao londo do tempo) da bola era constante. Contudo, as teorias de Galileu não foram aceites pela comunidade cíenti-fica da época que se re-cusava a dar validade às suas provas experimen-tais. Apenas no século XVII, Newton conseguiu provar matematicamente a validade do raciocínio de Galileu, e partindo dele criou a três leis que se tornaram um dos ali-cerces da Física Moderna. Aplicando, então, a 2ª lei de Newton conclui- -se que na queda livre, o corpo sofre apenas a ação da força da gravidade, ou seja, a intensidade da re-sultante das forças a atuar no corpo é igual à inten-sidade da força da gravi-dade, deste modo a ace-leração experimentada pelo corpo é a aceleração gravítica, que possui um valor constante de, apro-ximadamente, 9,8 m/s2, à superfície terrestre. Assim sendo, dado que os corpos partem com a mesma velocidade ini-cial e percorrem a mes-ma distância, conclui-se que atingirão o solo com a mesma velocidade e, portanto, no mesmo ins-tante. Tiago Rodrigues, 11CT1 SERÁ QUE CORPOS COM MAIOR MASSA CHEGAM MAIS DEPRESSA AO CHÃO? Desde sempre até aos dias de hoje, o Homem tenta descobrir como é consti-tuído o mundo, tenta per-ceber como funcionam as coisas e procura estabele-cer regras e as teorias que regem o Universo, desde as estrelas brilhantes até aos movimentos na Terra. Dos fenómenos ocorridos na superfície terrestre, a queda livre dos corpos foi motivo de estudo por parte de vários cientistas e estes formularam várias teorias a seu respeito. O movimento de queda livre é uma particularização do movimento retilíneo uniformemente acelera-do em que a resistência do ar é desprezável. As principais personalidades que se dedicaram ao es-tudo deste movimento foram Aristóteles, Galileu e Newton. Aristóteles, um gran-de filósofo grego, viveu entre o ano de 384a.C. e 322a.C. Do seu estu-do sobre a queda de um corpo à superfície terres-tre, chegou à conclusão de que a velocidade de queda de um corpo de-pendia da sua massa. Isto é, quanto maior fosse a massa de um corpo maior seria a velocidade atin-gida por ele. Esta teoria foi aceite durante muitos séculos, tanto por Aris-tóteles, como pelos seus seguidores e ainda mui-tas pessoas na atualidade pensam desta forma. No entanto, cerca de 1900 anos depois, Galileu Galilei, um famoso físi-co e astrónomo italiano, testou a teoria de Aristó-teles. E para isso, conta a lenda, subiu à Torre Pisa e deixou cair do topo duas balas de canhão de mas-sas diferentes. As balas caíram praticamente ao mesmo tempo. Ou seja, Galileu defendia que a velocidade de queda não dependia da massa do corpo. Para além disso, Galileu revolucionou o método científico e criou um novo método de es-tudo, o método empírico/ experimental muito utili-zado ainda hoje. Para resolver as diver-gências entre as ideias de Aristóteles e Galileu so-bre a queda dos corpos, surge a figura de Isaac Newton. Newton foi um físico e matemático inglês conhecido pelas suas leis da física. A segunda lei de Newton ou a lei fun-damental da dinâmica, publicada em 1687, veio comprovar a teoria de Galileu. Esta lei diz que a resultante das forças apli-cadas num corpo produz nele uma aceleração com a mesma direção e o mes-mo sentido da força resul-tante, e que a resultante das forças é diretamente proporcional à acelera-ção e à massa do corpo. Quer isto dizer que, na queda livre de um corpo (desprezável a resistência do ar), a força resultan-te é o peso do corpo e, por isso, quanto maior a massa do corpo maior é a força resultante. A razão entre estas duas grande-zas mantém-se constan-te, logo a aceleração da gravidade na Terra é igual para todos os corpos. Mas porque é que uma pena demora mais tempo a cair do que uma pedra? Isto acontece porque a resis-tência do ar não pode desprezar-se neste caso, pois tem maior efeito na pena do que na pedra. Concluindo, o simples mo-vimento de queda de um corpo, como por exemplo a queda de uma moeda ao chão, foi alvo de mui-tos estudos e demorou muitos anos até se chegar a uma resposta plausível. Se ainda continua com dúvidas faça você mesmo a experiência: pegue num berlinde e numa pedra de massas diferentes e deixe cair os corpos à mesma al-tura e no mesmo instante, observe o que acontece. José Fonseca, 11CT2 A disciplina de Física e Química, no ensino secundário, pretende contribuir para a estru-turação do pensamento científico, indispensá-vel ao conhecimento e compreensão dos fenó-menos físicos/químicos que nos rodeiam. Mas, não menos importante, é compreender como esse conhecimento foi conseguido. Assim, no ensino da Física de décimo primeiro ano, é aliciante recorrer à História da Física, com-parando o conceito de movimento segundo Aristóteles, Galileu e Newton, e constatar que muitos ainda pen-sam como Aristóteles… Isabel Duarte, professora de Física e Química MOVIMENTOS DE QUE-DA NA SUPERFÍCIE DA-TERRA Pensamento de Aristóte-les, Galileu e Newton Ao longo dos vários sé-culos, a Física foi sendo enriquecida com novos conhecimentos, devido à formulação de novas teo-rias e à retificação de ou-tras, contribuindo para a criação e evolução desta área científica tão impor-tante na nossa vida, como a conhecemos hoje. Para isso, foi necessário o con-tributo de personalidades tão conhecidas da His-tória, como Aristóteles, Galileu e Newton, cuja paixão pela Física revolu-cionou o mundo através da descoberta do que era desconhecido em relação à Terra e, até mesmo, ao Universo. A Física, tal como muitos outros ramos do conhe-cimento, começou a ser particularmente estuda-da na Grécia Antiga – ra-zão pela qual a palavra “Física” deriva da palavra grega “physis” que desig-nava “filosofia da natu-reza”. Sendo assim, um dos primeiros e principais pensadores dessa época foi o grego Aristóteles de Estagira (384 a.C. – 322 a.C.), cujo pensamento foi seguido por muitos, durante grande parte da História. Relativamente aos movimentos de que-da na superfície terres-tre, Aristóteles acreditava que se abandonássemos dois corpos de massas di-ferentes de uma mesma altura, o corpo de maior massa chegaria primeiro ao solo, ideia errada que prevalece até aos nossos dias, na mente de grande parte das pessoas, pela intuição. No entanto, só passados, aproximadamente, vinte séculos, o astrónomo e físico italiano Galileu Ga-lilei (1564 – 1642) refutou a afirmação de Aristóte-les em relação à queda de dois corpos de massas diferentes. Galileu – co-nhecido por ter sido o in-trodutor do método expe-rimental na ciência, uma vez que nos séculos an-teriores, esta se baseava, principalmente, na obser-vação – após ter subido à famosa Torre Inclinada de Pisa, tal como conta a lenda, e ter largado esfe-ras de massas diferentes à mesma altura, verificou que estas atingiam o solo simultaneamente. Deste modo, esta personalidade deu um grande impulso nesta área, sendo, atual-mente, considerado um dos grandes físicos de toda a História. Assim, a constatação de Galileu teve uma impor-tância bastante significa-tiva no pensamento de outros físicos de gerações seguintes, nomeadamen-te no de Isaac Newton (1642 – 1727). O inglês, com todas as suas expe-riências, provou que a teoria de Galileu estava correta, mas apenas em situações em que não existe resistência do ar (força contrária ao mo-vimento de um corpo em queda) ou esta é tão reduzida que pode ser desprezada. Para além disso, as leis definidas por Newton, comprovaram, também, que qualquer corpo em queda livre sofre um aumento uni-forme do módulo da sua velocidade até chegar ao solo, devido à atuação da força gravítica exercida pela terra no corpo, ex-perimentando este uma aceleração constante, a qual é igual para todos os corpos nesta condição, à superfície da Terra. Graças ao trabalho e dedi-cação de todos os físicos referidos anteriormente e ainda de outros, temos acesso a todos os conhe-cimentos com os quais nos deparamos hoje, ten-do a Física e toda a socie-dade ficado a ganhar. João Pedro Pinto,11 CT2 Google Images Google Images Google Images
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    Dezembro de 201431 NATAL EM TEM-POS REMOTOS Qual o Natal com que sempre sonhou? Luzes, cor, emoção, muita festa, e… algum dinheiro para gastar em presentes e ca-bazes? O espírito natalício - “Cheirinho a Natal” (Decoração/ recriação de motivos de Natal - Ex-posição dos trabalhos apresenta-dos; Decoração da Biblioteca) com a coordenação de professores e equipa da Biblioteca, tendo como público alvo os pais e as crianças JI/1º ciclo /EB1/JI de Santa Luzia e EB1 da Pegada. - Exposição de livros alusivos ao Natal / Atividades de leitura inter-turmas, uma iniciativa do Museu Alberto Sampaio e ESFH. 15 e 16 de Dezembro (in-tervalos - “Xico Xmas” (música natalícia, venda de doces típicos da época, flasmob NED, recolha de alimen-tos, brinquedos e roupa), sob a coordenação da Associação de Es-tudantes. ressalta nos nossos cora-ções como uma pipoca a nascer do grão de milho… É natal! Abram a vos-sa caixinha de sonhos e memórias, pois vamos lá guardar mais uma. A festa vai começar! DESTAQUES VAI ACONTECER NO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FRANCISCO DE HOLANDA Dezembro: da manhã): Muita gente o diz: o natal é a partilha, família reuni-da, amor… e isso suplanta qualquer outro tipo de va-lores que se imponham; na verdade, esta máxima sempre ficou magnífica, espreguiçada no papel, seja no livrinho de histó-rias do neto ou no alma-naque da vovó. Mas será que as pessoas realmente pensarão dessa forma, ou é tudo uma utopia? Será que o dinheiro é o princi-pal promotor da felicida-de e a partir daí tudo ga-nha forma e dá sentido ao natal? Como se a máxima natalícia de tanto espre-guiçar caísse num sono profundo? Não há dúvida nenhuma. Os media já estão fartos de o referir: estamos em tempo de crise, mas o na-tal avizinha-se… Na verda-de, o Pai Natal vai ter de arranjar outro emprego visto que o mercado dos presentes está negro. É certo que se afiguram maus tempos para o se-nhor das barbas brancas que, não tarda nada, está mendigo. Ou então terá janeiro e fevereiro de 2015: - Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos, com a coordenação dos professores Ana Guimarães, Célia Lobo, Helena Ferreira e Má-rio Roque. A final nacional será no dia 6 de abril, em Vila Real. De janeiro a março Leitura domiciliária: Requisição de livros /Empréstimo interno em contexto de sala de aula e outras atividades /Leitura presencial, sob a orientação da professora biblio-tecária e professores do 2º e 3º ano do CEB. Até 10 de fevereiro de 2015: Concurso “Um conto que contas”, promovido pelas professoras Célia Lobo e Helena Ferreira, aberto à comunidade escolar. OBSERVAÇÃO/PEDIDO: Apenas se fez destaque de algumas atividades, pela sua proximidade temporal ou pela sua abrangência. Contudo, fazendo uma leitura do Plano Anual de Atividades do Agrupamento para o ano letivo de 2014-2015, cons-tatamos que há um elevado número de atividades e de visitas de estudo progra-madas para o 2º Período. Nós, o ”Encontro”, não podemos estar em todas. Por isso, pedimos aos seus promotores, sobretudo, os das visitas de estudo que nos façam chegar o seu relato com fotografias. Poderão, até, encarregar um aluno para fazer a notícia/reportagem do acontecimento. É uma boa forma de promover uma ati-vidade pedagógica, pois visita de estudo é diversão – é, sobretudo, aprendizagem. de emagrecer um pouco para apertar o cinto, as-sim como fez a nossa Po-pota que, visivelmente, está mais magra em re-lação aos primeiros anos de estrelato. Meu amigo! Isto para ser estrela exige sacrifícios! Pobre da nos-sa diva natalícia! Contudo, muito sincera-mente, acho que esta ima-gem é o retrato mais fiel da sociedade materialista em que vivemos. Onde se viu os ideais natalícios se-rem fama, luxúria e mate-rialidade? Infelizmente é o que vende, em termos de marketing. Porém pen-so que um dos principais objetivos dessa mensa-gem comercial deveria ser a mensagem social que transmite. Ora, esta mensagem é muito pobre e, para além do mais, só deseduca os portugueses. E a Leopoldina? Pouco ou nada se ouve falar dela atualmente. Será que a Popota… Ai meu Deus! Nem quero pensar nessa dura realidade. Porém, eu sei, o instinto animal é algo indomável. E eu que tinha toda a consi-deração pela senhora. Esse sim, esse é o natal em que eu quero acredi-tar: o espírito que desde há muito tempo se viveu e que em algumas casas mais tradicionais ainda se vive, graças a Deus (que no contexto não poderia ficar melhor...). Afinal levo-me a chegar à triste conclusão de que a crise que atravessamos não é principalmente uma crise financeira (ain-da que essa seja gravíssi-ma!), mas também uma crise de valores - e que fi-que bem claro para quem possa pensar que estarei a cair em repetição, de certa forma, estes valo-res de que falo, não são valores materiais, mas sim valores imateriais como o da solidariedade e da fraternidade. E se es-ses não existirem, então nem nos adianta sequer celebrar o natal. Para que nos serve re-ceber uma nota de cem euros (na maioria dos casos, até será uma de Dia do Diploma e prémios de mérito No dia 20 de dezembro, a Direção do Agrupamento de Escolas Francisco de Ho-landa, promove, mais uma vez, a ativida-de “Dia do Diploma e prémios de mérito”. A atividade tem como objetivo proceder à entrega dos diplomas aos alunos que concluíram os diferentes ciclos de ensino (1º ciclo, 2º ciclo, 3º ciclo e Secundário). Serão, também, entregues os prémios de mérito. A cerimónia será aberta a toda a comunidade educativa. Carro das Maçãzinhas No dia 6 de dezembro, para o público em geral, com a coordenação do Departa-mento de Artes do Agrupamento de Es-colas Francisco de Holanda, sairá o Carro das Maçãzinhas, no âmbito das Festas Nicolinas. 14 de Janeiro: - Recriação histórica da sala de aula no século XIX - Encontro de gerações: aulas com ex-alunos – histórias de vida, com a coordenação dos Depar-tamentos de História, de Geografia, Economia e Sociedade. – oO dia da Escola Francisco de Holanda - a Di-reção do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda promove, mais uma, vez em sessão so-lene, a entrega dos Prémios de Mérito Escolar. De 16 a 20 de março: SEMANA ABERTA 13 de fevereiro: Carnaval, peça de teatro dos musiké, sob a coor-denação dos professores titulares do 1º ciclo para os alunos do1º CEB. 28 de janeiro, sob a orien-tação da coordenadora da Equipa de Educação para a Saúde haverá: - Comemoração do Dia Mundial da Saúde – caminhada pela cida-de. - Comemoração do Dia Mundial da Luta contra o Cancro – teste-munhos (palestra). De 9 a 13 de dezembro: Visita aos lares da terceira idade, pelos 1º e 4º do 1ºCEB, sob a orientação dos professores titulares do 1ºe 4º. 10 de dezembro (Dia da Declara-ção dos Direitos Humanos) Direitos Humanos: um dever a cumprir, com atividades promovidas pela equipa da Biblioteca e Departamento de Econo-mia e Contabilidade. cinco) como presente (se é que assim lhe poderei chamar), se as notas são todas iguais e dizem to-das o mesmo: “não tive paciência para te comprar nada de jeito, toma lá isto e compra o que quiseres.” Não exprimem nenhuma emoção idealmente na-talícia, do género: “vi isto e lembrei-me logo de ti, sabia perfeitamente que irias gostar, é a tua cara, amo-te…”. É destas puras emoções de que sobre-vive o natal na sua ver-dadeira aceção. Não da indiferença e do desprezo muitas vezes vivido até no seio familiar. Em jeito de conclusão, gostaria de deixar a to-dos os leitores o seguin-te pensamento: Vamos deixar ver o mundo a ser destruído pela maldade e pela soberba? Ou vamos começar por contribuir um pouco para um novo amanhecer, fazendo do nosso dia a dia um natal constante? Por que não, tu, ou eu, ou nós? Calendário Jovem/Editorial Missões - Cucujães André Marques, 10AV1
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    UM PEDIDO... UM APELO Vamos recor-dar e (re)pen-sar a escola A Escola Secun-dária Francisco de Holanda, ao longo dos seus 130 anos de existência que celebra, este ano le-tivo, foi um espaço de aprendizagem, de sabedoria e de afetos. Foi e é, tam-bém, um espaço de memória(s). O jor-nal Encontro e, atra-vés dele, a Escola pretende organizar e dar forma a esse espaço de memória. Por isso, apelamos a todos os antigos alunos, professores, assistentes técnicos e assistentes opera-cionais que nos con-tem a sua história de vida escolar. Basta escrever um texto em que exponham a sua experiência de vida na Escola Se-cundária Francisco de Holanda / Escola Comercial e Indus-trial de Guimarães: as suas alegrias, os seus êxitos, episó-dios engraçados que nunca mais esque-ceram, malandri-ces, os namoricos, quiçá proibidos, frustrações, expec-tativas, o curso que frequentou, a im-portância que esco-la teve para a sua vida pessoal e pro-fissional. Conte-nos como foi. Escreva a sua história. Envie o seu texto para o endereço do jornal do Agrupamento de Escolas Francis-co de Holanda jor-nalencontroesfh@ gmail.com, até ao dia 28 de fevereiro de 2015. Se não tem acesso à internet, deixe o seu texto na secretaria da Escola. Vamos fazer uma exposição de memórias A escola pretende, também, fazer uma exposição com ma-terial escolar que se usava nos anos cinquenta, sessenta e por aí adiante e, também, com traba-lhos escolares feitos nessas décadas do século XX. Vá ao sótão, ao baú. Reco-lha esses materiais e empreste-nos essas suas relíquias que guardou. Ajude-nos a reconstruir o espa-ço escolar do tempo em que foi aluno. Faça chegar as suas recolhas à Direção da Escola Secun-dária Francisco de Holanda, até ao dia 28 de fevereiro de 2015.