GONÇALO M. TAVARES
um escritor pós- Auschwitz
“Tenho consciência do que
aconteceu”
ESCREVER POR QUÊ?
“escrevo porque perdi o mapa”
Mapa (1. , p. 163)
O mapa
Senti sempre a matemática como uma
presença
Físi...
Para perceber, no fundo, que a linguagem, em
relação
Aos números e seus cálculos, é um sistema,
Ao mesmo tempo, milionário...
LITERATURA – PARA QUE SERVE?
Para INVESTIGAR, RE-PARAR, DES-FAMILIARIZAR, INTENSIFICAR.
“O instinto de pesquisa é este: qu...
• INVESTIGAR “Tenho muito respeito pelos filósofos e pela filosofia. E
a palavra investigação agrada-me. Investigar, tenta...
LITERATURA E AMBIGUIDADE
A ambiguidade do texto poético não é sinónimo de obscuridade
mas de MULTIPLICIDADE, essa riqueza ...
LINGUAGEM
A literatura de Gonçalo M. Tavares parte de uma atenção à
linguagem, à materialidade da linguagem. Ao fato da li...
LITERATURA E POLÍTICA
A literatura pode mudar o mundo?
A literatura pode ser política não porque tem uma
transmita uma “me...
1. A escrita para teatro
Toda a literatura é assunto de letras paradas fazerem ou não as
coisas do mundo moverem-se. A lit...
A LITERATURA É UM ASSUNTO DE HOMEM, NÃO DE PÁTRIAS
“O meu instinto primário foi escrever romances para tentar perceber o
m...
A OBRA
poesia, romance, epopeia, aforismos, investigações, breves notas (sobre a
ciência, o medo, sobre as ligações). E li...
2 PROJETOS : LIVROS PRETOS E O BAIRRO
LIVROS PRETOS
LIVROS PRETOS “Considero que estes romances são livros emocionais e po...
QUEM O HOMEM PENSA QUE É?
Mas esse pessimismo é compensado pelo movimento que se desenvolve em
paralelo: a des-antropomorf...
UMA POÉTICA DO CORPO
Livro da dança – projeto para uma poética do movimento
70.
uma parte do movimento é excremento.
a out...
PROJETO O BAIRRO
Imagine um bairro de uma cidade qualquer, com novos vizinhos chegando
a cada dia e outros de despedindo.
...
Quem é Gonçalo Tavares?
BIOGRAFIA
Gonçalo M. Tavares. 43 anos, mais de 20 livros publicados. Estão em curso cerca de 230 t...
Apresentação power point aula universidade das quebradas
Apresentação power point aula universidade das quebradas
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Apresentação power point aula universidade das quebradas

900 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
900
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
112
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
5
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Apresentação power point aula universidade das quebradas

  1. 1. GONÇALO M. TAVARES um escritor pós- Auschwitz “Tenho consciência do que aconteceu”
  2. 2. ESCREVER POR QUÊ? “escrevo porque perdi o mapa” Mapa (1. , p. 163) O mapa Senti sempre a matemática como uma presença Física; em relação a ela vejo-me Como alguém que não conseguiu Esquecer o pulso porque vestiu uma camisa demasiado Apertada nas mangas Perdoem-me a imagem: como Num bar de putas onde se vai beber uma cerveja E provocar com a nossa indiferença o desejo Interesseiro das mulheres, a matemática é isto: um Mundo onde entro para me sentir excluído;
  3. 3. Para perceber, no fundo, que a linguagem, em relação Aos números e seus cálculos, é um sistema, Ao mesmo tempo, milionário e pedinte. Escrever Não é mais inteligente que resolver uma equação; Porque optei por escrever? Não sei. Ou talvez saiba; Entre a possibilidade de acertar muito, existente Na matemática, e a possibilidade de errar muito, Que existe na escrita (errar de errância, de caminhar Mais ou menos sem meta) optei instintivamente Pela segunda. Escrevo porque perdi o mapa. 1, Poesia
  4. 4. LITERATURA – PARA QUE SERVE? Para INVESTIGAR, RE-PARAR, DES-FAMILIARIZAR, INTENSIFICAR. “O instinto de pesquisa é este: quero tentar perceber. Começamos a pesquisar quando não sabemos e nunca se para de pesquisar, porque nunca se sabe, terminado assunto, tudo. Para mim a escrita é um estado de investigação, e o que me interessa essencialmente é investigar os comportamentos humanos” • DESFAMILIARIZAR Linguagem poética como DESVIO da língua cotidiana • INTENSIFICAR A arte expressa a vida vivida, mas acrescentando- lhe um artifício; porque viver é não saber sentir, é saber sentir de maneira confusa. SÓ A ARTE PERMITE APRENDER A SENTIR, SENTIR MELHOR, sabendo o que se sente e sentindo MAIS INTENSAMENTE. Nesse sentido, a arte prolonga a vida.
  5. 5. • INVESTIGAR “Tenho muito respeito pelos filósofos e pela filosofia. E a palavra investigação agrada-me. Investigar, tentar perceber. O filósofo, se calhar, está marcado pela ideia de verdade ou de tentar perceber a verdade. Eu quero perceber mas não no sentido de apanhar uma verdade. Pergunto-me muitas vezes: se encontrar a verdade, que farei no dia a seguir? NÃO QUERO DESCOBRIR A VERDADE; quero descobrir um infinito de mentiras, que são as ficções. Descobrir um infinito de ficções, porque, de certa maneira, e por exclusão, vou descobrir a verdade”. Entrevista Diário de Notícias, 05.12.2004
  6. 6. LITERATURA E AMBIGUIDADE A ambiguidade do texto poético não é sinónimo de obscuridade mas de MULTIPLICIDADE, essa riqueza de níveis em que um texto pode ser lido. A possibilidade de haver não uma leitura, a certa, mas várias leituras possíveis. Ex. em Machado de Assis: CAPITU TRAIU OU NÃO TRAIU? O Senhor Valéry “Um dos meus livros a que dou a maior importância é o Sr. Valéry, precisamente porque tem leituras que passam pela filosofia – leitores da ‘pesada’ associam-no a Wittgenstein e a outros filósofos e escritores – ao mesmo tempo que pode ser lido por crianças. Ser simples e ter diferentes leituras (camadas) agrada-me.” Entrevista, editora Caminho, disponível em http://www.caminho.leya.com/
  7. 7. LINGUAGEM A literatura de Gonçalo M. Tavares parte de uma atenção à linguagem, à materialidade da linguagem. Ao fato da linguagem ser um código, um sistema com leis próprias, uma convenção. Houve momentos em que a literatura ignorou o fato, evidente, de que as palavras não são coisas. Mas é preciso lembrar que “a palavra cão não morde.” A partir de Mallarmé, de Proust, de Joyce, o escritor passa a dar mais atenção à materialidade da linguagem. E também passa a entender a sua relação com aquilo que escreve de uma forma menos possessiva. O autor torna-se menos importante do que aquilo que escreve. “Dar iniciativa às palavras”, escreveu Mallarmé “Que importa quem fala, perguntava Beckett?”
  8. 8. LITERATURA E POLÍTICA A literatura pode mudar o mundo? A literatura pode ser política não porque tem uma transmita uma “mensagem”: sigam estas ideias, façam isto, façam assim. Política no sentido de propor ao leitor outras formas de olhar, outros ângulos, outros aspectos das coisas, e desta forma levá-lo a se questionar. Texto: A escrita para teatro
  9. 9. 1. A escrita para teatro Toda a literatura é assunto de letras paradas fazerem ou não as coisas do mundo moverem-se. A literatura poderá ser um esplêndido sistema, mas é feito de letras, um alfabeto estático. Campo em estado de invenção, preparado para as flores e para as árvores do descanso e do alimento, o alfabeto, eis. Mas parado. Mas agir é diferente. Ninguém escreve atos, nem o I, nem o II, muito menos o último. Escrever ações é talvez uma das grandes vontades de qualquer escritor, mas escrever ações é acontecimento que não ocorre desde que os homens perceberam que entre as palavras e as coisas há um incêndio; e tanto as palavras como as coisas são feitas de material que cede a este fogo a sua forma. Nem as palavras nem as coisas sobrevivem ao incêndio que é feito de temperatura exata. Se quiseres ir para o outro lado perderás todas as tuas qualidades, eis a conversa de café entre a literatura e as ações do mundo. Nem se escrevem atos, nem os atos deixam letras atrás de si. São dois mundos: um, dois. Toda a escrita, pelo menos a decente, ou seja: a magnífica, toda a escrita instala, é certo, uma promessa de movimento, de ação. Há versos de uma beleza tão rápida que fazem com que o futuro seja imediatamente à frente do sítio onde agora agimos. Se esticarmos a mão podemos tocar o futuro, é isto também a literatura. Em: A colher de Samuel Beckett e outros textos, 2002
  10. 10. A LITERATURA É UM ASSUNTO DE HOMEM, NÃO DE PÁTRIAS “O meu instinto primário foi escrever romances para tentar perceber o mal, como é que ele surge, em que situações se desenvolve e manifesta, etc. a possibilidade de o homem fazer o mal não é característico do nosso país, é característico dos homens em geral. Pessoalmente não quero conhecer e investigar o Homem Português, quero sim perceber e investigar o homem, em geral, e os seus comportamentos. Julgo que não é muito entusiasmante definir e ficar circunscrito a um pensamento ou uma escrita portuguesa. Eu escrevo em língua portuguesa e esse é um ponto de partida fundamental. Mas a literatura é assunto de homem, não de pátrias. Os grandes temas humanos atravessam os vários homens dos vários países. Podemos exprimir a dor que sentimos numa língua, mas a dor, ela própria não tem gostos ou restrições linguísticas.” Entrevista ao Círculo dos leitores, Online.
  11. 11. A OBRA poesia, romance, epopeia, aforismos, investigações, breves notas (sobre a ciência, o medo, sobre as ligações). E livros de difícil definição. “As categorias literárias não me interessam muito. Tudo é sempre uma misturada”. Talvez o que exista sejam apenas porcentagens mais altas ou mais baixas de uma matéria. Mais percentagem de poesia, mais percentagem de ensaio, mais percentagem de narração.” OS GÊNEROS “é difícil, é impossível, separar ficção de ensaio ou, mais especificamente, do pensamento.” O PROJETO LITERÁRIO de Gonçalo Tavares pode ser pensado a partir da tensão entre utopia e distopia. Utopia – Projeto de construção de uma sociedade melhor. Distopia – Análise crítica das características da sociedade atual. “Olhar com atenção para o pior, e para o possível-melhor”.
  12. 12. 2 PROJETOS : LIVROS PRETOS E O BAIRRO LIVROS PRETOS LIVROS PRETOS “Considero que estes romances são livros emocionais e portanto que incluem o leitor no seu mundo. Não há nada de abstrato em “Jerusalém”, a violência entre pessoas e os laços amorosos e familiares existem em todo o lado. Estamos todos no mesmo barco. [As personagens] aparecem num lugar paralelo ao nosso. Não é um lugar estrangeiro porque não há nenhum lugar estrangeiro ao medo, à agressividade, à loucura, à ligação entre pais e filhos. Pertencemos todos ao mesmo país.” Em: “Jerusalém”. Canto interrompido – O incomodar. Entrevista ao Círculo dos leitores O tema destes livros é a CONDIÇÃO HUMANA NA SOCIEDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA, seus modos de organização social e mecanismos de controle. Trata-se de uma tetralogia que pode ser lida como estágios da civilização ocidental: Do primeiro, A máquina de Joseph Walser, ao último, Aprender a rezar na Era da Técnica, assiste-se à expansão e sofisticação técnica: cada vez mais, máquinas mais sofisticadas dominam as existências. Nos dois primeiros romances, numa era ainda prosaicamente metálica, o clima é o de conspiração que antecede a guerra. A técnica adquire vida própria e impõe decisões. Em Jerusalém, Theodor tenta encontrar uma fórmula que explique a ocorrência do horror, o que prova que a racionalidade não foi posta em causa. A loucura de Mylia ou os delírios de seu marido, Theodor, qual a maior loucura? O último romance a técnica muda de ângulo: do domínio da corpo para o domínio da vontade. “O mundo reduzido a um fazer”.
  13. 13. QUEM O HOMEM PENSA QUE É? Mas esse pessimismo é compensado pelo movimento que se desenvolve em paralelo: a des-antropomorfização que percorre estas fábulas. É aí, na forma diferente de situar o homem no mundo, que podemos encontrar o lado positivo destas narrativas. Um homem destronado, posto em contato com o mundo, mundo esse habitado não por essências mas por substâncias e energias. O homem situado ao lado de, não “acima”. Esta é a moral destes livros. UM NOVO HUMANISMO ou uma NOVA ECOLOGIA? O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre este planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do crescimento demográfico. É preciso REINVENTAR MANEIRAS DE SER no interior no interior da família, da sociedade, do trabalho, da cidade.
  14. 14. UMA POÉTICA DO CORPO Livro da dança – projeto para uma poética do movimento 70. uma parte do movimento é excremento. a outra é desejo. Não sai apenas esperma e Fluxo MATERNAL. Caem Fezes das ancas. Caem Fezes das ancas lateralmente, atravessam o ar, roubam o AROMA Escondido do invisível e FAZEM-NO aparecer de modo feio, CLARO, MORTAL. As Fezes são Mortais. Matam. uma parte do movimento é esse excremento. a outra é desejo. Caem Fezes dos Pés da bailarina que é delicada e é bailarina. Não pode ter vergonha das Fezes, a bailarina. Se o Mortal tem medo da Morte tem medo de si, do corpo, do Ego, da consciência, de pensar, tem medo do corpo, Medo da Morte e do corpo e de tudo. Não pode ter vergonha das Fezes, a bailarina. Em: Livro da dança, 2001
  15. 15. PROJETO O BAIRRO Imagine um bairro de uma cidade qualquer, com novos vizinhos chegando a cada dia e outros de despedindo. Agora imagine que esses vizinhos são personagens inspirados nas obras das mais geniais mentes criativas; escritores como T.S Eliot, Paul Valéry, Ítalo Calvino, Bertold Brecht... ESCREVEMOS SEMPRE DEPOIS DOS OUTROS “Quem faz algo sem ouvir o que se fez, sem falar para o que já se fez, entra num monólogo um pouco tonto; pensando estar a inaugurar um mundo qualquer está, afinal, só a varrer para o canto só restos de uma festa anterior. Ninguém faz nada de novo a partir do zero, só se faz algo de novo a partir do antigo, parece-me.” “há uma série de escritores de que gosto tanto que já os esqueci. Quando se recebe algo de alguém, o melhor é fazer alguma coisa com o que se recebeu. É nesse sentido que digo esquecer.”
  16. 16. Quem é Gonçalo Tavares? BIOGRAFIA Gonçalo M. Tavares. 43 anos, mais de 20 livros publicados. Estão em curso cerca de 230 traduções com edição em quarenta e seis países. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, peças radiofónicas, curtas metragens e objectos de artes plásticas, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura, teses académicas, etc. Em Portugal recebeu vários prémios entre os quais o Prémio José Saramago 2005 e o Prémio LER/Millennium BCP 2004, com o romance - "Jerusalém" (Caminho); o Grande Prémio de Conto da Associação Portuguesa de Escritores "Camilo Castelo Branco" com "água, cão, cavalo, cabeça" 2007(Caminho). Prémio Branquinho da Fonseca/Fundação Calouste Gulbenkain com "O Senhor Valéry", Prémio Revelação APE com "Investigações Novalis" e com "Uma Viagem à Índia" PRÉMIOS INTERNACIONAIS: - Prémio Portugal Telecom 2007 (Brasil). - Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália). - Prémio Belgrado Poesia 2009 (Sérvia). - Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 (França) - Grand Prix Littéraire du Web - Culture 2010 (França) - Finalista do Prix Femina (2010, França) - Finalista do Prix Médicis (2010, França) (com "Aprender a Rezar na Era da Técnica") - Prix Littéraire Européens 2011, "Étudiants Francophones" (França) (com "O Senhor Kraus e a Política") com "Jerusalém" - Nomeado para o Prix Cévennes 2009, Prémio para o melhor romance europeu (França) com "Jerusalém" . Veja aqui o blogue do autor http://goncalomtavares.blogspot.com Projeto heteronímico: “Há uma ideia de que uma pessoa é só uma pessoa. Mas não, todos somos uma quantidade de coisas diferentes, como toda a gente sabe e sente”. Apresentação Madalena Vaz-Pinto Profa. Adjunta UERJ/S. Gonçalo 16 de maio de 2013

×