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Linha de cor

  1. 1. Linha de Cor: Raça e Cultura na América
  2. 2. • Linha de cor é uma expressão utilizada para, simbolicamente, estabelecer divisões entre grupos étnicos em sociedades em que a cor da pele é determinante no estabelecimento do estatuto humano, social e político dos indivíduos. • (2)
  3. 3. • A linha da cor estabelece divisões na sociedade e afeta a forma como os indivíduos têm acesso à educação, ao emprego, à habitação, para além de lhes estabelecer, em termos sociais e humanos, limitações reais, como a possibilidade de uma menor mobilidade social e um menor acesso aos seus direitos fundamentais. • (3)
  4. 4. • Quase todos os países multiraciais têm distinções formais, mais ou menos segregacionistas, relativas à cor da pele, normalmente classificações de um lado “negro,” “não branco” ou “de cor.” Na democracia dos EUA, por exemplo, a ascendência africana dos indivíduos foi ao longo dos tempos classificada como “preto,” “negro,” “de cor” e, hoje em dia “afro-americano.” • (4)
  5. 5. • “*No Brasil+…si formos auscultar a pulsação mais íntima de nossa vida social e familiar encontraremos entre nós uma linha de cor bastante nítida, embora o preconceito não atinja nunca, entre nós, as vilanias sociais que pratica nas terras de influência inglesa. (…) O preconceito de cor me parece incontestável entre nós, porém, na sua complexidade e esperteza de disfarces…constitucionais, temos que não confundi-lo com o problema de classe, não só para não exagerá-lo em sua importância, como para lhe dar melhor iluminação e não enfraquece-lo em suas provas legítimas.” *Mário de Andrade, “Linha de Cor,” ESTADO DE S. PAULO, 29-III-1939] • (5)
  6. 6. • Com esta declaração, Mário de Andrade questionou a explicação comum de que o Brasil não se caracteriza abertamente como uma sociedade racista, segregacionista, por causa da sua história de miscigenação. Por isso, ele insistiu em afirmar que no Brasil não é simplesmente um problema de classe, mas também é outro problema exclusivamente de cor. • W.E.B DuBois, pensador e historiador afro-americano, altamente conceituado, insistiu em 1903 que o maior problema do século XX é oproblema da linha de cor, na África, na Ásia”, no Caribe, e nas Américas (e não exclusivamente nos EUA). • (6)
  7. 7. • A história das relações raciais nos EUA é longa e complexa, mas frequentemente interpretada superficialmente pela a grande divisão (ou linha de cor) entre o Sul racista e o Norte liberal, este não totalmente sem preconceitos, mesmo depois da Abolição em 1865, proclamada pelo Presidente Lincoln. Assim, a evolução das relações raciais envolveu o Norte E o Sul em que, durante a segunda metade do século XX, alguns indivíduos das duas regiões lutaram juntos com a finalidade de acabar com a situação segregacionista do Sul.. • (7)
  8. 8. • Esta luta concreta contra a segregação começou nos anos 50, depois da Grande Migração (1916- 30) de negros para o Norte e depois da Segunda Guerra Mundial que incitou mais unidade entre o povo americano. É interessante notar que a Grande Migração na verdade mudou o centro da América Negra do rural para o urbano--as grandes cidades dinâmicas do norte de Chicago e New York, onde os negros encontraram independência e militância. • (8)
  9. 9. • Antes de falar sobre as mudanças nas relações raciais nos EUA a partir anos 50, vale a pena fazer uma pequena parêntese para chamar atenção à Renascença de Harlem (bairro de NY), um período de florescimento da cultura negra que se manifestou entre o fim da Primeira Guerra Mundial e meados da década de 1930, nos campos de literatura, musica, arte, e teatro. • (9)
  10. 10. • Durante a Renascença Harlem, um grupo de escritores afro-americanos produziu um corpo notável de obras de poesia, ficção, drama, e ensaio (hoje são muitas canônicas). A talentosa Nella Larsen, romance PASSING (1929) e a famosa Zora Neale Hurston. O movimento inspirou consciência racial e o conceito “De volta `a Àfrica,” e a integração racial, uma explosão de música—blues e jazz—i.e. as primeira oportunidades para expressão grupal e afirmações de auto- determinação. • (10)
  11. 11. • O autor W.E.B. Du Bois introduziu o conceito da dupla consciência, i.e., do negro ser duas pessoas—duas almas, dois pensamentos, dois tipos de inquietação, dois ideais em combate dentro de um corpo negro: sujeito/objeto.(11)
  12. 12. • A Harlem Renaissance, originalmente conhecida como O Novo Movimento Negro representava um desabrochar literário e intelectual que promoveu uma nova identidade cultural negra; era um período de formação espiritual apesar de ainda existirem racismo e poucas oportunidades econômicas. E a expressão criativa e estética era um dos poucos caminhos para reafirmar o seu orgulho cultural. Entre 1920- 1930, 750,000 afro-americanos deixaram o Sul para o Norte à procura de mais oportunidades e um ambiente mais tolerante. O bairro de Harlem, NYC, de 3 milhas quadradas e com 175,000 de habitantes negros se tornou a maior concentração de negros do mundo.(15)
  13. 13. • Em 1955, Rosa Parks, costureira e ativista no movimento de direitos civis para todos, é hoje em dia reconhecida como “a Primeira Dama do Movimento de Direitos Civis” e também “Mãe do Movimento à Liberdade,”porque um dia ela recusou oferecer o seu assento/lugar (na secção do onibus reservada para negros) a um homem branco que estava em pé e por isso foi presa. No dia seguinte gente das igrejas locais para negros boicotaram os onibus da cidade de Montgomery, AL. Simbolicamente, este evento mostrou o poder da ação coletiva e logo depois também chamou atenção à participação do jovem Martin Luther King Jr. de 27 anos. (17)
  14. 14. • Em 1954 O Tribunal Supremo tinha declarado unanimamente, numa decisão histórica (Brown vs Board of Education), que o sistema de segregação no Sul era inconstitucional. Isto significou que depois de 20 anos de lutas legais promovido pela NAACP, esta decisão ordenou a desegregação das escolas públicas na América. • (23)
  15. 15. • Como era de esperar esta decisão encontrou muita oposição e mesmo depois de muita confrontação ainda em 1960 todas as escolas públicas mantiveram segregação em três estados sulistas. Mas aos poucos, o movimento de direitos civis com os seus protestos promovido pela classe média atraiu muitos negros da classe baixa também. Este movimento ofereceu à população negra um enfoque coerente e um desabafo público. O governo federal apoiou ilimitadamente este movimento—Kennedy e Johnson. (24)
  16. 16. • E em 1964 O Ato de Direitos Civis despedaçou as defesas legais de segregação e com isto surgiram novas agências como a Comissão para Igualdade na Oportunidade de Emprego. O Departamento Federal de Educação criou programas para ajudar escolas a realizar os seus planos para desegregação. O conceito de educação integrada ganhou amplo apoio do públicou. E o número de oficiais negros eleitos nos Estados do Sul cresceu de 70 em 1965 até 1,600 em 1975. • E na segunda metade dos anos 1970s muitos negros fizeram parte de uma migração de regresso ao Sul porque o custo de vida era mais barato ali e por cima encontraram um melhor clima de afabilidade e segurança pessoal na região de onde tinha fugido anos atrás. (25)
  17. 17. • O movimento de direitos civis expandiu e conseguiu muitos avanços mas em 1968 com o assassinato de Martin Luther King, o movimento ficou menos coeso e o programa político dos negros mudou numa cultura americana que exibia a afluência que não chegavam a todos. • (26)
  18. 18. • Ao mesmo tempo outra grande migração para o Norte resultou numa expansão de muitos bairros/guetos negros nas grandes cidades (inner cities) que virou uma espécie de “hipersegregação” e provocou alienação e impotência sócio-política. Engendrou muitos tumultos urbanos—entre 1965-69: 250 mortos e 83,000 presos. Estas ações nunca manifestaram diretamente violência contra os brancos. Foi violência contra o sistema. “Poder Negro”/Black Power e Malcolm X radicalizaram muitos jovens ativistas do movimento de direitos civis. (27)
  19. 19. Foram • No meio de tudo isto, havia uma continuidade inescapável na luta para direitos civis. Agências executivas e tribunais federais continuaram a avançar para implementar soluções ou remédios raciais. E liberalismo racial ainda estava no ascendente e até meados da década de 1970 a igualdade econômica e educacional entre as raças avançou. Porém, sabemos que houve, entre os avanços, muitos reveses que revelaram que o racismo continuava em muitos setores e apesar dos sucessos da classe média afro- americana, os negros da classe baixa não superaram os problemas de desemprego, enquanto o índice dos da mesma classe branca era de dois a um. (29)
  20. 20. • Não temos o tempo para descrever à evolução caótica e assimétrica da história espiral das relações raciais dos anos 80 até os nossos dias mas queria sublinhar o começo da luta histórica, muitas vezes violenta, desde os anos 50, com a finalidade de chamar atenção ao fato que aqueles anos de luta produziram ganhos e perdas. Se caracterizamos esta história como espiral, temos que entender que com cada avanço importante, alguns elementos deste progresso foram perdidos até outro espiral subir. • Podemos dizer que apesar das contradições, controvérsias, desigualdade, e injustiças, algum avanço para igualdade racial continuava a sobreviver.(30)
  21. 21. • Para ilustrar esta história espiral na luta de igualdade racial, gostaria de dar enfoque ao movimento de “ação afirmativa” porque reconheço que hoje em dia no Brasil existem programas em algumas universidades que estão tentando estabelecer processos para ajudar estudantes de ascendência africana a adquirir recursos educativos para eles entrarem na universidade. • O conceito de “ação afirmativa” começou nos anos 60 nos EUA e ganhou aceitação ou aprovação pública durante uma época em que o público em geral manifestava uma certa aquiescência/assentimento em contraste com a oposição vocal durante as décadas de 80, 90 e o ínício do século XXI. (31)
  22. 22. • A grande diferença na implementação de Ação Afirmativa como uma política governmental nos anos 60 foi o fato que aumentou o poder judicial com o efeito que juizes e tribunais emitiram ordens para corrigir qualquer infração contra direitos desiguais. Assim, juizes e litigantes perseguiram incessantemente direitos iguais para indivíduos e uma variedade de grupos excluídos ou vitimizados. O resultado foi um processo em que a palavra “preferência” evocava controvérsia, raiva e injustiça. E nos nossos dias continuam os protestos durante a política de um Presidente Negro como Obama. • (32)
  23. 23. • Nos EUA, o ímpeto para instituir AA assenta no conceito de emendar/reparar as desvantagens associadas com a flagrante discriminação histórica e também prevenir discriminação contra pessoas no trabalho e na educação na base de cor, religião, sexo ou origem nacional. Além disto, existe o desejo de assegurar que instituições públicas como universidades, hospitais e a polícia sejam mais representativos das populações que eles servem. • (33)
  24. 24. • A grande controvérsia contra AA surgiu com as cotas raciais para admissão na faculdade que muitos interpretaram como discriminação reversa e que muitos consideram inconstitucionais. Este termo (AA) foi empregado em 1961 para descrever a política do governo perante agências governmentais que contratam pessoas. Presidente Kennedy administrou sob mandato a Ordem Executiva que empregados governamentais sejam tratados iguais sem consideração à sua raça, crença, cor or origem nacional. E mais tarde Presidente Johnson declarou que “não procuramos somente liberdade, mas sim oportunidade (portas e janelas de oportunidade); não somente eqüidade legal mas sim habilidade humana. • (34)
  25. 25. • Em 1978 O Tribunal Supremo declarou que “diversidade” na educação superior para minorias mal representadas constitui um “interesse compulsório” e confirmou que raça poderia ser um dos fatores no processo de admitir estudantes numa faculdade. • (35)
  26. 26. • Na sua história de 50 anos, AA, no meio das prós e contras, a maioria da população considera AA um sistema imperfeito mas ao mesmo tempo um remédio necessário para curar uma doença social persistente, intratável. A crítica contra AA é fraca porque se assenta pesadamente em mitos e malentendimentos. • Na verdade 70% dos americanos estão a favor de AA para ajudar negros, mulheres e outras minorias atingirem melhores empregos e educação O que o público opõe são as cotas, as excepções e discriminação reversa. Isto é, sem julgar os méritos dos outros candidatos. • (37)
  27. 27. • AA nunca foi uma proposta para curar tudo relacionado à desigualdade. O seu objetivo se dirigia especificamente a combater discriminação no emprego e na universidade. Para avaliar o valor de AA é preciso perguntar se no meio da ausência de reformas sociais capitais, será que AA ajuda a combater a injustiça contínua causada pela discriminação? A documentação da pesquisa revela indubitavelmente que, sim, ajuda. • (38)
  28. 28. • Porém séculos de racismo e sexismo não foram eradicados apesar dos avanços ganhos pelo movimento de direitos civis. Janelas de oportunidades só foram parcialmente abertas até agora. Precisa-se mais do que nunca da AA. • Para usar uma metáfora esportiva, podemos aludir a um campo de corrida em que supostamente o corredor mais rápido vai ganhar. Críticos contra AA dizem que alguns atletas são favorecidos com “head start”/vantagens. Porém, AA não se trata de avançar/favorecer alguns corredores, mas sim reparar/concertar as pistas/faixas danificadas e simultaneamente abolir os obstáculos que bloqueiam o caminho para oportunidade e sucesso que somente alguns corredores enfrentam. • (39)
  29. 29. • Políticas que promovem inclusão como AA são desenhados para igualar as condições de uma corrida frequentemente injusta e dar a todos uma chance bem justa para competir. • O apoio para AA entre o público norteamericano cresceu substancialmente nos anos mais recentes de 58% em 1995 a 70% em 2007. Esta estatística confirma os positivos da AA. • (40)
  30. 30. • Sem uma oportunidade especial para poder entrar no sistema sócio-econômico, grupos desvantajosos nunca teriam sido capazes de poder superar o “handicap” *desvantagem] que foi forçado neles e criado pelas prioridades exclusivas e injustas da sua cultura. • (41)
  31. 31. • O Foro de Política Afro-Americana (AAPF) ainda acredita que AA tem que se funicionar na base de manter uma consciência racial para poder eliminar os obstáculos responsáveis que bloqueiam o caminho para inumeráveis pessoas de cor de todas as classes. • Também se diz que AA é responsável pela criação de uma classe média afro-americana construída por muita gente que era da classe baixa e que AA não favorece somente indivíduos de cor das classes altas e médias. • (42)
  32. 32. • Desde que assumiu o poder, Barack Obama tem tentado equilibrar crença em política universal, uma que não se baseia principalmente em questões raciais e os desafios étnicos de ser o primeiro presidente negro dos EUA. • Porém, os seus adversários e muitos intelectuais e legisladores negros o culpam por não fazer de sua presidência uma ferramenta mais agressiva contra a disparidade racial. • (43)
  33. 33. • Obama governa uma Casa Branca que constantemente visa a unidade inter-racial. Ele promove uma política inclusiva destinada a ajudar americanos de todas origens. • Ele já declarou publicamente: • “Não sou o presidente dos Estados Unidos dos negros. Sou o presidente dos Estados Unidos da América.” • (44)
  34. 34. • Segundo os seus assessores, Obama possui uma missão: o de mudar estereótipos sobre negros; que, segundo a sua esposa Michelle, ele queria concorrer à presidência para mudar a percepção das crianças sobre o que era possível. • Obama fica emocionado com a maneira com que outros negros que superaram obstáculos de raça se comportaram. • (45)
  35. 35. • Uma destas pessoas é Ruby Bridges Hall, quando ela apareceu para ver o famoso pintura/retrato que Norman Rockwell fez dela indo para escola, e que Obama havia pendurado do lado de fora do Salão Oval. O quadro mostra Ruby com 6 anos de idade, em um vestido branco, andando calmamente para dentro da escola, e, ao mesmo tempo, vê-se um tomate e um insulto escrito na parede atrás dela. • (46)
  36. 36. • O presidente perguntou a Ruby, que hoje tem 58 anos, como ela conseguiu ser tão corajosa tão nova, e disse que às vezes ele presencia suas próprias filhas olhando para o retrato/quadro. • Ele lhe disse : “Realmente acho que elas se veem em você.” • “Ruby respondeu: “Fazer o trabalho que fazemos pode ser algo bastante solitário.” E continuou: “Senti que ele me entendeu porque, de certa maneira, pertencemos ao mesmo clube.” • (49)
  37. 37. • Para concluir, desejo voltar à visão de W.E.B Du Bois e os seus comentários sobre a linha de cor porque quase no fim da sua vida e depois de ter visitado três vezes o gueto judeu de Warsaw, ele percebeu que discriminação não é somente uma questão de negro contra branco. “Muito além das linhas de cor, a questão de raça e discriminação tem a ver com paradigmas culturais, ensino pervertido, e ódio e preconceito humano que atingiu todos os tipos de pessoas e causou maldade sem fim a todos.” • (51)

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