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  1. 1. MikailMikail BakhtinBakhtin Teoria dos GênerosTeoria dos Gêneros TextoTexto-- base Gênerobase Gênero de discursode discurso EstEstéética da criatica da criaççãoão verbal,verbal, SãoSão Paulo:MartinsPaulo:Martins Fontes, 2003Fontes, 2003
  2. 2. GÊNERO: uma breve referência etimológica A palavra gênero remonta à base indo-européia *gen- que significa ‘gerar’, ‘produzir’. Em latim, relaciona-se com esta base o substantivo genus,genens (significando ‘linhagem’, ‘estirpe’, ‘raça’, ‘povo’, ‘nação) e o verbo gigno, genui, genitum, gignere (significando ‘gerar’, ‘criar’, ‘produzir’, ‘provir’), com o qual se relacionam palavras como genitor, primogênito, genital, genitura. A utilização do termo gênero para designar tipos de textos é uma extensão da noção de estirpe (linhagem) para o mundo dos objetos literários e retóricos. Assim como as pessoas podem ser reunidas em linhagens por consangüinidade, o mesmo se pode fazer com os textos que têm certas características ou propriedades comuns. A noção de gênero serve, portanto, como uma A utilização do termo gênero para designar tipos de textos é uma extensão da noção de estirpe (linhagem) para o mundo dos objetos literários e retóricos. Assim como as pessoas podem ser reunidas em linhagens por consangüinidade, o mesmo se pode fazer com os textos que têm certas características ou propriedades comuns. A noção de gênero serve, portanto, como uma unidade de classifica-ção: reunir entes diferentes com base em traços comuns.
  3. 3. GênerosGêneros dede discursodiscurso escritosescritos ee oraisorais
  4. 4. ALGUMAS PERSPECTIVAS PARA O ESTUDO DOS GÊNEROSALGUMAS PERSPECTIVAS PARA O ESTUDO DOS GÊNEROS Tendências no BrasilTendências no Brasil 1.1. UmaUma linhalinha bakhtinianabakhtiniana alimentada pela perspectiva de orientaalimentada pela perspectiva de orientaççãoão vygotskianavygotskiana socioconstrutivistasocioconstrutivista da Escola de Genebra representada porda Escola de Genebra representada por SchneuwlySchneuwly//DolzDolz e peloe pelo interacionismointeracionismo sociodiscursivosociodiscursivo dede BronckartBronckart. Esta linha de car. Esta linha de carááter essencialmenteter essencialmente aplicativo ao ensino de laplicativo ao ensino de lííngua maternangua materna éé desenvolvida sobretudo na PUC/SP (tb. Nadesenvolvida sobretudo na PUC/SP (tb. Na PUC/MG e na LingPUC/MG e na Lingüíüística Aplicada do IEL/UNICAMP.stica Aplicada do IEL/UNICAMP. 2.2. PerspectivaPerspectiva ““swalesianaswalesiana”” -- Uma linha nitidamente marcada pelaUma linha nitidamente marcada pela perspectiva sistêmicoperspectiva sistêmico-- funcionalfuncional éé a representada pela Escola Australiana de Sydney alimentada pela representada pela Escola Australiana de Sydney alimentada pela teoriaa teoria sistêmicosistêmico--funcionalista defuncionalista de HallidayHalliday com interesses sobretudo na ancom interesses sobretudo na anáálise linglise lingüíüística dosstica dos gêneros e voltada para angêneros e voltada para anáálise textual e tem representantes na UFSCar, UFSM e outraslise textual e tem representantes na UFSCar, UFSM e outras do Sul.do Sul. 3.3. Uma linha naUma linha na perspectiva da escola americanaperspectiva da escola americana, dentro do que se faz com as teorias de, dentro do que se faz com as teorias de SwalesSwales,, BazermanBazerman ee BhatiaBhatia, por exemplo, mas com alguma presen, por exemplo, mas com alguma presençça de Miller e outrosa de Miller e outros tal como praticada na UFSCar, UFSM, UFC e UFCE entre outras,tal como praticada na UFSCar, UFSM, UFC e UFCE entre outras, 4.4. Uma perspectiva menos marcada por essas linhas e mais geral, comUma perspectiva menos marcada por essas linhas e mais geral, com influências deinfluências de Bakhtin, Adam,Bakhtin, Adam, BronckartBronckart, Van, Van DijkDijk, os norte, os norte--americanosamericanos BazermanBazerman e Miller, as posie Miller, as posiççõesões da AD crda AD críítica detica de FaircloughFairclough e dee de KressKress, os alemães, os alemães éé a que se vem desenvolvendo noa que se vem desenvolvendo no Recife e vRecife e váários outros centros sem alguma concentrarios outros centros sem alguma concentraçção especão especíífica. (fica. ( MarcuschiMarcuschi,, 2008,2008,pppp 152152--153)153)
  5. 5. Como Bakhtin é um autor que não tem uma investigação empírica definida nessa área e apenas fornece subsídios teóricos programáticos de ordem macro-analítica e categorias mais amplas, pode ser assimilado por todos de forma bastante ecumênica. Isso até porque Bakhtin representa uma espécie de bom-senso teórico em relação à concepção de linguagem. Contudo, há que haver cautela na utilização de Bakhtin.( MARCUSCHI, 2008,P152) Sobre BakhtinSobre Bakhtin
  6. 6. Internacionalmente, a questão muda um pouco de figura, pois os autores são mais diversificados. Creio que neste caso está surgindo uma reflexão mais variada que envolve aspectos cognitivos, sociais, históricos e discursivos com muita atenção para os fatos antropológicos e históricos. Há os autores norte-americanos, ingleses e outros afiliados muito próximos das investigações culturalistas e com tendência a observar o multiculturalismo, as ações sócio-comunicativas e os sistemas de gêneros, tais como Bazerman, Miller, Kress, Bhatia e outros que ainda veremos neste curso. Há autores que se alinham a visões de natureza mais variacionista tais como Biber e seus colaboradores. Preocupados com os processos de gêneros na relação com fala-escrita e outros aspectos de caráter universal das línguas. As demais linhas, tais como o sistemicismo de Halliday ou as posições mais estruturalistas de Swales ou ainda as posições cognitivas de Van Dijk e de Adam, ou então o sócio-interacionismo de Bronckart são posições muito bem representadas nos mais diversos paises europeus, bem como nos EUA. Não se trabalha muito aqui no Brasil as teorias alemãs de Steger, Gülich, Brinker, Werlich e muitos outros que se acham elencados na imensa coletânea de títulos comentados por Adamzick. O curioso é que os alemães foram os que mais se dedicaram ao estudo da tipologia tanto na oralidade como na escrita e são os menos citados entre nós.
  7. 7. Gêneros textuais ou Gêneros discursivos? De um lado estaria a Teoria de Tipos Textuais, na qual reina maior consenso entre os autores que chegam no geral a alguns tipos sempre em número limitado, mesmo quando mais elevado. Essas tipologias são quase sempre de caráter formal e abstratas. De outro lado, estaria a Investigação dos Gêneros Textuais, bastante disparatada e, como o próprio termo escolhido sugere, trata-se de um programa de investigação e não de uma teoria nem uma atividade classificatória. A denominação ‘gêneros textuais’ não é consensual e poderia ser também ‘gêneros discursivos’ ou ‘gêneros do discurso’, como prefere Bakhtin (1979). Marcuschi opta pela designação de gêneros textuais por se tratar de textos materializados, ao passo que o discurso é o que o gênero desenvolve ou põe em circulação nas práticas sociais. Em outros termos, pode-se dizer que os gêneros constituem-se como textos que circulam discursos. Não vamos aqui fazer uma diferenciação clara nem sistemática entre texto e discurso, já que esta é uma distinção difícil e cada vez mais tênue, tendo em vista que textos circulam e constituem, bem como são constituídos por discursos e ambos são indissociáveis.
  8. 8. Tipo textual designa uma espécie de construção teórica { em geral uma seqüência subjacente aos textos } que entra na composição de um gênero textual; define-se pela natureza lingüística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo} e pelos atos retóricos e modos discursivos que realiza, tais como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção. O tipo caracteriza-se muito mais como uma ou mais seqüências lingüísticas de enunciados do que como textos. O conjunto de categorias para designar tipos é limitado e sem tendência a aumentar. Um texto é dito argumentativo, narrativo, expositivo, descritivo ou injuntivo quando nele predominam seqüências de uma dessas categorias.
  9. 9. Tipo textual Em alguns estudos desenvolvidos no âmbito da lingüística textual[1], tipo textual é uma noção que remete ao funcionamento da constituição estrutural do texto, isto é, um texto, pertencente a um dado gênero discursivo, pode trazer na sua configuração vários tipos textuais, como a narração, descrição, dissertação/argumentação e injunção, os quais tecem a tessitura do texto, ou, nas palavras de Bakhtin, compõem a estrutura composicional do texto aos padrões do gênero. Por exemplo, no romance, um dos gêneros do discurso literário, podem aparecer em sua estrutura composicional vários tipos textuais, tais como: a narração, para relatar os acontecimentos, os fatos, a progressão das ações dos personagens; a descrição, para caracterizar ou dizer como são os personagens, as ações praticadas por elas, o cenário em que as ações estão se realizando; a dissertação/argumentação para comentar, avaliar as ações dos personagens, seus sentimentos e atitudes. Nessa perspectiva, tipo textual é amplamente tomado como uma categoria que se presta a pensar e caracterizar o funcionamento de um dos planos constitutivos do texto - a estrutura interna da configuração textual. ( SILVA , 1999)
  10. 10. Especificando um pouco mais essa noção, tratar os tipos textuais como modos enunciativos de organização do discurso no texto (cf,Charaudeau,1992), efetivados por operações textual-discursivas construídas pelo locutor em função de sua atitude discursiva em relação ao seu objeto do dizer e ao seu interlocutor, tudo isso regulado pelo gênero a que o texto pertence e pela situação interlocutiva, ambientada em dada instância social do uso da linguagem. Dito de outro modo, o locutor atualiza uma série de operações textual-discursivas, que incidem nos níveis micro e macroestruturais da configuração formal e conceitual do texto, as quais são geradas, ativadas, no processo da produção textual, para atingir o seu objetivo enunciativo e, conseqüentemente, efetivar o efeito de sentido que ele pretende provocar no interlocutor. Essas operações podem modalizar-se na forma de: a) narração, se o que se quer é contar, dizer os fatos, os acontecimentos; b) descrição, se o que se quer é caracterizar, dizer como é o objeto descrito, fazendo conhecê-lo; c) dissertação/argumentação, se o quer se quer é refletir, explicar, avaliar, comentar, conceituar, expor idéias, ponto de vista para dar a conhecer, para fazer saber, fazer crer, associando-se à análise e à interpretação; e, por fim, d) a injunção, se o que se quer é incitar a realização de uma ação por parte do interlocutor, orientando-o. ( SILVA , 1999)
  11. 11. Gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes que encontramos em nossa vida diária e que apresentam padrões sócio-comunicativos definidos pela organização, propósitos, funções enunciativas e estilo realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. Em contraposição aos tipos, os gêneros são entidades textuais realizadas em situações comunicativas e se expressam em designações diversas constituindo uma listagem aberta. Exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, inquérito policial, resenha de livro, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, e-mail, bate-papo por computador e assim por diante. Como tal, os gêneros são formas textuais escritas ou orais bastante estáveis, histórica e socialmente situadas.
  12. 12. Domínio discursivo constitui muito mais uma esfera discursiva do que um princípio de classificação de textos e indica instâncias discursivas (por exemplo: discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso etc.). Não abrange um gênero em particular, mas dá origem a vários deles, já que os gêneros são institucionalmente marcados. Um domínio constitui práticas discursivas dentro das quais podemos identificar um conjunto de gêneros que às vezes lhe são próprios como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas.
  13. 13. A noção de “esferas” é, sob diferentes denominações, recorrente nos estudos lingüísticos e sociológicos e tende a designar um espaço da experiência humana organizado, dentre outros fatores, em torno de relações sociais e de um conjunto de princípios e esquemas de produção e recepção de discursos mais ou menos estáveis. Considerando a população a ser avaliada, podem-se definir as seguintes esferas e gêneros de discurso a elas associados: • Esfera da vida doméstica Listas de compras, rótulos e embalagens de produtos, bilhetes, cartas, convites, lista de telefones ou endereços, agenda, calendário, receitas culinárias, diário, regras de jogos. • Esfera do espaço urbano Placas, cartazes, sinalização, quadros de horário de ônibus. • Esfera da vida pública Documentos (carteira de identidade, certidões), contas. • Esfera escolar Listas de materiais e de atividades, enunciados de atividades, definições, textos de diferentes áreas de conhecimento, “livro” didático, boletins e outros documentos escolares (ocorrências, bilhetes aos pais, por exemplo), dicionário, enciclopédia.
  14. 14. O exemplo aqui trazido foi colhido na tese de Iveuta Lopes (2004:96). Trata-se de um depoimento de uma senhora sobre um evento religioso: Lá em casa, todo ano nós festejava Nossa Senhora da Conceição. Juntava muita gente nas novenas e na derradeira noite tinha leilão. (...) Já tinha as tiradeira de novena (...) Elas levava o livrinho pra tirar o ofício de Nossa Senhora e as moças se encarregava dos benditos. Nós ia atrás das reza e fazia do jeito que a gente faz na missa aqui. Botava tudo no papel direitinho, ensaiava e cantava com o povo acompanhando. (...) na hora do leilão, nós fazia uma lista de tudo quanto era jóia. Na hora era só botar o preço do arrematado. Era um rapaz lá, o João, que botava o preço e o nome da pessoa. Rede/sistema de gêneros que organizam as aRede/sistema de gêneros que organizam as aççõesões religiosas e profanas dentro de um quadro socialreligiosas e profanas dentro de um quadro social
  15. 15. Palestra Argüição Anotações Ensaio Projeto de pesquisa Debate Artigo Resumo Resenha Crítica Seminário Aula Os gêneros de discursos da/na rede de atividades da esfera acadêmica
  16. 16. GÊNEROS EMERGENTES O QUE JÁ EXISTE 1. E-mail (1972) Carta pessoal, bilhete 2. Bate-papo virtual aberto conversações 3. Bate-papo virtual reservado Conversações duais 4. Bate-papo ICQ (agendado) Encontros pessoais (agendados) 5. Bate-papos virtuais em salas privadas Conversações fechadas 6. Entrevista com convidado Entrevista com pessoa convidada 7. Aula virtual Aulas presenciais 8. Bate-papo educacional (chat) Aula participativa e interativa 9. Vídeo-conferência (empresas) Reunião de grupo/conferência/debate 10. Lista de discussão Circulares/ série de circulares 11. Endereço eletrônico Endereço postal
  17. 17. José E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, Você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, Você que faz versos, que ama, proptesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho (...) Carlos Drummond de Andrade
  18. 18. Monte Castelo ( Renato Russo)Monte Castelo ( Renato Russo) Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria. É só o amor, é só o amor. Que conhece o que é verdade. O amor é bom, não quer o mal. Não sente inveja ou se envaidece. O amor é o fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer. Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria. É um não querer mais que bem querer. É solitário andar por entre a gente. É um não contentar-se de contente. É cuidar que se ganha em se perder. É um estar-se preso por vontade. É servir a quem vence, o vencedor; É um ter com quem nos mata a lealdade. Tão contrário a si é o mesmo amor. Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem. Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face. É só o amor, é só o amor. Que conhece o que é verdade. Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria. ““
  19. 19. Fábula da Saúde (Josias de Souza – Folha de SP, 27/10/97) São Paulo – Havia certa vez um reino esculhambado que mantinha sua legislação sobpermanente reforma. A tal ponto que os cidadãos já não sabiam se era a mania de reformas que provocava a esculhambação ou se era a escalhumbação que conduzia à febre de reformas. A confusão tinha muitas caras. Uma de suas fisionomias mais perversas era a imagem do doente estirado na maca, esquecido no corredor do hospital. Preocupado, o rei mandou chamar o cardiologista mais famoso do reino. Entregou-lhe os negócios da saúde. O auxiliar não tardou a tornar à presença de Sua Majestade. Queixou-se de falta de verba. Sentado sobre o cofre, seu colega da pasta das finanças, deu de ombros. De resto, dizia-se na corte, a bocas fartas, que o dinheiro da saúde era drenado pela corrupção. Sem estancar a hemorragia, não haveria verba que chegasse. O maior dos cardiologistas não se deu por achado. Com o aval do rei criou um imposto novo para complementar o financiamento da saúde. Seguiram-se cenas próprias do reino da esculhambação. O cultuado cardiologista foi para casa. Seu substituto continuou de pires na mão.O dinheiro arrancado do bolso da patuléia não foi senão para os cofres do ministro das finanças. Os doentes continuaram abandonados no corredor. E o rei observou tudo à distância com ar de superioridade. Primeira moral da história: nem tudo o que parece superior é superior. Segunda moral: “ Se os homens foram feitos à imagem de Deus, então o ministro das Finanças, depois do rei, deve ser o homem que mais se aproxima dessa imagem” (Calbert, dono da chave do cofre sob Luís 14, na França). Terceira moral: no posto de ministro, um médico renomado pode fazer muito mal à saúde. Quarta moral: em casa que falta pão, todos reclamam e só o contribuinte não tem razão. Quinta e última moral: imposto bom é o imposto que jamais será criado.
  20. 20. CONTEÚDO TEMÁTICO A divulgação científica não é um gênero discursivo particular, mas se realiza em diversos gêneros: reportagem, artigo, pergunta/resposta do leitor, editorial, manual, aula etc. Em segundo lugar, a divulgação científica não se restringe ao campo de transmissão de informações, mas se constitui em uma prática discursiva que adquire especificidades em razão de três campos ideológicos: o científico, materializado, entre outros, nas revistas Ciência Hoje e Pesquisa Fapesp, produzidas, respectivamente, por sociedade científica e por organismo de financiamento e fomento à pesquisa; o da informação midiática ou da transmissão de informações, presente em textos de revistas do mercado editorial (Galileu, Superinteressante etc), em jornais diários de diferentes midiuns (impresso, radiofônico, televisivo, digital); e o campo educacional, expresso em livros didáticos, aulas, feiras de ciência etc. Por fim, o assunto “ciência e tecnologia” não compreende, como vimos, acomplexidade da noção de tema do gênero, merecendo, portanto, uma abordagem mais adequada. (Grillo, 2006)
  21. 21. CONTEÚDO TEMÁTICO Outros dois elementos constitutivos do conteúdo temático do gênero são: a avaliação social e a relação com o todo concreto do enunciado. A avaliação social evidencia que o contato do gênero com o referente não é neutro. Ela define todos os aspectos do enunciado, isto é, determina a escolha do conteúdo e da forma, e estabelece a relação entre eles. Por fim, em consonância com a abordagem enunciativa, Bakhtin/ Medvedev salientam que o tema não é uma propriedade da estrutura frasal, mas é composto no todo da obra, na sua relação com as circunstâncias temporais e espaciais, em suma, na situação de comunicação concreta. Com isso, fica claro que o tema é um elemento do discurso e não das formas lingüísticas. (Grillo, 2006)

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