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  1. 1. 1 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas CONTROLES FINANCEIROS: UM ENFOQUE ACERCA DAS FINANÇAS EMPRESARIAIS Mariane Litenski1 Jeferson Lozeckyi2 Aprovado em 12 de setembro de 2006RESUMOO presente artigo foi desenvolvido com o objetivo de chamar a atenção dosMicro e Pequenos Empresários para a administração financeira de seusempreendimentos. Consciente da falta de conhecimentos, por parte dosempresários, sobre as finanças empresariais, reuniu-se assuntos fundamentais àboa administração financeira. Foram evidenciados conceitos sobre a importânciada Administração Financeira e do Administrador Financeiro, bem como osDemonstrativos Financeiros utilizados para o desempenho de suas funções e,ainda, uma visão geral sobre a situação da Administração Financeira das Micro ePequenas Empresas.Palavras-chave: Administração Financeira, Administrador Financeiro, Fluxo deCaixa, Micro e Pequenas Empresas.ABSTRACTThe present article was developed with the objective to call the attention of Smalland Micro entrepreneurs to the Financial Administration of their enterprises.Conscious of the lack of knowledge, by the entrepreneurs, on enterprisefinances, it was collected essential subjects to good Financial Administration. Ithas been evidenced concepts on the importance of Financial Administration andthe Financial Administrator, as well as the Financial Demonstratives used for theperformance of its functions and also a general vision on the situation of Smalland Micro Enterprises Financial Administration.Key words: Financial Administration, Financial Administrator, Money flow , Smalland Micro Enterprises.1 INTRODUÇÃO A história vem provando que a sociedade depende de registros contábeise econômico-financeiro para obter bons desempenhos quer no campo1 Pós-Graduanda do Curso de Especialização (Pós-Graduação latu sensu) em Controladoria Estratégica eFinanças. UNICENTRO. 2006.2 Professor Orientador. Ms em Ciências Sociais e Aplicadas - Contabilidade. Departamento de CiênciasContábeis. UNICENTRO.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  2. 2. 2 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasgovernamental, empresarial ou mesmo familiar. Hoje, esses conceitos são fortesaliados aos empresários, fornecendo relatórios que podem ser analisados e apartir daí diagnosticar a situação financeira da empresa. Justifica-se o presente artigo, como sendo uma forma de apoio aosmicroempresários, fazendo com que eles possam planejar, implementar econtrolar suas tomadas de decisões dentro da empresa, preenchendo a lacunaexistente no mercado acerca do assunto controles financeiros. Primeiramente, faz-se uma análise sobre a Função Financeira naEmpresa, apresentando conceitos e objetivos da administração financeira e doadministrador financeiro. Em seguida são demonstradas as Ferramentas Financeiras utilizadaspelo administrador financeiro no desempenho de suas funções, conceitos eobjetivos sobre o Fluxo de Caixa, Balanço Patrimonial, Demonstração doResultado do Exercício (DRE) e Demonstração das Origens e Aplicações deRecursos (DOAR). Após, é apresentada a metodologia utilizada na realização do artigo, osmétodos e procedimentos a serem utilizados na coleta de material, análise domaterial e obtenção de informações.Por fim, são tratados alguns aspectos da classificação, das características,pontos fortes e fracos da situação das Micro e Pequenas Empresas Brasileiras.2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1 A Função Financeira na Empresa2.1.1 Definição e objetivos da administração financeira Administração Financeira compreende o registro e análise da vidaeconômica da empresa, metas a serem atingidas em determinado prazo,gerência das fontes de renda e dos investimentos destinados a gerar recursosque a sustentem. Trata das atividades de controle contábil, abrangendo tanto acontabilidade comercial quanto a fiscal, o controle financeiro das contas areceber e dos valores a pagar, bem como distribuição dos recursos na empresa.Trata também das responsabilidades de manter um fluxo contínuo de recursos,para que não sejam adiadas decisões importantes para a vida da organização. Segundo SANVICENTE (1987, p.21), “o objetivo básico da administraçãofinanceira é a maior rentabilidade possível sobre o investimento dosproprietários, visando à rentabilidade máxima, sem comprometer a liquidez daempresa”. Para LIMA (1980, p.11) a Administração Financeira tem por objetivos: “1) Manter a empresa em permanente situação de liquidez, como condição básica ao desenvolvimento normal de suas atividades; 2) Obter novos recursos para planos de expansão, com base em estudos de viabilidade econômico-financeiro e aos menoresLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  3. 3. 3 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas custos possível; 3) Assegurar o necessário equilíbrio entre os objetivos de lucro e os de liquidez financeira, quantificando os planos de expansão de acordo com as possibilidades de obtenção de recursos, próprios ou de terceiros”.2.1.2 Importância da Administração Financeira para as Empresas A extensão e a importância da função financeira dependem, em grandeparte, do tamanho da empresa. Segundo GITMAN (1984, p.9): “em empresas pequenas, a função financeira é geralmente realizada pelo departamento de Contabilidade. À medida que a empresa cresce, a importância da função financeira leva à criação de um Departamento Financeiro, uma unidade organizacional autônoma, ligada diretamente ao Presidente da companhia, através de um Vice-Presidente de Finanças”. A figura 1 mostra um organograma destacando a estrutura da atividadefinanceira dentro da empresa. Reportando ao Vice-Presidente de Finanças estãoo Tesoureiro e o “Controller”. Figura 1 – Organograma Financeiro. PRESIDENTE VICE-PRESIDENTE DE VICE-PRESIDENTE DE VICE-PRESIDENTE DE PRODUÇÃO FINANÇAS MARKETING TESOUREIRO CONTROLLERFonte: GITMAN, (1984, p.10) O tesoureiro é responsável pelo planejamento, controle e movimentaçãode recursos financeiros e o “controller” é responsável pelo planejamento,controle e análise das operações e investimentos. Ambos fornecem aoadministrador financeiro o suporte necessário para a tomada de decisões. A Administração Financeira é importante em todos os tipos de negócio,incluindo-se bancos e outras instituições financeiras, bem como indústrias eempresas varejistas. Ela também é importante em operações governamentais eescolas. Tem a responsabilidade de buscar e utilizar efetivamente os recursosnecessários, visando o funcionamento eficiente da empresa. Essa dualidade deLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  4. 4. 4 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasresponsabilidade leva a entender que as dimensões da administração financeirasão muito mais vastas e mais complexas do que a mera aquisição de taisrecursos. Uma vez obtidos recursos, seja para ampliar a capacidade de produção,seja para financiar maior volume de vendas, ou para qualquer outra modalidadede aplicação, inicia-se uma série de medidas que a empresa precisa tomar coma finalidade de obter o maior e melhor rendimento possível, tendo sempre emmente sua responsabilidade perante a coletividade na qual existe, osfuncionários que nela colaboram, bem como os proprietários e terceiros,fornecedores dos recursos necessários à empresa.2.1.3 Atribuições do Administrador Financeiro de uma Empresa O Administrador Financeiro contribui consideravelmente com osconhecimentos técnicos que conduzem de forma harmônica as atividades eoperações existentes em função do negócio da empresa. É um profissional quecuida das finanças, cumprindo seus compromissos nas datas dos vencimentos,captando recursos, quando necessário, a um custo mais baixo. Ou ainda, numpanorama melhor, aplicando as sobras nos investimentos mais atraentes. Segundo GITMAN (1984, p.20), “já que a maioria das tomadas dedecisões da empresa é medida em termos financeiros, não surpreende que oadministrador financeiro desempenhe um papel-chave na operação daempresa”. É importante que todos os responsáveis por decisões, independentede sua área de atuação, tenham uma visão básica sobre a função financeira. Para SANVICENTE (1987, p.17): “o Administrador Financeiro é o individuo ou grupo de indivíduos preocupados com (1) a obtenção de recursos monetários para que a empresa desenvolva as suas atividades correntes e expanda a sua escala de operações, se assim for desejável, e (2) a análise da maneira (eficiência) com a qual os recursos obtidos são utilizados pelos diversos setores e nas várias áreas de atuação da empresa”. Sendo assim, destaca-se três funções básicas do AdministradorFinanceiro que são: ● Análise, planejamento e controle financeiro – envolve a transformação dos dados financeiros em uma forma que possa ser usada para orientar a posição financeira da empresa, avaliar a necessidade de aumento da capacidade produtiva e determinar que tipo de financiamento deve ser feito. ● Administração da estrutura do ativo da empresa – compete ao administrador financeiro determinar a composição e os tipos de ativosLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  5. 5. 5 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas encontrados no Balanço da empresa. As decisões de investimentos dizem respeito à destinação dos recursos financeiros para aplicação em ativos circulantes, realizáveis a longo prazo e permanente, considerando- se aqui os riscos e retornos existentes em operações que viabilizem as respectivas aplicações dos recursos financeiros. ● Administração da estrutura financeira da empresa – deve avaliar a composição mais adequada de financiamento e saber quais as melhores fontes de financiamento para a empresa a curto e a longo prazo. Essas três funções do administrador financeiro estão refletidas noBalanço, pois mostra a posição financeira da empresa num determinadomomento. É tarefa do Administrador Financeiro inspecionar as operações daempresa e procurar áreas que mostrem problemas e áreas que possam sermelhoradas. O Administrador Financeiro analisa os dados de modo a orientar oprogresso da empresa, ao administrar o ativo e a estrutura financeira daempresa, toma decisões que afetam bastante a saúde da empresa, refletida noseu balanço. Segundo GITMAN (1984, p.20) “o administrador financeiro precisarealizar suas funções, tendo em vista o objetivo global da empresa de maximizara riqueza dos proprietários, que é uma estratégia mais importante do que amaximização do lucro”.2.1.4 A Meta do Administrador Financeiro O Administrador Financeiro deve visar atingir os objetivos dosproprietários da empresa. Alguns acreditam que o objetivo dos proprietários ésempre a maximização do lucro; outros crêem que é a maximização da riqueza. Segundo GITMAN (1984, p.11), “a maximização da riqueza é aabordagem preferida por cinco razões básicas: considera (1) o retorno realizáveldo proprietário, (2) uma perspectiva a longo prazo, (3) a época de ocorrência dosretornos, (4) risco e (5) a distribuição dos retornos”. Parafraseando GITMAN, pode se dizer que o proprietário de uma açãopossivelmente espera receber seu retorno sob a forma de pagamentosperiódicos de dividendos, ou através de valorizações no preço da ação, ouambos. Cabe então ao administrador financeiro maximizar essa riqueza. A maximização do lucro é uma abordagem de curto prazo; amaximização da riqueza considera o longo prazo. As conseqüências damaximização do lucro a curto prazo refletem no preço corrente da ação, quepode ser menor do que se a empresa tivesse adotado uma estratégia de longoprazo. A abordagem de maximização do lucro não reflete diferenças na épocade ocorrência de retornos, ao passo que a maximização da riqueza tende aconsiderar tais diferenças. O objetivo de maximização do lucro dá maiorimportância a um investimento que ofereça os maiores retornos totais, enquantoLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  6. 6. 6 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasque a abordagem da maximização da riqueza considera explicitamente a épocade ocorrência dos retornos e seu impacto no preço da ação. A maximização do lucro não considera o risco, porém, a maximização dariqueza considera explicitamente diferenças no risco. Uma premissa básica naadministração financeira é que existe uma relação entre risco e retorno, osacionistas esperam perceber maiores retornos de investimentos de maior risco evice-versa. Os administradores financeiros precisam, portanto, levar em conta orisco ao avaliarem investimentos potenciais. O uso do objetivo da maximização do lucro não permite considerar queos acionistas possam desejar receber uma parte dos retornos da empresa sob aforma de dividendos periódicos. A estratégia da maximização da riqueza leva emconta o fato de que muitos proprietários apreciam receber o dividendo regular,independentemente do seu montante. Os administradores financeiros devemreconhecer que a política de dividendos da empresa afeta a atratividade de suaação para tipos particulares de investidores. Esse efeito clientela é usado paraexplicar o efeito de uma política de dividendos sobre o valor de mercado deação. Uma vez que o preço da ação reflete explicitamente o retorno realizáveldos proprietários, considera as perspectivas de longo prazo da empresa, refletediferenças na época de ocorrência dos retornos. Além disso, considera o risco ereconhece a importância da distribuição de retornos, a maximização da riquezarefletida no preço da ação, considerada a meta da administração financeira. Amaximização do lucro pode ser parte de uma estratégia de maximização dariqueza. Muitas vezes, os dois objetivos podem ser perseguidossimultaneamente. Porém, não se deve nunca permitir que a maximização doslucros obscureça o objetivo mais amplo da maximização da riqueza.2.2. ferramentas Financeiras No desempenho de suas funções, o Administrador Financeiro deve terconhecimento das diversas demonstrações financeiras existentes, o que vem deencontro com as palavras de GITMAN (1997, p.66), “é fundamental entender asdemonstrações financeiras para administrar um negócio e saber como ele opera.As demonstrações financeiras fornecem uma rápida visão intuitiva da situaçãoda empresa, um ponto de partida para análises posteriores”. Entre elas pode-se citar: ● Fluxo de Caixa; ● Balanço Patrimonial; ● Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); ● Demonstrativo das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  7. 7. 7 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas2.2.1. Fluxo de Caixa Fluxo de Caixa é um controle adotado pelo administrador financeiro quetem como objetivo básico, a projeção das entradas e saídas de recursosfinanceiros para determinado período, visando identificar a necessidade decaptar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações rentáveispara a empresa. Segundo HOJI (2001, p.161): “para otimizar os recursos financeiros, a projeção do fluxo de caixa deve ser feita para um período de abrangência que permita ao tesoureiro tomar providencias com antecedência suficiente, principalmente, em casos de necessidade de cobertura de insuficiência de caixa, pois a efetivação de algumas modalidades de financiamento requer meses de planejamento e preparativos”. Como objetivos básicos do fluxo de caixa, pode-se destacar: ● honrar os compromissos nos prazos estabelecidos, evitando o pagamento de juros e multas. Através do fluxo de caixa o administrador financeiro prevê a falta de recursos; ● investir os recursos financeiros disponíveis, evitando que fiquem parados; ● saber antecipadamente quando faltará recurso para a empresa; ● analisar as melhores fontes de recursos para a empresa, tais como descontos, empréstimos, linhas de crédito; ● buscar o equilíbrio entre a liquidez e a rentabilidade; ● demais objetivos que visem o bom desempenho financeiro da empresa.2.2.2 A Importância do Fluxo de Caixa Apesar de os objetivos citados já darem uma idéia da importância deFluxo de Caixa, pode-se dizer que ele é de suma relevância em uma empresa. Éatravés dele que o administrador financeiro, prevê antecipadamente anecessidade de recursos para cumprir seus compromissos em seus respectivosvencimentos ou seus excessos de disponibilidade para a escolha da melhorforma de aplicação. Outra função importante é que pelas informações demonstradas no Fluxode Caixa, pode-se evitar a programação de desembolsos desnecessários emperíodos de baixo ou nenhum ingresso, ou seja, programar os desembolsosconforme o grau de sua importância.Nesse sentido contribui ZDANOWICZ (2002, p.33): “Com base nos registros dos recebimentos e pagamentos de caixa, a empresa poderá programar as suas necessidades financeiras, bem como aplicar os possíveis excedentes de formaLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  8. 8. 8 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas segura e rentável. O fluxo de caixa é o instrumento que permite demonstrar as operações financeiras que serão realizadas pela empresa, facilitando a analise e decisão, de comprometer os recursos financeiros, de selecionar o uso das linhas de crédito menos onerosas, de determinar o quanto à organização dispõe de capitais próprios, bem como utilizar as disponibilidades da melhor forma possível”. Deduz-se assim que o Fluxo de Caixa é de vital importância para acontinuidade da empresa.2.2.3 Gerenciamento do Fluxo de Caixa Os relatórios provenientes do sistema contábil são os principaisinstrumentos de gestão empresarial, tendo como objetivo fornecer informaçõesrelevantes para que cada usuário possa tomar suas decisões com segurança.No entanto, com a crescente complexidade das organizações empresariais,somente com as informações clássicas da Contabilidade, ou seja, BalançoPatrimonial, Demonstração de Resultado do Exercício - DRE e Demonstração deOrigem e Aplicação dos Recursos - DOAR, dificilmente o gestor teráconhecimento imediato e oportuno da verdadeira liquidez da sua empresa. Nãobasta a empresa apresentar lucro contábil. É preciso que a equação "AtivoCirculante vs. Passivo Circulante" esteja compatível com sua necessidade decapital de giro. Isso faz com que o gestor se utilize de todos os instrumentosdisponíveis que, juntamente com os demais demonstrativos contábeis, ajude-o ainterpretar a realidade financeira da empresa, conhecendo e coibindo eventosestranhos que possam afetar o seu desempenho financeiro. Assim, conforme SÁ (1998), o Fluxo de Caixa apresenta-se como umaferramenta de aferição e interpretação das variações dos saldos do Disponívelda empresa. É o produto final da integração do Contas a Receber com o Contasa Pagar, de tal forma que, quando se comparam as contas recebidas com ascontas pagas tem-se o fluxo de caixa realizado, e quando se comparam ascontas a receber com as contas a pagar, tem-se o fluxo de caixa projetado. Ofluxo de caixa é o produto final da integração do Contas a Receber com oContas a Pagar. O fluxo de caixa é um retrato fiel da composição da situação financeira daempresa. É imediato e pode ser atualizado diariamente, proporcionando aogestor uma radiografia permanente das entradas e saídas de recursosfinanceiros da empresa. O fluxo de caixa evidencia tanto o passado como ofuturo, o que permite projetar, dia a dia, a evolução do disponível, de forma quese possam tomar com a devida antecedência, as medidas cabíveis paraenfrentar a escassez ou o excesso de recursos. Por outro lado é importante ressaltar que o fluxo de caixa tambémapresenta suas limitações, uma delas é a incapacidade de fornecer informaçõesLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  9. 9. 9 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasprecisas sobre o lucro e sobre os custos dos produtos da empresa. Isso porqueas apurações e demonstrações são realizadas pelo regime de caixa e não peloregime de competência. Todavia, pode-se afirmar que o fluxo de caixa é uminstrumento de controle e análise financeira que juntamente com as demaisdemonstrações contábeis torna-se efetivamente um instrumento de apoio àtomada de decisões de caráter financeiro.2.2.4 Tipos de Fluxo de Caixa2.2.4.1 Fluxo de Caixa Realizado ou Histórico A finalidade do fluxo de caixa realizado é mostrar como se comportaramas entradas e as saídas de recursos financeiros da empresa em determinadoperíodo. O estudo cuidadoso do fluxo de caixa realizado, além de propiciaranálise de tendência, serve de base para o planejamento do fluxo projetado. Outro aspecto que deve ser considerado é a comparabilidade que existeentre os fluxo de caixa realizado e o projetado. Isso possibilita identificar osmotivos das variações ocorridas, se ocorreram por falha de projeções ou porfalhas de gestão. A análise das variações ocorridas no fluxo de caixa permiteidentificar as causas de eventuais divergências de valores; funciona comofeedback, gerando informações para o processo decisório e para o planejamentofinanceiro futuro.2.2.4.2 Fluxo de Caixa Projetado O objetivo principal do fluxo de caixa projetado é informar como secomportará o fluxo de entradas e saídas de recursos financeiros em determinadoperíodo, podendo ser projetado a curto ou a longo prazo. A curto prazo busca-seidentificar os excessos de caixa ou a escassez de recursos dentro do períodoprojetado, para que através dessas informações se possa traçar uma adequadapolítica financeira. A longo prazo, o fluxo de caixa projetado, além de identificaros possíveis excessos ou escassez de recursos, visa também obter outrasinformações importantes, tais como: ● verificar a capacidade da empresa de gerar os recursos necessários para custear suas operações; ● determinar o capital em giro no período; ● determinar o Índice de Eficiência Financeira da empresa. (IEF = capital em giro / capital de giro da empresa); ● determinar o grau de dependência de capitais de terceiros da empresa; etc. Pode-se observar que o Fluxo de Caixa Histórico limita-se a dados dopassado e já no Fluxo de Caixa Projetado prevê-se o futuro. Nessa visão,prevendo o futuro, possibilita a uma melhor adaptação e agilidade de situaçõesque estão por vir, mas sempre tomando por base fatos históricos.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  10. 10. 10 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas2.2.5 A Periodicidade do Fluxo de Caixa A periodicidade para a elaboração do Fluxo de Caixa varia muito com otamanho e o ramo de atividade da empresa, empresas com atividades degrandes oscilações tem a tendência de optarem por períodos curtos, já as quetêm uma atividade mais estável preferem períodos longos, como escreveFREZATTI (1991, p.10): “Discutir horizonte implica na definição do período pelo qual a empresa se preocupa e mobiliza para obter resultados de caixa. Pode fazê-lo para 30 dias, 90, 360, enfim, o horizonte que trouxer benefício ao processo decisório da empresa. O critério para se definir horizonte não é o critério de "gosto", pelo simples fato de querer tê-lo. O critério correto consiste em usar o horizonte que tenha utilidade em termos de decisão para a empresa”. Assim, deduz-se que a periodicidade de um Fluxo de Caixa deve ser aque melhor se adapta a empresa e não algo pré-definido.2.2.6 O Fluxo de Caixa a Longo Prazo O Fluxo de Caixa a longo prazo dispensa muitos detalhes, pois suafunção é demonstrar apenas as situações significativas, para se traçar planos deação a serem tomados pela alta direção da empresa. Esse tipo de Fluxo de Caixa deve indicar a época em que os recursosserão insuficientes para honrar compromissos, para que o administradorfinanceiro, possa planejar e buscar caminhos para saldar os mesmos. O que condiz com as palavras de ZDANOWICZ (2002, p.129): “Tem porobjetivo demonstrar a possibilidade de serem geradas as disponibilidades decaixa, ou obtidos os recursos financeiros necessários à manutenção dasatividades planejadas para um dado período. Deverão indicar as épocas em queas disponibilidades poderão ser insuficientes...”. Normalmente, o Fluxo de Caixa a longo prazo, é planejado de dois acinco anos, incluindo os projetos de expansão, modernização, recolocação ounovas instalações da empresa. O motivo pelo qual se projeta um Fluxo de Caixa a longo prazo, vem daimportância do controle de possíveis necessidades de caixa, e conformeZDANOWICZ a prática de buscar recursos depois de ter surgido a necessidade,denota a falta de planejamento e controle financeiros da empresa.2.2.7 O Fluxo de Caixa a Curto Prazo O Fluxo de Caixa de curto prazo, segundo ZDANOWICZ, pode ser diário,semanal ou mensal, é utilizado onde existem grandes oscilações, para assim seter um acompanhamento mais próximo e evitar surpresas. Ainda se a empresaLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  11. 11. 11 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadaspratica investimentos de forma intensiva, o curto prazo da demonstração doFluxo de Caixa é muito importante.Essa demonstração parte de um Fluxo de longo prazo, alterando-se paraperíodo mensal posteriormente em semanal e por fim em diário, para assim aempresa ter em mãos um poderoso instrumento de planejamento e controlefinanceiro para a tomada de decisões, como contribui, ZDANOWICZ (2002,p.128): “É importante a empresa trabalhar com um planejamento mínimo para três meses. O fluxo de caixa mensal deverá, posteriormente, transformar-se em semanal e este em diário. O modelo diário fornece a posição dos recursos em função dos ingressos e desembolsos de caixa, constituindo-se em poderoso instrumento de planejamento e controle financeiros para a empresa”. Nesses termos, o Fluxo de Caixa a Curto Prazo, para atingir seusobjetivos, também deve partir de um prazo mais alongado para compreendertodas as suas estimativas.2.3 Balanço Patrimonial2.3.1 Conceito SÁ (1994, p.48) define Balanço como sendo “a demonstração sintética doestado patrimonial de uma empresa ou de uma entidade, através de seusinvestimentos e da origem desses investimentos”. A demonstração contábil que apresenta todos os bens, direitos eobrigações da empresa tem por finalidade apresentar a situação patrimonial emdado momento, dentro de determinados critérios de avaliação. É a demonstração que encerra a seqüência dos procedimentoscontábeis, apresentando de forma ordenada os três elementos componentes dopatrimônio: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Uma vez bem estudada a natureza do Ativo (bens e direitos), do Passivo(obrigações), do Patrimônio Líquido (diferença entre o ativo e o Passivo) e asrotinas e procedimentos contábeis, muito fácil se torna entender o que é oBalanço.2.3.2. Importância do Balanço O Balanço Patrimonial é a situação patrimonial resultante de uma sériede fatos ocorridos na empresa. Permite que análises sejam feitas, fornecendoinformações importantes aos interessados na situação patrimonial e nasvariações ocorridas em determinado período de tempo. A grande importância do Balanço reside na visão que ele demonstra asaplicações de recursos feitas pela empresa (Ativo) e qual a origem dessesLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  12. 12. 12 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasrecursos (Passivo). É o grande instrumento que auxilia a administração a tomardecisões. Diversas são as formas pelas quais são apresentadas as demonstraçõescontábeis, financeiras e, em especial o Balanço Patrimonial, dentre as quaispodemos citar: ● Finalidade legal – o Código Comercial Brasileiro obriga a apresentação da situação patrimonial e suas variações pelas empresas. Destaca-se também a obrigatoriedade de apresentação de informações ao governo para exercer o seu poder de tributar e colher informações econômicas; ● Finalidade administrativa – as informações fornecidas no Balanço Geral das empresas, possibilitam avaliar a gestão e posicionar os tomadores de decisão sobre a continuidade dos planos de ação e metas, até então adotadas as necessidades de ajuste ou mesmo a sua reformulação; ● Finalidade econômica-financeira – de interesse das empresas de finanças e investidores, análises estruturais, de evolução, de solvência, de liquidez, de garantia de capitais, de retorno dos valores investidos e outras, podem ser feitas partindo-se dos demonstrativos elaborados e apresentados pela empresa.2.3.3. Apresentação do Balanço A apresentação dos elementos patrimoniais assume grande importância,pois se trata de peça contábil utilizada para revisão e análise dos negócios. O Ativo é indicado no lado esquerdo ou na parte superior. O Passivo nolado direito ou na inferior. O Patrimônio Líquido, que dá a informação adicional,mostra o investimento e o lucro (ou prejuízo) acumulado, é indicado no ladodireito ou inferior, somado ou subtraído do Passivo, conforme seja positivo ounegativo. A classificação das contas depende da natureza da empresa e da funçãode cada uma no conjunto. A liquidez é comumente utilizada como parâmetro. Alei brasileira classifica os ativos dos mais líquidos aos menos líquidos. A Lei n.º 6.404/76 regulamenta as sociedades por ações: introduziuinúmeras inovações na legislação societária do Brasil no que tange às normas eaos princípios contábeis, inclusive na forma e conteúdo do Balanço. A adoção de agrupamentos padronizados e oficiais é útil, porque facilita apreparação das demonstrações, análises, interpretações, comparações eestudos estatísticos.Quadro 1 – Modelo de Balanço Patrimonial BALANÇO PATRIMONIAL EM ___/___/___ ATIVO PASSIVO Ativo Circulante Passivo Circulante Disponível Fornecedores Caixa EmpréstimosLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  13. 13. 13 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas Bancos c/ movimento Obrigações Sociais Créditos Impostos a Recolher Duplicatas a Receber Outras Obrigações Outras Contas a Receber Estoques Mercadorias Despesas do Exercício Seguinte Prêmios Seguros a Apropriar Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo Créditos Financiamentos Duplicatas a Receber Permanente Resultado de Exercícios Futuros Investimentos Receitas Diferidas Ações de Outras CIAS (-) Custos/despesas Imobilizado Patrimônio Líquido Terrenos Veículos Capital Social Móveis e Utensílios Reservas de Capital Máquinas Reserva de Reavaliação Diferido Reserva de Lucros Despesas pré-operacionais Lucros ou Prejuízos AcumuladosFonte: FAVERO, (1995, p.61)2.4 Demonstração de Resultado do Exercício - DRE2.4.1 Conceito A Demonstração do Resultado do Exercício deve apresentar o resumodas variações positivas, que são as receitas e os ganhos, e negativas, comocustos, despesas e perdas, ocorridas durante um determinado período detempo, normalmente no exercício social, em função da exploração dasatividades operacionais da empresa. Segundo ROSS (2002), a demonstração de resultado é elaborada pordiversas seções, sendo a operacional, na qual se apresenta as receitas edespesas inerentes às operações principais da empresa; a seção nãooperacional onde se inclui todos os custos de financiamento, tais como despesasde juros; uma outra seção ainda indica como item separado os impostoslançados contra o lucro; e, por o último, o Lucro Líquido.2.4.2. Finalidade A finalidade básica da Demonstração do Resultado do Exercício édescrever a formação do resultado gerado no exercício, mediante especificaçãodas receitas, custos e despesas por natureza dos elementos componentes, até oresultado líquido final, que é o lucro ou prejuízo. Esse resultado líquido final, se lucro, representa o ganho efetivo obtidopela empresa, que tem por finalidade remunerar os sócios ou acionistas emanter e desenvolver o patrimônio da empresa. Se prejuízo líquido do exercício,representar a parcela de desgaste sofrido pelo patrimônio no período, significaLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  14. 14. 14 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasque as receitas geradas foram insuficientes para cobrir os custos e despesasincorridas na obtenção de tais receitas.2.4.3 Composição2.4.3.1 Receitas Operacionais As Receitas Operacionais são provenientes da exploração das atividadesoperacionais, principais e acessórias, desenvolvidas pela empresa, são asreceitas de vendas de mercadorias, produtos ou serviços. Essas receitas devemser demonstradas por seu montante bruto, de modo que fique consistente com ovalor faturado a clientes, contendo as deduções das receitas e a receitaoperacional líquida.2.4.3.2 Custos Em Contabilidade, o significado do termo custo consiste no valormonetário pago por bens e serviços utilizados, fornecendo dados e informaçõespara que a entidade analise o andamento das suas atividades, podendo planejaras operações futuras servindo de apoio ao gerenciamento da empresa. Segundo MARTINS (1996, p.25), “Custo é o gasto relativo a bem ouserviço utilizado na produção de outros bens ou serviços”. Os Custos sãoligados à produção, como exemplo pode-se citar: matéria-prima utilizada naprodução, manutenção de máquinas de produção, aluguel da fábrica, entreoutros.2.4.3.3 Despesas Operacionais As Despesas Operacionais são as despesas que contribuíram para aconsumação das operações realizadas no período. Representam os gastosincorridos com as áreas comercial, administrativa e financeira para obtenção dasreceitas operacionais do período. Incluem as despesas com vendas oucomercialização, despesas administrativas, despesas financeiras e despesasnecessárias à consecução das operações. É muito comum existir confusão entre o que é Custo e o que é Despesa,caso não sejam corretamente separados, podem prejudicar muito o nível dasinformações. A diferença básica entre eles é que os gastos relativos ao processode produção são Custos, e os relativos à administração e aos financiamentossão Despesas.2.4.3.4 Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício O Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício é o resultado final do exercício.Se positivo após deduzidas as participações, obtém-se o lucro do exercício.Sendo o resultado do exercício negativo antes das participações, ocorrerá umprejuízo líquido, que deverá ser compensado com lucros acumulados, reserva delucros e reserva legal, respectivamente.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  15. 15. 15 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e AplicadasQuadro 2 – Modelo de Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO PERÍODO ___/___/___ a ___/___/___ Receitas Operacionais Brutas Vendas (-) Deduções da Receita Bruta ICMS s/ Vendas Devoluções e Abatimentos PIS s/ Faturamento Cofins (=) Receitas Operacionais Líquidas (-) Custo das Mercadorias Vendidas (=) Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais Despesas com Vendas Despesas Gerais e Administrativas (±) Despesas Financeiras Deduzidas das (-) Receitas Financeiras (±) Outras Receitas e outras Despesas Operacionais (=) Resultado Operacional Líquido (±) Resultado não Operacional (+) Ganhos de Capital (-) Perdas de Capital (±) Saldo da Correção Monetária do Balanço (=) Resultado Líquido antes da Contribuição Social e Imposto de Renda (-) Provisão para Contribuição Social (-) Provisão para Imposto de Renda (=) Resultado Líquido antes das Participações (-) Participações Participações de Empregados Participações de Administradores (=) Resultado Líquido do ExercícioFonte: FAVERO, (1995, p.86)2.5 Demonstrativo das Origens e Aplicações de Recursos - DOAR Esse demonstrativo mostra a total diferença entre Ativo Circulante ePassivo Circulante, a movimentação dos recursos em termos de variação docapital circulante líquido, detalhando as diversas fontes e aplicações de recursosque o afetaram. Através dessa demonstração o analista pode obter informaçõesrelevantes sobre a gestão financeira da empresa em relação as origens eaplicações, de curto e longo prazo, evidenciando as variações que ocorreram nopatrimônio das empresas no período em questão; saber se a empresa gerourecursos em suas operações, se imobilizou recursos no período, se obtevenovas fontes de financiamento de longo prazo e se os acionistas fizeram novosinvestimentos de capital. Complementa PADOVEZE (2000, p.62), “Com este relatório, ficará clarose houve boa correlação entre os tipos de recursos obtidos e suas aplicações.Exemplificando, se a empresa aportou substanciais recursos de longo prazoLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  16. 16. 16 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasdurante o exercício, deveríamos ter aplicações similares nos ativospermanentes.” Segundo o FIPECAFI (2000, p.579), “a DOAR tem como objetivoapresentar as informações relativas às operações de financiamento einvestimento da empresa e evidenciar as alterações da posição financeira daempresa”.2.5.1 Conceito de Origem e Aplicação Para fins de elaboração da Demonstração das Origens e Aplicações deRecursos – DOAR entende-se a origem como toda operação que aumenta ocapital circulante líquido. A obtenção de recursos através de financiamento alongo prazo, aumento de capital em dinheiro, vendas de itens do permanente(investimento e imobilizado) e recebimento de itens do realizável a longo prazosão exemplos de origens de recursos. A redução do capital circulante líquidogeralmente decorre de uma aplicação de recursos no não circulante. Pode-seexemplificar entre várias situações a aquisição de bens ou direitos que venhamintegrar o permanente ou realizável a longo prazo, distribuição de dividendos,redução de suas exigibilidades a longo prazo, etc. O FIPECAFI (2000, p.580) enfoca da seguinte forma as origens derecursos: “a) Das próprias operações, quando as Receitas (que geram ingressos de capital circulante líquido) do exercício são maiores que as despesas (que geram aplicações ou reduções de capital circulante líquido). Assim, ignorando as despesas ou receitas que não afetam o capital circulante líquido, temos: • Se houver lucro, teremos uma origem de recursos. • Se houver prejuízo, temos uma aplicação de recursos. b) Dos acionistas, pelos aumentos de capital integralizados pelos mesmos no exercício, já que tais recursos aumentaram as disponibilidades da empresa e, conseqüentemente, seu capital circulante líquido. c) De terceiros, por empréstimos obtidos pela empresa, pagáveis a longo prazo, bem como dos recursos oriundos da venda a terceiros de bens do Ativo Permanente, ou de transformação de Realizável a Longo Prazo em Ativo Circulante”.2.5.2 Análise da Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos – DOAR A DOAR é introduzida a partir da Lei 6.404 (1976). Antes ela já existiacomo a denominação de fluxos de fundos. Apenas um número reduzido deempresas publicava o fluxo de fundos. Atualmente dada a sua obrigatoriedadepara uma boa parte das sociedades anônimas a DOAR está se tornando maisconhecida.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  17. 17. 17 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas Até então era uma demonstração considerada prescindível e por isso,não há tantos trabalhos na bibliografia contábil sobre sua análise. Alguns índicesextraídos do Balanço patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercícioterão seu poder de explicação ampliado quando relacionados a DOAR. A análiseda DOAR permite identificar quais os tipos de fontes de recursos que alimentama empresa, qual a fonte tem uma participação maior, qual o destino, queadministração da empresa está dando para os recursos, qual é o nível deimobilização e de não imobilização da empresa, qual o nível de investimento emoutras atividades (não operacional).Quadro 3 – Modelo de Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos(DOAR) DEMONSTRAÇÃO DE ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS Exercício findo em 31 de dezembro de 19x0 ORIGENS DE RECURSOS Das operações Lucro (prejuízo) Líquido do Exercício (+) Depreciação, Amortização e Exaustão (±) Variações Monetárias (±) Resultado da Correção Monetária do Balanço (±) Resultado da Equivalência Patrimonial (±) Ganhos ou perdas na venda de bens do Imobilizado (±) Ganhos ou perdas na venda de Investimentos (±) Ganhos ou perdas em itens do Ativo Diferido Dos acionistas Integralização de Capital Contribuições para aumento da Reserva de Capital De Terceiros Diminuição do Ativo Realizável a Longo Prazo Aumento de Exigível a Longo Prazo Valor da venda de Investimentos Valor da venda de bens do Imobilizado Dividendos recebidos Diminuição do Ativo Diferido TOTAL DAS ORIGENS APLICAÇÕES Distribuição de lucros ou dividendos Dividendos propostos Aumentos no Ativo Realizável a Longo Prazo Aumentos de Investimento Aumentos do Imobilizado Aumentos no Diferido Diminuição do Exigível a Longo Prazo TOTAL DAS APLICAÇÕES AUMENTO OU DIMINUIÇÃO DO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDOFonte: FAVERO, (1995, p.90)LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  18. 18. 18 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas3.METODOLOGIA DE PESQUISA A metodologia empregada para o desenvolvimento do artigo foi baseadapropriamente em pesquisas bibliográficas do tema proposto, e de acordo comHÜHNE (1999, p.247) “a pesquisa bibliográfica é fundamental em qualquer áreade estudo porque é ela quem levanta os dados de uma questão e oferecefundamentação teórica para um problema”.3.1. Método de Coleta de Dados Os procedimentos e métodos utilizados na coleta de dados são: ● Pesquisa em obras bibliográficas, revistas científicas, artigos, monografias, dissertações, páginas da web em sites voltados para o conhecimento da Administração Financeira. Tal acervo foi utilizado na elaboração, análise e interpretação dos dados. ● Entrevista com o Consultor do SEBRAE – Serviço de Apoio a Pequena Empresa no Paraná - Edison Charavara, coletando informações essenciais ao desenvolvimento do estudo.3.2. Análise dos Dados Foi feita através da conciliação entre a visão dos autores sobre aimportância da Administração Financeira e a situação enfrentada pelos micro epequenos empresários. Desse confronto são retiradas informações e possíveis soluções para osproblemas enfrentados pelas organizações acerca das finanças empresarias, afim de apresentar soluções de caráter relevante e significativo.4 CONCLUSÃO Pela abrangência deste trabalho e pela metodologia adotada, não sãoapresentadas conclusões propriamente ditas, mas sim levantadas diversasquestões importantes obtidas após o término da pesquisa. Também sãocolocadas algumas sugestões e recomendações que podem contribuir nasolução de deficiências nos procedimentos administrativos e financeiros dasmicro e pequenas empresas.4.1 Administração financeira das Micro e Pequenas Empresas4.1.1 Classificação das Micro e Pequenas Empresas Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(SEBRAE), as empresas podem ser classificadas em micro, pequena, média egrande empresa, podendo ser, desde uma firma individual até uma empresacom operações em bolsa de valores.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  19. 19. 19 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas De acordo com o Decreto nº 5.028, de 31 de março de 2004, referente aoArt. 2° da Lei 9.841, de 05 de outubro de 1999, os valores dos limites fixados sãoos seguintes: 1. Microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 433.755,14 (quatrocentos e trinta e três mil, setecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos); 2. Empresa de Pequeno Porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadra como micro empresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 433.755,14 (quatrocentos e trinta e três mil, setecentos e cinqüenta e cinco reais e quatorze centavos) e igual ou inferior a R$ 2.133.222,00 (dois milhões, cento e trinta e três mil, duzentos e vinte e dois reais). Apesar do que se estabelece na lei, outros meios de se classificar podemser utilizados como a classificação por faturamento, número de empregados, etc.Na Tabela 1 está estabelecida a classificação das MPE de acordo com oSEBRAE (2004).Tabela 1 – Classificação das micro e pequenas empresas ME (Microempresa) Indústria até 19 empregados e no comércio/serviço até 09 PE (Pequena Empresa) Indústria de 20 até 99 empregados e no comércio/serviço 10 a 49 MDE (Média Empresa) Indústria de 100 até 499 empregados e no comércio/serviço 50 a 99 GE (Grande Empresa) Indústria acima de 499 empregados e no comércio/serviço acima de 100Fonte: SEBRAE (2004) Segundo os dados encontrados na Relação Anual de InformaçõesSociais (RAIS, 2000) existem no Brasil cerca de seis milhões de empresas e asMPE respondem por 99% do total. Na Tabela 2 tem-se a distribuição do númerode empresas no Brasil, classificadas por setores da economia.Tabela 2 – Distribuição do número de empresas no Brasil Indústria Comércio Serviços Total Porte N° % N° % N° % N° % Empresas Empresas Empresas Empresas Micro 939.267 17,8 2.414.652 45,8 1.923.389 36,4 5.277.308 100 Pequena 48.314 19,7 88.941 36,2 108.203 44,1 245.458 100 Média 9.856 33,3 5.724 19,4 13.999 47,3 29.579 100 Grande 1.580 7,0 2.955 13,2 17.899 79,8 22.434 100 Total 999.017 17,9 2.512.272 45,1 2.063.490 37,0 5.574.779 100Fonte: RAIS (2000) Se considerada a distribuição por segmento específico de atividadeeconômica, 45,8% das micro e 23,8% das pequenas empresas concentram-seno comércio atacadista e varejista. Note-se que a representatividade das micro éLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  20. 20. 20 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadassignificativa também nas outras atividades econômicas, de tal forma que suaparticipação em cada atividade está próxima do percentual do total de empresasque atuam (Tabela 3).Tabela 3 – Distribuição percentual do número de empresas por atividadeeconômica no Brasil ATIVIDADE MICRO PEQUENA MEDIA GRANDE TOTAL ECONÔMICA Agricultura, pecuária, 5,3 4,3 3,1 2,5 5,3 silvicultura e exploração florestal Pesca 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 Indústrias extrativas 0,3 0,7 0,4 0,5 0,3 Indústrias de 8,2 23,4 25,7 20,0 8,7 transformação Produção e distribuição 0,1 0,6 0,9 1,2 0,1 de eletricidade, gás e água Construção 3,1 6,4 6,2 3,5 3,2 Comércio atacadista e 45,8 23,2 10,7 1,8 45,1 varejista Alojamento e alimentação 5,9 5,6 1,7 0,6 5,9 Transporte, 3,6 5,7 6,8 8,0 3,6 armazenagem e comunicações Intermediação financeira 1,3 3,9 1,6 1,4 1,4 Atividades imobiliárias, 12,8 9,8 12,5 13,3 12,7 aluguéis e serviços prestados às empresas Administração pública, 0,3 1,4 16,6 35,7 0,4 defesa e seguridade social Ensino 1,6 5,6 4,2 3,4 1,7 Saúde e serviços sociais 3,3 3,8 5,0 5,1 3,3 Outras atividades de 8,3 5,6 4,6 2,9 8,2 serviços coletivos, sociais e pessoais Residências particulares 0,1 - 0,01 - 0,1 com empregados domésticos Organismos 0,01 0,01 - - 0,01 internacionais e outras instituições extraterritoriais Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0Fonte: RAIS (2000) Embora as micro e pequenas empresas representem 99% da quantidadede estabelecimentos, elas geram 41,4% dos postos de trabalho formais,enquanto as médias 12,3% e as grandes 46,3%. Ainda de acordo com os dadosdo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), dos 27,2 milhões de trabalhadoresLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  21. 21. 21 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadascom carteira assinada, 28% estão na indústria, 16% no comércio e 56% nosserviços. Observando o número de trabalhadores distribuídos em cada setor deatividade econômica, segundo o porte da empresa, nota-se que na indústria asmicro e pequenas empresas respondem por 51% dos trabalhadores com carteiraassinada, as médias por 26 % e as grandes por 23% (gráfico 1). No comércio,cerca de 78% dos postos de trabalho formais estão nas MPEs, 9% nas médias e13% nas grandes. Nos serviços, são as grandes empresas que respondem pormais de dois terços dos empregos formais 68%. As micro e pequenas empresasparticipam com 26% dos postos de trabalho, e as médias com 6%. Gráfico 1 – Distribuição percentual do número de trabalhadores por setor de atividades e porte das empresas. 100 78 80 68 60 51 47 % 41 40 26 23 26 20 9 13 6 12 MPE 0 Média Indústria Comércio Serviços Total GrandeFonte: RAIS (2000)4.2. Características das Micro e Pequenas Empresas Conforme Web Site IBGE <http://www.ibge.gov.br> (2006), as micros epequenas empresas podem ser de dois tipos: empregadoras e familiares. AsMPE’s empregadoras podem ser definidas como aquelas que têm pelo menosuma pessoa na condição de empregado e as familiares como aquelas em queapenas trabalham os proprietários, os sócios e/ou membros da família. Aindasegundo o IBGE são características das micros e pequenas empresas: ● baixa intensidade de capital; ● altas taxas de natalidade e de mortalidade: demografia elevada; ● forte presença de proprietários, sócios e membros da família como mão- de-obra ocupada nos negócios; ● poder decisório centralizado; ● estreito vínculo entre os proprietários e as empresas, não se distinguindo, principalmente, em termos contábeis e financeiros, pessoa física e jurídica; ● registros contábeis pouco adequados; ● contratação direta de mão-de-obra;LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  22. 22. 22 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas ● utilização de mão-de-obra não qualificada ou semiqualificada; ● baixo investimento em inovação tecnológica; ● maior dificuldade de acesso ao financiamento de capital de giro; e, ● relação de complementaridade e subordinação com as empresas de grande porte.4.3. Fatores de Sucesso das Micro e Pequenas Empresas É de conhecimento geral que pequenas e médias empresas não seorganizam ou se estruturam de maneira eficiente e adequada, mas à medidaque se aumenta o grau de “alfabetização empresarial”, cresce também a forçadas pequenas e médias empresas. As pequenas e médias empresas têm grande capacidade de se adaptaràs necessidades do mercado, podem tomar decisões rápidas e pontuais,reagindo de imediato às mudanças e exigências do mercado, mantendo umaboa organização e controle. Segundo pesquisa realizada pelo SEBRAE (2004) há três característicascomuns para os fatores de sucesso das micro e pequenas empresas: ● Habilidades gerenciais ● Capacidade empreendedora ● Logística empresarial Com base nisso, pode-se dizer que os fatores condicionantes do sucessoempresarial segundo as habilidades gerenciais são: bom conhecimento domercado em que atua e boa estratégia de vendas. Esses fatores indicam que,para se obter sucesso nas vendas, o empresário deve ter bom conhecimento domercado, como por exemplo, clientela potencial e quais os produtos elesprocuram e também avaliar e procurar as melhores fontes para a aquisição dosbens para a formação do estoque da empresa. Quanto aos fatores condicionantes de sucesso da capacidadeempreendedora, tem-se: a criatividade do empresário, aproveitamento dasoportunidades de negócios, empresário com perseverança e capacidade deliderança, os quais refletem a capacidade empresarial para comandar oempreendimento. Já os fatores condicionantes da logística empresarial, refletem na escolhade um bom administrador, ao uso de capital próprio, reinvestimento dos lucrosna empresa e acesso a novas tecnologias. Em suma, pode-se dizer que os dois primeiros fatores, refletem apreparação do empresário para interagir com o mercado em que atua e acompetência para bem conduzir o seu negócio. E a logística empresarial forneceas bases para a criação, sustentação e crescimento da atividade empresarial.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  23. 23. 23 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas4.4. Dificuldades Enfrentadas pelas Micro e Pequenas Empresas Embora as micro e pequenas empresas apresentem crescente relevânciana economia brasileira, bem como seu papel social na diminuição dasdesigualdades entre indivíduos e regiões, elas ainda enfrentam dificuldadesdiversas para exercer suas atividades. Um fator direto de tais dificuldades é a elevada taxa de mortalidadeempresarial, embora o Brasil tenha uma população empreendedora, por falta depreparo e apoio adequado, o brasileiro também muito fracassa. O paísapresenta alta mobilidade social e econômica, nele despontam muitasoportunidades. Todavia, a falta de estrutura adequada em termos de aparatolegal, contábil e gerencial, a legislação tributária ainda desfavorável, asexigências burocráticas, a carência de crédito e de uma política sistêmica deapoio e incentivo às micro e pequenas empresas levam a altas taxas deinsucesso. De acordo com pesquisa realizada pelo SEBRAE (2004), a taxa demortalidade empresarial no Brasil, apurada para as empresas constituídas eregistradas nas juntas comerciais dos Estados nos anos de 2000, 2001 e 2002,revela que 49,4% encerraram as atividades com até 02 (dois) anos deexistência, 56,4% com até 03 (três) anos e 59,9% não sobrevivem além dos 04(quatro) anos. A Tabela 4 apresenta as apurações para as regiões do País, mostrandotaxas de mortalidade elevadas, variando de 46,7% a 62,7%, segundo o ano deconstituição da empresa. O Sul é a região com maior percentual para asempresas com até 2 (dois) e 3 (três) anos de constituição para as empresas comaté 4 (quatro) anos.Tabela 4 – Taxa de mortalidade por região e Brasil (2000-2002) Regiões ANO DE SUDESTE SUL NORDESTE NORTE CENTRO BRASIL CONSTITUIÇÃO OESTE 2002 48,9 52,9 46,7 47,5 49,4 49,4 2001 56,7 60,1 53,4 51,6 54,6 56,4 2000 61,1 58,9 62,7 53,4 53,9 59,9Fonte: SEBRAE (2004, p.9) A pesquisa SEBRAE também levantou as causas do fechamento dasempresas, conforme se observa na Tabela 5, encontram-se em primeiro lugarentre as causas de fracasso questões relacionadas a falhas gerenciais nacondução dos negócios, falta de capital de giro (indicando descontrole de fluxode caixa), problemas financeiros (situação de alto endividamento), pontoinadequado (falhas no planejamento inicial) e falta de conhecimentos gerenciais. Em segundo lugar, predominam as causas econômicas conjunturais,como falta de clientes, maus pagadores, recessão econômica do País e,também, com 14% de citações, a falta de crédito bancário.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  24. 24. 24 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e AplicadasTabela 5 – Causas das dificuldades e razões para fechamento das empresas CATEGORIAS RANKING DIFICULDADES/RAZÕES PERCENTUAL 1° Falta de capital de giro 42% 3° Problemas financeiros 21% Falhas Gerenciais 8° Ponto/local inadequado 8% 9° Falta de conhecimentos gerenciais 7% 2° Falta de clientes 25% Causas 4° Maus pagadores 16% Econômicas 6° Recessão econômica no país 14% Conjunturais Logística 12° Instalações inadequadas 3% Empresarial 11° Falta de mão-de-obra qualificada 5% 5° Falta de crédito bancário 14% Políticas Públicas 10° Problemas com a fiscalização 6% e arcabouço legal 13° Carga tributária elevada 1% 7° Outra razão 14%Fonte: SEBRAE (2004, p.13) Pode-se dizer que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasilestão relacionadas, com as falhas gerenciais na condução de seusempreendimentos, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação. Asfalhas gerenciais podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura donegócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta, previamente,dados importantes para o sucesso do seu negócio, como a existência deconcorrência, a presença dos consumidores, dentre outros fatores.4.5. Medidas para se Obter um Bom Desempenho Diante de um mercado cada vez mais competitivo, para manter seunegócio, os empresários e os administradores devem pensar estrategicamente,pois os consumidores, de hoje, são bem educados, conscientes de suas opçõese exigem excelência. Por essa razão, os administradores e empresários devempensar sobre como construir uma força de trabalho capaz de gerenciar aempresa, de modo que produza bens e serviços que forneçam maior valorpossível ao consumidor. Todo empreendimento se origina acreditando na possibilidade de crescer,prosperar e contribuir para o desenvolvimento econômico do empreendedor e domercado da Região na qual está inserido. Para garantir estas condições,segundo OLIVEIRA (1997), “os empresários necessitam adquirir conhecimentosgerenciais, de forma a tomar decisões oportunas, baseadas na sua experiênciae nas informações contábeis”. Nesse sentido, são demonstradas algumas medidas para os empresáriosobterem sucesso em seus empreendimentos, como a elaboração de um planoestratégico de negócio, planejamento da administração, análise dosdemonstrativos de resultados e também análise do fluxo de caixa.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  25. 25. 25 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas4.5.1. Elaboração do Plano Estratégico de Negócio Para se obter sucesso de um empreendimento, é preciso aliar acapacidade empreendedora à prática, definindo metas, calculando riscos,buscando inovações e estando atento às novas oportunidades. A ferramentapara isso pode ser o plano de negócios, em que o empresário define no papelcomo manter e também como fazer crescer o seu empreendimento. SegundoANTONIK (2004, p.37), “com a elaboração do plano, o empreendedor terá umanoção prévia do funcionamento de seu negócio em relação a: finanças, clientes,fornecedores, concorrentes (mercado) e organização necessária para o seu bomfuncionamento”. O plano de negócios é um documento escrito que tem o objetivo deestruturar as principais idéias e opções que o empreendedor analisará paradecidir quanto à viabilidade da empresa a ser criada. É também um meio demanter a estratégia empresarial da empresa em dia, pronta para alteraçõesadministrativas. Para tanto, deve-se realizar periodicamente a adequação daestrutura organizacional à realidade do mercado em que a empresa atua, paraevitar o aparecimento de fatores que possam comprometer a sobrevivência donegócio. Segundo Web Site SEBRAE <http://www.sebrae.com.br> (2006), asfunções do plano de negócio são:“- Avaliar o novo empreendimento do ponto de vista mercadológico, técnico,financeiro, jurídico e organizacional; - Avaliar a evolução do empreendimento aolongo de sua implantação: para cada um dos aspectos definidos no plano denegócio, o empreendedor poderá comparar o previsto com o realizado; -Facilitar, ao empreendedor, a obtenção de capital de terceiros quando o seucapital próprio não é suficiente para cobrir não é suficiente para cobrir osinvestimentos iniciais”.4.5.2. Planejamento da Administração Financeira O planejamento é uma metodologia gerencial que estabelece o rumo aser seguido pela organização, visando a integração com o ambiente e a buscados resultados futuros. Para ANTONIK (2004, p.38): “a sustentabilidade econômica e financeira é elemento essencial para o sucesso da organização. O desenvolvimento de uma pequena e média empresa requer a definição de uma política realista, focada nas condições do mercado, em que as taxas de juros e os preços dos serviços cubram, os seguintes itens: Custos operacionais e financeiros; Riscos inerentes do negócio (inadimplências, roubo e perdas); Depreciação; Geração deLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  26. 26. 26 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas excedente financeiro para investimento no aumento e expansão do próprio negócio.” Portanto, o planejamento traça o caminho para a empresa alcançar seusobjetivos. É planejando que a empresa consegue organizar seu negócio,identificar e tirar o melhor proveito das oportunidades com que se deparaconstantemente. O planejamento da administração financeira é essencial para osucesso de qualquer organização, pois definem a natureza da relação entre aempresa, os clientes e a concorrência. Para BRAGA (1989, p.228) “planejamento financeiro é o processo pormeio do qual se calcula quanto de financiamento é necessário para se darcontinuidade às operações de uma companhia e se decide quando e como anecessidade de fundos será financiada”. Pode-se ainda dizer que, o planejamento financeiro é o processo formalque conduz a administração da empresa a acompanhar as diretrizes demudanças e a rever, quando necessário, as metas já estabelecidas, assimpoderá a administração visualizar com antecedência as possibilidades deinvestimento, o grau de endividamento e o montante de dinheiro que considerenecessário manter em caixa, visando seu crescimento e sua rentabilidade.4.5.3. Análise dos Demonstrativos de Resultados As demonstrações contábeis ou financeiras são elaboradas porprofissionais da área contábil e têm objetivo de fornecer dados para análiseeconômica e financeira da empresa. O processo de análise dos demonstrativos financeiros é fator de sucessona pequena e média empresa, são considerados importantes ferramentas deorientação e controle, pois demonstram: ● os valores de competência de determinado período, ou seja, o faturamento real; ● o custo da mercadoria vendida em relação ao faturamento do mês; ● os custos fixos do mês, impostos relativos ao faturamento, comissões devidas; ● os resultados mensais obtidos, o lucro operacional e o lucro liquido, considerando as despesas com investimento e financeiras; ● ponto de equilíbrio entre os custos fixos e variáveis da empresa.4.5.4. Análise e Adequação do Fluxo de Caixa Atualmente, para que uma empresa possa administrar seus custos ereceitas de modo eficaz, é indispensável que ela utilize ferramentas de controlefinanceiro, sendo o Fluxo de Caixa uma das mais indicadas para alcançar talobjetivo. Segundo ANTONICK (2004, p.38):LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  27. 27. 27 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadas “o fluxo de caixa retrata o movimento real do caixa no mês, é necessário para complementar a análise financeira da empresa, as entradas e saídas de dinheiro. Deve ser planejado, evitando assim sobressaltos durante a gestão empresarial ou necessidade de ajuste de caixa por meios de empréstimos a bancos, os quais, se realizados às pressas, acabam tornando-se dispendiosos para a empresa. Para o pequeno e médio empresário, é essencial desenvolver essa atividade". Porém, lembrando o contexto das micro e pequenas empresas, observa-se que várias delas tem falido ou enfrentam sérios problemas de sobrevivência.Geralmente, os gestores dessas empresas atribuem a carga tributária, osencargos sociais, a falta de recursos, os juros altos, como causa para amortalidade das empresas, sendo que muitas vezes o problema está naadministração do empreendimento. Dentre os objetivos do fluxo de caixa nas micro e pequenas empresas,pode-se citar: ● facilitar análise e cálculo na seleção das linhas de crédito a obter; ● detectar antecipadamente as carências de recursos; ● planejar desembolsos evitando acúmulo de compromissos consideráveis em época de poucos recursos; ● quantificar os recursos próprios disponíveis para investimentos; ● intercambiar os diversos departamentos com área financeira; ● usar com eficiência e eficácia recursos disponíveis; ● manter determinado nível da caixa em função do capital de giro; ● auxiliar a análise dos valores a receber e estoques, para verificar sua conveniência; ● aplicar os excedentes de caixa; ● integrar os controles financeiros da empresa. Contudo, pode-se dizer que as micro e pequenas empresas,independente de sua atividade, é movida à caixa. E é através do fluxo de caixaque se identifica exatamente quanto está disponível para ser atribuído aoscredores e acionistas, ou quanto poderá ser investido na empresa.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS As micro e pequenas empresas representam importante papel nodesenvolvimento econômico-social de uma nação, através da geração deempregos, renda e novas tecnologias, oportunidade para novosempreendedores realizarem profissionalmente, constituindo seu próprio negócio. Muitas vezes as notícias desses empreendimentos vêm acompanhadasde dados que falam dos fracassos nesses negócios. As causas mais comuns deLITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  28. 28. 28 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e Aplicadasinsucesso, são os problemas financeiros, determinados por dificuldades nasvendas, queda nos lucros, poucas perspectivas de crescimento e problemasrelacionados a gerenciamento e conhecimento do negócio. Nesse sentido é que se fez necessário destacar a importância de manterpessoas qualificadas dentro das organizações, a fim de levantar informaçõesnecessárias ao desenvolvimento das empresas. Com base nos estudos realizados, pode-se dizer que as empresas paraobterem um bom desempenho em seus empreendimentos, devem elaborar umplano estratégico de negócios detalhado, levando em consideração todas aspossibilidades de mercado, seguido de um planejamento financeiro, verificando asustentabilidade econômica para obter o sucesso organizacional. As demonstrações financeiras consistem no processo no qual éidentificada, registrada e divulgada. Fornecem dados econômico-financeiro deuma organização ou empresa, com a finalidade de possibilitar às pessoasinteressadas que avaliem a situação da entidade, fornecendo dados, que sãoutilizados para avaliar a situação, e a informação financeira relevante daempresa. Considera-se que os objetivos foram atingidos, e através dos conceitosmencionados os Micro e Pequenos empresários podem ter uma base sobre aimportância da administração financeira na sua organização. Contudo, fica aberta a realização de novos estudos, a fim de explorarainda mais os assuntos acerca das finanças empresariais e sua importância paraa Administração das Micro e Pequenas Empresas.6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASANTONIK, L. R. A administração financeira das pequenas e médiasempresas. Artigo revista FAE BUSINESS n° 8 maio 2004.BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de administração Financeira. SãoPaulo: Atlas, 1989.DECRETO N° 5.028, de 31 de março de 2004.FAVERO, H. L., LONARDONI, M., SOUZA, C. de, TAKAKURA, M.Contabilidade Teoria e Prática. Vol. 1. São Paulo: Atlas, 1995.FIPECAFI, Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras,USP. Sergio de Iudícibus./Eliseu Martins./Ernesto Rubens Gelbcke. Manual deContabilidade das Sociedades por Ações: aplicável às demais sociedades.4ª. ed. São Paulo: Atlas, 1994.FREZATTI, F. Gestão do fluxo de caixa diário. São Paulo: Atlas, 1991.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
  29. 29. 29 Revista Eletrônica Lato Sensu – Ano 2, nº1, julho de 2007. ISSN 1980-6116 http://www.unicentro.br - Ciências Sociais e AplicadasGITMAN, L. J. Princípios de Administração Financeira. 3ª. ed. São Paulo:Harba, 1984.HOJI, M. Administração Financeira: uma abordagem prática: matemáticafinanceira aplicada, estratégias financeiras, análise, planejamento econtrole financeiro. São Paulo: Atlas, 2001.HÜHNE, L. M. Metodologia Científica: caderno de textos e técnicas. 7ª. ed.Rio de Janeiro: Agir, 1999.LEI No 6.404, de 15 de dezembro de 1976.LIMA, J. G. Administração Financeira. 4ª. ed. São Paulo: Atlas 1980.MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 1996.MARTINS, E., NETO, A. A. Administração Financeira: as finanças dasempresas sob condições inflacionárias. São Paulo: Atlas, 1986.OLIVEIRA, D. de P. R. Sistemas de informações gerenciais: estratégicas,táticas operacionais. São Paulo: Atlas, 1997.PADOVEZE, C. L. Contabilidade Gerencial, Um Enfoque em Sistema deInformação Contábil. 3ª. ed. – São Paulo: Atlas, 2000.ROSS, S. A. Administração Financeira. Tradução - Antonio Zoratto Sanvicente,2ª. ed. São Paulo: Atlas, 2002.SÁ, A. L. de, SÁ, A. M. L. de. Dicionário de Contabilidade. 9ª. ed. rev. e ampl.São Paulo: Atlas, 1994.SÁ, C. A. de. Gerenciamento do fluxo de caixa. Apostila, São Paulo: TopEventos, 1998.SANVICENTE, A. Z. Administração Financeira. 3ª. ed. São Paulo: Atlas, 1987.SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. FatoresCondicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil. Relatório dePesquisa, Brasília: agosto/2004.Web Site IBGE <http://www.ibge.gov.br> 2006.LITENSKI, M.; LOZECKYI, J. - Controles Financeiros: Um Enfoque Acerca das FinançasEmpresariais
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