RuPaul, Camp e Normatividade
Heitor Machado
UFRJ/CAPES – Mestrado de Mídias e Mediaç ões
Socioculturais
Març o/2015
XIV CO...
XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM
2015
São Paulo/SP - Brasil
Sobre o trabalho
Desenvolvido como trabalho final do curso ...
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2015
São Paulo/SP - Brasil
Sobre RuPaul Charles
“Eu, RuPaul, nasci uma pobre crianç a ...
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São Paulo/SP - Brasil
Sobre o genderfuck:
É minha escolha não ser homem, e é minh...
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(1964),
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Ainda que o Camp em RuPaul se articule como estilo...
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Referências bibliográficas
CHARLES, RuPaul. Biografia. Disp...
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  1. 1. RuPaul, Camp e Normatividade Heitor Machado UFRJ/CAPES – Mestrado de Mídias e Mediaç ões Socioculturais Març o/2015 XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil
  2. 2. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Sobre o trabalho Desenvolvido como trabalho final do curso Disputas na Arena do Gosto: consumo cultural, distinç ão e sociabilidade, ministrado pela Prof. Mayka Castellano. O artigo utiliza a produç ão midiática de RuPaul Charles para problematizar as diferentes articulaç ões do Camp. Acredita-se, no entanto, que o Camp é capaz de produzir visibilidade queer, mesmo normatizado. O queer é “o sujeito de sexualidade desviante [...] que não deseja ser ‘integrado’ e muito menos ‘tolerado’” (LOURO, 2004. p. 07). Observa-se também como o mainstream só é acessível através da adesão de uma determinada normatividade.
  3. 3. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Sobre RuPaul Charles “Eu, RuPaul, nasci uma pobre crianç a negra, na comunidade de Brewster, em San Diego, Califó rnia. Mas baby... you better work! Olhem para mim agora. Como supermodelo original do mundo, todos os meus sonhos se realizaram. E agora, estána hora de partilhar meu amor”. (RPDR, S01E01)
  4. 4. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Sobre o genderfuck: É minha escolha não ser homem, e é minha escolha ser linda. Eu não sou um imitador feminino; eu não quero zombar das mulheres. Eu quero criticar e provocar os papé is femininos e també m os masculinos. Eu quero tentar e mostrar como não-normal eu posso ser. Eu quero ridicularizar e destruir toda a cosmologia dos restritivos papé is de gênero e identificaç ão sexual (LONC, 1974 apud BERGMAN, 1993, p. 07). [...] Porque eu fui capaz de transformar algo que era entendido como subversivo em algo que era mainstream [...] Esforç o calculado para retirar a sexualidade da minha imagem. [...] as pessoas não se sentiam ameaç adas por mim, e eu acho que isso tem a ver com a sexualidade. Elas não pensam em mim desta forma; elas não se sentem sexualmente ameaç adas por mim (RUPAUL, 03/09/2013, s/p).
  5. 5. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil As articulaç ões do Camp. De acordo com Sontag (1964), 1. [...] O Camp é um certo tipo de esteticismo. É uma maneira de ver o mundo como um fenô meno esté tico. Essa maneira, a maneira do Camp, não se refere à beleza, mas ao grau de artifício, de estilizaç ão. 2. Enfatizar o estilo é menosprezar o conteúdo [...]. Não é preciso dizer que a sensibilidade Camp é descompromissada e despolitizada — pelo menos apolítica.
  6. 6. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil No entanto, segundo Meyer (2005), O Pop Camp surge como “veículo involuntário de uma operaç ão subversiva que introduz os có digos de significaç ão queer no discurso dominante” (MEYER, 2005, p. 11). Sem o processo da paró dia, o agente marginalizado não tem acesso à representaç ão, o aparelho que é controlado pela ordem dominante. O Camp, especificamente como paró dia queer, se torna então o único processo no qual o queer é capaz de penetrar a representaç ão e produzir visibilidade social” (MEYER, 2005, p. 09).
  7. 7. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Articulaç ões do Camp por RuPaul [...] Fazem graç a dos papéis que as pessoas representam. […] São experts na paró dia, sátira, e desconstruç ão dos padrões sociais [...] técnica de sobrevivência para evitar ser sugada para a ‘seriedade’ de todo o drama” (RUPAUL, 2010, p. 11). “Não levar a vida tão a sé rio; Se ame; Poucas coisas não possuem limites, mas não ultrapasse a linha da gentileza; Faç a o que quiser, desde que não machuque ninguém no processo; Viva sua vida sem restriç ões” (RUPAUL, 2010, p. 12).
  8. 8. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil 41. A questão fundamental do Camp é destronar o sério. O Camp é jocoso, anti-sé rio. Mais precisamente, o Camp envolve uma nova e mais complexa relaç ão com o "sério". Pode-se ser sério a respeito do frívolo, e frívolo a respeito do sério. 43. Os recursos tradicionais que permitem ultrapassar a seriedade convencional — ironia, sátira — parecem fracos hoje, inadequados ao veículo culturalmente supersaturado no qual a sensibilidade contemporânea é educada. O Camp introduz um novo modelo: o artifício como ideal, a teatralidade. [...] Isso tira o foco da eliminação de algo negativo – o fato de uma competidora sair do show – para algo positivo – reafirmação do amor individual e da crítica construtiva para o bem maior. Adicionalmente, essa afirmação enfatiza a necessidade por amor mútuo e apoio na marginalizada comunidade drag (HICKS, 2013, p. 156).
  9. 9. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil [...] Em Drag Race e Drag U o campy homicida passional é utilizado para capitalizar objetivos políticos homonormativos, transformando o drag em mercadoria cultural mainstream a qual o consumo incorpora homens gays (predominantemente brancos) em regimes normativos de poder. Heterossexuais que assistem o programa são garantidos que gays partilham os mesmos valores, excluindo a ameaç a e desestabilizando a forç a do drag e do camp atravé s de causas assimilacionistas [...]. (MORRISON, 2014, p. 125). O Camp homicida passional e a homonormatividade
  10. 10. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Concluindo O Camp, normatizado, é oferecido como estilo de vida, muito pró ximo ao proposto por Sontag (1964). A positivaç ão do Camp não acontece mais silenciando a agência do queer, mas sim transformando-o em um estilo de que promove a integraç ão do queer às causas hetero e homonormativas, atendendo as normas do ethos terapêutico (FUREDI, 2003; ILLOUZ, 2008, 2011) e do imperativo da felicidade (FREIRE FILHO, 2010).
  11. 11. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Por fim, Ainda que o Camp em RuPaul se articule como estilo de vida, muito enfraquecido, ele é capaz de produzir visibilidade queer através da paró dia. No entanto, é preciso lembrar que a política normativa que busca sempre integrar o queer não exige apenas uma partilha de valores, principalmente morais, mas també m um padrão de conduta, muito pautado pelo ethos terapêutico. O acesso ao mainstream só é possível ao aderir às normatividades impostas por esse ethos, que exige dos indivíduos determinadas competências emocionais e afetivas, como confianç a, auto-estima e resiliência, sem importar as práticas sexuais, as questões de identidade de gênero ou sexo bioló gico.
  12. 12. XIV CONGRESSO INTERNACIONAL IBERCOM 2015 São Paulo/SP - Brasil Referências bibliográficas CHARLES, RuPaul. Biografia. Disponível em: <http://migre.me/nsupy>. Acesso em 03 dez. de 2014. CHARLES, RuPaul. Workin’ It: RuPaul’s Guide to Life, Liberty, and the Pursui of Style. HaperCollins: EPub, 2009. FREIRE FILHO, João. Ser Feliz Hoje (org.). Rio de Janeiro: FGV. 2010. HICKS, Jessica. Can I Get an ‘Amen’?: marginalized communities and self-love on RuPaul’s Drag Race. In: Demeroy, Pamela; Pullen, Christopher. Queer Love in Film and Television: critical essays. New York: Palgrave Macmillan, 2013. ILLOUZ, Eva. O amor nos tempos do capitalismo. Rio de Janeiro: Zahar. 2011 LONC, Christopher. Genderfuck and It’s Delights. In: Bergman, David. Camp Grounds: style and homossexuality. Amherst: University of Massachussetts Press, 1993. LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. MEYER, Moe. The Politics and Poetics of Camp. London: Routledge, 2005. MORRISON, Josh. Draguating to Normal. In: The Makeup of RuPaul's Drag Race: essays on the queen of reality shows. Jefferson: McFarland. 2014. SHERMAN, Lisa. Logo Saying GOODBYE To Gay-Themed Programming. Disponível em: < http://migre.me/nsHFM>. Acesso em: 03 dez. 2014. SONTAG, Susan. Notas sobre Camp. In: Contra a interpretação. Porto Alegre: L&PM, 1987. WU, Jason. The Transformer: RuPaul. Disponível em: <http://migre.me/nMRit>. Acesso em: 03 dez. 2014.

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