Retirantes

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Poema e PPP feito em homenagem ao meu avô Antonio Corrêa Branco.

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Retirantes

  1. 1. RETIRANTES Celso Corrêa de Freitas
  2. 2. <ul><li>Quando lhes tiraram a lavoura, </li></ul><ul><li>e o sistema se voltou para os pastos, </li></ul><ul><li>eles partiram deixando para traz, </li></ul><ul><li>naquelas terras tão somente os rastros. </li></ul><ul><li>que apontavam para as cidades grandes, </li></ul><ul><li>gado humano em procissão, </li></ul><ul><li>brancos escravos e negros servis </li></ul><ul><li>tangidos para longe do seu chão. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>E se a juriti abandonou o campo, </li></ul><ul><li>com medo do gavião, </li></ul><ul><li>quem ficou o fez por não ver, </li></ul><ul><li>vida longe da plantação. </li></ul><ul><li>Nas cidades cresceram as favelas, </li></ul><ul><li>e os bois engordaram nas invernadas, </li></ul><ul><li>as riquezas do País foram ficando, </li></ul><ul><li>nas mãos de poucos... Concentradas. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Depois vieram as indústrias, </li></ul><ul><li>como vaga-lumes iluminando o apogeu, </li></ul><ul><li>mas o País continuou injusto, </li></ul><ul><li>com a sorte dos filhos seu. </li></ul><ul><li>que em desatino elegem a esperança, </li></ul><ul><li>como forma de punir maus governantes, </li></ul><ul><li>afinal ela trazia na sua pele, </li></ul><ul><li>as chagas dos retirantes. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>E o destino que teceu a trama, </li></ul><ul><li>daquele que assumiu o seu papel, </li></ul><ul><li>se pos como um enorme vazio, </li></ul><ul><li>tal como uma nuvem no céu. </li></ul><ul><li>E esperando pelo incerto </li></ul><ul><li>num tempo que está a passar, </li></ul><ul><li>quando a Asa-Pau se faz ouvir, </li></ul><ul><li>esse povo se põe a rezar. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>E olha que nem seria preciso </li></ul><ul><li>essas preces levadas a Deus, </li></ul><ul><li>se no planalto se ouvisse </li></ul><ul><li>a voz rouca dos votantes ateus. </li></ul><ul><li>gente de todos os matizes </li></ul><ul><li>que não encontram a saída, </li></ul><ul><li>que os faça retornar pela estrada </li></ul><ul><li>que lhes pareceu ser um caminho de vida. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>E se o gado agora geme no curral </li></ul><ul><li>alguém está sofrendo no cativeiro, </li></ul><ul><li>o mau feitor no conforto da sua cela </li></ul><ul><li>com segurança aplica nosso dinheiro. </li></ul><ul><li>O que pode esperar esse povo? </li></ul><ul><li>Feito galinha solta no terreiro, </li></ul><ul><li>cada um com um galo de plantão </li></ul><ul><li>a lhe fustigar o traseiro. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Como bicho solto na seca </li></ul><ul><li>busca salvar-se procurando emprego, </li></ul><ul><li>vive com um pé no ócio </li></ul><ul><li>e o outro no desapego. </li></ul><ul><li>Andam cobras pelas esquinas </li></ul><ul><li>a encantar passarinhos </li></ul><ul><li>suas bocas quando agarram não soltam </li></ul><ul><li>e os meninos deixam de ser anjinhos. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Ninguém mais é o mesmo </li></ul><ul><li>e hoje já não é como antes, </li></ul><ul><li>somos todos nesse caminho do medo </li></ul><ul><li>apenas e tão somente...Retirantes! </li></ul><ul><li>Em busca do melhor da vida </li></ul><ul><li>quando essa é feita de instantes, </li></ul><ul><li>falta-nos aquele rancor cívico </li></ul><ul><li>que sufoca os governantes. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Esses deitados estão, </li></ul><ul><li>à sombra dos Jequitibás. </li></ul><ul><li>E pouco sobra dessa espécie </li></ul><ul><li>Nos campos de que estou falando. </li></ul><ul><li>Ainda tem gente minha por lá, </li></ul><ul><li>E para lá estou querendo voltar </li></ul><ul><li>Já não me vejo mais aqui </li></ul><ul><li>Pois lá sempre foi o meu lugar. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Será um reencontro com tudo </li></ul><ul><li>Que passou a florescer, </li></ul><ul><li>Tão somente nos sonhos </li></ul><ul><li>De quem cresceu sem esquecer, </li></ul><ul><li>Quem eu sou, </li></ul><ul><li>De onde vim, </li></ul><ul><li>Para onde vou, </li></ul><ul><li>Esperar o fim. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>As margens do grande rio </li></ul><ul><li>que sempre correu em mim, </li></ul><ul><li>A sombra das mangueiras </li></ul><ul><li>que adocicaram o meu jardim. </li></ul><ul><li>Tem gente minha por cá </li></ul><ul><li>também querendo voltar. </li></ul><ul><li>tem gente minha morrendo </li></ul><ul><li>sem esse sonho realizar. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Preciso me apressar </li></ul><ul><li>Para que eu não morra também assim, </li></ul><ul><li>Preciso voltar para a minha terra </li></ul><ul><li>O melhor lugar de mim. </li></ul>Retirantes é dedicada a Antonio Corrêa Branco – Meu avô Patativa do Assaré (autor) e Luiz Gonzaga (intérprete) dessa maravilhosa página da Música Popular Brasileira, que sempre esteve presente na minha vida.
  14. 14. CELSO CORRÊA DE FREITAS <ul><li>Poeta e Articulista, nascido em Itaperuna-RJ, aos 26 de Agosto de 1954. Presidente (O sexto) da Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande-SP até 2010. Membro dessa Associação desde 26/08/2004 (...Entrei no dia do meu aniversário, foi um presente que me dei...). Reside em Praia Grande, onde ampliou sua família desde Fevereiro de 1996. Colaborador ativo nos jornais e demais meios de comunicação (Blogs e Sites), através dos seus artigos e inserções. Sua classificação honrosa no primeiro concurso de Poesias Fernando Pessoa lhe permitiu participar da Antologia “Poesia e Liberdade” que lhe abriu as portas para sua segunda antologia “Poesia e Amor” e sedimentou a sua posição no cenário poético Nacional com o livro “Poeta-Profissão Homem!”, “Destino em Transição(Livro solo)”, e a antologia “São Paulo-450 anos em Prosa e Verso”. É autor também dos livretos “Sitio do Campo em Cordel”, “Os Portais de Mim”, e colaborou ativamente no projeto educacional da Escola Carlos Roberto Dias que gerou o livreto “OS POETAS DA EJA”. </li></ul>CCF ACESSE: WWW.OPINIAOCCF.COM.BR e PORTALPOETICOCCF.BLOGSPOT.COM

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