UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS            UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃOCURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HA...
Cristiano Farias MartinsROTINAS PRODUTIVAS EM CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO                                         T...
À Luiza Carravetta, eterna mestra e orientadora,           pelos conselhos, pela sabedoria e pela paciência;  À Greice, co...
AGRADECIMENTOS      A orientadora deste Trabalho de Conclusão de Curso, Professora Luiza MariaCezar Carravetta, por todo o...
RESUMOEste Trabalho de Conclusão de Curso tem como principal objetivo apresentar aoleitor as características de três canai...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
71 INTRODUÇÃO       Este Trabalho de Conclusão, involuntariamente, tem início quando este autorainda era estudante do ensi...
8       Durante o programa, assisti atentamente a comunicação e a sincronia entre oapresentador Renato Martins e o operado...
9com lua cheia. Mas me dei por conta de que aquela não era uma vida a ser seguida,que não levava a um futuro, ou seja, a l...
10durante quatro meses, enquanto trabalhei no cemitério, participei de uma rádiocomunitária, localizada em Viamão. A Araco...
11      Eu havia feito a inscrição no vestibular da UFRGS, mas sabia que não estavapreparado para passar naquele tão conco...
12       Por ter o domínio técnico, as disciplinas de telejornalismo passaram a ser asatividades onde considerava obrigató...
13canais de notícia 24 horas, e não era diferente com os canais Band News e RecordNews, mais recentes, e antes ainda com o...
14novembro de 2010 as quatro primeiras edições analisadas, sendo duas do canalBand News e outras duas do canal Record News...
152 REFERENCIAL TEÓRICO2.1 Definição de Telejornalismo       Souza (2004), em estudo sobre os gêneros e formatos da televi...
16      Squirra (2002, p.1-2) define o telejornalismo do seguinte modo:                     um gênero jornalístico que rep...
17      Tourinho (2009) diz que o gênero telejornalismo tem como característica afrequência de mudanças e atualizações no ...
18transmitida pela British Broadcasting Corporation (BBC) por meio de três câmeraseletrônicas para poucos receptores insta...
19      Não há uma concordância no que diz respeito ao início das transmissões doRepórter Esso na televisão. Rezende (2000...
20videotape viria a ser criado em 1956, nos Estados Unidos e, no Brasil, somente seriaempregado nas emissoras de televisão...
21      A partir da década de 1960, a implantação da rede de micro-ondas por parteda Empresa Brasileira de Telecomunicaçõe...
22      Não foi muito difícil para a TV Globo alcançar este objetivo. A crise dosDiários Associados, empresa proprietária ...
23      Rezende (2000) diz que a principal característica da televisão dos anos 1970é o desenvolvimento técnico, e a Rede ...
24fórmula que deu retorno em forma de audiência e repercussão. Porém, a abertura deespaço para os anseios da população ent...
25no sistema norte-americano NTSC1. Estudos do regime militar da época definirampela adoção do sistema PAL2, desenvolvido ...
26        Porém, um entrave tecnológico impedia uma expansão maior. Tupi e Globoocupavam os dois canais disponibilizados p...
27por meio dos canais UHF 6, diferentemente da televisão analógica convencional,transmitida em VHF 7.       A primeira tra...
28de abertura política pela qual o Brasil ingressara do final dos anos 1970 para o iníciodos anos 1980. Conforme Rezende (...
29Hoje, no início da tarde; Bom Dia São Paulo, no início da manhã, servindo deembrião para o Bom Dia Brasil, e; Jornal da ...
30Excelsior de São Paulo. Além disso, também de acordo com o site Última Hora(UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º ...
31      Boris Casoy é quem recebe o reconhecimento de ser o primeiro âncorainovador do telejornalismo brasileiro, à frente...
32Russomano e Jacinto Figueira Júnior, o lendário Homem do Sapato Branco. Oretorno de audiência foi instantâneo, mas restr...
33controle da Rede Manchete. O negócio chega a se concretizar, porém, Bloch retomana justiça o controle da TV Manchete sob...
34da redação, inaugurada em 13 de novembro de 1999. Conforme o artigo de SilviaCorrêa, publicado no jornal Folha de S. Pau...
35       Ainda conforme o Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo.Disponível em: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglo...
36para as residências. O sistema ficou conhecido como CATV10, e até hoje é sinônimode TV a cabo. O sistema evoluiu, a part...
37cinco canais: Showtime e ESPN International em UHF, e CNN, TNT e Superstationem MMDS11. Em 1994, a TVA torna-se a primei...
38atração dos canais Premiere e, anos depois, seria o primeiro canal de esportesvoltado para brasileiros no exterior, o PF...
39       Mas a ousadia maior de Ted Turner foi a de fazer frente às três grandes redesde televisão norte-americanas – ABC,...
40utilizar a marca CNN, como o canal CNN Chile, produzido inteiramente no paíslatino-americano; e a CNN Airport Network – ...
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Cristiano Martins   Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Cristiano Martins Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada

1.670 visualizações

Publicada em

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.670
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
238
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
19
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Cristiano Martins Rotinas produtivas em canais dedicados ao telejornalismo - versão revisada

  1. 1. UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃOCURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO CRISTIANO FARIAS MARTINSROTINAS PRODUTIVAS EM CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO SÃO LEOPOLDO 2010
  2. 2. Cristiano Farias MartinsROTINAS PRODUTIVAS EM CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, pelo Curso de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS Orientador: Prof.ª Dra. Luiza Maria Cezar Carravetta São Leopoldo 2010
  3. 3. À Luiza Carravetta, eterna mestra e orientadora, pelos conselhos, pela sabedoria e pela paciência; À Greice, companheira e assistente até o último parágrafo,pelo carinho, incentivo e dedicação nos momentos decisivos.
  4. 4. AGRADECIMENTOS A orientadora deste Trabalho de Conclusão de Curso, Professora Luiza MariaCezar Carravetta, por todo o aprendizado destes cinco anos de UNISINOS, em umaconvivência onde sempre se fizeram presentes a tranquilidade e a paz de espírito. A Greice Nichele, esposa e companheira, pela paciência, carinho e apoio,cruciais para que este Trabalho fosse produzido e concluído a tempo de serentregue. A todos os colegas de curso, representados aqui por Alessandra Riete, Rafael“Palmares” Martins e Pedro Bicca, pela parceria, força e dedicação com quetrabalharam nos projetos de telejornalismo, produzidos em equipe, e também aSchanna Rodrigues, Tárlis Schneider e Tatiane Marques de Lima, pela amizadecultivada nestes cinco anos. A meus pais, Marcos Rogério Martins e Cristina Farias Martins, irmão, avós,bisavó, entre outros, assim como os pais e familiares de minha esposa, pelo apoio,carinho e força empenhados para que este Trabalho se concretizasse. A Humberto Candil, diretor responsável do canal de notícias Band News TV,por ter respondido aos questionamentos e auxiliado no esclarecimento de dúvidassobre a rotina produtiva daquele canal. A Cláudio Lessa, ex-apresentador do canal CBS Telenotícias Brasil, por terdisponibilizado ao público os vídeos que permitiram analisar aquele canal dez anosapós sua extinção. A Ticiana Giehl, amizade que teve papel importante para que os rumos aserem seguidos fossem outros, resultando neste momento. Aos colegas de trabalho, coordenadores de operações, jornalistas, e a todosos profissionais da RBSTV e TVCOM Porto Alegre, que contribuíram para meuaprendizado profissional nestes quatro anos de convívio.
  5. 5. RESUMOEste Trabalho de Conclusão de Curso tem como principal objetivo apresentar aoleitor as características de três canais dedicados ao telejornalismo, sendo um extinto– CBS Telenotícias Brasil – e dois em operação – Band News e Record News.As características e momentos históricos do telejornalismo e da televisão porassinatura – onde os canais 24 horas de notícia têm espaço privilegiado – sãoapresentados, assim como os meandros da produção de um telejornal tradicional,inserido na programação de emissoras tradicionais de televisão. A rotina dosprofissionais de telejornalismo é apresentada em detalhes, assim como os prazosque precisam ser vencidos, e as formas de apresentação da notícia empregadas nostelejornais. Um resgate da trajetória dos três canais é traçado, e sete edições detelejornais são analisadas e descritas com o objetivo de esmiuçar ao máximo arotina produtiva de um canal dedicado à transmissão de informações, sinalizar ascaracterísticas que compartilham e diferenciam estes telejornais, assim como asinovações que podem ocorrer em um período de uma semana, em dois dos trêscanais analisados. A inovação estética, em detrimento da inovação no formato e noconteúdo é o resultado deste estudo, que revela a preocupação em superarinovações impostas pelos vanguardistas, desdenhando a elaboração de novosformatos apresentáveis ao telespectador. O objetivo principal deste Trabalho é levarao leitor um perfil atualizado destes veículos de comunicação, pouco estudados nomeio acadêmico, de modo a apresentar sua história, suas características einovações no decorrer dos últimos dez anos. Palavras-chave: Televisão. Telejornalismo. Notícia. Formato. Rotina
  6. 6. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 72 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 152.1 Definição de Telejornalismo ............................................................................... 152.2 Características do Telejornalismo ...................................................................... 162.3 Resgate Histórico no Brasil ................................................................................ 172.4 Histórico da Televisão por Assinatura ................................................................ 352.5 Histórico do Telejornalismo Dedicado ................................................................ 383 ROTINAS PRODUTIVAS NO TELEJORNALISMO ............................................... 413.1 Rotinas Produtivas em Canais Dedicados ao Telejornalismo ............................. 524 CANAIS DEDICADOS AO TELEJORNALISMO .................................................... 584.1 CBS Telenotícias Brasil ...................................................................................... 584.2 Band News ......................................................................................................... 614.3 Record News ..................................................................................................... 645 ANÁLISE ............................................................................................................... 675.1 Formas de Apresentação da Notícia .................................................................. 695.2 Informações Recorrentes ................................................................................... 715.3 Origem das Informações .................................................................................... 735.4 Tempo Total x Tempo de Produção ................................................................... 765.5 Hoje x Dez anos atrás ........................................................................................ 765.6 Inovações de uma semana para a outra ............................................................ 786 CONSIDERAÇÕES CONCLUSIVAS .................................................................... 83REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 86ANEXO – ENTREVISTA À HUMBERTO CANDIL .................................................... 90QUADRO I – ESPELHO DO TELEJORNAL CBS .................................................... 91QUADRO II – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 1 .............................................. 93QUADRO III – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 2 ............................................. 95QUADRO IV – ESPELHO DO TELEJORNAL BAND 3 ............................................ 97QUADRO V – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 1 ................................................ 99QUADRO VI – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 2 ............................................. 101QUADRO VII – ESPELHO DO TELEJORNAL REC 3 ............................................ 103
  7. 7. 71 INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão, involuntariamente, tem início quando este autorainda era estudante do ensino médio e residia no interior de Viamão, regiãometropolitana de Porto Alegre. Todos os dias, para chegar à escola – distante quase20 quilômetros da minha residência – era preciso pegar o ônibus pelas 6h30min damanhã. Acordava todos os dias pelas 5h45min, sozinho, e, enquanto preparava ocafé, assistia televisão. Grande parte dos programas que eram transmitidos naquele horário, ou erameducativos – caso do Telecurso – ou eram vinculados a alguma igreja, quando nãose tratavam de reprises de filmes e séries antigos. Mas um dia uma exceção à regrame chamou a atenção: eram boletins noticiosos, transmitidos a cada trinta minutos,chamados de CBS Telenotícias, que eram exibidos pelo SBT. A qualidade técnica, atrilha sonora, a postura dos apresentadores, e o fato de ser um telejornal em umhorário nada convencional conquistaram um telespectador. Por diversas manhãs, durante o café, se tornara uma obrigação minha sair decasa informado, após assistir ao último telejornal da madrugada, transmitido peloSBT, já que a partir das seis da manhã iniciava-se a programação de desenhos. Arotina se seguiu até que, em um dia qualquer, o telejornal não fora apresentado. Eno dia seguinte, e no outro, também não fora ao ar. Concluí o ensino médio no final de 2000. O canal CBS Telenotícias Brasilencerrara suas atividades no meio deste ano, por dificuldades financeiras. Mas nãose encerrara o meu interesse pela informação. Precocemente, passei a ouviremissoras de rádio informativas, como a Bandeirantes e a Gaúcha. As informaçõesdo trânsito, as notícias divulgadas instantaneamente, ao vivo, com a dinâmicaimposta pelo rádio me cativavam. Em um outro dia qualquer, resolvi conhecer como funcionava uma emissorade rádio. O programa escolhido, já extinto, era o Estúdio Band, apresentado porDaniela Sallet e Renato Martins na Rádio Bandeirantes, das duas às quatro datarde. A forma descontraída de informar o ouvinte durante duas horas eram minhadistração enquanto trabalhava em um escritório contábil de uma amiga. Perguntei sepodia assistir ao programa ao vivo, e me foi aberta uma exceção, pois não era umaprática do programa e da emissora permitir a visita de ouvintes.
  8. 8. 8 Durante o programa, assisti atentamente a comunicação e a sincronia entre oapresentador Renato Martins e o operador de áudio Luciano Vargas. O apresentadorlevantava a placa com a trilha que desejava, e lá vinha a trilha em um clique demouse do operador de áudio, que tinha em suas mãos um computador e uma mesade som parecida com um fogareiro de seis bocas, mas sem os queimadores. Aolado do operador, a produção freneticamente fechava ligações com os repórteres,que entravam ao vivo por telefone com as últimas notícias. Mesmo em meio a todaaquela tensão, aquele estresse, o operador parecia tranquilo, dava risadas eesbanjava sorrisos na sua atividade, sempre atento ao que estava no ar. Foi naquele dia que veio a decisão de querer trabalhar em rádio. Sabia que osalário não era dos melhores, mas sempre preferi me satisfazer em algo que valessea pena. Isso era em meados de 2001. Com a rescisão de um emprego, em 2002paguei a vista o curso técnico profissionalizante de Radialista – Operador de Áudio,na Fundação Padre Landell de Moura, a FEPLAM. Em quatro meses, o registroprofissional estava pronto – MTb 9404 – mas faltava-me a experiência, que veio naprópria FEPLAM, por duas oportunidades, auxiliando o professor Augusto Silveiranos finais de semana, nas aulas que os alunos de locução precisavam cumprir parafinalizar o curso. E foi convivendo com os alunos que me bateu o interesse em fazer também ocurso de locução. Não me via como locutor, apesar do tom de voz formal. Mas como incentivo de um ou outro colega, lá fui eu para a sala de aula novamente. Portrabalhar na FEPLAM, ganhei de presente o curso, ministrado pelo professor SérgioReis, um dos pioneiros da televisão no estado. Formado locutor, saí da FEPLAM porquestões pessoais, e fui trabalhar em um cemitério, como porteiro. O diretor do cemitério era o Pastor Adilson Stephani, da Igreja EvangélicaLuterana, e todas as semanas gravava comigo seu programa de rádio, que ía ao arem emissoras do interior do Rio Grande do Sul. Certo dia, Pastor Adílson, com seujeito tranquilo de falar, me perguntou se eu não conhecia ninguém que queriatrabalhar como porteiro do cemitério. Com curiosidade, perguntei o que precisava. Oprimeiro requisito era não ter medo de cemitério, o que não era meu caso. E depois,ter paciência para trabalhar aos finais de semana e feriados, algo que todo radialistaou jornalista deve se acostumar. E lá fui eu, por quatro meses, trabalhar como porteiro no Cemitério Evangélicode Porto Alegre, acompanhando velórios, fazendo rondas noturnas, com chuva ou
  9. 9. 9com lua cheia. Mas me dei por conta de que aquela não era uma vida a ser seguida,que não levava a um futuro, ou seja, a lugar algum. Era preciso dar um passo afrente. Com o apoio fundamental de Ticiana Giehl, na época estagiária da RádioGaúcha, aluna da FEPLAM na época em que trabalhei lá, e que se tornou umagrande amiga desde então, eu fui alimentando a ideia de prestar vestibular, algo quenão me passava pela cabeça desde que havia terminado o ensino médio. Enferrujado, distante dos cadernos, aos poucos fui me preparando paraencarar as provas que seriam no final do ano de 2005. Por não ter condiçõesfinanceiras para pagar um curso pré-vestibular, a preparação foi com livroscomprados em sebos, especialmente naquelas matérias em que a dificuldade eramaior – matemática, física e química. Mas por que raios um futuro jornalista precisasaber de matemática para passar no vestibular? Pois precisa não só para ovestibular, mas para a vida toda... Ticiana também me emprestou anotações, feitaspor ela de algumas matérias, e um livro de literatura brasileira. O primeiro teste foi o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Era asegunda vez que o Exame poderia ser utilizado para a concessão de bolsasintegrais em universidades particulares, por meio do Programa Universidade paraTodos – ProUni. Muitos não acreditavam nesta oportunidade, mas eu preferi colocaras fichas e ver no que dava. Nem eu, muito menos meus pais – um policial militar a caminho daaposentadoria, e uma dona de casa – ou meu irmão, que estava no ensino médio,tínhamos condições de pagar faculdade particular. E como estudei a vida toda emescolas públicas, enxergava no ProUni uma oportunidade de ingressar no ensinosuperior sem prejudicar o orçamento da família, e sem levar em consideraçãoquestões político-partidárias que se revelam nestas ocasiões. Fiz as provas do ENEM, mas o resultado seria divulgado somente no final doano. Pela estimativa que fiz, foram 42 acertos em 63 questões, dois terços exatos daprova. Nada mal para quem ficara cinco anos longe dos cadernos... Pois o tempopassava e era preciso ingressar na universidade, a decisão já estava tomada.O primeiro vestibular foi o da Feevale, onde passei e cheguei a me matricular emtrês disciplinas. Um segundo vestibular, desta vez no IPA, onde também fuiaprovado. No IPA, eu poderia, por ser filho de policial militar, conseguir uma bolsaintegral, mediante o cumprimento de atividades voluntárias. Disto eu entendia bem:
  10. 10. 10durante quatro meses, enquanto trabalhei no cemitério, participei de uma rádiocomunitária, localizada em Viamão. A Aracoupama FM tinha como diretor RobertoGross, que foi candidato a senador nas últimas eleições. Um cara sério, que fazia detudo para que a rádio fosse cem por centro dentro da lei – transmissores,programação, apoios culturais... Eu, locutor e operador de áudio caçando experiência, procurei a rádio, e meofereci para trabalhar como locutor, redator, operador de áudio, criador de vinhetas,e o que fosse preciso... exceto vender, pois eu sempre pensei que essa atividadenão compete ao radialista. Roberto aceitou e eu trabalhei durante quatro meses narádio, melhorando a plástica da emissora, desenvolvendo vinhetas, programas, einformatizando a rádio, que até então era posta no ar por cinco rádios portáteis comCD, sem remuneração fixa – o pagamento, na maioria, era em erva-mate,permutada por espaço publicitário de um anunciante da rádio. Era o combustívelpara começar bem todas as manhãs. De vez em quando aparecia um ou outrodinheiro, mas era muito pouco. Pedi desligamento da rádio por não conseguir compatibilizar os horários como emprego no cemitério – caminhar quatro quilômetros até o estúdio da rádio todasas manhãs passou a se tornar uma atividade cansativa. Outro motivo que me levoua sair da rádio foi a intenção do diretor da emissora em querer concorrer comemissoras de rádio comerciais, fazendo a programação musical semelhante a estas,por mais que eu insistisse que o diferencial da rádio comunitária deveria ser ocontrário, de explorar todos os espaços que as rádios comerciais faziam questão denão atingir. Consegui a tal bolsa integral do IPA, e cancelei a matrícula na Feevale. Tudoacertado para começar o semestre em março, até que chega o resultado do ENEM:nota 95 na redação, e 42 acertos, média de 79,23 e o oitavo lugar para jornalismo noestado. Estava dentro, e pela nota, podia me dar ao luxo de escolher onde estudar. A UNISINOS foi a escolha natural, pelo ambiente acolhedor, pela vasta áreaverde e espaço de sobra, por dispor dos melhores laboratórios para a prática dasatividades, pelo nível de excelência e de respeito reconhecido por todos que alipassaram, incluindo meu avô, que se formou em Direito... e também por ter o menorgasto de passagens de Viamão até lá – afinal de contas eu estava desempregado, eacredite, era mais caro ir a Porto Alegre em 30 minutos do que ir a São Leopoldo emquase duas horas..
  11. 11. 11 Eu havia feito a inscrição no vestibular da UFRGS, mas sabia que não estavapreparado para passar naquele tão concorrido vestibular. E realmente não passei,mas fiz a prova para não desperdiçar os 100 reais que saíram da rescisão docontrato com o cemitério. Assim que iniciei as aulas na UNISINOS, fui convidado por um amigo paraauxiliar o cunhado deste no supermercado da família, em Ipanema, zona sul dePorto Alegre. Pensei se tratar de um bico de informática, daqueles que rendem umdinheiro fácil em uma tarde, Mas não, o dono do mercado precisava de alguém deconfiança para administrar o sistema de gerenciamento do mercado. Estavaempregado, mas tinha o desafio de todo santo dia sair de Viamão para SãoLeopoldo, de lá para Ipanema, e de Ipanema para Viamão. De segunda a sábado. Foi assim durante oito meses – cinco disciplinas, um curso de extensão porsemestre, e virei cliente assíduo do Trensurb e das empresas de ônibus. Até quenos classificados de empregos, abre uma vaga para operador de áudio em televisão.E justamente no Grupo RBS, que dificilmente abria este tipo de vaga – normalmenteas contratações eram por indicação. De escondido do patrão, participei dasprimeiras duas entrevistas. Quando tive a convicção de que seria contratado, aviseiao Claudio, dono do mercado, para que procurasse um substituto – não queriadeixa-lo na mão, e eu saía para trabalhar na área para a qual havia estudado. Elecompreendeu, e em um mês eu saí do supermercado e passei para a mesa de somda TVCOM, canal 36 de Porto Alegre. Mas não sem antes ficar com a dúvida: escolho a estabilidade de umemprego com carteira assinada, abrindo mão do estágio? Ou coloco em primeiroplano a possível futura carreira e vou em busca de um estágio? Primeira opção. 20 de novembro de 2006. Até então, eu conhecia a operação de umaemissora de rádio, nunca havia entrado em uma emissora de televisão, muito menosnum switcher. Nem as instalações da TV Unisinos eu conhecia ainda. Mas fomos lá,algumas semanas de treinamento na prática e já era quase um veterano em operaráudio na televisão. A convivência com os jornalistas que pôem no ar os telejornais da emissorame fizeram trocar em parte o fascínio do meio rádio pelo meio televisão. O jogo decâmeras, o trabalho em equipe, a expressão oral e facial, a coordenação dastransmissões, e a participação direta no sucesso do produto que ia ao ar me levarampara o caminho do aperfeiçoamento em televisão.
  12. 12. 12 Por ter o domínio técnico, as disciplinas de telejornalismo passaram a ser asatividades onde considerava obrigatório desempenhar o melhor e o máximopossível. Com o grupo de colegas que se consolidou nas turmas iniciais daprofessora Luiza Carravetta, esse aprendizado foi levado adiante. Nunca me vi emfrente às câmeras, sempre me senti mais a vontade nos bastidores, na construção ena idealização dos trabalhos. E assim foi com todos os trabalhos produzidos nasdisciplinas de telejornalismo – sempre trabalhando nos bastidores para o êxito dostrabalhos, e por consequência, dos colegas. Em um ou outro trabalho apareci emfrente às câmeras – ou como repórter piadista, ou como apresentador formal debancada. Não me convenci em nenhuma das duas funções... A prática das externas, as gravações em estúdio, as edições das reportagens,sempre eram feitas aplicando aquilo que estava na minha rotina de trabalho, no meuganha-pão. E ao mesmo tempo, transmitindo parte do meu conhecimento paraaqueles que estavam comigo – não era nem nunca foi querer se vangloriar doemprego que conquistei, mas sim repassar aquele conhecimento que adquiri naprática, na rotina, no cotidiano. São quase quatro anos trabalhando em televisão. Todos os dias, uma rotinadiferente, às vezes monótona, às vezes excitante – mesmo em situações de tragédiacomo a da queda do voo JJ3054 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Euestava no ar, operando a mesa de som no momento da queda, e participei datransmissão da cobertura do acidente desde os primeiros momentos – a jornadanaquela noite se estendeu até às três da manhã, e recomeçou no dia seguinte, dasquatro da tarde até a meia-noite. Com pesar, mas eletrificado por fazer parte de umacobertura jornalística intensa, permanente. Veio o final do curso, e com ele a necessidade de se desenvolver o temido epreocupante Trabalho de Conclusão de Curso. A opção pela televisão como temaera quase que uma regra, mas não tinha o interesse de fazer sobre o meu cotidiano,a emissora em que trabalhava. Seria muito prático. Por que não voltar às origens,aos dias que amanheciam em Águas Claras, acompanhando o telejornal que mepermitia sair de casa bem informado, e que deu início a essa história toda? Esta foi a escolha – abordar, de alguma forma, o canal CBS TelenotíciasBrasil. Mas era preciso enquadrar, arredondar e polir o tema em um padrãoacadêmico e científico, que a ocasião exige. Sempre me chamaram a atenção os
  13. 13. 13canais de notícia 24 horas, e não era diferente com os canais Band News e RecordNews, mais recentes, e antes ainda com o Globo News, pioneiro no Brasil. Ajustando os detalhes com a sempre professora e, agora, orientadora eincansável Luiza Carravetta, comprei, com certa relutância inicial, a ideia dedesenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso sobre Rotinas Produtivas nosCanais Dedicados ao Telejornalismo. De certo modo, domino bem os conceitos derotina produtiva, pois ao trabalhar em uma emissora de televisão, se tornaconstante, permanente, automática a rotina de produção, entranhando-se na rotinapessoal de quem nela trabalha. A leitura técnica de um telejornal, o conhecimento doespelho e da exibição do telejornal no ar, se caracteriza em uma bagagem e tanto. O desejo inicial de abordar o caso CBS Telenotícias Brasil deu espaço àproblematização: relacionar o produto de dez anos atrás com os produtos televisivosdos dias atuais, especialmente os canais Band News e Record News. Não era nem nunca foi intenção abordar o canal pioneiro Globo News, massim os projetos que iam de encontro a ele – iniciativas inovadoras, que procuravamse diferenciar daquele que fora o primeiro, e que era o único no ar há quinze anos. Inicialmente, definimos, conceituamos e apresentamos o telejornalismo, assimcomo retratamos suas ações pioneiras no Brasil. Também apresentamos a televisãopor assinatura, suas iniciativas pioneiras, e a ocupação de um espaço privilegiadoaos canais dedicados ao telejornalismo. Para que se possa entender como um canal de notícias funciona, énecessário conhecer as características do telejornalismo tradicional, suas formas deapresentação e peculiaridades em relação aos outros meios de comunicação. Também se faz necessário o conhecimento do histórico dos canais que serãoestudados neste Trabalho: quais são, quem os criou, com que intenções elessurgiram. Especial atenção dedico ao canal CBS Telenotícias Brasil, poucoconhecido do público geral, que teve curta duração, mas que tem uma história quenão foi levada ao conhecimento da maioria – cabe-nos contá-la. Com base em sete telejornais selecionados criteriosamente, buscamosanalisar de modo qualitativo o conteúdo apresentado nos três canais aquiestudados. Com exceção do exibido pelo canal CBS Telenotícias Brasil, que foiobtido na internet, graças a iniciativa de um ex-apresentador do canal, CláudioLessa, que disponibilizou os vídeos para livre acesso no YouTube e autorizou aanálise destes – foram gravados na noite do dia 3, e na manhã e tarde do dia 4 de
  14. 14. 14novembro de 2010 as quatro primeiras edições analisadas, sendo duas do canalBand News e outras duas do canal Record News. Em 8 de novembro, ambos os canais optam por promover modificações emsuas grades de programação – o Record News opta por divulgar tais mudanças demodo ostensivo, inclusive dentro dos telejornais, com as mesmas características deuma notícia, enquanto que o Band News o faz de modo quase despercebido. Mais duas edições são analisadas, na manhã do dia 10 de novembro, no casodo Band News, e na noite do dia 12 de novembro, no caso do Record News, com ointuito.de avaliar quais as modificações que foram efetuadas nos dois canais,tomando como base as formas de apresentação da notícia. Tomou-se o cuidado de obter as edições dos telejornais o mais próximo deuma rotina normal possível, sem fatos que pudessem contaminar a linha editorial oualterar o cotidiano das redações, como o segundo turno das eleições presidenciais,que teve seu desfecho nas urnas em 31 de outubro, e que ocupou espaço amplonos telejornais por pelo menos mais três dias. Por algumas ocasiões, as análises tiveram de ser adiadas, ou por eventosextraordinários que substituíram os telejornais, ou por horários da programação forada normalidade. Tais precauções foram adotadas visando uma análise descritiva fielao que ocorre nas rotinas dos canais dedicados ao telejornalismo. O objetivo deste trabalho é apresentar um perfil deste tipo de canal detelevisão que é pouco explorado e assistido por acadêmicos, que habitualmentebuscam os telejornais tradicionais, inseridos em grades de programação dasemissoras de televisão aberta. Pessoal e profissionalmente, este trabalho tem a ambição de ser o registro doaprendizado acadêmico, científico e técnico adquirido ao largo de uma caminhadade cinco anos, iniciada de forma ingênua dez anos atrás, que não se dará porencerrada neste trabalho e que, a exemplo de outras ocasiões relatadas nestaintrodução, se inicia em um amanhecer, com o chimarrão e a esposa comocompanheiros.
  15. 15. 152 REFERENCIAL TEÓRICO2.1 Definição de Telejornalismo Souza (2004), em estudo sobre os gêneros e formatos da televisão brasileira,define que o telejornalismo pode ser considerado um gênero inserido na categoriainformativo, a partir da observação de algumas redes de televisão comerciais.Porém, o gênero passa a ser visto como formato em televisões educativas ou comobjetivos publicitários. Por este motivo, Souza (2004, p.149) classifica o telejornal “como umprograma que apresenta características próprias e evidentes, com apresentador emestúdio chamando matérias e reportagens sobre os fatos mais recentes”. Ainda deacordo com Souza (2004, p.149), “as emissoras classificam de telejornalismo osnoticiários, informativos segmentados ou não, em diversos formatos”. Souza (2004) diz que o conceito de rede de televisão, independente de outrosgêneros televisivos que sejam apresentados, sempre terão presentes espaço evisibilidade para o telejornalismo, tanto que o investimento no gênero telejornalismoé sempre superior aos de outros gêneros nas redes de televisão. Pereira Júnior (2000, p.6) considera que “para a maioria das pessoas, ostelejornais são a primeira informação que elas recebem do mundo que as cerca”,tendo espaço significativo na vida das pessoas. Conforme Pereira Júnior (2000), osnoticiários televisivos têm papel relevante na imagem que as pessoas idealizam darealidade. Carravetta (2009, p.20) afirma que “no telejornalismo basicamente temospessoas passando informações a outras pessoas”. Estão envolvidos neste processo“quatro ou cinco sujeitos falantes: os apresentadores, os repórteres, os entrevistadose as testemunhas do fato”. De acordo com Carravetta (2009, p.19), “a televisão é o veículo que maisdramatiza a realidade e a torna real em função da imagem”. Deste modo, o telejornal exerce o efeito de mediação entre os apresentadores e o telespectador. Os fatos acontecem, os eventos surgem mediados pela equipe de jornalismo, que é testemunha ocular para construir as versões dos acontecimentos.
  16. 16. 16 Squirra (2002, p.1-2) define o telejornalismo do seguinte modo: um gênero jornalístico que representa uma prática de difusão de informações [...] sabe-se que o telejornalismo é veiculado no suporte midiático televisão. Esta mídia tem como atributos centrais a imagem cinética e o áudio, que trazem formas complementares de expressão com o uso de elementos intencionalmente facilitadores, tais como gráficos, animações e a edição. Ainda de acordo com Squirra (2002, p.1-2), a TV usa cenários, vestimentas, efeitos luminosos e visuais, movimentos de câmera, além da atuação dos atores em cena. Por seu lado, a edição “recorta” os eventos originais, dando nova ordem e intensidade e, portanto, nova significação aos segmentos captados, numa alteração intencional do real que se poderia considerar originalmente como “puro”, apresentando à audiência o real “elaborado” pelas estruturas de comunicação. Squirra (2002, p.1-2) conclui que a televisão é entendida como um “veículo de difusão aberta”, quer dizer, chega indistintamente à casa de todas as pessoas, bastando ter a posse de um aparelho. É necessário pontuar que o programa televisivo pode ser transmitido em sistema “fechado”, como é o caso da TV por cabos.2.2 Características do Telejornalismo Souza (2004) conta que o formato pioneiro do telejornal é o noticiário. Comocaracterísticas primárias, o apresentador do noticiário lê textos para a câmera, semoutras imagens nem ilustrações. Este formato foi aperfeiçoado com o passar dostempos, mas sem perder os traços primários. Souza (2004, p.175) caracteriza oformato telejornal: “um apresentador chama reportagens ao vivo ou pré-gravadas eeditadas e até faz entrevistas em estúdio. Pode ter um ou dois apresentadores econtar com comentaristas”. A transmissão dos telejornais é feita ao vivo, de forma a demonstraratualidade ao telespectador, e também a permitir a participação de entrevistados nosmais diversos pontos do Brasil e do mundo. Com raras exceções, os telejornais sãogravados para exibição posterior.
  17. 17. 17 Tourinho (2009) diz que o gênero telejornalismo tem como característica afrequência de mudanças e atualizações no formato telejornal. A linguagem, osrecursos tecnológicos e outras configurações estéticas e de conteúdo estão entreestas mudanças. De acordo com Tourinho (2009, p.21), no telejornalismo “recorre-se a outros gêneros da própria televisão para absorver formas de surpreender e„segurar‟ o telespectador”. Segundo Souza (2004), a reportagem é um formato utilizado no gênerotelejornalismo, geralmente de curta duração, e que tem como principal funçãocolocar o repórter em evidência, narrando um assunto e conduzindo entrevistas.Carravetta (2009, p.19) diz que “a construção da notícia é feita desde a seleção depauta, da captação de imagem, passando pela criação do texto e pelo processo deedição”. Barbeiro e Lima (2002, p.16) dizem que “o telejornal é composto de umamistura de fontes de imagens, sons, gravações, filmes, fotos, arquivos, gráficos,mapas, textos, ruídos, músicas, locuções, etc.” Barbeiro e Lima (2002, p.16)consideram que o telejornal “se estrutura de forma semelhante em todos os lugaresdo mundo enfocando tomadas em primeiro plano de pessoas que falam diretamentepara a câmera, sejam repórteres ou entrevistados”. Carravetta (2009, p.19) também ressalta que no telejornalismo, usam-se os planos mais fechados com o objetivo de proporcionar uma distância íntima entre o repórter e o telespectador. O close mostra uma distância interpessoal, o plano americano uma distância pessoal e o plano médio a distância pública. Uma das características do telejornalismo apresentadas por Carravetta (2009)é o uso do primeiro plano, de modo a enfocar aqueles que falam para o público,sejam eles jornalistas ou protagonistas. Aos personagens somam-se imagens, sons,ilustrações animadas ou não, locuções, música, ruídos e silêncio, formando oconjunto de informações apresentadas em uma notícia.2.3 Resgate Histórico no Brasil O ponto de partida do telejornalismo no mundo, de acordo com Squirra (1990)e com Tourinho (2009), seria a coroação do Rei Jorge VI, da Grã-Bretanha,
  18. 18. 18transmitida pela British Broadcasting Corporation (BBC) por meio de três câmeraseletrônicas para poucos receptores instalados em Londres. Seria a primeiratransmissão de um evento ao vivo com fins informativos – até então, as experiênciasque haviam sido feitas diziam respeito à transmissão de peças teatrais, ousimplesmente demonstrações públicas do funcionamento da televisão. Squirra(1990) diz que a coroação ocorre em 1936, enquanto que Tourinho (2009) diz que acoroação teria ocorrido em 1938. Mas o pioneirismo da BBC já havia ocorrido, pois,segundo Squirra (1990), o primeiro programa de televisão foi transmitido tambémpor ela em 31 de março de 1930. Grande parte daqueles que abordam a história da televisão no Brasil concluique o início do telejornalismo brasileiro se dá em conjunto com o início dastransmissões no país – o sétimo no mundo a colocar em funcionamento umaemissora de televisão. De acordo com Rezende (2000), o primeiro telejornalbrasileiro, Imagens do Dia, tem início em 20 de setembro de 1950, dois dias após aprimeira emissora de televisão brasileira ter sido inaugurada, a TV Tupi de SãoPaulo, em 18 de setembro. Já Klöckner (2008) relata que Imagens do Dia teria idoao ar um dia após a inauguração da TV Tupi, em 19 de setembro. Este telejornal, de acordo com Rezende (2000), tinha em sua equipe umredator-apresentador, e três cinegrafistas. A primeira reportagem filmada e exibidaneste telejornal foi o desfile cívico-militar de São Paulo. Tourinho (2009) relata que otelejornal Imagens do Dia não dispunha de um horário fixo. O telejornal podia entrarno ar às nove e meia da noite, como também meia hora depois – a instabilidade daprogramação e as dificuldades operacionais impediam a pontualidade. Tourinho (2009), assim como Rezende (2000), relatam que, em janeiro de1952, Imagens do Dia foi substituído por outro telejornal, o Telenotícias Panair,produzido para ser transmitido diariamente às 21 horas. Tourinho (2009) diz que, aocontrário do seu antecessor, o Telenotícias Panair tinha como características melhorestrutura de equipe e horário fixo. Mas não houve êxito, e o telejornal permaneceuno ar por menos de um ano. A característica predominante dos telejornais da década de 1950 era amigração do formato radiofônico para a televisão, incluídos os profissionais, o estilode locução e a dependência dos patrocinadores e agências de publicidade. E foijustamente esta fórmula que deu origem ao primeiro telejornal de repercussão nopaís.
  19. 19. 19 Não há uma concordância no que diz respeito ao início das transmissões doRepórter Esso na televisão. Rezende (2000) diz que a TV Tupi do Rio de Janeiro,em 1952, foi a primeira a transmitir O seu Repórter Esso para a televisão, com aapresentação de Gontijo Teodoro, e que, no ano seguinte, o mesmo programaestrearia na TV Tupi de São Paulo. Tourinho (2009), por sua vez, diz que O Repórter Esso chegou à televisãoprimeiramente por São Paulo, através da TV Tupi, em 17 de junho de 1953, comapresentação de Kalil Filho, em substituição ao Telenotícias Panair, e que viria aestrear após no Rio de Janeiro. Para corroborar Rezende, Klöckner (2008) diz que O seu Repórter Esso foi aoar pela primeira vez na televisão em 4 de maio de 1952, pela TV Tupi do Rio deJaneiro, permanecendo no ar até 31 de dezembro de 1970. Rezende (2000) afirmaque, por dezoito anos, Gontijo Teodoro foi o único apresentador do Repórter Essono Rio de Janeiro. Fora a questão de pioneirismo, o formato do Repórter Esso era totalmenteherdado do rádio, transmitido naquele meio desde 28 de agosto de 1941. Mas oformato do programa não era uma exclusividade dos brasileiros, pois, de acordocom Klöckner (2008), O Repórter Esso era transmitido desde 1935 nos EstadosUnidos, nos mesmos moldes. Tourinho (2009) constata que o formato dos programas de televisão era muitosimilar aos feitos no rádio, devido ao fato de que grande parte dos técnicos,locutores e artistas são oriundos daquele meio. O sucesso do Repórter Esso, emparte, se deve a este fator. Em 27 de setembro de 1953, às oito da noite, entrava no ar pela primeira veza TV Record de São Paulo, de propriedade de Paulo Machado de Carvalho. Deacordo com a emissora (HISTÓRIA Rede Record. Disponível em:<http://rederecord.r7.com/historia.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), inicialmente asproduções musicais eram o carro-chefe do canal, mas o pioneirismo se deu nastransmissões esportivas – a Record foi a primeira a transmitir, ao vivo, o GrandePrêmio de Turfe do Rio de Janeiro, em 1956, além de cobrir os mais diversosesportes, como o pugilismo. Tourinho (2009, p.59) diz que “para muitos, a história da TV brasileira podeser dividida em duas fases: antes e depois do videoteipe. [...] Durante os anos 1950,a televisão brasileira era quase toda produzida ao vivo, mas não por opção.” O
  20. 20. 20videotape viria a ser criado em 1956, nos Estados Unidos e, no Brasil, somente seriaempregado nas emissoras de televisão em 1960. A primeira experiência de adoçãodo videotape na televisão brasileira se deu em 21 de abril de 1960. De acordo comTourinho (2009), foi por encomenda da TV Tupi de São Paulo para a gravação dafesta de inauguração de Brasília. Rezende (2000) relata a defasagem nas informações transmitidas pelasemissoras de televisão da década de 1950. Os poucos telejornais que existiampenavam com o demorado processo de revelação e montagem dos filmes, o queprovocava atrasos de até doze horas entre o acontecimento e a sua divulgação.Essa situação somente se modificou, de acordo com Rezende (2000, p.107), com oinício do Repórter Esso, em que o apoio de um anunciante de grande porte e o acordo com a agência de notícias norte-americana United Press International (UPI) proporcionou a libertação da narração exclusivamente oral e o uso mais frequente de matérias ilustradas. Rezende (2000) considera que o primeiro telejornal a inovar na concepção ena forma de apresentação é o Jornal de Vanguarda, dirigido por Fernando BarbosaLima na TV Excelsior do Rio de Janeiro, a partir de 1962. Contando com aexperiência de profissionais vindos do meio impresso, seus diferenciais são aparticipação de jornalistas na produção e a presença de cronistas especializadospara comentar as notícias, transformando o telejornal em referência de qualidadevisual, de estrutura e de originalidade na forma de apresentação. Mas o sucessodeste formato inovador duraria não mais que dois anos – o início do período deexceção no governo brasileiro acabou com qualquer tentativa de inovação que otelejornalismo esboçasse. A inovação tecnológica da televisão era constante, como relata Rezende(2000). A chegada do videotape, ou a substituição da torre de lentes pela lentezoom, não foram suficientes para promover significativas mudanças no formato dostelejornais. O Jornal de Vanguarda, pioneiro até então, teve seu fim decretado apartir da edição do Ato Institucional n° 5 por parte do governo militar – a opção pelofim do telejornal era da própria equipe, que, conforme dito por Barbosa Lima (1985,apud REZENDE, 2000, p.107), evitaria que ele “morresse pouco a pouco, a cadadia, numa torturante agonia”.
  21. 21. 21 A partir da década de 1960, a implantação da rede de micro-ondas por parteda Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) dá início a uma nova era dotelejornalismo brasileiro, mesmo sob a mordaça do regime militar. De acordo comTourinho (2009, p.61) entre 1967 e 1969 a Embratel começou a instalar o seu primeiro sistema, com a inauguração do tronco sul, interligando as cidades de Curitiba e Porto Alegre. Em 1972, o projeto foi concluído, o que permitiu a transmissão de imagens em rede para todo o Brasil. Este sistema de transmissão seria fundamental para o sucesso do telejornalde maior prestígio da televisão brasileira até os dias atuais: o Jornal Nacional. A TVGlobo Rio de Janeiro, canal 4, é inaugurada em 26 de abril de 1965. De acordo comTourinho (2009), Hilton Gomes apresentou o primeiro telejornal da emissora, o TeleGlobo, que foi ao ar no dia de inauguração da emissora. Desde janeiro de 1969, segundo Rezende (2000), estavam estruturadas astransmissões via satélite e via micro-ondas no Brasil, o que viabilizava a formaçãode redes de televisões. Até então, cada emissora transmitia sua programação deforma isolada, e no máximo, os programas de entretenimento, como novelas eshows produzidos pelas emissoras de Rio de Janeiro e São Paulo eram gravados eenviados para cidades como Porto Alegre, sendo reproduzidos até mesmo umasemana depois. Tourinho (2009) diz que a decisão das Organizações Globo de implantar umarede de televisões, com uma programação unificada e voltada a todo o mercado, sedá a partir das inovações tecnológicas surgidas – redes de micro-ondas e videotape– e da inauguração de outras emissoras próprias – São Paulo, em 1966; BeloHorizonte, em 1968; Brasília, em 1971, e; Recife, em 1972 – somadas às emissorasafiliadas pelo país, como a TV Gaúcha, em Porto Alegre. Com isso, de acordo com Rezende (2000), em 1° de setembro de 1969, a TVGlobo do Rio de Janeiro, transmitindo simultaneamente ao vivo para São Paulo,Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, põe no ar a primeira edição doJornal Nacional. Além da vanguarda tecnológica que o JN carregava consigo, o idealda TV Globo era fazer frente à TV Tupi e ao Repórter Esso, respectivamenteemissora e telejornal que dominavam a audiência da época.
  22. 22. 22 Não foi muito difícil para a TV Globo alcançar este objetivo. A crise dosDiários Associados, empresa proprietária da TV Tupi, acrescida da forte investidados censores nas redações das rádios e televisões foram definitivas para que amultinacional do petróleo Esso retirasse inicialmente o patrocínio do programa derádio, e posteriormente do telejornal. Segundo Klöckner (2008), o programaradiofônico Repórter Esso foi ao ar pela última vez em 31 de dezembro de 1968,apresentado por Roberto Figueiredo na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Hetmanek dos Santos (1994 apud KLÖCKNER, 2008, p. 55), diz que chegoua ser discutida a viabilidade do Repórter Esso ser transmitido em rede nacional detelevisão para dez capitais, o que era de interesse dos Diários Associados para fazerfrente ao Jornal Nacional da TV Globo. Porém, o custo de se patrocinarintegralmente um telejornal em rede nacional era muito elevado e, de acordo comdirigentes da multinacional, não colocaria o nome da Esso tão em evidência como sedesejava. O comitê executivo da Esso, em 2 de outubro de 1970, decide pelaextinção do Repórter Esso na televisão. Coube à Gontijo Teodoro, em 31 dedezembro de 1970, na TV Tupi do Rio de Janeiro, se despedir de seustelespectadores. Klöckner (2008) entrevistou Fabbio Perez, locutor do radiofônico RepórterEsso em São Paulo. Perez (2006 apud KLÖCKNER, 2008, p. 80-81) diz que onoticiário do programa radiofônico, a exemplo do televisivo, era produzido pelaagência de notícias UPI, e que sofria a interferência direta dos censores do regimemilitar, que atuavam previamente, comunicando os redatores do que não deveria sernoticiado, como também se fazendo presente com oficiais no momento daapresentação dos noticiários. Pois foi esta também a principal barreira que o Jornal Nacional enfrentoudesde a sua criação – a intervenção exercida pelo regime militar na linha editorial.Rezende (2000) relata que, justo no dia em que o Jornal Nacional vai ao ar pelaprimeira vez, o comando do país era passado para os três ministros militares, emdecorrência da doença do presidente da República, general Costa e Silva. Naspalavras de Rezende (2000, p.110) o acaso evidenciava o que para muitos significava mais do que uma simples coincidência. A integração nacional pela notícia, via Jornal Nacional, e o endurecimento da ação do governo militar começavam no mesmo dia.
  23. 23. 23 Rezende (2000) diz que a principal característica da televisão dos anos 1970é o desenvolvimento técnico, e a Rede Globo foi a principal emissora a se aproveitardisso. Vem desta época o Padrão Globo de Qualidade, série de normas e preceitosque são seguidos até hoje por todos os colaboradores, com o objetivo de uniformizare concentrar a audiência na programação da emissora. A contratação criteriosa de locutores, a interação destes com o cenário dostelejornais e a qualificação da edição das imagens que iam ao ar tornaram otelejornalismo da Rede Globo um referencial técnico e de conteúdo a ser superado –ou imitado – por outras emissoras. Porém, o conteúdo do telejornal era limitadopelas amarras da censura. Em 1973, a Rede Globo inova mais uma vez no formato de apresentação danotícia, em especial nas noites de domingo, espaço pouco explorado dasprogramações à época vigentes. Rezende (2000) relata a criação do Fantástico,fruto da criatividade de José Bonifácio de Oliveira, o Boni, e de Mauro Borja Lopes, oBorjalo, apresentando notícias do domingo mescladas com entretenimento, mantém-se a mesma temática do programa em vigor até os dias atuais. Uma das tentativas de se buscar o diferencial no telejornalismo da épocapartiu da TV Tupi, ainda sentindo os efeitos da extinção do Repórter Esso. Em 1970,vai ao ar o telejornal Rede Tupi de Notícias. Segundo Rezende (2000, p.112),“transmitido ao vivo para várias capitais do país, o telejornal procurava, a partir docenário, revelar sua identidade: os locutores apareciam em primeiro plano e umasala de redação compunha o ambiente de fundo”. A Rede Bandeirantes, inaugurada em 13 de maio de 1967, em São Paulo porJoão Saad, também foi em busca de alternativas, e no meio da década de 1970, emprojeto dirigido por Gabriel Romeiro, renovou seu primeiro telejornal Os Titulares daNotícia, no ar desde a inauguração da TV Bandeirantes, em 1967. De acordo comRezende (2000), Os Titulares da Notícia passava a dar valor tanto ao depoimentopopular como ao trabalho do repórter, deixando a cargo deste o papel de apresentaros acontecimentos – o objetivo era mostrar ao telespectador que o repórter estavapresente ao acontecimento, e desse modo, dar maior credibilidade ao noticiário. A TV Cultura de São Paulo, uma emissora pública, também tinha em seuquadro, profissionais com pensamentos diferenciados para os padrões vigentes em1970. Rezende (2000) conta que o telejornal A Hora da Notícia tinha comoprioridade o depoimento popular e os problemas que atingiam a comunidade,
  24. 24. 24fórmula que deu retorno em forma de audiência e repercussão. Porém, a abertura deespaço para os anseios da população entrava em conflito com os interesses dogoverno em vigor – tanto que as chefias de jornalismo foram substituídas, e o ápiceda intolerância se deu com a morte do jornalista Wladimir Herzog, diretor dejornalismo da TV Cultura, por torturadores do regime militar. Tanto Tourinho (2009) como Rezende (2000) consideram que uma alternativaencontrada pela Rede Globo para minimizar os efeitos da censura militar nonoticiário nacional, pelo início da década de 1970, era o investimento no noticiáriointernacional. Se as notícias que se passavam no Brasil não podiam ser divulgadas,abria-se espaço para os acontecimentos que vinham do exterior. Conforme Tourinho(2009), a partir de 1973 a Rede Globo passou a fazer uso de correspondentesinternacionais. Hélio Costa, repórter e correspondente internacional da Rede Globo, emdeclaração a Mello e Souza (1984, apud TOURINHO, 2009, p. 63), reforça estaideia: Era fundamental que as informações fossem repassadas por jornalistasbrasileiros, e não mais por estrangeiros, que levavam consigo pontos de vista queinteressavam a seus países, independente da qualidade do profissional. Ascondições tecnológicas favoreciam este tipo de iniciativa, em decorrência dobarateamento das transmissões via satélite, e despertavam no telespectador asensação de grandeza, pois profissionais brasileiros se faziam presentes nas maisdiversas localidades do mundo. Rezende (2000, p.116) enfatiza que o recurso daampliação do noticiário internacional nos telejornais tinha a intenção sutil de “alertara consciência do público para assuntos polêmicos”. A primeira reportagem internacional via satélite transmitida para o Brasil, deacordo com Tourinho (2009), se deu em 28 de fevereiro de 1969 – Hilton Gomesancorou da capital italiana uma transmissão em cadeia para todas as emissorasbrasileiras, supervisionada pela Embratel. Ao longo da década de 1970, além deutilizar a rede da Embratel, a Rede Globo também desenvolveu redes próprias demicro-ondas, interligando suas emissoras localizadas nos grandes centros comretransmissoras espalhadas pelo interior. De acordo com Squirra (1990), até o início dos anos 1970, a imagemtransmitida pelas emissoras de televisão brasileiras era em preto e branco, baseado
  25. 25. 25no sistema norte-americano NTSC1. Estudos do regime militar da época definirampela adoção do sistema PAL2, desenvolvido pela empresa alemã Telefunken, por termaior qualidade em relação ao sistema de cores norte-americano. Porém, o sistemaalemão não era compatível com o sistema preto e branco em vigor. Mello e Souza (1984, p.122) registra: para que fosse estabelecida a necessária compatibilização, seria preciso adaptá-lo à realidade brasileira. A adaptação foi feita, e em função dela, à sigla PAL foi acrescentada uma outra letra maiúscula, o M, que indicava ser o sistema brasileiro igual ao alemão somente em termos de cor; em preto e branco ele continuava a obedecer ao padrão americano. De acordo com o Grupo Bandeirantes de Comunicação (HISTÓRIA GrupoBandeirantes de Comunicação. Disponível em: <http://www.band.com.br/grupo/historia.asp>. Acesso em: 14 out. 2010.), a primeira transmissão em cores regular datelevisão brasileira se deu em 19 de fevereiro de 1972, com a cobertura da 12ª Festada Uva de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e com a exibição do filme OCardeal, de Otto Preminger. De acordo com Tourinho (2009), a transmissão doevento foi gerada pela TV Difusora de Porto Alegre para um pool de emissoras detodo o país através das redes de micro-ondas da Embratel. Antes desta transmissão, segundo o Grupo Bandeirantes (Ibid), pelo menosdois anos de preparativos antecederam o acontecimento. Tourinho (2009) relata queoutras transmissões experimentais em cores já haviam ocorrido, como a transmissãode boletins diários da Copa do Mundo de 1970, no México. A TV Bandeirantes, deacordo com seu histórico, (Ibid) foi a primeira emissora a produzir e transmitir suaprogramação integralmente em cores, a partir de 1972, com a compra deequipamentos Bosch oriundos da Alemanha. Em dezembro de 1975, a TV Bandeirantes de São Paulo passa a inauguraremissoras em outras localidades brasileiras – inicialmente em Belo Horizonte, com aaquisição da TV Vila Rica. Após, às 7 horas da noite de 7 de julho de 1977, oprimeiro sinal de teste da TV Bandeirantes Rio de Janeiro vai ao ar pelo canal 7. Emsetembro do mesmo ano é a vez da TV Guanabara, com alcance para a BaixadaFluminense. Em 1980, já eram 24 emissoras integrando a Rede Bandeirantes.1 Abreviatura de National Television System Committe, em inglês.2 Abreviatura de Phase Alternating Line, em inglês.
  26. 26. 26 Porém, um entrave tecnológico impedia uma expansão maior. Tupi e Globoocupavam os dois canais disponibilizados pela Embratel, para transmitir aprogramação para os estados com menor densidade populacional. A TV Record,segundo seu histórico (HISTÓRIA Rede Record. Disponível em: <http://rederecord.r7.com/historia.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) somente deu início ao processo deexpansão da programação para o interior de São Paulo no começo da década de1980. A solução encontrada pela Bandeirantes foi buscar suporte tecnológico com aIntelsat para que transmitisse nas 24 horas do dia via satélite. Em 1982, a RedeBandeirantes foi a pioneira nas Américas a transmitir integralmente suaprogramação via satélite. Segundo Tourinho (2009), o uso do satélite pelasemissoras de televisão do Brasil se popularizou a partir de 1985, quando o satéliteBrasilSat – o primeiro doméstico brasileiro – passou a operar. Uma das principais inovações a partir da utilização do satélite pelasemissoras de televisão estava no formato e na linguagem das informações dameteorologia, que passaram a contar com as imagens fornecidas pelo satélite. Deacordo com o projeto Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponívelem: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), Sandra Annenberg, em 1991, passou a apresentaro até então inédito quadro da previsão do tempo no Jornal Nacional. Tourinho (2009) considera que, após a implementação no Brasil da TV emcores, a última inovação tecnológica somente aportou no país 35 anos depois. A TVde alta definição, ou TV digital – HDTV3, foi inaugurada oficialmente em 2 dedezembro de 2007, após quase dez anos de estudos e testes sobre o modelo a serimplementado. O Brasil, a exemplo do que ocorreu na adoção do padrão de cores, e combase em negociações governamentais, comerciais e tecnológicas, optou por umsistema híbrido, o SBTVD4, baseado no sistema japonês ISDB-T5. De acordo comTourinho (2009, p.68), o SBTVD proporciona, sem qualquer tarifação, inovaçõescomo “alta definição, portabilidade e mobilidade”. A transmissão da TV digital é feita3 Sigla em inglês de High Definition TV.4 Abreviatura do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, SBTVD, tecnicamente chamado de ISDB-TB(Tourinho, 2009, p.68).5 Abreviatura de Integrated Service Digital Broadcasting, em inglês. (Tourinho, 2009, p.68).
  27. 27. 27por meio dos canais UHF 6, diferentemente da televisão analógica convencional,transmitida em VHF 7. A primeira transmissão em HDTV no Brasil se deu nos dias 6 e 7 de junho de1998, com a TV Record gerando sinal totalmente digital de uma festa no Memorialda América Latina, sinal este recebido pelos presentes no evento em circuitofechado. No dia seguinte, a Rede Globo fez a primeira transmissão intercontinentalao vivo e em circuito aberto do sinal em HDTV, a partir da França, com aapresentação do programa Fantástico, exibindo preparativos para a Copa do Mundode 1998, realizada naquele país. A TV digital está sendo implantada gradualmente em todo o país, e umaestimativa do governo federal prevê que até 2013 todas as emissoras de televisãotenham migrado para o sistema digital. A inovação tecnológica mais recente da televisão no mundo é a captação ereprodução do sinal em três dimensões, conhecida com TV3D. O Brasil, poriniciativa da emissora RedeTV!, tornou-se pioneiro na transmissão de um programade televisão aberta em três dimensões, ao vivo, em 23 de maio de 2010. O sinal foidisponibilizado em circuito fechado para convidados, e podia ser recebido por quemdispunha do equipamento e sintonizava a emissora em São Paulo. Porém, a TV3Dtrata-se de uma tecnologia incipiente, não difundida em grande escala. Até aqui, deu-se destaque à linha temporal das inovações tecnológicas datelevisão, com o objetivo de reforçar depoimento de Ramón Salaverría, professor ediretor do Laboratório de Comunicação Multimídia, vinculado à Faculdade deComunicação da Universidade de Navarro, na Espanha. Perguntado “por que sedeve inovar?”, o professor Ramón responde a Tourinho (2009, p.286): La respuesta me parece obvia: porque si no innova, el medio queda anciado en el pasado. Y sólo sobreviven los médios que saben atender las demandas de la sociedad de su tiempo. Regressando à década de 1970, e consciente dos avanços tecnológicos quese sucedem, percebe-se que a pioneira TV Tupi não resistiria ao sucesso do PadrãoGlobo de Qualidade, seguidor dos avanços tecnológicos constantes, e ao processo6 Sigla em inglês de Ultra High Frequency, Frequência Ultra Alta, comum para propagações de sinaisde televisão nos canais 14 a 83.7 Sigla em inglês de Very High Frequency, Frequência Muito Alta, comum para propagações de sinaisde televisão nos canais 2 a 13.
  28. 28. 28de abertura política pela qual o Brasil ingressara do final dos anos 1970 para o iníciodos anos 1980. Conforme Rezende (2000), a crise de seus proprietários, os DiáriosAssociados, e a minguada audiência – o Jornal Nacional, em 1979, tinha audiênciade 79,9% no país (ÁVILA, 1982 apud REZENDE, 2000, p.117) – fizeram com que aTupi encerrasse suas atividades decretando falência em agosto de 1980. Outra dificuldade atinge as emissoras de televisão na década de 1970, dessavez naquelas que se afiliaram às redes nacionais. Por questões de mercado efinanceiras, de acordo com Rezende (2000), muitas delas abriram mão dasprogramações locais, passando a retransmitir quase que na íntegra asprogramações das cabeças de rede, no máximo se limitando a cumprir o mínimoexigido de programação regional através dos noticiários. Desta forma, o anseio doregime militar, da burguesia e de investidores estrangeiros, de uniformizar a culturanacional, acabava se concretizando, de modo a sufocar manifestações regionais. Rezende (2000) constata que a Rede Globo não possuía à época,preocupação alguma em fazer um jornalismo crítico, denso, de opinião. O conteúdojornalístico apresentado nos telejornais da Rede Globo, em especial no JornalNacional, é extremamente superficial, pois se baseia na apresentação das notíciasem forma de manchetes, inseridas em um espaço de tempo curto, algo que até hojese mantém. Como em toda regra há exceções, a Rede Globo, ainda na década de 1970,cria pelo menos três programas jornalísticos diferenciados do formato tradicional denoticiário. Dois deles permanecem no ar até os dias atuais – Globo Repórter, que,de acordo com Rezende (2000), faz uso da linguagem de documentário para tratarde temas com maior profundidade, e; Globo Rural, especializado em informaragricultores e pecuaristas. O programa, durante um longo tempo, foi exibidosomente aos domingos e, recentemente passou a ser exibido também nos dias desemana, sempre pela manhã. O terceiro é TV Mulher, já extinto, mas cujo formatoaté hoje é explorado pelas emissoras de televisão, onde sexualidade, direitos esaúde da mulher, assim como a repercussão das telenovelas, sempre fazem parteda pauta. Com o abrandamento do regime militar, as emissoras passaram a ampliar oespaço em suas programações para o telejornalismo. A Rede Globo, de acordo comSecchin (2007), abre três novas opções de noticiários em sua programação, com oobjetivo de fortalecer os departamentos de jornalismo e comercial, a saber: Jornal
  29. 29. 29Hoje, no início da tarde; Bom Dia São Paulo, no início da manhã, servindo deembrião para o Bom Dia Brasil, e; Jornal da Globo, no final da noite. Os programasde entrevista também surgem por essa época, caso do Canal Livre, da TVBandeirantes, e do Vox Populi, na TV Cultura. Este período também serviu para que os jornalistas voltassem a aparecercomo personagens de destaque nos noticiários, papel que até então era doslocutores, leitores de notícias que, conforme declaração de Boni a Mello e Souza(1984 apud REZENDE, 2000, p. 114), deveriam possuir “boa aparência, voz firme etimbre bonito”, características que serviam como elo para prender o público femininoentre uma novela e outra. Os anos 1980 começam com a concorrência pública dos canais de televisãoque restaram da falência da TV Tupi. Conforme Rezende (2000), deste processoduas novas cadeias de televisão se formaram: a primeira é a TV Studios do Rio deJaneiro (TVS), do empresário Sílvio Santos – que até então apresentava seuprograma na TV Record, emissora da qual era proprietário de cinquenta por cento. Ainauguração da TVS ocorreu em 19 de agosto de 1981, e deu origem mais tarde aoSistema Brasileiro de Televisão (SBT), sediada em São Paulo. De acordo com o discurso de inauguração da TVS São Paulo (SANTOS,Sílvio. Sílvio Santos na Concessão do SBT 1981. 2008. 1 post (8min. 16s.).Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=IpvpX0nnqkc>. Acesso em: 14out. 2010.), junto com a TV Studios, sucessora da TV Tupi, passaram a integrar oGrupo Silvio Santos e distribuir o sinal da TVS as emissoras TV Marajoara, de Belémdo Pará; TV Piratini, de Porto Alegre, e; TV Continental, do Rio de Janeiro. Deacordo com o site Última Hora, (UHTV. História da TV Sistema Brasileiro deTelevisão – 1º Parte [post]. 3 jul. 2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-sistema-brasileiro-de.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) aTV Studios do Rio de Janeiro passou a retransmitir a programação da TV Record noRio de Janeiro. A segunda é a TV Manchete, do grupo Bloch, com sede no Rio de Janeiro,inaugurada em 5 de junho de 1983, e que deu origem à rede de mesmo nome.Segundo o site Última Hora, (UHTV. História da TV Rede TV [post]. 25 jun. 2009.Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-redetv.html>.Acesso em: 14 out. 2010.) as concessões da TV Manchete eram herdadas da TVTupi, no caso de Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte, e da TV
  30. 30. 30Excelsior de São Paulo. Além disso, também de acordo com o site Última Hora(UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º Parte [post]. 12 jun. 2009. Disponívelem: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-1-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), a primeira afiliada da Rede Manchete era a TVPampa de Porto Alegre e suas emissoras pelo interior do estado. Adolpho Bloch, no discurso de inauguração (BLOCH, Adolpho. O Discursode Adolpho Bloch na Inauguração da Rede Manchete (05-06-1983). 2009. 1 post(4min. 02s.). Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=BuwMEpM9Fwc&feature=related>. Acesso em: 14 out. 2010.), reforça que o ideal da Rede Mancheteé o de proporcionar uma programação de primeira linha, moderna para os padrõesda época. E é justamente a Rede Manchete quem procura inovar no telejornalismopraticado até então. Enquanto a emissora de Sílvio Santos opta pelos programas deentretenimento, a emissora de Adolpho Bloch, com base em experiências oriundasde países europeus e dos Estados Unidos, investe em um jornalismo no qual ocomentário e o noticiário político são valorizados, assim como o maior espaço para aapresentação das reportagens – o Jornal da Manchete, em seus primeiros anos,tinha duração de duas horas. Até 1988, o padrão de apresentação dos jornais permanecia exatamente omesmo – o locutor apresentando as notícias, e a participação dos comentaristasespecializados. A partir deste ano, e de onde menos se fazia ideia, ganha destaqueo papel do âncora no telejornalismo brasileiro. Boris Casoy, entrevistado porRezende (2000), diz que, em 1984, a Bandeirantes era quem havia feito as primeirasexperiências no formato de apresentação das notícias com o âncora, espécie deapresentador e comentarista, na pessoa de Joelmir Beting, no Jornal daBandeirantes. Bonner (2009) tem o mesmo pensamento de Casoy, porém, ressalta queBeting não foi considerado um âncora inovador por não ser editor-chefe do Jornal daBandeirantes à época, por não ser o único apresentador do telejornal – Beting eraacompanhado na bancada por Ferreira Martins, locutor de notícias – e pelo fato deseus comentários, na maior parte das vezes divertidos e bem escritos, estaremconcentrados na economia, levando em consideração a crise econômica e a inflaçãoalta.
  31. 31. 31 Boris Casoy é quem recebe o reconhecimento de ser o primeiro âncorainovador do telejornalismo brasileiro, à frente do Telejornal Brasil no SBT, a partir de28 de setembro de 1988. O SBT sempre foi conhecido por relegar o telejornalismo aum segundo plano, com noticiários primitivos, sem qualidade, beirando, como dizSquirra (1993 apud REZENDE, 2000, p. 127) a “pieguice”. De acordo com Rezende(2000, p.126), para uma emissora cujo dono gostava de aclamar os governantes de plantão com suas companheiras de trabalho (as espectadoras do programa de auditório), além de manter um quadro com o resumo da semana do presidente, era previsível o fracasso no telejornalismo. Com a contratação dos jornalistas Marcos Wilson, Luiz Fernando Emediato eBoris Casoy, Sílvio Santos contrariou todos os pensamentos que pairavam sobresua emissora, e colocou o telejornalismo do SBT – e do país – em vanguarda.Casoy, que alcançara o posto máximo de editor-chefe do jornal Folha de S. Paulo,tinha a missão de ancorar o TJ Brasil, semelhante aos seus pares norte-americanos.Mas Casoy aplicou com sucesso uma fórmula singular, em que, além de ser editor-chefe e apresentador do telejornal, conduzia entrevistas e opinava nas reportagensque iam ao ar. Bonner (2009) enfatiza a forma com que Casoy emitia suas opiniões,de forma curta, simples, mas direta, fazendo uso de bordões que condenavam ouclamavam por renovação. Rezende (2000) diz que críticos e outros profissionais consideravam otrabalho de Boris uma deturpação da função do âncora. A resposta de Boris a Vieira(1991 apud REZENDE, 2000, p. 127) foi sucinta: “a audiência brasileira de televisãoé muito mais carente desse tipo de informação, da entrevista e do comentário, doque a opinião pública norte-americana”. Mas a melhor resposta veio em forma deaudiência e de suporte publicitário, colocando o TJ Brasil na segunda posição emnúmero de anúncios do SBT, perdendo apenas para o Programa Sílvio Santos. Outra iniciativa jornalística diferenciada estrearia no SBT em 20 de maio de1991 – o jornalismo popular, através do programa Aqui Agora que, segundoRezende (2000), era uma versão do programa argentino Nuevediario, em que ojornalismo de rádio voltado para as classes populares ganhava espaço na televisão.Com o uso frequente do plano-sequência para o relato das histórias, o Aqui Agoracolocava na televisão experientes repórteres de rádio, como Gil Gomes, Celso
  32. 32. 32Russomano e Jacinto Figueira Júnior, o lendário Homem do Sapato Branco. Oretorno de audiência foi instantâneo, mas restrito somente ao público de São Paulo. Rezende (2000) revela que, pouco depois da experiência do SBT, e com atransferência de Joelmir Beting para a Globo, a Bandeirantes colocara MaríliaGabriela, apresentadora do programa de entrevistas Cara a Cara na função deâncora do Jornal da Bandeirantes, também com a companhia de Ferreira Martins nabancada. Sem ter a verve opinativa que Boris Casoy manifestava no TJ Brasil,Marília se destacou na função pelo desempenho das mais diversas funções, comorepórter, apresentadora, editora e entrevistadora. Porém, o Jornal Nacional era ainda o líder de audiência dos telejornais, emantinha quase a mesma postura inflexível, herdada dos anos de regime militar. Amudança mais significativa que o JN tivera nos anos 1980 era a introdução decomentaristas, como Joelmir Beting e Paulo Francis. A apresentação permaneciasendo feita por dois locutores – Cid Moreira e Sérgio Chapelin, com exceções dosfinais de semana, onde jornalistas como Eliakim Araújo e Fernando Vanucci, entreoutros, apresentavam o JN. Somente na metade dos anos 1990 é que o JornalNacional passaria por transformações que modificariam sua linguagem, mas nãosua liderança. A entrada da década de 1990 é determinante para os rumos de duas redes detelevisão, a Rede Record e a Rede Manchete. A TV Record, de acordo com o siteÚltima Hora, (UHTV. História da TV Rede Record Parte 1 [post]. 31 jul. 2009.Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/07/historia-da-tv-rede-record-parte-1.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) era relegada ao posto de retransmissorade parte da programação da TVS, enfrentava as mais diversas adversidadesfinanceiras e, em estado quase falimentar, é adquirida do Grupo Sílvio Santos pelobispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A partir da compra, aRede Record passa por um processo de expansão de sua estrutura, principalmentea partir dos anos 2000, com a meta de se tornar a líder em audiência no Brasil. Já a TV Manchete passara por duas grandes crises financeiras – segundo osite Última Hora (UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 1º Parte [post]. 12 jun.2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-1-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) a primeira, em 1992, foi emdecorrência do fracasso de audiência da novela Amazônia. O Grupo IBF, empresado ramo de bilhetes de loteria, inicia as tratativas com Adolpho Bloch para assumir o
  33. 33. 33controle da Rede Manchete. O negócio chega a se concretizar, porém, Bloch retomana justiça o controle da TV Manchete sob a alegação de que o Grupo IBF não haviahonrado todos os compromissos financeiros. A segunda crise data de 1998, e foi decisiva para o fim da TV Manchete.Conforme o site Última Hora (UHTV. História da TV Rede Manvhete (sic) 2º Parte[post]. 13 jun. 2009. Disponível em: <http://ultimahoratv.blogspot.com/2009/06/historia-da-tv-rede-manvhete-2-parte.html>. Acesso em: 14 out. 2010.), os juroscada vez maiores da dívida da Manchete superavam o valor do patrimônio,ocasionando os primeiros atrasos dos pagamentos dos funcionários. A emissora,segundo a legislação, deveria encerrar as atividades, mas pelas boas relações que ofundador Adolpho Bloch criou com o governo federal, a emissora seguiu operando.Bloch faleceu em 19 de novembro de 1995, e os negócios foram herdados por PedroJack Kapeller. Aos poucos, dificuldades como atrasos de salários, pedidos dedemissão em massa, emissoras afiliadas migrando para outras redes e falta depagamento de taxas aos órgãos de telecomunicações impediram que aprogramação da Rede Manchete permanecesse no ar. O capítulo final se deu com orepasse das concessões a Amilcare Dallevo, que arrendava espaços aos domingosna programação da TV Manchete. Em uma manobra política – já que a TV Manchete estava impedida de sernegociada desde a crise de 1993, e várias ações trabalhistas estavam em vigor,impedindo qualquer venda de patrimônio – o Ministério das Comunicações repassoua Dallevo, mediante o pagamento das renovações vencidas há quase dez anos, asconcessões que a Rede Manchete tinha em seu poder. Dallevo, em sociedade comMarcelo de Carvalho, em 9 de maio de 1999, através da empresa TV Ômega, dáinício a uma corrida de três meses para colocar no ar a TV!, inicialmente sediada emBarueri. Em 10 de março de 1999, a programação entra no ar em caráter provisório,com grande parte da grade de programação arrendada e somente um telejornal, oPrimeira Edição, que herdava as características do Jornal da Manchete. Em 15 denovembro de 1999, vai ao ar definitivamente a RedeTV!, a mais nova rede deemissoras de televisão do Brasil, que tem como característica principal as inovaçõestecnológicas, como apresentado anteriormente neste capítulo. No que diz respeito ao telejornalismo da RedeTV!, o principal telejornal daemissora, o RedeTV! News, tem como destaque a bancada giratória instalada dentro
  34. 34. 34da redação, inaugurada em 13 de novembro de 1999. Conforme o artigo de SilviaCorrêa, publicado no jornal Folha de S. Paulo, edição de 8 de novembro de 2009(CORRÊA, Silvia. Telejornal Giratório. Folha de São Paulo, São Paulo, domingo, 8nov. 2009. Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=563ASP002>. Acesso em: 14 out. 2010.), dois estúdios onde ocorremgravações, além da redação, formam o cenário do telejornal, instalado no Centro deTransmissão Digital (CTD), inaugurado durante as comemorações dos dez anos daemissora. Ao iniciar o telejornal, a bancada é elevada em torno de um metro, e passa agirar, sendo que a cada dez minutos se completam os 360 graus do giro. Outracuriosidade do telejornal ancorado por Augusto Xavier e Rita Lisauskas é o fato denão possuir operadores de câmeras no estúdio – três câmeras estão afixadas àbancada, enquanto uma quarta está posicionada no alto do estúdio. Conforme Rezende (2000), a partir de 1° de abril de 1996, o Jornal Nacionalpassa a ser apresentado por jornalistas – inicialmente, William Bonner e Lilian WitteFibe, depois Fátima Bernardes, a partir de fevereiro de 1998. A saída de Lilian se dápor discordâncias da linha editorial que o JN possuía à época, mais amena, etambém pela falta de empatia dela com o público – tanto que o casal deapresentadores William e Fátima foi escolhido a partir do resultado de pesquisas deaudiência do Instituto Brasileiro de Opinião Pesquisa e Estatística (IBOPE). Rezende (2000) destaca que, a partir desta época, o Jornal Nacional passoua abordar de modo mais abrangente assuntos do cotidiano de celebridades, dandomenor espaço a notícias internacionais que, em outros tempos, teriam maiorrepercussão. Outras inovações no formato de apresentação das notícias tambémpassaram a fazer parte da rotina do Jornal Nacional, de acordo com o site MemóriaGlobo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponível em: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out.2010.): a reconstituição de fatos e o uso de vídeocharges8, desenhadas por ChicoCaruso.8 De acordo com o site Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo. Disponível em:<http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em 14out. 2010.), as vídeocharges eram as tradicionais charges de jornal transportadas para o vídeo. “Com30 segundos de duração, em média, as charges satirizavam os fatos políticos de maior relevância donoticiário. O desenho, também publicado no jornal O Globo, era levado à TV Globo no JardimBotânico pelo próprio Caruso, que gravava a voz nos estúdios da emissora. A equipe dodepartamento de arte ficava, então, responsável por decompor o desenho e produzir a sequência que
  35. 35. 35 Ainda conforme o Memória Globo (MEMÓRIA GLOBO Rede Globo.Disponível em: <http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-239077,00.html>. Acesso em: 14 out. 2010.) a partir de setembro de 1999, WilliamBonner passa a acumular as funções de apresentador e editor-chefe, funções queele já acumulara anteriormente no Jornal Hoje, e de modo semelhante ao queocorreu com Boris Casoy. Porém, Bonner (2009) faz questão de diferenciar sua atividade da de Casoy –enquanto no TJ Brasil, Casoy, como âncora, emitia opiniões abertamente, no JornalNacional adotou-se o modo americano de ancoragem, onde o objetivo é informar otelespectador, para que ele formule sua opinião e, caso haja a necessidade de aemissora se posicionar, a opinião deve ser expressa e identificada em editorial. Em 26 de abril de 2000, ocorre a mudança de cenário do Jornal Nacional,deixando de lado a bancada com fundo infinito e passando a utilizar como pano defundo a redação do Departamento de Jornalismo da Rede Globo. Segundo Bonner(2009), o mezanino onde foi instalado o cenário do Jornal Nacional está instalado,assim como toda a redação de Jornalismo da Globo Rio, em um estúdio degravações de novelas, desativado com a inauguração da Central Globo deProduções, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro (ProJac). No novo cenário, o único no mundo nestes padrões, de acordo com o siteMemória Globo (Ibid), é possível a sobreposição de ilustrações gráficas obtidas pormeio do chromakey9, cobrindo o ambiente da redação e posicionando selos deidentificação de temas atrás dos apresentadores.2.4 Histórico da Televisão por Assinatura A TV por assinatura constituiu-se, inicialmente, numa alternativa para quepequenas comunidades tivessem acesso às programações da televisão aberta comqualidade de sinal, nos Estados Unidos da década de 1940. As pessoasassociavam-se e adquiriam uma antena coletiva de alta sensibilidade, para quepudessem receber os sinais. Posteriormente, utilizando cabos, o sinal era distribuídoia ao ar. No dia seguinte, os desenhos eram colocados no computador e a sequência ia para a mesada animação. Finalmente, o material era editado e sonorizado”.9 De acordo com Carravetta (2010, p.100), o chromakey “é conhecido como sobreposição porseparação de cores, constituindo-se num tipo de tesoura eletrônica que recorta as partes desejadasde uma imagem selecionada, colocada num fundo azul, sobrepondo-a num cenário, oriundo de umaoutra imagem”.
  36. 36. 36para as residências. O sistema ficou conhecido como CATV10, e até hoje é sinônimode TV a cabo. O sistema evoluiu, a partir do momento em que nesta rede de cabosprogramações diferenciadas passaram a ser oferecidas aos assinantes, resultandonaquilo que se conhece por TV por assinatura nos dias atuais. “Fazer com que o sinal das emissoras de televisão, localizadas na cidade doRio de Janeiro, chegasse às cidades de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo, entreoutras, situadas na Serra do Mar, com boa qualidade de som e de imagem” (ABTAAssociação Brasileira de Televisão por Assinatura. Disponível em:<http://tvporassinatura.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17&Itemid=34>. Acesso em: 14 out. 2010.) era o desafio inicial da televisão por assinaturaem terras brasileiras. No país, as primeiras iniciativas de se oferecer a TV por assinatura ocorreramhá pelo menos quarenta anos, e também foram no intuito da superação dedificuldades técnicas. Uma rede de cabos coaxiais transportavam os sinais até asresidências, depois de recebidos por antenas instaladas no alto da serra. Aquelesque desejassem o serviço pagavam uma taxa mensal, de modo muito semelhanteaos moldes da televisão por assinatura dos dias atuais. Com base em informações da Associação Brasileira de Televisão porAssinatura (ABTA), e das programadoras de televisão por assinatura Globosat eTVA, constata-se que o início da televisão por assinatura no Brasil foi muito precário,vindo a evoluir consideravelmente nos anos 1990 e 2000. Nos anos 1980 iam ao aras primeiras transmissões efetivas de TV por assinatura, com as programações daCable News Network (CNN) e da Music Television (MTV) norte-americana, emcanais fechados, codificados e transmitidos em UHF. O serviço de televisão por assinatura foi regulamentado inicialmente pelopresidente José Sarney, em 1988, sendo que um ano depois foi regulamentadaprecariamente a TV por cabo, cuja legislação definitiva viria a ser aprovada somenteem 6 de janeiro de 1995, através da Lei n° 8977, chamada de Lei do Cabo. Em outubro de 1990, o Grupo Abril, por meio da TVA, fecha parceria com anorte-americana Viacom, e passa a transmitir em sinal aberto UHF a programaçãoda primeira televisão segmentada do país, a MTV Brasil. Um ano depois, o GrupoAbril, em parceria com a Mathias Machline, dá origem a TVA Programadora, com10 Abreviatura de Community Antenna Television, em inglês.
  37. 37. 37cinco canais: Showtime e ESPN International em UHF, e CNN, TNT e Superstationem MMDS11. Em 1994, a TVA torna-se a primeira a distribuir televisão por assinaturavia satélite, por meio da TVA DigiSat, que posteriormente adota o nome damultinacional DirecTV (TVA. Disponível em: <http://www.tva.com.br/Institucional/>.Acesso em: 14 out. 2010.). Em 1991, as Organizações Globo, em parceria com suas afiliadas emtelevisão aberta, como a Rede Brasil Sul (RBS), criam a Globosat, operadora 12 deTV paga via satélite na Banda C, que distribuía o sinal por meio de cabos. AGlobosat também foi a primeira programadora13 de TV por assinatura no Brasil, aocriar em 1991 os canais Telecine (filmes), Top Sport (esportes), GNT (informativo) eMultishow (entretenimento). Até então, as Organizações Globo, através da Globosat, produziam conteúdopor meio das programadoras e distribuíam os canais através das operadoras de TVa cabo. Em 1993 ocorre a cisão da Globosat em duas empresas: a Net Brasil, queficou incumbida das atividades de venda, distribuição e prestação de serviços detelevisão por assinatura, e a Canais Globosat, dedicada exclusivamente à produçãode conteúdo. Com o objetivo de aumentar a quantidade de canais produzidos no Brasil,deixando de ser dependente de conteúdos estrangeiros, a partir de 1995 a Globosatamplia consideravelmente o número de canais produzidos. O primeiro canal denotícias 24 horas brasileiro, o Globo News, surge neste período, assim como oShopTime, canal de vendas de produtos. O canal Telecine é desmembrado emcinco canais, cada um com um gênero diferenciado de programação, e na mesmaépoca é criado o Canal Brasil, dedicado às produções de filmes e séries brasileiros. O canal Top Sport é rebatizado como SporTV, passando a dedicar sua gradede programação aos esportes coletivos (especialmente futebol) e aos esportesradicais. Com o início das atividades em pay-per-view14, o futebol tornou-se principal11 Da sigla em inglês, Multipoint Multichannel Distribution System. Sistema de distribuição de canaisde TV por micro-ondas terrestres. Uma das formas de transmissão de TV por assinatura (ABTA,2010).12 Empresa que distribui sinais de televisão por assinatura, seja por cabo, MMDS ou satélite (ABTA,2010).13 Programadoras são empresas que fornecem conteúdo (canais) para TV paga. Podem produzirprogramação própria, representar canais estrangeiros no país ou comprar programas e reformatá-losem canais para o público local (ABTA, 2010).14 Do inglês, pague para ver. Serviço de TV por assinatura em que se paga apenas o que se querassistir (filmes, shows, cursos), quando se desejar, e dentro da oferta existente (ABTA, 2010).
  38. 38. 38atração dos canais Premiere e, anos depois, seria o primeiro canal de esportesvoltado para brasileiros no exterior, o PFC. A partir de 1996, os canais Globosatpassam a ser distribuídos pela operadora de televisão via satélite SKY, ampliandoconsideravelmente o alcance no território brasileiro (HISTORIA DA TV PORASSINATURA Canais Globosat. Disponível em: <http://canaisglobosat.globo.com/index.php/tv_por_assinatura/historia>. Acesso em: 14 out. 2010.). Até o início dos anos 2000, a TV por assinatura no Brasil era um benefíciorestrito a poucos consumidores, devido às altas mensalidades e ao pequeno númerode cidades atendidas, o que tornava a TV por assinatura um privilégio de poucos.Em 1994 eram em torno de 400 mil assinantes de TV paga, número que se elevoupara 3,4 milhões de assinantes no ano 2000 – um crescimento de 750% em seisanos – e que no segundo trimestre de 2010, alcançou a marca de 8,42 milhões deassinantes, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).56,95%, cerca de quatro milhões e seiscentos mil assinantes, estão concentradosnas operadoras de TV por cabo, enquanto que 39,92%, algo como três milhões emeio de assinantes, recebem o sinal via satélite, e 3,05%, cerca de trezentos milassinantes, recebem o sinal por meio de micro-ondas (MMDS) (ABTA. ResultadosSetoriais TV Por Assinatura – Operadoras: 2010. São Paulo, 2010.).2.5 Histórico do Telejornalismo Dedicado O início do telejornalismo em canais dedicados se dá com a criação da CableNews Network (CNN), em 1º de junho de 1980 (HISTORY.COM. Disponível em:<www.history.com/this-day-in-history/cnn-launches>. Acesso em: 14 out. 2010.). Ahistória de seu fundador, Robert “Ted” Turner, tem início quando ele assume umaempresa de anúncios para a revista Billboard, após o suicídio do pai, em 1963. Tedexpande os negócios, e sete anos depois, ele adquire uma estação de TV emAtlanta, que reprisava filmes antigos. Em poucos anos, a emissora se transforma naestação denominada The SuperStation, transmitida via satélite diretamente para ascasas dos assinantes. Anos depois, com os lucros de seus empreendimentos,Turner torna-se dono das equipes de basquete e de beisebol de Atlanta e aspartidas destas equipes passam a ser transmitidas por outro canal, criado por Ted, oTBS (Turner Broadcasting System, nome que deu origem ao grupo de empresas emque a CNN está incluída).
  39. 39. 39 Mas a ousadia maior de Ted Turner foi a de fazer frente às três grandes redesde televisão norte-americanas – ABC, CBS e NBC, que, à época, produziam emmédia 30 minutos diários de notícias, em telejornais que íam ao ar geralmente ànoite. A CNN, com suas primeiras instalações em uma casa velha transformada emnewsroom15, repleta de antenas parabólicas no pátio, consideradas por Ted Turnersua plantação de repolhos, surgia com o objetivo de alterar a noção de que asnotícias somente poderiam ser relatadas em horários fixos, passando a apresentá-las durante as 24 horas do dia, a partir dos mais diversos locais do mundo, emcanais dedicados exclusivamente à informação, aproveitando-se do vasto espaçoque as operadoras de televisão por assinatura tinham a oferecer. Daí a expressãotelejornalismo dedicado. A repercussão mundial e a consolidação do trabalho da CNN se deram com oinício da Guerra do Golfo, no Iraque, em 1991. A cobertura ao vivo do início dosbombardeios norte-americanos à capital iraquiana, Bagdá, foram transmitidos viasatélite para todo o mundo, colocando a CNN como principal fonte de informaçõesinternacionais por televisão. Nos dias atuais, o Grupo de Notícias CNN alcança, através das mais diversasplataformas, cerca de 700 milhões de pessoas. São seis redes de televisão por caboou satélite: CNN – transmitida somente para o território norte-americano; CNNInternational – transmitida para o mundo em quatro programações diferentes:América Latina, Europa, Ásia e Pacífico, e Estados Unidos; CNN en Español – no ardesde 1997, tem sua programação totalmente produzida em espanhol para ospaíses da América Latina; Money – antigo CNNfn, especializado em notícias domercado financeiro e de negócios; SI – antigo CNN/SI, é o primeiro canal resultanteda fusão dos grupos empresariais Time Warner e Turner, transmite notíciasesportivas, produzidas pela equipe da revista Sports Illustrated e pela CNN, e; HLN– antigo CNN Headline News, canal que apresenta informações atualizadas a cadatrinta minutos, como as notícias do dia e os últimos acontecimentos, os destaquesesportivos, de negócios e espetáculos. Além destes produtos, existem as redes de rádio – disponíveis em inglês eem espanhol; os websites; as emissoras de televisão que são licenciadas para15 Do inglês, redação. Um escritório em que a notícia é processada por uma agência de notícia dejornal, ou televisão, ou estação de rádio. (PRINCETON UNIVERSITY. Disponível em:<http://wordnetweb.princeton.edu/perl/webwn?s=newsroom>. Acesso em: 14 out. 2010, traduçãonossa). Ambiente em que o estúdio de apresentação dos telejornais está integrado á redação.
  40. 40. 40utilizar a marca CNN, como o canal CNN Chile, produzido inteiramente no paíslatino-americano; e a CNN Airport Network – que transmite diversos programas dasseis redes CNN via satélite para os aeroportos norte-americanos. A CNN também serve como uma agência de notícias para outras emissorasde televisão: O CNN News Source, além do acompanhamento ao vivo de fatosrelevantes, transmite, a mais de 400 assinantes espalhados pelo mundo, dozeinformações noticiosas nos dias úteis e dez em cada dia do fim de semana. Estassínteses contêm informações locais, nacionais, internacionais e do tempo, comotambém notícias de esportes, medicina, negócios e espetáculos (CNN EMPORTUGUÊS. Disponível em: <http://web.archive.org/web/19990218052820/cnnemportugues.com/grupo/index.html>. Acesso em: 14 out. 2010.). No Brasil, a primeira experiência de um canal de notícias vai ao ar em 15 deoutubro de 1996 – o Globo News, canal exclusivo de notícias das OrganizaçõesGlobo. Conforme Rezende (2000, p.137), o Globo News era uma alternativa àlimitação da grade de programação da TV Globo, e procurava satisfazer seutelespectador “combinando agilidade com aprofundamento da informação”. Carlos Henrique Schroder, em depoimento a Paternostro (2006, p.83), relataque “a ideia era ter um noticiário forte na primeira meia hora e depois debates ediscussões profundas para ajudar o telespectador a entender melhor determinadoassunto e tomar posição”. Segundo Rezende (2000), mal havia completado um mês de atividade e oGlobo News já enfrentaria grandes coberturas jornalísticas, como o acidente com oFokker 100 da TAM, deixando quase cem mortos em uma área residencial próximaao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. De acordo com Paternostro (2006), foi aprimeira vez em que a programação prevista foi deixada de lado e substituída pelatransmissão contínua das informações relacionadas ao acidente, onde prevalecem oimproviso e a narração ao vivo dos fatos que estão sendo acompanhados. Após contextualizarmos historicamente a televisão brasileira, seja ela abertaou por assinatura, enfatizando o telejornalismo, e de modo a viabilizar a análise dostelejornais, faz-se necessário o estudo das rotinas produtivas dos telejornais, o queserá abordado no próximo capítulo.

×