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ReferênciasBOURRIAUD, Nicolas. Estética relacional. São Paulo: Martins, 2009 (Coleção Todas asArtes)CRUZ, Joana Silva da. ...
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Este texto aborda o desenvolvimento de uma proposta artística realizada no ano de 2008, com estudantes de uma Escola Pública de Artes, na cidade de Macapá-AP. A referida proposta foi concebida a partir de diálogos teóricos e práticos ocorridos durante a disciplina Estética acerca de questões como: imagens, visualidades e vivências de experiências estéticas no cotidiano. Para isso foi utilizado a fotografia como suporte artístico. A realização da proposta permitiu o desenvolvimento de processos criativos e reflexivos pelos estudantes.

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JANELAS: Narrativa de um projeto fotográfico com estudantes de uma Escola …

  1. 1. XXII CONFAEB Arte/Educação: Corpos em Trânsito 29 de outubro à 02 de novembro de 2012 Instituto de Artes / Universidade Estadual Paulista JANELAS: Narrativa de um projeto fotográfico com estudantes de uma Escola Pública de Arte. Carla Marinho Brito Mestranda do Programa Associado de Pós-Graduação em Artes Visuais. Universidade Federal da Paraíba- UFPB Universidade Federal de Pernambuco- UFPE cmarinho1@hotmail.comRESUMOEste texto aborda o desenvolvimento de uma proposta artística realizada no ano de 2008,com estudantes de uma Escola Pública de Artes, na cidade de Macapá-AP. A referidaproposta foi concebida a partir de diálogos teóricos e práticos ocorridos durante a disciplinaEstética acerca de questões como: imagens, visualidades e vivências de experiênciasestéticas no cotidiano. Para isso foi utilizado a fotografia como suporte artístico. A realizaçãoda proposta permitiu o desenvolvimento de processos criativos e reflexivos pelosestudantes. E o projeto foi dividido em vários momentos dentre eles: aulas teóricas em salade aula, exibição e debate de imagens e filmes, o registro fotográfico do cotidiano, seleção eanálise da produção fotográfica feita pelos próprios estudantes e a exposição dasproduções, na mostra expositiva da escola que se realiza sempre no final de cada semestre.Palavras-chave: estética; fotografia; visualidades.1- Minha Janela se abre para um mundo enredado de imagens 1. Atualmente, vive-se num tempo em que nossas relações socioculturais cadavez mais são influenciadas por diversas imagens que são produzidas e tambémabsorvidas pelos sujeitos sociais (eu, tu, eles/as, nós). Como podemos perceber emNascimento (2011, p.215): “qualquer imagem, tanto no processo de produçãoquanto no de recepção, é envolta por práticas discursivas e não-discursivas”. Ainda a par deste fato Martins e Tourinho (2012) comentam: Abordadas como artefatos educativos, as imagens podem articular informações, significados e valores que influenciam e até mesmo orientam/direcionam as pessoas a se posicionar em relação às ideias, a1 Os subtítulos deste artigo foram adaptados tendo como base algumas estrofes do poema “A arte de ser feliz”de Cecília Meireles. O mesmo aborda de maneira poética o olhar da narradora acerca do cotidiano a partir daobservação de uma janela. http://www.poesiasonline.com/felicidade/a-arte-de-ser-feliz--cecilia-meireles.htmlAcesso em 28 ago 2012.
  2. 2. formar opinião sobre problemas e situações e, principalmente, a construir algum tipo de interação e compreensão sobre o mundo em que vivem. Podemos dizer que as práticas contemporâneas do ver e ser visto, caracterizadas pelo intenso convívio e exposição às imagens, são uma espécie de intercâmbio ou troca, de relação sensório-visual que pressupõe e exige algum tipo de negociação de informação, prazer e conhecimento. (MARTINS; TOURINHO, 2012, p.11) No que tange a produção de imagens, verifica-se nas práticascontemporâneas, artistas visuais e profissionais de áreas correlatas produzindoimagens (muitas vezes hibridizadas de maneira sinestésicas) que provocamestranhamentos, questionamentos e ainda “afastamento, repulsa, acolhimento, nojo,culpa, compaixão, entre outros sentimentos e pensamentos.” (CUNHA, 2012, p.106).Ou seja, as imagens produzidas pelos artistas contemporâneos, em sua maioria,não se restringem mais a somente levar ao público a uma experiência estética decontemplação do “belo” correlativo a ideia de cânones clássicos. [...] a Arte contemporânea que muitas vezes expõe, critica, ironiza, reforça práticas sociais/culturais vivenciadas pelos estudantes, porém, com frequência, ausente nas salas de aula, talvez devido ao fato das professoras2 não terem contato e familiaridade com tais produções e/ou acharem que as temáticas enfocadas pela Arte Contemporânea não sejam adequadas aos estudantes. (CUNHA, 2012, p.103) Neste sentido, ressalto que minha prática docente é de certa maneirainfluenciada também pela minha vivência artística como produtora de imagens. Ecom frequência percebo em minhas aulas a presença de imagens e narrativasvisuais da arte contemporânea; por permitir, como já exposto, possibilidades dediálogos correlacionados ao próprio cotidiano e também a outras imagenscircundantes desse universo sociocultural. Dessa maneira, recordo-me que um dosquestionamentos iniciais em minhas reflexões antecedentes ao início daquele 2ºsemestre do ano letivo de 2008, era: Quais possibilidades de abordar, na disciplinaEstética, propostas que envolvessem arte contemporânea?2- Minha Janela se abre para uma Escola Pública de Arte. A escola na qual a disciplina estética foi ministrada por mim, naquele ano, éainda conhecida como Escola de Artes Cândido Portinari3. É vinculada ao Governo2 - A autora utiliza o termo professora por entender que a maioria das educadoras são mulheres. (CUNHA, 2012,p.99)3 - Em 22 de fevereiro de 2008, a escola foi transformada em Centro de Educação Profissional em Artes VisuaisCândido Portinari, através da Lei Estadual nº 1189/2008 (CRUZ; BARRETO; DIAS et al, 2008, p. 11). Apesar damudança, a sociedade, sobretudo da cidade de Macapá, em sua maioria ainda utiliza o nome antigo: Escola deArtes Cândido Portinari.
  3. 3. do Estado do Amapá, Secretaria de Estado da Educação. A referida instituição foiidealizada na década de 60 do século XX pelo artista plástico R. Peixe 4. A Escola de Artes Cândido Portinari, foi idealizada em 1963 pelo Artista Plástico R. Peixe, no início foi chamada por seu idealizador de Escola de Arte Pablo Picasso, e devido a criação da Instituição ter ocorrido no período da Ditadura Militar o nome da Instituição não foi aprovado [...] passou a ser chamada de Escola de Artes Cândido Portinari. Funcionou a princípio em vários locais [...] em 1983, ganhou prédio próprio. (CRUZ; BARRETO; DIAS et al, 2008, p.10) É uma instituição que atende uma clientela variada, pois em seufuncionamento há oficinas de artes semestrais que atendem público: Criança, jovense adultos. E os cursos de desenho e pintura (estes anuais), que atendem ao públicojovem e adulto. Atende a uma clientela bastante diversificada com escolaridade que varia do primeiro segmento do ensino fundamental a universitários e pessoas graduadas. A idade, também é variada, pois trabalha com uma clientela a partir dos 09 anos de idade até adultos com mais de 60 anos. Atende mais de 1014 alunos ao ano, aos quais são oferecidos os cursos anuais de desenho e de pintura e semestralmente diversas oficinas como: Cerâmica, Escultura em Argila e em Madeira, Pintura Amazônica, Pintura Livre, Pigmentos Naturais, Pintura Moderna e Iniciação Artística para crianças e adultos. Oferece ainda Oficinas de Artes Cênicas, Desenho Criativo e História em Quadrinhos. (CRUZ; BARRETO; DIAS et al, 2008, p.10-11) E mais, a instituição é uma referência à sociedade amapaense, de acordocom o Projeto Político Pedagógico – PPP. A Escola de Arte Cândido Portinari, hoje Centro de Educação Profissional em Artes Visuais Cândido Portinari, desde o início de suas atividades, em 1963, vem contribuindo para o desenvolvimento artístico-cultural do Estado, oferecendo diversas oficinas e cursos livres na área de artes plásticas. É importante ressaltar que a Instituição é a única instituição pública na região norte do país que oferece cursos de Arte regulares e gratuitos. A Instituição atende à comunidade dos municípios de Macapá, Santana, Mazagão além dos distritos de Fazendinha, Igarapé da Fortaleza e APA do Curiaú. (CRUZ; BARRETO; DIAS et al, 2008, p. 14) No entanto, apesar dos dados expostos no PPP da instituição. Faz-senecessário informar que atualmente, apesar da escola ter se tornado Centro deEducação Profissional; e do projeto (plano de curso) expor toda necessidade deestrutura física e material para o funcionamento de um Centro Profissional de Artes.O que se percebe é que a mudança foi feita somente na legislação. A realidade4 Já falecido, porém muito reconhecido no Estado do Amapá, sobretudo, por suas pinturas com característicasimpressionistas que retratam a cidade de Macapá, principalmente na década de 40 do século passado.
  4. 4. encontrada hoje é de um Centro sem o seu edifício5 próprio, funcionando em prédioparticular alugado (com instalações inapropriadas para uma escola de artes) e comconstante ameaça de despejo devido os atrasos de aluguéis, por parte do GovernoEstadual, ao proprietário do imóvel.3- Minha Janela se abre para inquietações e reflexões na disciplina estética. O curso de desenho da instituição, como já abordado no subtítulo anterior, éanual e possui uma estruturar curricular, tendo disciplinas teórico/práticas diversas arespeito da área. Dentre as disciplinas possui: História da Arte e Estética6;consideradas pela maioria dos estudantes como “aulas chatas”. E durante reuniõespedagógicas docentes, os/as professores/as que já haviam ministrado essasdisciplinas informavam as ausências constantes dos estudantes quanto a frequentaras aulas. Neste contexto, além dos questionamentos, como o ressaltado no primeirosubtítulo em torno da arte contemporânea. Também ocorriam inquietações emminhas reflexões, dentre elas era: Como tornar as aulas de estéticas maisprazerosas aos estudantes? Devido os relatos dos docentes, e também por ser aprimeira vez que eu trabalharia com a disciplina. Ou seja, também seria umavivência nova para eu experimentar em sala de aula, e que mesmo com oplanejamento antecipado de minhas ações poderia acontecer uma experiência nãotão satisfatória para mim e para os estudantes.4- Minha Janela se abre para um projeto fotográfico. Com o decorrer das aulas, apesar de meus esforços, fui percebendo que nasduas turmas7 do 1º turno, a qual eu ministrava as aulas de estética, a ausência e afalta de motivação dos estudantes em frequentar a disciplina estavam ocorrendo(fato que me angustiava e me fazia lembrar os relatos dos demais colegasdocentes). Dessa forma, comecei a refletir em possibilidades de propostas para queos estudantes pudessem vivenciar experiências estéticas e artísticas no cotidianofora de sala de aula.5 O referido prédio foi embargado pela defesa civil, por riscos provocados por infiltrações. Porém já faz mais detrês anos que o Governo Estadual não se posiciona a respeito quanto à situação. E o edifício encontra-seabandonado.6 A ementa da disciplina Estética consiste em: Provocar reflexões sobre as concepções estéticas da arte, sobreo mundo das imagens construídas, avaliando suas funções, forma e conteúdo, e compreendendo o papel dacriação artística na produção cultural.7 Das duas turmas: DA-1AII e DA-1BII, ressalta-se que a turma DA-1AII, frequentava com assiduidade adisciplina de perspectiva técnica, na qual eu também ministrava, mas se ausentavam da disciplina estética.
  5. 5. Neste período, vinham ocorrendo na mídia da cidade as divulgações iniciaisde um evento religioso que já se tornou uma manifestação popular no Estado: OCírio de Nossa Senhora de Nazaré8. Este evento chamou minha atenção comopossibilidade de desenvolver um projeto com os estudantes. Mas não com intençãoreligiosa e sim numa postura artística e crítica de perceber as imagens evisualidades que aquele evento traria consigo. Contudo questionamentos novamente retornaram, dentre eles: Como iniciar asensibilização dos estudantes para participarem de um evento (de caráter religiosocatólico) num olhar estético e crítico independente de questões religiosas? Comoincentivá-los a participar de uma ação que ocorreria num dia atípico aos seus diasde aula?9 Como incentivá-los para vivenciar uma experiência num enfoque deestética relacional?10 A educação estética é um processo de sensibilização do ser. Trata-se de permitir a formação de sensibilidade e de capacidade crítica, através da experimentação de uma relação com o sensível. Cabe ao professor de arte distinguir a que somos hoje sensíveis, a que seus alunos são sensíveis. Cabe passar pelo conhecimento das técnicas onipresentes: acessar e dar aos meios de produção para conhecê-los. (MEDEIROS, 2005, p.82) Dentre as propostas de sensibilização para aguçar o olhar estético dosestudantes podemos destacar como um dos momentos a exibição do filme Centraldo Brasil11. O mesmo traz em seu roteiro questões que envolvem temáticas como:família, movimento migratório, analfabetismo, gênero, sexualidade, religiosidade(esta última evidenciada em discursos visuais como os objetos dos cenários ediscursos não visuais como frases e nomes de algumas das personagens).8 O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é conhecido em todo Brasil por sua realização na cidade de Belém- PA,ocorrendo no mês de outubro. No entanto, pelo fato do Estado do Amapá ter sido por um longo período territóriodo Pará e até hoje ter em sua população um grande número de católicos e um número relativo de paraenses oCírio, na cidade de Macapá, tem adquirido a cada ano relevância considerável mobilizando um número elevadode pessoas e devotos em sua realização.9 O Evento ocorreu no dia 12 de outubro de 2008 (numa manhã de domingo).10 A estética relacional é muito frequente em propostas artísticas contemporâneas. Segundo Bourriaud (2009,p.23) “A arte contemporânea realmente desenvolve um projeto político quando se empenha em investir eproblematizar a esfera das relações”. E ainda, segundo o autor “uma boa obra de arte sempre pretende mais doque sua mera presença no espaço: ela se abre ao diálogo, à discussão [...]” (BOURRIAUD, 2009, p.57).11 - Dora (Fernanda Montenegro) trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, Riode Janeiro. A escrivã ajuda um menino (Vinícius de Oliveira), após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar opai que nunca conheceu, no interior do Nordeste. Dirigido por Walter Salles. Com: Fernanda Montenegro,Vinicius de Oliveira, Marília Pera. Nacionalidade Brasil, França. Ano: 1998. Gênero: Drama, Comédia dramática.http://www.adorocinema.com/filmes/filme-19250/ Acesso 25 ago 2012.
  6. 6. Após exibição do filme, foi realizado um diálogo com os estudantes sobrequestões acerca do próprio filme; questões sobre estética; questões sobre quaisimagens e visualidades destacavam-se na fotografia do filme; questões sobre quaisrelações socioculturais abordadas no filme se evidenciavam com o cotidiano dosestudantes, entre outros. Após o diálogo foi solicitado aos mesmos que fizessemuma análise crítica textual do filme expondo suas considerações a respeito.(Imagem: 1) Imagem 1-Cena filme Central do Brasil (fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/filme- 19250/fotos/detalhe/?cmediafile=19911024 Acesso 25 ago 2012 Outro momento que se ressalta são as análises visuais acerca de obrasfotográficas contemporâneas que foram feitas verificando as possibilidades deprodução de imagens pelo suporte fotográfico12; as temáticas socioculturaisabordadas pelos autores, etc. Com destaque as obras: Cenas da ausência da artistaDaniele Marx- RS (exposta no 4º Salão de Artes do SESC Amapá) e a obra RedSofá da artista Melissa Berbery- PA (exposta no 6º Salão de Artes do SESCAmapá). Foi durante esse momento de diálogo (sobre as imagens fotográficas) emuma das turmas, que uma estudante expressou em sua fala a proximidade de12 - A intenção de utilizar a fotográfica possuía dentre os objetivos: Gerar descoberta de novos olhares dosintegrantes do grupo que fariam parte da ação quanto à experimentação de outro suporte artístico além doshabituais que eles vivenciavam no cotidiano da escola.
  7. 7. enquadramento entre as duas propostas, e que pareciam “pequenas janelinhas”.Surgindo assim, o título do projeto fotográfico: Janelas13 (Imagens: 2 e 3) Imagem 2- Daniele Marx- RS. Cenas da ausência II e III (fonte: catálogo do 4º Salão de Artes do SESC Amapá, 2002). Imagem 3- Melissa Barbery- PA. Red Sofá (fonte: catálogo do 6º Salão de Artes do SESC Amapá 2006) No decorrer dos encontros, ainda em sala de aula, sobre a ação que seriafeita no dia do evento. Inicialmente, houve por parte de alguns estudantes certasrestrições em não quererem participar. Entretanto, fui percebendo o envolvimento dogrupo conforme se aproximava o dia da ação de experimentação estética e artística. Definido o recurso material que seria utilizado (equipamento digital máquinafotográfica) houve o momento de como seriam feitas as referidas “janelas” de cadaestudante/artista participante. Num momento de interação entre os discentesocorreram falas espontâneas, de cada um sobre qual seria seu nome artístico(pseudônimo), e de como seriam suas propostas. Alguns diziam que levariamobjetos coletados em casa, outros/as que fariam suas janelas com papéis degramaturas grossas, ou que decidiriam no momento da ação com possíveismateriais do próprio evento e ainda, utilizando possibilidades com partes do própriocorpo, etc. Assim, chegou o dia do evento religioso e popular.5- Minha Janela se abre para os momentos dos registros fotográficos. No dia do Círio, marcou-se um local para o encontro do coletivo de artistas 14(eu e os estudantes). O grupo não era grande15, muitos estavam ansiosos, outros/as13 Segundo dicionário Aurélio: “Janela sf 1. Abertura na parede dum edifício para deixar que nele entre a luz e oar. 2. Inform. Em interfaces gráficas, região retangular na tela do computador onde são exibidas as informaçõesde um processo de execução”. (FERREIRA, 2008, p. 494).
  8. 8. não demonstravam ou não relatavam o que estavam achando. Uma das orientaçõesfeitas ao coletivo é que cada um poderia seguir o Círio sozinho ou acompanhadopara fazer seus registros fotográficos, e que no final do evento o coletivo seencontraria novamente em um local estabelecido. No entanto, por escolhamajoritária do coletivo ficou definido que seguiriam em duplas. Porém cada umregistraria sua proposta própria. Outro ponto definido, é que se evitasse fazer oregistro fotográfico em que evidenciassem os rostos das pessoas por conta dequestões de direito de imagem. Assim, o coletivo de artista partiu para seus registros fotográficos com suas“janelas” e suas máquinas digitais. Dentre os tipos de materiais utilizados pelocoletivo, para os suportes de suas janelas, verificou-se que os diálogos anterioresrealizados em sala foram postos em prática. Pois havia: papéis cartões (alguns cominterferências, ao serem raspados em paredes de concreto antes de seremutilizados; outros com aberturas de formas geométricas que lembravamrepresentação simbólica: como sagrado coração, cruz, estrela, etc.), madeira, partesdo corpo dos integrantes do coletivo, frestas entre as fitas milagrosas, santinhosdiversos e também leques que estavam sendo distribuídos ao povo (devido o calorda região), estes contendo inclusive propaganda de empresas de diversos tipos queaproveitavam o evento religioso/cultural para realizarem divulgações de seusprodutos e serviços. (Imagens: 4, 5, 6, 7).14 Terminologia que expliquei, em aulas antecedentes, aos estudantes e como eu chamava para definir o grupo enossas ações.15 O total incluindo a professora (eu), éramos 09 pessoas. Apenas um dos estudantes faltou no dia. Faz-senecessário ressaltar que na instituição há uma evasão da clientela durante os semestres. Os motivos maisjustificados pela clientela que se evade são: empregos, estágios, vestibular, ou outras atividades “maisprioritárias” que o curso, que surgem em seus cotidianos.
  9. 9. Imagem 4-Autora: Izi. (fonte: arquivo de Carla Marinho) Imagem 5- Autor Olije (fonte: arquivo de Carla Marinho) Imagem 6- Autor: Ed. (fonte: arquivo de Carla Marinho) Imagem 7- Autora: Suyllan. (fonte: arquivo de Carla Marinho) Após a ação realizada no evento e de volta a sala de aula, ocorreu omomento das falas dos estudantes sobre a experiência estética de cada um e aindao momento de curadoria no qual as imagens produzidas por cada pessoa eramprojetadas no computador e os próprios produtores das imagens selecionavam suasmelhores propostas e relatavam porque a escolheram e o que os levou a ter talvisualidade sobre determinada cena. Sobre o significado da experiência para os estudantes segue os comentáriosde uma das participantes da ação do coletivo16. Quanto aos pontos relevantes: “Izi: bom o projeto foi interessante, por causa que a gente saiu das quatroparedes da sala de aula e foi possível tirar fotos na multidão, num espaço aberto, oque é bastante inspirador para quem vai tirar fotos. E a arte não pode ficar somenteentre quatro paredes. Nunca tinha tido essa experiência de trabalhar com arte fora16 No ano de 2008, além dos comentários orais sobre a realização da proposta, cada estudante redigiu um textosobre sua vivência na ação e também destacando os pontos relevantes e deficitários. No entanto, os referidostextos foram devolvidos aos mesmos no final do semestre. Como forma de resgatar as opiniões dos estudantestentou-se, neste ano de 2012, entrar em contato com o grupo, que hoje não se encontra mais na instituição.Porém, conseguiu-se somente o relato de uma das estudantes, em entrevista feita no dia 05 set 2012.
  10. 10. da sala de aula. Teve uma vez, uma aula de desenho, era fora de sala de aula, mastava dentro do espaço da escola. Quanto aos pontos deficitários: “Izi: Bom, o negativo não vejo muito, mas acho que a gente tirou as fotos semter tanta técnica. Mas é só essa parte, ter tido um pouco mais de técnica. Talvez asfotos ficariam melhores, pois acho que as fotos tiradas por mim ainda tinham meioque intuição”. Vale ressaltar que antes da realização prática do projeto in loco, o que chegoua ser cogitada por mim é que nas imagens produzidas pelos estudantes iriapredominar o “olho estético”, devido essa abordagem ser muito trabalhada nainstituição. Contudo, verificou-se, no momento da curadoria das imagens, que alémdo “olho estético” também havia muitas visualidades, presentes nas imagens, comproposta de um “olho antropológico”17. Ou seja, além dos elementos formalistas deuma imagem, os estudantes, segundo suas imagens produzidas e alguns de seuscomentários durante a curadoria, procuram captar também as questões relacionais,sociais e culturais das pessoas que participavam do evento 18. E finalmente, após os demais momentos, ocorreu a exposição das fotografias(Imagem: 8, e 9), juntamente com as demais propostas produzidas, em aulasanteriores, pelos estudantes. A mostra semestral ocorre ao final de cada semestre ea mesma é planejada e montada pelos docentes e discentes da instituição. Naqueleano, ficou aberta ao público durante o período de uma semana. Durante a aberturade cada exposição há sempre a presença dos funcionários da instituição, estudantesacompanhados de seus pais e/ou responsáveis, amigos e demais público visitante. No que diz respeito à quantidade de obras expostas, não foi possível expormuitas fotografias, pois o recurso financeiro conseguido para a revelação dasimagens foi reduzido, e também pelo fato que na instituição há uma postura que17 Segundo Illeris e Arvedsen (2012, p. 302), “olho estético” concerne às formas, linhas e cores do ambiente,enquanto que o “olho antropológico” refere ao envolvimento colaborativo na vida dos usuários regulares doambiente.18 Foram captadas cenas como: pagadores de promessas que mesmo cansados demonstravam devoção e fécaminhando a pés descalços ou de joelhos, portando objetos simbólicos; os milhares de romeiros quedisputavam cada pedaço da corda que serve de proteção à berlinda (muitos inclusive machucados pelastentativas de conquistar um espaço naquele local); as pessoas que doavam água, frutas, alimentos, para osdevotos. Além das manifestações de fé, houve registro fotográfico de imagens de empresas, instituições cujasvisualidades continham mensagens como: institucionais (temáticas - Círio), os votos/ homenagens e a dos seusprodutos ou serviços. E ainda a captação de imagens de políticos que circulavam no meio do povo (o eventoantecedia as eleições municipais de 2008).
  11. 11. estabelece a quantidade máxima de trabalhos a serem expostos por cada estudante,devido à questão do espaço expositivo. Imagem 8- Após montagem da exposição. (fonte: arquivo de Carla Marinho) Imagem 9- Abertura da exposição para o público. (fonte: arquivo de Carla Marinho)6- Minha Janela se abre para uma trajetória sempre em construção. Socializar uma experiência de ensino de arte, através deste artigo, não possuia intenção de se enquadrar como possível “receita pronta” sobre como ensinar arte.Pois, a experiência relatada foi efetivada em torno de êxitos, mas tambémequívocos. A intenção visa oportunizar questionamentos e reflexões sobre a práticadocente e sobre os processos criativos dos estudantes (criado possibilidade deinstigar criticidade em suas próprias vivências e experimentações). Saliento também,que ao abordar questões de educação estética é importante uma prática educativaque não se restrinja a questões teóricas e conceitos ocidentalizantes do termo. Poissegundo Pereira (2004): Os caminhos que percorremos todo o dia, de casa ao trabalho, às compras, pela cidade; o corte e arrumação do cabelo, as roupas, os adereços; a escolha ativa de músicas do rádio, programas de TV, livros e revistas; os rituais de romance, de amizade, de relacionamento com pais, alunos, subalternos, superiores, parceiros; as escolhas, opções, vivências e aprendizagens; enfim, nossa vida tem uma forma de ser vivida, uma singularidade, uma identidade, uma estética! Como lê-la? Como compreendê-la? Como construí-la? (PEREIRA, 2004, p. 224) Questionamentos estes, feitos pelo autor, que eu não possuo a intenção derespondê-los, mas sim deixar em aberto para possibilidades de outras reflexões paraoutras práticas educativas em arte.
  12. 12. ReferênciasBOURRIAUD, Nicolas. Estética relacional. São Paulo: Martins, 2009 (Coleção Todas asArtes)CRUZ, Joana Silva da. BARRETO, Aida Pereira. DIAS, Ronne F. C. (et al). Projeto Político ePedagógico: Fazendo Arte no Amapá. Governo do Estado do Amapá Secretaria de Estadoda Educação. Centro de Educação Profissional em Artes Visuais Cândido Portinari.Macapá- AP, 2008.CUNHA, Susana Rangel Vieira da. Questionamento de uma professora de arte sobre oensino de arte na contemporaneidade. In: MARTINS, Raimundo. TOURINHO, Irene. (orgs.)Cultura das imagens: desafios para a arte e para a educação. Santa Maria: Ed. Da UFSM,2012.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: O minidicionário de línguaportuguesa. Curitiba: Ed. Positivo, 2008.ILLERIS, Helene. ARVEDSEN, Karsten. Fenômenos e eventos visuais: algumas reflexõessobre currículo e pedagogia da cultura visual. In: MARTINS, Raimundo. TOURINHO, Irene.(orgs.) Cultura das imagens: desafios para a arte e para a educação. Santa Maria: Ed. DaUFSM, 2012.MARTINS, Raimundo. TOURINHO, Irene. Entrevidas das imagens na arte e na educação.In:MARTINS, Raimundo. TOURINHO, Irene. (orgs.) Cultura das imagens: desafios para aarte e para a educação. Santa Maria: Ed. Da UFSM, 2012.MEDEIROS, Maria Beatriz de. Formação para a sensibilização da aisthesis. In: OLIVEIRA,Marilda Oliveira de. HERNÁNDEZ, Fernando. (orgs.). A formação do professor e o ensinodas artes visuais. Santa Maria, Ed. UFSM, 2005.NASCIMENTO, Erinaldo Alves do. Singularidades da educação da cultura visual nosdeslocamentos das imagens e das interpretações. In: MARTINS, Raimundo. TOURINHO,Irene. (orgs.) Educação da cultura visual: Conceitos e contextos. Santa Maria: Ed. daUFSM, 2011.PEREIRA, Marcos Villela. Educação Estética e Interdisciplinaridade. In: CORRÊA, AyrtonDutra. Ensino de artes: múltiplos olhares. Ijuí: Ed. Unijuí, 2004.

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