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Casas no sol A casa é branca, branca de cal (que de todos os brancos é o  ú nico que é branco), debruada de azul, por ser ...
 
 
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<ul><li>Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o Universo … </li></ul><ul><li>Por isso a minha aldeia é tão gran...
 
 
<ul><li>MIRADOIRO </li></ul><ul><li>Não sei se vês, como eu vejo, </li></ul><ul><li>Pacificado, </li></ul><ul><li>Cair a t...
 
Fotografias : Agnès Levécot 21 de Abril  de 2009
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Monsaraz

  1. 1. Monsaraz no Alentejo clicar para mudar de slide
  2. 3. <ul><li>Aldeia </li></ul><ul><li>Nove casas </li></ul><ul><li>duas ruas </li></ul><ul><li>um largo </li></ul><ul><li>ao meio do largo </li></ul><ul><li>um poço de á gua fria. </li></ul><ul><li>Tudo isto tão parado </li></ul><ul><li>e o céu tão baixo </li></ul><ul><li>que quando alguém grita para longe </li></ul><ul><li>um nome familiar </li></ul><ul><li>se assustam pombros bravos </li></ul><ul><li>e acordam ecos no descampado </li></ul><ul><li>Manuel da Fonseca </li></ul>
  3. 6. <ul><li>tenho duas casas paralelas </li></ul><ul><li>a circular em planos paralelos </li></ul><ul><li>nunca se tocam? </li></ul><ul><li>por cima das nuvens por baixo da terra </li></ul><ul><li>as duas casas deslocam-se </li></ul><ul><li>em cartilagens invis í veis aproximam-se </li></ul><ul><li>da honra paralelas aproximam-se </li></ul><ul><li>do aroma paralelas aproximam-se </li></ul><ul><li>do encontro marcado do infinito </li></ul><ul><li>fixo dois s ó is abro os dois braços </li></ul><ul><li>e com uma casa em cada braço </li></ul><ul><li>aponto as duas casas aos dois horizontes </li></ul><ul><li>e tento junt á -las </li></ul><ul><li>com o movimento magnético </li></ul><ul><li>da linha escrita nas palmas </li></ul><ul><li>Paulo Condessa </li></ul><ul><li>o céu dentro da boca </li></ul>
  4. 8. <ul><li>ALENTEJO </li></ul><ul><li>A luz que te ilumina, </li></ul><ul><li>Terra da cor dos olhos de quem olha! </li></ul><ul><li>A paz que se adivinha </li></ul><ul><li>Na tua solidão </li></ul><ul><li>Que nenhuma mesquinha </li></ul><ul><li>Condição </li></ul><ul><li>Pode compreender e povoar! </li></ul><ul><li>O mistério da tua imensidão </li></ul><ul><li>Onde o tempo caminha </li></ul><ul><li>Sem chegar!... </li></ul><ul><li>Miguel Torga </li></ul><ul><li>Di á rio XII , 20 de Outubro de 1974 </li></ul>
  5. 11. Casas no sol A casa é branca, branca de cal (que de todos os brancos é o ú nico que é branco), debruada de azul, por ser à beira-mar a cor da alegria. Branca e fechada – não v á o sol que arde nos telhados penetrar insidiosamente por alguma fresta e incendiar o silêncio melindroso da alcova. A obscuridade quase não consente a contemplação do rosto infantil que ali dorme até ao sol ter amansado. S ó então desperta e se refugia nos braços que j á o esperam. Por este rapazito serias capaz de correr o mundo a pé-coxinho, se ele to pedisse, ou de entrar pelo buraco da fechadura s ó para o veres dormir. Eugénio de Andrade Vertentes do Olhar
  6. 14. <ul><li>Toda a aldeia era feita de um tempo muito antigo. Nas casas, nas ruas, nos usos e nos costumes. Mesmo os corpos dos aldeões, no jeito especial de os utilizarem, tinham também um toque rude e primitivo. O modo de andar, por exemplo, era desengonçado e langão, como se levassem às costas a sua carga de séculos. Mas era sobretudo nas casas que o peso do tempo mais se sentia. A gente olhava-as e via logo que tinham sido casas construidas no eterno. </li></ul><ul><li>Verg í lio Ferreira </li></ul><ul><li>Uma Esplanada sobre o Mar </li></ul>
  7. 17. <ul><li>O sol às casas, como a montes, </li></ul><ul><li>Vagamente doura. </li></ul><ul><li>Na cidade sem horizontes </li></ul><ul><li>Uma tristeza loura. </li></ul><ul><li>Como a sombra da tarde desce </li></ul><ul><li>E um pouco d ó i </li></ul><ul><li>Porque quando é tarde </li></ul><ul><li>Tudo quanto foi. </li></ul><ul><li>Nesta hora mais que em outra choro </li></ul><ul><li>O que perdi. </li></ul><ul><li>Em cinza e ouro o rememoro </li></ul><ul><li>E nunca o vi. </li></ul><ul><li>Felicidade por nascer, </li></ul><ul><li>M á goa a acabar, </li></ul><ul><li>Ânsia de s ó aquilo ser </li></ul><ul><li>Que h á de ficar – </li></ul><ul><li>Sussurro sem que se ouça, palma </li></ul><ul><li>Da isenção. </li></ul><ul><li>Ó tarde, fica noite, e alma </li></ul><ul><li>Tenha perdão. </li></ul>Fernando Pessoa Cancioneiro
  8. 20. <ul><li>Inverno, manhã cedo. A luz que banha </li></ul><ul><li>A paisagem é gélida e cinzenta; </li></ul><ul><li>A vaga pompa do cenária ostenta, </li></ul><ul><li>Ao largo, as serras húmidas de Espanha. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Hortas, vinhedos e a carcaça estranha </li></ul><ul><li>De Monsaraz, numa ascensão violenta; </li></ul><ul><li>A erva tenrinha os gados apascenta, </li></ul><ul><li>Que em tons de bronze a terra desentranha. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>E eu olho essa paisagem dolorida, </li></ul><ul><li>Testemunha que foi da minha vida, </li></ul><ul><li>Povoada agora de visões errantes.... </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Eu olho-a e dentro da minha alma afago-a, </li></ul><ul><li>Que os seus olhos longínquos, rasos de água, </li></ul><ul><li>São hoje os mesmos que me olhavam dantes. </li></ul><ul><li>Antonio de Macedo Papança </li></ul><ul><li>(Conde de Monsaraz ) </li></ul>
  9. 24. <ul><li>Não basta abrir a janela </li></ul><ul><li>Para ver os campos e o rio. </li></ul><ul><li>Não é bastante não ser cego </li></ul><ul><li>Para ver as á rvores e as flores. </li></ul><ul><li>É preciso também não ter filosofia nenhuma. </li></ul><ul><li>Com filosofia não h á á rvores: h á ideias apenas. </li></ul><ul><li>H á s ó cada um de n ó s, como uma cave. </li></ul><ul><li>H á s ó uma janela fechada, e todo o mundo l á fora; </li></ul><ul><li>E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, </li></ul><ul><li>Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. </li></ul><ul><li>Alberto Caeiro </li></ul>
  10. 28. <ul><li>Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver o Universo … </li></ul><ul><li>Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer </li></ul><ul><li>Porque eu sou do tamanho do que vejo </li></ul><ul><li>E não do tamanho da minha altura … </li></ul><ul><li>Alberto Caeiro </li></ul>
  11. 31. <ul><li>MIRADOIRO </li></ul><ul><li>Não sei se vês, como eu vejo, </li></ul><ul><li>Pacificado, </li></ul><ul><li>Cair a tarde </li></ul><ul><li>Serena </li></ul><ul><li>Sobre o vale, </li></ul><ul><li>Sobre o rio, </li></ul><ul><li>Sobre os montes </li></ul><ul><li>E sobre a quietação </li></ul><ul><li>Espraiada da cidade. </li></ul><ul><li>Nos teus olhos não h á serenidade </li></ul><ul><li>Que o deixe entender. </li></ul><ul><li>Vibram na lassidão da claridade. </li></ul><ul><li>E o l í rico poema que me acontecer </li></ul><ul><li>Vir á toldado de melancolia, </li></ul><ul><li>Porque daqui a pouco toda a poesia </li></ul><ul><li>Vai anoitecer. </li></ul><ul><li>Miguel Torga </li></ul><ul><li>Diario XIV , 5 de setembro de 1986 </li></ul>
  12. 33. Fotografias : Agnès Levécot 21 de Abril de 2009

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