PEÔNIA BRITO DE MORAES PEREIRA 
CARNÍVOROS SILVESTRES: A PERCEPÇÃO DISCENTE EM UMA ESCOLA DA ÁREA RURAL DE BARRA MANSA (RJ...
P436 Pereira, Peônia Brito de Moraes 
Carnívoros silvestres: a percepção discente em uma escola pública 
da área rural de ...
PEÔNIA BRITO DE MORAES PEREIRA 
CARNÍVOROS SILVESTRES: A PERCEPÇÃO DISCENTE EM UMA ESCOLA DA ÁREA RURAL DE BARRA MANSA (RJ...
À minha avó Lygia (“Nana”)- in memoriam - que mesmo sem compreender muito bem meu desejo de ter a onça (“... esse animal t...
AGRADECIMENTOS 
Difícil agradecer sem o medo de esquecer alguém que tenha ajudado, seja tal ajuda na prática, seja com pal...
e Seu Geraldo (meus avós de consideração!) por, há cerca de 5 anos atrás, terem recortado do jornal e me entregado, uma no...
“Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas...” 
(SÃO FRANCISCO DE ASSIS, Cântico das Criaturas)
RESUMO 
A presente pesquisa surgiu a partir da ocorrência e divulgação, na mídia, de um caso de predação de bovino por onç...
ABSTRACT 
This study arose from the occurrence and media coverage of a case of cattle predation by jaguars (Panthera onca)...
LISTA DE FIGURAS 
Figura 1: Distribuição dos seis biomas continentais brasileiros de acordo com o território nacional; p. ...
Figuras 12, 13 e 14: Palestra dos técnicos do CENAP/ICMBio para a comunidade do distrito de N.ª S.ª do Amparo; p. 60 
Figu...
Figuras 27, 28, 29 e 30: Diferentes momentos da solenidade realizada para o lançamento regional do Projeto Amigos dos Carn...
Figura 43: Imagem de satélite mostrando a vila do Distrito de Nª. Sª. do Amparo, com destaque à EMJFD ao centro (construçã...
Figura 60: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta fechada de nº 1: “Você se le...
LISTA DE QUADROS 
Quadro 1: Eixos temáticos e autores que compõem o referencial teórico deste trabalho; p. 30 
Quadro 2: T...
LISTA DE TABELAS 
Tabela 1: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de n...
Tabela 9: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 6A: “Por que voc...
Tabela 17: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 12: “O que você...
LISTA DE SIGLAS 
APRONAM Associação dos Produtores Rurais de Nossa Senhora do Amparo 
CDB Convenção Sobre a Diversidade Bi...
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................
4. O CASO DA ONÇA-PINTADA EM BARRA MANSA ................................................. 52 
4.1. A onça-pintada ou Pant...
7.2.1. Perguntas de número 1 e 1A (“Você se lembra de ter estudado alguma coisa sobre animais carnívoros na escola Jahyra ...
8.2.1. Os carnívoros e a onça como sinônimos de perigo ............................................... 147 
8.2.2. As atit...
12. ANEXOS ..................................................................................................................
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1. INTRODUÇÃO 
“A emoção que sentimos ao caminhar em matas ou florestas onde grandes carnívoros vivem - ...
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1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
O Brasil é um país diverso, seja em termos culturais ou naturais. No que se...
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Assim como o ser humano, muitas espécies de mamíferos carnívoros possuem hábitos predatórios1, sendo que...
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preservação do meio ambiente, uma vez que tais espécies possuem apelo na mídia e contribuem para sensibi...
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conscientizar sobre a importância destes animais para a manutenção de um ecossistema saudável. 
Toda est...
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entender a percepção humana em relação à presença desses animais, assim como as atitudes positivas e neg...
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1.4.2. Objetivos Específicos 
- Registrar/ descrever quali-quantitativamente, a(s) percepção(ões) encont...
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2. O BRASIL, A MATA ATLÂNTICA E A CRISE DA BIODIVERSIDADE 
“Não pode ser feita uma estimativa precisa do...
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2.1. BRASIL, (BIO)DIVERSIDADE SINGULAR 
O Brasil é um país mundialmente conhecido por sua diversidade. U...
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Figura 1: Distribuição dos seis biomas continentais brasileiros de acordo com o território nacional. Fon...
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As outras duas abordagens, por sua vez, fazem menção a cinco dos seis biomas continentais brasileiros, s...
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2.2. MATA ATLÂNTICA: DO EXTENSO VERDE CONTÍNUO A PEQUENOS FRAGMENTOS DE ESPERANÇA 
A biodiversidade da M...
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si e espécies em comum, e existir uma transição gradual entre estas diferentes formações vegetais. 
De f...
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A sua área de distribuição original englobava não somente a maior parte do litoral do Brasil, desde os a...
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Apesar deste bioma ter sofrido, historicamente, tantos processos de exploração, ficou evidenciado que fo...
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Infelizmente, não é este histórico de destruição da Mata Atlântica nem todos os motivos existentes para ...
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ao Corredor da Serra do Mar, tais autores comentam que ele “abrange uma das poucas áreas contínuas ainda...
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isolando completamente, passando a formar pequenas populações de poucos indivíduos, fato que as tornam m...
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possibilitem uma ligação dos mesmos através da criação de novas áreas de vegetação natural, formando ass...
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Já no que se refere ao ponto de vista biológico, Fonseca e colaboradores (2003, p.1), ressaltam que, alé...
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3. DEFININDO OS CARNÍVOROS, COMENTANDO SUAS CARACTERÍSTICAS E POSSÍVEIS IDENTIDADES 
“Os carnívoros tem ...
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3.1. OS MAMÍFEROS CARNÍVOROS DA ORDEM CARNIVORA 
Os mamíferos da Ordem Carnivora, também chamados “carní...
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diversificação da Ordem Carnivora”, de modo que “várias espécies adquiriram dieta onívora com acentuado ...
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3.2. CARNÍVOROS COMO PREDADORES DE ANIMAIS DOMÉSTICOS 
De acordo com Cavalcanti (2002, p. 57), regiões c...
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Azevedo & Conforti (2002. p. 28) acrescentam ainda, como fator facilitador à ocorrência da predação, a q...
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Em geral, para o conhecimento leigo, fazer referência a “animais carnívoros” significa falar daqueles an...
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No entanto, tal autor segue sua argumentação chamando atenção a outro significado que existe ao se fazer...
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Chiarello e colaboradores (2008, p. 682) comentam, na recente lista brasileira da fauna ameaçada de exti...
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4. O CASO DA ONÇA-PINTADA EM BARRA MANSA 
“Se não preservamos a onça-pintada, ela acabará transformada, ...
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4.1. A ONÇA-PINTADA OU PANTHERA ONCA 
A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como jaguar ou ja...
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Sua área de distribuição original se estendia desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argenti...
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Pereira. Peônia Brito de Moraes. Carnívoros silvestres: a percepção discente em uma escola da área rural de barra mansa (RJ) associada a um caso de predação de bovino por onça-pintada (panthera onca) na região. Dissertação apresentada ao curso de pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do grau de mestre. Área de Concentração: Educação Ambiental. Orientador: Prof. Dr. Joel de Araújo. Niterói. 2009.

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Carnívoros silvestres: a percepção discente em uma escola da área rural de barra mansa (RJ) associada a um caso de predação de bovino por onça-pintada (panthera onca) na região.

  1. 1. PEÔNIA BRITO DE MORAES PEREIRA CARNÍVOROS SILVESTRES: A PERCEPÇÃO DISCENTE EM UMA ESCOLA DA ÁREA RURAL DE BARRA MANSA (RJ) ASSOCIADA A UM CASO DE PREDAÇÃO DE BOVINO POR ONÇA-PINTADA (PANTHERA ONCA) NA REGIÃO. Dissertação apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Ciência Ambiental da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de Concentração: Educação Ambiental. ORIENTADOR: PROF. DR. JOEL DE ARAUJO Niterói 2009
  2. 2. P436 Pereira, Peônia Brito de Moraes Carnívoros silvestres: a percepção discente em uma escola pública da área rural de Barra Mansa (RJ) associada a um caso de predação de bovino por onça-pintada (Panthera onca) na região / Peônia Brito de Moraes Pereira. – Niterói : [s.n.], 2009. 210 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Universidade Federal Fluminense, 2009. 1. Educação ambiental. 2. Percepção ambiental. 3. Onça-pintada. I. Título. CDD 372.357098153
  3. 3. PEÔNIA BRITO DE MORAES PEREIRA CARNÍVOROS SILVESTRES: A PERCEPÇÃO DISCENTE EM UMA ESCOLA DA ÁREA RURAL DE BARRA MANSA (RJ) ASSOCIADA A UM CASO DE PREDAÇÃO DE BOVINO POR ONÇA-PINTADA (PANTHERA ONCA) NA REGIÃO. Dissertação apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Ciência Ambiental da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre. Área de Concentração: Educação Ambiental. Aproada em 31 de agosto de 2009. BANCA EXAMINADORA _________________________________________________________________ Prof. Dr. JOEL DE ARAUJO - Orientador Universidade Federal Fluminense - UFF _________________________________________________________________ Prof. Dr. CÉLIO MAURO VIANA - Membro interno Universidade Federal Fluminense - UFF _________________________________________________________________ Profª. Dra. CRISTINA APARECIDA GOMES NASSAR - Membro externo Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ Niterói 2009
  4. 4. À minha avó Lygia (“Nana”)- in memoriam - que mesmo sem compreender muito bem meu desejo de ter a onça (“... esse animal tão perigoso...”!) como objeto de estudo ou de trabalho, sempre me apoiou em tudo e da melhor forma possível. Sem ela eu não teria chegado a lugar algum. A ela meu eterno amor e agradecimento. Nana muito obrigada por ter existido em minha vida!
  5. 5. AGRADECIMENTOS Difícil agradecer sem o medo de esquecer alguém que tenha ajudado, seja tal ajuda na prática, seja com palavras, gestos ou pensamentos positivos... Começo agradecendo a Deus pelo Dom da Vida, por tudo que pude viver até hoje e pela oportunidade de realizar este trabalho, que nasceu de uma sementinha entregue a mim na forma de notícia de jornal. Minha “madrinha” Santa Bárbara e meu “padrinho” São Francisco de Assis foram (e são!) também essenciais, tanto nos diversos momentos da minha existência quanto nas diversas fases de realização deste trabalho - sempre presentes, embora invisíveis a uma primeira vista! Agradeço também, (como não!) ao meu anjo da guarda incansavelmente presente ao meu lado e sempre fazendo com que os problemas se resolvessem, por mais em cima da hora que estivesse! Passo, então, a agradecer a todos os anjos de carne e osso que estiveram e estão ao meu lado - meus familiares e amigos. A meus pais, Ládice e Fernando, por terem me colocado neste mundo louco, porém belo; a meu pai especialmente pelos puxões de orelha que sempre fizeram (e fazem!) eu me tornar uma pessoa melhor, por sua presença constante na minha vida e pelo “paitrocínio” é claro (!), à minha mãe por seu espírito aventureiro e sua personalidade inigual, que me proporcionam enxergar o mundo de um ângulo incomum, e por ajudar a tomar conta do meu “filho” Viralata (aproveitando para agradecer também a ele por me proporcionar tantos momentos de alegria!). À minha irmã Fernanda, por contribuir (mesmo que de forma involuntária!) para que eu não me tornasse uma eterna filha única, sem ter com quem discutir e brigar de modo descabido devido a formas muito distintas de enxergar e entender o mundo. À minha avó Lygia (Nana) - in memoriam - por ter me criado e dado toda força possível, assim como ao meu avô Brito - in memoriam - que também me criou, embora por menos tempo, mas que vinha todas as noites, ao meu quarto desejar “Boa noite, Flor da noite”. Ao meu avô Gustavo - in memoriam - pelas brincadeiras nos lanches de domingo e a minha outra avó Lygia por sua atual presença na minha vida e pelos constantes pensamentos positivos e orações feitas me desejando o que há de melhor. À meu namorado Maurício Salgado, por toda força dada, desde as ajudas com a tradução de textos em inglês e construção do abstract, passando pelas noites em claro (ou mesmo dormindo!) me fazendo companhia à distância via skype, e culminando nestes quase 4 anos de convivência fisicamente “looooooooonge” (!) mas perto em pensamento e objetivos de vida. À Dona Léa
  6. 6. e Seu Geraldo (meus avós de consideração!) por, há cerca de 5 anos atrás, terem recortado do jornal e me entregado, uma notícia sobre o aparecimento de uma onça-pintada em Barra Mansa - a semente deste trabalho. À Amanda Nogueira pelos imãs de onça, por me aturar como amiga há mais de 20 anos e por toda atenção e carinho dispensados principalmente nos 45 minutos do segundo tempo de elaboração desta dissertação. À Juliana Morais, Guilherme Brandt (Panda) e Rubem Barros, por terem ajudado a construir minha personalidade através de ótimos momentos de convivência na infância e adolescência. À Camila de Barros (Camilinha), Ronaldo Figueiró e “os de sempre” (Jackline Ayres, André Ferreira, Tiago Branquinho e Leonardo Azevedo), pela amizade formada e por todo o período de convivência durante a faculdade, que com certeza influenciaram minha formação como bióloga. À Helensandra Louredo (Lontra!), por ter se tornado minha mais nova amiga-irmã, pelo carinho e por sua presença, disponibilidade e força durante todos os momentos do mestrado. Aos novos amigos e companheiros de trabalho do IBGE principalmente Camila, Karen, Bernardo e Maurício pelo apoio e incentivo, à Patrícia Vida pela compreensão e em especial à Vania Nagem pela força, paciência e constante disponibilidade em ajudar. Ao pessoal do CENAP/ICMBio, pela disponibilidade em ajudar, em especial Rogério Cunha e Tathiana Bagatini pelo auxílio e acolhida durante o desenrolar do Projeto Amigos dos Carnívoros em Barra Mansa, Ronaldo Morato por disponibilizar os dados acerca da predação em Amparo e Peter Crawshaw pela paciência em tirar minhas dúvidas e pelo incentivo (e por ter me cedido as duas lindas fotos de onça-pintada que ilustram essa dissertação!). À todas as pessoas que em algum momento participaram do Projeto Amigos dos Carnívoros, em especial os membros da Coordenadoria de Meio Ambiente de Barra Mansa, pela troca de experiências e idéias.À toda comunidade da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable pela acolhida sem ressalvas, em especial à diretora Dayse Luz pela sua amizade e simpatia, às professoras Eliane, Eledir e Gilcinéia e aos funcionários Leonardo, Márcia e Silvana. Aos professores Célio Mauro e Cristina Nassar pela amizade, por aceitarem fazer parte da minha banca avaliadora e pela compreensão no momento da entrega do exemplar para a defesa. Por fim, ao meu orientador Joel de Araujo, por ter acreditado desde o início em meu trabalho, dando toda a força possível (além de alguns empurrõezinhos!) para que se concretizasse e também pela amizade formada e por toda paciência, compreensão e disponibilidade dispensadas durante todo o tempo. A todos esses seres queridos, muito obrigada!
  7. 7. “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas...” (SÃO FRANCISCO DE ASSIS, Cântico das Criaturas)
  8. 8. RESUMO A presente pesquisa surgiu a partir da ocorrência e divulgação, na mídia, de um caso de predação de bovino por onça-pintada (Panthera onca) no distrito de Nossa Senhora do Amparo, município de Barra Mansa (RJ), fato que mobilizou a população deste distrito, em especial a comunidade acadêmica da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable nele localizada. A partir de então, a supracitada escola juntamente com outros atores, acabaram por elaborar e desenvolver atividades no contexto escolar - em especial uma cartilha - versando sobre a questão da predação e sobre os carnívoros silvestres brasileiros e tendo a onça como tema principal. Diante destes fatos, esta pesquisa possui como objetivo geral conhecer a(s) percepção(ões) da comunidade discente compreendida entre o 5º e o 9º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable acerca dos carnívoros silvestres e da onça-pintada (Panthera onca), tendo como base a ocorrência – na região onde tal escola se localiza – de um caso de predação de bovino por esta espécie e como objetivos específicos registrar/ descrever quali-quantitativamente, a(s) percepção(ões) encontrada(s); discutir a(s) necessidade(s), o(s) limite(s) e a(s) possibilidade(s) de mudança(s) na(s) percepção(ções)/ concepção(ões) da população acadêmica; analisar as atividades realizadas no contexto escolar – após a ocorrência da predação – voltadas à questão dos carnívoros silvestres e da onça, com ênfase na cartilha elaborada pela escola e sugerir atividades didático-pedagógicas, tendo como base o caso de predação de bovino por onça-pintada e esta espécie como “espécie- bandeira”. Para tal, foi aplicado um instrumento de pesquisa na forma de questionário para todos os discentes do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental da escola em questão. Diante dos resultados obtidos, concluiu-se que, apesar das atividades acadêmicas desenvolvidas e da cartilha elaborada, ainda é necessário que haja mais alguns investimentos didático- pedagógicos para a comunidade discente da referida escola, visto que não apenas os conceitos ensinados, mas também as formas de abordagem utilizadas, não se mostraram adequados, havendo ainda uma lacuna de conhecimento acerca dos carnívoros e da onça entre os alunos pesquisados. Desta forma, este trabalho sugere que seja desenvolvida, com a comunidade discente em questão, uma série de atividades didático-pedagógicas e lúdicas, novamente versando sobre os carnívoros e tendo a onça como símbolo. Tais atividades seriam a realização de jogos e a exibição de filmes (com uma posterior discussão envolvendo a participação ativa dos alunos), seguidas pela montagem, na escola, de uma exposição aberta à comunidade local contendo trabalhos realizados pelos próprios alunos, baseados no conteúdo assimilado pelos mesmos em decorrência das duas primeiras atividades. Palavras-chave: Educação ambiental. Percepção ambiental. Onça-pintada.
  9. 9. ABSTRACT This study arose from the occurrence and media coverage of a case of cattle predation by jaguars (Panthera onca) in the district of Nossa Senhora do Amparo, Barra Mansa (RJ), that event mobilized the population of this district, especially the academic community of the Municipal School Jahyra Fonseca Drable. Since then, the aforementioned school along with other actors, developed and implemented activities in the school context - particularly a booklet – dealing with the issue of predation and wild carnivores in Brazil and with the jaguar as the main theme. Given these facts, this research has as main objective to know the perceptions of the student community of the Municipal School Jahyra Fonseca Drable, between the fifth and ninth years of elementary school, about the wild carnivores, with emphasis on jaguar (Panthera onca) and based on one case of predation of cattle, occurred in 2004 in the region, and as specific objectives to register and describe qualitative and quantitatively the perceptions found; discuss needs, limits and possibilities in changing perceptions and conceptions of the academic population; analyze tasks performed in the school context, after the occurrence of predation, focused on the issue of wild carnivores and jaguars, with emphasis on the booklet prepared by the school and suggest didactic activities, based on the case of cattle predation by jaguars and this species as "flagship species". To this end, we applied a research tool in the form of a questionnaire to all students from the fifth to ninth year of elementary school in question. It was concluded that despite the academic activities implemented at the school and the production of the booklet, it is still necessary to have more didactic investments for the student community of this school, since not only the concepts taught, but also the approach used proved inadequate, as there is still a lack of knowledge about carnivores and the jaguar among students surveyed. Thus, this study suggests a series of educational and entertaining activities to be developed with the student community in question, again dealing with carnivores and the jaguar as a symbol. Such activities include the usage of games and videos (with a further discussion involving the participation of students), followed by an exhibition open to the local community at the school, consisting of works performed by the students themselves, based on content learned with the first two activities. Keywords: Environmental awareness. Environmental perception. Jaguar.
  10. 10. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Distribuição dos seis biomas continentais brasileiros de acordo com o território nacional; p. 33 Figura 2: Área de distribuição original do Domínio da Mata Atlântica no território brasileiro e atuais fragmentos remanescentes da Mata Atlântica brasileira; p. 36 Figuras 3 e 4: Indivíduos de onça-pintada (Panthera onca); p. 53 Figura 5: Áreas de ocorrência de indivíduos e populações de onça pintada (P. onca); p. 54 Figura 6: Foto de dois dos jornais que divulgaram, logo após o aparecimento da onça-pintada em abril de 2004, notícias exageradas e alarmantes, p. 58 Figura 7: Carcaça de bovino, pertencente à Fazenda Jaqueira, que foi atacado e predado por onça-pintada; p. 58 Figuras 8 e 9: Diferentes ângulos da carcaça predada, enfatizando os ferimentos sofridos, cuja análise levou à comprovação da predação por onça-pintada; p. 59 Figura 10: Pegadas de onça-pintada, encontradas próximas ao local onde estava a carcaça do bovino predado; p. 59 Figura 11: Comparação entre o tamanho de uma das pegadas encontradas e a mão humana, fato que comprova que a predação foi feita por onça-pintada; p. 59
  11. 11. Figuras 12, 13 e 14: Palestra dos técnicos do CENAP/ICMBio para a comunidade do distrito de N.ª S.ª do Amparo; p. 60 Figura 15: Dois modelos de cartilhas distribuídas pelo CENAP/ICMBio durante a palestra promovida no distrito; p. 60 Figura 16: Alunos da E. M. Jahyra F. Drable participando da atividade de “colocar o rabo na onça-pintada”, durante a “III Olimpíada Rural de Amparo”, cujo tema era esta espécie de animal; p. 62 Figura 17: Modelo de cartilha sobre a onça-pintada, elaborado na EMJFD; p. 62 Figuras 18 e 19: Primeira reunião com os participantes do futuro “Projeto Amigos dos Carnívoros”, ocorrida na sede da CMA de Barra Mansa em setembro de 2005; p. 66 Figura 20: Desenho da aluna Ângela Maria Soares, estudante da Escola M. Jahyra F. Drable, escolhido para dar origem ao nome do projeto coordenado pela CMA de Barra Mansa; p. 67 Figuras 21 e 22: Quinta reunião do Projeto Amigos dos Carnívoros realizada em agosto de 2006 na sede da CMA de Barra Mansa; p. 67 Figuras 23 e 24: Sexta reunião do Projeto Amigos dos Carnívoros realizada em outubro de 2006 no município de Barra do Piraí; p. 67 Figura 25: Desenho escolhido como logotipo do “Projeto Amigos dos Carnívoros”; p. 69 Figura 26: Versão final da cartilha, para ser distribuída; p. 69
  12. 12. Figuras 27, 28, 29 e 30: Diferentes momentos da solenidade realizada para o lançamento regional do Projeto Amigos dos Carnívoros e para apresentação e distribuição da versão final da cartilha; p. 70 Figura 31: Pôster colocado na Sala dos professores da Escola Municipal Jahyra F. Drable falando sobre o recebimento do prêmio “Selo Escola Solidária” por parte da mesma; p. 70 Figura 32: Mapa do estado do Rio de Janeiro com ênfase no município de Barra Mansa e com destaque ao seu 4º distrito, denominado Nossa Senhora do Amparo, local do presente estudo; p. 84 Figura 33: Imagem de satélite mostrando a vila central do distrito de Nossa Senhora do Amparo e seu entorno, sendo possível notar as áreas de pastagem e alguns fragmentos de mata existentes; p. 88 Figuras 34 e 35: Vistas parciais de duas fazendas do distrito de N.ª S.ª do Amparo; p. 88 Figuras 36 e 37: Rua localizada na vila central do distrito de N.ª S.ª do Amparo, cujo calçamento foi feito na época do Ciclo do Café e um dos casarões históricos localizados nesta rua; p. 89 Figuras 38 e 39: Vistas parciais da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, construída em 1853 e localizada na praça principal da vila central do distrito; p. 89 Figuras 40 e 41: À esquerda vistas parciais da praça onde está localizada a EMJFD e do Centro Social João XXII. À direita vistas parciais do Colégio Estadual Nª. Sª. do Amparo e do casarão sede do Artesanato Stella Carvalho, local onde também funciona a biblioteca do distrito; p. 89 Figura 42: Atual vista frontal da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable; p. 91
  13. 13. Figura 43: Imagem de satélite mostrando a vila do Distrito de Nª. Sª. do Amparo, com destaque à EMJFD ao centro (construção de cor clara em formato quadrado) e sua quadra esportiva anexa; p. 91 Figuras 44: Quadros com a foto da D. Jahyra Fonseca Drable e seu histórico de vida, colocados na parede da secretaria da EMJFD; p. 92 Figuras 45: Placa de re-inauguração da EMJFD, colocada na parede do pátio interno da escola; p.92 Figuras 46 e 47: Vistas parciais dos pátios interno e externo da EMJFD; p. 92 Figuras 48 e 49: Vistas parciais do refeitório e da cozinha da EMJFD; p. 93 Figuras 50 e 51: Vistas parciais de uma das salas de aula da EMJFD; p.93 Figuras 52 e 53: Vistas parciais da sala dos professores e da sala da administração/secretaria da EMJFD; p. 93 Figura 54: Aluno morador de propriedade rural sendo deixado em casa pelo transporte escolar da EMJFD; p. 95 Figuras 55 e 56: Diferentes momentos da tradicional Festa Julina do Distrirto de Nª. Sª do Amparo, realizada na quadra poliesportiva anexa à EMJFD (atentar à foto inferior com os cavalos presos na árvore, que de fato demonstra o caráter rural do distrito, uma vez que alguns moradores foram à festa utilizando tais animais como meio de transporte.); p. 98 Figuras 57, 58 e 59: Alunos da EMJFD de diferentes turmas e anos de ensino respondendo o questionário definitivo; p. 99
  14. 14. Figura 60: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta fechada de nº 1: “Você se lembra de ter estudado alguma coisa sobre animais carnívoros na escola Jahyra Drable?”; p. 105 Figura 61: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta fechada de nº 7: “Você acha que existem animais carnívoros vivendo em alguma mata perto da sua casa?”; p. 124 Figura 62: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta fechada de nº 9: “Você se lembra de ter estudado alguma coisa sobre onça na escola Jahyra Drable?”; p. 133
  15. 15. LISTA DE QUADROS Quadro 1: Eixos temáticos e autores que compõem o referencial teórico deste trabalho; p. 30 Quadro 2: Total de funcionários da EMJFD no ano de 2008 (excluindo o corpo docente), distribuídos por tipo de serviço realizado; p. 94 Quadro 3: Quantidade de alunos da EMJFD por turma de Ensino Fundamental em fevereiro de 2008 (início do ano letivo) e no mês de novembro deste mesmo ano; p. 96 Quadro 4: Perguntas do questionário, seu tipo e respectivo número no mesmo; p. 101
  16. 16. LISTA DE TABELAS Tabela 1: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 1A: “O que você lembra?”; p. 107 Tabela 2: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 2: “Para você o que é um animal carnívoro?”; p. 109 Tabela 3: Quantidade (valor absoluto) de animais citados, em termos totais e para cada ano de ensino, como resposta da pergunta aberta de nº 3: “Diga o nome de animais que você acha que são carnívoros:”; p. 110 e 111 Tabela 4: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 4: “O que mais você lembra ou sabe sobre animais carnívoros?”; p. 113 Tabela 5: Respostas obtidas (valor absoluto), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 4A: “Onde você aprendeu isso?”; p. 115 Tabela 6: Quantidade (valor absoluto) de animais mais citados, em termos totais e para cada ano de ensino, como resposta da pergunta aberta de nº 5: “Qual animal carnívoro você já viu de perto?”; p. 117 Tabela 7: Respostas obtidas (valor absoluto), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 5A: “Onde você viu?”; p. 119 Tabela 8: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 6: “Como você acha que devemos tratar os animais carnívoros?”; p. 120
  17. 17. Tabela 9: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 6A: “Por que você acha isso?”; p. 122 Tabela 10a: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 7A: “Por que você acha isso?” (referentes aos alunos que responderam “sim” na pergunta de nº 7); p. 125 Tabela 10b: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 7A: “Por que você acha isso?” (referentes aos alunos que responderam “não” na pergunta de nº 7); p. 127 Tabela 11: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 8: “O que você faria se encontrasse um animal carnívoro em Amparo?”; p. 129 Tabela 12: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 8A: “Por que você faria isso?”; p. 131 Tabela 13: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 9A: “O que você lembra?”; p. 134 Tabela 14: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 10: “O que você acha que a onça come quando está na natureza?; p. 136 Tabela 15: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 11: “O que mais você lembra ou sabe sobre as onças?”; p. 138 Tabela 16: Respostas obtidas (valor absoluto), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 11A: “Onde você aprendeu isso?”; p. 140
  18. 18. Tabela 17: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 12: “O que você faria se encontrasse uma onça em Amparo?”; p. 141 Tabela 18: Respostas obtidas (%), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta aberta de nº 12A: “Por que você faria isso?”; p. 143 Tabela 19: Respostas obtidas (valor absoluto), em termos totais e para cada ano de ensino, para a pergunta semi-aberta de nº 13: “Marque uma atividade sobre carnívoros que você gostaria de participar:”; p. 145
  19. 19. LISTA DE SIGLAS APRONAM Associação dos Produtores Rurais de Nossa Senhora do Amparo CDB Convenção Sobre a Diversidade Biológica CENAP Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros CI Conservação Internacional CMA Coordenadoria de Meio Ambiente (do município de Barra Mansa). EA Educação Ambiental EMJFD Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable. IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade IEF Instituto Estadual de Floresta (do estado do Rio de Janeiro) INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ONG Organização não-governamental ONU Organização das Nações Unidas REBIA Rede Brasileira de Informação Ambiental SEMA Secretaria de Meio Ambiente (do estado de São Paulo) UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
  20. 20. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 24 1.1. Considerações iniciais ..................................................................................................... 25 1.2. O Problema ...................................................................................................................... 27 1.3. Justificativa ...................................................................................................................... 28 1.4. Objetivos .......................................................................................................................... 29 1.4.1. Objetivo geral ........................................................................................................ 29 1.4.2. Objetivos específicos .............................................................................................. 30 1.5. Referencial Teórico ......................................................................................................... 30 2. O BRASIL, A MATA ATLÂNTICA & A CRISE DA BIODIVERSIDADE ................. 31 2.1. Brasil, (bio)diversidade singular ...................................................................................... 32 2.2. Mata Atlântica: do extenso verde contínuo a pequenos fragmentos de esperança .......... 35 2.3. Uma luz no fim do túnel: os corredores ecológicos como possível estratégia de resgate da fauna dividida pela fragmentação dos habitats ....................................................................... 40 3. DEFININDO OS CARNÍVOROS E COMENTANDO SUAS CARACTERÍSTICAS E POSSÍVEIS IDENTIDADES ................................................................................................. 44 3.1. Os mamíferos carnívoros da Ordem Carnivora .............................................................. 45 3.2. Carnívoros como predadores de animais domésticos ...................................................... 47 3.3. Carnívoros não-carnívoros? Uma miscelânea conceitual ................................................ 48 3.4. Carnívoros silvestres brasileiros ...................................................................................... 50
  21. 21. 4. O CASO DA ONÇA-PINTADA EM BARRA MANSA ................................................. 52 4.1. A onça-pintada ou Panthera onca ................................................................................... 53 4.2. A predação de bovino por onça-pintada em Amparo: quando o problema vira uma oportunidade educativa ........................................................................................................... 56 4.3. O Projeto Amigos dos Carnívoros ................................................................................... 63 5. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUA RELAÇÃO COM A PERCEPÇÃO DOS ANIMAIS, EM ESPECIAL OS CARNÍVOROS SILVESTRES .......................................... 72 5.1. Educação e Percepção Ambientais .................................................................................. 73 5.2. A Percepção e as atitudes acerca dos animais, em especial dos carnívoros silvestres .... 77 6. METODOLOGIA .............................................................................................................. 83 6.1. Localização e características da área de estudo ............................................................... 84 6.1.1. Breve histórico do município de Barra Mansa (RJ) ............................................... 84 6.1.2. O distrito rural de Nossa Senhora do Amparo ....................................................... 86 6.1.3. A Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable (EMJFD) .......................................... 90 6.2. Definindo a metodologia ................................................................................................. 95 6.2.1. Público-alvo, população-alvo e amostra ............................................................... 95 6.2.2. Conhecendo e reconhecendo a Escola Municipal Jahyra F. Drable. ..................... 96 6.2.3. O instrumento de pesquisa e sua aplicação ........................................................... 100 6.2.4. Referencial teórico para a análise dos resultados .................................................. 102 7. RESULTADOS ................................................................................................................. 103 7.1. Observações iniciais ........................................................................................................ 104 7.2. Respostas obtidas ............................................................................................................. 105
  22. 22. 7.2.1. Perguntas de número 1 e 1A (“Você se lembra de ter estudado alguma coisa sobre animais carnívoros na escola Jahyra Drable?” e “O que você lembra?”) .................... 105 7.2.2. Pergunta de número 2 (“Para você o que é um animal carnívoro?”) .................. 109 7.2.3. Pergunta de número 3 (“Diga o nome de animais que você acha que são carnívoros:”) .................................................................................................................. 110 7.2.4. Perguntas de número 4 e 4A (“O que mais você lembra ou sabe sobre animais carnívoros?” e “Onde você aprendeu isso?”) ................................................................ 113 7.2.5. Perguntas de número 5 e 5A (“Qual animal carnívoro você já viu de perto?” e “Onde você viu?”) .......................................................................................................... 116 7.2.6. Perguntas de número 6 e 6A (“Como você acha que devemos tratar os animais carnívoros?” e “Porque você acha isso?”) .................................................................... 120 7.2.7. Perguntas de número 7 e 7A (“Você acha que existem animais carnívoros vivendo em alguma mata perto da sua casa?” e “Por que você acha isso”) .............................. 124 7.2.8. Perguntas de número 8 e 8A (“O que você faria se encontrasse um animal carnívoro em Amparo?” e “Por que você faria isso?”) ................................................. 128 7.2.9. Perguntas de número 9 e 9A (“Você se lembra de ter estudado alguma coisa sobre onça na escola Jahyra Drable?” e “O que você lembra?”) ........................................... 132 7.2.10. Pergunta de número 10 (“O que você acha que a onça come quando está na natureza?”) ..................................................................................................................... 136 7.2.11. Perguntas de número 11 e 11A (“O que mais você lembra ou sabe sobre as onças?” e “Onde você aprendeu isso?”) ........................................................................ 137 7.2.12. Perguntas de número 12 e 12A (“O que você faria se encontrasse uma onça em Amparo?” e “Por que você faria isso?”) ........................................................................ 141 7.2.13. Pergunta de número 13 (“Marque uma atividade sobre carnívoros que você gostaria de participar:”) ................................................................................................ 144 8. DISCUSSÃO ..................................................................................................................... 146 8.1. Observações iniciais ....................................................................................................... 147 8.2. Acerca das principais percepções encontradas ............................................................... 147
  23. 23. 8.2.1. Os carnívoros e a onça como sinônimos de perigo ............................................... 147 8.2.2. As atitudes para com os carnívoros e para com a onça ......................................... 149 8.2.3. A confusão conceitual acerca da palavra “carnívoros” ......................................... 150 8.2.4. Os carnívoros como comedores apenas de carne e a pouca especificação sobre as possíveis presas naturais da onça ................................................................................... 152 8.2.5. Os diferentes animais citados como sendo carnívoros .......................................... 153 8.2.6. A questão das espécies exóticas citadas ................................................................ 155 8.2.7. A questão da presença dos carnívoros no meio em que os alunos vivem ............. 156 8.3. Acerca do contexto educacional da EMJFD em relação às atividades realizadas .......... 157 8.3.1. A escola como evidenciadora do aparecimento da onça ...................................... 157 8.3.2. A escola como principal fonte de aprendizado dos alunos do distrito ................. 158 8.3.3. Observações acerca da cartilha elaborada pela escola .......................................... 158 8.3.4. Uma nova educação como elemento da mudança comportamental ...................... 159 8.3.5. As novas atividades a serem realizadas ................................................................ 160 9. CONCLUSÕES ................................................................................................................. 162 10. FONTES CONSULTADAS ............................................................................................ 165 11. APÊNDICES ................................................................................................................... 175 11.1. Espécies de mamíferos silvestres brasileiros que compõem a Ordem Carnivora, seus nomes populares, suas famílias e sua situação de conservação de acordo com a atual Lista Brasileira da Fauna Ameaçada ............................................................................................... 176 11.2. Questionário aplicado para os alunos do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable .......................................................................................... 179
  24. 24. 12. ANEXOS ........................................................................................................................ 181 12.1. Reportagens de diferentes jornais sobre a ocorrência da predação de bovino por onça- pintada no distrito de N.ª S.ª do Amparo e arredores ............................................................. 182 12.2. Atas das 6 primeiras reuniões do “Projeto Amigos dos Carnívoros” ........................... 197 12.3. Cartilha sobre a onça-pintada impressa pela CMA do município de Barra Mansa, elaborada tendo como base um exemplar artesanal feito pela diretora e por professores da Escola Municipal Jahyra F. Drable ....................................................................................... 205 12.3. Página da internet sobre o prêmio “Selo Escola Solidária", recebido pela Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable em decorrência das atividades realizadas, com seu corpo discente, sobre a onça-pintada e demais carnívoros silvestres .............................................. 209
  25. 25. P á g i n a | 24 1. INTRODUÇÃO “A emoção que sentimos ao caminhar em matas ou florestas onde grandes carnívoros vivem - no nosso caso a onça-pintada [...] - é totalmente diferente - e perde a maior parte do seu encanto e da sua atração - daquela sentida quando esses magníficos representantes da fauna estão ausentes.” (HOOGESTEIJN & MONDOLFI, 1992, p. 143)
  26. 26. P á g i n a | 25 1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Brasil é um país diverso, seja em termos culturais ou naturais. No que se refere à natureza, ele é hoje considerado um dos países biologicamente mais ricos do mundo, possuindo em seu território seis biomas (INSTITUTO BRASIEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004a), sendo dois deles, importantes florestas tropicais (WILSON, 1997). Uma destas florestas é a Mata Atlântica, mundialmente conhecida não apenas pela sua exuberância, mas também por estar extremamente ameaçada devido aos altos índices de destruição e de fragmentação, sofridos desde o início da colonização brasileira (GALINDO- LEAL & CÂMARA, 2005). Atualmente, sabe-se que o processo de fragmentação dos habitats gera impactos negativos diretos tanto à fauna quanto à flora, impactos estes que vão culminar em uma perda de biodiversidade na região impactada (METZGER, 1999). Especialmente no caso da fauna, acaba ocorrendo uma divisão das populações de animais entre os fragmentos e, em longo prazo, o isolamento das mesmas, fato que faz com que tais populações se tornem mais vulneráveis à extinção (BRITO & FERNANDEZ, 2000). Um grupo de espécies da fauna que é fortemente impactado pela fragmentação do habitat são os mamíferos da Ordem Carnivora (MARINHO-FILHO & MACHADO, 2006). Tais animais, conhecidos como “carnívoros”, estão distribuídos por quase todas as regiões do globo (MACDONALD & KAYS, 2005); porém, infelizmente, também se encontram ameaçados de extinção em muitas delas (KRUUK, 2002). Apesar de formar um grupo único, oriundo de um mesmo ancestral, a Ordem Carnivora possui espécies com características bastante distintas entre si, não apenas em termos de tamanho, mas também o que se refere à forma do corpo, aos hábitos de vida ou mesmo aos hábitos alimentares (KRUUK, 2002; MACDONALD & KAYS, 2005). Uma questão interessante é que, apesar dos representantes da Ordem Carnivora serem chamados de carnívoros, nem todas as espécies se alimentam de carne, fato que contribui para certa confusão relacionada ao uso da palavra “carnívoro”, que também é usada para se referir àqueles animais que se alimentam de carne, sejam eles mamíferos Ordem Carnivora ou não (KRUUK, 2002) .
  27. 27. P á g i n a | 26 Assim como o ser humano, muitas espécies de mamíferos carnívoros possuem hábitos predatórios1, sendo que esta característica em comum faz com que a relação destes animais com o ser humano freqüentemente seja difícil e conflituosa (MACDONALD & KAYS, 2005). Um exemplo de conflito se dá, quando tais espécies, devido à já citada destruição do habitat, se aproximam do meio onde o ser humano vive e, com isso, acabam predando animais domésticos, como por exemplo, ovelhas e bovinos oriundos de criações pecuárias (AZEVEDO & CONFORTI, 2002). Cabe ressaltar, no entanto, que é justamente o hábito predatório dos carnívoros que faz com que eles sejam extremamente importantes nos ecossistemas em que vivem, auxiliando na manutenção da estabilidade e conservação da biodiversidade de tais ecossistemas (MACDONALD & KAYS, 2005). Ainda assim, uma vez que casos de predação a animais domésticos vêm sendo cada vez mais documentados, tanto em diferentes partes do mundo quanto no Brasil (CAVALCANTI, 2002), frequentemente os carnívoros acabam rechaçados pela população, que, além do prejuízo econômico decorrente da predação, se sente amedrontada pela presença destes animais próximo às suas casas. Quando tais casos de predação ocorrem, frequentemente os mamíferos carnívoros de maior porte, como por exemplo, a onças parda e pintada, acabam sendo culpadas, mesmo que não haja comprovação ou mesmo indícios da sua culpa. Tal fato faz com que estes animais muitas vezes acabem vistos como vilões pela população. Desta forma, no sentido de se minimizar tamanhos males entendidos, a chamada educação ambiental torna-se um elemento de extrema importância, visando não somente instrumentalizar, mas principalmente, auxiliar na modificação de concepções e atitudes em diversos episódios, particularmente nesta pesquisa, no que se refere à relação do homem com os carnívoros. No entanto, para que a educação ambiental tenha uma maior chance de ser efetiva, é de extrema importância conhecer as percepções das pessoas sobre o assunto ou objeto em foco (CONFORTI, 2006), visando que as ações a serem tomadas estejam, de fato, adequadas à realidade do público alvo. As chamadas espécies-bandeira ou espécies-símbolo vêm sendo utilizadas em programas de Educação Ambiental com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para a 1 O uso do termo “hábitos predatórios” diz respeito à função ecológica, tanto dos carnívoros quanto da maior parte dos humanos, de serem predadores, ou seja, se alimentarem de outros animais: as presas.
  28. 28. P á g i n a | 27 preservação do meio ambiente, uma vez que tais espécies possuem apelo na mídia e contribuem para sensibilizar a população (DIETZ & NAGAGATA,1997). Apesar da onça- pintada (Panthera onca) frequentemente estar relacionada a casos de predação, ela também pode ser (e é) utilizada como espécie-símbolo (MILLER & RABINOWITZ, 2002), uma vez que exerce, desde tempos imemoriais, um grande fascínio sobre os humanos. Este felino só existe no continente americano e atualmente se encontra bastante ameaçado devido a diversos fatores, sendo que em muitas regiões já está localmente extinto (SANDERSON et al, 2002). 1.2. O PROBLEMA Em abril de 2004, foi documentada, no 4º distrito do município de Barra Mansa, estado do Rio de Janeiro, a ocorrência de um caso de predação de bovino por onça-pintada (Panthera onca). O distrito em questão, denominado de Nossa Senhora do Amparo, é predominantemente rural. O caso teve grande repercussão na mídia local, que não somente o divulgou de forma alarmante e sensacionalista, como também passou a relatar a ocorrência de outros casos de predação na região e arredores, atribuindo todos estes casos à onça-pintada. Tal ocorrido acabou por gerar bastante medo na comunidade do distrito em questão, (afetando, inclusive, a freqüência das aulas da escola municipal existente neste distrito), de modo que a Coordenadoria de Meio Ambiente de Barra Mansa (CMA) entrou em contato com Centro Nacional de Pesquisas para a Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio)2, para pedir auxílio acerca do ocorrido. Assim, técnicos do CENAP/ICMBio foram à região e confirmaram a predação por onça-pintada em um dos casos relatados, porém, os demais casos de predação foram atribuídos a carnívoros silvestres de menor porte. Também nesta visita, os técnicos reuniram a comunidade do distrito e realizaram uma palestra visando, através da mesma, esclarecer o ocorrido, orientar sobre como agir diante de casos de predação por carnívoros silvestres e 2 Na época o CENAP se chamava Centro Nacional para a Pesquisa e Conservação dos Predadores Naturais e pertencia ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
  29. 29. P á g i n a | 28 conscientizar sobre a importância destes animais para a manutenção de um ecossistema saudável. Toda esta situação fez com que a diretora da escola municipal local, que teve as aulas afetadas, se interessasse pelo assunto e, visando esclarecer seus alunos, iniciasse uma série de atividades ditas de Educação Ambiental em parceria com a CMA, utilizando como temática a onça-pintada e os carnívoros silvestres. Uma destas atividades se consolidou com a elaboração, por parte da diretora e de alguns professores, de uma cartilha artesanal versando acerca do aparecimento da onça-pintada naquele distrito. Paralelamente, o conjunto dos fatos acabou por chamar a atenção de um representante do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que entrou em contato com a CMA para sugerir a criação um projeto regional de proteção aos carnívoros, surgindo assim o “Projeto Amigos dos Carnívoros”. Esse projeto durou cerca de 2 anos (entre 2005 e 2007) e reuniu representantes de diferentes municípios da região e de diversas instituições, além de outras pessoas interessadas. Um dos principais frutos do mesmo foi a confecção e impressão de mil exemplares de uma cartilha (elaborada tendo como base aquela artesanal supracitada) para serem então distribuídos nas escolas da região. 1.3. JUSTIFICATIVA Grande parte dos habitantes do distrito de N.ª S.ª do Amparo vive em propriedades rurais que, em geral, ou são limítrofes a áreas remanescentes de Mata Atlântica ou se encontram bem próximas destas áreas, de modo que a interação da população local com o ambiente natural é diária e constante. Apesar da chance de um novo aparecimento de onça-pintada na região ser remota, a presença de carnívoros silvestres de menor porte é sistematicamente comprovada, sendo que casos de predação por estes animais são freqüentemente relatados e acabam por causar prejuízos econômicos e ainda amedrontar a população. De acordo com Conforti (2006, p. 186) “a forma com que as pessoas percebem uma espécie pode comandar suas atitudes com relação a ela” e segundo Palmeira (2004, p. 34), “não basta estudar e conhecer a biologia e a ecologia” de espécies como a onça-pintada “e sim
  30. 30. P á g i n a | 29 entender a percepção humana em relação à presença desses animais, assim como as atitudes positivas e negativas resultantes dessa interação”. Considerando que as atividades realizadas no distrito com o intuito de orientar a comunidade sobre como agir diante de casos de predação e conscientizá-la sobre a importância dos carnívoros silvestres para um ecossistema saudável (inclusive àquelas voltadas mais especificamente aos alunos da Escola Municipal Jahyra F. Drable), em sua maioria aconteceram no ano de 2004, é possível que muito das informações outrora passadas já não sejam lembradas pela população, em especial pelos alunos da EMJFD. Desta forma, pode-se dizer que conhecer a atual percepção destes alunos sobre os carnívoros silvestres, em especial sobre a onça-pintada (que foi o principal foco dos acontecimentos relacionados à ocorrência da predação em 2004), acaba se tornando uma ação fundamental para a futura realização estruturada de novas atividades de Educação Ambiental na região; atividades estas que possam colaborar com a manutenção de um bom relacionamento entre a comunidade e os animais silvestres, em especial os carnívoros. Assim, a presente pesquisa apresenta os objetivos que se seguem. 1.4. OBJETIVOS 1.4.1. Objetivo Geral Conhecer a(s) percepção(ões) da comunidade discente compreendida entre o 5º e o 9º anos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Jahyra Fonseca Drable acerca dos carnívoros silvestres e da onça-pintada (Panthera onca), tendo como base a ocorrência – na região onde tal escola se localiza – de um caso de predação de bovino por esta espécie.
  31. 31. P á g i n a | 30 1.4.2. Objetivos Específicos - Registrar/ descrever quali-quantitativamente, a(s) percepção(ões) encontrada(s); - Discutir a(s) necessidade(s), o(s) limite(s) e a(s) possibilidade(s) de mudança(s) na(s) percepção(ções)/ concepção(ões) da população acadêmica; - Analisar as atividades realizadas no contexto escolar – após a ocorrência da predação – voltadas à questão dos carnívoros silvestres e da onça, com ênfase na cartilha elaborada pela escola; - Sugerir atividades didático-pedagógicas, tendo como base o caso de predação de bovino por onça-pintada e esta espécie como “espécie-bandeira”. 1.5. REFERENCIAL TEÓRICO Para o desenvolvimento e a construção da tessitura teórica que comporá a pesquisa, foi feito uso dos autores e dos eixos temáticos/categorias analíticas expostos no quadro abaixo: Quadro 1: Eixos temáticos e autores que compõem o referencial teórico deste trabalho. Autor(es) Eixo temático Ano Hans Kruuk Interação entre a espécie humana e espécies de mamíferos da Ordem Carnivora. 2002 Valéria Amorim Conforti e Fernando Cesar Cascelli de Azevedo Percepções de moradores do entorno do Parque Nacional do Iguaçu sobre a onça-pintada 2003 Valéria Amorim Conforti Percepção humana acerca de grandes carnívoros em áreas de criação de animais domésticos 2006
  32. 32. P á g i n a | 31 2. O BRASIL, A MATA ATLÂNTICA E A CRISE DA BIODIVERSIDADE “Não pode ser feita uma estimativa precisa do número de espécies que estão se extinguindo nas florestas tropicais ou em outros habitats principais, pela simples razão de não conhecermos os números de espécies originalmente presentes.” (WILSON, 1997, p. 13)
  33. 33. P á g i n a | 32 2.1. BRASIL, (BIO)DIVERSIDADE SINGULAR O Brasil é um país mundialmente conhecido por sua diversidade. Uma singular diversidade de línguas, de raças, de culturas, de paisagens, de ambientes naturais e não apenas de espécimes, mas também de espécies da flora e da fauna. Em especial, a diversidade dos dois últimos itens citados - fauna e flora - associada com a diversidade dos ambientes naturais existentes no território brasileiro, faz com que o Brasil venha a ser também um país singularmente biodiverso.3 Com seu território nacional dividido em seis biomas4 continentais (figura 1) – Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampa, Mata Atlântica e Caatinga (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004a) e uma área costeira e marinha (BRANDON et al, 2005) – o Brasil é dono de uma biodiversidade incrível, não somente em termos de quantidade, mas também no que se refere à singularidade da mesma, uma vez que possui um número extremamente grande de espécies endêmicas5 presentes no seu território. Destes seis biomas, dois, Amazônia e Mata Atlântica, são importantes florestas tropicais, ambientes citados por Wilson (1997) como sendo os mais ricos em espécies e os que estão correndo maior perigo. Além de abrigarem grande parte da biodiversidade brasileira, a Amazônia e a Mata Atlântica também são as maiores responsáveis pelo alto grau de endemismos6 presente no território brasileiro. 3 Um país é considerado “biodiverso” quando possui uma grande “biodiversidade”, também chamada “diversidade biológica”. Segundo o Artigo nº 2 da Convenção Sobre Diversidade Biológica (CDB), “diversidade biológica” é definida como: “a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas” (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2000). 4 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2004b), “bioma” é definido como: “um conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria”. 5 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2004b), “espécie endêmica” é definida como: “espécie animal ou vegetal que ocorre somente em uma determinada área ou região geográfica”. 6 Ter um alto grau de endemismos significa ter muitas espécies endêmicas. Assim, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2004b) “endemismo” é: “caráter restrito da distribuição geográfica de determinada espécie ou grupo de espécies que vive limitada a uma área ou região”.
  34. 34. P á g i n a | 33 Figura 1: Distribuição dos seis biomas continentais brasileiros de acordo com o território nacional. Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística , adaptado de: <http://mapas.ibge.gov.br/biomas2/viewer. htm>, acesso em 10/09/09. Atualmente, o Brasil ocupa os primeiros lugares da lista de países que fazem parte das três abordagens criadas pela organização não governamental Conservation International (CI) para definir as áreas globais de extrema importância (e por isso, prioritárias) para a conservação da natureza (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2002). Uma destas abordagens diz respeito àquelas nações soberanas que possuem características naturais e culturais bastante singulares, além de uma boa parcela da biodiversidade global, sendo, portanto classificadas como Megadiversas7 (MITTERMEIER et al, 1997). Nesta abordagem, o Brasil se encontra no topo da lista, se destacando como o país mais rico do mundo em biodiversidade terrestre (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2002). 7 Conceito criado por Russell Mittermeier, em 1988. Atualmente existem 17 nações soberanas consideradas Megadiversas, sendo que, resumidamente, pelo menos dois critérios precisam ser cumpridos para que determinado país seja assim classificado: “ser extremamente rico em biodiversidade” e “reunir mais de 2/3 de todas as espécies existentes no planeta” (MITTERMEIER et al, 1997; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2002).
  35. 35. P á g i n a | 34 As outras duas abordagens, por sua vez, fazem menção a cinco dos seis biomas continentais brasileiros, sendo que, dois deles (Mata Atlântica e Caatinga), são considerados pela CI como Hotspots8 – áreas prioritárias para a realização de esforços conservacionistas devido ao fato de terem sofrido um alto grau de destruição em pouco tempo, restando muito pouco da sua área original preservada (MITTERMEIER et al, 1999; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 1999; MYERS et al, 2000; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005; MITTERMEIER et al, 2005), e outros três (Amazônia, Cerrado e Pantanal) são considerados como “Grandes Regiões Naturais” ou Wilderness Areas9 – áreas de extrema importância para a manutenção de efetivas políticas de proteção da natureza, uma vez que ainda estão em um ótimo estado de preservação e possuem um conjunto único de espécies e características ecológicas (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2002; MITTERMEIER et al, 2002). Diante de todos estes fatos, fica clara a importância do Brasil – em especial dos seus diferentes biomas – para a conservação da biodiversidade global. Dentre tais biomas, a Mata Atlântica certamente merece uma atenção extra, uma vez que, mesmo extremamente ameaçada, abriga uma parcela significativa da diversidade biológica existente no território brasileiro, desta forma servindo como local para a manutenção de diferentes espécies da flora e fauna e sendo, por isso, reconhecido nacional e internacionalmente no meio científico (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002). 8 Conceito criado por Norman Myers em 1988 e reavaliado em 1996 pelo autor e pela ONG Conservation International. Atualmente existem no mundo 34 regiões consideradas Hotspots, sendo que, resumidamente, pelo menos dois critérios precisam ser cumpridos para que determinada área seja assim classificada: “abrigar no mínimo 1.500 espécies de plantas vasculares endêmicas e ter 30% ou menos da sua vegetação original mantida (MITTERMEIER et al, 1999; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 1999; MYERS et al, 2000; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005; MITTERMEIER et al, 2005). 9 Conceito criado por Russell Mittermeier, em 1988. Atualmente, existem no nosso planeta 37 regiões consideradas “Grandes Regiões Naturais” ou Wilderness Areas, sendo que, para que uma área possua essa classificação, ela precisa ter “mais de 10.000 km2, densidade populacional menor que 5 habitantes/ km2, pelo menos 1.500 espécies de plantas vasculares endêmicas e 70% ou mais de sua vegetação sem sinais significativos de alteração pelo homem” (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2002; MITTERMEIER et al, 2002).
  36. 36. P á g i n a | 35 2.2. MATA ATLÂNTICA: DO EXTENSO VERDE CONTÍNUO A PEQUENOS FRAGMENTOS DE ESPERANÇA A biodiversidade da Mata Atlântica é realmente fantástica, tanto em termos de flora quanto no que tange à fauna. Estimativas fazem referência ao fato de que, este bioma sozinho, abrigue de 1 a 8% da biodiversidade mundial (SILVA & CASTELETI, 2005). Além desta enorme biodiversidade natural, a Mata Atlântica também “preserva um inestimável patrimônio histórico e várias comunidades indígenas, caiçaras, ribeirinhas e quilombolas, que constituem a genuína identidade cultural do Brasil” (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002). Por estes motivos, além de conhecida mundialmente como um dos principais Hotspots existentes, a Mata Atlântica tem sua importância reconhecida também de outras formas, sendo que um resumo deste reconhecimento pode ser obtido pelo seguinte trecho contido no trabalho da Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2002, p.8): Para destacar sua importância no cenário nacional e internacional, trechos significativos deste conjunto de ecossistemas foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela ONU e indicados como Sítios Naturais do Patrimônio Mundial e Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO. Além disso, foi considerada como Patrimônio Nacional na Constituição Federal de 1988. A Mata Atlântica na realidade não é uma floresta tropical única e sim um conjunto de diferentes florestas e ecossistemas associados que, juntos, formam o chamado “Domínio da Mata Atlântica” (CÂMARA, 2005). Silva e Casteleti (2005) sugerem que pode ser justamente esta variedade de florestas e ecossistemas a característica responsável pela grande diversidade de espécies e alto grau de endemismos encontrados neste bioma. Entre as principais florestas e ecossistemas que compõem a Mata Atlântica, se destacam: as florestas úmidas da planície costeira; as florestas de encostas; as matas e os campos de altitude; as florestas interioranas e as matas de araucária; os mangues; as restingas e os enclaves de campos e cerrados da região nordeste (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 1999; CÂMARA, 2005; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005). Segundo Câmara (2005), as características comuns que unem estas diferentes formações vegetais para que venham a formar o Domínio da Mata Atlântica, resumidamente, são: possuírem uma continuidade entre
  37. 37. P á g i n a | 36 si e espécies em comum, e existir uma transição gradual entre estas diferentes formações vegetais. De fato, originalmente, o domínio da Mata Atlântica (figura 2) era formado por um bloco quase contínuo de vegetação, que ocorria em 17 dos 27 estados brasileiros (OLIVEIRA, 2001; FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005) e, apesar de ser difícil saber o tamanho da exata área deste bioma (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005), acredita-se que ela fosse de, aproximadamente, 1.360.000 km2 (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL et al, 2000). Figura 2: Área de distribuição original do Domínio da Mata Atlântica no território brasileiro e atuais fragmentos remanescentes da Mata Atlântica brasileira. Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Instituto Socioambiental, adaptado de: <http://almabranca.com.br/portal/wp- content/uploads/2009/09/mata_atlantica_mapa.gif>, acesso em 10/09/09.
  38. 38. P á g i n a | 37 A sua área de distribuição original englobava não somente a maior parte do litoral do Brasil, desde os atuais estados do Rio Grande do Norte e Ceará até o do Rio Grande do Sul (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 1999; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005), como também áreas interioranas chegando a ocupar a parte sudeste dos territórios da Argentina e do Paraguai (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002; CÂMARA, 2005; TABARELLI et al, 2005). No entanto, a partir da chegada dos colonizadores europeus ao litoral do Brasil, no início do século XVI, de imediato a região costeira brasileira foi ocupada e passou a sofrer um intenso e contínuo processo de exploração econômica (SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2001; FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005). Obviamente, este processo veio a impactar de modo direto a Mata Atlântica, e desde então um alto grau de desmatamento e fragmentação desta floresta tropical tem sido evidenciado (GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005). De fato, há mais de 500 anos a Floresta Atlântica brasileira tem tido seus recursos explorados e/ou destruídos, situação que se iniciou com a extração do pigmento vermelho oriundo do pau-brasil e prosseguiu através dos ciclos do ouro, da cana-de-açúcar, do café, da pecuária e da indústria, culminado no alto grau de urbanização hoje evidenciado na região do domínio da Mata Atlântica (SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2001; FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005). No que diz respeito a essa relação entre economia e ecologia, tão arraigada na história deste bioma, Oliveira (2001, p.12), faz o seguinte comentário: Diferentemente da Floresta Amazônica, a Mata Atlântica começou a ser explorada há muitos séculos, tendo se integrado na economia mundial antes mesmo de existir a economia nacional [...] O início da destruição da Mata Atlântica data da chegada dos portugueses em 1500 [...] O primeiro ciclo de uso de recursos da Mata Atlântica foram os usos diretos de produtos madeiráveis, mas a exploração predatória não se limitou ao pau-brasil. Foram também intensamente exploradas outras madeiras de alto valor para a construção naval, edificações, móveis e outros usos nobres [...] Outros ciclos econômicos, além dos extrativistas originais – que tiveram impacto significativo na Mata Atlântica, pois seguiram no mesmo padrão predatório – foram em especial os agropecuários da cana-de-açúcar, café, cacau e pecuária, que significaram a expansão da fronteira agrícola e resultaram em supressão de áreas de matas para abrigar estas atividades.
  39. 39. P á g i n a | 38 Apesar deste bioma ter sofrido, historicamente, tantos processos de exploração, ficou evidenciado que foi o relativamente recente processo de urbanização que causou o maior índice de destruição da Mata Atlântica, principalmente nas últimas três décadas. Como resultado de tal processo, atualmente a região da Mata Atlântica brasileira abriga não apenas as principais cidades e metrópoles do nosso país (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002), mas também o centro agro- industrial brasileiro e duas das três maiores cidades da América do Sul – São Paulo e Rio de Janeiro (CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005). Por conseqüência, a maior parte da nossa população (cerca de 60%) também se concentra nesta região, desta forma usufruindo dos benefícios diretos e indiretos gerados por este bioma, como o fato dele proteger e regular o fluxo dos mananciais hídricos que abastecem as principais metrópoles e cidades do Brasil (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS, 2002) Ainda assim, apesar de todos os aspectos positivos decorrentes da existência da Mata Atlântica, foi também somente nas ultimas décadas que as principais iniciativas para a proteção deste bioma surgiram, sendo que, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE (2002), somente a partir de meados da década de 80 teve início uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação deste bioma. O resultado do somatório de mais de cinco séculos de exploração econômica inconsequente e desenfreada, com as poucas décadas de intensos esforços de preservação é que, atualmente, resta apenas cerca de 8% da cobertura original de vegetação da Mata Atlântica (MITTERMEIER et al, 1999; MYERS et al, 2000; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL et al, 2000; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005), em sua maior parte na forma de pequenos fragmentos de mata. Dentre os fragmentos de Mata Atlântica remanescentes no território brasileiro, poucos possuem uma área relativamente significativa em tamanho e estado de conservação a ponto de ainda possuírem “comunidades completas de espécies nas quais os processos ecológicos e evolutivos continuam intactos” (GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005, p. 6). Estes fragmentos se concentram nas regiões sul e sudeste do Brasil, principalmente no litoral dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná (SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2001; CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, 2005), e são extremamente importantes para a preservação e recuperação deste bioma.
  40. 40. P á g i n a | 39 Infelizmente, não é este histórico de destruição da Mata Atlântica nem todos os motivos existentes para sua preservação, descritos até agora, que fazem com que os remanescentes de mata deste bioma estejam livres de ameaças. Apesar de, comparativamente com algumas décadas atrás, atualmente boa parte da extensão que resta da Mata Atlântica estar hoje oficialmente preservada na forma de unidades de conservação, muito mais ainda precisa ser preservado, uma vez que tais áreas cobrem menos de 2% do bioma original, e, em termos de conservação integral, apenas 21% das florestas remanescentes estão protegidas (PINTO & BRITO, 2005). Galindo-Leal e Câmara (2005, p. 4) destacam ainda, que os fragmentos remanescentes da Mata Atlântica continuam se deteriorando “devido à retirada de lenha, ao corte ilegal de madeira, à captura ilegal de plantas e animais e à introdução de espécies exóticas”. Também sobre esta questão, Fidalgo e colaboradores (2007, p.3885) comentam que: A conservação da biodiversidade [...] em toda a região de Mata Atlântica, representa um grande desafio devido ao elevado nível de fragmentação deste bioma. A maior parte dos remanescentes encontra-se na forma de pequenos fragmentos, pouco conhecidos e pouco protegidos, em sua maioria inseridos em paisagens intensamente antropizadas. Ainda assim, a perspectiva para a região da Mata Atlântica, em comparação com a de outros Hotspots mundiais localizados em países em desenvolvimento, segundo a ONG Conservation International do Brasil (2005, p.15), “é indubitavelmente uma das mais animadoras”. Este comentário serve para demonstrar que, apesar de tantos estragos já terem sido feitos, a existência, ampliação e continuidade dos esforços voltados para a preservação e conservação deste bioma são de extrema importância e devem partir de todos. Para Pinto & Brito (2005), é clara e urgente não apenas a necessidade de expandir as áreas protegidas existentes na Mata Atlântica, mas também de criar novas áreas visando conectar os fragmentos de mata remanescentes. De fato, sérios esforços vêm sendo voltados para a criação de corredores de vegetação neste bioma, de forma que, até o momento, duas regiões já foram designadas como tal: o Corredor Central da Mata Atlântica e o Corredor da Serra do Mar (AGUIAR et al, 2005; AYRES et al, 2005; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005). Ainda de acordo com Galindo- Leal e Câmara (2005, p.9), essas regiões são de fundamental importância, devido “às suas espécies endêmicas, a maioria delas ameaçada” sendo que, no que se refere especificamente
  41. 41. P á g i n a | 40 ao Corredor da Serra do Mar, tais autores comentam que ele “abrange uma das poucas áreas contínuas ainda florestadas da Mata Atlântica”. 2.3. UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL: OS CORREDORES ECOLÓGICOS COMO POSSÍVEL ESTRATÉGIA DE RESGATE DA FAUNA DIVIDIDA PELA FRAGMENTAÇÃO DOS HABITATS O contínuo desenvolvimento e o intenso aprimoramento das tecnologias (como, por exemplo, dos satélites, que geram imagens cada vez mais precisas da superfície terrestre) possibilitam que o nível de destruição ao qual o homem tem submetido nosso planeta seja cada vez mais visível, assim como suas conseqüências. A fragmentação dos grandes biomas terrestres é um dos processos destrutivos causados pela atividade antrópica que se tornou extremamente visível através destas tecnologias e que vem ocorrendo de forma muito intensa em diversas regiões do planeta, alterando a estrutura da paisagem. De fato, Brito e Fernandez (2000), comentam que grande parte dos habitats inicialmente contínuos acabou se transformando em paisagens formadas por manchas isoladas do habitat original, circundadas por áreas perturbadas pela ação humana, situação que, segundo Fidalgo e colaboradores (2007, p. 3886) “afeta diversos processos e fatores biológicos, como o tamanho das populações, a dispersão das espécies, a estrutura e quantidade de habitat disponível e a probabilidade de invasões de espécies exóticas.” Sabe-se que o processo de fragmentação de habitats tem como conseqüência final a diminuição da biodiversidade do local no qual ele ocorreu, uma vez que tal processo “age fundamentalmente reduzindo e isolando as áreas propícias à sobrevivência das populações” (METZGER, 1999, p.446), sejam estas populações da flora ou da fauna. Sobre esta perda de biodiversidade, Galindo-Leal e Câmara (2005, p. 3) destacam ainda que ela “pode incluir a perda de ecossistemas, populações, variabilidade genética, espécies e processos ecológicos e evolutivos que mantêm essa diversidade.” No que se refere ao tamanho das populações, em especial da fauna, a fragmentação da estrutura da paisagem faz com que as mesmas, que inicialmente possuíam muitos indivíduos e habitavam a mata como um todo, também acabem se fragmentando, ou seja, se dividindo através das áreas habitáveis remanescentes, sendo que em longo prazo, elas acabam se
  42. 42. P á g i n a | 41 isolando completamente, passando a formar pequenas populações de poucos indivíduos, fato que as tornam mais vulneráveis à extinção (BRITO e FERNANDEZ, 2000). Sobre o processo de extinção de espécies, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, no seu livro sobre a Serra do Mar (2001, p.70), destaca de forma bastante simples, porém inteligível: A extinção biológica de uma espécie significa o seu desaparecimento completo devido à não-adaptação às mudanças ambientais. Trata-se de um processo natural que existe desde que surgiu a vida no planeta, e que se define pela impossibilidade de uma espécie manter-se por reprodução. O que caracteriza a extinção é a morte do último casal, o enfraquecimento que impede os representantes de se reproduzir ou a taxa de mortalidade maior que a taxa de natalidade. Alguns fatores que podem ser responsáveis pela extinção: a competição entre os seres vivos por espaço, alimento etc.; o isolamento geográfico de uma população muito pequena; as alterações geológicas e climáticas; a ação predatória do homem. A ação do homem sobre a natureza, hoje, é de tal ordem, que a palavra extinção terminou por ganhar um significado dramático. Tornou-se sinônimo de desaparecimento prematuro e repentino de plantas e animais que não estão em processo natural de desaparecimento. Isto porque os ecossistemas foram muito reduzidos em área ou foram transformados por ações predatórias indiretas, tais como o desbaste seletivo de espécies, a ponto de causar problemas de espaço ou alimento para os que vivem neles. Um grupo de espécies da fauna que é fortemente impactado pela fragmentação do seu habitat são os mamíferos da Ordem Carnivora (MARINHO-FILHO & MACHADO, 2006), sendo que um exemplo que faz menção justamente a esta questão, para a área da Mata Atlântica, é dado por Galindo-Leal e Câmara (2005, p.6): [...] a vasta perda de habitats e a extrema fragmentação da Mata Atlântica deixaram poucos ecossistemas extensos e intactos, com cobertura florestal contínua, que proporcionam áreas de uso viáveis para espécies que necessitam de grandes extensões de hábitat. Por exemplo, a densidade populacional conhecida da onça- pintada na parte sul da Mata Atlântica indica que são necessárias áreas maiores que 10.000km2 para manter a viabilidade em longo prazo das populações desse animal (mais de 500 indivíduos) [...] No hotspot Mata Atlântica, apenas duas áreas alcançam aquela extensão: a região da Serra do Mar, nos estados de São Paulo e do Paraná, no Brasil, e as matas que se estendem da província argentina de Missiones até o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil. Conforme já citado na presente pesquisa, o processo de fragmentação ocorreu com grande intensidade na Mata Atlântica, uma vez que atualmente, tal bioma se encontra basicamente composto por fragmento remanescentes da sua vegetação original. Uma das formas de tentar contornar as adversidades criadas por tal processo é estabelecer áreas protegidas que englobem não apenas os fragmentos remanescentes, mas também que
  43. 43. P á g i n a | 42 possibilitem uma ligação dos mesmos através da criação de novas áreas de vegetação natural, formando assim, os chamados corredores de vegetação, corredores ecológicos ou corredores de biodiversidade. Apesar de alguns autores usarem estas três variáveis de nomenclatura para designar estratégias distintas de conservação (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE et al, 2006), a definição aqui considerada, será a do Ministério do Meio Ambiente e colaboradores (2006, p.10), que as considera como sinônimos. Tal definição cita os trabalhos de Sanderson e colaboradores (2003) e de Ayres e colaboradores (2005) e diz que: Um corredor corresponde a uma grande área de extrema importância biológica, composta por uma rede de unidades de conservação entremeadas por áreas com variados graus de ocupação humana e diferentes formas de uso da terra, na qual o manejo é integrado para garantir a sobrevivência de todas as espécies, a manutenção de processos ecológicos e evolutivos e o desenvolvimento de uma economia regional forte, baseada no uso sustentável dos recursos naturais. Galindo-Leal e Câmara (2005, p.9) também comentam sobre esta questão das áreas protegidas e dos corredores de mata, ressaltando que: Embora as áreas protegidas sejam necessárias, em muitos casos elas não são suficientes para manter espécies que necessitam de áreas extensas ou para abrigar processos ecológicos e evolutivos abrangentes. Para atender a essas demandas, os esforços conservacionistas devem ser conduzidos em uma escala mais ampla, uma escala regional. Uma abordagem que considere essas exigências deve incluir os corredores de biodiversidade (ou de conservação), regiões que englobam tanto as áreas protegidas quanto as paisagens circunvizinhas. O propósito da implementação de corredores é intensificar os esforços de conservação, promovendo a conectividade, que é a capacidade da paisagem e de seus habitantes de permanecerem ligados por uma variedade de canais físicos. Nos corredores, muitos mecanismos podem ser usados para restaurar e manter a continuidade dos ecossistemas, por meio do uso compatível do solo e de outras práticas conservacionistas. Assim, tais corredores possuem justamente a função de “proporcionar vias de intercâmbio” e com isso, “incrementar as possibilidades de movimentos” dos indivíduos que se encontram isolados em pequenas manchas de habitat (Fonseca et al, 2003, p.2; AYRES et al, 2005, p.111). Com relação especificamente ao projeto que objetiva implantar tais corredores no bioma Mata Atlântica, Ayres e colaboradores (2005, p.111) comentam ainda, que o referido projeto “visa garantir a proteção dos remanescentes florestais mais significativos e incrementar gradualmente o grau de conectividade entre porções nucleares da paisagem”.
  44. 44. P á g i n a | 43 Já no que se refere ao ponto de vista biológico, Fonseca e colaboradores (2003, p.1), ressaltam que, além de restaurar a conectividade da paisagem, o objetivo de um corredor de biodiversidade é “facilitar o fluxo genético entre populações, aumentando a chance de sobrevivência em longo prazo das comunidades biológicas e de suas espécies componentes”. No entanto, qualquer estratégia possui prós e contras. Uma questão que vem sido discutida, como exemplo de quando a estratégia dos corredores não é a mais eficiente, diz respeito justamente aos grandes carnívoros como a onça parda e a onça-pintada. O argumento usado é que, para tais animais, um corredor não representa um incremento na conectividade do habitat, uma vez que os mesmos são extremamente adaptáveis às mudanças no ambiente e têm a capacidade de se deslocarem muitos quilômetros por ambientes perturbados, de forma que, neste caso, a implantação de um corredor ecológico acaba sendo uma estratégia mais cara, se comparada com outra que fosse voltada especificamente para a preservação direta destes felinos (Fonseca et al, 2003; AYRES et al, 2005). Ainda assim, no caso do exemplo anterior, a questão principal não é a efetividade do corredor e sim seu custo de implementação se comparado com outra estratégia. Apesar de, realmente, estes animais não dependerem dos corredores de vegetação para se locomoverem através de fragmentos de mata, é fato que a presença destes corredores serviria não apenas para auxiliar tal locomoção como também ajudaria a evitar ou diminuir o contato destas espécies com o ser humano, uma vez que elas tenderiam a ficar na mata. Obviamente que este é apenas um exemplo das diversas questões que podem ser abordadas sobre os corredores de vegetação. Pontos positivos e negativos sobre sua implementação vão existir sempre, variando de acordo com a ótica de cada pesquisador e com o objeto pesquisado.
  45. 45. P á g i n a | 44 3. DEFININDO OS CARNÍVOROS, COMENTANDO SUAS CARACTERÍSTICAS E POSSÍVEIS IDENTIDADES “Os carnívoros tem sido parte do ambiente, cultura e mitologia humana por milhares de anos. Alguns têm significado ritual desde a era pré-colombiana no México e América Central e em comunidades indígenas da América do Sul. Estão no imaginário do ser humano como símbolos de beleza e força”. (MORATO et al, 2004, p.7)
  46. 46. P á g i n a | 45 3.1. OS MAMÍFEROS CARNÍVOROS DA ORDEM CARNIVORA Os mamíferos da Ordem Carnivora, também chamados “carnívoros”, atualmente constituem um total de 271 espécies, que possuem tanto hábitos terrestres quanto aquáticos e que estão distribuídas por quase todas as regiões do globo (MACDONALD & KAYS, 2005). No que se refere às espécies terrestres, estas habitam naturalmente todos os continentes, com exceção da Austrália (onde algumas delas foram introduzidas) e da Antártica (KRUUK, 2002). Segundo o Integrated Taxonomic Information System (ITIS), atualmente, a Ordem Carnivora se encontra dividida em duas subordens distintas: a Feliformia (cujas espécies se assemelham aos felinos, as chamadas “cat-like species”), que engloba um total de 5 famílias, com um diverso número de espécies em cada; e a Caniformia (cujas espécies se assemelham aos canídeos, as chamadas “dog-like species”), com um total de 9 famílias que também possuem um número de espécies variável. Cabe ressaltar que estas 14 famílias de carnívoros existentes (e por conseqüência, as espécies que as representam) são descendentes de um único ancestral comum (KRUUK, 2002; MACDONALD e KAYS, 2005) e que, ainda assim que tais espécies possuem variações extremas nas suas características, variações estas que não se limitam aos habitats por elas ocupados e que estão resumidamente descritas a seguir (MACDONALD, 2001 apud KRUUK, 2002, p.7): A diferença no tamanho das espécies, por si só, reflete a grande variação existente: elas variam desde uma pequena doninha de 45 gramas até um urso pardo de 700 quilos (15.000 vezes maior) [...] Não somente seus tamanhos são muito diversos, mas também as formas do corpo também variam entre as quase serpentiformes doninhas e os rechonchudos pandas. Em algumas espécies os indivíduos vivem em grupos, em outras eles vivem por conta própria. Existem carnívoros arbóreos, nadadores, corredores, espreitadores e escavadores; alguns vivem no Ártico, outros em florestas tropicais, ou desertos, ou nas profundidades dos rios, lagos e mares. Além das variações já citadas, existe outra também extremamente marcante: o fato de não necessariamente todas as espécies de carnívoros pertencentes à Ordem Carnivora serem predadores, ou seja, matarem outros animais para se alimentar da sua carne. Segundo Cheida e colaboradores (2006, p. 232), tal fato surgiu “ao longo do processo evolutivo e da
  47. 47. P á g i n a | 46 diversificação da Ordem Carnivora”, de modo que “várias espécies adquiriram dieta onívora com acentuado hábito frugívoro ou insetívoro”. Esta questão será mais profundamente abordada adiante (item 1.2.3), porém cabe aqui ressaltar que, ainda assim, segundo Pitman e colaboradores (2002, p.17), os carnívoros “constituem o principal grupo de predadores de vertebrados nos ecossistemas terrestres”, de modo que a predação é, portanto, “um hábito natural, fundamental para a manutenção da biodiversidade e dos processos ecológicos”, uma vez que, como comentado por Macdonald e kays (2005), os hábitos predatórios dos carnívoros podem limitar as populações de suas presas, levando a um efeito dominó capaz de limitar também as presas destas presas e assim por diante. Para Macdonald e Kays (2005), é justamente o fato dos carnívoros, assim como os seres humanos, possuírem hábitos predatórios, que faz com que nossa relação com estes animais freqüentemente seja difícil e conflituosa, já que competimos com eles por presas, sejam elas domésticas ou silvestres. No que se refere à predação de animais domésticos, apesar deste comportamento não fazer parte de um hábito natural dos carnívoros, Palmeira (2008) ressalta que a maioria das atuais espécies de predadores recentemente atacou rebanhos de animais domésticos em diferentes partes do mundo. Neste aspecto, Azevedo e Conforti (2002) comentam que, devido à expansão agrícola e conseqüente fragmentação do habitat destes animais, os carnívoros tendem a se aproximar do meio onde o ser humano vive, de forma que conflitos, como a predação de animais domésticos, acabam ocorrendo. Assim, tais conflitos (além de diversos outros fatores em geral decorrentes de atividades humanas), acabam por representar sérias ameaças à sobrevivência dos carnívoros, sendo que, Macdonald & Kays (2005) ressaltam que, de fato, atualmente muitas das espécies de carnívoros se encontram ameaçadas de extinção devido a algum tipo de atividade de origem antrópica. Kruuk (2002), por sua vez, comenta que para cada família de carnívoros que existe, pelo menos algumas espécies se encontram ameaçadas, espécies estas cuja sobrevivência a longo-prazo é duvidosa. Tal autor também ressalta que mesmo no caso daquelas espécies que não correm risco de se extinguirem por completo, ou mesmo aquelas que não estão ameaçadas ou vulneráveis, mesmo elas, em determinados países e regiões estão no caminho de desaparecer ou já desapareceram.
  48. 48. P á g i n a | 47 3.2. CARNÍVOROS COMO PREDADORES DE ANIMAIS DOMÉSTICOS De acordo com Cavalcanti (2002, p. 57), regiões com características bastante diversificadas e de diferentes partes do mundo, têm documentado a ocorrência de casos de predação a animais domésticos por carnívoros silvestres. Hoogesteijn & Hoogesteijn (2005) comentam que este problema também ocorre em diversos países da América Latina, inclusive o Brasil, sendo que os carnívoros mais frequentemente envolvidos são as onças parda e pintada, por atacarem principalmente criações de bovinos. Apesar de estar se tornando um evento cada vez mais freqüente, predar animais domésticos não é um hábito natural dos carnívoros silvestres ou selvagens. No entanto, Pitman e colaboradores (2002) comentam que, ainda que não seja um hábito natural, os carnívoros podem se habituar a predar tais animais, sendo que na grande maioria das vezes, a predação está refletindo algum tipo de desequilíbrio no ecossistema local (AZEVEDO & CONFORTI, 2002; HOOGESTEIJN & HOOGESTEIJN, 2005). Em geral, Pitman e colaboradores (2002) comentam também que, frequentemente, os fatores geradores de tal desequilíbrio possuem origem antrópica, citando como exemplos a expansão da fronteira agrícola (que, acompanhada pelo desmatamento, conduz à já citada redução e fragmentação de habitats), e a caça, por parte dos humanos, de espécies que são presas naturais dos carnívoros (fato que leva a uma competição entre nossa espécie e as espécies de carnívoros por um mesmo recurso do meio). Sobre este aspecto, especialmente no que se refere aos dois grandes felinos neotropicais anteriormente citados (a onça-pintada e a onça parda), Hoogesteijn & Hoogesteijn (2005, p. 5) afirmam que: A grande maioria dos casos de predação de animais domésticos por felinos selvagens refletem algum tipo de desequilíbrio no ecossistema local. Os felinos não têm como hábito natural atacar animais domésticos. Se o ambiente onde vivem lhes oferece áreas suficientemente grandes para sobreviver, com recursos alimentares suficientes e pouca ou nenhuma influência humana, eles tendem a evitar o homem e seus animais domésticos. Sendo assim, a ausência ou diminuição das presas naturais (por caça furtiva ou pela transmissão de doenças de animais domésticos) pode resultar no início dos ataques por grandes felinos aos animais domésticos em áreas limítrofes entre as unidades de conservação e as propriedades rurais.
  49. 49. P á g i n a | 48 Azevedo & Conforti (2002. p. 28) acrescentam ainda, como fator facilitador à ocorrência da predação, a questão de que muitas vezes a atividade pecuária realizada nas propriedades rurais implica em um manejo precário dos animais domésticos que, com isso, acabam mais vulneráveis aos predadores. Tal fato é ainda mais potencializado ao considerarmos que a maioria dos animais domésticos, durante o processo de domesticação, perdeu o hábito de evitar predadores, se tornando, com isso, presas mais fáceis do que os animais nativos (PITMAN et al, 2002). Desta forma, é possível que o problema da predação de animais domésticos por carnívoros silvestres ocorra com maior intensidade em regiões onde, além de haver uma diminuição da quantidade de presas naturais dos carnívoros, realiza-se a atividade pecuária em áreas que fazem limite com ambientes naturais ou Unidades de Conservação (AZEVEDO & CONFORTI, 2002; HOOGESTEIJN & HOOGESTEIJN, 2005). Outra questão que pode influenciar no hábito dos carnívoros em predar animais domésticos é quando, ao se tentar eliminar um carnívoro silvestre, o mesmo acaba não morrendo e fica apenas ficando ferido, fato que pode tornar tais animais agressivos e algumas vezes fazer com que fiquem incapacitados de caçar normalmente, de modo que acabam buscando presas mais fáceis, como os animais domésticos (PITMAN et al, 2002; HOOGESTEIJN & HOOGESTEIJN, 2005). Apesar do Brasil – assim como diversos outros países – cada vez mais vir registrando a ocorrência de casos de predação de animais domésticos por carnívoros silvestres, Pitman e colaboradores (2002) enfatizam que ainda existe uma lacuna de profissionais treinados para lidarem com o problema de predação a criações domésticas, faltando, inclusive, uma política nacional de manejo adequada para tal situação. 3.3. CARNÍVOROS NÃO-CARNÍVOROS? UMA MISCELÂNEA CONCEITUAL No que se refere à utilização da palavra “carnívoros”, pode-se dizer que existe certa “confusão” conceitual acerca do seu significado, principalmente quando são confrontados o conhecimento acadêmico mais profundo e o conhecimento leigo.
  50. 50. P á g i n a | 49 Em geral, para o conhecimento leigo, fazer referência a “animais carnívoros” significa falar daqueles animais que comem carne, independente se o animal é um jacaré, um gavião, uma onça ou até mesmo um ser humano. Academicamente, no entanto, o termo “carnívoro” está relacionado a mais de um significado, podendo, assim, se referir tanto aos animais que se alimentam de carne (carnívoros funcionais), quanto às espécies de mamíferos que fazem parte da Ordem Carnivora, mas que não necessariamente comem carne (ou seja, não necessariamente são carnívoros funcionais, mas também são chamados carnívoros). Um animal que é carnívoro funcional possui a função ecológica de matar outro animal para comer, ou seja, ele caça e preda outros animais, podendo também ser chamado de “predador” (KRUUK, 2002). Neste caso, portanto, o termo “carnívoro” pode estar fazendo referência à diversos representantes do Reino Animal, seja uma ave (por exemplo, um gavião que come um rato), um réptil (por exemplo, um jacaré que come uma capivara), um peixe (por exemplo, um tubarão que come uma foca) ou um mamífero (por exemplo um chimpanzé que come uma ave), desde que os mesmos atuem como carnívoros funcionais, uma vez que se alimentar de carne é uma função ecológica comum a diversos organismos. Já no caso do uso da palavra “carnívoro” para se referir aos animais mamíferos que são classificados como pertencentes à Ordem Carnivora, eles são assim chamados por fazerem parte desta classificação biológica e não necessariamente por serem comedores de carne, sendo que, de fato, muitas espécies de animais desta ordem não se alimentam de carne. Assim, pode-se dizer que todo animal que pertence à Ordem Carnivora é um carnívoro, apesar de nem todos eles comerem carne, ou seja, serem carnívoros funcionais. Consequentemente e de forma inversa, todo animal que come carne é considerado um carnívoro funcional, mas nem todo carnívoro funcional è membro da Ordem Carnivora. Kruuk (2002, p.5) comenta sobre toda esta discussão de forma clara e sucinta, ainda na introdução do seu livro, na tentativa de dissipar possíveis confusões conceituais acerca do foco do seu trabalho. Para esse autor, “Carnívoro” é uma palavra ambígua, pois seu significado literal é „comedor de carne‟. Assim sendo, ela pode descrever até mesmo nós, os humanos, pelo menos os que não são vegetarianos. A palavra também é usada, às vezes, para animais de hábitos predatórios, seja para cobras que matam sapos, ou falcões que pegam pardais. Nós e eles somos todos carnívoros de algum modo: seja ele maior ou menor.
  51. 51. P á g i n a | 50 No entanto, tal autor segue sua argumentação chamando atenção a outro significado que existe ao se fazer referência aos animais carnívoros, ressaltando, porém, que “existe um grupo de mamíferos o qual a ciência oficialmente nomeou de „Carnívoros‟ e esse é o grupo que se apodera deste nome em relação a todos os outros.” (KRUUK, 2002, p.5) Desta forma, os animais carnívoros que Kruuk está se referindo são necessariamente mamíferos da Ordem Carnivora, mas não necessariamente comedores de carne. O autor ressalta ainda o fato de que pertencer à Ordem Carnivora não predestina uma espécie ser comedora de carne, citando como exemplo o urso panda (Ailuropoda melanoleuca), que apesar de ser um representante desta ordem, se alimenta de bambu (KRUUK, 2002). No entanto, tal autor termina esta discussão mostrando que, ainda assim, o conhecimento leigo acaba dominando o acadêmico e comenta: “ainda assim, nossa imagem típica de um animal carnívoro acaba sendo a de um predador.” (KRUUK, 2002, p.6). 3.4. CARNÍVOROS SILVESTRES BRASILEIROS O Brasil possui 29 espécies de mamíferos silvestres pertencentes à Ordem Carnivora (CHEIDA et al, 2006), sendo que, nove10 delas se encontram na atual lista da fauna brasileira ameaçada de extinção (todas sob a classificação de “vulneráveis”) e outras três não é possível determinar o atual grau de ameaça por não haverem dados suficientes para tal. Do total de carnívoros silvestres brasileiros, 26 espécies são de animais terrestres (MORATO et al, 2004) e apenas 3 são de animais essencialmente aquáticos. No apêndice 11.1 é possível visualizar as espécies de carnívoros silvestres brasileiros, suas famílias, seus nomes populares, e sua situação de conservação de acordo com a atual lista brasileira da fauna ameaçada de extinção. Semelhantemente a outras espécies da Ordem Carnivora, as espécies de carnívoros brasileiros também sofrem sérias ameaças, em geral, associadas às atividades humanas. 10 No capítulo que se refere aos mamíferos, escrito por Chiarello e colaboradores (2008) e presente no atual “Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção”, são citadas 10 espécies de representantes da Ordem Carnivora como presentes na lista da fauna ameaçada. No entanto, duas das espécies listadas (Puma concolor capricornensis e Puma concolor greeni) na realidade são sub-espécies da espécie Puma concolor de forma que, para haver uma simplificação, no presente trabalho será considerado como 9 o número de espécies de carnívoros brasileiros presentes na lista.
  52. 52. P á g i n a | 51 Chiarello e colaboradores (2008, p. 682) comentam, na recente lista brasileira da fauna ameaçada de extinção, que “o número de espécies ameaçadas está significativamente correlacionado ao número de espécies presentes em cada ordem”, ou seja, quanto maior o número de espécies que determinada ordem de mamíferos possui, maior a quantidade de espécies desta ordem que estarão constando como ameaçadas de extinção na lista. No entanto, infelizmente estes mesmos autores comentam que este padrão pode ter exceções, sendo que uma dessas exceções ocorre justamente para a Ordem Carnivora que, apesar de não ser uma das mais ricas em espécies no Brasil, quando comparada com as demais ordens de mamíferos brasileiros é uma das que possui a maior proporção de espécies ameaçadas. Tais autores complementam essa questão ressaltando que este fato ocorre tanto porque esses animais são predominantemente predadores, “apresentando baixas densidades populacionais e grande necessidade de espaço”, quanto porque eles sofrem com uma pressão de caça associada aos “prejuízos que, supostamente, causam aos pecuaristas e outros criadores de animais domésticos” (CHIARELLO et al, 2008, p.682).
  53. 53. P á g i n a | 52 4. O CASO DA ONÇA-PINTADA EM BARRA MANSA “Se não preservamos a onça-pintada, ela acabará transformada, assim como nossas florestas tropicais e, por fim, assim como nós mesmos, em poeira e fumaça.” (HOOGESTEIJN & MONDOLFI, 1992, p. 151)
  54. 54. P á g i n a | 53 4.1. A ONÇA-PINTADA OU PANTHERA ONCA A onça-pintada (Panthera onca), também conhecida como jaguar ou jaguaretê (entre outros nomes), é um mamífero de grande porte membro da Ordem Carnivora (figuras 3 e 4), que leva o título de maior felino das Américas, sendo endêmica do continente americano e possuindo uma ampla distribuição geográfica no mesmo (SANDERSON et al, 2002). Figuras 3 e 4: Indivíduos de onça-pintada (Panthera onca). Fotos de Peter G. Crawshaw.
  55. 55. P á g i n a | 54 Sua área de distribuição original se estendia desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina (FONSECA et al, 1994), sendo que, dados do ano de 2002, estimam que esta distribuição se encontra extremamente reduzida (figura 5), com a espécie ocupando apenas cerca de 46% da mesma. (SANDERSON et al, 2002). Figura 5: Áreas de ocorrência de indivíduos e populações de onça pintada (P. onca). Adaptado de: <http://wpcontent.answers.com/wikipedia/commons/7/7c/Jag_distribution.gif>, acesso em 26/06/09 e <http://the websiteofeverything.com/weblog/images/jaguar_range.jpg>, acesso em 03/09/09. Em 1989, Swank & Teer observaram que, para o México e América Central, as populações de onça-pintada existiam em apenas 33% da sua área original e que 75% destas populações eram consideradas existindo em números reduzidos. Por sua vez, em 1992, Hoogesteijn & Mondolfi (p. 140), ressaltaram, no seu livro sobre a espécie: Tendo em vista a situação populacional da onça-pintada, que foi exterminada em uma grande parte da sua área de distribuição original ou está extremamente reduzida em muitas áreas nas quais ela já foi inicialmente abundante, existe uma necessidade urgente de assegurar a sobrevivência deste magnífico predador, que é o maior dos felinos neotropicais e um elemento único nos ecossistemas das florestas tropicais[...]

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