Tuberculose Pulmonar
Isabel de Brito
Coronel – Médica
Maio 2022
FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS
DEPARTAMENTO DE BIOTECNOLOGIA E CIÊNCIAS DA SAÚDE
Sumário
1. Introdução
2. Patogenia
3. Risco de infecção
4. Formas clinicas de tuberculose
5. Tuberculose pulmonar
6. Diagnostico
7. Diagnostico diferencial
8. Tuberculose MultiDrogaResistente
9. Tuberculose Extremamente Resistente
Introdução
• Mycobacterium tuberculosis (MT) – Bacilo de Koch Bacilo
• Descoberto em 1882 por Robert Koch - Prémio Nobel de Medicina em 1905
• A grave e permanente situação da tuberculose (TB) no mundo, são desafios para o seu
controlo:
• Condições socio-económicas
• Epidemia do VIH
• Emergência de bacilos multiresistentes
• O MT) distribuiu-se no planeta, segundo a expansão dos movimentos históricos da
humanidade.
• Há evidências de que a TB acometa a humanidade há mais de 5.000 anos.
• Alta taxa de mortalidade no mundo, e principalmente quando associada à infecção por VIH.
Factores relacionada à Tuberculose
• Empobrecimento da população mundial
• Envelhecimento da população
• Aumento das Taxas de abandono e irregularidade dos tratamento para TB, VIH e co-infecção
TB/VIH altas
• Surgimento da endemia do VIH
• Aumento das migrações (internas e externas)
• Resistência bacteriana aos medicamentos antibacilaares
• Tabagismo
• Alcoolismo
• Uso de drogas ilícitas
• Doenças da modernidade (Neoplasias, Diabetes, Obesidade, etc)
Definição
• A tuberculose é uma doença infecciosa e contagiosa
provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, também
conhecida como bacilo de Koch.
• M. tuberculosis, é um patógeneo intracelular aeróbio
estrito, de crescimento lento (multiplica-se a cada 25 a
32 horas no interior do macrófago) e virulência
variável.
• Outras mycobactérias: o género Mycobacterium tem
mais de 95 espécies bem caracterizadas.
Mais de 50 são reconhecidas como
potencialmente patogénicas no homem.
M. tuberculosis
M. africanum
M. bovis
Fisiopatogenia
• Inalação de partículas de aerossol contaminadas com bacilos provenientes da
fala, do espirro e principalmente da tosse de indivíduos bacilíferos
• A infecção pelo Bacilo de Koch (BK), depende:
• Características próprias do BK, que possui mecanismos complexos para tentar superar as
defesas humanas, e que definem sua virulência e resistência do hospedeiro.
• Resistência do hospedeiro pode ser natural ou ser produto de uma infecção anterior.
Fisiopatogenia
Patogenia
Penetrando no pulmão, o M. tuberculosis pode ter 4 destinos:
As respostas do hospedeiro podem
ser completamente efectivas;
Destruição de todos os bacilos, e
impede a progressão para doença. A população de bacilos infectantes
começa a multiplicar e cresce
imediatamente após a infecção,
causando a tuberculose primária
(ou primo-infecção).
Os bacilos tornam-se
quiescentes e nunca causam
doença (infecção lactente).
Os bacilos lactentes voltam a
se multiplicar, causando a
reactivação da
tuberculose.
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Risco de infecção por tuberculose e doença entre indivíduos expostos
Slide credit: clinicaloptions.com
Dowdy DW, et al. Tuberculosis. Oxford Textbook of Global Public Health, 6th ed. 2015.
CDC. TB Risk Factors. Narasimhan P, et al. Pulm Med. 2013;2013:828939.
Exposição
contacto fechado
Não infecção (70%)
Infecção (~ 30%)
Progressão precoce (recente TB ≤ 2 A) - 5%
Contenção (95%)
Progressão tardia (reactivação da
TB) 5% to 10%*
Contenção mantida (90% to 95%)
*Risco de reactivação aumenta com a infecção por VIH e outros
estados de imunosupressão.
Populações mais vulneráveis
• Que vivem com o VIH - Incidência 30 vezes maior
• Privados de liberdade (sistema prisional) - Incidência 40 vezes maior
• População sem tecto - Incidência 60 vezes maior
Formas Clínicas da Tuberculose
• Pulmonar
• Tuberculose primária
• Tuberculose primária progressiva
• Tuberculose pós-primária
• Tuberculose miliar
• Extrapumonar
Tuberculose Pulmonar Primária
• Curso geralmente autolimitado
• Assintomática ou quadro febril leve prolongado
• Febre baixa
• Tosse seca
• Mais comum em crianças
Tuberculose Pulmonar Pós-Primária
• Forma crónica (reactivação ou reinfecção)
• Oligossintomáticos
• Tosse crónica (≥ 3 semanas)
• Perda de peso
• Febre vespertina
• Sudorese noturna
• Mais comum em adultos jovens e adultos
• A depender da extensão do processo, o doente pode
apresentar dor pleurítica e dispneia progressiva.
• Não é autolimitada! Progressão lenta para fibrose das
lesões cavitárias
Diagnostico
• Suspeita clínica: Sintomático respiratório
• Indivíduo com tosse de duração ≥ 3 semanas (MS)
• Confirmação do diagnóstico: Demonstração da presença do BK no
organismo
• Baciloscopia
• Cultura
• Teste Rápido Molecular
Exames Complementares
• BACILOSCOPIA
• Baciloscopia da expectoração: 3 amostras sucessivas de manhã antes da
higiene oral
• Exame de escolha para avaliação de resposta terapêutica em bacilíferos
• CULTURA
• Alta sensibilidade e especificidade
• Permite avaliar a sensibilidade aos antimicrobianos
• Pode demorar de 2 – 8 semanas para o resultado
• TESTE RÁPIDO MOLECULAR
• Método de escolha para a
pesquisa de BK
• Utiliza uma única amostra de
escarro e técnica PCR
• Alta sensibilidade e especificidade
com resultado rápido (≈2h)
Exames Complementares
Rx do Tórax
Tomografia Computorizada
Outros Exames
• Gama interferon (IGRA)
• Teste de dosagem de adenosina diaminase (ADA)
• Broncoscopia
• Serologia para HIV
Diagnostico Diferencial
• Histoplasmose
• Criptococose pulmonar
• Abscesso pulmonar bacteriano
• Outras micobacterioses não M. tuberculosis (M. kansasi)
• Sarcoidose
• Neoplasias pulmonares, com ou sem acometimento pleural.
• 1ª fase: 2 Meses
• Isoniazida (H) 5 a 10 mg/Kg dia
• Rifampicina (R) 10 mg/Kg dia
• Pirazinamida (Z) 15 a 30 mg/Kg dia
• Etambutol (E) 25 mg/Kg dia
• 2ª fase: varia consoante as formas clinicas 4 meses na TB pulmonar, 7
meses na TB meningea e óssea.
• Isoniazida (H) 5 a 10 mg/Kg dia
• Rifampicina (R) 10 mg/Kg dia
Regimes de Tratamento
Tuberculose MultiDrogaResistente (TBMDR)
• Definição - Caso de TBMR:
• Teste de sensibilidade com resistência à Rifampicina + Isoniazida + 1 ou mais
medicamentos
• Teste de Sensibilidade com resistência à Rifampicina + Isoniazida + falência bacteriológica
comprovada ao Esquema de retratamento (persistência de baciloscopias positivas)
• Tipos:
• Resistência primária
• Resistência secundária
• Cada vez mais evidente tratar-se de um fenómeno iatrogénico e resultado de maus programas
de controle da TB
Tuberculose Extremamente Resistente (TBXDR)
• Novas cepas resistentes a todos os fármacos
• Presença em 37 países
• 98% de mortalidade
• Sobrevida < 1 mês após o diagnóstico
• Resistência à: Rifampicina + Isoniazida + Pirazinamida + Etambutol +
Aminoglicosídeos (Estreptomicina, Kanamicina + Amicacina) + Quinolonas

Tuberculose pulmonar 2022.pptx doença grave

  • 1.
    Tuberculose Pulmonar Isabel deBrito Coronel – Médica Maio 2022 FORÇAS ARMADAS ANGOLANAS DEPARTAMENTO DE BIOTECNOLOGIA E CIÊNCIAS DA SAÚDE
  • 2.
    Sumário 1. Introdução 2. Patogenia 3.Risco de infecção 4. Formas clinicas de tuberculose 5. Tuberculose pulmonar 6. Diagnostico 7. Diagnostico diferencial 8. Tuberculose MultiDrogaResistente 9. Tuberculose Extremamente Resistente
  • 3.
    Introdução • Mycobacterium tuberculosis(MT) – Bacilo de Koch Bacilo • Descoberto em 1882 por Robert Koch - Prémio Nobel de Medicina em 1905 • A grave e permanente situação da tuberculose (TB) no mundo, são desafios para o seu controlo: • Condições socio-económicas • Epidemia do VIH • Emergência de bacilos multiresistentes • O MT) distribuiu-se no planeta, segundo a expansão dos movimentos históricos da humanidade. • Há evidências de que a TB acometa a humanidade há mais de 5.000 anos. • Alta taxa de mortalidade no mundo, e principalmente quando associada à infecção por VIH.
  • 4.
    Factores relacionada àTuberculose • Empobrecimento da população mundial • Envelhecimento da população • Aumento das Taxas de abandono e irregularidade dos tratamento para TB, VIH e co-infecção TB/VIH altas • Surgimento da endemia do VIH • Aumento das migrações (internas e externas) • Resistência bacteriana aos medicamentos antibacilaares • Tabagismo • Alcoolismo • Uso de drogas ilícitas • Doenças da modernidade (Neoplasias, Diabetes, Obesidade, etc)
  • 5.
    Definição • A tuberculoseé uma doença infecciosa e contagiosa provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch. • M. tuberculosis, é um patógeneo intracelular aeróbio estrito, de crescimento lento (multiplica-se a cada 25 a 32 horas no interior do macrófago) e virulência variável. • Outras mycobactérias: o género Mycobacterium tem mais de 95 espécies bem caracterizadas. Mais de 50 são reconhecidas como potencialmente patogénicas no homem. M. tuberculosis M. africanum M. bovis
  • 6.
    Fisiopatogenia • Inalação departículas de aerossol contaminadas com bacilos provenientes da fala, do espirro e principalmente da tosse de indivíduos bacilíferos • A infecção pelo Bacilo de Koch (BK), depende: • Características próprias do BK, que possui mecanismos complexos para tentar superar as defesas humanas, e que definem sua virulência e resistência do hospedeiro. • Resistência do hospedeiro pode ser natural ou ser produto de uma infecção anterior.
  • 7.
  • 8.
    Patogenia Penetrando no pulmão,o M. tuberculosis pode ter 4 destinos: As respostas do hospedeiro podem ser completamente efectivas; Destruição de todos os bacilos, e impede a progressão para doença. A população de bacilos infectantes começa a multiplicar e cresce imediatamente após a infecção, causando a tuberculose primária (ou primo-infecção). Os bacilos tornam-se quiescentes e nunca causam doença (infecção lactente). Os bacilos lactentes voltam a se multiplicar, causando a reactivação da tuberculose. 1 2 3 4
  • 9.
    Risco de infecçãopor tuberculose e doença entre indivíduos expostos Slide credit: clinicaloptions.com Dowdy DW, et al. Tuberculosis. Oxford Textbook of Global Public Health, 6th ed. 2015. CDC. TB Risk Factors. Narasimhan P, et al. Pulm Med. 2013;2013:828939. Exposição contacto fechado Não infecção (70%) Infecção (~ 30%) Progressão precoce (recente TB ≤ 2 A) - 5% Contenção (95%) Progressão tardia (reactivação da TB) 5% to 10%* Contenção mantida (90% to 95%) *Risco de reactivação aumenta com a infecção por VIH e outros estados de imunosupressão.
  • 10.
    Populações mais vulneráveis •Que vivem com o VIH - Incidência 30 vezes maior • Privados de liberdade (sistema prisional) - Incidência 40 vezes maior • População sem tecto - Incidência 60 vezes maior
  • 11.
    Formas Clínicas daTuberculose • Pulmonar • Tuberculose primária • Tuberculose primária progressiva • Tuberculose pós-primária • Tuberculose miliar • Extrapumonar
  • 12.
    Tuberculose Pulmonar Primária •Curso geralmente autolimitado • Assintomática ou quadro febril leve prolongado • Febre baixa • Tosse seca • Mais comum em crianças
  • 13.
    Tuberculose Pulmonar Pós-Primária •Forma crónica (reactivação ou reinfecção) • Oligossintomáticos • Tosse crónica (≥ 3 semanas) • Perda de peso • Febre vespertina • Sudorese noturna • Mais comum em adultos jovens e adultos • A depender da extensão do processo, o doente pode apresentar dor pleurítica e dispneia progressiva. • Não é autolimitada! Progressão lenta para fibrose das lesões cavitárias
  • 14.
    Diagnostico • Suspeita clínica:Sintomático respiratório • Indivíduo com tosse de duração ≥ 3 semanas (MS) • Confirmação do diagnóstico: Demonstração da presença do BK no organismo • Baciloscopia • Cultura • Teste Rápido Molecular
  • 15.
    Exames Complementares • BACILOSCOPIA •Baciloscopia da expectoração: 3 amostras sucessivas de manhã antes da higiene oral • Exame de escolha para avaliação de resposta terapêutica em bacilíferos • CULTURA • Alta sensibilidade e especificidade • Permite avaliar a sensibilidade aos antimicrobianos • Pode demorar de 2 – 8 semanas para o resultado
  • 16.
    • TESTE RÁPIDOMOLECULAR • Método de escolha para a pesquisa de BK • Utiliza uma única amostra de escarro e técnica PCR • Alta sensibilidade e especificidade com resultado rápido (≈2h) Exames Complementares
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    Outros Exames • Gamainterferon (IGRA) • Teste de dosagem de adenosina diaminase (ADA) • Broncoscopia • Serologia para HIV
  • 20.
    Diagnostico Diferencial • Histoplasmose •Criptococose pulmonar • Abscesso pulmonar bacteriano • Outras micobacterioses não M. tuberculosis (M. kansasi) • Sarcoidose • Neoplasias pulmonares, com ou sem acometimento pleural.
  • 21.
    • 1ª fase:2 Meses • Isoniazida (H) 5 a 10 mg/Kg dia • Rifampicina (R) 10 mg/Kg dia • Pirazinamida (Z) 15 a 30 mg/Kg dia • Etambutol (E) 25 mg/Kg dia • 2ª fase: varia consoante as formas clinicas 4 meses na TB pulmonar, 7 meses na TB meningea e óssea. • Isoniazida (H) 5 a 10 mg/Kg dia • Rifampicina (R) 10 mg/Kg dia Regimes de Tratamento
  • 22.
    Tuberculose MultiDrogaResistente (TBMDR) •Definição - Caso de TBMR: • Teste de sensibilidade com resistência à Rifampicina + Isoniazida + 1 ou mais medicamentos • Teste de Sensibilidade com resistência à Rifampicina + Isoniazida + falência bacteriológica comprovada ao Esquema de retratamento (persistência de baciloscopias positivas) • Tipos: • Resistência primária • Resistência secundária • Cada vez mais evidente tratar-se de um fenómeno iatrogénico e resultado de maus programas de controle da TB
  • 23.
    Tuberculose Extremamente Resistente(TBXDR) • Novas cepas resistentes a todos os fármacos • Presença em 37 países • 98% de mortalidade • Sobrevida < 1 mês após o diagnóstico • Resistência à: Rifampicina + Isoniazida + Pirazinamida + Etambutol + Aminoglicosídeos (Estreptomicina, Kanamicina + Amicacina) + Quinolonas

Notas do Editor

  • #9 TB, tuberculosis.