Universidade Federal de Santa Maria -
UFSM
Pobreza, "questão social" e seu enfrentamento
Carlos Montaño
Componentes:
Andressa Lopes
Francine Seidel
Guilherme Miranda
Luisa Munekata
Nathalia Escobar
Stefani Almeida
I. Concepções sobre pobreza,
“questão social” e seu
enfrentamento
 Pensamento conservador, entre o econômico e o
social, dissociando as questões tipicamente
econômicas das ‘’questões sociais ‘’
 O ‘’social’’ pode ser visto como ‘’fato social’’ como
algo natural, a-histórico, desarticulado dos
fundamentos econômicos e políticos da sociedade
A expressão ‘’questão social’’ começa a ser
empregada a partir da separação positivista,
portanto, dos interesses e conflitos sociais.
1. As concepções homogênicas de pobreza
e “questão social” no capitalismo
concorrencial
 A origem dessa separação são os acontecimentos de
1830-48. No momento e que a classe burguesa perde
seu caráter crítico - revolucionário perante as lutas
proletárias. Surge um tipo de racionalidade que procura:
 A mistificação da realidade
 Cria uma imagem fetichizada e pulverizada
 Após o surgimento da economia marxista, seria
impossível ignorar a luta de classes como fato
fundamental do desenvolvimento social, sempre que
as relações sociais fossem estudadas a partir da
economia.
 Surge a sociologia como ciência autônoma
 Começa –se a se pensar então a ‘’questão social’’
 a miséria, a pobreza e todas as manifestações dela
 A questão social portanto , passa a ser concebida
como questões isolada, e ainda como fenômenos
naturais ou produzidos pelo comportamento dos
sujeitos que os padecem.
 A partir de tal pensamento , as causas da miséria e
da pobreza estariam vinculadas a pelo menos três
tipos de fatores , sempre vinculados ao indivíduos
que padece tal situação.
 Primeiramente a pobreza no pensamento burguês
estaria vinculado a uma :
 Déficit educativo
 Problema de planejamento
 Problemas de ordem moral-comportamental
 Surgem com isso as bases para o desenvolvimento de
concepções , como o da cultura da pobreza . o tratamento
e o enfrentamento da mesma desenvolve-se
fundamentalmente a partir da organização de ações
filantrópicas. Assim o tratamento das chamadas
‘’questões sociais’’passa a ser orientada segundo os
valores da filantropia burguesa.
 Moralizador e comportamental.
 A ação é então a educação e a filantropia. Surgem assim
os abrigos para “pobres” e as organizações de caridade e
filantropia.
 Na Inglaterra, promulga-se a lei dos pobres, destinado a
amparar trabalhadores pobres. Em 1834, o parlamento
inglês começa a entender a própria Lei dos Pobres como
a ‘’principal fonte do pauperismo inglês’’
 Desta forma , em vez de tratar a pobreza com ações
filantrópicas /assistenciais , ela passa a ser reprimida e
castigada (como sendo uma questão delitiva ou criminal
2. A concepção Hegemônica de Pobreza e
"Questão Social" no capitalismo
monopolista do "Estado de Bem Estar“
 Marcado por um capitalismo tardio
 Estado vai assumir tarefas e funções essenciais para a
nova fase de acumulação capitalista e inibição dos
conflitos sociais da classe trabalhadora
 Aqui a "Questão Social" passa a ser internalizada na
ordem social. Não mais como um problema meramente
oriundo do indivíduo, mas como consequência do ainda
insuficiente desenvolvimento social e econômico
 A "Questão Social" passa a ser vista como caso de polícia
 Nessa perspectiva, a pobreza e a miséria, expressões da
"Questão Social" são vistas como um problema de
distribuição de mercado, como um descompasso na
relação oferta/demanda de bens e serviços
 O problema de distribuição estaria vinculado a um déficit
de demanda efetiva no mercado, criado pela sobreoferta
de força de trabalho não absorvida pela esfera produtiva
 O Estado passa a intervir em dois sentidos: Responde a
algumas necessidades dessa população carente; Cria
condições para a produção e o consumo, incentivando a
uma contenção do desemprego ou uma transferência de
renda
 Essa perspectiva avança ao considerar as manifestações
da "Questão Social" como um produto transitório do
sistema capitalista e não como mera consequência dos
hábitos e comportamentos dos indivíduos que padecem as
necessidades sociais
 Finalmente considera-se aqui a pobreza como um
problema de distribuição. Com isso o tratamento da
"Questão Social" e o combate a pobreza se determina
como um processo de redistribuição
3. A Pobreza no contexto e no
pensamento Neoliberal
 O pensamento neoliberal concebe o pauperismo mais
uma vez como um problema individual-pessoal e,
´portanto “devolve” à filantropia (individual ou
organizacional) a responsabilidade pela intervenção
social: surge o debate do “terceiro setor”, da filantropia
empresarial (ou “responsabilidade social”), do
voluntariado. A autoajuda, a solidariedade local, o
benefício, a filantropia substituem o direito
constitucional do cidadão de resposta estatal.
 O Neoliberalismo em três estratégias diante da
pobreza:
I. Ação Estatal (cidadão usuário);
II. Ação Mercantil;
III. Ação chamada de terceiro setor.
II. Desigualdade Social e as políticas
compensatórias de combate à pobreza
(extrema)
Nas sociedades de escassez, a desigualdade de
classes (a desigual distribuição da riqueza socialmente
existente) é que permitiria o acúmulo de riqueza por parte
de alguns e o empobrecimento por parte de outros,
permitindo que o excedente acumulado nas mãos de uns
possa ser investido no crescimento produtivo.
I. Pobreza e “questão social”: uma análise histórico-
crítico
 Em sociedades de abundância , onde a produção é
suficiente para abastecer toda a população, como é a
sociedade capitalista na era dos monopólios, a
desigualdade social é produto do próprio
desenvolvimento das forças produtivas, e não o
resultado do seu insuficiente desenvolvimento, nem a
condição para o mesmo.
 No capitalismo, quanto mais se desenvolvem as forças
produtivas, maior acumulação ampliada de capital e
maior pobreza.
A partir dessa constatação, uma caracterização
histórica-crítica da pobreza e da “questão social” deve
considerar os seguintes aspectos:
 “Questão social”, como fenômeno próprio do MPC,
constitui-se da relação capital-trabalho a partir do processo
produtivo, suas contradições de interesses e suas formas
de enfrentamento e lutas de classes.
 A pobreza em sociedade pré-capitalista, é resultado da
escassez de produtos, na sociedade comandada pelo
capital elas são o resultado da acumulação privada do
capital. No MPC, não é o precário desenvolvimento social
e econômico que leva à pauperização de ambos os
setores sociais, mas o próprio desenvolvimento (das forças
produtivas) é o responsável pelo empobrecimento
(absoluta ou relativa) de segmentos da sociedade.
 Todo enfrentamento da pobreza direcionada ao
fornecimento de bens e serviços é meramente paliativo.
Toda forma de desenvolvimento econômico como forma
de combater a pobreza (sem enfrentar a acumulação de
riqueza, sem questionar a propriedade privada) não faz
outra coisa se não ampliar a pauperização (absoluta ou
relativa).
 Não há novidade na “questão social” na atualidade, a não
ser nas formas e dimensões que assume. E enquanto
houver a ordem capitalista , haverá a questão social.
 Portanto só as lutas de classe, e a mudança de correção
de forças sociais poderão reverter esse processo
histórico. Confirmando e ampliando conquistas e direitos
dos trabalhadores , políticas e sociais e superando a
ordem do capital.
2. A crise capitalista: causa da pobreza?
Para Marx, na medida em que o uso industrial da
máquina tende a separar o trabalhador dos seus meios de
consumo, os trabalhadores expulsos transformam-se em
não compradores.
• Diminuindo a procurada de certas mercadorias;
• Cairá o preço das mesmas;
• Aumento do desemprego;
• Parte do capital antes destinado à produção, passa a se
reproduzir na forma de atividade financeira;
• Trabalhadores empregados na área de produção ficarão
privados de parte de seus salários.
Os ciclos das crises, conforme
Mandel (1977):
a. Período de expansão ou
“auge e prosperidade”;
b. Fase de super produção;
c. Período de “crise e
depressão”;
d. Recuperação econômica.
SOBE OS PREÇOS DAS MERCADORIAS, E COM OS
PREÇOS DAS MATÉRIAS PRIMAS AINDA BAIXOS,
AUMENTA A TAXA DE LUCROS!
 Nas sociedades pré-capitalistas as crises são
resultadas de um déficit de produção (bens de
consumo), insuficiente para atender toda a população
. O resultado é uma subprodução de mercadorias
(pouca produção em relação à demanda).
Nas sociedades capitalistas se caracteriza uma crise
com a superprodução , ou seja um excesso de
mercadorias que não podem ser consumidas. Em
virtude da ampliação da capacidade de produção
(intensificação da produtividade) e da reduzida
capacidade de compra do trabalhador (resultando no
desemprego, perda salarial, etc.)
3. A desigualdade no MPC e as
políticas públicas
• Combate a fome, miséria com a independência da
acumulação capitalista a qual bate recordes a cada ano.
Modo de Conclusão:
• Não é no mercado, mas na esfera produtiva que se não
gerar as contradições fundantes entre classes na
sociedade: a partir do lugar que se ocupam ou do papel que
desempenham.
• A desigualdade no Capitalismo -> eliminação de classes e
de exploração do trabalho pelo capital -> ordem capitalista.

Trabalho carol 27 05

  • 1.
    Universidade Federal deSanta Maria - UFSM Pobreza, "questão social" e seu enfrentamento Carlos Montaño Componentes: Andressa Lopes Francine Seidel Guilherme Miranda Luisa Munekata Nathalia Escobar Stefani Almeida
  • 2.
    I. Concepções sobrepobreza, “questão social” e seu enfrentamento  Pensamento conservador, entre o econômico e o social, dissociando as questões tipicamente econômicas das ‘’questões sociais ‘’  O ‘’social’’ pode ser visto como ‘’fato social’’ como algo natural, a-histórico, desarticulado dos fundamentos econômicos e políticos da sociedade A expressão ‘’questão social’’ começa a ser empregada a partir da separação positivista, portanto, dos interesses e conflitos sociais. 1. As concepções homogênicas de pobreza e “questão social” no capitalismo concorrencial
  • 3.
     A origemdessa separação são os acontecimentos de 1830-48. No momento e que a classe burguesa perde seu caráter crítico - revolucionário perante as lutas proletárias. Surge um tipo de racionalidade que procura:  A mistificação da realidade  Cria uma imagem fetichizada e pulverizada
  • 4.
     Após osurgimento da economia marxista, seria impossível ignorar a luta de classes como fato fundamental do desenvolvimento social, sempre que as relações sociais fossem estudadas a partir da economia.  Surge a sociologia como ciência autônoma  Começa –se a se pensar então a ‘’questão social’’  a miséria, a pobreza e todas as manifestações dela
  • 5.
     A questãosocial portanto , passa a ser concebida como questões isolada, e ainda como fenômenos naturais ou produzidos pelo comportamento dos sujeitos que os padecem.  A partir de tal pensamento , as causas da miséria e da pobreza estariam vinculadas a pelo menos três tipos de fatores , sempre vinculados ao indivíduos que padece tal situação.  Primeiramente a pobreza no pensamento burguês estaria vinculado a uma :  Déficit educativo  Problema de planejamento  Problemas de ordem moral-comportamental
  • 6.
     Surgem comisso as bases para o desenvolvimento de concepções , como o da cultura da pobreza . o tratamento e o enfrentamento da mesma desenvolve-se fundamentalmente a partir da organização de ações filantrópicas. Assim o tratamento das chamadas ‘’questões sociais’’passa a ser orientada segundo os valores da filantropia burguesa.  Moralizador e comportamental.  A ação é então a educação e a filantropia. Surgem assim os abrigos para “pobres” e as organizações de caridade e filantropia.  Na Inglaterra, promulga-se a lei dos pobres, destinado a amparar trabalhadores pobres. Em 1834, o parlamento inglês começa a entender a própria Lei dos Pobres como a ‘’principal fonte do pauperismo inglês’’  Desta forma , em vez de tratar a pobreza com ações filantrópicas /assistenciais , ela passa a ser reprimida e castigada (como sendo uma questão delitiva ou criminal
  • 7.
    2. A concepçãoHegemônica de Pobreza e "Questão Social" no capitalismo monopolista do "Estado de Bem Estar“  Marcado por um capitalismo tardio  Estado vai assumir tarefas e funções essenciais para a nova fase de acumulação capitalista e inibição dos conflitos sociais da classe trabalhadora  Aqui a "Questão Social" passa a ser internalizada na ordem social. Não mais como um problema meramente oriundo do indivíduo, mas como consequência do ainda insuficiente desenvolvimento social e econômico  A "Questão Social" passa a ser vista como caso de polícia  Nessa perspectiva, a pobreza e a miséria, expressões da "Questão Social" são vistas como um problema de distribuição de mercado, como um descompasso na relação oferta/demanda de bens e serviços
  • 8.
     O problemade distribuição estaria vinculado a um déficit de demanda efetiva no mercado, criado pela sobreoferta de força de trabalho não absorvida pela esfera produtiva  O Estado passa a intervir em dois sentidos: Responde a algumas necessidades dessa população carente; Cria condições para a produção e o consumo, incentivando a uma contenção do desemprego ou uma transferência de renda  Essa perspectiva avança ao considerar as manifestações da "Questão Social" como um produto transitório do sistema capitalista e não como mera consequência dos hábitos e comportamentos dos indivíduos que padecem as necessidades sociais  Finalmente considera-se aqui a pobreza como um problema de distribuição. Com isso o tratamento da "Questão Social" e o combate a pobreza se determina como um processo de redistribuição
  • 9.
    3. A Pobrezano contexto e no pensamento Neoliberal  O pensamento neoliberal concebe o pauperismo mais uma vez como um problema individual-pessoal e, ´portanto “devolve” à filantropia (individual ou organizacional) a responsabilidade pela intervenção social: surge o debate do “terceiro setor”, da filantropia empresarial (ou “responsabilidade social”), do voluntariado. A autoajuda, a solidariedade local, o benefício, a filantropia substituem o direito constitucional do cidadão de resposta estatal.  O Neoliberalismo em três estratégias diante da pobreza: I. Ação Estatal (cidadão usuário); II. Ação Mercantil; III. Ação chamada de terceiro setor.
  • 10.
    II. Desigualdade Sociale as políticas compensatórias de combate à pobreza (extrema) Nas sociedades de escassez, a desigualdade de classes (a desigual distribuição da riqueza socialmente existente) é que permitiria o acúmulo de riqueza por parte de alguns e o empobrecimento por parte de outros, permitindo que o excedente acumulado nas mãos de uns possa ser investido no crescimento produtivo. I. Pobreza e “questão social”: uma análise histórico- crítico
  • 11.
     Em sociedadesde abundância , onde a produção é suficiente para abastecer toda a população, como é a sociedade capitalista na era dos monopólios, a desigualdade social é produto do próprio desenvolvimento das forças produtivas, e não o resultado do seu insuficiente desenvolvimento, nem a condição para o mesmo.  No capitalismo, quanto mais se desenvolvem as forças produtivas, maior acumulação ampliada de capital e maior pobreza.
  • 12.
    A partir dessaconstatação, uma caracterização histórica-crítica da pobreza e da “questão social” deve considerar os seguintes aspectos:  “Questão social”, como fenômeno próprio do MPC, constitui-se da relação capital-trabalho a partir do processo produtivo, suas contradições de interesses e suas formas de enfrentamento e lutas de classes.  A pobreza em sociedade pré-capitalista, é resultado da escassez de produtos, na sociedade comandada pelo capital elas são o resultado da acumulação privada do capital. No MPC, não é o precário desenvolvimento social e econômico que leva à pauperização de ambos os setores sociais, mas o próprio desenvolvimento (das forças produtivas) é o responsável pelo empobrecimento (absoluta ou relativa) de segmentos da sociedade.
  • 13.
     Todo enfrentamentoda pobreza direcionada ao fornecimento de bens e serviços é meramente paliativo. Toda forma de desenvolvimento econômico como forma de combater a pobreza (sem enfrentar a acumulação de riqueza, sem questionar a propriedade privada) não faz outra coisa se não ampliar a pauperização (absoluta ou relativa).  Não há novidade na “questão social” na atualidade, a não ser nas formas e dimensões que assume. E enquanto houver a ordem capitalista , haverá a questão social.  Portanto só as lutas de classe, e a mudança de correção de forças sociais poderão reverter esse processo histórico. Confirmando e ampliando conquistas e direitos dos trabalhadores , políticas e sociais e superando a ordem do capital.
  • 14.
    2. A crisecapitalista: causa da pobreza? Para Marx, na medida em que o uso industrial da máquina tende a separar o trabalhador dos seus meios de consumo, os trabalhadores expulsos transformam-se em não compradores. • Diminuindo a procurada de certas mercadorias; • Cairá o preço das mesmas; • Aumento do desemprego; • Parte do capital antes destinado à produção, passa a se reproduzir na forma de atividade financeira; • Trabalhadores empregados na área de produção ficarão privados de parte de seus salários.
  • 15.
    Os ciclos dascrises, conforme Mandel (1977): a. Período de expansão ou “auge e prosperidade”; b. Fase de super produção; c. Período de “crise e depressão”; d. Recuperação econômica. SOBE OS PREÇOS DAS MERCADORIAS, E COM OS PREÇOS DAS MATÉRIAS PRIMAS AINDA BAIXOS, AUMENTA A TAXA DE LUCROS!
  • 16.
     Nas sociedadespré-capitalistas as crises são resultadas de um déficit de produção (bens de consumo), insuficiente para atender toda a população . O resultado é uma subprodução de mercadorias (pouca produção em relação à demanda). Nas sociedades capitalistas se caracteriza uma crise com a superprodução , ou seja um excesso de mercadorias que não podem ser consumidas. Em virtude da ampliação da capacidade de produção (intensificação da produtividade) e da reduzida capacidade de compra do trabalhador (resultando no desemprego, perda salarial, etc.)
  • 17.
    3. A desigualdadeno MPC e as políticas públicas • Combate a fome, miséria com a independência da acumulação capitalista a qual bate recordes a cada ano. Modo de Conclusão: • Não é no mercado, mas na esfera produtiva que se não gerar as contradições fundantes entre classes na sociedade: a partir do lugar que se ocupam ou do papel que desempenham. • A desigualdade no Capitalismo -> eliminação de classes e de exploração do trabalho pelo capital -> ordem capitalista.